COMISSÃO EUROPEIA Investigação communitária ENERGIA LIMPA, SEGURA E EFICIENTE PARA A EUROPA RESUMO Avaliação do impacto de projectos de investigação e demonstração no domínio da energia não-nuclear implementado sob o quarto Programa-Quadro EUR 20876/1 Interessa-lhe a investigação europeia? A nossa revista RTD info mantém-no(a) ao corrente dos principais progressos (resultados, programas, manifestações, etc.) neste domínio. A RTD info encontra-se disponível, a título gratuito, em alemão, inglês e francês, podendo ser solicitada, mediante simples pedido, para: Comissão Europeia Direcção-Geral «Investigação» Unidade Comunicação B-1049 Bruxelas Fax: +(32-2) 295 82 20 [email protected] http://europa.eu.int/comm/research/rtdinfo_en.html COMISSÃO EUROPEIA Direcção-Geral da Investigação Direcção J – Energia Unidade J-1 – Política e Estratégia Helpdesk: [email protected] Direcção-Geral do Transporte e da Energia Direcção A – Assuntos Gerais e Recursos Unidade A-1 – Recursos financeiros e gestão baseada na actividade Helpdesk: [email protected] Para maior informaçao sobre investigação na energia na Europa, querem por favor referir-se aos sitios seguintes: http://europa.eu.int/comm/research/energy/index_en.html http://www.cordis.lu/sustdev/energy COMISSÃO EUROPEIA ENERGIA LIMPA, SEGURA E EFICIENTE PARA A EUROPA Avaliação do impacto de projectos de investigação e demonstração no domínio da energia não-nuclear implementado sob o quarto Programa-Quadro 2003 Direcção-Geral da Investigação Direcção-Geral do Transporte e da Energia EUR 20876/1 Em 2002, um grupo de 38 peritos independentes foi nomeado pela Direcção-Geral Investigação e pela Direcção-Geral Energia e Transportes (TREN) para avaliar o impacto dos projectos no domínio da energia não nuclear do Quarto Programa-Quadro (4PQ). Dessa avaliação resultaram vários documentos, entre os quais se incluem os seguintes: • Relatório de síntese sobre o impacto do programa no domínio das energias não nucleares (o presente relatório). • Um resumo do relatório de síntese (um relatório único independente). • Relatório sectorial abrangendo os seguintes tópicos: Combustíveis fósseis, Utilização racional da energia, Energias renováveis, Investigação socioeconómica e construção de modelos, e Medidas complementares e de apoio. • Resumos de todos os projectos avaliados individualmente (apenas disponíveis no CORDIS devido à sua grande dimensão). O presente relatório é o resumo do RELATÓRIO DE SÍNTESE e foi preparado pelo Grupo Principal do painel de peritos independentes responsável pela avaliação do impacto. Grupo Principal do painel de peritos independentes responsável pela avaliação do impacto Prof. Nicholas Chrysochoides Presidente INNOVATION E.E. Sr. Thomas Casey Relator CIRCA Group Europe Ltd. Dr. Bruno Lapillonne Relator ENERDATA sa Sra. Julie Roe Estatística CIRCA Group Europe Ltd. Europe Direct é um serviço que lhe ajuda a encontrar respostas às suas perguntas sobre a União Europeia Novo número gratuito: 00 800 6 7 8 9 10 11 NOTIFICAÇÃO LEGAL Nem a Comissão Europeia nem qualquer pessoa que actue em seu nome são responsáveis pelo uso que possa ser feito com as informações aqui contidas. Os pontos de vista expressos nesta publicação são da inteira responsabilidade do autor, pelo que não reflectem necessariamente os pontos de vista da Comissão Europeia. Encontram-se disponíveis numerosas outras informações sobre a União Europeia na rede Internet, via servidor Europa (http://europa.eu.int) Uma ficha bibliográfica figura no fim desta publicação Luxemburgo: Serviço das Publicações Oficiais das Comunidades Europeias, 2003 ISBN 92-894-6295-7 © Comunidades Europeias, 2003 Reprodução autorizada mediante indicação da fonte Printed in Belgium IMPRESSO EM PAPEL BRANQUEADO SEM CLORO Índice ENERGIA LIMPA, SEGURA E EFICIENTE PARA A EUROPA 2-3 A Energia, a economia e o ambiente 4-6 Programa de Energia Não Nuclear (ENN) Recursos Resultados 7-8 Impacto socio-económico Impactos nas políticas da UE • Impactos ambientais e impactos científicos e técnicos • Impactos económicos, comerciais e no emprego • Impactos na qualidade de vida, na educação e na legislação Impacto nos parceiros de projectos 9-10 Impactos tecnológicos Utilização racional da energia Energias renováveis Combustíveis fósseis 11-14 Melhorar o impacto da investigação no domínio da energia Integração nas preocupações da UE e dos Estados-Membros Conferir uma identidade e um rumo ao programa Selecção de projectos Criação de parcerias de investigação Gestão dos projectos Financiamento dos projectos e contratação Divulgação Avaliação do impacto 15-16 Conclusões e recomendações Conteúdo do programa A actividade do programa Gestão do programa 17 Anexo – Metodologia da avaliação do impacto: um processo em pirâmide A ENERGIA, A ECONOMIA E No período de 1994 a 1998, o programa de energia não nuclear (ENN) da União Europeia (UE) despendeu quase mil milhões de euros em projectos de investigação no domínio da energia, investigação, desenvolvimento tecnológico e demonstração (IDT), com os seguintes objectivos: 1) melhorar a segurança do abastecimento energético, 2) promover a utilização racional da energia, 3) proteger o ambiente mediante a redução do impacto da produção e utilização de energia, em particular as emissões de CO2, e 4) reforçar a base tecnológica da indústria energética da UE. presente resumo apresenta-se, resumidamente, a metodologia adoptada. A avaliação foi efectuada tendo presentes as preocupações relativamente ao aquecimento global, à poluição provocada pelos veículos a motor e pelas centrais de energia eléctrica1, à segurança do abastecimento petrolífero2, e às formas como produzimos, distribuímos e utilizamos energia. A nossa capacidade para melhorar estes processos através de IDT no domínio da energia tem repercussões para a nossa saúde, economia e bem-estar geral no futuro (ver Caixa 1). Mas é importante compreender que a IDT no domínio da energia em si mesma se insere numa estrutura complexa de desafios e oportunidades industriais, económicos e políticos que determinam, frequentemente, o impacto que a investigação pode, em última análise, produzir (ver Caixa 2). O presente documento é o resumo de uma importante avaliação do impacto daquele programa, realizada em 2002. Examina o impacto dos projectos não só em termos das tecnologias desenvolvidas, mas também do seu contributo para o melhoramento do ambiente e para a promoção de uma economia sustentável, bem como de outros efeitos socioeconómicos, por exemplo, ao nível do emprego e da educação. Procura, também, determinar se o programa em si poderá ser gerido melhor e se haverá formas melhores de gastar os fundos disponíveis. O relatório completo está disponível em http://www. europa.eu.int/comm/research/ energy/gp/gp_pubs_en.html. No fim do 1 Em 2000, estes dois sectores foram responsáveis por 60% do total de emissões de CO2 da UE; os transportes foram responsáveis por 46% das emissões de NOx e 57% das emissões de CO) (Fonte: DG TREN “EU Energy and Transport Figures, 2002”). 