UNINGÁ – UNIDADE DE ENSINO SUPERIOR INGÁ FACULDADE INGÁ CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM PRÓTESE DENTÁRIA KELLY CRISTINE JACOBS KNACK A INFLUÊNCIA DAS CARGAS OCLUSAIS SOBRE OS IMPLANTES OSSEOINTEGRADOS PASSO FUNDO 2007 KELLY CRISTINE JACOBS KNACK A INFLUÊNCIA DAS CARGAS OCLUSAIS SOBRE OS IMPLANTES OSSEOINTEGRADOS Monografia apresentada à unidade de Pósgraduação da Faculdade Ingá – UNINGÁ – Passo Fundo-RS como requisito parcial para obtenção do título de Especialista em Prótese Dentária. Orientador: Prof. Ms. Christian Schuh PASSO FUNDO 2007 KELLY CRISTINE JACOBS KNACK A INFLUÊNCIA DAS CARGAS OCLUSAIS SOBRE OS IMPLANTES OSSEOINTEGRADOS Monografia apresentada à comissão julgadora da Unidade de Pós-graduação da Faculdade Ingá – UNINGÁ – Passo Fundo-RS como requisito parcial para obtenção do título de Especialista em Prótese Dentária. Aprovada em ___/___/______. BANCA EXAMINADORA: ______________________________________________ Prof. Ms. Christian Schuh ______________________________________________ Prof. Dr. Cezar Augusto Garbin ______________________________________________ Profª. Ms. Lilian Rigo DEDICATÓRIA Ao Marcos, meu marido, principal incentivador de minha formação profissional. Nunca esquecerei que sem você não teria começado, sem você não teria concluído. Também por isso te amo. Ao Thomás e à Thaíz, meus filhos preciosos, para quem entendi que deveria ser o mais forte exemplo de determinação. Todo o meu amor e carinho aos que compensaram as inúmeras ausências em virtude deste trabalho. À minha querida mãe, Altair Beatriz, fonte de apoio e orações diante de minhas iniciativas. Ao meu pai Luiz Nerci, que nunca imaginou que suas filhas pudessem ir tão longe. Às minhas irmãs, Sandra e Silvana, pelo apoio e pelas palavras de carinho e incentivo nos momentos mais difíceis. À Nadime e Tatiana, minha sogra e cunhada, que tanto me auxiliaram no zelo por minha família em minhas ausências. AGRADECIMENTOS ESPECIAIS A Deus, que sempre nos aponta a melhor direção a seguir, agradeço por oferecer esta conquista em minha vida e guiar meu caminho. Ao Professor Mestre Christian Schuh, orientador deste trabalho, que sempre encontrou tempo para tarefas além de seus compromissos. Pessoa de rara simplicidade e inteligência. Por seu caráter e persistência, tenho-o como exemplo de vida. Ao Professor Doutor Cezar Augusto Garbin, coordenador deste curso, agradeço esta oportunidade de tê-lo como professor, pois a convivência com ele sempre brinda a oportunidade de um aprendizado. Verdadeiro mestre na Odontologia, por seu vasto conhecimento, capacidade de comunicação e pela sabedoria com que lida com as relações humanas. AGRADECIMENTOS Aos professores, Mestres, que ensinam a arte de vislumbrar a essência das coisas, que nos motivam a cultivar verdadeiro amor por determinado assunto. Mestres que nos acompanharão para sempre, porque um dia comprometeram-se e influenciaram nossa vida. Mestres pelos quais tenho sentimento de amizade e gratidão, porque me ensinaram por seu exemplo a ser a pessoa que quero ser. Aos professores, amigos, colegas que contribuíram para minha formação, esta convivência que modificou a minha vida e me tornou uma pessoa melhor. A eles tenho eterna gratidão. À Professora Doutora Noéli Boscato, grande amiga, guardo-a no meu coração com o mesmo carinho com que conduziu meu aprendizado ao longo deste curso. Sua amizade é um presente especial. Ao Professor Mestre Armando João Antônio, querido incentivador da busca por respostas clínicas, agradeço pelo privilégio de contar com seus conselhos. Ao Professor Leonardo Federizzi, pela atenção dispensada aos meus pedidos de ajuda nos momentos em que precisei. Às Professoras de Metodologia Científica, Lílian e Maria Esther, amigas dedicadas e atenciosas na função de ensinar. Aos colegas Bruna, Fabiano, Matiello, Marcos, Pricila, Renata, Thiago, Rafael e Zili: vocês são ótimos! Obrigada pelos momentos que passamos juntos. Em especial aos colegas Fernanda e Maurício. Fer, contigo aprendi a enfrentar e vencer os meus temores. Mauri, minha dupla, você me mostrou como ultrapassar aquilo que eu pensei ser meu limite. Obrigada a vocês pelos momentos maravilhosos e pelas risadas gostosas no final de cada dia de aula! Às funcionárias do CEOM: Alesinha, Lídia, Charlise, Dani, Nati, Gelci, Pri, Eliane, Roseli os “Bom dia!” estão marcados em mim, assim como seus sorrisos sempre prontos. À Deise, minha “guru”, tão pouca oportunidade de convivência, mas ótimas lições para minha vida. Adoro você. RESUMO O sucesso de uma prótese implantossuportada implica na observação de vários fatores. Diversas são as causas que podem levar à falha de um implante após a instalação da prótese, entre elas as falhas por motivos mecânicos. Com a finalidade de conhecer e minimizar estas falhas, um adequado planejamento cirúrgico/protético é imprescindível antes da instalação dos implantes, levando-se em conta as diferenças fisiológicas entre dentes e implantes e o tipo de osso presente no caso. O planejamento cirúrgico envolve o número e a posição dos implantes no arco, bem como o tipo de implante mais adequado. Conforme os resultados do planejamento cirúrgico, segue-se o protético, objetivando a longevidade do tratamento. A mecânica vetorial favorece o entendimento da incidência das cargas oclusais, da direção das forças produzidas pelo impacto da mastigação e suas conseqüências sobre o nível ósseo, implantes, componentes protéticos e sua dissipação nos tecidos adjacentes. A modificação da direção das forças resultantes durante os movimentos funcionais da mastigação é realizada no momento da instalação das superestruturas. A presente revisão de literatura buscou descrever os efeitos causados pelo impacto dos movimentos mastigatórios e os casos em que a linha de força resultante das cargas incidentes passa fora do longo eixo dos implantes. A partir disto foi possível demonstrar as formas de diminuição destas cargas sobre as próteses e a conseqüente alteração na longevidade dos implantes e das restaurações. Após o término desta revisão de literatura foi possível concluir que o ajuste oclusal de uma prótese sobre implante somente terá sucesso se forem conhecidas as diferenças de sensibilidade entre dentes e implantes; que após a avaliação das cargas, é possível através de modificação da anatomia dentária melhorar a incidência das cargas oclusais; que a aplicação adequada das cargas oclusais sobre os implantes pode melhorar a qualidade do osso de suporte dos implantes. Palavras-chave: Prótese Dentária Fixada por Implante, Implantes Dentários, Força de Mordida. ABSTRACT The success of an implant supported prothesis requires the observation of several factors. Many are the causes that can lead to the failure of an implant after the installation of the prothesis, among them the failure to mechanical reasons. With the purpose of knowing and minimizing these failures, a proper surgical/prothetic planning is indispensable before the installation of the implants, taking intoaccount the physiological differences