O valor da legislação ambiental brasileira na conservação da biodiversidade em áreas suburbanas: um estudo de caso em Porto Alegre, Brasil O valor da legislação ambiental brasileira na conservação da biodiversidade em áreas suburbanas: um estudo de caso em Porto Alegre, Brasil Demétrio Luis Guadagnin, Dr1 • UNISINOS, Laboratório de Ecologia e Conservação de Ecossistemas Aquáticos. Isabel Cristina Ferreira Gravato, MsC • IPA, Curso de Ciências Biológicas . RESUMO. As regras para utilização de terras na legislação ambiental brasileira não foram explicitamente criadas para proteger áreas-chave para a biodiversidade. Neste trabalho, nós avaliamos o grau em que áreas protegidas como “Áreas de Preservação Permanente” (APP) se ajustam a áreas-chave para a conservação da biodiversidade nos subúrbios de Porto Alegre, no Sul do Brasil. A análise foi baseada na estrutura e contexto espacial dos biótopos naturais e na distribuição de hábitats potenciais de espécies ameaçadas. Áreas urbanas cobrem 22% da área estudada, enquanto APPs cobrem 25,8%. Da área total, 21,5% e 28% foram, respectivamente, consideradas importantes para a biodiversidade, de acordo com as abordagens de filtro não refinado e filtro refinado. 40% das APPs coincidem com áreas importantes para a biodiversidade, protegendo 27,5% delas. As margens de corpos de água contribuíram mais do que o esperado para a proteção de áreas importantes. Concluiu-se que a legislação brasileira atual sobre o uso da terra não é suficiente para proteger as áreas-chave para a biodiversidade. Foram também discutidas abordagens complementares e os desafios para satisfazer as necessidades de conservação. Palavras-chave: planejamento de conservação, legislação ambiental, habitat, área, isolamento, conectividade, efeito borda, paisagem urbana. larmente nos países em desenvolvimento (Cohen, 2004). Nos últimos 40 anos, a população mundial aumentou em 65%, enquanto a população urbana aumentou em 115% (Organização das Nações Unidas, 2003). Durante o mesmo período, a população brasi- As paisagens urbanas, o extremo da variação da influência humana na dinâmica de ecossistemas (Forman & Gordon, 1986), se expandiram de forma dramática recentemente, particu1 [email protected] Ponto de Vista 17 Natureza & Conservação - vol. 7 - nº1 - Abril 2009 - pp. 17-29 Demétrio Luis Guadagnin - Isabel Cristina Ferreira Gravato leira aumentou em 82%, e sua fração urbana em 165% (IBGE, 2000). Um padrão comum da expansão urbana mundial é o crescimento de subúrbios de baixa densidade habitacional, trazendo conseqüências socioambientais importantes (Zipperer et al., 2000). (2003), levam em consideração um filtro não refinado que avalia o estado de conservação de cada hábitat e biótopo, e um filtro fino que identifica as espécies e combinações de interesse particular. No Brasil há uma falta de legislações espacialmente explícitas para a proteção de áreas importantes para a biodiversidade. Regras espacialmente explícitas podem ser encontradas apenas na legislação nacional para as unidades de conservação (Sistema Nacional de Unidades de Conservação, 2000) e na Resolução 13/1990 do Conselho Nacional do Meio Ambiente. Ambas as legislações impõem restrições na utilização de terras nas cercanias das unidades de conservação. A política ambiental brasileira tem um histórico de tender para a proteção de recursos aquáticos (Código das Águas, 1934), florestas (Código Florestal, 1965) e animais (Lei de Proteção à Fauna, 1967). Sua influência ainda está presente nas legislações (Santos, 2004). De grande importância, e que estão atualmente sendo debatidas, são as legislações que regulam o planejamento e utilização de terras e águas, baseadas nos conceitos de Áreas de Preservação Permanente (APPs) e Áreas de Reserva Legal (ARLs). As APPs são espacialmente explícitas