Angela Maria Oliari
A INTERVENÇÃO DO SERVIÇO SOCIAL JUNTO AOS CURSOS DE
CAPACITAÇÃO PROFISSIONAL DO CENTRO SOCIAL MARISTA SANTA
MARTA: UMA PERSPECTIVA DE INSERÇÃO DOS USUÁRIOS NO MERCADO
FORMAL DE TRABALHO
SANTA MARIA, RS
2008
Angela Maria Oliari
A INTERVENÇÃO DO SERVIÇO SOCIAL JUNTO AOS CURSOS DE
CAPACITAÇÃO PROFISSIONAL DO CENTRO SOCIAL MARISTA SANTA
MARTA: UMA PERSPECTIVA DE INSERÇÃO DOS USUÁRIOS NO MERCADO
FORMAL DE TRABALHO
Trabalho Final de Graduação apresentado ao Curso de Serviço Social – Área das Ciências
Sociais Humanas, do Centro Universitário Franciscano, como requisito parcial para obtenção
do Grau de Assistente Social – Bacharel em Serviço Social.
Orientadora: Rosilaine Coradini Guilherme
Santa Maria, RS
2008
Angela Maria Oliari
A INTERVENÇÃO DO SERVIÇO SOCIAL JUNTO AOS CURSOS DE
CAPACITAÇÃO PROFISSIONAL DO CENTRO SOCIAL MARISTA SANTA
MARTA: UMA PERSPECTIVA DE INSERÇÃO DOS USUÁRIOS NO MERCADO
FORMAL DE TRABALHO
Trabalho Final de Graduação apresentado ao Curso de Serviço Social – Área das Ciências
Sociais Humanas, do Centro Universitário Franciscano, como requisito parcial para obtenção
do Grau de Assistente Social – Bacharel em Serviço Social.
______________________________________________
Rosilaine Coradini Guilherme - Orientadora (UNIFRA)
______________________________________________
Nildete Terezinha de Oliveira (UNIFRA)
______________________________________________
Ana Monteiro Costa (UNIFRA)
Aprovado em 11 de dezembro de 2008.
APRENDI
Aprendi que, por pior que seja um problema ou uma situação, sempre existe uma
saída... Aprendi que é bobagem fugir das dificuldades. Mais cedo ou mais tarde, será preciso
tirar as pedras do caminho para conseguir avançar...
Aprendi que perdemos tempo nos preocupando com fatos que, muitas vezes, existem
na nossa mente...
Aprendi que é necessário um dia de chuva para dar valor ao Sol. Mas, se ficarmos
expostos muito tempo, o sol queima...
Aprendi que heróis não são aqueles que realizaram obras notáveis, mas os que
fizeram o que foi necessário e assumiram as conseqüências dos seus atos...
Aprendi que não vale a pena se tornar indiferente ao mundo e as pessoas. Vale menos
a pena, ainda, fazer coisas para conquistar migalhas de atenção...
Aprendi que não importa em quantos pedaços meu coração já foi partido. O mundo
nunca parou para que eu pudesse consertá-lo...
Aprendi que, ao invés de ficar esperando alguém me trazer flores, é melhor plantar
um jardim... Aprendi que amar não significa transferir aos outros a responsabilidade de me
fazerem feliz. Cabe a mim a tarefa de apostar nos meus talentos e realizar os meus sonhos...
Aprendi que, o que faz diferença não é o que tenho na vida, mas QUEM eu tenho e
que boa família são os amigos que escolhi... Aprendi que as pessoas mais queridas podem, às
vezes, me ferir. E talvez, não me amem tanto quanto eu gostaria, o que não significa que não
me amem muito. Talvez seja o Maximo que conseguem e isso é o mais importante...
Aprendi que toda a mudança inicia um ciclo de construção, se você não se esquecer
de deixar a porta aberta...
Aprendi que o tempo é muito precioso e não volta atrás. Por isso não vale a pena
resgatar o passado. O que vale a pena é construir o futuro. O meu futuro está por vir.
Também aprendi que devemos abrir os braços e vencer o medo de tentar partir atrás dos
sonhos. A vida tem valor e você tem valor diante da vida...