2 Em 2000, a UE importou 75% do petróleo consumido (Fonte: DG TREN). Caixa 1: IDT no domínio da energia: um amplo impacto na UE Bem-estar social 2 Tecnologia ! Melhoramentos em termos de rendimento Tecnologias não poluentes Mobilidade/veículos com menos emissões Transferência de tecnologias IDT no domínio da energia ! Protecção da saúde Qualidade de vida Política social Migração rural ! Ambiente Aquecimento global e alterações climáticas Redução das emissões Depleção de recursos Poluição Segurança do abastecimento energético Liberalização dos mercados Competitividade Segurança/qualidade do emprego ! Desenvolvimento económico O AMBIENTE Caixa 2: O contexto da investigação europeia no domínio da energia Ao avaliar as formas de aumentar o impacto da investigação e desenvolvimento tecnológico (IDT) no domínio da energia, há que considerar uma série de factores não técnicos. O ambiente político, económico e social para o qual é canalizada a IDT condiciona fortemente o seu impacto: • Quando os preços da energia são elevados os benefícios económicos da investigação são muito consideráveis. Quando esses preços são baixos, as energias renováveis (ou seja, as fontes renováveis de energia) e a URE (utilização racional da energia) tornam-se pouco económicas e a investigação nessas áreas é menos eficaz. As políticas públicas em matéria de preços e tributação das fontes de energia são decisivas para a eficácia da IDT no domínio da energia. • A existência de um quadro político nacional para as energias renováveis, que integre vários apoios, subsídios ou bonificações, torna, evidentemente, essas energias mais viáveis e a investigação muito mais útil. • O tipo da energia necessária e a solução poderão variar consoante as características físicas e económicas de uma região (não só características geográficas e climáticas, mas também de densidade populacional, infra-estrutura histórica, etc.). A mesma IDT no domínio da energia pode produzir níveis de impacto diferentes em partes diferentes da Europa. Por conseguinte, aumentar o impacto da IDT no domínio da energia não é apenas uma questão de realizar programas de IDT mais eficientes. É também necessário que os objectivos da IDT estejam associados a políticas energéticas fortes e relativamente estáveis, definidas com base em prioridades políticas. Não se trata de uma questão fácil. Por exemplo: • O principal obstáculo à utilização de energias renováveis é o seu custo, apesar das reduções conseguidas graças à investigação realizada pelos sectores público e privado (na última década, conseguiu-se reduzir para metade os custos da energia eólica). No entanto, a falta de vontade política para assegurar a repercussão plena dos custos sobre os preços, em particular os custos negativos para o ambiente e a saúde, entrava o desenvolvimento de fontes de energia não poluentes e, portanto, a eficácia da investigação em matéria de energias renováveis. • O custo do dinheiro coloca em posição de desvantagem projectos que exigem um investimento inicial elevado mas com custos de funcionamento baixos, como os projectos relativos às energias renováveis e à URE. Estes custos podem também prejudicar marginalmente os eventuais ganhos de eficiência decorrentes do trabalho de IDT. Do mesmo modo, os custos iniciais elevados da integração das energias renováveis nas redes de electricidade principais representam uma desvantagem considerável. • A liberalização dos mercados da electricidade e a diminuição dos preços da energia daí decorrentes criaram novas dificuldades no que se refere à adopção de combustíveis não poluentes mais dispendiosos. Alguns resultados de IDT no domínio da energia exigem um mercado mais flexível, receptivo e aberto para produzirem efeito. É necessário que os governos e as autoridades regionais, e mesmo as empresas de electricidade, se tornem mais flexíveis, e que, enquanto organizações, se mostrem mais abertas às novas fontes de energia e se tornem mais sofisticadas financeiramente para poderem avaliar as suas potencialidades. • Por último, se as redes de informação forem relativamente fracas, isso prejudicará, directa e indirectamente, a utilização de energias renováveis e a URE, bem como os impactos de eventuais projectos de IDT. 3 PROGRAMA DE ENERGIA NÃO O programa ENN foi lançado em 1994 como parte do “Quarto Programa-Quadro de investigação, desenvolvimento tecnológico e actividades de demonstração” (4PQ) da UE, a estrutura geral em que se insere o trabalho de investigação e desenvolvimento tecnológico (IDT) da UE e que inclui projectos de demonstração. O seu orçamento de 971 milhões de euros representou quase 10% do total de fundos do 4PQ e foi administrativamente repartido por duas direcções-gerais (DG) da Comissão Europeia: a Direcção-Geral Investigação (DG RTD), que recebeu 460 milhões de euros para cofinanciar (até 50% dos custos) projectos de investigação3, e a Direcção-Geral Energia e Transportes (DG TREN), que recebeu 517 milhões de euros para financiar projectos de demonstração próximos do mercado (até 40% dos custos), bem como medidas de apoio4 (até 100% dos custos). As actividades de investigação e demonstração foram divididas em quatro sectores temáticos (Caixa 3). Utilização racional da energia (URE), que inclui trabalho em áreas como a eficiência energética em edifícios, na indústria e em sistemas de transportes, bem como o M€ desenvolvimento de células de combustível. Fontes renováveis de energia, incluindo a sua utilização em edifícios e na indústria, energia eólica, energia solar fotovoltaica, energia da biomassa e de resíduos, armazenamento de energia, etc. Combustíveis fósseis incluindo petróleo, gás e carvão, e tecnologias não poluentes conexas. Análise socioeconómica, política e construção de modelos (sector denominado estratégia de IDT). 4 RECURSOS Na Figura 1 apresenta-se a desagregação do orçamento por actividade e por sector. A figura revela uma forte concentração dos gastos da investigação em energias renováveis, e gastos relativamente reduzidos em investigação nas áreas dos combustíveis fósseis e da estratégia de IDT. O orçamento das actividades de demonstração foi distribuído de forma quase homogénea pelos vários sectores. O orçamento das medidas de apoio era pequeno, correspondendo apenas a 7% do total. O orçamento financiou 57% do total de custos dos projectos de investigação, ou seja, um rácio de utilização de fundos próprios de 1,8, e 33% do total dos custos de projectos de demonstração, ou seja, um rácio de utilização de fundos próprios de 3. 3 Os projectos de investigação foram geridos no âmbito de um subprograma denominado “JOULE”. 