http://doi.org/10.17012/entac2014.596 PROTOCOLO DE AVALIAÇÃO DE ATENDIMENTO A REQUISITOS DE SISTEMAS DE PROTEÇÕES PERIFÉRICAS Peñaloza, Guillermina (1); Saurin A, Tarcisio (2); Rangel P, Pablo Andrés (3) (1) UFRGS/NORIE, (51) 94114646, e-mail: [email protected] (2) UFRGS/PPGEP, e-mail: [email protected] (3)UFRGS/NORIE, e-mail: [email protected] RESUMO Embora o uso de sistemas de proteções periféricas (SPP) seja importante para prevenir quedas de altura na construção civil, não há métodos amplamente aceitos para a avaliação do desempenho dos mesmos. O objetivo deste estudo é a apresentação de um protocolo de avaliação de atendimento a requisitos de desempenho de SPP. O protocolo foi desenvolvido por meio da identificação e categorização de requisitos, estabelecimento das fontes de evidências para avaliar cada requisito e a definição de um sistema de pontuação para diferenciar os níveis de adequação aos requisitos. Esse artigo ilustra a aplicação do protocolo em dois tipos de SPP, denominados "madeira" e "metálico". Os resultados da avaliação foram discutidos junto a representantes de construtoras e fornecedores de SPP. Os pontos fortes e fracos do protocolo são discutidos com base nessas aplicações. Palavras chaves: Sistemas de proteções periféricas, requisitos de desempenho, segurança no trabalho. ABSTRACT Although the use of edge protections systems (SPP) is an important measure to prevent falls from height in construction, there are no widely accepted methods for evaluating their performance. The aim of this study is to present an evaluation protocol of care performance requirements of SPP. This method proposes that the following steps are followed to evaluate SPP : ( a) The development of the protocol was developed through the identification and categorization of requirements , establishment of sources of evidence to evaluate each requirement and the definition of a scoring system to differentiate levels of fitness requirements; (b) applying the protocol to use; (c) validate the results in conjunction with stakeholders and identify opportunities for improvement and testing. This article illustrates the application of the protocol in two types of SPP, called “wood “ and “metallic”. The results of the evaluation were discussed with representatives of contractors and suppliers of SPP. The strong and weak points of this method are discussed protocol based on these applications. Key words: Temporary edge protection systems, performance requirements, safety at work. 1 INTRODUÇÃO Uma das proteções físicas mais comumente utilizadas nos canteiros de obra são os Sistemas de Proteção Periférica (SPP), os quais constituem barreiras que oferecem proteção simultânea a vários trabalhadores, impedindo a queda de altura (GARCIA, 2010). De fato, as normas de segurança no trabalho na construção civil, no Brasil e no exterior, apresentam vários requisitos aos quais os SPP devem atender. Tais requisitos, por sua vez, costumam ter ênfase na resistência estrutural e configuração geométrica dos SPP. Apesar da importância e extensão das exigências normativas, diversos estudos nacionais acerca do nível de cumprimento da NR-18 apontam que os requisitos 1408 associados aos SPP costumam ser os menos atendidos (LANTELME, 2000; ROCHA, 1999; ARAÚJO, 2000; MIRANDA e DIAS 2004). Dentre as possíveis causas dessa situação, pode ser citada a falta de soluções de SPP adequadas às características tecnológicas e gerenciais das obras. Por outro lado, estudos anteriores, no Brasil e no exterior (HILLIARD, 1996; ROCHA, 1999; OSTROW, 2001; MARTINS, 2004; LAN, 2009, GARCIA, 2010; NASCIMENTO, 2011; CHEUNG, 2012; HSE, 2012; RODRIGUEZ, 2013) também identificaram boas soluções de SPP, além de que é reconhecida a crescente expansão do número de fornecedores de equipamentos de proteção coletiva, em geral, no mercado nacional. Também vale salientar que os estudos acerca dos SPP não costumam levarem conta requisitos associados à eficiência e flexibilidade dos mesmos, bem como não investigam os processos de montagem e desmontagem. Neste contexto, este trabalho apresenta um protocolo para avaliação