UNIVERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA
ANA CARLA DE MACEDO SOUZA
A PERCEPÇÃO DE TRABALHADORES DA CONSTRUÇÃO CIVIL ACERCA DOS
FATORES DE RISCO DE ACIDENTES DE TRABALHO.
Palhoça
2009
ANA CARLA DE MACEDO SOUZA
A PERCEPÇAO DE TRABALHADORES DA CONSTRUÇAO CIVIL ACERCA DOS
FATORES DE RISCO DE ACIDENTES DE TRABALHO.
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao
curso de graduação em Psicologia, da
Universidade do Sul de Santa Catarina, como
requisito parcial à obtenção do título de Psicólogo.
Orientadora: Prof. Dra. Carolina Bunn Bartilotti
Palhoça
2009
ANA CARLA DE MACEDO SOUZA
A PERCEPÇAO DE TRABALHADORES DA CONSTRUÇAO CIVIL ACERCA DOS
FATORES DE RISCO DE ACIDENTES DE TRABALHO.
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao
curso de graduação em Psicologia, da Universidade
do Sul de Santa Catarina, como requisito parcial à
obtenção do título de Psicólogo.
Palhoça, 17 de novembro de 2009.
_____________________________________________
Prof.ª Orientadora Carolina Bunn Bartilotti, Dra.
Universidade do Sul de Santa Catarina
_____________________________________________
Prof.ª Ana Maria Santana, Msc
Universidade Federal de Santa Catarina
_____________________________________________
Prof.ª Marilda Contessa Lisboa, Esp.
Universidade do Sul de Santa Catarina
Dedico e agradeço com muita gratidão este
trabalho primeiramente a DEUS, sem ELE não
somos nada.
Dedico esta parte de minha vida, em especial ao
meu marido Cóia, meu amor, minha fortaleza maior
pelo companheirismo, carinho e pela paciência em
todas as horas em que precisei estar ausente.
E aos meus amados filhos Naiana e Marcel, pelo
amor, compreensão e paciência que tiveram para
que eu pudesse chegar até aqui.
E...Jorge e José...anjos da minha vida.....
AGRADECIMENTOS
No decorrer de minha trajetória acadêmica, sem dúvida alguma, encontrei
várias dificuldades. Sei, porém, que não caminhei sozinha. Meus objetivos foram
alcançados e assim muitos fizeram parte para que este sonho se realizasse!!!
Primeiramente agradeço a Deus, por permitir que eu chegasse até aqui,
fortalecendo-me com o conhecimento da sua Palavra, e não permitindo que eu
desistisse, dando-me forças até o fim da jornada, para assim seguir adiante.
Nossa quanta felicidade! Muitas vezes pensei que eu não daria conta e
não chegaria até o fim!
Agradeço ao meu maridão fofo Cóia, que durante toda minha vida
acadêmica, sempre esteve comigo (mesmo achando que era somente mais uns
daqueles cursos que eu adorava fazer e não acabava!!),mas sim em todos os
momentos de minha caminhada, sempre me dando coragem, força e incentivo. Meu
eterno agradecimento por mais esta conquista.
Agradeço a minha tão amada filha Naiana e meu tão amado filho Marcel
pela compreensão e apoio de vocês nos momentos de irritação, e por saberem me
escutar, e muitas vezes entenderem, que eu não poderia estar sempre junto a
vocês, e mesmo assim sempre me deram apoio durante a formação acadêmica
compartilhando comigo cada alegria, conquista,e cada momento de brincadeiras,de
superação, e hoje estão felizes porque essa etapa, eu digo que venci.
Aos meus filhos e anjos Jorge e José, onde sei que me olham de um
horizonte maior e eterno, junto ao Nosso Deus Pai.
Agradeço a todas as pessoas que me ajudaram a chegar ao fim desta
escalada, e de forma especial minha mãe amada Edézia, meu paidrasto Adelfo,
meus irmãos Zezé, César e Ricardo, pois, além da força de suas crenças na minha
vitória, me ajudaram a acreditar que eu conseguiria.
Ao meu futuro genrinho... Eduardo, que me acolheu nos momentos
difíceis, contribuindo para a construção de um novo olhar para as coisas que eu
achava que não daria conta.
Agradeço a minha amiga Simone Nobre, mesmo conhecendo-a há tão
pouco tempo fez a grande diferença na minha vida. Obrigada pela sua paciência,
sempre com uma palavra de conforto e carinho nas horas dificieis!! características
de uma grande amiga. D.Verônica você é mais que demais querida!
Á uma grande amada amiga Olga, que partiu muito cedo, e deixou muitas
lições de vida, onde uma delas, é que devemos lutar com toda a força em busca de
nossos objetivos. Desistir? Nunca!...Saudades amiga!!!
Jane, a Universidade sem você não teria graça mesmo!Você irradia
alegria por onde quer que passe, obrigada por esta amizade tão sincera mesmo!
À Eliana Lino, uma grande amizade conquistada, uma amiga do coração,
me fez ver que tudo fez valer a pena. Sentirei saudades de tudo que vivi aqui!
Á Letícia Castelo, amiga, companheira de vida acadêmica, e que, muitas
vezes não permitiu que eu desistisse,ensinando-me, dando apoio e carinho, se
propondo a ajudar nas minhas dificuldades, e inclusive elaborou meu horário, para
que pudéssemos nos formar juntas. “...Ana vai dar certo, você vai fazer estas
disciplinas e pronto”!! E deu certo amiga!!
Á Juana Sirotsky! Sinto uma enorme gratidão, com você aprendi muito!
Obrigada pelo seu respeito, compreensão nos momentos mais difíceis. Valeu a
pena!Inclusive nossas voltinhas no “xopis”, lanchinhos, dormidinhas no carro quando
estávamos cansadas de tudo! Foi um privilégio conhecê-la.
Ernesto, sempre bem humorado!Obrigada pela paciência comigo
Fernanda Santiago, simplesmente és demais! Michelle Quintilhan, Micheli Venturin,
Bel, Babi, Mônica, Carol,Flavia,D.Rosália,Cida obrigada pelas palavras de incentivo,
compreensão e por torcerem pelo meu sucesso. Ás amigas do grupo de estagio
Andréa, Rita, Melissa, Suélen, Cris Duriex, Fernanda e Gabi: desfrutem mais essa
fase! Agradeço imensamente a minha orientadora de TCC Carolina, por ter me
proporcionado grande aprendizado e por suas inúmeras sugestões. Sua dedicação e
paciência me deram um incentivo maior a concluir este trabalho, deixando para mim
um gostinho de quero mais. Você me mostrou que sou capaz!! Valeu mesmo Carol.
Aos meus mestres Marilda e Esther! Obrigada pela formação, pelas
experiências de vida compartilhadas, sendo que cada conquista minha vocês
tiveram uma parcela de participação. Agradeço a banca examinadora, Marilda
Lisboa e Ana Maria Santana meu muito obrigada por terem aceitado meu convite. E
por fim, agradeço a todos que, de uma forma ou de outra, acompanharam meu
processo de crescimento. Obrigada
“Porque tu és a minha rocha e minha fortaleza; assim por amor do teu nome,
guia-me e encaminha-me.” (Salmos 31-3)
RESUMO
A presente pesquisa está vinculada ao Projeto Saúde do Trabalhador do Núcleo
Orientado Psicologia e Trabalho Humano do Curso de Psicologia da Universidade do
Sul de Santa Catarina, que desenvolve projetos que envolvem o processo trabalhosaúde-doença em trabalhadores de todas as categorias. Esta pesquisa caracteriza-se
como um estudo referente às percepções de trabalhadores da Construção Civil
acerca dos fatores de risco passíveis de ocasionar acidentes de trabalho. A
Construção Civil é responsável por grande parte do emprego da população
masculina, e também considerada uma das mais perigosas em todo o mundo,
liderando as taxas de acidentes de trabalho fatais e não-fatais. Para tanto foi
realizada uma pesquisa quantitativa, de natureza descritivo–exploratória a partir de
um estudo de caso com levantamento e com uma amostra de 64 trabalhadores de
um canteiro de obras de uma construtora da Grande Florianópolis. Como
instrumento de coleta de dados foi utilizado um questionário que foi aplicado pela
própria pesquisadora, uma auxiliar e também uma profissional técnica de segurança
do trabalho no próprio ambiente de trabalho, contendo 28 questões fechadas acerca
do entendimento dos trabalhadores quanto aos fatores que possivelmente possam
ocasionar acidentes de trabalho. Os dados foram agrupados e divididos por fatores
extrínsecos ao trabalhador (condições e ambiente de trabalho), e fatores intrínsecos
ao trabalhador (cognitivos emocionais e fisiológicos). Na organização e análise dos
dados, optou-se pela análise de estatística descritiva e utilizou-se o Microsoft Office
Excel para a tabulação e processamento dos dados. A maioria dos participantes da
pesquisa compartilha da mesma percepção a respeito de alguns dos fatores
descritos no instrumento de coleta de dados, os quais possam vir a propiciar o
acidente. Dentre os fatores extrínsecos destacam-se os treinamentos, campanhas
de prevenção, palestras, ambiente de trabalho organizado, manutenção adequada
dos equipamentos como fatores passiveis de ocasionar acidentes de trabalho.
Quando analisados os fatores intrínsecos, os fatores mais evidenciados, destacamse, o uso correto de equipamentos de segurança (EPIs), trabalhar calmo e com
atenção, o uso de álcool e a satisfação destacam-se. Deste modo, com base nesta
análise dos dados coletados e vinculações com as discussões teóricas, considera-se
que é necessário trabalhar com a conscientização da importância da prevenção, tanto
com os trabalhadores como também aos empregadores, para reduzir os números de
acidentes de trabalho na Construção Civil.
Palavras-Chaves: Construção Civil; Saúde do trabalhador; Acidente de trabalho.
LISTA DE TABELAS
Tabela 1: Função exercida pelos trabalhadores da pesquisa (N=64). ......................37
Tabela 2:Fatores extrínsecos ao trabalhador (n=64).................................................44
Tabela 3: Fatores intrínsecos ao trabalhador (n=64).................................................48
LISTA DE GRÁFICOS
Gráfico 1: Distribuição de freqüência por sexo (n=64). .............................................37
Gráfico2: Distribuição de freqüência por grau de instrução.......................................39
Gráfico 3: Distribuição de freqüência por estado civil................................................40
LISTA DE FIGURAS
Figura 1: Etiologia dos acidentes de trabalho. .....................................................26
Figura 2: Esquema sobre as variáveis que podem influenciar na percepção de
risco..........................................................................................................................30
LISTA DE QUADROS
Quadro 1. Definições dos conceitos de risco e perigo. .............................................29
Quadro 2: Tipos de risco baseado na classificação da FUNDACENTRO 2005. .......29
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................13
1.1 PROBLEMÁTICA, OBJETIVOS E JUSTIFICATIVAS. .....................................14
1.2 JUSTIFICATIVA...............................................................................................17
2
FUNDAMENTACAO
TEÓRICA:
CONSTRUÇÃO
CIVIL,
ASPECTOS
HISTÓRICOS, CARACTERIZAÇÃO E ACIDENTES DE TRABALHO. ...................19
2.1. ASPECTOS HISTÓRICOS .............................................................................19
2.2 CARACTERIZAÇÃO Da INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO CIVIL....................20
2.3 ACIDENTES DE TRABALHO CONCEITOS....................................................22
2.4 FATORES QUE INCIDEM NA OCORRENCIA DOS ACIDENTES DE
TRABALHO ...........................................................................................................25
2.5 PERCEPÇÃO DE RISCO NA CONSTRUÇÃO CIVIL......................................28
3 MÉTODO................................................................................................................31
3.1 TIPOS DE PESQUISA.....................................................................................31
3.2 LOCAL E PARTICIPANTES ............................................................................32
3.3 INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS ...................................................33
3.4 PROCEDIMENTOS .........................................................................................34
3.4.1
ORGANIZACAO, TRATAMENTO E ANÁLISE DE DADOS ....................35
4. ANALISES E DISCUSSÃO DE DADOS...............................................................36
4.1 CARACTERÍSTICAS SÓCIO DEMOGRÁFICAS DA AMOSTRA ....................36
4.2 FATORES DE RISCO DE ACIDENTES DE TRABALHO NA CONSTRUÇÃO
CIVIL......................................................................................................................42
4.2.1 Fatores Extrínsecos ao Trabalhador .........................................................44
4.2.2 Fatores Intrínsecos ao Trabalhador ..........................................................47
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS ...................................................................................52
REFERÊNCIAS..........................................................................................................56
APÊNDICE A - QUESTIONÁRIO: PERCEPÇÃO DE FATORES DE RISCO DE
ACIDENTES DE TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL........................................63
APÊNDICE B- TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO PARA A
PARTICIPAÇÃO DE TRABALHADORES DA CONSTRUÇÂO CIVIL.....................65
APÊNDICE C - TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO PARA A
PARTICIPAÇÃO DA ORGANIZAÇÃO .....................................................................66
ANEXOS....................................................................................................................67
ANEXO A–APROVAÇÃO DO COMITÊ DE ÉTICA EM PESQUISA DA UNISUL. 678
13
1 INTRODUÇÃO
O curso de Psicologia da Universidade do Sul de Santa Catarina inclui no
seu currículo acadêmico duas ênfases curriculares que são chamadas de Núcleos
Orientados cujo objetivo é proporcionar ao acadêmico, formação específica de
investigação e intervenção em Psicologia. Na 8ª fase do curso, o acadêmico deve
escolher entre dois Núcleos, um deles é denominado como o Núcleo Orientado
Psicologia e Saúde e um outro Núcleo Orientado Psicologia e Trabalho Humano,
que visa formar profissionais a executar ações frente às questões que envolvem o
trabalho humano, sempre priorizando a saúde psicológica dos trabalhadores.
