Observatório Político Sul-Americano
Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro IUPERJ/UCAM
http://observatorio.iuperj.br
Monitor Eleitoral
26/09/2006
Pesquisas de Intenção de Voto das
Eleições Presidenciais
País/Data
Candidato (Partido)
%
Brasil
01/10/2006
(a)
Lula (PT)
Alckmin (PSDB)
Heloísa Helena (PSOL)
Branco/Nulo/Indeciso
49
31
7
10
(b)
Lula (PT)
Alckmin (PSDB)
Heloísa Helena (PSOL)
Branco/Nulo/Indeciso
47
33
8
9
Rafael Correa (PAIS)
26
León Roldós (RED)
Álvaro Noboa (PRIAN)
Cynthia Viteri (PSC)
18
11
10
Rafael Correa (PAIS)
León Roldós (RED)
Álvaro Noboa (PRIAN)
Cynthia Viteri (PSC)
22
20
9
9
Equador
15/10/2006
(a)
(b)
Venezuela
03/12/2006
(a)
Hugo Chávez (MVR)
Manuel Rosales (NT)
Indecisos
55,4
17,7
25,4
(b)
Hugo Chávez (MVR)
Manuel Rosales (NT)
Indecisos
58
17,4
22,7
Fontes: Brasil, (a) Datafolha, 23/09/2006 e (b) IBOPE,
23/09/2006; Equador, (a) CEDATOS/Gallup, 23/09/2006;
(b) Informe Confidencial, 17/09/2006; e Venezuela, (a)
IVAD, 15/09/2006, e Datanálisis, 14/09/2006 [datas de
divulgação].
Monitor Eleitoral OPSA
BOLÍVIA: Eleitores elegem seus representantes na Assembléia Constituinte
e opinam sobre a concessão de autonomia política aos departamentos
Em dois de julho, mais de três milhões de eleitores bolivianos foram às urnas para
elegerem seus representantes na Assembléia Constituinte (AC) e responderem
ao referendo sobre a autonomia política dos departamentos. Na escolha da
representação na AC, o partido do presidente Evo Morales, o Movimento ao
Socialismo (MAS) saiu vitorioso, com 50,72% dos votos, e elegeu 137 dos 255
parlamentares constituintes. Em seguida, o Poder Democrático e Social (Podemos)
conquistou 60 assentos na AC e a Unidade Nacional, oito. Se considerados os
constituintes eleitos pelo MAS e por aliados do Movimento Bolívia Livre (MBL) e do
Movimento Originário Popular (MOP), o governo Morales obteve 148 assentos na
AC, menos do que os 2/3 (170) necessários para a aprovação do texto
constitucional, conforme dispõe o artigo 25 da Lei de Convocatória da AC, de março
de 2006.
No que diz respeito ao referendo popular a respeito da concessão de maior
autonomia aos nove departamentos bolivianos, o “sim” ganhou em Beni (73%),
Santa Cruz (71,1%), Tarija (62,2%) e Pando (57,6%), departamentos do setor
oriental do país e que impulsionaram o movimento por maior descentralização
política. O MAS e o presidente Morales, por sua vez, defendiam o “não”, alegando
que a autonomia departamental representaria apenas os interesses de oligarquias
do oriente boliviano. O voto contrário às autonomias prevaleceu em Oruro (75%),
La Paz (73,4%), Potosí (73,1%), Cochabamba (63%) e Chuquisaca (62,2%).
Considerada a votação nacional, o “não” venceu com 57,5% dos votos, frente a
42,4% do “sim”.
Caberá à AC dar eficácia ao referendo, visto que a questão deverá ser contemplada
pelo novo texto constitucional. Desde antes da realização da consulta popular,
contudo, já havia muitas divergências a respeito do modo pelo qual o seu resultado
seria aplicado. De acordo com o artigo segundo da Lei de Convocação para o
Referendo, nos departamentos em que a autonomia fosse aprovada por maioria
simples de votos (como ocorreu nos quatro departamentos orientais), o regime de
autonomia departamental seria implementado imediatamente após a promulgação
da nova Constituição. O governo, todavia, alega que a lei e a pergunta do referendo
não estavam claras, e defende que deve prevalecer a decisão da maioria dos
eleitores, ou seja, da votação em nível nacional. Agora, a decisão final competirá à
AC, cujos trabalhos começaram em agosto.
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Monitor Eleitoral OPSA
BOLÍVIA: DISTRIBUIÇÃO DE ASSENTOS NA ASSEMBLÉIA CONSTITUINTE
Partidos políticos e agrupamentos de cidadãos
N.º de Assentos
Movimento ao Socialismo (MAS)
137
Poder Democrático e Social (Podemos)
60
Unidade Nacional (UN)
8
Movimento Bolívia Livre (MBL)
8
MNR-FRI
8
Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR)
8
Aliança Social (AS)
6
Concertação Nacional (CN)
5
Autonomia para Bolívia (APB)
3
Movimento Originário Popular (MOP)
3
Aliança Social Patriótica (ASP)
2
Movimento AYRA
2
MNR-A3
2
Movimento da Esquerda Revolucionária–Nova Maioria (MIR-NM)
1
Movimento Cidadão San Felipe de Austria (MCSFA)
1
Aliança Andrés Ibáñez (AAI)
1
Total
255
3
Monitor Eleitoral OPSA
BRASIL: A uma semana da eleição, pesquisas apontam a vitória do
presidente Lula em primeiro turno, apesar de escândalo envolvendo
membros da coordenação da campanha petista
As últimas pesquisas divulgadas pelos institutos IBOPE e Datafolha em 23 de
setembro indicam que o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à
reeleição pelo Partido dos Trabalhadores (PT), venceria em primeiro turno a eleição
presidencial do próximo dia 1º de outubro. O IBOPE, em sondagem realizada entre
os dias 20 e 22 de setembro, apresentou o presidente Lula com 47% das intenções
de voto, seguido pelo ex-governador de São Paulo e candidato do Partido da Social
Democracia Brasileira (PSDB), Geraldo Alckmin, com 33%. A senadora Heloísa
Helena, do Partido do Socialismo e Liberdade (PSOL), alcançaria 8% dos votos.
Votos brancos e nulos somavam 4%, enquanto 5% dos entrevistados não
souberam ou não opinaram. Levando-se em conta apenas os votos válidos, o
presidente Lula se reelegeria em primeiro turno, com 52%. A sondagem para um
eventual segundo turno entre Lula e Alckmin indicou a vitória do atual presidente,
com 50% das intenções de voto, frente ao candidato do PSDB, com 41%, e 9% de
votos brancos e nulos e eleitores indecisos.
