0 UNINGÁ – UNIDADE DE ENSINO SUPERIOR INGÁ FACULDADE INGÁ CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM ORTODONTIA RÚBIA VEZARO VANZ INTER-RELAÇÃO ENTRE A ORTODONTIA E A FONOAUDIOLOGIA NA TOMADA DE DECISÃO DE TRATAMENTO DE INDIVÍDUOS COM RESPIRAÇÃO BUCAL PASSO FUNDO 2008 1 RÚBIA VEZARO VANZ INTER-RELAÇÃO ENTRE A ORTODONTIA E A FONOAUDIOLOGIA NA TOMADA DE DECISÃO DE TRATAMENTO DE INDIVÍDUOS COM RESPIRAÇÃO BUCAL Monografia apresentada à unidade de Pósgraduação da Faculdade Ingá – UNINGÀ Passo Fundo-RS como requisito parcial para obtenção do título de Especialista em Ortodontia. Orientadora: Prof. Ms. Lilian Rigo Co-orientadora: Prof. Ms. Anamaria Estacia PASSO FUNDO 2008 2 RÚBIA VEZARO VANZ INTER-RELAÇÃO ENTRE A ORTODONTIA E A FONOAUDIOLOGIA NA TOMADA DE DECISÃO DE TRATAMENTO DE INDIVÍDUOS COM RESPIRAÇÃO BUCAL Monografia apresentada à comissão julgadora da Unidade de Pós-graduação da Faculdade Ingá – UNINGÁ – Passo FundoRS como requisito parcial para obtenção do título de Especialista em Ortodontia. Aprovada em ___/___/______. BANCA EXAMINADORA: ________________________________________________ Profª. Ms. Lilian Rigo ________________________________________________ Prof. Dr. Cezar Augusto Garbin ________________________________________________ Ms. Graziela Oro Cericatto 3 DEDICATÓRIA Dedico este trabalho ao meu tio, Francisco, que me apoiou e me incentivou todos os dias, de uma forma que só quem ama demais sabe fazer. 4 AGRADECIMENTOS À Deus, em primeiro lugar, pois foi em quem me apoiei nos momentos de insegurança. Aos meus pais, agradeço por todo amor, pelo exemplo e pelo apoio incondicional, e agradeço ainda mais por acreditarem e confiarem em mim todos os dias. À minha irmã, Ângela, que foi incansável na coleta dos questionários deste trabalho e esteve presente sempre que eu precisei, e até quando eu não precisei. À minha avó, Nair, pela companhia nas noites em que eu redigia este trabalho. Ao meu avô José, in memorian, que onde quer que esteja, sei que me guiou, torceu, e vibrou com esta conquista. Ao meu amor, Leandro, pela ajuda na busca dos artigos e pela paciência interminável em suportar e aceitar minha ausência e meus desabafos. À Mel, minha cachorrinha e companheira fiel em todas as madrugadas, pela paz e alegria que me transmite todos os dias ao ouvir minha voz, ou me ver chegar. Ao Felipe, meu cunhado, que não mediu esforços e foi de grande ajuda e dedicação na tradução dos artigos. À prof. Ms. Lilian Rigo, a quem não tenho como descrever ou agradecer o suficiente, pois foi impecável na orientação deste trabalho, obrigada por todo incentivo, carinho e disponibilidade sempre que precisei. À prof. Ms. Anamaria Estacia, pela cooperação, competência e aplicação em ensinar. 5 Ao Dr. Luis Antonio Di Guida, pelos artigos cedidos. Aos professores, Andréa, Giovana, João Batista, Lincoln e Rogério pela paciência, pelo apoio e pelo conhecimento partilhado. Aos colegas, Anderson, Celso, Claudiane, Daniela, Fernanda, Flávia, Gabriela, Lauter, Luíze e Michelli, pelo conhecimento e amizade partilhados nestes anos de convívio. A todos que, direta ou indiretamente, colaboraram para que este trabalho fosse concluído. 6 RESUMO O presente trabalho aborda a inter-relação entre a ortodontia e a fonoaudiologia em indivíduos com respiração bucal, a qual é um transtorno caracterizado por um desvio da respiração nasal. O objetivo desta pesquisa foi investigar a tomada de decisão clínica dos ortodontistas do Município de Passo Fundo-RS no tratamento interdisciplinar ortodontia/fonoaudiologia nestes pacientes. O delineamento empregado para a realização desta pesquisa constou de um estudo descritivo, utilizando como instrumento de coleta de dados um questionário dirigido a 22 profissionais da área da ortodontia, que possuíam títulos de especialistas, mestrado ou doutorado, sendo estes atuantes no município. Primeiramente o projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa e todos os indivíduos envolvidos na pesquisa assinaram um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Com relação aos resultados, a maioria dos ortodontistas era do sexo feminino com média de 42 anos de idade, com 6 a 38 anos de formado, sendo que a maioria concluiu a graduação em faculdades particulares e trabalha somente em serviço particular. Todos os profissionais consideram necessária a inter-relação entre ortodontia e fonoaudiologia, porém houve divergências quanto às situações em que existe a possibilidade de um trabalho conjunto, considerando que 54,5% confiam na interrelação para desenvolver aspectos relacionados à linguagem, motricidade orofacial e hábitos. Nos casos de tratamento conjunto, os resultados obtidos foram considerados satisfatórios por 73,7% dos profissionais, apesar de considerarem que apenas 6 a 20% de seus pacientes colaboram com o tratamento. Concluindo assim, em relação à tomada de decisão em indivíduos com respiração bucal que os ortodontistas do Município de Passo Fundo-RS concordam que há necessidade da relação com os fonoaudiólogos. Palavras-chave: Respiração bucal. Ortodontia. Tomadores de decisão em saúde. Tomada de decisões. 7 ABSTRACT This work deals with the interaction between the orthodontics and phonoaudiology in patients with mouth breathing, which is a disorder characterized by a deviation of nasal breathing. The aim of this research was to investigate the clinical decision-making of orthodontists in the Township of Passo Fundo-RS in interdisciplinary treatment orthodontic / phonoaudiology into individuals with mouth breathing. The research was based on a cross-sectional descriptive study, using as a tool for data collection a questionnaire directed to 22 professionals in the field of orthodontics, which had titles of specialists, masters or doctorate, which are active in the city. First the project was approved by the Research Ethics Committee and all individuals involved in the study signed a Free and Informed Consent. With respect to the results, most orthodontists were female with an average of 42 years of age, between 6 and 38 years of graduation, having completed the studies in private colleges and working in particular service. All professionals consider necessary the interaction, however, there was disagreement as to situations where there is the possibility of work together, whereas 54.5% trust in interaction to develop aspects of language, orofacial motricity and habits. In cases of treatment together, the results were considered satisfactory by 73.7% of professionals, despite consider that only 6 to 20% of its patients collaborate with treatment. Regarding the decision-making in individuals with mouth breathing, orthodontists in the Township of Passo Fundo-RS, agree there is need to work together with the speech therapists. Keywords: Mouth breathing. Orthodontics. Health Manager. Decision Making. 8 LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 1 - Distribuição das freqüências, segundo o sexo dos profissionais..............49 Figura 2 - Distribuição das freqüências, segundo a idade dos profissionais.............50 Figura 3 - Distribuição das freqüências, segundo o tempo de formação dos profissionais................................................................................................................50 Figura 4 - Distribuição das freqüências, segundo o local de graduação dos profissionais................................................................................................................51 . F i g u r a 5 - Distribuição das freqüências, segundo o grau de formação dos profissionais................................................................................................................52 F i g u r a 6 - Distribuição das freqüências, segundo o tipo de trabalho dos profissionais................................................................................................................52 F i g u r a 7 - Distribuição das freqüências, segundo as situações em que os profissionais consideram necessária/possível a inter-relação entre ortodontia e fonoaudiologia............................................................................................................53 . F i g u r a 8 - Distribuição das freqüências, considerando encaminhamento dos pacientes pelos ortodontistas para tratamento fonoaudiológico................................54 F i g u r a 9 - Distribuição das freqüências, segundo a porcentagem de encaminhamentos para tratamento fonoaudiológico.................................................55 Figura 10 - Distribuição das freqüências, segundo a percepção dos ortodontistas com relação à resistência dos pacientes em realizar o tratamento fonoaudiológico..........................................................................................................56 Figura 11 - Distribuição das freqüências, considerando os resultados da interrelação ortodontia e fonoaudiologia no tratamento de respiradores bucais.........................................................................................................................57 Figura 12 - Distribuição das freqüências, segundo a porcentagem de pacientes que os ortodontistas julgam colaboradores.......................................................................58 F i g u r a 1 3 - Distribuição das freqüências, considerando a porcentagem de ortodontistas que procura manter contato com o fonoaudiólogo durante o tratamento..................................................................................................................59 Figura 14 - Distribuição das freqüências, considerando o número de ortodontistas que aguarda a alta fonoaudiológica para dar a alta ortodôntica................................60 Figura 15 - Distribuição das freqüências, considerando a porcentagem de recidivas atribuídas, quando não há um trabalho conjunto, à falta desta interrelação........................................................................................................................61 9 Figura 16 - Distribuição das freqüências, considerando a porcentagem de recidivas, nos casos de tratamento conjunto, atribuída à falta de acompanhamento fonoaudiológico..........................................................................................................62 10 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................. 12 2 REVISÃO DE LITERATURA.......................................................................................... 14 2.1 RESPIRAÇÃO NASAL ................................................................................................. 14 2.2 RESPIRAÇÃO BUCAL ................................................................................................. 15 2.2.1 Fatores etiológicos da respiração bucal ........................................................... 20 2.2.1.1 Obstrução nasal .................................................................................................. 21 2.2.2 Conseqüências da respiração bucal .................................................................. 29 2.2.2.1 Possibilidade de repercussão no estado nutricional ..................................... 29 2.2.2.2 Perda auditiva...................................................................................................... 31 2.2.2.3 Funções de fala e voz ........................................................................................ 31 2.2.2.4 Ronco noturno e Síndrome da Apnéia Obstrutiva do Sono......................... 32 2.2.2.5 Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade(TDAH) ............................ 32 2.2.2.6 Postura aberta de boca...................................................................................... 33 2.2.3 Estudos epidemiológicos em respiradores bucais ........................................ 33 3 OBJETIVOS ...................................................................................................................... 46 4 METODOLOGIA ............................................................................................................... 47 4.1 DELINEAMENTO DO ESTUDO ................................................................................. 47 4.2 POPULAÇÃO E AMOSTRA DO ESTUDO ............................................................... 47 4.2.1 Critério de inclusão ................................................................................................. 47 4.3 COLETA DOS DADOS................................................................................................. 47 4.3.1 Instrumento ............................................................................................................... 47 4.4. ARMAZENAMENTO DOS DADOS........................................................................... 48 4.5. CONSIDERAÇÕES ÉTICAS ...................................................................................... 48 5 RESULTADOS ................................................................................................................. 49 5.1 ANÁLISE DESCRITIVA DA AMOSTRA .................................................................... 49 5.2 ANÁLISE DESCRITIVA EM RELAÇÃO À TOMADA DE DECISÃO .................... 53 6 DISCUSSÃO ..................................................................................................................... 63 6.1 CONSIDERAÇÕES METODOLÓGICAS .................................................................. 63 11 6.2 PREVALÊNCIA DE RESPIRADORES BUCAIS ...................................................... 63 6.3 CARACTERIZAÇÃO DA AMOSTRA E TOMADA DE DECISÃO ......................... 65 7 CONCLUSÃO ................................................................................................................... 70 REFERÊNCIAS.................................................................................................................... 71 APÊNDICES ......................................................................................................................... 78 12 1 INTRODUÇÃO Apesar da grande quantidade e das diferentes abordagens de trabalhos descritos na literatura há mais de um século sobre os efeitos e tratamento da respiração bucal, existem poucas alusões às atuações interdisciplinares, que podem ser de grande valia, tanto no decorrer do tratamento como no pós-tratamento dessa síndrome. As principais funções fisiológicas da cavidade oral são a mastigação, a deglutição, a respiração e a fonação, o que torna o sistema orofacial um espaço multifuncional bastante complexo (PROFFIT; FIELDS JUNIOR, 2002). Na infância, época em que ocorre a transição da dentição decídua para a permanente, existe um padrão específico de crescimento direcionado às estruturas craniofaciais. Uma alteração funcional, representada por uma obstrução respiratória nasal, promove uma série de influências que prejudicam o processo dinâmico de crescimento e desenvolvimento dentofacial (SANTOS-PINTO et al., 1993). A respiração bucal caracteriza-se por um desvio do modo respiratório nasal, sendo um transtorno que afeta o crescimento e o desenvolvimento de todo o sistema orofacial. Quando continuada, desencadeia uma sucessão de eventos que prejudicam o desenvolvimento da criança e, até mesmo, o adulto em suas atividades habituais (SAFFER; RASIA-FILHO; LUBIANCA NETO, 1995). No presente trabalho, procurou-se enfatizar os mecanismos envolvidos no processo da respiração bucal, bem como os distúrbios provocados pelas desarmonias relacionadas, além de uma abordagem interdisciplinar envolvendo profissionais da área da ortodontia e fonoaudiologia. A abordagem do tema, envolvendo a respiração bucal, tem relevância no sentido de salientar as possíveis conseqüências orofacias provocadas por este transtorno. Simultaneamente, é importante considerar a possibilidade e a validade de se estabelecer um tratamento interdisciplinar, uma vez que a literatura oferece escassas alusões ao tratamento conjunto. Em alguns estudos desenvolvidos, evidencia-se a estreita relação entre a condição ósseo-dentária, a musculatura e as funções do sistema estomatognático (PEREIRA; FELÍCIO, 2005). Hoje, sabe-se que o tratamento da Síndrome do Respirador Bucal requer a interdisciplinaridade, uma 13 vez que é impossível apenas um profissional recuperar as alterações funcionais, patológicas, estruturais, posturais e emocionais dos portadores desta síndrome (PARANHOS; CRUVINEL, 2003). Para isso, a compreensão dos fatores que produzem as alterações características dos respiradores bucais é fundamental, e tal situação vai além da simples detecção destas alterações (FELÍCIO, 1999). Nas especialidades odontológicas, cada vez mais se descobre a importância das estruturas anexas, que interferem de alguma forma, no sucesso do tratamento. Dentre estas estruturas, pode-se dar destaque a oro e nasofaringe, que desempenham papel importante por estarem diretamente ligadas ao ato de respirar, com repercussões na cavidade bucal e suas funções. As variações anatômicas dentais, musculares e esqueléticas presentes nos respiradores bucais, aliadas ou não, a fatores intrínsecos e extrínsecos do crescimento e desenvolvimento da face, associadas a hábitos e funções, nos levam a discutir sobre a possibilidade do tratamento conjunto nesses indivíduos. 