_________________________________________________________________________________
INSTITUTO FEDERAL MINAS GERAIS – IFMG, CAMPUS OURO PRETO
DIRETORIA DE GRADUAÇÃO E PÓS-GRADUAÇÃO
COORDENADORIA DE GEOGRAFIA
IZABELA APARECIDA DA SILVA MENDES
A QUALIDADE DA ÁGUA NA BACIA DO CÓRREGO TRIPUÍ, OURO PRETO MG: RELAÇÕES COM O USO E OCUPAÇÃO DO SOLO.
OURO PRETO
MINAS GERAIS – BRASIL
2012
_________________________________________________________________________________
IZABELA APARECIDA DA SILVA MENDES
A QUALIDADE DA ÁGUA NA BACIA DO CÓRREGO TRIPUÍ, OURO PRETO MG: RELAÇÕES COM O USO E OCUPAÇÃO DO SOLO.
Monografia apresentada Instituto Federal Minas
Gerais – IFMG, campus Ouro Preto, como parte
das exigências do Curso de Licenciatura em
Geografia, para a obtenção do título de Licenciado.
Orientadora: Elizêne Veloso Ribeiro
OURO PRETO
MINAS GERAIS – BRASIL
2012
_________________________________________________________________________________
M538q
Mendes, Izabela Aparecida da Silva
A qualidade da água na bacia do córrego Tripuí, Ouro Preto – MG:
relações com o uso e ocupação do solo [manuscrito] / Izabela
Aparecida da Silva Mendes. – 2012.
102 f. : il.
Orientadora: Profª. Elizêne Veloso Ribeiro
Monografia (Graduação) – Instituto Federal Minas Gerais,
Campus Ouro Preto. Licenciatura em Geografia.
1. Qualidade da água. – Monografia. 2. Córrego Tripuí (Ouro
Preto – MG). – Monografia. 3. Efluentes Domésticos. – Monografia.
4. Uso e Ocupação do Solo. – Monografia. 5. Meio Ambiente. –
Monografia. I. Ribeiro, Elizêne Veloso. II. Instituto Federal Minas
Gerais, Campus Ouro Preto. Licenciatura em Geografia. III. Título.
CDU 628.39
Catalogação: Biblioteca Tarquínio J. B. de Oliveira - IFMG – Campus Ouro Preto
_________________________________________________________________________________
ii
_________________________________________________________________________________
A minha mãe, exemplo de vida...
A toda minha família, em especial os meus pais, grande
exemplo de coragem e determinação, Solange e Paulo
que sempre me apoiaram mesmo quando nada parecia
dar certo e, meus irmãos Paula e Guilherme.
Amo muito vocês!
iii
_________________________________________________________________________________
AGRADECIMENTOS
À professora Elizêne Veloso Ribeiro, primeiramente por ter acreditado em mim, segundo por
toda orientação, confiança, dedicação e amizade, para realização deste trabalho.
À todos os professores da Geografia, CODAGEO, ajudaram muito na minha jornada durante
o curso e, que de alguma forma contribuíram para construção deste trabalho.
À minha mãe Solange, que sempre se mostrou e, é tão forte com os obstáculos que deparamos
todos os dias na vida. Que sempre me guiou, apoiou e se fez presente em todos os momentos,
mesmo que esta presença tenha sido à distância.
Ao meu pai Paulo Afonso, sempre sério, mas, quando o assunto se trata de se aventurar no
mato, o sorriso toma conta da sua face. Obrigada pelos auxílios nos campos, para realização
deste trabalho.
À minha avó Maria, que sempre me acolheu em sua casa com tanto amor, e que ao ver meu
desespero, minhas angustias sempre se lembrava da neta nas orações.
À minha irmã Paula, sempre um anjinho na minha vida. Que sempre me confortou com o seu
sorriso. Sei que mesmo não estando presente, onde quer esteja esta alegre por mais esta etapa
na minha vida.
Ao Guilherme, meu querido irmão, por todos os auxílios prestados, todas as brincadeiras,
todas as brigas e desavenças, isto mostrou que a cada dia te amo mais e, o quanto você é
importante e presente na minha vida.
À minha madrinha, Rachel, e meu “padinho”, José Roberto, por terem sido os melhores
segundos pais do mundo! Por sempre inventarem coisas divertidas nos meus momentos de
angustia, com a finalidade de me distrair um pouco.
Ao Rossiny Amaral Souza, que mesmo sem perceber esteve presente, principalmente nas
cobranças da escrita deste trabalho. Obrigada pelo companheirismo e, especialmente, pela
amizade e carinho.
Às meninas da minha vida, Karla e sua filha Fernanda, Talita, Jéssica, Kelly, Mariana,
Raiane, Tamires, pelas fofocas e segredos trocados, e por me mostrarem que família nem
sempre é de sangue.
À toda minha família, tios e primos, que sempre contribuíram com uma palavra amiga “tenha
fé e força”, tudo isso foi indispensável. Obrigada por toda força, carinho e amizade todos
estes anos.
À Deus, por ter permitido que eu vivesse momentos únicos na minha vida acadêmica.
iv
_________________________________________________________________________________
Se a Terra
tivesse apenas alguns metros de
diâmetro e flutuasse acima de um campo
qualquer, as pessoas viriam de toda parte para
admirá-la. Caminhariam ao seu redor, maravilhadas com
suas grandes poças d’água, suas pequenas poças e a água que
flui entre elas. As pessoas admirariam suas protuberâncias e seus
buracos. Admirariam a camada de gás muito fina que a envolve e a
água suspensa nesse gás. Admirariam todos os animais caminhando
na superfície da bola e os animais na água. As pessoas declarariam
aquela bola sagrada, porque seria única, e elas a protegeria que
nunca fosse danificada. A bola seria a maior maravilha conhecida
e as pessoas viriam rezar para ela, para serem curadas, para
adquirir
conhecimento,
para
conhecer
se maravilhar de como aquilo podia
a ama riam e
seriam
saberiam
nada
que
sem
Terra tivesse apenas alguns
e para
existir. As pessoas
defenderiam com suas vidas,
de algum modo
não
a beleza
suas
ela.
porque
vidas
Se a
metros
de diâmetro.
Joe Miller
v
_________________________________________________________________________________
SUMÁRIO
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ........................................................................................... vii
LISTA DE FIGURAS .......................................................................................................................... viii
LISTA DE GRÁFICOS .......................................................................................................................... x
LISTA DE MAPAS ............................................................................................................................... xi
LISTA DE TABELAS .......................................................................................................................... xii
RESUMO ............................................................................................................................................. xiii
ABSTRACT ......................................................................................................................................... xiv
1.0
INTRODUÇÃO ....................................................................................................................... 16
1.1
Objetivos .................................................................................................................................. 17
1.1.1 Objetivo Geral .............................................................................................................................. 17
1.1.2 Objetivos Específicos ................................................................................................................... 17
2.0
A QUALIDADE DA ÁGUA: USO E OCUPAÇÃO DO SOLO E O
COMPORTAMENTO DOS PARÂMETROS FÍSICO-QUÍMICOS ............................................ 18
2.1
O Urbano .................................................................................................................................. 23
2.2
Parâmetros de Qualidade da Água ........................................................................................... 26
3.0
LOCALIZAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO REGIONAL DA ÁREA ............................... 33
3.1
Aspectos Demográficos ............................................................................................................ 34
3.2
Aspectos Geológicos ................................................................................................................ 35
3.3
Aspectos Geomorfológicos ...................................................................................................... 36
3.4
Clima ........................................................................................................................................ 37
3.5
Cobertura Vegetal..................................................................................................................... 38
3.6
Aspectos Hidrográficos ............................................................................................................ 40
3.6.1
Bacia do córrego Tripuí ........................................................................................................... 41
3.7
Histórico do Uso do Solo ......................................................................................................... 46
4.0
MÉTODOS, TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS............................................................... 49
4.1
Trabalhos de Campo ................................................................................................................. 50
4.2
Pontos de Amostragem.............................................................................................................. 50
4.3
Caracterização dos Pontos de Amostragem .............................................................................. 52
4.4
Parâmetros Analisados .............................................................................................................. 67
vi
_________________________________________________________________________________
4.4.1 Aparelhos e métodos de análises .............................................................................................. 68
4.5
Etapa final: interpretação dos dados, confecção dos gráficos e redação ................................... 68
5.0
A QUALIDADE DA ÁGUA NA BACIA DO CÓRREGO TRIPUÍ ................................... 70
5.1
Turbidez ................................................................................................................................... 70
5.2
Condutividade Elétrica (CE) .................................................................................................... 73
5.3
Sólidos Totais Dissolvidos (STD) ............................................................................................ 75
5.4
Temperatura .............................................................................................................................. 76
5.5
Potencial Hidrogeniônico (pH) ................................................................................................. 78
5.6
Índice de Degradação ................................................................................................................ 79
6.0
CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................................... 85
REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS .............................................................................................. 87
ANEXOS .............................................................................................................................................. 97
vii
_________________________________________________________________________________
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
APP –
Área de Preservação Permanente
ANA –
Agência Nacional de Águas
CE –
Condutividade Elétrica
CETESB –
Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental
CONAMA –
Conselho Nacional do Meio Ambiente
DBO –
Demanda Bioquímica de Oxigênio
DQO –
Demanda Química de Oxigênio
EET –
Estação Ecológica Tripuí
GPS –
Global Positioning System
IBGE –
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
IBRAM –
Instituto Brasileiro de Mineração
IGAM –
Instituto Mineiro de Gestão de Águas
pH –
Potencial Hidrogeniônico
SNRH –
Sistema Nacional dos Recursos Hídricos
SST –
Sólidos Suspensos Totais
ST –
Sólidos Totais
STD –
Sólidos Totais Dissolvidos
SRTM –
Shuttle Radar Topography Misseion
UPGRH –
Unidade de Planejamento e Gestão de Recursos Hídricos
viii
_________________________________________________________________________________
LISTA DE FIGURAS
FIGURA 1 – Uso e Ocupação do Solo da Bacia do Córrego Tripuí, Ouro Preto – Minas Gerais. ....... 43
FUGURA 2 – Localização da Estação Ecológica do Tripuí, em Ouro Preto – Minas Gerais .............. 46
FUGURA 3 – Organograma da metodologia de estudo desenvolvida.................................................. 50
FIGURA 4 – Sequência de figuras (A) – Entrada da nascente, propriedade particular do SESC – MG;
(B) – nascente do Córrego Tripuí e, (C e D) – Barramento de drenagem próximo à nascente. ............ 53
FIGURA 5 – Seqüência de figuras – Localização do P2 com presença de uma escada voltada para o
Córrego (A) e um cano de drenagem da água de chuva (D). ................................................................ 54
FIGURA 6 – Sequência de figuras – Localização dos poços artesianos que abastecem a Estalagem. . 55
FIGURA 7 – Sequência de figuras – (A e B) – Aspecto da água no período seco; (C e D) – Aspecto da
água no período chuvoso. ...................................................................................................................... 55
FIGURA 8 – Sequência de figuras – (A e B) – Localização de uma das nascentes que é afluente da
Bacia do Córrego Tripuí; (C e D) – Drenagem a partir da nascente. .................................................... 56
FIGURA 9 – Sequência de figuras – (A) – Localização de uma das nascentes que é afluente da Bacia
do Córrego Tripuí; (B) – Drenagem a partir da nascente. ..................................................................... 57
FIGURA 10 – Sequência de figuras – (A) – Localização do Lago próximo à nascente; (B) – Presença
de plantações próxima à nascente. ........................................................................................................ 57
FIGURA 11 – Sequência de figuras – (A) – Localização do ponto de amostragem; (B e C) –
Características do córrego localizado na Varjada, que é um afluente da Bacia do Córrego Tripuí; (D) –
Característica do córrego no período chuvoso. ..................................................................................... 58
FIGURA 12 – Sequência de figuras – (A) – Presença da passagem de gasoduto próximo a área de
estudo. (B, C e D) – Característica da paisagem local do ponto de estudo. .......................................... 59
FIGURA 13 – Sequência de figuras – (A e B) – Área de confluência de dois afluentes da Serra do
Tesoureiro. P6 – (C) Ponto localizado na margem direita da estrada. P7 – (D) Ponto localizado na
margem esquerda da estrada. ................................................................................................................ 60
FIGURA 14 – Sequência de figuras – (A) – Localização do ponto 8 (P8); (B) – Presença de deposito
de areia com minério de ferro e cascalho nas margens do Córrego Tripuí; (C e D) – Largura e volume
de água no córrego. ............................................................................................................................... 61
FIGURA 15 – Sequência de figuras – (A e B) Empresa de extração de Topázio – (C e D) Presença de
criações de animais próxima ao Córrego em estudo. ............................................................................ 62
FIGURA 16 – Sequência de figuras – Córrego Tripuí no período de seca (A) – Córrego Tripuí no
período chuvoso (B). ............................................................................................................................. 62
FIGURA 17 – Sequência de figuras – (A e B) – Córrego Tripuí próximo a Estação de Trem; (C e D) –
Presença de casas e lançamento de efluentes domésticos no Córrego. ................................................. 63
FIGURA 18 – Sequência de figuras – Córrego Tripuí no período de seca (A) – Córrego Tripuí no
período chuvoso (B). ............................................................................................................................. 64
FIGURA 19 – Sequência de figuras – (A) – Córrego Tripuí próximo ao Bairro Barra; (B) – Presença
de casas e lançamento de efluentes domésticos no Córrego. ................................................................ 64
ix
_________________________________________________________________________________
FIGURA 20 – Sequência de figuras – Córrego Tripuí no período de seca (A) – Córrego Tripuí no
período chuvoso (B). ............................................................................................................................. 65
FIGURA 21 – Sequência de figuras – (A e B) – Foz de Córrego Tripuí; (C e D) – Presença de casas e
lançamento de efluentes no Córrego. .................................................................................................... 66
FIGURA 22 – Sequência de figuras – Foz do Córrego Tripuí no período de seca (A) – Foz do Córrego
Tripuí no período chuvoso e obra de contenção realizada ao redor do Córrego (B). ............................ 67
FIGURA 23 – Seqüência de figuras – (A) – Carreamento de partículas na água; (B) – Preparação da
terra para cultivo e presença de criação de animais, gado..................................................................... 71
FIGURA 24 – Seqüência de figuras – (A e B) – Barramento de água próximo à nascente; (C e D) –
Poços artesianos localizados dentro da Estalagem. ............................................................................... 72
x
_________________________________________________________________________________
LISTA DE GRÁFICOS
GRÁFICO 1 – Valores de Turbidez da água nos pontos de amostragem da Bacia do Córrego
Tripuí em Ouro Preto – MG. ............................................................................................................. 71
GRÁFICO 2 – Valores de Condutividade Elétrica (CE) da água nos pontos de amostragem da
Bacia do Córrego Tripuí em Ouro Preto – MG. ............................................................................. 74
GRÁFICO 3 – Valores de Sólidos Totais Dissolvidos (STD) da água nos pontos de
amostragem da Bacia do Córrego Tripuí em Ouro Preto – MG. ................................................. 75
GRÁFICO 4 – Valores de Temperatura da água nos pontos de amostragem da Bacia do
Córrego Tripuí em Ouro Preto – MG. ............................................................................................. 77
GRÁFICO 5 – Valores do Potencial Hidrogeniônico da água nos pontos de amostragem da
Bacia do Córrego Tripuí em Ouro Preto – MG. ............................................................................. 78
xi
_________________________________________________________________________________
LISTA DE MAPAS
MAPA 1 – Mapa de localização do município de Ouro Preto inserido na Microrregião de Ouro Preto e
na Mesorregião Metropolitana de Belo Horizonte. ............................................................................... 33
MAPA 2 – Mapa da vegetação do Município de Ouro Preto, áreas e unidades de preservação e
conservação do município. .................................................................................................................... 39
MAPA 3 – Mapa do contexto hidrográfico do Município de Ouro Preto – Minas Gerais. .................. 41
MAPA 4 – Bacia Hidrográfica do Córrego Tripuí – Ouro Preto, Minas Gerais. .................................. 42
FUGURA 3 – Organograma da metodologia de estudo desenvolvida.................................................. 50
MAPA 5 – Mapa de determinação dos pontos de amostragem localizados na Bacia Hidrográfica do
Córrego Tripuí – Ouro Preto, Minas Gerais. ......................................................................................... 51
MAPA 6 – Mapa do Índice de Degradação da água na Bacia do Córrego Tripuí, Ouro Preto – Minas
Gerais (Junho/2011). ............................................................................................................................. 80
MAPA 7 – Mapa do Índice de Degradação da água na Bacia do Córrego Tripuí, Ouro Preto – Minas
Gerais (Dezembro/2011). ...................................................................................................................... 82
xii
_________________________________________________________________________________
LISTA DE TABELAS
TABELA 1 – Distribuição da População no Município de Ouro Preto de acordo com o senso
demográfico de 2010. ......................................................................................................................... 35
TABELA 2 – Pontos de Amostragem e coordenadas dos pontos da Bacia do Córrego
Tripuí........................................................................................................................................ 52
TABELA 3 – Parâmetros analisados de seus respectivos valores máximos. ............................. 68
TABELA 4 – Valores de Turbidez da água nos pontos de amostragem da Bacia do Córrego
Tripuí........................................................................................................................................ 70
TABELA 5 – Valores de Condutividade Elétrica (CE) da água nos pontos de amostragem da
Bacia do Córrego Tripuí. ................................................................................................................... 73
TABELA 6 – Valores de Sólidos Totais Dissolvidos (STD) da água nos pontos de
amostragem da Bacia do Córrego Tripuí. ....................................................................................... 75
TABELA 7 – Valores de Temperatura da água nos pontos de amostragem da Bacia do
Córrego Tripuí. ................................................................................................................................... 76
TABELA 8 – Valores de Potencial Hidrogeniônico (pH) da água nos pontos de amostragem
da Bacia do Córrego Tripuí. .............................................................................................................. 78
xiii
_________________________________________________________________________________
RESUMO
MENDES, Izabela Aparecida da Silva. Licenciatura em Geografia. Instituto Federal Minas
Gerais – IFMG, Campus Ouro Preto, outubro de 2012. A qualidade da água na bacia do
Córrego Tripuí, Ouro Preto – MG: Relações com o uso e ocupação do solo. Orientadora:
Elizêne Veloso Ribeiro.
