Notícias Kit GlobalFiler, da Life Technologies, é aprovado pelo FBI Kit tem capacidade de fazer upload de amostras forenses no Sistema de Índice Nacional de DNA usando uma química altamente discriminatória, que possibilita comparações mais rápidas e poderosas para solucionar crimes O Bureau Federal de Investigações dos Estados Unidos (FBI) aprovou a utilização do Kit GlobalFiler, da Life Technologies, em laboratórios forenses que geram amostras de DNA e fazem upload do material no banco de dados do Sistema de Índice Combinado de DNA, também chamado de CODIS. A decisão da agência foi baseada em dados enviados pelo Departamento de Ciências Forense do Alabama (ADFS), que validou a solução desenhada para ajudar a solucionar crimes graves. É o segundo kit de DNA da Thermo Fisher Scientific a ser aprovado em menos de um ano. O Kit GlobalFiler e o anteriormente aprovado Kit GlobalFiler Express pesquisam a mais ampla gama de dados genéticos de qualquer química existente no mercado, o que resulta em comparações mais rápidas e mais poderosas de amostras forenses para solucionar crimes e ajudar a reduzir o crescente acúmulo de amostras a serem testadas. Ambas são as únicas soluções que contêm todos os marcadores genéticos recomendados para inclusão pelo CODIS Core Loci Working Group, e ainda 10 marcadores adicionais amplamente usados na Europa, com o objetivo de diminuir os riscos de identificação ao acaso ao mesmo tempo em que permite o compartilhamento mais efetivo de dados entre países. Gerenciado pelo Sistema de Índice Nacional de DNA (NDIS), o CODIS facilita a comparação digital e a troca de perfis de DNA entre agentes locais, estaduais e federais envolvidos, 6 e os laboratórios forenses. Apesar da aprovação do Kit GlobalFiler valer para a comunidade forense americana, outros países também seguem a regulamentação do FBI. À medida que os dados se expandem, a padronização é cada vez fundamental para garantir a rápida, precisa e eficiente comparação entre amostras de DNA. Atualmente, 46 países contam com um banco de dados de DNA de criminosos, combinados em uma amostra de 50 milhões de infratores, número que não para de crescer. O Kit GlobalFiler da Life Tecnologies foi aprovado logo após seu lançamento em 2012, baseado em dados também enviados pelo ADFS. A Thermo Fisher Scientific é a única empresa a receber a aprovação do FBI para a química de seis corantes da solução, que foi projetada para a máxima recuperação de informações. Esta tecnologia também facilita a amplificação das amostras mais desafiadoras, como restos humanos degradados. “Como parceiros de confiança dos laboratórios forenses ao redor do mundo, nós sabemos que o tempo de espera para um resultado, a recuperação de informações e o custo de uma análise são essenciais para nossos clientes,” diz Nadia Altomare, vice-presidente e gerente geral do departamento de Identificação Humana da Thermo Fisher Scientific. “É por isso que a química do GlobalFiler foi desenhada para maximizar a informação das mais desafiadoras amostras em tempo hábil. Agora com a aprovação do NDIS, a solução agiliza ainda mais as combinações de dados para ajudar a solucionar crimes. ” Por mais de 25 anos, as tecnologias inovadoras da Life Technologies, uma marca da Thermo Fisher Scientific, vêm permitindo aos cientistas maximizar o uso do DNA para descobrir identidades e solucionar crimes. Atualmente, a empresa oferece as mais robustas e confiáveis soluções para identificação humana (HID), testadas debaixo da marca Applied Biosystems – e é a única empresa do mercado que produz e valida seus reagentes, instrumentos e software de análise de dados juntos, integrados em um único sistema para HID. Para Saber Mais www.lifetechnologies.com/globalfiler R evista A nalytica • Agosto/Setembro 2014 • nº 72 R evista A nalytica • Agosto/Setembro 2014 • nº 72 7 Notícias Foto: Freedigitalphotos Cientistas exploram microbiota de formigas em busca de novos fármacos Como os moradores de grandes cidades bem sabem, ambientes com grande aglomeração de indivíduos são favoráveis à disseminação de patógenos e, portanto, requerem cuidados para evitar doenças. Se nós humanos podemos contar com vacinas, remédios e desinfetantes para nos proteger, os insetos sociais – como abelhas, formigas e cupins – também desenvolveram ao longo de milhares de anos de evolução suas próprias “armas químicas”, que agora começam a ser exploradas pela ciência. “Uma das estratégias usadas por insetos que vivem em colônias é a associação com microrganismos simbiontes – na maioria das vezes bactérias – capazes de produzir compostos químicos com ação antibiótica e antifúngica”, contou Monica Tallarico Pupo, professora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da USP. Em um projeto recentemente aprovado na primeira chamada de propostas conjunta lançada pela FAPESP e pelo National Institutes of Health (NIH), dos Estados Unidos, a equipe de Pupo vai se unir ao grupo de Jon Clardy, da Harvard University, para explorar a microbiota existente nos corpos de formigas brasileiras em busca de moléculas naturais que possam dar origem a novos fármacos. “Vamos nos concentrar inicialmente nas espécies de formigas cortadeiras, como a saúva, pois são as que têm essa relação de simbiose mais bem descrita na literatura científica”, disse Pupo. De acordo com a pesquisadora, as formigas cortadeiras se comportam como verdadeiras agricultoras, carregando pedaços de planta para o interior do ninho com o intuito de nutrir as culturas de fungos das quais se alimentam. “Isso cria um ambiente rico em nutrientes