1
1.
INTRODUÇÃO
A vegetação lenhosa da caatinga é até hoje a principal fonte de energia para a
população nordestina. Com a crise mundial do petróleo, a partir de 1974, por decisão
governamental, alguns setores industriais tiveram que buscar fontes alternativas de
energia, concentrando-se na órbita da biomassa. Como resultado, a lenha e o carvão
passaram a ser as fontes mais importantes de energia primária também para a indústria
(BENEVIDES, 2003).
A Caatinga é uma associação de plantas xerófilas, composta por árvores e arbustos
com adaptações anátomo-fisiológicas de proteção para o grande período seco que atinge o
território nordestino e que imprime ao Nordeste o seu caráter peculiar (LUETZELBURG,
1922 – 1923).
A vegetação do Bioma Caatinga encontra-se degradada com a substituição de
espécies nativas por pastagens e cultivos. O desmatamento e as queimadas são ainda
práticas comuns no preparo da terra para a agropecuária, o que, além de destruir a
cobertura vegetal, prejudica a manutenção de populações da fauna silvestre, a qualidade
da água, o equilíbrio do clima e do solo (ANDRADE-LIMA, 1981).
A caatinga vem sofrendo modificações fitofisionômicas e estruturais que estão
relacionadas a processos antrópicos, desde a época da colonização do Brasil,
principalmente no que se refere às práticas da pecuária bovina, agrícolas, bem como ao
aumento da extração de lenha e a caça (ANDRADE et al., 2005).
A utilização dos recursos da caatinga ainda se fundamenta em princípios
puramente extrativistas, sem a perspectiva de um manejo sustentável, observando-se
perdas irrecuperáveis na diversidade florística e faunística, como conseqüência da
simplificação da rede alimentar, redução da resiliência e da estabilidade do ambiente
diante dos fatores do meio (DRUMOND et al., 2000).
A eliminação sistemática da cobertura vegetal e o uso indevido da terra têm
acarretado graves problemas ambientais ao semi-árido nordestino, entre os quais se
destacam: a redução da biodiversidade, a degradação dos solos, o comprometimento dos
sistemas produtivos e a desertificação de extensas áreas na maioria dos estados que
compõem a região (PEREIRA et al., 2001).
2
Grande parte da Paraíba enfrenta sérios problemas de erosão e redução de
fertilidade dos solos, em decorrência dos constantes desmatamentos e da falta de manejo
ambiental, o que, conseqüentemente, causam prejuízos também à vegetação
(MONTEIRO, 1995).
Na região do Seridó, segundo Vasconcelos Sobrinho (1974), a degradação da
cobertura vegetal e do solo havia alcançado a condição de irreversibilidade, sendo
portanto, um dos núcleos de desertificação do Nordeste. Ab'Saber (1977) definiu como
processos parciais de desertificação, todos os fatores suficientes para criar degradações
irreversíveis da paisagem e dos tecidos ecológicos naturais e enfatizou que era no
Nordeste semi-árido que estes fatos eram mais facilmente percebidos.
No Seridó Oriental paraibano, a vegetação predominante é a caatinga arbóreoarbustiva esparsa, com alto grau de degradação (ANDRADE-LIMA, 1981). Nesta região,
a madeira advinda da caatinga é utilizada como principal fonte energética para
abastecimento doméstico e industrial, sendo o corte raso da vegetação prática comum
entre seus habitantes. Segundo Cândido, Barbosa e Silva (2002), a degradação da
vegetação nativa, em função de atividades agrícolas e pastoris, além do corte raso para a
produção de carvão e abastecimento das indústrias de cerâmica e de processamento do
caulim, são fatores que colocam esta área entre aquelas com níveis acentuados de
desertificação.
O município de Tenório encontra-se situado em um núcleo de desertificação, área
piloto 4, de acordo com Vasconcelos Sobrinho (1983). Possui grande riqueza mineral
cuja exploração traz benefícios sócio-econômicos para a população, porém, ocasiona, por
vezes, o empobrecimento do solo através da aceleração do processo de erosão causada
pelo desmoronamento de minas abandonadas e o carreamento de partes desse solo,
criando imensas voçorocas (AURINO; TROVÃO; SILVA, 2004).
Este trabalho busca fazer um diagnóstico da situação atual da diversidade vegetal
no município de Tenório, Seridó Oriental paraibano, uma vez que neste o corte da
vegetação nativa está presente no cotidiano de grande parte dos agricultores e
proprietários de terras da região.
3
2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
2.1.
O Nordeste Brasileiro.
O Nordeste brasileiro abrange uma área de 1.548.672 km², correspondente a 18,3%
do território nacional (IBGE, 2001). É uma das regiões mais carentes e menos
desenvolvidas economicamente do país, enfrentando inúmeros problemas ambientais, dos
quais a seca, ou estiagem prolongada, é o mais difundido (MEDEIROS-FILHO; SOUZA,
1988).
Analisando-se a história geológica do Nordeste, percebe-se que há fatos que
comprovam a originalidade da província Nordestina no que se refere à evolução da flora e
do meio físico. Para Fernandes e Bezerra (1990), os processos de transformações que se
realizaram no médio Terciário (Mioceno) e que continuaram no Quaternário, atingiram o
embasamento cristalino e deram molde ao pediplano sertanejo nordestino, onde se instalou
posteriormente uma flora xerófila, que compôs a vegetação tropofítica do Nordeste.
Segundo Paiva e Campos (1995), as condições de semi-aridez do Nordeste do Brasil vêm
se intensificando a partir do Pleistoceno e sendo agravadas com a ocorrência de periódicas
secas, que resultam da baixa pluviosidade na época normalmente chuvosa.
Para Rodal (1992), a deficiência hídrica origina-se da baixa pluviosidade, má
distribuição das chuvas ao longo do ano, da elevada taxa de evapotranspiração potencial,
que em geral ultrapassa os 2.000mm anuais, e da baixa capacidade de retenção de água dos
solos. Segundo esta autora, as chuvas são irregulares no tempo e no espaço, normalmente
concentradas em três a quatro meses do ano, com índices pluviométricos que se reduzem a
valores de até 300 mm/ano.
De acordo com Medeiros-Filho e Souza (1988), o Nordeste foi marcado ao longo de
sua história por monoculturas (principalmente cana-de-açúcar e algodão), pecuária
extensiva, invasões, cangaço e migrações. O clima quente e seco propiciou, ao longo do
tempo, uma forma de manejo da terra e de seus recursos muito degradante, porém a única
disponível para grande parte da população rural, que sofria as conseqüências da estiagem.
4
O sertanejo desenvolveu técnicas de manejo e conservação baseadas no seu
conhecimento e percepção da caatinga, sendo as ações impactantes no ambiente decorrentes
da necessidade imediata de sobrevivência (BISPO, 1998).
A economia da Região Nordeste vem crescendo, ao longo das quatro últimas
décadas, num ritmo bem superior à média nacional, impulsionada pelos incentivos
governamentais e pelas vantagens decorrentes do estágio embrionário de desenvolvimento
local, como escassa competição e mão-de-obra abundante e barata (embora inicialmente
pouco qualificada). Entretanto, a população local, muitas vezes, fica à margem do
desenvolvimento regional como mera espectadora (GALVÃO, 2005).
Segundo Bispo (1998), é preocupante a forma como são discutidos os problemas
regionais. A desertificação que avança no semi-árido e o desmatamento de áreas cada vez
maiores de vegetação nativa são questões totalmente interligadas.
2.2.
O Semi-árido Brasileiro
O semi-árido brasileiro tem, segundo o IMSEAR (2002), cerca de 975.000 km2,
correspondendo a cerca de 11,5% do território nacional, incluindo oito estados do Nordeste
e dois do Sudeste. É uma terra marcada pela irregularidade das chuvas, determinando
longos períodos de secas, com forte deficiência hídrica e graves conseqüências sociais para
seus habitantes, que apresentam elevada dependência dos recursos naturais e os piores
indicadores sociais do país (FERREIRA, 1994).
De acordo com Mendes (1992), o semi-árido brasileiro é conhecido como polígono
das secas em virtude de seu formato poligonal e das secas que atingem a região. Considerase uma região como semi-árida no Brasil quando a precipitação é inferior a 800 mm anuais,
há a ocorrência de secas, a vegetação é a caatinga, os solos são pobres em matéria orgânica
com muitos sais e os rios são temporários (MENDES, 1997).
As condições ecológicas típicas do semi-árido brasileiro estão representadas nas
depressões interplanálticas, onde predomina a caatinga, e que contrastam com áreas das
Chapadas, onde predominam o cerrado, campos rupestres e diferentes tipos de florestas
(GALVÃO, 2005). De acordo com a ASABRASIL (www.asabrasil.org.br), não há para o
5
semi-árido políticas públicas eficientes que tratem da questão das secas periódicas de
maneira permanente, com a participação efetiva dos atores que vivenciam sua realidade. De
modo geral, o semi-árido tem sido encarado como um conjunto de problemas ambientais,
sociais e desafios científicos, tecnológicos e de desenvolvimento (VERSENTINI, 2000).
Segundo Barbosa (1998), dois dos maiores problemas associados ao semi-árido são
o elevado grau de degradação ambiental e o baixo conhecimento quantitativo e qualitativo
de sua biodiversidade. Esta é uma das regiões menos conhecidas da América do Sul, no
que diz respeito à sua biodiversidade (MMA 1998, SILVA; TABARELLI, 2000). Não
obstante, o Bioma Caatinga é um dos mais ameaçados, devido ao uso inadequado e
insustentável dos seus solos e recursos naturais, e por ter somente uma pequena área
(menos de 1%) protegida em unidades de conservação (ROCHA et al., 2006). Esta
degradação provavelmente se explica pelo fato de vinte e cinco milhões de pessoas,
aproximadamente 15% da população brasileira, viverem na caatinga (MITTEIRMEIER et
al., 2002).
Segundo Barbosa (2001), várias causas podem ser apontadas para esta situação,
desde modelos inadequados às condições físicas e culturais até o distanciamento entre o
conhecimento gerado no meio acadêmico e as populações locais. Para a ASABRASIL o
semi-árido apresenta uma das biotas mais particulares do mundo, em composição e
adaptações às condições do meio, representando um recurso vital para as populações
locais (www.asabrasil.org.br). Mas, a desertificação nas regiões semi-áridas avança, na
medida em que crescem os índices de alteração da vegetação nativa e a degradação dos
recursos naturais (BRASIL, 1991).
Para Queiroz (2006), o semi-árido apresenta a mais diversa das paisagens
brasileiras, tanto em relação a geomorfologia quanto aos tipos de vegetação. Esta
diversidade ambiental se reflete na biodiversidade, na taxonomia complicada dos grupos e
em padrões biogeográficos complexos. Queiroz (2006) ressaltou ainda, a enorme
dificuldade de estudar grandes e diversas áreas na região e, assim, propor planos de
conservação para as mesmas.
Rapini et al. (2006), afirmaram que conhecer a biodiversidade do semi-árido e os
processos físico-químicos e biológicos que afetam sua biota é o primeiro passo para que
seus recursos possam ser aproveitados de maneira sustentável, reduzindo a degradação
ambiental e melhorando a qualidade de vida de seus habitantes.
6
2.3.
A Vegetação no Semi-árido Brasileiro
De acordo com Araújo et al. (2005), existem dois tipos de fisionomias de
vegetação que dominam a área semi-árida brasileira: as florestas — que variam de semidecíduas a decíduas, e as fisionomias não florestais, que são representadas pela caatinga.
A caatinga ocupa a maior parte do semi-árido nordestino e caracteriza-se por
apresentar árvores de porte relativamente baixo (geralmente até 5 m de altura), sem
formar um dossel contínuo, troncos de árvores e arbustos finos, freqüentemente armados,
com folhagem decídua na estação seca. Cactos e bromélias terrestres são, também,
elementos importantes da sua paisagem. O estrato herbáceo é efêmero e constituído
principalmente por terófitas e geófitas que aparecem apenas na curta estação chuvosa
(QUEIROZ, 2006).
Para Egler (1951), dos grandes tipos de vegetação do Brasil, a caatinga sem
dúvida, é o mais heterogêneo, englobando um grande número de formações e associações
vegetais fisionômica e floristicamente distintas. Reconhecida a variedade de termos locais
a ela aplicados, diversos autores passaram a citá-la no plural; caatingas, devido à
multiplicidade de fisionomias apresentadas (LUETZELBURG, 1922-23; HUECK, 1972;
GOMES, 1979; ANDRADE-LIMA, 1981; SOUZA, 1983).
A caatinga que caracteriza o Nordeste brasileiro é definida por Duque (1980),
como um conjunto de galhos e arbustos baixos e retorcidos, de aspecto seco, com folhas
pequenas e caducas no período seco, para proteger a planta da desidratação pelo calor e
pelo vento. Ou ainda, segundo Luetzelburg (1922 – 1923), é uma associação de plantas
lenhosas de pouca altura, que se contentam com todo e qualquer solo. Kuhlman (1977) e
Andrade-Lima (1981), já percebiam que a caatinga não era homogênea e o primeiro a
considerava o ecossistema mais heterogêneo do Brasil.
Ferri (1980), citou como formações de caatinga: agreste, carrasco, cariri, sertão e
seridó. Estas diferem entre si na fisionomia e composição florística. Segundo AndradeLima (1981), são reconhecidos 12 tipos diferentes de Caatingas, que resultam da interação
vegetação-clima-solo.
Silva et al. (1993) dividiram o Nordeste em unidades agroecológicas, sendo a
caatinga dividida em hiperxerófila e hipoxerófila, o que não permite um detalhamento
7
maior dos possíveis tipos de caatinga propostos por Andrade-Lima. Entretanto, a divisão
em unidades de paisagens (20) e suas 172 unidades geoambientais, possibilitou um
conhecimento mais amplo da quantificação de áreas ocupadas por caatinga e suas áreas de
preservação.
Segundo Rodal e Sampaio (2002), são 935.000 Km² de área de caatinga, sendo
297.000 catinga hiperxerófila, 237.000 caatinga hipoxerófila, 169.000 caatinga mesclada
com florestas subperenifólias, subcaducifólias ou caducifólias, 110.000 mescladas com
cerrado, 101.000 caatinga mais floresta e carrasco e 22.000 caatinga e campos de altitude.
Rizzini (1997) afirmou que a caatinga está bem delimitada do ponto de vista
biogeográfico, mas distante de ser homogênea do ponto de vista fisionômico. Segundo
Prance (1987), quanto à fisionomia, a caatinga é similar às regiões áridas da América
Central e do norte colombiano e venezuelano. De acordo com Mendes (1997), sua
vegetação caracteriza-se por apresentar alta resistência à seca devido ao desenvolvimento
de diferentes mecanismos anátomo-fisiológicos, destacando-se dentre estes os xilopódios
ou tubérculos, caules suculentos clorofilados, folhas modificadas em espinho, caducifolia,
mecanismos especiais de abertura e fechamento dos estômatos, processo fotossintético de
absorção do CO2 durante a noite, sementes dormentes e ciclo vital curto, entre outros.
Apesar de descrita como pobre em endemismos, considerando somente as plantas
lenhosas e suculentas, existem 18 gêneros e 318 espécies endêmicas à caatinga, cerca de
34% das espécies conhecidas para a região (GIULIETTI et al., 2004). De acordo com
Leal et al. (2005), são valores muito altos se comparados a trabalhos já realizados para
outros biomas. Tabarelli e Vicente (2004) ressaltaram que o número de espécies lenhosas
relacionadas para o bioma deve ser ainda maior, visto que 40% da região nunca foi sequer
investigada.
De acordo com Rodal e Sampaio (2002), a vegetação do bioma caatinga por sua
heterogeneidade é identificada pelo conjunto de características e fatores ambientais que
afetam as plantas, de modo que suas áreas de ocorrência se sobrepõem razoavelmente.
Segundo esses autores, existem três caracteres básicos que são comuns nas definições e
delimitações da caatinga: 1) é a vegetação que cobre uma área mais ou menos contínua de
clima semi-árido que se localiza no Nordeste ou porção norte de Minas Gerais; 2) as
plantas apresentam adaptações anatomo-fisiológicas a deficiência hídrica, predominando
arbustos e arvoretas de copas descontínuas; 3) algumas espécies são endêmicas do semi-
8
árido e outras também ocorrem em outras áreas secas, mas não são encontradas em
formações mais úmidas que fazem limite com o semi-árido.
Na busca de conservar e entender melhor a biodiversidade da caatinga, foram
propostas 8 ecorregiões naturais para o Bioma, combinando dados bióticos e abióticos
(VELOSO et al., 2002).
Das 8 ecorregiões propostas, as Depressões Sertanejas
Meridional e Setentrional representam a área core da caatinga. Segundo os autores, as
Depressões Sertanejas são as ecorregiões mais típicas da caatinga e, juntas, somariam 293
espécies, sendo 148 para Setentrional e 145 para a Meridional. Segundo eles, estes
números indicam uma similaridade relativa, pois são áreas semelhantes climática e
pedologicamente, porém muito amplas e com uma diversidade de condições particulares.
Segundo Fernandes (2003), a separação entre elas se dá mais precisamente pela
delimitação do Rio São Francisco e não por barreiras geográficas como séries de serras.
Segundo Carvalho e Júnior (2005), a província da Borborema é uma área típica deste
bioma, com quatro grandes paisagens: Depressão Sertaneja Setentrional (21% da área da
caatinga), Depressão Sertaneja Meridional (44% do bioma), Paisagem de relevos residuais
(0,5%) e Maciços e serras baixas (4%).
Araújo et al. (2005) compararam 117 levantamentos florísticos e fitossociológicos
em diversas fisionomias de caatinga em quase todos os estados do Nordeste, e apontaram,
de forma inequívoca, sua heterogeneidade florística, mostrando, entretanto, que sua flora,
no sentido restrito, é bem diferente das demais formações vegetais do semi-árido
brasileiro. Ressaltaram que há uma compreensão melhor da caatinga em escala local,
porém, com grandes lacunas no conhecimento em macro-escala.
Zanetti (1994), considerou que alterações na caatinga tiveram início com o
processo de colonização do Brasil, inicialmente como conseqüência da pecuária bovina,
associada a práticas agrícolas rudimentares. Ao longo do tempo, outras formas de uso da
terra foram sendo adotadas, promovendo a diversificação da agropecuária e o aumento da
extração de lenha para produção de carvão.
A maior parte da cobertura vegetal está em processo de recuperação depois de um
corte raso prévio, ou sofre pelos efeitos da pecuária (SAMPAIO, 1996). Casteletti et al.
(2004), mostraram que os remanescentes da caatinga não se constituem um único e grande
bloco, mas estão distribuídos em muitos fragmentos de diferentes tamanhos.
9
Para Almeida et al. (2005), a caatinga sofre de grande pressão devido ao
desmatamento que, somado ao uso irracional da terra, vem causando a erosão dos solos.
Na visão dos autores isto dificulta a sustentabilidade dos recursos vegetais, piorando a
pobreza da região sob o ponto de vista da conservação de biodiversidade. Para Sampaio et
al. (1996), com relação à utilização das áreas trabalhadas, geralmente não se pode fazer
nenhuma separação clara dos efeitos antrópicos e naturais.
Para Tabarelli e Vicente (2002), é preciso ampliar rapidamente o conhecimento
sobre os organismos e comunidades, além de sua distribuição nos ambientes de caatinga,
já que este é o terceiro bioma brasileiro mais alterado pelo homem e o menos conhecido
da América do Sul. Segundo os autores, faz-se necessário ampliar a amostragem dos
trabalhos realizados, tendo em vista que a baixa riqueza de espécies alegada para o bioma,
muitas vezes, pode significar amostragem insuficiente. Ainda segundo esses autores, o
nível de informação sobre a organização e formas de ocorrência de plantas lenhosas da
caatinga é reduzido ou até inexistente para 80% do Bioma. Assim, informações sobre
riqueza, endemismo, distribuição geográfica e ecológica de plantas lenhosas da caatinga
existem apenas de forma preliminar (SAMPAIO; GAMARRA-ROJAS, 2003).
De acordo com Leal et al. (2005), as principais ameaças à conservação da catinga
devem-se: 1) a 15% da população do Brasil viver na caatinga, sendo esta uma população
rural extremamente pobre e que pratica atividades como corte de madeira para lenha, e
contínuos desmatamentos para criação de pastagens para bovinos e caprinos,
intensificando a desertificação; 2) ao assoreamento dos rios; e 3) à utilização de técnicas
de irrigação que aceleram ainda mais o desgaste do solo e a desertificação.
