Livro produzido pelo projeto MARIA DE FÁTIMA ALMEIDA Para ler o digital: reconfiguração do livro na cibercultura PIBIC/UFPB Departamento de Mídias Digitais - DEMID / Núcleo de Artes Midiáticas - NAMID Grupo de Pesquisa em Processos e Linguagens Midiáticas Gmid/PPGC/UFPB Coordenador do Projeto Marcos Nicolau Capa Rennam Virginio Editoração Digital O DESAFIO DE LER E ESCREVER NA ESCOLA: Marriett Albuquerque Integrantes do Projeto Fabrícia Guedes Filipe Almeida Keila Lourenço Marina Maracajá Marriett Albuquerque Rennam Virginio experiências com formação docente EDITORA Av. Nossa Senhora de Fátima, 1357, Bairro Torre Cep.58.040-380 - João Pessoa, PB www.ideiaeditora.com.br Atenção: As imagens usadas neste trabalho o são para efeito de estudo, de acordo com o artigo 46 da lei 9610, sendo garantida a propriedade das mesmas aos seus criadores ou detentores de direitos autorais. A447d João Pessoa 2013 Almeida, Maria de Fátima. O desafio de ler e escrever na escola: experiências com formação docente [recurso eletrônico] / Maria de Fátima Almeida.-- João Pessoa: Ideia Editora, 2013. CD-ROM; 4 3/4 pol. (1.000kb) ISBN: 978-85-7539-818-0 1. Educação. 2.Educação básica. 3. Leitura e escrita na escola. 4. Práticas pedagógicas. CDU: 37 O desafio de ler e escrever na escola - Maria de 7 Fátima Almeida SUMÁRIO APRESENTAÇÃO ................................................. 07 APRESENTAÇÃO O PROCESSO DE LER E ESCREVER NA ESCOLA ...... 11 Contribuições da teoria dialógica de leitura para a sala de aula ............................ 22 O leitor no processo interativo de leitura ............. 32 ENSINO DE LEITURA: experiências com formação docente .......... 39 O gênero discursivo canção na visão dialógica de leitura .................... 50 ¨Paraíba¨ à luz do dialogismo .................. 59 O estudo do gênero charge na escola ....... 66 O poema de João Cabral na sala de aula ... 72 A poesia de Patativa do Assaré vem à sala de aula ......................................... 81 O drama de Ariano na visão dialógica .... 89 O Conto maravilhoso do ponto de vista dialógico ..................... 103 A Canção de Hebert Viana na escola de João Pessoa ........................... 115 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES ............................. 128 REFERÊNCIAS .................................................. 137 Capa Sumário eLivre As pesquisas atuais retomam o processo de ler e escrever com ênfase na formação continuada do educador como um desafio para a melhoria da educação. O Ministério da Educação (MEC) tem fomentado diversas iniciativas para ampliar os programas de apoio à formação docente na Educação Básica. Um exemplo é o que ocorre na Universidade de Brasília (UnB), que abre espaço para Estágios Supervisionados, tanto na área da Linguística quanto nas disciplinas do campo da educação. Apresentamos resultados de uma proposta de ensino de leitura e de produção textual para os professores de Língua Portuguesa, relatados no projeto Formação Docente: Uma Proposta Dialógica de Leitura, desenvolvido no estágio pós-doutoral, no período de julho de 2011 a julho de 2013 com o objetivo de contribuir para essa discussão. Este livro pretende divulgar os resultados das atividades realizadas na linha do plano proposto e agrupar as produções com gêneros discursivos trabalhados à luz da teoria dialógica de leitura, considerando o ensino da leitura e a importância da variação linguística na formação docente. Ele fundamenta-se na diversidade de linguagens, nas Autor Referências O desafio de ler e escrever na escola - Maria de 9 Fátima Almeida teorias dialógicas de Bakhtin/Volochinov (1981), Bakhtin (2004), de François (2004), nos Parâmetros Curriculares Nacionais - PCN e da Educação voltadas para o ensino da leitura e a formação docente com os gêneros discursivo. As ações ampliam as noções de linguagem, de leitura, de texto e visa ao aperfeiçoamento das habilidades e competências para o trabalho com a leitura e a escrita na escola. O texto contém propostas para formação continuada de educadores a serem executadas a partir de um conjunto de estratégias organizadas em módulos para permitir a interação entre os componentes da sala de aula no ato de ler, objetivando formar educadores capazes de atuar nas escolas e formar outros membros da comunidade para uma educação cidadã. Pretendemos contribuir não só com a formação docente, mas também de leitores críticos e criativos para a sociedade globalizada e para a formação teórica e prática do aluno dos cursos de Letras e de Pedagogia e para articular Ensino, Pesquisa e Extensão. Partilhamos com os professores do ensino básico, algumas contribuições da teoria dialógica de construção de sentido, mostrando que a leitura resulta da interação leitor / autor / texto e que, nesta perspectiva, o sentido depende do ponto de vista, da interpretação e das diversas possibilidades de olhares do leitor, os quais variam conforme o gênero discursivo apresentado. A produção escrita parte sempre do tema de cada gênero lido na sala de aula e é seguida da análise dos desvios encontrados nos textos produzidos pelo aluno. Tudo isso é um proces- Capa Sumário eLivre so interativo e muito significativo para tornar mais interessante a leitura em sala de aula. Apontamos caminhos para a construção da leitura conforme a concepção do dialogismo para formar professor e aluno na visão de linguagem como interação, capacitando-os para os tempos modernos. A experiência enquanto pesquisadora, ao longo dos anos, revela o desejo de contribuir para a formação de leitores mais participativos e para mostrar a sala de aula como um espaço alegre e dinâmico numa sociedade mais interativa. Assim, propor outro modo de ler/ver/interpretar o mundo imprevisível da leitura representa uma vontade de mudança e está longe de querer oferecer receitas prontas e acabadas, antes, pretendemos construir um trabalho interativo entre os sujeitos leitores na sala de aula. O docente é o principal motivador, é a força impulsionadora desse exercício tão oportuno e importante na escola da atualidade, o qual concorre com um sem número de meios midiáticos eficientes e velozes de transmissão de informações. O ponto alto dessa obra é propor aos educadores da Educação Básica um modo de praticar um ensino de leitura pautado na perspectiva dialógica, cujo conteúdo é oferecido sob forma de módulos com gêneros variados e sugestões de atividades que dinamizem a sala de aula e despertem no leitor o gosto e a necessidade de ler e escrever bem. As práticas pedagógicas de leitura e de escritura apontam a formação docente contínua e continuada como o caminho para formar bons educadores e bons lei- Autor Referências O desafio de ler e escrever na escola - Maria de 11 Fátima Almeida tores. Educar é necessário sempre e formar bons leitores é necessário sempre mais. Ler e escrever são também necessários, faz a vida mais alegre e contribui para o bom convívio social e para a construção da cidadania. O PROCESSO DE LER E ESCREVER NA ESCOLA A autora Apresentamos o processo de leitura e produção textual pautado pela concepção de linguagem enquanto interação e tomamos a formação docente como elemento indispensável para a melhoria do ensino e aprendizagem na escola. A construção dos modos de ler serve-nos para reabrir as discussões sobre essa prática com os sujeitos leitores na sala de aula e, assim, podermos sugerir outras formas de contribuição para o ser leitor do mundo mediatizado. Preferimos retomar a reflexão sobre o processo de ler, que surge nas pesquisas linguísticas com uma força inusitada do velho-novo discurso da leitura, para revelar as vozes principais da interação, a do autor que traça seu dizer pensando no leitor. Este, entre vozes alheias, vê além do dito no texto e tece o seu bordado com os fios dos variados pontos de vista sobre o objeto, o texto. Ler é esse processo interativo de cruzamento de diversas e variadas vozes que interagem para construir o sentido do gênero disposto para esse fim no espaço escolar e o professor tem de receber essa formação para atuar bem na sala de aula. Capa Sumário eLivre Autor Referências O desafio de ler e escrever na escola - Maria de 13 Fátima Almeida Esse processo de ler, situado como qualquer atividade humana, apresenta uma história ao mesmo tempo repetida e renovada pela efemeridade e pela caracterização dos leitores. De Certeau (1994) caracteriza os leitores de viajantes e nos oferece esta noção de ler como algo não fixo, observa que esse processo está sempre na ordem do efêmero, da pluralidade, da invenção, acrescentando que a leitura não está inscrita no texto e que este só existe porque há leitores que lhe atribuem sentido. Certeau (1994, p. 49 - 50) assim fala acerca do leitor e da leitura. Ele (o leitor) insinua as astúcias do prazer e de uma reapropriação no texto do outro: aí vai caçar, ali é transportado, ali se faz plural como o ruído do corpo. A leitura introduz, portanto, uma “arte” que não é passividade. Tal postura orienta-nos para análise dos eventos de sala de aula, em que a atividade de ler permite a interação entre os interlocutores e corresponde a uma das possibilidades de interpretação, que se encontra apontada nos gêneros e nas práticas dos sujeitos leitores na escola. O ato de ler incorpora várias acepções, entre elas, a perspectiva etimológica, do latim clássico legere, ora designa “ensinar”, ora significa contar, colher, roubar. Walty (1995), de forma descontraída, colocou-o em variadas situações de uso e as denominou de níveis de leitura. Um deles é o da leitura funcional ou operacional, que visa ao conhecimento, é uma obrigação da escola e o leitor é um decodificador que usa o verbo ler como contar, soletrar e decodificar no processo de alfabetização; outro nível é o Capa Sumário eLivre que a autora denominou de leitura crítica, formativa ou de opinião, nele, o leitor, ao interpretar, utiliza o sentido de colher, perceber e roubar, direcionando ou persuadindo o outro, como acontece com o texto jornalístico que precisa ter as informações desveladas ou ser lido nas suas entrelinhas; o nível da leitura literária ocorre quando o construtor ou leitor, em sua interpretação, constrói trilhas pelos seus próprios caminhos para chegar a uma significação do texto. O pesquisador Possenti (2001) revela que, do século XIX até hoje, num recorte mais recente da história da leitura e dos seus ingredientes (autor/leitor/texto), são considerados três estágios fundamentais que envolvem os modos de lê. Um primeiro estágio, denominado de leitura filológica, é fundamentado numa concepção de língua transparente, sendo o autor quem centraliza o papel uma concepção predominantemente unitária de autor. Na outra fase, baseada na visão de língua como sistema, o texto ocupa a posição de destaque. Apesar de se considerar o texto na sua imanência, considera-se que há espaços em branco, permitindo ao leitor que ocupou o seu lugar na terceira fase leitora passe a fazer parte da tríade que interage na leitura. Nessa última fase, conforme Possenti (2001, p. 27): assim, chegou-se ao leitor, que é exatamente o que lê o que nem o texto diz e/ou que opta entre as muitas coisas que um texto diz, ou ainda que “fica” com todas as coisas que um texto diz ao mesmo tempo, ou, alter- Autor Referências O desafio de ler e escrever na escola - Maria de 15 Fátima Almeida nativamente, que numa leitura fica com uma coisa e em outra com outra –sejam essas leituras separadas ou não por grandes lapsos de tempo. Parece incontestável que “quem lê é o leitor.” 1 Essa afirmativa mostra não só a evolução dos estudos no campo da leitura, mas também aos processos metodológicos relacionados à Educação. Tratamos da modalidade mais recente da leitura, a visão dialógica, na qual Almeida (2004) assegura que a leitura é um processo de interação, entre autor, leitor e texto e, proporciona ao aluno um engajamento mais profundo com o próprio texto para que ele ultrapasse os limites linguísticos e alcance um nível de compreensão mais elevado, o horizonte discursivo. Ler é uma prática encarnada por gestos, hábitos e espaços e, portanto, faz-se necessário distinguir os leitores (quem), as tradições de leitura (o que se lê) e as maneiras de ler, (como). Retomamos os principais modelos de leitura para mostrar como escritor e leitor constroem sentido do gênero discursivo na interação professor e aluno na escola. A formação docente ser completada com as informações da teorias mais recentes sobre o processo interativo de leitura. A propósito, sugerimos o The Literacy Dictionary (1995), com o verbete reading, mostrando que partir de 1908 surgem definições de leitura e que durante a primeira metade do século 20 predominou a visão behaviorista no processo de aprendizagem influenciando os modos de ler. Harris e Hodges (1995) citam que Bloomfield em 1938 Capa Sumário eLivre trabalha com a correlação entre o som e imagem. Esse período acentua o entusiasmo dos pesquisadores pelos modelos e métodos de alfabetização no processo educativo. Ler e escrever são atividades interativas nos estudos linguísticos a partir do século XX até os dias atuais. Alguns estudiosos diferenciam, então, métodos de alfabetização de base behaviorista e modelos de leitura que se inspiram nesses métodos. Por método entende-se um conjunto de regras preestabelecidas utilizadas como condição para aprendizagem, utilizando a técnica em detrimento do significado e os modelos de leitura os que adotam pressupostos teóricos da natureza da linguagem. No referido dicionário, Harris e Hodges (1995:207-211) comparam as perspectivas behavioristas e cognitivas do processo de leitura, as quais influenciam nos métodos de aprendizagem ou de alfabetização e, assim, eles enumeram 38 tipos de métodos de leitura, entre eles o fônico, o alfabético, o analítico, o sintético, o indutivo, o dedutivo, o objetivo. Posteriormente, tomando-se como base a linguagem, desenvolveu-se um processo avançado de leitura para a escola, extraído da Psicologia Cognitiva e da Linguística. Trata-se de uma visão multidisciplinar que trouxe relevantes contribuições, especialmente para o campo sociológico, antropológico e sociolinguístico. Mais tarde, a perspectiva cognitiva aborda a leitura no processo de desenvolvimento da linguagem, espaço em que se destacam os estudos de Harste et al. (1984), Goodman (1968, 1975, 1984, 1994), entre outros. Autor Referências O desafio de ler e escrever na escola - Maria de 17 Fátima Almeida Nos modelos de literacia, alfabetização, letramento ressaltamos os estudos de Rudell, Rudell e Singer (1994, p. 156) que tratam de modelos teóricos e processos de leitura, nos quais os autores como Harste (1994) conceituam a leitura como evento social. Eles salientam modelos orientados de pesquisa em leitura e letramento, baseados na linguagem, ênfase no contexto social e cultural, voltados para o desenvolvimento letrado, a compreensão, o leitor responsivo e o fluxo das diferentes concepções que compõem os modelos. Neles, incluem-se aspectos cognitivos, sociocognitivo, transacional, transacional sociopsicolinguístico e o atitudinal com suas propostas e sugestões. O modelo elaborado por Rudell e Unrau (1994), onde o processo de construção do sentido na sala de aula envolve o leitor, o texto e o professor. Nesse modelo, ler é muito mais do que habilidades e estratégias de leitura e de escrita. É um processo interativo e dinâmico que inclui três componentes da leitura: o leitor, o texto e o professor, os quais interagem realizando trocas e negociando o sentido. Na visão desses autores, o conhecimento prévio, as crenças do leitor (professor/aluno) são fundamentais no processo de construir sentido. O papel do professor e do aluno tem grande importância uma vez que participam como co-construtores de significados no processo de leitura. O aluno não é um simples receptor de informações e o professor não se limita a um repassador de conteúdos, mas ocorre a interação que possibilita o uso efetivo do texto numa atividade social. Desse modo, o papel do Capa Sumário eLivre professor passa a ser um mediador da sala de aula, auxiliando o aluno no processo de aprendizagem. Remontamos aos anos 20, momento em que o estruturalismo linguístico está em intensa busca pela cientificidade, fato que coincidiu com o surgimento do behaviorismo na Psicologia e com o empirismo na Filosofia. Revela Marcuschi (2000), que o ensino incorpora a ideia de língua como sistema e a transmite na gramática pedagógica. Nesse período, acreditava-se que a ciência encontraria um caminho ou um modelo único com soluções para os problemas educativos, incluindo a alfabetização universal. A procura pelo rigor científico motivou muitos estudiosos a criarem modelos que pudessem resolver os problemas, nesse caso, as dificuldades de ler e escrever. O estudioso Marcuschi (2000) relata como as concepções de língua são fundamentais para direcionar práticas de ensino ou como o saber escolar foi se constituindo na sua relação com o saber científico, ressaltando as várias concepções de língua ligadas às diversas fases dos estudos linguísticos. Inicialmente, ele observa a língua como fator de identidade - visão que segue os preceitos da filologia, a língua é considerada como depositário da cultura nacional. Nesse estágio, o ensino é pautado no ideal greco-latino, equivalente ao que hoje se estabeleceu como língua padrão e os estudos de autores consagrados foram privilegiados nas escolas. Por exemplo, muitos produtores dos livros didáticos, ainda hoje só utilizam autores como Mário Quintana e Carlos Drummond. Outro Autor Referências O desafio de ler e escrever na escola - Maria de 19 Fátima Almeida ponto citado por Marcuschi, como grandes mudanças nos estudos linguísticos que foram amplamente aceito pelo ensino, é o da visão de língua como sistema de regras, fase estruturalista. Por fim, esse pesquisador destacou os estudos da língua como fator social, relacionados à concepção interacionista. Os estruturalistas reduzem a leitura a um ato de decodificação: busca que o leitor faz do significado para o significante lido, recorrendo para tanto ao sistema abstrato da língua (Silveira, 1998, p. 139). Para ela, os estudiosos gerativo-transformacionalistas argumentam que ler se reduz ao conhecimento das regras da competência de um falante ideal, faltando-lhes aplicá-las de forma a se obter um bom desempenho linguístico. Fato que só ocorre porque a escola se ocupa apenas com o ensino gramatical da língua padrão, no liame da frase. O paradigma estruturalista durou longo tempo e marcou boa parte do ensino de língua materna, atingindo os modos de ler na sala de aula. Esse ponto de vista visava a treinar o aluno apenas para memorização de regras gramaticais e para reconhecer a terminologia usada sobre a língua. Silveira (1998) revela, ainda, que em qualquer dos períodos, seja o da linguística frasal, ou seja, o da gerativo-transformacional, os estruturalistas não tratam com especificidade da leitura, compreendendo-a como decodificação ou processo mais complexo do que unir significantes escritos a significados linguísticos. A pesquisadora Braggio (1992) apresenta estudos Capa Sumário eLivre sobre as principais tendências ligadas ao processo de ler na escola, especialmente no que respeita à alfabetização. Inicialmente, sobressai-se a concepção em que a linguagem é vista quanto à sua natureza e aquisição e o conhecimento restrito a um produto da experiência de fatos observáveis e mensuráveis. São apontados por Braggio (1992) como contribuições linguísticas ao processo educacional, o método fônico de alfabetização desenvolvido por Bloomfield (1933/1967) e os modelos de leitura: psicolinguístico desenvolvido por Goodman, o denominado interacionista I e II abordando as teorias de Hymes (1967) e Halliday (1969), o sociopsicolinguístico desenvolvido por Rosenblat (1978), Harste (1985) e Goodman (1984) e o modelo sociopsicolinguístico redimensionado e também trabalhado por Goodman (1994). Acrescentamos a proposta enunciativa de Bakhtin/Volochinov (1929/1981), Frédèric François (1984, 1994, 1996) e a de Vygotsky (1985), cujos principais teorias e conceitos servem de base a essa proposta. O ato de ler se restringia a uma habilidade, uma técnica de reconhecer palavras, para adquirir um vocabulário de termos conhecidos que, se colocados juntos, resultavam num texto significativo. Nessa fase, a discussão era em torno não da importância da palavra ou do que ela significava, mas sobre o melhor modo de identificá-la. Desse modo, os principais modelos de leitura pautaram-se pelos princípios de cada corrente teórica, a exemplo do