e suscetível ao ataque de microrganismos oportunistas. Para manter a saúde do formigueiro, é importante que tenham os simbiontes associados”, explicou Pupo. Os pesquisadores sairão à caça de formigas em parques nacionais localizados em diferentes biomas brasileiros, como Cerrado, Mata Atlântica, Amazônia e Caatinga. Também fará parte da área de coleta o Parque Estadual Vassununga, no município de Santa Rita do Passa Quatro (SP). A meta do grupo é isolar cerca de 500 linhagens de bactérias por ano o que, estima-se, dê origem a cerca de 1.500 diferentes extratos. “O primeiro passo será coletar os insetos e fragmentos do ninho para análise em laboratório. Em seguida, vamos isolar as linhagens de bactérias existentes e usar métodos de morfologia e de sequenciamento de DNA para caracterizar os microrganismos”, contou Pupo. Depois que as bactérias estiverem bem preservadas e catalogadas, acrescentou a pesquisadora, será possível cultivar as linhagens para, então, extrair o caldo de cultivo. “Nossa estimativa é que cada linhagem dê origem a três diferentes extratos, de acordo com o nutriente usado no cultivo e a técnica de extração escolhida”, disse. Esses extratos serão testados in vitro para avaliar se são capazes de inibir o crescimento de fungos, células cancerígenas e de parasitas causadores de leishmanioses e doença de Chagas. Os mais promissores terão os princípios ativos isolados e estudados mais profundamente. “Nesse tipo de pesquisa é comum ter redundância, ou seja, isolar compostos já conhecidos na literatura. Para agilizar a descoberta de novas substâncias ativas vamos usar ferramentas de desreplicação e de sequenciamento genômico”, disse Pupo. Fonte: Agência Fapesp 8 R evista A nalytica • Agosto/Setembro 2014 • nº 72 R evista A nalytica • Agosto/Setembro 2014 • nº 72 9 Notícias Fotos: Divulgação Laboratório da USP vai desenvolver soluções aplicadas ao pré-sal Infraestrutura foi planejada para as condições industriais A Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP vai inaugurar, em setembro, o Laboratório de Escoamentos Multifásicos Industriais (LEMI), financiado pela Petrobras, com o objetivo de desenvolver tecnologias que envolvam soluções na área de exploração e produção com aplicações no pré-sal. O prédio de dois mil metros quadrados, localizado no campus 2 da USP, em São Carlos, está em fase de acabamento. O coordenador do laboratório, Oscar Mauricio Hernandez Rodriguez, docente do Departamento de Engenharia Mecânica (SEM), explica que o padrão das instalações do LEMI viabilizará simular processos que envolvam escoamentos multifásicos em alta pressão – fase de produção em que há mistura de petróleo e bolhas de gás dióxido de carbono (CO2) denso – com o objetivo de assemelhar-se aos métodos utilizados nas indústrias petrolíferas. “No laboratório serão realizados experimentos utilizando técnicas que cheguem o mais próximo às grandezas físicas da produção industrial – pressão, temperatura e vazão. Para tanto, a infraestrutura também foi planejada para as condições industriais, com tubulações de aço, instrumentação avançada e normas de seguranças mais rígidas”, esclarece Rodriguez. Em menor escala, o laboratório do Núcleo de Engenharia Térmica e Fluídos (NETeF), localizado no SEM, campus 1 da USP em São Carlos, simula a cadeia produtiva do petróleo utilizando líquidos e gases a baixa pressão em uma infraestrutura diferente da industrial. Neste espaço já são desenvolvidos há vários anos projetos de pesquisa em parceria com grandes petrolíferas. O professor afirma que em um primeiro momento não haverá a transferência de projetos e instalações para o novo laboratório, sendo que os convênios firmados e atualmente em andamento permanecerão no NETeF. Dois novos projetos em processo de formalização – envolvendo as empresas Petrobras e British Gas (BG), produtora de gás natural – devem iniciar as atividades do LEMI. Equipamentos de última geração Novos equipamentos com tecnologia de ponta também serão adquiridos para o laboratório, como um PIV (“Particle Image Velocimetry”) de última geração, Câmera Filmadora de Alta Velocidade e Anemômetro por Laser Doppler (LDA, sigla em inglês), que realiza medições locais instantâneas precisas de velocidade do escoamento. Um Densitômetro de Raios Gama Dual Source também está sendo importado para fazer medições de propriedades do escoamento por meio de técnicas nucleares. Apesar de a Petrobras ter financiado o projeto do laboratório, não há um contrato de exclusividade, e demandas de outras empresas também poderão gerar pesquisas. Os convênios firmados serão de cooperação para desenvolvimento de pesquisa tecnológica e inovação, e contarão com a participação de alunos de pós-graduação. “O laboratório, como um patrimônio da USP, também tem a finalidade de viabilizar o desenvolvimento de projetos acadêmicos no âmbito de ensino, pesquisa e extensão, e não irá oferecer privilégios em projetos ou trabalhos de consultoria a petrolíferas”, relata. Marte doa balança para o laboratório da ABC A sede da ABC conta com um laboratório com quatro bancadas que dispõem de equipamentos para o desenvolvimento de formulações cosméticas, como balanças de precisão, agitadores, centrífuga, estufas para testes de estabilidade, placas aquecedoras, pHmetro, viscosímetro, reator 30kg para produção de lote piloto entre outros. Em agosto a empresa Marte Científica doou a balança modelo AD-500 para o laboratório da ABC, que foi entregue por Tiago Akatsuka, consultor da Marte. Com tradição de mais de 60 anos, a Marte Científica está em constante desenvolvimento e aperfeiçoamento da sua linha de produtos de automação e laboratorial. A empresa que começou as suas atividades fabricando e revendendo balanças, com o tempo expandiu sua linha e entrou no mercado analítico. Hoje é conhecida por aliar tecnologia de ponta e um rigoroso controle de qualidade para a fabricação, armazenamento, venda e transporte de seus produtos. A doação faz parte do programa de modernização do laboratório da ABC que é utilizado pelos alunos durante as aulas práticas dos cursos e também pelas empresas associadas que alugam as bancadas para desenvolvimento de formulações e eventos técnicos. 