APOTEC VESTIBULINHOS 2011
Ciências Humanas
Correção das tarefas 17 a 20
Aula 17
01. Explique as razões pelas quais a agricultura familiar não é contemplada com recursos oficiais da mesma
maneira que ocorre com a agricultura patronal.
Alguns dados antes de começarmos a responder: “Os recursos programados para a agricultura patronal
na safra 2004/05 foram de R$39,45 bilhões, e os programados para a agricultura familiar Pronaf foram de R$ 7 bilhões” (fonte: http://redeagroecologia.cnptia.embrapa.br/biblioteca/agriculturafamiliar/AgriFam%20texto%20CNA%20Bianchini.pdf, página 8). Observe que, mesmo a agricultura familiar sendo mais produtiva por hectare que a patronal (mesma fonte, página 2), ela recebe menos recursos. Por que isso acontece?
Desde os tempos coloniais existe no Brasil uma tradição de privilégio ao latifúndio, que começou com as
capitanias hereditárias e sesmarias), e que continua até hoje. Em segundo lugar, interesses políticos
interferem fortemente na disponibilização de recursos para esses tipos de agricultura – em geral, há a
valorização da patronal, por se tratarem de empresas e bancos.
02. Apresente as vantagens produzidas pela agricultura familiar.
A agricultura familiar apresenta várias vantagens se comparada com a patronal: a produção econômica é
proporcionalmente superior, a qualidade ambiental é maior, pois trata-se, em geral, de uma agricultura
extensiva e policultora (menos poluição por uso de produtos químicos, menos desmatamento por serem
terras de dimensões pequenas e médias), gera inclusão social por meio da criação de empregos no
campo, o que acaba também por “desinchar” as cidades saturadas de gente, contribui para uma menor
concentração fundiária, abastece o mercado interno e é responsável por boa parte da segurança
alimentar no Brasil.
03. Compare a agricultura familiar à agricultura patronal.
Podemos comparar esses dois tipos por meio de diversos critérios. Em primeiro lugar, o tamanho da
terra: a patronal é feita em latifúndios, em sua maioria, enquanto que a familiar conta com estruturas
menores. O número de empregos no campo gerados pela familiar é proporcionalmente muito superior que
a patronal; com a produtividade, o mesmo acontece. A agricultura familiar produz predominantemente
para o mercado interno; a patronal, para o externo (exportação). A patronal tende a concentrar sua
produção em um só produto (monocultura) e de maneira intensiva (controlada, com máquinas, insumos,
etc.), enquanto que a familiar tende a diversificar a produção (policultura) e essa agricultura é feita,
geralmente, de forma extensiva e que agride menos o meio ambiente. Na familiar, temos trabalho e
gestão intimamente relacionados (a família tanto administra a terra quanto trabalha na produção), e na
patronal, a especialização é grande: gestão e produção são realizadas por pessoas diferentes. O
trabalho assalariado é predominante na patronal e complementar na familiar.
04. Até que ponto a agricultura patronal contribui com o crescimento da economia brasileira? Comente.
O modelo de agricultura patronal participa com 2/3 do PIB agrícola nacional e com grande parte das
exportações, além de contribuir para o desenvolvimento de pesquisa e tecnologia no país.
05. Nos países ricos, há predominância da agricultura familiar ou patronal?
“Existem vários estudos que mostram que países que atingiram os mais altos níveis educacionais, de
esperança de vida, e de renda real per capita tenham todos optados pela reforma agrária fortalecendo
uma agricultura baseada no trabalho familiar, enquanto os países como os mais baixos índices de desenvolvimento humano (IDH) contam com o predomínio da agricultura patronal e do latifúndio improdutivo.”
(Fonte: http://redeagroecologia.cnptia.embrapa.br/biblioteca/agriculturafamiliar/AgriFam%20texto%20CNA%20Bianchini.pdf, página 11)
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06. A agricultura familiar e a agricultura patronal estão relacionadas à estrutura fundiária brasileira?
Sim. O privilégio que se dá no Brasil à agricultura patronal tem suas origens na nossa “herança
colonial”, pois ambas estão baseadas no latifúndio. A estrutura fundiária brasileira foi iniciada com as
políticas de capitanias hereditárias e de sesmarias, que com o passar dos anos deram origem aos
latifúndios modernos, mas igualmente fundamentados na monocultura e na produção para a exportação.
