Produção científica em Turismo em períodicos de língua inglesa por parte de autores afiliados a instituições brasileiras Miguel Moital1 Resumo: A Internacionalização da pesquisa Brasileira em turismo é um assunto cada vez mais debatido pelos pesquisadores Brasileiros. A discussão têm-se centrado não só na importância de internacionalizar a pesquisa, mas também nas características que essa internacionalização deve ter. Neste artigo, asume-se que o objetivo da internacionalização da pesquisa Brasileira de turismo tem que passar, necessariamente, por uma maior visibilidade dessa pesquisa nos periódicos de de língua Inglesa. Este artigo tem como objetivo caracterizar a publicação científica neste tipo de periódicos. Para o efeito, uma pesquisa sistemática de artigos através da consulta dee bases de dados foi efecutada. A análise dos 28 artigos identificados focou nas autoria e conteúdo do artigo, e no periódico onde o artigo foi publicado. A partir da análise dos dados, o estudo apresenta varias conclusões sobre o ‘estado da arte’ da pesquisa Brasileira de turismo, hospitalidade e eventos nos periódicos em língua Inglesa. Palavras-chave: Internacionalização. Periódicos de língua Inglesa. Brasil. Introdução O crescimento econômico dos últimos 15 anos no Brasil teve um profundo impacto sobre a indústria do turismo do país, estabelecendoo turismo como uma atividade econômica importante. Apesar de ter atraído apenas pouco mais de cinco milhões de turistas internacionais em 2010 (Ministério do Turismo do Brasil 2011), o país tem uma indústria de turismo substancial que é impulsionado principalmente pelo mercado doméstico. O Ministério do Turismo estima que em 2009 havia 175 milhões de viagens domésticas (Ministério do Turismo do Brasil 2010). O crescimento econômico e a valorização do Real também estão tendo um efeito positivo substancial no mercado brasileiro de saída, com 6,2 milhões de viagens ao estrangeiro a ser registradas em 2010 (VisitBritain 2012). Como o amadurecimento da indústria do turismo, cresceu a necessidade de desenvolver uma compreensão mais aprofundada das dimensões económica, social e ambiental dos fenômenos do turismo, hospitalidade e eventos. O crescimento substancial do sector do turismo criou a necessidade de mais profissionais capacitados. Inicialmente, esse crescimento foi suportado por um aumento da oferta de educação em turismo pelas universidades privadas. No entanto, com a ascensão ao poder de um Presidente Trabalhista em 2002, que resultou no financiamento mais sustentável para as universidades públicas, a última década caracterizou-se por um crescimento sem precedentes da oferta de educação em turismo nas universidades públicas, seja estatais ou 1 Doutor em Turismo e Senior Lecturer in Events Management na School of Tourism, Bournemouth University, UK. Email: [email protected] 1 federais. Como consequência, o interesse pela investigação em turismo, hospitalidade e ev entos de pesquisa dentro da academia brasileira cresceu, refletindo-se tanto num número mais elevado de pesquisadores ativos e no número de artigos que produzem. Grande parte dessa produção é direcionada para revistas de turismo brasileiras. Uma parte pequena, mas crescente, dessa produção pesquisa foi publicada em revistas estrangeiras, maioritariamente de língua portuguesa ou espanhola (principalmente da América do Sul, mas também Espanholas ou Portuguesas). Muito poucos artigos foram publicados em periódicos de língua inglesa. O resultado final é que a pesquisa brasileira e os pesquisadores Brasileiros são pouco conhecidos pela comunidade internacional, nomeadamente o que não dominam o Português ou Espanhol (Leal, 2011). O autor desta pesquisa visitou várias universidades brasileiras desde 2008, algumas das quais com