4 Os projectos de demonstração e de apoio foram geridos no âmbito de um subprograma denominado “THERMIE”. A gestão esteve a cargo da DG Energia até 2000, altura em que esta direcção-geral se fundiu com a DG Transportes tornando-se a DG Energia e Transportes (DG TREN). Investigação Demonstração Apoio Combustíveis fósseis Energias renováveis Estratégia de IDT Apoio Total URE Figura 1: Orçamento do programa por actividade e por sector NUCLEAR (ENN) Caixa 3: Exemplos de projectos de investigação e demonstração apoiados pelo programa ENN Utilização racional da energia (URE) • Controlos inteligentes e conforto térmico. • Refrigerador de absorção para edifícios: ar-condicionado com um funcionamento eficiente e flexível. • Criação de um economizador de energia para motores assíncronos. • Adopção de uma nova abordagem limpa e eficiente com vista à racionalização dos transportes urbanos. • Células de combustível de polímeros sólidos avançados para funcionamento a temperaturas até 200oC. • Módulo de bateria de lítio seguro e de elevada densidade para veículos eléctricos. • Projecto integrado europeu relativo ao hidrogénio. Fontes de energia renováveis • Questões de certificação e normalização tendo em vista um mercado sustentável de sistemas fotovoltaicos nos países em desenvolvimento. • Optimização de conversores com vista à integração de sistemas fotovoltaicos em edifícios. • Principais tecnologias de fabrico de células solares de silicone cristalino de elevado rendimento. • Produção-piloto de películas finas para módulos fotovoltaicos. • Concepção e produção do protótipo de uma pá de rotor de turbina eólica da classe de 46-50m de diâmetro. • Redução de poluentes em pequenos sistemas de combustão de biomassa. • Optimização do desempenho – económico e técnico – de turbinas de correntes de maré. Combustíveis fósseis • Ciclo combinado com gaseificação integrada e camada fluidificada de ar circulante para tecnologias não poluentes do carvão. • Pré-secagem de combustíveis com humidade para a produção de energia. • Tecnologia de motores de injecção directa para a Europa. • Caracterização das partículas de escape e sua contribuição para a qualidade do ar. • Detecção de zonas de sobrepressão com base em dados sobre sismos e poços. • Estimativa do potencial de reservas para sistemas quase críticos. • Desactivação de plataformas offshore completas. Estratégia de IDT • Benefícios e custos industriais das políticas de redução das emissões de gases com efeito de estufa. • Dinâmica da tecnologia energética e construção de modelos avançados de sistemas energéticos. • Política europeia de redução das emissões e evolução tecnológica. • Aspectos não técnicos da gestão da procura nos mercados europeus de electricidade. • Redução dos obstáculos que afectam a eficiência energética em organizações privadas e públicas. • Acordos de carácter voluntário – aplicação e eficiência. 5 Este orçamento foi utilizado para financiar quase 1 900 projectos, tal como se vê na Figura 2. Esta mostra claramente ter havido um elevado número de pequenas medidas de apoio, com um financiamento médio de 160 000 euros. A dimensão média dos financiamentos nos três principais sectores de projectos de investigação foi de 1,16 milhões de euros, situando-se os projectos relativos à estratégia de IDT a um nível ligeiramente inferior de 0,69 milhões de euros. A dimensão média dos financiamentos de projectos de demonstração foi de 2,7 milhões de euros. que estes resultados não são impactos. São, sim, a matéria-prima com que os projectos necessitam de trabalhar para produzirem um impacto. Esse passo suplementar, transformar resultados em impactos, é um dos aspectos mais críticos na avaliação da eficácia de um programa de IDT, sobretudo no mundo político da investigação no domínio da energia. Cerca de 90% dos projectos incluíram apresentações e actividades de divulgação. Um dos principais resultados dos projectos foi a criação de novos produtos e processos, o que se verificou em 70% dos projectos. Figura 2: Número de projectos por actividade e por sector Os resultados técnicos dos projectos de investigação e demonstração foram bons. O programa esteve na origem de cerca de 400 pedidos de protecção de patentes e de mais de 800 artigos que foram publicados em revistas da especialidade, e contou com a participação de 1 600 novos parceiros que nunca haviam participado em actividades de IDT. Cerca de 30% dos projectos resultaram em algum tipo de avanço técnico. Ao todo, aproximadamente 60% dos projectos deram origem a avanços técnicos significativos em comparação com o estado da técnica. Cerca de dois terços dos projectos realizaram plenamente os seus objectivos. Investigação Combustíveis fósseis Demonstração Energias renováveis Apoio URE Estratégia de IDT RESULTADOS Na Figura 3 apresenta-se o padrão dos resultados dos projectos de investigação e demonstração. É importante não esquecer Figura 3: Resultados dos projectos de investigação e demonstração (% de projectos avaliados) Apresentação e divulgação de resultados Produtos electrónicos Publicações em revistas da especialidade As medidas de apoio também contribuíram para os resultados do programa. Calcula-se que, só por si, estes programas levaram a uma participação impressionante de 75 000 pessoas em workshops, conferências e seminários financiados por medidas de apoio ao longo de todo o programa. Graças a estas medidas, foram publicados cerca de 3 500 produtos – CD, livros, folhetos e brochuras. Exploração Passamos agora aos impactos do programa. Na secção seguinte, analisamos o impacto socioeconómico, seguindo-se uma outra secção sobre os impactos tecnológicos. Projectos de demonstração complementares Novos produtos, produtos de demonstração, protótipos, produtos-piloto Novos processos, serviços, ferramentas, documentos Investigação 6 Demonstração IMPACTO SOCIO-ECONÓMICO Os projectos produziram dois tipos de impactos socioeconómicos: 1) ao nível dos objectivos políticos da UE (económicos, de emprego, ambientais, legislativos e educacionais); e 2) ao nível dos próprios participantes nos projectos. Aqui, passamos dos resultados das actividades laboratoriais de investigação e demonstração, para o impacto dos projectos na sociedade e na economia em geral. Enquanto a investigação permanece nos laboratórios, o seu impacto na sociedade em geral é reduzido. Em termos globais, a análise de cerca de 700 projectos revelou que as medidas de apoio produzem um impacto quase imediato, ao passo que os projectos de demonstração produzem grande parte do seu impacto, técnico e não técnico, no fim do projecto. Os projectos de investigação, por outro lado, resultam em inovações técnicas no fim do projecto, mas demoram vários anos a produzir impactos socioeconómicos de carácter mais geral. IMPACTOS NAS POLÍTICAS DA UE Impactos ambientais e impactos científicos e técnicos: As duas principais áreas de impacto, em todos os tipos de projecto, foram o melhoramento da qualidade científica e técnica e o impacto ambiental. Na primeira área, 93% dos projectos produziram impacto e 30% produziram um “impacto altamente positivo”; na segunda, 94% produziram impacto e 25% produziram um impacto altamente positivo. O principal impacto ambiental foi a redução da poluição e das emissões de CO2 associadas à produção e utilização de energia. As medidas de apoio mais pequenas e mais imediatas do programa tiveram um impacto particularmente forte. Por outro lado, as actividades de investigação e demonstração visam tecnologias novas e mais eficientes e funcionam com um horizonte temporal mais amplo. Em termos globais, as actividades do programa produzem uma estrutura lógica de impactos científicos e técnicos: os projectos de investigação têm grandes potencialidades em termos da produção de novos conhecimentos e técnicas especializadas; os projectos de demonstração