e fixas, correspondendo a áreas impróprias para a agricultura ou expansão imobiliária, tais como encostas de morros, margens de corpos de água, e alguns hábitats específicos que são considerados importantes ou vulneráveis, tais como banhados, dunas, manguezais, e outros. ARLs, por outro lado, são porções de propriedades que devem ser reservadas ou usadas em baixa intensidade, e cuja localização é arbitrariamente decidida pelo proprietário. A proteção da biodiversidade pode ser outro serviço fornecido por essas legislações-chave, mas sua eficiência ainda não foi avaliada. A conservação da biodiversidade em ambientes urbanos é um desafio. Áreas verdes oferecem hábitats e recursos para a biodiversidade, mas o crescimento urbano também apresenta ameaças. Enquanto aumenta a complexidade das áreas urbanas, incluindo novas combinações de uma ampla e refinada mistura de biótopos (Yli-Pelkonen & Niemelä, 2005; Zipperer et al., 2000; Wintle et al., 2005), os subúrbios em crescimento os rearranjam em um padrão desintegrado, perturbam as trajetórias sucessionais nas áreas verdes remanescentes (Rebele, 1994; Trepl, 1995), e favorecem o domínio por espécies exóticas (Yli-Pelkonen & Niemelä, 2005). Enquanto os valores estéticos e serviços ecossistêmicos das áreas verdes são reconhecidos economicamente, afetando os valores de terras e propriedades (Tyrväinen, 1997; Breuste, 2004; Li, 2005), seu papel na proteção da biodiversidade raramente é reconhecido ou levado em consideração no planejamento urbano (Battisti & Gippoliti, 2004). Há uma gama considerável de conhecimento teórico e empírico demonstrando que o valor dos biótopos para a conservação da biodiversidade pode ser deduzido pelo arranjo e atributos espaciais (O’Neill et al., 1999; Dale et al., 2000; Metzger, 2001). Áreas grandes e bem conectadas, livres de ameaças externas em seus limites, favorecem a ocorrência de espécies de interesse em conservar e uma rica biota. Adicionalmente, biótopos são unidades fáceis de se planejar. Essas unidades representam a distribuição e estado de conservação da maioria dos componentes da biodiversidade (Rouget, 2003; Löfvenhaft, Runborg & SjogrenGulve, 2004) e são facilmente mapeados e expressos (Löfvenhaft et al. 2002). Esses princípios e diretrizes estão refletidos nas abordagens atuais para identificação de áreas de interesse em conservação. Análises em duplo nível, como as propostas por Noss (1987) e Rouget Ponto de Vista Neste estudo, identificamos áreas sob proteção legal e áreas que são importantes para a conservação da biodiversidade em um setor da cidade de Porto Alegre que está vivendo um crescimento rápido. Essas áreas foram sobrepostas para avaliar em que extensão a aplicação da legislação ambiental inclui as áreas mais importantes para a biodiversidade. 18 Natureza & Conservação - vol. 7 - nº1 - Abril 2009 - pp. 17-29 O valor da legislação ambiental brasileira na conservação da biodiversidade em áreas suburbanas: um estudo de caso em Porto Alegre, Brasil deste. A área de estudo é importante local e regionalmente para a conservação –está incluída nas zonas principal e de amortecimento da Reserva de Biosfera da Mata Atlântica (Lino, 2002), e o PDDUA prevê uma “Área para Proteção do Ambiente Natural,” se estendendo na direção SudesteNoroeste desta seção da cidade. MÉTODOS Área de estudo Analisamos uma seção de 5.280 ha da Macrozona 8 (FIGURA 1) do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano e Ambiental (PDDUA – Porto Alegre, 1999; Menegat et al., 1998), chamado de “cidade rural-urbana.” Essa macrozona corresponde a 60% da área municipal e é caracterizada por um mosaico de áreas residenciais, comerciais, rurais e naturais. Recentemente, a especulação imobiliária e pressões para construção de residências vem criando conflitos com o principal fator atrativo