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UNIVERSIDADE DO CONTESTADO - UNC
PROGRAMA DE MESTRADO EM DESENVOLVIMENTO REGIONAL
MARLON MERCHIOR THEODOROVITZ
UM ESTUDO SOBRE A CONFIGURAÇÃO ORGANIZACIONAL DE GESTÃO NA
AGRICULTURA FAMILIAR NO AGRONEGÓCIO EM BELA VISTA DO TOLDO
INSERIDO NA 26ª SECRETARIA DE DESENVOLVIMENTO REGIONAL (SDR)
CANOINHAS
2011
2
MARLON MERCHIOR THEODOROVITZ
UM ESTUDO SOBRE A CONFIGURAÇÃO ORGANIZACIONAL DE GESTÃO NA
AGRICULTURA FAMILIAR NO AGRONEGÓCIO EM BELA VISTA DO TOLDO
INSERIDO NA 26ª SECRETARIA DE DESENVOLVIMENTO REGIONAL-(SDR)
Dissertação apresentada como exigência para a
obtenção do Título de Mestre do Programa de
Mestrado em Desenvolvimento Regional da
Universidade do Contestado – UnC, sob
orientação do Professor Dr. Reinaldo Knorek
CANOINHAS
2011
3
Dedico este trabalho à minha esposa aos
meus queridos filhos, minha família, que me
entusiasmaram a crescer e aprender sempre.
A família é a sementeira de amor, fé, carinho,
alicerces fundamentais da vida do homem.
4
AGRADECIMENTOS
Agradeço e dedico primeiramente este trabalho a Deus, pois sem ele, nada
seria possível.
A minha família meus pais, esposa e filhos.
Ao
Professor
orientador
Reinaldo
pela
desenvolvimento deste trabalho.
Aos colegas de curso pela amizade conquistada.
orientação
prestada
no
5
As emoções são a próxima fronteira a ser
compreendida
e
conquistada.
Gerenciar
nossas emoções não é sedá-las ou suprimilas, mas compreendê-las de modo que
possamos inteligentemente direcionar nossas
energias e intenções emocionais. É hora dos
seres humanos crescerem emocionalmente,
amadurecer em cidadãos emocionalmente
gerenciados e responsáveis. Nenhuma pílula
mágica fará isso.
Childre
6
RESUMO
Este estudo tem como tema investigar, por meio de pesquisa de campo a
configuração organizacional de gestão na agricultura familiar em Bela Vista do Toldo
inserida na 26ª SDR. Pois, a agricultura familiar encontra-se configurada em um
novo cenário onde as tecnologias e a mercantilização precisaram ocupar no campo
seus espaços para que o mercado consiga e tronar-se competitivo. Dessa forma
pela aplicação de um questionário,com agricultores distribuídos em 4 (quatro)
municípios: Canoinhas, Três Barras, Bela Vista do Toldo e Major Vieira, buscou-se
entender as configurações organizações voltadas para este segmento da
agroindústria. Os resultados obtidos na pesquisa demonstram que a maioria dos
envolvidos nos processos da agroindústria entendem o que é gestão, mas não
utilizam as ferramentas administrativas para gerir em sua propriedade. Lacunas
foram verificas que precisam ser sanadas até mesmo no que tange aos gestores
municipais que são os principais elos entre poder público e agricultura familiar na 26ª
SDR.
Palavras-chave: agricultura; familiar; agroindústria; gestão.
7
ABSTRACT
This study aims to investigate through field research the organizational configuration
management in family agriculture-agribusiness in 26 SDR. Therefore, family farming
is configured on a new scenario where technology and commercialization needed to
occupy the field their spaces for the market to succeed in the competitive space. In
this way through the application of a questionnaire, with the 5 municipalities:
Canoinhas, Three bars, Bela Vista do Toldo, Irineópolis and major Vieira, sought to
understand the settings organizations geared to this segment of agribusiness. The
results of this work, demonstrate that the majority of those involved in the processes
of agribusiness understand what management is, but use the administrative tools to
manage nor his property. Gaps were check that need to be remedied even regarding
municipal managers who are the main links between public power and agriculture
family of the 26th SDR.
Key words: agriculture; family; agribusiness; management.
8
LISTA DE GRÁFICOS
Gráfico1: capacidade da agricultura familiar em absorver mão de obra visando
combater parte dos problemas sociais e urbanos provocados pelo
desemprego rural ........................................................................................ 56
Gráfico 2: Identificação da importância da Agroindústria ......................................... 57
Gráfico 3: O êxodo rural, foi apenas uma das graves consequências do processo de
transformação da agricultura ............................................................................ 57
Gráfico 4: A diversificação da propriedade surge como motivação tornando-os
empreendedores do meio rural .................................................................... 58
Gráfico 5: A participação dos agricultores familiares no processo decisório e na
operacionalização das políticas públicas ..................................................... 58
Gráfico 6: Gestores municipais e os Conselhos Municipais de Desenvolvimento
Rural Sustentável ........................................................................................ 59
9
LISTA DE TABELAS
Tabela 1: Agroindústria na agricultura familiar ........................................................ 48
Tabela 2: Organização dos agricultores e a produção para uma agroindústria ...... 49
Tabela 3: Mudanças e tendências que a inovação tecnológica propõe ................... 50
Tabela 4: Movimentos financeiros da sua empresa rural .......................................... 51
Tabela 5: A Agricultura Familiar integração do núcleo familiar.................................. 51
Tabela 6: Planejamento da propriedade .................................................................. 52
Tabela 7: Planejamento das atividades na propriedade............................................ 52
Tabela 8: Arquivamento de documentos .................................................................. 53
Tabela 9: Registrar o funcionário ............................................................................. 53
Tabela 10: Gestão no meio rural .............................................................................. 54
Tabela 11: A associação e o empreendedor ............................................................ 54
Tabela 12: As políticas públicas e desenvolvimento da agricultura familiar ............. 55
10
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 11
2 REFERENCIAL TEÓRICO..................................................................................... 17
2.1 AS RELAÇÕES URBANAS E RURAIS .............................................................. 17
2.2 AGRICULTURA FAMILIAR ................................................................................ 19
2.3 DESENVOLVIMENTO LOCAL E REGIONAL .................................................... 27
2.3.1 O capital social e desenvolvimento local regional ......................................... 28
2.4 AGRONEGÓCIO NA AGRICULTURA FAMILIAR ............................................... 31
2.5 EMPRESAS RURAIS .......................................................................................... 33
3 METODOLOGIA ................................................................................................... 37
3.1 TIPO DE PESQUISA ........................................................................................... 40
4 CONTEXTO DA PESQUISA .............................................................................. 42
4.1 CANOINHAS ....................................................................................................... 43
4.2 BELA VISTA DO TOLDO ................................................................................... 44
4.3 TRÊS BARRAS ................................................................................................... 45
4.4 MAJOR VIEIRA ................................................................................................... 45
4.5 IRINEÓPOLIS ..................................................................................................... 46
4.6 PORTO UNIÃO ................................................................................................ 47
5 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS ..................................................... 48
5.1 AGRICULTORES ............................................................................................... 48
5.2 GESTORES ........................................................................................................ 56
6 RESULTADOS E DISCUSSÃO ............................................................................ 60
7 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................... 66
REFERÊNCIAS ........................................................................................................ 68
APÊNDICE ................................................................................................................ 72
11
1 INTRODUÇÃO
O tema de estudo sobre a agricultura familiar e a configuração organizacional
da gestão da agroindústria como parte essencial para que a gestão em pequenos
empreendimentos seja priorizada, da participação conjunta da comunidade e dos
incentivos de políticas públicas. Assim, a um avanço significativo nas organizações
representativas da agricultura familiar e em seus fóruns de discussão ampliando
ainda mais este capital que é social. Diante desta introdução, pode-se dizer que há
uma mesclagem e convivência entre pequenos, médios e grandes agricultores que,
ao contrário de concorrem entre si, sugerem o desenvolvimento de uma complexa
rede produtiva interdependente.
Canoinhas e região possuem diversas pequenas famílias que vivem da
produção agrícola como: hortaliças, plantas medicinais, frutas, enfim tudo que possa
ser produzido dentro da pequena propriedade. Porém, para que os agricultores
consigam agregar valor à sua produção, as agroindústrias têm papel fundamental,
mas, um fator determinante é como gerir estes empreendimentos. Neste sentido,
nasceu o interesse da temática sobre a organização da gestão na agricultura
familiar, uma vez que o agronegócio é preponderante nas regiões que abrangem a
26ª Secretaria de Desenvolvimento Regional – (SDR). O agronegócio é um forte
aliado no desenvolvimento tanto local como regional.
Conquanto, para que ocorra o desenvolvimento local-regional é necessária
uma transformação que possibilite trajetória sustentável de crescimento regional.
Além disso, um avanço competitivo no contexto das regiões brasileiras configuradas
como de maior intensidade da agricultura familiar. Para que haja, esta
transformação, é preciso um salto de qualidade do nível da educação formal que é,
ofertada também pelos poderes públicos, para um investimento na formação de
profissionais da área, bem como, em laboratórios e a valorização do conhecimento,
da inovação tecnológica e da indústria de base tecnológica.
O modelo de desenvolvimento passa a ser estruturado a partir dos próprios
atores locais, e não por meio do planejamento centralizado ou das forças puras do
mercado. Ocorreu um processo de organização social ou de ação coletiva. A
dinâmica do desenvolvimento local pode ser definida como um processo de
12
crescimento e mudança estrutural que pode ser verificado em três dimensões:
econômica, sócio cultural, político-Institucional.
A dimensão econômica, caracterizada pela otimização no uso dos recursos e
fatores econômicos locais; sócio cultural, pela qual os fatores e valores sócio
culturais servem de base para as transformações materiais e; a político-institucional
e administrativa, a qual cria o entorno favorável para que se operem as
transformações econômicas locais.
O território não é composto somente por atributos naturais, mas é construído
de acordo com a capacidade dos atores em estabelecer relações organizadas que
beneficiam a troca de informações. Onde as conquistas conjuntas de certos
mercados, assim como a pressão coletiva de bens públicos e de administrações são
capazes de dinamizar a vida regional.
O
tema
será
desenvolvido
nessa
dissertação
está
delimitado
ao
desenvolvimento local e regional na perspectiva do desenvolvimento por meio do
estudo de caso sobre a configuração organizacional da gestão na agricultura familiar
voltada ao agronegócio na 26º SDR.
A agricultura brasileira a partir de meados da década de 1970 passou por
processos de transformação da base tecnológica e formação de complexos
agroindustriais. Os efeitos sociais decorrentes desses processos são a concentração
de renda rural e o aumento das desigualdades e da exclusão no campo. Os
agricultores têm grande destaque pelo papel desempenhado no espaço rural
brasileiro por conta da contribuição social e econômica que possibilitam gerar
empregos rurais e urbanos decorrentes do incremento na produção agropecuária e
posterior oferta de alimentos. Ofertas estas que levaram o Brasil ao maior produtor
e o maior exportador de café, açúcar, etanol de cana-de-açúcar e suco de laranja, e
ainda lidera o ranking das vendas externas de carne bovina, carne de frango e
tabaco. O crédito é o motor da economia e o agronegócio vem se beneficiando com
linhas específicas, a taxas de juros controlados, e com medidas emergenciais de
suporte para os efeitos da crise financeira mundial (MENDONÇA e PINHEIRO,
2008).
Mas, muitas pequenas famílias ficaram de fora deste contexto e das
estatísticas mencionadas acima. Pois, o que era produzido não se conseguia preços
justos ou ainda eram obrigados a entregar a safra para terceiros a fim de pagar
dividas contraídas para fazer seu plantio. O cenário apresentado da agricultura
13
familiar é desolador, muitos poucos conseguiam diversificar suas propriedades com
outras culturas, ou então acabavam vendendo suas terras e partindo para as
cidades, dando início ao um êxodo rural desordenado. Por muito tempo o pequeno
agricultor ficou a mercê de políticas públicas que valorizassem o homem do campo e
de incentivos para fomentar a pequena propriedade.
A herança familiar contrapõe-se à força da concentração fundiária e o
pequeno agricultor, talvez até pela falta de melhor alternativa, continuava a saga de
sua existência. Mas uma nova visão cooperativista do século XX adentra ao espaço
rural e as famílias começam um novo ciclo, passaram a unir-se e mostrar a
importância do homem do campo para a economia, o que fez o governo olhar para
está classe.
Assim, criaram-se políticas de incentivo para minimizar e restaurar esta
lacuna existente com
programas de incentivos para a agroindústria, e linhas
específicas visando atender esta demanda. E um dos pilares é o Programa Nacional
de Fortalecimento da Agricultura Familiar - (PRONAF)-
instituído pelo Governo
Federal em 1996, é a principal política pública destinada a apoiar os agricultores
familiares.
Mas, uma variável precisava ser especificada a utilização dos recursos
oriundos destes incentivos, pois o crédito rural, mal utilizado, pode aumentar a
dependência dos agricultores, endividando-os, e muitos acabavam perdendo o
pouco de terras que ainda possuíam.
Por isso, se fala em gestão, pois saber gerir é garantir uma permanência no
campo, é crescer com visão ampla do meio que o circunda, é ponderar o certo e
duvidoso, é fazer metas e traçar objetivos. Ao transformar a participação individual e
familiar em participação grupal e comunitária se apresenta como uma alavanca, um
mecanismo que acrescenta capacidade produtiva e comercial a todos, colocando-os
em melhor situação para viabilizar suas atividades.
Isso foi denominado de associativismo, uma iniciativa que tem sido adotada
seja pelas associações ou pelos próprios agricultores e tem sido a forma de unir os
pequenos produtores para maximizar as forças da propriedade familiar. Esta forma
de cooperação tem fomentado as agroindústrias no meio rural, fazendo uma forma
de produção em conjunta na venda da produção de cada safra.
Com está implementação das agroindústrias, os pequenos produtores, que
normalmente apresentavam as mesmas dificuldades para obter um bom
14
desempenho econômico, têm na formação de associações um mecanismo que lhes
garante melhor desempenho para competir no mercado. O conceito de associação
de produtores rurais é: uma sociedade formal, criada com o objetivo de integrar
esforços e ações dos agricultores e seus familiares em benefício da melhoria do
processo produtivo e da própria comunidade a qual pertencem.
Ao buscarem soluções em conjunto, evoluem para decisões mais definitivas,
aperfeiçoando a parceira, inicialmente informal, para uma forma de união organizada
e associativa, onde terão maiores chances de sucesso. Para tanto, a participação
democrática e a ajuda mútua são os princípios fundamentais, sem os quais as
associações perdem sua razão de existir, já que defendem os interesses e anseios
da maioria.
O que se percebe no meio rural são as relações de amizade, parentesco,
lealdade, vizinhança, entre outros, contribuem para a formação da empresa rural,
pois, são relações interpessoais e precisam-se mutuamente e são horizontais, sendo
necessárias, mas não suficientes para consolidar alianças intersociais para que
certas facilidades possam ser facultadas aos que não têm acesso. A empresa rural
será mais forte à medida que ele permitir cada vez mais a ampliação do círculo de
relações sociais em que vivem aqueles que participam de sua construção. O
desenvolvimento supõe o aumento das oportunidades de escolha dos indivíduos,
ampliando as possibilidades de geração de renda.
Por outro lado, estudos desta natureza permitem orientar a seleção de
políticas públicas (extensão rural, crédito rural, pesquisa, ensino etc.) compatíveis
com as necessidades locais. Basta identificar a estrutura dos indicadores e seu peso
relativo na composição do capital social e tentar melhorar a desempenho daqueles
com menor participação relativa. Por este viés de discussão, levanta-se a questão:
Como a configuração organizacional da gestão do agronegócio voltado à agricultura
familiar pode contribuir para que ocorra o desenvolvimento local-regional na 26º
SDR?
A importância do tema se deve a existência de lacunas entre a administração
do que e o meio rural no que compete aos temas de empreendedorismo no meio
rural, o que justifica a realização de estudos visando buscar alternativas para o
problema. Acredita-se que a origem destes mecanismos no meio rural está
relacionado principalmente com a utilização de um capital social oriundo de um
15
conhecimento técnico, específico, emergente, geralmente de uma formação não
formal.