O bioma apresenta 47 unidades de conservação, sendo apenas 11 delas de proteção
integral (menos de 1%). É o menor número e a menor extensão — 4.956 Km² - protegida
dentre todos os biomas do Brasil (VELOSO et al., 2002).
Por ser insuficientemente conhecida, a caatinga permanece atualmente ainda fora
do cenário nacional e internacional, em termos de prioridade de conservação da
diversidade biológica. Para ampliar o conhecimento científico, é uma condição essencial o
estabelecimento de políticas públicas de conservação do bioma (TABARELLI;
VICENTE, 2002).
10
2.4.
A Dimensão Sócio-ambiental da Caatinga
Segundo Versentini (2000), a região semi-árida brasileira possui características
próprias, com peculiaridades há muito tempo conhecidas, sendo a seca um problema
natural que deve ser enfrentado de modo a buscar maneiras de convivência adaptadas às
suas características. Para esta porção significativa do território nacional, mostra-se a
carência, de alguns séculos, de políticas públicas eficientes e que tratem da questão das
secas periódicas de maneira permanente, com a participação efetiva das pessoas que
vivenciam sua realidade.
De acordo com Sato e Santos (2003), dentro das perspectivas biorregionais, é
necessário resgatar as histórias locais que determinam a cultura da comunidade. Seus
mitos, valores e diversidade em rostos transformados pelo suor do trabalho diário, que são
próprios de cada comunidade de intervenção.
Segundo Andrade (1986), os processos de ocupação do Nordeste não ocorreram de
forma passiva, pois os vários grupos indígenas que dominavam as caatingas do Sertão
revoltaram-se contra a penetração do homem branco que trazia escravos, gado e agregados,
tomando e se instalando nas ribeiras mais férteis e afugentando os índios para áreas mais
secas. De acordo com este autor, a revolta denominada Guerra dos Bárbaros durou mais de
trinta anos e resultou na ocupação, pela pecuária, dos estados do Ceará, Rio Grande do
Norte e quase toda a Paraíba. Este processo, originou uma população que sem comunicação
com os centros urbanos retirava do próprio meio o máximo para atender suas necessidades.
A ocupação territorial da Paraíba teve início pelo litoral com a implantação da
cultura da cana-de-acúcar que forçou a ocupação do interior pela pecuária e agricultura de
alimentos (BARBOSA, 2001). Para Andrade (1986), esta ocupação deu-se especialmente
pela pecuária que crescia para conquistar novas terras, na medida em que a população
aumentava e as terras férteis eram utilizadas para a agricultura.
O sertão paraibano foi povoado a partir da segunda metade do século XVII, quando
grupos populacionais seguiram as margens de alguns rios, saindo de três pontos diferentes
nas chamadas ribeiras, citadas por Joffily (1977). A entrada que atingiu o Planalto da
Borborema partiu do litoral margeando o rio Paraíba e atingiu as terras habitadas por
índios cariris, sendo a região conhecida desde então, por Cariris Velhos. Iniciou-se ali o
11
primeiro núcleo de povoamento — o Arraial de Boqueirão — a partir de uma aldeia de
cariris (PARAÍBA, 1999).
Existem, na região Nordeste do Brasil, cerca de 181.000 km² de áreas com
processos considerados graves e muito graves de degradação e o controle da
desertificação que atinge o semi-árido, além da concretização das políticas de
desenvolvimento sustentável para uma melhor qualidade de vida da população, são
necessidades dessa região (PERNAMBUCO, 2003).
Segundo o Relatório do Brasil para a conferência das Nações Unidas sobre Meio
ambiente e Desenvolvimento (1991), vive no Nordeste brasileiro cerca de um terço da
população do país. Isto corresponde a cerca de 51 milhões de habitantes (IBGE, 2006a).
Para Ab’ Saber (1985), o semi-árido brasileiro é uma das regiões semi-áridas mais
populosas entre todas as terras secas tropicais.
A biodiversidade da caatinga é um dos importantes recursos disponíveis para a
população regional, da qual se obtém vários produtos: alimentos, medicamentos, energia e
matéria-prima para diversos fins (MENDES, 1997).
De acordo com Drew (1986), como o alimento é uma necessidade básica do homem,
as suas fontes diretas, as plantas e os animais foram submetidos a maior grau de controle
humano do que qualquer outro aspecto do ambiente natural. Segundo este autor, as
alterações mais profundas na vegetação são aquelas que envolvem a agricultura intensiva e
a pecuária que degradam grandes áreas e reduzem a diversidade das espécies e a biomassa,
encaminhando a vegetação para um tipo árido. Mudanças irreversíveis, segundo o mesmo
autor, ocorrem quando o solo também é alterado, seja pela própria erosão ou,
principalmente, pela entrada de energia externa como fertilizantes artificiais, praguicidas,
herbicidas ou irrigação e, até, por compactação deste por pisoteio intenso de herbívoros na
pecuária.
Uma visão poética, mas dramática da caatinga, é retratada por Euclides da Cunha
em os Sertões, quando diz:
a caatinga afoga; abrevia-lhe o olhar; agride-o e estonteia-o; enlaça-o na
trama espinescente e não o atrai, repulsa – o com as folhas urticantes,
com espinhos e com gravetos estalados em lanças e desdobra-se-lhe na
frente em léguas e léguas, imutável no aspecto desolado: árvores sem
folhas, de galhos estorcidos e secos, revoltos, entrecruzados, apontando
12
rijamente no espaço ou estirando-se flexuosos pelo solo, lembrando um
bracejar imenso, de tortura, da flora agonizante....(CUNHA,2002, p. 35).
Segundo Sato (1997), a mídia tem contribuído para a formação de (pré)conceitos
sobre as questões relativas ao ambiente, ou por falta de informações adequadas, ou por
parecem ser provocadas para prejudicar a imagem dos valores ambientais.
De acordo com Mendes (1997), a caatinga guarda um grande número de plantas e
animais que vêm sendo utilizados pelo homem desde antes da colonização. A população
do semi-árido utiliza muitas plantas nativas produtoras de óleo, cera, borracha, resina,
forragem, madeira, tanino, fármacos, cosméticos, perfumes, fibras e frutos. Para esse
autor, destacam-se a cera e o chapéu de palha da carnaúba (Copernicia prunifera), o óleo
de oiticica (Licania rigida), a borracha de maniçoba (Manihot glaziovvi), a fibra de
algodão mocó (Gossypium hirsutum – var. Marié Galante), a fibra caroá (Neoglasiovia
variegata), a castanha de caju (Anacardium occidentali) e o fruto do umbuzeiro (Spondias
tuberosa) que recebeu o codinome de “árvore sagrada do sertão” por Euclides da Cunha.
Dentre as frutíferas nativas da caatinga, destacam-se o umbuzeiro, cajueiro, quixabeira,
mandacaru, joazeiro, uvaia, trapiá, marizeiro, ameixeira e pitombeira. Dentre as
forrageiras arbustivas e arbóreas destacam-se a canafístula, joazeiro, mororó, jucazeiro,
catingueira, sabiá, jurema-preta, jurema-branca, catanduva e turco, que são utilizadas
como o único pasto disponível para gado, na época da estiagem (MENDES, 1997).
Existem diversas plantas da caatinga que são usadas com fins medicinais: a
faveleira, a jurema-preta, a aroeira, o angico, a baraúna, o marmeleiro, o mofumbo, a
catingueira, a umburana, o joazeiro, o mororó e o pereiro, são algumas utilizadas para
inflamações simples, cicatrização de ferimentos e contusões e, até, para o tratamento de
doenças como tuberculose, infecções pulmonares, intestinais e diabetes (PEREIRA,
2005).
Segundo Barbosa (2001), da vegetação da caatinga retira-se madeira para lenha,
produção de carvão, estacas, mourões, tanino, forragem e outros recursos. Esta retirada,
para a autora, é preocupante, já que não é realizada apenas para abastecimento e
subsistência. A constante pressão sobre a caatinga, inclusive com sua retirada para
implantação de outras atividades produtivas, gera a necessidade de elaboração de
planejamento para o uso racional da vegetação, o que se consolidou com a adoção do
13
Plano Nacional de Manejo Florestal Sustentado da Caatinga (IBAMA, Instrução
Normativa nº 1, de 06 de Outubro de 1998).
Segundo Silva et al. (1998) e Soares et al. (1999), a dependência da população e de
alguns setores da economia nordestina - como pólos cerâmicos e indústrias de cal – da
lenha como fonte de energia corresponde a um valor entre 30% e 50% da energia
primária. A lenha e o carvão vegetal representam 60% de toda a energia utilizada para
cozinhar alimentos no Nordeste (TEXEIRA, 2002).
2.5.
A Caatinga na Paraíba e no Seridó Paraibano
A área de domínio da caatinga corresponde a cerca de 80% do território paraibano,
distribuindo-se, porém, de maneira diferenciada em relação à fisionomia e à flora
(BARBOSA et al, 2003). Todavia, a cobertura vegetal remanescente é pouco mais de 30%
da vegetação original (PNUD/FAO/IBAMA/PARAIBA,1994; CAMPANILI 2001,
MARTINS et al. 2004).
A Paraíba, de acordo com Candido, Barbosa e Silva (2002), é o estado brasileiro
que possui o maior percentual de áreas com nível muito grave de desertificação,
correspondendo a cerca de 70% do território paraibano.
Estudos sistemáticos sobre a flora da caatinga na Paraíba iniciaram–se na década
de 90 com o trabalho de Moura e Barbosa, que registrou 56 famílias e 271 espécies para a
caatinga paraibana (BARBOSA et al., 2003). No entanto, os primeiros estudos
fitossociológicos na Paraíba ocorreram na década de 70, com Tavares et al. (1975) e
Hayaishi e Numata (1976). Sampaio et al. (1996), apesar de considerarem que nenhum
parâmetro fitossociológico isolado forma uma idéia ecológica clara das comunidades e
populações vegetais, ressaltam que, em conjunto, estes são uma importante ferramenta
para caracterizar o desenvolvimento das comunidades e suas populações.
O Seridó localiza-se na Depressão Sertaneja Setentrional, sendo semelhante ao
resto da Depressão quanto ao relevo subondulado com elevações residuais. A Depressão
Sertaneja Setentrional, segundo Sampaio e Gamarra-Rojas (2003), é ocupada por caatinga
típica do cristalino, evidenciando aspectos particulares na zona empobrecida do Seridó.
14
Os solos da região são bem característicos, geralmente pedregosos, tendendo a ser mais
rasos, com alta fertilidade natural e grande potencial mineral. Predominam os brunos não
cálcicos, ocorrendo também planossolos e solos podzólicos e litólicos. A altitude pode
variar de 100 a 400m, com elevações chegando a 700m (VELOSO et al., 2002).
A Depressão Sertaneja Setentrional é a mais ameaçada em termos de conservação
das espécies, principalmente por causa da antropização e do número reduzido de unidades
de conservação (VELOSO et al., 2002).
Segundo Duque (1964), a Região Natural do Seridó do Nordeste cobre uma
superfície de 33.669, 250 km², distribuídos entre os Estados do Ceará, Paraíba e Rio
Grande do Norte. O Seridó Paraibano, é integrado por duas Microrregiões Geográficas:
Seridó Ocidental e Seridó Oriental, abrangendo uma superfície territorial de 4.347,155
km², integrada por 15 municípios e possuindo uma população de 108.055 habitantes
(IBGE, 2006a).
De acordo com Leite et al. (2000), o Seridó paraibano partilha características
peculiares com o Seridó do Rio Grande do Norte, porque seus processos de evolução
histórica estão muito próximos, o que não ocorreu com o Seridó cearense, cujas
semelhanças restringiram-se aos aspectos físicos, notabilizadas por inselbergs, como o da
Pedra da “Galinha-Choca”, no município de Quixadá, Ceará.
De acordo com Luetzelburg (1922 – 1923), não é possível precisar de onde deriva
a denominação “Seridó”, porém afirma que é originária dos nativos da Paraíba, onde as
denominações terminadas com “ó” são comuns. A origem indígena da palavra também é
sugerida por Puntoni (1998), em estudo sobre a chamada “guerra de Açu ou dos
bárbaros”, revolta de índios tapuias, na sua grande maioria pertencentes à nação dos
janduís, que travaram grandes lutas nas áreas às margens do rio Açu e da ribeira chamada
Seridó.
A região seridoense se caracteriza pela vegetação baixa, de cactos
espinhentos e agressivos, agarrados ao solo, de arbustos espaçados, com
capins de permeio e manchas desnudas, em terra procedente do Arqueano,
muito erodida e áspera; os seixos rolados existem por toda a parte e as
massas de granito redondo sobressaem, aqui e ali, demonstrando como a
erosão lenta, através dos séculos, deixa vestígios ciclópicos.” (DUQUE,
1964, p. 61)
15
A caatinga do Seridó está classificada na unidade IV proposta por Andrade-Lima
(1981), com quatro associações de porte baixo, baixa densidade e pobre em espécies
arbustivo-arbóreas. É uma vegetação baixa e esparsa com graves riscos de erosão e
desertificação reforçadas pela retirada de lenha (RODAL; SAMPAIO, 2002). Segundo
Barbosa et al. (2003), atualmente, no Seridó, a caatinga constitui-se praticamente de um
estrato herbáceo com árvores isoladas e cactáceas em touceiras esparsas.
Nos tempos atuais, a caatinga arbórea é rara, esparsa e fragmentada (PRADO,
2003). Interferências antrópicas têm favorecido a expansão do estrato arbustivo em
detrimento do arbóreo, que diminui gradualmente. A redução da cobertura vegetal é uma
realidade que também tem sido constatada pelos pesquisadores em outras áreas do bioma
caatinga (RODAL; ARAÚJO; BARBOSA, 2005).
No Seridó paraibano, atividades que degradam a vegetação nativa, como a
agricultura, pecuária, indústrias cerâmicas, caieiras, além do corte raso para produção de
lenha e carvão, são fatores que colocaram a área entre aquelas com nível de desertificação
muito grave.
Grande parte dos municípios do Seridó sobrevive da mineração, atividade esta que
está intimamente ligada ao corte da vegetação nativa, que fornece matéria prima para
aquecimento dos fornos das indústrias de cal. Nos municípios de Junco do Seridó e
Tenório, a extração e decantação de caulim são atividades econômicas importantes, que
requerem um grande potencial energético retirado da caatinga (CANDIDO; BARBOSA;
SILVA , 2002).
16
3. METODOLOGIA
3.1 Caracterização Geral da Área de Estudo
O município de Tenório está localizado na Mesorregião da Borborema,
Microrregião do Seridó Oriental Paraibano (Figura 1), a cerca de 228 Km da capital João
Pessoa, a 6º56’44’’ de latitude Sul e 36º38’11’’ de longitude Oeste. Possui área territorial
de 105,27 Km², limitando-se ao norte com Equador/RN, ao sul com Juazeirinho/PB, a oeste
com Junco do Seridó/PB e Assunção/PB e a leste novamente com Juazeirinho. O
município, considerado uma das regiões mais secas de todo o Nordeste do Brasil, possui
aproximadamente 3000 habitantes (IBGE, 2006a).
Figura 1: Localização do Estado da Paraíba com destaque para a Microrregião do Seridó
Oriental Paraibano.
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Imagem:Paraiba_Micro_SeridoOrientalParaibano.svg
O acesso ao município de Tenório, a partir de João Pessoa, é feito através da
rodovia federal BR-230, no sentido leste-oeste, até Juazeirinho. A partir de Juazeirinho,
17
através de rodovia de terra, em trecho de 15km, chega-se à sede-comarca do município
(Figura 2).
Figura 2: Mapa cartográfico de Tenório /PB.
Fonte: Adaptado de IBGE (2006)
O clima local é do tipo semi-árido quente com chuvas de verão (BSh),
apresentando um bioclima do tipo 2b, com 9 a 11 meses secos, denominado de
subdesértico quente de tendência tropical. A precipitação pluviométrica oscila entre 400 e
600 mm/ano, com 2800 horas de insolação, temperatura média anual de 27 ºC e
18
nebulosidade de 5 a 6/10 de céu encoberto. O tipo de solo predominante é o Nitossolo e
Litossolo. Do ponto de vista geológico, é formado de estrutura do tipo cristalino da era
Proterozóica com unidade geomorfológica denominada de Superfície da Borborema, com
altitude variando entre 400 e 600 m (ATLAS GEOGRÁFICO DA PARAÍBA, 1985).
As maiores altitudes ocorrem na porção oeste do município, como na serra de
Teresópolis, onde a declividade é de média a elevada. Predomina o relevo com
declividade média a baixa cujas cotas apresentam valores mínimos de 490 metros e
aparecem no extremo norte, na confluência do rio Barraco com o limite do município
(MASCARENHAS et al., 2005).
A vegetação no município é a caatinga bastante heterogênea que, de acordo com
Rizzini (1979), caracteriza-se pela presença de árvores, arvoretas e arbustos decíduos,
freqüentemente armados de espinhos, e pela presença de cactáceas e bromeliáceas.
A lenha oriunda da vegetação é utilizada diretamente para o abastecimento
doméstico e para a produção de carvão, além de ser comercializada.
O município possui grande riqueza mineral. A exploração de rochas graníticas,
quartzitos, caulim, etc., gera emprego para a população e renda para o município (IBGE,
2006b).
O setor primário da economia de Tenório sofre inúmeras dificuldades decorrentes
de seu clima semi-árido. A agricultura e a pecuária são atividades de subsistência,
desenvolvendo-se ainda por meio de técnicas ultrapassadas e instrumentos rudimentares
de trabalho.
3.2.
Seleção e Caracterização dos Remanescentes
Realizou-se, numa primeira fase, o reconhecimento do local e entrevistas informais
com os moradores, a fim de escolher as áreas com melhores níveis de conservação e
idades de corte almejadas pelo trabalho.
Foram escolhidas cinco áreas – quatro no Sítio Várzea do Cariri e uma no Sítio
Bandarra - selecionadas pelo tempo em que ocorreu o corte raso da vegetação nativa e o
nível de conservação. Foram selecionadas duas áreas que não sofreram corte raso, uma em
19
cada sítio, consideradas as mais conservadas. Outras três áreas, todas estas no Sitio Várzea
do Cariri, cortadas há 2, 10 e 20 anos respectivamente, foram também escolhidas.
3.2.1. Sítio Várzea do Cariri
O Sítio Várzea do Cariri, situado no município de Tenório, localiza-se a
06º58´15,5’’ S e 36º38´21,1” W, com altitude média de 625 m.
De acordo com depoimentos de moradores, proprietários de terras e de
informações, não publicadas, da Secretaria de Administração do município, a antiga área
chamada Várzea do Cariri tinha cerca de 600 hectares. Com o passar do tempo, esta foi
ganhando outros nomes, de acordo com a mudança de proprietários. Hoje tem
aproximadamente 150 hectares, distribuídos entre quatro proprietários que utilizam os
recursos da área de maneiras semelhantes.
O sítio Várzea do Cariri, foco do atual trabalho, tem cerca de 75 hectares e um
histórico de uso que data do final do século XIX, quando a família de José Francisco dos
Santos e dona Teodora instalou-se na região. O uso da área foi, desde então, para
agricultura, pecuária e mineração.
O cultivo do milho, feijão, mandioca e palma é ainda hoje realizado. Até a década
de 80, a produção de farinha de mandioca era muito intensa, mas hoje é uma atividade não
mais praticada, sendo a produção de mandioca repassada para outras instalações de
beneficiamento, chamadas popularmente de “casa de farinha”.
A pecuária foi e ainda é realizada de maneira extensiva, com os bovinos soltos na
propriedade, utilizando-se do potencial forrageiro, no período mais úmido de maneira
intensa e, no período seco, confinados em currais. Os caprinos geralmente permanecem
soltos, seja no período chuvoso ou seco.
O extrativismo mineral atualmente é pouco praticado, porém observa-se a presença
de grandes crateras deixadas por minas abandonadas que favorecem a erosão em
determinados pontos da área. Há, também, uma pequena usina de beneficiamento de
caulim, que utiliza muito mais o trabalho artesanal do que o de máquinas e, em seus
fornos, usa lenha da vegetação nativa.
20
A área de estudo apresenta um mosaico de vegetação de caatinga em diferentes
estádios de regeneração, intercalada com plantios agrícolas, com algumas poucas áreas
remanescentes, consideradas conservadas por não terem sofrido corte raso de sua
cobertura vegetal. Em alguns locais é praticado corte seletivo de lenha e outros estão em
pousio — tempo de repouso após o corte raso (brocagem).