A água é o elemento essencial que nutre e mantém viva toda a biodiversidade encontrada no
planeta Terra. Sua importância para a sociedade pode ser destacada nas diferentes formas de
sua utilização como: abastecimento da população, agricultura e indústria. Entretanto, estas
diferentes formas de utilização do recurso hídrico vêm promovendo a aceleração da sua
degradação em termos de qualidade. A presente bacia em estudo, Bacia do Córrego Tripuí,
esta inserida na Bacia do Doce, que possui uma importância no contexto hidrográfico no
Estado de Minas Gerais. Este trabalho tem como objetivo analisar a qualidade da água da
bacia do Córrego Tripuí e avaliar a influência do uso e ocupação do solo nas condições
ambientais destes recursos hídricos. A metodologia proposta foi realizada de análises dos
parâmetros físico-químicos como: Turbidez, Condutividade Elétrica (CE), Sólidos Totais
Dissolvidos (STD), Temperatura e potencial Hidrogeniônico (pH) em onze pontos de
amostragem ao longo do córrego Tripuí, localizados desde a nascente até a sua foz no Rio do
Carmo. Os resultados obtidos mostram que, apesar de todos os parâmetros analisados estarem
abaixo do limite estabelecido pelo CONAMA, é visível a presença da degradação desta bacia,
pois, além das análises realizadas, foi possível observar a presença do lançamento de efluentes
domésticos no córrego. A alteração da qualidade da água na nascente em relação à foz,
destacando a interferência do espaço urbano, mostrado pela variação nos valores dos
parâmetros analisadose ainda pelo índice de degradação desenvolvido neste trabalho.
Atividades como estas contribuem para a alteração da qualidade da água, que demonstram a
falta de planejamento e de monitoramento da qualidade da água. Desta forma, espera-se que
os órgãos ambientais competentes atuem na fiscalização e controle para as ações que
degradem a qualidade da água, com atividades de monitoramento que poderão assim
contribuir de forma positiva para manutenção da qualidade da água diminuindo assim as
prováveis fontes de degradação.
PALAVRAS-CHAVE: Recursos Hídricos, Córrego Tripuí, Efluentes domésticos, Espaço
urbano e Degradação.
xiv
_________________________________________________________________________________
ABSTRACT
MENDES, Izabela Aparecida da Silva. Licenciatura em Geografia. Instituto Federal Minas
Gerais – IFMG, Campus Ouro Preto, outubro de 2012. The water quality in the basin of
Stream Tripuí, Ouro Preto - MG: Relations with use and occupation of soil. Adviser:
Elizêne Veloso Ribeiro.
Water is the essential element that nourishes and keeps alive all biodiversity found on Earth.
The importance of water to society can be deployed in different ways to their use as supply of
the population, agriculture and industry. However, these different uses of water resources
have been promoting the acceleration of its degradation in quality. The study of watershed,
watershed stream Tripuí, is inserted in the watershed Rio Doce, which has an importance in
the hydrographic state of Minas Gerais. This study aims to analyze the water quality of the
watershed stream Tripuí and evaluate the influence of the use and occupation of land in this
watershed. The proposed methodology was the analysis of physical-chemical parameters such
as: Turbidity, Electrical Conductivity, Total Dissolved Solids, temperature and hydrogen
potential (pH) in eleven sampling points along the stream Tripuí, located from its source to its
mouth in the Rio do Carmo. The results show that although all parameters are below the limit
set by CONAMA, the visible presence of this watershed degradation therefore beyond
analysis, it was possible to observe the presence of domestic sewage discharge into the stream
and, exploration near the stream. These activities contribute to the alteration of water quality,
demonstrate the lack of planning and monitoring of water quality. Thus, it is expected that the
environmental agencies act in the supervision and control to the actions that degrade water
quality, with monitoring activities that may well contribute positively to maintaining water
quality thereby reducing the likely sources of degradation.
KEY WORDS: Water Quality, Stream Tripuí, Domestic effluent, soil uses.
16
_________________________________________________________________________________
1.0
INTRODUÇÃO
A água é o elemento essencial que nutre e mantém a biodiversidade existente no
planeta. Indispensável em todas as necessidades, a água é o elemento determinante na
sobrevivência e desenvolvimento de uma sociedade. A forma com que o homem ocupa e
utiliza o solo apresentam uma ligação direta na qualidade da água, pois, a grande diversidade
encontrada na forma de utilização de seus usos (abastecimento, indústria, agricultura, energia,
recreação, transporte entre outros) correlaciona-se com a degradação da sua qualidade.
As formas de contaminação dos cursos de água, principalmente pelo despejo de
efluentes domésticos e industriais, têm prejudicado e levado a uma diminuição da qualidade
de vida de diversas populações. Contaminação esta, que pode ser relacionada aos diferentes
usos da água e a sua importante atuação no transporte e dissolução de substâncias, que podem
alterar as suas características tanto de forma temporal quanto espacial.
Levando em consideração que o crescimento da população está diretamente ligado aos
cursos de água, é neste contexto que se insere este trabalho, destacando as interferências do
uso e ocupação do solo na qualidade da água. Assim, com o crescimento desordenado das
áreas urbanas ao longo dos anos, diversas alterações podem ser percebidas: o crescente
aumento do lançamento de efluentes domésticos, o aumento de captação de água para
consumo e a modificação da cobertura vegetal para implantação da área urbana.
Desta forma, percebendo como a qualidade da água interfere diretamente na vida de
inúmeras espécies, inclusive na vida do ser humano. E, uma vez considerado relevante os
impactos que o desenvolvimento urbano trás para uma bacia hidrográfica, como o lançamento
de efluentes domésticos nos cursos de água no perímetro urbano; as iniciativas de pesquisas
que tem surgido na temática da preservação dos recursos hídricos, dentre as quais se destacam
discussões quanto à degradação qualidade da água, tornando relevantes os estudos que
contemplam o comportamento da água no contexto urbano.
O presente trabalho busca analisar como a interferência das ações antrópicas influencia
na qualidade da água na bacia hidrográfica do Córrego Tripuí. Tendo em vista a importância
histórica presente nesta bacia, pois, a mesma vem sofrendo com o processo de degradação
desde a colonização do município de Ouro Preto para exploração do ouro.
17
_________________________________________________________________________________
Atualmente a bacia em estudo compreende uma área diversificada quanto ao seu uso e
ocupação do solo. Esta diversidade indica que a relação presente entre áreas de preservação
(Unidade de Conservação - Estação Ecológica do Tripuí) e o espaço urbano, ao longo da
bacia podem resultar em uma variação na qualidade da água demonstrada no comportamento
dos parâmetros físico-químicos.
Este estudo torna-se relevante por propor uma reflexão sobre uma possível degradação
e variação da qualidade da água nestas áreas, em que o uso e ocupação do solo são
diversificados e marcados pela oposição Unidade de Conservação versus Espaço Urbano.
1.1
Objetivos
1.1.1 Objetivo Geral
Analisar o comprometimento da qualidade da água na bacia hidrográfica do Córrego
Tripuí relacionando à variação do uso do solo.
1.1.2 Objetivos Específicos
Analisar a influência do uso e ocupação do solo na degradação da qualidade da água
ao longo do perfil da bacia hidrográfica do Córrego Tripuí a partir da variação dos parâmetros
físico-químicos selecionados.
Comparar os resultados com a Resolução do CONAMA 357/2005 e mapear a
qualidade da água ao longo da bacia do Córrego Tripuí.
18
_________________________________________________________________________________
2.0
A QUALIDADE DA ÁGUA: USO E OCUPAÇÃO DO SOLO E O
COMPORTAMENTO DOS PARÂMETROS FÍSICO-QUÍMICOS
A água embora esteja disponível em diferentes quantidades e em diferentes lugares, é
a substancia mais abundante do planeta. É encontrada de diferentes formas na superfície
terrestre, apresentando-se nos estados sólido, líquido e gasoso e, representa um dos mais
importantes modeladores da paisagem.
A água esta em ciclo contínuo na terra1. A hidrosfera é composta de vários elementos,
incluindo água subterrânea, os lagos, as geleiras, os oceanos, o vapor de água e a água do
sistema fluvial (rios, córregos), esta ultima, se constitui numa importante fonte de água doce
para uso doméstico, industrial e para agricultura.
Wicander e Monroe (2009) afirmam que a maior parte da água presente no nosso
planeta encontra-se nos oceanos, cerca de 97,2%, restando apenas 2,8% encontradas nos
continentes ou na atmosfera. Para essas águas doces continentais “aproximadamente 75%
formam as geleiras e 24,5% ocorrem como água subterrânea. Portanto, as águas dos rios, dos
lagos (e lagoas) e da atmosfera perfazem apenas 0,5 a 3%” (Suguio, 2006, p. 13). Deste
modo, é possível perceber que apenas uma pequena porção pode ser encontrada como água
corrente, importante para suprir as necessidades humanas.
“A água, enquanto recurso natural, realiza três funções ambientais básicas: fornece
insumo ao sistema produtivo, assimila resíduos gerados por diferentes atividades de origem
antrópica, e provê utilidades estéticas e de lazer.”2 Além de se mostrar como um fundamental
recurso para sustentação da vida humana, a água apresenta e, desempenha diferentes papeis
com relação aos ecossistemas e a vida por todo o planeta, sendo assim “a água é vida para as
pessoas e para o planeta. [...] É essencial para a satisfação das necessidades humanas básicas,
para a saúde, a produção de alimentos, a energia e a manutenção dos ecossistemas regionais e
mundiais”3.
1
Ver figura: Anexo A
2
PEARCE, D. W.; WARFORD, J. J. World Without End: economics, environment, and Sustainable
development. Oxford: Oxford University Press, 440 p. 1993 apud NASCIMENTO, N. O.; HELLER, L. Ciência,
Tecnologia e inovação na interface entre as áreas de recursos hídricos e saneamento. XXIII Congresso Brasileiro
de Engenharia Sanitária e Ambiental. Vol. 10 – n°1, janeiro/março 2005, p. 36-48.
3
CASTRO, C. F. A.; SCARIOT, A. A água e os objetivos de desenvolvimento do milênio (p. 99) apud
DOWBOR, L.; TAGNIN, R. A. (Org.) Administrando a água como se fosse importante: Gestão ambiental e
sustentabilidade. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2005. 290 p.
19
_________________________________________________________________________________
Por ser um bem necessário para vida dos homens e de toda Terra as discussões a cerca
dos recursos hídricos vem ganhando força, por relacionarem a qualidade de vida humana e a
qualidade da água. Para Von Sperling (2007, p. 23):
“A qualidade da água é resultante de fenômenos naturais e da atuação do
homem. De maneira geral, pode-se dizer que a qualidade de uma
determinada água é função das condições naturais e do uso e da ocupação
do solo na bacia hidrográfica”.
Assim, por condições naturais, a qualidade da água pode ser afetada por fatores
naturais como escoamento superficial, infiltrações no solo, geologia, assim como pela atuação
do homem com os despejos de efluentes domésticos, industriais e agrícolas, sendo jogados
diretamente ou não na água, afetando a qualidade da mesma. Desta maneira, “a forma em que
o homem usa e ocupa o solo tem uma implicação direta na qualidade da água” (VON
SPERLING, M. 2007, p. 23).
Fonseca (2004) destaca que a preocupação inicial da população com relação à água
estava ligada a fatores como cheiro, paladar, cor e ate mesmo questões religiosas,
evidentemente não são as preocupações observadas nos dias de hoje como: a presença de
metais pesados, às concentrações de matérias orgânicas, à presença de patógenos, entre
outros.
A qualidade da água pode ser influenciada por diversos fatores como: o uso e manejo
do solo, o clima, a vegetação, a topografia, a geologia local, entre outros. Um fator que pode
interferir na qualidade da água é a retirada da cobertura vegetal nas proximidades do rio, a
mata ciliar. Esta retirada contribui para o assoreamento do rio, aumento da turbidez, além de
comprometer a fauna local.
A retirada da mata ciliar pode ainda intervir na temperatura da água, pois, esta é
essencial para a qualidade da água por promover o efeito de sombreamento impedindo
excessivos aquecimentos, “a elevação da temperatura das águas também pode provocar um
aumento na ação tóxica de muitos elementos e compostos químicos, sendo frequente a maior
mortandade de peixes, durante o verão, em águas poluídas”. (FRITZSONS, E. et al. 2005, p.
395)
A falta de preocupação com a utilização desordenada da água e, a falta de
planejamento presente no que diz respeito principalmente com relação ao saneamento básico
e tratamento da água, resulta em sérios problemas que colocam em risco a sobrevivência de
inúmeras espécies incluindo os seres humanos.
20
_________________________________________________________________________________
Através dos avanços provindos da crescente industrialização da sociedade com o
acelerado desenvolvimento de atividades antrópicas, com a ausência de planejamento, a
degradação da qualidade da água, por meio de lançamento de efluentes sem tratamento e uma
utilização inadequada do uso do solo, vem comprometendo a utilização das águas, em
proporções globais. (LOPES, CARVALHO e MAGALHÃES, 2011).
A idéia de que a água é um recurso que esta em constante ameaça e é finito4, vem
trazendo cada vez mais discussões sobre a qualidade dos recursos hídricos juntamente com a
vida das pessoas. Assim, cada vez mais pesquisadores vêm buscando formas de atenuar as
ações humanas sobre o meio ambiente, almejando assim a preservação da qualidade da água e
aumentar a disponibilidade de recursos hídricos.
As diferentes formas encontradas para a utilização da água vêm comprometendo a sua
qualidade. Estas diferentes formas de utilização podem gerar diferentes fontes de poluição
como efluentes domésticos, efluentes industriais e deflúvio superficial urbano e agrícola,
Merten e Minella (2002, p. 34) apontam que:
Os efluentes domésticos, por exemplo, são constituídos basicamente por
contaminantes orgânicos, nutrientes e microorganismos, que podem ser
patogênicos. A contaminação por efluentes industriais é decorrente das
máterias-primas e dos processos industriais utilizados, podendo ser
complexa, devido à natureza, concentração e volume dos resíduos
produzidos. [...] Os poluentes resultantes do deflúvio superficial agrícola são
constituídos de sedimentos, nutrientes, agroquímicos e dejetos animais.
Esta poluição pode ocorrer de diferentes formas, pontual ou difusa5. A poluição
pontual ocorre quando grandes quantidades de dejetos são despejadas no meio ambiente
espacialmente localizados, a poluição difusa ocorre “principalmente pelo deflúvio superficial,
a lixiviação e o fluxo de macroporos que, por sua vez, estão relacionados com as propriedades
do solo como a infiltração e a porosidade” (MERTEN e MINELLA, 2002, p. 35).
De acordo com o discutido sobre a poluição pontual e difusa, Nascimento e Heller
(2005, p. 41) destacam que:
4
A água doce é um recurso considerado finito e essencial para a conservação da vida, enquanto recurso
ambiental renovável é de importância fundamental para a manutenção da vida. A alteração desse recurso pode
contribuir para a degradação da qualidade ambiental, afetando de forma direta ou indireta a saúde, a segurança e
o bem-estar da população, a fauna e a flora, as condições estéticas e sanitárias do meio, as atividades sociais e
econômicas, e a qualidade dos recursos ambientais. O controle da água e de sua poluição é necessário para
assegurar e manter os níveis de qualidade e quantidade de forma harmoniosa com sua utilização.
5
Ver figura: Anexo B
21
_________________________________________________________________________________
Os impactos de natureza química e biológica têm origem em poluição difusa
mobilizada por eventos de precipitação e poluição pontual causada,
sobretudo, por lançamentos indevidos de esgotos sanitários e, em alguns
casos, esgotos industriais, sem tratamento ou com tratamento insuficiente,
nos sistemas de drenagem pluvial ou diretamente nos meios receptores.
Muitos impactos provocados pelo despejo de efluentes podem ser vistos nos córregos
e canais com facilidade. Pode-se citar como exemplo a presença de objetos flutuantes
encontrados em córregos ou lagos corroborando para poluição visual. Estes impactos podem
também intervir no uso da água, afetando o abastecimento, o lazer, entre outras atividades,
tendo em vista a qualidade exigida.
Cabe lembrar e ressaltar que o termo “qualidade de água” não se refere
necessariamente ao estado de pureza, mas sim as suas características físicas, químicas e
biológicas e, é de acordo com estas características que as diferentes utilizações e finalidades
da água são determinadas. Sendo assim uma determinada água pode apresentar determinada
qualidade para um fim específico e ao mesmo tempo ser considerada imprópria para outra
forma de utilização.
Com o aumento com relação à preocupação da qualidade da água, muitos movimentos
de cunho global que visam à sustentabilidade foram intensificados com propostas de reformas
ambientais devido ao aumento da degradação da qualidade da água. Donadio, Galbiatti e
Paula (2005, p. 116) destacam que no Brasil, mesmo a água sendo considerado um recurso
abundante, ainda assim, existem áreas carentes a ponto de serem consideradas um bem
limitado às necessidades do homem.
Normalmente, a sua escassez é muito mais grave em regiões onde o
desenvolvimento ocorreu de forma desordenada, provocando a deterioração
das águas disponíveis, devido ao lançamento indiscriminado de esgotos
domésticos, despejos industriais, agrotóxicos e outros poluentes.