Sabe-se que o empreendedorismo é a habilidade de criar a construir algo a
partir praticamente do nada: fundamentalmente é um ato humano criativo. É
encontrar energia pessoal para iniciar e construir uma empresa ou organização mais
do que simplesmente assistir, analisar ou descrever. A oportuna
gestão com
eficácia na agroindústria, voltada à agricultura familiar na abrangência da 26º SDR,
justifica esse estudo, haja vista, os benefícios econômicos, sociais que poderão
permear as atividades convertendo para o desenvolvimento regional-local, social e
econômico de forma sustentável. Também a mudança é uma quebra de paradigmas
como da monocultura para a poli cultura, pelas famílias envolvidas na agricultura
familiar abrangidas neste novo projeto da agroindústria, certamente surgirá uma
motivação maior para se configurar na auto-estima para que eles (agricultores) se
tornem novos empreendedores do meio rural.
Para responder aos questionamentos deste estudo, teve como objetivo geral
investigar a configuração organizacional de gestão na agricultura familiar voltada ao
agronegócio
na
26º
SDR.
Como
objetivos
específicos
foram
estudar
o
desenvolvimento desta agricultura familiar dentro da abrangência da 26ª SDR, sua
gestão e a forma de configuração organizacional; descrever a forma organizacional
que fundamente a sustentabilidade do agronegócio para a agricultura familiar e
ainda analisar as políticas públicas voltadas ao desenvolvimento da agricultura
familiar e o agronegócio.
O desenvolvimento deste estudo fundamenta-se em considerações que podem
ser dissociadas, a relevância prática e a teórica. Sendo que na relevância prática
esse trabalho proporcionará o avanço das experiências desenvolvidas a partir da
instalação do agronegócio na agricultura familiar na 26ª SDR. Estudar a gestão do
agronegócio na agricultura familiar da 26ª SDR proporcionará aos associados uma
experiência impar em vivenciar novos modelos de diversificação dos produtos e
serviços nas suas propriedades. Também interfira na visão do associativismo como
diferencial competitivo no mercado de produtos da agroindústria.
Assim, a relevância teórica desta dissertação proporcionalizara o avanço do
conhecimento científico no que tange a configuração de agronegócios voltados a
agricultura familiar. É importante advertir que estamos em um momento de
construção da nova divisão social do trabalho e de uma nova dinâmica de circulação
16
dos capitais financeiros, científico e tecnológico. Os papéis sociais estão se
alterando, sobretudo, em função da economia global e isso também ocorre no meio
rural. Portanto, o agronegócio passa a ter ênfase no cenário econômico do país.
Estabelece um mercado inovador de produtos, cria novos conceitos de gestão para
os agricultores e uma retomada da economia local.
Assim, o estudo está dividido em seis partes que foram realizados conforme a
orientação da normalização da UnC. Sendo que no primeiro capítulo seria a
introdução que explana todos os delineamentos do trabalho, no segundo capítulo
denominado fundamentação teórica, apresenta-se assuntos pertinentes ao tema
como agricultura familiar, mercantilização, agroindústria, regionalização e diversos
temas. No terceiro capítulo foi a delineado a parte metodológica de execução do
estudo. Já no quarto capítulo a apresentação da análise dos dados em gráficos e
com embasamentos necessários do assunto. No capitulo cinco foram explanados os
resultados e seis a conclusão do tema abordado neste trabalho.
Nas considerações finais responde-se aos objetivos da pesquisa e deixa-se
demais argumentos que se julgou necessário.
17
2 REFERENCIAL TEÓRICO
Neste capítulo são abordados os temas que envolvem a agricultura familiar e
suas configurações sociais e econômicas, visando aprofundamento do tema.
2.1 AS RELAÇÕES URBANAS E RURAIS
Pesquisar, sobre a ruralidade estão sob a influência de uma das duas
hipóteses sobre seu destino: a de completa urbanização ou a de um renascimento
rural.
Este cenário é retratado nas palavras de Reis (2006, p.3) que diz;
Surgiram a partir da década de 1980, mudanças significativas no meio rural
brasileiro. Observa-se a emergência de um espaço rural multifuncional com a
introdução de uma maior diversificação econômica, em meio a novas formas
de produção e subsistência, em visível contraste com o que dominava no
passado.
Em territórios rurais mais dinâmicos predomina atividades do setor terciário,
principalmente serviços que atraem renda geradas pela produtividade de outros
lugares. Assim, maior dinamismo rural em sociedades avançadas se baseia em
atividades voltadas a segundas residências, aposentados, esportistas radicais,
congressistas, turistas e estudantes. O que mais gera emprego são arranjos locais
de saúde, cultura, educação, esportes, e inúmeros outros tipos de recreação ou
turismo.
As manifestações dessa nova ruralidade na Europa e na América do Norte
não resultam de um impulso que ressuscitar fundamentos de ruralidade pretérita,
mesmo que possam coexistir com aspectos de continuidades e permanências.
Argumenta Reis (2006) que os espaços rurais e urbanos não podem ser
compreendidos separados um do outro, visto que são realidades que não existiriam
isoladamente. Tais espaços se relacionam e se interpenetram, levando estudiosos a
formular abordagens que considerem os diferentes níveis de integração ou
distanciamento. No que se refere à consciência sobre as ameaças à biodiversidade
18
ou à regulação térmica do planeta também se encontram as preocupações.
Também no que concerne a liberdade conquistada pelos aposentados de
escolherem os melhores remanescentes naturais para locais de residência, ou da
liberdade conquistada por muitas outras categorias sociais de usufruir seu tempo
livre fora e às vezes longe das aglomerações urbanas onde residem e trabalham.
Diante disso, novo rural brasileiro se apresenta como a principal evidência de
que as relações dicotômicas existentes entre as áreas urbanas e rurais, tornam-se
cada vez mais distantes de representar de forma adequada a realidade (REIS,
2006).
Na citação acima em que foi sintetizada a referida hipótese, há várias
afirmações-chave que precisam de testes mais específicos e aprofundados.
Corrobora Reis (2006, p.8) que “[...] a expansão do tecido urbano leva, para
essas áreas, várias características consideradas, pelas definições clássicas, como
exclusivamente urbanas. Diante disso, o urbano deixa de ser o lócus praticamente
exclusivo da indústria, do comércio e dos serviços”.
No Brasil, verifica-se que municípios de pequenos portes geralmente
possuem suas economias apoiadas na exploração e utilização de recursos naturais.
Com isso, estão presentes nas localidades características inerentes ao mundo rural.
Está inerência leva as perspectivas para o agronegócio brasileiro.
A separação artificial para fins de política e organização institucional dos
componentes econômicos e sociais do âmbito rural, com base em critérios setoriais
e estruturais, não permitiu que se valorizasse adequadamente o potencial de
crescimento da economia rural em seu conjunto, que é maior que o potencial de
aumento da produção agrícola considerada isoladamente.
O fortalecimento dos nexos e das interdependências econômicas e sociais da
economia rural com a economia urbano-industrial gerariam importantes efeitos
multiplicadores que favoreceriam um desenvolvimento mais sustentável e eqüitativo.
Revalorizar o espaço rural significa oferecer às populações rurais a possibilidade de
intervenção efetiva na definição das políticas macroeconômicas e na alocação dos
recursos públicos. Significa, ao mesmo tempo, promover a revisão do lugar ocupado
pelo campo no imaginário das populações urbanas, a começar pelos tomadores de
decisões.
O principal impacto dessa mudança de perspectiva
se deu no fato de se
considerar as especificidades regionais como elemento de definição na formulação
19
de políticas e de instrumentos de apoio, pensadas a partir da realidade econômica,
social, cultural e institucional de determinado espaço (OLIVEIRA, 2002, p. 08).
Houve, a tentativa de dissociação entre o desenvolvimento rural e a
agricultura, mudando-se o enfoque para uma lógica territorial e não mais apenas
setorial, ocorrendo assim uma transformação significativa para ambos.
Também artificial do século XX é a visão convergente, entre direita e
esquerda, que associa a agricultura familiar ao atraso, isto é um resíduo, um setor
em extinção, sem relevância para o progresso econômico e social. Criou-se o mito
de que o avanço, a retomada do crescimento econômico, a transformação
tecnológica, a alta produtividade só pode advir de fazendas, necessariamente de
caráter patronal. No entanto, em todos os países de sucesso a unidade familiar
mostrou-se historicamente mais apta a incorporar progresso técnico e produzir a
baixos custos (VEIGA, ABRAMOVAY e EHLERS, 2004).
A promoção da agricultura familiar não é exclusivamente um objetivo de
caráter social, mas sim um elemento estratégico de um novo modelo de
desenvolvimento econômico para o Brasil. Uma perspectiva baseada em milhões de
famílias - já estabelecidas ou que vierem a ser assentadas pode se mostrar, não só
mais viável, para a eliminação da miséria no campo, do que da prosperidade das
grandes corporações, como também mais eficiente, em termos de custos-benefícios,
do que programas enfocados exclusivamente pelo lado do gasto público, como são
os programas ditos sociais.
Desafogar minifundistas, oferecendo-lhes a oportunidade de se tornarem
agricultores familiares viáveis; transformar arrendatários em proprietários; e oferecer
terras a seus filhos, são pontos prioritários da perspectiva de mais sustentabilidade.
2.2 AGRICULTURA FAMILIAR
A agricultura familiar vem se evoluindo significativamente seja pelas forças
sociais, ou pelas políticas públicas que convergem nas expectativas dessas famílias
visando, sobretudo, melhores condições financeiras e buscando seu espaço no
mercado competitivo da atualidade.
Os
agricultores
familiares
são
aqueles
que,
anteriormente,
eram
denominados como pequenos produtores, trabalhadores rurais, colonos e/ou
20
camponeses. A expressão agricultura familiar no Brasil é recente, surgiu nos anos
1990 e por esta razão a discussão teórica e política vêm avançando sobre quem é
considerado agricultor familiar, qual a sua importância e o seu papel no
desenvolvimento local e para a segurança alimentar.
Nesta direção, segundo Abramovay (1997, p. 3) citado por Schneider (2003 p.
41) diz:
A agricultura familiar é aquela em que a gestão, a propriedade e a maior
parte do trabalho vêm de indivíduos que mantêm entre si laços de sangue ou
de casamento. Que esta definição não seja unânime e muitas vezes
tampouco operacional é perfeitamente compreensível, já que os diferentes
setores sociais e suas representações constroem categorias científicas que
servirão a certas finalidades práticas.
Percebe-se que o autor acima menciona a dinâmica em relação a agricultura
familiar, que tem em seu aporte três atributos básicos: propriedade,
trabalho e
familiares, estão presentes em todas elas.
De acordo com Schneider (2003, p. 32) “[...] a agricultura familiar passou a
ser reconhecida nos meios acadêmicos principalmente para ciências sociais, a partir
de 1990, através do estudo realizado por Kageame e Bergamasco”.
A discussão sobre a expressão agricultura familiar é e importante, pois está
se descobrindo um rural criativo, batalhador e conhecendo as suas estratégias de
sobrevivência e que garantem a sua relação com a natureza.
De acordo com Schneider (2003, p.35) “[...]
no Brasil destacam-se dois
modelos de produção agrícola: o patronal e o familiar”.
A agricultura patronal tem as seguintes características: processo produtivo
com organização centralizada, ênfase na produção em escala, práticas agrícolas
padronizadas, mão de obra contratada, utilização de tecnologia de ponta
(SCHNEIDER, 2003).
Já a agricultura familiar tem como características: mão de obra basicamente
familiar, contratando mão de obra complementar nos períodos de muito trabalho;
organização do processo produtivo é realizada pela família; produção diversificada,
com objetivo de ocupar melhor a área, a mão de obra familiar e aumentar a renda;
cuidados com a conservação dos recursos naturais, pois dependem totalmente
destes para a reprodução da família (SCHNEIDER, 2003).
Mas para Denardi (2001), estes conceitos envolvem um julgamento prévio
sobre o desempenho econômico destas unidades. O que se pensa tipicamente
21
como pequeno produtor é alguém que vive em condições precárias, que tem acesso
nulo ou limitado ao sistema de crédito, que conta com técnicas tradicionais e que
não consegue se integrar aos mercados mais dinâmicos e competitivos.
Como comenta Schneider (2003, p. 41), “[...] a Agricultura Familiar
desempenha vários papéis, entre os quais, produzir e fornecer alimentos básicos de
preço acessível e de boa qualidade para a sociedade e, ainda, reproduzir-se como
uma forma social diferenciada no mundo capitalista”.
Entretanto dizer que estas são as características essenciais da agricultura
familiar é desconhecer traços mais importantes do desenvolvimento agrícola tanto
no Brasil como em países capitalistas avançados nos últimos anos.
Faltava um elemento que pudesse ajudar as perspectivas da família rural e
adentrar no processo competitivo, uma política pública que fosse específica para a
agricultura familiar. Assim, nasceu o Programa Nacional de Fortalecimento da
Agricultura Familiar (PRONAF) como incentivo do governo federal para subsidiar a
produção das pequenas propriedades.
Este fortalecimento da agricultura familiar adveio atender às demandas dos
agricultores familiares, ou seja, as necessidades reais, transformando numa política
nacional de caráter permanente que tinha em seu bojo premissas como:
-Ajustar políticas públicas para atender à realidade da agricultura familiar.
-Viabilizar a infraestrutura rural necessária à melhoria do desempenho
produtivo e da qualidade de vida da população rural.
-Fortalecer os serviços de apoio ao desenvolvimento da agricultura familiar.
-Elevar os níveis de profissionalização dos agricultores familiares.
-Propiciando-lhes novos padrões tecnológicos e de gestão (BRASIL, 2007).
Assim, os agricultores familiares têm como característica principal a
administração pela própria família; neles a família trabalha diretamente, com ou sem
o auxílio de terceiros. Poderiam contar com incentivos públicos por uma política
econômica efetiva e fornecesse reais condições para fixação no campo.
As transformações no mundo rural ensejadas pela crescente integração dos
agricultores aos mercados revelam elementos determinantes à emergência da
pluriatividade.
Como demonstra Marsden (1995), o fenômeno está diretamente relacionado
à nova configuração do espaço rural que se processa em decorrência da crescente
mercantilização, a qual se estende a um vasto conjunto de esferas da vida
22
econômica e social atribuindo às interações humanas e materiais que ali se
reproduzem, valores mercantis que passam a regular o conjunto das estratégias
desenvolvidas pelos agricultores.
Assim, a diversidade da agricultura e a forma heterogênea com que a
pluriatividade se expressa estão parcialmente associadas à forma
multifacetada
com que ocorrem as relações entre os agricultores familiares e os mercados.
Leite (2002) diz que a melhoria da qualidade de vida da população rural
depende do aumento da produtividade é decorrente do progresso científico e
tecnológico. Não obstante, esta crescente mercantilização não impôs uma
dependência completa dos agricultores em relação ao mercado e, tampouco,
constitui o resultado de um processo linear de desenvolvimento das relações sociais
de produção capitalistas.
Mas, de acordo com Long e Ploeg (1994), isto só é passível de compreensão
na medida em que os mercados deixam de ser percebidos enquanto estruturas
genéricas ou forças externas que encapsulam a vida das pessoas.
Pensando neste viés, estes mercados passaram a ser vistos como
construções sociais resultantes das múltiplas redes de relações estabelecidas entre
os agricultores e uma série de outros atores sociais. Na medida em que estas redes
envolvem um vasto conjunto de domínios, a mercantilização se torna então um
processo que adentra em diferentes esferas sociais, alterando não só o trabalho
agrícola, mas todo processo de reprodução das unidades familiares.
Os distintos rumos que este processo segue envolvem diretamente a disputa
entre o capital, o Estado e os agricultores pelo controle de recursos materiais e
simbólicos que são mobilizados nestas redes sociais. A expressiva assimetria de
poder prevalecente na maior parte dos mercados faz com que frequentemente
conjugada à mercantilização exista uma ampla incorporação institucional das
unidades de produção (LONG, 2001).
Esta incorporação faz alusão a processos integrados de cientificação,
crescente geração de tecnologias que aumentam o controle de atores externos
(empresas, bancos, indústrias) sobre o processo de trabalho agrícola e sobre a
natureza.
Explicita Ploeg (1992) que está externalização, faz o aumento da
dependência dos agricultores em relação a recursos controlados por outros atores
sociais.
23
Uma vez que a externalização envolve o controle de recursos produtivos, ela
é responsável por profundas alterações nos processos mais significativos de
reprodução da unidade familiar, permitindo a atores externos influenciar diretamente
a formatação dos projetos e das estratégias dos agricultores.
Nas situações em que a mercantilização transcorre associada a crescente
externalidade das unidades de produção, é responsável por torná-las cada vez mais
dependentes de recursos controlados por atores externos, resultando em gradativa
perda do domínio dos agricultores sobre a base de recursos necessária a sua
reprodução econômica, social e cultural.