07. (UERJ 2005 - adaptada) “Venda Nova, distrito de Teresópolis, tem como vocação econômica a agricultura
hortigranjeira. Vários pequenos plantadores de verduras se espalham pelas encostas das montanhas, em propriedades operadas, em geral, pela família do agricultor. (...) Se o tempo não ajuda, perde-se toda uma produção. (...) A atividade rural é mal paga e (...) o risco da comercialização corre por conta do pobre agricultor que
não participa do lucro da operação, só do prejuízo eventual. Os atravessadores, que possuem frotas de caminhões, passam pela manhã (...) para levar o produto para os mercados centrais. Estipulam um preço que não é
pago na hora, só depois de [ser vendida] a mercadoria. Caso não consigam vendê-la, devolvem a carga ao agricultor (...) praticamente estragada pela viagem.
(MALTA, Maria Teresa. "Um sonho que se tornou realidade". Revista da Comunidade Emanuel, 2003.)
Apesar dos incrementos de produtividade e da expansão do agronegócio, o texto nos aponta dificuldades enfrentadas por parte dos pequenos agricultores brasileiros, que devem ser compreendidas a partir das relações políticas e econômicas vigentes hoje no campo.
Uma causa básica e uma consequência para as dificuldades enfrentadas pelos pequenos produtores rurais são:
a) ausência de linhas de financiamento – lucratividade retraída
b) precária base tecnológica – sistema de transportes subutilizado
c) fracionamento das propriedades – mercado de consumo depreciado
d) carência de uma política agrícola favorável – produção familiar dificultada
A alternativa correta é a letra A, pois é a que melhor se encaixa ao que diz o texto. Uma causa das
dificuldades enfrentadas pelo pequeno agricultor hoje no Brasil é a ausência de linhas de financiamento
(parte do texto em azul). Uma consequência dessas dificuldades é a lucratividade retraída (parte vermelha do texto) – ou seja, o pequeno produtor agrícola não consegue ganhar muito dinheiro com suas
vendas, uma vez que não há muito investimento em sua atividade (a não ser que esse pequeno produtor
se alie a outros como ele, formando uma cooperativa).
08. (UFPE 2005) Existe, em diversos países do mundo, um sistema de criação que é feito em amplas áreas
cercadas, onde o gado é solto para se alimentar da pastagem natural ou de restos de cultura, após a colheita
das mesmas. Qual a denominação que é dada, em Geografia
Agrária, a esse sistema de criação?
a) Pecuária Intensiva
b) Pecuária Ultra-extensiva
c) Pecuária Ultra-intensiva
d) Pecuária Nômade
e) Pecuária Extensiva
A letra E é correta, a definição dada pelo enunciado é chamada de pecuária “extensiva”, ou seja, menos controlada, como seria o caso da intensiva, realizada com máquinas, rações, hormônios, etc.
09. (UFSCar 2004) Em 1994, a FAO e o INCRA diferenciaram os dois principais modelos de produção agropecuária do Brasil: patronal e familiar. Assinale a alternativa em que aparecem as características que melhor
representam o modelo familiar.
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a) Trabalho e gestão intimamente relacionados / trabalho assalariado predominante / agricultura de capital
intensivo.
b) Ênfase em práticas agrícolas padronizáveis / tendência à especialização produtiva / a propriedade é o local
de residência.
c) Separação entre gestão e trabalho / lucro é o fator determinante de todas as ações / ênfase na diversificação produtiva.
d) Agricultura de capital intensivo / trabalho assalariado predominante / prevalência de práticas agrícolas
padronizáveis.
e) Trabalho e gestão intimamente relacionados / ênfase na diversificação produtiva / trabalho assalariado
complementar.
A alternativa certa é a letra E. Em verde estão as características corretas da agricultura familiar, em
vermelho, as relacionadas com a patronal (consulte a tabela que montamos na aula 17 no caderno ou
disponível para download no blog).
10. Abaixo estão relacionadas algumas características da produção agrícola familiar e da grande empresa
agrícola no Brasil:
I. Trabalho e gestão intimamente relacionados.
II. Trabalho assalariado predominante.
III. Predomínio da especialização da produção.
IV. Trabalho assalariado complementar.
V. Trabalho e gestão completamente separados.
São características da produção agrícola:
a) Familiar: 1 e 2.
Grande empresa: 3, 4 e 5.
b) Familiar: 1 e 4.
Grande empresa: 2, 3 e 5.
c) Familiar: 3, 4 e 5. Grande empresa: 1 e 2.
d) Familiar: 1, 2 e 3. Grande empresa: 4 e 5.
e) Familiar: 4 e 5.
Grande empresa: 1, 2 e 3.
A alternativa certa é a letra B. Em verde, estão as características da agricultura familiar; em vermelho, as da
patronal (empresarial).
