OS SEAREIROS
CASA DE JESUS
I.E. PARTHENON
NÚCLEO MÃE MARIA
DEPARTAMENTO DE DIVULGAÇÃO
CURSO DE
DOUTRINA ESPÍRITA
MÓDULO I
CONSIDERAÇÕES INICIAIS
O objetivo deste curso é informar os que o procurarem
sobre a posição da Doutrina Espírita com relação à
existência do homem, através de uma visão racional e
madura.
Cabe aos participantes a análise despreconceituosa e o
posicionamento de acordo com os seus princípios.
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MENSAGEM INTRODUTÓRIA
“De que valeria crer na existência dos espíritos se esta crença não tornar melhor, mais
bondoso e mais
indulgente para com os seus semelhantes, mais humilde e mais
paciente na adversidade aquele que a adotou?
(...) todos os homens poderiam
crer nas manifestações espirituais e a Humanidade permanecer estacionária.”
Allan Kardec
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ÍNDICE
CAPÍTULO
PÁGINA
 DEUS
5
 HÁ ESPÍRITOS?
6
 FLUIDOS
12
 AS TRÊS REVELAÇÕES
16
 O QUE É O ESPIRITISMO
23
 ESPIRITISMO E OUTRAS DOUTRINAS ESPIRITUALISTAS
30
 PRÁTICAS ESPÍRITAS E NÃO ESPÍRITAS
32
 ESPÍRITO E MATÉRIA
38
 O CÉU E O INFERNO
43
 REENCARNAÇÃO
48
 PAIS E FILHOS À LUZ DA REENCARNAÇÃO
53
 MANIFESTAÇÕES ESPIRITUAIS
55
 MEDIUNIDADE
60
 A CASA ESPÍRITA
66
Edição revista em 2011
Os Seareiros
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DEUS
Sempre houve, em todas as épocas, em todos os povos, a ideia da existência de um
ser, além da matéria, orientando a vida dos homens. Este ser superior sempre foi
caracterizado de acordo com as limitações e necessidades dos diferentes povos e
tempos. O homem carrega dentro de si um sentimento intuitivo da existência de Deus.
Que é Deus?
Em primeiro lugar devemos notar a perspicácia de Kardec ao formular esta pergunta
aos espíritos superiores que lhe assistiram na codificação da Doutrina. Ele não
perguntou Quem é Deus, mas Que é Deus, partindo assim, do princípio de que Deus
não é um ser como nós homens. Os espíritos lhe responderam que “Deus é a
inteligência suprema, causa primeira de todas as coisas.”
“Deus, acima de tudo justo, governa o Universo por intermédio de princípios imutáveis
e perfeitos, conhecidos coletivamente pelas Leis de Deus ou Lei Divina. Ela provê a
ordem, corrigindo os abusos permitidos; a desordem é local e transitória”.
Carlos T. Rizzini
A inferioridade das faculdades do homem não lhe permite compreender a natureza
íntima de Deus. Sendo assim, todas as definições tornam-se insuficientes, incompletas
e de certo modo induzem ao erro. Lentamente, através de sua evolução espiritual, o
homem começará a entrever o verdadeiro significado da palavra Deus.
Provas da existência de Deus
Observando-se a grandiosidade do micro ao macrocosmo, deduz-se a existência de
uma suprema e soberana inteligência, infinita em todas as suas perfeições. Seja na
Terra, nos esplendores da vida que se expande em sua superfície, em suas planícies,
vales, montanhas e mares, que a morada terrestre oferece, seja na potente máquina
do Universo que se agita silenciosamente nos bilhões de astros que o compõem,
revela-se e manifesta-se a todo o momento a presença divina: perfeita e inteligente.
Atribuir a maravilhosa obra da criação ao acaso seria um contrassenso, pois que o
acaso é cego, na verdade, não é nada, não podendo assim produzir os efeitos da
inteligência. Um acaso inteligente não seria mais um acaso.
Partimos então do princípio de causa e efeito. Para todo efeito inteligente existe uma
causa inteligente. Sabe-se que a inteligência humana não é a causa da vida, nem
suficiente para manter ou conservar o poder da vida.
Conhece-se um provérbio: pela obra se conhece o artífice.
A Doutrina Espírita demonstra a existência de Deus sem alegorias, com sentido claro e
preciso, de maneira que não possa ser objeto de falsas interpretações.
O homem não deve procurar Deus nos templos de pedra ou de mármore e sim no
templo eterno da Natureza, no espetáculo dos mundos a percorrerem o infinito, e
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principalmente no templo vivo de sua consciência que somente precisa desenvolver
suas percepções para reconhecê-lo.
Atributos de Deus
A linguagem humana é impotente para exprimir o que seria Deus uma vez que o
homem utiliza termos e nomes limitados em seus conceitos, limitando desta forma o
que é infinito. Não dispondo de expressões mais adequadas, o homem atribui a Deus
as suas perfeições que de seu (ainda restrito) ponto de vista consegue elaborar. São
elas:
 eterno - se tivesse tido um começo teria saído do nada, ou teria sido criado, ele
mesmo, por um ser anterior.
 imutável - se estivesse sujeito às mudanças, as leis que regem o Universo, não
teriam estabilidade nenhuma.
 imaterial - sua natureza difere de tudo que chamamos de matéria, de outro modo ele
não seria imutável, pois estaria sujeito às transformações da matéria.
 único - se houvessem vários Deuses não haveria unidade de visão, nem unidade de
poder na ordenação do Universo.
 todo poderoso - porque é único, onipotente, com soberano poder; caso contrário
haveria alguma coisa mais poderosa ou com poder igual, sendo assim não teria
feito todas as coisas e as que não tivessem sido obra sua seriam de outro deus.
 soberanamente bom e justo - comprovado pelas suas leis que revelam nas menores
coisas, como também nas maiores, a grandiosidade de sua bondade e justiça.
BIBLIOGRAFIA :
1-3-5-6
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HÁ ESPÍRITOS?
Indagações sobre a existência de um mundo espiritual paralelo ao nosso existem
desde os mais remotos tempos. Nota-se nos últimos séculos, um interesse maior em
investigação sobre a existência ou não dos espíritos.
A seriedade do trabalho de incansáveis pesquisadores que dedicaram décadas de
suas vidas a estes estudos nos trouxeram não só preciosos esclarecimentos, bem
como estimularam a fé raciocinada.
Quem são os espíritos?
A grande dúvida sobre sua existência ou não, paira, na maioria das vezes, no
desconhecimento de sua natureza. Os espíritos não são como frequentemente se
imagina, seres à parte da criação. São seres inteligentes, pensantes, são as almas
daqueles que viveram sobre a Terra ou em outros mundos apenas livres de seu
envoltório corporal - os espíritos somos nós. Possuem corpo de natureza diferente
da do corpo físico, mas com forma, como nós, apesar de serem mais fluídicos e em
condições normais invisíveis para o homem. Não são de forma alguma seres
abstratos, vagos e indefinidos, são sim, seres concretos e circunscritos, que ocupam o
espaço universal formando um mundo invisível, nos acotovelando sem cessar. Se, em
determinado momento, o “véu” que os oculta pudesse ser levantado, veríamos uma
população de seres como nós ao nosso redor. Por sua presença permanente em
nosso meio, os espíritos são os agentes de diversos fenômenos, desempenhando
papel importante no mundo moral e até certo ponto no mundo físico, constituindo,
desta maneira, uma das forças da Natureza.
Por estarem despojados das limitações do envoltório carnal, os espíritos possuem
suas faculdades mais desenvolvidas, salvo os menos preparados, que ainda sofrem as
limitações de suas próprias vibrações.
O homem nada mais é senão um espírito aprisionado em um corpo físico. A falta de
conhecimento dos princípios da Doutrina leva as pessoas a acharem que os espíritos,
por estarem livres da matéria, são possuidores de sabedoria e elevação. Há aí um
grave erro. A morte do corpo físico não torna o espírito nem melhor nem pior. O
progresso e a elevação espiritual se processam com o tempo, através de sucessivas
reencarnações e períodos de aprendizado no plano espiritual, dependendo do próprio
espírito o tempo necessário para atingir a plenitude de sua evolução. Sabedoria e
elevação são, portanto, virtudes lentamente conquistadas por todos os espíritos
através do exercício do amor.
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Provas da existência dos espíritos
O Espiritismo de forma muito lúcida observa os fatos tidos por sobrenaturais, levanta
hipóteses, experimenta e a partir daí traça sua teoria. O espírita crê na existência dos
espíritos porque estuda e analisa estas teorias sempre à luz da lógica espírita, que é
brilhante e em momento algum depõe contra a sua inteligência.
Aos não espíritas, a certeza da existência dos espíritos só virá através do
posicionamento positivo e despreconceituoso em relação às evidências dos fatos
estudados por pesquisadores no mundo inteiro.
Evidenciamos a existência dos espíritos através de:
 manifestações físicas inteligentes (materializações, psicografias, comunicações
inteligentes via aparelhos,...) estudados por cientistas no mundo inteiro e que não
podem ser explicados sem o concurso de forças inteligentes e invisíveis;
 estudos minuciosos sobre reencarnação sejam através de situações naturais como
os casos estudados pelo Dr. Banerjee, pelo Professor Ian Stevenson ou pelo nosso
Dr. Hernani Guimarães de Andrade, para citar os mais conhecidos, ou seja, aqueles
em que terapias especializadas levaram a estas descobertas como o caso da TVP;
 experiências do dia a dia que se transformaram em ricos estudos como o caso do
trabalho do Dr. Raymond Moody Junior com seus pacientes com morte clínica;
 manifestações citadas na Bíblia e outros livros sagrados que o homem não
consegue entender ou explicar com o que conhece;
 estudo e pesquisa da Doutrina Espírita através de seus inúmeros adeptos e
simpatizantes da área da ciência.
O homem cada vez mais se envolve com estes estudos. Em todos os cantos do
mundo, dia a dia surgem fatos e descobertas que comprovam a existência do espírito.
A beleza disto tudo é ver que a verdade aos poucos chega ao homem, sem
preconceito de seita ou religião.
TCI : Transcomunicação Instrumental - A constatação Científica
“Se a nossa personalidade sobrevive, então é estritamente lógico e científico presumir
que ela retém a memória, o intelecto e outras faculdades e conhecimentos que
adquirimos nessa Terra. Portanto, se a personalidade existe depois daquilo que
chamamos morte, é razoável concluir que aqueles que abandonaram esta Terra
gostariam de comunicar-se com aqueles que aqui deixaram... Caso este raciocínio
esteja correto, então, se pudermos produzir um aparelho tão delicado que possa ser
afetado, ou movido, ou manipulado... por nossa personalidade, tal como ela sobrevive
na vida que vem a seguir, tal instrumento, quando estiver à nossa disposição, deverá
registrar alguma coisa.”
Thomas A. Edison
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A palavra Transcomunicação é uma combinação de dois vocábulos: transcendental +
comunicação e designa todo e qualquer tipo de comunicação entre o plano físico e o
extrafísico.
Há muito tempo o homem tenta a comunicação com os espíritos através de aparelhos,
quase todos baseados nas propriedades da eletricidade e do magnetismo. A este tipo
de comunicação dá-se a denominação de TCI - Transcomunicação Instrumental e abre
novos caminhos à pesquisa científica no campo espiritual.
Pesquisadores famosos de vários países tentaram, muitas vezes com êxito relativo às
limitações da época, algum tipo de comunicação com o mundo dos mortos através de
instrumentos. Dentre os mais conhecidos temos Thomas Edison que dedicou longos
períodos de suas pesquisas ao campo psíquico. Apenas em 1920, contando já com 72
anos de idade, foi que Thomas Edison declarou publicamente sua ligação com a
pesquisa psíquica.
EVP - O Fenômeno das Vozes Eletrônicas
As vozes eletrônicas partiram de uma iniciativa dos espíritos de se manifestarem
através de fitas magnéticas comuns, usadas em gravadores de qualquer tipo.
Um dos pioneiros neste tipo de experiência foi o sueco Friedrich Jüergenson, homem
de grandes dotes artísticos e possuidor de extrema sensibilidade. Viveu sua grande
aventura em 1.959, quando, tentando gravar o som de pássaros em sua casa de
campo na Suécia, verificou que o gravador havia captado sons estranhos. Havia um
solo de clarim (trompete) executando uma música, o canto de uma ave noturna (o seu
gravador foi ligado às 14:00 horas e por ele mesmo desligado após alguns minutos) e
uma voz abafada exprimindo-se em norueguês (ele encontrava-se na Suécia).
Decidido a entender o que ocorria, dedicou-se ao estudo científico do fenômeno
multiplicando suas experiências. Depois de algum tempo, os espíritos passaram a
orientá-lo em suas experimentações e com isto iniciaram a comunicação via um
aparelho de rádio indicando-lhe as frequências nas quais conseguiam exprimir-se.
Seu trabalho maravilhoso foi analisado pelos altos membros da Igreja Católica que não
puderam negar os fatos e em 1.969 Juergenson foi condecorado pelo Papa Paulo VI
com a Comenda da Ordem de São Gregório, o Grande, como reconhecimento pela
autenticidade das vozes. O Vaticano não deu ainda um pronunciamento oficial, mas se
mostra favorável às pesquisas do gênero.
O filósofo e escritor letão Konstantin Raudive foi outro incansável pesquisador que
durante anos dedicou-se, quase que sem repouso, ao estudo das vozes eletrônicas.
Deixou três livros e um número impressionante de fitas magnéticas gravadas com
vozes de espíritos. Estas se encontram arquivadas na Inglaterra e na Alemanha, à
disposição dos interessados. Após sua morte, Raudive tem se comunicado com vários
pesquisadores via TCI.
O Spiricom (Spirit + Communication)
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Aparelho desenvolvido pelo engenheiro norte americano Dr. George Meek com o
intuito de possibilitar o diálogo entre os encarnados e os desencarnados. Partiu do
fenômeno das vozes dos espíritos gravadas em gravadores comuns, o EVP, que sob
esta sigla encobria a verdadeira origem das vozes, facilitando assim um estudo mais
profundo. Utilizando-se das faculdades mediúnicas de determinados indivíduos, Meek
conseguiu obter resultados mais satisfatórios, uma vez que foi orientado pelos próprios
espíritos em como agir. No início da década de 70 surgiu o primeiro Spiricom chamado
de Mark I e a partir de aprimoramentos neste primeiro, foram surgindo outros. As
primeiras tentativas de comunicação com o plano espiritual consistiram na emissão de
sinais utilizando uma transmissão de alta frequência como onda portadora. O primeiro
grande sucesso foi alcançado em 1.977 quando Meek conseguiu obter comunicação
verbal através de seu aparelho com um homem que havia falecido há cinco (5) anos.
As comunicações via Spiricom foram gravadas em fitas cassete. O Spiricom
proporcionou grandes avanços na técnica da comunicação eletrônica com o mundo
dos espíritos, abrindo caminho para a realização do Vidicom.
“Com nossa pesquisa Spiricom, precisamos manipular energias do mundo espiritual a
respeito das quais nossas ciências são totalmente ignorantes.”
G. W. Meek
Trans-Textos (Transcomunicação pelos Computadores)
Em 1.986, nos EUA, Ken Webster, um professor de economia teve seu computador
“assombrado” pelo espírito de um homem chamado Thomas Harden, morto há mais de
400 anos. Após criterioso e longo estudo, foi constatado que o inglês bastante arcaico
usado nas comunicações era o falado no século XVI.
Hoje existem vários casos registrados de comunicações espirituais via computador,
tendo sido observadas apenas na Inglaterra, centenas de transmissões.
O Vidicom (Transcomunicação via Televisão)
“Breve nos mostraremos todos na televisão.”
A promessa feita pelos espíritos através do Spiricom no 2º Congresso Internacional de
Vozes e Imagens de Outra Dimensão realizado em Junho de 1.986 na Itália, tornou-se
realidade em 1.987 e passou a ser intensamente estudada.
Tivemos em 1.991 a presença do padre católico François Brüne, trazendo palestras
elucidativas sobre TCI, via extenso programa cobrindo oito cidades brasileiras.
Incansável divulgador da TCI, Pe. Brune esclarece que “os fenômenos que comprovam
a existência dos espíritos sempre existiram, apenas a TCI é mais direta e objetiva”.
A materialidade que caracteriza o cotidiano humano não lhe permite uma visão mais
ampla das realidades que o cercam. Há de chegar o dia em que o homem enxergará,
em processos como o EVP, Spiricom e Vidicom, a grandiosidade da sua proposta.
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Em maio de 1.992 aconteceu em São Paulo, o Congresso Internacional de
Transcomunicação com a presença das maiores autoridades no assunto.
Existem hoje no Brasil vários grupos estudando TCI.
O Maravilhoso e o Sobrenatural
Por sobrenatural entende-se tudo que foge às Leis da Natureza. Nada há de
semelhante na Doutrina Espírita, onde não existem milagres nem mistérios, muito
menos fenômenos sobrenaturais. O Espiritismo parte do princípio que todo efeito
inteligente deve ter uma causa inteligente, tendo todos os seus fenômenos
fundamentados nas Leis da Natureza, vindo inclusive muitas vezes demonstrar a
impossibilidade de muitos dos “fenômenos sobrenaturais”, classificando-os como
crenças supersticiosas. Muito certamente, em séculos passados, o telefone, a TV, o
rádio, os computadores, a luz, etc, seriam considerados fenômenos sobrenaturais,
inclusive, provavelmente, assustando a muitos.
Hoje o homem estuda e comprova a existência de forças invisíveis, como por exemplo
a eletricidade e as ondas magnéticas aceitando-as como “naturais”.
Todos os fenômenos espíritas têm por princípio a existência do espírito, sua
sobrevivência ao corpo e suas manifestações.
É através do estudo que raciocinamos e entendemos as manifestações espirituais,
acabando com os envolvimentos místicos a elas vinculados.