regularidade, e teve conversas informais com dezenas de académicos de turismo sobre a pesquisa e publicação. A partir dessas conversas, ficou claro que muitos acadêmicos de turismo brasileiros estão entusiasmados com suas pesquisas e publicações e muitos aspiram a ampliar as suas carreiras a nível internacional. Esse entusiasmo é também evidente no número crescente de iniciativas destinadas a apoiar a internacionalização da pesquisa do turismo brasileiro. A ANPTUR (Associação Brasileira de Pesquisa e Pós-Graduação em Turismo) vem discutindo isso há alguns anos, com o tema da internacionalização a ser um dos temas centrais da sua conferência de 2010. O autor desta pesquisa participou nessa conferência, onde um grupo de acadêmicos de Espanha, Portugal, Finlândia e Reino Unido partilharam as suas experiências de internacionalização. Mais recentemente, a ABRATUR (Academia Internacional para o Desenvolvimento da Pesquisa em Turismo no Brasil), foi lançada com o propósito específico de promover a internacionalização da pesquisa em turismo do Brasil. A associação, em que o autor desta pesquisa serve um membro do comité de gestão, é composta por pesquisadores brasileiros com, ou que aspiram a desenvolver, uma carreira internacional, bem como pesquisadores estrangeiros com interesse na pesquisa em turismo no Brasil. A Internacionalização apenas recentemente se tornou um tema "quente". Conseqüentemente, a pesquisa sobre turismo que se faz no país ainda não ganhou uma presença significativa nos meios internacionais de pesquisa asociados à publicação em língua Inglesa. De acordo com Leal (2011), os pesquisadores de turismo estrangeiros vêem a pesquisa de turismo produzida no Brasil como de baixa qualidade, tanto em termos de base/desenvolvimento teórico, como de rigor metodológico. Leal (2011), em seguida, argumenta que "a fim de ganhar alguma visibilidade internacional, os pesquisadores do turismo Brasileiros devem reforçar as suas competências teóricas e metodológicas, realizar pesquisas inovadoras e, mais importante, fazer ouvir a sua voz dentro da linguagem dominante [Inglês]. Assim, os pesquisadores devem produzir 2 pesquisa de alta qualidade e publicá-la em Inglês". O estudo de Leal (2011), e as recentes discussões no seio da comunidade ABRATUR, fornecem algumas pistas sobre os problemas subjacentes e as soluções para a falta de internacionalização da pesquisa Brasileira de turismo. No entanto, a singularidade do contexto da pesquisa e educação em turismo no Brasil sugere que uma análise mais aprofundada é necessária. A pesquisa que serviu de base a este artigo tem como objetivo analisar as barreiras e oportunidades, bem como as soluções para a internacionalização da Pesquisa brasileira de turismo, hotelaria e eventos, através da publicação em periódicos de língua Inglesa. Neste artigo, o objetivo é efetuar uma avaliação da produção de artigos científicos em periódicos de turismo de língua Inglesa por parte de pesquisadores afiliados a instituições Brasileiras. Pesquisas sobre análises da produção científica não são novas. Vários autores têm estudado a produção científica, por exemplo com o propósito de identificar que tipos de publicação estão associados a recrutamento e promoção (Seggie and Griffith, 2009) ou de avaliar a existência de padrões de publicação. Neste último grupo, comparações foram efetuadas em termos de sexo (Jordan, Clark e Vann, 2008) e idade (Kyvik e Olsen, 2008), por exemplo. Os artigos focam normalmente em áreas espefícas do conhecimento, incluíndo comunicação (Miller, Nizito e Ngula, 2010) e terapia fíisica (Kaufman e Chevan, 2011), e áreas geográficas specíficas como Leste Africano (Miller, Nizito e Ngula, 2010) ou um país (Kademani, Sagar e Bhanumurthy, 2011). Estes estudos efetuam um