Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 VOLUME 01 - NÚMERO 01 - 2006 - MAGAZINE Página 1 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 É com grande satisfação que, no vigésimo ano de realização do ENAF, em sua quadragésima edição, publicamos a Revista ENAF SCIENCE Nº 01. Tal publicação pode ser traduzida como uma forma de agradecimento e retribuição a todos aqueles que direta ou indiretamente contribuíram para o desenvolvimento e aperfeiçoamento desse evento que integra o universo da atividade física e saúde. Nesses vinte anos acreditamos ter participado da formação de milhares de acadêmicos e profissionais da área de educação física, fisioterapia, nutrição, enfermagem, turismo e pedagogia. A partir de 2004 passamos a realizar o Congresso Científico ENAF, dando mais um passo na construção dos saberes unindo formação e produção. É nesse novo contexto que a Revista ENAF SCIENCE é lançada. Esperamos que essa publicação enriqueça nossa área de ação. Nesta edição são apresentados os trabalhos completos apresentados no Congresso Científico e os resumos dos trabalhos apresentados sob a forma de pôster. A Revista foi dividida em cinco partes. Inicialmente os trabalhos abordam as relações da atividade física e performance humana, enfatizando as suas relações com o treinamento e a aptidão física. A seguir enfatizamos as ações terapêuticas relatadas por profissionais da fisioterapia e suas possibilidades de revelação de novos caminhos para a integridade funcional do ser humano. As relações da atividade física com a alimentação, terceira parte deste volume, enfoca uma ligação visceral e indissociável entre a nutrição e o desempenho físico. A seguir abordamos os aspectos da saúde pública e sua preocupação com o bem estar e a qualidade de vida. Finalmente enfocamos a atividade física sob a ótica das ciências humanas, mostrando as possibilidades de se observar um homem que se coloca frente a frente com o outro. Esperamos que este seja o primeiro passo que pretendemos dar na busca deste novo viés do conhecimento, fazendo o ENAF seguir o seu caminho mais essencial: participar da construção de uma ciência da atividade física. Prof. Alessandro de Oliveira Prof. Arthur Paiva Neto Prof. Sebastião José Paulino Página 2 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 CONSELHO EDITORIAL: Antônio Carlos Gomes, PhD Diretor Técnico do Clube Atlético Paranaense Luiz Fernando Kruel, Dr. UFRGS Alessandro de Oliveira, Ms Fac. Presbiteriana Gammon/MG Luiz Henrique Salles de Oliveira, Dr. UNIVAS - Univ. do Vale do Sapucaí/MG André Luis Leta da Costa, Dr. UGF - Univ. Gama Filho/RJ Marcelo Gomes da Costa, Ms UNESA - Univ. Estácio de Sá/RJ Arthur Paiva Neto, Ms Univ. São Francisco/SP Márcia Albergaria, Drª. UNESA - Univ. Estácio de Sá/RJ Dennis William Abdala, Ms Unifeg/MG Pablo Juan Grecco, Dr. UFMG - Univ. Federal de Minas Gerais/MG Estélio Henrique M. Dantas, PhD UCB - Univ. Castelo Branco/RJ Roberto Fernandes da Costa, Dr. UNIFESP/SP Fabiano Pinheiro Peres, Ms Univ. São Francisco/SP Rodolfo Novelino Benda, Dr. UFMG - Univ. Federal de Minas Gerais/MG Fábio Saba, Ms Consultor de Negócios em Esporte, Academias no Brasil e no exterior Fabrício Madureira Univ. Metropolitana de Santos Fernanda Pereira Ribeiro Unifenas – Poços de Caldas/MG Lais Lima, Ms Univ. Ítalo Brasileiro/SP Leonardo Cabral, Ms UNESA - Univ. Estácio de Sá/RJ Clubes, Rolando Bacis Ceddia, PhD Univ. de Toronto / Canadá Terêsa Cristina Alvisi, Ms PUC - Pontifica Univ. Católica/MG Turíbio Leite de Barros Neto, Dr. Diretor do CEMAFE/UNIFESP Walace Monteiro, Dr. UERJ - Univ. Estadual do Rio de Janeiro Vagner Raso, Ms USP - Univ. de São Paulo POLÍTICA EDITORIAL: Como revista de pesquisa, o ENAF Science é destinado à publicação de relatórios de pesquisas originais, realizadas na área biomédica ou de ciência da saúde. Incluirá pesquisa em ciências básicas, casos clínicos, efetivamente do diagnóstico e de técnicas terapêuticas e estudos relacionados aos aspectos comportamentais, epidemiológicos ou educacionais da medicina e do movimento humano. Todos os originais sofrerão análise, que será realizado em sistema de duplo-cego (peer review) antes de aceitos para publicação. Enviar cartas para: ENAF – Caixa Postal 129 CEP 37701-970 – Poços de Caldas/MG www.enaf.com.br Os artigos publicados são de inteira responsabilidade dos respectivos autores, não sendo atribuível ao ENAF nenhuma forma de competência legal sobre os mesmos. Página 3 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 ANALISE DA COMPOSIÇÃO CORPORAL DE JOVENS DE 10 A 16 ANOS QUE PRATICAM BASQUETEBOL NA CIDADE DE POUSO ALEGRE E DISPUTARAM OS JOGOS DA PRIMAVERA 2005 Thiago Lobo Dias.......................................................................................................................................................................................................... PERCEPÇÃO DO CONDICIONAMENTO FÍSICO DOS ACADÊMICOS FORMANDOS DE EDUCAÇÃO FÍSICA 2006 Juliana Scheuer............................................................................................................................................................................................................ 06 11 A IMPORTÂNCIA DO APERFEIÇOAMENTO NO PASSE COM A PARTE INTERNA DOS PÉS EM ATLETAS DE UMA ESCOLA DE FUTEBOL NA CIDADE DE POUSO ALEGRE – MG Arthur Paiva Neto......................................................................................................................................................................................................... 15 MODIFICAÇÕES MORFOFUNCIONAIS OCORRIDAS EM JOGADORES DE FUTSAL PROFISSIONAL SUBMETIDOS A TREINAMENTO DE PLIOMETRIA AQUÁTICA Henrique Rodrigues...................................................................................................................................................................................................... 18 INTERVALO DE REPOUSO EM ATACANTES, UMA ANÁLISE ESPECÍFICA Rafael Martins Cotta..................................................................................................................................................................................................... 20 EFEITO DE UM TREINAMENTO DE MUSCULAÇÃO E DE RESISTÊNCIA CARDIOVASCULAR EM ESTEIRA NOS PARÂMETROS ANTROPOMÉTRICOS DE MULHERES SEDENTÁRIAS Alessandro de Oliveira................................................................................................................................................................................................. 23 ANÁLISE DA FLEXIBILIDADE EM TRABALHADORES INSERIDOS EM UM PROGRAMA DE GINÁSTICA LABORAL Dennis William Abdala.............................................................................................................................................…………………………………….. 26 INFLUÊNCIA DO AQUECIMENTO NO DESEMPENHO NO SALTO VERTICAL COUNTERMOVIMENT JUMP Carlos Alberto Moreira.................................................................................................................................................................................................. 29 A INTERRELAÇÃO ENTRE A PERCEPÇÃO DO ESTADO DE SAÚDE E A APTIDÃO FÍSCA EM UNIVERSITÁRIOS DE EDUCAÇÃO FÍSICA César Augusto Costa Rodrigues.................................................................................................................................................................................. 33 INFLUÊNCIA DE UM PROGRAMA DE FORÇA NA ÁGUA (WATER FORCE) NA ESPECIFICIDADE NADO SINCRONIZADO(NS). Henrique França........................................................................................................................................................................................................... 36 AVALIAÇÃO DO ESTRESSE EM ATLETAS DE UMA EQUIPE DE FUTEBOL ANTES E DURANTE O PERÍODO COMPETITIVO Rodney Alfredo Pinto Lisboa........................................................................................................................................................................................ 38 INFLUÊNCA DA APLICAÇÃO DE VIBRAÇÃO MECÂNICA NA DIREÇÃO DO TORQUE MUSCULAR DURANTE UMA AÇÃO VOLUNTÁRIA MÁXIMA DE FLEXORES DO COTOVELO Bruno Pena Couto........................................................................................................................................................................................................ 42 A CONTRIBUIÇÃO DA GINÁSTICA LABORAL PARA A SAÚDE DOS FUNCIONÁRIOS DA CEMIG DE POUSO ALEGRE - MG Rodney Alfredo Pinto Lisboa........................................................................................................................................................................................ 46 A TENSÃO DOS ATLETAS DE NATAÇÃO E A INFLUENCIA EM SEU DESEMPENHO NAS COMPETIÇÕES Emanuelle S. C. Pereira............................................................................................................................................................................................... 49 OS BENEFÍCIOS DOS EXERCÍCIOS RESISTIDOS NA SAÚDE FÍSICA Luis Henrique Sales Oliveira........................................................................................................................................................................................ 53 MOTIVOS QUE LEVAM OS ADOLESCENTES DO SEXO MASCULINO DE 13 A 15 ANOS A PRATICAREM HANDEBOL NA CIDADE DE POUSO ALEGRE-MG Juliano Penido De Souza............................................................................................................................................................................................. 57 EFEITOS HIPOCOLESTEROLÊMICOS DA ATIVIDADE FÍSICA ANAERÓBIA EM RATOS COM HIPERCOLESTEROLEMIA INDUZIDA POR DIETA Wander Lopes Pereira.................................................................................................................................................................................................. 63 ESTUDO COMPARATIVO SOBRE DUAS METODOLOGIAS DE TREINAMENTO DE FORÇA E HIPERTROFIA MUSCULAR EM PRETICANTES DE MUSCULAÇÃO: PERIODIZAÇAO LINEAR (CLÁSSICA) E PERIODIZAÇAO NÃO – LINEAR (ONDULADA) Luis Fernando Simioni.................................................................................................................................................................................................. 66 COMPARAÇÃO DE TESTES NEUROMOTORES E ANTROPOMÉTRICOS DE GOLEIROS DE FUTEBOL DE CAMPO E DE FUTSAL DA PRIMEIRA DIVISÃO DO ESTADO DE SÃO PAULO Anderson Simões......................................................................................................................................................................................................... 69 A UTILIZAÇAO DO PILATES COMO RECURSO TERAPEUTICO NO TRATAMENTO DE DESVIOS DA COLUNA:Estudo de caso Ada Pedreira da Silva................................................................................................................................................................................................... 73 ESTIMULAÇÃO CEREBRAL E APRENDIZAGEM MOTORA: EFEITOS NO TREINAMENTO DE ALTO RENDIMENTO DO JOGO DE BOLICHE Fabrício Bruno Cardoso............................................................................................................................................................................................... 77 AVALIAÇÃO DA ALTERAÇÃO DE SATURAÇÃO DE OXIGÊNIO, PRESSÃO ARTERIAL E FREQUÊNCIA CARDÍACA, APÓS UM PROGRAMA DE TREINAMENTO PARA UMA PACIENTE COM FIBROSE CÍSTICA OXIGÊNIO DEPENDENTE Luís Henrique Sales Oliveira........................................................................................................................................................................................ 80 PROGRAMA DE JORNADA AMPLIADA – PROJETO DE CAPOEIRA, DANÇA E GINÁSTICA RÍTMICA Debora Gomes............................................................................................................................................................................................................. 82 A IMPORTÂNCIA DO PROFISSIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA NA ESCOLINHA DE FUTEBOL TENDO COMO BASE A FORMAÇÃO HUMANA. Emerson Rogério de Souza......................................................................................................................................................................................... 86 REPRESENTAÇÕES ATRAVÉS DA ARTICULAÇÃO TEORIA-PRÁTICA DO ENSINO DE VOLEIBOL PARA OS ALUNOS/ATLETAS DA CIDADE DE LUZ Luana Maciel Caetano Alonso...................................................................................................................................................................................... 92 CRIANÇAS TRABALHADORAS NO BRASIL: A PROBLEMÁTICA DO TRABALHO INFANTIL AINDA PERSISTE Renata Cristina da Penha Silveira................................................................................................................................................................................ 95 Página 4 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 PSE PREDIZ 1-RM INDEPENDENTE DA FORÇA Daniel Rodriguez........................................................................................................................................................................................................... RESPOSTAS NEUROMUSCULARES APÓS 12 SEMANAS DE TREINAMENTO DE CICLISMO INDOOR NEW CYCLING, EM IDOSOS ATIVOS NÃO PRATICANTES DA MODALIDADE Jenny Ahlin.................................................................................................................................................................................................................... PERFIL DO PERCENTUAL DE GORDURA DE CRIANÇAS MATRICULADAS NAS SÉRIES INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL DA CIDADE DE CABO VERDE/MG(*) Adriani C. Dias.............................................................................................................................................................................................................. MODIFICAÇÕES NA COMPOSIÇÃO CORPORAL DE ATLETAS DE FUTSAL DURANTE A FASE PREPARATÓRIA Alberto Rodrigues Nogueira Filho................................................................................................................................................................................. CONHECIMENTO E PERCEPÇÕES SOBRE EXERCICIO FÍSICO EM ACADÊMICOS DA ÁREA DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E SAÚDE Paula Pabla Cardoso dos Santos................................................................................................................................................................................. ANÁLISE DO GANHO DE FORÇA EM MULHERES, ATRAVÉS DE UM PROGRAMA DE MUSCULAÇÃO Denner Freitas Diniz...................................................................................................................................................................................................... ANALISE DA SOBRECARGA CAUSADA PELO AQUAHAND (AH) DURANTE O EXERCÍCIO DE FLEXÃO E EXTENSÃO DO COTOVELO NO MEIO LIQUIDO Henrique França Rodrigues.......................................................................................................................................................................................... ALTERAÇÕES NAS CONDIÇÕES AERÓBIA E ANAERÓBIA DURANTE A FASE PREPARATÓRIA EM UMA EQUIPE DE FUTSAL Yvan Vilas Boas........................................................................................................................................................................................................... A PSE PODE PREDIZER DESEMPENHO DO 1-RM Francisco D Dragone.................................................................................................................................................................................................... A INFLUÊNCIA DO PROGRAMA DE PLIOMETRIA AQUÁTICA NA POTENCIA AERÓBIA DE JOGADORES DE FUTSAL Rodrigo Vilarinho.......................................................................................................................................................................................................... NEUROPATIA PERIFÉRICA ALCOÓLICA Alinefrancieli França..................................................................................................................................................................................................... VINHOTERAPIA Aline Francieli França.................................................................................................................................................................................................... A RECREAÇÃO COMO MEIO DE SOCIABILIZAÇÃO PARA A TERCEIRA IDADE Alex Barreto De Lima................................................................................................................................................................................................... ANÁLISE DO CONCEITO DE EDUCAÇÃO FÍSICA ENTRE PROFISSIONAIS ATUANTES NO NORTE DE MINAS Douglas Martinelly........................................................................................................................................................................................................ A INCIDÊNCIA DA HIPERTENSÃO EM ESTUDANTES DE GRADUAÇÃO DE UM CENTRO UNIVERSITÁRIO PRIVADO DO MUNICÍPIO DE GUAXUPÉ–MG Amanda Bueno Candido.............................................................................................................................................................................................. ASSITÊNCIA DE ENFERMAGEM NA PREVENÇÃO DE ÚLCERA DE PRESSÃO: UMA REVISÃO DA LITERATURA Gisele Regina Silva...................................................................................................................................................................................................... PERCEPÇÃO DOS GRADUANDOS DO UM CENTRO UNIVERSITÁRIO QUANTO AS VARIÁVEIS QUE FUNDAMENTAM A CONSTRUÇÃO DO PERFIL DO ENFERMEIRO. Solange Cristina Carvalhais Feitosa............................................................................................................................................................................ PREVENÇÃO DO CÂNCER CÉRVICO-UTERINO EM UMA COMUNIDADE DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO: UMA ANÁLISE EXPLORATÓRIA Kelly Rojas Ramires................................................................................................................................................……………………………………... REVISÃO SISTEMÁTICA SOBRE A INFLUÊNCIA DA ATIVIDADE FÍSICA NO RISCO DE CÂNCER DE MAMA Débora N Fucidji........................................................................................................................................................................................................... AVALIAÇÃO NUTRICIONAL DE PRÉ-ESCOLARES DO MUNICIPIO DE GALILÉIA-MG Ariela Werneck Carvalho.............................................................................................................................................................................................. TAXA METABÓLICA BASAL E GORDURA CORPORAL DE PRÉ-ESCOLARES DE RIO BRANCO-AC Orivaldo Florencio de Souza........................................................................................................................................................................................ Página 5 de 108 98 98 98 99 99 100 100 101 101 101 102 102 103 103 103 104 104 105 105 106 106 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 ANALISE DA COMPOSIÇÃO CORPORAL DE JOVENS DE 10 A 16 ANOS QUE PRATICAM BASQUETEBOL NA CIDADE DE POUSO ALEGRE E DISPUTARAM OS JOGOS DA PRIMAVERA 2005 Thiago Lobo Dias Graduado em Educação Física Arthur Paiva Neto Mestre – Universidade São Francisco – USF Alessandro de Oliveira Mestre –Faculdade Presbiteriana Gammon – FAGAM RESUMO Neste trabalho analisamos a composição corporal de jovens com idades entre 10 e 16 anos que praticam basquetebol em Pouso Alegre e disputaram os jogos da primavera 2005 criando assim um referencial para novas pesquisas e principalmente ter em mãos as características físicas dos jovens. Foram analisados 39 jovens de quatro escolas. Os dados foram coletados antes dos treinos e jogos. Foram coletados nove dobras cutâneas, altura do vértex e peso corporal. Os resultados obtidos para este estudo foram submetidos inicialmente ao teste de normalidade. Após este teste as variáveis consideradas normais foram comparadas utilizandose o teste t de student Na analise dos resultados foi constatado que não houve diferenças significativas no percentual de gordura, sdt, sdts, sdti, sdm, sdms, sdmi, soma das 9 dobras, peso gordo e índice de massa corporal; já no peso magro, peso total e estatura foi encontrado grandes diferenças quando comparamos os infantis com os infanto-juvenis. Notamos que com o passar da idade os jovens tentem a manter o percentual de gordura e o IMC aumentando a estatura e peso total tornando assim sua estrutura mais forte tornando se mais saudável. INTRODUÇÃO A obesidade é um grande problema na nossa sociedade, estando relacionada à hipertensão, colesterol sérico elevado e ao desenvolvimento da diabete. Existe uma crescente preocupação com o aumento da incidência da obesidade infantil. Para enfrentarmos esse problema devemos ser capazes de monitorar as alterações da gordura corporal durante a vida e de avaliar a efetividade da dieta e do exercício no combate a este problema (POWERS & HOWLEY, 2000). Medidas de composição corporal podem ser usadas para monitorar mudanças durante o crescimento e desenvolvimento para classificar o nível de gordura corporal em crianças. Pesquisas mostram que crianças mais gordas têm uma tendência mais forte à obesidade quando adultas e um risco relativamente maior de desenvolver doenças cardiovasculares. (COSTA, 2000) Uma das maneiras de se analisar o estado estrutural da pessoa é a analise da composição corporal onde constatamos através da mensuração do peso corporal, altura do vértex e percentual de gordura informações adicionais que têm importância significativa na prescrição de um treinamento ou na orientação de uma dieta. O meio mais adequado de avaliar a composição corporal é fracionar o peso corporal em seus diversos componentes: peso de gordura, peso muscular, peso ósseo e peso residual, que compreende órgãos, pele, sangue, tecido epitelial, sistema nervoso, etc. Observando este aspecto, é possível relacionar o desempenho físico dos atletas praticantes do basquetebol com as características do peso, já que o seu excesso pode causar prejuízos na aquisição das características acima descrita. Mais especificamente o excesso de gordura corporal pode ser visto como um fator de limitação da performance dos atletas. No Brasil a quantidade destes estudos ainda é insuficiente se compararmos a relevância do basquetebol com a produção científica disponível. Na literatura internacional, poucos trabalhos se propõem a traçar um perfil das características antropométricas de jovens que praticam basquetebol. As características da composição corporal são dados que podem municiar os treinadores, preparadores físicos e fisiologistas do exercício com informações relevantes quanto à qualidade do peso destes, bem como, às variações desta variável no decorrer de um processo de treinamento seja num determinado momento, seja durante toda uma vida. (PAIVA NETO, 2005) Ainda segundo o mesmo autor, o estudo avaliação da composição corporal, utilizando-se da estratégia de mensuração da espessura de dobras cutâneas, mostra a vantagem de ser um método bastante utilizado em nosso país, portanto de fácil comparação e com custos baixos de aplicação. A facilidade de administração da coleta de dados, treinamento dos procedimentos e também de se aplicar em campo este tipo de estudo, aumentam as vantagens do método. Também vale ressaltar as facilidades de obtenção dos dados no que se refere ao tempo despendido pelas equipes e a facilidade de arranjo do ambiente de coleta de dados. O basquetebol é um desporto coletivo, dinâmico e de alta intensidade que exige dos atletas um bom preparo físico, tendo como uma das principais características a velocidade. É essencial aos atletas possuir um baixo índice de gordura para que não prejudique seu desempenho durante os jogos; e de fundamental importância para a melhora do desempenho dos atletas saber em que nível esta o seu percentual de gordura através da analise da sua composição corporal. O desempenho do basquetebol depende entre outros aspectos de algumas qualidades físicas especiais que o diferem de outros esportes, (GOMES, 1996) define o basquete como um jogo de ritmo elevado, de grande velocidade, com constantes saltos e deslocamentos tanto para atacar quanto para defender. A avaliação precisa da composição corporal é um componente importante para um programa completo de nutrição e aptidão física. O excesso de gordura corporal muitas vezes atrapalha os exercícios no treinamento e na competição desportiva, especialmente as atividades que demandam uma capacidade fisiológica relativamente alta, ou seja, a capacidade expressa em relação à massa corporal. Atualmente as pessoas dedicam tempo e energia consideráveis para alterar sua composição corporal, esperando com isso aumentar á massa corporal livre de gordura e reduzir a gordura para atingir um nível “ideal” de musculatura e/ou uma aparência estética para otimizar seu desempenho em competições (MCARDLE et al, 2001). A composição corporal enquanto indicativa do estado de saúde do individuo, apresenta-se como uma variável de interferência direta sobre o desempenho motor e a qualidade de vida. Dessa forma a avaliação da composição corporal tem-se estabelecido um importante objeto de pesquisa em diversas áreas como o auxílio a diagnósticos e a elaboração de intervenções nutricionais e programas de treinamento físico (DAMASO, 2003). Composição corporal refere-se a quantidades relativas de diferentes compostos corporais. Normalmente, os pesquisadores enfocam as proporções corporais de água, proteína, minerais e gordura. Entretanto, a maioria das técnicas de Página 6 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 avaliação da composição corporal simplesmente proporciona uma estimativa da massa magra (massa livre de gordura) e massa gorda. A avaliação da composição corporal é geralmente realizada para determinar e monitorar a saúde e o estado de condicionamento físico de um individuo, alem de auxiliar no planejamento de programas de treinamento para atletas (POWERS & HOWLEY, 2000). Dois tipos diferentes de métodos para mensurar os componentes de gorduras e livres de gorduras do corpo humano: Avaliação direta e indireta. Na avaliação direta existem duas maneiras; uma delas é através da dissecação do cadáver e a outra é literalmente quando o corpo é dissolvido através de uma solução química para determinar os componentes de gordura e os livres de gordura na mistura. Na avaliação indireta existem varias maneiras de mensurar a composição corporal, entre elas bioimpedância, pesagem hidrostática e antropometria que é o método mais simples (pregas), e é o método que adotamos para a coleta dos dados. A avaliação da composição corporal por dobras cutâneas parte do pressuposto de que existe uma correlação de razoável para alta entre a espessura do tecido adiposo subcutâneo e a quantidade de gordura total (BROZEK & KEYS, 1951, citados por HEYWARD & STOLARCZYK, 2000). Este método tem sido largamente utilizado em virtude do baixo custo do equipamento, facilidade de administração da coleta de dados e de se aplicar em campo. Basicamente a doba cutânea é composta por duas camadas de pele e a gordura subcutânea adjacente (HEYWARD, 2001). A partir da coleta das dobras cutâneas utilizando-se um adipômetro, as medidas podem ser interpretadas envolvendo-as em equações de regressão para predizer o percentual de gordura, ou utilizando-se a soma de determinadas dobras a fim de se analisar separadamente as diversas regiões do corpo (GUEDES & GUEDES, 1998). Atualmente tem sido utilizado pela Organização Mundial de Saúde para identificar a atual epidemia de obesidade no mundo (BOUCHARD, 2003). Este índice, apesar de apresentar bons resultados na avaliação de populações, não mostra sensibilidade para avaliar indivíduos, já que, não separa os diferentes componentes do peso (COSTA, 2001). Os períodos críticos de surgimento da obesidade progressiva são os 12 primeiros meses de vida, a fase pré-escolar e a puberdade. A obesidade progressiva se associa à obesidade hiperplásica, o que dificulta o controle de peso corporal na idade adulta (GUEDES & GUEDES, 1998). A obesidade infantil vem aumentando de maneira equívoca nos últimos anos. As duas razões consideradas mais importantes são: O maior consumo de alimentos ricos em carboidratos e gorduras, e o sedentarismo. Estes fatos podem ser justificados pelos hábitos alimentares inadequados, perfil sócio-econômico diferenciado, tipos de refeições realizadas nas escolas e influência da mídia (BOUCHARD, 2003). O objetivo deste trabalho, portanto, é avaliar a composição corporal de jovens entre 10 e16 anos que praticam basquetebol em Pouso Alegre, que disputaram os jogos da primavera 2005. METODOLOGIA Inicialmente este projeto foi submetido e aprovado pelo CEP da Universidade do Vale do Sapucaí com protocolo n0 400/05 (anexo1). Antes da coleta de dados os responsáveis pelos atletas assinaram um termo de consentimento autorizando a participação destes na pesquisa (apendice2). Foram avaliados 39 jovens do sexo masculino que treinam basquetebol em escolas de Pouso Alegre com idade variando entre 10 e 16 anos e que participaram dos Jogos da Primavera 2005. As escolas e o numero de jogadores de cada uma estão apresentados na tabela 1. Tabela 1: Equipes participantes da coleta de dados, data, local da coleta e número de jogadores de cada uma. Escola Data Local Nº de atletas Anglo 30/07/2005 Ginásio do Colégio 13 Pitágoras 08/08/2005 Ginásio do Colégio 11 Ciem Fátima 12/09/2005 Ginásio do Colégio 7 Ciem Santa Luzia 20/09/2005 Ginásio do Colégio 8 TOTAL 39 A coleta foi feita sempre antes do treinamento ou jogo e os jovens estavam trajando apenas camiseta, short e meia. Foram feitas três coletas para cada variável, sendo considerado resultado final a média das medidas. Foi observada a técnica descrita por (Farinatti e Monteiro 2000) exceto as dobras bíceps e médio axilar onde foi seguido o procedimento de (Petroski 1995) para a padronização das medidas. As medidas de dobras cutâneas foram realizadas sempre no hemicorpo direito. Um único avaliador realizou todas as medidas. Para a determinação do peso corporal, o avaliador estava em pé de frente para a escala de medidas da balança. O avaliado estava em posição ortostática de frente para o avaliador e no centro da balança. Os seguintes procedimentos foram tomados para a medida de estatura: o avaliador estava ao lado do estadiômetro e quando necessário subiu num banco para realizar a leitura da medida. O avaliado estava em posição ortostática, descalço, ou com meias finas, pés unidos, procurando encostar o calcanhar, cintura pélvica, cintura escapular e região occipital. A cabeça estava orientada no plano de Frankfurt. Em todas as coletas de dobras cutâneas, os pontos de referência anatômica foram marcados com um lápis dermográfico. Foram coletadas as seguintes dobras neste trabalho: Dobra cutânea subescapular: determinada na diagonal obliquamente ao eixo longitudinal, abaixo um a dois centímetros ao angulo inferior da escapula. Dobra cutânea triciptal: determinada na face posterior do braço (o mesmo estendido ao longo do corpo), no ponto médio entre a borda supero-lateral do acromio e o olécrano. Dobra cutânea peitoral: determina-se a um terço da distancia da linha axilar anterior e a mama. Dobra cutânea biciptal: é realizada no ponto médio do braço, entre o processo acromial e o processo do olécrano. O avaliado estava em pé, cotovelo estendidos e relaxados e a mão em supinação. O avaliado em frente ao avaliador. A dobra foi pinçada verticalmente a partir da referência anatômica. Dobra cutânea média axilar: Foi coletada no ponto em que coincide o nível da junção xifo-esternal e a linha mediana axilar. O avaliado estava na posição ortostática, braço ligeiramente abduzido. O avaliador se coloca lateralmente junto ao avaliado. A dobra foi pinçada obliquamente acompanhando o sentido das costelas. Página 7 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 Dobra cutânea supra ilíaca: determinada na diagonal acima da crista ilíaca em um ponto coincidente com uma linha imaginária descida da linha axilar anterior. Dobra cutânea abdominal: determinada paralelamente ao eixo longitudinal do corpo aproximadamente a dois centímetros a direita da cicatriz umbilical. Dobra cutânea coxa medial: determinado paralelamente ao eixo longitudinal da perna na metade da distancia entre o ligamento inguinal e o bordo superior da patela. Dobra cutânea panturrilha medial: com o avaliado sentado e joelho flexionado 90, a dobra é determinada paralelamente ao eixo longitudinal do corpo na área de maior circunferência da perna. Para a coleta de dados foram utilizados os seguintes equipamentos: Balança antropométrica Toledo com precisão de 50 gramas e escala de 150 quilogramas para medida de massa corporal total (peso); Estadiômetro embutido na balança Toledo com precisão de um centímetro e escala de 201 centímetros para medir a altura do vértex (estatura); Adipômetro Lange com precisão de 0,1 centímetros e escala de 66 milímetros para coleta das dobras cutâneas; Lápis dermográfico Sanny para marcação dos pontos medidos; Ficha de coleta de dados desenvolvida pelo autor da pesquisa (apendice1) e ficha de consentimento para utilização dos dados na pesquisa. Foram realizados os seguintes procedimentos na realização deste estudo: Para o percentual de gordura foi utilizada a estratégia de (SLAUGTER 1998, citado por HEYWARD 2000), (equação para crianças e adolescentes do sexo masculino), descrito pelo seguinte modelo matemático: %G = 1,21 x (TR + SB) - 0,008 x (TR + SB)2 - 1,7. Onde %G é a densidade corporal, TR é dobra triciptal e SB é dobra subescapular; Índice de massa corporal (IMC): foi obtido pela divisão do peso pelo quadrado da altura do vértex (estatura). Somatório de nove dobras (9): obtido pela soma das dobras subescapular, triciptal, peitoral, médio axilar, biciptal, supra ilíaca, abdominal, coxa medial e panturrilha medial; Soma das dobras do tronco (SDT): Somatório das dobras subescapular, peitoral, abdominal, médio axilar e supra ilíaca; Soma das dobras do tronco superior (SDTS): Somatório das dobras subescapular e peitoral; Soma das dobras do tronco inferior (SDTI): Somatório das dobras médio axilar, abdominal e supra ilíaca; Soma das dobras dos membros (SDM): Somatório das dobras cutâneas triciptal, biciptal, coxa medial e panturrilha medial; Soma das dobras dos membros superiores (SDMS): Somatório das dobras cutâneas triciptal e biciptal; Soma das dobras dos membros inferiores (SDMI): Somatório das dobras cutâneas coxa medial e panturrilha medial. Os resultados obtidos para este estudo foram submetidos inicialmente ao teste de normalidade (Kolmogorov-Smirnov). Após este teste as variáveis consideradas normais foram comparadas utilizando-se o teste t de student. As variáveis não paramétricas foram comparadas pelo teste de (Mann-Witney).Também foi calculado a média e o desvio padrão de cada variável para os dois grupos. Foi utilizado para realização das análises o pacote computacional SPSS versão 12.0. As saídas descritivas do tratamento estatístico encontram-se no anexo 2. A coleta de dados estava sujeita a negação da participação dos jovens. Os resultados serviram para comparação com outros trabalhos desde que se observem os seguintes prepostos: A pesquisa seja feita com jovens entre 10 e 16 anos praticantes de basquetebol; As técnicas e padronizações de medidas devem ser as mesmas; As variáveis analisadas também; Os modelos matemáticos sejam os utilizados neste estudo. A pesquisa foi limitada apenas os jovens entre 10 e16 anos praticantes de basquete. O autor realizou a coleta de todos os dados para que fosse evitado o erro interavaliadores. ANALISE DOS RESULTADOS As variáveis abdominal, coxa medial, sdt, sdrti, sdts, médio axilar, peitoral, peso gordo, soma das 9 dobras, subescapular e supra ilíaca não seguem a distribuição normal. Desta forma todas elas tiveram seus dados previamente transformados para logaritmo neperiano e em seguida submetidos à análise de variância pelo método dos quadrados mínimos. As demais variáveis, sem problemas de normalidade dos resíduos ou de heterogeneidade das variâncias foram submetidas diretamente à análise de variância. O nível de significância foi de 5%. O gráfico 1 demonstra que o peso corporal total e o peso da massa magra dos infanto juvenis foi maior que o dos infantis (p<0,05). No entanto, o mesmo gráfico demonstra que peso gordo não apresentou diferença (p>0,05). 90,0 80,0 70,0 60,0 50,0 Infantis Infanto juvenis 40,0 30,0 20,0 10,0 0,0 Peso Peso Gor Peso Mag Gráfico 1: Valores médios do peso corporal total (kg), peso magro e gordo (kg) relativos aos dois grupos. * diferença significativa em relação ao grupo infanto juvenil (p<0,05). O aumento do peso corporal dos infantis para os infanto-juvenis pode ter ocorrido devido ao crescimento e maturação e ou a densidade da massa corporal livre de gordura em crianças devem-se à diminuição da água corporal total a ao aumento no conteúdo mineral ósseo durante o crescimento e desenvolvimento (GUEDES & GUEDES,2000). Como ocorreu aumento no peso corporal total e o peso gordo quase não variou, a diferença se baseia no peso magro onde os jovens adquiriram mais massa e com Página 8 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 isso sua estrutura se fortaleceu. A hipertrofia muscular envolve a síntese de constituintes celulares adicionas, utilizando padrões de DNA já existentes. Logo que o conteúdo celular torna-se relativamente fixo, tanto o crescimento natural com qualquer resposta do meio ambiente como o exercício físico, dependem unicamente de um aumento no conteúdo citoplasmático das células já existentes. Nos gráficos 2 e 3 observa-se que tanto IMC e o percentual de gordura, calculado por meio da equação de Slaughter não apresentaram diferença ao contrario da estatura que apresentou uma diferença significativa quando comparamos os infantis com os infanto-juvenis (p>0,05). 40,0 35,0 30,0 25,0 Infantis Infanto juvenis 20,0 15,0 10,0 5,0 0,0 IMC %G Gráfico 2: Valores médios do índice de massa corporal (kg/m2) e percentual de gordura coletados nos grupos infantis e infanto juvenis. A caracterização do percentual de gordura e gorduras regionalizadas não foi evidente os aumentos em níveis significativos, acreditam se tratar dos treinos que principalmente os infanto-juvenis participam, pois a grande maioria dos jogadores do time de basquetebol também faz parte do time da escola em outras modalidades e com isso aumenta ainda mais as atividades físicas durante a semana nos treinos. Crianças e adolescentes apresentam grandes dificuldades em diminuir e manter por algum tempo o excesso de adiposidade corporal, enquanto outros apresentam igual dificuldade em aumentar a quantidade total de gordura devido as células adiposas que se tornam de menos volume, passando por um processo de esvaziamento, no entanto elas permanecem no organismo em idênticas quantidades, ou seja ocorre uma alteração no tamanho das células e não em seu numero (GUEDES & GUEDES, 2000) 185,0 180,0 175,0 170,0 Infantis Infanto juvenis 165,0 160,0 155,0 150,0 Estatura Gráfico 3: Valores médios da estatura (cm) coletados nos grupos infantis e infanto juvenis. Na estatura houve um aumento significativo se comparado os infantis com os infanto-juvenis que estão em idade onde ocorre o estirão de crescimento. Isso também deve ter ocorrido, pois todos os avaliados por parte dos infanto-juvenis já praticavam alguma atividade física há algum tempo e também são de um nível social alto e não sofreram nenhum retardo no crescimento devido à ma alimentação quando mais jovens. Existe uma relação entre a maturação esquelética e a estatura pois a própria idade óssea é utilizada como um dos preditores da estatura adulta. Nesse sentido quanto mais avançado o nível maturacional sob o ponto de vista esquelético, mais próxima da estatura adulta se encontra a criança ou o adolescente. BAYLWY citado por GUEDES & GUEDES concluiu que os coeficientes de determinação entre os índices de maturação esquelética e a porcentagem da estatura adulta alcançada variam em rapazes com idade entre 12 a 17 . Já os gráficos 4 e 5 demonstram que, quanto aos parâmetros relacionados a medidas de dobras cutâneas, não houve diferença em nenhuma das dobras coletadas, bem como, nos grupos regionais de gordura (p>0,05). Página 9 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 35,0 30,0 25,0 20,0 Infantis Infanto juvenis 15,0 10,0 5,0 0,0 Subescapular Triciptal Peitoral Biciptal Médio Axilar Supra Ilíaca Abdominal Coxa Medial Panturrilha Medial Gráfico 4: Valores das dobras cutâneas (mm) coletadas nos grupos infantis e infanto juvenis. 250,0 200,0 150,0 Infantis Infanto juvenis 100,0 50,0 0,0 Soma 9 D SDT SDTI SDTS SDM SDMS SDMI Gráfico 5: Valores médios referentes a soma das dobras (mm) relativos aos dois grupos experimentais. CONCLUSÃO Este trabalho avaliou a composição corporal dos atletas de basquetebol escolar da cidade de Pouso Alegre – MG, dividindo-os em dois grupos e comparando os grupos juvenis e infanto–juvenis. Não foram encontradas diferenças entre os dois grupos na composição corporal, apenas nos componentes de avaliação do crescimento, ou seja, peso magro, peso e estatura. Estes resultados corroboram com os encontrados na literatura atual. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BOMPA, T. A periodização no treinamento desportivo. São Paulo: Editora Manole, 2001. BOUCHARD, C. Atividade física e obesidade. São Paulo: Editora Manole, 2003. COSTA, R. F. Composição corporal: teoria e prática da avaliação. São Paulo: Editora Manole, 2001. FARINATTI, P.T.V; MONTEIRO, W.D. Fisiologia e avaliação funcional. Rio de Janeiro: Editora Sprint, 2000. GOMES, N. G. Basquetebol: planejamento do treinamento. Treinamento Desportivo, 1 (1): 1996, 111-114 p. GUEDES, D P; GUEDES, J. E. R. P. Controle do peso corporal: composição corporal, atividade física e nutrição. Curitiba: Editora Midiograf, 1998. GUEDES, D. P; GUEDES. J. E. R. P. Crescimento, comportamento e desempenho motor de crianças e adolescentes. São Paulo: Editora CLP Balieiro, 2000. HEYWARD, V. ASEP method recomendation: body composition assentment. Journal of Exercise Physiology. 4 (4): 2001, 1-12. HEYWARD, V; STOLARCZYK, S. Avaliação da composição corporal aplicada. 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Para obtenção dos dados optou-se pela realização dos seguintes testes: Cooper, 15 minutos e 2400 metros (avaliação cardiorrespiratória); abdominal e barra fixa (força); Banco de Wells (flexibilidade); Impulsão horizontal e vertical (força explosiva); Suttle Run (agilidade); 40 segundos (resist ência anaeróbica lática). Os resultados foram considerados positivos nos seguintes testes: resistência abdominal, flexibilidade, agilidade e impulsão vertical. Entretanto na avaliação cardiorespiratória nota-se que ocorre um grande declínio no desempenho de alguns indivíduos tornando questionável o preparo para atividades intensas. Palavras-chave: Condicionamento físico. Atividade Física. Qualidade de vida. INTRODUÇÃO Levando em consideração que o profissional de Educação Física em sua maioria trabalha com atividade física, nota–se a importância de avaliar como está o condicionamento físico dos acadêmicos formandos do Curso de Educação Física da Univille os quais estão prestes a ingressar no mercado de trabalho. Condicionamento físico, atividade física e aptidão física são elementos que não podem ser vistos separadamente uma vez que um serve de complemento para o outro. O condicionamento físico é adquirido pelo indivíduo através da prática regular da atividade física. O indivíduo atinge seu ápice no condicionamento quando ele realiza atividades sem maiores alterações metabólicas, ou seja, sem colocar sua saúde em risco. Devemos compreender a importância do condicionamento físico para o cotidiano profissional, pois uma vez que vendemos saúde e qualidade de vida também devemos tê–la. A atividade física é entendida como qualquer movimento corporal desenvolvido pela musculatura esquelética que tem como resultado um gasto energético acima dos níveis de repouso. A prática regular da atividade física resulta em benefícios como, a influencia nos componentes estruturais do sistema músculo esquelético relacionados às capacidades funcionais e ao risco de doenças degenerativas, osteoporose, lombalgias, dores nos ombros e no pescoço; melhora da função imunológica, melhora no estado de espírito, na ansiedade, na depressão e no estresse psicológico; melhora da função cognitiva; aumento da capacidade funcional, consequentemente aumento da qualidade de vida. O objetivo final da atividade física é a saúde. A saúde é compreendida por muitos apenas pela ausência de doenças, entretanto é um estado de completo bem estar físico, mental e social. Ela pode ser vista em dois aspectos, positivo e negativo, sendo positivo a ausência de doenças e incapacidades; energia e vitalidade para realizar as tarefas diárias; interagir efetivamente; viver o amor, a alegria, a paz e a plenitude. Ter uma visão positiva da vida. No lado negativo, comportamentos de alto risco; inatividade, tabagismo, abuso de álcool e drogas, sexo não seguro, estresse elevado e dieta rica em gordura. A saúde é a base para a qualidade de vida, uma vez que é uma condição de bem estar que não inclui somente o bem – estar físico, mas também uma sensação de bem estar espiritual e social, mantendo relações interpessoais e com a natureza. O ser humano atualmente vive uma busca incessante pela qualidade de vida, qualidade esta que engloba toda a rotina diária do indivíduo, manter hábitos saudáveis, praticar atividades físicas, preservar horas de lazer e cultivar amigos, entre outros fatores que mantém o bem-estar e diminui o estresse. A qualidade de vida está presente em todas as atividades que o ser humano exerce, desde uma conversa no trabalho sem alteração de humor até um bom convívio com a família. MATERIAIS E MÉTODOS Este estudo apresentou características de pesquisa de campo, pois teve como objeto de estudo um grupo de acadêmicos formandos de Educação Física para avaliar o condicionamento físico dos mesmos. A população constituiu-se por acadêmicos do curso de Educação Física. No estudo foram investigados 63 acadêmicos formandos, com idade 25.194,71anos, de Joinville, SC. Para obtenção dos dados optou-se pela realização dos seguintes testes: Cooper, 15 minutos e 2400 metros (avaliação cardiorrespiratória); abdominal e barra fixa (força); Banco de Wells (flexibilidade); Impulsão horizontal e vertical (força explosiva); Suttle Run (agilidade); 40 segundos (resistência anaeróbica lática). A investigação foi realizada no segundo semestre de 2005 no período matutino com tempo estável. Os resultados foram analisados através de estatística descritiva e de acordo com os Protocolos. RESULTADO E DISCUSSÃO Como citado anteriormente, nota–se a importância de avaliar o condicionamento físico do profissional de educação física, uma vez que se trabalha com atividade física para a saúde. O teste de resistência abdominal é um teste de flexão do tronco sobre os membros inferiores flexionados. Grande parte do grupo obteve resultados positivos, sendo que 24 indivíduos obtiveram desempenho excelente e 19 indivíduos acima da média. Página 11 de 108 ENAF Science, v.1, n.1, p. 11 - 14 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 Gráfico 01 – Resistência Abdominal Resistência Abdominal Ruim 8 Abaixo 8 Médio 8 Acima 19 Excelente 24 0 5 10 15 20 25 30 Na avaliação da impulsão vertical, que mede indiretamente a força muscular dos membros inferiores, os resultados também foram positivos. Onde 39 indivíduos obtiveram desempenho acima de 60%. Ou seja, Os homens atingiram mais de 48 cm e as mulheres 25 cm de impulsão. Gráfico 02 – Impulsão Vertical: Sargent Test Sargent Test Desempenho 90% 8 Desempenho 80% 6 Desempenho 70% 7 Desempenho 60% 18 Desempenho 50% 11 Desempenho 40% 6 Desempenho 30% 4 Desempenho 20% 1 Desempenho 10% 2 0 5 10 15 20 Na avaliação da flexibilidade, 26 indivíduos foram classificados como “médio” (34cm a 40,9cm) e 13 indivíduos classificados como “bom” (41cm a 48,9cm). Dada a importância da flexibilidade, os resultados foram considerados positivos, uma vez que a insuficiência da flexibilidade pode acarretar um maior risco de lesões, bem como uma diminuição na eficiência de execução dos diferentes movimentos. Deficiência essa decorrente de uma menor amplitude de um movimento articular. Página 12 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 Gráfico 03 – Flexibilidade: Banco de Wells. Banco de Wells Péssimo 16 Ruim 8 Médio 26 Bom 13 0 5 10 15 20 25 30 Sendo a agilidade a capacidade de execução de movimentos com a máxima eficiência motora, onde ocorra a utilização de um ou mais segmentos corporais realizamos o teste de Sutle Run para avaliar esta capacidade. Na pesquisa, 32 indivíduos alcançaram a média do grupo e 31 ficaram abaixo o que foi considerado positivo. Salientamos que neste teste foi considerada a média do grupo como parâmetro, ou seja, 11,180,82. No teste de barra fixa, onde o objetivo é medir a força de membros superiores e cintura escapular, a amostra ficou abaixo da média do grupo, ou seja, 22 indivíduos masculinos e 11 indivíduos femininos. A média do grupo masculino foi de 7,774,47 e do grupo feminino 20,1913,51. No teste de 40 segundos, cujo objetivo é determinar, indiretamente, a capacidade de resistência anaeróbica lática, o grupo pesquisado permaneceu na acima da média do grupo, ou seja 33 indivíduos permaneceram acima de 235,6342,15. O teste de Cooper pode ser aplicado em pessoas com baixo condicionamento físico e na maioria dos atletas. A amostra ficou concentrada na classificação “regular”. Apenas 3 indivíduos obtiveram classificação “fraco” e “muito fraco”. Gráfico 04 – Teste de Corrida : Cooper Teste de Cooper Muito Fraco 1 Fraco 2 Regular 13 Bom 5 Excelente 3 0 2 4 6 8 10 12 14 Normalmente os indivíduos que se submetem ao teste de 2400m, já estão familiarizados com a prática da atividade física. Obteram classificação “aceitável” 6 indivíduos, e outros 9 indivíduos permaneceram entre “fraco” e “muito fraco”. Página 13 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 Gráfico 05 – Teste de Corrida: 2400m Teste de 2.400m Muito Fraco 3 Fraco 6 Aceitável 6 Bom 5 Excelente 3 0 1 2 3 4 5 6 7 Como o objetivo de mediar a potência dos membros inferiores no plano vertical, foi realizado o teste de impulsão vertical, onde 47 indivíduos obteram desempenho “fraco”. Sendo apenas 5 indivíduos classificados entre “bom” e “muito bom”. Gráfico 06 – Impulsão Horizontal Impulsão Horizontal Fraco 47 Regular 13 Bom 4 Muito Bom 1 0 10 20 30 40 50 CONCLUSÃO Com os resultados acima citados, acreditamos que os futuros profissionais de Educação Física estão devidamente bem condicionados para desempenhar atividades físicas que envolvam, resistência abdominal, flexibilidade, agilidade e impulsão vertical. Entretanto na avaliação cardiorespiratória nota-se que ocorre um grande declínio no desempenho de alguns indivíduos tornando questionável o preparo para atividades intensas. Levando em consideração todos os testes podemos dizer que a grande maioria dos indivíduos sabe dos benefícios das atividades física no seu próprio corpo, dessa forma fica mais fácil e seguro prescrever atividades para outras pessoas as quais nós profissionais somos responsáveis. REFERÊNCIAS ALLSEN, E Philip ; HARRISON, M. Joyce; VANCE Barbara. Exercício e Qualidade de Vida. 6 ed. 1º edição Brasileira, Barueri SP: Manole, 2001. BOUZAS MARTINS, João C. ; GIANNICHI, Ronaldo S. Avaliação e Prescrição de Atividade Física: Guia Prático. 2ª. edição. Editora Shape. FERNANDES FILHO, José. A Prática da Avaliação Física: testes, medidas e avaliação física em escolares, atletas e academias de ginástica. 2ª. edição. Rio de Janeiro: Shape, 2003. PITANGA, Francisco José Gondim. Testes, Medidas e Avaliação em educação física. 3ª. ed. São Paulo: Phorte, 2004. POWERS, K. Scott; HOWLEY, T. Edward. Fisiologia do Exercício: Teoria e Aplicação ao Condicionamento e ao Desempenho. 1 ed. Brasileira. Barueri: Manole, 2000. Página 14 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 [email protected] A IMPORTÂNCIA DO APERFEIÇOAMENTO NO PASSE COM A PARTE INTERNA DOS PÉS EM ATLETAS DE UMA ESCOLA DE FUTEBOL NA CIDADE DE POUSO ALEGRE – MG Arthur Paiva Neto Mestre – Universidade São Francisco – USF Alessandro de Oliveira Mestre –Faculdade Presbiteriana Gammon – FAGAM Priscila R. Costa Graduada em Educação Física Esdras A. Diniz Graduado em Educação Física RESUMO Este trabalho teve como objetivo avaliar a influência de um treinamento específico para a melhoria do fundamento passe, parte interna do pé, em partidas de futebol, em atletas da categoria infantil. Foram estudados 20 alunos do sexo masculino, com idade variando entre 14 e 15 anos, todos da Escola de Futebol Sonho de Atleta categoria infantil, da cidade de Pouso Alegre, Minas Gerais. Inicialmente os atletas foram submetidos a uma avaliação de passe, depois disto os atletas do grupo experimental foram submetidos a um programa especial de treinamento de passe com duração de três aulas, após este treinamento os atletas realizaram novamente a avaliação de passe. Após a análise estatística foi verificado que nenhuma diferença foi encontrada ent re os grupos controle e experimental. Este trabalho se encerra concluindo que o treinamento específico com duas semanas para passe com a parte interna do pé em jogadores de categoria infantil de futebol não é suficiente para melhorar a performance destes numa partida de futebol. Palavras chaves: aperfeiçoamento, passe e futebol. INTRODUÇÃO O futebol moderno deixou de ser uma simples manifestação cultural ou uma forma de divertimento. Ele deve ser encarado hoje como um produto comerciável, ou seja, um espetáculo. E como todo espetáculo, o futebol deve agradar o espectador. Para que isso ocorra, uma série de fatores deve ser levada em consideração: campo de jogo; condições adequadas aos atletas para desempenhar bem sua função; habilidade dos jogadores; acomodações para o público; e outras tantas (CUNHA, 2003). Frisselli e Mantovani (1999) nos colocam que, porém, nas últimas décadas, o número de espaços vazios destinados à prática do futebol diminuiu, com o desenvolvimento da atividade da construção civil. Se por um lado esse fenômeno contribuiu, um pouco, para a melhora do problema de moradia da população, por outro não houve construção de praças esportivas em substituição, no mesmo ritmo de destruição dessas áreas livres. O mesmo autor acrescenta que, além disso, o futebol sofreu certa discriminação, pois passou a ser acusado de causar uma monocultura esportiva a partir do momento em que surgiram evidências de que ele não permitia o crescimento e a popularização de outros esportes, principalmente nas escolas. Essa diminuição do espaço físico natural, juntamente com a citada discriminação limitadora do ensino do futebol nas escolas, pode ter momentaneamente diminuído o número de praticantes (SANTOS FILHO, 2002). O futebol, dentre os esportes coletivos, talvez seja o que mais precocemente inicia o seu processo formativo de forma sistemática e organizada. Entretanto, curiosamente é uma modalidade que carece de pesquisa científica sobre os efeitos das atividades aplicadas a milhares de crianças e jovens em suas escolas de formação, sejam de clubes ou particulares (FRISSELLI E MANTOVANI, 1999). Segundo Testa 1999 (apud FRISSELLI E MANTOVANI, 1999), muito praticado, mas pouco estudado, o futebol carece de análises profundas, que nos tragam desde a sua origem até as regras atuais, passando pelos campeonatos famosos, de regionais a mundiais, tudo isso sem esquecer a parte prática, orientando quanto aos treinamentos e condição física dos jogadores. Assim, é oportuno o presente trabalho destinado a preencher uma lacuna. Segundo Freire (1998), no futebol moderno, o passe é um dos mais importantes fundamentos. Os sistemas de marcação tornaram-se muito rígidos, a condição física dos jogadores tornou-se muito boa, sobra pouco espaço para jogar. Portanto, o futebol tem que ser jogado de forma muito veloz, dando poucas oportunidades para que o adversário tome a bola. O principal para isso é o passe rápido. O jogador que vai executar o passe tem pouco tempo para prepará-lo. Atualmente, a habilidade de passar depende de ser capaz de executá-la em curto espaço de tempo. Freqüentemente, o jogador que tem a posse de bola tem que decidir entre passar a um companheiro ou fintar o adversário. Quase sempre a atitude mais eficiente é passar a bola. O passe, em suas diversas modalidades (assistência, lançamento, cruzamento, passe comum) em qualquer esporte coletivo, é a ação que torna esse esporte coletivo. Nada mais garante melhor a relação coletiva entre os jogadores que o passe. Deve-se desenvolver esta habilidade em nossos jogadores, pois, num passe que é dado com rapidez e eficiência, dificilmente o adversário pode se apoderar da bola. A execução da técnica do passe facilitará também o aprendizado do chute de bola, pois ambos partem de um gesto motor muito parecido, mas com objetivos diferentes. (VOSER; GIUSTI, 2002). Segundo Cunha, (2003) quando a observação torna-se uma forma de coletar dados para a pesquisa, isto é, a partir do momento que essa observação atinge determinadas características, ela deixa de ser uma observação espontânea e passa a ser uma observação sistemática, para que se elabore então o conhecimento científico, daquele aspecto do real que se quer conhecer. A observação sistemática é seletiva, porque o pesquisador vai observar uma parte da realidade, natural ou social, a partir de sua proposta de trabalho. Este registro pode ser complementado com filmes. Os fatos a serem observados devem ser delimitados pêlo plano da pesquisa. O objetivo deste estudo foi avaliar a influência de um treinamento específico para a melhoria do fundamento passe, parte interna do pé, em partidas de futebol, em atletas da categoria infantil. Página 15 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 MATERIAIS E MÉTODOS Este estudo foi submetido à análise e aprovado pelo Comitê de Ética da Universidade do Vale do Sapucaí (Univás) com protocolo número 368/05. Foram estudados 20 alunos do sexo masculino, com idade variando entre 14 e 15 anos, todos da Escola de Futebol Sonho de Atleta categoria infantil, da cidade de Pouso Alegre, Minas Gerais. Antes da coleta, os responsáveis pelos atletas assinaram um termo de consentimento para a utilização destes dados na pesquisa. Inicialmente os atletas foram submetidos a uma avaliação de passe, a partir do seguinte protocolo: os jogadores foram divididos em dois grupos: grupo experimental e grupo controle com dez participantes cada um. Estes realizaram uma partida de três tempos de doze minutos cada. Esta partida foi filmada e a partir desta filmagem foi realizado um scoult de passes, certos e errados, de cada jogador. Depois disto os atletas do grupo experimental foram submetidos a um programa especial de treinamento de passe com duração de três aulas. O grupo controle realizou o treinamento regular da Escola. Após este treinamento os atletas realizaram novamente a avaliação de passe. O treinamento foi aplicado no mês de outubro de 2005 na Univás – Universidade do Vale do Sapucaí, no Campus Fátima, no campo de futebol, respeitando os horários de aulas dos alunos. Para dar início às atividades, o instrutor explicou através de uma conversa direta os procedimentos a serem executados durante a realização do trabalho. Foram utilizados nestas atividades o aquecimento e o alongamento dos atletas. Primeiramente o aquecimento realizado de maneira não formal onde foram usadas bolas de futebol com o objetivo de aumentar a motivação dos alunos. Em seguida foram realizadas sessões de alongamento para membros inferiores, tronco e membros superiores. Após esta parte, iniciaram-se as atividades propostas, através de estações com o objetivo de melhorar a técnica do passe a partir da proposta de Melo (1999, 2000) e Rios (2003). Cada exercício teve a duração de 3 (três) minutos e ao final f oi realizada uma conversa junto aos alunos para notar a expectativa destes em relação aos fundamentos aplicados sobre o passe e alongamento final. Foi utilizada uma filmadora e uma fita de vídeo para registro das partidas de avaliação. Além desta foi utilizada uma ficha de anotação dos passes, certos e errados, ficha de scoult (apêndice 2), desenvolvida pelo autor deste trabalho. Para o desenvolvimento das aulas, foram usados bolas oficiais de futebol, cones, cronômetro e apito. Na análise usou-se inicialmente a estratégia de pesquisa qualitativa descritiva que tem como objetivo analisar as características de um determinado fenômeno, no caso desse trabalho de aperfeiçoamento. Os dados foram transformados em valores relativos e percentuais, e posteriormente submetidos a um teste de normalidade. Finalmente foi realizada a análise de variância (ANOVA) para comparação dos grupos. O nível de significância foi 0,05. RESULTADOS E DISCUSSÕES A partir dos objetivos propostos, este trabalho devia dividir os passes em três tipos: curto, médio e longo. Devido à dificuldade de se registrar os acertos e erros nestas diferentes categorias, os passes longos foram suprimidos do estudo, já que estes passes são realizados com o dorso do pé, o que fugiria da proposta inicial de se avaliar os passes com a parte interna do pé, e os passes curto e médio foram agrupados em uma única categoria: passe. As médias e passes certo e errado dos dois grupos podem ser vistos na tabela 1. TABELA 1 – Média e desvio padrão dos valores absolutos do número de passes certos e errados antes (Pré) e depois (Pós) do treinamento dos grupos controle e experimental. Controle Pré Errados 4,0 2,4 Certos 6,2 2,2 Pós Errados 3,5 1,5 Certos 7,9 4,3 Pré Errados 3,4 1,4 Experimental Pós Certos Errados 6,9 3,8 2,3 2,4 Certos 11,2 4,5 O passe certo caracteriza-se quando um jogador passa bola há um companheiro em condições de fazer o gol também pode ser definido como a movimentação de bola entre companheiros da mesma equipe objetivando chegar à meta adversária ou manter durante o maior tempo possível a posse de bola. Vale salientar que o passe se consuma com o recebimento. Passe errado geralmente acontece por pequenos detalhes, como: falta de equilíbrio, se o pé de apoio tiver muito afastado da bola, quando a perna de toque estiver muito estendida, bolas demasiadamente altas, lentas ou rápidas demais e sem uma direção adequada, com isso haverá um maior desgaste físico. A partir destes conceitos os escores foram anotados em uma ficha própria e posteriormente submetidos à análise estatística. 