da macrozona – a qualidade ambiental. Terrenos elevados, de até 300 metros de altura dominam a porção noroeste, enquanto planícies apresentando colinas baixas e isoladas predominam a su(b) Porto Alegre está localizada em uma zona de transição entre os biomas do cerrado e das florestas decíduas (IBGE, 2004). A paisagem original era um mosaico contendo cinco grande tipos de hábitat (Brack, 1998) – florestas mésicas para úmidas seguindo um gradiente de altitude, principalmente em planícies e encostas voltadas para o sul; cerrados com palmeiras; arbustos e arbustos entre cerrados e florestas e em encostas voltadas para o norte; campos rupestres em colinas; e banhados. -51º 11’ -51º 09’ (a) ZN -30º 06’ N ZT ZA 5 km I Área de Proteção Ambiental (PPDUA) ZN Por Zona (RBMA) ZT Zona de Transição (RBMA) ZA Zona-Tampão (RBMA) -30º 08’ FIGURA 1: (a) Zoneamento ambiental de Porto Alegre, no Sul do Brasil, mostrando o local de estudo. As áreas em cinza-escuro foram indicadas como de valor especial de conservação pelo Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano e Ambiental de Porto Alegre (PDDUA). As linhas circunscrevem as zonas da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica e Ecossistemas Associados (RBMA). (b) Setor de estudo, apresentando áreas urbanas (preto), estradas principais (linhas grossas) e relevo (linhas finas). Ponto de Vista 19 Natureza & Conservação - vol. 7 - nº1 - Abril 2009 - pp. 17-29 Demétrio Luis Guadagnin - Isabel Cristina Ferreira Gravato Mapeamento de base e análises Mapeamento de áreas sob proteção legal Todas as análises são baseadas em mapas temáticos de topografia, drenagem e cobertura da terra (biótopos), digitalizados ou atualizados a partir do banco de dados do Projeto Pró-Guaíba (escala 1:50.000; Rio Grande do Sul, 1992) e imagens do satélite Quickbird adquiridas em 18 de março de 2003. A interpretação das imagens foi feita visualmente na tela, ajudada pelas rotinas supervisionadas de classificação do aplicativo Idrisi 32 (Eastman, 1999). Várias rotinas e módulos do aplicativo Idrisi 32 foram empregados para derivar os mapas temáticos (FIGURA 2). Analisou-se a legislação ambiental, procurando diretrizes espacialmente explícitas do planejamento ambiental e conservação da biodiversidade (proteção de hábitats e espécies). Três níveis legais foram levados em consideração: (1) Nacional – Constituição Federal (promulgada em 5 de outubro de 1988), Código Florestal (Lei 4.771/1965) e resoluções 9/1996, 302/2002 e 303/2002 do CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente); (2) Estadual – Código Ambiental Estadual (Lei 11.520/2000); e (3) municipal – Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano e Ambiental de Porto Alegre (Lei 434/1999). ÁREA PROPORCIONAL (Grupo, área) LISTAS VERMELHAS E REQUIRIMENTOS DE HÁBITATS DE ESPÉCIES AMEAÇADAS LEGISLAÇÃO AMBIENTAL PROXIMIDADE (“Custo”da distância, grupo, área) MAPAS BÁSICOS: RELEVO, HIDROGRAFIA, RODOVIAS, BIÓTOPOS (Vegetação e área urbana) PERMEABILIDADE (“Custo”da distância, localização) VULNERABILIDADE AO EFEITO DE BORDA (“Custo”da distância, calculador de imegem) ÍNDICES DE ADEQUALIBILIDADE DE HÁBITATS PARA 13 ESPÉCIES (Várias rotinas e módulos) NORMAS EXPLÍCITAS DE PROTEÇÃO DO ESPAÇO IMPORTÂNCIA – FILTRO NÃO REFINADO: QUALIDADE DO FRAGMENTO E CONTEXTO (Média dos quatro atributos) IMPORTÂNCIA – FILTRO REFINADO: HÁBITATS POTENCIAIS PARA ESPÉCIES SELECIONADAS (Valores máximos de sobreposição) ÁREAS LEGALMENTE PROTEGIDAS (Calculador de imegem) SOBREPOSIÇÃO DA IMPORTÂNCIA DA BIODIVERSIDADE E DE PROTEÇÃO LEGAL (Calculador de imagem) FIGURA 2: Rotinas utilizadas para mapeamento e sobreposição de áreas sob proteção legal e áreas importantes para a conservação da biodiversidade nos limites urbanos de Porto Alegre, Sul do Brasil. Ponto de Vista 20 Natureza & Conservação - vol. 7 - nº1 - Abril 2009 - pp. 17-29 O valor da legislação ambiental brasileira na conservação da biodiversidade em áreas suburbanas: um estudo de caso em Porto Alegre, Brasil A análise através de filtro refinado levou em consideração a extensão e qualidade do hábitat para espécies ameaçadas de plantas e vertebrados (Decreto Estadual 42.099/2003; Marques et al., 2002). Já que não existem pesquisas de campo na área de estudos, compilamos uma lista de espécies raras, ameaçadas de extinção e endêmicas que potencialmente ocorrem na área de estudos, conferindo as listas oficiais de espécies ameaçadas com as listas de espécies disponíveis na região de Porto Alegre (Brack, 1998; Porto Alegre, 2004). Utilizamos as informações disponíveis sobre exigências e preferências de hábitat dessas espécies (Brack, 1998; Marques, 2002; Fontana, 2003; Porto Alegre, 2004) e os mapas temáticos para desenvolver índices de adequação de hábitat (HSI) (Wintle et al., 2005). Espera-se que eles prevejam a distribuição espacial e qualidade dos hábitats para as espécies selecionadas. Nós classificamos os índices de zero (impróprio) a 1 (o melhor hábitat disponível na área de estudo), em uma escala ordinal. Os modelos não foram validados em campo. Consideramos como hábitat de alta qualidade pixels com valores de HSI iguais a ou acima de 0,5. O mapa de filtro refinado de importância para a conservação da biodiversidade foi obtido pela sobreposição dos mapas para cada espécie. Essa abordagem considera como sendo importantes todos os setores que correspondam ao melhor hábitat disponível para pelo menos uma espécie classificada como de interesse especial, assegurando assim que todas elas estejam incluídas no mapeamento de filtro refinado. Mapeamento de áreas importantes para a conservação da biodiversidade Adotamos uma estratégia em dois níveis – um filtro menos refinado identificando as porções mais importantes de cada biótopo de acordo com atributos espaciais; e um filtro refinado avaliando a importância dos pixels como hábitats para espécies de interesse especial de conservação. Nós definimos biótopo como uma porção de área apresentando condições ambientais uniformes, pertencendo a um tipo de hábitat em particular. Todos os critérios foram padronizados para valores de zero (sem importância), a 1 (importância máxima) na área. Levamos em consideração quatro atributos espaciais no filtro não refinado – área do biótopo, isolamento, conectividade e vulnerabilidade a impactos dos arredores. A área proporcional foi calculada ponderando-se a área absoluta de cada biótopo pela área maior desse biótopo. Utilizamos uma medida de isolamento baseada na área (Tishendorf et al., 2003) – a quantidade média de hábitat disponível dentro de quatro comprimentos a partir da borda de uma seção (50, 100, 150, e 200 metros). A conectividade foi definida como uma área contígua de hábitats semi-naturais em redor de um biótopo (Whited et al., 2000), uma medida no contexto da matriz na qual um biótopo está embutido. A vulnerabilidade de um pixel de um biótopo semi-natural foi considerada uma função logística da distância da borda de um biótopo urbano ou uma estrada, até um limite de 200 metros. Essa função simula a expectativa que os efeitos de borda têm limites, abaixo e acima dos quais as reações da comunidade biológica são de variabilidade mínima (Ewers & Didham, 2006). A vulnerabilidade de um biótopo foi definida como a vulnerabilidade média de seus pixels. O mapa de filtro não refinado das áreas importantes para a conservação da biodiversidade foi uma média dos valores de quatro atributos para cada biótopo, sendo a área considerada duplamente mais importante do que os outros atributos. Todos os biótopos com valores maiores que ou igual a 0,5 foram considerados como de importância primária