elaborado por Bloomfield e outros estrutu- Autor Referências O desafio de ler e escrever na escola - Maria de 21 Fátima Almeida ralistas americanos, que desenvolveram um método fônico com base behaviorista, no qual a língua é encarada como um processo mecânico, e considera que a criança só aprende a falar quando recebe um estímulo. Nessa proposta, as crianças realizam a tarefa de internalizar padrões regulares de correspondência entre som e soletração e, a leitura com significado fica relegada, havendo uma preocupação excessiva com a decodificação mecânica da língua escrita. Braggio (1992, p. 2) afirma, são métodos porque são “pacotes” de alfabetização que se impõem ao sujeito, entendido aqui como professor e aluno, como algo dado, acabado. Afirma Marcuschi (2000), do ponto de vista da língua como sistema não convém esquecer uma perspectiva de análise que foi praticada nos anos 60-70, denominada análise de erros, que restringia os estudos e não abordava a questão interativa nem da produção do sentido. Esses estudos serviram de fundamentos para o processo de leitura e de escrita e durante muito tempo incorporado pelos estudiosos na área do ensino e aprendizagem. As escolas, desse período, tomaram como modelos avaliativos e passaram a analisar apenas os “erros” não considerando os acertos do aluno como modelo de aprendizagem nas atividades realizadas. A aquisição da língua é percebida como um problema de formação de hábito ou de condicionamento pela imitação de um modelo. Postula Braggio (1992, p. 23) que, a leitura é um processo complexo no qual o leitor reconstrói, numa certa medida, Capa Sumário eLivre a mensagem codificada pelo escritor na sua linguagem gráfica. Assim, os processos de produção e de recepção já são percebidos, mas a ênfase recai sobre técnicas de ajudar as crianças a lerem conjuntos de palavras e não de construir sentido. A aprendizagem de leitura e de escrita se sobrepõe ao conteúdo significado, e a dificuldade com a leitura decorre não só da falha em se segmentar a língua, em sílabas, palavras e frases descontextualizadas, mas também em não se buscar a compreensão do todo do texto. No ato de ler volta-se a atenção para a correção dos desvios ou erros de soletração como forma de melhorar a aprendizagem. As consequências desse modelo são várias e se refletem em todo o processo educativo como podemos observar nessa síntese de Braggio (1992, p. 11): a leitura e a escrita são tratadas como a mera aquisição da técnica de ler e escrever, com ênfase no componente grafofônico da língua, como um fim em si mesma, circunscritas às quatro paredes da sala de aula. São estes pressupostos que, aglutinados, vão dar embasamento à prática de sala de aula e aos materiais didáticos, constituindo-se nos métodos anteriormente apontados, e que vão ter sérias consequências sobre o professor e seus alunos, dentro e fora da sala de aula, ou seja, enquanto instrumentos/objetos do processo educativo e como homem no mundo em que atuam. Nessa concepção, são excluídos o sujeito e os valores semânticos atuais das formas da língua, causando Autor Referências O desafio de ler e escrever na escola - Maria de 23 Fátima Almeida efeitos negativos à prática de leitura escolar, os quais podem ser assim resumidos: controle do aprendizado, sendo determinado quando e como deve ser aprendido; seleção do que é ensinado às crianças - padrões regulares de sons/letras; a criança é exposta a fragmentos descontextualizados; a ênfase é sempre na gramática; cria-se a técnica da linearidade - aprende-se a ler da esquerda para a direita; valoriza-se a hipercorreção – falar e escrever corretamente; determinam-se pré-requesitos para ler/escrever, fazendo-se necessário que a criança domine alguns conceitos; há, também, o cerceamento da interação verbal e não verbal entre professor/aluno e aluno/ aluno; ao professor cabe a isenção das responsabilidades de preparar material, pois já os recebe prontos para serem usados, em forma de receitas no livro didático. Ao aluno cabe aprender a língua como um reflexo da fala e tornando-se num mero receptor do que lhe impõem. Ao que nos parece, essa visão tem perdurado por longo tempo em nossa estrutura de ensino. Mas os estudos sobre a leitura são enriquecidos e tomam várias direções, como veremos a seguir. Contribuições da concepção dialógica de leitura para a sala de aula Os avanços no ensino da leitura na escola revelam a necessidade de um estudo do conceito de língua, à luz da linguagem como atividade dos sujeitos no cotidiano e Capa Sumário eLivre do trabalho com o gênero discursivo. Os pesquisadores que seguem a linha enunciativa de Bakhtin/ Volochinov, retomada por François consideram a visão dialógica fundamental para o ensino. Apresentamos a proposta de alguns autores como Silva (1986, 1998), Batista (1991), Geraldi (1993, 1996, 2001), cujas contribuições inserem essa abordagem e mostram que não significa um abandono do conhecimento historicamente produzido, mas apontam outras alternativas para o ensino de língua materna. Nessa orientação, o trabalho com leitura busca orientar o aluno para se organizar e aprender a língua em seu funcionamento ou nos diversos usos e não apenas aprender a descrevê-la. Desse ângulo, o processo de leitura na escola não pode se configurar como uma formação de hábitos, como algo mecânico, uma rotina, mas deve levar o aluno a assimilar valores e comportamentos, caracterizando-se como ato livre e autônomo e servindo para estimular a criatividade, a imaginação e as emoções dos sujeitos leitores. Assim, a escola exerce um papel de situar a leitura de acordo com sua importância para a formação humana. O ensino de língua materna não pode servir apenas para tratar temas de formação geral, mas prestar-se ao estudo da linguagem ou ao uso da língua nas diversas situações comunicativas. Nessa visão, cabe ao professor dispor de conhecimentos suficientes para proporcionar ao aluno o desenvolvimento e a estruturação da capacidade comunicativa Autor Referências O desafio de ler e escrever na escola - Maria de 25 Fátima Almeida ou para adequar o ato verbal à variedade de situações de enunciação. Nessa linha, encontra-se Silva (1986, p. 20) para quem a leitura se constitui numa forma de encontro entre o homem e a realidade sócio-cultural, cujo resultado é um situar-se constante frente aos dados dessa realidade expressos e interpretados através da linguagem. Esse pesquisador revela-se um defensor da leitura como prática social e com um poder capaz de transformar a sociedade. Isso é revelado nos trabalhos sobre o papel da leitura, uma herança advinda da boa convivência com o mestre Paulo Freire com quem partilhou os ideais de mudança, através do saber construído e partilhado socialmente. Em Elementos de pedagogia da leitura, Silva (1998) aponta as falhas da escola na formação do aluno-leitor e nas condições de produção da leitura, com base no que ocorre nas escolas brasileiras dos dois ciclos do Ensino Fundamental. O mesmo autor coloca que o ato de ler permite um espaço para que o conhecimento seja construído através das relações dialógicas sem as quais teremos apenas uma abordagem livresca. Ele defende, ainda, a necessidade de uma política de leitura que considere as reais condições de produção voltada para a escola e para o povo brasileiro. Com bastante ênfase, Silva (1998, p. 3) comenta: o caráter estritamente livresco do ensino e as formas Capa Sumário eLivre autoritárias através das quais os livros são apresentados em sala de aula tendem a contribuir para com a docilização dos estudantes, gerando a falsa crença de que tudo o que está escrito ou impresso é necessariamente verdadeiro. Decorre daí a obediência cega aos referenciais colocados nos livros e reprodução mecânica de ideias captadas pela leitura. Observamos que, apesar de o ensino de língua ter sido atrelado a regras tradicionais, há muitos estudos que tratam do livro didático com análises, as mais variadas, sobre o conteúdo e a metodologia abordados nesse instrumento de ensino, mostrando a forte influência e presença na aprendizagem da leitura. Atualmente, pesquisadores como Soares (2001), Sousa (2002) e Almeida (2004) mostram a necessidade de reformulação dos livros utilizados na sala de aula, mas muitos deles já apresentam a abordagem enunciativa. Desse modo, é importante a formação continuada do professor para atuar na sala de aula. Uma significativa proposta de leitura com interesse pedagógico e que busca estabelecer um ponto de vista sobre a leitura, abordando o processo de ler em diferentes dimensões, encontra-se em Batista (1991, p. 22) que postula: no ensino da leitura, instanciam-se, simultaneamente, em sala de aula, diferentes dimensões desse objeto, a dimensão psicológica implicada no ato de ler e de aprender a ler, a dimensão linguística determinada pelo fato de que se lê e se aprende a ler um objeto linguístico; a Autor Referências O desafio de ler e escrever na escola - Maria de 27 Fátima Almeida dimensão discursiva decorrente do fato de que se lê e se aprende a ler sob determinadas condições enunciativas, a dimensão social, histórica, política resultante das tensões que animam o ato de ler e de aprender a ler. Nessa perspectiva, além dessas dimensões, o professor precisa dispor de um conhecimento sobre a leitura e sobre suas investigações, habilidades e competências para o ensino, possibilitando, assim, uma unidade de concepção e a melhoria da aprendizagem. Batista (1991) tece comentários acerca das frequentes discussões sobre a pertinência de determinada interpretação que se encontra centrada, geralmente, em um dos recursos ou argumentos de uma das autoridades envolvidas no processo de ler: o autor, o leitor e o texto. Assim, o foco da leitura ou a interpretação sempre está em algum desses componentes, alternadamente. Cada uma dessas estratégias representa uma concepção do ato de ler determinante das possibilidades de compreensão. Evidenciamos também que a leitura estará focalizada no autor quando estiver relacionada ao ponto de vista desse autor, e a interpretação se legitima pela coerência atribuída ao contexto social e histórico, o autor é quem “diz” a palavra final. A leitura é um trabalho de exegese ligada à produção do autor. Segundo esse autor, em sala de aula, quando o processo interpretativo envolve as estruturas e relações internas para oferecer sentido, o centro da interpretação será o texto e a leitura será apenas uma depreensão ou um ato de decodificação do signo. Mas, se Capa Sumário eLivre a última palavra é do leitor que, com sua liberdade, atribui sentido conforme seus objetivos, crenças e emoções, ele é o principal responsável pela interpretação e a leitura é uma atribuição de sentido. Dessa ótica, a leitura compreende apenas um dos vários aspectos da relação de interlocução, pois ler é um processo em que o leitor interage verbalmente com o autor, por meio de um texto escrito, sendo resultado das práticas histórico-sociais que os objetivam. Os estudos mais recentes buscam articular esses componentes da leitura e mostram que a perspectiva dialógica enfatiza a historicidade, as condições de produção e o sujeito. Assim, o ato de ler envolve o texto e os leitores e a cada atividade ou movimento de leitura, esta se apresenta em uma dessas dimensões, focalizando um dos componentes que a integram. Essa proposta sugere que se articulem as três dimensões do processo da leitura: uma que envolve leitor e texto, outra que se manifesta pela relação entre leitor e autor por meio do texto e outra, ainda, que se estabelece pela relação leitor, texto, autor e sua dimensão histórico-social. A primeira orientação ocorre num processo psicolinguístico, as relações leitor/texto são sempre internas e se realizam através do investigador. A ênfase do processo de compreensão é para o leitor, que busca a significação com base nas necessidades e interesses. O leitor centra-se em seus objetivos e se dirige ao texto, ativando seus conhecimentos para atingir tais objetivos ou interpretá-lo. Autor Referências O desafio de ler e escrever na escola - Maria de 29 Fátima Almeida A leitura resulta de uma atividade do leitor, que se submete aos limites impostos pelo texto, uma realidade instituída no próprio ato de ler. Mas, apesar das imposições do texto por meio de suas pistas, é ao leitor que se deve a ação produtiva e criativa da leitura. Para Batista (1991, p. 27), a leitura seria um processo de compreensão, através do qual o leitor busca integrar a informação visual – fornecida pelo texto – à informação não visual – conhecimento prévio do leitor, sua enciclopédia ou teoria de mundo – para alcançar um objetivo ou atender a um interesse ou uma necessidade. Na segunda orientação, são considerados e se relacionam leitor, texto e autor. A leitura é orientada pelas inferências permitidas pelo texto, a significação é atribuída ao texto e depende do conhecimento de mundo e prévio do leitor. O texto contém uma possibilidade de leitura determinada pela produção do autor, sendo a leitura orientada não só pelos objetivos do leitor, mas também pelo cumprimento dos acordos que o texto exige. Nessa perspectiva, o mais importante é o texto, cuja produção já supõe um leitor cooperativo e que realize a leitura que o autor confiou ao texto. Desse modo, é que se compreende que há várias possibilidades, mas não é qualquer leitura que serve. No entender de Batista (1991, p. 31), essas constrições à produção da leitura pelo leitor têm lugar no fato de que todo texto é produzido supondo um leitor preciso que produza sua significação, e não qual- Capa Sumário eLivre quer leitor, nem, consequentemente, qualquer trabalho de leitura, que produza qualquer significação. A terceira orientação trata da integração entre leitor, texto e autor com seus aspectos histórico-sociais e as condições de produzir sentido. O texto é visto como algo relativo que estabelece ligações com os outros componentes do processo de leitura. O leitor tem papel ativo neste processo e a leitura resulta dessa relação de alteridade. A concepção dialógica enfatiza o papel ativo do leitor, as relações dialógicas – a relação do texto atual com os que o precederam e com os que estão por vir. Segundo Batista (1991, p. 34), a noção de leitura é, assim, relativa. Vai depender das práticas históricas e sociais que objetivam o leitor e que objetivam o objeto que ele lê, sua produção e sua circulação. Que objetivam a leitura. Não podemos fechar uma proposta com base em apenas um desses componentes do processo de ler. As análises que se centram em algum dos elementos separadamente não dão conta de toda a complexidade dessa atividade. Essa concepção defende um modelo pedagógico de leitura em que, ao lado do estudo das práticas sociais e históricas, sejam considerados os atos singulares dos leitores no ato de ler. Batista (1991, p. 36) assegura que Autor Referências O desafio de ler e escrever na escola - Maria de 31 Fátima Almeida a análise das relações entre leitor e autor, mediadas pelo texto – tal como vêm sendo desenvolvidas por estudos na área da linguística, da semiótica, da teoria da literatura e da teoria da enunciação -, é uma segunda baliza que pode fundamentar as decisões sobre o ensino-aprendizado da leitura. O processo de ler e escrever assume uma dimensão para além de atribuição de sentido e passa a ser um ato social e político, um lugar mais amplo e diverso daquele apresentado pelas investigações que visam apenas aspectos psicológicos e linguísticos do texto. Para Geraldi (1993), a leitura o poder de transformar o homem e ele assegura ser a instituição escolar sempre adepta da concepção de conhecimento como algo exato e cumulativo, voltada para ordenar e disciplinar a aprendizagem. O ensino fica restrito a definições, classificações e generalizações, o estudo da língua confunde-se com o estudo da gramática e, assim, valoriza-se mais a parte formal do que a iniciativa pessoal. Na abordagem enunciativa, Geraldi (1996, p. 69) postula que não se trata de substituir uma visão por outra, mas de construir possibilidades de novas interações dos alunos (entre si, com o professor, com a herança cultural), e é nesse processo interlocutivo que o aluno vai internalizando novos recursos expressivos, e por isso mesmo, novas categorias de compreensão do mundo. Esse autor mostra a linguagem como atividade constitutiva do homem que, ao mesmo tempo em que constrói a lingua- Capa Sumário eLivre gem, se constrói na sua relação com ela. Nesse sentido, os participantes da sala de aula (professor e aluno) não recebem a língua pronta, mas devem ser considerados produtores de linguagem num constante processo de construção. Assim, o importante é o ensino da língua e não só da gramática, para que sejam ampliadas as experiências do aluno com as do professor. Geraldi (2001, p. 2) retomando Bakhtin/Volochinov define a leitura como uma oferta de contrapalavras do leitor que, acompanhando os traços deixados no texto pelo autor, faz esses traços renascerem pelas significações que o encontro das palavras produz. Assim, a prática leitora torna-se um momento de encontro e desencontros, dos movimentos de diferentes olhares e das múltiplas vozes dos interlocutores, no diálogo entre o dito e o que fica por dizer no texto. Utilizando-se da metáfora de Certeau, para mostrar que ler é uma atividade de busca, Geraldi (2001, p. 4) assim se pronuncia: como a palavra lida é sempre o lugar da “startização” de muitas outras palavras do leitor, suas contrapalavras, a compreensão resulta não do reconhecimento da palavra aí impressa, aí ouvida, mas do encontro entre as palavras e suas contrapalavras (na metáfora bakhtiniana, na faísca produzida por esse encontro). Dada a impossibilidade de prever quais contrapalavras que virão a esse Autor Referências O desafio de ler e escrever na escola - Maria de 33 Fátima Almeida encontro, porque elas para ele comparecem segundo os percursos já percorridos por cada diferente leitor e segundo os inumeráveis momentos da leitura, é impossível prever todos os momentos que a leitura produz. Por isso, um texto, uma vez nascido, passa a ter histórias que não são a reprodução de sentidos sempre idênticos a si mesmos. E por isso, ler, esta operação de caça. Afirma François (1998) que essa visão aponta para o inesperado da leitura e que sempre estamos em posição interpretativa ou em estado ou situação de leitura. Ler nessa concepção é interpretar, é construir sentido, é compreender os pontos convergentes e divergentes entre os leitores, a posição do autor pelo tema apresentado no gênero e qual o potencial aplicativo de cada um desses elementos que envolvem o texto. No próximo item, verificamos os principais conceitos da teoria dialógica em que a leitura é interação. O leitor no processo interativo de leitura No processo de compreender ou de significar é revelada a heterogeneidade da linguagem. Na perspectiva em estudo, esse fato reflete a fuga ou a fragilidade do sentido. Outro fato que revela esta fuga ou fragilidade é que ao nos comunicarmos, falamos de um lugar e sob um ponto de vista determinado. Há sempre uma visão especial do sujeito sobre o objeto, no momento interativo em que ocorre a produção de sentido, fenômeno singular Capa Sumário eLivre ou “um olhar enquanto tal”. O sujeito emite seu ponto de vista conforme o lugar ou situação em que se encontra. A professora fala ocupando aquela posição de condutora da aula. Dessa perspectiva, François (1996, p. 16) afirma: observamos que é pela linguagem que o perceber enquanto tal se precisa e se explicita. Da mesma maneira, a linguagem multiplica as possibilidades deste perceber enquanto. Mas, fundamentalmente, é a própria percepção que pode mudar o ponto de vista, identificar ou distinguir. Somos levados a interpretar de certa maneira, através de um conjunto de objetos, das lembranças, do conhecimento de mundo, das relações com as pessoas, tudo isso é recolocado num quadro, construindo-se, assim, uma das possíveis interpretações. O que existe são possibilidades interpretativas, uma abertura que nos permite interpretar desta forma e não de outra, conforme as circunstâncias em que nos encontramos. Para François (1998), ao lermos um texto, iremos interpretá-lo buscando os nossos objetivos e os interesses pessoais, mas não escolhemos a interpretação, porque ela é determinada por um conjunto de entornos, e não é o sentido do dicionário, o mais adequado para aquele momento. A leitura é um ato interpretativo que exige muitos componentes e um olhar especial de cada leitor para cada gênero discursivo, nas situações interativas. Nessa perspectiva, para compreendermos um