Desenha-se assim uma tentativa de uniformização a partir de fora, pela
imposição
de
recursos
e
discursos
controlados
pelo
Estado,
empresas
agroindustriais, cooperativas agropecuárias, bancos.
Segundo Brandemburg (1999, p.20);
A modernização da agricultura acentuou a diferenciação social, o
desenraizamento de agricultores ocasionando numa perda de identidade,
sendo preciso procurar meios para reconstruir suas relações sociais e de
trabalho numa sociedade refratária á oferta de empregos e mão de obra.
Entretanto, mesmo em meio a este conjunto de artifícios que visam reproduzir
o modelo de relações sócias técnicas sustentadas pela modernização, os
agricultores são capazes de articular uma série de estratégias para modificar,
neutralizar ou resistir a este tipo de mercantilização. Desenvolver outras formas de
inserção mercantil, é importante e genericamente, este processo reflete a pressão
que as estruturas de mercado exercem sobre os atores, mas também pode
representar uma estratégia deliberada dos próprios atores.
Segundo demonstra Long (2001), os agricultores possuem capacidade de
agência sobre o curso das transformações nas quais estão inseridos, processando
as diversas experiências sociais e inventando formas de ordená-las com a vida
social, inclusive sob as formas mais extremas de coerção.
O modo desuniforme com que estas relações entre agricultores familiares e
mercados se processam, fazem com que a mercantilização se constitua em um
fenômeno parcial, não linear e multifacetado, e isso deve-se a diversos fatores que
serão destacados a seguir.
24
Primeiramente, relaciona-se ao que Scott (2002) denomina resistência
camponesa, a qual remete à capacidade dos agricultores de se oporem aos
princípios estruturantes que guiam as mutações da agricultura e do mundo rural no
período pós-guerra.
Em segundo lugar, é importante reconhecer as novas oportunidades de
desenvolvimento
abertas
pela
reestruturação
capitalista,
possibilitam
aos
agricultores articular meios alternativos de reprodução inserindo-se em atividades
emergentes no novo espaço rural mercantilizado.
Neste caso, Marsden (1995) demonstra como o recurso à pluriatividade tem
se apresentado um dos meios mais recorrentes e, na medida em que encerra uma
forma particular de mercantilização que acontece ao nível do mercado de trabalho,
possui implicações diferenciadas daquelas reveladas por uma inserção subordinada
em mercados de fatores de produção e insumos.
É necessário destacar o fato de que a crescente mercantilização não tem sido
capaz de retirar a centralidade da família como unificadora do conjunto das
estratégias constituídas com vistas a sua reprodução social (SCHNEIDER, 2003).
Neste sentido, a dinâmica interna da família é especialmente importante na
compreensão das relações que esta estabelece com o universo de instituições
externas e na formatação das distintas estratégias levadas à cabo individual e
coletivamente pelos seus membros.
Diz Veiga (2003) que um horizonte está se constituindo para que o homem
do meio rural deixe de ser um mero empregado e passe a desempenhar novos
papéis, seja a frente do seu pequeno negócio, seja como co-gestor de uma empresa
rural.
Argumenta Ploeg (1992, p. 166), em casos “[...] um bom empresário, definido
no marco normativo das relações econômicas e institucionais, se transforma
simultaneamente em um vizinho não desejado, no que diz respeito à família e a
comunidade local”.
O que se percebe são ações destes atores que confrontam regras e valores
comunitários, e podem estabelecer empecilhos à ampliação das redes mercantis
que o tornam um bom empresário e que também são responsáveis pelo avanço do
próprio processo de mercantilização.
Estes e outros fatores como a desigualdade, a maior parte deles esquecida
ou renegada por aqueles que previram uma mercantilização completa capaz de
25
anular o problema residual e temporário da diversidade da agricultura (Ploeg, 1992).
É responsável justamente pelo contrário, isto é, pela heterogeneidade de formas
familiares de produção que coabita os espaços rurais e que fazem da diversidade
um fundamento central do mundo rural contemporâneo. Esta diversidade reflete as
distintas dinâmicas de desenvolvimento das próprias unidades de produção e
disputas históricas entre os vários atores que portam uma variada gama de
recursos, poderes, repertórios culturais e ideologias.
Com frequência operam como se a mercantilização e as transformações a ela
relacionadas fossem iguais para aqueles agricultores situados num mesmo grau de
inserção mercantil, independentemente de qualquer outro fator diferencial na relação
destes com os mercados.
Desde seus primórdios, as iniciativas em prol de uma agricultura mais
sustentável reservam um lugar importante à tecnologia, aos processos e métodos de
produção.
Conforme Assad e Almeida (2004, p.9) “[...] a agricultura sustentável – (AS), é
uma noção nova, freqüentemente associada, no debate social atual, à de
desenvolvimento (rural) sustentável, tendo uma incidência em espaços geográficos e
sociais mais ou menos restritos, apesar da difusão desta noção”.
No entanto, mesmo que se tenha intensificado o debate em torno do tema, a
AS hodiernamente sempre foi superficialmente definida. Nesse sentido, é marcante
o grau de abrangência das concepções, indo do técnico-produtivo à construção de
novas relações sociais entre os homens, passando pela agricultura familiar e pelo
desenvolvimento sustentável (ASSAD e ALMEIDA, 2004).
Esta compõe um sistema heterogêneo de intervenções, de variáveis, de
elementos que precisam ser privilegiados a todo momento. Não se consegue no
sistema de produção, intervir em todas as variáveis. Deve-se ter claro que, ao
interferir numa variável, num elemento ou mesmo na linha de produção (do sistema
de cultivo ou de criação), ou numa tecnologia qualquer
no sistema, se está
interferindo no seu conjunto, e isso é importante e deve ser considerado.
Reforça Assad e Almeida (2004, p. 10) “[...] é forçoso reconhecer que as
propostas de agricultura sustentável ainda são minoritárias e incipientes em certos
contextos sociais da produção agrícola brasileira”.
Percebe-se que por menores ou ínfimas que sejam as intervenções atuais,
deve-se ter o entendimento de que elas fazem parte de um processo educativo e de
26
uma ação coletiva concertada, necessários à construção de um processo movimento
social mais amplo.
As tecnologias defendidas e propostas pelo movimento de agricultura
sustentável supõem ruptura com as técnicas convencionais ou modernas de
produção agrícola, de gestão e de acesso às matérias e recursos primários. Na
maior parte do tempo, essas tecnologias valorizam os meios mais adaptados
técnica, econômica e socialmente aos agricultores produtores, situando-se numa
gama de técnicas e práticas que vão desde as destinadas à subsistência até as
tecnologias mais avançadas.
Neste contexto, podem-se considerar as correntes de pensamento que se
estruturam essencialmente a partir da concepção de uma tecnologia agrícola mais
sustentável, recebendo denominações como agricultura ecológica, agroecologia,
agricultura biodinâmica, orgânica, regenerativa, permacultura, entre outras (ASSAD
e ALMEIDA, 2004).
Essas correntes vão sustentar e subsidiar as críticas que tendem a redefinir
os objetivos e as opções tecnológicas, assim como os sistemas de produção.
Destaca-se que para concepções a tecnologia não é vista como um conjunto de
procedimentos próprios a uma ciência particular, mas como um conjunto de meios
colocados à disposição dos indivíduos a fim de organizar e aplicar os conhecimentos
visando objetivos específicos.
A origem e a trajetória política e social da agricultura familiar, nos últimos vinte
anos, dos principais agentes que defendem a agricultura sustentável, nas suas
distintas formas e ações mais contestadoras, forjaram um discurso e uma ação
coerente com os princípios de crítica à sociedade industrial, influenciados também
por segmentos progressistas da igreja católica e pelos partidos de esquerda,
politicamente atuantes nesse período. (ASSAD e ALMEIDA, 2004).
Do ponto de vista das tecnologias de base para uma agricultura sustentável,
constata-se freqüentemente dois tipos de obstáculos. O primeiro diz respeito às
tecnologias propriamente ditas, que, embora conhecida e testada com base
científica, não são devidamente inseridas nos sistemas produtivos, seja por falta de
difusão tecnológica apropriada, seja por desarticulação entre pesquisa e extensão
rural com segmentos produtivos que poderiam se beneficiar dessas tecnologias.
Outro obstáculo diz respeito à dificuldade, mais ou menos generalizada, de
27
aprofundamento do conhecimento sobre os sistemas agrícolas ou da falta de clareza
a respeito de suas dinâmicas. (ASSAD e ALMEIDA, 2004).
Outro fator é em relação à capacitação dos agentes de AS, que ainda se
mostra deficiente de maneira geral. Pela dificuldade de penetração nos espaços
acadêmicos mais consolidados, a proposta fica se reciclando entre um número
reduzido e permanente de técnicos reconhecidos por sua alta contribuição ao tema.
2.3 DESENVOLVIMENTO LOCAL E REGIONAL
Falar de desenvolvimento local e regional é especificar variáveis importantes
como o
desenvolvimento local e o desenvolvimento endógeno que se encontra
intrínseco nos municípios, pois só trabalhando, estudando, refletindo e identificando
importantes processo é que se consegue a sustentabilidade destas localidades.
A teoria do desenvolvimento endógeno focaliza a questão regional,
apresentando as contribuições para a problemática das desigualdades regionais e
instrumentos de políticas para sua correção. O desenvolvimento endógeno tem suas
origens na década de 1970, quando as propostas de desenvolvimento da base para
o topo emergiram com maior notoriedade. Desde então, esta corrente evoluiu com a
colaboração de novos enfoques ao problema do crescimento desequilibrado.
Na década de 1990, a principal questão do modelo de desenvolvimento
endógeno se concentrou em entender o porquê o nível de crescimento variava
entre as diversas regiões e nações, mesmo elas dispondo das mesmas condições
na busca de fatores produtivos, como capital financeiro, mão de obra ou tecnologia.
A solução seria procurar encontrar, entre estes fatores, aqueles determinados nas
regiões.
Neste caminho, a contribuição da teoria endogenista foi a identificar fatores de
produção atualmente decisivos, como o capital social, o capital humano, o
conhecimento, a pesquisa e desenvolvimento, a informação e as instituições, eram
determinados na região e não de forma exógena, como até então era entendido. Por
conseguinte, se conclui que a região dotada destes fatores ou estrategicamente
direcionada para desenvolvê-los internamente teria as melhores condições de atingir
um desenvolvimento acelerado e equilibrado (PLOEG, 1992).
28
Portanto, o desenvolvimento regional endógeno predominante na década de
1990 pôde então ser definido como: a capacidade da sociedade liderar e conduzir o
seu próprio desenvolvimento regional, condicionando-o à mobilização dos fatores
produtivos disponíveis em sua área e ao seu potencial endógeno, traduz a forma de
desenvolvimento denominado endógeno, podem-se identificar duas dimensões
disso. A primeira econômica, na qual a sociedade empresarial local utiliza sua
capacidade para organizar, da forma mais producente possível, os fatores
produtivos da região. A segunda sócio-cultural, os valores e as instituições locais
servem de base para o desenvolvimento da região (BARQUERO, 1988).
De forma antagônica ao pensamento associado com as teorias endógenas,
não se busca, neste enfoque, o fechamento ou isolamento regional, nem mesmo o
autocentrismo e a auto-suficiência. A idéia do desenvolvimento endógeno moderno
baseia-se na execução de políticas de fortalecimento e qualificação das estruturas
internas visando sempre a consolidação de um desenvolvimento originalmente local,
criando condições sociais e econômicas para a geração e atração de novas
atividades produtivas, de perspectiva de uma economia aberta (AMARAL FILHO,
1996).
Mais do que isso, na visão de Boisier (1997), a sociedade civil, e nela
compreendida as formas locais de solidariedade, integração social e cooperação,
pode ser considerada o principal agente da modernização e da transformação sócio
econômica em uma região.
Barquero (1988) argumenta que o desenvolvimento regional endógeno, ao
considerar e dar relevância à sociedade civil local e aos seus processos de
organização e relação social permite que a região atinja um crescimento equilibrado
e sustentado no longo prazo, sem entrar em conflito direto com a base social e
cultural da região.
2.3.1 O capital social e desenvolvimento local-regional
O destaque dado aqui para a importância da sociedade civil não está inserido
no debate da relação entre a sociedade e o Estado, sua maior ou menor
participação, ou entre a sociedade e o mercado. Baseado em um enfoque distinto,
trata-se da compreensão de que o desenvolvimento regional está diretamente ligado
29
às características da organização social e das relações cívicas encontradas na
região.
Conforme Barquero (1988, p.20);
Normalmente a forte identidade da cultura local tende a assimilar as novas
realidades produtivas e os novos esquemas de relações sociais, e os novos
valores encontram um eco favorável nas zonas de desenvolvimento local.
Desta feita, tendem a integrar-se com um mínimo de custos sociais e
culturais, já que são respostas viáveis aos problemas locais. As atividades
industriais se integram na vida social e cultural local, incorporando novos
valores que desenvolvem e potenciam os antigos, sem criar certo conflito e
contradições no processo de adaptação.
Corroboram Portes e Landolt (1996, p.18) no tema e dizem que “[...] em um
sentido mais restrito, pode se entender capital social como a habilidade de criar e
sustentar associações voluntárias”.
Mas, Putman (1996, p.177) adentra ainda mais no tema explicando que;
Como outras formas de capital, o capital social é produtivo, possibilita a
realização de certos objetivos que seriam inalcançáveis se ele não existisse.
Por exemplo, um grupo cujos membros demonstrem confiabilidade e que
depositem ampla confiança uns nos outros é capaz de realizar muito mais do
que outro grupo que careça de confiabilidade e de confiança.
Neste ínterim, o capital social pode ser considerado a base de uma das
principais estratégias de desenvolvimento econômico nas próximas décadas: a
cooperação.
Para Fukuyama (1995) as nações e as regiões mais prósperas em um futuro
de livre mercado serão aquelas melhor preparadas para formar cidadãos dispostos a
trabalhar colaborativamente e organizadas para promover associações voluntárias
entre suas instituições. Por isso, tanto a ideia de capital social, quanto à de
cooperação, nos últimos anos, têm sido destacadas por organismos internacionais,
em revistas especializadas e em diversos estudos e políticas de desenvolvimento.
Já Saxenian (1994), demonstrou a importância relevante da formação de
redes colaborativas interinstitucionais para o desenvolvimento do Silicon Valley, na
Califórnia, uma região intensamente competitiva.
No entanto, Kollock (1999), salienta a utilização da Internet nas práticas de
cooperação, tanto para a maior facilidade na produção de bens públicos, exemplo do
sistema operacional Linux para computadores, quanto para ações comunitárias de
desenvolvimento local, como na ilustração do dia beneficente chamado NetDay.
30
Indo mais além, Fountain e Atkinson (1998) procuraram evidenciar como o
capital social e práticas colaborativas impulsionam inovações, defendendo políticas
públicas de estímulo ao engajamento participativo em redes regionais de
colaboração. Entre suas propostas, estão à concessão de incentivos fiscais para
empresas empenhadas em práticas colaborativas de pesquisa e desenvolvimento,
além da formação de alianças entre indústrias e, da mesma forma, delas com
universidades e com entidades governamentais e da sociedade civil. Outra
proposição centra-se na composição de redes de colaboração tecnológica entre,
pequenas e médias empresas e universidades regionais para o desenvolvimento e o
emprego de novas tecnologias.
Neste mesmo sentido, como constata Putman (1996), as evidências
históricas, tanto de épocas passadas quanto recentes, indicam que os fatores sócios
culturais têm papel decisivo na explicação das diferenças regionais.
Entretanto, como ele mesmo argumenta "[...] qualquer interpretação baseada
num único fator certamente será equivocada" (PUTMAN, 1996, p. 169).
As tradições cívicas, o capital social e práticas colaborativas, por si só, não
desencadeiam o progresso econômico. Elas são a base para as regiões enfrentarem
e se adaptarem aos desafios e oportunidades da realidade presente e futura.
Levando em consideração estes pressupostos, é possível compreender que
uma estratégia política de desenvolvimento regional
e local não pode se ater
somente em ações de cunho ortodoxo, como linhas de crédito, incentivos fiscais ou
de investimentos na formação bruta de capital fixo. Ela deve também, e
fundamentalmente, procurar manter e ampliar o estoque de capital social em sua
comunidade, fortalecendo a auto organização social, estimulando a prática de
soluções colaborativas para problemas comuns e promovendo a participação e a
abertura ao diálogo com os diversos integrantes das comunidades regionais.
O desafio proposto por estas novas estratégias de políticas para o
desenvolvimento regional não significa que todo o seu processo esteja isento de
apreciações críticas.