14 2 REVISÃO DE LITERATURA 2.1 RESPIRAÇÃO NASAL O nariz é a via respiratória preferencial para o bebê, sendo favorecida pela própria anatomia com a posição do nariz mais cranial associada a uma língua de maior volume, fato este que facilita ao bebê a respiração correta (PAES et al., 2005). Desde o nascimento, a respiração nasal é vital para o ser humano, sendo que a fisiologia do nariz não pode separar-se do restante do trato respiratório, considerando que sua função primordial é o preparo do ar para que haja um melhor aproveitamento deste nos pulmões (RODRIGUES et al., 2003). A respiração nasal deve ser sempre priorizada, uma vez que o nariz não é um condutor passivo pelo qual o ar é captado e dirigido para a faringe. Diferente da cavidade bucal, o nariz é um órgão altamente especializado, que exerce as funções de filtrar, aquecer e umidificar o ar inspirado (FAYYAT, 1999). A respiração adequada (nasal) apresenta inúmeras vantagens, dentre as quais se destacam: aquecimento do ar, quase se igualando à temperatura corpórea, antes mesmo de chegar à laringe; umidificação decorrente da saturação de vapor d’água antes de chegar aos pulmões; e ainda, filtração, ficando as partículas e microorganismos aderidos ao muco, protegendo assim todo o trato respiratório (HAHN et al., 2002). Além disso, é na cavidade nasal que a primeira barreira imunológica contra agressores é encontrada (RODRIGUES et al., 2003). Pode-se afirmar que a respiração nasal constitui estímulo primário para o crescimento dos espaços funcionais nasal, bucal e faríngeo, sendo de extrema importância para a manutenção da harmonia do sistema estomatognático (SILVA FILHO et al., 1989). A hereditariedade desempenha um papel indiscutível no crescimento e desenvolvimento craniofacial, o que pode ser visto pelos diferentes tipos faciais que refletem o código genético implícito. Entretanto, o curso normal de crescimento e desenvolvimento do organismo e, especificamente da face, pode ser alterado, inibido ou desviado por problemas de saúde de ordem geral, de relacionamento das estruturas orgânicas ou por influências ambientais (LIMA; KÖHLER; PETRELLI, 2005). Um estudo se propôs a fazer uma revisão avaliando a relação entre função 15 nasorespiratória e morfologia dentofacial. Geralmente acredita-se que a função nasorespiratória pode exercer um efeito dramático sobre o desenvolvimento do complexo dentofacial. Desde a virada do século, a função do fluxo aéreo nasal tem sido considerada como primeiro fator etiológico no desenvolvimento dentofacial. As primeiras teorias propuseram a existência de relação entre respiração bucal e forma facial, afirmando que a respiração bucal altera o ar corrente e as pressões que ocorrem através das cavidades bucal e nasal, prejudicam o desenvolvimento destas estruturas. Uma segunda teoria sustentava que a respiração bucal desfazia as forças musculares exercidas pela língua, lábios e bochechas sobre o arco maxilar (O’RYAN et al., 1982). A influência da função respiratória no desenvolvimento das estruturas orofaciais tem sido muito discutida. De acordo com a teoria da “Matriz Funcional de Moss”, o crescimento facial está intimamente associado à atividade funcional, podendo ser representada por diferentes componentes da região da cabeça e pescoço e, portanto, uma função alterada pode determinar uma morfologia alterada. Ainda em concordância com esta teoria, a respiração nasal propicia o crescimento e o desenvolvimento adequados ao complexo craniofacial, interagindo com outras funções como mastigação e deglutição (LESSA et al., 2005). Sendo a respiração nasal considerada fisiológica no ser humano, deve-se acrescentar que ela depende da integridade anatômica e da função das vias aéreas e que tais estruturas não apresentem impedimento à passagem do ar (RODRIGUES et al., 2003). Havendo tal impedimento, a respiração terá seu percurso alterado para a cavidade bucal em busca de condições respiratórias (PAES et al., 2005). 2.2 RESPIRAÇÃO BUCAL O desenvolvimento da face e da relação basal maxilomandibular depende de estímulos ligados a amamentação, a respiração nasal e a mastigação dos alimentos. Pela respiração nasal acontecem as trocas gasosas dentro da fisiologia natural, sendo o organismo inteiro beneficiado com maior aporte de oxigênio. Entretanto, quando a respiração é realizada através da boca, ocorre o comprometimento do organismo como um todo (SIPOLATTI; DADALTO, 2003). A respiração bucal é o tipo 16 de respiração alternativa efetuada através da cavidade bucal, sendo estabelecida na presença de uma obstrução nasal devido a uma predisposição anatômica ou patologias diversas (OLIVEIRA; VIEIRA, 1999). Porém, a respiração bucal também pode ocorrer por uma simples mudança de hábito, ou seja, parar de respirar pelo nariz e começar a respirar pela boca, o que exerce forte efeito sobre o sistema estomatognático, criando condições desfavoráveis ao crescimento e desenvolvimento dos tecidos duros e moles (AMARAL; CARVALHO; SILVA, 2004). Apesar de ser definida como a respiração mais freqüente pela boca, o que acontece na maioria dos casos é uma combinação de respiração nasal com bucal, em diferentes graus, sendo difícil identificar o nível mínimo de respiração bucal com capacidade para induzir à deformidade facial (GÓIS et al., 2006). O desvio do modo respiratório de nasal para bucal e suas influências no crescimento e desenvolvimento dentofacial aparecem na literatura desde o início do século, havendo certo grau de insegurança para afirmar qual a real influência da respiração alterada em tal processo (ANDRADE et al.,2001; BIZETTO et al., 2004). A cavidade nasal, como também a cavidade bucal, serve como caminho para a passagem do ar durante a respiração. Normalmente, o ato respiratório é realizado através do nariz, enquanto a boca permanece fechada, porém, em alguns indivíduos, pela presença de obstruções ou por mau hábito, a principal via de passagem do ar torna-se a cavidade bucal (CASTILHO et al., 2002). Convém ressaltar que a respiração oral não deve ser considerada uma alternativa à dificuldade de respirar pelo nariz, mas sim como uma adaptação patológica que pode resultar em inúmeras alterações para o indivíduo. Estas possíveis alterações encontradas em respiradores orais podem ser classificadas em alterações craniofaciais e dentárias; dos órgãos fonoarticulatórios e corporais; das funções orais, além de alterações médicas e otorrinolaringológicas (SÍGOLO et al., 2008). A manutenção fisiológica da desobstrução das vias aéreas é de vital importância desde o primeiro dia de vida extra-uterina, já que todas as funções bucais aprendidas se acomodam conforme as posições da mandíbula (manutenção da posição ântero-posterior) e da língua (estabilização da sua relação com a parede faríngea posterior), que permitem que as vias aéreas fiquem livres (ENLOW, 1993). Crianças recém-nascidas são obrigatoriamente respiradores nasais, e podem não 17 sobreviver se a passagem nasal ficar bloqueada no nascimento. Mais tarde, a respiração bucal torna-se fisiologicamente possível em função das alterações que podem ocorrer no sistema orofacial, que exige do indivíduo algumas adaptações (NAKAMA, 1997). Em situações em que a passagem de ar pelo nariz é interrompida, o que ocorre é que, durante a expiração e inspiração, o ar passa apenas pela cavidade bucal, gerando um aumento da pressão aérea intrabucal (FERREIRA, 2004). O palato vai aprofundando, e tal fato pode ser explicado pela ausência do vedamento bucal anterior e posterior da cavidade oral, que impede a formação da pressão negativa, que se constitui numa força fisiológica que propicia estímulo ao abaixamento do palato em crescimento. Com a ausência desta força, o palato não desce e torna-se mais profundo. Outra teoria, que tenta explicar tal aprofundamento na respiração bucal, refere que a língua, colocada atrás e abaixo, não se contrapõe às forças laterais exercidas sobre os maxilares superiores pelos músculos bucinadores. Assim, ela não faz sua função de modelação durante a fala, mastigação e deglutição pela contínua postura de boca aberta (OLIVEIRA; VIEIRA, 1999). Como conseqüência deste aprofundamento, ainda é possível citar a tendência de deslocamento para dentro e anterior da arcada superior, provocando distoclusão e mordidas cruzadas (MOCELLIN; CIUFFI, 1997). Ao mesmo tempo, os seios maxilares ficam atrésicos pela falta de trânsito do ar na cavidade nasal, dando um aspecto característico ao paciente (FERREIRA, 2004). Por ser um sintoma freqüente na infância e por ser decorrente de causas multifatoriais com associação de diversas patologias, é comum mencionar a respiração oral como uma “síndrome” (DI FRANCESCO et al., 2004). Este aspecto em particular já recebeu várias denominações e, dentre elas, pode-se citar a face adenoideana, a síndrome da face longa e a síndrome da obstrução respiratória (SILVA FILHO et al., 1989). Independentemente da denominação, todas são descritas segundo as mesmas características, sendo estas discutidas e analisadas há mais de um século, incluindo uma postura bucal aberta, nariz estreito com narinas pequenas, lábio superior curto, arco maxilar em forma de “V”, palato profundo ou ogival, incisivos superiores protruídos e uma relação dentária de Classe II (DANIEL; TANAKA; ESSENFELDER, 2004). Ainda são associadas a tais indivíduos características como olhar embaçado, lábio inferior evertido e 18 geralmente maior que o superior, além de um crescimento craniofacial predominantemente vertical, mordida cruzada posterior e uma face longa e estreita (ALMEIDA et al., 2006). Em 1873, Tomes descreveu, pela primeira vez, as características da “face adenoideana”, contradizendo outros autores, que acreditavam ser esta uma herança congênita, não relacionada com a respiração bucal. Embora existam contradições, o que se pode observar é que nem todos os indivíduos que apresentam tais características são efetivamente respiradores bucais, e nem todos os respiradores bucais possuem essencialmente tais características (DANIEL; TANAKA; ESSENFELDER, 2004). É pertinente considerar a existência de estudos que demonstram a correlação entre o tipo de respiração e morfologia craniofacial, apontando uma predominância significativa de respiradores bucais com padrão de crescimento vertical se comparados aos respiradores nasais. Não existem, porém, correlações causais, o que sugere novamente a presença de determinantes genéticos para os padrões de crescimento facial, que podem ser modulados por influências exógenas (CASTILHO et al., 2002). Acredita-se, então, que a impossibilidade de se respirar pelo nariz leva o indivíduo a desenvolver uma respiração que pode gerar efeitos adversos no desenvolvimento facial e no posicionamento dentário, porém esta só terá potencial para causar deformações se estiver presente de alguma forma em um período importante do crescimento (ALMEIDA et al., 2006). Respirador bucal é o indivíduo que substitui o padrão respiratório nasal, considerado o processo correto de respiração, por um padrão de suplência oral ou misto por um período maior que seis meses (BARROS; BECKER; PINTO, 2006). Considerando-se ainda, que o padrão unicamente bucal é bastante raro (ALMEIDA et al., 2006). Algumas vezes, a literatura faz referências como se toda a população fosse dividida em respiradores nasais e respiradores bucais. Poucos são os que respiram apenas de uma maneira (MOYERS, 1991). Analisando este fato, é importante entender que, apesar de os humanos serem essencialmente respiradores nasais, todos respiram, parcialmente, através da boca, sob determinadas condições fisiológicas. Um exemplo seria a necessidade gritante de ar durante exercícios físicos ou, até mesmo, em concentrações mentais intensas, que levam a um aumento da passagem de ar e à transição para uma respiração bucal parcial 19 (PROFFIT; FIELDS JUNIOR, 2002). A respiração é um fenômeno vital para o organismo. A partir do momento em que ela é dificultada, instala-se um mecanismo compensatório de toda a estrutura facial, sendo notável a observação da modificação do comportamento da cabeça, logo que uma das funções principais é perturbada (LANGLADE, 1995). Parece inteiramente razoável que um padrão de respiração alterado possa mudar a posição da cabeça, maxilares ou língua, e que, em troca, haveria uma alteração no equilíbrio das pressões dos maxilares e dentes, afetando, portanto, seus respectivos crescimentos (PROFFIT; FIELDS JUNIOR, 2002). Como as necessidades respiratórias são as determinantes primárias da postura da mandíbula e da língua e, numa extensão menor, da cabeça em si, pode-se reafirmar que a respiração bucal cause uma postura diferente da cabeça, mandíbula e língua, o que alterararia o equilíbrio e afetaria, tanto o crescimento mandibular, quanto a posição dentária (NAKAMA, 1997). Uma criança respiradora bucal de 3 a 4 anos pode apresentar alterações oclusais como Classe II de Angle, retroposição da mandíbula, boca entreaberta e olhar embaçado, etc., porém as alterações que as crianças desenvolverão até a puberdade dependerão da intensidade e freqüência da respiração bucal, assim como da predisposição para sofrer, em maior ou menor grau, os efeitos deste tipo anormal de respiração. Se tiver iniciado cedo, com intensidade e freqüência consideráveis, a criança pode apresentar diversas características, como, por exemplo: incisivos cobertos por uma película opaca e esbranquiçada, em razão da falta de higiene; mucosa ressecada por manter uma postura bucal aberta; gengivite crônica, especialmente no segmento anterior superior. Geralmente o palato encontra-se alto e estreito e há ocorrência de Classe II, primeira divisão de Angle. A mandíbula fica mais distal, não pela falta de crescimento, mas por uma posição alterada dos côndilos dentro da cavidade glenóide, podendo ter associação de uma falta de crescimento do mento. O lábio inferior fica posicionado entre os incisivos superiores e inferiores, lingualizando os inferiores que, por não ocluírem com o antagonista, extruem até tocar a mucosa palatina, por trás dos incisivos superiores. Há falta de espaço para erupção dos premolares, que acabam alterando sua posição e, juntamente com os caninos e incisivos, produzem uma curva de Spee bastante acentuada, causando problemas de sobressaliência exagerada e mordida cruzada. Enquanto os maxilares superiores são pressionados pelos bucinadores, o 20 lábio superior fica curto e não consegue cobrir os incisivos superiores, exercendo acentuada pressão sobre o osso alveolar, deixando uma marca conhecida por “marginal midge”. A posição dos incisivos superiores agrava-se porque o eixo de suas coroas é pressionado para vestibular, em função da interposição do lábio inferior (NOVAES; VIGORITO, 1993). Considerando-se tal fato, podem-se numerar alguns dos fatores etiológicos mais comumente relacionados à respiração bucal. 