EDIÇÃO ESPECIAL - FEVEREIRO/2011 IDENTIDADE Santa Catarina do Século 21 PATROCÍNIO EDITORIAL EXPEDIENTE Diretora Executiva Karim Miskulin [email protected] Diretor Financeiro Marcio Regenin [email protected] Karim Miskulin Diretora Executiva Editora Rosane Frigeri [email protected] Reportagem e Produção Luciamem Winck Produção Mauren Xavier [email protected] Administrativo Iza Moraes [email protected] Marketing e Vendas Marlise Hildebrando [email protected] Revisão Press Revisão www.pressrevisao.com.br Projeto gráfico e Pré-impressão Imagine Design [email protected] Impressão: Gráfica Pallotti Endereço: Av. Carlos Gomes, 1155 - Sala 902 CEP 90480-004 Porto Alegre/RS Fone: (51) 3028.8286 Fax: (51) 3028.8285 www.revistavoto.com.br Comercial: [email protected] Assinaturas: [email protected] IDENTIDADE RS Embora ocupe apenas 1,2% do território brasileiro, Santa Catarina possui papel de destaque no cenário nacional, e não apenas por seus animadores índices sociais e econômicos. Com 293 municípios, é o menor e menos populoso Estado da região Sul. Sua diversidade cultural, étnica e geográfica, assim como uma privilegiada localização em relação aos países do Mercosul, representam um enorme potencial para a afirmação do Estado como um dos principais destinos turísticos do país, com diversas praias distribuídas em 561 quilômetros de costa. A capital, Florianópolis, é a segunda cidade brasileira em número de turistas estrangeiros (cerca de 518 mil), atrás apenas do Rio de Janeiro. Estado é o maior exportador de motocompressores herméticos do Brasil, com participação de 72,8% no volume total 4 CVB FLORIANÓPOLIS Santa Catarina teve a maior variação populacional da Região Sul Capital catarinense é a segunda do país em volume de turistas estrangeiros A população catarinense – décima maior do país - passou de 5.356.360 habitantes em 2000 para 6.249.682 em 2010, o que representa um crescimento de 16,68%. Em igual período, a população brasileira cresceu 12,33% - inferior ao observado na década anterior (15,6% entre 1991 e 2000). O Censo Demográfico 2010 também apurou que a população catarinense ficou mais urbanizada. Em 2000, 78,5% viviam em áreas urbanas. Agora, o índice é o mesmo da média nacional: 84%. Itapema foi o município que mais cresceu em Santa Catarina, com aumento populacional de 77,1%, passando de 25.869 para 45.814 habitantes. Exportação cresce 18%, mas saldo comercial tem déficit de US$ 4,3 bi As exportações catarinenses em 2010 somaram US$ 7,58 bilhões, totalizando crescimento de 18% em comparação com o mesmo período no ano anterior. Apesar da variação positiva das vendas externas, as importações fecharam o ano em US$ 11,97 bilhões, com alta de 64,3% em relação a 2009. Com isso o saldo da balança comercial encerrou o ano negativo em US$ IDENTIDADE SC 4,39 bilhões, segundo dados divulgados pela Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc). De acordo com o presidente da Fiesc, Alcantaro Corrêa, houve expansão dos embarques nos principais mercados compradores de Santa Catarina. As exportações aos Estados Unidos cresceram 21,4%, os embarques aos Países Baixos aumentaram 20,3% e à Argentina 34,4%. As exportações ao Japão registraram alta de 52% e à Alemanha tiveram incremento de 12%. Dos dez principais países de quem Santa Catarina mais importou figuram Chile (94,8%), China (81,3%), Alemanha (57,2%), Estados Unidos (39%) e Argentina (24,3%). EXPORTAÇÕES BRASIL SANTA CATARINA IMPORTAÇÕES VARIAÇÃO % (A/B) 201.915.285 152.994.743 31,98 7.582.027 6.427.661 17,96 JAN-DEZ/2010 JAN-DEZ/2009 US$ 1000 FOB (A) US$ 1000 FOB (B) VARIAÇÃO % (A/B) BRASIL 181.648.676 127.722.343 42,22 SANTA CATARINA 11.974.291 7.288.151 64,30 Fonte: MDIC construção civil. “O setor tem um grau de tecnologia avançado, com qualidade equivalente a dos produtos europeus”, salienta. O segmento, formado por 4.580 empresas e com participação de 17% na indústria catarinense, emprega 79 mil trabalhadores. Setor metal-mecânico fecha 2010 com crescimento de 36,3% nas exportações Moveleiros apostam no mercado interno O setor moveleiro de Santa Catarina, maior exportador do Brasil no segmento, aposta cada vez DIVULGAÇÃO SANTUR As exportações do setor metal-mecânico totalizaram US$ 1,42 bilhão, superando em 36,3% os resultados alcançados em 2009. “A recuperação da atividade em 2010 é uma combinação de crescimento das demandas do mercado com o desenvolvimento de novos produtos”, salienta o presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Timbó (Simmmet), Edvaldo Ângelo. Por outro lado, argumenta que apesar da alta, os embarques do segmento não alcançaram os níveis pré-crise. Dados da Fiesc mostram que em 2008 as exportações do setor somaram US$ 1,47 bilhão. Na avaliação de Ângelo, 2011 será um ano positivo para o setor, que está sendo beneficiado pela expansão das demandas de peças para maquinas agrícolas e para o setor de transporte, além de ferramentas para a JAN-DEZ/2010 JAN-DEZ/2009 US$ 1000 FOB (A) US$ 1000 FOB (B) As belezas naturais das praias são atrativos a mais aos visitantes e turistas IDENTIDADE RS mil postos de trabalho. São Bento do Sul e Rio Negrinho são as cidades com maior concentração de empresas. Já o Oeste se destaca como o segundo maior polo fabricante de móveis do Estado. DIVULGAÇÃO FIESC Indústria têxtil quer fortalecer relações comerciais com países da América do Sul Crise leva setor têxtil a direcionar produção para o mercado interno mais no mercado doméstico. O presidente da Câmara de Desenvolvimento da Indústria do Mobiliário da Fiesc, Arnaldo Huebl, justifica que a decisão está atrelada à desvalorização do dólar, que dificulta as exportações. “As empresas precisam de caixa e a taxa de câmbio não favorece. Está difícil competir no mercado internacional”, comenta. Lembra que, em 2009, as vendas no mercado brasileiro registraram incremento de 5,2%. Em 2010, a expansão foi superior a 20%. Em 2009, o setor exportou US$ 260 milhões em móveis. O número representa 31% do total exportado pelo setor no Brasil. Esta participação até 2005 passava de 40% (US$ 449 milhões). Os embarques do segmento em 2010 movimentaram US$ 216,4 milhões e tiveram Estados Unidos, França, Reino Unido, Holanda, Espanha e Alemanha como principais destinos. Para Huebl, o câmbio não evolui e os incentivos fiscais não estão aparecendo. O setor é responsável pela geração de 26 Polo cerâmico é destaque no país Santa Catarina possui é o segundo maior exportador do Brasil de cerâmica para revestimento e líder na América Latina em produção de cerâmica de mesa e vermelha. A maior concentração de indústrias está localizada nos municípios da Região Sul e na cidade de Tijucas, na Grande Florianópolis. Os indicadores de 2010 sinalizam um ano positivo para as indústrias do Estado em relação a 2009, principalmente quanto às horas trabalhadas na produção, massa salarial e utilização da capacidade produtiva. De acordo com levantamentos da 6 O setor têxtil projeta aumentar as exportações para os países da América do Sul. O presidente do Sindicato das Indústrias de Fiação, Tecelagem e do Vestuário de Blumenau (Sintex), Ulrich Kuhn, revela que com a crise, o segmento reduziu as exportações e direcionou as vendas ao mercado interno, que está aquecido, mas não absorveu a totalidade da produção. Na atualidade, o mercado internacional para o setor é dominado por países como China, Vietnã, Bangladesh, Turquia e Paquistão. Já Argentina, Estados Unidos, Uruguai, Paraguai, França, Espanha e Alemanha são os principais compradores dos produtos catarinenses. Nos últimos dez anos, SC aumentou a participação nas importações brasileiras de têxteis, que passaram de 9% para 27%. Para o presidente do Sintex, 2010 foi um ano positivo, influenciado pelo mercado interno. Ele ressalta que há espaço para crescer, mas é preciso vencer os desafios, com ênfase para o aumento da competitividade frente ao mercado externo. A indústria têxtil e do vestuário é formada por 8,3 mil empreendimentos que, juntos, geram 155 mil empregos. Santa Catarina é o segundo pólo têxtil e do vestuário do Brasil e o maior produtor de linhas para crochê e fitas elásticas da América Latina. O setor também se destaca na produção de artigos de cama, mesa e banho. Fiesc, o segmento registrou os maiores aumentos na folha de pagamento em relação ao ano anterior e utilizou mais de 94% de sua capacidade produtiva. No acumulado, o faturamento real cresceu 12,52%, as horas trabalhadas na produção tiveram um acúmulo de 9,41% e a massa salarial um ganho de 20,25%. No período, o setor cerâmico brasileiro cresceu 8,2% no mercado interno. Os brasileiros consumiram cerca de 697,2 milhões de metros quadrados de peças cerâmicas. A alta se manteve também na produção, com crescimento de 4,4% em relação ao ano anterior, totalizando 746,1 milhões de metros quadrados. IDENTIDADE SC TURISMO Turismo é sempre um bom negócio Falta de indicadores confiáveis afeta pequenos operadores do setor DIVULGAÇÃO SANTUR O turismo faz girar a economia de Santa Catarina o ano inteiro. Com diversidade de atrativos geográficos e culturais, o Estado registra o movimento anual de 4,35 milhões de turistas, sendo 518,3 mil estrangeiros e 3,8 milhões de brasileiros. De acordo com levantamentos da Diretoria de Planejamento e Desenvolvimento Turístico da Secretaria de Turismo, Cultura e Esporte, entre os visitantes de outros países, os argentinos são maioria, representando 78,53%. Na sequência, aparecem os paraguaios (11,86%) e chilenos (3,39%). Entre os brasileiros, o maior contingente é de catarinenses (34,17%), frequentadores Beleza das praias de Florianópolis movimenta o turismo no Estado assíduos das nove regiões turísticas: Caminho dos Príncipes, Rota do Sol, Grande Florianópolis, Encantos do Sul, Vale Europeu, Serra Catarinense, Vale do Contestado, Grande Oeste e Caminhos dos Canyons. Os paranaenses (25,55%) e os gaúchos (20,51%) também têm SC como um dos destinos de suas férias. O Estado é repleto de belezas naturais. O Litoral, com 561 quilômetros de costa, abriga mais de 500 praias. No Interior, o cenário alterna paisagens rurais, núcleos urbanos progressistas e uma natureza exuberante: montanhas, cânions, vales sinuosos, rios e centenas – talvez milhares, ninguém sabe ao certo – de cachoeiras escondidas na Mata Atlântica mais preservada do Brasil. Já na Serra, a grande atração é o frio. Afinal, Santa Catarina é o único estado onde neva todos os anos. O povo é hospitaleiro, e o Estado é sinônimo de excelência. Sua produção industrial é exportada para 190 países. Santa Catarina mais que triplicou sua economia nas últimas décadas, com índices sociais e de qualidade de vida figurando entre os melhores do país. Nos últimos anos, o turismo teve um grande crescimento. 7 DIVULGAÇÃO TURISMO Números do turismo Secretaria do Turismo, Cultura e Esporte investirá R$ 120 milhões em 2011 40 mil empregos diretos e 200 mil indiretos foram gerados pelo setor hoteleiro em 2010 Rede hoteleira fatura, em média, R$ 300 milhões por ano Fonte: Secretaria Estadual de Turismo Dois inimigos do turismo catarinense Secretário estadual de turismo, Cesar Souza Júnior, aposta na eliminação dos gargalos da infraestrutura para desenvolver o setor FOTO QLITORAL Os municípios e as regiões turísticas despertaram para o potencial econômico da atividade e já constituíram 13 conventions and visitors bureaux, estabelecendo roteiros regionais integrados. Os bons espaços para grandes eventos já superam uma centena, e os mais de 2,5 mil meios de hospedagem oferecem cerca de 275 mil leitos. O secretário estadual de Turismo, Cultura e Esporte, Cesar Souza Júnior, deseja aprimorar os indicadores do setor. “O turismo move grande fatia da economia catarinense, 13% do PIB estadual, sendo fundamental eliminar alguns gargalos na infraestrutura para o seu fortalecimento”, destaca. Ele pretende avaliar todos os projetos apoiados pelo Fundo Estadual de Incentivo ao Turismo (Funturismo), a fim de mensurar o impacto real dos investimentos na atração de turistas para o Estado. “Não podemos ficar no empirismo e nem participar de feiras a esmo”, afirma. Praia dos Ingleses é um dos principais destinos dos argentinos O Estado precisa combater a sazonalidade excessiva e a concentração de ofertas turísticas em poucas cidades. Após investir R$ 800 mil para a elaboração do Plano Catarina – projeto de marketing criado para transformar SC em líder do turismo sustentável e ativo no país –, o governo agora quer ativar as equipes dos dez núcleos regionais. O presidente da Santa Catarina Turismo (Santur), Valdir Walendowsky, ressalta que um “Só com dados confiáveis poderemos planejar com mais segurança”, diz João Eduardo Amaral Moritz IDENTIDADE SC Os dados apurados pelos núcleos regionais balizarão as decisões de prefeituras, do governo do Estado e da iniciativa privada. Atualmente, o governo está testando um novo software para Palm Top, desenvolvido especificamente para a coleta de 40 a 50 indicadores. De acordo com Walendowsky, a equipe envolvida com esta nova fase do Plano Catarina deverá ser composta por 180 pessoas. Mas para obter as informações desejadas, será fundamental o trabalho em parceria com entidades de classe e prefeituras. “Temos um grupo de 30 municípios com o qual vamos trabalhar em conjunto. Mas o ideal é que todas as cidades participem. Muitas vezes, uma prefeitura menor não tem pessoal especializado, mas a Santur está à disposição para treinar os recursos humanos”, explica. um levantamento sobre o Carnaval. O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (Abih-SC), João Eduardo