Para Portes e Landolt (1996) os indivíduos e comunidades podem se
beneficiar da confiança mútua e da participação social. Estes retornos, porém, irão,
variar conforme o tipo de relação interpessoal imposta e a forma de organização e
de sustentação comunitária, podendo ampliar ainda mais as já existentes diferenças
socioeconômicas entre comunidades.
31
Por estes motivos, acredita-se que novos modelos de atuação governamental,
e de formulação e gestão de políticas públicas tornam-se, imprescindíveis em um
processo de desenvolvimento nestes padrões.
2.4 AGRONEGÓCIO NA AGRICULTURA FAMILIAR
O agronegócio brasileiro está emergindo de um sistema agrícola recente e
heterogêneo. Recente porque até a metade do século XIX o Brasil não chegou a ter
vida econômica própria.
O surto cafeeiro de meados do século XIX que, ao acabar com a estagnação
das anteriores atividades primário-exportadoras evitou a desagregação política e
territorial prevalecente no resto da América Latina; ligou o país a novos parceiros
comerciais e financeiros; deslocou o eixo da economia do Nordeste para o Sudeste; e,
preparou o terreno para a posterior industrialização.
Foi com a Grande Depressão nos países capitalistas centrais (1870-1895) que
se reuniram as condições necessárias à diversificação produtiva capaz de promover a
decolagem da economia nacional. Não seria exagerado dizer, portanto, que o sistema
agrícola brasileiro é um fenômeno que não chega a ter um século de existência
(SZMRECSÁNYI,1990).
O sistema agrícola brasileiro também é heterogêneo porque o progressivo
estreitamento das relações entre agropecuária e as demais atividades econômicas, em
vez de produzir uniformidade sistêmica reforçou a diferenciação regional herdada do
período pré-industrial. Os contrastes entre a modernização do Centro Sul, o processo
de expansão da fronteira nas regiões Centro-Oeste e Norte, e as tradicionais
dificuldades do Nordeste. Exemplo desses contrastes é a concentração, até meados
da década de 1960, nos estados de São Paulo e do Rio Grande do Sul, de,
respectivamente, 44% e 25% de todos os tratores existentes naquelas regiões (VEIGA,
ABRAMOVAY e EHLERS, 2005).
Nesse período o que se viu, concentração da estrutura agrária. Após o golpe
militar de 1964, a agricultura entrou em processo radical de transformação, favorecido
pelas seguintes circunstâncias: fase ascendente do ciclo econômico conhecida por
milagre; a ampliação do crédito rural subsidiado; internacionalização do pacote
32
tecnológico da “Revolução Verde”; e melhoria dos preços internacionais para produtos
agrícolas. (VEIGA, ABRAMOVAY e EHLERS, 2005).
A mudança na qualidade do processo de urbanização, caracterizada pelo
êxodo rural de quase 30 milhões de pessoas em apenas vinte anos (1960-1980), bem
como pelo crescente assalariamento da força de trabalho agrícola, que deixou de
residir no campo, foi uma das graves conseqüências do processo de transformação da
agricultura.
No
emergente
agronegócio,
outro
setor
que
se
desenvolveu
significativamente foi o sucroalcoleiro, particularmente com os subsídios do
Próalcool implantado em 1980. Depois de consolidar-se na região Sudeste,
expandiu-se ao norte do Paraná, ao Mato Grosso do Sul e estados do Nordeste. De
acordo com a Associação da Indústria do Açúcar e do Álcool, em 1996 o setor gerou
cerca de um milhão de postos de trabalho (SHIROTA e ROCHA, 1998).
Conforme dados da Federação Nacional dos Petroleiros (1998) na última
década, o que mais chamou a atenção na produção animal do Sul e do Sudeste foi o
crescimento acelerado do setor avícola. Entre 1991 e 1997 a adoção de tecnologias
modernas possibilitaram redução dos custos de produção e ampliaram a produção
nacional em aproximadamente 70%.
Tudo indica que o objetivo estratégico deve ser a obtenção sustentável de
segurança alimentar, objetivo qual não será alcançado se os desafios não forem
enfrentados concomitantemente: definição de uma estratégia para o desenvolvimento
sustentável, revalorização socioeconômica e cultural do espaço e da família rural, bem
como o desenvolvimento e a utilização de métodos participativos (VEIGA,
ABRAMOVAY e EHLERS, 2005).
Mas alertam os autores acima que não haverá perspectiva sustentável para o
agronegócio, sem uma dinamização endógena que caminhe nessa direção. Ou seja,
tudo vai depender do surgimento de pactos territoriais orientados para a promoção
da agricultura sustentável. A base desses pactos é a criação ou o fortalecimento de
mecanismos participativos de planejamento e de gestão ambiental, tendo como
unidade territorial preferencial as bacias hidrográficas.
33
2.5 EMPRESAS RURAIS
Tendo em vista o objetivo primordial do empreendimento, o primeiro passo
para se iniciar ou ampliar uma atividade agropecuária é uma definição de objetivos
de trabalho, metas, previsão de faturamento, despesas, investimentos necessários e
meios necessários para se alcançar as metas estipuladas. Para tal, como em outra
empresa, é necessário se fazer um plano de trabalho, o plano de negócio, que pode
ser elaborado pelo próprio empresário e sua equipe administrativa ou, pode trazer
melhores resultados, por uma empresa de consultoria que tenha experiência em
planejamento estratégico rural, que deverá ser incentivado pelas políticas públicas.
Verifica-se que políticas públicas não visam estas estratégias.
Como observa Bacelar (2003, p. 02), o “[...] as políticas públicas estavam
voltadas para promover o crescimento econômico, acelerando o processo de
industrialização, o que era pretendido pelo Estado brasileiro, sem a transformação
das relações de propriedade na sociedade brasileira”.
O plano de negócio será um guia, que deve ser seguido com cuidado, mas
atento para possíveis mudanças no decorrer no tempo. Ele norteia todos os esforços
que o empresário terá que fazer para alcançar as metas definidas. Trará um
levantamento sobre necessidades de contratação ou demissão de funcionários, o
perfil do pessoal mais indicado para trabalhar no empreendimento, tipo de
maquinário mais adequado, necessidade de ampliação das terras ou, em alguns
casos,
de
redução
da
área
utilizada,
distribuição
da
produção,
etc.
Esta é a maneira pela quais empresas planejam e alcança seus objetivos, o que
pode e devem ser seguido por todas as empresas do setor rural,
proprietários
rurais, em geral. Isto pode acarretar em um investimento inicial de tempo e dinheiro,
mas que, trará benefícios ao produtor rural.
Em decorrência do caráter centralizador do Estado brasileiro, as políticas
públicas direcionadas ao meio rural, já que se destinavam, sobretudo, ao
crescimento do volume produzido e dos índices de produtividade em decorrência da
incorporação de inovações tecnológicas pelas atividades agropecuárias.
Essa situação, começou a mudar em virtude de uma nova conjuntura política
e social que teve como marco o processo de redemocratização do país e que
favoreceu a intensificação de movimentos organizados na sociedade, reivindicando
a sua participação.
34
Em termos econômicos destaca-se o aprofundamento da crise financeira do
Estado brasileiro na década de 1980 e a adoção do modelo neoliberal a partir do
início dos anos 1980. O desencadeamento do processo de descentralização políticoadministrativo, propiciado pela Constituição de 1988, foi outro elemento importante
nesse cenário.
No âmbito do rural, uma das primeiras alterações ocorridas foi a criação em
meados dos anos 1990, de uma política nacional direcionada para a agricultura
familiar, o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF).
Esse programa, além de contemplar crédito rural para custeio e investimento, trazia
em seu bojo, pelo menos ao nível do discurso, a preocupação territorial, por meio da
linha PRONAF Infraestrutura e Serviços Municipais (HESPANHOL, 2006).
Essa mudança de perspectiva foi o resultado de um novo cenário
internacional e nacional. Em escala internacional, destacou-se a influência das
políticas européias que passaram a valorizar o local como referência territorial. Essa
valorização do local ocorreu, por um lado, em virtude da grave crise do modelo
agrícola produtivista vigente na Europa que resultou nas reformas da Política
Agrícola Comum de 1992 e 1996 e, por outro, o questionamento da idéia de
unilinearidade do processo de desenvolvimento, no qual as diferenças regionais
antes vistas como negativas e que teriam de ser eliminadas, passaram a ser
reconhecidas como características positivas a serem preservadas e valorizadas.
Nesse sentido é importante que as políticas públicas se constituam em
instrumentos para o fortalecimento do desenvolvimento a partir da escala local. Isso
porque, de acordo com Santos (1996, p.2), “[...] é no lugar, um cotidiano compartido
entre as mais diversas pessoas, firmas e instituições, que a cooperação e o conflito
são a base da vida em comum”.
Assim, além da incorporação da perspectiva territorial, em que se procura
considerar e valorizar a diversidade (econômica, social, política e cultural) que
compõe o espaço rural brasileiro, se passou a considerar o município como a
instância adequada para a implementação, a gestão e a fiscalização das políticas
públicas.
As crenças e valores culturais e a abertura para novos conhecimentos e
técnicas vivenciadas e trocadas pelos demais produtores rurais, podem formar uma
rede importante de cooperação e expandir o capital social e o desenvolvimento
sustentável nas comunidades.
35
Assim a comercialização dos produtos artesanais e a gestão dos negócios
agrícolas, podem contribuir com a inclusão social dos agricultores, criando
condições para que estes permaneçam nas pequenas propriedades agrícolas com a
conseqüente melhora da qualidade de vida dos mesmos.
A ideia de uma agricultura sustentável revela, antes de tudo, uma insatisfação
com o status quo da agricultura moderna. Insatisfação que surge em meados dos
anos 1970, de uma crescente preocupação com a salubridade alimentar e com os
impactos ambientais decorrentes dos sistemas produtivos (VEIGA,1991).
Foram, neste contexto, que se multiplicaram os entusiastas dos métodos
orgânico, biodinâmico, biológico e natural de produção alimentar. Quando
começaram a ganhar visibilidade, foi alvo de insidiosa campanha de descrédito,
lançada por uma coalizão de interesses do agronegócio e do sistema de pesquisa
agropecuária (mesmo que em ambientes um pouco mais arejados, como o
acadêmico, os alternativos tenham sido considerados apenas folclóricos).
O consenso em torno da necessária sustentabilidade não deve, no entanto,
escamotear as dificuldades de aplicação prática dessa definição e os problemas de
sua vinculação à idéia de desenvolvimento. Questão que deve ser vista como novo
desafio teórico e não como expediente que possa diluir seu valor heurístico e seu
profundo sentido ético (VEIGA,1991).
Todavia, quanto mais frequente se torna o uso da expressão desenvolvimento
sustentável, mais nítida vai se tornando a contradição entre esse crescente
consenso retórico e a insipiencia do pensamento estratégico correspondente: seja
na escolha de objetivos, seja na definição dos meios para atingi-los.
As mais flagrantes manifestações desse contraste pode ser identificada no
processo de elaboração da Agenda 21. Abordagens analíticas abrangentes e
profundas terminam em listas de sugestões em geral pertinentes, mas que estão
longe de constituir estratégias prioritárias, ou ações estratégicas, como pretendem,
por exemplo, os subsídios preparados para a Agenda 21 Brasileira (VEIGA,1991).
Mesmo que tais sugestões fossem integradas e sistematizadas, não
chegariam a fornecer algo que pudesse parecer ao conjunto de operações
necessárias para se conceber, preparar e conduzir a ação coletiva que poderá
promover o desenvolvimento sustentável da sociedade brasileira.
Portanto, partir do pressuposto de que essa falta de formulação estratégica
resulta de uma dificuldade objetiva, e não de uma fortuita deficiência intelectual dos
36
diferentes atores sociais que já estão mobilizados para responder ao desafio. E essa
dificuldade objetiva é gigantesca.
Para conquistar mais sustentabilidade (já que o processo de desenvolvimento
jamais poderá atingi-la em termos absolutos) é preciso definir o conjunto de
operações necessárias a uma reorientação do processo de crescimento econômico.
Enquanto esse for o principal alicerce do desenvolvimento, a sua sustentabilidade
dependerá de uma mudança radical de sua estrutura institucional de incitações.
Contudo, qualquer arranjo institucional é prisioneiro do caminho que foi antes, pois
toda trajetória prévia tende a ser consolidada pelo processo de aprendizado das
organizações, pela modelização subjetiva das questões, por externalidades de rede
etc. Ou seja, a economia tende a engendrar políticas que reforçam as incitações e
as organizações existentes (VEIGA,1991).
Surgem novos desafios: tornar-se um empreendedor e ainda ser competitivo.
Tudo isto constituiu de forma muito rápida um novo cenário, cujo resultado foi a
exclusão de empresas e a perda de competitividade. A velocidade dos novos
vetores foi maior que a capacidade de mudança dos modelos mentais ou dos
paradigmas até então existentes na agricultura brasileira (BARCELOS, et al, 2004).
Conquanto, em tais circunstâncias, a mudança de rumo ditada por
preocupações ambientais só se legitimará se puder simultaneamente impulsionar o
empreendedorismo, isto é, se a precaução ecológica puder alavancar o crescimento,
em vez de restringi-lo.
O desafio está, portanto, em conciliar sistemas produtivos que, ao mesmo
tempo, conservem os recursos naturais e forneçam produtos mais saudáveis, sem
comprometer os níveis tecnológicos já alcançados de segurança alimentar.
37
3 METODOLOGIA
A metodologia utilizada para o estudo da configuração organizacional da
gestão da agricultura familiar em Bela Vista do Toldo foi realizado em etapas que
serão descritas neste capítulo.
Conforme Demo (1996, p.34) a pesquisa pode ser considerada como uma
atitude, um “[...] questionamento sistemático crítico e criativo, mais a intervenção
competente na
realidade, ou o diálogo crítico permanente com a realidade em
sentido teórico e prático.”
Neste sentido, descreve-se todo o processo metodológico realizado até se
chegar aos resultados e discussões. O interesse pelo estudo nasceu de dialogo com
o Professor Dr. Reinaldo Knorek coordenador do projeto de pesquisa
sobre a
agroindústria em Bela Vista do Toldo com recursos da Fundação de Apoio a
Pesquisa Cientifica e Tecnológica
do Estado de Santa Catarina (FAPESC),
parceria Ministério Desenvolvimento Agrário (MDA)
a
com a 26ª Secretária de
Desenvolvimento Regional (SDR) que envolveu os município de Canoinhas, Bela
Vista do Toldo, Major Vieira e Três Barras, bem como, com o apoio fundamental da
Universidade do Contestado (UnC), se implementou a agroindústria para que os
pequenos agricultores pudessem obter condições de colocação de seus produtos
geridos em sua propriedade. O estudo do Professor tinha como objetivo trabalhar o
desenvolvimento regional através do agronegócio, perfazendo um diagnóstico dos
produtos vendidos e também os que poderiam ser produzidos pelos agricultores.
Conforme Knorek (2010) a agroindústria de Bela Vista do Toldo com a
aplicação de uma ação conjunta – universidade, prefeituras, MDA, FAPESC - para
se estruturar a agroindústria no território da 26a SDR, de forma organizada desde o
início da implantação, bem como, a configuração do quadro e número de associados
até definir toda a produção de matéria prima, desenvolvimento dos produtos a serem
industrializados
e
análise
de mercado do
qual a
produção
deverá
ser
comercializada. Entrementes, o agronegócio para esses agricultores familiares será,
com certeza, a grande fonte para o desenvolvimento local e regional. Além do mais,
ajudará a evitar o êxodo rural, motivado pela falta de oportunidades, do qual, estas
pessoas almejam num futuro próximo a própria sobrevivência.
38
Assim, nasciam os primeiros passos de um estudo que converteria as
necessidades
organizacionais
acionais
e
familiares
d
de
80
pequenos
proprietários
aproximadamente 5000 (cinco mil) pessoas que muitas vezes não possuem
condições específicas para concorrer no mercado globalizado e competitivo.
Neste sentido utilizado um espaço que o município já disponibilizava
disponi
conforme demonstra a figura.
figura
Figura 1: Espaço da futura agroindústria
Fonte: Knorek, (2010
2010).
O espaço precisa de reformas e adequações para que o projeto alcançasse
seus objetivos. Para tanto foram delimitadas fases. Conforme
onforme Knorek (2010),
(2010) na
primeira fase foi desenvolvida
desenvolvid a implantação da parte física estrutural da
agroindústria; com a ação de compra de equipamentos; a definição do local da
instalação do agronegócio, o modo de fomentar todo o sistema de produção de
matéria prima para a agroindústria.