10 R evista A nalytica • Agosto/Setembro 2014 • nº 72 Johanesburgo abre o primeiro laboratório de espectrometria de massa com acelerador As primeiras instalações de Espectrometria de Massa com Acelerador foram oficialmente abertas em Johanesburgo, África do Sul. A tecnologia está localizada na unidade de Gauteng do Laboratório iThemba para Ciências de Acelerador (iThemba LABS), no campus de Johanesburgo da Universidade de Witwatersrand. “Uma das ações que precisamos tomar em nosso país é investir no capital humano em ciência e tecnologia”, disse a Ministra da Ciência e Tecnologia, Naledi Pandor. “Também é necessário assegurar que os pesquisadores sul-africanos tenham os equipamentos e instalações necessários para realizar grandes pesquisas no país”. Ela destacou que o investimento em infraestrutura científica foi essencial para o país e para a África. Com isso, o país irá apoiar o desenvolvimento de todo o continente e terá impacto global. O Departamento de Ciência e Tecnologia, por meio da Fundação Nacional de Pesquisa, já opera um programa “vibrante” de equipamentos que, desde 2005, já adquiriu mais de 300 equipamentos de alto nível para pesquisas, que já foram instalados em diversas universidades no país. Mais de 3.000 publicações científicas foram resultadas de experimentos realizados com tais equipamentos. A Espectrometria de Massa com Acelerador permite que cientistas da África do Sul, do continente africano, e do resto do mundo submetam pesquisas de nível mundial e as desenvolvam em um grande número de campos. Em particular, mudança climática regional e global, a caracterização de sistemas de águas subterrâneas, paleoantropologia, arqueologia, história, e tecnologia de preservação, além do uso do AMS em dosimetria biomédica e pesquisa de drogas terapêuticas. Para a física, um acelerador é uma máquina que acelera partículas até altíssimas velocidades e energias, mesmo com opções de energia mais baixas (como no caso da Espectrometria de Massa com Acelerador). O uso de um acelerador na espectrometria de massa torna a identificação de traços de isótopos - o mais famoso deles, Carbono-14, usado em datação de radiocarbono - muito mais fácil. R evista A nalytica • Agosto/Setembro 2014 • nº 72 11 Notícias Microrganismos podem reduzir produção de energia solar Biofilmes superficiais formados por fungos e outros microrganismos, e associados a outros materiais particulados, podem reduzir em até 10% a produção de energia de painéis fotovoltaicos, que transformam a energia solar em elétrica. A descoberta, inédita no mundo, é resultado do estudo Avaliação da influência de biofilmes na eficiência energética de módulos fotovoltaicos, realizado pela pesquisadora Márcia Aiko Shirakawa, do Departamento de Engenharia de Construção Civil (PCC), da Escola Politécnica (Poli) da USP. O projeto multidisciplinar teve por objetivo avaliar se o crescimento de microrganismos, no caso fungos e organismos fototróficos (como por exemplo, cianobactérias e microalgas), poderiam diminuir a aquisição da energia solar em módulos fotovoltaicos expostos na cidade de São Paulo. De acordo com Márcia, há vários estudos na literatura científica que mostram os problemas causados nos módulos fotovoltaicos por outros tipos de poluição, como poeira e fuligem. “Fatores biológicos são incluídos na composição das poeiras, mas até o momento a caracterização microbiológica destes fatores ainda não foi realizada”, explica a pesquisadora da Poli. “O crescimento de fungos pode ser visto em lentes de microscópios e câmeras fotográficas sendo, portanto, um fenômeno conhecido na superfície de vidros, mas ainda não haviam sidos estudados em painéis solares. Por isso, nossa pesquisa vem preencher uma lacuna do conhecimento científico em área multidisciplinar, envolvendo a microbiologia e a redução de produtividade em sistemas fotovoltaicos instalados em telhados urbanos.” Para realizar o estudo, Márcia e sua equipe instalaram 18 módulos fotovoltaicos, composto por 36 células, de 10 cm² cada, de silício policristalino, no Laboratório de Sistemas Fotovoltaicos do Instituto de Energia e Ambiente (LSF-IEE). Depois de 18 meses exposto ao sol, foram coletadas amostras da área superficial externa de seis módulos. “Constatamos que nesse um ano e meio de exposição os fungos colonizaram intensamente a superfície dos módulos”, conta a pesquisadora. “Verificamos que até cerca de 50% da ‘poluição’ depositada sobre os painéis pode ser composta por matéria orgânica e que os fungos são preponderantes em relação aos organismos fototróficos.” 