Desta forma, é possível observar também que o problema relacionado à escassez não é
exclusivo de regiões áridas ou semi-áridas. Hespanhol (2003) destaca que muitas regiões com
recursos hídricos abundantes, entretanto insuficientes para satisfazer elevadas demandas,
experimentam e sofrem conflitos e restrições de consumo, interferindo assim, diretamente no
desenvolvimento econômico e na qualidade de vida. Atualmente destaca-se os problemas
associados à degradação da qualidade que reduz a quantidade disponível.
22
_________________________________________________________________________________
Os problemas relacionados à degradação da água levaram a mobilização política e
social em vários países e nos dias de hoje estão entre os principais focos de atenção das
políticas ambientais em nível global (MAGALHÃES Júnior, 2007). E, no Brasil, este tema
vem sofrendo um constante amadurecimento com relação às discussões e reformas no campo
da gestão das águas.
No Brasil o desenvolvimento dos recursos hídricos foi marcado por algumas fases
distintas. No final dos anos 1990, “com um dos arcabouços legais de gestão da água mais
modernos do mundo, processo esse coroado pela Lei 9.433/97 (Constituição Federal de
1997), que estabeleceu a Política Nacional de Recursos Hídricos e o SNGRH (Sistema
Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos)” (MAGALHÃES Júnior, 2007, p.45).
Tucci (2005) apresenta um diagnóstico dos recursos hídricos no Brasil dentro de uma
visão global expondo uma comparação dos períodos de desenvolvimento vividos pelo país6.
Assim, a partir da preocupação com a preservação dos recursos hídricos, pesquisadores
começaram a desenvolver modelos de qualidade de água com o objetivo de planejar,
gerenciar, prever condições futuras, controlar, na função de auxiliar na avaliação da qualidade
de água em um sistema. Pereira (2003b, apud, Pereira, 2004, p. 41) explica que:
Estes modelos se propõem a explicar as causas e efeitos dos processos do
ambiente, diferenciar as fontes antropogênicas das fontes naturais de
poluentes, avaliar a eficiência de programas de gerenciamento ambiental,
determinar o tempo de recuperação de um corpo d’água após a
implementação de um programa de redução de contaminantes, auxiliar em
projetos e desenvolvimento de programas de amostragem de campo e no
estudo em escala de bancada, assim como muitas outras aplicações podem
ser identificadas de acordo com o modelo a ser utilizado.
Quando são utilizados estudos de modelagem da qualidade da água, usualmente buscase avaliar se os cenários ou as medidas de controle estão de acordo com a legislação
ambiental, no Brasil, a legislação de interesse é a Resolução do Conselho Nacional do Meio
Ambiente (CONAMA) 357 de 2005.
A Resolução CONAMA 357/05 dispõe sobre a classificação dos corpos de água e
diretrizes ambientais para o seu enquadramento, bem como estabelece as condições e padrões
de lançamento de efluentes, e dá outras providencias. Assim adotou as seguintes definições e
classificações para as águas Brasileiras: águas doces, águas com salinidade igual ou inferior a
0,05%, águas salobras, águas com salinidade superior a 0,05% e inferior a 3,0%, e águas
6
Ver quadro: Anexo C
23
_________________________________________________________________________________
salinas, águas com salinidade igual ou superior a 3,0%. Em função de seus usos as águas
doces, salobras e salinas são classificadas segundo a qualidade requerida para os seus usos
preponderantes, assim o CONAMA divide essas águas em 13 (treze) classes que devem
corresponder a uma determinada qualidade a ser mantida, atendendo ao princípio de usos
múltiplos da lei das águas de 1997.
.
Assim, observa-se que o resultado da qualidade da água depende diretamente das
ações de uso e ocupação do solo. Desta forma é possível ver que a bacia hidrográfica deve ser
vista como um referencial fundamental à gestão urbana, ordenando o processo de ocupação
do solo (Braga, 2003), como exposto na Legislação Brasileira, para que o avanço da
urbanização não ocorra de forma desordenada e, assim, não provoque ações de degradação
sobre áreas naturais.
2.1
O Urbano
“As cidades são certamente, as construções humanas de maior impacto na superfície
terrestre” (BRAGA, 2003, p. 113). Braga (2003) ainda ressalta que, a urbanização tem o
poder de alterar todos os componentes presentes na paisagem, a fauna, a flora, o solo, o clima,
a hidrografia, tornando assim possível a modificação da paisagem.
Tucci (2004) afirma que: a tendência da urbanização é de ocorrer no sentido de jusante
para montante devido às características de relevo. O curso da água possui uma importante
relação com os seres humanos e os centros urbanos. Esta importância pode ser observada ao
longo da história da humanidade, a localização das cidades se deu preferencialmente junto aos
cursos de água a fim de favorecer suprimento para consumo, higiene, além da facilidade para
despejos e também utilização para navegação e defesa.
Com as constantes alterações no meio ambiente que podem ser percebidas com a
expansão urbana, problemas que provocam mudanças no ciclo hidrológico, relacionadas à
quantidade, a qualidade e ao regime dos cursos de água, podem ser constantemente
observados. Assim alguns impactos negativos provindos da urbanização podem ser
percebidos diretamente no ciclo hidrológico da água7, levando na perda potencial do uso da
água. Estes efeitos culminam e resultam tanto da impermeabilização do solo quanto do
próprio consumo de água em escala urbana. Pode-se perceber ainda que as ações que buscam
7
Ver figura: Anexo D
24
_________________________________________________________________________________
controlar estes impactos, como canalização ou retificação de rios e estações de tratamento de
esgotos, nada mais fazem do que mitigar ou atenuar os problemas como poluição e
inundações, sempre levando-os para jusante (VARGAS, 1999, p. 116).
Um aspecto que pode relacionar o urbano e a água é o abastecimento e a necessidades
do local. Quanto à qualidade e ao regime dos cursos de água podem-se relacionar a carga de
efluentes despejados na água em áreas urbanizadas. Outro aspecto que pode ser levado em
consideração é a retirada da cobertura vegetal do solo, que interfere diretamente no ciclo
hidrológico, influenciando no sistema de drenagem e captação de água no solo, podendo
causar enchentes no meio urbano. Neste sentido Braga (2003, p.125), destaca que:
É fundamental a integração entre as políticas de gestão de recursos hídricos e
de gestão do uso e ocupação do solo urbano. Tanto no sentido de coibir os
processos de degradação dos mananciais, como no de se evitar, ou atenuar,
os problemas urbanos decorrentes do desequilíbrio do regime hidrológico
urbano.
O quadro de alteração presente nos recursos hídricos, no meio urbano, além de
ocasionar problemas associados a enchentes e a degradação da qualidade da água,
principalmente para consumo humano, interfere também diretamente no uso e ocupação
inadequados do solo, principalmente com relação as descargas de efluentes tanto domésticos
quanto industriais.
Problemas como a falta de tratamento de esgoto, a ocupação próxima do leito de
córregos, o acumulo de resíduos sólidos, a impermeabilização e a canalização de rios e
córregos nos centros urbanos, as inundações, podem trazer alterações na qualidade de vida e
no meio ambiente dos centros urbanos. E ainda, podem repercutir sobre os diversos usos da
água e ainda usos do solo, pois a contaminação do solo muitas vezes pode estar diretamente
ligada à contaminação da água. Estes impactos podem interferir diretamente na agricultura, no
abastecimento da população e, ainda na forma de reutilização da água.
Tucci (2004, p. 61) expõe uma comparação dos cenários de desenvolvimento dos
aspectos da água no meio urbano entre países desenvolvidos e o Brasil8, mostrando como a
infra-estrutura dos países desenvolvidos esta em um estágio mais avançado se comparado
com o Brasil, desde questões como abastecimento de água até se tratando de inundações. Isto
mostra como o Brasil tem ainda que desenvolver estruturas e técnicas mais avançadas para os
aspectos que relacionam a água no país.
8
Ver quadro: Anexo E
25
_________________________________________________________________________________
A reutilização da água, que sempre foi muito empregada em regiões áridas e
semiáridas devido às características das mesmas, ultimamente tem sido empregada nos
grandes centros urbanos, devido principalmente a problemas de escassez. A grande
concentração urbana ligada ou não as concentrações industriais e a agricultura intensificada,
vem proporcionando este problema de escassez. Cutolo (2009, p. 44) destaca que:
A caracterização sanitária da qualidade das águas de reuso é necessária para
a segurança biológica e química, e de acordo com os vários tipos de
aplicações. Assim, os parâmetros mais utilizados no monitoramento da
qualidade de água, principalmente nas estações de tratamento de esgotos
domésticos, são demanda bioquímica de oxigênio (DBO), demanda química
de oxigênio (DQO), sólidos totais (ST), sólidos suspensos totais (SST),
nutrientes (nitrogênio e fósforo), coliformes totais e termotolerantes (MMA,
2005).
O Brasil ainda emprega pouco a pratica de reutilização, por falta de politicas públicas
nesse sentido. Entretanto, Nascimento & Heller (2005, p. 40 e 41) destacam diversas maneiras
para reutilização da água tanto de origem doméstica (irrigação de parques e jardins públicos
ou privados, alimentação de fontes e espelhos d’água, reserva de proteção contra incêndio,
descargas sanitárias, lavagem de veículos), quanto de origem industrial e agrícola (processos
industriais diversos, torres de resfriamento, produção de vapor, construção civil, entre outros,
e em meio rural, o reuso é empregado em irrigação e aqüicultura).
Podem ser observados benefícios ambientais e à saúde pública com um adequado
planejamento para reuso da água como a preservação dos recursos subterrâneos, permitindo
assim a conservação do solo, evitando a descarga de esgoto nos corpos de água, entre outros.
Hespanhol (2003, p. 422) aponta que,
No Brasil, os governos estaduais e federais deveriam iniciar, imediatamente,
processos de gestão para estabelecer bases políticas, legais e institucionais
para o reuso, tanto em relação aos aspectos associados diretamente ao uso de
afluentes, como aos planos estaduais ou nacionais de recursos hídricos.
Desta forma, para iniciativas de reutilização dos recursos hídricos nos grandes centros
urbanos é necessário iniciativas de crescimento econômico, políticas públicas, programas e
pesquisas que visam à caracterização dos problemas de escassez, da demanda de
abastecimento, os riscos a saúde e ao meio ambiente, o custo benefício da reutilização ou não
da água. Estas são algumas iniciativas que, juntamente com um trabalho de conscientização
da população, podem auxiliar e muito na reutilização da água (TUCCI, 2004).
26
_________________________________________________________________________________
Vendo o recurso hídrico como um centro de debate sobre a qualidade de vida humana,
tem-se em jogo uma maior preocupação da população no geral, pois, entra em questão o modo
de vida das pessoas. Pompêo (2000) e Hardt & Coelho (2003) (apud, Silva Junior; Chagas
Coelho. 2005, p. 23) destacam que:
O Estatuto da Cidade (Lei nº 10.257/2001) e a Política Nacional de Recursos
Hídricos (Lei nº 9.433/97) são exemplos de diretrizes norteadoras que
trazem no seu escopo uma série de instrumentos que devem ser efetivamente
aplicados, conjuntamente, objetivando o desenvolvimento urbano num
contexto mais amplo, abrangendo o planejamento integrado dos recursos
naturais.
Neste sentido, a água como recurso natural deve ser conservado e a urbanização, vista
como um fator que auxilia na degradação do recurso hídrico deve ser disposto em uma ordem
em que a preservação da água seja vista como fator primordial para que os problemas com a
degradação e a qualidade da água sejam enfim sanados. Assim é necessário apontar questões
que tratam em conjunto os recursos hídricos e a urbanização, que abordem questões de
planejamento de uso e ocupação do solo juntamente com as diversas utilizações da água.
2.2
Parâmetros de Qualidade da Água
A qualidade da água pode ser identificada através de seus diferentes usos e,
representada por diversos parâmetros. As características físicas, químicas e biológicas
encontradas na água, auxiliam na determinação de sua qualidade. Dentre as características
físicas presentes na água, podemos encontrar a Temperatura (°C), Densidade, Sólidos Totais –
Sólidos Dissolvidos e Sólidos em Suspensão, Turbidez, Tensão Superficial, Oxigênio
Dissolvido (OD), Condutividade Elétrica (CE), Viscosidade, cor, odor e sabor.
É possível descrever dentre as características químicas encontradas na água o
Potencial Hidrogeniônico (pH), Alcalinidade, Dureza, Acidez, Oxigênio Dissolvido,
Salinidade, Conteúdo Iônico e Corrosividade. As características Químicas podem ser
divididas em orgânicas e inorgânicas. Ribeiro (2007, p. 27) destaca que:
Os inorgânicos incluem o Oxigênio dissolvido, pH – potencial
hidrogeniônico(acidez/alcalinidade), Metais alcalinos, Metais alcalinos –
ferrosos, Carbono inorgânico, Sulfatos, Sulfetos, Cloretos, Metais pesados,
Cianetos, Fenóis, Fósforo, Enxofre e Nitrogênio. Os fatores químicos
orgânicos estão subdivididos em Biodegradáveis, (o Hidrato de Carbono,
Graxas e Proteínas) e Não-Biodegradáveis que incluem os hidrocarbonetos,
27
_________________________________________________________________________________
Pesticidas, alguns Detergentes, Produtos petroquímicos, Espumas, Óleos,
Graxas, Fenóis e Cianetos. Além destes tem-se Demanda química de
oxigênio (DQO) e Carbono Orgânico Total (COT) e a avaliação dos
Nutrientes.
A principal fonte de matéria orgânica nas águas naturais são as descargas de esgotos
sanitários e, grande parte dos municípios no Brasil não possui sistema de tratamento para o
esgoto. Os parâmetros orgânicos são muito utilizados para caracterização de corpos de água.
Muitos micropoluentes orgânicos, “em determinadas concentrações, são tóxicos para os
habitantes dos ambientes aquáticos, para os consumidores da água e para os microrganismos
responsáveis pelo tratamento biológico dos esgotos” (VON SPERLING, 2007, p. 36).
Além
dos
esgotos
sanitários,
muitos
efluentes
industriais
são
também
predominantemente orgânicos, e podem ser encontrados de forma natural: vegetais com
madeira (celulose, fenóis) e também de forma antropogênica através do processamento e
refinamento do petróleo, utilização de defensivos agrícolas, despejos industriais (efluentes de
indústrias), detergentes, entre outros. Os defensivos agrícolas, alguns tipos de detergentes e
uma grande parte de produtos químicos são exemplos de compostos orgânicos que, mesmo
em pequenas concentrações, podem causar problemas relacionados à toxidade (PERPETUO,
2011; VON SPERLING, 2007) .
Quanto aos inorgânicos Von Sperling (2007) evidencia que grande parte são tóxicos.
Dentre os principais parâmetros inorgânicos comumente analisados, deve-se dar um destaque
especial para os metais.
Os metais com maior potencial tóxico aos animais superiores e às plantas são: arsênio,
mercúrio, cádmio, chumbo e cobalto. Santos (2005, p.12) aponta que: “todos estes elementos
menores, incluindo os chamados metais pesado são potencialmente nocivos à saúde
humana”.. Entretanto, muitos metais em baixas concentrações são nutrientes essenciais para o
crescimento de seres vivos, ressalta Von Sperling (2007).
“Aliados à toxicidade, esses metais tendem-se a potencializar na cadeia trófica; vale
afirmar, a concentração eleva-se à medida que se ascende na cadeia alimentar” (LIBÂNIO,
2008, p.41). As principais origens antropogênicas dos micropoluentes inorgânicos provem de
atividades mineradoras e de garimpos, atividades agrícolas e, atividades e despejos
industriais.
Dentro das características físicas, químicas e biológicas, alguns fatores de análise são
determinados seja pelo seu uso freqüente ou maior relevância encontrada nos padrões e
índices de qualidade de água, pode-se destacar a turbidez, a condutividade elétrica (CE), a
28
_________________________________________________________________________________
cor, os sólidos totais dissolvidos (STD), a temperatura (ºC), o Oxigênio Dissolvido (OD) e o
potencial hidrogeniônico (pH).
A Turbidez esta relaciona a aparência turva na água. A turbidez indica o nível de
interferência que a luz sofre ao passar pela água, devido aos sólidos e coloides em suspensão.
LIBÂNIO (2008, p. 22 e 23) destaca que a turbidez:
Originalmente, constituía-se em um parâmetro de natureza limnológica que
inferia a profundidade de penetração da luz no corpo d’água (Burlingame;
Pickel; Roman, 1998). Posteriormente, segundo American Public Health
Association (APHA; WEF, 1998), a turbidez passou a ser definida como
expressão da propriedade óptica que faz a luz ser dispersa ou absorvida em
vez de ser transmitida em linha reta através da amostra. Portanto, águas de
mesma magnitude de turbidez podem apresentar partículas suspensas com
características diferentes – em termos de tamanho, composição e forma –, de
modo que os tipos de partículas hão de inferir na transmissão da luz.
Para WETZEL (2001, apud Alcântara, 2007) a turbidez representa uma propriedade
visual da água que possui como característica a redução ou a falta de luz na coluna de água
pela presença de partículas suspensas. Desta forma, a turbidez é causada pela presença de
materiais em suspensão na água.
Guimarães-Silva et al (2007) destacam que: “Altos valores de turbidez podem
ocasionar aumento de temperatura, redução da luz disponível para as plantas com alteração na
fotossíntese, além de interferir nos usos doméstico, industrial e recreacional de um corpo
d’água”. Estes valores elevados de turbidez podem ainda influenciar nas comunidades
biológicas aquáticas, reduzindo a fotossíntese de vegetação enraizada submersa e algas, que,
por sua vez, pode suprimir a produtividade de peixes.
Além de ocorrer de forma natural pelo transporte de partículas da rocha, silte e argila,
ela também pode ser causada por lançamento de efluentes domésticos e industriais. Um
exemplo típico da ação antrópica que provocam a elevação da turbidez são as atividades de
mineração, levando a formação de bancos de lodo em rios e alterações no ecossistema
aquático (CETESB, 2009).