Na segunda fase o desenvolvimento
envolvimento da pesquisa científica, desenvolveu-se
desenvolv
pelo diagnóstico dos produtos comercializados no comércio local dos municípios da
26 SDR. Após o diagnó
óstico eles serão classificados e identificados como os que
39
podem ser produzidos endogenamente pelos pequenos
pequenos produtores locais-regionais
locais
nos municipios de Canoinhas, Três Barras, Major Vieira, Bela Vista do Toldo
T
e
transformados na agroindústria.
agroindú
Figura 2: Espaço já todo reformado da agroindústria
Fonte: Knorek, (2010).
Já na terceira fase
fa
ocorreu a organização da gestão e do processo da
agroindústria,, pela definição do
do modo de organização da agroindústria e quais serão
os participantes. A forma de contrato de compra e venda. Quem será o gestor da
agroindustria, forma de gestão. Nesta fase
fa foi definida toda a forma organizacional
de funcionamento.
Partindo-se então para a quarta fase que
ocorreu o treinamento dos
associados,
os, com cursos direcionados às fases da: produção, industrialização e
comercialização. Esta fase deverá ser desenvolvida com profiss
ssionais de apoio em
cada fase do processo produtivo. Na produção a implantação de fomento para
garantir a matéria prima da agroindustria. Na fase da industrialização serão
desenvolvidos cursos sobre conservas em geral, desenvolvimento
senvolvimento de novos
produtos, gestão da qualidade. Gestão de custos de produção. Marketing comercial.
Na fase de comercialização serão realizados cursos sobre vendas e
distribuição. E, na quinta fase
o desenvolvimento e a promoção dos canais de
40
comercialização. Será desenvolvido uma pesquisa de mercado sobre a implantação
de uma feira livre em cada um dos município da região da 26a SDR. Definição da
forma de comercialização. Definição da marca da agroindustria para serem
comercializados os produtos desenvolvidos e produzidos na agroindústria.
Um projeto necessário, mas com muitos desafios a serem vencidos
principalmente quando a meta é consolidar o agronegócio nos municípios da 26a
SDR, desenvolvendo, equipando e organizando um agronegócio para agricultores
familiares,
construindo
o
associativismo
e
cooperativismo
garantindo
o
desenvolvimento territorial e a sustentabilidade dos mesmos.
Com o passar dos dias o projeto foi aos poucos sendo implementado,
transformando em uma realizada para Bela Vista do Toldo e os demais municípios
parceiros. A defesa deste trabalho pelo professor galgou caminhos e oportunidades,
sendo que o mesmo pode fazer explanação deste projeto em congressos nos
municípios de Criciúma e Curitiba.
Além, de um trabalho científico obteve o respaldo das comunidades que o
apoiaram a demonstrando a confiabilidade nas metas e objetivos propostos.
Objetivos que contaram com uma equipe de trabalho promissora que envolvia 17
profissionais formando uma equipe multidisciplinar.
E como formador da equipe do Professor Reinaldo, nasce o interesse de fazer
o estudo de caso para verificar a configuração organizacional da gestão que
envolvia a agroindústria de Bela Vista do Toldo. Depois de muitas conversas
delimitou-se a tipo de pesquisa e os procedimentos metodológicos a serem
trabalhados no projeto de mestrado.
3.1 TIPO DE PESQUISA
O tipo de pesquisa selecionada para este trabalho foi o estudo de caso.
Segundo Gil (1999) este tipo de estudo envolve o estudo profundo e exaustivo de
um ou poucos objetos de maneira que se permita o seu amplo e detalhado
conhecimento.
A natureza tem natureza aplicada que conforme Gil (1999) ela objetiva gerar
conhecimentos para aplicação prática, dirigidos à solução de problemas específicos.
41
A abordagem é qualitativa que segundo Gil (1999) há uma relação dinâmica
entre o mundo real e o sujeito, isto é, um vínculo indissociável entre o mundo
objetivo e a subjetividade do sujeito que não pode ser traduzido em números. A
interpretação dos fenômenos e a atribuição de significados são básicas no processo
de pesquisa qualitativa. O ambiente natural é a fonte direta para coleta de dados e o
pesquisador é o instrumento-chave.
Em relação aos objetivos essa pesquisa foi exploratória descritiva.
Exploratória porque o conhecimento a cerca do problema a ser resolvido por meios
de hipótese e idéias: que foi dividida em duas fases. Na fase preliminar foram
exploradas as informações sobre o agronegócio voltado a agricultura familiar. Na
fase seguinte foi descrito todos os fatos observáveis na configuração e gestão da
agricultura familiar de Bela Vista do Toldo desenvolvido em parceria com as
prefeituras de Canoinhas, Três Barras, Major Vieira e Bela Vista do Toldo em busca
de soluções para o desenvolvimento regional-local nos delimites da 26ª SDR a partir
das atividades da agricultura familiar.
A pesquisa exploratória
segundo Gil (1999), visa proporcionar maior
familiaridade com o problema com vistas a torná-lo explícito ou a construir hipóteses.
Envolve
levantamento
bibliográfico;
entrevistas
com
pessoas
que
tiveram
experiências práticas com o problema pesquisado; análise de exemplos que
estimulem a compreensão. Assume, em geral, as formas de Pesquisas Bibliográficas
e Estudos de Caso e ainda envolve verdades sobre a configuração a agroindústria e
interesses locais.
42
4 CONTEXTO DA PESQUISA
Para entender a caracterização de cada município onde foi realizada a
pesquisa de campo foi necessário descrever os contextos históricos e culturais de
cada localidade, haja vista, a diversificação das atividades agrícolas que perfazem a
situação do cotidiano das famílias que compõem este cenário da agroindústria de
Bela Vista do Toldo, sob a coordenação da 26ªSDR.
Figura 3: mapa da localização da 26ª SDR
Fonte: Relatório diagnóstico da exclusão social em Santa Catarina, 2003.
Conforme demonstra a figura acima, são 6 os municípios que compõem a 26ª
SDR, e destes foi realizado a entrevista são norte desta pesquisa em 4 municípios,
pois, Porto União e Irineópolis não faz parte do projeto que abrange a agroindústria
em Bela Vista do Toldo financiado pela FAPESC.
43
4.1 CANOINHAS
Conforme dados do IBGE (2010), a população do município é de 54.645
habitantes dos quais 73,4% vivem na cidade e 26,6% nas áreas rurais. A taxa de
crescimento demográfico nos últimos quatro anos foi de 4,67%, de acordo com a
média regional. Seu IDH é 0,781 ocupando a posição de 190 no estado, sua renda
per capita é de 254,27.
Possui,
2.046 produtores rurais com uma área de produção de culturas
temporárias de 30.728 há, ocupando 5.321 pessoas na agricultura. Desses, 54%
dos imóveis rurais do município são caracterizados como minifúndios, detentores de
1 a 20% hectares. Outros 670 ou 38% dos agricultores têm até 100 hectares e são
qualificados como médios proprietários. Apenas, 141, ou seja, 8% possuem mais de
100 hectares (SEBRAE, 2010).
As famílias que atuam no meio rural, possuem descendência polonesa,
ucraniana, italiana, alemã e cabocla, com forte vocação e tradição nas atividades
agropecuárias, facilitando a manutenção e o fortalecimento deste setor na região.
Aliado, a isto, existe na região uma base de extensão rural, revalorizada pelo projeto
Microbacias llI, e de pesquisa agropecuária com uma estação experimental.
Além disto, tem ocorrido nos últimos anos, um avanço significativo nas
organizações representativas da agricultura familiar, pelo cooperatisvismo e em seus
fóruns de discussão. Diante deste quadro, pode-se dizer que há uma mesclagem e
convivência entra pequenos, médio que, ao contrário de concorrem entre si,
sugerem o desenvolvimento de uma complexa rede produtiva interdependente.
De acordo com Oliva & Giansanti (1995, p.16);
Este desejo do ser humano vem: brotando do reconhecimento de uma
profunda reestruturação da vida contemporânea e de uma consciência
explícita do desenvolvimento geograficamente desigual [...], há um
extraordinário apelo por uma perspectiva crítica, por um modo diferente de
ver o mundo.
Isso significa passos promissores do desenvolvimento para os arranjos
produtivos, que contribuem no processo de diversificação das atividades que
perfazem o cenário da agricultura familiar.
Canoinhas tem 1.764 produtores rurais com uma área de produção de
culturas temporárias de 24.000 ha, ocupando 6.530 pessoas na agricultura. Desses,
44
54% dos imóveis rurais do município são caracterizados como minifúndios,
detentores de 1 a 20 hectares. Outros 670 ou 38% dos agricultores têm até 100
hectares e são qualificados como médios proprietários. Apenas 141 ruralistas ou 8%
possuem mais de 100 hectares e são considerados donos de grandes extensões de
terras. Os minifúndios caracterizam a paisagem rural de Canoinhas. Do total de
propriedades, 1.600 plantam feijão, 1.500 cultivam o milho e dedicam-se ao plantio
do fumo, 570 cultivam a batata inglesa, 200 o tomate e 130 deles a soja e, produz-se
24.000 kg de mel por ano. (SEBRAE, 2010).
4.2 BELA VISTA DO TOLDO
A região onde hoje fica Bela Vista do Toldo foi passagem de tropeiros que
transportavam gado, couro e charque do Rio Grande do Sul para São Paulo e Minas
Gerais. Os tropeiros paravam para descansar e, a partir de 1880, foram surgindo
pequenos povoados. Depois da Guerra do Contestado, uma leva de imigrantes
começou a chegar às terras em busca de melhores oportunidades. A região de Bela
Vista do Toldo onde está o município foi colonizada por italianos, alemães,
poloneses, ucranianos e japoneses, que chegaram após o conflito da Guerra do
Contestado (IBGE, 2010).
O município conta com uma população de 5.721 habitantes 5.151 residem na
zona rural e 570 pessoas vivem na área urbana. Sua renda per capta é de 123,59,
seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é 0,703 ocupando a 288 posições no
estado (IBGE, 2010).
O turismo tem apresentado, nos últimos anos, índices de crescimento
extremamente velozes e significativos nas mais diversas regiões do mundo,
proporcionando desenvolvimento econômico, assim como, à ampliação do mercado
de trabalho e geração de mudanças no quadro social (SOUZA, 2000).
Bela Vista do Toldo, encontra-se configurada pela agricultura familiar e desta
atividade a incrementação da renda tem ocorrido pelo turismo rural com Pousadas,
Museu, Pesque Pague, ecoturismo e ainda pela agroindústria que ofereceu novos
horizontes para a produção das propriedades.
45
4.3 TRÊS BARRAS
Seus primeiros moradores foram caboclos e cafuzos que trabalhavam para os
coronéis donos das terras, recebidas do governo. Mas no final do Século XIX, com a
instalação da empresa norte-americana Southern Brazil Lumber and Colonization
Company, a maior serraria da América Latina , vieram os italianos, alemães e até
japoneses.
Sua População de 17.124 habitantes sendo 2.901 moradores da zona rural e
14.223 moradores da área urbana. Seu IDH é de 0, 759 ocupando o 240 lugar no
estado e a renda per capta é 205,84.
Três Barras, possui em sua configuração atual a indústria e a agricultura,
aliado para agricultura familiar da região famílias estão inseridas no contexto do
turismo rural da agricultura familiar, e foram aos poucos trabalhando e fazendo sua
realidade ser apreciada pelo poder público local, reconhecimento que veio pelo
Ponto de venda de produtos colônias tão almejado pela classe rural.
Para Oliva & Giansanti (1995, p. 2), “[...] o processo de regionalização, ou a
constituição de áreas diferenciadas, deu-se o partir de fenômenos como o
desenvolvimento de economias locais, as imigrações, as conquistas e os
intercâmbios comerciais”.
Portanto, se percebe que a organização é parte fundamental deste processo
e com passos sólidos pautado pelo planejamento e gestão poderá dar frutos
promissores.
4.4 MAJOR VIEIRA
Em 1924, quando italianos, alemães e ucranianos já habitavam as terras, a
área passou a distrito de Ouro Verde. A criação do município só ocorreu em 23 de
janeiro de 1961 e o nome é uma homenagem ao major Tomaz Vieira, primeiro
superintendente de Canoinhas.
Sua população é de 6.906 habitantes; destes 4.707 vivem na zona rural e
2.199 em área urbana. Seu IDH é de 0, 753 ocupando a 251, posição no estado e
sua renda per capta é de 187,43.
Major Vieira, não possui indústrias, sendo assim, a agricultura sua principal
atividade. Porém, os agricultores familiares estão organizados para sua demanda
46
produtiva tenha destino. E foi identificando as características sociais, culturais e
naturais do lugar onde eles vivem, que souberam explorar e identificar suas
potencialidades.
Pires (2000, p.111) diz que “[...] valorizar o caráter plural de atrações em uma
localidade, partindo-se da idéia-chave de que a presença de diversos recursos
associados ou próximo a um recurso principal aumenta consideravelmente o poder
desta demanda. “
Assim, e desta organização do pequeno município foi possível se conhecer o
todo, fazer comparações, distinguir similaridades e contrariedades, buscar
explicações e alternativa mais viável que proporcionasse o renda para o homem do
campo.
4.5 IRINEÓPOLIS
Irineópolis conta com uma população de 9.734 habitantes dos quais, 6.770
moradores da zona rural e 2.964 vivem em área urbana. Seu IDH é de 0, 768
ocupando 224 lugar no estado e sua renda per capita é de 206,08.
Pequeno município, mas rico em diversidades culturais e rurais os
agricultores foram aos poucos explorando diversos caminhos para incremento de
renda. Isso demonstra uma imersão ao mundo rural, onde a gastronomia predomina.
Encontra-se em Irineópolis o Museu e casarão da Família Domit, conhecido
em todo estado e que recebe inúmeras visitas no qual foram preservados dados
históricos e familiares.
Fazer, a análise destes 5 municípios se percebe a importância das
configurações peculiares oriundas de cada, e uma agroindústria foi a alternativa
encontrada para incrementação de renda. Mas devido a extensão dos municípios
um único não poderia abarcar sozinho este processo, a união dos cinco fez-se
crescer e florescer a idéia de parcerias em nome de suprir as necessidades de cada
um.
Portanto, verificar a gestão da agroindústria de Bela Vista do Toldo que
atende os cinco municípios é fundamental importância pelo contexto representativo
que ela representa a todas as famílias que acreditam, trabalham e vivem em função
deste projeto.
47
4.6 PORTO UNIÃO
Como povoado, a cidade começa em 1842, em descoberta do Vau, no Rio
Iguaçu, - lugar no rio de baixa profundidade que facilitou as passagens das tropas
que vinham dos campos de Palmas. Esse lugar era também o ponto de embarque e
desembarque para quem se vali do Iguaçu como meio de transporte.
Daí o primeiro nome: Porto da União. Em 1912 tem início conflitos do
Contestado que se prolongam até 1916. Em 5 de setembro de 1917 é criado o
município de Porto União que a partir daí, passa a conviver, em todos os aspectos,
com a parte da cidade que ficou do lado paranaense. É paradoxal, mas é
verdadeira, a linha que divide os municípios, une as comunidades (PREFEITURA
MUNICIPAL, 2011).
Porto União, localizada no planalto norte de Santa Catarina, possui 32.253
habitantes em uma área de 845,8 km². O relevo é constituído de planícies,
montanhas, vales, grandes várzeas nas bacias dos Rios Iguaçu e Jangada, na
divisa com o estado do Paraná, e do Rio Timbó. O clima se classifica como
mesotérmico úmido, com temperaturas médias de 17o C e uma precipitação anual
de 1.400 milímetros. O município é banhado pelos Rios Iguaçu e seus afluentes rio
Jangada, Timbó, Pintado, dos Pardos, Bonito e Tamanduá.
Em relação à agroindústria
Porto União significa, atualmente
25% da
economia do município. São 26 agroindústrias distribuídas por todo o interior,
envolvendo mais de 250 famílias.
Uma das conseqüências mais positivas dessas agroindústrias é a redução do
êxodo rural e a geração de renda para os agricultores. Possuí quatro agroindústrias
que produzem embutidos todas com inspeção municipal e federal. Os principais são
a lingüiça, o salame, o lombo defumado, a costelinha, o bacon, a linguicinha e o
chouriço. (PREFEITURA MUNICIPAL, 2011)
48
5 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS
Os dados foram analisados de forma ordenada por município quando foram
observado
relevante e depois transportados para
tabelas específicas, pois os
dados coletados na integra estão expostos em anexos.