12 R evista A nalytica • Agosto/Setembro 2014 • nº 72 R evista A nalytica • Agosto/Setembro 2014 • nº 72 13 Notícias Espectrofotômetro de Medição Universal Cary 7000 da Agilent recebe o Prêmio R&D 100 O Espectrofotômetro de Massa Universal Cary 7000 da Agilent Technologies Inc. foi o vencedor do Prêmio R&D 100 de 2014, que distingue os 100 produtos de maior importância tecnológica lançados no ano anterior. “O revolucionário sistema Cary 7000 dá aos cientistas uma solução simples para pesquisa, desenvolvimento e garantia de qualidade na análise de materiais para filmes finos, revestimentos, óptica, energia solar e vidro”, disse Philip Binns, vice-presidente da Agilent para produtos de espectroscopia. “A amostragem rápida, automatizada e flexível do Cary 7000, em combinação com seu alcance em 10 Abs, permite a cientistas e engenheiros gerar os resultados da mais alta qualidade, mesmo sob as condições de análise mais difíceis.” O Cary 7000 fornece aos pesquisadores alta qualidade e desempenho maiores do que qualquer sistema UV-Vis-NIR disponível hoje, permitindo aos fabricantes redução dos custos e garantia de qualidade e controle mais rigorosos. Entre as características do produto incluem-se: caracterização da amostra completa, menor custo por análise e melhor qualidade de dados para aplicações de materiais avançados. Considerados uma referência de excelência para os setores da indústria de setores como telecomunicações, física de alta energia, software, fabricação e biotecnologia, os prêmios R&D 100 são selecionados por um júri independente e pelos editores da Revista R&D. É a terceira vez consecutiva que um equipamento Agilent recebe a premiação: em 2013, o vencedor foi o Agilent 8800 triplo quadropolo ICP-MS e em 2012, foi o espectrômetro 4100 Microwave Plasma-Atomic Emission (MP-AES). TÜV Rheinland amplia laboratório de ensaios para o programa de certificação de agulhas, seringas e equipos Empresa, que é líder na certificação de eletromédicos, reforça sua atuação na área médica e hospitalar A TÜV Rheinland Brasil, subsidiária de um dos maiores grupos mundiais de certificação, inspeção e gerenciamento de projetos, acaba de ampliar o seu Laboratório de Ensaios para o Programa de Certificação de Agulhas, Seringas e Equipos. Agora, em 2014, a empresa terminou a ampliação do espaço físico do laboratório e a aquisição de equipamentos de última geração para a análise dos resultados dos testes dos produtos, investindo cerca de R$ 800 mil. “Após a ampliação e modernização do laboratório recebemos auditoria do Inmetro/CGCRE para a extensão do escopo para o Programa de Avaliação da Conformidade de Agulhas, Seringas e Equipos, de modo que já estamos capacitados para realizarmos todos os ensaios solicitados para Certificação Compulsória”, afirma Ariane Tada, coordenadora técnica do Laboratório da TÜV Rheinland. Atualmente, a TÜV Rheinland realiza cerca de 160 ensaios de agulhas e seringas no laboratório, localizado no Jabaquara, zona sul da capital paulista, e tem expectativa de duplicar esse volume até o final do ano. A partir da publicação da acreditação pelo Inmetro, aguardada para a primeira quinzena de agosto, a empresa já emitirá os selos de qualidade. “O Inmetro está exigindo a certificação compulsória desses produtos desde o segundo semestre de 2011, e ainda há muitos fabricantes e importadores procurando pelos ensaios, justificando nossa expectativa de crescimento no serviço”, observa Oswaldo Luiz Bueno Martins, gerente técnico do laboratório. No escopo de produtos eletromédicos certificados pela TÜV Rheinland estão tomógrafos, equipamentos de raios-x, incubadores neonatais, fototerapias, sistema de anestesia, ventiladores pulmonares, desfibriladores, equipamentos de estética a laser e ultrassom, sistemas de monitorização de pacientes, camas hospitalares, mesas cirúrgicas e outros. A empresa também concede certificação voluntária para outros produtos da área médica, como autoclaves, câmaras de vacina e de conservação, e centrífugas. 14 R evista A nalytica • Agosto/Setembro 2014 • nº 72 Procedimento busca identificar adulteração no leite Foto: Freedigitalphotos Apesar de tóxico, o formaldeído inibe crescimento de microrganismos Pesquisa conjunta entre a USP e a Universidade do Porto (UP), em Portugal, procura desenvolver procedimento analítico para a determinação de formaldeído como adulterante do leite e avaliação da toxicidade de líquidos iônicos (ILs) frente a diferentes organismos. Os experimentos da pesquisadora portuguesa Susana Patrícia Fontes da Costa, da Faculdade de Farmácia da UP acontecem nos laboratórios de Química Analítica e de Ecologia Aplicada do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) da USP, em Piracicaba. Aluna do doutoramento em Ciências Farmacêuticas, Susana ficará no Brasil, em trabalho experimental. “Esses dois assuntos são recentes e relevantes na área de Química. Os ILs foram propostos como extratores alternativos aos solventes orgânicos, com vantagens de serem ambientalmente mais amigáveis. A pesquisa é atual devido às frequentes adulterações de leite por formaldeído e aspectos ainda não esclarecidos quanto à ecotoxicidade dos ILs”, informou Fábio Rocha, professor que, em colaboração com a professora Regina Monteiro, irá orientar Susana durante o estágio. Apesar de ser um composto orgânico tóxico, o formaldeído serve para inibir o crescimento de microrganismos, sendo muito usado como conservante em diversos produtos. É também frequente, na adulteração de leite, a adição de formaldeído para minimizar a contagem de bactérias e aumentar o tempo de conservação. “Pretendemos extrair o formaldeído do leite usando líquidos iônicos e depois determinar os níveis do adulterante, confrontando com os valores aceitáveis. Também pretendemos avaliar a toxicidade dos ILs usados na extração, tema correlato ao de minha tese de doutoramento, voltada à avaliação da sua toxicidade em organismos existentes habitualmente no