Aula 18
01. (Adaptada)
PIB da Amazônia Legal cresce mais que o do país
O agronegócio avança e é apontado por ambientalistas como a principal causa
da devastação na Amazônia. Setores do governo e representantes de produtores rurais descartam a hipótese de recuo do agronegócio na Amazônia
Legal e afirmam que a tendência será aumentar a produção em áreas de florestas já abertas.
Adaptado de Zero Hora, 16/06/2008
Diferentes critérios e objetivos podem orientar a divisão do espaço geográfico em regiões. Na Amazônia, uma variedade de parâmetros tem sido empregada para essa divisão, o que pode gerar dúvidas quanto
ao recorte territorial de suas regionalizações. Aponte dois dos principais produtos do agronegócio cuja expansão da produção representa um sério risco para o desmatamento na Amazônia.
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Podemos apontar como produtos do agronegócio que contribuem para o desmatamento da Amazônia a
produção de grãos como a soja e o arroz, a pecuária (criação de gado) e a extração de madeira.
02. (UFMG) Considerando-se a agricultura comercial praticada no Brasil, é INCORRETO afirmar que
a) o agronegócio constitui um canal de entrada do capital internacional na agricultura brasileira e, assim, contribui para a subordinação de grande parte dessa atividade aos interesses estrangeiros.
b) a agricultura de exportação reúne, em reduzidos espaços, grande diversidade de culturas visando a atender às exigências do mercado.
c) as áreas agrícolas de incorporação recente apresentam estrutura fundiária concentrada e exigem elevados
investimentos por hectare cultivado.
d) as últimas safras agrícolas justificam a expressão “celeiro mundial” atribuída ao País e contribuem para a
liderança deste na exportação de vários produtos alimentares.
A alternativa que devemos marcar é a incorreta, portanto, a letra B. Ela possui dois erros. O primeiro
é a alternativa dizer que a agricultura de exportação (portanto, a patronal) reúne grande diversidade
de culturas. Sabemos que há a predominância de um só produto, o que caracteriza uma monocultura. O
segundo erro está em dizer que essa agricultura é realizada em “reduzidos espaços”. A agricultura de
exportação é tradicionalmente feita em latifúndios.
03. “Oeste baiano: a terra do agronegócio Uma população de 25 mil habitantes que vivia há séculos nas mesmas condições de miséria e carência, sem energia elétrica, estradas, transporte e escolas. Em alguns povoamentos, o índice de analfabetismo era de 100%. Os pioneiros chegaram do Sul, principalmente do Rio Grande
do Sul, na década de 1980. Traziam seus tratores e implementos usados em caminhões, armavam barracas de
lona preta onde abrigavam a mulher e os filhos. Os sulistas investem pesado na produção, ou seja, em máquinas, irrigação, adubos e silos.”
(Adaptado de "O Globo", 03/05/2003)
Os trechos da reportagem sobre o oeste baiano descrevem realidades socioeconômicas distintas: a exclusão
histórica vivida pela maior parte da população local e a organização produtiva dos migrantes sulistas. As condições de vida da população local e a ascensão econômica dos migrantes, respectivamente, estão associadas
principalmente a fatores relacionados com:
a) mão-de-obra disponível e insumos produtivos
b) estrutura fundiária regional e condições ambientais
c) rede de transporte ampla e financiamentos bancários
d) política agrícola nacional e investimentos na produtividade
Tenha cuidado para escolher a alternativa que tenha mais a ver com o texto. A correta é a letra D. A
pergunta quer saber duas coisas diferentes: uma referente à população do Oeste baiano (local) e outra
a respeito dos migrantes sulistas que foram para lá. As características citadas no texto em laranja são
responsabilidade do governo e fazem parte da infra-estrutura agrícola necessária para que haja uma
atividade produtiva. Em azul, estão listados os investimentos feitos pelos agricultores sulistas que migraram para o oeste baiano.
04. Conceitue o agronegócio.
O agronegócio é a agropecuária e o extrativismo vegetal mais seus fornecedores (insumos, máquinas) e
seus distribuidores e indústria. O agronegócio engloba diversas áreas da economia, o setor primário
(exploração direta dos recursos da natureza), o secundário (indústria) e o terciário (serviços).
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05. Atualmente o agronegócio responde por mais de 1/3 do PIB (Produto Interno Bruto). Enumere as vantagens do agronegócio para a economia brasileira.
O agronegócio contribui com grande parte das exportações, movimenta a economia brasileira e estimula
os campos de pesquisa e tecnologia no país.
06. Descreva os impactos ambientais provocados pelo agronegócio. Quais seriam as alternativas para reduzir
os efeitos resultantes dessa atividade econômica?