diagnóstico da situação, caracterizando a quantidade e perfil das publicações científicas, de forma a identificar forças e fraquezas nessas publicações. O presente artigo analisa a produção científica em uma área específica (Turismo, Hotelaria e Eventos) por parte de autores de um país específico (Brasil) em um tipo de publicação específico (periódicos de turismo, hoteralia e eventos em língua Inglesa). Método A pesquisa de artigos publicados em periódicos internacionais de língua Inglesa foram realizadas nas principais bases de pesquisa de periódicos internacionais, a saber: Taylor & Francis, Science Direct, Sage, Emerald e IngentaConnect. Além da palavra 'Brasil', as seguintes palabras foram incluídas na pesquisa: Turismo, Evento, Festival, Hotel, Hotel, Viagem. O foco da pesquisa foram artigos de autores afiliados a instituições brasileiras. Portanto, artigos de autores Brasileiros que trabalham no estrangeiro e artigos sobre turismo no Brasil de acadêmicos estrangeiros foram ignorados. De forma a entender melhor as características destas publicações, os artigos foram analisados. A Tabela 1 mostra as áreas que foram analisadas. 3 Tabela 1: Áreas de análise dos artigos científicos Área Tipo de artigo Autoria Periódico Métodos Foco da pesquisa Categorias (a) Artigo completo ou (b) nota de pesquisa (a) conceptual/revisão or (b) empírico (a) Apenas Brasileira ou (b) Brasileira e estrangeira (a) Primeiro autor é Brasileiro (b) Primeiro autor é estrangeiro Afiliação na altura da publicação: (a) Instituição (2) Estado (Brasileiro) ou (c) país (estrangeiro) Instituição: (a) Pública (Federal), (b) Pública (Estadual) ou (c) Privada Nome do Periódico Ordenação segundo a lista ABS Ano de publicação Recolha de dados primários? (a) sim or (b) não Tipo de dados primários recolhidos: (a) quantitativo, (b) qualitativo, (c) ambos Tipo de métodos: (a) questionários, (b) entrevistas, (c) análise de conteúdo, (d) outros Foco: (a) destinação (b) setor de atividade (c) prática turística or (d) outro Tema principal Resultados Um total de 28 artigos científicos de autoria ou co-autoria de pesquisadores de turismo vinculados a instituições brasileiras, publicados em 14 revistas diferentes, foram encontrados. A grande maioria (24 ou 86%) são liderados por pesquisadores vinculados a instituições brasileiras e apenas 4 (14%), liderado por pesquisadores vinculados a instituições estrangeiras. Dezesseis artigos (57%) envolveram apenas pesquisadores brasileiros com o restante envolvendo pelo menos um académico estrangeiro. O primeiro artigo foi publicado em 1992 por Ruschmann, mas tiveram que pasar 8 (2000) para que voltasse a haver um novo artigo (publicado por Santana). O gráfico 1 mostra a evolução das publicações desde 2000. Não parece existir um padrão de crescimento claro, no entanto, desde 2007, parece haver uma certa consistência com pelo menos dois artigos publicados em cada. O ano mais produtivo foi 2010 (5 artigos), porém não houve artigos publicados em 2004 e 2006. 4 Gráfico 1: Evolução do número de publicações (2000-2011) Annals of Tourism Research (ATR), Tourism Management (TM) e o International Journal of Contemporary Hospitality Management (IJCHM), com 4 artigos cada, têm sido os periódicos principais de publicação. A fim de compreender a qualidade dos periódicos em que os pesquisadores Brasileiros publicaram, o sistema de ranking Britânico ABS (Associação de Escolas de Negócios), que classifica periódicos de 1 a 4 (4 é a classificação máxima), foi utilizado. Nove artigos (32%) foram publicados em periódicos de nível 3/4, 18 (64%) em periódicos de nível 2 ou superior, e 20 (71%) em em periódicos de nível 1 ou superior. Cerca de 30% foram publicados em periódicos não clasificados na lista ABS. Conforme mencionado anteriormente, a