meio aquático. Os resultados desta pesquisa permitirão avaliar se, realmente, os ILs podem ser considerados solventes verdes, isto é, que não agridem o meio ambiente”, afirma Susana. “O que pretendo é compreender melhor seu impacto ao meio ambiente, visando aperfeiçoar suas aplicações e contribuir para a manipulação destes compostos quando liberados para o ambiente”, completa. R evista A nalytica • Agosto/Setembro 2014 • nº 72 15 Notícias Microscopia holográfica dá vida tridimensional a pesquisas Técnica permite que microscópio use hologramas no lugar de lentes Enquanto a microscopia comum é usada para visualizar coisas muito pequenas, a holografia permite enxergá-las em terceira dimensão. A união dessas descobertas tecnológicas trouxe ao Laboratório de Óptica e Sistemas Amorfos do Instituto de Física (IF) da USP uma ferramenta poderosa na análise de materiais por meio de transmissão ou reflexão. Esta técnica se baseia na gravação de hologramas de objetos com microestruturas por meio de um dispositivo digital (câmera CCD) e na reconstrução dos respectivos hologramas através de números. O microscópio portátil, então, utiliza hologramas no lugar de lentes. A holografia foi descoberta em 1948 pelo britânico Denis Gabor, todavia ficou esquecida até o surgimento do laser na década de 1960. “Uma das propriedades do laser é ser uma luz muito coerente na qual todas as ondas se movimentam de forma organizada. Com isso, é possível visualizar essas imagens tridimensionais”, explica o professor Mikiya Muramatsu, coordenador do laboratório. Quando foi inventada, ela registrava as imagens em placas a serem reveladas posteriormente, um processo muito trabalhoso, em que o produto final era gravado em cristais fotorrefrativos. Quando uma luz é lançada sobre estes cristais, é possível registrar a modulação e a variação da iluminação. Hologramas são formados quando a luz que se reflete sobre a superfície – ou atravessa um objeto tridimensional – é guiada para interferir com o chamado feixe de referência, um feixe de luz que não tenha atingido o objeto. No início, os hologramas eram usados apenas nas artes em composições de imagens aparentemente reais, com o sentido de profundidade ausente nas fotografias e pinturas. No laboratório, a microscopia holográfica é recurso para pesquisas de morfologia de objetos muito pequenos. Nesse caso, a técnica utilizada é digital: a imagem é disponibilizada com o auxílio de softwares por algoritmos que possibilitam a reconstrução holográfica do objeto na tela do computador. Com esse método, são estudadas hemácias e células diversas, vasos, e microcirculações, principalmente na área da saúde. No entanto, existem muitas outras aplicações, já que ela funciona muito bem para objetos na ordem do micrômetro (mícron, 0,001mm). O princípio geral da microscopia holográfica é conhecido mundialmente, e no IF Muramatsu explica que “a busca foi pelas áreas que requisitassem a aplicação da técnica”. Assim, o laboratório desenvolve trabalhos em parceria com pesquisadores cubanos que se destacam na elaboração de softwares; com a Faculdade de Odontologia (FO), para estudar a deformação da arcada dentária no processo de mastigação; e com a Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da USP. Segundo o professor, muitas vezes as amostras necessitam de uma preparação muito delicada para serem visualizadas em microscópios comuns, o que não acontece na microscopia holográfica digital. Não é necessário adicionar corantes, por exemplo, para aumentar o contraste da imagem. O Grupo também dedica-se a estudar alguns tipos de doença que são negligenciadas principalmente nos países tropicais, como a Doença de Chagas, cuja evolução a holografia é capaz de identificar. Saúde cria nova regulação para a produção nacional de medicamentos e equipamentos O Ministério da Saúde colocou em consulta pública a portaria que estabelece os critérios para a realização das Parcerias de Desenvolvimento Produtivo (PDP). É a consolidação de um novo marco regulatório adotado pelo governo federal na gestão dos acordos entre instituições públicas e privadas que visam produzir medicamentos, equipamentos e materiais estratégicos para o SUS. Entre os principais ganhos está o fortalecimento do monitoramento por parte do governo federal e a definição de prazos para as empresas apresentarem as propostas de transferência tecnológica. Pela proposta, o Ministério da Saúde publicará a lista de produtos de maior interesse para a saúde pública brasileira até o fim do ano e as empresas terão até abril para apresentar seus projetos. A partir daí, começa a fase de análise técnica, que será feita por um grupo interministerial (Saúde, Ciência e Tecnologia, e Desenvolvimento, Indústria e Comércio), com a participação de representantes de outros órgãos, como BNDES, Anvisa e Finep. Todos os projetos, aprovados ou não, terão seus resultados divulgados e acessíveis à população. 