TRANSFORMAÇÕES E PERMANÊNCIAS DA PAISAGEM DE BELO HORIZONTE Ana Maria Nagem Frade – GEEDA-PBH • Desde os primórdios do seu aparecimento na Terra o ser humano inquieta-se na investigação e na exploração do desconhecido. Nômades primitivos valiam-se da coleta, da caça e da pesca, sugavam tudo o que o lugar lhes oferecesse até esgotarem-se os recursos. A descoberta da agricultura fez com que o homem se fixasse terra que passa a ser fornecedora de alimento, como local para moradia e como paisagem para fruição. • MINAS GERAIS – OURO, PECUÁRIA E PODER Da Vila de São Vicente (São Paulo), em meados do século XVII, partiram os primeiros bandeirantes em busca das riquezas do interior de Minas. Nas rotas seguidas pelos bandeirantes foram surgindo núcleos de ocupação e a fim de ligá-los e comercializar os produtos, unindo pólos de importância econômica, surge a Estrada Real. À medida que novas descobertas de jazidas iam se confirmando, a Coroa se empenhava em tomar medidas relativas à exploração, controle e exportação de seu potencial. As condições geográficas e a localização da capital do Estado de Minas Gerais à época, fazem de Vila Rica um local suscetível a fraude, contrabando e inadequado às novas aspirações da República e aos ideais positivistas tornando-se necessária a construção de uma nova capital, em sítio que propiciasse expansão. Iniciando-se a busca de um sítio adequado, num grande movimento político que mobiliza o país. Para que a nova capital pudesse progredir, a escolha do sítio adequado seria fundamental. Vista Panorâmica de Villa Rica, capital de Minas Gerais, em 1890. Mapa da Estrada Real No mapa ao lado, o Caminho Velho – conectava Ouro preto ao Porto de Parati, o Caminho Novo- conexão entre Ouro preto e o Porto do Rio de Janeiro e a Rota dos Diamantes – conexão da capital de Minas Gerais ao sertão e à capital do país. Esses caminhos surgiram a partir das rotas dos bandeirantes e das descobertas de minas. A Estrada Real, assim chamada por ser o acesso da Coroa para controlar sua produção, era a rota de ligação, acesso e escoamento das riquezas das Minas Gerais. Esta figura mostra a ligação do interior do estado aos portos e aos centros econômicos, políticos e culturais mais importantes do país à época – Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo. Observa-se a localização da Estrada Real no contexto de Minas Gerais e sua privilegiada localização em relação aos outros estados. No coração do estado, Belo Horizonte, antigo Curral del Rei, arraial que sucedeu Ouro Preto (antiga Villa Rica) na capital do Estado. O local escolhido para a nova capital, o arraial de Bello-Horizonte, reunia as condições favoráveis à implantação de um grande centro urbano modernista – localização geográfica estratégica entre a mata e o sertão, topografia favorável, abundância e excelência de suas águas, fertilidade do solo, abundância de pedras e outros materiais para sua construção e, unindo-se a tudo isso, uma paisagem natural exuberante, o que motivou a troca do nome de Curral Del Rei para Belo Horizonte, em 1889, durante as comemorações da proclamação da República. A denominação de Belo Horizonte deveu-se à beleza natural do sítio. De acordo com Mestre Daniel Cornélio de Cerqueira, (citado em BARRETO, 1995, v.1, página 230), “...exprimia naturalmente o espetáculo que a localidade apresentava sempre aos olhos de todos e era o mais justo motivo dos constantes elogios que lhe faziam os Vista Panorâmica do Arraial do Curral del Rei, seus visitantes”. abaixo a chácara, atual Parque Municipal, em 1893 Planta cadastral do Arraial de Bello-Horizonte da Comissão Construtora, 1894 O Curral Del Rei deveu sua localização à convergência de três estradas (...). Uma estrada desce a garganta do Arrudas e sobe o vale do Rio das Velhas até Sabará; a segunda penetra a Serra do Curral para o sul e a terceira se embrenha pelo sertão na direção norte. Na junção dessas três estradas havia uma ‘praça’, no centro da qual se erguia uma igreja. Este era o núcleo histórico da colônia, seu