Integrando o Sistema de Monitoração de
Anestesias e Prontuário Eletrônico do Paciente
Danisio F M Sousa1, Flávio M Berçott1, Verônica V Costa1,
Renato A Saraiva1, Luciano R S Lima1, Francisco M A Carneiro1, Fábio R Costa1
1
Rede Sarah de Hospitais de Reabilitação, Brasil
Resumo – Este artigo apresenta a integração de aparelhos de monitoração de anestesia e o Prontuário
Eletrônico do Paciente (PEP). É descrito um modelo através do qual todos os dados disponibilizados pelos
equipamentos de anestesia são capturados e armazenados no banco de dados do PEP. Estes dados ficam
disponíveis para serem consultados e analisados pelos profissionais autorizados no prontuário do paciente.
Palavras-chave: Prontuário Eletrônico, Captura de Dados, Anestesia, Comunicação Equipamentos Médicos.
Abstract - This paper presents integration between devices for monitoring anesthesia and Patient’s
Electronic Records (PER). Describing a model where all data issued by anesthesia machines are captured
and stored in the database of PER. These data are available to be consulted and analyzed by the
anesthesiologist’s practitioners in the medical patient’s records.
Key-words: Patient Electronic Record, Data Capture, Anesthesia, Communication Medical Equipment.
Introdução
Atualmente, são raros os equipamentos
médicos que não disponibilizam algum tipo de
interface para captura dos dados coletados. Essa
disponibilidade de comunicação possibilita que
esses dados possam ser lidos e utilizados por
sistemas de informação em saúde de forma
integrada. Nesse tema, o desafio está em criar a
conexão entre os equipamentos médicos e os
sistemas de informação de saúde já existentes,
tais como: o Prontuário Eletrônico do Paciente, a
Prescrição Médica, Emissão de Laudos e
Resultados de Exames, Internação e Cirurgias,
entre outros. A disponibilidade desses dados
interfaceados nos sistemas de informação agiliza
o processo de atendimento ao paciente,
possibilitando consulta on-line dos dados
liberados, ao mesmo tempo em que proporciona
maior segurança e agilidade ao procedimento
executado, tendo em vista que a liberação dos
dados nos próprios equipamentos elimina a
possibilidade de erros de transcrição.
Este artigo descreve a metodologia e o
processo algorítmico que foram utilizados na
integração automática entre os aparelhos de
monitoração de anestesia e o Prontuário
Eletrônico do Paciente (PEP) da Rede Sarah [1,
2, 3]. Todos os dados emitidos pelos
equipamentos de anestesia são capturados e
armazenados num banco de dados e podem ser
reprocessados e analisados posteriormente
dentro do PEP.
Nas sessões seguintes serão descritas as
etapas dessa conexão e os resultados obtidos.
Metodologia
A Rede Sarah atualmente possui nove
unidades de saúde, em oito estados da federação
(Distrito Federal, Minas Gerais, Bahia, Maranhão,
Ceará, Rio de Janeiro, Amapá e Pará), sendo
duas unidades em Brasília [10]. Sete dessas
unidades estão equipadas com equipamentos de
anestesias.
Para o desenvolvimento do ambiente
automatizado, utilizamos o equipamento de
anestesia Aestiva/5 Datex-Ohmeda General
Eletric Healthcare [6, 7, 8, 9], disponíveis no
centro cirúrgico do Hospital Sarah Brasília. A
escolha desse equipamento se deu porque esse
fato permitiria a comparação de forma eficiente
dos dados obtidos automaticamente pelo sistema
com os dados lidos pelos anestesistas
diretamente do equipamento e pelo fato de ser
um equipamento padronizado na Rede. O
equipamento utilizado como referência faz a
monitoração e a captura dos seguintes conjuntos
de dados do paciente, descritos na Tabela 1
abaixo:
Descrição
Sigla
Saturação arterial
SpO2
Eletrocardiograma
ECG
Eletroencefalograma
EEG
Pressão Invasiva
PI
Pressão Sangüínea não Invasiva
PNI
Temperatura
TEMP
Dióxido de Carbono
CO2
Oxigênio
O2
Óxido Nitroso
N2O
Agente Anestesia
AA
Volume Fluxo
FlowVol
Monitoração Junção
MJME
Musculoesquelética
Monitoração Contínua da
SvO2
Saturação Venosa Mista
Concentração Alveolar Mínima
CAM
Tabela 1 – Parâmetros coletados.
Entretanto, a arquitetura adotada no
presente trabalho suporta qualquer tipo de
comunicação com equipamentos de anestesia
que possuam interface que disponibilize os dados
coletados. Neste caso, a única necessidade que
se tem é incluir no módulo de comunicação do
sistema o protocolo de conexão específico para o
equipamento.
