TRANSFORMAÇÕES E PERMANÊNCIAS DA PAISAGEM DE BELO HORIZONTE
Ana Maria Nagem Frade – GEEDA-PBH
• Desde os primórdios do seu aparecimento na Terra o ser
humano inquieta-se na investigação e na exploração do
desconhecido. Nômades primitivos valiam-se da coleta,
da caça e da pesca, sugavam tudo o que o lugar lhes
oferecesse até esgotarem-se os recursos. A descoberta
da agricultura fez com que o homem se fixasse terra
que passa a ser fornecedora de alimento, como local
para moradia e como paisagem para fruição.
•
MINAS GERAIS – OURO, PECUÁRIA E PODER
Da Vila de São Vicente (São Paulo), em meados do século
XVII, partiram os primeiros bandeirantes em busca das
riquezas do interior de Minas. Nas rotas seguidas pelos
bandeirantes foram surgindo núcleos de ocupação e a
fim de ligá-los e comercializar os produtos, unindo pólos
de importância econômica, surge a Estrada Real.
À medida que novas descobertas de jazidas iam se confirmando, a Coroa se
empenhava em tomar medidas relativas à exploração, controle e exportação
de seu potencial. As condições geográficas e a localização da capital do
Estado de Minas Gerais à época, fazem de Vila Rica um local suscetível a
fraude, contrabando e inadequado às novas aspirações da República e aos
ideais positivistas tornando-se necessária a construção de uma nova capital,
em sítio que propiciasse
expansão. Iniciando-se a busca de um sítio
adequado, num grande movimento político que mobiliza o país. Para que a nova
capital pudesse progredir, a escolha do sítio adequado seria fundamental.
Vista Panorâmica de Villa Rica, capital de Minas Gerais, em 1890.
Mapa da Estrada Real
No mapa ao lado, o Caminho Velho –
conectava Ouro preto ao Porto de Parati,
o Caminho Novo- conexão entre Ouro
preto e o Porto do Rio de Janeiro e a Rota
dos Diamantes – conexão da capital de
Minas Gerais ao sertão e à capital do país.
Esses caminhos surgiram a partir das rotas
dos bandeirantes e das descobertas de
minas. A Estrada Real, assim chamada por
ser o acesso da Coroa para controlar sua
produção, era a rota de ligação, acesso e
escoamento das riquezas das Minas Gerais.
Esta figura mostra a ligação do interior do
estado
aos
portos
e
aos
centros
econômicos, políticos e culturais mais
importantes do país à época – Salvador,
Rio de Janeiro e São Paulo. Observa-se a
localização da Estrada Real no contexto de
Minas Gerais e sua privilegiada localização
em relação aos outros estados. No coração
do estado, Belo Horizonte, antigo Curral
del Rei, arraial que sucedeu Ouro Preto
(antiga Villa Rica) na capital do Estado.
O local escolhido para a nova capital, o arraial de Bello-Horizonte,
reunia as condições favoráveis à implantação de um grande centro
urbano modernista – localização geográfica estratégica entre a
mata e o sertão, topografia favorável, abundância e excelência de
suas águas, fertilidade do solo, abundância de pedras e outros
materiais para sua construção e, unindo-se a tudo isso, uma
paisagem natural exuberante, o que motivou a troca do nome de
Curral Del Rei para Belo Horizonte, em 1889, durante as
comemorações da proclamação da República.
A denominação de Belo Horizonte deveu-se à beleza natural do
sítio. De acordo com Mestre Daniel Cornélio de Cerqueira, (citado
em BARRETO, 1995, v.1, página 230), “...exprimia naturalmente o
espetáculo que a localidade apresentava sempre aos olhos de todos
e era o mais justo motivo dos constantes elogios que lhe faziam os
Vista Panorâmica do Arraial do Curral del Rei,
seus visitantes”.
abaixo a chácara, atual Parque Municipal, em 1893
Planta cadastral do Arraial de Bello-Horizonte da Comissão Construtora, 1894
O Curral Del Rei deveu sua localização à convergência
de três estradas (...). Uma estrada desce a garganta
do Arrudas e sobe o vale do Rio das Velhas até
Sabará; a segunda penetra a Serra do Curral para o
sul e a terceira se embrenha pelo sertão na direção
norte. Na junção dessas três estradas havia uma
‘praça’, no centro da qual se erguia uma igreja. Este
era o núcleo histórico da colônia, seu ponto de
fixação à terra”.