between teeth and implants and the kind of bone present in the case. The surgical planning involves the number and the position of the implants in the arc, as well as the most suitable kind of implant. According to the results of the surgical planning, the prothetic one follows, aiming the longevity of the treatment. The vetorial mechanic favors the understanding of the incidence of the oclusal loads, of the direction of the forces produced by the impact of the mastigation and its consequences about the bone level, implants, prosthetic components and their dispelment on the adjacent tissues the modification of the direction of the resultant forces during the functional movements of the mastigation is accomplished at the moment of the installation of the superstructures. The present literature review tried to describe the effects caused by the impact of the masticatory movements and the cases in which the force line resulting of the incident loads passes out of the long implant axis. From this it was possible to demonstrate the ways of decreasing of these loads on the prothesis and the consequent alteration on the longevity of the implants and restaurations. After the end of this literature review it was possible to conclude that the oclusal adjustment of a prothesis on the implant will only be successful if the differences of sensibility between teeth and implants are known; that after the evaluation among loads it is possible to improve the incidence of the oclusal loads through the modification of the dental anatomy; that the proper application of the oclusal loads on the implants can improve the quality of the support bone of the implant. Key-words: Dental Prothesis Implant-Supported, Dental Implants, Bite Force. LISTA DE ABREVIATURAS cN centinewtons N Newtons N/s Newtons por segundo MPa Mega Pascal mm milímetro Nmm Newtons por milímetro MEF Método de Elemento Finito µm micrometro PPFSI prótese parcial fixa sobre implante 2D bidimensional 3D tridimensional E Módulo de Elasticidade M1 Primeiro molar M2 Segundo molar IME Componente Intramóvel SUMÁRIO 1INTRODUÇÃO.........................................................................................................11 2 REVISÃO DE LITERATURA................................................................................. 13 2.1 COMPARAÇÃO DE SENSIBILIDADE ENTRE DENTES E IMPLANTES........... 13 2.2 ABSORÇÃO DA CARGA OCLUSAL PELA ESTRUTURA ÓSSEA.................... 17 2.3 AJUSTE OCLUSAL PARA DIMINUIÇÃO DA CARGA.........................................27 3 CONCLUSÃO........................................................................................................ 37 REFERÊNCIAS .........................................................................................................38 11 1 INTRODUÇÃO A terapia com implantes dentais é executada primariamente pela proposta de substituir dentes perdidos e suas estruturas associadas. Cirurgia de implante, então, é cirurgia protética. Sem indicação protética não há razão para cirurgia de colocação de implante dental além de uma ocasional ancoragem ortodôntica (TAYLOR, BELSER, MERICSKE-STERN, 2000). As próteses fixas implantossuportadas devem ser planejadas desde antes da instalação dos implantes osseointegrados com o objetivo de aperfeiçoar a distribuição e propiciar a redução de forças oclusais através de todo o sistema estomatognático, independentemente de serem próteses fixas somente implantossuportadas ou de haver a presença de dentes naturais na mesma arcada associados a uma mesma prótese ou não (HENRIQUES, 2003). De acordo com Weinberg (1993), a distribuição biomecânica das forças em próteses implantossuportadas é diferente daquela apresentada por dentes naturais. A diferença essencial é causada pelo ligamento periodontal, o qual permite micromovimentos de 100 µm a 400 µm ao redor do centro de rotação no terço apical, favorecendo a distribuição das forças ao longo da superfície das raízes. Os implantes osseointegrados não apresentam movimentação, sendo que as forças ficam concentradas na crista do rebordo. Esta diferença entre dentes e implantes osseointegrados traz dificuldades para o ajuste oclusal em pacientes que tenham tanto dentes quanto implantes em um mesmo arco. A dificuldade de verificar uma possível sobrecarga oclusal é tanto do profissional quanto do paciente pela conseqüente diferença de sensibilidade entre estas duas formas de suporte de próteses fixas. Após o segundo estágio cirúrgico, a alta incidência de falhas nos implantes tem sido atribuída à sobrecarga oclusal. O isolamento de um único fator etiológico in vivo é difícil, tornando provas científicas virtualmente impossíveis. Na ausência de tais provas científicas, o estudo da aplicação clínica dos fatores biomecânicos permanece controverso (WEINBERG, 1998). De acordo com Frost (1988), a deformação óssea funcional é um fator de controle do remodelamento ósseo, e, conforme o autor, há um limiar de tensão para isto ocorrer. Forças excessivas podem causar danos na interface osseointegrada, 12 fazendo com que implantes osseointegrados percam esta característica (ADELL et al., 1981; WEINBERG, 1998). A dificuldade em estabelecer o limite entre carga fisiológica que promove a formação óssea, e sobrecarga que pode levar a reabsorção óssea e perda da osseointegração é que motivam esta revisão de literatura. O objetivo deste trabalho foi verificar a influência da aplicação de cargas oclusais no comportamento biomecânico dos implantes osseointegrados e estruturas adjacentes. 2 REVISÃO DE LITERATURA 13 2.1 COMPARAÇÃO DE SENSIBILIDADE ENTRE DENTES E IMPLANTES Mühlbradt et al. (1989) pesquisaram diferenças entre dentes naturais e implantes quanto à mecanopercepção. O objetivo deste estudo foi determinar se a sensibilidade diante de forças pode ser generalizada em dentes naturais e implantes. Os autores utilizaram onze homens e nove mulheres voluntários com idade entre 19 e 63 anos. As restaurações implantossuportadas estavam em função com implante cerâmico Tübingen de um a oito anos na área de incisivos superiores. Força foi aplicada por aproximadamente três segundos, sendo aplicados onze níveis de força, tanto nos dentes quanto nos implantes: 50, 200, 300, 400, 500, 600, 700, 800, 1000, 1200 e 1400 cN. Para a metade dos pacientes, 100 cN serviu como força padrão, e, para a outra metade, 500 cN. Os autores avaliaram que, embora haja implantes inertes, há outros reagindo hipersensivelmente, acompanhados de sensação dolorosa. Normalmente, a média de sensibilidade entre um implante e um dente é quase a mesma. Contudo, há diferenças na qualidade da sensação. Com respeito ao implante, pacientes reportaram uma sensação dolorosa não localizada, com zonas de pressão que se estendem até o crânio ou outros locais mais distantes. O dente natural produziu uma clara sensação local de dor. O limiar do implante é mais alto do que o limiar do dente natural. A sensibilidade tátil entre dentes naturais e implantes osseointegrados foi comparada por Jacobs e van Steenberghe (1993). Os autores