O agronegócio causa desmatamento (muitas vezes através de queimadas, que poluem o ar), poluição do
solo e dos lençóis freáticos, esgotamento do solo, erosão. A melhor alternativa para reduzir os efeitos
negativos dessa forma de agricultura é o estímulo e o investimento na agricultura familiar, através de
créditos e de reforma agrária.
07. (FGV) “Ações voltadas exclusivamente para o desenvolvimento agrícola lograram invejável modernização
da base tecnoprodutiva no Centro-Sul do país, mas sem um desenvolvimento rural correspondente. Dimensões
tecnológicas e econômicas do processo foram privilegiadas. A organização sindical dos trabalhadores sem
terra e dos pequenos produtores - para citar apenas dois casos - foi relegada. O resultado sinaliza um antagonismo entre o econômico, o social e o ambiental.”
Revista Globo Rural, junho de 2001. Tendências: O poder local da globalização.
O texto trata das transformações no campo brasileiro, principalmente a partir da década de 70. As afirmações do texto exemplificam
a) A formação de uma "indústria seca" no sertão nordestino, baseada na incorporação de tecnologias modernas pelos agricultores sertanejos, que viabilizam a produção agrícola em áreas de clima semiárido.
b) A expansão da mecanização da produção agrícola, paralela ao crescimento e pauperização da categoria dos
trabalhadores rurais temporários, como os boias-frias na cultura da cana-de-açúcar.
c) A criação de reservas ecológicas dos Estados do Acre e Amazonas, destinadas à preservação de árvores
nativas, com a consequente proibição das atividades tradicionais de extração por populações de seringueiros e
castanheiros.
d) O aumento da mão-de-obra na atividade agrícola, como consequência da expansão de modernas empresas
rurais de caráter familiar, como no caso da produção integrada de porcos e aves no interior paulista.
e) O baixo nível de tecnologia ainda presente nas culturas de exportação, como a soja, e o modelo de expansão das áreas de pecuária intensiva para o interior do país, baseado em pequenas unidades de criação familiar.
A alternativa correta é a letra B. Veja que o texto fala da modernização da agricultura (“expansão da
mecanização da produção agrícola”) e também do enfraquecimento das relações trabalhistas no campo
(“pauperização da categoria dos trabalhadores rurais temporários, como os boias-frias na cultura da
cana-de-açúcar”).
08. (UNIFESP) Esta correto afirmar que a agricultura brasileira
a) recebeu capital internacional nos últimos anos resultando em um aumento da exportação de grãos;
b) desenvolveu-se em pequenas e médias propriedades, resultando em um modelo de produção competitivo
com os países europeus;
c) não recebe subsídios fiscais resultando no aumento do custo de produção e na perda de mercado internacional;
d) está baseada no extrativismo, resultando na formação de cooperativas de pequenos proprietários;
e) não sofre influência da estrutura agrária do país, resultando na produção de alimentos nas áreas agricultáveis de todo o país
A alternativa certa é a letra A. O que está errado nas outras alternativas está em vermelho.
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09. (VUNESP) A importância do agronegócio na economia paulista e brasileira é uma realidade, pois, "... ainda
que se tenha industrializado, com o Brasil tem sua presença comercial internacional associada à multiplicação
de produtos com origem no rural, que respondem por 41,2% das vendas externas. E há ainda uma imensa possibilidade de agregação de valor ao produto. A ruptura histórica da presença brasileira no mercado mundial
não está em deixar de ser exportador de café para ser um exportador industrial. O desafio é transformar-se
de primário exportador de café em grão em agroexportador de café processado, agregando valor ao render
bens finais."
(Apta 2000 - 2003, Secretaria de Agricultura e Abastecimento, SP.)
A melhor definição para agronegócio é
a) combinação de cadeias produtivas de um produto rural, desde a germinação até a colheita;
b) agregação de valor ao produto rural, por sua industrialização;
c) denominação moderna para o termo agropecuária;
d) agregação de valor ao produto rural, pela modernização dos meios de produção;
e) exportação do produto rural, com negociação por meio de bolsas de mercadorias.
A alternativa correta é a letra B, de acordo com o texto. O ideal seria que o Brasil passasse a vender
também o café já processado, ou seja, industrializado. Lembre-se de que o agronegócio envolve o setor
agropecuário, o industrial, o transporte e a venda do produto, entre outras coisas.
