1 UNIVERSIDADE DO CONTESTADO - UNC PROGRAMA DE MESTRADO EM DESENVOLVIMENTO REGIONAL MARLON MERCHIOR THEODOROVITZ UM ESTUDO SOBRE A CONFIGURAÇÃO ORGANIZACIONAL DE GESTÃO NA AGRICULTURA FAMILIAR NO AGRONEGÓCIO EM BELA VISTA DO TOLDO INSERIDO NA 26ª SECRETARIA DE DESENVOLVIMENTO REGIONAL (SDR) CANOINHAS 2011 2 MARLON MERCHIOR THEODOROVITZ UM ESTUDO SOBRE A CONFIGURAÇÃO ORGANIZACIONAL DE GESTÃO NA AGRICULTURA FAMILIAR NO AGRONEGÓCIO EM BELA VISTA DO TOLDO INSERIDO NA 26ª SECRETARIA DE DESENVOLVIMENTO REGIONAL-(SDR) Dissertação apresentada como exigência para a obtenção do Título de Mestre do Programa de Mestrado em Desenvolvimento Regional da Universidade do Contestado – UnC, sob orientação do Professor Dr. Reinaldo Knorek CANOINHAS 2011 3 Dedico este trabalho à minha esposa aos meus queridos filhos, minha família, que me entusiasmaram a crescer e aprender sempre. A família é a sementeira de amor, fé, carinho, alicerces fundamentais da vida do homem. 4 AGRADECIMENTOS Agradeço e dedico primeiramente este trabalho a Deus, pois sem ele, nada seria possível. A minha família meus pais, esposa e filhos. Ao Professor orientador Reinaldo pela desenvolvimento deste trabalho. Aos colegas de curso pela amizade conquistada. orientação prestada no 5 As emoções são a próxima fronteira a ser compreendida e conquistada. Gerenciar nossas emoções não é sedá-las ou suprimilas, mas compreendê-las de modo que possamos inteligentemente direcionar nossas energias e intenções emocionais. É hora dos seres humanos crescerem emocionalmente, amadurecer em cidadãos emocionalmente gerenciados e responsáveis. Nenhuma pílula mágica fará isso. Childre 6 RESUMO Este estudo tem como tema investigar, por meio de pesquisa de campo a configuração organizacional de gestão na agricultura familiar em Bela Vista do Toldo inserida na 26ª SDR. Pois, a agricultura familiar encontra-se configurada em um novo cenário onde as tecnologias e a mercantilização precisaram ocupar no campo seus espaços para que o mercado consiga e tronar-se competitivo. Dessa forma pela aplicação de um questionário,com agricultores distribuídos em 4 (quatro) municípios: Canoinhas, Três Barras, Bela Vista do Toldo e Major Vieira, buscou-se entender as configurações organizações voltadas para este segmento da agroindústria. Os resultados obtidos na pesquisa demonstram que a maioria dos envolvidos nos processos da agroindústria entendem o que é gestão, mas não utilizam as ferramentas administrativas para gerir em sua propriedade. Lacunas foram verificas que precisam ser sanadas até mesmo no que tange aos gestores municipais que são os principais elos entre poder público e agricultura familiar na 26ª SDR. Palavras-chave: agricultura; familiar; agroindústria; gestão. 7 ABSTRACT This study aims to investigate through field research the organizational configuration management in family agriculture-agribusiness in 26 SDR. Therefore, family farming is configured on a new scenario where technology and commercialization needed to occupy the field their spaces for the market to succeed in the competitive space. In this way through the application of a questionnaire, with the 5 municipalities: Canoinhas, Three bars, Bela Vista do Toldo, Irineópolis and major Vieira, sought to understand the settings organizations geared to this segment of agribusiness. The results of this work, demonstrate that the majority of those involved in the processes of agribusiness understand what management is, but use the administrative tools to manage nor his property. Gaps were check that need to be remedied even regarding municipal managers who are the main links between public power and agriculture family of the 26th SDR. Key words: agriculture; family; agribusiness; management. 8 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico1: capacidade da agricultura familiar em absorver mão de obra visando combater parte dos problemas sociais e urbanos provocados pelo desemprego rural ........................................................................................ 56 Gráfico 2: Identificação da importância da Agroindústria ......................................... 57 Gráfico 3: O êxodo rural, foi apenas uma das graves consequências do processo de transformação da agricultura ............................................................................ 57 Gráfico 4: A diversificação da propriedade surge como motivação tornando-os empreendedores do meio rural .................................................................... 58 Gráfico 5: A participação dos agricultores familiares no processo decisório e na operacionalização das políticas públicas ..................................................... 58 Gráfico 6: Gestores municipais e os Conselhos Municipais de Desenvolvimento Rural Sustentável ........................................................................................ 59 9 LISTA DE TABELAS Tabela 1: Agroindústria na agricultura familiar ........................................................ 48 Tabela 2: Organização dos agricultores e a produção para uma agroindústria ...... 49 Tabela 3: Mudanças e tendências que a inovação tecnológica propõe ................... 50 Tabela 4: Movimentos financeiros da sua empresa rural .......................................... 51 Tabela 5: A Agricultura Familiar integração do núcleo familiar.................................. 51 Tabela 6: Planejamento da propriedade .................................................................. 52 Tabela 7: Planejamento das atividades na propriedade............................................ 52 Tabela 8: Arquivamento de documentos .................................................................. 53 Tabela 9: Registrar o funcionário ............................................................................. 53 Tabela 10: Gestão no meio rural .............................................................................. 54 Tabela 11: A associação e o empreendedor ............................................................ 54 Tabela 12: As políticas públicas e desenvolvimento da agricultura familiar ............. 55 10 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 11 2 REFERENCIAL TEÓRICO..................................................................................... 17 2.1 AS RELAÇÕES URBANAS E RURAIS .............................................................. 17 2.2 AGRICULTURA FAMILIAR ................................................................................ 19 2.3 DESENVOLVIMENTO LOCAL E REGIONAL .................................................... 27 2.3.1 O capital social e desenvolvimento local regional ......................................... 28 2.4 AGRONEGÓCIO NA AGRICULTURA FAMILIAR ............................................... 31 2.5 EMPRESAS RURAIS .......................................................................................... 33 3 METODOLOGIA ................................................................................................... 37 3.1 TIPO DE PESQUISA ........................................................................................... 40 4 CONTEXTO DA PESQUISA .............................................................................. 42 4.1 CANOINHAS ....................................................................................................... 43 4.2 BELA VISTA DO TOLDO ................................................................................... 44 4.3 TRÊS BARRAS ................................................................................................... 45 4.4 MAJOR VIEIRA ................................................................................................... 45 4.5 IRINEÓPOLIS ..................................................................................................... 46 4.6 PORTO UNIÃO ................................................................................................ 47 5 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS ..................................................... 48 5.1 AGRICULTORES ............................................................................................... 48 5.2 GESTORES ........................................................................................................ 56 6 RESULTADOS E DISCUSSÃO ............................................................................ 60 7 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................... 66 REFERÊNCIAS ........................................................................................................ 68 APÊNDICE ................................................................................................................ 72 11 1 INTRODUÇÃO O tema de estudo sobre a agricultura familiar e a configuração organizacional da gestão da agroindústria como parte essencial para que a gestão em pequenos empreendimentos seja priorizada, da participação conjunta da comunidade e dos incentivos de políticas públicas. Assim, a um avanço significativo nas organizações representativas da agricultura familiar e em seus fóruns de discussão ampliando ainda mais este capital que é social. Diante desta introdução, pode-se dizer que há uma mesclagem e convivência entre pequenos, médios e grandes agricultores que, ao contrário de concorrem entre si, sugerem o desenvolvimento de uma complexa rede produtiva interdependente. Canoinhas e região possuem diversas pequenas famílias que vivem da produção agrícola como: hortaliças, plantas medicinais, frutas, enfim tudo que possa ser produzido dentro da pequena propriedade. Porém, para que os agricultores consigam agregar valor à sua produção, as agroindústrias têm papel fundamental, mas, um fator determinante é como gerir estes empreendimentos. Neste sentido, nasceu o interesse da temática sobre a organização da gestão na agricultura familiar, uma vez que o agronegócio é preponderante nas regiões que abrangem a 26ª Secretaria de Desenvolvimento Regional – (SDR). O agronegócio é um forte aliado no desenvolvimento tanto local como regional. Conquanto, para que ocorra o desenvolvimento local-regional é necessária uma transformação que possibilite trajetória sustentável de crescimento regional. Além disso, um avanço competitivo no contexto das regiões brasileiras configuradas como de maior intensidade da agricultura familiar. Para que haja, esta transformação, é preciso um salto de qualidade do nível da educação formal que é, ofertada também pelos poderes públicos, para um investimento na formação de profissionais da área, bem como, em laboratórios e a valorização do conhecimento, da inovação tecnológica e da indústria de base tecnológica. O modelo de desenvolvimento passa a ser estruturado a partir dos próprios atores locais, e não por meio do planejamento centralizado ou das forças puras do mercado. Ocorreu um processo de organização social ou de ação coletiva. A dinâmica do desenvolvimento local pode ser definida como um processo de 12 crescimento e mudança estrutural que pode ser verificado em três dimensões: econômica, sócio cultural, político-Institucional. A dimensão econômica, caracterizada pela otimização no uso dos recursos e fatores econômicos locais; sócio cultural, pela qual os fatores e valores sócio culturais servem de base para as transformações materiais e; a político-institucional e administrativa, a qual cria o entorno favorável para que se operem as transformações econômicas locais. O território não é composto somente por atributos naturais, mas é construído de acordo com a capacidade dos atores em estabelecer relações organizadas que beneficiam a troca de informações. Onde as conquistas conjuntas de certos mercados, assim como a pressão coletiva de bens públicos e de administrações são capazes de dinamizar a vida regional. O tema será desenvolvido nessa dissertação está delimitado ao desenvolvimento local e regional na perspectiva do desenvolvimento por meio do estudo de caso sobre a configuração organizacional da gestão na agricultura familiar voltada ao agronegócio na 26º SDR. A agricultura brasileira a partir de meados da década de 1970 passou por processos de transformação da base tecnológica e formação de complexos agroindustriais. Os efeitos sociais decorrentes desses processos são a concentração de renda rural e o aumento das desigualdades e da exclusão no campo. Os agricultores têm grande destaque pelo papel desempenhado no espaço rural brasileiro por conta da contribuição social e econômica que possibilitam gerar empregos rurais e urbanos decorrentes do incremento na produção agropecuária e posterior oferta de alimentos. Ofertas estas que levaram o Brasil ao maior produtor e o maior exportador de café, açúcar, etanol de cana-de-açúcar e suco de laranja, e ainda lidera o ranking das vendas externas de carne bovina, carne de frango e tabaco. O crédito é o motor da economia e o agronegócio vem se beneficiando com linhas específicas, a taxas de juros controlados, e com medidas emergenciais de suporte para os efeitos da crise financeira mundial (MENDONÇA e PINHEIRO, 2008). Mas, muitas pequenas famílias ficaram de fora deste contexto e das estatísticas mencionadas acima. Pois, o que era produzido não se conseguia preços justos ou ainda eram obrigados a entregar a safra para terceiros a fim de pagar dividas contraídas para fazer seu plantio. O cenário apresentado da agricultura 13 familiar é desolador, muitos poucos conseguiam diversificar suas propriedades com outras culturas, ou então acabavam vendendo suas terras e partindo para as cidades, dando início ao um êxodo rural desordenado. Por muito tempo o pequeno agricultor ficou a mercê de políticas públicas que valorizassem o homem do campo e de incentivos para fomentar a pequena propriedade. A herança familiar contrapõe-se à força da concentração fundiária e o pequeno agricultor, talvez até pela falta de melhor alternativa, continuava a saga de sua existência. Mas uma nova visão cooperativista do século XX adentra ao espaço rural e as famílias começam um novo ciclo, passaram a unir-se e mostrar a importância do homem do campo para a economia, o que fez o governo olhar para está classe. Assim, criaram-se políticas de incentivo para minimizar e restaurar esta lacuna existente com programas de incentivos para a agroindústria, e linhas específicas visando atender esta demanda. E um dos pilares é o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar - (PRONAF)- instituído pelo Governo Federal em 1996, é a principal política pública destinada a apoiar os agricultores familiares. Mas, uma variável precisava ser especificada a utilização dos recursos oriundos destes incentivos, pois o crédito rural, mal utilizado, pode aumentar a dependência dos agricultores, endividando-os, e muitos acabavam perdendo o pouco de terras que ainda possuíam. Por isso, se fala em gestão, pois saber gerir é garantir uma permanência no campo, é crescer com visão ampla do meio que o circunda, é ponderar o certo e duvidoso, é fazer metas e traçar objetivos. Ao transformar a participação individual e familiar em participação grupal e comunitária se apresenta como uma alavanca, um mecanismo que acrescenta capacidade produtiva e comercial a todos, colocando-os em melhor situação para viabilizar suas atividades. Isso foi denominado de associativismo, uma iniciativa que tem sido adotada seja pelas associações ou pelos próprios agricultores e tem sido a forma de unir os pequenos produtores para maximizar as forças da propriedade familiar. Esta forma de cooperação tem fomentado as agroindústrias no meio rural, fazendo uma forma de produção em conjunta na venda da produção de cada safra. Com está implementação das agroindústrias, os pequenos produtores, que normalmente apresentavam as mesmas dificuldades para obter um bom 14 desempenho econômico, têm na formação de associações um mecanismo que lhes garante melhor desempenho para competir no mercado. O conceito de associação de produtores rurais é: uma sociedade formal, criada com o objetivo de integrar esforços e ações dos agricultores e seus familiares em benefício da melhoria do processo produtivo e da própria comunidade a qual pertencem. Ao buscarem soluções em conjunto, evoluem para decisões mais definitivas, aperfeiçoando a parceira, inicialmente informal, para uma forma de união organizada e associativa, onde terão maiores chances de sucesso. Para tanto, a participação democrática e a ajuda mútua são os princípios fundamentais, sem os quais as associações perdem sua razão de existir, já que defendem os interesses e anseios da maioria. O que se percebe no meio rural são as relações de