X SBAI – Simpósio Brasileiro de Automação Inteligente 18 a 21 de setembro de 2011 São João del-Rei - MG - Brasil CÁLCULO DE ÍNDICES DE CONFIABILIDADE EM SISTEMAS DE GERAÇÃO DE ENERGIA USANDO UM ALGORITMO GENÉTICO MODIFICADO RODRIGO ALBUQUERQUE, ANSELMO RODRIGUES, MARIA G. DA SILVA. Grupo de Sistemas de Potência, Departamento de Engenharia da Eletricidade Universidade Federal do Maranhão Avenida dos Portugueses S/N, Campus Universitário do Bacanga, São Luís-MA, CEP: 65080-040 E-mails: [email protected],[email protected],[email protected] Abstract - The evaluation of reliability indices in electrical power systems is based on probabilistic techniques to include uncertainties related to equipment outages and load variations. The modeling of uncertainties requires the evaluation of a large number of systems states to estimate the probabilistic indices with an acceptable accuracy. Consequently, the probabilistic indices estimation may have a high computational cost. This paper proposes a methodology to estimate the reliability indices with low computational cost. This methodology is based on a Fast Modified Genetic Algorithm (FMGA). The results using the Roy Billinton Test System (RBTS) demonstrated that the computational performance of the FMGA is much better than the Monte Carlo Simulation (MCS). Additionally, the evaluated indices by FMGA are as accurate as those estimated by MCS. Keywords – Reliability Indices, Electrical Power Systems, Probabilistic Techniques, Fast Modified Genetic Algorithm, Monte Carlo Simulation. Resumo - A estimação dos índices de confiabilidade dos sistemas de energia elétrica geralmente se baseia em técnicas probabilísticas para modelar incertezas associadas com falhas nos equipamentos e flutuações de carga. A modelagem destas incertezas exige a avaliação de um grande número de estados do sistema para estimar os índices probabilísticos com uma precisão aceitável. Consequentemente, a estimação probabilística de índices de confiabilidade possui um custo computacional elevado. Neste artigo é proposta uma metodologia para estimar os índices de confiabilidade com baixo custo computacional que se baseia em um Algoritmo Genético Modificado Rápido (AGMR). Os resultados dos testes no sistema Roy Billinton Test System (RBTS) demonstraram que o desempenho computacional do AGMR é superior ao da Simulação Monte Carlo (SMC). Adicionalmente, os índices estimados via AGMR são tão precisos quanto aqueles estimados através da SMC. Palavras-chave – Índices Confiabilidade, Sistemas de Energia Elétrica, Técnicas Probabilísticas, Algoritmo Genético Modificado Rápido, Simulação Monte Carlo. 1. Introdução T odo sistema de energia está sujeito a falhas em seus equipamentos que, em geral, são aleatórias e imprevisíveis. Essas falhas podem comprometer a operação do sistema elétrico, de forma a inviabilizar o fornecimento de energia aos consumidores. Geralmente, as incertezas associadas com o comportamento aleatório da rede elétrica são modeladas via técnicas probabilísticas (Billinton & Allan 1992). A principal vantagem dessas técnicas é a sua capacidade para combinar severidade e probabilidade, para expressar verdadeiramente o risco do sistema. Os principais métodos usados na estimação probabilística de índices de confiabilidade são a SMC e a Enumeração de Estados (Billinton & Allan 1996; Billinton & Li 1994). A principal diferença entre essas técnicas, é que na SMC os estados do sistema são selecionados de forma aleatória, enquanto que na enumeração os estados são selecionados usando os seguintes critérios: ordem das contingências e valor mínimo para a probabilidade de um estado. Por outro lado, esses métodos têm uma desvantagem em comum: o alto custo computacional para estimar índices de confiabilidade com uma precisão aceitável. Contudo, as causas desse elevado custo computacional são distintas: i) SMC: um