para a conservação. Ponto de Vista O mapa final das áreas importantes para a conservação da biodiversidade foi obtido sobrepondo-se os mapas com filtro não refinado e refinado. Essa abordagem, ao contrário daquelas que utilizam médias, produz uma solução nãootimizada, mas garante que o mapa final contenha tanto as parcelas mais importantes de cada biótopo como os hábitats mais importantes para cada espécie importante. Os mapas das áreas sob proteção legal e das áreas importantes para a biodiversidade, de acordo com os filtros não refinados e refinados, foram sobrepostos para localizar e quan- 21 Natureza & Conservação - vol. 7 - nº1 - Abril 2009 - pp. 17-29 Demétrio Luis Guadagnin - Isabel Cristina Ferreira Gravato tificar suas coincidências e as lacunas na proteção de hábitats e espécies. Subúrbios menores estão espalhados pelo setor sul, intercalados com agricultura e cerrados. Nove porcento da área são ocupados por agricultura (458 ha) e 10% por cerrados (542 ha), a maioria destes na forma de pequenos setores (máximo de 15 ha) na divisa com florestas, cerrados e áreas urbanas. Grandes áreas de remanescentes florestais nativos (máximo de 203 ha), cobrindo menos de 1% da área de estudo (35,5 ha), estão concentradas em dois setores separados no nordeste e no sudeste. Pequenas porções de cerrado (máximo de 22 ha) estão dispersos por toda a área, cobrindo 13% do território (688 ha). RESULTADOS Foram identificados e mapeados oito tipos de biótopos (FIGURA 3) – quatro hábitats naturais ou semi-naturais (florestas, cerrados, cobertura arbustiva e campos rupestres), e quatro dominados por seres humanos – reflorestamentos com espécies exóticas (Pinus spp ou Eucalyptus spp.), agricultura, áreas urbanas e estradas. A matriz da paisagem é composta de áreas urbanas (1.214 ha, 23% da área de estudo), florestas nativas (1.430 ha, 27% da área) e reflorestamento com árvores exóticas (913 ha, 17% da área). Três bairros densamente habitados (Glória/Cascata, Restinga e Lomba do Pinheiro) ocorrem na área de estudo, com orientação noroeste-sudeste e são ligados por um eixo de uma estrada principal. A análise da legislação ambiental revelou a existência de 16 artigos e três outros argumentos legais governando a utilização e zoneamento da terra (TABELA 1). Apenas um é espacialmente explícito e estabelecido – as Áreas de Preservação Permanente (APP), enquanto outros são arbitrariamente redigidos, como as re- Floresta nativa Reflorestamento com exóticas Agricultura Formações rochosas Campos Cobertura arbustiva Áreas urbanas FIGURA 3: Biótopos de um subúrbio de Porto Alegre, Sul do Brasil, enfrentando um rápido crescimento, 2003 Ponto de Vista 22 Natureza & Conservação - vol. 7 - nº1 - Abril 2009 - pp. 17-29 O valor da legislação ambiental brasileira na conservação da biodiversidade em áreas suburbanas: um estudo de caso em Porto Alegre, Brasil gras para reclamação de posse, exploração de florestas ou recuperação de áreas de reserva legal, que é compulsória. As regras para a designação de APPs são reproduzidas em várias decisões Estaduais e Federais com pequenas diferenças. Na área de estudo, 1.336 ha (26%) são APPs de acordo com a resolução 303/2002 do CONAMA (FIGURA 5). Os topos de morros perfazem 66% (901 ha) das APPs, as margens de corpos de água respondem por 30% e as encostas íngremes por 4%. Cerca de 28% da área urbana localizam-se em APPs – 75,5% em topos de colinas, 21,5% em margens de corpos de água e 3% em encostas íngremes. Um total de 1.115 ha (21,1% da área estudo) foi mapeado como importante para a conservação da biodiversidade, de acordo com a análise de filtro não refinado (TABELA 1; FIGURA 4). Áreas extensas de biótopos naturais, a sua maioria no setor central, perderam sua condição devido à vulnerabilidade aos efeitos de borda resultantes da ocupação urbana