Especial eventos & turismo 06-06-2013 O Turismo é fundamental para o desenvolvimento rural Tendo como principal missão o desenvolvimento do território rural da Terra Fria Transmontana, a Corane – Associação de Desenvolvimento dos Concelhos da Raia Nordestina, tem vindo a apoiar, ao longo dos anos, diversos projetos na área do turismo rural, animação do território, valorização dos produtos endógenos, etc. “O Turismo é fundamental para o desenvolvimento rural”, sublinha a coordenadora daquele organismo, Luísa Pires, explicando que pequenos mas “estruturantes” projetos têm sido apoiados no âmbito do PRODER (Programa de Desenvolvimento Rural) e essa rede de “respostas” já é bem visível nos quatro concelhos que integram a chamada Terra Fria (Bragança, Miranda do Douro, Vimioso e Vinhais). Uma das áreas que tem despertado maior interesse aos promotores é o alojamento. “Combatemos a ideia que recuperar casas, com recurso a fundos comunitários, para usufruto dos proprietários, fiscalizamos e vigiamos os projectos por nós apoiados para que assim não seja, para ver essas casas ao serviço do turismo”, continua. Esse trabalho tem dado frutos e, por toda a terra fria, existem casas que, efectivamente, recebem turistas e aumentam e qualificam a oferta local. Uma outra área que começa a despertar interesse é o turismo ativo, promo- vido por empresas de animação devidamente credenciadas para o efeito. “Já apoiamos projetos para criação de empresas de animação turística e ajudámo-los na promoção, nomeadamente, facultando-lhes a possibilidade de usarem uma marca nacional que é World Adventure, uma marca criada para qualificar o turismo ativo e que estimula o trabalho em rede por parte de diversos operadores”, continua. No setor da valorização dos produtos endógenos tem surgido iniciativas para a criação de pontos de venda mas também “e cada vez mais”, para a criação de pequenas unidades de produção e transformação. “Falamos aqui das cozinhas regionais, que para além do fumeiro também se dedicam à produção de bolachas caseiras, compotas, e outros produtos, também de produção e transformação de cogumelos”, exemplifica. Os cogumelos, quer na fileira da exploração e comercialização, quer como recurso com enorme potencial para o mico-turismo, tem despertado enorme interesse. “Apoiamos a criação do Centro Micológico, integrado no parque Biológico de Vinhais, que é uma infra-estrutura de referência mas temos vindo a apoiar também pequenos projectos promovidos por agentes privados, muitos jovens que estão a criar o próprio posto de trabalho e a desenvolver ideias interessan- tes neste campo”, frisa. Muitas destas iniciativas resultam dos cursos de formação promovidos pela Corane, sempre com muita procura, e também das diversas acções de sensibilização e informação que a associação desenvolve. Um novo setor com vários projetos recentemente aprovados é, na área da restauração, o das Tabernas Típicas. “Temos já algumas implementadas e várias em implementação, no futuro pretendemos criar uma rede de tavernas e, porque não, integrar a rede que já existe, e com sucesso, no Alto Tâmega”, refere. Try Nordestin, um destino turístico a promover Trabalhar em rede, ganhar escala, agregar a oferta e promove-la de forma organizada e conjunta no mercado interno e, sobretudo, externo, é o objectivo da criação do destino Turístico Try Nordestin. Para além de apoiar, através do Proder, os investimentos no território, a Corane quer dar “uma mão” aos operadores e à região em matéria de afirmação e promoção externa. Nesse sentido tem em fase de conclusão o projecto Try Nordestin. O projeto envolve todos os agentes diretamente ligados ao turismo, públicos e privados. Foi efetuado o levantamento de todo o património edificado dos quatro concelhos da Terra Fria, equipamentos desportivos, culturais, auditórios que possam, por exemplo, receber congressos, miradouros, praias fluviais, parques de campismo, santuários, etc. (Foram identificados mais de 500 Pontos de Interesse de carater público). No setor privado está a ser efetuado o levantamento de mais de 300 Pontos de Interesse: artesãos, pontos de venda de produtos locais, adegas, unidades de produção de mel, fumeiro e outros, hotelaria, restauração, empresas de animação turística, etc. A cada promotor local é associada descrição, galeria de imagem e vídeo, contatos e coordenadas GPS, que permitem ao visitante identificar, cada lugar. Muitos dos promotores não têm, até ao momento, qualquer presença on line, passam a ter um espaço próprio nesta plataforma (que entre outras ferramentas contempla a criação e um portal www.trynordest.in e uma aplicação mobile), e vão receber formação para aprender a rentabilizar o potencial da Internet e das redes sociais, uma formação que visa também estimular a união e o trabalho conjunto, tendo sempre como principio a defesa do território como um todo e em todas as suas vertentes. 