maioria dos artigos 16 (ou 57%) não envolveu académicos estrangeiros. No entanto, quando a análise incidiu apenas sobre os artigos nos periódicos topo da lista ABS (nivel 3/4), seis dos nove artigos (ou seja, dois terços) envolveram pelo menos um autor estrangeiro. Dos três artigos com autoria de pesquisadores Brasileiros. dois foram publicados por pesquisadores que tinham concluído pós-doutorado nos EUA. O único artigo que não envolveu nem um acadêmico Brasileiro com formação internacional nem um académico estrangeiro foi o artigo de 1992 publicado por Ruschmann. Dos 64 pesquisadores que estiveram envolvidos na publicação dos 28 artigos, 46 (ou 72%) são brasileiros e 18 (28%) de outros países. Os pesquisadores brasileiros publicaram com pesquisadores de 7 países (Reino Unido: 5; Austrália, Nova Zelândia e EUA: 2 cada, Holanda, Portugal, Espanha: 1 cada) e de 14 instituições. Quatro autores têm mais de um artigo: Gui Santana (UNIVALI, Santa Catarina, 3 artigos), Rivanda Meira Teixeira (Universidade Federal de Sergipe, Sergipe, 2 artigos), José António Puppim de Oliveira (FGV, Rio de Janeiro, 2 artigos), Doris 5 Ruschmann (UNIVALI, Santa Catarina, 2 artigos). De entre estes 4 autores, dois concluíram os seus doutoramentos (Santana no Reino Unido e Oliveira nos EUA) ou pós-doutoramento (Teixeira, no Reino Unido e EUA) em universidades de língua inglesa. A análise foi então direcionada para os 46 autores brasileiros. Estes não são autores ‘únicos’, porque como acabou de ser mencionado, varios pesquisadores publicaram mais do que um artigo. A proporção de autores afiliados a universidades públicas e privadas é sensivelmente a mesma (52% e 48%, respetivamente). Dos 24 acadêmicos afiliados a universidades públicas, três quartos trabalham para universidades federais e o restante quarto para as universidades estaduais. As principais instituições são FGV (5 autores), UF Minas Gerais (4), UNIVALI (4), Instituto para o Desenvolvimento Sustentável (4), UF Santa Catarina (3), UF Ceará (3), Universidade de São Paulo (3), Universidade São Francisco (3). Ao remover a co-autoria de um artigo escrito por membros da mesma universidade, 33 instituições publicaram artigos ‘únicos’. As instituições com o maior número de artigos ‘únicos’ são: FGV e UNIVALI (4 artigos cada), Universidade de São Paulo (3 artigos), Universidade Federal de Minas Gerais e Universidade Federal de Sergipe (2 artigos cada). Os estados com o maior número de publicações são: São Paulo (7), Santa Catarina (5) e Rio de Janeiro (4). O conteúdo dos 28 artigos foram então analisados, a fim de fornecer um quadro mais detalhado da atividade de publicação em periódicos de língua inglesa. Dos 28 artigos, 22 (78%) foram classificados como artigos de pesquisa completos e 6 (22%) como notas de pesquisa. Seis trabalhos foram clasificados como conceituais e/ou descrições com dados secundários, enquanto 22 incluíram algum tipo de coleta ou análise de dados estruturada. Dos 18 que envolveram coleta de dados primários, 10 envolveram métodos quantitativos, 6 qualitativos e 2 tanto quantitativa como qualitativa. Questionários e entrevistas foram os principais instrumentos de pesquisa utilizados, seguido de análise de documentos. Vários outros instrumentos fora utilizados, ou indicados como tendo sido utilizados, nomeadamente análise de sitios na Internet, observação, análise de fotografia e monitorização do comportamento da vida selvagem. O foco da pesquisa é geralmente a nível de destino (seja a nível local, regional ou nacional) e estudos sobre sectores específicos ou actividades turísticas são raras. As exceções incluem hotéis (2 artigos), instituições de ensino (2 artigos) e restaurantes (1 artigo). O foco sobre o destino é normalmente acompanhado por um foco na