Feita a opção pelo Núcleo Orientado, na fase seguinte os acadêmicos
devem escolher entre os projetos oferecidos em cada Núcleo. No caso, a acadêmica
escolheu o Núcleo Orientado de Psicologia e Trabalho Humano. Novamente o
acadêmico deve escolher entre os projetos oferecidos, que são: Gestão de Pessoas,
Saúde do Trabalhador e Identidade Profissional. Desta maneira houve a opção pelo
projeto de Saúde do Trabalhador, o qual se fez a opção por seguir adiante neste
projeto. Neste projeto são executadas atividades em grupos, que são realizadas com
colaboradores da Biblioteca da Unisul, seminários, elaborações de relatórios, projeto
este intitulado de Bem Estar-Saúde do Trabalhador, bem como atendimento a clínica
do serviço de psicologia da Unisul.
Os trabalhos de conclusão de curso buscam fenômenos psicológicos
relacionados ao projeto no qual o acadêmico está incluso. Desta maneira,
interessou-se buscar saber quais as percepções que os trabalhadores da
Construção Civil, possam ter ou não acerca de acidentes de trabalho, já que a
indústria da Construção Civil é um setor que apresenta índices bastante elevados de
acidentes de trabalho. De acordo estimativas da OIT (2003), dos 355.000 acidentes
de trabalho fatais que acontecem em cada ano no mundo, aproximadamente 60.000
(17%) ocorrem em obras de construção. Estes acidentes representam perdas para a
sociedade em geral, para empresa e para o trabalhador.
Sendo assim esta pesquisa ela foi estruturada em cinco capítulos, sendo
eles: Introdução, Fundamentação Teórica, Método, Analise e Discussão de dados e
Conclusão.
14
A referida pesquisa em primeiro momento contextualizou o leitor para o
aparecimento da problemática o qual deu origem ao problema de pesquisa. Em um
segundo momento, procurou apresentar os objetivos ao qual essa pesquisa se
buscou alcançar, e sendo assim uma maior compreensão do fenômeno que se
propôs investigar. Logo em seguida foi abordada a justificativa da pesquisa, onde
foram apresentados alguns referenciais científicos, que se relacionem com o tema
desta pesquisa, com o intuito de oferecer maior fundamentação para a realização da
mesma, assim como são apresentadas às relevâncias tanto científicas quanto
sociais e pessoais/acadêmicas desta pesquisa. Como bases teóricas foram
utilizados nesta pesquisa diversos autores que abordam a questão do acidente de
trabalho bem como riscos, e fatores que possam vir ocasionar acidentes. No capítulo
método, apresentou-se ao leitor o instrumento que foi utilizado na coleta dos dados,
os locais onde foram feitas as coletas dos dados, os participantes que fizeram parte
da pesquisa, bem como a forma que foram analisados os dados coletados, e por fim
as conclusões.
1.1 PROBLEMÁTICA, OBJETIVOS E JUSTIFICATIVAS.
Todos os anos milhares de trabalhadores sofrem acidentes de trabalho no
Brasil. Segundo dados do Ministério da Previdência entre os anos de 1997 e 2007,
ocorreram 4.850.473 acidentes de trabalho no Brasil. A Organização Internacional
do Trabalho (OIT, 2005) refere que aproximadamente 270 mil de trabalhadores
sofrem acidentes não fatais e 160 mil são acometidos por doenças profissionais
todos os anos. Outros dados da mesma instituição estimam em 2 mil o número de
trabalhadores que morrem por ano no mundo em decorrência de acidentes de
trabalho. Neste sentido, o assunto relacionado a acidentes de trabalho constitui-se
em tema atual, merecendo destaque e chamando a atenção de pesquisadores. Essa
preocupação não é em vão, considerando que nestes levantamentos, acidentes
estão presentes no cotidiano do trabalhador e estes podem acarretar danos
irreversíveis para a saúde deste seguimento da população.
15
De acordo Diesel et al (2001), o setor da Construção Civil é um dos ramos
de maior relevância para o país devido ao seu grande capital circulante, utilidade de
produtos, e principalmente por ser um ramo que possui um número bastante
significativo de empregados. Conforme com o que foi publicado na Revista
Prevenção, em 2009 estima-se que no Brasil a Construção Civil seja responsável
por cerca de 15% do Produto Interno Bruto (PIB) empregando quase 1/3 dos
trabalhadores e gerando mais de 9 milhões de empregos diretos e indiretos.
Apesar da relevância desta indústria, a Construção Civil atualmente se
caracteriza por ser um dos cinco principais setores de atividades econômicas que
mais afasta trabalhadores por motivos de acidentes típicos1. Nos anos de 2006 e
2007, segundo dados do Anuário Estatístico da Previdência Social (PREVIDÊNCIA,
2007), a Construção Civil afastou 18.690 trabalhadores por acidentes típicos,
perdendo somente para as atividades de atendimento hospitalar (com 56.566
acidentes), atividades de extração de cana de açúcar (30.819) e comércio varejista
(22.014). No período de 8 anos (1997-2005) foram registrados 255.514 acidentes de
trabalho relacionados às atividades da Construção Civil, sendo que as atividades de
edificações residenciais, industriais e comerciais registraram 118.211 vítimas
(PREVIDÊNCIA, 2009).
Pesquisas
realizadas
pelo
Siduscon
(Sindicato
da
Indústria
da
Construção) de (S.P) e Ministério do Trabalho a nível nacional, apontam dados que
chamam a atenção para altos índices de acidentes fatais na Construção Civil
brasileira, que além de elevados em termos absolutos, indicam que este setor possui
uma média de acidentes superior a media internacional.
Segundo estimativas da OIT (2003), dos 355.000 acidentes de trabalho
fatais que acontecem em cada ano no mundo, aproximadamente 60.000 (17%)
ocorrem em obras de construção.
Um dos motivos para tantos afastamentos e acidentes de trabalho é a
natureza das atividades que são desenvolvidas na Construção Civil, e que na
maioria das vezes precisa-se de planejamento muito rigoroso e adequado para que
se tenha uma prevenção apropriada no local de trabalho (MELO 2000). Dentro das
questões do ambiente e de prevenção contra acidentes de trabalho, é fundamental
que se saiba as circunstâncias e o meio em que o sujeito encontra-se inserido,assim
1
Acidentes típicos são aqueles decorrentes da característica da atividade profissional desempenhada pelo
16
como, de que maneira este sujeito percebe um acidente relacionado à sua atividade
laboral em sua vida.
No
trabalhadores
que
da
tange
à
Construção
prevenção
Civil
de
acidentes,
apresentam-se
tradicionalmente,
resistentes
ao
uso
os
de
Equipamentos de Proteção Coletiva e Individual. Souza (2002) atribui esta
resistência ao fato do trabalhador negar-se a perceber o risco. Segundo este autor,
os operários da Construção Civil conhecem o risco, porém o descaracterizam ou o
desprezam.
Corroborando com esta questão, o ambiente de trabalho no setor da
Construção Civil apresenta diversos riscos de acidentes, e torna-se imprescindível
evidenciar estas condições. Dentre os principais riscos inclui-se: ergonômicos,
pessoais, ambientais, químicos e físicos. Os riscos citados serão apresentados mais
detalhadamente no capítulo de referencial teórico.
Apesar
de
autores
como
Souza
(2002)
referenciarem
que
os
trabalhadores têm percepção acerca dos riscos passíveis de ocasionar acidentes de
trabalho no âmbito da Construção Civil, alguns estudiosos (Sampaio 1999, Pontes
1998, Falcão e Rousselet 1999, Santana 2002) apontam que nem sempre estes
riscos são percebidos. Tendo em vista esta contradição, bem como a complexidade
de fatores que possam ocasionar danos aos trabalhadores, apresenta-se o seguinte
problema de pesquisa:
Como os trabalhadores da indústria da Construção Civil percebem
fatores acerca de risco passíveis de ocasionar acidentes de trabalho?
Sendo assim, o objetivo geral do estudo é identificar a percepção dos
trabalhadores da indústria da Construção Civil acerca dos fatores de risco
passíveis de ocasionar acidentes de trabalho.
Diante do exposto e para responder a este objetivo geral, têm-se os
seguintes objetivos específicos:
1) Identificar os fatores de risco que possam ocasionar acidentes de
trabalho no desenvolvimento das atividades na Construção Civil;
2) Relacionar e associar os fatores de risco às características sóciodemográficas dos trabalhadores da Construção Civil.
17
1.2 JUSTIFICATIVA
Tendo em vista o problema apresentado anteriormente, buscou-se nesta
pesquisa algumas consultas a bibliografia disponível, porém
verificou-se que o
volume de pesquisas existentes relacionadas a acidentes de trabalho é expressivo,
no entanto o desenvolvimento de pesquisas relativas à percepção de risco dos
trabalhadores da Construção Civil é ainda restrito. No período entre março e maio de
2009, a autora realizou um levantamento bibliográfico nas bases de dados do Scielo,
Pepsic, ICAD, Google Acadêmico assim como livros e revistas especializadas e
constatou-se que há poucos dados científicos acerca da temática em questão.
No que se refere à relevância pessoal, o tema de pesquisa passou a
interessar a autora, desde o segundo semestre do ano de 2008. Na ocasião foi
elaborado um pré-projeto para a disciplina de Metodologia da Pesquisa II, cujo tema
era “A Utilização de EPIs2 na Prevenção de Acidentes na Construção Civil,” já que,
como mencionado anteriormente, a indústria da Construção Civil constitui-se em um
ramo de atividade profissional em que acontecem muitos acidentes.
Sendo assim também se soma o fato da pesquisadora estar envolvida no
projeto de extensão vinculado a UNISUL (Universidade do Sul de Santa Catarina),
intitulado “Bem Estar-Saúde do Trabalhador”, e aliado a este projeto estar cursando
estágio curricular na mesma temática, o que despertou maior interesse para
continuar a pesquisar sobre este fenômeno com o qual já existia uma identificação.
Ao conseguir responder o objetivo a qual esta pesquisa se encaminhou,
pretendeu-se assim, servir a sociedade de uma atenção especial voltada a este
setor.
No exercício das atividades da Construção Civil, faz-se importante
possibilitar aos trabalhadores a edificação de uma carreira profissional amparada
pelo bem estar e enaltecê-los a respeito de suas percepções acerca de um risco de
acidente os quais, possivelmente, trará conseqüências para ele, sua família,
empresa e sociedade.
Estudar a respeito de como estes trabalhadores percebem os riscos de
acidentes de trabalho no decorrer de suas atividades é de relevância significativa.
2
EPI – Equipamento de Proteção Individual.
18
Verifica-se que, entre algumas das preocupações nas organizações com
a saúde do trabalhador estão os acidentes de trabalho, custos estes que atingem
tanto o funcionário como a empresa. Entretanto, o custo social nem sempre é
questionado, a incapacidade do trabalhador, as dificuldades para uma reabilitação
profissional, o fechamento do mercado de trabalho para o acidentado, são alguns
dos inúmeros pontos que raras às vezes são discutidos, mas que são de extrema
importância devido aos efeitos negativos que causam ao trabalhador.
Portanto, é baseado no que foi acima discutido que a pesquisa se justifica
como uma forma do trabalhador e empresa estarem mais atentos a alguns fatores
importantes entre eles; a prevenção da saúde física e mental num ambiente de
trabalho, os quais venham a causar um acidente.
Ademais se pretende para o meio acadêmico, que esta pesquisa possa
servir de referencia para contribuir com o desenvolvimento de novos estudos
relacionados aos temas de prevenção, acidente de trabalho e saúde do trabalhador.
19
2
FUNDAMENTACAO
TEÓRICA:
CONSTRUÇÃO
CIVIL,
ASPECTOS
HISTÓRICOS, CARACTERIZAÇÃO E ACIDENTES DE TRABALHO.
2.1. ASPECTOS HISTÓRICOS
A Indústria da Construção Civil é uma atividade econômica que envolve
tradicionais estruturas sociais, culturais e políticas. Enquanto atividade humana
coincide com as demandas que o homem vem apresentando desde os primórdios da
civilização, a partir da necessidade do homem de utilizar um lugar para garantir
abrigo e proteção, aos ataques de animais, tempestades, ou qualquer evento nocivo
a sua segurança. As primeiras habitações (há aproximadamente 10.000 anos) foram
construídas com materiais brutos extraídos da natureza, e posteriormente blocos
semelhantes a tijolos feitos de argila e palha. Estes materiais foram utilizados pelo
homem para produzir suas residências, bem como grandes obras imponentes de
engenharia na antiguidade, como as pirâmides do Egito e o Pantheon em Roma
(MELO JÚNIOR, 2009).
Ao longo da história, as tecnologias para desenvolvimento de materiais
foram evoluindo e aprimorando-se, fazendo com que a atividade de construção
fosse considerada como uma das mais antigas e importantes realizadas pelo
Homem. De acordo com Cunha (apud VALLADADES et al., 1981), foram nas
fazendas de açúcar, nos colégios jesuítas, mineração e no artesanato urbano que
iniciaram as primeiras atividades assalariadas ligadas à Construção Civil.
Nos últimos anos, diversas mudanças no mundo do trabalho ocorreram. A
Construção Civil vem sendo atingida intensamente por estas mudanças, devido à
atualização e modernização do setor. Incluem-se os novos conhecimentos técnicos
e de maquinários, e devido a estas inovações, aconteceram muitas modificações
nos procedimentos de trabalho.
Segundo Flohic (1987), a implantação das inovações tecnológicas na
indústria da Construção Civil substituem o trabalho de caráter artesanal da profissão
por um trabalho em escala. Ou seja, o “artesão” aquele que tinha o domínio de todas
as etapas de produção permitindo a ele determinar o ritmo e conduzir a construção
20
do começo ao fim e, deste modo, seu trabalho era qualificado passou a fazer parte
da classe de “operário” o qual não tem o domínio de todas as etapas. Sendo assim,
anteriormente, pelo caráter artesanal deste “saber-fazer,” cada construção era uma
obra única e exclusiva. Com toda modernização, tecnologias, e o desenvolvimento
deste setor da Construção Civil, passou-se a produzir em escalas (GOMES,2003
apud GÓMEZ, 1987).
Apesar das modificações do processo de trabalho da Construção Civil em
que o trabalhador passou de artesão a operário, ainda hoje esta indústria, se
mantém de certa forma artesanal, pois quase todas as etapas construtivas são feitas
artesanalmente e com ferramentas manuais (VARGAS, 1981).