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 80,199 69,857 67,45 70,107 Pré-Treinamento Pós-treinamento Experimental Controle Página 16 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 GRÁFICO 1 – Média e desvio padrão do percentual de acerto de passes do grupo experimental (azul) e controle (roxo), pré e pós treinamento. Os seguintes resultados foram encontrados para o grupo controle: antes do treinamento os atletas acertaram em média 6,2 ± 2,2 passes por partida e erraram 4,0 ± 2,4. Após o treinamento os acertos totalizaram 7,9 ± 4,3 passes por partida e erraram 3,5 ± 1,5. O grupo experimental obteve os seguintes resultados: antes do treinamento foram acertados 6,9 ± 2,3 passes por partida e errados 3,4 ± 1,4 por partida. Após o treinamento os passes certos tiveram um acerto médio de 11,2 ± 4,5 passes por partida e 3,8 ± 2,4 passes errados por partida. As médias e os desvios padrão dos percentuais de acertos de passe podem ser visto no gráfico 1. Já os erros podem ser vistos no gráfico 2. Estes valores foram transformados em acertos e erros relativos para o procedimento estatístico já que a escala de valores era inconstante. Para tal foi calculado o percentual de participação da soma de cada questão. Após a análise estatística foi verificado que nenhuma diferença foi encontrada entre os grupos. O grupo controle antes e depois do treinamento, o grupo experimental antes e depois do treinamento, e os grupos controle experimental antes e depois do treinamento. 50 45 40 35 30 25 20 15 10 5 0 30,143 32,55 29,893 19,801 Pré-Treinamento Experimental Pós-treinamento Controle GRÁFICO 2 – Média e desvio padrão do percentual de erros de passes do grupo experimental (azul) e controle (roxo), pré e pós treinamento. Estes resultados podem sugerir pelo menos três possibilidades. A primeira é que o tempo de treinamento foi curto demais. Este fato pode não ter gerado tempo suficiente para produzir alterações neste fundamento nestes atletas. Pode ser necessário, futuramente, repetir este estudo com uma variação no tempo de duração e também das sessões do treinamento. É provável que estas mudanças e condição de treinamento possam influenciar a performance dos atletas. A segunda possibilidade refere-se ao fato de que o método aplicado associado ao restante do treinamento não era qualificado o suficiente para a melhoria deste fundamento. Apesar dos exercícios propostos estarem descritos na literatura, a combinação destes pode não ter influenciado a melhora da performance. Diferentes métodos de treinamento devem ser testados para que possa ser verificado qual a melhor maneira de se aprimorar este fundamento. E o terceiro relaciona a possibilidade de que é provável que as diferenças de ação entre os treinos e o jogo, ou seja, as situações dinâmicas de jogo podem interferir no resultado. Também deve ser ressalvado que a os atletas do grupo controle continuou com seus treinamentos normalmente com o técnico da escolinha. É provável que este os resultados deste estudo venha de encontro a um problema freqüentemente visto na mídia especializada em futebol, onde os treinadores após uma partida avisam que seus jogadores irão treinar passes ou outro fundamento por causa dos erros desta partida. É provável que o programa de treinamento precise de um tempo bem mais amplo que poucas sessões específicas. Este trabalho se encerra concluindo que o treinamento específico com duas semanas para passe com parte interna do pé em jogadores de categoria infantil de futebol não é suficiente para melhorar a performance destes numa partida de futebol. REFERÊNCIAS CUNHA, F. A. Correlação entre vitórias e passes errados no futebol profissional. Disponível <http://www.efdeportes.com/ Revista Digital - Buenos Aires - Año 9 - N° 62 - Julio de 2003>. Acesso em 08/09/2005. FREIRE, J. B. Pedagogia do Futebol. Londrina: Ney Pereira Editora Ltda, 1998. FRISSELLI, A.; MANTOVANI, M. Futebol Teoria e Prática. São Paulo: Phorte Editora, 1999. MELO, R. S. Trabalhos Técnicos para Futebol. Rio de Janeiro: Sprint, 1999. MELO, R. S. Futebol, 1000 Exercícios. 3 ed. Rio de Janeiro : Sprint, 2000. RIOS, J. S. Futebol: Exercícios e Jogos. 8 ed.; Trad. Magda Schwartzhaupt Chaves. Porto Alegre: ARTMED, 2003. SANTOS FILHO, J. L. A. Manual de Futebol. São Paulo : Phorte Editora, 2002. VOSER, R. C.; GIUSTI, J. G. O futsal e a escola: uma perspectiva pedagógica. Rio de Janeiro: Sprint, 2002. [email protected] Página 17 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 MODIFICAÇÕES MORFOFUNCIONAIS OCORRIDAS EM JOGADORES DE FUTSAL PROFISSIONAL SUBMETIDOS A TREINAMENTO DE PLIOMETRIA AQUÁTICA RODRIGUES, Henrique, VILARINHO,Rodrigo, DUBAS,João Paulo,PESSOA,Tácito, GUEDES,Dilmar,MADUREIRA,Fabrício. Faculdade de Educação Física de Santos-FEFIS-UNIMES Santos - São Paulo – Brasil RESUMO Introdução: O treinamento pliométrico foi criado pelos russos na década de 70 e se baseia em series de saltos para o aumento da potencia muscular, atualmente existem poucos trabalhos publicados analisando o efeito desse tipo de treinamento no meio líquido Entretanto, quando realizado no meio terrestre, esse tipo de treinamento pode ser muito estressante para o sistema músculoesquelético dos atletas, os quais já são bastante exigidos durante os treinos e jogos. É sabido que a pliometria realizada em meio líquido diminui consideravelmente os impactos articulares para o mesmo aumento de força quando comparado ao treinamento em terra (Robinson et al, 2004). O objetivo do presente estudo e averiguar as modificações morfofuncionais ocorridas em jogadores de futsal submetidos ao treinamento pliométrico na água. Métodos: A amostra foi caracterizada por 10 jogadores do gênero masculino da categoria sub-20, com idade entre 18 e 20 anos, média de 1,70 (4,5) altura. Todos praticantes da modalidade há mais de 10 anos. Foram analisadas as seguintes variáveis: massa corporal; circunferências de coxa e perna; e dobras cutâneas para averiguar a composição corporal;salto horizontal, salto vertical, agilidade de semo e velocidade de 50 metros para as medidas neuromusculares . O programa contou com sessões de 30 minutos de saltos alternados com corrida em piscina aquecida com 1,40m de profundidade, três vezes por semana durante 4 meses.Resultados: ver tabela 1 e 2 Tabela 1. Comparação e descrição das características de antropometria e composição corporal, em jogadores de futsal. MC (kg) CrPr (cm) CrCx (cm) PCG (%) MIG (kg) Pré 67,5 (8,3) 34,95 (2,60) 50,05 (5,72) 6,80 (3,58) 62,94 (7,17) Pós 68,5 (8,7) 36,65 (2,32)** 52,35 (3,68)* 4,5 (2,91)** 65,31 (7,74)** a a variável é apresentada como mediana (intervalo interquartil) . b as variáveis são apresentadas como média (desvio padrão). * indica diferença estatisticamente significativa em relação à pré-avaliação, P ≤ 0,05. ** indica diferença estatisticamente significativa em relação à pré-avaliação, P ≤ 0,01. Tabela 2. Comparação e descrição das características de explosão e e velocidade muscular para membros inferiores e alteração absoluta (ΔABS) e percentual (ΔREL) destas, em jogadores de futsal. Pré Pós ΔABS ΔREL (%) Tempo 50m (s) a 6,50 (0,26) 6,41 (0,20) -0,06 [-0,11; -0,03] -0,9 [1,7; -0,5] Agilidade (s) b 11,13 (0,72) 10,03 (0,33) -1,10 [-1,52; -0,68] -9,6 [-13,0; -6,3] Salto horizontal (m) a 2,30 (0,20) 2,39 (0,21) 0,17 [0,06; 0,27] 5,6 [2,7; 13,3] Salto vertical (m) b 2,69 (0,10) 2,72 (0,13) 0,03 [0,00; 0,05] 0,9 [0,1; 1,8] a as variáveis são apresentadas como mediana (intervalo interquartil) ou mediana [intervalo de confiança a 90% para a mediana]. b as variáveis são apresentadas como média (desvio padrão) ou média [intervalo de confiança a 90% para a média]. conclusão: O programa de pliometria na água pode ser uma alternativa eficiente para o treinamento de força de atletas praticantes de futsal. INTRODUÇÃO O treinamento pliométrico foi criado pelos russos na década de 70 e se baseia em series de saltos para o aumento da potencia muscular, esse método de treinamento é baseado em um trabalho muscular muito peculiar que é constituído por uma contração excêntrica seguida por uma breve contração isométrica e sendo finalizada com uma contração concêntrica (saltos em profundidade), Saldanha (2004), assim potencializando a ação dos sensores responsáveis por mandar informações para o sistema nervoso central (SNC) como o fuso neuromuscular, para aumentar o recrutamento de unidade motora e potencializar a contração muscular.Esse fenômeno chamado de reflexo miotático pode aumentar a capacidade dos músculos de se contraírem sendo utilizados para o treinamento da força, segundo Fleck & kramer (1999) o aumento do recrutamento de unidade motora durante esse fenômeno pode potencializar a força muscular durante a realização do movimento. Alguns autores mostram os benefícios do trabalho de pliometria como Luebbers, et al, 2003; Siegler, 2003; Masamoto, et al, 2003 descrevem que a um aumento da força muscular, por causa da inervação e por causa do aumento de proteínas no músculo. Dialo, et al, 2001; Matavulj, et al, 2001; Newton, et al, 1999 acharam que houve aumento da performance de atletas após serem submetidos a um programa de pliometria. Atualmente existem poucos trabalhos publicados analisando o efeito desse tipo de treinamento no meio líquido Entretanto, quando realizado no meio terrestre, esse tipo de treinamento pode ser muito estressante para o sistema músculo-esquelético dos atletas, os quais já são bastante exigidos durante os treinos e jogos. É sabido que a pliometria realizada em meio líquido diminui consideravelmente os impactos articulares para o mesmo aumento de força quando comparado ao treinamento em terra (Robinson et al, 2004). O objetivo do presente estudo e averiguar as modificações morfofuncionais ocorridas em jogadores de futsal submetidos ao treinamento pliométrico na água. MATERIAIS E MÉTODOS A amostra foi caracterizada por 15 jogadores do gênero masculino da categoria sub-20, com idade entre 18 e 20 anos, média de 1,70 (4,5) altura. Todos praticantes da modalidade há mais de 10 anos. Foram analisadas as seguintes variáveis para a antropometria, sendo todos citados por Giannichi (1998). a)Peso corporal total (P); b)Estatura(EST); c)Dobras cutâneas, protocolo de 3 dobras; d)Circunferência de coxa e perna; e)Percentual de gordura(%g) f)Massa isenta de gordura (MIG) Para avaliar o desempenho dos atletas foram utilizados os seguintes protocolos citados por Giannichi (1998). a) Tempo para 50 metros em velocidade; b) Teste de agilidade de Semo; c) impulsão horizontal; Página 18 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 d) impulsão vertical; O programa contou com sessões de 30 minutos três vezes por semana durante 4 meses foi realizado em uma piscina ENAF Science, v.1, n.1, p. 18 - 19 aquecida com 1,40m de profundidade. As séries de saltos contavam com 10 repetições de três saltos diferentes:a) salto com extensão do joelho na fase descendente;b) Salto com flexão do quadril em profundidade; c) Santo com adução e abdução do quadril antes da fase descendente. Para quantificação da intensidade dos exercício foi utilizada a escala de subjetiva de percepção de esforço de Brennan(1990) e foi respeitado um intervalo de 30 segundos de corrida estacionária entre cada série de exercícios. Análise estatística: após análise exploratória e confirmação da normalidade na distribuição das variáveis, MC, CrPr, PCG e MIG, optou-se por descrever os dados na forma de média (desvio padrão). Para comparação dessas variáveis empregou-se o teste t para amostras pareadas. Já para a variável CrCx, optou-se por descrever os dados na forma de mediana (intervalo interquartil), sendo teste de Wilcoxon empregado para determinar a significância da alteração dessas variáveis.Para as características de agilidade e salto vertical, optou-se por descrever os dados na forma de média (desvio padrão). Para comparação dessas variáveis empregou-se o teste t para amostras pareadas. Já para as variáveis salto horizontal e tempo 50m, optou-se por descrever os dados na forma de mediana (intervalo interquartil), sendo teste de Wilcoxon empregado para determinar a significância da alteração dessas variáveis. Para a alteração percentual e absoluta, utilizou-se o intervalo de confiança a 90%, para representar a incerteza em relação ao valor médio ou mediano. O nível de significância estatística foi estabelecido em α ≤ 0,05. RESULTADOS Tabela 1. Comparação e descrição das características de antropometria e composição corporal, em jogadores de futsal. MC (kg) CrPr (cm) CrCx (cm) PCG (%) MIG (kg) Pré 67,5 (8,3) 34,95 (2,60) 50,05 (5,72) 6,80 (3,58) 62,94 (7,17) Pós 68,5 (8,7) 36,65 (2,32)** 52,35 (3,68)* 4,5 (2,91)** 65,31 (7,74)** a a variável é apresentada como mediana (intervalo interquartil) . b as variáveis são apresentadas como média (desvio padrão) . * indica diferença estatisticamente significativa em relação à pré-avaliação, P ≤ 0,05. ** indica diferença estatisticamente significativa em relação à pré-avaliação, P ≤ 0,01. Tabela 2. Comparação e descrição das características de explosão e e velocidade muscular para membros inferiores e alteração absoluta (ΔABS) e percentual (ΔREL) destas, em jogadores de futsal. Pré Pós ΔABS ΔREL (%) Tempo 50m (s) a 6,50 (0,26) 6,41 (0,20) -0,06 [-0,11; -0,03] -0,9 [1,7; -0,5] Agilidade (s) b 11,13 (0,72) 10,03 (0,33) -1,10 [-1,52; -0,68] -9,6 [-13,0; -6,3] Salto horizontal (m) a 2,30 (0,20) 2,39 (0,21) 0,17 [0,06; 0,27] 5,6 [2,7; 13,3] Salto vertical (m) b 2,69 (0,10) 2,72 (0,13) 0,03 [0,00; 0,05] 0,9 [0,1; 1,8] a as variáveis são apresentadas como mediana (intervalo interquartil) ou mediana [intervalo de confiança a 90% para a mediana]. b as variáveis são apresentadas como média (desvio padrão) ou média [intervalo de confiança a 90% para a média]. DISCUSSÃO Para a composição corporal e antropometria, os resultados demonstraram diferenças significativas na composição corporal para o grupo testado, com ganhos de 2,370 kg de MIG, 2,30 cm de Crcx, 1,7cm de CrPr, 1kg de MC e redução de 2,3% no percentual de gordura, mostrando que a pliometria aquática pode ser uma forma eficiente de modificar composição corporal.Os testes físicos mostraram resultados positivos, apontam diferenças significativas para as principais capacidades físicas exigidas na modalidade( velocidade, agilidade,explosão) o que mostra que o método pliométrico aplicado na água pode ser eficiente na potencialização da força rápida do jogador de futsal, além diminuir a ação gravitacional sobre as articulações e assim, possivelmente, diminuir os riscos de lesões e dor pós-treinamento. CONCLUSÃO O método pliométrico pode ser uma altarnativa para potencializar o condicionamento físico dos atletas de futsal diminuindo as possibilidades de lesões, quando comparado com o mesmo tipo de treinamento na terra. REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS FLECK, Estiven,J. Fundamentos do treinamento de força muscular.2º edição. Porto Alegre: Artmed, 1999; pg 44:46. Luebbers PE; Potteiger JA; Hulver MW; Thyfault JP; Carper MJ; Lockwood RH Effects of plyometric training and Recovery on vertical jump performance and anaerobic power. J Strength Cond Res; 17(4):704-9, 2003 SIEGLER,J; Changes evaluated in soccer-especificpower endurance either with or whithout a 10-week, in-season, intermittent, High-intensi training protocol. Jornal Strhegth cond res;17(2):379-87,2003. MASAMOTO,N; Acute effects of plyometric exercice on maximum squat performance in male athletes; Jornal Strhegth cond res;17(1):68-71,2003. DIALLO,O; Effects of plyometric training followed by a reduced training programme on Physical performancein prépubecents soccer players.Jornal Medicine Physical Fitness; 41(3):342-8,2001. Matavulj D; Kukolj M; Ugarkovic D; Tihanyi J; Jaric S Effects of plyometric training on jumping performance in junior basketball players. J Sports Med Phys Fitness; 41(2):159-64, 2001 Newton RU; Kraemer WJ; Häkkinen K Effects of ballistic training on preseason preparation of elite volleyball players Med Sci Sports Exerc; 31(2):323-30, 1999 ROBINSON,LE et al; The effects of land vs. aquatic plyometric on power, torque, velocity, and muscle soreness in woman; Jornal Strhegth cond res; 18(1):84-91,2004. Giannichi; Métodos de avaliação física, Manole, 1998. [email protected] Página 19 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 INTERVALO DE REPOUSO EM ATACANTES, UMA ANÁLISE ESPECÍFICA Rafael Martins Cotta, Pós Graduando em Treinamento desportivo pela UGF. Glauco Barletta da Costa, Graduando em Educação física pela ESC/ESEFIC Antonio Carlos Monteiro, Graduando em Educação física pela ESC/ESEFIC Claudinei de Oliveira Afonso, Graduando em Educação física pela ESC/ESEFIC. RESUMO Objetivamos analisar os tempos de intervalo entre as ações realizadas numa partida de futebol, visando determinar os tempos ideais de repouso entre as ações nos atacantes, especificando cada vez mais os métodos de treinamento. Estes foram analisados na própria partida , onde se considerou como ação os sprints curtos (até 30m), sprints longos (acima de 30m), deslocamentos de costas e laterais, saltos e toques na bola, controlando a participação total do atleta no jogo, logicamente relacionado ao co ntato com a bola. Considerava-se intervalo de repouso quando o atleta caminhava ou parava, tomando-se o tempo de cada intervalo. Finalizando a ação, os intervalos eram cronometrados e relatados em numa planilha específica. Os resultados demonstram a necessidade de um trabalho de potência e velocidade, sendo uma grande perda de tempo submetê-lo a sessões excessivas de treinamento aeróbio até pelo grande tempo que ele passa caminhando ou parado (49,8%) Palavras-chave: futebol, ações, intervalo, atacantes INTRODUÇÃO Treinamentos com bola produzem um estímulo fisiológico maior do que os sem bola (BARBANTI, 2000), onde preparadores físicos empíricos ainda insistem em sessões contínuas e extensas, eliminando o prazer do atleta pelo treino, em decorrência da monotonia e do stress psicológico. O futebol está cada vez mais específico, onde os treinamentos devem ser aplicados em cima das necessidades das posições. A fase preparatória geral (GOMES, 2000), objetiva embasar o atleta em força e resistência, porém, até pelo lastro adquirido pelos atletas em suas vivências anteriores, os trabalhos aeróbicos podem ser banidos e enfocar ainda mais em força e velocidade, onde seu bom desenvolvimento tem auxiliado na decisão das partidas. A teoria do “sem dor, sem jogo”, reforça o empirismo, onde isto pode ser combatido com o simples raciocínio: Se imagine um boxeador, com o rosto dolorido após receber um soco, então quer dizer que se continuar a receber socos, a dor irá passar ? Totalmente sem nexo. Pelo nosso complicado calendário, uma recuperação bem realizada pode acarretar em conquistas. Barbanti (2000) comprovou que ouve um aumento das distâncias percorridas durante as décadas: 1974: 4,8km; 1986: 10 km; 1993: 14 km. Através disso, acompanhamos a evolução do esporte quanto à parte física. Ele coloca também que 88% de uma partida têm predominância aeróbia e 12% anaeróbia, sendo decidida nestes 12%, pela necessidade de uma ação máxima para conclusão. Barbanti (2000), defende a importância de todos os treinamentos de acordo com a posição, trabalhando em cima das necessidades. Porém, se considerarmos a estrutura de inúmeras equipes brasileiras, este método se torna inviável. O calendário faz com que equipes disputem três campeonatos ao mesmo tempo, chegando a realizar três jogos em sete dias. Considerando que alguns atletas levam até 72 horas para se recuperar de um jogo, sem contar as viagens longas que atrasam ainda mais o tempo de recuperação, neste caso, as sessões de treino se resumem em treinamentos regenerativos que aceleram esta recuperação. A atividade do futebol é intermitente com regular mudança de intensidade. No jogo, as ações variam de uma seqüência de sprints, para uma recuperação com o jogador parado ou andando (Barbanti, 2000). A questão é sobre o tempo de intervalo que o atacante deverá obedecer em seu treinamento específico e enfocar ainda mais a não obrigatoriedade desta posição aumentar seu VO2 máx. Então, se o futebol é decidido em seus 12%, anaeróbicos, na maioria das vezes por atacantes, estes devem estar cada vez mais bem preparados anaerobicamente, para que os mesmos a decidam quando acionados. OBJETIVO O intuito deste trabalho foi verificar os tempos médios de intervalo entre as ações máximas realizadas por um atacante e o tempo total que o atleta desta posição se encontra em repouso (caminhando ou parado) de acordo com o número de ações realizadas pelo mesmo durante o jogo. MATERIAIS E MÉTODOS Foram analisados neste experimento,sete atletas de futebol, atacantes, com idade variando de 18 a 35 anos, participantes do Campeonato Paulista da Série A2 do ano de 2006. Os atletas eram analisados por estudantes de educação física, que com o auxílio de uma planilha, relatavam todas as ações realizadas por estes jogadores. Cada estudante analisava um jogador e este era acompanhado durante toda a partida. As planilhas eram compostas por um “campo grama”, onde se acompanhava o seu deslocamento no campo e tabelas constando à quantidade de ações (pré-determinadas) . Os tempos de intervalo eram cronometrados ao início de cada caminhada ou parada por parte do atleta , sendo que todos os tempos foram coletados. As ações eram diferentemente demarcadas no campo grama de acordo com uma legenda. Subentendia-se na planilha, através de um campo quadriculado, que cada quadrado equivalia à 5x5m e através da demarcação do anotador, o mesmo podia ter um parâmetro da distância percorrida na ação. Se este atleta realizasse uma ação que ocupasse menos de seis quadrados, considerava-se um sprint curto, onde tiramos por base que esta é a ação mais realizada pelos atacantes. As ações demarcadas eram as seguintes: Sprint curto, estímulos de velocidade com distância inferior à 30m, sendo a maioria destas dentro da área de ataque e realizadas para definição de uma jogada; Sprint longo, estímulos de velocidade superiores à 30m, sendo estas realizadas na busca de um contra-ataque ou na volta do atacante para auxiliar no sistema defensivo; Deslocamentos laterais, deslocamentos curtos com intenção da obtenção de maior agilidade na disputa de um lance; Corrida de costas,deslocamentos de costas visando auxílio no sistema defensivo sem perder o enfoque do jogo; Página 20 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 Saltos, estímulos intensos e máximos, visando o máximo de impulsão para uma conclusão, defesa ou disputa de uma jogada; Toques na bola, controle da participação no lance, verificando quantas vezes o mesmo participava ativamente do lance em disputa. Como já descrito, os materiais utilizados foram planilhas específicas, pranchetas, canetas e cronômetros manuais da marca CASSIO. RESULTADOS E DISCUSSÕES Tabela 1 Ações realizadas pelos atacantes (n=7) e suas respectivas médias durante a partida Sprint curto Sprint longo Desl. Lateral Desl.Costas Saltos Toques na bola 25,5 08,8 04,9 03,2 05,3 25,5 ±9,34 ±7,47 ±3,12 ±2,47 ±4,9 ±10,46 (12-38) (0-24) (0-12) (0-6) (0-15) (14-40) Os valores significam médios e desvio padrão e a variação mínima e máxima dos dados As diferentes características dos atacantes acarretaram numa oscilação com relação às ações. Afirmamos então que suas participações podem se nos englobar 12% decisivos e relevar a especificidade do treinamento nesta posição, para que estejam bem preparados para quando forem acionados. Com relação aos sprints curtos, os atacantes o realizam 25,5±9,34 e com uma variação mínima de 12 e máxima de 38 nos atletas acompanhados e como já descritos acima, estes estímulos são realizados também sem a bola, para criação de espaços ou distração da defesa. Esta determinação é mais um reforço de quão específico deve ser o seu treinamento, pois quando este acionado, o mesmo deverá ter potência para vencer um zagueiro, que geralmente é mais lento. Embora os deslocamentos de costas e laterais aconteçam em menor proporção, é bom relevar o treinamento coordenativo, para que estes movimentos bem realizados proporcionem economia energética. Sabemos que este tipo de treinamento, coordenativo, é mais realizado em categorias de base, porém não foram todos os atletas que passaram por um bom embasamento em sua infância, por isso às vezes, um curto e objetivo trabalho de coordenação de movimentos, seja este no aquecimento ou separadamente, podem ajudar o atleta a realizar ações com mais qualidade e ajudar a equipe através de um pequeno detalhe É bom ressaltar também, que os saltos estão em pequeno número, porém decidem uma partida, finalizando um lance num cabeceio e como os treinamentos são realizados numa quantidade, para que no jogo aconteça uma, os atletas devem ter um nível de força elevado nos membros inferiores para que quando acionados possam decidir a partida. Comentando sobre os sprints mais longos, estes são realizados em pouco número pelos atacantes, sendo nestes casos acionados num contra-ataque e/ou no auxílio o sistema defensivo. Muitas equipes utilizam um atacante rápido e contando com a reposição rápida e eficaz de sua defesa, utilizam esta arma para concluir um resultado, todavia, os sistemas de marcação e a especificidade do treinamento nas posições estão fazendo com que cada vez mais estes métodos estejam se extinguindo até pelo bom trabalho de força realizado na fase básica, proporcionando um forte poder de marcação por parte das posições de defesa. Tabela 2 Total de ações e intervalos realizados pelos atacantes numa partida de futebol Total de ações Total de intervalos 72,9 65,3 ±26,54 ±17,58 (33-114) (41-86) Os valores significam média e desvio padrão e a variação mínima e máxima dos dados Considerou-se como intervalo, os momentos em que os atletas se apresentaram andando ou parados. Analisando os resultados podemos perceber que os atacantes executam mais ações do que intervalos, porém, se compararmos os tempos (“considerando que uma ação máxima deste atleta dure no máximo 10”, pela utilização das fontes de ATP-CP), expostos na tabela 3, veremos que os tempos de intervalo são bem maiores do que os das ações, onde podemos afirmar através das determinações de Werneck (2000), que os intervalos dos trabalhos de velocidade pura, requerem um tempo maior de repouso, até pelas s ua exigências serem máximas e através da análise, afirmar que a ênfase dos treinamentos para atacantes deve ser em trabalhos de velocidade com um longo período de descanso em relação à ação”. Por outro lado, a repetição destas ações máximas, às vezes com intervalos curtos, alguns sprints mais longos para auxílio na defesa, saída da posição de impedimento ou outras ocasiões, forçam também os atacantes a ter uma boa tolerância ao lactato, resistindo bem aos trabalho de velocidade. Gomes (2002), coloca que as vias energéticas utilizadas nos treinamentos não devem ser repetidas nas outras sessões e Weineck (2000), coloca que os treinamentos de velocidade pura (anaeróbicos aláticos) não devem ser realizados antes de um dia de jogo, em equipes com duas unidades de treinamento diário não deveria ser realizado nenhum treinamento intensivo da velocidade no período da tarde se já se treinou intensivamente de manhã e que os treinamentos de velocidade devem ser realizados antes de treinamentos aeróbios nas sessões. Por isso devemos ficar bem atentos na montagem de nosso planejamento de treinamentos, e saber jogar com a recuperação dos atletas através dos estímulos realizados nas sessões. Exemplificando, numa semana com treinamentos em período integral, os trabalhos podem ser intercalados entre velocidade pura, resistência de velocidade, resistência especial, resistência muscular localizada, trabalhos técnicos e tátic os, manutenção do condicionamento aeróbio. Os trabalhos de resistência de velocidade podem também simular as ações que os atacantes realizam na partida, onde as distâncias mais longas podem ser fracionadas em distâncias curtas e fazer com que este as realize abaixo do tempo determinado, porém neste mesmo treinamento, trabalho a agilidade do atleta e a recuperação de um estímulo para o outro em seqüência. Devemos considerar também que os atletas foram analisados e controlados, neste experimento, enquanto realizavam uma ação máxima e um período de recuperação, não podendo esquecer que uma boa parte do jogo este atleta também passa Página 21 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 trotando, porém lentamente, para se posicionar ou outras situações.Os intervalos foram também considerados entre situações de trote, no entanto, muitas pesquisas já determinaram a distância total percorrida pelos atletas de futebol, onde como nosso foco foi à posição de ataque, participando de momentos decisivos, com ações máximas. De acordo com as determinações de Barbanti (1998), os trabalhos de velocidade devem ser realizados em distâncias curtas, de no máximo 60m, com saídas lançadas (já em movimento), pois esta é a situação real do jogo. Outros dados encontrados apresentaram que a posição mais exigente do ponto de vista fisiológico, é a do meio campista, seguido dos laterais e atacantes, vindo por último os zagueiros (Withers e cols, 1982, apud Barbanti, 1998), conclusões estas que levam os preparadores físicos a prescreverem diferentes treinamentos para cada posição. A maioria da energia para os períodos curtos de alta intensidade é provavelmente suprida pelos fosfagênios de ATP e CP, que estão estocados nos músculos. Na maioria dos esforços de alta intensidade, muito pouco lactato é produzido no músculo, visto que estes esforços se realizam em menos de 10s. Tabela 3 Tempo total e médio de intervalos realizados pelos atacantes numa partida de futebol, considerando as recuperações entre os estímulos. Tempo médio de intervalos Tempo total de intervalos 40”42 44’08” ±15,87 ±14,83 (17”-58”) (25’-75’04”) Os valores significam média e desvio padrão e a variação mínima e máxima dos dados A maioria dos estímulos realizados foram máximos e o tempo de intervalo suficiente para próxima ação, estas com durações inferiores a 10”, utilizando o ATP-CP.Porém, o fator psicológico, o stress causado por algumas situações no jogo e o grande número de repetições, muitas vezes com poucos intervalos de descanso, podem fazer com que o atleta entre em fadiga. Por isso, não podemos utilizar totalmente os treinamentos de velocidade pura, considerando este tempo médio de intervalo, obrigando os atletas desta posição a terem uma resistência de velocidade e de força bem desenvolvidas e conseqüentemente uma boa tolerância ao lactato. As variações de tempo colocam que 17” é o tempo mínimo que estes atletas intervalaram entre as ações e que 58” corresponde ao tempo máximo, afirmando que neste estudo, a média de intervalos entre as ações não ultrapassou um’, sendo que se levarmos a risca esta freqüência de intervalos e ações, o tempo de recuperação é suficiente, porém este atleta deveria estar passivo e muitas vezes o mesmo encontra-se em atividade e com um alto nível de concentração. Weineck (2000), coloca que os trabalhos de velocidade devem ser realizados sempre em um estado de completa ausência de fadiga e no início da unidade de treinamento, sendo que o início da fadiga é o sinal para sua interrupção, sendo que estes devem ser feitos em máxima intensidade, enfatizando esta sobre o volume. No entanto, durante uma partida de futebol, o atacante começa a se fadigar e ao contrário de uma sessão de treinamento, onde pode haver uma interrupção, este tem de prosseguir e suprir as necessidades propostas no decorrer da partida em disputa. Talvez por este atleta “desobedecer” estas determinações, até porque ele tem que resistir a todo tempo de jogo e trabalhar em máxima intensidade, ultrapassando os níveis de fadiga. O rendimento deste atleta pode cair, até pelo fato dos intervalos de repouso terem de ser aumentados e os mesmos não são, pois o jogo em si não permite isto. Cabe aos preparadores físicos, a realização de um bom trabalho de velocidade, para que estes atletas consigam atingir o melhor tempo ao serem acionados e um bom desenvolvimento da resistência de velocidade, pois quando este atleta começar a se fadigar, ele terá uma boa reserva para tolerar ao acumulo do lactato. Os atacantes permaneceram em repouso durante 44’08” em média, o que equivale a 48,97% de uma partida. Podemos então ressaltar que as sessões de treinamento mais curtas e bem objetivas, trabalhando em cima das necessidades dos atacantes e no período especial tendo predominância da intensidade sobre o volume seriam mais eficazes para os atacantes até pelo longo período que os mesmos intervalam no jogo, logicamente respeitando os períodos de intervalos, aproximando cada vez mais o treinamento das situações do jogo. Estes devem estar potentes e preparados para quando forem acionadas, as resistências aeróbias nestes atletas deve ter pouca ou quase nenhuma ênfase, onde a correção da execução de determinados movimentos, visando economia energética seriam mais eficaz nesta posição em virtude da análise realizada através deste experimento. CONCLUSÕES O estudo realizado demonstrou que os atacantes realizaram um total de 72,9 ± 26,54 ações durante as partidas, tendo uma média total de 65,3 ±17,58 Pausas entre essas ações, sendo que 48,97% do jogo estes atletas caminharam ou permaneceram parados e entre as ações tinham um intervalo médio de 40”42 ±14,83. Podemos concluir então que os trabalhos curtos e objetivos, tendo predominância da intensidade sobre o volume são mais eficazes, até pelo grande tempo que os atacantes permanecem em repouso, sendo que cabe aos preparadores físicos um bom senso com relação à montagem das sessões de treinamento de atletas desta posição, sendo cada vez mais específicos e importantes na definição de um resultado. REFERÊNCIAS 1)FRISSELLI, A. Futebol: teoria e pratica. Colaboração de Marcelo Mantovani. Guarulhos: Phorte, 1999, 253p. 2)WEINECK, Jurgen. Futebol total: o treinamento físico no futebol. São Paulo: Phorte, 2000, 555p. 3)GOMES, Antonio Carlos. Treinamento desportivo: estruturação e periodização. Porto Alegre: Artmed, 2002 4)RINALDI, W., ARRUDA, M., SILVA, S. G. Utilização da potencia muscular no futebol: um estudo da especificidades em jogadores de diferentes posições. Revista de treinamento desportivo. S/d. 5)BERTUZZI, R. C. de M., FRANCHINI, E., KISS, M. A. P. D. M. Fadiga muscular aguda: uma breve reviso dos sistemas fisiológicos e suas possíveis relações. Motriz, Rio Claro, v. 10, n.1, p. 45-54, jan/abr, 2004. 6)SILVA, P. R. S., ROMANO, Ângela. Avaliação funcional multivariada em jogadores de futebol: uma metanálise. Revista Brasileira de Medicina do Esporte – Vol. 4, Nº 6 – 182-196, 1998. 7)TEIXEIRA, A.A. A. Estudo descritivo sobre a importância da avaliação funcional como procedimento prévio no controle fisiológico do treinamento físico de futebolistas realizado em pré-temporada. Reabilitar 9. 45-54, 2000. 8)BALIKIAN, P. Consumo máximo de oxigênio e limiar anaeróbio de jogadores de futebol: comparação entre as diferentes posições. Revista Brasileira de Medicina do esporte. Vol 8. 2002, 32-36. Página 22 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 9)MAHSEREDJIAN, F. Estudo comparativo de métodos para a predição do consumo máximo de oxigênio e limiar anaeróbio em atletas. Revista Brasileira de Medicina do Esporte- 1999 . VOL 5, 167-172. 10)BARBANTI, Valdir J. Teoria e prática do treinamento esportivo. Edgard Blucher, 2000. [email protected] EFEITO DE UM TREINAMENTO DE MUSCULAÇÃO E DE RESISTÊNCIA CARDIOVASCULAR EM ESTEIRA NOS PARÂMETROS ANTROPOMÉTRICOS DE MULHERES SEDENTÁRIAS Alessandro de Oliveira Mestre –Faculdade Presbiteriana Gammon – FAGAM Arthur Paiva Neto Mestre – Universidade São Francisco – USF Renato Damião Costa Graduado em Educação Física RESUMO O presente trabalho teve como objetivo observar os efeitos de um treinamento em musculação e de um treinamento de resistência cardiovascular em esteira na redução do percentual gordura corporal em obesos. Foram utilizadas 6 voluntárias divididas em 2 grupos de forma aleatória. Foram realizadas avaliações físicas pré-treinamento, após um mês de treinamento, após dois meses de treinamento e ao término do mesmo.O treinamento foi executado ao longo de três meses, com duração de noventa minutos por sessão, três vezes por semana. Dentro das avaliações físicas foram feitas mensurações do peso corporal, estatura, perimetria e composição corporal através das dobras cutâneas. Foi utilizada a análise de variância e teste t post hoc (p<0,05). Os resultados não mostraram diferença nos parâmetros avaliados (p>0,05). Com base neste estudo conclui-se que o tempo do treinamento não foi suficiente para ocasionar mudanças metabólicas e antropométricas nos grupos estudados. No entanto devido a não possibilidade de controlar variáveis importantes (alimentação não padronizada, pequena amostragem baixa freqüência no treinamento) outros estudos deverão ser realizados. Palavras chaves: Obesidade, RML, condicionamento aeróbio INTRODUÇÃO A obesidade é uma doença que deve ser tratada o quanto antes possível para que não apareçam outras doenças relacionadas a ela (BOUCHARD, 2003) Para Anderson, et al., 1988, a obesidade pode ser definida como um estado corporal caracterizado pelo depósito generalizado e excessivo de gordura no tecido adiposo, sendo que um percentual de gordura superior a 20% para homens e 30% para mulheres já pode ser considerado um estado de obesidade. A obesidade refere-se à quantidade de gordura acima da média contida no corpo, que, por sua vez, depende do conteúdo lipídico de cada célula gordurosa e do número total de tais células. Contudo, a avaliação do número e do tamanho de células adiposas constitui um procedimento clínico dispendioso e ainda obscuro. Assim sendo, que métodos devem ser usados? Além do peso corporal, uma avaliação para a obesidade deveria incluir determinações da composição corporal, da qualidade das dietas, do dispêndio energético, do estado relacionado aos fatores de risco e da imagem corporal. (FOSS &KETEYIAN, 2000 ) Durante o exercício, a demanda de oxigênio nos músculos ativos aumenta acentuadamente. Uma maior quantidade de nutrientes é utilizada. Os processos metabólicos aceleram, ocorrendo uma maior produção de detritos metabólicos (McARDLE, KATCH, KATCH, 2003) Estes autores ainda relatam que durante o exercício, ocorrem várias alterações cardiovasculares, para permitir que o sistema satisfaça as demandas aumentadas impostas a ele e que realize suas funções com a máxima eficiência. A freqüência cardíaca aumenta em proporção direta com o aumento da intensidade do exercício, até o indivíduo chegar próximo a ponto da exaustão, indicando que está se aproximando da freqüência cardíaca máxima. Quando comparada a freqüência cardíaca durante o exercício, com a mesma intensidade, a que se apresenta mais baixa, reflete um coração mais eficiente. A pressão sistólica é aumentada durante o exercício em proporção a elevação da intensidade do mesmo. Durante o exercício a pressão diastólica mantêm- se constante ou altera-se muito pouco durante a mesma. (WILLMORE, COSTILL, 2001) Vários benefícios já foram contatados em relação a musculação para obesos, como: aumento do metabolismo basal, diminuição da pressão arterial, diminuição do tecido adiposo(massa gorda), entre outros e também vários benefícios foram comprovados em relação a atividade de resistência cardiovascular, como:diminuição da FC de repouso, diminuição do tecido adiposo(massa gorda), diminuição da pressão arterial,entre outros (BOUCHARD, 2003; DAMASO, 2003) No entanto, o treinamento cardiovascular também desempenha um importante papel quanto a redução de massa gorda e manutenção da massa magra, melhorando desta forma a qualidade de vida do indivíduo de um maneira geral. (WILLMORE, COSTILL, 2001) O objetivo deste trabalho é comparar estes dois métodos de treinamento quanto a eficácia nos parâmetros antropométricos de mulheres sedentárias. MATERIAIS E MÉTODOS Seis mulheres com faixa etária de 18 a 30 anos foram convidadas para participar do estudo como voluntárias. Antes do início dos respectivos treinamentos as voluntárias passaram por uma consulta com um profissional da área médica onde foi avaliado o estado clínico do indivíduo. A avaliação da composição corporal e a medida do peso corporal e da altura dos indivíduos foram realizadas previamente aos tratamentos experimentais. A avaliação da composição corporal foi feita segundo o método de estimativa do percentual de gordura (%G) através de medidas de dobras cutâneas, sendo mensuradas 3 (três) dobras cutâneas para a estimativa da composição corporal. São elas: Peito (Pt), Abdominal (Ab), Coxa (Cx). Após as aferições o percentual de gordura foi calculado por meio da equação abaixo: %G = Página 23 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 {4,95/[1,10938-(0,0008267*(Cx +Ab +Pt) + (0,0000016*(Cx + Ab +Pt) * (Cx + AB +Pt))-(0,0002574*idade))-4,5)*100 (POLLOCK,1967) O grupo de musculação passou pelo teste de repetição máxima relativos aos aparelhos utilizados durante o treinamento, sendo: leg press 45º, supino reto na máquina, puxador de costas, mesa extensora, mesa flexora, panturrilha no leg. Os voluntários realizaram um treinamento físico de resistência cardiovascular em esteira e de musculação durante um período de três meses, três vezes por semana, onde a intensidade e o volume de treinamento eram controlados da seguinte maneira: O treinamento de resistência cardiovascular em esteira realizou minutos com descanso ativo de dez minutos e ENAF Science, v.1, n.1, p. cinqüenta 23 - 25 logo após mais cinqüenta minutos. A intensidade variava de 60 a 75% da FCmax.. Para melhor controle do treinamento de musculação utilizaram-se parâmetros de controle do treinamento um percentual de variação de 60 a 75% da repetição máxima. Durante o período de treinamento foram realizadas avaliações físicas antes, após 30,60 e 90 dias de treinamento. Foram avaliados os seguintes parâmetros para a análise estatística e discussão deste estudo: Peso corporal: mensurado por meio de uma balança da marca Toledo com precisão de 50g; Altura: mensurado por meio de estadiômetro da marca Sanny com precisão de 1mm; Perimetria: mensurado por meio de fita métrica da marca Sanny com precisão de 1mm; Dobras cutâneas: mensurado por meio do adipômetro da marca Sanny com precisão de 1mm. O delineamento estatístico foi pareado e inteiramente casualizado levando em consideração a análise dos dados das variáveis controladas. Após verificação da normalidade pelo Teste de Shapiro-Wilk, foi utilizada Análise de Variância com comparação repetida no tempo e test t de Student post-hoc. O nível de significância foi de 5%. Foi utilizado o programa estatístico SAS (Statistical Analyze System) (SAS, 1995). RESULTADOS Conforme pode ser observado no gráfico 1, o peso corporal (kg) não apresentou diferença ao longo do treinamento tanto no grupo de força quanto no grupo de resistência (p>0,05). Além disso, não houve diferença entre os grupos nos períodos avaliados (p>0,05). 100,0 90,0 80,0 Peso (kg) 70,0 60,0 50,0 40,0 30,0 20,0 10,0 0,0 0 30 60 90 Dias Força Resistência Gráfico 1: Médias obtidas no peso corporal (kg) nos respectivos grupos experimentais estudados ao longo do período de 90 dias de treinamento. Conforme pode ser observado no gráfico 2, não houve redução no percentual de gordura em ambos os grupos ao longo do tempo após 90 dias de treinamento (p<0,05). Além disso, não foram encontradas diferenças entre os grupos estudados (p>0,05). % de Gordura 38 36 34 32 30 28 0 30 60 90 Tempo (dias) Grupo Força Grupo Resistência Gráfico 2: Médias obtidas no % de gordura corporal nos respectivos grupos experimentais estudados ao longo do período de 90 dias de treinamento. *diferença significativa em relação ao pré-treinamento. Peso Gordo (Kg) Como pode ser visto no gráfico 3, o peso gordo (Kg) não apresentou diferença ao longo tempo em ambos os grupos após 90 dias de treinamento (p<0,05). Além disso,não houve diferenças entre os grupos coletados (p>0,05). 40 30 20 10 0 0 30 60 90 Tempo (dias) Página 24 de 108 Grupo Força Grupo Resistência Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 Gráfico 3: Médias obtidas no Peso Gordo (Kg) nos respectivos grupos experimentais estudados ao longo do período de 90 dias de treinamento. *diferença significativa em relação ao pré-treinamento. Peso Magro(Kg) Conforme pode ser observado no gráfico 4, o peso magro (kg) não apresentou diferença ao longo do treinamento tanto no grupo de força quanto no grupo de resistência (p>0,05). Além disso, não houve diferença entre os grupos nos períodos avaliados (p>0,05). 80 60 40 20 0 0 30 60 90 Tempo(dias) Grupo Força Grupo Resistência Gráfico 4: Médias obtidas no peso magro (kg) nos respectivos grupos experimentais estudados ao longo do período de 90 dias de treinamento. DISCUSSÃO Iniciar um trabalho de comparação entre um treinamento cardiovascular com a musculação no período de três meses, em que a pessoa tem que fazer só um tipo de treinamento para emagrecer é muito complexo, pois para o trabalho surtir efeito o voluntário tem que ser dedicado e se tratando em obesos torna-se mais difícil ainda porque os obesos sentem vergonha de treinar dentro de academias, é pouco motivado por seu peso estar muito elevado, eles acham que não conseguem emagrecer de forma alguma. Não há quantidade relevante encontrado na literatura que fez a comparação entre um treinamento cardiovascular com a musculação em obesos, somente um estudo feito por GELIEBTER e outros autores no qual se comparou o efeito do treinamento aeróbio com o da musculação nas alterações da composição corporal de indivíduos moderadamente obesos (GELIEBTER et al, 1997 in Gentil, 2005). O objetivo deste estudo foi avaliar o efeito do treinamento de força e resistência em voluntárias obesas. De acordo com a analise efetuado não foi observada nenhuma diferença entre os dados coletados. Tais resultados podem ser explicados em parte devido a uma pequena amostragem dos voluntários. Estudos estatísticos demonstram que amostragens inferiores a 10 indivíduos podem aumentar a variabilidade da amostra tornando-a heterogênea e imprecisa (TRIOLA, 1999). Além disso, fatores genéticos podem influenciar na perda do peso corporal e na perda do percentual de gordura. Pesquisa na Universidade de Cambridge, na Inglaterra, identificou pela primeira vez um defeito específico em dois genes que controlam o peso corporal em humanos. Fatores genéticos diversos, complexos e interativos, provavelmente determinam cerca de 25% da variação entre pessoas do percentual de gordura do corpo e da massa total de gordura, enquanto um defeito transmissível (cultural) responde cerca de 30% da variação (JACKSON et al., 1997; MONTAGUE et al., 1997 in McARDLE, KATCH & KATCH, 2001). A freqüência do treinamento não foi seguida de forma correta, havendo um número elevado de faltas. O gasto calórico total diário é aumentado cada vez mais com a prática de atividades físicas regulares e uma alimentação equilibrada, significa ndo uma menor redução do peso corporal e do percentual de gordura levando a um balanço calórico negativo (FOX & KETEYIAN, 2000; DÂMASO, 2003). No presente estudo as faltas subseqüentes das voluntárias contribuíram para um balanço calórico estável ou positivo nos dias que não houve atividade física A alimentação não foi padronizada no presente estudo. Para McArdle, Katch & Katch, (2001), uma dieta ótima fornece nutrientes necessários em quantidades adequadas para a manutenção, o reparo e o crescimento dos tecidos sem uma ingestão excessiva de energia. À medida que progride a compreensão da nutrição humana, uma estimativa razoável das necessidades nutricionais de homens e mulheres leva em conta a variação normal na digestão, absorção e assimilação dos nutrientes, assim como o dispêndio energético diário. As recomendações dietéticas para homens e mulheres fisicamente ativos devem levar em conta também as demandas específicas de energia de um determinado desporto e as demandas correspondentes ao seu treinamento, assim como as preferências dietéticas individuais. Não existe uma única dieta para um desempenho ótimo nos exercícios. Planejamento e avaliação meticulosos da ingestão alimentar devem obedecer a diretrizes nutricionais apropriadas. Finalizando, fatores psicológicos foram observados durante o tempo de treinamento em que as maiorias das voluntárias eram muito ansiosas, tinham muita vontade de emagrecer. De acordo com McArdle, Katch & Katch (2001), sentimentos de depressão, frustração, tédio, ansiedade ou agitação, culpa, tristeza e raiva acionam a vontade de comer e, conseqüentemente, a ingestão excessiva de alimentos. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANDERSON, L.; et al. Nutrição. 17ª ed, Rio de Janeiro: Guanabara, 1988. BOUCHARD, C. Atividade Física e Obesidade. São Paulo: Editora Manole, 2003. DAMASO, A. Obesidade. Rio de Janeiro: Medsi Editora Médica Científica, 2003.590p. FILHO, J. F. A Prática da Avaliação Física: Testes, Medidas e Avaliação Física em Escolares, Atletas e Academias. 2ª ed, Rio de Janeiro: Shape, 2003. FOSS, M. L.; KETEYIAN, S. J. Bases Fisiológicas do Exercício e do Esporte. Rio de Janeiro: Guanabara, 2000. GENTIL, P. Musculação e Emagrecimento. São Paulo: 2005. Disponível em http://www.fisiculturismo.com.br/a. php. Acesso em 16/08/2005. McARDLE, W. D; KATCH, F. I; KATCH, V. L. Fisiologia do Exercício: Energia, Nutrição e Desempenho Humano. 5ºed., Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2003. McARDLE, W. D; KATCH, F. I; KATCH, V. L. Nutrição para o Desporto e o Exercício. Rio de Janeiro: Guanabara, 2001. SAS. SAS User’s guide: statistics. 5ª ed, Cary, NC: SAS Institut, 1995. 956p. Página 25 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 TRIOLA, M. F. Introdução À Estatística. 