A Figura 1 apresenta a arquitetura física do
modelo. Nessa arquitetura constam os seguintes
equipamentos: Máquina de Anestesia, Cabo
Serial RS232 (poderia ser uma interface paralela
ou
alguma
outra
interface
proprietária),
Computador de Interface, Banco de Dados,
Estação de Trabalho e a Rede de Dados. A
máquina de anestesia em questão possui uma
interface serial RS232 [4] por onde se conecta o
computador de interface. É por meio desta porta
serial que o equipamento de anestesia
disponibiliza os dados coletados do paciente.
Neste computador é executado o software que lê
e grava no banco de dados e se comunica com o
equipamento de anestesia através do protocolo
desta máquina. O software lê dados no banco
para auxiliar a identificação do paciente que está
sendo monitorado. Após a identificação inicia-se a
comunicação com a máquina de anestesia, lendo
os dados da serial e analisando-os de acordo
com o protocolo em questão [5]. Após a análise,
os dados são gravados no banco até o término da
monitoração.
Esses
dados
podem
ser
visualizados e analisados pelo Prontuário
Eletrônico do Paciente que está disponível na
Estação de Trabalho.
Figura 1 – Arquitetura física do modelo
A Figura 2 mostra o caso de uso do
sistema. O anestesista, antes de iniciar o
procedimento anestésico, identifica o paciente no
sistema. Após a identificação e logo antes do
começo do procedimento inicia-se a monitoração.
Neste momento, o sistema envia alguns
comandos para a máquina de anestesia,
informando que existe uma interface externa
aguardando os dados processados pelo
equipamento. Através dos comandos de
inicialização, o sistema informa os tipos de dados
que deseja capturar da máquina, como
parâmetros e ondas, além do intervalo de tempo
que deseja receber estes dados, exemplo, de 5
em 5 ou 10 em 10 segundos.
Assim que a máquina começa a
disponibilizar os dados pela interface serial, o
sistema captura estes dados e os analisa. Este
processo de análise consiste em decifrar os
caracteres que a máquina envia (utilizando o
protocolo específico) em dados que serão
gravados no banco. Após gravar, o sistema
retorna ao estado de espera do envio de novas
seqüências de caracteres e repete o ciclo.
Após
finalizar
o
procedimento,
o
anestesista encerra a monitoração. Neste
momento pode-se iniciar um novo processo de
monitoração ou encerrar o sistema. Todos os
usuários autorizados, ou seja, com acesso a ler
dados de anestesia, podem entrar no sistema de
Prontuário Eletrônico do Paciente e consultar os
dados gravados através de gráficos.
Figura 2 – Caso de Uso do software da máquina
de interface
Figura 3 – Modelo de Entidade e Relacionamento
Resultados
A Figura 3 exibe o modelo de entidade e
Entre os resultados obtidos com este
relacionamento. São nestes objetos que os dados
são gravados. Abaixo segue a descrição de cada sistema, tem-se:
1. Maior controle sobre os dados capturados
uma das entidades.
nos processos anestésicos;
2. Disponibilidade imediata destes dados no
1. GRUPOSMONITORACAOANESTESIA: Estão
sistema de Prontuário Eletrônico do Paciente;
cadastrados todos os grupos de parâmetros e
3. Modificações na rotina do anestesista
ondas da anestesia. Ex.: Pressão Sangüínea não
(responsável pela identificação do paciente,
Invasiva (PNI).
início e término de monitoração);
4. Cruzamentos dos dados coletados com
2. PARAMETROSMONITORACAOANESTESIA:
os demais dados já registrados no prontuário do
Estão cadastrados todos os parâmetros
paciente.
analisados na anestesia. Ex.: Pressão Sistólica
(PS) e Pressão Diastólica (PD).
Para visualização no PEP foi desenvolvido
um módulo em que o profissional autorizado pode
3. PARAMETROSGRUPOMONITANESTESIA:
consultar os dados. Este módulo refaz gráficos
Tabela de relacionamento n <-> n entre as duas
dos parâmetros selecionados. Inicia-se pela
tabelas acima. Ex.: A PS pode pertencer tanto ao
identificação do paciente e do procedimento o
grupo PNI, quanto ao grupo Pressão Invasiva
qual necessitou de anestesia. Em seguida o
(PI).
profissional seleciona a monitoração e seus
parâmetros para a geração do gráfico.
4. UNIDADESMEDIDAS: Possui o cadastro das
A Figura 4 exemplifica a exibição de vários
unidades de medidas referentes aos parâmetros.
parâmetros em um único gráfico. Alguns
Ex.: mmHg para PNI e PI.
parâmetros são melhor visualizados em conjunto.