Para entendimento dos entrevistados a pesquisa foi realizada por assuntos
específicos como: sobre o desenvolvimento da agroindústria, a percepção dos
agricultores no que tange a forma organizacional da gestão e sobre políticas
públicas dentro do desenvolvimento familiar.
Muitos autores falam em expansão da agroindústria nos municípios da
pesquisa, mas quando isso se torna realidade precisa de um processo de gestão
efetivo e duradouro que atenda aos preceitos da gestão da empresa familiar com
ferramenta administrativa oriunda de uma conscientização coletiva. Não se pode
expressar conceitos de agroindústria para a agricultura familiar sem explanar a
importância dos processos administrativos eficazes pautados pelo comprometimento
e responsabilidade dos gestores municipais, por meio de um sistema de política
pública.
5.1 AGRICULTORES
Nesta primeira etapa da pesquisa (entrevista com 50 agricultores de cada
município que pertencem a 26ª SDR)
foi perguntado sobre a importância da
agroindústria para a agricultura familiar, cujos resultados estão na tabela abaixo:
Tabela 1: Agroindústria na agricultura familiar
Município
Excelente
Bom
Bela Vista
75%
25%
Três Barras
40%
45%
Major Vieira
59%
33%
Canoinhas
91%
9%
Fonte: Theodorovitz M, (2011).
Acredita-se que quando se fala em
agroindústria,
os gestores devem
trabalhar unissonamente, pois quando se trata de uma empresa que visa somente à
49
lucratividade os processos e as ferramnetas de gestão devem ser aliado, na
agroindústria que é de uso comum destes associados. Pois, no cotidiano dos
pequenos negócios, as aproximações entre indivíduos sempre existiram, fazendo
com que os arranjos locais fossem amplamente estruturados visando o
desenvolvimento tanto comunitário como individual.
A cooperação e articulação é base deste processo que visa a melhoria da
qualidade de vida dos agricultores envolvidos na agroindústria.
Neste ínterim, a falta de incentivos, seja da comunidade local ou do poder
público em relação a estes empreendedores. As iniciativas locais ficam estagnadas
onde, teoria dos programas são feitas, mas as ações nem saem do papel, gerando
uma descredibilidade das ações governamentais sejam elas locais, estaduais ou
federais.
Deste pressuposto foi perguntado se os agricultores são organizados e se
isso facilita a colocação da produção e as repostas estão na tabela 2:
Tabela 2: Organização dos agricultores e a produção para uma agroindústria
Município
Concordo totalmente
Concordo parcialmente
Bela Vista
92%
8
Três Barras
20%
80
Major Vieira
59%
33
Canoinhas
5%
95
Fonte: Theodorovitz M, (2011).
Percebe-se na distribuição dos dados na tabela 2, que os agricultores dos
municípios possuem visão diferenciadas, em Bela Vista do Toldo 92% concorda
totalmente com a questão, já Canoinhas apenas 5% disseram concordar totalmente.
Os entrevistados sabem que a organização é importante para atingir seus
objetivos e alavancarem com a agroindústria, mas ainda existem lacunas que
precisam ser analisadas.
Tal assertiva é evidenciada pelos arranjos locais e um exemplo é a
implementação da agroindústria de Bela Vista do Toldo, onde a organização é parte
fundamental no processo, pois a dinâmica entre as partes interagem suprindo as
necessidades. A união entre municípios podem fazer um mosaico regional
50
competitivo onde os novos insumos podem ser bem explorados, e as técnicas de
trabalho sejam mais rapidamente empreendidas, isso advém da capacidade do ser
humano de empreender e se unir em sociedade.
Estas sinergias humanas serviram e ainda servem
para impulsionar e
desenvolver os pequenos empreendimentos nas agroindústrias como é o caso da
pesquisa em questão.
Tabela 3: Mudanças e tendências que a inovação tecnológica propõe
Município
Concordo totalmente
Concordo parcialmente
Bela Vista
92%
8
Três Barras
100%
0
Major Vieira
33%
67
Canoinhas
95%
5
Fonte: Theodorovitz M, (2011).
Pelos percentuais dos resultados nesta questão observa-se que os
agricultores estão atentos ás mudanças seja de tecnologia, aperfeiçoamento,
inovação que são ferramentas essenciais para um administrador.
Falar em mudanças, tendências e inovação é trabalhar e se agrupam ao redor
de uma aplicação, mercado, desenho, processo ou produto particular. Isso costuma
indicar uma oportunidade para as inovações ou mudanças fundamentais.
Portanto, somente pelo processo de conscientização e de políticas eficazes a
agricultura familiar é que se conseguirá quebrar estes paradigmas ainda
observados na gestão familiar do meio rural. Estes processos serão árduos, pois se
adentra a velhas atitudes, comportamentos advindos de cultura arraigada, e mudálas somente pela tomada de consciência. Assim, quanto, mais ferramentas
administrativas
os agricultores utilizarem, suas oportunidades deverão crescer
significativamente, portanto foi perguntado se os movimentos financeiros eram
realizados separados da vida pessoal e da empresa.
51
Tabela 4: Movimentos financeiros da sua empresa rural
Município
Concordo
Concordo
Discordo
Não
totalmente
parcialmente
Bela Vista
16%
67%
17%
Três Barras
50%
30%
-
20%
Major Vieira
8%
50%
25%
17%
Canoinhas
95
5
-
-
responderam
Fonte: Theodorovitz M, (2011).
Quando se fala movimento financeiro às pessoas ficam sempre com dúvidas,
intrigadas, causando um impasse nos processos organizacionais. Portanto, recorrese aos aportes de alguns autores da área para esclarecer o questionamento.
Partindo-se do princípio que todos os indivíduos nascem predestinados à
administrar financeiramente suas vidas e este gerenciamento da forma coerente,
ética e responsável, pode ser entendido como uma arte onde poucos atingem a
perfeição.
Tabela 5: A Agricultura Familiar integração do núcleo familiar
Município
Concordo
Concordo parcialmente
totalmente
Não
responderam
Bela Vista
83
17
-
Três Barras
65
20
15
Major Vieira
67
33
-
Canoinhas
5
95
-
Fonte: Theodorovitz M, (2011).
Os resultados obtidos com os agricultores entrevistados nos municípios, se
percebe que ainda não estão claros os objetivos da agricultura familiar na
agroindústria do município de Bela Vista.
52
Tabela 6: Planejamento da propriedade
Município
Concordo
Concordo parcialmente
totalmente
Não
responderam
Bela Vista
92
8
Três Barras
60
25
15
Major Vieira
67
17
16
Canoinhas
9
91
-
Fonte: Theodorovitz M, (2011).
Quanto a questão de planejamento da propriedade percebem a importância
conforme demonstra os resultados acima, mas, ainda existe algumas lacunas que
devem ser sanadas para que a gestão alcance seus objetivos.
Conquanto,
perguntou-se se os agricultores utilizam em suas atividades e os resultados foram
explanados na tabela abaixo.
Tabela 7: Planejamento das atividades na propriedade
Município
Faço ano
De vez em
Nunca faço
todo
quando
Bela Vista
50
42
8
Três Barras
45
35
-
Major Vieira
92
-
8
Canoinhas
5
95
-
Não
responderam
20
-
Fonte: Theodorovitz M, (2011).
Conforme se verifica no gráfico acima o planejamento nas propriedades rurais
no município de major Vieira foi o que se destacou com 92% dos entrevistados que
responderam utilizar esta ferramenta. Em Canoinhas somente 5% dos entrevistados
disseram utilizar.
A partir disso, o planejamento estratégico ocorre com o objetivo de obter um
direcionamento das metas almejadas em relação ao seu ambiente de atuação, e tem
em seu bojo melhorar os resultados, até alcançar a sustentabilidade.
53
Tabela 8: Arquivamento de documentos
Município
Concordo
Concordo
Não
totalmente
parcialmente
responderam
Bela Vista
100
-
-
Três Barras
80
5
15
Major Vieira
100
-
Canoinhas
95
5
-
Fonte: Theodorovitz M, (2011).
Na tabela 8 ampliou-se o entendimento de gestão, perguntando sobre o
arquivamento de guias, notas, tickets, obteve-se um percentual equilibrado entre os
resultados das entrevistas.
Tabela 9: Registrar o funcionário
Município
Concordo
Concordo
Não
totalmente
parcialmente
responderam
Bela Vista
75
17
8
Três Barras
60
-
40
Major Vieira
92
8
-
Canoinhas
95
5
-
Fonte: Theodorovitz M, (2011).
Também pelos dados da tabela 9, verifica-se que os produtores preocupamse com o registro de funcionários deixando a empresa em dia com suas obrigações
trabalhistas. Podem causar despesas adicionais, porém ele fica sobre proteção caso
aconteça acidente.
54
Tabela 10: Gestão no meio rural
Município
Concordo
Concordo
Não
totalmente
parcialmente
Bela Vista
75
25
Três Barras
75
-
5
20
Major Vieira
33
33
17
17
Canoinhas
95
5
Discordo
responderam
-
-
Fonte: Theodorovitz M, (2011).
Já na tabela 10 somente o município de Major Vieira possui visão
diferenciada para os modelos de empresa rural quanto aos preceitos administrativos
do que a urbana. Os demais municípios entenderam que se deve seguir o mesmo
padrão.
As ferramentas administrativas podem ajudar a gestão da agroindústria,
porém, não se deve esquecer as peculiaridades
no meio rural, a utilização de
máquinas e equipamentos e escalas menores, procedência própria da matéria-prima
em sua maior parte, ou de vizinhos, processos artesanais próprios, assim como
predominância da mão-de-obra familiar, são aspectos que não devem ser
esquecidos na gestão rural.
Tabela 11: A associação e o empreendedor
Município
Concordo
Concordo
Não responderam
totalmente
parcialmente
Bela Vista
75
25
-
Três Barras
65
5
30
Major Vieira
92
8
17
Canoinhas
95
5
-
Fonte: Theodorovitz M, (2011).
Foi perguntado na tabela 11 sobre gerenciamento administrativo e as
respostas foram significativas.
55
Tabela 12:: As políticas públicas e desenvolvimento da agricultura familiar
Município
Concordo
Concordo
Não responderam
totalmente
parcialmente
Bela Vista
34
58
8
Três Barras
35
50
15
Major Vieira
75
9
16
Canoinhas
-
9
91
Fonte: Theodorovitz M, (2011).
(2011)
influ ncias externas e internas e uma
Pelos preceitos organizacionais existem influências
delas são as políticas públicas, então foi perguntado se as políticas públicas ajudam
a agricultura familiar e os resultados da pesquisa de campo com relação a questão
foi surpreendente.
Pelo que se percebe na pesquisa, existe
ste uma lacuna
situações da agroindústria
reais
de Bela Vista do Toldo. Mas não basta apenas unir
pessoas, mas sim oferecer condições de capacitação e conscientização sobre
assuntos
pertinentes
que
envolvam
os
agricultores
e
sua
produtividade
produtividade.
Indiferentemente
emente se ela reside no meio urbano ou rural, mas as ferramentas devem
ser as mesmas. Sabe-se
se das peculiaridades do meio rural, neste sentido como
aporte tem-se
se as políticas públicas voltadas a este meio que podem contribuir
significativamente para alavancar
alavanc o setor.
Em relação às políticas públicas adentram-se a um critério mais especifico
que foi o PRONAF e perguntou-se;
perguntou
Gráfico1: capacidade da agricultura familiar em absorver mão de obra visando
combater parte dos problemas sociais e urbanos provocados pelos desemprego
rural
9%
concordo parcialmente
91%
Fonte: Theodorovitz M, (2011).
discordo
56
Pelo exposto do gráfico 1,
1 a criação do PRONAF transform
ransformou-se em opção
privilegiada para combater parte
e dos problemas sociais urbanos provocados pelo
desemprego rural,, assim, os entrevistados
istados concordam parcialmente que o PRONAF,
como política pública pode combater os problemas sociais urbanos.
urbanos
Existem linhas especiais que o PRONAF poderá respaldar aos agricultores
familiares sendo: o PRONAF Crédito – a lógica econômica individual ou ainda o
PRONAF - Infraestrutura/Serviços
strutura/Serviços Municipais e Capacitação.
Capacitação
Apesar da importância
impor
da capacitação, o Governo reconhece
econhece que esta linha
de ação do PRONAF não está institucionalmente bem organizada. Ainda que esta
linha de ação tenha sido implantada e tenha se expandido, o que se observa é que
não houve inovação organizacional na extensão rural em moldes mais ambiciosos.
ambicio
5.2 GESTORES
Foi perguntado aos 04 gestores dos municípios quanto à importância da
agroindústria e todos foram unânimes em dizer que é importante para o
desenvolvimento local e regional.
Gráfico 2: Identificação da importância da Agroindústria
25%
excelente
75%
bom
Fonte: Theodorovitz M, (2011).
Perguntado como o entrevistado identifica a importância da agroindústria
voltada a agricultura familiar, 75% responderam excelente e 25% bom. Reforça-se
Reforça
que, somente
por ações concretas como a agroindústria
agroindústria é que os agricultores
57
poderão obter alternativas viáveis para incrementar sua renda,
renda elevando a
autoestima,, e a permanência do homem na área rural.
rural
Gráfico 3: O êxodo rural, foi apenas uma das graves conseqüências do processo de
transformação da agricultura
25%
concordo totalmente
75%
concordo parcialmente
Fonte: Theodorovitz M, (2011).
Em análise do apresentado pelo
gráfico 3, os gestores
concordam
totalmente sobre a temática do êxodo rural, que levou a um crescente assalariamento
da força de trabalho agrícola,
agrícola e como consequência
ência do processo de transformação da
agricultura.
Gráfico 4: A diversificação da propriedade surge como motivação tornando-os
empreendedores do meio rural
25%
concordo totalmente
75%
concordo parcialmente
Fonte: Theodorovitz M, (2011).
O gráfico acima demonstra que 75% concorda totalmente e 25%
parcialmente, sobre a questão abordada. Porém, enfatiza-se
se que a agroindústria
58
familiar rural é uma forma de organização em que a família rural produz, processa
e/ou transforma parte de sua produção agrícola e/ou pecuária, visando, sobretudo, a
produção de valor de troca que se realiza na comercialização. Enquanto isso, a
atividade de processamento de alimentos e matérias primas visa
visa prioritariamente a
produção de valor de uso que se realiza no auto consumo.
Gráfico 5: A participação dos agricultores familiares no processo decisório e na
operacionalização das políticas públicas
concordo totalmente
1
100%
Fonte: Theodorovitz M, (2011).
Conforme demonstram
demonstra os dados do gráfico 5, os 4 gestores concordam
totalmente que a participação de todos
abre novas perspectivas para o
desenvolvimento local uma vez que permitem que se tornem conhecidas as
demandas dos agricultores familiares.
Conforme reforça Putman (1999) na fundamentação teórica as forças
organizadas conformam o capital social daquela comunidade, que configura-se
então com a capacidade de organização da mesma e envolve, inclusive, o conjunto
de normas e sistemas que se organizam
organi
para facilitar as ações
ções coordenadas.
59
Gráfico 6: Gestores
estores municipais e os Conselhos Municipais de Desenvolvimento
Desenvol
Rural Sustentável
25%
50%
conhecem amplamente
conhecem parcialmente
25%
conhecem muito pouco
Fonte: Theodorovitz M, (2011).
(2011)
Conforme demonstra o gráfico 6 a estimativas de 50% que conhecem
amplamente s CMDRs, deixam
deixa a desejar, pois ao assumir uma tarefa que conduza a
políticas municipais para a agricultura familiar. Subentende-se
Subentende se que as pessoas que
assumem estes cargos, que são de suma importância para o desenvolvimento
d
da
agricultura familiar deveriam conhecer todo o processo deste conselho. As diretrizes,
metas, objetivos e principalmente ser consciente do papel que representa uma
CMDR para a eficácia de políticas rurais e no desenvolvimento local e regional.
regio
Sabe-se que
o PRONAF têm esta perspectiva de descentralização e
especialmente a linha de Infra-Estrutura/Serviços
Infra Estrutura/Serviços Municipais foca a sua ação a partir
da formação dos Conselhos Municipais de Desenvolvimento Rural e Sustentável
(CMDRS), conferindo uma maior autonomia das
das políticas públicas com relação ao
aparato burocrático do Estado.
Programas governamentais de desenvolvimento rural tem sido alvo de críticas
por não terem sido capazes de promover mudanças positivas no quadro
socioeconômico.