7ª ed, Rio de Janeiro: LTC Editora, 1999. WILMORE, J. H; COSTILL, D. L. Fisiologia do Esporte e do Exercício.1ª ed, São Paulo: Editora Manole, 2001. [email protected] ANÁLISE DA FLEXIBILIDADE EM TRABALHADORES INSERIDOS EM UM PROGRAMA DE GINÁSTICA LABORAL Dennis William Abdala, Ms. Centro Universitário da Fundação Educacional Guaxupé - UNIFEG Sílvia Cristina Crepaldi Alves, Dra. Faculdade de Ciências da Saúde – UNIMEP RESUMO O objetivo é analisar os níveis de flexibilidade de adultos jovens, trabalhadores de empresas, que participam e que não participam de um programa de Ginástica Laboral. Foram selecionados 40 sujeitos, do sexo masculino, idade média 25 anos. Foi aplicada anamnese, medidas antropométricas, IMC, avaliações neuromusculares, e avaliação dos níveis de flexibilidade. O tratamento estatístico foi dividido em duas partes, estatística descritiva e estatística inferencial com um nível de significância p < 0,05, como índice crítico da Hipótese Nula. Os resultados demonstraram que o grupo GL apresentou maiores índices de força que o grupo controle C (30,8±3,7 e 41,6±2,9) e (16,3±2,4 e 29,8±1,4) p< 0,05. Em relação aos níveis de flexibilidade, o grupo GL também apresentou maiores resultados em relação ao grupo C, p< 0,05 para todos os17 movimentos analisados. Pode-se concluir que, um programa de ginástica melhora o desempoenho físico em homens adultos jovens, quando analisado a qualidades física flexibilidade. Palavras chave: Ginástica Laboral; flexibilidade. INTRODUÇÃO A Ginástica Laboral não é uma atividade física recente, é uma adaptação de um programa da Rádio Taissô que consistia em um tipo de ginástica rítmica que inclui uma série de exercícios específicos acompanhados de músicas especialmente criadas para a atividade (MATUURA, 1987, apud CAÑETE, 2001). Foi desenvolvida em 1928 pelos funcionários japoneses dos correios (POLITO e BERGAMACHI, 2003). Após a Segunda Guerra Mundial, esse hábito foi difundido por todo país e, mais de um terço dos trabalhadores japoneses exercitavam-se diariamente (CAÑETE 2001). No Brasil, a Ginástica Laboral chegou por meio de executivos nipônicos, em 1969 nos estaleiros de Ishiksvajima, com finalidade de prevenir acidentes de trabalho por meio de atividades físicas (POLITO e BERGAMACHI, 2003). Em 1901 no Brasil, a primeira manifestação de atividades esportivas no contexto empresarial se deve a Fábrica de Tecidos Bangu, uma indústria têxtil de capital e gestão inglesa, localizada no Rio de Janeiro, manifestações semelhantes, só em 1928, nas empresas como Banco do Brasil, e 1930 como a Light & Power e Caloi 1933, ofereciam opções de lazer e esporte para seus empregados (COSTA, apud BRASIL, 1991). Existem relatos de que a primeira manifestação literária encontrada sobre Ginástica Laboral data de 1713, do autor italiano considerado pai da medicina ocupacional Bernardino Ramazzini (MARTINS, 2000). Por outro lado, a literatura também se refere a uma primeira manifestação literária sobre Ginástica Laboral chamado Ginástica de Pausa, editado na Polônia em 1925 (LIMA, 2003). Com o avanço da ciência e da tecnologia, as atividades da vida diária dos indivíduos foram facilitadas, fazendo com que os seres humanos se tornem cada vez mais sedentários. Paralelamente, verifica-se que as tarefas ocupacionais assumiram papel estressante na sociedade, devido a grande especificidade de determinadas funções laborais. Nesse contexto, insere-se a Ginástica Laboral, que pode ser relevante à saúde do trabalhador e aos objetivos da empresa, a qual já foi amplamente aprovada nas empresas e indústrias (CHACHBASIAN e TRACHTENBERG, 1961; BELINOVITCH, 1964; FEIGUIN e LOVITCHKIA, 1971; NOFONTOVA, 1981; KOLLING, 1982; PEREIRA, 1987; PEGADO, 1990; PULCINELLI, 1994; GALANTE et al., 1998; LIMA, 1998; KONRATH, 1999; PRADO, 1999) assumindo papel importante na vida dos trabalhadores, aumentando a produção na empresa através de melhoramentos de estados físicos e psíquicos. Não podemos nos conformar com dados obtidos a partir de investigações superficiais, devemos sim, nos aprofundar na busca da realidade a ser enfrentada com respeito pelas características individuais dos trabalhadores, suas capacidades e limitações. Sem esse enfoque, a atividade física laboral será informativa e não formativa (FERREIRA et al., 2005). A pesquisa teve como objetivo geral analisar o desempenho físico (força e flexibilidade) de adultos jovens, trabalhadores de empresas, que participam e que não participam de um programa de Ginástica Laboral, e como objetivo específico, verificar se a inserção de um programa de ginástica laboral possibilita maiores de flexibilidade. MATERIAIS E MÉTODOS Foram selecionados 40 sujeitos, 20 de uma empresa que possui um programa de ginástica labral (grupo GL) e 20 de outra empresa que não possui tal programa (grupo C), do sexo masculino com idade variando entre 20 e 30 anos. Todos assinaram um termo de consentimento livre e esclarecido. Foi aplicada uma anamnese, sendo que foram excluídos da pesquisa indivíduos que portassem qualquer tipo de patologia que pudesse comprometer ou que tornasse fator de impedimento para a realização dos testes, quaisquer condições musculoesqueléticas que pudessem servir de fator interveniente à prática da atividade, problemas neurológicos e o uso de medicamentos, que pudessem causar distúrbios da atenção, foram considerados critérios de exclusão. Página 26 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 Para a avaliação neuromuscular, foi selecionado o Teste de Flexão de Braços para homens, segundo Pollock e Wilmore, (1993) e Fenandes Filho (2003) onde os movimentos foram executados com o avaliado no chão, em decúbito ventral, as mãos colocadas sobre o chão, braços estendidos na linha e largura dos ombros. O peito deveria tocar o solo a cada movimento e os braços deveriam estender na volta. As costas deveriam se manter retas e o exercício deveria ser feito até a exaustão. Também foi utilizado o teste de flexão abdominal, segundo Pollock e Wilmore, (1993) e Fernandes Filho (2003), é um teste de flexão de tronco sobre os membros inferiores flexionados. Os equipamentos utilizados são um colchão de ginástica e um cronômetro, onde o indivíduo deitou de costas, sobre o colchão colocado numa superfície plana, com os dedos das mãos entrelaçados na nuca, joelhos flexionados, pés em contato com o solo (30,5 cm das nádegas) e abertos na largura dos ombros. O avaliador deveria manter os pés do avaliado em contato com o solo e presos para não escorregarem; o avaliado, retiraria as costas do chão, flexionaria o tronco e o quadril até os cotovelos tocarem nos joelhos, voltando à posição inicial com os cotovelos toca ndo o solo, era repetido o movimento tão depressa e tantas vezes quantas fossem possíveis; marcou-se o número de repetições durante 1 minuto. As avaliações dos Níveis de Flexibilidade dos sujeitos foram efetuadas através de dois goniômetros universais, sendo o primeiro de círculo completo e o segundo de meio círculo, fabricados nos Estados Unidos, de 180°, com escala de 16 polegadas da marca Lafayette (DANTAS, 2005), nos seguintes movimentos: Rotação da coluna cervical; Flexão horizontal da articulação do ombro; Extensão horizontal da articulação do ombro; Abdução da articulação do ombro; Flexão da articulação do ombro; Rotação interna da articulação do ombro; Rotação externa da articulação do ombro; Flexão da articulação do cotovelo; Flexão da articulação do punho; Extensão da articulação do punho; Flexão da coluna lombar; Flexão da articulação do quadril; Extensão da articulação do quadril; Abdução de membros inferiores; Flexão da articulação do joelho; Flexão plantar da articulação do tornozelo; Flexão dorsal da articulação do tornozelo, conforme citado por Dantas (1999); Fernandes Filho (2003). TRATAMENTO ESTATÍSTICO Foi dividida em duas partes, a primeira relativa à estatística descritiva, utilizando valores de média e desvio padrão e as distribuições de freqüências para as variáveis discretas. A segunda parte relativa à estatística inferencial, que consistiu no processo comparativo entre os valores médios das variáveis contínuas dos dois Grupos, Gr 1 = (C) e Gr 2 = (GL), utilizando o teste t de Student e para as variáveis discretas o teste Não Paramétrico Qui-quadrado. Ambos os testes observaram um nível de significância p < 0,05. RESULTADOS Resultados das variáveis experimentais. Os resultados em destaque mostram as diferenças encontradas entre os grupos. Variável C GL Resultado FLEX. BR. 16,3±2,4 30,8±3,7 C < GL ABDOM. 29,8±1,4 41,6±2,9 C < GL AAO 204,4±4,5 229,2±12,2 C < GL EHAO 99,4±9,6 117,5±7,7 C < GL FHAO 127,3±3,9 145,6±3,8 C < GL FAO 174,1±7,3 207,8±5,7 C < GL RIAO 88,6±5,3 130,5±4,8 C < GL REAO 101,3±6,2 137,2±4,2 C < GL FAP 87,6±5,0 133±4,1 C < GL EAP 68,5±3,3 87,5±2,8 C < GL FAC 156,6±3,4 167,8±3,7 C < GL FPAT 13,7±6,7 45,6±4,7 C < GL FDAT 9,7±5,0 33±3,0 C < GL RCC 80±5,4 95,3±4,6 C < GL FLC 14,3±2,7 30,1±2,8 C < GL FAQ 99,7±7,8 112,0±11,7 C < GL EAQ 37±4,4 49,6±4,0 C < GL FAJ 137±5,1 153,7±6,1 C < GL AMI 112,5±4,8 129,8±4,7 C < GL DISCUSSÃO Para todas as variáveis analisadas o grupo GL apresentou resultados superiores em relação ao grupo C, no entanto, as pessoas com nível de aptidão física satisfatória nas atividades diárias podem adquirir hábitos de vida que utilizam a força de resistência, juntamente com a flexibilidade para o controle postural, pois, é difícil manter uma postura estática ou dinâmica com índices irrisórios de tais aptidões. Os movimentos súbitos, estáticos, e repetidos, aumentam as condições de desordens posturais. Nos adultos, nas suas diversas profissões, são freqüentes as queixas de dores, principalmente na coluna vertebral. Se analisarmos as diversas profissões existentes, constataremos que é necessário adaptar a estrutura da pessoa à função exercida pelo trabalhador nas atividades diárias. Programas de exercícios físicos podem ser um recurso importante para controlar a postura de levantar e ou conduzir pesos durante as tarefas das atividades diárias no trabalho (ACHOUR JÚNIOR, 1996). Página 27 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 CONCLUSÃO Baseado nos resultados encontrados nesta pesquisa pode-se concluir que, homens adultos jovens inseridos em um programa diário de GL apresentam melhor desempenho físico considerando os parâmetros de força e flexibilidade, quando comparados com indivíduos não praticantes de GL. Portanto, o esforço no combate às doenças ocupacionais produzem resultados positivos e devem ser realizados com o objetivo de prevenir a incidência de lesões e, principalmente, na tentativa de melhorar a qualidade de vida e a saúde do trabalhador, além de beneficiar a empresa, pode ser estimulante no combate ao sedentarismo e no despertar para o os benefícios gerais induzidos pela prática de exercícios regulares. Nossos resultados apontam para a importância da realização de novas pesquisas utilizando maior número de voluntários e de uma abordagem multivariada no tratamento dos dados de diferentes faixas-etárias, do gênero feminino e de operários com funções diferenciadas em diferentes empresas. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ACHOUR JÚNIOR, A. Bases para exercícios de alongamento - Relacionamento com a saúde e no desempenho atlético. Londrina: Midiograf, 1996. BRASIL, Ministério da Saúde. Secretaria Nacional de Assistência à Saúde. 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Considerando a possibilidade de que os sistemas de energia dos músculos tornem-se mais eficientes quimicamente com uma pequena elevação da temperatura do mesmo, o objetivo deste experimento foi avaliar se há influência significativa de aquecimentos específicos no desempenho no salto vertical com contra movimento (CMJ). Doze voluntários saudáveis, de ambos os gêneros (idade 23±3,96 anos, altura 178±7,24cm e massa corporal 72±14,1kg), alunos do curso de Educação Física realizaram duas sessões de saltos CMJ, com e sem alongamento prévio. Os resultados sugerem que o aquecimento, como proposto neste estudo, realizado antes do salto com contra movimento, não interferiu de forma significativa no desempenho no salto. INTRODUÇÃO O ciclo alongamento-encurtamento (CAE) é um mecanismo fisiológico que tem como função aumentar a eficiência mecânica e, em conseqüência, o desempenho motor de um gesto atlético. O CAE ocorre quando as ações musculares excêntricas são seguidas imediatamente por uma explosiva ação concêntrica (WILK et al., 1993). Este fato resulta em uma forte ação concêntrica. Por exemplo, durante um salto em altura, o atleta flexiona os joelhos e os quadris (ação excêntrica dos extensores), rapidamente muda de direção e salta (ação concêntrica), com a realização de uma flexão plantar (FLECK e KRAEMER, 1999). O CAE é regulado, essencialmente, pela quantidade do padrão de ativação nervosa dos músculos envolvidos, pela quantidade de energia elástica armazenada e pelo equilíbrio entre os fatores nervosos facilitadores e inibidores da contração muscular (KOMI, 1983). No cotidiano, grande parte das atividades mais corriqueiras como correr, andar, arremessar e saltar enquadra-se como ações do CAE (KOMI e BOSCO, 1978; KUBO et al., 1999). Dentro das bases fisiológicas do CAE, os modelos mecânicos para o estudo da função do ciclo de alongamentoencurtamento subdividem-se em: contrátil, elásticos em série e em paralelo. Os componentes elásticos em série (pontes cruzadas e os tendões) são aqueles pertinentes à apreciação da geração de energia elástica presentes no CAE (BOSCO et al., 1982). Segundo FARLEY (1997), durante a ação muscular excêntrica produz-se um trabalho negativo, o qual tem parte da sua energia mecânica absorvida e armazenada sob a forma de energia potencial elástica nos elementos elásticos em série. Quando ocorre a passagem da fase excêntrica para a concêntrica, os músculos podem utilizar parte desta energia rapidamente, aumentando a geração de força na fase subseqüente, com menor gasto metabólico e maior eficiência mecânica (KUBO et al., 1999). Porém, se a passagem de uma fase para outra for lenta, a energia potencial elástica será dissipada sob forma de calor, não sendo convertida em energia cinética (CAVAGNA, 1977; GOUBEL, 1997). KREIGHBAUM e BARTHELS (1990) verificaram que a capacidade de geração de força pode aumentar em até 20% com a participação do CAE. Em relação ao consumo de oxigênio, KOMI (1983) citou que em duas atividades idênticas, em que uma delas utiliza o CEF, o consumo de oxigênio será menor naquela que utilizar o CEF. Considerando que os sistemas de energia dos músculos tornam-se mais eficientes quimicamente com uma pequena elevação da temperatura do mesmo (WILMORE e COSTILL, 2001), o objetivo deste experimento foi avaliar se há influência significativa de aquecimentos específicos no desempenho no salto vertical com contra-movimento (CMJ). MATERIAIS E MÉTODOS Amostra Participaram da pesquisa doze voluntários saudáveis, de ambos os sexos. Estes tinham entre 16-30 anos de idade (23±3,96), 170-190 cm de altura (178±7,24) e entre 56-96 quilogramas (72±14,1), conforme tabelas 1 e 2. Estes voluntários foram selecionados de forma aleatória entre os alunos de curso de Educação Física, não atletas. Procedimentos Os voluntários foram divididos em dois grupos (A e B) de seis componentes. Cada voluntário realizou seis saltos válidos, sendo três com aquecimento e três sem aquecimento. Os voluntários efetuaram o salto vertical com contra movimento (CMJ) partindo da posição em pé, com as pernas estendidas, olhando para frente tendo as mãos na cintura (Figura 1). Os testes foram realizados em dois dias consecutivos, sendo um para cada grupo. Página 29 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 Figura 1 – Salto com contra movimento (CMJ). Tabela 1 Dados Antropométricos - GRUPO A Voluntário Massa Corporal (Kg) Estatura (cm) Idade (anos) 1 74 180 25 2 57 170 19 3 63 178 22 4 58 175 16 5 82 175 24 6 64 175 21 Média 66,33 175,5 21,17 Desvio Padrão 9,77 3,39 3,31 Tabela 2 Dados Antropométricos - GRUPO B Voluntário Massa Corporal (Kg) Estatura (cm) Idade (anos) 7 65 173 21 8 86 189 21 9 96 182 23 10 56 170 30 11 86 189 27 12 88 190 28 Média 79,5 182,17 25 Desvio Padrão 15,44 8,79 3,85 Para a realização deste teste foi utilizada uma CPU com processador Celeron 1,70 Ghz e 128 megabytes de memória RAM. O mesmo contém softwares como o Windows XP Professional – versão 2002, e o Jump Test Pro fabricado por Lasa Informática, juntamente com um tapete de contato (Figura 2). As medidas antropométricas foram obtidas por meio de uma balança Welmy, registrada com o número 54833, modelo R-110 com o certificado INMETRO, fabricada no ano de 2002. O teste foi realizado em uma sala fechada com ar condicionado (temperatura média de 24 graus Celsius). Figura 2 – Tapete de contato conectado ao computador. A altura do salto foi obtida pelo tempo de vôo. A altura, medida em centímetros, atingida pelos voluntários foi obtida através de um tapete de contato conectado a um sistema computadorizado (software Jump Test Pro). O grupo A executou o teste no primeiro dia, sendo os três primeiros saltos sem aquecimento e posteriormente, executaram mais três saltos com aquecimento, a pausa a cada três saltos foi entre 10 a 15 minutos. O grupo B realizou o teste no segundo dia, sendo também executados seis saltos, porém os três primeiros com aquecimento e os três posteriores sem aquecimento, lembrando que o intervalo do salto com aquecimento para o sem aquecimento foi de 20 minutos de recuperação/repouso. Esse repouso foi realizado de forma que os voluntários ficassem relaxados (deitados ou sentados). Nenhum dos voluntários tinham o conhecimento sobre o salto, a não ser momentos antes da execução do primeiro salto, na qual um dos coordenadores demonstrava e explicava o movimento. Qualquer erro de execução era realizado um novo salto. Os voluntários localizavam-se fora da sala de teste entrando um de cada vez. O aquecimento específico para a prática do salto teve uma duração de dez minutos, sendo realizados exercícios de pular corda, saltitos unilaterais, agachamentos sem peso, e a realização de três saltos antes do teste. Página 30 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 Análise Estatística Foi realizada a estatística descritiva dos dados. A comparação entre os grupos foi obtida por meio do Test T-Student Pareado. O nível de significância adotado nessa análise foi de =0,05. RESULTADOS A média de altura dos saltos com aquecimento apresentado por ambos os grupos, foi melhor do que sem aquecimento, como mostrado nas tabelas 3 e 4. Tabela 3 Altura dos saltos dos individuos pré-aquecidos e sem aquecimento GRUPO A Voluntários Salto sem Aquecimento Salto (cm) (cm) com Aquecimento 1 26,2 27 -0,8 2 24,2 26,9 -2,7 3 32,4 31,4 1,0 4 26,3 26,1 0,2 5 33,1 37,7 -4,6 6 24,1 26,9 -2,8 Média 27,72 29,33 -1,62 Diferença (cm) Desvio Padrão 4,02 4,52 Tabela 4 Altura dos saltos dos individuos pré-aquecidos e sem aquecimento GRUPO B sem 2,11 Voluntários Salto com Aquecimento Salto (cm) (cm) Aquecimento 7 29,3 27,3 2,0 8 38,8 36,6 2,2 9 27,8 25,1 2,7 10 34,1 32,5 1,6 11 34,9 32,1 2,8 12 42,5 40,8 1,7 Média 34,57 32,4 2,17 Desvio Padrão 5,56 5,79 0,50 Diferença (cm) Não foi encontrada diferença significativa entre a altura dos saltos realizados com e sem aquecimento (p>0,05). DISCUSSÃO Os resultados encontrados sugerem que o aquecimento que foi realizado antes do salto CMJ não interferiu no desempenho dos voluntários, de certa forma em contradição com WILMORE e COSTILL (2001), que apontam que os sistemas de energia dos músculos tornam-se mais eficientes quimicamente com uma pequena elevação da temperatura. Alguns fatores podem ter interferido nos resultados encontrados nesse estudo. Como não foi medida a temperatura interna corporal, questiona-se se o tipo e a duração do aquecimento realizado neste estudo foram suficientes para elevar consideravelmente a temperatura interna do corpo. No entanto, como pode ser observado empiricamente, o aquecimento realizado pelos voluntários nesse estudo é semelhante ao realizado em alguns eventos esportivos. Diante disso, podemos questionar a eficiência desse tipo de aquecimento antes de modalidades que exijam um bom desempenho nos saltos. Para estes testes, foram utilizados aquecimentos específicos que poderiam influenciar no salto. Entra em discussão, se outros tipos de aquecimento com diferentes durações poderiam interferir significativamente no desempenho do salto, já que KOMI e BOSCO (1978) citam que grande parte das atividades mais corriqueiras enquadra-se como ações do ciclo de alongamentoencurtamento. CONCLUSÃO Os resultados sugerem que o aquecimento, como proposto neste estudo, realizado antes do salto com contra movimento, não interfere de forma significativa no desempenho no salto. Página 31 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 REFERÊNCIAS CARLOS L. G; NETO C; LUIZ M; PAULO JOSE. A; ALEX S. M; ROBERTO S. A atuação do ciclo alongamento-encurtamento durante ações musculares pliométrica; http://www.fisioterapiasalgado.com.br/visualiza.asp?id=367, 15/Nov/2005. ELLIOTT, BRUCE; MESTER, JOACHIM (ED.). Treinamento no esporte: aplicando ciência no esporte. 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Apesar deste conceito e outros que venham engrandecer o conhecimento sobre o paradigma saúde, nota-se que muitas pessoas não se adaptaram. Existem quatro fatores indispensáveis relativos à aptidão física relacionada à saúde, sendo eles a aptidão cardiovascular (AC), a composição corporal (CC), a resistência muscular localizada (RML) e a flexibilidade (FLEX). O objetivo deste presente estudo foi analisar a aptidão física em universitários do curso de Educação Física que se consideravam saudáveis, tendo como parâmetro os quatro componentes citados acima. Participaram do estudo dezoito (18) universitários do curso de educação física (UEF) do sexo masculino com idade média de 22,33 ± 3,79 anos, peso corporal médio de 78 ± 14,94Kg, e estatura média de 177,89 ± 7,23cm. Quanto aos resultados dos testes de aptidão física, estes foram tabelados e convertidos em cinco níveis. 94% dos UEF declararam que eram saudáveis e 50% praticavam atividades físicas regularmente. Na AC, 61% foi considerado excelente (EX), 11% bom (BO), 22% regular (RE), 6% fraco (FR) e 0% deficiente (DE). Na CC, 34% foi considerado EX, 0% BO, 22% RE, 22% FR e 22% DE. Na RML, 11% foi considerado EX, 22% BO, 17% RE, 11% FR e 39% DE. Na FLEX, 0% foi considerado EX, 0% BO, 22% RE, 33% FR e 45% DE. Em resultados gerais, 35% dos UEF estão acima da média e 44% estão abaixo, em termos de aptidão física relacionada à saúde. Concluímos que mesmo a maioria considerando-se saudáveis, não apresentaram um bom resultado, e que a aptidão física de uma grande parte dos UEF abaixo dos padrões de saúde. Palavras-Chave: saúde, aptidão física, atividade física. INTRODUÇÃO Há anos, organizações e profissionais envolvidos vêem tentando formular uma concepção para a complexa palavra Saúde. Mesmo diante de várias concepções, ainda notamos a tradução de saúde como a ausência de doenças. A Organização Mundial da Saúde vem conceituar saúde como “um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não meramente a ausência de doenças ou enfermidades” (BRASIL, 2002) O conceito de saúde pode abranger também a adaptação do indivíduo frente a suas realidades concretas, muitas além de equilíbrio estático, de bem-estares físicos, psíquicos e sociais, abrangendo aspectos como moradia, nutrição, saneamento condições de trabalho, e incluindo o projeto existencial de cada indivíduo, ou seja, a relação dinâmica do homem com seu meio ambiente (Novaes, Vianna, 2003), Para McArddle, Katch e Katch (2003), a definição de saúde focaliza o amplo aspecto do bem-estar que varia desde a ausência completa de saúde (morte) até os mais altos níveis de capacidade funcional, No entanto Novaes e Vianna (2003), nos colocam que uma nova palavra associada com a saúde bem-estar (do inglês wellness) possui seis dimensões, sendo elas quatro do Fitness (Física, Emocional, Intelectual e Social), e mais duas específicas (Espiritual e Vocacional). Com o objetivo de auxiliar no desempenho e na melhoria da qualidade de vida das pessoas, o profissional de Educação Física busca ser um incentivador das práticas de exercícios e atividades físicas regulares. No que diz respeito à atividade física, uma pessoa que muda seu estilo de vida, e começa a praticar alguma atividade física, diminui consideravelmente a chance de adquirir doenças crônicas não transmissíveis, tais como: diabetes, hipertensão, obesidade e doenças cardíacas (AMORETTI, BRION, 2001; McARDLE, KATCH & KATCH, 2003). Ao analisar a epidemiologia da atividade física pode-se notar que tal estudo implica na compreensão de terminologias importantes como a aptidão física, o exercício, a atividade física em si, a longevidade e a relação entre saúde e aptidão física na qual McArdle, Katch, Katch, (2003) definiram como os componentes da aptidão física associados a algum aspecto da boa saúde ou na prevenção de doenças e dentro desse contexto, este autores expõem quatro componentes comuns a esta relação: aptidão cardiovascular e/ou aeróbia, a composição corporal, a endurance dos músculos abdominais e a flexibilidade da parte inferior das costas e dos músculos isquiotibiais. No entanto a subjetividade da autopercepção de saúde pelo individuo e a relação com o seu padrão físico adequado ainda não é estudada de forma clara na literatura. Sendo assim, o objetivo deste estudo foi analisar a aptidão física em Universitários de Educação Física que se consideram saudáveis, para uma possível discussão da qualidade física como parâmetro para uma vida saudável. METODOLOGIA Amostra Participaram da pesquisa dezoito (18) universitários (UEF) do sexo masculino com idade entre 18 e 30 anos (22,33 ± 3,79), com massa corporal de 78 ± 14,94Kg, e estatura de 177,89 ± 7,23cm. Todos freqüentando o 1º (6 UEF) e o 2º (12 UEF) período do curso de Educação Física da Universidade Vale do Rio Verde – UNINCOR, Três Corações / MG, Brasil. Tratamento Experimental Para verificar se os UEF consideravam-se saudáveis e se praticavam atividade física regularmente, foi utilizado um questionário, contendo somente estes questionamentos com respostas alternativas “Sim” ou “Não”. Caso algum voluntário respondesse de forma negativa a alguns destes questionamentos ele era excluído da pesquisa. Levando em consideração os componentes da aptidão física relacionada à saúde (MCARDLE, KATCH, KATCH, 2003), foi utilizado para avaliar a resistência aeróbia, o teste de corrida de 12 minutos ou teste de Cooper (recomendado por Dantas, Página 33 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 2003). O objetivo do teste foi medir a maior distância percorrida pelos UEF durante os 12 minutos de duração do teste. De acordo com a distância percorrida, os UEF foram qualificados em cinco categorias diferentes representadas na tabela 01. Para avaliar a composição corporal foi utilizado o método de antropometria através das dobras cutâneas do Tríceps (TR), Supra-Ilíaca (SI) e Abdominal (AB). Para obter a densidade corporal (D) foi utilizada a equação proposta por Guedes (1994): D = 1,17136 – 0,06706 log (TR + SI + AB), onde D lê-se densidade corporal; TR lê-se dobra cutânea triciptal; SI, lê-se dobra cutânea supra-ilíaca e, AB lê-se dobra cutânea abdominal. Para mensurar o percentual de gordura (%G) foi utilizada a fórmula de Siri (1961): %G = [(4,95 / D) – 4,5] / 100. Os resultados do percentual de gordura foram convertidos para a tabela 01. CATEGORIA Resistência Aeróbia DE DISTÂNCIA PERCORRIDA APTIDÃO (M) Deficiente < 1600 Fraco 1600 – 2000 Regular 2000 – 2400 Bom 2400 – 2800 Excelente > 2800 TABELA 1: Categoria das Aptidões Físicas Flexibilidade CONCEITO FLEXITESTE 0 1 2 3 4 DO Abdominal NÚMERO REPETIÇÕES ≤ 29 30 – 34 35 – 39 40 – 44 ≥ 45 DE Composição Corporal % GORDURA > 22 17 – 22 13 – 17 10 – 13 < 10 Adaptado de DANTAS (2003) Para avaliar a endurance dos músculos abdominais utilizamos a avaliação da resistência muscular localizada (RML). Dantas (2003) cita que a RML será perfeitamente avaliada se a carga aplicada for de pequena intensidade e se for utilizado o teste de repetições máximas (TRM). No TRM abdominal é registrado o número de repetições de flexão de tronco possíveis em um (1) minuto e são classificadas conforme a tabela 01. Para avaliar a flexibilidade da região lombossacra e da musculatura posterior da coxa utilizamos a flexão de tronco (Moviment o IX) do Flexiteste (Pavel e Araújo, citado por Dantas, 2003). A amplitude do arco articular foi através do ponto extremo do forçamento do movimento de flexão de tronco e comparada com o conceito proposto pelo Flexiteste (Figura 1). Visando uma padronização dos resultados, estes foram convertidos para a tabela 1. Figura 1 – Movimento IX do Flexiteste Para cada categoria de aptidão os avaliados receberam um conceito de acordo com a tabela 02, para obtermos um resultado da sua aptidão física geral calculando a média destes conceitos. TABELA 02: Conceito Geral da média aritmética obtida nas aptidões físicas avaliadas CATEGORIA DE APTIDÃO Deficiente Fraco Regular Bom Excelente CONCEITO GERAL 1 2 3 4 5 Análise Estatística Os resultados das variáveis dos testes referentes à aptidão física relacionadas à saúde analisadas foram apresentados de forma descritiva em valores percentual em relação à categoria de aptidão obtida pelos voluntários. Os resultados da aptidão física geral foram obtidos por meio de média aritmética das pontuações obtidas nas aptidões analisadas. ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS Apenas um voluntário não se considerava saudável. Sendo assim a amostra deste estudo se resumiu a 17 voluntários. No entanto 50% (cinqüenta por cento) dos UEF declararam que praticam atividades físicas regulares, com freqüência mínima de 3 vezes por semana, seja qual for o nível da atividade; Os resultados obtidos pelos voluntários nos testes quanto ao nível de categoria de aptidão expressos em valores percentual estão demonstrados na tabela 2. TABELA 3: Valores percentuais dos conceitos obtidos pelos voluntários nos testes de resistência aeróbia, flexibilidade, Resistência muscular localizada (RML) e composição corporal: Página 34 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 CATEGORIA DE Resistência Flexibilidade RML (Abdominal) Composição. APTIDÃO Aeróbia (%) (%) (%) Corporal (%) Deficiente 0 47 34 24 Fraco 6 29 12 24 Regular 24 24 18 24 Bom 12 0 24 0 Excelente 58 0 12 28 O objetivo deste estudo foi demonstrar a relação entre a autopercepção de saúde e os parâmetros físicos que demonstram tal condição. A tabela 1 demonstra os valores obtidos por meio de categorias de acordo com a inter relação entre saúde e aptidão física relatada por McArddle, Katch, Katch, (2003), no qual este autor relaciona os níveis de resistência aeróbia, e muscular localizada, flexibilidade e composição corporal com a obtenção de uma saúde equilibrada e preventiva contra doenças. Ao analisar os resultados das aptidões físicas obtidas de forma separadas, pode-se observar uma tendência dos voluntários em compreender que a aptidão física está apenas relacionada com a resistência aeróbia. De fato, o aumento nos níveis de resistência aeróbio, aumenta de forma considerável a prevenção de várias doenças. Além disso, os elevados níveis de resistência aeróbia demonstram modificações fisiológicas importantes servindo de proteção natural contra doenças principalmente as coronopatias, diabetes e hipertensão e melhorando desta forma a qualidade de vida destas pessoas (AMORETTI, BRION, 2001; MCARDLE, KATCH, KATCH, 2003). No entanto, ao analisar os demais parâmetros avaliados observa-se uma tendência negativa quanto a esta relação entre avaliação da aptidão física e a saúde. Quanto à flexibilidade observa-se de forma clara um baixo condicionamento desta valência física nos indivíduos avaliados. A flexibilidade é um importante fator no contexto saúde, pois a sua manutenção em níveis otimizados previne contra lesões músculo-tendíneas, bem como auxilia em uma melhor execução dos movimentos solicitados, bem como, em uma maior extensão do movimento em uma articulação determinada (TUBINO, MOREIRA, 2003). Quanto à resistência muscular localizada abdominal nota-se um certo equilíbrio nos resultados obtidos. A resistência muscular no abdômen é um importante indicador, pois tais músculos estão localizados em uma parte do corpo de difícil trabalho físico (POLLOCK, WILMORE, 1993). Além disso, tal região no caso de homens ocorre uma deposição de gorduras determinando o estado andróide (BOUCHARD, 2003). Por último, as composições corporais dos atletas avaliados foram constatadas que a maior parte dos mesmos (72%) encontra-se em categorias inferiores ao nível regular. Os níveis elevados de gordura corporal podem ser indicadores de surgimentos de várias doenças agudas ou crônicas. (referencia). No entanto, a tabela preconizada por Dantas, (2003) relacionando as categorias avaliadas tais conceitos colocam percentuais de gorduras super estimados. Bouchard (2003) coloca a importância da manutenção dos valores de percentual de gorduras abaixo de 25%, sendo que valores acima de 30% de gordura corporal podem ser considerados como valores deficientes quanto ao estado de saúde do indivíduo. Ao analisar a aptidão física geral (Gráfico 1) pode-se observar uma maior quantidade de indivíduos apresentando níveis regulares e fracos em suas avaliações. Tais valores podem ser considerados como o início de uma tentativa de quantificação real dos valores associados a aptidão física e a sua relação com a saúde. É importante destacar que o número pequeno da amostragem (n=17) dificulta analises mais contundentes destes valores obtidos. Além disso, pode-se propor a realização de trabalhos para a verificação da percepção da saúde em indivíduos que não se consideram saudáveis. Ao analisarmos os dados encontrados pode-se concluir que ao relacionar os níveis de saúde com os resultados obtidos nas aptidões físicas preconizados por McArddle, Katch, Katch, (2003) os universitários do curso de Educação Física na instituição avaliada parecem não ter uma boa percepção quanto à saúde e suas características. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRASIL, Ministério da Saúde. Agita Brasil: Programa Nacional de Promoção da Atividade Física. Brasília: Ministério da Saúde, 2002. BRASIL, Ministério da Saúde. Promoção da Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2001. BOUCHARD, C., Obesidade e atividade física, São Paulo: Manole, 2003 COSTA, Roberto Fernandes da. Avaliação Física: manual prático de avaliação física em academias. São Paulo: American Medical do Brasil, 2005. DANTAS, Estélio H. M. A Prática da Preparação Física. 5. Rio de Janeiro: Shape, 2003. GUEDES, D. P. Composição corporal: princípios, técnicas e aplicações. 2. Londrina: Apes, 1994. HERNANDES Jr., Benito Daniel Olmos. Treinamento Desportivo. 2. Rio de Janeiro: Sprint, 2002. McARDLE, W.D., KATCH, F.I., KATCH, V.L. Fisiologia do Exercício – Energia, Nutrição e Desempenho Humano, Rio de Janeiro: Guanabara Googan, 2003. McARDLE, Willian D., KATCH, Frank I., KATCH, Vitor L. Fisiologia e Nutrição do Esporte. Rio de Janeiro: Guanabara Googan, 2003. NOVAES, Jefferson S., VIANNA, Jeferson M. Personal Training e Condicionamento Físico em Academia. 2. Rio de Janeiro: Shape, 2003. POLLOCK, Michael L., WILMORE, Jack H. Exercícios na Saúde e na Doença: Avaliação e prescrição para prevenção e reabilitação. 2. Rio de Janeiro: Medsi, 1993. POMPEU, Fernando A. M. S. Manual de Cineantropometria. Rio de Janeiro: Sprint, 2004. SIRI, W.E. Body composition from fluid spaces and density. In: BROVEK, I. A., HENSCHE, I. A. (editores)Technique for measueing body composition. Washington, DC: National Academy of Science, p. 233-244, 1961. TUBINO, M.J.G., MOREIRA, S.B. Metodologia Científica do Treinamento Esportivo. 13. Rio de Janeiro: Shape, 2003. WILMORE, J., COSTILL, D. Fisiologia do Esporte e do Exercício. 2. São Paulo: Manole, 2001. [email protected] Página 35 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 INFLUÊNCIA DE UM PROGRAMA DE FORÇA NA ÁGUA (WATER FORCE) NA ESPECIFICIDADE NADO SINCRONIZADO(NS). Henrique França,Especialista; Thathiane Martins, Graduada; Maira Guedes,Graduanda; Cássia Cristina,Especialista; Dilmar Pinto Guedes JR,Doutorando; Fabrício Madureira,Mestrando. Faculdade de Educação Física de Santos- FEFIS – Santos-SP RESUMO Alguns programas de treinamento utilizam do método resistido com pesos, para aumentar a força máxima, resistência de força e força rápida dos atletas. Mais uma questão que, tradicionalmente, vem sendo levantada é a capacidade de transferência de forç a para a realidade de treinamento. Alguns autores acreditam que quanto mais específico o treinamento melhor o desempenho nas provas de competição,este fenômeno é conhecido como especificidade. O Nado sincronizado é uma modalidade especial, principalmente por ser praticada no meio líquido, isto é, os movimentos não são comuns às tarefas diárias e o ambiente de execução é muito instável. Portanto o objetivo do presente estudo, foi analisar o efeito de um programa de força na água (Water Force) na performance das atletas de NS em testes específicos da modalidade.Metodologia: A amostra foi composta por doze atletas de nado sincronizado do sexo feminino com médias de idade: 15±2, altura:1,69±5, todas atletas da modalidade com no minimo 5 anos de prática e integrantes da equipe vice-campeã brasileira categoria junior.Neste experimento foi aplicado uma bateria de testes específicos do NS antes e depois do treinamento.Resultados: os resultados demonstram uma melhora significativa entre o pré e pós treinamento para os testes de potencia de palmateio de em figuras de -15,31(0,88) segundos para p=0,0003; para o teste de resistência de egg beater houve uma melhora de 13,85(0,51) segundos para p=0,0004; para o teste de resistência de suporte a diferença positiva foi de 4,26(1,31) para um p=0,01 e para o teste de explosão de alçada houve difer ença de 10,58(0,51) centímetros para p=0,0002. O teste de potência de palmateio não mostrou diferença significativa entre o pré e pós teste.Conclusão: O programa Water Force pode ser uma alternativa mais específica para o treinamento de força para atletas que praticam NS. Palavras chave: Nado Sincronizado; Treinamento de Força na água; especificidade. INTRODUÇÃO Segundo Guedes (2003) o princípio da especificidade preconiza que o programa de treinamento deve explorar as características semelhantes da performance. Alguns programas de treinamento utilizam do método resistido com pesos para aumentar a força máxima, resistência de força e força rápida dos atletas. Mais uma questão que vem sendo levantada é a capacidade de transferência de força para a realidade de treinamento e desempenho da prova .Autores como Weneck,2000 e Guedes,1998 acreditam que quanto mais específico o treinamento melhor o desempenho nos treinamentos e provas. Um dos primeiros autores a falar da importância da especificidade do treinamento de força com características da performance foi Verkhoshanski (1996) chamando esse fenômeno de “treinamento de força especial”, que se baseia em usar as características da execução da performence no contexto real da prova para otimizar a performance da tarefa. Segundo Dantas (1998) o princípio da especificidade é aquele que impõe, como ponto essencial, que o treinamento deve ser montado sobre os requisitos específicos da performance desportiva, a fim de potencializar nos indivíduos, pontos chaves do desempenho e criar maior previsibilidade das ações reais durante as provas, tornando o atleta mais habilidoso na tarefa que executa. O NS é uma modalidade particularmente específica, principalmente por ser praticada no meio líquido. Um dos principais fatores dessa especificidade são as forças aplicadas sobre o corpo imerso no meio líquido, como por exemplo, a resistência da água que chega a ser 700 vezes mais resistente quando comparada com o ar, o que diferencia qualquer gesto motor quando apenas comparados no seu ambiente de realização. Um outro aspecto a ser levantado é a execução do movimento , pois dento da água há uma redução da percepção dos gestos pela diminuição da utilização do senso tátil dificultando a sensação de sobrecarga no movimento quando comparada com exercícios na terra, o que pode levar os atletas a superestimar ou subestimar a quantidade de força aplicadas durante a performance.O nado sincronizado se utiliza de dois gestos motores principais que são os palmateios (propulsão e sustentação com as mãos) e o egg beater (propulsão e sustentação com as pernas) sendo dois gestos específicos que se utilizam da viscosidade da água para serem realizados, o que potencialmente devem ser treinados no contexto da tarefa para potencializar o desempenho dos mesmos. O objetivo do presente estudo foi analisar se o programa de força na água (Water Force) potencializou a performance das atletas de nado sincronizado em testes específicos da modalidade. MATERIAIS E MÉTODOS A amostra foi composta por doze atletas de NS do sexo feminino com médias de idade: 15±2, altura:1,69±5, todas atletas da modalidade com no mimo 5 anos de prática e integrantes da equipe vice-campeã brasileira categoria junior. Os testes realizados foram elaborados dentro da especificidade do treinamento, utilizando dos gestos comus da modalidade, que foram: Teste de potência de palmateio básico: as atletas realizavam 50 metros de palmateio, sendo 25 metros do tipo torpedo pés e 25 metros do tipo empurrão no menor tempo de deslocamento possível. Teste de potência de palmateio específico com figuras: as participantes tinham que realizar 50 metros em deslocamento usando os palmateios em figura de “Can-can” por 25 metros e “Flamingo” por 25 metros no menor tempo possível. Teste de resistência de egg beater: as atletas tinham que ficar realizando o gesto motor pelo maior tempo possível, com os cotovelos a 90º e o queixo, sem encostar na água, não podendo realizar hiperextensão da cervical, com um peso de dois quilos em cada mão. Teste de resistência de suporte: o suporte é uma figura obrigatória no NS, onde a atleta tem que permanecer de cabeça para baixo em imersão e sustentar os membros inferiores fora da água, apenas usando o palmateio. O teste consistiu em uma marca na região medial entre o joelho e o tornozelo e a atleta tinha que ficar o maior tempo possível com essa marca fora da água. Quando a marca afundasse, o teste acabava. Teste de explosão de alçada: as atletas tinham que realizar uma alçada, que é a elevação o corpo para fora da água partindo de uma impulsão de membros inferiores, utilizando-se do egg beater. Assim, tocando uma escala em centímetros, posicionada na borda da piscina, a medida consistiu na maior marca de três tentativas. O programa contou com sessões de 45 minutos três por semana durante 2 meses.Os exercícios de força foram constituídos por séries de 8 repetições máximas (de acordo com a escala de Brennan,1990) para membros superiores , inferiores, tronco e combinados.Todos os exercícios foram adaptados para que fossem específicos as características do desempenho da modalidade (ex: exercícios de rosca direta, em palmateio, com o rosto em imersão).Para que os testes oferecessem maior Página 36 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 fidediguinidade, isto é , menor interferência da aprendizagem dos protocolos propostos,as atletas realizaram uma semana de aprendizagem dos testes antes do pré teste. Análise Estatística: após a analise exploratória dos dados e confirmação da normalidade da amostra, aplicou-se o teste t student para amostras pareadas, a fim de determinar o nível de significância das alterações para α 0,05. RESULTADOS Tabela 1- Comparação do pré e pós treinamento para o teste de potência de palmateio Básico em segundos(s). Pré-treinamento Pós-treinamento Diferença 83,01(4,93) 83,96(5,93) 0,94(0,63) Os dados são apresentados na forma de média e desvio padrão, com o nível de significância para p=0,43. Tabela 2- Comparação do pré e pós-treinamento para o Teste de potência de palmateio específico com figuras em segundos(s) Pré-treinamento Pós-treinamento Diferença 127,16(9,71) 111,85(8,46) -15,31(0,88) Os dados são apresentados na forma de média e desvio padrão, com o nível de significância para p=0,003. Tabela 3- Comparação do pré e pós-treinamento para o Teste de resistência de egg beater em segundos (s) Pré-treinamento Pós-treinamento Diferença 15,78(7,41) 29,63(8,13) 13,85(0,51) Os dados são apresentados na forma de média e desvio padrão, com o nível de significância para p=0,0004. Tabela 4- Comparação do pré e pós-treinamento para o Teste de resistência de suporte em segundos (s) Pré-treinamento Pós-treinamento Diferença 9,66(6,30) 13,92(8,15) 4,26(1,31) Os dados são apresentados na forma de média e desvio padrão, com o nível de significância para p=0,01. Tabela 5- Comparação do pré e pós-treinamento para o Teste de explosão de alçada em centímetros (cm) Pré-treinamento Pós-treinamento Diferença 76,67(5,13) 87,25(5,85) 10,58(0,51) Os dados são apresentados na forma de média e desvio padrão, com o nível de significância para p= 0,0002. DISCUSSÃO Os resultados demonstram uma melhora significativa entre o pré e pós treinamento para os testes de potência de palmateio em figuras de -15,31(0,88) segundos para p=0,0003, para o teste de resistência de egg beater houve uma melhora de 13,85(0,51) segundos para p=0,0004, para o teste de resistência de suporte a diferença positiva foi de 4,26(1,31) para um p=0,01 e para o teste de explosão de alçada houve diferença de 10,58(0,51) centímetros para p=0,0002. O teste de potência de palmateio não mostrou diferença significativa entre o pré e pós teste. Esses resultados podem demonstrar a importância da especificidade do treinamento de força na água para o NS, haja vista, a característica do programa Water Force que se utiliza principalmente das forças hidrostáticas como resistência contra os movimentos, sendo o ambiente de treinamento o mesmo em que as atletas treinam a modalidade, o que pode levar a uma maior adaptabilidade com a água e potencializar os resultados, pois, treinam mais tempo onde a competição é disputada. Secundariamente o NS utiliza como um dos principais movimentos na água os palmateios para sustentação do corpo e deslocamento durante as figuras, o que por sua vez o programa Water Force pode potencializar, pois, as trocas de direção dos movimentos da mão podem aumentar a força e sensibilidade das atletas para movimentos mais propulsivos, potencializando o desenpenho. Outra característica importante para os resultados, é que o músculo estriado esquelético responde positivamente , aumentando a força de contração, quando exigido com maior resistência, o que pode ter levado ao aumento da força específica das atletas, como diz o principio da treinabilidade. CONCLUSÃO O programa Water Force pode ser uma alternativa específica para o treinamento de força para atletas que praticam NS, haja vista, a maior semelhança entre os movimentos do desempenho da tarefa e os exercícios aplicados no programa, potencializando a performance em treinamentos e apresentações. REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS GUEDES,Dilmar Pinto; Musculação:Estética e Saúde Feminina; Phorte:2003. WEENECK; Treinamento Ideal; Manole; 2000. VERKHOSHANSKI, Yuri V. Força Treinamento de potência muscular. Londrina:Centro de informações desportivas,1996; pg: 52:57. GUEDES,Dilmar Pinto; Personal Training na Musculação; Phorte, 1998. DANTAS,Estélio; A prática da preparação física,SHAPE,1998. [email protected] Página 37 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 AVALIAÇÃO DO ESTRESSE EM ATLETAS DE UMA EQUIPE DE FUTEBOL ANTES E DURANTE O PERÍODO COMPETITIVO Rodney Alfredo Pinto Lisboa Especialista, Universidade do Vale do Sapucaí – UNIVÁS Sandra Maria da Silva Sales Oliveira Mestre, Universidade do Vale do Sapucaí – UNIVÁS Fábio Duarte Franco Graduando, Universidade do Vale do Sapucaí – UNIVÁS Alessandro de Oliveira Mestre, Faculdade Presbiteriana Gammon – FAGAM Arthur Paiva Neto Mestre, Universidade de Bragança Paulista RESUMO O estudo sistematizado a respeito do estresse, com profissionais em Psicologia do Esporte, tomaram impulso a partir da década de 1960. Este trabalho tem por objetivo avaliar o nível de estresse em atletas de uma equipe de futebol antes e durante a competição. Foram sujeitos desta pesquisa 11 atletas, do sexo masculino, pertencentes a um time de futebol com idade compreendida entre 20 e 30 anos. Para realizar o objetivo proposto foram aplicados dois questionários para a avaliação do estresse em atletas de futebol. Foram construídos dois instrumentos para avaliação dos sintomas de estresse em atletas de futebol com base na CID10 e no DSM IV. Ficou evidente após o estudo, que o stress tem sido um dos fatores que mais influem na deterioração da qualidade de vida das pessoas no mundo moderno. Freqüentemente o assunto é discutido tanto nos meios de comunicação populares, quanto em periódicos de cunho científico. No entanto, pouco tem se encontrado a respeito do estresse no esporte. Palavras-chave: Estresse, Futebol, Competição Esportiva. INTRODUÇÃO A importância do estudo de estresse, da ansiedade e de outros fatores emocionais e de personalidade no esporte competitivo é reconhecida há muitos anos, porém, os estudos sistematizados com profissionais em Psicologia do Esporte tomaram impulso a partir da década de 1960. Pelo ponto de vista da psicologia cognitiva, estresse e ansiedade são fenômenos interrelacionados que consistem basicamente de quatro elementos: a situação estressora, a cognição ou pensamento, a reação emocional e as suas conseqüências. Assim, a ansiedade é uma reação emocional, resultante de uma interpretação cognitiva ou pensamento, que pode ser negativo ou positivo relacionado com determinada situação geradora de estresse. Esta reação pode, então, facilitar ou dificultar um determinado desempenho (BRANDÃO, 2000). Segundo Samulski (2002) pouco antes da competição, o esportista se encontra em um estado de intensa carga psíquica (estresse psíquico), que para alguns autores tem sido denominado de estado pré-competitivo. Esse estado se caracteriza, sob o ponto de vista psicológico, pela antecipação da competição, e conseqüentemente da antecipação das oportunidades, riscos e conseqüências. Puni (1961) diferencia três diferentes estados pré-competitivos com suas correspondentes reações fisiológicas, psicológicas e motoras. Os estados pré-competitivos estão limitados, dinâmica e temporalmente. Os seguintes fatores têm uma grande influência na qualidade e intensidade do estado pré-competivo: a importância subjetiva da competição e das conseqüências correspondentes, a relação atleta -técnico, o nível de rendimento do adversário, as experiências competitivas e o nível de auto confiança. Assim, o fato um atleta se sentir física e psiquicamente mal preparado pode resultar em um estado emocional negativo antes da competição. Machado (1997) coloca que as considerações sobre o estresse conduzem para reflexões iniciais sobre as condutas de atletas, técnicos e dirigentes, diante de momentos esportivos que se caracterizam desde a iniciação esportiva até a subida ao podium olímpico, assumindo efeitos estressores que poderão ser trabalhados socialmente ou que levarão os esportistas ao abandono das quadras, devido a não superação de seu equilíbrio emocional e o desgaste que tal debilitação acarretará. Dentre os esportes coletivos, o futebol, talvez seja o que mais precocemente inicia seu processo formativo de forma sistemática e organizada. Por essa organização, muitas vezes, exige muito do atleta colocando-o diante de situações difíceis e que por dificuldade em lidar com estas, o atleta acaba se sentindo estressado. Entretanto, é uma modalidade que carece de pesquis a científica sobre os efeitos das atividades aplicadas a milhares de pessoas, desde a formação nas escolas em clubes ou particulares. Especialmente no futebol, o estudo de estresse tem um papel relevante uma vez que os atletas, inclusive os do futebol amador, são submetidos a pressões constantes. Neste esporte o atleta almeja um lugar na equipe e uma vez atingido esta posição, ela deve ser defendida e mantida. O rendimento é uma preocupação constante e a queda de produção, até mesmo em uma única partida, pode resultar em não ser titular na partida seguinte. Para atender o que se espera dele, o atleta precisa enfrentar adequadamente as expectativas do treinador, de seus companheiros de equipe, dos seus familiares, dos amigos e dos meios de comunicação, para poder render corretamente. Este trabalho se justifica pelo fato de que a relação entre o esporte competitivo e o estresse é considerada importante para se entender determinados comportamentos que podem afetar o desempenho dos atletas, o estudo dos instrumentos que possibilitam analisar esta relação é fundamental. O estresse tem sido motivo de muitos estudos nos dias de hoje. A preocupação com a qualidade de vida e a presença de fatores estressantes em função das grandes adaptações que as pessoas são levadas a fazer, em seu desenvolvimento é que são responsáveis pelos estudos no sentido de se aprender a reduzir o estresse e aumentar condições favoráveis de vida. O estresse é definido por Lipp e Malagris (1995) como uma reação do organismo, com componentes físicos e/ou psicológicos, causado pelas alterações psicofisiológicas que ocorrem quando a pessoa se confronta com uma situação que, de um modo ou de outro, a irrite, amedronte, excite ou confunda ou mesmo que a faça muito feliz. Para Davidoff (2002) o estresse é definido como quaisquer circunstâncias que ameaçam ou são percebidas como ameaçadoras do bem estar do indivíduo e que, portanto, minam as capacidades de enfrentamento do indivíduo. A ameaça pode referir-se à segurança física imediata, à segurança a longo prazo, à auto-estima, à reputação, à paz de espírito ou a várias outras coisas que a pessoa valorize. Página 38 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 O ser humano tem a necessidade de manter um certo equilíbrio interno, homeostase, conforme cita Cannon (1999). Isso significa que o processo bioquímico do estresse independe da causa da tensão, sendo que o elemento primordial necessário para o seu desencadeamento é claramente a necessidade de adaptação a algum fato ou mudança. Quando se exige das pessoas e ENAF n.1, 38 - 41 dependendo da magnitude do esforço envolvido neste caso, do atleta, uma adaptação, o processo de Science, estresse v.1, pode serp.iniciado, no restabelecimento da homeostase interna. Quanto a sua fisiologia, Lipp (2000) explica que quando nosso cérebro, independente de nossa vontade, interpreta alguma situação como ameaçadora (estressante), todo nosso organismo passa a desenvolver uma série de alterações denominadas, em seu conjunto, de Síndrome Geral da Adaptação ao Estresse. Na primeira etapa dessa situação ocorre uma Reação de Alarme, onde todas as respostas corporais entram em estado de prontidão geral, ou seja, todo organismo é mobilizado sem envolvimento específico ou exclusivo de algum órgão em particular. É um estado de alerta geral, tal como se fosse um susto. A mesma autora cita que esse estresse continua por um período mais longo sobrevém a Segunda fase, chamada de Fase de Adaptação ou Resistência, a qual acontece quando a tensão se acumula. Nesta fase o corpo começa a acostumar-se aos estímulos causadores do Estresse e entra num estado de resistência ou de adaptação. Durante este estágio, o organismo adapta suas reações e seu metabolismo para suportar o Estresse por um período de tempo. Neste estado a reação de Estresse pode ser canalizada para um órgão específico ou para um determinado sistema, seja o sistema cardiológico, por exemplo, ou a pele, sistema muscular, aparelho digestivo, etc. Entretanto, a energia dirigida para adaptação da pessoa à solicitação estressante não é ilimitada e se o Estresse ainda continuar, o corpo todo pode entrar na terceira fase, o Estado de Esgotamento, onde haverá queda acentuada de nossa capacidade adaptativa. A Síndrome Geral de Adaptação descrita por Lipp (2000) consiste, como vimos, em três fases sucessivas: Reação de Alarme, Fase de adaptação ou Resistência e Fase de Exaustão. Sendo que a última, Fase de Exaustão, é atingida apenas nas situações mais graves e, normalmente, persistentes. Bompa (2002) explica que o estresse competitivo se manifesta antes e durante a competição. O estresse pré-competitivo se manifesta em medo de não se sair bem, medo que a contribuição individual para o desempenho da equipe não atenderá às expectativas dos companheiros, em distúrbios de sono, inquietação, freqüência urinária e diarréia. O autor acima referido comenta que durante a competição, o estresse se manifesta no medo de cometer erros, em falhas no aproveitamento de chances, no baixo desempenho em conseqüência de grande ansiedade, sensibilidade às críticas do treinador e dos companheiros de equipe, na falta de energia, na palidez e no tremor. De Rose Júnior (1994) comenta que na competição o estresse pode ser causado por dois fatores: interpessoal, inerentes ao indivíduo e associado a experiências anteriores (autopercepção, habilidade, cognição, capacidades, estados psicológicos e percepção da importância de outras pessoas no processo) e situacionais, fatores específicos da competição (adversários, árbitros, interferência do técnico e companheiros, situações de jogo, contusões, medo etc). O estresse pode afetar a vida do atleta de diferentes formas. Deve-se levar em consideração fatores tais como: idade, sexo, nível de rendimento e modalidade. As pesquisas têm mostrado que atletas jovens, do sexo feminino e com pouca experiência tendem a apresentar valores mais elevados em relação ao estresse competitivo (Samulski, 2002). Este trabalho tem por objetivo avaliar o nível de estresse em atletas de uma equipe de futebol antes e durante a competição. MATERIAIS E MÉTODOS O presente trabalho de pesquisa só foi realizado mediante aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da UNIVAS e do consentimento das pessoas envolvidas nesse estudo. Foram sujeitos desta pesquisa 11 atletas, do sexo masculino, pertencentes a um time de futebol com idade compreendida entre 20 e 30 anos sendo que para realizar o objetivo proposto foram aplicados dois questionários para a avaliação do estresse em atletas de futebol. Foram construídos dois instrumentos para avaliação dos sintomas de estresse em atletas de futebol com base na CID10 e no DSM IV. Estes sintomas são boca seca, tensão muscular, taquicardia, frio na barriga, falta de apetite, mãos e pés frios, sudorese, enjôo, tontura, cansaço, tensão, irritação, preocupação, falta de coragem, nervosismo, falta de atenção e falta de motivação. No primeiro instrumento, construiu-se frases contendo os sintomas de estresse que foram aplicadas em período regular de treinamento. Os atletas marcaram Sim ou Não para as respostas de acordo com o grau de ocorrência. No segundo momento aplicou-se o mesmo instrumento de sintomas de estresse e os atletas assinalaram os sintomas que estavam sentindo no momento da competição. Os dois instrumentos encontram-se em anexo. Quanto à correção, nos dois questionários, atribuiu-se 2 pontos para as respostas Sim e 1 ponto para as respostas Não. O atleta que obteve 10 pontos ou menos não foram considerado estressado; o atleta que obteve entre 12 e 20 pontos será considerado estressado e por fim, o atleta foi considerado muito estressado se obteve entre 22 e 34 pontos. Os instrumentos foram aplicados coletivamente nos treinos de futebol (campo), e no momento da competição pelo próprio pesquisador, em horário previamente estabelecido com o treinador dos sujeitos. Os resultados foram analisados usando-se a estratégia de pesquisa quantitativa - descritiva que tem como objetivo analisar as características de um determinado fenômeno, no caso desse trabalho o estresse. Os dados serão apresentados sob a forma de mediana. Foi utilizado o pacote computacional SPSS versão 12.0. O teste utilizado para a comparação dos dados será de Kruskall-Walls. O nível de significância será de 5%. RESULTADOS E DISCUSSÃO A partir da idéia original de se avaliar o nível de estresse em atletas de uma equipe de futebol antes e durante a competição, os dados coletados podem sugerir algumas interpretações, que serão descritas abaixo. Uma única questão apresentou diferença estatística. Esta questão versava sobre a sensação de frio na barriga. Antes da competição esta sensação era muito mais presente do que no treinamento. O que não se pode dizer que os atletas estão estressados, uma vez que eles precisariam de pelo menos 6 questões (sintomas) para serem considerados com estresse. Além disso, o sintoma frio na barriga, se considerado isoladamente, é comum ocorrer em situações em que a competição dá ênfase na vitória. O sistema nervoso autônomo simpático, de modo geral, estimula ações que mobilizam energia, permitindo ao organismo responder a situações de estresse. Por exemplo, o sistema simpático libera a acetilcolina e a noradrenalina, responsável pela aceleração dos batimentos