BIBLIOGRAFIA:
1-2-3-12-14-82-83
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FLUIDOS
Elementos Gerais do Universo
No Livro dos Espíritos, os espíritos respondem a Kardec que Deus, inteligência
suprema, Deus criação, dá origem a dois elementos gerais:
- O Princípio Inteligente Universal - fonte de criação do elemento espírito, e o
- Fluido Universal - fonte e princípio básico de todos os fluídos, do qual deriva um
campo imenso de variações da matéria.
Fluido Universal
Fluido (lê-se fluido e não fluído) é o termo utilizado para a designação genérica de
líquidos e gases.
Em Espiritismo o termo fluido possui um sentido mais amplo, abrangendo tudo quanto
importa à matéria, da mais grosseira a mais sutil, podendo ser tão etérea e diáfana que
nenhuma impressão cause aos nossos sentidos.
Baseado nas informações dos espíritos a Kardec, Fluido Universal é o princípio
elementar, a substância primária que, através de suas modificações e transformações,
dá origem a todos os estados da matéria existentes no Universo, desde a matéria
tangível à mais sutil como o ar, a luz, o calor, a eletricidade, chegando até mesmo
àquelas que escapam aos sentidos humanos e aos atuais instrumentos de análise.
O estudo dos fluidos pode se dar a partir de qualquer coisa: uma flor, um pedaço de
metal, o corpo humano, o ar que respiramos, etc. Sabemos que tudo o que existe é
formado por substâncias fluídicas que, sofrendo inúmeras transformações mediante as
leis da Química e da Física, compõem os três reinos da natureza: o animal, o vegetal e
o mineral. Ao analisarmos uma flor, por exemplo, vemos que a energia condensada de
acordo com as leis da natureza que lhe dá a forma que enxergamos, o fluido vital que
lhe proporciona a vida, e o perfume que aspiramos, são todos diferentes combinações
de imensa variedade de fluidos que preenchem o espaço. No homem, logo após a
fecundação, inicia-se o processo de condensação dos fluidos. Quando nasce, é
rodeado de fluidos, seja no ar que respira, seja no alimento que ingere, seja no mar de
pensamentos e vibrações que o envolve.
Os seres e as coisas, dos micróbios aos astros que se movimentam incessantemente
no Universo, estão todos mergulhados no fluido cósmico universal e interpenetrados
por ele.
Conhecer as leis que regem os mecanismos de ação e manipulação fluidica é
fundamental para o entendimento das interações espirituais.
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Manipulação Fluídica
O pensamento, maior atributo do espírito, é o grande laboratório ou oficina da vida
espiritual. O espírito encarnado ou desencarnado, através da vontade dirigindo o
pensamento, imprime aos fluidos direção, aglomera, combina ou dispersa, dando-lhe
aparência, forma e cor. O pensamento é, portanto, uma força criadora, uma vez que o
pensar metabolizando o Fluido Universal plasma as imagens geradas pela mente.
Algumas vezes estas transformações ocorrem conscientemente, outras, são o
resultado de pensamentos inconscientes. Normalmente estas condições estão
relacionadas ao grau de intelectualidade do espírito. Note-se que a referência é ao
aspecto intelectual e não intelectual e moral, portanto espíritos inteligentes mas
inferiores em amor e justiça também podem manipular fluidos conscientemente.
Desta forma, manipulamos fluidos toda vez que pensamos, o que seria o mesmo que
dizer que estamos ininterruptamente manipulando fluídos em estado de vigília ou de
sono, 24 horas por dia, mesmo que não tenhamos consciência disto.
Das mais diversas formas os fluidos etéricos podem ser manipulados. Seguem apenas
alguns exemplos:
Passe
O sábio médico Mesmer, que no século XVIII estudou e adotou a prática do
magnetismo curativo, deixou demonstrado em seus longos anos de trabalho, a
possibilidade da cura através da imposição das mãos. Chamou de magnetismo animal
às emanações fluídicas com propriedades curativas que se desprendiam das mãos.
Em nossos dias, a cura através da imposição das mãos é conhecida pelo nome de
“passe”. O passe é uma transfusão de energias com objetivo de reequilibrá-las
proporcionando ao assistido um equilíbrio psíquico e/ou físico. Para seu sucesso é
imprescindível a consciência da necessidade de doar amor por parte do passista. O
passista consegue, através de sua vontade, dirigir as suas emanações fluídicas
diretamente aos pontos em desequilíbrio do assistido.
O passe não é de uso restrito dos espíritas, sendo aceito em muitas outras Doutrinas e
mesmo no meio científico. No Espiritismo ele não só é aplicado, como também
estudado para que, através de um maior conhecimento, obtenha-se um êxito maior.
- Água Fluidificada - Possuidora de propriedades específicas que lhe permitem a
absorção de expressões mentais (fluidos) de encarnados e desencarnados, a água
fluidificada quando ingerida traduz no organismo os efeitos dos fluidos de que se faz
portadora.
Segundo André Luiz, “é veículo dos mais poderosos para os fluídos de qualquer
natureza, podendo ser empregada, sobretudo como alimento e remédio”.
Prática comum em centros e casas espíritas, a água fluidificada é recurso que sempre
produz bons resultados, devendo ser estimulada desde que ressaltado o valor do
critério, do estudo e da análise séria das circunstâncias e necessidades.
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Música
Os sons musicais sempre encantaram o homem, aliás não só o homem, os animais
também. Os pastores antigamente utilizavam a melodia das flautas para apaziguar
suas ovelhas. Pesquisadores americanos estudam os efeitos de sons musicais suaves
e barulhentos na criação de determinados animais com resultados surpreendentes.
Sabemos que os sons constroem forças magnéticas conforme sua vibração. Quando
suaves e melodiosos, os fluidos são agradáveis e benéficos. Se violentos, perturbam a
nossa paz e ferem os nossos ouvidos.
Psicocinese
A parapsicologia denomina psicocinese a ação da mente sobre a matéria; são aqueles
casos de mover ou entortar objetos. Apenas provam de forma visível a capacidade de
algumas pessoas de conscientemente manipular energias desta forma. Não é prática
espírita e se ficar apenas no campo do “incrível”, não acrescenta nada ao homem. É
preciso que ele enxergue além do fenômeno, de modo a que possa tirar daí lições de
consequências morais.
- Seres da Natureza - Plantas e animais também podem usufruir dos resultados da
manipulação fluídica benéfica. Burle Marx dizia que sua mãe praticamente “chocava”
suas plantas com os olhos, tal seu amor por elas e que de forma magnífica elas
retribuíam este amor através do crescimento vigoroso e das belas floradas.
O livro Evolução para o 3º Milênio de C.T. Rizzini, cap. IV item 5, trata de uma série de
exemplos neste campo. Vale a pena conferir!
Qualidade dos Fluidos
Os tipos de pensamentos e sentimentos determinam a qualidade dos fluidos emitidos.
Pensamentos e sentimentos nobres e puros resultarão em bons fluidos, assim como
maus fluidos serão consequência de pensamentos e sentimentos inferiores e impuros.
Fluídos semelhantes se combinam, contrários se repelem, os fracos cedem aos mais
fortes e os bons predominam sobre os maus.
Em vista destes esclarecimentos faz-se clara a necessidade da vigilância dos
pensamentos e sentimentos, que certamente levará o indivíduo à mudança de hábitos,
proporcionando-lhe a renovação mental. A importância destes esclarecimentos são
claros na colocação do mentor espiritual Aulus sobre uma pessoa de moral elevada em
ambiente de vibrações inferiores: “Quanto aos fluidos de natureza deletéria, não
devemos temê-los. Recuam instintivamente ante a luz espiritual que os fustiga ou
desintegra”. Entende-se aqui por luz espiritual, a psicosfera que envolve cada um
daqueles mobilizados em sentimentos e pensamentos nobres.
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Ação dos Fluidos
O homem sofre constantemente a ação dos fluidos terrestres bem como do fluido
etérico, ou seja, os fluidos que emanam do Alto.
Estes fluidos chegam à Terra trazendo saúde, bem-estar, calma, resignação, coragem
e alegria, porém poucos são aqueles que conseguem deles se beneficiarem. Para isto,
o homem necessita cultivar a pureza de pensamento, palavras e atos.
Maus fluidos também fazem parte do mundo invisível que circunda o homem e são
gerados pelas mentes enfermiças que habitam o planeta. O corpo humano absorve
com facilidade os fluidos externos sendo por eles influenciado de acordo com a sua
natureza. Bons fluidos produzirão sensação agradável, maus fluidos impressionam o
corpo físico com sensações penosas e de desconforto. Uma atuação intensa e
constante dos maus fluidos poderá causar desordens físicas e/ou psíquicas; por outro
lado, a ação constante dos bons fluidos pode curar.
Bibliografia:
1-3-5-6-7-8-9-10-11
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AS TRÊS REVELAÇÕES
Grandes inovações jamais ocorrem repentinamente. A evolução é um processo lento e
gradual para o qual o homem precisa de séculos para assimilar e agir de acordo com
os novos conceitos. A verdade vai aos poucos sendo revelada ao homem, através de
emissários do Alto, os chamados profetas. Chegado o momento propício, Deus envia
um homem com a missão de reunir os elementos deixados aqui e acolá, coordená-los
e formar um conjunto único de ideias, ou seja, uma Doutrina. Desta forma, sem ideias
abruptamente implantadas, ele encontrará homens dispostos a segui-lo. Isto sempre
ocorre, em todas as áreas. É desta maneira que a Humanidade evolui.
Para cristãos com visão espírita existem três grandes revelações transmitidas em
diferentes épocas, que com um desenvolvimento harmônico e progressivo,
proporcionaram um maior e melhor conhecimento espiritual. Estas revelações são: a
Mosaica, a Cristã e a dos Espíritos.
1ª Revelação - Mosaica
Moisés nasceu em época de grandes perseguições dos egípcios aos hebreus que
tinham muito medo que os mesmos, multiplicando-se em demasia, colocassem em
risco a segurança de sua nação. Foi determinado então que todo menino hebreu
nascido fosse morto. O pai de Moisés vendo sua esposa grávida suplica aos céus por
ajuda. O plano espiritual responde que sua mulher lhe daria um filho homem, mas que
seria sempre protegido pela espiritualidade dado a grandiosidade de sua missão na
Terra. Nascida a criança os pais escondem-na até os três meses, quando decidem
entregá-la aos cuidados do mais Alto colocando-o em uma cesta e lançando-a ao rio
Nilo.
Termutis, filha de Ramsés II resgata o bebê das águas, leva-o para o Palácio e dá-lhe
o nome de Moisés que em egípcio significa “salvo das águas”. Míriam, irmã de Moisés
observa tudo, infiltra-se no Palácio e convence Termutis a permitir que Moisés seja
amamentado por uma ama de leite. Traz assim, Jocabel, sua mãe, que não só o
amamenta como, convivendo com ele, lhe ensina a língua hebraica, os costumes e a
história dos Judeus.
Moisés desenvolveu-se sempre se destacando por sua personalidade marcante,
vencendo sempre pela sabedoria e bom senso. Em determinado momento, Moisés
abandonou o Palácio para seguir com os hebreus. Termutis deixa-o partir, sabia que
ele seria muito mais útil aos hebreus do que aos egípcios. Termutis foi uma verdadeira
mãe para Moisés, educou-o com o amor e esmero da dedicação materna.
Compreendeu suas ansiedades e ajudou-o em seus momentos difíceis com os
egípcios.
Moisés foi o espírito preparado para dar início ao processo de disciplina e moralização
da Humanidade.
Moisés implantou o monoteísmo (ideia iniciada por seus precursores Abraão, Isaac e
Jacob), recebeu os 10 Mandamentos e dando-se conta das necessidades da época,
estabeleceu leis próprias.
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A Lei Divina - Moisés recebeu, via mediúnica, no Monte Sinai os 10 Mandamentos
(Decálogo), que representam um resumo dos valores essenciais das Leis de Deus.
Como parte da Lei Divina, são eternos e imutáveis, condensando a lei moral básica.
Os dez mandamentos de Deus:
 01 - Não adorar outros deuses.
 02 - Não idolatrar (não fazer imagens nem figuras para adoração ou prestação de
culto)
 03 - Não tomar o nome de Deus em vão
 04 - Guardar o dia de sábado
 05 - Honrar o pai e a mãe
 06 - Não matar
 07 - Não adulterar
 08 - Não roubar
 09 - Não dizer falso testemunho
 10 - Não desejar a mulher do próximo nem cobiçar nenhum de seus bens
Mesmo tendo um dos mandamentos claramente dito: “Não farás imagens nem
semelhanças de coisa alguma quer esteja no céu, na Terra, nas águas, nem te
inclinarás a elas nem as honrarás”, Moisés entreviu em seu povo a necessidade
materialista de apoio a algo tangível. “O povo não está acostumado a adorar um Deus
invisível”; disse-lhe seu irmão Aarão. Surgiu então o tabernáculo, uma espécie de
templo portátil de madeira, guardando duas tábuas nas quais Moisés rescreveu os Dez
Mandamentos. E pensar que há mais de 3000 anos Moisés já sabia que era
desnecessário o apoio material à ligação a Deus, mas ainda hoje o homem parece
preso a estes recursos.
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2ª Revelação: Cristã
Depois de Moisés, eventualmente eram enviados à Terra espíritos com a missão de
relembrar as Leis Divinas e preparar a Humanidade para um segundo grande passo
em sua evolução.
Há mais de 20 séculos a Humanidade parecia muito religiosa, seguidora dos
ensinamentos de Moisés, mas a verdade era bem outra. Em meio a um povo egoísta,
orgulhoso e violento, Deus envia o espírito responsável pela evolução do planeta.
Jesus, o espírito puro vem à Terra, passando por todas as dificuldades características
dos espíritos aqui encarnados. Vem com a missão de ampliar, cumprir, desenvolver e
dar o verdadeiro sentido às Leis de Deus. Moisés liderou através da força e do medo,
Jesus, através do amor. Resumiu as Leis do Pai em uma só, o mandamento maior:
“Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”. Jesus não
deixou nada escrito mas seus seguidores o fizeram, e assim, através do Evangelho, a
Humanidade recebeu seu código de conduta moral. Jesus foi o exemplo maior de
respeito, cumprimento, e de vivência às Leis de Deus. Demonstrou a necessidade de o
homem ter conhecimento de que a vida na Terra é apenas transitória, sendo a vida
espiritual a verdadeira e eterna. Pregou a existência de outros mundos habitados
(“muitas são as moradas na casa de meu Pai”), a reencarnação (“ninguém poderá ver
o reino de Deus se não nascer de novo”), a necessidade do amor ao próximo (“amai
aos vossos inimigos”), do desenvolvimento das virtudes, enfim, trouxe ao homem um
esclarecimento espiritual muito mais amplo. Precisou colocar algum sentido oculto em
suas palavras, por esta razão falou por parábolas, para que com o tempo, através da
aquisição de maiores conhecimentos e das contribuições da ciência, o homem
entendesse o verdadeiro significado de suas lições. “Muitas coisas tenho para vos
dizer mas não as podeis suportar ainda...”.
Ao serem comparados os ensinamentos de Moisés e de Jesus, deve-se ter em mente
a época e circunstâncias nas quais atuaram. O bom senso é essencial na apreciação,
de modo a serem evitados posicionamentos injustos.
MOISÉS
JESUS
01 - Deus antropomórfico: um homem em ponto
de grande
02 - Deus ditador, ciumento, vingativo, terrível
03 - Judeus - o povo eleito; os outros, os gentios
04 - Ensina a temer a Deus
05 - Trata da vida terrena
06 - Impõe fé cega. Castiga
07 - Usa a pena de Talião
08 - Autoridade absoluta-ditadura
09 - Proíbe a comunicação com os espíritos,
pune com a morte
10 - Determina guerras
01 - Deus é a perfeição suprema
02 - Deus pai misericordioso
03 - Somos todos irmãos
04 - Ensina a amar Deus
05 - Trata da vida espiritual
06 - Prescreve a fé racional.Perdoa
07 - Usa de misericórdia, fraternidade
08 - Autoridade racional – amor
09 - Fala com os espíritos e manifesta-se
como tal
10 - Nada pedir de volta ao próximo
A tabela é de autoria de Carlos Toledo Rizzini
Os Seareiros
18
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Preparação para a 3ª Revelação
Após a morte de Jesus, a história nos conta uma das mais belas passagens do
Cristianismo, a conversão de Paulo na estrada de Damasco, um exemplo a ser
seguido por toda a Humanidade.
Os cristãos sofreram 300 anos de perseguições dolorosas, até a elaboração do Edito
de Milão pelo imperador Constantino, dando liberdade de consciência ao povo. A partir
daí inicia-se uma das maiores e mais duradouras alianças: Igreja e Estado. A invasão
do Império Romano pelos povos bárbaros ocasiona a infiltração de dogmas, mitos,
liturgias e pompas à Igreja, iniciando-se aí o distanciamento da ligação ao Pai de forma
pura e simples, pregada por Jesus.
A seguir entra a Humanidade na época dos “tempos escuros”, a Idade Média, é a
época da volta a costumes mais simples, esquecidos nos tempos pomposos do
Império Romano. São épocas difíceis, mas ricas em oportunidades de reflexão e
mudança de valores. É a época de Francisco de Assis, de Clara, é a época das
Cruzadas, da Inquisição.
Mas a Humanidade segue em sua jornada e dias melhores chegam com o Iluminismo,
o Renascimento, momentos em que o homem volta a acreditar em si, inicia a
desenvolver conscientemente sua razão. É um período precioso, cheio de acréscimos
e muitas vitórias. Este é o momento de Galileu Galilei e o desenvolvimento do Método
Científico, mais tarde, fundamental para o trabalho criterioso de Kardec.
Nos séculos 18 e 19 a razão atinge seu apogeu e as ciências desenvolvem-se a olhos
vistos. Isso torna o homem cético, materialista, distante das religiões.
É neste ambiente cético que em um pequeno vilarejo em Nova Yorque, surgem as
manifestações que atrairão a atenção do Prof. Denizard.