A instalação da sede do Governo no centro
geográfico não seria suficiente para determinar um
centro
econômico, nem promover mudanças
estruturais numa região. Entretanto, a facilidade de
conexões com outros centros mais desenvolvidos e o
sistema de transporte e comunicações fazia da
região de Belo Horizonte, a mais atrativa, o que fez
com que o Congresso optasse por esta região (no vale
do Rio das Velhas) conectando a Mata ao Sertão, e
por apresentar disponibilidade de água, solos
adequados para a lavoura e terrenos de fácil
instalação de arruamentos.
A planta Cadastral do
extinto Arraial de Belo
Horizonte, antigo Curral
Del Rei, comparada com
a planta da nova capital
no espaço abrangido por
aquele arraial é uma
sobreposição
de
dois
documentos
cartográficos
que
permite a visualização da
localização
do
antigo
arraial no contexto da
nova cidade. Presume-se
que esse seja um dos
exemplares
elaborados
na Inspetora Técnica da
Prefeitura nos primeiros
anos
da
década
de
1940, enquanto a planta
do
arraial
seria
embasada
na
planta
produzida pela Comissão
Construtora em 1894.
Fotografia da Praça Sete em 1905, onde se vê o plantio dos fícus benjamina ao longo
da praça e da Avenida Afonso Pena
Os espaços livres de edificação, planejados para serem de uso público, são
frequentemente arborizados e têm uma função relevante, não somente na regulação
do clima urbano, como também na paisagem, na referência e na identificação que um
povo tem com sua cidade. Este trabalho trata das transformações e permanências
na paisagem de Belo Horizonte, vista sob a ótica das mudanças ocorridas em seus
espaços livres – Parques e Praças, por entendermos serem estes responsáveis pela
fruição paisagem urbana. A planta abaixo mostra os espaços públicos planejados que
foram implantados, em número muito menor que aqueles que não chegaram a sê-lo.
Percebe-se que apenas seis, dos dezessete projetados, foram implantados.
CONCEITOS DE AMBIÊNCIA
• “1- O espaço que visa à confortabilidade focada na
privacidade e individualidade dos sujeitos envolvidos,
valorizando elementos do ambiente que interagem com
as pessoas – cor, cheiro, som, iluminação, morfologia,
arborização...- e garantindo conforto aos
trabalhadores e usuários.
• 2- O espaço que possibilita a produção de
subjetividades, encontro de sujeitos, por meio da ação
e reflexão sobre os processos de trabalho.
• 3- O espaço usado como ferramenta facilitadora do
processo de trabalho, favorecendo a otimização de
recursos, o atendimento humanizado, acolhedor e
resolutivo.”
Paisagem urbana e Ambiência
Cada dia mais os espaçoslivres de uso público vão perdendo lugar no ambiente
urbano. Casas com quintais em ruas tranquilas cedem lugar aos edifícios que, além
de atraírem grande fluxo de veículos, vão mudando a paisagem da cidade e sua
relação com o homem. A conservação dessa paisagem, a convivência de seus
habitantes e a qualidade de vida passam a depender de um planejamento.
A paisagem urbana e a percepção de sua ambiência envolvem questões afetivas,
sociais e políticas. Essa percepção instala as bases de uma identidade coletiva,
gerando frustrações ou bem estar, abrindo espaço para uma interação mais
estreita e saudável do homem com o meio ambiente urbano. A Avenida Afonso
Pena, em Belo Horizonte mostra como o desequilíbrio gerado por atividades
urbanas em relação à arborização pode estabelecer uma relação de conflito entre
a população e seu meio. Por outro lado, se as intervenções da administração pública
são equilibradas, planejadas, compartilhadas com a comunidade, estabelece-se uma
relação de harmonia, de paz cuja vivência gera bem estar.