2.2 CARACTERIZAÇÃO DA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO CIVIL
As atividades desenvolvidas na indústria da Construção Civil, envolvem
desde simples reformas de casas até grandes projetos de engenharia, dividindo-se
basicamente em dois tipos de construções: 1) residenciais, comerciais, industriais,
de serviços; e em 2) projetos de rodovias, pontes, usinas hidrelétrica, linhas de
transmissão, entre outros (VÉRAS et al, 2006). Os primeiros tipos de construção
classificam-se em risco do tipo 4 (quatro), de acordo com a NR 43.
Há singularidades na caracterização da indústria da Construção Civil.
Cada produto é construído ou edificado em lugar determinado, onde será utilizado
através da elaboração de projetos específicos, resultando na mudança constante do
ambiente de trabalho. Dentre estas peculiaridades, Araújo (1998) cita as relativas ao
tamanho das empresas, à curta duração das obras, à sua diversidade e à
rotatividade da mão-de-obra.
De acordo com Smallwood (apud KRUGER 2003), é de grande
importância ressaltar que em cada etapa de uma construção há uma incidência de
atividades manuais, que levam o estabelecimento de trabalho com alto grau de
3
A Norma Regulamentadora 4 (NR4) versa sobre serviços especializados em engenharia de segurança e em
medicina do trabalho em edificações (residenciais, industriais, comerciais e de serviços) - inclusive ampliação e
reformas completas.
21
esforço físico dos trabalhadores. As tarefas necessárias para a execução dos
serviços são realizadas em várias alturas e posições, gerando posturas agressivas e
ações que envolvem, flexões, agachamentos, alcance de posições distantes do
corpo e acima da cabeça, movimentos repetitivos, carregamento de materiais e
equipamentos pesados, exposição a ruídos e vibrações além de subidas e descidas
constantes.
Conforme os autores Silva (2008) e Dull (2004), tendo em vista as
atividades realizadas, a indústria da Construção Civil é um setor que se caracteriza
com um elevado índice de trabalhadores com baixo nível de escolaridade. Para
iniciar as atividades, em geral, não é necessário ter nenhum curso de qualificação
específico e normalmente os trabalhadores iniciam a profissão como serventes e
vão, paulatinamente, mudando de função conforme adquirem experiência.
Conforme Mawardiye (1997), no aspecto econômico, a indústria da
construção, ocupa papel de destaque no cenário nacional por gerar um grande
número de empregos diretos e indiretos, absorvendo um terço dos trabalhadores
envolvidos em atividades industriais. Werneck (apud Valadares et al., 1981) afirma
que o setor, que possuía 263.000 trabalhadores em 1940, saltou para 1.934.000
trabalhadores em 1973.
Outro dado de expressiva relevância, com relação à absorção de mãode-obra a indústria da Construção Civil é que este setor se mantém um tanto
significativo, pois empregou mais de 5,8 milhões de pessoas, número que
representa 6,53% da mão-de-obra do país e 18,5% em relação ao total de
trabalhadores da indústria em geral. Sendo que analisados trabalhadores
contribuintes e não contribuintes. (IBGE, 2007).
Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (TEM, 2005) a indústria da
Construção Civil emprega diretamente 3.771.400 trabalhadores em todo o país, “o
que representa 5,6% da População Ocupada Total”.Para o Ministério do
Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (2003), a indústria da Construção
Civil possui extraordinária capacidade de realização de investimento, contribui para
o equilíbrio da balança comercial e gera quantidade significativa de empregos
indiretos. Vale destacar que estes dados são referentes somente aos trabalhadores
formais, os trabalhadores informais não entram nesta estatística.
Segundo a OIT (2003), 94% das empresas no Brasil são micro e
pequenas, que empregam até 29 trabalhadores e a informalidade da mão de obra na
22
construção é da ordem de 61%. A indústria da Construção Civil respondeu por
10,3% do PIB Nacional, nos anos 1997/98 e 6,6% das ocupações no mercado de
trabalho; No ano 2000 foi responsável por 15,6% do PIB nacional e empregou 3,6
milhões de pessoas.
2.3 ACIDENTES DE TRABALHO CONCEITOS
Nos dicionários da Língua Portuguesa o vocábulo acidente, do latim
accidente, possui como significados: “1. Acontecimento casual, fortuito, imprevisto
[...] 2. acontecimento infeliz, casual ou não, e de que resulta ferimento, dano,
estrago, prejuízo,avaria, ruína, etc.,; desastres [...]” (Ferreira, 1986, p.31). Ou seja, o
acidente é tomado como uma infelicidade, um azar, um acontecimento sem qualquer
relação com a vontade humana.
Mendes (2002) refere definição de acidente de trabalho
Acidente de Trabalho é aquele que ocorre durante o exercício do trabalho,
que provoca lesão corporal ou perturbação funcional que causa a morte,
perda ou redução permanente ou temporária da capacidade para o trabalho.
Considera-se igualmente os casos ocorridos no percurso da residência e do
local de refeição para o trabalho ou deste para aquele. (MENDES, 2002 p.
329).
Segundo Santana (2002) os acidentes de trabalho são um dos mais
importantes problemas de saúde no mundo por seu caráter potencialmente
incapacitante e fatal, acometendo principalmente pessoas jovens e economicamente
produtivas.
É considerado acidente do trabalho, quando ocorrer nas seguintes
situações: Qualquer tipo de lesão, no local e/ou no horário de trabalho, doença
profissional ou do trabalho que são adquiridas na atividade em função das condições
em que o trabalho é exercido, e fora do local de trabalho a serviço da empresa
(ZOCCHIO, 2002).
Para a Organização Mundial da Saúde, o acidente de trabalho é um
acontecimento não premeditado, sendo este causador de grandes danos ao sujeito.
23
Este é compreendido como uma ocorrência de numerosos fatos, que, de um modo
geral, e sem alguma intenção, causa lesão corporal, morte ou dano material
(ZOCCHIO, 1980).
Para a Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT:
Acidente do trabalho (ou, simplesmente, ACIDENTE) é a ocorrência
imprevista e indesejável, instantânea ou não, relacionada com o exercício
do trabalho, que provoca lesão pessoal ou de que decorre risco próximo ou
remoto dessa lesão (NBR 14280/99, Cadastro de Acidentes do Trabalho Procedimento e Classificação)
Segundo o Ministério do Trabalho (1995), a legislação Previdenciária
conceitua o acidente de trabalho em sua Lei n 8.213, de 24 de julho de 1991,
alterada pelo Decreto n 611, de 21 de julho de 1992, art. 19: “Acidente de trabalho é
aquele que ocorre pelo exercício do trabalho, a serviço da empresa, ou ainda, pelo
serviço de trabalho de segurados especiais, provocando lesão corporal ou
perturbação funcional que cause a morte, a perda ou redução da capacidade para o
trabalho, permanente ou temporária”.
Conforme define o Ministério da Previdência Social, os acidentes do
trabalho registrados são aqueles que são protocolizados e caracterizados e são
divididos em:
Acidente típico: acidente decorrente da característica da atividade
profissional desempenhada pelo acidentado;
Acidente de trajeto: acidente ocorrido no trajeto entre a residência e o
local de trabalho do segurado, e vice-versa;
Doença profissional ou do trabalho: entende-se por doença profissional
aquela produzida ou desencadeada pelo exercício do trabalho peculiar a
determinado ramo de atividade. E por doença do trabalho aquela adquirida ou
desencadeada em função de condições especiais em que o trabalho é realizado e
com ele se relacione diretamente.
Todos os três tipos de acidentes de trabalho podem ou não ocasionar
afastamentos. Os acidentes com afastamentos são aqueles que resultam em morte,
ou incapacidade permanente ou temporária. Já os acidentes sem afastamentos é
todo acidente que não impossibilita o acidentado voltar à sua ocupação habitual no
mesmo dia ou então em dia imediato ao do acidente, no horário regular.
24
A temática acidente do trabalho ganhou maior visibilidade na segunda
metade do século XIX, com o advento da Revolução Industrial, em função do
número de trabalhadores nas indústrias e as péssimas condições de trabalho.
Segundo Hertz (2003), no período da Revolução Industrial ainda não existiam idéias
de treinamento e aperfeiçoamento profissional, bem como uma maquinaria dotada
de métodos de segurança, causando assim acidentes ao trabalhador.
Embora algumas empresas ainda não contassem com um grande
planejamento para o estabelecimento de medidas de prevenção, são criadas
comissões especiais de prevenção de acidentes, que mais tarde dariam origem as
Comissões Internas de Prevenção de Acidentes (CIPA)|4. Zócchio (2002) refere que
a partir de iniciativas delineadas nesta época, desenhou-se um planejamento de
medidas preventivas de acidentes de trabalho.
Cruz (1998), afirma que um acidente do trabalho atingirá intensamente a
produção da empresa, pela redução ou perda de mão de obra. Além desta perda de
mão de obra, existem alguns fatores que também geram danos materiais a empresa,
entre eles: horas paradas, gastos com a assistência ao acidentado, entre outros.
Outro fator de grande importância seria com relação ao ambiente do trabalho, o qual
os trabalhadores, vivenciando este contexto de um acidente, serão de alguma
maneira afetados por insegurança e tensões.
Diante do citado acima muitos são os fatores e riscos que contribuem
para que ocorra o acidente de trabalho, caso o trabalhador não esteja atento. Para
tanto, alguns dos acidentes poderiam ser evitados, com a prevenção e
conscientização dos riscos envolvidos em um ambiente de trabalho. Para, o autor
Cicco (1998), alguns dos riscos, podem ser percebidos como a presença de uma ou
mais variáveis as quais venham a causar danos. ao trabalhador. Sendo assim, os
riscos no desenvolver das atividades no trabalho, ou seja, riscos profissionais são
agentes presentes nos locais de trabalho, decorrentes condições não favoráveis, que
de alguma forma ou outra afetam a saúde, a segurança e o bem-estar do
trabalhador.
4
A CIPA foi criada oficialmente pelo Decreto nº. 7.036, de 10 de novembro de 1944, sem título definido. No
entanto, a obrigação para instalação das comissões em fábricas só entrou em vigor em 19 de junho de 1945, por
instrução da Portaria nº. 229 do então Departamento Nacional do Trabalho. Sua criação fora resultado de
recomendação da Organização Mundial do Trabalho - OIT aos governos e às indústrias para adoção de comitês
de segurança (PIZA,1997). No ano de 1953, no dia 27 de novembro foi criado o decreto que instituiu a Semana
de Prevenção de Acidentes do Trabalho-SIPAT, o qual teria como objetivo oferecer aos trabalhadores um
programa de educação com campanhas voltadas ao combate dos riscos à saúde e à segurança do trabalho.
25
2.4 FATORES QUE INCIDEM NA OCORRENCIA DOS ACIDENTES DE
TRABALHO
Muitos são os fatores que incidem na ocorrência dos acidentes de
trabalho, porém, antes de iniciar esta discussão, faz-se importante definir qual a
etiologia dos acidentes de trabalho. Segundo o entendimento de Bartilotti (2009) a
etiologia dos acidentes de trabalho (Figura 1) está relacionada à soma de incidentes
positivos que podem ser de dois tipos: erros e falhas. Os erros são aqueles
referentes às ações humanas, tais como: comportamentos inseguros e as falhas
estão relacionados a questões de condições estruturais e tecnológicas, tais como as
condições físicas do ambiente. A soma dos incidentes positivos acarreta na
ocorrência de acidentes, porém faz-se importante destacar que cada erro ou falha
pode contribuir mais ou menos para este infortúnio, como um sistema de vetores em
que cada um deles incide com uma força para o resultado final.
A autora refere ainda que os acidentes de trabalho possam ter suas
causas mediatas, ou seja, com incidentes positivos que vem ocorrendo a algum
tempo no ambiente de trabalho (por exemplo: um equipamento de uso diário e que
não foram feitas as devidas manutenções); ou ainda causas imediatas, como por
exemplo, os acidentes de trajeto. Como conseqüências dos acidentes de trabalho,
podem-se ter danos pessoais (por exemplo: doenças profissionais e doenças
relacionadas ao trabalho) ou ainda danos patrimoniais, tais como queda de um muro
já construído, quebra de caminhão da empresa, dentre outros.
26
Figura 1: Etiologia dos acidentes de trabalho.
FONTE: Bartilotti, C. B. (2009)
Confirmando com a autora supracitada, Minayo-Gomez e Therdim-Costa,
(1999) apontam como causas dos acidentes de trabalho na Construção Civil as
condições
físicas
do
ambiente,
distorções
na
forma
de
organização
e
comportamentos inseguros, como também a negligencia do empregador no que se
refere aos equipamentos de proteção individual (EPI) e de proteção coletiva (EPC).
Somado a isto, a utilização de mão-de-obra não qualificada para a execução de
alguns serviços destes trabalhadores pode acarretar erros no desempenho de suas
tarefas.
Segundos Pontes et al (1998), a Construção Civil, por ter um grande
número de tarefas envolvidas num canteiro de obras5, muitas vezes falta um
gerenciamento das mesmas. Estas se caracterizam geralmente por atos inseguros
e/ou condições ambientais inseguras, tais como choque elétrico, queda de nível,
máquinas desprotegidas, irregularidade das proteções de poço de elevador, periferia
e aberturas de lajes, falta de sinalização, desobediência às normas de segurança,
entre outras.
5
Canteiro de obras: de acordo com a (NR -18): Área de trabalho fixa e temporária, onde se
desenvolvem operações de apoio e execução de uma obra.
27
A autora afirma que os acidentes na Construção Civil em sua grande
maioria, ocorrem por razões de difícil resolução, tendo origens mais profundas e
ocorrendo muitas vezes sem que haja consciência de quais são as suas causas,
principalmente quando os acidentes não provocam lesões. Na referida pesquisa, os
autores identificaram alguns problemas relacionados à falta de conscientização nas
falas dos trabalhadores, tais como: “este acidente foi uma fatalidade, ocorreu porque
tinha que ocorrer, foi a força do destino”. Essas falas são resultados das percepções
que os trabalhadores têm a respeito dos riscos de acidentes que possam vir a sofrer,
traduzindo-se como uma descaracterização destes riscos (PONTES et al, 1998).