Amaral Moritz, apoia a iniciativa da Fecomércio-SC por avaliar a necessidade de dados mais próximos possíveis da realidade do setor. “Os empresários do ramo hoteleiro estão compreendendo que é preciso apurar a taxa média de ocupação e o retorno financeiro dos leitos. Não somos concorrentes, mas aliados”, enfatiza. Já o presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens de Santa Catarina (Abav-SC), Eduardo Loch, diz que é preciso estabelecer regras claras para o turismo, acrescentando que não há legislação específica para todas as áreas. “Não estão claros os direitos e deveres do setor. A iniciativa privada está avançando, mesmo sem indicadores e uma legislação que nos proteja. Sem contar a falta de infraestrutura”, constata. Segundo ele, o Cadastur – sistema de cadastro de pessoas físicas e jurídicas que atuam no setor do turismo –, do Ministério do Turismo, não dispõe da totalidade dos dados catarinenses. Na categoria Parques Temáticos, por exemplo, não aparece o Beto Carrero World. “A falta de indicadores não prejudica apenas a decisão de investimentos do governo, mas afeta também os pequenos operadores do setor”, atesta. Número de Turistas em 2010 NACIONAIS 3.836.294 ESTRANGEIROS 518.318 Fonte: SANTUR/GERÊNCIA DE PLANEJAMENTO CV&B novo software está sendo desenvolvido para apurar indicadores do setor em diferentes regiões. “A partir dos indicadores que essas equipes vão coletar, o Estado poderá dedicar recursos para investimentos mais cirúrgicos. Teremos números reais para justificar os nossos investimentos”, esclarece. Beto Carrero World fora do Cadastur A Federação do Comércio de Bens, de Serviços e de Turismo de SC (Fecomércio-SC) tomou a frente em busca de estatísticas confiáveis do Estado. A entidade fez a primeira grande pesquisa da área de turismo em 2010, durante a Oktoberfest, em Blumenau. A metodologia desenvolvida passa por ajustes para que possa ser empregada na apuração de dados e indicadores de outros produtos turísticos catarinenses. Em março, a intenção é realizar Costa da Lagoa: belo visual encanta turistas e visitantes TOTAL 4.354.612 EMPREENDEDORISMO JOMAR CARVALHO FILHO Microempresas garantem emprego a um milhão de trabalhadores Produção de mariscos está nas mãos de micro e pequenos empreendedores catarinenses A economia catarinense é beneficiada pelos resultados alcançados, anualmente, pelas 374.629 micro e pequenas empresas (MPEs) em atividade no Estado. Juntos, os empreendimentos são responsáveis pela geração de 991,3 mil postos de trabalho em Santa Catarina. O gerente de Comunicação e Mercado do Sebrae/SC, Spyros Diamantaras, afirma que as MPEs estão presentes em quase todos os segmentos produtivos, com destaque para os ramos madeireiro, plástico, cerâmico, tecnológico, pesca, maricultura - cultivo de organismos marinhos em seus habitats naturais -, têxtil, confecções, moveleiro, comércio e serviços. Diamantaras revela que os polos tecnológicos Taxa de mortalidade precoce atinge 24% dos empreendimentos 10 de Florianópolis, Blumenau e Joinville – formados por pequenos empreendedores – são grandes geradores de divisas para a economia do Estado. “O polo de Florianópolis gera mais receita do que o turismo”, ressalta. Os operadores da maricultura colocam SC na liderança do ranking dos estados produtores de marisco do país, sendo responsáveis por 95% do volume produzido. As MPEs têm igualmente boa representatividade na pesca. Já nos ramos têxtil e de confecções, as micro e pequenas fábricas estão concentradas no Vale IDENTIDADE SC BALANÇO DA FORMALIZAÇÃO 2010 META REALIZADO % SC 25 mil 27.281 109 BR 1 milhão 871.724 82 Fonte: Sebrae/SC do Itajaí, com maior representatividade em Blumenau, Brusque e Rio do Sul, além de Joinville e Jaraguá do Sul, no Norte. “Os pequenos empreendimentos vinculados ao setor moveleiro estavam mais centralizados no Planalto Norte. No entanto, a partir da última década, mais de 450 indústrias de móveis se instalaram na região Oeste, que, até então, tinha a economia baseada nas produções de suínos e aves”, observa. O maior problema enfrentado pelas MPEs envolve a captação de recursos no sistema financeiro. Muitas têm recorrido às agências de microcrédito, com 35 mil clientes no Estado, que praticam taxa de juro mensal de 3%. Outra alternativa fica por conta das cooperativas de crédito, com taxas de 1,2% ao mês. 24% dos empreendimentos não sobrevivem aos 24 meses DIVULGAÇÃO/ ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DA INDÚSTRIA TÊXTIL E DE CONFECÇÃO Levantamento do Sebrae/SC indica que de cada 100 micro e pequenas empresas que entram em operação no Estado, 24 encerram as As empresas de têxtil e confecção estão concentradas no Vale do Itajaí, em Santa Catarina atividades nos primeiros dois anos de atividade. As alternativas para estancar a mortalidade precoce passam por gerenciamento, planejamento e acesso às ferramentas de gestão inovadoras, disponíveis na Internet. Na avaliação de Diamantaras, existem mercados promissores no mercado catarinense e com elevado potencial de crescimento: educação, entretenimento, segurança privada, cosméticos e estéticas. SC ultrapassou a meta do Sebrae para o cadastro de empreendedores individuais. Entre julho de 2009 11 “Temos um micro ou pequeno empreendedor para cada grupo de 16,3 habitantes”, compara o gerente de Comunicação e Mercado do Sebrae/SC, Spyros Diamantaras e dezembro do ano passado, mais de 27 mil microempresários saíram da informalidade no Estado. O objetivo era cadastrar 25 mil. De acordo com Diamantaras, o Estado catarinense teve um bom desempenho porque 97,95% dos municípios regulamentaram a Lei da Microempresa e a Lei do Empreendedor Individual, superando as marcas alcançadas no Paraná (79%), São Paulo (67%) e Rio Grande do Sul (62%). De acordo com a gestora de Políticas Públicas do Sebrae/SC, Kátia Rausch, para que o empreendedor possa se cadastrar, é preciso que cada município regulamente AS CIDADES CAMPEÃS CIDADE Florianópolis 2.414 Joinville 2.109 Blumenau 1.061 São José 986 Chapecó 824 Itajaí 809 Lages 674 Palhoça 664 Balneário Camboriú 598 Navegantes 569 Fonte: Sebrae/SC 12 QUANTIDADE DIVULGAÇÃO/SEBRAE/SC EMPREENDEDORISMO Diretor-superintendente do Sebrae/SC, Carlos Guilherme Zigelli, destaca que da entidade trabalha na promoção do desenvolvimento dos empreendimentos sua lei. Apenas seis cidades ainda não concretizaram a regulamentação: Barra Velha, Balneário Barra do Sul, Ilhota, Luis Alves, Major Gercino e Piçarras. Florianópolis e Joinville lideraram os cadastros. A Capital, apesar de ter menos habitantes do que Joinville, teve mais adesões. Kátia relata que, em Florianópolis, 80% dos estabelecimentos de prestação de serviços operavam na informalidade. O diretor-superintendente do Sebrae/SC, Carlos Guilherme Zigelli, ressalta que o foco da entidade é promover a competitividade e o desenvolvimento sustentável dos empreendimentos de micro e pequeno porte. Também visa atuar no fortalecimento do empreendedorismo e na aceleração do processo de formalização da economia por meio de parcerias com os setores público e privado. Zigelli ressaltou que o Sebrae/SC formalizou parceria com o Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES), tornando-se mais um fornecedor credenciado ao Cartão BNDES. “Com a iniciativa, serviços de consultorias tecnológicas, já subsidiadas em até 70% pelo Sebrae, poderão ter a outra parte do valor financiada com essa linha de crédito.”, observa. Lembra que, em 2010, o Sebrae/SC investiu R$ 10,3 milhões em consultorias tecnológicas, beneficiando mais de 12 mil empresas. IDENTIDADE SC POLÍTICA JONAS LEMOS CAMPOS/ALESC A promessa é de muito trabalho e transparência na nova legislatura que o novo sistema de telefonia, via Internet, reduziu custos em todos os setores, inclusive nos gabinetes parlamentares. “O gerenciamento informatizado de veículos aposentou os dispendiosos processos burocráticos e resultou em um eficiente sistema de controle de frota, com segurança de informações, por intermédio de cartões magnéticos”, explica. O presidente reeleito afirma que mudanças constitucionais ampliaram a responsabilidade do Parlamento na fiscalização do Executivo, a exemplo da Emenda Constitucional nº 52, de 29 de abril de 2010. Desde sua aprovação toda a alteração estatutária das empresas de economia mista deve ser submetida à concordância do Legislativo. Já a Emenda Constitucional nº 55, de 15 de junho de 2010, deu mais fôlego orçamentário para a Saúde, destinando, no mínimo, R$ 70 milhões a mais para investimentos ao retirar o gasto com servidores inativos do montante mínimo de 12% a ser aplicado pelo Estado no setor. Leis em sintonia com as necessidades dos catarinenses Sede do Legislativo passará por ampla reforma em 2011 O ano de 2010 foi de transparência e produtividade na Assembleia de Santa Catarina (Alesc). Durante as 163 sessões plenárias realizadas, os parlamentares aprovaram 324 proposições do Executivo e do próprio Legislativo, com uma média de 1,98 propostas legitimadas por sessão. No período, foram realizadas 66 audiências públicas em diferentes regiões do Estado. O presidente reeleito da Assembleia, deputado Gelson Merisio (DEM), salienta que os resultados refletiram o comprometimento do Parlamento catarinense com processos administrativos mais sustentáveis usando recursos tecnológicos e humanos para a redução de custos e maior eficiência. Entre as prioridades para 2011 figura a manutenção dos dados legislativos, orçamentários e financeiros à disposição da sociedade através do Portal Transparência, no site www.alesc.sc.gov.br. Os recursos da informática foram usados para controlar e reduzir custos na rotina do Legislativo. Merisio ressalta Entre as novidades de 2010, está a implantação da Certificação de Responsabilidade Social para estimular o desenvolvimento sustentável e o crescimento orientado. Por intermédio de parcerias com o Ministério Público, o Legislativo deu continuidade a campanhas anticorrupção DESEMPENHO 2010 113 SESSÕES ORDINÁRIAS 50 SESSÕES EXTRAORDINÁRIAS Proposições Aprovadas Projeto de Lei 245 Projeto de Lei Complementar Emendas à Constituição Estadual 37 5 Medidas Provisórias 23 Decretos Legislativos 7 Projetos de Resolução 7 Fonte: Assembleia Legislativa/SC 13 POLÍTICA NOVAS REGIÕES METROPOLITANAS ALTO VALE DO ITAJAÍ Rio do Sul Lontras Taió Mirim Doce Ibirama Petrolândia Ituporanga Pouso Redondo Agrolândia Presidente Getúlio Agronômica Presidente Nereu Atalanta Rio do Campo Aurora Rio do Oeste Braço do Trombudo Salte Chapadão do Lageado Santa Terezinha Dona Emma Trombudo Central Imbuia Vidal Ramos José Boiteaux Vitor Meireles Laurentino Witmarsum CHAPECÓ* Águas de Chapecó Paial Águas Frias Pinhalzinho Arvoredo Planalto Alegre Chapecó São Carlos Coronel Freitas Saudades Guatambu Seara Nova Erechim Xanxerê Nova Itaberaba Xaxim Proposições de impacto financeiro foram aprovadas A aprovação do projeto de lei que fixa as despesas orçamentárias do Estado para o exercício financeiro de 2011 marcou o encerramento da pauta de votações da 16ª Legislatura. Ao todo, foram aprovados 32 projetos na última sessão ordinária do ano. No total foram apresentados 40 requerimentos para votação de emendas em destaque. Uma das matérias mais importantes da pauta de votações foi o projeto de lei, aprovado por unanimidade com 63 emendas, que definiu o Plano Plurianual para o exercício de 2011, contemplando desde recursos para infraestrutura a políticas públicas de saúde e educação. Seguindo a proposta da descentralização orçamentária, neste ano haverá um acréscimo de 15% das receitas do orçamento para as secretarias de Desenvolvimento Regional, em relação a 2010. Para a Agricultura, por exemplo, foram descentralizados mais de R$ 7 milhões. Também foi assegurada a destinação mínima de R$ 5 milhões para investimentos na Ferrovia da Integração do Sul (Ferrosul), que será executada em colaboração com os estados do Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul. e de combate ao Bullying Escolar. As duas iniciativas contam com o apoio da Escola do Legislativo Deputado Lício Mauro da Silveira, que completou 10 anos de atuação. Em reconhecimento à experiência da instituição, a Escola recebeu autorização do Conselho Estadual de Educação para implantar o curso de pós-graduação lato sensu na área de Política, Sociedade e Cidadania. No ano passado, movimentos reivindicatórios de diversas categorias encontraram espaço no Parlamento para protestos e manifestações. Muitas das reivindicações sociais e apelos populares tiveram eco na elaboração de leis em sintonia com as necessidades reais dos catarinenses. 