amizade, parentesco, lealdade, vizinhança, entre outros, contribuem para a formação da empresa rural, pois, são relações interpessoais e precisam-se mutuamente e são horizontais, sendo necessárias, mas não suficientes para consolidar alianças intersociais para que certas facilidades possam ser facultadas aos que não têm acesso. A empresa rural será mais forte à medida que ele permitir cada vez mais a ampliação do círculo de relações sociais em que vivem aqueles que participam de sua construção. O desenvolvimento supõe o aumento das oportunidades de escolha dos indivíduos, ampliando as possibilidades de geração de renda. Por outro lado, estudos desta natureza permitem orientar a seleção de políticas públicas (extensão rural, crédito rural, pesquisa, ensino etc.) compatíveis com as necessidades locais. Basta identificar a estrutura dos indicadores e seu peso relativo na composição do capital social e tentar melhorar a desempenho daqueles com menor participação relativa. Por este viés de discussão, levanta-se a questão: Como a configuração organizacional da gestão do agronegócio voltado à agricultura familiar pode contribuir para que ocorra o desenvolvimento local-regional na 26º SDR? A importância do tema se deve a existência de lacunas entre a administração do que e o meio rural no que compete aos temas de empreendedorismo no meio rural, o que justifica a realização de estudos visando buscar alternativas para o problema. Acredita-se que a origem destes mecanismos no meio rural está relacionado principalmente com a utilização de um capital social oriundo de um 15 conhecimento técnico, específico, emergente, geralmente de uma formação não formal. Sabe-se que o empreendedorismo é a habilidade de criar a construir algo a partir praticamente do nada: fundamentalmente é um ato humano criativo. É encontrar energia pessoal para iniciar e construir uma empresa ou organização mais do que simplesmente assistir, analisar ou descrever. A oportuna gestão com eficácia na agroindústria, voltada à agricultura familiar na abrangência da 26º SDR, justifica esse estudo, haja vista, os benefícios econômicos, sociais que poderão permear as atividades convertendo para o desenvolvimento regional-local, social e econômico de forma sustentável. Também a mudança é uma quebra de paradigmas como da monocultura para a poli cultura, pelas famílias envolvidas na agricultura familiar abrangidas neste novo projeto da agroindústria, certamente surgirá uma motivação maior para se configurar na auto-estima para que eles (agricultores) se tornem novos empreendedores do meio rural. Para responder aos questionamentos deste estudo, teve como objetivo geral investigar a configuração organizacional de gestão na agricultura familiar voltada ao agronegócio na 26º SDR. Como objetivos específicos foram estudar o desenvolvimento desta agricultura familiar dentro da abrangência da 26ª SDR, sua gestão e a forma de configuração organizacional; descrever a forma organizacional que fundamente a sustentabilidade do agronegócio para a agricultura familiar e ainda analisar as políticas públicas voltadas ao desenvolvimento da agricultura familiar e o agronegócio. O desenvolvimento deste estudo fundamenta-se em considerações que podem ser dissociadas, a relevância prática e a teórica. Sendo que na relevância prática esse trabalho proporcionará o avanço das experiências desenvolvidas a partir da instalação do agronegócio na agricultura familiar na 26ª SDR. Estudar a gestão do agronegócio na agricultura familiar da 26ª SDR proporcionará aos associados uma experiência impar em vivenciar novos modelos de diversificação dos produtos e serviços nas suas propriedades. Também interfira na visão do associativismo como diferencial competitivo no mercado de produtos da agroindústria. Assim, a relevância teórica desta dissertação proporcionalizara o avanço do conhecimento científico no que tange a configuração de agronegócios voltados a agricultura familiar. É importante advertir que estamos em um momento de construção da nova divisão social do trabalho e de uma nova dinâmica de circulação 16 dos capitais financeiros, científico e tecnológico. Os papéis sociais estão se alterando, sobretudo, em função da economia global e isso também ocorre no meio rural. Portanto, o agronegócio passa a ter ênfase no cenário econômico do país. Estabelece um mercado inovador de produtos, cria novos conceitos de gestão para os agricultores e uma retomada da economia local. Assim, o estudo está dividido em seis partes que foram realizados conforme a orientação da normalização da UnC. Sendo que no primeiro capítulo seria a introdução que explana todos os delineamentos do trabalho, no segundo capítulo denominado fundamentação teórica, apresenta-se assuntos pertinentes ao tema como agricultura familiar, mercantilização, agroindústria, regionalização e diversos temas. No terceiro capítulo foi a delineado a parte metodológica de execução do estudo. Já no quarto capítulo a apresentação da análise dos dados em gráficos e com embasamentos necessários do assunto. No capitulo cinco foram explanados os resultados e seis a conclusão do tema abordado neste trabalho. Nas considerações finais responde-se aos objetivos da pesquisa e deixa-se demais argumentos que se julgou necessário. 17 2 REFERENCIAL TEÓRICO Neste capítulo são abordados os temas que envolvem a agricultura familiar e suas configurações sociais e econômicas, visando aprofundamento do tema. 2.1 AS RELAÇÕES URBANAS E RURAIS Pesquisar, sobre a ruralidade estão sob a influência de uma das duas hipóteses sobre seu destino: a de completa urbanização ou a de um renascimento rural. Este cenário é retratado nas palavras de Reis (2006, p.3) que diz; Surgiram a partir da década de 1980, mudanças significativas no meio rural brasileiro. Observa-se a emergência de um espaço rural multifuncional com a introdução de uma maior diversificação econômica, em meio a novas formas de produção e subsistência, em visível contraste com o que dominava no passado. Em territórios rurais mais dinâmicos predomina atividades do setor terciário, principalmente serviços que atraem renda geradas pela produtividade de outros lugares. Assim, maior dinamismo rural em sociedades avançadas se baseia em atividades voltadas a segundas residências, aposentados, esportistas radicais, congressistas, turistas e estudantes. O que mais gera emprego são arranjos locais de saúde, cultura, educação, esportes, e inúmeros outros tipos de recreação ou turismo. As manifestações dessa nova ruralidade na Europa e na América do Norte não resultam de um impulso que ressuscitar fundamentos de ruralidade pretérita, mesmo que possam coexistir com aspectos de continuidades e permanências. Argumenta Reis (2006) que os espaços rurais e urbanos não podem ser compreendidos separados um do outro, visto que são realidades que não existiriam isoladamente. Tais espaços se relacionam e se interpenetram, levando estudiosos a formular abordagens que considerem os diferentes níveis de integração ou distanciamento. No que se refere à consciência sobre as ameaças à biodiversidade 18 ou à regulação térmica do planeta também se encontram as preocupações. Também no que concerne a liberdade conquistada pelos aposentados de escolherem os melhores remanescentes naturais para locais de residência, ou da liberdade conquistada por muitas outras categorias sociais de usufruir seu tempo livre fora e às vezes longe das aglomerações urbanas onde residem e trabalham. Diante disso, novo rural brasileiro se apresenta como a principal evidência de que as relações dicotômicas existentes entre as áreas urbanas e rurais, tornam-se cada vez mais distantes de representar de forma adequada a realidade (REIS, 2006). Na citação acima em que foi sintetizada a referida hipótese, há várias afirmações-chave que precisam de testes mais específicos e aprofundados. Corrobora Reis (2006, p.8) que “[...] a expansão do tecido urbano leva, para essas áreas, várias características consideradas, pelas definições clássicas, como exclusivamente urbanas. Diante disso, o urbano deixa de ser o lócus praticamente exclusivo da indústria, do comércio e dos serviços”. No Brasil, verifica-se que municípios de pequenos portes geralmente possuem suas economias apoiadas na exploração e utilização de recursos naturais. Com isso, estão presentes nas localidades características inerentes ao mundo rural. Está inerência leva as perspectivas para o agronegócio brasileiro. A separação artificial para fins de política e organização institucional dos componentes econômicos e sociais do âmbito rural, com base em critérios setoriais e estruturais, não permitiu que se valorizasse adequadamente o potencial de crescimento da economia rural em seu conjunto, que é maior que o potencial de aumento da produção agrícola considerada isoladamente. O fortalecimento dos nexos e das interdependências econômicas e sociais da economia rural com a economia urbano-industrial gerariam importantes efeitos multiplicadores que favoreceriam um desenvolvimento mais sustentável e eqüitativo. Revalorizar o espaço rural significa oferecer às populações rurais a possibilidade de intervenção efetiva na definição das políticas macroeconômicas e na alocação dos recursos públicos. Significa, ao mesmo tempo, promover a revisão do lugar ocupado pelo campo no imaginário das populações urbanas, a começar pelos tomadores de decisões. O principal impacto dessa mudança de perspectiva se deu no fato de se considerar as especificidades regionais como elemento de definição na formulação 19 de políticas e de instrumentos de apoio, pensadas a partir da realidade econômica, social, cultural e institucional de determinado espaço (OLIVEIRA, 2002, p. 08). Houve, a tentativa de dissociação entre o desenvolvimento rural e a agricultura, mudando-se o enfoque para uma lógica territorial e não mais apenas setorial, ocorrendo assim uma transformação significativa para ambos. Também artificial do século XX é a visão convergente, entre direita e esquerda, que associa a agricultura familiar ao atraso, isto é um resíduo, um setor em extinção, sem relevância para o progresso econômico e social. Criou-se o mito de que o avanço, a retomada do crescimento econômico, a transformação tecnológica, a alta produtividade só pode advir de fazendas, necessariamente de caráter patronal. No entanto, em todos os países de sucesso a unidade familiar mostrou-se historicamente mais apta a incorporar progresso técnico e produzir a baixos custos (VEIGA, ABRAMOVAY e EHLERS, 2004). A promoção da agricultura familiar não é exclusivamente um objetivo de caráter social, mas sim um elemento estratégico de um novo modelo de desenvolvimento econômico para o Brasil. Uma perspectiva baseada em milhões de famílias - já estabelecidas ou que vierem a ser assentadas pode se mostrar, não só mais viável, para a eliminação da miséria no campo, do que da prosperidade das grandes corporações, como também mais eficiente, em termos de custos-benefícios, do que programas enfocados exclusivamente pelo lado do gasto público, como são os programas ditos sociais. Desafogar minifundistas, oferecendo-lhes a oportunidade de se tornarem agricultores familiares viáveis; transformar arrendatários em proprietários; e oferecer terras a seus filhos, são pontos prioritários da perspectiva de mais sustentabilidade. 2.2 AGRICULTURA FAMILIAR A agricultura familiar vem se evoluindo significativamente seja pelas forças sociais, ou pelas políticas públicas que convergem nas expectativas dessas famílias visando, sobretudo, melhores condições financeiras e buscando seu espaço no mercado competitivo da atualidade. Os agricultores familiares são aqueles que, anteriormente, eram denominados como pequenos produtores, trabalhadores rurais, colonos e/ou 20 camponeses. A expressão agricultura familiar no Brasil é recente, surgiu nos anos 1990 e por esta razão a discussão teórica e política vêm avançando sobre quem é considerado agricultor familiar, qual a sua importância e o seu papel no desenvolvimento local e para a segurança alimentar. Nesta direção, segundo Abramovay (1997, p. 3) citado por Schneider (2003 p. 41) diz: A agricultura familiar é aquela em que a gestão, a propriedade e a maior parte do trabalho vêm de indivíduos que mantêm entre si laços de sangue ou de casamento. Que esta definição não seja unânime e muitas vezes tampouco operacional é perfeitamente compreensível, já que os diferentes setores sociais e suas representações constroem categorias científicas que servirão a certas finalidades práticas. Percebe-se que o autor acima menciona a dinâmica em relação a agricultura familiar, que tem em seu aporte três atributos básicos: propriedade, trabalho e familiares, estão presentes em todas elas. De acordo com Schneider (2003, p. 32) “[...] a agricultura familiar passou a ser reconhecida nos meios acadêmicos principalmente para ciências sociais, a partir de 1990, através do estudo realizado por Kageame e Bergamasco”. A discussão sobre a expressão agricultura familiar é e importante, pois está se descobrindo um rural criativo, batalhador e conhecendo as suas estratégias de sobrevivência e que garantem a sua relação com a natureza. De acordo com Schneider (2003, p.35) “[...] no Brasil destacam-se dois modelos de produção agrícola: o patronal e o familiar”. A agricultura patronal tem as seguintes características: processo produtivo com organização centralizada, ênfase na produção em escala, práticas agrícolas padronizadas, mão de obra contratada, utilização de tecnologia de ponta (SCHNEIDER, 2003). Já a agricultura familiar tem como características: mão de obra basicamente familiar, contratando mão de obra complementar nos períodos de muito trabalho; organização do processo produtivo é realizada pela família; produção diversificada, com objetivo de ocupar melhor a área, a mão de obra familiar e aumentar a renda; cuidados com a conservação dos recursos naturais, pois dependem totalmente destes para a reprodução da família (SCHNEIDER, 2003). Mas para Denardi (2001), estes conceitos envolvem um julgamento prévio sobre o desempenho econômico destas unidades. O que se pensa tipicamente 21 como pequeno produtor é alguém que vive em condições precárias, que tem acesso nulo ou limitado ao sistema de crédito, que conta com técnicas tradicionais e que não consegue se integrar aos mercados mais dinâmicos e competitivos. Como comenta Schneider (2003, p. 41), “[...] a Agricultura Familiar desempenha vários papéis, entre os quais, produzir e fornecer alimentos básicos de preço acessível e de boa qualidade para a sociedade e, ainda, reproduzir-se como uma forma social diferenciada no mundo capitalista”. Entretanto dizer que estas são as características essenciais da agricultura familiar é desconhecer traços mais importantes do desenvolvimento agrícola tanto no Brasil como em países capitalistas avançados nos últimos anos. Faltava um elemento que pudesse ajudar as perspectivas da família rural e adentrar no processo competitivo, uma política pública que fosse específica para a agricultura familiar. Assim, nasceu o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF) como incentivo do governo federal para subsidiar a produção das pequenas propriedades. Este fortalecimento da agricultura familiar adveio atender às demandas dos agricultores familiares, ou seja, as necessidades reais, transformando numa política nacional de caráter permanente que tinha em seu bojo premissas como: -Ajustar políticas públicas para atender à realidade da agricultura familiar. -Viabilizar a infraestrutura rural necessária à melhoria do desempenho produtivo e da qualidade de vida da população rural. -Fortalecer os serviços de apoio ao desenvolvimento da agricultura familiar. -Elevar os níveis de profissionalização dos agricultores familiares. -Propiciando-lhes novos padrões tecnológicos e de gestão (BRASIL, 2007). Assim, os agricultores familiares têm como característica principal a administração pela própria família; neles a família trabalha diretamente, com ou sem o auxílio de terceiros. Poderiam contar com incentivos públicos por uma política econômica efetiva e fornecesse reais condições para fixação no campo. As transformações no mundo rural ensejadas pela crescente integração dos agricultores aos mercados revelam elementos determinantes à emergência da pluriatividade. Como demonstra Marsden (1995), o fenômeno está diretamente relacionado à nova configuração do espaço rural que se processa em decorrência da crescente mercantilização, a qual se estende a um vasto conjunto de esferas da vida 22 econômica e social atribuindo às interações humanas e materiais que ali se reproduzem, valores mercantis que passam a regular o conjunto das estratégias desenvolvidas pelos agricultores. Assim, a diversidade da agricultura e a forma heterogênea com que a pluriatividade se expressa estão parcialmente associadas à forma multifacetada com que ocorrem as relações entre os agricultores familiares e os mercados. Leite (2002) diz que a melhoria da qualidade de vida da população rural depende do aumento da produtividade é decorrente do progresso científico e tecnológico. Não obstante, esta crescente mercantilização não impôs uma dependência completa dos agricultores em relação ao mercado e, tampouco, constitui o resultado de um processo linear de desenvolvimento das relações sociais de produção capitalistas. Mas, de acordo com Long e Ploeg (1994), isto só é passível de compreensão na medida em que os mercados deixam de ser percebidos enquanto estruturas genéricas ou forças externas que encapsulam a vida das pessoas. Pensando neste viés, estes mercados passaram a ser vistos como construções sociais resultantes das múltiplas redes de relações estabelecidas entre os agricultores e uma série de outros atores sociais. Na medida em que estas redes envolvem um vasto conjunto de domínios, a mercantilização se torna então um processo que adentra em diferentes esferas sociais, alterando não só o trabalho agrícola, mas todo processo de reprodução das unidades familiares. Os distintos rumos que este processo segue envolvem diretamente a disputa entre o capital, o Estado e os agricultores pelo controle de recursos materiais e simbólicos que são mobilizados nestas redes sociais. A expressiva assimetria de poder prevalecente na maior parte dos mercados faz com que frequentemente conjugada à mercantilização exista uma ampla incorporação institucional das unidades de produção (LONG, 2001). Esta incorporação faz alusão a processos integrados de cientificação, crescente geração de tecnologias que aumentam o controle de atores externos (empresas, bancos, indústrias) sobre o processo de trabalho agrícola e sobre a natureza. Explicita Ploeg (1992) que está externalização, faz o aumento da dependência dos agricultores em relação a recursos controlados por outros atores sociais. 