análise de políticas ou iniciativas públicas, com poucos trabalhos focando o lado do negócio do turismo. Ecoturismo, sustentabilidade e meio ambiente são os principais temas explorados nos artigos (11 dos 28 focam nessas áreas). Conclusões 6 A Internacionalização da pesquisa Brasileira em turismo é um assunto cada vez mais debatido pelos pesquisadores Brasileiros. A discussão têm-se centrado não só na importância de internacionalizar a pesquisa, mas também nas características que essa internacionalização deve ter. Dois aspetos fundamentais da discussão sobre internacionalização sãos a escolha de idioma e o formato da publicação. Em relação ao primeiro, a publicação em Inglês terá, sem dúvida, um alcance maior, por via do Inglês ser o idioma que mais facilitará a divulgação da pesquisa nos cinco continentes. Em termos do formato da publicação, a comunidade científica atribiu aos artigos científicos com revisão anónima, maior valor, por via do escrutinio que estes são sujeitos durante o proceso de revisão. Nesse sentido, é adequado concuir que o objetivo da internacionalização da pesquisa Brasileira de turismo tem que passar, necessáriamente, por uma maior visibilidade dessa pesquisa nos periódicos de internacionais de língua Inglesa. No inicio desta pesquisa, a percepção do autor era que não havia muitas publicações em periódicos de turismo de língua Inglesa por parte de pesquisadores Brasileiros. Nesse sentido, esta prequisa procurou caracterizar a publicação científica neste dominio. Para o efeito, uma pesquisa sistematática de artigos através de bases de dados foi efecutada. Os artigos identificados foram analisados para conhecer melhor as suas características. A análise focou nas autoria e conteúdo do artigo, e no periódico onde o artigo foi publicado. A partir da análise dos dados, foi possivel retirar varias conclusões, que se apresentam de seguida. Em primeiro lugar, há que destacar que o número de artigos científicos nas áreas do turismo, hospitalidade e eventos por parte de académicos afiliados a instituições Brasileiras é muito reduzido. Este facto explica a falta de visibilidade internacional sugerida pelo estudo de Leal (2011). No entanto, uma aboa proporção dos artigos publicados são em revistas de qualidade (de acordo com a lista ABS). Em segundo lugar, o primeiro autor tende a ser Brasileiro e a maioria dos artigos não envolveu qualquer pesquisador estrangeiros. No entanto, a publicação em periódicos de língua Inglesa está ainda bastante dependente da colaboração com autores estrangeiros ou de pesquisadores Brasileiros que estudaram no Reino Unido e nos Estados Unidos da America. Esta dependencia é mais vincada quando se trata de publicar em periódicos científicos de topo (nível 3 e 4, segundo a lista ABS) – apenas um dos oito artigos publicados nestes períodícos não envolveu autores estrangeiros. Em terceiro lugar, o estudo demonstra que a publicação tem origem tanto em autores de asociados a instituições publicados como privadas. Isto a pesar de, tradicionalmente, a pesquisa e publicação ser mais apoiada nas universidades publicas do que privadas. De facto, aus duas instituições com maior número de artigos ‘únicos’ são privadas (FGV e UNIVALI). Dentro das 7 publicações com origen em universidades públicas, a esmagadora maioria tem origen em universidades Federais. Em quarto lugar, os resultados demonstram que os artigos costumam recolher dados primários. No entanto, as secções de métodos de artigos que alegam ter usado dados primários nem sempre são detalhadas, de forma a explicar os procedimentos adotados na coleta e a análise dos dados. Esta ausencia de detalhe é mais vincada nos estudos que usaram como ferramenta de estudo as entrevistas ou análise documental). Finalmente, os resultados