14 CARLOS KILIAN/ALESC * A expansão poderá se dar com a anexação dos municípios de: Caxambu do Sul, Cunhataí, Faxinal dos Guedes, Itá, Marema, Palmitos, Quilombo, Serra Alta, Sul Brasil, União do Oeste, Xavantina. Parlamentares aprovaram 324 proposições em 2010 IDENTIDADE SC 17ª Legislatura começa com renovação de 37,5% Os 40 deputados eleitos para a 17ª Legislatura tomaram posse no dia 1º de fevereiro com a intenção de “bem representar os mais de 6 milhões de catarinenses”. A sessão foi presidida pelo deputado Reno Caramori (PP) - parlamentar gaúcho que acumula cinco mandatos. Ao se manifestar em nome dos empossados, o deputado Antônio Aguiar (PMDB) destaca aspectos da composição do Parlamento, a renovação ocorrida e a posse de quatro mulheres - maior participação feminina da história do Legislativo. Entre os desafios imediatos figuram o enfrentamento das adversidades provocadas pelas chuvas registradas a partir de janeiro. “O Executivo terá o nosso apoio para resolver os problemas dos municípios, pois, à parte as diferenças partidárias, todos os deputados têm muito respeito pela população catarinense”, destaca Caramori. Independência e transparência Um processo harmônico e transparente. Assim foi conduzida a eleição para a presidência e composição da Mesa da Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina. A votação unânime revela a independência com que deverão seguir os trabalhos do Legislativo estadual, mantendo boa relação com o governo e respeitando as composições partidárias que representam os catarinenses. Na esfera da gestão administrativa, já iniciamos buscando aperfeiçoar projetos e propostas para os próximos dois anos de presidência, com o objetivo de ampliar programas de redução de gastos através do uso de tecnologias e soluções modernas. No ano passado, por exemplo, implantamos um sistema inovador de monitoramento da frota de veículos da Casa, para promover a redução de gastos com combustível e otimizar o uso do serviço. Também instalamos um novo sistema de telefonia, que possibilita o uso da internet – e da tecnologia Voip – nas ligações. Tudo voltado, inclusive, para melhor atender aos parlamentares e funcionários. O Portal Transparência também está na pauta. Buscaremos aperfeiçoar o serviço e estimular a consulta por parte da população, como forma de ampliar o acompanhamento e a própria transparência dos trabalhos. Serão dois anos de uma presidência discreta e voltada para atender às necessidades dos parlamentares, para que os serviços prestados à sociedade possam ser constantemente melhorados. Nesta linha, iniciamos uma reforma no Palácio Barriga Verde – instalações do Legislativo catarinense. Existe um hiato hiat grande entre a última reforma dos gabinetes e a atual: 35 anos. g As obras foram iniciadas em janeiro e deverão deverã ser concluídas até julho. Os gabinetes serão padronizados e gabin terão melhores condições para o m atendimento à população. atendim O compromisso comp desta gestão com os parlamentares e a sociedade é o de parlame buscar eficiência e o fortalecimento do espírito democrático, para que os catarinenses sejam cada vez mais ouvidos e bem representados. CARLOS KILIAN/ALESC Outro destaque ficou por conta da aprovação de projeto de lei complementar do Executivo que instituiu nove regiões metropolitanas em Santa Catarina. Além dos núcleos metropolitanos Florianópolis, do Vale do Itajaí, do Norte/Nordeste Catarinense, de Lages, da Foz do Rio Itajaí, Carbonífera e de Tubarão já existentes, a nova proposta adicionou outros dois: Alto Vale do Itajaí e Chapecó. As regiões catarinenses serão compostas por um Núcleo Metropolitano e uma área de expansão metropolitana, tendo como sede os municípios de Florianópolis, Blumenau, Rio do Sul, Joinville, Lages, Itajaí, Criciúma, Tubarão e Chapecó. Gelson Merisio Presidente da Assembleia Legislativa de Santa Catarina 15 EMPREGO Empregadores enfrentam dificuldade para encontrar mão de obra especializada Santa Catarina registrou recorde no crescimento da oferta de empregos em 2010, com a abertura de 111.724 novos postos de trabalho - marca histórica para o Estado. O setor catarinense que mais gerou vagas foi a indústria de transformação, com 40,3 mil novos empregados. Já o setor de serviços contratou 32,1 mil trabalhadores, seguido do comércio, que formalizou 29,2 mil contratações. O único segmento que apresentou saldo negativo foi a agricul- Desafio é melhorar a competência profissional tura, com o fechamento de 210 vagas. Os subsetores que mais se destacaram na geração de empregos foram as indústrias metalúrgica (14,6%), mecânica (12,7%), de materiais elétricos e comunicações (12,7%) e calçadista (8,6%), seguidas pelo comércio atacadista (8,5%) e construção civil (8,4%). Apesar do resultado favorável, é o pior desempenho da região Sul, ficando atrás do Rio Grande do Sul, que encerrou 2010 com 178,9 mil vagas criadas, e do Paraná, com saldo de 142,4 mil empregos gerados. Indústria de transformação criou mais de 40 mil postos de trabalho O secretário da Assistência Social, Trabalho e Habitação, Serafim Venzon, observa que os números apresentados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), vinculado ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), demonstram a pujança da economia catarinense. Por outro lado, admite que o desafio do Estado será criar condições para atender à demanda dos trabalhadores que necessitam de colocação no mercado de trabalho. Entre os 36 maiores municípios de Santa Catarina com mais de 30 mil habitantes que apresentaram saldo positivo do emprego formal estão Florianópolis (1.124 16 vagas), Balneário Camboriú (730 vagas) e Laguna (159 empregos). Nas três cidades o desempenho positivo foi impulsionado pelos setores de comércio e serviços. Indústria dá a volta por cima Ao contrário dos resultados de 2009, quando foram fechados 8.631 postos de trabalho, por conta da crise mundial, as médias e grandes indústrias comemoram os resultados de 2010. O setor encerrou o ano com alta de 3,6%, decorrente da abertura de 7.819 vagas. De janeiro a dezembro, os setores que mais contrataram foram máquinas e equipamentos (3.189), metalurgia básica (1.879) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (1.606). No entanto, o último mês do ano foi marcado por um decréscimo no emprego industrial. O fechamento de 3.175 vagas está vinculado à desaceleração sazonal das atividades e ao período de férias coletivas. Nesse período, os segmentos que mais demitiram empregados foram confecções e artigos do vestuário (531), produtos alimentícios e bebidas (479), produtos têxteis (366) e máquinas e equipamentos (361). DIVULGAÇÃO GRUPO RACCO Secretário Serafim Venzon está empenhado na busca de colocação para desempregados DIVULGAÇÃO GRUPO RACCO DIVULGAÇÃO SECRETARIA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL, TRABALHO E HABITAÇÃO Empregos: mais de 100 mil carteiras assinadas em um ano Médias e grandes indústrias lideraram a geração de empregos AGROPECUÁRIA IDENTIDADE SC Enxurradas deixam prejuízo de quase R$ 60 milhões nas lavouras A agricultura foi prejudicada com as fortes chuvas registradas a partir de janeiro. Estima-se que as perdas totalizem R$ 59,8 milhões. A completa avaliação acontecerá após a recuperação das vias de acesso às propriedades rurais, com análises localizadas das perdas. “Estamos trabalhando em todos os municípios afetados. Em Mirim Doce e Taió destacamos uma verdadeira forçatarefa para não só fazer o levantamento de perdas e auxiliar o pequeno agricultor familiar”, explica o presidente da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural e Santa Catarina (Epagri), Luiz Hessmann. Por outro lado, um levantamento do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Cepa), da Epagri, indica que as perdas não representam riscos para a economia de Santa Catarina, nem devem provocar o desabastecimento. As chuvas aconteceram principalmente no Litoral Norte, Sul e Vale do Itajaí, que não são as regiões mais expressivas na agricultura estadual. As perdas foram substanciais e atingiram 68.950 toneladas de arroz, deixando prejuízo de R$ 35,9 milhões. Nas lavouras de fumo, 0,8% da produção foi perdida (1.984 toneladas), totalizando R$ 12,3 milhões. As chuvas também afetaram a produção do milho, dizimando 0,3% da área plantada (8.955 toneladas) e deixando perdas de R$ 3,1 milhões. Os bananeiros perderam R$ 1,5 milhão, pois deixarão de colher 4.442 toneladas da fruta. Já os produtores de feijão tiveram queda de 1.517 toneladas na produção, totalizando R$ 1,9 milhão. Há registro de perdas em outras culturas como é o caso da uva em Pedras Grandes, no Sul, e de moluscos, no Norte. Trutas foram perdidas em tanques no município de Taió. Além disso, houve morte de bovinos, suínos e aves por afogamento. de até 5 hectares. A engenheira agrônoma Marlise Nara Ciotta, da Estação da Epagri em São Joaquim, lembra que o granizo atingiu a região entre novembro e dezembro, fase de desenvolvimento do fruto. A geada de setembro também prejudicou os produtores. Por outro lado, é possí- Nas lavouras de fumo, perdas chegam a R$ 12,3 milhões vel que até 7% das frutas descartadas sejam aproveitadas pela indústria, representando incremento de até 15% nos preços pagos aos produtores. Na safra passada, o preço oscilou entre R$ 0,40 e R$ 0,50 o quilo. Neste ano, pode chegar a R$ 0,60. Clima adverso reduz safra da maçã em até 25% Mais de 58 mil produtores retiram sustento da produção de fumo DIVULGAÇÃO AFUBRA Problemas climáticos deverão provocar forte queda na safra de maçã. Conforme a Associação Brasileira de Produtores de Maçã (ABPM), a quebra poderá ser de até 25%. A estimativa é que os municípios da Serra catarinense, polo responsável por 54% da produção nacional, colham 338,3 mil toneladas, cerca de 12% menos que as 384,4 mil de 2010. Os dados levam em conta a produção de São Joaquim, Urubici, Urupema, Bom Retiro e Bom Jardim da Serra. A região reúne 1,5 mil produtores, a maioria de pequeno porte, em propriedades Preço do arroz despenca e prejudica produtores O excesso de arroz no mercado brasileiro está provocando queda nos preços pagos aos produtores. Somente neste ano, o preço da saca já caiu 8%. O mercado está pagando de R$ 20,00 a R$ 23,00 a saca de arroz, valor abaixo do preço mínimo fixado pelo governo: R$ 25,80. O Brasil cultiva 2,9 milhões de hectares e produz 12,6 milhões de toneladas de grãos, sendo que Santa Catarina responde por 8,4% da produção nacional, ficando atrás apenas do Rio AGROPECUÁRIA 52% dos produtores de tabaco têm menos de 32 anos de idade 82% dos produtores estão na atividade há mais de dez anos Produtividade média é de 2.050 quilos de tabaco por hectare Na média são gastos 131 dias/hectare de mão de obra, sendo que a atividade que mais demanda é a colheita, com 39 dias em média/hectares Os gastos com insumos por quilo produzido tiveram acréscimo de 28% no período 2007-2010 Fonte: Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Santa Catarina (FETAESC). Grande do Sul, com 60,9%. O arroz é a principal fonte de renda de 8 mil produtores catarinenses, gerando mais de 50 mil empregos diretos e indiretos. O Estado cultiva 150,5 mil hectares e produz, anualmente, 1,39 milhão de toneladas em 60 municípios das regiões Sul, Vale do Itajaí e Norte. A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de SC (Faesc) tenta assegurar a retomada dos contratos de opção ou o reajuste do preço mínimo do arroz próximo aos R$ 30,00 a saca de 50 quilos. Uma pauta de reivindicações, incluindo medidas para reequilibrar o mercado brasileiro, já foi entregue à presidente Dilma Rousseff. Renda bruta por hectare atinge R$ 4 mil O ano não começou como os produtores de fumo esperavam. No Sul do Estado, apenas 20% da produção foi comercializada, sendo que janeiro e fevereiro costumam ser meses de pico das vendas. A produção nacional de fumo se concentra quase totalmente nos três estados do Sul. Santa Catarina é o segundo maior produtor, atrás do Rio Grande do Sul. Dados do IBGE e da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) indicam que o Estado abriga 58.843 mil produtores de fumo e responde por 32% da produção nacional. De acordo com a Síntese Agrícola Anual do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Cepa), a área plantada vem se mantendo estável durante os últimos anos no Estado. As principais regiões produtoras são o Sul (31%), o Vale do Itajaí (26%) e o Norte do Estado (23%). Canoinhas é o município que mais produz fumo em Santa Catarina, seguido de Araranguá, no Sul. A rentabilidade por hectare de uma colheita de fumo é muito maior que a dos principais produtos plantados no Estado. A renda bruta por hectare do fumo atinge mais de R$ 4 mil, enquanto o milho e o feijão rendem cerca de R$ 600,00. Aquicultura cresceu 44% no país Estou muito animada e sou muito agradecida pela presidente Dilma Rousseff ter confiado a mim a missão de assumir e fortalecer o Ministério da Pesca e Aquicultura. Mais do que isso, me pediu e me desafiou a fazer com que o Brasil produza mais, invista mais e ofereça muito mais peixes do que oferece hoje aos brasileiros e ao mundo todo. Temos que acelerar o barco e trabalhar duro para aumentarmos a produção e o consumo do pescado brasileiro. Quanto mais peixes, crustáceos e moluscos produzirmos, o pescado chegará com mais frequência à nossa mesa, gerando mais divisas para o nosso país. É preciso destravar tudo que emperra e impede os aquicultores de cultivar os organismos aquáticos. Nossas lutas são comuns: menos burocracia na liberação das licenças ambientais para aquicultura; mais integração, diálogo e transparência nas ações e nos acordos entre o setor, prefeituras, governos estaduais e federal; maior atenção à capacitação e à qualificação dos produtores; crédito; pesquisas científicas; e a busca de novas tecnologias para que possamos aproveitar o máximo desperdiçando o mínimo de esforço, de capacidade e dos resultados da produção. Comparada às grandes cadeias agropecuárias, como a bovinocultura, a suinocultura e a avicultura, a aquicultura brasileira teve um crescimento de aproximadamente 44% da produção entre 2007 e 2009. As políticas do governo federal, através do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), foram fundamentais para que a atividade atingisse o recorde de produção, com mais de 415 mil toneladas em 2009, totalizando 33% do pescado produzido no país. O Brasil está entre as nações com maior crescimento na aquicultura. O nosso compromisso é