60
6 RESULTADOS E DISCUSSÃO
A agricultura familiar vem sendo focada e fortalecida para diversificar seus
produtos, com a preocupação da qualidade de vida e tem procurado ajustar-se ao
mercado consumidor. As propriedades foram aos poucos, pelos diagnósticos técnicos,
identificados sua vocação econômica, valorizando seus potenciais, para que o mosaico
deste processo tomasse forma organizada e administrativa.
Assim, os municípios pesquisados articulam-se em forma de associações como
é o caso da Agroindústria de Bela vista do Toldo, com os demais vizinhos municipais.
Todavia, este processo de gestão também ficou submetido, aos interesses do mercado
global. Neste sentido, foi preciso valorizar e identificar prioridades para que não apenas
as capacidades de um determinado município em produzir mas sim, a sua capacidade
de inserir seu produto no mercado mais amplo e globalizado.
Como bem explica Zapata (2001) ao mesmo tempo em que o nível do local
garante a flexibilização de regras para o mercado melhor atuar, também a influencia
na formação de novas molduras socioeconômicas, buscando sustentabilidade diversas
e construindo uma cidadania mais participativa.
Porém, verifica-se que a dinâmica dos municípios pesquisados em relação ao
fortalecimento da gestão, ainda encontra-se com lacunas que precisam ser sanadas
para que o desenvolvimento local e regional ocorra. Mesmo em pequenos municípios,
não se pode esquecer-se do contexto global, seja do ponto de vista das oportunidades
seja da abordagem competitiva.
Tudo deve ser considerado na busca de melhores padrões de desenvolvimento,
portanto as iniciativas locais, devem primar por políticas maiores, pois estas sim,
podem potencializar recursos e esforços locais fazendo acontecer o desenvolvimento
almejado. Isso somente ocorrerá com políticas locais, em que é mais fácil para o
agricultor conquistar esforços do legislativo e do administrativo com políticas
concernentes ao setor.
Conquanto, essa aproximação advém das transformações democráticas em
nome da
transparência. Necessitava-se de uma definição de novos princípios
pautados no campo administrativo para que a administração pública passe a ser
vista com credibilidade, inclusive pelos agricultores que sempre foram uma categoria
produtiva de segundo plano, haja vista, que as políticas para a agricultura familiar
61
foram implantadas pelo governo Federal em 1995 pela Resolução CMN/BACEN nº.
2.191 de 24/08/95 com a finalidade de conceder crédito de custeio e investimento na
atividade produtiva familiar. Isso significa que se está ainda dando os primeiros
passos junto a efetividade de programa do PRONAF.
Portanto, o que deixa claro no estudo em questão, é que em um país que
possui aproximadamente 4,5 milhões de estabelecimentos da agricultura familiar,
dos quais 50% estão no Nordeste. O segmento detém 20% das terras e responde
por 30% da produção global. Em alguns produtos básicos da dieta dos brasileiros,
os agricultores familiares são responsáveis por aproximadamente 40% do valor
bruto da produção agropecuária, 80% das ocupações produtivas agropecuárias e
parcela significativa dos alimentos que chegam à mesa dos brasileiros, como o feijão
(70%); a mandioca (84%); a carne de suínos (58%); de leite (54%); de milho (49%);
e de aves e ovos (40%) (SANTOS, 2010).
Para Schneider (2003) o surgimento do Pronaf, passou a reforçar a defesa
de propostas que vislumbrassem o compromisso cada vez mais sólido do Estado
com uma categoria social considerada específica e que necessitava de políticas
públicas diferenciadas (juros menores, apoio institucional).
Como é fácil implementar políticas e fazer perpspectivas para colocar
números representativos do setor de agroindustria. Na realidade, o que se percebe
são ações embrionárias por parte municipais como capacitação, pequenos projetos,
em fim, uma falta de politicas com eficácia, sem
verificar a real necessidade
daquelas pessoas que vivem no campo, o que falta são ações concretas que sejam
voltadas as reais condições de cada localidade e de cada produtor.
Isso
se comprova pelos dados coletados no gráfico 1, em que 91% dos
entrevistados disseram discordar que a criação do PRONAF, foi para o
reconhecimento da capacidade da agricultura familiar em absorver mão de obra,
transformando-se em opção privilegiada para combater parte dos problemas sociais
urbanos provocados pelo desemprego rural.
Os agricultores entendem a abrangência do PRONAF, mas as políticas
públicas muitas vezes são insuficientes, pela falta de conhecimento dos gestores
sobre a verdadeira essência das CMDRs. Os conselhos, são o elo que poderia
garantir a eficácia dos trabalhos pela divulgação e conscientização dos processos
decisórios para a agricultura familiar em nível federal, estadual e municipal. Mas,
parece que nossos gestores estão extasiados e não repassam, nem garantem a
62
aplicabilidade dos projetos, por falta conhecimento da essência dos conselhos. A
metade dos gestores municipais responsaveis pela gestão da agroindustria
desconhessem as diretrizes que norteiam ações para o desenvolvimento rural. Isto
foi mostrado pelos dados coletados pelo gráfico 6, no qual 50% dos entrevistados
disseram conhecesserem parcialmente ou desconhessem os Conselhos Municipais
de Desenvolvimento Rural, as quais são ferramentas importante nos processo
decisórios em relação ás políticas e o fomento rural.
Além de conhecer as metas e diretrizes que norteiam o desenvolvimento rural
precisa-se oferecer alternativas viável. Somente assim se poderá minimizar o êxodo
rural. Isso foi perguntado aos agricultores entrevistados, e este êxodo leva as graves
consequências do processo de transformação da agricultura e 75% concordam com
esta perspectiva.
Diz Schneider (2003) que conter o êxodo depende de elementos que podem
ser essencial na produtividade para a agricultura familiar sendo elas: formas de
trabalho, os obstáculos oferecidos pela natureza e ainda as relações dos
agricultores com o ambiente social e econômico.
Ao se argumentar sobre elementos de gestão para agroindústria, não se pode
deixar de citar as culturas locais arraigadas das comunidades, que não devem ser
deixadas em segundo plano. Para aplicação de gestão da agroindústria deve-se
identificar a cultura, a qual deve ser avaliada e compreendida pelos gestores a fim
de facilitar o processo administrativo.
Para tanto Normann (1996, p.188) diz que:
Todas as organizações, e por definição todos os sistemas sociais, possuem
uma cultura. Cultura é o conjunto de crenças, normas e valores que forma a
base do comportamento cooperativo humano e torna suas ações, de
alguma maneira, previsíveis e dirigidas para um conjunto de propostas
comumente aceitas ou a manutenção de alguma situação já consagrada
publicamente. A difusão e uniformidade de cultura podem variar, mas ela
sempre existe, quer queiramos ou não.
Reforçam Dallabrida e Fernández (2008, p.70) que frear o descaso com o
meio rural dependerá das normas existentes, dos links que se criam entre o Estado
e a sociedade e do ambiente doméstico institucional específico de cada realidade
territorial.
63
Portanto, a cultura na organização é o ponto para a construção de uma base
sólida de comprometimento de cada pessoa. Sabe-se que cada comunidade possui
seus “costumes” e modificá-los é um desafio.
Conquanto, para que tudo alcance os objetivos, o planejamento da
propriedade é ferramenta essencial, e perguntado aos entrevistados se eles fazem
planejamento, as respostas foram: 92% (Major Vieira) disseram fazer o ano todo,
(Canoinhas) 95% de vez em quando, (Três Barras) 45% fazem o ano todo e 45% de
vez em quando e (Bela Vista do Toldo) 50% disseram fazer o ano todo e 42% de vez
em quando.
Sabe-se que passos importantes foram dados visando a melhoria da
qualidade dos agricultores familiares como as agroindústrias, na qual a organização
e a criação de alternativas podem oferecer a equilibração das metas, porém, um
processo de conscientização urge, no qual dever-se-ia unir poder público e iniciativa
privada,
pois
muitos
empreendedores
urbanos
poderiam
ser
parceiros,
demonstrando que as ferramentas administrativas inseridas neste processo são
eficazes e os parâmetros são e não superficiais.
Isso foi perguntado aos agricultores e obteve-se um percentual de 75% que
concordaram totalmente, com a quebra de paradigma em favor da agroindústria na
contribuição da auto-estima para se tornarem novos empreendedores rurais.
A mudança de paradigma pela parceria urbana e rural é explicada por
Schneider (2003) o qual fala que sem desconhecer que a agricultura ocupa um lugar
de destaque no espaço rural, cuja importância varia segundo as regiões e os
ecossistemas naturais, não se pode imaginar que ela própria não tenha sido
modificada no período recente.
Em contextos internacionais, a dinâmica da agricultura no espaço rural vem
sendo condicionada e determinada por outras atividades, passando a ser cada vez
mais percebida como uma das dimensões estabelecidas entre a sociedade e o
espaço ou entre o homem e a natureza (SCHNEIDER, 2003).
Sem olvidar, que muitas iniciativas deram certo é necessário contribuir para
que as mudanças oriundas destes processos sirvam hodiernamente como alicerces
para gerir a diversificação das propriedades, pautadas pelos incentivos financeiros
que são bases dos agricultores. Com isso demonstra que o setor público encontrase em ajustes e mudanças significativas, ainda longes de ser as ideais, mas, que
oferecem ao seu modo um aprendizado as problemática vivenciadas pelas
64
agricultura familiar. Assim, o incentivo as agroindústrias pode ser uma iniciativa
apropriada que motive a permanência destas pessoas em seu espaço rural, advindo
de heranças familiares e que pela configuração do cenário familiar foram
fragmentadas e transformaram-se em pequenas propriedades, que passaram da
monocultura, para as alternativas para sobrevivência familiar.
Falar em monocultura é citar Serra (2003, p.237) que diz que ao longo do
período de formação das monoculturas e do criatório extensivo, vai surgindo nos
domínios da grande lavoura, nos engenhos e nas fazendas, uma agricultura de
subsistência voltada para o abastecimento alimentar da população residente.
Estes engenhos e fazendas que viviam da subsistência, mais tarde tornariamse menores ainda pela fragmentação das famílias. Muitas destas familias ficaram
residindo no campo outras buscaram novos destinos, mas era necessário a
diversificação e procura de altenativa que incrementasse a renda familiar nascendo
assim as opções como a agroindústria.
Aos poucos apresenta-se oportunidades. As redes começaram a estrutura-se
na busca pela produção e pelo capital social, e com informações incrementadas pela
tecnologia o campo configurou-se como uma rede organizada. Este seria o desafio
para a organização e gestão. Os agricultores pesquisados entendem importância
deste processo tanto que ao ser perguntado sobre o assunto aos pesquisados
destacou-se: com 91% do municipio de Canoinhas, conforme demonstra a tabela 1,
e 75% (Bela Vista do Toldo), 59% (Major Vieira) e ainda 40% (Três Barra)s.
Portanto, os agricultores sabem da importância da gestão na agroindustria,
porém, será preciso organizar-se para suprir as demandas e ainda a colocação dos
produtos oferecidos da agroindústria. Neste sentido, também obteve-se percentuais
relevantes que deram norte ao assunto pesquisado 95% (Canoinhas), 92% (Bela
Vista do Toldo), e 59% (Major Vieira), porém (Três Barras) concordam parcialmente
80% com esta questão.
Não basta apenas colocação dos produtos se não se prestar atenção ao que
o mecado exige, seja novos produtos, tecnologia, é preciso estar atento ao mercado
e ajustar-se em nome da competitividade. Assim os pesquisados responderam em
sua maioria que concordam totalmente
100% (Três Barras), 95% (Canoinhas) e
92% (Bela Vista do Toldo), mas Major Vieira disse que concorda parcialmente com a
questão levantada.
65
A configuração na agroindústria, foi perguntado sobre a
organização dos
movimentos financeiros que sejam separados da empresa e particular
e os
percentuais ficaram em 95% concorda totalmente, Bela Vista 67% concorda
parcialmente, e o que surpreende foi o alto índice que não responderam 37% e que
não concordam ficou em 42%. Com isso verifica-se que quando se fala em questões
financeiros as pessoas ficam apreensivas e as idéias divergem.
Todas as interfaces do planejamento da gestão para a eficácia do trabalho
foram argumentadas como: contabilidade, recursos humanos, planilhas, enfim a
organização para verificação do andamento das atividades e os resultados foram:
Bela Vista do Toldo concorda totalmente com 92%, seguido de 67% Major Vieira e
60% Três Barras, mas a surpresa foi Canoinhas 9%.
Os recursos humanos na agroindústria possuem papel primordial, para tanto,
o colaborador precisa de todas as garantias que a lei trabalhista preconiza, e neste
sentido as respostas foram 95% Canoinhas, 92% Major Vieira, 75% Bela Vista do
Toldo e 60% Três Barras.
66
7 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao finalizar este estudo verifica-se pela pesquisa que as formas de gestão da
Agroindústria em Bela Vista do Toldo encontra-se ainda embrionária. Fica evidente a
necessidade de conscientização e de um trabalho com os agentes envolvidos na
agroindústria das ferramentas administrativas envolvendo os municípios que fazem
parte deste processo, onde a 26ª SDR é a fomentadora.
É importante salientar que a gestão da agroindústria da agricultura familiar
onde foi realizada a pesquisa, envolve um mosaico que é desenhado por vários
fenômenos sejam culturais, sociais, locais, porém pautados num mesmo norte que é
o desenvolvimento regional. E levará a desenhar e redesenhar as estruturas
dinâmicas e os capitais sociais envolvidos, oferecendo a estes agricultores melhores
condições e diversificação do que é produzido. Incrementando as ofertas regionais
levando num espaço vindouro
almejando a sustentabilidade econômica das
agroindústrias.
Conquanto, as realidades encontradas ainda estão distantes das realidades
acima explicitas, não por falta de união, percepção, responsabilidades, mas por falta
de uma política pública que lhes dê o aporte necessário sobre a gestão da
agroindústria, onde aos poucos as necessidades serão supridas. Uma das políticas
públicas mais utilizada pelos entrevistados é o PRONAF, porém,
senão for
conscientizado e explicado as formas de gestão, o que teremos são ainda mais
famílias de agricultores com problemas financeiros, falidos, e que com risco de
ficarem sem suas terras, pois suas pequenas propriedades ficam alienadas ao
financiamento.
Observa-se que se fala em políticas públicas, mas as ações para o setor
ainda são pequenas em relação ao objeto deste estudo, precisando com urgência a
conscientização dos envolvidos neste processo, pois o papel que poderá a
Agroindústria de Bela Vista desenvolve a nível regional é imensurável.
Assim, a problematização desta pesquisa coloca em foco a utilização com
eficácia das ferramentas de gestão, objetivando desenvolver capitais sociais e
econômicos, que, por conseguinte darão respaldos ao desenvolvido social,
modificando a realidade encontrada da agricultura familiar regional.
67
Respondendo a problemática levantada afirma-se que diante a realidade
constatada somente com trabalho árduo de parcerias, e um processo de trabalho
contínuo à médio e longo prazo conseguir-se-á quebrar estes paradigmas de gestão
e política pública, que sejam capazes de gerir mudanças significativas
ao
desenvolvimento local e regional.
Pois, as ações das políticas públicas visam sanar as dificuldades de um
segmento específico, e para que suas diretrizes sejam eficientes, necessita-se de
responsabilidade, planejamento sem que neste percurso sejam esquecidas certas
premissas em detrimento de outras.
Deve-se trabalhar o conjunto de gestão de forma holística em que a eficácia
seja a transformação e concretização das metas. Finalmente o resultado de
pesquisa abre a possibilidade para novas investigações sejam na área
administrativa ou nas configurações locais e culturais, bem como a conscientização
das pessoas que trabalham junto a agroindústria.
68
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Fortaleza, CE. Anais... Fortaleza, CE: SOBER, 2006
SCOTT, J. Formas cotidianas de resistência camponesa. Raízes, Campina Grande,
PB, v. 21, n. 1, p. 10-31, jan./jun. 2002.
SERRA, C.A.T.Considerações acerca da evolução da propriedade da terra rural no
Brasil. 2003, v.4 - n.7 - p. 231 a 248 - jul./dez. 2003 http://publique.rdc.pucrio.br/revistaalceu/media/alceu-n7-Serra.pdf.
SILVA, J. G. da. Tecnologia e Agricultura Familiar. 2 ed. Porto Alegre: UFRGS, 2003.
SHIROTA, R. ; ROCHA. M. Cana-de-açúcar: interdependência entre questões
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SOUZA, M. J. L. de. Como pode o turismo contribuir para o desenvolvimento local?