A sondagem do Datafolha realizada em 22 de setembro também indicou a vitória
de Lula em primeiro turno. Lula (PT) teria 49% das intenções de voto, Alckmin
(PSDB), 31%, e a senadora Heloísa Helena (PSOL), 7%. Nesta sondagem, votos
brancos e, nulos e eleitores indecisos representavam 10%, de modo que,
considerados apenas os votos válidos, Lula obteria 55% e venceria em primeiro
turno. Na simulação de segundo turno entre Lula e Alckmin feita pelo Datafolha, o
atual presidente ganharia por 54% contra 39%. Ambas as pesquisas possuem
margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
Os resultados de ambos os institutos revelaram queda de Lula e ascensão de
Alckmin. Pelo Datafolha, Lula caiu de 50 para 49%, enquanto Alckmin subiu de 29
para 31% - tudo dentro da margem de erro da pesquisa. Já no Ibope, a queda de
Lula foi de 49 para 47% - ainda dentro da margem de erro, ao passou que o
crescimento do candidato do PSDB foi de três pontos percentuais, passando de 30
para 33% das intenções de voto.
As variações nas pesquisas foram interpretadas como resultado da divulgação de
uma denúncia contra a coordenação de campanha do PT, que estaria envolvida na
compra um dossiê contra os candidatos do PSDB ao governo de São Paulo, José
Serra, e à Presidência da Republica, Geraldo Alckmin. No dia 15 de setembro, a
Polícia Federal prendeu dois militantes do PT flagrados com R$ 1,7 milhão que seria
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Monitor Eleitoral OPSA
destinado à aquisição do dossiê elaborado pela família Vedoin, acusada de chefiar a
chamada “máfia dos sanguessugas”. O documento conteria informações que
associam os criminosos à gestão de Serra no Ministério da Saúde (1999-2002) sob
o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Em reação ao caso, o
presidente Lula, no dia 20 de setembro, afastou o presidente do PT, Ricardo
Berzoini, da coordenação de sua campanha eleitoral. Berzoini foi substituído pelo
assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Marco
Aurélio Garcia. Em nota, Berzoini condenou o “denuncismo” e negou saber que o
material contra o PSDB teria sido oferecido à revista “Época”. O presidente Lula
criticou duramente as pessoas implicadas no caso e afastou seu assessor especial,
Freud Godoy, citado como possível mentor da operação.
BRASIL: ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS
Partido/Coalizão
Candidato
PT/PRB/PCdoB
Luiz Inácio Lula da Silva
PSDB/PFL
Geraldo Alckmin
PSOL
Heloísa Helena
PDT
Cristovam Buarque
PSL
Luciano Bivar
PSDC
José Maria Eymael
PCO
Rui Costa Pimenta
PRP
Ana Maria Rangel
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Monitor Eleitoral OPSA
BRASIL: Perfil dos candidatos à Presidência da República
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA nasceu no distrito de Caetés,
no
município
de
Garanhuns,
interior
do
estado
de
Pernambuco, no ano de 1945. Seu pai, Aristides Inácio,
mudou-se cedo para a região sudeste em busca de emprego,
antes mesmo do nascimento do filho. A mãe, Eurídice Ferreira
de Mello, e o restante da família o acompanharam em 1952 e
trocaram o interior do nordeste pelo Guarujá, no litoral
paulista. Quatro anos mais tarde, deixaram a cidade e foram
para a capital, onde se instalaram no bairro Ipiranga.
Lula concluiu o processo de alfabetização no Grupo Escolar Marcílio Dias e, aos 12
anos de idade, começou a trabalhar para ajudar na renda da família. Trabalhou em
tinturaria, mais tarde, foi engraxate e auxiliar de escritório. Aos 14 anos, teve, pela
primeira vez, a carteira de trabalho assinada, quando era funcionário dos Armazéns
Gerais Columbia.
Em 1963, já funcionário da fábrica de parafusos Marte, ingressou no curso de
torneiro mecânico oferecido pelo Serviço Nacional de Aprendizado Industrial
(SENAI). Ao final de três anos de estudos, Lula se formou torneiro mecânico e
metalúrgico. No mesmo ano, foi contratado pela metalúrgica Aliança, e, depois de
acidente no trabalho, deixou a fábrica e se mudou para São Bernardo do Campo, no
ABC paulista, onde ingressou nas Indústrias Villares. Nesse período, Lula começou
a freqüentar o sindicato por influência de seu irmão, José Ferreira da Silva, o Frei
Chico.
Em 1969, o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema
organizou eleição para escolher a nova diretoria e Lula foi eleito suplente. Em 1972,
tornou-se primeiro-secretário, e, três anos mais tarde, foi eleito presidente com
92% dos votos, representando 100 mil trabalhadores. Em 1978, foi reeleito
presidente do sindicato e, após 10 anos sem greves operárias, ocorreram no país
as primeiras paralisações. Em março de 1979, 170 mil metalúrgicos pararam o ABC
paulista. Em 1984, Lula foi um dos fundadores da Central Única dos Trabalhadores
(CUT).
Carreira política
A repressão política e a baixa representatividade dos trabalhadores nos centros
decisórios do país fizeram que os sindicatos começassem a se organizar em torno
6
Monitor Eleitoral OPSA
da idéia de um partido político. Com o início da abertura, a idéia tomou corpo com
a criação do Partido dos Trabalhadores (PT) em 1980. Entre os fundadores estavam
intelectuais, políticos, sindicalistas e representantes da igreja, como Antônio
Cândido, Sérgio Buarque de Hollanda, Apolônio de Carvalho, Olívio Dutra, Paul
Singer, Florestan Fernandes, Lula, entre outros.
No mesmo ano, as repressões aos sindicatos do ABC aumentaram, resultando na
intervenção federal no Sindicado de São Bernardo do Campo e na prisão de Lula e
de outros dirigentes sindicais.
O PT só foi reconhecido, oficialmente, pelo Tribunal Superior de Justiça Eleitoral em
1982. A partir de então, Lula liderou a organização partidária e foi um dos
principais responsáveis pelo rápido crescimento da instituição em outras partes do
país. No mesmo período, disputou o governo de São Paulo, mas ficou em quarto
lugar.