Gonçalves (2000) afirma que as causas fundamentais dos acidentes são
os atos inseguros e as condições inseguras. Para o autor, atos inseguros são ações
que decorrem da execução de tarefas contrárias às normas segurança, que coloca
em risco a sua integridade física ou de outro trabalhador. Por condições inseguras
entendem-se os fatores presentes no local de trabalho que podem levar à ocorrência
de acidentes, tais como: falta de limpeza e organização, nível de ruído elevado,
iluminação insuficiente, falta de treinamentos de prevenção aos acidentes de
trabalho, manutenção de maquinários e ausência de proteção nas máquinas, entre
outros.
Para Falcão e Rousselet (1999) e Sampaio (1998), os acidentes de
trabalho em sua grande maioria, poderiam ser evitados, se houvesse uma maior
atenção desde o planejamento, gerenciamento e processos adequados de
execução, implantação de programas de segurança e saúde no trabalho, bem como
a oferta de educação e o treinamento de operários. Sampaio (1998) ressalta, ainda,
que muitos acidentes aconteçam na Construção Civil em escala superior aos de
outras áreas de atividade pelo fato de ser o ramo que mais emprega pessoas no
Brasil; somado a isso, o autor refere que as condições de execução de obra ainda
são inseguras e há pouca informação e treinamento dos operários.
No sentido de tentar atingir níveis ideais de segurança no trabalho, a
Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) desenvolveu a Norma
Regulamentadora 18, que versa sobre condições e meio ambiente do trabalho na
indústria da Construção Civil, estabelece diretrizes de ordem administrativa de
planejamento e organização. Na norma há a descrição de medidas de controle e
sistemas preventivos de segurança nos processos, nas condições e no meio
ambiente de trabalho, na indústria da construção.
28
2.5 PERCEPÇÃO DE RISCO NA CONSTRUÇÃO CIVIL
Retomando o que Falcão e Rousselet (1999) e Sampaio (1998), afimam
sobre a ocorrência de acidentes de trabalho, em que acreditam que os mesmos
poderiam ser evitados, estudar a percepção de risco dos trabalhadores da
Construção Civil faz-se importante uma vez que este processo senso-perceptivo
influencia o comportamento preventivo frente a situações que possam ocasionar
acidentes de trabalho (SANDERS e McCORMICK, 1993 apud FISCHER e
GUIMARÃES, 2002).
Por risco, entende-se como a “possibilidade de perigo, incertos, mas
previsíveis, que ameaçam de dano a pessoa ou coisa” (MICHAELIS, 2002). O termo
“risco” deriva da palavra italiana riscare, e traduz-se como a “prática de navegar
entre rochedos perigosos”. O conceito atual de risco provém segundo Freitas e
Gomez (1996), da Teoria das Probabilidades que leva em conta a previsibilidade de
determinadas situações ou acontecimentos por meio de conhecimento, ou pelo
menos, possibilidades do conhecimento. Nas atividades que desenvolve, o homem
encontra-se exposto a risco que, dependendo da origem as quais pertençam, podem
levá-lo a ter conseqüências que irão variar de intensidade, gravidade e
periodicidade.
Segundo Smith 1992 (apud Coelho, 2007) para a população em geral o
termo risco e perigo são utilizados como sinônimos, porém eles são conceitos
diferentes. Segundo o autor, o perigo é definido como "... uma condição potencial
para seres humanos e seu bem estar..." e risco como "... a probabilidade da
ocorrência do perigo" (p. 6). Fischer e Guimarães (2002) discutem estes conceitos
em seu artigo e apresentam um quadro síntese.
RISCO
PERIGO
“Risco é a probabilidade ou chance de
lesão ou morte” (SANDERS;
MCCORMICK, 1993, p. 675).
“Perigo é uma condição ou um conjunto de
Circunstâncias que têm o potencial de causar
ou contribuir para uma lesão ou morte”
(SANDERS; MCCORMICK, 1993, p. 675).
Risco “(...) é uma função da natureza do
perigo,acessibilidade ou acesso de contato
(potencial de exposição), características da
população exposta (receptores), a
probabilidade de ocorrência e a magnitude
da exposição e das conseqüências (...)”
(KOLLURU, 1996, p. 1.10).
“Um perigo é um agente químico, biológico ou
físico (incluindo-se a radiação etromagnética)
ou um conjunto de condições que apresentam
uma fonte de risco mas não o risco em
si”(KOLLURU, 1996, p. 1.13).
29
Perigo é a situação que contém “uma fonte de
energia ou de fatores fisiológicos e de
“ (…) risco é um resultado medido do efeito comportamento/conduta que, quando não
controlados, conduzem a eventos/ocorrências
potencial do perigo” (SHINAR, GURION e
FLASCHER,1991, p. 1095).
prejudiciais/nocivas” (SHINAR, GURION e
FLASCHER, 1991, p. 1095, apud. GRIMALDI
e SIMONDS, 1984,p. 236).
Possibilidade de perigo, incertos mas
Situação que prenuncia um mal para alguém
previsíveis, que ameaça de dano a pessoa ou para alguma coisa. 2. Risco, inconveniente
ou coisa (MICHAELIS, 2002).
(MICHAELIS, 2002).
Quadro 1. Definições dos conceitos de risco e perigo.
FONTE: Fischer e Guimarães (2002, p. 04).
Retomando o conceito de Smith (1992 apud Coelho, 2007), os riscos
ambientais são a probabilidades da ocorrência do perigo e estes caracterizam-se
como condições inseguras, pois são fatores presentes no local de trabalho que
podem levar à ocorrência de acidentes, tais como: falta de limpeza e organização,
nível de ruído elevado, iluminação insuficiente, piso escorregadio e ausência de
proteção nas máquinas. A seguir serão apresentados, conforme a classificação da
FUNDACENTRO (2005), cinco tipos de riscos ambientais.
Tipo de
risco
Descrição
Riscos
Físicos
Incluem fatores ou agentes físicos, tais como: ruídos, vibrações,
radiações ionizantes e não-ionizantes, frio, calor, pressões anormais e
umidade.
Riscos
Químicos
São identificados pelo grande número de substancias que podem
contaminar o ambiente de trabalho, tais como: poeiras, névoas, neblinas,
gases, vapores, substâncias, compostos ou outros produtos químicos.
Riscos
Biológicos
Estão associados ao contato do homem com vírus, bactérias,
protozoários, fungos, parasitas e outras espécies de microorganismos.
Estão ligados a execução de tarefas, à organização e às relações de
trabalho, ao esforço físico intenso, levantamento e transporte manual de
Riscos
peso, imposição de ritmos excessivos, controle rígido de produtividade,
Ergonômicos trabalho em turnos diurno e noturno, jornadas de trabalho prolongadas,
monotonia, repetitividade e situações causadoras de estresse físico e/ou
psíquico.
São muitos diversificados e estão presentes no arranjo físico
inadequado, pisos pouco resistentes ou irregulares, material ou matériaprima fora de especificação, máquinas e equipamentos sem proteção,
Riscos de
ferramentas impróprias ou defeituosas, iluminação excessiva ou
Acidentes
insuficiente, instalações elétricas defeituosas, probabilidade de incêndio
ou explosão, armazenamento inadequado, animais peçonhentos e outras
situações de risco que poderão contribuir para a ocorrência de acidentes.
Quadro 2: Tipos de risco baseado na classificação da FUNDACENTRO 2005.
FONTE: FUNDACENTRO(2005)-. Diretrizes sobre Sistema de Gestão da Segurança e Saúde no
Trabalho.
30
De acordo com Fischer e Guimarães (2002) a percepção de risco pode
ser influenciada por diversos fatores, tais como: tempo de experiência dos
trabalhadores e fatores subjetivos como a aceitabilidade dos riscos. Bartilotti
(material não publicado – Figura 2) corrobora com os autores supracitados quando
afirma que a percepção de risco é influenciada por variáveis sociais (escolaridade,
sexo, idade, etc.), afetivo-emocionais (medo, ansiedade, estado de humor, dentre
outros), nível de conscientização (treinamentos acerca do ofício), confiança, controle
(grau de controle sobre os fatores de risco a que o sujeito está exposto) e autoimagem.
Figura 2: Esquema sobre as variáveis que podem influenciar na percepção de risco.
FONTE: Bartilotti, C. B. (2009).
Diante do exposto com relação a algumas das variáveis acerca da
percepção de risco de acidente de trabalho e de fatores que contribuem para a
ocorrência dos mesmos, a seguir serão apresentados o método e resultados desta
pesquisa que teve como objetivo identificar a percepção dos trabalhadores da
indústria da Construção Civil acerca dos fatores de risco passíveis de ocasionar
acidentes de trabalho.
31
3 MÉTODO
Compreende-se que para realização de pesquisa com responsabilidade
científica, qualidade e validade dos resultados, é fundamental um conjunto de
procedimentos adequados e sistematizados para que o desenvolvimento do estudo
responda o problema de pesquisa.
Segundo Gil (1999, p.27) “a ciência tem como objetivo fundamental
chegar à veracidade dos fatos” e seu objetivo é desenvolver um trabalho científico
que responda ao problema de pesquisa.”. Não se pode ignorar que a própria ciência
e
principalmente
a
pesquisa
em
Psicologia
têm
estrita
relação
com
o
desenvolvimento social. (BOTOMÉ, 2007).
3.1 TIPOS DE PESQUISA
A presente pesquisa é de natureza quantitativa, pois se caracteriza pela
possibilidade de se quantificar dados representativos do universo investigado e, em
muitos casos, geram índices que podem ser reavaliados em certos períodos,
permitindo comparações ao longo do tempo. (OLIVEIRA, 1998). No que se refere
aos objetivos, a pesquisa pode ser classificada como descritiva-exploratória.
Classificou-se como descritiva, pois nela foi investigada a existência de relações
causais. Gil (2002) expõe que este tipo de pesquisa busca “descobrir a existência de
associações entre variáveis [...] e são as que habitualmente realizam os
pesquisadores sociais preocupados com a atuação prática”. (GIL, 2002, p. 42).
A pesquisa também pode ser exploratória, pois, segundo Gil (1999), o
objetivo das pesquisas exploratórias é proporcionar uma visão geral sobre
determinado fato. Segundo Triviños (1987) pesquisas exploratórias visam formular
hipóteses e fazer uma investigação mais ampliada. O delineamento da pesquisa foi
um estudo de caso com levantamento, pois de acordo com Gil (2002, p. 50) "as
pesquisas deste tipo caracterizam-se pela interrogação direta".
32
3.2 LOCAL E PARTICIPANTES
A empresa catarinense escolhida atua no setor da Construção Civil desde
1993. Executa projetos de construção de prédios residenciais e comerciais na
Grande
Florianópolis/SC.
Esta empresa foi escolhida, principalmente pela
preocupação da mesma com a qualidade de suas construções, bem estar de seus
funcionários, bem como; seu quadro de profissionais qualificados. Por solicitação da
empresa seu nome não será mencionado, em momento algum neste trabalho para
que não haja desagradáveis comparações futuras com outras empresas do
município.
Esta empresa tem aproximadamente 120 funcionários que trabalham de
segunda-feira à quinta-feira das 7h às 17h e às sextas-feiras das 7h às 16h, com um
intervalo de 1h para o almoço que é feito no próprio local.
A empresa pesquisada, atualmente tem quatro obras em andamento
(construção e acabamento). O local escolhido para realizar tal pesquisa foi um
canteiro de obras de uma construtora civil da Grande Florianópolis. Esta Construtora
conta com 17 obras entregues. O canteiro de obras na data que foi realizada esta
pesquisa, estava com um total de 70 trabalhadores, dos quais 63 trabalhadores em
funções diversas, e somente 1 cozinheira, sendo assim 64 trabalhadores
respondentes, totalizando um percentual de 91,4% que foram os participantes da
pesquisa. Esta obra é composta por duas torres de 9 andares cada, mais cobertura,
tendo 4 apartamentos por andar, e 2 apartamentos de cobertura por cada torre. A
referida obra teve inicio em novembro de 2007, e esta prevista a entrega para
setembro de 2010. Como critério de inclusão dos participantes, foi levando em
consideração que os mesmos estivessem trabalhando no canteiro de obras
disponibilizado pela empresa, e não foi considerado critério de inclusão a atividade
que o mesmo desenvolve na empresa, nem tampouco dados sócio demográficos. A
escolha destes trabalhadores para responderem ao questionário, foi de forma
aleatória.
33
3.3 INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS
O instrumento de coleta de dados utilizado foi um questionário fechado,
por este possibilitar a determinação das perguntas por meio de um roteiro
estabelecido (APÊNDICE A). Segundo Gil (1999), o questionário fechado contém
questões de resposta fechada, e são aquelas nas quais o inquirido apenas seleciona
a opção dentre as apresentadas. O instrumento é composto de três partes:
1) Perfil do operário: inclui informações referentes à idade, sexo, estado
civil, número de filhos, escolaridade e presença de vícios (fumo ou álcool);
2) Dados profissionais: tipo de vínculo com a empresa, função atual,
idade que iniciou as atividades na Construção Civil, tempo que trabalha neste ramo
de atividade e tempo na referida empresa, formação profissional, envolvimento em
acidente(s) de trabalho(s) e se recebeu treinamento;
3) Fatores de risco de acidentes: nesta parte do questionário estão
listados, em forma de perguntas, 28 fatores que possivelmente possam ocasionar
acidentes de trabalho, tais como “você considera que a manutenção adequada dos
materiais e equipamentos (serras, betoneiras, elevadores, etc.) pode ajudar a
prevenir acidentes de trabalho?”; “Você considera que realizar as atividades
calmamente pode ocasionar acidentes de trabalho?”,entre outros. O nível de
mensuração é categórico e as possibilidades de resposta são (0) “nunca”,
(1)“algumas vezes” (2) “quase sempre”(3) “sempre” (99) “não sei responder”.
Todos os itens da terceira parte do instrumento foram construídos com
linguagem acessível ao público alvo. Para verificar a adequação semântica dos
itens, após aprovação do Comitê de Ética e Pesquisa, foi realizado um estudo piloto
com seis operários com diferentes níveis de escolaridade, faixas etárias e tempo de
empresa. As perguntas e as possibilidades de resposta em que os respondentes
tiveram dificuldades foram revisadas. O tempo de aplicação foi de aproximadamente
10 minutos.