A seleção das áreas para este estudo teve como critérios o tempo de pousio e o grau
de conservação, no caso do remanescente selecionado por não ter sofrido corte raso.
3.2.2. Sítio Bandarra
O sítio Bandarra localiza-se a 07°02’03” S e 37º38’30” W, com altitude de 526m.
Possui 445 hectares, divididos entre sete proprietários da mesma família. O uso da área é
semelhante ao anteriormente especificado, sendo que nesta a presença mais marcante é a
do gado bovino em detrimento do caprino. A data de ocupação é também do final do
século XIX.
Esta área também se apresenta como um mosaico semelhante ao já descrito para
Várzea do Cariri, porém suas áreas remanescentes aparentemente estão em um melhor
grau de conservação, a julgar pelo porte da vegetação.
3.3.
Procedimentos Metodológicos
3.3.1. Levantamento Florístico
Realizaram-se coletas aleatórias entre os meses de janeiro e agosto de 2006. Foi
coletado todo o material botânico fértil encontrado nas áreas de estudo, sem preocupação
com o critério de inclusão fitossociológico, posteriormente utilizado no atual trabalho.
Todas as amostras coletadas foram numeradas, prensadas e secas em uma estufa de
lâmpada, por cerca de três a cinco dias. Depois de secas e etiquetadas, estas foram
21
depositadas no Herbário Lauro Xavier (JPB) da UFPB. A identificação do material foi
realizada por comparação com o acervo do Herbário JPB e com o auxílio dos especialistas
Maria Regina de V. Barbosa, Itamar Barbosa de Lima (identificação das espécies de
Leguminosae) e Maria de Fátima Agra (identificação das espécies de Solanaceae).
3.3.2. Levantamento fitossociológico
O Levantamento fitossociológico foi realizado entre os meses de março e agosto de
2006, tendo-se adotado o método de parcelas (MUELLER-DUMBOIS; ELLENBERG,
1974). As cinco áreas foram demarcadas com 25 parcelas cada, sendo quatro áreas
demarcadas com parcelas contínuas, formando um quadrado (Figura 3) e, uma, com
parcelas obedecendo o formato irregular do remanescente (Figura 4), como recomenda
Rodal et al. (1992), já que havia em seu interior uma grande área de solo descoberto que,
segundo os moradores da região, nunca teve cobertura vegetal.
Foram delimitadas no total 125 parcelas, com dimensões de 10 X 10m (100 m²),
tamanho freqüentemente usado nos levantamentos fitossociológicos (RODRIGUES,
1991), totalizando 1,2 hectares. Estas foram instaladas de forma semipermanente.
50m
F
E
50m
D
C
B
A
Figura 3: Esquema de demarcação de parcelas contínuas.
22
1A
1B
1C
1D
1E
2A
1A
1A
2B
1B
1B
2C
1C
1C
2D
1D
1D
2E
1E
1E
2F
1F
3F
2G 3G
4F
5F
6F
4G 5G 6G
7F
8F
9F
10F 11F 12F 13F 14F 15F 16F 17F
7G 8G 9G 10G 11G 12G 13G 14G 15G 16G 17G
Figura 4: Esquema de demarcação de parcela irregular.
Foram considerados todos os indivíduos vivos com altura ≥ 1m e circunferência do
caule na base (CAB) ≥ 9cm. Estes tiveram medidos CAB, posteriormente convertido em
diâmetro e altura total.
Os parâmetros fitossociológicos considerados foram: Densidades Absoluta e
Relativa (DA e DR), Freqüências Absoluta e Relativa (FA e FR), Dominâncias Absoluta e
Relativa (DoA e DoR), Valor de Importância e Valor de Cobertura (IVI e IVC), além de
alturas, área basal e diâmetros médios. Estes foram calculados através do Programa
FITOPAC 2 (SHEPHERD, 2006), de acordo com as seguintes fórmulas:
9 Densidade absoluta (DA)
DA= ni.U/A
Onde:
ni = nº de indivíduos da espécie i,
A = Área total amostrada em m²,
U = Unidade amostral (ha=10.000m²).
23
9 Densidade Relativa (DR)
DRi = ni/N. 100
Onde:
ni = nº de indivíduos da espécie i,
N = n° total de indivíduos.
9 Freqüência Absoluta (FA)
FA = Pi/P . 100
Onde:
Pi = nº de parcelas que a espécie ocorreu,
P = n° total de parcelas.
9 Freqüência Relativa (FR)
FRi = FAi/FAT . 100
Onde:
FAi = Freqüência absoluta da espécie,
Fat = Freqüência absoluta total ( ΣFAi).
9 Dominância Absoluta (DoA)
DoA = ΣAbi. U/A
Onde:
Abi = Área basal de individuos da espécie i,
A = Área total amostrada em m²,
U = Unidade amostral (ha=10.000m²)
24
9 Dominância Relativa (DoR)
DoR = ΣAbi/ABT . 100
Onde:
ΣAbi =
Soma das áreas basais dos indivíduos da espécie i,
ABT = Soma das áreas basais de todas as espécies amostradas.
9 Valor de importância (VI)
VI = DRi + DoRi + FRi
Onde:
DRi = Densidade relativa da espécie i,
DoRi = Dominância relativa da espécie i,
FRi = Freqüência relativa da espécie i.
9 Valor de Cobertura (VC)
VCi = DRi + DoRi
Onde:
Dri = Densidade relativa da espécie i,
DoRi = Dominância relativa da espécie i.
9 Índice de Diversidade de Shannon-Weaver (H’)
H’ = Σ Pi ln (Pi)
Onde:
Pi = ni/N em que ni é o nº de indivíduos da espécie i e N é o nº total de indivíduos,
Ln = Logaritmo neperiano.
25
3.3.3. Levantamento Sócio-ambiental
Para esta vertente do trabalho, foi escolhida uma metodologia qualitativa baseada na
proposta de Rey (2005), que permite que o pesquisador crie seu panorama de pesquisa de
forma a qualificar e quantificar os dados enquanto interage com os agentes pesquisados,
podendo-se redefinir estratégias ao longo do processo.
O levantamento sócio-ambiental iniciou-se com visitas a famílias de agricultores
do município de Tenório, preferencialmente residentes na zona rural e que trabalharam ou
ainda trabalham com o corte de vegetação nativa. Houve ainda a participação em 2
reuniões do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, para vivenciar as preocupações dos
atores sociais envolvidos na pesquisa.
Realizaram-se 102 entrevistas, através de questionários semi-estruturados e
conversas informais com moradores e agricultores da região, almejando investigar o
histórico de uso das áreas de estudo, a percepção que estes possuem da caatinga, as
possíveis causas geradoras de degradação da vegetação e os diferentes níveis de
interferência que acarretam.
As entrevistas e conversas informais foram realizadas com o uso de um
minigravador digital, e os questionários semi-estruturados foram analisados segundo a
tipologia de Sauvé (1997) e o método da triangulação proposta por Sato (1997), e
Thiollent (1998).
26
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
4.1. Flora Arbustivo-arbórea em Remanescentes de Caatinga no Município de
Tenório, Seridó Oriental Paraibano.
A flora arbustivo/arbórea de Tenório, representada pelos remanescentes presentes
nos sítios Várzea do Cariri e Bandarra, apresentou um total de 83 espécies de 23 famílias
(Tabela 1).
Do total das espécies amostradas, 51 foram identificadas até espécie (61,4%), 18
até gênero (21,7%) e oito somente até família (9,6%) e seis espécies ficaram
indeterminadas (7,2%) devido à falta de material fértil.
As coletas aleatórias resultaram em 53 espécies e 17 famílias (Tabela 1). Nas
parcelas, foram coletadas 59 espécies de 18 famílias; 30 destas espécies não foram
representadas na amostragem aleatória. Houve 29 espécies que foram encontradas nos
dois tipos de coleta (Figura 5).
Coletas
Parcelas
Coletas
aleatórias
24
53
29
30
59
Figura 5: Esquema de sobreposição de espécies, com intersecção entre métodos de coleta.
Do total de 83 espécies levantadas, 24 foram encontradas exclusivamente nas
coletas aleatórias e 30 dentro das parcelas, o que representa um percentual de 65% da lista
florística obtida. Isto revela que somente o levantamento feito pelo método de parcelas
não seria suficiente para representar a diversidade florística local, já que deixaria de
levantar 29% das espécies encontradas.
27
TABELA 1. Espécies coletadas aleatoriamente e em parcelas nos Sítios Várzea do Cariri e
Bandarra, Tenório – PB.
Família
Acanthaceae
Amaranthaceae
Anacardiaceae
Anacardiaceae
Anacardiaceae
Apocynaceae
Apocynaceae
Apocynaceae
Asteraceae
Bignoniaceae
Boraginaceae
Boraginaceae
Boraginaceae
Burseraceae
Cactaceae
Cactaceae
Cactaceae
Capparaceae
Capparaceae
Combretaceae
Combretaceae
Combretaceae
Erythroxylaceae
Erythroxylaceae
Euphorbiaceae
Euphorbiaceae
Euphorbiaceae
Euphorbiaceae
Euphorbiaceae
Euphorbiaceae
Euphorbiaceae
Euphorbiaceae
Leg.
Caesalpinioideae
Leg.
Caesalpinioideae
Leg.
Caesalpinioideae
Leg.
Caesalpinioideae
Leg.
Caesalpinioideae
Leg.
Caesalpinioideae
Leg.
Caesalpinioideae
Espécie
Nome vulgar
Coleta
aleatória
Aphelandra sp.
Alternanthera brasiliana (L.)
Kuntze
Myracrodruon urundeuva Allemão
Schinopsis brasiliensis Engl.
Spondias tuberosa Arruda
Allamanda blanchetii A.DC.
Aspidosperma pyrifolium Mart.
Aspidosperma sp.
Wedelia villosa Gardner
Tabebuia caraiba (Mart.) Bureau
Cordia globosa (Jacq.) Kunth
Cordia leucocephala Moric.
Cordia multispicata Cham.
Commiphora leptophloeos (Mart.)
J.B. Gillett
Cereus jamacaru DC.
Opuntia palmadora Britton & Rose
Pilosocereus pachycladus F.Ritter
Capparis flexuosa (L.) L.
Capparis yco Mart.
Combretum leprosum Mart.
Combretum sp.
Thiloa sp.
Erythroxylum caatingae Plowman
Erythroxylum nummularia Peyr.
Cnidoscolus sp.
Croton moritibensis Baill.
Croton sonderianus Müll. Arg.
Croton sp1
Croton sp2
Jatropha mollissima (Pohl) Baill.
Manihot glaziovii Müll. Arg.
Sapium glandulatum (Vell.) Pax
Bauhinia cheilantha (Bong.) Steud.
—
—
X
mandacaru
palmatória
facheiro
feijão bravo
icó
mofumbo
—
sipaúba
umbuzeiro-bravo
umbuzeiro-bravo
favela
velame
marmeleiro
marmeleiro
quebra-faca
pinhão
maniçoba
leitosa
mororó
Caesalpinia ferrea Mart.
aroeira
baraúna
umbuzeiro
pente-de-macaco
pereiro
pereiro preto
bem-querer
craibeira
—
maria-preta
—
umburana
Coleta
em
parcelas
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
jucá / pau-ferro
X
X
Caesalpinia pyramidalis Tul.
catingueira
X
X
Peltogyne pauciflora Benth.
coração-de-nêgo
X
X
Senna acuruensis (Benth.) H.S.
Irwin & Barneby
Senna macranthera var. pudibunda
(Mart. ex Benth.) H.S. Irwin &
Barneby
Senna martiana (Benth.) H.S. Irwin
& Barneby
canafístula-preta
X
X
flor de São João
X
X
canafístula
X
X
28
Leg.
Caesalpinioideae
Leg.
Caesalpinioideae
Leg. Faboideae
Leg. Faboideae
Leg. Faboideae
Leg. Faboideae
Leg. Faboideae
Leg. Faboideae
Leg. Mimosoideae
Leg. Mimosoideae
Leg. Mimosoideae
Leg. Mimosoideae
Leg. Mimosoideae
Leg. Mimosoideae
Leg. Mimosoideae
Leg. Mimosoideae
Leg. Mimosoideae
Leg. Mimosoideae
Leg. Mimosoideae
Leg. Mimosoideae
Leguminosae sp1
copaíba
X
Leguminosae sp2
mata-pasto
X
Amburana cearensis (Allemão)
A.C. Sm.
Bowdichia virgilioides Kunth
Dioclea grandiflora Mart. ex Benth.
Dioclea sp.
Leguminosae sp3
Leguminosae sp4
Anadenanthera colubrina (Vell.)
Brenan
Chloroleucon sp.
Mimosa invisa Mart. ex Colla
Mimosa ophthalmocentra Mart. ex
Benth.
Mimosa paraibana Barneby
Mimosa tenuiflora (Willd.) Poir.
Mimosa sp1
Mimosa sp2
Mimosa sp3
cumaru
X
sucupira
mucumã
fava de boi
branhona
X
Malvaceae
Nyctaginaceae
Plumbaginaceae
Rhamnaceae
Rubiaceae
Mimosa sp4
Piptadenia moniliformis Benth.
Piptadenia stipulacea (Benth.)
Ducke
Leguminosae sp5
Leguminosae sp6
Helicteres guazumifolia Kunth
Helicteres cf mollis K. Schum.
Helicteres sp.
Pseudobombax marginatum (A. St.Hil., Juss. & Cambess.) A. Robyns
Malvaceae 1
Nyctaginaceae 1
Plumbago scandens L.
Ziziphus joazeiro Mart.
Alibertia sp.
Sapindaceae
Solanaceae
Solanaceae
Verbenaceae
Verbenaceae
Verbenaceae
Vitaceae
Indeterminada
Indeterminada
Indeterminada
Indeterminada
Indeterminada
Indeterminada
23
Allophylus sp.
Solanum auriculatum Ailton
Solanum baturitense Huber
Lantana camara L.
Lippia gracilis Schauer
Vitex sp.
Cissus sp.
Indeterminada 1
Indeterminada 2
Indeterminada 3
Indeterminada 4
Indeterminada 5
Indeterminada 6
83
Leg. Mimosoideae
Leg. Mimosoideae
Malvaceae
Malvaceae
Malvaceae
Malvaceae
X
X
X
angico
X
X
X
X
—
jurema-malícia
jurema-branca
X
X
X
X
X
—
malícia
jurema-preta
jurema-de-carrasco
jurema-unha-de-gato
jurema-malícia/ unha de
gato
—
catanduba
jurema malícia-da-serra
espinheiro
jurema (malícia-de-boi)
guaxuma
guaxuma
guaxuma
imbiratã
—
joão-mole/ murici
—
joazeiro
canela-de-veado
/cafezinho
buji
jurubeba roxa
jurubeba branca
cidreira-do-mato
alecrim-da-serra
—
cabeça-de-nêgo
—
—
—
—
—
—
83
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
53
X
X
X
X
X
X
X
X
X
59
29
Constatou-se que em ambos os métodos de coleta adotados, encontrou-se
praticamente a mesma quantidade de espécies e famílias botânicas. As espécies comuns
encontradas nos dois métodos estão destacadas no Quadro 1. Estas representam 35% do
total de espécies levantadas. As famílias Leguminosae, com 14 espécies, e Euphorbiaceae,
representada por três espécies, compreendem 59% das espécie em comum, sendo que
Leguminosae representa, sozinha, 48%.
QUADRO 1. Espécies comuns encontradas nos dois métodos de coleta adotados.
Família
Espécie
Nome vulgar
Anacardiaceae
Anacardiaceae
Apocynaceae
Boraginaceae
Capparaceae
Capparaceae
Combretaceae
Erythroxylaceae
Euphorbiaceae
Euphorbiaceae
Euphorbiaceae
Leg. Caesalpinioideae
Leg. Caesalpinioideae
Leg. Caesalpinioideae
Leg. Caesalpinioideae
Leg. Faboideae
Leg. Mimosoideae
Leg. Mimosoideae
Leg. Mimosoideae
Leg. Mimosoideae
Leg. Mimosoideae
Leg. Mimosoideae
Leg. Mimosoideae
Myracrodruon urundeuva Allemão
Schinopsis brasiliensis Engl.
Aspidosperma pyrifolium Mart.
Cordia leucocephala Moric.
Capparis flexuosa (L.) L.
Capparis yco Mart.
Combretum leprosum Mart.
Erythroxylum caatingae Plowman
Croton moritibensis Baill.
Croton sonderianus Müll. Arg.
Manihot glaziovii Müll. Arg.
Caesalpinia ferrea Mart.
Caesalpinia pyramidalis Tul.
Peltogyne pauciflora Benth.
Senna acuruensis (Benth.) H.S. Irwin &
Barneby
Senna macranthera var. pudibunda (Mart.
ex Benth.) H.S. Irwin & Barneby
Senna martiana (Benth.) H.S. Irwin &
Barneby
Amburana cearensis (Allemão) A.C. Sm.
Anadenanthera colubrina (Vell.) Brenan
Mimosa invisa Mart. ex Colla
Mimosa ophthalmocentra Mart. ex Benth.
Mimosa tenuiflora (Willd.) Poir.
Mimosa sp2
Piptadenia moniliformis Benth.
Piptadenia stipulacea (Benth.) Ducke
Malvaceae
Nyctaginaceae
Rubiaceae
Verbenaceae
Helicteres guazumifolia Kunth
Nyctaginaceae 1
Alibertia sp.
Lippia gracilis Schauer
Leg. Caesalpinioideae
Leg. Caesalpinioideae
aroeira
baraúna
pereiro
maria-preta
feijão bravo
icó
mofumbo
umbuzeiro-brabo
velame
marmeleiro
maniçoba
jucá / pau-ferro
catingueira
coração-de-nêgo
canafístula-preta
flor de São João
canafístula
cumaru
angico
jurema-malícia
jurema-branca
jurema-preta
jurema-unha-de-gato
catanduba
jurema malícia-daserra
guaxuma
joão-mole/ murici
canela-de veado
alecrim-da-serra
Tanto nas parcelas quanto nas coletas aleatórias, as famílias mais diversas foram
Leguminosae e Euphorbiaceae (Figuras 6 e 7), o que coincide com os resultados de
30
diversos levantamentos florísticos já realizados em outras áreas da caatinga (GOMES,
1979; FERREIRA; VALE, 1992; ARAÚJO; SAMPAIO; RODAL, 1995; RODAL et al.,
1998; CORRÊA; COSTA et al., 2001; CANDIDO; BARBOSA; SILVA, 2002; LEMOS;
RODAL 2002; ANDRADE et al., 2005, SANTANA; SOUTO, 2006).
5%
5%
29%
12%
12%
10%
7%
5%
15%
Cactaceae
Combretaceae
Euphorbiaceae
Leg.Caesalpinioideae
Leg. Faboideae
Leg. Mimosoideae
Malvaceae
Não identificadas
Outras famílias
Figura 6: Famílias mais diversas nas coletas em parcelas.
6%
6%
6%
28%
8%
6%
17%
23%
Anacardiaceae
Apocynaceae
Boraginaceae
Euphorbiaceae
Leg. Caesalpinioideae
Leg. Mimosoideae
Malvaceae
Outras famílias
Figura 7: Famílias mais diversas nas coletas aleatórias.
31
Alguns poucos trabalhos foram realizados abordando a vegetação no Seridó
Paraibano (CORRÊA; COSTA et al., 2001; CANDIDO; BARBOSA; SILVA, 2002),
entretanto, não tiveram cunho florístico. Dessa forma, comparou-se os resultados obtidos
neste trabalho com alguns levantamentos realizados em outras regiões da Paraíba e em
outros estados vizinhos.
Gomes (1979), no Cariri Paraibano, encontrou 40 espécies de 16 famílias, sendo as
famílias mais diversas Leguminosae, Cactaceae, Euphorbiaceae, Anacardiaceae,
Apocynaceae, Bombacaceae e Bromeliaceae. Também no Cariri Paraibano, Lira (1979)
registrou 32 espécies de 12 famílias, sendo Leguminosae, Cactaceae e Euphorbiaceae as
famílias mais representativas.
Gadelha Neto e Barbosa (2000) encontraram no município de Souza, alto Sertão,
87 espécies de 40 famílias (Figura 8). Mais recentemente, Lima (2004), em um
levantamento florístico realizado na fazenda Almas, município de São José dos Cordeiros,
Cariri Paraibano, encontrou 195 espécies, das quais cerca de 80 apresentavam hábito
arbustivo/arbóreo.