ponto de fixação à terra”. A instalação da sede do Governo no centro geográfico não seria suficiente para determinar um centro econômico, nem promover mudanças estruturais numa região. Entretanto, a facilidade de conexões com outros centros mais desenvolvidos e o sistema de transporte e comunicações fazia da região de Belo Horizonte, a mais atrativa, o que fez com que o Congresso optasse por esta região (no vale do Rio das Velhas) conectando a Mata ao Sertão, e por apresentar disponibilidade de água, solos adequados para a lavoura e terrenos de fácil instalação de arruamentos. A planta Cadastral do extinto Arraial de Belo Horizonte, antigo Curral Del Rei, comparada com a planta da nova capital no espaço abrangido por aquele arraial é uma sobreposição de dois documentos cartográficos que permite a visualização da localização do antigo arraial no contexto da nova cidade. Presume-se que esse seja um dos exemplares elaborados na Inspetora Técnica da Prefeitura nos primeiros anos da década de 1940, enquanto a planta do arraial seria embasada na planta produzida pela Comissão Construtora em 1894. Fotografia da Praça Sete em 1905, onde se vê o plantio dos fícus benjamina ao longo da praça e da Avenida Afonso Pena Os espaços livres de edificação, planejados para serem de uso público, são frequentemente arborizados e têm uma função relevante, não somente na regulação do clima urbano, como também na paisagem, na referência e na identificação que um povo tem com sua cidade. Este trabalho trata das transformações e permanências na paisagem de Belo Horizonte, vista sob a ótica das mudanças ocorridas em seus espaços livres – Parques e Praças, por entendermos serem estes responsáveis pela fruição paisagem urbana. A planta abaixo mostra os espaços públicos planejados que foram implantados, em número muito menor que aqueles que não chegaram a sê-lo. Percebe-se que apenas seis, dos dezessete projetados, foram implantados. CONCEITOS DE AMBIÊNCIA • “1- O espaço que visa à confortabilidade focada na privacidade e individualidade dos sujeitos envolvidos, valorizando elementos do ambiente que interagem com as pessoas – cor, cheiro, som, iluminação, morfologia, arborização...- e garantindo conforto aos trabalhadores e usuários. • 2- O espaço que possibilita a produção de subjetividades, encontro de sujeitos, por meio da ação e reflexão sobre os processos de trabalho. • 3- O espaço usado como ferramenta facilitadora do processo de trabalho, favorecendo a otimização de recursos, o atendimento humanizado, acolhedor e resolutivo.” Paisagem urbana e Ambiência Cada dia mais os espaçoslivres de uso público vão perdendo lugar no ambiente urbano. Casas com quintais em ruas tranquilas cedem lugar aos edifícios que, além de atraírem grande fluxo de veículos, vão mudando a paisagem da cidade e sua relação com o homem. A conservação dessa paisagem, a convivência de seus habitantes e a qualidade de vida passam a depender de um planejamento. A paisagem urbana e a percepção de sua ambiência envolvem questões afetivas, sociais e políticas. Essa percepção instala as bases de uma identidade coletiva, gerando frustrações ou bem estar, abrindo espaço para uma interação mais estreita e saudável do homem com o meio ambiente urbano. A Avenida Afonso Pena, em Belo Horizonte mostra como o desequilíbrio gerado por atividades urbanas em relação à arborização pode estabelecer uma relação de conflito entre a população e seu meio. Por outro lado, se as intervenções da administração pública são equilibradas, planejadas, compartilhadas com a comunidade, estabelece-se uma relação de harmonia, de paz cuja vivência gera bem estar. A arborização de Belo Horizonte foi pensada desde sua concepção, mas ao longo de sua história, as constantes mudanças na arborização, sobretudo da Avenida Afonso Pena tem alterado, ora positiva ora negativamente sua paisagem, sua ambiência, comprometendo o conceito de “cidade-jardim” que a capital ostentava. A arborização é um componentes de grande importância na paisagem urbana e sua utilização