Em 1984, Lula teve uma importante participação na campanha para as “Diretas Já”,
que reuniu as principais lideranças políticas do país para exigir eleições diretas para
presidente da República em 1984. Dois anos mais tarde, foi o deputado mais
votado do Brasil para a Assembléia Nacional Constituinte, com 650 mil votos. Sua
participação como congressista, no entanto, foi considerada discreta.
Campanhas presidenciais
Em 1989, Lula desistiu da reeleição para a Câmara dos Deputados e foi apontado
como o candidato do PT nas eleições presidenciais, a primeira desde 1960, marcada
para o mesmo ano. Em uma campanha caracterizada pela agressividade contra o
ex-dirigente sindical, especialmente advinda da grande mídia, Lula perdeu as
eleições, no segundo turno, para Fernando Collor de Melo, do Partido da
Reconstrução Nacional (PRN), que obteve 37% do votos, contra 32% de Lula.
Em 1992, nas manifestações que exigiram o impeachment de Collor, acusado de
corrupção, Lula foi um dos principais líderes. No mesmo período, ocupou cargo de
conselheiro no Instituto da Cidadania, organização não-governamental voltada para
estudos,
pesquisas,
debates,
publicações
e,
principalmente,
formulação
de
propostas de políticas públicas nacionais, bem como promoção de campanhas de
mobilização da sociedade civil.
Nas duas eleições presidenciais que se seguiram, 1994 e 1998, Lula foi,
novamente, o candidato do PT; no entanto, não foi bem sucedido nos dois pleitos
no qual enfrentou o ex-senador, Fernando Henrique Cardoso, do Partido da Social
Democracia Brasileira (PSDB). Em 1994, Cardoso obteve 54% dos votos enquanto
Lula ficou em segundo, com 27%, não havendo segundo turno. Em 1998, a
7
Monitor Eleitoral OPSA
situação se repetiu: Cardoso se reelegeu com 53% dos votos e o representante do
PT, na segunda posição, não passou dos 30%.
Eleições de 2002
Em 2002, após indecisão a respeito do representante do PT nas eleições
presidenciais, em junho a Convenção Nacional apontou novamente o nome de Lula.
Além do mais, foi aprovada uma coligação mais ampla, formada com o Partido
Comunista do Brasil (PC do B), o Partido Comunista Brasileiro (PCB), o Partido da
Mobilização Nacional (PMN) e o Partido Liberal (PL). O discurso do partido durante
campanha diferenciou-se dos de pleitos anteriores. Com reais chances de vitória, o
PT se comprometeu com os valores de mercado, com o respeito aos contratos e
com a responsabilidade fiscal. Esses compromissos foram declarados no documento
chamado Carta ao Povo Brasileiro, emitido alguns meses antes das eleições.
No primeiro turno, Lula obteve 46% dos votos, seguido pelo ex-ministro do
governo Cardoso, José Serra, do PSDB, com 23%, e por Anthony Garotinho, do
Partido Socialista Brasileiro (PSB), com 17%. No segundo turno, venceu as eleições
com mais de 60% dos votos.
Governo Lula e reeleição
No governo, o presidente Lula seguiu as promessas de campanha e manteve a
política econômica ortodoxa posta em prática pelo governo anterior, sinalizando,
inicialmente, com a escolha do novo presidente do Banco Central (BC), Henrique
Meireles. No campo social, inovou com o programa Fome Zero e com o Bolsa
Família. No cenário internacional, buscou maior interação com os países da América
do Sul e alianças com países em desenvolvimento, a exemplo da formação do G-20
durante as negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Apesar das críticas à política econômica, especialmente em virtude dos altos juros,
o presidente manteve bons níveis de aprovação popular. Em meados de 2005, no
entanto, o governo sofreu um duro golpe em razão da crise política que relacionava
a cúpula do PT com a compra de voto de parlamentares. Instalada a Comissão
Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as acusações, figuras chaves do
governo e do partido deixaram os cargos: o ministro da Casa Civil, José Dirceu; o
ministro das Comunicações; Luiz Gushiken; o presidente do PT José Genuíno; e o
tesoureiro do PT, Delúbio Soares. A crise afetou diretamente o partido e o governo,
mas o presidente Lula seguiu na liderança das pesquisas eleitorais para outubro de
2006.
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Monitor Eleitoral OPSA
GERALDO JOSÉ RODRIGUES ALCKMIN FILHO nasceu
na cidade de Pindamonhangaba, interior de São Paulo, em
1952. Seu pai, Geraldo José Rodrigues Alckmin, era
agrônomo e já foi chefe de gabinete do filho quando este
assumiu a prefeitura da cidade. Sua mãe, Miriam Penteado
Rodrigues, era dona de casa. Faleceu cedo, quando
Alckmin tinha apenas 10 anos de idade, e, com o
incidente, a família se mudou para a casa dos avôs
maternos.
Alckmin estudou no Externado São José e, durante o segundo grau, no Instituto de
Educação João Gomes de Araújo. Em 1971, ingressou na faculdade de medicina na
cidade vizinha de Taubaté, concluindo o concurso em 1976. Especializou-se em
anestesiologia e fez pós-graduação no Hospital do Servidor Público em São Paulo.
Chegou a exercer a profissão na Santa Casa de Pindamonhangaba, mas a carreira
política não o deixou seguir a diante.
Geraldo Alckmin se considera uma pessoa extremamente religiosa, característica
que diz ter herdado do pai, ex-seminarista e devoto da Terceira Ordem de São
Francisco, e que pensou em se tornar padre depois que a esposa faleceu. Muitos
adversários políticos o acusam de manter vínculos com o Opus Dei, prelazia da
Igreja Católica considerada ultra-consevadora, fato que nega publicamente. No
entanto, Alckmin mantém contatos com membros do Opus Dei, já declarou que seu
“orientador espiritual” é o padre José Texeira, pertencente à organização, anda com
ensinamentos do padre espanhol José Maria Escrivá, fundador do Opus Dei na
década de 1920, em sua carteira, e já batizou uma rua em Pindamonhangaba com
o nome de Escrivá.
Carreira política
Apesar de não ter se destacado no movimento estudantil, nem ter participação em
comunidades de bairro ou em sindicados, Geraldo Alckmin entrou na vida pública
muito jovem, ainda aos 20 anos, a convite do líder do presidente do Movimento
Democrático Brasileiro (MDB) de Pindamonhangaba, Paulo de Andrade. Quando
cursava medicina, foi eleito vereador de sua cidade natal e, por ter sido o candidato
mais votado, foi o escolhido para assumir a presidência da Câmara Municipal. Ao
final do mandato, em 1977, elegeu-se prefeito, e, em 1982, assumiu assento na
Assembléia Estadual.