23 Uma vez que a externalização envolve o controle de recursos produtivos, ela é responsável por profundas alterações nos processos mais significativos de reprodução da unidade familiar, permitindo a atores externos influenciar diretamente a formatação dos projetos e das estratégias dos agricultores. Nas situações em que a mercantilização transcorre associada a crescente externalidade das unidades de produção, é responsável por torná-las cada vez mais dependentes de recursos controlados por atores externos, resultando em gradativa perda do domínio dos agricultores sobre a base de recursos necessária a sua reprodução econômica, social e cultural. Desenha-se assim uma tentativa de uniformização a partir de fora, pela imposição de recursos e discursos controlados pelo Estado, empresas agroindustriais, cooperativas agropecuárias, bancos. Segundo Brandemburg (1999, p.20); A modernização da agricultura acentuou a diferenciação social, o desenraizamento de agricultores ocasionando numa perda de identidade, sendo preciso procurar meios para reconstruir suas relações sociais e de trabalho numa sociedade refratária á oferta de empregos e mão de obra. Entretanto, mesmo em meio a este conjunto de artifícios que visam reproduzir o modelo de relações sócias técnicas sustentadas pela modernização, os agricultores são capazes de articular uma série de estratégias para modificar, neutralizar ou resistir a este tipo de mercantilização. Desenvolver outras formas de inserção mercantil, é importante e genericamente, este processo reflete a pressão que as estruturas de mercado exercem sobre os atores, mas também pode representar uma estratégia deliberada dos próprios atores. Segundo demonstra Long (2001), os agricultores possuem capacidade de agência sobre o curso das transformações nas quais estão inseridos, processando as diversas experiências sociais e inventando formas de ordená-las com a vida social, inclusive sob as formas mais extremas de coerção. O modo desuniforme com que estas relações entre agricultores familiares e mercados se processam, fazem com que a mercantilização se constitua em um fenômeno parcial, não linear e multifacetado, e isso deve-se a diversos fatores que serão destacados a seguir. 24 Primeiramente, relaciona-se ao que Scott (2002) denomina resistência camponesa, a qual remete à capacidade dos agricultores de se oporem aos princípios estruturantes que guiam as mutações da agricultura e do mundo rural no período pós-guerra. Em segundo lugar, é importante reconhecer as novas oportunidades de desenvolvimento abertas pela reestruturação capitalista, possibilitam aos agricultores articular meios alternativos de reprodução inserindo-se em atividades emergentes no novo espaço rural mercantilizado. Neste caso, Marsden (1995) demonstra como o recurso à pluriatividade tem se apresentado um dos meios mais recorrentes e, na medida em que encerra uma forma particular de mercantilização que acontece ao nível do mercado de trabalho, possui implicações diferenciadas daquelas reveladas por uma inserção subordinada em mercados de fatores de produção e insumos. É necessário destacar o fato de que a crescente mercantilização não tem sido capaz de retirar a centralidade da família como unificadora do conjunto das estratégias constituídas com vistas a sua reprodução social (SCHNEIDER, 2003). Neste sentido, a dinâmica interna da família é especialmente importante na compreensão das relações que esta estabelece com o universo de instituições externas e na formatação das distintas estratégias levadas à cabo individual e coletivamente pelos seus membros. Diz Veiga (2003) que um horizonte está se constituindo para que o homem do meio rural deixe de ser um mero empregado e passe a desempenhar novos papéis, seja a frente do seu pequeno negócio, seja como co-gestor de uma empresa rural. Argumenta Ploeg (1992, p. 166), em casos “[...] um bom empresário, definido no marco normativo das relações econômicas e institucionais, se transforma simultaneamente em um vizinho não desejado, no que diz respeito à família e a comunidade local”. O que se percebe são ações destes atores que confrontam regras e valores comunitários, e podem estabelecer empecilhos à ampliação das redes mercantis que o tornam um bom empresário e que também são responsáveis pelo avanço do próprio processo de mercantilização. Estes e outros fatores como a desigualdade, a maior parte deles esquecida ou renegada por aqueles que previram uma mercantilização completa capaz de 25 anular o problema residual e temporário da diversidade da agricultura (Ploeg, 1992). É responsável justamente pelo contrário, isto é, pela heterogeneidade de formas familiares de produção que coabita os espaços rurais e que fazem da diversidade um fundamento central do mundo rural contemporâneo. Esta diversidade reflete as distintas dinâmicas de desenvolvimento das próprias unidades de produção e disputas históricas entre os vários atores que portam uma variada gama de recursos, poderes, repertórios culturais e ideologias. Com frequência operam como se a mercantilização e as transformações a ela relacionadas fossem iguais para aqueles agricultores situados num mesmo grau de inserção mercantil, independentemente de qualquer outro fator diferencial na relação destes com os mercados. Desde seus primórdios, as iniciativas em prol de uma agricultura mais sustentável reservam um lugar importante à tecnologia, aos processos e métodos de produção. Conforme Assad e Almeida (2004, p.9) “[...] a agricultura sustentável – (AS), é uma noção nova, freqüentemente associada, no debate social atual, à de desenvolvimento (rural) sustentável, tendo uma incidência em espaços geográficos e sociais mais ou menos restritos, apesar da difusão desta noção”. No entanto, mesmo que se tenha intensificado o debate em torno do tema, a AS hodiernamente sempre foi superficialmente definida. Nesse sentido, é marcante o grau de abrangência das concepções, indo do técnico-produtivo à construção de novas relações sociais entre os homens, passando pela agricultura familiar e pelo desenvolvimento sustentável (ASSAD e ALMEIDA, 2004). Esta compõe um sistema heterogêneo de intervenções, de variáveis, de elementos que precisam ser privilegiados a todo momento. Não se consegue no sistema de produção, intervir em todas as variáveis. Deve-se ter claro que, ao interferir numa variável, num elemento ou mesmo na linha de produção (do sistema de cultivo ou de criação), ou numa tecnologia qualquer no sistema, se está interferindo no seu conjunto, e isso é importante e deve ser considerado. Reforça Assad e Almeida (2004, p. 10) “[...] é forçoso reconhecer que as propostas de agricultura sustentável ainda são minoritárias e incipientes em certos contextos sociais da produção agrícola brasileira”. Percebe-se que por menores ou ínfimas que sejam as intervenções atuais, deve-se ter o entendimento de que elas fazem parte de um processo educativo e de 26 uma ação coletiva concertada, necessários à construção de um processo movimento social mais amplo. As tecnologias defendidas e propostas pelo movimento de agricultura sustentável supõem ruptura com as técnicas convencionais ou modernas de produção agrícola, de gestão e de acesso às matérias e recursos primários. Na maior parte do tempo, essas tecnologias valorizam os meios mais adaptados técnica, econômica e socialmente aos agricultores produtores, situando-se numa gama de técnicas e práticas que vão desde as destinadas à subsistência até as tecnologias mais avançadas. Neste contexto, podem-se considerar as correntes de pensamento que se estruturam essencialmente a partir da concepção de uma tecnologia agrícola mais sustentável, recebendo denominações como agricultura ecológica, agroecologia, agricultura biodinâmica, orgânica, regenerativa, permacultura, entre outras (ASSAD e ALMEIDA, 2004). Essas correntes vão sustentar e subsidiar as críticas que tendem a redefinir os objetivos e as opções tecnológicas, assim como os sistemas de produção. Destaca-se que para concepções a tecnologia não é vista como um conjunto de procedimentos próprios a uma ciência particular, mas como um conjunto de meios colocados à disposição dos indivíduos a fim de organizar e aplicar os conhecimentos visando objetivos específicos. A origem e a trajetória política e social da agricultura familiar, nos últimos vinte anos, dos principais agentes que defendem a agricultura sustentável, nas suas distintas formas e ações mais contestadoras, forjaram um discurso e uma ação coerente com os princípios de crítica à sociedade industrial, influenciados também por segmentos progressistas da igreja católica e pelos partidos de esquerda, politicamente atuantes nesse período. (ASSAD e ALMEIDA, 2004). Do ponto de vista das tecnologias de base para uma agricultura sustentável, constata-se freqüentemente dois tipos de obstáculos. O primeiro diz respeito às tecnologias propriamente ditas, que, embora conhecida e testada com base científica, não são devidamente inseridas nos sistemas produtivos, seja por falta de difusão tecnológica apropriada, seja por desarticulação entre pesquisa e extensão rural com segmentos produtivos que poderiam se beneficiar dessas tecnologias. Outro obstáculo diz respeito à dificuldade, mais ou menos generalizada, de 27 aprofundamento do conhecimento sobre os sistemas agrícolas ou da falta de clareza a respeito de suas dinâmicas. (ASSAD e ALMEIDA, 2004). Outro fator é em relação à capacitação dos agentes de AS, que ainda se mostra deficiente de maneira geral. Pela dificuldade de penetração nos espaços acadêmicos mais consolidados, a proposta fica se reciclando entre um número reduzido e permanente de técnicos reconhecidos por sua alta contribuição ao tema. 2.3 DESENVOLVIMENTO LOCAL E REGIONAL Falar de desenvolvimento local e regional é especificar variáveis importantes como o desenvolvimento local e o desenvolvimento endógeno que se encontra intrínseco nos municípios, pois só trabalhando, estudando, refletindo e identificando importantes processo é que se consegue a sustentabilidade destas localidades. A teoria do desenvolvimento endógeno focaliza a questão regional, apresentando as contribuições para a problemática das desigualdades regionais e instrumentos de políticas para sua correção. O desenvolvimento endógeno tem suas origens na década de 1970, quando as propostas de desenvolvimento da base para o topo emergiram com maior notoriedade. Desde então, esta corrente evoluiu com a colaboração de novos enfoques ao problema do crescimento desequilibrado. Na década de 1990, a principal questão do modelo de desenvolvimento endógeno se concentrou em entender o porquê o nível de crescimento variava entre as diversas regiões e nações, mesmo elas dispondo das mesmas condições na busca de fatores produtivos, como capital financeiro, mão de obra ou tecnologia. A solução seria procurar encontrar, entre estes fatores, aqueles determinados nas regiões. Neste caminho, a contribuição da teoria endogenista foi a identificar fatores de produção atualmente decisivos, como o capital social, o capital humano, o conhecimento, a pesquisa e desenvolvimento, a informação e as instituições, eram determinados na região e não de forma exógena, como até então era entendido. Por conseguinte, se conclui que a região dotada destes fatores ou estrategicamente direcionada para desenvolvê-los internamente teria as melhores condições de atingir um desenvolvimento acelerado e equilibrado (PLOEG, 1992). 28 Portanto, o desenvolvimento regional endógeno predominante na década de 1990 pôde então ser definido como: a capacidade da sociedade liderar e conduzir o seu próprio desenvolvimento regional, condicionando-o à mobilização dos fatores produtivos disponíveis em sua área e ao seu potencial endógeno, traduz a forma de desenvolvimento denominado endógeno, podem-se identificar duas dimensões disso. A primeira econômica, na qual a sociedade empresarial local utiliza sua capacidade para organizar, da forma mais producente possível, os fatores produtivos da região. A segunda sócio-cultural, os valores e as instituições locais servem de base para o desenvolvimento da região (BARQUERO, 1988). De forma antagônica ao pensamento associado com as teorias endógenas, não se busca, neste enfoque, o fechamento ou isolamento regional, nem mesmo o autocentrismo e a auto-suficiência. A idéia do desenvolvimento endógeno moderno baseia-se na execução de políticas de fortalecimento e qualificação das estruturas internas visando sempre a consolidação de um desenvolvimento originalmente local, criando condições sociais e econômicas para a geração e atração de novas atividades produtivas, de perspectiva de uma economia aberta (AMARAL FILHO, 1996). Mais do que isso, na visão de Boisier (1997), a sociedade civil, e nela compreendida as formas locais de solidariedade, integração social e cooperação, pode ser considerada o principal agente da modernização e da transformação sócio econômica em uma região. Barquero (1988) argumenta que o desenvolvimento regional endógeno, ao considerar e dar relevância à sociedade civil local e aos seus processos de organização e relação social permite que a região atinja um crescimento equilibrado e sustentado no longo prazo, sem entrar em conflito direto com a base social e cultural da região. 