Irmãs Fox
No vilarejo de Hydesville, próximo a cidade de Rochester no estado de Nova Yorque,
em uma tosca cabana moravam o casal John e Margareth e as duas filhas, Margareth
e Kate Fox. Antes deles, moravam naquela casa o casal Bell e a criada Lucrécia
Pelves. As irmãs começaram a ouvir barulhos como pancadas (“raps”) em seu quarto e
depois de algum tempo decidiram dialogar com estes ruídos. Após o “ruído” se
identificar como um espírito foi estabelecido um código de modo a obterem maiores
informações.
Iniciou-se assim um tipo de comunicação rudimentar e precária mas que atingiu seus
objetivos. Utilizaram o alfabeto, um “sim” e um “não”. Através desta “telegrafia
espiritual”, ficaram sabendo tratar-se do espírito de um mascate do Sr. Bell, por ele
assassinado por motivo de roubo e naquela casa enterrado, na adega. Através de
depoimentos da criada Lucrécia, os fatos foram comprovados e quando a parede ruiu
os ossos foram encontrados.
A família era protestante e foi bastante perseguida precisando finalmente mudar de
cidade. Estando já o planeta entrando no início da era científica, vários estudiosos
Os Seareiros
19
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(Owens e Crooks entre eles), se utilizaram da mediunidade das irmãs para importantes
estudos, inclusive protegendo a família das perseguições.
Iniciou-se assim, em 1.848, através das irmãs Fox, o movimento espiritualista dando
demonstrações de mediunidade e provando a possibilidade de comunicação com os
espíritos.
Mesas Girantes
A possibilidade da comunicação com os espíritos repercutiu de tal forma que logo
todos queriam fazer o mesmo. Surgiram então, em 1.850, as mesas girantes, que se
constituíam de pequenas mesas de três pés (para facilitar) e um alfabeto. A pequena
mesa pulava de um lado para outro formando palavras e frases, respondendo a
perguntas. Ficaram tão famosas que logo chegaram também a Europa. Lá viraram
moda, tornando-se o centro das atenções das grandes festas e reuniões.
Consequentemente, a leviandade caracterizava a maior parte das perguntas, bem
como dos espíritos que as respondiam. Devemos, entretanto, nos conscientizar da
importância do aspecto de despertamento que as mesas girantes proporcionaram.
3ª Revelação: dos Espíritos
Nascido em Lion a 03 de outubro de 1.804, em família tradicional que se destacou na
magistratura e advocacia, Hippolyte Léon Denizard Rivail (Allan Kardec) tinha grande
inclinação para as ciências e a filosofia. Dotado de notável inteligência e muito atraído
para o ensino, desde os 14 anos já se utilizava de suas aptidões especiais ensinando
aos seus colegas. Durante os anos de 1.835 a 1.840 promoveu em sua própria casa
cursos gratuitos de Química, Física, Astronomia, etc.; todos dignos de destaque dada a
amplitude de conhecimentos abrangidos. Grande estudioso, foi membro de várias
sociedades sábias, escreveu inúmeras obras educativas e envolveu-se em projetos de
natureza diversa, tendo sempre o objetivo de instruir, esclarecer e unir as pessoas.
Trabalhou silenciosamente durante muitos anos pela unificação das crenças.
Por volta de 1.855 inteirou-se das manifestações dos espíritos e entregou-se a
observações mais profundas fascinado não pelo aspecto fantástico das mesmas, mas
pelas consequências filosóficas que delas poderiam surgir. Entreviu na aparente
futilidade, um fenômeno sério, como que a revelação de novas leis naturais (as que
regem as relações entre o mundo invisível e o visível) e decidiu-se por estudá-lo a
fundo. Compreendeu a gravidade da exploração a que se dedicaria, sabendo ser da
máxima importância usar de seriedade e não leviandade, positivismo e não idealismo
para não se deixar iludir. Reconheceu logo que o conhecimento e estudo de tais
manifestações levariam respostas a uma imensidão de problemas e compreendeu seu
alcance sob o ponto de vista religioso.
“Aplicou a esta nova ciência como fizera até então, o método experimental, sem
elaboração de teorias preconcebidas, observava cuidadosamente, comparava e
deduzia consequências. Dos efeitos, procurava remontar às causas, por dedução e
pelo encadeamento lógico dos fatos, não admitindo por válida uma explicação senão
quando resolvia todas as dificuldades da questão”.
Os Seareiros
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Allan Kardec
Para suas pesquisas, Kardec utilizava-se de médiuns jovens, de 14 a 15 anos,
principalmente por estarem ainda sem nenhum condicionamento. Fazia a mesma
pergunta, a diferentes médiuns, em diferentes localidades com diferentes entidades,
obtendo sempre as mesmas respostas.
Convencido da veracidade dos ensinamentos da Doutrina e do bem que dela poderia
decorrer, Kardec tratou de coordenar os elementos, esforçou-se por torná-la clara e
compreensível a todos. Suas obras são baseadas em perguntas feitas a diversos
espíritos, selecionadas sem prevenção e com total imparcialidade.
São elas:
 O Livro dos Espíritos (1857) - referente a questões filosóficas
 O Livro dos Médiuns (1861) - relativo à parte experimental e científica da Doutrina
 O Evangelho Segundo o Espiritismo (1864) - no que diz respeito ao aspecto moral
 O Céu e o Inferno (1865) - a Justiça de Deus segundo o Espiritismo
 A Gênese (1868) - tratando da criação, dos milagres e das predições
 A Revista Espírita - (periódico mensal iniciado em janeiro de 1858) jornal de estudos
psicológicos
Fundou em 1º de Abril de 1858 a 1ª Sociedade de Estudos Espíritas.
É importante esclarecer que Kardec não era médium. Isto é perfeitamente
compreensível dada à grandiosidade de sua missão. O Codificador da Doutrina
Espírita teria que ser livre de preconceitos, ideias particulares, individualismo e mesmo
influências pessoais de uma só entidade para que o trabalho se tornasse imparcial.
Foi orientado pela espiritualidade a usar o pseudônimo de Allan Kardec em suas obras
(nome que recebeu em encarnação nos tempos dos druidas) pois sendo o nome
Hippolyte Léon Denizard Rivail muito conhecido no mundo científico devido a seus
trabalhos anteriores, poderia comprometer o êxito do empreendimento.
Incansável trabalhador, Kardec sucumbiu em 1869 como viveu, trabalhando, vítima de
um aneurisma, deixando sua passagem marcada pelo exemplo de sua vida.
Jesus anunciou o Consolador dizendo: “Se me amais, guardai os meus mandamentos,
e eu rogarei ao Pai e ele vos enviará outro Consolador a fim de que fique eternamente
convosco”.
O Consolador prometido por Jesus veio na voz dos muitos espíritos que tem espalhado
esclarecimentos, no mundo inteiro através das mais diversas formas de mediunidade
do espírito encarnado, ele vem recordando os ensinamentos do Cristo, corrigindo as
más interpretações e ampliando os conhecimentos. Prega a fé racional, a união da fé e
da ciência, mostrando que ambas precisam caminhar juntas, apoiando-se
mutuamente, sem contradições.
As 3 Revelações são uma constatação da caminhada evolutiva da Humanidade.
Os Seareiros
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Bibliografia:
3-5-15-16-17-18-19-20-21-22
Os Seareiros
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O QUE É O ESPIRITISMO
O termo espírita ou Espiritismo, em meio leigo é acompanhada geralmente do
sentimento de preconceito, causado principalmente por falta de conhecimento do que
é na verdade esta Doutrina que tranquiliza, alegra e consola tantos corações.
Espiritismo muitas vezes está ligado na mente dos leigos, a espíritos se comunicando
e uma vez que não há o entendimento destes processos nem da amplitude da
Doutrina, surge o preconceito.
O homem, em sua caminhada evolutiva, busca incessantemente respostas as suas
indagações. Os princípios que fundamentam a filosofia espírita saciam as indagações
humanas de forma lúcida e racional, pois são elaboradas através da análise científica
dos fatos.
Estes princípios trazem consequências morais ao homem pois entendendo os “comos”
e os “porques” à luz da razão, ele modifica suas atitudes, tornando-se melhor e mais
justo, portanto mais próximo de Deus.
Segundo Kardec, “o Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, da origem e da
destinação dos espíritos bem como de suas relações com o mundo corporal”. A base
principal da Doutrina é a evolução.
Kardec, com muita sabedoria nos diz ainda que “de nada vale crer na existência dos
espíritos, se esta crença não nos tornar mais bondosos e mais indulgentes com os
nossos semelhantes, mais humildes e mais pacientes nas dificuldades e que todos os
homens poderiam crer nas existências dos espíritos e a Humanidade permanecer
estacionária”.
Portanto Espiritismo é reforma íntima, espiritismo é evolução. Ser espírita é conhecer e
praticar, é ser bom e justo é amar desinteressadamente. Aquele que se diz espírita
mas não vive os ensinamentos da Doutrina é apenas um mero simpatizante.
“Desigualdades sociais, enfermidades desavenças ruidosas, conflitos de interesses,
tudo o que gera desgostos e infelicidades ao gênero humano tem na ética a causa e o
remédio. Sim, a solução do programa social virá; porém, só pela ética, pelo império da
lei moral nas consciências, porque somente a lei moral é capaz de resolver, não só o
problema social, mas também todos os demais problemas, visto que todos,
absolutamente todos os que intendem com os interesses humanos são problemas de
ética. Todos, então, por si só se resolvem, porque, regendo-se os seus fatores pela lei
moral, da qual se tornam escravos, desaparece o litígio, e com ele o problema”
....
A. Aguarod
Os Seareiros
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E o que é Moral?
Há 2.400 anos, o sábio grego Sócrates nos deu as primeiras noções de moral
baseadas em princípios éticos e religiosos, afirmando que “os valores do espírito são
eternos” e alertando à “importância de tornar a alma melhor e mais sábia”, sabendo
discernir entre o bem e o mal.
É preciso lembrar, contudo, que a noção de moral varia de acordo com determinadas
épocas ou situações, como a escravidão e os duelos que eram permitidos e praticados
em outros tempos. Matar alguém hoje é contra a lei, mas nas guerras é permitido tirar
a vida de milhares de pessoas. O que queremos dizer com isto é que o conceito de
moral não muda, a visão do homem é que, muito estreita ainda, adapta-o às suas
limitações tendo assim a noção de moral adequada a cada época. Moral é um estado
de desenvolvimento de consciência da existência e necessidades dos nossos
semelhantes. Em outras palavras, é agir com justiça e amor em relação ao próximo em
todos os momentos. “Princípios e regras morais desacompanhados dos sentimentos e
atos correspondentes são meras elaborações intelectuais, ideias, mas inoperantes”.
(Rizzini). O estudo e a ponderação só são válidos como fase preliminar, sendo
necessária a ação imediata.
O conhecimento da imortalidade da alma e de sua destinação após a vida física
proporciona o impulso, o incentivo necessário para que a moral passe de meras regras
a grandes ações.
O maior e perfeito código de conduta moral é o Evangelho. A sua integração na vida
do homem é o único meio de elevação. Entende-se assim por moral os princípios de
justiça e amor citados no Evangelho. Como falamos anteriormente, o amor engloba
todas as virtudes e, sendo assim, o homem de moral elevada é aquele que acima de
tudo é bom e justo e ama seus semelhantes como a si mesmo.
Reforma Íntima
Vê-se, desta forma, que moralizar-se implica em autoanálise, renovação, conquistas
interiores que levarão o indivíduo a evoluir espiritualmente. A isso chamamos de
reforma íntima.
-Quem precisa de reforma intima?
“Todo aquele que: se sinta infeliz; se julgue pouco estimado ou rejeitado; não trabalhe
bem; se afaste dos outros; se irrite ou se deprima com frequência; pense primeiro em
si mesmo; precise falar ou discutir horas seguidas; não suporte ser criticado ou
contestado; se considere superior ou inferior aos outros; padeça de fobias ou inibições;
use o próximo para satisfazer desejos ou conseguir vantagens”.
Carlos Toledo Rizzini
Com isto, vê-se logo que quem precisa de reforma intima somos todos nós, espíritos
ainda enfermos no grande hospital da Terra.
Os Seareiros
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Reforma intima é a renovação interior do ser humano. Consiste na aquisição de novos
valores morais na luta contra paixões vulgares. Modificando sua visão sobre a vida, o
homem vai adquirindo novas virtudes, ou seja, passa a amar mais. Colocando amor
em sua vida ele passa a agir com mais justiça, desenvolve sua paciência e enriquece
sua fé.
A renovação interior exige atenção total. É preciso vigilância constante, controle dos
instintos menos elevados, policiamento de sentimentos, vibrações pensamentos.
Os vícios e as paixões vulgares são difíceis de serem combatidos, pois a sociedade
atual os estimula, em função da distorção de valores. Os vícios, a gula, os tóxicos, o
jogo, o egoísmo, o orgulho, a vaidade e o sexo desregrado podem levar o indivíduo a
estados passionais onde este perde o controle sobre seus atos, ficando a mercê
destes agentes. É uma espécie de fixação mental que pode prender o espírito por
séculos na mesma posição de desequilíbrio. Precisam ser fortemente combatidos.
Para que a reforma intima realmente ocorra, o indivíduo necessita de convicção em
seus propósitos, não se deixando abalar pelas eventuais dificuldades do caminho.
O Triângulo Espírita
“A Ciência por base, firmada na Terra, e a filosofia e a religião projetando-se ao céu em
angulo agudo.”
Emmanuel
A Doutrina Espírita é resultante do equilíbrio de 3 forças interdependentes: a ciência, a
filosofia e a religião.
Filosofia:
A filosofia espírita se baseia em vários aspectos correlacionados. Primeiramente, parte
do princípio de que Deus cria o espírito como um ser pensante, inteligente que préexiste ao nascimento e sobrevive à morte do corpo físico. Continuando vivo,
mesmo depois da morte da matéria, este espírito se comunica com os que aqui
ficaram, sendo assim, o intercâmbio espiritual, um processo natural.
Se a Doutrina visa à evolução, como já foi dito, uma vida apenas, seria um período
muito curto visto o grande número de experiências e valores necessários a serem
assimilados. Temos então, o espírito animando diferentes corpos, passando por
situações e experiências diversas. A este principio chamamos reencarnação. Vidas
futuras são sempre determinadas por experiências passadas, ou seja, para cada ação
existe sempre uma reação, esta é a lei de causa e efeito, a lei do carma, onde se
entenda por carma, não apenas o aspecto negativo, como é comum, mas o positivo
também. Esta lei está estruturada no nosso livre-arbítrio, ou seja, o respeito dos
espíritos superiores à nossa vontade. Através dela podemos nos manter por mais ou
menos tempo em mundos inferiores, colhendo frutos da nossa semeadura.
O livre-arbítrio bem utilizado nos proporciona evolução mais rápida, consequentemente
mundos melhores, de mais luz. Constatarmos assim a pluralidade dos mundos
Os Seareiros
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habitados, cada qual com seus respectivos níveis vibratórios, possibilitando-nos uma
melhor compreensão das palavras de Cristo quando nos disse: “Muitas são as
moradas da casa do meu Pai”.
Vemos então que é uma filosofia que tem por objetivo a evolução espiritual, dando
noções da justiça e bondade divinas. Esta filosofia é responsável por grande parte dos
adeptos da Doutrina e é praticamente impossível descrevê-la em poucas linhas.
Somente através do vivenciamento e estudo da Doutrina é que se torna possível
assimilá-la e entendê-la.
Religião
“Fé inabalável só é aquela que pode encarar face a face a razão em todas as épocas
da Humanidade”.
Kardec
Para podermos falar em religião, teremos que esclarecer alguns pontos importantes.
Quando pensamos em religião, em seu conceito clássico, logo imaginamos templos,
sacerdotes, ritos, imagens, etc. Sob este aspecto então, o Espiritismo não é uma
religião. Necessitamos desta forma, pensar em religião sob outro ângulo. É uma
religião interior, caracterizada por um sentimento de fé e confiança proporcionando a
aproximação do homem a Deus e suas Leis sendo que, assim, atos exteriores perdem
o significado. O espírita é essencialmente religioso. De nada valeria uma filosofia de
vida se não fosse estruturada nos ensinamentos que Cristo nos deixou. O Evangelho
Segundo o Espiritismo esclarece, ampara e fortalece seus seguidores. A prática do
Evangelho no lar deve ser sistemática e persistente; a prece, despretensiosa, pura e
simples, nos ligando a Deus e aos espíritos superiores.
“A religião é um sentimento divino que prende o homem ao Criador”.
Emmanuel
Ciência
A ciência é essencial dentro da Doutrina pois comprova e esclarece os fenômenos
espirituais muitas vezes erroneamente tidos como sobrenaturais. O estudo e as
pesquisas levam o homem a uma fé racional. Segundo Kardec, “para crer não basta
ver, é preciso compreender. O espírita esclarecido se defende do entusiasmo que
cega, observa a tudo fria e calmamente sempre procurando não ser vítima de ilusões,
pois a fé cega destrói uma das mais preciosas faculdades do homem: o raciocínio e o
livre-arbítrio”.
Precursores do Espiritismo na área da pesquisa
Emmanuel Swedenborg - foi um sábio sueco que viveu no século XVIII e que
colaborou sobremaneira com esclarecimentos espirituais na sua época.
Os Seareiros
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Com sua vidência fantástica facilmente entrava em contato com os espíritos e com
isto muito aprendeu. Muitas destas informações recebidas são da mesma linha das
passadas por André Luiz através de Chico Xavier. Fundou a igreja “Nova
Jerusalém” existente até hoje.
Franz Anton Mesmer - Formado em medicina, dedicou longos anos a pesquisa
científica estudando o magnetismo. Por volta de 1775 descobriu que conseguia
curar com a imposição de suas mãos (o que hoje chamamos de passe). Chegou à
conclusão que “a doença é apenas uma desarmonia das criaturas”. Quanta visão
para um indivíduo vivendo em uma época estritamente materialista! Certamente um
emissário do Alto. Hoje, 200 anos depois, começamos a entender que a saúde física
é diretamente proporcional à saúde mental.