discurso, necessitamos analisar a tensão que surge entre o Autor Referências O desafio de ler e escrever na escola - Maria de 35 Fátima Almeida constante e o variável em função do tema ou dos interlocutores que buscam construir sentido. São esses modos de significar ou a complexidade do funcionamento da linguagem que interessam a François e, particularmente, a esta pesquisa, ao analisarmos os processos interativos para desvelar como ocorre a leitura em sala de aula. Nessa visão, qualquer tentativa de sistematização não se sustenta, uma vez que cada comunidade linguística, cada língua apresenta uma variedade de linguagens e cada falante possui uma capacidade de proferir linguagens diferentes em situações variadas porque depende da colocação do sujeito que constrói sentido. O processo de construção do sentido envolve, além da produção/ recepção, o olhar do leitor. Assim, o ato de ler toma o caminho da interpretação interativa, sendo realizado por intérpretes, uma noção que varia entre os estudiosos. Outros autores partilham e seguem esta linha de reflexão de François (1998): é no processo de ler que ocorrem “as viagens de leitura”, espaço em que se observa a complexidade desse fenômeno. Nesse movimento de travessia, que alude Barthes (1996), estão as mais variadas metáforas atribuídas à leitura e ao leitor, sendo considerado peregrino, viaja por horizontes e mundos ou mares nunca dantes navegados, tornando-se o navegador, como o designa Chartier (1999) ou fingindo ser o caçador, nos termos de Certeau (1994), quando ler é uma operação de caça. Todas as metáforas retomadas aqui servem para mostrar que os estudiosos, aos quais Capa Sumário eLivre nos referimos, convergem para um mesmo objetivo, o de que o leitor é peça chave no jogo ou processo de ler, ao construir os sentidos do texto, os quais deslizam entre as possibilidades de leitura. Para Barthes (1996), o ser que interpreta exerce uma pluralidade de funções, dentre elas, a de co-autor do texto. Este texto, também, é aberto para uma variedade de sentidos a serem interpretados pelo leitor que é plural, age e participa no contexto em que os jogos de linguagem são produzidos, diferenciando-se do autor, cuja função corresponde a de pai ou proprietário da obra. Barthes (1988, p. 75) enfatiza que o texto é tecido de significantes que o cercam e não pode ser ele mesmo senão na sua diferença, sua leitura é um jogo em que o leitor joga duplamente: com o texto no sentido lúdico e joga representando-o ou interpretando-o como faz o músico com uma partitura musical. Com essa metáfora Barthes (1988, p. 51) postula que tudo é plural: o leitor é tomado por uma intervenção dialética: finalmente, ele não decodifica, ele sobrecodifica, não decifra, produz, amontoa linguagens, deixa-se infinita e incansavelmente atravessar por elas: ele é essa travessia. Esse mesmo autor explica: quero dizer com isso que o leitor é o sujeito inteiro e que o campo da leitura é a subjetividade absoluta... (momento singular e único, o da leitura!). Ele ainda adverte sobre o fato de que não se sustenta uma Ciência nem uma Semiologia da leitura, Autor Referências O desafio de ler e escrever na escola - Maria de 37 Fátima Almeida certamente, porque a linguagem não comporta limites fechados, nem fronteiras demarcadas. A noção do ser que interpreta ou lê o texto diz respeito ao sujeito que partilha os diversos aspectos que o texto apresenta, fato que revela estarmos sempre em estado de interpretação. Em François (1996, p. 135) a função de “intérprete é como os participantes do diálogo, um ´sujeito´ genérico – particular, que pode partilhar com sucesso seu ponto de vista.” Assim sendo, é esse sujeito que realiza a interpretação. Segundo esse autor, a interpretação carrega um aspecto subjetivo, expõe a visão apreendida pelo intérprete e, ninguém pode fazer com que o sentido de um texto não mude em função daquilo com o que nós o comparamos. Para François (1998, p. 6), o trabalho do sujeito gira em torno da comunidade/diferença (percepção), de um olhar sobre, dos modos de viver e das práticas do modo de sentir. Sob essa ótica afirma ser a interpretação necessariamente dialógica, e se compreende que é pela diferença e pelo olhar do sujeito/leitor que percebemos as surpresas próprias da leitura e se torna visível o caráter de pluralidade, de multiplicidade, de diversidade e de universalidade da linguagem. Nessa perspectiva, os significados textuais se multiplicam pelo olhar do leitor. Pensamos aqui na imagem transmitida pelo olho microscópico de Palomar personagem de Ítalo Calvino (1994) que vê o mundo todo de uma só vez, entretanto, em suas observações percebe todos Capa Sumário eLivre os pequenos detalhes, ao mesmo tempo em que detecta o particular, registra também o geral. Tal caso remete para o que François (1998, p. 18) sugere sobre o sentido: a luta entre a unidade e a diversidade que estaria não no que é genérico, mas no que é particular, na diferença. Esse mesmo autor (2002, p. 2) afirma: “o que importa não é a generalidade ou a particularidade do signo, mas sua generalidade-particularidade.” Esse modo de perceber ou o olhar sobre o objeto marca, também, a posição de onde se está falando. No contexto da sala de aula, as estratégias de leitura utilizadas pelo professor provocam as aberturas para as variadas e possíveis leituras que um texto possa oferecer. As perguntas e as respostas do aluno possibilitam a continuidade do tema e abre espaço para os diferentes aspectos de cada tema. É essa a dinâmica ou o movimento interpretativo de leitura, um modo de perceber ou um ponto de vista do sujeito no momento da comunicação. O ato de ler, como processo de interação, é um desafio para o leitor, que responde pelo sentido atribuído ao texto. Desse modo, a leitura atinge níveis que se alternam e se modificam conforme a época, as circunstâncias, o lugar, o papel e o olhar do sujeito que a executa. São os sujeitos, os agentes construtores do sentido que permitem as várias possibilidades de leitura de um texto. Os movimentos que os sujeitos leitores executam na construção do sentido têm a ver com seu ponto de vista acerca do objeto da leitura em questão. Dessa perspectiva, faz-se Autor Referências O desafio de ler e escrever na escola - Maria de 39 Fátima Almeida necessário tecer ligeiros comentários acerca das acepções que o termo ler recebe nas diferentes viagens de leitura. A análise dos movimentos discursivos e das relações que ocorrem no trabalho dos leitores com o texto, no espaço escolar, não é uma luta vã, pois temos muitos aliados, especialmente, os Parâmetros Curriculares Nacionais – PCN, que, apesar das lacunas e falhas, propõem mudanças no ensino de língua portuguesa e sugerem o trabalho integrado das modalidades da leitura e da escrita na escola, com o objetivo de capacitar o aluno para usá-las bem, tornando-o apto a produzir leituras diversas em variados gêneros textuais. Eles constituem um modo diferente de abordar o ensino de língua portuguesa, propondo outras possibilidades que não aquelas vinculadas aos pressupostos teóricos que deram origem aos modelos de leitura. O próximo item trata do processo de leitura na escola, à luz da abordagem dialógica que desenvolvemos em práticas na sala de aula e contribuíram para desvendar estratégias de ler e escrever na escola. Capa Sumário eLivre ENSINO DE LEITURA: experiências com formação docente O processo de formação docente é regulamentado pela Lei de Diretrizes e Base da educação brasileira de 1996 e garante esse direito para todas as modalidades de ensino. Esse processo de leitura e de produção de texto passou por diferentes teorizações no decorrer dos séculos, fato que comprova a necessidade de uma formação docente continuada e permanente para acompanhar a construção do conhecimento. Desse modo, a concepção de linguagem e de leitura do professor é um dos fatores que permite refletir e repensar o espaço escolar como lugar dos grandes eventos da aprendizagem. A reflexão atual gira em torno dos modos de construir sentidos nas práticas de leitura que a escola fornece para formar leitores. Nesta perspectiva, vimo-nos neste lugar e nos fazemos um com os demais pesquisadores, buscando explicações para melhorar também a nossa prática leitora. A necessidade de formação para o docente que atua no Ensino de Língua Materna é perceptível não só pela velocidade da informação no mundo mediatizado, mas também pela importância que a leitura exerce para a sociedade Autor Referências O desafio de ler e escrever na escola - Maria de 41 Fátima Almeida moderna. Eis a relevância da atualização do corpo docente no contexto pedagógico, evidenciando-se as estratégias de leitura e a interação professor/ aluno no espaço da sala de aula. Para Silva (1989), o ato de ler é um “mistério” e uma “alquimia” e a leitura é uma prática social e histórica que precisa ser compreendida como um processo no qual se envolvem vários objetos e temas a serem desvendados. Se o processo de ler não ocorre na interação autor/leitor/ texto, a leitura não é construção de sentido e nem um processo interativo, afirma Almeida (2004). Ao apontarmos a formação do professor na abordagem dialógica, pretendemos também ampliar os estudos da linguagem para, assim, dinamizarmos ou motivarmos as aulas com práticas pedagógicas interativas. Centramo-nos na formação docente sob a perspectiva da Linguística Enunciativa bakhtiniana, buscando as contribuições significativas para o ensino da leitura. A utilização do processo interativo em sala de aula permite-nos outros modos de ler e de significar com linguagem. Eis a proposta dialógica de leitura na escola. Pautando-nos em Bakhtin (1992) e afirmamos que ler é um processo interpretativo que varia conforme os pontos de vista dos leitores, aspectos importantes para a formação do docente que também forma leitores críticos e criativos. As interações na sala de aula revelam a importância de construir coletivamente o sentido do texto e de considerar os lugares e papeis ocupados pelos interlocutores no espaço escolar. As práticas pedagógicas de leitura ou Capa Sumário eLivre os modos de ler em sala de aula refletem não só a concepção de linguagem/leitura do professor, mas também a relevância da interação professor-aluno, professor/livro didático e aluno-aluno com o texto. Ao adotarmos, aqui, a perspectiva dialógica ou linguagem como interação, a atividade de leitura em sala de aula deverá pautar-se por essa concepção. Acreditamos que, tradicionalmente, a aula de leitura centrava-se numa única leitura, conforme revela Sousa (2000), ao afirmar que o modelo de escola que temos ainda se encontra distante de inserir a perspectiva dialógica nas práticas do cotidiano escolar. Ao considerar que os estudos linguísticos permeiam várias áreas do conhecimento, propomos, nessa obra, o ensino pautado na proposta dialógica de Bakhtin (1981, 1982), que aborda a linguagem como interação entre os sujeitos marcada pela situação e meio social dos indivíduos. Nessa concepção, a linguagem é considerada interação e constitutiva da identidade do sujeito e a leitura é um processo interativo de construção de sentido. Portanto, sugerimos o ensino acerca dos gêneros discursivos. É imprescindível que todo professor seja preparado, possua conhecimento teórico e prático do que irá abordar na aula e conheça também os aspectos biográficos dos autores, as características da obra, e saiba que esses elementos não podem ser dissociados do estudo do gênero escolhido, porque quando estão isolados não terão sentido completo e o aluno não compreenderá o texto como um todo, mas como algo fragmentado ou Autor Referências O desafio de ler e escrever na escola - Maria de 43 Fátima Almeida sem sentido. Ressaltar que cada gênero discursivo apresenta estrutura, estilo e composição, como também que eles circulam em esferas diferentes na sociedade, é inquestionável e importante no jogo de construção do sentido na escola. Destacar a importância do contexto sociohistórico e da variação linguística em qualquer fase da aprendizagem do aluno, também constitui um elemento fundamental para o ensino e aprendizagem em qualquer nível e em qualquer época. Nas oficinas propostas, trabalhamos com os movimentos em sala de aula que são, respectivamente, movimento interativo, interpretativo, de produção textual, de análise linguística, de avaliação e sugestão de leituras. No primeiro momento, apresentamos vida e obra do autor e o gênero poema, em seguida, o professor escolherá um gênero textual e realizará uma leitura coletiva, interpretando de forma reflexiva instigando os alunos a construírem as possíveis leituras e sentidos partilhados. Após o movimento interpretativo, o professor sugere uma produção textual sobre o tema abordado, depois fará a análise linguística, em que observará a gramática a partir do texto produzido pelo aluno, ou seja, destacar algumas dificuldades e desvios cometidos pelos autores. No momento de avaliação e sugestão, é a etapa em que o professor verificará o processo de ensino e aprendizagem, sugerindo outras opções de leitura, de vídeos sobre o assunto discutido. Por fim, fará uma avaliação de todo o processo e das atividades e pedirá aos alunos para Capa Sumário eLivre também realizarem uma autoavaliação enfatizando o conhecimento adquirido. Na concepção dialógica de linguagem, o ensino é interativo e dinâmico, a aula de leitura é o espaço onde ocorrem a interação e o diálogo para a construção do sentido do gênero textual e destacam-se os movimentos discursivos entre os interlocutores, os quais resultam em ações de interpretação, produção textual, análise linguística, avaliação e sugestão de leituras. A aula não constitui um amontoado de informações, mas uma construção de sentidos proveniente da interação ou da mediação do professor e aluno nas atividades desenvolvidas no ambiente escolar. Propomos oficinas que contemplam vários gêneros textuais e as ações são planejadas pelo professor para que a aula seja mais interativa e o aluno um participante ativo de sua aprendizagem e da construção do conhecimento, a partir das relações interpessoais que ocorrem na sala de aula. Nessa proposta, serão considerados os fatores linguísticos e situacionais, o conhecimento de mundo do leitor, assim como a contextualização e a leitura verbo- visual que o aluno fará dos diferentes elementos que circulam na esfera pedagógica que são necessários à compreensão global do texto. Então, cada etapa da oficina estará construída considerando o movimento da aula, ou seja, atividades que o professor poderá desenvolver com o aluno, com o intuito de resgatar e valorizar a cultura popular, ampliar o conhecimento pessoal a respeito do autor, da obra e as Autor Referências O desafio de ler e escrever na escola - Maria de 45 Fátima Almeida especificidades do gênero selecionado, para reconhecê-lo e diferenciá-lo dos demais. Para Almeida (2004), o gênero aula tem um ritual próprio que se divide em começo, meio e fim, sendo sempre uma retomada para os encadeamentos temáticos provocados pelas interações entre os interlocutores em ação. Os gêneros selecionados para essa proposta foram a Canção, escolhemos duas de Luiz Gonzaga, em homenagem ao seu centenário neste ano. Uma Charge de Régis, um autor paraibano que completou mil charges na rua. Um Poema de Hebert Viana, autor selecionado este ano para ser trabalhado nas escolas municipais de João Pessoa, um Conto maravilhoso de histórias da Velha Tonha de José Lins do Rego. Uma peça teatral de João Cabral de Melo Neto, pernambucano bastante conhecido, um poema do poeta popular Patativa do Assaré, um cearense famoso por seus versos encantadores. Todos esses autores foram escolhidos alheatoriamente, mas circulam na literatura do Nordeste e se destacaram de alguma forma nos últimos anos também nos estudos na sala de aula. Privilegiamos esse contexto mais próximo e articulamos as pesquisas de Iniciação Científica e ao Estágio Pós doutoral, interagindo com as experiências dos projetos desenvolvidos na extensão universitária da Universidade Federal da Paraíba. O termo movimento discursivo foi tomado do estudioso francês Frèdéric François (1994) e retomado por Almeida (2004) para significar as ações dos interlocutores, no caso, dos leitores ao lerem o gênero conjuntamente na Capa Sumário eLivre sala de aula quando da construção dos sentidos possíveis. O movimento de interpretação é o momento interação entre autor/leitor/texto que partilham o dito e o não dito, o explícito e o implícito do texto. Este é o movimento de pergunta e resposta característico da leitura na sala de aula, espaço de grande interação entre os participantes, ou seja, professor/aluno e aluno/aluno. Essas interações são imprescindíveis ao ensino e aprendizagem na escola da atualidade. Proposto o gênero, lido o texto, as discussões são abertas e o conhecimento de mundo do aluno é acionado, através de perguntas interpretativas que procuram resgatar o lado histórico e o contexto social do autor e da obra onde o gênero está inserido. Essa é uma etapa importante na aula porque permite grande interação entre os participantes e ocorre o resgate histórico e social do tema em discussão. Tais movimentos permitirão ao aluno discutir, questionar e ampliar seu conhecimento, partilhando com os outros colegas o que sabe e, assim, terá assunto para produzir seu texto, pois muitos deles não escrevem porque não têm assunto e dizem que não sabem escrever. Eis a resposta de o que se faz com linguagem. O processo de ler e escrever constitui um processo continuo, um todo inseparável e precisa ser ensinado na sala de aula. Faz-se necessário que o professor exercite com o aluno a leitura de gêneros discursivos variados e que esta não seja só mais um motivo de cobrança de notas e exigidas em redações escolares e em concursos. Autor Referências O desafio de ler e escrever na escola - Maria de 47 Fátima Almeida Leitura e produção textual carecem e prescindem à construção do conhecimento partilhado e construído na escola da modernidade. As estratégias de ler desenvolvem, além da leitura silenciosa, oral e compartilhada e exigem do professor a formação para aprofundarem os aspectos da macro e da microestrutura do texto que variam conforme a esfera de comunicação, o propósito comunicativo do leitor e a composição do gênero e o estilo do autor. O texto sendo um todo significativo, é também uma fonte de sentidos e rico em informações e por mais que o leiamos, discutamos e o analisemos, não é possível esgotá-lo, porque, a cada nova leitura, encontraremos algo novo que não havíamos descoberto ou percebido em outras leituras. Há sempre no texto, o jogo entre o dito e o não dito, o explícito e o implícito, o particular e o genérico. Assegura Almeida (2010), que a importância da boa formação docente e de o professor, especificamente de língua portuguesa, ser bem formado e estar sempre alerta para as outras possibilidades de leitura e do saber-fazer as atividades no cotidiano da sala de aula. Ler e escrever torna-se um processo que exige variadas estratégias e demanda muita habilidade e competência tanto para o professor quanto para o aluno. O resultado previsto será sempre uma boa aprendizagem. O trabalho com a linguagem em sala de aula exige do professor não só o conhecimento teórico, mas também estratégias e atividades diversificadas com variados gêneros, nesse caso, privilegiamos alguns como a Capa Sumário eLivre canção que é inspiradora e atrativa para os aprendizes. Assim, o professor apresentará o conteúdo desse gênero com um resumo retirado do Dicionário de Houaiss com os tipos de canção,como por exemplo: Artísticas, Populares e Folclóricas. Canções Artísticas A canção artística é uma modalidade criada para interpretação individual respeitando-se os atributos ou estilo do intérprete que, geralmente, é acompanhado por um pianista, mas poderá ter outro acompanhamento, por exemplo, orquestra e quarteto de cordas. Ao intérprete recomenda-se técnica vocal, pois utiliza a voz para realizar uma boa interpretação. Essas canções têm as letras compostas por um poeta ou letrista, geralmente em forma de estrofes, a música por sua vez, é escrita separadamente por um compositor. A diferença entre as duas modalidades é que as canções artísticas possuem um tom mais formal comparadas às canções comuns. Canções Populares e Folclóricas Essa tipologia destaca-se como um gênero musical de fácil acesso ao público em geral. As canções populares diferenciam-se da música folclórica, que também se distingue da música erudita por ser escrita e comercializada como a música de um povo transmitida ao longo Autor Referências