alavancar a aquicultura sob três alicerces: desenvolvimento econômico, responsabilidade ambiental e inclusão social. E se o papel do MPA é planejar, ordenar, fomentar e estruturar a aquicultura nacional, reconhecemos que é preciso simplificar e agilizar o licenciamento ambiental. Vamos procurar agir em conjunto com os governos estaduais e com o setor produtivo para cumprir os objeonvicção de que essas tivos. Temos convicção m que a aquicultura ações farão com cendo, promovencontinue crescendo, do a inclusão social, respeitando nte e assegurano meio ambiente do condições favoráveis ao desenvolvimento socioeconômico através de políticas sólidas e consistentes. Ideli Salvatti Ministra nistra da Pesca e Aquicultura DIVULGAÇÃO Produção de fumo em SC INFRAESTRUTURA IDENTIDADE SC Um dos problemas mais graves de Santa Catarina é a falta de infraestrutura. De acordo com a 14ª Pesquisa CNT de Rodovias, realizada em 2010 pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), em parceria com o Serviço Social do Transporte (Sest) e o Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (Senat), 29% da malha rodoviária catarinense - 2.606 quilômetros de estradas federais e 6.000 quilômetros de rodovias estaduais – apresentam condições de trafegabilidade péssimas (7,1%) ou ruins (21,9%). Os trechos considerados regulares totalizaram 30,5%. É a pior performance da Região Sul. A Federação das Empresas de Transporte de Cargas e Logística de SC (Fetrancesc) avalia que quanto pior a qualidade, menor será a velocidade de tráfego e, por consequência, maior demora para o escoamento da produção. “Não temos infraestrutura para acompanhar os crescimentos que muitos economistas e até nós mesmos pregamos”, atesta o diretor-presidente da Federação das Associações Empresariais de SC (Facisc), Alaor Francisco Tissot. BR 101 Sul não fica pronta antes do segundo semestre de 2015 As obras do trecho Sul da BR 101 não ficarão prontas antes do segundo semestre de 2015, mostra estudo da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc). Considerando as DNIT Infraestrutura precária acaba onerando o setor produtivo Duas frentes de obra incluem o viaduto do Contorno de Araranguá obras contratadas, falta construir 31% dos trechos previstos, restaurar 40% das pistas antigas, finalizar 48% dos viadutos e passagens inferiores, 77% das passarelas de pedestres, além de 10% das pontes novas e 47% dos reforços e alargamentos de pontes antigas. “Como é possível que, passados quase dois anos desde o primeiro estudo, tenhamos que voltar a chamar atenção para obras fundamentais e que sequer foram contratadas, como a ponte sobre o Canal Laranjeiras, o túnel do Morro do Formigão e as obras de alargamento da ponte antiga sobre o Rio Tubarão?”, questiona o presidente da Fiesc, Alcantaro Corrêa. O levantamento mostra que a situação mais complicada é a do túnel do Morro dos Cavalos, que não teve projeto nem licenciamento ambiental concluídos. A situação é semelhante na ponte sobre o rio Tubarão, que precisa de reforço e alargamento. No caso do túnel do Morro do Formigão e do Canal Laranjeiras a licitação está em curso. “A duplicação da BR 101 Sul segue com sérios problemas de gestão e a sociedade catarinense é quem mais paga o preço”, observa. Oeste catarinense é berço das agroindústrias e precisa de investimentos 19 INFRAESTRUTURA Classificação da Malha Rodoviária 21,9% 7,1% 9,6% ÓTIMO BOM 30,5% 30,9% REGULAR RUIM PÉSSIMO Fonte: Confederação Nacional do Transporte (CNT) Entre os trechos com obras contratadas a situação mais complicada é a do lote 25, entre Itapirubá e Capivari de Baixo. Ao contrário dos demais trechos, que podem ser concluídos até o final de 2011, esse, na melhor das hipóteses, fica pronto no segundo semestre de 2012. No lote 29, a terceira empresa contratada do subtrecho entre Araranguá e Sombrio recém se instalou na região e tem um prazo contratual de 540 dias para execução das obras, que contempla o contorno de Araranguá com duas novas pontes e um elevado. Obras ainda não contratadas A construção da ponte estaiada sobre o Canal de Laranjeiras, com extensão de 2.815 metros, e a duplicação e restauração dos acessos, de 5.100 metros, ainda se encontram em processo de licitação, com custo global estimado de R$ 676,8 milhões. O túnel que fará a transposição do Morro do Formigão, em Tubarão, encontra-se em processo de concorrência pública, com custo estimado de R$ 57,3 milhões. As obras de reforços e alargamentos da ponte antiga sobre o Rio Tubarão (sentido Sul/Norte), além do túnel duplo e do viaduto que compõem a transposição do Morro dos Cavalos e ainda não tiveram seus respectivos projetos e licenças ambientais aprovadas. Faltam ferrovias e bons acessos aos portos Além dos problemas no modal rodoviário, o Estado convive com outros gargalos. Faltam ferrovias e acesso aos portos. Em dezembro houve a inauguração do Porto de Itapoá, onde o setor privado investiu mais de R$ 400 milhões. O Estado tinha o compromisso de fazer a estrada de acesso ao porto, mas passados oito anos ainda não conseguiu finalizar o trecho de 32 quilômetros. O Estado igualmente não dispõe de uma política portuária, embora pelas condições da natureza e seus 561 quilômetros de costa, possua mais de seis portos bem estruturados, que recebem navios de grande calado. Pelo tipo de serviço prestado, praticamente todos os estados brasileiros exportam ou recebem produtos pelos portos catarinenses. AGÊNCIA CNT DE NOTÍCIAS O governador Raimundo Colombo afirma que existem vários gargalos que precisam ser extintos mediante parceria com o governo federal. Os principais problemas são a “interminável” duplicação da BR 101 Sul, em andamento há sete anos, a ampliação da capacidade de tráfego da BR 470, que liga o Oeste catarinense aos portos de Itajaí e Navegantes. Também há necessidade de duplicação da BR 280 – via de acesso ao Porto de São Francisco do Sul. “No setor portuário, além das rodovias de acesso, as vias portuárias que cortam as cidades também são gargalos”, frisa. Os portos de Santa Catarina são imprescindíveis para o escoamento de cargas do Estado e dos países do Mercosul. “Além de trabalhar para que os recursos federais sejam garantidos para a criação de uma melhor infraestrutura ou qualificação da existente, temos que viabilizar os acessos e a mobilidade das cidades portuárias”, enfatiza. O secretário de Infraestrutura, Valdir Cobalchini, quer um levantamento detalhado de todos os grandes entraves de infraestrutura que atrapalham o desenvolvimento do Estado e decidir quais serão os prioritários. Cobalchini lista obras consideradas fundamentais: acesso ao aeroporto Hercílio Luz, duplicação das BRs 280 e 470 e da SC 401 até Canasvieiras, Ponte Hercílio Luz, Via Expressa, terminal de cruzeiros e terminal Rita Maria. Ferrovia do Frango: passaporte para o fim dos problemas O “celeiro” de Santa Catarina enfrenta problemas para escoar a produção. O caminho do crescimento do cooperativismo catarinense passa pela duplicação das BRs 470 e 282, conclusão da BR 101 Sul, IDENTIDADE SC revitalização do Porto de Itajaí e qualificação dos aeroportos. A construção da Ferrovia do Frango, também denominada de Ferrovia da Integração, ligando Itajaí a Chapecó, deve começar no próximo ano, de acordo com previsão do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). Serão 622,4 quilômetros, que ligarão o Leste ao Oeste do Estado. A ferrovia é fundamental para o escoamento da produção de frangos, suínos e derivados produzidos na região até o Porto de Itajaí. Somente para a elaboração de projetos serão investidos R$ 31,5 milhões. “A construção é fundamental para estancar o movimento de migração das agroindústrias de Santa Catarina para o Centro-Oeste”, salienta o presidente da Associação Catarinense de Avicultura (Acav), Clever Pirola Ávila. O dirigente projeta que 27% da produção nacional de aves poderiam circular nessa ferrovia, que não apenas facilitará o transporte da produção avícola, mas a importação de grãos necessários para a alimentação das aves. Boa parte do leito da ferrovia já existe, mas está desativado. A Ferrovia do Frango ligará a fronteira Brasil/Argentina com o litoral catarinense, tendo nos extremos o porto marítimo de Itajaí e o porto seco de Dionísio Cerqueira. A obra está orçada em R$ 1,8 bilhão. FABRÍCIO SOUSA Pontes para o desenvolvimento A ascensão do Brasil deve continuar nos próximos anos. Se a presidente eleita fizer o que prometeu no seu primeiro discurso após a eleição, conseguiremos sim trilhar o caminho do crescimento em 2011. O dólar é a grande questão. A valorização do real em relação às outras moedas favorece as importações e prejudica a produção interna. Isso reflete diretamente na geração de emprego e renda. A longo prazo também acarretará na desindustrialização, tornará um país dependente de importações, afetando a balança comercial externa que vinha sendo positiva. Também vejo como emergencial uma ação contra a compra de terras brasileiras por empresas da índia, China, Estados Unidos e Alemanha com o objetivo de produzir alimentos para seus países. Precisamos que o Governo aja de forma eficaz, senão este processo não terá reversão. Espero que 2011 seja o ano das reformas Fiscal, Tributária e Política. Precisamos que esses temas sejam discutidos e implementados. Se continuar como está, continuaremos com uma colcha de retalhos inacabada e imprópria. Para Santa Catarina o grande impasse é a infraestrutura. Somos um Estado empreendedor e sofremos com a escassez de vias de transporte para escoar nossa pujante produção produção. Também sofremos com sane saneamento básico e segurança. Im Impasses que precimelhor administrados sam ser melh governantes que assupelos gove miram o ccomando do nosso Estado Estado. Avalio 2010 copositivo. Mesmo num mo positiv ano eleitora eleitoral, o cenário econômico não sofreu influências devido ao processo político. Isto mostra amadurecimento do setor produtivo, que conseguiu manter sua produção estável. O setor público também conseguiu cumprir o cronograma de obras, dar andamentos a projetos e manter planejamentos estipulados antes do pleito. Considero a participação da classe empresarial no processo eleitoral imprescindível para o desenvolvimento do País. As entidades de classe se envolveram, sugeriram mudanças, levantaram as necessidades e isso contribui para a construção de um novo processo, mais competente e dinâmico. Apresentamos não apenas as reclamações, mas sugerimos formas de melhorar o sistema de arrecadação e gestão pública, soluções a longo prazo para que se possa não diminuir a arrecadação, mas sim readequar gastos desenfreados com viés eleitoreiros, como acontecia no passado. Com estas mudanças, esperamos que o desenvolvimento socioeconômico que o Brasil tanto precisa realmente aconteça. Que os investimentos necessários sejam feitos e reflitam na saúde, na educação, na segurança e na preservação do meio ambiente. É esse o país e o Estado que esperamos nos próximos quatro anos. E é isso que queremos dos governantes: um lugar melhor para viver e empreender! A Facisc também andou a passos largos. Lutamos pela melhoria do ambiente empresarial, pelo o desenvolvimento das micro e pequenas empresas e incentivamos o empreendedorismo. O Sistema Facisc esteve presente nas lutas em prol do desenvolvimento econômico. Conquistamos representatividade para os mais de 60 mil empresários que estão sob o nosso guarda-chuva. Esperamos que 2011 traga mais desenvolvimento. Que possamos derrubar barreiras e construir novas pontes para o desenvolvimento. Alaor Francisco Tissot, Presidente da Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc) SAÚDE DIVULGAÇÃO Qualidade na saúde é sonho da população e desafio do Estado Pacientes esperam para conseguir agendar consultas e cirurgias na rede pública de saúde Pelo menos 12 mil catarinenses aguardam em lista de espera pela realização de cirurgias, sendo 2 mil procedimentos ortopédicos, 3 mil gerais de média complexidade e 7 mil de catarata. Nos últimos cinco anos, 1.455 leitos hospitalares foram fechados no Estado, muitos em consequência de descredenciamento do Sistema Único de Saúde (SUS) devido aos custos elevados. Os maiores problemas são registrados em Joinville e Florianópolis, para onde são enviados, via ambulancioterapia, enfermos de outras cidades. A Capital necessitaria da geração mínima de 200 vagas para internação e, em Joivinville, outros 300. Nos hospitais Celso Ramos e Regional de São José, na Grande Florianópolis, é comum ver pacientes amontoados nos corredores à espera de leitos Alternativas ✔ Investimento em saúde básica, como postos de saúde e o Programa Saúde da Família ✔ Garantir aumento de vagas para atendimento dos pacientes, especialmente no Interior ✔ Redução do tempo de espera por consultas e cirurgias ✔ Investir na valorização e profissionalização do servidor público, a partir de mecanismos de avaliação de desempenho individual e de resultados operacionais ✔ Viabilizar a construção de hospitais regionais em Biguaçu e Palhoça e modernizar os hospitais Celso Ramos e Regional de São José, na região da Grande Florianópolis ✔ Implantar programa de estímulo para a interiorização de profissionais e acadêmicos da área para atuar em ações de prevenção e promoção da saúde, por meio de bolsas de trabalho, com prioridade aos municípios de pequeno porte e com baixos indicadores socioeconômicos ✔ Ampliar a Rede Catarinense de Telemedicina, com o diagnóstico e resultado de exames por imagem à distância 22 nas enfermarias. Devido ao volume de pessoas, muitas