cardíacos, pelo aumento da pressão arterial, desconfortos abdominais, da concentração de açúcar no sangue e pela ativação do metabolismo geral do corpo. Como se pode observar há, por parte dessas substâncias a capacidade de excitar alguns órgãos (WILMORE e COSTILL, 2001). Página 39 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 Quando o cérebro, independente de nossa vontade, interpreta alguma situação como ameaçadora (estressante), todo nosso organismo passa a desenvolver uma série de alterações denominadas, em seu conjunto, de Síndrome Geral da Adaptação ao Estresse. Tais resultados podem ser explicados em função do numero pequeno de sujeitos, e pelo fato da pesquisa ser feita na estréia do campeonato (primeiro jogo). Com isto pode-se inferir que, se a coleta de dados ocorresse durante o campeonato poder-se-ia ter modificações nos resultados uma vez que o time poderia ter sido derrotado algumas vezes e conseqüentemente, o treinador exigiria mais dos atletas, para melhora dos resultados, isso poderia deixá-los mais estressados. Outro fato que se pode destacar é a dificuldade que os atletas tiveram para responder as questões antes de entrarem em campo, no momento da competição, dando a perceber que marcaram rápida e aleatoriamente as questões. TABELA: Respostas das questões e as porcentagens das mesmas no treinamento e na competição. Questão Treinamento Não 72% 81% 90% 90% 100% 72% 90% 90% 100% 63% 81% 81% 63% 100% 45% 100% 90% Boca seca Tensão Muscular Taquicardia Com frio na barriga Sem apetite Com mãos e pés frios Suando excessivamente Enjoado Tontura Cansado Tenso Irritado Preocupado Sem coragem para competir Ansioso(nervoso) Desatento Pouco motivado Sim 28% 19% 10% 10% 10% 28% 10% 10% 0% 37% 19% 19% 37% 0% 55% 0% 10% Competição Não 72% 100% 63% 10% 100% 100% 45% 100% 100% 90% 63% 90% 81% 100% 9% 100% 100% Sim 28% 0% 37% 90% 10% 0% 55% 0% 0% 10% 27% 10% 19% 0% 91% 0% 0% 250 228 230 217 210 Treinamento Competição 190 170 150 1 GRÁFICO: Estresse geral antes e durante a competição Pelo gráfico pode-se perceber que os resultados quase se equiparam o que demonstra não haver diferença de estresse significativa no treinamento e na competição. Ficou evidente após o estudo, que o stress tem sido um dos fatores que mais influem na deterioração da qualidade de vida das pessoas no mundo moderno. Freqüentemente o assunto é discutido tanto nos meios de comunicação populares, quanto em periódicos de cunho científico. No entanto, pouco tem se encontrado a respeito do estresse no esporte. Hoje o futebol tem sido a modalidade esportiva que mais se desenvolve, no Brasil, levando a mídia a trabalhar incansavelmente em cima dos resultados e gerando faturas altíssimas. Em vista disso, não se pode deixar de mencionar que quando esse esporte refere-se à situações de competição, poderá trazer momentos estressantes para os atletas. O fato de o atleta praticar um esporte pode levá-lo a defrontar com outros que avaliarão os resultados, e isso já representa uma ameaça digna de um bom trabalho psicológico, levando-se em consideração as características de personalidade de cada um. É importante atentar-se para reflexões iniciais sobre as condutas de atletas, técnicos e dirigentes, diante de momentos esportivos que se caracterizam desde a iniciação esportiva até a subida ao podium olímpico, assumindo efeitos estressores que poderão ser trabalhados socialmente ou que levarão os esportistas ao abandono dos campos. Apesar dos dados obtidos colaborarem com outros encontrados na literatura específica da área, sugere-se que outras pesquisas sejam realizadas para investigar as lacunas encontradas no presente trabalho, assim como também aponta para uma necessidade crescente de estruturação de programas de intervenção/prevenção destinados aos atletas que focalizem a promoção da saúde mental no futebol. Página 40 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BOMPA, T. O. Treinamento total para jovens campeões. São Paulo: Manole, 2002. BRANDÃO, M.R.F. Fatores de "stress" em jogadores de futebol profissional. Tese de Doutorado em Ciências do Esporte. Escola de Educação Física da Universidade de Campinas, 2000. CANNON,W.B. Law of denervation. American Journal of Medical Science. n.19, v. (8): pp.737-750, São Paulo, 1999. DAVIDOFF, L.L. Introdução à psicologia. São Paulo: Makron Books, 2002. LIPP, M. N. O stress e suas conseqüências.Campinas: Papirus, 2000. LIPP, M. N. O stress e a beleza da mulher. São Paulo: Connection Brooks, 2001. LIPP, M. N. e MALAGRIS. Manejo de stress. In: RANGÉ, B. Psicoterapia comportamental e cognitiva: pesquisa, prática, aplicações e problemas. Campinas: Psy II, 1995. MACHADO, A. A. Psicologia do esporte, temas emergentes. São Paulo: Ápice, 1997. PUNI, A. Abriss der sportpsychologie. Berlin: Sportverlag, 1961. SAMULSKI, D. Psicologia do esporte. São Paulo: Manole, 2002. WILMORE, J. H.; COSTILL, D. L. Fisiologia do esporte e do exercício. São Paulo: Manole, 2001. [email protected] Página 41 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 INFLUÊNCA DA APLICAÇÃO DE VIBRAÇÃO MECÂNICA NA DIREÇÃO DO TORQUE MUSCULAR DURANTE UMA AÇÃO VOLUNTÁRIA MÁXIMA DE FLEXORES DO COTOVELO Bruno Pena Couto Doutorando em Bioengenharia – UFMG Laboratório de Avaliação da Carga / CENESP / EEFFTO / UFMG Hosanna Rodrigues Silva Doutoranda em Bioengenharia – UFMG Leszek Antoni Szmuchrowski Doutor em Educação Física Resumo Estudos têm verificado o efeito de vibrações no desenvolvimento da força muscular. A utilização desse estímulo repercute em um aumento da força graças ao reflexo tônico à vibração. O objetivo deste estudo foi verificar a influência aguda da aplicação de vibração, na direção do torque muscular durante a flexão do cotovelo, sobre o impulso gerado. Dez voluntários, homens, idade 25,5 ± 5,8 anos, realizaram duas ações voluntárias máximas com duração de 6s após atingir a força máxima e duas ações voluntárias máximas com adição de vibração (frequência de 8 Hz, amplitude de 6 mm, duração de 6s, intervalo de 5 minutos) aplicada na direção do torque muscular. A aplicação de vibração gerou um maior impulso total (990,3 ± 220,2N.s) do que a MVC deste mesmo grupo muscular sem aplicação vibração (893,7 ± 193,1N.s). Concluiu-se que o estímulo investigado representa uma maior sobrecarga de treinamento que o estímulo isométrico convencional. Introdução Vários estudos vêm sendo desenvolvidos a respeito dos efeitos das vibrações aplicadas no corpo humano, tanto na área de treinamento esportivo como na área de tratamento de doenças (BOSCO et al., 1999a; BOSCO et al., 1999b; RUBIN et al. 1998; WILHELM et al. 1998). Exercício sob vibração é um método de treinamento neuromuscular aplicado em atletas e no tratamento e prevenção da osteoporose e Parkinson [25]. É usualmente aplicado em todo o corpo – o que é denominado whole body vibration (WBV) ([10] DELECLUSE et al, 2003; RITTWEGER et al. , 2000). Quando exposto à vibração, o sistema músculo-esquelético apresenta uma resposta que é expressa na forma de um reflexo tônico de vibração (TVR), que surge como resultado da estimulação dos fusos musculares (BURKE et al., 1996; CARLSOO, 1982; DE GAIL et al., 1966; TAKATA et al., 1996), especialmente das terminações primárias do fuso muscular, e que se assemelha ao clássico reflexo miotático (BURKE et al., 1976; LEBEDEV e PELIAKOV, 1991). Como resultado, ocorre uma ativação mais rápida e treinamento de unidades motoras de limiar mais elevado (DELECLUSE et al, 2003). Segundo KASAI et al. (1992), os fusos musculares dos músculos visinhos também são ativados durante a aplicação da vibraçã006F A vibração induz um efeito excitatório tônico nos músculos a ela expostos. Foi demonstrado que a vibração aplicada diretamente ao músculo ou tendão em freqüências de 10 a 200 Hz, gerou o reflexo tônico de vibração como resposta. No entanto, a frequência que deve ser aplicada a fim de gerar um TVR é ainda controversa, uma vez que tem sido sugerido que o TVR também possa ser obtido por WBV em frequências de 1 a 30 Hz [32]. Alguns estudos, em que os períodos de aplicação da vibração eram supeiores a 30 segundos, apontaram para uma manutenção ou uma redução da ação muscular (KOUZAKI et al., 2000; MacEFIELD, et al., 1991). GABRIEL et al. estudaram os efeitos da vibração aplicada ao tendão durante ações isométricas e o sinal EMG dos músculos extensores do cotovelo sob fadiga. O torque dos extensores aumentou em 10%. De acordo com COUTO et al. 2006, a taxa de produção de força gerada durante a contração voluntária máxima (MVC) não se altera com o treinamento sob vibração aplicada na direção do torque muscular. O objetivo desse trabalho foi comparar o impulso gerado durante uma ação voluntária máxima de flexores do cotovelo com e sem a adição de vibração mecânica aplicada na direção do torque muscular. Materiais e Métodos 2.1 Amostra A amostra foi constituída por 10 indivíduos, do gênero masculino, com idade de 25,5 ± 5,8 anos, considerados sadios com base no questionário de PAR-Q e que não possuíam qualquer tipo de lesão óssea, articular ou muscular nos membros superiores. Os voluntários assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido e este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais. 2.2 Procedimentos Cada voluntário realizou duas ações isométricas máximas com os flexores do cotovelo (uma ação isométrica convencional e outra com adição de vibração), para familiarização com o equipamento (figura 01). Após o período destinado à familiarização, foram realizadas quatro ações isométricas máximas sendo duas convencionais e duas com adição de vibração mecânica. Durante estas ações musculares, foram registrados os impulsos gerados. Cinco voluntários (selecionados de forma aleatória) realizaram inicialmente duas ações isométricas convencionais e, em seguida, duas com adição de vibração. Os demais voluntários realizaram o processo inverso. Página 42 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 Figura 01 – Sistema de treinamento que permite a adição de vibração mecânica na direção da ação muscular. Cada ação voluntária máxima teve uma duração de no mínimo 6s após a obtenção da força máxima e o intervalo de recuperação entre cada repetição foi de 5 minutos. Durante a ação em que foi adicionada a vibração mecânica, o voluntário também realizou uma ação voluntária máxima, sendo que, após atingir o pico de força, resistiu à vibração aplicada pelo equipamento durante 6 segundos. Foi adotada uma vibração com frequência de 8 Hz e amplitude de 6 mm.Uma posição padrão foi determinada para a realização da ação voluntária máxima. O voluntário ficou assentado no banco do equipamento, com a região axilar apoiada em um dos apoios de borracha (articulação glenoumeral flexionada a aproximadamente 45 graus). O cotovelo foi apoiado a 90 graus, com o antebraço supinado. O membro contralateral foi mantido em extensão de cotovelo e pronação radio-ulnar. 2.3 Aplicação de vibração Foi desenvolvido um equipamento que permite tanto o treinamento isométrico convencional, quanto o treinamento isométrico com adição de vibração na direção do torque muscular. O equipamento (figura 1) é composto por um sistema eletromagnético, controlado por computador, adaptado a um banco (tipo banco Scott), projetado de forma a permitir o ajuste da altura do assento e da posição do suporte de apoio para os membros superiores. O sistema eletromagnético é formado por uma bobina, alimentada por corrente contínua. Uma das extremidades de um cabo de aço é fixada ao núcleo da bobina e a outra extremidade é fixada a uma alça que permite o posicionamento da mão (preensão). Ao ser liberada a corrente elétrica, ocorre a formação de um campo magnético nas espiras da bobina, que atrai o núcleo da bobina e, consequentemente, o cabo de aço, aplicando um torque ao cotovelo (força máxima desenvolvida na bobina: 950N). Quando a corrente é interrompida – após o deslocamento do cabo de aço (6 mm) - é cessado o torque produzido pela bobina. O controle do número de trações a ser executado pela bobina é realizado em interface com um programa de computador (software Time Trainer 1.0®). É possível escolher a duração dos pulsos e a quantidade de pulsos elétricos emitidos por minuto, o que caracteriza a frequência aplicada na vibração. Aproximadamente na metade do comprimento do cabo de aço, foi conectada a célula de força. Assim, quando o cabo de aço era tracionado essa informação era coletada pela célula de força e apresentada em um outro computador. 2.4 Impulso Os valores dos impulsos produzidos durantes as ações musculares foram obtidos por meio de uma célula de força da marca JBA, Zb Staniak, Polônia, conectada a um amplificador (WTM 005 – 2T/2P, Jaroslaw Doliriski Systemy Mikroprocesorowe, Polônia). O amplificador, por sua vez, foi conectado ao computador, em interface com o programa MAX (versão 5.5, JBA, Zb Staniak, Polônia), que permite a análise do gráfico força x tempo. Foi utilizada a frequência de 1.000 Hz para a coleta dos valores da força (frequência de fornecimento de dados). 2.6 Análise estatística Para verificação da normalidade dos dados foi utilizado o teste Kolmogorov-Smirnov. A comparação entre médias foi realizada utilizando o teste T-Student pareado. O nível de significância adotado foi de 5% de erro ( = 0,05).Todos os procedimentos estatísticos foram calculados através do programa SPSS for Windows, versão 10.0.1. 3. Resultados Foi encontrada diferença significativa (p<0,05) entre os valores de impulso obtidos durante MVC (990,3 ± 220,2N.s) e MVC com adição de vibração mecânica (893,7 ± 193,1N.s), indicando um maior impulso produzido durante a ação dos flexores do cotovelo realizada com adição de vibração mecânica (figura 02). Página 43 de 108 (N.s) Impulso Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 Figura 02 – Valores dos impulsos obtidos na durante MVC e MVC com adição de vibração mecânica de flexores de cotovelo. * p<0,05 3.4 Curvas de força em função do tempo A seguir são mostrados alguns exemplos dos gráficos obtidos para as curvas força em função do tempo, durante a realização das ações musculares. Figura 03 – Curva força em função do tempo durante ações realizadas sem vibração. Figura 06 – Curva força em função do tempo durante ações realizadas com vibração. 4. Discussão As principais questões deste estudo se relacionam com a utilização da aplicação de vibração mecânica, no processo de treinamento de força, como recurso para um provável aumento da intensidade do treinamento e consequente melhora de seus efeitos. Alterações agudas positivas em músculos treinados mediante a aplicação de vibração foram verificadas em diversos estudos (BOSCO et al., 1999a; BOSCO et al., 1999b; GABRIEL et al. 2002; RUBIN et al., 1998; TAKATA et al., 1996). O impulso gerado pelos flexores do cotovelo foi maior durnate a MVC com aplicação de vibração, quando comparado com o impulso gerado na MVC sem adição de vibração. Esses achados reforçam os resultados de outros autores (BOSCO et al., 1999b; DELECLUSE et al., 2003; GRIFFIN et al., 2001) que, em seus estudos, verificaram um aumento da força quando a vibração foi aplicada durante a ação muscular. Página 44 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 De acordo com MATTHEWS (1984), o aumento da força gerada pelo músculo se relaciona com o fato de que a aplicação da vibração em um músculo estimula os fusos musculares em humanos, mais precisamente as terminações primárias do fuso, provocando um aumento na estimulação da via aferente Ia, aumentando, assim, a força de forma involuntária. Sendo assim, o aumento do impulso em níveis superiores aos níveis de contração voluntária máxima sugere que o tipo de estímulo aplicado neste estudo gerou o TVR, sendo esse reflexo resultante principalmente da atividade induzida nas fibras Ia dos fusos musculares (DE GAIL et al., 1966; TAKATA et al., 1996). Este reflexo se assemelha ao clássico reflexo do estiramento. Quando um músculo é estirado, a ativação dos aferentes Ia nos fusos musculares excita os motoneurônios que inervam o mesmo músculo ou músculos sinergistas a este, aumentando a tensão no músculo e contrapondo-se ao estiramento inicial (DE GAIL et al., 1966). Como conseqüência tem-se um aumento do impulso gerado pela musculatura estimulada pela vibração, fato este verificado neste estudo, e um aumento da sobrecarga do treinamento de força. 5. Conclusão A aplicação de vibração mecânica na direção do torque muscular durante a contração voluntária máxima repercutiu em um maior impulso total. Sendo assim, o estímulo investigado neste trabalho representa uma maior sobrecarga de treinamento, quando comparado com o estímulo isométrico convencional. 6. Referências BOSCO, C.; CARDINALE, M. e TSARPELA, O. Influence of vibration on mechanical power and electromyogram activity in human arm flexor muscles. Eur. J. Appl. Physiol. 79: 306-311, 1999a. 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[email protected] Página 45 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 A CONTRIBUIÇÃO DA GINÁSTICA LABORAL PARA A SAÚDE DOS FUNCIONÁRIOS DA CEMIG DE POUSO ALEGRE - MG Rodney Alfredo Pinto Lisboa Especialista, Universidade do Vale do Sapucaí – UNIVÁS Everaldo José de Castro Pereira Graduando, Universidade do Vale do Sapucaí – UNIVÁS Alessandro de Oliveira Mestre, Faculdade Presbiteriana Gammon – FAGAM Arthur Paiva Neto Mestre, Universidade de Bragança Paulista RESUMO O presente estudo teve como objetivo verificar se a prática da ginástica laboral contribui de forma eficiente de maneira a garantir as capacidades de trabalho dos funcionários da Cemig de Pouso Alegre. Melhorar a postura e os movimentos executados durante o trabalho; aumentar a resistência à fadiga central e periférica, promover o bem-estar geral, melhorar a qualidade de vida, combater o sedentarismo e diminuir o estresse ocupacional. Participaram desta pesquisa, 19 empregados de ambos os sexos, funcionários da Companhia Energética de Minas Gerais (CEMIG), no município de Pouso Alegre - MG, com idades entre 30 a 44 anos. Foi aplicado um questionário antes e depois da implantação da ginástica laboral num período de 3 meses. Os resultados mostraram uma diminuição das algias associadas à correção postural para execução das tarefas do dia-a-dia, influenciados pela ginástica laboral, concluindo que com a implantação da mesma, empregado e empregador são favorecidos. Palavras-chave: Ginástica Laboral, Ergonomia, Saúde no Trabalho. INTRODUÇÃO Os avanços na área do exercício físico, surgidos nos últimos anos, levam à conscientização cada vez maior na área da prevenção e manutenção da saúde, gerando repercussões em diversas atividades do ser humano. Não poderia ser diferente na área da ginástica, na qual especialistas de Educação Física, Medicina do Esporte, Medicina Ocupacional e Fisiologia do Trabalho buscam não apenas incrementar o desempenho do trabalhador, mas, sobretudo, prevenir eventuais lesões profissionais, surgindo assim a ginástica do trabalho ou ginástica laboral. A qualidade de vida dentro e fora do trabalho traz a questão da importância da ginástica laboral estar inserida em um programa de qualidade de vida no trabalho e a questão de sua influência nos momentos de lazer. Para Mendes (2004), o tema ginástica laboral (GL) tem nos acompanhado e fascinado na última década, tanto pelo contato com as pessoas no mundo do trabalho, que ocupa a maior parte do tempo da vida de qualquer pessoa, como pela possibilidade de alterar a rotina diária com a ginástica laboral. Conforme Polito & Bergamaschi (2002), a Ginástica Laboral pode ser dividida em preparatória, compensatória e de relaxamento. O advento de novos processos de produção trouxe em seu bojo mudanças consideráveis no ambiente de trabalho. Mais recentemente, a Era da Informática acentuou estas mudanças e catalisou suas conseqüências. Os “Tempos Modernos” impuseram uma nova rotina aos operários, que geralmente tem uma vida sedentária, passando muitas horas na mesma posição e quase sempre repetindo movimentos milhares de vezes por dia. Assim, o número de funcionários com distúrbios circulatórios e cardíacos, danos à coluna vertebral, obesidade, Lesões por Esforços Repetitivos (L.E.R.) e Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (D.O.R.T.) aumentou consideravelmente. Couto (1991 apud BARBOSA, 2002) define DORT como: “Transtornos funcionais, transtornos mecânicos e lesões de músculos e/ou tendões e/ou de fáscias e/ou de nervos e/ou de bolsas articulares e pontas ósseas nos membros superiores ocasionados pela utilização, biomecanicamente incorreta, dos membros superiores, que resultam em dor, fadiga, queda de performance no trabalho, incapacidade temporária e, conforme o caso, podem evoluir para uma síndrome dolorosa crônica, nesta fase agravada por todos os fatores psíquicos (inerente ao trabalho ou não) capazes de reduzir o limiar de sensibilidade dolorosa do indivíduo”. Salles (1991) afirma que os Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho – DORT, têm sido um grande problema para a saúde ocupacional, no que se refere ao absenteísmo, nos últimos anos. As empresas brasileiras se modernizam a cada dia, e à frente dessa modernização está a informática, onde cada vez mais pessoas fazem uso do microcomputador, despendendo grande parte do tempo às suas estações de trabalho informatizadas, sem treinamento adequado e sem adequação do ambiente, na maioria das vezes. Tem-se, então a tríade da lesão ocupacional: mobiliário inadequado, ausência de conhecimentos sobre a ergonomia e estilo de vida incoerente. Sobre ergonomia Grandjean (apud BARB0SA, 2002) pondera que esta é uma ciência interdisciplinar. Ela compreende a fisiologia e a psicologia do trabalho, bem como a antropometria e a sociedade no trabalho. O objetivo prático da Ergonomia é a adaptação do posto de trabalho, dos instrumentos, das máquinas, dos horários, do meio ambiente às exigências do homem. A realização de tais objetivos, ao nível industrial, propicia uma facilidade do trabalho e um rendimento do esforço humano. Segundo Sigiliano & Carvalho (2004) estatísticas atuais apontam que cerca de quatro milhões de brasileiros são submetidos a tratamento em razão de dores provocadas pela postura incorreta no trabalho e pela pressão diária de situações competitivas. Surgiu então a necessidade da criação de atividades que atuem direta e especificamente na prevenção de doenças nos sistemas muscular e nervoso dos trabalhadores. A crescente preocupação das empresas com a saúde e desempenho de seus funcionários faz da Ginástica Laboral uma ótima oportunidade de trabalho para o Profissional de Educação Física. Ao se investir em programas de prevenção contra os problemas supra mencionados, pretende-se alcançar resultados positivos, daí a importância deste estudo em observar se existem benefícios importantes da ginástica laboral, quando orientada diretamente por professor de educação física ou por facilitador. O conhecimento do processo etiológico é de extrema importância, merecedor de grande atenção, visto que de nada adianta fazer abordagem preventiva daquilo que não se conhece bem. Barbosa (2002) destaca que é necessário compreender que a associação dessas causas amplia a ação de cada uma delas, deixando o colaborador por demais exposto. A predisposição, ou seja, a capacidade aumentada de uma pessoa contrair determinada doença, tem sido considerada em virtude de que é muito comum encontrar colaboradores em uma mesma atividade laboral, com postos de trabalho idênticos, nível sócio-econômicos parecidos e um deles desenvolver o DORT e o outro nada sentir. Página 46 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 Este trabalho tinha por objetivo verificar se a prática da ginástica laboral contribui de forma eficiente de maneira a garantir as capacidades de trabalho dos funcionários da Cemig de Pouso Alegre – MG. Além disso, buscou-se conscientizar os envolvidos sobre questões relacionadas à melhora na qualidade de vida, tais como: quais as posturas e os movimentos corretos a serem executados durante o trabalho, o combate ao sedentarismo e ao o estresse ocupacional. MATERIAIS E MÉTODOS Foram sujeitos dessa pesquisa, 19 (dezenove) empregados de ambos os sexos, funcionários da Companhia Energética de Minas Gerais (CEMIG), situado à Rodovia JK, Km 101, n.º 5555, no município de Pouso Alegre - MG, com idades entre 30 a 44 anos. A maioria realiza tarefas de alta requisição manual no setor técnico administrativo da empresa (digitação, planilhas, manuseio de documentos, etc.). O presente trabalho foi dividido em 03 (três) etapas distintas: Na 1.ª etapa foi aplicado para os funcionários um questionário. O instrumento encontra-se em anexo. Os funcionários marcaram Sim, Às vezes, Não, analisados conforme a seguir: Questões de 1 a 5 com uma escala de 3 categorias, onde: 2- Sim; 1- Às vezes 0- Não. Questões de 6 a 10 com uma escala de 3 categorias, onde: 0- Sim; 1- Às vezes; 2- Não. Na 2.ª etapa foi aplicada a ginástica laboral composta por massagens, relaxamento e exercícios de alongamentos conforme a seqüência seguir: flexão e extensão de pescoço; elevação de escápulas; circundução de ombros; flexão e extensão de punho; alongamento de tríceps e grande dorsal; alongamento de flexores de quadril; alongamento de paravertebrais com extensão de cotovelo; flexão e abdução de ombros; alongamento de punho; alongamento de adutores do quadril; circundução de tornozelo; relaxamento de coluna com respiratório; alongamento de trapézio, circundução de ombros com cotovelos elevados; elevação de joelho; alongamento paravertebrais e deltóide fibras anteriores; alongamento de gastrocnêmios. Na 3.ª etapa foi aplicado para os funcionários um questionário idêntico ao primeiro comparando os dados com o objetivo de avaliar os benefícios do programa de Ginástica Laboral. O período para aplicação do presente instrumento foi de 03 (três) meses. As sessões de ginástica laboral foram aplicadas diariamente às 07:45 com duração de 15 (quinze) minutos. As sessões foram direcionadas de acordo com os grupos musculares mais requisitados (verificados no questionário, em anexo). Os sujeitos da amostra tiveram liberdade de requisitar exercícios específicos de alongamento de acordo com o grupo muscular que estava dolorido no dia corrente. Para a coleta dos dados utilizou-se os seguintes materiais: 40 (quarenta) cópias do questionário supra mencionado, quadra, aparelho de som, 20 (vinte) bolinhas de massagem e 20 (vinte) bastões. Os resultados serão analisados usando-se a estratégia de pesquisa quantitativa - descritiva que tem como objetivo analisar as características de um determinado fenômeno, no caso desse trabalho a influência da ginástica laboral. Os dados serão apresentados sob a forma de mediana. Foi utilizado o pacote computacional SPSS versão 12.0. O teste utilizado para a comparação dos dados será de PruskaLL-Walls. O nível de significância será de 5%. RESULTADOS E DISCUSSÃO De acordo com o que pode-se observar na tabela abaixo, na questão um a idéia era verificar se a GL incentivaria os empregados a praticarem outras atividades físicas fora da empresa. Foi constatado que não houve alteração porque a Cemig faz divulgações de assuntos relacionados à saúde através de e-mail para seus empregados e também possui um programa implantado na empresa que identifica através do inventário médico, onde são feitos exames periódicos, o Índice de Massa Corporal (IMC) de cada empregado. Quando uma pessoa ultrapassa o limite de 30 ele recebe um tratamento especial, onde há um incentivo financeiro por parte da empresa para prática de esportes como: aluguel de quadra, academia, natação, etc. Com isto os empregados estão cada vez mais conscientes dos benefícios de qualquer atividade física para a promoção da saúde. Nas questões dois e três procuramos identificar se haveria modificação na motivação e disposição dos empregados para executar as tarefas diárias. Foi constatado que a maioria dos empregados sentia disposição para o trabalho, devido a vários benefícios que a empresa oferece. Apesar disto, após a implantação da GL, dois empregados mostraram estar motivados e três melhoraram sua disposição para o trabalho, constatando que a GL propicia melhora nestes fatores. TABELA: Respostas das questões antes e depois da implantação da GL. Questão 1. Pratica atividade física fora da empresa? 2. Sente motivação para o trabalho? 3. Apresenta disposição para executar as tarefas? 4. Considera sua condição postural boa? 5. Apresenta um bom relacionamento? 6. Dificuldade em manter-se bem humorado? 7. Sente dor em alguma parte do corpo? 8. Tem procurado médico, ocasionando afastamento? 9. Apresenta algum problema osteomuscular? 10. Apresenta algum tipo de problema de saúde? (colesterol, diabete, hipertensão, etc.) Antes da Ginástica Laboral Sim Às vezes Não (%) (%) (%) 79 10,5 10,5 89 11 0 79 21 0 21 42 37 95 5 0 10,5 31,5 58 47 26,5 26,5 0 5 95 21 26 53 16 10,5 73,5 Depois da Ginástica Laboral Sim Às vezes Não (%) (%) (%) 79 10,5 10,5 100 0 0 95 5 0 37 42 21 95 5 0 10,5 21 68,5 16 52,5 31,5 0 0 100 26 16 58 16 5 79 Na questão quatro a idéia era verificar se haveria uma melhora na condição postural dos empregados. Como visto anteriormente, foi uma das questões que apresentou diferença estatística, constatando que a GL contribui muito para que seus praticantes corrijam suas posturas durante a execução das tarefas diárias. Na questão cinco o objetivo era identificar se haveria modificações no relacionamento com os colegas de trabalho com a implantação da GL. Ficou constatado que não houve alteração nesta questão. Na questão seis a intenção era verificar se haveria modificações com relação ao humor dos empregados após a implantação da GL. Foi constatado que não houve muita alteração, o que pode estar associada às outras questões como Página 47 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 motivação, disposição e relacionamento. Mesmo assim dois empregados apresentaram melhorias em manter-se bem humorados durante o trabalho, mostrando que a GL colabora também para este fator. Na questão sete procuramos verificar se haveria uma contribuição da GL para a diminuição das algias ocasionadas durante o trabalho. Também foi uma questão que apresentou diferença estatística, constatando que a GL, bem aplicada e bem orientada contribui muito para que seus praticantes tornem suas tarefas diárias menos estressantes e com menos sofrimento, prevenindo várias doenças ocupacionais causadas pela utilização incorreta das ferramentas e equipamentos durante o trabalho. Na questão oito a proposta era verificar se haveria diminuição dos índices de absenteísmo com a implantação da GL. Não houve diferença estatística. Talvez o número de empregados avaliados foi insuficiente para esta análise. Outro fator que pode ter contribuído para não ter ocorrido diferenças estatísticas é pelo fato da Cemig já ter uma preocupação com os índices de absenteísmo, através de inventários periódicos de saúde associados ao programa que monitora o IMC, conforme citado anteriormente. Finalmente nas questões nove e dez, a tentativa era identificar se alguma pessoa apresentava algum problema de saúde para um direcionamento correto dos exercícios de alongamento e também verificar se haveria melhorias após a implantação da GL. Não houve diferença estatística. Talvez porque o período avaliado (três meses) não tenha sido suficiente para avaliar a contribuição para a melhoria da saúde (colesterol, gastrite, úlcera, diabete, hipertensão, etc.) e de algum problema osteomuscular (coluna, joelhos, ombro, etc.). 35,0 30,0 26,4 25,2 25,0 20,0 15,0 10,0 5,0 0,0 Antes Depois GRÁFICO: Média da soma dos resultados antes e depois da aplicação da GL. Na média das somas dos resultados também houve diferença estatística mostrando que a Ginástica Laboral atingiu o objetivo proposto: promoção da qualidade de vida dos trabalhadores, diminuindo as dores ocupacionais, colaborando para uma melhora na postura dos movimentos executados durante o trabalho, proporcionando disposição e motivação para executar as tarefas diárias e promovendo o bem-estar social e profissional de seus praticantes. CONCLUSÃO Os Programas de Ginástica Laboral conquistam cada vez mais espaço e importância nas empresas do mundo inteiro, principalmente aquelas que preocupam com a qualidade de vida de seus empregados, oferecendo benefícios tanto para os praticantes como para a empresa como: diminuição dos índices de absenteísmo, produtividade e aumentos nos lucros. Os resultados quantitativos e descritivos obtidos neste estudo mostram de maneira efetiva a contribuição da Ginástica Laboral para conscientização das empresas em implantá-la nas suas diversas linhas de produção, beneficiando seus empregados, proporcionando-lhes mais prazer e satisfação no dia-a-dia e conseqüentemente aumentando os níveis de produtividade e satisfação dos clientes. É importante ressaltar que a implantação de um programa de Ginástica Laboral deve seguir um planejamento estratégico bem executado, identificando as particularidades e individualidades dos diversos grupos de trabalhos da empresa. Para essa implantação é importante que as atividades sejam elaboradas de maneira consciente por profissionais da área de Educação Física que possuem conhecimentos técnicos suficientes para aplicação e manutenção deste programa, proporcionando uma satisfação pessoal e profissional aos seus praticantes, contribuindo para uma vida mais saudável onde todos sejam favorecidos. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BARBOSA, L. G. Fisioterapia preventiva nos distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho – DORT: a fisioterapia do trabalho aplicado. 1ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan S.A., 2002. CAÑETE, I. Humanização: desafio da empresa moderna: a ginástica laboral como um novo caminho. Porto Alegre: Foco, 1996. CODO, W.; ALMEIDA, M. C. G. LER – Diagnóstico, tratamento e prevenção: uma abordagem interdisciplinar. 4ª ed. Petrópolis: Vozes, 1998. COUTO, H. A. Ergonomia aplicada ao trabalho: o manual técnico da máquina humana. 1ª ed. Belo Horizonte: Ergo, 1995 COUTO, H. A. 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[email protected] Página 48 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 A TENSÃO DOS ATLETAS DE NATAÇÃO E A INFLUENCIA EM SEU DESEMPENHO NAS COMPETIÇÕES Emanuelle S. C. Pereira (Aluna graduação da UNIVAS) Sandra Maria da Silva Sales Oliveira (Ms. em Psicologia e Professora na UNIVAS) RESUMO A presente investigação estudou os atletas de natação no dia da competição,no momento que antecedia as provas, ao que se refere as tensões emocionais. Foram sujeitos 60 atletas competidores de natação, de ambos os sexos, com idades compreendidas 12 e 17 anos, pertencentes as equipes da região do Sul de Minas. Para tal elaborou-se um instrumento com 19 questões com enfoque nas situações de treinamento, na competição, no relacionamento familiar e no trabalho do treinador. Os resultados demonstraram que tanto quanto ao gênero como quanto a idade, não foram encontradas diferenças significativas, mas foi possível observar que alguns sujeitos se mostraram tensos quanto a pressão por parte de seus treinadores. Palavras-chave:, Tensão emocional: Natação; Atletas; Competição INTRODUÇÃO As diversidades modernas fazem com que as pessoas estejam submetidas a tensões em todas as esferas da vida. Cada pessoa reage diferentemente às tensões, que variam conforme o nosso equilíbrio emocional e afetivo, auto-estima, maturidade e a maneira como lidamos com a vida. Em vista disso, as conseqüências das tensões em algumas pessoas podem ser temporárias e passageiras e em outras, mais intensas e duradouras, levando a problemas crônicos de saúde (BURITI, 1997). A necessidade de se ter hábitos saudáveis tem sido divulgada na sociedade como forma de combater os danos causados à saúde pela forma de vida urbana atual. Neste sentido, Samulski (2002) comenta que esta concepção mostra uma de suas faces na motivação para a prática de atividades físicas, a qual pode ser observada na procura e freqüência aumentada, às praças de esporte, lugares públicos destinados a prática do exercício, aos clubes esportivos e às academias de ginástica. Muito se pesquisa e comprova a respeito dos efeitos e benefícios dos exercícios regulares e controlados sobre a saúde do ser humano, principalmente a saúde emocional. A natação é um dos esportes mais completos para o corpo humano, sendo inúmeras as vantagens deste esporte. A liberação das tensões; a diminuição do estresse; a melhor qualidade do sono; a resistência muscular; a melhor captação de oxigênio pelos pulmões; a diminuição da taxa de colesterol, facilitando o metabolismo dos açucares; a diminuição relativa da pressão arterial; e a melhor circulação do sangue no coração são algumas destas vantagens. No entanto, apesar dos evidentes e inquestionáveis benefícios inerentes à natação, a prática competitiva, particularmente nas faixas etárias mais baixas, pode repercutir-se negativamente na integridade física do jovem, situação que urge evitar através de uma metodologia de intervenção que inclua o fator prevenção. Estas considerações levam a questionamentos das condutas de técnicos, dirigentes, atletas e pais diante dos momentos esportivos que se caracterizam desde a iniciação esportiva até a subida no podium olímpico, assumindo efeitos tensionadores que poderão ser trabalhados socialmente ou que levarão o atleta ao abandono da modalidade, devido a não superação de seu equilíbrio emocional e desgaste que tal debilitação acarretará. O simples fato do atleta se defrontar com outros que o avaliarão, já representa uma ameaça digna de um bom trabalho psicológico. A importância subjetiva sobre um gesto contribui para a formação de idéias e planos que culminarão na realização de ações, como melhor ou pior performance, dependendo do controle emocional e cada tipo de personalidade, surgirão respostas para este conjunto de dados (MACHADO, 1997). O apoio dos pais na medida certa abrange as seguintes atividades: ajuda financeira, coordenação das atividades familiares com as atividades de treinamento e competição além do apoio emocional, principalmente durante a competição. Ambições exageradas dos pais, pressão por sucesso, cobrança de rendimento e pressão social são exemplos de apoio negativo. Qualquer pessoa deve participar do esporte para sentir prazer e alegria, aprender novas técnicas e fazer novas amizades. Os estudos de Chaves e Bara Filho (2003) verificam o grau de influência dos pais na ansiedade pré-competitiva na natação e demonstram que altas expectativas de sucesso por parte dos adultos podem resultar em ansiedade e estresse para o jovem e que as conseqüências da ansiedade são complexas, pois além de ser um sentimento desconfortável é capaz de influenciar o estado de equilíbrio emocional acarretando o fracasso no esporte. Após o apoio da família, tem-se que a figura do treinador desempenha papel importante na vida de atletas jovens. A princípio ele deve trabalhar com pais, orientando-os no sentido de fazerem um trabalho conjunto. Instruir os pais de que os mesmos não devem pressionar seus filhos para a prática de esportes salientando que crianças e jovens participam do esporte por sentir prazer e alegria, aprender novas técnicas e fazer novas amizades. Brandão, Agresta e Rebustini (2002) ao avaliarem os estados emocionais de treinadores de natação, basquete e handebol, observaram diferenças significativas nas variáveis tensão, raiva, vigor e fadiga, demonstrando que os mesmos são mais tensos, mais raivosos e mais fadigados e têm mais disposição e energia quando trabalham com atletas de alto rendimento. Concluíram que os treinadores devem ter uma força de vontade elevada e habilidade para exercer influência sobre os atletas. Percebe-se a necessidade de uma comunicação aberta, honesta e permanente dos treinadores com os pais, a organização, com os mesmos, de encontros na fase pré-competitiva para maior compreensão da importância do esporte para a criança e o jovem, e não para eles, pais. Os técnicos e treinadores devem apoiar seus atletas de forma que eles tenham um feedback positivo no dia da competição, para isso, é necessário que haja uma interação positiva e uma comunicação aberta entr e eles segundo Weinberg e Gould, (1999, apud SAMULSKI, 2002). No que se refere ao treinamento esportivo cabe ao treinador entender o desenvolvimento do atleta nas áreas: intelectual, motivacional, emocional e social, além dos aspectos físico-técnico-tático. Por isso integrar e aplicar medidas pedagógicas, psicológicas e sociais de treinamento é fundamental. Torna-se necessário evitar situações de pressão psicológica e social, respeitar as diferenças quanto ao gênero e apoiar o atleta em situação de conflito, estresse ou fracasso. O treinador precisa entender que, emocionalmente, o atleta difere nas duas situações: treinamento e competição (BURITI, 1997). Ribeiro (1992) relata que em condições de treinamento, tanto em atletas como em sedentários, indicadores psicofisiológicos como redução da freqüência cardíaca, aumento da capacidade aeróbia, capacidade de concentração e redução da resposta galvânica, são significativamente melhorados. Página 49 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 Pouco antes da competição, comenta Samulski (2002), o atleta se encontra em um estado de intensa carga psíquica (estado précompetitivo), que caracteriza pela antecipação da competição, e consequentemente da antecipação das oportunidades, riscos e conseqüências. Durante a competição, os estudos de Buriti (1997) e Rose júnior (2002) demonstraram que ocorrem tanto emoções positivas (alegria, motivação, ânimo, sentimento de sorte e satisfação em competir) quanto negativas (medo, tensão, agressão, desânimo). A prevalência de sintomas positivos deve ser maior dos que os negativos, para que o atleta possa desempenhar corretamente o seu papel. Um bom preparo para a competição pode ser importante, no sentido de minimizar sintomas negativos e, ainda, o atleta aprende com o treinador as situações adversas que poderão surgir, isso fortifica o autocontrole. Duarte e Souza (2005) estudaram estágios de mudança de comportamento relacionados à atividade física em adolescentes e verificaram que conforme aumenta a idade dos jovens há um declínio da atividade física. Murcia e Oliveira (2002) estudaram as diferenças motivacionais na aprendizagem e no desenvolvimento de programas de natação e de fitness aquáticos e concluíram que similaridade entre os dois grupos pois ambos colocam como motivos para a prática : educação, recreação, rendimento e condição física, auto-estima e realização pessoal e social. Este trabalho se justifica pelo fato de que existem inúmeras tensões que o atleta vai enfrentar durante sua carreira e estas podem atrapalhá-lo de alguma maneira se passarem despercebidas, porém se forem diagnosticadas, entendidas e tratadas com antecedência farão a diferença no desempenho final. MATERIAL E MÉTODO Sujeitos - foram sujeitos dessa pesquisa 60 atletas competidores de natação, de ambos os sexos, com idades compreendidas entre 12 e 17 anos, pertencentes as equipes da região do Sul de Minas, Brasil. Material (Instrumento e correção) - para realizar o objetivo proposto no presente trabalho construiu-se um questionário para a avaliação da tensão em atletas de natação. O mesmo consta de 19 questões com enfoque nas situações de treinamento, na competição, no relacionamento familiar e no trabalho do treinador. Com base na formulação das questões, atribui-se 1 ponto as questões que evidenciam as situações de tensão, independentemente se elas se referiam ao Sim ou ao Não. As questões 1, 2, 3, 4, 8, 10, 11, 12, 16 e 17 recebem 1 ponto quando a resposta for Não, e as questões 5, 6, 7, 9, 13, 14, 15, 18 e 19 receberam 1 ponto quando a resposta for Sim. Se o atleta obtiver até 10 pontos ele não se encontrará tenso. De 11 a 13 pontos, pouco tenso, de 14 a 16 pontos se encontrará tenso e de 17 a 19 pontos muito tenso. Procedimento - o presente trabalho de pesquisa só foi realizado mediante aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da UNIVAS e do consentimento dos pais das pessoas envolvidas nesse estudo. O instrumento foi aplicado coletivamente no momento da competição, no (Ideal Clube de Paraguaçu), na cidade de Paraguaçu-MG, pelas pesquisadoras. Tratamento estatístico - o tratamento estatístico foi comparativo entre gêneros e faixas etárias. Inicialmente foi testada a normalidade dos dados através do teste de Kolmogorov-Smirnov, sendo considerados paramétricos a soma dos resultados. A comparação dos gêneros por questão foi feita utilizando-se o teste de Mann-Whitney, já a comparação entre as diversas faixas etárias foi realizada cm o teste de Kruskal-Wallis. Para a comparação da soma dos resultados por gênero foi utilizado o teste t de student e na mesma comparação por faixas etárias foi realizada a análise de variância (ANOVA one-way) com teste Tukey post-hoc. RESULTADOS E DISCUSSÃO Em um primeiro momento, fez-se a comparação da soma dos resultados das questões em que a resposta sim recebia um ponto quanto ao gênero. 25 20 15 10 5 0 5 6 7 9 13 Feminino 14 15 18 19 Masculino Figura 1 – Comparação da soma dos escores das questões, em que a resposta SIM recebia um ponto, dos grupos feminino (escuro) e masculino (claro). p≤ 0,05. Em um segundo momento comparou-se a soma dos resultados das questões em que as respostas não recebiam um ponto quanto ao gênero. 14 12 10 8 6 4 2 0 1 2 3 4 8 Feminino 10 11 12 16 17 Masculino Figura 2 – Comparação da soma dos escores das questões, em que a resposta NÃO recebia um ponto, dos grupos feminino (escuro) e masculino (claro). p≤ 0,05 Página 50 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 Nas duas situações observa-se que ora o gênero masculino se sobressai, ora o gênero feminino, não existindo a possibilidade de inferir-se que houve diferenças significativas quanto ao gênero. Isso vai de encontro com os trabalhos de Ferraz (1997) quando explica que os comportamentos entre gêneros não são discriminativos, uma vez que, ambos estão sujeitos a mesma preparação para a competição. Em competições, além de toda a organização e preparação física de cada atleta; há um turbilhão de emoções vividas por todos os participantes, logo, torna-se importante o controle das tensões emocionais, principalmente nos momentos que antecedem a prova. O desequilíbrio emocional acarreta conseqüências negativas na performance do atleta que muitas vezes, cumpriu toda uma planilha de treinamento, com muita disciplina, e parte para a prova confiante num bom resultado, e isso não acontece. O rendimento não é bom e vem a frustração. Buscam-se várias explicações, mas dificilmente se questiona o lado emocional. Neste sentido, Samulski (2002) e Hackfort (1993) enfatizam que durante a competição podem surgir emoções tanto positivas quanto negativas e que muitas vezes o atleta não demonstrar emoções é uma estratégia utilizada no esporte para esconder informações e irritar o adversário. Por meio da expressão das emoções positivas (por exemplo, aumento da motivação, maior atenção, perda da sensibilidade e outras) é possível estimular os colegas e irritar os adversários. A expressão de emoções negativas (ansiedade, perda da concentração, raiva, perturbações, tensão elevada e outras) fortalecem a confiança do adversário. Os atletas de natação avaliados podem ter utilizado a estratégia de não demonstrarem emoções, uma vez que, é sabido que nos momentos que antecedem a competição, o esportista se encontra em um estado de intensa carga psíquica (tensão emocional) que alguns autores denominam de estado pré-competitivo.O controle de condições de sintomas, além de ser realizado pelo atleta (auto-regulação) pode também ser realizado pelo treinador. Nos resultados pode-se perceber a atuação efetiva do treinador no preparo tanto físico quanto psicológico dos atletas. Embora tenha sido observado que em alguns questionários, os atletas referiram-se a pressão por parte dos técnicos, em outros a pressão vinha dos pais e em outros ainda, observou-se que eles mesmos se pressionavam, cobrando bons resultados. No entanto, de um modo geral essas diferenças não foram significativas principalmente em função da avaliação não ver aspectos específicos e sim aspectos gerais. O apoio dos pais também é importante para o desenvolvimento dos atletas que se destacam em atividades esportivas e atingem o alto nível de performance. Este papel pode ser em forma de participação ativa, acompanhamento das atividades, suporte social e financeiro, mudança na rotina e nas prioridades da família entre outras formas. Os resultados encontrados nos gráficos a seguir referem-se as questões que receberam 1 ponto quando a resposta foi sim (Figura 3) e quando a resposta foi não (Figura 4) relacionados a idade dos nadadores. 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0,0 1 2 3 4 masc 11-13 8 masc 14-15 10 11 12 16 masc >15 Figura 3. Média das respostas por faixa etária para o gênero masculino para as questões em que as respostas não recebem um ponto p<= 0,05 (menor ou igual) 1,0 0,9 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0,0 5 6 7 9 masc 11-13 13 masc 14-15 14 15 18 19 masc >15 Figura 4. Média das respostas por faixa etária para o gênero masculino para as questões em que as respostas sim recebem um ponto p<= 0,05 (menor ou igual) Observa-se que não se pode inferir que os mais novos estavam mais tensos que os mais velhos ou vice-versa, em algumas questões os maiores de 15 amos se mostraram mais tensos em outras os de 13 a 15 anos e outras ainda os de 11 a 13 anos. Do mesmo modo que as idades variaram a tensão emocional também variou, não estabelecendo relação idade, gênero e tensão emocional. A literatura pertinente enfatiza que atletas mais jovens que pertencem ao gênero feminino tendem a apresentar valores mais elevados de tensão emocional nas competições. Página 51 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0 1 2 3 4 8 fem 11-13 fem 14-15 10 11 12 16 fem >15 Figura 6. Média das respostas por faixa etária para o gênero feminino para as questões em que as respostas não recebem um ponto p<= 0,05 (menor ou igual) 1 0,9 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0 5 6 7 9 fem 11-13 13 fem 14-15 14 15 18 19 fem >15 Figura 7. Média das respostas por faixa etária para o gênero feminino para as questões em que as respostas sim recebem um ponto p<= 0,05 (menor ou igual) As poucas diferenças encontradas nos resultados deste estudo se explicam pelo fato de que na competição avaliada não era uma fase final e sim uma fase classificatória, em que os mesmos não se sentiam tão pressionados. Eles ainda poderiam reparar os erros para não comete-los na final. A maioria dos atletas participantes não depende de patrocínio para competir, o que os leva a estarem menos comprometidos com a vitória. Pode-se inferir também que se o estudo fosse feito em uma equipe de um grande Clube, os resultados poderiam ser diferentes, pois os atletas teriam muito mais compromisso para competir e em função do patrocínio, apresentar bons resultados. CONSIDERAÇÕES FINAIS A partir dos itens discutidos anteriormente, demonstra ser importante o trabalho dos aspectos psicológicos do esporte dentro do processo de treinamentos e competições. Cabe aos profissionais do esporte a preocupação em adequar as atividades aos interesses, necessidades e características dos atletas com os quais trabalham. Mesmo que o atleta não atinja completamente seu objetivo, o técnico deve sempre ressaltar pontos positivos em sua performance e estimula-lo em um primeiro momento, para depois abordar os seus erros para que não se sinta mal como se tivesse errado tudo e o treinamento não tivesse sido algo válido. Diferentes atletas possuem diferentes necessidades; cabendo trabalhos psicológicos distintos. Além disso, o planejamento do treinamento deve ser feito levando-se em consideração que ele deve acontecer durante o decorrer de toda a temporada (desde seu início até a competição alvo ou principal), para que os atletas evoluam nos aspectos psicológicos e produzam resultados satisfatórios e com influência positiva dentro da performance e no resultado final. Um planejamento adequado permite a otimização da relação atleta-esporte e, consequentemente, a mobilização de todo o potencial físico, mental e emocional dos atletas no momento da competição. Em caso de um resultado negativo, a atitude do técnico e mesmo o apoio de familiares evitam a sensação de derrota, resignação, pessimismo, falta de ânimo para treinar e sentimento de inferioridade, trazendo emoções positivas como, por exemplo, disposição reforçada para treinar, autocrítica, modéstia, descrição e conseqüente aumento no rendimento. Novos estudos devam ser feitos no sentido de se trabalhar para a estabilidade emocional dos atletas e para contribuir com a comunidade científica, uma vez que, existem poucos resultados sistemáticos com relação a importância e função das emoções no contexto esportivo. REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS BARA FILHO, M. G., & MIRANDA, R. Aspectos psicológicos do esporte competitivo. Treinamento Desportivo. Vol 3, n.3, p. 62-72, 1998. BECKER Jr., B. 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Foram avaliados 14 pessoas de ambos os sexos com media de idade 38 a 58 anos de idade, sendo para cumprir os objetivos proposto na pesquisa foi utilizado um questionário pré e pós treinamen to. O treinamento foi aplicado num período de dois meses em dias alternados, sendo um total de 24 sessões de treinamento os exercícios utilizados (leg press, supino, remada sentado, abdominal e glúteo). Analisando os resultados pós-testes, observou-se uma melhora no bem estar físico e psicológico que o treinamento proporcionou aos praticantes, fazendo acreditar que será de grande importância a pratica dos exercícios resistidos. Concluiu-se que o método em estudo é benéfico para a saúde física do praticante, já que houve melhora na maioria dos aspectos observados. Palavras-chave: Abdominal, pós-teste, treinamento INTRODUÇÃO Os seres humanos foram criados para viverem em um ambiente natural, onde dependiam da força física e das reações rápidas. O crescimento contemporâneo das indústrias de serviços e a revolução de informações resultaram na expansão da classe trabalhadora, o que levou a adoção generalizada de hábitos sedentários, os quais acarretam grandes riscos para o organismo, em conseqüência direta da falta de exercício físico, através de 4 pesquisas de gerontólogos, foi observado em idos os, excluída toda e qualquer condição patológica, como de psicológica (MEIRELLES, 2000). A maioria das evidências mostra que o melhor modo de otimizar e promover a saúde no individuo é prevenir seus problemas médicos mais freqüentes. Por outro lado, o sedentarismo e a incapacidade são as maiores adversidades da saúde associada ao envelhecimento. O exercício físico regular melhora a força, a massa muscular e a flexibilidade articular, notadamente, em indivíduos acima de 50 anos (CARVALHO, GUEDES, 1996). O mesmo autor coloca que estudos epidemiológicos e documentos institucionais propõem que a pratica regular de exercícios físicos e uma maior aptidão física está associada a uma menor mutabilidade e melhor qualidade de vida em uma população adulta. Levando-se em conta que os indivíduos mais velhos, porém aptos possuem muitas das características funcionais das pessoas mais jovens, pode-se argumentar que uma melhora nas condições físicas retarda o processo de envelhecimento e, dessa forma oferece alguma proteção para saúde e possível longevidade nas fases subseqüentes da vida (WILLIAMS, WILKINS, 1996). A busca pela saúde e bem estar, tem motivado grande parte da população à prática de alguma atividade física regular, fazendo desta uma alternativa de alcançar a longevidade, sendo a prática de atividades físicas de suma importância para a saúde das pessoas. Aproveitar com saúde e prazer à vida, utilizar e desfrutar as potencialidades mentais, evitar doenças hipocinéticas, que causadas ou associadas com a falta de exercícios físicos, depende significativamente de um bom nível de aptidão física (BARBANTI, 1990). Segundo Graves, Pollock e Carrol (1994), a aptidão física envolve medidas e níveis de vigor e resistência musculares, tônus musculares, ação cardíaca e reação do coração à atividade, agilidade, equilíbrio, coordenação, etc. A atividade física, principalmente o exercício, o esporte, aumenta o rendimento físico das pessoas. Este aumento está associado com uma melhora na eficiência funcional de todas as células do nosso corpo. Essa eficiência funcional, chamada de aptidão física, é geralmente vista como um atributo desejável e positivo para a saúde (BARBANTI, 1990). O termo exercício resistido refere-se à base do exercício onde o peso, na forma de barras, halteres e máquinas, são utilizados para condicionamento e modificação de tamanho de vários segmentos do corpo. De acordo com Santarém (1998), entende-se exercício resistido por desenvolvimento da musculatura esquelética, particularmente a ginástica com pesos que constitui a melhor forma de treinamento para produzir musculação. O período de adaptação se reúne no tempo necessário para o aprendizado correto da técnica de execução adaptação neuromuscular e anatômica dos exercícios proposto. E também nesse período que se ensina ao aluno a maneira correta de segurar o peso, como se deve levantar um peso pesado do solo, o manuseio da ficha de exercícios. A cadência e combinação de exercícios resistidos fazem com que o aluno e quem praticam sintam uma diferença considerável em termos de saúde, disposição e desenvolvimento de várias capacidades motoras (SANTARÉM, 2000). Os exercícios resistidos são completos e buscam um ganho de desempenho nos esportes e uma melhor significativa em habilidades para o tal. Esta complexidade é também encontrada através de treinamentos na área de alongamento e respiração, buscando um aumento na flexibilidade e concentração (MCCARTNEY, MCKELVIE E MARTIN, 1993). A melhora da flexibilidade a partir de treinos envolvendo alongamentos é de grande importância para qualquer atividade física, pois reduz as tensões musculares, beneficia a coordenação tendo em vista que os movimentos tornam-se soltos e fáceis. Auxilia na prevenção de lesões, pois um músculo forte e alongado resiste melhor a tensões do que um músculo forte não alongado. O treinamento resistido trabalha com o peso do corpo em diferentes movimentos desenvolvendo força, flexibilidade, equilíbrio, coordenação e percepção motora tornam-se benéfico à saúde física e mental (DICKERMAN, PERTUSI E SMITH, 2000). Página 53 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 O objetivo deste estudo foi de verificar os benefícios causados pela aplicação de um programa de exercícios resistidos em uma população de sedentários comparando a saúde física e qualidade de vida ao condicionamento físico de praticantes do exercício resistido após um período de treinamento. MATERIAIS E MÉTODOS ENAF Science, v.1, n.1, p. 53 - 56 Participaram desta pesquisa 14 pessoas de ambos os sexos, sedentários, residentes em Santa Rita do Sapucaí, com idade entre 38 a 58 anos. Para cumprir os objetivos propostos na pesquisa foi utilizado, para coleta dos dados, um instrumento, com perguntas referentes aos dados pessoais, questões específicas com perguntas fechadas, versando sobre atividades profissionais, atividades ou tarefas do cotidiano e a freqüência e duração de programas de exercícios físicos na vida dos participantes. Foram 2 questionários aplicados em momentos diferentes: um pré-teste (antes do início do treinamento) e outro pós-teste (após dois meses de treinamento) Foi solicitada a autorização ao dono da academia através de uma carta. A aplicação do instrumento foi de uma forma individual, na própria academia, garantindo aos participantes o sigilo das informações. Juntamente com instrumento, existia uma carta escrita pelo pesquisador, explicando os objetivos da pesquisa e o instrumento utilizado para a coleta dos dados. Além disso, foi pedida a assinatura de um termo consentimento, para a participação da pesquisa. O treinamento foi aplicado num período de dois meses em dias alternados, sendo um total de 24 sessões de treinamento, dividido em três sessões de musculação por semana utilizando entre 3 séries por grupo muscular, utilizando os seguintes aparelhos, leg-press, supino reto, remada sentado, abdominal e glúteo, variando entre 8-12 repetições por série, sendo método de pirâmide crescente com intervalo entre elas de 1 e 2 minutos podendo aumentar de acordo com a adaptação do aluno ao treinamento e podendo variar de acordo com os princípios biológicos do treinamento desportivo. Serão excluídos aqueles que se negarem a participar da coleta de dados, desistirem antes do termino da pesquisa e aqueles que apresentarem algum impedimento para o desenvolvimento da pesquisa (religião, dor, alteração corporal incompatível com o treinamento, os participantes que não comparecerem as 24 sessões). RESULTADOS Nossa revisão esta repleta de estudos na literatura internacional como na nacional que verificassem as validades dos benefícios dos exercícios resistidos. Portanto este teve como objetivo avaliar indivíduos sedentários pré e pós-treinamento. 