grande número de estados é exigido para estimar índices de confiabilidade com magnitudes pequenas ou grandes variâncias. Esse fato ocorre devido à precisão dos índices estimados via SMC (incerteza relativa ou coeficiente de variação) ser diretamente proporcional à variância e inversamente proporcional à magnitude do índice estimado (Billinton & Li 1994). ii) Enumeração de Estados: um grande número de estados é requerido para analisar sistemas, nos quais as probabilidades de falha dos componentes são elevadas. Este efeito causa uma dispersão das probabilidades do espaço amostral em um grande número de estados do sistema. Essa situação é típica de sistemas que contêm unidades de geração, pois as probabilidades de falha das unidades de geração são da ordem de 1x10-2. Todavia, esse efeito não ocorre em sistemas de transmissão puros, pois nestes sistemas a probabilidade de falha das linhas é da ordem de 1x10-4. Consequentemente, é necessário apenas avaliar contingências de baixa ordem (1ª e 2ª ordem) para estimar os índices com uma precisão aceitável. Uma alternativa proposta recentemente para reduzir os custos computacionais da estimação probabilística de índices de confiabilidade é a aplicação de meta-heurísticas, para realizar uma varredura (“scanear”) do espaço amostral utilizado no cálculo dos índices (Elmakias, 2008). As principais meta-heurísticas usadas nesta aplicação são: Algoritmos Genéticos, Otimização por Enxame de Partículas e Colônias de Formigas (Samaan & Singh 2002; Wang & Singh 2008; Miranda et al. 2009). De acordo com (Samaan & Singh 2002), um Algoritmo X SIMPÓSIO BRASILEIRO DE AUTOMAÇÃO INTELIGENTE (SBAI) – 2011 ISSN: 2175-8905 - Vol. X 1084 X SBAI – Simpósio Brasileiro de Automação Inteligente 18 a 21 de setembro de 2011 São João del-Rei - MG - Brasil Genético é usado como ferramenta de busca para rastrear os estados de falha mais prováveis no cálculo de índices de confiabilidade para sistemas de geração. Além disso, em (Wang & Singh 2008) é mostrada uma comparação de diversos algoritmos metaheurísticos na estimação de índices de confiabilidade de sistemas de geração contendo fontes de energia renováveis do tipo eólica. Adicionalmente, em (Miranda et al. 2009) foi demonstrado que um algoritmo híbrido, baseado em Algoritmos Evolucionários e Otimização por Enxame de Partículas, é computacionalmente mais eficiente do que a SMC para estimar índices de confiabilidade em sistemas de potência. Estas pesquisas motivaram o desenvolvimento do AGMR que é apresentado neste artigo com o objetivo de estimar índices de confiabilidade em sistemas de geração. Os resultados dos testes com o AGMR no sistema RBTS (Billinton et al. 1989; Billinton et al. 1990) demonstraram que esta técnica tem um desempenho computacional superior à SMC. Esta avaliação de desempenho foi realizada, considerando a estimação dos seguintes índices de confiabilidade do NH1 (Nível Hierárquico 1): LOLE (“Loss of Load Expectation”) e LOEE (“Loss of Energy Expectation”). 2. Algoritmos Genéticos Algoritmos Genéticos (AG) são métodos de simulação, baseados na teoria evolutiva, cuja regra de sobrevivência por aptidão é aplicada em uma população de indivíduos, que representa uma potencial solução para o problema sob análise (Goldberg, 1989). Na modelagem clássica dos AG uma população aleatória ou heurística inicial é gerada, composta por cromossomos. Cada cromossomo da população será avaliado de acordo com uma função de aptidão particular (fitness), ou seja, a aptidão do cromossomo esta diretamente relacionada com a otimalidade da solução. Nas aplicações de AG, orientadas para sistemas de energia elétrica, uma das principais dificuldades está relacionada com a escolha adequada para codificação dos cromossomos, pois se deve avaliar cuidadosamente a forma em que os parâmetros do problema são mapeados em uma string finita de símbolos, que podem possuir