PROJECTO IBAR
QUALIDADE E
STAKEHOLDERS
- Casos Institucionais Work Package 9
Equipa de Investigação
Amaral, A.
Cardoso, S.
Machado, I.
Neave, G.
Rosa, M. J. (relatora WP9)
Sarrico, C. (coordenadora do projecto)
Tavares, O.
Teixeira, P. (relator WP9)
Sin, Cristina
Veiga, A.
Introdução
De acordo com o estipulado no âmbito do Projeto IBAR, quatro instituições foram selecionadas
para integrar os estudos de caso Portugueses: IES α (universidade), IES β (universidade), IES γ
(politécnico) e IES δ (politécnico). Os critérios para a seleção desta amostra basearam-se na
necessidade de cobrir os subsistemas universitário e politécnico; incluir instituições com
diferentes dimensões em termos de número de alunos (a IES α é relativamente pequena
quando comparada com a IES β; a IES δ também é um politécnico mais pequeno do que a IES
γ); e localização (as quatro instituições cobrem o norte, centro e sul de Portugal, refletindo
também diferenças geográficas entre as que estão localizadas no litoral e as que situam mais
no interior do país, umas vez que no litoral se concentram as áreas mais populadas e ricas). A
amostra pode, portanto, considerar-se como diversificada e adequada para nela se basear o
trabalho empírico subjacente aos objetivos do Projeto IBAR.
Seguidamente apresentam-se os quatro estudos de caso institucionais incluídos no presente
workpackage (WP9). A descrição que se apresenta de cada uma das instituições baseia-se na
informação publicamente disponível, incluindo aquela que consta dos respetivos sites oficiais.
São também apresentadas as respostas fornecidas pelas quatro instituições ao conjunto de
questões que enquadram o WP9. As entrevistas foram realizadas, em cada uma das quatro
instituições selecionadas, a membros da direção central e da administração e a membros das
faculdades/escolas. O primeiro grupo foi constituído pelo reitor/presidente (ou, em seu lugar,
um vice-reitor/vice-presidente, ou um pró-reitor) e pelo representante da estrutura de
garantia de qualidade (ou, em seu lugar, do Senado, do responsável pelos ciclos de estudo, ou
dos Serviços de Apoio ao Estudante). O segundo grupo foi constituído pelo diretor (ou
equivalente), pelo representante da estrutura de Garantia de Qualidade (a nível da unidade),
pelo diretor do ciclo de estudos, e por dois painéis, um composto por docentes e outro por
alunos (à volta de cinco participantes em cada um). Assim, para cada instituição são
apresentados os dados e informação que permitem responder às questões de investigação
formuladas.
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IES α (universidade)
1. Quais são as regras institucionais que regem a inclusão ou exclusão, nas instituições de
ensino superior, de stakeholders nos órgãos de tomada de decisão ou consultivos, que
têm algo a dizer sobre aspetos relevantes da qualidade? Essas regras mudaram nos
últimos 5 anos? Se sim, quais os stakeholders, quais os órgãos, quais os
números/proporções do total de membros?
Segundo os estatutos da IES α (Outubro de 2008), o governo da instituição é exercido por três
órgãos: Conselho Geral, Reitor e Conselho de Gestão. Para além destes órgãos existe ainda um
Senado Académico, um Conselho Científico e um Conselho de Avaliação. O Conselho Geral é
constituído por 25 membros, dos quais 7 são personalidades externas de reconhecido mérito,
não pertencentes à instituição, com conhecimentos e experiência relevantes para esta e
cooptados pelos restantes membros com base em propostas fundamentadas subscritas por,
pelo menos, um terço daqueles membros. O Conselho Geral possui ainda 3 representantes de
estudantes, eleitos pelo conjunto dos estudantes, pelo sistema de representação proporcional,
e nos termos de regulamento eleitoral próprio. Apesar do Conselho de Gestão não ter
representação de estudantes, o Presidente da Associação Académica pode ser convidado a
participar nas reuniões deste órgão mas sem direito a voto. O Senado Académico possui a
presença de 3 membros externos, cooptados (internamente), oriundos de outras instiituições
e 6 representantes dos estudantes. Na IES existe um Provedor do Estudante que é uma
entidade independente e que tem como missão defender e promover os direitos e interesses
dos estudantes.
Relativamente às diferentes unidades orgânicas, as escolas (incluindo as de artes e engenharia)
dispõem dos seguintes órgãos: Diretor, Assembleia de Representantes, Conselho Científico e
Conselho Pedagógico. A Assembleia de Representantes é constituída por 15 membros eleitos,
dos quais 4 são representantes dos estudantes. Cada Conselho Científico das escolas é
constituído por membros eleitos de entre os professores catedráticos e associados e por até 5
membros cooptados, até ao máximo de 25 membros. Estes 5 membros poderão ser
professores e investigadores de outras instituições ou personalidades de reconhecida
competência no âmbito da missão da instituição. No que se refere ao Conselho Pedagógico de
cada escola, este é constituído por igual número de representantes do corpo docente e dos
estudantes, eleitos nos termos estabelecidos pelo regulamento eleitoral da IES. Existe também
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uma comissão de curso estabelecida para cada curso, com a presença de 1 representante dos
estudantes.
Em termos dos Departamentos, a presença de membros externos não está prevista. Neste
momento está a ser conduzida uma revisão aos estatutos da IES e existe uma proposta de
incluir 2 membros externos propostos pelo Conselho Geral no Conselho de Avaliação da IES.
2. Qual é a representação nominal e real dos stakeholders nos órgãos de tomada de
decisão? Essa representação mudou? E porquê?
Segundo um membro da equipa de liderança da IES, a intervenção de stakeholders externos na
vida da IES é inferior à que deveria ser, pelo que há um sentimento de que a sua participação
deve ser reforçada, principalmente porque representa uma vantagem para a IES.
Os entrevistados consideram que esta intervenção não é significativa porque na maioria das
vezes as personalidades externas não têm conhecimento suficiente sobre a IES e não
percebem bem o que deve ser feito e o que poderá ser feito num ambiente académico. Estes
membros externos têm uma perspetiva da IES que não corresponde ao que de facto a IES é, de
modo que não poderão fazer muito mais do que realmente já fazem. Por vezes os membros
externos sugerem ideias para a IES no Conselho Geral, como se estivessem nas suas empresas,
como por exemplo:
"…fechar todos os ciclos de estudo. E não entendem a posição dos académicos para com a
instituição, as dificuldades que o reitor tem, às vezes, em tentar implementar alguns princípios e
diretrizes que não estão alinhados com a tradição académica e até não compreendem a
autonomia da universidade. Para eles, é completamente estranho as coisas serem assim”
(membro da equipa reitoral).
Assim, quando a instituição escolhe os membros externos é importante que escolha
personalidades não só de diferentes áreas sociais e empresariais, mas também pessoas que
percebam como é que uma IES funciona (e não apenas com a visão de estudantes).
Engenharia
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Os diretores dos ciclos de estudos de engenharia referem que a participação dos membros
externos no Conselho Geral não tem sido relevante. Como um dos membros deste órgão tem
como formação de base engenharia, estes entrevistados esperariam que a sua contribuição
para a melhoria dos ciclos de estudo desta área de conhecimento fosse significativa, mas isso
não aconteceu o que causou alguma deceção. A expectativa inicial era de que a presença de
membros externos no Conselho Geral seria mais notória e relevante. Contudo, a sua
participação ainda é reduzida. Por exemplo, ainda não é possível ver a sociedade externa
apoiar (financeiramente) a investigação ou parcerias com universidades.
Uma opinião diferente é dada pelos docentes do curso de engenharia civil, que consideram a
contribuição dos stakeholders externos como positiva: "a troca e a atualização de informação
são muito úteis e definitivamente aumentam a qualidade".
No que se refere ao papel real desempenhado pelos estudantes nos diferentes órgãos em que
participam, estes sentem que não têm uma voz na tomada de decisão. Os estudantes referem
que começam a existir algumas mudanças, mas que até agora as decisões não são tomadas
com a sua participação. Consideram que talvez os líderes das associações de estudantes
tenham um papel ativo, mas acham que não estão suficientemente informados sobre isso.
Artes
De acordo com os entrevistados, na escola de artes há sempre uma preocupação em garantir
que os membros externos possam ter uma palavra a dizer sobre o que está a ser feito.
Contudo, isto tende a acontecer informalmente em exposições, conferências e congressos. Por
vezes, este contacto informal ocorre porque a escola não tem todo o pessoal académico que
gostaria de ter e tem de recorrer a personalidades externas.
Na escola o conhecimento sobre o que é feito e discutido no Conselho Geral é bastante
reduzido. O mesmo acontece em relação ao Conselho Científico, que no caso da escola de
artes, tem apenas professores catedráticos e associados, cujo número é bastante reduzido. É
por isso que a maior parte do pessoal docente não sabe o que é discutido no Conselho
Científico: não se trata de os docentes duvidarem da qualidade do trabalho destes dois órgãos
de decisão; apenas não existe conhecimento suficiente sobre o que de facto é discutido lá.