A arborização de Belo Horizonte foi pensada desde sua concepção, mas ao longo de
sua história, as constantes mudanças na arborização, sobretudo da Avenida Afonso
Pena tem alterado, ora positiva ora negativamente sua paisagem, sua ambiência,
comprometendo o conceito de “cidade-jardim” que a capital ostentava.
A arborização é um componentes de grande importância na paisagem urbana e sua
utilização sem bons critérios causa danos ecológicos de porte considerável ao meio
ambiente urbano. Além da função paisagística, proporciona outros benefícios à
população como absorção de parte dos raios solares diminuindo a temperatura,
melhora da saúde física e mental da população. A vegetação pode ainda,
estabilizar o solo, proteger mananciais e rios e renovar a água do subsolo.
Por outro lado um bom
planejamento da arborização
pode mudar esse quadro de
desconforto estético e físico,
minimizando
gastos
de
manutenção que tanto oneram os
cofres públicos, melhorando a
qualidade de vida da população,
saneando os centros urbanos,
garantindo maior taxa de
permeabilidade
do
solo
e
alterando a relação do usuário
com a paisagem. As árvores bem
adaptadas às condições de clima
e solo, que não conflitam com
outros
elementos
como
iluminação pública, redes de
energia
elétrica
e
de
abastecimento de água, fruto de
análise criteriosa da vegetação
do local e de seu entorno,
apresentam
desenvolvimento
satisfatório
influenciando
positivamente na saúde da
população e em sua satisfação
com a ambiência local.
O planejamento e organização do espaço de Belo Horizonte, primeira
capital da República a ser projetada, planejada e organizada a partir de um
conhecimento técnico, foi norteado pela topografia do sítio e do núcleo
urbano existente – Curral del Rei. A arborização foi planejada juntamente
com o traçado de ruas e avenidas, destacando-se a da Avenida Afonso Pena
– eixo norte-sul da cidade, no canteiro central, nos passeios e nas praças
localizadas no cruzamento das avenidas. A preocupação com a arborização e
com a paisagem urbana, conferiu à Belo Horizonte o status de Cidade
Jardim, dada à exuberância de seus espaços verdes. As fotografias
mostram as transformações ocorridas na arborização da Avenida Afonso
Pena de 1905 a 2010 e os impactos que estas criaram na população e em sua
identificação com o espaço público.
1894 - Alfredo Riancho, escreve no Minas Gerais sob o título de “Por montes e vales”
sua percepção ao seguir ruas, travessas e praças, colhendo proveitosos ensinamentos
ao acaso. Fazia pinturas registrando os locais por onde passava e escrevia sobre o
clima, o solo e a saúde da população. Camarate deixa claras suas impressões sobre a
ambiência e a percepção da paisagem local, não só as suas, mas de todos os que com
ele estavam, e também as impressões que colhia das conversas com a população.
...”a temperatura é amena, temperada havendo freqüentes virações que, enquanto a civilização
não povoar com milhares de habitantes este verdejante jardim, nos chegam embalsamadas
dos perfumes resinosos das florestas... Se no Brasil há paisagens que se assemelhem às da
Europa, é com certeza em Belo Horizonte, cujo firmamento não é tão atrevidamente azul
como Nápoles...Quando contemplamos um ponto de vista desta localidade, recebemos, no
seu conjunto, uma impressão de que a vegetação de Belo Horizonte tem verdes mais
profundos e limpos...” (REVISTA DO ARQUIVO PÚBLICO MINEIRO, 1985, p.35,36,82).
A Arborização se transforma contado a história
Como um livro que conta a história de uma cidade, a paisagem urbana
espelha as diversas cristalizações da estrutura espacial. Por isso, a
paisagem só se limita ao visível no primeiro contato. Depois de
desvendada, ela traduz os processos naturais, políticos, econômicos,
sociais, culturais e pessoais dos quais a cidade foi cenário. Ao longo das
décadas, o vai e vem dos pedestres construiu uma grande diversidade de
faces da Afonso Pena.