LIBÂNIO (2008, p.23) relata que “grande parte das águas de rios brasileiros é
naturalmente turva em decorrência das características geológicas das bacias de drenagem, de
altos índices pluviométricos e do uso de práticas agrícolas muitas vezes inadequadas”. Assim
a turbidez dos corpos de água no Brasil são particularmente elevadas em regiões com solos
erodíveis, em que as precipitações podem carrear partículas de areia, silte, argila, fragmentos
de rocha e óxidos metálicos do solo.
29
_________________________________________________________________________________
Dezotti (2008) explica que as principais causas da turbidez em um efluente são o
material orgânico e inorgânico finamente divididos, presença de material sólido em
suspensão, algas e microorganismos e, ainda destaca que a cor do efluente pode intervir
negativamente na medida da turbidez, devido à sua propriedade de absorver a luz.
A Condutividade Elétrica (CE) é o parâmetro que, “indica a capacidade da água
natural de transmitir a corrente elétrica em função da presença de substâncias dissolvidas que
se dissociam em ânions e cátions, sendo, por consequência, diretamente proporcional à
concentração iônica” (LIBÂNIO, 2008, p.29).
Parra (2006) afirma que a água quimicamente pura, possui uma condutividade elétrica
muito baixa, se tornado um bom isolante, entretanto, ao se adicionar uma pequena quantidade
de minerais, ela se torna condutora. Por refletir a quantidade de material dissolvido, a
condutividade elétrica, pode ser utilizada como parâmetro de avaliação das modificações na
composição total das águas. “A condutividade da água aumenta à medida que mais sólidos
dissolvidos são adicionados. Altos valores podem indicar características corrosivas da água”
(CETESB, 2009, p. 9).
A cor é o parâmetro resultante de substâncias dissolvidas na água. Magalhães (2008)
aponta que existe a cor natural, resultante da decomposição da matéria orgânica e de minerais
como ferro e manganês e, a cor artificial resultante da poluição, proveniente de efluentes
domésticos, industriais e agrícolas. “A cor de uma amostra de água está associada ao grau de
redução de intensidade que a luz sofre ao atravessá-la [...], devido à presença de sólidos
dissolvidos, principalmente material em estado coloidal orgânico e inorgânico” (CETESB,
2009, p. 3).
Libânio (2008, p. 21) ressalta que a cor ganhou importância como parâmetro de
qualidade da água, “após a confirmação, no início da década de 1970, da perspectiva de
formação de produtos potencialmente cancerígenos (trihalometanos – THM) como
consequência da cloração de águas coloridas com a finalidade de abastecimento”.
Vale lembrar que o maior problema com relação à coloração da água é estético, pois
normalmente a população a rejeita. Cabe ainda destacar que existe a poluição da água
associada à cor que não apresentam contaminantes visíveis, ou seja, que não apresentam
coloração na água, o que pode acarretar em risco para saúde da população e de diversas
espécies que estão em contato com esta água.
O parâmetro Sólidos Totais Dissolvidos (STD) corresponde ao peso total dos
constituintes minerais presentes na água por unidade de volume, “são constituídos
principalmente por carbonatos, bicarbonatos, cloretos, sulfatos, fosfatos e possivelmente
30
_________________________________________________________________________________
nitratos de cálcio, magnésio e potássio, além de pequenas quantidades de ferro, magnésio e
outras substâncias” (PARRA, 2006, p. 65). A quantidade de STD nos corpos de água pode
variar, diminuindo por diluição, ou aumentar devido acréscimo de despejos industriais e
devido à chuva que também pode promover o acumulo de STD pela erosão e, pelo deflúvio
agrícola e urbano com o carreamento de partículas.
Não se pode negar a correlação existente entre a Turbidez Condutividade e os STD,
pois, estes parâmetros referem-se à mesma característica: “a de concentração de partículas
suspensas presentes na massa líquida, e apresentam significados semelhantes em termos de
qualidade de água” (LIBÂNIO, 2008, p. 22). Dezotti (2008, p. 37) ainda explica que os STD
podem ser de natureza orgânica ou inorgânica:
a) Orgânica: estes sólidos podem, quando passíveis de oxidação, reduzir a
concentração de oxigênio dissolvido no corpo receptor e podem ainda
emprestar ao corpo receptor odor e sabor.
b) Inorgânica: sais inorgânicos estão, invariavelmente, presentes nos
efluentes e dessa forma podem acarretar corrosão na tubulação e
equipamentos e formação de depósito de óxidos insolúveis.
Assim muitos compostos orgânicos não são biodegradáveis, ou seja, são resistentes a
degradação biológica, destacando um grande número de produtos químicos, defensivos
agrícolas e alguns tipos de detergentes.
O parâmetro que corresponde à temperatura indica a medição da intensidade de calor
presente no corpo de água. “A temperatura é diretamente proporcional à velocidade das
reações químicas, à solubilidade das substâncias e ao metabolismo dos organismos presentes
no ambiente aquático” (LIBÂNIO, 2008, p.19). A variação da temperatura esta presente nos
corpos de água naturais apresentando variações sazonais e diurnas e, a temperatura superficial
é influenciada por fatores como altitude, latitude, estação do ano, período do dia (CETESB,
2009).
As formas mais comuns de alteração da temperatura da água podem ocorrer de
maneira natural ou antropogênica, de origem natural pode acontecer principalmente por
insolação, transferência de calor por radiação, condução e convecção, e de origem
antropogênica, por despejos industriais e águas de resfriamento de torres de caldeiras. A
temperatura desempenha um importante papel no meio aquático. Branco e Rocha (1977, apud,
Fritzsons et al, 2005, p.396) destacam que:
31
_________________________________________________________________________________
O lançamento de efluentes industriais aquecidos, tais como água de
refrigeração de caldeiras e turbinas, provoca poluição térmica nos rios,
podendo afetar diretamente a flora e fauna aquáticas e, devido à diminuição
da concentração de OD (oxigênio dissolvido), agravar o problema de
poluição.
Elevações de temperatura aumentam a taxa de transferência de gases e também
aumentam a taxa das reações biológicas e químicas, pois, elevam a atividade bacteriana
consumidora de oxigênio. “A temperatura é inversamente proporcional à solubilidade dos
gases, de modo que quanto maior é a temperatura da água, menor é sua capacidade em reter
gases” (ATKINS, 1978, apud PARRA, 2006, p.63).
O Oxigênio Dissolvido (OD) relaciona-se a redução de substâncias orgânicas e a
intensidade de autodepuração. O oxigênio dissolvido é o principal parâmetro que caracteriza a
poluição da água por despejos orgânicos. Von Sperling (2007, p. 28) evidencia que:
O oxigênio dissolvido (OD) é de essencial importância para os organismos
aeróbios (que vivem na presença de oxigênio). Durante a estabilização da
matéria orgânica, as bactérias fazem uso do oxigênio nos seus processos
respiratórios, podendo vir a causar uma redução da sua concentração no
meio. Dependendo da magnitude deste fenômeno, podem vir a morrer
diversos seres aquáticos, inclusive os peixes. Caso o oxigênio seja
totalmente consumido, tem-se as condições anaeróbias (ausência de
oxigênio), com possível geração de maus odores.
As variações presentes no oxigênio dissolvido estão diretamente associadas aos
processos químicos, biológicos e físicos que ocorrem na água. A eutrofização, em que
crescimento excessivo de plantas aquáticas por excesso de nutrientes como nitrogênio (N) e
fosforo (P), presentes nos efluentes, favorecem para elevação de plantas aquáticas no curso de
água e, em condições anaeróbias elevadas podem acarretar na mortandade de peixes e
interferir prejudicando o tratamento da água.
O Oxigênio Dissolvido pode ser considerado um dos fatores mais relevantes para a
determinação da qualidade da água devido à grande parte da fauna presente na água depender
do oxigênio dissolvido na água. Assim, os níveis de oxigênio dissolvido também indicam a
capacidade de um corpo hídrico em manter a vida aquática (CETESB, 2009). Então “deve ser
considerado como um agente poluente todas as substâncias e/ou condições que, direta ou
indiretamente, interferem com a redução da concentração do oxigênio dissolvido do corpo
receptor” (DEZOTTI, 2008, p. 35-36).
Segundo Von Sperling (2007, p. 34) o Potencial Hidrogeniônico (pH) “representa a
concentração de íons hidrogênio H+ (em escala antilogatítmica), dando uma indicação sobre a
32
_________________________________________________________________________________
condição de acidez, neutralidade ou alcalinidade da água”. Este parâmetro é importante no
meio aquático, pois, é capaz de determinar a dissolução, a precipitação, oxidação e redução de
várias substâncias (Bour &Loch, 1995; Gill, 1996; Weiner, 2000 apud Guimarães-Silva et al,
2007).
“O pH influi no grau de solubilidade de diversas substâncias, na distribuição das
formas livre e ionizada de diversos compostos químicos, definindo inclusive o potencial de
toxicidade de vários elementos” (LIBÂNIO, 2008, p.30). Desta forma o pH baixo (pH < 7)
indica condições ácidas na água, o pH neutro (pH = 7) indica neutralidade na água e, o pH
alto (pH > 7) indica condições básica na água.
As alterações no pH podem ocorrer de forma natural ou antropogênica. De forma
natural, pode ocorrer através da fotossíntese, dissolução de rochas, oxidação da matéria
orgânica e, absorção de gases da atmosfera. E por meio antrópico, pode ocorrer através de
despejos e efluentes domésticos e industriais.
A avaliação da qualidade da água compreende uma serie de parâmetros cuja escolha
para analise nas diversas pesquisas envolvem principalmente o objetivo do trabalho e recursos
disponíveis.
33
_________________________________________________________________________________
3.0
LOCALIZAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO REGIONAL DA ÁREA
A área em estudo localiza-se no município de Ouro Preto (MAPA 1), segundo a
regionalização do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), pertencente à
macrorregião metropolitana Campo das Vertentes, e mesorregião Metropolitana de Belo
Horizonte, uma das regiões economicamente mais ricas do estado, por se localizar na área do
Quadrilátero Ferrífero, em que “possui uma grande quantidade de minério de ferro itabirítico
e hematítico de alto teor, isto é, possuem alta concentração de hematita, são, portanto muito
valorizados pela indústria metalúrgica, pois rende maior extração de ferro puro por tonelada
de minério” (MOURA, 2010, p.25), importante produto para economia do estado.
O município, por sua vez, está inserido na microrregião de Ouro Preto, que
abrangendo os municípios de Mariana, Itabirito e Diogo de Vasconcelos.
MAPA 1 – Mapa de localização do município de Ouro Preto inserido na Microrregião de Ouro Preto e
na Mesorregião Metropolitana de Belo Horizonte.
34
_________________________________________________________________________________
Da Capital Belo Horizonte, o acesso é feito pela BR 040 sentido Rio de Janeiro e a BR
356 – Rodovia dos Inconfidentes. A distância entre a cidade de Ouro Preto e a capital Belo
Horizonte é de aproximadamente 100 km.
A cidade de Ouro Preto apresenta uma altitude média de 1 179 metros e é famosa por
sua arquitetura colonial, presente dos colonizadores portugueses, sendo a primeira cidade
brasileira a se tornar Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade, na década de 80.
A bacia hidrográfica do Córrego Tripuí, área em estudo, possui sua nascente e a maior
parte do percurso de seu córrego localizado no município de Ouro Preto sendo a foz
localizada no distrito de Passagem de Mariana, pertencente ao município de Mariana. Como
grande parte da bacia9 do Córrego pertence ao município de Ouro Preto, para a caracterização
da área considerou a maior proporção da bacia pertencente ao município de Ouro Preto.
3.1
Aspectos Demográficos
As características demográficas de qualquer população são indispensáveis para sua
organização e seu planejamento, pois é praticamente impossível descrever uma sociedade sem
que se saibam as informações sobre as pessoas que a compõem. Desta forma, é preciso ter
conhecimento da composição da população, para só assim poder planejar sobre o futuro
conhecendo então a estrutura da sociedade. Todas estas características demográficas
influenciam em um apropriado controle de demanda e abastecimento de água e energia para a
população, um adequado planejamento urbano, educação, saúde, dentre outras atividades
essenciais.
De acordo com o Senso realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), no ano de 2010, população total do município era de 70 281 habitantes. A tabela 1
apresenta como está distribuída a população no município.
9
Destaca-se a questão do uso da bacia hidrográfica como unidade de planejamento e gestão. “A vantagem é
que a rede de drenagem de uma bacia consiste num dos caminhos preferenciais de boa parte das relações causa
efeito, particularmente aquelas que envolvem o meio hídrico. As desvantagens são que nem sempre os limites
municipais e estaduais respeitam os divisores da bacia e, conseqüentemente, a dimensão espacial de algumas
relações causa-efeito de caráter econômico e político.”(LANA, 1995, p. 63)
35
_________________________________________________________________________________
TABELA 1 – Distribuição da População no Município de Ouro
Preto de acordo com o senso demográfico de 2010.
População Residente
Número de Pessoas
População Residente Urbana
61.120
População Residente Rural
9.161
Homens
34.277
Homens na área urbana
29. 530
Homens na área rural
4.747
Mulheres
36.004
Mulheres na área urbana
31.590
Mulheres na área rural
4.414
Fonte: IBGE, 2010.
As características da distribuição da população podem influenciar na distribuição e
utilização de muitos recursos e que podem interferir em políticas de desenvolvimento social,
econômico e ambiental que favoreçam ou não a população. A concentração da população no
meio urbano é um exemplo, que pode influenciar de forma positiva ou negativa na demanda
de água e no potencial de poluição.
3.2
Aspectos Geológicos
O município está inserido no Quadrilátero Ferrífero, representando uma região do PréCambriano, localizado na região central de Minas Gerais, entre as coordenadas 19°45’ a
20°30’S e 44°30’ a 43°01’W, envolvendo uma área de aproximadamente 7.200 km2. Scliar
(1992, p. 36 apud Silva, 2007, p. 42) afirma que “o Quadrilátero Ferrífero de Minas Gerais foi
assim denominado por Gonzaga de Campos, devido à configuração ‘planimétrica
quadrangular’ dos maiores depósitos de minério de Ferro, que aparece nas principais
elevações que delimitam a região”.
Almeida (1977, apud Silva, 2007) aponta que do ponto de vista geotectônico o
Quadrilátero se insere no limite meridional do Cráton do São Francisco, que corresponde a
uma unidade tectônica de idade arqueana retrabalhada durante o Ciclo Brasiliano. O
Quadrilátero Ferrífero é formado por quatro unidades litoestratigráficas, que são
caracterizadas da base para o topo: o Embasamento Cristalino, Supergrupo Rio das Velhas,
Supergrupo Minas e o Grupo Itacolomi (Alves, 2001; Silva, 2007; Parra, 2006).
O embasamento Cristalino é constituído pelas rochas mais antigas do Quadrilátero
Ferrífero. É composto por diversos complexos metamórficos, geralmente, periféricos e
supracurstais. (Parra, 2006).
36
_________________________________________________________________________________
O Supergrupo Rio das Velhas é composto “por uma sequência vulcano-sedimentar
arqueana, tipo greenstone belt, com idade aproximada entre 2,7 e 2,8 bilhões de anos, que se
encontram sobrepostas em discordância com o embasamento cristalino” (Machado et al.,
1992, apud Silva, 2007, p. 46). Sua litologia é representada por basaltos e komatitos, rochas
sedimentares, lavas riolíticas e rochas vulcanoclásticas (Ladeira, 1980, apud Silva, 2007) e, é
principalmente constituído por filitos e xistos, representando uma área de relevo de cristais,
com vales encaixados e vertentes ravinadas. Dorr et al., (1957, apud Parra, 2006) subdivide
este supergrupo em dois grupos: o Grupo Nova Lima e o Grupo Maquiné.
O Supergrupo Minas é o que ocupa a maior parte do município de Ouro Preto. Tratase de uma sequência metassedimentar de idade paleoproterozóica (Babinski et al., 1991 apud
Parra, 2006), “que repousa em nítida discordância erosiva e angular sobre as rochass do
Embasamento Cristalino ou do Supergrupo Rio das Velhas” (Dorr II, 1969; Alkmim &
Marshak, 1998 apud Silva, 2007). Este Supergrupo é constituído por itabiritos e quartzitos,
caracterizado pela presença de cristais arestosas, em que a desigual resistência à erosão
determina a existência de uma topografia acidentada. O supergrupo Minas é subdividido da
base para o topo em quatro grupos: Sabará, Itabira, Caraça e Piracicaba.
O Grupo Itacolomi superpõe-se ao Supergrupo Minas e ocupa uma pequena extensão
do território, sendo mais comum no Pico do Itacolomi, Serra de Ouro Branco e no Morro do
Frazão (Silva, 2007). “Esta unidade está representada por quartzitos, quartzitos
conglomeráticos e lentes de metaconglomerados com seixos de itabiritos, filitos, quartzitos e
quartzo de veio, depositados em um ambiente litorâneo ou deltaico” (Dorr II, 1969 apud
Parra, 2006, p. 11).
3.3
Aspectos Geomorfológicos
O município de Ouro Preto está inserido na área do Quadrilátero Ferrífero, limitandose as serras do Itacolomi, de Ouro Branco, do Caraça e da Moeda. “Essas serras caracterizamse por suas escarpas abruptas e seus fortes desnivelamentos (Mapa, 1980, apud Alves, 2001,
p.44)”.