do desempenho de SPP, que pretende contribuir para a identificação de soluções promissoras já existentes no mercado, e que podem ser objeto de aperfeiçoamentos. A falta de métodos para verificar a aderência dos SPP aos requisitos cria dificuldades para todas as partes interessadas, tais como agentes governamentais de fiscalização, empresas e trabalhadores, que têm poucos subsídios para comparar os diferentes sistemas e avaliar sua eficácia. Cabe ressaltar que este trabalho foi realizado no contexto do projeto “Tecnologias para Canteiro de Obras Sustentável de Habitações de Interesse Social (Cantechis)”. Tal projeto possui seis subprojetos sendo um deles “Aperfeiçoamento de sistemas de proteção coletiva em canteiros de obras de empreendimentos do Programa Minha Casa Minha Vida (PMCMV)”, o qual é apoiado financeiramente pela FINEP, envolvendo pesquisadores de três Universidades brasileiras (UFRGS, UFBA e UFSCar). 2 2.1 METODO DE PESQUISA Delineamento da pesquisa Para o desenvolvimento deste estudo adotou-se a estratégia de pesquisa construtiva ou Design Science, a qual visa o desenvolvimento de um artefato destinado a resolver problemas práticos e ao mesmo tempo realize uma contribuição à teoria (LUKKA, 2003). No caso dessa pesquisa, o "artefato" é o protocolo para avaliação dos SPP. De um lado, ele contribui para resolver o problema prático de como avaliar o desempenho de SPP e comparar diferentes alternativas. De outro lado, ele contribui para definir o constructo teórico "requisitos de SPP" ao identificar quais são esses requisitos, como eles podem ser classificados e como eles se relacionam entre si. Esta pesquisa foi desenvolvida em três etapas. Inicialmente, o protocolo foi elaborado por meio da: (a) identificação de requisitos; (b) análise e categorização dos requisitos de acordo com a natureza de cada um; (c) estabelecimento das fontes de evidências para avaliar cada requisito; (d) definição de um sistema de pontuação que descreve o grau de atendimento aos mesmos. A segunda etapa compreendeu a aplicação do protocolo, que incluiu: (a) a escolha dos SPP específicos a serem avaliados; (b) escolha das obras e caracterização das mesmas; (c) coleta e análise de dados decorrentes da aplicação do protocolo. Na terceira etapa, ocorreu a validação e discussão dos resultados das avaliações junto a representantes das construtoras, projetistas e fabricantes, em reuniões de feedback específicas com cada parte interessada bem como um workshop que envolveu a participação conjunta de representantes de várias partes. 1409 2.2 Identificação de requisitos Os requisitos de SPP foram identificados a partir de: (a) pesquisa bibliográfica em normas e regulamentos nacionais como NR-18 (MTE, 2013) e RTP 01 (FUNDACENTRO, 2003), normas internacionais , tais como a UNE EN 13374 (2004), OSHA 1926.502 (2006), artigos científicos, memoriais descritivos de SPP patenteados, pesquisa documental em relatórios técnicos de ensaios laboratoriais de SPP; (b) entrevistas com nove engenheiros responsáveis por obras que usavam SPP, cinco engenheiros de segurança, dois projetistas de proteções coletivas, dois auditores fiscais, dois representantes de empresas que fornecem SPP industrializados e nove trabalhadores, responsáveis pela execução dos SPP. As entrevistas foram gravadas e transcritas, tiveram duração média de uma hora e foram baseadas num roteiro de quinze questões que dava origem a outras no decorrer da entrevista. Nas transcrições de entrevistas, e documentos consultados, foram identificadas evidências de requisitos de SPP, que se enquadrassem na definição de requisito usada nesse estudo: condições que expressam qualitativamente os atributos que um sistema deve possuir a fim de satisfazer as exigências dos usuários, (NBR 15575). Por sua vez um atributo é a característica de um produto que o consumidor ou usuário requer. Sob o conceito de desempenho, as necessidades do usuário, são parâmetros que definem os atributos de construção. 