O desafio de ler e escrever na escola - Maria de 49 Fátima Almeida das gerações, sendo utilizada por determinada camada social Esse termo canção tornou-se um tipo popular, pois se refere a uma diversidade de composições pequenas e curtas ou com arranjos populares usados com instrumentos modernos. A Canção folclórica é a forma mais antiga de canção entre outras. Atualmente seria chamada de Forma Estrófica. Estrutura da Canção Geralmente, as canções populares têm uma estrutura bem definida, usada de três a cinco secções musicais separadas e são utilizadas em conjunto, formando uma composição musical completa. A ordem da estrutura típica de uma canção é: introdução, verso, refrão, ponte musical e conclusão. Essa estrutura é muito comum na música popular moderna. Incluindo-se as canções pop, rock e heavy metal, além de quase todos os gêneros de canções populares e peças clássicas. Esta estrutura simples pode se tornar complexa quando alterada em alguns aspectos, como, em vez de adicionar um coro único dois coros, ou em vez de terminar com a repetição do refrão, adicionar uma parte específica para o último. A estrutura não deve ser muito complicada para não destruir o equilíbrio entre a repetição e alteração de um tópico. Portanto, é a partir dessa proposta que iremos desenvolver as aulas, com obras de alguns autores, que apresentam um contexto histórico e social importante para Capa Sumário eLivre uma época, com o intuito de resgatar e valorizar a cultura popular e ampliar o conhecimento do aluno a respeito do autor apresentado, assim como reconhecer o gênero discursivo em estudo e sua esfera de circulação. Reafirmamos que o professor precisa ser bem formado para exercer com competência e habilidade o seu ofício de mestre e assim a escola oportunizará a formação de cidadãos capazes de ler o mundo ressignificado. Saber ler e escrever, atualmente, é letrar-se, é habilitar-se para uma nova alfabetização, pois o mundo mudou, o ensino mudou e os meninos e meninas mudaram e exigem que os professores se atualizem para se adequarem a essas mudanças. Autor Referências O desafio de ler e escrever na escola - Maria de 51 Fátima Almeida O gênero discursivo canção na visão dialógica de leitura Introdução O professor aborda um determinado autor, apontando o seu contexto histórico e social, para que o aluno conheça, um pouco, de sua vida e obra. Em seguida, apresentará o gênero discursivo e suas principais características. Os movimentos da aula são ações desenvolvidas pelo docente, para que o aluno perceba que a aula é um espaço de construção de sentidos que acontecem na interação. As atividades contempladas na aula consideram o conhecimento de mundo do aluno, assim como os fatores extralinguísticos que o texto apresenta. Os movimentos da aula são: interpretação; produção, análise linguística e avaliação e sugestões de leituras. Movimento de interação Inicialmente, o professor se esmera na interação entre os participantes da aula, ele irá situar o leitor sociohistoricamente, abordando a biografia do autor e as Capa Sumário eLivre principais características do gênero canção, a exemplo de “Xote das meninas” de Luiz Gonzaga do Nascimento (1812- 1989). Esse intérprete nasceu em 13 de dezembro de 1812, na Fazenda Caiçara, Exu, sertão de Pernambuco. Desde criança Luiz Gonzaga tocava sanfona, no entanto, somente aos 13 anos, adquire a sua primeira sanfona. Ele faleceu em 02 de agosto de 1989. No ano de 2012 comemoramos os 100 anos do nascimento do “Rei do Baião” e, neste mesmo ano, foi lançado o filme “De Pai Para Filho” que narra a história de relação entre Gonzaga e Gonzaguinha, seu filho. Em seguida, o professor mostrará as principais obras de Gonzagão para focar e selecionar o gênero para ser lido na aula. São elas: “Asa Branca”, “Luar do Sertão”, “Súplica Cearense”, “A Feira de Caruaru”, “No Meu pé de Serra”, “A Triste Partida”, “Assum Preto”, “Olha Pró Céu”, “Balance Eu”, “Paraíba”, “Pau de Arara”, “Cintura Fina”, “Danado de Bom”, “Riacho do Navio”, “Xote das Meninas”, “No Ceará Não Tem Disso Não”, “Numa Sala de Reboco”, “Respeita Januário”, “Pagode Russo”, “Último Pau de Arara”, “O Fole Roncou”, “Zé Matuto”, “Dezessete e Setecentos”, “Dança Mariquinha”, “Baião de Dois” e “ABC do Sertão”. As canções de Gonzaga tematizam o povo e o sertão nordestinos. A canção “Xote das Meninas” do compositor Luiz Gonzaga retrata o cenário do sertão, ou seja, a vida dura do sertanejo pela espera da chuva. O gênero discursivo canção tem como principais características: fazer da lín- Autor Referências O desafio de ler e escrever na escola - Maria de 53 Fátima Almeida gua o instrumento artístico capaz de tocar a sensibilidade do ouvinte; é constituído de versos, agrupados em estrofes e se caracterizam pelo ritmo; apresenta a linguagem poética, apoia- se em métrica fixa ou não, em rimas regulares ou não e têm no ritmo a sua marca essencial; combina sons e instrumentos é acrescentar a musicalidade das palavras. São esses requisitos que diferem a canção do poema em si, esse destaca-se por ter letra, uma linguagem não convencional e para se tornar canção adquire outros tons e características para ser cantado. Movimento de interpretação Esse é o momento por excelência da interação em sala de aula, conforme Almeida (2004), é o movimento em que há o maior número de interações interpessoais e trocas de papéis entre professor e alunos que questionam, fazem perguntas e começam a construir o sentido do texto A partir do título, relacionando-o as suas estrofes conforme o conhecimento de mundo dos alunos e o objetivo da aula planejada. O professor também colocará a canção para uma audição pelos alunos. Após a escuta, há o momento da leitura coletiva e em voz alta, enfatizando o conteúdo abordado no gênero e para a construção participativa do sentido. Os temas presentes nas estrofes tratam do político e social referindo-se ao nordestino, em especial na figura estereotipada do sertanejo. Além disso, também, temos a figura da menina que sofre com o início Capa Sumário eLivre da adolescência e a reação dos pais para com essa situação. Após essa leitura, o professor poderá questionar: Qual é relação entre a flora do mandacaru e a chegada da chuva no sertão? Que figura o mandacaru está representando? Toda canção tem letra e musicalidade? O que diferencia a canção do poema? Qual o significado da palavra mandacaru? (pesquisar no dicionário). O que ela representa para o sertão? Por que o mandacaru é uma planta importante para o Nordeste? Como esse vegetal é utilizado no sertão? Na sua opinião, o que é Xote das meninas? Compare as meninas da canção com as de atualmente. Eis a canção: Xote das Meninas Mandacaru Quando flora na seca É o sinal que a chuva chega No sertão Toda menina que enjôa Da boneca É sinal que o amor Já chegou no coração... Meia comprida Não quer mais sapato baixo Autor Referências O desafio de ler e escrever na escola - Maria de 55 Fátima Almeida A interação do professor/ aluno, nessa atividade, propiciará ao aluno também ampliar o vocabulário e o fará entender não somente as informações superficiais, mas responder a questionamentos que estão nas entrelinhas do texto, ou seja, conhecer fatores históricos e sociais que se propagaram no decorrer dos anos sobre o nordestino e que fazem entender toda a problemática do Nordeste, mas especificamente do homem do campo e a vida dura à espera da chuva. Enfatizamos que não há uma única leitura para um texto e que há nele um feixe de sentidos, resta ao leitor, no momento da leitura, selecionar aquela que mais se adapta aos seus objetivos, sem, contudo, fugir ao que disse o autor, pois ninguém pode inferir além do dito no texto. Eis a questão. Vestido bem cintado Não quer mais vestir timão... Ela só quer Só pensa em namorar Ela só quer Só pensa em namorar... De manhã cedo já tá pintada Só vive suspirando Sonhando acordada O pai leva ao dotôr A filha adoentada Não come, nem estuda Não dorme, e nem quer nada... Ela só quer Só pensa em namorar Ela só quer Só pensa em namorar... Movimento de produção Esse movimento contém as estratégias de produção textual, recordando que a sugestão é que o aluno coloque em prática o que aprendeu na escola e escreva sobre o tema discutido no gênero lido na sala de aula. Nesse caso, sugerimos a produção de um poema com o mesmo tema ou uma paródia que é caracterizada por manter a estrutura do texto original, mas modifica o sentido, ou seja, é atribuído o cômico, o provocativo e também, pode incluir o contexto político ou social da discussão. Para tanto, é importante seguir as orientações sugeridas no planejamento da aula e atentar para a norma culta padrão da lín- Mas o doutor nem examina Chamando o pai de lado Lhe diz logo em surdina Que o mal é da idade E que prá tal menina Não há um só remédio Em toda medicina... Ela só quer Só pensa em namorar Ela só quer Só pensa em namorar. Capa Sumário eLivre Autor Referências O desafio de ler e escrever na escola - Maria de 57 Fátima Almeida gua ou ainda outras explicações e sugestões que poderão ser encontradas em sites tais como: • Qual é o significado dos versos: O pai leva ao dotô/ A filha adoentada? • http://www.infoescola.com/generos-literarios/parodia/ Sabemos que o texto apresenta outros aspectos linguísticos que podem ser explorados, por exemplo, o pronome “ela”, bastante repetido no poema, que tem como • http://letrasmundosaber.blogspot.com.br/2009/08/parodia-e-um-genero-textual-muito.html • h t t p : / / l i n g u a g e n s p r o d u c a o d e t e x t o . b l o g s p o t . c o m . br/2011/12/os-generos-textuais-e-seus-sentidos.html Movimento de análise linguística Nas atividades que contemplam a análise linguística ou possíveis desvios encontrados na produção textual do aluno, o professor orienta para explorar e analisar aqueles aspectos da macroestrutura: a utilização do tema, finalidade ou objetivo ou propósito comunicativo, a época e o meio de circulação. Rever também e os aspectos da microestrutura, os linguísticos, gramaticais e de coesão e coerência que surgem, refletindo os elementos organizadores do texto e termos presentes ou o léxico selecionado. Pode-se retomar o estudo, por exemplo, dos níveis de linguagem usados, desvios e outros aspectos relevantes encontrados na produção do aluno. Nesse momento, há possibilidade de se levantarem alguns questionamentos a respeito da linguagem: • Qual é a linguagem usada no texto? • Existem algumas marcas de variação linguística na canção, identifique-as? • Existe uma relação entre a linguagem e as personagens do texto? Explique. Capa Sumário eLivre referente à (menina), personagem cantada e destacada na canção escolhida . Esse caso é um exemplo de termo linguístico que pode ser abordado no texto. De posse da produção escrita do aluno, o professor poderá pedir para que os alunos troquem suas produções e realizem algumas observações e sugestões na produção do colega. Nesse momento, é fundamental a mediação do docente, porque essa etapa é a que, geralmente, o aluno tem dúvidas surge a oportunidade de rever e explicar a gramática. Ele poderá selecionar algumas produções que apresenta inadequações linguísticas ou organização do gênero textual solicitado, na produção, e realizar uma correção coletiva, adequando os termos que estavam inadequados. Em seguida, ele irá realizar uma reescrita, verificando a linguagem e realizando as devidas adequações linguísticas. Movimento de avaliação e sugestões de leituras Nesse movimento, o docente realizará uma avaliação de tudo o que ocorreu durante o processo de leitura e produção textual realizada nessa turma, verificando o que o aluno aprendeu na aula de leitura e o que ficou sem Autor Referências O desafio de ler e escrever na escola - Maria de 59 Fátima Almeida entender para retomar e interagir. Dessa forma, é possível dinamizar e minimizar as dificuldades de leitura e de escritura no ensino básico, especificamente, as apresentadas pelos resultados das experiências na sala de aula. Nessa atividade, o aluno participará ativamente do processo de ensino e aprendizagem na escola e o professor terá a oportunidade de responder a algumas dúvidas e questionamentos que ficaram sem dizer no decorrer das aulas. Por fim, o professor pedirá ao aluno que realize uma autoavaliação que pode ser oral ou escrita. O professor poderá, também, sugerir algumas leituras ou fontes de consultas: • http://pt.wikipedia.org/wiki/Luiz_Gonzaga • http://educacao.uol.com.br/biografias/luiz-gonzaga.jhtm Ver também os vídeos: • http://www.youtube.com/watch?v=sIulkktjGMg (Biografia Gonzaguinha e Gonzagão - Uma História Brasileira) • http://www.youtube.com/watch?v=PGnb-ebELOc (Biografia de Luiz Gonzaga) • http://www.youtube.com/watch?v=PYkZbA-gI0U (LUIZ GONZAGA - SOM BRASIL) Capa Sumário eLivre ¨Paraíba¨ à luz do dialogismo Introdução Informamos, anteriormente, que o ensino de língua portuguesa, nessa proposta dialógica da linguagem, pauta-se pelos gêneros discursivos bakthinianos e pela interação em sala de aula, ou seja, um movimento interativo de contextualização entre autor, leitor e texto. Dessa perspectiva, a construção de sentido ocorre dessa relação indissociável que considera as diferentes vozes presentes no texto, assim como os fatores extralinguísticos; contexto social e histórico; as diferentes esferas que o texto circula e o conhecimento prévio do aluno. Todos esses conhecimentos são partilhados nas interações entre professor e aluno e contribuem para que o aluno adquira novas experiências com os colegas. Assim ocorre também a construção coletiva do saber partilhado na escola. No primeiro momento, o professor apresentará uma breve biografia do autor, para que o aluno conheça sua vida e obra, assim como as principais características do gênero canção, contextualizando a obra “Paraíba” de Luiz Gonzaga do Nascimento (1812- 1989) que nasceu no dia 13 de de- Autor Referências O desafio de ler e escrever na escola - Maria de 61 Fátima Almeida zembro de 1812, na Fazenda de Caiçara, na cidade de Exu, sertão de Pernambuco. Ele é filho de Januário José dos Santos, Conhecido como o mestre Januário e Ana Batista de Jesus. Desde criança Luiz Gonzaga tocava sanfona, no entanto, somente aos 13 anos, com dinheiro emprestado, compra a sua primeira sanfona. Vem a falecer no dia 02 de agosto de 1989. No ano de 2012, foi comemorado 100 anos do nascimento do “Rei do Baião” e, neste mesmo ano, foi lançado o filme “De Pai Para Filho” que narra a história de relação entre Gonzaga e Gonzaguinha. As principais obras do referido autor são: Asa Branca, Luar do Sertão, Súplica Cearense, A Feira de Caruaru, No Meu pé de Serra, A Triste Partida, Assum Preto, Olha Pró Céu, Balance Eu, Paraíba, Pau de Arara, Cintura Fina, Danado de Bom, Riacho do Navio, Xote das Meninas, No Ceará Não Tem Disso Não, Numa Sala de Reboco, Respeita Januário, Pagode Russo, Último Pau de Arara, O Fole Roncou, Zé Matuto, Dezessete e Setecentos, Dança Mariquinha, Baião de Dois e ABC do Sertão. Movimento de interação Nessa etapa, será estuda outra música de Luis Gonzaga, que permitirá ao professor discutir algumas nuances da canção Paraíba, diversas peculiaridades históricas e o contexto em que circula esse gênero, bem como os três elementos organizacionais da música: a melodia, a harmonia e o ritmo. No que diz respeito ao som, temos: Capa Sumário eLivre altura, timbre e intensidade e duração. Ainda podemos enfatizar outros elementos desse tipo de canção que são o som e o tempo.Esses são os principais fatores que abrem a discussão na sala de aula de leitura e oferece espaço para perguntas e respostas entre os interlocutores. O professor apresentará a canção “Paraíba”, contextualizando a situação social, traços regionais e as principais características do gênero textual. As leituras possíveis são organizadas e instigadas pelo docente que em interação com os alunos, são construtoras de sentidos. O destaque do professor nas relações dialógicas e nas marcas linguísticas deixadas pelo autor são fundamentais na construção do sentido pelo aluno. Assim, os leitores, na sala de aula, têm a oportunidade de experimentar a construção coletiva e partilhada da leitura. Sugerimos a possível leitura e organização de ideias da canção: Paraíba (Luíz Gonzaga) Quando a lama virou pedra E Mandacaru secou Quando o Ribação de sede Bateu asa e voou Foi aí que eu vim me embora Carregando a minha dor Hoje eu mando um abraço Pra ti pequenina Paraíba masculina, Muié macho, sim sinhô Eita pau pereira Que em princesa já roncou Autor Referências O desafio de ler e escrever na escola - Maria de 63 Fátima Almeida • O que as pessoas fazem para sobreviver com a seca e a constante falta de água? • Como está implícito o fenômeno da migração nordestina? Eita Paraíba Muié macho sim sinhô Eita pau pereira Meu bodoque não quebrou Hoje eu mando Um abraço pra ti pequenina Paraíba masculina, Muié macho, sim sinhô Quando a lama virou pedra E Mandacaru secou Quando arribação de sede Bateu asa e voou Foi aí que eu vim me embora Carregando a minha dor Hoje eu mando um abraço Pra ti pequenina Paraíba masculina, Muié macho, sim sinhô Eita, eita Movimento de interpretação Na interação na sala de aula, o professor interage com os alunos enfatizando a questão da seca, na região Nordeste, ilustrando com alguns versos da canção em estudo. No movimento de pergunta e resposta, ele abordará algumas questões que se materializadas pelo léxico e pelo contexto regionais nordestinos, tais sejam: • Qual é o contexto social da seca no Nordeste? • Por que algumas áreas são mais castigadas que outras? Capa Sumário eLivre O professor esclarece esse fenômeno da migração, que é o processo de mudança de uma localidade para outra, em que as pessoas passam a viver em péssimas condições e são obrigadas a se mudarem para outras regiões do país, fato relatado em alguns versos. Nesse momento, a discussão gira em torno do processo de migração e suas consequências para as regiões brasileiras. Ainda, ressaltará o fato histórico da cidade de Princesa Izabel, na Paraíba, como também a figura do sertanejo, já apontada por vários autores, como Graciliano Ramos e outros que não são do Nordeste. A variação linguística é bem caracterizada, na música, através das expressões “Eita”, “Muié”, “sinhô”, “pra”, “ti”, que mostram o modo de falar do Paraibano e do nordestino, valorizando a cultura e o modo de falar das pessoas dessa região. Nesse momento, o professor poderá enfatizar que a língua varia de uma região para outra e explicitar os fatores que ocasionam essa variação. Além disso, explicar como a coerência e coesão são importantes no texto e como eles estão presentes na música. Ver como a organização das ideias é importante na sequência do texto e quais elementos linguísticos reforçam as variações linguísticas e como eles poderiam ser reescritos numa situação formal da linguagem. Todos esses questionamentos podem ser respondidos durante a aula. Autor Referências O desafio de ler e escrever na escola - Maria de 65 Fátima Almeida Movimento de produção Aqui, o aluno produzirá uma reescrita da música, adequando a linguagem a um contexto formal, sem, contudo, perder as características da oralidade e da variação. O aluno perceberá as outras marcas linguísticas, presentes no texto, e como elas poderão ser adequadas a uma situação da língua padrão. Destacará, também, como a mudança linguística dá outro sentido ao texto e determina alguns fatores sociais e históricos. Assim, reforçamos a ideia da necessidade de formação contínua e permanente do professor que atua em todos os níveis de ensino público ou privado. Movimento de análise linguística O movimento de análise linguística é a etapa para se verificar o uso da língua de maneira adequada, mostrando o desvio e fazendo a correção com o aluno. O aluno irá verificar a coerência, ou seja, a organização lógica do texto, assim como a coesão, no que diz respeito aos aspectos linguísticos e seu uso correto na produção. Nesse momento, o professor também selecionará as inadequações que mais foram recorretes nos textos e preparar uma aula mostrando o uso correto dos termos dentro das próprias produções dos alunos. Ele ainda poderá recortar alguns trechos dos textos que se encontrar com problemas de escrita e realizar uma correção coleti- Capa Sumário eLivre va, perguntando, por exemplo: o que se encontra inadequado no trecho? Como podemos reescrevê-lo? Propõe-se ainda reconstruir coletivamente o texto corrigido e refeito em sala de aula. Movimento de avaliação e sugestão de leituras A avaliação para verificar a aprendizagem será realizada durante os movimentos, sempre observando as dúvidas dos