10. (PUC) Fazendo-se um balanço da evolução da estrutura dos transportes no Brasil, pode-se afirmar que
a) há uma ênfase acentuada na expansão da rede de rodovias decorrente das vantagens econômicas que esse
tipo de transporte oferece em um país de grandes dimensões comparativamente aos demais tipos;
b) há uma ênfase acentuada na expansão da rede rodoviária decorrente de uma política econômica relacionada
com a implantação da indústria automobilística no país;
c) após um longo período de estagnação e relativo abandono, a construção de novas ferrovias revela uma clara
política federal de privilegiar, nas próximas décadas, esse tipo de transporte;
d) após um longo período de estagnação e relativo abandono, o governo federal passa a adotar, com a crise do
petróleo, uma política de valorização do transporte de cabotagem para vencer as grandes distâncias do país;
e) nas duas últimas décadas, o governo adota uma política equilibrada, propondo-se a utilizar os vários meios
de transporte de forma racional, com patível com as distâncias e os tipos de mercadorias transportadas.
A alternativa certa é a letra B. Essa implantação da indústria automobilística no país começou de fato
com o governo de Juscelino Kubitschek, que estimulou a vinda de multinacionais, principalmente as produtoras de automóveis e peças automotoras.
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01. (Pucrio) A ideia de “fome” vem há algum tempo sendo re-significada, politicamente, sob a luz do conceito
de “segurança alimentar”. No Fórum Mundial Social de Mumbai (Índia), em 2004, as discussões foram focadas
na necessidade de emancipação dos povos dependentes das políticas internacionais que regulam a produção,
estocagem, distribuição e comercialização alimentar no mundo. Sobre o conceito de “segurança alimentar”,
pode-se afirmar que:
I – ele representa uma mudança de concepção que poderá transformar a qualidade de vida de inúmeras sociedades historicamente dependentes dos padrões de consumo alimentar de países e regiões possuidores de
índices de desenvolvimento humano (IDH) bastante elevados.
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II – ele é o caminho para a construção de outro conceito, ainda mais expressivo, voltado para a erradicação
da miséria no mundo: o da “sustentabilidade alimentar”. Este conceito, que incorpora programas ligados à preservação do meio ambiente e à não utilização de agrotóxicos nas monoculturas extensivas, concebe o enfrentamento da pobreza a partir de programas locais voltados para o mercado de trabalho.
III – se as populações em estado de “pobreza absoluta” forem os principais atores de sua própria emancipação social – isto é, se o controle da “fome” apoiar-se sobre suas atividades econômicas e não fundamentalmente na ajuda alimentar dos outros – então há chances de que espaços diversos onde há “insegurança alimentar”
sejam menos afetados por processos de marginalização socioespacial.
IV – a sustentabilidade das atividades agrícolas nos países mais pobres deve ser delegada às suas tecnologias
e tradições produtivas, para que seja possível a erradicação da fome. O conceito relaciona a autonomia alimentar dos países com a geração de novos empregos e a menor dependência das importações e flutuações dos
preços no mercado internacional.
Estão corretas:
a) todas as afirmações.
b) somente as afirmações I, II e III.
c) somente as afirmações I, II e IV.
d) somente as afirmações II e III.
e) somente as afirmações III e IV.
Todas as afirmativas estão corretas (a alternativa é a letra A).
02. (PUC-MG Adaptada) As charges a seguir ilustram um dos problemas que tem ocupado os noticiários de
todo o mundo. A crise mundial de alimentos trouxe para o debate um conjunto de temas polêmicos que, em
diversas situações, têm colocado em posições opostas os interesses das nações desenvolvidas ou em desenvolvimento. Dentre os fatores que têm sido apontados como causas do problema, assinale aquele que afeta mais
diretamente os interesses estratégicos do Brasil.
a) A produção do etanol e do biodiesel, que estaria provocando a substituição das lavouras de alimentos pela
cultura da cana-de-açúcar e de oleaginosas como a mamona.
b) A produção do etanol à base de milho que, além de apresentar alto custo de produção, trouxe como consequência a elevação dos preços mundiais do cereal.
c) A especulação internacional no mercado futuro de 'commodities' (matérias-primas), que produziu uma escalada mundial de preços dos produtos básicos de alimentação.
d) A explosão populacional, que trouxe como consequência uma defasagem extremamente grave entre o crescimento da demanda por alimentos e a elevação da produção.
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A alternativa correta é a letra A. Relacione o enunciado com a charge. A charge diz “Com o advento
dos biocombustíveis, não haverá alimento no mundo para todos”, e o enunciado pergunta qual é o fator
relacionado ao problema da fome que afeta mais diretamente os interesses estratégicos brasileiros.
Nosso país é grande produtor de biodiesel de mamona e etanol a partir da cana-de-açúcar. A crítica
feira pela charge é que essas lavouras (cana-de-açúcar e mamona) estariam tomando o lugar de plantações de alimentos e agravando, assim, o problema da fome.