•
A arborização da Afonso Pena recebeu um cuidado especial. Ali foram
plantadas centenas de mudas de fícus benjamina em toda a sua
extensão. Essa espécie, de origem asiática é muito utilizada na
arborização urbana no início do século XX em muitas cidades brasileiras,
caracteriza-se por raízes fortes, seus troncos espessos, copas enormes
e pela altura de até 20 metros. (FREYRE, 1989, p. 76, 77)
•
Cidade vergel - os escritores decantavam Belo Horizonte com sua
paisagem peculiar. Em 1920, João do Rio descrevia a capital como um
“miradouro nos céus arborizada como só o paraíso deveria ser”. Em
1922, para comemorar os 100 anos da Independência Brasileira, a Praça
12 de Outubro passou a se chamar Praça Sete de setembro e ganhou o
famoso “pirulito”.
http://www.dzai.com.br/andregregorio/video/playvideo?tv_vid_id=42990
•
Fotografias da
Avenida Afonso
Pena em 1930.
Em 1940 Abílio
Barreto elogia
sua arborização
magnífica.
Em entrevistas com 17 belorizontinos nascidos entre 1920 e 1930 todos citam que
a cidade dos anos 30, 40 e 50 tinha encantos especiais, mencionando a arborização
da Av. Afonso Pena como principal fator de ambiência agradável, local aprazível,
bonito, fresco, tranqüilo e acolhedor. “Belo Horizonte era uma beleza, uma cidade
inigualável. Passear pela Avenida à sombra dos Fícus... Nunca mais a Avenida foi a
mesma” desabafa Duquinha.
1932 - Cine-Teatro Brasil foi construído na esquina da
.
Avenida Amazonas com a Rua Carijós
Fonte:
http://www.vmcinebrasil.com.br/cine/imagens/decada30cinebrasil3.jpg
http://htmlimg1.scribdassets.com/73aet2
2ps01y54f/images/1231c202357b/000.jpg
http://htmlimg3.scribdassets.com/73aet2
2ps01y54f/images/112ec5c2b926/000.jpg
Fonte:http://belohorizonte.f
otoblog.uol.com.br/images/
photo20060926005901.jpg
Fonte:http://belohorizonte.fotoblog.uol.com.br/images/
photo20071127104803.jpg
Fonte:http://3.bp.blogspot.com/_q2egPs7AOR8/S7UPAbvCg2I/AAAAAAAAA
Go/01aBdCuYoBY/s1600/pracasetedcada40.jpg
“Debaixo de cada
árvore faço minha
cama, em cada
ramo penduro meu
paletó “. Carlos
Drummond de Andrade,
ao percorrer a avenida
“árvores repetidas”, na
década de 40.
Avenida Afonso Pena em 1949, onde o grande corredor
verde destacava-se até o pé da Serra do Curral e o
progresso convivia em harmonia “verde e cinza” com a
natureza.
1962- a imagem de um fotógrafo anônimo mostra o povo em torno de um
dos troncos do monumento verde. A cidade parou para ver o corte dos fícus
da Praça Sete, realizado ainda na administração do prefeito Amintas de
Barros.
A paisagem é de absoluta ruína. Com toda a sua copa podada até os tocos
dos galhos, o tronco mostra a precariedade do tratamento dado à árvore em
vida, pois, ao seu redor, vários cartazes de propaganda política haviam sido
colados.
1962-O obelisco sai da Praça 7
asconcelos, na Savassi, em 1962.
Fonte: Acervo do Jornal Estado de Minas
Fonte:
http://farm3.static.flickr.com/2107/2169901984_3db314056f_o.jpg
Obelisco é retirado da Praça Sete,
fica no quintal do Museu Abílio Barreto
para ser remontado na Praça Diogo de
Vasconcelos, na Savassi, em 1962.