Quer os docentes quer os estudantes de artes referem que não têm qualquer conhecimento
sobre a presença de membros externos no Conselho Geral ou nos Conselhos Científicos das
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escolas. Contudo, a participação de membros externos é vista como fundamental para o
desenvolvimento estratégico e para a qualidade e diversidade de ensino.
Os estudantes de artes sentem que o representante de estudantes na comissão de curso é
realmente a pessoa com quem devem falar quando têm problemas, a fim de os conseguirem
resolver.
3. As diferentes unidades da instituição (faculdades) ou programas incluem alguma
representação dos stakeholders nos órgãos de tomada de decisão ou consultivos, que
têm algo a dizer sobre aspetos relevantes da qualidade, para além do que está
previsto/definido? Se sim, quais os stakeholders, quais os órgãos, e em que
números/proporções do total de membros?
Nesta instituição existe uma proposta para incluir representantes externos nas comissões de
curso; a proposta não é no sentido de esta representação ser obrigatória, mas mais no sentido
de esta ser possível, no caso de a comissão considerar que seja positiva para o ciclo de
estudos. Até agora, já foram efetuadas algumas experiências no departamento de gestão,
como por exemplo, na reestruturação do curso. De facto, a última vez que um curso foi
reestruturado, algumas personalidades externas foram convidadas a partilharem a sua opinião
sobre a nova proposta de currículo.
4. Até que ponto as opiniões dos stakeholders (e de quais stakeholders) são tidas em
consideração e porquê?
Nesta instituição, as entrevistas não revelaram muito sobre a influência dos stakeholders na
criação dos perfis dos graduados, nos resultados de aprendizagem, nos requisitos de exames e
na revisão curricular, na aquisição de competências sociais e profissionais ou nos processos
internos de garantia da qualidade. Basicamente, todos os mecanismos referidos pelos
entrevistados foram formas informais de recolha de feedback de pessoas e entidades externas
sobre os cursos, e que possivelmente tiveram algumas repercussões, conduzindo a uma
revisão e ajuste dos mesmos. Porém, as opiniões dos estudantes sobre o ensino e a
aprendizagem tendem a ser formalmente recolhidas através de questionários sobre as
diferentes unidades curriculares, sobre o desempenho dos docentes, sobre o seu próprio
desempenho e/ou sobre as instalações e serviços.
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Engenharia
Os docentes de engenharia referem que a participação de membros externos (docentes de
outras IES nacionais e internacionais) ocorre através do desenvolvimento de programas de
doutoramento e mestrado em conjunto com outras IES. Além disso, os docentes também
mencionaram a existência das visitas de estudo, como uma forma de melhorar a qualidade dos
cursos, porque os estudantes podem ver na prática o que aprenderam na teoria. Assim,
indiretamente as visitas permitem melhorar as competências dos estudantes.
Relativamente à participação dos estudantes, os questionários relativos ao processo de ensino
e aprendizagem constituem uma forma de recolher a sua opinião sobre questões pedagógicas.
Infelizmente, e de acordo com o Diretor da Escola, os estudantes não aderem muito a esta
ideia e é difícil obter respostas suficientes aos questionários. Uma explicação possível para a
baixa adesão pode ser o facto de os estudantes sentirem que não obtêm um feedback
adequado relativamente aos resultados desses questionários. No entanto, os docentes de
engenharia consideram que a fonte de muitas das mudanças introduzidas no curso consiste
precisamente nos resultados dos questionários. Estes resultados levantam questões, debates
e, finalmente, conduzem a mudanças.
Artes
Na escola de artes a contribuição dos membros externos é bastante indireta. Esta acontece
principalmente através dos estágios e dos concursos em que os estudantes participam,
ajudando-os a ter uma visão profissional durante a realização do curso. Todas estas relações
(através de estágios e concursos) têm tido um feedback muito positivo por parte das
organizações externas envolvidas e permitem aos estudantes desenvolverem outras
competências que não podem ser adquiridas no contexto da sala de aula.
Relativamente à participação dos estudantes, foi elaborada e aprovada uma proposta para a
revisão do curso de artes depois de terem sido detetadas algumas deficiências, principalmente
através do feedback dos estudantes. Os estudantes sentem que são ouvidos várias vezes com
o objetivo principal de tentar melhorar o curso e que, de facto, a sua opinião é realmente tida
em consideração e que os seus problemas são resolvidos.
5. As opiniões dos stakeholders estão a ser consideradas nos requisitos e currículos do 1º
Ciclo?
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Os dados recolhidos pelas entrevistas efetuadas a diferentes atores da instituição permitiu
chegar às conclusões apresentadas em seguida, tendo em conta cada uma das áreas:
engenharia e artes.
Engenharia
Os estudantes de engenharia civil referem a existência de uma parceria com o Laboratório
Nacional de Engenharia Civil, que apoia a componente mais prática das suas dissertações de
mestrado. Eles consideram que esta parceria constitui uma ajuda positiva, promovendo
também o contacto com pessoas da área. Contudo, eles não têm conhecimento de quaisquer
outros membros externos que tenham uma participação na estrutura do curso, exceto a
comissão de avaliação externa que lida com a acreditação do ciclo de estudos (a agência
nacional - A3ES).
O Diretor de Curso de engenharia refere-se às relações informais desenvolvidas com membros
externos que vêm à instituição para fazerem mestrados, mas que estão a trabalhar em
organizações externas de interesse do ponto de vista de possíveis colaborações. Este tipo de
relação contribui para o desenvolvimento da investigação aplicada, uma vez que os problemas
tratados ao nível da dissertação de mestrado estão relacionados com questões práticas, reais e
profissionais.
De facto, a investigação aplicada constitui um mecanismo informal de estabelecimento de
relações com entidades externas, ajudando-as a encontrar soluções para os seus problemas.
No entanto, na maioria das vezes não existem acordos formais no estabelecimento dessas
parcerias. Outro benefício é o facto de que grande parte do equipamento dos cursos de
engenharia foi oferecido por empresas, em grande parte como uma contribuição para a
investigação em determinadas áreas do conhecimento, onde elas esperam colher alguns
benefícios práticos para as suas atividades. Esta relação aumentou também através da
interação relacionada com o desenvolvimento das dissertações de mestrado.
Por último, os antigos alunos de engenharia civil constituem também um elemento importante
no estabelecimento de relações com a comunidade externa.
Artes
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Na escola de artes tem havido um esforço para incluir estudantes dos diferentes cursos
(Música, Teatro, Design, Arquitetura e Artes Visuais) nas interações com a comunidade
externa, nomeadamente através da sua inclusão em companhias de teatro, orquestras,
organização de exposições, entre outros. Isto também permitiu o desenvolvimento de
contactos informais com membros externos, contribuindo para a "identificação de
potencialidades, identificação de problemas, execução de linhas estratégicas que precisam ser
reforçadas, e não apenas reforçadas nessas áreas [Design, Música] mas também para expandir
a outras áreas da escola”. Além disso, permite que os estudantes se relacionem diretamente
com potenciais “clientes" (clientes das organizações) e que desenvolvam competências que
não podem ser adquiridas no contexto de sala de aula.
Os estudantes do curso de design têm realizado trabalhos em colaboração com a indústria que
acabam por ser lançados no mercado (incluindo não só o desenvolvimento de produtos, mas
também as estratégias para a sua comunicação e promoção). O departamento de música
promove uma série de concertos para a comunidade externa e o departamento de teatro
também trabalha estrategicamente esta dimensão da relação com a comunidade externa. Por
vezes, essas colaborações ocorrem na forma de concursos.
No ano letivo de 2011-12, o Diretor da escola de artes promoveu um evento de um dia em que
o trabalho dos estudantes foi apresentado a entidades externas. Os objetivos desta atividade
visavam, por um lado, sensibilizar os empregadores para a qualidade do trabalho dos
estudantes, a fim de melhorar a sua empregabilidade e facilitar a sua inserção no mercado de
trabalho; e, por outro lado, obter feedback dos empregadores no sentido de melhorar o ensino
e a aprendizagem de acordo com as necessidades do mercado de trabalho.
O curso de design também tenta manter contacto com os seus antigos alunos, não só a nível
institucional, mas também pessoalmente através de alguns docentes que continuam a
acompanhar o trabalho dos seus antigos alunos mesmo depois de estes se graduarem.
O programa de doutoramento em artes visuais é considerado pela escola como outra boa
oportunidade para contactar membros externos, nomeadamente académicos de instituições
de ensino superior estrangeiras, permitindo a discussão de várias questões relacionadas com a
investigação, aspetos culturais, entre outros.
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Por fim, os docentes da escola de artes referem a existência de estágios, protocolos, parcerias
e projetos com entidades externas e membros da comunidade externa como aspetos
relevantes na avaliação da influência das opiniões dos stakeholders externos nas questões
curriculares.
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IES β (universidade)
1. Quais são as regras institucionais que regem a inclusão ou exclusão, nas instituições de
ensino superior, de stakeholders nos órgãos de tomada de decisão ou consultivos, que
têm algo a dizer sobre aspetos relevantes da qualidade? Essas regras mudaram nos
últimos 5 anos? Se sim, quais os stakeholders, quais os órgãos, quais os
números/proporções do total de membros?