sem bons critérios causa danos ecológicos de porte considerável ao meio ambiente urbano. Além da função paisagística, proporciona outros benefícios à população como absorção de parte dos raios solares diminuindo a temperatura, melhora da saúde física e mental da população. A vegetação pode ainda, estabilizar o solo, proteger mananciais e rios e renovar a água do subsolo. Por outro lado um bom planejamento da arborização pode mudar esse quadro de desconforto estético e físico, minimizando gastos de manutenção que tanto oneram os cofres públicos, melhorando a qualidade de vida da população, saneando os centros urbanos, garantindo maior taxa de permeabilidade do solo e alterando a relação do usuário com a paisagem. As árvores bem adaptadas às condições de clima e solo, que não conflitam com outros elementos como iluminação pública, redes de energia elétrica e de abastecimento de água, fruto de análise criteriosa da vegetação do local e de seu entorno, apresentam desenvolvimento satisfatório influenciando positivamente na saúde da população e em sua satisfação com a ambiência local. O planejamento e organização do espaço de Belo Horizonte, primeira capital da República a ser projetada, planejada e organizada a partir de um conhecimento técnico, foi norteado pela topografia do sítio e do núcleo urbano existente – Curral del Rei. A arborização foi planejada juntamente com o traçado de ruas e avenidas, destacando-se a da Avenida Afonso Pena – eixo norte-sul da cidade, no canteiro central, nos passeios e nas praças localizadas no cruzamento das avenidas. A preocupação com a arborização e com a paisagem urbana, conferiu à Belo Horizonte o status de Cidade Jardim, dada à exuberância de seus espaços verdes. As fotografias mostram as transformações ocorridas na arborização da Avenida Afonso Pena de 1905 a 2010 e os impactos que estas criaram na população e em sua identificação com o espaço público. 1894 - Alfredo Riancho, escreve no Minas Gerais sob o título de “Por montes e vales” sua percepção ao seguir ruas, travessas e praças, colhendo proveitosos ensinamentos ao acaso. Fazia pinturas registrando os locais por onde passava e escrevia sobre o clima, o solo e a saúde da população. Camarate deixa claras suas impressões sobre a ambiência e a percepção da paisagem local, não só as suas, mas de todos os que com ele estavam, e também as impressões que colhia das conversas com a população. ...”a temperatura é amena, temperada havendo freqüentes virações que, enquanto a civilização não povoar com milhares de habitantes este verdejante jardim, nos chegam embalsamadas dos perfumes resinosos das florestas... Se no Brasil há paisagens que se assemelhem às da Europa, é com certeza em Belo Horizonte, cujo firmamento não é tão atrevidamente azul como Nápoles...Quando contemplamos um ponto de vista desta localidade, recebemos, no seu conjunto, uma impressão de que a vegetação de Belo Horizonte tem verdes mais profundos e limpos...” (REVISTA DO ARQUIVO PÚBLICO MINEIRO, 1985, p.35,36,82). A Arborização se transforma contado a história Como um livro que conta a história de uma cidade, a paisagem urbana espelha as diversas cristalizações da estrutura espacial. Por isso, a paisagem só se limita ao visível no primeiro contato. Depois de desvendada, ela traduz os processos naturais, políticos, econômicos, sociais, culturais e pessoais dos quais a cidade foi cenário. Ao longo das décadas, o vai e vem dos pedestres construiu uma grande diversidade de faces da Afonso Pena. • A arborização da Afonso Pena recebeu um cuidado especial. Ali foram plantadas centenas de mudas de fícus benjamina em toda a sua extensão. Essa espécie, de origem asiática é muito utilizada na arborização urbana no início do século XX em muitas cidades brasileiras, caracteriza-se por raízes fortes, seus troncos espessos, copas enormes e pela altura de até 20 metros. (FREYRE, 1989, p. 76, 77) • Cidade vergel - os escritores decantavam Belo Horizonte com sua paisagem peculiar. Em 1920, João do Rio descrevia a capital como