O instrumento foi aplicado individualmente e os itens foram lidos aos
trabalhadores da Construção Civil. Aos trabalhadores foi disponibilizado um cartão
medindo 40 cm x 20 cm, sendo que este ficava na mão do entrevistado, e nele
continha as possibilidades de resposta (nunca, algumas vezes, quase sempre,
34
sempre e não sei responder). A pesquisadora realizava a leitura dos itens, o
trabalhador procurava dentre as opções de resposta contidas no cartão qual a que
melhor se adequava ao item e a pesquisadora assinalava no instrumento de
medida.Desta maneira também procedia a auxiliar da pesquisadora, e também a
técnica de segurança do trabalho.
A fim de analisar a qualidade do instrumento de coleta de dados no que
se refere a sua estrutura fatorial, a pesquisadora fez o procedimento de análise
fatorial utilizando o Software Estatístico SPSS. Antes de realizar a análise fatorial
propriamente dita, foi elaborada a análise do Teste Kaiser-Meyer-Olkin (KMO) que
aponta o grau de suscetibilidade ou ajuste dos dados à análise fatorial. O Teste de
KMO obteve um valor de 0,450; Pereira (2001) leciona que valores entre 0,50 e 1,0
indicam que a análise fatorial é apropriada. Sendo assim, não foram realizados os
procedimentos de análise fatorial (pois os dados não permitem que esta análise seja
realizada) e, portanto não foi realizado o procedimento de validade de construto do
instrumento.
3.4 PROCEDIMENTOS
Os procedimentos seguiram normas para pesquisa envolvendo seres
humanos estabelecidas através da Resolução CNS n° 196/96, e a continuidade do
processo só se deram após parecer favorável do Comitê de Ética em Pesquisa da
Universidade do Sul de Santa Catarina. Foi solicitado aos operários a assinatura do
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (APÊNDICE B) e também explicado
que seus dados seriam mantidos em sigilo. O mesmo aconteceu com o engenheiro
responsável pela obra civil envolvida na pesquisa. Foi necessário o consentimento
do mesmo, por meio de Termo de Consentimento Livre e Esclarecido da instituição
(APÊNDICE C). Foi feito um contato com o engenheiro responsável pela obra e
foram firmados os dias, local e horários que a pesquisadora aplicaria os
questionários. Os questionários foram aplicados no horário e local de trabalho dos
operários. A pesquisadora apresentou os objetivos do trabalho aos operários,
solicitou assinatura do TCLE, e posteriormente iniciou a aplicação do instrumento.
35
Cabe ressaltar que a presente pesquisa recebeu aprovação sem restrições pelo
CEP (APÊNDICE D).
3.4.1 ORGANIZACAO, TRATAMENTO E ANÁLISE DE DADOS
De acordo com Gil (1999) a análise dos dados tem como objetivo
organizar e classificar os dados de forma sistemática, possibilitando o fornecimento
de respostas do fenômeno pesquisado.
As questões fechadas foram tabuladas, de forma que se pudessem
identificar as percepções dos sujeitos acerca dos riscos de acidente de trabalho.
Tabular dados implica padronizar e codificar estas informações, com vistas a dispôlas em resultados numéricos para que a análise e interpretação sejam facilitadas
(OLIVEIRA, 1998). Para tanto, utilizou-se o programa Microsoft Office Excel para a
tabulação e processamento dos dados. Foram feitas análises de estatística
descritiva.
36
4. ANALISES E DISCUSSÃO DE DADOS
A Construção Civil de acordo com os autores (Santana, Nobre &
Waldvogel, 2005; Santana & Oliveira, 2004) é responsável por grande parte do
emprego das camadas pobres da população masculina, e também considerada uma
das mais perigosas em todo o mundo, liderando as taxas de acidentes de trabalho
fatais, não-fatais e anos de vida perdidos. A principal causa ocupacional de morte na
Construção Civil situa-se os acidentes de trabalho
Neste capítulo, serão analisadas e interpretadas as informações obtidas a
partir dos questionários aplicados e estes serão descritos em dois subitens a fim de
responder aos objetivos específicos: 1) Identificar os fatores de risco que possam
ocasionar acidentes de trabalho no desenvolvimento das atividades na
Construção Civil;
2) Relacionar
e
associar
os
fatores de
risco às
características sócio-demográficas dos trabalhadores da Construção Civil.
Porém,
antes
de
iniciar
estas
análises,
faz-se
importante
descrever
as
características sócio-demográficas da amostra pesquisada.
4.1 CARACTERÍSTICAS SÓCIO DEMOGRÁFICAS DA AMOSTRA
A partir da análise do questionário (APÊNDICE A) pode-se traçar de
forma geral o perfil dos 64 entrevistados, trabalhadores da Construção Civil. No que
tange ao sexo, conforme demonstrado no gráfico 1, 98,4% eram pessoas do sexo
masculino. Tais resultados são corroborados por Santana e Oliveira (2004),
ressaltando que esses trabalhadores, em sua maioria, são do sexo masculino,
migrantes de outras regiões do país, com baixa escolaridade e reduzida qualificação
profissional apontando ainda que a maior parte da população de trabalhadores do
sexo masculino se concentra na indústria da Construção Civil. Vale destacar que, a
única trabalhadora mulher partícipe da presente pesquisa, desenvolvia a função de
cozinheira, atividade tipicamente de mulheres.
37
1
Masculino
Feminino
63
Gráfico 1: Distribuição de freqüência por sexo (n=64).
No que se refere às atividades desenvolvidas pelos 64 trabalhadores
entrevistados, a maioria deles exerce a função de pedreiro (21,9%), carpinteiro
(21,9%) e servente (20,3%) (Tabela 1).
Tabela 1: Função exercida pelos trabalhadores da pesquisa (N=64).
Função
N
%
Pedreiros
14
21,9%
Carpinteiros
14
21,9%
Serventes
13
20,3%
Guincheiros
5
7,8%
Eletricista
2
3,1%
Betoneirista
2
3,1%
Mestre de obras
2
3,1%
Contra mestre
2
3,1%
Almoxarifes
2
3,1%
Armadores
2
3,1%
Encanadores
2
3,1%
Motorista
1
1,6%
Cozinheira
1
1,6%
Com relação aos trabalhadores saberem desempenhar outra função na
Construção Civil, 56,3% dos trabalhadores entrevistados referem não saber
desempenhar outra função, e 43,8% afirmam saber desempenhar outra atividade no
canteiro de obras. Estudos apontam que, em geral, os trabalhadores tendem a saber
desempenhar outras funções na Construção Civil.
No que se refere à idade, verifica-se que população de trabalhadores
presentes na Construção Civil da obra referida, possui média de idade de
aproximadamente 38 anos (Máximo=57 anos; Mínimo=19 anos; Mediana=36 anos).
38
Barbosa e Lima (2007) lecionam que a faixa etária entre 32 a 37 anos de idade já
representa uma população de trabalhadores “velhos”, idade em que o corpo começa
a não responder satisfatoriamente às solicitações. Dados do Dieese (2001), por
outro lado, corroboram com os dados encontrados na presente pesquisa, pois
apontam que os trabalhadores da Construção Civil estão, em geral, em uma faixa
etária superior a dos demais setores da economia. Em Porto Alegre, por exemplo, a
média de idade das pessoas ocupadas na Construção Civil é de 38 anos, sendo que
45,1% estão na faixa etária acima de 40 anos.
Quando analisados os dados referentes à idade que começou a trabalhar
na Construção Civil, nota-se que a média de idade que os trabalhadores começaram
a trabalhar foi de 15 anos. A hipótese da autora para tal inserção prematura é de
que na Construção Civil não há exigência de qualificação. Quando analisados o
tempo de serviço na Construção Civil, os trabalhadores apresentaram média de 15
anos e 9 meses e quando levantado o tempo de serviço na referida empresa, os
trabalhadores apresentam média de 6 anos e 9 meses, o que para Sousa (1999)
apud BARROS & MENDES, 2003) é um tempo consideravelmente alto em relação à
realidade das empresas de Construção Civil que, em geral, apresentam elevada
rotatividade. De acordo com Machado e Cordeiro (2002), o tempo de serviço na
mesma função pode evidenciar, ainda, a resistência de alguns dos trabalhadores ou
também a falta de interesse e perspectivas no desenvolvimento de sua profissão muitos operários não investem na profissão procurando aperfeiçoamento.
Ainda segundo Sousa (1999 apud BARROS & MENDES, 2003),
ultimamente tem-se buscado a descentralização das atividades por meio da
terceirização dos serviços, o que culmina com a descontinuidade do processo
produtivo, a não participação do trabalhador em todo o processo construtivo da obra
e a contratação temporária desses serviços terceirizados. Para Reimann e Francisco
(1998 apud BARROS & MENDES, 2003) a terceirização causa insegurança na
relação trabalhista, destrói a identidade de grupo, fazendo com que o trabalhador
não consiga construir um modo de vida equilibrado. Na população pesquisada,
pode-se constatar que 96,9% dos trabalhadores da referida obra são funcionários da
empresa, enquanto que somente 3,1% são terceirizados. Estes dados podem ser
analisados juntamente com o tempo de serviço da empresa em que o tempo de
permanência é superior em relação à média das empresas da Construção CivilC. A
hipótese da autora é que este tempo de fixação deve-se ao fato do trabalhador ser
39
efetivo na empresa e não terceirizado, e que esta empresa não é do ramo
empreiteiro. (DIEESE, 2001; SESI, 1998).
No que se refere ao grau de instrução (Gráfico3), a maioria dos
entrevistados possui nível fundamental incompleto (70,3%), e nenhum refere ter
cursado o nível técnico. Segundo Leal (2001), o baixo índice de escolaridade,
característico dos trabalhadores da Construção Civil, limita o processo de
qualificação profissional. De acordo com dados do DIEESE (2001) a força de
trabalho empregada na Construção Civil compõe-se, predominantemente, de
indivíduos jovens, do sexo masculino, com baixa escolaridade, reduzida qualificação
profissional, e por expressivo contingente de migrantes.
45
40
35
30
25
20
Não le e não escreve
Só assina o nome
Ensino fund completo
Fundamental incompleto
Médio completo
15
Médio incompleto
10
Curso técnico
5
0
Gráfico2: Distribuição de freqüência por grau de instrução.
Muniz (1993) cita que o ingresso na Construção Civil e a mudança de
funções dentro do canteiro de obras não exigem nível de instrução elevado, nem
tampouco cursos técnicos; mas sim a experiência de um saber adquirido. Neste
sentido, o Serviço Social da Indústria (SESI), em um dos seus projetos em 19986,
discute a importância da experiência obtida pelo trabalhador da Construção Civil, e
valoriza este saber adquirido na prática diária. Este projeto descreve ainda o fato de
os produtos gerados na indústria da Construção Civil serem únicos (nãohomogêneos e não-seriados) e a descontinuidade das atividades produtivas - o
6
SESI - Serviço Social da Indústria. (1998). Projeto SESI na Indústria da Construção: diagnóstico da
Mão-de-Obra do Setor da Construção Civil. Brasília: SESI/DN.
40
trabalho manual ainda se constitui na "mola-mestra" do processo produtivo, o que de
certa maneira, dificulta a introdução de máquinas e equipamentos.
Este setor ainda possui características de ofício adquirido durante a
prática do trabalho, o que culmina com uma grande concentração de trabalhadores,
neste ramo de atividade, com baixo nível de educação formal. Corroborando com os
dados do SESI (1998) e Muniz (1993), Silva (2008), cita que este setor gera muitos
empregos que não exigem qualificação nem nível de instrução, sendo que estes
atendem às camadas menos instruídas e mais carentes da sociedade de um modo
geral.
Os dados da presente pesquisa revelam que há predominância de
trabalhadores casados (73,4%), quando comparados com trabalhadores com estado
civil solteiro (14,1%) e convivente (10,9%) (Gráfico 3).
50
45
40
35
30
25
20
15
10
5
0
Solteiro
Casado
Divorciado-separado
Viuvo
Convivente
Gráfico 3: Distribuição de freqüência por estado civil.
Ainda com relação á constituição familiar, os trabalhadores foram
questionados sobre a quantidade de filhos que possuem: 18 dos participantes não
tem filhos,12 deles tem 03 filhos,31 tem de 2 a 3 filhos e apenas 3 possuem de 4 a 5
filhos, revelando a preocupação dos trabalhadores com um planejamento familiar
adequado á realidade sócio-econômica por eles vivenciada, levando-se em
consideração que a idade mediana dos participantes é de 36 anos.
No que tange ao envolvimento em acidentes de trabalho, dos 64
trabalhadores pesquisados apenas 3 se envolveram em acidentes. Estes dados são
associados à questão do treinamento oferecido pela empresa: 100% dos
trabalhadores da presente pesquisa afirmam que tiveram treinamento quando
41
entraram na empresa e alguns relataram que a empresa contribui com palestras
informativas, campanhas prevencionistas, jornais informativos, utilizam-se de CIPAS
bem como as atividades realizadas por estas.
Santana (2004), em um de seus trabalhos, conclui que os acidentes na
Construção Civil acontecem com menor prevalência em trabalhadores que recebem
treinamento - realizar treinamentos significa desenvolver a capacidade e
conhecimentos necessários para desempenhar determinadas tarefas. A autora
comenta ainda, que as empresas deveriam incluir em seus planejamentos
programas de treinamentos pois, investir em treinamentos geram recompensas tanto
para o próprio trabalhador quanto para a sociedade.
Além dos treinamentos oferecidos aos trabalhadores, outro dado
importante é referente ao uso do álcool. Souza (2002) afirma que o álcool é
uma substância psicoativa que pode interferir de forma significativa no
funcionamento do cérebro e, conseqüentemente, vir a comprometer as
funções cognitivas de um indivíduo, como memória, concentração, atenção,
capacidades de planejamento, abstração e execução de ações complexas,
dentre outras, o que evidentemente prejudica o desempenho e o rendimento
do trabalhador.