De acordo com Gomes et al (1998) a cidade de Ouro Preto está estabelecida em um
grande vale limitado pelas serras de Ouro Preto a norte e Itacolomi a sul, em que corre o
Ribeirão do Funil (Córrego Tripui), em estudo neste trabalho. A morfologia local pode ser
descrita por altas montanhas de desenvolvimento linear, com altitudes diversas e vales
alongados, muitas vezes bem encaixados. Regiões escarpadas são comuns em toda a área
37
_________________________________________________________________________________
urbana. Próximo de 40% da área urbana possui feições com declividade entre 20 a 45%, e
30% da área com declividade entre 5 a 20%.
Vertentes bem íngremes e vales profundos e encaixados determinam os traços
presentes no relevo, e apresentam a submissão deste à geologia local. A Serra de Ouro Preto
representa o flanco sul de uma grande estrutura regional conhecida com Anticlinal de
Mariana, e é o divisor de duas grandes bacias de drenagem regionais, do rio das Velhas e do
rio Doce, a cidade estando nas cabeceiras deste último rio, “A malha urbana estende-se
ocupando tanto o vale principal, como as vertentes e contrafortes das serras, principalmente a
Serra de Ouro Preto”, (Pinheiro et al, 2004, p. 89). Alves (2001, p. 45) ainda destaca que:
No Quadrilátero encontram-se as nascentes do Rio das Velhas, da drenagem
do Rio São Francisco, bem como as nascentes do Rio Piracicaba, um dos
principais afluentes do Rio Doce. O condicionamento estrutural do relevo é
marcante nessa unidade, e determinou a existência de formas de relevo
invertido do tipo sinclinal, suspenso e anticlinal esvaziado, elaboradas sobre
estruturas dobradas. São comuns também as cristas estruturais do tipo
“hogback” (monoclinal) e extensos escarpamentos erosivos, muitos dos
quais condicionados por linhas e falhas. Entre as rochas não controladas pela
estrutura, predominam as cristas com vertentes e vales encaixados, e as
colinas com vales de fundo chato (CETEC, 1983).
Desta forma, os cursos dos rios se encontram muito influenciados pela estrutura das
rochas, principalmente na área que se encontra a bacia do Rio das Velhas em que as
diferenças de níveis no relevo são mais comuns, porções centro-sul e norte, comumente
aparecem vales profundos e encaixados e trechos encachoeirados. A Bacia do Córrego Tripui
é um dos contribuintes indiretos da Bacia do Rio Doce, o alto curso localiza-se próximo a
serra de ouro Preto e a drenagem apresenta forte controle estrutural.
3.4
Clima
O município de Ouro Preto apresenta um clima tropical de altitude úmido com elevada
pluviosidade, característico das regiões montanhosas. De acordo com Magalhães et al (2010),
a precipitação média anual do município é de 2.018 mm distribuídos de forma irregular, e
com concentrações encontradas entre os meses de outubro a março.
Pinheiro (2004, p. 89) aponta que os verões são suaves e os invernos chegam a
registrar temperaturas negativas, e possui uma temperatura média anual de 17,4 °C. Segundo
Carvalho (1982, apud Pinheiro et al, 2004, p. 90) “as características básicas são de um clima
38
_________________________________________________________________________________
tropical de montanha, em que a baixa latitude é compensada pela altitude e conformação
orográfica regional”.
3.5
Cobertura Vegetal
Pedralli et al (1997, p. 192) apresenta sobre a ótica de vários autores como eles
denominam a vegetação presente na região do município de Ouro Preto. Veloso (1966, apud
PEDRALLI et al, 1997, p. 192) encaixa a região na área das “florestas estacionais
semideciduais”, esclarecendo que o “conceito deste tipo de vegetação está condicionado pela
dupla estacionalidade climática, uma tropical, com época de intensas chuvas de verão, seguida
por estiagens acentuadas, e outra subtropical, sem período seco, mas com seca fisiológica
provocada pelo intenso frio de inverno, com temperaturas médias inferiores a 15 °C”.
Ab’Saber (1977) enquadra a região na área de transição entre os “Domínios da
Floresta Atlântica e dos Cerrados” no seu mapa dos Domínios Morfoclimáticos da América
do Sul.
De acordo com o IBGE (1992, apud PEDRALLI et al, 1997, p. 192), a região de Ouro
Preto esta no Domínio da formação “Floresta Estacional Semidecidual Submontana”. As
formações de campos rupestres se apresentam em grande proporção no município. Grande
parte da vegetação cresce sobre ou entre as rochas, ou em solo raso, pedregoso ou arenoso.
Lemes (2009, p. 1) destaca que os Campos Rupestres apresentam:
... diferentes fitofisionomias em função da topografia, natureza do substrato,
profundidade do solo e microclima (Conceição & Giulietti, 2002). [...]
Almeida (2008) classificou a vegetação dos campos rupestres quartzíticos
em dois grandes grupos: os campos, onde predominam espécies herbáceas
que crescem sobre um solo arenoso; e os afloramentos rochosos, onde
predominam arbustos e subarbustos que crescem nas fendas das rochas ou
nas pequenas depressões onde ocorre deposição de areia e outros
sedimentos.
A cobertura vegetal passou por intenso processo de degradação ao longo dos anos.
Desde o período colonial vivenciado pelo município com a exploração de ouro dando início
assim a degradação da cobertura vegetal presente na região, até os dias atuais, com o intenso
processo de mineração e exploração dos minerais encontrados principalmente na região que
corresponde ao Quadrilátero Ferrífero. A chegada das indústrias foi outro fator que favoreceu
39
_________________________________________________________________________________
para este processo de degradação da cobertura vegetal. Desta forma é possível observar que
em todo estado de Minas foram estabelecidas dentro da política de preservação ambiental
algumas Unidades de Conservação.
O mapa 2 apresenta o estado de Minas Gerais, destacando as principais coberturas
vegetais encontradas no município e as Unidades de Preservação e Conservação presentes na
cidade de Ouro Preto segundo o IEF.
MAPA 2 – Mapa da vegetação do Município de Ouro Preto, áreas e unidades de preservação e
conservação do município.
A área em estudo, Bacia do Córrego Tripuí, apresenta a Estação Ecológica do Tripuí,
no seu entorno, descrita no Mapa 2.
40
_________________________________________________________________________________
3.6
Aspectos Hidrográficos
O município de Ouro Preto abriga a nascente do rio das Velhas localizado na
Cachoeira das Andorinhas, sendo um dos maiores afluentes do Rio São Francisco. Abrigam
também as nascentes dos rios Piracicaba (Bacia do Doce), Gualaxo do Norte, Gualaxo do Sul,
Mainart e Ribeirão Funil. Alves (2001, p.45), aponta que:
A Bacia do Rio Doce ocupa a maior parte da área do município, sendo
representada pelos rios Mainart, Piracicaba e Gualaxo. A sede é banhada
pelo Ribeirão Funil, formador do Rio do Carmo. Foi no seu afluente,
denominado Córrego Tripuí, situado a pequena distância da cidade, que se
descobriram os “granitos cor de aço” responsáveis pelo povoamento, pelo
desenvolvimento inicial e pela própria denominação do município (MAPA,
1980).
A bacia hidrográfica em estudo, Córrego Tripuí, é um dos afluentes do Rio do Carmo,
afluente do Rio Gualaxo do Sul, uma das sub-bacias da Bacia do Rio Doce. O Rio Gualaxo do
Sul apresenta confluência com o Rio Gualaxo do Norte, localizado próximo a sede municipal
de Barra Longa (Mariana), em que a partir deste segmento tem-se a confluência com o Rio
Piranga dando assim origem ao Rio Doce. (MAPA 3). De acordo com a regionalização do
Instituto de Gestão de Águas (IGAM) por Unidade de Planejamento e Gestão de Recursos
Hídricos (UPGRH) a área em estudo está inserida na Unidade de Planejamento da Bacia do
Rio Doce 1 (DO1) no alto curso.
41
_________________________________________________________________________________
MAPA 3 – Mapa do contexto hidrográfico do Município de Ouro Preto – Minas Gerais.
Localmente, destaca-se a denominação de Córrego Tripuí no alto Curso e de Ribeirão
do Funil no baixo curso da bacia que neste trabalho é denominada como Bacia do Córrego
Tripui, fazendo referência ao Segmento da Nascente até a Foz no Rio do Carmo em Passagem
de Mariana. A opção por essa denominação se deve ao contexto da própria Estação Ecológica
do Tripuí, regionalmente conhecida.
3.6.1 Bacia do córrego Tripuí
A bacia do Córrego Tripuí, possui sua nascente próxima a Estação Ecológica do
Tripuí, e percorre toda a estação ecológica, ate chegar ao perímetro urbano do município de
Ouro Preto. Dentre os afluentes destacam-se aqueles localizados no alto curso da bacia do
Córrego Tripuí, como o Córrego Botafogo, localizado na margem esquerda do rio principal; o
Córrego Marzagão, o Córrego Varjada, afluentes localizados na margem direita do rio
principal, todos são córregos encontrados na área da Estação Ecológica do Tripuí (MAPA 4).
42
_________________________________________________________________________________
MAPA 4 – Bacia Hidrográfica do Córrego Tripuí – Ouro Preto, Minas Gerais.
43
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Através de imagens aéreas obtidas com o auxilio do Google Earth, sobrepondo a
drenagem da bacia do Córrego Tripuí, é possível observar a variação encontrada no uso e
ocupação do solo em todo o perfil da bacia (FIG. 1). Em seu alto curso observa-se a presença
de uma exploração de Topázio e no baixo curso até a foz o perímetro urbano do município de
Ouro Preto, mostrando a mudança presente na utilização do solo no entorno da bacia.
FIGURA 1 – Uso e Ocupação do Solo da Bacia do Córrego Tripuí, Ouro Preto – Minas Gerais.
No baixo curso a bacia recebe efluentes domésticos em seu leito. Uma característica
interessante é a mencionada mudança do nome (segundo a carta topográfica do IBGE
1:50.000 folha SF. 23-X-A-III-4) do Córrego ao chegar ao perímetro urbano, este passa a se
chamar Córrego Fúnil, onde deságua no Rio do Carmo10, que é uma das sub-bacias do Rio
Doce.
No alto curso da bacia esta localizada a Estação Ecológica do Tripuí. De acordo com a
Lei nº 6.902 de 27 de abril de 1981 que dispõe sobre a criação de Estações Ecológicas, Áreas
10
O Rio do Carmo já localizado no Município de Mariana é conhecido por ser um importante afluente do Rio
Gulalaxo do Sul, apresentando-se como uma das sub-bacias da Bacia do Rio Doce.
44
_________________________________________________________________________________
de Proteção Ambiental e dá outras providencias, em seu art. 1º - Estações Ecológicas são:
“áreas representativas de ecossistemas brasileiros, destinadas à realização de pesquisas
básicas e aplicadas de Ecologia, à proteção do ambiente natural e ao desenvolvimento da
educação conservacionista”. E os parágrafos 1º, 2º e 3º do mesmo artigo mostram como a área
da Estação Ecológica deve ser disposta:
§ 1º - 90% (noventa por cento) ou mais da área de cada Estação Ecológica
será destinada, em caráter permanente, e definida em ato do Poder
Executivo, à preservação integral da biota.
§ 2º - Na área restante, desde que haja um plano de zoneamento aprovado,
segundo se dispuser em regulamento, poderá ser autorizada a realização de
pesquisas ecológicas que venham a acarretar modificações no ambiente
natural.
§ 3º - As pesquisas científicas e outras atividades realizadas nas Estações
Ecológicas levarão sempre em conta a necessidade de não colocar em perigo
a sobrevivência das populações das espécies ali existentes.
O art. 7º dessa mesma Lei destaca que “As Estações Ecológicas não poderão ser
reduzidas nem utilizadas para fins diversos daqueles para os quais foram criadas”. Os
parágrafos 1º, 2º, 3º e 4º ressaltam que:
§ 1º - Na área reservada às Estações Ecológicas será proibido:
a) presença de rebanho de animais domésticos de propriedade particular;
b) exploração de recursos naturais, exceto para fins experimentais, que não
importem em prejuízo para a manutenção da biota nativa, ressalvado o
disposto no § 2º do art. 1º;
c) porte e uso de armas de qualquer tipo;
d) porte e uso de instrumentos de corte de árvores;
e) porte e uso de redes de apanha de animais e outros artefatos de captura.
§ 2º - Quando destinados aos trabalhos científicos e à manutenção da
Estação, a autoridade responsável pela sua administração poderá autorizar o
uso e o porte dos objetos mencionados nas alíneas c , d e e do parágrafo
anterior.
§ 3º - A infração às proibições estabelecidas nesta Lei sujeitará o infrator à
apreensão do material proibido, pelo prazo de 1 (um) a 2 (dois) anos, e ao
pagamento de indenização pelos danos causados.
§ 4º - As penalidades previstas no parágrafo anterior serão aplicadas pela
Administração da Estação Ecológica.
O município de Ouro Preto possui ainda Unidades de Conservação como o Parque
Municipal da Cachoeira das Andorinhas, em que encontramos a APA Cachoeira das
Andorinhas, o Parque Estadual Itacolomi, e a Estação Ecológica do Tripuí, que abrange a área
em estudo.
45
_________________________________________________________________________________
A Estação Ecológica do Tripuí “possui uma área de 337 ha, com níveis altimétricos
variando entre 1280 e 1450m” (Werneck et al, 2001, p. 196), foi criada para proteger o habitat
do Peripatus acacioi, e encontra-se entre os ‘Domínios da Floresta Atlântica e dos Cerrados’
e esta localizado em um vale de fundo chato, formado pelo ribeirão Tripuí. (Pedralli et al,
2000, p. 105).
WERNECK et al (2000) retrata a cerca da florística e estrutura de três trechos de uma
floresta semidecídua na Estação Ecológica do Tripuí que apresentaram diferentes usos no
passado, com o objetivo de verificar as variações qualitativas e quantitativas das espécies
arbóreas.
A figura 3 extraída de Werneck et al (2000) apresenta o limite existente na área da
estação, as áreas estudadas (A1 e A2 representando trechos mais preservados da floresta e A3
representando um trecho mais jovem da floresta onde houve uma antiga plantação de chá
preto abandonada há 40 anos) a drenagem presente no interior da estação e, o que para este
trabalho torna-se extremante interessante à presença de casas dentro da Estação, o que leva a
uma utilização da água e, conseqüentemente o provável despejo de efluentes domésticos no
córrego caso não haja a presença de uma estação de tratamento na área.
46
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FUGURA 2 – Localização da Estação Ecológica do Tripuí, em Ouro Preto – Minas Gerais
Fonte: Werneck et al, 2000, página 99.
De acordo com conversas com os moradores residentes na estação, as casas mais
antigas construídas na Estação Ecológica para moradia dos funcionários presentes na estação
possuem fossa séptica, entretanto o mesmo não acontece com as casas mais recentes presentes
no interior do parque, estas possuem rede de esgoto que por sua vez provavelmente pode ser
jogado no córrego mais próximo.
3.7
Histórico do Uso do Solo
O município de Ouro Preto possui sua formação ligada ao desenvolvimento da
mineração, inicialmente com a exploração de ouro e posteriormente ferro e manganês na
siderurgia. No caso do ouro, os trabalhos de exploração deram-se, principalmente, nos vales,
47
_________________________________________________________________________________
no interior e nas encostas das montanhas, nos leitos dos rios e nas margens, com a presença de
mão de obra escrava.
A água era peça fundamental para os trabalhos de mineração. Entretanto, como
salienta Fonseca (2004, p. 34) “até o final da segunda década dos setecentos, quando foi
criada a Capitania de Minas Gerais, a regulamentação sobre o uso da água na mineração era
praticamente inexistente”. Sendo indispensável para mineração, a água, razão de cobiça, em
que os mineiros mais poderosos se apropriavam delas e, mesmo não tendo terras para minerar,
só repartiam a água por preços exorbitantes (Fonseca, 2004).
Assim, foi criada uma legislação no sentido de racionalizar o uso da água, proibindo o
seu desperdício e, estabelecendo que os serviços das minas tivessem preferencias sobre os
demais no uso da água. Campos (1995, p. 221) destaca que:
ao estudar as cartas de sesmaria do setecentos na região do Rio das Velhas,
observou que, nessas cartas, “as terras doadas não incluíam as águas dentro
de seus limites” e que a Coroa reservava as margens dos rios navegáveis
contidos nessas terras para o caso de haver descobrimento de ouro algum
dia.
Desta forma, o grande objetivo da Coroa, durante o período de exploração do ouro, era
garantir a alta produção aurífera, inclusive, através do controle da água no estado de Minas
Gerais. No município de Ouro Preto, por muitas terras serem realengas ou de domínio
público, se tornava mais difícil o controle do uso da água. Fonseca (2004, p. 41) evidencia
ainda que:
Durante o auge da mineração, no segundo quartel do século XVIII, o
ribeirão do Carmo – continuação do ribeirão do Ouro Preto ou, como é
chamado hoje, do Funil, principal curso d’água de Vila Rica – já se
encontrava bastante assoreado, pois parte dos morros de Vila Rica descera
abaixo. Uma consequência disso foi que, na década de 1740, Vila do Carmo,
hoje Mariana, sofreu uma série de inundações que trouxeram grandes
inconvenientes à vila.
Inúmeras iniciativas foram propostas com o objetivo de sanar estes problemas e, as
marcas deixadas por estas intervenções antrópicas, por muitas vezes, permanecem a vista no
ambiente. Assim Guimarães-Silva et al (2007) enfocam que, dentre os principais danos que a
exploração de minério e garimpo deixou no meio físico e biótico na região de Ouro Preto.
Foram o assoreamento dos cursos de água, o desmatamento, geração de pilhas de rejeitos e
aumento da concentração de finos transportados.
48
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Alves (2001) ressalta que a principal atividade da cidade, a mineração, tinha suporte
nos produtos que vinham de outras regiões do país, assim a produção local ficava em segundo
plano, pois o governo restringiu as atividades pecuárias, lavouras e industriais e estimulou a
atividade de exploração da mineração.