Segundo os estatutos da IES β (Maio de 2009), o governo da instituição é exercido por três
órgãos: Conselho Geral, Reitor e Conselho de Gestão. São, ainda, órgãos desta instituição, o
Senado e o Provedor do Estudante. O Conselho Geral é constituído por 23 membros, dos quais
6 são personalidades externas de reconhecido mérito, não pertencentes à instituição, com
conhecimentos e experiência relevantes para esta e cooptados pelos restantes membros com
base em propostas fundamentadas subscritas por, pelo menos, um terço daqueles membros.
O Conselho Geral possui ainda 4 representantes de estudantes, eleitos pelo conjunto dos
estudantes e por sufrágio direto e universal e pelo método de Hondt, em listas completas e
abertas, cuja composição deverá traduzir a diversidade de áreas que compõem a instituição. O
Senado possui 5 representantes dos estudantes, eleitos por um colégio eleitoral constituído
por estudantes que integram os Conselhos Pedagógicos das unidades orgânicas de ensino e
investigação, um por unidade orgânica. Na IES β existe um Provedor do Estudante que é uma
entidade independente e que tem como missão defender e promover os direitos e interesses
dos estudantes. A IES β possui também uma Associação de Estudantes.
Relativamente às diferentes unidades orgânicas, as escolas dispõem dos seguintes órgãos:
Conselho de Representantes, Diretor, Conselho Executivo, Conselho Científico, Conselho
Pedagógico e Órgão de Fiscalização. O Conselho de Representantes é constituído por 15
membros, dos quais 1 a 2 são personalidades externas, cooptadas pelos restantes membros do
Conselho de Representantes e 3 a 4 são representantes dos estudantes, de quaisquer ciclos de
estudos da unidade orgânica. Cada Conselho Científico das unidades orgânicas tem no máximo
25 membros. Opcionalmente poderão integrar o Conselho Científico personalidades
convidadas, de entre professores ou investigadores de outras IES ou de especialistas de
reconhecida competência no âmbito da missão da instituição, não podendo o seu número
exceder 15 % do total de membros do Conselho. No que se refere ao Conselho Pedagógico,
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este tem um máximo de 16 membros, igualmente repartidos entre representantes do corpo
docente ou investigador e dos estudantes. Os representantes dos estudantes são de qualquer
ciclo de estudos.
Nesta IES, os cursos conferentes de grau possuem um órgão de gestão denominado de
Comissão de Acompanhamento que tem, de entre os seus membros, 2 estudantes do curso, a
escolher nos termos do disposto no respetivo regulamento.
A IES β possui uma escola doutoral que tem por missão promover a realização e a
internacionalização dos programas doutorais da IES que nela estejam acolhidos. Dos órgãos
desta escola, existe uma Comissão Externa de Acompanhamento, constituída por um máximo
de 25 membros, dos quais 3 a 5 são personalidades externas, nacionais ou estrangeiras, de
reconhecida competência científica, convidadas pelo Reitor, depois de ouvir o diretor, a partir
de uma lista preparada pelo Conselho Coordenador.
Engenharia
Segundo os estatutos da faculdade de engenharia (Dezembro, 2009) da IES β, o Conselho de
Representantes é composto por 15 membros, dos quais 2 são personalidades externas
cooptadas pelos restantes membros do Conselho e 3 são representantes dos estudantes, de
quaisquer ciclos de estudos da faculdade. O Conselho Pedagógico é composto por 16
membros, sendo que 50% (8) são representantes dos estudantes de qualquer ciclo de estudos
e eleitos por todos os estudantes da faculdade. Em cada departamento da faculdade existe um
órgão denominado Conselho de Departamento cuja constituição (de no máximo 30 membros)
poderá incluir no máximo 3 individualidades que exerçam atividade em entidades de relevo,
nomeadamente as que prossigam atividades de carácter científico, técnico, cultural ou do
financiamento de ensino e de I&D nas áreas científicas do departamento. Na faculdade existe
também uma Associação de Estudantes.
Artes
Segundo os estatutos da faculdade de belas artes (Fevereiro, 2010) da IES β, o Conselho de
Representantes é composto por 15 membros dos quais 2 são personalidades externas à IES β
cooptadas pelos restantes membros do Conselho e 3 são representantes dos estudantes, de
quaisquer ciclos de estudos da faculdade. O Conselho Pedagógico é composto por um máximo
de 12 membros, sendo que 50% (6) são representantes dos estudantes de qualquer ciclo de
estudos e eleitos diretamente pelos seus pares. No caso do Conselho Científico, este é
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composto por 20 membros, dos quais 2 são personalidades convidadas de entre docentes ou
investigadores de outras IES ou de especialistas de reconhecida competência no âmbito da
missão da faculdade. Em cada uma das subunidades orgânicas da faculdade, existe um
Conselho de Subunidade Orgânica que inclui na sua constituição personalidades convidadas de
entre individualidades que exerçam atividade em entidades de relevo, designadamente as que
prossigam atividades de carácter artístico, científico, técnico, cultural ou de financiamento de
ensino e de I&D, nas áreas científicas da subunidade orgânica. Atualmente no Conselho da
Subunidade Orgânica de Artes Plásticas existe um membro externo que representa o centro
tecnológico da instituição e que constitui um contacto permanente com empresas e o mundo
exterior.
2. Qual é a representação nominal e real dos stakeholders nos órgãos de tomada de
decisão? Essa representação mudou? E porquê?
Nesta instituição, um dos membros da equipa reitoral refere que os membros externos têm de
facto um papel real nos órgãos de tomada de decisão ou consultivos da IES e que este papel
tem vindo a mudar muito nos últimos anos. Contudo, as mudanças não foram nas áreas de
definição dos perfis dos graduados, nos currículos dos ciclos de estudos, nas competências ou
até mesmo nos processos internos de garantia da qualidade. O que, de facto, se alterou foi a
cultura organizacional, devido à estrutura de gestão ser agora diferente. No momento atual é
dada muita mais atenção aos planos e orçamentos das instituições e ao plano estratégico da
instituição. A instituição até criou um scorecard, com indicadores de desempenho que
mostram o que tem sido feito de melhor e de pior em cada ano letivo, de acordo com os
objetivos previamente definidos. Houve uma mudança efetiva em termos da introdução de
uma cultura de avaliação mais formal, com mais elementos em termos de prestação de contas
para com a sociedade. E isto é visto como uma contribuição dos membros externos no
Conselho Geral, especialmente dos que vêm de empresas e que costumam ter elementos
sólidos para tomar decisões.
No que se refere aos estudantes, o papel destes pode ser visto na pressão que eles exercem
para obterem informação disponível de uma forma facilmente acessível sobre os perfis dos
graduados, os resultados de aprendizagem, requisitos para os exames, o currículo ou sobre os
conteúdos das unidades curriculares.
Engenharia
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Para o diretor da faculdade de engenharia, o grau de participação dos stakeholders é inferior
ao que deveria ser: "A sociedade civil deveria ter uma participação significativa na supervisão
das atividades da instituição. (...) Temos de ser responsáveis. ... a sociedade civil tem um papel
muito importante na seleção de líderes da instituição, começando com o reitor. (...) Os
membros externos são particularmente relevantes no Conselho Geral. Em vez de 6 membros
externos, eles deveriam ser 8 (...) a proporção deveria ser maior, porque assim eles teriam
uma grande importância, ou uma importância maior na escolha do reitor." E acrescenta: "Ao
nível da faculdade, deveria ser criado um Conselho da Faculdade com membros externos para
obrigatoriamente aconselhar o reitor para a nomeação do diretor da faculdade (...) mas o
reitor deve decidir quem é o diretor da faculdade (...). E estes stakeholders devem também dar
opinião sobre os planos das atividades, os orçamentos e os relatórios de atividades e de
contas”.
Na opinião do representante da qualidade, os estudantes têm agora formas diferentes de
apresentar os seus pontos de vista sobre os mais diversos aspetos da vida da instituição,
incluindo sobre o ciclo de estudos que estão a frequentar. Eles têm vindo a intervir mais, têm
feito mais reclamações e com mais facilidade quando sentem que a instituição não está a
corresponder às suas expectativas. Os estudantes podem ainda recorrer ao Provedor dos
Estudantes. Tudo isto tem ajudado o corpo docente e a instituição a serem mais atentos às
necessidades e às expectativas dos estudantes.
Os estudantes afirmam que, por vezes, os problemas que existem não são resolvidos devido à
sua própria incapacidade de comunicar e explicar o problema aos órgãos competentes e de
decisão, ou seja, através de seus próprios representantes.
Artes
No caso da faculdade de belas artes existe a sensação de que os stakeholders externos não
participam tanto quanto deveriam. Segundo o diretor da faculdade de belas artes: "Eu acredito
que eles não participam muito, eles faltam à maioria das reuniões e de uma certa forma não se
envolvem tanto quanto era de esperar nos problemas da faculdade. (...) Há pouca evidência de
melhorias efetivas no funcionamento dos órgãos de tomada de decisão". De notar que os
membros externos, ainda assim, tendem a participar mais no Conselho de Representantes do
que no Conselho Científico. De acordo com este diretor, o resultado da sua participação neste
último órgão é praticamente nulo. Além disso, muito raramente os membros externos são
vistos nas reuniões que o Conselho Geral promove nas diferentes faculdades. A faculdade não
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tem tido qualquer benefício que resulte da participação dos membros externos nos órgãos de
tomada de decisão da instituição. E isto é visto como negativo, porque a faculdade precisa de
novas ideias que venham de fora, para assim ajudarem a refrescar o que eles consideram
como um circuito fechado.