2.2.1 Fatores etiológicos da respiração bucal A associação entre a morfologia craniofacial e os fatores funcionais ou extrínsecos que podem influenciar no crescimento e desenvolvimento deste segmento tem despertado grande interesse em pesquisas recentes. Alguns autores afirmam que a presença da respiração bucal na infância ou adolescência, em razão de vários fatores etiológicos, pode levar o indivíduo a desenvolver aspectos característicos de uma face adenoideana. Em contrapartida, outros relatam que são limitados os danos que confirmam a existência de alteração do padrão facial em respiradores bucais (ANDRADE et al., 2005). A controvérsia encontrada na literatura é causada especialmente pela dificuldade em quantificar a função das vias aéreas e determinar objetivamente o tipo de respiração, bem como a deficiência na interpretação e compreensão dos resultados das pesquisas (LIMA; KÖHLER; PETRELLI, 2005). Embora existam muitas discordâncias, a maioria dos estudos relaciona as alterações de crescimento craniofacial com a respiração bucal, mesmo que estes concordem que comprovar que o paciente realmente respira pela boca é uma tarefa difícil, o que traz complicações na interpretação destes achados (DIFRANCESCO et al., 2006). Em virtude da diversidade de dados disponíveis na literatura, que apresenta um grande número de fatores etiológicos para o crescimento dentofacial anormal, o que se pode constatar é que a respiração bucal tem potencial para alterar o crescimento craniofacial (ANDRADE et al., 2005). A respiração bucal pode decorrer de várias afecções de base e, dentre elas, pode-se citar os fatores mecânicos (alterações de septo nasal, hiperplasias adenoamigdalianas), doenças inflamatórias (rinites alérgicas), malformações congênitas com deformidades craniofaciais, lesões tumorais e outras (BARROS; BECKER; PINTO, 2006). Embora exista substancial evidência de que a respiração 21 nasal alterada resulte em respiração buconasal, seus efeitos no crescimento dentofacial ainda não estão esclarecidos (LESSA et al., 2005). Acredita-se, assim, que a respiração nasal alterada seja um fator etiológico importante no que diz respeito à maloclusão, principalmente se estiver relacionada ao período de crescimento do indivíduo (MOYERS, 1991). Admitindo esta constatação, analisar-seão os fatores etiológicos com potencial para estabelecer uma respiração alterada, partindo-se do fator obstrução nasal como causa preponderante. 2.2.1.1 Obstrução nasal As controvérsias em relação às conseqüências da obstrução nasal e redução do espaço nasofaríngeo no desenvolvimento craniofacial têm estimulado inúmeras pesquisas nesta área. Vários são os autores que encontram associações entre obstrução das vias aéreas e desenvolvimento de maloclusão, postulando que distúrbios respiratórios prejudicam o desenvolvimento facial harmonioso, podendo causar más oclusões e desvio do crescimento facial. O diagnóstico da obstrução nasal também permite algumas considerações. Pode-se dizer que este é eminentemente clínico e o médico deve questionar sobre outros sintomas, como roncos, dispnéia e rinorréia (DIFRANCESCO et al., 2006). Sempre se deve levar em consideração o diagnóstico do otorrinolaringologista, que dirá se existe ou não uma real obstrução das vias aéreas superiores, sabendo-se que, se houver o impedimento, a desobstrução será de competência do médico e só após isto é que cabe ao ortodontista iniciar o atendimento (LINO, 1994). Quando existe uma obstrução nasal, independente da etiologia, isto afetará a respiração, conduzindo a múltiplas alterações, com menor ou maior grau em função do tempo de evolução do processo obstrutivo (NOVAES; VIGORITO, 1993). Convém considerar que certas dificuldades presentes no diagnóstico diferencial entre respiradores bucais e nasais são devido ao fato de que os primeiros normalmente apresentam alguma capacidade de respiração nasal. A respiração bucal só é encontrada isoladamente nos casos onde existe uma estenose ou bloqueio completo das vias aéreas superiores (LINDER-ARONSON, 1979). Portanto, podem-se utilizar outros meios para confirmação diagnóstica, como o exame físico, por meio da rinoscopia anterior (avaliação do vestíbulo nasal, válvula nasal, porção 22 anterior do septo nasal e cornetos inferiores e médio), além da avaliação da nasofaringe através de fibronasofaringolaringoscopia e telerradiografia (DIFRANCESCO et al., 2006). Com relação à importância da passagem aérea nasofaríngea em ortodontia, foi realizado um estudo onde um menino de 12 anos e 6 meses era portador de fenda palatina, a qual foi separada por um retalho faringeano, resultando em fechamento completo da passagem aérea. Tal fato resultou num paciente respirador bucal. Cinco anos mais tarde, houve o desenvolvimento de uma mordida aberta anterior, com uma abertura de 6 graus no eixo facial. A chance desta ocorrência é menor que 1 em 1 milhão. Entretanto, a maloclusão em respiradores bucais como resultado de bloqueio da passagem aérea nasofaríngea é relativamente comum. Para o autor, a respiração bucal tem sido objeto de consideração para ortodontistas, há muitos anos, além também ser considerada como obstáculo para um tratamento ortodôntico bem sucedido. Por isto, é importante que este distúrbio seja diagnosticado precocemente (SCHULHOF, 1978). Um estudo realizado em um hospital infantil de Pittsburg propôs-se a explorar a relação entre a obstrução aérea superior e o crescimento craniofacial. O autor descreveu uma revisão de literatura preliminar realizou um estudo em crianças internas do hospital acima citado. Neste trabalho, indicou a configuração esquelética e dental que estariam relacionadas à obstrução aérea superior e às trocas significativas nos padrões de crescimento facial, que foram vistas após remoção da obstrução. Avaliou quatro casos clínicos que ilustraram o potencial de inter-relação entre alterações na função respiratória e o padrão de crescimento craniofacial. Estes quatro casos foram representativos de um tipo de problema facial que tinha sido associado à respiração bucal individual, aumento do ângulo do plano mandibular. O autor reconheceu o fato de haverem outras manifestações decorrentes de obstrução aérea superior, mas estes casos ilustraram a relação entre forma e função, ou seja, a obstrução e o desvio do crescimento facial (McNAMARA JÚNIOR, 1981). Em 1988, um estudo relacionando a altura facial anterior inferior, incompetência labial e obstrução nasal foi realizado com o propósito de medir a resistência da passagem aérea nasal em pacientes, antes e depois de expansão rápida da maxila com dispositivos fixos e comparar ao grupo controle. A amostra constou de 38 pacientes ortodônticos e 24 não ortodônticos, com idade entre 8 e 14 23 anos. Os períodos de estudo foram feitos durante a expansão, uma semana após e 12 meses após. Os parâmetros respiratórios foram determinados numa condição natural de respiração e com uso de descongestionante nasal. A resistência nasal foi medida por rinomanometria posterior e para quantificar e determinar características da passagem de ar nasal e bucal foi usada técnica respirométrica simultânea. Os autores descreveram associações entre postura labial, altura facial anterior inferior e resistência nasal, sendo que a altura facial anterior inferior foi maior no grupo que manteve os lábios separados. Houve uma correlação negativa pequena entre resistência nasal e porcentagem nasal, e nenhuma correlação foi encontrada entre a quantidade de expansão e mudanças na resistência nasal (HARTGERINK; VIG, 1989). Evidências experimentais sugerem que a alteração na função muscular pode influenciar a morfologia craniofacial. O tamponamento nasal em um respirador nasal induz a adaptações funcionais que levam ao aumento da altura facial anterior e desenvolvimento vertical do terço inferior da face. Enquanto os estudos em animais sugerem padrões de crescimento previsíveis, os estudos em humanos são mais controversos. Deveriam ser esperadas variações individuais em resposta às alterações num paciente com “Síndrome da Face Longa” e tipo respiratório. Acredita-se que a alteração na atividade muscular influencia a posição dos dentes e o comportamento do crescimento de algumas estruturas craniofaciais. Existem, porém, controvérsias quanto à relação forma-função. Algumas escolas acreditam que a respiração bucal é um fator etiológico capaz de produzir a “síndrome da face longa”. Outra opinião é que características típicas descrevem um padrão hereditário e que a respiração bucal não é fator etiológico e sim um fenômeno paralelo que poderia agravar. As controvérsias permanecem e, como conseqüências, existem debates sobre medidas preventivas para manter a passagem aérea e sobre o tratamento da função nasal alterada como parte inerente ao tratamento ortodôntico (TOURNE, 1990). A etiologia da obstrução nasal constitui-se em assunto complexo e relativamente extenso, portanto, no presente trabalho apenas são citadas as causas mais comuns da obstrução nasal e algumas considerações que têm particular importância para avaliar o crescimento dentofacial anormal. - Causas extra-nasais: traumatismos faciais (nasais) acompanhados de um desvio 24 de septo nasal ou de uma obturação parcial da cavidade nasal mantida por uma sinusite que pode tornar-se crônica; ponte nasal estreita; depressão da ponta do nariz; infecções das vias aéreas; postura incorreta; hábitos como chupeta, mamadeira, sucção de dedo e respiração bucal com possibilidade de executar a respiração nasal. - Causas intra-nasais: desvio de septo nasal; rinite alérgica crônica ou medicamentosa; neoplasmas; atresia de coanas; pólipos; corpos estranhos; inflamação dos cornetos nasais; predisposição anatômica; diminuição da umidificação do ar; deformação nasal congênita. - Causas da nasofaringe: adenóides e amígdalas hipertróficas; neoplasmas (PAIVA, 1992; LANGLADE, 1995; HAHN et al., 2002; ALMEIDA et al., 2006). Outra classificação para as causas da obstrução nasal crônica pode ser descrita, segundo uma divisão cronológica: - Recém-nato: atresia de coanas, tumores nasais e desvio de septo por luxação na hora do parto. - Infância: hipertrofia de amígdalas e adenóides, rinite alérgica e desvio de septo nasal. - Puberdade: angiofibroma juvenil, pólipo nasal, rinite alérgica ou medicamentosa e desvio de septo. - Adulto: rinite alérgica, desvio de septo, pólipos e tumores (MOCELLIN; CIUFFI, 1997). Os profissionais da área ortodôntica, além de se preocuparem com a interceptação e correção das anomalias dentofaciais, dedicam-se, da mesma forma, à sua prevenção através da pesquisa de fatores etiológicos intrínsecos e extrínsecos capazes de conduzirem a uma maloclusão. Com referência a este último aspecto, tem sido relatado que uma alteração funcional pode levar a modificações na forma das estruturas e vice-versa. Assim, a grande maioria dos autores constata uma provável relação entre as adenóides, o tipo respiratório e a morfologia dentofacial (FUJIKI; ROSSATO, 1999). Pode-se dizer que uma respiração “normal” envolve a utilização adequada das vias aéreas nasal e nasofaringeana. Um aumento anormal das estruturas presentes nestas regiões, principalmente as adenóides, pode bloquear a passagem aérea dentro do canal nasorespiratório, resultando em uma 25 adaptação para respiração bucal (SUBTELNY, 1980). Adenóides hipertróficas parecem constituir a causa mais comum de obstrução das vias aéreas e suas alterações funcionais têm sido associadas a desvios no padrão de crescimento esquelético facial e a efeitos adversos ao desenvolvimento da oclusão (PAIVA, 1992). Esta hipertrofia das vegetações adenóides parece ser mais comumente encontrada durante a infância, e tal tecido está claramente presente depois dos 6 a 12 meses de idade. Pode crescer consideravelmente por volta dos 2 ou 3 anos e ocupar metade da nasofaringe neste período (NAKAMA, 1997). Este processo caracteriza-se por um aumento do tecido linfóide existente na rinofaringe, causando o fechamento ou a diminuição do espaço para a passagem de ar (FAYYAT, 1999). Com o crescimento, haveria uma tendência à diminuição das adenóides, mas infelizmente, a atrofia deste tecido ocorreria durante ou após o surto de crescimento puberal, muito tarde para que se pudesse evitar as alterações faciais e instalação de uma maloclusão (PAIVA, 1992). Geralmente o crescimento facial – especificamente o aumento na distância entre a base craniana e o palato – é suficiente para preservar uma passagem de ar adequada. Se desenvolver uma discrepância real, ou pelo crescimento anormal das adenóides ou pela redução de crescimento na altura posterior da face, ou ainda, por uma combinação destes fatores, então a passagem pode tornar-se inadequada e levar à respiração bucal com o fim de reduzir a dificuldade de respiração normal (NAKAMA, 1997). Portanto, deve-se considerar que o tamanho da adenóide é apenas um dos fatores na obstrução nasal, pois o tamanho e a configuração da nasofaringe têm importância primordial no problema de obstrução do espaço aéreo pela adenóide, na dificuldade de remoção cirúrgica e na freqüência de recorrência (GÓIS et al., 2006). Considerando-se a possível relação das adenóides com a respiração bucal, um estudo foi realizado em 95 crianças das quais 41 haviam sido submetidas à adenoidectomia por sofrerem de dificuldade respiratória e 54 pertenciam ao grupo controle e não tinham dificuldade respiratória nem haviam sido submetidos à adenoidectomia ou tratamento ortodôntico. A idade média das crianças operadas era de 7 anos e 6 meses e para o grupo controle 7 anos e 9 meses. Todas foram examinadas um e cinco anos após a cirurgia por um ortodontista e um otorrinolaringologista. Foram avaliadas 3 variáveis dentárias e 12 variáveis esqueléticas. Foi observado que, durante o primeiro ano pós adenoidectomia, a 26 mudança no modo respiratório, de bucal para nasal, foi acompanhada de um aumento na inclinação vestibular dos incisivos superiores, bem maior do que no grupo controle. Entre o primeiro e o quinto ano de acompanhamento, não houve diferenças consideráveis entre os dois grupos: a respiração permaneceu nasal e o aumento da inclinação vestibular dos incisivos no grupo operado não foi muito maior que no grupo controle. No grupo operado, após os cinco anos de controle, ocorreu uma normalização da posição dos incisivos, juntamente com a mudança da respiração de bucal para nasal. Durante os quatro anos subseqüentes, não houve diferenças significativas entre o grupo operado e o grupo controle. Portanto, os resultados apresentados suportam a afirmação de que uma respiração nasal deficiente pode afetar a morfologia facial e a dentição (LINDER-ARONSON, 1979). Outro estudo foi realizado com o propósito de determinar a partir de que ponto uma redução do espaço nasofaringeano causado por hipertrofia de adenóides pode promover modificações do padrão esquelético-facial. Para este trabalho, foram selecionadas 98 radiografias cefalométricas em norma lateral obtidas de préadolescentes, sendo 68 do gênero feminino e 30 do gênero masculino, com idades entre 7 e 10 anos. As radiografia foram selecionadas de acordo com a dimensão do espaço nasofaringeano, definido como a menor distância entre a parede dorsal do palato mole e parede faringeana posterior, de forma a obter 3 grupos distintos