desordenada. A área de estudo inclui hábitats em potencial para 13 das 18 espécies que ocorrem em Porto Alegre e cercanias (dez de plantas vasculares, três de aves e cinco de mamíferos; TABELA 2). TABELA 1. Comparação das áreas protegidas pela legislação ambiental brasileira e áreas importantes para a conservação da biodiversidade em um setor da borda urbana de Porto Alegre, Sul do Brasil, sob rápida expansão urbana. Os valores correspondem a hectares superpostos. Tipo de área Total Total urbanizado Filtro não refinado Filtro refinado Áreas importantes para a biodiversidade Áreas legalmente protegidas • Encostas íngremes (45º) • Topos de Colinas • Margens de corpos de água Áreas não protegidas Total 1.366 54 901 411 3.914 5.280 339 10 256 73 875 1.214 291 16 193 82 824 1.115 406 25 164 226 1.083 1.489 550 29 296 226 1.449 1.999 TABELA 2. Resumo do hábitat disponível (em hectares) para espécies ameaçadas em um setor da borda urbana de Porto Alegre, Sul do Brasil Espécie Aves Euphonia violacea Xanthopsar flavus Mamíferos Alouatta guariba clamitans Herpailurus yaguarondi Leopardus tigrinus Oncifelis geoffroyi Plantas vasculares Butia capitata Apuleia leiocarpa Ocotea catharinensis Chionanthus filiformis Cattleya intermedia Picramnia parvifolia Urera nitida * VU = vulnerável; AM = ameaçada. Categoria* Hábitat Ideal Hábitat Bom Hábitat Mínimo VU VU 1.293 0 1.136 723 0 458 VU VU VU VU 1.431 55 1.431 55 0 4.011 2.635 4.011 0 0 0 0 EN VU VU EN VU VU VU 3 0 0 0 128 0 0 1.064 1.460 1.142 1.142 1.303 1.142 1.142 197 511 829 829 0 829 829 Ponto de Vista 23 Natureza & Conservação - vol. 7 - nº1 - Abril 2009 - pp. 17-29 Demétrio Luis Guadagnin - Isabel Cristina Ferreira Gravato A área fornece um extenso hábitat potencial para Allouata fusca e Leopardus tigrinus, enquanto nenhum hábitat preferido está disponível para cinco espécies de plantas (Apuleia leiocarpa, Ocotea catharinensis, Chionanthus filiformis, Picramnia parvifolia, Urera nitida) e uma espécie de ave (Xanthopsar flavus). Não há hábitat, na área de estudo, para Lontra longicaudis (VU) e Ephedra tweediana (AM). Não há informação disponível suficiente para se fazer um modelo para Clibanornis dendrocolaptoides (VU), Tillandsia aeranthos var. aemula (VU) e Tibouchina asperior (AM). A maioria das espécies prefere hábitats florestais. Oito espécies (Cattleya intermedia, Ocotea catharinensis, Chionanthus filiformis, Picramnia parvifolia, Urera nitida, Butia capitata, Oncifelis geoffroyi, Herpailurus yaguarondi) estão em áreas associa- das a hábitats ribeirinhos; três outras (Butia capitata, Herpailurus yaguarondi, Oncifelis geoffroyi) preferem hábitats abertos. Um total de 1.489 ha (28% da área de estudos) corresponde a hábitats potenciais de alta qualidade para pelo menos uma espécie com interesse de preservação (TABELA 1; FIGURA 4). A sobreposição dos mapas de filtros não refinado e refinado resultou em 1.999 ha (25,4% da área de estudo) de áreas importantes para a conservação da biodiversidade (TABELA 1; FIGURA 5). Desta área, 550 ha são protegidos como APPs – 27,5% das áreas mapeadas como importante para a biodiversidade, ou 40% das áreas mapeadas como APPs. Topos de morros contribuíram menos do que o esperado para a conservação da biodiversidade (53% das áreas I Filtro refinado I Filtro não refinado I Áreas sobrepostas FIGURA 4: Áreas importantes para a conservação da biodiversidade na borda urbana de Porto Alegre, Sul do Brasil, de acordo com as abordagens de filtros não refinado (cinza claro, total de 510 ha; 25% da área de estudo) e refinado (cinza escuro, total de 884 ha; 44% da área de estudo). Áreas sobrepostas (640 ha; 30% da área de estudo) são mostradas em preto. O filtro não refinado é baseado em atributos espaciais dos biótopos (área, isolamento, conectividade e vulnerabilidade a impactos das