utilizaram 41 sujeitos entre 21 e 88 anos. Organizaram um grupo-controle e quatro grupos-teste. Os quatro grupos-teste receberam implantes Branemark em região anterior maxilar e mandibular. O grupo de dentes naturais consistiu de dez sujeitos com dentes naturais que não tinham patologias periodontais. Os autores utilizaram um aparelho solenóide colocado em contato com o implante ou o dente. As forças incidiram a 44 N/s para evitar impacto, e em 10 segundos a resposta devia ser dada pelo sujeito. Quando diferentes próteses foram comparadas no mesmo sujeito, níveis de sensibilidade muito mais baixos foram obtidos para dentes naturais do que para implantes. Foi observado que a má colocação de um implante é diretamente proporcional à carga aplicada, o que implica que o implante atua como um detector de força estática. Carregar um implante osseointegrado resulta numa deformação do 14 osso mais rápida comparada aos dentes naturais. A função sensorial do implante é explicada pela ativação de mecanorreceptores do periósteo através da deformação óssea pós-extração, os quais permanecem menos sensíveis do que os receptores do ligamento periodontal. Mericske-Stern et al. (1995) realizaram experimento no qual mensuraram a sensibilidade oral tátil em pacientes edentados parciais com implantes. O grupoteste consistiu de 21 pacientes parcialmente edentados que haviam sido tratados com prótese parcial fixa, incluindo coroas unitárias suportadas por implantes ou a combinação de implantes e dentes naturais. O grupo-controle selecionado tinha dentição completa (no mínimo 24 dentes). Trinta e seis implantes foram colocados em mandíbulas e maxilas, tendo como comprimento médio 9,7mm. As medidas de força oclusal foram tomadas pelo dispositivo em miniatura colocado entre cada par de antagonista implante/dente ou dente/dente. Os implantes foram colocados no lugar de quatro PM1, 10 PM2 e 13 M. Cinco dinamômetros com diferentes escalas foram usados. A força estática com o dinamômetro foi aplicada de zero até o ponto no qual o paciente sentiu o primeiro estímulo no implante e no dente natural respectivamente. Não foi encontrada correlação entre máxima força oclusal e sensibilidade tátil nesta investigação. A máxima força oclusal desenvolvida por pacientes restaurados com implantes e próteses parciais fixas parece ser menor do que a desenvolvida por pacientes com dentes naturais. A fixação das próteses teve diferentes números de pilares, pônticos e cantiléveres, com possibilidade de influenciar os resultados. Fileni (2007) comparou, em estudo longitudinal, a força de mordida entre áreas dentadas e implantadas. O autor utilizou um gnatodinamômetro para tomada de força mastigatória. Este aparelho consiste em um garfo de mordida conectado a um processador de informações que traduz a mudança de resistividade da célula de força em Kgf em escala digital com precisão centesimal, até o limite de 100 Kgf. Os dados obtidos nesta unidade são transformados para a unidade de N. A amostra foi composta por 16 pacientes, todos portadores de pelo menos uma prótese parcial fixa sobre implantes limitada a uma das cinco regiões propostas (molares direitos e esquerdos, pré-molares ou caninos direitos e esquerdos e incisivos anteriores) tendo dentes naturais como antagonistas. As medidas de força foram realizadas no momento da instalação da prótese sobre implante, 3 meses, 30 meses e 64 meses após a instalação, totalizando um período de 5,3 anos de controle destes casos. No 15 gráfico número 1 estão representados os valores (em médias) da evolução das forças de mordida na área de molares das próteses parciais sobre implantes, comparados com a evolução das forças de mordida dos dentes naturais nos quatro tempos de avaliação: Gráfico 1: valores médios da evolução da força de mordida em N, na região de M das PPFSI e dentes naturais, durante o transcorrer da pesquisa. No gráfico 2 estão representados os valores (em médias) da evolução das forças de mordida na área de pré-molares das próteses parciais sobre implantes comparados com a evolução das forças de mordida dos dentes naturais nos quatro tempos de avaliação: 16 Gráfico 2: valores médios da evolução da força de mordida em N, na região de PM das PPFSI e dentes naturais, durante o transcorrer da pesquisa. No gráfico 3 estão representados os valores (em médias) da evolução das forças de mordida na área de incisivos das próteses parciais sobre implantes comparados com a evolução das forças de mordida dos dentes naturais nos quatro tempos de avaliação: Gráfico 3: valores médios da evolução da força de mordida em N, na região de I das PPFSI e dentes naturais, durante o transcorrer da pesquisa. 17 O autor concluiu que a máxima força de mordida em pacientes tratados com PPFSI permaneceu constante nas regiões de dentes naturais antagonizando com dentes naturais. Na região de M a máxima força de mordida nas PPFSI aumentou no período de 3 meses, tornando-se maior quando comparado com as mesmas regiões com dentes naturais e permaneceu sem mudanças significativas durante o restante do período analisado. Na região de dentes anteriores, onde a PPFSI foi instalada, a máxima força de mordida não aumentou no período analisado, permanecendo menor quando comparada aos dentes naturais na mesma região. 2.2 ABSORÇÃO DA CARGA OCLUSAL PELA ESTRUTURA ÓSSEA Cowin e Hegedus (1976) apresentaram um diagrama esquemático de modelo para reabsorção óssea. O autor considerou que no osso existem três componentes básicos: células ósseas, fluido extracelular e matriz óssea. A porosidade da matriz óssea é mudada pela adição ou remoção de massa através de reação química mediada pelas células ósseas, sendo que as taxas destas reações dependem da tensão. A porosidade da matriz óssea é afetada pela história de tensões no osso a longo prazo. O autor comprova sua teoria de que remodelamento ósseo em nível celular é controlado pelo ambiente mecânico criado pela tensão, desde que o meio apresente condições próprias para desenvolvimento de organismos vivos. Concluiuse através deste modelo que a quantidade de tensão na superfície óssea está diretamente relacionada à quantidade de força aplicada sobre ela. Adell et al. (1981) afirmaram que a osseointegração implica uma conexão firme, direta e duradoura entre o osso vital e os implantes de titânio. A osseointegração só pode ser alcançada e mantida por uma técnica de instalação cirúrgica suave, um longo tempo de cicatrização e uma distribuição adequada de tensão quando em funcionamento. Durante um período de 15 anos, 2768 implantes foram instalados. A técnica cirúrgica e protética foi desenvolvida e avaliada por um período piloto de cinco anos. Durante a cicatrização e o primeiro ano após a conexão da prótese, o valor médio para perda de osso marginal foi de 1,5 mm. Após, apenas 0,1 mm foi perdido anualmente. Lundeen e Laurell (1984) descreveram um método para medir magnitude, duração e freqüência de forças oclusais em várias partes da dentição simultaneamente. O método foi baseado no uso de transdutores de medida de força 