Lacerda (2003) estabelece nexo causal entre o uso de álcool e o
envolvimento em acidentes de trabalho, mostrando em umas de suas pesquisas
dados em que o álcool está relacionado também a gravidade desses acidentes. Na
presente pesquisa observou-se que 84,4% dos trabalhadores abordados relatam
não fazer uso de álcool; somente 10 trabalhadores responderam fazer uso de álcool,
isto é, 15,6% deles. Quando questionados quantas vezes na semana fazem o uso
da bebida alcoólica, 2 responderam que usam uma vez por semana, 1 sujeito
respondeu 3 vezes na semana, e 1 trabalhador usa 2 vezes na semana. Este
resultado vai de encontro ao que Meliá (1999) destaca a respeito do uso abusivo de
álcool e a relação destes com os acidentes de trabalho fatais na Construção Civil.
De acordo com Vaissman (2004), o risco de envolvimento em acidentes é 2,7 vezes
maior em sujeitos que abusam do álcool quando relacionados a pessoas que não
usam álcool. Tendo em vista os dados encontrados na pesquisa, e a literatura
apresentada, pode-se relacionar o número reduzido de acidentes também ao
reduzido consumo de álcool pelos trabalhadores abordados na pesquisa.
42
No que se refere ao uso do fumo, 55 dos entrevistados não fazem uso, ou
seja, 85,9%, e 9 dos sujeitos responderam que fazem de uso. Conforme alguns dos
entrevistados relataram no momento que estavam respondendo a esta pergunta, há
alguns anos atrás havia mais fumantes na obra. Os trabalhadores citaram que esta
redução do número de fumantes é resultado de algumas campanhas de
conscientização, palestras, e também algumas advertências verbais por parte dos
próprios encarregados de obra e técnico de segurança.
De um modo geral, no Brasil, o exercício profissional nas diversas
funções deste setor de Construção Civil, que compõem o quadro de trabalhadores,
como já mencionado nesta pesquisa, não costuma ser exigido nenhuma formação
técnica para um desempenho qualificado. De acordo com Farah (1992), o "saber
fazer" da Construção Civil concentra-se nas mãos dos operários, a princípio essa
formação e a habilidade do trabalhador se desenvolve no próprio canteiro de obras,
o que nem sempre é adequado, pois sua formação se dá no interior da própria força
de trabalho dele.
4.2 FATORES DE RISCO DE ACIDENTES DE TRABALHO NA CONSTRUÇÃO
CIVIL
A Construção Civil é reconhecida como um dos setores que mais
apresentam problemas no que se refere à saúde e segurança no trabalho. Mesmo
com esforços do setor público e da iniciativa privada, diversos são os trabalhadores
que sofrem com determinadas condições e acidentes de trabalho nos canteiros de
obras. Carvalho e Nascimento (1997) e Muniz (1993), afirmam que um acidente de
trabalho não é provocado por uma causa isolada, mas por atos e condições
inseguras. Diante disto em termos de prevenção, tanto atos inseguros ou
comportamentos inseguros (ex.:deixar de usar o cinto de segurança, capacete etc.),
quanto às condições inseguras (ex.: ambiente desorganizado; não utilização de telas
de segurança e/ou bandejas etc.) são muito importantes.
Santana (2008) discute que neste setor existe uma distinção entre os
acidentes de trabalho graves, e também aqueles ditados pelos trabalhadores como
43
“normais”, sendo estes os acidentes que acontecem no dia a dia, como por exemplo:
arranhões, cortes pequenos, marteladas entre outros. Para grande maioria de
trabalhadores, o acidente somente é por eles considerado “grave” a partir do
instante em que este acidente o impeça de continuar a desempenhar sua tarefa no
ambiente de trabalho.
Quando analisados os dados referentes à ocorrência de acidentes de
trabalho, foi constatado que somente 4,6% dos trabalhadores entrevistados (n=3) já
se envolveram em acidentes; e destes, somente um trabalhador relata ter tido dano
decorrente deste. Vale destacar que, segundo a distinção feita por Santana (2008),
os acidentes acima referidos são considerados “graves”. O percentual de
envolvimento em acidentes verificado na presente pesquisa é relativamente baixo
quando comparados de envolvimento em acidentes de trabalho na Construção Civil
aos dados apresentados da Previdência Social, (Setor de Atividade Econômica), no
setor da Construção Civil do Brasil nos anos de 2004/2005onde foram registrados
alguns tipos de acidentes. Sendo que; no ano de 2004, foi registrado um total de
28.875 acidentes, ou seja; 24.985 acidentes típicos; 2.838 acidentes de trajeto e
1052 doença de trabalho. Já no ano de 2005, um total de 28.987, sendo que; 25.106
acidentes típico, 3.007 de trajeto e 874 de doença de trabalho.
Diante destes dados, e tendo em vista o que Santana (2008) leciona
acerca dos fatores de risco de acidentes de trabalho em que sugere que o pequeno
tempo de ocupação na Construção Civil aumenta o risco de envolvimento em
acidentes (provavelmente pela limitação na familiaridade com os riscos), os dados
da presente pesquisa vão de encontro aos dados descritos pela autora, pois
constatou-se um percentual baixo de acidentes e, como já discutido anteriormente, o
tempo de serviço dos trabalhadores da referida obra é consideravelmente alto em
relação à média das empresas (SOUSA, 1999 apud BARROS & MENDES, 2003).
A seguir serão analisados os fatores atribuídos pelos trabalhadores como
possíveis causadores de acidentes de trabalho. Para tanto, serão analisados os
fatores extrínsecos e intrínsecos ao trabalhador.
44
4.2.1 Fatores Extrínsecos ao Trabalhador
As condições do ambiente de trabalho podem ser consideradas fatores
extrínsecos ao trabalhador, as quais podem ocasionar acidentes de trabalho. Por
esta consideração, se buscou pesquisar alguns destes fatores; e foram avaliados os
itens quanto à: utilização de EPC( Equipamento de Proteção Coletiva), treinamentos,
ventilação, luminosidade, vibrações, manutenção de equipamentos e organização do
canteiro de obras. Estes dados foram coletados por meio de frases interrogativas,
em que o trabalhador deveria assinalar se ele considerava o item em questão um
fator que poderia ocasionar acidentes de trabalho. As opções de resposta do
trabalhador eram nunca, às vezes, quase sempre, sempre e não sei responder
(TABELA 2).
Tabela 2:Fatores extrínsecos ao trabalhador (n=64)
Fatores extrínsecos ao trabalhador: questões referentes ao ambiente e
condições de trabalho.
n.
2
3
4
6
7
8
9
15
16
17
18
Item
... treinamentos da empresa ajudam a
prevenir...
... campanhas de prevenção da
empresa ajudam a evitar...
... os prazos de entrega das obras
muito curtos podem favorecer a
ocorrência de...
... um ambiente de trabalho
desorganizado pode ocasionar...
... o “guarda corpo” pode ajudar a
evitar...
... o mestre de obra passar instruções
claras sobre como devem ser
executadas as tarefas ajudam a
prevenir...
... a manutenção adequada dos
materiais e equipamentos (serras,
betoneiras, elevadores, etc) podem
ajudar a prevenir...
... palestras ministradas pelos
técnicos de segurança ajudam a
prevenir...
... treinamentos de como utilizar os
EPIs ajudam na prevenção de...
... o barulho de uma obra pode
ocasionar...
... ter muita poeira pode ocasionar...
Nunca
Não sei
Algumas Quase
Sempre
responder
vezes
sempre
%
%
%
%
%
0,0%
0,0%
7,8%
92,2%
0,0%
0,0%
7,8%
15,6%
75,0%
1,6%
10,9%
18,8%
42,2%
21,9%
4,7%
0,0%
0,0%
20,3%
79,7%
0,0%
0,0%
4,7%
14,1%
81,3%
0,0%
0,0%
1,6%
10,9%
87,5%
0,0%
0,0%
0,0%
10,9%
89,1%
0,0%
0,0%
1,6%
20,3%
75,0%
1,6%
0,0%
3,1%
12,5%
81,3%
1,6%
23,4%
18,8%
31,3%
23,4%
1,6%
7,8%
18,8%
59,4%
9,4%
3,1%
45
... trabalhar em locais com muita
vibração pode ocasionar...
... estar muito quente pode
20
ocasionar...
... iluminação adequada pode
23
ocasionar...
19
14,1%
20,3%
51,6%
10,9%
1,6%
14,1%
35,9%
35,9%
9,4%
3,1%
42,2%
4,7%
17,2%
32,8%
1,6%
Conforme os dados da Tabela 2, 92,2% dos trabalhadores pesquisados
apontam que sempre “treinamentos da empresa ajudam a prevenir acidentes de
trabalho”; 75 % responderam que sempre as “campanhas de prevenção da empresa
ajudam a prevenir acidentes”, e 75% responderem que sempre “palestras
ministradas por técnicos de segurança ajudam na prevenção”. Para Zócchio (2002),
a realização de palestras, campanhas de prevenção e treinamento sobre temas
específicos deste campo, são de grande importância para a prevenção de acidentes.
Em geral estas são dirigidas e ministradas pelos responsáveis pela segurança do
trabalho. Dalcul (2001) ressalva que tendo melhores condições de entendimento
sobre acidentes de trabalho, mais fácil será para o trabalhador se apropriar deste
assunto e, consequentemente, evitar a ocorrência de acidentes.
A partir dos dados apresentados acima, pode-se inferir que os
trabalhadores pesquisados estão conscientes da necessidade da formação e
informações profissionais para a segurança do trabalho, e a empresa engajada em
relação à prevenção e conscientização dos acidentes de trabalho. Outro fator
relevante que 100% dos trabalhadores referiram foi que a empresa oferece
treinamentos na admissão; também relataram que a empresa ministra palestras
periodicamente, realiza campanhas de prevenção, distribui cartazes nos canteiros
de obras etc. No caso particular dos cartazes de segurança, de acordo com Dela
Coleta, (1991), eles possuem a função mais relevante que é educativa, repassando
assim a informação a qual eles querem chamar a atenção deste trabalhador.
Segundo o mesmo autor, todas as alternativas de prevenção de acidentes se
constituem, em sua maior parte, com a probabilidade de conseguir resultados
significativos dentro da organização.
Nos itens de números 6, 7, 9, 17, 18, 19, 20, 23 (descritos na TABELA 1),
os trabalhadores responderam que, em sua maioria, sempre ou quase sempre,
fatores de iluminação, organização do ambiente de trabalho, manutenção de
equipamentos, ruídos, poeira, vibração, temperatura e iluminação podem ocasionar
acidentes de trabalho. Um ambiente adequado minimiza a ocorrência de risco de
46
acidente; dentre os 64 trabalhadores que participaram da pesquisa, deduz-se que a
maioria deles percebem que trabalhar em um ambiente com condições adequadas
faz com que se sintam seguros, evitando, desta maneira, a ocorrência de acidente
de trabalho e conseqüentes danos pessoais e materiais.
No que se refere ao item a “manutenção adequada dos materiais e
equipamentos ajudam a prevenir acidentes de trabalho”, Dela Coleta (1991) aponta
que a manutenção do funcionamento (tanto de homens quanto máquinas) garante
menores probabilidades de ocorrência de acidentes. Algumas destas manutenções,
por
um
lado
envolve
um
certo
domínio,
isto
é;o
controle
de
equipamentos,maquinários e alguns outros componentes devido ao seu desgaste e
tempo de vida útil e por outro ângulo, um certo controle de funcionamento do
elemento humano por meio do comportamento pessoal.
Segundo Bastos (1987), as condições que são oferecidas no trabalho,
refletem um modo especifico de trabalhar. Corroborando com o autor, Chiavenato
(1987), discute que todo trabalho é executado em algum local, e que dentro do
ambiente de trabalho, existem condições ambientais saudáveis e também as
condições de ambiente de risco, perigo e condições arriscadas.
Fazendo menção ao papel do mestre de obras e da importância da
comunicação, no item oito 87,5% dos participantes responderam que sempre
“passar instruções claras sobre como devem ser executadas as tarefas” ajudam a
prevenir acidentes de trabalho (Tabela 1). Quando a pesquisadora ou sua auxiliar
realizaram esta pergunta, alguns trabalhadores relataram que a técnica de
segurança, mestre de obras e o engenheiro responsável orientam o que poderia ser
melhorado na execução do trabalho e fazem elogios. Segundo eles tudo é passado
de uma maneira tranqüila fazendo com que eles entendam bem que não é uma
ordem, mas sim que eles necessitam se prevenir. Caso as orientações não sejam
cumpridas, outras medidas como suspensão são tomadas.
Conforme
aponta
Bom
Sucesso
(2002),
é
muito
importante
a
comunicação entre os setores, entre funcionários com as chefias, pois em um
ambiente de trabalho as relações interpessoais são de grande valia para que se
tenha um bom trabalho e uma boa qualidade de vida. O autor comenta ainda, que a
grande maioria dos conflitos e desentendimentos, tensões no ambiente de trabalho
ocorrem da dificuldade de saber falar, como falar e de ouvir o outro.
47
É através da comunicação que se desenvolvem as relações, se
constituindo um meio para o alcance de alguns resultados nas organizações,
desempenhando assim uma importante função de integração dos colaboradores. O
processo de comunicação interna (setorial) se desenvolve juntamente com a
comunicação administrativa (global). Kunsch (1997, p.128) comenta que esta
comunicação é “uma ferramenta estratégica para compatibilizar os interesses dos
colaboradores e da empresa mediante o estímulo ao diálogo, à troca de informações
e experiências e à participação de todos os níveis”.
Com relação aos prazos, 42,2% dos trabalhadores atribuem que quase
sempre prazos muito curtos para a entrega da obra (item 4 da Tabela 2), contribuem
para a ocorrência de acidentes; 21,9% responderam que sempre seria um fator
causador de acidentes. Meliá (1999) discute que a pressa muitas vezes é associada
pelos trabalhadores como um causador de acidentes, corroborando com os dados
encontrados nesta pesquisa. O risco é cada vez maior, por existir uma pressão
relacionada ao tempo, o que contribui para que eles cometam erros nas suas
decisões e na execução de suas atividades.
4.2.2 Fatores Intrínsecos ao Trabalhador
No subitem 4.2.1, foram discutidos os fatores extrínsecos ao trabalhador
que incluem fatores de condições de trabalho (iluminação, ruído, poeira,
manutenção de equipamentos, organização geral do ambiente dentre outros).