permanecem sentadas em cadeiras. O presidente da Associação Catarinense de Medicina, Genoir Simoni, avalia que somente será possível solucionar o problema a partir da implantação de unidades descentralizadas. O ideal seria direcionar os investimentos nas nove macrorregiões – Chapecó, Joaçaba, Lages, Blumenau, Mafra, Joinville, Itajaí, Criciúma e Florianópolis – e incrementar a saúde básica por meio da construção de policlínicas especializadas a cada 100 mil habitantes. Quadro de servidores é o mesmo há uma década O Estado mantém convênio com 228 hospitais, mas a maioria é de pequeno porte, com carências de algumas especialidades médicas, com taxa de ocupação baixa e elevado custo de manutenção. De acordo com a presidente do Sindicato de Trabalhadores em Estabelecimentos de Serviços de Saúde Privado e Público Estadual (SindSaúde), Edileuza Fortuna, há leitos fechados por carência de recursos humanos. O quadro de servidores do Estado está defasado e permanece praticamente inalterado há uma década. De imediato, haveria a necessidade de contratação de 5 mil profissionais da saúde para qualificar o sistema de atendimento. Outra solução seria a interiorização de residência médica. Igualmente é preciso estancar a defasagem da tabela do SUS. EDUCAÇÃO IDENTIDADE SC O sexto pior investimento médio por aluno do país precisa de recursos Atualmente, existem 200 obras escolares em andamento em todas as regiões do Estado (R$ 2.033,48), do Pará (R$ 2.006,35), do Amazonas (R$ 1.868,07), da Paraíba (R$ 1.802,39) e da Bahia (R$ 1.766,94). SC também detém a pior performance da região: o Rio Grande do Sul investe R$ 2.369,02 e o Paraná, R$ 2.301,10. O Distrito Federal lidera, com R$ 4.834,43, seguido de Roraima, com R$ 4.365,37, e do Amapá, com R$ 3.729,39. O Estado, por outro lado, ocupa a 2ª colocação no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), com renda familiar média mensal per capita de R$ 865,00, ficando atrás apenas do Distrito Federal, com R$ 1.324,00. O Estado registra a menor taxa de analfabetismo da Região Sul na faixa etária de 10 a 14 anos: 0,5%. Já na população com 15 anos ou mais, o índice fica em 4,9%, superando apenas o do Rio Grande do Sul, que é de 4,6%. Por outro lado, os resultados catarinenses estão abaixo da média da região: 1,2% (10 a 14 anos) e 5,5% (15 anos ou mais). Rede estadual registra incremento de 3.788 alunos em 12 meses Dados do Censo Escolar 2010 do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), do Ministério da Educação (MEC), sinalizam crescimento de 1,8% no Ensino Médio da rede pública estadual catarinense, passando de 204.649 alunos em 2009 para 208.437 em 2010. O incremento é atribuído às políticas públicas implantadas pelo governo do Estado e à construção de 39 novas escolas, resultando na oferta de maior número de vagas para jovens de 15 a 17 anos. No total, a rede pública estadual tem 1.350 escolas destinadas à Educação Básica, totalizando cerca de 700 mil alunos matriculados. Apesar de o crescimento não ser tão alto, o secretário estadual da Educação, Marco Tebaldi, considera positivo o fato de o Ensino Médio vir ascendendo, regularmente, desde 2008 (0,68%). “Em dois anos, as matrículas quase que triplicaram”, compara. Atualmente, entre os níveis de ensino, o que vem crescendo mais é o Médio. Pelos cálculos do Inep, a Educação Infantil e o Ensino Fundamental decresceram na rede pública estadual em razão de os municípios assumirem mais a responsabilidade da educação formal das crianças. Outro fator que tem influenciado é a redução de 0,5% no grupo de catarinenses na faixa etária entre 6 e 14 anos de idade. “O aumento de matrículas nas redes federal e privada também reflete na diminuição do número de estudantes”,, enfatiza. OSVALDO NOCETTI/SECRETARIA ESTADUAL DE EDUCAÇÃO Santa Catarina ocupa a 21ª posição no ranking nacional do investimento público na Educação Básica por aluno/ano, com R$ 2.052,57. O levantamento do Movimento Todos pela Educação indica que a destinação de recursos está muito abaixo da média brasileira, que oscila entre R$ 2,4 mil e R$ 3,6 mil. O Estado está à frente apenas do Rio Grande do Norte (R$ 2.038,18), do Maranhão EDUCAÇÃO SC tem 200 obras em andamento nos prédios escolares Estado prioriza investimentos para qualificar ensino profissionalizante Convênio formalizado em janeiro com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) possibilitará investimento de R$ 55,6 milhões para a construção de escolas de Ensino Médio em Bom Retiro, Jaraguá do Sul, Florianópolis, Guarujá do Sul, Turvo, Timbé do Sul, Piratuba, Rio dos Cedros e Itapiranga. Em breve, deverão ser liberados R$ 813,3 mil para a construção do prédio da Escola Indígena de Ensino Fundamental Tykó, em Chapecó, de R$ 3,4 milhões para as novas instalações da Escola Estadual Urbana Madre Terezinha Leoni, em Videira, e de R$ 18,3 milhões para a implantação de um Centro de Educação Profissional (Cedup), em São Joaquim. Com o objetivo de ampliar a oferta de vagas no Ensino Técnico de nível médio, a Secretaria Alternativas ✔ Investir no aumento da qualidade da educação básica, com estabelecimento de metas ✔ Remunerar os professores com base nos resultados alcançados ✔ Criar mecanismos para incentivar empresas a manter programas sociais voltados à educação básica de qualidade ✔ Criar programas de formação profissional que antecipem as demandas da indústria em setores emergentes ✔ Utilizar o Fundo Social do Estado para concessão de bolsas para educação profissional de nível médio, a exemplo do que já ocorre com o ensino superior ✔ Incentivar a formação de tecnólogos ✔ Priorizar o desenvolvimento de cursos de graduação e pós-graduação voltados às necessidades do mercado ✔ Associar a concessão de benefícios sociais à qualificação profissional 24 Para implementar a melhoria da infraestrutura física e pedagógica das escolas, o governo estadual dá continuidade à parceria com o Ministério da Educação, por intermédio do Programa Brasil Alfabetizado. Os recursos disponibilizados serão destinados à construção de escolas, reformas, ampliações e aquisições de equipamentos e implantação de laboratórios técnicos. Somente nos Cedups de Timbó, Rio Fortuna e São Bento do Sul serão aplicados R$ 39 milhões. De acordo com o secretário, nas últimas décadas, juntamente com Ciência e Tecnologia, a educação técnico-profissional é considerada um importante fator para atender aos novos padrões de desenvolvimento. Além do fortalecimento da educação profissional, a Secretaria da Educação se preocupa com a recuperação do patrimônio escolar. OSVALDO NOCETTI/ASCOM OSVALDO NOCETTI/SECRETARIA ESTADUAL DE EDUCAÇÃO da Educação também está investindo na construção de novos Cedups, com capacidade para atender a 1,5 mil alunos por unidade. Dos 16 centros previstos no Estado, cinco se encontram em construção nas cidades de Rio do Sul, Guaramirim, Mafra, Curitibanos e Abdon Batista. Em Timbó, Rio Fortuna e São Bento do Sul, os projetos já foram assinados e as obras estão previstas para iniciar ainda neste semestre. Secretário estadual de educação, Marco Tebaldi, considera importante o aumento no número de matrículas do Ensino Médio nos últimos anos TECNOLOGIA IDENTIDADE SC Transformar o setor tecnológico em referência mundial, assim como a indústria do agronegócio se tornou com multinacionais de referência como Sadia e Perdigão é um dos desafios do governador Raimundo Colombo. “O Estado tem vocação empreendedora, de negócios, de criar indústrias competitivas mundialmente. E hoje os empresários de tecnologia são os protagonistas. Temos as maiores indústrias de alimentos do mundo e podemos também dar este passo na área tecnológica”, projeta. A prioridade de Colombo neste início de governo está sendo a análise de toda a estrutura do Estado, eleger prioridades e “reinventar” órgãos, empresas e diretorias. A expectativa é que, entre abril e maio deste ano, possa haver novidades na atuação do governo alinhado com as demandas apresentadas em janeiro pelas entidades de tecnologia. DIVULGAÇÃO Tecnologia é prioridade para o novo governo O Centro de Ensino Tecnológico de Santa Catarina (Cetic-SC) defende a reativação do Conselho Estadual de Tecnologia da Informação e Comunicação, formado por representantes do governo, universidades e empresas. “Durante os primeiros anos do último governo, o Conselho teve papel fundamental no desenvolvimento de políticas e resoluções para o setor e no relacionamento entre governo e empresários”, explica o presidente do Cetic-SC, Heitor Blum Thiago. Segmento reivindica 2% do orçamento do Estado para investimento em pesquisa e inovação tecnológica Em 1975, o Ciasc teve grande importância no processo de modernização. “Atualmente, a realidade é outra. Temos uns dos principais polos tecnológicos do país, com tecnologias no estado da arte, inclusive voltadas para governo”, destaca o presidente da Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação no Estado (Assespro-SC), Hugo Dittrich. O desejo é transformar o Ciasc em gestor de tecnologia. O dispositivo está previsto na Lei Catarinense de Inovação, sancionada há dois anos. Historicamente, o percentual nunca foi alcançado. Dittrich argumenta que os recursos são necessários para alavancar projetos de inovação em empresas, em parceria com as universidades. Os recursos também poderiam ser utilizados como contrapartida de investimentos federais em Santa Catarina. Vice-presidente da ACATE, Moacir Marafon, destaca que há falta de profissionais qualificados no setor tecnológico Mão de obra tecnológica em baixa A falta de profissionais qualificados em quantidade para o setor tecnológico é outra bandeira histórica do segmento, principalmente nos últimos anos, com o crescimento da indústria de software e hardware. O vice-presidente da Associação Catarinense de Empresas de Tecnologia (Acate) e presidente do Sindicato das Empresas de Informática de Florianópolis (Seinflo), Moacir Marafon, ressalta que apenas em Florianópolis – que tem 550 empresas –, 112 companhias afirmaram ter 560 vagas abertas e ociosas. 25 “Possivelmente temos hoje mais de 2 mil vagas em aberto. Até 2012, se nada for feito, serão 3 mil”, projeta. Entre as propostas, estão a ampliação da oferta de cursos superiores de tecnologia por meio da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) e a formalização de parcerias com instituições de ensino privadas. “O direcionamento de bolsas universitárias para cursos na área tecnológica poderia contribuir para a redução da evasão de estudantes de universidades catarinenses”, afirma Marafon, que também avalia a necessidade de adoção de mecanismos de incentivo à formação básica em áreas como Matemática, Física e Lógica. A Lei de Inovação Tecnológica, homologada em janeiro de 2008 e regulamentada em junho de 2009, busca reduzir a distância entre as iniciativas públicas e privadas, estimulando a pesquisa e a rápida absorção desses conhecimentos pelo setor produtivo. Com a iniciativa, Santa Catarina foi o terceiro estado a editar legislação para regulamentar o setor de ciência e tecnologia no Brasil. O pioneiro foi o Amazonas, cuja lei data de novembro de 2006. A Udesc e a Fapesc formalizaram acordo em dezembro visando à criação do Núcleo de Inovação Tecnológica de Santa Catarina (Nitesc), com a finalidade de promover ações de inovação e gerenciamento da propriedade intelectual. Ilha do Silício catarinense Florianópolis tem um dos principais polos tecnológicos do país, desenvolvido pelo esforço de empreendedores, centros de ensino e pesquisa, incubadoras e instituições empresariais e governamentais. Não é à toa que também esteja sendo chamada de Ilha do Silício, em alusão ao mais conhecido polo tecnológico do mundo o Vale do Silício, na Califórnia. O presidente da Acate, Rui Gonçalves, admite, porém, que há muito a evoluir. Lembra que as empresas do Vale do Silício são responsáveis por toda uma cadeia de desenvolvimento da região, que vai muito além da tecnologia. Existem negócios em torno daquele ambiente que fazem o desenvolvimento da região prosperar, incluindo a negociação imobiliária e o próprio turismo tecnológico. Na avaliação de Gonçalves, situação semelhante pode viver Florianópolis se houver grandes investimentos para o crescimento do setor, alavancando outras economias, como a construção civil e o turismo. Além disso, é preciso cada vez mais fortalecer no Estado as Universidades como celeiro de mão de obra qualificada e de ponta para o setor. “Precisamos transformar 26 EVERTON PEREIRA TECNOLOGIA a ilha em um centro de captação de recursos humanos da América Latina, principalmente de engenheiros e profissionais de computação”, ressalta. No cenário brasileiro, defende que é preciso mudar as relações entre universidade e empresa e pesquisador e empresário. “Mestres e doutores precisam participar e estarem ativos dentro de empresas, contribuir na inovação dos negócios e na criação de patentes de tecnologias. As universidades precisam integrar jointventures e serem incentivadas a participar do negócio da tecnologia”, explica. Gonçalves afirma que Santa Catarina e o Brasil precisam acompanhar e, de fato, se posicionarem como players no mercado mundial da tecnologia. “Com as empresas começando a serem criadas pensando globalmente, o polo tecnológico catarinense passará a seduzir investidores do mundo inteiro, mas é preciso que o Estado esteja preparado para estar e se manter atrativo”, comenta. Lembra que o investimento médio de venture capital em empresas norte-americanas é de US$ 6,5 milhões, em negócios nascentes. Empresas que