comprimentos constantes ou dinâmicos. Uma lista de papers, relacionada com a aplicação de Algoritmos Genéticos em sistemas de potência, pode ser encontrada em (Koichi, 2000). A população atual é usada para gerar uma nova população de indivíduos através de operadores genéticos, tais como: seleção, crossover (recombinação) e mutação. O operador de seleção é responsável por determinar as características de escolha dos pares de cromossomos; o operador de crossover é responsável pelo cruzamento de pares de cromossomos, dando origem a um ou dois novos indivíduos hereditários; e o operador de mutação, busca manter uma diversidade na população. O processo é repetido, geração após geração, até que um critério de parada, tal como o número máximo de gerações, seja satisfeito. Reorganizações nos operadores foram idealizadas para facilitar a convergência do Algoritmo Genético (AG), dando origem, assim, ao Algoritmo Genético Modificado (AGM). Segundo (Li & Chang 2006), esse modelo de programação evolutiva fundamenta-se em dois princípios básicos: Geração de subpopulações intermediárias, por meio de operações sobre indivíduos da população inicial e Modelagem dinâmica dos operadores genéticos. 3. Características do modelo proposto De acordo com o Teorema de No Free Lunch (Wolpert & Macready 1997), não existe um único modelo de resolução ótimo de todos os problemas combinatórios. Visto que, dependendo do tipo de problema, métodos clássicos podem ser mais eficientes que programação evolutiva, entretanto, algoritmos evolutivos apresentam um bom desempenho quando existem hipóteses válidas restritivas acerca do espaço de busca. Portanto, o modelo proposto para o AGMR se baseia em modificações nos operadores genéticos, crossover e mutação, e na formação da subpopulação visando otimizar a resolução do problema em questão. Essas modificações têm como objetivo diminuir a quantidade de gerações, mas sem reduzir a quantidade de cromossomos (indivíduos) potencialmente bons (Best Population) para a solução do problema. Consequentemente, se obtém uma diminuição no tempo de simulação e esforço computacional. A população inicial, aleatoriamente criada, é composta de 50 cromossomos. Cada geração subsequente de indivíduos, formada através dos operadores genéticos, possui o mesmo número de cromossomos. Para a determinação dos índices de confiabilidade LOLE e LOEE do sistema IEEE RBTS, algumas considerações devem ser realizadas. Primeiramente, deve-se determinar os possíveis estados markovianos, nos quais as unidades de geração podem residir. Neste artigo, consideram-se os seguintes estados: operativo (Up=1) e de falha (Down=0). Cada unidade de geração possui sua própria Taxa de Saída Forçada (FOR), Taxa de Falha (λ) e Taxa de Reparo (). A codificação usada na análise de confiabilidade do NH1 se baseia em um bit string, na qual cada dígito está associado com um gerador do sistema, ou seja, o comprimento do bit string é o número de geradores. No caso do sistema RBTS, cada bit string possui 11 dígitos. Cada bit string representa um cromossomo, ou seja, um estado de operação do sistema, que pode contribuir para os índices de confiabilidade a serem estimados. Consequentemente, cada cromossomo está associado com a probabilidade do estado que ele representa. Contudo, existem estados com baixa probabilidade de ocorrência que podem ser desprezados. Desta forma, utilizam-se restrições para selecionar apenas os cromossomos com maiores probabilidades de ocorrência. Além disso, os índices X SIMPÓSIO BRASILEIRO DE AUTOMAÇÃO INTELIGENTE (SBAI) – 2011 ISSN: 2175-8905 - Vol. X 1085 X SBAI – Simpósio Brasileiro de Automação Inteligente 18 a 21 de setembro de 2011 São João del-Rei - MG - Brasil de confiabilidade estimados se baseiam no corte de carga. Consequentemente, é necessário realizar uma nova seleção, para satisfazer a restrição de que a capacidade instalada