18 instalados no interior de coroas, próteses parciais fixas ou próteses removíveis. Cada transdutor foi colocado de maneira a captar o centro da força oclusal antagonista. Apesar de o estudo estar limitado à captação apenas de forças axiais, os autores justificam que a predominância das forças durante as funções mastigatórias são axiais, da mesma forma, quando a morfologia oclusal da prótese é caracterizada por liberdade em cêntrica e pequena inclinação cuspídea. A ação das forças musculares inicia um processo biomecânico de carga. No entanto, existem muitos fatores que alteram a magnitude e a qualidade das forças impostas aos implantes e tecido ósseo adjacente. O grupo de fatores mais freqüentemente omitidos é a localização da aplicação de cargas no arco dental, porque as forças impostas pela musculatura são aproximadamente quatro vezes maiores na porção posterior do que na anterior da boca. Adell et al. (1986) relataram experimento científico onde observaram as reações dos tecidos marginais adjacentes ao implante. Estas reações foram investigadas e padronizadas por métodos clínicos e radiográficos. O osso tornou-se gradualmente mais radiopaco em torno dos implantes, indicando sucessiva remodelação relacionada à carga. Concluiu-se que as reações do tecido gengival marginal não foram significantes para determinar uma periodontite progressiva. O prognóstico para implantes osseointegrados mostrou-se excelente, sendo que os exames radiológicos qualitativos e quantitativos do osso periimplantar proporcionaram uma compreensão de eventos longitudinais nos implantes osseointegrados. Clelland et al. (1993) estudou por meio de análise de fotoelasticidade a tensão em pilares angulados usados em sistemas de implantes. Implantes 3.8 x 10.0 mm de titânio foram usados neste experimento. Pilares cimentados de 0º, 15º e 20º de angulação e 7 mm de comprimento foram usados. Cinco implantes foram inseridos num bloco de resina fotoelástica de 50 x 70 x 13 mm. A osseointegração completa foi representada através da resina polimerizada diretamente sobre os implantes. Os blocos foram montados em armações de metal com angulações predeterminadas de 0º, 15º ou 20º assim, a carga foi aplicada no longo eixo do pilar. Um dinamômetro foi usado para aplicar a carga de 178 N no topo de cada pilar. A força compressiva quase dobrou no lado do dispositivo oposto à carga aplicada, ao passo que a angulação mudou de 0º para 20º. Diferenças significativas nas três angulações para força compressiva e diferenças significativas entre 0º, 15º ou 20º 19 para força de tração foram encontradas. A maior diferença na força de tração foi encontrada ente 0º e 15º, não sendo significativa entre 15º e 20º. Embora tenha havido um aumento significante na tensão enquanto a angulação do suporte aumentou, todos os três ângulos de suporte produziram tensões que apareceram dentro da zona considerada fisiológica para osso. Papavasiliou et al. (1996) realizaram um estudo utilizando análise do MEF 3D para avaliar a distribuição das tensões na cortical óssea ao redor dos implantes. Foram criados cinco modelos nos quais foram executadas cargas axiais com 20 N e/ou 200 N e direção oblíqua com 12º fora do longo eixo. Conforme a classificação de Lekholm e Zarb, dois tipos de mandíbulas foram modeladas para este estudo: tipo A3 caracterizada por pequena reabsorção da crista residual e possuidora de bom prognóstico na cirurgia convencional de implantes; tipo C3 caracterizada por ter reabsorção avançada da crista residual, onde está presente somente osso basal, tendo um prognóstico duvidosa para cirurgia convencional de implantes. No primeiro grupo, um implante foi colocado no modelo de simulação mandibular A3; no segundo grupo de modelos, um implante semelhante foi colocado no modelo C3. Os modelos foram seccionados no sentido vestíbulolingual e especificados pontos em quatro alturas ao longo da interface osso/implante escolhidos por conveniência para comparar as variáveis nos modelos. Os pontos foram a crista óssea cortical (1), a junção entre a cortical e medular óssea (2), o meio caminho entre a junção da cortical com a medular óssea e o ápice (3) e o ápice (4). No modelo mandibular A3, houve pequena concentração de tensões tanto para cargas axiais como oblíquas. Alta tensão ficou concentrada a nível de cortical óssea vestibular do implante e compressão na lingual. Mínima tensão aconteceu no terço inferior do implante. Para 200 N de carga axial, o aparecimento de pequenas tensões foi exatamente o mesmo. A tensão média em cada altura foi comparada entre os modelos para cargas axiais e oblíquas. Cargas oblíquas produziram 18 vezes mais tensões do que a carga axial no primeiro e segundo níveis e seis vezes mais para o terceiro e quarto níveis. Para o modelo mandibular C3, os valores de tensão foram semelhantes ao modelo A3. Cargas oblíquas produziram maior tensão na cortical óssea. A máxima tensão encontrada foi 16 MPa, sendo que a média de tensão foi 2 MPa para cargas axiais. Porém, 200 N não produzem tensão maior do que 60 MPa (limite elástico do osso) sob as mesmas condições. O limite de força da cortical óssea humana varia de 72 a 76 MPa em tensão e de 140MPa a 170 MPa em compressão. Os autores 20 concluíram que a elevada tensão ficou concentrada na cortical óssea, sendo que as tensões sob cargas oblíquas foram aproximadamente dez vezes maiores do que cargas axiais. Barbier e Schepers (1997) realizaram experimento em cães a fim de avaliar as condições de carregamento axial e não axial de implantes. Para tanto, cada cão recebeu uma prótese convencional num lado mandibular e, no outro lado, uma prótese com cantiléver. As cargas incidiram no longo eixo da prótese convencional, e no cantiléver permitiram-se somente contatos oclusais na extensão mesial. O comprimento do cantiléver foi de 1/3 do comprimento total da prótese. O monitoramento durou sete semanas. Ao final foi observado que a diminuição na altura do osso marginal foi significantemente mais acentuada na prótese com cantiléver. A remodelação óssea induzida por cantiléver foi guiada por grande número de osteoblastos e tecido osteóide. Osteoclastos foram envolvidos esporadicamente na destruição do osso. O osso trabecular em contato com a superfície do implante aumentou sua densidade. Em alguns casos as lacunas entre duas trabéculas pré-existentes foram completamente preenchidas. Os autores observaram que após sete semanas de carregamento houve um processo de remodelação óssea que aumentou a média de contato osso/implante de 20% para 50% a 60%. Junto à borda marginal não houve diferenças significantes entre carregamento axial e não axial, em quantia de tecido ósseo e atividade de remodelação. O carregamento não axial induziu a uma resposta celular mais alta, com ancoragem trabecular mais forte. Contudo, carga não axial deve ser evitada sempre que possível, pois há envolvimento de atividade osteoclástica e presença de células inflamatórias na região óssea adjacente ao implante. Rangert, Sullivan e Jemt (1997) numa revisão bibliográfica