faturam anualmente entre US$ 10 milhões e 15 milhões conseguem captar, em média, até US$ 50 milhões. No Brasil, a realidade é diferente. Uma empresa de R$ 10 milhões tem dificuldades para captar R$ 5 milhões. A alteração do atual quadro passa pela necessidade de estruturação de cases locais com potencial de se tornarem globais. Alternativas ✔ Aplicar 2% do orçamento do Estado em projetos de Ciência, Tecnologia e Inovação ✔ Criar incentivos para atividades de inovação, desenvolvimento de infraestrutura tecnológica, centros tecnológicos e mecanismos de acesso ao conhecimento ✔ Fomentar parcerias entre universidades e empresas, permitindo que a instituição proponente de projetos possa custear as horas da equipe de técnica envolvida na operacionalização dos mesmos ✔ Criar fundo garantidor de crédito para pesquisa e inovação nas empresas ✔ Viabilizar a criação de incubadoras e parques tecnológicos SEGURANÇA IDENTIDADE SC As políticas públicas de segurança pública de Santa Catarina avançam no ritmo inverso ao da criminalidade. O Estado registra, em média, 2,4 homicídios diários – em 2000, a relação era de menos de um assassinato por dia. Embora o Mapa da Violência 2010 tenha apontado que o índice de homicídios – 10,4 por 100 mil habitantes – ficou abaixo da média nacional (25,4 por 100 mil), Florianópolis é a 11ª capital mais violenta do país, principalmente em ocorrências envolvendo crianças e adolescentes. A violência cresce de maneira assustadora também em Balneário Camboriú e Itapema, no Litoral. A maioria dos crimes está vinculada ao tráfico, normalmente motivados por acerto de contas ou disputas de poder entre quadrilhas rivais. Em 10 anos, houve incremento de 833% nas ocorrências de homicídio com vítimas de até 19 anos em Florianópolis, passando de três para 23,1 por 100 mil habitantes. Igualmente é crescente o envolvimento de adolescentes usuários de crack com a prática de assassinatos, furtos e roubos. O Estado possui três centros regionais para internação dos infratores em São José, Lages e Chapecó, além de 15 unidades de internação provisória, com 278 vagas, sendo 122 de semiliberdade. Para o tratamento de jovens dependentes químicos, são 116 vagas distribuídas em 11 comunidades terapêuticas. Na última década, a população catarinense cresceu 15%, mas o número de policiais é semelhante ao de 25 anos atrás. DIVULGAÇÃO SSP-SC Violência cresce e preocupa catarinenses Soldados têm a 21ª pior remuneração inicial do país, segundo a Associação Nacional de Praças (Anaspra) Dura realidade: efetivo defasado e salários baixos Para o vice-presidente da Associação de Praças da Polícia Militar (Aprasc) e representante da Região Sul na Associação Nacional de Praças (Anaspra), sargento João Costa, o principal problema da segurança pública envolve a escassez de recursos humanos. Segundo ele, a Polícia Militar catarinense possui menos de 10 mil PMs, embora a Lei de Fixação do Efetivo estabeleça 20,3 mil PMs. Costa ressalta que, entre 1999 e 2002, poucos PMs foram contratados. Os cerca de 4 mil que ingressaram na corporação nos últimos oito anos apenas serviram “como peças de reposição” para substituir os praças que se aposentaram. A previsão é de realização de concursos públicos, ainda neste ano, para seleção de 3 mil PMs e de mil policiais civis. Assim como o efetivo, os salários também estão defasados. A PM catarinense paga a 21ª pior remuneração inicial do país para os soldados: R$ 1.363,00. Na Região Sul, o valor só perde para os vencimentos dos PMs paranaenses, que ingressam na corporação recebendo R$ 1.650,00, e supera o da Brigada Militar, no Rio Grande do Sul, que tem a menor remuneração das PMs brasileiras: R$ 1.215,00. Costa lembra que, em 2008, mais de mil PMs foram punidos e 20, expulsos por participarem de movimento articulado para reivindicar reajuste de até 94% assegurado em lei. “Os últimos reajustes concedidos à tropa representaram ganhos entre R$ 50,00 e R$ 78,00”, relata Costa, acrescentando que, em 2010, soldados, cabos e sargentos receberam R$ 250,00 em parcela única a título de incentivo. Segundo 27 SEGURANÇA DIVULGAÇÃO SSP-SC aposentadoria estará recebendo um vencimento básico inferior a 25% do inicial da carreira de delegado de Polícia”, projeta. O Sinpol-SC está articulado na tentativa de alterar o valor. “Os R$ 1.031,83 correspondem a 50% do vencimento de um Aspirante Oficial da Polícia Militar, uma graduação transitória de até 180 dias”, compara. Cardoso afirma que a meta é rever os pontos polêmicos, adequar e até aperfeiçoar as proposições já elaboradas para facilitar e até acelerar a tramitação das mesmas. A meta é elevar o teto para R$ 2.539,45. Déficit de vagas atinge sistema prisional Santa Catarina convive com déficit de seis mil vagas no sistema prisional ele, os vencimentos não são piores porque os PMs costumam realizar 40 horas extraordinárias por mês, elevando os salários para R$ 1,7 mil. Os praças também reivindicam a abertura de vagas para os cursos de formação de cabo e de sargento, objetivando ascender na carreira e, por conta disso, melhorar a remuneração. Policiais civis lutam pela elevação do salário básico Aos moldes da Aprasc, o Sindicato dos Policiais Civis de Santa Catarina (Sinpol-SC) também reivindica melhorias salariais para as bases da organização. Na avaliação do presidente da entidade, Pedro Joaquim Cardoso, somente desta forma será possível “apagar as injustiças praticadas ao longo da história da instituição” e, ao mesmo tempo, oferecer melhores condições de trabalho e qualidade de vida aos agentes. A categoria está mobilizada para assegurar que o Executivo envie à Assembleia Legislativa, em caráter de urgência, os projetos de lei que tratam da Estrutura Organizacional Básica da Polícia Civil e do plano de carreira dos servidores. A proposta do governo prevê que um policial, ao ingressar na instituição, considerando a exigência do Nível Superior, teria vencimento básico de R$ 781,68, permanecendo nesta situação por pelo menos cinco anos até receber a primeira promoção, cujo incremento será de R$ 62,54. Cardoso ressalta que se esse mesmo policial conseguir, ao longo dos seus 30 anos de atividade, receber quatro promoções, chegará ao final da carreira com salário básico de R$ 1.031,83. “Isso é inadmissível, pois na 28 Santa Catarina convive com uma carência de 6 mil vagas no sistema prisional. Atualmente, abriga 14 mil detentos em 8 mil vagas. O problema é considerado histórico, e a solução esbarra na falta de recursos e na rejeição das comunidades, cujos moradores não desejam ter apenados como vizinhos. Além das vagas, outra questão prioritária é a segurança dentro das unidades, tendo em vista que criminosos confinados continuam liderando quadrilhas e comandando assaltos. A prática é comum na Penitenciária de São Pedro de Alcântara, onde estão recolhidos os líderes de uma organização criminosa oriunda do sistema penitenciário catarinense. A Federação Catarinense de Municípios (Fecam) defende a construção de pequenas unidades prisionais em cada cidade para abrigar exclusivamente os presos locais. O tamanho seria definido a partir de análise do volume de processos criminais que tramitam no Judiciário. “A medida irá colaborar com a redução da reincidência e facilitará a identificação das facções criminosas”, justifica o presidente da Fecam, Antônio Coelho Lopes Júnior. Alternativas ✔ Reforçar o Setor de Inteligência das polícias para enfrentamento do crime organizado ✔ Qualificar os equipamentos usados pelos policiais ✔ Intervir nos locais dominados pelo tráfico ✔ Garantir capacitação profissional aos detentos ✔ Criar Polícia Comunitária ✔ Urbanizar as áreas de risco, melhorando a qualidade de vida da população e facilitando a prevenção policial ✔ Incrementar os efetivos da Polícia Civil e da Polícia Militar ✔ Ampliar o monitoramento eletrônico de presos de menor potencial ofensivo ✔ Estabelecer parcerias público-privadas para a viabilização de novos presídios e penitenciárias. DEBATE IDENTIDADE SC Liberdades individuais X Interesses coletivos A sociedade brasileira tem assistido, de forma assustadora e impassível, o surgimento de várias regras que penalizam as liberdades individuais sob o alegado benefício dos interesses coletivos. É com vontade exacerbada de enquadrar os cidadãos no chamado (e agora também contestado) politicamente correto que se confunde os limites do poder público sobre a vida privada. Cada vez mais surgem regras que penalizam as liberdades individuais sob o alegado benefício dos interesses coletivos. Vale lembrar das frequentes batalhas travadas no meio rural, em flagrante desrespeito ao direito à propriedade por parte dos integrantes do Movimento dos Sem Terra (MST). Em defesa da pretensa reforma agrária, seus integrantes promoveram invasões e confrontos com ruralistas e policiais no já conhecido “Abril Vermelho”. Mas não apenas no meio rural os direitos são atacados. No meio urbano, normas impostas pelo poder público estão entre o bem coletivo e a liberdade individual. A avaliação é dos cientistas políticos que acompanham, por ofício, estes conflitos entre público e privado. “Há uma dificuldade para encontrar o equilíbrio”, avalia o professor da Faculdade de Ciências Sociais da PUC-RS, sociólogo e cientista político Emil Albert Sobottka. 29 DEBATE Ele entende que é necessária a intervenção do Estado quando os indivíduos exercem os seus direitos com pouca responsabilidade, como dirigir embriagado. “O maior problema é que, no Brasil, muitas destas interferências afetam essencialmente o direito de ir e vir de pessoas responsáveis. Os que abusam das liberdades individuais seguem agindo normalmente, com a certeza de que a fiscalização será ineficaz”, observa ele, exemplificando com a legislação que proibiu o fumo em ambientes fechados. Sobottka avalia que a decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de consulta pública com vistas à proibição da exposição das carteiras de cigarro em estabelecimentos comerciais vai além de sua competência. “As pessoas têm pleno direito para fazer suas escolhas. Medidas como estas não consideram a oportunidade de manifestação de escolha e convívio social, restringindo a liberdade de convívio entre fumantes e não-fumantes”, ressalta. Existem, analisa o cientista político, problemas bem mais sérios do que uma simples palmadinha nos ambientes domésticos. “A violência contra crianças e mulheres cresce de maneira alarmante no país. O poder público tem obrigação constitucional de protegê-las.” De acordo com ele, a sociedade não quer que suas mais variadas esferas de privacidade sejam invadidas. “O governo que estabelece muitas regras para disciplinar condutas faz com que os cidadãos se sintam irresponsáveis e vigiados. Espero que os novos legisladores criem mecanismos que possibilitem punições mais severas para autores de crimes contra terceiros e que protejam as liberdades e responsabilidades individuais dos cidadãos.” 30 O maior desafio para os novos legisladores e governantes será respeitar as diferenças culturais, sociais e individuais e não apenas impor uma visão unilateral “Todas as leis e regras baseadas no ‘politicamente correto’ não são verdadeiras” O professor da Faculdade de Filosofia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) Denis Rosenfield argumenta que todas as leis e regras baseadas no “politicamente correto” não são verdadeiras. Na sua avaliação, cada indivíduo é responsável por suas ações, não cabendo ao poder público desresponsabilizá-lo. “Agindo desta forma, o Estado está tratando todos os cidadãos como se fossem menores de idade. Está tutelando e sufocando as liberdades individuais”, enfatiza. Rosenfield afirma que não há necessidade de leis para combater o tabagismo, para impulsionar o uso de cinto de segurança ou impedir que alguém alcoolizado assuma o volante de um veículo. “Cabe aos governantes e legisladores informar e conscientizar, mas se o cidadão continuar tendo o mesmo comportamento, as responsabilidades por esses atos são exclusivamente suas”, pondera. Rosenfield salienta que a “proibição da palmadinha” é a mais grave intervenção na liberdade individual, uma vez que está legislando sobre as relações familiares. Já o professor do Curso de Ciências Sociais da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), sociólogo Ottmar Teske, defende que todo o ser humano pauta suas decisões de acordo com o seu livre arbítrio. Por isso, no seu entendimento, não basta a criação de dispositivos legais para dizer o que a sociedade deve ou não deve fazer. “A maioria dessas regras acaba não surtindo o efeito desejado porque são fruto de uma construção coletiva”, explica. Teske defende que, ao invés de interferir nas concepções individuais, o poder público deveria exercer o papel no descontrole. “Somente desta maneira as pessoas se darão conta do que é ideal para si mesma e para a sociedade.” Para ele, a consciência individual resolveria uma infinidade de problemas, sem a necessidade, por exemplo, de caixas específicos para idosos, gestantes e portadores de deficiências nas agências bancárias. “O maior desafio para os novos legisladores e governantes será respeitar as diferenças culturais, sociais e individuais e não apenas impor uma visão unilateral, a partir da edição de medidas nem sempre cumpridas pela sociedade”, assinala Teske, para quem os parlamentares precisam levantar a bandeira do reconhecimento dos direitos civis. IDENTIDADE SC OBSTÁCULOS Santa Catarina está precisando de um pacto para o crescimento sustentável envolvendo empresários, governo e