200
180
160
140
120
100
80
60
40
20
0
Espécies
Famílias
Li
m
A
G
RN
Sa
m
om Lir
ra
nt
a
ú
or
(
an
19
es
jo
Tr
lh
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im
1
20
a
a
a
9
9
e
(
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1
2)
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79
Ne
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04
al
9
S
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al
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00
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(
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2
5)
0)
00
6)
G
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ad
e
Es
te
A
Figura 8: Número de espécies e famílias encontradas em diversos trabalhos realizados no semiárido da Paraíba e alguns estados do Nordeste.
32
O estudo de Lima (2004) destaca-se por ter sido realizado dentro da maior RPPN
(Reserva Particular do Patrimônio Natural) de caatinga do Estado, tratando-se, portanto,
de uma área bem preservada, como cita o próprio autor ao destacar o nível de preservação
e dificuldade de acesso à área. Isto explica a diversidade relativamente maior se
comparada ao estudo aqui apresentado, já que este foi feito principalmente em áreas de
sucessão secundária e, mesmo nas áreas consideradas conservadas, o grau de conservação,
não é o mesmo da RPPN, já que se prestam também ao pastoreio de caprinos e bovinos.
Ferreira e Vale (1992), em levantamento feito na Estação Florestal de
Experimentação (EFLEX) do Ibama em Açu, no Seridó do Rio Grande do Norte,
levantaram 21 espécies de 12 famílias, das quais Leguminosae (subfamílias
Caesalpinioideae e Mimosoideae) foi a mais diversa.
Mais recentemente, Amorim et al. (2005) e Santana e Souto (2006), na Estação
Ecológica do Seridó, em Serra Negra, outra área do Seridó rio-grandense, levantaram 15
espécies e 10 famílias e 22 espécies e 12 famílias respectivamente. Nos dois trabalhos, as
famílias mais diversas foram Leguminosae subfamílias Caesalpinioideae e Mimosoideae,
Euphorbiaceae, e Apocynaceae. Estas mesmas famílias foram também as mais diversas
nos estudos de Pereira et al. (2002) e Andrade et al. (2005), no Agreste e Cariri
Paraibanos, respectivamente e, no trabalho de Alcoforado-Filho et al. (2003), no Agreste
de Pernambuco.
Comparando-se os resultados do atual trabalho com aqueles obtidos por Amorim et
al. (2005) e Santana e Souto (2006), verifica-se que 13 espécies foram comuns aos três
estudos, o que significa que 87% e 59%, respectivamente, das espécies encontradas nos
dois trabalhos realizados no Seridó do Rio Grande do Norte, estavam presentes também
no Seridó Paraibano. Considerando-se os gêneros, verifica-se que o percentual de
semelhança corresponde a, respectivamente, 93% e 91%. Os gêneros não representados
foram apenas Pithecellobium, citado por Amorim et al. (2005), e Macfadyena e Cassia
por Santana e Souto (2006).
Quatro espécies foram comuns aos cinco últimos trabalhos supracitados e ao atual:
Commiphora leptophloeos (Mart.) J.B. Gillett, Capparis flexuosa (L.) L., Croton
sonderianus Müll. Arg. e Caesalpinia pyramidalis Tul.
33
4.2. Diversidade Florística e Estrutura Fitossociológica do Estrato Arbustivo-arbóreo
em dois Remanescentes de Caatinga, Conservados há mais de Vinte Anos, no
Município de Tenório, PB.
Os dois fragmentos localizam-se em trechos não desmatados de duas propriedades
rurais. O primeiro, AC – V, no Sítio Várzea do Cariri, está rodeado por áreas desmatadas
em tempos diversos (Figura 9); o segundo, AC – B, no sítio Bandarra, está inserido em
solo sedimentar, próximo a reservatórios de água e é cortado por um córrego temporário
(Figura 10).
A flora arbustivo-arbórea amostrada nos dois fragmentos está representada por 15
famílias e 49 espécies (Tabela 2). No total foram registrados 2.098 indivíduos, sendo 883
em AC-V e 1.215 em AC-B.
Figura 9: Vista geral da área Conservada no
Sítio Várzea do Cariri. Foto: Ana Nery
Batista Aurino, 2006.
Figura 10: Vista geral da área Conservada no
Sítio Bandarra. Foto: Ana Nery Batista Aurino,
2006.
Em AC-V foram registradas 12 famílias e 32 espécies, e em AC-B 13 famílias,
porém 28 espécies. Verifica-se na Tabela 2 que as famílias Combretaceae,
34
Erythroxylaceae, Rubiaceae e Verbenaceae foram exclusivas de AC-V, enquanto
Amaranthaceae, Anacardiaceae, Burseraceae, Capparaceae e Vitaceae, de AC-B.
De acordo com Andrade et al. (2005), a presença de algumas famílias pode indicar
o estado de conservação da flora de determinados ambientes, uma vez que não são
adaptadas a colonizar ambientes fortemente antropizados. Algumas dessas famílias estão
presentes nos fragmentos estudados, como é o caso de Anacardiaceae e Capparaceae. As
famílias Capparaceae representada por duas espécies (Capparis flexuosa (L.) L. e
Capparis yco Mart.); Anacardiaceae por uma; e Burseraceae por uma espécie na
Bandarra, sem representante na área da Várzea. Isto pode ser explicado de acordo com
Andrade et al. (2005), por esta última ser uma área mais protegida – menos antropizada.
Burseraceae, que comumente se encontra em áreas de caatinga mais conservadas,
foi encontrada apenas na Bandarra, e Rubiaceae, que geralmente se encontra em áreas de
caatinga mais úmidas, de acordo com Alcoforado-Filho et al. (2003), foi encontrada na
Várzea.
Foram compartilhadas as famílias: Apocynaceae, Cactaceae, Euphorbiaceae,
Leguminosae e Malvaceae. Estas famílias têm ampla distribuição na caatinga, seja
degradada ou não (ARAÚJO et al., 1998; PEREIRA et al., 2001; ALBUQUERQUE;
ANDRADE, 2002; LEMOS; RODAL, 2002; PAULA et al. 2002; BENEVIDES, 2003;
MARACAJÁ et al., 2003; TROVÃO et al. 2004; AMORIM, 2005; ANDRADE et al.,
2005).
As famílias com maior número de indivíduos foram Euphorbiaceae e
Leguminosae, sendo Leguminosae aquela que apresentou o maior número de espécies nas
duas áreas. Estes resultados corroboram as observações de Rodal (1992), que apontou
estas famílias como as principais na Caatinga, em número de gêneros e espécies e
abundância de plantas.
O número de espécies e famílias registradas para as duas áreas foi próximo,
embora o fragmento da Bandarra tenha um acesso mais difícil e a proteção exercida por
seu proprietário seja mais eficiente. A área da Várzea, por sua vez, sofre mais influência
do pastoreio de caprinos e apresenta, em todo seu entorno, áreas destinadas ao plantio de
feijão, milho ou mandioca, o que faz crescer a pressão antrópica sobre a mesma.
35
Tabela 2: Espécies arbustivo-arbóreas registradas no levantamento fitossociológico realizado
nas áreas conservadas nos Sítios Várzea do Cariri (AC-V) e Bandarra (AC-B) em Tenório-PB.
Família
Espécie
Nome vulgar
Amaranthaceae
Alternanthera brasiliana (L.) Kuntze
Anacardiaceae
Myracrodruon urundeuva Allemão
aroeira
Apocynaceae
Aspidosperma pyrifolium Mart.
pereiro
Burseraceae
Commiphora leptophloeos (Mart.) J.B.
umburana
AC-V
—
AC-B
X
X
X
X
X
Gillett
Cactaceae
Cereus jamacaru DC.
mandacaru
X
X
Cactaceae
Opuntia palmadora Britton & Rose
palmatória
Cactaceae
Pilosocereus pachycladus F.Ritter
facheiro
Capparaceae
Capparis flexuosa (L.) L.
feijão bravo
X
Capparaceae
Capparis yco Mart.
icó
X
Combretaceae
Combretum leprosum Mart.
mofumbo
X
Erythroxylaceae
Erythroxylum caatingae Plowman
umbuzeiro-bravo
X
Erythroxylaceae
Erythroxylum nummularia Peyr.
umbuzeiro-bravo
X
Euphorbiaceae
Cnidoscolus sp.
favela
Euphorbiaceae
Croton sonderianus Müll. Arg.
marmeleiro
Euphorbiaceae
Croton sp.
quebra-faca
Euphorbiaceae
Jatropha mollissima (Pohl) Baill.
pinhão
Euphorbiaceae
Manihot glaziovii Müll. Arg.
maniçoba
X
Euphorbiaceae
Sapium glandulatum (Vell.) Pax
leitosa
X
Leg. Caesalpinioideae
Bauhinia cheilantha (Bong.) Steud.
mororó
X
Leg. Caesalpinioideae
Caesalpinia ferrea Mart.
jucá / pau-ferro
X
Leg. Caesalpinioideae
Caesalpinia pyramidalis Tul.
catingueira
X
Leg. Caesalpinioideae
Peltogyne pauciflora Benth.
coração-de-nêgo
X
Leg. Caesalpinioideae
Senna acuruensis (Benth.) H.S. Irwin &
canafístula-preta
X
flor de São João
X
canafístula
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
Barneby
Leg. Caesalpinioideae
Senna macranthera var. pudibunda
X
(Mart. ex Benth.) H.S. Irwin & Barneby
Leg. Caesalpinioideae
Senna martiana (Benth.) H.S. Irwin &
Barneby
Leg. Faboideae
Amburana cearensis (Allemão) A.C. Sm.
cumaru
X
Leg. Faboideae
Leguminosae sp3
branhona
X
Leg. Faboideae
Leguminosae sp4
—
X
Leg. Mimosoideae
Anadenanthera colubrina (Vell.) Brenan
angico
Leg. Mimosoideae
Mimosa invisa Mart. ex Colla
jurema-malícia
X
X
X
36
Leg. Mimosoideae
Mimosa ophthalmocentra Mart. ex Benth.
jurema-branca
X
Leg. Mimosoideae
Mimosa paraibana Barneby
malícia
X
Leg. Mimosoideae
Mimosa tenuiflora (Willd.) Poir.
jurema-preta
X
Leg. Mimosoideae
Mimosa sp2
jurema-unha-de-
X
X
X
gato
Leg. Mimosoideae
Mimosa sp3
—
X
Leg. Mimosoideae
Piptadenia moniliformis Benth.
catanduba
X
Leg. Mimosoideae
Piptadenia stipulacea (Benth.) Ducke
jurema malícia-
X
X
da-serra
Malvaceae
Helicteres guazumifolia Kunth
guaxuma
Malvaceae
Pseudobombax marginatum (A. St.-Hil.,
imbiratã
X
X
Juss. & Cambess.) A. Robyns
Malvaceae
Malvaceae 1
—
X
Rubiaceae
Alibertia sp.
canela-de-
X
veado/cafezinho
Verbenaceae
Lippia gracilis Schauer
Verbenaceae
Vitex sp.
Vitaceae
Cissus sp.
alecrim-da-serra
X
—
X
cabeça-de-nêgo
X
Indeterminada
Indeterminada 1
—
X
Indeterminada
Indeterminada 2
—
X
Indeterminada
Indeterminada 3
—
X
Indeterminada
Indeterminada 5
—
X
Indeterminada
Indeterminada 6
—
X
49
49
15
32
28
Apenas 11 espécies foram comuns aos dois fragmentos: Aspidosperma pyrifolium
Mart., Cereus jamacaru DC., Pilosocereus pachycladus F.Ritter., Croton sonderianus
Müll. Arg., Jatropha mollissima (Pohl) Baill., Caesalpinia pyramidalis Tul., Senna
macranthera var. pudibunda (Mart. ex Benth.) H.S. Irwin & Barneby, Amburana
cearensis (Allemão) A.C. Sm., Mimosa ophthalmocentra Mart. ex Benth., Mimosa
tenuiflora (Willd.) Poir. e Piptadenia stipulacea (Benth.) Ducke.
Na várzea foram encontradas 21 espécies que não apareceram na amostragem da
Bandarra. São elas: Combretum leprosum Mart., Erythroxylum nummularia Peyr.,
Erythroxylum caatingae Plowman, Senna martiana (Benth.) H.S. Irwin & Barneby,
Senna acuruensis (Benth.) H.S. Irwin & Barneby, Peltogyne pauciflora Benth.,
37
Caesalpinia ferrea Mart., Piptadenia moniliformis Benth., Mimosa invisa Mart. ex Colla,
Mimosa paraibana Barneby, Helicteres guazumifolia Kunth, Lippia gracilis Schauer,
Alibertia sp. (canela-de-veado), Mimosa sp4, Vitex sp., Leguminosae sp3 (branhona),
Leguminosae sp4, Malvaceae 1 e Indet 1, 2 e 3.
Na Bandarra foram 17 as espécies exclusivas: Alternanthera brasiliana (L.)
Kuntze, Myracrodruon urundeuva Allemão, Commiphora leptophloeos (Mart.) J.B.
Gillett, Opuntia palmadora Britton & Rose, Capparis flexuosa (L.) L., Capparis yco
Mart., Cnidoscolus sp. (favela), Manihot glaziovii Müll. Arg., Bauhinia cheilantha
(Bong.) Steud., Anadenanthera colubrina (Vell.) Brenan, Pseudobombax marginatum (A.
St.-Hil., Juss. & Cambess.) A. Robyns, Croton sp. (quebra-faca), Mimosa sp4 (juremaunha-de-gato), Sapium glandulatum (Vell.) Pax , Cissus sp., Indet 5 e 6.
Estas espécies, porém, apresentaram densidade relativa muito baixa, sendo possível
que, apesar de não terem sido amostradas em ambos os fragmentos, ocorram
esporadicamente nas duas áreas. Espécies como a catanduba e o coração de nêgo, que
foram encontradas apenas em AC-V e umburana e aroeira, que só apareceram em AC-B,
são utilizadas na produção de lenha ou mesmo como madeiras e podem ter sofrido corte.
Na Várzea, isto pode ser reflexo também de tênues diferenças no relevo - é uma área com
morrotes – e da presença de algumas manchas de solo calcário-argiloso que, de acordo
com os depoimentos de moradores locais, nunca teve cobertura vegetal (Figura 11). Os
moradores em questão têm mais de 60 anos e nasceram na região. Nestas condições, é
possível que existam fatores que restrinjam à ocorrência de algumas espécies a existência
de sítios, cujas particularidades locais possam favorecer ou limitar a ocorrência das
espécies em alguns pontos da área.
Ambos os fragmentos apresentaram fisionomia arbóreo-arbustiva aberta, com
densidade de 3.532 indivíduos/ha na Várzea e 4.860 indivíduos/ha na Bandarra. Estas
densidades, apesar de superiores àquelas encontradas por Amorim et al. (2005), e segundo
estes, superiores também às de 16 outros locais do Seridó, ainda são inferiores às de
muitas áreas da caatinga, de acordo com Sampaio (1996).
A área basal nas duas áreas foi respectivamente 3,538 m ²/ ha e 6,670 m ² /ha . Os
valores de densidade e área basal indicam que a Bandarra possui uma cobertura vegetal
mais fechada do que a Várzea, e que as plantas dessa última possuem porte relativamente
menor do que as da primeira.
38
Figura 11: Solo descoberto no Sítio Várzea do Cariri (AC – V).
Foto: Ana Nery Batista Aurino, 2006.
As alturas médias nos remanescentes da Várzea e Bandarra foram respectivamente
2,8m e 3m. São valores compatíveis com os encontrados em outros trabalhos em caatinga
arbustivo-arbórea. De acordo com Teles (2005), em trabalho no Cariri Paraibano, 63% da
vegetação tem altura < 3m, corroborando com as informações de Chaves et al. (2002).
Francelino et al. (2003) estudando o Sertão Norte rio-grandense encontrou a maioria dos
indivíduos de sua amostragem com altura no intervalo de 2 a 3m.
Apenas seis indivíduos apresentaram mais de 5m na Várzea e somente cinco
apresentaram mais de 6m na Bandarra, sendo que a grande maioria dos indivíduos tinha
entre 2 – 3m, nas duas áreas (Figuras 12 e 13). A maior altura foi alcançada por um
indivíduo de Peltogyne pauciflora Benth. com 6,5m em AC-V e por um de Myracrodruon
urundeuva Allemão, com 10m, em AC-B.
Os diâmetros médios, nas duas áreas, foram respectivamente 6 e 7cm em AC-V e
AC-B. Estas médias sofreram influências de indivíduos de grandes diâmetros, a exemplo
de um indivíduo de Mimosa tenuiflora (Willd.) Poir. com 51cm de diâmetro na Várzea e
um outro de Commiphora leptophloeos (Mart.) J.B. Gillett, com 53,2cm de diâmetro na
Bandarra (Figura 14).
39
376
400
Nº de Plantas
350
300
250
200
203
197
150
100
33
50
5
1
5-< 6
6-< 7
0
1-< 2
2-< 3
3-< 4
4-< 5
Classes de Altura (m)
Figura 12: Distribuição em classes de altura, dos indivíduos amostrados no Sítio Várzea do
Cariri, Tenório-PB
700
608
Nº de Plantas
600
500
400
300
200
254
185
121
100
42
0
1-< 2
2-< 3
3-< 4
4-< 5
5-< 6
1
0
3
1
6-< 7
7-< 8
8-< 9
9-< 10
Classes de Altura (m)
Figura 13: Distribuição em classes de altura, dos indivíduos amostrados no Sítio
Bandarra, Tenório-PB.
O Índice de Diversidade de Shannon foi de 1,5 nat/ind. na Várzea e 1,7 nat/ind. na
Bandarra. São índices muito baixos se comparados a numerosos trabalhos realizados na
caatinga de diversos locais do Nordeste (SAMPAIO, 1996; PEREIRA et al., 2002;
ALCOFORADO-FILHO et al., 2003). Porém, foram mais altos que os encontrados por
Andrade et al. (2005), em áreas antropizadas no Cariri Paraibano. São decididamente
valores muito baixos para diversidade de áreas que supostamente seriam conservadas.
40
Quanto à riqueza, apesar dos remanescentes apresentarem mais espécies que alguns
trabalhos realizados no Seridó ou em outras áreas da Paraíba e Pernambuco, os valores
2,179 e 2,933 respectivamente em AC – V e AC – B, são também considerados baixos
(AMORIM et al., 2005; SANTANA; SOUTO, 2006; QUEIROZ et al., 2006 e
ALCOFORADO-FILHO et al., 2003). Isto leva a crer que estas áreas passaram por
elevado grau de perturbação a longo prazo, ou ainda que possuem limitações de solo,
relevo ou clima.
Figura 14: Indivíduo de Commiphora leptophloeos (Mart.) J.B. Gillett na área conservada
Bandarra, Tenório,PB. Foto: Ana Nery Batista Aurino, 2006
É válido salientar ainda que, segundo Santana e Souto (2006), índices de
diversidade e de riqueza taxonômica baixos, em áreas de caatinga do cristalino, podem ser
resultado tanto do antropismo como das condições edafoclimáticas da área.
As famílias de maior densidade em ordem decrescente em AC-V foram:
Euphorbiaceae com 70% dos indivíduos amostrados e Leguminosae, subfamílias
41
Caesalpinioideae e Mimosoideae com 16% e 6% respectivamente. As outras famílias
juntas somaram 8% (Figura 15).
Em AC-B, destacaram-se: Euphorbiaceae (60%), Leguminosae subfamília
Caesalpinioideae (16%), Leguminosae subfamília Mimosoideae (14%) e Apocynaceae
(5%). As outras famílias somaram 5% (Figura 15).
70%
60%
50%
40%
AC-V
30%
20%
10%
AC-B
0%
as
íli
am
sf
ra
ut
O
e
ea
ac
ct
Ca
ae
ce
na
cy
e
po
ea
A
ac
yl
ox
e
hr
ea
yt
id
Er
so
o
ae
im
de
M
oi
g.
ni
Le
pi
al
es
Ca
g.
e
Le
ea
ac
bi
or
ph
Eu
Figura 15: Famílias de maior densidade relativa, em duas áreas conservadas em Tenório – PB.
Indivíduos de grande porte da família Cactaceae foram amostrados nas duas áreas
estudadas. De acordo com Rodal et al. (1999) e Alcoforado-Filho et al. (2003), grandes
cactáceas são comuns em áreas de caatinga de baixa pluviosidade, como é o caso do
Seridó. Embora o número de indivíduos amostrados da família Cactaceae tenha sido
pequeno, estes geralmente apresentaram CAB relativamente maior que os indivíduos de
outras famílias que apareceram em maior número, como é o caso de Erythroxylaceae e
Apocynaceae. Dessa forma, Cactaceae apresentou-se entre as quatro famílias de
dominância relativa mais elevada, em virtude do porte do Pilosocereus pachycladus
42
F.Ritter (Figura 16) e do Cereus jamacaru DC. (Figura 17).