avaliaram que as razões primárias para perda de dentes naturais podem ser uma maneira efetiva de entender a condição oclusal do paciente. A magnitude da força durante a mastigação e atividades parafuncionais, cada uma tem seu impacto proporcional na carga do implante; se essas forças são maiores que o normal, o implante estará sujeito a uma carga correspondente maior. Acrescentado aos efeitos do número de implantes, recomenda-se observar a extensão do cantiléver mesial ou distal, a extensão vestíbulo ou línguo-oclusal em relação à posição do implante e altura excessiva do complexo coroa-pilar, se forças laterais estiverem presentes. Se um contato forte em um implante é permitido durante movimentos excursivos da 21 mandíbula, esta magnitude pode aumentar e ultrapassar o limite de carga do implante. Seguem enumerados os fatores de controle de risco para implantes em pacientes parcialmente edêntulos em segmento posterior: 1. Fatores de carga geométricos: · Número de implantes menor do que valor de apoio; · Menos do que três implantes; · Implantes conectados a dente natural; · Implantes em linha; · Extensão do cantiléver; · Plano oclusal perpendicular ao longo eixo do implante; · Altura excessiva do complexo coroa-pilar; 2. Fatores de carga oclusal: · Dentes fraturados como resultado de fatores oclusais; · História de bruxismo; · Prótese sobre implante contatando em movimentos excursivos; 3. Capacidade de suporte osso-implante: · Dependência primária de boa estabilidade inicial em osso recentemente formado; · Capacidade de carga do implante; 4. Fatores de risco tecnológicos: · Precisão; · Retenção do parafuso; · Cimentação Se a estabilidade mecânica inicial de um implante em osso cortical é menor do que o desejado, deve haver uma neoformação óssea para o suporte funcional, aumentando o tempo de cicatrização do implante e após protegendo-o de uma carga 22 total até que se promova resistência para suportar esta situação (RANGERT, SULLIVAN, JEMT, 1997) (Figura 16). Figura 1: Aspecto do osso adjacente ao implante nas fases de inserção, cicatrização e carregamento. Fonte:Rangert, Sullivan e Jemt (1997). Hoshaw, Brunski e Cochran (1994) aplicaram força de tração em implantes em cães e observaram que um modelo de osso trabecular delicado tornou-se osso trabecular denso ao redor do implante. Uma vez que a densidade do osso é diretamente relacionada à sua modulação de força e elasticidade, a força do osso cortical e diferenças biomecânicas entre titânio e osso podem melhorar em relação à carga funcional. Em outras palavras, as tensões aplicadas ao osso periimplante podem ser grandes o suficiente para causar reabsorção óssea durante o primeiro ano, desde que as forças ósseas sejam maiores na crista. Mas a tensão aplicada abaixo da cortical óssea é de menor magnitude e pode corresponder à força fisiológica, a qual permite que o osso ganhe densidade e força. Como resultado, a carga oclusal que causa perda óssea inicial (sobrecarga) não é grande o suficiente para causar continuada perda óssea, uma vez que o osso se torna maduro e mais denso. Misch e Bidez (1999) complementaram este estudo testando compressão na direção vertical em mandíbulas humanas. Os testes foram realizados em uma taxa de tensão constante com e sem a presença da cortical óssea. Este estudo indicou que o osso trabecular na mandíbula humana possui densidade significativamente 23 mais alta, maior módulo de elasticidade e força compressiva final maior na região anterior do que na região média e posterior. A ausência de corticais diminui o módulo de elasticidade do osso. A tensão aplicada abaixo da cortical óssea é de menor magnitude e pode corresponder à força fisiológica, a qual permite ao osso ganhar densidade e força. Então, a carga oclusal que causa a perda óssea inicial (sobrecarga) não é grande o suficiente para causar continuada perda óssea, uma vez que o osso se torna maduro e mais denso. Essas descobertas confirmam quantitativamente a necessidade de consciência clínica em alterar os planos de tratamento de implante e ou desenho em relação à densidade óssea e a presença de lâminas corticais. Richter (1998) mediu momentos de flexão em pacientes com implantes M usando um dispositivo especial em miniatura entre as oclusais de dentes antagonistas. Os momentos de flexão laterais são produzidos por forças excêntricas verticais paralelas ao longo eixo implante/prótese. O comprimento da prótese variou de 9 a 13 mm com três ou quatro elementos. Na análise dos dados foram avaliados: (1) força máxima; (2) menor força máxima; (3) menor índice de carga. Foi examinada a mastigação de quatro tipos de alimentos: confeito borrachóide, pedaços de salsicha, cenouras e biscoitos. Noutro teste feito para quantificar a distribuição de carga entre implante e dente, cargas verticais de 5 N e 10 N foram aplicadas no longo eixo dental. Os implantes ocupavam posição de M e a prótese foi fixada ao PM2. Todos os pacientes tinham uma dentição maxilar natural ou restaurações maxilares fixas dentossuportadas, exceto um que tinha PPR. A mastigação do confeito borrachóide foi associada com os momentos de maior flexão, entretanto o tipo de alimento não teve influência no nível de carga em particular. A mordida em oclusão cêntrica causou baixo momento de flexão, de aproximadamente 140 Nmm para a vestibular e lingual. Para forças acima de 10 N e para um implante, somente cerca de 22% da carga foi dirigida ao implante, contudo, a ancoragem periodontal do dente resistiu a 78% da carga. O resultado mais importante deste estudo foi que cargas mastigatórias na direção transversal causaram os maiores momentos de flexão no implante e no osso circundante. Estes foram quatro a cinco vezes maiores que momentos de flexão em uma direção mesiodistal. Taylor, Belser e Mericske-stern (2000) pesquisaram a respeito das considerações protéticas sobre implantes, e afirmaram que, sob condições de carga, a interface mais sensível ao cisalhamento, entre o colarinho e a primeira rosca do 24 implante, pode sobrecarregar o osso. A primeira rosca do implante é onde o tipo de força muda de um cisalhamento primário para carga de compressão ou tração. Em muitas situações, o aumento de 35 a 65% na força do osso através das mudanças de carga de cisalhamento para carga compressiva é suficiente para parar o processo de perda óssea. Isto diz respeito aos implantes projetados com colarinho plano de 2 mm ou 4 mm acima da primeira rosca. Ambos perdem osso até este limite da primeira rosca. Dessa forma, os autores concluíram que o osso é mais forte sob forças compressivas, 30% mais fraco sob força de tração e 65% mais fraco em relação às forças de cisalhamento; portanto, o osso pode aderir ao colarinho plano na altura cortical do implante a partir da sua inserção até o final do período sem carga. Miyata et al. realizaram uma seqüência de experimentos in vivo publicados em 1998, 2000 e 2002, com a intenção de apontar outros possíveis fatores de falhas em implantes, além da sobrecarga oclusal. O primeiro experimento avaliou a influência de