UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ – UNIVALI PRÓ-REITORIA DE PESQUISA, PÓS-GRADUAÇÃO, EXTENSÃO E CULTURA – PROPPEC CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS E JURÍDICAS PROGRAMA DE MESTRADO PROFISSIONAL EM GESTÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS – PMGPP EDUCAÇÃO AMBIENTAL E AGENDA 21: EXPERIMENTAÇÃO DA COM-VIDA E PERSPECTIVAS A POLÍTICA AMBIENTAL FÁBIO ALEXANDRE DA SILVA TONIAZZO ITAJAÍ (SC), 2012 2 UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ – UNIVALI PRÓ-REITORIA DE PESQUISA, PÓS-GRADUAÇÃO, EXTENSÃO E CULTURA – PROPPEC CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS E JURÍDICAS PROGRAMA DE MESTRADO PROFISSIONAL EM GESTÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS – PMGPP EDUCAÇÃO AMBIENTAL E AGENDA 21: EXPERIMENTAÇÃO DA COM-VIDA E PERSPECTIVAS A POLÍTICA AMBIENTAL FÁBIO ALEXANDRE DA SILVA TONIAZZO Dissertação apresentada à Banca Examinadora no Mestrado Profissional em Gestão de Políticas Públicas da Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI, sob a orientação do Prof. Dr. Rodrigo Pereira Medeiros, como exigência parcial para obtenção do título de Mestre em Gestão de Políticas Públicas. ITAJAÍ (SC), 2012 3 FÁBIO ALEXANDRE DA SILVA TONIAZZO EDUCAÇÃO AMBIENTAL E AGENDA 21: EXPERIMENTAÇÃO DA COM-VIDA E PERSPECTIVAS A POLÍTICA AMBIENTAL Esta dissertação foi julgada adequada para a obtenção do título de Mestre e aprovada pelo Curso de Mestrado Profissionalizante em Gestão de Políticas Públicas, da Universidade do Vale do Itajaí, Programa de Mestrado. Área de Concentração: Políticas Públicas Itajaí, 15 de junho de 2012. Prof. Dr. Rodrigo Pereira Medeiros UNIVALI – Programa de Mestrado Profissionalizante em Gestão de Políticas Públicas Orientador 4 EDUCAÇÃO AMBIENTAL E AGENDA 21: EXPERIMENTAÇÃO DA COM-VIDA E PERSPECTIVAS A POLÍTICA AMBIENTAL Fábio Alexandre da Silva Toniazzo1 Dr. Rodrigo Pereira Medeiros2 RESUMO Este trabalho retrata uma pesquisa ainda em andamento que examina processos de construção de agendas 21 e implementação de políticas de Educação Ambiental. Os debates sobre a crise socioambiental apontam a educação ambiental como caminho para enfrentamento deste problema. A escola, entendida por muitos, como o lugar para a sua realização, é o cenário de uma iniciativa para inserir a educação ambiental na agenda escolar. Este movimento coletivo chamado COM-VIDA propiciou a reconexão da escola com a realidade local. Assim, busca-se demonstrar como a participação é um fundamento importante na construção de espaços democráticos e de tomada de decisão descentralizada e coletiva. Os resultados apresentados aqui fazem parte de um longo processo de comprometimento com uma Educação Ambiental crítica e participativa. Palavras chave: Agenda 21. Educação Ambiental. Participação. ABSTRATC This work shows a study still in progress which examines processes of building 21 schedules and implementation of Environmental Education. The discussions on socio-environmental crisis point environmental education as a way to cope with this problem. The school, considered by many as the place for its realization, is the scene of an initiative to include environmental education in the school schedule. This collective movement called COM-LIFE led the school to reconnect with the local reality. Thus, attempts to demonstrate how participation is an important foundation in building democratic spaces and decentralized decision making and collective. The results presented here are part of a long process of engagement with a critical and participatory environmental education. Key words: Agenda 21. Environmental Education. Participation. 1 Aluno do Programa de Mestrado Profissionalizante em Gestão de Políticas Públicas da Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI: [email protected] 2 Professor Orientador: [email protected] 5 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ...................................................................................................................... 6 2. OBJETIVOS ...................................................................................................................................... 9 3. CONTEXTO DA REALIZAÇÃO DAS ATIVIDADES ............................................................ 9 3.1 Descrição das escolas ................................................................................................................ 9 3.2 Processo de construção da agenda 21 local de Itajaí ........................................................ 14 3.3 Envolvimento com a atividade ............................................................................. 18 4. METODOLOGIA................................................................................................................. 22 4.1 Tipo de pesquisa nas atividades realizadas ...........................................................................22 4.2 Registro e análise das informações nas escolas ................................................................ 24 5. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ................................................................................................ 25 5.1 Ambiente e estilos de desenvolvimento ................................................................................25 5.2 Participação e o local ............................................................................................................31 5.3 Da agenda 21 global a agenda 21 escolar ............................................................. 36 5.4 Educação Ambiental .................................................................................................39 6. DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES REALIZADAS .................................................................44 6.1 Atividades realizadas com os estudantes e seus desdobramentos .....................................44 7. AGENDA 21 ESCOLAR: PERSPECTIVAS PARA UMA POLÍTICA PÚBLICA EM NÍVEL LOCAL ........................................................................................................................ 49 REFERÊNCIAS ..................................................................................................................................54 6 1. INTRODUÇÃO Este relatório é resultado de um longo processo de imersão como pesquisador e ator na pesquisa e em processos de Educação Ambiental (EA). Este envolvimento que se iniciou como estudante do curso de geografia e posteriormente com o ingresso no Laboratório de Educação Ambiental (LEA) da Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI, foi além das questões meramente teóricas de um estagiário, resultou na inserção da E.A. em escolas/comunidades da cidade de Itajaí. Ao longo deste trabalho faremos a descrição desta pesquisa, sobretudo, no que concerne às dificuldades, desafios e conquistas da mesma. O objetivo é analisar, sob os princípios da E.A. a construção de agendas 21 escolares / COMVIDAS – Comissão de Meio Ambiente e Qualidade de Vida, na Escola Básica Antônio Ramos e no Colégio Cenecista Pedro Antônio Fayal, ensaiando neste contexto, de modo mais peculiar, a aproximação com a agenda 21 local de Itajaí. É oportuno esclarecer inicialmente, que esta pesquisa assume a dimensão socioambiental, a qual iremos resgatar e compreender parte da história, tempo e espaço. A civilização se encontra num período importante para uma definição histórica. Defrontamo-nos cada vez mais com o aprofundamento das desigualdades existentes entre as nações e no interior delas, o agravamento da pobreza, do analfabetismo, das doenças, da justiça social, da fome, e da deterioração ambiental. As preocupações relativas ao meio ambiente e ao modelo de desenvolvimento vigente aumentam, assim, gestores públicos, sociedade civil e ONGs, tornam suas demandas maiores em torno desta temática. Sabe-se, que em todo o mundo a ameaça a biodiversidade esta presente, mas especialmente no Brasil, os biomas tornaram-se ambientes frágeis em decorrência do modelo de desenvolvimento vigente (PRONEA, 2005). Algumas perguntas se tornam inevitáveis, será possível satisfazer às necessidades básicas humanas, elevar a qualidade de vida de todos, proteger os ecossistemas, construir um futuro mais próspero e seguro para o homem e os Recursos Naturais? Bem, são metas que país algum pode atingir sozinho, porém, unidos podemos nos desenvolver em prol de outro estilo de desenvolvimento, que utilize um modelo de enfrentamento a esta problemática ambiental. Neste trabalho, optamos pelo ecodesenvolvimento como o modelo que se apresenta mais adequado até o momento. E foi em uma das diversas conferências sobre meio ambiente e desenvolvimento, a de Estocolmo, em 1972, que se incorpora a questão ambiental no centro das discussões internacionais, de um lado sendo uma pedra no caminho ao desenvolvimento dos países ricos e de outro, um alerta pessimista e preocupado com a necessidade de reduzir os padrões de consumo. (SACHS, 2004). Inicialmente, surge a ideia de Desenvolvimento 7 Sustentável, que pressupõe garantir as necessidades básicas das gerações atuais sem comprometer as necessidades das futuras gerações, e assim garantir a qualidade de vida das populações. Vale ressaltar, que este conceito foi e é severamente criticado. Como esta nova proposta de desenvolvimento está centrada nas necessidades sociais e não nos interesses econômicos, este conceito ganha consistência e se desdobra para o ecodesenvolvimento. Este modelo representa uma nova perspectiva para o estudo das relações homem-natureza, e, também uma alternativa à construção de novos projetos de sociedade. (VIEIRA, 2005). Para Reigota (2007) trata-se, portanto, de um momento de decidir para onde caminhar e das consequências dos interesses e opções políticas tomadas. Portanto, optar pelo ecodesenvolvimento significa escolher um novo jeito de caminhar, ou seja, é um novo estilo de desenvolvimento fundamentado na ética ecológica, no respeito às gerações atuais e futuras, e na responsabilidade com o futuro da vida na terra. (SACHS, 2002). Uma das alternativas para materializar este novo estilo de desenvolvimento, é a construção de Agendas 21, a mesma está voltada para a resolução dos problemas de hoje e tem o objetivo, ainda, de preparar o mundo para desafios futuros. Este programa é resultado de um consenso mundial e um compromisso político em nível global referente ao desenvolvimento e cooperação ambiental. O sucesso de sua execução é antes de qualquer coisa, responsabilidade dos Governos. Estes devem procurar o setor econômico e a sociedade civil organizada para fomentar a construção da Agenda 21 Nacional, Estadual, Local ou Escolar. O município de Itajaí/SC atento as estas transformações, inicia o processo de construção da Agenda 21 Local no ano 2001, o que ocorre oficialmente a partir da elaboração do decreto municipal que instituiu o Fórum Permanente da Agenda 21 Local Municipal. Este Fórum, que teve por finalidade básica, organizar o processo de construção da Agenda 21 Local de Itajaí, era constituído por entidades governamentais e não governamentais. Dentre as ações previstas no projeto do Fórum, destacou-se a criação de Sub-Fóruns e a estruturação de agendas 21 Escolares nas escolas do município. A partir desta demanda, criou-se um grupo de trabalho em educação, o GT – Educação, que tinha como objetivo central organizar processos nas escolas com princípios de Educação Ambiental. Sabe-se por muitas vezes, que é através da EA no cotidiano das escolas, que se inicia a construção de uma Agenda 21 escolar. Cabe destacar aqui, o movimento espontâneo de professores que, preocupados com a situação, procuram inserir essa discussão em suas práticas pedagógicas, pois, mesmo sendo institucionalizada com leis e políticas públicas, não 8 há qualquer imposição para que um determinado professor a realize. (GUIMARÃES et. al, 2009). Percebe-se, cada vez mais uma postura crítica dos educadores em suas práticas pedagógicas. E, um espaço que surge com potencial para novas práticas, é o Programa Vamos Cuidar do Brasil com as Escolas, desenvolvido numa parceria entre o Ministério do Meio Ambiente (MMA) e o Ministério da Educação (MEC), uma importante proposta de formação de COM-VIDAS (Comissão de Meio Ambiente e Qualidade de Vida na Escola) e construção de Agendas 21 Escolares. “O principal papel da COM-VIDA é contribuir para o dia-a-dia participativo e democrático, promovendo o intercâmbio entre escola e comunidade”. (MMA, MEC, 2004, p.09). É neste cenário “[...] educativo que se realiza em ações de caráter pedagógico de intervenção na comunidade, assumindo a dimensão política da educação e potencializando o exercício de cidadania dos educando e educadores.” (GUIMARÃES et. al, 2009, p.51). O município de Itajaí destacou-se por desencadear processos a partir da metodologia COM-VIDA. Este trabalho foi além da simples análise de dois processos de adoção da Política Ambiental Vamos Cuidar do Brasil com as Escolas, orientou-se em avaliar a contribuição destes experimentos escolares entre 2005 a 2011 na construção e fortalecimento da agenda 21 local. Estas experiências foram/estão sendo realizadas em escolas da rede de ensino do município de Itajaí, cidade portuária localizada no litoral centro-norte de Santa Catarina. Essa descrição e análise vai além de uma perspectiva de etnográfica de “distanciamento ou olhar com estranhamento” do pesquisador, uma vez que o autor tem participação direta nas diferentes fases de implementação desta política, que será descrita a seguir. Trata-se, portanto, do resultado de uma imersão em um processo a partir do enfoque da pesquisa-ação, em que os limites da relação de sujeito da pesquisa – pesquisador foram intencionalmente ultrapassados. Neste sentido, este contexto nos trouxe um grande desafio político, ético, epistemológico e, sobretudo interdisciplinar: o questionamento sobre que caminho seguir, que ciência produzir, como a produzir, para quem, com quais finalidades e com quais compromissos. Com certeza, um caminho das pedras que devemos descobrir ou redescobrir. Para a elaboração deste trabalho, foram organizadas algumas seções. Na primeira delas, está constituída pela descrição dos processos nas escolas, bem como o processo de envolvimento do ator na elaboração de adoção desta política no nível municipal. Na seção seguinte, descrevemos a abordagem metodológica, e os critérios de análise destes. Posteriormente, é apresentada uma revisão bibliográfica com base no modelo proposto de 9 avaliação dos dois processos. Na última seção, organizamos uma análise crítica das perspectivas de ampliação e continuidade da política nos territórios envolvidos. 2. OBJETIVOS O objetivo deste trabalho é descrever as atividades de adoção da Política Ambiental Vamos Cuidar do Brasil com as escolas, uma importante proposta de formação de COMVIDAS e construção de Agendas 21 escolares na Escola Básica Antônio Ramos e no Colégio Cenescista Pedro Antônio Fayal, no período que compreende os anos entre 2005 a 2011 e de forma mais peculiar sua aproximação com a Agenda 21 local de Itajaí. 3. CONTEXTO DA REALIZAÇÃO DAS ATIVIDADES 3.1 Descrição das escolas Escola Básica Antônio Ramos. A Escola Básica Antônio Ramos, localizada no bairro Cordeiros, região periférica da cidade de Itajaí / SC, pertence à rede de ensino pública municipal. A Unidade de Ensino oferece à comunidade as modalidades de Ensino Fundamental e EJA - Educação de Jovens e Adultos. A Escola também possui APP – Associação de Pais e Professores e um Conselho Escolar. Os alunos que participaram do projeto cursavam a 6ª série e 8ª série, com idade entre 12 a 14 anos. A partir da proposta de inserir a COM-VIDA no ensino da geografia, foi iniciado o processo de construção da Agenda 21 escolar na Escola Básica Antônio Ramos (Agenda 21 EBAR). Como elemento desencadeador deste processo, a Agenda 21 EBAR, organizou em 2005 a II Conferência Nacional Infanto-Juvenil pelo Meio Ambiente, utilizando a metodologia “Jovem Educa Jovem” MEC/MMA (2004) onde os alunos organizados em grupos apresentaram os temas e propostas aos próprios educandos. Após todas as etapas estabelecidas, a comunidade escolar escolheu como projeto (sonho) à construção de um Parque Natural no bairro. 