classificados como espaço nasofaringeano estreito, médio e amplo, com números idênticos de indivíduos em cada grupo. Foi avaliada a relação entre tamanho do espaço nasofaringeano e direção e quantidade de crescimento da maxila e da mandíbula, além da altura facial inferior. Não foi observada diferença estatisticamente significante entre os grupos com relação à direção e quantidade de crescimento da maxila, porém, quando comparados os grupos com espaço amplo e estreito, pode-se verificar diferença significativa na posição ântero-posterior da maxila e mandíbula. Ainda pode-se concluir que a redução do espaço nasofaringeano está associada a alterações no plano mandibular, que apresentou valores maiores com a diminuição do espaço nasofaringeano (SANTOS-PINTO et al., 2004). Em 1997, Weimert realizou um estudo avaliando 1360 pacientes com suspeita de distúrbios respiratórios, indicados por diferentes ortodontistas e concluiu que 72% da amostra apresentavam problemas respiratórios, sendo encontrados como fatores 27 etiológicos: hipertrofia de adenóide em 39% dos casos; rinite alérgica em 34%; hipertrofia idiopática de cornetos em 21% e hipertrofia de amígdalas em apenas 1% (HAHN, 2002). Em concordância com o trabalho acima citado, pode-se dizer que poucos são os casos em que a hipertrofia de amígdalas tem magnitude suficiente para causar obstrução da via aérea. Geralmente a hipertrofia vem acompanhada por rinite alérgica ou adenóides hipertróficas (PAIVA, 1992). A respiração bucal noturna também tem sido associada a indivíduos que apresentam tonsilas aumentadas, sendo inclusive considerada uma característica típica dos mesmos (NAKAMA, 1997). De acordo com alguns trabalhos realizados em crianças, amígadalas hipertróficas que obstruem o espaço faringeano tem, como conseqüências, a retroinclinação dos incisivos inferiores, protrusão dos incisivos superiores, encurtamento do arco dental inferior, pouco sobrepasse vertical, grande sobrepasse horizontal e aumento de mordida cruzada lateral. Além disso, esses indivíduos apresentam retrognatismo, mandíbula inclinada no sentido posterior, aumento da altura anterior e inferior da face, mordida aberta esquelética, extensão da postura da cabeça, baixa postura do osso hióide, postura ântero-inferior da língua e profundidade orofaringeana aumentada. Também se evidencia um ângulo goníaco mais aberto e diminuição da altura facial posterior. A língua, afastando-se da parede posterior da faringe, induz a mandíbula a se abrir e assim permanecer, posturalmente. Tais características influenciariam, em conjunto, a morfologia crâniofacial (PAIVA, 1992). Observando-se os efeitos colaterais, quando da presença de tonsila hipertróficas, um estudo feito por Ricketts introduziu o conceito de “Síndrome da Obstrução respiratória” (ALMEIDA et al., 2006). Com relação aos processos alérgicos, pode-se dizer que estes se associam freqüentemente a um quadro de amígdalas e adenóides hipertróficas e, portanto, a respiração bucal em crianças deveria ser considerada uma manifestação alérgica, até prova em contrário (PAIVA, 1992). Há relatos que a não ingestão de proteínas estranhas nos primeiros seis meses de vida pode contribuir para a saúde e passagem aérea nasal. Para o autor, o interesse ortodôntico começa no pré-natal com o desenvolvimento do feto, continua ao nascimento com a introdução de nutrientes e segue com o crescimento da criança e seu modo de respirar, que é influenciado pelo meio e pela curva de crescimento linfóide (RUBIN, 1980). Outro estudo reafirma tal conceito apoiando-se no fato de que populações primitivas, que 28 não apresentam fenômenos alérgicos, não têm problemas respiratórios bucais (LANGLADE, 1995). Um estudo foi realizado com 45 norte-americanos, com idades entre 6 e 12 anos, de ambos os gêneros, sendo que destes pacientes 30 eram respiradores bucais cronicamente alérgicos e 15 eram respiradores nasais não alérgicos. Foram observadas várias relações esquelético-dentárias através de diferentes estatísticas, relacionadas ao padrão respiratório e idade. E os autores relataram que, em respiradores bucais: - a altura facial anterior inferior e altura facial anterior total eram significativamente maiores; - a relação angular dos planos sela-násio, palatino e oclusal para o plano mandibular eram maiores e os ângulos goníacos mais abertos; - a maxila e a mandíbula estavam retroposicionadas; - houve aumento da altura palatina, e do trespasse horizontal e vertical; - houve diminuição da largura inter-molares associada à mordida cruzada posterior; - ocorreu alongamento facial com estreitamento maxilar; - os incisivos superiores estavam protruídos e os incisivos inferiores retroinclinados; - houve maior incidência de Classe II de Angle. Pelo estudo acima citado, todas as alterações encontradas comprovaram associação da obstrução aérea nasal com distúrbios no crescimento facial (BRESOLIN et al., 1983). Ainda avaliando possíveis fatores etiológicos para respiração bucal e sabendo que o crescimento do complexo nasomaxilar pode estar relacionado à presença ou não da respiração nasal, devemos observar a cavidade nasal óssea em busca de obstáculos (cornetos nasais hipertrofiados) que impeçam a respiração pelas vias aéreas superiores. Os cornetos são recobertos por uma mucosa que pode tornar-se cronicamente edemaciada em situações de inflamação e estresse alérgico, obstruindo a passagem de ar. O que acontece é que estes cornetos, quando hipertrofiados, projetam-se para posterior e podem aproximar-se das adenóides, fato este que obstrui a passagem aérea superior, provocando então, alterações semelhantes às que encontramos em função de adenóides hipertróficas. Como o 29 crescimento pode ser afetado diretamente, a correção dos fatores que podem influenciá-lo negativamente deve ser feita antes ou durante as fases ativas de crescimento e não após os surtos, já que uma vez alterado o crescimento e estrutura óssea, tornam-se mais difíceis as correções necessárias (SUBTELNY, 1980). 2.2.2 Conseqüências da respiração bucal 2.2.2.1 Possibilidade de repercussão no estado nutricional Desde o nascimento, a respiração nasal é considerada de vital importância para o bebê, e uma de suas inúmeras funções consiste em permitir que a amamentação seja executada corretamente, uma vez que o leite materno é citado como o melhor alimento para o recém-nascido. Um estudo realizado com 62 crianças de 3 anos e 3 meses a 6 anos e 11 meses, as quais foram submetidas à avaliação otorrinolaringológica para definição dos grupos de respiradores bucais e nasais concluiu que as crianças, com respiração bucal, apresentaram um menor período de aleitamento materno, o que significa, teoricamente, que estão mais suscetíveis a desenvolver distúrbios nutricionais (TRAWITZKI et al., 2005). É importante ressaltar que o olfato, no respirador bucal, fica prejudicado por não utilizar adequadamente as vias aéreas superiores, reduzindo a corrente aérea olfativa e estimulação dos receptores, e dificultando a percepção dos odores. Como conseqüência da diminuição do olfato, existe o prejuízo do paladar e redução do apetite, uma vez que estão intimamente associados (PAZ; PINTO; SILVA, 2003). Assim, a opção pelo tipo de alimento não é feita pelo apetite, mas sim pela consistência e facilidade de digestão do alimento, permitindo ao paciente continuar respirando pela boca (CUNHA et al., 2007). Outro estudo realizado com 824 crianças relacionou o padrão de deglutição, modo de respiração e maloclusão. A amostra contava com 424 meninos e 400 meninas entre 13 e 14 anos no norte da Itália. O modo respiratório era determinado por dois investigadores previamente ao exame dental. As crianças eram observadas numa posição relaxada e notava-se a presença ou não de vedamento labial. Caso não houvesse, era solicitado à criança que permanecesse com os lábios cerrados e 30 respirasse pelo nariz. Se isto resultasse numa tensão dos músculos periorais e dificuldade respiratória, questionava-se a criança sobre seu modo habitual de respiração. O padrão respiratório foi registrado de acordo com o investigador e informação da criança. Foi concluído que a deglutição com contato dental tem melhor prognóstico para o desenvolvimento normal da oclusão, pois a pressão da língua é mais prejudicial ao desenvolvimento da oclusão na deglutição com dentes separados. Observou-se também que o padrão de respiração pode influenciar no desenvolvimento da relação transversal resultando em mordida cruzada e que a influência do desvio da deglutição e padrão respiratório depende da inter-relação entre fatores genéticos e ambientais, portanto, o efeito isolado da mudança do padrão respiratório e deglutição ainda precisam ser mais estudados e elucidados (MELSEN et al., 1987). Outra função que fica prejudicada no respirador oral e afeta igualmente o estado nutricional é a mastigação, que pode ser considerada a função mais importante do sistema estomatognático por ser a fase inicial do processo digestivo. No indivíduo com transtorno respiratório, a mastigação não consegue ser corretamente executada devido à necessidade de manter a boca aberta para respirar, além disso, ela acontece de forma rápida, ruidosa e desordenada. Um estudo realizado no município de São Caetano do Sul propôs-se a investigar as possíveis alterações causadas pelo modo respiratório, na mastigação de crianças com dentição decídua completa, respiradoras orais e nasais. Este estudo contou com a participação de 46 crianças (23 respiradoras nasais e 23 respiradoras bucais). Aos pais das crianças foi aplicado um questionário com perguntas diretas sobre o modo respiratório de cada participante, e os dados coletados nos questionários foram relacionados aos achados da avaliação oromiofuncional que constatou o modo respiratório. A avaliação da função mastigatória foi feita por observação direta e por gravação através de uma câmera de vídeo, sendo oferecida à criança a metade de um pão francês, pois diferentes tipos de alimentos podem interferir no tempo e ciclo mastigatório. Como conclusão deste estudo foi possível verificar que o grupo de respiradores orais apresentou menor tempo de mastigação se comparado aos respiradores nasais, e ainda, que não houve a presença de restos alimentares no vestíbulo bucal dos respiradores nasais, ao contrário dos respiradores bucais. Foi constatada também a ausência de ruídos e manutenção dos lábios fechados durante a mastigação nos respiradores nasais, o que não aconteceu no grupo de 31 respiradores bucais. Portanto, pode-se dizer que, entre tantas outras alterações, a respiração oral interfere, também, em determinados aspectos da função mastigatória (SILVA et al., 2007). 2.2.2.2 Perda auditiva Nos respiradores orais, é freqüente a ocorrência de obstrução da tuba auditiva, por falta de secreção e de aeração das vias aéreas respiratórias, o que pode causar alterações timpânicas, como as otites de repetição, sendo possível chegar à perda auditiva. As otites podem levar a efeitos adversos na fala, linguagem e desenvolvimento cognitivo, o que, na maioria das vezes, só é percebido quando a criança começa a ter dificuldades de aprendizagem escolar, época em que a audição desempenha papel importante (MARTINS et al., 2006). 2.2.2.3 Funções de fala e voz A voz normal caracteriza-se por uma sonoridade nítida, de tom claro, intensidade e acordes conforme a idade. Tem uma leve vibração de acordo com as idéias a serem expressas pelo indivíduo. Para que isso aconteça, existe a influência de uma série de elementos, tais como, a normalidade mental do indivíduo, dos órgãos da pronúncia, bem como, do aprendizado correto das palavras, e a pronúncia correta das palavras e letras pode sofrer alguma deficiência em função do tipo de maloclusão (CARDINALLI, 1970). Em respiradores bucais, a voz apresenta um timbre mais baixo e pastoso. É fato que a respiração bucal leva a uma série de alterações que já foram mencionadas e muito discutidas na literatura, porém, a voz passa comumente despercebida no momento da avaliação, e deve-se considerar o fato de que a respiração oral interfere em vários tipos de disfonia. O sistema respiratório funciona como ativador da voz, e qualquer alteração na função aérea provoca um efeito direto na fonoarticulação, seja no número de palavras ditas, na intensidade, altura ou qualidade vocal, podendo também causar alterações como voz rouca e anasalada (PAES et al., 2005). 32 2.2.2.4 Ronco noturno e Síndrome da Apnéia Obstrutiva do Sono O ronco noturno é um som emitido durante o sono e pode ser provocado por diversos fatores, destacando-se a incapacidade de manter as vias aéreas abertas durante a inspiração e as obstruções respiratórias. Então, com o impedimento da passagem de ar pelo nariz, existe a necessidade de manter a boca aberta para respirar, e é então que acontece o ronco. Com relação à Síndrome da Apnéia Obstrutiva do Sono (SASO), pode-se caracterizá-la como uma doença crônica, progressiva, incapacitante, com alta mortalidade e morbidade cardiovascular (AMARAL; CARVALHO; SILVA, 2004). A SASO é uma patologia que consiste na parada da respiração durante o sono, devido ao colapso da faringe. Uma apnéia pode ser definida como a parada completa do fluxo aéreo por 10 segundos ou mais. É importante considerar que a maioria dos indivíduos que roncam ou que tem apnéia obstrutiva são respiradores bucais durante o sono. Quando a boca é aberta, há uma exposição da língua e do palato mole à pressão atmosférica, favorecendo o colapso. Além disso, quando se executa uma abertura bucal de 1,5 cm, ocorre um deslocamento dorsal do ângulo mandibular em 1,0 cm, diminuindo em 1,0 cm a distância entre a parede posterior da faringe e o dorso da língua (SGARBI; SGARBI, 1998). 2.2.2.5 Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade(TDAH) Caracterizado pela tríade sintomatológica persistente de desatenção, hiperatividade e impulsividade, este transtorno está particularmente ligado à SASO e possui características que parecem estar associadas à Síndrome do Respirador Oral. Na prática clínica com doenças neurológicas são observadas associações entre estas desordens com alterações da morfologia craniofacial e sintomas como déficit de atenção e alterações de comportamento. Portanto, a SRO e o TDAH têm origens diferentes e sintomas em comum. Estudos demonstram correlação entre respiração bucal e dificuldade de aprendizagem, decorrentes de irrigação cerebral insuficiente, causando sonolência e conseqüente interferência na atenção e prejuízo na compreensão (VERA et al., 2006). 33 2.2.2.6 Postura aberta de boca Um estudo realizado com uma amostra bi-racial (negros e caucasianos) de 348 crianças que estavam no primeiro ano da escola primária avaliou a postura de boca destes indivíduos em seu ambiente natural, sendo realizada a “Rinometria” em 296 destas crianças. As medidas foram computadas em porcentagem de postura de boca aberta e da via aérea nasal transversal. Os resultados mostraram que, em geral, estas crianças apresentavam índices relativamente altos de postura de boca aberta, sendo que os meninos apresentavam este índice significativamente maior que as meninas, e as crianças negras apresentavam ares nasais transversais significativamente maiores que as crianças brancas. Uma correlação significante entre postura de boca aberta e área nasal ficou evidente apenas para as crianças que apresentaram postura de boca aberta durante mais que 80 dos intervalos de observação, sendo que as implicações deste estudo ainda devem ser discutidas (GROSS et al., 1993). Considerando todos os fatores apresentados, é importante ressaltar que as alterações faciais e a função alterada constituem apenas a parte aparente de alterações maiores e mais complexas que devem ser pesquisadas e analisadas (CAMPOS e ZUANON, 2005). 