dos cromossomos seja menor que 185 MW, pois este valor representa o pico de carga do sistema. Neste artigo, utiliza-se o modelo de carga horária com 8736 níveis de carga. Nesse modelo, enumeraram-se os níveis de carga em ordem descendente, para formar um modelo de carga cumulativo. A capacidade instalada pode ser determinada pelo somatório de todos os genes dos cromossomos que estão no estado operativo. As probabilidades individuais de cada cromossomo são determinadas de acordo com o produto das probabilidades individuais de cada gerador. Ou seja, para geradores no estado operativo tem-se o valor de probabilidade igual a 1-FOR e para os geradores no estado de falha o valor será o próprio FOR, pois são considerados eventos independentes. A. Restrição As restrições consideradas no modelo proposto foram divididas em duas componentes: 1) Restrição devido à capacidade instalada: Como o objetivo é determinar os índices probabilísticos relacionados com o corte de carga, foram excluídos todos os cromossomos (indivíduos) que possuem capacidade instalada superior a 185 MW, pois esse valor representa o pico de carga. 2) Restrição associada com o valor mínimo da probabilidade de um estado: Mesmo que um cromossomo possua uma capacidade instalada menor que o pico de carga, embora desejável para a estimação dos índices de confiabilidade, ele não será selecionado se a sua probabilidade for inferior a um valor mínimo especificado, devido à sua baixa probabilidade de ocorrência. B. Formação da Best Population No modelo proposto, o AGMR é usado como uma ferramenta para selecionar estados de operação do sistema de geração. A cada população de indivíduos criada, aplicam-se as restrições para determinar os melhores indivíduos de cada geração. Esses indivíduos são armazenados em uma lista denominada Best Population, na qual é aplicada uma rotina de penalização/exclusão dos indivíduos repetidos, para garantir a diversidade da população final. 4. Melhorias implementadas no AGMR No modelo proposto, as modificações realizadas geram uma maior varredura no espaço de busca que, por sua vez, resulta em uma quantidade menor de gerações. Consequentemente, o tempo de simulação e o esforço computacional são reduzidos. Neste artigo são feitas melhorias nos operadores de crossover e mutação, baseando-se em (Wang et al. 2009) e na formação da subpopulação. A. Estratégia de Crossover Para a operação de crossover os cromossomos são selecionados em pares (Sv e Sw). Svt e Swt são recombinados na k-ésima posição. Os resultados do cruzamento são: sc t sv t 1 sw (v1 ,..., vk , wk 1 ,..., wN ) , rand t TC t 1 (1) ( w1 ,..., wk , vk 1 ,..., vN ), rand TC (2) t onde: k é um número aleatório selecionado no intervalo [2,...,N-1]; são números aleatórios uniformemente rand t distribuídos em [0,1]; t representa a geração corrente; Sc representa apenas um dos cromossomos resultantes do processo de crossover; TC representa a taxa de crossover limitada em [0,1]. TC é representado pela seguinte equação: TC (1 ) TCmin TCmax onde α é dado por: t 1 t [1, T ] T (3) (4) onde TCmin e TCmax são os valores mínimo e máximo da taxa de crossover, respectivamente; T a quantidade máxima de gerações. α é o parâmetro de dinâmica do operador de crossover. Essa estratégia de crossover foi adotada para melhorar o espaço de busca e diminuir a probabilidade de ocorrência de elementos repetidos. B. Estratégia de Mutação Após o cromossomo resultante Sc ser obtido, seleciona-se aleatoriamente um elemento vk, k ϵ {1,2,...,N}, e deve-se substituí-lo por vk‟, que é um número aleatório no intervalo [vmin,vmax]. O cromossomo resultante mutado será: scm t 1 (v1 ,..., vk ' ,..., vN ), rand t TM (5) TM é representado pela seguinte equação: T (t 1) TM TM def T (6) onde Scm representa o cromossomo cross mutado; TM representa a baixa taxa de mutação limitada em [0,1]; TMdef representa um valor