Mesmer praticou seus conhecimentos na Áustria e na França sempre sem visar fins
lucrativos. E fácil de entender porque acabou sendo perseguido e teve que se retirar
de Paris, indo refugiar-se na Suíça, em pequeno vilarejo onde terminou sua
passagem pela Terra. Viveu ali, na obscuridade, em grande simplicidade, humilde e
bondoso, em nada lembrando o grande cientista de outrora. Praticava suas curas no
hospital local utilizando-se de uma imensidão de conhecimentos e um grande poder
positivo sobre seus pacientes.
Jean Reynaud - Em 1840, pouco antes do surgimento do Espiritismo escreveu a obra
intitulada “Terre et Ciel” onde comenta sobre reencarnação e progresso espiritual,
entre outros aspectos, ambos princípios básicos da nossa Doutrina. O interessante
deste trabalho é que foi escrito sem estudo nem pesquisa, puramente intuitivo.
Andrew Jackson Davis - Notável médium americano sobressaiu-se pelos seus
trabalhos positivos visando sempre o próximo através de sua magnífica
mediunidade. Em 1847 predisse o aparecimento do Espiritismo.
Prof. Robert Hare - Professor universitário de Química, em 1855 lançou um livro com
os resultados de suas experiências. O Professor Hare provavelmente foi o primeiro
cientista a dedicar-se à investigação mediúnica, demonstrando a existência dos
espíritos e sua comunhão com os vivos.
Os Seareiros
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Ciência Pós Kardec
Robert Dale Owen - Embaixador e membro do Congresso Norte Americano,
interessado pelas manifestações espirituais ocorridas através da mediunidade das
irmãs Fox, procurou-as e iniciou uma série de trabalhos. Nestes, o espírito de uma
mulher chamada Estela, de grande beleza, se materializava na presença de várias
pessoas inclusive seu marido, o banqueiro multimilionário Charles Livermore. De
grande importância foram estes trabalhos por terem sido os primeiros casos de
materialização estudados cientificamente e com resultados tão satisfatórios.
William Crookes - Físico e Químico inglês, prêmio Nobel de Física respeitado nos
meios de estudos espirituais, dada a sua importância na pesquisa de
materializações. Conseguiu através da médium Florence Cook, as mais perfeitas
materializações de que se tem notícia até a presente data. O espírito materializado
chamava-se Katie King, de rara beleza, tinha seu peso e pressão arterial tomados e
mechas eram cortadas de seus cabelos. Em nada se pareciam com os da médium
Florence Cook. Quando questionada sobre o motivo pelo qual se materializava,
Katie respondeu que para convencer o mundo da sobrevivência do espírito após a
morte do corpo físico assim como também resgatar dívidas passadas.
Oliver Lodge - Foi um físico inglês que se destacou na pesquisa psíquica declarando,
depois de muitos anos de estudo, que “a sobrevivência da alma está cientificamente
provada através da investigação científica”.
Charles Richet - Célebre cientista, fundador da Metapsíquica, Richet recebeu em
1913 o prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia. O mais curioso a seu respeito é que
devido a seu ceticismo estudou fenômenos espirituais durante 40 anos, tentando
encontrar alternativas às respostas espíritas, mas acabou convencido da realidade
espiritual.
Tantos foram e são os pesquisadores e estudiosos do Espiritismo, que é difícil tentar
enumerá-los sem deixar de citar um nome bastante importante. Dos que mais se
sobressaíram não poderíamos deixar de mencionar: Flamarion (astrônomo), Lombroso
(antropólogo), Bozzano (filósofo), Geley (biólogo) e os valorosos Gabriel Delanne e
Léon Denis, incansáveis trabalhadores que tanto contribuíram ao entendimento da
filosofia da Doutrina.
Hoje temos cientistas no mundo inteiro estudando e esclarecendo cada vez mais o que
os espíritos nos disseram há tanto tempo e dizem até hoje. Em 1990 tivemos no Brasil
a presença de uma das maiores celebridades em estudos espirituais, a cientista e
parapsicóloga russa Barbara Ivanova que citou, entre outros, a importância do estudo
e da pesquisa do Prof. Hernani Guimarães de Andrade aqui no Brasil.
Vemos assim, a importância da pesquisa científica dentro de uma Doutrina racional.
A literatura científica da Doutrina complementa amplamente o que, de maneira tão
resumida, foi exposto neste despretensioso trabalho.
Os aspectos filosóficos-científicos-religiosos acima abordados caracterizam uma
Doutrina moderna e madura que consegue satisfazer aos anseios e necessidades do
homem como um todo.
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Objetivos
O objetivo maior do Espiritismo é guiar o homem na sua evolução espiritual,
trilhando os caminhos da sabedoria e do amor.
Missão do Espiritismo
 Chamar o homem à reforma íntima
 Incentivar a prática da caridade e do amor
 Reerguer a alma humana e sublimar a vida
 Consolar, alertar, educar e instruir o homem
 Desmistificar a morte como fim da vida
 Não destruir escolas de fé até agora existentes
 Não criticar ou censurar formas de crer em Deus
Bibliografia:
1-2-3-22-23-24-25-26-27-31-32
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ESPIRITISMO E OUTRAS DOUTRINAS ESPIRITUALISTAS
“Deus é Espírito e em Espírito e verdade é que nos ligamos a Ele”
Jesus (adaptado de João 4:24)
Existem, no mundo, inúmeras religiões que aceitam a existência de alguma
manifestação inteligente que extrapola o sentido puramente material. Espiritismo é o
nome que foi dado por Allan Kardec a uma posição religiosa, cientifica e filosófica com
características próprias. Filosofias que não se enquadrem dentro dos ensinamentos de
Kardec deve possuir outra denominação.
Não devemos confundi-las com o Espiritismo. Devemos sim, respeitá-las e aceitá-las
como formas do homem crer em Deus, de acordo com o seu livre-arbítrio.
Hinduismo, Budismo, Umbandismo, Candomblé e outras Doutrinas, são exemplos de
religiões espiritualistas e não espíritas, portanto o termo Centro Espírita de Umbanda é
tão errôneo quanto Centro Espírita Budista.
A Umbanda, culto trazido das regiões africanas por nossos irmãos escravizados,
utiliza-se da prática de um mediunismo primitivo. Por necessidade de proteção contra o
homem branco, o negro precisou adaptar seus rituais ao catolicismo onde seus guias
espirituais receberam imagens de santos da Igreja Católica, mantendo seus nomes
africanos. Foram também acrescentadas com o tempo, contribuições indígenas.
Tivemos então o que a ciência chama de sincretismo religioso.
A proposta da Umbanda de prática da caridade e do amor ao próximo é muito bonita e
grandiosa. Distorções destas práticas e princípios básicos salutares vêm a diminuir os
valores por ela pregados.
Considerando-se as necessidades espirituais de muitos que habitam e circundam a
esfera terrestre, é natural que tais práticas encontrem terreno fértil para o seu
desenvolvimento. Portanto, cabe a nós respeitá-las.
O Espiritismo é totalmente desprovido de vínculos materiais tais como rituais, templos,
imagens, roupagens especiais, etc. A conexão entre os planos físico e espiritual é
efetuada através de vibrações e do pensamento. Kardec mostrou e cientificamente
comprovou que nada mais precisamos além disto. O desprendimento material é
diretamente proporcional à evolução espiritual. Sabemos que quanto mais
evoluídos, menos se fazem necessários os vícios e as limitações da matéria. Nutrir as
expectativas através deste tipo de comportamento significa retardar o processo
evolutivo.
Falanges de pretos-velhos, índios e caboclos são parte ativa e importante de muitos
trabalhos espíritas onde fazem a limpeza e higienização do ambiente bem como são
portadores de mensagens edificantes, sem a necessidade de apoio material.
A confusão geral (mistura de Doutrinas) que caracteriza alguns centros espíritas no
país é decorrente da nossa pobreza cultural, acarretando uma ignorância generalizada.
Os Seareiros
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Se cada grupo que se unisse no sentido de formar um centro, se propusesse a tomar
conhecimento dos princípios mais rudimentares da Doutrina Espírita, teríamos, hoje,
no Espiritismo, o maior e mais importante movimento cultural e espiritual do planeta.
Vemos assim, a importância do estudo e do esclarecimento. Não se pode julgar
conhecedor da Doutrina aquele que nunca a estudou.
“Não te julgues melhor que teus irmãos de estrada. Cada qual tem a fé segundo pode
crer. Esse vê Deus no sol, outro na pedra simples...”.
Emmanuel
Bibliografia
3-6-31-37-38-39-40
Os Seareiros
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PRÁTICAS ESPÍRITAS E NÃO ESPÍRITAS
O que são práticas espíritas?
Partindo da afirmação de que somos espíritos encarnados em constante intercâmbio
com os espíritos desencarnados através da prece, das nossas vibrações, do passe, da
fluidificação da água, das manifestações mediúnicas e do estudo, observamos que:
- toda prática espírita é sempre liberta de vínculos materiais, caracterizando-se pela
simplicidade (sem a necessidade de exteriorizações), pela sinceridade (baseada na
fé racional) e unicamente visando o bem (amar a Deus sobre todas as coisas e ao
próximo como a si mesmo).
O que são práticas não espíritas?
Chamamos de práticas não espíritas a todas aquelas que de alguma forma fogem ao
descrito acima como prática espírita. São práticas que de um modo geral se baseiam
em superstições, vínculos materiais e exteriorizações.
Exemplos de práticas não espíritas:
 novenas e promessas
 rituais de qualquer espécie
 imagens, altares e símbolos
 paramentos e roupas especiais
 amuletos, talismãs e afins
 incensos, velas, cigarros, charutos
 alimentos e bebidas de álcool
 oferendas e despachos
 pontos riscados e cantados, danças e procissões
 banhos de defesa
 horóscopos, cartomancia e práticas afins
 sacrifícios de animais
 administração de sacramentos
 retribuição de qualquer natureza a um benefício recebido
Explicaremos melhor algumas delas:
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Novena e promessas
Nestas práticas, as pessoas fazem alguma coisa para que algum santo, Jesus ou
Deus, lhe conceda em troca alguma graça. As novenas são orações repetidas por
nove (09) dias e as promessas implicam em privações, doações, cumprimento de
tarefas difíceis, desagradáveis e até de sofrimento.
Precisamos entender que não se propõem trocas aos espíritos. A espiritualidade maior
não age por interesse, mas sim por necessidade e/ou merecimento do envolvido.
Devemos orar sim, sempre, despretenciosamente e com sinceridade. Devemos pedir
orientação, esclarecimento, oportunidade de crescimento e deixar que os próprios
mentores decidam o que é melhor para nós.
Imagens e altares
Algumas religiões adotam imagens e altares para representarem e adorarem suas
divindades. Casas verdadeiramente espiritas não se utilizam desta prática por saberem
que não se fazem imagens materiais do que é espiritual. É o retorno ao Cristianismo
puro e simples que prega o vínculo a Deus através das coisas do espírito, sem
exteriorizações, sem apoio material.
Vestes especiais
Existem lugares que realizam trabalhos espirituais os quais acreditam que para o
sucesso de seus trabalhos é necessário o uso de determinadas roupas. De um modo
geral aventais ou jalecos brancos. Encontramos vários motivos justificando esta
prática: distinguir os médiuns dos frequentadores, preservar o recato e a discrição, e a
cor branca como símbolo de pureza e meio de purificação do médium. Ao analisarmos
estes aspectos, veremos logo que distinguindo médiuns estaremos incorrendo no
perigo da vaidade e do orgulho bem como seria uma forma de discriminação. Recato e
discrição, apresentação modesta e decente deve ser esclarecido aos médiuns e não
imposto através do uso de roupas especiais. Quanto à cor, sejamos realistas, de nada
adianta um exterior purificado com um interior denegrido. Portanto, a purificação iniciase no nosso interior. As cores de nossas vestimentas não interferem de forma alguma
nos trabalhos mediúnicos. Interferem sim as cores do nosso caráter, do nosso modo
de ser e agir para com os nossos semelhantes.
Amuletos e Talismãs
Amuletos e talismãs são artifícios materiais aos quais se atribui o poder de afastar
desgraças e malefícios e trazer sorte e proteção para seus usuários. São envoltos por
um clima de certo mistério. Levam as pessoas a buscarem segurança em coisas
materiais e exteriores quando esta segurança encontra-se em si mesmas, na sua fé,
na sua ligação com a espiritualidade superior.
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Defumação e Incenso
Povos antigos acreditavam no poder, sobre os espíritos, da fumaça desprendida de
certas ervas quando queimadas. Nos dias de hoje ainda existem posições religiosas ou
filosóficas que adotam esta prática visando purificar ambientes, agradar divindades e
afugentar maus espíritos.
A Doutrina Espírita esclarece que a fumaça de ervas queimadas, incensos ou mesmo
charutos e cachimbos não afugentam maus espíritos nem atraem os superiores pois
que sua ligação conosco é fluídica e mental. Os maus se afastarão quando não
encontrarem em nós correspondência às suas tendências e os evoluídos não precisam
nem se deleitam com coisas materiais, mas de nós se aproximarão através de
pensamentos e ações superiores.
Oferendas, despachos, pontos riscados e cantados, danças e procissões
Entidades que pedem ou exigem oferendas, comidas ou bebidas, são, obviamente
companheiros desencarnados ainda em grande atraso moral, e aqueles que lhes
nutrem as expectativas passam a se lhes associar em um processo de estagnação
espiritual.
“Aos espíritos ofertemos tão somente as coisas do espírito”.
Raul Teixeira
Despachos - Trabalhos que visam o mal do próximo
Será que é possível alguém buscar a espiritualidade com o objetivo de prejudicar aos
seus inimigos? Já havendo estudado sobre fluídos e as leis que regem o
relacionamento entre seres encarnados e desencarnados e sabendo que estas leis são
baseadas em princípios de afinidade, da atração de semelhantes, identidade de
objetivos e interesses, podemos seguramente responder que SIM.
Mecanismo do processo
Primeiramente é necessário esclarecer que os objetos ou despachos não possuem por
si só a propriedade de prejudicar alguém. O mal é produzido pelas vibrações negativas
emitidas antes, durante e depois de sua preparação. O que age é a força dos espíritos
encarnados ou desencarnados ou de ambos. O despacho fica desta forma,
impregnado de maus fluídos que visam à destruição, física ou psíquica, da pessoa a
quem se destina.
Estes fluídos chegarão ao seu destino mas podem ou não atingir seus objetivos. A
pessoa visada poderá receber o choque do impacto mas se cultivar em si própria as
forças do bem saberá como reagir e tudo não passará de uma breve perturbação.
Pode também, por sua conduta e vibração, propiciar um auxílio mais efetivo do Alto.
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No caso da pessoa envolvida não ser portadora de vibrações positivas, pensamentos
elevados e do desejo da renovação, sofrerá intensamente os efeitos do “mal feito”.
Entenda-se isto não como castigo Divino, pois que Deus não castiga, mas sim, como
efeito das leis que regem a manipulação dos fluídos.
O malfeitor, tanto o que encomendou o despacho quanto o que o preparou, será
sempre lesado primeiro, pois as vibrações e sentimentos sendo em nível mental
impregnam o próprio espírito que passa a sofrer as consequências de sua própria
indulgência. Lembremo-nos sempre da lei de causa e efeito, perfeita e justa, invisível à
vista humana, mas sempre presente em todos os planos. Em planos de provas e
expiações como este, ainda há a necessidade do aprendizado através da dor e do
sofrimento, mas como Jesus mesmo nos ensinou. “Muitas vezes o escândalo se faz
necessário mas ai daquele que o iniciar.”
Banhos de defesa
Os banhos de defesa são feitos com a infusão de determinadas ervas antes dos
trabalhos espirituais. O objetivo é purificar o médium, afastar maus espíritos, atrair os
bons e favorecer o transe mediúnico.
Sabemos que a higiene pessoal é necessária mas o banho diário lava o corpo, não a
alma, e as ervas, se o que possuem pode ser chamado de poder, este é apenas o
curativo, em nível físico e nada mais.
Velas
Velas ainda são usadas em alguns meios simbolizando a luz do espírito no corpo
físico. Outros acreditam que elas proporcionam luz ao espírito desencarnado ou ainda
que sirvam como meio de ligação com os espíritos.
Na verdade, as velas servem para iluminar ambientes. Como simbolismo, podem dar
um toque místico, misterioso ao ambiente, mas nenhum efeito tem sobre os espíritos.
Administração de Sacramentos
Batismo
Povos antigos, ainda anteriores ao Cristianismo já se utilizavam da prática do batismo
como meio de purificação e preparação a seus cultos.
João, que segundo a tradição era primo de Jesus, preparava seu povo para a vinda do
Messias, convidando-os a se arrependerem dos seus pecados e aos que o atendiam
batizava, mergulhando-os nas águas do rio Jordão.
Os três batismos segundo a Bíblia são:
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O Batismo de Água - Iniciado na antiguidade e pregado por João, era simbólico,
significava o arrependimento dos erros passados. Serviu para preparar as pessoas
para a vinda do Cristo e para que João reconhecesse em Jesus o Messias Prometido.
Foi prática adotada por alguns apóstolos mas não por Jesus.
O Batismo de Fogo - Batismo pregado por Jesus simbolizando o esforço das pessoas
por se renovarem interiormente. É a “prova de fogo”, pela qual o homem, em luta
constante com suas imperfeições, começa a adquirir uma purificação mais profunda.
O Batismo do Espírito Santo - Também pregado por Jesus, simboliza a perfeita
comunhão do homem regenerado com os espíritos do Senhor.
Vê-se claramente exposto que Jesus pregava “batismos” muito mais importantes que a
prática simbólica de uma limpeza exterior, a do batismo da água.
Porque ainda o batismo da água - As pessoas em sua necessidade de ligação a
vínculos materiais ao invés de procurarem cada vez mais se desligarem disto tudo,
foram infiltrando no Cristianismo várias práticas exteriores e desta forma o batismo
assumiu importância maior.