Em 1987, Geraldo Alckmin foi eleito deputado constituinte pelo Partido do
Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) – o quarto mais votado da legenda. Mas,
9
Monitor Eleitoral OPSA
no ano seguinte, junto com um grupo composto por intelectuais e políticos
articulados sob a liderança de Fernando Henrique Cardoso, Mário Covas, José
Serra, José Richa, Franco Montoro, Teotônio Vilela, Sérgio Motta, Magalhães
Teixeira, Eduardo Azeredo, Aécio Neves e Arthur Virgílio, deixou o PMDB e foi um
dos fundadores do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Em 1990, foi
reeleito deputado federal por São Paulo.
Durante o período que trabalhou como parlamentar, destacou-se como o autor do
projeto do Código de Defesa do Consumidor e relator do projeto que se converteu
na Lei de Benefícios da Previdência Social. Também foi autor de um dos projetos
que se converteram na LOAS (Lei Orgânica da Assistência Social) e relator do
projeto de lei que facilita e disciplina a doação de órgãos para transplante.
Em 1994, Geraldo Alckmin elegeu-se vice-governador de Mário Covas e foi um dos
principais articuladores políticos do governo no interior do estado. Em 2000,
candidatou-se à prefeitura de São Paulo por indicação de Mário Covas, mas não
conseguiu se eleger, ficando em terceiro lugar, com 17% dos votos.
Em 2001, com o agravamento da saúde do governador, Alckmin assumiu o
Executivo e, com a morte de Covas, foi confirmado no cargo. Em 2002, concorreu à
reeleição e ganhou a disputa com José Genuíno, do Partido dos Trabalhadores (PT),
com 58% dos votos.
A gestão de Alckmin à frente do governo do estado mais rico do Brasil foi bem
avaliada pela população e ele deixou o cargo com alta popularidade. Em 2004, de
acordo com pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha, o governador recebeu nota
7,1, a segunda melhor avaliação entre os governadores do país. Em março de
2006, em outra avaliação do governo feito pelo Datafolha, 68% da população
consideraram a administração “ótima ou boa”, 23% “regular” e apenas 6% “ruim
ou péssima”. Um dos pontos mais criticados de sua administração foi a relação
entre o governo e a Fundação para o Bem-Estar do Menor (FEBEM).
Eleição presidencial de 2006
Desde 2005, o nome de Alckmin aparecia entre os possíveis candidatos do PSDB
para a disputada presidencial em 2006. Com a acirramento da crise política e a
perda de popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a possibilidade
de vitória da oposição cresceu e houve uma disputa interna no PSDB entre Alckmin
e o então prefeito de São Paulo, José Serra. Em março de 2006, Serra desistiu de
se candidatar e o governador foi apontado como o candidato oficial do partido.
Caso Alckmin seja eleito presidente, espera-se uma continuidade com a política
econômica ortodoxa e com a agenda das reformas originárias do governo Fernando
10
Monitor Eleitoral OPSA
Henrique Cardoso (1994-2002) e seguidas, em parte, pelo PT. No que diz respeito à
política externa, o candidato do PSDB aponta críticas à gestão atual e se diz a favor
da retomada das negociações no âmbito da Área de Livre Comércio das Américas
(ALCA).
11
Monitor Eleitoral OPSA
EQUADOR: Rafael Correa lidera pesquisas de intenção de voto a três
semanas da eleição presidencial
A última pesquisa de intenção de voto para as eleições presidenciais de 15 de
outubro apontou a liderança de Rafael Correa, da Aliança Pátria Altiva e Soberana
(PAIS).
A
sondagem
foi
realizada
pelo
Centro
de
Estudos
e
Dados
(Cedatos/Gallup) entre os dias 20 e 22 de setembro em 17 províncias das regiões
serrana, litoral e amazônica, com 3.360 entrevistados. Correa obteve 26% da
preferência eleitoral, seguido por León Roldós, candidato da coligação Rede Ética e
Democracia-Esquerda Democrática (RED-ID), que caiu para 18%. Álvaro Noboa, do
Partido Renovador Institucional Ação Nacional (Prian), obteve 11%, e Cynthia
Viteri, do Partido Social Cristão (PSC), ficou com 10%. A porcentagem de votos
brancos, nulos e indecisos foi de 28%. No dia 18 de setembro, a empresa Informe
Confidencial também divulgou pesquisa que apontava a liderança de Correa, com
22% das intenções de voto. Roldós apareceu com 20%, enquanto Viteri e Noboa
estariam empatados com 9%.
Em relação à pesquisa anterior divulgada pela Cedatos uma semana antes, Correa
subiu sete pontos percentuais, ultrapassando Roldós e obtendo uma vantagem
expressiva. Já Noboa ascendeu para a terceira colocação, ocupando o lugar de
Viteri.
A queda de Noboa para terceiro lugar foi atribuída à sua indecisão em participar da
disputa. O candidato do Prian oficializou sua desistência de concorrer nas eleições
presidenciais em 07 de julho. Todavia, depois de um ensaio de aliança com o
Partido Sociedade Patriótica (SP), do ex-presidente Lúcio Gutiérrez, anunciada em
27 de julho, Noboa acabou decidindo retomar sua candidatura pelo Prian no dia oito
de agosto. O SP, por sua vez, optou por lançar Gilmar Gutiérrez como candidato à
Presidência, tendo em vista o impedimento de seu irmão, o ex-presidente Lúcio
Gutiérrez, para concorrer no próximo pleito.
Estas foram as últimas pesquisas de intenção de voto publicadas pela imprensa, já
que a lei eleitoral equatoriana proíbe a divulgação de resultados de novas pesquisas
a menos de vinte dias das eleições. De acordo com tais resultados, haverá segundo
turno nas eleições presidenciais equatorianas, previsto para 26 de novembro.