03. Aponte as vantagens e as desvantagens da chamada Revolução Verde.
A curto e médio prazos, a Revolução Verde, que nada mais é do que uma modernização da agricultura,
conseguiu aumentar a produção de alimentos, baixando temporariamente seus preços. Porém, esses sistema não se sustenta, e há muitas desvantagens: enorme prejuízo ao meio ambiente (esgotamento do
solo, erosão, poluição, desmatamento), danos à saúde humana causados pela utilização de agrotóxicos e
produtos químicos, encarecimento do preço dos alimentos (por causa do custo mais alto de produção),
aumento da concentração fundiária (aumento dos latifúndios), aumento do desemprego no campo, que
gera êxodo rural (migração do campo para a cidade).
04. A Revolução Verde seria viável para os dias atuais? Comente.
Atualmente, verificamos cada vez mais a exaustão do sistema implantado pela Revolução Verde, pois ele
acaba por destruir aquilo que o sustenta (o meio ambiente). Por esse motivo, é um sistema que não se
prolonga por muito tempo e é, portanto, insustentável.
05. Apesar do aumento da produtividade nas áreas rurais, milhões de pessoas passam fome no mundo. Por
quê?
O problema é de injustiça social. Existe alimento para todos, mas muitas pessoas passam fome pois não
têm condições financeiras de comprar esse alimento. Colaboram para isso alguns fatores, como o encarecimento dos alimentos, a concentração de renda e de terra e o desemprego estrutural, por exemplo.
Aula 20
01. (EMBRAER) Observe os gráficos para responder à questão.
BRASIL: PROPORÇÃO DOS ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS POR REGIÃO (%)
(IBGE)
A leitura do gráfico e os conhecimentos sobre a industrialização brasileira permitem afirmar que
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a) com a redução das exportações de café, a região Sudeste perdeu a maior fonte de capitais e diminuiu o
ritmo de crescimento industrial.
b) está ocorrendo, no Brasil, um processo de descentralização industrial que explica a queda da participação
do Sudeste no conjunto nacional.
c) a partir do processo de privatização das empresas estatais, os empresários nacionais e internacionais têm
preferido investir fora do Sudeste.
d) as regiões Sul e Nordeste têm atraído maior número de indústrias porque, atualmente, dispõem de mão-deobra mais qualificada que o Sudeste.
e) atualmente, o crescimento da agroindústria destinada a produzir para a exportação tem permitido a ampliação das atividades industriais fora do Sudeste.
A alternativa que responde a pergunta do enunciado e interpreta o gráfico é a letra B. A alternativa C
não está errada, porém, não podemos dizer nada a respeito de privatizações olhando o gráfico. O que o
gráfico mostra é que a participação das regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sul aumentam de
1985 para 2002, o que faz com que a porção do Sudeste diminua relativamente. Daí podemos inferir
que estamos assistindo a um processo de descentralização (ou desconcentração) industrial.
02. (EMBRAER) Analise o gráfico a seguir.
Brasil: Participação das regiões no valor da transformação industrial (%)
(IBGE)
A leitura do gráfico e os conhecimentos sobre a dinâmica econômica brasileira permitem afirmar que
a) apesar do processo de desconcentração industrial, duas regiões brasileiras detêm mais de ¾ do valor da
transformação industrial.
b) no período entre 1996 e 2005, várias crises econômicas reduziram o valor da transformação industrial no
Brasil.
c) o Nordeste e o Centro-Oeste aumentaram o valor da transformação industrial graças à criação de usinas
açucareiras nas regiões.
d) as regiões Sul e Norte mantiveram os mesmos percentuais de valor da transformação industrial entre 1996
e 2005.
A alternativa certa é a letra A. Observe que a participação das outras regiões que não a Sudeste aumentou – o que denuncia o processo de desconcentração industrial –, mas as regiões Sul e Sudeste são
responsáveis, juntas, por mais de ¾ da produção industrial total do Brasil.
03. Pode(m)-se elencar como característica(s) da Terceira Revolução Industrial:
a) o surgimento das máquinas movidas a carvão mineral.
b) a forte presença da pesquisa científica e da tecnologia moderna.
c) a substituição do diesel e do petróleo pelo etanol.
d) a substituição da mão de obra qualificada pelas máquinas.
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e) a exploração da mão de obra barata e a diminuição do uso de maquinários.
A alternativa correta é a letra B. As letras A e D referem-se à Primeira Revolução Industrial, que
tomou lugar na Inglaterra do final do século XVIII.