sugerem uma tendencia para a pesquisa na área do turismo, com praticamente nenhuma pesquisa ao nível da hospitalidade e eventos. Por exemplo, apenas um artigos foi publicado na área dos eventos. As pesquisas tendem a focar na relação entre o setor público e a atividade turística, muitas vezes numa otica da sustentabilidade, ecología ou ambiente, em deterimento de perspetivas na ótica do negócio e do setor privado. Tendo em conta o cenário apresentado anteriormente, parece evidente que existe a necessiade de promover uma maior participação dos pesquisadores Brasileiros de turismo nos períodicos de turismo em língua Inglesa. As rqazões para o atual cenário são com certeza múltiplas, não só pelo facto de que os fatores que influeenciam a capacidade para publicar nestes peridódicos são múltiplos, mas também devido à natureza fragmentada dos pesquisadores de turismo. Esta fragmentação advém, por exemplo, de aspetos como a tradição disciplinar do pesquisador, as suas motivações profissionais, os seus conhecimentos da língua Inglesa, as suas redes de contatos e o ambiente académico na sua instituição de origem. Nesse sentido, achou-se importante estudar as barreiras à publicação em períodicos internacionais, tendo já sido entrevistados 17 pesquisadores de turismo afiliados a 5 instituições de ensino superior no Brasil. A partir dos resultados do estudo, será possível entender de forma mais detalhada quais as barreiras que os pesquisadores enfrentam. Com ese conhecimento, poderá então ser formulado um plano de apoio à publicação em periódicos em língua Inglesa, incluindo atividade de formação para os pesquisadores que tenham a aspiração de se internacionalizar por via da publicação neste tipo de periódicos. Apoio financeiro: Esta pesquisa foi efetuada com o apoio de uma Bolsa de Pesquisa do Banco Santander. 8 Referências Ministério do Turismo do Brasil (2010). Turismo no Brasil 2011-2014, acessado em 16 de Maio de 2011 em http://www.dadosefatos.turismo.gov.br/export/sites/default/dadosefatos/outros_estudos/downloads_outr osestudos/Turismo_no_Brasil_2011_-_2014_sem_margem_corte.pdf Ministério do Turismo do Brasil (2011). Cresce o número de turistas estrangeiros no Brasil, acessado a 16 Maio de 2011 em http://www.dadosefatos.turismo.gov.br/dadosefatos/geral_interna/noticias/detalhe/20110415.html VisitBritain (2012). Market and Trade Profile: Brazil. Acessado em 14 de Março de 2012 em http://www.visitbritain.org/Images/Brazil_tcm29-14673.pdf Leal, S. (2011). Internacionalização da pesquisa Brasileira em turismo. Revista Turismo & Desenvolvimento, 17/18 (1), p. 531-541 Miller, A., Kizito, M. e Ngula, K. (2010). Research and Publication by Communication Faculty in East Africa: A Challenge to the Global Community of Communication Scholars. Journal of International and Intercultural Communication, 3 (4), p. 286-303 Seggie, S. e Griffith, D. (2009). What does it take to get promoted in Marketing Academia? Understanding exceptional publication productivity in the leading marketing journals. Journal of Marketing, 73, p. 122-132 Jordan, C., Clark, S. e Vann, C. (2008). Do Gender Differences Exist In The Publication Productivity Of Accounting Faculty?. The Journal of Applied Business Research, 24 (3), p. 77-86 Kyvik, S. e Olsen, T. (2008). Does the aging of tenured academic staff affect the research performance of universities?. Scientometrics, 76 (3), p. 439-455 Kaufman, R. e Chevan, J. (2011). The Gender Gap in Peer-Reviewed Publications by Physical Therapy Faculty Members: A Productivity Puzzle. Physical Therapy, 91 (1), p. 122-131 Kademani, B., Sagar, A. e Bhanumurthy, K. (2011) Research and impact of materials science publications in India: 1999-2008. Malaysian Journal of Library & Information Science, 16 (2), p. 63-82. 9