Devemos sempre correr atrás da felicidade e nunca ficar cansado de não encontrála... Porque ela existe, mesmo que seja por alguns momentos...
(Autor desconhecido)
AGRADECIMENTOS
Agradeço primeiramente a DEUS e a Santa Rita de Cássia pela força, pela coragem,
pela capacidade de aprender e entender a vida e pela confiança nos momentos de fraqueza,
de medos e de obstáculos.
Aos meus pais Arlindo Oliari e Neusa Maria Moretti Oliari pela vida, pela educação,
pelo carinho, pela fé, mesmo eles não entendendo ao certo, o que é Serviço Social, o apoio
durante os quatro anos não teve fim.
Agradeço ao meu namorado Fabrício pelo amor, pela motivação quando tudo parecia
dar errado, pela compreensão que teve quando deixamos de ficar juntos em decorrência das
provas, dos trabalhos, do estágio e da construção do Trabalho Final de Graduação.
Aos meus irmãos Paulo, Vitélio e Luis Evandro, as minhas cunhadas (o) Jaqueline,
Elaine, Denise, Cris e Júnior e aos sobrinhos (as) Igor, Michaela, Milena Oliari, Leonardo e
Milena, pessoas essenciais que de alguma forma incentivaram a minha escolha profissional.
Agradeço a minha sogra Almira e ao meu sogro José pelas orações e apoio. Aos
meus familiares não citarei nomes para não esquecer de nenhum, mas tenho certeza que eles
sabem de quem estou falando, obrigada pelas palavras de carinho e motivação.
Aos meus amigos de perto, de longe que carrego com muito carinho em meu coração.
Aos professores pelos quatro anos de convivência, de paciência, pelo conhecimento e
compreensão pela falta de atenção nas aulas decorrentes do sono e das “dormidinhas”, em
função do trabalho noturno na fábrica.
As colegas de Curso, pela amizade construída, pelo coleguismo, pelo carinhoso
apelido de Xuxa que marcou nosso convívio acadêmico e que vai deixar saudades.
Ao supervisor de campo André e a supervisora acadêmica e orientadora Rosilaine
pelo aprendizado, pela relação teoria-prática e pela contribuição para a formação
acadêmica.
Agradeço a Escola e Centro Social Marista Santa Marta pela oportunidade de
realizar meu estágio curricular, um espaço rico em experiências e vivências de comunidade.
E claro, não posso deixar de agradecer aos usuários dos Cursos de Capacitação
Profissional, pela participação e pelo excelente trabalho que realizamos juntos, pelo
reconhecimento e pelo vínculo de carinho que criamos. Meus eternos agradecimentos a vocês
todos que contribuíram para me tornar uma profissional competente e dinâmica.
EPÍGRAFE
“Aos que me acompanharam no dia - a - dia, às vezes de perto, às vezes à distância, e
souberam, com seu carinho e aconchego, dar-me forças e energias, compreendendo as
minhas ausências”.
Elenaldo Celso Teixeira
RESUMO
O Trabalho Final de Graduação que ora se apresenta foi construído a partir da experiência de
estágio curricular obrigatório, que se desenvolveu junto aos Cursos de Capacitação
Profissional do Centro Social Marista Santa Marta, na Comunidade Nova Santa Marta, na
região oeste de Santa Maria/RS. Como objetivo, visa o debate a respeito das alternativas de
inclusão social por meio de Cursos de Capacitação Profissional. Parte-se do pressuposto que
estes Cursos podem ser uma porta de acesso para o enfrentamento e à inserção dos usuários
no mercado formal de trabalho. Deste modo, discorre acerca da categoria trabalho,
enfatizando o impacto das transformações econômicas e sociais ocorridas no âmbito laboral.
Entende-se que a intervenção do Assistente Social junto aos Cursos se torna de extrema
relevância, tendo em vista romper com projetos sociais que tratam os problemas dos sujeitos
de maneira individualizada, separada, contrapondo-se à perspectiva universal e coletiva
almejada pela profissão.