10 Desde então, o grupo agregou parceiros para o fortalecimento da Agenda 21 EBAR, em busca deste “utópico sonho”. Com objetivo de materializar o projeto escolhido, algumas ações foram realizadas. A primeira objetivou promover maior comunicação e integração entre escola e comunidade, para isso, foi criado o Jornal denominado EBARZINE. O Jornal sempre foi elaborado pelos próprios jovens que eram responsáveis pela pauta e produção das matérias, de forma “artesanal”, utilizando para isso a técnica fanzine. Após a elaboração e fotocópia, os alunos eram responsáveis pela distribuição do mesmo na comunidade. Realizaram-se reuniões com a comunidade e com a participação de representantes de diversos segmentos da Sociedade, entre eles: Associação de Pais e Professores da escola (APP), conselho escolar, Associação de Surf das praias de Itajaí (ASPI), Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI), Organização da Sociedade Civil Voluntários pela Verdade Ambiental, Câmara Municipal de Vereadores de Itajaí, Fundação do Meio Ambiente de Itajaí (FAMAI), lideranças do bairro, pais, Associação de moradores, Secretaria Municipal da Educação, entre outros. Após algumas reuniões com os representantes citados anteriormente, a comunidade escolar e os alunos da Agenda 21 EBAR passaram a participar de alguns espaços de tomada de decisão e participação popular, com objetivo de se aproximar de futuros parceiros, a fim de materializar o sonho do Parque Natural no bairro. Inicialmente, apresentou-se o projeto da criação do Parque para o Núcleo Gestor responsável pela elaboração do Plano Diretor da Cidade conforme previsto pelo Estatuto das Cidades (2005), participando de uma reunião em 2005 e duas no ano de 2006, conseguindo o apoio deste núcleo. Após esta aproximação com o Núcleo Gestor do Plano Diretor municipal, foram realizadas três reuniões para tratar do assunto com o Prefeito Municipal, Secretária de Educação e Superintendente da FAMAI. A primeira é a mais importante por diversos motivos, pois foi realizada na Unidade Escolar e com grande presença dos moradores e lideranças do bairro Cordeiros. Após a apresentação da proposta de criação do Parque pelo grupo, foi entregue um termo de compromisso de Criação do mesmo e assinado em loco pelo prefeito. Através da articulação da comunidade com um vereador que possui residência fixa no bairro, foi marcada uma apresentação sobre o projeto durante sessão da câmara de vereadores de Itajaí e posteriormente agendada e realizada uma Audiência Pública para discussão do mesmo com a sociedade. Cabe destacar, que pelos próprios princípios da metodologia COMVIDA (MEC, 2004) os dois momentos foram organizados e apresentados pelos próprios 11 alunos fortalecendo assim, o protagonismo juvenil. Vale ressaltar, que o professor exerce a função de animador, orientador e mediador, antes, durante e depois das atividades. Após todos estes esforços, durante o ano de 2007, criou-se a Unidade de Conservação Municipal, através do decreto nº. 8.297 de 25 de julho de 2007 que torna a área pública, com área total de 10.196..4868 m², uma Unidade de Conservação de proteção integral para a implantação do Parque Natural Municipal de Cordeiros. Unidades de Conservação são áreas protegidas, delimitadas e instituídas legalmente, passando a ter um tratamento diferenciado de acordo com as suas categorias de manejo. A implantação destas, além do potencial de poder oferecer recreação ao ar livre, área para pesquisa, atividades de educação ambiental e preservação de ecossistemas representativos e da biodiversidade existente, pode contribuir através da geração de trabalho e renda diretos e indiretos, esses últimos decorrentes da valorização da área do entorno da unidade e da promoção de atividades associadas à conservação da biodiversidade (MARENZI, 2004). Para Reigota (1994), é consenso na comunidade internacional que a educação ambiental deve estar presente em todos os espaços que eduque o cidadão e a cidadã. Podendo ser realizada nas escolas, parques e reservas ecológicas, nas associações de bairro, sindicatos, universidades, meio de comunicação de massa, etc. Infelizmente, após a criação da Unidade, o mesmo gestor que criou, permutou a área sem consulta prévia a comunidade. Atualmente, a Unidade se encontra sem Conselho Gestor e funcionalidade. A fim de se fortalecer e multiplicar este processo, a Agenda 21 EBAR realizou formações e encontros com outras escolas com o objetivo de construir novos processos a partir desta experiência, a princípio exitosa. Uma das oficinas que se obteve maior sucesso, foi no Colégio Fayal, o que gerou a construção da agenda 21 escolar nesta unidade de ensino. Colégio Cenecista Pedro Antônio Fayal O Colégio Cenecista Pedro Antônio Fayal, localizado no bairro Vila Operária, município de Itajaí pertence à Campanha Nacional das Escolas da Comunidade – CNEC oferece à sociedade as modalidades de Ensino Fundamental e médio. No colégio, os alunos que participam do projeto cursam as séries finais do ensino fundamental 7º, 8º série e 1º, 2º e 3º anos do ensino médio com idade entre 12 a 16 anos. O fomento a criação da Agenda 21 escolar Fayal, ocorreu a partir de um encontro numa oficina de integração com a agenda 21 EBAR no ano de 2008. Desde então, a Agenda 12 21 Fayal vem construindo seu processo a partir da metodologia do Programa Vamos Cuidar do Brasil com as Escolas, importante proposta de formação de COM-VIDAS e construção de Agendas 21 Escolares (MEC, 2004), seguindo o modelo e experiência da agenda 21 EBAR. Como já discutido anteriormente a COM-VIDA tem como objetivo criar [...] uma nova forma de organização na escola e se baseia na participação de estudantes, professores, funcionários, diretores e comunidade. O principal papel da COM-VIDA é contribuir para o dia-a-dia participativo e democrático, promovendo o intercâmbio entre escola e comunidade. (MMA e MEC, 2004, p.09). Assim, após esta integração com este processo de protagonismo juvenil, se percebeu a necessidade de se organizar em rede com outras instituições e setores da sociedade a fim de vencer os desafios pautados para o grupo. A partir de então, a Agenda 21 Fayal fez esforços em rede para materializar a responsabilidade assumida durante a III- Conferência Nacional Infanto-Juvenil pelo Meio Ambiente também realizada neste colégio. Ao final da conferência, a comunidade escolar optou pelo projeto de recuperação de mata ciliar do Rio Itajaí Mirim. Através da mobilização dos estudantes, o grupo buscou parceiros na sociedade civil a fim de se fortalecer para esta e outras ações do grupo; Fórum da Agenda 21 local, Conselho Municipal do Meio Ambiente, Fundação Municipal do Meio Ambiente (FAMAI), Sala Verde, Câmara de vereadores, ONG, agendas 21 escolares, entre outros, tem se tornado espaços de comunicação e aproximação com o processo, e utilizado como fomento a estruturação de uma rede de agendas 21 escolares em Itajaí. Neste mosaico de parceiros, a FAMAI via seu viveiro de produção de mudas demonstrou-se inicialmente ser pró-ativa encorajando o colégio a iniciar as ações de recuperação de mata ciliar. Apesar de já iniciado, este programa de recuperação de mata ciliar torna-se o grande desafio para o colégio, pois muitas barreiras políticas têm surgido ao longo do caminho, especialmente a visão de produto, na qual se busca a criação de um documento, uma publicação importante, enfim, um olhar imediatista, assim, o processo se torna secundário, a construção, o aprendizado, as emoções e o experimento tornam-se pouco valorizado. Estas são algumas das dificuldades encontradas em setores do colégio e do governo. De qualquer forma, percebeu-se que estas ações tornaram-se a alavanca para um conjunto de iniciativas sustentáveis internas no colégio. Além do envolvimento da equipe pedagógica da Unidade Escolar, outros alunos passaram a se envolver diretamente com o processo. A ideia foi/é tornar o colégio, num espaço ecologicamente correto; uma escola que coleta água da chuva e reduz o consumo de materiais e energia. 13 O desafio foi casar a teoria e a prática, e para materializar os debates revolucionários (FREIRE, 1996) ocorridos nos encontros dos jovens, segue abaixo alguns programas criados e outros ainda em estágio de avaliação para ser implementados pela Agenda 21 Fayal a fim de promover a sustentabilidade interna no colégio - a) Separação de resíduos sólidos: Instalação de lixeiras identificadas para a correta separação; b) Destinação de resíduos sólidos orgânicos: Implementação e manutenção de um sistema de compostagem; c) Redução do desperdício de materiais: Este programa busca reduzir do desperdício de materiais e algumas medidas serão estabelecidas; d) Redução do consumo, aproveitamento de água e destinação de efluentes: O objetivo é propor medidas para reduzir o consumo de água, assim como propor medidas sanitárias para a destinação dos efluentes; e) Manutenção da Casa do Bosque: A Casa do Bosque possibilitará a vivência na Horta didática e Horto didático: o horto, formado especialmente por espécies nativas da vegetação local. Ainda é prematuro para afirmar, mas acredita-se que se de fato este conjunto de medidas sustentáveis forem internalizados no colégio, este pode se tornar um espaço educador e potencializador para a estruturação de uma rede de agendas 21 escolares na rede de ensino de Itajaí, pois, as unidades de ensino ao visitar/vivenciar este espaço se sentiriam seduzidas a assumirem tal postura. Durante os encontros da Agenda 21 Fayal, espera-se sempre assegurar a participação de todos os envolvidos, de forma que possam tomar decisões, assumir as responsabilidades e dar continuidade à ação planejada apesar das dificuldades. A meta do processo é ampliar a capacidade de intervenção das pessoas, independente da condição social ou grau de instrução. Acredita-se que as opções metodológicas assumidas são fundamentais, pois ao longo da condução do processo, identificamos nos jovens mudanças de procedimento, atitude, comportamento, opção política e até escolhas enquanto consumidor ou produtor. Bem, uma proposta educativa associada a um programa de sustentabilidade, deve ser voltada para uma educação crítica, transformadora e emancipatória, onde os jovens assumem a condição de protagonistas do processo. A mobilização, engajamento e protagonismo juvenil, foram fundamentais para o sucesso destes processos. Isso significa romper com a atual estrutura de poder da escola, com falta de participação, concentração do poder e carência da democracia participativa. Esta mudança implica em fazer a escola assumir seu papel de protagonismo social local, sendo tratada como uma escola política, autônoma e com responsabilidades sociais para com a comunidade. 14 3.2 O processo de construção da agenda 21 local de Itajaí Buscando atender às prioridades apontadas na Agenda 21 Global, especialmente o seu capítulo 28, que indica a necessidade da elaboração de Agendas 21 Locais, de maneira a identificar problemas e ações prioritárias locais a partir dos Atores Locais, o município de Itajaí iniciou o processo de construção de sua Agenda 21 Local, em meados de 2001, e, ganhou consistência a partir da elaboração e aprovação perante o Fundo Nacional do Meio Ambiente (Edital FNMA/MMA 02/2003) do Programa Participativo de Construção da Agenda 21 Local de Itajaí, que estabelece as ações do Fórum Permanente da Agenda 21 Local de Itajaí. O município de Itajaí localizado no litoral centro-norte catarinense sofre com a expansão e crescimento desordenado, o que provoca vários problemas sócio-ambientais. Tem seu crescimento impulsionado pelo porto municipal, mas também por terminais portuários privados, o que gerou grande visibilidade e trouxe um expansivo número de migrantes com a expectativa de um emprego direto ou indireto gerado por este setor. Possui área territorial de 289, 255 Km² e uma população de 183.388 habitantes, de acordo com a contagem do Censo de 2010 (IBGE, 2010). Apresenta uma extensa zona urbana e rural, constituindo-se, portanto, um território bastante diversificado do ponto de vista étnico, cultural, econômico e ambiental. Este Fórum, que tinha por finalidade básica, organizar o processo de construção da Agenda 21 Local de Itajaí, era naquele momento composto por 18 entidades permanentes, sendo nove governamentais e nove não governamentais. Participavam também outras entidades, denominadas de não permanentes. Posteriormente o Fórum elaborou o Programa Participativo de construção da Agenda 21 Local de Itajaí, financiado pelo Fundo Nacional do Meio Ambiente - FNMA/MMA. Uma das ações iniciais da Agenda 21 Local definidos pelo Fórum Permanente foi propor a criação de uma Rede da Agenda 21 Local para o município de Itajaí. Para Whitaker (1993) as redes constituem uma proposta democrática de realização do trabalho coletivo e de circulação de fluxo de informações, elementos essenciais para o processo cotidiano de transformação social. Whitaker comenta ainda que uma estrutura em rede surge como uma alternativa as estruturas organizacionais piramidais, seus integrantes se ligam horizontalmente a todos os demais, diretamente ou através dos que os cercam. O conjunto resultante é como uma malha de múltiplos fios, que pode se espalhar indefinidamente para todos os lados sem que nenhum de seus elos possa ser considerado central ou principal, ocorrendo apenas a vontade coletiva de realizar determinado objetivo. 15 O crescimento do saber e o acúmulo de informações, sem precedentes na história, aumentam a desigualdade entre seus detentores e os que são desprovidos dele, engendrando assim desigualdades crescentes no seio dos povos e entre as nações do planeta. (UNESCO, 1991). Portanto, a opção pela implantação de uma rede a nível local e especifica para o contexto da Agenda 21 de Itajaí, teve como princípios garantir a livre circulação de informações, a descentralização do poder, ampliação da participação e mobilização social. É através das redes, que podemos reconhecer três níveis de solidariedade e ao mesmo tempo de contradições, Os níveis são, o mundial, o nível de territórios dos estados e o nível local. (SANTOS, 1997). Uma rede também potencializa o caráter democrático, cujo funcionamento é medido pela sua abertura para a entrada de novos membros, pela real liberdade de circulação de informações, pela inexistência de censuras, controles, hierarquizações ou manipulações, enfim, é um veículo de movimento dialético. (SANTOS, 1997). Assim, as redes parecem ser o padrão organizacional mais compatível com a necessidade dos processos de desenvolvimento emancipatório e includente. (CARLOS, 1996). Na prática a Rede da Agenda 21 Local de Itajaí, buscou se estruturar como uma rede de EA temática vinculada às demais redes de Educação Ambiental já em funcionamento na região como a Rede de Educação Ambiental da Bacia do Rio Itajaí-Açu - REABRI e Rede Sul Brasileira de Educação Ambiental REASUL que tem por objetivos, integrar as ações em Educação Ambiental (EA) no âmbito dos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, além de se integrar a Rede Brasileira de Educação Ambiental – REBEA. Ao longo do processo, esta ação enfraqueceu e não demonstrou efetividade. Entre as ações estruturais do Fórum, destaca-se o projeto elaborado e posteriormente financiado pelo BNDES em 2003, que teve como proponente a Universidade do Vale do Itajaí - UNIVALI, a União dos Moradores de Itajaí - UNAMI e a Organização Não Governamental ambientalista - V AMBIENTAL, e como parceiros, além do Fórum, a Comissão do Bem Estar do Menor de Itajaí - COMBEMI. Neste projeto, foram desenvolvidos dois recursos pedagógicos, o primeiro, um CD-ROM. Este material foi distribuído aos participantes da Oficina de Multiplicadores da Agenda 21 Local de Itajaí, que por sua vez, atuaram como voluntários nas associações de moradores, para fortalecer a participação da sociedade civil organizada na Agenda 21 Local de Itajaí. O segundo, a CARTILHA da Agenda 21, foi elaborada coletivamente a partir desta oficina e distribuída em reuniões. Naquele período também foram realizadas reuniões comunitárias, mobilizando cerca de 800 pessoas, que tiveram por finalidade apresentar a Agenda 21 e identificar as principais demandas e prioridades locais, a partir de técnicas de diagnóstico rápido participativo. 