constante de partida para o cálculo do TM. Essa estratégia de mutação foi adotada para melhorar a eficiência da pesquisa no espaço de busca, visto que a mutação é responsável pela introdução e manutenção da diversidade genética da população. X SIMPÓSIO BRASILEIRO DE AUTOMAÇÃO INTELIGENTE (SBAI) – 2011 ISSN: 2175-8905 - Vol. X 1086 X SBAI – Simpósio Brasileiro de Automação Inteligente 18 a 21 de setembro de 2011 São João del-Rei - MG - Brasil C. Estratégia utilizada na subpopulação A estratégia utilizada consiste no desmembramento da subpopulação. Uma parte dela integra o bloco de seleção/mutação/crossover e a parte restante consiste apenas em um pequeno grupo dos melhores indivíduos de cada geração. Esses indivíduos passam a fazer parte diretamente da nova geração por elitismo. 5. Fluxograma do algoritmo A. Determinação dos vetores de estado do sistema de geração Passo #1: Entrada de dados * unidades geradoras: FOR e a capacidade de geração; * curva de carga; * AGM: quantidade de cromossomos por geração e da quantidade máxima de gerações. Passo #2: Alocação de Memória Cada cromossomo é dividido em „n‟ partes, denominadas genes. Cada gene é representado por um número binário, referente ao estado de operação da unidade geradora. O tamanho do cromossomo (L) é igual à quantidade de unidades geradoras (UG). n L U Gi (7) i 1 Passo #3: Geração da População Inicial A população inicial é gerada aleatoriamente e é composta de 50 cromossomos (indivíduos). Para cada gene dos cromossomos, referente a uma unidade geradora, é atribuído aleatoriamente um número binário, ou seja, L números binários por cromossomo. Passo #4: Cálculo da Capacidade Instalada consegue atender a demanda. Se Capi ≤ 185 MW, então esse estado representa um estado de falha, ou seja, há déficit de geração e esse estado é de interesse, visto que os índices probabilísticos, a serem estimados, estão relacionados com o corte de carga. Seleciona-se, portanto, todos os cromossomos com capacidade de geração menor que o pico de carga. Passo #7: Aplicação da restrição por baixo valor de probabilidade Nessa etapa, excluem-se os cromossomos selecionados no Passo #6, que possuem uma probabilidade individual menor que 10-10. Passo #8: Armazenamento dos cromossomos potencialmente bons Esses cromossomos são usados na resolução do problema e são alocados na lista Best Population. Passo #9: Formação da próxima geração Nesta etapa, a nova população é formada através da aplicação dos operadores de seleção, crossover e mutação. Utiliza-se seleção por torneio, na qual o cromossomo de maior aptidão possui uma maior probabilidade de ser selecionado. Contudo, dependendo do número aleatório gerado durante o torneio, o cromossomo de menor aptidão pode ser selecionado, mas com uma probabilidade menor. As estratégias desenvolvidas, para os operadores de crossover e mutação, são aplicadas após o processo de seleção dos cromossomos. Passo #10: Critério de Parada Os passos #4 a #9 são repetidos até que o critério de parada seja atingido, que consiste em um número prédefinido de gerações. Se o critério de parada for satisfeito, então a lista Best Population fica completamente preenchida. Vale ressaltar que essa lista possui tamanho dinâmico, que depende de cada simulação, visto que o processo é aleatório. B. Cálculo dos índices do sistema de geração n Capi (b j C UG ) j (8) j 1 onde bj é o valor binário representativo da unidade geradora; C UG j representa a capacidade de geração da unidade; Capi capacidade instalada do cromossomo i. Passo #5: Cálculo da probabilidade de cada cromossomo n Pi (b j PGENE ) (9) j 1 onde PGENE é a probabilidade do estado da unidade geradora, que pode assumir os seguintes valores: PGENE = 1-FOR, se bj=1 PGENE = FOR, se bj=0. Passo #6: Aplicação da restrição sobre a capacidade instalada Nessa etapa se Capi ≥ 185 MW (pico de carga), então esse estado representa