16 R evista A nalytica • Agosto/Setembro 2014 • nº 72 R evista A nalytica • Agosto/Setembro 2014 • nº 72 17 Notícias DNA vira ‘código de barras da vida’ em rede de pesquisa Iniciativa que reúne pesquisadores de todo o mundo vai padronizar identificação de espécies com DNA Barcoding Foto: Divulgação USP De modo semelhante ao código de barras de um produto no supermercado, a partir do qual é possível identificá-lo e obter informações sobre ele, uma iniciativa que abrange pesquisadores de todo o mundo visa padronizar a identificação de espécies utilizando o chamado DNA Barcoding – método em que uma espécie de código de barras é criada a partir de um pequeno trecho do DNA, extraído de uma região padronizada do gene. A ideia de um dos proponentes dessa técnica, o cientista Paul Hebert, era tornar o processo de identificação das espécies mais rápido e formar um banco de dados de toda a biodiversidade mundial, disponível para consulta por qualquer pessoa. “O uso de sequências de DNA na taxonomia não é novo, mas a ideia do barcoding é o sequenciamento de um mesmo trecho, pois até então cada grupo utilizava uma região diferente do genoma, o que tornava difícil fazer comparações”, conta Mariana Cabral de Oliveira, professora do Departamento de Botânica do Instituto de Biociências (IB) da USP e uma das pesquisadoras participantes do International Barcode of Life (iBOL). O consórcio internacional já é uma realidade e mobiliza pesquisadores em diversos países – o banco de dados do projeto reúne, atualmente, quase três milhões de sequências. A submissão dessas sequências segue um padrão de qualidade e acompanha também outros dados, como descrições morfológicas, fotografias, e o museu ou herbário onde aquela amostra foi depositada. Mariana explica que toda sequência registrada no banco de dados precisa estar associada a uma amostra 18 física. “Eventualmente, se alguém não concordar com a identificação feita, é possível, por exemplo, solicitar e exsicata e reanalisar o material”. Rede brasileira – A partir da iniciativa internacional, o CNPq decidiu criar, em 2010, um projeto para organizar a rede em âmbito nacional. Onze grupos compõem o Brazilian Barcode of Life (BrBOL) e a bióloga Mariana Cabral de Oliveira coordena um destes grupos, voltado para a identificação molecular de organismos marinhos. Essa subrede inclui desde os vários tipos de algas, como também invertebrados, caracterizando um espectro bastante heterogêneo. A vantagem de uma rede nacional é, além de estabelecer a integração entre os estudiosos de todo o Brasil, padronizando os métodos utilizados, a possibilidade de gerar um espelho do banco de dados, ou seja, ter uma cópia dos dados que são enviados ao banco de dados geral. As propostas dos 11 grupos que participaram do edital proposto pelo CNPq tiveram sua vigência encerrada em dezembro de 2013, no entanto os participantes aguardam a prorrogação do prazo — segundo Mariana, o fato de a biodiversidade brasileira ser extremamente grande torna mais trabalhoso sequenciar as espécies. Somente no caso das algas vermelhas, um dos principais objetos de pesquisa da professora, são cerca de 400 espécies identificadas – número que só foi possível alcançar em vários anos de estudo. Segundo a professora, a técnica do DNA Barcoding proposta em 2003 foi rapidamente adotada por pesquisadores das diversas áreas que envolvem a biodiversidade. Apesar do objetivo inicial de usar uma mesma região padronizada para todos os grupos de organismos, logo ficou claro que não era viável adotar apenas uma região do gene como referência para todas as espécies – em alguns casos, existem dificuldades práticas para o sequenciamento da região proposta ou, como acontece com as plantas verdes, ele não tem variabilidade suficiente para diferenciá-las. Assim, estão sendo adotados outros marcadores que possam satisfazer as necessidades de cada grupo. R evista A nalytica • Agosto/Setembro 2014 • nº 72 R evista A nalytica • Agosto/Setembro 2014 • nº 72 19 Notícias Empresa desenvolve tecnologia para fazer análise microbiológica em larga escala utilizando sequenciamento genético A Neoprospecta recebe aporte de R$ 4 milhões do fundo Cventure Primus e foca nos setores de saúde e alimentação para reduzir no país casos de infecção por bactérias A Neoprospecta, empresa de Florianópolis (SC) que desenvolveu uma tecnologia inovadora para fazer diagnóstico microbiológico em larga escala, utilizando sequenciamento de DNA, acaba de receber um aporte de R$ 4 milhões do fundo Cventures Primus, para investimentos em infraestrutura, área comercial, pesquisa e desenvolvimento. A empresa é a primeira a ocupar o InovaLife, incubadora voltada a empresas do segmento de ciências da vida (life sciences) localizada no Sapiens Parque e mantida pela Fundação CERTI. A solução desenvolvida pela Neoprospecta permite que instituições de saúde façam um mapeamento completo de possíveis focos de infecção, com detalhes de cada bactéria encontrada e um resultado entregue em tempo recorde. A solução também pode ser aplicada na indústria alimentícia, em frigoríficos, nas estações de tratamento de água e outras áreas. Além da inovação tecnológica, outro grande diferencial é a escalabilidade: de uma só vez é possível fazer a análise de 512 amostras (em breve, poderá analisar até 1.024), e cada amostra pode identificar dezenas de milhares de espécies de microrganismos. No método tradicional, com a utilização de uma placa de petri, as espécies são identificadas uma a uma, o que demandaria uma grande quantidade de placas e de tempo para chegar ao mesmo resultado. No Brasil, segundo dados da Associação Nacional de Biossegurança (CNB), pelo menos 100 mil pessoas morrem ao ano devido a infecções hospitalares. “O que espanta é que este é um problema totalmente tratável, desde que seja utilizado um rigorosas análises microbiológicas nos ambientes dos hospitais, além de práticas simples como lavar as mãos. “Até o momento não existia uma solução para realizar as análises microbiológicas em ambientes de forma eficiente, lacuna que agora é suprida pela tecnologia que desenvolvemos”, explica o diretor-presidente da Neoprospecta Marcos Oliveira de Carvalho. A empresa surgiu a partir de um projeto