sociedade, nas áreas de infraestrutura e educação. A Agenda Desenvolvimento SC: Uma visão da indústria apresenta um diagnóstico de todas as regiões do Estado. “Elencamos uma série de propostas e propomos a criação de um grupo de trabalho para detalhar a melhor forma de colocar em prática as metas estabelecidas na agenda”, explica o presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), Alcantaro Corrêa. Ele avalia que o setor empresarial precisa ser competitivo internacionalmente. Do contrário, perderá espaço na economia, deixando de gerar os postos de trabalho. “É necessário superar uma série de obstáculos que não são gerenciáveis pelos empresários, como as deficiências de infraestrutura, a baixa qualidade da educação básica ou as questões ligadas a tributos”, defende. Na avaliação de Corrêa, a solução dos gargalos passa pela priorização de medidas que assegurem a continuidade do desenvolvimento de modo a garantir um futuro melhor para os catarinenses. A agenda estabelece sete prioridades para o desenvolvimento: necessidade de competitividade internacional da indústria, retenção e atração de empresas, adensamento das cadeias produtivas, diversificação e novos setores, integração do Estado, economia em harmonia com o meio GUILHERME TERNES/FIESC Segmento industrial estabeleceu pauta mínima para acabar com gargalos Presidente da Fiesc afirma que é urgente a realização de um novo pacto para o desenvolvimento ambiente e reconhecer o Estado como epicentro logístico. É proposta a agenda da indústria com dez itens, contemplando uma pauta mínima para os assuntos infraestrutura, racionalização tributária, educação, inovação e modernização, representação política, políticas de desenvolvimento, exportações, meio ambiente, relações do trabalho e governança para o desenvolvimento. No caso da infraestrutura (logística e energia), a pauta contempla a necessidade de instalação de um gasoduto, integrando o Estado no sentido Leste-Oeste, a redução da carga tributária sobre as tarifas de energia e a modernização da estrutura física dos portos, entre outras questões. A pauta para educação inclui propostas como o incremento da qualidade da educação básica e a remuneração dos professores a partir dos resultados alcançados em sala de aula. Investimentos privados locais são os maiores impulsionadores do desenvolvimento econômico 31 OBSTÁCULOS Setor atinge status de classe mundial em suas exportações Nas últimas décadas, a economia do Estado cresceu sobre bases lançadas por meio de iniciativas como o Plano de Metas do Governo Estadual (Plameg), mas governos recentes parecem não ter percebido as novas dimensões e necessidades da economia e o novo momento histórico de inserção internacional da indústria. “A continuidade do processo de desenvolvimento de SC, à altura de suas diferenciadas características socioeconômicas, requer uma ação governamental atuante e decisiva, capaz de dotar o Estado de um ambiente de negócios competitivos”, observa Corrêa. Com forte atuação exportadora, a indústria catarinense tem sido especialmente penalizada pelo câmbio. Este é um fator crítico para o desenvolvimento do Estado, cuja economia é fortemente alicerçada em uma indústria exportadora. O setor atingiu status de classe mundial em suas exportações, mas esbarra na redução da competitividade frente aos mercados externos. Entre os desafios da indústria, estão a competição com empresas de países de legislação moderna e baixo custo de produção, além da adaptação às rápidas mudanças no ambiente de negócios. RODRIGO LEAL/APPA Seis em cada dez empresários catarinenses avaliam como ruim ou péssima a atuação do governo estadual em relação aos gastos públicos. Defendem a necessidade de transparência total e o estabelecimento de metas para melhorar a eficiência da gestão pública, além da criação de um programa permanente de combate à burocracia. “É preciso valorizar e facilitar o empreendedorismo e respeitar os direitos dos cidadãos e das empresas”, ressalta. O pleito também contempla a necessidade Modernização dos portos é importante para superar os obstáculos 32 de restrição ao uso de medidas provisórias, de fortalecimento da Agência Reguladora de Serviços Públicos de Santa Catarina, de criação de uma ouvidoria para interlocução com a classe empresarial e de modernização dos sistemas públicos de segurança, com ênfase para o combate ao contrabando. Pacote de obras isoladas é ineficiente para o desenvolvimento Já a Voz Única – Cartilha de Reivindicações de Santa Catarina, elaborada pela Federação das Associações Empresariais (Facisc), apresenta uma série de medidas que precisam ser implementadas pelos governos federal e estadual para que o Estado tenha a garantia de desenvolvimento socioeconômico nos próximos anos. O ponto de partida passa pela elaboração do Programa Nacional de Desenvolvimento, que priorize o planejamento amplo de ações que tenham efeito cascata e não um simples pacote de obras isoladas. O presidente da Facisc, Alaor Tissot, afirma que é preciso desenvolver mecanismos para desonerar atividades essenciais para o cotidiano das cidades, incluindo saneamento básico e transporte coletivo. “Precisamos assegurar a retirada dos encargos tributários sobre preços e insumos de equipamentos ligados ao transporte de passageiros”, enfatiza. A pauta da Facisc ainda apresenta prioridades distintas para as regionais Grande Florianópolis, Sul, Vale do Itajaí, Alto Vale, Norte, Planalto Norte, Planalto Serrano e Meio-Oeste, Oeste e Extremo-Oeste. O Conselho Estadual do Jovem Empreendedor de Santa Catarina (Cejesc) está disposto a contribuir e participar direta e ativamente das decisões, por avaliar que delas surgirão diretrizes do futuro empreendedor catarinense. “Propomos que seja obrigatório constar o quanto representa a carga tributária na etiqueta do preço de cada produto comercializado no Estado”, assinala o presidente do Cejesc, Amandio João da Silva Junior. Também defende a inserção da matéria Empreendedorismo como atividade curricular obrigatória nos ensinos Fundamental, Médio e Técnico. “Também entendemos vital a criação e o aprimoramento de políticas públicas para fomentar o empreendedorismo e de desenvolvimento dessas empresas que sustentam o equilíbrio econômico e social”, propõe. Já a presidente do Conselho Estadual da Mulher Empresária (Ceme), Neiva Kieling, projeta a necessidade de “um choque de gestão pública” e de modernização da infraestrutura, além de melhoria nos níveis de educação e capacitação dos recursos humanos. DESAFIOS IDENTIDADE SC Governador avisa que é preciso cortar despesas e promover ajustes O governador Raimundo Colombo assumiu o comando do Estado com a promessa de aproximar o poder público dos catarinenses. Fez um apelo à população para que apoie, critique e compreenda. “Preciso até de indignação, quando for o caso, pois quero ser alertado para os erros, a fim de corrigi-los”, desafia. Em sua gestão, Colombo deseja valorizar os sentimentos de solidariedade, fraternidade e trabalho. Reafirmando o compromisso assumido durante a campanha eleitoral, declara que irá participar da vida comunitária de Santa Catarina, em alusão ao slogan “As pessoas em primeiro lugar”. “Santa Catarina é uma só. Não sou eu o governo, somos nós, todo o povo catarinense”, destaca. Colombo ressalta que seu programa de governo não é um catálogo de promessas, mas, sim, um compromisso de atingir grandes metas e trabalhar dia e noite, para encurtar o tempo e reduzir as distâncias a fim de abranger o maior número de catarinenses em cada ação do governo estadual. primeiros 120 dias de governo são de avaliação do que foi feito, de análise das maiores necessidades de cada região e de cada pasta e de definição das principais metas a serem seguidas em 2011. Para assegurar que o Estado funcione em benefício do povo, o governador admite que será preciso fazer um esforço extraordinário em todos os setores, com ênfase para a austeridade das finanças e o dinamismo da economia. O cuidado e o respeito no trato do dinheiro público, o planejamento dos gastos, o controle das obras e dos serviços, o rigor nos pensamentos e os cuidados com a arrecadação ganharão atenção especiall em seu ompetênmandato. “É preciso perseguir a eficiência, a competênentos púcia, a inteligência e a criatividade nos investimentos blicos”, enfatiza. A prioridade, no entanto, é a saúde a ndimento partir do registro do tempo de espera para atendimento as odonnos postos, ambulatórios, hospitais e nas clínicas ública em tológicas. Promete transformar a segurança pública uma meta de qualidade de vida. VOTO – O que o senhor espera da relação com a Assembleia Legislativa e, especificamente, da bancada de oposição? no sinaliVOTO – Os seus primeiros atos de governo or meio zam para um estilo prático de governar, por retende de estabelecimento de metas. O senhor pretende manter esta tática de gestão? Raimundo Colombo – A austeridade e a praticidade são qualidades que vão estar presentes em todos os dias da gestão e deveriam estar presentes em todas as cio quangestões públicas. Não pode existir desperdício uinte. Os do estamos lidando com o dinheiro do contribuinte. Governador promete uma gestão de diálogo e de aproximação com a população VOTO – O que os catarinenses devem esperar do novo governador? Raimundo Colombo – Durante os meus três mandatos como prefeito de Lages, sempre tive uma relação respeitosa com os vereadores da oposição. Quando eles pediam para averiguar alguma situação que precisasse de votação, sempre pedi aos vereadores da situação para que deixassem investigar. Se alguma coisa de errado estivesse acontecendo, eu queria ser o primeiro a saber. Nos últimos quatro anos, como senador DIVULGAÇÃO GOVERNO DO ESTADO Raimundo Colombo – Devem esperar a maior participação possível em todas as áreas, mas com uma atenção especial à saúde e segurança pública. Não quero governar indiferente à voz das ruas e nem aceitarei que o serviço público maltrate ou negligencie a sociedade catarinense. Quero estar ao lado do povo, visitando escolas, hospitais, postos de saúde, penitenciárias e obras para conversar e, principalmente, ouvir as pessoas. E quero o povo ao meu lado, pois preciso da compreensão, do apoio e também das críticas, pois quero ser alertado para o que precisa ser melhorado. DESAFIOS “Nenhum catarinense, por mais pobre ou onde quer que resida, interromperá sua formação por falta de meios e oportunidades de aprendizagens”, ressalta o governador Raimundo Colombo da República, também não tive problema nenhum em votar em projetos do governo Lula que eu considerasse a favor da sociedade. Não temos que abalizar a relação se é de oposição ou situação, mas, sim, se é de interesse do povo catarinense. VOTO – Como deve ser sua relação com o governo da presidente Dilma Rousseff? Raimundo Colombo – Vou buscar uma relação de respeito, harmonia e de cooperação, acima das cores partidárias. Seremos atentos às oportunidades de cooperação com o governo federal para que mantenhamos em patamares bem altos o nosso desenvolvimento. analisamos também as parcerias público-privadas para agilizar as obras. VOTO – O governo anterior priorizou um programa para dotar todos os municípios com pelo menos um acesso pavimentado, interligando-os à malha rodoviária. Seu governo pretende concluir este programa? Raimundo Colombo – Esse foi um excelente trabalho que o ex-governador Luiz Henrique da Silveira idealizou e implantou. Faltam apenas sete acessos, sendo que as obras já estão em andamento e serão concluídas até o final do ano. Chegaremos ao final deste ano como o único Estado do país em que todos os municípios possuem acessos pavimentados. O programa de pavimentação não apenas eleva a autoestima dos cidadãos, mas também dinamiza a economia dos municípios. Vamos priorizar o projeto de recuperação e manutenção das rodovias catarinenses. Serão efetuadas melhorias em todas as estradas que precisam de reparos. Há 4,7 mil quilômetros de rodovias pavimentadas em Santa Catarina, e toda a extensão será analisada por um levantamento. Vamos nos reunir com os 36 secretários regionais e os superintendentes regionais do Departamento Estadual de Infraestrutura para definirmos quais rodovias serão prioritárias, considerando o estado de conservação e a importância regional. VOTO – Um de seus secretários mais experientes é o ex-senador Geraldo Althoff, que irá cuidar de Assuntos Climáticos. Qual é o seu plano para essa área, considerando que Santa Catarina sofre historicamente com as consequências das oscilações climáticas? VOTO – O que o senhor espera da relação com a bancada federal? Raimundo Colombo – O ex-senador Geraldo Althoff realmente é um político amigo e muito experiente. A secretaria vai ter a responsabilidade de organizar ações preventivas contra adversidades, além de comandar a Defesa Civil estadual. Os catarinenses não podem mais passar por desastres naturais. Raimundo Colombo – Vou conversar com os 16 deputados na busca de recursos para o desenvolvimento de Santa Catarina. Alternativas VOTO – Qual é sua opinião sobre a participação da iniciativa privada nos investimentos para infraestrutura e transporte? Raimundo Colombo – Tudo que vem somar para a melhoria de Santa Catarina e do seu povo é bom. Na iniciativa privada, existem pessoas e empresas competentes que auxiliam no nosso crescimento, e o Estado poderia se desenvolver ainda mais se estivéssemos com uma infraestrutura adequada à sua importância. Com a análise de projetos e medidas para melhorar a infraestrutura, 34 ✔ Criar melhores oportunidades