Figura 16: Pilosocereus pachycladus F.Ritter
Foto: Ana Nery Batista Aurino, 2006
Figura 17: Cereus jamacaru DC.
Foto: Ana Nery Batista Aurino, 2006
Com relação à densidade relativa da espécies, em AC-V, Croton sonderianus Müll.
Arg. apresentou 67% do total de indivíduos amostrados, Caesalpinia pyramidalis Tul.
7%; Senna acuruensis (Benth.) H.S. Irwin & Barneby 7%; Jatropha mollissima (Pohl)
Baill. 4%; Piptadenia moniliformis Benth. 3% e Erythroxylum caatingae Plowman e
Erythroxylum nummularia Peyr. 2% cada. As outras vinte e quatro espécies somaram 10%
(Tabela 3).
Em AC-B, a espécie que mais se destacou na densidade relativa foi também do
gênero Croton, o quebra-faca, com 56% dos indivíduos, ficando Caesalpinia pyramidalis
Tul., Mimosa ophthalmocentra Mart. ex Benth., Bauhinia cheilantha (Bong.) Steud.,
Piptadenia stipulacea (Benth.) Ducke e Aspidosperma pyrifolium Mart. com 9%, 7%,
6%, 5% e 5%, respectivamente (Tabela 4). As outras vinte e duas espécies somadas
representaram 12%.
43
Tabela 3: Espécies amostradas na área conservada do Sítio Várzea do Cariri (AC-V), município
de Tenório, Seridó paraibano, e seus parâmetros fitossociológicos, ordenados em ordem
decrescente, pelo valor do VI, em que NI= número de indivíduos; FR= freqüência relativa; DR=
densidade relativa; DoR= dominância relativa; VI= valor de importância e VC= valor de
cobertura.
Espécie
NI
FR
DR
DoR
VI
VC
Croton sonderianus Müll. Arg.
590
15.34
66.82
38.57
120.72
105.39
Caesalpinia pyramidalis Tul.
65
12.27
7.36
18.84
38.47
26.20
Senna acuruensis (Benth.) H.S. Irwin &
58
11.04
6.57
2.67
20.28
9.24
Piptadenia moniliformis Benth.
23
4.29
2.60
7.18
14.08
9.79
Mimosa tenuiflora (Willd.) Poir.
10
3.68
1.13
8.69
13.51
9.83
Jatropha mollissima (Pohl) Baill.
33
7.98
3.74
1.49
13.20
5.22
Pilosocereus pachycladus F.Ritter
5
3.07
0.57
5.57
9.20
6.13
Cereus jamacaru DC.
6
2.45
0.68
5.61
8.75
6.29
Peltogyne pauciflora Benth.
12
4.29
1.36
2.69
8.34
4.04
Erythroxylum nummularia Peyr.
17
3.68
1.93
1.30
6.91
3.23
Mimosa ophthalmocentra Mart. ex Benth.
7
3.07
0.79
2.40
6.26
3.19
Piptadenia stipulacea (Benth.) Ducke
7
4.29
0.79
0.70
5.78
1.49
Alibertia sp.
10
4.29
1.13
0.34
5.77
1.48
Vitex sp.
5
3.07
0.57
0.18
3.81
0.74
Aspidosperma pyrifolium Mart.
4
2.45
0.45
0.17
3.07
0.62
Erythroxylum caatingae Plowman
4
1.23
0.45
1.35
3.03
1.80
Combretum leprosum Mart.
6
1.84
0.68
0.45
2.97
1.13
Caesalpinia ferrea Mart.
3
1.23
0.34
1.10
2.66
1.44
Mimosa paraibana Barneby
3
1.84
0.34
0.08
2.26
0.42
Leguminosae sp3
2
1.23
0.23
0.10
1.55
0.33
Malvaceae 1
2
1.23
0.23
0.04
1.49
0.26
2
0.61
0.23
0.05
0.89
0.28
Leguminosae sp2
1
0.61
0.11
0.15
0.88
0.27
Lippia gracilis Schauer
1
0.61
0.11
0.07
0.80
0.19
Helicteres guazumifolia Kunth
1
0.61
0.11
0.04
0.77
0.16
Mimosa sp4
1
0.61
0.11
0.04
0.77
0.15
Indet 1
1
0.61
0.11
0.03
0.76
0.15
Indet 2
1
0.61
0.11
0.03
0.75
0.14
Amburana cearensis (Allemão) A.C. Sm.
1
0.61
0.11
0.02
0.75
0.14
Senna martiana (Benth.) H.S. Irwin &
1
0.61
0.11
0.02
0.75
0.14
1
0.61
0.11
0.02
0.75
0.14
Barneby
Senna
macranthera
var.
pudibunda
(Mart. ex Benth.) H.S. Irwin & Barneby
Barneby
Indet 3
44
Tabela 4: Espécies amostradas na área conservada do Sítio Bandarra (AC-B), município de
Tenório, Seridó paraibano, e seus parâmetros fitossociológicos, ordenados em ordem
decrescente, pelo valor do VI, em que NI= número de indivíduos; FR= freqüência relativa; DR=
densidade relativa; DoR= dominância relativa; VI= valor de importância e VC= valor de
cobertura.
Espécie
NI
FR
DR
DoR
VI
VC
Croton sp
685
11.63
56.38
28.66
96.67
85.04
Caesalpinia pyramidalis Tul.
112
11.16
9.22
27.28
47.67
36.50
Mimosa ophthalmocentra Mart. ex Benth.
85
8.37
7.00
6.84
22.20
13.83
Aspidosperma pyrifolium Mart.
56
9.77
4.61
7.11
21.48
11.71
Bauhinia cheilantha (Bong.) Steud.
77
10.23
6.34
2.94
19.51
9.28
Pilosocereus sp.
26
7.91
2.14
8.47
18.51
10.61
Piptadenia stipulacea (Benth.) Ducke
60
6.05
4.94
3.26
14.24
8.20
Commiphora leptophloeos (Mart.) J.B.
13
5.12
1.07
5.87
12.06
6.94
Anadenanthera colubrina (Vell.) Brenan
18
6.05
1.48
2.05
9.58
3.54
Myracrodruon urundeuva Allemão
7
2.79
0.58
3.78
7.15
4.36
Croton sonderianus Müll. Arg.
33
3.26
2.72
1.05
7.02
3.77
Manihot glaziovii Müll. Arg.
7
2.79
0.58
0.60
3.97
1.18
Jatropha mollissima (Pohl) Baill.
7
2.79
0.58
0.11
3.47
0.68
Cissus sp.
5
1.86
0.41
0.29
2.56
0.70
Capparis yco Mart.
4
1.40
0.33
0.35
2.07
0.68
Opuntia sp.
3
1.40
0.25
0.09
1.74
0.34
Pseudobombax marginatum (A. St.-Hil.,
3
0.93
0.25
0.05
1.23
0.30
Indet 6
1
0.47
0.08
0.67
1.22
0.75
Cnidoscolus sp.
2
0.93
0.16
0.08
1.17
0.24
Mimosa tenuiflora (Willd.) Poir.
2
0.93
0.16
0.06
1.15
0.22
Alternanthera brasiliana (L.) Kuntze
2
0.93
0.16
0.03
1.13
0.19
Cereus jamacaru DC.
1
0.47
0.08
0.14
0.69
0.22
Indet 7
1
0.47
0.08
0.09
0.63
0.17
Amburana cearensis (Allemão) A.C. Sm.
1
0.47
0.08
0.04
0.59
0.12
Capparis flexuosa (L.) L.
1
0.47
0.08
0.03
0.58
0.11
Mimosa sp2
1
0.47
0.08
0.03
0.58
0.11
Senna macranthera var. pudibunda (Mart.
1
0.47
0.08
0.02
0.57
0.10
1
0.47
0.08
0.01
0.56
0.10
Gillett
Juss. & Cambess.) A. Robyns
ex Benth.) H.S. Irwin & Barneby
Sapium sp.
45
Segundo Pereira et al. (2001), os valores de densidade para o Croton sonderianus
Müll. Arg., são inversamente proporcionais aos níveis de perturbação, o que significa que
quanto mais alta for sua densidade mais baixa será a estabilidade das populações da área,
pois a espécie mostra significativa tolerância a elevados níveis de perturbação. Sampaio et
al.(1998) e Sampaio (1996) constataram que este padrão geralmente é observado para
outras pioneiras típicas de ambientes antropizados da caatinga, como Mimosa tenuiflora
(Willd.) Poir., Bauhinia cheilantha (Bong.) Steud. e Caesalpinia pyramidalis Tul.
O marmeleiro (Croton sonderianus Müll. Arg.), o quebra-faca (Croton sp), e a
catingueira (Caesalpinia pyramidalis Tul.) são as espécies dominantes nos locais
estudados. Houve apenas uma mudança na espécie dominante de Croton de uma área para
a outra (Tabelas 3 e 4). Isto demonstra que, mesmo sendo conservadas atualmente, as
áreas amostradas apresentam elevado grau de perturbação, tendo como espécies
dominantes pioneiras muito comuns (SAMPAIO et al., 1998; SAMPAIO, 1996). Isto
pode ser reflexo de usos anteriores, com a realização de corte raso, queimadas, ou mesmo
extração seletiva intensa de madeira, embora os proprietários afirmem que estas áreas
nunca passaram por estes processos pelo menos numa data inferior a 50 anos.
As espécies que apresentaram maiores freqüências relativas em AC-V, em ordem
decrescente, foram: Croton sonderianus Müll. Arg., Caesalpinia pyramidalis Tul., Senna
acuruensis (Benth.) H.S. Irwin & Barneby e Jatropha mollissima (Pohl) Baill., com
aproximadamente 15; 12; 11 e 8%, respectivamente (Tabela 3). As espécies Peltogyne
pauciflora Benth., Piptadenia moniliformis Benth., Piptadenia stipulacea (Benth.) Ducke
e Alibertia sp. (canela de veado) apresentaram a mesma freqüência relativa, cerca de 4%
(Tabela 3).
Em AC-B tem-se, também em ordem decrescente de freqüência relativa: Croton
sp. (quebra-faca), Caesalpinia pyramidalis Tul., Bauhinia cheilantha (Bong.) Steud.,
Aspidosperma pyrifolium Mart. e Mimosa ophthalmocentra Mart. ex Benth.
As cinco espécies de maior dominância relativa, em AC-V, em ordem decrescente,
foram: marmeleiro, catingueira, jurema-preta, catanduba e mandacaru, sendo que este
último não apresentou valores de densidade e freqüência relativas significativos. Este fato
pode ser explicado pela referida cactácea (Cereus jamacaru DC.) apresentar uma área
basal maior que a de algumas outras espécies mais numerosas. A soma da dominância
46
absoluta dessas cinco espécies corresponde a aproximadamente 90% da área basal total do
povoamento desta área. (Tabela 3).
Em AC-B, as cinco espécies de maior dominância relativa, em ordem decrescente
foram respectivamente: quebra-faca, catingueira, facheiro, pereiro e jurema-branca. A
soma das áreas basais dessas cinco espécies corresponde a aproximadamente 95% da área
basal total calculada para a área. Observa-se que entre as espécies que dominaram a área
estudada, mandacaru e facheiro apresentaram densidades e freqüências relativas muito
baixas, mas estiveram presentes entre as espécies dominantes por apresentarem áreas
basais maiores do que muitas das demais espécies (Tabela 4). De acordo com Rodal et al.
(1992), a área basal é um parâmetro de grande importância na dominância relativa das
espécies, refletindo-se também no VI e, conseqüentemente, na comunidade como um
todo, já que tais parâmetros estão interligados.
A espécie que teve maiores freqüência, densidade e dominância relativa, na
Várzea, foi o marmeleiro, que embora seja um arbusto de pequeno porte, apresentou um
número de indivíduos muito grande (Tabela 3). De acordo com Araújo (2000), esta
espécie é indicadora de uma sucessão secundária. Segundo Hardesty et al. (1988), Croton
sonderianus é uma espécie invasora de caatingas antropizadas, que produz grande
quantidade de sementes de fácil dispersão tanto na deiscência dos frutos, quanto através
de vetores biológicos. Na Bandarra, a espécie que se destacou foi o quebra-faca (Croton
sp.) com maiores freqüência, densidade e dominância relativas, além de VI e VC muito
superiores aos das outras espécies (Tabela 4).
Das 32 espécies amostradas na Várzea do Cariri, 22 apresentaram menos de 10
indivíduos. Entretanto, dentre estas está Mimosa tenuiflora (Willd.) Poir., que apresentou
um VI entre os mais altos, por possuir área basal maior que várias espécies com número
de indivíduos superior. Na área conservada Bandarra, das 28 espécies registradas, 18
apresentaram menos de 10 indivíduos.
As cinco espécies de maior VI em AC-V (Tabela 3) foram em ordem decrescente:
marmeleiro, catingueira, catanduba, canafístula-preta e jurema-preta. Em AC-B as espécies
foram: quebra-faca, catingueira, jurema-branca, pereiro e mororó (Tabela 4).
Comparando-se o VI e o VC nas duas áreas (Tabelas 3 e 4), pode-se verificar que
marmeleiro em AC-V, e quebra-faca, em AC-B, ambas Euphorbiaceae, apresentaram
47
tanto VI quanto VC muito superiores aos das outras espécies, em virtude do número de
indivíduos de cada uma delas.
Nota-se que grande parte das espécies com maior importância dentro dessas
comunidades são pioneiras, sugerindo áreas altamente antropizadas.
A exemplo do
marmeleiro, já discutido anteriormente, a jurema-preta, segundo Sampaio (1998), é uma
espécie que realmente se aproveita das situações de antropização, tornando-se dominante
grande parte do tempo no processo de sucessão, sendo sua presença marcante, em
algumas áreas de caatinga, atribuída a seguidas alterações. Pereira et al. (2001) sugeriram
que este efeito se manifesta tanto na concentração como na ausência de algumas espécies
nos ambientes mais perturbados; na predominância de determinadas espécies ou no
surgimento gradual de outras à medida que diminui a intensidade da perturbação.
O pereiro, o mororó e a catingueira, de acordo com Sampaio et al. (1998) e
Sampaio (1996), são importantes pioneiras em processos de sucessão. A catingueira,
apesar do crescimento inicial relativamente pequeno, possui uma forte resistência à
seca e uma boa capacidade de competição por luz, tornando-se uma das espécies
dominantes nas etapas posteriores do processo. Já o pereiro mostrou-se uma espécie
pioneira muito ligada ao tipo de solo da área no estudo realizado por Amorim at al.
(2005), no Seridó do Rio Grande do Norte.
A jurema branca e a catanduba são comuns em várias áreas de caatinga
(LACERDA et al., 2005; LEMOS JR., 2004; ARAÚJO et al., 1998; MARACAJÁ et
al., 2003). Com relação à canafístula-preta (Senna acuruensis (Benth.) H.S. Irwin &
Barneby), não foi constatada sua presença como pioneira em trabalhos realizados na
caatinga.
Entre as dez primeiras espécies nos valores de importância e cobertura na área
AC-V, quatro apresentam hábito arbóreo (catingueira, catanduba, jurema-preta e coração
de nêgo), mandacaru e facheiro apresentam hábito arborescente. Já entre as dez primeiras
em AC-B, sete apresentaram hábito arbóreo: catingueira, jurema branca, pereiro, jurema
malícia da serra, umburana, angico e mororó. A catingueira, na primeira área teve alturas
entre 1,2 e 4m, com a média de 2,5m, embora tenham-se encontrado espécimes com 44cm
de DNB (Diâmetro ao Nível da Base). Na segunda área, esta espécie apresentou alturas
48
entre 2 e 7m, com a média de 4m de altura. Estes indivíduos apresentaram diâmetros na
base que variaram de 3 a 53cm.
4.3. Estudo Fitossociológico de Quatro Remanescentes de Caatinga em Diferentes
Estádios de Sucessão, no Sítio Várzea do Cariri, no Município de Tenório, PB.
Os quatro fragmentos estudados têm sua flora arbustivo-arbórea representada por
44 espécies e 14 famílias (Tabela 5). No total, foram registrados 2.467 indivíduos, sendo
260 na área cortada há dois anos (A – 2), 393 na área cortada há dez anos (A – 10), 931 na
área cortada há vinte anos (A – 20) e 883 na área conservada Várzea do Cariri (AC – V).
A flora de cada área apresentou-se da seguinte forma: A – 2 com sete espécies e
quatro famílias; A – 10 com dez espécies e quatro famílias, A – 20 com 24 espécies e 11
famílias e AC – V com 32 espécies e 11 famílias (Tabela 5).
Das 14 famílias, 6 foram representadas por apenas uma espécie. As famílias com
maior número de espécies nas quatro áreas foram Leguminosae subfamília Mimosoideae
com 7 espécies, Leguminosae subfamília Caesalpinioideae (6) e Euphorbiaceae (5). Estas
três, quando somadas, respondem por mais de 40% do total de espécies.
Em A – 2, a família que se mostrou mais diversa foi Euphorbiaceae, com três
espécies. Leguminosae subfamília Caesalpinioideae teve 41% do número de indivíduos,
mesmo tendo sido encontrada apenas uma espécie - Senna acuruensis (Benth.) H.S. Irwin
& Barneby, que se mostrou muito freqüente na área. Cactaceae e Anacardiaceae tiveram
duas e uma espécie, respectivamente, sendo importante salientar que esta última teve
apenas um indivíduo de
Schinopsis brasiliensis Engl. na amostragem, poupado no
processo de brocagem, por fornecer sombra para os trabalhadores durante as refeições e o
descanso (Figura 18).
Na área A – 10 (Figura 19) a família que se destacou foi Leguminosae subfamília
Mimosoideae,
com
densidade
relativa
de
65%;
Euphorbiaceae
apresentou
aproximadamente 32%. As três outras famílias da área somaram 3% . Na área A – 20
(Figura 20), foram registradas onze famílias, porém, a maioria com poucos indivíduos. As
famílias de maior densidade foram: Euphorbiaceae (82%), Leguminosae subfamília
Mimosoideae (9%) e Leguminosae subfamília Caesalpinioideae (6%).
49
Na área conservada destacaram-se as mesmas famílias registradas em A – 20
(Figura 24), representando-se as maiores densidades da seguinte maneira: Euphorbiaceae
(70%), Leguminosae subfamília Caesalpinioideae (16%) e Leguminosae subfamília
Mimosoideae (6%).
Figura 18: Aspecto de área cortada há dois anos (A- Figura 19: Aspecto de área cortada há dez anos (A2), no período chuvoso Tenório-PB. Foto: Ana Nery 10), no período chuvoso, Tenório-PB. Foto: Ana
Batista Aurino, 2007.
Nery Batista Aurino, 2007.
Figura 20: Aspecto de área cortada há vinte anos (A- Figura 21: Flores e fruto de Caesalpinia pyramidalis
20), no período chuvoso, Tenório-PB. Foto: Ana Nery Tul., na área cortada há vinte anos (A-20),
Tenório-PB. Foto: Ana Nery Batista Aurino, 2006.
Batista Aurino, 2007.
50
Figura 22: Aspecto de área conservada Várzea do Figura 23: Flores de Caesalpinia ferrea Mart. Na
Cariri (AC-V), no início do período chuvoso, área conservada (AC-V), após as primeiras
Tenório-PB. Foto: Ana Nery Batista Aurino, 2006. chuvas, Tenório-PB. Foto: Ana Nery Batista
Aurino, 2006.
90
A-2
80
60
A-10
50
40
A-20
30
20
AC-V
10
0
e
ea
ac
en
rb eae
Ve dac
n
pi e
Sa c e a a e
a
b i ac e
R u g in
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B o nia
e
o
g n ea
B i y na c a e
oc ac e
Ap a rd i
ac
An
Densidade Relativa da Família (%)
70
Figura 24: Famílias de maior densidade relativa, em quatro áreas de caatinga em diferentes
estádios de sucessão secundária, no Sítio Várzea do Cariri, Tenório – PB.