Palavras-Chave: Trabalho. Serviço Social. Capacitação Profissional
ABSTRACT
The Final Work of Graduation that however if presents was constructed from the experience
of obligator curricular period of training that if developed next to the Courses of Professional
Qualification of the Social Center Marista Saint Marta, in the New Community Saint Marta in
the region west of Saint Maria/RS. This Work has as objective to awake the debate regarding
the alternatives of social inclusion by means of Courses of Professional Qualification. It has
been broken of the estimated one that these Courses can be a door of access for the
confrontation and the insertion of the users in the formal market of work. In this way, the
present Work discourses concerning the category work, emphasizing the impact of occured
the economic and social transformations in the labor scope. It is understood that the
intervention of the Social Assistant next to the Courses becomes of extreme relevance, in
view of breaching with social projects that deal with the problems the way citizens
individualiza, separate, opposing universal and collective perspective it longed for by the
profession.
Keywords: Work. Social Service. Professional Qualificatio
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO ..........................................................................................................................8
1 O IMPACTO DAS TRANSFORMAÇÕES ECONÔMICAS E SOCIAIS NO
ÂMBITO DO TRABALHO.......................................................................................................9
1.1 BREVE RESGATE HISTÓRICO SOBRE AS TRANSFORMAÇÕES NO ÂMBITO
10
DO TRABALHO..........................................................................................................................
1.2 CONSEQÜÊNCIAS E REPERCUSSÕES DA GLOBALIZAÇÃO NO ÂMBITO
12
DO TRABALHO..........................................................................................................................
1.3 A CATEGORIA TRABALHO FRENTE À EXCLUSÃO E INCLUSÃO SOCIAL............
16
2 O SERVIÇO SOCIAL JUNTO AOS CURSOS DE CAPACITAÇÃO
19
PROFISSIONAL DO CENTRO SOCIAL MARISTA SANTA MARTA ............................
20
2.1 A SISTEMATIZAÇÃO DO ESTÁGIO.................................................................................
20
2.1.1 Instituição campo de estágio ...............................................................................................
24
2.1.2 A inserção do serviço social na instituição..........................................................................
24
2.1.3 A intervenção profissional do assistente social na instituição.............................................
26
2.2 O PROJETO DE INTERVENÇÃO .......................................................................................
29
2.2.1 A implementação do projeto de intervenção e o reconhecimento dos usuários..................
3 A IMPORTÂNCIA DA CAPACITAÇÃO PROFISSIONAL A PARTIR DO
31
CAMPO DE ESTÁGIO .............................................................................................................
3.1 A CONTRIBUIÇÃO DO SERVIÇO SOCIAL PARA A INCLUSÃO DOS
32
USUÁRIOS NO MERCADO FORMAL DE TRABALHO........................................................
37
3.1.1 A intervenção do serviço social junto aos cursos de capacitação profissional....................
3.2
O
PERFIL
DOS
USUÁRIOS
DOS
CURSOS
DE
CAPACITAÇÃO
PROFISSIONAL E A REALIDADE DA COMUNIDADE NOVA SANTA MARTA .....
46
CONSIDERAÇÕES FINAIS.............................................................................................
47
APÊNDICE A - Ficha Cadastral / Social – Perfil socioeconômico dos usuários ...............
50
APÊNDICE B - Ficha de avaliação (ao término de cada curso) ......................................... 52
ANEXO A – Fotos dos Cursos de Capacitação Profissional...............................................
53
8
INTRODUÇÃO
O presente Trabalho Final de Graduação tem como objetivo despertar o debate a
respeito das alternativas de inclusão social, por meio de Cursos de Capacitação Profissional
desenvolvidos no Centro Social Marista Santa Marta, na Comunidade Nova Santa Marta, na
região oeste de Santa Maria/ RS. Acredita-se que esses Cursos de Capacitação Profissional
podem ser uma porta de acesso para o enfrentamento e à inserção dos usuários no mercado
formal de trabalho, uma vez que buscam nos Cursos embasamentos que possam romper com a
exclusão social e econômica vivenciadas.