Relativamente a esta faculdade, parece possível concluir que a influência direta da
participação de membros externos nos órgãos de tomada de decisão ainda não é visível,
embora, como o diretor do ciclo de estudos de design de comunicação afirma: "É óbvio que
eles têm um certo peso nos órgãos e, consequentemente, eles têm alguma responsabilidade.
(…) Mas os membros externos também têm algum peso no ciclo de estudos". Esta influência
pode acontecer através das parcerias estabelecidas nalgumas unidades curriculares, como é o
caso dos estágios. Neste caso específico, a influência é visível porque os estudantes fazem os
seus projetos finais em organizações externas à faculdade.
De acordo com os estudantes as mudanças na governação da instituição e na composição dos
órgãos levaram à diminuição da sua participação nos órgãos de tomada de decisão. Eles
sentem que não têm muito poder de decisão. Para eles, também é importante que os
representantes dos estudantes dos diferentes órgãos falem uns com os outros, de modo a que
os estudantes possam ter uma opinião unificada sobre os seus problemas e formas de resolvêlos. Os estudantes consideram que os seus representantes falam de facto sobre os diferentes
aspetos em discussão nos órgãos e que a maioria dos problemas é trabalhada entre os
próprios estudantes de uma forma bastante informal. O papel dos estudantes é visto pelos
estudantes como relevante apenas em questões pedagógicas. Eles alegam que todas as
questões científicas só são discutidas e decididas por docentes, uma vez que estes consideram
que os estudantes não têm qualquer competência científica para tomarem esse tipo de
decisões. Além disso, os estudantes afirmam que, de uma forma geral, não há informações
suficientes sobre as decisões estratégicas da instituição: "Não existem iniciativas para informar
e envolver os estudantes..."
3. As diferentes unidades da instituição (faculdades) ou programas incluem alguma
representação dos stakeholders nos órgãos de tomada de decisão ou consultivos, que
têm algo a dizer sobre aspetos relevantes da qualidade, para além do que está
previsto/definido? Se sim, quais os stakeholders, quais os órgãos, e em que
números/proporções do total de membros?
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Para além do que está previsto, não existe outra representação dos stakeholders nos órgãos
de tomada de decisão ou consultivos das diferentes unidades da instituição.
4. Até que ponto as opiniões dos stakeholders (e de quais stakeholders) são tidas em
consideração e porquê?
De acordo com um dos membros da equipa reitoral desta instituição, ter em conta a opinião
de stakeholders externos sobre a definição de perfis dos graduados, os resultados da
aprendizagem, os requisitos de exame e a revisão curricular depende da cultura da faculdade,
mas geralmente os membros externos são consultados sempre que novos ciclos de estudos
são desenhados ou adaptados. Isto tem vindo a acontecer há muito tempo, mesmo antes das
mudanças nas estruturas de governação das instituições. Ele considera, no entanto, que isto é
mais fácil de se fazer numa faculdade de engenharia do que numa de humanidades, porque na
primeira a relação com o mercado de trabalho é mais forte.
Engenharia
O diretor da faculdade de engenharia afirma que, atualmente, os stakeholders externos não
dão muito feedback sobre os perfis dos graduados, os resultados da aprendizagem e os
requisitos para os exames. Ele considera que isso se deve ao facto de que parece ser difícil
para os membros externos presentes no Conselho Geral, ou nos Conselhos de Representantes
(de cada faculdade) discutirem esses detalhes. “A sociedade civil deve ter uma palavra a dizer
sobre essas questões, mas através dos sistemas de garantia de qualidade, sejam eles a
acreditação dos ciclos de estudos através da A3ES ou, no caso dos ciclos de estudos de
engenharia, através do selo europeu de qualidade (EURACE)”.
De acordo com os docentes de engenharia civil, incluindo o diretor de curso, a cada ano letivo
(desde há dois anos atrás) é organizado um workshop para discutir o funcionamento do ciclo
de estudos e a necessidade de possíveis alterações no seu currículo. Para estes workshops são
convidadas pessoas da indústria e de empresas ligadas à área de engenharia civil, incluindo
antigos alunos. Estas pessoas são vistas como uma contribuição muito relevante no que se
refere à identificação das necessidades do mercado de trabalho, tais como as competências
dos diplomados (incluindo as comportamentais, a necessidade de os graduados serem pessoas
dinâmicas e flexíveis e a necessidade de que sejam adaptáveis a contextos internacionais) e as
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áreas científicas que devem ser abrangidas nos conteúdos do ciclo de estudos. De facto,
algumas alterações no ciclo de estudos foram resultado dos pontos de vista expressos pelos
membros externos.
Na opinião dos estudantes de engenharia civil, apesar de estarem conscientes de que o ciclo
de estudos vai ser reformulado, não sabem quem está de facto envolvido no processo, ou seja,
se há ou não a participação de membros externos. Os estudantes desconhecem a influência
dos membros externos na definição curricular dos ciclos de estudos. Apenas os estágios foram
referidos, pelos estudantes, como uma forma possível de os membros externos terem alguma
influência (indireta) sobre o ciclo de estudos, embora considerem a presença de membros
externos como muito importante.
Segundo o representante da qualidade da faculdade, os questionários constituem uma forma
de recolher as opiniões dos estudantes. Tem sido feito um esforço no sentido de aumentar a
participação dos estudantes na resposta aos 3 questionários realizados (sobre as unidades
curriculares, os docentes e os próprios estudantes). Para o diretor da faculdade, embora os
questionários não sejam perfeitos e também não sejam aplicados de uma forma perfeita, eles
têm um impacto profundo, embora não tanto como deveriam ter. Alguns docentes, de facto,
lêem os resultados dos questionários e tentam melhorar as aulas, o funcionamento das suas
unidades curriculares e a forma como transmitem o conhecimento. Contudo, alguns docentes
de engenharia embora achem que o resultado principal dos questionários é o feedback que
fornecem a cada professor, têm dúvidas sobre se de facto os docentes mudam a sua forma de
trabalhar devido ao feedback que recebem. Além disso, eles também têm a perceção de que
na opinião dos estudantes os questionários "são inúteis".
Contudo, alguns estudantes de engenharia consideram que os questionários têm algum
impacto, embora esse impacto não seja tão visível devido ao número reduzido de respostas.
Outros referem que não conhecem nenhumas medidas que tenham sido tomadas no
seguimento dos resultados desses questionários.
Artes
No caso da faculdade de belas artes, o Conselho da Subunidade Orgânica de Artes Plásticas
tem um papel muito relevante sobre as escolhas que são feitas na gestão do ciclo de estudos
de design de comunicação. As questões relacionadas com as revisões curriculares ou
pedagógicas e a distribuição do serviço docente são validadas pela comissão científica do ciclo
17
de estudos (que é composta exclusivamente por docentes), mas sempre em estreita ligação ao
Conselho da Subunidade Orgânica de Artes Plásticas. O membro externo deste Conselho é
considerado como tendo um papel muito ativo e influencia significativamente as decisões que
são tomadas sobre as revisões (a médio e a longo prazo) curriculares, devido ao grande
conhecimento que detém sobre as necessidades e tendências do mercado de trabalho.
Além disso, o ciclo de estudos de design de comunicação está atualmente em revisão
curricular e estão a ser feitas tentativas no sentido de incluir, ou pelo menos ter em
consideração, o feedback que é dado pelos agentes do mercado de trabalho, sejam eles
profissionais, designers, empresas ou clientes finais (com quem há um contacto indireto
quando os estudantes realizam os seus estágios). Mas é óbvio, a partir das entrevistas
realizadas, que a influência mais visível neste ciclo de estudos, surge das parcerias
estabelecidas nalgumas unidades curriculares, nomeadamente a de estágio. Neste caso, a sua
influência é muito visível porque os estudantes fazem os seus projetos finais em organizações
externas à instituição e essas entidades externas, obviamente, têm uma palavra a dizer em
relação à avaliação dos estudantes e, também, sobre questões pedagógicas. Esta é a única
unidade curricular do ciclo de estudos de design de comunicação onde esta interação entre
membros internos e externos é mais visível.
De acordo com os docentes de artes, as opiniões dos estudantes são tidas em consideração,
principalmente, através dos resultados de questionários, mas apenas em termos de questões
pedagógicas. Todas as questões científicas relacionadas com os ciclos de estudos são definidas
nos órgãos de decisão, onde os estudantes não têm qualquer representação. No entanto, a
taxa de resposta aos questionários é bastante baixa, porque os estudantes não se sentem
motivados a responder, em parte porque não são informados sobre os resultados (na
perspetiva dos estudantes) e também porque os questionários são considerados muito
grandes (na perspetiva dos docentes e dos estudantes).
Por outro lado, alguns dos docentes de artes tentam recolher o feedback dos seus estudantes
de uma forma mais informal, através de conversas sobre o que está certo e errado no ciclo de
estudos que estão a frequentar.