16 Na estrutura do Fórum, cabe destacar a formação dos Sub-Fóruns, que são organizações locais de empoderamento comunitário e estabelecimento de prioridades locais. Estas estruturas foram idealizadas com objetivo de criar uma organização em rede, onde o Fórum e os Sub-fóruns seriam estruturas irradiadoras de novos processos e práticas educadoras nos territórios. Além dos Sub-fóruns, a criou-se os Grupos Temáticos de Trabalho (GTT), que são estruturas organizacionais que envolvem o levantamento e organização de informações (diagnóstico socioambiental participativo), a elaboração e implementação de estratégias, que constituíam efetivamente a Agenda 21 Local de Itajaí. Após alguns esforços, quatro GTT’s formaram-se e definiram seus objetivos iniciais: GT Educação - Programa de Educação para Agenda 21 Local de Itajaí; GT Comunidade - Fortalecer a inserção comunitária e o empoderamento local; GT Água - Programa de Gestão Integrada de Recursos Hídricos; GT Orla - Programa integrado de gestão da orla marítima do município. Posteriormente, se percebe que efetivamente apenas o GT – Educação passa a atuar de forma participativa e atuante. A proposta de construção da Agenda 21 Local de Itajaí constituiu-se de duas estruturas fundamentais que orientaram ao levantamento de informações; diagnóstico socioambiental participativo e elaboração de estratégias ao comprometimento e efetivação de ações. Cabe um importante destaque ao Fórum, a organização do I Encontro Estadual de Agendas 21 Locais. Com objetivo de efetivar os compromissos deliberados pela Rede Brasileira de Agendas 21 Locais, o Fórum Permanente da Agenda 21 Local de Itajaí realizou nas dependências da UNIVALI um importante evento. Foram registradas 81 inscrições, com representações de 12 municípios, sendo que destes, seis com representações de Processos de Agendas 21 Locais. O evento contou ainda com a participação de representantes do governo estadual por meio da SDR (Secretaria de Desenvolvimento Regional), SDS (Secretaria de Desenvolvimento Sustentável), representante do MMA (Ministério do Meio Ambiente) e do Elo Regional Sul, além de outros atores sociais. Outro importante momento foi as deliberações em plenária, legitimando a indicação do primeiro Conselho Gestor para a implantação da Rede Catarinense de Agendas 21 Locais. A realização do evento contou com patrocínio do governo estadual por meio da Secretaria de Desenvolvimento Regional e Ministério do Meio Ambiente, e ainda apoio da UNIVALI e Prefeitura Municipal de Itajaí. A criação do Sub-Fórum foi uma proposta de descentralização do Fórum Permanente da Agenda 21 e distribuição do poder as lideranças e instituições comunitárias e autonomia local. Constitui-se numa instância participativa criada ao nível de bairro, com o objetivo de 17 identificar as prioridades locais a partir de diagnósticos sócio-ambientais participativos. Os Sub-Fóruns na teoria consistiam em pequenos fóruns de Agenda 21 espalhados pelo município com o objetivo de tratar das questões localizadas no que se refere ao desenvolvimento sustentável, e propor demandas de problemas já previamente discutidas ao Fórum da agenda 21 local. (CRUZ; ZANON, 2010). A partir da identificação das prioridades locais e demandas identificadas formam-se os Grupos Temáticos de Trabalho. Os GTT’s foram organizados à medida que demandas a nível municipal foram sendo identificadas. Participaram destes grupos, além de lideranças locais, técnicos, instituições de pesquisa e os tomadores de decisão. Coube a estes a)organizar as informações referentes ao tema; b) identificar novas frentes de pesquisa; c) construir, implementar e avaliar estratégias para a promoção do ecodesenvolvimento. (SACHS, 1986; VIEIRA, 2005). A partir do processo participativo de construção da Agenda 21 Local de Itajaí. Efetivamente, a Agenda 21 Local de Itajaí foi construída no âmbito dos GTTs, SubFóruns e Agendas 21 escolares. Entre os anos de 2007/2008, o fórum da agenda 21 local enfraquece e o processo permanece nas escolas. Sabe-se que as sociedades, independentemente dos contextos onde estejam inseridas, delegam à educação um importante papel na construção de estratégias de desenvolvimento e aprimoramento da democracia participativa, resgatando ou recriando para a escola, a função de produção de conhecimento e o protagonismo social da Unidade Escolar. (IADH, 2005). Em função disto, o GT - Educação, como estratégia de mobilização local para um futuro sustentável, mais justo e solidário, fomentou a criação da Agenda 21 Escolar, fundamentada pelo capítulo 36 da Agenda 21 Global. O ensino, inclusive o ensino formal, a consciência pública e o treinamento devem ser reconhecidos como um processo pelo qual os seres humanos e as sociedades podem desenvolver plenamente suas potencialidades. O ensino tem fundamental importância na promoção do desenvolvimento sustentável e para aumentar a capacidade do povo para abordar questões de meio ambiente e desenvolvimento. Ainda que o ensino básico sirva de fundamento para o ensino em matéria de ambiente e desenvolvimento, este último deve ser incorporado como parte essencial do aprendizado. Tanto o ensino formal como o informal são indispensáveis para modificar a atitude das pessoas, para que estas tenham capacidade de avaliar os problemas do desenvolvimento sustentável e abordá-los. O ensino é também fundamental para conferir consciência ambiental e ética, valores e atitudes, técnicas e comportamentos em consonância com o desenvolvimento sustentável e que favoreçam a participação pública efetiva nas tomadas de decisão. Para ser eficaz, o ensino sobre meio ambiente e desenvolvimento deve abordar a dinâmica do desenvolvimento do meio físico/biológico e do sócio-econômico e do desenvolvimento humano (que pode incluir o espiritual), deve integrar-se em todas as disciplinas e empregar métodos formais e informais e meios efetivos de comunicação. (CNUMAD, 2000 apud CRUZ; ZANON, 2010, p.338) 18 3.3 Envolvimento com a atividade Pode-se considerar o marco zero dessa proposta, a aproximação do autor com a Educação Ambiental, inicialmente como estudante da disciplina de Ecologia e Educação Ambiental no curso Geografia da UNIVALI – Universidade do Vale do Itajaí e posteriormente com, a oportunidade de estágio no Laboratório de Educação Ambiental (LEA). EA tem estimulado a formação de novos agentes para o processo de transformação, voltado à construção de uma sociedade com novos valores e ambientalmente sustentável. (BARRETO; CARVALHO; GUIMARÃES; SOARES, 2009). Como estagiário do LEA/UNIVALI e bolsista do Programa Educação para a Agenda 21, surge à aproximação com a Agenda 21 Local. É neste momento que passo compor o Fórum Permanente da Agenda 21 local de Itajaí e o GT Educação. No mesmo período, já atuo como professor da EBAR. Então, como integrante do fórum e bolsista da LEA/UNIVALI, esta escola constituiu-se num espaço ideal e experimental para o uso e avaliação da Metodologia COM/VIDA - Comissão de Meio Ambiente e Qualidade de Vida na escola (MEC, MMA, 2004). Assim, foi iniciado o processo de construção da Agenda 21 escolar EBAR. A nova proposta lançada na Conferência de Tbilisi pretende uma metodologia de Educação Ambiental que priorize o trabalho sobre os problemas locais que diretamente afetam as comunidades dos educandos, pensando além das questões globais e distantes, por isso também consideramos que a implementação da Agenda 21 Escolar pode ser uma prática potencialmente eficaz, pois trata das questões mais próximas dos educandos, levando-os a refletir sobre a sua realidade e também permitindo a eles a perspectiva da complexidade. (CRUZ; ZANON, 2010, p.334). A COM-VIDA visa garantir espaços para a juventude, tendo como objetivo criar uma nova forma de organização na escola e se baseia na participação de estudantes, professores, funcionários, diretores e comunidade. O principal papel da COM-VIDA é contribuir para o dia-a-dia participativo e democrático, promovendo o intercâmbio entre escola e comunidade. (MMA, MEC, 2004, p.09). O GT Educação era constituído por representantes da Rede de ensino de Itajaí e aberto a toda a comunidade com objetivo construir de forma participativa ações prioritárias entre a escola e a comunidade de acordo com os princípios da COM-VIDA. Apesar deste grupo ter como ação prioritária a construção de agendas 21 escolares na rede de ensino de Itajaí, tendo como metodologia a COM-VIDA (MMA, MEC, 2004) e como projeto piloto a EBAR, algumas outras ações foram realizadas e merecem ser destacadas: a) Promoção de oficina no 19 “Seminário Municipal de Educação” organizado pela Secretaria Municipal de Educação, b) diagnóstico com os professores a fim de traçar o perfil dos educadores da rede de ensino do município, c) estudos para definir critérios para a contratação dos professores ACT’s (admissão em caráter temporário), entre outros. O grupo passou por diversos momentos de formação, entre eles, a participação da Capacitação do F3 – Formadores para II Conferência Nacional Infanto-Juvenil pelo Meio Ambiente, atendendo ao programa do MEC - Vamos cuidar do Brasil com as Escolas. Após esta formação os integrantes avançam no campo teórico e assim, emerge ainda com mais vigor a construção de agendas 21 escolares na Rede de Ensino de Itajaí. Acredita-se que desta forma, as ações coletivas possam gerar uma sinergia que amplia a força de pressão de práticas contra-hegemônicas em um movimento coletivo conjunto que vai além de ações e iniciativas individualizadas (GUIMARÃES et al, 2009). Naquele momento, o GT assumiu em conjunto com o LEA/UNIVALI o projeto Chico Mendes – MEC/MMA, que possibilitou a contratação de um professor para gerenciar um programa de formação para a implantação de COM-VIDAS nas escolas de Itajaí. Ao todo, doze escolas do município receberam formação com a participação de um representante da unidade escolar, com o objetivo de que o mesmo, numa condição de protagonista estivesse à frente como o facilitador do processo de construção da COM-VIDA em sua escola. Durante a formação, foram trabalhados princípios da Educação Ambiental que norteiam os Formadores 3/MEC-MMA, como proposto pelos próprios Ministérios. Ressaltamos que em algumas escolas que participaram da formação, possuíam em seus quadros funcionais professores integrantes do GT – Educação e que os mesmos participaram do processo dos Formadores 3/MEC-MMA. Um dos objetivos desta formação era tornar estas escolas “irradiadoras”, referências na construção e multiplicação da COM-VIDA nos bairros, atingindo um público carente de conhecimento e experiências no campo da Educação Ambiental. É dessa forma que se espera formar a consciência crítica e política nos educadores, jovens e comunidade escolar (GUIMARÃES, et. al, 2009). Segue abaixo a lista das escolas que participaram desta formação: Unidade Escolar Escola Básica Pedro Padre Baron Gerenciamento do Processo GTE Centro Educacional Profº Cacildo Romagnani Projeto Chico Mendes/GTE 20 Escola Básica Antônio Ramos GTE Escola Básica Arnaldo Brandão Projeto Chico Mendes/GTE Escola Básica Elias Adaime GTE Escola Básica José Medeiros de Vieira Projeto Chico Mendes/GTE Escola Básica Mansueto Trés Projeto Chico Mendes/GTE Escola Básica Maria Dutra Gomes Projeto Chico Mendes/GTE Escola Básica Maria Ilze Peixoto GTE Escola Básica Martinho Gervasi GTE Escola Básica Professora Judithe de Oliveira Projeto Chico Mendes/GTE Escola Básica Tereza Bezzera de Athayde Projeto Chico Mendes/GTE Naquele momento, ainda não havia uma definição clara da metodologia proposta para a estruturação de Agendas 21 Escolares. Porém, a partir do Programa Vamos Cuidar do Brasil com as Escolas, desenvolvido numa parceria entre o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Educação, uma importante proposta de formação de COM-VIDAS e construção de Agendas 21 Escolares, surgida da Conferência Nacional Infanto-Juvenil pelo Meio Ambiente e orientada pela Carta Jovens Cuidando do Brasil - Deliberações da Conferência Infanto-Juvenil (MEC, 2004), traça diretrizes para as ações em Itajaí. Das escolas que participaram da formação, a EBAR assumiu a condição de destaque, pois seu processo encontrava-se num estágio mais avançado, com algumas metas já implementadas e um processo participativo bastante sólido. Medina (1994) aborda um tipo de Educação Ambiental denominada de vertente socioambiental, onde são considerados todos os aspectos políticos, sociais, econômicos, culturais, ambientais e históricos, dentro de uma visão integrada, necessária para a construção de uma sociedade crítica e consciente. A Educação Ambiental é um processo de ensinoaprendizagem, fundamentado no conteúdo e na prática da educação, que visa à resolução de problemas socioambientais, mediante ao enfoque interdisciplinar, dialógico, e com a participação ativa e responsável do indivíduo e da coletividade. (DIAS, 1992). Ela significa, sobretudo, um processo de aprendizagem que se realiza através da combinação do trabalho intelectual com o manual para a conscientização e organização política. (GADOTTI, 1999). 21 Embora haja limitações na educação, e considerando a dificuldade de se mudar a sociedade como um todo, qualquer ação que caminhe neste sentido deve ser estimulada, tornando-se necessário formar cidadãos capazes de incluir a dimensão ambiental na tomada de consciência e no processo decisório. Assim, as COM-VIDAS surgem como possibilidade de aproximar a comunidade escolar com a Agenda 21 Local de Itajaí. A criação de agendas 21 escolares visa garantir espaços de participação e organização da juventude nas escolas, o que é garantido pela lei n° 7.398, de novembro de 1985, dispõe sobre a organização de entidades estudantis de 1° e 2° graus e assegura aos estudantes o direito de se organizarem em grêmios e de participarem de entidades estudantis. Esse direito também é garantido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, no artigo 53, inciso IV. (MMA, MEC, 2004). Para o MEC e o MMA uma das alternativas de garantir esta participação é através do programa Vamos cuidar do Brasil com as Escolas uma política pública de construção da Agenda 21 Escolar, Formando o COM-VIDA: A Comissão de Meio Ambiente e Qualidade de Vida na escola. O principal papel da COM-VIDA é contribuir para o dia-a-dia participativo e democrático, promovendo o intercâmbio entre escola e comunidade. (MMA, MEC, 2004). Os grandes objetivos desta comissão na escola são: desenvolver e acompanhar a Educação Ambiental na escola de forma permanente; ajudar a cuidar do lugar, estado, Brasil e o Planeta; fazer a Agenda 21 na Escola. (CRUZ; ZANON, 2009). A Agenda 21 Escolar poderá ser importante na conscientização e participação para as possíveis mudanças de comportamento, atitude e valores se envolver os atores sociais da localidade e governantes responsáveis, além de elaborar projetos e ações interdisciplinares que leve a sensibilização da comunidade de seu entorno para pensar e agir em prol do desenvolvimento sustentável (CRUZ; ZANON, 2009). 22 4. METODOLOGIA 4.1 Tipo de pesquisa nas atividades realizadas A proposta analítica deste estudo de caso segue os princípios da pesquisa-ação. Para Thiollent (1994) a pesquisa-ação pode ser pensada e aplicada na área da educação, onde os atores devem sempre gerar e utilizar informações a fim de planejar, orientar a ação e tomar decisões, cuja linha a seguir pode ser educativa, comunicativa, política, técnica, cultural, etc. Uma alternativa a gestão dos processos participativos é a sua utilização como processo metodológico de trabalho. Para o autor a pesquisa-ação: [...] trata-se de um método, ou uma estratégia de pesquisa agregando vários métodos ou técnicas de pesquisa social, com os quais se estabelece uma estrutura coletiva, participativa e ativa ao nível de captação de informação. Como estratégia de pesquisa, a pesquisa-ação pode ser vista como forma de conceber e de organizar uma pesquisa social de finalidade prática e que esteja de acordo com as exigências próprias da ação e da participação dos atores da situação observada. (THIOLLENT, 1994, p.25-26). O autor descreve a pesquisa-ação como um novo método para captar e processar informações, além de resolver diversas categorias de problemas teóricos e práticos de investigação, sendo também um modo de conduzir a pesquisa. A pesquisa-ação exerce uma função política diante dos atores envolvidos. A função política da pesquisa-ação é frequentemente pensada como um instrumento de investigação e ação à disposição dos grupos e classes sociais populares. Ainda com Thiollent, ele afirma que a pesquisa-ação pode ser pensada como forma de pesquisa na área da educação, sendo pensada no contexto das pesquisas em educação, comunicação, organização ou em outras. Para ele estas pesquisas acompanham as ações de educar, comunicar e organizar. Neste tipo de pesquisa, os atores sempre têm de gerar, utilizar informações e também orientar a ação e tomar decisões. O uso deste método pressupõe utilizar a pesquisa-ação como um ponto de partida necessário para uma ação planejada dos sujeitos envolvidos na pesquisa. A ação corresponde ao que precisa ser feito ou transformado para realizar a resolução de um determinado problema. Dependendo do campo de atuação e da problemática adotada, existem vários tipos de ação, cuja tônica pode ser educativa, comunicativa, técnica, política, cultural, etc. (THIOLLENT, 1994). Nesta pesquisa foi adotada uma proposta de pesquisa-ação durante os encontros semanais realizados com os alunos. A inserção desta nova alternativa foi realizada pelo método tutorial, “onde a partir de questões provocadas pelo professor mediador, os grupos de 23 alunos organizados com um tutor, um coordenador e um secretário, organizam e sistematizam os trabalhos realizados durante os encontros tutoriais, a fim de discuti-los e apresentá-los para todo o grupo (SME, 2003). Ao lançar questões relacionadas ao dia-dia, provocadas pelo mediador, grupos de