2.3.1 O capital social e desenvolvimento local-regional O destaque dado aqui para a importância da sociedade civil não está inserido no debate da relação entre a sociedade e o Estado, sua maior ou menor participação, ou entre a sociedade e o mercado. Baseado em um enfoque distinto, trata-se da compreensão de que o desenvolvimento regional está diretamente ligado 29 às características da organização social e das relações cívicas encontradas na região. Conforme Barquero (1988, p.20); Normalmente a forte identidade da cultura local tende a assimilar as novas realidades produtivas e os novos esquemas de relações sociais, e os novos valores encontram um eco favorável nas zonas de desenvolvimento local. Desta feita, tendem a integrar-se com um mínimo de custos sociais e culturais, já que são respostas viáveis aos problemas locais. As atividades industriais se integram na vida social e cultural local, incorporando novos valores que desenvolvem e potenciam os antigos, sem criar certo conflito e contradições no processo de adaptação. Corroboram Portes e Landolt (1996, p.18) no tema e dizem que “[...] em um sentido mais restrito, pode se entender capital social como a habilidade de criar e sustentar associações voluntárias”. Mas, Putman (1996, p.177) adentra ainda mais no tema explicando que; Como outras formas de capital, o capital social é produtivo, possibilita a realização de certos objetivos que seriam inalcançáveis se ele não existisse. Por exemplo, um grupo cujos membros demonstrem confiabilidade e que depositem ampla confiança uns nos outros é capaz de realizar muito mais do que outro grupo que careça de confiabilidade e de confiança. Neste ínterim, o capital social pode ser considerado a base de uma das principais estratégias de desenvolvimento econômico nas próximas décadas: a cooperação. Para Fukuyama (1995) as nações e as regiões mais prósperas em um futuro de livre mercado serão aquelas melhor preparadas para formar cidadãos dispostos a trabalhar colaborativamente e organizadas para promover associações voluntárias entre suas instituições. Por isso, tanto a ideia de capital social, quanto à de cooperação, nos últimos anos, têm sido destacadas por organismos internacionais, em revistas especializadas e em diversos estudos e políticas de desenvolvimento. Já Saxenian (1994), demonstrou a importância relevante da formação de redes colaborativas interinstitucionais para o desenvolvimento do Silicon Valley, na Califórnia, uma região intensamente competitiva. No entanto, Kollock (1999), salienta a utilização da Internet nas práticas de cooperação, tanto para a maior facilidade na produção de bens públicos, exemplo do sistema operacional Linux para computadores, quanto para ações comunitárias de desenvolvimento local, como na ilustração do dia beneficente chamado NetDay. 30 Indo mais além, Fountain e Atkinson (1998) procuraram evidenciar como o capital social e práticas colaborativas impulsionam inovações, defendendo políticas públicas de estímulo ao engajamento participativo em redes regionais de colaboração. Entre suas propostas, estão à concessão de incentivos fiscais para empresas empenhadas em práticas colaborativas de pesquisa e desenvolvimento, além da formação de alianças entre indústrias e, da mesma forma, delas com universidades e com entidades governamentais e da sociedade civil. Outra proposição centra-se na composição de redes de colaboração tecnológica entre, pequenas e médias empresas e universidades regionais para o desenvolvimento e o emprego de novas tecnologias. Neste mesmo sentido, como constata Putman (1996), as evidências históricas, tanto de épocas passadas quanto recentes, indicam que os fatores sócios culturais têm papel decisivo na explicação das diferenças regionais. Entretanto, como ele mesmo argumenta "[...] qualquer interpretação baseada num único fator certamente será equivocada" (PUTMAN, 1996, p. 169). As tradições cívicas, o capital social e práticas colaborativas, por si só, não desencadeiam o progresso econômico. Elas são a base para as regiões enfrentarem e se adaptarem aos desafios e oportunidades da realidade presente e futura. Levando em consideração estes pressupostos, é possível compreender que uma estratégia política de desenvolvimento regional e local não pode se ater somente em ações de cunho ortodoxo, como linhas de crédito, incentivos fiscais ou de investimentos na formação bruta de capital fixo. Ela deve também, e fundamentalmente, procurar manter e ampliar o estoque de capital social em sua comunidade, fortalecendo a auto organização social, estimulando a prática de soluções colaborativas para problemas comuns e promovendo a participação e a abertura ao diálogo com os diversos integrantes das comunidades regionais. O desafio proposto por estas novas estratégias de políticas para o desenvolvimento regional não significa que todo o seu processo esteja isento de apreciações críticas. Para Portes e Landolt (1996) os indivíduos e comunidades podem se beneficiar da confiança mútua e da participação social. Estes retornos, porém, irão, variar conforme o tipo de relação interpessoal imposta e a forma de organização e de sustentação comunitária, podendo ampliar ainda mais as já existentes diferenças socioeconômicas entre comunidades. 31 Por estes motivos, acredita-se que novos modelos de atuação governamental, e de formulação e gestão de políticas públicas tornam-se, imprescindíveis em um processo de desenvolvimento nestes padrões. 2.4 AGRONEGÓCIO NA AGRICULTURA FAMILIAR O agronegócio brasileiro está emergindo de um sistema agrícola recente e heterogêneo. Recente porque até a metade do século XIX o Brasil não chegou a ter vida econômica própria. O surto cafeeiro de meados do século XIX que, ao acabar com a estagnação das anteriores atividades primário-exportadoras evitou a desagregação política e territorial prevalecente no resto da América Latina; ligou o país a novos parceiros comerciais e financeiros; deslocou o eixo da economia do Nordeste para o Sudeste; e, preparou o terreno para a posterior industrialização. Foi com a Grande Depressão nos países capitalistas centrais (1870-1895) que se reuniram as condições necessárias à diversificação produtiva capaz de promover a decolagem da economia nacional. Não seria exagerado dizer, portanto, que o sistema agrícola brasileiro é um fenômeno que não chega a ter um século de existência (SZMRECSÁNYI,1990). O sistema agrícola brasileiro também é heterogêneo porque o progressivo estreitamento das relações entre agropecuária e as demais atividades econômicas, em vez de produzir uniformidade sistêmica reforçou a diferenciação regional herdada do período pré-industrial. Os contrastes entre a modernização do Centro Sul, o processo de expansão da fronteira nas regiões Centro-Oeste e Norte, e as tradicionais dificuldades do Nordeste. Exemplo desses contrastes é a concentração, até meados da década de 1960, nos estados de São Paulo e do Rio Grande do Sul, de, respectivamente, 44% e 25% de todos os tratores existentes naquelas regiões (VEIGA, ABRAMOVAY e EHLERS, 2005). Nesse período o que se viu, concentração da estrutura agrária. Após o golpe militar de 1964, a agricultura entrou em processo radical de transformação, favorecido pelas seguintes circunstâncias: fase ascendente do ciclo econômico conhecida por milagre; a ampliação do crédito rural subsidiado; internacionalização do pacote 32 tecnológico da “Revolução Verde”; e melhoria dos preços internacionais para produtos agrícolas. (VEIGA, ABRAMOVAY e EHLERS, 2005). A mudança na qualidade do processo de urbanização, caracterizada pelo êxodo rural de quase 30 milhões de pessoas em apenas vinte anos (1960-1980), bem como pelo crescente assalariamento da força de trabalho agrícola, que deixou de residir no campo, foi uma das graves conseqüências do processo de transformação da agricultura. No emergente agronegócio, outro setor que se desenvolveu significativamente foi o sucroalcoleiro, particularmente com os subsídios do Próalcool implantado em 1980. Depois de consolidar-se na região Sudeste, expandiu-se ao norte do Paraná, ao Mato Grosso do Sul e estados do Nordeste. De acordo com a Associação da Indústria do Açúcar e do Álcool, em 1996 o setor gerou cerca de um milhão de postos de trabalho (SHIROTA e ROCHA, 1998). Conforme dados da Federação Nacional dos Petroleiros (1998) na última década, o que mais chamou a atenção na produção animal do Sul e do Sudeste foi o crescimento acelerado do setor avícola. Entre 1991 e 1997 a adoção de tecnologias modernas possibilitaram redução dos custos de produção e ampliaram a produção nacional em aproximadamente 70%. Tudo indica que o objetivo estratégico deve ser a obtenção sustentável de segurança alimentar, objetivo qual não será alcançado se os desafios não forem enfrentados concomitantemente: definição de uma estratégia para o desenvolvimento sustentável, revalorização socioeconômica e cultural do espaço e da família rural, bem como o desenvolvimento e a utilização de métodos participativos (VEIGA, ABRAMOVAY e EHLERS, 2005). Mas alertam os autores acima que não haverá perspectiva sustentável para o agronegócio, sem uma dinamização endógena que caminhe nessa direção. Ou seja, tudo vai depender do surgimento de pactos territoriais orientados para a promoção da agricultura sustentável. A base desses pactos é a criação ou o fortalecimento de mecanismos participativos de planejamento e de gestão ambiental, tendo como unidade territorial preferencial as bacias hidrográficas. 33 2.5 EMPRESAS RURAIS Tendo em vista o objetivo primordial do empreendimento, o primeiro passo para se iniciar ou ampliar uma atividade agropecuária é uma definição de objetivos de trabalho, metas, previsão de faturamento, despesas, investimentos necessários e meios necessários para se alcançar as metas estipuladas. Para tal, como em outra empresa, é necessário se fazer um plano de trabalho, o plano de negócio, que pode ser elaborado pelo próprio empresário e sua equipe administrativa ou, pode trazer melhores resultados, por uma empresa de consultoria que tenha experiência em planejamento estratégico rural, que deverá ser incentivado pelas políticas públicas. Verifica-se que políticas públicas não visam estas estratégias. Como observa Bacelar (2003, p. 02), o “[...] as políticas públicas estavam voltadas para promover o crescimento econômico, acelerando o processo de industrialização, o que era pretendido pelo Estado brasileiro, sem a transformação das relações de propriedade na sociedade brasileira”. O plano de negócio será um guia, que deve ser seguido com cuidado, mas atento para possíveis mudanças no decorrer no tempo. Ele norteia todos os esforços que o empresário terá que fazer para alcançar as metas definidas. Trará um levantamento sobre necessidades de contratação ou demissão de funcionários, o perfil do pessoal mais indicado para trabalhar no empreendimento, tipo de maquinário mais adequado, necessidade de ampliação das terras ou, em alguns casos, de redução da área utilizada, distribuição da produção, etc. Esta é a maneira pela quais empresas planejam e alcança seus objetivos, o que pode e devem ser seguido por todas as empresas do setor rural, proprietários rurais, em geral. Isto pode acarretar em um investimento inicial de tempo e dinheiro, mas que, trará benefícios ao produtor rural. Em decorrência do caráter centralizador do Estado brasileiro, as políticas públicas direcionadas ao meio rural, já que se destinavam, sobretudo, ao crescimento do volume produzido e dos índices de produtividade em decorrência da incorporação de inovações tecnológicas pelas atividades agropecuárias. Essa situação, começou a mudar em virtude de uma nova conjuntura política e social que teve como marco o processo de redemocratização do país e que favoreceu a intensificação de movimentos organizados na sociedade, reivindicando a sua participação. 34 Em termos econômicos destaca-se o aprofundamento da crise financeira do Estado brasileiro na década de 1980 e a adoção do modelo neoliberal a partir do início dos anos 1980. O desencadeamento do processo de descentralização políticoadministrativo, propiciado pela Constituição de 1988, foi outro elemento importante nesse cenário. No âmbito do rural, uma das primeiras alterações ocorridas foi a criação em meados dos anos 1990, de uma política nacional direcionada para a agricultura familiar, o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF). Esse programa, além de contemplar crédito rural para custeio e investimento, trazia em seu bojo, pelo menos ao nível do discurso, a preocupação territorial, por meio da linha PRONAF Infraestrutura e Serviços Municipais (HESPANHOL, 2006). Essa mudança de perspectiva foi o resultado de um novo cenário internacional e nacional. Em escala internacional, destacou-se a influência das políticas européias que passaram a valorizar o local como referência territorial. Essa valorização do local ocorreu, por um lado, em virtude da grave crise do modelo agrícola produtivista vigente na Europa que resultou nas reformas da Política Agrícola Comum de 1992 e 1996 e, por outro, o questionamento da idéia de unilinearidade do processo de desenvolvimento, no qual as diferenças regionais antes vistas como negativas e que teriam de ser eliminadas, passaram a ser reconhecidas como características positivas a serem preservadas e valorizadas. Nesse sentido é importante que as políticas públicas se constituam em instrumentos para o fortalecimento do desenvolvimento a partir da escala local. Isso porque, de acordo com Santos (1996, p.2), “[...] é no lugar, um cotidiano compartido entre as mais diversas pessoas, firmas e instituições, que a cooperação e o conflito são a base da vida em comum”. Assim, além da incorporação da perspectiva territorial, em que se procura considerar e valorizar a diversidade (econômica, social, política e cultural) que compõe o espaço rural brasileiro, se passou a considerar o município como a instância adequada para a implementação, a gestão e a fiscalização das políticas públicas. As crenças e valores culturais e a abertura para novos conhecimentos e técnicas vivenciadas e trocadas pelos demais produtores rurais, podem formar uma rede importante de cooperação e expandir o capital social e o desenvolvimento sustentável nas comunidades. 35 Assim a comercialização dos produtos artesanais e a gestão dos negócios agrícolas, podem contribuir com a inclusão social dos agricultores, criando condições para que estes permaneçam nas pequenas propriedades agrícolas com a conseqüente melhora da qualidade de vida dos mesmos. A ideia de uma agricultura sustentável revela, antes de tudo, uma insatisfação com o status quo da agricultura moderna. Insatisfação que surge em meados dos anos 1970, de uma crescente preocupação com a salubridade alimentar e com os impactos ambientais decorrentes dos sistemas produtivos (VEIGA,1991). Foram, neste contexto, que se multiplicaram os entusiastas dos métodos orgânico, biodinâmico, biológico e natural de produção alimentar. Quando começaram a ganhar visibilidade, foi alvo de insidiosa campanha de descrédito, lançada por uma coalizão de interesses do agronegócio e do sistema de pesquisa agropecuária (mesmo que em ambientes um pouco mais arejados, como o acadêmico, os alternativos tenham sido considerados apenas folclóricos). O consenso em torno da necessária sustentabilidade não deve, no entanto, escamotear as dificuldades de aplicação prática dessa definição e os problemas de sua vinculação à idéia de desenvolvimento. Questão que deve ser vista como novo desafio teórico e não como expediente que possa diluir seu valor heurístico e seu profundo sentido ético (VEIGA,1991). Todavia, quanto mais frequente se torna o uso da expressão desenvolvimento sustentável, mais nítida vai se tornando a contradição entre esse crescente consenso retórico e a insipiencia do pensamento estratégico correspondente: seja na escolha de objetivos, seja na definição dos meios para atingi-los. As mais flagrantes manifestações desse contraste pode ser identificada no processo de elaboração da Agenda 21. Abordagens analíticas abrangentes e profundas terminam em listas de sugestões em geral pertinentes, mas que estão longe de constituir estratégias prioritárias, ou ações estratégicas, como pretendem, por exemplo, os subsídios preparados para a Agenda 21 Brasileira (VEIGA,1991). Mesmo que tais sugestões fossem integradas e sistematizadas, não chegariam a fornecer algo que pudesse parecer ao conjunto de operações necessárias para se conceber, preparar e conduzir a ação coletiva que poderá promover o desenvolvimento sustentável da sociedade brasileira. Portanto, partir do pressuposto de que essa falta de formulação estratégica resulta de uma dificuldade objetiva, e não de uma fortuita deficiência intelectual dos 36 diferentes atores sociais que já estão mobilizados para responder ao desafio. E essa dificuldade objetiva é gigantesca. Para conquistar mais sustentabilidade (já que o processo de desenvolvimento jamais poderá atingi-la em termos absolutos) é preciso definir o conjunto de operações necessárias a uma reorientação do processo de crescimento econômico. Enquanto esse for o principal alicerce do desenvolvimento, a sua sustentabilidade dependerá de uma mudança radical de sua estrutura institucional de incitações. Contudo, qualquer arranjo institucional é prisioneiro do caminho que foi antes, pois toda trajetória prévia tende a ser consolidada pelo processo de aprendizado das organizações, pela modelização subjetiva das questões, por externalidades de rede etc. Ou seja, a economia tende a engendrar políticas que reforçam as incitações e as organizações existentes (VEIGA,1991). Surgem novos desafios: tornar-se um empreendedor e ainda ser competitivo. Tudo isto constituiu de forma muito rápida um novo cenário, cujo resultado foi a exclusão de empresas e a perda de competitividade. A velocidade dos novos vetores foi maior que a capacidade de mudança dos modelos mentais ou dos paradigmas até então existentes na agricultura brasileira (BARCELOS, et al, 2004). Conquanto, em tais circunstâncias, a mudança de rumo ditada por preocupações ambientais só se legitimará se puder simultaneamente impulsionar o empreendedorismo, isto é, se a precaução ecológica puder alavancar o crescimento, em vez de restringi-lo. O desafio está, portanto, em conciliar sistemas produtivos que, ao mesmo tempo, conservem os recursos naturais e forneçam produtos mais saudáveis, sem comprometer os níveis tecnológicos já alcançados de segurança alimentar. 