Espiritismo e Batismo - Os espíritas, em sua caminhada de crescimento espiritual sem
vínculos materiais, dogmas ou formalidades exteriores procuram viver pura e
simplesmente os ensinamentos de Jesus. Os três batismos citados no Evangelho
representam atitudes necessárias ao homem que luta para elevar-se. O batismo de
água representando o arrependimento, o de fogo, a reforma íntima e o do Espírito
Santo a comunhão com o Alto, mostram claramente o caminho a ser seguido na
ascensão espiritual. Cabe a cada um a conscientização de que de nada valem práticas
exteriores quando o íntimo do ser continua ainda necessitado de grandes
modificações.
O Casamento
Ao falar em casamento, logo imaginamos uma cerimônia em algum templo ou igreja,
com a noiva de branco e muitos convidados. Um acontecimento social, muito mais do
que religioso.
Espiritismo e Casamento
O casamento, sem ser indissolúvel de modo absoluto, é uma união física e espiritual,
sendo um meio de progresso na marcha da Humanidade. Na Terra, os seres são
aproximados através do matrimônio obedecendo às programações estabelecidas na
espiritualidade antes do espírito encarnar; visando o cumprimento de resgates e/ou
ajuda em prol do crescimento espiritual de todos os envolvidos.
O Espiritismo não pratica cerimônias religiosas. Portanto, o tipo de casamento como
cerimônia religiosa não existe na Doutrina Espírita. No casamento entre espíritas,
existe sim, a cerimônia civil visto que o espírito encarnado precisa viver em obediência
às leis humanas que visam à ordem social. Muitos, após o casamento no civil, reúnem
amigos para compartilharem de sua felicidade. No caso de algum dos presentes sentir
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vontade de proferir uma prece, esta deverá ser simples e singela, sem necessidade de
ser dirigida por médium, orador, presidente de Centro e muito menos que algum
espírito se comunique. A espiritualidade estará presente e os convidados com certeza
sentirão isto.
Em nenhum centro ou sociedade verdadeiramente espírita existe a prática cerimoniosa
do casamento, quer em sua sede, casa dos noivos ou outros locais.
Após este estudo sobre práticas exteriores, devemos nos concientizar que ainda
pertencemos a um plano onde a materialidade impera. Ao tomarmos conhecimento de
todos estes aspectos, se realmente estivermos nos propondo uma evolução espiritual,
levaremos em consideração estes ensinamentos. A nossa reforma íntima que nos
proporcionará esta elevação, implica também na compreensão para com aqueles que
ainda presos à matéria, não conseguiram a libertação das práticas exteriores.
BIBLIOGRAFIA
3-6-7-11-16-39-40-41-42-43-44-46-47-48
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ESPÍRITO E MATÉRIA
No Cap. II do Livro dos Espíritos, vemos que existem no Universo dois elementos
gerais, espírito e matéria e que acima de tudo está Deus, o Pai, o Criador, constituindo
estes três princípios, a trindade universal. Analisamos rapidamente em capítulos
anteriores, o elemento matéria, onde foi colocado que se entende por fluido tudo o que
diz respeito à matéria, da mais grosseira, a mais diáfana, abrangendo até mesmo
aquilo que escapa aos sentidos humanos e instrumentos de análise.
Como então distinguir espírito de matéria?
Espírito
Para entendermos o que é espírito, precisamos nos libertar de tudo que conhecemos
até agora, de todos os conceitos e comparações, de toda e qualquer ideia
preconcebida. Precisamos nos voltar para dentro de nós mesmos, buscarmos o nosso
“eu interior”. Isto é o espírito. O eu, o ser pensante, a essência, a centelha divina, com
todas as suas conquistas intelectuais e morais.
O espírito é o princípio inteligente do universo, é imaterial, é indestrutível, é a sede da
vontade, do comando, da razão e da condição moral. Inteligência é seu atributo
essencial.
Pelas condições ainda limitadas do homem atual, torna-se impossível entender a
natureza íntima do espírito, sendo este um dos conhecimentos a serem conquistados
com a sua evolução intelectual e moral.
Perispírito
Perispírito é o nome dado por Kardec ao laço intermediário entre o espírito e o corpo
físico. É um envoltório fluídico, leve, imponderável, sutil para nós encarnados, mas
matéria grosseira para os espíritos elevados. É o corpo espiritual, o corpo que os
videntes enxergam quando identificam um espírito.
Possui propriedades específicas como: ser plástico, moldável e penetrável, entre
outras fundamentais para as manifestações do espírito. Tem densidade variável
conforme o grau evolutivo do espírito que o anima. A elevação moral, a pureza de vida,
as provações e sofrimentos pacientemente suportados, purificam e sutilizam o corpo
perispiritual tornando-o cada vez mais etéreo. As paixões vulgares, os apetites
grosseiros, os vícios e a baixa condição moral, reagem sobre o perispírito tornando-o
mais denso, pesado e escuro.
Não possui razão, livre-arbítrio, senso moral nem inteligência, todos estes atributos são
do espírito e não da matéria.
É a sede da memória, o arquivo que guarda todas as experiências do espírito e
expressa nas diversas encarnações as características mais necessárias a cada
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oportunidade de crescimento. Desta forma, comportamentos, doenças congênitas,
deformidades físicas, manifestações mentais, sexuais, emocionais e morais, são
mecanismos espirituais e não apenas questões hereditárias, pois a vida não se resume
a um conjunto de absurdos e injustiças.
É aí que entendemos o perispírito como molde fluídico, ideia diretriz do corpo físico, o
modelo organizador biológico (MOB), como sugere de forma brilhante o pesquisador
Dr. Hernani Guimarães de Andrade.
Kardec nos diz que “pela sua união íntima com o corpo físico, o perispírito
desempenha importante papel no organismo. Pela sua expansão, põe o encarnado em
relação mais direta com os espíritos tanto encarnados quanto desencarnados”. Atua,
portanto, nas comunicações mediúnicas, como intermediário entre espírito receptor e
espírito comunicante.
Vários estudos têm mostrado a existência de discos energéticos no perispírito com a
função de emitir e receber energias, são os centros vitais mencionados por André Luiz,
os chackras dos esotéricos ou os centros de força da maioria dos autores espíritas. Os
principais encontram-se correspondentes às regiões mais importantes do corpo físico,
sendo eles: o centro coronário, o frontal, o laríngeo, o cardíaco, o esplênico, o gástrico
e o genésico. Jacob Melo os descreve como sendo “funis que giram em um
determinado sentido formando mini redemoinhos com a “boca” direcionada ao espaço
etéreo”, daí o nome de chackra, que em sânscrito significa roda.
Certamente estamos mais próximos de poder entender os princípios e a natureza do
perispírito do que do próprio espírito. Não resta dúvida que este será o motivo de
estudos dos próximos séculos, conforme já se observa nos meios científicos. Ainda há
muito que aprender.
Duplo Etérico
Segundo Jorge Andréa, “o duplo etérico seria uma zona de energias bastante
densificadas nas quais o perispírito dissolveria, praticamente, suas terminações finais e
se apoiaria para alcançar as células físicas”.
É a zona de ligação do perispírito com o corpo carnal sendo mais sutil do lado do
perispírito e mais denso do lado da matéria. Acompanha o contorno do corpo sendo
um campo específico e inconfundível existindo ainda após a morte do corpo físico por
algumas horas, dias ou até meses, variações estas relacionadas à evolução de cada
ser.
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Corpo Físico
É o envoltório material, denso, tangível, que temporariamente reveste e limita o
espírito. É o meio de relação do espírito com o plano físico e está sujeito às
transformações da matéria.
O corpo físico reflete a condensação das energias perispituais, portanto, todo ser é o
efeito de seus próprios campos perispituais. As células e tecidos, em constante
renovação na organização física, ocupam suas exatas funções pela ação orientadora e
sempre presente do perispírito.
Aura
Aura é o campo das energias dos seres vivos, característica de cada ser,
interpretando-o e emergindo dele. No homem sofre ação do pensamento, espelha os
estados da alma e pode ser descrita como tendo forma mais ou menos ovóide, sendo
mais ou menos radiante e tendo mais ou menos brilho, segundo a condição moral do
espírito.
André Luiz esclarece que aura seriam as irradiações das agregações celulares do
campo físico ou perispiritual envolvendo o espírito encarnado ou desencarnado em
uma espécie de túnica de forças, halo energético no qual circulam as emanações
peculiares à natureza do espírito envolvido. Seguindo a mesma linha, Jorge Andréa
define aura como “o resultado da difusão dos campos energéticos que partem do
perispírito, envolvendo-se com o duplo etérico e o manancial de irradiações das células
físicas”.
A aura é, portanto, uma exteriorização do ser, a antecâmara do espírito, através da
qual somos vistos e examinados, sentidos e reconhecidos, temidos e hostilizados ou
amados e auxiliados.
Escala Espiritual
Os espíritos se distinguem segundo o seu grau de evolução. A escala espiritual é
infinita e a passagem de um grau para o outro é quase imperceptível assim como o
crescimento de uma criança ou a mudança de cores em um arco-íris.
Segundo o nível evolutivo, os espíritos podem ser enquadrados em três grandes
ordens. São elas:
 Espíritos da primeira ordem são os “anjos” ou espíritos puros. Caracterizam-se por
possuírem superioridade intelectual e moral absolutas. São os espíritos que estão
próximos de Deus. Estamos ainda muito longe de podermos apreciá-los e entendêlos.
 Espíritos de segunda ordem são os bons espíritos. Estão representados por
espíritos de bondade e sabedoria, grande elevação moral e com alto conhecimento
científico. Caracterizam-se pelo desejo e prática do bem e pela predominância do
espírito sobre a matéria.
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 Espíritos de terceira ordem são os espíritos imperfeitos. Nestes encontramos
marcante predominância da matéria sobre o espírito. Nesta categoria acham-se os
espíritos nem bons nem maus, os levianos, os ignorantes, os zombeteiros, os
orgulhosos, os maliciosos, os perturbadores e os impuros, que se comprazem no
mal.
Classificação dos Mundos Habitados
Embora não se possa fazer uma classificação absoluta das diferentes categorias de
mundos existentes, pode-se, em função dos estados de atraso ou adiantamento
espiritual dos seres que os habitam, classificá-los como segue:
 Mundos Primitivos - destinados às primeiras encarnações do espírito humano. Os
corpos espirituais (físico e perispiritual) são grosseiros, animalizados, a vida se
restringe à luta por alimento e sobrevivência básica. Os instintos prevalecem e a
força bruta é a lei.
 Mundos de Provas e Expiações - são mundos ainda inferiores segundo as
necessidades materiais e condições morais dos que os habitam. Os corpos do
espírito ainda apresentam alta densidade mas o perispírito apresenta-se menos
denso e o corpo físico mais refinado. A conquista intelectual já proporciona a seus
habitantes vida mais confortável, mas por não terem desenvolvido ainda
características morais mais elevadas, ainda sofrem as suas consequências. São
mundos onde há predominância do desejo do mal e onde a matéria ainda sobrepuja
o espírito.
 Mundos de Regeneração - nestes mundos de transição entre dor e felicidade, os
espíritos se refazem das experiências passadas, haurindo forças em meio fraterno.
Possuem seus corpos espirituais mais desmaterializados, perispíritos mais sutis.
Ainda precisam crescer e aprender, ainda tem o que expiar, mas já desfrutam da
felicidade daqueles que vivem o bem.
 Mundos Felizes - nos mundos ditosos ou felizes, o bem sobrepuja o mal, a
reencarnação ainda existe, mas a vida é mais longa, a infância é mais curta, a morte
é considerada uma transformação natural, as relações são amistosas. Não há
senhores nem escravos, ricos nem pobres, somente a superioridade moral e
intelectual estabelece diferença entre as condições de supremacia. “O homem não
procura elevar-se acima do homem, mas acima de si mesmo, aperfeiçoando-se”.
Allan Kardec
 Mundos Celestes ou Divinos - habitam aí os espíritos puros, não possuem mais
corpos materiais, não precisam mais reencarnar. Vivem a verdadeira vida - vivem
em espírito. Não permanecem confinados ao espaço destes mundos como o
homem sobre a Terra - eles podem estar por toda parte. São mundos de felicidade
inalterável, amor sublime e trabalho incessante. A ociosidade não existe, seus
habitantes trabalham como ministros do Pai e visam à harmonia universal.
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Bibliografia:
1-2-3-5-7-11-13-18-28-29-30-31-52-53-54-55-56-57-58-59-60.
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O CÉU E O INFERNO
“A cada um segundo suas obras, no Céu como na Terra”.
Jesus
Teorias Existenciais
Vivemos, pensamos, operamos e morremos, isto se sabe, mas e depois da morte? O
que é feito de nós? Para responder a estas perguntas, existem respostas baseadas em
diferentes teorias.
Niilismo
O Niilismo é a teoria da destruição total, do materialismo, onde tudo acaba com a
morte. É a posição que mais conduz o homem a apenas pensar em si mesmo, ao
egoísmo absoluto. Não acreditando em nada além da morte, o indivíduo concentra
todas as suas atenções na vida presente. Consequentemente passa a ter uma vida
onde a preocupação maior é o desfrute inconsequente, sempre pensando que a
felicidade e principalmente a riqueza, é do mais esperto.
Haverá algo mais desesperador do que o pensamento de que com um simples sopro
tudo se perde? Se assim fosse, de que valeriam todas as nossas aspirações de
felicidade, de conhecimento e crescimento? De que valeriam todas as nossas afeições
caras? Qual seria a diferença entre homem bruto e primitivo e o homem instruído?
As consequências do Niilismo só não são mais desastrosas porque os incrédulos
absolutos são minoria, possuem mais dúvida do que convicção e mais medo do que o
que realmente querem aparentar.
Absorção
Existem Doutrinas que admitem a existência de alguma forma inteligente fora da
matéria.
Do Todo Universal
Dentre estas Doutrinas, temos a que acredita que o indivíduo quando nasce absorve
energia, sentimento e inteligência do Todo Universal. Com a morte, esta alma volta à
origem, perdendo-se no infinito, como uma gota de água em um oceano. Acabando
assim a individualidade da alma. É claro que esta Doutrina já é um passo a frente do
materialismo puro, mas de que também valeria toda uma existência de lutas e
tentativas positivas, se no final todas estas almas voltariam a um todo igual e
homogêneo? Sob o ponto de vista moral, as consequências são as mesmas do
Niilismo. Mais aí temos um grande questionamento: se todos os princípios inteligentes
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partem de um Todo Universal, consequentemente possuem propriedades idênticas.
Como então as almas tomadas deste “oceano” universal tão pouco se assemelham?
Panteísmo
No Panteísmo, o princípio inteligente e da vida constitui a Divindade. Todos os seres,
todos os corpos da Natureza são Deus, vindo Este a ser um conjunto de
manifestações diversas. Neste caso, Deus deixa de ter vontade única para ser um
conjunto de vontades divergentes. Não se podendo imaginar a Divindade sem a
perfeição, como poderia Ela ser constituída de partes tão imperfeitas, em luta pelo
progresso? Como muitos panteístas admitem a individualidade da alma, o que viria a
ser a Divindade senão um emaranhado de pensamentos egoístas e mesquinhos em
luta constante com outros em discordância?
A Individualidade da Alma
A crença na individualidade da alma antes e depois da morte tem formado a base de
todas as religiões de que se tem conhecimento.
Uma vez admitida esta individualidade, partimos para o próximo passo, que é o destino
destas almas. Seria irracional pensarmos que todas teriam a mesma destinação. As
religiões, por mais diversas que sejam, admitem as penas e gozos futuros que são
definidos por céu e inferno, ou seja, felicidade e infelicidade.
A ideia que o homem faz, porém, está muito ligada à sua condição de
desenvolvimento, com noções mais ou menos justas de “bem” e de “mal”. As dívidas
ou recompensas são muito ligadas à sua natureza, muitas vezes bastante precária. Em
outras palavras, para os guerreiros, felicidade é luta vencida com bravura; aos
materialistas, a riqueza, aos ligados à sensualidade desregrada, a volúpia, e assim por
diante. Nestes casos, penas e gozos futuros apresentam um quadro muito mais
material do que propriamente espiritual.
Temor da Morte
O medo característico que geralmente envolve as pessoas no tocante à morte, é
bastante conhecido mas pouco discutido.
Este medo é efeito da sabedoria Divina, objetivando um sentimento de conservação a
todos os seres vivos. É como se fosse “um freio” às nossas tendências
inconsequentes, sem o qual provavelmente deixaríamos a vida prematuramente.
A falta de preparo espiritual constitui o fator primordial no temor à morte, mas existem
outros aspectos que também induzem as pessoas a nutrirem este sentimento. Entre
tantos, ressaltamos:
 uma noção inadequada da vida futura
 o medo do desconhecido
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 o receio da destruição total
 o materialismo, o apego às coisas terrenas
 separação entre entes queridos (com uma suposta enorme distância entre os
planos)
 cerimônias lúgrubes que mais infundem terror do que esperança (em vez de
simbolizarem a alma radiosa desvencilhando-se do corpo denso assim vencido mais
uma etapa do processo evolutivo).
Porque os espíritas não temem a morte?
O estudo da Doutrina espirita modifica completamente a ideia de vida futura passando
esta de hipóteses à realidade. A vida após a morte não é mais dúvida,
desconhecimento ou mesmo esperança, mas sim certeza de que é a continuação e
consequência da vida terrena.
Doutrina das penas eternas
A crença em penas eternas perde terreno a cada dia. À medida que o homem evolui e
se intelectualiza, passa a questionar a justiça do Pai neste sentido. A Doutrina das
penas eternas teve sua época e devida importância em tempos em que o homem
pouco adiantado precisava de um freio para colocar limites em suas atitudes. O
homem primitivo dizia “olho por olho, dente por dente”, Jesus veio e nos ensinou
“Amai-vos uns aos outros e fazei o bem aos que vos odeiam”. Não pode, porém,
revelar mais sobre o futuro dadas as condições de evolução que a Terra passava, mas
como ele mesmo disse: “Muitas outras coisas vos diria se estivésseis em estado de as
compreender e eis porque vos falo por parábolas”.