2.2.3 Estudos epidemiológicos em respiradores bucais Um estudo realizado com animais foi planejado para testar a hipótese de que uma interrupção no contato entra língua e a dentição afetaria a forma da língua e da dentição. Nas cobaias o contato entre a língua e os dentes era alterado entre a respiração, foi esperado, portanto, que mudanças na dentição poderiam ser relativamente limitadas e poderiam mostrar tendência para que os dentes se movimentassem e mudassem o arco dentário. Foi presumido que a língua poderia sofrer mudanças mínimas no formato, por ter que assumir uma posição diferente para permitir a passagem de ar. Se essas mudanças na língua e na dentição não ocorressem, a hipótese seria rejeitada. Entretanto, a experiência resultou em mudanças na dentição e na posição da língua após alguns meses de experiência. O 34 estreitamento e achatamento da língua na entrada da faringe e a ponta da língua projetando-se para frente da mandíbula foi necessário para permitir a respiração. A má oclusão nas cobaias foi bastante uniforme, considerando-se que é difícil associar uniformidade entre má oclusão com uma variação entre as línguas. É provável que os dentes são uniformemente afetados por uma influência dominante dos lábios depois que a língua se afasta da dentição. Entretanto, essas experiências demonstraram que a resposta padrão para os estímulos depende de qual estímulo é dominante e que pelo menos dois padrões de resposta podem ser distinguidos. A primeira é caracterizada pela adaptação morfológica e resposta aos estímulos, sendo que essa resposta serve para alinhar os dentes entre a língua e o músculo externo. A segunda resposta é caracterizada pelo afastamento da língua da fonte de estímulos, o que pode resultar em sérias irregularidades esqueléticas e dentais porque a língua vai continuar a se afastar dos estímulos causados pelos dentes e os mesmos sofreriam influência dos lábios e dos músculos. A observação do formato da língua e o seu impacto nos arcos dentários estão relacionados com a respiração e podem ser considerados no plano de tratamento ortodôntico (HARVOLD; VARGEVIK; CHIERICI, 1973). Um experimento realizado com animais sobre a relação entre respiração bucal e maloclusões dentárias limitou a passagem de ar pela cavidade nasal em um grupo de primatas através da obstrução das vias nasais com tampões de silicone. Subseqüentemente, ocorreram alterações tanto no esqueleto facial quanto na dentição. Contudo, apesar de as narinas terem sido bloqueadas pelo mesmo método e na mesma época, os animais não desenvolveram os mesmos tipos de maloclusão. Cada animal buscava sua própria maneira de assegurar o fluxo bucal de ar. Foram observadas alterações nos lábios, sendo que todos os animais mantiveram seus lábios separados. Todos os respiradores bucais mostraram uma tendência a desenvolver uma incisura no lábio superior que corresponde à atividade muscular especial nos elevadores labiais, considerando que esta incisura normalmente desaparece quando o animal retoma a respiração nasal. Na língua também foram observadas mudanças, dentre elas a seção dorsal encontrava-se mais fina, criando uma passagem aberta para a faringe. O posicionamento continuamente anteriorizado, assim como a protrusão rítmica, foram apropriados para produzir uma língua mais longa. As mudanças na altura facial e morfologia mandibular foram 35 maiores nos animais que adquiriram uma postura mais baixa da mandíbula. Também foi associado um deslocamento para baixo na maxila e uma extrusão acentuada dos dentes. O abaixamento do mento para possibilitar a respiração bucal, gradualmente resultou em um plano mandibular mais inclinado e ângulo goníaco mais aberto. Como conclusão, foi possível admitir que o ser humano é tão versátil quanto o macaco quando forçado a estabelecer uma via aérea bucal, já que o respirador bucal humano também pode apresentar uma variedade de sintomas, que vão desde uma aparência normal até irregularidades dentárias e esqueléticas severas. A obstrução nasal apresenta o fator desencadeante, mas quem causa o mau desenvolvimento é o recrutamento muscular anormal (HARVOLD et al., 1981). Com relação às alterações que podem ocorrer como conseqüência da respiração bucal, houve um estudo onde foi promovida a indução experimental deste modo respiratório em macacos Rhesus, observando-se mudanças no comportamento eletromiográfico no período inicial de adaptação. A eletromiografia de músculos faciais e mandibular foi analisada, observando se houve um comportamento rítmico ou recrutamento contínuo de unidades motoras. Os resultados revelaram que certos músculos controlados pelos primatas, usando a respiração nasal, poderiam ser ritmicamente ou continuamente ativos. Um número bastante significativo de músculos tornou-se ritmicamente ativo dentro do primeiro mês de adaptação para respiração bucal. No quinto mês ocorreram mais descargas tônicas que no primeiro, sendo estas descargas representadas pelos músculos genioideo, digástrico (ventre anterior), temporal, genioglosso e elevadores do lábio. Este estudo demonstrou que a adaptação para respiração bucal em animais é acompanhada por uma mudança no controle motor dos músculos craniofaciais durante o período de adaptação do tecido mole. Considerando as diferenças entre os macacos Rhesus e os seres humanos em morfologia craniofacial e orofaríngea, devem-se sugerir alguns cuidados em extrapolação dos modelos primatas para os humanos (MILLER; VARGEVIK; CHIERICI, 1982). Em outro estudo semelhante, mudanças neuromusculares foram estudadas através da miografia em macacos Rhesus com obstrução nasal por dois anos e estes, no ano seguinte, voltaram a ter uma respiração nasal. Com as narinas obstruídas os macacos apresentavam um comportamento diferenciado do normal, e perdiam esse mesmo comportamento após oito dias sem os impedidores. Os 36 animais mostraram variações nos resultados, mas mais de 80% das cobaias tiveram um rebaixamento na postura mandibular durante esses dois anos. Movimentos rítmicos na mandíbula, na língua e no lábio superior estiveram presentes em pelo menos 60% das cobaias. Alguns músculos craniofaciais e também da língua foram condicionados ritmicamente e permaneceram ritmicamente ativos ao longo do período da obstrução nasal. A atividade rítmica cessou uma semana após a remoção dos impedidores. Alguns músculos perderam a força ao longo dos 2 anos de obstrução nasal e alguns tonificaram novamente durante o período de recuperação. Esses dados sugerem que a obstrução nasal pode induzir mudanças neuromusculares durante o período de obstrução e permanecer por algum período depois que a obstrução é removida (MILLER; VARGEVIK; CHIERICI, 1984). Um trabalho realizado em 1984 verificou as respostas morfológicas para mudanças em padrões neuromusculares experimentalmente induzidas por modos de respiração alterados. Este experimento foi desenvolvido com 8 macacos Rhesus, tendo o intuito de avaliar, se mudanças específicas no sistema neuromuscular, poderiam ser associadas a alterações específicas na morfologia tecidual da região craniofacial. As mudanças neuromusculares foram desencadeadas, dois anos mais tarde, pela remoção da obstrução e do retorno à respiração nasal, sendo concluído que variações individuais na morfologia esquelética e dentária resultaram de procedimentos devidos à variação natural e graus de adaptações neuromusculares e dos tecidos moles em resposta à função alterada. As mudanças em padrões de recrutamento neuromuscular que foram necessárias para manter e estabilizar a passagem aérea bucal resultaram em tecidos moles e morfologia esquelética alterados. A extensão das mudanças esqueletais pareceu depender do grau de alteração nos tecidos moles. Todos os animais tinham graus semelhantes de obstrução nasal, mas demonstraram grande extensão de adaptação morfológica, o que nos leva a crer que há uma grande variação individual para um estímulo idêntico (VARGEVIK et al., 1984). Um estudo realizado em 1988 avaliou a morfologia craniofacial e o padrão de oclusão em 71 indivíduos com respiração prejudicada, sendo esta diagnosticada por um otorrinolaringologista, e um número igual de controle. O grupo com dificuldade respiratória tinha características de deformidades craniofaciais e maloclusão, considerando ainda que os mais jovens apresentavam menor progressão na 37 maloclusão e deformidades morfológicas, sugerindo que o diagnóstico precoce de tais padrões faciais possam ser utilizados para identificar o tipo respiratório em indivíduos com tendência a desenvolver certos tipos de malocusão. O propósito deste estudo foi abordar a inter-relação anatômica e funcional, associada com atividades neuromusculares e variações de padrões faciais, com objetivo de determinar, se combinações de características morfológicas e de oclusão desenvolvem displasia facial comparada ao controle; testar a hipótese de que tipos específicos de maloclusão ocorrem em indivíduos com obstrução nasal relacionando certas combinações de morfologia intrínseca. A amostra de respiradores bucais contava com 41 homens e 30 mulheres, sendo 15 negros e 56 caucasianos, com idades entre 3 anos e 8 meses e 25 anos e 8 meses. Como alterações, apresentavam: hiperplasia de amígdalas e adenóides, desvio de septo ou rinite alérgica. Os achados induzem a concluir que a morfologia craniofacial e padrão de oclusão são significativamente diferentes na amostra com respiração alterada e controle. As discrepâncias são relacionadas com problemas verticais, associados a uma face mais longa, alterações dentoalveolares e altura palatina. No sentido transversal, mostraram estreitamento na largura craniana e palatina. A mandíbula foi caracterizada por uma maior rotação. No grupo com respiração alterada, os indivíduos negros apresentaram um comprimento mandibular maior, arcos dentais mais largos, base do crânio maior e ramo mandibular numa posição mais posterior. Os indivíduos mais jovens apresentaram menores alterações morfológicas craniofacias e características oclusais (CHENG et al., 1988). Mais um estudo propôs-se a avaliar quantitativamente os padrões respiratórios e seus efeitos sobre o desenvolvimento dentofacial em 49 indivíduos com idade entre 14 e 16 anos. As passagens aéreas nasal e bucal foram medidas, em tempos separados, através da técnica de “Pletismografia” e os valores foram comparados com percepções subjetivas dos indivíduos e seus pais, sobre seu modo de respirar. As medidas de padrões respiratórios também foram comparadas com a resistência da passagem aérea nasal e função nasal; variação temporária e respiração cíclica, as quais puderam desempenhar importantes papéis em avaliações dos padrões respiratórios. Entretanto, houve significante variação nas medidas respiratórias entre indivíduos cuja respiração foi medida duas vezes no mesmo dia e em dias diferentes. Comparando medidas objetivas e subjetivas, não 38 foram encontradas correlações significativas. Além disso, não houve associação entre resistência da passagem aérea nasal ou função nasal e registros pletismográficos de porcentagem de respiração bucal. Comparações em medidas de modos respiratórios e características dentofaciais revelaram uma fraca tendência entre respiradores bucais para a Classe II esquelética e retroinclinação dos incisivos superiores e inferiores. Ao contrário, a percepção subjetiva da respiração bucal foi associada com aumento da altura facial anterior e ângulos dos planos mandibulares maiores. A função e resistência nasal não foram correlatadas em ambas as variações dentais ou esqueléticas. Este estudo mostra que a determinação do padrão respiratório é uma complexa questão aos métodos que devem ser realizados (UNG et al., 1990). No que se refere à relação entre morfologia facial vertical e respiração bucal, foi realizado um estudo utilizando técnicas “Respirométricas Contemporâneas” para comparar o comportamento respiratório em adolescentes normais e de face longa; a faixa etária variou entre 11 e 17 anos e a amostra constava de 16 indivíduos normais e 32 de face longa, todos escolhidos clinicamente. A forma facial vertical e ânteroposterior foram medidas em radiografias laterais, seguindo um critério de medidas: 6 medidas angulares esqueléticas e dentais e 8 medidas lineares esqueléticas. O comportamento respiratório foi quantificado, conforme volume mínimo da área seccional nasal e porcentagem de respiração nasal avaliada pela “Pneumotacografia”. A pressão diferencial foi medida por “Pletismografia Induzida”. Os valores indicados para o grupo de face longa e normal foram significativamente diferentes. Os ângulos dos planos mandibulares, altura facial anterior total e altura facial anterior inferior eram maiores nos face longa, e as variações do volume respiratório e porcentagem de respiração nasal foram reduzidas no grupo citado acima (FIELDS et al., 1991). Santos-Pinto et al (1993) realizou um estudo radiográfico e de modelos para avaliar as alterações dento-faciais provocadas pela redução do espaço nasofaríngeo utilizando uma amostra de 75 pacientes com idades entre 8 e 14 anos, sendo todos os participantes brasileiros, leucodermas e de ambos os gêneros. Observou-se que um espaço nasofaringeano menor que 4mm resulta em alterações dento-faciais importantes, o que compromete o desenvolvimento morfo-funcional da criança. O propósito deste estudo foi verificar as diferentes situações da amígdala faringeana 39 em relação ao espaço nasofaringeano, sendo que nenhum dos pacientes selecionados relatou história de cirurgia das amígdalas e/ou adenóides, hábitos de sucção ou tratamento ortodôntico. A seleção teve como base, a análise de imagens radiográficas das estruturas nasofaringeanas, especialmente do espaço nasofaringeano e da adenóide quando presente. Com este estudo observaram-se as seguintes conclusões: - quanto às dimensões transversais dos arcos dentários individualmente: as dimensões transversais do arco superior apresentaram-se significativamente reduzidas em pacientes com espaço nasofaringeano entre 0 e 2 mm; - quanto à comparação entre os valores médios transversais do arco superior com o inferior: o arco dentário superior apresentou-se mais estreito em pacientes com espaço nasofaringeano de 0 a 2 mm; -quanto às alterações esquelético-faciais no sentido vertical, observadas cefalometricamente: o plano palatino não sofreu alteração com a redução do espaço nasofaringeano; houve uma tendência de rotação do plano oclusal e mandibular no sentido horário; a altura facial anterior não sofreu alteração significante, enquanto que a altura facial posterior apresentou-se reduzida nos pacientes com espaço nasofaringeano menor ou igual a 4mm; - quanto às alterações esquelético-faciais no sentido ântero-posterior, observadas cefalometricamente: as estruturas faciais não foram afetadas pela redução do espaço nasofaringeano no sentido ântero-posterior. Um espaço nasofaringeano menor ou igual a 4mm causa alterações dentoesqueléticas que comprometem o desenvolvimento da criança, portanto, cabe ao cirurgião-dentista, em especial ortodontistas e odontopediatras, fazer um diagnóstico precoce das alterações nasofaringeanas através de telerradiografias cefalométricas em norma lateral (SANTOS-PINTO et al., 1993) Pesquisando o efeito da respiração bucal sobre a oclusão, foi realizado um estudo em que foi utilizada uma amostra de 100 modelos de estudo de indivíduos do sexo masculino, na faixa etária de 15 a 20 anos, divididos em igual proporção em respiradores nasais e bucais. As desarmonias oclusais foram classificadas segundo os princípios de Angle. Concluiu-se que os respiradores bucais apresentavam arcos maxilares mais atrésicos no sentido transversal e arcos maiores no sentido ântero- 40 posterior, além de mostrarem aumento da sobressaliência e sobremordida e maior incidência de maloclusão de