04. (UEPI) Dentre as alternativas abaixo, que dizem respeito à indústria brasileira no Século XXI, uma está
incorreta. Assinale-a:
a) O Brasil detentor de um grande mercado interno, de abundantes recursos naturais, possui um parque industrial altamente diversificado e conta com um desenvolvido setor de alta tecnologia.
b) Apesar de ser um país industrializado, apresenta indicadores sociais de países subdesenvolvidos, dependência tecnológica e necessidade de aporte de investimentos internacionais.
c) No pais, foram criados vários polos tecnológicos que concentram as atividades de pesquisa e desenvolvimento de tecnologias de ponta.
d) As atividades desenvolvidas nos polos tecnológicos independem de outros setores da economia.
e) Para a criação de polos tecnológicos que deram origem a instituições de ensino e pesquisa nacionais, foi
fundamental o apoio governamental, colocando o país na vanguarda da tecnologia de ponta.
A alternativa incorreta (e, portanto, aquela que devemos assinalar) é a letra D, pois ela diz que as
atividades desenvolvidas nos pólos tecnológicos independem de outros setores da economia, enquanto é
óbvio que elas dependem (precisam de matéria-prima, por exemplo).
05. (UFPA) A atividade industrial e a industrialização brasileira estão desigualmente distribuídas pelas regiões do país. Construídas predominantemente no século XX, elas são componentes da modernização urbana que
reinventa nossa sociedade e dinâmica espacial. Sobre a indústria e industrialização brasileira, é correto afirmar:
a) A industrialização tem suas raízes fincadas na economia da cana-de-açúcar e do café, que possibilitou a
acumulação de capital necessária para a diversificação em investimentos no setor industrial, e esse fato permitiu a produção de bens de consumo duráveis, sobretudo automóveis e eletrodomésticos.
b) A indústria nasce dos capitais restantes do declínio da economia da cana-de-açúcar e do café. Esses capitais impulsionaram uma diversidade de pequenas indústrias de produção de bens de consumo não duráveis, tais
como perfumaria, cosméticos, bebidas, cigarros, que apoiadas pelo Estado se difundiram pelo país.
c) A ação do Estado foi fundamental para desencadear o processo de industrialização brasileira, por exemplo,
criando empresas estatais, como a antiga Companhia Vale do Rio Doce e a Companhia Siderúrgica Nacional,
para investir na indústria de base. Sem elas não seria possível a implantação de indústria de bens de consumo
duráveis.
d) A industrialização brasileira é fruto da capacidade inovadora do Estado e do empresariado nacional. Este
último não mediu esforços para construir em todo o território nacional sistemas de transporte, comunicação,
energia e portos, necessários à circulação de bens, serviços e pessoas por todas as regiões.
e) A industrialização brasileira se tornou possível a partir de investimentos do capital internacional, que não
mediu esforços para construir em todo o território nacional sistemas de transporte, comunicação, energia e
portos, necessários à circulação de bens, serviços e pessoas por todas as regiões.
A alternativa certa é a letra C. Essa atividade estatal de investimento em infraestrutura (indústria de
base) foi fundamental para a atração/ o desenvolvimento de outras indústrias no país, e teve grande
força durante o governo de Getúlio Vargas.
06. (PUCRS) A figura representa uma política desenvolvimentista do governo Juscelino Kubitschek, vivenciada
pelos brasileiros entre 1956-1961.
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A leitura da figura e do texto permite concluir que a política desenvolvimentista de Juscelino Kubitschek é
a) modernizadora, mas não é nacionalista e, por isso, desvaloriza o capital estrangeiro.
b) desnacionalizadora, pois representa um momento de entrada significativa de multinacionais no Brasil.
c) modernizadora, pois incrementa as indústrias nacionais com capitais oriundos das multinacionais norteamericanas.
d) desnacionalizadora, já que conquista o mercado externo, no mundo globalizado.
e) modernizadora e, ao mesmo tempo, desnacionalizadora, por não ter sido implantada por nacionalistas e por
ter provocado um aumento da tecnologia nas empresas nacionais.
A letra B é a correta.
07. (UFSC - adaptada)
Gráfico elaborado a partir de dados do IBGE, Anuário Estatístico do Brasil, jan. 2001. (Adaptado)
Com base no gráfico acima, Brasil: Valor da produção industrial, pode-se afirmar CORRETAMENTE que:
a) estados da Região Sudeste participam com o maior valor gerado pela atividade industrial no Brasil.
b) a baixa participação da Região Sul no valor total da produção industrial brasileira deve-se sobretudo à
forte presença de indústrias nacionais.
c) as condições climáticas, a falta de mão de obra qualificada e a carência de matérias-primas justificam a
baixa participação do estado do Amazonas no valor total da produção industrial brasileira.
d) Bahia e Pernambuco, na Região Nordeste, contribuem mais do que os estados do Sul para o valor da produção industrial do Brasil.