Os estudantes referem ainda que acreditam que o novo sistema de avaliação dos docentes
poderá ajudá-los a que as suas opiniões sejam mais tidas em consideração, se os estudantes
tiverem de facto uma palavra a dizer na avaliação dos docentes.
18
5. As opiniões dos stakeholders estão a ser consideradas nos requisitos e currículos do 1º
Ciclo?
Os dados recolhidos pelas entrevistas efetuadas a diferentes atores da instituição permitiu
chegar às conclusões apresentadas em seguida, tendo em conta cada uma das áreas:
engenharia e artes.
Engenharia
De acordo com o diretor da faculdade de engenharia, a acreditação dos ciclos de estudos pela
A3ES e a adjudicação do selo europeu de qualidade para os ciclos de estudo de engenharia
(EURACE) são as formas que a sociedade civil tem para ter uma voz no desenho curricular,
estrutura e conteúdos dos ciclos de estudos. Na sua opinião, estes dois mecanismos permitem
que a sociedade civil possa intervir, tanto enquanto avaliadora dos ciclos de estudos, como
enquanto empregadora, cujas opiniões são tidas em consideração no âmbito do processo de
avaliação do ciclo de estudos. Assim, estes mecanismos permitem uma forte influência nos
processos de revisão dos ciclos de estudo.
Os docentes de engenharia civil referem os projetos de investigação e as dissertações como
uma forma indireta de obter o feedback dos stakeholders externos. As dissertações
desenvolvidas no contexto empresarial foram consideradas como uma forma particularmente
relevante de estabelecer contactos entre estudantes, docentes, empresas e indústrias, e de
obter feedback (ainda que indiretamente) sobre o que está a ser feito no mercado de trabalho
em termos de engenharia civil e, também, saber quais são as tendências atuais. No entanto,
isto não é considerado uma forma de incluir os pontos de vista dos membros externos numa
reestruturação do ciclo de estudos, sendo antes visto como uma forma de a instituição
transferir conhecimento do mundo do mercado de trabalho para o mundo académico. Além
disso, o feedback da sociedade também surge através de docentes que exercem alguma
atividade profissional externa à faculdade, como por exemplo, membros de escritórios de
projetos, colaboradores em empresas de engenharia civil, etc. No entanto, e de acordo com os
pareceres dos entrevistados, a importância destes contactos com o mundo externo é bastante
baixa ou quase insignificante para o desenho curricular ou definição dos conteúdos das
unidades curriculares. Os ciclos de estudos não mudaram muito devido às preocupações do
mercado de trabalho e/ou necessidades, mesmo aquelas que foram expressas no workshop.
19
É interessante referir que os estudantes de engenharia civil alegam que deveria ser promovido
um maior contacto com as empresas, empregadores e escritórios de engenharia civil. Apenas
no último ano (5º) do ciclo de estudos é que há um contacto mais forte com o mercado de
trabalho através dos estágios e da elaboração da proposta de uma dissertação a ser
desenvolvida em contexto empresarial. Os estudantes também consideram que a sua
faculdade é muito mais orientada para a investigação do que para o mercado de trabalho e
que a ligação entre o conteúdo das unidades curriculares e o mundo do mercado de trabalho é
bastante fraca durante a maior parte do ciclo de estudos.
Artes
De acordo com o seu diretor, a faculdade de belas artes é uma escola aberta com uma grande
atividade cultural. Esta abertura permite o estabelecimento de contactos com o mundo
externo, ajudando assim a superar o baixo envolvimento que existe através dos órgãos formais
de decisão. O diretor ressaltou ainda que a faculdade recebe a cada semana um número
significativo de artistas e docentes de outras instituições de ensino superior, nacionais e
estrangeiras. Estes vêm à faculdade para dar aulas abertas e para workshops. A faculdade
também é muito procurada para participar em exposições e atividades desenvolvidas por
outras entidades. De acordo com o diretor, estas interações contribuem para a melhoria dos
ciclos de estudo, embora considere que a influência deveria ser mais forte em termos de
melhorias curriculares. O ciclo de estudos deveria ser mais flexível, permitindo que cada
estudante desenhasse o seu próprio currículo.
Os atuais estágios para os estudantes de design de comunicação também lhes permitem
entrar em contacto com stakeholders externos, nomeadamente, designers profissionais e
empresas de design. Isto acontece na unidade curricular de estágio. De acordo com o diretor
do ciclo de estudos, tenta-se obter um feedback tanto quanto possível a partir dessas pessoas
externas sobre o desempenho dos estudantes, as competências que não têm ao iniciar o
estágio e que, eventualmente, poderiam ser necessárias no mercado de trabalho. No entanto,
isto acontece informalmente e o diretor de curso considera que deveria ser feito de uma
forma mais formal e estruturada.
Existe ainda alguma tentativa de contacto com antigos alunos, mas como o ciclo de estudos de
design de comunicação não tem uma base de dados de todos os seus antigos alunos, este
contacto torna-se bastante difícil.
20
21
IES γ (politécnico)
1. Quais são as regras institucionais que regem a inclusão ou exclusão, nas instituições de
ensino superior, de stakeholders nos órgãos de tomada de decisão ou consultivos, que
têm algo a dizer sobre aspetos relevantes da qualidade? Essas regras mudaram nos
últimos 5 anos? Se sim, quais os stakeholders, quais os órgãos, quais os
números/proporções do total de membros?
Segundo os estatutos da IES γ (Dezembro de 2008), o governo da mesma é exercido por três
órgãos: Conselho Geral, Presidente e Conselho de Gestão. São, ainda, órgãos da desta
instituição, o Conselho Técnico-Científico e o Conselho Permanente. O Conselho Geral é
constituído por 25 membros, dos quais 7 são personalidades externas de reconhecido mérito,
com conhecimentos e experiência relevantes para a instituição e cooptados pelos restantes
membros, por maioria absoluta, com base em propostas fundamentadas subscritas por, pelo
menos, um terço daqueles membros. O Conselho Geral possui ainda 3 representantes de
estudantes, eleitos pelo conjunto dos estudantes da instituição. Apesar de na composição do
Conselho de Gestão não estarem incluídos representantes de estudantes, estes podem ser
convidados a participar nas reuniões deste órgão mas sem direito a voto.
Na IES γ existe um provedor do estudante que é uma entidade independente e que tem como
missão defender e promover os direitos e interesses dos estudantes. Esta instituição possui
também uma Associação Académica.
A IES γ não possui estatutos próprios para cada escola, mas segundo os estatutos da IES, cada
escola possui os seguintes órgãos: Diretor, Conselho Técnico-Científico, Conselho Pedagógico,
que inclui estruturas de coordenação dos ciclos de estudos, designadamente as Comissões de
Curso e Diretores de Curso, Departamentos e Conselho Permanente. Na composição do
Conselho Pedagógico está incluída a representação dos estudantes em igual número da
representação dos docentes (diretor de cada curso e um estudante de cada curso). A
representação dos estudantes também está prevista em cada uma das Comissões de Curso (1
estudante de cada ano do curso).
2. Qual é a representação nominal e real dos stakeholders nos órgãos de tomada de
decisão? Essa representação mudou? E porquê?
22
Nesta instituição foram escolhidos sete membros externos para o Conselho Geral a fim de que
cada área científica da escola tivesse um representante neste órgão. Além disso, todos estes
membros têm ligações com a região onde está localizada a instituição. A liderança da
instituição vê esta contribuição como sendo muito positiva, porque os considera como pessoas
proactivas e altamente interessadas nas atividades da instituição (participam regularmente em
todas as reuniões). Eles não interferem diretamente nos ciclos de estudo, intervindo muito
mais ao nível da instituição como um todo, devido às funções do Conselho Geral: aprovar o
plano anual de atividades, o relatório anual e o plano estratégico da instituição. Eles também
olham atentamente para a situação financeira da instituição, principalmente aqueles que vêm
do sector empresarial.
A presidência da instituição também promove reuniões específicas entre os diferentes
membros externos e as escolas com que estes estejam mais relacionados. Os membros
externos parecem ser muito recetivos à participação nestas reuniões quando solicitados,
mesmo que vá além das suas responsabilidades legais. Estas reuniões são bastante informais e
visam promover uma troca de ideias entre as escolas e esses membros externos e recolher
opiniões sobre o desenvolvimento das escolas (não só em termos do portfólio de ciclos de
estudos, mas também em relação ao estabelecimento de relações com a sociedade,
nomeadamente com organizações externas e empresas). As opiniões expressas pelos
membros externos são de um carácter geral e não tão específicas sobre o currículo do ciclo de
estudos ou do conteúdo científico das diferentes unidades curriculares.
Engenharia
Curiosamente, os estudantes de engenharia civil não têm conhecimento da presença de
membros externos no Conselho Geral. Contudo, os estudantes consideram esta presença nos
órgãos de decisão como positiva (proporcionam uma visão externa dos problemas da
instituição), especialmente porque possibilitam uma ligação mais forte entre a instituição e o
mercado de trabalho. Os estudantes também consideram que os membros externos podem
ajudar a instituição a conhecer melhor o que o mercado de trabalho precisa dos seus futuros
graduados, contribuindo assim para ajustar os ciclos de estudos e aumentar a empregabilidade
dos diplomados.