12
Monitor Eleitoral OPSA
EQUADOR: ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS
Partido
Candidato
Aliança Pátria Altiva e Soberana (PAIS)
Rafael Correa
Rede Ética e Democracia-Esquerda Democrática (RED-
Leon Roldós
ID)
Partido Social Cristão (PSC)
Cynthia Viteri
Partido Renovador Institucional Ação Nacional (PRIAN)
Álvaro Noboa
Partido Sociedade Patriótica (SP)
Gilmar Gutiérrez
Movimento Pachakutik (PK)
Luis Macas
Partido Roldosista Equatoriano (PRE)
Fernando Rosero
Movimento Popular Democrático (MPD)
Luis Villacís
Concentração de Forças Populares (CFP)
Jaime Damerval
Movimento Reivindicação Democrática (MRD)
Marco Proaño
Partido Integração Nacional Alfarista (INA)
Carlos Sagñay
Movimento Revolucionário de Participação Popular
Lenin Torres
Aliança Terceira República (ALBA)
Marcelo Larrea
13
Monitor Eleitoral OPSA
EQUADOR: Perfil dos candidatos à Presidência da República
RAFAEL CORREA nasceu na cidade de Guaiaquil em 1963. É
graduado
em
Economia
pela
Universidade
Católica
de
Guaiaquil, em 1987, tendo realizado posteriormente dois
mestrados, ambos em Economia, na Universidade Católica de
Lovaina la Nueva, na Bélgica, em 1991, e na Universidade de
Illinois em Urbana – Champaign, em 1999. Também na
Universidade de Illinois obteve seu título de doutor em
Economia, em 2001. Além do espanhol, é fluente em inglês e
francês, além de ter noções de Kichwa, idioma indígena.
Carreira
Correa possui vasta experiência acadêmica, tendo publicado uma série de artigos e
dois livros, além de ter sido professor nas Universidades de Quito e de Guaiaquil.
Sua participação na política teve início ainda na época da universidade, militando
como líder estudantil. Ao longo de sua carreira, participou de diversos projetos
ligados ao Estado equatoriano, tendo sido diretor administrativo e financeiro de
todos os projetos na área de educação financiados pelo Banco Interamericano de
Desenvolvimento (BID), entre 1993 e 1994, com um orçamento total de US$ 110
milhões.
Em abril de 2005 foi escolhido por Alfredo Palácio ministro da Economia do
Equador, cargo que ocupou até agosto do mesmo ano. Desde então, vem atuando
profissionalmente como consultor independente.
Campanha presidencial
Ao longo do mês de junho, Correa e Luis Macas, candidato do partido indígena
Movimento Pachakutik (PK), realizaram encontros com o intuito de construir uma
candidatura única de esquerda no país. O intento, entretanto, não logrou êxito, já
que Correa rejeitou a iniciativa de Macas de realizar eleições primárias para a
escolha do candidato, qualificando-a de impraticável devido ao curto espaço de
tempo para a organização da mesma. Dias mais tarde, representantes do
Pachakutik chegaram a propor a candidatura de Correa à vice-presidência. Em
resposta, o ex-ministro da Economia propôs a realização de uma pesquisa de
opinião nacional que definisse o candidato da esquerda nas próximas eleições, o
que foi recusado pelo partido indígena. A indecisão acabou causando um racha
dentro do Pachakutik, sendo que representantes de 13 das 22 províncias
declararam apoio a Correa, realizando uma “auto-convocação” para que se
decidisse de forma definitiva a questão.
14
Monitor Eleitoral OPSA
Para viabilizar sua campanha, Correa criou o movimento Aliança Pátria Altiva e
Soberana (PAIS). O candidato à vice-presidência de Correa é Lenin Moreno. Suas
principais propostas são: no plano político, a criação de uma Assembléia
Constituinte com plenos poderes para reestruturar os organismos de controle do
país, realizar mudanças no sistema eleitoral e garantir a descentralização no país;
no plano social, oferecer a educação gratuita e de qualidade em todos os níveis, a
erradicação do analfabetismo
e garantir o acesso universal à saúde dos
equatorianos; no plano judicial, reformar o Código Penal equatoriano e endurecer
as penas para malversação de recursos públicos; no plano internacional, promover
a integração econômica, política e social com os países amigos e recuar a
renovação do acordo com os EUA para o uso da base militar de Manta; no
econômico, a reativação da produção, a geração de empregos, a reengenharia do
sistema financeiro público e privado, a redistribuição de terra e a aplicação de uma
política energética que garanta a soberania ao país. É contrário à conclusão do
Tratado de Livre Comércio (TLC) que está sendo negociado com os EUA.
Em recente encontro com o presidente da Argentina, Néstor Kirchner, Correa
declarou ser contrário à dolarização atualmente praticada no Equador, indicando
que entre seus desejos está a substituição da mesma. Ao longo do mês de
setembro, a Aliança PAIS vem coletando assinaturas para a convocação de uma
Assembléia Constituinte no país, que seria realizada no início de 2007.
Com sua repentina ascensão nas últimas pesquisas de intenção de voto, Correa
virou o principal alvo dos demais candidatos, que o acusam de ter ligações
obscuras com o presidente venezuelano Hugo Chávez, bem como questionam a
origem do financiamento de sua campanha eleitoral. A candidata de direita Cynthia
Viteri (PSC) acusa Correa de extremismo.
Analistas consideram que o principal motivo do sucesso da campanha de Correa foi
o fato de ter concentrado suas forças na proposta da criação de uma Assembléia
Constituinte, além de capitalizar boa parte do voto de protesto do país.
LEÓN
ROLDÓS
AGUILERA
nasceu
em
na
cidade
de
Guayaquil no ano de 1942. Seu pai, Santiago Roldós Soria, era
um político tradicional, que ocupou os cargos de ministro da
Previdência Social e do Trabalho, de governador da província
de Guayas e de cônsul-geral do Equador na Argentina. Jaime
Roldós, seu irmão, foi presidente da República entre os anos
de 1979 e 1981. León Roldós estudou no colégio Vicente
Rocafuerte e se formou em direito na Universidad de Guayaquil. Foi professor de
escolas primárias e supervisor de escolas municipais.
15
Monitor Eleitoral OPSA
Além da advocacia e do trabalho de assessoria jurídica junto a instituições
financeiras, Roldós se tornou um intelectual de renome no Equador, com diversos
livros publicados, entre eles El Abuso de Poder e Banca y Crédito, este último sobre
a crise financeira pela qual o país passou. Na década de 1990, ocupou a reitoria da
Universidad de Guayaquil por duas vezes (1994-1999 e 1999-2004).
Carreira política
León Roldós começou a carreira política no final dos anos de 1960, quando foi
secretário municipal do então prefeito de Guayaquil, Assad Bucaram. Quando seu
irmão chegou à presidência, em 1979, assumiu a diretoria da Junta Monetária. Em
1981, com a morte de Jaime, Roldós foi apontando pelo Congresso ao cargo de
vice-presidente de Osvaldo Hurtado Larrea, posto que assumiu até 1984.