um “miradouro nos céus arborizada como só o paraíso deveria ser”. Em 1922, para comemorar os 100 anos da Independência Brasileira, a Praça 12 de Outubro passou a se chamar Praça Sete de setembro e ganhou o famoso “pirulito”. http://www.dzai.com.br/andregregorio/video/playvideo?tv_vid_id=42990 • Fotografias da Avenida Afonso Pena em 1930. Em 1940 Abílio Barreto elogia sua arborização magnífica. Em entrevistas com 17 belorizontinos nascidos entre 1920 e 1930 todos citam que a cidade dos anos 30, 40 e 50 tinha encantos especiais, mencionando a arborização da Av. Afonso Pena como principal fator de ambiência agradável, local aprazível, bonito, fresco, tranqüilo e acolhedor. “Belo Horizonte era uma beleza, uma cidade inigualável. Passear pela Avenida à sombra dos Fícus... Nunca mais a Avenida foi a mesma” desabafa Duquinha. 1932 - Cine-Teatro Brasil foi construído na esquina da . Avenida Amazonas com a Rua Carijós Fonte: http://www.vmcinebrasil.com.br/cine/imagens/decada30cinebrasil3.jpg http://htmlimg1.scribdassets.com/73aet2 2ps01y54f/images/1231c202357b/000.jpg http://htmlimg3.scribdassets.com/73aet2 2ps01y54f/images/112ec5c2b926/000.jpg Fonte:http://belohorizonte.f otoblog.uol.com.br/images/ photo20060926005901.jpg Fonte:http://belohorizonte.fotoblog.uol.com.br/images/ photo20071127104803.jpg Fonte:http://3.bp.blogspot.com/_q2egPs7AOR8/S7UPAbvCg2I/AAAAAAAAA Go/01aBdCuYoBY/s1600/pracasetedcada40.jpg “Debaixo de cada árvore faço minha cama, em cada ramo penduro meu paletó “. Carlos Drummond de Andrade, ao percorrer a avenida “árvores repetidas”, na década de 40. Avenida Afonso Pena em 1949, onde o grande corredor verde destacava-se até o pé da Serra do Curral e o progresso convivia em harmonia “verde e cinza” com a natureza. 1962- a imagem de um fotógrafo anônimo mostra o povo em torno de um dos troncos do monumento verde. A cidade parou para ver o corte dos fícus da Praça Sete, realizado ainda na administração do prefeito Amintas de Barros. A paisagem é de absoluta ruína. Com toda a sua copa podada até os tocos dos galhos, o tronco mostra a precariedade do tratamento dado à árvore em vida, pois, ao seu redor, vários cartazes de propaganda política haviam sido colados. 1962-O obelisco sai da Praça 7 asconcelos, na Savassi, em 1962. Fonte: Acervo do Jornal Estado de Minas Fonte: http://farm3.static.flickr.com/2107/2169901984_3db314056f_o.jpg Obelisco é retirado da Praça Sete, fica no quintal do Museu Abílio Barreto para ser remontado na Praça Diogo de Vasconcelos, na Savassi, em 1962. 1963- Novembro e Dezembro A cada manhã, uma nova feição Em novembro de 1963, após o movimento do dia e sem qualquer consulta à população, sem anúncio na imprensa, a Prefeitura inicia o corte dos fícus da alameda central da Avenida. O evento dos fícus apareceu como um desalento para muitos. A cada manhã a Avenida Afonso Pena exibia uma feição irreconhecível, pois os cortes sempre eram realizados à noite, já na administração de Jorge Carone. Fícus – a Identidade da cidade • Em nome do progresso e do desenvolvimento da cidade, esta perde o que aparecia como um bem comum, um lugar de memória coletiva (DUARTE,2007). • O verde (os fícus) nesta época, criavam uma ambiência tal que representavam a identidade da cidade. • Funcionavam como o pulmão, órgão vital desse grande organismo urbano. O belorizontino experimentou um calor de 36 graus centígrados à sombra, seguido de um estio interminável, nesses mesmos dias. Segundo Duarte (2007) os reservatórios de água de Minas Gerais atingiram níveis baixíssimos, comprometendo o abastecimento em várias regiões, dentre as quais a cidade de Belo Horizonte. 1964 – Carlos Drummond de Andrade protesta contra o cenário desolador recusando-se a escrever no aniversário da cidade. • “Em meu repertório de imagens queridas, a Avenida Afonso Pena continuará sendo aquela massa de verdura que, do alto, separava a cidade em duas partes e, cá em baixo, era um túnel sem angústia do túnel.