1 – Você já pratica algum tipo de atividade física semanalmente? 15 10 Sim 5 Não 0 Pré Pós Gráfico 1: O gráfico acima mostra a quantidade de pessoas submetidas à pesquisa com relação a pratica de exercícios físicos. 2 – Em que nível de sedentarismo você se classifica? 15 Muito Alto 10 Alto 5 Médio Baixo 0 Pré Pós Gráfico 2: O gráfico acima mostra a diferença na resposta dos indivíduos entre antes e depois do treinamento, relatando o alto índice de resposta à diminuição dos níveis de sedentarismo dos indivíduos. 3 – Realiza exames ou consultas médicas periodicamente? 15 10 Sim 5 Não 0 Pré Pós Gráfico 3: O gráfico apresenta variações nas respostas de antes e depois do treinamento, pois após adentrarem ao programa foram todos instruídos a trabalharem multiprofissionalidade. Página 54 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 4 – Ao exercer suas tarefas do dia a dia, como você geralmente se sente? 14 12 10 8 Bem Disposto Desmotivado Motivado 6 4 2 0 Cansado Agitado Tenso Pré Pós Gráfico 4: O gráfico acima mostra a diferença entre o pré e o pós-treinamento no quesito bem disposto e motivado. 5 – Quando precisa resolver problemas se deslocando a pé como se sente? 8 Com Preguiça 6 Desmotivado Sem Vontade 4 Disposto 2 Motivado Não Faz Diferença 0 Pré Pós Gráfico 5: O gráfico acima mostra uma grande diferença pós-treinamento na questão disposição e motivação no que se refere ao pré-treinamento. 6 – Caso trabalhe, como qualifica seu rendimento dentro dele? 6 5 4 3 2 1 0 Fraco Regular Norm al Bom Ótim o Pré Pós Gráfico 6: Esse gráfico foi o de maior resultado após o treinamento mostrando o alto índice de disposição na relação com sua atividade laboral. 7 – Sente Algum tipo de dor? 8 Nunca 6 Quase 4 Às Vezes 2 Frequentem ente 0 Sem pre Pré Pós Gráfico 7: O gráfico com as respostas da questão 7 mostra a eficiência da pesquisa em relação à dor, mostrando a melhora da condição física e diminuição da sensibilidade dolorosa. 8 – Caso sinta, como você as classifica? 6 5 Muito Fracas 4 Fracas 3 Moderadas 2 Moderadas à Fortes Fortes 1 Muito Fortes 0 Pré Pós Página 55 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 Gráfico 8: O gráfico com as respostas da questão 8 relaciona a intensidade da dor, classifica sua condição de melhora com o treinamento. DISCUSSÃO Embora o nível de concordância entre os resultados pré e pós tenha sido alto para melhora em vários fatores pós treinamento. A capacidade de esforços submáximos deve ser observada nos indivíduos; pois relacionam performance e endurance inversamente com a capacidade dos indivíduos mais velhos de realizar as atividades da vida diária. Muito já se especulou a respeito do treinamento resistido, mas só nas ultimas duas décadas é que a comunidade cientifica passou a demonstrar maior interesse por esse tipo de treinamento. Embora o treinamento resistido há muito tempo seja aceito como eficaz no desenvolvimento e manutenção da força, benefícios relacionado a indicadores de saúde Lima, Oliveira e Silva, (2005). Os aumentos perigosos da pressão arterial e da freqüência cardíaca que muitos indivíduos apresentam nas atividades da vida diária apenas conseguem ser revertido com o aumento da força muscular induzido pelos exercícios com pesos. O condicionamento aeróbio não reverte à situação. A explicação é que para pessoas enfraquecidas, os esforços da vida diária são de alta intensidade, determinando respostas hemodinâmicas excessivas. Para pessoas mais fortes, os mesmos esforços são de menores intensidade, exigindo menor grau de esforço muscular, e conseqüentemente induzindo menores alterações Santarém, (2001). Freqüentemente o individuo é um sedentário de longa data, que perdeu aptidão física geral, acentuadamente massa muscular e força. Sabe-se que a força diminuída é um dos grandes fatores para limitações da atividades diárias Fiatarone, O’Neill e Ryan (1994). A intensidade do esforço é, portanto um conceito relativo, e para pessoas com pouca força muscular, atividade comuns na vida diária podem ser de grandes esforços, situações do cotidiano observadas por todos ilustram este mecanismo fisiológico: pessoas fortes carregam objetos pesados normalmente, enquanto que pessoas mais fracas fazem a mesma tarefa com grande dificuldade é evidente. Baseado em nossos dados e na revisão literária sobre o assunto ficou claro o benefício realizado pelo treinamento com exercícios resistidos. É sabido que situações que aumentam a liberação de substâncias endorfínicas no corpo humano melhoram diretamente a sensação de bem estar e automaticamente um processo benéfico de auto estima é criado relacionando elevação na realização de diferentes tarefas. Provavelmente o exercício faça muito bem este papel motivador, pois melhora a capacidade respiratória, cardiovascular, muscular, metabólica e neurológica, influenciando nas atividades diárias com a facilitação para realização das mesmas, causando diminuição dos níveis e stress melhorando o sono, estimulando a continuidade dos exercícios como produto mantenedor deste funcionamento fisiológico normal, alterado por nossa sociedade capitalista. Instrumentos validados quantificam qualidade de vida. Este estudo simplesmente descreveu situações positivas pós treinamento com exercícios resistidos nas atividades diárias de indivíduos sedentários. Será necessário aprimoramento estatístico e aumento do número de voluntários para descrevermos e compararmos melhor esta qualidade de vida quantificada que na maioria das vezes é subjetiva. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BARBANTI, V. J. Aptidão Física: um convite a saúde. São Paulo, Editora Manole, 1990. CARVALHO, T.; GUEDES, D. P.; SILVA, J. G. (org.). 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[email protected] Página 56 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 MOTIVOS QUE LEVAM OS ADOLESCENTES DO SEXO MASCULINO DE 13 A 15 ANOS A PRATICAREM HANDEBOL NA CIDADE DE POUSO ALEGRE-MG Juliano Penido De Souza Graduado em Educação Física - Universidade do Vale do Sapucaí – UNIVÁS Luis Henrique Sales Oliveira, Mestre – Universidade do Vale do Sapucaí – UNIVÁS Arthur Paiva Neto Mestre – Universidade de São Francisco - USF Alessandro de Oliveira Mestre – Faculdade Presbiteriana Gammon - FAGAM RESUMO O propósito deste estudo foi verificar os principais motivos que influenciaram a busca pela prática no handebol. Responderam onze questões trinta atletas de 13 a 15 anos praticantes de handebol todos residentes na cidade de Pouso Alegre Constatou-se que a busca pelo status social foi motivo primordial para realização do esporte. Os principais motivos que levaram a essa busca for am jogar pela seleção da cidade de Pouso Alegre e chegar a ser uma jogador profissiona , aumentando o convívio e status social. INTRODUÇÃO Neste novo milênio, um novo homem, o homem que pratica atividade física, pratica esportes, aparece no centro das reflexões, da proposta de valores, de conceitos, de comunicação, de interações com o meio ambiente e de expectativas e valores sociais. Assim o esporte torna se um meio de interação, de comunicação, de poder conquistar e saber fazer, de compreender e conhecer através das relações estabelecidas com o ambiente. Ele é o meio, um agente do processo educativo de formação da personalidade, de oportunizar escolha, de ensinar a decidir, de expressão, de criação; sendo agente na formação da cidadania e da melhoria da qualidade de vida da população e o esporte consegue tamanha convivência humana,afetiva e social (RUBIO, 2001). Segundo Verkhoshanski (2001), para um treinador, e importante tanto fazer idéia, por exemplo, do funcionamento do organismo, como também conhecer bem o seu papel na capacidade de trabalho do desportista, praticando qualquer modalidade desportiva.O treinador devera conhecer muito bem a composição e o funcionamento dos músculos durante a ação motora complexa, as fontes energéticas para o trabalho e o modo de elevar a efetividade de seu funcionamento resultante do treinamento de qualquer orientação predominante. O handebol é uma modalidade desportiva praticada em todo Brasil por ambos os sexos e que caminha para seu grande destino: ocupar neste pais ,os primeiros lugares em quantidade e qualidade de professores,técnicos e bons atletas .Temos absoluta convicção disso.O que se reclama hoje e que nas escolas o handebol e um dos esportes mais procurados pelos alunos mas , há infelizmente fatores culturais que acabam levando o handebol a ser desestimulado quando em varias situações se interrompe carreiras brilhantes de bons atletas (SIMÕES, 2002). O handebol é esporte coletivo que como um todo e influenciado há muito tempo pelas mudanças gerais na sociedade por isso e preciso se adaptar de forma especial a essas mudanças, principalmente, no trabalho de base. Afinal, as crianças e os adolescentes representam o nosso potencial para o futuro (EHRET et. al, 2002). Segundo Elliot (2000), um atleta de basquetebol não possui a mesma amplitude de movimento que um atleta de handebol devido a certa habilidade específica, o potencial para produzir mais força e potência para um arremesso ao gol difer ente ao fazer um cesta, e isto devido a exercícios de alongamento que aumentam a elasticidade da unidade músculo-tendínea e conseqüentemente a utilização da energia elástica no ciclo de estiramento-encurtamento. Estes estudos têm implicações muito importantes para atletas adolescentes Os objetivos das aulas variam dos simples exercícios de gestos ou movimentos táticos, sendo praticado por qualquer idade de ambos os sexos (p.332). Segundo Magill (1998), a motivação é importante para compreensão da aprendizagem e dos desempenhos das habilidades motoras devido o seu papel na iniciação, manutenção e intensidade de comportamento. A transcendência do jogo na evolução da esfera das motivações e necessidades dos adolescentes é importantíssima, embora a sua avaliação segura só recentemente tenha sido feita. VIGOTSKI tinha razão quando situava em primeiro plano, como problema central, o das motivações e necessidades para compreender a própria origem do jogo protagonizado (ELKONIN, 1998, p.401). Este trabalho verificará quais são os motivos que levam os adolescentes de 13 a 15 anos a praticarem handebol e se estão com o propósito de obter um status social. Baseado nessas informações o objetivo do estudo é identificar os principais motivos que levam adolescentes do sexo masculino, entre 13 a 15 anos a praticarem handebol na cidade de Pouso Alegre. METODOLOGIA O estudo foi desenvolvido com 30 praticantes de handebol sendo todos do sexo masculino. Este trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética em pesquisa conforme protocolo nº 365/05. Para coleta de dados, foi utilizado um questionário contendo 11 fatores a serem analisados, onde os alunos envolviam respostas quanto ao grau de importância que os influenciava a praticar o handebol. Para esta analise os alunos submetiam a escala de 3 categorias, onde: 0- sem importância; 1- importante; 2- muito importante. Foram entregues 30 cópias do questionário, sendo uma cópia para cada atleta. Os fatores foram previamente esclarecidos ao técnico e os atletas, a fim de que os dados necessários ao seu preenchimento fossem respondidos pelos atletas, o questionário entregue após uma sessão de treino e respondidos no mesmo dia. Os questionários foram recolhidos para verificação, registro e analise dos dados, os quais foram analisados estatisticamente no programa Microsoft Word. ENAF Science, v.1, n.1, p. 57 - 62 Página 57 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 RESULTADOS Os resultados deste estudo foram analisados de forma geral. Figura 2 – Análise dos motivos que levam os adolescentes de 13 a 15 anos a praticarem handebol 28 30 25 23 20 18 16 15 15 15 14 13 13 11 10 10 15 10 5 22 6 5 4 1 5 1 3 7 5 11 7 1 14 13 13 10 7 3 0 1 2 3 4 sem importância 5 6 7 importante 8 9 10 11 muito importante A figura acima representa todos os motivos juntos. De acordo com a figura acima considere os motivos: 1234567891011- Jogo handebol para aperfeiçoar minhas habilidades e aprender novas Jogo handebol influenciado pelos pais Jogo handebol por influencia de seus amigos Jogo handebol para melhorar o condicionamento físico Jogo handebol para ser um jogador profissional Jogo handebol para aumentar o convívio social Jogo handebol por conselho medico Jogo handebol por jogar pela seleção de sua cidade Jogo handebol porque meu ídolo joga handebol Jogo handebol pelo prazer de fazer atividade física Jogo handebol para sentir emoções positivas Após análise dos dados obtidos, pode-se destacar de acordo com a figura 3 que a importância dos fatores motivacionais pela procura do handebol segue-se pela seguinte ordem: por jogar pela seleção da cidade, para ser um jogador profissional e aumentar o convívio social. ANÁLISE DOS DADOS POR QUESTÕES Figura 3 – Análise do primeiro motivo: Para aperfeiçoar suas habilidades e aprender novas; 6 1 sem importância importante muito importante 23 De acordo com a figura, mais da metade dos adolescentes que participaram da pesquisa acham importante para a prática do handebol, aperfeiçoar suas habilidades e aprender novas, respondendo esse motivo 23 atletas, outros 6 acham muito importante e apenas 1 acha que não é importante. Página 58 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 Figura 4 – Análise do segundo motivo: Influenciado pelos pais; 1 sem importância 13 16 impórtante muito importante A maioria dos adolescentes (16) acha que não praticam handebol por motivo de influência dos pais, sendo assim sem importância, 1 dos adolescentes acha que esse motivo é muito importante e 13 deles acham que é importante. Figura 5 – Análise do terceiro motivo: Por influência dos amigos; sem importância 11 15 importante muito importante 4 A metade dos adolescentes (15) acha que esse motivo de praticar handebol por influencia dos amigos é sem importância, 11 acham muito importante para a praticar o handebol e apenas 4 diz que é importante. Figura 6 – Análise do quarto motivo: Para melhorar o condicionamento físico; 5 10 sem impotância importante muito importante 15 A metade dos adolescentes (15) acha que esse motivo de melhorar o condicionamento fisico é importante, outros 5 acham que é muito importante e apenas 5 acham que é sem importância. Página 59 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 Figura 7 – Análise do quinto motivo: Para ser um jogador profissional 10 sem importância importante 15 muito importante 5 Onde o motivo é ser um jogador profissional, 15 atletas acham que esse motivo é de muita importância, 10 acham, que é sem importância e os outros 5 atletas acham importante. Figura 8 – Análise do sexto motivo: Aumentar o convívio social 13 14 sem importância importante muito importante 3 Ao responder a esse motivo 14 atletas acham de muita importância aumentar o convívio social , 13 acham sem importância e 3 atletas acham importante. Figura 09 – Análise do sétimo motivo: Por conselho médico 1 1 sem importância importante muito importante 28 Ao responder a esse motivo a maioria (28) disseram que é sem importância, 1 diz que é importante e 1 diz que é de muita importância. Página 60 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 Figura 10 – Análise do oitavo motivo: Por jogar pela seleção de sua cidade 5 sem importância importante 7 18 muito importante Ao responder que pratica handebol pelo motivo de jogar pela seleção da cidade, a maioria (18) acharam de muito importante, 7 atletas acham importante e 5 acham sem importância. Figura 11 – Análise do nono motivo: Porque seu ídolo joga handebol; 1 7 sem importância importante 22 muito importante 11, a maioria (22) acharam sem importância a pratica do esporte pelo motivo de um ídolo jogar handebol, 7 atletas acham importante e somente 1 acha muito importante. Figura 12 – Análise do décimo motivo: Pelo prazer de realizar atividade física 3 sem importância 13 importante muito importante 14 14 atletas acharam importante esse o motivo de praticar o handebol pelo prazer de fazer atividade física, 13 acham muito importante e somente 3 atletas acham sem importância. Página 61 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 Figura 13 –Análise do décimo primeiro motivo: Sentir emoções positivas; 7 Sem importância 10 importante muito importante 13 Ao responder a esse motivo 13 atletas acharam importante sentir emoções positivas, outros 10 acham muito importante esse motivo e 7 atletas sem importância. CONCLUSÃO Ao se concluir este trabalho que teve como objetivo identificar os principais motivos que levam adolescentes do sexo masculino, entre 13 a 15 anos a praticarem handebol na cidade de Pouso Alegre, observou-se muitos são os motivos responsáveis pelo bom desenvolvimento e desempenho na aquisição e manutenção de habilidades em atividades esportivas. O ser humano carrega consigo variadas potencialidades, que, em contato com o meio adequado, desencadeiam o desejo em realizar ou empreender. A motivação é acionada através desta combinação entre a predisposição e a adequação do meio em que se vive. Deve-se, ainda, atentar para o fato de a motivação estar associada a fatores orgânicos, em cuja fisiologia, a função química determina os resultados. E, também, os aspectos de ordem psíquica e social, que podem causar efeitos motivacionais ou não. Ou ainda, o equilíbrio entre ambas as esferas. Com base nas teorias, percebeu-se diferentes percepções sobre a motivação. Machado e Gouvêa (1997), por exemplo, conceituam o motivo como um fator interno não observável e que direciona o comportamento e colocam ainda que o motivo pode ser dividido em dois aspectos: o impulso, processo interno que faz com que o indivíduo tenha a ação do comportamento e a motivação que termina ou diminui, quando o objetivo é alcançado. Os mesmos autores relatam que as aspirações dos atletas determinam a motivação para um determinado esporte, ou seja, ele pode se motivar mais por basquete do que por handebol. Existem outras atividades, em Educação Física, que não precisam necessariamente envolver movimento muscular, como, por exemplo, ouvir uma aula teórica. As atividades que requerem maior participação, ou seja, com mais movimentos, concentram maior número de motivos para aumentar o interesse e o estímulo do participante, além de despertar um sentimento de desafio. Através deste estudo conclui-se que os motivos que levaram os adolescentes a treinarem handebol foram jogar pela seleção da cidade e chegar um dia a ser um jogador profissional. A procura em se destacar ou chegar a um status social, desencadeou um interesse muito grande dos jovens atletas levando-as a praticar o esporte. Outros fatores porem se destacaram como importantes: aperfeiçoar suas habilidades e aprender novas para tentar chegar futuramente a uma seleção , melhorar o condicionamento físico e pelo prazer de realizar atividade física para ter uma vida saudável e um futuro saudável . Já outros fatores como influencias dos pais e amigos e por conselho medico foram desprezados REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AMERICAN SPORT EDUCATION PROGRAM. Ensinando handebol para jovens. 2ª edição, São Paulo: Manole ,1999. BANDURA, A. Cognitive processes mediating behavioral change. Journal of Personality and Social Psychology, 1977. BECKER, B. ; SAMULSKI, D. Manual de treinamento psicológico para o esporte. Belo Horizonte: Feevale,1998. CONFEDERAÇÃO brasileira de handebol. Aracaju, [200-?]. Disponível em: <http://www.brasilhandebol.com.br>. Acesso em: 12 maio 2005. DUDA, JL., CHI L., NEWTON, M.L. International Journal of sport Psychology. Macmillan Publishing Company, 1995. EHRET, A.; SPÄTE, D.; SCHUBERT, R.; ROTH, K., Manual de Handebol: treinamento de base para crianças e adolescentes. São Paulo: Phorte, 2002 ELKONIN, D. B. Psicologia do jogo. São Paulo:Martins Fontes, 1998. ELLIOTT, B ; MESTER, J. Treinamento no Esporte: aplicando ciência no esporte. 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[email protected] Página 62 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 EFEITOS HIPOCOLESTEROLÊMICOS DA ATIVIDADE FÍSICA ANAERÓBIA EM RATOS COM HIPERCOLESTEROLEMIA INDUZIDA POR DIETA Wander Lopes Pereira Professor Mestre do UNIFOR-MG Bruno Mezêncio Leal Resende Graduando em Educação Física no UNIFOR-MG Guilherme Barbosa Graduando em Educação Física no UNIFOR-MG José Carlos Leal Graduando em Educação Física no UNIFOR-MG Samuel Faria Paim Graduando em Educação Física no UNIFOR-MG RESUMO As doenças cardiovasculares estão entre as principais causas de morte no Brasil e no mundo, e alguns dos principais fatores de risco para o desenvolvimento destas doenças são o colesterol elevado e o perfil de lipoproteínas plasmáticas desfavorável. A atividade física é uma importante ferramenta para o controle do colesterol e das lipoproteínas e por tanto pode prevenir o surgimento de doenças cardiovasculares. Neste estudo observamos o comportamento dos níveis de colesterol em ratos machos com hipercolesterolemia induzida submetidos à atividade física anaeróbia por oito semanas. A atividade física anaeróbia se mostrou eficiente, diminuindo em 22,52% os níveis de colesterol total, mostrando que a atividade anaeróbia pode ser tão eficiente quanto a atividade aeróbia na modificação dos níveis de colesterol plasmático. Observamos também que somente uma intervenção na dieta não constitui estimulo suficiente para redução dos níveis de colesterol total, reduzindo estes em apenas 5,59%. INTRODUÇÃO Segundo a Organização Mundial de Saúde OMS e o Ministério da Saúde cerca de 30% das mortes no mundo e 25% das mortes no Brasil são causadas por doenças cardiovasculares (DCV) entre elas arteriosclerose e suas complicações e infarto agudo do miocárdio. Ainda segundo estas entidades os maiores fatores de risco exógenos das DCVs são as mudanças nos hábitos alimentares da população (mais calorias e menos nutrientes) e a inatividade física. Dentre os fatores de risco endógenos estã o a hipertensão, a hipercolesterolemia (que é um dos fatores que aflige a maior parte da sociedade), sobrepeso e obesidade, elevação dos níveis plasmáticos de LDL (lipoproteínas de baixa densidade), diminuição dos níveis de HDL (lipoproteínas de alta densidade), aumento de triglicérides. Estudos recentes também demonstram que a distribuição anatômica da gordura corporal também indica risco de DCVs e o aumento da adiposidade aumenta os índices de triglicérides, colesterol total e diminui o HDL. Segundo o ministério da saúde o melhor método para se combater este problema é a associação de uma dieta adequada e um programa de atividades físicas e em alguns casos mais adiantados tratamento farmacológico. O educador físico é um profissional da área da saúde assim como médicos, nutricionistas e fisioterapeutas, tendo consciência deste nosso papel na saúde chegamos a conclusão que uma importante contribuição que podemos prestar a sociedade é no controle dos níveis de colesterol e lipoproteínas através da atividade física, já que a altos níveis destes estão diretamente ligados a ocorrência de DCVs. Já é comprovado que a atividade física modifica o perfil lipídico e a composição corporal, no entanto ainda existe a crença de que somente o exercício aeróbio é eficiente para a diminuição do colesterol sangüíneo e para modificação da composição corporal. Com este trabalho procuramos descobrir se a atividade física anaeróbias é tão eficiente quanto a atividade aeróbia na redução dos níveis de colesterol. MATERIAIS E MÉTODOS A parte experimental deste trabalho foi realizada no laboratório de Nutrição de Experimental e no laboratório de Fisiologia Humana. Foram utilizados 24 ratos machos Wistar fornecidos pelo Biotério do departamento de Bioquímica da Universidade Federal de Minas Gerais. Os animais foram separados em gaiolas individuais e submetidos a ciclos claro /escuro, de 12h com temperatura controlada à 23 ºC recebendo 20 g/dia de ração por animal e água à vontade. Modelo experimental de ensaio biológico com hipercolesterolemia induzida por dieta contendo colesterol mais ácido cólico, longa duração. Para a realização deste experimento foi utilizada a dieta comercial da marca Rhoster adquirido da Rosther Industria e Comercio LTDA. Sua composição básica compreende: farelo de milho, farelo de soja, farelo de trigo, farelo de carne e osso 40%, calcário, melaço em pó, açúcar, óleo de soja, sal comum, foscálcio, farinha de arroz e mix metta. Esta dieta é indicada para animais roedores adultos para manutenção do seu peso corpóreo. O grupo controle foi mantido nesta dieta ao longo do período experimental. Os outros quatro grupos receberam esta dieta adicionada de 1% de colesterol puro e 0,1% de ácido cólico. Com o objetivo de intensificar a hipercolesterolemia foi adicionada a dieta 3,9 % de banha hidrogenada. Para a homogeneização dos ingredientes acrescentados a dieta utilizou-se batedeira semiindustrial. Ensaio Biológico Os animais foram divididos em 4 grupos, controle sem colesterol (SC), controle de colesterol (CC), natação intervalada (NI), sedentários (SE). Os três últimos grupos foram submetidos a uma dieta hipercolesterolemica e hipercalórica por 4 semanas. Ao final deste período foram realizadas análises dos níveis de colesterol sangüíneo no grupo CC. O grupo NI foi submetido à atividade física por 8 semanas, 5 vezes por semana que consistia em 5 séries de um minuto com um minuto de intervalo e carga de 6% do peso corporal dos ratos amarrado a calda do animal. A carga foi aumentada Página 63 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 progressivamente durante o decorrer do experimento chegando a 9,5%, sendo a primeira semana de adaptação ao exercício, as atividades sempre ocorreram no mesmo horário. A atividade foi realizada em tanques de vidro individuais com 25 cm de largura, 25 cm de comprimento e 50 cm de altura. A partir da quarta semana os ratos foram alimentados com dieta normocalórica e normocolesterolêmica. Ao final do experimento foram novamente realizadas análises dos níveis de colesterol sangüíneos sendo realizadas na mesma hora do dia. Coleta do sangue No final do experimento, os animais foram deixados em jejum por 12 horas e em seguida, foi coletado o sangue por punção cardíaca. Foram feitas dosagens de colesterol no soro, utilizando-se kits Labortest. RESULTADOS E DISCUSSÕES Os resultados obtidos para colesterol total no soro sangüíneo de ratos machos da raça Wistar, com hipercolesterolemia induzida por via oral são mostrados na tabela 1 expresso em mg/dl com suas respectivas porcentagens de variação. TABELA 1 GRUPO Controle Controle colesterol Natação intervalada Sedentário Colesterol (mg/dl) 77,74± 6,20 115,2 ± 6,24 89,25 ± 3,35 108,75 ± 3,01 % DE VARIAÇÃO* 32,51 48,18** 22,52 5,59 *em relação ao controle colesterol **em relação ao controle Pelos resultados das análises de variação pode-se observar que os valores do grupo controle e do grupo normal foram significativamente diferenciados, sendo o nível de colesterol do grupo normal 77,74mg/dl e do grupo controle 115,2mg/dl. Pode-se observar também que a variação dos valores do grupo de exercício natação intervalada foi estatisticamente significativo em relação ao grupo controle, apresentando valor de 89,25mg/dl para o grupo natação intervalada, com um percentual de redução do nível de colesterol de 22,52%. Não houve diferença significativa dos níveis de colesterol entre o grupo controle e o grupo sedentário, este apresentou um nível de colesterol de 108,75mg/dl, uma redução de apenas 5,59%. Na comparação entre o grupo de exercício natação intervalada e o grupo sedentário não houve uma diferença significativa dos resultados encontrados, apresentando uma variação de 21,84% entre eles e uma diferença de 16,93% entre eles em relação ao grupo controle, estes resultados demonstram que somente uma modificação na dieta não é suficiente para modificar o perfil de colesterol, outros estudos já haviam encontrado os mesmos resultados, indicando ainda que numa intervenção apenas na dieta ocorre uma menor perda de gordura e maior perda de massa magra e devido a este e outros fatores uma associação entre dieta e exercício é o mais eficiente (CIOLAC/ GUIMARÃES, 2004; SABIA et. al., 2004; STEFANICK et. al., 1998). A combinação entre a redução da ingestão de gorduras na dieta e o aumento do gasto de energia promovida pela atividade física seja ela aeróbia ou anaeróbia criam um estado fisiológico benéfico para o metabolismo de lipídios, mesmo que não ocorra perda de peso (STEFANICK et. al., 1998). Vários estudos têm demonstrado a eficiência de atividades físicas aeróbias na redução do colesterol total (BROWNELL et. al., 1982; CIOLAC/ UIMARÃES, 2004; GUEDES/ GUEDES, 1998; KHAWALI et. al., 2003; MARQUES et. al., 2003; MONTOYE et. al., 1959; SABIA et. al., 2004; STARZEC et. al., 1983; STEFANICK et. al., 1998), porém também existem estudos que indicam que a atividade física não é eficiente na modificação dos níveis de colesterol total (PINTO et. al., 2003). O mecanismo de como a atividade física contribui na modificação dos níveis de colesterol e lipoproteínas ainda não é conhecido com exatidão, porém alguns estudos já sugerem que o aumento da atividade da lipoproteína lipase e o decréscimo da síntese hepática de triglicérides seriam os responsáveis pela redução dos níveis de lipídios plasmáticos (BERNARDES et. al., 2004; CIOLAC/ GUIMARÃES, 2004; GUEDES/ GUEDES, 1998; LIEBMAN et. al., 1983; SMITH et. al., 1982). Além do aumento da atividade da lipase lipoprotéica, outras enzimas envolvidas nos processos oxidativos de indivíduos com altos níveis lipídicos como Carnitina Palmitoil Transferase - CPT, 3-Hidroxi-acil-COA Desidrogenase e Citrato Sintase (AOKI et. al., 2003). A atividade física aeróbia também aumenta a mobilização de gordura localizada na região abdominal (a gordura centralizada correlaciona-se com níveis lipídicos desfavoráveis (PINTO et. al., 2003)) e assim afeta indiretamente os níveis de lipídios plasmáticos já que as células adiposas na região intra-abdominal liberam ácidos graxos livres na circulação portal, esta exposição do fígado aos ácidos graxos livres influencia em diversos processos metabólicos, entre eles os níveis de colesterol e lipoproteínas plasmáticas (CIOLAC/ GUIMARÃES, 2004; GUEDES/ GUEDES, 1998; SABIA et. al., 2004). Outra alteração benéfica da atividade física é o aumento da capacidade muscular de consumir ácidos graxos livres (AOKI et. al., 2003; BERNARDES et. al., 2004; CIOLAC/ GUIMARÃES, 2004). Neste estudo foram encontrados resultados semelhantes aos de outros estudos como a perda de peso corporal e a redução de colesterol total, estes resultados vêm reforçar outros que demonstram que a atividade física anaeróbia pode ser um estímulo tão eficiente quanto a atividade aeróbia para modificação do perfil de colesterol plasmático, atuando de forma semelhante aumentando a mobilização de ácidos graxos livres (SABIA et. al., 2004), contudo também existem mecanismos de ação próprios de cada tipo de atividade e por isso uma interação entre ambas pode ser favorável (CIOLAC/ GUIMARÃES, 2004). CONCLUSÃO Com base nos dados obtidos neste estudo concluímos que a atividade física anaeróbia mostrou resultados satisfatórios na modificação dos níveis de colesterol total. Estes resultados foram semelhantes a resultados obtidos com a atividade física aeróbia em outros estudos. Também foi possível concluir que somente a dieta normocolesterolêmica não é suficiente para promover uma redução significativa dos níveis de colesterol total. Página 64 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 De acordo com os resultados deste trabalho e considerando os diversos mecanismos de ação propostos tais como: ativação da enzima lipase, aumento da mobilização de ácidos graxos livres, os efeitos encontrados nos níveis de colesterol ligados à atividade física estimulam a continuação dos estudos com maior grupo de amostra e com outras espécies animais que possuem o metabolismo lipídico mais semelhante possível com o humano, e com o próprio ser humano a fim de obter informações mais precisas e detalhadas sobre este assunto. REFERÊNCIAS AOKI, M. S; BELMONTE, M. A; SEELAENDER, M. C. L. Influência da suplementação lipídica sobre a indução do efeito poupador de glicogênio em ratos submetidos ao exercício de “endurance”. 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[email protected] Página 65 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 ESTUDO COMPARATIVO SOBRE DUAS METODOLOGIAS DE TREINAMENTO DE FORÇA E HIPERTROFIA MUSCULAR EM PRETICANTES DE MUSCULAÇÃO: PERIODIZAÇAO LINEAR (CLÁSSICA) E PERIODIZAÇAO NÃO – LINEAR (ONDULADA) Luis Fernando Simioni RESUMO Com base cientifica na literatura, irei expor, duas metodologias de programa de treinamento de força, a periodização linear (clássica) e a periodização não linear (ondulada). Ainda baseado na literatura, confrontei essas duas metodologias, no qual, o objetivo desse estudo, foi verificar se a periodização ondulada é mais eficiente que a periodização clássica indivíduos prati cantes de musculação. Tal estudo, foi elaborado criteriosamente, a fim de que a seriedade e a veracidade dos dados fossem obtidos com a mais absoluta clareza e exatidão. O protocolo do estudo foi proposto e desenvolvido com dois grupos distintos: o primeiro grupo com quatorze indivíduos foram trinados por um período de quatro meses e desenvolveram um macrociclo de quatro meses subdividido em quatro mesociclos, caracterizando a periodização linear, o outro grupo, também com quatorze indivíduos, foram treinados pelo mesmo período, porem desenvolveram um macrociclo de quatro meses, subdivididos em microciclos semanais, caracterizando a periodização não linear. Como critério de avaliação, mensalmente foi realizado com todos indivíduos propostos ao estudo, testes de (IRM) no exercício supino reto, catalogando o desempenho individual e geral de cada grupo. Tendo em mãos os dados pré-test e pós-test, foi observada uma melhora substancial em ambos os grupos treinados, porem, no decorrer dos meses até o resultado final, foi constatado no grupo não linear, em desempenho superior em 17,21% no aumento da força no geral, e, individualmente, temos individuo que atingiu a porcentagem de 75% em relação aos outros indivíduos. Em conclusão ao estudo, houve uma diferença estatisticamente significante, podendo assim afirmar que a periodização não linear se tornou mais eficiente no trabalho com alunos de musculação, acreditando que passa a ser apreciada e discutida acima de tudo para contribuir na busca do conhecimento entre nós profissionais da saúde. Desde já, meu honroso agradecimento a toda comissão cientifica, em particular ao professor Arthur Paiva Neto. Palavras-chave: Periodização linear, Periodização não linear, treinamento de força, Teste de (IRM), Supino reto, Musculação. INTRODUÇÃO Antes de adentrarmos propriamente ao estudo científico, no qual esta sendo subjugado e proposto de que a periodização não-linear, seja mais eficiente que a periodização clássica.Em 1981, (Stone, O’Bryant e Garhammer), desenvolveram um programa de treinamento de força, baseado em estudo de europeus orientais. O sistema seria caracterizado por iniciar o treinamento com um alto volume de exercícios e baixa intensidade, e, em cada mesociclo, o volume era reduzido e a intensidade(carga) era aumentada. Apartir desse momento ficou mais organizado o planejamento dos treinos, denominada de periodização clássica ou linear, com um longo macrociclo (período), dividido em mesociclos (mensal), podendo assim ser traçado um objetivo a cada mesociclo, Porém, em contrapartida, (Poliquim 1988) e respectivamente(Backer 1994), elaboraram um outro tipo de planejamento, chamado de periodização não-linear (ondulada). Enfatizaram alterações radicais nas cargas usadas, e, além disso, o macrociclo se tornou menor, tomando forma de mesociclos e subdivididos em microciclos (semanas), no qual a variação de volume e intensidade eram manipuladas na própria semana, gerando assim, um estímulo mais rápido ao treinamento de força. Em estudos adicionais, (kraemer et. al, no prelo), chegou também a uma visão comum a Poliquim, dizendo que o elemento chave de uma periodização seria a variabilidade entre volume e intensidade aplicada, citando ainda que tais parâmetr os tem por objetivo, a variação de estímulos mais seqüenciais, não criando uma situação de homeostase fisiológica ao treinamento. Com todo esse aparato em mãos, o que segue nesse estudo, é a comparação dessas duas metodologias de periodização, e após cinco anos de esforço e dedicação trabalhando na sala de musculação, consegui colher ótimos resultados e extremamente gratificante para mim e para meus alunos praticantes dessa atividade.Espero assim que possa estar contribuindo para a orientação e esclarecimentos á todos os interessados da área. MATERIAS E METODOS A seguir, será abordado e mostrado os materiais e métodos utilizados. Foi utilizado como material de estudo, vinte e oito indivíduos, separados em dois grupos homogêneos. O primeiro grupo foi direcionado a periodização clássica, exposto a um macrociclo de quatro meses e posteriormente subdivididos em quatro mesociclos, como mostra a (figura 1a). Em oposição, o outro grupo foi submetido à periodização não-linear. Foi elaborado quatro mesociclos, consequentemente subdivididos em quatro microciclos, dentro de cada mesociclo (figura 1 b) ou ainda, possa ser subdividido dentro da mesma semana, como mostra a (figura 2 a) Página 66 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 . Os exercícios propostos aos dois grupos foram os mesmos, sendo eles, divididos ao longo da semana em A e B, em dias alternados e, subsequentemente sendo invertidos a cada semana, porp.exemplo: ENAF Science, v.1, n.1, 66 - 68 segunda-feira (A), terça-feira(B), quarta-feira(A), quinta-feira(B), sexta-feira(A), e na semana subseqüente, começando pela letra (B), e assim, por toda extensão do estudo. Os exercícios trabalhados foram: Peitorais-supino reto e supino em declive Costas-puxada pela frente e remada baixa na polia. Deltóides-desenvolvimento atraz e elevação lateral com halter. Bíceps-rosca bíceps e rosca bíceps alternada com halter. Tríceps-tríceps na polia alta e tríceps testa na máquina. Quadríceps-agachamento e cama flexora. Panturrilha-panturrilhador em pé e banco solear. RESULTADOS E DISCUÇÃO Para a realização desse trabalho, foram participados vinte e oito indivíduos e ressaltando, todos já treinados há mais de dois meses, a faixa etária de todos variam entre vinte e três e vinte e cinco anos de idade. Ressaltamos ainda, que a aplicação do trabalho, em espécie alguma foi com o intuito de desmerecer qualquer profissional que trabalhe com a metodologia de periodização clássica, em absoluto, e sim, com o propósito de avaliarmos e concluirmos a eficiência maior e mais dinâmica de metodologia de periodização não linear. Observamos que na (figura 1): Os indivíduos que se submetem à periodização clássica mostrando sua evolução mensal concluída por teste de (IRM) no supino reto, correspondendo à carda atingida em cada mês e a porcentagem da evolução individual, e ao final, tênis a média fi nal em (Kg) e a porcentagem (%) total conseguida ao longo do estudo. A analise da figura (2): Página 67 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 Temos os indivíduos que passaram pelos mesmos procedimentos tiveram sua evolução citada igualmente ao outro grupo. Vale ressaltar que esse grupo trabalhou com a metodologia de periodização não linear, ressaltando a importância dos resultados na média geral e individual do grupo, bem como o maior, indicando uma inclinação positiva e significativa dos indivíduos (9 e 10) e para a média percentual no aumento significativo comparado com o outro grupo. Os indivíduos indicados foram trabalhados com a periodização não linear, no geral se mostrou superior em todos os aspectos citados. Se observarmos ainda o gráfico da figura (3): Teremos muito bem explanado a diferença significante entre os dois grupos e de uma forma geral, na figura (4): O êxito final desse estudo, identificados pelos indivíduos que se submetem aos treinos assistidos pela periodização não linear. Página 68 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 CONCLUSÃO O presente estudo avaliou vinte e oito indivíduos divididos em 2 grupos, para analisarmos o desempenho de duas metodologias de treinamento de força; a periodização linear ou clássica e a periodização não linear ou ondulada. Foram apresentadas de uma forma clara e direcionada as variações apontadas pelo estudo, e acima de tudo, constatado uma diferença pertinente pelos indivíduos que se submeteram a periodização não linear. Como professor de musculação, me sinto satisfeito, pois foi um trabalho de quatro anos usando a periodização não linear. Acredito ter realizado a proposta do estudo e ter identificado os pontos favoráveis de cada metodologia, e apontado uma vertente maior para a periodização não linear. Contudo, agradeço a todos que colaboraram de forma direta e indireta para a conclusão desse estudo e a honrosa comissão cientifica, pela oportunidade dada a profissionais como eu, de explanarem seus conhecimentos, e em partículas ao professor Arthur de Paiva Neto; pela forma carinhosa e atenciosa que tanto contribuiu para conclusão de meu trabalho e também ao incentivo e disposição em me auxiliar em meu processo de aprendizagem a minha querida professora Marisa Sguassabia Ferreira no qual me propicia a oportunidade de trabalhar e desenvolver meus estudos. REREFENCIAS BIBLIOGRAFICAS 1 – M.H.STONE, H. O’ Bryant e J. Garhammer, 1981 “A hypothetical model for strenght training’’. 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[email protected] COMPARAÇÃO DE TESTES NEUROMOTORES E ANTROPOMÉTRICOS DE GOLEIROS DE FUTEBOL DE CAMPO E DE FUTSAL DA PRIMEIRA DIVISÃO DO ESTADO DE SÃO PAULO Anderson Simões Graduado em Educação Física Arthur Paiva Neto Mestre – Universidade São Francisco – USF Alessandro de Oliveira Mestre –Faculdade Presbiteriana Gammon – FAGAM RESUMO Este trabalho foi feito para comparar a aptidão neuromotora de goleiros de futebol de campo e futsal de equipes da primeira divisão do estado de São Paulo a partir de testes generalistas de flexibilidade, impulsão vertical, impulsão horizontal e agilidade. O estudo foi realizado com 21 atletas (goleiros) profissionais, sendo, 10 goleiros de futsal e 11 goleiros de futebol de campo, todos de equipes da primeira divisão do estado de São Paulo. Foram realizadas as coletas de peso, estatura e dobras cutâneas, sendo, peitoral, abdominal e coxa anterior e os testes de flexibilidade (sentar e alcançar), agilidade (shuttle run), impulsão verti cal e impulsão horizontal. Além disso, foram calculados o percentual de gordura e o índice de massa corporal e utilizados os seguintes equipamentos: balança antropométrica Sunrise; adipômetro Lange; lápis dermográfico Sanny; cronômetro; banco de Wells; fita métrica; esparadrapo; blocos; giz e ficha de coleta de dados. Os seguintes resultados foram encontrados: o peso total e magro, assim como a estatura (cm) foi maior no futebol de campo em relação ao futsal (p<0,05), sendo que os demais parâmetros não apresentaram diferenças (p>0,05); os testes de shuttle run, impulsão vertical, horizontal e flexibilidade também não. Os testes propostos não apresentaram diferenças entre os goleiros de futebol de campo e futsal. É provável que os testes generalistas possam ter influenciado os resultados, porém é necessário voltar esta conclusão para a necessidade de se rever os treinamentos específicos de goleiros. É igualmente importante se realizarem outras investigações para que se possam checar estas proposições. INTRODUÇÃO Nos dias de hoje, pode-se notar a grande evolução do treinamento dos goleiros, seja qual for a sua modalidade. Duas dessas modalidades chamam mais a atenção devido ao estilo de jogo, que são elas: futsal e futebol de campo. A semelhança dos estilos de jogo dessas duas modalidades, chama a atenção em relação aos goleiros, porque alguns aspectos dentro de cada modalidade diferenciam a forma dos goleiros atuarem. O futebol, como qualquer outro esporte coletivo quando praticado profissionalmente, exige ótimo preparo físico dos atletas. Dentro desse contexto, a análise da composição corporal tem sido amplamente utilizada como parâmetro de avaliação e acompanhamento dos programas de treinamento (FREITAS, 2003). Mathews (1980), cita que a aptidão física pode ser traduzida com a capacidade de um indivíduo desempenhar tarefas físicas envolvendo esforço muscular. Este esforço vem sendo analisado no sentido de estabelecer suas variáveis, que podem ser: variável psíquica (ansiedade, motivação, inteligência e personalidade); variável metabólica (Sistema Energético Aeróbio, Sistema Energético Anaeróbio Alático e Sistema Anaeróbio Lático); variável neuromuscular (força, velocidade, flexibilidade e coordenação) e vari ável cineantropométrica (composição corporal, somatotipo, proporcionalidade e crescimento e desenvolvimento) (FARINATTI & MONTEIRO, 2000). Página 69 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 Elias (2004) cita que, existem testes específicos para cada esporte ou para níveis de aptidão física diferente a serem alcançados. A escolha do teste pode ser fator determinante na condução de uma avaliação fidedigna (MELLION ET ALL). Percebe-se que, a preparação física provoca alterações na composição corporal daqueles atletas que seguem o cronograma de treinamentos e, fica nítido, que a adoção dos estudos da cineantropometria é um excelente meio de avaliar, planificar e controlar as variáveis físicas e antropométricas dos atletas (TENROLLER 2004). Como é de conhecimento de todos os profissionais envolvidos em programas de atividade física e condicionamento físico no esporte, seja ele, de alto rendimento ou apenas na manutenção da forma física do individuo, a observação de alguns componentes que norteiam a montagem destes programas, quase sempre estão focados em uma determinada valência física que acaba complementando o objetivo do trabalho proposto, ou para atender as expectativas de seus clientes, alunos ou atletas (ANDRADE, 2005). Na aptidão neuromotora, a coordenação pode ser considerada a qualidade física que permite uma combinação físicomotora, onde o gesto executado será realizado com mais facilidade, favorecendo uma ação mais eficaz dos diversos grupos musculares na realização de movimentos seqüentes, proporcionando além da eficiência uma economia da energia (FONSECA, 2001). Abelha (1999), diz que a coordenação é a realização de movimentos eficientes com harmonia e pouco esforço, ou seja, maior performance e menor gasto energético. O equilíbrio e o ritmo devem ser trabalhados no sentido de melhorar a coordenação do atleta para que seus movimentos sejam precisos e seguros. Para Tubino (1984), a velocidade de reação também chamada de tempo de reação pode ser definida como a velocidade com a qual um atleta é capaz de responder a um estímulo. È uma qualidade imprescindível para velocistas de um modo geral, goleiros (futebol), lutadores, etc. A força e a potência são qualidades físicas com o mesmo objetivo, que é permitir aos músculos vencer uma resistência. A potência pode ser considerada como a união da força com a velocidade. Para o goleiro de futsal, os deslocamentos, saltos e principalmente os lançamentos são compostos de movimentos realizados com muita potência muscular (FONSECA 2001). Quanto aos padrões metabólicos, a capacidade e/ou potência aeróbia e anaeróbia, é definido como a condição de suportar um esforço prolongado. A aeróbia é quando o atleta resiste a um trabalho prolongado de intensidade fraca à média, já o anaeróbio, e quando o atleta resiste a um trabalho curto de intensidade média a forte (ABELHA, 1999). Há, contudo, uma posição que requer qualidades físicas, técnicas e psicológicas específicas, devido a sua função especial dentro da equipe: o goleiro. Este atleta tem a difícil missão de ser o último obstáculo na tentativa de evitar os gols do adversário, sendo necessário para tal estar sempre em perfeita forma (embora nem sempre isto seja possível), condição que só se adquire através de um árduo treinamento específico que busque aprimorar suas qualidades e corrigir possíveis falhas (JORGE, 2002). O goleiro no futebol constituiu um mundo à parte, já que é o único futebolista de um elenco que tem seu próprio treinador e preparador. Sem dúvida isso não poderia ser diferente pela sua posição especialíssima. Afinal ele é o único que não pode nunca falhar (FRISSELLI E MANTOVANI, 1999). ENAFoScience, v.1,an.1, p. 69 - 72 de se ter um profissional exclusivo, o preparador A função do goleiro é altamente específica que requer necessidade de goleiros, para elaborar, executar e avaliar o seu plano de treinamento. Infelizmente, observamos que a maior parte dos clubes (nas categorias menores) ou escolinhas de Futsal ainda não possuem este profissional ou colocam indivíduos que não dispõem dos conhecimentos necessários para orientar e treinar o jovem goleiro (FORTES, 2005). No futsal moderno a importância física é fundamental para o desempenho do atleta. Criar lastros físicos e mantê-los durante a competição, obter o máximo de rendimento, aplicar exercícios elaborados adequadamente e utilizar equipamentos de controle absoluto. Exercícios como velocidade, agilidade, reflexos e coordenação deverão ser priorizados, assim como manter tônus muscular, em equipamentos de musculação (VARGAS 2005). A performance do jogador de futebol é determinada por várias habilidades, capacidades e qualidades que se completam de modo interdependente. As qualidades físicas possuem um caráter condicional. Elas representam um pré-requisito para a performance técnica, tática e psíquica estável na competição (WEINECK 2004). O processo de treinamento aumenta a aptidão física e o desempenho atlético. O treinamento envolve uma seqüência organizada de exercícios que estimulam aumentos ou adaptações anatômicas e fisiológicas. Dependendo da qualidade e duração de cada sessão, as melhoras induzidas pelo treinamento são desenvolvidas e conservadas, conseqüentemente aumentando a tolerância ao exercício. Geralmente, o aumento dessa tolerância resulta em aumento de desempenho (ROBERGS E ROBERTS 2002). As atividades fisiológicas de um determinado exercício devem estar intimamente relacionadas às atividades do seu esporte. Partindo deste princípio se observa que o goleiro se desloca aproximadamente de 1,5 a 3 km durante uma partida, deste total a sua maioria em piques curtos de 5 a 10 metros, assim como caminhadas lentas pela sua área (HARTMANN, 2005). Hernandes Jr. (2002) cita que para conseguirmos o aprimoramento da fonte energética que está envolvida na atividade em que iremos desempenhar, devemos ter em mente o principio da especificidade do treinamento, ou seja, devemos selecionar esforços que tenham fonte energética à mesma da atividade, para que, assim, desenvolvamos positivamente o nível de performance. Para o goleiro, ela servirá como fonte de informação, uma vez que terá sempre em mão dados positivos ou negativos que poderão auxiliá-lo, inclusive, na comparação dos seus resultados com os dos companheiros que disputam com ele um lugar de destaque na equipe. A posição de goleiro, deve ser estudada, analisada e assim verificar os pontos carentes do goleiro aonde deve ser dado uma ênfase para os treinamentos, só que uma equipe que possui apenas um treinador, sem assistente, preparador físico, preparador de goleiros, entre outros nota-se que o trabalho técnico-tático do goleiro é sempre colocado de lado, prejudicando a performance do atleta (COSTA 2000). Este trabalho foi feito para comparar a aptidão neuromotora de goleiros de futebol de campo e futsal de equipes da primeira divisão do estado de São Paulo a partir de testes generalistas de flexibilidade, impulsão vertical, impulsão horizontal e agilidade. METODOLOGIA Procedimentos iniciais e cuidados éticos Inicialmente este estudo foi submetido e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade do Vale do Sapucaí com número de protocolo 369/05. Anexo 1. Página 70 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 Antes da coleta de dados os atletas assinaram um termo de consentimento para a participação deste estudo. O modelo deste termo encontra-se no apêndice 1. Os testes foram realizados em seus respectivos clubes, todos realizados em condições iguais físicas dos locais. Sujeito O estudo foi realizado com 21 atletas (goleiros) profissionais, sendo, 10 goleiros de futsal e 11 goleiros de futebol de campo, todos de equipes da primeira divisão de São Paulo. As equipes que colaboraram para este estudo foram: Futsal - ASSEM (São José dos Campos), Osasco F. C. (SP), S. C. Corinthians Paulista (SP), São Paulo F. C. (SP) e Futebol de Campo – Ituano S. C. F. (Itu-SP), A. A. Portuguesa de Desportos (SP), Mogi Mirim E. C. (Mogi Mirim-SP), E. C. Santo André (SP) e C. A. Bragantino (Bragança Paulista-SP). Caracterização antropométrica Foram realizadas inicialmente as coletas de peso, estatura e três dobras cutâneas, sendo estas, peitoral, abdominal e coxa anterior. Para a coleta destes dados foi realizado o seguinte procedimento; para a determinação do peso corporal, o avaliador estava de pé de frente para a escala de medidas da balança. O avaliado estava em posição ortostática de frente para o avaliador e no centro da balança. Os seguintes procedimentos foram tomados para a medida de estatura: o avaliador estava à frente do avaliado e quando necessário subiu num banco para realizar a leitura da medida. O avaliado estava em posição ortostática, descalço, pés unidos, procurando encostar o calcanhar, cintura pélvica, cintura escapular e região occipital. A cabeça estava orientada no plano de Frankfurt. Em todas as coletas de dobras cutâneas, os pontos de referência anatômica foram marcados com um lápis demográfico. Foram coletadas as seguintes dobras neste trabalho: Dobra cutânea peitoral: determina-se a um terço da distancia da linha axilar anterior e a mama. Dobra cutânea abdominal: determinada paralelamente ao eixo longitudinal do corpo aproximadamente a dois centímetros à direita da cicatriz umbilical. Dobra cutânea coxa medial: determinado paralelamente ao eixo longitudinal da perna na metade da distancia entre o ligamento inguinal e o bordo superior da patela. Foram realizados os seguintes procedimentos na realização da caracterização antropométrica deste estudo: para a densidade corporal (equação generalizada para sexo masculino adulto) será utilizada a estratégia de Jackson & Pollock 1980 (HEYWARD & STOLARCZYK, 2000), descrito pelo seguinte modelo matemático: D = 1,109380 - 0,0008267 * (PT+AB+CX) + 0,0000016 * (PT+AB+CX)² - 0,0002574 * (id). Onde D é a densidade corporal, PT representa a dobra cutânea peitoral, AB a dobra abdominal e CX a dobra coxa medial. Foram utilizados os seguintes equipamentos: balança antropométrica Sunrise com escala