visam principalmente o reforço da indústria da UE; e as actividades de apoio são excelentes em termos da transferência de tecnologias e da criação de redes. De um modo geral, em mais de metade dos projectos existe a percepção de que se contribuiu para fazer avançar a UE no sentido de uma posição global de liderança na sua área. Impactos económicos, comerciais e no emprego: As perguntas sobre esta matéria são extremamente difíceis de responder no que toca aos projectos de IDT, já que os impactos são muitas vezes indirectos e surgem muito depois de o projecto ter sido concluído. A avaliar pelo inquérito realizado, os projectos dão um contributo positivo para o desenvolvimento económico. Quase metade dos projectos de demonstração e um terço dos projectos de investigação resultaram numa redução de custos. Esperava-se uma rentabilidade positiva do investimento da parte dos parceiros em metade dos projectos de demonstração e em um terço dos projectos de investigação. A pergunta sobre os impactos no emprego não foi considerada pertinente em alguns casos, noutros foi considerada de resposta difícil, e noutros ainda não obteve resposta. Isto levanta dúvidas quanto à utilidade das considerações relacionadas com o emprego na avaliação de propostas de IDT. Apenas 38% consideraram ter tido algum impacto no emprego. Com o decorrer do tempo, verifica-se uma progressão geral dos projectos de investigação dos mercados nacionais dos Estados-Membros para o mercado da UE e para os mercados mundiais. Nos projectos de demonstração, os projectos relacionados com combustíveis fósseis visam o mercado da UE e os mercados globais, ao passo que os projectos relacionados com URE e energias renováveis incidem principalmente nos mercados locais, regionais e nacionais. 7 Impactos na qualidade de vida, na educação e na legislação: Mais de metade dos projectos produziram um impacto na qualidade de vida, tendo-se manifestado mais nitidamente os impactos a curto prazo das medidas de apoio. Os impactos educacionais foram mais fortes – numa base por euro – nas medidas de apoio em que as actividades directas de educação e formação industrial e de divulgação foram muito eficazes, e também no que se refere às alterações de comportamento do consumidor final. Os projectos de investigação, com a sua dimensão de formação pós-universitária, tiveram um maior impacto ao nível da educação do que os projectos de demonstração. De um modo geral, segundo o inquérito, foi no plano legislativo e regulamentar (bem como do emprego) que se fizeram sentir menos impactos. No entanto, muitos projectos relacionados com energias renováveis e a URE ajudaram a criar uma boa base para a introdução de certas leis locais, nacionais e comunitárias. As novas propostas de directiva relativas às energias renováveis, à cogeração e aos biocombustíveis basearam-se nos resultados dos projectos. A estratégia de IDT (isto é, análise de políticas e trabalho de construção de modelos) teve um impacto extraordinariamente elevado nesta área, possivelmente por ter incidido directamente nessas questões. IMPACTO NOS PARCEIROS DE PROJECTOS Ao procurar determinar o impacto da realização do projecto nos parceiros a ele ligados constata-se uma grande diferença entre a natureza dos impactos dos projectos de investigação e dos projectos de demonstração. Os projectos de demonstração resultam em fortes impactos imediatos em termos de 8 inovação e redução de custos para os participantes. Mas não há um grande aumento dos níveis de impacto assim que um projecto é concluído – a não ser em termos de uma melhor penetração dos mercados e de um aumento progressivo das economias de custos. Os projectos de investigação, por outro lado, produzem muito menos impactos no fim do projecto, embora revelem fortes indícios de contribuir para uma maior inovação. Com o decorrer do tempo, os indicadores de impacto aumentam para níveis idênticos aos dos projectos de demonstração, revelando melhorias acentuadas ao nível dos mercados e dos custos. É difícil apurar em que medida esta aproximação é de algum modo real ou se não passa de um artifício estatístico. No caso dos projectos de investigação, os principais impactos são um maior número de novos produtos e serviços, uma melhor base educacional e um melhor desempenho ao nível da inovação. Os projectos de investigação não internalizam directamente os benefícios das suas actividades de investigação em termos de custos. Passando aos projectos de demonstração, as diferenças são notórias. As economias directas de energia para os utilizadores de tecnologia são actualmente uma questão da maior importância. Os projectos relacionados com a URE classificam, sistematicamente, essas economias como um dos principais impactos, e os projectos de demonstração relacionados com a URE atribuem-lhes uma importância considerável. Ao contrário do que sucede nos projectos de investigação, nos projectos de demonstração relacionados com a URE consideram-se muito importantes os factores relacionados com os custos, que por sua vez são menos importantes nos projectos relacionados com energias renováveis e combustíveis fósseis. IMPACTOS TECNOLÓGICOS Em termos globais, os resultados foram os seguintes: Dois terços dos projectos realizaram cabalmente os seus objectivos. Cerca de 60% dos projectos resultaram em avanços significativos em comparação com o estado da técnica e 30% resultaram em importantes avanços técnicos. Cerca de 60% dos projectos visavam uma maior eficiência energética e conseguiram, em média, ganhos de eficiência de 30%. Graças ao programa, verificou-se um reforço da cooperação entre a indústria e a IDT em mais de 60% dos projectos; a indústria financiou metade dos custos das actividades de demonstração. UTILIZAÇÃO RACIONAL DA ENERGIA A URE em edifícios já atingiu uma certa maturidade, sendo de esperar progressos seguros mas graduais. A investigação na área específica da qualidade do ar no interior de edifícios e da manutenção das instalações de ventilação de edifícios foi além da eficiência energética e contribuiu positivamente para a qualidade de vida e a saúde. Em alguns projectos de demonstração específicos envolvendo mais de 50 cidades, foi definido um conceito global para os edifícios, incluindo planeamento urbano, boa integração de uma concepção bioclimática, integração de fontes renováveis de energia, utilização de tecnologias eficientes e utilização adequada dos edifícios. A URE na indústria é uma área com grandes potencialidades na Europa (e ainda maiores nos países em desenvolvimento). Está, em muitos casos, à beira da rendibilidade e a “intensificação de processos” apresenta grandes potencialidades em termos de repetição. Os projectos nesta área ajudaram a aumentar a competitividade da indústria europeia, tanto para os consumidores como para os fabricantes de equipamento com um bom rendimento energético. O maior impacto conjunto, no tocante a poupança energética, redução de poluentes, efeitos sociais e valor acrescentado europeu foi de longe o observado no agrupamento de projectos de demonstração específicos do sector dos transportes. Os projectos contaram com a participação de mais de 60 cidades