Em 1988, filiou-se ao Partido Socialista (PS) e, em 1992, lançou-se candidato à
Presidência da República, de forma inesperada - 45 dias antes do pleito -, ficando
em último lugar, com pouco mais de 80 mil votos. Em 2002, Roldós se candidatou
novamente, mas, desta vez, pelo Movimiento Red Ética y Democrática (RED), do
qual é um dos fundadores. Obteve o terceiro lugar, com 15% dos votos, ficando
atrás de Álvaro Noboa e Lucio Gutiérrez.
Além de ter sido deputado e membro da Assembléia Constituinte, Roldós já ocupou
importantes
cargos
na
administração
pública:
diretor
da
Secretaria
de
Planejamento Nacional e do Conselho Nacional de Desenvolvimento (CONADE).
Seus adversários políticos o consideram uma figura contraditória: um líder da
esquerda, amigo próximo de Fidel Castro e entusiasta das políticas do presidente
Hugo Chávez, mas que, ao mesmo tempo, trabalha para instituições financeiras e
possuiu fortes vínculos com a Igreja Católica.
Campanha presidencial
Confirmada a candidatura para a sua terceira eleição presidencial, Roldós teve,
inicialmente, como principal adversário o empresário Álvaro Noboa, do Partido
Renovador Institucional Ação Nacional (Prian). Nas primeiras pesquisas, divulgadas
no início de 2006, os dois candidatos alternavam-se na liderança.
Sua campanha é marcada pelo discurso a favor da responsabilidade fiscal, respeito
aos contratos e da participação do setor privado na exploração de petróleo e gás
natural. Além do mais, defende uma ampla reforma política, que trataria desde a
regulamentação do recall até a reformulação dos mecanismos de consultas
populares. Sobre o Tratado de Livre Comércio (TLC) que o Equador negocia com os
Estados Unidos, Roldós se diz favorável, mas não nos termos que está definido.
16
Monitor Eleitoral OPSA
ÁLVARO NOBOA PONTÓN nasceu na cidade de Guayaquil no
ano de 1950. Seu pai, Luis Noboa Naranjo, era considerado
uma dos homens mais ricos do país, com uma fortuna
estimada
de
levantamento
mais
da
de
1
revista
bilhão
de
dólares,
norte-americana
Forbes.
segundo
Noboa
cursou o primário no colégio La Salle, localizado na capital
nacional, e completou sua formação na Suíça, no Institut Le
Rosey, escola onde estudaram o príncipe Albert, o Xá do Irã, Reza Pahlavi e
membros da família Rockefeller. Após retornar da Europa, formou-se em direito na
Universidad de Guayaquil e se especializou em administração de empresas na
American Managment Association, em Nova York.
Em 1997, após disputa judicial sobre a herança deixada pelo pai aos seis filhos,
Noboa conseguiu obter o controle acionário do grupo empresarial que congrega
mais de 110 empresas espalhadas em diversos países europeus, nos Estados
Unidos, Nova Zelândia, Japão, Argentina, entre outros.
Sua família - esposa e três filhos - mora nos Estados Unidos, país sede do grupo
empresarial que administra.
Carreira política
O primeiro, e único, cargo público que Noboa assumiu foi o de diretor da Junta
Monetária do Equador durante o governo de Abdala Bucaram (1996-1997). No
posto, gabava-se de ter sido responsável pelo fato de a instituição ter alcançado o
mais alto nível de reservas de sua história, US$ 2 bilhões.
Em 1998, concorreu à Presidência da República pelo Partido Roldosista Equatoriano
(PRE), com o apoio da Concentración de Fuerzas Populares (CFP). No primeiro
turno, obteve 26,9% dos votos; já, no segundo, perdeu a disputa para Jamil
Mahuad por uma diferença de menos de 3%. Nas eleições de 2002, lançou-se
novamente candidato, mas, desta vez, pelo Partido Renovador Institucional Ação
Nacional – Listas 7 (Prian), o qual fundou e é o atual presidente. Entre 1998 e
2002, destacam-se os projetos sociais patrocinados pelo empresário, organizados
pela instituição Cruzada Nova Humanidade, presidida por sua esposa, Anabella
Azín, e que é criticado por seus adversários políticos por ter caráter assistencialista.
Em 2002, Noboa foi novamente derrotado. Ficou em segundo lugar no primeiro
turno, com 17% dos votos, mas perdeu a disputa do segundo turno para Lucio
Gutiérrez, da coligação Partido Sociedade Patriótica (PSP) – Movimento de Unidade
Plurinacional Pachakutik Novo País (MUPP-NP), braço político da Confederação de
Nacionalidades Indígenas da Amazônia Equatoriana (CONAIE), que obteve 54%
contra 45% do empresário.
17
Monitor Eleitoral OPSA
Eleições presidenciais de 2006
As primeiras pesquisas de opinião divulgadas no início de 2006 apontavam a
alternância na preferência do eleitor entre Noboa e León Roldós. Entretanto, após
um período de indefinição de sua candidatura em agosto, Noboa caiu para a quarta
colocação na preferência eleitoral.
O grande tema – e preocupação – da agenda política do Equador continua a ser a
instabilidade institucional, que marcou a vida política do país nos últimos anos, e a
emergência e organização dos grupos indígenas. Nesse contexto, discussões sobre
o Tratado de Livre Comércio com os EUA ou sobre um novo marco regulatório para
a indústria do petróleo são capazes de mobilizar a população e levá-la às ruas.
Agenda política de Noboa não mudou muito desde sua primeira candidatura,
baseando-se nos ditames liberais que informam que a solução para os problemas
do país seria o aumento de investimentos estrangeiros, que poderia ser alcançado
por meio de uma redução drástica dos tributos e diminuição da burocracia estatal.
CYNTHIA FERNANDA VITERI JIMÉNEZ nasceu na cidade
de Guaiaquil no ano de 1965. É casada com o economista
Joaquín Villamar e mãe de cinco filhos, já tendo inclusive
uma neta. Estudou no colégio La Inmaculada e formou-se
em direito pela Universidade de Guaiaquil, carreira que
nunca exerceu.
É candidata à Presidência pelo Partido Social Cristão (PSC) e
tem como candidato à Vice-presidência Ernesto Dávalos,
economista e empresário. Sua candidatura foi a primeira a ser aceita pelo Tribunal
Supremo Eleitoral (TSE) equatoriano.
Carreira
Ainda adolescente, manteve vários empregos para sustentar sua família, como
caixa de supermercado, vendedora e modelo. Declara ser uma trabalhadora
incansável e disciplinada.