2.3 Classificação dos requisitos Após este análise, foram identificados 34 requisitos, os quais foram agrupados em três categorias: (a) segurança, 17 requisitos; (b) eficiência, 11 requisitos e (c) flexibilidade, 6 requisitos. Os requisitos da categoria Segurança tem origem, em sua maioria (88%) nas normas, e estão associados a aspectos de resistência estrutural, durabilidade e aspectos geométricos. Assim como ocorre nas outras duas categorias, os requisitos associados à segurança são relacionados entre si. Por exemplo, o atendimento do requisito "minimizar a queda de pessoas" depende de outro requisito que define as dimensões do SPP, bem como de outro que define a resistência do SPP aos esforços solicitantes. Deste modo, o atendimento a determinados requisitos contribui para o atendimento de outros. De outro lado, a maioria (81%) dos requisitos da categoria eficiência dos SPP, teve origem em entrevistas, observações em uso e análise de projetos. Os requisitos ligados à eficiência contemplam requisitos ergonômicos, de produtividade, reaproveitamento e baixo custo ao longo do ciclo de vida. Similarmente, os requisitos associados à flexibilidade também tiveram origem, em sua maioria (94%), nas entrevistas e análise de SPP encontrados no mercado. A flexibilidade contempla, principalmente, requisitos de adaptabilidade frente a diferentes configurações geométricas, técnicas construtivas e etapas da obra. 2.4 Níveis de atendimento Para cada requisito foi estabelecido um critério de avaliação. De acordo com a NBR 15575, critério se refere à especificação quantitativa do requisito. Contudo, no presente estudo, alguns critérios possuem especificação qualitativa, sendo possível ter vários critérios associados a um requisito. Além disso, foi proposto um sistema de pontuação, de zero a dez, para diferenciar os níveis de atendimento ao requisito. Embora possa ser atribuída qualquer nota de zero a dez, foram estabelecidos marcos de referência para descrever o que caracteriza algumas das notas possíveis entre zero e dez, sempre que possível com base em critérios definidos por normas. Nas situações em que as normas não contribuíram, a literatura contribuiu para a descrição dos níveis, ou então os pesquisadores desenvolveram uma proposta. 1410 2.5 Fontes de evidências A fim de facilitar a aplicação do protocolo, foram definidas as fontes de evidências para avaliar cada requisito, tais como: análise de projetos e laudos técnicos de ensaio de SPP, observações em uso, entrevistas com engenheiros e operários. Tal definição foi importante, pois, em função de sua natureza, certos requisitos só podem ser validados por meio de certas fontes de evidências. Assim, se utilizaram abordagens específicas da literatura para avaliar certos requisitos. Por exemplo, para o requisito “reduzir o esforço físico a partir das tarefas de montagem, desmontagem e transporte do SPP”, foi usada a proposta de Kodak (1986), que estabelece uma fórmula para o cálculo do percentual máximo de frequência cardíaca (PMFC), utilizada para trabalhadores que exercem atividades industriais, em turnos de 8 horas. O mesmo autor estabelece que o PMFC deve ser no máximo 33%. Similarmente, outro requisito de eficiência diz respeito às posturas assumidas pelos trabalhadores, as quais foram avaliadas utilizando o método WinOwas (KIVI e MATILA, 1991). A Tabela 1 apresenta um exemplo de como os requisitos foram organizados e parametrizados para conformar o protocolo de avaliação. Tabela 1 – Protocolo de avaliação. Categoria: Segurança Origem: NR-18 Requisito: minimizar o risco de quedas de pessoas Critério: atender as dimensões mínimas e máximas dos SPP. Níveis de atendimento: Nota 10: Atende totalmente o requisito. Altura mínima do SPP: 1,20 m. Altura máxima do travessão intermediário horizontal: 0,70 m. Distancia máxima entre os travessões intermediários verticais: 0,48 m. Nota 7: Atende parcialmente, com deficiências que impactam moderadamente no desempenho do SPP. Nota 3: Atende parcialmente, com deficiências que geram muito impacto no desempenho do SPP. Nota 0: Não atende. Fontes de evidências: Análise de projeto/ Laudo técnico. Observações em uso. Entrevista com engenheiros e operários. (As alturas do guarda-corpo principal e intermediário são