alunos iniciam um debate estruturado. A dinâmica de grupo adotada para a realização destes debates estabelece algumas regras; Um número de sete a dez integrantes por grupo; organização dos grupos com funções por rodízio; um coordenador e um secretário designados pelos próprios grupos, para desenrolar e organizar as sessões tutoriais e sistematizar os resultados gerados durante os encontros (SME, 2003). Ao iniciar os primeiros encontros do método tutorial, os grupos elaboraram um diagnóstico participativo sobre o bairro, identificando os problemas, potencialidades e recursos de sua localidade ou cidade. Construiu-se um diagnóstico com informações socioambientais, econômicas, físicas, humanas, enfim, aspectos relacionados ao dia-dia. Neste método, cabe ao professor desenvolver um papel de facilitador, servindo de mediador entre a cultura dos participantes que vivem em um determinado contexto sóciopolítico-cultural, assim como o conhecimento cientifico da disciplina e a cultura que ele próprio traz. O educador incentiva a pesquisa e aprendizagem, para que os alunos superem seus próprios limites e avancem no conhecimento e compreensão sobre o mundo em que vivem. Cabe ressaltar que não compete ao professor assumir um papel passivo neste método. Ele desenvolve um papel fundamental para o sucesso desta nova alternativa, o papel ativo de estimular, animar o uso do conhecimento cientifico, o uso de técnicas e materiais, explicar seu objetivo no processo, orientar adequadamente os grupos antes, durante e no fim de cada um dos trabalhos, responder dúvidas, etc. Este método tutorial pressupõe rupturas com sua prática atual centrada na transmissão de conteúdos. Para tanto, os encontros foram organizados a partir da criação das COM-VIDAS na qual, organizaram fóruns de debates e discussão de temas interdisciplinares pertinentes a escola e comunidade de forma geral. Para o MEC e MMA (2004), estas comunidades de aprendizagem desenvolvem uma importante função de proteger o meio ambiente e contribuir para a melhoria da qualidade de vida das pessoas do entorno da escola. Em uma comunidade sustentável as pessoas cuidam das relações que estabelecem como os outros, com a natureza e com os lugares onde vivem. Essa comunidade aprende, pensa e age para construir o seu presente e seu futuro com criatividade, liberdade e respeito às diferenças. Durante os encontros o objetivo foi assegurar a participação de todos os envolvidos na pesquisa, de forma que foi possível tomar decisões, assumir responsabilidades e dar continuidade à ação planejada apesar das dificuldades. O principal 24 papel é contribuir para um dia a dia participativo, democrático, político e animado na escola, assumindo a responsabilidade de aproximar a escola da comunidade. 4.2 Registro e análise das informações nas escolas O instrumento de coleta de dados ocorreu a partir da pesquisa em arquivos referente aos anos de 2005 a 2009, sendo que a pesquisa até o ano de 2009 já apresentava um banco de dados. Entre os anos de 2010 e 2011, o acompanhamento das atividades e registros pessoais de observação participante foram realizados sempre após os encontros das agendas 21 escolares, onde era realizada a descrição e avaliação das atividades. Outro ponto analisado foram às pautas, atas e materiais produzidos pelos alunos durante as reuniões. Ao longo da análise observou-se que em cada encontro era indicado um coordenador e um relator, no qual os mesmos eram responsáveis por organizar, sistematizar e gerar as devidas informações sobre os encontros. Também foram realizadas entrevistas com alunos, professores, gestores e pais que participaram do processo e dos encontros com o Fórum da Agenda 21 Local de Itajaí, Núcleo Gestor do Plano Diretor de Itajaí, das reuniões comunitárias, da audiência pública e dos encontros com os gestores públicos. Inicialmente, estes dados coletados foram sistematizados de maneira cronológica, a fim de estruturar uma linha do tempo do processo: 1- Agenda 21 local de Itajaí 2- Agenda 21 da Escola Básica Antônio Ramos e 3-Agenda 21 Fayal. Os alunos que participaram da pesquisa pertencem a Escola Básica Antônio Ramos e ao Colégio Cenecista Pedro Antônio Fayal. Esses alunos frequentam da 6ª série do Ensino Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio e possuem a idade entre 12 e 18 anos. Durante a pesquisa além dos alunos no contra-turno, jovens de outras escolas, pais, professores, supervisão, orientação, Associações de moradores, Associação de Pais e Professores, Fundação do Meio Ambiente – FAMAI e Viveiro Fazenda Nativa, vereadores, Sub-prefeito do bairro, Secretária de Educação, ONG’S, Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI e prefeito municipal, também tiveram a oportunidade de participar deste projeto. Este grande movimento se deu a partir de um encontro com os pais ainda no ano de 2005, no dia 07 de julho, na qual, pediram para criar um grupo para se encontrarem juntamente com os respectivos filhos. A partir de então, o movimento se fortaleceu e agregou um número significativo de pessoas da comunidade escolar. 25 Ocorreram 100 encontros de 3 horas/aula no contra turno dos jovens uma vez na semana. Envolvendo aproximadamente 1050 alunos durante 198 horas/aula de pesquisa na Escola Básica Antônio Ramos e no Colégio Cenecista Pedro Antônio Fayal. 5. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 5.1 Ambiente e estilos de desenvolvimento As reflexões surgidas indicam como a visão economicista dominante dos estilos de desenvolvimento hegemônicos criaram uma condição de “agonia planetária” (MORIN; KERN, 2003). Não é preciso ser ambientalista, pesquisador ou especialista na área para perceber a importância que a questão ambiental conquistou no cenário nacional e mundial. O aspecto planetário do perigo ecológico surgiu em fins da década de 1960 e início da década de 1970, agravando-se na década de 1980 com grandes catástrofes locais que resultaram em consequências transnacionais. Além disso, incluem-se os problemas mais gerais, como a contaminação industrial das águas, envenenamento dos solos, urbanização selvagem de grandes cidades, a poluição do ar com monóxido de carbono geraram doenças e mortes. (MORIN; KERN, 1995). Este cenário que se apresenta, conquista, a cada dia mais espaço na agenda política, pela relevância e por ser considerado um bem comum, da coletividade. Para Santos (1996), se durante muito tempo a natureza criou o medo, hoje é o medo que cria uma natureza falsa, sendo apresentada uma parte como se fosse à totalidade dos recursos naturais. É a natureza sendo utilizada como moeda de trocas na relação com o mercado, artificializando as paisagens naturais. Desta forma, forjam-se cidadãos dependentes das relações artificiais, especialmente no meio urbano. (MMA, 2005). Os problemas globais relativos ao planeta, como o efeito estufa, passaram a ser diagnosticados tecnicamente e tratados politicamente. (KERN; MORIN, 1995). Logo, evidencia-se claramente, a falta de compreensão de nossos representantes legais quanto à questão ambiental. Na contramão dos gestores públicos, emerge uma crescente mobilização de estudantes, ambientalistas, pesquisadores, cidadãos, entre outros, em torno desta temática. Para Carvalho (2004) a preocupação ambiental no Brasil e no mundo tem se constituído um campo de integração das relações sociais, o que acaba por explicitar um crescente movimento em torno da ampliação dos debates diante desta temática. 26 As estratégias de desenvolvimento implementadas têm privilegiado o crescimento econômico em curto prazo à custa da natureza, provocando uma verdadeira crise ambiental. A deterioração ambiental não é apenas um problema que afeta a todos os povos, é, sobretudo um modelo de desenvolvimento econômico dominante que traz consigo a insustentabilidade ambiental, política e social. Um dos motivos que agravam a crise são os usos dados aos recursos naturais, fazendo com que a única visão sobre estes seja a de mercado. (SACHS, 1986; VIEIRA, 2005). Há também a mídia, que vem assumindo um papel cada vez mais decisivo neste processo, fomentando na sociedade a ideologia do consumo. (CARLOS, 1996). Portanto, as modernizações ocorridas nos recursos naturais criam diferenças qualitativas e quantitativas de acesso à produção, ao consumo e aos serviços de toda ordem. (SANTOS, 1996). A problemática socioambiental proposta insere-se no binômio ambiente e desenvolvimento. No cerne das discussões, reside uma percepção de que as estratégias de desenvolvimento fomentadas têm privilegiado o crescimento econômico em curto prazo à custa dos recursos naturais, provocando uma verdadeira crise ambiental, negando as reais necessidades sociais e as limitações dos sistemas ecológicos (VIEIRA, et. al, 2000; VIEIRA, 2000). Um modelo que traz consigo a insustentabilidade em termos ecológico e político-social (SACHS, 1986; VIEIRA, 2000; 2005). Neste sentido, emerge uma grande disputa pelos bens ambientais no Brasil e no mundo, este conflito evidencia a crise na gestão dos Recursos Naturais vigente na civilização (BERKES; FOLKE; HOLLING, 1998). Neste aspecto, Carvalho (2004) afirma que o que está em jogo não é apenas a sobrevivência da vida biológica do planeta, e sim a vida política. Para Santos (1996) as forças desencadeadas num determinado lugar ultrapassam a capacidade local de controlá-las, dificultando a gestão e minimização destes impactos. Assim, Carlos (1996) constata a tendência de que o local se torna global e o global se localiza no lugar. Isso demonstra uma mudança no campo político, onde as normas do mercado costumam modelar as normas públicas, ou seja, os negócios governam mais que o governo. (SANTOS, 1996). As intermináveis e delicadas negociações entre público e o privado, o bem comum e o bem privado, passa a se tornar uma fonte de aprendizado e evolução, pois, é no cerne destas questões e destes confrontos que podemos perceber, por exemplo, que à medida que aumenta o crescimento econômico local, normalmente os recursos naturais e populações locais tornamse mais vulneráveis. (SANTOS, 1996). A destruição do meio ambiente tem como resultado prático a perda dos saberes que sustentavam a relação de mútuo pertencimento entre os humanos e seu meio. (MMA, 2005). Assim, cada lugar, cada subespaço, assiste como 27 expectador ou ator, aos acontecimentos e ao desenrolar simultâneo das apropriações do território. (SANTOS, 1996). Estes efeitos predatórios e perversos dos estilos de desenvolvimento atualmente praticados exigem a busca de novos caminhos para a relação sociedade x natureza, implicando na construção de um novo modelo de desenvolvimento como estratégia de combate aos impactos causados pelos estilos de desenvolvimento vigente. Aumentam então, as preocupações para construção de estratégias para a busca de uma nova relação homemnatureza mais harmoniosa e consciente dos limites a serem estabelecidos entre as necessidades de consumo e a capacidade de suporte dos sistemas ecológicos. Esta é mais uma fase das chamadas relações entre sociedade e natureza, e é assim em todos os lugares habitados, o homem transformando a natureza, substituindo o meio natural por um meio cada vez mais artificializado. (SANTOS, 1996). Os defensores do desenvolvimento econômico ancoram-se numa ideia que vem radicalmente contra a afirmação do chefe indígena Seattle, os mesmos, supostamente parecem acreditar que “nada de ruim que acontecer a Terra afetará os filhos da Terra.” (MMA, 2005). Partimos do pressuposto que os estilos atuais de desenvolvimento necessitam de uma nova abordagem, sendo fundamental a reflexão sobre a ciência convencional que é disciplinar, reducionista, mecanicista, descolada da realidade, sendo necessária outra abordagem, para compreender as interações do sistema social e sistema natural (BERKES; FOLKE e HOLLING, 1998). E um dos fatores que agravam e/ou fazem parte da crise ambiental são os usos e valores dados a natureza, fazendo com que a única visão sobre estes seja a do monetário. (SACHS, 1986; VIEIRA, 2005). Porém, infelizmente o que se percebe é o enraizamento dos estilos de desenvolvimento atualmente empregados. Com o objetivo de alterar o estilo de desenvolvimento vigente, surge o ecodesenvolvimento que pode ser considerada uma das correntes que tentam hoje encaminhar e propor respostas à mesma. (VIEIRA, 2005). O ecodesenvolvimento é um estilo de desenvolvimento que deve se adaptar a cada região, para propor soluções específicas de seus problemas locais (SACHS, 1986). Trata-se de um sistema de gestão horizontal, onde todos participantes estão no mesmo nível para discutir, pensar no presente e no futuro, não havendo desta forma nenhum tipo de hierarquização (SACHS, 1986). Como pode ser observado, é um novo estilo de desenvolvimento mais harmonioso com os recursos naturais, promovendo a participação da população local e descentralizando a gestão, diferentes dos nossos modelos atuais. 28 Esta nova perspectiva de análise para o estudo e conflito das relações homem-natureza vem contribuir para a construção de novos projetos da sociedade, apresenta-se, por exemplo, o caminho para o ecodesenvolvimento, entendido como uma espécie de política ambiental preventiva e indutiva, que fomenta a construção participativa de novas estratégias de desenvolvimento – integradas, participativas, comunitárias e afetivas a prioridade pela vida. (Vieira, 2005). Então, surge como alternativa a novos estilos de desenvolvimento, o ecodesenvolvimento como o modelo mais adequado neste momento. Todavia, esta alternativa deve ser vista como uma dentre as várias vias possíveis de acesso a uma nova práxis fundamentada na ética ecológica, na solidariedade com as gerações atuais e futuras, e na responsabilidade com o futuro da vida na Terra. (SACHS, 2002). Assume também as ideias de incerteza, participação e descentralização, flexibilidade e aprendizagem social da coletividade. O ecodesenvolvimento é compreendido como uma política ambiental preventiva e proativa, que busca a construção participativa de novas estratégias de desenvolvimento na luta da defesa pela vida (VIEIRA, 2005). O ecodesenvolvimento busca a ruptura com o estilo de desenvolvimento vigente, individualista e consumista, a fim de se aproximar de uma dinâmica socialmente mais justa e solidária. (VIEIRA, 2006). Todavia, o ecodesenvolvimento deve ser visto como uma das alternativas possíveis de acesso a uma nova práxis fundamentada na ética ecológica, na solidariedade sincrônica com a geração atual e diacrônica com as gerações futuras e na responsabilidade com o futuro da vida na Terra. (SACHS, 2002). Assumem também as idéias de participação e descentralização, flexibilidade e aprendizagem social. O ecodesenvolvimento fundamenta-se [...] na lógica das necessidades sociais e não na produção, na capacidade das coletividades humanas para se apoiarem em suas próprias forças e para aproveitarem os recursos específicos e muito diversos do meio onde vivem, com o propósito de harmonizar os objetivos sócio-econômicos com uma gestão prudente do ambiente. (SACHS, 1986, p.29). A abordagem do ecodesenvolvimento vem ganhando novos contornos e se fortalecendo a partir do enfoque territorial, que tem sido amplamente abordado, como forma de repensar ações em torno das identidades locais, concebendo desenvolvimento com base na percepção dos atores locais e na disponibilidade do patrimônio natural e cultural existente. Para aproximar as dimensões território e sustentabilidade, já visto nos fundamentos teóricos do ecodesenvolvimento (VIEIRA, 2005 e 2006; VIEIRA e WEBER, 2000; SACHS, 29 1986 e 2007) e na perspectiva do patrimônio e gestão patrimonial (VIEIRA E WEBER, 2000), parece ser um espaço virtuoso para a concepção de novos cenários de desenvolvimento. O reconhecimento de dinâmicas sustentáveis de desenvolvimento será sempre uma construção social, apresentando-se como um processo eminentemente político, já que pressupõe negociações e decisões tomadas pelos diferentes atores e grupos envolvidos. Os atores locais constroem respostas que podem ser mais ou menos adaptadas às problemáticas colocadas pela crise socioambiental nos níveis global e local. Ainda, há que se considerar um ponto fundamental referente às complexas interrelações entre as iniciativas locais e as ações governamentais em todas as esferas. E é neste contexto que é possível uma resposta articulada envolvendo o Poder Público e a sociedade civil organizada, transcendendo o modelo atual de neutralidade da sociedade e seus cidadãos. Percebe-se, que esta nova alternativa, busca construir uma nova relação dos indivíduos para com os recursos naturais, um estilo de desenvolvimento onde os cidadãos e comunidades, passam a se tornarem os atores principais do processo de fomento, implementação e avaliação das políticas públicas implementadas nas comunidades pelos gestores