um estado de sucesso, ou seja, um estado em que o grupo de unidades geradoras Os índices LOLE e LOEE são calculados por convolução discreta entre a curva de carga e os estados de falha do sistema de geração para um período anual (Billinton & Allan 1996). O LOLE expressa o tempo total (horas ou dias) de déficit de geração para um período de estudo. Por outro lado, o LOEE expressa a energia não-fornecida aos consumidores, devido ao déficit de geração. Considere que o valor da carga na hora “i” seja VCi. A probabilidade de perda de carga (PPC), para este respectivo valor de carga, é calculada como a seguir: LBP PPC (VCi ) ( S j Pj ) (10) j 1 Onde: LBP é o comprimento da lista Best Population; Pj é a probabilidade do cromossomo corrente; Sj é o estado do cromossomo definido como se segue: 1, Cap j VCi Sj 0, Cap j VCi (11) Após calcular a PPC(VCi) para todos os valores de X SIMPÓSIO BRASILEIRO DE AUTOMAÇÃO INTELIGENTE (SBAI) – 2011 ISSN: 2175-8905 - Vol. X 1087 X SBAI – Simpósio Brasileiro de Automação Inteligente 18 a 21 de setembro de 2011 São João del-Rei - MG - Brasil carga, o LOLE, em horas por ano (hrs/ano), é calculado como: LOLE 8736 PPC (VC ) (12) i i 1 A potência não suprida (PNS), em MW, é calculada para cada valor de capacidade instalada dos cromossomos da Best Population. O índice LOEE, em megawatts hora por ano (MWh/ano), é calculado como: 8736 PNS (Cap j ) (VCi Cap j ) (13) i 1 LBP LOEE ( S j Pj PNS (Cap j )) (14) j 1 Segundo (Samaan & Singh 2002), pode-se concluir que o AGMR apresenta vantagens em relação à SMC, pois a modelagem dos vetores de estado, ou cromossomos, independe da curva de carga. Para diferentes curvas de carga de um sistema é necessário considerar apenas o valor máximo da curva. Após a construção do vetor de estado, realiza-se a convolução deste vetor com a curva de carga. Por outro lado, na SMC é necessário realizar uma simulação para cada curva de carga, caso o objetivo seja calcular os índices de confiabilidade para cada curva de carga. Outra vantagem do AGMR, em relação à SMC, esta relacionada com o tempo de simulação, pois para valores pequenos de FOR a SMC exige um número elevado de simulações para se obter uma boa precisão dos resultados. 6. Resultados 130 gerações 1 Valor do LOLE O AGMR proposto neste artigo, para estudos de confiabilidade no NH1, foi testado no sistema RBTS. O sistema RBTS possui onze unidades de geração com capacidades variando de 5 MW a 40 MW. O pico de carga do sistema é 185 MW e a capacidade instalada da geração é 240 MW (Billinton et al. 1989). O diagrama unifilar do sistema RBTS é mostrado na Figura 01. 1.2 0.8 0.6 0.4 0.2 1x40 MW 4x20 MW 2x5 MW 0 0 100 200 G 600 700 Figura 02: Evolução do índice LOLE bus 2 20 MW 2x40 MW 1x20 MW 1x10 MW 300 400 500 Cromossomos 12 130 gerações L3 10 G L1 L7 L6 L4 bus 3 bus 4 65 MW 40 MW 8 Valor do LOEE L2 bus 1 6 4 L5 bus 5 L9 bus 6 L8 20 MW 40 MW 2 0 0 100 200 Figura 01: Diagrama unifilar do sistema RBTS. 300 400 500 Cromossomos 600 700 Figura 03: Evolução do índice LOEE A plataforma computacional usada nas simulações foi um PC com as seguintes características básicas: Processador Intel(R) Core(TM) i7 de 2,67 GHz, memória de 6 GB e Hard Disk de 3 TB. O programa AGMR foi desenvolvido em ambiente MATLAB R2010a. O AGMR proposto neste artigo finaliza após 130 gerações. O número médio de elementos salvos na Best Population é 730 cromossomos. O AGMR apresenta vantagens relacionadas com: redução na quantidade de gerações, acarretando menor tempo de simulação; maior varredura no espaço de busca; redução do esforço computacional e precisão dos resultados. As Figuras 02 e 03 mostram a evolução dos índices probabilísticos de confiabilidade para o sistema RBTS. Em uma das comparações realizadas neste artigo, utilizou-se a SMC sequencial. Na SMC sequencial são geradas sequências sintéticas, que emulam os processos de operação e