5. MONITORACAOANESTESIA: Registro da
monitoração da anestesia. Esta tabela relaciona a
monitoração com o Boletim Anestésico do
Paciente. Ex.: A monitoração 10 é do paciente
D999999 (prontuário do paciente).
6.VALORESMONITORACAOANESTESIA:
Armazena os dados coletados pelo software da
máquina de interface, relacionados com a
monitoração acima. Ex.: Em 04/05/2008 10:05:01
a PD do Grupo PNI é de 85mmHg.
saem diretamente da máquina de anestesia para
o banco de dados, conseqüentemente para o
prontuário do paciente, sem nenhum passo
intermediário.
Um ponto crítico deste trabalho é o
conhecimento profundo do protocolo da máquina
em questão, o qual deve ser estudado e
conhecido para garantia de integridade. Neste
ponto é recomendado que haja uma comparação
entre os dados coletados automaticamente e de
forma manual. Este confronto ajuda a certificação
e confiabilidade dos dados.
Agradecimentos
Figura 4 – Visualização de mais de um parâmetro
simultâneamente
À equipe de anestesia da Rede Sarah de
Hospitais. A todos os profissionais de informática
da Rede.
A Figura 5 mostra um parâmetro em cada
gráfico. Facilita a exibição de parâmetros com
valores baixos com a quantidade de anestésico
utilizado.
Referências
1.
Sousa, D. F. M., Berçott, F. M., Lima, R. S.
L., Costa, A. R., Miranda, G. M. (2006):
Integração de Bases de Dados Multimídia
Distribuídas através de Prontuário Eletrônico
utilizando Serviços de Streaming. Congresso
Brasileiro de Informática em Saúde Sociedade Brasileira de Informática em
Saúde. 2006. Florianópolis - Santa Catarina
- Brasil.
2.
Costa, A. R.; Berçott, F. M. (1997): A
Informatização da Rede Sarah de Hospitais
do Aparelho Locomotor. Brasília Médica 34,
3/4, 117-120.
3.
Lima, L.R.S., Leal, O., Ituassú, A. (1998),
“Prontuário Eletrônico: Uma avaliação de
índice de satisfação do usuário”, Anais do IV
Fórum Nacional em Ciência e Tecnologia
em Saúde, Brasil, p. 5-29, 18-22, Outubro.
4.
Datex-Ohmeda Output Protocols. Ohmeda
Com 1.0 Serial Protocol. Version 1.5. Last
Updated: 14 August 2001.
5.
Datex-Ohmeda S/5 System Interface And
Record Especification. Document No.
8005313-2. March 2004.
6.
Datex-Ohmeda S/5 Anesthesia Monitor and
S/5 Critical Care Monitor. Technical
Reference Manual. Document No. 8000654.
October 2000.
7.
Datex-Ohmeda S/5 Interface Board, B-INT
(Ver.01). Technical Reference Manual.
Document No. 8001006. October 2000.
Figura 5 – Visualização de um parâmetro por vez
Discussão e Conclusões
A convergência de todos os dados
coletados pelos procedimentos realizados no
paciente na instituição de saúde por um único
sistema facilita a pesquisa e recuperação destes
dados pelos profissionais, agilizando o processo
de atendimento e diagnóstico. O sistema que
melhor se adéqua a este fim é o Prontuário
Eletrônico do Paciente.
A captura dos dados de anestesia
proporciona agilidade e segurança para o
procedimento. Agilidade, pois o anestesista não
necessita ficar anotando tais dados em folhas de
papel, o que lhe permite dedicar mais tempo ao
paciente. Agilidade também na disponibilidade
destes dados, visto que tornam-se disponíveis no
sistema à medida em que estão sendo
capturados e gravados. Segurança, pois os dados
8.
9.
Datex-Ohmeda S/5 UPI Board, BUPI4
(Ver.00) and S/5 UPINET Board, BUPI4NET (Ver.00). Technical Reference
Manual Slot. Document No. 8001022.
October 2000.
Datex-Ohmeda S/5 ECG Module, N-ECG
(Rev.01) and S/5 EEG HeadBox, N-EEG
(Rev.01). Technical Reference Manual Slot.
Document No. 8001011. October 2000.
10. Sítio da Rede Sarah de Hospitais de
Reabilitação. http://www.sarah.br
Contato
Danisio Flávio de Moraes Sousa, Analista de
Informática, Rede Sarah de Hospitais. Endereço
SMHS Quadra 301, Bloco A, CEP: 70.335-901.
Brasília-DF, Brasil. Telefone: 55-61-3319-1428.
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