Com a decadência da mineração a cidade se manteve apenas como centro político,
perdendo esta função mais tarde com a transferência da capital de Minas Gerais para Belo
Horizonte. Ouro Preto começou a se reerguer novamente após a instalação da primeira
indústria metalúrgica no município, atraindo cada vez mais pessoas em busca de empregos,
tendo sempre como base da economia a exploração do uso do solo.
Com a forte economia na exploração do solo, na mineração, o município também
destaca sua economia no turismo, por sua arquitetura ter sido erguida no período colonial com
grandes características portuguesas. Outras atividades presente no município, não em grande
escala, são a agricultura e a pecuária, que interferem diretamente no uso do solo, contribuindo
muitas vezes para sua degradação e, podendo influenciar diretamente no curso de um rio,
pois, estas atividades dependem diretamente do uso da água.
A bacia hidrográfica em estudo apresenta uma diversidade entre área da unidade de
conservação, usos do solo diversos e área urbana específica e, estas características podem ser
observadas de acordo com o histórico do uso e ocupação do solo. Desta forma, observa-se que
a Bacia apresenta uma grande diversidade quanto ao seu uso e ocupação do solo, desde sua
nascente, localizada em uma área de preservação, até a sua foz no distrito de Passagem de
Mariana, em processo de urbanização.
49
_________________________________________________________________________________
4.0
MÉTODOS, TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
As etapas deste trabalho buscaram gerar informações que auxiliaram na discussão da
questão da qualidade da água presente no perfil desta bacia. O desenvolvimento desta
pesquisa pode ser descrito conforme a seguir (FIG.3):
(i)
Seleção do material cartográfico e bibliográfico de trabalhos que abordam o
tema em questão.
(ii)
Foram utilizadas como base para estudo as cartas topográficas de Ouro Preto
(SF-23-x-A-III-4) e Mariana (SF-23-x-B-I-3) na escala de 1: 50 000, do
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE, ano de 1985, para
delimitação da bacia hidrográfica em estudo, digitalização e obtenção de sua
rede de drenagem. OGPS (Global Position Satélite) foi utilizado para
demarcação dos pontos de amostragem e posicionamento de localização da
área em estudo, para elaboração dos mapas.
(iii)
Para delimitação da bacia hidrográfica foram utilizados os dados SRTM
(Missão Topográfica Radar Shuttle), disponíveis no site da EMBRAPA
(Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária). A partir dos dados SRTM
foram elaboradas curvas de níveis para delimitação da Bacia do Córrego
Tripuí. Ressaltando que, todos os mapas foram confeccionados com a
utilização dos programas GPS TrackMacker 4.1 e o ARCGIS 10.
(iv)
Foi realizada uma análise conjunta de todos os parâmetros analisados gerando
no final um mapa do índice de degradação da qualidade da água na Bacia do
Córrego Tripuí.
(v)
Foram realizados trabalhos de campo nos meses de Junho e dezembro, no qual
os objetivos foram: observar melhor o perfil em estudo, verificar as condições
e a situação da diferença no uso e ocupação do solo da região e, coletar
amostras da água por todo perfil para análise.
Foram efetuadas análises das amostras coletadas no campo, para avaliação da
qualidade da água no perfil estudado.
50
_________________________________________________________________________________
Seleção do material
cartográfico e Bibliográfico.
Confecção dos mapas com a
utilização dos programas GPS
trackMacker 4.1 e ARCGIS 10.
Análises dos parâmetros de
qualidade da água.
Cartas topográficas de Ouro Preto (SF-23-x-A-III-4) e
Mariana (SF-23-x-B-I-3), na escala 1:50 000, como
base para delimitação da bacia e desenvolvimento dos
mapas.
Realização de dois trabalhos de campo, nos meses
de junho e dezembro, para melhor observar o perfil
em estudo, verificar as condições e a situação da
diferença no uso e ocupação do solo e coletar
amostras de água do perfil analisado.
Foram coletadas 11 (onze) amostras em cada
trabalho de campo realizado, considerando as
condições favoráveis para coleta como: acesso,
incluindo o relevo, vegetação e analisando o uso
do solo ao longo da bacia.
Etapa final: interpretação dos dados obtidos em campo, confecção de tabelas e gráficos para
análise dos resultados, confecção dos mapas e redação do trabalho final.
FUGURA 3 – Organograma da metodologia de estudo desenvolvida.
4.1
Trabalhos de Campo
Para o desenvolvimento desta pesquisa foram realizados dois trabalhos de campo,
percorrendo todo o perfil da Bacia em estudo, para caracterização da área de estudo e
realização das análises dos parâmetros físico-químicos, um no mês de junho, no período de
seca, e um no mês de dezembro, no período de chuva. Foram coletadas 11 (onze) amostras em
ao longo do perfil estudado, no rio principal e nos seus afluentes.
4.2
Pontos de Amostragem
Os pontos de amostragem foram determinados considerando as condições favoráveis
para coleta, como o acesso, característica do curso da água, relevo, vegetação, geologia local e
o uso do solo ao longo da bacia em estudo (MAPA 5).
51
_________________________________________________________________________________
MAPA 5 – Mapa de determinação dos pontos de amostragem localizados na Bacia Hidrográfica do
Córrego Tripuí – Ouro Preto, Minas Gerais.
52
_________________________________________________________________________________
A tabela 2 apresenta os onze pontos de amostragem analisados, suas coordenadas
UTM e seus respectivos nomes de acordo com a caracterização do uso e ocupação do solo
observado.
TABELA 2 – Pontos de Amostragem e coordenadas dos pontos da Bacia do Córrego
Tripuí.
Pontos de
Coordenadas
Nome do Ponto
Amostragem
(UTM 23K)
Ponto 1
0650185 / 7747188
Nascente do Córrego Tripuí: próximo a Estalagem
Ponto 2
0650488 / 7745572
Córrego Tripuí: Estalagem
Ponto 3
0653737 / 7743654 Afluente: Nascente próxima à Empresa de Alumínio
Ponto 4
0653148 / 7742660 Afluente: Nascente, próxima a empresa de extração
de Topázio
Ponto 5
0653166 / 7741408 Afluente: Córrego próximo a Estação de Preservação
de Candeia (Varjada)
Ponto 6
0653812 / 7740936 Afluente: Córrego próximo a Estação de Preservação
de Candeia – Confluência entre P6 e P7 (Barcelos)
Ponto 7
0653812 / 7740936 Afluente: Córrego próximo a Estação de Preservação
de Candeia – Confluência entre P6 e P7 (Barcelos)
Ponto 8
0653701 / 7743467
Córrego Tripuí: Abaixo da Empresa de estração de
Topázio
Ponto 9
0655611 / 7744590
Córrego Tripuí: próximo a Estação de Trem
Ponto 10
0656264 / 7744590 Córrego Tripuí: Bairro Barra, próximo ao campo de
futebol
Ponto 11
0662229 / 7743889
Foz do Córrego Tripuí: Distrito de Passagem de
Mariana
Para determinação e identificação dos pontos de amostragem na área de estudo, foram
abrangidos desde a nascente do Córrego Tripuí, todo o seu percurso até a sua foz no Ribeirão
do Carmo.
4.3
Caracterização dos Pontos de Amostragem
O primeiro ponto (P1) encontra-se na nascente do Córrego Tripuí, próximo a BR –
356, localizado em uma propriedade particular do SESC caracterizado por uma mata ciliar
fechada, apresentando baixa profundidade na lâmina de água presente e uma estreita largura
do canal na nascente. Próximo da nascente existe um barramento de drenagem, podendo ser
comparado a uma represa de controle de vazão em que a água é armazenada (FIG. 4).
53
_________________________________________________________________________________
FIGURA 4 – Sequência de figuras (A) – Entrada da nascente, propriedade particular do SESC – MG;
(B) – nascente do Córrego Tripuí e, (C e D) – Barramento de drenagem próximo à nascente.
O segundo ponto (P2) localizado dentro da Estalagem – SESC, sentido a Estação
Ecológica do Tripuí (ECT). O acesso no local é feito por dentro da Estalagem – SESC,
apresentando estrada pavimentada por todo em percurso. O Ponto 2 apresenta a presença de
mata fechada próximo ao córrego, um cano de drenagem para captação da água de chuva
presente na estrada e uma escada que termina na direção do Córrego (FIG. 5).
54
_________________________________________________________________________________
FIGURA 5 – Seqüência de figuras – Localização do P2 com presença de uma escada voltada para o
Córrego (A) e um cano de drenagem da água de chuva (D).
Neste ponto é possível perceber as diferenças de condições do rio comparando-o com
o ponto 1 (P1), a lâmina de água ainda apresenta baixa profundidade, entretanto o canal neste
ponto já apresenta uma largura considerável comparando com o P1, visto que os pontos se
localizam aparentemente próximos.
Localizado próximo ao ponto de amostragem, ainda dentro da estalagem – SESC
encontram-se “caixas de água” (poços artesianos com profundidade aproximada de 115m) que
abastecem a estalagem (FIG. 6).
55
_________________________________________________________________________________
FIGURA 6 – Sequência de figuras – Localização dos poços artesianos que abastecem a Estalagem.
De acordo com as coletas desenvolvidas, tendo em vista a sazonalidade climática
(período seco e chuvoso), foi possível observar diferenças no leito do córrego, como o
aumento da lâmina de água, a coloração da água e o acumulo de partículas e sedimentos
presente no segundo ponto de amostragem. (FIG. 7).
FIGURA 7 – Sequência de figuras – (A e B) – Aspecto da água no período seco; (C e D) – Aspecto da
água no período chuvoso.
56
_________________________________________________________________________________
O terceiro ponto (P3) encontra-se na nascente de um dos afluentes da Bacia do
Córrego Tripuí, localizada próximo a Portaria de Veículos da empresa de Alumínio
NOVELIS, apresentando um acesso através de uma estrada de terra próximo a Rodovia dos
Inconfidentes 365. Esta nascente possui uma lâmina de água com baixa profundidade, é
possível ainda observar a presença de material depositado da oxidação do ferro (FIG.8).
FIGURA 8 – Sequência de figuras – (A e B) – Localização de uma das nascentes que é afluente da
Bacia do Córrego Tripuí; (C e D) – Drenagem a partir da nascente.
Neste ponto é possível perceber que a mata ciliar fechada só esta presente bem
próximo a nascente (área íngreme), à medida que vai formando o córrego a presença de mata
nas proximidades do leito vai se tornando menor, assim sendo presente mais nos seus
arredores.
O quarto ponto (P4) também se encontra em uma nascente, sendo afluente direto do
córrego Tripuí, situado no bairro lagoa. Esta nascente esta localizada perto de uma extração
de Topázio bem próxima a crista do Marzagão. Esta nascente apresenta baixa profundidade,
57
_________________________________________________________________________________
presença de mata ciliar no seu entorno e ainda, serve de abastecimento de água para
população local (FIG. 9).
FIGURA 9 – Sequência de figuras – (A) – Localização de uma das nascentes que é afluente da Bacia
do Córrego Tripuí; (B) – Drenagem a partir da nascente.
Próximo deste ponto de amostragem encontra-se casas, plantações, criações de
animais, como galinhas (FIG. 10) e, ainda um pequeno lago cercado, que provavelmente foi
construído por algum morador.
FIGURA 10 – Sequência de figuras – (A) – Localização do Lago próximo à nascente; (B) – Presença
de plantações próxima à nascente.
O quinto ponto (P5), localizado próximo a uma estação de preservação de Candeia,
este local é comumente chamado pelos moradores da região de Varjada, esta situado em uma
estrada de terra próximo a estrada sentido ao município de Ouro Branco. Neste ponto de
58
_________________________________________________________________________________
amostragem foi possível observar a presença de ferro nas rochas no fundo do córrego (FIG.
11).
FIGURA 11 – Sequência de figuras – (A) – Localização do ponto de amostragem; (B e C) –
Características do córrego localizado na Varjada, que é um afluente da Bacia do Córrego Tripuí; (D) –
Característica do córrego no período chuvoso.
As figuras revelam que o córrego possui uma lâmina de água com baixa profundidade
e, que a mata ciliar recobre bem a área desse ponto de amostragem, ate mesmo por se tratar de
uma área de preservação.
O sexto ponto (P6) e o sétimo ponto (P7) de amostragem se encontram próximos a P5,
uma estação de preservação de Candeia. O acesso para estes pontos é feito por uma estrada de
terra em que os moradores comumente chamam a região de Barcelos. Próximo à área de
observa-se a presença de uma passagem de gasoduto. É possível observar ainda que a
paisagem local é representada por uma mata fechada e aparentemente bem preservada (FIG.
12).
59
_________________________________________________________________________________
FIGURA 12 – Sequência de figuras – (A) – Presença da passagem de gasoduto próximo a área de
estudo. (B, C e D) – Característica da paisagem local do ponto de estudo.
Estes pontos de amostragem (P6 e P7) estão situados na Serra do Tesoureiro e
apresentam confluência. O canal nos dois pontos de amostragem apresenta baixa
profundidade na lâmina de água e, estes dois pontos também não possuem uma largura
relativamente grande, desta forma, a quantidade de água que passa por esses pontos é pequena
(FIG. 13).
60
_________________________________________________________________________________
FIGURA 13 – Sequência de figuras – (A e B) – Área de confluência de dois afluentes da Serra do
Tesoureiro. P6 – (C) Ponto localizado na margem direita da estrada. P7 – (D) Ponto localizado na
margem esquerda da estrada.
O oitavo ponto de amostragem (P8) esta situado no córrego principal em estudo.
Localizado próximo a BR 356 – Rodovia dos Inconfidentes no lado esquerdo da estrada para
quem vai sentido a cidade de Belo Horizonte. Nas margens do córrego é grande a presença de
deposito de areia com minério de ferro e de cascalho. É possível perceber também a diferença
entre o volume de água encontrado neste ponto se comparado com pontos de amostragem
anteriores e ainda, a largura apresentada nesse córrego que também é relativamente maior se
comparada com a dos pontos anteriores (FIG. 14).
61
_________________________________________________________________________________
FIGURA 14 – Sequência de figuras – (A) – Localização do ponto 8 (P8); (B) – Presença de deposito
de areia com minério de ferro e cascalho nas margens do Córrego Tripuí; (C e D) – Largura e volume
de água no córrego.
Acima do ponto de amostragem esta localizada uma extração de topázio, próximo
deste ponto ainda existe uma empresa de exploração de alumínio (NOVELIS) e na margem
do córrego é possível observar a presença de criações de animais como: bois, porcos e
galinhas (FIG. 15).
62
_________________________________________________________________________________
FIGURA 15 – Sequência de figuras – (A e B) Empresa de extração de Topázio – (C e D) Presença de
criações de animais próxima ao Córrego em estudo.
A figura 16 destaca a diferença encontrada na coloração da água e o aumento de
carreamento de sedimento pela chuva, durante os dois períodos de coleta (FIG. 16).
FIGURA 16 – Sequência de figuras – Córrego Tripuí no período de seca (A) – Córrego Tripuí no
período chuvoso (B).
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O nono ponto de amostragem (P9) esta localizado no Córrego Tripuí, em estudo,
situado próximo da Estação de Trem, no perímetro urbano do município. É possível observar
a presença de rochas de sedimentação e erosão no leito do rio, ou seja, o rio apresenta um
leito rochoso, com odor muito forte e encanamentos que despejam efluentes domésticos no
Córrego. Pode-se notar ainda que neste ponto de amostragem a presença de gramíneas nas
margens do córrego, o volume de água do canal e sua profundidade também se apresentam
em maior quantidade se comparado com os primeiros pontos de amostragem (FIG. 17).
FIGURA 17 – Sequência de figuras – (A e B) – Córrego Tripuí próximo a Estação de Trem; (C e D) –
Presença de casas e lançamento de efluentes domésticos no Córrego.
A figura 18 mostra a diferença encontrada na coloração da água nos dois períodos de
coleta das amostras (FIG. 18).
64
_________________________________________________________________________________
FIGURA 18 – Sequência de figuras – Córrego Tripuí no período de seca (A) – Córrego Tripuí no
período chuvoso (B).
O décimo ponto de amostragem (P10), localizado no Córrego principal, no Bairro
Barra próximo da ponte e do campo de futebol, apresenta presença de rochas no leito do rio,
presença de encanamentos que despejam efluentes domésticos no córrego e mau cheiro
intenso, a ausência de uma mata ciliar nas margens do córrego, observando-se somente
gramíneas. É ainda possível observar o aumento do volume de água e o aumento da largura
neste ponto do canal (FIG. 19).
FIGURA 19 – Sequência de figuras – (A) – Córrego Tripuí próximo ao Bairro Barra; (B) – Presença
de casas e lançamento de efluentes domésticos no Córrego.
A figura 20 expõe a diferença encontrada na coloração da água nos dois períodos de
coleta das amostras (FIG. 20).
65
_________________________________________________________________________________
FIGURA 20 – Sequência de figuras – Córrego Tripuí no período de seca (A) – Córrego Tripuí no
período chuvoso (B).
Cabe ressaltar a semelhança encontrada entre os pontos de amostragem (P9) e (P10),
com relação à presença do leito rochoso, o lançamento de efluentes domésticos no leito do
córrego e, ainda por estes dois pontos estarem presentes na área urbana do município.
O último ponto (P11) de amostragem encontra-se a foz do Córrego Tripuí, localizado
no Rio do Carmo após a área de confluência com o Ribeirão do Chinês. Neste ponto o mau
cheiro é intenso e, é visível a presença de casas próximo ao leito do córrego e de canos que
despejam efluentes domésticos no córrego. É possível notar ainda o aumento do volume de
água e da largura do canal neste ponto de amostragem (FIG. 21).
66
_________________________________________________________________________________
FIGURA 21 – Sequência de figuras – (A e B) – Foz de Córrego Tripuí; (C e D) – Presença de casas e
lançamento de efluentes no Córrego.