alunos e procurando tirá-las no decorrer das aulas. No final, os alunos sempre farão uma autoavaliação do processo de aprendizagem e levantar alguns questionamentos que ficaram pendentes durante as aulas. Nesse processo, serão apresentados ao aluno os seus acertos e há o incentivo a continuar construindo o conhecimento na partilha e discussão da sala de aula. Assim, avançamos nesse ponto, tendo em vista que sempre apontamos erros cometidos e quase nunca elogiamos pela aprendizagem. Alguns vídeos que poderão ajudar no decorrer das aulas: • http://www.youtube.com/watch?v=wcvSvdkZtls (Luiz Gonzaga – Paraíba). • http://www.youtube.com/watch?v=wcvSvdkZtls (Quinteto da Paraíba - Vozes da Seca - Luiz Gonzaga 1912-2012). Autor Referências O desafio de ler e escrever na escola - Maria de 67 Fátima Almeida tação, análise linguística, produção, avaliação e sugestão de leitura, objetivando a dinamização das aulas com práticas pedagógicas interativas de construção do sentido. O estudo do gênero charge na escola Conhecendo o autor Introdução O trabalho com a linguagem, considerada como interação entre sujeitos determinados social e historicamente, revela como a escola se tornou um espaço favorecido à interação verbal e à aconstrução do conhecimento partilhado. Essa proposta para formação docente, como já afirmamos anteriormente, pauta-se na concepção dialógica bakhtiniana de linguagem e afirma que ler é um processo que envolve várias vozes. Assim, não há um lugar determinado nem um papel fixo para o sujeito, sobretudo no espaço da sala de aula, onde as relações interpessoais tornaram-se uma componente relevante para o ensino e aprendizagem. Desse ponto de vista, ler torna-se um ato de prazer e a leitura uma conquista da experiência dos leitores competentes. Com base nesses estudos, o nosso trabalho sugere a professores de Língua Portuguesa, a prática dos movimentos da aula numa proposta dialógica da linguagem, em que se segue, respectivamente, com o movimento de interpre- Capa Sumário eLivre O paraibano Reginaldo Soares Coutinho, conhecido como Régis Soares, nasceu em 09/06/1960, em João Pessoa na Paraíba. Ele é chargista, cartunista e caricaturista. Iniciou publicando suas charges no jornal O Momento em que trabalhou durante nove anos. Publicou três livros: Charges e Caricaturas, Pintado o Sete e Desenhando os Outros e Charges na Rua. Expôs sua obra individualmente e em salões de humor. Publicou trabalhos em veículos da imprensa como O Pasquim, A Tribuna, O Norte, Correio da Paraíba e em Jornais Sindicais. Atualmente, expõe suas charges semanalmente num painel na Rua Etelvina Macedo de Mendonça, no bairro da Torre, em João Pessoa. Esse autor já alcançou o número de mil charges na rua sobre variados temas atuais e com muito humor. As charges de Régis Soares tornaram-se importantes na vida dos cidadãos da localidade, é uma marca no cenário político e social da Paraíba. Alguns sites de consultas: Disponível em: • http://www.clickpb.com.br/noticias/brasil/clickpb-passa-a-contar-com-charges-de-regis-soares/. Acesso em 13 de Jan. de 2013. Autor Referências O desafio de ler e escrever na escola - Maria de 69 Fátima Almeida • h t t p : / / w w w . c h a r g e s n a r u a . c o m / i n d e x . php?option=com_content&view=article&id=1&Itemid=2. Acesso em 13 de Jan. de 2013. • http://eliezergomes.com/noticia/961/regis_soares__ chargista_cartunista_e_caricaturista/. Acesso em 13 de Jan. de 2013. Apresentação do gênero A charge é um gênero textual muito produtivo para a sala de aula e pode ser apresentado em quadrinhos, emite opinião dos acontecimentos do cotidiano sociais e políticos. Refere-se a fatos ocorridos em uma época definida, em um determinado contexto cultural, econômico e social. Critica com humor esses fatos, para tanto, faz-se necessário que o leitor esteja a par dos acontecimentos, está bem atualizado e informado para entendê-la. O chargista utiliza-se do exagero nas características físicas para trazer humor, por isso é preciso o conhecimento de mundo para bem interpretá-la. O autor da charge usou o contexto de comentários que circulava na mídia sobre o fim do mundo na data marcada para ironizar. Movimento de interpretação Sumário Sugestão de Charge: Charge de Régis Soares divulgada em 21/12/2012 Esse é o momento em que o professor apresentará a charge selecionada na sala de aula, ressaltando as características do gênero, apontando a crítica social e política, Capa a questão do humor e da conscientização do leitor. O professor poderá fazer uma interpretação interagindo com os alunos aproveitando a visão de mundo e levantando possíveis questionamentos acerca da crítica apresentada. Nesse movimento interpretativo, aflora a leitura da linguagem verbal e não verbal, das cores dispostas e tudo mais que figura na imagem. Nessa interação professor/aluno, surge a interpretação, o modo dialógico de significar. eLivre O professor levantará os seguintes questionamentos sobre a charge apresentada: • Vocês já conheciam esse gênero? Autor Referências O desafio de ler e escrever na escola - Maria de 71 Fátima Almeida • Em quais suportes esse gênero veicula ou circula? • Vocês conseguiram perceber aonde se encontra o humor? • De que fato trata a charge? Debater com os alunos os problemas da seca, neste momento intensificar a interação professor/aluno, ouvindo deles os temas e apresentando a realidade de cada um. Nessa fase, o docente também fará a diferença entre linguagem coloquial ou informal e linguagem culta ou não culta e a padrão. O professor mostra a importância dos diferentes níveis de linguagem e por ser exposta na rua, a charge tem de atingir a todos os interlocutores. Essas diferenças serão ressaltadas através do diálogo desenvolvido pelos personagens na charge. Trabalhar com os alunos a diferença entre o texto verbal e não-verbal. Neste momento, o professor questionará sobre o seguinte: • Identifique qual a linguagem do texto? • Diferencie linguagem formal de informal? • Como você reescreveria essa fala para transformá-la em uma linguagem formal? • Qual a leitura que podemos fazer das características físicas dos personagens? • Qual a importância das características dos personagens para o entendimento da crítica? co-social, ressaltando o sofrimento do homem do campo com a seca no Nordeste, assunto sempre novo e repetido. Também poderá sugerir que o aluno elabore outro gênero como uma propaganda para uma campanha educacional, alertando a população sobre o fenômeno que se arrasta a séculos e carece de muita atenção de todos. Movimento de análise linguística O movimento de análise linguística é a etapa em que o docente irá verificar as possíveis inadequações dos textos e a partir delas realizar as devidas adequações, mostrando, por exemplo, o uso correto do pronome, concordância nominal e verbal, regência, entre outros. Movimento de avaliação e sugestão de leituras Nesse movimento, o educador poderá levar os alunos à sala de informática e entrar no site do chargista Régis Soares: www.chargesnarua.com e pesquisar outras charges de temáticas diferentes. • Apresentar vídeo: http://www.youtube.com/ watch?v=37rahtai7jE Disponível em: Acesso em 13Jan de 2013. Movimento de produção Nessa oportunidade de escritura, o professor sugere a produção de uma charge, com a mesma temática polítiCapa Sumário eLivre Autor Referências O desafio de ler e escrever na escola - Maria de 73 Fátima Almeida O poema de João Cabral na sala de aula Introdução O professor elabora atividades à luz da teoria dialógica propondo a dinamização das aulas a partir do movimento interativo entre o professor e o aluno para um melhor processo de ensino e aprendizagem, objetivando não só evidenciar a cultura popular, mas também outros conteúdos como a variação linguística, o léxico regional tornando o ensino da leitura mais prazeroso. Esse prazer de ler e escrever provém das escolhas do gênero e das práticas leitoras desenvolvidas na escola, em todos os níveis. Os movimentos discursivos em sala de aula são, respectivamente, movimento interativo de perguntar e responder, interpretativo de construir sentidos, de produzir textos, de análise linguística ou de reescritura, de avaliar e de sugerir outras leituras complementares. Inicialmente, são sempre apresentados e discutidos fatos da vida e obra do autor e do gênero escolhido. Em seguida, o professor fará uma leitura coletiva, interpretando de forma reflexiva para motivar os alunos à construção das Capa Sumário eLivre possíveis leituras. Após a reflexão, o professor pedirá uma produção textual para depois realizar a análise linguística, em que o professor observará a gramática a partir da produção textual, ou seja, perceber algumas dificuldades acerca da gramática nos textos produzidos pelos alunos. No momento de avaliação e sugestão, é a etapa em que o professor verificará o processo de ensino e aprendizagem, sugerindo outras opções de leitura, vídeos e fará uma avaliação de todo o processo de ler e escrever na sala de aula e pedirá aos alunos para também realizem uma autoavaliação dos conhecimentos adquiridos. Conhecendo o autor: João Cabral de Melo Neto O autor João Cabral de Melo Neto nasceu em 1920, em Recife e faleceu em 1999. Ele foi membro da Academia Brasileira de Letras e diplomata. Considerado o maior poeta contemporâneo um dos principais membros da literatura nacional. A partir de 1992, sofre de cegueira progressiva e não pode ler mais. Em 1994, lança o livro João Cabral de Melo Neto - Obra Completa. Seu poema mais popular, Morte e Vida Severina (1954- 1955), foi adaptado para teatro e para televisão. Suas principais obras são: Pedra do Sono (1942), Os Três Mal-Amados (1943), O Engenheiro (1945), Psicologia da Composição com a Fábula de Anfion e Antiode (1947), O Cão sem Plumas (1950), O Rio ou Relação da Viagem que Faz o Capibaribe de Sua Autor Referências O desafio de ler e escrever na escola - Maria de 75 Fátima Almeida Nascente à Cidade do Recife (1954), Dois Parlamentos (1960), Quaderna (1960), A Educação pela Pedra (1966), Morte e Vida Severina (1956), Museu de Tudo (1975). bastante atual e que o problema da falta de água e secular e diz respeito ao mundo todo. Parece contraditório ou paradoxal mas não, é essa a realidade com a qual convivem muitos brasileiros em diversas partes do país. Apresentação do gênero Sugestão de texto: (fragmento) O professor apresentará as características do gênero poema que são os versos, as estrofes, as rimas e mostrará que poema e poesia são diferentes, pois o poema é a estrutura, a materialização da poesia. No poema, encontramos o eu lírico que é a voz expressa no texto. A poesia de João Cabral é muito bem planejada e tem um trato especial do autor que reforça o existencial do ser humano nos seus escritos. Esse gênero é muito importante para despertar no aluno o prazer de ler pela criatividade e magia que tem a linguagem poética. Movimento de interpretação É no movimento de interpretação que a leitura realmente acontece, porque todos os participantes estão envolvidos na construção do sentido. Construir sentido é interpretar, é partilhar as experiências de mundo e de outras leituras, de outros textos. Em “Morte e vida Severina” é importante o professor ressaltar a questão das dificuldades encontradas pelo sertanejo pela falta de água, dialogar com os alunos aproveitando seus conhecimentos prévios acerca do tema seca. Destacar que esse assunto é Capa Sumário eLivre POEMA MORTE E VIDA SEVERINA “[...] E se somos Severinos iguais em tudo na vida, morremos de morte igual, mesma morte severina: que é a morte de que se morre de velhice antes dos trinta, de emboscada antes dos vinte de fome um pouco por dia (de fraqueza e de doença é que a morte severina ataca em qualquer idade, e até gente não nascida). [...]” “ [...] Mas, para que me conheçam melhor Vossas Senhorias e melhor possam seguir a história de minha vida, passo a ser o Severino que em vossa presença emigra.” “ENCONTRA DOIS HOMENS CARREGANDO UM DEFUNTO NUMA REDE, AOS GRITOS DE “Ó IRMÃOS DAS ALMAS! Autor Referências O desafio de ler e escrever na escola - Maria de 77 Fátima Almeida fuga da morte; enquanto, no segundo momento, depois da chegada em Recife, denomina-se o presépio ou encontro da vida. IRMÃOS DAS ALMAS! NÃO FUI EU QUEM MATEI NÃO!” — E quem foi que o emboscou, irmãos das almas, quem contra ele soltou essa ave-bala? — Ali é difícil dizer, irmão das almas, sempre há uma bala voando desocupada. O livro apresenta um poema dramático, escrito entre 1954 e 1955 e relata a dura trajetória de um migrante nordestino, o Severino, em busca de uma vida mais fácil e favorável no litoral (Cidade de Recife). A obra é composta por dezoito trechos em que, Severino, o retirante, primeiro apresenta-se ao leitor para em seguida ir relatando, com o auxílio de outras vozes, outros personagens encontrados na travessia, as etapas de que ela se compõe até chegar ao Recife, onde o rio se encontra com o mar. Ora dialogando individualmente com ele, ora funcionando como um coro, tais vozes dão mobilidade aos trechos e ressoam de modo a contagiar os que seguem as pegadas do protagonista, explicitadas por títulos que resumem os seus movimentos principais. “—— Severino, retirante, deixe agora que lhe diga: eu não sei bem a resposta da pergunta que fazia, se não vale mais saltar fora da ponte e da vida nem conheço essa resposta, se quer mesmo que lhe diga é difícil defender, só com palavras, a vida, ainda mais quando ela é esta que vê, severina mas se responder não pude à pergunta que fazia, ela, a vida, a respondeu com sua presença viva.” Sugestão de questões que poderão ser abordadas em sala de aula: Explique os versos: Essa obra encontra-se dividida em duas partes: antes de chegar a Recife e depois. No primeiro momento, antes de chegar à capital, chamamos de caminho ou Capa Sumário eLivre “[...] E se somos Severinos iguais em tudo na vida, morremos de morte igual, mesma morte severina: Por que os sertanejos migravam para o litoral? Autor Referências O desafio de ler e escrever na escola - Maria de 79 Fátima Almeida Explicite o porquê de a morte vir antes da vida no título do poema? Cite as dificuldades encontradas pelo homem do campo para viver em sua terra? dereçada a um político da Capital, contando a realidade do sertão, as dificuldades com a seca e com a falta de água para a agricultura e exigindo soluções rápidas dos responsáveis. Movimento de produção Movimento de análise linguística Nessa produção, o professor pedirá que o aluno elabore uma carta pessoal,explica a importância desse gênero, diferenciando dos outros tipos e abordando as características de carta como: O movimento de análise linguística é o momento em que o aluno irá observar o que ficou inadequado na sua produção textual. Ele irá analisar e refletir a respeito de questões como, por exemplo, coerência e coesão e outros termos que se encontram inadequados no texto. Após esse entendimento, mediado pelo professor, o aluno irá adequar os temos e reescrever a sua produção. Nessa atividade, o aluno perceberá que devemos adequar a língua às situações sociais e também à exigência do gênero discursivo usado na comunicação. Data e local Saudação Interlocução com o destinatário Despedida Assinatura O texto, estruturalmente, deve ser de médio a grande, pois caso seja escrito poucas linhas o gênero não será considerado carta, mas bilhete. A linguagem pode ser formal ou informal dependendo do grau de intimidade do remetente e do destinatário. Também o professor mostrará a diferença entre os diversos gêneros e esclarece ao aluno os suporte que estes veiculam e as referentes esferas de circulação. A atividade de escritura é pedir que os alunos produzam uma carta pessoal como se fossem sertanejos, en- Capa Sumário eLivre Movimento de avaliação e sugestão de leituras A avaliação é sempre continua durante a aula de leitura e as sugestões de leituras complementares estão nas referências: • Morte e Vida Severina- Abertura de Novela da rede Globo (1981)- Apresentado por Tânia Alves. • Morte e Vida Severina- Música de Chico Buarque (Música em Anexo). Autor Referências O desafio de ler e escrever na escola - Maria de 81 Fátima Almeida Sugestões de referências ARAÚJO, Homero José Vizeu. O poema no sistema: A peculiaridade do antilírico João Cabral na poesia brasileira. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2002. ATHAYDE, Félix de. Ideias Fixas de João Cabral de Melo Neto. Rio de Janeiro: Nova Fronteira / Fundação Biblioteca Nacional / Universidade de Mogi das Cruzes, 1998. CANDIDO, Antonio. Textos de intervenção. Org. Vinicius Dantas. São Paulo: Editora 34, 2002. CANDIDO, Antonio. A educação pela noite e outros ensaios. 3. edição. São Paulo: Ática, 2000. MELO NETO, João Cabral. Obra Completa. 4ª reimpressão da 1ª edição. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2003. MELO NETO, João Cabral. Morte e Vida Severina e outros poemas para vozes. 4. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2000. RIBEIRO, Darcy. Ensaios Insólitos. Porto Alegre: L&PM, 1979. a poesia de Patativa do Assaré vem à sala de aula Introdução Nesse módulo, o professor irá interagir com os alunos para que eles possam entender que a aprendizagem é um processo que é construído a partir das leituras que realizamos. Então, é importante o estimulo a leitura e produção textual, para que eles possam praticar a linguagem nas diferentes formas de comunição, ou seja, usar os gêneros textuais orais ou escritos nas situações comunicativas diversificadas. Assim, propomos um módulo com Patativa do Assaré, com foco no gênero discursivo poema. Nessa oficina, conheceremos a biografia do autor, algumas características do gênero textual em estudo, marcas linguísticas e sugestão de produção e de análise linguística. Conhecendo o autor: Patativa do Assaré O poeta Patativa do Assaré, como é conhecido, nasceu no dia 5 de março de 1909 no sítio Serra de Santana Capa Sumário eLivre Autor Referências O desafio de ler e escrever na escola - Maria de 83 Fátima Almeida no Ceará, seu nome é Antonio Gonçalves da Silva, com oito anos perdeu seu pai, aos doze anos frequentou a escola por quatro meses saiu e não frequentou mais, aos quatorze anos começou a escrever versinhos cujo conteúdo era a cultura popular do nordeste como Patativa (1992) afirma: “[...] brincadeiras da noite de São João, testamento do Juda, ataque aos preguiçosos, que deixavam o mato estragar os plantios das roças, etc.” Aos dezesseis anos de idade comprou uma viola e começou a cantar de improviso. Utilizava de um linguajar dos sertanejos que é criativo de erros, encantava com seus cordéis e sua cantoria. Escreveu sobre o sertanejo e a cultura popular do nordeste com propriedade, pois foi onde cresceu e adquiriu a sua cultura na sua vivência. Faleceu aos noventa e três anos em oito de julho de 2002. Apresentação do gênero Nesse momento, o docente poderá mostrar as características do gênero poema que é apresentado em verso, tem rimas, melodia e musicalidade. Há diferença entre poema e poesia. A poesia é uma obra em verso com características poéticas, enquanto o poema é um objeto literário com existência material concreta. Os sons idênticos no final das palavras constituem as rimas, os versos são as linhas do poema que pode ter estrofes de números variados de versos. Capa Sumário eLivre Movimento de interpretação Nessa etapa, o professor irá apresentar o poema selecionado, evidenciando as características do gênero, mostrando as rimas presentes e a métrica dos versos, a questão da diferença entre poema e poesia. O professor poderá fazer uma interpretação interagindo com os alunos aproveitando seus conhecimentos prévios, considerando a polissemia e levantando possíveis questionamentos acerca da variação linguística, vícios de linguagem a oralidade presentes no poema e a valorização da cultura do Nordeste, apontando as questões sócio-históricas encontradas no texto. Eis o poema: INGÉM DE FERRO - PATATIVA DO ASSARÉ (1909 - CE - 2002), do livro Cante Lá Que Eu Canto Cá filosofia de um trovador Nordestino. Ingém de Ferro Ingém de ferro, você Com seu amigo motô, Sabe bem desenvorvê, É munto trabaiadô. Arguém já me disse até E afirmô que você é Progressista em alto grau; Tem força e tem energia, Autor Referências O desafio de ler e escrever na escola - Maria de 85 Fátima Almeida Mas não tem a poesia Que tem um ingém de pau. O ingém de pau quando canta, Tudo lhe presta atenção, Parece que as coisa santa Chega em nosso coração. Mas você, ingém de ferro, Com este horroroso berro, É como quem qué brigá, Com a sua grande afronta Você tá tomando conta De todos canaviá. Do bom tempo que se