e destinavam-se a conceber, demonstrar e explorar transportes urbanos não poluentes e eficientes. A investigação sobre células de combustível fez grandes progressos técnicos, mas serão talvez necessários mais dez anos até que essas células se tornem comercialmente viáveis em aplicações móveis no quotidiano. No caso de aplicações estacionárias, o prazo deverá ser muito menor. ENERGIAS RENOVÁVEIS Muitos projectos visavam alcançar importantes reduções de custos por unidade de electricidade gerada. Foram comprovados vários métodos possíveis, como o de aumentar o rendimento de dispositivos de conversão de energia, reduzir os custos de produção de equipamento, utilizar matéria-prima mais barata, e adaptar equipamento convencional de modo a utilizar fontes renováveis de energia. Um dos projectos realizados chegou mesmo à montagem de uma linha de produção piloto. Alguns projectos exploraram a possibilidade de integrar as energias renováveis na economia e nas actividades quotidianas dos cidadãos da UE, bem como no sistema energético da UE. Esta questão deverá continuar a ser examinada no futuro. 9 COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS As tecnologias inovadoras desenvolvidas para a exploração de hidrocarbonetos têm-se revelado de valor excepcional, e têm envolvido a demonstração de métodos e técnicas que, na maioria dos casos, são depois utilizados pela indústria. Os resultados obtidos em termos da segurança de oleodutos e da desactivação de campos petrolíferos e plataformas offshore, assim como as tecnologias desenvolvidas e introduzidas, produziram um impacto extremamente benéfico no ambiente, pelo que o investimento realizado com o dinheiro dos contribuintes teve um bom retorno. Foi demonstrada e comprovada tecnologia inovadora para a desactivação de uma plataforma offshore completa em condições climáticas adversas, tendo sido esta uma das grandes histórias de sucesso da tecnologia industrial. Os projectos relacionados com novas tecnologias não poluentes obtiveram resultados positivos e, nomeadamente, uma melhoria geral de eficiência e desempenho ambiental da produção de electricidade a partir de combustíveis sólidos. Os resultados do desenvolvimento de motores novos, mais eficientes e menos poluentes, podem ser utilizados pelas autoridades europeias para reforçar as normas relativas à redução das emissões nas zonas urbanas, e para orientar legislação futura em matéria de poluentes gerados por veículos a motor. As medidas de apoio são actividades eficazes para realizar objectivos a curto prazo. São úteis, principalmente, para a transferência de tecnologia para a indústria e para promover a aplicação das tecnologias existentes, bem como a execução de políticas já definidas. 10 MELHORAR O IMPACTO DA INVESTIGAÇÃO NO DOMÍNIO DA ENERGIA INTEGRAÇÃO NAS PREOCUPAÇÕES DA UE E DOS ESTADOS-MEMBROS A conclusão mais sólida e sistemática de todo processo de avaliação do impacto é a necessidade absoluta de incorporar as actividades de investigação e demonstração nas estruturas políticas, sociais e económicas da UE e dos Estados-Membros – quer estrategicamente, no planeamento do programa, quer operacionalmente, na realização dos projectos. Todas as actividades do programa revelam que os projectos mais bem-sucedidos são os que estão fortemente ligados ao mundo exterior, não técnico. Isto é particularmente evidente na comercialização de projectos de investigação e demonstração, mas também se aplica a outras áreas, como o impacto na legislação e regulamentação, o impacto da construção de modelos energéticos nas políticas, etc. Ao contrário de outros domínios de IDT, a investigação e demonstração bem-sucedidas no domínio da energia envolvem experiências técnicas com importantes componentes sociais, económicas e políticas – e devem ser reconhecidas e financiadas como tal. A coerência do programa pode ser melhorada mediante: a criação de ferramentas destinadas a não permitir que o programa se desvie dos seus objectivos. Por exemplo, feedback rápido dos resultados da selecção de projectos para ajudar a orientar o acompanhamento do programa de trabalho e a constituir a carteira de projectos desejada; a utilização sistemática de medidas de apoio com vista a desenvolver a estrutura do programa e a sua solidez; a realização de actividades extramurais ao nível da Comissão e dos projectos com vista a conferir ao programa uma identidade global; uma maior articulação entre o programa e o seu programa de trabalho, por um lado, e as preocupações socioeconómicas (legislativas, comerciais, sectoriais, políticas, etc.) dos Estados-Membros, por outro lado; a promoção de uma “abordagem global” do programa no contexto do Espaço Europeu de Investigação (EEI) e a criação de instrumentos comuns nos Estados-Membros. SELECÇÃO DE PROJECTOS CONFERIR UMA IDENTIDADE E UM RUMO AO PROGRAMA Houve muitas indicações quanto a uma percepção do isolamento dos projectos, ou seja, de estes funcionarem sozinhos e de haver pouco contacto com outros projectos da Comissão. É evidente que muito mudou no âmbito do Programa-Quadro desde que os projectos do 4PQ foram concluídos – mas, mesmo assim, vale a pena frisar alguns aspectos. Um programa não é apenas um conjunto de projectos na mesma área de investigação. São necessárias sinergia e coerência no sentido mais lato para que o programa – por oposição aos projectos considerados individualmente – produza o máximo impacto. As principais sugestões dos projectos e dos peritos para melhorar a sinergia foram: 1) melhor interligação entre projectos de áreas semelhantes ou contíguas; e 2) maior fluxo de informação entre os diferentes projectos, actividades e sectores. A avaliação de propostas tem repercussões em termos da qualidade do programa e dos projectos, bem como na coerência. Foram rejeitados os projectos que já haviam sido ou estavam a ser realizados ao mesmo tempo noutros países da UE ou em países terceiros; eram muito pouco viáveis, em termos técnicos ou comerciais, a médio prazo; não satisfaziam as condições exigidas em termos de tecnologias ou conhecimentos especializados disponíveis no consórcio; não dispunham de financiamento completo. Uma política mais sólida da Comissão no que se refere ao convite à apresentação de propostas / avaliação de propostas poderia ser vantajosa. Foram apontados vários aspectos: selecção de avaliadores com os conhecimentos tecnológicos e industriais necessários; melhor informação aos proponentes potenciais no que se refere às actividades de investigação 11 e demonstração em curso na UE – possivelmente, sob a forma de uma medida de apoio – e maior exigência em termos de experiência e de conhecimento das técnicas mais avançadas; requisitos mais exigentes relativamente às estruturas das parcerias. A utilização de indicadores de “criação de empregos” e de “potencial económico” na avaliação de propostas deve ser revista. O inquérito revelou que a utilização destes indicadores era particularmente problemática. CRIAÇÃO DE PARCERIAS DE INVESTIGAÇÃO A formação cuidadosa de parcerias é vital para o êxito dos projectos. É, evidentemente, essencial criar parcerias com combinações adequadas de competências, e embora