classe II divisão primeira (JORGE, 1997). Um estudo realizado com 70 voluntários da Universidade da Carolina do Norte, concluiu que uma obstrução nasal total provocada leva a uma alteração postural de cabeça e pescoço, que passa a ser mais distendida e avançada, além de aumentar a dimensão vertical em função da rotação mandibular. Essas alterações atingem o pico mais ou menos uma hora e meia depois da introdução do estímulo, sendo que, após a remoção da obstrução, o paciente volta a seu antigo padrão de respiração, assim como sua antiga postura de cabeça, pescoço e mandíbula. Contudo, acredita-se que a relação entre obstrução da função nasorespiratória e face adenoideana depende, primeiramente, de uma inter-relação entre hereditariedade e fatores ambientais que interfeririam no padrão genético de crescimento pré-determinado (CASTILHO et al., 2002). Ainda com relação às alterações oclusais e hábitos orais em indivíduos respiradores bucais, foi realizado um estudo por meio de levantamento de dados de prontuários de 40 pacientes atendidos em uma clínica de reabilitação situada na cidade de São José dos Campos, sendo que todos os pacientes, 24 homens 16 mulheres, foram considerados respiradores orais mediante diagnóstico estabelecido por um otorrinolaringologista. Durante o exame, procurou-se identificar alterações oclusais apenas no sentido vertical (mordida aberta anterior, sobremordida, topo a topo), avaliadas por um fonoaudiólogo e um cirurgião-dentista. Como resultado, pode-se verificar, com relação à oclusão, que 65% dos pacientes tinham alteração oclusal e destes, 73% apresentaram mordida aberta anterior. Com relação aos hábitos orais, 67,5% apresentaram hábitos orais e destes, 68% tinham mordida aberta anterior. Pode-se então concluir que a maioria dos pacientes respiradores bucais é portador de alterações oclusais, sendo a mordida aberta anterior a mais freqüente (RIBEIRO et al, 2002). Considerando a possível relação entre respiração bucal e diferentes tipos faciais, uma pesquisa foi realizada utilizando-se telerradiografias em norma lateral de 95 crianças com idades entre 6 e 8 anos, com maloclusão Classe I de Angle ou oclusão normal. A amostra foi dividida em três grupos faciais, sendo que o grupo 1consistiu de 6 indivíduos com face curta, o grupo 2 com 44 indivíduos com face média e o grupo 3 com 45 indivíduos com face longa. Em seguida, estes grupos 41 foram subdivididos em respiradores bucais e nasais. O método diagnóstico utilizado constou de um exame visual onde as crianças assistiam a filmes infantis mantendo os lábios vedados, além de um questionário respondido pelos pais, onde confirmaram a ausência de respiração bucal diurna ou noturna ou outros sinais característicos de respiração bucal. Os resultados concluíram que, no grupo com tipo facial curto, não houve diferenças cefalométricas verticais significativas entre crianças respiradoras bucais e nasais, nos grupos com tipo facial médio e longo, entretanto, a altura facial anterior mostrou-se aumentada no subgrupo dos respiradores bucais, sendo que esta diferença é ainda maior nos indivíduos de face longa (BIZETTO et al., 2004). Um estudo realizado no Rio de Janeiro-RJ avaliou 40 crianças com idade entre 6 e 10 anos, para levantar as alterações estruturais dos órgãos fonoarticulatórios e maloclusões dentárias mais encontradas em respiradores bucais. Na avaliação fonoaudiológica foram examinados lábios, bochecha, músculo mentual, mandíbula e língua. Na avaliação ortodôntica, foram consideradas as maloclusões dentárias segundo a classificação de Angle. Os resultados mostraram uma postura labial, tônus de bochecha, músculo e língua alterados em todos os pacientes com maloclusão dentária, além de alterações na postura mandibular, considerando ainda que a maloclusão mais encontrada foi a de Classe II de Angle (ANDRADE et al., 2005). Mais um estudo foi realizado para avaliar as alterações causadas pela respiração bucal nos órgãos fonoarticulatórios, mais especificamente na língua. A amostra foi composta por 15 crianças, de ambos os gêneros, com idades entre 8 e 12 anos, sendo 5 respiradoras orais pré-cirúrgicas, 5 respiradoras orais em tratamento fonoaudiológico e 5 respiradoras nasais. Foi realizada uma avaliação clínica das características linguais das crianças e, em seguida, uma avaliação objetiva da força axial da língua por meio de um equipamento desenvolvido na Universidade federal de Minas Gerais. Os resultados permitem concluir que a média das forças foi maior nos indivíduos respiradores nasais, seguidos pelos respiradores bucais em tratamento fonoaudiológico e, por fim, os respiradores orais précirúrgicos, considerando que houve concordância entre os resultados das avaliações objetiva e clínica (PERILO et al., 2007). 42 Outro estudo propôs-se a avaliar a relação entre tipo facial e oclusão dentária em adolescentes respiradores bucais. Participaram desta pesquisa 40 adolescentes, sendo 25 indivíduos do sexo feminino e 15 do sexo masculino, com idade entre 13 e 16 anos. Todos os participantes eram respiradores orais obstrutivos, diagnosticados por um médico otorrinolaringologista do Hospital CEMA, após encaminhamento médico, considerando que todos foram submetidos a exames anamnésico e clínico fonoaudiológico, onde foram avaliadas a face e a oclusão dentária. Como resultado deste estudo, o tipo facial, mais freqüentemente encontrado, foi o hiperleptoprósopo, que teve 25 representantes, seguido pelo tipo facial leptoprósopo, presente em 9 adolescentes. Relacionando tipo facial e oclusão dentária, o mais encontrado foi oclusão normal em 5 hiperleptoprósopos e Classe II divisão primeira de Angle em 13 hiperleptoprósopos e 6 no tipo euriprósopo e 3 no tipo leptoprósopo. A Classe I foi encontrada em 6 participantes da amostra. A Classe II divisão segunda esteve presente em apenas um indivíduo, assim como a Classe III esteve presente em um leptoprósopo e um hiperleptoprósopo. No estudo da relação entre sobremordida anterior e tipos faciais, o mais freqüentemente encontrado foi a sobremordida normal em 17 hiperleptoprósopos. Em relação à alteração da sobremordida anterior, o mais freqüente foi uma relação de topo em 6 hiperleptoprósopos. Comparando-se tipos faciais e sobremordida na região posterior, o achado mais freqüente foi sobremordida posterior normal em 20 hiperleptoprósopos. Na relação sobressaliência anterior e tipos faciais, foram encontrados 17 hiperleptoprósopos com sobressaliêcia normal, 4 hiperleptoprósopos com sobressaliência anterior aumentada e 3 com o mesmo tipo facial e relação de topo. No estudo da sobressaliência posterior, em relação ao tipo facial, foram encontrados 15 indivíduos com sobressaliência normal no tipo hiperleptoprósopo. No estudo da alteração da sobressaliência posterior, observaram-se 5 adolescentes hiperleptoprósopos com relação de topo e 5 com sobressaliência cruzada. Através dos dados apresentados nesta pesquisa, não foi possível estabelecer uma relação entre respiração oral, tipo facial e oclusão dentária (SIES; FARIAS; VIEIRA, 2007). Com relação ao tipo facial, outro estudo propôs-se a avaliar a respiração nos diferentes tipos faciais em pacientes com problemas oclusais. A amostra deste estudo foi composta por 60 pacientes que participaram do programa de pósgraduação em ortodontia da universidade Metodista de São Paulo, sendo que todos 43 os pacientes foram submetidos a tratamento ortodôntico nesta instituição, considerando ainda, que 35 participantes eram do sexo masculino e 25 do sexo feminino na faixa etária dos 9 aos 18 anos. Cada paciente era portador de algum tipo de maloclusão, classificadas em Classe I, Classe II e Classe III de acordo com as normas propostas por Angle 1907. Ainda houve uma avaliação fonoaudiológica e avaliação para determinar o tipo respiratório e facial. Como resultado, foi constatado que o tipo facial mais freqüentemente encontrado no sexo feminino, foi o dolicocéfalo (62, 5%), contra 57, 1% no masculino. Já o tipo facial mesocefálico teve maior ocorrência no sexo masculino com 34, 3% seguido do sexo feminino com 29, 2%. Em menor freqüência, ficou o tipo facial braquicéfalo, com 8, 6% para o sexo masculino e 8, 3% para o sexo feminino. Considerando-se unicamente o tipo facial predominante, sem considerar o sexo, ainda assim, houve maior freqüência do tipo facial dólico (59, 3%), seguido do padrão mesofacial (32, 2%) e apenas 8, 5% de braquifaciais. Com relação aos tipos de maloclusões mais encontrados, segundo o sexo, foi verificada maior ocorrência de Classe II divisão 1 em 44, 1%. Considerando o tipo de respiração segundo o sexo em pacientes com maloclusão, verificou-se maior ocorrência de respiração oronasal, independentemente do sexo. Interagindo as variáveis, tipo facial por tipo de respiração, foi constatado que houve maior freqüência de tipo facial dólico (59, 3%), com prevalência de respiração bucal. Seguidamente, está o tipo mesofacial (32, 2%) com respiração do tipo nasal (50%) e posteriormente braquifaciais (8, 5%), também com respiração nasal (20%). Verificando o tipo de maloclusão por tipo de respiração, houve maior freqüência de maloclusão de Classe II divisão 1 (44, 1%). Analisando os valores isoladamente, foi constatada maior ocorrência de Classe II divisão 1 com predomínio de respiração bucal (50%), seguido de respiração oronasal (48,1%). A partir desta análise, foi concluído que não houve associação estatisticamente significante entre tipo de respiração e tipo facial ou tipo de respiração e tipo de maloclusão (NASTRI; BOMMARITO, 2007). Mais um estudo foi realizado, avaliando-se 100 crianças respiradoras bucais, na faixa etária entre 7 e 11 anos, sendo 51 do sexo masculino e 49 do sexo feminino. O objetivo do estudo foi descrever as características morfológicas e posturais do sistema estomatognático de crianças respiradoras orais no que se refere à posição da língua e dos lábios, à possibilidade de vedamento labial, à 44 hiperfunção do músculo mental durante a oclusão labial, à mordida e morfologia do lábio inferior, das bochechas e do palato duro, segundo a idade. Como resultado, foi verificado que a maioria das crianças apresentava lábios entreabertos (67%) e que 25% delas evidenciaram posição habitual de lábios ocluída. Com relação à posição habitual da língua e morfologia do palato duro segundo a idade, não foram observadas diferenças estatisticamente significantes. Observando-s e a s porcentagens da mordida, foi constatado um aumento da freqüência de alteração, segundo a idade, principalmente a partir dos oito anos de idade. Tem-se que as características posturais e morfológicas do sistema estomatognático estudadas nas crianças respiradoras bucais mostraram igual freqüência com o passar da idade (CATTONI et al., 2007). Uma pesquisa realizada com 100 crianças respiradoras bucais na faixa etária entre 7 e 11 anos propôs-se a avaliar as medidas e proporções faciais destes pacientes, comparando a média do lado direito com a média do lado esquerdo da face, segundo a idade. Em cada criança foram obtidas oito medidas antropométricas. Como resultado, pode-se verificar que não houve correlação significativa entre as médias da altura do lábio superior, médias da altura do lábio inferior e entre as médias da altura do filtro, segundo a idade. Com relação aos terços faciais, não houve diferença estatisticamente significante entre as médias da altura do terço superior da face segundo a idade. Quanto à altura do terço médio da face, aos 7 anos de idade, essa medida foi estatisticamente menor do que as encontradas aos 9, 10 e 11 anos de idade. A média desta medida, aos 8 anos de idade também foi estatisticamente menor quando comparada com a obtida aos 11 anos de idade. No que se refere ao terço inferior da face, não houve diferença significativa entre as médias da altura do terço inferior da face, segundo a idade. Considerando os lados da face, houve diferença estatisticamente significante entre as médias da distância entre o canto externo do olho e o cheilion no lado direito e esquerdo da face, sendo que, aos 7 anos, essa medida foi menor do que a encontrada aos 8, 9 10 e 11 anos de idade. Com relação às médias de proporção entre o lábio superior e inferior, não foram encontradas diferenças estatisticamente significantes, segundo a idade. Pode-se observar diferença significativa entre as médias da proporção entre o terço superior e médio da face, segundo a idade, sendo que, aos 8 anos de idade, essa proporção foi maior do que a encontrada aos 11 anos de idade. Já entre os terços médio e inferior da face, segundo a idade, não 45 houve diferença estatisticamente significante. Os dados ainda revelaram não haver diferença estatisticamente significativa entre as médias da distância entre o canto externo do olho e o cheilion no lado direito da face e as médias da distância entre o canto externo do olho e o cheilion no lado esquerdo da face, em todas as idades (CATTONI et al., 2008). Em estudos realizados, entre 1995 e 1998, em crianças com lesões cerebrais, Síndrome de Down e outras patologias genéticas acompanhadas de hipotonia, foi descoberta a ocorrência de movimentos espontâneos de língua, observados ao abrir a boca do paciente, que ocorriam involuntariamente e que se repetiam sempre. Inicialmente foram considerados como conseqüência de uma incoordenação central, porém, outra pesquisa estudou crianças prematuras de até 6 anos de idade, sem alterações neurológicas e constatou que estes movimentos também estavam presentes, denominando-os então, movimentos primários de língua. Foram determinadas também as condições em que acontecem, ou seja, espontânea e involuntariamente, sempre com a língua em repouso, ressaltando ainda que uma das inúmeras causas da persistência deste movimento é a respiração oral. Mais um estudo propôs-se a avaliar este mesmo assunto, e foi realizado utilizando-se uma amostra de 130 crianças respiradoras oronasais e 89 respiradoras nasais, na faixa etária entre 5 e 12 anos. Os resultados mostraram a presença de movimentos primários de língua em 59, 23% dos respiradores oronasais e em 23, 60% dos respiradores nasais, demonstrando que existe alguma relação entre modo respiratório e persistência destes movimentos, como sugere a literatura (SÍGOLO et al., 2008). 46 3 OBJETIVOS · Verificar a tomada de decisão clínica de tratamento em indivíduos respiradores bucais por ortodontistas de Passo Fundo-RS na inter-relação com a fonoaudiologia. · Verificar a tomada de decisão clínica de tratamento em indivíduos com problemas relacionados à linguagem, motricidade orofacial e hábitos por ortodontistas de Passo Fundo-RS na inter-relação com a fonoaudiologia. · Conhecer as características demográficas dos ortodontistas do referido município. 47 4 METODOLOGIA 4.1 DELINEAMENTO DO ESTUDO Estudo descritivo de base populacional. 4.2 POPULAÇÃO E AMOSTRA DO ESTUDO Cirurgiões-dentistas com pós-graduação em ortodontia atuantes no município de Passo Fundo, totalizando 28 ortodontistas, segundo o Conselho Regional de Odontologia. Do total, 22 fizeram parte da amostra final, sendo que 5 não concordaram em participar da pesquisa e 1 é co-orientador da pesquisa. 4.2.1 Critério de inclusão Os profissionais envolvidos na pesquisa deveriam possuir título de especialista, mestre ou doutor na área da Ortodontia, segundo o Conselho Regional de Odontologia, bem como assinar o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. 4.3 COLETA DOS DADOS 4.3.1 Instrumento Foi aplicado aos 22 profissionais da área da ortodontia um questionário com perguntas abertas e fechadas, sendo que, na primeira parte, estão os dados sociodemográficos (sexo, idade, tempo de formado, tipo e estado da faculdade que freqüentou, tipo de trabalho, tipo de pós-graduação e renda familiar). A segunda parte consta de perguntas referentes à inter-relação Ortodontia-Fonoaudiologia, ou seja, os dados referem-se aos critérios quanto à tomada de decisão clínica de tratamento dos ortodontistas (APÊNDICE A). 