públicos. A demanda por novos estilos de desenvolvimento, foi impulsionado num primeiro momento pelas discussões na Conferência de Estocolmo de 1972, organizada pela Organização das Nações Unidas (ONU). Ainda, no mesmo ano, a ONU cria o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), que auxilia desde então, no fomento a outras conferências internacionais que, por sua vez, passaram a assumir como pauta os modelos e estilos de desenvolvimento adotados pela civilização. Para transformar o estilo de desenvolvimento vigente, é preciso uma ruptura com o pensamento anterior - tradicional, neutro, consumista e predatório. Surge então, como alternativa de enfrentamento à crise ambiental planetária, o ecodesenvolvimento, que pode ser considerada uma das correntes que buscam encaminhar respostas à mesma. (VIEIRA, 2005). O ecodesenvolvimento é um estilo de desenvolvimento local e global que busca a identificação e resolução dos problemas locais. (SACHS, 1986). Trata-se de uma modalidade de política ambiental simultaneamente preventiva e proativa, que encoraja a construção participativa de novas estratégias de desenvolvimento, sendo estas íntegras, endógenas e participativas. (VIEIRA, 2005). A opção pelo ecodesenvolvimento pressupõe uma outra perspectiva no processo de tomada de decisão. Sendo assim, um sistema de gestão democrático, onde todos participantes estão no mesmo nível para discutir, pensar no presente e futuro, não há desta forma nenhum tipo de hierarquização. (SACHS, 1986). Outro fator 30 importante são as elaborações de diagnósticos sistêmicos e participativos para estimular as soluções negociadas, envolvendo todos os atores relacionados com a situação, tendo um enfoque de planejamento e gestão participativa de estratégias plurais de intervenção, estando esta adaptada com a realidade local. (VIEIRA, 2005). O enfoque territorial do ecodesenvolvimento tem sido amplamente abordado, como forma de repensar as ações verticalizadas dos Gestores Públicos, concebendo o desenvolvimento com base na percepção dos atores locais e na disponibilidade do patrimônio natural e cultural existente. Pois, as cidades atuais apresentam-se como os grandes centros de degradação de toda esta riqueza citada anteriormente, que não é apenas em relação ao ambiente físico, mas também social, emergindo dolorosamente todas as diferenças sociais. (JANKE; TOZONI-REIS, 2008). Assim, torna-se importante aproximar as dimensões território e sustentabilidade, amplamente discutido por alguns autores nos fundamentos teóricos do ecodesenvolvimento (SACHS, 2002 e 2008; VIEIRA e WEBER, 2000) e na perspectiva do patrimônio e gestão patrimonial (VIEIRA e WEBER, 2000), avançando para uma nova concepção e para novos cenários de desenvolvimento. Para Santos (2005) a terra é a morada do homem, mas pode ser sua prisão. Com o objetivo de contrapor a esta afirmação, é que surgem os novos estilos de desenvolvimento, a fim de libertar e emancipar os indivíduos das armadilhas do sistema. Mas esta não é uma missão simples, pois o que se percebe é a multiplicação do estilo de desenvolvimento consumista e predatório atualmente empregado. Para Santos (1998), observa-se que em lugar do cidadão formou-se um consumidor, que aceita ser chamado de usuário num sistema onde prevalece a chamada gestão externa dos territórios. Quando se fala em território, consideram-se aqui as possíveis divergências sobre o tema entre autores, mas admite-se ao longo deste trabalho a influência de Milton Santos na atribuição do sentido político ao conceito de território. Neste sentido, as relações sociais, entre elas, a de produção são estabelecidas entre os indivíduos, grupos e classes sociais, e são nestas relações que se afloram as relações de poder. (THEIS, 2008). É necessário que os estilos de desenvolvimento ecologicamente prudentes e socialmente justos, como citado anteriormente, sejam praticados, sendo uma tarefa de fundamental importância. (SACHS, 1986). Para transformar os estilos de desenvolvimento vigente na perspectiva do ecodesenvolvimento, é preciso derrubar com o pensamento anterior; tradicional, neutro, consumista e predatório. Pois, o ecodesenvolvimento é um estilo de desenvolvimento local, busca a identificação e resolução dos problemas locais. (SACHS, 31 1986). Mas, sugere-se que não se perpetue modelos de desenvolvimento prontos, mas que se modifiquem, criem ou recriem visando à melhor adaptação a cada realidade. Trata-se de uma modalidade de política ambiental simultaneamente preventiva e proativa, que encoraja a construção participativa de novas estratégias de desenvolvimento, sendo estas íntegras, endógenas e participativas. (VIEIRA, 2005). Assim consiste em um sistema de gestão democrático, onde todos participantes estão no mesmo nível para discutir, pensar no presente e futuro, não há desta forma nenhum tipo de hierarquização. (SACHS, 1986). Outro fator importante são as elaborações de diagnósticos sistêmicos e participativos para estimular as soluções negociadas, envolvendo todos os atores relacionados com a situação, tendo um enfoque de planejamento e gestão participativa de estratégias plurais de intervenção, estando esta adaptada com a realidade do local. (VIEIRA, 2005). Percebe-se, que esta nova alternativa, busca construir uma nova relação dos indivíduos para com os recursos naturais, um estilo de desenvolvimento onde os cidadãos e comunidades, possam participar da tomada de decisão coletiva e descentralizada, com o objetivo de estabelecer um desenvolvimento mais harmonioso com os recursos naturais, promovendo a participação da população local e descentralizando a gestão, diferentes dos nossos modelos atuais. A partir do momento em que determinados grupos da sociedade global passam a repensar o modelo de desenvolvimento vigente, multiplicaram-se associações, partidos verdes e ministérios ambientais incentivados inclusive pela própria ONU com a criação do PNUMA . Apesar da realização de grandes eventos, como a Rio-92, apesar do surgimento da ideia de “desenvolvimento sustentável”, da Agenda 21, a degradação continua avançando mais rapidamente do que os processos de regeneração e as políticas públicas de proteção ambiental e Educação Ambiental. (KERN; MORIN, 1995). 5.2 Participação e o local Ao pensar no local, num primeiro olhar imagina-se um lugar no espaço, por exemplo: Rua Alfredo Trompowsky, 153 - Bairro Vila Operária, Itajaí/SC. Mas, pode-se pensar o lugar numa outra concepção, como um espaço afetivo, próximo, onde se encontra imagens, símbolos, sentimentos, valores e parte da história de vida de um determinado indivíduo ou grupo social. Para Santos (1996) o lugar é onde se manifesta os sentimentos e imagens particulares, mas ainda pode ser caracterizado por uma combinação de valores qualitativos e quantitativos, e de idades ainda diferentes. 32 Se o espaço deve ser considerado como o conjunto da totalidade, ou ainda, um conjunto indissociável de sistemas de objetos e ações (SANTOS 1996), é neste que se configuram as relações de poder, a construção de identidades e a delimitação de territórios. Para determinados grupos, certamente, o lugar deixa de ser apenas o espaço físico-ambiental da geografia, rompendo com a relação lugar-espaço, sendo pensado numa perspectiva mais ampla, além dos limites físicos. Neste sentido, o lugar se desfaz e se rompe na massacrante lógica a padronização neste mundo globalizado. (CARLOS, 1996). Assim, o território estaria estruturado num conjunto de relações sociais, ou seja, os amigos, o trabalho, o lazer, a família e etc. Estas relações em rede são estruturadas a partir da afinidade, diálogo e temáticas que são de interesse comum do grupo, ao mesmo tempo em que vai recebendo novos membros e tecendo a rede social. Mas, os novos processos de produção do espaço e troca de informações, surgem de outra forma, vias de transporte e comunicações ampliaram suas rotas, que deixaram de ser apenas terrestres e estão cada vez mais aéreas, via satélite. Deste modo, cria-se uma suposta aparência que se perde as bases territoriais, a distância entre os lugares parece diminuir, sendo este articulado através das redes com intensa troca de informações. (CARLOS, 1996). Para Guehemo (1994 apud CARLOS, 1996) o essencial não é mais dominar um território, mas ter acesso a uma rede. Para Santos (1996) o território se forma numa relação histórica de espaço/tempo, onde o ator social territorializa o espaço, é onde os homens constroem uma prisão para si. Ao tecer esta teia da vida, alguns grupos promovem a participação social como possibilidade para o exercício pleno da cidadania e luta por seus direitos garantidos na Constituição. Já outras estruturas sociais, são conduzidas para outras direções, a corrupção, a ditadura e o poder absoluto, o que ao longo da história pode enfraquecê-los ou até mesmo fazê-los sucumbir. Por muitas vezes, sabe-se que os grandes organismos e corporações internacionais, exercem influência direta sobre determinados grupos, estruturas sociais e territórios, promovendo o fenômeno das desterritorializações. (SATO, 2003). Portanto, quando se pensa em globalização, alguns estudiosos acreditam que a influência do global é o fator fundamental para as transformações locais, já que este fenômeno é resultado de um sistema capitalista predatório/perverso, que por muitas vezes alteram a cultura local. Para MMA (2005), torna-se uma missão impossível deter o impactante processo de globalização da pobreza e não menos avassalador processo de concentração da riqueza que sofre os espaços. 33 Para Carlos (1996) as transformações ocorridas em virtude da globalização, tornam-se uma tendência cada vez mais irreversível. O processo de chegada da industrialização e das multinacionais permite a estas, a remessa dos lucros aos países de origem destas indústrias estrangeiras, deixando no lugar poucos e baixos salários (SANTOS 1996). Ainda neste arranjo sobre globalização, para Carlos (1996), este fenômeno altera o significado dos lugares, porque torna relativo o sentido de sua localização. Assumimos até aqui, o risco de manter uma linha “negativa” sobre a concepção de globalização, que gera entre outros a perda da identidade local, como foi visto até agora. Mas, cabe um contra ponto a este pensamento, para Sachs (1997) os globalizadores mais radicais, acreditam que o processo é irreversível a tal ponto que os estados nacionais não possuem mais o poder de regular suas próprias economias, porém, esta visão é contestada no livro de Hirst & Thompson, (Globalization in question, 1996 apud, SACHS, 1997). Para eles, a globalização não passa de um mito e o número de empresas transnacionais é relativamente pequeno, e na sua grande maioria tem bases nacionais e relações íntimas com os governos. (SACHS, 1997). Hirst & Thompson (1996 apud, SACHS, 1997) acreditam que a economia internacional ainda pode ser controlada e as estratégias de desenvolvimento nacional não perderam sua relevância. (SACHS, 1997). Todavia, sabe-se como afirmado por alguns autores até aqui, que o fenômeno da globalização acaba por desestabilizar ou até mesmo enfraquecer estruturas sociais e políticas de emancipação e participação popular. A participação dos cidadãos nunca esteve mais na pauta do que nos dias atuais, parte deste processo pode estar associada à criação do Estatuto da Cidade, Lei Federal n. 10.257 de 10 de julho de 2001. A lei garante o direito dos mais diferentes segmentos da sociedade de participar das atividades para planejar e gerir as políticas urbanas e territoriais. (BRASIL, 2005). É importante incluir as mais diferentes complexidades existentes em um território para promover uma efetiva participação, pois estas complexidades fazem parte e interferem diretamente no processo participativo (MCALLISTERR, 1999). Vale destacar a sensação de impotência encontrada nos espaços de participação e a crescente descrença da população em relação ao Poder Público. Os espaços participativos apresentam-se propícios à resolução dos problemas socioambientais, pois promovem participação e integração da comunidade. Estas são instâncias de discussão, responsáveis por estruturar planos, programas, projetos e estratégias, que fomentem a tomada de decisão, estruturadas por um grupo de atores multissetoriais (MELO, 2005). 34 Os espaços participativos como Agenda 21 local, se apresentam como caminhos possíveis para tomada de decisão descentralizada e horizontal. A Agenda 21 apresenta-se como um importante instrumento de mudança e como outra possibilidade de Desenvolvimento, tornando-se um importante espaço participativo e de fomento à participação popular. Os espaços participativos apresentam-se como uma alternativa à resolução dos problemas sócio-ambientais, pois, a partir da participação da comunidade na tomada de decisão, altera-se o que era visto anteriormente, onde apenas o poder público tomava a decisão, estes processos fortaleceram o sistema de gestão dos recursos naturais. (MELO, 2005). Espaços participativos apresentam-se como grupos de discussão, responsáveis por fomentar planos, programas, projetos, estratégias e metas que estimulem a tomada de decisão, organizados a partir de um grupo de atores que representam diversos setores da sociedade (MELO, 2005). Desta forma, emerge a importância do conflito e enfrentamento, uma vez que se torna a oportunidade por parte das redes sociais, da transformação da realidade e a defesa das ideologias, da democracia e do exercício pleno da cidadania. Antes do mergulho no debate que faremos sobre democracia, é preciso destacar que a noção de democracia não deve se abstrair da dimensão ambiental, pois até mesmo no que diz a respeito a nossa existência ou sobrevivência somos dependentes das relações que mantemos com a natureza. (MMA, 2005). O que tem predominado na maioria das atuais democracias, é a chamada democracia representativa, que por sua vez, distancia os eleitores e cidadãos da tomada de decisão e descentralização dos recursos. (SOUZA, 2006). Esta, também é conhecida como a democracia formal, onde os representantes eleitos exercem o poder em nome dos cidadãos, mas raramente fazem para ou a favor deste povo. (MMA, 2005). Num contraponto a este modelo de democracia representativa, Macpherson (1976) apresenta outro modelo ao qual denomina de democracia participativa, este modelo possui três precondições (condições sociais da democracia): 1) Mudança de postura e consciência da comunidade, que se torna protagonista e executor das tomadas de decisões; 2) Diminuição da desigualdade social, modificando desta forma a ordem atualmente estabelecida; 3) Fomentar a organização das comunidades nas mais diferentes formas, para que estas possam participar ativamente do processo democrático. Em teoria, nos dois modelos, as condições sociais fazem parte da construção da democracia, sendo este um conceito ainda em fase de aprimoramento. Assim, torna-se necessária maior compreensão sobre participação, principalmente por parte daqueles indivíduos que vivem a participação direta nestes processos de tomada de decisão, pois, por interesses do clientelismo, tradicional na política brasileira, o sujeito pode 35 evitar que os objetivos traçados pela coletividade se percam, a fim, de materializar as aspirações dos participantes e da comunidade. Neste sentido, o espaço exerce um papel fundamental na apropriação e evolução das formações econômicas e sociais até a reprodução da totalidade social, tornando-se um componente importante para os movimentos sociais na conquista destes espaços de tomada de decisão. (SANTOS 1977). Como se discutiu anteriormente, o social e o espaço interferem diretamente no dia-dia de ambos, ou seja, os mesmos contribuem diretamente na formação e modificação do social / espaço, então, nada mais coerente do que a participação popular no planejamento do espaço e dos territórios. (FREIRE, 1996). Apresenta-se como pressuposto, o fato de que os indivíduos de um determinado território vivenciam no cotidiano comunitário, as mais diversas experiências sobre a realidade local, isso, os coloca como os mais importantes atores sociais, responsáveis por delinear e definir o futuro da comunidade, ao menos teoricamente. Sabe-se que as elites e aqueles que exercem a dominação ideológica sobre o mundo, pretendem implantar a “democracia do consenso” assim, construir a falsa unanimidade, minimizando cada vez mais, os ingredientes da democracia, o debate, a divergência e o conflito, tão importantes e imprescindíveis na construção e fortalecimento da democracia. (MMA, 2005). Para Souza (2006), a participação é um destes importantes ingredientes da democracia. Como percebemos ao longo deste capítulo, os processos hegemônicos têm exercido forte pressão sobre os territórios e seus recursos naturais, promovendo a perda das identidades e culturas locais. (CARLOS; SANTOS, 2006). O enfraquecimento da democracia e participação, e ainda segundo Sato (1996) as chamadas desterritorializações. E é na contramão deste processo, que a Agenda 21 surge como possibilidade de reterritorializar estes territórios, vai, além disso, tornou-se um novo instrumento para animar a discussão sobre um novo paradigma de sustentabilidade, com foco no desenvolvimento local. Neste sentido, é preciso uma mudança no modo de pensar e visualizar o mundo, partindo de valores baseados nas experiências culturais, humanas, e locais. (HERMANNS; MACEDO, 2003). É a partir destas novas perspectivas que a Agenda 21 ganha consistência, pelo seu poder aglutinador e de fomento aos debates multidisciplinares entre diversos setores da sociedade. 