foi Faz mangofa, zomba, escarra. Foi quem espursou os boi Que puxava na manjarra. Todo soberbo e sisudo, Qué governá e mandá tudo, É só quem qué sê ingém. Você pode tê grandeza E pode fazê riqueza, Mas eu não lhe quero bem. Mode esta suberba sua Ninguém vê mais nas muage, Nas bela noite de lua, Aquela camaradage De todos trabaiadô. Um falando em seu amô Outro dizendo uma rima, Na mais doce brincadêra, Deitado na bagacêra, Capa Sumário Tudo de papo pra cima. Esse tempo que passô Tão bom e tão divertido, Foi você quem acabô, Esguerado, esgalamido! Come,come interessêro! Lá dos confim do estrangêro, Com seu baruio indecente, Você vem todo prevesso, Com históra de progresso, Mode dá desgosto a gente! Ingém de ferro, eu não quero Abatê sua grandeza, Mas eu não lhe considero Como coisa de beleza, Eu nunca lhe achei bonito, Sempre lhe achei esquesito, Orguioso e munto mau. Até mesmo a rapadura Não tem aquela doçura Do tempo do ingém de pau. Ingém de pau! Coitadinho! Ficou no triste abandono E você, você sozinho Hoje é quem tá sendo dono Das cana do meu país. Derne o momento infeliz Que o ingém de pau levou fim, Eu sinto sem piedade Três moenda de sodade Ringindo dentro de mim. eLivre Autor Referências O desafio de ler e escrever na escola - Maria de 87 Fátima Almeida Movimento de produção Nunca mais tive prazê Com muage neste mundo E o causadô de eu vivê Como um pobre vagabundo, Pezaroso, triste e pérro, Foi você, ingém de ferro, Seu safado, seu ladrão Você me dexô à toa, Robou as coisinha boa Que eu tinha em meu coração! Nessa etapa, o docente sugere uma produção textual do gênero poema em que abordará o tema cultura popular do Nordeste, seguindo as características do gênero e abordando os assuntos anteriormente explorados e debatidos em sala de aula, utilizando o seu conhecimento de mundo. O professor fará os seguintes questionamentos sobre o poema apresentado: Qual a relação existente entre o título e o texto? O quê o eu lírico quer dizer nos seguintes versos: “Progressista em alto grau; Tem força e tem energia, Mas não tem a poesia Que tem um ingém de pau.” Qual a diferença proposta pelo eu lírico entre ingém de ferro e ingém de pau? Identifique as rimas presentes no poema? Nessa etapa, é coerente o professor, também, abordar a questão da oralidade presente no poema, ressaltando as marcas da fala, debatendo a relevância para a sua interpretação. Ele poderá mostrar as variações linguísticas, os vícios de linguagem e a diferença entre linguagem coloquial e destacar a língua padrão. Capa Sumário eLivre Movimento de análise linguística Apresentamos alguns questionamentos que o professor fará da análise linguística da produção do poema: • Qual a linguagem utilizada no texto? • Qual a intenção do autor ao construir o poema nessa linguagem? • Aponte no texto onde estão os termos escritos como na oralidade? Na etapa de análise linguística, o professor realizará a correção coletiva de alguns textos que apresentam inadequações linguísticas, focando as dificuldades mais frequentes, encontrada na produção textual. Nessa atividade, serão verificadas as questões de coerência e coesão presentes no texto produzido pelo aluno na sala de aula. Após a análise linguística o aluno realizará uma reescrita, adequando os termos do gênero discursivo solicitado. Autor Referências O desafio de ler e escrever na escola - Maria de 89 Fátima Almeida Movimento de avaliação e sugestão de leituras A avaliação é um processo que ocorre continuamente, ou seja, acontece durante todas as atividades desenvolvidas em sala de aula. O docente poderá apresentar realizar uma avaliação coletiva para que os alunos possam participar do processo de avaliação. Em seguida, eles farão uma autoavaliação da sua aprendizagem no decorrer das atividades realizadas com o gênero em sala de aula. Sugestão de leitura ASSARÉ, Patativa. Cante lá que eu canto cá. 8. ed.; Crato; Vozes; 1992.em co-edição com Fundação Padre Ibiapina e Instituto Cultural do Cariri - Crato – Ceará Sugestão de vídeos http://www.youtube.com/watch?v=N4z_CxA0UtE http://www.youtube.com/watch?v=r-8rsqTJi-0 Capa Sumário eLivre O drama de Ariano na visão dialógica Introdução Propomos mais um módulo com aulas para o Ensino Básico, apoiadas na concepção dialógica, tendo como corpus principal a peça teatral do autor nordestino Ariano Suassuna O Santo e a Porca, escrita em 1957. As atividades serão desenvolvidas por meio dos movimentos: interativo ou discursivo, interpretativo, produção de texto, análise linguística, avaliação e sugestões, a serem realizados, tendo como objetivo principal conduzir os alunos a uma leitura compreensiva, interpretativa e crítica do gênero. Espera-se também que os discentes atinjam os seguintes objetivos específicos: Saber o significado da palavra drama, relacionando-o com as características dos textos que o compõem; diferenciar o conceito de drama de outras classificações como o gênero tragédia e comédia; saber as características gerais do gênero a ser estudado (linguagem, estilo, composição, forma, conteúdo, origem e etc.); identificar a presença de elementos da cultura popular nordestina presentes na peça; identificar registros e Autor Referências O desafio de ler e escrever na escola - Maria de 91 Fátima Almeida variações linguísticas que se encontram na peça; produzir uma resenha descritiva. Com o objetivo de formar leitores ativos na concepção dialógica, os procedimentos metodológicos usados ao longo das aulas, primeiramente será apresentada a biografia do autor da peça escolhida. Logo após a leitura de O Santo e a Porca (1957), sequenciada de debates, segue a aula expositiva, para realizar a reconstrução e a interpretação do sentido pelos leitores da sala de aula. Alunos e professores interagem para o grande diálogo de ressignificação do gênero. Selecionamos a peça teatral O Santo e a Porca, pois em sua composição encontram-se elementos de fácil entendimento, como a literatura de cordel e os folguedos populares. Artifícios estes que estão presentes no cenário cultural nordestino. Para ser trabalhada a presente peça, considerou-se também a grande relevância e respeito que o autor Ariano Suassuna possui como escritor, em todo o Brasil e por que não dizer além Brasil, sendo autor de duas famosas obras de grande aceitação pelo público (espectadores e telespectadores) como O Auto da Compadecida (1955) e A Pedra do Reino (1970) e ainda ocupa uma cadeira na Academia Brasileira de Letras desde o ano de 1990. • Exibição de vídeo da adaptação do Santo e a Porca para a TV (opcional); • Vídeo sobre folguedos populares (opcional); • Filme O auto da compadecida. Capa Sumário eLivre Movimento interativo Inicialmente temos o movimento de pergunta e resposta para levantar o tema do texto,ocorrendo as interações tais como: • Vocês já ouviram falar desse autor Ariano Suassuna? • O que conhecem sobre a vida do escritor Ariano Suassuna? • Quais obras literárias de Ariano Suassuna vocês conhecem? Em seguida, será apresentada a biografia completa do escritor, a fim de contextualizar o estudo de sua obra, posteriormente. • O ideal seria que a apresentação fosse realizada na forma de um slide show, pois chamaria mais a atenção da turma e evitaria o risco do momento tornar-se enfadonho. A seguir, encontra-se disponível um link que ajudará na pesquisa sobre a biografia de Ariano Suassuna: • http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/ariano-suassuna/ariano-suassuna.php Após discussão de forma minuciosa sobre o autor, teceremos comentários dos temas que acabamos de aprender. Ressaltamos que Ariano Suassuna escreve muitas peças de teatro e a partir disso explane o conceito de gênero drama para a turma: a origem etimológica da palavra drama, a qual deriva da palavra grega “δράω”, que significa ação e sua relação com a característica dos Autor Referências O desafio de ler e escrever na escola - Maria de 93 Fátima Almeida textos que compõem este gênero, como também suas variações de uso e significado. Por exemplo, textos de cunho trágico, que se denominam como drama; suas características gerais e subclassificações, tipo de narrativa, linguagem, conteúdo e forma. Seguindo a explicação, o professor sugere aos alunos que pesquisem sobre a origem do teatro e façam um resumo do que encontraram. Posteriormente, o professor poderá eleger um aluno para que leia seu resumo para a turma e nesse momento fará a avaliação coletiva. É chegado o momento do contato com o texto a ser estudado. Mas antes o professor exibirá o filme O auto da compadecida (2000), longa metragem adaptado da obra do dramaturgo e romancista Ariano Suassuna, escrita em 1955, que possui o mesmo título. Este momento de diálogo com outra obra (conhecida e aceita pelo público) do escritor, através do filme, servirá para adentrar ainda mais em seu universo. Após a exibição, o professor pedirá aos alunos para que façam um resumo do que assistiram e neste momento o docente deve comentar sobre as semelhanças e diferenças entre a obra O auto da compadecida no cinema e o texto original- livro, assim como os tipos de linguagem empregados para cada situação. Agora, é chegado o momento da apresentação do texto O Santo e a Porca (1957) para a turma. Antes, o professor deve fazer uma detalhada contextualização da presente peça teatral, ressaltando que Ariano ao escrevê- Capa Sumário eLivre -la inspirou-se na peça Aululária, de Plauto, escritor latino do período antes de Cristo. Um conteúdo adequado e ideal para ser trabalhado ao falar sobre o diálogo entre O Santo e a Porca, de Ariano Suassuna e Aululária, de Plauto é a intertextualidade. Depois da contextualização, finalmente a turma conhecerá a peça na íntegra. Como se pede, um texto dramático deve ser lido em voz alta, contendo inflexões nas falas dos personagens. O professor deverá organizar uma leitura dramática ou teatro de mesa com os alunos e deixar que eles escolham quem representará cada papel. A seguir, o resumo da peça O Santo e a Porca, escrita em três atos: Personagens • Euricão - “Engole Cobra”, Eurico Árabe; é o protagonista da peça; é pai de Margarida e irmão de Benona; personagem avarento. • Porca - Oposição do profano frente ao religioso (Sto. Antônio); é o objeto de cobiça; representa a avareza de Euricão, um dos 7 pecados capitais. • Santo Antônio - santo casamenteiro, “achador” e popular; santo de devoção de Euricão; representação do sagrado e da fé. • Margarida - “flor bucólica”; filha de Euricão (a filha é o patrimônio do pai, é noiva de Dodó; personagem que desencadeia dois pólos de interesse: material (Euricão) e Autor Referências O desafio de ler e escrever na escola - Maria de 95 Fátima Almeida sentimental (Eudoro e Dodó). • Benona - alusão à personagem de Plauto, Eunomia do grego EUNOMÍA (ordem bem regulada); é irmã de Euricão, ex-noiva de Eudoro; representa os pudores e os recatos. • Caroba - “árvore grande e forte”; empregada de Euricão; é a personagem que desenvolve toda a rede de intrigas que envolve os casamentos. • Pinhão - “fruto rústico”; empregado de Eudoro; é noivo de Caroba; representa a busca da liberdade. • Eudoro - “EÚDOROS”- composto por “eú” (bom,bem) e de “dôron” (o generoso); pai de Dodó; é ex-noivo de Benona e pretendente de Margarida; representa a burguesia. • Dodó - redução do nome Eudoro (indica a submissão do filho ao pai); é o filho de Eudoro; noivo de Margarida. O Santo e a Porca Eudoro Vicente manda uma carta a Eurico dizendo que lhe pedirá o seu bem mais precioso. Na casa do comerciante, moram a filha Margarida, a irmã de Eurico, Benona, a empregada Caroba e, já há algum tempo, Dodó, filho do rico fazendeiro Eudoro. Dodó vive disfarçado, finge-se de torto, deformado e sovina. Assim conquistou Eurico, que lhe atribuiu a função de guardião da filha, quem Dodó namora às escondidas. O desenrolar dos fatos se desencadeia com a carta enviada por Pinhão, empregado de Eudoro e noive de Capa Sumário eLivre Caroba, empregada de Euricão. Eudoro informa que fará uma visita para pedir esse bem tão precioso a Eurico, que fica apreensivo, pois pensa que lhe pedirá dinheiro emprestado. Eurico insiste em de dizer pobre, repetindo as frases: “Ai a crise, ai a carestia”. Na sala da casa de Eurico, onde as cenas se desenrolam, há uma estátua de Santo Antônio, de quem Eurico é devoto, e uma antiga porca de madeira, a quem ele dedica especial atenção e que logo o público saberá que esconde maços de dinheiro. Caroba, muito esperta, percebe que Eudoro pedirá margarida em casamento, é assim que ela entende o bem mais precioso de Eurico que o fazendeiro, pai de Dodó, quer saber. Então ela arma um circo para alcançar alguns objetivos: ganhar algum dinheiro, pois quer casar com Pinhão, casar Dodó e Margarida além de Eudoro e Benona, que já tinham sido noivos há muitos anos. Eudoro, viúvo, queria Margarida, mocinha; Benona, solteirona, queria Eudoro, fazendeiro; Margarida queria Dodó, pois o amava; Caroba e Pinhão se queriam; Euricão queria a porca, ou será que queria a proteção de Santo Antônio para a porca? Caroba negocia uma comissão com Eurico para ajudá-lo a tirar vinte contos de Eudoro Vicente, antes que este peça dinheiro a Eurico. Acertam-se. Aí, Caroba convence Benona que Eudoro virá pedi-la em casamento e se dispõe a ajudá-la. São então tramas de Caroba: fazer Eurico pedir vinte contos a Eudoro para o casamento (na realidade, para um jantar); convencer Benona de que Eu- Autor Referências O desafio de ler e escrever na escola - Maria de 97 Fátima Almeida doro viria pedi-la em casamento; fazer Eudoro Vicente manda uma carta a Eurico dizendo que lhe pedirá o seu bem mais precioso. Na casa do comerciante, moram a filha Margarida, a irmã de Eurico, Benona, a empregada Caroba e, já há algum tempo, Dodó, filho do rico fazendeiro Eudoro. Dodó vive disfarçado, finge-se de torto, deformado e sovina. Assim conquistou Eurico, que lhe atribuiu a função de guardião da filha, quem Dodó namora às escondidas. O desenrolar dos fatos se desencadeira com a carta enviada por Pinhão, empregado de Eudoro e noivo de Caroba, empregada de Euricão. Eudoro informa que fará uma visita para pedir esse bem tão precioso a Eurico, que fica apreensivo, pois pensa que lhe pedirá dinheiro emprestado. Eurioro acreditar que pede Margarida; fazer Eurico crer que Eudoro pede Benona; armar um encontro entre Eudoro e Margarida na penumbra; ficar no lugar de Margarida, com o vestido dela. Consequências das armações de Caroba: Dodó sente ciúme de Margarida, pois pensa que ela irá encontrar-se com Eudoro; Pinhão sente ciúme de Caroba quando sabe que ela irá em lugar de Margarida; Euricão desconfia que querem roubar sua porca recheada, pois ouvem falar em devorar porca e pensa ser a sua, quando é a do jantar que se encomendou para receber Eudoro; Pinhão desconfia de Eurico e o observa porque este age estranhamente. Na hora do encontro entre Margarida e Eudoro, Caroba tranca Margarida no quarto, manda Benona perma- Capa Sumário eLivre necer também no seu e vai, vestida de Margarida, receber Eudoro. Dodó vê Caroba e pensa ver Margarida, pois está com o vestido dela. Para não ter que se explicar, Caroba o empurra e tranca no quarto com Margarida. Caroba então veste roupa de Benona e esta a de Margarida. Caroba então recebe Eudoro vestida de Benona. Ele é enganado: pensa estar conversando com a antiga noiva, que se insinua a ele, na penumbra não percebe que é Caroba. Ela o leva ao quarto de Benona e o tranca com a ex-noiva, por quem agora já está novamente interessado. Pinhão ao sair do esconderijo onde estivera observando a cena, vê Caroba e pensa ser Benona e tenta seduzi-la. Ela reage e bate em Pinhão e o manda esperar por Caroba, que tira as roupas de Benona e diz que acompanhou toda a cena, bate outra vez em Pinhão, mas na confusão começam a se beijar. Aí destrancam as portas dos quartos de Margarida e Dodó, Benona e Eudoro, e entram em outro. Dodó e Margarida saem do quarto e pensam ter sido surpreendidos por Eurico, que entra em casa dizendo estar perdido. Na verdade, Eurico havia saído para enterrar sua porca recheada dentro do cemitério. A conversa entre Eurico e Dodó é engraçada, pois ambos se enganam: Dodó fala de Margarida, enquanto Eurico fala da porca que desapareceu. Eurico pensa que o rapaz lhe roubou a porca, já que este o traiu. No desespero, Eurico finalmente revela que a porca estava cheia de dinheiro guardado há tantos anos. Autor Referências O desafio de ler e escrever na escola - Maria de 99 Fátima Almeida Com os gritos da discussão, Pinhão e Caroba saem do quarto. Depois Eudoro e Benona do seu. A cena é divertida: são três casais que de repente estão juntos e felizes ante Euricão lamentando a perda da porca. Graças a Caroba os casais se entendem sem Euricão nem Eudoro perceberem o engano de que foram vítimas. Margarida desconfiou de Pinhão e afirmou que ele pegara a porca. Eurico lhe salta no pescoço e Pinhão acaba contando, mas exige vinte contos para dizer onde escondeu a porca, os vinte contos que Eurico conseguiu emprestados de Eudoro com a ajuda de Caroba. Com o vale do dinheiro na mão, mostra a porca que estava na casa mesmo. Então, Eudoro faz Eurico perceber que aquele dinheiro era velho e havia perdido o valor. Eurico se desespera. Tentam dissuadi-lo da importância do dinheiro, mas ele manda todos embora e fica só, com a porca e o Santo, tentando entender o que aconteceu, qual o sentido de tudo que houvera. Movimento interpretativo Procedida a leitura, iniciaremos o diálogo perguntando aos alunos um por um, o que eles acharam da peça e se pela sua leitura, identificaram-se com algum comportamento ou personagem. O professor faz uma sondagem do que eles compreenderam, com base nas respostas dadas. Em seguida, ele conduz o debate falando sobre os temas que são abordados na trama, como a avareza, re- Capa Sumário eLivre ligiosidade, os conflitos humanos e a linguagem que fora empregada na construção do texto. Ainda neste momento de reflexão, poderá falar sobre as manifestações culturais – artísticas populares do folclore nordestino, alegando que esses elementos também fizeram parte da composição da peça, como os folguedos e a literatura de cordel. A explicação sobre as manifestações culturais do Nordeste ajudam a enriquecer o diálogo, o professor poderá exibir para a classe um vídeo ou um documentário sobre algum tipo de folguedo popular. Desta maneira, os alunos entenderão de forma mais clara o que são estes tipos de manifestações folclóricas. No item “Referências” encontram-se dois links de vídeos que retratam um folguedo popular tradicional do Estado de Alagoas, que se chama Guerreiro. Introduza no debate a análise metalinguística do texto, dando o foco para a linguagem escolhida em sua elaboração (padrão ou não padrão, a presença de marcas orais...). Após a interpretação, o professor solicita ao aluno que sublinhe no texto, jargões ou expressões e palavras que eles conhecem e/ou usem e que pertençam à linguagem não padrão. Ao longo desta interação poderão surgir dúvidas quanto a certas palavras usadas pelo autor no texto. Para esclarecê-las, o professor pedirá aos alunos para listarem as palavras desconhecidas e as procurem no dicionário. Porém, na maioria das vezes, as dúvidas só serão esclarecidas, se buscarmos a justificativa no contexto em que foi escrita a peça. Autor Referências O desafio de ler e escrever na escola - Maria de 101 Fátima Almeida Em um momento de entretenimento, apresentaremos para a turma a versão audiovisual da peça O Santo e a Porca, exibida na série Brava gente, pela TV Globo, em 2000. Como resultado disto, o professor poderá propor aos alunos uma resenha crítica sobre o que acabaram de assistir. Movimento de produção textual Neste movimento, consideraremos as produções textuais resumos e resenhas feitas pelos alunos ao longo dos movimentos antecedentes. O que se acrescenta como produção de texto a esta etapa é uma produção de resenha descritiva sobre a peça estudada, O Santo e a Porca. Para que o professor peça aos alunos a produção de resenhas e resumos é preciso verificar se os discentes conhecem estes gêneros textuais. Diante de qualquer dificuldade por parte destes, o professor deverá auxiliá-los. Movimento de análise linguística O professor irá corrigir com a turma as produções dos alunos e realizar com eles os desvios mais frequentes encontrados nos textos. Os desvios devem ser mostrados sem identificar quem cometeu e incentivá-los a responder qual seria a melhor forma de adequar o desvio cometido. Após pedir para os alunos reescreverem seus textos com as devidas correções, levando em conta a coesão e coerência. Movimento de avaliação e sugestão de leituras A avaliação será feita a partir da análise das produções textuais dos alunos e de acordo com suas participações e desempenho nas discussões, reflexões e debates sobre o corpus da presente oficina. As produções textuais dos discentes serão resultados do que os mesmos compreenderam a partir de sua leitura, sendo feita em nível baixo ou elevado de compreensão. O Auto da Compadecida (1955) e O Rico avarento (1954), ambas do mesmo autor estudado é uma boa dica de leitura após a vivência com o texto O Santo e a Porca, pois abordam a mesma temática sobre a vida e costumes no Nordeste brasileiro, embora o escritor tenha feito isto de forma pitoresca e caricata e a reflexão sobre os defeitos que rodeiam o ser humano, como a avareza, por exemplo. E desta forma, estará promovendo o contato e a leitura de outros textos do escritor paraibano Ariano Suassuna. Sugestões de referências Biografia de Ariano Suassuna. Disponível em: http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/ariano-suassuna/ ariano-suassuna.php Artigo sobre o gênero drama. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Drama SUASSUNA, ARIANO. O Santo e a Porca. Ilustrações: Zélia Suassuna. 9. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2005. Capa Sumário eLivre Autor Referências O desafio de ler e escrever na escola - Maria de 103 Fátima Almeida Artigo sobre a história do teatro. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_do_teatro Resumo da peça O Santo e a porca. Disponível em: http://www.passeiweb.com/na_ponta_lingua/livros/analises_ completas/o/o_santo_e_a_porca Documentário sobre o folguedo popular “Guerreiro”, do Estado de Alagoas. Guerreiros de Alagoas- Guerreiros são guerreiros – Partes I e II. Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=ulMvldINB28 O Conto maravilhoso do ponto de vista dialógico Introdução http://www.youtube.com/watch?v=yG_8MPnKgRU O auto da Compadecida. Filme. Direção: Guel Arraes; roteiro: Adriana Falcão. Produzido pela Globo filmes e Lereby produções. 2000. Capa Sumário eLivre Neste módulo propomos aulas a serem ministradas preferencialmente, às séries iniciais do ensino fundamental II de escolas públicas (6º e 7º anos) apoiadas na concepção dialógica, tendo como corpus principal o conto maravilhoso do escritor José Lins do Rego A Cobra que era uma princesa, o qual se encontra em seu único livro infantojuvenil Histórias da Velha Totônia (1936). O módulo será desenvolvido por movimentos discursivos, tendo como objetivo principal conduzir os alunos a uma leitura compreensiva e crítica do gênero, além de promover o conhecimento e o contato com a literatura infanto-juvenil escrita por um consagrado autor regionalista, como José Lins. Esse autor paraibano teve sua consagração por mérito de seus romances, alguns deles de cunho autobiográficos e memorialistas. Por ser um escritor conhecido como regionalista, retratando os tempos em que existiam engenhos da época do cultivo da canade- açúcar, torna-se curioso o fato de constatar-se, atra- Autor Referências O desafio de ler e escrever na escola - Maria de 105 Fátima Almeida vés do conto que será estudado, que esse mesmo autor sabia de estórias de príncipes, princesas, reis e rainhas, os mesmos personagens que se encontram nas grandes célebres e clássicas estórias infanto-juvenis do mundo. Partindo desse argumento, ao longo das próximas aulas a turma também terá contato com outras estórias maravilhosas, isto é, contos maravilhosos, a fim de contrapô-las com a estória que será estudada, pois ao final desta série pedagógica, espera-se também que os alunos tornem-se capazes de fazer uma leitura comparada, até mesmo, de outros gêneros textuais; desenvolvam sua imaginação, aguçando-a, através do gênero conto; tenham contato com diferentes contos infanto-juvenis (as clássicas e as poucos conhecidas) para que possam aumentar seu conhecimento literário sobre este gênero. Desse modo, pretendemos que o aluno desenvolva ainda mais sua capacidade de confrontar uma obra com outra, buscando a intertextualidade entre si;interpretem de forma significativa o conto; reconheçam temas como simbolismo, religiosidade, seres fantásticos, personificação, lendas, intertextualidade, cristianismo, analogias e etc., que estão presentes no conto A Cobra que era uma princesa e suas relações com a construção do sentido de um texto literário;saibam caracterizar o gênero conto maravilhoso;saibam elaborar uma estória maravilhosa. A fim de alcançarmos os objetivos (gerais e específicos) distinguidos há pouco, a fim de formar leitores ativos, segundo a concepção dialógica (na qual esta oficina Capa Sumário eLivre está baseada)os procedimentos a serem tomados metodologicamente ao longo das aulas, será primeiramente, a apresentação da biografia do autor José Lins do Rego, logo após a leitura do conto A cobra que era uma princesa, sequenciados de pesquisas, debates, reconstrução do sentido do texto, análise linguística, produção textual. Justifica-se a utilização de um conto infanto-juvenil de José Lins do Rego, por ele ser um consagrado escritor do Estado da Paraíba. Seu reconhecimento provém de sua vasta produção literária em romances de cunho regionalista, sendo alguns destes autobiográficos e memorialistas, nos quais José Lins faz um relato de como era sua vida no tempo em que morava no engenho corredor, na cidade de Pilar. Porém as pesquisas sobre a literatura desse escritor, revelam que ele não apenas produziu romances; tem-se uma variedade de contos e crônicas esperando bons leitores e críticos. Elegemos este conto, pois nesta proposta pedagógica, há a necessidade de os alunos estudarem autores pouco conhecidos e estudados. Vejam também o Documentário sobre a vida de José Lins do Rego: “O Engenho de Zé Lins”, produzido pelo cineasta Vladimir Carvalho. Movimento de interação Nesse momento, serão lançadas várias perguntas à classe, tais como: • Vocês já ouviram falar do escritor José Lins do Rego? Autor Referências O desafio de ler e escrever na escola - Maria de 107 Fátima Almeida • Conhecem alguma obra dele? • Vocês têm informações sobre os Engenhos em Pilar? • Já visitaram o Museu José Lins do Rego em João Pessoa? O professor apresentará a biografia do autor mostrando um slide feito com a história de vida do autor e suas obras, com imagens que resgata seu histórico de vida. Isso fará com que os alunos entendam sua biografia de forma simples e prazerosa. A biografia poderá ser encontrada no site: • http://educacao.uol.com.br/biografias/jose-lins-do-rego.jhtm Neste tempo dedicado à história de vida do escritor, o docente escolherá de que forma apresentá-lo a turma, se será através do slide ou até mesmo um texto contendo sua biografia ou através da exibição do documentário citado- O Engenho de Zé Lins. O professor iniciará a aula explicando aos alunos as características gerais do gênero estudado, bem como o tipo de narrativa (em que situação no texto, estão situados os acontecimentos do desenrolar da trama: situação inicial; desenvolvimento e situação final), em que lugar acontece a estória,o espaço, seu estilo e sua composição; qual a presença do elemento maravilhoso no texto; o conceito de conto maravilhoso e sua origem. Eis a sugestão de explicação inicial concernente à origem dos contos maravilhosos, presente em Cereja (2004): “Os contos maravilhosos eram, originalmente, Capa Sumário eLivre contos populares, transmitidos oralmente de uma geração à outra. Durante os séculos XVII, XVIII e XIX, os escritores Charles Perrault e os irmãos Jacob e Wilhelm Grimm, por exemplo, dedicaram anos de sua vida recolhendo histórias contadas pelas pessoas comuns e registrando-as em livros. Graças a eles, os contos maravilhosos são hoje mundialmente conhecidos [...]” Movimento de interpretação Após a apresentação do escritor e de ter explanado o conceito de conto maravilhoso, o professor ler em voz alta para os alunos um trecho de um capítulo de uma obra canônica de José Lins, como O Menino de Engenho (1932) ou O Moleque Ricardo (1935), por exemplo. Antes de mostrar o conto a ser estudado, perguntará aos alunos se eles leem, leram e/ou se gostam ou não de conto de fadas. Após ouvir as respostas dos alunos o professor deve fazer a leitura do conto com a turma, primeiramente de forma silenciosa e em seguida em voz alta. A Cobra que era uma Princesa Personagens: Cobra Labismínia, Princesa, Rei, Rainha e Príncipe. O texto acima é um resumo do conto A Cobra que era uma princesa, que se encontra em um blog feito por estudantes de ensino básico. Para ser lido em sala, o pro- Autor Referências O desafio de ler e escrever na escola - Maria de 109 Fátima Almeida fessor deve procurar o texto original, na íntegra, que se encontra no Livro Histórias da Velha Totônia, cuja referência será encontrada ao final desta oficina. Essa história fala sobre uma rainha que não conseguia engravidar, até que um dia, desesperada, no toque das ave-marias, pediu a Deus que lhe desse um filho, nem que seja uma cobra. E o seu pedido foi realizado. Depois de algum tempo, a rainha deu à luz, a uma linda menina, dos cabelos louros, e olhos azuis, mas com um pequeno problema, com uma cobra agarrada em seu pescoço. A rainha e o rei ficaram espantados, mas não se desfizeram da filha. A cobra se tornou muito amiga da princesa, até que ela se desfez de seu pescoço e foi embora para o outro lugar muito distante, mas disse, que se a princesa precisasse de alguma coisa, bastava apenas chamar pelo seu nome, Labismínia. Os dias se passaram, até que a rainha adoeceu, mas antes de morrer, tirando seu anel do dedo disse ao rei, que ele deveria se casar com a mulher que tivesse o dedo que coubesse naquele anel. O rei procurou por todo o mundo, mas não encontrou a tal mulher, até que se lembrou da sua filha e pediu que ela experimentasse o anel, no qual, serviu. A princesa ficou desesperada, pois não queria casar com o seu próprio pai. No entanto, foi pedir ajuda a Labismínia. A cobra, tentando ajudar a amiga, disse para ela não se preocupar, era só ela pedir para que seu pai comprasse um vestido da cor do campo, com todas as suas florzinhas, Capa Sumário eLivre e assim ela prosseguiu os seus pedidos, e pediu um outro vestido, com a cor do mar e com todos os seus peixes, e logo depois pediu outro vestido, só que desta vez com a cor do céu e com todas as estrelas, mas nada adiantou, pois o rei realizou todos os seus pedidos e ele ainda queria se casar com ela. Até que Labismínia lhe disse para arrumar suas coisas e colocar seus vestidos na mala e ir à beira do mar, pois irá ter um navio a sua espera. Mas, avisou-lhe que, no dia mais feliz de sua vida, ela deveria gritar pelo nome de Labismínia três vezes. Foi o que a princesa fez, mas ela acabou chegando a um outro reino, e tornou-se uma moça pobre, passando a cuidar de galinhas, mas era melhor viver naquela situação, do que se casar com o próprio pai, pensava ela. Até que, em um dia de festa, a princesa ouviu a voz de Labismínia, sussurrando em seu ouvido, dizendo que ela deveria ir ao baile naquela noite. No mesmo instante, a princesa se viu dentro do vestido da cor do campo, com todas as suas florzinhas. Ao chegar à festa, passou a ser o centro das atenções, e foi por ela que o príncipe do reino se apaixonou, mas ela não ficou muito tempo na festa. E foi assim que ela marcou a sua presença em todos os bailes, até que no último baile, o príncipe lhe deu uma joia. Após muitos dias, o príncipe ficou doente pela ausência daquela bela moça. Foi quando a princesa foi chamada para fazer um caldo, para ver se o príncipe aceitaria e me- Autor Referências O desafio de ler e escrever na escola - Maria de 111 Fátima Almeida lhoraria. Ao terminar de fazer o caldo, colocou a joia dentro dele. O príncipe ao ver a joia, saltou da cama, e mandou chamar a princesa. Apaixonados, os dois resolveram se casar, mas no dia do casamento, a princesa esqueceu-se de chamar três vezes o nome de Labismínia, e acabou se tornando uma cobrinha para o resto de sua vida. [...] E é por isso que ainda hoje o mar geme tanto, grita tanto, soluça, faz tanto barulho. É a pobre Labismínia que no fundo do mar chama pela irmã ingrata que não se lembrou dela no dia mais feliz da sua vida. (REGO, 1936) Nesse momento, haverá uma sondagem sobre o que eles compreenderam, com base nas respostas dadas à pergunta do professor sobre o que acharam da estória. Em seguida, abrir-se-á uma discussão sobre os temas abordados no conto. Sugere-se que a turma forme um grande grupo para discutirem tudo o que conhecem e aprenderam sobre contos maravilhosos. O professor deve esclarecer possíveis dúvidas quanto ao vocabulário do conto em estudo, ressaltando que, como já fora visto, os contos maravilhosos advêm da oralidade, sendo passados do oral para o escrito e também identificar junto com a classe, os traços que caracterizam a escrita do autor no conto, buscando no contexto histórico social, no qual o livro fora escrito.Ainda na discussão, proponha as seguintes questões para serem respondidas oralmente: • O que é um conto maravilhoso? • Qual o tema abordado nesse conto? Capa Sumário eLivre • Qual a diferença entre um conto maravilhoso escrito por um autor conterrâneo regionalista e os clássicos mais conhecidos? Cite as características desse conto de José Lins do Rego, as quais se assemelham as de um clássico conto de fadas, como a estória da Cinderela, por exemplo. • Na história, há um personagem que podemos considerar como o vilão? Qual? • Qual a sua interpretação ou leitura desse conto? O professor sugere que os alunos tragam para a classe outras estórias infantis (essas estórias poderão ser das mais clássicas às lendas folclóricas, o importante é que os alunos saibam identificar um conto maravilhoso). Isto fará com que os alunos apreendam as características de um conto e saibam criá-lo em um determinado momento da oficina. Após a turma ter apresentado e compartilhado os contos trazidos, peça que cada aluno confronte as estórias com o conto que está sendo trabalhado, procurando semelhanças e diferenças entre eles. Movimento de produção textual É chegada a hora da criação de um conto de fadas! Sugira que os alunos se dividam em grupos de 3 componentes para “arregaçarem as mangas”, seguindo as devidas orientações. Eles vão recriar, por escrito, um conto maravilhoso, baseando-se no conto estudado. Para isto, Autor Referências O desafio de ler e escrever na escola - Maria de 113 Fátima Almeida o professor disponibilizará no quadro, uma sequência de palavras-chave que concernem ao conto, pois todos os grupos criarão uma nova estória a partir dessa lista. Por exemplo: Princesa - Cobra Lasbimínia - vestido da cor do campo com todas as suas florzinhas- Príncipe- Sapo. Movimento de análise linguística Mais uma vez será realizada a análise linguística dos textos produzidos pelo aluno na sala de aula. O professor fará a correção das produções e apresentará para a turma os desvios mais recorrentes cometidos pelos discentes. Os desvios devem ser mostrados sem identificar quem cometeu e incentivá-los a responder qual seria a melhor forma de sanar os problemas de escrita e de gramática encontrados no texto.. Apresentação oral e exposição no mural da escola. A apresentação dos resultados será realizada pelo aluno ou pela equipe responsável, desse modo, todos participam e há mais interação e enrossamento na turma e/ ou em outras turmas. Para maior aprofundamento no gênero que acabara de ser estudado, como também a fim de atingir um dos objetivos específicos desta oficina, que tem o propósito de aumentar a variedade literária dos discentes; nesta últi- Sumário Suguestões de referências CEREJA, William Roberto. Português: linguagens, 5ª série: língua portuguesa/ William Roberto Cereja, Thereza Cochar Magalhães. 2.ed. São Paulo: Atual, 2002. Biografia de José Lins do Rego. Disponível em: http://educacao.uol.com.br/biografias/jose-lins-do-rego.jhtm Movimento de avaliação e sugestão de leituras Capa ma etapa, serão dadas as seguintes sugestões de leitura: Cinderela; O Macaco Mágico; O Mágico de Oz; A Princesa e o Sapo; O Figo da figueira; Livro Histórias de Tia Nastácia. Assim como os temas, os quais os alunos se depararão, são:laços familiares; rejeição; bullying; a busca por uma realização pessoal. Os frutos dessa oficina serão algumas possibilidades de produção textual, como histórias em quadrinhos e redações, as quais depois a turma poderá reuni-las e publicar um livro de [e]stórias maravilhosas. A avaliação será contínua através das seguintes atividades: participação nas discussões em sala de aula; produção de um conto maravilhoso; apresentação oral da produção textual; análise linguística dos textos produzidos. eLivre O Engenho de Zé Lins. Documentário. Direção de Vladimir Carvalho.Imovision.2007. REGO, José Lins do. Histórias da Velha Totônia: um clássico da literatura infanto-juvenil/ José Lins do Rego: ilustrações de Tomás Santa Rosa. 11. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1999. REGO, José Lins do. O Menino de Engenho. 38. ed., Nova Fron- Autor Referências O desafio de ler e escrever na escola - Maria de 115 Fátima Almeida teira, Rio de Janeiro, 1986. REGO, José Lins do. OMoleque Ricardo: romance. 23. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2003. A Cobra que era uma princesa (resumo). Disponível em: http:// historiasdatotonia.blogspot.com.br/2007_05_28_archive.html A canção de Hebert Viana na escola de João Pessoa Introdução Em outros estudos sobre o gênero canção, afirmamos que ele é muito eficaz em sala de aula e motiva a turma para o prazer de ler e escrever com mais criatividade. Essa aula propõe uma leitura baseada na letra da música Alagados de Herbert Vianna. Esta foi uma das músicas que fizeram um enorme sucesso com o público em 1986, quando foi lançado o disco Selvagem. A abordagem desse gênero é uma oportunidade para tratarmos de um tema tão universal e atual, a realidade social do Brasil repercutida pela mídia na sociedade. Com isso, buscamos incentivar a leitura crítica, utilizando a música desse autor paraibano para aguçar a imaginação do leitor. O uso da linguagem musical e da poeticidade da canção desperta no aluno o interesse por diferentes canções (de massa e canonizada), diversos estilos e variados modos de perceber o mundo, além de aguçar a criticidade, ampliar o grau de informatividade, auxiliar na caracterização do gênero e motivar a elaboração de outros. Capa Sumário eLivre Autor Referências O desafio de ler e escrever na escola - Maria de 117 Fátima Almeida O aluno poderá interpretar de forma significativa a letra de música, saber caracterizar esse gênero, reconhecer a importância de discutir temas como: favela, pobreza, enchente materializados na música “Alagados” e suas relações com a atualidade. Justifica-se a escolha dessa letra de música de Herbert Vianna, por ele ser cantor e compositor pessoensse e por ele ser o homenageado pela cidade de João Pessoa no ano de 2012. A Secretaria de Educação da Prefeitura Municipal da cidade desenvolve um projeto nas escolas e a cada ano seleciona um autor local para ser trabalhado. Desta feita, elegeu Hebert Viana incluindo-o no projeto de valorização do autor paraibano na sala de aula. Ele também se destacou por fazer parte do grupo Paralamas do Sucesso que foi considerada uma das bandas de rock muito importante do Brasil que ressalta o tema da marginalização das moradias brasileiras. Movimento de interação Primeiramente, há sempre o movimento de perguntas e respostas. O professor lança a pergunta à classe: Vocês já ouviram falar do cantor e compositor Herbert Vianna? Conhecem alguma música dele? Sabem onde ele nasceu? Por que ele foi selecionado pelo projeto da Secretaria municipal de João Pessoa? O professor apresentará um slide com a biografia do autor contando sua história de vida e mostrando ima- Capa Sumário eLivre gens que resgatam sua trajetória. Isso fará com que os alunos entendam e valorizem a biografia de forma simples e prazerosa. Essa é a sugestão de biografia que pode ser utilizada para montagem do slide: “Herbert nasceu em João Pessoa, mas devido à vida militar de seu pai, o brigadeiro Hermano Viana, mudou-se ainda criança para Brasília, onde conheceu Bi Ribeiro. Ao se mudarem para o Rio de Janeiro fundaram os Paralamas (mas alguns consideram os Paralamas parte da “turma de Brasília”, como Capital Inicial e Legião Urbana) com o amigo Vital Dias na bateria. Após sua substituição Vital por João Barone, Herbert compôs a música “Vital e Sua Moto”, em homenagem ao amigo, a qual se tornou o primeiro sucesso dos Paralamas e que renderia o contrato com a EMI. Depois