37 3 METODOLOGIA A metodologia utilizada para o estudo da configuração organizacional da gestão da agricultura familiar em Bela Vista do Toldo foi realizado em etapas que serão descritas neste capítulo. Conforme Demo (1996, p.34) a pesquisa pode ser considerada como uma atitude, um “[...] questionamento sistemático crítico e criativo, mais a intervenção competente na realidade, ou o diálogo crítico permanente com a realidade em sentido teórico e prático.” Neste sentido, descreve-se todo o processo metodológico realizado até se chegar aos resultados e discussões. O interesse pelo estudo nasceu de dialogo com o Professor Dr. Reinaldo Knorek coordenador do projeto de pesquisa sobre a agroindústria em Bela Vista do Toldo com recursos da Fundação de Apoio a Pesquisa Cientifica e Tecnológica do Estado de Santa Catarina (FAPESC), parceria Ministério Desenvolvimento Agrário (MDA) a com a 26ª Secretária de Desenvolvimento Regional (SDR) que envolveu os município de Canoinhas, Bela Vista do Toldo, Major Vieira e Três Barras, bem como, com o apoio fundamental da Universidade do Contestado (UnC), se implementou a agroindústria para que os pequenos agricultores pudessem obter condições de colocação de seus produtos geridos em sua propriedade. O estudo do Professor tinha como objetivo trabalhar o desenvolvimento regional através do agronegócio, perfazendo um diagnóstico dos produtos vendidos e também os que poderiam ser produzidos pelos agricultores. Conforme Knorek (2010) a agroindústria de Bela Vista do Toldo com a aplicação de uma ação conjunta – universidade, prefeituras, MDA, FAPESC - para se estruturar a agroindústria no território da 26a SDR, de forma organizada desde o início da implantação, bem como, a configuração do quadro e número de associados até definir toda a produção de matéria prima, desenvolvimento dos produtos a serem industrializados e análise de mercado do qual a produção deverá ser comercializada. Entrementes, o agronegócio para esses agricultores familiares será, com certeza, a grande fonte para o desenvolvimento local e regional. Além do mais, ajudará a evitar o êxodo rural, motivado pela falta de oportunidades, do qual, estas pessoas almejam num futuro próximo a própria sobrevivência. 38 Assim, nasciam os primeiros passos de um estudo que converteria as necessidades organizacionais acionais e familiares d de 80 pequenos proprietários aproximadamente 5000 (cinco mil) pessoas que muitas vezes não possuem condições específicas para concorrer no mercado globalizado e competitivo. Neste sentido utilizado um espaço que o município já disponibilizava disponi conforme demonstra a figura. figura Figura 1: Espaço da futura agroindústria Fonte: Knorek, (2010 2010). O espaço precisa de reformas e adequações para que o projeto alcançasse seus objetivos. Para tanto foram delimitadas fases. Conforme onforme Knorek (2010), (2010) na primeira fase foi desenvolvida desenvolvid a implantação da parte física estrutural da agroindústria; com a ação de compra de equipamentos; a definição do local da instalação do agronegócio, o modo de fomentar todo o sistema de produção de matéria prima para a agroindústria. Na segunda fase o desenvolvimento envolvimento da pesquisa científica, desenvolveu-se desenvolv pelo diagnóstico dos produtos comercializados no comércio local dos municípios da 26 SDR. Após o diagnó óstico eles serão classificados e identificados como os que 39 podem ser produzidos endogenamente pelos pequenos pequenos produtores locais-regionais locais nos municipios de Canoinhas, Três Barras, Major Vieira, Bela Vista do Toldo T e transformados na agroindústria. agroindú Figura 2: Espaço já todo reformado da agroindústria Fonte: Knorek, (2010). Já na terceira fase fa ocorreu a organização da gestão e do processo da agroindústria,, pela definição do do modo de organização da agroindústria e quais serão os participantes. A forma de contrato de compra e venda. Quem será o gestor da agroindustria, forma de gestão. Nesta fase fa foi definida toda a forma organizacional de funcionamento. Partindo-se então para a quarta fase que ocorreu o treinamento dos associados, os, com cursos direcionados às fases da: produção, industrialização e comercialização. Esta fase deverá ser desenvolvida com profiss ssionais de apoio em cada fase do processo produtivo. Na produção a implantação de fomento para garantir a matéria prima da agroindustria. Na fase da industrialização serão desenvolvidos cursos sobre conservas em geral, desenvolvimento senvolvimento de novos produtos, gestão da qualidade. Gestão de custos de produção. Marketing comercial. Na fase de comercialização serão realizados cursos sobre vendas e distribuição. E, na quinta fase o desenvolvimento e a promoção dos canais de 40 comercialização. Será desenvolvido uma pesquisa de mercado sobre a implantação de uma feira livre em cada um dos município da região da 26a SDR. Definição da forma de comercialização. Definição da marca da agroindustria para serem comercializados os produtos desenvolvidos e produzidos na agroindústria. Um projeto necessário, mas com muitos desafios a serem vencidos principalmente quando a meta é consolidar o agronegócio nos municípios da 26a SDR, desenvolvendo, equipando e organizando um agronegócio para agricultores familiares, construindo o associativismo e cooperativismo garantindo o desenvolvimento territorial e a sustentabilidade dos mesmos. Com o passar dos dias o projeto foi aos poucos sendo implementado, transformando em uma realizada para Bela Vista do Toldo e os demais municípios parceiros. A defesa deste trabalho pelo professor galgou caminhos e oportunidades, sendo que o mesmo pode fazer explanação deste projeto em congressos nos municípios de Criciúma e Curitiba. Além, de um trabalho científico obteve o respaldo das comunidades que o apoiaram a demonstrando a confiabilidade nas metas e objetivos propostos. Objetivos que contaram com uma equipe de trabalho promissora que envolvia 17 profissionais formando uma equipe multidisciplinar. E como formador da equipe do Professor Reinaldo, nasce o interesse de fazer o estudo de caso para verificar a configuração organizacional da gestão que envolvia a agroindústria de Bela Vista do Toldo. Depois de muitas conversas delimitou-se a tipo de pesquisa e os procedimentos metodológicos a serem trabalhados no projeto de mestrado. 3.1 TIPO DE PESQUISA O tipo de pesquisa selecionada para este trabalho foi o estudo de caso. Segundo Gil (1999) este tipo de estudo envolve o estudo profundo e exaustivo de um ou poucos objetos de maneira que se permita o seu amplo e detalhado conhecimento. A natureza tem natureza aplicada que conforme Gil (1999) ela objetiva gerar conhecimentos para aplicação prática, dirigidos à solução de problemas específicos. 41 A abordagem é qualitativa que segundo Gil (1999) há uma relação dinâmica entre o mundo real e o sujeito, isto é, um vínculo indissociável entre o mundo objetivo e a subjetividade do sujeito que não pode ser traduzido em números. A interpretação dos fenômenos e a atribuição de significados são básicas no processo de pesquisa qualitativa. O ambiente natural é a fonte direta para coleta de dados e o pesquisador é o instrumento-chave. Em relação aos objetivos essa pesquisa foi exploratória descritiva. Exploratória porque o conhecimento a cerca do problema a ser resolvido por meios de hipótese e idéias: que foi dividida em duas fases. Na fase preliminar foram exploradas as informações sobre o agronegócio voltado a agricultura familiar. Na fase seguinte foi descrito todos os fatos observáveis na configuração e gestão da agricultura familiar de Bela Vista do Toldo desenvolvido em parceria com as prefeituras de Canoinhas, Três Barras, Major Vieira e Bela Vista do Toldo em busca de soluções para o desenvolvimento regional-local nos delimites da 26ª SDR a partir das atividades da agricultura familiar. A pesquisa exploratória segundo Gil (1999), visa proporcionar maior familiaridade com o problema com vistas a torná-lo explícito ou a construir hipóteses. Envolve levantamento bibliográfico; entrevistas com pessoas que tiveram experiências práticas com o problema pesquisado; análise de exemplos que estimulem a compreensão. Assume, em geral, as formas de Pesquisas Bibliográficas e Estudos de Caso e ainda envolve verdades sobre a configuração a agroindústria e interesses locais. 42 4 CONTEXTO DA PESQUISA Para entender a caracterização de cada município onde foi realizada a pesquisa de campo foi necessário descrever os contextos históricos e culturais de cada localidade, haja vista, a diversificação das atividades agrícolas que perfazem a situação do cotidiano das famílias que compõem este cenário da agroindústria de Bela Vista do Toldo, sob a coordenação da 26ªSDR. Figura 3: mapa da localização da 26ª SDR Fonte: Relatório diagnóstico da exclusão social em Santa Catarina, 2003. Conforme demonstra a figura acima, são 6 os municípios que compõem a 26ª SDR, e destes foi realizado a entrevista são norte desta pesquisa em 4 municípios, pois, Porto União e Irineópolis não faz parte do projeto que abrange a agroindústria em Bela Vista do Toldo financiado pela FAPESC. 43 4.1 CANOINHAS Conforme dados do IBGE (2010), a população do município é de 54.645 habitantes dos quais 73,4% vivem na cidade e 26,6% nas áreas rurais. A taxa de crescimento demográfico nos últimos quatro anos foi de 4,67%, de acordo com a média regional. Seu IDH é 0,781 ocupando a posição de 190 no estado, sua renda per capita é de 254,27. Possui, 2.046 produtores rurais com uma área de produção de culturas temporárias de 30.728 há, ocupando 5.321 pessoas na agricultura. Desses, 54% dos imóveis rurais do município são caracterizados como minifúndios, detentores de 1 a 20% hectares. Outros 670 ou 38% dos agricultores têm até 100 hectares e são qualificados como médios proprietários. Apenas, 141, ou seja, 8% possuem mais de 100 hectares (SEBRAE, 2010). As famílias que atuam no meio rural, possuem descendência polonesa, ucraniana, italiana, alemã e cabocla, com forte vocação e tradição nas atividades agropecuárias, facilitando a manutenção e o fortalecimento deste setor na região. Aliado, a isto, existe na região uma base de extensão rural, revalorizada pelo projeto Microbacias llI, e de pesquisa agropecuária com uma estação experimental. Além disto, tem ocorrido nos últimos anos, um avanço significativo nas organizações representativas da agricultura familiar, pelo cooperatisvismo e em seus fóruns de discussão. Diante deste quadro, pode-se dizer que há uma mesclagem e convivência entra pequenos, médio que, ao contrário de concorrem entre si, sugerem o desenvolvimento de uma complexa rede produtiva interdependente. De acordo com Oliva & Giansanti (1995, p.16); Este desejo do ser humano vem: brotando do reconhecimento de uma profunda reestruturação da vida contemporânea e de uma consciência explícita do desenvolvimento geograficamente desigual [...], há um extraordinário apelo por uma perspectiva crítica, por um modo diferente de ver o mundo. Isso significa passos promissores do desenvolvimento para os arranjos produtivos, que contribuem no processo de diversificação das atividades que perfazem o cenário da agricultura familiar. Canoinhas tem 1.764 produtores rurais com uma área de produção de culturas temporárias de 24.000 ha, ocupando 6.530 pessoas na agricultura. Desses, 44 54% dos imóveis rurais do município são caracterizados como minifúndios, detentores de 1 a 20 hectares. Outros 670 ou 38% dos agricultores têm até 100 hectares e são qualificados como médios proprietários. Apenas 141 ruralistas ou 8% possuem mais de 100 hectares e são considerados donos de grandes extensões de terras. Os minifúndios caracterizam a paisagem rural de Canoinhas. Do total de propriedades, 1.600 plantam feijão, 1.500 cultivam o milho e dedicam-se ao plantio do fumo, 570 cultivam a batata inglesa, 200 o tomate e 130 deles a soja e, produz-se 24.000 kg de mel por ano. (SEBRAE, 2010). 4.2 BELA VISTA DO TOLDO A região onde hoje fica Bela Vista do Toldo foi passagem de tropeiros que transportavam gado, couro e charque do Rio Grande do Sul para São Paulo e Minas Gerais. Os tropeiros paravam para descansar e, a partir de 1880, foram surgindo pequenos povoados. Depois da Guerra do Contestado, uma leva de imigrantes começou a chegar às terras em busca de melhores oportunidades. A região de Bela Vista do Toldo onde está o município foi colonizada por italianos, alemães, poloneses, ucranianos e japoneses, que chegaram após o conflito da Guerra do Contestado (IBGE, 2010). O município conta com uma população de 5.721 habitantes 5.151 residem na zona rural e 570 pessoas vivem na área urbana. Sua renda per capta é de 123,59, seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é 0,703 ocupando a 288 posições no estado (IBGE, 2010). O turismo tem apresentado, nos últimos anos, índices de crescimento extremamente velozes e significativos nas mais diversas regiões do mundo, proporcionando desenvolvimento econômico, assim como, à ampliação do mercado de trabalho e geração de mudanças no quadro social (SOUZA, 2000). Bela Vista do Toldo, encontra-se configurada pela agricultura familiar e desta atividade a incrementação da renda tem ocorrido pelo turismo rural com Pousadas, Museu, Pesque Pague, ecoturismo e ainda pela agroindústria que ofereceu novos horizontes para a produção das propriedades. 45 4.3 TRÊS BARRAS Seus primeiros moradores foram caboclos e cafuzos que trabalhavam para os coronéis donos das terras, recebidas do governo. Mas no final do Século XIX, com a instalação da empresa norte-americana Southern Brazil Lumber and Colonization Company, a maior serraria da América Latina , vieram os italianos, alemães e até japoneses. Sua População de 17.124 habitantes sendo 2.901 moradores da zona rural e 14.223 moradores da área urbana. Seu IDH é de 0, 759 ocupando o 240 lugar no estado e a renda per capta é 205,84. Três Barras, possui em sua configuração atual a indústria e a agricultura, aliado para agricultura familiar da região famílias estão inseridas no contexto do turismo rural da agricultura familiar, e foram aos poucos trabalhando e fazendo sua realidade ser apreciada pelo poder público local, reconhecimento que veio pelo Ponto de venda de produtos colônias tão almejado pela classe rural. Para Oliva & Giansanti (1995, p. 2), “[...] o processo de regionalização, ou a constituição de áreas diferenciadas, deu-se o partir de fenômenos como o desenvolvimento de economias locais, as imigrações, as conquistas e os intercâmbios comerciais”. Portanto, se percebe que a organização é parte fundamental deste processo e com passos sólidos pautado pelo planejamento e gestão poderá dar frutos promissores. 4.4 MAJOR VIEIRA Em 1924, quando italianos, alemães e ucranianos já habitavam as terras, a área passou a distrito de Ouro Verde. A criação do município só ocorreu em 23 de janeiro de 1961 e o nome é uma homenagem ao major Tomaz Vieira, primeiro superintendente de Canoinhas. Sua população é de 6.906 habitantes; destes 4.707 vivem na zona rural e 2.199 em área urbana. Seu IDH é de 0, 753 ocupando a 251, posição no estado e sua renda per capta é de 187,43. Major Vieira, não possui indústrias, sendo assim, a agricultura sua principal atividade. Porém, os agricultores familiares estão organizados para sua demanda 46 produtiva tenha destino. E foi identificando as características sociais, culturais e naturais do lugar onde eles vivem, que souberam explorar e identificar suas potencialidades. Pires (2000, p.111) diz que “[...] valorizar o caráter plural de atrações em uma localidade, partindo-se da idéia-chave de que a presença de diversos recursos associados ou próximo a um recurso principal aumenta consideravelmente o poder desta demanda. “ Assim, e desta organização do pequeno município foi possível se conhecer o todo, fazer comparações, distinguir similaridades e contrariedades, buscar explicações e alternativa mais viável que proporcionasse o renda para o homem do campo. 