36 5.3 Da Agenda 21 global a Agenda 21 escolar Quando do surgimento das primeiras sociedades, os seres humanos viviam em pequenos grupos, que percorriam largas extensões de terra praticando a caça. Capturavam animais e coletavam raízes, folhas, frutos e sementes – eram nômades. A partir de então, o homem aprendeu a construir ferramentas, abrigos e suas vestimentas. Descobriram o uso do fogo e começaram a domesticar animais e a cultivar plantas. Essas descobertas possibilitaram a fixação dos grupos, que passaram, então, a ser sedentários. Surgiram os primeiros assentamentos: as cidades. O crescimento não parou. Com a mineração e a fundição o desenvolvimento tecnológico avançou e, com a Revolução Industrial, a humanidade começou a absorver todos os recursos da Terra. Com a ideia de que os recursos eram infinitos, a natureza foi sendo explorada intensamente, principalmente após a Segunda Guerra Mundial em 1945. A desigualdade social, a proliferação de doenças, a fome e a miséria era e continuam sendo os grandes problemas da humanidade. Além disso, a degradação dos nossos recursos naturais, como água, as florestas e os animais colocaram em risco a saúde do meio ambiente. Lixo, fumaça e produtos químicos envenenaram o ar, a água, o solo e a saúde das pessoas. A partir de então, houve uma grande mobilização social entre pesquisadores, chefes de nações, representantes de associações, organizações não governamentais ambientalistas e cidadãos, que ficaram frente a frente com um grande desafio, fomentar novos cidadãos para a construção de uma nova sociedade. Neste momento, os movimentos ambientalistas, sindicais, feministas e sociais já emergiram e pressionavam governos por melhores condições de trabalho, igualdade de gênero, direito ao um meio ambiente equilibrado, etc. Mas, é a partir dos anos 70 que os movimentos ambientalistas passam a se multiplicar em grande escala, e o acontecimento que mais influenciou os movimentos ambientalistas internacionais na década foi a Conferência da Organização das Nações Unidas sobre o Ambiente Humano, realizada em Estocolmo, na Suécia, em 1972, é nesta conferência que emerge pela 1º vez o termo ecodesenvolvimento, um desenvolvimento menos agressivo aos recursos naturais. (SACHS, 1986; VIEIRA, 2005). No ano 1977, foi realizada a I Conferência Intergovernamental sobre Educação para o Ambiente, na cidade de Tbilisi, na Geórgia (Ex-URSS). Já na década de 80, em 1987, foi realizada a II Conferência Mundial sobre a Educação Ambiental, em Moscou, na ex-URSS. Foi uma reunião não-governamental, embora tenha tido a participação da UNESCO-PNUMA. 37 E, foi durante toda esta década, via publicações, encontros e debates, que o conceito de desenvolvimento sustentável amadurece. (MMA, 2004). Ocorre então em 1992 na cidade do Rio de Janeiro a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a RIO-92, que foi realizada devido ao consenso mundial de que algo de muito errado vinha acontecendo com a humanidade e com o planeta, produzindo de modo crescente a exclusão social, pobreza, fome, concentração exagerada de renda, instabilidade econômica, degradação ambiental e infelicidade para a imensa maioria de seus habitantes. Foi também o momento onde se enfatizou que muitos problemas sociais; como a falta de moradia, a pobreza e a miséria; eram responsáveis por muitos problemas ambientais, como o desmatamento, a invasão de áreas de preservação permanente, a contaminação dos recursos hídricos e a redução dos recursos naturais. Um dos principais documentos desta conferência foi a Agenda 21. A Agenda 21 tem esse nome porque representa um planejamento de ações e compromissos que devem ser estabelecidos para garantir o futuro do planeta no século XXI e contribuiu para difundir e consolidar o conceito de Desenvolvimento Sustentável pelo mundo. Este documento foi assinado por 170 países, inclusive o Brasil, anfitrião da conferência, sendo um documento cada vez mais divulgado, principalmente pelos órgãos governamentais nos últimos dez anos. A Agenda 21 é um documento baseado no conceito de Desenvolvimento Sustentável, o qual foi definido pela Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento das Nações Unidas, como: “Um novo caminho de progresso social e econômico que procura atender as aspirações do presente, sem comprometer as possibilidades de atendê-las no futuro”. Percebe-se que a Agenda 21 consolida a ideia de que desenvolvimento e conservação do meio ambiente devem acontecer de forma sincrônica. (CRUZ; ZANON, 2010). Trata-se de uma nova proposta de desenvolvimento para a humanidade, a qual deverá ser construída respeitando as características geográficas, culturais, e ambientais de cada país, estado, região e localidade. A Agenda 21 deve ser concebida como um processo participativo e democrático pelo qual a sociedade, o poder público e o setor econômico planejam ações, estabelecem metas e assumem compromissos visando promover o desenvolvimento sustentável, aumentar a qualidade de vida e a autonomia dos grupos e cidadãos. Ela deve ser o instrumento através do qual as comunidades possam apontar suas necessidades, buscar soluções e demonstrar as suas expectativas para o futuro do seu bairro, isto é, como podemos continuar desenvolvendo nossos países e nossas comunidades sem destruir o meio ambiente e com maior justiça social. 38 Em outras palavras, reintroduz uma ideia esquecida de que podemos e devemos planejar e estabelecer um elo de solidariedade entre nós e as futuras gerações. É um plano de ação com o objetivo de promover uma nova forma de desenvolvimento, onde sejam respeitadas a proteção do meio ambiente, a igualdade social, a identidade e cultura dos povos, a satisfação das necessidades básicas e a realização dos direitos humanos, promovendo também o desenvolvimento econômico, baseado numa melhor distribuição de renda, que possam garantir ao cidadão o direito às suas necessidades básicas. A Agenda 21 tornou-se um importante instrumento para a democratização na gestão dos recursos naturais, além de orientar outros setores, o documento composto por 40 capítulos traz propostas de compromissos dos governantes para com o planeta no século 21. Entre as orientações, uma nova forma de pensar a escola, que tem como objetivo, buscar caminhos para o desenvolvimento sustentável, e isto vem ao encontro com a função social da escola, na formação e construção do cidadão, fato este reforçado em seu capítulo 36, que fundamenta a importância da educação para o desenvolvimento sustentável: O ensino, inclusive o ensino formal, a consciência pública e o treinamento devem ser reconhecidos como um processo pelo qual os seres humanos e as sociedades podem desenvolver plenamente suas potencialidades. O ensino tem fundamental importância na promoção do desenvolvimento sustentável e para aumentar a capacidade do povo para abordar questões de meio ambiente e desenvolvimento. Ainda que o ensino básico sirva de fundamento para o ensino em matéria de ambiente e desenvolvimento, este último deve ser incorporado como parte essencial do aprendizado. Tanto o ensino formal como o informal são indispensáveis para modificar a atitude das pessoas, para que estas tenham capacidade de avaliar os problemas do desenvolvimento sustentável e abordá-los. O ensino é também fundamental para conferir consciência ambiental e ética, valores e atitudes, técnicas e comportamentos em consonância com o desenvolvimento sustentável e que favoreçam a participação pública efetiva nas tomadas de decisão. Para ser eficaz, o ensino sobre meio ambiente e desenvolvimento deve abordar a dinâmica do desenvolvimento do meio físico/biológico e do sócio-econômico e do desenvolvimento humano (que pode incluir o espiritual), deve integrar-se em todas as disciplinas e empregar métodos formais e informais e meios efetivos de comunicação. A proposta de implementação da agenda global até a escolar, trabalha com princípios de EA para sustentabilidade, é um documento multissetorial, onde o desafio posto é atender e integrar as dimensões ambientais, econômicas, sociais e institucionais (CRUZ; ZANON, 2010) para que juntos possam planejar o presente e o futuro das cidades. Após os trâmites do processo de construção da Agenda 21 brasileira entre os anos 1996 e 2002, o MEC e o MMA 39 em conjunto lançam o programa Vamos cuidar do Brasil com as Escolas uma política pública de construção da Agenda 21 Escolar, Formando o COM-VIDA (CRUZ; ZANON, 2010). Esta política representou avanços na EA que se pratica nas escolas, pois, paralelamente ocorreu um conjunto de ações de formação, criação de redes e abertura de editais para fortalecer tal política. Para o MMA, este projeto pretende ir além do muro das escolas “[...] de fatias a margem do mercado, do sistema escolar, a fim de impregnar todas as relações na sociedade, todos os ambientes artificiais e naturais.” (MMA, 2004, p.53). Então, uma das alternativas de materializar o capítulo 36 da agenda 21 global é a implementação das COM-VIDAS. A Comissão de Meio Ambiente e Qualidade de Vida na Escola – COM-VIDA busca garantir espaços para a juventude, tendo como objetivo criar uma nova forma de organização na escola torna-se fundamental a participação de estudantes, professores, funcionários, diretores e comunidade. “O principal papel da COM-VIDA é contribuir para o dia-a-dia participativo e democrático, promovendo o intercâmbio entre escola e comunidade.” (MMA, MEC, 2004, p. 09). Estas políticas para a juventude somam-se a outras e surgem como “[...] afluentes de um amplo movimento social em que estão inseridas instituições, organizações não-governamentais, simpatizantes, ativistas e militantes políticos [...].” (JIMENEZ; TERCEIRO, 2009, p.304). Para o MMA e MEC (2004) uma das estratégias de promover a participação dos jovens e escola, é através da COM-VIDA, pois a mesma, busca garantir espaços para a juventude discutir e diagnosticar a realidade local, com objetivo de identificar e buscar a solução para os problemas da comunidade escolar. 5.4 Educação Ambiental Como na educação predomina o modelo tradicional, que elimina o raciocínio, a compreensão, e leva à mera listagem de conteúdos, neste sistema se evidencia o natural sobre o social, para que o social seja visto como natural (PEREIRA, 1993). Mesmo vivendo sob os princípios de liberdade e igualdade, a sociedade capitalista leva a educação a se tornar a ferramenta de afirmação dos valores da burguesia. (MORAES, 1987). Para Santos (1998), observa-se que em lugar do cidadão formou-se um consumidor, que aceita ser chamado de usuário. Mesmo para as elites, a escola oferecida não tem correspondido às reais necessidades humanas, principalmente quando os referenciais culturais 40 transmitidos por ela levam em conta apenas os conceitos de mercado e consumo. (FREIRE, 1986). A condição básica para alcançar uma educação de qualidade, é em primeiro lugar, posicionar-se frente ao mundo, possibilitar uma educação libertária, que forme criticamente as crianças e jovens, voltada à formação para a cidadania. (FREIRE, 1983). Para Paulo Freire (1986, p.12) “[...] enquanto os grandes debates, os seminários revolucionários permanecerem dentro da escola, cada vez mais isolado dos problemas reais e longe das decisões políticas, não existirá uma educação libertadora”. A crise histórica e o aprofundamento dos problemas na educação geraram um sistema onde só se formam indivíduos medíocres, pois, não há estímulo para a criação (FREIRE, 1986). A privação da educação escolar condiciona, limita e neutraliza as possibilidades destes grupos populares de se mobilizarem, para defender diante da sociedade e poder público, a garantia mínima de seus direitos enquanto cidadãos. Como alternativa de libertação desta educação tradicional centrada na transmissão de conteúdos, surgem às comunidades de aprendizagem na escola, (COM-VIDA) na qual, organizam fóruns de debates e discussão de temas interdisciplinares pertinentes a disciplina, a escola e comunidade. Para o Ministério da Educação e Ministério do Meio Ambiente estas comunidades de aprendizagem desenvolvem uma importante função de proteger o meio ambiente e contribuir para a melhoria da qualidade de vida das pessoas do entorno da escola. Em uma comunidade sustentável as pessoas cuidam das relações que estabelecem como os outros, com a natureza e com os lugares onde vivem. Essa comunidade aprende, pensa e age para construir o seu presente e seu futuro com criatividade, liberdade e respeito às diferenças (MMA, MEC, 2004, p. 07). Durante os encontros das comissões de meio ambiente, o objetivo é assegurar a participação de todos os envolvidos na pesquisa, de forma que possam tomar decisões, assumir a responsabilidade e dar continuidade à ação planejada apesar das dificuldades. Assim, podem planejar e programar ações educativas no espaço físico da escola e também na comunidade escolar. O processo participativo permite fomentar redes solidárias de produção e veiculação de comunicação ambiental; discutir a gestão popular na escola; organizar fóruns; alimentar canais públicos com conteúdos socioambientais com linguagens inovadoras e metodologias participativas. (COM-VIDA, 2004). A meta da COM-VIDA é ampliar a capacidade de intervenção das pessoas, entendidas como parte de comunidades de aprendizagens, independente da condição social, grau de instrução ou inserção no mercado. A formação destes processos atende a demanda surgida da 41 Conferência Nacional Infanto-Juvenil pelo Meio Ambiente e orientada pela Carta Jovens Cuidando do Brasil - Deliberações da Conferência Infanto-Juvenil. (MEC, 2004). Para o PRONEA (2005) Programa Nacional de Educação Ambiental, a EA deve pautar suas ações numa abordagem sistêmica, capaz de integrar os múltiplos aspectos da problemática ambiental contemporânea. Neste sentido, Reigota (2010, p.546) descreve sobre os desafios da EA “[...] de ultrapassar os aspectos puramente biológicos (evolutivos) da biodiversidade e incorporar os seus aspectos antropológicos, culturais, econômicos e políticos”. Assim, a EA surge como um excelente campo do saber, a fim de fomentar os novos estilos de desenvolvimento, “[...] a educação ambiental tem como objetivo contribuir para a formação de indivíduos críticos e reflexivos capazes de (re) pensar sua própria prática social”. (JANKE; TOZONI-REIS, 2008, p.148). O conceito de política ambiental está associado à especialização técnica. (BREDARIOL e VIEIRA, 1998 apud BOEIRA, 2003). Assim, a Educação Ambiental e as políticas públicas podem se articular de diferentes formas, por exemplo, Políticas públicas de Educação Ambiental: área que se ocupa das ações e pesquisas relacionadas com as políticas públicas específicas e explícitas de Educação Ambiental, como, por exemplo, a Lei Federal de Educação Ambiental (Lei 9795/99 e o Decreto 4281/2002), leis estaduais e municipais de Educação Ambiental. (GUIMARÃES; OLABARRIAGA; TONSO, 2009, p.217). Então, a partir de diversos movimentos, como a formulação e aplicação da legislação como citado acima, provoca a busca por um novo padrão de desenvolvimento. Neste sentido, a construção de Agendas 21 Locais vem conquistando destaque e reconhecimento perante governo e sociedade. É importante destacar que neste trabalho, o desenvolvimento não é entendido apenas na sua vertente econômica como é compreendido por muitos, especialmente o senso comum, compreende-se desenvolvimento como um processo mais amplo - aquele processo de produção, distribuição, consumo e trocas, mas também de atitudes, valores, condutas e costumes individuais e coletivos que ocorrem condicionados pelas relações de poder entre classes sociais, grupos e indivíduos que se encontram em um determinado espaço geográfico. (THEIS, 2008). Diante do exposto, os caminhos trilhados pelas Agendas 21 diferem diante de cada realidade encontrada, apesar do objetivo comum da sustentabilidade, ainda que desconhecida. Algumas experiências de implementação de Agendas 21 Locais, tem demonstrado o 42 alinhamento destes processos com a Educação Ambiental (EA) o que pode e deve ser um caminho a ser trilhado como estratégia de enraizamento