adequadas? Aconteceu algum acidente de queda ou quase acidente envolvendo SPP?). Oportunidades de melhoria: 2.6 Escolha dos SPP e caracterização das obras visitadas Este estudo enfatiza os SPP de madeira e metal. A escolha ocorreu em função dos seguintes motivos: (a) tais sistemas são reconhecidamente os mais comuns na região em que ocorreu o estudo; (b) empresas locais desenvolveram, recentemente, projetos de SPP metálicos e de madeira supostamente melhores que aqueles que as mesmas vinham usando até então, e elas tinham interesse em uma avaliação independente dos mesmos, o que foi possível por meio deste estudo. A Tabela 2 apresenta as características de cada sistema e seu uso dentro da obra. Tabela 2 – Caracterização dos sistemas avaliados. MADEIRA (MA) Características: sistema constituído em madeira com tela de proteção. A união dos componentes é mediante pregos. Os montantes são fixados na viga mediante barra de ancoragem, arruela e porca tipo borboleta. Uso: sistemas construtivos de vigas e pilares de concreto, nas etapas de montagem de forma, concretagem e elevação de alvenaria. 1411 METÁLICO (ME) Características: Sistema constituído por módulos metálicos, nas dimensões 1,50 x 1,30 m. A união dos módulos ocorre mediante encaixe. A fixação dos montantes ocorre na alvenaria mediante barra de ancoragem, já incorporada ao sistema. Uso: Sistemas construtivos de vigas e pilares de concreto e sistemas em alvenaria estrutural, nas etapas de montagem de forma, concretagem e alvenaria. Ao todo, foram avaliados quatro SPP em madeira (MA) e quatro SPP metálicos (ME). Realizaram-se 17 visitas a oito canteiros de obra na cidade de Porto Alegre e região metropolitana. A coleta de dados, em cada visita as obras, teve uma duração média de quatro horas entre observações, medições e entrevistas; envolvendo de dois a três pesquisadores. Na Tabela 2 são caracterizadas as obras visitadas. Em função de restrições de espaço, nesse artigo são apresentados apenas os resultados da avaliação de um SPP metálico e um de madeira, observados respectivamente nas obras 4 e 6 segundo a Tabela 3. Tabela 3 – Caracterização das atividades e obras visitadas. Obra 1 2 3 4 5 6 7 8 3 3.1 Características Sistema construtivo: tradicional Cenário de observação: Ar livre / Dentro da edificação Mao de obra que instala SPP: Própria / Terceirizada Projeto: Projetista / Fabricante Sistema construtivo: alvenaria estrutural Cenário de observação: Ar livre / Dentro da edificação Mao de obra que instala SPP: Própria / Terceirizada Projeto: Projetista / Fabricante SPP MA MA MA MA ME ME ME ME Atividade avaliada Montagem / Uso/ Desmontagem Montagem Montagem / Uso Montagem / Uso / Desmontagem Montagem / Desmontagem Montagem / Uso / Desmontagem Montagem / Desmontagem Montagem / Uso Desmontagem Visitas 3 1 2 3 2 3 1 2 RESULTADOS Segurança A Figura 1 apresenta um exemplo de boa prática referente ao requisito "minimizar a queda de pessoas". Este requisito foi atendido por ambos SPP avaliados, que receberam nota 10 nesse aspecto (ver Tabela 4). Cabe ressaltar que este requisito depende dos requisitos 4 e 5 (resistir esforços solicitantes e estar rigidamente fixado a estrutura), os quais também foram atendidos. Figura 1 – Exemplo de atendimento a requisitos de SPP. À esquerda, SPP-MA. À direita, SPP-ME. As duas figuras apresentam trabalhadores apoiados no SPP, situação de uso frequente durante a etapa de concretagem. 1412 Outra situação, refere-se a requisitos que não foram atendidos (nota 0), embora o projeto dos mesmos previsse o atendimento. Por exemplo, o requisito “minimizar a queda de materiais e ferramentas” recebeu nota 0 em ambos SPP avaliados (ver Tabela 4). No caso do SPP-MA, isto se deve a que foram identificados procedimentos inadequados no uso, como por exemplo, interferências provocadas por outras proteções coletivas como plataformas de proteção, a presença de escoras de vigas e lajes na periferia que muitas vezes dificultam a instalação do sistema, ou dimensionamento de componentes incompatíveis com a estrutura de fixação, como ilustra a Figura 2, onde os afastadores do montante são maiores