Começou sua carreira profissional em 1987, como repórter de televisão, chegando
à presidência executiva da Agência Latino-americana de Imprensa, entre 1994 e
1996, período em que foi assessora de imprensa do Ministério do Turismo do
Equador.
Sua carreira política começou em 1997, quando integrou a Assembléia Nacional
Constituinte pelo PSC. No ano seguinte, foi eleita deputada pela província de
Guayas, sendo reeleita em 2003 para o mesmo cargo, que deixará no início de
2007. Ao longo de sua carreira parlamentar, participou de várias Comissões no
Parlamento, tendo ocupado a presidência da Comissão Especializada Permanente
18
Monitor Eleitoral OPSA
Civil e Penal no período de 2003/2005. Exerceu a vice-presidência Congresso
Nacional equatoriano nos anos de 2005 e 2006, tendo empossado o atual
presidente,
Alfredo
Palácio,
após
a
queda
de
Lucio
Gutiérrez.
Foi
eleita
personalidade e legisladora do ano de 2005 pela Associação dos Jornalistas de
Guaiaquil.
Campanha Presidencial
É a única mulher candidata à Presidência do Equador. Para conseguir lançar sua
candidatura, teve que negociar com o ex-presidente León Febres-Cordeiro e o
prefeito de Quito, Jaime Nebot, principais figuras do PSC, onde milita há cerca de
15 anos. Sua ligação com o partido teve início em 1991, quando trabalhou como
assessora de imprensa da campanha presidencial de Jaime Nebot.
Suas principais propostas são: aumento da geração de empregos, satisfazendo à
demanda do mercado empresarial, o que levaria necessariamente à necessidade de
reforma no sistema educativo do país. Deseja também fortalecer os setores
agrícola, energético e da construção civil, gerando cerca de 100 mil empregos nos
próximos cinco anos. Planeja fortalecer a descentralização no país, aumentar a
produção petroleira e elétrica, bem como a arrecadação fiscal. Com estas ações,
calcula que o Estado equatoriano obteria recursos adicionais no valor de US$2
bilhões, que seriam revertidos para a educação, saúde, saneamento, ciência e
tecnologia.
Viteri afirmou que utilizará a negociação para renovação do uso da base militar de
Manta pelos EUA, em 2009, como trunfo para as negociações do Tratado de Livre
Comércio (TLC) com aquele país, bem como a assinatura de um acordo anti-drogas
que também facilite as negociações comerciais. Declarou ainda estar disposta a
realizar acordos comerciais com outros países, desde que sejam vantajosos para o
Equador.
Dentre as suas principais promessas estão assegurar no país a estabilidade política,
econômica, social, trazendo segurança jurídica e deixando para trás o que chama
de “elos” com o passado.
19
Monitor Eleitoral OPSA
VENEZUELA: Oposição define candidato único e Chávez permanece na
liderança para a eleição presidencial de dezembro
Em agosto, o processo eleitoral na Venezuela foi marcado pelo início da campanha
presidencial e pela escolha do candidato único de oposição para concorrer à
Presidência da República no pleito nacional de três de dezembro. Em oito de
agosto, o governador do estado de Zulia e líder do partido Um Novo Tempo (UNT),
Manuel Rosales, obteve formalmente o apoio de nove partidos e organizações
políticas que se opõem à reeleição do atual presidente venezuelano, Hugo Chávez.
O processo de escolha iniciou-se em abril de 2006, por iniciativa da organização
não-governamental Súmate, e previa a realização de eleições primárias em 13 de
agosto. Em julho, oito pré-candidatos de oposição inscreveram-se para as
primárias: Manuel Rosales, do UNT; Julio Borges, do partido Primeiro Justiça (PJ);
William Ojeda, do partido Um Povo Só (USP); Vicente Brito, ex-presidente da
Federação de Câmaras e Associações de Comércio e Produção da Venezuela
(FEDECAMARAS); Froilán Barrios, do Movimento Trabalhista (ML); Enrique Tejera
Paris, do Movimento Solidariedade Independente (MSI); Cecilia Sosa, do Partido
Federal
Republicano
(PFR);
Sergio
Omar
Calderón,
do
partido
Comitê
de
Participação Eleitoral Independente (COPEI) e Pablo Medina, da Frente Social
Cívico-militar Constituinte Ativa.
A opção por Rosales, no entanto, prescindiu das primárias, resultando de um
entendimento com Julio Borges e com os demais pré-candidatos, com base na
pesquisa eleitoral encomendada ao Instituto Datos, que verificou qual précandidato possuía a maior preferência entre os eleitores. A sondagem feita entre 22
de julho e dois de agosto, de acordo com o método de pergunta espontânea,
revelou que 21% dos entrevistados preferiram Rosales como candidato da
oposição. Borges recebeu 15% da preferência e Teodoro Petkoff, candidato
independente, 5%. Este último, que não havia se inscrito nas primárias, já tinha
manifestado seu respaldo ao candidato que resultasse das negociações entre
Borges e Rosales. Após o registro de sua candidatura, em 19 de agosto, Manuel
Rosales ainda recebeu o apoio do candidato do partido Venezuela de Primeira,
Roberto Smith, e de setores alguns setores da Aliança Democrática (AD), cuja
Secretaria-Geral promove a abstenção nas eleições de dezembro. O novo candidato
declarou que em seu programa de governo dará destaque à questão social,
propondo a criação de um salário-desemprego e de um bônus para repassar
diretamente parte da receita do petróleo às classes mais desfavorecidas.
20
Monitor Eleitoral OPSA
As pesquisas de opinião realizadas após a escolha de Rosales apontam para a
continuidade da liderança do presidente Hugo Chávez, candidato à reeleição pelo
Movimento V República (MVR). A última pesquisa de intenção de voto realizada pelo
Instituto Venezuelano de Análise de Dados (IVAD) entre os dias 11 e 15 de
setembro, apontou o presidente Chávez como vencedor com 55,4% das intenções
de voto. Em seguida, o recém-definido candidato único da oposição, Manuel
Rosales, obteve 17,7%. Os eleitores indecisos representavam 25,4%. A margem de
erro da pesquisa é de 2,5 pontos percentuais, para mais ou para menos. Com
relação aos números obtidos em julho, Rosales cresceu de 6,8% para 17,7%,
devido, principalmente, à consolidação da candidatura única e à conseqüente
diminuição no número de concorrentes. Isso nao impediu, contudo, o crescimento
de Chávez, que passou de 53,3 para 55,4%, no mesmo período.