51
Estas famílias também foram as mais representativas em outras áreas do Seridó
Paraibano (Bandarra, presente estudo) e do Rio Grande do Norte, e em outras áreas da
Paraíba e Pernambuco (GOMES,1979; LYRA, 1982; EMPERAIRE, 1991; FONSECA,
1991; HORTA et al., 1991; FERREIRA; VALE, 1992; FERRAZ, 1994; ARAÚJO;
SAMPAIO & RODAL, 1995; ARAÚJO 2000, PEREIRA et al., 2001; ALBUQUERQUE
ANDRADE, 2002; LEMOS; RODAL, 2002; ALCOFORADO-FILHO et al., 2003;
MARACAJÁ, 2003; LIMA, 2004; ANDRADE et al.,2005; SANTANA; SOUTO, 2006).
As áreas com dois e dez anos após o corte apresentaram um número reduzido de
famílias e espécies, sendo que a última, mesmo com cinco vezes a idade de corte da
primeira, registrou somente três espécies e uma família a mais.
Constatou-se que as áreas mais semelhantes entre si foram as duas com maior
tempo de sucessão, mesmo uma delas tendo passado pelo processo de corte raso há vinte
anos e a outra, segundo relatos dos proprietários, há mais de 50 anos. A-20 e AC-V
apresentaram o mesmo número de famílias e gêneros, 11 e 17 em cada fragmento
respectivamente, porém o número de espécies foi maior em AC-V.
Foram 12 os gêneros comuns a essas duas áreas: Alibertia, Aspidosperma,
Caesalpinia, Combretum, Croton, Erythroxylum, Helicteres, Jatropha, Mimosa,
Pilosocereus, Piptadenia e Senna. As espécies comuns aos dois fragmentos foram 14:
Alibertia sp., Aspidosperma pyrifolium Mart., Caesalpinia pyramidalis Tul., Combretum
leprosum Mart.,
Helicteres
Croton sonderianus Müll. Arg., Erythroxylum caatingae Plowman.
guazumifolia
Kunth,
Jatropha
mollissima
(Pohl)
Baill.,
Mimosa
ophthalmocentra Mart. ex Benth., Mimosa tenuiflora (Willd.) Poir., Pilosocereus
pachycladus F.Ritter, Piptadenia stipulacea (Benth.) Ducke, Senna acuruensis (Benth.)
H.S. Irwin & Barneby e Senna macranthera var. pudibunda (Mart. ex Benth.) H.S. Irwin
& Barneby.
Cordia leucocephala Moric., Dioclea grandiflora Mart. ex Benth, Cnidoscolus sp.
(favela), Croton sp. (quebra-faca), Thiloa sp. (mumcumã), e Allophylus sp.(buji) e
Combretum sp. foram espécies exclusivas de A-20.
Na área conservada apresentaram-se como exclusivas: Amburana cearensis
(Allemão) A.C. Sm., Caesalpinia ferrea Mart., Erythroxylum nummularia Peyr., Lippia
52
gracilis Schauer, Mimosa invisa Mart. ex Colla, Mimosa sp4, Peltogyne pauciflora
Benth., Piptadenia moniliformis Benth., Senna martiana (Benth.) H.S. Irwin & Barneby,
Vitex sp. e mais seis espécies não identificadas.
Os resultados obtidos por Pereira (2003) e Andrade et al. (2005) indicam que
fragmentos de caatinga em melhor estado de conservação são efetivamente mais diversos
que aqueles mais degradados. A maioria das famílias representadas na área com 20 anos
de corte e na área conservada não teve representação nas outras duas áreas (A-2 e A-10).
Entretanto, este trabalho, se comparado ao de Andrade et al. (2005), registrou maior
número de indivíduos, espécies e famílias, mesmo considerando-se os menores tempos de
sucessão, o que talvez possa ser explicado pelos índices pluviométricos levemente
superiores - cerca de 560mm (média dos últimos sete anos – EMATER – TENÓRIO,
2006 – dados não publicados) - aos do Cariri paraibano.
Tabela 5: Espécies e famílias registradas em quatro fragmentos de caatinga em diferentes estádios
sucessão, no Sítio Várzea do Cariri, no município de Tenório, PB. Onde: A – 2 = área cortada há
dois anos; A – 10 = área cortada há dez anos, A – 20 = área cortada há vinte anos e AC – V= área
conservada.
Família
Espécie
Nome vulgar
A-2
Anacardiaceae
Apocynaceae
Bignoniaceae
Boraginaceae
Cactaceae
Cactaceae
Schinopsis brasiliensis Engl.
Aspidosperma pyrifolium Mart.
Tabebuia caraiba (Mart.) Bureau
Cordia leucocephala Moric.
Cereus jamacaru DC.
Pilosocereus
pachycladus
F.Ritter
Combretum leprosum Mart.
Combretum sp.
Thiloa sp.
Erythroxylum
caatingae
Plowman
Erythroxylum nummularia Peyr.
Cnidoscolus sp.
Croton moritibensis Baill.
Croton sonderianus Müll. Arg.
Croton sp.
Jatropha mollissima (Pohl) Baill.
Caesalpinia ferrea Mart.
Caesalpinia pyramidalis Tul.
Peltogyne pauciflora Benth.
Senna acuruensis (Benth.) H.S.
Irwin & Barneby
Senna
macranthera
var.
pudibunda (Mart. ex Benth.) H.S.
baraúna
pereiro
craibeira
maria-preta
mandacaru
facheiro
X
Combretaceae
Combretaceae
Combretaceae
Erythroxylaceae
Erythroxylaceae
Euphorbiaceae
Euphorbiaceae
Euphorbiaceae
Euphorbiaceae
Euphorbiaceae
Leg. Caesalpinioideae
Leg. Caesalpinioideae
Leg. Caesalpinioideae
Leg. Caesalpinioideae
Leg. Caesalpinioideae
flor de São João
A-20
AC-V
X
X
X
X
X
X
mofumbo
—
sipaúba
umbuzeiro-bravo
umbuzeiro-bravo
favela
velame
marmeleiro
quebra-faca
pinhão
jucá / pau-ferro
catingueira
coração-de-nêgo
canafístula-preta
A-10
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
53
Malvaceae
Malvaceae
Nyctaginaceae
Rubiaceae
Irwin & Barneby
Senna martiana (Benth.) H.S.
Irwin & Barneby
Amburana cearensis (Allemão)
A.C. Sm.
Dioclea grandiflora Mart. ex
Benth.
Leguminosae sp3
Leguminosae sp4
Mimosa invisa Mart. ex Colla
Mimosa ophthalmocentra Mart.
ex Benth.
Mimosa paraibana Barneby
Mimosa sp4
Mimosa tenuiflora (Willd.) Poir.
Piptadenia moniliformis Benth.
Piptadenia stipulacea (Benth.)
Ducke
Helicteres guazumifolia Kunth
Malvaceae 1
Nyctaginaceae 1
Alibertia sp.
Sapindaceae
Verbenaceae
Verbenaceae
Indeterminada
Indeterminada
Indeterminada
Indeterminada
14
Allophylus sp.
Lippia gracilis Schauer
Vitex sp.
Indeterminada 1
Indeterminada 2
Indeterminada 3
Indeterminada 4
44
Leg. Caesalpinioideae
Leg. Faboideae
Leg. Faboideae
Leg. Faboideae
Leg. Faboideae
Leg. Mimosoideae
Leg. Mimosoideae
Leg. Mimosoideae
Leg. Mimosoideae
Leg. Mimosoideae
Leg. Mimosoideae
Leg. Mimosoideae
canafístula
X
cumaru
X
mucumã
branhona
—
jurema-malícia
jurema-branca
malícia
—
jurema-preta
catanduba
jurema malícia-daserra
guaxuma
—
joão-mole/ murici
canela-deveado/cafezinho
buji
alecrim-da-serra
—
—
—
—
—
44
7
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
10
X
24
32
Apenas Croton sonderianus Müll. Arg. e Jatropha mollissima (Pohl) Baill.
estiveram presentes nas quatro áreas. Schinopsis brasiliensis Engl foi amostrada somente
em A-2 e Tabebuia caraiba (Mart.) Bureau, em A-10.
A área onde se realizou o corte há vinte anos (A-20) apresentou um número de
indivíduos superior à soma das duas primeiras áreas juntas. Nesta foram registradas 24
espécies, das quais 12 não foram encontradas em A-2 e nem em A-10. São elas:
Helicteres guazumifolia Kunth, Cordia leucocephala Moric., Dioclea grandiflora Mart.
ex Benth., Aspidosperma pyrifolium Mart., Erythroxylum caatingae Plowman, Allophylus
sp., Alibertia sp., Thiloa sp., Cnidoscolus sp., Croton sp., Combretum sp. e Nyctaginaceae
1.
É interessante ressaltar a presença em A – 10 da Tabebuia caraiba (Mart.) Bureau,
que não é comum em ambientes de solos secos. Seu registro, porém, deve estar associado
54
a existência de um pequeno riacho temporário que corta essa área, pois, de acordo com
Cabral et al. (2004), a espécie apresenta esse comportamento.
A densidade em A-2 foi de 1.040 indivíduos/ha, 1.572 indivíduos/ha em A – 10,
3.724 indivíduos/ha, em A – 20 e 3.532 indivíduos/ha em AC-V. Estas densidades são
muito baixas se comparadas a outras áreas de caatinga. Entretanto, comparando-se as
densidades de A – 20 e AC – V com o valor encontrado por Amorim et al. (2005), no
Seridó do Rio Grande do Norte, estas foram superiores.
A área basal nas quatro áreas foi: 0,580m ²/ha em A – 2, 2,394m ²/ha em A –
10, 2,823m ²/ha em A – 20 e 3.538m ²/ ha em AC – V. Fica clara a diferença entre A -2
e as três outras áreas, que apresentaram valores de área basal relaticamente próximos, com
números de indivíduos muito diferentes, principalmente A -10 e A-20.
As alturas médias em A - 2, A – 10, A – 20 e AC - V foram 1,7m, 2,8m e 2,6m e
2,8, respectivamente. Em A – 2, a maioria dos indivíduos foi de pequenos arbustos,
principalmente de Senna acuruensis (Benth.) H.S. Irwin & Barneby e Croton sonderianus
Müll. Arg. Somente cinco indivíduos apresentaram mais de 3m nessa área, sendo que um
apresentou a maior altura registrada para as quatro áreas estudadas (Figura 25).
Apenas nove indivíduos apresentaram mais de 4m de altura na área cortada há dez
anos, sendo que o maior número de indivíduos permaneceu na classe de 2 a 3m (Figura
26). Na área cortada há vinte anos, os oito indivíduos mais altos atingiram entre 5 e 6m e a
grande maioria permaneceu em níveis de altura também entre 2 e 3m. Em AC – V apenas
seis indivíduos apresentaram mais de 5m (Figura 12).
Amorim et al. (2005), no Seridó do Rio Grande do Norte, encontraram um padrão
de altura superior ao do presente trabalho, com a altura da maioria dos indivíduos entre 3
e 4m, e um equilíbrio entre os indivíduos com alturas entre 2 e 3 e aqueles entre 4 e 5m.
Os diâmetros médios nas quatro áreas foram, respectivamente, 4,8cm, 7,6cm e
5,6cm e 5,9cm em A-2, A-10, A-20 e AC-V. Porém, a média em A - 2 sofreu influência
do único indivíduo de grande diâmetro de Schinopsis brasiliensis Engl., assim como na
altura. O diâmetro médio em A -10, um pouco maior do que em A – 20 e AC - V, sugere a
possibilidade de ter havido um corte seletivo mais recente em A – 20 e AC - V.
55
250
223
Nº de Plantas
200
150
100
50
31
5
0
0
0
1
3-< 4
4-< 5
5-< 6
6-< 7
7-< 8
0
1-< 2
2-< 3
Classes de Altura (m)
Figura 25: Distribuição em classes de altura, das plantas amostradas na área cortada há dois anos
(A – 2), no Sítio Várzea do Cariri, Tenório-PB.
250
231
Nº de Plantas
200
150
88
100
65
50
9
0
0
0
5-< 6
6-< 7
7-< 8
0
1-< 2
2-< 3
3-< 4
4-< 5
Classes de Altura (m)
Figura 26: Distribuição em classes de altura, das plantas amostradas na área cortada há dez anos
(A – 10), no Sítio Várzea do Cariri, Tenório-PB.
56
700
574
N° de Plantas
600
500
400
300
200
193
135
100
20
8
1
0
4-< 5
5-< 6
6-< 7
7-< 8
0
1-< 2
2-< 3
3-< 4
Classes de Altura (m)
Figura 27: Distribuição em classes de altura, das plantas amostradas na área cortada há vinte
anos (A – 20), no Sítio Várzea do Cariri, Tenório-PB.
O Índice de Diversidade de Shannon, calculado para cada fragmento, foi muito
baixo: 1,217 nat/ind., em A -2; 1,095 nat/ind., em A – 10; 1,093 nat/ind, em A – 20; e
1.495 nat/ind, em AC – V. Mas, considerando-se que as três primeiras passaram por corte
raso a menos tempo, esperava-se números relativamente baixos. De acordo com AraújoFilho e Carvalho (1996), mais de 80% das caatingas são sucessionais e 40% deste
percentual é mantido em estádios iniciais de sucessão secundária.
Tabela 6: Espécies encontradas na Área cortada há dois anos (A - 2), município de Tenório,
Seridó paraibano, e seus parâmetros fitossociológicos em ordem decrescente do VI, onde NI =
número de indivíduos; FR = freqüência relativa; DR = densidade relativa; DoR = dominância
relativa; VI = valor de importância e VC = valor de cobertura.
Espécie
NI
Senna acuruensis (Benth.) H.S. Irwin & 107
FR
DR
DoR
VI
VC
34.92
41.15
33.24
109.31
74.39
Barneby
Croton sonderianus Müll. Arg.
85
31.75
32.69
31.12
95.56
63.81
Croton moritibensis Baill.
60
20.63
23.08
11.07
54.78
34.14
Cereus jamacaru DC.
3
4.7
1.15
6.79
12.71
7.94
Schinopsis brasiliensis Engl.
1
1.59
0.38
9.92
11.89
10.30
Pilosocereus sp.
2
3.17
0.77
5.82
9.76
6.59
57
Jatropha mollissima (Pohl) Baill.
2
3.17
0.77
2.05
5.99
2.81
Tabela 7: Espécies encontradas na Área cortada há dez anos (A - 10), município de Tenório,
Seridó paraibano, e seus parâmetros fitossociológicos em ordem decrescente do VI, onde NI =
número de indivíduos; FR = freqüência relativa; DR = densidade relativa; DoR = dominância
relativa; VI = valor de importância e VC = valor de cobertura.
Espécie
NI
FR
DR
DoR
VI
VC
Mimosa tenuiflora (Willd.) Poir.
222
35.71
56.49
68.79
160.99
125.28
Croton sonderianus Müll. Arg.
125
24.2
31.81
21.79
77.88
53.59
Mimosa ophthalmocentra Mart. ex Benth.
28
20.00
7.12
6.36
33.48
13.48
Caesalpinia pyramidalis Tul.
7
7.14
1.78
0.76
9.68
2.54
Piptadenia stipulacea (Benth.) Ducke
2
2.86
0.51
1.01
4.38
1.52
Tabebuia caraiba (Mart.) Bureau
3
1.43
0.76
0.40
2.59
1.16
Jatropha mollissima (Pohl) Baill.
2
2.86
0.51
0.32
3.68
0.82
Mimosa paraibana Barneby
2
2.86
0.51
0.30
3.67
0.81
Senna macranthera var. pudibunda (Mart. 1
1.43
0.25
0.17
1.86
0.43
1.43
0.25
0.11
1.79
0.36
ex Benth.) H.S. Irwin & Barneby
Combretum leprosum Mart.
1
Tabela 8: Espécies encontradas na Área cortada há vinte anos (A - 20), município de Tenório,
Seridó paraibano, e seus parâmetros fitossociológicos em ordem decrescente do VI, onde NI =
número de indivíduos; FR = freqüência relativa; DR = densidade relativa; DoR = dominância
relativa; VI = valor de importância e VC = valor de cobertura.
Espécie
NI
FR
DR
DoR
VI
VC
Croton sonderianus Müll. Arg.
727
21.74
78.09
66.63
166.46
144.72
Caesalpinia pyramidalis Tul.
36
14.78
3.87
12.69
31.34
16.56
Mimosa ophthalmocentra Mart. ex Benth.
66
14.78
7.09
7.54
29.41
14.63
Jatropha mollissima (Pohl) Baill.
22
8.70
2.36
1.89
12.95
4.25
Senna acuruensis (Benth.) H.S. Irwin & 16
6.96
1.72
2.08
10.76
3.80
Barneby
Mimosa tenuiflora (Willd.) Poir.
13
3.48
1.40
2.49
7.37
3.89
Aspidosperma pyrifolium Mart.
7
3.48
0.75
2.14
6.37
2.89
Piptadenia stipulacea (Benth.) Ducke
8
4.35
0.86
1.01
6.22
1.87
Croton sp.
7
4.35
0.75
0.60
5.70
1.35
“Nyctaginaceae 1”
3
2.61
0.32
0.55
3.49
0.88
Senna macranthera var. pudibunda (Mart. 3
2.61
0.32
0.10
3.03
0.42
ex Benth.) H.S. Irwin & Barneby
Cnidoscolus sp.
4
1.74
0.43
0.24
2.41
0.67
Combretum leprosum Mart.
4
1.74
0.43
0.17
2.34
0.60
58
Erythroxylum caatingae Plowman
1
0.87
0.11
0.79
1.77
0.90
Thiloa sp.
4
0.87
0.43
0.17
1.47
0.60
Pilosocereus sp.
1
0.87
0.11
0.41
1.38
0.51
Dioclea grandiflora Mart. ex Benth.
3
0.87
0.32
0.12
1.31
0.44
Croton moritibensis Baill.
1
0.87
0.11
0.08
1.06
0.19
Indeterminada
1
0.87
0.11
0.08
1.05
0.18
Combretum sp.
1
0.87
0.11
0.07
1.05
0.18
Helicteres guazumifolia Kunth
1
0.87
0.11
0.06
1.04
0.17
Allophylus sp.
1
0.87
0.11
0.05
1.03
0.16
Alibertia sp.
1
0.87
0.11
0.04
1.03
0.16
Cordia leucocephala Moric.
1
0.87
0.11
0.02
1.00
0.13
Tabela 9: Espécies encontradas na Área conservada Várzea do Cariri (AC-V), município de
Tenório, Seridó paraibano, e seus parâmetros fitossociológicos, em ordem decrescente, pelo valor
do VI, em que NI= número de indivíduos; FR= freqüência relativa; DR= densidade relativa;
DoR= dominância relativa; VI= valor de importância e VC= valor de cobertura.
Espécie
NI
FR
DR
DoR
VI
VC
Croton sonderianus Müll. Arg.
590
15.34
66.82
38.57
120.72
105.39
Caesalpinia pyramidalis Tul.
65
12.27
7.36
18.84
38.47
26.20
Senna acuruensis (Benth.) H.S. Irwin & 58
11.04
6.57
2.67
20.28
9.24
Barneby
Piptadenia moniliformis Benth.
23
4.29
2.60
7.18
14.08
9.79
Mimosa tenuiflora (Willd.) Poir.
10
3.68
1.13
8.69
13.51
9.83
Jatropha mollissima (Pohl) Baill.
33
7.98
3.74
1.49
13.20
5.22
Pilosocereus sp.
5
3.07
0.57
5.57
9.20
6.13
Cereus jamacaru DC.
6
2.45
0.68
5.61
8.75
6.29
Peltogyne pauciflora Benth.
12
4.29
1.36
2.69
8.34
4.04
Erythroxylum nummularia Peyr.
17
3.68
1.93
1.30
6.91
3.23
Mimosa ophthalmocentra Mart. ex Benth.
7
3.07
0.79
2.40
6.26
3.19
Piptadenia stipulacea (Benth.) Ducke
7
4.29
0.79
0.70
5.78
1.49
Alibertia sp.
10
4.29
1.13
0.34
5.77
1.48
Vitex sp.
5
3.07
0.57
0.18
3.81
0.74
Aspidosperma pyrifolium Mart.
4
2.45
0.45
0.17
3.07
0.62
Erythroxylum caatingae Plowman
4
1.23
0.45
1.35
3.03
1.80
Combretum leprosum Mart.
6
1.84
0.68
0.45
2.97
1.13
Caesalpinia ferrea Mart.