Artes
23
Os docentes de arte e design mencionam que o Conselho Geral não discute assuntos científicopedagógicos. Como este órgão de decisão é o único onde existe a presença de membros
externos, esses membros acabam por não discutir este tipo de questões (pelo menos
diretamente). As únicas questões pedagógicas que parecem discutir são as ligadas ao
financiamento da instituição. Todas as discussões científicas são feitas nos Conselhos
Científicos, onde os membros externos não estão presentes.
Para o diretor da escola de educação, a participação de stakeholders externos nas reuniões da
escola é vista como muito ativa e positiva para o desenvolvimento da escola. Ele considera que
estes membros tendem a apoiar a escola, tanto quanto conseguem. Esta colaboração tem sido
principalmente através de projetos de investigação e de trabalho que envolvam estudantes.
Por outro lado, também ajudam a escola na discussão de questões relacionadas com a sua
ligação à comunidade envolvente.
O diretor do ciclo de estudos de arte e design pensa que dentro deste novo modelo de
governação e gestão, todos os membros, quer externos quer internos, são ouvidos e
chamados a participar, incluindo os estudantes. As opiniões dos estudantes são recolhidas
principalmente através dos seus representantes nas comissões de curso e através da
associação de estudantes.
Contudo, os estudantes de arte e design sentem que a sua opinião não é tida em consideração.
Sempre que acontecem situações “não normais”, eles reclamam sobre os mesmos junto do
diretor de curso, à comissão de curso, mas na maior parte das vezes nada acontece.
Os estudantes de arte e design não têm conhecimento da presença de stakeholders externos
no Conselho Geral. Eles consideram que os ajustes aos currículos dos ciclos de estudos devem
ser feitos após consulta à instituição, e, especialmente, aos docentes e estudantes. No
entanto, não reconhecem como altamente relevante ouvir opiniões de pessoas externas sobre
o seu ciclo de estudos, porque este é bastante abrangente, não sendo voltado para uma área
específica de emprego ou de mercado de trabalho.
3. As diferentes unidades da instituição (faculdades) ou programas incluem alguma
representação dos stakeholders nos órgãos de tomada de decisão ou consultivos, que
têm algo a dizer sobre aspetos relevantes da qualidade, para além do que está
24
previsto/definido? Se sim, quais os stakeholders, quais os órgãos, e em que
números/proporções do total de membros?
A presidência da instituição promove a ligação entre cada escola e o mercado de trabalho
através dos stakeholders externos presentes no Conselho Geral, que estejam mais
relacionados com a área científica de cada escola. De forma a promover uma relação mais
forte entre as escolas e o mundo empresarial são ainda organizadas reuniões temáticas entre
esses membros externos e a gestão das escolas. Este meio é um mecanismo informal e uma
extensão ao que são as atividades formais dos membros externos presentes no Conselho
Geral. Cada ciclo de estudos deverá ouvir os empregadores principais dos seus diplomados a
fim de obter as suas opiniões para eventuais ajustes curriculares no futuro, mas isto não
deveria ser feito pelos membros externos do Conselho Geral.
4. Até que ponto as opiniões dos stakeholders (e de quais stakeholders) são tidas em
consideração e porquê?
Nesta instituição, as opiniões dos stakeholders externos sobre os perfis dos graduados, os
resultados de aprendizagem, os requisitos para exame e revisão curricular, a aquisição de
competências transversais e profissionais e sobre os processos internos de garantia da
qualidade são apenas formalmente tidas em consideração no âmbito do Conselho Geral
(incluindo as reuniões entre este órgão e as escolas), que, no entanto, e como já foi
mencionado, na grande maioria das vezes não cobre tais questões nas suas reuniões a menos
que estas tenham fortes implicações financeiras.
O único mecanismo referido nas entrevistas sobre este assunto, e que não é um formal, foi o
programa de estágios existente no 3º ano na escola superior de tecnologia e gestão (mas não
em engenharia civil). Neste caso, as organizações externas intervêm na definição da oferta dos
temas dos estágios. Este apoio tem ajudado os responsáveis pelos ciclos de estudos a
identificarem lacunas nos perfis dos diplomados e a ajustarem os conteúdos das unidades
curriculares de forma a colmatar essas mesmas lacunas.
Engenharia
O diretor do curso de engenharia refere que sempre que os estudantes queiram reclamar
sobre algo, eles recorrem à comissão de curso ou ao diretor do curso. Atualmente, estão a ser
25
definidas algumas alterações no ciclo de estudos, tentando responder a algumas das questões
que têm sido levantadas pelos estudantes.
Os estudantes dizem que de facto podem reclamar e que, geralmente, quando o fazem, fazemno à comissão de curso. Contudo, os estudantes sentem que nada se altera depois. Eles
também referem a existência dos questionários, mas afirmam novamente que nada muda com
os seus resultados.
Artes
No caso dos estudantes de artes, estes afirmam que têm de responder aos questionários, mas
que depois não há uma preocupação com os seus resultados.
5. As opiniões dos stakeholders estão a ser consideradas nos requisitos e currículos do 1º
Ciclo?
Os dados recolhidos pelas entrevistas efetuadas a diferentes atores da instituição permitiu
chegar às conclusões apresentadas em seguida, tendo em conta cada uma das áreas:
engenharia e artes.
Engenharia
Nesta instituição, as reuniões temáticas entre a gestão da escola e os membros externos do
Conselho Geral foram permitindo que a escola superior de tecnologia e gestão pudesse olhar
de uma forma mais sistemática para os serviços que poderá oferecer ao mundo empresarial
(consultoria, serviços técnicos, serviços de laboratório) e, também, para analisar o seu
portfólio de ciclos de estudos, não só em termos de licenciaturas e mestrados, mas também
em termos de outros possíveis tipos de formação.
Devido ao processo de acreditação dos ciclos de estudo, foram feitos contactos com os
empregadores (através de questionários), a fim de perceber se as competências adquiridas
pelos seus antigos alunos correspondem ou não às necessidades do mercado de trabalho.
Contudo, estes contactos têm sido feitos com o objetivo de obter informações para responder
às exigências da A3ES, em termos da acreditação dos ciclos de estudo, em vez de se
enquadrarem numa iniciativa institucional.
26
Algumas das iniciativas mencionadas neste âmbito, incluem cursos de formação de curta
duração, oferecidos devido à relação com a Associação Empresarial da região, bem como
alguns CETs que foram desenhados para responder às necessidades detetadas no mercado de
trabalho.
No entanto, em relação aos cursos de 1º ciclo, as opiniões dos stakeholders não foram de facto
formalmente consideradas nos requisitos curriculares ou nos conteúdos das unidades
curriculares. Um dos problemas apontados foi que a localização geográfica não facilita este
tipo de relação com o mundo empresarial, principalmente porque o número de empresas em
torno da instituição é reduzido. No entanto, quando o ciclo de estudos de engenharia civil foi
criado, foram feitos vários contactos com stakeholders externos, nomeadamente docentes de
outras IES, a fim de ajudarem na conceção do novo ciclo de estudos.
Durante a realização dos estágios existem conversas informais com as pessoas responsáveis
pelo estágio na organização que acolhe o estudante e, isso permite que os responsáveis do
ciclo de estudos recolham opiniões sobre as competências que os empregadores gostariam de
ver nos futuros licenciados.
Alguns dos docentes envolvidos com o ciclo de estudos de engenharia civil também têm outra
atividade profissional fora da academia, como engenheiros civis, e outros fazem o seu trabalho
de investigação (principalmente investigação aplicada) em empresas que não pertencem à
instituição. Assim, é complicado fazer uma distinção clara entre membros internos e externos
à instituição. Até um certo ponto, uma parte significativa do corpo docente também é externo,
com uma visão real do mercado de trabalho, que eles tendem a usar na tomada de decisões
sobre o ciclo de estudos e o conteúdo de cada unidade curricular.
No entanto, os docentes mencionam que todos os ajustes já realizados resultaram de
mecanismos informais. Até agora, nenhuns processos formais foram instituídos para consultar
os membros externos e assim proceder a ajustamentos no ciclo de estudos de engenharia civil.
Os docentes vêem a existência destes mecanismos formais como um processo positivo e
consideram que deveria ser bom ter reuniões regulares (anuais) com pessoas da indústria,
principalmente para discutirem a ligação entre o ciclo de estudos e as necessidades do
mercado de trabalho.
27
Relativamente à consideração das opiniões dos estudantes, o diretor do curso refere a figura
do Provedor dos Estudante, como sendo uma pessoa a quem os estudantes podem recorrer
para compartilhar os seus pontos de vista e opiniões sobre os possíveis problemas que os
afetam.
Artes
O ciclo de estudos de arte e design, assim como os conteúdos das diferentes unidades
curriculares, foi concebido tendo por base as perceções do corpo docente acerca daquilo que
deve ser um bom designer e não tanto tomando em consideração o que o mercado de
trabalho acha que são as competências de um bom designer. Há, no entanto, contactos
informais com stakeholders externos e as suas opiniões são de alguma forma consideradas no
currículo e no conteúdo das unidades curriculares. No entanto, não há mecanismos formais
para o fazer. De referir alguns exemplos de entidades com as quais existem discussões
informais: os museus da cidade, os municípios envolventes e os museus regionais. A não
existência de estágios no ciclo de estudos também contribui para um grau de envolvimento
reduzido dos stakeholders externos em possíveis ajustes no currículo e/ou nos conteúdos das
unidades curriculares.