O INFERNO
O inferno cristão é o local onde os espíritos dos maus se encontram ficando seus
restos mortais entregues à decomposição e posterior formação de plantas, minerais e
líquidos. No dia do juízo final, estes espíritos retornam a seus corpos carnais para não
mais deixá-los, onde passarão eternamente sofrendo os suplícios infernais. Com isto
entendemos que o Inferno é um local físico, material, uma vez que povoado por corpos
carnais. Como se explica o fato de corpos se recuperarem e voltarem à sua forma
“original”? Onde se encontra este inferno?
Demônios
Satanás, o chefe dos demônios segundo a Igreja é um ser real, praticante do mal.
Deus teria criado os anjos dotando-lhes das mais altas virtudes, seres perfeitos e
puros. Destes, o mais belo dos arcanjos teria se revoltado e sucumbido a sentimentos
de inveja e orgulho. Aqueles que lhe compartilharam o sentimento o acompanharam.
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Se Satanás e os seus seguidores eram anjos, eram então perfeitos, se eram perfeitos
como puderam falir? Como poderia Deus criar seres perfeitos que falhariam em suas
incumbências mostrando na verdade que de perfeitos ainda estariam muito longe?
Demônios segundo o Espiritismo
Segundo a Doutrina Espírita, demônios são os espíritos ainda em grande atraso,
aqueles que se comprazem no mal, onde a matéria domina o espírito. Muitos são
inteligentíssimos donde sua capacidade ser usada em forças negativas, precisando
crescer em amor para canalizá-la em prol do bem-estar geral.
São todos merecedores de regeneração e todos alcançarão a perfeição. Deus
propicia-lhes a todo momento condições de reajuste e crescimento, dando-lhes a
possibilidade de aceitá-las ou não, respeitando-lhes o livre-arbítrio.
PURGATÓRIO
Admitido pela Igreja por volta do ano 600, é, com certeza, um dogma mais fácil de ser
aceito do que o Inferno, pois estabelece que faltas “menos graves” devem ser
ressarcidas mas não por tempo indeterminado, com a possibilidade de um dia tais
espíritos também serem privilegiados com o Céu. Mas onde também está localizado
este purgatório? Para o espírita, purgatório é todo e qualquer lugar que “purgue”
dívidas passadas. A estes lugares chamamos planos de provas e expiações, a Terra,
por exemplo, esclarecendo com isto as misérias aqui existentes.
CÉU
Lugar de bem-aventurança, de felicidade plena. Na visão de alguns, uma felicidade
mais material do que espiritual. Para lá vão aqueles que foram bons aqui na Terra.
Anjos
Anjos sempre existiram em todas as religiões sob os mais variados nomes. São seres
superiores aos homens e muito perto de Deus.
São criaturas privilegiadas e voltadas à felicidade suprema e eterna desde a sua
formação, dotados por sua própria natureza de todas as virtudes e conhecimentos,
nada tendo feito para adquiri-los.
Anjos segundo o Espiritismo
Deus cria os espíritos simples e ignorantes, mas potencialmente perfeitos, dando-lhes
todas as condições para que, através do seu esforço e perseverança, evoluam até
alcançarem as mais altas esferas.
Os Seareiros
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Departamento de Divulgação
O tempo de chegada a esta perfeição suprema é determinado pelo livre-arbítrio de
cada um. Se todos somos filhos de Deus, e sendo Ele justo e perfeito, não privilegiaria
a uns mais do que a outros, Deus dá a todos as mesmas oportunidades.
Anjos, na visão espírita, são os espíritos dos homens, chegados ao grau de perfeição
que a criatura comporta. São os espíritos puros, os quais libertos da matéria orientam
e conduzem os espíritos das demais ordens, ajudando-os a evoluir. Vivem em
felicidade absoluta, felicidade esta que consiste não na ociosidade, mas em intenso
trabalho de amor. São os responsáveis pela harmonia do Universo, são os ministros de
Deus e com Ele trabalham na obra da criação. Antes, porém, de atingirem tal grau de
perfeição, gozam de felicidade condizente a seu estágio evolutivo, sempre ativos,
tendo no trabalho um meio de progresso.
Temos assim demonstrada a Justiça Divina.
Doutrina das penas futuras.
Um espírito é sempre responsável por seus atos e quanto maior o seu esclarecimento,
menos desculpáveis se tornam seus erros, uma vez que sabemos que evoluindo em
inteligência, moral e amor, as noções do bem e mal, justo e injusto, tornam-se cada
vez mais claras.
O Espiritismo tem um “código penal da vida futura” composto de artigos que definem a
filosofia da Doutrina. Para não alongar muito este trabalho, recomendamos a leitura do
capítulo VII do livro “O Céu e o Inferno”.
Céu e Inferno, segundo a Doutrina Espírita, são portanto, estados da alma, é o espírito
carregando consigo, para onde for, o seu mundo interior de paz e serenidade, ou
aflição e desarmonia.
Bibliografia
3-4-49-50-88.
Os Seareiros
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REENCARNAÇÃO
“Somos o resultado do que fomos e seremos a consequência do que formos”.
H.G. Andrade
Segundo a semântica da palavra, reencarnar significa voltar à carne, ou seja, é a volta
do espírito à matéria.
Toda reencarnação é um recomeço nos processos de evolução e retificação. Ela iniciase no momento da fecundação e prolonga-se até a adolescência, pouco a pouco
atingindo sua plenitude.
A reencarnação está para os espíritos desencarnados assim como a morte está para
os encarnados. Como a morte, os espíritos pressentem quando é chegada a hora de
recomeçar e muitos, menos esclarecidos, se angustiam, tem medo e até pavor. Este
pavor pode em alguns casos ser um dos agentes de abortos naturais. Outros procuram
não se preocupar, vivendo e gozando a vida espiritual, mas chegado o momento, a
perturbação se inicia (da mesma forma que ocorre com muitas pessoas encarnadas
em relação a morte). Outros, mais esclarecidos, enxergam na reencarnação
oportunidade de progresso e evolução, esperam-na com alegria e esperanças, como
algumas pessoas que esperam a morte com paciência e resignação por terem a
certeza que a fé proporciona.
Porque nascemos?
Reencarnações de determinados espíritos em determinadas épocas e famílias, não
ocorrem ao acaso, muito menos por coincidência. Espíritos reencarnam sempre pelas
leis da afinidade que com o passar do tempo, ampliam-se cada vez mais. Muitos são
os motivos para determinadas reencarnações. Uma coisa é certa: reencarnamos
sempre com o objetivo de aprendizado, retificação, resgate de dívidas passadas e
evolução. Portanto, renascemos para evoluirmos. É-nos dado um período no plano
físico onde somos expostos a pessoas e/ou situações tais que ponham em prova o
objetivo a que nosso renascimento se propôs. Cabe a nós o bom uso deste período.
Deus deu-nos o livre-arbítrio, ou seja, o poder de decisão, o direito de escolhermos
este ou aquele caminho. O livre-arbítrio é uma graça divina que determina nosso
padrão vibratório. Através de nosso livre-arbítrio bem utilizamos ou não esta
oportunidade e a partir daí traçaremos a nossa próxima vinda.
Porque não expiamos todos os nossos erros no plano espiritual? Esta é uma pergunta
bastante comum. No plano espiritual nos localizamos através de nossas vibrações.
Diferentes vibrações significam diferentes planos. Se formos espíritos endividados,
vibrando em baixa escala, lá estaremos com outros como nós. A partir do momento em
que manifestamos a vontade de crescermos, somos encaminhados a lugares de
auxílio onde a vibração é superior. Somos ajudados e orientados com muito amor e
paciência. Em lugares assim “é fácil ser bom” porque a vibração ambiental favorece a
isto. Dado o momento propício somos encaminhados a reencarnar, pois na Terra (ou
Os Seareiros
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em outros planos semelhantes) temos a oportunidade de estarmos em contato com
vários níveis vibratórios pondo assim em teste tudo o que aprendemos. Se realmente
assimilamos, se faz parte de nós, nos comportamos de acordo com o que nos foi
ensinado, independentemente da situação. Caso contrário, passaremos por grandes
dificuldades e graves tropeços, o que infelizmente ocorre em grande escala.
Porque morremos?
Podemos responder a esta pergunta através de uma analogia.
A vida encarnada é como uma escola: a continuação do lar. Vamos à escola, mas
sempre retornamos ao lar, a nossa verdadeira pátria, o espaço.
Objetivo da Reencarnação
Reencarnamos para evoluirmos. Evoluímos através do resgate de dívidas passadas e
do crescimento moral e intelectual.
Reencarnação e a lei de causa e efeito
“A cada um segundo suas obras”.
Jesus
Livre-arbítrio
Estudando a reencarnação, vemos que somos o que fomos e seremos o que formos,
de onde deduzimos que de nossos atos presentes dependerá nossa condição futura.
Ou seja, é o livre-arbítrio que determina nossa condição de felicidade ou desgraça.
O livre-arbítrio é a vontade humana, livre para tomar decisões e determinar suas
ações. Vemos porém, que apesar da aparente liberdade, o livre-arbítrio é limitado pela
condição de evolução de cada ser. O intelecto, a impulsividade, os hábitos fixos, a
moda, o apego à matéria, fatores físicos (internos e externos), entre outros, de certa
forma impõem restrições, mas não eliminam a responsabilidade pelas consequências
de cada ato. Vê-se assim, que o livre-arbítrio é relativo e progressivo, crescendo à
medida que a consciência se desenvolve, sendo portanto, uma conquista evolutiva.
Determinismo
Determinismo é o nome dado à situações futuras condicionadas por atos passados em
função do livre-arbítrio. Contudo, é importante ter-se em mente que nem tudo deriva de
vidas passadas. A imprudência, a gula, a irresponsabilidade, entre outros, trazem aos
envolvidos as consequências de seus atos.
Os Seareiros
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Causa e Efeito
A lei de causa e efeito faz parte do dia a dia e é uma das leis que regem o Universo.
Segundo André Luiz “toda ação ou movimento deriva de uma causa ou impulso
anterior”. Ao emitir pensamentos ou exteriorizá-los através de atos, o homem fica
sujeito ao retorno dos mesmos, nesta ou noutra vida. “Jesus já disse: “com a medida
que medirdes sereis medidos”, "todo o que peca é escravo do pecado”, mostrando
assim a verdade desta Lei Divina.
Carma
Desta forma, podemos entender um pouco melhor o que é o carma: a consequência
presente ou futura de atos passados. Importante notar que a conotação negativa que
geralmente envolve a palavra carma é inadequada. O carma é o efeito, a reação que
pode e deve ser modificada. O homem não pode de forma alguma se acomodar à
determinadas situações achando que é “obra do destino, o seu carma”. Os carmas
estão aí para serem modificados, mesmo! Não que isto seja tarefa fácil ou rápida, é
preciso lutar, modificar a postura em relação à vida para que situações difíceis e
dolorosas possam ser atenuadas. O primeiro passo para mudar a postura é a
aquisição de novas virtudes. Talvez a primeira virtude a ser exercitada seja a
paciência, pois muita paciência será necessária durante todo o processo, seguida de
perto pela humildade, pois sem humildade não existe paciência. A humildade é o
oposto do orgulho, da vaidade, do egoísmo, portanto uma das maiores virtudes.
Vemos a grandiosidade de um espírito pela dose de humildade que nos transmita em
suas manifestações. A paciência e a humildade abrem caminho para a maior das
virtudes que é o amor, a base de todas as outras. Crescendo em amor o indivíduo
desencadeia um desenvolvimento generalizado e infinito de virtudes. A partir disto, o
homem inicia novo capítulo na sua escala evolutiva. Ele começa a crescer em moral.
Tipos de Reencarnação
Compulsória
É o tipo de reencarnação necessária àqueles espíritos ainda impuros e embrutecidos
que, respeitado seu livre-arbítrio, se mantém em regiões de trevas, mas chegada a
hora, não havendo manifestação por parte dos mesmos no sentido de quererem
melhorar, são encaminhados a reencarnar para que também eles cresçam e evoluam.
Reencarnam em absoluto estado de inconsciência.
Obedecendo às leis da evolução, outras espécies também são levadas a reencarnar
compulsoriamente.
Natural
O tipo de reencarnação pela qual passa a maioria dos espíritos encarnados na Terra,
apesar de também termos reencarnações compulsórias e optativas por aqui.
Os Seareiros
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Neste caso, as reencarnações são planejadas e orientadas para o maior
aproveitamento de todos os envolvidos, que sabem da importância da oportunidade e
participam mais ou menos ativamente de todo o processo.
Optativa
É o caso dos espíritos que não precisam mais encarnar em planos de provas e
expiações como a Terra, mas por eles fazem sua opção para ajudarem no crescimento
e evolução de determinados indivíduos, nações ou do próprio planeta.
Estes casos envolvem planejamentos mais criteriosos e abrangentes, visto a
grandiosidade do propósito e o número elevado de espíritos beneficiados envolvidos.
O espírito reencarnante participa intensamente de todo processo.
Processo Reencarnatório
Descreveremos o processo reencarnatório em que o espírito é assistido e orientado
durante o desenrolar do fenômeno. Deve-se ter em mente que muitas são as variantes
já que o processo deve ocorrer em sua plenitude de acordo com o nível evolutivo
(necessidade) das entidades envolvidas.
Em primeiro lugar ocorre uma programação, onde exista um motivo forte, resgate ou
ajuda para que um determinado espírito reencarne em uma família específica. Logo a
seguir ocorre uma reaproximação do espirito com o casal que lhe servirá de pais.
Dizemos reaproximação, pois é na maioria das vezes um resgate de dívidas contraídas
anteriormente por ambas as partes. Este período de reaproximação poderá ser mais
ou menos prolongado, dependendo das necessidades de cada um. A reencarnação
inicia-se no momento da fecundação prolongando-se durante a infância e
adolescência, pouco a pouco atingindo sua plenitude.
“Quase todos nós percorremos um longo caminho. Fomos de um mundo para outro,
que era praticamente igual ao primeiro, esquecendo logo de onde viéramos, não nos
preocupando para onde íamos, vivendo o momento presente. Tem alguma ideia de por
quantas vidas tivemos de passar até chegarmos a ter a primeira intuição de que há na
vida algo mais do que comer, lutar ou ter uma posição importante dentro de um bando?
Mil vidas, Jonathan, dez mil! E depois, mais cem vidas até começarmos a aprendermos
que há uma coisa chamada perfeição, e ainda outras cem para nos convencermos de
que nosso objetivo na vida é encontrarmos esta perfeição e levá-la ao extremo. A
mesma regra se mantém para os que estão aqui agora, é claro: escolheremos nosso
próximo mundo a partir daquilo que aprendermos neste, não aprender nada, significa
que o próximo mundo será igual a este, com as mesmas limitações e chumbos a
vencer.”
(Fernão Capelo Gaivota - Bach)
BIBLIOGRAFIA:
1-3-14-28-29-45-52-64-65-66-67-68-84-85-86-87
Filme: Manika
Os Seareiros
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PAIS E FILHOS À LUZ DA REENCARNAÇÃO
“O corpo procede do corpo”.
O espírito não procede do espírito.”
Allan Kardec
Os pais não produzem as almas, os espíritos dos filhos. Eles criam sim, o corpo, este
invólucro físico que temporariamente reveste o espírito. O espírito não é criado para
aquele determinado corpo mas já existe antes do veículo carnal e continuará vivo para
sempre, mesmo com a perda de seu invólucro. As leis da hereditariedade, que regem
a criação, dirigem a formação deste novo corpo caracterizando as semelhanças
físicas. A esta vida animal que os pais proporcionam aos filhos junta-se um espírito,
trazendo a vida moral. Poderia-se comparar este processo ao de um homem fazendo
viagens espaciais ou indo ao fundo do mar, que para tal, precisaria de roupas
especiais, roupas estas que temporariamente revestiriam e limitariam o seu corpo. O
homem não é a roupa, o escafandro, aquilo que se vê, o homem é aquilo que está lá
dentro, que carrega o pensamento, os sentimentos e a condição moral. O filho na
verdade não é aquele ser com determinadas características físicas, mas sim, o espírito
que temporariamente se abriga neste corpo e traz consigo sua verdadeira condição
espiritual. Condição moral não é transmitida hereditariamente pois o espírito não
procede do espírito. Se existe semelhança moral é porque são espíritos afins, unidos
com os mesmos propósitos, podendo também ser resultado da orientação recebida, do
contato diário pois os pais exercem grande influência em seus filhos através da
educação. Daí a enorme responsabilidade de ser pai. As crianças não são espíritos
puros e inocentes como se está habituado a pensar. São sim, espíritos experientes,
com muitas vidas anteriores, que carregam consigo uma bagagem espiritual de erros e
acertos.
Assim sendo, cada espírito manifesta em seu corpo físico os atos de suas vidas
anteriores, impregnando-os com as impressões que serão necessárias ao seu
crescimento, quase sempre (em nosso plano) de resgate ou reajuste.
“As alienações mentais, os conflitos e traumas, as doenças congênitas, as
deformações físicas e degenerativas, assim como as condições morais, sociais e
econômicas são capítulos dos mecanismos espirituais, nunca heranças familiares, qual
se a vida estivesse sob injunções do absurdo e da inconsequência”.
(Espírito Manoel P. de Miranda através do médium Divaldo Franco).
Durante a infância física, enquanto o processo reencarnatório ainda não tiver atingido
sua plenitude, o espírito reencarnado é mais acessível às impressões que recebe. O
corpo ainda não manifesta todas as tendências do espírito, o cérebro é novo e registra
os estímulos recebidos, e o fato de ser uma criança ainda dependente, se torna mais
dócil e receptiva às orientações de seus responsáveis na vida terrena. A infância é,
portanto a maior oportunidade para os pais atuarem como mestres, guiando a criança
nos caminhos do bem, da moral e da fé, que lhe proporcionará o progresso necessário,
objetivo primeiro da reencarnação. Cabe ao espírito dos pais especialmente, o trabalho
de encaminhar os filhos, corrigindo-lhes as más tendências de que são portadores e
Os Seareiros
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desenvolvendo-lhes as boas qualidades que sempre existem, mesmo que em estado
latente.