sobrecarga oclusal em implantes utilizando cinco macacos nos quais sobrecargas com nenhuma inflamação no tecido periimplante foram detectadas. Dois implantes foram colocados em cada animal. Após três meses de osseointegração, superestruturas foram instaladas com altura excessiva de 100 µm e uma força oclusal traumática foi desencadeada. Este procedimento foi realizado sob condições de boa higiene oral. A força excessiva sobre os implantes perdurou por uma a quatro semanas. Os resultados mostraram que os implantes continuaram integrados ao osso, e todos aqueles que receberam força oclusal excessiva mostraram ausência de perda óssea significativa. O experimento não produziu efeitos reabsortivos possivelmente por dois motivos: (1) a altura de aproximadamente 100 µm pode ser dentro dos limites de tolerância fisiológica e (2) o implante pode ser mantido essencialmente por osso cortical e pode mais efetivamente absorver a pressão oclusal. Isto indica que a tensão oclusal de longa duração pode estimular a circulação sangüínea, que é um fator de osseoindução. Em 2000, o teste estendeu-s e d o PM2 a t é o M1. A cronologia para a experiência foi a seguinte: na 26ª semana foram extraídos os dentes; na 14ª semana foram colocados dois implantes em cada macaco, e aguardados três meses para que osseointegrassem; na 2ª semana foram colocados os cicatrizadores; na semana de número 0 foram instaladas as próteses com carga oclusal experimental ajustadas de acordo com estudo prévio, apresentando altura oclusal de 100 µm, 180 µm ou 25 250 µm de excesso, respectivamente, e medidas com um dispositivo para análise de imagens. De acordo com o cronograma, cada macaco foi tema de trauma oclusal por quatro semanas. Exames clínicos dos tecidos periimplantares ou periodontais ao redor dos implantes e dentes adjacentes foram feitos quando a prótese foi instalada e novamente no término do período de oclusão traumática. O exame clínico incluiu exploração de profundidade de bolsa (PPD), sondagem de profundidade de sulco periiimplantar (PPSD), sangramento a sondagem (BOP) e mobilidade dentária e dos implantes (MO). Quando o período de experimento se completou, não houve resposta inflamatória, assim como vermelhidão ou edema em qualquer um dos animais. Não houve variação no modelo de 100 µm de excesso em altura. De qualquer modo, os modelos com excesso de altura de 180 µm e 250 µm mostraram uma tendência a desenvolver grande profundidade no exame da PPSD comparado às condições de carregamento pré-oclusal. Em 2002, Miyata et al. extraíram os mesmos dentes de macacos, seguindo a mesma metodologia, porém a prótese foi ajustada com altura oclusal excessiva de 250 µm, e o experimento continuou por oito semanas. Três modelos foram criados: (1) uma prótese com altura oclusal excessiva foi usada por oito semanas sem qualquer escovação (controle positivo, modelo P); (2) após as primeiras quatro semanas com a prótese em altura oclusal excessiva e sem escovação a prótese foi removida e não usada pelas últimas quatro semanas enquanto a escovação foi dirigida (modelo experimental, E); (3) por oito semanas uma prótese com altura oclusal apropriada foi usada com escovação (controle negativo, modelo N). Os resultados macroscópicos demonstraram nenhuma mobilidade em qualquer dos implantes ou tecido periimplante edemaciado. Sangramento no sulco periimplantar e vermelhidão foram observados no modelo P, mas não nos modelos E ou N. No modelo N, achados histopatológicos revelaram contato entre osso e implantes. O tecido epitelial e os implantes estiveram em contato entre si. Apenas infiltração por células inflamatórias foi observada no tecido conjuntivo. No modelo P a reabsorção óssea atingiu aproximadamente a terceira rosca apical do corpo do implante. Infiltração inflamatória intensa foi observada no tecido conjuntivo, mas a intensidade pareceu menor do que no modelo N. Tanto quanto no modelo P, o contato entre implantes e tecido epitelial foi parcialmente dilacerado. Similarmente ao modelo P, o modelo E não demonstrou aposição ou remodelamento nas superfícies ósseas. Deste modo, o autor concluiu que, uma vez que a periimplantite tenha progredido, o 26 controle da oclusão e da inflamação não é suficiente para promover o mecanismo de cura. Numa análise fotoelástica da distribuição das tensões em implantes paralelos e angulados, Ueda et al. (2004) produziram dois blocos de resina fotoelástica onde foram instalados 3 implantes nas posições correspondentes ao PM1, PM2 e M1. Num dos blocos foram instalados 3 implantes paralelos entre si (modelo P). Noutro bloco (modelo A) o implante que corresponde ao PM2 inferior teve seu ângulo mudado para 30º de inclinação mésio-distal. As próteses foram sujeitas a cargas de 2 kg, 5 kg e 10 Kg. Na aplicação de 2 kg o modelo P teve baixa intensidade de tensão com maior concentração na região apical. No modelo A a intensidade da tensão gerada foi maior nos implantes situados nas extremidades. Na aplicação de 5 kg, a tensão aumentou nos dois modelos. No modelo com implantes paralelos as tensões ficaram concentradas no implante do meio somente no centro da aplicação da carga. No modelo com implante angulado, mais alta tensão ficou concentrada nos implantes paralelos laterais. A região apical dos implantes teve maior concentração de tensão quando 10 kg de carga foi aplicada. No modelo P a concentração de tensão foi maior no implante central e no modelo A esta concentração foi maior nos implantes laterais. Os autores concluíram que em implantes paralelos há melhor distribuição e maior uniformidade de cargas entre eles com maior concentração na região apical. O implante angulado apresentou menor concentração de tensões, sendo que estas foram transferidas aos implantes paralelos laterais. Betiol, Kiausinis e Sendyk (2005) estudaram através de análise de MEF 2D o comportamento biomecânico de uma PPF posterior de quatro elementos, usando como pilares o PM1 inferior e um implante osseointegrado na região do M2 inferior. Entre os pilares estavam dois pônticos. Sobre a prótese foi aplicada uma carga vertical de 175 N. O estudo encontrou grande concentração de tensões na região cérvico-mesial do implante, no conector entre os dois pônticos e no conector entre o pôntico e o retentor sobre o implante. Na região dos parafusos de ouro e titânio foram encontradas tensões similares àquelas onde foram aplicadas as cargas oclusais. A região óssea que apresentou maior concentração de tensões foi aquela próxima da crista óssea mesial do implante, onde se localiza o osso cortical, sendo que, deste ponto em direção apical, estes níveis de tensão diminuem. A região da 27 crista óssea distal do dente natural apresentou tensões menores quando comparados aos da crista óssea mesial do implante. Misch (2005), por meio de revisão de literatura, fez uma correlação entre trauma oclusal de perda óssea peri-implantar. O autor afirma que trauma oclusal pode ser definido como uma injúria ao aparato de fixação protética resultante de força oclusal excessiva. A remodelação óssea do nível celular