Neste sentido, o presente estudo discorre acerca da categoria trabalho, enfatizando o
impacto das transformações econômicas e sociais ocorridas no âmbito laboral. Além disso,
elucida os feitos e efeitos repercutidos nos sujeitos que estão à mercê do processo de exclusão
predominante no meio social contemporâneo. Destaca-se a relevância das políticas públicas
para a inclusão social, através de investimentos em Capacitação Profissional para o trabalho.
Para o desenvolvimento das reflexões acerca da temática escolhida, dividiu-se o
presente Trabalho Final de Graduação em três seções. Na primeira, discorre-se sobre a
categoria trabalho, frisando e desvelando o impacto das transformações econômicas e sociais
ocorridas neste âmbito.
Na segunda seção, aborda-se a inserção do Serviço Social junto aos Cursos de
Capacitação Profissional do Centro Social Marista Santa Marta, localizado na Região oeste de
Santa Maria / RS.
Na terceira seção, enfoca-se a importância da Capacitação Profissional, a partir do
campo de estágio, e de que forma está sendo colocada em prática nos Cursos desenvolvidos
neste espaço. Esta seção também aborda o perfil dos usuários dos Cursos de Capacitação
Profissional, e a realidade socioeconômica da Comunidade Nova Santa Marta, demonstrando,
por meio de gráficos, os dados oriundos do formulário inicial aplicado com os usuários.
Foram entrevistados no período de março a setembro de 2008, setenta e cinco sujeitos.
Por fim, são retomadas algumas inferências desenvolvidas ao longo do trabalho.
9
1 O IMPACTO DAS TRANSFORMAÇÕES ECONÔMICAS E SOCIAIS NO ÂMBITO
DO TRABALHO
A primeira seção tem por objetivo discorrer acerca da categoria trabalho, frisando e
desvelando o impacto das transformações econômicas e sociais ocorridas neste âmbito. Para
tanto, pretende-se abranger desde o fordismo até a contemporaneidade, com o processo da
acumulação flexível. Este desenvolvimento da seção tornou-se instigante, pois, conforme
surgiam questões, mais investigativo se tornava o processo. A abrangência e o entrosamento
frente às obras consultadas foram de suma importância para o desdobramento das
interpretações e questionamentos ocorridos durante a desenvoltura da temática.
Deste modo, a seção encontra-se dividida em três subitem, com vistas aos eixos
norteadores previstos para se obter uma melhor compreensão desta temática que se mostra
sugestiva para o desenvolvimento do Trabalho Final de Graduação.
O primeiro subitem traz em suma um breve resgate histórico sobre as transformações
no âmbito do trabalho, enfatizando a influência do modelo Taylorista e do Fordismo até a
conjuntura atual, com o processo de acumulação flexível. Fazendo referência aos processos
desenvolvidos na sociedade ao longo desses anos, demonstrando as repercussões na vida dos
sujeitos, mediante as mudanças decorrentes.
O segundo subitem discorre acerca das conseqüências e repercussões da globalização
no
âmbito
do
trabalho,
apontando
como
ocorreu
este
processo
no
mercado.
Concomitantemente, enfatiza quais os aspectos positivos e negativos desencadeados ao longo
do processo de globalização e como a sociedade se vê influenciada pelo capitalismo
excludente e dominante.
O terceiro subitem discorre sobre a categoria trabalho frente à exclusão e à inclusão
social, seus conceitos e divergências. Elucida, ainda, os feitos e efeitos repercutidos nos
sujeitos que estão à mercê do processo de exclusão predominante em nosso meio social.
Diante disto, é importante frisar a importância das políticas públicas para a inclusão social,
através de investimentos em capacitação profissional para o trabalho.
10
1.1 BREVE RESGATE HISTÓRICO SOBRE AS TRANSFORMAÇÕES NO ÂMBITO DO
TRABALHO
No intuito de entender as transformações no âmbito do trabalho, torna-se necessário
contextualizá-la desde a influência do Taylorismo e do Fordismo, datada no ano de 1914, até
a atualidade, diante do processo de globalização. No ano de 1914, Henry Ford introduziu em
suas fábricas uma jornada de trabalho de oito horas e cinco dólares para os trabalhadores da
linha mecânica de montagem, repercutindo em uma maior abertura de frentes de trabalho,
obtendo mais lucros e ocorrendo, por conseguinte, um aumento significativo nos salários dos
trabalhadores. O fordismo, para Behring e Boschetti (2007), além de uma mudança técnica,
com a introdução da linha de montagem e da eletricidade, foi também uma forma de
regulação das relações sociais, em condições políticas determinadas.