Tais resultados se assemelham aos números apresentados pelo Datanálisis em 14
de setembro. Na sondagem realizada entre os dias 18 e 30 de agosto, o instituto
Datanálisis apontou que Chávez venceria as eleições com 58% dos votos. Rosales
obteve 17,4% das intenções de voto, enquanto eleitores indecisos somavam
22,7%. A margem de erro da pesquisa é de 2,7 pontos percentuais, para mais ou
para menos. Com relação à última pesquisa de junho, quando ainda estavam
presentes outros candidatos da oposição, Rosales subiu quase dez pontos
percentuais, passando de 8,1 para 17,4%. A candidatura de Chávez teve um
aumento de três pontos com relação a junho, enquanto o percentual de indecisos
passou de 24,9 para 22,7% no mesmo período.
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Monitor Eleitoral OPSA
INDICADORES DE POPULARIDADE
ARGENTINA – O Índice de Confiança no Governo (ICG), calculado pela Escola
de Governo da Universidade Torcuato Di Tela, em uma escala que varia entre o
mínimo de 0 e o máximo de 5, foi de 2,53 no mês de julho, uma diminuição de 6%
com relação ao mês anterior (2,69). O índice visa a medir a evolução da opinião
pública a respeito do desempenho do governo argentino, sendo calculado a partir
de cinco variáveis: (1) imagem ou avaliação geral do governo, (2) percepção sobre
se se governa pensando no bem geral ou em setores específicos, (3) eficiência no
gasto público, (4) honestidade dos membros do governo, e (5) capacidade do
governo para resolver os problemas do país. Já a pesquisa realizada pela
Poliarquía Consultores entre os dias 1º e 7 de agosto, demonstrou que 59,4%
dos entrevistados possuem uma opinião positiva do presidente Néstor Kirchner;
28% responderem regular e 10,8%, negativa.
BOLÍVIA – De acordo com a última pesquisa divulgada pela empresa Apoyo,
Opinión y Mercado em 01 de setembro, a popularidade do presidente Evo Morales
sofreu um decréscimo de sete pontos percentuais no mês de agosto em relação aos
resultados obtidos em julho. Morales alcançou 61% do apoio dos bolivianos, o nível
mais baixo registrado desde o início de sua gestão. Em março, o presidente obteve
81% de respaldo, o maior índice alcançado pelo mandatário. O vice-presidente,
Álvaro García Linera, que em julho havia obtido o mesmo percentual de aprovação
que Morales (68%), registrou 67% de aprovação. A sondagem, realizada entre os
dias 14 e 21 de agosto nas cidades de La Paz, El Alto, Cochabamba e Santa Cruz de
la Sierra, contou com 1.032 entrevistados e revelou que El Alto concentra o maior
nível de aprovação da gestão Morales (82%) em contraposição a Santa Cruz de la
Sierra, onde o percentual foi de 58 pontos. Quanto a García Linera, em El Alto sua
aprovação foi de 86%, enquanto em Santa Cruz de la Sierra o nível de aprovação
foi de 50%. Os dados da pesquisa indicam que o índice de desaprovação subiu,
chegando a 33% para Morales e 27% para García Linera. Em janeiro, 9% dos
bolivianos desaprovavam o atual presidente e 12% manifestavam sua reprovação
ao vice-presidente. A pesquisa possui margem de erro de três pontos percentuais
para mais ou para menos e 95% de confiabilidade.
BRASIL – A pesquisa IBOPE, realizada entre 20 e 22 de setembro e divulgada no
dia 23, mostrou que, perguntados sobre como classificariam a administração do
presidente Lula até o momento 43% responderam ótima ou boa; 37%, regular; e
19%, ruim ou péssima. O percentual de entrevistados que não soube ou não
22
Monitor Eleitoral OPSA
opinou foi de 1%. Já a pesquisa realizada pelo Datafolha no dia 22 de setembro
revelou que, perguntados a respeito do desempenho do presidente Lula no
governo, 46% dos eleitores o consideraram ótimo ou bom, 34% acharam
regular, e 18% avaliam sua administração como ruim ou péssima. De 0 a 10, a
nota média atribuída ao governo Lula foi de 6,4.
URUGUAI - De acordo com a pesquisa realizada pela consultoria Equipos Mori
entre os dias 14 de junho e 02 de julho, 45% dos uruguaios entrevistados disseram
aprovar o desempenho de Tabaré Vázquez como presidente; 26% declararam-se
insatisfeitos; 27% mantiveram-se neutros e 2% não souberam responder ou não
opinaram sobre sua atuação. Os números apontam para uma melhora na avaliação
de Vázquez em relação à pesquisa anterior, realizada em abril, tendo sido
verificado um aumento de um ponto percentual nas avaliações positivas e uma
queda de três pontos nas avaliações negativas.
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Monitor Eleitoral OPSA
FONTES
JORNAIS
Bolivia
Equador
La Prensa
El Comercio
La Razón
El Universo
Brasil
Folha de S. Paulo
O Globo
Estado de São Paulo
Venezuela
El Universal
Panorama
INSTITUTOS DE PESQUISA, BANCOS DE DADOS E OUTROS
Angus Reid Consultants
http://www.angus-reid.com
Apoyo, Opinión y Mercado
http://www.apoyo.com
Centro
de
investigación,
docencia,
documentación
y
divulgación
de
Relaciones
Internacionales
y
Desarrollo (CIDOB)
http://www.cidob.org
IBOPE
http://www.ibope.com.br
Datafolha Instituto de Pesquisas
http://www1.folha.uol.com.br/folha/datafolha/
Centro de Estudios y Datos Latin News
http://www.latinnews.com
(CEDATOS)
http://www.cedatos.com.ec
The Economist
Vox Populi
http://www.economist.com
http://www.voxpopuli.com.br
Site do candidato Rafael Correa
Universidade Torcuato Di Tela
http://www.rafaelcorrea.com
http://www.utdt.edu
Site da candidata Cynthia Viteri
Equipos
Mori
Consultores www.cynthiaviteri.com.ec
Associados
http://www.equipos.com.uy
Poliarquía Consultores
http://www.poliarquia.com/
Site do PSDB
Site
da
Presidência
da
República
http://www.psdb.org.br
Federativa do Brasil
http://www.presidencia.gov.br/
Revista Isto É
“O Sapo e o Príncipe”, de Paulo
Markun, Ed. Objetiva, 2004.
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Monitor Eleitoral no 01 - Plataforma Democrática