Porém, não adianta o trabalhador atuar em um ambiente 100% seguro, se fatores
intrínsecos a ele podem expô-lo à situações de risco de acidente. Vale lembrar que a
pesquisadora não está atribuindo culpa ao trabalhador pelo envolvimento em
acidentes, está-se afirmando que é fundamental que fatores intrínsecos ao
trabalhador também sejam avaliados e “cuidados” pela organização de trabalho
como fatores que podem contribuir para a ocorrência de acidente.
Neste sentido, Souza (2002) enfatiza que os operários da Construção
Civil conhecem o risco, porém o descaracterizam ou o desprezam. O autor relata
ainda, que ao pesquisar trabalhadores da Construção Civil, constatou que alguns
48
dos riscos são prevenidos de forma individual, por meio do uso equipamentos de
segurança e proteção. Porém, a sub avaliação do perigo aliado à não utilização dos
EPIs, faz com que os trabalhadores resistam ao uso dos equipamentos de proteção,
caracterizando, desta forma, um fator intrínseco ao trabalhador
No que tange à avaliação dos trabalhadores da presente pesquisa sobre
a relação entre uso do EPI e ocorrência de acidentes, 81,3%, respondeu que o uso
deste equipamento ajuda a prevenir o acidente sempre (Tabela 3).
Tabela 3: Fatores intrínsecos ao trabalhador (n=64).
n.
Item
Nunca
%
Fatores intrínsecos ao trabalhador: cognitivos, emocionais e fisiológicos
1
... estar agitado pode ocasionar...
... o uso de equipamentos de
segurança individual ajudam a evitar
os...
... realizar as atividades calmamente
10
pode ocasionar...
1,6%
15,6%
26,6%
56,3%
0,0%
0,0%
3,1%
15,6%
81,3%
0,0%
87,5%
1,6%
1,6%
9,4%
0,0%
3,1%
23,4%
21,9%
51,6%
0,0%
0,0%
6,3%
10,9%
82,8%
0,0%
1,6%
18,8%
43,8%
35,9%
0,0%
3,1%
9,4%
57,8%
28,1%
0,0%
4,7%
17,2%
46,9%
28,1%
1,6%
0,0%
4,7%
29,7%
60,9%
3,1%
4,7%
6,3%
15,6%
68,8%
3,1%
7,8%
12,5%
39,1%
37,5%
1,6%
10,9%
10,9%
29,7%
45,3%
1,6%
5
... conhecer os tipos de acidentes
11 mais comuns de ocorrer na
Construção Civil ajudam a prevenir...
... o trabalhador que não presta a
12 atenção na realização da sua tarefa,
pode ocasionar...
... não se alimentar adequadamente
13
pode ocasionar...
14 ... o cansaço pode ocasionar...
... uma noite mal dormida pode
21
ocasionar...
... uso de álcool no dia anterior pode
22
ocasionar...
... uso de álcool no horário de trabalho
pode ocasionar...
... estar mal humorado pode
25
ocasionar...
... estar com problemas familiares
26
pode ocasionar...
Algumas Quase
Não sei
Sempre
vezes
sempre
responder
%
%
%
%
24
27
... estar satisfeito com o trabalho pode
ocasionar...
75,0%
4,7%
1,6%
15,6%
1,6%
28
... trabalhar mais de nove horas por
dia pode provocar...
32,8%
14,1%
20,3%
28,1%
3,1%
Segundo a NR18 (no item 18.23.1)
A empresa é obrigada a fornecer aos trabalhadores, gratuitamente, EPI
adequado ao risco e em perfeito estado de conservação e funcionamento,
49
consoante com as disposições contidas na NR 6 – Equipamento de
Proteção Individual – EPI.
Sendo assim, a utilização e uso correto de EPIs, é de responsabilidade
dos trabalhadores; porém as empresas é que têm a responsabilidade e obrigação de
fornecê-los e exigir o uso correto, fornecendo instruções de como utilizá-los no
momento que repassam aos seus trabalhadores. Em um canteiro de obras, o uso de
EPIs é de grande importância na prevenção de acidentes (SAMPAIO, 1998; SOUZA,
2002).
Vale destacar que, conforme leciona Oliveira, Gomes e Castro (2003) a
grande maioria dos acidentes de trabalho neste setor ocasionam pequenas lesões
perfuro-cortantes e contusões, derivados, em geral, da não utilização de EPIs (luvas,
óculos de proteção, botas, cintos anti-queda, capacetes entre outros) e/ou posturas
inadequadas.
Outros aspectos intrínsecos ao trabalhador também foram avaliados por
eles como possíveis fatores que podem contribuir para a ocorrência de acidentes,
são eles: satisfação, agitação, atenção, alimentação adequada, humor, presença de
problemas familiares, número de horas de trabalho, cansaço, sono etc. Quando
analisado o fator satisfação, 75% dos participantes mencionam que nunca trabalhar
satisfeito causaria acidentes (item 27 da Tabela 3); sendo assim, conclui-se que na
avaliação da maioria dos trabalhadores, estar satisfeito é um fator importante para a
não ocorrência de acidente de trabalho. Diante deste dado Silva (2008), afirma que
ter satisfação é o contentamento pela possibilidade de conseguir ou ter atingido o
objetivo ao qual se propõe ou almeja, e que a satisfação está fortemente ligada à
motivação para que esse objetivo seja atingido.
No tocante ao nível de satisfação, Fernandes (1996) ressalta que é este
um dos pontos fundamentais para o estabelecimento da qualidade de vida no
ambiente de trabalho, considerando as percepções dos trabalhadores, ficou
evidenciado que trabalhar satisfeito, representada nos resultados da pesquisa, é um
fator avaliado pelos participantes como importante para a efetiva prevenção de
acidentes. Sendo assim, pode-se admitir que, trabalhar com satisfação, é o
resultado das ações deste trabalhador, é a soma dos resultados de diversos dados
que estão ligados tanto nas atividades que ele realiza em seu ambiente de trabalho,
50
ou no que diz a respeito a convivência, ás condições de trabalho, relacionamento
com colegas entre outras.
Corroborando com o autor, Aranha (1997) relata ainda, que desde a
década de 1930, estudos feitos a respeito do tema satisfação no trabalho já era de
grande interesse para alguns estudiosos na época, pois este seria um fator a
interferir em algumas atitudes dos trabalhadores de várias áreas, refletindo assim no
seu comportamento dentro e fora do local de trabalho interferindo, desta maneira, na
sua vida profissional e pessoal. Spector (2006) menciona que alguns dos estudos
confirmam que os trabalhadores insatisfeitos estão mais suscetíveis a deixar seus
empregos do que os trabalhadores satisfeitos, sendo que o trabalhador que mais se
ausenta no trabalho, é aquele que menos gosta da sua atividade laboral.
Deste modo, é de grande importância poder identificar os aspectos que
promovem a satisfação no trabalho, para que as empresas possam alcançar maior
produtividade, um menor número de absenteísmo e rotatividade e de acidentes de
trabalho.
Ainda referente a aspectos intrínsecos ao trabalhador, não se pode
ignorar os fatores familiares. Por meio das respostas do item 26, da tabela 3 (“...
estar com problemas familiares pode ocasionar acidentes de trabalho”), 45,3%
responderam que sempre, e 29,7% quase sempre pode ocasionar acidentes de
trabalho. A partir destes dados verifica-se que os trabalhadores percebem que
preocupações com a família podem afetar diretamente na execução das atividades,
nas quais a preocupação com problemas familiares poderá ser um dos fatores a
causar o acidente.
No que tange à jornada de trabalho, 100% dos pesquisados referem que
trabalham 44 horas semanais. Quando questionados se trabalhar mais de 9 horas
diárias poderia constituir-se em uma causa de acidente de trabalho, 32,8%
afirmaram, que nunca, e 28,1% respondeu que sempre. Faz-se importante destacar
que, conforme lecionam Barbosa e Lima, (2007), a Construção Civil exige uma
jornada de trabalho intensa e extensa, geralmente de 44 horas semanais, às vezes
extrapolando nos horários, devido à necessidade de executar determinadas tarefas
como, por exemplo, encher laje (concretagem), e isto aumentaria as horas de
trabalho diárias. Segundo Souza (1983, p 43)
51
a jornada de trabalho na Construção Civil extrapola os esquemas legais. A
legislação trabalhista brasileira prevê no máximo de duas horas extras de
trabalho, sendo este prazo excepcionalmente prorrogado além destas duas
horas. Porém, a necessidade de obter rendimentos extras devido aos
baixos salários vigentes e o próprio risco do trabalhador perder o emprego
forçam-no a aceitar a extensão da jornada de trabalho além do limite já
ampliado. (...) para a empresa, essa é a forma de evitar encargos
trabalhistas com outro turno de trabalhadores, que deveriam assumir a
jornada noturna.
Sendo assim, conclui-se que o número de horas excessivas de trabalho,
associada a baixa remuneração são fatores que comprometem o desenvolvimento
da carreira do profissional da Construção Civil e também um fator desencadeador de
acidentes de trabalho.
Ao analisar qualquer atividade desenvolvida pelo homem é necessário
avaliar as condições fisiológicas dos sujeitos, pois elas serão agentes, os quais vão
interferir no desenvolvimento da atividade em que foi solicitada. Aliado ao número
excessivo de horas de trabalho – discutidos anteriormente, estão o cansaço,
agitação, falta de atenção e número reduzido de horas de sono. Estes fatores serão
analisados a seguir.
No que se refere ao cansaço, 57,8% responderam que estar cansado,
quase sempre poderá ocasionar acidente de trabalho (TABELA 3). De acordo com
Dela Coleta (1991) estudos mostram que a fadiga (cansaço), estresse, noites mal
dormidas, falta de atenção, agitação estão fortemente ligados à ocorrência de
acidentes de trabalho, e estes fatores tendem a aumentar de acordo com o aumento
de horas trabalhadas – o risco de envolvimento em acidentes aumentam
exponencialmente nas ultimas horas do expediente.
Segundo Bartilotti (2009), alguns estudos desenvolvidos em laboratórios
apresentam que poucas horas de sono em pessoas sem nenhuma indicação clínica,
acarretam sintomas iguais (ou maiores) que em pacientes com narcolepsia e apnéia
do sono (HOWARD, GABA, ROZEKIND & ZARCONE, 2002 apud BARTILOTTI,
2009). A fadiga e o sono são, segundo Bartilotti (2009) fatores de risco de acidentes,
pois interferem na avaliação e tomada de decisão diante de uma situação de perigo.
Gaba e Howard (2002, apud BARTILOTTI, 2009) lecionam que os efeitos da
privação do sono são semelhantes aos causados pela ingestão de álcool: 24 horas
sem dormir equivalem a uma concentração de 0,10% de álcool no sangue.
52
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao finalizar o desenvolvimento da presente pesquisa, é imprescindível
relacionar os resultados obtidos aos objetivos propostos, os quais focaram-se na
investigação acerca da percepção que os trabalhadores do ramo da Construção Civil
têm em relação a fatores de riscos passíveis de ocasionar acidentes de trabalho,
relacionando e associando estes fatores às características sócio-demográficas da
população alvo pesquisada. Para tanto, buscou-se lançar mão de um método de
pesquisa na qual a coleta, análise de dados e interpretações dos mesmos
fundamentaram-se em um referencial teórico substancial e coerente com as
demandas apresentadas, possibilitando a elaboração de um instrumento de coleta
de dados contemplando tanto aspectos quantitativos quanto qualitativos.
Por meio dos resultados alcançados nesta pesquisa é possível constatar
que tanto o objetivo geral e os objetivos específicos apresentados neste estudo
foram alcançados, e que foram obtidas as respostas que nortearam o mesmo, pois
pôde ser identificado de que forma os trabalhadores da Construção Civil percebem
os fatores de risco que possam ocasionar acidentes de trabalho no desenvolvimento
das atividades. Vale destacar, que um dos aspectos que também justificou a
execução deste estudo é que o trabalhador pode ser uma vítima de um acidente de
trabalho, se não tiver as noções de alguns fatores os quais lhe causariam o
acidente.
Muitos são os fatores, relatados pelos participantes da pesquisa, que
contribuem de uma maneira significativa para o alto índice de acidentes,
especialmente os graves e fatais. A respeito de alguns fatores extrínsecos e
intrínsecos que possam causar o acidente de trabalho houve diferentes respostas
para alguns itens. Nos fatores extrínsecos, os que foram considerados pelos
trabalhadores como principais na prevenção de acidentes de trabalho são as
campanhas de prevenção, treinamentos, manutenção dos equipamentos de
proteção coletivos e maquinário de trabalho. Além disso, a maioria dos
trabalhadores responderam que os itens supracitados, são passados pela empresa
da presente pesquisa de uma maneira clara e de forma que conscientizem acerca
dos atos inseguros - os quais possam vir a causar o acidente. Segurança do
53
trabalho se faz em grande parte a partir da conscientização, do treinamento e da
fiscalização, o que foi confirmado nesta pesquisa. Além destes, outros fatores
extrínsecos que também foram considerados importantes para a ocorrência de
acidentes, foram àqueles referentes ao ambiente e às condições de trabalho, que
incluíram a iluminação inadequada, poeiras e vibrações. Vale destacar que alguns
destes elementos não é possível alteração em uma obra, tais como a poeira que
inevitavelmente sempre estará presente.
No que se refere aos fatores intrínsecos, pôde-se perceber que o uso de
Equipamentos de Segurança Individual (EPI’s), ajudam a prevenir a ocorrência de
acidentes. Os trabalhadores da amostra pesquisada demonstraram ter a percepção
de que o uso dos EPI’s é de extrema importância já que em sua maioria (81,3%)
apontaram que o uso do EPI sempre ajuda na prevenção de acidentes de trabalho.
As empresas em sua maioria deveriam buscar minimizar os riscos as que
estão expostos seus funcionários, pois, apesar de todo avanço tecnológico, as
atividades no setor da Construção Civil, envolvem um grau muito alto de risco. Os
trabalhadores relataram que a empresa pesquisada fornece os EPI’s, exige o uso,
além de instrumentalizar o trabalhador da forma de utilização dos mesmos. Porém,
cabe destacar que no instrumento de pesquisa não havia uma pergunta referente às
questões da exigência e fornecimento de EPI’s por parte da empresa, porém os
trabalhadores ressaltavam verbalmente que há esta exigência. Sendo assim para se
ter um diagnóstico mais claro da realidade da exigência e utilização dos EPI’s na
empresa pesquisada, é necessário que se realizem pesquisas de observação “in
loco”, isto é, nos canteiros de obras, a qual não é neste momento o foco da
pesquisa.