A alternativa certa é a A – é bastante óbvio se lermos o gráfico com atenção.
08. (UESPI) O desenvolvimento industrial brasileiro, que teve início no final do século XIX, ocorreu de forma
desigual nas diferentes regiões do Brasil, pois houve uma concentração da atividade industrial, particularmente, nos Municípios de São Paulo e Rio de Janeiro. Dentre outras razões, explicam esse fato:
a) a formação de um mercado externo na região Sudeste e a criação de casas de importação por emigrantes
estrangeiros.
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b) o domínio da cafeicultura no Sudeste, a consequente acumulação de capital e a imigração estrangeira que
se dirigiu para essa região.
c) o domínio da mineração em São Paulo e a fundação de casas de exportação que tinham como objetivo abastecer o mercado brasileiro de produtos nacionais.
d) o desenvolvimento de empresas de extração mineral em São Paulo, que permitiu a acumulação de capital, e
o consequente fluxo de emigrantes que para lá se dirigiu.
e) a abolição da escravidão e a concentração da população na região Sudeste, fato que estimulou a criação de
casas de importação.
A letra D está correta.
09. (MACKENZIE) Observe o quadro abaixo.
Quadro Operários, de Tarsila do Amaral, 1933. Óleo sobre tela 150 X 205 cm. Acervo Artístico-Cultural dos Palácios do Governo do
Estado de São Paulo Coleção Governo do Estado de São Paulo.
Tarsila do Amaral (1886-1973) é considerada a primeira-dama do modernismo brasileiro e uma das responsáveis pela arte genuinamente nacional. Os temas que mais a interessavam eram os sociais e entre toda a sua
obra, se destaca a tela Operários.
A respeito do processo da industrialização brasileira, é correto afirmar que:
I. Ocorreu de forma tardia, tendo por base o processo de Substituição de Importações.
II. Seu maior polo, a partir dos anos 1920, foi São Paulo devido à infraestrutura advinda da economia cafeeira.
III. O primeiro e principal meio de transporte industrial foi o automotor, favorecido por eficiente malha rodoviária, que dinamizou a circulação dos mercados desde o início da economia cafeeira.
IV. Através dele, o êxodo rural foi intenso, transformando cidades, como São Paulo, em grandes centros metropolitanos.
Estão corretas:
a) apenas, I, II e III.
b) apenas, II, III e IV.
c) apenas, I e IV.
d) apenas, I, II e IV.
e) I, II, III e IV.
Estão corretas as afirmações I, II e IV (letra D). A afirmação III está errada pois diz que o primeiro modelo industrial do Brasil foi o automotor (sendo que o principal meio de escoamento de café era o
ferroviário) e que a malha rodoviária brasileira é muito eficiente (e o era desde o início).
10. (ESPM) Leia o texto e responda:
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A grande guerra de 1914-1918 dará grande impulso à indústria brasileira. No primeiro grande censo posterior
à guerra realizado em 1920, os estabelecimentos industriais arrolados somarão 13.336, com 1.815.156 contos
de capital e 275.512 operários. Destes estabelecimentos, 5.936 tinham sido fundados no quinquênio 19151919, o que revela claramente a influência da guerra.
(Caio Prado Jr. História Econômica do Brasil)
Sobre a relação entre o Brasil e a Primeira Guerra Mundial é correto afirmar que:
a) A guerra desenrolada na Europa produziu pobreza e miséria generalizada nos países da América Latina.
b) Os países latino-americanos, o Brasil entre eles, tornaram-se exportadores de armamentos para os países
envolvidos no conflito.
c) Durante a Primeira Guerra Mundial, o Brasil conseguiu manter a neutralidade até o final do conflito, obtendo com tal postura grandes vantagens ao vender manufaturas para os dois blocos em conflito.
d) A guerra levou o Brasil a diminuir as exportações e a aumentar as importações de novos fornecedores,
como os Estados Unidos, o que impediu nossa industrialização.
e) A guerra levou o Brasil a diminuir as importações e a aumentar as exportações, tendo crescido bastante no
eixo Rio-São Paulo o número de estabelecimentos industriais.
A alternativa certa é a E: esse processo de diminuição de importações para que a produção passe a ser
feita no próprio país é chamado de “substituição de importações”, e foi justamente o que ocorreu no
Brasil durante o período da Primeira Guerra. Os países de quem comprávamos produtos industrializados
passaram a exportar muito menos, já que estavam em guerra. A solução foi produzirmos nós mesmos
esses produtos, o que estimulou o crescimento da indústria nacional.
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Correção das tarefas 17 a 20 Aula 17