reparo dos componentes do sistema, considerando a conexão cronológica entre os estados. Estas sequências sintéticas são obtidas utilizando-se geradores de números pseudo-aleatórios e as distribuições de probabilidade dos tempos de operação e falha dos componentes (Billinton & Wangdee 2005; Bhuiyan & Allan 1995; Billinton & Gan 1991). Na modelagem do AGM foram considerados os seguintes aspectos relatados na literatura, por exemplo: baixa taxa de mutação, alta taxa de crossover, subpopulação gerada por meio de operações da população inicial e geração de X SIMPÓSIO BRASILEIRO DE AUTOMAÇÃO INTELIGENTE (SBAI) – 2011 ISSN: 2175-8905 - Vol. X 1088 X SBAI – Simpósio Brasileiro de Automação Inteligente 18 a 21 de setembro de 2011 São João del-Rei - MG - Brasil população intermediária (Goldberg, 1989; Samaan & Singh 2002).Foram realizadas 30 simulações consecutivas para o levantamento dos índices probabilísticos LOLE e LOEE a serem comparados entre o AGMR e os seguintes métodos: SMC sequencial, AGM e Analítico Exato. A Tabela 1 mostra a comparação dos resultados entre o AGMR e o Método Analítico Exato (Billinton et al. 1990). A Tabela 2 mostra a comparação entre o AGMR e os demais métodos. Pode-se observar que os resultados obtidos com o AGMR são mais precisos que aqueles gerados pela SMC sequencial e pelo AGM. Tabela 1. Resultados do AGMR para o sistema RBTS. Índice probabilístico LOLE (hrs/ano) LOEE (MWh/ano) Resposta analítica AGMR Erro médio 1,09161 1,0968 0,47% 9,830 9,8281 0,02% Adicionalmente, pode ser observado que há uma redução considerável no tempo de simulação e no esforço computacional. Vale ressaltar, que em (Billinton & Gan 1991) não é fornecido o dado do tempo de simulação, entretanto pode-se afirmar que o AGMR apresenta um tempo de simulação menor visto que são necessárias apenas 130 gerações para se obter um resultado mais preciso. Tabela 2. Comparação entre a SMC e AGM com o AGMR SMC sequencial Índice probabilístico LOLE (hrs/ano) LOEE (MWh/ano) Tempo simulação Erro LOLE Erro LOEE AGM (Billinton & Gan 1991) baseado (Samaan & Singh 2002) 3000 anos 2500 gerações 50 gerações 100 gerações 130 gerações 1,1013 1,0975 1,0683 1,0939 1,0968 10,0919 9,8127 9,531 9,7946 9,8281 AGMR proposto --- 47 s 1,20 s 2,5 s 3,18s 0,88% 0,54% 2,13% 0,21% 0,47% 2,66% 0,17% 3,04% 0,36% 0,02% O AGMR pode ser combinado com a computação distribuída para viabilizar a análise de sistemas reais de grande porte. Por exemplo, no ambiente de computação distribuída, as unidades de geração seriam particionadas em grupos de geração, com tamanhos preestabelecidos, que seriam enviados aos demais computadores da rede e os resultados seriam reenviados a um servidor. 7. Conclusão Neste artigo foi apresentado um método para estimação de índices de confiabilidade de sistemas de geração com base em um Algoritmo Genético Modificado Rápido (AGMR). Esse algoritmo foi usado para estimar os índices de confiabilidade Loss of Load Expectation (LOLE) e Loss of Energy Expectation (LOEE) no sistema RBTS (Roy Billinton Test Systems). Os resultados obtidos com este sistema demonstraram que o AGMR apresenta resultados com precisão comparável a Simulação Monte Carlo (SMC). Além disso, o AGMR tem um custo computacional menor que o do Algoritmo Genético Modificado Clássico e o da SMC. Referências Bibliográficas Billinton, R. and Allan, R. N (1992). Reliability Evaluation of Engineering Systems: Concepts and Techniques. 2nd ed., Plenum Press. Billinton, R. and Allan, R. N (1996). Reliability Evaluation of Power Systems. 2nd ed., Plenum Press. Billinton, R. and Gan, L (1991). Use of Monte Carlo Simulation in Teaching Generation Capacity Adequacy Assessment. Transactions on Power Systems, Vol. 6, No. 4. Billinton, R.; Kumar, S. and Nourbakhsh, G (1989). A Reliability Test System for Educational Purposes- Basic Data. 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