4 Especial eventos & turismo 06-06-2013 Sérgio Torrão sempre gostou de aventura e a falta de perspetivas de emprego na área do Desporto, na qual se formou, levou-o a apostar na criação do próprio emprego. “Surgiu a oportunidade de me candidatar e não estou arrependido. Está a crescer muito rapidamente. Temos tido muita procura, sobretudo de espanhóis. Aqui trabalhamos mais com escolas, com empresas e grupos. Mantemos parcerias com alojamentos locais, casas rurais e empresas de restauração”, explica o empresário, que criou a Coordenadas de Aventura, que opera a partir de Vimioso mas um pouco por toda a região. Para além do apoio na organização de atividades de aventura, o projeto também é de Qualificação de Turismo Ativo (QTA), que envolve formação contínua. “Fui convidado para fazer parte da rede de peritos da World Adventure, através da CoraNE. Isso fez-me despertar a curiosidade e decidi avançar”, frisa. Até agora, a Coordenadas de Aventura tem estado em crescimento constante ao longo dos últimos dois anos e já formou uma rede de parcerias com empresas locais de turismo. “Sem a CoraNE ia ser muito mais complicado”, conclui. A Casa de l Bárrio situa-se em Picote, aldeia que integra a rede turística “Aldeias de Portugal, a cerca de 15km de Miranda do Douro, em pleno Parque Natural do Douro Internacional. Surgiu pelas mãos de Margarida Ramos, com o apoio da CoraNE. A iniciativa de turismo no espaço rural é um empreendimento com duas unidades de alojamento com capacidade máxima para 6 pessoas. Margarida afetou parte da sua casa de habitação familiar, onde vive com o seu marido e uma filha de cinco anos. Para receber pessoas de todo o mundo aos quais serve o pequeno almoço com produtos confecionados por si própria e aos quais dá a conhecer através de visitas guiadas ao campo os peculiares valores naturais da Terra de Miranda. A gestão deste empreendimento permite-lhe rentabilizar os seus conhecimentos sobre a região e a natureza e permitelhe ainda contactar com pessoas do exterior por forma a quebrar a monotonia que por vezes toca a quem vive nas pequenas localidades. Com a precariedade a aumentar no mercado de trabalho, Inês Gonçalo decidiu ser patroa de si própria. Em pleno Planalto Mirandês fundou a loja Sabores da Muralha, de produtos tradicionais. E em boa hora o fez. “Foi uma boa aposta. Estava a trabalhar a recibos verdes e com a instabilidade cada vez maior que se vive nessa situação, decidi lançar-me neste projeto. Criar o meu posto de trabalho foi excelente. Perante a crise que se vive, não me posso queixar. Estou a ter bastante adesão à loja, até porque são produtos de qualidade”, frisa. Trabalha apenas com produtores locais, com quem acaba, também, por estabelecer algumas parcerias. “Faço venda de produtos locais, como vinhos, licores, queijos, compotas, mel, azeite ou doces tradicionais”, explica. A maior parte dos clientes são turistas, que surgem, essencialmente, ao fim de semana. Mas como também vende pão caseiro, são vários os clientes que se prolongam durante a semana. Na CoraNE encontrou um porto de abrigo. “Sem eles, não tinha conseguido ir até ao fim. Deram-me muito apoio”, garante. Em Sendim, no concelho de Miranda do Douro, existe L’Alma Penada. Não, não é um qualquer espírito que vagueia pelo Planalto. É mesmo uma destilaria de licores, que surgiu há dois anos e já vende para todo o país. Anselmo Rodrigues, com um mestrado em engenharia alimentar, decidiu avançar para a criação do próprio posto de trabalho, com o apoio do pai, Aqui- lino. “Já produzia vinho e assim o negócio complementa-se”, explica o progenitor. Os licores são feitos à base de produtos próprios, como framboesas, morangos, amoras ou ervas aromáticas. E o resultado tem caído no goto dos clientes, assim como o nome da empresa. “As pessoas acham engraçado. É diferente”, diz Aquilino Rodrigues. Se o turismo de natureza é uma das maiores potencialidades do Nordeste Transmontano, o turismo micológico é dos produtos menos explorados. Foi a pensar nisso que Francisco Touças, engenheiro químico de formação, decidiu apostar na criação de uma Unidade de Transformação de Cogumelos na sua aldeia, Serapicos. “A ideia é laminar os cogumelos silvestres e vendê-los em frascos”, explica. Aliado a esse objetivo, tem um outro, apanhar os turistas pelo estômago. “Quero criar um espaço para degustação dos cogumelos. Já tenho feito diversas experiências em casa”, revela. Na CoraNE viu o apoio “essencial” e a força para ir com o projeto avante. 5