a situação varie de um sector para outro, parece haver uma boa compreensão deste aspecto. As parcerias de grande dimensão apresentam problemas específicos, que vão desde a integração de competências técnicas díspares a dificuldades relacionadas, simplesmente, com a necessidade de cumprir prazos de prestação de informação. Inclusivamente, o conceito de “utilizador final”, no sentido mais lato, no âmbito do projecto parece ser essencial. Dados os problemas, já bem documentados, da transferência de tecnologia e da síndrome “não fomos nós que o/a inventámos”, foi recomendado que se atribuísse um papel activo à instituição ou instituições que possam colocar o trabalho num plano comercial ou público mais amplo. Essas entidades iam desde os decisores políticos das autoridades no domínio da energia, no caso dos modelos energéticos, até às empresas comerciais apropriadas, no caso da exploração de novas melhorias das células de combustível, e às ONG como activistas e agentes de divulgação no terreno. Mesmo os projectos mais pequenos ligados a medidas de apoio apontaram para necessidades semelhantes. 12 Poderá revelar-se útil um reforço da orientação e da supervisão da formação de parcerias e das suas estruturas e funcionamento, por parte dos serviços da Comissão. Foi considerada vantajosa uma maior flexibilidade na inclusão de mais parceiros, quando necessário. Considera-se que a maior utilização da subcontratação pode reforçar os projectos e permitir que as PME e as ONG participem de forma mais apropriada e menos burocrática. GESTÃO DOS PROJECTOS A gestão dos projectos foi posta em causa no que se refere a dois aspectos: gestão dos projectos pelos serviços da Comissão, e gestão interna dos projectos. No que se refere à gestão pela Comissão, foi solicitado um maior contacto com o funcionário responsável pelos projectos a vários níveis, desde a informação transversal aos projectos e participação em reuniões do projecto, até aconselhamento sobre gestão. Simultaneamente, para bem do programa no seu conjunto, é necessário reorientar os esforços do funcionário responsável pelos projectos, da gestão administrativa pormenorizada de cada projecto para a gestão e aperfeiçoamento do programa em geral. Na procura de solução para este conflito de recursos, talvez seja útil considerar a externalização ou a centralização das funções administrativas do funcionário responsável pelos projectos e transitar de um método de acompanhamento dos projectos através de um sistema administrativo de relatórios anuais para um método de marcos críticos. A introdução de sistemas sólidos e coerentes de reforço da qualidade também poderá aliviar a carga administrativa. Em algumas áreas do ProgramaQuadro já se conseguiu aumentar a incorporação formal da experiência e ideias do responsável pelos projectos no desenvolvimento de sistemas de gestão de programas, uma técnica que também poderá ser vantajosa no domínio da energia. No que se refere à gestão interna dos projectos, foram apontadas dificuldades relacionadas com a necessidade de recursos humanos mais coerentes e dedicados. Coordenar um projecto multinacional de investigação ou demonstração é uma tarefa enorme. Existe uma correlação positiva entre a dimensão do consórcio e os problemas que podem surgir ao longo de um projecto. Foi sugerida a contratação de um gestor de projectos profissional independente, que não estivesse directamente ligado à investigação nem ao serviço de um membro do consórcio, durante todo o período do contrato. FINANCIAMENTO DOS PROJECTOS E CONTRATAÇÃO Uma conclusão extraída de todas as actividades do programa foi que, para que os projectos sejam eficazes, os mecanismos de financiamento devem corresponder às suas necessidades. O ritmos e horizontes temporais de grande parte da investigação no domínio da energia não são idênticos aos das ciências da vida ou das tecnologias da informação. Para serem bem-sucedidos, muitos projectos de investigação e demonstração exigem horizontes temporais bastante longos. Financiar um consórcio durante períodos mais longos pode ser vantajoso e pode ser feito de várias formas: contratos com prazos mais longos para o mesmo financiamento, financiamentos repetidos ou periódicos, etc. Mas o objectivo deve ser sempre manter um consórcio e um certo ritmo de investigação. Isto aplica-se, em particular, a tecnologias que ainda não atingiram a maturidade, como, por exemplo, a das células de combustível. Os modelos energéticos da UE necessitam de ser regularmente actualizados, uma tarefa quase impossível utilizando as estruturas de financiamento nacionais. Do mesmo modo, é necessário que a informação e análise desse trabalho a nível da UE sejam permanentemente divulgadas. Isto implica a necessidade de uma estrutura de financiamento permanente ao nível da UE. Nos projectos de apoio, em particular, sublinhou-se a necessidade de actividades válidas, bem planeadas e bem orientadas, a colocar rapidamente ao dispor dos “clientes” com capacidade para utilizar os resultados dos projectos. Isto exige, da parte da Comissão, decisões financeiras e estruturas de pagamento rápidas. É necessário conferir alguma flexibilidade às disposições contratuais de modo a permitir que, enquanto o projecto está a decorrer, sejam introduzidas modificações no programa de trabalho para este se ajustar às necessidades da indústria, ao clima económico e às alterações das forças de mercado. Tal poderá ser tanto mais necessário na investigação e demonstração no domínio da energia, que requerem, por exemplo, condições meteorológicas apropriadas para realizar experiências, exigindo flexibilidade nos calendários do programa de trabalho. DIVULGAÇÃO A divulgação de informação e resultados fora do consórcio é considerada, de um modo geral, insatisfatória. As actividades de divulgação são frequentemente vistas como um encargo de fim do projecto, numa altura em que estão a esgotar-se a energia, os fundos e, possivelmente, o empenhamento. É necessário que o consórcio do projecto preveja um plano explícito e fundos para uma fase de divulgação. As eventuais actividades de divulgação realizadas pelo consórcio existente poderão ir desde a realização de cursos de formação a workshops, seminários e actividades de consultoria, consoante a natureza do projecto. A criação concreta, desde o primeiro dia do projecto, de um website comum destinado à gestão e divulgação do projecto foi considerada um elemento fundamental. No entanto, a divulgação dos resultados da investigação em toda a UE exige competências especiais e foi sugerido, em muitos casos, que essa tarefa fosse desempenhada por uma empresa comercial especializada, e não pelos 13 próprios investigadores, cuja orientação é mais técnica. Sugeriu-se uma abordagem comum destinada a apoiar as importantes actividades em curso em termos de desenvolvimento de software e sistemas de engenharia relacionados com a energia, abordagem essa que consistiria em criar um fórum especializado aberto a nível da UE para essas actividades. Numa perspectiva semelhante, uma rede de informação como a rede Caddet da OCDE poderia servir de modelo para outra informação técnica relacionada com a