para as indústrias do Estado, com ênfase em inovação, exportações e produção com maior valor agregado ✔ Adensar as cadeias produtivas têxtil (Vale do Itajaí), cerâmica (Sul) e de carnes (Oeste) ✔ Integrar a economia do Estado de modo racional, orientando o processo de desenvolvimento por meio de ações políticas quando for pertinente ✔ Aprimorar o posicionamento do Estado em benefício da qualidade de vida e dos efeitos mercadológicos ✔ Dotar o Estado de infraestrutura logística de qualidade MUNICÍPIOS IDENTIDADE SC Prefeituras prometem brigar por mais recursos DIVULGAÇÃO FECAM A queda no repasse do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) vem trazendo sérios problemas à maioria das 293 prefeituras catarinenses. A necessidade é garantir a arrecadação para assegurar a manutenção de serviços essenciais à população, como saúde e educação. As demandas são elevadas, e a utilização de recursos próprios nem sempre é possível. A grande receita dos municípios de pequeno e médio porte é o FPM, do governo federal, e o ICMS, do governo estadual. A receita não aumenta. As cidades crescem, havendo necessidade de mais investimentos e na mesma proporção. “A distribuição de recursos é injusta. Os municípios assumiram responsabilidades e não receberam o aporte financeiro necessário. É preciso revisar urgentemente o pacto federativo”, afirma o presidente da Federação Catarinense de Municípios (Fecam) e prefeito de Capão Alto, Antônio Coelho Lopes Júnior. Os municípios ainda reivindicam a elevação do repasse do governo do Estado para o custeio do transporte escolar, já que as prefeituras também têm a responsabilidade de transportar os alunos da rede pública estadual. “Em 2010, o governo repassou R$ 70 milhões, mas o valor não foi suficiente para cobrir a totalidade das despesas”, ressalta. Levantamento da Confederação Nacional dos Municípios (CNM) indica que R$ 760 milhões do Fundo de Desenvolvimento do Ensino Básico (Fundeb) deixam de ser repassados pela União às prefeituras. Esses recursos são usados para o pagamento do piso salarial dos professores. A Fecam defende o fim do tratamento diferenciado que a União perpetua entre os Estados e municípios. Lembra que os governadores receberam R$ 1,6 bilhão do governo federal para aplicar no Ensino Médio, enquanto as prefeituras mal conseguem administrar os custos do Ensino Fundamental, especialmente a manutenção das creches. Na avaliação do presidente da Fecam, somente a união entre todos os prefeitos poderá reverter o atual descaso da União para com as prefeituras do país. É preciso estancar a ambulancioterapia No campo da saúde, as prefeituras defendem a necessidade de implantação de centros regionais de referência em especialidades médicas, como forma de estancar a “ambulancioterapia”, que agrava as condições dos enfermos e onera o erário com o dispêndio de recursos pelo longo deslocamento dos pacientes. “Outra reivindicação é a implantação de policlínicas regionais para atendimento em procedimentos cirúrgicos de pequena e média complexidade, denominadas de Hospital Dia”, explica. Além disso, a adoção de medidas administrativas e o desenvolvimento de um programa de cooperação técnia criação, adequação e instalação da infraestrutura ca e financeira que apoie a intermunicipais de saúde e garanta a remuneração dos servidos consórcios inter igualmente figuram na lista de prioridades. ços prestados igualm Mas nem tudo está ruim. Uma das grandes conquistas das prefeituras foi a criação da Agência R Reguladora Intermunicipal de Saneamento (Aris), responsável pela regulação e fiscalização dos serviços de saneamento básico em inúmeros municípios cat catarinenses. Constituída sob a forma de pessoa jurídica de direito público, na modalidade m de um consórcio público intermunicipal, a entidade goza de independência indep decisória e autonomia administrativa, financeira e orçamentária, te tendo seus dirigentes mandato de quatro anos. A Fecam espera manter uma relação r de parceria, em prol dos municípios catarinenses, com a presidente Dilma D Rousseff (PT) e com o governador Raimundo Colombo (DEM). “Temos “Tem boas expectativas, principalmente em relação ao governo do Estado Estado. Colombo foi prefeito de Lages e adiantou que fará uma administração municipalista”, avalia. Presidente da Fecam, Antônio Coelho Lopes Júnior, reivindica revisão do pacto federativo PERSPECTIVAS ZÉ IGNÁCIO Um dos fatores que mais prejudicam a competitividade catarinense é a precária infraestrutura de transportes, que afeta diretamente o escoamento da produção. As condições desfavoráveis de alguns trechos rodoviários inviabilizam novas oportunidades de negócios e afastam novos investimentos. A qualidade da Educação Básica também é fator limitante da competitividade: a indústria moderna necessita de recursos humanos altamente qualificados, e a boa formação profissional requer uma base sólida de conhecimentos. É indiscutível que o ensino público catarinense está entre os melhores do país, mas em universo globalizado, isso não é suficiente. Na avaliação da Agenda Desenvolvimento SC: uma visão da Indústria, elaborada pela Federação da Indústria de Santa Catarina (Fiesc), a base de comparação deve ser o ensino praticado em países desenvolvidos, cujas indústrias disputam os principais mercados mundiais juntamente com Santa Catarina. O presidente da Fiesc, Alcantaro Corrêa, ressalta que o segmento produtivo defende, em caráter emergencial, a realização de um novo pacto para o desenvolvimento. Com pouco mais de 3% da população brasileira e 1,2% do território nacional, Santa Catarina obteve destaque como um dos maiores estados exportadores, chegando a ocupar a quarta posição no ranking em todo o Brasil. Por outro lado, sua participação nas vendas externas brasileiras vem caindo. Em 2009, ocupou a 10ª posição e, em 2010, o nono lugar. O Estado destacou-se no cenário nacional pelo fato de sua indústria crescer, popor décadas, a taxas superiores à média brasileira. Na última década, po rém, seu crescimento ficou abaixo das expectativas. Há no Estado fatores limitadores à competitividade que fazem investimentos da indústria migrarem para outros locais. Do total de investimentos realizados pela indústria catarinense, 17% foram aplicados fora de SC em 2007. Já em 2008, o percentual subiu para 43% e, em 2009, totalizou 10%. O volume de 2010 deverá ser contabilizado até o final do primeiro trimestre de 2011. Pesquisa DOB DIVER Precariedade das rodovias inibe investimentos Diversificação dos modais de transporte figura entre os pleitos da indústria da Fiesc indica um custo logístico na indústria de R$ 0,18 para cada real faturado. Proporcionalmente, é o dobro do que se gasta nos Estados Unidos. A Fiesc estima em R$ 15 bilhões o volume de recursos que deverão ser aplicados até 2023 para a adequação de todos os modais às necessidades do Estado. Carga tributária correspondia a menos de 20% em 1996 O setor industrial depende ainda de oferta confiável de energia de qualidade, a custos compatíveis com a competitividade internacional. A principal reivindicação envolve a instalação de um gasoduto integrando o Estado no sentido Leste-Oeste e complementar o já IDENTIDADE SC existente na direção Norte-Sul. Os empresários também exigem a implantação de um terminal de gás natural liquefeito (GNL) em Santa Catarina. O presidente da Fiesc ressalta que a tributação excessiva é um fardo pesado para o empresariado, salientando que a carga corresponde a 36% do Produto Interno Bruto (PIB). Seu ritmo de crescimento foi assustador nos últimos anos, já que em 1996 correspondia a menos de 20%. Corrêa observa que a burocracia resultante de mais de 60 impostos e de uma legislação que reúne mais de 3 mil normas em vigor consome 1,5% do faturamento das empresas, sem considerar o valor desembolsado em tributos. O setor estabeleceu 11 medidas prioritárias para estancar a sangria dos faturamentos, com destaque para a necessidade de desoneração dos investimentos e de criação de mecanismos que resultem na harmonização tributária entre os estados. 25 mil empresários elaboram cartilha para alavancar o desenvolvimento econômico A Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc) elaborou a Cartilha de Reivindicações de SC, Houve grandes avanços no setor energético O Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE 2019), emitido pelo Governo Federal, indica que no ano de 2019 o Brasil terá uma capacidade instalada de geração de energia de 167.000 megawats – atualmente é de 113.500 MW. As fontes renováveis responderão por 85% desta capacidade, oriundas de usinas hidrelétricas, pequenas centrais hidrelétricas, eólicas e biomassa. Um privilégio que não encontra similar em nenhum outro país. Basta observar que a matriz energética mundial em 2019 ainda terá 85% da geração de energia com base em combustível de origem fóssil (carvão mineral, petróleo e gás natural). No futuro, a geração de energia solar deverá entrar forte nessa matriz energética. não tratado adequadamente, além de poder contaminar as águas e o solo, emitem gases de efeito estufa (GEE) Óxido Nitroso e o gás Metano. O estado de Santa Catarina colabora de forma significativa para garantir o suprimento de energia elétrica para o mercado brasileiro. Além da expressiva participação na geração de energia termelétrica, abriga usinas hidrelétricas (UHE) e pequenas centrais hidrelétricas (PCH), totalizando 6.576 MW instalados, em operação. Destaque é a participação do estado na geração de energia eólica, onde o bom regime de ventos mapeados na região de Bom Jardim da Serra e Água Doce, permitem que parques eólicos de 220 MW de potência instalada estejam em construção. Há algumas experiências de sucesso na produção de biogás e de energia elétrica distribuída, com a utilização dejetos m às necessidades de de suínos. Essas fontes atendem o produtor rural e consumo próprio da granja do da é vendida pao excedente da energia gerada ra a concessionária local. Mas muito ainda pontivar e acelerar de e deve ser feito para incentivar dalidade de geo desenvolvimento dessa modalidade plicação de políração de energia, através da aplicação vas. ticas de governo mais agressivas. Numa escala menor, mas não menos importante, Santa Catarina pode vir a contribuir na geração de energia com a utilização da biomassa residual das atividades agropecuárias de suínos. O meio ambiente e a sociedadee agradecem! O Estado possui o maior rebanho suíno do país - 8 milhões de cabeças -, o qual produz um volume de 54 mil metros cúbicos de dejetos por dia. Este material, quando A maior população do rebanho suíno catarinense concentra-se no Oeste do Estado, colocando sob risco de contaminação o imenso aquífero Guarani e os mananciais superficiais, estes já comprovadamente contaminados. Engenheiro Luiz Cruz Schneider der Membro de Conselho de Administração de empresas do Setor Elétrico. DIVULGAÇÃO Por outro lado, os dejetos de suínos podem ser utilizados em biodigestores para a produção de biogás e para a geração de energia elétrica. Ou seja, uma fonte de risco ao meio ambiente pode ser transformada em uma fonte de renda extra para o produtor rural. JULYE MARLEY PERSPECTIVAS com 62 páginas, apresentando os principais problemas enfrentados no Estado e as soluções para resolvê-los. A intenção é que o material sirva de subsídio à presidente Dilma Rousseff, ao governador Raimundo Colombo, aos senadores e aos deputados federais e estaduais no sentido de que tenham uma análise voltada ao desenvolvimento econômico. “Desejamos que a cartilha se torne um documento de consulta, pois estamos mostrando o que o Estado precisa para continuar crescendo”, ressalta o presidente da Facisc, Alaor Francisco Tissot. Os mais de 25 mil empresários vinculados à entidade estão empenhados para assegurar o alinhamento de percentuais com estados vizinhos, evitando, dessa forma, problemas entre cidades limítrofes. O setor também sugere a criação de uma força-tarefa para qualificar o enfrentamento à pirataria, aos desmanches, à clandestinidade de produtos, à informalidade dos negócios e às invasões. “Também defendemos a revisão do pacto federativo, a reforma da legislação bancária visando à redução da taxa de juros para o cliente final, e a revisão da legislação de defesa da pequena e média empresa, respeitando as singularidades das unidades da federação”, destaca Tissot, que também considera viável a criação do Programa Catarinense de Gestão Fiscal (Pró-Gestão). Condições de alguns trechos rodoviários afastam novos investimentos Com pouco mais de 3% da população brasileira e 1,2% do território nacional, Santa Catarina obteve destaque como um dos maiores estados exportadores, ocupando a quarta posição no ranking 38 Alternativas ✔ Recuperar e adequar a capacidade dos principais eixos rodoviários federais ✔ Ampliar e recuperar rodovias estaduais de acesso aos eixos rodoviários de ligação com o mercado brasileiro e com os portos e aeroportos do Estado ✔ Estudar a viabilidade de implantação do Complexo Intermodal ✔ Ampliar e modernizar a estrutura física dos portos catarinenses, incluindo ampliação dos pátios, dragagem de berços, bacias de evolução, canais de acesso e recuperação e ampliação de molhes ✔ Construir as ferrovias Leste-Oeste e Litorânea (Norte-Sul) ✔ Ampliar e modernizar terminais e pistas dos aeroportos de Florianópolis, Navegantes e Joinville ✔ Dar continuidade à construção dos aeroportos regionais de Jaguaruna, Correia Pinto e Chapecó ✔ Definir normas abrangentes que garantam a segurança jurídica no transporte de cargas. ANÚNCIO