Além disso, a escola de educação tem relações informais com diversas instituições da região
que oferecem estágios aos seus estudantes (embora não para os de artes e design). Na maioria
das vezes não há reuniões formais com estas entidades, pelo que grande parte da discussão
sobre o perfil dos futuros licenciados tem sido feita informalmente, através de diferentes
fóruns de discussão. Os participantes mais ativos nestas relações são os supervisores dos
estagiários das organizações externas. Existem também projetos de investigação onde são
estabelecidas relações com membros externos, que providenciam algum feedback.
28
IES δ (politécnico)
1. Quais são as regras institucionais que regem a inclusão ou exclusão, nas instituições de
ensino superior, de stakeholders nos órgãos de tomada de decisão ou consultivos, que
têm algo a dizer sobre aspetos relevantes da qualidade? Essas regras mudaram nos
últimos 5 anos? Se sim, quais os stakeholders, quais os órgãos, quais os
números/proporções do total de membros?
Segundo os estatutos da IES δ (Abril de 2009), o governo desta instituição é exercido por três
órgãos: Conselho Geral, Presidente e Conselho de Gestão. São, ainda, órgãos desta instituição,
o Conselho Académico e o Conselho Consultivo. O Conselho Geral é constituído por 21
membros, dos quais 6 são personalidades externas de reconhecido mérito, com
conhecimentos e experiência relevantes para a instituição e cooptados pelos restantes
membros (à exceção do representante do pessoal não docente), por maioria absoluta, com
base em propostas fundamentadas subscritas por, pelo menos, um terço daqueles membros.
O Conselho Geral possui também 3 representantes de estudantes, eleitos pelo conjunto dos
estudantes da instituição.
O Presidente da instituição refere que os membros externos do Conselho Geral foram
escolhidos entre pessoas “da sociedade, do país, que poderão ser mais ou menos
representativas das diferentes áreas de ensino do politécnico: cultura, artes, património (...) e
uma pessoa ligada a uma das grandes empresas da região (...) E, também escolhemos pessoas
ligadas às áreas de comunicação, marketing, design, que são mais ou menos as áreas que
temos”.
Apesar de na composição do Conselho de Gestão não estarem incluídos representantes de
estudantes, estes podem ser convocados a participar nas reuniões deste órgão mas sem
direito a voto.
Os estudantes também estão representados no Conselho Académico, nomeadamente através
do presidente da Associação dos Estudantes e de um representante dos estudantes de cada
uma das escolas da instituição (eleito entre os seus pares).
29
No caso do Conselho Consultivo, este pode integrar na sua composição individualidades
externas à instituição, de reconhecido mérito académico, científico ou empresarial, nacionais
ou estrangeiras, e individualidades ligadas à região onde se insere a instituição, às atividades
económicas relacionadas com as áreas de formação ou potenciais áreas de formação da
instituição. Até agora ainda não foram incluídas nenhumas individualidades, mas a IES já
iniciou um processo para a sua inclusão. O objetivo deste conselho é o de discutir assuntos
internos da IES, aconselhar a instituição sobre questões internas e problemas que possam
surgir, tais como mudanças nos currículos dos ciclos de estudos, bem como ao nível da gestão
interna. De acordo com a presidência da instituição, este órgão terá uma base regional ou
local, enquanto o Conselho Geral tem uma base mais nacional ou mesmo internacional. Em
princípio, será constituído por diretores de escolas secundárias, pessoas de centros de
formação profissional e de centros de emprego da região. A ideia é que eles tragam para a
instituição informações sobre o que está a acontecer na região. Este conselho irá reunir-se
uma ou duas vezes por ano para discutir o plano de atividades, alguns projetos que possam ser
de interesse para a instituição e, também, para discutir os problemas locais ou regionais.
Na IES γ existe um Provedor do Estudante que é um órgão singular com competências no
âmbito da prevenção, promoção e mediação na defesa dos direitos e interesses legítimos dos
estudantes. A IES possui também uma Associação Académica.
Relativamente às escolas da IES, estas têm os seguintes órgãos: Diretor de Escola, Conselho
Técnico-Científico e Conselho Pedagógico. O Conselho Técnico-Científico pode incluir até 4
membros convidados, de entre professores ou investigadores de outras instituições ou
personalidades de reconhecida competência no âmbito da missão da instituição. No caso do
Conselho Pedagógico, este tem igual número de representantes do pessoal docente e dos
estudantes, nos termos a definir nos estatutos da escola (8 de cada no caso da escola incluída
no estudo).
Nesta instituição existe também uma Comissão de Coordenação para cada um dos ciclos de
estudos das escolas, sendo que da sua composição faz parte um representante dos
estudantes.
2. Qual é a representação nominal e real dos stakeholders nos órgãos de tomada de
decisão? Essa representação mudou? E porquê?
30
Segundo a presidência da instituição, é difícil ter todos os membros externos presentes nas
reuniões do conselho, aparentemente porque são pessoas muito ocupadas e ativas. No
entanto, eles têm estado envolvidos na reflexão estratégica que está a ser realizada no
conselho, devido à necessidade de alterar o plano estratégico institucional. A presença parece
ser mais significativa quando a liderança sublinha a importância das questões em discussão e a
relevância da sua contribuição para esse problema específico. Nos casos em que eles
participam, a sua contribuição é considerada muito positiva, trazendo uma perspetiva externa
à discussão: "o que está acontecer do ponto de vista da realidade, as mudanças que estão a
acontecer, as informações que eles recolhem, são de facto mais atualizadas. E com a
experiência que eles têm, do ponto de vista da gestão, (...) a vida que eles têm, podem sempre
acrescentar algo mais positivo para os debates que temos”.
Além disso, nesta instituição a comunidade académica é bastante pequena e acaba por se
encontrar várias vezes em diferentes órgãos de decisão. Assim, os membros externos
oferecem a oportunidade de ouvir algo novo pois apontam aspetos que não são vistos pelos
membros internos. A opinião dos membros externos é também relevante para a instituição no
sentido de que pode ajudar no desenvolvimento da região onde está localizada. Por exemplo,
está agora a ser desenhado um novo curso de pós-graduação para qualificar as pessoas numa
área que está a emergir na região: a reabilitação urbana. Isto aconteceu por sugestão de um
dos membros externos do Conselho Geral.
Recentemente, o Conselho Geral também tem discutido o perfil dos ciclos de estudos
oferecidos versus os perfis dos diplomados necessários no mercado de trabalho. Contudo, isso
é algo que ultrapassa as funções do Conselho Geral. Aliás, está até mais relacionado com o que
se discute no Conselho Consultivo.
Engenharia
Para os principais atores entrevistados da área de engenharia, a presença de membros
externos nos órgãos de tomada de decisão tem uma influência real e significativa. Eles têm
dado contributos interessantes e relevantes para o plano estratégico, os planos de ação e para
a reestruturação da instituição.
Artes
31
No caso das artes, os docentes de belas artes não consideram o papel dos membros externos
muito positivo, alegando que não existe um contacto direto entre os membros externos e o
corpo docente.
Os estudantes sentem que não sabem muito sobre a governação da instituição e estrutura de
gestão nem sobre a forma como podem eles próprios participar na vida da instituição.
Referem também que deveria existir mais comunicação e deveriam ser fornecidas mais
informações, a fim de aumentar a participação dos estudantes.
3. As diferentes unidades da instituição (faculdades) ou programas incluem alguma
representação dos stakeholders nos órgãos de tomada de decisão ou consultivos, que
têm algo a dizer sobre aspetos relevantes da qualidade, para além do que está
previsto/definido? Se sim, quais os stakeholders, quais os órgãos, e em que
números/proporções do total de membros?
Durante a organização estatutária da escola superior de tecnologia, a composição da comissão
estatutária incluía 3 membros externos da região (num total de 12 membros) com ligações à
indústria e à gestão de uma escola.
O ciclo de estudos de artes plásticas tem um Conselho Consultivo constituído por diversos
autores de renome e artistas. Estes são profissionais de artes plásticas e não têm qualquer
ligação ao mundo académico. Foram convidados porque têm profissões que abrangem as
diferentes áreas de competência que o ciclo de estudos cobre. Existem atualmente 3 membros
externos neste conselho: um artista, um galerista e um comissário.
Antes das recentes alterações na organização institucional, cada ciclo de estudos tinha o seu
próprio Conselho Consultivo, que de facto era útil. Agora, apenas engenharia civil tem um
Conselho Consultivo.
4. Até que ponto as opiniões dos stakeholders (e de quais stakeholders) são tidas em
consideração e porquê?
Neste instituição, e embora os membros externos do Conselho Geral não tenham qualquer
opinião obrigatória em termos pedagógicos, por vezes estes são questionados sobre
alterações nos currículos dos ciclos de estudo, o perfil de competências que os graduados
32
deveriam ter e/ou o seu perfil profissional. Além disso, a instituição pede por vezes a opinião
de outros agentes externos que não são membros de qualquer dos seus órgãos de decisão,
porque todos os diretores de curso querem ter opiniões de membros externos de forma a
sustentar as mudanças na estrutura e currículo dos seus ciclos de estudo.