(...). Ora, fabricação de ruínas não sugere festas. E como isso de acabar com árvore na capital mineira parece uma constante das administrações, pois não é de hoje que ouço falar na guerra de prefeitos contra o patrimônio vegetal legado pelos que fizeram do Curral Del Rey uma cidade com cara própria e gentil, com jeito pessoal de cidade (um jeito tão chamativo e repousante ao mesmo tempo), eu lhe pergunto: que aniversário vamos comemorar, o da antiga Belo Horizonte, doçura dos olhos, com suas figueiras amáveis, ou da árida pista de trânsito, igual a milhares de outras neste vasto Nordeste que é o Brasil de Norte a Sul? Nenhum.” • A cidade se tornava gradativamente menos verde, continuavam as derrubadas das árvores das ruas para a ampliação das vias. • Os jardins de várias igrejas foram vendidos para a abertura de estabelecimentos comerciais, as atividades mineradoras depauperaram a Serra do Curral, alterando a moldura e a referência do belo horizonte que se podia vislumbrar emoldurando a Afonso Pena. A essa cidade, o poeta se recusaria a retornar, pois, despida de seus túneis verdes e de seus canteiros, transformara-se em um "triste horizonte" (ANDRADE, 1977). • Nas décadas seguintes, a Afonso Pena manteria seu papel de corredor político abrigando as manifestações mais importantes da cidade, mas já não gozava da reputação de corredor verde. • As mudanças ocorridas em sua arborização, nessas décadas alteraram consideravelmente a qualidade de vida do belorizontino e com ela sua identidade. • Como uma “cidade jardim” não poderia permanecer sem os devidos cuidados, pouco a pouco outros projetos urbanísticos foram desenhando um largo canteiro central na Afonso Pena, repleto de quaresmeiras, sibipirunas, paus-ferro, dentre outras. Olhar a Avenida do alto voltou a ser um prazer ao observador. Década de 70 – O “milagre econômico” acelera o crescimento da cidade que perde suas feições provincianas – o colonial convivendo com o moderno numa profusão de cores e “estilos”. • Esse crescimento, sem um planejamento mais aprofundado de suas conseqüências, acaba por deixar a cidade num verdadeiro caos urbano. O número de obras se multiplica, o de veículos também e a administração pública precisa tomar uma providência para restaurar a ordem urbana e não perder o controle desse crescimento. • Mudanças rápidas interferem na percepção que a população tem do espaço urbano, na sua vivência e no seu cotidiano. Como conseqüência observa-se uma visível alteração de valores, de identidade. • Não se pode prever a direção dessas mudanças, mas sabe-se que a população responde prontamente a qualquer inovação no meio urbano, ainda que essas inovações tenham sido geradas pelo progresso e sejam em nome do desenvolvimento de toda uma sociedade. Posteriormente esse abalo é refletido na paisagem. Em 1979 PLAMBEL elabora o Projeto PACE • Projeto da Área Central de Belo Horizonte – PACE visando melhorar o tráfego no centro da cidade e a circulação de pedestres. • Praça Milton Campos depois da reforma do Projeto PACE 1981- Reforma da Praça Rio Branco • 1981- implantado o novo sistema de transporte • Devido às alterações no tráfego do centro da cidade, enorme fluxo de pedestres na região em função das mudanças no sistema viário a Praça Rio Branco, início da Afonso Pena, sofreu uma reforma geral, recebendo pavimento em toda a sua área e um monumento da artista plástica Mary Vieira, chamado Monumento à Liberdade. • 1985 – inaugurado o Metrô de Superfície. 1985 - Lei Ambiental do Município • 1984 – Cresce a economia, grande aumento na área comercial. • A Lei nº 4034/85 adota parâmetros importantes para as áreas livres de uso público de Belo Horizonte. Mas ainda aqui, não se pode precisar qual a parcela de área é destinada aos espaços verdes de uso público. • A Lei Ambiental do Município – Lei nº 4253/85 que define uma política de proteção e da conservação do meio ambiente e da melhoria da qualidade de vida no Município de Belo Horizonte. Através dessa Lei a SMMA passa a fiscalizar, planejar e administrar as posturas ambientais da cidade e a fornecer diretrizes técnicas para os