de 10 anos de sucesso da banda, Herbert gravou o disco-solo Ê Batumarê (1992). Mais dois seriam gravados, Santorini Blues (1997) e O Som do Sim (2000), cheio de participações como Cássia Eller, Fernanda Abreu, Nana Caymmi, Sandra de Sá e Marcos Valle. Herbert namorou por anos Paula Toller, do Kid Abelha, e posteriormente casou-se com a inglesa Lucy Needham, com quem teve os filhos Luca, Hope e Phoebe. Desde cedo ele gostou de pilotar helicópteros e ultraleves. Em 2001, Herbert passou pelo momento mais crítico de sua vida. No dia 4 de fevereiro, sofreu um acidente aéreo em Mangaratiba, RJ, quando o ultraleve que pilotava caiu no mar, na baía de Angra dos Reis.No acidente, Lucy Autor Referências O desafio de ler e escrever na escola - Maria de 119 Fátima Almeida morreu e Herbert ficou internado durante 44 dias, parte deles em estado de coma. O músico ficou paraplégico e perdeu parte da memória depois do acidente. Porém, em um processo de recuperação gradual, retomou sua carreira, voltando aos palcos e já gravou quatro álbuns após o acidente: Longo Caminho (2002, preparado antes do acidente), Uns Dias ao Vivo (2004, ao vivo), Hoje (2005) e Brasil Afora (2009).” Biografia de Herbert Vianna retirada do site: • <http://www.letras.com.br/#!biografia/herbert-vianna> Neste momento, o professor pode falar do documentário Herbert de Perto, que exibe Herbert pouco visto. Quem quiser conhecer mais da história desse cantor pode assistir ao documentário. Para incentivar o interesse e a curiosidade dos alunos pode ser exibido um trailer do filme: Herbert de Perto Trailer Oficial do Filme • <http://www.youtube.com/watch?feature=player_ embedded&v=8_xdGPfmulw> Movimento de interpretação Depois de apresentar o cantor, apresente aos alunos uma das músicas de Herbert. Antes de mostrar a letra da música, diga o titulo “Alagados” e pergunte: • O que vocês acham do título? • Qual o tema que vocês acham que será abordado nessa música? Capa Sumário eLivre • O que significa “alagados” para vocês? Após ouvir as respostas dos alunos o professor proporá a leitura da música com a turma, primeiramente de forma silenciosa e em seguida em voz alta. Eis a canção Alagados (Herbert Vianna) Todo dia, O sol da manhã vem lhes desafiar Traz do sonho pro mundo Quem já não o queria Palafitas, trapiches, farrapos Filhos da mesma agonia E a cidade, Que tem braços abertos num cartão postal Com os punhos fechados Da vida real Lhes nega oportunidades Mostra a face dura do mal Alagados Trenchtown Favela da maré A esperança não vem do mar Nem das antenas de TV A arte de viver da fé Só não se sabe fé em que A arte de viver da fé Só não se sabe fé em que A sugestão é uma sondagem do que os alunos compreenderam sobre o tema. Após a leitura o professor deverá colocar o vídeo-clip para reproduzir e dizer aos dis- Autor Referências O desafio de ler e escrever na escola - Maria de 121 Fátima Almeida centes que o clipe ajudará a entender melhor o gênero e a visualizar outras questões que estão nas entrelinhas. Video-clip- Paralamas do Sucesso - Alagados • <http://www.youtube.com/watch?v=cfi9K97ulmE> O professor ainda explicará aos alunos as características do gênero canção e os auxilia a identificá-las na canção em estudo. O professor explicará que o gênero canção é uma composição musical para a voz humana, geralmente acompanhada por instrumentos musicais e letras. É tipicamente interpretada para um único vocalista, mas também pode ser cantada por um dueto, trio ou mais vozes. A letra das canções são tradicionalmente versos de poesia, mas podem ser versos religiosos de livre prosa. As canções possuem amplas maneiras de divisão, dependendo dos critérios utilizados. Algumas divisões estão entre as músicas “artísticas”, “canções de música popular” e “canção popular”. Coloquialmente, embora incorretamente, a palavra canção é usada para se referir a qualquer composição musical, incluindo aqueles que não possuem canto. Na música clássica européia e na música em geral, o uso atual da palavra é considerado incorreto e “canção” só pode ser usado para descrever uma composição para a voz humana, salvo algumas exceções, como por exemplo as canções sem palavras do período romântico, que foram escritas por compositores como Mendelssohn e Tchaikovsky, não são para a voz humana, mas para Capa Sumário eLivre um instrumento (normalmente piano) e ainda assim são consideradas canções. A sugestão é que o professor peça que os alunos pesquisem sobre o surgimento e a realidade das favelas brasileiras. Essas pesquisas vão servir de base para a produção textual. Sites que podem ser pesquisados: • Favela é isso aí • <http://www.favelaeissoai.com.br/noticias.php?cod=14> • Favelas • <http://soulbrasileiro.com.br/main/rio-de-janeiro/favelas/ introducao-19/> • Complexo da Maré • <http://soulbrasileiro.com.br/main/rio-de-janeiro/favelas/ complexo-da-mare/complexo-da-mare/> • Favelas cariocas: cidades e morros • <http://guiadoestudante.abril.com.br/estudar/historia/favelas-cariocas-cidade-morros-435499.shtml> • Favelas no Brasil • <http://pt.wikipedia.org/wiki/Favelas_no_Brasil> Outra atividade é pedir que os alunos tragam também outras canções de Herbert Vianna e observem as características estudadas. Explique aos alunos que Herbert tem uma variedade de canções e com temas bastante diversificados como: amor, violência, rejeição, pobreza, etc. Sugestão de sites onde pesquisar • Herbert Vianna Autor Referências O desafio de ler e escrever na escola - Maria de 123 Fátima Almeida • <http://letras.mus.br/herbert-vianna-musicas/> • Herbert Vianna • <http://www.vagalume.com.br/herbert-vianna/> Movimento de produção textual Abrir a discussão sobre os temas abordados na canção. Peça que os alunos façam um circulo e faça com que eles falem tudo que entenderam e pesquisaram.Esclareça as possíveis dúvidas quanto ao vocabulário e proponha as seguintes questões para serem respondidas oralmente: • Qual o tema abordado? • Qual a relação entre o titulo e o tema desenvolvido na canção? • De que maneira o compositor descreve as favelas? • Qual a sua interpretação? A proposta de produção escrita, agora, é a de que os alunos se dividam em grupos de três componentes e produzam um artigo de opinião ou uma paródia crítica da música “Alagados” sobre o tema discutido em sala de aula, “ A vida marginal dos moradores das favelas.” A produção deve ser baseada na canção explorada, nas pesquisas realizadas e nas discussões realizadas em sala de aula. O professor explicará aos alunos as características de um artigo de opinião enquanto gênero, frequentemente encontrado em circulação nos meios de comunicação midiáticos e impressos tais como a Televisão, o rádio, as Capa Sumário eLivre revistas, os jornais, por serem temas polêmicos que exigem um posicionamento tanto dos ouvintes, tanto como dos espectadores e leitores, neste caso, os autores normalmente apresentam seus pontos de vista sobre o tema em discussão através de um artigo de opinião. É muito importante que o professor seja bem formado e informado e que o aluno esteja preparado para produzir esse tipo de texto, pois em algum momento poderão surgir oportunidades ou necessidades de expor ideias pessoais através da escrita ou oralmente, e ninguém fala ou escreve do que não sabe. Por isso, ressaltamos a relevância da leitura para a produção escrita e que ler e escrever são processos contínuos e conjuntos. Para a produção de gêneros argumentativos, o autor tem sempre em mente a intenção de convencer seus interlocutores e, para isso, faz-se necessário que tenhamos bons argumentos, que consistem em verdades e opiniões. O artigo de opinião fundamenta-se em impressões pessoais de quem o escreve, por isso, é de fácil contestação pelos interlocutores. A seguir sugerimos algumas orientações fundamentadas na proposta de Marina Cabral Especialista em Língua Portuguesa e Literatura da Equipe Brasil Escola pesquisado no site Artigo de opinião <http://www.brasilescola. com/redacao/artigo-opiniao.htm> a) Reúna vários pontos de vista, anote num papel os argumentos que mais lhe agradam, eles podem ser úteis para fundamentar o ponto de vista que você irá desenvolver. Autor Referências O desafio de ler e escrever na escola - Maria de 125 Fátima Almeida b) Leve em consideração, na composição do texto, o interlocutor: quem irá ler a sua produção. A linguagem deve ser adequada ao gênero e ao perfil do público leitor. c) Selecione os argumentos, entre os que anotou, que podem fundamentar a ideia principal do texto de modo mais consciente, e desenvolva-os. d) Escolha um enunciado capaz de expressar a ideia principal que pretende defender. e) Busque a melhor forma possível de concluir seu texto: retome o que foi exposto, ou confirme a ideia principal, ou faça uma citação de algum escritor ou alguém importante na área relativa ao tema debatido. f) Proponha um título que desperte o interesse e a curiosidade do leitor. g) Organize seu texto em colunas e coloque entre elas uma chamada (um importante e pequeno trecho do seu texto). h) Ao término do texto, releia-o e observe se você se posiciona claramente sobre o tema; se a ideia está fundamentada em argumentos fortes e se estão bem desenvolvidos; se a linguagem está adequada ao gênero; se o texto apresenta título e se é convidativo e, por fim, observe-se que o texto como um todo é persuasivo. aprendidas na escola. Uma das definições de paródia é a de ser uma imitação cômica de uma composição literária, sendo então, uma imitação que possui efeito cômico, utiliza a ironia e o deboche. Ela se assemelha à obra original, e quase sempre apresenta sentidos diferentes. Na literatura, a paródia é um processo de intertextualização, com a finalidade de desconstruir ou reconstruir um texto. A paródia surge a partir de uma nova interpretação, da recriação de uma obra já existente. Seu objetivo é adaptar a obra de origem a um novo contexto, passando diferentes versões para um lado mais descontraído, e aproveitando o sucesso para transmitir mais alegria aos leitores. A paródia frequentemente se reporta a outros textos ou a outros gêneros, ou seja, é uma intertextualidade. Veja o site Paródia: <http://pt.wikipedia.org/wiki/ Par%C3%B3dia> Outra sugestão é apresentar a produção oralmente e colocá-la em exposição no mural da escola pela equipe e todos podem se apresentar na própria turma ou em outras turmas para compartilhar as experiências realizadas individual ou coletivamente. i) Faça a reescritura, se for necessário. Movimento de análise linguística Se a sugestão for produzir uma paródia, o professor precisa explicar o que é paródia e dar exemplos, pois só se aprende a ler lendo e só se aprende a escrever escrevendo. A leitura e a escrita são modalidades que são Na análise linguística dos textos produzidos o professor, além de corrigir as produções, incentivará a turma a rever os principais desvios cometidos pelos discentes. Capa Sumário eLivre Autor Referências O desafio de ler e escrever na escola - Maria de 127 Fátima Almeida Os desvios devem ser mostrados sem identificar quem os cometeu e sempre versará sobre questões da gramática necessária às regras de boa escritura, sempre incentivando os alunos a responderem qual seria a melhor forma de adequar o desvio cometido. Herbert de Perto Trailer Oficial do Filme. Disponível em: < h t t p : / / w w w. yo u t u b e . c o m / wa t c h ? f e a t u r e = p l aye r _ embedded&v=8_xdGPfmulw> Video-clip- Paralamas do Sucesso – Alagados. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=cfi9K97ulmE> Movimento de avaliação e de sugestões de leitura Canção. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Can%C3%A7%C3%A3o> A avaliação da aprendizagem desse módulo será durante toda a aula e contínua através das seguintes atividades: • • • • • <http://www.letras.com.br/#!biografia/herbert-vianna> Participação nas discussões em sala de aula. Pesquisa sobre o tema pedido. Produção de um artigo de opinião ou de uma paródia. Apresentação oral da produção textual. Análise linguística dos textos produzidos. Artigo de opinião. Disponível em: <http://www.brasilescola.com/redacao/artigo-opiniao.htm> Paródia. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Par%C3%B3dia> As sugestões de leituras complementares: Óculos; História de uma bala; Entrevista para revista veja em 1985 falando da música óculos. Temas: bullying; violência urbana; rejeição. Produção textual: charge; noticiário; propaganda; entrevista. Publicação: livro da turma; peça teatral. Sugestões de referências Biografia de Herbert Vianna. Disponível em: Capa Sumário eLivre Autor Referências O desafio de ler e escrever na escola - Maria de 129 Fátima Almeida sala de aula. A leitura por meio dos movimentos discursivos e textuais provoca diversos momentos de interação entre os sujeitos na escola. Para concluir, apresentamos dois quadros que resumem as teorias do ensino da leitura elaborado por Almeida (2004) como proposta para educadores do Ensino Básico. ALGUMAS CONSIDERAÇÕES As considerações finais apontam não só a contribuição da teoria dialógica do gênero discursivo para a formação docente, mas também e especificamente da interação verbal para o ensino e aprendizagem da leitura e da produção textual na sala de aula. Esta, por sua vez, constitui um espaço por excelência das interações e das interlocuções necessárias à construção do conhecimento partilhado. A aula de leitura é o lugar da interpretação, da produção textual, das análises, da geração e solução de dúvidas, por fim, das trocas e da partilha de conhecimentos e de saberes. Assim, contamos a experiência e partilhamos com os interessados no ensino de leitura na escola. O trabalho com a linguagem permite-nos também olhar o mundo, o sujeito e a aprendizagem de diversos ângulos e colocar o processo de ler e escrever como modalidades inseparáveis. A leitura e a produção são atividades que precisam ser praticadas na sala de aula e o professor deve ser bem formado. O uso do gênero discursivo, em qualquer nível, de ensino é sempre muito produtivo e essencial para a interação e dinamização da Capa Sumário eLivre Quadro - resumo dos movimentos discursivos na proposta dialógica da linguagem: Maria de Fátima Almeida (2004) Neste momento, o docente 1ª MOVIMENTO apresentará a vida e a obra do ETAPA DE INTERAÇÃO autor e discutirá as características do gênero escolhido. Nesta etapa, o docente apre2ª sentará o texto com uma ETAPA MOVIMENTO leitura compartilhada; levanDE INTERPRE- tará os questionamentos sobre TAÇÃO o gênero; interpretará o texto com os alunos, construindo o sentido e as possíveis leituras. O docente pedirá uma produ3ª MOVIMENTO ção textual do gênero apreETAPA DE PRODUÇÃO sentado ou outro gênero com TEXTUAL o tema discutido. Autor Movimento de apresentar Movimento de questionar e discutir Movimento de produzir sentido Referências O desafio de ler e escrever na escola - Maria de Momento de averiguar, a partir 4ª MOVIMENTO do texto produzido pelo aluETAPA DE ANÁLISE no, as possíveis dificuldades LINGUÍSTICA gramaticais encontradas na produção (linguagem verbal e não verbal, linguagem formal e informal, variação linguística, pontuação entre outros.) Apesar de avaliação ocorrer 5ª MOVIMENTO durante todo o processo é o ETAPA DE AVALIAÇÃO momento em que o professor E SUGESTÃO observará se o seu objetivo foi DE LEITURA alcançado; sugerir outras leituras do mesmo tema e outros textos do mesmo autor para instigar o aluno a procurar outros textos. Capa 131 Fátima Almeida Sumário Quadro - resumo das teorias e modelos de leitura Movimento de revisar MÉTODO/ MODELO CARACTERÍSTICAS BASE TEÓRICA LEITOR LEITURA 1. Método fônico de leitura - predomínio da técnica e da forma em detrimento do significado. - exclusão da semântica e ênfase no elemento gramatical. - a palavra está relacionada à “coisa” que serve de referente para a palavra. - aquisição é um processo mecânico baseado no estímulo, imitação de hábito ou de um modelo. - a teoria behaviorista de linguagem (baseia-se no conhecimento sensório, observável, mensurável). -o sujeito é abstraído do contexto sócio-histórico. ─ repassador, receptor de informação. ─ leitor passivo, acrítico ─ leitura é decodificação mecânica da linguagem. ─ ler é internalizar padrões de correspondência entre som e soletração. Bloomfield Movimento de avaliar e sugerir eLivre (1933/1967) Autor Referências O desafio de ler e escrever na escola 2. Modelo psico-linguístico de leitura Goodman (1967/1970 /1974) ─ mudança de paradigma da linguística passa do empirismo para o racionalismo ─ alinha-se com a linguística e a psicologia cognitiva ─ o processo de ler é visto como busca de significado. Capa - Maria ─ apóia-se na teoria gerativo-transformacional de Chomsky de 133 Fátima Almeida ─ o sujeito não é mais tábula rasa mas processador ativo do conhecimento e sujeito do processo do ato de ler. ─ sujeito e linguagem são abstraídos do contexto sócio-histórico. ─ o leitor é o foco da análise. Sumário ─ processo complexo no qual o leitor constrói a mensagem do escritor. eLivre 3. Modelo intera-cionista I e II. Goodman (1976/1984) Rumelhart (1981) Goodman e Y.Goodman (1976a) ─ considera o sujeito e o objeto e da interação entre os dois ocorre o ato de ler. ─ o significado é o produto da interação entre leitor e texto. - voltado para a técnica de ler/escrever e realizar leituras “corretas” - ligado ao conceito de esquemas. - visão apenas multidisciplinar. Autor ─ áreas de psicologia cognitiva e da linguística relevantes à natureza da linguagem ( fatores cognitivos, sociais e culturais) - foco na sociolinguística de Hymes (1967) e Halliday (1969). ─ a linguagem na dimensão do seu contexto real de uso e assume função na competência comuni-cativa. ─ sujeito é homem real que interage com o objeto e seu contexto social que concorre para a construção do significado. ─ o falante é real e não ideal. Referências ─a leitura é um processo de inferência do leitor O desafio de ler e escrever na escola 4. Sociopsilinguístico Rosenblat (1978) Harste (1985) Goodman (1984) ─ leitor e texto se transformam no processo de transação. ─ o ato de ler é flexível. ─ o significado criado é o produto da transação e o foco da análise. Capa - Maria ─ a visão de linguagem é a mesma do interacionismo, mas postula uma versão transacional para o processo de ler. ─ leitura e escrita é ato transacional entre leitor e texto. de 135 Fátima Almeida ─ o homem é um ser real e psicologicamente se transforma, mas ainda não está totalmente inscrito no contexto sócio-histórico. Sumário ─a leitura é um ato transacional. 5 Fundamentos para redimensionamento do modelo socipsico-linguístico de leitura Vygotsky (1962/1988) Freire (1980) eLivre ─ o homem atua sobre a realidade transforman-do-a. ─ linguagem é o veículo através do qual o aluno lê o mundo, reflete sobre ele e se conscientiza de seu papel nele. - o significado é plurivalente Autor ─ a linguagem toma seu aspecto não só social, mas histórico e ideológico. ─ leitor crítico e transformador - leitor que lê o mundo ─leitura é um ato interativo Referências O desafio de ler e escrever na escola 6. Modelo dialógico Bakhtin/ Volochinov ─ a linguagem é vista em relação a sua natureza e a sua aquisição (1929/1981) Frèdèric François (1984/1994/ 96/98) - Maria ─ Concepção dialógica de linguagem. - linguagem é interação. - a linguagem é dialogismo e diversidade de semiologias. de 137 Fátima Almeida ─ o leitor é plural, crítico e interage com os outros compo-nentes da leitura. - é um intérprete -“viajante”, - -“navegador”, -“peregrino”, -“caçador” ─a leitura é um processo intera-tivo entre autor, leitor e texto. ─ leitura é interpretação. - leitura é construção de sentido Referências ABREU, Márcia (Org.). Leituras no Brasil. Campinas,SP: Mercado Aberto, 1995. ALMEIDA, Maria de Fátima. Linguagem e Leitura: movimentos discursivos do leitor na sala de aula de 5ª série. Tese de doutorado. UFPE, Recife, 2004. BAKHTIN, Voloshínov. Marxismo e filosofia da linguagem. São Paulo: Hucitec,1981. ______. A estética da criação verbal. São Paulo: Martins Fontes, 1992. BARTHES, Roland. 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Participa do Programa de Pós-Gaduação em Linguística - PROLING e é pesquisadora na área de Teoria Linguística com ênfase em Linguagem, Discurso, Interação e Sentido. Desenvolve pesquisas nas áreas de: linguagem, interação, leitura, enunciação, gêneros discursivos, ensino de línguas e formação docente. Coordena o Grupo de Estudos em Linguagem, Enunciação e Interação - GPLEI. E participa do Projeto PONTES coordenado pela professora Stella Maris Bortoni - Ricardo na UnB. Capa Sumário eLivre Autor Referências