é controlada pelo ambiente de tensão, a qual é definida como uma mudança na altura dividida pela altura original sendo determinada em percentual. A sobrecarga oclusal aplicada numa prótese implantossuportada e em seus componentes pode transmitir forças à interface dente/implante. A quantidade de tensão óssea na interface é diretamente proporcional à quantidade de carga aplicada pela prótese sobre o implante. Lima (2006) realizou um estudo prospectivo através de subtração radiográfica digital, verificando os parâmetros periodontais de um dente pilar e peri-implantares de um implante unidos numa prótese parcial fixa com um pôntico. Neste estudo foi verificado índice gengival, índice de sangramento, profundidade de sondagem e perda de inserção óssea em 12 pacientes acompanhados por 12 meses, sendo que as avaliações foram realizadas no momento da inserção dos implantes, aos 6 e aos 12 meses. As regiões de interesse para este estudo foram o ombro do implante, a primeira rosca do implante, a crista óssea e o dente pilar. O autor não encontrou alterações nos parâmetros periodontais do dente pilar bem como alterações periimplantares no implante após 12 meses de acompanhamento. 2.3 AJUSTE OCLUSAL PARA DIMINUIÇÃO DA CARGA Kregzde (1993) formulou um método para selecionar o melhor desenho da prótese sobre implantes. A representação da real dentição do paciente foi feita através de MEF 3D. As próteses foram colocadas nos quadrantes mandibulares posteriores e fixadas por parafuso a dois implantes e a um canino metalocerâmico com um encaixe semi-rígido. Após um ano uma radiografia mostrou alguma reabsorção da crista óssea ao redor do implante distal. A análise do MEF 3D foi aplicada para determinar os valores de tensão resultantes nos implantes para diferentes desenhos de prótese. Dez diferentes desenhos para mandíbula foram avaliados. A estrutura analisada consistiu de mandíbula, maxila, dentes naturais, implantes e uma prótese. As Figuras de 1 a 9 confirmam que a magnitude do vetor 28 da força oclusal não muda significantemente para desenhos de prótese diferentes mastigando o mesmo alimento. Mastigação de comida mais macia (175 N/mm) resultou em grande diferença na opção 1, com um conector não rígido ao canino e na opção 2 com conexão rígida ao canino (ponto de solda). A força axial no implante mais distal (implante 1) mudou de + 30.7 N de tensão na opção 1 para -30.2 N de compressão para a opção 2. A força axial no implante mesial (implante 2) resultou numa mudança grande de -209.5 N no modelo 1 para -117.0 N para o modelo 2. A opção 4 incorporou um implante adicional distal ao canino natural de 3 mm ficando a distribuição das tensões comparada à opção 1. Esta análise indica a importância do desenho adequado da prótese para promover sua longevidade e estabilidade. O objetivo selecionado é obter mínima tensão compressiva no osso de suporte. O autor confirma a facilidade do manuseio sugerindo a aquisição do software para análise de elemento finito e seu uso como rotina para selecionar a melhor opção de desenho de prótese para cada caso. Figura 1: o fim do cantilever é deslocado menos de 0, 10 mm. Figura 2: prótese unida ao pilar canino natural com conexão rígida ou prótese unida ao pilar canino natural com conexão semi-rígida. Figura 3: um terceiro implante foi adicionado distalmente ao canino. Figura 4: a prótese é suportada em cada extremidade e não entre os implantes. 29 Figura 5: quatro implantes rigidamente conectados. Figura 7: quatro implantes rigidamente conectados. Figura 6: semelhante à figura 5, mas a prótese é dividida em duas partes unidas rigidamente. Figura 8: semelhante à figura 7, m a s a prótese é dividida em duas partes e cada parte é conectada rigidamente. Figura 9: semelhante à figura oito só que com dois implantes conectados rigidamente e dois implantes independentes. Fonte: Kregzde (1993) 30 Weinberg (1993), por meio de revisão de literatura, analisou a biomecânica de distribuição de forças em próteses implantossuportadas e a considerou qualitativamente diferente daquela observada em dentes naturais. Os momentos de força podem ser reduzidos, nos implantes, pela relação oclusal de cúspide com fossa e/ou diminuindo-se a inclinação das vertentes oclusais. Ao contrário do que ocorre na dentição natural, a esplintagem de retentores de próteses parciais fixas sobre implantes não favorece a distribuição das forças, pois, devido à osseointegração, a carga tende a concentrar-se na área de sua aplicação. Porém, a deformação elástica dos parafusos de retenção do pilar intermediário da prótese permite alguma distribuição de carga oclusal aos implantes adjacentes no caso de próteses múltiplas. Uma verdadeira relação cúspide-fossa deveria ser criada em oclusão cêntrica, não havendo contato oclusal no lado de trabalho ou de balanceio quando possível. Ainda segundo Weinberg (1993), a inclinação do implante influencia nas forças resultantes. Implantes maxilares posteriores geralmente são inclinados para a palatina devido à anatomia óssea (Figura 10 A). Quando o implante é severamente inclinado (Figura 10 B) as forças resultantes da aplicação da carga oclusal aumentam no sentido apical devido à maior distância entre o implante e a força aplicada, aumentando o torque na crista do rebordo. A B Figura 10A e 10B: O=área de impacto oclusal ;F=linha de força resultante; x,y,z=aumento da distância da linha de força à crista do rebordo; X, Y, Z=torque aumenta ao passo que a crista do rebordo é localizada mais apicalmente. Fonte: Weinberg (1993) 31 Kaukinem (1996) pesquisou a influência do desenho da superfície oclusal no sucesso longitudinal do tratamento envolvendo implantes. Seu estudo utilizou segmento de costela bovina, onde um implante Branemark de 3.75 x 10 mm foi instalado bicorticalmente. Dois medidores de resistência foram cimentados à superfície do osso. A mesa oclusal da prótese de teste foi desenhada para acomodar o desenho oclusal experimental numa posição precisa para permitir variabilidades. Forças axiais verticais quantificadas foram aplicadas com uma máquina de teste universal Instron. As forças aplicadas estavam intimamente correlacionadas com a média de força mastigatória humana. O estudo utilizou um método de quantificar forças verticais sobre os alimentos através de cúspides com 33º e 0 º de inclinação, simulando próteses implantossuportadas. Os dados analisados foram os seguintes: (1) forças requeridas para provocar a trituração inicial do alimento; (2) máximas forças de trituração aplicadas antes do término do ciclo; (3) tensão máxima registrada através das medidas de tensão ao nível do osso. As forças trituradoras iniciais para o grupo sem cúspide foram 50% menores do que na espécie com cúspide. Não foram encontradas diferenças significativas entre forças trituradoras máximas e tensão máxima. O resultado deste estudo indicou que a configuração oclusal e a angulação das cúspides em PPFSI desempenham um papel importante na transmissão das forças e na tensão no osso. O autor sugeriu que a redução da inclinação das