outros órgãos da administração pública, em assuntos pertinentes ao meio ambiente e qualidade de vida. Esse é um marco importante no resgate da identidade da população com o verde, e no berço dessa nova aliança, surge uma nova ambiência. • Os espaços verdes dos canteiros da Afonso Pena recebem proteção, manutenção adequada e agradecem florescendo em todas as épocas do ano. • • • Em 1994, a Prefeitura de Belo Horizonte implanta o Programa Verde Vivo O Programa visa melhorar estética e ambientalmente a cidade. Esse projeto realizou inúmeras intervenções na cidade com relação à arborização de ruas, praças, avenidas e áreas verdes. No ano seguinte já se podiam ver os frutos desse programa, considerado um sucesso. Melhorou a paisagem urbana, esse programa foi importante não só pelas intervenções feitas nas praças, áreas verdes e canteiros centrais, listando o número de árvores e as espécies plantadas como também por documentar essas intervenções. Essa documentação deu à administração pública um controle maior de informações a nível quantitativo e espacial e mostrouse importantíssima para a manutenção do programa. Os espaços livres de uso público da Regional Centro-Sul de Belo Horizonte na conservação e preservação da Paisagem Cultural – PRAÇA SETE - 2000 http://i2.photobucket.com/albums/y37/gutooo/BH/parte8/IMG_04 27.jpg http://i2.photobucket.com/albums/y37/gutooo/BH/parte8/IMG_04 18.jpg http://i2.photobucket.com/albums/y37/gutooo/BH/parte8/IMG_04 40.jpg http://i2.photobucket.com/albums/y37/gutooo/BH/parte8/IMG_04 25.jpg 2008 - Investigando a relação Homem/Paisagem através de entrevistas • Depoimento de um transeunte ao ser entrevistado sobre sua vivência em relação à arborização da Avenida Afonso Pena, em 17 de julho de 2008. ”O paisagismo muda nesse trecho, mas continua mais bonito. Muitas árvores frondosas ao invés das palmeiras lá de baixo, e umas belas plantas roxas. Reparem que também não há nenhum fio ou outdoor atrapalhando a vista, e isso é lindo.” CONCLUSÃO • • • Traçada à régua, Belo Horizonte é uma capital que projeta-se no futuro e traz consigo uma história bastante interessante. A documentação é importante para resgatar e manter a memória da percepção de seus espaços urbanos e a arborização cria uma relação estreita entre o homem e seu meio contando a história de uma época. Nas primeiras décadas do século passado, havia fícus plantados em ambos os lados da via e trilhos pelos quais passavam os bondes. A população, especialmente as pessoas de classes mais altas e famílias tradicionais, se encontrava na avenida durante o footing no final das tardes. A foto da década de 90, mostra que, apesar dos novos hábitos, dos novos tempos e de uma arborização completamente diferente daquela concebida para o Curral Del Rey, a Avenida Afonso Pena ostenta a mesma glória dos anos 50, mais moderna, mais colorida, causando, em quase toda a sua extensão, uma ambiência equilibrada, harmoniosa, no que tange à arborização e a população que interage com ela. Os homens constroem seus ambientes nas práticas cotidianas, políticas, no convívio social e nas decisões que toma ao intervir no meio ambiente. E, ao discutirem sobre arborização de suas ruas, ou sobre os jardins de suas cidades, expõem seus conceitos de sociedade, convivência e ambiência, deixando transparecer seus valores mais arraigados, expressos em ambiências variadas. Muitas vezes a administração pública toma, sozinha, decisões em relação ao meio ambiente urbano e ainda assim a população está construindo sua história através de suas manifestações, de participação ou omissão, e de suas vivências desses espaços. REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS ABBUD, Benedito. Criando paisagens: guia de trabalho em Arquitetura Paisagística. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2006. ANDRADE, C. D. Alguma Poesia. Belo Horizonte: Pindorama, 1930. ANDRADE, C. D. Amigos do Verde. Minas Gerais, Belo Horizonte, 07 maio 1930, p. 8. BARRETO, ABÍLIO. 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