de inovação desenvolvido por Carvalho e seu sócio Luiz Felipe Valter de Oliveira durante seus respectivos doutorados em Genética e Biologia Molecular, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. O projeto acabou vencendo o primeiro lugar no Prêmio Santander de 2010 e posteriormente o Prêmio Iberoamericano de Inovação e Empreendedorismo em 2011 e gerou parceria com um laboratório suíço, que possuía tecnologia de ponta em sequenciamento de DNA em larga escala, entre outras. Em 2013, a Neoprospecta recebeu aporte de R$ 500 mil de um investidor anjo e estabeleceu-se no Sapiens Parque, em Florianópolis (SC), onde passou por um processo de aceleração e desenvolvimento de tecnologia própria. Com o investimento do Cventures Primus em 2014, que deverão ser utilizados em um prazo de 24 meses, a empresa espera até 2016 atingir um faturamento de R$ 30 milhões, com foco no setor de saúde, indústria de alimentos e em companhias que atuam com tratamento de recursos hídricos e minerais. Outro foco é a venda de kits para análise para pessoas físicas e pequenas empresas, popularizando um serviço de alta complexidade: “em breve, o usuário final poderá encomendar o material, fazer a coleta e receber a análise de forma digital, com os resultados disponíveis na nuvem - como já é comum em exames de sangue, porém com um sofisticado sistema de software que irá guiar o usuário nos resultados”, adianta Carvalho. 20 R evista A nalytica • Agosto/Setembro 2014 • nº 72 R evista A nalytica • Agosto/Setembro 2014 • nº 72 21 Notícias 22 R evista A nalytica • Agosto/Setembro 2014 • nº 72 R evista A nalytica • Agosto/Setembro 2014 • nº 72 23 Notícias Pesquisa com fungos da Antártica pode abrir rotas para o desenvolvimento de terapias contra doenças negligenciadas Mais de cinco mil linhagens já foram obtidas O combate à dengue, à leishmaniose e à doença de Chagas pode ganhar importantes aliados nos próximos anos, graças ao trabalho coordenado pelo professor Luiz Henrique Rosa, do ICB, e pelo pesquisador Carlos Leomar Zani, do Centro de Pesquisas René Rachou (CPqRR/ Fiocruz), no Proantar. Fungos encontrados na Antártica que apresentaram reação aos agentes causadores dessas doenças demonstram uma possibilidade de desenvolvimento de remédios para seu tratamento. A viagem à Antártica, neste ano, é a sétima do professor Luiz Rosa, a primeira como coordenador do MycoAntar: diversidade e bioprospecção de fungos da Antártica. Durante a expedição, a equipe dará continuidade à coleta de amostras para o estudo de fungos do continente. O processo começa com o isolamento dos fungos, seguido pela taxonomia, processo que consiste na identificação, caracterização e classificação desses micro-organismos que serão utilizados como fonte das substâncias com atividade biológica. As origens do MycoAntar remontam a 2005, quando o professor foi convidado pela professora Vivian Pellizari, da USP, para formar grupo de microbiologia com o objetivo de estudar os micro-organismos da região antártica. Com a parceria, os fungos passaram a ser objeto de estudo do grupo de pesquisa em Biodiversidade e bioprospecção dos fungos do ICB. A primeira viagem à Antártica foi em 2006. A equipe, formada pelo professor Luiz Rosa, por Cristina Nakayama, atualmente professora da Unifesp, e pela hoje doutora Lia Rocha, foi responsável pelo primeiro trabalho de coleta de amostras. “O início do processamento do material ocorreu ainda na Estação Antártica Comandante Ferraz. Trouxemos várias amostras para o Brasil e começamos a encontrar resultados muito interessantes”, conta Luiz Rosa. Linhagens identificadas - Desde então, mais cinco mil linhagens foram obtidas. Com esses micro-organismos está sendo montada uma coleção temática de fungos da Antártica. Essas culturas vivas e congeladas foram incluídas em coleção mantida pelo ICB. “Muitos desses fungos são candidatos a espécies novas. Porém, ainda é necessário mais estudo e pesquisa”, afirma Luiz Rosa. Por meio da identificação e cultivo dessas linhagens, tem sido possível verificar a capacidade de algumas substâncias produzidas pelos fungos de atuarem contra os agentes 24 causadores da dengue, da leishmaniose, da doença de Chagas e contra células tumorais humanas. “Após observar as atividades, cultivamos os fungos em larga escala, a fim de tentar isolar e purificar as substâncias bioativas, identificá-las e verificar seu potencial para a obtenção de novo fármaco ou de um pesticida”, detalha o professor do ICB. Essa fase da pesquisa é realizada em parceria com o CPqRR/Fiocruz, responsável pelo desenvolvimento em plataformas de ensaios biológicos. “Produzimos o extrato do fungo na UFMG, e os pesquisadores do CPqRR realizam testes para verificar a atividade em relação a essas doenças. Quando há interação, o fungo passa a ser produzido em maior escala”, explica o professor. Entre as linhagens identificadas, o professor destaca dois grupos: os fungos cosmopolitas, que podem ser encontrados em vários lugares do mundo, e os endêmicos, observados apenas na região pesquisada. Por serem capazes de sobreviver em um ambiente como a Antártica, esses fungos podem possuir vias metabólicas exclusivas e, por isso, produzir substâncias bioativas únicas. Além disso, o balanço entre a abundância de espécies endêmicas e cosmopolitas pode representar um modelo para o estudo das mudanças climáticas na região. “A diminuição de espécies endêmicas e o avanço das cosmopolitas podem ocorrer em razão das mudanças climáticas, principalmente na Península Antártica, local extremamente sensível”, detalha Luiz Rosa. Visibilidade - Para registrar e tornar públicas as atividades do MycoAntar, foi lançada neste ano a iniciativa de extensão MycoProjector: projetando a diversidade de fungos da Antártica, desenvolvida pelo Centro de Comunicação (Cedecom). Além de criar uma plataforma de interação por meio de um blog e a identidade visual para o projeto, uma equipe do Cedecom vai acompanhar, entre novembro e fevereiro, pesquisadores durante a coleta de amostras. Com a iniciativa, a equipe avança no seu objetivo de “desenvolver um projeto de comunicação científica que vai além da divulgação”, afirma a coordenadora do MycoProjector, Juliana Botelho. Ela acrescenta que o projeto vem-se aproximando de laboratórios de ensino na área de comunicação. “Prova disso é a parceria firmada com a disciplina Laboratório de Comunicação, que será ministrada pelo professor Nísio Teixeira, do Departamento de Comunicação R evista A nalytica • Agosto/Setembro 2014 • nº 72 Social da UFMG”, conta. Os alunos serão orientados a produzir a paisagem sonora de alguns vídeos gerados pela equipe do MycoProjector. “Ao mesmo tempo, entendemos que a prática da comunicação científica é um terreno aberto para experimentações, o que nos conecta com o estudo de tendências em blogagem científica no cenário internacional”, ressalta Juliana Botelho. Fonte: Hugo Rafael/Boletim 1872/UFMG Foto: Nilton Pavin Projeto MycoAntar: diversidade e bioprospecção de fungos da Antártica Coordenação: Luiz Henrique Rosa, do ICB Financiamento: CNPq/Proantar Colaboração: Centro de Pesquisas René Rachou (Fiocruz-MG), Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães (Fiocruz-PE), Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz-RJ), Embrapa Meio Ambiente, Universidade Federal de Tocantins, Universidade Estadual do Paraná, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Universidade Federal de Viçosa, Universidade Federal Fluminense, Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Universidade de São Paulo, Universidad Nacional del Comahue, Conecet/Inibioma (Argentina), VIB Department of Molecular Microbiology (Bélgica), United States Department of Agriculture-ARS (EUA), Center for Forest Mycology Research, USDA-US Forest Service (EUA), Haikou Experimental Station of Chinese Academy of Tropical Agricultural Sciences (China) R evista A nalytica • Agosto/Setembro 2014 • nº 72 25 Notícias Instrumento para medir dureza de madeiras vence competição de inovação da Unesp A invenção servirá para medir a dureza de madeira utilizada em dormentes de ferrovias, móveis ou mesmo para testes em laboratório O projeto de um durômetro automatizado portátil foi o vencedor da competição I2P (Idea to Product) promovido pela Agência Unesp de Inovação (Auin), da Universidade Estadual Paulista De acordo com a Unesp, a invenção servirá para medir a dureza de madeiras utilizada em dormentes de ferrovias, móveis ou mesmo para testes em laboratório. O resultado foi divulgado em agosto, no final da competição, realizada no prédio do Instituto de Física Teórica, em São Paulo. O equipamento foi projetado pelos pós-graduandos Albert Augusto de Assis e Rogério Pinto Alexandre, sob orientação do professor Adriano Wagner Ballarin, todos da Faculdade de Ciências Agronômicas (FCA), em Botucatu. O projeto foi concebido para solucionar o problema da medição da dureza dos dormentes das ferrovias, que, por legislação, devem ser dispostos de determinadas maneiras de acordo com um maior ou menor grau de qualidade do material. “Contudo, é muito difícil medir essa característica em eucaliptos, por exemplo, com o método tradicional”, disse Assis. Na solução encontrada pela equipe, uma haste de ferro é erguida, chocando-se com a madeira. Pela medição do deslocamento da haste por meio de sensores, os resultados são dados 5 milésimos de segundo após em um visor digital. Apesar da simplicidade, os estudantes disseram que foram necessários muitos cálculos para chegar aos dados confiáveis. Segundo Assis, o durômetro pode substituir os equipamentos de medida existentes nos laboratórios de qualidade do país, por ser mais barato, menor e dar respostas mais rápidas do que os modelos atuais. “Em uma competição desse tipo, voltada para a inovação, o desafio é superar a nós mesmos para enxergarmos toda a potencialidade de mercado de nossa criação”, disse Ballarin. A premiação da equipe vencedora será competir no I2P mundial, a ser realizado em Austin, nos Estados Unidos. “É uma oportunidade de mostrar a inovação para os vencedores da Europa, Ásia, América Latina e dos Estados Unidos”, disse o organizador do evento, Renê José Rodrigues Fernandes, gerente de projetos do Centro de Empreendedorismo e Novos Negócios da FGV (FGVcenn) e diretor do I2P Latin America. A Competição Idea to Product (I2P) é uma ferramenta elaborada nos Estados Unidos, em 2001, que visa aprofundar o debate sobre inovação e comercialização de tecnologia e promover o espírito empreendedor entre estudantes. Este ano, a Auin lançou uma competição própria para estimular a inovação entre estudantes, professores e pesquisadores da Unesp. “A inovação se dá pela transferência de tecnologia da universidade para a sociedade. O I2P auxilia no conhecimento sobre como se dá essa transferência e destaca projetos com grande potencial”, disse Vanderlan Bolzani, diretora executiva da agência. Por Agência FAPESP 26 R evista A nalytica • Agosto/Setembro 2014 • nº 72 R evista A nalytica • Agosto/Setembro 2014 • nº 72 27 Notícias 28 R evista A nalytica • Agosto/Setembro 2014 • nº 72 R evista A nalytica • Agosto/Setembro 2014 • nº 72 29