Bons e Maus Filhos
Pelo pensamento e a prece, os pais não poderão determinar para o corpo que estão
gerando, um espírito bom ao invés de um espírito inferior. Acompanhando cada
encarnação existe sempre uma programação extensa e minuciosa que objetiva
atender finalidades específicas. Espíritos errantes são muitas vezes trazidos a lares de
bem para que através do exemplo e da educação cresçam e se elevem. Muitas vezes,
os pais é que precisam de luz e recebem por filhos espíritos esclarecidos. Pais ou
filhos difíceis são sempre uma provação para aqueles que com eles convivem. Os
mais elevados encontram aí uma oportunidade de servir. Familiares que convivem bem
estão unidos pela afinidade, o amor os une no plano terrestre, geralmente em missão
de auxílio aos menos preparados. Ocorre também que espíritos individados são unidos
com o objetivo de reajuste e reconciliação.
Conviver bem, conviver com amor
Os conhecimento espirituais nos ajudam no nosso aperfeiçoamento moral. São como
que uma mola que nos impulsiona p/ frente, são um grande estímulo à renovação de
sentimentos, à conquista do amor e, crescendo em amor, nos tornamos mais felizes.
Mas o que é a felicidade?
Normalmente, o homem busca a felicidade em coisas que ironicamente o afastam
dela. A felicidade é procurada em coisas materiais, como na beleza, na condição
social, no poder e prestígio, na satisfação carnal, todas estas situações que trazem
momentos passageiros de ilusória felicidade. Na maioria das vezes leva o homem ao
desespero, a ódios, a ansiedade e frustrações. A riqueza que o homem deve buscar
são os valores do espírito, pois estes são eternos e naturalmente o levarão à
verdadeira felicidade, que é eterna.
Felicidade é um estado íntimo de paz e serenidade advindas da prática do amor
genuíno. É portanto, o amor o caminho do homem à felicidade.
E o que é Amor?
O homem tem ideias muito confusas em relação ao que seja amor. O homem mata,
rouba, sofre por amor. Amor? Não, pseudo amor. Atitudes parasitárias, vantajosas,
autoafirmativas e sádicas são estados neuróticos, são sentimentos e impulsos ainda
bastante enraizados no egoísmo e no orgulho, tendências que refletem o grau de
egocentrismo em que ainda se encontra a Humanidade. Mas não deixam de ser
ensaios, exercícios às vezes um pouco desviados, mas ainda assim, exercícios que
fazem parte do processo de aprender a amar.
Amor é um sentimento profundo que se manifesta em todas as atitudes do indivíduo,
caracterizando-se por um real interesse pelas necessidades alheias. Amar é
reconhecer a existência e necessidades dos nossos semelhantes. Amar de verdade é
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amar como Jesus nos amou, desinteressadamente, é amar por amar e ser feliz porque
ama. Amor genuíno é o amor de Jesus e o maior código de amor é o Evangelho.
No mundo, o lar é a primeira escola de reabilitação, o grande momento de exercício do
amor e a maior oportunidade de evolução.
BIBLIOGRAFIA:
1-3-45-61-62-63-64-65-66-67-68
Os Seareiros
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MANIFESTAÇÕES ESPIRITUAIS
“As manifestações dos espíritos não estão destinadas a servir a interesses materiais,
nem a se tornarem conhecidas pelo aspecto fantástico dos fenômenos, mas sim, pelas
consequências morais que delas decorrem”.
(Kardec).
Definição.
É a comunicação do plano espiritual com o material.
A constatação da possibilidade da comunicação entre o mundo espiritual e o mundo
material é o resultado do trabalho incansável de trabalhadores e pesquisadores.
“É importante a vigilância e o bom senso sempre que em contato com manifestações
espirituais”.
(Kardec)
Objetivos.
Os espíritos vêm, através de suas manifestações, convencer os homens de que tudo
não termina com o fim da vida terrestre, dando-lhes ideias mais justas sobre presente
e futuro. Com isto, a tentativa de aprimoramento moral e intelectual, torna-se
decorrência natural, proporcionando ao homem um crescimento espiritual.
Manifestações na Antiguidade.
Será que as manifestações espirituais tiveram inicio quando Kardec iniciou o seu
trabalho? Vamos ver que não. Fenômenos que ocorrem pelas mãos da espiritualidade
sempre existiram, a Doutrina Espírita apenas classificou-os, da mesma maneira que,
por exemplo, a medicina hoje classifica doenças que existem desde os tempos mais
remotos.
A Bíblia nos fornece uma infinidade de manifestações espirituais, dos mais diversos
tipos: vidências, vozes, materializações, comunicações em sonhos, comunicações
através de médiuns, aparições, etc. Dentre tantas selecionamos alguns exemplos:
Abraão - através de sua mediunidade, foi o instrumento utilizado pelo Plano Espiritual
para implantar a ideia do monoteísmo, a crença no Deus único, assim preparando a
Humanidade para a vinda do Messias. Abraão queria muito um filho, mas Sara sua
mulher era estéril. Em época onde a poligamia era muito praticada e aceita, Abraão
utilizou-se de uma escrava para fecundar o filho ao qual chamou de Ismael. Passados
os tempos, Abraão é alertado pela espiritualidade que Sara poderia dar-lhe um filho.
Isto ocorre e nasce Isaac. Quando Isaac estava em sua plena juventude, Abraão é
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chamado por “Deus” que lhe pede que sacrifique o próprio filho. Abraão obedece e no
momento da execução os espíritos interferem pedindo-lhe que não o faça. Ele estava
apenas sendo testado em sua fé.
Lot - sobrinho de Abraão e protegido deste, foi orientado pela espiritualidade maior a
deixar as imediações de Sodoma e Gomorra com uma grave advertência: que
seguisse em frente sem jamais olhar para trás. Lot e sua esposa deixaram suas casas
momentos antes da destruição das cidades, mas esta desrespeitou o pedido,
transformando-se em estátua de sal. Temos aí encerrado através do simbolismo, uma
grande mensagem: o passado escravizando o homem levando-o ao estacionamento
evolutivo. É preciso grande força de vontade para que se consiga o desvencilhamento
de ligações passadas num esforço próprio para uma reforma íntima.
José - bisneto de Abraão, filho de Jacob, tinha bastante desenvolvida a faculdade de
interpretar sonhos. De certa feita um faraó contou-lhe ter sonhado com sete (07)
vacas gordas e com sete (07) vacas magras e José interpretou-lhe o sonho como sete
anos de fartura e sete de miséria. Como de outras vezes sua predição se concretizou e
temos até hoje o hábito de fazermos tal comparação.
Moisés - personalidade marcante, Moisés possuía armas muito mais poderosas do
que a espada: sua extraordinária capacidade espiritual. Era médium de efeitos físicos e
sua mediunidade foi providencial em momentos difíceis, bem como nos momentos
importantes de sua vida.
Certa feita, pastoreando ovelhas no deserto, Moisés vê um arbusto em chamas. Achou
natural, afinal de contas era comum, no deserto, arbustos ressequidos inflamarem-se.
Prestando mais atenção notou que o arbusto não se consumia com o fogo.
Aproximando-se, ouviu uma voz que lhe ordenou voltar para o Egito e libertar o povo
hebreu. O plano espiritual se manifestava no fenômeno chamado voz direta. Aarão,
seu irmão, também é alertado e os dois se encontram. Moisés tenta impressionar o
Faraó transformando uma vara em serpente, uma mão sadia em leprosa e água em
sangue. O Faraó não se impressiona, chama seus sacerdotes que fazem prodígios
idênticos, provando assim, que mediunidade é faculdade do espírito e manifesta-se
independente de seita ou religião. Moisés convence o Faraó a libertar o povo hebreu
quando o ameaça com as sete pragas. Entra aí a capacidade premonitória do grande
legislador. Prevendo fenômenos que ocorreriam em determinadas regiões do Egito,
Moisés utilizou-se deles como se fossem pragas de Deus. O Faraó cedia e recuava até
que na sétima, ordenou que todos os hebreus abandonassem o Egito, achando que o
Deus hebraico era mais poderoso que os Deuses egípcios. O êxodo é rico em
manifestações mediúnicas, coroadas pelo recebimento do Decálogo, os Dez
Mandamentos no monte Sinai com mais uma manifestação de voz direta, onde todos
escutaram os emissários do Pai.
Samuel e Saul - o rei Saul sentindo-se acossado por inimigos procura a famosa
pitonisa de Endor e pede-lhe a evocação de Samuel (que morrera algum tempo antes).
Evocado pela médium, o profeta materializa-se e fala diante deles dizendo que Saul e
seus filhos morreriam no dia seguinte, o que realmente aconteceu.
Os Apóstolos de Jesus - Também foram possuidores de grande mediunidade. Pedro,
dotado de notável mediunidade em todos os aspectos, sobressaiu-se na sua faculdade
de cura; João, o mais espiritual de todos, dispunha de extraordinária vidência. No
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fenômeno de Pentecostes, após um estrondo e forte ventania, línguas de fogo (luz dos
espíritos) se achegaram aos apóstolos e estes imediatamente passaram a falar em
outras línguas, o conhecido fenômeno de Xenoglossia (comunicação em línguas
estrangeiras). Paulo, grande pregador do Evangelho de Jesus, já dizia: “Segui a
caridade, anelai os dons do espírito e sobretudo ao da profecia”. Vemos aí claramente
exposta a necessidade de praticarmos o amor ao próximo através da mediunidade e
da palavra elevada.
Jesus - o nosso grande mestre, médium das esferas mais altas, deu-nos o maior
exemplo, mantendo-se sempre fiel ao Pai, utilizando suas faculdades sempre em
benefício do próximo.
Temos também os exemplos dos oráculos e das pitonisas, médiuns que na
antiguidade eram procurados para orientação.
Na idade média, Joana D’Arc foi, através de manifestações de clarividência e
clariaudiência, orientada a defender a sua pátria. Como tantos outros, acabou
queimada.
Os próprios índios utilizavam-se de sua tão diversificada mediunidade, entrando em
contato com espíritos para aprendizado e orientação. Tinham nos Pajés (médiuns de
cura) o alívio ao sofrimento dos necessitados.
Tipos:
As manifestações espirituais podem ser de dois tipos: efeitos físicos e intelectuais.
Efeitos Físicos:
Manifestações de efeitos físicos são aquelas onde os espíritos se utilizam dos fluidos
dos médiuns para se comunicarem.
Variedades:
Entre tantas destacamos:
 Tiptologia - pancadas, sons, batidas (Irmãs Fox).
 Efeitos Musicais - instrumentos musicais que tocam “sozinhos”.
 Pneumatografia ou escrita direta - em gavetas trancadas são colocados papéis e
estes aparecem com mensagens sem o uso da mão do médium.
 Curas - doenças são curadas através de fluidos doados por médiuns e utilizados
pelos espíritos.
 Transporte - objetos que são transportados de um lugar para outro.
 Pneumatofonia ou voz direta - espíritos plasmam gargantas (a partir do ectoplasma
doado por médiuns) que passam mensagens e andam de um lado para outro.
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 Materialização - o ectoplasma, substância nervosa expelida por alguns médiuns (de
aparência esbranquiçada, viscosa e fria) em condições especiais, cobre o corpo
perispiritual dos espíritos, tornando-os visíveis àqueles presentes ao trabalho.
 Motores - movimento de objetos para cima e para baixo ou para os lados.
Intelectuais:
Ou inteligentes, são aquelas em que os espíritos se utilizam do “psiquismo” do médium
para se comunicarem.
Variedades:
Entre tantas destacamos:
 Clarividência - faculdade mediúnica onde o médium enxerga plano espiritual.
 Clariaudiência - faculdade mediúnica onde o médiun ouve o plano espiritual.
 Inspiração e Intuição
 Pinturas e desenhos
 Psicografia - manifestação espiritual na qual o espírito comunicante se utiliza das
disposições físicas do médium para escrever mensagens.
 Psicofonia - ou de incorporação. Nesta variedade encontram-se também os médiuns
que incorporam espíritos de médicos e curam com cirurgias em nível físico. Ex.: Zé
Arigó.
 Psicometria - forma especial de vidência após contato com objetos.
Qualidades:
Quanto à qualidade, as manifestações podem ser boas ou más, verdadeiras ou falsas,
profundas ou superficiais, sábias ou ignorantes. É claro que sempre de acordo com a
natureza dos espíritos envolvidos, tanto do encarnado no papel de médium, quanto do
desencarnado tentando a comunicação. Cabe sempre lembrar que não é por estarem
livres da matéria que os espíritos se tornam sábios e bondosos.
BIBLIOGRAFIA:
2 - 3- 35 - 51.
Os Seareiros
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MEDIUNIDADE
“Mediunidade é talento do céu para o serviço da renovação do mundo. É a lâmpada
que nos cabe acender, aproveitando o óleo da humildade, sendo indispensável nutrir
com ela a sublime luz do amor, a irradiar-se em caridade e compreensão para todos os
que nos cercam”.
(Emmanuel)
“Para conhecer as coisas do mundo visível e descobrir os segredos da natureza
material, Deus deu ao homem a vista corpórea, os sentidos e instrumentos especiais.
Para penetrar no mundo invisível, deu-lhe a mediunidade. Sua missão é santa porque
sua finalidade é rasgar os horizontes da vida eterna”.
(Allan Kardec).
Mediunidade é a condição natural do espírito que lhe permite o intercâmbio entre
diferentes planos espirituais. A mediunidade não está ligada a fatores intelectuais,
morais ou religiosos, pois se manifesta como faculdade do espírito imortal. É dada a
todos sem distinção a fim de que através do trabalho elevado, leve luz a todas as
camadas sociais, intelectuais e morais. Somos todos médiuns, em menor ou maior
grau, pois todos fazemos o intercâmbio diário de vibrações, quer consciente, quer
inconscientemente. Vemos assim, que a necessidade do aprimoramento pessoal, é
condição primária ao êxito em qualquer tarefa.
O fim providencial da mediunidade é proporcionar a elevação espiritual da humanidade
e do planeta em que ela habita.
Mecanismo Mediúnico
“A mente permanece na base de todos os fenômenos mediúnicos”.
O transe mediúnico se inicia a partir da concentração, que proporciona o ambiente
adequado à comunhão das mentes de encarnados e desencarnados. Neste ponto, a
vontade do médium em colaborar é de grande valia. Espíritos mais elevados precisam
reduzir seu tom vibratório a fim de tornar seus perispíritos mais densos, possibilitando
a interação com médiuns de vibrações mais comuns. Isto ocorre porque nas
manifestações espirituais o contato é sempre perispiritual. O espírito nunca “entra” no
corpo do médium, tomando conta e controle dele. Durante o intercâmbio, ocorre uma
expansão perispíritual do médium e o perispírito do espírito comunicante interage com
o do médium, como que se entrelaçando. Por maior que seja esta expansão, ou
mesmo afastamento perispiritual do médium, ele continua sempre ligado ao seu corpo,
portanto, em controle daquilo que lhe pertence.
Os Seareiros
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A mediunidade pode apresentar dois estágios extremos de transe: o consciente e o
inconsciente, considerando-se que possam existir entre eles todos os graus possíveis.
Na mediunidade consciente, o médium ouve o que fala e sabe o que escreve, não
esquecendo depois do transe as impressões recebidas. São manifestações em que o
médium emprega termos e estilos próprios, podendo cometer erros de concordância
ou usar termos inadequados. Isto tudo é muito natural, uma vez que o médium se
utiliza de suas próprias faculdades para transmitir as mensagens. São comunicações
muito fáceis de serem taxadas de mistificações por leigos ou por aqueles que
desconhecem os processos mediúnicos.
Na mediunidade inconsciente, o médium não participa em nível consciencial da
manifestação, nem lembra os fatos após o transe, ficando seu corpo físico em maior
ou menor disponibilidade do espírito comunicante.
É oportuno salientar a importância da educação mediúnica e da capacidade intelectual
do médium. Principalmente nos casos de mediunidade inconsciente, quando o
indivíduo for mediunicamente bem-educado e satisfatoriamente desenvolvida esta sua
faculdade, deve este estar sempre vigilante e atento para intervir sempre que seja
necessário. O médium precisa saber que é dono de seu próprio corpo, que pode ,
precisa e deve controlá-lo, não permitindo comunicações violentas, fora de hora ou
local apropriado. Vícios e maus hábitos mediúnicos são sempre mais fáceis de serem
corrigidos no início do desenvolvimento. Para isto é essencial que o médium busque
instrução, disciplinando-se através do estudo, aprendendo e compreendendo os
fatores que envolvem as manifestações espirituais.
Kardec em todo o seu trabalho nos incentivou e mostrou a importância do estudo.
Segundo ele, “quando encontramos em um médium o cérebro povoado de
conhecimentos adquiridos na sua vida atual e o espírito rico em conhecimentos
latentes, obtidos em vidas anteriores, de natureza a nos facilitar as comunicações, dele
de preferência nos servimos porque com ele o fenômeno da comunicação se torna
muito mais fácil do que com o médium de inteligência limitada e de escassos
conhecimentos anteriormente adquiridos”.
Natureza
Quanto à natureza, a mediunidade pode ser “natural” ou “de prova-mediunidade
tarefa”.
 Mediunidade Natural
À medida que evolui intelectual e moralmente, o espírito vai desenvolvendo sua
sensibilidade, suas faculdades psíquicas, aumentando assim a sua percepção
espiritual. É uma conquista individual, situação ideal a ser atingida por todos, não
sendo privilégio de alguns mas patrimônio comum a todos os espíritos (homens). A
intuição é talvez a sua forma mais avançada, pois o intercâmbio espiritual é feito sem a
necessidade do trabalho mediúnico.