O modelo taylorista e fordista se constituíram em um padrão produtivo capitalista,
desenvolvido ao longo do século XX, fundamentando-se, basicamente, na produção em
massa, em unidades produtivas concentradas e verticalizadas, com um controle rígido dos
tempos e dos movimentos desenvolvidos por um proletariado coletivo e de massa, sob forte
despotismo fabril. Este modelo implicou numa produção homogênea, com ritmo controlado,
em que os trabalhadores eram submetidos a usar sua força de trabalho, sendo tratados como
máquinas, num verdadeiro processo mecanicista.
Evidenciado cenário se desenvolveu até os anos 70, quando ocorreu a crise estrutural
do sistema produtivo. Tal situação teve algumas conseqüências, destacando-se a
desvalorização crescente da hora do trabalho na fábrica como a principal. Segundo Cocco
(2001), o sonho do capital nos anos 70 era exatamente o de ter uma fábrica sem operários; os
salários reais começaram a não crescer mais no mesmo ritmo e, sobretudo, a reverter os
ponderáveis processos de convergência e redução das desigualdades produzidas pelas
ofensivas operárias. Diante deste contexto, Antunes (2000) infere que, de maneira sintética,
há uma processualidade contraditória, isto é, de um lado, reduz o operariado industrial e
fabril; de outro, aumenta o subproletariado, o trabalho precário e o assalariado no setor de
serviços.
Em decorrência dos pressupostos do taylorismo e o fordismo, acreditou-se que era
preciso implementar novos mecanismos e formas de acumulação, tendo em vista elaborar uma
resposta à rigidez do modelo. Diante disto, o esgotamento do fordismo convergiu à idéia de se
garantir uma acumulação mais flexível. A transição do fordismo para a acumulação flexível,
datada no período de 1965 a 1973, é entendida a partir do movimento mais flexível do capital
11
que acentua o novo, o fugaz e o contingente da vida moderna, divergindo dos valores mais
sólidos do fordismo, dando mais autonomia ao sistema bancário e financeiro. A acumulação
flexível, vista como uma forma de capitalismo, procura o capital financeiro como poder
coordenador mais do que era executado pelo fordismo. O individualismo e a competitividade
se encaixam como condição necessária da transição do fordismo para a acumulação flexível.
A acumulação flexível se apóia na flexibilidade dos processos de trabalho, dos
mercados de trabalho, dos produtos e padrões de consumo, sendo caracterizada pelo
surgimento de setores de produção inteiramente novos, novas maneiras de
fornecimento de serviços financeiros, novos mercados, e, sobretudo taxas altamente
intensificadas de inovação comercial, tecnológica e organizacional (HARVEY,
1998, p. 140).
Neste contexto, torna-se importante ressaltar que nem todos os países inseridos na
economia mundial se encontram no mesmo patamar de desenvolvimento, acentuando as
desigualdades sociais geradas pelo processo de globalização. Ao longo do século XX, a
globalização do capital foi conduzindo à globalização da informação, dos padrões culturais e de
consumo. No que se refere ao tema, o autor Ianni diz que:
A globalização do capitalismo reaviva a controvérsia mercado ou planejamento ao
nível dos setores produtivos, das economias nacionais, dos blocos regionais e,
obviamente, da economia mundial como um todo, trata-se de favorecer a
dinamização dos fatores da produção, criar as condições da competitividade,
multiplicar as iniciativas empresariais, oferecer quantidades e diversidades
crescentes de mercadorias, incentivar o consumo. Tudo isso envolve
necessariamente a adoção de novas e renovadas técnicas produtivas e de trabalho,
assim como o marketing, além da mudança de mentalidade de empresários, técnicos,
assalariados e consumidores (1997, p. 150-51).