1963- Novembro e Dezembro
A cada manhã, uma nova feição
Em novembro de 1963, após o
movimento do dia e sem
qualquer consulta à
população, sem anúncio na
imprensa, a Prefeitura
inicia o corte dos fícus da
alameda central da
Avenida.
O evento dos fícus apareceu
como um desalento para
muitos. A cada manhã a
Avenida Afonso Pena
exibia uma feição
irreconhecível,
pois os cortes sempre
eram realizados à noite, já
na administração de Jorge
Carone.
Fícus – a Identidade da cidade
• Em nome do progresso e do desenvolvimento da
cidade, esta perde o que aparecia como um bem
comum, um lugar de memória coletiva (DUARTE,2007).
• O verde (os fícus) nesta época, criavam uma ambiência
tal que representavam a identidade da cidade.
• Funcionavam como o pulmão, órgão vital desse grande
organismo urbano. O belorizontino experimentou um
calor de 36 graus centígrados à sombra, seguido de
um estio interminável, nesses mesmos dias. Segundo
Duarte (2007) os reservatórios de água de Minas
Gerais atingiram níveis baixíssimos, comprometendo o
abastecimento em várias regiões, dentre as quais a
cidade de Belo Horizonte.
1964 – Carlos Drummond de Andrade protesta
contra o cenário desolador recusando-se a
escrever no aniversário da cidade.
• “Em meu repertório de imagens queridas, a Avenida Afonso Pena
continuará sendo aquela massa de verdura que, do alto, separava
a cidade em duas partes e, cá em baixo, era um túnel sem
angústia do túnel.(...). Ora, fabricação de ruínas não sugere
festas. E como isso de acabar com árvore na capital mineira
parece uma constante das administrações, pois não é de hoje que
ouço falar na guerra de prefeitos contra o patrimônio vegetal
legado pelos que fizeram do Curral Del Rey uma cidade com cara
própria e gentil, com jeito pessoal de cidade (um jeito tão
chamativo e repousante ao mesmo tempo), eu lhe pergunto: que
aniversário vamos comemorar, o da antiga Belo Horizonte, doçura
dos olhos, com suas figueiras amáveis, ou da árida pista de
trânsito, igual a milhares de outras neste vasto Nordeste que é o
Brasil de Norte a Sul? Nenhum.”
• A cidade se tornava gradativamente menos verde, continuavam
as derrubadas das árvores das ruas para a ampliação das vias.
• Os jardins de várias igrejas foram vendidos para a abertura de
estabelecimentos comerciais, as atividades mineradoras
depauperaram a Serra do Curral, alterando a moldura e a
referência do belo horizonte que se podia vislumbrar
emoldurando a Afonso Pena. A essa cidade, o poeta se recusaria
a retornar, pois, despida de seus túneis verdes e de seus
canteiros, transformara-se em um "triste horizonte"
(ANDRADE, 1977).
• Nas décadas seguintes, a Afonso Pena manteria seu papel de
corredor político abrigando as manifestações mais importantes
da cidade, mas já não gozava da reputação de corredor verde.
• As mudanças ocorridas em sua arborização, nessas décadas
alteraram consideravelmente a qualidade de vida do
belorizontino e com ela sua identidade.
• Como uma “cidade jardim” não poderia permanecer sem os
devidos cuidados, pouco a pouco outros projetos urbanísticos
foram desenhando um largo canteiro central na Afonso Pena,
repleto de quaresmeiras, sibipirunas, paus-ferro, dentre outras.
Olhar a Avenida do alto voltou a ser um prazer ao observador.
Década de 70 – O “milagre econômico” acelera o
crescimento da cidade que perde suas feições
provincianas – o colonial convivendo com o
moderno numa profusão de cores e “estilos”.
• Esse crescimento, sem um planejamento mais aprofundado de suas
conseqüências, acaba por deixar a cidade num verdadeiro caos
urbano. O número de obras se multiplica, o de veículos também e a
administração pública precisa tomar uma providência para
restaurar a ordem urbana e não perder o controle desse
crescimento.