redondezas). O filtro refinado baseia-se em distribuição prevista de hábitat em potencial para 13 espécies ameaçadas de extinção de plantas vasculares e vertebrados. Ponto de Vista 24 Natureza & Conservação - vol. 7 - nº1 - Abril 2009 - pp. 17-29 O valor da legislação ambiental brasileira na conservação da biodiversidade em áreas suburbanas: um estudo de caso em Porto Alegre, Brasil I Legalmente protegida I Importante para a Biodiversidade I Áreas sobrepostas FIGURA 5. Equivalência das áreas protegidas pela legislação ambiental brasileira (1.336 ha; 26% da área de estudo) e áreas importantes para a conservação da biodiversidade (1.999ha; 38% da área de estudo) em uma borda urbana de Porto Alegre, Sul do Brasil. As áreas equivalentes somam 550 ha. importantes protegidas), enquanto as margens de corpos de água (41%) e encostas íngremes (5%) contribuíram em um grau maior. sagens dominadas por seres humanos, rurais ou urbanas, cuja cobertura original inclui um mosaico de hábitats. Documentos legais que se concentram em processos ecossistêmicos e na proteção de florestas, como é o caso da criação das APPs brasileiras (Santos, 2004), são comuns no mundo inteiro (Tjallingii, 2000; Sutherland, 2002; Battisti & Gippoliti, 2004). DISCUSSÃO Este estudo mostra que as regras espacialmente explícitas na legislação ambiental brasileira – a criação de Áreas de Preservação Permanente (APP), não são suficientes para a proteção de áreas importantes para a conservação da biodiversidade nos subúrbios de Porto Alegre. Na área de estudo, como é de conhecimento geral, a ocupação humana não é aleatória, expandindo-se primariamente sobre as planícies baixas e produzindo um arranjo desintegrado de biótopos. Isso provavelmente se aplica todas as pai- Ponto de Vista Entre as áreas legalmente protegidas, as margens de corpos de água foram particularmente importantes para a conservação da biodiversidade na área estudada. Esses hábitats ribeirinhos fornecem boas oportunidades para a implementação de corredores de biodiversidade (Rouget et al., 2006), assim como áreas verdes de alto valor social e para o ecossistema (Li, 25 Natureza & Conservação - vol. 7 - nº1 - Abril 2009 - pp. 17-29 Demétrio Luis Guadagnin - Isabel Cristina Ferreira Gravato 2005). No entanto, sua proteção e recuperação são um desafio no Brasil, devido a pressões de especuladores imobiliários para suavizar a legislação sobre APPs e reservas legais (Araújo, 2002), como as que vem provocando os debates atuais em torno de um novo documento legal (Lei 6.514), relativo à aplicação da Lei dos Crimes Ambientais. fragmentação e complexidade espacial (Swenson & Franklin 2000; Robinson et al., 2005), como constatado na área estudada. Além disso, as áreas verdes resultantes tenderão a ser dominadas por espécies ruderais e exóticas e jardins muito elaborados (Dale, 2000; YliPelkonen & Niemelä, 2005). A abordagem de biodiversidade, por outro lado, requer a proteção de grandes e contíguas áreas de remanescentes florestais e mosaicos de hábitats selvagens (Sharpe et al., 1981; Zipperer et al., 2000). A integração dessas abordagens conflitantes nas áreas urbanas em expansão é um desafio de planejamento que ainda não foi devidamente enfrentado (Löfvenhaft et al., 2004; Radeloff et al., 2005). A abordagem desse trabalho, ou seja, a identificação de áreas importantes, é o primeiro passo para um processo de estabelecimento de prioridades de conservação (Margules & Pressey, 2000). Não se abordou a otimização da superfície necessária para a conservação da biodiversidade. Idealmente, os filtros refinados utilizam a distribuição real das populações importantes, o que não foi possível em nosso caso, devido à falta de informações, uma limitação provavelmente comum a muitos exercícios de planejamento no mundo inteiro (Tucker et al., 