de 130 quilogramas para medida de massa corporal total (peso); adipômetro Lange com precisão de 0,1 centímetro e escala de 66 milímetros para coleta das dobras cutâneas; lápis dermográfico Sanny para marcação dos pontos medidos; e ficha de coleta de dados desenvolvida pelo autor da pesquisa (apêndice 2). Testes neuromotores Foram realizados os testes de flexibilidade (sentar e alcançar), agilidade (shuttle run), impulsão vertical e impulsão horizontal. Todos os testes foram realizados a partir dos protocolos descritos por Matsudo (1998). Os seguintes materiais que foram utilizados neste estudo: cronômetro, banco de Wells, fita métrica, esparadrapo, blocos, giz e fichas de anotações desenvolvidas pelo autor do estudo (Apêndice 2). Os atletas realizaram os testes em lugares planos de iguais condições para ambas modalidades. Todos os goleiros foram submetidos a alongamentos antes dos testes. Tratamento estatístico Os resultados obtidos para este estudo foram submetidos inicialmente ao teste de normalidade (Kolmogorov-Smirnov). Após este teste as variáveis consideradas normais foram comparadas utilizando-se o teste t de student. As variáveis não paramétricas foram comparadas pelo teste de (Mann-Witney).Também foi calculado a média e o desvio padrão de cada variável para os dois grupos. Foi utilizado para realização das análises o pacote computacional SPSS versão 12.0. As saídas descritivas do tratamento estatístico encontram-se no anexo 2. Limitações e delimitações A coleta de dados estava sujeita a negação da participação de atletas ou equipes. Os resultados servirão para comparação com outros trabalhos desde que se, observe os seguintes prepostos: A pesquisa será feita com goleiros de futebol de ambas as modalidades de alto rendimento; As técnicas e padronizações de medidas e testes serão as mesmas; As variáveis analisadas permanecerão; Os modelos matemáticos continuarão os utilizados neste estudo. A pesquisa está limitada apenas aos atletas participantes da primeira divisão de futebol de campo e futsal do estado de São Paulo, 2005. Os dados foram utilizados na pesquisa independente da nacionalidade dos atletas. O autor realizou a coleta de todos os dados para que fosse evitado o erro interavaliadores. ANALISE DOS RESULTADOS As variáveis peso gordo, peso, percentual de gordura, peitoral e IMC não seguem a distribuição normal. Desta forma, as variáveis peitoral e IMC, que adicionalmente tinham variâncias heterogêneas nos grupos foram submetidas à análise pelo método dos quadrados mínimos ponderados, conforme descrito pelo SAS (1995), as outras variáveis: peso gordo, peso, percentual de Página 71 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 gordura tiveram seus dados previamente transformados para logaritmo neperiano, arco seno da raiz da percentagem e raiz quadrada e em seguida submetidas a análise de variância pelo método dos quadrados mínimos. As demais variáveis, sem problemas de normalidade dos resíduos ou de heterogeneidade das variâncias, foram submetidas diretamente à análise. O nível de significância foi de 5%. A tabela 1 demonstra os valores médios encontrados nos parâmetros antropométricos [(peso total (PT), peso magro (PM), peso gordo (PG), índice de massa corpórea (IMC), estatura (Est) e percentual de gordura (%G)]. De acordo com os dados apresentados, o peso total e magro, assim como a estatura (cm) foi maior no futebol de campo em relação ao futsal (p<0,05), sendo que os demais parâmetros não apresentaram diferenças (p>0,05). A partir da leitura dos dados pode-se observar que a estrutura corporal aparente dos goleiros de futebol de campo é maior do que a dos goleiros de futsal (peso, estatura e peso da massa magra). Provavelmente, isso se deve, pela necessidade de se ocupar um espaço físico maior (área total das balizas), de diminuir a ângulo de finalização do adversário, da necessidade de realizar movimentos eficientes com harmonia e rapidez sem dificuldades para fazer defesas com um maior grau de dificuldade de longo alcance conseguindo defender bolas altas cruzadas e meia altura (altura total e envergadura). A Organização Mundial de Saúde propõe que o índice de massa corporal (IMC: razão do peso pelo quadrado da altura) esteja entre 18,5 e 24,9 para que a qualidade do peso seja considerada normal. Acima destes valores os indivíduos serão classificados entre sobrepeso e obeso, e abaixo, estes serão classificados como abaixo do peso (BOUCHARD, 2003). No grupo dos goleiros de futsal os valores médios encontrados mostraram-se acima do normal (sobrepeso) indicando uma tendência à obesidade. No grupo dos goleiros de futebol de campo, diferentemente, encontram-se na média. No entanto, podemos notar que não foram encontradas diferenças entre o IMC dos dois grupos, bem como do percentual de gordura e no seu peso de gordura, indicando que a qualidade de ambos deve ser similar. Outro aspecto a ser observado diz respeito ao percentual de gordura. Heyward & Stolarczyc (2000) propõe que esta variável para homens deva apresentar um valor abaixo de 15% para classificação normal. Os dois grupos apresentaram valores inferiores. No sentido oposto o percentual não deve ser inferior a 5% sob risco de diversos problemas relacionados à saúde e os mesmos não se encontram abaixo deste patamar. Estes pressupostos podem contribuir para a afirmação de que a prática do futebol não aumenta o risco de doenças relacionadas ao peso de gordura, tanto no excesso quanto na sua ausência. Tabela 1: Valores médios dos parâmetros antropométricos [(peso total (PT), peso magro (PM), peso gordo (PG), estatura (Est) e percentual de gordura (%G)] encontrados nos dois grupos experimentais: Dados expressos em médio e desvio padrão (x DP). PT (kg) PM (kg) PG (kg) %G IMC (kg/m2) Est (cm) Futsal 80,2 10,72 71,487,00 8,764,96 10,504,22 25,122,69 178,55,28 Futebol 84,2 3,82* 75,333,90* 8,871,34 10,551,59 23,760,91 188,35,36* de campo * diferença significativa em relação ao Futsal (p<0,05) A tabela 2 demonstra os valores médios encontrados nos testes de potência muscular [shuttle run (SR), impulsão vertical (IV) e horizontal (IH) e no teste de flexibilidade (FLEX)]. De acordo com os dados apresentados, não houve diferença nos parâmetros. Continuando, pode-se observar que não foram encontradas diferenças significativas nos teste de shuttle run (SR), impulsão vertical (IV) e horizontal (IH) e no teste de flexibilidade (FLEX), nos dois grupos de goleiros. Os testes eram generalistas, portanto, mais confiáveis na comparação de dois grupos heterogêneos (ou não específicos entre si). Os resultados apresentados permitem a seguinte formulação: Será que os pressupostos desses testes são capazes de avaliar as necessidades neuromotoras dos goleiros das duas modalidades? É provável que testes mais aplicados a cada uma das modalidades possam avaliar mais precisamente as ações de cada modalidade (característica de força específica, grupos musculares envolvidos e velocidade de execução dos movimentos). Nos testes realizados, esperava-se que o Shuttle Run apresentasse uma diferença significativa nos goleiros de Futsal, devido à meta a ser defendida, ser menor, exigindo assim uma agilidade mais apurada pra defesas em frações de segundos (curtas e rápidas) enquanto os goleiros de futebol de campo, têm ações mais coordenadas (relação tempo X espaço). Já em relação à Impulsão Vertical e Impulsão Horizontal, diferentemente, esperava-se que houvesse uma diferença significativa em relação aos goleiros de futebol de campo, isso devido, as ações que eles têm durante uma partida no seu estilo de jogo. A impulsão é de vital importância para defesas com maior distância, pois, a meta a ser defendida por um goleiro de futebol de campo é muito maior que a de um goleiro de futsal, exigindo assim, que o goleiro de campo impulsione muito mais dentro de uma partida, tanto horizontalmente quanto lateralmente. A impulsão também é muito exigida nas saídas em bolas cruzadas na área de meta, onde os goleiros devem pegar a bola no ponto mais alto possível. Em contrapartida no caso dos goleiros de Futsal, é pouco provável que uma grande impulsão vertical ou horizontal possa contribuir com a proteção do gol que mede (3 metros por 2). Tabela 2: Valores médios encontrados nos testes de potência muscular e o teste de flexibilidade e índice de massa corpórea (I MC) nos dois grupos experimentais: Dados expressos em médio e desvio padrão (x DP). Futsal Futebol de campo SR (s) 9,62 0,33 10,17 0,22 IV (cm) 47,5 5,21 47,6 7,88 IH (cm) 249,2 15,71 226,0 30,15 FLEX (cm) 32,8 6,51 34,2 6,01 Em relação à Flexibilidade, ambos os goleiros devem possuir a capacidade de realizarem movimentos de grande amplitude, porém, o teste realizado (sentar e alcançar), analisou resumidamente a flexibilidade (somente o tronco). Pode-se fazer uma análise melhor com testes mais específicos para cada membro do corpo do goleiro, ficando assim, mais fidedigno os resultados e com possíveis diferenças. Estes resultados podem sugerir que existe uma necessidade de se rever os métodos de treinamento de goleiros, tanto de futsal quanto de futebol de campo, já que no primeiro caso a impulsão, tanto horizontal quanto vertical, podem contribuir para que este percorra maiores distâncias aéreas, facilitando as suas ações defensivas e no caso dos goleiros de futsal, a agilidade (mudança de direção) deve ser fundamental para as movimentações mais explosivas deste. O treinamento de força, e suas particulares características, nestes dois casos, podem ser revisto, onde o princípio da especificidade deve ser a chave para o aprimoramento das características individuais de cada goleiro em suas modalidades. Página 72 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 REFERÊNCIAS ABELHA, João Batista Lopes. Treinamento de Goleiro: técnico e tático. São Paulo. Editora Ícone, 1999. ANDRADE M. X. Aspectos do Treinamento Físico no Futsal. Disponível em <http//www.ferrettifutsal.com/artigo46.htm> Acesso em 23 out. 05. BOUCHARD, Claude. Atividade física e obesidade. São Paulo: Editora Manole, 2003. COSTA C. F. O Goleiro de Futsal. Disponível em: <http//www.futsalbrasil.com.br/artigos/artigos.php> Acesso em 20 out. 05. ELIAS L. O. Sugestão de Instrumento Complementar na Avaliação da Aptidão Física de Atletas de Futsal. Disponível em <http//www.futsalbrasil.com.br/artigos/artigos.php> Acesso em 20 out. 05. FARINATTI, P. T. V., MONTEIRO, W. D. Fisiologia e Avaliação Funcional. 4. ed. Rio de Janeiro. Editora Sprint, 2000. FONSECA, G. M. Futsal: treinamento para goleiros. 2. ed. Rio de janeiro. Editora Sprint, 2001. FORTES B. J. M. Reflexão sobre o Trabalho Desenvolvido com os Goleiros de Futsal nas Categorias de Base. Disponível em <http//www.futsalbrasil.com.br/artigos/artigos.php> Acesso em 20 out. 05. FRISSELLI, A., MANTOVANI, M. Futebol: teoria e prática. São Paulo. Phorte Editora, 1999. HARTMANN C. M. 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RESUMO A presença de desvios posturais é cada vez mais comum e precoce na população atual prejudicando o desempenho profissional e a realização das atividades da vida diária por dores e limitações.Daí os fisioterapeutas buscarem a cada dia técnicas mais eficazes e rápidas que evitem recidivas e que tratem as causas e não os efeitos,dentre estas técnicas está o Pilates.Este trabalho apresenta um estudo de caso de uma paciente com hiperlordose, escoliose e hipercifose que realizou no período de 5 meses 20 sessões de Pilates individuais.Para acompanhamento dos resultados utilizou-se avaliações posturais computadorizadas antes e após o tratamento mais anamnese e feedback diário. Com a introdução do Pilates houve melhora completa da sintomatologia dolorosa, maior consciência corporal, ganho de força muscular e melhora de postura.Conclui-se que o Pilates, portanto melhorou o quadro funcional geral mais rápido que outras terapêuticas, de forma mais consciente, o que leva a obter alterações mais duradouras. Palavras-chave: Pilates, coluna, reabilitação. INTRODUÇÃO A presença de desvios posturais é cada vez mais comum e mais precoce na população atual e na maioria das vezes é causada por maus hábitos posturais associado a sedentarismo que acabam prejudicando o desempenho profissional e a realização das atividades da vida diária.Por esse motivo os fisioterapeutas têm como principal queixa de seus pacientes as dores de coluna que geralmente irradiam para cabeça e membros e buscam a cada dia técnicas mais eficazes e rápidas que evitem recidivas e que tratem as causas e não os efeitos.Dentre estas atividades mais novas está o Pilates, método de condicionamento físico que enfatiza a tonificação muscular, alongamento e o alinhamento postural e que consiste em exercícios no solo e em aparelhos de mecanoterapia que dão suporte para um alinhamento mais perfeito e uma resistência adequada ao trabalho de tonificação muscular. A técnica de Pilates tem esse nome devido ao seu criador, o alemão Joseph Pilates que passou a infância e parte da juventude lutando contra asma. Para superar esse problema criou o seu próprio programa de exercícios, praticando várias modalidades esportivas como: ginástica, mergulho, box, yoga entre outras. Mais tarde estudou fisiologia, anatomia, medicina oriental e te ve a oportunidade de aplicar seus conhecimentos durante a Primeira Guerra Mundial ao trabalhar com a função de enfermeiro em hospitais, Com esta experiência observou que a falta de atividade física dos pacientes dificultava os seus processos de reabilitação. Assim, Pilates desenvolveu exercícios utilizando cordas, roldanas e molas que adaptava à cama do hospital acrescentando exercícios de todas as técnicas que havia praticado para trabalhar a resistência de músculos específicos, sem comprometer outras partes do corpo.Em 1926, se mudou para Nova York onde abriu o primeiro "The Pilates Studio" difundindo o Página 73 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 seu "método de condicionamento físico integral”.Desde então, sua técnica foi sendo aperfeiçoada e divulgada com mais de 600 institutos só nos Estados Unidos nos dias de hoje. Seus discípulos mantiveram os 6 princípios fundamentais da técnica (Respiração, Alongamento axial, Organização de cintura escapular, Articulação da coluna, Alinhamento e descarga de peso nas extremidades e Integração de movimentos) [1] mas estabeleceram caminhos diferentes. Uma delas é a Polestar, utilizada neste trabalho e que apresenta duas linhas de formação, uma em fitness e outra em reabilitação. O crescimento do Pilates pode ser explicado pelos benefícios que a técnica oferece dentro de critérios biomecânicos e de forma progressiva prevenindo encurtamentos, tensões, fortalecendo articulações; protegendo as estruturas musculares e osteoarticulares contra desgastes e gerando conhecimento e informação a respeito do corpo e de hábitos posturais, além de alívio das dores e estresse, definição física, alongamento, flexibilidade e correção da postura, promoção de equilíbrio e controle corporal e o condicionamento físico e mental, o que em longo prazo se utilizada como recurso terapêutico resultará em significativos benefícios a sociedade, diminuindo custos com a saúde publica (afastamentos, internações e aposentadorias), aumentando a produtividade, a motivação e a longevidade com qualidade de vida. MATERIAIS E MÉTODOS Este trabalho apresenta um estudo de caso da paciente G.M,M, brasileira, 25 anos, sexo feminino, cor branca, diagnóstico de hiperlordose, escoliose e hipercifose que realizou no período de outubro de 2005 a janeiro de 2006 sessões de Pilates individuais no total de 20, com duração de uma hora cada.e média de uma vez por semana. Para a coleta de dados foram realizadas 2 avaliações posturais computadorizadas antes e após o tratamento ( 24/09/2001 e 29/01/2006) mais anamnese baseada na Avaliação em Fitness da Polestar Education[1] e feedback constante. A avaliação postural computadorizada inicial apresentava assimetria de EIAS, escapulas e ângulo de Talles, projeção anterior da cabeça, projeção anterior dos ombros, hiperlordose, anteversao da pelve, escoliose postural, hiperlordose lombar, ADM lombar reduzida e encurtamento de cadeia muscular posterior. Na anamnese a paciente relatou que sofre de cervicalgia e dores de cabeça constantes que se agravam ao final do dia, interrompeu atividades de academia há três meses, que jamais teve motivação para atividades físicas e trabalha sentada no computador nos dois turnos.Ao exame físico foi pontuada como nível 2 de fitness segundo avaliação da PhysioPilates-Polestar apresentando diminuição de força principalmente em membros superiores e abdominais, grande tensão em trapézios. Em outubro de 2005 iniciou seu programa de tratamento composto de trabalho em solo através de exercícios estabilizadores com uso de rolos, bolas, flex- ring e molas em decúbito ventral, dorsal e lateral. Os exercícios de solo eram acrescidos de aparelhos de Pilates alternados a cada aula: No Trapézio exercícios de Mobilização neural do quadrante superior, série de leg press e golfinho,por exemplo. No Barril flexão lateral , abdominal em supino. E alongamentos em prono, supino e decúbitos laterais. No reformer o standing series,Lunge, serie de Leg Press e serie de braços em decúbito dorsal, sereia e alongamentos em ortostase. Na cadeira Protrusao e retração de ombros, extensão em decúbito ventral, alongamentos laterais. Em solo a série de estabilizadores, abdominais com tronco como ponto fixo, swimming,ponte, the roll over, the one leg circle, the double kick [2] A série de 20 sessões foi concluída em 18/01/2006 ENAF Science, v.1, n.1, p. 73 - 76 Os registros das duas avaliações computadorizadas de 24/09/2005 e 29/01/2006, anamneses e feedbacks foram submetidos a comparações objetivas e subjetivas nas quais as diferenças de valores encontrados e alterações sentidas pela paciente definem os resultados. RESULTADOS Pós o período de 5 meses e sendo realizadas 20 sessões de Pilates individuais quanto a anamnese e feedbacks diários houve melhora completa da sintomatologia dolorosa, maior consciência e percepção corporal, ganho de força muscular de músculos também mais profundos jamais sentidos anteriormente, melhora de postura e motivação. Em relação às avaliações computadorizadas, na avaliação final foi observada simetria dos ombros, EIAS e escápulas, lordose moderada não constando projeções corporais, apresentou mobilidade lombar normal e discreta melhora de encurtamento da cadeia posterior. Ainda comparando os resultados temos: ANTES DEPOIS ANTES DEPOIS Página 74 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 Face Ventral 24/09/205 acrômio Direito 1,42mt 1,41 mt acrômio Esquerdo 1,42mt 1,41 mt Crista Ilíaca Direita 1 mt 0,99mt Crista Ilíaca Esquerda 0,99 t 29/1/2006 0,99 mt Glabela 1,44 cm 0 Cintura Escapular/Pélvica (Direito) 41,62 cm 42,1 cm Cintura Escapular/Pélvica (Esquerdo) 42,57 cm 42,1 cm Após as 20 sessões de Pilates conseguiu-se corrigir 100% de centro de gravidade, a cintura escapular se alinhou com a pélvica e obteve simetria da cintura escapular, quadris e membros inferiores onde antes havia diferença de 0,95 cm. Face Posterior 24/09/205 29/1/2006 Ângulo inferior da Escapula Direita 1,24 mt 1,21 mt Ângulo Inferior da Escapula Esquerda 1,25 mt 1,21 mt Ângulo de Talhe Direito 1 cm 0,48 cm Ângulo de Talhe Esquerdo 2 cm 0,48 cm Quanto à assimetria de escápulas a comparação das medidas encontradas sugere que os ângulos inferiores das escapulas se alinharam onde antes havia uma diferença de 1,00 cm. Os ângulos de Tale continuam com diferença, porém reduzida em 50%. Quanto ao ganho de mobilidade e força: ANTES DEPOIS ANTES DEPOIS Flexão Anterior 24/09/205 Ápice da curvatura do dorso Direito 0,95 mt 0,97 mt 29/1/2006 Ápice da curvatura do dorso Esquerdo 0,95 mt 0,97 mt Flexão Perfil 24/09/205 Ápice da curvatura do dorso Direito 1 mt 29/1/2006 1,05 mt Ápice da curvatura do dorso Esquerdo 1,03 mt 1,06 mt Nota-se na avaliação gráfica que houve alteração de 0,02mt em relação aos ápices das curvaturas dorsais em relação ao solo, o que sugere ganho de simetria do dorso e ganho de flexibilidade. ANTES DEPOIS ANTES DEPOIS Página 75 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 Perfil Direito 24/09/205 29/1/2006 Ápice posterior prumo 6,77 cm 7,62 cm Pavilhão Auditivo 13,2 cm 13,2 cm Acrômio 11,42 cm 11,42 cm Lordose Lombar 5,92 cm 5,92 cm Crista Ilíaca 18,19 cm 19,46 cm Ápice posterior prumo 7,92 cm 7,92 cm Pavilhão Auditivo 15,4 cm 15,4 cm Acrômio 14,08 cm 14,08 cm Lordose Lombar 5,72 cm 5,72 cm Perfil Esquerdo Crista Ilíaca 20,68 cm 20,68 cm Na avaliação gráfica nota-se ainda alterações quanto às cristas ilíacas entre si, porém com redução de diferença de 2,49 cm para 1,22 cm, o que evidencia melhora de alinhamento, além de melhora da postura e imagem estética do abdômen (menos saliente). Quanto à avaliação Fitness da PhysioPilates-Polestar alterou pontuação para nível 3 de fitness significando estagio avançado, apresentando ganho de força principalmente em membros superiores e abdominais, melhora da organização escapular e tensão em trapézios. DISCUSSÃO Sobre os exercícios escolhidos para serem utilizados[2], [3] e [4] com esta paciente foi enfatizado alongamento, ganho de mobilidade de extensão, organização de cintura escapular e fortalecimento de abdominais.Daí não se trabalhou com exercícios que estimulassem a flexão, comum na maioria dos exercícios de Pilates e nem com carga de membros superiores sentada ou em ortostase para evitar estimular sua postura inicial de elevação de ombros. Cada melhora com os exercícios acima propostos fez com que os mesmos fossem alterados desafiando principalmente base de apoio, centro de gravidade e coordenação motora mas respeitando a ordem dos princípios do Pilates. De uma maneira geral os resultados desta pesquisa reafirmam os resultados vivenciados com a prática do Pilates diariamente nos estúdios e clínicas de Pilates existentes, entretanto empolga ainda mais saber que se uma paciente que realizou uma média de uma sessão por semana atingiu resultados tão satisfatórios em poucas sessões e de maneira irregular, pois as proximidades com as festas e recessos de final de ano promoveram isto, poderíamos supor que os resultados poderiam ter sido mais rápidos ou maiores se conseguisse manter a média de duas sessões por semana como recomendamos? E se a paciente colaborasse executando uma serie para casa? CONCLUSÃO Conclui-se que o trabalho de cinesioterapia realizado com o Pilates, portanto melhorou o quadro funcional geral de forma mais rápida que outras terapêuticas, mais consciente, o que leva a obter alterações mais duradouras, maior exigência postural com as demais atividades realizadas e consequente melhora da qualidade de vida. REFERÊNCIAS 1.POLESTAR EDUCATION, Módulo Manual P.F Abordagens Polestar Para Os Princípios do Pilates em Fitness, 2001. 2.POLESTAR EDUCATION R-3: Módulo Polestar Rehab Pilates Nível 3, 2002 3.CARRIERE, Beate Bola Suíça-Teoria, Exercícios Básicos e Aplicação Clínica. Editora Manole,S.P,1999 4.SELBY,Anna & HERDMAN,Alan. Pilates Como Criar O Corpo Que Você Deseja. Manole, 1 edição, Editora Manole,S.P,2000 [email protected] Página 76 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 ESTIMULAÇÃO CEREBRAL E APRENDIZAGEM MOTORA: EFEITOS NO TREINAMENTO DE ALTO RENDIMENTO DO JOGO DE BOLICHE FABRÍCIO BRUNO CARDOSO¹ Universidade Castelo Branco – LABNEU II, Rio de Janeiro/RJ – Brasil SERGIO EDUARDO DE CARVALHO MACHADO Universidade Estácio de Sá, Rio de Janeiro/RJ – Brasil LÍVIA DO REGO NORTE Universidade Castelo Branco – Curso de Fisioterapia RESUMO O objetivo do presente estudo foi investigar a influência de um programa de treinamento de estimulação cerebral por estímulos auditivos, na aprendizagem motora e memorização, na aprendizagem do jogo de boliche.Foram selecionados 20 jovens com faixa etária de 16 a 18 anos, na qual foram divididas em Grupo Experimental (GE) e Grupo de Controle (GC), tendo o GE realizado um programa de 36 sessões de treinamento Boliche com duração de 45 minutos paralelamente ao programa de treinamento de estimulação cerebral por estímulos auditivos com duração de 35 minutos. Já o GC realizou somente o programa de Boliche com o mesmo número de sessões e mesma duração. Os dados pré e pós-programa revelaram que o Grupo Experimental na qual utilizou o programa de treinamento de estimulação cerebral por estímulos auditivos, foi significativamente superior ao Grupo Controle (p≤0.05) em relação a performance em aprendizagem e memorização. INTRODUÇÃO Aprendizagem e memória são processos correlatos e indissociáveis. Aprendizagem corresponde à aquisição de novos conhecimentos e conseqüente modificação do comportamento, enquanto a memória pode ser entendida como a retenção deste conhecimento (MAXWELL et al., 2003). Assim, ambos os processos compartilham mecanismos neurais similares, que igualmente participam do controle da atenção, integração sensorial e percepção (JUEPTNER, 1997). A aprendizagem motora, também conhecida como memória de procedimentos é resultante do aumento da performance e, proporcionalmente, do incremento da precisão do gesto motor (GUISE et al., 1999). Pode ser entendida como a habilidade motora ou sensorial que normalmente chamamos de “hábito”(IZQUIERDO, 2002), tendo relação com os procedimentos motores responsáveis pela aquisição daquele tipo de memória. O aprendizado gradualmente produz diminuição no erro embutido na tarefa, aumento da coordenação e maior agilidade e velocidade na execução do movimento (KARNI et al., 1995). Esse implemento da performance, observado no processo de aprendizagem, tem sido associado a complexos mecanismos de consolidação de memória de longo prazo. A combinação entre memória sensorial (estímulos sensoriais), memória de curto prazo (memória de trabalho) e memória de longa duração representada no sistema nervoso através da consolidação e a execução do gesto motor levaria a um novo ordenamento na configuração neural (COHEN et al., 1993; DONOGUE et al., 1995). A estimulação cerebral é uma tecnologia que promove mudanças de padrões cerebrais por condicionamento e/ou interação consciente, podendo ser provido pelos sistemas, visual e/ou auditivo, além de poderem ser também extrínseco ou intrínseco, através do uso de aparelhos eletrônicos que emitem luz e/ou som, podendo promover a facilitação de aprendizagem motora (HUTCHISON, 1986; SIEVER, 1999). OBJETIVO DO ESTUDO Dentro deste contexto, o objetivo deste estudo foi investigar a influência de um programa de estimulação cerebral por estímulos auditivos, no aumento da performance do jogo de Boliche visualizado no aumento da média de acertos nas avaliações do jogo Boliche. METODOLOGIA Amostra Foram selecionadas 20 jovens, nas idades de 16 a 18 anos, do masculino , pertencentes a seleção Sul Mato-grossense de Boliche, sendo divididos aleatoriamente em um Grupo de Controle (GC) e um Grupo Experimental (GE). Somente foram incluídos no presente estudo os sujeitos que foram considerados de baixa habilidade no jogo através de uma avaliação diagnóstica. Todos os responsáveis pelos jovens assinaram os termos de consentimento, atendendo as Normas para a Realização de Pesquisa em Seres Humanos, Resolução 196/96, do Conselho Nacional de Saúde de 10/10/1996. Procedimento experimental Após a divisão aleatória dos grupos, foi selecionado um grupo para realizar o programa de treinamento de Boliche, paralelamente com o programa de treinamento de estimulação cerebral por estimulos auditivos, denominado Grupo Experimental (GE), e a outra parte da amostra formou o grupo que somente participou do programa de treinamento de Boliche, o Grupo de Controle (GC). Ambos os programas foram realizados em 36 sessões, sendo o programa de Boliche tendo a duração de 45 minutos, e o programa de treinamento de estimulação cerebral por estímulos auditivos, tendo suas sessões com 35 minutos de duração realizada antes do programa de Boliche. Por ser um esporte novo para a amostra do presente trabalho, decidiu-se que se teria um tempo para a adaptação desta para com o material utilizado para a prática do Boliche, que foi de 1 hora. Em seguida foi realizada a primeira coleta de dados na forma de 1 partida completa de Boliche onde todos tiveram sua média de acertos verificada. Após o término das 36 sessões de treinamentos, foi realizada uma nova coleta através de uma nova partida sendo verificada uma nova média. Instrumentos Para o treinamento de estimulação cerebral por estímulos auditivos foi utilizado um aparelho eletrônico denominado Binaural Beats fabricado pela Atilla Ltda., composto por um fone de ouvido estéreo e um microprocessador onde se encontram as sessões pré-programadas, das quais foi utilizada a sessão apropriada para aprendizagem (SIEVER, 1999). Página 77 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 Para o treinamento de Boliche foi utilizado uma pista de Boliche, com medidas oficiais, porém, tendo sido construída artesanalmente, além de um conjunto de pinos oficiais e bolas oficias com peso e medida de acordo com a faixa etária de nossa amostra, respeitando as normas e regras oficiais impostas pela a FIQ (Federação Internacional Quilleurs). Tratamento estatístico A análise dos dados deste estudo foi realizada com base na comparação de resultados estatísticos utilizando-se o programa de estatística SPSS 10.0. Através dos resultados obtidos pelas médias de acertos das avaliações de Boliche, foram calculados através da estatística descritiva, a média e o desvio padrão. Já para a verificação da variância foi utilizado o teste de normalidade de Shapiro-Wilk para um n < 50 e um teste de acompanhamento de Tukey (HSD), para um nível de significância de p ≤ 0.05. RESULTADOS E DISCUSSÕES Estes dados referem-se aos ganhos obtidos pelo efeito do treinamento de estimulação cerebral, levando-se em consideração, para análise, o aumento da performance motora do Grupo Experimental refletido no aumento de sua média de acertos. A tabela 1 apresenta os resultados das médias de acertos do Grupo de Controle (GC) e do Grupo Experimental (GE) relacionados as avaliações de Boliche. Tabela 1: Média e desvio padrão das avaliações do Grupo de Controle (GC) e do Grupo de Experimental (GE). Grupos controle pré controle pós Experimental pré experimental pós Média 35,9 46,9 37,9 76,6 Desvio Padrão 5,93 6,82 5,43 4,79 Ao analisarmos separadamente os dados das médias de acertos conseguidos pelo Grupo de Controle e pelo Grupo Experimental, antes e após o programa de treinamento, verificou-se uma diferença significativa entre os grupos, sendo que o grupo experimental foi superior. Foi realizado o teste de normalidade de Shapiro-Wilk devido ao pequeno quantitativo de amostra conforme mostra a tabela 2, e o Teste de acompanhamento de Tukey HSD para a confirmação do resultado conforme mostra a tabela 3, apresentando um p≤0.05. Tabela 2: Teste de normalidade Shapiro-Wilk Estatística ,963 df 10 P ,823 ,920 10 ,360 ,929 10 ,435 ,958 10 ,760 Tabela 3: Teste de acompanhamento de Tukey HSD Diferença entre as (I) grupos (J) grupos Médias (I-J) Controle pré Controle pós Experimental pré Experimental pós Controle pós* Experimental pré Experimental pós* Controle pré* Experimental pré* Experimental pós* Controle pré Controle pós* Experimental pós* Controle pré* Controle pós* Experimental pré* -11 -2 -40,7 11 9 -29,7 2 -9 -38,7 40,7 29,7 38,7 Erro Padrão p 2,59 2,59 2,59 2,59 2,59 2,59 2,59 2,59 2,59 2,59 2,59 2,59 0,00 0,87 0,00 0,00 0,01 0,00 0,87 0,01 0,00 0,00 0,00 0,00 Intervalo de confiança 95% Limite Limite inferior superior -18,0 -4,0 -9,0 5,0 -47,7 -33,7 4,0 18,0 2,0 16,0 -36,7 -22,7 -5,0 9,0 -16,0 -2,0 -45,7 -31,7 33,7 47,7 22,7 36,7 31,7 45,7 (* p ≤ 0.05) Partindo dos pressupostos teóricos de que o cérebro tem capacidade de processar informações, a um só tempo, com os dois hemisférios; Siever (1999) esclarece que o cérebro é uma estrutura altamente plástica, de que é possível, por meio de estímulo externo auditivo, promovendo um balanceamento cerebral, que é o nome dado ao processo de equilíbrio do cérebro em suas diversas áreas no desempenho de suas variadas funções, no que tange à atividade elétrica gerada pelos neurônios de forma proporcional, coerente e adequada, traduzindo-se em harmonia e equilíbrio psicofísico (SIEVER, 1999), conseguir a otimização da aprendizagem e memorização. Os “binaural beats” ou batidas binaurais, emitem 2 sons coerentes de frequencias quase similares apresentadas com fones estéreos em cada ouvido. Originando-se no núcleo superior olivar, o sitio da integração contralateral de entrada auditiva (OSTER, 1973), sendo a frequencia de batidas binaurais neurologicamente transportada para a formação reticular, sendo esta a estrutura que regula e controla o nível de estresse, atenção e consciência (HUTCHISON, 1986) fatores preponderantes para uma boa aprendizagem e memorização (SCHMIDT, 2000), através de informações (estímulos sensoriais internos e externos) na qual são dirigidas da formação reticular para o tálamo e o córtex. Página 78 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 Pesquisas têm sugerido que o uso da aplicação de batidas binaurais pode contribuir para o estabelecimento de variação nos padrões psicofisiológicos homeostáticos individuais (padrões corticais), na qual podem precipitar alterações em processos cognitivos (PICTON et al., 1978ab). CONCLUSÃO A presente investigação se propôs a observar mudanças na aquisição de habilidades motoras do jogo de Boliche em crianças treinadas com estimulação cerebral por estímulos auditivos. Especificamente, foram observadas modificações neurais que ocorrem durante a aquisição de uma habilidade sensório motora envolvendo memória sensorial (aquisição de habilidades motoras do jogo de Boliche) e memória de curto prazo. A média de acertos também aumentou à medida que os sujeitos ficaram mais hábeis na tarefa de Boliche. Essencialmente, este padrão de resultados ficou evidenciado entre as avaliações pré e pós treinamento de estimulação cerebral. Foi percebido aumento do desempenho quando indivíduos foram expostos a uma tarefa (estimulação cerebral) sensório motora (KARNI et al., 1995; SMITH et al., 1999). Tais melhorias no desempenho corroboram com achados anteriores de várias pesquisas sensório motoras, quando sujeitos tiveram que administrar informação da memória processual (CARLSON et al., 1992). Além disso, baseado nos resultados presentes, foi claramente caracterizado um "período crítico" durante o processo de aprendizagem, na transição entre as avaliações. Estes achados sugerem que este "momento crítico" está associado à transição entre os mecanismos de controle e a automação do movimento. Mecanismos de controle estão associados à fase inicial do aprendizado, quando os indivíduos necessitam alocar uma dose excessiva de atenção ao desempenhar o gesto motor. Portanto, fica assim demonstrado que o treinamento de estimulação cerebral por estímulos auditivos pode, de certa maneira, influenciar na condição de aprendizagem motora. REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS CARLSON, R.; LUNDY, D.; SCHEIDER, W. Strategy guidance and memory aiding in learning a problem-solving skill. Hum Factors, vol. 34, p. 129-45, 1992. COHEN, L.; BRASIL, N.; PASCUAL-LEONE, L.; HALLET, M. Plasticity of cortical motor output organization following deafferentation, cerebral lesions, and skill acquisition. Adv. Neurol., vol. 63, p. 187-200, 1993. DONOGHUE, J. Plasticity of sensorimotor representations. Curr. Opin. Neurobiol., vol. 5, p. 749-754, 1995. GUISE, E.; DEL PESCE, M.; FOSCHI, N.; QUATTRINI, A.; PAPO, I.; LASSONDE, M. Collosal and cortical contribution to procedural learning. Brain, vol. 122, p. 1049-1062, 1999. HUTCHISON, M. Megabrain: New tools and techniques for brain growth and mind expansion. New York: Beech Tree Books, 1986. Izquerdo I. Memória. São Paulo: Artmed, 2002 JUEPTNER, M.; STEPHAN, K.; FRITH, C.; BROOKS, D.; FRACKOWIAK, R.; PASSINGHAM, R. Anatomy of motor learning: I. Frontal cortex and attention to action. J. Neurophysiol., vol. 77, p. 1313-1324, 1997. KARNI, A.; GUNDELA, M.; JEZZARD, P.; ADAMS, M.; TURNER, R.; UNGERLDER, L. Functional MRI evidence for adult motor cortex plasticity during motor skill learning. Science, vol. 377, p. 155-158, 1995. MAXWELL, J.; MASTERS, R.; EVES, F. The role of working memory in motor learning and performance. Conscious Cogn., vol. 12, p. 376-402, 2003. OSTER, G. Auditory beats in the brain. Scientific American, vol. 229, p. 94-102, 1973. PICTON, T. W.; WOODS, D. L.; PROULX, G. G. Human auditory sustained potentials. I. The nature of the response. Electroencephalography and Clinical Neurophysiology, vol. 45, p. 186-197, 1978a. PICTON, T. W.; WOODS, D. L.; PROULX, G. G. Human auditory sustained potentials. II. Stimulus relations. Electroencephalography and Clinical Neurophysiology, vol. 45, p. 198-210, 1978b. SCHMIDT, Richard A., WRISBERG, A. Aprendizagem motora: uma abordagem da aprendizagem baseada no problema. 2ª.edição. Porto Alegre: Editora Artmed, 2001. SIEVER, D. The Rediscovery of Áudio-visual Entrainment Technology. 5ª ed., Canadá, Comptronic Devices Limited, 1999. SMITH, M.; MCEVOY, L.; GEVINS, A. Neurophysiological indices of strategy development and skill acquisition. Cogn. Brain Res., vol. 7, p. 389-404, 1999. [email protected] Página 79 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 AVALIAÇÃO DA ALTERAÇÃO DE SATURAÇÃO DE OXIGÊNIO, PRESSÃO ARTERIAL E FREQUÊNCIA CARDÍACA, APÓS UM PROGRAMA DE TREINAMENTO PARA UMA PACIENTE COM FIBROSE CÍSTICA OXIGÊNIO DEPENDENTE Luís Henrique Sales Oliveira, Fisioterapeuta, professor de Graduação em Fisioterapia e Educação Física da Universidade do Vale do Sapucaí e Centro Universitário de Itajubá. Rodrigo Fernandes de Barros, Profissional de Educação Física, aluno do curso de Pós-Graduação em Exercício Físico e Reabilitação Cardíaca da Universidade Gama Filho. Bruno de Paula Figueiredo, Profissional de Educação Física, aluno do curso de Pós-Graduação em Exercício Físico e Reabilitação Cardíaca da Universidade Gama Filho. Eugênio Fernandes de Magalhães, Médico Pneumologista Pediátrico, professor de Graduação em Medicina da Universidade do Vale do Sapucaí. Luís Vicente Franco de Oliveira, Fisioterapeuta, professor de Graduação e Pós-Graduação da Universidade do Vale do Paraíba e Universidade Gama Filho. Francisco Luciano Pontes Júnior, Profissional de Educação Física, professor e coordenador do curso de Pós-Graduação em Exercício Físico e Reabilitação Cardíaca da Universidade Gama Filho INTRODUÇÃO A fibrose cística (FC) é a doença letal de caráter genético autossômico recessivo mais comum na raça branca, com incidência de aproximadamente 1 para 2.500 nascimentos1. Estima-se que 5% da população branca seja portadora do gene para FC17. Sua incidência entre a raça negra cai para 1/17.000 nascimentos, sendo ainda menor na raça amarela (1/25.000)9. Descrita por Anderson, em 1.938, a doença caracteriza-se pelo acometimento sistêmico de glândulas exócrinas, com alteração da qualidade das secreções respiratórias, digestivas e genitais, além do suor, levando à doença nasossinusal, pneumopatia crônica, síndrome de má-absorção e infertilidade6,. FISIOPATOLOGIA O defeito observado na FC é a mutação no gene localizado na porção q31 do cromossomo 7 e que codifica a proteína reguladora da condutância iônica transmembrana (cuja sigla inglesa é CFTR - "cystic fibrosis transmembrane regulator")3. Fisiologicamente, há reabsorção passiva dos íons sódio e ativa de cloro a partir da luz das glândulas exócrinas, diminuindo-se a perda de eletrólitos nas secreções. Na FC, contudo, há bloqueio da secreção ativa do íon cloro através da membrana apical das células epiteliais glandulares, resultando em seu acúmulo intracelular, acompanhado do movimento passivo de sódio e água para esse compartimento2. De forma geral, na FC as secreções são extremamente espessas, calculando-se que a viscosidade do muco respiratório seja de 30 a 60 vezes maior que em indivíduos normais, dificultando sua depuração através do batimento ciliar12. MANIFESTAÇÕES RESPIRATÓRIAS A doença pulmonar na fibrose cística é caracterizada por infecção endobrônquica associada a doença pulmonar obstrutiva crônica. As principais causas de óbito entre os pacientes com FC são a insuficiência respiratória e o cor pulmonale, além da desnutrição resultante da síndrome de má-absorção11. A estase de secreções leva ao bloqueio dos óstios de drenagem dos seios paranasais, favorecendo a lesão do epitélio pseudoestratificado colunar ciliado, com edema da mucosa e crescimento bacteriano8. OBJETIVO Relatar a alteração de Saturação de Oxigênio, Pressão arterial e Frequência cardíaca após programa de treinamento em uma paciente com Fibrose Cística oxigênio dependente participante do grupo de reabilitação pulmonar do Hospital das Clínicas Samuel Libânio, na cidade de Pouso Alegre – MG. RELATO DO CASO Paciente do sexo feminino, 64 anos, com Diagnóstico de Fibrose Cística, Utilizando oxigenoterapia domiciliar por mais de 12 horas/dia. O programa de Exercícios A paciente foi submetido ao treinamento por período de 10 semanas, com 3 sessões de treinamento por semana, totalizando 30 semanas. O protocolo de exercício foi baseado em 3 séries com 12 repetições de cada movimento com halteres representando 50% da carga máxima, assim descritos; MMSS - flexão de braços alternados com intervalo de 2 minutos. - abdução de braços juntos com intervalo de 2 minutos entre cada série. - abdução horizontal de braços juntos com intervalo de 2 minutos entre cada série. MMII - tríplice flexão de membro inferior alternados com intervalo de 2 minutos. - seguido por bicicleta 20 min., com velocidade de 8 km/h. Avaliação dos parâmetros Pressão Arterial: aferiu-se no 1º dia após 15 minutos em repouso na posição sentada, após a primeira medição ainda realizou-se mais 2 medidas com intervalos de 3 minutos para averiguar a média nessa medida inicial. No 15º dia após 15 min. repouso. No 30º dia após 15 min. Repouso. - Lembrando que no final do dia de treinamento correspondente aferiu-se novamente. Todos as medidas foram realizadas pelo mesmo examinador com os mesmos materiais (esfigmomanômetro e estetoscópio). Saturação de Oxigênio: Monitorou sempre no início e final do treinamento nos mesmos dias anteriormente citados, após 15 minutos de repouso no início. O equipamento utilizado foi um Oxímetro de pulso da marca Nonin. Página 80 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 Frequência Cardíaca: O Oxímetro de pulso marca saturação de oxigênio e Frequência Cardíaca, no entanto, a medida foi feita automaticamente nos mesmos momentos da saturação. Os parâmetros foram avaliados nas sessões 1, 15, 30. A paciente utilizou cateter nasal durante toda sessão de treinamento, com fluxo aumentado em 1 unidade5. ENAF Science, v.1, n.1, p. 80 - 81 Tabela1. Parâmetros avaliados na paciente nos respectivos dias de treinamento Pac. I.C.S Dia 1 Dia 15 Dia 30 PA Início 145 x 100 140 x 95 140 x 95 PA Final 150 x 110 140 x 110 145 x 95 FC Início 101 98 96 FC Final 109 103 92 SpO2 % Início 93 % 92 % 92 % SpO2 % Final 93 % 90 % 92 % DISCUSSÃO O paciente pneumopata tem menor tolerância ao exercício e a fadiga10. Pacientes oxigênio dependentes possuem uma maior extração de oxigênio nos níveis de oxigenação tecidual, porém seu uso correto diminui as complicações advindas da hipoxemia4. Os dados coletados nos mostram alterações relevantes quando observamos algumas considerações: Frequência Cardíaca: não podemos correlacionar significância nesse caso, porém se observarmos a frequência no 1º dia no início e final do treinamento teríamos um impasse quanto a diminuição da frequência cardíaca pós exercício como apresenta a literatura4. A importância talvez esteja na diminuição de 5% da frequência cardíaca de repouso. Saturação de Oxigênio: Levando em consideração que a oximetria de pulso acontece pela captação de calor e níveis sanguíneos periféricos, a utilização da musculatura de membros superiores e inferiores poderia interferie diretamente neste parâmetro, entretanto não se observa considerações importantes sobre saturação de oxigênio. Pressão arterial: No 1º dia não se observou hipotensão pós exercício, o que também não ocorreu nos outros dias de treinamento13. Tal fenômeno poderia ser explicado pelo comprometimento de artéria pulmonar já citado anteriormente (cor pulmonale), fazendo com que a sobrecarga de ventrículo direito pudesse interferir diretamente no controle da pressão diastólica. Novos estudos com grupos de pacientes com fibrose cística são necessários para relatar significância nos dados. REFERÊNCIAS 1. Alvarez AE; Ribeiro AF; Hessel G; Bertuzzo CS; Ribeiro JD.Fibrose cística em um centro de referência no Brasil: características clínicas e laboratoriais de 104 pacientes e sua associação com o genótipo e a gravidade da doença. J Pediatr);80(5):371-9, 2004. 2. Colombo C; Costantini D; Rocchi A; Cariani L; Garlaschi ML; Tirelli S; Calori G; Copreni E; Conese M. Cytokine levels in sputum of cystic fibrosis patients before and after antibiotic therapy. Pediatr Pulmonol;40(1):15-21, 2005. 3. Davis, PB. Cystic fibrosis since 1938. Am J Respir Crit Care Med;173(5):475-82, 2006. 4.FROWNFELTER, M. Fisioterapia Cardiopulmonar,. Ed. 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Response to acute lung infection with mucoid Pseudomonas aeruginosa in cystic fibrosis mice. Am J Respir Crit Care Med;173(3):288-96, 2006. 13.Wood, RH; Reyes R; Welsch MA; Concurrent cardiovascular and resistance training in healthy older adults. Medicine & Science in Sports & Exercise. 2001. [email protected] Página 81 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 PROGRAMA DE JORNADA AMPLIADA – PROJETO DE CAPOEIRA, DANÇA E GINÁSTICA RÍTMICA Debora Gomes Pós-Graduada em Educação Física Coordenadora Pedagógica de Educação Física Secretaria de Educação Prefeitura Municipal de Maringá Andrea Gomes Graduada em Educação Física Edmilson Roque de Oliveira Pós-Graduado em Educação Física Karen Cristina Chicatti Pós-Graduada em Educação Física Michela Mariane C. Raulino Graduada em Educação Física RESUMO O presente projeto procura oferecer oportunidades reais de aumento do tempo de permanência ativa da criança e do adolescente nas escolas da Rede Municipal de Maringá, proporcionando o acesso às atividades culturais, artísticas e de lazer que estimulem o desenvolvimento integral dos participantes. Tem como objetivo geral desenvolver integralmente a criança e o adolescente numa perspectiva educativa e formativa, dando suporte ao desenvolvimento de atividades que exploram o universo lúdico e afetivo, bem como, estimulando a formação da consciência crítica sobre o mundo. Após as avaliações realizadas em 2003, 2004 e 2005, observamos que os resultados obtidos com o programa têm sido amplamente positivos, ou seja, está sendo possível atingir os objetivos propostos e além disso contribuir efetivamente no dia-a-dia da escola, levando os alunos a se interessarem mais pelo estudo, diminuir o número de faltas e participarem com mais motivação das aulas. INTRODUÇÃO O presente projeto é baseado em programas de jornada ampliada desenvolvidos neste município em anos anteriores, além, de outros exemplos de tais projetos desenvolvidos por várias entidades e prefeituras de alguns estados do país na última década. O projeto procura oferecer oportunidades reais de aumento do tempo de permanência ativa da criança e do adolescente na escola, proporcionando o acesso às atividades culturais, artísticas e de lazer que estimulem o desenvolvimento integral do s participantes. Segundo a pesquisa A voz dos adolescentes do UNICEF, de 2002, os adolescentes não estão satisfeitos em relação ao espaço físico de que dispõem nas escolas em que estudam: 61% dos entrevistados disseram que sua escola não é agradável, nem segura e não tem muito espaço para atividades físicas. A pesquisa também constatou que as diferenças sociais se refletem no acesso à cultura, esporte e lazer. Grande parte dos adolescentes entrevistados, afirmam ter a televisão como praticamente a única alternativa de entretenimento. A tevê ficou na frente de atividades como passear pela rua e praticar esportes. Brincar é fundamental a qualquer ser humano, especialmente na infância e na adolescência, é um direito de todos, estabelecido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. Quem tem boas lembranças da infância deve saber o quanto é importante o acesso a tais atividades, e isto, deve ser proporcionado tanto pela família, quanto pelas escolas e as autoridades que administram as políticas públicas ligadas à educação e ao lazer. O próprio ex-ministro do esporte, Agnelo Queiroz, afirmou que: Não se pode falar em infância saudável sem a prática de esporte e atividade física. Correr e brincar são atitudes naturais da infância. E, por isso, fundamentais para um desenvolvimento saudável. Estudo recente da Organização das Nações Unidas recomenda a adoção do esporte como instrumento de políticas públicas para o desenvolvimento humano. E aponta que a prática do esporte entre crianças, também contribui na disseminação de valores fundamentais como a cooperação e o respeito (2005). Diante disto, é fundamental garantir espaços e oportunidades para que todas as crianças e os adolescentes possam usufruir seus direitos, especialmente os relacionados ao esporte, ao lazer e à cultura, pois sabemos que tais atividades humanas são possibilidades reais de ensinar valores importantes para o futuro, como, honestidade, respeito, justiça, ética, amor, compreensão, compaixão e amizade. As atividades como a capoeira, dança e ginástica rítmica, tornam a escola, aos olhos dos alunos, muito mais prazerosa, além de estimular a criatividade, alimentar os sonhos, desenvolver o raciocínio e a coordenação motora das crianças e dos adolescentes, contribuindo na melhoria do convívio social e da qualidade de vida de todos os participantes. É um projeto amplo, que visa por meio das manifestações esportivas, culturais, artísticas e de lazer, incluindo alimentação e vestuário, atender crianças e adolescentes matriculados no ensino fundamental da rede municipal de Maringá, no período complementar ao da escola. O projeto enfatiza a elevação do nível de bem estar da criança e do adolescente, buscando novas formas de fortalecer o envolvimento do núcleo familiar no processo de formação de seus filhos, contribuindo no desenvolvimento integral, incentivando a permanência e o sucesso escolar de todos os participantes, além de fortalecer os laços sócio-culturais com sua comunidade de origem. De acordo com algumas pesquisas nacionais relacionadas à programas de jornada ampliada e nossas experiências anteriores, as crianças e os adolescentes que participam de tais programas, têm a oportunidade de vivenciar uma realidade muito diferente das de outras meninas e meninos brasileiros. Dessa forma, além de tomar maior consciência do seu próprio corpo, contam com oportunidades de brincar, debater, vivenciar, manifestar, criar, conhecer e freqüentar locais antes inacessíveis. Fato este, fundamental para o desenvolvimento integral e sadio de qualquer criança e adolescente e que buscamos no dia-a-dia de nosso trabalho. OBJETIVO GERAL Desenvolver integralmente a criança e o adolescente numa perspectiva educativa e formativa, dando suporte ao desenvolvimento de atividades que exploram o universo lúdico e afetivo, bem como, estimulando a formação da consciência crítica sobre o mundo. Página 82 de 108 ENAF Science, v.1, n.1, p. 82 - 85 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 OBJETIVOS ESPECÍFICOS Proporcionar o acesso da criança e do adolescente ao universo de conhecimentos ligados às atividades culturais, expressos na capoeira, na dança e na ginástica rítmica. Promover atividades sociais, visando a construção de cidadania e a solidificação de valores éticos que fortaleçam o caráter e a dignidade da criança e do adolescente. Desenvolver a escola pública de modo a fornecer, além do conteúdo programático, ferramentas para que as crianças e os adolescentes desenvolvam competências, habilidades, atitudes e valores. Contribuir no processo de ensino-aprendizagem da criança e do adolescente, visando a melhoria de seu desempenho na educação formal. MATERIAIS E MÉTODOS Implantado em agosto de 2003, na Escola Municipal Paulo Freire (Distrito de Iguatemi), o Programa de Jornada Ampliada iniciou suas atividades procurando garantir espaços e oportunidades para que as crianças e adolescentes pudessem usufruir de seus direitos, especialmente os relacionados ao esporte, ao lazer e à cultura, sendo que as atividades desenvolvidas são: As aulas são ministradas por professores da Rede Municipal de Maringá, especialistas na área, que têm como objetivo principal desenvolver integralmente a criança e o adolescente numa perspectiva educativa e formativa, dando suporte ao desenvolvimento de atividades que exploram o universo lúdico e afetivo, bem como, estimulando a formação da consciência crítica sobre o mundo. A formação das turmas em cada atividade é feita de acordo com a escolha individual dos alunos, os quais retornam à escola no período contrário de suas aulas do ensino regular, para participarem das atividades que acontecem duas vezes por semana com duração de duas horas cada. O projeto enfatiza a elevação do nível de bem estar da criança e do adolescente, buscando novas formas de fortalecer o envolvimento integral, incentivando a permanência e o sucesso escolar de todos os participantes, além de fortalecer os laços sócio-culturais com sua comunidade de origem, diante disto, e tendo em vista os inúmeros benefícios que o programa vinha conquistando, as atividades foram estendidas para outras unidades da rede: 2004: Projeto de Dança na Escola Municipal Victor Belotti 2005: Projeto de Dança na Escola Municipal Dr. Luiz Gabriel Sampaio Projeto de Ginástica Rítmica n Escola Municipal Prof. Milton Santos Atualmente o projeto atende duzentas crianças, que são distribuídas de acordo com o quadro abaixo: Quadro 01: Distribuição dos alunos nos projetos de acordo com as escolas municipais CAPOEIRA DANÇA G. R. PAULO FREIRE LUIZ GABRIEL 29 73 23 25 MILTON SANTOS VICTOR BELOTTI 24 26 Como recursos humanos, são necessários além das crianças e adolescentes participantes, cinco professores especialistas de Educação Física, nas seguintes modalidades: um de capoeira, duas de dança e duas de ginástica rítmica. Os recursos físicos utilizados são: salas de aula, sala de multiuso, anfiteatro, biblioteca, pátio e quadra poliesportiva. Já os recursos materiais utilizados, são os já existentes para a Educação Física da escola, além de outros que vêm sendo adquiridos pela escola, prefeitura e os próprios professores. Cada modalidade segue um planejamento de acordo com os conteúdos próprios (Quadro 03), mas ambas trabalham baseada em um cronograma anual (Quadro 02). Quadro 02: Cronograma F ev Planejamento e Organização Início com os alunos Atividades específicas do Projeto Visitas à outras unidades da rede Festivais Encerramento do projeto Organização dos Materiais Avaliação e Relatório Final ar M br A ai M un J ul J go A et S O ov N ez ut D Página 83 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 Quadro 03: Conteúdos/objetivos específicos das modalidades CAPOEIRA DANÇA G. R. Objetivos *Discutir e vivenciar os conhecimentos relativos à prática da capoeira. *Propiciar vivências práticas voltadas para uma melhor organização do grupo. *Estudar historicamente a capoeira desde o Brasil colonial. *Oportunizar momentos de práticas com os instrumentos da capoeira. *Executar e treinar movimentos, negativas e mandingas de capoeira. *Promover o jogo prático da Capoeira Angola. *Possibilitar o aprendizado dos ritmos e das cantigas de capoeira. *Experimentar a criação de cantigas de capoeira. *Refletir sobre a importância de cada um no processo de organização do grupo. *Produzir e confeccionar instrumentos de capoeira. *Organizar e executar uma roda de jogo de capoeira apresentando esse trabalho à comunidade. *Valorizar a dança como instrumento de socialização. *Compreender a dança como expressão e comunicação que permite o desenvolvimento da criatividade. *Resgatar e transmitir usos, costumes e acontecimentos da história de um povo. *Ampliar o estado de consciência do corpo e seu potencial para o movimento. *Dominar fundamentos de composições coreográficas. *Desenvolver o ritmo. *Desenvolver integralmente as crianças e adolescentes, numa perspectiva educativa e formativa através dos movimentos da ginástica rítmica. *Proporcionar o domínio de fundamentos da técnica de exercícios corporais e com aparelhos. *Oportunizar a consciência corporal e a socialização. *Possibilitar uma preparação rítmica musical. Conteúdos *Aspectos gerais *Histórico *Conceito *Capoeira Angola e Capoeira Regional *Instrumentos e ritmos *Ladainhas, cantos e cantigas *Movimentos básicos *Rodas *História *Música e ritmos *Dança de roda *Dança clássica *Dança moderna *Dança elementar *Dança folclórica *Dança de salão *Conceito e História *Mãos livres: andares, corridas, saltitos, saltos, ondas, giros, equilíbrios, semiacrobáticos e acrobáticos *Aparelhos: bola, corda, arco e fita – manejo e elementos simples do grupo fundamental RESULTADO E DISCUSSÃO De maneira geral, durante as aulas sempre buscamos criar um clima favorável para que primeiro as crianças e adolescentes demonstrem o que sabem e consegue fazer, em seguida, há o momento de interação do professor (a), procurando colaborar na produção do conhecimento, acrescentando e aprimorando quando necessário, e por fim, as crianças e adolescentes discutem e demonstram suas idéias em pequenos e grandes grupos, o que gera um processo de construção coletiva de movimentos e pequenas seqüências coreográficas e textos informativos. Quanto ao processo de avaliação, este se dá através da correção imediata de posturas e posições do corpo, sempre com a preocupação para que a criança não automatizasse exercícios errados, sem deixar de lado o bom senso e a cautela para que a criança e o adolescente não desanimem e perca o interesse pela prática. São realizados também debates e apresentações constantes, o que proporciona avaliação e auto-avalição, tanto por parte dos alunos, como do professor (a). Vale ressaltar, que as aulas foram no decorrer do processo, adequadas à realidade das crianças e adolescentes, os quais, em sua maioria, fazem parte de uma comunidade com poucas oportunidades para participar de atividades esportivas e culturais, e (ou) ainda, que devido a fatores sócio-econômicos, não têm acesso a tais atividades, que são fundamentais para o desenvolvimento global do ser humano. Diante deste contexto, e tendo consciência que a partir de atividades como a Capoeira, Dança e Ginástica Rítmica, podemos atender às necessidades das crianças e adolescentes, contribuindo desta forma para o despertar do movimento espontâneo, em função do desenvolvimento cognitivo, motor e afetivo-social, é que desenvolvemos tal programa no interior dos estabelecimentos. Afirmamos isto, baseados em LE BOULCH (1988), que já nesta data abordava que os exercícios corporais e atividades esportivas visam, essencialmente, assegurar o desenvolvimento harmonioso dos componentes corporais, afetivos, intelectuais e da personalidade da criança, o que irá contribuir para a conquista de uma relativa autonomia e apreensão refletida do mundo que a cerca. Não há necessidade, de nos reportarmos a referenciais teóricos sobre o assunto, para afirmarmos a influência e a contribuição do programa, no processo de formação das crianças e adolescentes, pois a demonstração de prazer e alegria das mesmas, por si só nos dão as repostas necessárias para perceber a importância do trabalho que é desenvolvido. Enfim, podemos afirmar que conseguimos atingir os objetivos iniciais, e ainda, contribuir de várias formas no processo de formação humana das crianças, pois acreditamos que: Criança é vida. Vida é ritmo e movimento. Ritmo e movimento, juntamente com uma pitada de amor e carinho, são a essência da proposta pedagógica para a capoeira, dança e ginástica rítmica, que se desenvolve na Rede Municipal de Maringá. Página 84 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 CONCLUSÃO Após as avaliações realizadas em 2003, 2004 e 2005, observamos que os resultados obtidos com os projetos têm sido amplamente positivos, ou seja, está sendo possível atingir os objetivos propostos e além disso, contribuir efetivamente no dia-a-dia da escola, levando os alunos a se interessarem mais pelo estudo, diminuir o número de faltas, participarem com mais motivação das aulas. REFERÊNCIAS BIBIBLIOGRÁFICAS BRASIL. MEC. Departamento de Educação Física e Desportos. Preparação psicológica. São Paulo: o Ministério, 1973 BREGOLATO, R.A. Cultura corporal da ginástica. São Paulo: Ícone, 2002. COLETIVO DE AUTORES. Metodologia do Ensino da Educação Física. São Paulo: Cortez, 1992. ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. Lei Nº 8.069 de 13 de julho de 1990. FERNANDES, A. Gimnasia Rítmica Desportiva: fundamentos. Madrid: Federacion Espanõla de Gimnasia, 1989. FIGUEIREDO, M. X. B. 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[email protected] Página 85 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 A IMPORTÂNCIA DO PROFISSIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA NA ESCOLINHA DE FUTEBOL TENDO COMO BASE A FORMAÇÃO HUMANA. Emerson Rogério de Souza Graduado em Educação Física Arthur Paiva Neto Mestre, Universidade de Bragança Paulista Alessandro de Oliveira Mestre, Faculdade Presbiteriana Gammon – FAGAM Sandra Maria da Silva Sales Oliveira Mestre, Universidade do Vale do Sapucaí – UNIVÁS RESUMO Este estudo objetivou identificar a ocorrência dos processos da formação humana (formar o homem, depois o atleta) nas escolinhas de futebol de campo, das cidades de Pouso Alegre e Sana Rita do Sapucaí-MG. Participaram desta pesquisa 100 alunos/atletas de quatro escolinhas de futebol, sendo três de Pouso Alegre e uma de Santa Rita do Sapucaí, com idades compreendidas entre 12 e 13 anos e 20 professores de diversas escolinhas de futebol da região do Sul de Minas, todos do sexo masculino. Foram formulados dois questionários: um contendo 15 frases para os alunos/atletas, e o outro contendo 12 frases para os professores. As conclusões apontam que é preciso estimular sentimentos de solidariedade, cooperação, autonomia e criatividade, sob a orientação de profissionais qualificados, sem preocupação com o resultado imediato. A iniciação esportiva necessita ser na teoria e na prática, um exercício humanamente criador e responsável, que regido por uma pedagogia própria, transmita muito mais do que o aprendizado de gestos técnico-esportivos; a importância da realização de um trabalho sistematizado pelo treinador/professor com crianças e jovens e que utilize o esporte e a atividade física como meios para atingir um objetiv o futuro de preparação de seus praticantes em uma perspectiva educacional. Palavras-chaves: Educação física, futebol e formação humana. INTRODUÇÃO O esporte hoje pode ser considerado um dos maiores fenômenos sociais da modernidade. Reconhecido como uma forma elementar de socialização, até uma variedade profissional, o esporte compõe hoje o imaginário social, sendo identificados por elementos, como força, superação de limites, vitória e supremacia enquanto valores próprios, refletindo assim o modelo social vigente (Rubio et al. 2000). A aula de futebol é um espaço de interação social, pois o homem é um ser social e todo seu desenvolvimento é fruto de suas relações sociais. Assim, na aula de futebol, duas coisas podem e devem ser ensinadas para que haja o que chamamos de educação. A primeira são os regulamentos que formam a base da organização do grupo social e a segunda, é a aquisição dos conhecimentos que são úteis para viver dentro dessa organização (MEDINA, 1983). Através da prática esportiva, em que o mediador-professor/técnico realiza o papel de orientador das relações da criança com o mundo e com os outros, tem-se como finalidade a formação global dos indivíduos-atletas, cabendo ao mediador a participação ativa no processo de construção de identidade da criança e jovem praticantes da atividade física/esportiva. Isto porque ao centrar-se não só na prática por ela mesma, mas também na reflexão feita pela criança na atividade que desenvolve, é atribuído mutuamente com ela o sentido à ação desempenhada. Maturana (2002) enfatiza que a maior dificuldade, hoje, para nós profissionais de Educação Física, está na distinção dessas duas classes, na forma como são aplicadas e nos objetivos que são almejados. A formação humana engloba valores como a responsabilidade, cooperação, amizade, organização, criatividade, individualidade, carinho, auto-respeito, respeito ao próximo, honradez, entre outros. E a capacitação humana tem por objetivo desenvolver as capacidades biológicas, habilidades específicas, manifestações corporais, cultura corporal, esportes, artes musicais, ou seja, tudo o que tem relação com o movimento humano. O grande problema encontrado nas escolinhas de futebol nos dias de hoje é justamente o interesse de várias pessoas em trabalhar como técnicos ou coordenadores das escolinhas vendo nisso um grande negócio lucrativo, sem muito esforço, e em sua maioria sem habilitação, sem técnica específica na área esportiva, sem o compromisso de educar, e dessa forma tentam manter a escolinha, visando somente garantir o pão de cada dia, doe a quem doer. Cobra-se uma taxa de mensalidade dos alunos atletas, além de se cobrar uma certa quantia por jogo, seja ele amistoso ou campeonato; cobra-se o uniforme utilizado pelo aluno/atleta, viagens e etc. Muitas vezes se ilude o aluno/atleta com a promessa de levá-lo para uma equipe profissional e outras coisas mais, sem pensar na formação humana da criança e sem ter uma pedagogia adequada para trabalhar. Desenvolver trabalhos de massificação do esporte, sem analisar a pedagogia utilizada no ensino das modalidades, pode resultar altos prejuízos pagos pela criança. Antes da prática esportiva, devemos considerar os direitos da criança. Ela precisa primeiramente brincar. Brincar de praticar esportes (NISTA-PICCOLO). Garganta e Pinto (1995) relatam que ensinar a praticar esportes tornou-se um trabalho interessante e, de certo modo, compensatório, pois a evolução dos atletas brasileiros em nível internacional, quando bem divulgada pela mídia, desperta em muitas crianças à vontade de chegar ao topo esportivo. Há, hoje, muitas “escolinhas de futebol” em que o proprietário da escola, organizador das atividades desenvolvidas ou, ainda, o professor é um atleta conhecido, um jogador popular. É claro que o problema não está no fato de a pessoa que dirige ou ensina ser conhecida, mas sim, de estar preparada para o que faz. Não basta saber praticar um esporte para poder ensinar? Parece simples e óbvio que qualquer jogador de basquete saiba ensinar basquete ou que um ex-jogador de futebol tenha habilidade suficiente para ensinar essa modalidade esportiva. Na verdade, não é bem isso o que acontece. Ex-jogadores nem sempre são capazes de adaptar suas habilidades a “exercícios educativos” que possam preparar novos atletas hábeis. É preciso elaborar procedimentos pedagógicos adequados à realidade que encontramos. Isto é, com base nas experiências motoras que as crianças apresentam, vivenciadas por elas anteriormente, é que é possível estruturar nosso trabalho. E ainda, com base nas dificuldades demonstradas pode se criar meios e caminhos viáveis para a aprendizagem de todos. O esporte ensinado deve estar adequado às características de desenvolvimento da criança. Isso quer dizer que não basta ter sido um bom atleta na modalidade para que a pessoa consiga formar novos atletas. É preciso conhecer quais são as necessidades básicas de cada faixa etária, envolvendo desde as questões posturais até os aspectos afetivos e sociais que permeiam a prática esportiva. Ou seja, entender os aspectos relacionados ao crescimento da criança para que se possa trabalhar com ela. Página 86 de 108 ENAF Science, v.1, n.1, p. 86 - 91 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 Um ex-atleta terá sempre as vantagens de ter vivido momentos muito próximos àqueles que sua equipe experimentará. Conhecendo o sabor, tanto das vitórias quanto das derrotas, o caminhar torna-se mais ameno, mas não garante o sucesso e nem mesmo nos dá certeza de que o trabalho tenha sido bem feito. A maioria das crianças constrói seu mundo de fantasias, e sonhos. Sonha um dia chegar a ser jogador de futebol, jogar num grande time, na seleção brasileira, ser famoso, ficar rico, ajudar a família, se tornar um herói nacional ou ídolo, até a vontade unicamente vinda dos pais. Sabe-se que poucos chegam a ser jogadores de futebol profissionais, e que os que conseguem na sua maioria esmagadora não saem do anonimato. Todos sonham com a glória, mas pouquíssimos chegam ao ápice da carreira. Com base no que foi descrito acima é que se pensou em realizar este estudo com o objetivo de identificar a ocorrência dos processos da formação humana (formar o homem, depois o atleta) nas escolinhas de futebol de campo, das cidades de Pouso Alegre e Sana Rita do Sapucaí-MG. Este trabalho teve como propósito identificar a ocorrência dos processos da formação humana (formar o homem, depois o atleta) nas escolinhas de futebol de campo, das cidades de Pouso Alegre e Santa Rita do Sapucaí-MG. METODOLOGIA Sujeitos Participaram desta pesquisa 100 alunos/atletas de quatro escolinhas de futebol, sendo três de Pouso Alegre e uma de Santa Rita do Sapucaí, com idades compreendidas entre 12 e 13 anos e 20 professores de diversas escolinhas de futebol da região do Sul de Minas, todos do sexo masculino. As escolinhas de futebol que abriram as portas para que essa pesquisa fosse realizada foram as seguintes: Centro de Formação Sonho de Atleta (PA), Escola de Futebol Padre Mário (PA), Forcraques F.C. (PA), Escola Municipal de Futebol Santa Rita do Sapucaí (SRS). Instrumentos Foi formulado um questionário contendo 15 frases para os alunos/atletas (apêndice 1), e um outro questionário contendo 12 frases para os professores (apêndice 2). Esses questionários foram aplicados individualmente de julho a outubro de 2005 no local de treinamento das escolinhas de futebol. Os dois questionários se encontram nos apêndices 1 e 2. Procedimentos Este estudo foi submetido à análise do Comitê de Ética da Universidade do Vale do Sapucaí e aprovado sob protocolo n° 383/05 (anexo 1). Ao apresentarem-se como voluntários, os indivíduos e seus responsáveis participaram de uma reunião com a equipe de pesquisadores, onde foram informados quanto aos objetivos e aos procedimentos metodológicos do estudo. O consentimento para a participação no estudo foi obtido dos pais por escrito, após os esclarecimentos necessários, estando todos cientes de que a qualquer momento poderiam, sem constrangimento, deixar de participar do mesmo (apêndice 3). Foram tomadas todas as precauções no intuito de preservar a privacidade dos voluntários. Para isto, as condições experimentais e todas as informações individuais obtidas durante o estudo foram sigilosas entre a equipe de pesquisadores e o voluntário. A saúde e o bemestar do voluntário esteve sempre acima de qualquer outro interesse. Inicialmente o pesquisador entrou em contato com a direção de cada escolinha de futebol, com o intuito de obter a autorização dos mesmos para a realização da pesquisa. Após a obtenção da autorização, o pesquisador solicitou o consentimento assinado pelos pais das crianças e pelos professores. Com o termo de consentimento assinado, o pesquisador então agendou as datas para aplicar os questionários. Os questionários foram aplicados após reuniões antes do treino, com os alunos/atletas e professores, onde foi passado para os mesmos, as informações necessárias para a realização da pesquisa com eficiência, sem deixar dúvida alguma sobre o questionário. A pesquisa foi realizada numa sala onde entravam de três em três (alunos/atletas) e sentava-se separadamente numa distância em que um aluno não via o outro. Estes testes foram transcritos conforme ocorreram e digitadas em editor de texto para posterior análise dos dados. Tratamento estatístico Os dados foram trabalhados com base na pesquisa qualitativa e o procedimento estatístico adotado foi o descritivo, sendo calculado o percentual de participação da soma de cada resposta dos questionários tanto dos alunos quanto dos professores. Foi utilizado o pacote computacional SPSS versão 12.0 na construção dos resultados. ANÁLISE DOS RESULTADOS Nas figuras 1 e 2 estão relacionados os valores percentuais de participação de cada resposta, seja ela afirmativa ou negativa dos questionários aplicados aos alunos e professores respectivamente. Página 87 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 TABELA 1- Valores percentuais das respostas do questionário aplicado aos alunos. Questão 1. Eu gosto de ir às aulas de futebol 2. Meu treinador é legal 3. Meus colegas de jogo são amigos 4. Meu treinador faz atividades conosco 5. Meus pais participam dessas atividades 6. Meu treinador se preocupa com o meu rendimento na escola 7. Meu treinador trata todos com igualdade 8. Eu sou obediente nas aulas Alunos Não 0% 1% 1% 22% 54% 21% 12% 3% Sim 100% 99% 99% 78% 46% 79% 88% 97% 9. Faço tudo que o treinador me pede 10. Meu treinador prefere os alunos que jogam melhor 11. Meu treinador está sempre conversando com os nossos pais 12. Nas aulas de futebol mando nos meus colegas 13. Eu sei respeitar meus pais e professores 14. Eu tenho liberdade de perguntar qualquer coisa ao meu treinador 15. Jogar futebol é muito bom 8% 61% 44% 96% 0% 19% 0% 92% 39% 56% 4% 100% 81% 100% No questionário aplicado aos alunos, pôde-se perceber que em relação à primeira questão, todos responderam que gostam de ir às aulas de futebol. Isso pode ser explicado pela presença marcante do futebol em nossa sociedade. A profissão de jogador de futebol é uma das mais promissoras, com salários altos, o que pode levar esses alunos a terem vontade de ser um jogador profissional no futuro. É promissor ser um jogador da Seleção Brasileira, ficar rico e ser um ídolo nacional. Witter (1990) diz que poucos chegam a ser jogadores de futebol profissionais e os que conseguem na sua maioria esmagadora não saem do anonimato, todos sonham com a glória, mas pouquíssimos chegam ao ápice da carreira. Observa-se então a necessidade e a responsabilidade de se formar primeiro o homem, depois o atleta e finalmente o jogador. Na segunda questão observa-se que 99 % dos alunos/atletas gostam do treinador e apenas um não. A literatura pertinente enfatiza que a equipe deve incorporar para si a personalidade, atitude e principais características de seu treinador. Santos Filho (2002) explica que na direção de aulas ou treinamentos, o treinador deve ser a autoridade personificada, um exemplo vivo, positivo, em quem os alunos possam se espelhar e ter sempre como referência. Na terceira questão, observa-se que a maioria dos alunos/atletas considera os colegas de escolinha amigos e apenas 1% não consegue se relacionar com todos de maneira igual, o que mostra a necessidade de se trabalhar cada vez mais com esses alunos/atletas, as atividades de socialização, integração, cooperação e solidariedade, para que haja uma harmonia maior e a satisfação de todos. Sob outra ótica, Rúbio (2000) comenta que o ser humano carrega consigo variadas potencialidades que, em contato com o meio social adequado, desencadeiam o desejo em realizar e conviver. Na questão quatro, 22% dos alunos/atletas afirmam que seu treinador não faz outras atividades além de jogar bola, o que restringe e muito a capacidade do aluno em aprender e desenvolver novas técnicas e habilidades que poderiam ajudá-lo no seu dia a dia, como também outras maneiras de se comportar. Porém observa-se que 78 % dos alunos/atletas se mostram satisfeito em apenas jogar bola. Não há dúvida de que cabe ao treinador desenvolver atividades que sejam importantes para a vida de seus atletas. Deve ter como um de seus objetivos o desenvolvimento integral dos mesmos. Freire(1998), completa este raciocínio enfocando que no ensino de futebol deve-se contribuir para que a pessoa que o aprende possa usufruir dele na sua vida cotidiana, em sua vida de cidadão. Quanto à questão cinco que se refere à participação dos pais nas atividades esportivas dos filhos, observa-se que 54% não participam e 46% participam. Na literatura pertinente encontra-se que o apoio dos pais precisa ter medida certa, uma vez que uma participação emocional exagerada pode causar efeitos negativos no filho (BURITI, 1997). Ambições exageradas dos pais, pressão por sucesso, cobrança de rendimento e pressão social são exemplos de apoio negativo. Porém, pode-se concluir que uma participação adequada deve acontecer por 100% dos pais. Cabe ao treinador trabalhar com os pais, orientando-os no sentido de fazerem um trabalho conjunto. Instruir os pais que os mesmos não devem pressionar seus filhos para a prática de esportes salientando que crianças e jovens participam do esporte por sentir prazer e alegria, aprender novas técnicas e fazer novas amizades. O apoio dos pais ao programa de treinamento também é fundamental (SANTOS FILHO, 2002). Na questão seis, que diz respeito à preocupação do treinador com o rendimento escolar de seus atletas, percebe-se que 79% responderam sim. Salienta-se que é de fundamental importância esta preocupação para que o atleta aprenda a se organizar na vida e a se dedicar igualmente em todas as atividades que realiza. A capacitação tem a ver com a aquisição de habilidades e capacidades de ação no mundo no qual se vive, com recursos operacionais que a pessoa tem para realizar o que quiser (MATURANA, 2002). A questão sete enfatiza o relacionamento do treinador com seus atletas e a coerência no tratamento com os mesmos. Observa-se que 88% dos atletas estão satisfeitos com este relacionamento, mas 12% sentem diferenças no relacionamento do treinador para com eles. Torna-se importante que o treinador saiba respeitar as diferenças e apóie o atleta em situação de conflito, estresse ou fracasso. A esse respeito Santos Filho (2002) aponta como um dos mandamentos importantes que o treinador deve seguir: “ser imparcial e coerente em suas intervenções, sem favorecer quem quer que seja na equipe, tratando a todos com justiça e igualdade, independente do cargo que ocupem” (p.75). A questão oito refere-se à atitude de obediência dos atletas às aulas. Observa-se que 97% dos atletas responderam que obedecem e 3% não. O que pode ser explicado pela motivação que os atletas têm pelo esporte e que foi evidenciado na questão1. Bzuneck (2001) coloca que a motivação é acionada através da combinação entre a predisposição e a adequação do meio em que se vive. A motivação está associada a fatores orgânicos, em cuja fisiologia, a função química determina os resultados. Na nona questão que se refere ao cumprimento das ordens dadas pelo treinador, foi observado que 92% dos atletas responderam que sim. Mais uma vez, pode-se inferir que a obediência refere-se à motivação pelo esporte. A questão dez refere-se à predileção do treinador com os alunos que jogam melhor. Observa-se que 61% dos alunos responderam que não existe diferença de tratamento e 39% responderam que sim. Cabe ao treinador não demonstrar, em hipótese alguma, predileção pelos atletas que têm mais facilidade e se saem melhor nos treinamentos. Sua posição deve ser de imparcialidade, conforme evidenciado pela literatura na questão sete. Página 88 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 A questão onze refere-se ao relacionamento do treinador com os pais. Observa-se que 44% dos atletas responderam que não e 56% responderam que sim. Percebe-se uma divisão de opiniões o que pode ser indicador da falta de relacionamento do treinador com os pais, fator importante, para o bom andamento das atividades. Samulski (2002) diz que a família é uma das mais importantes influências na vida do jovem atleta, pois é dentro da instituição familiar que a criança pode desenvolver metas e enfrentar demandas inerentes ao esporte. É pelas referências familiares que a criança e o jovem poderão desenvolver suas motivações, auto-estima e ir construindo sua própria identidade. Por isso a necessidade do treinador de estar sempre conversando com os pais dos alunos/atletas e se possível participando e interagindo junto ao filho nas atividades da escolinha de futebol como participação em treinamentos, jogos e principalmente reuniões. A questão doze refere-se ao relacionamento entre atletas. Observa-se que 96% das respostas mostraram que não existe problema relativo a um atleta mandar no outro. O respeito parece ser importante entre a maioria destes atletas. Freire (1998) esclarece que o professor deve preservar o respeito de um modo geral, entre treinadores e alunos e que o limite deve ser estabelecido. Fica claro que o professor que preza o limite e o respeito acaba transmitindo esses valores a seus atletas. A questão treze complementa a doze e se refere ao respeito dos atletas para com os pais e treinador. Observa-se que 100 % dos atletas respeitam os mais velhos. Maturana (2002) enfatiza que uma criança que cresce no respeito, por si mesma pode aprender qualquer coisa e adquirir qualquer habilidade se o desejar. A cooperação ocorre na prática da atividade que se aprende, quando esta prática é vivida no respeito mútuo do professor e do aluno. O respeito mútuo é fundamental porque amplia a inteligência ao entregar aos participantes, na aprendizagem, a possibilidade de dar um sentido próprio ao aprender e ao que se aprende. A questão quatorze refere-se à liberdade de fazer perguntas ao treinador. Observa-se que 19% responderam que não têm liberdade e 81% responderam que sim. Percebe-se que a maioria dos atletas confiam em seu treinador. O treinador deve comandar as aulas cativando, conquistando o aluno/atleta com dinamismo pessoal, deve dirigir e orientar pelo coração, fazendo-se necessário, que haja, um ambiente de tranqüilidade e confiança, de modo que o aluno possa se sentir seguro, propiciando assim condições para a manifestação de sua personalidade. Não é através de coações que se obtêm resultado positivo, e sim do respeito, tolerância, segurança e do clima de liberdade (MUTTI, 2003). A última questão refere-se aos atletas acharem bom jogar futebol. Observa-se que 100% responderam que sim, confirmando a primeira questão do questionário. O futebol é um esporte que fascina os jovens. É um fato legítimo da nossa sociedade que penetra na vida da população brasileira e no espírito de cada cidadão. TABELA 2- Valores percentuais das respostas do questionário aplicado aos professores. Questão 1. Eu gosto de dar aula em escolinha de futebol 2. Eu me relaciono bem com os alunos/atletas 3. Eu tenho bom relacionamento com os pais dos alunos/atletas 4. Existe preconceito e descriminação com meus alunos/atletas 5. Eu tenho preferência por alguns alunos atletas 6. Eu tenho abordado outros assuntos além do futebol 7. Eu me preocupo com o rendimento do aluno/atleta na escola 8. Eu tenho um bom relacionamento com meus colegas de profissão 9. Eu sirvo como referência para meus alunos/atletas 10. Utilizo de autoritarismo para com os alunos/atletas 11. Há preocupação com a formação humana do aluno/atleta 12. Tenho interesse em saber a real situação em que vive o aluno/atleta Professores Não 0% 0% 5% 80% 80% 20% 0% 0% 5% 85% 0% 10% Sim 100% 100% 95% 20% 20% 80% 100% 100% 95% 15% 100% 90% No questionário aplicado aos professores, na questão um, 100% responderam que gostam de dar aula. Observa-se que não basta somente gostar de dar aulas; necessita-se estudar a modalidade; procurar estar sempre atualizado, participando de cursos e palestras; assistir a competições e jogos, mesmo que sua equipe não esteja participando; ler e estudar tudo o que possa estar relacionado a seu trabalho ou possa nele ser aplicado e, se possível, ter praticado a modalidade. A aprendizagem de qualquer esporte deverá ser entregue aos professores de Educação Física, visto que, no delicado período da infância e adolescência, tal missão requer conhecimentos científicos adquiridos por meio da sólida formação universitária. Esse nível de instrução é uma condição indispensável. Um treinador será tanto melhor quanto maior for a riqueza de elementos que possuir. Não bastam conhecimentos e cultura. É necessário intuição pedagógica, tato, tino e decisão, algo indefinível que se nota quando se trata do treinador. É preciso possuir espírito de educador, desenvolver as qualidades essenciais do pedagogo, que são amor aos alunos, dedicação, sentido de responsabilidade social, elevada dose de idealismo e ética profissional (MUTTI, 2003). Na questão dois,100% responderam que se relacionam bem com os alunos/atletas. O treinador deve ter em mente que para se relacionar com os atletas deve comandar cativando, conquistando o aluno. Mutti (2003), salienta que o modo de tratar o aluno/atleta deve ser um misto de bondade e severidade, de afabilidade e austeridade, de brandura e rigidez. Na questão três 95% responderam que se relacionam bem com os pais dos alunos/atletas. Esta questão se relaciona com a questão onze do questionário aplicado aos alunos/atletas. Percebe-se que houve uma diferença significativa nas respostas. No questionário dos alunos/atletas o resultado mostra que quase a metade de seus pais não tem contato com o treinador; na resposta do questionário dos professores/treinadores 95% admitem ter contato com os pais. Isso mostra que há divergência de opiniões, o que se pode inferir que o treinador dos alunos/atletas em questão, pode não estar cumprindo corretamente esta função. Na questão quatro, 80% responderam que não existe preconceito e descriminação com seus alunos/atletas e 20% responderam que sim. Na questão cinco, 80% responderam que não têm preferência por nenhum aluno/atleta e 20% responderam que sim. Na literatura diz que é prática comum, tanto no futebol de várzea ou no de rua, como nos clubes ou escolinhas, dar atenção somente àqueles que por algum motivo, apresentam maiores habilidades.Não sendo adepto de tais idéias, pensa-se que qualquer pessoa pode aprender a jogar futebol. Aqueles que já sabem jogar devem ser orientados para aprender a jogar melhor; aqueles que sabem muito pouco ou nada de futebol devem receber toda a atenção até que aprendam, no mínimo, o suficiente. Temos que ensinar a cada aluno/atleta, não importando o nível de habilidade com que inicie, com as melhores técnicas, com o maior cuida do, de modo que possam, ao longo do tempo, expressar habilidades para jogar futebol de boa qualidade (FREIRE, 1998). Na questão seis, 80% responderam que têm abordado outros assuntos além do futebol e 20% responderam que não.Observa-se que além de ensinar futebol a todos e ensinar bem, a tarefa educacional supõe preparar sempre para algo mais do que a atividade específica da escolinha. Para Freire (1998) quem aprende futebol pode desenvolver um acervo de habilidades Página 89 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 bastante diversificado, podendo aproveitar essas habilidades em muitos outros esportes. Além disso, poderá estar aprendendo a conviver em grupos, a construir regras, a discutir e até a discordar dessas regras, a mudá-las, com rica contribuição para seu desenvolvimento moral e social. São coisas que contribuem para o desenvolvimento do aluno. Não se deve pensar só no craque; mais que isso, pensar na sua condição humana. Na questão sete, 100% responderam que se preocupam com o rendimento do aluno/atleta na escola. Se o treinador trabalha a disciplina, o limite, a responsabilidade, o relacionamento e a pontualidade, está mais do que evidente que ele deve se preocupar com o rendimento escolar de seus alunos/atletas. Todas as características trabalhadas pelo treinador são importantes também no ambiente escolar. Além do mais, já se pontuou no presente trabalho, que cabe ao treinador trabalhar além das habilidades específicas para o futebol, preparar o aluno para a vida e para o exercício da cidadania, objetivos comuns na esc ola regular. Na questão oito, 100% responderam ter um bom relacionamento com os colegas de profissão. Nota-se a importância de se relacionar bem com os colegas de profissão, aproveitando se para trocar experiências, informações, o que se considera algo bastante saudável e fundamental, independente da equipe ou nível no qual se esteja trabalhando. Acredita-se que só com o envolvimento de todos e com a real troca de experiências entre os treinadores envolvidos com o futebol, pode-se vê-lo evoluir, crescer e atualizar-se (FRISSELLI E MANTOVANI, 1999). Na questão nove, 95% responderam que servem como referência para seus alunos/atletas e apenas 5% responderam que não. Observa-se portanto, que é de suma importância os exemplos que os treinadores podem dar as suas equipes, sobretudo se trabalhar com jovens em fase de formação de personalidade e caráter. Nestes casos, salienta Rúbio (2000), que na maioria das vezes, o treinador passará a ser o espelho e o grande exemplo para esses jovens, situação tal que aumenta sua responsabilidade. Há situações nas quais muitos alunos/atletas se espelham mais em seus treinadores do que em seus próprios pais, o que sem dúvida aumenta ainda mais o seu compromisso e dever. Todos reconhecem que os treinadores são grandes formadores de opinião e que essa influência deve objetivar sempre o real crescimento não só dos alunos/atletas e equipes, mas, sobretudo do esporte, que dispensa maiores comentários como meio fomentador de saúde, amizade e sociabilidade. Na questão dez, 85% responderam que não utilizam autoritarismo com seus alunos/atletas e 15% responderam que sim. Conforme já descrito, o treinador deve ter disciplina de trabalho e comportamento, sem jamais ser autoritário em demasia, atitude que poderá inibir a participação e colaboração espontânea de todos os envolvidos com a equipe. Na questão onze 100% responderam que há preocupação com a formação humana do aluno/atleta. Rúbio (2000) salienta que o profissional que trabalha ou que pretende trabalhar com essa prática, deve ter clareza e conhecimento do grupo com o qual atua e quais os objetivos desse grupo. Deve saber, por exemplo, que além do desenvolvimento esportivo está participando ativamente na formação de indivíduos e no desenvolvimento global da criança, no que se refere aos aspectos emocional, maturacional, pedagógico e psicossocial, contribuindo na busca do desenvolvimento potencial do grupo com o qual está lidando. Na questão doze, 90% responderam que se preocupam com a real situação em que vive o aluno/atleta e 10% responderam que não. Observa-se que o treinador deve se preocupar com todos os alunos/atletas e com as suas condições de vida. Saber onde moram, se moram relativamente perto ou longe, se alimentaram adequadamente antes do treino, com quem vêm para o treino e outras condições que se fizerem necessárias. Quanto maior o número de informações tiver, melhor. Por fim, cabe salientar a importância do trabalho do treinador/professor com crianças e jovens em que se deve realizar um trabalho sistematizado e que utilize o esporte e a atividade física como meios para atingir um objetivo futuro de preparação de seus praticantes em uma perspectiva educacional. Conforme Rúbio (2000) trabalhar por meio dessa metodologia, questões como a formação de valores, construção das noções de cidadania e relacionamento interpessoais pode oferecer a seus praticantes alternativas para lidarem melhor com os desafios que são apresentados durante o desempenho da atividade física como também com os que possam aparecer no decorrer de suas vidas. CONSIDERAÇÕES FINAIS Para realizar o objetivo proposto inicialmente que foi o de identificar a ocorrência dos processos da formação humana (formar o homem, depois o atleta) nas escolinhas de futebol de campo, das cidades de Pouso Alegre e Santa Rita do Sapucaí-MG, alguns pontos devem ser considerados como relevantes. Ficou claro como deve ser estruturada uma escolinha de futebol. O trabalho em uma escola de futebol deve visar especificamente, além do desenvolvimento e do aprendizado da modalidade esportiva em questão, à aquisição de hábitos e condutas motoras, ampliando o repertório motor e o entendimento do esporte como um fator cultural (humano). É preciso estimular sentimentos de solidariedade, cooperação, autonomia e criatividade, sob a orientação de profissionais qualificados, sem a preocupação com o resultado imediato, ou seja, deixa-se esse momento para depois, quando se dará a formação de atletas, com treinamentos mais específicos. A iniciação esportiva necessita ser na teoria e na prática, um exercício humanamente criador e responsável que regido por uma pedagogia própria, transmita muito mais do que o aprendizado de gestos técnico-esportivos. Valores éticos, sociais e morais devem ser ensinados por meio das várias possibilidades que o conceito de esporte abrange, para que se possa fazer do educando um ser agente e transformador do seu tempo, preocupado com uma cidadania que lhe permita viver bem em qualquer que seja o caminho do esporte escolhido por ele no futuro (SCAGLIA, 1996). É imprescindível que no universo de abrangência das escolas de futebol, tenha espaço para a educação, a pedagogia, a iniciação, a competição e o futebol, pois é por meio de trabalhos práticos respaldados por teorias aplicadas, que se pode vir a confirmar a importância desse esporte global. Mas, cientes de nossas limitações, procuramos no transcorrer do texto, apresentar um estudo que ultrapassasse os limites das bibliotecas e ganhasse vida, possibilitando um momento de reflexão a todos os profissionais envolvidos direta ou indiretamente com a iniciação esportiva, em especial com o futebol. Um outro ponto relevante diz respeito aos dados obtidos pelos questionários. Observou-se que embora tenha havido divergências em algumas questões, pode-se inferir quede um modo geral, as escolinhas de futebol visitadas se preocupam com a formação humana. Por fim, espera-se que os erros observados sirvam para alertar os profissionais de Educação Física a não cometê-los no futuro e mostrar que o treinador não deve parar de estudar, pois melhor qualificado, a tendência é cometer o menor número de erros possíveis. Página 90 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALVARENGA, Thales. A tribo do futebol, In: Revista veja. 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Buscando entender todo o processo, procuro analisar as representações que os sujeitos envolvidos detêm sobre o trabalho desenvolvido. A realização deste PROJETO DE VOLEIBOL na cidade de Luz se justificou na medida em que aproximou o acadêmico do seu campo de atuação, dentro da realidade local, o que possibilitou uma relação direta com o processo de ensinoaprendizagem, bastante significante para a formação de um profissional crítico que se pretende. . Uma articulação teoria-prática como proposta de construção, interação e ampliação do conhecimento acadêmico e o mundo real de sua atuação. INTRODUÇÃO É necessário, para uma melhor compreensão da proposta deste processo, definir os conceitos de teoria e prática. TOJAL (1995) definiu os conceitos referentes a cada um: entende-se por teoria, o conjunto de conhecimentos sistematizados que se propõe a explicar o acontecimento de determinados fenômenos ocorridos; prática – informação aplicado resultante de um saber advento de um conjunto de conhecimentos sistematizados sobre determinado fenômeno. Teoria refere-se então aos conhecimentos produzidos e a prática à aplicação destes conhecimentos. Este presente projeto, foi um meio de relacionar esses conhecimentos que estavam sendo produzidos e ao mesmo tempo a sua aplicação prática. A relação teoria e práxis é para MARX (1986) teórica e prática: prática, na medida em que a teoria, como orientação da ação, molda a atividade do homem, particularmente a atividade revolucionária; teórica no sentido em que a relação é consciente. O conhecimento da teoria direciona a uma aplicação prática com responsabilidade. A atividade teórica é que possibilita de modo indissolúvel o conhecimento da realidade e o desígnio para a sua transformação. Mas para produzir tal transformação não é suficiente a atividade teórica; é preciso atuar praticamente, (PIMENTA, Selma Garrido – 1943). Estabelecem assim, a união da informação acadêmica com o seu aproveitamento na prática, como meio para alcançar uma ação crítico-reflexiva e consciente com o mundo real. A participação nesse projeto acarretou uma vivência efetiva da responsabilidade de trabalhar, promover e direcionar o desenvolvimento do ensino e treinamento da modalidade de Voleibol. A necessidade de planejar, pesquisar e avaliar constantemente a metodologia adotada para melhor ajustá-la aos objetivos em questão. Atividade esta, formulada em conformidade a um método moderno e ordenado, embasado em conhecimentos teóricos e simultaneamente adquiridos em aula. Um processo sistematizado de aplicação do treino/aperfeiçoamento da modalidade de Voleibol. Faz-se aqui uma avaliação da proposta de experimentação prática, devidamente supervisionada, durante o curso de formação em Educação Física pela UNIPAC – Campus Bom Despacho, permitindo análises críticas e reflexivas das atividades desenvolvidas.Uma demonstração da atuação do acadêmico na sua realidade de intervenção profissional. O professor acadêmico como auxiliador e orientador do processo do desempenho prático do futuro profissional. O professor como promotor de assistência e auxílio nas dificuldades encontradas (pelo acadêmico) no confronto da teoria instituída e sua aplicação prática. O PROJETO Este projeto teve início, através de uma carta de apresentação, fornecida pelo professor acadêmico da disciplina Teoria e Prática Desportiva II – Fundamentos Metodológicos do Ensino de Voleibol, a qual foi entregue ao diretor de Departamento Municipal de Esportes da cidade de Luz. O projeto foi desenvolvido com a equipe masculina da Escola Estadual Comendador Zico Tobias, em preparação para os Jogos Escolares de Minas Gerais, na cidade de Divinópolis. A realização deste projeto atendeu a uma proposta de trabalho acadêmico aos alunos do 2º período de Educação Física da UNIPAC. Objetivos para a implantação do Projeto: * Preparar a equipe da Escola Estadual Comendador Zico Tobias da cidade de Luz para a participação nos Jogos Escolares de Minas Gerais; * Buscar o aperfeiçoamento dos fundamentos técnicos dos alunos envolvidos, assim como as ações táticas, a fim de escolher o sistema estratégico de jogo ideal, no qual possamos aproveitar o que de melhor eles possam oferecer para que a equipe atue de forma mais eficiente; * Conseguir que os integrantes da equipe compreendam corretamente o momento de aplicar uns ou outros fundamentos técnicos, dependendo da situação de jogo; * Colaborar para o desenvolvimento da qualidade técnica-prática do voleibol na cidade de Luz; * Desenvolver percepção, concentração, decisão, motivação, autoconfiança, força de vontade, liderança, enfim preparar o aluno emocional e psicologicamente para situações de jogo e até mesmo para sua vivência diária. * Utilizar o voleibol como instrumento promotor da socialização, participação em grupo, união e responsabilidade, contribuindo para o crescimento social e integral do aluno. DESENVOLVIMENTO Após a avaliação inicial, identificadas as dificuldades da equipe e as metas a atingir, foi estabelecido a carga horária inicial de 3X/semana, 2h/aulas na primeira semana, passando depois para 4X/semana, 2h/aula durante as próximas 3 semanas e evoluindo finalmente para 5X/semana, 2h/aulas. Página 92 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 Para o desenvolvimento do projeto de preparação da equipe, foi adotado um procedimento metodológico gradativo (do simples em direção ao mais complexo) seguindo um processo de preparação física, maturação técnica, tática, cognitiva e psicológica dos alunos envolvidos, visto que o período competitivo exige grande desgaste energético de fundo emocional. Utilização tanto de exercícios individuais como os de duplas e trios com o objetivo de aperfeiçoar os fundamentos (passe, ENAF Science, v.1, n.1, p. 92 - 94 do aluno com a bola. toque, ataque, bloqueio, defesa e saque) e permitir maior obtenção de “intimidade” A boa preparação técnica dos atletas permitiu a aquisição, com maior rapidez, do aprimoramento tático.Para o aprendizado dos fundamentos técnicos e táticos mais complicados, foi adotada uma ordem gradual em conformidade com a maturação da técnica, de forma a não sobrecarregar e a tornar um procedimento nocivo à preparação para a competição. As atividades das aulas foram desenvolvidas mediante a seguinte seqüência: * alongamento/aquecimento/condicionamento físico: conscientização dos alunos sobre a importância do alongamento, do aquecimento e do condicionamento físico para o sucesso da equipe.Realização de exercícios que desenvolvam a flexibilidade, agilidade, velocidade nos deslocamentos curtos, força e resistência. * exercícios específicos (educativos e formativos) - enfatizando um ou dois fundamentos/aula (ataque, bloqueio e saque, seguindo nosso objetivo), exercícios combinados: aperfeiçoamento dos fundamentos, com exercícios educativos para correção de um desvio de movimento e formativo para que melhore a capacidade física que limita a sua performance. * fixação do (s) fundamento (s): a repetição é a principal ferramenta para que o aluno fixe o movimento, até sua automatização. Aos poucos, será aumentada a complexidade da execução para que haja adaptação do aluno às condições externas: velocidade, força e oscilações da bola. * aplicação (coletivo): aplicação dos fundamentos na realidade do jogo. * finalizando com uma reunião do grupo, conceituando o entendimento técnico-prático e relacionar a ação – atenção individual e coletiva. Após o término de cada aula, foi realizada uma avaliação direta com os alunos, de acordo com o desenvolvimento e rendimento apresentados, visando à correção e solução de problemas. Assim, relacionava o objetivo que fora proposto e o resultado final das atividades, para poder melhor planejar a próxima aula. RESULTADOS Obtenção de resultados após aplicação de questionário aos alunos-atletas - No gráfico 1, que trata do acolhimento dos alunos ao trabalho desenvolvido, percebemos que 60% tiveram uma receptividade muito boa, 30% uma receptividade ótima e 10% uma boa receptividade ao trabalho realizado. - Na relação projeto-aluno, no gráfico 2, notamos que 90% tiveram uma ótima afinidade ao projeto e 10% uma boa afinidade. - No gráfico 3, que trata da análise positiva em relação à sua própria participação no projeto, percebemos que 90% consiste uma apreciação ótima e 10% em uma muito boa apreciação dentro desse contexto. - Ao mencionar a aprendizagem dos colegas envolvidos, 60% declarou uma aprendizagem ótima, 30 % muito boa e 10% uma boa aprendizagem, como mostra o gráfico 4. - A partir de sua aprendizagem própria, o que trata o gráfico 5, observamos que 50% afirmaram que obtiveram uma ótima aprendizagem, 40% uma aprendizagem muito boa e 10% uma boa aprendizagem. - No gráfico 6, notamos que 90% tiveram uma segurança de nível ótimo e, 10% uma segurança muito boa relação ao trabalho realizado pelos professores (acadêmicos). - Ao avaliarmos o domínio de conhecimento que apresentavam os professores (acadêmicos), percebemos que 80% considerarão um domínio ótimo e 20% um domínio muito bom de conhecimento demonstrado na aplicação do projeto. - Por fim, através do gráfico 8, ao aludirmos em relação à positividade de todo o trabalho desempenhado, ressaltamos uma análise 100% positiva dos alunos envolvidos. DISCUSSÃO As ações práticas, efetivas e direta do acadêmico, consistem em elaborar e delinear o planejamento da aula em conformidade com o objetivo do grupo em questão: disputar os Jogos Escolares. Portanto, ele é encarregado de toda a estruturação prática, e a fazia em consonância ao que seria ao mesmo tempo aplicado na disciplina Teoria e Prática Desportiva II. O acadêmico vivencia a possibilidade de aproveitar na prática o conhecimento construído pela disciplina acadêmica. Aprendizagem depois da análise teórica e aplicação dessa aprendizagem. O acadêmico é levado ao encontro com o local de sua atuação e ao mesmo tempo, essa sua atuação tem a oportunidade de ser acrescida com as soluções à cerca dos questionamentos normais de primeira ação. O professor é encarado como o suporte e o norte dessa ação ativa do acadêmico. CONCLUSÃO Ao final deste projeto foi realizada uma análise final do aproveitamento individual bem como o de todo o grupo. Como forma de avaliar a significação desse trabalho para os envolvidos (alunos e departamento esportivo) foi realizada uma pesquisa com todos os alunos-atleta aqui envolvidos. Percebe-se, através da própria avaliação dos diretamente envolvidos nesta proposta de aprendizagem teórica-prática, a relação efetiva e positiva deste trabalho realizado. O acadêmico tem a oportunidade de vivenciar de forma orientada, o que está aprendendo, articulando a relação teoria/prática e minimizando a distância do conhecimento que está sendo adquirido na Universidade e o mundo real fora dela. Desta forma, o acadêmico encontra-se ajustado e seguro em uma experiência prática, efetiva e real. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA DESLANDES, Suely Ferreira. Pesquisa social: teoria, método e criatividade / Suely Ferreira Deslandes, Otávio Cruz Neto, Romeu Gomes; Maria Cecília de Souza Minayo (organizadora). 21ª edição, Petrópolis, RJ: Vozes, 1994. Revista Mineira de educação Física – UFV. Volume 10, número 1, ano X. 2002 BOJIKIAN, João Crisóstomo Marcondes. Ensinando Voleibol. Guarulhos, SP. Phorte Editora, 1999. GRECO, Pablo Juan. Iniciação Esportiva Universal 2 Metodologia da iniciação esportiva na escola e no clube. Editora UFMG. BH, MG. 1998. CALAZANS, J. (org). Iniciação científica: construindo o pensamento crítico. 2 ed. São Paulo: Cortez, 2002. BORSAI, José Roberto. Voleibol: aprendizagem e treinamento. Um desafio constante. 3ª ed.regras atualizadas em 2001. São Paulo.EPU, 2001. LABAN, Rudolf. Domínio do Movimento. São Paulo. Summers, 3ª edição. 1978. Página 93 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 COSTA, Adilson Donizete da. Voleibol – Fundamentos e aprimoramento técnico. Rio de Janeiro: Sprint, 2001. BIZZOCHI, Carlos “Cacá”. O voleibol de alto nível: da iniciação à competição. Barueri, SP: 2ª ed. Manole, 2004. TOJAL, J.B.G. A dicotomia Teoria/Prática na Educação Física. 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ANEXOS Gráfico 1 Gráfico 2 RECEPTIVIDADE DOS ALUNOS TRABALHADOS Relação Projeto / Aluno 100 60 80 50 60 40 % 40 % 30 20 20 10 0 1 0 1 2 grau de avaliação Gráfico 3 Gráfico 4 Aprendizagem / colegas Análise positiva / alunos 60 100 % 50 80 40 60 % 30 40 20 20 10 0 0 1 1 Gráfico 5 2 grau de avaliação grau de avaliação Gráfico 6 Aprendizagem / alunos Segurança em relação aos professores 50 40 % 100 80 60 % 40 20 0 30 20 10 0 1 1 grau de avaliação grau de avaliação Gráfico 7 Gráfico 8 Trabalho positivo Domínio de conhecimento / professores 80 100 70 90 60 80 50 70 % 40 % 60 50 30 40 20 30 20 10 10 0 1 2 grau de avaliação 0 1 grau de avaliação Página 94 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 [email protected] CRIANÇAS TRABALHADORAS NO BRASIL: A PROBLEMÁTICA DO TRABALHO INFANTIL AINDA PERSISTE Silveira, Renata Cristina da Penha, Enfermeira, mestre em Enfermagem pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto-USP, Doutoranda pela Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (EEUSP) e Enfermagem pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (EERP-USP). Coordenadora do Curso de Enfermagem do Centro Universitário da Fundação Educacional Guaxupé-Unifeg. Robazzi, Maria Lúcia do Carmo Cruz, Enfermeira, Professora Doutora Titular do Departamento de Enfermagem Geral e Especializada da Enfermagem pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (EERP-USP) RESUMO A problemática do Trabalho infantil persiste no Brasil, tal fato mostra números que retratam a violência existente no mundo do trabalho. Este estudo tem como objetivo identificar as crianças e dos adolescentes trabalhadores acometidos por AT, a causa do acidente a parte do corpo atingida em decorrência do AT. Trata-se de um estudo quantitativo, retrospectivo e descritivo. Em relação aos 56 prontuários correspondentes às crianças e adolescentes acidentados no trabalho, (64,3%) eram meninos. A maioria dos AT foram causados por materiais corto-contusos (39,3%). Em relação às partes do corpo atingidas pelo AT (51,8%) foram nos membros superiores. Os profissionais de saúde precisam ater-se às crianças e adolescentes acidentados e atendidos pelos serviços públicos de saúde em busca de relação com algum tipo de trabalho desempenhado por eles, para que assim contribua com a notificação dos casos de AT e da realidade sobre o trabalho infantil no Brasil. INTRODUÇÃO Tal estudo reporta-se a temática do Trabalho infantil e do adolescente e os Acidentes de Trabalho (AT). A presença de crianças trabalhadoras no Brasil, mostra números que retratam a violência, o desrespeito e a precarização existente no mundo do trabalho, bem como os adoecimentos decorrentes dele, que contribuem negativamente para o processo de crescimento tanto do cidadão quanto do ser humano. Sabe-se que a problemática do trabalho e sua inserção na vida das crianças, mostra-se presente, principalmente nas famílias menos favorecidas economicamente. A participação das crianças e adolescentes na força de trabalho é uma situação social que vem se mantendo como um problema ainda não resolvido em quase todo o mundo, tanto em países desenvolvidos quanto em desenvolvimento. Crianças começam desde cedo a “ajudarem” seus pais tanto em casa quanto fora dela para comporem a renda familiar e acabam deixando de dedicarem-se aos estudos, tornando-se mão-de-obra desqualificada e barata. Segundo dados da (OIT, 2004), revela que uma em cada seis crianças, entre cinco e 16 anos, está envolvida em algum tipo de atividade econômica em todo planeta. Há, no mundo, aproximadamente 246 milhões de crianças e adolescentes trabalhando, com idade entre cinco e 14 anos. No Brasil, apesar do país ter ratificado duas Convenções da OIT que proíbem essa prática, o que não deixa de ser um importante avanço, há uma estimativa que cerca de 7,7 milhões de crianças e adolescentes atuam em diversas atividades desde o trabalho informal, lixões, olarias e atividades domésticas. No Brasil, em pesquisa realizada em Porto Alegre, em 1998, por Ferreira & Valenzuela, estes autores investigaram 2.800 AT entre trabalhadores urbanos segurados do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), evidenciando a grande variedade de inserção de adolescentes no mercado formal de trabalho e a grande multiplicidade de tarefas a seu encargo. Os trabalhadores eram utilizados como “pau para toda obra”1, realizando atividades variadas, sendo-lhes imposta a condição de generalistas, sem formação técnico-profissional adequada, lidando com todo o tipo de tecnologia, tornando-os um grupo relevante de risco (Ferreira, 2001), particularmente por sofrerem acidentes e enfermidades relacionadas ao trabalho. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística–IBGE (2001), a partir de 2000 a lei brasileira mudou para que o governo assinasse a convenção da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e aumentou as idades permitidas para o trabalho. Assim a idade mínima para o trabalhador brasileiro atualmente é de 16 anos, sendo que, até então era de 14. A categoria aprendiz aceita trabalhadores de 14 anos ou mais e, para trabalho perigoso, insalubre e noturno, a lei exige no mínimo 18 anos. Assim, o IBGE indica que em 2001, essas crianças e adolescentes (entre 5 e 17 anos) estavam empregadas em lavouras, carvoarias, olarias, pedreiras, no mercado informal e também em afazeres domésticos, sendo que mais da metade deles não tinham remuneração fixa (Mello Jorge, 2002). Ainda segundo o mesmo autor, o trabalho dos menores compunha parte do orçamento familiar das camadas mais pobres da sociedade, razão pela qual o cumprimento da lei ficava comprometido, já que a retirada das crianças do trabalho correspondia a uma perda da renda que elas geravam. Segundo a literatura, o trabalho infantil, no sistema capitalista, encarrega-se de ressaltar o processo de exclusão social e de reprodução, principalmente, dos baixos padrões de vida material. Este tipo de trabalho, não garante a promoção e o desenvolvimento do indivíduo na sociedade e, tampouco lhe confere rendimentos significativos no futuro. Pior do que isso, essa situação parece ser um entrave na inserção profissional da criança e do adolescente, pois não raramente, promove seqüelas e lhe compromete o desenvolvimento físico, emocional e intelectual, amadurece-o prematuramente e, assim, nega-lhe o direito de usufruir de sua infância, de experimentar as vivências a que tem direito, com a obrigação da qual é incumbido de dedicar-se ao trabalho. Outro fator a ser considerado é a terminologia “ajuda” que aparece em várias das falas de menores e de seus pais pode ser enganosa, pois identifica como próprio da criança uma tarefa que, no mundo de trabalho dos adultos, corresponde à função de ajudante (OIT, 2003). Em geral, essa força de trabalho entra no mercado de trabalho sem a aprendizagem e os preparos prévios para executarem as variadas tarefas exigidas para a concretização de determinado tipo de ofício, sendo essas atividades muitas vezes caracterizadas, segundo a legislação nacional vigente (Brasil, 1988) em penosas, insalubres e perigosas. Esses trabalhadores 1 As aspas são do autor Ferreira (2001). Página 95 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 podem então adquirir enfermidades relacionadas às atividades que realizam, sofrerem AT e danos à saúde, que a médio e longo prazos possivelmente podem se tornar irreparáveis. Sabe-se que “as conseqüências do trabalho precoce em idade inadequada resultam em acidentes e doenças relacionadas ao trabalho, corpos deformados, envelhecimento precoce, abandono da escola, retardo no crescimento e no desenvolvimento e baixa qualificação profissional” (Zaher, 2001) Nos países desenvolvidos existe também o trabalho infantil e do adolescente, apesar de, aparentemente, ter características distintas daquele, que se sabe, acontecer no Brasil (Dumont, 1994). O estudo tem como objetivo identificar as crianças e dos adolescentes trabalhadores acometidos por AT, a causa do acidente a parte do corpo atingida em decorrência do AT. Material e métodos Trata-se de um estudo quantitativo, retrospectivo e descritivo. Período ENAF Science, v.1, n.1, p. 95 - 97 De 1º de junho de 2001 a 31 de maio de 2002. População Pacientes acidentados (crianças e adolescentes) menores de 18 anos, conforme estabelece a Lei 8.069 de 13 de julho de 1990, referente ao ECA e a OIT, 2000. Para a obtenção dos dados, foi feita uma revisão manual de todos os prontuários das crianças e adolescentes atendidos por acidente em geral no Serviço de Saúde do Trabalhador da Unidade Básica Distrital Central na cidade de Ribeirão Preto-SP. Procedimentos éticos e metodológicos Primeiramente o projeto de pesquisa foi autorizado pela Secretaria Municipal de Saúde de Ribeirão Preto para a realização da coleta de dados. Para a averiguação dos procedimentos éticos e atendimento às recomendações da Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde (Brasil, 1997), o projeto também foi encaminhado ao Comitê de Ética em Pesquisa da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto–USP, que emitiu parecer favorável à sua realização. Entre os 1.589 prontuários, os casos exclusivamente relacionados ao trabalho, encontrou-se 56 prontuários de crianças e adolescentes cujas descrições enquadravam-se nas de AT. Esses prontuários representaram 3,6% em relação ao total de prontuários das crianças e dos adolescentes acidentados em geral, atendidos no serviço. RESULTADOS E DISCUSSÃO Em relação aos 56 prontuários correspondentes às crianças e adolescentes atendidos no Serviço de Saúde do Trabalhador, os acidentados no trabalho a maioria deles, caracterizavam-se por serem meninos (64,3%), em apenas um prontuário (1,8%) não havia explicitação sobre o sexo do menor. A idade mínima observada foi de 11 anos, porém o maior número de crianças correspondia à idade de 17 anos (75%) seguida por 19,6% com 16 anos. Não foi encontrado caso em que o acidentado tivesse idade inferior a 11 anos, possivelmente pelo fato de que no Serviço de Saúde do Trabalhador da UBDS Central há prioridade para os atendimentos dos casos de crianças com idade superior a 11 anos, visto que os efetuados às faixas etárias menores são realizados pelo Serviço de Pediatria do local. Esses resultados parecem estar de acordo com os da literatura consultada. Maior número de meninos acidentados, em relação às meninas, também foi encontrado em investigação desenvolvida por Cueto (2000); a autora estudou dez jovens ambulantes que trabalhavam em Brasília (DF), com idades compreendidas entre dez e 13 anos e desses, nove (90%) eram meninos. Resultado similar foi encontrado em investigação realizada por Silveira & Robazzi (2000) que ao procederem à análise de 607 prontuários hospitalares de acidentados atendidos durante o ano de 1997 em um hospital universitário da cidade Ribeirão Preto, estado de São Paulo, constataram a existência de crianças que, na ocasião do atendimento, possuíam até 14 anos. Estas sofreram AT, encontrando-se anotações realizadas pela equipe de saúde em apenas 6 (0,9%) desses prontuários, os quais se relacionavam aos jovens trabalhadores; destes, quatro (67%) eram meninos. A inserção de crianças no mercado de trabalho significa a sua submissão aos processos comprometedores de seu desenvolvimento físico, mental e social. Para Navarro (2001). “... essa forma de violência se manifesta em expressivo contingente de crianças e adolescentes que (...) ingressam principalmente no mercado de trabalho informal e precarizado, sujeitando-se a jornadas prolongadas, condições de trabalho insalubres e perigosas e remuneração geralmente inferior ao mínimo legalmente estabelecido” (Navarro, 2001) No caso do presente estudo, os AT, em sua maioria, foram causados por contato com substâncias e objetos diversos, principalmente o materiais corto-contusos (39,3%), destes, ferimentos com facas de cortar frios em supermercado/ padaria, estilete de cortar palmilha em fábrica de calçados foram responsáveis por 12 das ocorrências, 21,4%. Os cortes com ferramentas, maquinaria agrícola, máquinas em geral como, por exemplo, esmeril, ferimentos provocados por prego, entre outros, totalizaram oito casos, 14,3%. Os outros dois casos foram decorrentes do contato dos jovens trabalhadores com o líquido quente (café) e vidro cortante (linha de cerol). Todos esses eventos provocaram lesões, prioritariamente, nos membros superiores; os acidentes de trânsito e atropelamentos (19,6%) e quedas (8,9%) com igual percentual para o excesso de exercícios e movimentos vigorosos (8,9%), entre outros. Em oito prontuários (14,3%) não se encontrou a causa do AT. Em relação às partes do corpo atingidas pelo AT, as lesões dos membros superiores tornaram-se evidentes em percentual de 51,8 seguido pelas lesões da cabeça e membros inferiores com 12,5%, cada um; a seguir os ferimentos em múltiplas partes e tronco com 8,9% cada um. Ao analisar o percentual de 51,8 nos membros superiores, evidenciou-se que as mãos tiveram maior freqüência de lesões, particularmente devido aos ferimentos com materiais corto-contusos e traumatismos de punho e mão. CONCLUSÃO Um fator abrangente e complexo, em nosso país, é a concentração de renda, ou seja, o Brasil possui uma das piores distribuições de renda do mundo. Tal fato é expresso em elevados índices de desemprego, baixos salários, desqualificação dos trabalhadores, um grande número de pessoas que vivem em condições subumana, influindo nos indicadores de educação, saúde, mortalidade infantil, e, principalmente no número de crianças e adolescentes trabalhando, ao invés de se dedicarem aos estudos, às brincadeiras e a viver sua infância e adolescência de maneira saudável. Essa problemática está relacionada à precarização das relações e condições de trabalho, aos salários mais baixos e aos custos de vida elevados que contribuem para que as famílias pobres permitam o ingresso de seus filhos no mercado de trabalho, a fim de ajudar nas despesas da casa e a sair das ruas. Página 96 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 Acredita-se que pode ser feito tanto nacional, estadual quanto municipal a implementação de programas de desenvolvimento econômico, apoio social às famílias, para que consigam receber e/ou adquirir o suficiente, para que não haja a necessidade de determinar que seus filhos trabalhem. Sabe-se que há ainda muito a ser feito e pesquisado, em relação ao trabalho executado por crianças e adolescentes no país; vários programas de prevenção e promoção à saúde dos trabalhadores poderiam ser elaborados, no sentido de esclarecimento a esta parcela importante da população sobre seus direitos e limitações, exercitando-os à cidadania. Cabe aos profissionais de saúde, aos enfermeiros aterem-se às crianças e adolescentes acidentados e atendidos pelos serviços públicos de saúde em busca de relação com algum tipo de trabalho desempenhado por eles, para que assim contribua com a notificação dos casos de AT e da realidade sobre o trabalho infantil no Brasil. REFERÊNCIAS BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil/Organização dos textos, notas remissivas e índices por Oliveira, J. 11ª ed., São Paulo, Saraiva, 1988. p. 103. Brasil, Conselho Nacional de Saúde. Diretrizes e Normas regulamentadoras de pesquisas em seres humanos. Resolução nº 196 de 10 de outubro de 1996. 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[email protected] Página 97 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 RESUMOS PSE PREDIZ 1-RM INDEPENDENTE DA FORÇA Daniel Rodriguez†, João POR Claudino†, Francisco D Dragone†, Adrianna RNC Rocha†, Leonardo F Novais†, Francisco L Pontes Jr†§, Francisco Navarro†§, Reury FP Bacurau†§, Vagner Raso†§ †Faculdade de Educação Física – UniFMU §Laboratório de Fisiologia do Exercício – LABFEX – UniFMU OBJETIVO: Determinar a influência da força muscular na predição do teste de uma repetição máxima (1-RM) por meio da PSE (Percepção Subjetiva do Esforço). MÉTODOS: A amostra foi constituída por 26 adultos jovens (homens, n: 13; mulheres, n: 13) entre 18 to 24 anos de idade (x: 19,72 1,73 anos) acadêmicos da Faculdade de Educação Física do Uni FMU (São Paulo, Brasil). Os voluntários foram classificados por nível de força muscular de acordo com o 1-RM para o supino reto. O percentil 25 (P25) foi considerado quando os voluntários executaram 1-RM < 71,50 (homens) < 24 Kg (mulheres). Enquanto o P75 foi definido quando os voluntários executaram 1-RM > 104,50 e as voluntárias executaram 1-RM > 40,60 kg. Escores de percepção subjetiva de esforço (PSE [0 a 10]) foram determinados em cada tentativa durante o 1-RM. Foram usados como parâmetro para aumentar a sobrecarga (SC). Em cada tentativa, a diferença entre o escore apontado e o escore máximo (i.e., 10) representou a magnitude percentual em que a SC deveria ser aumentada e conseqüentemente, poderia estimar o 1-RM (1RMe). As tentativas foram interrompidas quando o voluntário não podia mais aumentar a SC após uma execução completa e bem-sucedida além de o voluntário apontar o escore 10 na PSE. Todos os voluntários usaram uma venda que obstruía completamente a visão. RESULTADOS: Os voluntários precisaram de aproximadamente 4 tentativas para alcançar 1-RM. Os valores de 1-RM alcançados pelos voluntários foram 61.66 ± 6.74 kg (P25) e 115.14 ± 13.10 kg (P75), e pelas voluntárias foram 20.66 ± 3.26 kg (P25) e 45.42 ± 9.28 kg (P75). O nível de associação entre 1-RMe e 1-RM para homens variou de 0,11 (p=0.835) a 0.99 (p=0.0001) para P25, e de 0.53 (p=0.218) a 0.93 (p=0.002) para o P75, enquanto para as voluntárias variou de 0.87 (p=0.024) a 0.97 (p=0.001) para P25, e de 0.15 (p=0.742) a 0.97 (p=0.001) para o P75. CONCLUSÃO: Os resultados nos permitem concluir que a PSE pode predizer com precisão o desempenho no 1-RM com elevada sensibilidade independente da força muscular. Além disso, este estudo indicou que tanto voluntários fracos como fortes apresentaram resultados similares. Estes resultados são de grande importância devido ao fato de os voluntários terem executado o teste de1-RM vendados. [email protected] RESPOSTAS NEUROMUSCULARES APÓS 12 SEMANAS DE TREINAMENTO DE CICLISMO INDOOR - NEW CYCLING, EM IDOSOS ATIVOS NÃO PRATICANTES DA MODALIDADE Jenny Ahlin; Leonardo Moreira; Rodrigo Vilarinho; Maria Angélica Abreu; Tatiana Rodrigues; Fabrício Barbosa Madureira; Dilmar Pinto Guedes Junior. Universidade Metropolitana de Santos – Faculdade de Educação Física de Santos – Unimes / FEFIS. Introdução: Durante o processo de envelhecimento o corpo humano passa por diversas alterações fisiológicas, morfofuncionais e psicológicas. Há um consenso literário de que com o avanço da idade as pessoas tornam-se menos ativas. O ciclismo é caracterizado como uma modalidade que proporciona reduções do risco cardiovascular, fortalecimento de membros inferiores, considerável gasto energético e segura por ser praticado sentado (WEINECK, 1991). Sendo assim, o ciclismo indoor pode trazer muitos benefícios para indivíduos com alterações degenerativas. Portanto, o objetivo da pesquisa é analisar os benefícios do Ciclismo Indoor (CI) através do programa New Cycling em indivíduos idosos. Materiais e métodos: A amostra foi composta por 11 voluntários praticantes de ginástica para 3ª idade há mais de 6 meses com médias: idade 64,5 anos; peso 72,1kg; estatura 1,56m. A pesquisa teve duração de 3 meses, com 2 sessões semanais de 40 minutos: primeiro mês com ênfase no aprendizado (ajustes da bicicleta, controle de esforço, terminologias e posturas); segundo mês com ênfase no condicionamento aeróbio e terceiro mês ênfase em força muscular. Procedimento utilizado: 4 séries de 6 minutos cada, com cargas variadas (leve, moderada e forte) sem intervalo. Os alunos foram avaliados pela escala de Borg (1995) e freqüência cardíaca por freqüencímetro (Polar) ao final de cada série. Protocolos utilizados para análise dos efeitos do programa: RML de membros inferiores: sentar e levantar da cadeira em 30 segundos (MATSUDO, 2004); Equilíbrio: Parada da Cegonha (TRITSCHLER, 2003); Flexibilidade: Banco de Wells (CARNAVAL, 2002). Resultados e discussão: Para análise estatística foram utilizados: Teste-T de Student; Prova Estatística de Wilcoxon; Intervalo de Confiança 90%. Os dados mostraram que para os testes de Força e Equilíbrio apresentaram melhoras estatisticamente significativas de 23,7 e 59,3% respectivamente. Conclusão: O CI proporcionou melhoras para o fortalecimento de membros inferiores e equilíbrio, não ocorrendo o mesmo com a flexibilidade. PERFIL DO PERCENTUAL DE GORDURA DE CRIANÇAS MATRICULADAS NAS SÉRIES INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL DA CIDADE DE CABO VERDE/MG(*) ADRIANI C. DIAS(1); (1)Escola Superior de Educação Física de Muzambinho/Muzambinho/MG/Brasil SARAH F. S. OUTEIRO(1) (1) Escola Superior de Educação Física de Muzambinho/Muzambinho/MG/Brasil Os hábitos alimentares e falta de atividade física são conhecidos fatores associados ao sobrepeso e a obesidade. Estudos sobre a composição corporal tomaram impulso nos últimos anos nos países industrializados, cerca de 50% dos adolescentes obesos tornaram-se adultos com esta mesma patologia 1/3 dos adultos obesos já o eram quando crianças (DIETZ, 1998). O objetivo deste estudo foi verificar o perfil do percentual de gordura (%G) de crianças matriculadas na Escola Municipal Oscar Ornelas da cidade de Cabo Verde/MG. A amostra foi composta de 112 indivíduos, com idade entre 7 e 10 anos, sendo 46 do gênero feminino Página 98 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 ( X =8,3+1,06 anos), e 66 do gênero masculino ( X =8,8+0,99 anos). Para determinação do %G utilizou-se um compasso de dobras cutâneas Sanny e foi aplicado o protocolo e a equação de Lohman (1996). Os resultados são apresentados na tabela abaixo: TABELA 1: Descrição do %G Meninos Meninas Média 16,3 20,9 Desvio Padrão 7,1 7,6 Mínimo 7,1 10 Máximo 33,8 36,6 Concluí-se que de acordo com Bristish Jounal of Nutrition (1990 apud FERNANDES FILHO, 2003) os valores médios do %G apresentado pelos escolares avaliados, para ambos os gêneros, é considerado “Adequado”. No entanto, vale ressaltar, que os valores máximos encontrados tanto para o gênero feminino quanto para o masculino é considerado como “excessivamente alto”. [email protected] MODIFICAÇÕES NA COMPOSIÇÃO CORPORAL DE ATLETAS DE FUTSAL DURANTE A FASE PREPARATÓRIA Alberto Rodrigues Nogueira Filho. Licenciatura em Educação Física. Universidade Vale do Rio Verde – UNINCOR, Três Corações – MG – Brasil. Yvan Vilas Boas. Coordenador do curso de Educação Física da Universidade Vale do Rio Verde – UNINCOR, Três Corações - MG – Brasil. INTRODUÇÃO: A avaliação e estudo da composição corporal (CC) constituem importante instrumento para avaliarmos e prescrevermos de maneira criteriosa a atividade física com vista à melhoria do desenvolvimento físico. Além do que perda de massa corporal é um dos indicadores da Síndrome de Super Treinamento. OBJETIVO: Analisar a evolução da CC em atletas de Futsal durante a fase preparatória da Liga Nacional no ano de 2005. METODOLOGIA: A amostra foi composta por 19 atletas das equipes Poker / Petrópolis / Ikinha, participantes da Liga Nacional de Futsal de 2005. Para avaliação de percentual de gordura corporal foi utilizado o protocolo de Jackson e Pollock de sete dobras cutâneas. E equação de Matiegka para o fracionamento da CC. Feito isso, se optou por uma distribuição das cargas em bloco com seis sessões de treinamento semanais, durante cinco semanas. As três primeiras semanas foram destinadas ao desenvolvimento da capacidade aeróbica (70-75% da freqüência cardíaca máxima, baseando-se na freqüência cardíaca de reserva). E as duas outras semanas para o desenvolvimento da capacidade anaeróbica, acima de 80% da freqüência cardíaca máxima. A CC foi reavaliada ao final da terceira e quinta semana. RESULTADOS: Primeira avaliação, média e desvio padrão do percentual de gordura (G%) e massa muscular (Kg) respectivamente 11,20 ±3,50 e 34,60±4,10. Segunda avaliação, G% e massa muscular respectivamente 9,70 ±3,20 e 35,70 ±3,70. Terceira avaliação, G% e massa muscular respectivamente 8,50±2,50 e 36,30±3,80. CONCLUSÃO: Este tipo de distribuição de carga se mostrou efetiva quanto à perda de gordura e ganho de massa muscular. Nesta modalidade estas alterações são benéficas e necessárias quando é visado melhora da performance. Ficando claro que o controle destes dados são fundamentais na escolhas das cargas e períodos de recuperação. [email protected] CONHECIMENTO E PERCEPÇÕES SOBRE EXERCICIO FÍSICO EM ACADÊMICOS DA ÁREA DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E SAÚDE PABLA, P. graduanda Ed. Física, FAVENORTE, [email protected] TOLENTINO, G.P. Mestranda Atualmente o sedentarismo é uma questão de saúde pública, sendo o desconheciemnto sobre os beneficios do exercicio físico um fator limitante á adesão dessa prática. Logo, o objetivo desse estudo foi avaliar o conhecimento e a percepção de universitários da área biológica e de saúde sobre o exercicio. A amostra foi composta 31 graduandos da sendo desses 9 homens (idade média = 24,6 anos, dp=7,9). O questionario utilizado para avaliar o nivel de conhecimento e a percepção sobre o exercicio físico foi o de Marlos et al. (2002), onde os valores das respostas variavam entre 0 e 25. Numa análise geral 38,7% das respostas concetraramse no primeiro quartil de valores (0 – 17) que seriam menores valores. Quando analisados por sexo os valores foram 17,18 para o grupo feminino e 20,3 para o masculino, não havendo, porém, diferença estatisticamente significativa (p≤0,05). Nas análises das alternativas isoladas, a de maior acerto abordou os benefícios do exercicio sobre aspectos psicológicos, estresse, ansiedade, etc (67,4%). A questão que teve maior número de erros (cerca de 58% das respostas) versou sobre o impacto negativo do sedentarismo no desenvolvimento do diabetes mellitus. Também houve um elevado número de indivíduos que não souberam responder quais seriam os valores mínimos de exercicio físico recomendados (64,5% do total). Analisando as percepções sobre o exercicio físico, cerca de 87% da populaçao afirmou ter interesse em saber mais sobre exercicios, 93,5% afirmaram já ter recebido informações sobre seus beneficios, sendo que, a maioria dessas informações advieram de parentes/amigos (77,2%), e dos meios de comunicação (74,1%). Os menores valores foram atribuidos a professores (48,3%), e medicos (45,1%). Conclui-se que os acadêmicos pesquisados, ainda possuiam limitações no conhecimento sobre exercicios e que apesar de boas percepções, as maiores fontes informantes não seriam profissionais de saúde ou educadores. [email protected] Página 99 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 ANÁLISE DO GANHO DE FORÇA EM MULHERES, ATRAVÉS DE UM PROGRAMA DE MUSCULAÇÃO Denner Freitas Diniz, Graduando de Educação Física da Universidade Vale do Rio Verde UNINCOR, Caxambu. Alberto Rodrigues Nogueira Filho. Licenciatura em Educação Física. Universidade Vale do Rio Verde – UNINCOR, Três Corações – MG – Brasil. Yvan Vilas Boas. Coordenador do curso de Educação Física da Universidade Vale do Rio Verde – UNINCOR, Três Corações - MG – Brasil. INTRODUÇÃO: Na mulher o desenvolvimento das qualidades físicas, em específico a força muscular, se mostra importante em relação à manutenção de suas capacidades funcionais e na profilaxia de fisiopatologias ósseas. OBJETIVO: Avaliar o ganho de força em mulheres sedentárias, após serem submetidas a um programa adaptativo de treinamento com pesos, durante 40 dias. METODILOGIA: A amostra foi composta por 09 mulheres, com idade média de 32,2 anos. O programa consistia em três sessões semanais, Alternado por segmento, com intensidade de 65% de 1RM (NOVAES E VIANNA, 2003). Todas as mulheres foram avaliadas segundo o método de 01 Repetição Máxima, com a utilização da tabela de predição para o valor de 1RM (BAECHLE E GROVES, 1992). Foi empregado o tratamento estatístico descritivo. RESULTADOS: O grupo apresentou aumentos significativos em todos os exercícios avaliados, sendo expressos em porcentagem: Cadeira Extensora 34,5%, Abdominal 40,2%, Tríceps Pulley 27% e Remada Máquina 22,9%. CONCLUSÃO: O grupo de mulheres iniciantes na prática de musculação, obteve um ganho de força em todos os exercícios avaliados, isto é em grupamentos musculares diversos, mesmo quando submetidas a um programa destinado a adaptação à prática. Tabela 1- Comparação entre as cargas (Kg) antes e após 40 dias de treinamento. Exercícios Pré-treinamento Pós-treinamento Cadeira extensora 32,7 44 Abdominal 22,1 31 Tríceps pulley 24,5 30,5 Remada Máquina 36,5 44 [email protected] ANALISE DA SOBRECARGA CAUSADA PELO AQUAHAND (AH) DURANTE O EXERCÍCIO DE FLEXÃO E EXTENSÃO DO COTOVELO NO MEIO LIQUIDO Henrique França Rodrigues, especialista, Marcel Rocha,graduado, Renato Mazieiro,graduando, James Tonelll,igraduando, Dilmar Guedes,mestrando e Fabrício Madureira,mestrando. Faculdade de Educação Física de Santos – São Paulo -Brasil Introdução: A busca de programas eficientes que potencializem a hipertrofia muscular, maximizando a estética tem sido o grande objetivo dos alunos que se matriculam em atividades aquáticas nos dias atuais (Rocha el all,2005). Estudos recentes demonstram modificações significativas na composição corporal de pessoas que praticaram programas de força na água (Vilarinho et all,2004; Rodrigues et all,2004),porém, poucos estudos demonstram a magnitude da resistência oferecida pelo meio líquido contra os movimentos com a utilização de materiais. O presente trabalho teve como objetivo analisar a sobrecarga causada pelo AQUAHAND (AH) durante o exercício de flexão e extensão do cotovelo no meio liquido. Metodologia: A amostra contou com 20 universitários de ambos os sexos, com faixa etária de 20 a 35 anos, todos ativos. Os avaliados realizaram trinta segundos de flexões e extensões de cotovelo em intensidade máxima. A altura da água ficou determinada na altura da linha dos ombros. As duas situações experimentais foram SAH= sem AQUAHAND e CAH=com AQUAHAND. Foi registrado o número de repetições realizadas durante o teste. Entre as condições experimentais foi determinado o intervalo de 10 minutos. A ordem dos testes foi definida por sorteio, o AH utilizado no experimento foi da marca AQUATICA SLAIDE. Analise estatística: após a analise exploratória e a confirmação da normalidade da amostra foi aplicado o teste t student para determinar o nível de significância de α ≤ 0,05. Resultados: ver tabela1 Tabela1- número de repetições em 2 situações distintas, sem utilização e com utilização do AH. SAH CAH 24,54 (4,65) 19,77 (4,68) Os resultados são demonstrados em forma de média e (desvio padrão) com o nível de significância para p≤0,0001 Discussão: os resultados demonstram que houve uma queda de 19,43 % no número de repetições quando comparado o resultado da condição SAH com a situação CAH, o que demonstra que o AQUAHAND potencializou o aumento da resistência em relação ao exercício de flexão e extensão do cotovelo na água. Conclusão: A utilização do AQUAHAND pode ser uma forma eficiente de potencializar o aumento da resistência na execução dos exercícios em indivíduos jovens e ativos. [email protected] Página 100 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 ALTERAÇÕES NAS CONDIÇÕES AERÓBIA E ANAERÓBIA DURANTE A FASE PREPARATÓRIA EM UMA EQUIPE DE FUTSAL Yvan Vilas Boas. Coordenador do curso de Educação Física da Universidade Vale do Rio Verde – UNINCOR, Três Corações - MG – Brasil. Alberto Rodrigues Nogueira Filho. Licenciatura em Educação Física. Universidade Vale do Rio Verde – UNINCOR, Três Corações – MG – Brasil. INTRODUÇÃO: O futsal é um esporte intermitente sendo disputado em altas intensidades. Tais fatos demonstram a grande importância das aptidões aeróbia e anaeróbia para o atleta dessa modalidade. OBJETIVO: Verificar o grau de evolução das condições aeróbia e anaeróbia em atletas de futsal ao longo do período preparatório. METODOLOGIA: A amostra foi composta por 19 atletas das equipes de futsal Poker / Petrópolis / Ikinha, com média de idade de 22,70±4,40, participantes da Liga Nacional de Futsal de 2005. Para estimar o VO2 máximo foi utilizado o teste de Léger – Gadoury (1989, r= 90). O teste consiste em percorrer a distância de 20 metros sucessivas vezes, em intervalo de tempo pré-estipulado, aumentando a velocidade em intervalos de um minuto. Para a capacidade anaeróbia, optou-se Yo-yo intermitente recovery test, consiste em percorrer a distância de 40 metros sucessivas vezes, divididos em uma ida e volta de 20 metros, com intervalo préestipulado. Feitas as avaliações citadas optou-se por um treinamento com distribuição das cargas em bloco, com seis sessões semanais, durante cinco semanas. Nas três primeiras semanas com intensidades entre 70-75% da freqüência cardíaca máxima (baseando-se na freqüência cardíaca de reserva). Posteriormente às três semanas foi refeito o teste aeróbio. Nas duas últimas semanas com cargas acima de 80% da freqüência cardíaca máxima. Sendo refeito o teste de capacidade anaeróbica. RESULTADOS: Evolução do VO2 máx (ml/kg.min) na primeira e terceira semana, média e desvio padrão respectivamente, 50,60±3,60 e 53,00±3,10. Evolução da capacidade anaeróbia (metros) na primeira e quinta semana 467,40±15,60 e 621,10±17,80. CONCLUSÃO: Com a preparação baseada na distribuição de cargas em blocos com freqüência de treinamentos de seis sessões semanais, verificou-se aumentos significativos do VO2 máx, 1,58% por semana.E uma média de 6,45% por semana na sua capacidade anaeróbica. [email protected] A PSE PODE PREDIZER DESEMPENHO DO 1-RM Francisco D Dragone†, Adrianna RNC Rocha†, Leonardo F Novais†, Daniel Rodriguez†, João POR Claudino†, Francisco L Pontes Jr.†§, Francisco Navarro†§, Reury FP Bacurau†§, Vagner Raso†§ †Faculdade de Educação Física - UniFMU §Laboratório da Fisiologia do Exercício – LABFEx – UniFMU OBJETIVO: Predizer o desempenho em um teste máximo da repetição no exercício supino reto em adultos jovens através da percepção subjetiva do esforço. METODOLOGIA: A amostra foi constituída por 44 voluntários universitários do sexo masculino e feminino, de18 a 24 anos (x: ± 18.90 1.48 anos) da Faculdade de Educação Física do UniFMU (São Paulo). As avaliações da Percepção Subjetiva do Esforço (PSE [0 a 10]) foram determinadas a cada experimentação durante um teste máximo da repetição (1-RM), e empregadas como um parâmetro para aumentar a sobrecarga (SC). Em cada experimentação, a diferença entre a contagem relatada e a contagem do máximo (isto é, 10) representou o valor em que o SC seria incrementada e, estimar o 1-RM (1RMe). Os testes foram parados quando o voluntário não poderia aumentar o SC e quando a contagem relatada pelo voluntário era 10 na PSE. Todos os voluntários usaram uma venda que limitou a visão. RESULTADOS: Os voluntários realizaram aproximadamente 4 experimentações para determinar 1-RM. O valor de 1-RM alcançado por voluntários 63.86 ± 33.45 kg (homens: 89.41 ± 21.80 kg; mulheres: 33.20 ± 11.97 kg) Os valores 1-RMe nos primeiros (total: 78.79 ± 60.13 kg; homens: 116.04 ± 57.61 kg; mulheres: 34.10 ± 17.56 kg), segundo (total: 67.83 ± 38.09 kg; homens: 96.69 ± 25.62 kg; mulheres: 33.20 ± 13.19 kg), terceiro (total: 61.09 ± 31.77 kg; homens: 87.15 ± 18.67 kg; mulheres: 32.43 ± 11.93 kg), e quarto (total: 60.03 ± 27.87 kg; homens: 85.29 ± 14.10 kg; mulheres: 36.71 ± 12.07 kg)) não difere de 1-RM (a menos que para total primeiro e segundo] e o homens [primeiro, segundo e terceiro]), mostrando que não houve diferença estatística significativa entre o 1-RM estimada em cada experimentação (1-RMe) e o 1-RM conseguido, especialmente em voluntárias. Houve forte associação estatística significativa entre 1-RMe e 1-RM que variaram de 0.63 (mulheres, p=0,003) a 0.99 (p=0,0001), sugerindo que o PSE pode representar até 73% do 1-RM apenas no primeiro teste. CONCLUSÃO: Os dados permitem concluir que os PSE pode predizer o desempenho em 1-RM com alta sensibilidade. [email protected] A INFLUÊNCIA DO PROGRAMA DE PLIOMETRIA AQUÁTICA NA POTENCIA AERÓBIA DE JOGADORES DE FUTSAL Rodrigo Vilarinho,especialista Henrique França RodriguesEspecialista;, Dilmar Guedes,Doutorando,Fabrício Madureira, Mestrando. Faculdade de Educação Física de Santos -São Paulo- Brasil Introdução: Segundo Shinkarenko e Golomazov (1997) desde a década de 70 e em alguns casos até hoje os principais meios para aquisição de resistência aeróbia eram as corridas em pistas ou bosques, com grandes quilometragens, o que não corresponde às exigências físicas das partidas de futsal. Segundo Weineck (2000) a resistência aeróbia deve ser desenvolvida apenas para manter as exigências específicas da modalidade. Esse presente estudo teve como objetivo analisar as respostas da potência aeróbia após o programa de pliometria aquática para jogadores de Futsal. Metodos: o trabalho foi realizado com 17 jogadores da Seleção Santista, com idade entre 18 e 23 anos, altura média 1,77±0,06 e peso médio 71,240±6,56 Kg.Os avaliados foram submetidos ao teste de Andar e Correr de 12 minutos idealizado por Cooper citado por Giannichi(1998), para a transformação do resultado em VO2Max estimado foi usada a equação de Cooper (1968). Durante 3 dias na semana com a duração de 30 minutos Página 101 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 para cada sessão, os atletas, realizavam um programa baseado em saltos aquáticos..Análise estatística: Após a analise exploratória dos dados e a confirmação da normalidade do grupo, aplicou-se o teste t student para amostras pareadas para determinar o nível de significância das alterações para p< 0,05. Resultados : ver tabela 1 Tabela1 – alteração da metragem e Vo2máximo após 12 semanas de treinamento Metragem (m) VO2Max(ml/kg/min) Pré 2723(295,33) 49,31(6,56) Pós 2918(230,79) 53,65(5,13) Os dados foram apresentados na forma de média e desvio padrão, onde foi encontrada diferença significativa para os dois resultados para p 0,008. Discussão: Os resultados encontrados mostram que a potência aeróbia dos jogadores foi classificada pela tabela de Cooper (1968) no Pré-teste como excelente e no pós-teste como superior,sendo um aumento de 7% na metragem e de 8% no vo2,max ,o que corrobora com Gomes(1997) que não há necessidade de se treinar por longas distâncias de corrida para manutenção da potencia aeróbia Conclusão: O programa de pliometria aquática pode ser uma forma para auxiliar a manutenção da potência aeróbia de jogadores de futsal. [email protected] NEUROPATIA PERIFÉRICA ALCOÓLICA ALINEFRANCIELI FRANÇA, acadêmica de Fisioterapia. Centro Universitário de Maringá, Camila Perre, acadêmica de Fisioterapia. Gleison Franco, acadêmico de Fisioterapia. Hugo Leonardo Justi, acadêmico de Fisioterapia. Karina Goto, acadêmica de Fisioterapia. Liana Claudia Crubelati Bulla, acadêmica de Fisioterapia. O uso abusivo do álcool compromete seriamente as funções motoras e cognitivas, ocasionando lesões crônicas, dentre elas a Neuropatia Periférica Alcoólica. Refere-se a uma doença sensória motora que é encontrada com grande freqüência e, em geral, a sintomatologia inicial corresponde a hiperestesias e disestesias nos membros inferiores, com predomínio na planta dos pés. Além das sensações anormais encontra-se, ao exame da sensibilidade, hipoestesia e termoalgesia. Acredita-se que os principais fatores etiológicos sejam a deficiência da vitamina B em conseqüência do efeito tóxico do álcool. Esta patologia torna incapacitante as atividades de vida diária, levando a um déficit funcional ao paciente. A Fisioterapia atua objetivando melhorar o quadro func ional dos portadores de neuropatias. Este trabalho buscou relatar a importância quanto às medidas preventivas ao abuso excessivo do álcool. Para o desenvolvimento deste estudo, foi observado e tratado um paciente, onde o mesmo reside em uma casa para idosos. Após serem realizadas as sessões de Fisioterapia, podemos notar grande melhora no quadro motor e cognitivo do paciente. O tratamento aplicou-se através de exercícios ativos assistidos, livres e resistidos (resistência manual leve) e alongamentos passivos, treino de marcha estimulando a tríplice flexão e dissociação de cinturas (pélvica e escapular). Dando ênfase na estimulação postural, equilíbrio, propriocepção e cognitivo. É de extrema importância a prevenção e o conhecimento quanto as conseqüência que o álcool acarreta, e aos portadores da Neuropatia Periférica Alcoólica, os benefícios que a Fisioterapia traz, melhorando a qualidade de vida dos mesmos. [email protected] VINHOTERAPIA ALINEFRANCIELI FRANÇA, acadêmica de Fisioterapia. Centro Universitário de Maringá, Camila Perre, acadêmica de Fisioterapia. Gleison Franco, acadêmico de Fisioterapia. Hugo Leonardo Justi, acadêmico de Fisioterapia. Karina Goto, acadêmica de Fisioterapia. Liana Claudia Crubelati Bulla, acadêmica de Fisioterapia. A obesidade é um problema social em crescimento, onde seu controle é difícil devido ao sedentarismo e a uma dieta rica em calorias, refletindo em maior facilidade de ganho de gordura do que perda. As propriedades do vinho tinto podem ser aplicadas em favor da beleza através da vinhoterapia, um tratamento que se baseia no calor e na ação de determinadas substâncias presentes no vinho, entre elas o polifenol, um antioxidante responsável pela prevenção de algumas doenças, conseguindo retirar células mortas, deslocar placas de gordura e acelerar o emagrecimento. Consiste na aplicação de vinho em regiões determinadas a serem tratadas misturadas às substâncias como o reduxcel e sulfato de magnésio para induzir a termogênese, uma reação natural do organismo que mantém o equilíbrio térmico para garantir seu perfeito funcionamento. O calor necessário é obtido através da queima de gordura. Este estudo teve por objetivo verificar o benefício da vinhoterapia na redução de medidas de uma paciente com gordura localizada em região abdominal. O estudo foi realizado na clínica escola de fisioterapia do Centro Universitário de Maringá, sendo selecionado ao acaso uma paciente do sexo feminino, que foi tratada com 10 sessões de vinhoterapia, sendo realizadas 03 sessões semanais. A paciente ingeria um cálice de vinho e um pedaço de chocolate meio amargo para estimular o aquecimento interno. Em seguida, realizava-se massagem modeladora em abdômen com Reduxcel e a seguir sulfato de magnésio. Após era feita a bandagem com faixas embebidas em vinho e manta térmica por 40 minutos sobre a paciente. Os resultados foram observados através de medidas abdominais (supra e infra umbilical) realizadas no início e final de cada sessão, utilizando-se uma fita métrica. Observou-se perda de 5,5cm em abdômen superior e 4,5cm em abdômen inferior, utilizando a Vinhoterapia como tratamento. Página 102 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 [email protected] A RECREAÇÃO COMO MEIO DE SOCIABILIZAÇÃO PARA A TERCEIRA IDADE ALEX BARRETO DE LIMA1 JOSEMAR GUEDES DA SILVA1 JOSÉ EDNALDO ALVES SENA2 1 Delegacia Regional da FIEP/PARAÍBA – Brasil 2 Centro universitário de João Pessoa – UNIPÊ – Paraíba - Brasil Este estudo foi realizado pelos estagiários do curso de educação Física do Centro universitário de João Pessoa - UNIPÊ, através do projeto PRDC (Programa Recreativo Desportivo Comunitário), localizado na cidade de João Pessoa – Paraíba. Participaram da amostra 15 praticantes de atividades aquáticas (h=06; m= 09), com idade acima de 60 anos. Todos realizavam atividades aquáticas no período matutino das 08:00 as 10:00h. O instrumento de mensuração dos dados foi um questionário com 11 questões fechadas, visando verificar os níveis de integração social que são promovidos por meio da recreação. A coleta de dados foi aplicada após 14 semanas de observações. Através dos resultados obtidos foi possível verificar a importância da recreação para os idosos como meio de integração social, porque além de promover um crescimento social, amplia o seu circulo de amizade, aumentando o numero de amigos e relacionamento, aliviando os sentimentos de solidão e ansiedade. Pode-se verificar que a recreação proporciona uma melhoria significativa na saúde do idoso, fazendo o mesmo sair do seu isolamento, redescobrindo suas reais possibilidades de movimentação e reitengração na sociedade, permitindo superar os complexos de inferioridade, tornando-o mais feliz e disposto para desenvolver as suas atividades de diárias. Palavras chave: recreação, sociabilização, terceira idade. [email protected] ANÁLISE DO CONCEITO DE EDUCAÇÃO FÍSICA ENTRE PROFISSIONAIS ATUANTES NO NORTE DE MINAS MARTINELLY, D. graduando Ed. Física, FAVENORTE, TOLENTINO, G.P. Mestranda A educação Física, como uma prática social sempre sofreu influências de correntes filosóficas, tendências políticas, científicas e pedagógicas ao longo da sua história. Isso a levou de uma atividade utilitarista, para atingir o que se admite hoje ser uma práxis. Logo, os conceitos e as concepções individuais e coletivas sobre essa área de conhecimento variam de acordo com as matrizes culturais vigentes em cada localidade ou região.Sendo assim, o objetivo desse estudo foi a valiar o conceito de Educação Físi ca que predomina entre os profissionais que atuam no Município de Mato Verde e cidades vizinhas. A amostra estudada foi composta por 62 indivíduos (média= 31,7 dp = 10,1) sendo desses 25 mulheres. Foram avaliados profissionais de Mato Verde, Norte de Minas Gerais, e de 13 cidades vizinhas. Os dados foram tratados a partir da estatística descritiva e também através de análise qualitativa. Apenas 30,7% da amostra apresentava curso superior e/ou pós graduação; 71,40% atuavam como professores; 80,8% já realizaram algum curso na área de Educação Física, 50% relataram que o motivo da escolha pela profissão foi o gosto pela área; e cerca de 73% da amostra adquiriram seus conhecimentos através de outros meios que não a educação formal. Os dados analisados qualitativamente foram agrupados em 6 categorias: 1) conceitos de Educação Física ligados apenas ao esporte (16,6%); 2) conceitos ligados apenas ao corpo (4,16%); 3) conceitos ligados apenas à saúde (27,08%); 4) conceitos ligados à u ma visão biopsicossocial (2,91%); 5) conceitos ligados apenas à cultura corporal de movimento (14,58%); 6) outros tipos de respostas (14,58%). Concluiu-se que é grande o número de profissionais que atuam na área de Educação Física que não possuem formação acadêmica, e que baseiam sua atuação apenas em suas próprias experiências. Que essas características dos profissionais pesquisados contribuíram para a visão reduzida sobre Educação Física encontrada nesse estudo. [email protected] A INCIDÊNCIA DA HIPERTENSÃO EM ESTUDANTES DE GRADUAÇÃO DE UM CENTRO UNIVERSITÁRIO PRIVADO DO MUNICÍPIO DE GUAXUPÉ–MG Cândido, Amanda Bueno Graduanda em Enfermagem Centro Universitário da Fundação Educacional Guaxupé – MG (UNIFEG) PIC – Programa de Iniciação Científica Gomes, Lílian Cristiane Enfermeira Especialista em Administração Hospitalar e Gestão de Serviços de Saúde Docente Titular do Curso de Enfermagem do Centro Universitário da Fundação Educacional Guaxupé – MG (UNIFEG) INTRODUÇÃO: A hipertensão arterial sistêmica representa um grave problema de saúde pública, apontada como principal fator de risco para doenças cardíacas, renal e vascular. Possui alto custo social, responsável por quase 40% dos casos de aposentadoria precoce e absenteísmo no trabalho. Aproximadamente 15% a 20% da população adulta brasileira, acima de 20 anos de idade, é portadora de hipertensão arterial. Pode ser definida como uma pressão arterial sistólica igual ou superior a 140 mmHg; e diastólica, igual ou superior a 90 mmHg, adotando-se, como padrão de normalidade, valores iguais ou abaixo de 120 x 80 mmHg. São fatores de risco que influenciam no aparecimento ou agravamento da hipertensão: hereditariedade, idade, raça, sexo, sedentarismo, fumo, álcool, ingestão elevada de sódio e estresse. Estudos têm revelado que práticas tabagistas e de consumo de bebidas alcoólicas vem se tornando cada vez mais freqüentes entre estudantes universitários, o que pode torná-los predispostos a esta doença. OBJETIVOS: verificar a incidência de hipertensão em estudantes universitários; determinar fatores de risco para desenvolvimento Página 103 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 da hipertensão na população de estudo; propor ações que minimizem o risco de incidência e/ou de complicações da hipertensão. METODOLOGIA: Será um estudo de campo, descritivo, quantitativo e de representação social dos estudantes universitários sobre a hipertensão arterial. A população de estudo serão estudantes de graduação de um centro universitário privado em Guaxupé – MG. Os dados serão coletados na própria instituição de ensino, aplicando-se um questionário a esta população e, em seguida, realizado aferição da pressão arterial de cada participante após cinco minutos de repouso. Para os indivíduos com valores pressóricos iguais ou superiores ao padrão de normalidade estabelecido pela OMS, será realizada nova aferição após mais dez minutos de repouso, para confirmação do diagnóstico. Os resultados obtidos serão analisados estatisticamente e apresentados através de figuras e tabelas. [email protected] ASSITÊNCIA DE ENFERMAGEM NA PREVENÇÃO DE ÚLCERA DE PRESSÃO: UMA REVISÃO DA LITERATURA Silva, Gisele Regina, aluna do terceiro semestre do curso de Graduação em Enfermagem Centro Universitário da Fundação Educacional Guaxupé-Unifeg. Silveira, Renata Cristina da Penha (orientador), Enfermeira, Mestre em Enfermagem pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto-USP, Doutoranda pela Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (EEUSP) e Enfermagem pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (EERP-USP). Coordenadora do Curso de Enfermagem do Centro Universitário da Fundação Educacional Guaxupé-Unifeg. A Úlcera de Pressão (UP) deve ser reconhecida como um problema de saúde que envolve toda a equipe de profissionais, principalmente a enfermagem, por estar com o paciente durante as vinte e quatro horas. Tal estudo teve como objetivo identificar a produção de conhecimentos sobre a prevenção de úlcera de pressão em pacientes críticos hospitalizados, publicados no período de 2000 a 2005 em periódicos nacionais e internacionais e indexados no banco de dados LILACS ou MEDLINE; identificar os fatores de risco para úlcera de pressão. As produções científicas analisadas neste estudo apresentaram os fatores de risco relacionados aos diversos aspectos que envolvem o desenvolvimento de UP. Observou-se na literatura pesquisada que a imobilidade tem uma contribuição importante na formação de UP devido à incapacidade que o indivíduo apresenta para mudar seu corpo de posição, o que poderia impedir o alívio da pressão em determinadas regiões, predispondo ao aparecimento de ulcerações. Os resultados apontam que a adoção de protocolos sistematizados são eficazes para a prevenção de UP, sendo evidenciado pela redução de sua incidência. O enfermeiro é responsável pela avaliação do paciente de risco para UP, assim como dos daqueles portadores de UP desde a avaliação nutricional, pesquisa por doenças crônico-degenerativas, além de escolher a melhor cobertura a ser utilizada para cada fase de cicatrização da ferida, ele deve implementar programas educacionais para a prevenção de UP. Constatou-se que a assistência de enfermagem alicerçada em princípios científicos é capaz de realizar uma avaliação abrangente do paciente e, consequentemente promover um cuidado de qualidade. [email protected] PERCEPÇÃO DOS GRADUANDOS DO UM CENTRO UNIVERSITÁRIO QUANTO AS VARIÁVEIS QUE FUNDAMENTAM A CONSTRUÇÃO DO PERFIL DO ENFERMEIRO. Solange Cristina Carvalhais Feitosa Aluna do 8º semestre do Curso de Enfermagem do Centro Universitário Nove de Julho. Fernanda Cássia Ferrari Lance Aluna do 8º semestre do Curso de Enfermagem do Centro Universitário Nove de Julho. Valnice de Oliveira Nogueira Enfermeira.Orientadora. Mestre em Enfermagem pela UNIFESP. Professora do Curso de Enfermagem do Centro Universitário Nove de Julho. Os profissionais de enfermagem continuamente se defrontam com situações que exigem decisões e nem sempre estão suficientemente instrumentalizados para participar do processo decisório nas organizações de saúde. Para traçarmos o perfil que melhor defina o Enfermeiro, necessitamos inserí-lo num contexto que inclua a combinação de qualidades múltiplas, priorizando a responsabilidade profissional, o direito de pensar e a autonomia para agir, no exercício da profissão. Frente às considerações tecidas, questionamos: os alunos do oitavo semestre do Curso de Graduação em Enfermagem têm conhecimento das variáveis que podem torná-los profissionais autônomos? O que estes alunos acreditam ser importante para a construção do perfil? Por isso, as autoras estão desenvolvendo um Trabalho de Conclusão de Curso com o objetivo de conhecer nos graduandos do oitavo semestre de enfermagem as variáveis que favorecem a formação do perfil do enfermeiro para a conquista da autonomia e poder decisório e conhecer as variáveis relevantes sob a ótica dos sujeitos da pesquisa para a construção do perfil do enfermeiro. Pesquisa qualitativa segundo a análise de conteúdo de Bardin, que está sendo realizada num Centro Universitário na Cidade de São Paulo que possui três campi. Os sujeitos da Pesquisa são graduandos de enfermagem do oitavo semestre de 02 unidades perfazendo uma população de 67. Aplicou-se um questionário com 04 questões que abordaram as variáveis que são imprescindíveis para a formação do perfil do enfermeiro. Dos 25 questionários analisados (37%), 80% são do sexo feminino, têm média de 27anos e 52% responderam que o conhecimento e a ética são variáveis indispensáveis na construção do perfil dos enfermeiros; a menos elucidada foi a pró-atividade. Para os entrevistados, o conhecimento garantirá a segurança de ser reconhecido e liderar uma equipe e a ética denota o diferencial da formação do enfermeiro perante a tomada de decisões em quaisquer situações. [email protected] Página 104 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 PREVENÇÃO DO CÂNCER CÉRVICO-UTERINO EM UMA COMUNIDADE DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO: UMA ANÁLISE EXPLORATÓRIA Kelly Rojas Ramires Aluna do 5º semestre do Curso de Enfermagem do Centro Universitário Nove de Julho Melina Machado Basílio Aluna do 5º semestre do Curso de Enfermagem do Centro Universitário Nove de Julho Valnice de Oliveira Nogueira Enfermeira.Orientadora. Mestre em Enfermagem pela UNIFESP. Professora do Curso de Enfermagem do Centro Universitário Nove de Julho Por apresentarem os países em desenvolvimento altos índices de prevalência e mortalidade em mulheres do segmento menos privilegiado da sociedade e em fase produtiva de suas vidas, a neoplasia de colo uterino constitui grave problema de saúde. O câncer cérvico-uterino é uma neoplasia de origem viral e de transmissão sexual mais comum entre as mulheres no Brasil. Os fatores de risco para o desenvolvimento da doença envolvem as baixas condições sócio-econômicas, multiplicidade de parceiros, precocidade na primeira relação sexual e principalmente a infecção pelo Papiloma Vírus Humano. Os recursos preventivos a esta doença envolvem principalmente o uso de preservativos e realização do exame de papanicolaou. Os objetivos desta pesquisa foram identificar os fatores de risco para o câncer cérvico-uterino e identificar o comportamento preventivo em relação a doença em mulheres de uma comunidade no município de São Paulo. Pesquisa de campo de abordagem quantitativa exploratória realizada no município de São Bernardo do Campo durante uma ação comunitária de saúde desenvolvida em parceria com a instituição de ensino superior que os autores fazem parte e uma empresa estatal. Foram pesquisadas 85 mulheres sendo que 34% pertencem à faixa etária de 31 a 40 anos, 59% são casadas, 71% são da raça branca e 40% possuem o segundo grau completo. 39% das entrevistadas não têm correlação com os fatores de risco para o desenvolvimento da doença. Com relação à realização do exame preventivo 81% o fazem em um intervalo de até três anos. Observou-se a efetividade desse evento diante os resultados obtidos, pois as orientações com relação aos mecanismos fisiopatológicos e esclarecimentos de dúvidas sobre a prevenção da doença vêm agregar ao conhecimento prévio das entrevistadas. [email protected] REVISÃO SISTEMÁTICA SOBRE A INFLUÊNCIA DA ATIVIDADE FÍSICA NO RISCO DE CÂNCER DE MAMA Débora N Fucidji† , Reury FP Bacurau†§ , Vagner Raso†§ †Faculdade de Educação Física – UniFMU §Laboratório de Fisiologia do Exercício – LABFEX – UniFMU Objetivo: Este trabalho procura revisar sistematicamente a influência da atividade física no risco de câncer de mama. Metodol ogia: Cinqüenta e dois estudos publicados no período entre 1983 e 2005 em 29 diferentes periódicos de nível internacional foram analisados. Os critérios de inclusão de estudos foram: estudos desenvolvidos com delineamento de acompanhamento; 2) estudos experimentais desenvolvidos com modelos humanos; 3) casuística constituída de voluntárias portadoras de câncer de mama, em tratamento, mulheres em pré-menopausa ou em período pós-menopausa; 4) voluntários que não apresentassem condições crônicas, como cardiopatias e/ou diabetes; 5) variável independente representada por intervenção com programa de atividades físicas, exercícios específicos relacionados às atividades da vida diária, ou qualquer outra forma de exercício. Características dos voluntários: o número da amostra refere-se somente aos voluntários submetidos à análise clínica e de protocolos de intervenção com programas de atividade física em pacientes com câncer. Foi considerado o número total de voluntárias portadoras de câncer de mama submetidas à intervenção quando o delineamento experimental do estudo comparou voluntárias jovens e mulheres que se encontravam em período de pré-menopausa ou pós-menopausa, com o propósito de analisar os efeitos dependentes da idade e estilo de vida e apenas o número de voluntárias portadoras de câncer de mama, quando o objetivo foi comparar as intensidades do treinamento (leve, moderado, vigorosa). Resultados: Numa freqüência de 52 artigos, 47 mostraram resultados positivos (92,85%) e 5 indicaram resultados nulos (7,14%). Conclusão: os dados permitem concluir que a prática de atividade física pode ter influência na redução do risco de câncer de mama, devido à diminuição do número de células adiposas que servem de depósito para hormônios sexuais. Auxilia na manutenção do peso, incremento na eficiência do sistema imunológico e combate aos radicais livres, além de exercer importante efeito sobre outros fatores de risco para o câncer de mama. [email protected] Página 105 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 AVALIAÇÃO NUTRICIONAL DE PRÉ-ESCOLARES DO MUNICIPIO DE GALILÉIA-MG CARVALHO, Ariela Werneck; Acadêmico do Curso de Nutrição UNIVALE - Universidade Vale do Rio Doce ALMEIDA, Nízia Araújo Vieira Docente da Universidade Vale do Rio Doce ROBERTO, Enara Cristina Silva Glória Docente da Universidade Vale do Rio Doce LIMA, Tatiana Calavorty Lanna Acadêmico do Curso de Nutrição A avaliação do estado nutricional é um importante instrumento na investigação de desvios nutricionais. A antropometria, pela facilidade de execução e baixo custo, tem se revelado como o método isolado mais utilizado no diagnóstico nutricional populacional, sobretudo na infância. O presente estudo objetivou avaliar o estado nutricional de pré-escolares de uma escola da rede municipal de ensino do município de Galiléia-MG. Foram avaliadas 305 crianças de 3 a 6 anos de idade, sendo coletados o peso (kg) e altura (m). Na classificação do estado nutricional utilizou-se o índice IMC/Idade (IMC/I) tendo como referencial antropométrico do Center Control Disease and Prevention (CDC, 2000). Das 305 crianças analisadas, 169 eram do sexo feminino (55,4%) e 136 do sexo masculino (44,6%). A análise dos dados identificou 6,5% de risco de sobrepeso, 3,9% de sobrepeso e 11,4% de baixo peso. O baixo peso foi considerado o problema nutricional mais relevante, por ter apresentado um número de crianças acima dos valores esperados em uma população de referência (5%). No entanto, apesar dos índices de risco de sobrepeso e sobrepeso estarem dentro dos valores esperados, a coexistência desses desvios nutricionais com a desnutrição, refletem o processo de transição nutricional pela qual vêm passando todas as regiões brasileiras, demandando ações intersetor iais de intervenção em saúde, educação e vigilância alimentar e nutricional. [email protected] TAXA METABÓLICA BASAL E GORDURA CORPORAL DE PRÉ-ESCOLARES DE RIO BRANCO-AC Orivaldo Florencio de Souza - Mestre, Departamento de Educação Física da Universidade Federal do Acre INTRODUÇÃO: A gordura corporal é dos fatores determinantes da taxa metabólica basal, tanto em crianças e adolescentes como em adultos. OBJETIVO: O objetivo deste estudo foi identificar a diferença na taxa metabólica basal entre as classificações de gordura corporal em pré-escolares de Rio Branco-AC. MÉTODOS: Este estudo com delineamento transversal investigou 292 préescolares da rede pública de ensino, em ambos os sexos, com média de idade de 6,27 (0,44) anos. As classificações de gordura corporal em eutrófico e sobrepeso foram determinadas pela dobra cutânea tricipital conforme recomendado por Must et al. (1991). A taxa metabólica basal foi determinada conforme proposto pela FAO-WHO (1998). A distribuição percentual, médias e respectivos intervalos de confiança em 95% (IC95%), além do teste de Mann-Whitney U foram utilizadas para a análise dos dados através do programa Epi-Info 2000. RESULTADOS: Nos resultados foram observados que 78,8% (IC95% = 73,6% - 83,3%) dos pré-escolares foram diagnosticados como eutróficos e 21,2% (IC95% = 16,7% - 26,4%) com sobrepeso. Os pré-escolares diagnosticados como eutróficos apresentaram a taxa metabólica basal de 964,15 kcal (IC95% = 955,10 - 973,20) e os pré-escolares com sobrepeso mostraram a taxa metabólica basal de 998,95 kcal (IC95% = 977,21 – 1.020,21). A divergência nos valores das médias na taxa metabólica basal entre as classificações eutrófico e sobrepeso apontou para a diferença estatisticamente significativa (p < 0,02). CONCLUSÃO: Em conclusão, foi evidenciado que os pré-escolares da rede pública de ensino de Rio Branco-AC diagnosticados com sobrepeso apresentaram maior taxa metabólica basal em relação aos eutróficos. [email protected] Página 106 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 PONTO DE VISTA A Musculação e o ENAF A “Musculação” é, sem dúvida, a modalidade de exercício físico que mais evoluiu nas duas últimas décadas. Na faculdade aprendíamos os conceitos mais elementares como o princípio da sobrecarga e a necessidade da recuperação entre sessões de treinamento e as ações dos principais músculos do corpo humano. Utilizávamos pesos livres, anilhas, barras, “sapato de ferro” e elásticos (esses últimos, também chamados de “materiais de fácil aquisição”). Musculação era quase sinônimo de fisiculturismo. A sala de Musculação era um local freqüentado basicamente por homens e abominada pelas mulheres que temiam a “masculinização dos seus corpos” e a idéia de que “se parassem, tudo despencaria”. Preconizavam-se basicamente dois tipos de séries: um com cargas baixas e muitas repetições para quem quisesse “afinar” e outro com cargas elevadas e número reduzido de repetições para quem quisesse “inchar”. Esses dois modelos funcionavam como “receita de bolo” e eram aplicados em larga escala nas academias ou em outros espaços onde a musculação era praticada. Existiam os populares exercícios prescritos com o objetivo de reduzir gordura localizada, “afinar” a cintura, “espalhar o culote”, “levantar o peito” e coisas do gênero. Havia ainda uma forte crença - quase imutável - de que musculação impedia o crescimento e, portanto, não poderia ser praticada por crianças e adolescentes. Era uma época em que a ciência praticamente não fazia parte do mundo da Musculação. Era tudo muito empírico, baseado no senso comum, na experiência prática e na imaginação leiga de alguns praticantes de exercícios com pesos e ate mesmo da população em geral. Com toda a evolução científica que temos hoje, olhamos para muitos dos conceitos do passado e achamos graça, pela incoerência biológica e também pelo grau de ingenuidade de vários deles. É muito gratificante ver como esse cenário se modificou ao longo dos anos e como a Musculação se desenvolveu e profissionalizou. Esse processo de transformação começou a ocorrer a partir de 1986, com a realização do 1º ENAF. Passou a existir um espaço onde idéias eram discutidas e conceitos eram disseminados. Isso trouxe a necessidade de se refinar o conhecimento e a responsabilidade de se ensinar baseado em evidências científicas e não somente no empirismo. O ENAF passou a ser um “veiculo de multiplicação em massa do conhecimento”, devido à grandeza e à importância que rapidamente alcançou no cenário nacional. Ao longo desses 20 anos de ENAF, vimos a Musculação passar por uma transformação técnico-científica radical. Os conceitos antigos e inconsistentes deram lugar a evidências científicas e a revolução tecnológica trouxe máquinas e equipamentos mais eficientes, confortáveis e seguros. A metodologia de treinamento aplicada à Musculação ganhou uma nova dimensão e atende agora aspectos relacionados à saúde, à estética e ao treinamento desportivo, com abordagens multidisciplinares respaldadas na ciência. Hoje podemos discursar sobre Musculação, prescrever exercícios e programas de treinamento utilizando dados publicados em periódicos científicos internacionais. Existem hoje pelo menos 950 artigos que podem ser acessados via MEDLINE (http://www.ncbi.nlm.nih.gov/entrez/query.fcgi), utilizando-se unitermos, como resistance training and weight training, sendo que 891 deles foram publicados nas duas últimas décadas. Há claras evidências científicas de que através da Musculação pode-se aprimorar o funcionamento de vários órgãos e sistemas, combater doenças e melhorar a performance. O próprio Colégio Americano de Medicina Esportiva (www.acsm.org) passou a incluir a Musculação (“Resistance Exercise”) nos seus Manuais de Teste de Esforço e Prescrição de exercício (“ACSM’s Guidelines for Exercise Testing and Prescription”). Isso tem transformado a visão de profissionais da área da saúde a respeito da Musculação e tem contribuído para fazer dessa atividade física uma das mais praticadas pela população em geral, incluindo crianças, adolescentes, adultos e idosos de ambos os sexos, que buscam o aprimoramento da saúde e da aptidão física. A Musculação serve ainda como base para o treinamento individualizado, o que impulsionou amplamente o serviço de Treinamento Personalizado (“Personal Training”). O ENAF contribuiu imensamente para toda essa evolução técnico-científica. Prova disso é o fato de que hoje os cursos de Musculação são os mais procurados, tanto dentro como fora do âmbito da academia em todos os eventos realizados nos últimos 5 anos. É com muito orgulho, entusiasmo e senso de responsabilidade que elaboramos esse curso de Musculação para apresentarmos no 40º ENAF. O objetivo é trazer informação científica atualizada, discutir conceitos mutlidisciplinares aplicados a pratica da Musculação e apresentar as novas tendências metodológicas na elaboração de programas de treinamento. Dr. Rolando Bacis Ceddia/Canadá Professor do Depto. Kinesiology and Health Science - York University, Toronto Página 107 de 108 Revista ENAF Science Volume 1, número 1, abril de 2006 - ISSN: 1809-2926 Página 108 de 108