• Mudanças rápidas interferem na percepção que a população tem
do espaço urbano, na sua vivência e no seu cotidiano. Como
conseqüência observa-se uma visível alteração de valores, de
identidade.
• Não se pode prever a direção dessas mudanças, mas sabe-se que a
população responde prontamente a qualquer inovação no meio
urbano, ainda que essas inovações tenham sido geradas pelo
progresso e sejam em nome do desenvolvimento de toda uma
sociedade. Posteriormente esse abalo é refletido na paisagem.
Em 1979 PLAMBEL elabora o Projeto PACE
• Projeto da Área
Central de Belo
Horizonte –
PACE visando
melhorar o
tráfego no
centro da cidade
e a circulação de
pedestres.
• Praça Milton
Campos depois
da reforma do
Projeto PACE
1981- Reforma da Praça Rio Branco
• 1981- implantado o novo
sistema de transporte
• Devido às alterações no
tráfego do centro da
cidade, enorme fluxo de
pedestres na região em
função das mudanças no
sistema viário a Praça
Rio Branco, início da
Afonso Pena, sofreu
uma
reforma
geral,
recebendo
pavimento
em toda a sua área e um
monumento da artista
plástica Mary Vieira,
chamado Monumento à
Liberdade.
• 1985 – inaugurado o
Metrô de Superfície.
1985 - Lei Ambiental do Município
• 1984 – Cresce a economia, grande aumento na área comercial.
• A Lei nº 4034/85 adota parâmetros importantes para as áreas
livres de uso público de Belo Horizonte. Mas ainda aqui, não se
pode precisar qual a parcela de área é destinada aos espaços
verdes de uso público.
• A Lei Ambiental do Município – Lei nº 4253/85 que define uma
política de proteção e da conservação do meio ambiente e da
melhoria da qualidade de vida no Município de Belo Horizonte.
Através dessa Lei a SMMA passa a fiscalizar, planejar e
administrar as posturas ambientais da cidade e a fornecer
diretrizes técnicas para os outros órgãos da administração
pública, em assuntos pertinentes ao meio ambiente e qualidade
de vida. Esse é um marco importante no resgate da identidade da
população com o verde, e no berço dessa nova aliança, surge uma
nova ambiência.
• Os espaços verdes dos canteiros da Afonso Pena recebem
proteção, manutenção adequada e agradecem florescendo em
todas as épocas do ano.
•
•
•
Em 1994, a Prefeitura de Belo Horizonte
implanta o Programa Verde Vivo
O Programa visa melhorar
estética e ambientalmente a
cidade. Esse projeto realizou
inúmeras intervenções na cidade
com relação à arborização de
ruas, praças, avenidas e áreas
verdes. No ano seguinte já se
podiam ver os frutos desse
programa, considerado um
sucesso.
Melhorou a paisagem urbana, esse
programa foi importante não só
pelas intervenções feitas nas
praças, áreas verdes e canteiros
centrais, listando o número de
árvores e as espécies plantadas
como também por documentar
essas intervenções.
Essa documentação deu à
administração pública um controle
maior de informações a nível
quantitativo e espacial e mostrouse importantíssima para a
manutenção do programa.
Os espaços livres de uso público da Regional Centro-Sul de
Belo Horizonte na conservação e preservação da Paisagem
Cultural – PRAÇA SETE - 2000
http://i2.photobucket.com/albums/y37/gutooo/BH/parte8/IMG_04
27.jpg
http://i2.photobucket.com/albums/y37/gutooo/BH/parte8/IMG_04
18.jpg
http://i2.photobucket.com/albums/y37/gutooo/BH/parte8/IMG_04
40.jpg
http://i2.photobucket.com/albums/y37/gutooo/BH/parte8/IMG_04
25.jpg
2008 - Investigando a relação
Homem/Paisagem através de entrevistas
• Depoimento de um
transeunte ao ser
entrevistado sobre sua
vivência em relação à
arborização da Avenida
Afonso Pena, em 17 de
julho de 2008.
”O paisagismo muda nesse
trecho, mas continua mais
bonito. Muitas árvores
frondosas ao invés das
palmeiras lá de baixo, e
umas belas plantas roxas.