4.5 IRINEÓPOLIS Irineópolis conta com uma população de 9.734 habitantes dos quais, 6.770 moradores da zona rural e 2.964 vivem em área urbana. Seu IDH é de 0, 768 ocupando 224 lugar no estado e sua renda per capita é de 206,08. Pequeno município, mas rico em diversidades culturais e rurais os agricultores foram aos poucos explorando diversos caminhos para incremento de renda. Isso demonstra uma imersão ao mundo rural, onde a gastronomia predomina. Encontra-se em Irineópolis o Museu e casarão da Família Domit, conhecido em todo estado e que recebe inúmeras visitas no qual foram preservados dados históricos e familiares. Fazer, a análise destes 5 municípios se percebe a importância das configurações peculiares oriundas de cada, e uma agroindústria foi a alternativa encontrada para incrementação de renda. Mas devido a extensão dos municípios um único não poderia abarcar sozinho este processo, a união dos cinco fez-se crescer e florescer a idéia de parcerias em nome de suprir as necessidades de cada um. Portanto, verificar a gestão da agroindústria de Bela Vista do Toldo que atende os cinco municípios é fundamental importância pelo contexto representativo que ela representa a todas as famílias que acreditam, trabalham e vivem em função deste projeto. 47 4.6 PORTO UNIÃO Como povoado, a cidade começa em 1842, em descoberta do Vau, no Rio Iguaçu, - lugar no rio de baixa profundidade que facilitou as passagens das tropas que vinham dos campos de Palmas. Esse lugar era também o ponto de embarque e desembarque para quem se vali do Iguaçu como meio de transporte. Daí o primeiro nome: Porto da União. Em 1912 tem início conflitos do Contestado que se prolongam até 1916. Em 5 de setembro de 1917 é criado o município de Porto União que a partir daí, passa a conviver, em todos os aspectos, com a parte da cidade que ficou do lado paranaense. É paradoxal, mas é verdadeira, a linha que divide os municípios, une as comunidades (PREFEITURA MUNICIPAL, 2011). Porto União, localizada no planalto norte de Santa Catarina, possui 32.253 habitantes em uma área de 845,8 km². O relevo é constituído de planícies, montanhas, vales, grandes várzeas nas bacias dos Rios Iguaçu e Jangada, na divisa com o estado do Paraná, e do Rio Timbó. O clima se classifica como mesotérmico úmido, com temperaturas médias de 17o C e uma precipitação anual de 1.400 milímetros. O município é banhado pelos Rios Iguaçu e seus afluentes rio Jangada, Timbó, Pintado, dos Pardos, Bonito e Tamanduá. Em relação à agroindústria Porto União significa, atualmente 25% da economia do município. São 26 agroindústrias distribuídas por todo o interior, envolvendo mais de 250 famílias. Uma das conseqüências mais positivas dessas agroindústrias é a redução do êxodo rural e a geração de renda para os agricultores. Possuí quatro agroindústrias que produzem embutidos todas com inspeção municipal e federal. Os principais são a lingüiça, o salame, o lombo defumado, a costelinha, o bacon, a linguicinha e o chouriço. (PREFEITURA MUNICIPAL, 2011) 48 5 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS Os dados foram analisados de forma ordenada por município quando foram observado relevante e depois transportados para tabelas específicas, pois os dados coletados na integra estão expostos em anexos. Para entendimento dos entrevistados a pesquisa foi realizada por assuntos específicos como: sobre o desenvolvimento da agroindústria, a percepção dos agricultores no que tange a forma organizacional da gestão e sobre políticas públicas dentro do desenvolvimento familiar. Muitos autores falam em expansão da agroindústria nos municípios da pesquisa, mas quando isso se torna realidade precisa de um processo de gestão efetivo e duradouro que atenda aos preceitos da gestão da empresa familiar com ferramenta administrativa oriunda de uma conscientização coletiva. Não se pode expressar conceitos de agroindústria para a agricultura familiar sem explanar a importância dos processos administrativos eficazes pautados pelo comprometimento e responsabilidade dos gestores municipais, por meio de um sistema de política pública. 5.1 AGRICULTORES Nesta primeira etapa da pesquisa (entrevista com 50 agricultores de cada município que pertencem a 26ª SDR) foi perguntado sobre a importância da agroindústria para a agricultura familiar, cujos resultados estão na tabela abaixo: Tabela 1: Agroindústria na agricultura familiar Município Excelente Bom Bela Vista 75% 25% Três Barras 40% 45% Major Vieira 59% 33% Canoinhas 91% 9% Fonte: Theodorovitz M, (2011). Acredita-se que quando se fala em agroindústria, os gestores devem trabalhar unissonamente, pois quando se trata de uma empresa que visa somente à 49 lucratividade os processos e as ferramnetas de gestão devem ser aliado, na agroindústria que é de uso comum destes associados. Pois, no cotidiano dos pequenos negócios, as aproximações entre indivíduos sempre existiram, fazendo com que os arranjos locais fossem amplamente estruturados visando o desenvolvimento tanto comunitário como individual. A cooperação e articulação é base deste processo que visa a melhoria da qualidade de vida dos agricultores envolvidos na agroindústria. Neste ínterim, a falta de incentivos, seja da comunidade local ou do poder público em relação a estes empreendedores. As iniciativas locais ficam estagnadas onde, teoria dos programas são feitas, mas as ações nem saem do papel, gerando uma descredibilidade das ações governamentais sejam elas locais, estaduais ou federais. Deste pressuposto foi perguntado se os agricultores são organizados e se isso facilita a colocação da produção e as repostas estão na tabela 2: Tabela 2: Organização dos agricultores e a produção para uma agroindústria Município Concordo totalmente Concordo parcialmente Bela Vista 92% 8 Três Barras 20% 80 Major Vieira 59% 33 Canoinhas 5% 95 Fonte: Theodorovitz M, (2011). Percebe-se na distribuição dos dados na tabela 2, que os agricultores dos municípios possuem visão diferenciadas, em Bela Vista do Toldo 92% concorda totalmente com a questão, já Canoinhas apenas 5% disseram concordar totalmente. Os entrevistados sabem que a organização é importante para atingir seus objetivos e alavancarem com a agroindústria, mas ainda existem lacunas que precisam ser analisadas. Tal assertiva é evidenciada pelos arranjos locais e um exemplo é a implementação da agroindústria de Bela Vista do Toldo, onde a organização é parte fundamental no processo, pois a dinâmica entre as partes interagem suprindo as necessidades. A união entre municípios podem fazer um mosaico regional 50 competitivo onde os novos insumos podem ser bem explorados, e as técnicas de trabalho sejam mais rapidamente empreendidas, isso advém da capacidade do ser humano de empreender e se unir em sociedade. Estas sinergias humanas serviram e ainda servem para impulsionar e desenvolver os pequenos empreendimentos nas agroindústrias como é o caso da pesquisa em questão. Tabela 3: Mudanças e tendências que a inovação tecnológica propõe Município Concordo totalmente Concordo parcialmente Bela Vista 92% 8 Três Barras 100% 0 Major Vieira 33% 67 Canoinhas 95% 5 Fonte: Theodorovitz M, (2011). Pelos percentuais dos resultados nesta questão observa-se que os agricultores estão atentos ás mudanças seja de tecnologia, aperfeiçoamento, inovação que são ferramentas essenciais para um administrador. Falar em mudanças, tendências e inovação é trabalhar e se agrupam ao redor de uma aplicação, mercado, desenho, processo ou produto particular. Isso costuma indicar uma oportunidade para as inovações ou mudanças fundamentais. Portanto, somente pelo processo de conscientização e de políticas eficazes a agricultura familiar é que se conseguirá quebrar estes paradigmas ainda observados na gestão familiar do meio rural. Estes processos serão árduos, pois se adentra a velhas atitudes, comportamentos advindos de cultura arraigada, e mudálas somente pela tomada de consciência. Assim, quanto, mais ferramentas administrativas os agricultores utilizarem, suas oportunidades deverão crescer significativamente, portanto foi perguntado se os movimentos financeiros eram realizados separados da vida pessoal e da empresa. 51 Tabela 4: Movimentos financeiros da sua empresa rural Município Concordo Concordo Discordo Não totalmente parcialmente Bela Vista 16% 67% 17% Três Barras 50% 30% - 20% Major Vieira 8% 50% 25% 17% Canoinhas 95 5 - - responderam Fonte: Theodorovitz M, (2011). Quando se fala movimento financeiro às pessoas ficam sempre com dúvidas, intrigadas, causando um impasse nos processos organizacionais. Portanto, recorrese aos aportes de alguns autores da área para esclarecer o questionamento. Partindo-se do princípio que todos os indivíduos nascem predestinados à administrar financeiramente suas vidas e este gerenciamento da forma coerente, ética e responsável, pode ser entendido como uma arte onde poucos atingem a perfeição. Tabela 5: A Agricultura Familiar integração do núcleo familiar Município Concordo Concordo parcialmente totalmente Não responderam Bela Vista 83 17 - Três Barras 65 20 15 Major Vieira 67 33 - Canoinhas 5 95 - Fonte: Theodorovitz M, (2011). Os resultados obtidos com os agricultores entrevistados nos municípios, se percebe que ainda não estão claros os objetivos da agricultura familiar na agroindústria do município de Bela Vista. 52 Tabela 6: Planejamento da propriedade Município Concordo Concordo parcialmente totalmente Não responderam Bela Vista 92 8 Três Barras 60 25 15 Major Vieira 67 17 16 Canoinhas 9 91 - Fonte: Theodorovitz M, (2011). Quanto a questão de planejamento da propriedade percebem a importância conforme demonstra os resultados acima, mas, ainda existe algumas lacunas que devem ser sanadas para que a gestão alcance seus objetivos. Conquanto, perguntou-se se os agricultores utilizam em suas atividades e os resultados foram explanados na tabela abaixo. Tabela 7: Planejamento das atividades na propriedade Município Faço ano De vez em Nunca faço todo quando Bela Vista 50 42 8 Três Barras 45 35 - Major Vieira 92 - 8 Canoinhas 5 95 - Não responderam 20 - Fonte: Theodorovitz M, (2011). Conforme se verifica no gráfico acima o planejamento nas propriedades rurais no município de major Vieira foi o que se destacou com 92% dos entrevistados que responderam utilizar esta ferramenta. Em Canoinhas somente 5% dos entrevistados disseram utilizar. A partir disso, o planejamento estratégico ocorre com o objetivo de obter um direcionamento das metas almejadas em relação ao seu ambiente de atuação, e tem em seu bojo melhorar os resultados, até alcançar a sustentabilidade. 53 Tabela 8: Arquivamento de documentos Município Concordo Concordo Não totalmente parcialmente responderam Bela Vista 100 - - Três Barras 80 5 15 Major Vieira 100 - Canoinhas 95 5 - Fonte: Theodorovitz M, (2011). Na tabela 8 ampliou-se o entendimento de gestão, perguntando sobre o arquivamento de guias, notas, tickets, obteve-se um percentual equilibrado entre os resultados das entrevistas. Tabela 9: Registrar o funcionário Município Concordo Concordo Não totalmente parcialmente responderam Bela Vista 75 17 8 Três Barras 60 - 40 Major Vieira 92 8 - Canoinhas 95 5 - Fonte: Theodorovitz M, (2011). Também pelos dados da tabela 9, verifica-se que os produtores preocupamse com o registro de funcionários deixando a empresa em dia com suas obrigações trabalhistas. Podem causar despesas adicionais, porém ele fica sobre proteção caso aconteça acidente. 54 Tabela 10: Gestão no meio rural Município Concordo Concordo Não totalmente parcialmente Bela Vista 75 25 Três Barras 75 - 5 20 Major Vieira 33 33 17 17 Canoinhas 95 5 Discordo responderam - - Fonte: Theodorovitz M, (2011). Já na tabela 10 somente o município de Major Vieira possui visão diferenciada para os modelos de empresa rural quanto aos preceitos administrativos do que a urbana. Os demais municípios entenderam que se deve seguir o mesmo padrão. As ferramentas administrativas podem ajudar a gestão da agroindústria, porém, não se deve esquecer as peculiaridades no meio rural, a utilização de máquinas e equipamentos e escalas menores, procedência própria da matéria-prima em sua maior parte, ou de vizinhos, processos artesanais próprios, assim como predominância da mão-de-obra familiar, são aspectos que não devem ser esquecidos na gestão rural. Tabela 11: A associação e o empreendedor Município Concordo Concordo Não responderam totalmente parcialmente Bela Vista 75 25 - Três Barras 65 5 30 Major Vieira 92 8 17 Canoinhas 95 5 - Fonte: Theodorovitz M, (2011). Foi perguntado na tabela 11 sobre gerenciamento administrativo e as respostas foram significativas. 55 Tabela 12:: As políticas públicas e desenvolvimento da agricultura familiar Município Concordo Concordo Não responderam totalmente parcialmente Bela Vista 34 58 8 Três Barras 35 50 15 Major Vieira 75 9 16 Canoinhas - 9 91 Fonte: Theodorovitz M, (2011). (2011) influ ncias externas e internas e uma Pelos preceitos organizacionais existem influências delas são as políticas públicas, então foi perguntado se as políticas públicas ajudam a agricultura familiar e os resultados da pesquisa de campo com relação a questão foi surpreendente. Pelo que se percebe na pesquisa, existe ste uma lacuna situações da agroindústria reais de Bela Vista do Toldo. Mas não basta apenas unir pessoas, mas sim oferecer condições de capacitação e conscientização sobre assuntos pertinentes que envolvam os agricultores e sua produtividade produtividade. Indiferentemente emente se ela reside no meio urbano ou rural, mas as ferramentas devem ser as mesmas. Sabe-se se das peculiaridades do meio rural, neste sentido como aporte tem-se se as políticas públicas voltadas a este meio que podem contribuir significativamente para alavancar alavanc o setor. Em relação às políticas públicas adentram-se a um critério mais especifico que foi o PRONAF e perguntou-se; perguntou Gráfico1: capacidade da agricultura familiar em absorver mão de obra visando combater parte dos problemas sociais e urbanos provocados pelos desemprego rural 9% concordo parcialmente 91% Fonte: Theodorovitz M, (2011). discordo 56 Pelo exposto do gráfico 1, 1 a criação do PRONAF transform ransformou-se em opção privilegiada para combater parte e dos problemas sociais urbanos provocados pelo desemprego rural,, assim, os entrevistados istados concordam parcialmente que o PRONAF, como política pública pode combater os problemas sociais urbanos. urbanos Existem linhas especiais que o PRONAF poderá respaldar aos agricultores familiares sendo: o PRONAF Crédito – a lógica econômica individual ou ainda o PRONAF - Infraestrutura/Serviços strutura/Serviços Municipais e Capacitação. Capacitação Apesar da importância impor da capacitação, o Governo reconhece econhece que esta linha de ação do PRONAF não está institucionalmente bem organizada. Ainda que esta linha de ação tenha sido implantada e tenha se expandido, o que se observa é que não houve inovação organizacional na extensão rural em moldes mais ambiciosos. ambicio 5.2 GESTORES Foi perguntado aos 04 gestores dos municípios quanto à importância da agroindústria e todos foram unânimes em dizer que é importante para o desenvolvimento local e regional. Gráfico 2: Identificação da importância da Agroindústria 25% excelente 75% bom Fonte: Theodorovitz M, (2011). Perguntado como o entrevistado identifica a importância da agroindústria voltada a agricultura familiar, 75% responderam excelente e 25% bom. Reforça-se Reforça que, somente por ações concretas como a agroindústria agroindústria é que os agricultores 57 poderão obter alternativas viáveis para incrementar sua renda, renda elevando a autoestima,, e a permanência do homem na área rural. rural Gráfico 3: O êxodo rural, foi apenas uma das graves conseqüências do processo de transformação da agricultura 25% concordo totalmente 75% concordo parcialmente Fonte: Theodorovitz M, (2011). Em análise do apresentado pelo gráfico 3, os gestores concordam totalmente sobre a temática do êxodo rural, que levou a um crescente assalariamento da força de trabalho agrícola, agrícola e como consequência ência do processo de transformação da agricultura. Gráfico 4: A diversificação da propriedade surge como motivação tornando-os empreendedores do meio rural 25% concordo totalmente 75% concordo parcialmente Fonte: Theodorovitz M, (2011). O gráfico acima demonstra que 75% concorda totalmente e 25% parcialmente, sobre a questão abordada. Porém, enfatiza-se se que a agroindústria 58 familiar rural é uma forma de organização em que a família rural produz, processa e/ou transforma parte de sua produção agrícola e/ou pecuária, visando, sobretudo, a produção de valor de troca que se realiza na comercialização. Enquanto isso, a atividade de processamento de alimentos e matérias primas visa visa prioritariamente a produção de valor de uso que se realiza no auto consumo. Gráfico 5: A participação dos agricultores familiares no processo decisório e na operacionalização das políticas públicas concordo totalmente 1 100% Fonte: Theodorovitz M, (2011). Conforme demonstram demonstra os dados do gráfico 5, os 4 gestores concordam totalmente que a participação de todos abre novas perspectivas para o desenvolvimento local uma vez que permitem que se tornem conhecidas as demandas dos agricultores familiares. Conforme reforça Putman (1999) na fundamentação teórica as forças organizadas conformam o capital social daquela comunidade, que configura-se então com a capacidade de organização da mesma e envolve, inclusive, o conjunto de normas e sistemas que se organizam organi para facilitar as ações ções coordenadas. 