destes processos nas comunidades. Para tanto, o próprio PRONEA, em seus objetivos contempla, orienta e estimula as instituições governamentais e não governamentais a pautarem suas ações com base na Agenda 21. (PRONEA, 2005). Dessa forma, a Educação Ambiental exerce um papel fundamental na educação formal, oportunizando aos alunos, professores e comunidade escolar, novos olhares sobre o Meio Ambiente, potencializando a realidade vivenciada, os conhecimentos locais, identificando os temas que são prioridades locais e valorizando a diversidade. (SILVA, et. al, 2011). A Educação Ambiental (EA) é o processo que fomenta a mudança de atitude da população em relação ao meio ambiente, que não se refere apenas à natureza, mas, a todo local onde mantemos relações com todas as manifestações de vida. (CERQUEIRA; MARINHO, 2011). É a partir deste novo olhar dos cidadãos para o meio ambiente, que surge a alternativa de integração entre Educação Ambiental e Agenda 21, uma possibilidade de fomento a ações democráticas nas diversas esferas da sociedade para a mudança de atitude e comportamento, para a minimização da desigualdade social e fomento a outro modelo de desenvolvimento, o sustentável. (CRUZ; ZANON, 2010). A Agenda 21 desde seu documento global até a escolar é um programa de interdependência entre as dimensões econômica, social, ambiental e institucional, e apresenta princípios de EA para um mundo sustentável. (CRUZ; ZANON, 2010). Esta nova alternativa vem ao encontro com os princípios da EA, que para muitos deve ser desenvolvida em todos os espaços, também como uma prática educativa integrada, contínua e permanente em todos os níveis e modalidades de ensino formal e que não deve ser implantada como uma disciplina no currículo de ensino. (PRONEA, 2005). As políticas de EA devem estar balizadas na participação social. (MANSILLA; SATO, 2009). E deve promover uma ação transformadora da realidade socioambiental. (GUIMARÃES; OLABARRIAGA; TONSO, 2009). A EA deve pautar suas ações: na transparência; no pluralismo de ideias e concepções pedagógicas; na coerência entre pensar, falar, sentir e fazer; no enfoque humanista, histórico, político, democrático, participativo, inclusivo, cooperativo e emancipatório; no compromisso com a cidadania ambiental; entre outros. (PRONEA, 2005, p.37). Estes princípios estão fundamentados por lei federal n° 9.795, em 27 de abril de 1999, que dispõe sobre a política nacional de Educação Ambiental, um grande avanço no fortalecimento e consolidação da Educação Ambiental no país. Mas, é preciso estar alerta, a 43 lei por si só não garante a materialização dos programas e políticas ambientais, é necessário, sobretudo, participação de escolas, sindicatos, ONGs, associações, entre outros, para que possamos fortalecer e ampliar a democracia a fim de internalizar as políticas públicas de Educação Ambiental nos mais diversos territórios. Uma das possibilidades de se materializar estes princípios é por meio de projetos e também como tema transversal permeando todas as áreas do conhecimento. (SILVA, et. al, 2011, p.73). O Estado de Santa Catarina também elaborou instrumentos legais para promoção da Educação Ambiental, para isso, criou e implementou a Comissão Interinstitucional de Educação Ambiental (CIEA/SC), pelo Decreto Estadual n° 2.489, de 8 de junho de 2001. Para tanto, criou-se a LEI N° 13.558, de 17 de novembro de 2005 que dispõe sobre a Política Estadual de Educação Ambiental – PEEA. Assim, a EA torna-se obrigatória em todos os níveis de ensino de forma interdisciplinar, sendo que todos os professores de todas as disciplinas devem fomentar atividades de educação ambiental. Mas, é preciso estar atento, pois, existem obstáculos à implantação da EA, por exemplo, o número de alunos por sala, professores comprometidos, disponibilidade e horas de formação, bem como predisposição destes docentes e gestores em desenvolver programas de EA. (CERQUEIRA; MARINHO, 2011). Cabe destaque aqui, a elaboração e implementação das “Diretrizes de Educação Ambiental do Município de Itajaí” em consonância com a Lei Nacional de Educação Ambiental (Lei Federal 9.795) e com o Programa Nacional de Educação Ambiental (PRONEA – MMA/MEC). Para Secretaria Municipal de Educação de Itajaí - SME (2003), a Educação Ambiental para que seja efetivada, deve estabelecer uma forte relação comunitária, como uma via de mão dupla, possibilitando uma maior participação da comunidade no ensino, através de seus saberes, e por outro lado, uma maior participação da escola e dos educandos na mudança da realidade comunitária. Para alguns, os projetos ambientais escolares comunitários tornam-se uma provocação ao isolamento das escolas, que enclausuradas como ilhas em suas verdades, projetaram um saber descontextualizado do cotidiano da comunidade escolar. (MANSILLA; SATO, 2009). É oportuno e preciso entender a necessidade de romper com as convenções da ciência neutra, individualista e apolítica, muitas vezes identificadas em diversos ramos da pesquisa social. (THIOLLENT, 1996). Assim, a EA é definida como interdisciplinar e orientada para a resolução de problemas locais; é participativa, comunitária, libertadora, criativa e valoriza a ação. (SME, 2003). Segundo o Pronea (2005) os programas de EA devem reconhecer o conjunto das interrelações e as múltiplas dinâmicas naturais, culturais, históricas, sociais, econômicas e políticas 44 de cada comunidade. Neste arranjo de intervenções, percebe-se que a sociedade esta repleta de interesses e desigualdades sociais, que por muitas vezes não informados ou camuflados, acabam por refletir diretamente no esvaziamento do debate em favor da construção de políticas públicas. (GUIMARÃES; OLABARRIAGA; TONSO, 2009). Considera-se, que o maior desafio que se apresenta no momento é possibilitar a discussão democrática e possível, a fim de superar e materializar os sonhos e utopias nas práticas pedagógicas de Educação Ambiental. (REIGOTA, 2010). Por ser definida como interdisciplinar e com objetivos claros a resolução de problemas, a EA também é orientada a ser - participativa, comunitária, libertadora e criativa, além de valorizar a ação (SME, 2003). 6. DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES REALIZADAS 6.1 Atividades realizadas com os estudantes e seus desdobramentos Como membro do GT - Educação e professor, decidi por fazer das aulas de geografia um experimento educacional interdisciplinar envolvendo a Agenda 21 no ensino da disciplina. Após um início animador do ponto de vista da participação e envolvimento, os alunos solicitaram a criação de um grupo no contra-turno, pois há 1 hora/aula já não era suficiente para atender aos debates, planejamento e compromissos organizados em sala. As reuniões no contra – turno aconteceram periodicamente todas as quintas e segundas-feiras no horário das 13h30min às 16h30min horas nos respectivos colégios. As ideias que surgiram no grupo sobre agenda 21, vieram ao encontro com a proposta da II Conferência Nacional Infanto Juvenil pelo Meio Ambiente que a EBAR em 2005 organizou e posteriormente na III Conferência em 2008 no Colégio Fayal que também a promoveu. A ideia da conferência é promover um grande debate com a comunidade escolar acerca dos temas relacionados às questões ambientais. Para Santos, as cidades têm um grande papel no fomento às informações que conduzem a ampliar o grau de consciência (SANTOS 2001). Diante disso, as Agenda 21 escolares promoveram e organizaram as conferências. A partir da Conferência e da responsabilidade assumida pelas escolas, o projeto tomou corpo e se fortaleceu agregando maior número de alunos e pais no processo. No mesmo momento em que as agendas se fortalecem nos espaços de participação da cidade, o mesmo encontra-se em fase embrionária nas unidades Escolares. Percebe-se muita dificuldade, especialmente da fase de inicial, onde a proposta sofre forte resistência por dos 45 professores e gestores. Este, com certeza um entrave no processo metodológico, o envolvimento de toda a escola no processo. Esta lacuna está evidente inclusive no caderno metodológico da COM-VIDA (2004), pois o mesmo, não apresenta sugestões metodológicas para envolver os professores num projeto interdisciplinar dentro da atual estrutura escolar. À medida que o grupo se fortalece na comunidade, a Unidade Escolar passa a legitimar e reconhecer os jovens como protagonistas do processo. Esta legitimação ocorre a partir das participações em reuniões do Plano Diretor, programas de TV, encontros com a comunidade, reunião com o prefeito, audiência na câmara de vereadores, matérias em jornais da cidade, etc. Realizaram-se 20 reuniões com a comunidade que contaram com a participação de diversos representantes da sociedade; UNIVALI – Universidade do vale do Itajaí, ONG Voluntários pela Verdade Ambiental, Câmara de vereadores, FAMAI – Fundação do Meio Ambiente de Itajaí e viveiro fazenda nativa, Associação de Moradores, representantes do bairro, pais, Secretária Municipal da Educação, universitários, etc. Durante essas reuniões a câmara de vereadores em dois momentos se posicionaram favoráveis, respectivamente à construção do Parque e as ações de Recuperação de Mata Ciliar. A partir do envolvimento dos pais com o processo, especialmente no caso da agenda 21 EBAR, o grupo caminhou para a implantação da COM–VIDA após a legitimação do prefeito municipal, que esteve na escola a convite. Mas, o primeiro passo para o fortalecimento desta comissão foi construir o acordo de convivência, ou seja, construir os planos sobre as atividades, horário dos encontros, a entrada e saída das pessoas, como o trabalho seria distribuído, as responsabilidades de cada membro, enfim, o funcionamento da comissão. Após realizar um convite aberto, alguns jovens próativos demonstraram interesse em participar da construção da Agenda 21 escolar, assim, se organizou uma reunião com os pais a fim de informá-los sobre o projeto. Durante a reunião, os pais solicitaram um espaço para eles participarem junto aos seus filhos. Também ficando decidido, que nas próximas reuniões cada pai ficaria responsável por trazer mais pessoas. Então, neste acordo de convivência, ficou decidido pelo grupo, que as reuniões ficariam abertas a todos. Também foi sugerido durante o acordo, que cada reunião do grupo contará com um coordenador e um relator, a fim de organizar os encontros, listar os temas a serem discutidos e sistematizar as informações geradas durante a reunião. Como oficinas do futuro, onde os sonhos são discutidos, repensados e criados semanalmente. O segundo momento, de acordo com o MMA e MEC (2004), é realizar a árvore dos sonhos. Esta atividade tem como objetivo provocar nos alunos a reflexão sobre qual a 46 comunidade e escola de seus sonhos. Esta construção traça os objetivos da Agenda 21 na escola. Na dificuldade de encontrar os caminhos na cartilha da COM- VIDA (2004) para realizar esta atividade, optou-se em fazer da Conferência uma grande oficina de produzir sonhos, ou seja, a partir das propostas defendidas durante a conferência, que foram os quatro acordos internacionais propostos pelo MEC/MMA; Mudanças climáticas, Biodiversidade, Segurança Alimentar e nutricional, e Diversidade étnica e racial. Decidiu-se após votação em plenária na EBAR a responsabilidade assumida pela comunidade escolar. O grupo biodiversidade foi o que obteve maior número de votos, portanto, o objetivo do grupo foi criar um Parque Ecológico no bairro cordeiros a fim de proteger a biodiversidade local. Depois de decidido a responsabilidade da escola para a comunidade, se iniciou a busca de caminhos possíveis a fim de concretizar este “utópico sonho”. Mas para alcançar este sonho, foi preciso discutir as pedras no caminho e pensar nas dificuldades para chegar até ele. Ao iniciar o debate estruturado sobre as pedras no caminho, logo surgiu à indagação do aluno Rafael (13 anos). “Precisamos em primeiro lugar, um espaço para nós, também mais pessoas, professores e pais participando junto a nós [...] precisamos tornar o projeto mais visível para o bairro”. Assim, o grupo construiu o seu conceito sobre agenda 21; “Através de reuniões nós queremos conhecer os problemas de nossa comunidade e encontrar uma maneira de ajudar”. Buscou-se então de maneira rápida a participação efetiva de pais, professores e comunidade. Apesar de afirmar que o envolvimento de pais e comunidade é fundamental para se construir a COM-VIDA na escola, os ministérios não apontam os caminhos para que isso aconteça. Entretanto, como pressupõe a própria metodologia, o grupo decidiu aprender fazendo. Para solucionar este problema, o grupo tomou a decisão por aumentar as horas de voluntariado e começar a se encontrar com os pais também no período noturno. O mesmo não aconteceu com os professores! Mas a partir da participação em diversos espaços de participação da sociedade, houve um envolvimento progressivo dos professores, já que este já tinha ocupado as discussões em sala de aula por parte dos alunos. Entre os espaços de diálogo, podemos listar algumas participações do grupo; Plano Diretor: Aqui discuti - se o zoneamento e ocupação do solo para os próximos anos na cidade de Itajaí. O Plano Diretor parte de uma leitura da cidade real, envolvendo temas e questões relativos aos aspectos urbanos, sociais, econômicos e ambientais, que embasa a formulação de hipóteses realistas sobre as opções de desenvolvimento e modelos de territorialização. O plano Diretor organiza o crescimento e o funcionamento da cidade. No Plano Diretor está o projeto da cidade (SPDU, 2005/2006: 02). Nesta estrutura, o grupo 47 participou de uma reunião em 2005 e duas em 2006, respectivamente apresentando a proposta de criação do Parque Ecológico. Após as duas participações do grupo durante reunião do Plano Diretor, decidiu-se e registrou-se através de ata em audiência pública promovido pelo Núcleo Gestor do Plano Diretor, que o projeto do Projeto do Parque Ecológico Cordeiros foi contemplado dentro da proposta de Áreas Verdes no município. Reunião com o Prefeito e Secretária Municipal de Educação: Esta reunião foi realizada, devido à própria necessidade que o grupo apontou sobre tornar público a proposta. O prefeito a partir de um convite veio até a escola junto aos secretários municipais de Educação, Turismo, Obras, Meio Ambiente, e Planejamento/Desenvolvimento Urbano. Após a apresentação da proposta de criação do Parque Ecológico pelo grupo de alunos da agenda 21 escolar, foi entregue um termo de compromisso ao prefeito, solicitando o compromisso com a comunidade para criar o Parque. O prefeito assinou o termo e realizou o acordo de convivência, criando a COM-VIDA – Comissão de Meio Ambiente e Qualidade de Vida na escola para pensar no projeto do Parque. Esta COM-VIDA foi composta por representantes dos alunos, pais, associações de moradores, professores, direção, Secretária de Planejamento e Desenvolvimento Urbano, FAMAI e gabinete do prefeito. Reunião na Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Urbano (SPDU): A reunião que ocorreu no mês de outubro de 2006 com a SPDU, já é resultado da criação da COMVIDA por parte do prefeito. Durante a reunião que ocorreu na prefeitura municipal, a secretaria apresentou a proposta de integração entre o parque pretendido pela escola e um espaço da prefeitura municipal para construção de praças e áreas de lazer para a comunidade. O objetivo era criar um grande corredor ecológico entre o ribeirão da Murta e o Rio Itajaí Açu. Câmara de vereadores: Já na câmara, a articulação se deu através do vereador representante do bairro, que sugeriu a apresentação durante a sessão parlamentar. A apresentação da proposta ficou por parte de dois alunos da agenda 21. A participação resultou no agendamento de uma audiência pública para discutir o projeto. Ao identificar as pedras no caminho, chega o terceiro momento segundo MEC e MMA. Criar um jornal mural com o objetivo de reunir as informações sobre a história da comunidade, os problemas, mostrar fotos e documentos do grupo. Neste aspecto, a COMVIDA EBAR e Fayal alcançaram bons resultados. Se criou um espaço na parede das escolas, onde foram disponibilizadas as atividades e informações sobre o desenvolvimento do grupo. 