energia. Deve considerar-se a possibilidade de criação de incentivos e/ou procedimentos para acções complementares (actividades de divulgação e marketing, projectos sucessores, etc.) no caso dos projectos bem-sucedidos. Por último, o método mais eficaz e seguro de divulgação é a comercialização dos resultados dos projectos. Os projectos que chegam à fase de comercialização produzem um impacto muito maior do que quaisquer outros, pelo que a comercialização deve ser um dos seus objectivos desde o início. AVALIAÇÃO DO IMPACTO É necessário desenvolver as estruturas de gestão dos projectos e do programa, pois isso permitirá: tornar a recolha de informação sobre o impacto dos projectos uma actividade simples, regular e formal, e tornar a utilização da avaliação do impacto uma actividade explícita e regular da gestão do programa. No que se refere à gestão do programa, a informação obtida da avaliação do impacto pode ser utilizada para melhorar os sistemas de apreciação das propostas, a selecção e gestão de parcerias, etc. Uma condição básica necessária é articular a avaliação do impacto com o sistema de aperfeiçoamento contínuo e de melhoramento da qualidade do programa. A presente avaliação do impacto está na vanguarda do trabalho desenvolvido nesta área no âmbito do PQ, tanto em termos de oportunidade como de dimensão. Permitiu adquirir muita experiência e conhecimentos especializados. Outros programas do PQ estão actualmente a planear exercícios semelhantes, bem como futuras avaliações do impacto dos programas e projectos do 6PQ. Elevar a avaliação do impacto ao nível de coordenação do Programa-Quadro pode ter muitas vantagens, que vão desde a avaliação de custos, a partilha de experiências e o aperfeiçoamento de abordagens metodológicas até à comparabilidade de resultados entre programas e a um melhor planeamento ao nível do Programa-Quadro. A experiência adquirida pela DG Investigação e pela DG Energia e Transportes poderá ser utilizada para promover a adopção de uma abordagem baseada na coordenação ao nível do PQ do tipo referido. As três questões chave a considerar para aprimorar o impacto do programa ENN são: • A absoluta necessidade de reorientar e reestruturar os projectos e o programa de modo a promover a participação activa nas estruturas sociais, económicas, políticas, legislativas e, especialmente, comerciais dos Estados-Membros e da UE. A IDT no domínio da energia é uma actividade profundamente socioeconómica. • A necessidade de reforçar a coerência e identidade do programa, ou seja, de fazer que o programa seja mais do que a soma das suas partes. Esta questão da coerência e da identidade aplica-se, também, a outros programas não tecnológicos, como o SAVE e o ALTENER, e aos programas que lhes sucederam. • A introdução, através da gestão do programa, de um sistema de aperfeiçoamento contínuo que abranja os processos de gestão, deste a definição dos programas de trabalho até à realização da análise de impacto. 14 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES Embora estas conclusões se baseiem na experiência que adquirimos com os projectos realizados no âmbito do 4PQ, é fundamental reconhecer que o contexto da IDT no domínio da energia da UE se alterou radicalmente. Assim, as nossas recomendações têm de ser feitas tendo presente o 6PQ bem como o programa que lhe vier a suceder. Temos de considerar, em particular, o futuro desenvolvimento do Espaço Europeu de Investigação (EEI). CONTEÚDO DO PROGRAMA O programa foi estruturado com base em quatro grandes temas: fontes renováveis de energia, utilização racional da energia, combustíveis fósseis e uma área de estratégia e construção de modelos muito mais pequena. Dado que grande parte do programa ENN teve lugar antes de o agrupamento (clustering) se ter tornado uma prática reconhecida, podemos fazer duas observações: Uma maior interligação e articulação entre projectos poderia, evidentemente, aumentar o seu impacto. Uma abordagem mais orientada para questões/problemas – por exemplo, orientada para a “energia e os edifícios” ou para o “armazenamento de energia” – permitiria um agrupamento mais coerente de interesses do que a classificação mais convencional por fontes de energia. A ACTIVIDADE DO PROGRAMA Considerando o 6PQ e o EEI, existem grandes possibilidades, em particular, através dos projectos integrados, de realizar ainda mais eficazmente os objectivos da UE em matéria de energia. Se forem correctamente estruturados, os projectos integrados podem levar os Estados-Membros a reflectir sobre as energias renováveis e a utilização racional da energia, e a empreenderem acções, não só nas áreas de investigação tecnológica, mas também nas áreas regulamentar, orçamental e comercial. Trata-se de dimensões suplementares que os projectos de demonstração e investigação do programa ENN tiveram dificuldade em englobar, ou que consideram fora do seu âmbito de competência. Os projectos integrados no domínio da energia devem, logo à partida: examinar a viabilidade das estruturas dos projectos que abranjam conjuntos de necessidades de investigação “horizontalmente complementares”; assegurar que todos os projectos tenham uma forte dimensão extramural; assegurar que as actividades de investigação e demonstração de todos os projectos tenham dimensões jurídica/fiscal/ rçamental/publicitária/política explícitas, conforme aplicável; promover a participação formal das administrações dos Estados-Membros aos níveis jurídico/fiscal/orçamental/político/ publicitário, etc., conforme aplicável. GESTÃO DO PROGRAMA Formalização das ligações extramurais Tal como temos vindo a constatar, sistematicamente, ao nível dos projectos e dos relatórios sectoriais, os projectos que se integraram no mundo exterior legislativo/ administrativo/comercial/político dos EstadosMembros produziram um impacto geral maior do que os projectos puramente científicos e técnicos. A questão consiste em determinar a melhor forma de institucionalizar essa dimensão extramural tanto ao nível dos projectos como dos programas. A recomendação básica é criar as estruturas necessárias para que os programas de trabalho de IDT da UE no domínio da energia possam ser discutidos juntamente com os programas dos Estados-Membros (e depois, numa fase posterior, possam ser associados a fóruns especializados ao nível micro – energia eólica, células de combustível, construção de 15 modelos energéticos, etc.). Isto poderá constituir um contributo muito importante para a concepção de projectos de grande impacto que integrem à partida fortes ligações extramurais. A sugestão no que se refere ao programa de trabalho a nível da UE é que se complemente a estrutura do Comité do programa com um sistema de “elevado estatuto”, formalmente responsável por analisar e discutir as políticas e programas de IDT dos Estados-Membros no domínio da energia, no contexto da UE. Relativamente a este aspecto, sugere-se que o ministério ou ministérios competentes apresentem regularmente a sua política de IDT no domínio da energia e os programas conexos à Comissão, para discussão no contexto do desenvolvimento do programa de trabalho da Comissão. Embora, em sentido restrito, o objectivo