A globalização é, portanto, um conjunto de mudanças que estão ocorrendo na esfera
econômica, financeira, comercial, social e cultural, implicando uniformização global de
padrões econômicos e culturais. É entendida como um processo em movimento, uma nova
fase do capitalismo, comandado pelas grandes empresas multinacionais, que procuram abrir
novos mercados, novos investimentos, um maior capital de giro.
Quando se trata de globalização, no atual cenário sócio-político e econômico, não se
pode deixar de contextualizar suas conseqüências e repercussões no âmbito do trabalho,
principalmente, com relação à população pobre.
12
1.2 CONSEQÜÊNCIAS E REPERCUSSÕES DA GLOBALIZAÇÃO NO ÂMBITO DO
TRABALHO
Com o processo de globalização, o mercado de trabalho, por exemplo, passou por uma
radical reestruturação, marcado por uma revolução tecnológica e organizacional na produção.
Segundo Antunes (2000), o mais brutal resultado dessas transformações é a expansão, sem
precedentes na era moderna, do desemprego estrutural que atinge o mundo em escala global.
Entende-se por desemprego estrutural aquele originado pela inadequação da
estrutura econômica que opera sem utilizar plenamente a força de trabalho
disponível. Este fenômeno surge, na maior parte das vezes, do baixo e prolongado
dinamismo econômico, da rápida mudança na base técnica, dos baixos graus de
escolaridade, da desregularização do mercado de trabalho, das transformações
ocorridas na economia.
O desemprego estrutural implica uma atitude defensiva e ainda mais
corporativa dos trabalhadores formais e um intenso processo de
desorganização política de resistência operária e popular, “quebrando a
espinha dorsal” dos trabalhadores, que segundo a assertiva neoliberal,
estavam com excesso de poder e privilégios, na forma dos direitos sociais
(BEHRING; BOSCHETTI, 2007, p.124).
Inserido neste debate, Silva (2006) infere que a transformação estrutural que
deslanchou a chamada reestruturação produtiva do capital teve forte incremento após as
vitórias do neoliberalismo de Margareth Thatcher, na Inglaterra, e Ronald Reagan, nos
Estados Unidos, quando um novo desenho ideo-político se apresentou.
Neste contexto de múltiplas transformações e crescente heterogeneidade no âmbito do
trabalho, na sociedade e na vida de cada cidadão, apresenta-se um dramático cenário: o
aumento do empobrecimento, baixos salários, desempregos, entre outros. Este cenário pode ser
elucidado pelos dados da Fundação Getúlio Vargas1, em pesquisa realizada em 2006,
demonstrando que 19,31% da população brasileira é considerada miserável, caracterizada pela
situação de renda mensal per capita inferior a R$ 125,00. Tal fenômeno indica a ocorrência de
novas configurações no âmbito do trabalho, necessitando um aprofundamento sobre o tema.
Devido a esta realidade, é necessário discutir as políticas públicas de inserção do
mercado de trabalho, tendo em vista o dramático cenário de desemprego que, a partir da
1
FONTE: Disponível em: [email protected]. Acesso em: 20 Set. 2008.
13
década de 90, tem atingido de forma assustadora a população pobre, pois esta se apresenta
mais vulnerável diante da sociedade contemporânea.
O Plano Nacional de Formação Profissional - PLANFOR tem-se orientado pelas
diretrizes de política social do governo federal e do Sistema Público de Trabalho e Renda SPTR.
Segundo o Relatório de Avaliação gerencial de 1999, publicado pelo Ministério do
Trabalho em 2000, o PLANFOR mobilizou uma população de 2,6 milhões de
pessoas em 1999; desde 1995, quando foi iniciada a implementação do Plano, até o
referido ano, foram 8,3 milhões de pessoas. No ano de 1999 foram investidos cerca
de R$ 356 milhões do FAT que, somados a outras fontes (Estados e parceiros),
perfaz um investimento total de R$ 457,2 milhões (SALES; MATOS; LEAL,
2008, p.138).