Durante a realização da coleta para amostragem neste ponto foi possível observar a
realização de uma obra de contenção ao redor do córrego, entretanto, mesmo com a realização
desta obra, durante a segunda coleta realizada os canos das residências localizadas nas
proximidades do córrego continuavam a despejar efluentes domésticos no leito do rio, ou seja,
foi realizada uma obra de contenção, mas o saneamento básico, necessário para preservação
do rio não foi realizado. Vale ainda destacar novamente a diferença na coloração da água
durante os dois períodos de coleta de amostragem realizados (FIG. 22).
67
_________________________________________________________________________________
FIGURA 22 – Sequência de figuras – Foz do Córrego Tripuí no período de seca (A) – Foz do Córrego
Tripuí no período chuvoso e obra de contenção realizada ao redor do Córrego (B).
4.4
Parâmetros Analisados
No presente trabalho foram realizadas análises dos parâmetros Sólidos Totais
Dissolvidos (STD), Temperatura (T), pH, Condutividade e Turbidez.
Foram utilizados e analisados estes parâmetros tendo em vista a aparelhagem
disponível e o atendimento ao objetivo da pesquisa. Outro fator relevante foi o baixo custo
para a realização deste trabalho, levando em consideração que os equipamentos foram cedidos
pela Universidade Federal de Minas Gerais, para as analises. Não se pode esquecer a
importância e viabilidade das medições realizadas, visto que estes são parâmetros que são
utilizados pelo próprio Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA, para
determinação de padrões de qualidade da água. Estes parâmetros fornecem dados preliminares
que poderão embasar justificativas para estudos mais detalhados.
O CONAMA estabeleceu através da resolução Nº 357, de 17 de março de 2005,
classificação e diretrizes ambientais para o enquadramento dos corpos de água superficiais e
também condições e padrões de lançamento de efluentes. E foi de acordo com a Resolução do
CONAMA 357/05 que a água presente no perfil estudado foi comparada. Para tanto,
classificando a água do perfil em estudo na classe II de acordo com as características descritas
pelo CONAMA.
O CONAMA destaca as seguintes condições e padrões para determinação da
qualidade da água: turbidez o valor máximo é de 100 unidades nefelométrica de turbidez
(UNT), pH entre 6,0 a 9,0, sólidos totais dissolvidos 500mg/L e temperatura inferior a 40°C,
68
_________________________________________________________________________________
sendo que a variação de temperatura do corpo não devera exceder a 3°C na zona de mistura
(condição de lançamento para área de efluente).
TABELA 3 – Parâmetros analisados de seus respectivos valores máximos.
Parâmetros
Valor Máximo: CONAMA e Magalhães
Turbidez
100 unidades nefelométrica de turbidez (UNT)
pH
Entre 6,0 a 9,0
Sólidos Totais Dissolvidos 500mg/L
Temperatura
Inferior a 40°C, sendo que a variação de temperatura
do corpo não devera exceder a 3°C na zona de mistura
Condutividade
Entre 100 a 2.000 mS/cm
Para comparação dos valores de Condutividade elétrica foi utilizado o padrão descrito
por Magalhães (2008) que ressalta que para água doce o padrão pode variar entre 100 a 2.000
mS/cm. A tabela 3 apresenta os parâmetros analisados neste trabalho e seus respectivos
valores máximos.
4.4.1 Aparelhos e métodos de análises
Foram utilizados equipamentos eletrônicos para realizar os estudos necessários neste
trabalho. Para realizar as analises do parâmetro de turbidez foi utilizado o turbidimetro
(HANNA HI93703); para as medições de pH, STD e Condutividade Elétrica, foi utilizado o
aparelho multiparâmetro (HANNA Waterproof Family Combo pH & EC – HI98129) , e para
as análises de temperatura, foi utilizado o aparelho multiparâmetro (HANNA Waterproof
Family ORP – HI98120), que também realiza a medição do parâmetro de Eh.
4.5
Etapa final: interpretação dos dados, confecção dos gráficos e redação
A última etapa realizada neste trabalho foi à interpretação dos dados obtidos em
campo, confecção dos gráficos no Excel para análise dos resultados, comparados com a
Resolução do CONAMA 357/2005, quanto à qualidade da água ao longo da bacia estudada,
69
_________________________________________________________________________________
confecção dos mapas no ArcGis 10.0, realização do Índice de Degradação11 na bacia e
redação do trabalho final.
11
A análise conjunta dos parâmetros (Turdidez, Condutividade Elétrica e Sólidos Totais Dissolvidos) foi
realizada com a criação de um Índice de Degradação. Esse índice foi calculado tendo como referência os Limites
estabelecidos pela Resolução do CONAMA/357.
70
_________________________________________________________________________________
5.0
A QUALIDADE DA ÁGUA NA BACIA DO CÓRREGO TRIPUÍ
A possível degradação da água pode ser observada ao longo do percurso da bacia em
estudo relacionado à variação observada no uso e ocupação do solo presente no perfil, como a
presença de exploração de minério (exploração de Topázio) e ocupação urbana associada à
falta de saneamento básico encontrado no entorno da bacia.
Desta forma, para discussão dos resultados encontrados foi possível dividir os 11
(onze) pontos de amostragem em dois grupos: Grupo 1, pertence aos pontos P1, P2, P3, P4,
P5, P6 e P7 representando as áreas aparentemente menos impactadas, e o Grupo 2,
abrangendo os pontos P8, P9, P10 e P11 representando as áreas mais impactadas encontradas
no perfil de acordo com o uso e ocupação do solo da bacia.
5.1
Turbidez
Para os valores coletados nos pontos de amostragem (TAB. 4), foram registrados
durante os dois períodos de coleta os menores valores na nascente (P1) da bacia e os maiores
valores no ponto (P8) em que a concentração de areia com minério é alta e, a sedimentação
por cascalho também, acima deste ponto existe uma extração de topázio e, próximo ao ponto
8 ainda perpassam canos com soda utilizados na da extração de bauxita, que através de relatos
dos moradores é comum o vazamento destes próximo ao córrego.
Valores de Turbidez nos Pontos de Amostragem
Pontos de
P1
P2
P3
P4
P5
P6
P7
P8
P9
P10
P11
Amostragem
0,97 1,66 1,95 1,67 1,89 3,48 1,16 11,37 7,56 11,26 10,33
1ª Coleta
0,38 11,93 2,23 5,47 13,62 4,76 4,60 46,00 25,54 23,27 12,98
2ª Coleta
TABELA 4 – Valores de Turbidez da água nos pontos de amostragem da Bacia do Córrego Tripuí.
Assim é possível destacar que um dos grandes problemas encontrados nas atividades
de mineração é decorrente das barragens de rejeitos. A presença de efluentes líquidos, que se
não sofrerem um tratamento adequado pode trazer danos para o curso de água, ocasionando
assim na sua poluição e, também a presença de sólidos em suspensão, outra causa freqüente
da alteração da qualidade da água.
A variação sazonal do clima, entre os dois períodos de amostragem, influencia nos
valores encontrados de turbidez, apresentando maiores valores na estação chuvosa, no
71
_________________________________________________________________________________
segundo período de coleta realizado, devido à movimentação do material pelo escoamento
superficial promovendo a erosão e transporte de partículas.
Os sedimentos, além de alterarem o canal de drenagem alteram também as
características físicas e químicas do corpo hídrico, desta forma, a erosão e o carreamento de
partículas pela água encontrada principalmente no ponto (P8), onde se encontra a mineração
logo acima do ponto de amostragem e a presença de cultivo da agricultura e criação de
animais (FIG. 23), contribuem para os altos valores registrados.
FIGURA 23 – Seqüência de figuras – (A) – Carreamento de partículas na água; (B) – Preparação da
terra para cultivo e presença de criação de animais, gado.
De acordo com os valores estabelecidos pelo CONAMA 357, o limite máximo de
turbidez para águas doces é de 100 UNT (GRAF. 1).
GRÁFICO 1 – Valores de Turbidez da água nos pontos de amostragem da Bacia do Córrego Tripuí
em Ouro Preto – MG.
72
_________________________________________________________________________________
É possível perceber que os valores da turbidez aumentam na medida em que o perfil
em estudo esta no espaço urbano. Entretanto, cabe destacar a variação sazonal observada nos
valores registrados de turbidez no Grupo 1(que apresenta uma área relativamente preservada)
para os pontos P2 (variando entre as duas coletas de: 1,66 para 11,93), P4 (variando entre as
duas coletas de: 1,67 para 5,47), P5 (variando entre as duas coletas de: 1,89 para 13,62) e P7
(variando entre as duas coletas de: 1,16 para 4,60).
O aumento registrado nestes pontos pode ser explicado pelas intervenções encontradas
próximas dos pontos. A presença de estradas, o uso do solo para agricultura são fatores que
favorecem para este aumento encontrado no parâmetro analisado. Segundo Calheiros (2006,
p. 24):
Toda intervenção em nascente, bem como nas demais APPs (o mesmo se
aplica para rios, córregos e lagos) deve ser precedida de consulta e respectiva
autorização por parte dos órgãos competentes de controle, orientação e
fiscalização das atividades de uso e exploração dos recursos naturais.
Desta forma pode ser discutida a intervenção observada na nascente da bacia em
estudo e a presença dos poços artesianos encontrados na Estalagem (FIG. 24).
FIGURA 24 – Seqüência de figuras – (A e B) – Barramento de água próximo à nascente; (C e D) –
Poços artesianos localizados dentro da Estalagem.
73
_________________________________________________________________________________
A Estalagem informou que eles possuem outra fonte de captação de água, entretanto
não foi informado o local de captação da mesma. Onde foram encontrados os poços artesianos
foram realizadas algumas perguntas em que não foram obtidas as respostas, como: a
quantidade de água captada pelos poços; as formas de utilização desta água captada; se a
Estalagem possui a outorga12 de direito para uso da água; e qual o tratamento destinado para a
água captada.
O Grupo 2 (que representa uma área relativamente impactada) apresenta um aumento
relativo nos pontos P8 (variando entre as duas coletas de: 11,37 para 46,00), P9 (variando
entre as duas coletas de: 7,56 para 25,54) e P10 (variando entre as duas coletas de: 11,16 para
23,27), pode ser explicado pela variação sazonal encontrada durante os dois períodos de
coleta. O Ambiente mais antropizado apresenta maior susceptibilidade a alteração sazonal
associado à movimentação na superfície associada ao uso e ocupação do solo.
5.2
Condutividade Elétrica (CE)
Os valores registrados de Condutividade Elétrica (TAB. 5) apresentam um aumento
principalmente à medida que a bacia se encontra no perímetro urbano da cidade, de acordo
com a variação encontrada no uso e ocupação do solo.
Os menores valores foram encontrados nos pontos P1, P4 e P5 do perfil. Os maiores
valores de condutividade elétrica encontram-se no ponto (P8), na primeira coleta realizada,
onde encontramos a extração de minério logo acima do ponto de amostragem e a presença de
plantações e criações de animais próximo do rio, e o ponto (P11), na segunda coleta realizada,
onde se encontra a foz do córrego em estudo.
Valores de Condutividade Elétrica nos Pontos de Amostragem
Pontos de
P1
Amostragem
0
1ª Coleta
4
2ª Coleta
P2
P3
P4
P5
P6
P7
P8
P9
P10
P11
15
16
21
20
4
4
4
4
45
29
15
6
133
116
127
106
132
110
110
130
TABELA 5 – Valores de Condutividade Elétrica (CE) da água nos pontos de amostragem da Bacia do
Córrego Tripuí.
12
A outorga de direito de uso dos recursos hídricos é um dos instrumentos da Política Nacional de Recursos
Hídricos, estabelecida no inciso III, do art. 5° da Lei n° 9.433/97 e, possui como objetivo assegurar o controle
quantitativo e qualitativo dos recursos dos usos da água e o efetivo exercício dos direitos de acesso à água.
74
_________________________________________________________________________________
A condutividade elétrica da água aumenta à medida que mais sólidos dissolvidos são
adicionados na água. Desta forma, é possível observar que os pontos que apresentam os
maiores valores de condutividade elétrica são P8, P9, P10 e P11, pontos de amostragem
pertencentes ao perímetro urbano. Segundo Magalhães (2008) o padrão destinado para as
águas doces esta entre 100 a 2.000 mS/cm entrtanto, mesmo assim os valores registrados não
ultrapassam o limite estabelecido por Magalhães que é de 2.000 mS/cm(GRAF. 2).
GRÁFICO 2 – Valores de Condutividade Elétrica (CE) da água nos pontos de amostragem da Bacia
do Córrego Tripuí em Ouro Preto – MG.
A CETESB (2009) indica que, em geral, valores superiores a 100 mS/cm indicam
ambientes impactados, deste modo é possível observar que a partir do ponto (P8) até a foz do
córrego Tripuí ponto (P11) os valores de condutividade elétrica excedem o valor de 100
mS/cm, corroborando maiores valores na área de mineração e urbano, mostrando que estas
áreas estão sendo mais impactadas.
O gráfico mostra que os valores de condutividade elétrica aumentam à medida que o
uso e a ocupação do solo altera. É possível notar ainda que no Grupo 2 na segunda coleta
alguns dos valores de condutividade elétrica são mais baixos se comparados com a primeira
coleta. Este fato deve-se porque a segunda coleta foi realizada durante um período chuvoso.
Cabe ressaltar aqui como o poder de diluição da água, aliada ao período chuvoso, tem a
capacidade de alterar os valores de condutividade. Assim sendo, devido ao seu poder de
diluição, a água, pode diminuir a concentração de algumas substâncias e influenciar nos
valores de condutividade elétrica obtidos.
75
_________________________________________________________________________________
5.3
Sólidos Totais Dissolvidos (STD)
Como a Condutividade Elétrica da água aumenta à medida que mais sólidos
dissolvidos são adicionados, vale ressaltar que os valores de Sólidos Totais Dissolvidos
(STD) são diretamente proporcionais a condutividade. O menor valor encontrado deste
parâmetro se encontra na nascente (P1) do perfil estudado (TAB. 6).
Valores de Sólidos Totais Dissolvidos nos Pontos de Amostragem
Pontos de
P1
Amostragem
0
1ª Coleta
2
2ª Coleta
P2
P3
P4
P5
P6
P7
P8
P9
P10
P11
8
8
11
10
2
2
2
2
24
15
8
3
72
63
68
57
71
59
59
55
TABELA 6 – Valores de Sólidos Totais Dissolvidos (STD) da água nos pontos de amostragem da
Bacia do Córrego Tripuí.
O ponto que apresenta o maior valor para Sólidos Totais Dissolvidos é o ponto (P8),
destacando este ponto de amostragem na primeira coleta realizada, na qual foi encontrado o
maior valor 72 mg/L. No entanto, mesmo assim, este valor, não ultrapassa o limite
estabelecido pela Resolução do CONAMA 357/05, que determina para as águas doces classe
II o limite de 500 mg/L (GRAF. 2).
GRÁFICO 3 – Valores de Sólidos Totais Dissolvidos (STD) da água nos pontos de amostragem da
Bacia do Córrego Tripuí em Ouro Preto – MG.
O gráfico mostra que de acordo com o valor máximo determinado pela Resolução do
CONAMA os valores coletados nos pontos de amostragem estão abaixo do estabelecido pela
resolução. Contudo, o gráfico evidência que tanto para os valores de STD do Grupo 1 que
76
_________________________________________________________________________________
sofreram redução como P6 e P7, quanto o Grupo 2 no ponto P10 que também sofreu redução,
registrados na segunda coleta podem ser justificados devido ao período chuvoso em que
foram realizados e, da capacidade de diluição que a água possui, pois, neste período mesmo
ocorrendo o carreamento de sólidos provenientes da erosão do solo, provocados pela chuva, o
volume de água também é maior e a maioria das partículas estão em suspensão e não
dissolvidas. No Grupo 1 destaca-se os baixos valores nas áreas de nascentes P1, P4 e P5,
menos impactadas pela ação humana.
5.4
Temperatura
A temperatura indica a medição da intensidade de calor presente no corpo de água.
Este parâmetro pode apresentar variações ao longo do dia por influencias de fatores como
altitude, latitude, estação do ano ou período do dia. Desta forma, vale ressaltar e considerar
que as coletas realizadas para análise deste parâmetro ocorreram no período da manhã e tarde
entre os horários de 8h as 12h: 30min. Os menores valores de temperatura estão registrados
nos dois primeiros pontos de amostragem P1 e P2 e o maior valor registrado foi no ponto 11
já na foz do perfil em estudo (TAB. 7).
Valores de Temperatura nos Pontos de Amostragem
Pontos de
P1
P2
Amostragem
15,2 15,1
1ª Coleta
18,6 18,3
2ª Coleta
P3
P4
P5
18,1 18,2 17,7
18,5 17,6 17,5
P6
P7
P8
17,7 17,1 18,0
17,6 17,4 19,8
P9
P10
P11
19,8
20,5
20,5
20,4
20,3
22,8
TABELA 7 – Valores de Temperatura da água nos pontos de amostragem da Bacia do Córrego Tripuí.
Como o município de Ouro Preto apresenta um clima tropical de altitude,
característico de regiões de montanhas com índice de pluviosidade elevado e por apresentar
verões suaves e invernos que podem chegar a apresentar temperaturas negativas, o município
apresenta uma média de temperatura anual de 17,4 °C. Logo é possível perceber que a
variação sazonal encontrada nos valores das amostras coletadas nos dois períodos de
amostragem não varia muito com a própria sazonalidade característica do clima da cidade.
De acordo com a Resolução do CONAMA 357/05, os valores de temperatura devem
ser inferiores a 40°C, sendo que a variação de temperatura do corpo receptor não deverá
ultrapassar 3°C no limite da zona de mistura. Observa-se que de acordo com os valores
77
_________________________________________________________________________________
estabelecidos pelo CONAMA, todos os pontos apresentam-se abaixo do estabelecido (GRAF.