Entre alguns dos fatores intrínsecos citados na pesquisa, compreende-se
que o uso do álcool, apareceu como um dos fatores percebidos pelo trabalhador
como um fator que sempre influencia para a ocorrência de acidentes de trabalho
(60%). É consensual o impacto com relação ao consumo de álcool nos
comportamentos individuais e, em concreto, na segurança dos trabalhadores. O
álcool é uma substancia a qual altera a percepção, concentração; minimiza a
previsão de conseqüências (desprezo pelo risco, imprudência), altera as
capacidades de coordenação motora e, junto a isto, a perda de reflexos que perturba
o equilíbrio psico-fisiológico. Ficaria a sugestão da pesquisadora que a Empresa
aborde (ou continue a abordar) este problema, com alguma fundamentação prática e
54
não
somente
teórica,
enfatizando
a
importância
das
ações
de
informação/sensibilização/formação sobre esta droga. Os fatores como satisfação,
agitação, atenção, alimentação adequada, humor, presença de problemas
familiares, número de horas de trabalho, cansaço, sono etc., também foram bem
destacados pelos pesquisados como fatores importantes para a ocorrência de
acidentes de trabalho na Construção Civil.
Sendo assim, a segurança do trabalhador inclui tanto fatores intrínsecos
quanto extrínsecos. A segurança é um dos principais requisitos ao aumento da
produtividade e redução nos níveis de acidentes de trabalho, além de contribuir para
a valorização do trabalhador em seus mais diferentes níveis de necessidades, o qual
não dependa somente do seu lado pessoal, mas de um contexto onde está inserido,
ou seja, de tudo que interfere na realização de seu trabalho.
A realização desta pesquisa teve seu direcionamento para um tema
instigante, em que analisou a percepção dos trabalhadores em relação à segurança
do trabalho na Construção Civil. Ao longo do estudo, quando da construção do
campo teórico, foi constatada a possibilidade de novos trabalhos se expandirem.
Assim sendo, fica a sugestão para as pessoas as quais tiverem interesse no tema
pesquisado, estudar questões a respeito da segurança, prevenção, conscientização
dos trabalhadores e também das empresas, para que juntos construam não somente
“EDIFÍCIOS”, mas sim construam ambientes e condições de trabalho que
contribuam para o bem estar à saúde do trabalhador da Construção Civil, evitando
ou minimizando os acidentes de trabalho.
A contribuição que foi dada por este Trabalho de Conclusão de Curso de
Psicologia, considerando que em rastreamento feito na base de dados de TCCs do
curso de Psicologia da UNISUL não foi encontrada nenhuma produção envolvendo
especificamente a Construção Civil, expande as possibilidades de atuação do
Psicólogo neste ambiente que tanto necessita de profissionais que trabalham com o
comportamento humano. Tendo em vista os resultados apresentados nesta
pesquisa em que foram relatados diversos fatores intrínsecos e extrínsecos ao
trabalhador que podem contribuir para a ocorrência de acidentes de trabalho, os
Psicólogos podem compor a equipe de Prevenção e Segurança no Trabalho
intervindo em questões pessoais e organizacionais.
No
que
tange
às
facilidades
e
dificuldades
encontradas
pela
pesquisadora, a empresa em que foi realizada esta pesquisa não apresentou
55
nenhum impedimento, porém algumas dificuldades foram encontradas. Com relação
aos dados recentes de acidentes de trabalho, o SINDUSCON (Sindicato da Indústria
da Construção Civil) não foi forneceu, pois alegou não ter estes dados disponíveis.
Quanto ao tempo de realização da pesquisa, este também foi suficiente para a
coleta e redação dos resultados e análises dos mesmos. Com relação ao método, a
pesquisadora acrescentaria dados relativos à questão financeira, migração e os
motivos dos trabalhadores terem escolhido a Construção Civil pois, como discutido
na análise dos dados, em geral os trabalhadores não optam pela Construção Civil e
sim a Construção Civil é a única opção para a maioria deles. Isto se justifica, pois,
atuar na Construção Civil exige pouca (ou nenhuma) escolaridade e qualificação e
há abundância de vagas disponíveis.
56
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de Tecnologia. Brasília, v. 12, n. 1, p. 27-32, 1981.
ZOCCHIO, A. Prática da Prevenção de acidentes: ABC da segurança do trabalho.
4 ed. São Paulo: Atlas, 1980.186 p.
ZOCCHIO, A. Prática da prevenção de acidentes: ABC da segurança do trabalho.
7. ed. amp. São Paulo: Atlas, 2002. 278 p.
ZOCCHIO, A. Prática da Prevenção de acidentes: ABC de segurança do trabalho.
7 ed. ampliada. São Paulo: Atlas, 2002. p. 218.
62
APÊNDICES
63
APÊNDICE A - QUESTIONÁRIO: PERCEPÇÃO DE FATORES DE RISCO DE ACIDENTES DE TRABALHO NA CONSTRUÇÃO
CIVIL
(Souza & Bartilotti, 2009)
PERFIL DO OPERARIO
Idade:
Sexo: ( ) 1= Masculino
Estado civil: ( ) 1=Solteiro
( ) 2=Casado
Numero de filhos: _________________
Fuma? ( ) 1=Não
( ) 3=Divorciado / Separado
( ) 4=Viúvo
( ) 5=Convivente
( ) 2=Sim
Consumo diário de bebida alcoólica ( ) 1=Não
Grau de instrução:
( ) 2= Feminino
( ) 2=Sim
Quanto? ____________________
( ) 0=Não lê e não escreve ( ) 1=só assina o nome
( ) 2=Fundamental
( ) 3=Médio
(
) _.1 Completo
DADOS PROFISSIONAIS
Vínculo: ( ) 1=Funcionário da empresa
(
) _.2 Incompleto
( ) 2=Funcionário terceirizado
Função atual: ________________________________________________________________________________________________________
Sabe desempenhar outra função na Construção Civil: ( ) 1=Não ( ) 2=Sim _____________________________________________________
Com que idade começou a trabalhar: ____
Há quanto tempo trabalha na empresa: ____
Quanto tempo de serviço na Construção Civil: _____
Formação profissional: ______________________________________________________Carga horária________________________________
Já sofreu algum tipo de acidente?
( ) 1=Não
Recebeu algum tipo de treinamento? ( ) 1=Não
( ) 2=Sim _________________________________________________________________
( ) 2=Sim _________________________________________________________________
Algumas
vezes
Quase
Sempre
Sempre
Não sei
responder
... estar agitado pode ocasionar...
... treinamentos da empresa ajudam a prevenir...
... campanhas de prevenção da empresa ajudam a evitar...
... os prazos de entrega das obras muito curtos podem favorecer a ocorrência de...
... o uso de equipamentos de segurança individual ajudam a evitar os...
... um ambiente de trabalho desorganizado pode ocasionar...
... o “guarda corpo” pode ajudar a evitar...
... o mestre de obra passar instruções claras sobre como devem ser executadas as tarefas ajudam a prevenir...
... a manutenção adequada dos materiais e equipamentos (serras, betoneiras, elevadores, etc) podem ajudar a prevenir...
... realizar as atividades calmamente pode ocasionar...
... conhecer os tipos de acidentes mais comuns de ocorrer na Construção Civil ajudam a prevenir...
... o trabalhador que não presta a atenção pode ocasionar...
... não se alimentar adequadamente pode ocasionar...
... o cansaço pode ocasionar...
... palestras ministradas pelos técnicos de segurança ajudam a prevenir...
... treinamentos de como utilizar os EPIs ajudam na prevenção de...
... o barulho de uma obra pode ocasionar...
... ter muita poeira pode ocasionar...
... trabalhar em locais com muita vibração pode ocasionar...
... estar muito quente pode ocasionar...
... uma noite mal dormida pode ocasionar...
... uso de álcool no dia anterior pode ocasionar...
... iluminação adequada pode ocasionar...
... uso de álcool no horário de trabalho pode ocasionar...
... estar mal humorado pode ocasionar...
... estar com problemas familiares pode ocasionar...
... estar satisfeito com o trabalho pode ocasionar...
... trabalhar mais de nove horas por dia pode provocar...
... Acidentes de trabalho?
Você considera que...
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APÊNDICE B- TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E
ESCLARECIDO
PARA
A
PARTICIPAÇÃO
DE
TRABALHADORES DA CONSTRUÇÂO CIVIL
Meu nome é Ana Carla de Macedo Souza, estou cursando a graduação de Psicologia
na Universidade do Sul de Santa Catarina, unidade Pedra Branca em Palhoça – SC Estou
desenvolvendo uma pesquisa intitulada: “Qual percepção dos trabalhadores da indústria da
Construção Civil acerca dos fatores de risco passíveis de ocasionar acidentes de
trabalho”,com a intenção de investigar a percepção destes riscos que possam de ocasionar
acidentes de trabalho.Esta pesquisa será realizada em um canteiro de obras de uma
construtora da grande Florianópolis. Desenvolvo esta pesquisa sob a orientação da Profª.
Carolina Bartilotti (telefone: (48) 3279 1155).
Para a realização desta, a pesquisadora aplicará nos trabalhadores um questionário
fechado com 28 questões relacionadas a possíveis variáveis que eles consideram que possam ocasionar
acidentes de trabalho. Como critério de inclusão dos participantes será levado em consideração
que os mesmos sejam trabalhadores da referida obra em construção, não será considerado
critério de inclusão a atividade que o mesmo desenvolve na empresa, nem tampouco dados
sócio demográficos. Para a referida pesquisa a escolha dos 60 trabalhadores que estão
atualmente trabalhando no canteiro de obras, será de forma aleatória.
O questionário será aplicado pela pesquisadora, e também aplicado por uma
auxiliar e uma técnica de segurança do trabalho da referida empresa, solicitando desta
maneira, esclarecimento de eventuais dúvidas. A aplicação deste questionário será
individualmente, em um espaço da obra pré-determinado pelo engenheiro responsável. Os
trabalhadores deverão responder as questões em aproximadamente 10 minutos e devolvê-lo
na própria situação.
Os resultados coletados serão utilizados na elaboração desta pesquisa, além de
poderem ser utilizados para publicações científicas.
Se você estiver de acordo em participar, esclareço que haverá sigilo sob os dados
informados e que os participantes não serão identificados na pesquisa, preservando o
anonimato e a privacidade dos mesmos.
Em caso afirmativo, preencha os dados abaixo. Conto com sua colaboração e
desde já agradeço.
Atenciosamente, Ana Carla de Macedo Souza
Eu,__________________________________________cargo________________
_____ RG n° ____________________, declaro que fui suficientemente informado sobre
todos os procedimentos da pesquisa que recebi de forma clara e objetiva, realizada pela
acadêmica Ana Carla de Macedo Souza e que todos as informações a meu respeito serão
sigilosas. Assim, concordo que os dados fornecidos sejam utilizados para a realização deste
trabalho e asseguro o campo de pesquisa no período entre julho e dezembro de 2009.
Palhoça, ____/____/ 2009
__________________________________
Assinatura
66
APÊNDICE C - TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E
ESCLARECIDO PARA A PARTICIPAÇÃO DA ORGANIZAÇÃO
Meu nome é Ana Carla de Macedo Souza, estou cursando a graduação de Psicologia
na Universidade do Sul de Santa Catarina, unidade Pedra Branca em Palhoça – SC Estou
desenvolvendo uma pesquisa intitulada: “Qual percepção dos trabalhadores da indústria da
Construção Civil acerca dos fatores de risco passíveis de ocasionar acidentes de
trabalho”,com a intenção de investigar a percepção destes riscos que possam de ocasionar
acidentes de trabalho.Esta pesquisa será realizada em um canteiro de obras de uma
construtora da grande Florianópolis. Desenvolvo esta pesquisa sob a orientação da Profª
Carolina Bartilotti (telefone: (48) 3279 1155).
Para a realização desta, a pesquisadora aplicará nos trabalhadores um questionário
fechado com 30 questões relacionadas a possíveis variáveis que eles consideram que possam ocasionar
acidentes de trabalho. Como critério de inclusão dos participantes será levado em consideração
que os mesmos sejam trabalhadores da referida obra em construção, não será considerado
critério de inclusão a atividade que o mesmo desenvolve na empresa, nem tampouco dados
sócio demográficos. Para a referida pesquisa a escolha dos 30 trabalhadores que estão
atualmente trabalhando no canteiro de obras, será de forma aleatória.
O questionário será aplicado pela própria pesquisadora, facilitando desta maneira,
esclarecimento de eventuais dúvidas. A aplicação deste questionário será individualmente, em
um espaço da obra pré-determinado pelo engenheiro responsável. Os trabalhadores deverão
responder as questões em aproximadamente 15 minutos e devolvê-lo na própria situação.
Os resultados coletados serão utilizados na elaboração desta pesquisa, além de
poderem ser utilizados para publicações científicas.
Se você estiver de acordo em participar, esclareço que haverá sigilo sob os dados
informados e que os participantes não serão identificados na pesquisa, preservando o
anonimato e a privacidade dos mesmos.
Em caso afirmativo, preencha os dados abaixo. Conto com sua colaboração e
desde já agradeço.
Atenciosamente, Ana Carla de Macedo Souza
Eu, ___________________________________, cargo_____________________
RG n° ____________________, declaro que fui suficientemente informado sobre todos os
procedimentos da pesquisa que recebi de forma clara e objetiva, realizada pela acadêmica Ana
Carla de Macedo Souza e que todos as informações a meu respeito serão sigilosas. Assim,
concordo que os dados fornecidos sejam utilizados para a realização deste trabalho e asseguro
o campo de pesquisa no período entre julho e dezembro de 2009.
Palhoça, ____/____/ 2009
__________________________________
Assinatura
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ANEXOS
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universidade do sul de santa catarina ana carla de macedo souza a