59 Gráfico 6: Gestores estores municipais e os Conselhos Municipais de Desenvolvimento Desenvol Rural Sustentável 25% 50% conhecem amplamente conhecem parcialmente 25% conhecem muito pouco Fonte: Theodorovitz M, (2011). (2011) Conforme demonstra o gráfico 6 a estimativas de 50% que conhecem amplamente s CMDRs, deixam deixa a desejar, pois ao assumir uma tarefa que conduza a políticas municipais para a agricultura familiar. Subentende-se Subentende se que as pessoas que assumem estes cargos, que são de suma importância para o desenvolvimento d da agricultura familiar deveriam conhecer todo o processo deste conselho. As diretrizes, metas, objetivos e principalmente ser consciente do papel que representa uma CMDR para a eficácia de políticas rurais e no desenvolvimento local e regional. regio Sabe-se que o PRONAF têm esta perspectiva de descentralização e especialmente a linha de Infra-Estrutura/Serviços Infra Estrutura/Serviços Municipais foca a sua ação a partir da formação dos Conselhos Municipais de Desenvolvimento Rural e Sustentável (CMDRS), conferindo uma maior autonomia das das políticas públicas com relação ao aparato burocrático do Estado. Programas governamentais de desenvolvimento rural tem sido alvo de críticas por não terem sido capazes de promover mudanças positivas no quadro socioeconômico. 60 6 RESULTADOS E DISCUSSÃO A agricultura familiar vem sendo focada e fortalecida para diversificar seus produtos, com a preocupação da qualidade de vida e tem procurado ajustar-se ao mercado consumidor. As propriedades foram aos poucos, pelos diagnósticos técnicos, identificados sua vocação econômica, valorizando seus potenciais, para que o mosaico deste processo tomasse forma organizada e administrativa. Assim, os municípios pesquisados articulam-se em forma de associações como é o caso da Agroindústria de Bela vista do Toldo, com os demais vizinhos municipais. Todavia, este processo de gestão também ficou submetido, aos interesses do mercado global. Neste sentido, foi preciso valorizar e identificar prioridades para que não apenas as capacidades de um determinado município em produzir mas sim, a sua capacidade de inserir seu produto no mercado mais amplo e globalizado. Como bem explica Zapata (2001) ao mesmo tempo em que o nível do local garante a flexibilização de regras para o mercado melhor atuar, também a influencia na formação de novas molduras socioeconômicas, buscando sustentabilidade diversas e construindo uma cidadania mais participativa. Porém, verifica-se que a dinâmica dos municípios pesquisados em relação ao fortalecimento da gestão, ainda encontra-se com lacunas que precisam ser sanadas para que o desenvolvimento local e regional ocorra. Mesmo em pequenos municípios, não se pode esquecer-se do contexto global, seja do ponto de vista das oportunidades seja da abordagem competitiva. Tudo deve ser considerado na busca de melhores padrões de desenvolvimento, portanto as iniciativas locais, devem primar por políticas maiores, pois estas sim, podem potencializar recursos e esforços locais fazendo acontecer o desenvolvimento almejado. Isso somente ocorrerá com políticas locais, em que é mais fácil para o agricultor conquistar esforços do legislativo e do administrativo com políticas concernentes ao setor. Conquanto, essa aproximação advém das transformações democráticas em nome da transparência. Necessitava-se de uma definição de novos princípios pautados no campo administrativo para que a administração pública passe a ser vista com credibilidade, inclusive pelos agricultores que sempre foram uma categoria produtiva de segundo plano, haja vista, que as políticas para a agricultura familiar 61 foram implantadas pelo governo Federal em 1995 pela Resolução CMN/BACEN nº. 2.191 de 24/08/95 com a finalidade de conceder crédito de custeio e investimento na atividade produtiva familiar. Isso significa que se está ainda dando os primeiros passos junto a efetividade de programa do PRONAF. Portanto, o que deixa claro no estudo em questão, é que em um país que possui aproximadamente 4,5 milhões de estabelecimentos da agricultura familiar, dos quais 50% estão no Nordeste. O segmento detém 20% das terras e responde por 30% da produção global. Em alguns produtos básicos da dieta dos brasileiros, os agricultores familiares são responsáveis por aproximadamente 40% do valor bruto da produção agropecuária, 80% das ocupações produtivas agropecuárias e parcela significativa dos alimentos que chegam à mesa dos brasileiros, como o feijão (70%); a mandioca (84%); a carne de suínos (58%); de leite (54%); de milho (49%); e de aves e ovos (40%) (SANTOS, 2010). Para Schneider (2003) o surgimento do Pronaf, passou a reforçar a defesa de propostas que vislumbrassem o compromisso cada vez mais sólido do Estado com uma categoria social considerada específica e que necessitava de políticas públicas diferenciadas (juros menores, apoio institucional). Como é fácil implementar políticas e fazer perpspectivas para colocar números representativos do setor de agroindustria. Na realidade, o que se percebe são ações embrionárias por parte municipais como capacitação, pequenos projetos, em fim, uma falta de politicas com eficácia, sem verificar a real necessidade daquelas pessoas que vivem no campo, o que falta são ações concretas que sejam voltadas as reais condições de cada localidade e de cada produtor. Isso se comprova pelos dados coletados no gráfico 1, em que 91% dos entrevistados disseram discordar que a criação do PRONAF, foi para o reconhecimento da capacidade da agricultura familiar em absorver mão de obra, transformando-se em opção privilegiada para combater parte dos problemas sociais urbanos provocados pelo desemprego rural. Os agricultores entendem a abrangência do PRONAF, mas as políticas públicas muitas vezes são insuficientes, pela falta de conhecimento dos gestores sobre a verdadeira essência das CMDRs. Os conselhos, são o elo que poderia garantir a eficácia dos trabalhos pela divulgação e conscientização dos processos decisórios para a agricultura familiar em nível federal, estadual e municipal. Mas, parece que nossos gestores estão extasiados e não repassam, nem garantem a 62 aplicabilidade dos projetos, por falta conhecimento da essência dos conselhos. A metade dos gestores municipais responsaveis pela gestão da agroindustria desconhessem as diretrizes que norteiam ações para o desenvolvimento rural. Isto foi mostrado pelos dados coletados pelo gráfico 6, no qual 50% dos entrevistados disseram conhecesserem parcialmente ou desconhessem os Conselhos Municipais de Desenvolvimento Rural, as quais são ferramentas importante nos processo decisórios em relação ás políticas e o fomento rural. Além de conhecer as metas e diretrizes que norteiam o desenvolvimento rural precisa-se oferecer alternativas viável. Somente assim se poderá minimizar o êxodo rural. Isso foi perguntado aos agricultores entrevistados, e este êxodo leva as graves consequências do processo de transformação da agricultura e 75% concordam com esta perspectiva. Diz Schneider (2003) que conter o êxodo depende de elementos que podem ser essencial na produtividade para a agricultura familiar sendo elas: formas de trabalho, os obstáculos oferecidos pela natureza e ainda as relações dos agricultores com o ambiente social e econômico. Ao se argumentar sobre elementos de gestão para agroindústria, não se pode deixar de citar as culturas locais arraigadas das comunidades, que não devem ser deixadas em segundo plano. Para aplicação de gestão da agroindústria deve-se identificar a cultura, a qual deve ser avaliada e compreendida pelos gestores a fim de facilitar o processo administrativo. Para tanto Normann (1996, p.188) diz que: Todas as organizações, e por definição todos os sistemas sociais, possuem uma cultura. Cultura é o conjunto de crenças, normas e valores que forma a base do comportamento cooperativo humano e torna suas ações, de alguma maneira, previsíveis e dirigidas para um conjunto de propostas comumente aceitas ou a manutenção de alguma situação já consagrada publicamente. A difusão e uniformidade de cultura podem variar, mas ela sempre existe, quer queiramos ou não. Reforçam Dallabrida e Fernández (2008, p.70) que frear o descaso com o meio rural dependerá das normas existentes, dos links que se criam entre o Estado e a sociedade e do ambiente doméstico institucional específico de cada realidade territorial. 63 Portanto, a cultura na organização é o ponto para a construção de uma base sólida de comprometimento de cada pessoa. Sabe-se que cada comunidade possui seus “costumes” e modificá-los é um desafio. Conquanto, para que tudo alcance os objetivos, o planejamento da propriedade é ferramenta essencial, e perguntado aos entrevistados se eles fazem planejamento, as respostas foram: 92% (Major Vieira) disseram fazer o ano todo, (Canoinhas) 95% de vez em quando, (Três Barras) 45% fazem o ano todo e 45% de vez em quando e (Bela Vista do Toldo) 50% disseram fazer o ano todo e 42% de vez em quando. Sabe-se que passos importantes foram dados visando a melhoria da qualidade dos agricultores familiares como as agroindústrias, na qual a organização e a criação de alternativas podem oferecer a equilibração das metas, porém, um processo de conscientização urge, no qual dever-se-ia unir poder público e iniciativa privada, pois muitos empreendedores urbanos poderiam ser parceiros, demonstrando que as ferramentas administrativas inseridas neste processo são eficazes e os parâmetros são e não superficiais. Isso foi perguntado aos agricultores e obteve-se um percentual de 75% que concordaram totalmente, com a quebra de paradigma em favor da agroindústria na contribuição da auto-estima para se tornarem novos empreendedores rurais. A mudança de paradigma pela parceria urbana e rural é explicada por Schneider (2003) o qual fala que sem desconhecer que a agricultura ocupa um lugar de destaque no espaço rural, cuja importância varia segundo as regiões e os ecossistemas naturais, não se pode imaginar que ela própria não tenha sido modificada no período recente. Em contextos internacionais, a dinâmica da agricultura no espaço rural vem sendo condicionada e determinada por outras atividades, passando a ser cada vez mais percebida como uma das dimensões estabelecidas entre a sociedade e o espaço ou entre o homem e a natureza (SCHNEIDER, 2003). Sem olvidar, que muitas iniciativas deram certo é necessário contribuir para que as mudanças oriundas destes processos sirvam hodiernamente como alicerces para gerir a diversificação das propriedades, pautadas pelos incentivos financeiros que são bases dos agricultores. Com isso demonstra que o setor público encontrase em ajustes e mudanças significativas, ainda longes de ser as ideais, mas, que oferecem ao seu modo um aprendizado as problemática vivenciadas pelas 64 agricultura familiar. Assim, o incentivo as agroindústrias pode ser uma iniciativa apropriada que motive a permanência destas pessoas em seu espaço rural, advindo de heranças familiares e que pela configuração do cenário familiar foram fragmentadas e transformaram-se em pequenas propriedades, que passaram da monocultura, para as alternativas para sobrevivência familiar. Falar em monocultura é citar Serra (2003, p.237) que diz que ao longo do período de formação das monoculturas e do criatório extensivo, vai surgindo nos domínios da grande lavoura, nos engenhos e nas fazendas, uma agricultura de subsistência voltada para o abastecimento alimentar da população residente. Estes engenhos e fazendas que viviam da subsistência, mais tarde tornariamse menores ainda pela fragmentação das famílias. Muitas destas familias ficaram residindo no campo outras buscaram novos destinos, mas era necessário a diversificação e procura de altenativa que incrementasse a renda familiar nascendo assim as opções como a agroindústria. Aos poucos apresenta-se oportunidades. As redes começaram a estrutura-se na busca pela produção e pelo capital social, e com informações incrementadas pela tecnologia o campo configurou-se como uma rede organizada. Este seria o desafio para a organização e gestão. Os agricultores pesquisados entendem importância deste processo tanto que ao ser perguntado sobre o assunto aos pesquisados destacou-se: com 91% do municipio de Canoinhas, conforme demonstra a tabela 1, e 75% (Bela Vista do Toldo), 59% (Major Vieira) e ainda 40% (Três Barra)s. Portanto, os agricultores sabem da importância da gestão na agroindustria, porém, será preciso organizar-se para suprir as demandas e ainda a colocação dos produtos oferecidos da agroindústria. Neste sentido, também obteve-se percentuais relevantes que deram norte ao assunto pesquisado 95% (Canoinhas), 92% (Bela Vista do Toldo), e 59% (Major Vieira), porém (Três Barras) concordam parcialmente 80% com esta questão. Não basta apenas colocação dos produtos se não se prestar atenção ao que o mecado exige, seja novos produtos, tecnologia, é preciso estar atento ao mercado e ajustar-se em nome da competitividade. Assim os pesquisados responderam em sua maioria que concordam totalmente 100% (Três Barras), 95% (Canoinhas) e 92% (Bela Vista do Toldo), mas Major Vieira disse que concorda parcialmente com a questão levantada. 65 A configuração na agroindústria, foi perguntado sobre a organização dos movimentos financeiros que sejam separados da empresa e particular e os percentuais ficaram em 95% concorda totalmente, Bela Vista 67% concorda parcialmente, e o que surpreende foi o alto índice que não responderam 37% e que não concordam ficou em 42%. Com isso verifica-se que quando se fala em questões financeiros as pessoas ficam apreensivas e as idéias divergem. Todas as interfaces do planejamento da gestão para a eficácia do trabalho foram argumentadas como: contabilidade, recursos humanos, planilhas, enfim a organização para verificação do andamento das atividades e os resultados foram: Bela Vista do Toldo concorda totalmente com 92%, seguido de 67% Major Vieira e 60% Três Barras, mas a surpresa foi Canoinhas 9%. Os recursos humanos na agroindústria possuem papel primordial, para tanto, o colaborador precisa de todas as garantias que a lei trabalhista preconiza, e neste sentido as respostas foram 95% Canoinhas, 92% Major Vieira, 75% Bela Vista do Toldo e 60% Três Barras. 66 7 CONSIDERAÇÕES FINAIS Ao finalizar este estudo verifica-se pela pesquisa que as formas de gestão da Agroindústria em Bela Vista do Toldo encontra-se ainda embrionária. Fica evidente a necessidade de conscientização e de um trabalho com os agentes envolvidos na agroindústria das ferramentas administrativas envolvendo os municípios que fazem parte deste processo, onde a 26ª SDR é a fomentadora. É importante salientar que a gestão da agroindústria da agricultura familiar onde foi realizada a pesquisa, envolve um mosaico que é desenhado por vários fenômenos sejam culturais, sociais, locais, porém pautados num mesmo norte que é o desenvolvimento regional. E levará a desenhar e redesenhar as estruturas dinâmicas e os capitais sociais envolvidos, oferecendo a estes agricultores melhores condições e diversificação do que é produzido. Incrementando as ofertas regionais levando num espaço vindouro almejando a sustentabilidade econômica das agroindústrias. Conquanto, as realidades encontradas ainda estão distantes das realidades acima explicitas, não por falta de união, percepção, responsabilidades, mas por falta de uma política pública que lhes dê o aporte necessário sobre a gestão da agroindústria, onde aos poucos as necessidades serão supridas. Uma das políticas públicas mais utilizada pelos entrevistados é o PRONAF, porém, senão for conscientizado e explicado as formas de gestão, o que teremos são ainda mais famílias de agricultores com problemas financeiros, falidos, e que com risco de ficarem sem suas terras, pois suas pequenas propriedades ficam alienadas ao financiamento. Observa-se que se fala em políticas públicas, mas as ações para o setor ainda são pequenas em relação ao objeto deste estudo, precisando com urgência a conscientização dos envolvidos neste processo, pois o papel que poderá a Agroindústria de Bela Vista desenvolve a nível regional é imensurável. Assim, a problematização desta pesquisa coloca em foco a utilização com eficácia das ferramentas de gestão, objetivando desenvolver capitais sociais e econômicos, que, por conseguinte darão respaldos ao desenvolvido social, modificando a realidade encontrada da agricultura familiar regional. 