cúspides seria benéfica na manutenção e preservação da osseointegração Noutra revisão de literatura, Weinberg (1998) apresenta sua opinião e raciocínio que localiza e caracteriza como o impacto nas superfícies dos dentes afeta a resultante da distribuição de forças nas próteses, implantes e osso de suporte, e, assim, influencia o sucesso e as falhas. O autor propõe de maneira clínica e executável a modificação da anatomia oclusal cêntrica auxiliando a redução das forças laterais utilizando procedimentos de ajuste clínico e laboratorial como um meio de redução de cargas oclusais. Os métodos para redução do torque são os seguintes: 32 a) Redução da inclinação das cúspides: Com a redução da inclinação das cúspides (CI2), a linha de força resultante (F2) tende a se aproximar mais do implante e do osso do que quando há uma inclinação maior das cúspides (Cl1-F1) (Figura 11). Figura 11: Inclinação de cúspide e força resultante. Fonte: Weinberg (1998) b) Modificação da localização das cúspides Se os implantes maxilares posteriores estão muito deslocados para a palatina (não importando a inclinação das cúspides), a linha de força resultante passa a uma grande distância (D) do implante e do suporte ósseo (d, Figura 12A). O torque pode ser reduzido nos implantes maxilares pelo uso de próteses com oclusão cruzada, que diminui a distância (D1) da linha de força resultante do implante e do suporte ósseo (Figura 12B). No entanto, a oclusão cruzada pode reverter a situação e aumentar o torque no implante mandibular (ou dente) pelo aumento da distância (D2) da linha de força resultante do implante, e, assim, aumentar o torque (Figura 12B). Isso pode ser prevenido pela redução da inclinação das cúspides linguais inferiores (Figura 12C) antes de o arco maxilar ser restaurado. Assim, as distâncias (D, d) entre a linha de força resultante, os implantes e o suporte ósseo são reduzidas em ambos os arcos (Figura 12D). 33 A B C D Figura 12 A: Implante maxilar deslocado para palatina; Figura 12 B: Uso e oclusão cruzada; Figura 12C: Redução da inclinação das cúspides; Figura 12 D: Distancias entre linha de força resultante, implante e suporte ósseo reduzidas. Fonte: Weinberg (1998) c) Modificação da anatomia dental anterior Em reabilitações anteriores, o autor defende uma modificação da anatomia anterior. O exemplo da resultante Figura 13A ilustra que quando há sobrepasse vertical anterior, a linha de força passa a uma distância exagerada (D) do implante e do suporte ósseo, produzindo um torque considerável. A superfície palatina das próteses maxilares pode ser modificada para produzir uma parada horizontal na lingual para o incisivo inferior (Figura 13B). A linha de força resultante (F) tende a se aproximar do implante e do suporte ósseo produzindo menos torque (d, Figura 13B). Esse desenho ajuda prevenir perda de implantes. Sugere-se que essa anatomia seja incorporada às restaurações provisórias sempre que possível para facilitar a adaptação e fala do paciente. 34 A B Figura 13 A: Sobrepasse vertical anterior; Figura 13 B: Parada horizontal na superfície palatina do incisivo superior. Fonte: Weinberg (1998) d) Modificação da anatomia oclusal posterior A anatomia oclusal posterior também é passível de alterações para redução do torque. A hipótese de que dos componentes vestibular (F1) e lingual (F2) (gerada pela inclinação das superfícies das cúspides) provém uma linha de força resultante vertical (RF, Figura 13 C) é biomecanicamente favorável. A RC tem demonstrado variar muito em um período de tempo, podendo variar também conforme o método de registro utilizado e as variações das condições musculares. Como resultado, a menor variação fisiológica na posição resultará em um só ponto de contato na inclinação, produzindo uma linha de força lateral (F, Figura 13 D) C D Figura 13 C: Ajuste oclusal executado em cêntrica promove uma linha de força resultante vertical; Figura 13 D: Variações na posição resultam em um ponto de contato na inclinação produzindo força lateral. Fonte: Weinberg (1998). Na opinião do autor, para ser mais compatível com as variações fisiológicas, uma modificação na anatomia oclusal deveria ser usada para produzir uma 35 verdadeira fossa horizontal mais do que linhas anguladas ou sulcos. As linhas oclusais anguladas e os sulcos devem, então, ser reformulados para conter 1,5mm na fossa horizontal (Figura 14 A). A Figura 14 B ilustra uma visão vestíbulo-oclusal da fossa modificada num M inferior que substitui o padrão dos sulcos. A fossa é reduzida a um padrão de sulcos como o que existe nas superfícies linguais e vestibulares para prevenir falta de estética e pontas agudas. A anatomia oclusal dos M superiores é modificada de forma similar, eliminando arestas, que ocluem na área da fossa central mantendo uma fossa horizontal constante cruzando totalmente a superfície oclusal. Esta anatomia oclusal é imediatamente anulada se as cúspides antagonistas não forem estreitas. Quando se estreitam as cúspides dentro da fossa central plana, uma verdadeira área de impacto cúspide/fossa é produzida, o que é compatível com as variações fisiológicas. Isso efetivamente produz linhas verticais de força dentro de uma área de contato em OC (Figura 14 C e14 D). A B C D Figura 14 A: Fossa horizontal compatível com as variações fisiológicas; Figura 14 B: Vista oclusal de fossa horizontal de molar inferior; Figura 14 C: Vista oclusal de fossa horizontal de molar superior; Figura 14 D: Área de impacto cúspide/fossa produz linhas verticais de força em oclusão cêntrica. Fonte: Weinberg (1998). Rosenstiel, Land e Fujimoto (2005) afirmaram que as restaurações implanto suportadas devem ser projetadas de modo a minimizar as forças negativas que agem na interface osso/implante, com atenção particular à oclusão. Podem ser 36 executadas mesas oclusais reduzidas e cúspides com inclinações menos íngremes na coroa sobre os implantes, criando forças resultantes mais verticais (Figura 15). Figura 15: Redução da mesa oclusal e da inclinação das cúspides. Fonte: Rosenstiel, Land e Fujimoto (2005) 37 3 CONCLUSÕES Pode-se concluir com a presente revisão de literatura que: - existe diferença de sensibilidade tátil e sensação dolorosa entre dentes e implantes, o que precisa ser mais bem estudado, pois os resultados das pesquisas ainda mostram controvérsias devido às variantes existentes nas pesquisas in vivo. - é extremamente importante para o sucesso do tratamento uma correta avaliação das cargas aplicadas sobre os implantes, sendo possível através de modificações no desenho oclusal, na localização e na inclinação das cúspides do trabalho reabilitador melhorar a distribuição destas cargas. - a resposta do tecido ósseo é diretamente proporcional frente à aplicação de cargas oclusais, sendo que cargas controladas podem propiciar uma remodelação óssea favorável, aumentando a qualidade do suporte ósseo dos implantes. 38 REFERÊNCIAS ADELL, R. et al. A 15-years study of osseointegrated implants in the treatment of the edentulous jaw. 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