48 Os questionários foram enviados aos consultórios particulares ou residência dos profissionais pelo correio, sem custos para os participantes. 4.4. ARMAZENAMENTO DOS DADOS Os dados coletados na amostra foram armazenados no banco de dados do Excel, sendo exportados para o programa estatístico – SPSS 15.0 para realização da análise descritiva. 4.5. CONSIDERAÇÕES ÉTICAS O projeto foi encaminhado ao Comitê de Ética em Pesquisa e aprovado, de acordo com a resolução 196/96, obtendo parecer número 0083/08 (APÊNDICE B). Aos profissionais envolvidos na pesquisa foi encaminhado um termo de consentimento livre e esclarecido (APÊNDICE C), sendo garantido sigilo absoluto quanto aos dados informados pelos voluntários que participaram da pesquisa. 49 5 RESULTADOS 5.1 ANÁLISE DESCRITIVA DA AMOSTRA Após a aplicação dos 22 questionários aos profissionais da área da ortodontia, foram obtidos os resultados absolutos e relativos. A maioria dos profissionais, 72,7% (n=16), era do sexo feminino, sendo somente 16% (n=6) do sexo masculino (Figura 1). 20 Frequency 15 10 5 0 masculino feminino sexo Figura 1 - Distribuição das freqüências, segundo o sexo dos profissionais. Quanto à idade dos profissionais entrevistados, a média foi de 42 anos, tendo como valores mínimos e máximos 28 e 62 anos (Figura 2). 50 3 Frequency 2 1 0 28 32 33 35 36 40 41 46 48 49 51 52 53 55 61 62 idade Figura 2 - Distribuição das freqüências, segundo a idade dos profissionais. Com relação ao tempo de formado destes profissionais, a média foi de 19 anos, sendo que o ortodontista, com menor tempo de atuação na área, está a 6 anos em exercício e o que tem mais tempo de atuação, está a 38 anos em exercício (Figura 3). 3 Frequency 2 1 0 6 10 11 14 15 18 20 23 24 28 31 34 38 tempoformado Figura 3 - Distribuição das freqüências, segundo tempo o de formação dos profissionais. 51 Quanto ao local onde estes profissionais concluíram a graduação, verificou-se que a maioria, ou seja, 90,9% (n=20) concluíram seu curso em faculdades particulares, tendo apenas 9,1% (n=2) dos participantes formados em escolas públicas (Figura 4). 20 Frequency 15 10 5 0 particular federal faculdadegraduou Figura 4 - Distribuição das freqüências, segundo o local de graduação dos profissionais. Com relação à formação dos profissionais envolvidos na pesquisa, obtivemos uma amostra com 86,4% (n=19) de especialistas e apenas 13,6% (n=3) dos profissionais com titulação de mestrado (Figura 5). 52 20 Frequency 15 10 5 0 especialista mestre formação Figura 5 - Distribuição das freqüências, segundo o grau de formação dos profissionais. Considerando o tipo de trabalho, a maioria dos profissionais, 90,2% (n=20), atua somente em consultórios particulares, e apenas 9,1% (n=2) trabalham também em serviços públicos (Figura 6). 20 Frequency 15 10 5 0 particular ambos tipotrabalho Figura 6 - Distribuição das freqüências, segundo o tipo de trabalho dos profissionais. 53 5.2 ANÁLISE DESCRITIVA EM RELAÇÃO À TOMADA DE DECISÃO Com relação à importância da inter-relação entre ortodontia e fonoaudiologia, todos os 22 profissionais (100%) concordam que essa relação é importante. Considerando a possibilidade de inter-relação, houve divergências quanto às situações em que existe a necessidade/possibilidade de um tratamento conjunto. A maioria dos profissionais, 54,5% (n=12) confia no trabalho conjunto para desenvolver aspectos relacionados à linguagem, motricidade orofacial e hábitos; outros 31,8% (n=7), acreditam na inter-relação apenas para tratar distúrbios relacionados à motricidade orofacial e hábitos; e somente 13,6% (n=3) usam desta interdisciplinariedade para tratar unicamente problemas relacionados aos hábitos (Figura 7). 12 10 Frequency 8 6 4 2 0 hábitos linguagem, motricidade orofacial e hábitos motricidade orofacial e hábitos quandointeragir Figura 7 - Distribuição das freqüências, segundo as situações em que os profissionais consideram necessária/possível a inter-relação entre ortodontia e fonoaudiologia. 54 Contudo, dos 22 profissionais participantes, 13,7% (n=3) não encaminham seus pacientes ao fonoaudiólogo, sendo que os outros 86,3% (n=19) encaminham (Figura 8). Desta forma, para as seguintes questões referentes à tomada de decisão destes profissionais, foi decidido excluir os que não encaminham ao fonoaudiólogo e manter uma amostra de 19 cirurgiões-dentistas. 20 Frequency 15 10 5 0 não sim indicaçãofono Figura 8 - Distribuição das freqüências, considerando o encaminhamento dos pacientes pelos ortodontistas para tratamento fonoaudiológico 55 Com relação à porcentagem de pacientes encaminhados para tratamento fonoaudiológico, da amostra de 19 profissionais, 36,8% (n=7) indicam até 5% de pacientes para tratamento fonoaudiológico; 26,3% (n=5) encaminham, de 6 a 10%; 21,1% (n=4) encaminham, de 11 a 20%; 10,5% (n=2) indicam para a fonoaudiologia, de 21 a 30% dos pacientes; e apenas 5,3% (n=1) encaminham mais de 30% (Figura 9). Frequency 6 4 2 0 até 5% 6% a 10% 11% a 20% 21% a 30% mais de 30% porcentagemencaminhamento Figura 9 - Distribuição das freqüências, segundo a porcentagem de encaminhamentos para tratamento fonoaudiológico. 56 Outra questão abordada foi a resistência dos pacientes em realizar o tratamento fonoaudiológico, e dos 19 profissionais, 73,7% (n=14) sentem resistência dos pacientes à realização dos encaminhamentos e 26,3% (n=5) não vêem dificuldade para este encaminhamento (Figura 10). 12,5 Frequency 10,0 7,5 5,0 2,5 0,0 não sim resistênciapaciente Figura 10 - Distribuição das freqüências, segundo a percepção dos ortodontistas com relação à resistência dos pacientes em realizar o tratamento fonoaudiológico. Quanto aos resultados da inter-relação entre ortodontia e fonoaudiologia, 73,7% (n=14) dos profissionais consideraram as alterações satisfatórias, e 26, 3% (n=5) acreditaram haver poucas alterações resultantes da inter-relação entre ortodontia e fonoaudiologia (Figura 11). 57 12,5 Frequency 10,0 7,5 5,0 2,5 0,0 poucas alterações satisfatórios resultadosinteração Figura 11 - Distribuição das freqüências, considerando os resultados da inter-relação ortodontia e fonoaudiologia no tratamento de respiradores bucais. Questionados sobre a porcentagem de pacientes que estes profissionais julgam colaboradores no tratamento interdisciplinar, avaliamos que 5,3% (n=1) consideram que apenas 5% de seus pacientes sejam colaboradores; outros 26,3% (n=5) consideram que 6 a 10% dos pacientes colaboram; 26,3% (n=5) acreditam ter porcentagens de pacientes colaboradores de 11 a 20%; 21,1% (n=4) consideram serem colaboradores um percentual de 21 a 30%; e outros 21,1% (n=4) consideram que mais de 30% dos pacientes colaboram no tratamento interdisciplinar (Figura 12). 58 5 Frequency 4 3 2 1 0 até 5% 6% a 10% 11% a 20% 21% a 30% mais de 30% porcentagempacientescolaboradores Figura 12 - Distribuição das freqüências, segundo a porcentagem de pacientes que os ortodontistas julgam colaboradores. Com relação à manutenção do contato com o fonoaudiólogo, quando da realização dos encaminhamentos, 84,2% (n=16) dos 19 ortodontistas da amostra procuram manter contato com o fonoaudiólogo e 15,8% (n=3) participantes não mantêm este contato (Figura 13). 59 20 Frequency 15 10 5 0 não sim contatocomfono Figura 13 - Distribuição das freqüências, considerando a porcentagem de ortodontistas que procuram manter contato com o fonoaudiólogo durante o tratamento. Outra questão levantada foi verificar se os ortodontistas aguardam a alta fonoaudiológica para dar a alta ortodôntica, e dos 19 profissionais, 57,9% (n=11) aguardam a alta fonoaudiológica em alguns casos, 31,6% (n=6) aguardam a alta fonoaudiológica em 100% dos casos e apenas 10,5% (n=2) não a aguardam (Figura 14). 60 12 10 Frequency 8 6 4 2 0 nunca em alguns casos em 100% dos casos altafono Figura 14 - Distribuição das freqüências, considerando o número de ortodontistas que aguardam a alta fonoaudiológica para dar a alta ortodôntica. Com relação à recidiva de tratamento onde não houve um trabalho conjunto, foi questionado, se estes profissionais atribuem tal recidiva à falta da atuação fonoaudiológica, e dos 19 profissionais, 94,7% (n=18) atribuem alguns casos de recidiva à falta do fonoaudiólogo e apenas 5,3% (n=1) atribuem 100% dos casos de recidiva à ausência do tratamento conjunto (Figura 15). 61 20 Frequency 15 10 5 0 em alguns casos em 100% dos casos recidivaortofono Figura 15 - Distribuição das freqüências, considerando a porcentagem de recidivas atribuídas, quando não há um trabalho conjunto, à falta desta inter-relação. Ainda com relação às recidivas, agora nos casos de tratamento conjunto, foi questionado, se tais recidivas podem ser atribuídas à falta de acompanhamento fonoaudiológico após a alta, e dos 19 profissionais, 89,5% (n=17) creditam as recidivas à falta de acompanhamento fonoaudiológico, em alguns casos, e apenas 10,5% (n=2) atribuem 100% dos casos de recidiva à falta de acompanhamento fonoaudiológico (Figura 16). 62 20 Frequency 15 10 5 0 em alguns casos em 100% dos casos recidivafaltaacompanhamentofono Figura 16 - Distribuição das freqüências, considerando a porcentagem de recidivas, nos casos de tratamento conjunto, atribuída à falta de acompanhamento fonoaudiológico. 63 6 DISCUSSÃO 6.1 CONSIDERAÇÕES METODOLÓGICAS Estudos têm demonstrado grande variação nas decisões das práticas clínicas sem uma correspondente variação dos seus resultados. As decisões clínicas devem embasar-se em pesquisas sólidas, promovidas por métodos de observação e interpretação que levem a conclusões válidas. A avaliação das evidências clínicas deve ser valorizada pelos que tomam decisões clínicas (FLETCHER; FLETCHER; WAGNER, 1996). Tomar decisões sobre a saúde de pacientes exige a capacidade de aliar os conhecimentos, as habilidades e as atitudes adquiridas com a experiência clínica e a capacidade de avaliar criticamente as melhores evidências externas disponíveis, oriundas da pesquisa científica (LEITE, 1999). Boas decisões dependem de boas informações, portanto as evidências geradas pelas pesquisas são necessárias para que o profissional continue construindo sua base de conhecimento para a prática clínica (FLETCHER; FLETCHER; WAGNER, 1996; LYRA, 2004). Os estudos epidemiológicos descritivos, como o deste estudo, são necessários em pesquisas realizadas usualmente, pois descrevem um determinado evento em uma população específica, além de serem rápidos e de custo relativamente baixo. Para a coleta de dados desta pesquisa, foi utilizado, como instrumento, um questionário, que teve como objetivo captar as informações e descrever uma situação e o perfil dos profissionais estudados. Esse tipo de delineamento de pesquisa serve para subsidiar informações sobre decisões em saúde aos profissionais e usuários. E quando bem investigados, serve para implantação de políticas e programas de intervenção direcionados à promoção de saúde (FLETCHER; FLETCHER; WAGNER, 1996; LYRA, 2004). 6.2 PREVALÊNCIA DE RESPIRADORES BUCAIS A respiração é a primeira função desenvolvida por ocasião do nascimento, estabelecendo-se como principal função do organismo. Somente as cavidades 64 nasais possuem perfeitas condições para filtrar o ar e permitir que ele chegue aos pulmões na temperatura ideal, e, conseqüentemente, proporcionando melhor qualidade de vida para o indivíduo. A respiração bucal, seja causada por fatores alérgicos, obstrutivos ou viciosos, é um distúrbio, que incomoda e diminui a qualidade de vida das pessoas portadoras desta síndrome. Atualmente, muitos indivíduos apresentam um quadro de respiração bucal associado a problemas ortodônticos, causando importantes alterações no sistema estomatognático (SILVA, 2007). O crescimento, o desenvolvimento e a função das estruturas ósseas da cavidade bucal estão intimamente ligados ao complexo muscular bucofacial, exigindo harmonia entre eles para que exista uma boa oclusão, já que os dentes irão irromper em um ambiente dinâmico, em que os músculos da face, da língua e da mastigação participam (OLIVEIRA; BUSANELLO; SILVA, 2008). Baseado nisso, este estudo procurou verificar de que forma os profissionais tomam suas decisões de tratamento, o que se tornou relevante para o município em virtude de uma prevalência relativamente alta de respiradores bucais e pelo fato de tais indivíduos apresentarem diversas alterações. A fim de verificar esta constatação, além de justificar a importância desta pesquisa, foram procurados na literatura estudos relacionados à prevalência de respiradores bucais. Um estudo realizado em Recife procurou investigar a prevalência de respiradores bucais, utilizando uma amostra de 150 crianças de 8 a 10 anos, na cidade de Recife. Os resultados mostraram que 53,3% das crianças eram respiradoras bucais, sem diferenças estatísticas significativas entre gênero e faixa etária (MENEZES et al., 2006). Outro estudo, realizado com crianças em idade escolar no município de Londrina-PR, teve como objetivo identificar a prevalência de respiradores bucais através de 496 questionários enviados aos pais ou responsáveis. Os resultados indicaram uma prevalência de 56,8% de escolares com respiração bucal, sem diferenças significativas com relação ao gênero (FELCAR et al., 2007). Um estudo realizado no Rio Grande do Sul, na cidade de Santa Maria, avaliou 219 crianças, das quais 121 eram portadoras de respiração bucal, e destas, 100% possuíam algum tipo de maloclusão. Observaram ainda que 18,20% das crianças respiradoras orais apresentaram alguma alteração articulatória durante a fonação, e que a maioria delas apresentava maloclusão de classe II de Angle (OLIVEIRA; BUSANELLO; 65 SILVA, 2008). Mais um estudo foi realizado com o objetivo de determinar a prevalência de crianças respiradoras orais, em uma população de crianças com idade entre 3 a 9 anos, residentes na região urbana de Abaeté (MG). A amostra foi composta por 370 crianças, sendo 193 do gênero masculino e 177 do gênero feminino. Deste número, 204 foram consideradas respiradoras orais, correspondendo a 55% da amostra, considerando que 189 crianças tinham anamnese e exame clínico compatível com respiração oral, 9 apresentaram somente avaliação clínica compatível com o distúrbio e seis apresentaram somente anamnese sugestiva de respiração oral, porém, sem alterações ao exame clínico. Concluindo-se então, que a prevalência de respiração oral foi elevada, mas não teve associação entre gêneros, condição socioeconômica ou faixa etária (ABREU et al., 2008). 