In: RODRIGUES, A. B. Turismo e desenvolvimento local. 2. ed. São Paulo:
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VEIGA, J.E; ABRAMOVAY, R.; EHLERS, E. Em direção a uma agricultura mais
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Paulo: Edusp/Imesp, 2005. pp. 305-333
VEIGA, J.E.; ZATZ, L. Desenvolvimento sustentável, que bicho é esse? Campinas:
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VEIGA, J. E. da. Empreendedorismo rural – uma primeira aproximação. 2003
USP/FEA – Depto. Economia. Disponível em WWW.econ.fea.usp.br Do global ao
local/ José Eli da Veiga – Campinas. SP: Armazém do Ipê ( Autores Associados),
2004.
72
APENDICE 01:
QUESTIONÁRIO COM PRODUTORES RURAIS
73
QUESTIONÁRIO DE PESQUISA : PRODUTORES RURAIS
DISSERTAÇÃO MESTRADO
Nº da entrevista
MESTRANDO: MARLON MERCHIOR THEODOROVITZ
Identificação
do produtor
Nome do PRODUTOR
Nome do Responsável
Número membros da
familiar
Qual associação
pertence
Ramo de atividade na
propriedade
Comunidade
Município
Gênero
(
) masculino
(
) feminino
Idade:
(
(
(
(
(
) até 30 anos
) 31 a 40 anos
) 41 a 50 anos
) 51 a 60 anos
) acima de 60
Escolarização:
(
(
(
(
) Ensino primário
) Ensino Fundamental
) Segundo Grau
) Graduação
DESENVOLVMENTO DO PROJETO AGROINDUSTRIAL DA AGRICULTURA
FAMILIAR
Perguntas
1-Como você identifica a importância
agroindústria voltada à agricultura familiar.
Respostas
da ( ) Excelente.
( ) Bom.
( ) Regular.
( ) Ruim.
( ) Não sei responder
2- É através das oportunidades que o agronegócio ( ) Contribuirá amplamente.
proporciona que ocasionará desenvolvimento e ( ) Contribuirá parcialmente.
sustentabilidade para sua localidade?
( ) Contribuirá muito pouco.
( )Não contribuirá de forma
alguma.
( ) Não sei informar.
3- Quando consegue-se organizar-se com os ( ) Concordo totalmente
demais agricultores consegue-se com mais ( ) Concordo parcialmente
74
facilidade a colocação da produção para uma (
agroindústria.
(
(
4-Para o agricultor prosperar em seu negócio ele (
precisa estar atento as mudanças e tendências (
que a inovação tecnológica propõe, atento que a (
tecnologia vem para melhorar a vida das pessoas. (
(
5-O agricultor deve organizar seus movimentos (
financeiros separados dos da sua empresa rural.
(
(
(
(
6- Ser empreendedor rural significa que a pessoa (
é realizadora das atividades do meio rural na (
propriedade em busca se novas oportunidades de (
forma a ser sustentável.
(
(
7-Ser empresário rural significa que ele é dono de (
um negócio do meio rural.
(
(
(
(
8-A Agricultura Familiar visa à integração do (
núcleo familiar e a fixação do homem no meio (
rural.
(
(
(
9-O Agronegócio trará divisas e alternativas de (
produção agrícola.
(
(
(
(
10-A convivência entre pequenos, médios e (
grandes
empreendedores,
sugere
o (
desenvolvimento
de
uma
rede
produtiva (
interdependente.
(
(
) Sem opinião
) Discordo
) Discordo totalmente
) Concordo totalmente
) Concordo parcialmente
) Sem opinião
) Discordo
) Discordo totalmente
) Concordo totalmente
) Concordo parcialmente
) Sem opinião
) Discordo
) Discordo totalmente
) Concordo totalmente
) Concordo parcialmente
) Sem opinião
) Discordo
) Discordo totalmente
) Concordo totalmente
) Concordo parcialmente
) Sem opinião
) Discordo
) Discordo totalmente
) Concordo totalmente
) Concordo parcialmente
) Sem opinião
) Discordo
) Discordo totalmente
) Concordo totalmente
) Concordo parcialmente
) Sem opinião
) Discordo
) Discordo totalmente
) Concordo totalmente
) Concordo parcialmente
) Sem opinião
) Discordo
) Discordo totalmente
11- Qual o seu interesse em associar-se na agroindústria?
Resposta:____________________________________________________________
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
___________________________________________________________________
PERCEPÇÃO SOBRE A FORMA ORGANIZACIONAL DA GESTÃO
75
Perguntas
1-Planejamento da propriedade visa saber
de
custos,
contabilidade,
recursos
humanos, planilhas, são formas de
organização e contribuem para melhor
andamento da empresa rural.
2-Você
planeja
as
atividades
na
propriedade.
3-Documentos tipo notas, guias, tickets de
pesagens e outros devem ser arquivadas e
guardadas.
4-Registrar um funcionário causa despesas
adicionais, porém ele fica sobre proteção
caso aconteça acidente.
5-Toda
a
atividade
econômica
da
agroindústria devem ser planejadas e
traçadas metas a curto, médio e longo
prazo.
6- A Gestão para o homem o meio rural
deve seguir os modelos de uma empresa
urbana que precisa manter-se competitiva?
7-O objetivo de consolidar o agronegócio
nos municípios da 26º SDR, desenvolvendo,
equipando e organizando um agronegócio
para agricultores familiares, o controle e
abrir novos mercados é função do gestor.
8--Esta associação deve ser conduzida por
pessoas empreendedoras e com visão
administrativa focadas em gerenciamento
administrativo.
9- É preciso melhorar os laços de confiança
entre as pessoas, de compromissos, de
vínculos de reciprocidade capazes de
estimular os contatos sociais e as suas
iniciativas.
10-A lucratividade desta organização deve
retornar aos associados como forma de
Respostas
( ) Contribuiu amplamente.
( ) Contribuiu parcialmente.
( ) Contribuiu muito pouco.
( ) Não contribuiu de forma alguma.
( ) Não sei informar.
( ) Faço planejamento todo ano
( ) Faço planejamento de vez em
enquanto
( ) Nunca Faço planejamento
( ) Só pensei em fazer
( ) Não sei responder
( ) Concordo totalmente
( ) Concordo parcialmente
( ) Sem opinião
( ) Discordo
( ) Discordo totalmente
( ) Concordo totalmente
( ) Concordo parcialmente
( ) Sem opinião
( ) Discordo
( ) Discordo totalmente
( ) Concordo totalmente
( ) Concordo parcialmente
( ) Sem opinião
( ) Discordo
( ) Discordo totalmente
( ) Concordo totalmente
( ) Concordo parcialmente
( ) Sem opinião
( ) Discordo
( ) Discordo totalmente
( ) Concordo totalmente
( ) Concordo parcialmente
( ) Sem opinião
( ) Discordo
( ) Discordo totalmente
( ) Concordo totalmente
( ) Concordo parcialmente
( ) Sem opinião
( ) Discordo
( ) Discordo totalmente
( ) Concordo totalmente
( ) Concordo parcialmente
( ) Sem opinião
( ) Discordo
( ) Discordo totalmente
( ) Concordo totalmente
( ) Concordo parcialmente
76
melhorias, treinamentos e outros atributos ( ) Sem opinião
que aumentem a satisfação de estarem ( ) Discordo
juntos neste empreendimento.
( ) Discordo totalmente
11- A quem você recorre quando esta com alguma dificuldade em tomar decisões
sobre seus negócios da propriedade? Justifique o motivo.
( ) esposa ( ) esposo ( ) filhos (
) prefeitura ( ) outros
Resposta:____________________________________________________________
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
POLITICAS PÚBLICAS E DESENVOLVIMENTO DA AGRICULTURA FAMILIAR
77
Perguntas
Respostas
1-As políticas públicas ajudam ao desenvolvimento (
da agricultura familiar?
(
(
(
(
)
)
)
)
)
Concordo totalmente
Concordo parcialmente
Sem opinião
Discorda
Discorda totalmente
2- As prefeituras estão ajudando o desenvolvimento (
da agricultura familiar?
(
(
(
(
3-A instalação do agronegócio na agricultura (
familiar na 26ª SDR proporcionará aos associados (
uma experiência impar em vivenciar novos modelos (
de diversificação dos produtos e serviços nas suas (
propriedades. Também atenuará a visão do (
associativismo como diferencial competitivo no
mercado de produtos da agroindústria.
)
)
)
)
)
)
)
)
)
)
Concordo totalmente
Concordo parcialmente
Sem opinião
Discorda
Discorda totalmente
Concorda totalmente
Concordo parcialmente
Sem opinião
Discorda
Discorda totalmente
4-A participação dos agricultores e agricultoras
familiares, juntamente com o poder público, no
processo decisório e na operacionalização das
políticas públicas, abre novas perspectivas para o
desenvolvimento local uma vez que permitem que
se tornem conhecidas as reais demandas dos
agricultores familiares e, que as soluções
delineadas sejam compatíveis com a realidade
local.
5-O desenvolvimento sustentável centra sua
atenção para a relação dos homens com a
natureza, aconselhando a utilização racionalizada
dos estoques de recursos naturais.
(
(
(
(
(
)
)
)
)
)
Concordo totalmente
Concordo parcialmente
Sem opinião
Discorda
Discorda totalmente
(
(
(
(
(
)
)
)
)
)
Concordo totalmente
Concordo parcialmente
Sem opinião
Discorda
Discorda totalmente
6-Construir capital social é construir capacidades
sociais e técnicas, aprimorar os processos de
gestão social e construir a visão de território com
base na cooperação e na confiança mútua.
(
(
(
(
(
)
)
)
)
)
Concordo totalmente
Concordo parcialmente
Sem opinião
Discorda
Discorda totalmente
7-Você considera os gestores Públicos (prefeitos,
vereadores, secretários) da sua região competentes
para realização de projetos como este da
agroindústria onde você esta incluído?
(
(
(
(
(
)
)
)
)
)
Considero totalmente
Considero parcialmente
Sem opinião
Desconsidero
Desconsidero totalmente
8-O objetivo de consolidar o agronegócio nos ( )
municípios da 26º SDR, desenvolvendo, equipando ( )
e
organizando
os
agricultores
familiares, ( )
Concordo totalmente
Concordo parcialmente
Sem opinião
78
construindo o associativismo e cooperativismo
garantirá o desenvolvimento e a sustentabilidade
dos mesmos.
9-A criação do PRONAF na esfera governamental
foi o reconhecimento da capacidade da agricultura
familiar em absorver mão-de-obra, transformandose em opção privilegiada para combater parte dos
problemas sociais urbanos provocados pelo
desemprego rural
10-Associativismo significa indivíduos organizados e
defendendo seus interesses e os da associação.
( )
( )
Discorda
Discorda totalmente
(
(
(
(
(
Concordo totalmente
Concordo parcialmente
Sem opinião
Discorda
Discorda totalmente
)
)
)
)
)
( ) Concordo totalmente
( ) Concordo parcialmente
( ) Sem opinião
( ) Discorda
( ) Discorda totalmente
11- A agricultura familiar tem ocupado lugar de destaque em decorrência da sua
abrangência histórico-social. Sabe-se que desde o início do processo de colonização
a agricultura brasileira voltou-se, predominantemente, para a monocultura e
exportação, ficando o abastecimento interno ao encargo dos pequenos produtores.
Pergunta:
Qual é o seu entendimento sobre diversificação de culturas para melhorias de
rentabilidade em sua propriedade rural?
Respostas:__________________________________________________________
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
___________________________________________________________________
QUESTIONÁRIO DE PESQUISA: GESTORES
DISSERTAÇÃO MESTRADO
Nº da entrevista
79
MESTRANDO: MARLON MERCHIOR THEODOROVITZ
IDENTIFICAÇÃO
DO
Nome do GESTOR
Cargo e função
GESTOR
Qual associação
pertence ou filiação
Tem outro ramo de
atividade
Localidade
Município
Gênero
(
) masculino
Idade:
(
(
(
(
(
) até 30 anos
) 31 a 40 anos
) 41 a 50 anos
) 51 a 60 anos
) acima de 60
(
(
(
(
(
) Ensino primário
) Ensino Fundamental
) Segundo Grau
) Graduação
) Posgraduação
Escolarização:
(
) feminino
DESENVOLVMENTO AGRICULTURA FAMILIAR
Perguntas
Respostas
1-Como você identifica a importância da agroindústria ( ) Excelente.
voltada à agricultura familiar
( ) Bom.
( ) Regular.
( ) Ruim.
( ) Não sei responder.
2-A mudança ou quebra de alguns paradigmas como
monocultura do plantio do fumo, feijão ou milho pelas
famílias envolvidas na agricultura familiar abrangidas
neste novo projeto da agroindústria, certamente
surgira uma motivação maior para se configurar uma
autoestima para que os mesmos se tornem novos
empreendedores do meio rural.
(
(
(
(
(
) Concordo totalmente
) Concordo parcialmente
) Sem opinião
) Discorda
) Discorda totalmente
3-As tradições cívicas, o capital social e práticas ( ) Concordo totalmente
colaborativas, por si só, não desencadeiam o ( ) Concordo parcialmente
progresso econômico. Elas são a base para as ( ) Sem opinião
80
regiões enfrentarem e se adaptarem aos desafios e ( ) Discorda
oportunidades da realidade presente e futura.
( ) Discorda totalmente
4-A oportuna instalação de uma agroindústria,
voltada à agricultura familiar na 26º SDR, justifica-se
esse estudo como forma de constatação pelos
benefícios que converterão em desenvolvimento
regional-local, social e econômico de forma
sustentável.
5-O fortíssimo êxodo rural de quase 30 milhões de
pessoas em apenas vinte anos (1960-1980), bem
como pelo crescente assalariamento da força de
trabalho agrícola, que deixou de residir no campo, foi
apenas uma das graves conseqüências do processo
de transformação da agricultura.
(
(
(
(
(
) Concordo totalmente
) Concordo parcialmente
) Sem opinião
) Discorda
) Discorda totalmente
(
(
(
(
(
) Concordo totalmente
) Concordo parcialmente
) Sem opinião
) Discorda
) Discorda totalmente
6-O impacto ecológico predatório que se irradiou a
todos os grandes ecossistemas do país. A tendência à
homogeneização das práticas produtivas e do meio
natural, induzida pela “Revolução Verde”, por meio da
utilização intensiva da moto mecanização, fertilizantes
inorgânicos, agrotóxicos, nativos e no empobrecimento
da diversidade genética de plantas e de animais,
equipamentos pesados de irrigação, do divórcio entre
agricultura e pecuária, e da expansão das
monoculturas, traduziu-se em brutais índices de
erosão e degradação dos solos agrícolas, no
comprometimento da qualidade e da quantidade dos
recursos hídricos, na contaminação dos alimentos, na
devastação das florestas e campos.
(
(
(
(
(
) Concordo totalmente
) Concordo parcialmente
) Sem opinião
) Discorda
) Discorda totalmente
7-A participação dos agricultores e agricultoras
familiares, juntamente com o poder público, no
processo decisório e na operacionalização das
politicas públicas, abre novas perspectivas para o
desenvolvimento local uma vez que permitem que se
tornem conhecidas as reais demandas dos
agricultores familiares e, também, que as soluções
delineadas sejam compatíveis com a realidade local.
(
(
(
(
(
) Concordo totalmente
) Concordo parcialmente
) Sem opinião
) Discorda
) Discorda totalmente
8-Desafogar os minifundistas, oferecendo-lhes a
oportunidade de se tornarem agricultores familiares
viáveis; transformar arrendatários em proprietários; e
oferecer terras a seus filhos são pontos prioritários da
perspectiva de mais sustentabilidade.
(
(
(
(
(
) Concordo totalmente
) Concordo parcialmente
) Sem opinião
) Discorda
) Discorda totalmente
9-A promoção da agricultura familiar não é ( ) Concordo totalmente
exclusivamente um objetivo de caráter social, mas ( ) Concordo parcialmente
sim um elemento estratégico de um novo modelo de ( ) Sem opinião
81
desenvolvimento econômico para o Brasil.
( ) Discorda
( ) Discorda totalmente
10-Os gestores municipais conhecem os Conselhos
Municipais de Desenvolvimento Rural Sustentável.
( ) Conhecem amplamente.
( ) Conhecem parcialmente.
( ) Conhecem muito pouco.
( ) Não conhecem de forma
alguma.
( ) Não sei informar.
11- Senhores Gestores, lideres:
O que fazer para que este projeto possa dar certo, prospere e sirva de modelo para
novos empreendimentos e também para que os produtores rurais Agricultura
Familiar tornem-se auto-suficientes de forma sustentáveis?
Respostas:
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
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Download

um estudo sobre a configuração organizacional de gestão na