que aqueles especificados no projeto. Tais problemas favoreceram a presença de vãos entre o rodapé e o piso de trabalho, permitindo então a queda de materiais e ferramentas. No caso do SPP-ME, este requisito não é atendido devido ao projeto do componente rodapé, o qual ao ter um formato de calha, acumula materiais e resíduos. Isto traz dificuldades no momento da movimentação da calha de um andar para outro, já que resulta uma tarefa pesada e demorada, por este motivo é rejeitada no uso. Deste modo, o projeto do componente calha para rodapé está em conflito com o objetivo de que o sistema metálico seja de rápida e fácil movimentação, característica especialmente necessária pela agilidade do sistema construtivo em alvenaria estrutural. Em relação às oportunidades de melhoria, três exemplos foram selecionados para ilustrar os ditos conflitos entre uso e projeto, conforme Figura 2. Tabela 4 – Matriz de avaliação: Segurança. Fonte: Elaboração própria (2013) Figura 2 – Oportunidades de melhoria dos SPP. (a) À esquerda no SPP-MA, o rodapé encontra-se acima do piso de trabalho devido à interferência do gancho de fixação da treliça da plataforma de proteção; (b) No meio, os afastadores do montante são maiores que aqueles especificados no projeto; (c) À direita no sistema metálico se visualiza a ausência no emprego das calhas de contenção indicadas pelo fabricante. D A B 1413 Outra situação refere-se ao atendimento parcial de um requisito. Por exemplo, o SPPME recebeu nota 7, no requisito que estabelece que “o SPP deve estar rigidamente fixado de acordo com as especificações do fabricante ou projetista” (ver tabela 4). Isto aconteceu, pois não foi respeitada a condição sugerida pelo fabricante, a qual indica que a fiada de blocos onde são fixados os montantes, pode ser reforçada com concreto ou similar. Deste modo, mesmo não executando o reforço sugerido, constatou-se que o SPP-ME apresenta um bom desempenho frente aos impactos exercidos em obra, funcionando adequadamente sem colocar em risco a vida dos trabalhadores (Figura 3). Figura 3 – Atendimento parcial com impacto moderado no desempenho do SPP. Por último, existem requisitos que foram parcialmente atendidos, com deficiências que geram alto impacto no desempenho do SPP. Por exemplo, o SPP-MA recebeu nota 3 no requisito “a instalação e remoção devem ser feitas com segurança” (ver Tabela 4). Nesse caso, a falta de segurança foi evidenciada, pois, na instalação e remoção do montante, os trabalhadores ficavam com parte do corpo exposto para fora da periferia. Outro fator que agrava ainda mais o risco de queda deve-se a ação do operário de agarrar-se nas escoras para não perder o equilíbrio, conforme Figura 4. Figura 4 – Atendimento parcial com alto impacto no desempenho do SPP. 3.2 Eficiência Neste item, é salientado o requisito “reduzir o esforço físico nas atividades de montagem e desmontagem dos SPP”. Assim, o SPP-MA obteve nota 0 neste requisito, visto que o cálculo de PMFC foi de 34% (acima do máximo), em comparação com o SPP-ME que obteve um PMFC de 18%, conforme Tabela 5. Tais dados correspondem à avaliação de dois trabalhadores, durante 30 minutos. Da mesma maneira, ao analisar a carga postural no SPP-MA, a postura de pé apoiado sobre os dois joelhos curvados ocorreu em 75% das observações, estando então na categoria de risco alto conforme o método OWAS (ver Figura 5). Dita postura contribui para a postura de costas curvadas que se encontra na categoria de risco 2 (risco médio) em 75% das observações. As posturas desfavoráveis de costas e joelhos devem-se à fixação de peça por peça mediante pregos. 1414 Tabela 5 – Matriz de avaliação: Eficiência Fonte: Elaboração própria (2013). Figura 5 – Posturas analisadas com WinOWAS. (Montagem SPP-MA). Figura 6 – Posturas analisadas com WinOWAS. (Montagem SPP-ME). Já no SPP-ME, verificou-se que a postura mais critica é aquela que implica manter um braço acima do ombro, o que ocorreu em 56% das observações. Esta postura encontrase na categoria de risco 2 segundo o método OWAS, ela durou em média 3 segundos (Figura 6). 