67 Respondendo a problemática levantada afirma-se que diante a realidade constatada somente com trabalho árduo de parcerias, e um processo de trabalho contínuo à médio e longo prazo conseguir-se-á quebrar estes paradigmas de gestão e política pública, que sejam capazes de gerir mudanças significativas ao desenvolvimento local e regional. Pois, as ações das políticas públicas visam sanar as dificuldades de um segmento específico, e para que suas diretrizes sejam eficientes, necessita-se de responsabilidade, planejamento sem que neste percurso sejam esquecidas certas premissas em detrimento de outras. Deve-se trabalhar o conjunto de gestão de forma holística em que a eficácia seja a transformação e concretização das metas. Finalmente o resultado de pesquisa abre a possibilidade para novas investigações sejam na área administrativa ou nas configurações locais e culturais, bem como a conscientização das pessoas que trabalham junto a agroindústria. 68 REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABRAMOVAY, R. Paradigmas do capitalismo agrário em questão, São Paulo-Rio de Janeiro-Campinas: Hucitec/Anpocs/Unicamp, 1997. AMARAL FILHO, J. O Capital Social como Fator Endógeno do Desenvolvimento. In: Patrício Antônio Vergara Rojas. (Org.). Desenvolvimento Endógeno: Um Novo Paradigma para a Gestão Local e Regional. 01 ed. Fortaleza: IADH - GESPAR, 2004, p.375-409. ASSAD, M. L; ALMEIDA, J. Agricultura e sustentabilidade contexto, desafios e cenários. Revista Ciência & Ambiente, n. 29, 2004. p. 1-30. BARCELOS, J O. LAMPERT, V., GRUNDLING, R; CANELLAS, L. C. 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SP: Armazém do Ipê ( Autores Associados), 2004. 72 APENDICE 01: QUESTIONÁRIO COM PRODUTORES RURAIS 73 QUESTIONÁRIO DE PESQUISA : PRODUTORES RURAIS DISSERTAÇÃO MESTRADO Nº da entrevista MESTRANDO: MARLON MERCHIOR THEODOROVITZ Identificação do produtor Nome do PRODUTOR Nome do Responsável Número membros da familiar Qual associação pertence Ramo de atividade na propriedade Comunidade Município Gênero ( ) masculino ( ) feminino Idade: ( ( ( ( ( ) até 30 anos ) 31 a 40 anos ) 41 a 50 anos ) 51 a 60 anos ) acima de 60 Escolarização: ( ( ( ( ) Ensino primário ) Ensino Fundamental ) Segundo Grau ) Graduação DESENVOLVMENTO DO PROJETO AGROINDUSTRIAL DA AGRICULTURA FAMILIAR Perguntas 1-Como você identifica a importância agroindústria voltada à agricultura familiar. Respostas da ( ) Excelente. ( ) Bom. ( ) Regular. ( ) Ruim. ( ) Não sei responder 2- É através das oportunidades que o agronegócio ( ) Contribuirá amplamente. proporciona que ocasionará desenvolvimento e ( ) Contribuirá parcialmente. sustentabilidade para sua localidade? ( ) Contribuirá muito pouco. ( )Não contribuirá de forma alguma. ( ) Não sei informar. 3- Quando consegue-se organizar-se com os ( ) Concordo totalmente demais agricultores consegue-se com mais ( ) Concordo parcialmente 74 facilidade a colocação da produção para uma ( agroindústria. ( ( 4-Para o agricultor prosperar em seu negócio ele ( precisa estar atento as mudanças e tendências ( que a inovação tecnológica propõe, atento que a ( tecnologia vem para melhorar a vida das pessoas. ( ( 5-O agricultor deve organizar seus movimentos ( financeiros separados dos da sua empresa rural. ( ( ( ( 6- Ser empreendedor rural significa que a pessoa ( é realizadora das atividades do meio rural na ( propriedade em busca se novas oportunidades de ( forma a ser sustentável. ( ( 7-Ser empresário rural significa que ele é dono de ( um negócio do meio rural. ( ( ( ( 8-A Agricultura Familiar visa à integração do ( núcleo familiar e a fixação do homem no meio ( rural. ( ( ( 9-O Agronegócio trará divisas e alternativas de ( produção agrícola. ( ( ( ( 10-A convivência entre pequenos, médios e ( grandes empreendedores, sugere o ( desenvolvimento de uma rede produtiva ( interdependente. ( ( ) Sem opinião ) Discordo ) Discordo totalmente ) Concordo totalmente ) Concordo parcialmente ) Sem opinião ) Discordo ) Discordo totalmente ) Concordo totalmente ) Concordo parcialmente ) Sem opinião ) Discordo ) Discordo totalmente ) Concordo totalmente ) Concordo parcialmente ) Sem opinião ) Discordo ) Discordo totalmente ) Concordo totalmente ) Concordo parcialmente ) Sem opinião ) Discordo ) Discordo totalmente ) Concordo totalmente ) Concordo parcialmente ) Sem opinião ) Discordo ) Discordo totalmente ) Concordo totalmente ) Concordo parcialmente ) Sem opinião ) Discordo ) Discordo totalmente ) Concordo totalmente ) Concordo parcialmente ) Sem opinião ) Discordo ) Discordo totalmente 11- Qual o seu interesse em associar-se na agroindústria? Resposta:____________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ PERCEPÇÃO SOBRE A FORMA ORGANIZACIONAL DA GESTÃO 75 Perguntas 1-Planejamento da propriedade visa saber de custos, contabilidade, recursos humanos, planilhas, são formas de organização e contribuem para melhor andamento da empresa rural. 2-Você planeja as atividades na propriedade. 3-Documentos tipo notas, guias, tickets de pesagens e outros devem ser arquivadas e guardadas. 4-Registrar um funcionário causa despesas adicionais, porém ele fica sobre proteção caso aconteça acidente. 5-Toda a atividade econômica da agroindústria devem ser planejadas e traçadas metas a curto, médio e longo prazo. 6- A Gestão para o homem o meio rural deve seguir os modelos de uma empresa urbana que precisa manter-se competitiva? 7-O objetivo de consolidar o agronegócio nos municípios da 26º SDR, desenvolvendo, equipando e organizando um agronegócio para agricultores familiares, o controle e abrir novos mercados é função do gestor. 8--Esta associação deve ser conduzida por pessoas empreendedoras e com visão administrativa focadas em gerenciamento administrativo. 9- É preciso melhorar os laços de confiança entre as pessoas, de compromissos, de vínculos de reciprocidade capazes de estimular os contatos sociais e as suas iniciativas. 10-A lucratividade desta organização deve retornar aos associados como forma de Respostas ( ) Contribuiu amplamente. ( ) Contribuiu parcialmente. ( ) Contribuiu muito pouco. ( ) Não contribuiu de forma alguma. ( ) Não sei informar. ( ) Faço planejamento todo ano ( ) Faço planejamento de vez em enquanto ( ) Nunca Faço planejamento ( ) Só pensei em fazer ( ) Não sei responder ( ) Concordo totalmente ( ) Concordo parcialmente ( ) Sem opinião ( ) Discordo ( ) Discordo totalmente ( ) Concordo totalmente ( ) Concordo parcialmente ( ) Sem opinião ( ) Discordo ( ) Discordo totalmente ( ) Concordo totalmente ( ) Concordo parcialmente ( ) Sem opinião ( ) Discordo ( ) Discordo totalmente ( ) Concordo totalmente ( ) Concordo parcialmente ( ) Sem opinião ( ) Discordo ( ) Discordo totalmente ( ) Concordo totalmente ( ) Concordo parcialmente ( ) Sem opinião ( ) Discordo ( ) Discordo totalmente ( ) Concordo totalmente ( ) Concordo parcialmente ( ) Sem opinião ( ) Discordo ( ) Discordo totalmente ( ) Concordo totalmente ( ) Concordo parcialmente ( ) Sem opinião ( ) Discordo ( ) Discordo totalmente ( ) Concordo totalmente ( ) Concordo parcialmente 76 melhorias, treinamentos e outros atributos ( ) Sem opinião que aumentem a satisfação de estarem ( ) Discordo juntos neste empreendimento. ( ) Discordo totalmente 11- A quem você recorre quando esta com alguma dificuldade em tomar decisões sobre seus negócios da propriedade? Justifique o motivo. ( ) esposa ( ) esposo ( ) filhos ( ) prefeitura ( ) outros Resposta:____________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ POLITICAS PÚBLICAS E DESENVOLVIMENTO DA AGRICULTURA FAMILIAR 77 Perguntas Respostas 1-As políticas públicas ajudam ao desenvolvimento ( da agricultura familiar? ( ( ( ( ) ) ) ) ) Concordo totalmente Concordo parcialmente Sem opinião Discorda Discorda totalmente 2- As prefeituras estão ajudando o desenvolvimento ( da agricultura familiar? ( ( ( ( 3-A instalação do agronegócio na agricultura ( familiar na 26ª SDR proporcionará aos associados ( uma experiência impar em vivenciar novos modelos ( de diversificação dos produtos e serviços nas suas ( propriedades. Também atenuará a visão do ( associativismo como diferencial competitivo no mercado de produtos da agroindústria. ) ) ) ) ) ) ) ) ) ) Concordo totalmente Concordo parcialmente Sem opinião Discorda Discorda totalmente Concorda totalmente Concordo parcialmente Sem opinião Discorda Discorda totalmente 4-A participação dos agricultores e agricultoras familiares, juntamente com o poder público, no processo decisório e na operacionalização das políticas públicas, abre novas perspectivas para o desenvolvimento local uma vez que permitem que se tornem conhecidas as reais demandas dos agricultores familiares e, que as soluções delineadas sejam compatíveis com a realidade local. 5-O desenvolvimento sustentável centra sua atenção para a relação dos homens com a natureza, aconselhando a utilização racionalizada dos estoques de recursos naturais. ( ( ( ( ( ) ) ) ) ) Concordo totalmente Concordo parcialmente Sem opinião Discorda Discorda totalmente ( ( ( ( ( ) ) ) ) ) Concordo totalmente Concordo parcialmente Sem opinião Discorda Discorda totalmente 6-Construir capital social é construir capacidades sociais e técnicas, aprimorar os processos de gestão social e construir a visão de território com base na cooperação e na confiança mútua. ( ( ( ( ( ) ) ) ) ) Concordo totalmente Concordo parcialmente Sem opinião Discorda Discorda totalmente 7-Você considera os gestores Públicos (prefeitos, vereadores, secretários) da sua região competentes para realização de projetos como este da agroindústria onde você esta incluído? ( ( ( ( ( ) ) ) ) ) Considero totalmente Considero parcialmente Sem opinião Desconsidero Desconsidero totalmente 8-O objetivo de consolidar o agronegócio nos ( ) municípios da 26º SDR, desenvolvendo, equipando ( ) e organizando os agricultores familiares, ( ) Concordo totalmente Concordo parcialmente Sem opinião 78 construindo o associativismo e cooperativismo garantirá o desenvolvimento e a sustentabilidade dos mesmos. 9-A criação do PRONAF na esfera governamental foi o reconhecimento da capacidade da agricultura familiar em absorver mão-de-obra, transformandose em opção privilegiada para combater parte dos problemas sociais urbanos provocados pelo desemprego rural 10-Associativismo significa indivíduos organizados e defendendo seus interesses e os da associação. ( ) ( ) Discorda Discorda totalmente ( ( ( ( ( Concordo totalmente Concordo parcialmente Sem opinião Discorda Discorda totalmente ) ) ) ) ) ( ) Concordo totalmente ( ) Concordo parcialmente ( ) Sem opinião ( ) Discorda ( ) Discorda totalmente 11- A agricultura familiar tem ocupado lugar de destaque em decorrência da sua abrangência histórico-social. Sabe-se que desde o início do processo de colonização a agricultura brasileira voltou-se, predominantemente, para a monocultura e exportação, ficando o abastecimento interno ao encargo dos pequenos produtores. Pergunta: Qual é o seu entendimento sobre diversificação de culturas para melhorias de rentabilidade em sua propriedade rural? Respostas:__________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ QUESTIONÁRIO DE PESQUISA: GESTORES DISSERTAÇÃO MESTRADO Nº da entrevista 79 MESTRANDO: MARLON MERCHIOR THEODOROVITZ IDENTIFICAÇÃO DO Nome do GESTOR Cargo e função GESTOR Qual associação pertence ou filiação Tem outro ramo de atividade Localidade Município Gênero ( ) masculino Idade: ( ( ( ( ( ) até 30 anos ) 31 a 40 anos ) 41 a 50 anos ) 51 a 60 anos ) acima de 60 ( ( ( ( ( ) Ensino primário ) Ensino Fundamental ) Segundo Grau ) Graduação ) Posgraduação Escolarização: ( ) feminino DESENVOLVMENTO AGRICULTURA FAMILIAR Perguntas Respostas 1-Como você identifica a importância da agroindústria ( ) Excelente. voltada à agricultura familiar ( ) Bom. ( ) Regular. ( ) Ruim. ( ) Não sei responder. 2-A mudança ou quebra de alguns paradigmas como monocultura do plantio do fumo, feijão ou milho pelas famílias envolvidas na agricultura familiar abrangidas neste novo projeto da agroindústria, certamente surgira uma motivação maior para se configurar uma autoestima para que os mesmos se tornem novos empreendedores do meio rural. ( ( ( ( ( ) Concordo totalmente ) Concordo parcialmente ) Sem opinião ) Discorda ) Discorda totalmente 3-As tradições cívicas, o capital social e práticas ( ) Concordo totalmente colaborativas, por si só, não desencadeiam o ( ) Concordo parcialmente progresso econômico. Elas são a base para as ( ) Sem opinião 80 regiões enfrentarem e se adaptarem aos desafios e ( ) Discorda oportunidades da realidade presente e futura. ( ) Discorda totalmente 4-A oportuna instalação de uma agroindústria, voltada à agricultura familiar na 26º SDR, justifica-se esse estudo como forma de constatação pelos benefícios que converterão em desenvolvimento regional-local, social e econômico de forma sustentável. 5-O fortíssimo êxodo rural de quase 30 milhões de pessoas em apenas vinte anos (1960-1980), bem como pelo crescente assalariamento da força de trabalho agrícola, que deixou de residir no campo, foi apenas uma das graves conseqüências do processo de transformação da agricultura. ( ( ( ( ( ) Concordo totalmente ) Concordo parcialmente ) Sem opinião ) Discorda ) Discorda totalmente ( ( ( ( ( ) Concordo totalmente ) Concordo parcialmente ) Sem opinião ) Discorda ) Discorda totalmente 6-O impacto ecológico predatório que se irradiou a todos os grandes ecossistemas do país. A tendência à homogeneização das práticas produtivas e do meio natural, induzida pela “Revolução Verde”, por meio da utilização intensiva da moto mecanização, fertilizantes inorgânicos, agrotóxicos, nativos e no empobrecimento da diversidade genética de plantas e de animais, equipamentos pesados de irrigação, do divórcio entre agricultura e pecuária, e da expansão das monoculturas, traduziu-se em brutais índices de erosão e degradação dos solos agrícolas, no comprometimento da qualidade e da quantidade dos recursos hídricos, na contaminação dos alimentos, na devastação das florestas e campos. ( ( ( ( ( ) Concordo totalmente ) Concordo parcialmente ) Sem opinião ) Discorda ) Discorda totalmente 7-A participação dos agricultores e agricultoras familiares, juntamente com o poder público, no processo decisório e na operacionalização das politicas públicas, abre novas perspectivas para o desenvolvimento local uma vez que permitem que se tornem conhecidas as reais demandas dos agricultores familiares e, também, que as soluções delineadas sejam compatíveis com a realidade local. ( ( ( ( ( ) Concordo totalmente ) Concordo parcialmente ) Sem opinião ) Discorda ) Discorda totalmente 8-Desafogar os minifundistas, oferecendo-lhes a oportunidade de se tornarem agricultores familiares viáveis; transformar arrendatários em proprietários; e oferecer terras a seus filhos são pontos prioritários da perspectiva de mais sustentabilidade. ( ( ( ( ( ) Concordo totalmente ) Concordo parcialmente ) Sem opinião ) Discorda ) Discorda totalmente 9-A promoção da agricultura familiar não é ( ) Concordo totalmente exclusivamente um objetivo de caráter social, mas ( ) Concordo parcialmente sim um elemento estratégico de um novo modelo de ( ) Sem opinião 81 desenvolvimento econômico para o Brasil. ( ) Discorda ( ) Discorda totalmente 10-Os gestores municipais conhecem os Conselhos Municipais de Desenvolvimento Rural Sustentável. ( ) Conhecem amplamente. ( ) Conhecem parcialmente. ( ) Conhecem muito pouco. ( ) Não conhecem de forma alguma. ( ) Não sei informar. 11- Senhores Gestores, lideres: O que fazer para que este projeto possa dar certo, prospere e sirva de modelo para novos empreendimentos e também para que os produtores rurais Agricultura Familiar tornem-se auto-suficientes de forma sustentáveis? Respostas: ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________