48 Também a partir da necessidade de articulação interna na escola e comunidade, surgiu o jornal chamado EBARZINE. Este foi produzido em conjunto com disciplina de português que promoveu uma oficina para os alunos. A técnica do jornal é artesanal, os alunos constroem suas próprias produções e após juntam alguns recortes de revistas que são colados em uma folha A3, reproduzem e distribuem na comunidade e escola. Este jornal foi reproduzido em parceria com a ASPMI – Associação dos Funcionários Públicos Municipais de Itajaí. Também se desenvolveu a partir da Agenda 21 na escola, atividades durante a semana do meio ambiente. A fim de promover um novo conceito sobre meio ambiente junto aos jovens, se organizou uma “Feira de trocas”. Esta experiência educacional busca estabelecer e experimentar uma nova ordem na economia, a partir deste exercício o dinheiro se torna coadjuvante, e o protagonismo passa a ser da troca de objetos, alimentos, roupas, favores, livros, saberes, etc., entre as pessoas. As feiras ocorreram com a participação de todos os alunos do ensino fundamental. No primeiro momento se realizou internamente em cada sala de aula, ao perceber o envolvimento na atividade que até então era desconhecida de todos, iniciou-se uma nova etapa. Realizar a feira com alunos da mesma série, durante as feiras foi possível perceber a integração e comunicação entre alunos ao trocarem suas mercadorias. A satisfação pelo sucesso da atividade mobilizou a direção a promover uma grande feira com a participação de todos os alunos, professores e funcionários. A feira se realizou e novamente os alunos participaram efetivamente trazendo uma diversidade de objetos, produtos e serviços. Quem participou experimentou a oportunidade de pintar a unha, fazer prancha no cabelo, fazer limpeza de pele, trocar roupa, tênis, alimento, fitas de vídeo game, CD’S, bola de futebol, livros, revistas, enfim, uma infinidade de objetos e serviços que foram oferecidos pelas crianças. Percebe - se que a feira pode ser uma excelente ferramenta a fim de romper com o paradigma, de a escola ser como uma ilha dentro de um bairro. Acredita-se que a atividade pode atuar como um elo de articulação entre agenda 21, escola e comunidade, aproximando as pessoas, fortalecendo as amizades, recriando o sentido e espírito de comunidade nas pessoas envolvidas, alimentando assim, as Agendas 21 escolares. 49 7. AGENDA 21 ESCOLAR: PERSPECTIVAS PARA UMA POLÍTICA PÚBLICA EM NÍVEL LOCAL. Como já abordado, as escolas tornaram-se o caminho mais curto para aproximar as comunidades da agenda 21 local. Apesar de se tornar o elo de ligação, percebeu-se ao longo do processo que as escolas exerceram forte resistência para o novo, pois a própria estrutura física e educacional pouco oferece para esta mudança de paradigma. Para Pereira “[...] a burguesia estrutura os sistemas de ensino e defende a escolarização para todos, pois através dela os servos podem ser convertidos em cidadãos e participar do processo político [...]”. (PEREIRA, 1993, p.21). A população das salas de aproximadamente 40 alunos, o espaço físico insuficiente e desconfortável dificulta o trabalho coletivo, sendo necessário encontros no contra turno para avançar na construção e formação do grupo. Porém, as dificuldades internas foram sendo superadas a partir do momento que o grupo passa a participar e conquistar espaço nas principais estruturas de participação na sociedade, fazendo a interlocução do Fórum com outras instituições da cidade. E, é neste momento de maior visibilidade do processo, que professores, funcionários, pais, associações, comunidade e alunos, se sentem seduzidos a fazer parte do movimento e fortalecer a COM-VIDA das escolas. Para Santos (2001, p. 131), “[...] quanto mais diferentes são os que convivem num espaço limitado, mais ideias do mundo aí estarão para ser levantadas e desse modo, tanto mais rico será o debate silencioso ou ruidoso que entre as pessoas se estabelece”. É curioso, e também deflagrador a facilidade em que os jovens têm para participar das estruturas de participação e tomada de decisão, por outro lado, verificou-se, que é mais fácil os alunos participar de uma sessão na câmara de vereadores, do que parar a escola por alguns minutos para um momento de formação, reflexão ou tomada de decisão sobre o futuro do processo. Para Chauí (2006) a autonomia do cidadão só acontece com a participação direta da população nos processos de tomada de decisão. A construção dessa autonomia fará pressão sobre a política nacional, especialmente nos quadros dos partidos políticos, distribuindo assim, maior poder a sociedade, para que a mesma tenha maior compromisso e autonomia junto aos processos participativos, como agendas 21 locais. Tendo como pressuposto que a educação é um dos elementos fundamentais para a promoção do desenvolvimento local, a Agenda 21 escolar, especialmente devido ao protagonismo juvenil, contribui diretamente para uma nova forma de pensar a escola, uma 50 escola cidadã, que passa a exercer sua função social na comunidade onde esta inserida. Para Thiollent (1994) dependendo do campo de atuação e da problemática adotada no processo participativo, existem vários tipos de ação, no qual, a tônica pode ser educativa, comunicativa, técnica, política, cultural, etc. Verificou-se nas entrevistas com alunos, gestores e professores, que os jovens que participaram deste processo, se tornaram mais participativos e críticos durante as aulas. A postura crítica de alguns alunos deflagrou inclusive reclamação de professores durante o conselho de classe. Segundo os mesmos, “o aluno estava muito questionador, se achando demais porque participava do projeto Agenda 21”. Como encaminhamento, os professores foram convidados a participar das reuniões, e o aluno a conversar com os professores a fim de aproximá-los do projeto. Acredita-se que a Agenda 21 escolar / COM-VIDA pode ser um instrumento, a fim de promover novos caminhos e alternativas para a educação. Aja visto sua natureza democrática e participativa, que possibilita ao educador e educando identificar os problemas, potencialidades e recursos existentes em sua localidade, buscando a reflexão, pesquisa, produção de conhecimento e a tomada de decisão sobre seu presente e futuro. Passados alguns anos podemos perceber a continuidade das atividades em bairros e escolas do Município, pois o processo desencadeado, de alguma forma foi internalizado nos participantes e na comunidade, não precisando mais da assistência do Fórum Permanente da Agenda 21 Local de Itajaí. Medeiros e outros (2006) já apontavam para alguns desafios para a construção do processo da Agenda 21 Local de Itajaí e que são interessantes de serem resgatados, com fazemos a seguir: a) a compreensão da importância e significado da Agenda 21 Local para a promoção de uma nova de desenvolvimento no município; b) a falta de reconhecimento do poder público quanto ao seu papel no processo; c) a falta de inserção comunitária do processo, ainda em fase embrionária, necessitando de um investimento em estratégias para uma maior participação comunitária; d) a dimensão e complexidade sócio-ambiental do município; e) O centramento no produto de algumas instituições e a defesa do processo pelo Fórum: a idéia que construir Agenda 21 limitada à elaboração do documento tem sido foco de muitas discussões, muitas vezes lideradas por representantes do poder público, denotam a distância de que muitas entidades encontram-se de um processo permanente, monitorado e adaptativo defendido pelo Fórum Permanente da Agenda 21 Local de Itajaí; f) O fator tempo: como conseqüência do centramento no produto, muitas vezes não fica claro no âmbito do Fórum que construir a Agenda 21, dentro da proposta defendida, constitui-se num processo relativamente lento, mas contínuo e permanente. (MEDEIROS, 2006, p.05) 51 Atualmente o processo da Agenda 21 Local de Itajaí esta enfraquecido, passa por o que podemos chamar de “crise” em parte, isto se deve as mudanças no campo político. Pois, as últimas administrações, não visualizaram a Agenda 21 Local como um importante fórum de debate e fomento a um outro desenvolvimento no município. Mas, este cenário começa a mudar e alguns processos e diálogos começam a ser retomados. Os anos de processo tornaram evidentes que a Agenda 21 Local de Itajaí é um importante instrumento na construção de uma nova forma de Desenvolvimento para o município de Itajaí. Isto pode ser percebido no Colégio Fayal e na Escola Básica Antônio Ramos que possuem processos de agenda 21 escolar estabelecidos. Principalmente, pelo fato de indivíduos destas escolas se tornarem mais participativas, o que é o passo fundamental para conceber outra forma de Desenvolvimento. Mas, percebe-se que as escolas exercem forte resistência para o novo, a própria estrutura física, pedagógica e operacional pouco oferecem para esta mudança de paradigma. Se avaliarmos a hierarquia de gestão do programa, desde os Ministérios da Educação, Meio Ambiente, secretarias estaduais e municipais de educação, afirmam que a COM-VIDA é o caminho para internalizar Educação Ambiental nas disciplinas escolares, todavia, não há obrigatoriedade para que mesma para seja efetivada, tão pouco que deve ser contemplada dentro dos Projetos Políticos Pedagógicos (PPP) das escolas. Acredita-se que um dos caminhos para a implementação da COM-VIDA, seria inserir no (PPP) das Unidades Escolares. Assim, ao menos teoricamente haverá responsabilidade e comprometimento dos gestores em fomentar a comissão nas escolas. No entanto, o próprio documento COM-VIDA (2004) não é uma política pública, caracteriza-se por uma política de governo, o que pode se tornar uma pedra no caminho dos processos e inviabilizar o programa numa suposta troca de governos. Nos casos EBAR e Fayal, quando organizaram-se a II e III Conferência Nacional Infanto-Juvenil pelo Meio Ambiente, as COM-VIDA´s não eram concebidas como um projeto das escolas, então, a responsabilidade de coordenar, organizar e orientar os grupos antes, durante e depois da Conferência é exclusivamente do professor, ou seja, parece ser um projeto do professor e não da escola. Esta fórmula torna o educador um sujeito isolado, dificulta a articulação com os demais professores, além de inviabilizar o registro e sistematização das informações geradas durante o evento. Esta dificuldade foi percebida quando se organizou a II e III Conferência Nacional Infanto-Juvenil pelo Meio Ambiente. No início das atividades com o grupo agenda 21 escolar, percebemos a dificuldade de compreensão do corpo técnico da Unidade Escolar referente à metodologia e temas 52 abordados. Para muitos, a educação ainda está vinculada a textos no quadro e questionários, evidenciando o processo histórico cultural de uma educação tradicional. Para Pereira (1993) a burguesia estrutura os sistemas de ensino e defende a escolarização para todos, pois através dela os servos podem ser convertidos em cidadãos e participar do processo político. Como já mencionado anteriormente, a população das salas de aproximadamente 40 jovens, o espaço físico estreito e desconfortável, dificulta o trabalho e formação dos grupos. A organização da Comissão pressupõe espaços para trabalhos em equipes, portanto, a atual estrutura dificulta as atividades coletivas. Durante os encontros chegou-se a conclusão, que as dificuldades são maiores para parar a escola para um dia de formação, do que fazer uma visita com os alunos na câmara de vereadores! Compreendendo o desenvolvimento local, como um processo que envolve a educação de maneira direta ou indireta. A Agenda 21 escolar, principalmente devido ao envolvimento dos alunos, contribui para uma nova forma de pensar a escola. Percebeu-se em entrevistas com os professores, que os alunos tornaram-se mais participativos e críticos durante as aulas. A postura crítica de alguns alunos, inclusive resultou em reclamação da professora durante o conselho de classe. Segundo a professora, o aluno estava muito questionador, se achando demais, porque participa do projeto da Agenda 21. O que pode aprofundar o compromisso das pessoas com a agenda, pode ser o resultado dos compromissos de cada grupo social, incluindo as escolas como um espaço ainda a ser potencializado (MMA, MEC, 2004). Para tanto, é necessário utilizar o potencial ideológico da educação, para assegurar os espaços garantidos à juventude pela constituição. Um exemplo que dá legitimidade a estes espaços e a lei n° 7.398, de novembro de 1985, que dispõe sobre a organização de entidades estudantis de 1° e 2° graus e assegura aos estudantes o direito de se organizarem em grêmios e de participarem de entidades estudantis. Esse direito também é garantido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, no artigo 53, inciso IV (MMA, MEC, 2004). Por ter característica de ser participativa, democrática e de tomada de decisão descentralizada, a agenda 21 torna os encontros diferentes do dia-dia das aulas formais, saindo do marasmo de copiar textos. O foco pelo desenvolvimento local, faz com que os sujeitos se sintam parte do que estão estudando, tendo assim, maior clareza e conhecimento sobre o objeto de estudo. Nesse sentido, esta experiência surge como uma proposta metodológica para o ensino fundamental e médio das escolas, abrindo a oportunidade de experimentar outra escola, assumindo a responsabilidade pelo protagonismo social na comunidade. Sendo a educação, a alavanca para a transformação local e fomento a políticas públicas locais. 53 Apesar da COM-VIDA das Unidades Escolares estarem em fase embrionária, com participação da APP – Associação de Pais e Professores e uma Associação de moradores, bastante participativa, é incerto a continuidade do processo. Um fator fundamental para estas incertezas foi o afastamento da UNIVALI, que desenvolvia uma função importante de formação continuada aos professores e comunidade. A compreensão do grupo pelo enfoque participativo fez os cidadãos se sentirem parte do processo de construção e de tomada de decisão. Esta proposta de COM-VIDA na escola, vem ao encontro com o objetivo do Fórum Permanente da Agenda 21 Local de Itajaí, de criar os Sub-fóruns de discussão nos bairros. Pois, este processo a partir do envolvimento comunitário evoluiu, sendo um elo de interlocução com o Fórum e aproximando as pessoas da tomada de decisão. Isso implica em fazer a escola assumir seu papel de protagonismo social na comunidade, sendo tratada como uma escola política, autônoma e com responsabilidades sociais para com a comunidade. Assim, passamos a entender a escola como um local de produção coletiva do conhecimento. Este experimento possibilita o exercício pleno da cidadania participativa, e, neste sentido, exercê-la significa saber de seus direitos e deveres políticos, ambientais e sociais, participando de lutas por qualidade ambiental, moradia, alimentação, saúde, emprego, educação e cultura. Esse exercício, se praticado em sala e na comunidade diariamente, fomentará princípios como autonomia, participação, criatividade e respeito ao meio ambiente, os tornando assim cidadãos e cidadãs. Ao promover esta nova forma de pensar a escola, um ensino alternativo a partir da estruturação da COM-VIDA na Unidade Escolar, nos possibilita uma ampla reflexão sobre o modelo educacional vigente no município. A estrutura escolar é precária e carente de espaços para os professores, jovens e comunidade se encontrarem. Espera-se que esta proposta possa contribuir para a formação de uma nova escola, dentro de uma postura crítica, participativa, emancipatória e autônoma. No entanto, sabe-se que esta mudança, está associada a um processo de ruptura e mudança paradigmática que inicialmente sofre resistência da arcaica estrutura educacional. Esta experiência na prática representa a invenção de nova forma de pensar a escola, passamos a pensar a unidade escolar com sua função social de construir e reconstruir o saber utilizando o espaço como formador de opinião e irradiador de práticas democráticas e solidárias, assumindo um novo contexto social, político e cultural no espaço que esta inserida. O trabalho realizado mostrou-se uma excelente oportunidade para que novos conceitos sejam construídos, vivenciados, desenvolvidos, dirigidos e assimilados. Sair do cotidiano, 54 caminhar, exercitar o corpo, expor-se ao novo, construir cidadania, ter participação ativa na formação de valores e na reestruturação das relações dos indivíduos consigo mesmo e em relação ao outro, construindo uma sociedade mais justa. A Agenda 21 escolar possibilita ao educando identificar os problemas, potencialidades e recursos existentes em sua localidade, buscando a reflexão, pesquisa, produção de conhecimento e a tomada de decisão sobre presente e futuro da comunidade. As Agendas 21escolares e COM-VIDA’s EBAR e Fayal, demonstraram que é possível acreditar nas “utopias” e valorizar os supostos desinteressados alunos, pois os mesmos podem se tornar disseminadores de práticas democráticas e participativas, assumindo um novo papel no contexto escolar, cultural, político e social na comunidade. O desafio deve ser conquistar território, promover a participação da juventude na estruturas de participação da sociedade. Isso significa romper com a atual estrutura de poder da escola, com falta de participação e carência da democracia participativa. REFERÊNCIAS ARNSTEIN, S. R. Uma escada da participação cidadã. 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