Durante a transição para o sistema de Bolonha, quando os ciclos de estudo tiveram que ser
adaptados, os membros externos foram convidados a dar a sua contribuição. Assim, foram
realizadas reuniões, para cada um dos ciclos de estudo, para as quais foram convidadas a
participar pessoas com um currículo relevante em cada uma das áreas. Na época, os antigos
alunos também foram contactados, a fim de melhor compreender quais as áreas que deveriam
ser reforçadas.
Ocasionalmente, a instituição também aplica um questionário aos empregadores e antigos
alunos para conhecer qual a situação de emprego dos seus diplomados e para saber até que
ponto os ciclos de estudos fornecem as competências necessárias para o seu trabalho atual.
Um questionário é igualmente feito aos estudantes para recolher as suas opiniões sobre os
diferentes aspetos da vida da instituição: o desempenho pedagógico das unidades curriculares,
as instalações, o conteúdo das unidades curriculares, os docentes e o material de apoio. É com
base nos resultados desses questionários que alguns aspetos estão a ser monitorizados, tais
como a implementação do processo de Bolonha, a qualidade das instalações e dos serviços de
apoio. De acordo com o representante dos estudantes da instituição, de uma forma geral os
estudantes queixam-se sobre os questionários que têm que responder, alegando que são
muitos.
Engenharia
No caso de engenharia civil, as opiniões dos stakeholders são tidas em consideração,
basicamente, através de mecanismos informais (estágios, projetos de investigação e de
consultoria, relações com algumas empresas da região, relações através dos CETs, etc). Isto
pode, ocasionalmente, levar a alterações nos ciclos de estudo, nomeadamente no conteúdo de
algumas unidades curriculares e na definição de metodologias de trabalho. Por exemplo, os
objetivos do mestrado em reabilitação urbana foram definidos com a ajuda de um grupo de
empresas que há muito têm colaborado com o ciclo de estudos de engenharia civil, tendo as
suas preocupações sobre esta área sido incluídas no desenho do novo ciclo de estudos.
33
Tem havido igualmente um ajuste no ciclo de estudos de engenharia civil, com um forte ênfase
à reabilitação urbana, uma vez que hoje em dia existem menos obras. Os estudantes
consideram que este ajuste resultou de influências externas.
Por outro lado, o facto da maioria do pessoal docente do ciclo de estudos de engenharia civil
estar agora em formação avançada e, portanto, ter contacto com docentes de outras
instituições, também tem contribuído para alterar o conteúdo das unidades curriculares.
No caso do Conselho Consultivo de engenharia civil, este foi consultado quando houve a
necessidade de reformular o currículo de engenharia civil de acordo com o processo de
Bolonha. Atualmente, o ciclo de estudos está à espera da definição legal do papel e funções
deste conselho.
Relativamente aos estudantes, estes referem que dão feedback sobre uma série de questões
relativas ao seu ciclo de estudos através dos questionários. Afirmam que os resultados dos
questionários são publicados online na página da instituição, ficando assim disponíveis para
todos. O problema é que apenas são publicados dados agregados e os estudantes gostariam
de ver algumas questões mais específicas divulgadas, tais como a avaliação de cada docente.
Eles referem ainda que não conseguem ver, a partir dos dados publicados, se os esforços de
melhoria estão de facto a acontecer.
Artes
No caso do ciclo de estudos de artes plásticas, o seu Conselho Consultivo é sempre consultado
quando há a necessidade de fazer ajustes (mesmo pequenos) no seu currículo. Os seus pontos
de vista sobre os objetivos que o ciclo de estudos deve ter para que os estudantes adquirem
certas competências, bem como sobre os perfis dos graduados são os primeiros a ser
recolhidos. O Conselho Consultivo tem uma responsabilidade direta na conceção do currículo
do ciclo de estudos.
De acordo com o diretor da escola, os estudantes têm uma palavra a dizer sobre a avaliação do
desempenho do pessoal docente.
O diretor do curso de artes plásticas refere o questionário como uma forma de recolher o
feedback dos estudantes, nomeadamente sobre os docentes, os ciclos de estudo como um
todo, a adequação de metodologias de avaliação, entre outros aspetos. Ele também refere as
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reuniões do conselho pedagógico, as conversas com o representante dos estudantes sobre o
ciclo de estudos, bem como a comunicação mais informal entre docentes e estudantes que
ocorrem nas salas de aula.
Os docentes de artes afirmam que, de uma forma geral, cada docente altera a sua abordagem
de ensino depois de conversar com os estudantes. Os questionários também são uma forma
de recolher o feedback dos estudantes sobre o desempenho dos docentes, levando assim a
mudanças na forma como ensinam. Os docentes mencionam ainda que as conversas com os
estudantes são a forma preferida para recolher o feedback sempre que ocorrem revisões
curriculares: redefinição do ciclo de estudos, conteúdos das unidades curriculares e métodos
de ensino.
Relativamente à opinião dos estudantes, estes não vêm qualquer efeito que derive dos
resultados dos questionários a que respondem. Afirmam que algumas situações mudam de um
ano para o outro, mas o essencial permanece igual.
5. As opiniões dos stakeholders estão a ser consideradas nos requisitos e currículos do 1º
Ciclo?
O facto de esta instituição ter um número significativo de especialistas no seu quadro docente
(ou seja, pessoas que não trabalham em tempo integral na academia e que têm outras
atividades profissionais) ajuda a estabelecer relações com a comunidade externa, permitindo
conhecer melhor o que é necessário em termos de competências e perfis dos diplomados.
Estas pessoas são sempre incluídas nos conselhos consultivos dos ciclos de estudo (que são
responsáveis pela supervisão dos ciclos de estudos), e as suas opiniões são sempre recolhidas
quando está prevista uma alteração no currículo do ciclo de estudos.
Por outro lado, os membros externos também estão presentes nos workshops e conferências
que a instituição organiza. Normalmente, a instituição convida os principais atores da região, o
que lhe permite recolher as suas opiniões sobre as tendências do desenvolvimento regional.
A instituição está agora a promover parcerias de ensino com a indústria e laboratórios em
diversos ciclos de estudo. Algumas das aulas formais são ministradas por pessoas da
comunidade externa (embora com a supervisão científica dos docentes da instituição). Por
vezes, as aulas acontecem mesmo fora da instituição.
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Os estágios são, no entanto, um dos mecanismos informais mais relevante para o contacto
com stakeholders externos. Esta é considerada como uma situação vantajosa tanto para a
instituição como para a entidade que oferece o estágio.
Engenharia
No caso de engenharia civil, o estágio constitui um meio útil para estabelecer contactos com
stakeholders externos e é também a opção favorita de entre as possíveis dadas aos estudantes
no último ano do mestrado. O perfil do ciclo de estudos pode ter sido alterado como
consequência do feedback dos estágios.
Na área de engenharia civil, algumas das necessidades do mercado estão a ser respondidas
através da oferta de cursos CETs (cursos de formação pós-secundária de curta duração e
oferecidos pelo ensino politécnico). Quando estes CETs são bem aceites, também permitem
aos ciclos de estudos considerarem ajustamentos nos seus currículos e nos conteúdos das
diferentes unidades curriculares.
Além disso, o ciclo de estudos de engenharia civil organiza anualmente 3-4 workshops com a
presença de stakeholders externos. Há também visitas de estudo a empresas que permitem
aos estudantes verem potenciais aplicações do que aprendem na academia. Nas entrevistas
efetuadas, também foi mencionado que um dos docentes do ciclo de estudos de engenharia
civil, que é membro da Associação Profissional dos Engenheiros Técnicos, contribuiu muito
para a definição dos objetivos do ciclo de estudos.
Na perspetiva dos estudantes de engenharia civil, as alterações ocorridas no seu ciclo de
estudos sofreram influências externas, mas consideram que não é claro para eles quem está
de facto por detrás disso. Eles também acham que, na maioria das vezes, são os docentes que
fazem os primeiros contactos com as organizações externas, abrindo assim o caminho para os
estudantes se candidatarem a estágios.
Artes
O ciclo de estudos de artes plásticas tem estabelecido protocolos com diferentes municípios e
galerias de arte, em termos de promoção do apoio cultural e artístico. Isso permite aos
estudantes terem uma ideia mais clara do que poderá ser o seu trabalho depois de se
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graduarem. Quando saem da escola para montarem uma exposição, os estudantes ficam a
perceber melhor o que realmente significa ser um artista.
Além disso, vários artistas têm participado nas aulas formais. Este contacto é bastante útil para
os estudantes, porque os artistas falam sobre o seu trabalho e sobre as suas experiências
como artistas, o que permite aos estudantes compreenderem melhor as oportunidades e
ofertas do mercado de trabalho.
Recentemente, foi lançado um projeto na instituição para mostrar, nas cidades e vilas mais
próximas, o trabalho realizado pelos estudantes. Há também a ideia de se criar uma exposição
itinerante para ser apresentada em toda a região.
Por fim, o ciclo de estudos tem vindo a desenvolver um projeto chamado "Galeria" que tem
permitido estabelecer relações entre o corpo docente, os estudantes e membros da
sociedade.
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QUALIDADE E STAKEHOLDERS - Casos Institucionais -