4).
GRÁFICO 4 – Valores de Temperatura da água nos pontos de amostragem da Bacia do Córrego
Tripuí em Ouro Preto – MG.
Um dos fatores que podem explicar o aumento da temperatura no percurso da bacia é a
variação da radiação solar ao longo do dia, provocando assim o aquecimento da água.
As temperaturas mais baixas, próximo da nascente, podem estar relacionadas à sua
localização dentro da mata ciliar e áreas de APP, em que a incidência de radiação solar é
menor e também devido ao horário de coleta e analise das amostras de água, por volta das 8
horas da manhã.
Já para último ponto de amostragem (P11), o aumento da temperatura pode ser
explicado pelo acumulo de efluentes que a bacia vem sendo transportando ao longo de seu
percurso, pela ausência de uma mata ciliar no entorno da bacia, o que poderia influenciar na
temperatura do corpo de água e, ainda, pelo horário de coleta e análise da amostra realizada
neste ponto, por volta das 12h: 30mim.
78
_________________________________________________________________________________
5.5
Potencial Hidrogeniônico (pH)
O Potencial Hidrogeniônico é um importante parâmetro capaz de determinar a
dissolução, a precipitação, a oxidação ou mesmo a redução de várias substâncias no corpo de
água. Na bacia em estudo verificou-se que os valores de pH estão de acordo com o
determinado pela Resolução do CONAMA 357/05 (TAB. 8).
Valores de pH nos Pontos de Amostragem
Pontos de
P1
P2
Amostragem
6,44 7,78
1ª Coleta
2ª Coleta
5,48 6,4
P3
P4
P5
6,23 7,31 7,39
6,86 6,68 6,64
P6
P7
P8
7,44 7,46 7,58
7,1 7,21 7,65
P9
P10
P11
7,35
7,63
7,31
7,62
6,93
7,26
TABELA 8 – Valores de Potencial Hidrogeniônico (pH) da água nos pontos de amostragem da Bacia
do Córrego Tripuí.
A Resolução do CONAMA determina que para as águas de classe 2 os valores de pH
devem estar entre 6,0 e 9,0 (GRAF. 5).
GRÁFICO 5 – Valores do Potencial Hidrogeniônico da água nos pontos de amostragem da Bacia do
Córrego Tripuí em Ouro Preto – MG.
A maior parte dos valores de pH registrados estão em torno de 7, o que pode indicar
uma neutralidade presente na água. O menor valor registrado de pH foi na nascente, ponto 1,
de 5,48, este baixo valor de pH pode indicar condições ácidas na água que pode ser
79
_________________________________________________________________________________
identificado pela presença da mata ciliar presente no entorno da nascente, a partir da qual a
oxidação da matéria orgânica e aumento da acidez podem acontecer de forma natural.
5.6
Índice de Degradação
Marins e Dias (2002, p. 480) destacam que:
As cargas dos rios se alteram continuamente como conseqüência de
mudanças naturais que modificam, na escala geológica, as taxas de erosão e
deposição de sedimentos por fatores tais como a progressão e regressão do
nível do mar. Entretanto, atividades antrópicas estão atualmente acelerando
estas transformações, aumentando fortemente as descargas fluviais em
resposta à baixa conservação dos solos das bacias de drenagem ou
diminuído-as devido ao barramento dos rios.
De acordo com os valores encontrados para os parâmetros físico-químicos são notórias
as mudanças no perfil em estudo conforme o uso e ocupação do solo presente na bacia do
Córrego Tripuí, identificadas principalmente pela atividade humana, no espaço urbano
(através do despejo de efluentes domésticos) e atividades de mineração próximos do leito do
rio. Mesmo que todos os parâmetros analisados nesta pesquisa não tenham ultrapassado os
limites estabelecidos para lançamento de efluentes, é possível verificar claramente mudanças
ao longo da bacia em estudo.
Estas mudanças podem ser percebidas principalmente através dos parâmetros
analisados de turbidez, condutividade elétrica e sólidos totais dissolvidos, estes parâmetros
mostraram-se significantes para análise preliminar da qualidade da água, sendo importantes
do ponto de vista metodológico. Auxiliando também para uma avaliação da variação destes
parâmetros entre as estações climáticas (períodos de coletas), sendo influenciados por fatores
como diluição e deflúvio.
O mapeamento da qualidade da água foi realizado através do Índice de Degradação a
partir da analise conjunta dos parâmetros analisados em cada ponto de amostragem. No Índice
de Degradação foram utilizados os parâmetros de Turdidez, Condutividade Elétrica e Sólidos
Totais Dissolvidos. O Índice de Degradação na primeira coleta realizada no mês de junho
apresenta uma variação entre 0,0097 e 1,5877 (MAPA 6).
80
_________________________________________________________________________________
MAPA 6 – Mapa do Índice de Degradação da água na Bacia do Córrego Tripuí, Ouro Preto – Minas
Gerais (Junho/2011).
81
_________________________________________________________________________________
A variação encontrada entre os parâmetros analisados determinam o índice de
degradação encontrado na bacia para este período de coleta. Dentre todos os pontos que
apresentam degradação, destaca-se o Ponto P8 (com valor igual a 1,5877), que apresenta o
maior degradação da qualidade da água.
O Índice de Degradação na segunda coleta realizada no mês de dezembro apresenta
uma variação entre 0,0478 e 1,746 (MAPA 7). O ponto de amostragem que merece destaque
na coleta realizada em dezembro é o P8 (com valor igual a 1,746), mostrando que ele
apresenta o maior valor no índice de degradação da água, como o mesmo ponto mostra
também os maiores valores quando analisamos os parâmetros separadamente.
A partir da analise dos índices de degradação a estação chuvosa apresenta os maiores
problemas associados a qualidade da água, apresentando o maior valor registrado no ponto
P8. A partir do índice de degradação é possível perceber que entre as duas estações de coleta
as áreas em que se encontram as nascentes apresentam os menores valores, conseqüentemente
os menores índices de degradação. Entretanto, à medida que ocorre a variação do uso e
ocupação do solo no entorno da bacia os valores registrados são maiores, deste modo são
encontrados os maiores índices de degradação da água na bacia do Córrego Tripuí.
O índice de degradação tem aumento de seus valores na estação chuvosa. Desta
maneira é possível perceber como o acumulo de partículas, a movimentação de material pelo
escoamento superficial que promovem a erosão e o transporte e carreamento de partículas
através da chuva, contribuem para os altos valores registrados para o índice de degradação.
82
_________________________________________________________________________________
MAPA 7 – Mapa do Índice de Degradação da água na Bacia do Córrego Tripuí, Ouro Preto – Minas
Gerais (Dezembro/2011).
83
_________________________________________________________________________________
A Lei n° 9.433 de 08 de janeiro de 1997 se baseia na política de gestão dos recursos
hídricos. De acordo com Pereira e Formiga-Johnsson (2005, p. 58) esta Lei apresenta como
principal objetivo:
...assegurar à atual e às futuras gerações a necessária disponibilidade de
água, em padrões de qualidade adequados aos respectivos usos, ao mesmo
tempo em que busca a prevenção e defesa contra eventos hidrológicos
críticos e o desenvolvimento sustentável, através da utilização racional e
integrada dos recursos hídricos.
Para que este objetivo seja atingido é preciso que os princípios adotados nessa Lei
como reconhecimento da água como um bem público, dotado de valor econômico,
necessidade do uso múltiplo da água; adoção da bacia hidrográfica13 como unidade de
planejamento e gestão das águas e; a participação dos diferentes níveis do poder público, dos
usuários e da sociedade civil no processo de tomada de decisão, sejam efetivamente
executados por todos os setores da sociedade.
O gerenciamento de recursos hídricos em nível municipal produz novos problemas
devido ao grau elevado de urbanização. Tundisi (2011) apresenta que os principais desafios
encontrados pelos municípios pequenos e médios são “a conservação dos mananciais e a
preservação das fontes de abastecimento superficiais e ou subterrâneas” (TUNDISI, 2011, p.
161).
Rufino, Vieira e Ribeiro (2006, p. 45) “apresentam que a poluição das águas por um
Estado a montante, pode afetar a qualidade para uso a jusante”, na bacia em estudo, pode-se
observar que este problema de poluição ocorre entre os municípios de Ouro Preto e Mariana.
A poluição da água a montante, no município de Ouro Preto, pode influenciar na qualidade da
água a jusante, no município de Mariana. Entretanto, observa-se que o município de Mariana
também lança efluentes domésticos no córrego em estudo. Rufino, Vieira e Ribeiro (2006)
ainda destacam que a falta de eficiência da gestão dos recursos hídricos pelos estados pode
dificultar a determinação da qualidade e da quantidade da água a ser disponibilizada na
fronteira, para usos a jusante.
Assim, estes municípios devem implementar medidas de preservação da mata ciliar,
coleta e tratamento de esgotos para recuperação das águas municipais, tratamento e disposição
13
A bacia hidrográfica, como unidade de planejamento e gerenciamento de recursos hídricos, representa um
avanço conceitual muito importante e integrado de ação. A abordagem por bacia hidrográfica apresenta muitas
vantagens, características e situações que são fundamentais para o desenvolvimento de estudos interdisciplinares,
gerenciamento dos usos múltiplos e conservação. (TUNDISI, 2011, p. 153-154)
84
_________________________________________________________________________________
dos resíduos sólidos, promover cursos e programas de educação sanitária a população como
medidas para tratamento e proteção dos mananciais e das bacias hidrográficas.
Cabe aos municípios de Ouro Preto e Mariana reverem a gestão municipal que se
compromete com as questões relacionadas à proteção e preservação dos recursos hídricos do
município para que dispersão de efluentes não afetem os mananciais e não contribuem com
riscos à saúde das populações.
Uma coleta e destinação do lixo adequada também são importantes, pois, desta forma
pode-se evitar a contaminação do solo que por sua vez, pode influenciar na degradação dos
recursos hídricos. Uma correta utilização e ocupação do solo, esta medida influencia
diretamente na qualidade da água, pois, o uso e ocupação do solo são determinantes para uma
avaliação da qualidade da água.
Em concordância com o exposto é possível perceber a importância da Resolução do
CONAMA 357/05 que, através da determinação de limites para os parâmetros, auxilia e
corrobora a identificar as possíveis alterações que podem ocorrer em um rio.
Assim é de extrema importância o monitoramento dos recursos hídricos com o
objetivo de identificar as alterações que podem ou não ocorrer, de forma natural ou antrópica,
nos corpos de água, para que desta forma possam ser propostas medidas de controle e
prevenção para minimizar a poluição no curso de água.
Com a implementação destas medidas juntamente com o monitoramento constante do
recurso hídrico, será possível reduzir muito problemas ambientais encontrados em muitas
cidades nos dias de hoje. E, ainda diminuir os níveis de poluição já encontrados nos cursos de
água e, principalmente, com o pensamento voltado para o futuro, problemas futuros de
poluição deste recurso.
85
_________________________________________________________________________________
6.0
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os impactos provocados pela degradação dos recursos hídricos podem influenciar
diretamente na qualidade de vida, tanto animais quanto vegetais. Desta forma, é impossível
não tratar e não levar em consideração o uso da água na bacia hidrográfica, por esta se tratar
de uma unidade geográfica em que todas as variáveis ambientais e antrópicas têm a função de
determinar a sua qualidade.
Ao compreender como os impactos provocados pela atuação antrópica interferem nos
cursos de água, este trabalho mostrou estas interferências na qualidade da água na bacia
hidrográfica do Córrego Tripuí, pois, bacia esta presente em áreas diversificadas quanto ao
seu uso e ocupação do solo. Na bacia do Córrego Tripuí, foi possível observar como as
atividades mineradoras, as atividades humanas e a urbanização, pode contribuir para a
degradação da qualidade da água.
Nas áreas de preservação permanente, onde se encontram as nascentes, os valores dos
parâmetros analisados são mais baixos se comparados com os valores dos mesmos parâmetros
analisados quando, a bacia e a sua foz, encontram-se na área urbana, mostrando a elevação
nestes valores. Desta maneira é possível perceber que as atividades antrópicas são
responsáveis por grande parte da degradação encontrada na água observada na bacia. Esta
degradação pode ser observada principalmente no baixo curso da bacia, próximo a exploração
de topázio e no perímetro urbano.
Alterações visuais também puderam ser observadas ao longo do perfil analisado. A
coloração da água se tornava mais intensa, mais turva, escura e, com um odor forte
principalmente no baixo curso da bacia, características estas que podem ser relacionadas aos
despejos de efluentes no perfil.
A utilização dos parâmetros físico-químicos foi relevante para determinação do índice
de degradação da água na bacia, sendo uma forma de assim propor medidas para melhor
preservação da qualidade da água. Sendo assim, é intrínseco ressaltar a importância do
monitoramento constante da qualidade da água, através das variáveis físicas, químicas e
biológicas encontradas nos parâmetros de determinação de sua qualidade.
Todos os parâmetros que foram estudados de acordo com a Resolução do CONAMA
357/05, mostraram que todas as análises realizadas nos pontos de amostragem estão abaixo
dos valores limites estabelecidas pelo CONAMA. No entanto, cabe ressaltar que mesmo
estando abaixo dos valores estabelecidos, é clara a degradação ao longo da bacia.
86
_________________________________________________________________________________
Fica exposto que não foram realizadas analises mais específicas neste trabalho, como
análises de metais pesados e orgânicos no perfil, o que poderia identificar e caracterizar de
uma melhor forma o índice de degradação e a qualidade da água na bacia do Córrego Tripuí.
Estas análises deverão ser realizadas principalmente a montante da exploração mineradora,
nos pontos (P4), onde se encontra uma nascente próxima da mineração, nos pontos (P6) e
(P7) porque antecedem o local da mineração e, a jusante para comparação dos resultados nos
pontos (P8), ponto de amostragem que apresentou os maiores valores de concentração de
efluentes, e ponto (P11), onde se encontra a foz do perfil.
As ações que interferem na qualidade da água são indícios de como é necessário à
existência de um Comitê de Bacia para fiscalização da qualidade do uso da água. O Comitê da
Bacia do Rio Doce (MAGALHÃES, 2007) mostra que é através do monitoramento, da
realização de pesquisas, que se pode perceber qual e como o efluente está alterando a
qualidade da água em uma determinada bacia. Outro fator importante além de pesquisas,
criação de comitês e realização de monitoramentos é a divulgação dos resultados e discussões
para a população, a fim de deixá-los cientes de todo e qualquer tipo de alteração que pode ser
encontrado em uma bacia. Desta forma, a água poderá ser utilizada por todos com uma maior
consciência para uma melhor preservação.
Por fim, para auxiliar e interferir na qualidade de vida da população espera-se que os
órgãos ambientais competentes, atuem na fiscalização e controle para as ações que degradem
o curso de água. Com a realização de atividades como monitoramento da qualidade da água,
tendo como orientação a variação presente no uso e ocupação do solo, os múltiplos usos da
água e as possíveis fontes poluidoras presentes nos recursos hídricos, poderão assim
contribuir de forma positiva para manutenção da qualidade da água diminuindo assim as
fontes de degradação.
87
_________________________________________________________________________________
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96
_________________________________________________________________________________
WICANDER, R.; MONROE, J. S. Fundamentos de Geologia. São Paulo: Cengage Learning,
2009.
97
_________________________________________________________________________________
ANEXOS
ANEXO A – Ciclo hidrológico na Terra.
Fonte: Adaptado de: Wicander e Monroe, 2009, p. 269.
ANEXO B – Poluição Pontual e Poluição Difusa.
Fonte: Von Sperling, 2005, p. 49.
98
_________________________________________________________________________________
ANEXO C – Comparação dos Períodos de desenvolvimento (adaptado de Tucci, et al, 2000).
Fonte: Tucci, 2005, p. 83.
99
_________________________________________________________________________________
ANEXO D – Efeitos Negativos da Urbanização sobre o Ciclo da Água.
Fonte: Vargas, 1999, p. 117.
ANEXO E – Comparação dos aspectos da água no meio urbano (adaptado de Tucci, 2003).
Fonte: Tucci, 2004, p. 61.
100
_________________________________________________________________________________
ANEXO F – Impurezas contidas na água (adaptado de Barnes et al, 1981).
Fonte: Von Sperling, 2007, p. 27.
101
_________________________________________________________________________________
Índice de Degradação na bacia do Córrego Tripuí, Ouro Preto – MG (Estação Seca).
Turbidez
Condutividade
Elétrica
STD (Sólidos Totais
Dissolvidos)
0,0097
0,0166
0,0195
0,0167
0,0189
0,0348
0,0116
0,1137
0,0756
0,1126
0,1033
0
0,15
0,21
0,04
0,04
0,45
0,15
1,33
1,27
1,32
1,1
0
0,016
0,022
0,004
0,004
0,048
0,016
0,144
0,136
0,142
0,118
0,0097
0,1826
0,2515
0,0607
0,0629
0,5328
0,1776
1,5877
1,4816
1,5746
1,3213
102
_________________________________________________________________________________
Índice de Degradação na bacia do Córrego Tripuí, Ouro Preto – MG (Estação Chuvosa).
Turbidez
0,0038
0,1193
0,0223
0,0547
0,1362
0,0476
0,046
0,46
0,2554
0,2327
0,1298
Condutividade
Elétrica
0,04
0,16
0,2
0,04
0,04
0,29
0,06
1,16
1,06
1,1
1,3
STD (Sólidos Totais
Dissolvidos)
0,004
0,016
0,02
0,004
0,004
0,03
0,006
0,126
0,114
0,118
0,11
0,0478
0,2953
0,2423
0,0987
0,1802
0,3676
0,112
1,746
1,4294
1,4507
1,5398
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