seja melhorar o tipo de propostas a financiar pela UE, existe, manifestamente, a possibilidade de produzir sinergias e de promover a concertação e a realização de projectos conjuntos entre os Estados-Membros, e é possível também que tal estrutura venha a contribuir para a criação de um EEI no domínio da energia. A participação directa tanto da DG Investigação como da DG Energia e Transportes no programa de IDT da UE no domínio da energia pode ser um importante factor na criação de tal estrutura. Estruturas internas de gestão Tal como vimos, a estrutura de gestão do programa caracteriza-se pela divisão de actividades entre a DG Investigação (projectos de investigação) e a DG Energia e Transportes (medidas de demonstração e de apoio). O novo 6PQ oferece importantes oportunidades para criar uma estrutura de gestão mais sólida e coerente. Os “projectos integrados”, por exigirem a gestão das equipas de todas as actividades de investigação, demonstração e apoio, irão oferecer uma oportunidade concreta de superar a divisão tradicional, que alguns têm criticado. A energia é um elemento relativamente pequeno no âmbito do 6PQ. Agindo em conjunto, a DG Investigação e a DG Energia e Transportes podem exercer uma forte influência ao nível da Comissão, da Europa e mesmo global, com vista à realização de projectos e de políticas progressistas, orientadas para o futuro e de grande impacto no domínio da energia. A repartição de responsabilidades relativamente à IDT no domínio da energia por duas direcçõesgerais deve ser vista como um importante activo, dada a dimensão “político-social” de grande parte da investigação neste domínio. Por último, na Caixa 4, comentamos a medida em que foram realizados os objectivos da Decisão do Conselho que esteve na origem do programa ENN. Caixa 4: Realização dos objectivos da Decisão do Conselho Dentro dos objectivos formais do programa ENN definidos na Decisão do Conselho de 1994, os dois êxitos mais destacáveis do programa foram: • O “Reforço da base tecnológica da indústria da energia”. O inquérito apontou a realização deste objectivo como sendo o resultado mais sólido e seguro do programa. Apenas 7% dos projectos não tiveram impacto na qualidade científica e técnica da IDT no domínio da energia, enquanto quase um terço tiveram um impacto “altamente positivo”. • A “Protecção do ambiente através da redução do impacto da produção e utilização de energia, em particular, das emissões de CO2”. Mais uma vez, o inquérito aponta para um êxito sólido e seguro. Apenas 6% dos projectos não tiveram impacto no ambiente, enquanto 25% tiveram um impacto “altamente positivo”. Mais pormenorizadamente, os dois impactos ambientais mais fortes foram: 1) a redução do impacto da produção e utilização de energia, e 2) a redução das emissões de CO2. O objectivo de “incentivar a utilização racional da energia” foi satisfatoriamente realizado, mas, de acordo com o inquérito, o impacto do programa quanto a este aspecto foi menor do que em relação à redução dos efeitos da produção de energia e das emissões de CO2. No entanto, o relatório sectorial individual refere um êxito considerável. É mais difícil comentar o objectivo de “melhorar a segurança do abastecimento energético”, uma vez que o programa contribuiu para a realização desse objectivo a vários níveis (desde um melhor planeamento e de melhores políticas até à eficiência energética), sem que houvesse um conjunto de projectos orientados especificamente para esta área. Em termos globais, não há dúvidas que o contributo do programa foi significativo, mas é difícil classificar os resultados nesta área em paralelo com outros objectivos mais específicos. 16 Anexo – Metodologia da avaliação do impacto: um processo em pirâmide A avaliação do impacto foi realizada por uma equipa de peritos independentes constituída por: • um Grupo Principal responsável pela coordenação geral da avaliação; • um grupo de 5 coordenadores temáticos responsáveis pela coordenação do trabalho nas respectivas áreas; • cerca de 29 peritos encarregados de avaliar os vários projectos. A avaliação do impacto incidiu numa amostra de quase 700 projectos, constituída por cerca de 400 projectos de investigação (58% de todos os projectos de investigação), 70 projectos de demonstração (15% de todos os projectos de demonstração) e 215 projectos de apoio (33% do total). A análise do impacto foi organizada em três fases principais: • Uma avaliação do impacto dos vários projectos por peritos independentes. Esta fase incluiu uma entrevista telefónica ou presencial com o coordenador do projecto, uma análise dos resultados do projecto, normalmente o relatório final do projecto, a administração de um questionário e, por último, a elaboração de um resumo do projecto pelo perito. Os resumos dos projectos estão disponíveis no Cordis. • Uma avaliação do impacto dos cinco principais sectores do programa com base no material colhido na primeira fase: utilização racional da energia (URE), fontes renováveis de energia, combustíveis fósseis, investigação socioeconómica e construção de modelos, e medidas de apoio. Os vários relatórios temáticos elaborados para cada sector foram publicados como documentos separados. • A produção de um relatório de síntese baseado nos relatórios dos cinco coordenadores, juntamente com uma análise estatística dos questionários, bem como um resumo minucioso do relatório de síntese, que foi publicado como um documento separado. A METODOLOGIA ADOPTADA FOI DEFINIDA PELO GRUPO PRINCIPAL, EM COLABORAÇÃO COM A DG INVESTIGAÇÃO E A DG ENERGIA E TRANSPORTES. resumo relatório de síntese relatórios sectoriais resumos dos projectos 17 Comissão Europeia EUR 20876 – ENERGIA LIMPA, SEGURA E EFICIENTE PARA A EUROPA Avaliação do impacto de projectos de investigação e demonstração no domínio da energia não-nuclear implementado sob o quarto Programa-Quadro Luxemburgo: Serviço das Publicações Oficiais das Comunidades Europeias 2003 - 20 p. - 17,6 x 25 cm ISBN 92-894-6295-7 12 15 A presente publicação apresenta os principais resultados de uma importante avaliação do impacto dos projectos de investigação e demonstração no domínio da energia não-nuclear do 4.º Programa-Quadro (1994 – 1998). São analisados o impacto global destes projectos em vários domínios (estratégia IDT no domínio da energia, utilização racional da energia, energias renováveis e combustíveis fósseis) em termo de tecnologias desenvolvidas, protecção do ambiente e criação de uma economia sustentável, bem como outros efeitos socioeconómicos, por exemplo, a nível do emprego e do ensino. Estes resultados principais são tidos em conta nas políticas energéticas em vigor, que visam reduzir as emissões de gases com efeito de estufa e as emissões poluentes, reforçar a segurança do aprovisionamento energético, melhorar a eficiência energética e aumentar a utilização das energias renováveis, bem como reforçar a competitividade da indústria europeia e melhorar a qualidade de vida na UE e no Mundo. Um resumo e um relatório temático deste estudo são também disponíveis no sítio web seguinte: http://europa.eu.int/comm/research/energy/index_en.html KI-NA-20-876-PT-N ISBN 92-894-6295-7