3.3 Flexibilidade Verificou-se, que o SPP-ME tem um melhor comportamento a aspectos de flexibilidade, ao adaptar-se e ajustar-se a todas as etapas da obra e diferentes configurações geométricas. Isto se deve a que o projeto é concebido para atender ao formato especifico de cada edificação atendendo cada particularidade e prevendo soluções para situações que gerem interferências. Outro aspecto importante para esta categoria são quadros 1415 metálicos reguláveis em comprimento e articuláveis assim como os montantes são reguláveis em altura o que permite uma melhora adaptação a diferentes sistemas construtivos. No SPP-MA, o único aspecto de flexibilidade a salientar é a adaptação a diferentes configurações geométricas permitindo ajustar e moldar o sistema à medida frente a situações específicas ou inesperadas, decorrentes do canteiro de obra. Tabela 6 – Matriz de avaliação: Flexibilidade Fonte: Elaboração própria (2013). 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS Este estudo apresentou um protocolo para avaliar o atendimento a requisitos de desempenho de SPP. Dentro das principais vantagens do SPP-MA podemos salientar: (a) baixo custo de aquisição em comparação com o SPP-ME; (b) fácil manipulação, do ponto de vista do material utilizado, por ser uma madeira branda e leve de trabalhar; (c) adaptação a diferentes configurações geométricas do ponto de vista da maleabilidade do sistema. Por outro lado as principais desvantagens do SPP-MA são: (a) quantidade e variedade de componentes soltos (10 unidades) em comparação com o SPP-ME; (b) na fixação dos componentes, pregar manualmente peça por peça, sem seguir um critério definido (quantidade e espaçamento dos pregos) faz com que, ao longo do tempo, se perda a rigidez das conexões, favorecendo a remoção acidental dos componentes; (c) baixo reaproveitamento; (d) alto custo ao longo do ciclo de vida (e) grande volume de perdas e resíduos gerados em comparação com o SPP-ME; (f) interferências e incompatibilidades com proteções, equipamentos e com a estrutura de fixação, devido que o projeto se limita a cenários específicos (periferia, taludes, forma) e não a edificação como um todo; (g) não se adapta a diferentes tecnologias construtivas. As principais vantagens do SPP-ME são: (a) materiais mais resistentes e duráveis em comparação com o SPP-MA; (b) baixo numero de componentes (4 componentes); (c) conexões rígidas e seguras entre os componentes mediante encaixe e travamentos incorporados ao sistema; (d) alto reaproveitamento; (e) baixo custo ao longo do ciclo de vida; (f) não existe volume de perdas e resíduos; (g) fácil de manipular por ser um sistema compacto com mecanismos incorporados; (h) pode ser usado em todas as etapas da obra; (i) se adapta as diferentes configurações geométricas já que é adequado e acertado previamente no projeto. A principal desvantagem do SPP-ME refere-se ao projeto do componente rodapé, pelo fato de ser concebido em forma de calha. Este componente é rejeitado pelos trabalhadores por acumular materiais e ser pesado para a movimentação, o que favorece a queda de materiais e ferramentas. Dentro das limitações deste estudo, considera-se que foram realizadas poucas aplicações do protocolo, pelo que se pretende seguir ampliando o estudo, a fim de validar o método 1416 através de níveis melhor definidos. Até o momento nas reuniões realizadas se criou um grupo de trabalho com representantes das empresas e se discutiram os resultados das avaliações. Este artigo também indica sugestões para estudos futuros como: (a) atualização do protocolo de acordo com novos requisitos, considerando como um processo que evolui com o tempo; (b) identificar e testar as oportunidades de melhoria e possíveis soluções, que permita incentivar aos interessados a desenvolver inovações. REFERÊNCIAS ARAÚJO. N. Aplicação da NR-18 na Paraíba sob a ótica dos operários, empresários, especialistas e da fiscalização. XX Encontro Nacional de Engenharia de Produção, 2000. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 15575-1: Edificações Habitacionais - Desempenho Parte 1: Requisitos gerais. 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