1997; Sanderson et al., 2002; Wintle et al., 2005). A proteção legal de áreas importantes para a biodiversidade no Brasil claramente requer instrumentos outros que não as APPs, especificamente criados e usados para essa finalidade. Oportunidades flexíveis para complementar essa proteção são a criação apropriada de Áreas de Reserva Legal (ARLs) e a implementação de planos de zoneamento. Ambos não são espacialmente explícitos na legislação atual. Eles também podem contribuir para superar as limitações da implementação de corredores de biodiversidade através apenas de hábitats ribeirinhos (Rouget et al., 2006). Atualmente, as ARLs são arbitrariamente localizadas, seguindo negociações entre proprietários de terras e autoridades. Planos de zoneamento são, tanto legal como politicamente, menos poderosos do que as APPs e as ARLs, e não há regras explícitas sobre como satisfazer as necessidades da biodiversidade em tais exercícios. No entanto, o presente trabalho não tinha como finalidade o planejamento sistemático, mas localizar todas as áreas consideradas importantes para a biodiversidade e avaliar o quanto são representadas no Brasil pela legislação espacialmente explícita. Os mapas produzidos estabelecem um suporte para o planejamento urbano e para a negociação entre as demandas competidoras por áreas verdes (Marzluff, 2002). As paisagens humanas e os cenários de conservação da biodiversidade em áreas urbanas se transformarão de acordo com a abordagem adotada. Abordagens ecossistêmicas são freqüentemente aplicadas em planejamentos urbanos. Elas normalmente dão preferência a áreas protegidas que satisfaçam as exigências humanas, em função da falta de espaços verdes e abertos, das fortes pressões imobiliárias e da ausência de reconhecimento público com relação à biodiversidade escondida das cidades (Marzluff, 2002; Miller & Hobbs, 2002; Breuste, 2004). O mundo está se tornando progressivamente urbano e os impactos associados a esse tipo de uso da terra estão aumentando (Li et al., 2005; Löfvenhaft et al., 2002; McGranahan. & Satterthwaite, 2003). A legislação brasileira atual tende mais à proteção de processos ecossistêmicos e apenas para alguns tipos de hábitats, particularmente de florestas. Portanto, ela não é adequada para a conservação de amostras representativas de todos os hábitats e espécies importantes. Por outro lado, as estratégias Essas condições podem levar a um aumento na Ponto de Vista 26 Natureza & Conservação - vol. 7 - nº1 - Abril 2009 - pp. 17-29 O valor da legislação ambiental brasileira na conservação da biodiversidade em áreas suburbanas: um estudo de caso em Porto Alegre, Brasil atuais de identificação de áreas prioritárias para a biodiversidade não levam em consideração os valores humanos e as exigências por áreas verdes. Para ir ao encontro da meta de conservação da biodiversidade neste contexto, é necessário compreender os padrões e processos da expansão urbana e desenvolver abordagens sensatas e novas de legislação e planejamento. countries: a review of current trends and a caution regarding existing forecasts. World Development 32: 23-51. Dale, V. H.; Brown, S.; Haeuber, R. A.; Hobbs, N. T.; Huntly, N.; Naiman, R. J.; Riebsame, W. E.; Turner, M. G.; Valone, T. J. 2000. Ecological principles and guidelines for managing the use of land. Ecological Applications 10: 639-670. Eastman, R. J. 1999. IDRISI32: Guide to GIS and Image Processing. Vol 1. Worcester: Clark Labs.. Ewers, R. M.; Didham, R. K. 2006. Continuous response functions for quantifying the strength of edge effects. Journal of Applied Ecology 43: 527-536. AGRADECIMENTOS Agradecemos a Edward Benya, Eduardo Velez e Emerson Vieira, que gentilmente revisaram o manuscrito. Fontana, C. S.; Benke, G. A.; Reis, R. E. (eds.). 2003. 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