6.3 CARACTERIZAÇÃO DA AMOSTRA E TOMADA DE DECISÃO Na presente pesquisa, em relação ao perfil da amostra estudada, a maioria dos ortodontistas entrevistados era do sexo feminino (72,7%), cuja média de idade foi de 42 anos. O tempo médio de formação destes profissionais foi de 19 anos, sendo que a maioria concluiu sua graduação em faculdades particulares (90,9%). Destes, 86,4% são especialistas e trabalham somente em serviço particular (90,2%). A partir dos dados, pode-se dizer que os profissionais pesquisados possuem experiência na área e tem conhecimento do problema estudado para poder tomar decisões em saúde. Neste estudo, todos os profissionais da amostra concordaram com a importância da relação de inter-relação entre ortodontia e fonoaudiologia para o tratamento dos indivíduos, especialmente, nos pacientes com respiração bucal. Ao iniciar o exercício de sua atividade, o profissional assume responsabilidades diante da sociedade como um todo, perante os pacientes e colegas de profissão. Com a constante evolução e velocidade da divulgação dos conhecimentos, porém, a eficiência dos tratamentos fica dependendo do trabalho em equipe. Há muitos anos, é comentada a necessidade de se trabalhar em conjunto, e tal fato talvez esteja relacionado à conscientização dos profissionais em relação às limitações e 66 possibilidades de suas especialidades, e por isso, buscam auxílio em outras, para melhor resolução e tratamento dos casos. Na ortodontia, os dentes são mantidos em equilíbrio, graças à atuação de forças internas e externas, que atuam mutuamente e, portanto, se não existir um ajuste funcional, corre-se o risco de haverem recidivas. A motricidade orofacial é a área da fonoaudiologia voltada para o estudo/pesquisa, prevenção, avaliação, diagnóstico, desenvolvimento, habilitação, aperfeiçoamento e reabilitação dos aspectos estruturais e funcionais das regiões cervical e orofacial (AMARAL, 2006). O desenvolvimento ósseo e muscular tem uma relação estreita, e é importante considerar que a ação modeladora dos músculos sobre os arcos dentários, quando equilibrada e harmônica, pode favorecer uma oclusão adequada. No entanto, qualquer alteração funcional poderá produzir desvios e deformações ósseas (ANDRADE; GARCIA, 2001). Tem sido reconhecido que a oclusão modula as funções, mas que também não basta reposicionar as bases ósseas e/ou adequar a oclusão dentária, sem desenvolver ou recuperar a função para aquele “novo sistema”, ou seja, se os distúrbios musculares e funcionais que possam interferir negativamente no sistema estomatognático não forem eliminados (PEREIRA; FELÍCIO, 2005). O trabalho, em equipe, é bastante importante nas disfunções do sistema estomatognático, especialmente na respiração oral, cujo tratamento envolve os ortodontistas no sentido de acompanhar o desenvolvimento crânio-facial e corrigir as alterações oclusais e os fonoaudiólogos para trabalhar na reeducação de diversas funções através da terapia miofuncional. O tratamento de pacientes portadores de distúrbios respiratórios, portanto, requer atuação interdisciplinar que envolva condutas de prevenção e tratamento precoce (AMARAL, 2006). Pode-se dizer então que o tratamento fonoterápico em crianças respiradoras bucais entre 4 e 5 anos, sem características genéticas desfavoráveis, tem como finalidade dar condições de estabelecer uma correta postura dos lábios e língua, e com a manutenção destas condições, facilitar o desenvolvimento mais harmônico destas estruturas (JABUR, 1996). Dentro de qualquer área, e, em especial, na área da saúde, não há como acreditar que penas um profissional possa trabalhar de maneira isolada e auto-suficiente. Na literatura, é possível encontrar várias pesquisas enfatizando a importância do trabalho conjunto, que deve incluir profissionais de diferentes áreas de atuação e que estejam integrados no propósito de beneficiar, melhorando a qualidade de vida do paciente, que é o elemento mais importante desse processo (MENDES; COSTA; NEMR, 2005). Na presente pesquisa, pode-se 67 constatar também que a maioria dos profissionais ainda confia no trabalho conjunto para desenvolver aspectos relacionados à linguagem, motricidade orofacial e hábitos. Quanto aos resultados da presente pesquisa, em relação à experiência do tratamento interdisciplinar de respiradores bucais entre ortodontia e fonoaudiologia, uma grande porcentagem (73,7%) mostrou-se satisfeita com as alterações após o tratamento. Sabe-se, hoje, que o sucesso do tratamento dos pacientes portadores de “distúrbios miofuncionais da face” está relacionado ao trabalho de uma equipe interdisciplinar especializada e integrada. Nesta equipe, o ortodontista deverá atuar na correção dos desvios do crescimento facial e dos distúrbios oclusais. O fonoaudiólogo, por sua vez, deverá procurar restabelecer as funções estomatognáticas. Estudos e pesquisas permitem concluir que existe uma estreita relação entre as alterações morfológicas dento-alveolares e as alterações funcionais do sistema estomatognático, considerando que estas alterações funcionais não são corrigidas somente com a correção da morfologia do arco dentário. Isto significa que, quando presentes, as alterações funcionais devem ser abordadas por condutas terapêuticas específicas, após o tratamento ortodôntico. Depreende-se, portanto, a importância do trabalho interdisciplinar, como conseqüência da evidente e estreita relação entre a condição morfológica e a adaptação neuromuscular, evocando a participação da fonoaudiologia, como coadjuvante da ortodontia, na obtenção da estabilidade pós-tratamento ortodôntico. Observa-se, assim, a importância da relação entre as duas áreas trabalhando em parceria. A fonoaudiologia, ao trabalhar com a ortodontia, potencializa o processo corretivo da maloclusão, por valorizar a tonicidade da musculatura periorbicular (APCD, 2008). Entretanto, nesta pesquisa, quanto à colaboração dos indivíduos na interrelação entre as áreas, os profissionais verificaram uma porcentagem ainda muito pequena do entendimento da necessidade de um tratamento conjunto para melhores resultados. Observa-se, assim, uma grande resistência por parte dos pacientes. Outro estudo realizado em Campo Grande (MS), utilizou 3 questionários distintos entre si, porém inter-relacionados, com o propósito de também avaliar essa relação interdisciplinar, e considerou os resultados positivos ou como dependentes da colaboração do paciente, o que concorda com a literatura, que atribui resultados satisfatórios à conscientização e cooperação do paciente, que deve realizar em casa 68 os exercícios propostos pelo profissional. Ainda consta que o tratamento fonoaudiológico não deve ser encarado como uma obrigação, mas como uma terapia que promoverá o restabelecimento de todo o sistema estomatognático. Há relatos de caso com frustração do trabalho interdisciplinar, atribuindo o insucesso justamente à dificuldade dos profissionais com relação à motivação e envolvimento dos pacientes e familiares (AMARAL, 2006). Outro estudo realizado em Vitória-ES com 100 profissionais de diversas áreas da saúde também citou como fator de responsabilidade de insucesso a resistência dos pacientes e familiares em promover mudanças de hábitos (SIPOLATTI; DADALTO, 2003). No presente estudo, com relação à recidiva de tratamento, onde não houve um trabalho conjunto, os profissionais atribuíram tal recidiva à falta da atuação fonoaudiológica ou à ausência do tratamento conjunto. Outra causa de recidiva foi justificada pela falta de acompanhamento fonoaudiológico após a alta. Sobre os critérios relacionados à alta do paciente, um estudo realizado em 2006 verificou que 38,8% dos ortodontistas aguardam a alta fonoaudiológica para conceder a alta ortodôntica, fato concordante com este estudo que obteve 57,9% de profissionais que aguardam a alta fonoaudiológica em alguns casos e 31,6% que aguardam a alta fonoaudiológica em todos os casos. Concorda-se que a correção ortodôntica só poderá manter-se adequada, quando harmonizada com o equilíbrio da musculatura do paciente. Assim, parece consenso na literatura que o ortodontista deve aguardar a alta fonoaudiológica para a concessão da alta ortodôntica, já que a estabilidade após a alta ortodôntica é obtida depois do restabelecimento do equilíbrio muscular (AMARAL, 2006). Considerando a questão das recidivas, um estudo avaliou o índice de recidiva de deglutição atípica após os 3 anos a contar do final do tratamento, comparando crianças submetidas à terapia miofuncional e mecânica, e outras submetidas apenas á terapia mecânica. Concluíram que a associação das duas terapias, a funcional e a mecânica, favoreceu as condições para mudanças da deglutição e posição de repouso (PEREIRA; FELÍCIO, 2005). Há, na literatura, concordância de que a abordagem interdisciplinar diminuiria os riscos de recidivas (FELÍCIO, 1999). Considerando-se ainda a necessidade, não apenas da inter-relação entre os profissionais, mas da manutenção do contato entre estes para melhor resolução e controle dos casos em tratamento, além de procurar diminuir ou eliminar os riscos de 69 recidivas. Diante do exposto e das limitações do presente estudo, em se tratando de um estudo descritivo com uma amostra pequena e de um município apenas, verificou-se a necessidade de um trabalho integrado entre a ortodontia e a fonoaudiologia, em especial, nos indivíduos com respiração bucal, a fim de alcançar a reabilitação morfológica e funcional. 70 7 CONCLUSÃO Neste estudo, de acordo com a metodologia empregada e com os resultados obtidos, pode-se concluir que: 1) Em relação à tomada de decisão clínica de tratamento em indivíduos com respiração bucal, todos os ortodontistas do município de Passo Fundo-RS pertencentes à amostra concordam haver necessidade da relação com os fonoaudiólogos. 2) Na inter-relação entre as áreas profissionais, a maioria dos ortodontistas concorda que o tratamento deva ser desenvolvido conjuntamente nos problemas relacionados à linguagem, motricidade orofacial e hábitos. 3) Os ortodontistas do município tomam a decisão de tratamento de encaminhar seus pacientes aos fonoaudiólogos, bem como acompanham o seu tratamento, porém a maioria sente resistência, por parte dos pacientes, em realizar o tratamento fonoaudiológico. 4) Com relação às características demográficas dos ortodontistas do município, verificou-se que a maioria é do sexo feminino, com uma média de idade de 42 anos, sendo que a maioria possui apenas título de especialista e trabalha em consultório particular. 71 REFERÊNCIAS ABREU, R. 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Revista Odonto Ciência, Porto Alegre, v. 17, n. 35, p. 44-48, jan./mar. 2002. 78 APÊNDICES Apêndice A ESPECIALIZAÇÃO EM ORTODONTIA PESQUISADORA: ORIENTADORA: Lilian Rigo PROJETO: Inter-relação entre a ortodontia e a fonoaudiologiaRúbia no Vezaro Vanz tratamento de indivíduos com respiração bucal. Anamaria Estacia PARTE 1 Informações gerais sobre o cirurgião-dentista SEXO: 1. M( ) 2. F( ) IDADE ( ) anos TEMPO DE FORMADO ( ) anos ( ) meses FACULDADE EM QUE SE GRADUOU 1. ( ) particular 2. ( ) estadual 3. ( ) federal ESTADO_____ QUAL A SUA FORMAÇÃO? 1. ( ) Especialista 2. ( ) Mestre 3. ( ) Doutor TIPO DE TRABALHO: 1. ( ) público 2. ( ) particular 3. ( ) ambos RENDA PESSOAL ___________ RENDA FAMILIAR______________salários mínimos. PARTE 2 Você considera importante a inter-relação Ortodontia-Fonoaudiologia? 0. ( ) Não 1. ( ) Sim Em que situações você vê a necessidade / possibilidade de um trabalho conjunto entre estas áreas? 0. ( ) Nenhuma 1. ( ) Linguagem (oral e escrita) 2. ( ) Motricidade orofacial ( musculatura e funções do sistema estomatognático) 3. ( ) Hábitos ( postura de língua inadequada, sucção digital, chupeta, respiração bucal) 4. ( ) Outra área fonoaudiológica ou ortodôntica Qual.................................................................................................................................................................. Justifique a necessidade desta atuação em equipe......................................................................................... ......................................................................................................................................................................... Você costuma indicar pacientes para tratamento fonoaudiológico? 0. ( ) Não 1. ( ) Sim As questões de n.º 2 a 8 só devem ser respondidas caso a resposta da pergunta n.° 1 seja SIM. 1. No caso específico de respiradores bucais, uma vez eliminadas as interferências físicas, você considera importante a inter-relação orto/fono? 0. ( ) Não 1. ( ) Sim 2. De que forma acredita que a fonoaudiologia contribui para o tratamento destes pacientes?............................................................................................................................................................ 3. Qual a porcentagem de pacientes que você encaminha para tratamento fonoaudiológico? 0. ( ) Não indico de 30% 1. ( ) Até 5% 2. ( ) De 6 a 10% 3. ( ) De 11 a 20% 4. ( ) De 20 a 30% 5. ( ) Mais 4. Quando faz a indicação ao paciente, sente resistência do mesmo em realizar o tratamento fonoaudiológico? 0. ( ) Não 1. ( ) Sim 5. Nas situações que realizou encaminhamentos para tratamento fonoaudiológico, como considerou os resultados? 0. ( ) Sem alterações 1. ( ) Poucas alterações 2. ( ) Satisfatórios 6. Considerando que estes resultados dependem da colaboração do paciente, que porcentagem de pacientes 79 você julgaria colaboradores? ( ) Mais de 30% 1. ( ) Até 5% 2. ( ) De 6 a 10% 3. ( ) De 11 a 20% 4. ( ) De 20 30% 5.. 7. Quando da realização dos encaminhamentos, você procura manter contato com o fonoaudiólogo durante o tratamento? 0. ( ) Não 1. ( ) Sim 8. Nos casos em tratamento fonoaudiológico, você aguarda a alta deste para dar a alta ortodôntica? 0. ( ) Nunca 1. ( ) Em alguns casos %........................ 2. ( ) Sim, em 100% dos casos 9. Nos casos de tratamentos com recidivas, você atribuiria tal conseqüência à falta do tratamento fonoaudiológico conjunto? 0. ( ) Nunca 1. ( ) Em alguns casos %........................ 2. ( ) Sim, em 100% dos casos 10. Nos casos de tratamento conjunto, após alta deste, você atribuiria as recidivas à falta de acompanhamento do fonoaudiólogo? 0. ( ) Nunca 1. ( ) Em alguns casos %........................ 2. ( ) Sim, em 100% dos casos 80 Apêndice B Aprovação do Comitê de Ética em pesquisa 81 Apêndice C Termo de Consentimento Livre e Esclarecido Prezado (a) Colega, Estou realizando um estudo que aborda o tema maloclusão e respiração bucal, com ênfase na possibilidade de se estabelecer um tratamento interdisciplinar para sua melhor resolução, cujo título é: “Inter-relação entre a ortodontia e a fonoaudiologia no tratamento de indivíduos com respiração bucal.”. Para isso, desejo obter maior conhecimento, junto aos profissionais envolvidos (ortodontistas), para discutir as possibilidades de estabelecer a interdisciplinariedade para o tratamento. Desde já, coloco-me à disposição para qualquer esclarecimento. O Projeto foi encaminhado e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa de Seres Humanos da Faculdade Ingá-Uningá. Se o Senhor (a) quiser colaborar com esta pesquisa, que será minha monografia, apenas terá de responder ao questionário em anexo, que já está impresso como carta-resposta no verso (sem custo), assinar este termo, dobrar e colocar dentro da carta-resposta e enviá-los para o endereço de devolução preenchido como pessoa física “Rúbia Vezaro Vanz” para facilitar a coleta dos questionários, ou responder por e-mail, caso seja de maior praticidade, através do envio dos documentos escaneados para o endereço: [email protected]. A sua participação não é obrigatória, mas, se decidir participar, seu nome ou qualquer outra identificação não constarão na pesquisa. Apenas utilizaremos as informações relatadas no questionário da pesquisa. Fone: (54) 3531-1214 (à noite) ou (54) 3531-1493 (horário comercial) Terminado este estudo, os resultados, que são de nossa inteira responsabilidade, estarão à sua disposição, assim como também estaremos para esclarecer dúvidas sobre a pesquisa, garantido sigilo absoluto quanto aos dados informados pelos voluntários que participarão da pesquisa. Se for necessário, favor entrar em contato: Nome da Professora Orientadora: Lilian Rigo Endereço da Professora Orientadora: Av. Major João Schell, 1121 Passo Fundo-RS CEP. 99020-020 Fone: 99270441 Desde já, agradecemos por sua colaboração. Atenciosamente, 82 _______________________________________________________________ Rúbia Vezaro Vanz (aluna) CRO/RS: 16257 _______________________________________________________________ Lilian Rigo (orientadora) CRO/RS: 8121 Para ser preenchido pelo profissional pesquisado: Declaro que concordo em participar da pesquisa da Dra. Rúbia Vezaro Vanz, por livre e espontânea vontade, sem qualquer despesa de minha parte e sem qualquer tipo de pagamento por minha participação. CRO:___________________________________ Titulação:__________________________________