Reparem que também não
há nenhum fio ou outdoor
atrapalhando a vista, e
isso é lindo.”
CONCLUSÃO
•
•
•
Traçada à régua, Belo Horizonte é uma capital que projeta-se no futuro
e traz consigo uma história bastante interessante. A documentação é
importante para resgatar e manter a memória da percepção de seus
espaços urbanos e a arborização cria uma relação estreita entre o
homem e seu meio contando a história de uma época.
Nas primeiras décadas do século passado, havia fícus plantados em
ambos os lados da via e trilhos pelos quais passavam os bondes. A
população, especialmente as pessoas de classes mais altas e famílias
tradicionais, se encontrava na avenida durante o footing no final das
tardes. A foto da década de 90, mostra que, apesar dos novos hábitos,
dos novos tempos e de uma arborização completamente diferente
daquela concebida para o Curral Del Rey, a Avenida Afonso Pena ostenta
a mesma glória dos anos 50, mais moderna, mais colorida, causando, em
quase toda a sua extensão, uma ambiência equilibrada, harmoniosa, no
que tange à arborização e a população que interage com ela.
Os homens constroem seus ambientes nas práticas cotidianas, políticas,
no convívio social e nas decisões que toma ao intervir no meio ambiente.
E, ao discutirem sobre arborização de suas ruas, ou sobre os jardins de
suas cidades, expõem seus conceitos de sociedade, convivência e
ambiência, deixando transparecer seus valores mais arraigados,
expressos em ambiências variadas. Muitas vezes a administração pública
toma, sozinha, decisões em relação ao meio ambiente urbano e ainda
assim a população está construindo sua história através de suas
manifestações, de participação ou omissão, e de suas vivências desses
espaços.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS
ABBUD, Benedito. Criando paisagens: guia de trabalho em Arquitetura
Paisagística. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2006.
ANDRADE, C. D. Alguma Poesia. Belo Horizonte: Pindorama, 1930.
ANDRADE, C. D. Amigos do Verde. Minas Gerais, Belo Horizonte, 07 maio 1930, p. 8.
BARRETO, ABÍLIO. BELLO HORIZONTE: MEMÓRIA HISTÓRICA E DESCRITIVA: HISTÓRIA ANTIGA. BELO
HORIZONTE, 1996.
BARRETO, ABÍLIO. BELLO HORIZONTE: MEMÓRIA HISTÓRICA E DESCRITIVA: HISTÓRIA MÉDIA. 2ª
EDIÇÃO. BELO HORIZONTE, 1996.
BARRETO, ABÍLIO. RESUMO LITERÁRIO DE BELO HORIZONTE. BELO HORIZONTE, IMPRENSA OFICIAL,
1950.
CASTRO, E. V. Prefácio. In: Arnt, R. Um artifício orgânico. Rio de Janeiro: Rocco, 1992, p. 13-28.
BELO HORIZONTE. Lei n.º 7.165, de 27 de agosto de 1996. DOM: Diário
Oficial do Município, Belo Horizonte, v.2, n.º 224, ago. 1996. Institui o Plano
Diretor do Município de Belo Horizonte. (Título II – “Do Desenvolvimento
Urbano”, com as alterações introduzidas pela Lei 8.137 de 21 de dezembro de
2000 publicada no DOM, v.6, nº 1279).
BELO HORIZONTE. Lei n.º 7.166, de 27 de agosto de 1996. DOM: Diário
Oficial do Município, Belo Horizonte, v.2, n.º 224, ago. 1996. (Cap. II, III e IV,
com as alterações introduzidas pela Lei 8.137 de 21 de dezembro de 2000
publicada no DOM, v.6, n.º 1279).
BELO HORIZONTE. Lei n.º 8.616, de 14 de julho de 2003 e decretos n. 11.601,
de 09 de janeiro de 2007 e 11.698, de 30 de abril de 2004. Código de posturas
do Município.
BUSTOS, Marta Adriana Romero. A arquitetura bioclimática do espaço público.
Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2001.
CARVALHO, J. M. A formação das almas. São Paulo: Companhia das Letras, 1990.
CARVALHO, V. Bate papo com o Pirolito. Anuário de Belo Horizonte, Belo Horizonte, v. 1, n. 1, p. 57-62, 1953.
CASTRIOTA,Leonardo Barci;PASSOS, Luis Mauro do Carmo. O “Estilo Moderno”: arquitetura em Belo Horizonte
nos anos 30 e 40. In: CASTRIOTA, Leonardo Barci (Org.). Arquitetura da modernidade. Belo Horizonte: Ed.
UFMG; IAB/MG,1998.
ENCONTRO NACIONAL SOBRE ARBORIZAÇÃO URBANA. CEMIG. Editado por Antônio J.de Araújo. Belo
Horizonte:1997.
FERREIRA, M.G; AMORIM FILHO, Oswaldo Bueno. O sítio e a formação da paisagem urbana. 1997. 183f.
Dissertação (Mestrado) BH: IGC/UFMG, 1997.
FONSECA, Lygia Prota. Áreas verdes públicas de Belo Horizonte. 1997. Monografia apresentada ao Curso de
Especialização em Urbanismo da Escola de Arquitetura da UFMG - Belo Horizonte: Escola de Arquitetura da
Universidade Federal de Minas Gerais, 1997.
FREYRE, G. Nordeste. 6. ed. Rio de Janeiro: Record, 1989.
MACEDO, Sílvio Soares. Parques Urbanos no Brasil. São Paulo: Imprensa
Oficial do Estado de São Paulo, 2003.
MACEDO, Sílvio Soares. Quadro do paisagismo no Brasil. São Paulo:
Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 1999.
MACIEL, Marieta Cardoso; GUEDES SOBRINHO, Joaquim M. O Projeto em arquitetura paisagística: praças
e parques públicos de Belo Horizonte. 1995. 253f. Dissertação (Mestrado). FAUUSP, São Paulo, 1998.
MASCARÓ, J. L. Vegetação Urbana. Porto Alegre: Editora Masquatro, 2005.
PREFEITURA de Belo Horizonte. Cenas de um Belo Horizonte. Belo Horizonte: Prefeitura de BH, 1994.
SEGAWA, Hugo. Ao amor do público: Jardins no Brasil. São Paulo: Studio Nobel: FAPESP, 1996-Cidade
Aberta.
SEGAWA, Hugo. Arquiteturas no Brasil 1900-1990. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1999 Academia 21.
SEGAWA, Hugo. Prelúdio da Metrópole: Arquitetura e Urbanismo em São Paulo na passagem do século XIX
ao XX. São Paulo: Editora Ateliê Editorial, 2000.
SILVEIRA, Álvaro. A arborização de Belo Horizonte. Belo Horizonte: Imprensa Oficial, 1914.
VASCONCELOS, S. Belo Horizonte no seu tempo de calça curta. Revista Minas Gerais, Belo Horizonte, n. 34,
p. 24-30, 1991.
Jornais consultados
A CIDADE. Folha de Minas, Belo Horizonte, 21 set. 1939. Caderno Principal, p. 3.
CARONE promove administração revolucionária (matéria paga).
ESTADO DE MINAS. Belo Horizonte. 1963. Diário. (EM)
MINAS GERAIS. Belo Horizonte. 1963. (MG)
O Diário, Belo Horizonte, 12 dez. 1963, p. 7.
Outras fontes
ACERVOS Fotográficos do Museu Histórico Abílio Barreto.
RELATÓRIOS anuais apresentados pelos prefeitos, 1899-1969. Relatório. Belo Horizonte: Imprensa Oficial
do Estado de Minas Gerais, 1899-1869.
REVISTA DO ARQUIVO PÚBLICO MINEIRO, 1985, p.35,36,82.
http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/44.pdf. Acesso em 15-19 jul. 2008.
Download

PALESTRA TRANSFORMAÇÕES E PERMANÊNCIAS