3
1.23
0.34
1.10
2.66
1.44
Mimosa paraibana Barneby
3
1.84
0.34
0.08
2.26
0.42
59
Leguminosae sp3
2
1.23
0.23
0.10
1.55
0.33
Malvaceae 1
2
1.23
0.23
0.04
1.49
0.26
Senna macranthera var. pudibunda (Mart. 2
0.61
0.23
0.05
0.89
0.28
ex Benth.) H.S. Irwin & Barneby
Leguminosae sp2
1
0.61
0.11
0.15
0.88
0.27
Lippia gracilis Schauer
1
0.61
0.11
0.07
0.80
0.19
Helicteres guazumifolia Kunth
1
0.61
0.11
0.04
0.77
0.16
Mimosa sp4
1
0.61
0.11
0.04
0.77
0.15
Indet 1
1
0.61
0.11
0.03
0.76
0.15
Indet 2
1
0.61
0.11
0.03
0.75
0.14
Amburana cearensis (Allemão) A.C. Sm.
1
0.61
0.11
0.02
0.75
0.14
Senna martiana (Benth.) H.S. Irwin & 1
0.61
0.11
0.02
0.75
0.14
0.61
0.11
0.02
0.75
0.14
Barneby
Indet 3
1
Das sete espécies presentes em A – 2, Senna acuruensis (Benth.) H.S. Irwin &
Barneby e Croton sonderianus Müll. Arg. destacaram-se pela grande quantidade de
indivíduos e dominância relativa (Tabela 6). A espécie mais freqüente foi Senna
acuruensis (Benth.) H.S. Irwin & Barneby, da família Leguminosae, seguida por duas
espécies de Euphorbiaceae — Croton sonderianus Müll. Arg. Croton moritibensis
Baill.
Na área A – 10 também foi uma Leguminosae que teve maior freqüência, só
que esta da subfamília Mimosoideae, Mimosa tenuiflora (Willd.) Poir. Logo depois
destacando-se o Croton sonderianus Müll. Arg. (Tabela 7). Segundo Araújo Filho e
Carvalho (1996), a presença de jurema-preta (Mimosa tenuiflora (Willd.) Poir.), em A
– 10, pode ser indicadora de solo ácido com drenagem limitada e de fertilidade natural
baixa. Esta pode ser a explicação para a presença de poucas espécies nesta área, em
comparação com A – 2 .
As três espécies que apresentaram maior dominância relativa na área A – 20, em
ordem decrescente foram: Croton sonderianus Müll. Arg., Caesalpinia pyramidalis Tul. e
Mimosa tenuiflora (Willd.) Poir. (Tabela 8). Estas três espécies apresentaram-se também,
respectivamente, na mesma ordem, com as maiores dominâncias relativas em AC-V.
60
Nesta área, destacaram-se logo em seguida Piptadenia moniliformis Benth. e Cereus
jamacaru DC. (Tabela 9).
Observando-se as três espécies de maior dominância relativa em cada área, vê-se
que são todas espécies pioneiras de fácil adaptação em áreas de caatinga degradadas, de
acordo com Sampaio et al. (1998). Além da dominância relativa, pode-se verificar que
estas
mesmas
espécies
destacaram-se
em
praticamente
todos
os
parâmetros
fitossociológicos calculados.
Os valores de importância (VI) e cobertura (VC) nas quatro áreas destacaram as
mesmas espécies que se sobressaíram nos outros parâmetros (Tabelas 6, 7, 8 e 9). No caso
de A – 20 e AC – V, destacou-se o marmeleiro (Croton sonderianus Müll. Arg.), com
superioridade inquestionável sobre as demais espécies.
O maior número de indivíduos de marmeleiro (Croton sonderianus Müll. Arg.) nas
áreas A – 20 e AC -V, comparativamente às áreas A – 2 e A – 10 (Tabelas 7, 8 e 9 e 10),
demostra grande possibilidade de que essas áreas tenham efetivamente passado por corte
seletivo mais recente, priorizando os indivíduos de maior diâmetro de Mimosa tenuiflora
(Willd.) Poir. que é valorizada por fornecer lenha para diversos fins.
120
Senna acuruensis (Benth.) H.S. Irwin
& Barneby
Croton sonderianus Müll. Arg.
100
Croton moritibensis Baill.
80
Cereus jamacaru DC.
60
Schinopsis brasiliensis Engl.
Pilosocereus pachycladus F.Ritter
40
Jatropha mollissima (Pohl) Baill.
20
0
VI
VC
61
Figura 28: Espécies que apresentaram maior VI e VC na área A – 2.
180
Mimosa tenuiflora (Willd.) Poir.
160
Croton sonderianus Müll. Arg.
140
Mimosa ophthalmocentra Mart. ex
Benth.
120
100
Caesalpinia pyramidalis Tul.
80
Piptadenia stipulacea (Benth.)
Ducke
60
Jatropha mollissima (Pohl) Baill.
40
Mimosa paraibana Barneby
20
0
VI
VC
Figura 29: Espécies que apresentaram maior VI e VC na área A – 10.
Croton sonderianus Müll. Arg.
180
160
Caesalpinia pyramidalis Tul.
140
Mimosa ophthalmocentra Mart. ex
Benth.
120
Jatropha mollissima (Pohl) Baill.
100
80
Senna acuruensis (Benth.) H.S. Irwin
& Barneby
60
Mimosa tenuiflora (Willd.) Poir.
40
Aspidosperma pyrifolium Mart.
20
0
VI
VC
Piptadenia stipulacea (Benth.)
Ducke
Figura 30: Espécies que apresentaram maior VI e VC na área A – 20.
62
Croton sonderianus Müll. Arg.
140
Caesalpinia pyramidalis Tul.
120
Senna acuruensis (Benth.) H.S.
Irwin & Barneby
Piptadenia moniliformis Benth.
100
Mimosa tenuiflora (Willd.) Poir.
80
Jatropha mollissima (Pohl) Baill.
60
Pilosocereus pachycladus F.Ritter
40
Cereus jamacaru DC.
20
Peltogyne pauciflora Benth.
Erythroxylum nummularia Peyr.
0
VI
VC
Mimosa ophthalmocentra Mart.
ex Benth.
Figura 31: Espécies que apresentaram maior VI e VC na área AC-V.
Dentre as espécies de maior VI e VC, somente Croton sonderianus Müll. Arg e
Jatropha mollissima (Pohl) Baill. destacaram-se nas quatro áreas. As espécies mais
importantes nas áreas A-2, A-10 e A- 20 foram: Croton sonderianus Müll. Arg., Jatropha
mollissima (Pohl) Baill., Senna acuruensis (Benth.) H.S. Irwin & Barneby, Croton
moritibensis Baill., Cereus jamacaru DC., Pilosocereus pachycladus F.Ritter, Caesalpinia
pyramidalis Tul., Mimosa ophthalmocentra Mart. ex Benth., Mimosa tenuiflora (Willd.)
Poir. e Combretum leprosum Mart.
Mimosa tenuiflora (Willd.) Poir., Mimosa ophthalmocentra Mart. ex Benth.,
Caesalpinia pyramidalis Tul., Piptadenia moniliformis Benth. e Piptadenia stipulacea
(Benth.) Ducke foram destaque em A-10, A-20 e AC - V. Essas espécies, destacadas por
VI e VC, são utilizadas geralmente na produção de lenha, para fornecimento a
decantamentos de caulim, padarias e casas de farinha; na produção de carvão para uso
doméstico ou comercial, em pequena escala, e na produção de estacas para cercamento
das propriedades.
63
4.4 A Percepção Sócio-ambiental da Caatinga por Agricultores do Município de
Tenório, Seridó Oriental Paraibano.
Os atores sociais envolvidos na pesquisa foram majoritariamente do sexo feminino,
uma vez que as mulheres geralmente estão mais dispostas a colaborar respondendo aos
questionários. Entretanto, a diferença percentual entre homens e mulheres na amostragem
não foi muito grande (Figura 32).
A idade dos agricultores pesquisados também foi verificada a fim de analisar quem
está mais presente nos trabalhos agrícolas ou de preparo da terra, porém os percentuais
encontrados ficaram equilibrados, demonstrando que este tipo de atividade ainda é
dividido por toda a família, independentemente do sexo (gênero) e da idade. Pôde-se
observar, entretanto, algumas diferenças de funções, por exemplo, plantio, colheita,
alimentação dos animais e coleta de lenha são mais realizadas pelas mulheres e pelos
meninos mais jovens; já o processo de brocagem, corte e empilhamento (metragem) de
lenha, são funções mais realizadas por homens e jovens mais robustos. Constatou-se ainda
que, mesmo havendo equilíbrio entre as idades dos pesquisados, houve uma maior
participação de indivíduos entre 20 e 40 anos (Figura 33).
Feminino
58%
Masculino
42%
Figura 32: Distribuição dos agricultores
pesquisados por gênero.
Distribuição por Idade
Distribuição por Gênero
61+
51 a 60
41 a 50
10%
15%
18%
31 a 40
20%
21 a 30
14 a 20
21%
16%
Figura 33: Distribuição dos agricultores
pesquisados por intervalos de idade.
64
Com relação à escolaridade dos pesquisados, pôde-se constatar que 95%
freqüentaram a escola em algum momento da vida. Verificou-se ainda que 50% deles
estão situados no nível do Ensino Fundamental, sendo 28% na primeira fase (1ª a 4ª série)
e 22% na segunda fase (5ª a 8ª série). Os não alfabetizados totalizaram 5% e aqueles
apenas alfabetizados representaram 23%, salientando-se que, neste caso, são os
agricultores que sabem escrever somente o próprio nome (Figura 34). O nível médio
representou 21% e o superior 1%, o que foi surpreendente já que a agricultora em questão
terminou Pedagogia, é professora, e usa lenha da caatinga juntamente com sua família no
preparo de produtos cerâmicos — potes, panelas e outros utensílios de argila.
Superior completo
1%
13%
Escolaridade
Médio completo
8%
Médio incompleto
22%
5ª a 8ª série
28%
1ª a 4ª série
Alfabetizado
Não alfabetizado
23%
5%
Figura 34: Escolaridade dos agricultores pesquisados no município de Tenório-PB.
A visão dos agricultores sobre o meio ambiente certamente influencia suas opiniões
sobre flora, fauna e outros recursos ambientais disponíveis no meio em que estão
inseridos. Os agricultores pesquisados demonstraram, em sua maioria, uma visão
naturalista do meio ambiente, de acordo com a tipologia de Sauvé (1997), vendo-o como
Natureza (37%) e como lugar pra viver (33%) (Quadro 2). O meio ambiente como fonte
de recursos representou a visão de apenas 7% dos entrevistados. A concepção mais ampla,
do meio ambiente como Biosfera (Sauvé, 1997), representou também a perspectiva de
apenas 7% dos entrevistados (Figura 35).
65
Quadro 2: Concepções de Meio Ambiente na Educação Ambiental segundo Sauvé (1997).
AMBIENTE
RELAÇÃO
CARACTERÍSTICAS
Como Natureza
Para
ser
apreciado, Natureza como catedral, ou
preservado.
como um útero: pura e original.
Como Recurso
Para ser gerenciado
Herança
biofísica,
coletiva,
qualidade de vida.
Como Problema
Para ser resolvido
Ênfase
na
poluição,
deteriorização e ameaças.
Como Biosfera
Como local para ser dividido Espaçonave Terra, “Gaia”, a
interdependência
dos
seres
vivos com os inanimados.
Como Lugar para viver
Educação ambiental (EA) A
natureza
com
seus
para, sobre e no, para cuidar do componentes sociais, históricos e
meio ambiente.
tecnológicos.
Como
projeto Para ser envolvido
A natureza como foco na análise
comunitário
crítica, na participação política
da comunidade.
Como natureza
14%
Como recurso
7%
37%
Como problema
Como lugar pra
viver
Como biosfera
33%
2%
7%
Não sabe
Figura 35: Concepções dos agricultores de Tenório-PB sobre meio ambiente, de acordo com
Sauvé (1997).
Comparando-se estas visões com as registradas nos trabalhos de Barzano e Selles
(2000) e Tamaio (2002), pode-se dizer que a visão do ambiente como Natureza por parte
dos atores sociais pesquisados, divide-se entre Romântica, Naturalista e, em menor escala,
Generalizante, assim como a percepção de meio ambiente como Lugar para viver
corresponde à concepção Sócio-ambiental dos mesmos autores. Ainda de acordo com
Barzano e Selles (2000) e Tamaio (2002), as percepções do meio como Recurso e
66
Problema podem se enquadrar na concepção Antropocêntrica (Utilitarista), e a visão como
Biosfera pode ser entendida como Biocêntrica.
Questionados sobre o que seria a caatinga, 95% dos agricultores afirmaram já ter
ouvido falar no assunto, com algumas respostas associando o termo à expressão “maucheiro” e outras à forma de cultivo ou fenômeno climático.
Para classificar as concepções sobre caatinga foi criada a tipologia demonstrada no
Quadro 3. Houve a necessidade de criar uma tipologia própria, uma vez que não se
encontrou literatura específica sobre este tema.
Quadro 3: Tipologia para concepções sobre caatinga na visão de agricultores no município de
Tenório-PB.
CAATINGA
(Visão)
Florística
Naturalista
RELAÇÃO
Mata ou vegetação
Problematizada
Elementos da natureza,
seres
vivos,
fatores
abióticos, etc.
Necessita ser resolvida
Utilitarista
Para ser utilizada
Sinonimista
Odor, clima ou técnica
agrícola
Amplo-Paronimista
Outros significados além
de flora
Conservacionista
Deve ser conservada
CARACTERÍSTICAS
Interpreta como elementos da
vegetação
ou
mata
de
determinada localidade ou do
Nordeste brasileiro.
A caatinga aparece como
natureza de modo geral, com
seres vivos e fatores ambientais.
Ênfase nos problemas causados
por
ações
humanas,
desmatamento, queimadas, etc.
Ênfase no meio como fornecedor
de recursos que devem ser
usados pelo ser humano.
Equívoco
de
significados,
relacionado a odores (mal
cheiro), fenômenos climáticos
(seca) ou técnicas de cultivo
agrícola.
Relaciona a um tipo de mata ou
vegetação
diferenciando-o
porém do significado de odor
fétido.
Analisa como lugar, ambiente a
ser conservado.
A concepção de caatinga mais representativa foi a que se refere à Florística, isto é,
75% dos agricultores relacionam a caatinga a algum tipo de vegetação ou mata. É um
67
percentual elevado, considerando que a caatinga é mencionada como algo que não é
percebido de forma correta por seus habitantes (SANTANA, 2003). Um dos fatos que
pode ter influenciado neste percentual é o nível de escolaridade dos agricultores
pesquisados, demonstrado na Figura 33, deixando implícito que estes já tiveram, ou pelo
menos, deveriam ter tido noções básicas sobre o bioma aqui abordado. Entretanto, vale
ressaltar que a percepção da caatinga como mata não está necessariamente associada à sua
importância ecológica para os atores sociais que nela vivem.
A percepção da caatinga relacionadas às visões sinonimista e naturalista
representaram 8% e 6%, respectivamente, e aqueles que não souberam definir a caatinga
sob nenhum aspecto representaram 5%. A necessidade de conservação do bioma foi
expressa por apenas 1% dos agricultores (Figura 36).
75%
Classificação de Caatinga
Florística
Sinonimista
8%
Naturalista
6%
Não sabe
5%
Problematizada
2%
Recurso (Utilitarista)
2%
Amplo-Paronimista
1%
Conservacionista
1%
Figura 36: Concepções da caatinga para os agricultores de Tenório-PB.
Considerando que houve várias menções à caatinga como forma de mata ou
vegetação, procurou-se classificar as definições de acordo com a tabela 10. A concepção
de Mata, Plantas ou Vegetação procurou abranger todas as definições de caatinga como
um vegetal ou um conjunto de vegetais, de maneira indeterminada, sem enfatizar nenhum
caráter regional ou climático na afirmação dada.
68
Na categoria de Mata típica do Nordeste ou de áreas nordestinas, procurou-se
colocar indicações que trouxessem alguma menção regional da fala do pesquisado. Da
mesma maneira, na definição de caatinga como Vegetação com adaptações à seca,
procurou-se expressar de forma direta ou indireta o fenômeno climático das secas
periódicas da região ou ainda algum tipo de adaptação anatomo-fisiológica das plantas
descritas.
A concepção daqueles que consideram caatinga como uma Vegetação fechada,
isto é, mais conservada, densa e de difícil acesso é bem expressa com as frases dos
entrevistados, de acordo com a Tabela 10. Geralmente, estes agricultores consideram a
mata nativa no seu estádio mais puro e o menos intocado possível. Tais falas, dos
agricultores, nas conversas informais, estão muito relacionadas com a visão naturalista do
meio ambiente.
Tabela 10: Classificação da Caatinga como mata ou vegetação, na percepção dos agricultores de
Tenório-PB
Tipologia
F
L
O
R
Í
S
T
I
C
A
Mata, Plantas ou
Vegetação
(Geral)
Mata típica do
Nordeste
(Regionalista)
M
A
T
A
O
U
V
E
G
E
T
Vegetação com
adaptações à seca
Definições dadas pelos
agricultores
“Árvore”
“Árvores pequenas”
“Diversidade de árvores”
“Floresta baixa e campo
rasteiro”
“Mata
com
plantas
espaçosas”
“Plantas variadas”
“Tipo de mata”
“Mata
deserta
do
Nordeste”
“Mata
do
sertão
nordestino”
“Plantas do cerrado que
existem mais no sertão
paraibano”
“Vegetação ou mata do
nordeste”
“Mata com plantas secas e
derrubadas”
“Plantas que agüentam
seca”
“Plantas revestidas na
época do inverno”
“Vegetação
seca
com
espinhos”
“Mata bruta com plantas
Valor absoluto de cada
opinião
Percentual
1
1
1
1
1
50%
1
32
1
2
1
27%
17
1
4
1
8
2
18%
69
A
Ç
Ã
O
Vegetação fechada
(Conservada)
grandes”
1
“Mata virgem”
“Plantas de carrasco, serra 1
ou gruta”
5%
A percepção de modificação da Caatinga ao longo do tempo, foi verificada
questionando-se os agricultores se estes percebiam alguma modificação na cobertura
vegetal atual em relação àquela que eles memorizavam de tempos anteriores. Verificouse que 96% dos entrevistados afirmaram perceber diferenças da flora atual para a antiga.
Quando se analisou essas mudanças como positivas ou negativas, o mesmo percentual
(96%), referiu-se a mudanças negativas para a fase atual
Entre aqueles que demonstraram uma visão negativa da fase atual, o desmatamento
foi apontado como a principal mudança observada, seguido por destruição antrópica,
diminuição da biodiversidade, alterações ou modificações naturais e urbanização
correspondendo a 68%, 11%, 14%, 6% e 1% das respostas, respectivamente. Entre
aqueles que viram as modificações da caatinga como algo positivo, 50% apontaram
melhorias em virtude da fase climática (período chuvoso) que estavam vivenciando na
época das entrevistas e 25% consideraram que atualmente há maior acesso aos recursos
advindos da caatinga, como o extrativismo vegetal e a realização de cultivos e pecuária
extensiva nas áreas arrendadas. O percentual restante, 25% dos agricultores que julgaram
observar mudanças positivas, não explicitaram claramente suas razões, afirmando serem
poucas as modificações na cobertura vegetal da caatinga (Figuras 37 e 38).
70%
Desmatamento
60%
Destruição por
exploração humana
50%
35%
30%
Diminuição da
Biodiversidade
20%
Alterações naturais
50%
40%
10%
0%
45%
40%
Recurso/Cultivo
30%
25%
20%
15%
Urbanização
Fases anatomofisiológicas e
climáticas
10%
Poucas diferenças
5%
0%
Figura 37: Causas de modificações negativas no
Bioma caatinga ao longo do tempo.
Figura 38: Causas de modificações positivas no
Bioma caatinga ao longo do tempo.
70
O percentual de trabalhadores que afirmaram usar algum recurso da caatinga foi de
96%, sendo a lenha apontada por 80% destes. A utilização da madeira está mais
relacionada a atividades de carpintaria ou construção e alimentação refere-se
principalmente à coleta de frutos nativos como umbu, confundindo-se, por vezes, com
cultivos de algumas culturas como a mandioca. A utilização como pastagem reflete o
pastoreio de caprinos e bovinos e o uso medicinal já está implícito na própria palavra
(Figura 39).
É válido ressaltar, neste ponto, a constatação de Albuquerque e Andrade (2002b)
ao afirmar que, quanto ao estudo da percepção, no qual o campo de enfoque é o processo
mental dos envolvidos, faz-se necessária uma metodologia que abranja todas as formas de
expressão da percepção pelo ser humano. De modo geral, a população que vive em
regiões de caatinga tende a conceber os recursos vegetais dentro de um significado muito
amplo de utilidade, que necessariamente não tem a ver com a compreensão dos cientistas.