 - Mediunidade de Prova ou Tarefa
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É a concessão temporária da faculdade mediúnica a uns e outros, quase sempre
através da intervenção de espíritos mais esclarecidos ou pelo próprio indivíduo
solicitada para que, no seu uso e gozo, possa resgatar dívidas passadas e evoluir. É
uma “tarefa” para reajuste, não tendo sido conquistada pelo espírito (indivíduo)
detentor. É porisso que devemos ter muita cautela com os elogios. Médiuns na sua
maioria são grandes devedores. Não são detentores das faculdades que apresentam,
e porisso, por faltar-lhes ainda aprimoramento moral, muitas vezes não estão
preparados para os elogios que recebem. Incentivo é importante, elogio é perigoso.
Mediunidade de prova é o tipo que predomina entre nós, dadas as condições
evolutivas dos espíritos que aqui reencarnam.
TIRANDO DÚVIDAS
- Apenas os espíritas são médiuns?
Sendo a mediunidade expressão do espírito, ela independe de postura religiosa, se
manifestando tanto no religioso quanto no ateu.
- Depois que se começa a trabalhar a mediunidade não se pode mais parar? Pode
ser perigoso?
Emmanuel nos diz que “quanto mais trabalha a enxada, mais a lâmina se aprimora;
relegada ao abandono é carcomida pela ferrugem”. Ou seja, qualquer instrumento ao
abandono é vítima da ferrugem ou do desajuste. Mediunidade é compromisso de vida
e não de “uma” vida, não querer trabalhar a mediunidade não a faz desaparecer. Não
querer trabalhá-la, geralmente implica em abandono do exercício salutar da prática do
amor e da caridade. É natural que traga ao médium os efeitos de seus atos, visto que o
intercâmbio não cessa.
- Como trabalhar os problemas mediúnicos?
As dificuldades que surgem no caminho de alguns médiuns são problemas do espírito,
nunca da faculdade. Como resolvê-los? Através do estudo - o esclarecimento, através
da reforma íntima - a renovação de valores e através da prática da caridade - o grande
exercício do amor.
Médium educado (estudo), mediunidade equilibrada.
- Então o estudo é muito importante para os médiuns?
Seria o mesmo que perguntar se o estudo da medicina é muito importante para futuros
médicos.
- Apenas pessoas boas são médiuns?
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Mediunidade independe de condição moral. Tanto o nobre quanto o devasso a
possuem. O que enobrece o trabalho mediúnico é a forma com que o médium trabalha
os seus dons espirituais.
- Qual o tipo mais importante de mediunidade?
Não existe tipo de mediunidade mais importante. O melhor médium é aquele que
esteja sempre pronto a servir e disposto a aprender.
- Quando e como desenvolver a mediunidade?
O médium não é médium apenas quando comparece ao centro espírita. A preparação
não deve ser feita apenas no dia do desempenho mediúnico. Desenvolvimento da
mediunidade é prática diária, é a busca de novos valores, é trabalho pelo próximo, é
doação de amor, é estudo e disciplina. Sem isto, o médium se torna um joguete nas
mãos de espíritos menos esclarecidos. Sem isto, a mediunidade perde seu sentido
nobre.
- É possível desenvolver e praticar a mediunidade em casa?
As condições de um centro espírita muito diferem das condições de um lar, pois a
atmosfera espiritual do centro está sempre preparada pelos mentores e todos os
trabalhadores comungam os mesmos ideais de trabalho, estudo e aprimoramento
moral. Desta forma, o centro espirita oferece o clima psíquico ideal para o trabalho
profícuo.
- Dizem que sou médium, mas nunca consegui uma comunicação. Como explicar
isto?
Grandes frustrações são causadas pela falta de esclarecimento. Mediunidade não é
sinônimo de incorporação, sendo esta apenas uma de suas formas de manifestação.
- Como agir quando o médium é influenciado por entidades fora das reuniões
mediúnicas?
No Livro dos Médiuns, Kardec se refere a situações deste tipo, como invigilância das
criaturas. O indivíduo é médium onde quer que ele se encontre, sendo a faculdade
mediúnica um dom que não acontece só em reuniões mediúnicas especializadas.
Cabe ao médium, através do estudo, disciplinar-se, mantendo o equilíbrio que lhe é
proposto pela educação mediúnica.
- E o médium que não consegue controlar o espírito comunicante ?
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Emmanuel disse a Chico que para o sucesso no desempenho mediúnico ele precisaria
de apenas 3 coisas: disciplina, disciplina e disciplina. O médium é dono do próprio
corpo e cabe a ele disciplinar o espírito que por ele se manifestar.
- O médium é responsável por todas as comunicações mediúnicas, mesmo as
inconscientes?
Mediunidade inconsciente não deve nunca ser uma desculpa para manifestações
equivocadas. O médium é responsável sempre pelas comunicações, caso contrário
seria apenas um “fantoche” nas mãos dos espíritos. Na mediunidade inconsciente, o
espírito do médium continua consciente e atuante, apesar do cérebro humano não
registrar a nível consciente as experiências mediúnicas. Portanto, o médium
esclarecido, mesmo que temporariamente afastado do veículo físico, se mantém
observador e vigilante, comandando a manifestação, conduzindo o espírito
comunicante, não permitindo abusos e indisciplina.
“Por melhor que seja o pianista, o som é sempre do piano”. (Divaldo P. Franco)
- O que pensar de espíritos que passam mensagens elevadas mas ainda estão
apegados a praticas comuns aos homens ?
Pelos frutos conhecem-se as árvores, pela qualidade das comunicações, aqueles que
as trazem. Possivelmente este seja um espírito bom, com boas intenções, mas sem os
conhecimentos que o esclarecimento proporciona. Daí a importância do estudo por
parte do médium, porque caberá a ele conduzir este espirito no seu crescimento.
- O que pensar de médiuns curadores que se utilizam de instrumentos
cirúrgicos?
Todo trabalho que vise o bem do próximo deve ser digno de respeito, mas temos que
convir que não há motivos para os espíritos se utilizarem de técnicas humanas de cura
quando eles a possuem superior. Nem os mais respeitados médiuns e médicos
espíritas concordam com estas práticas desnecessárias que enfatizam o fenômeno em
detrimento de suas consequências morais.
Existe alguma “fórmula mágica” para o sucesso no desempenho mediúnico?
Sim! Estudo, reforma íntima e trabalho, muito trabalho.
SONO E SONHO
O sono é um fenômeno físico pelo qual o corpo entra em repouso, ficando a alma
parcialmente liberta, a ele ligada através de um cordão prateado. Para o espírito o
sono é uma forma de morte, aparente e incompleta, o qual abre as portas para o
sonho, com frestas mais ou menos amplas.
O sonho é um fenômeno espiritual onde pode ocorrer a emancipação da alma,
emancipação esta maior ou menor, de acordo com a condição espiritual de cada um.
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Nestes momentos de libertação parcial, o espírito permanece ligado às faixas
vibratórias com as quais sintoniza.
O sono é um momento de reposição de energias e o sonho, um fenômeno do espírito.
Vemos então que passamos grande parte de nossas vidas em atividade,
aparentemente sem consciência das mesmas quando em estado de vigília. Sendo
assim, ao nos deitarmos todas as noites, junto às nossas preces, no momento de
ligação ao Pai devemos pedir a permissão de usarmos as nossas horas de sono em
benefício de nossa própria evolução, seja aprendendo, seja trabalhando na prática do
amor ao próximo.
“O capítulo dos sonhos é da maior importância na vida do homem. Levando-se em
consideração que 1/3 da vida física é dedicada ao sono, imenso patrimônio logrará
quem converter esse tempo, ou parte dele, no investimento do progresso, em favor da
libertação que lhe credenciará para uma existência plena, um futuro ditoso. Dorme-se
portanto como se vive, sendo-lhe os sonhos o retrato emocional da vida moral e
espiritual”.
(Espírito Manoel P. De Miranda através do médium Divaldo Franco.).
BIBLIOGRAFIA:
2-3-7-43-45-51-52-56-69-70-71-72-73-74-75-76-77-78-79-80-81
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A CASA ESPÍRITA
Proposta
Casa Espírita é toda aquela que segue os ensinamentos de Kardec, visando a prática
e a divulgação da Doutrina Espírita. Sua proposta deve ser sempre de amor.
É uma organização que tem por finalidade o despertamento, a educação e a evolução
do homem, bem como a prática da caridade e a realização de trabalhos espirituais.
Todo pequeno grupo que se unir com o objetivo de práticas espíritas dever ter sempre
em mente que o objetivo maior de um centro, casa ou grupo deve ser a prática da
assistência social, da caridade. O estudo profundo da Doutrina aliado ao exercício do
amor serão um grande estímulo ao esforço íntimo de renovação mental.
Esta forma de vivenciamento da Doutrina pode envolver a necessidade de trabalhos de
desenvolvimento mediúnico que hão de preparar médiuns aptos a colaborarem em
trabalhos especiais. Note-se bem, que a proposta do espiritismo não é o trabalho
mediúnico sendo este, apenas parte de um grande objetivo.
Toda prática espírita deve visar a comunidade e não apenas determinadas pessoas ou
grupos.
Características
Deve ser um local simples, limpo, sem altares, imagens, incensos ou qualquer outro
tipo de artifícios de condicionamento, uma vez que estes não se fazem necessários
quando nos ligamos ao Pai, conforme Jesus nos ensinou.
Recursos
Assistenciais
Auxilia aos mais necessitados através da orientação evangélica, distribuição de
alimentos, enxovais, roupas em geral, remédios, atendimento médico e odontológico,
etc.
Financeiros
Promove eventos sociais como forma de gerar fundos adequados a sua manutenção e
desenvolvimento das atividades de assistência a que se propõe.
Intelectuais e Doutrinários
Proporciona a educação e o esclarecimento espírita através de palestras, cursos,
grupos de estudo, evangelização para crianças e jovens, mocidade espírita, biblioteca,
banca de livros, vídeoteca, etc.
Espirituais
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Oferece trabalhos espirituais a encarnados e desencarnados, bem como passes e
captações.
Muitas vezes as pessoas que chegam a Casa de Jesus são encaminhadas a tomarem
passe e/ou fazerem captação. Como muitos são leigos no assunto, considera-se
oportuno esclarecer rapidamente alguns pontos em relação a estas atividades.
Passe
O passe é uma transfusão de energias salutares de médiuns e espíritos colaboradores
e amigos, com o objetivo de restaurar o equilíbrio físico e espiritual de quem estiver
precisando. Nervosismos, ansiedades, aflições, são estados perturbados da alma, e
nem sempre quem se encontra assim, consegue sozinho o alívio através da prece. O
passe alivia imediatamente o indivíduo destas pressões. Desta forma, o passe como
“terapia” semanal poderá ser importante preventivo para a saúde integral.
Não poderíamos deixar de mencionar então a importância do aprendizado e
consequente reforma moral de cada um como essencial para a serenidade
permanente, sendo assim o passe complemento eficaz e não remédio milagroso.
Algumas observações:
 O passe atua diretamente no perispírito do assistido
 É essencial a sintonia entre o passista e o assistido
 O passe em roupas e objetos pessoais é um vínculo material desnecessário que
não deve ser praticado
 A prática da aplicação do passe com médium incorporado é desnecessária e
desaconselhável
 É muito importante que nos minutos que antecedem o passe, o assistido relaxe,
fique em silêncio e eleve o seu pensamento.
Captação
Muitas vezes, após passarem por uma entrevista de orientação, marcada com
antecedência, as pessoas são encaminhadas à captação. No dia marcado, é muito
importante que a pessoa chegue cedo a Casa para poder ouvir com serenidade a
palestrinha que antecede os trabalhos. Esta preparação inicial é fundamental. Durante
a captação, a pessoa é colocada entre 3 sensitivos em preparo especial, com
capacidade de captarem suas sensações interiores e exteriores. Normalmente, após
as captações as pessoas se sentem muito bem.
Devem tomar nota detalhada de tudo que aconteceu naquele momento e voltar a seus
orientadores para criteriosa avaliação.
A captação é ferramenta de trabalho valiosa para o orientador mas é fundamental a
conscientização de cada um da necessidade de mudar. Mudar para melhor, renovar
sentimentos, atitudes e pensamentos.
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Mensagem Final
“Recorda-te que a vida é curta, esforça-te pois por conquistar, enquanto podes, aquilo
que viestes aqui realizar: o verdadeiro aperfeiçoamento. Possa teu espírito partir desta
Terra mais puro do que quando nela entrou! Pensa que a Terra é um campo de
batalha, onde a matéria e os sentidos assediam continuamente a alma; corrige teus
defeitos, modifica teu caráter, reforça a tua vontade, eleva-te pelo pensamento acima
das vulgaridades da Terra e contempla o espetáculo luminoso do céu”.
Leon Dénis
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BIBLIOGRAFIA
1. O Livro dos Espíritos - Allan Kardec
2. O Livro do Médiuns - Allan Kardec
3. O Evangelho Segundo o Espiritismo - Allan Kardec
4. O Céu e o Inferno - Allan Kardec
5. A Gênese - Allan Kardec
6. Evolução para o Terceiro Milênio - Carlos Toledo Rizzini
7. O Passe - Jacob Melo
8. Passes e Radiações - Edgard Armond
9. Passes e Curas Espirituais - Wenefledo de Toledo
10.Passe - Rino Curti
11.No Invisível - Léon Denis
12.Transcomunicação - Clóvis Nunes
13.Magnetismo Espiritual - Michaelus
14.Vida depois da Vida - Dr. Raymond Moody Jr.
15.A Caminho da Luz - Chico Xavier (Emmanuel)
16.O Consolador - Chico Xavier (Emmanuel)
17.Contos e Pontos - Chico Xavier ( Irmão X)
18.Depois da Morte - Léon Denis
19.Paulo e Estevão - Chico Xavier (Emmanuel)
20.Francisco de Assis - João Nunes Maia (Miramez)
21.Exilados de Capela - Edgard Armond
22.O Fenômeno Espírita - Gabriel Dellame
23.O que é o Espiritismo - Allan Kardec
24.O Principiante Espírita - Allan Kardec
25.Espiritismo - Perguntas e Respostas - Pedro Jacinto
26.Temas do Amor Imortal - Mario B. Tamassia
27.Fatos Espíritas - Willian Crookes
28.Espírito, Perispírito e Alma -Hernani Guimarães Andrade
29.Morte, Renascimento, Evolução - Hernani Guimarães Andrade
30.Psi Quântico - Hernani Guimarães Andrade
31.Espiritismo Básico - Pedro Franco Barbosa
32.O Porquê da vida - Léon Denis
33.As mesas Girantes - Zeus Wantuil
34.Obras Póstumas - Allan Kardec
35.Apostila Curso Iniciação Espírita - FEB
36.Cartas e Crônicas - Chico Xavier (Irmão X)
37.O Espiritismo e as Doutrinas Espiritualistas - Deolindo Amorim
38.O Centro Espírita - Herculano Pires
39.Mediunismo - Ramatis
40.Missão do Espitismo - Ramatis
41.Espiritismo Aplicado - Elizeu Rigonatti
42.Vereda Familiar - Raul Teixeira
43.Diretrizes de Segurança - Raul Teixeira e Divaldo P. Franco
44.Entre a Terra e o Céu - Chico Xavier (André Luiz)
45.Missionários da Luz - Chico Xavier (André Luiz)
46.Apostila CEAK
47.Mãos de Luz - B.A.Brennam
48.A vida Secreta das Plantas - R. Tompkins e K. Bird
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49.Justiça Divina - Chico Xavier (Emmanuel)
50.Ação e Reação - Chico Xavier (André Luiz)
51.Mediunidade - Edgard Armond
52.Temas da Vida e da Morte - Divaldo P. Franco (M.P. de Miranda)
53.Roteiro - Chico Xavier (Emmanuel)
54.Correlações Espírito - Matéria - Jorge Andréa
55.Forças Sexuais da Alma- Jorge Andréa
56.Nos Alicerces do Inconsciente - Jorge Andréa
57.Evolução em Dois Mundo - Chico Xavier (André Luiz)
58.Mecanismos da Mediunidade - Chico Xavier (André Luiz)
59.A Evolução Anímica - Gabriel Dellane
60.Energética do Psquismo - Jorge Andréa
61.Nossos Filhos São Espíritos - Hermínio Miranda
62.Somos Todos Inocentes - Zíbia Gasparetto (Lucius)
63.Renúncia - Chico Xavier (Emmanuel)
64.Reencarnação - Roque Jacinto
65.Filhos, Como Educá-los - Roque Jacinto
66.Vida e Sexo - Chico Xavier (Emmanuel)
67.Gestação, Sublime Intercâmbio - Ricardo Di Bernardi
68.Palingênese - A Grande Lei - Jorge Andréa
69.Você e a Mediunidade - Mario B. Tamassia
70.Mediunidade sem Lágrimas - Elizeu Rigonatti
71.Nos Domínios da Mediunidade - Chico Xavier (André Luiz)
72.Estudando a Mediunidade - Martins Peralva
73.Segurança Mediúnica - João Nunes Maia (Miramez)
74.Mediunidade - Herculano Pires
75.Médiuns e Mediunidade - Divaldo P. Franco (Vianna de Carvalho)
76.Estante da Vida - Chico Xavier (Irmão X)
77.Seara dos Médiuns - Chico Xavier (Emmanuel)
78.Do Sistema Nervoso a Mediunidade - Ary Lex
79.Obsessão - Estudo Introdutório - Luiz Schvartz
80.Psicologia Espírita - Jorge Andréa
81.Mediunidade - Tire suas dúvidas - Luiz Gonzaga Pinheiro
82.Quem tem medo dos Espíritos ? Richard Simonetti
83.Você e os Espíritos - Wilson Garcia
84.Reencarnação - G. Dellane
85.Reencarnação através dos Séculos - Nair Lacerda
86.20 casos sugestivos de Reencarnação - Ian Stevenson
87.Reencarnação no Brasil - Hernani G. de Andrade
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Apostila Curso de Doutrina espírita - Módulo 1