Assim o uso que descrevem pode está relacionado com
atividades que não foram
diagnosticadas nas respostas dos entrevistados.
3%
12%
4%
Madeira
10%
Pastagem
Medicinal
Lenha
71%
Alimentação
Figura 39: Recursos retirados da caatinga no município de Tenório, segundo trabalhadores
rurais entrevistados.
71
Figura 40: Retirada de lenha a caminho de área
conservada na Bandarra, Tenório-PB.
Foto: Ana Nery Batista Aurino
Figura 41: Lenha empilhada para venda, a
caminho de área conservada na Bandarra,
Tenório-PB. Foto: Ana Nery Batista Aurino
A retirada de lenha é uma atividade comumente praticada na caatinga e no
município de Tenório a situação não é diferente. No atual estudo verificou-se que 91%
dos agricultores pesquisados já trabalharam ou tiveram algum membro de suas famílias
trabalhando no corte de lenha para algum tipo de uso direto ou indireto. Isto reforça as
observações de Aurino, Trovão e Silva (2004), que afirmaram ser a retirada de lenha,
nesta área do Seridó Paraibano, atividade comum no cotidiano da população local.
As atividades para as quais mais se retira ou corta-se lenha da vegetação nativa no
município de Tenório são, respectivamente, em ordem decrescente: uso doméstico ou
terceirizado da lenha, representando 44%; venda de lenha, com 37%; utilização em
carvoeiras, 18%; e como profissão, 1% (Figura 42).
De acordo com as respostas dos pesquisados, o uso doméstico refere-se
principalmente à utilização da madeira ou lenha como fonte direta de energia no
cozimento de alimentos para a própria família e na queima de tijolos, telhas ou produtos
cerâmicos para uso próprio ou para vendas em pequena escala e na forma de mourões e
estacas para cercar propriedades ou, ainda, na construção de currais para os caprinos ou
bovinos.
72
1%
18%
37%
Carvoeiras
Uso doméstico ou
terceirizado
Venda da lenha
44%
Profissão
Figura 42: Utilização da lenha retirada da caatinga pelos agricultores do município de TenórioPB.
As espécies que compõem a flora da caatinga constituem um conjunto muito
amplo, de acordo com inúmeros trabalhos de levantamentos florísticos realizados em
várias localidades espalhadas por todo o semi-árido brasileiro.
Foram citadas pelos agricultores envolvidos na atual pesquisa, cerca de 80 nomes
populares de plantas que ocorrem no município de Tenório. Estes podem corresponder ou
não a 80 espécies, uma vez que várias espécies podem ter o mesmo nome vulgar. Porém,
este aspecto não foi analisado neste momento, no qual se procurou fazer apenas uma
análise das espécies mais reconhecidas pelos entrevistados como nativas da flora da
caatinga. Numa outra abordagem do presente estudo, compôs-se uma lista florística com
83 espécies da flora arbustivo-arbórea da caatinga, no município de Tenório-PB.
Constatou-se que há um grande número de plantas da flora nativa conhecidas pelos
agricultores, porém estes citaram também como plantas da caatinga espécies exóticas
introduzidas, o que já era esperado dado o nível de adaptação das espécies citadas, a
exemplo da algaroba e do aveloz ou gravito .
Foram citadas aproximadamente 500 plantas que eles acreditavam ser da flora
local, dentre estas, as plantas nativas se destacaram sobre as demais, com mais de 400
menções nas respostas dos agricultores. As espécies citadas foram classificadas em quatro
tipos distintos: nativas, exóticas introduzidas, cultivadas e de outro tipo vegetacional. As
73
plantas nativas da caatinga obtiveram 89% das citações (Figura 43). Aqueles que não
souberam precisar nenhuma espécie de planta representaram apenas 2% dos entrevistados.
5%
5%
1%
Nativas
Exóticas
introduzidas
Cultivadas
89%
De outro tipo
vegetacional
Figura 43: Classificação das espécies listadas pelos agricultores pesquisados em Tenório-PB.
As plantas nativas mais citadas estão representadas na Figura 44. A catingueira foi
a espécie mais lembrada, fato esperado já que seu nome se assemelha com o da vegetação.
A jurema e o marmeleiro, espécies comumente encontradas nos levantamentos da
flora da caatinga, também foram bem representadas, sendo as mais citadas pelos
agricultores depois da catingueira. Em ordem decrescente de acordo com o número de
vezes que foram mencionadas, as espécies mais lembradas, excluindo-se as três primeiras,
foram: umbuzeiro, angico, mandacaru, joazeiro, baraúna, facheiro, xiquexique, aroeira e
umburana (Figura 44).
As espécies mais citadas pelos agricultores também estão relacionadas ao tipo de
uso que representam no seu cotidiano. Das 12 espécies mais citadas (Figura 44), 9 têm
importância econômica pela lenha ou madeira que fornecem.
74
60
Catingueira
50
40
Jurema
Marmeleiro
30
Angico
20
Umbuzeiro
Baraúna
Mandacaru
Facheiro
Xiquexique
Joazeiro
Aroeira
Umburana
10
0
Ajique
Alecrim
Amarra-cachorro
Angico
Angico-branco
Ariú
Aroeira
Babosa
Baraúna
Barriguda
Burra-leiteira
Cacto
Canafistula
Caroá
Catingueira
Coração-de-nêgo
Craibeira
Crô-de-frade
Crota
Cumaru
Facheiro
Favela
Guaxuma
Imbiratã
Jatobá
Jicurí
João-mole
Joazeiro
Jucá
Jurema
Jurema-preta
Macambira
Malva
Mandacaru
Maniçoba
Marmeleiro
Mofumbo
Mororó
Muçambê
Mulungu
Palmatória
Pau-darc’o
Pau-pedra
Pega-pinto
Pereiro
Pinhão
Pitombeira
Quebra-faca
Quixabeira
Sucupira
Umburana
Umbuzeiro
Umbuzeiro-bravo
Urtiga
Xiquexique
Figura 44: Espécies nativas mais lembradas por agricultores no município de Tenório-PB.
Quando se tratou das espécies que, na visão dos agricultores, diminuíram em
número atualmente, o percentual de nativas citadas baixou de 89% para 66%, enquanto
que o de plantas cultivadas e exóticas aumentou de 5% para 21% e 11% respectivamente,
comprovando a degradação que atinge
a caatinga, principalmente em função de
atividades agrícolas. Porém, é importante ressaltar que os questionamentos se deram em
torno das espécies que diminuíram ao longo do tempo. As respostas, por sua vez,
demonstraram que atualmente há menos nativas. Acredita-se que estas respostas estejam
vinculadas a cultivos realizados em larga escala no passado e que nos dias de hoje já não
são mais praticados, a exemplo das culturas do algodão e do sisal.
Entre as exóticas introduzidas, as mais lembradas foram algaroba e aveloz ou
gravito, tendo sido a primeira, muito explorada na região, onde foram feitos grandes
75
investimentos governamentais para seu plantio, como mais uma solução para a seca
nordestina. A segunda é muito usada em cercas vivas, já que oferece um emaranhado de
galhos que se tornam barreiras para muitos animais. Notou-se, porém, que sua utilização
está diminuindo, não sendo mais tão freqüentemente observada atualmente, fato que pode
advir de suas propriedades tóxicas e principalmente, pela facilidade e rapidez que as
cercas de arrame farpado oferecem ao agricultor no momento delimitar as propriedades.
As plantas nativas mais lembradas quando se perguntou sobre a diminuição da
diversidade florística foram: joazeiro, craibeira, umburana, aroeira, catingueira e baraúna.
O percentual de plantas cultivadas expandiu-se consideravelmente quando se
questionou os agricultores sobre as plantas que mais aumentaram nos últimos anos,
comprovando definitivamente que a vegetação nativa está cedendo lugar para plantios
agrícolas e atividades pecuárias. As plantas mais freqüentes nas regiões de caatinga foram
bem representadas nas observações dos agricultores (Figura 45).
Umbuzeiro
12
Jurema-preta
10
8
Jurema
Marmeleiro
6
Juazeiro
4
2
0
Alecrim
Angico
Ariticum
Barriguda
Catingueira
Crô-de-frade
Icó
João-mole
Juazeiro
Jurema
Jurema-preta
Maniçoba
Marmeleiro
Palmatória
Pitombeira
Quebra-faca
Umburana
Umbuzeiro
Urtiga
Figura 45: Vegetais nativos que aumentaram de número nos últimos tempos na flora de caatinga
do município de Tenório-PB, segundo agricultores locais.
76
As juremas foram as mais citadas como espécies que aumentaram a quantidade de
indivíduos na flora da caatinga em Tenório (Figura 45). Este fato é confirmado em vários
trabalhos florísticos e fitossociológicos que indicam estas espécies entre as dominantes em
áreas de caatinga antropizada (ARAÚJO 2000, PEREIRA et al., 2001, CORRÊA;
COSTA et al., 2001, CANDIDO; BARBOSA; SILVA, 2002, ANDRADE et al., 2005, e
SANTANA; SOUTO, 2006). Um fato não esperado foi a citação do umbuzeiro como
espécie que aumentou consideravelmente na flora nativa da caatinga. Embora não
corresponda à realidade, esta indicação pode ter sido influenciada pelo fato de que o
umbuzeiro geralmente é poupado nos processos de corte, sobressaindo-se nos espaços
abertos. Um outro fator poderia ser a atual valorização econômica do fruto desta espécie –
o umbu – que é mais valorizado, econômica e culturalmente, que a maioria das frutíferas
nativas do Nordeste do Brasil.
As espécies cultivadas e exóticas mais citadas com relação ao aumento do número
1
Exóticas introduzidas
Plantas Cultivadas
de indivíduos, estão demonstradas nas Figuras 46 e 47 respectivamente.
1
0
10
20
30
40
50
Acerola
Agave
Algodão
Bananeira
Cajueiro
Cana
Capim
Coqueiro
Girassol
Goiaba
Graviola
Jaca
Laranjeira
Mangueira
Milho e feijão
Palma
Pinha
60
Figura 46: Espécies cultivadas que mais
aumentaram de número atualmente, segundo
agricultores de Tenório-PB.
0
10
Algaroba
20
30
Figo
40
Mamona
Figura 47: Espécies exóticas que mais aumentaram de
número atualmente, segundo agricultores de TenórioPB.
77
O cajueiro foi, sem dúvida, a espécie cultivada mais citada entre os agricultores
locais, seguida pela mangueira e a pinha. Supõe-se que o valor econômico e cultural dos
frutos destas espécies tenha influenciado este resultado. A algaroba foi a exótica mais
lembrada, e a mamona aparece de maneira muito sutil nas citações dos agentes sociais
envolvidos na temática agrícola do município de Tenório. Entretanto, há indícios de que
isto possa ser modificado brevemente, já que plantios de algaroba não são mais
incentivados e os da mamona tendem a crescer, sendo atualmente uma das principais
espécies utilizadas na produção de biodiesel. O figo é uma árvore muito usada na
arborização de ruas e avenidas, bem adaptada ao clima semi-árido e que permanece verde
durante todo o ano. Atualmente, porém, não tem sido tão utilizada como dantes, abrindo
espaço à chamada Acácia e ao Flamboyant.
A situação da caatinga piorou, de acordo com 83% dos agricultores entrevistados, e
melhorou para 17%. A piora ou melhora foi relacionada à diversidade vegetal. Para
explicar as razões pelas quais a flora nativa vem diminuindo ou piorando, classificou-se as
respostas dos agricultores, em quatro tipos de causas: 1) Causas antrópicas – que são
provocadas direta ou indiretamente pelas alterações humanas no ambiente, como
queimadas, desmatamento, caça e pesca predatória, extrativismo desordenado, etc.; 2)
Causas Naturais – as mudanças ocorreram pelas modificações graduais e naturais da
própria natureza, como fatores climáticos, quantidade de chuvas, etc.; 3) Generalistas –
ênfase de que “tudo” mudou sem necessariamente explicar o que representaria essa
totalidade e 4) Utilitarista – preocupação com a diminuição dos recursos naturais
priorizando aqueles utilizados pelo homem, como madeira, pastagem entre outros.
Constatou-se que os agricultores percebem e reconhecem que as maiores mudanças na
diversidade vegetal são causadas pelo homem, que altera seu ambiente, degradando-o
(Tabela 11).
Na percepção daqueles que sugeriram melhorias na flora da caatinga, ao longo do
tempo, o maior destaque foi dado à facilidade de utilização dos recursos vegetais nos dias
de hoje, o que representou 40% das afirmações dos trabalhadores. Depois deste enfoque,
as visões mais representativas foram a naturalista, que prioriza a natureza de uma forma
geral, observando o espaço temporal que vivenciavam no momento das entrevistas
(período de chuvas, “riqueza” na fala dos agricultores), e a antropocêntrica, pela mesma
78
motivação dos utilitaristas, que acham que o recurso deve estar disponível ao ser humano
sempre que este necessitar utilizá-lo, com respectivamente 24 e 18%.
Tabela 11: Causas de perda na diversidade vegetal da caatinga, segundo agricultores de TenórioPB.
Classificação
Principais causas de acordo com
agricultores
Percentual da
classificação
“Desmatamentos e queimadas”
“Foi destruída pelo homem”
“Se
acabando
as
plantas
e
animais”
Causas antrópicas
“Estão mais destruídas por causa
91%
das pessoas”
“Secou,
pois
os
rebanhos
comeram”
“Tem menos chuvas”
2%
Causas naturais
“Tudo mudou”
1%
Generalista
“Tem menos pastos”
Utilitarista
“Tem
menos
plantas
de
6%
remédios”
De acordo com Albuquerque e Andrade (2002b), compreender a percepção das
pessoas que vivem em um determinado ambiente, sobre os recursos locais e suas formas
de relacionamento e condutas com relação a esses recursos, é imprescindivel na definição
de estratégias para sua utilização e conservação. Desta forma, se o antropocentrismo e
suas conseqüências foram as principais causas da degradação da flora da caatinga, na
percepção dos agricultores de Tenório, o desmatamento foi a maior dessas causas (Figura
48). Isto não é um fato novo, porém confirma, de forma empírica, as causas da diminuição
da flora nativa.
79
Desmatamento
2%
2%
5%
Desmatamentos e
queimadas
Destruição antrópica
2% 1%
Extinção de plantas e
animais
Mais destruídas
19%
63%
6%
Menos plantas
medicinais
Queimadas
Pecuária extensiva
Figura 48: Principais causas antrópicas para diminuição da flora na percepção de trabalhadores
rurais de Tenório-PB
Apesar disto, a preservação da caatinga é importante e possível para 84% dos
agricultores. Com relação à preservação do bioma, criou-se uma classificação baseada nas
percepções dos entrevistados com tipologias que incorporaram visões positivas e
negativas do processo (Tabela 12).
Tabela 12: Percepção dos agricultores de Tenório sobre as possíveis razões para preservação ou
não do Bioma caatinga em Tenório-PB.
Possibilidade de causa para
preservação do Bioma caatinga
(Visões)
Características
Percepção positiva (Porque SIM)
Utilitarista
Conservacionista
Conscientização
Ecossistêmica
Naturalista ou Romântica
Indiferente
Antropocêntrica
Ato Criminoso (Legislação)
Regionalista
84%
Como recurso
Para ser conservado
Necessita de conscientização da população
Os elementos da natureza estão
interligados, incluindo o homem.
A natureza de forma pura
Não sabem porque deve ser preservado
O homem precisa de um lugar pra viver
É crime
“É da nossa região”
Percentual
31%
27%
22%
6%
6%
4%
2%
1%
1%
80
Percepção negativa (Porque NÃO)
16%
Inconsciência humana
Falta consciência no ser humano
Pobreza de espécies (Seca)
É vista como feia, seca e pobre em
biodiversidade
Utilitarista
Precisa-se usar os recursos
Indefinida
Não se distingue porque não deve ser
preservado
Falta legislação
Carência legislativa
Generalista - problematizada
“Tudo vai se tornar deserto”
Sinonimista (confusão com odor)
31%
19%
19%
13%
6%
6%
6%
É positivo que a maioria dos agricultores perceba que a caatinga deva ser
preservada, estando dispostos a aprender e ajudar neste processo. Porém, não há
incentivos para que isto ocorra, nem mesmo o conhecimento adequado por parte dos
possíveis agentes multiplicadores. Esta é uma questão que deve ser trabalhada juntamente
a população, com investimentos em educação e políticas públicas direcionadas para esse
fim. Uma medida consolidada com este intuito foi a adoção do Plano Nacional de Manejo
Florestal Sustentado da Caatinga, instituído pela Instrução Normativa nº 1, de 06 de
Outubro de 1998 (IBAMA, 1998).
O que resta saber é se a população envolvida, percebendo as
alterações
constatadas no presente trabalho, está efetivamente disposta a mudar hábitos
culturais arraigados em seu modo simples de viver, ou se trata-se apenas, de mais uma
constatação de que um ou outro faz a sua parte, mas não pode haver sustentabilidade,
por falta do pensamento coletivo, da percepção “do todo”.
81
5.
CONCLUSÕES
Os dados obtidos e as análises realizadas permitiram chegar às seguintes conclusões:
9 A diversidade florística das áreas em melhor estado de conservação é efetivamente
maior do que aquelas que passaram pelo processo de corte raso no período de até
10 anos, pois à medida que aumenta o tempo de sucessão pós-corte aumenta
também o número de famílias e espécies nas áreas estudadas;
9 As maiores diferenças, entre os ambientes mais e menos conservados, podem ser
percebidas na densidade e na área basal, que foram decrescendo severamente das
áreas melhor conservadas para as cortadas mais recentemente, apontando para a
necessidade de adoção de cuidados especiais para um eficaz manejo;
9 O tempo de vinte anos pós-corte raso mostrou-se suficiente para que a diversidade
florística da área se restabelecesse, ou retornasse à condição semelhante a áreas
que não sofreram corte há pelo menos 50 anos;
9 As famílias Leguminosae e Euphorbiaceae são as mais diversas, em função do
número de espécies e, também, do maior número de indivíduos;
9 O Sítio Bandarra, apesar de apresentar um número de espécies menor do que o
Sítio Várzea do Cariri, apresentou uma maior diversidade, demonstrando que a
população arbustivo-arbóreo da área, está melhor distribuída;
9 A vegetação estudada nesta área do Seridó da Paraíba é muito semelhante a do
Seridó Norte-rio-grandense, tanto pela diversidade florística mais baixa que outras
áreas de caatinga, quanto pela semelhança ente famílias, gêneros e espécies
presentes;
82
9 Embora as áreas mais conservadas sejam mais diversas, estas provavelmente
passaram por corte seletivo mais recentemente, entre 10 e 20 anos após o corte
inicial,
o que se evidencia pela grande dominância de espécies de Croton,
comparativamente com a área que sofreu o corte raso há cerca de 10 anos, e que
apresentou um equilíbrio maior entre as espécies;
9 Há uma preferência por Mimosa tenuiflora (Willd.) Poir. no processo de corte
seletivo pelos agricultores, o que foi constatado por sua baixa densidade nas áreas
em melhor estado de conservação;
9 A diversidade florística nas áreas de caatinga se restabelece a médio e longo
prazos, porém, os processos antrópicos de uso e extração vegetal sem manejo
adequado, fazem com que a recuperação dessas áreas nunca atinja um equilíbrio,
estando permanentemente em estádio de sucessão secundária;
9 A população que vive na área estudada e trabalha no meio rural percebe as
modificações ocorridas no ambiente, ao longo do tempo, e sabe indicar as causas
geradoras dos impactos. Ela compreende o que é caatinga e conhece as plantas que
ocorrem na região, porém ainda confunde espécies nativas com espécies exóticas e
cultivadas;
9 O desmatamento é reconhecido como a causa principal da degradação da área e a
lenha é o recurso mais utilizado pela população, seja como fonte de energia direta
ou para a venda em decantamentos (caieiras), padarias e casas de farinha.
√ Os agricultores percebem a necessidade de preservação da Caatinga. No entanto,
esta percepção demonstra, em maior grau, a visão antropocêntrica e utilitarista
advinda da necessidade de uso dos recursos extraídos da flora nativa da região;
83
9 É necessário investir em educação ambiental para que a população entenda melhor
a importância da Caatinga na sustentabilidade do ambiente em que vive e para que
ocorram melhorias na qualidade de vida de todos.
84
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100
ANEXOS
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1. INTRODUÇÃO A vegetação lenhosa da caatinga