A meta principal do programa é ofertar educação profissional permanente para
qualificar ou requalificar, a cada ano, pelo menos 20% da População Economicamente Ativa
(PEA); ou seja, 15 milhões de trabalhadores ao ano. Nessa perspectiva, o Plano caracteriza-se
como uma política pública de emprego e renda, e, por conseguinte, uma política pública de
trabalho. Segundo Mota:
As políticas voltadas para a formação e qualificação profissional, somente a partir de
1994, com a criação do Plano Nacional de Formação Profissional (Planfor), passam
a se constituir um programa público de educação e formação para o trabalho. Conta
com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e da União e desenvolve
ações coordenadas pela Secretaria de Desenvolvimento e Formação Profissional
(Sefor), vinculada ao Ministério do Trabalho. Trata-se do principal programa social
de intervenção do Estado dos anos 90 (2000, p.179).
No cenário atual, o avanço da pobreza amplia o número de pessoas sem acesso ao
mercado formal de trabalho, criando uma grande concentração de renda para alguns setores,
deixando outros desempregados e excluídos. Outro fator que contribui para o crescimento de
desemprego e para esta realidade no âmbito do trabalho é o próprio desenvolvimento
econômico e tecnológico, ou seja, as empresas modernas investem cada vez mais em
equipamentos de última geração, em sua grande maioria comandada por computadores. A
robótica esta cada vez mais presente em diversos setores do mercado, fazendo com que a
tecnologia e a exigência das empresas ofereçam inúmeras possibilidades a um grupo
selecionado e reduzido de pessoas, enquanto milhões vivem em condições subumanas,
havendo por parte do empregador escolhas, preferências e seleção de acordo com a demanda.
Segundo Silva:
14
A difusão do conceito de empregabilidade, empreendedorismo e outros do gênero,
vendem aos trabalhadores a ilusão de que hoje o importante é trabalhar, e não ter um
emprego, pois esse emprego estaria em extinção. Assim, cria-se a imagem de que a
inserção no mercado de trabalho depende tão-somente das “competências e
habilidades” que o trabalhador disponha para realizar tal tarefa. Mascaram-se, dessa
forma, as relações macrossociais que envolvem, no capitalismo, a estruturação do
trabalho, fazendo com que a informalidade passe a apresentar-se como natural,
quando, na verdade, hoje ela adquire uma função estratégica no processo de
acumulação do capital (2006, p. 158).
Num contexto social marcado pelo aumento do desemprego, torna-se cada vez mais
difícil a obtenção do trabalho formal e, por conseqüência, do acesso à cidadania. Frente a esta
realidade, faz-se necessária uma intervenção voltada ao conhecimento, à informação, bem
como para a viabilização dos direitos dos usuários, visando combater a iniqüidade social.
Segundo Nascimento, “a palavra exclusão é normalmente utilizada para indicar as novas
formas da iniqüidade social. Nos anos 70, era apreendida através do termo desigualdade; nos
anos 80, a percepção se modifica e a palavra predominante é pobreza. Nos anos 90, a palavra
que melhor parece denominar a forma da iniqüidade social é exclusão” (1994, p. 40).
Modificaram-se os termos, mas pode-se perceber que, desde o processo de
globalização ocorrido nos anos 70, as desigualdades sempre estiveram à frente da sociedade, e
isso não é diferente quanto se traz em debate as dificuldades vivenciadas no mercado de
trabalho formal.
Sobre este tema o autor Carlos Nelson dos Reis, diz que:
[...] Como conseqüência da perda do emprego formal os trabalhadores passaram a
ser excluídos da sociedade, das relações e dos direitos. Portanto, definir o termo
exclusão social torna-se uma tarefa das mais complexas, são várias questões
interligadas, pois o excluído no período atual, não é somente aquele que vive em
condições de pobreza, a exclusão social, independentemente da época e/ou local,
pode ser entendida como a soma da exclusão econômica com a exclusão política
(2001, p. 254- 56).
Este contexto demonstra que as mudanças no mercado de trabalho ganham expressão,
pois a partir do aumento significativo das taxas de desemprego, da “falta” de qualificação, da
grande concentração no mercado informal, o sujeito esta à mercê desse somatório da exclusão
social que envolve o processo econômico e político, e aumentando a pobreza, as
desigualdades e a “falta” de oportunidades.
15
[...] O entendimento é de que o enfrentamento da pobreza requer articulação das
políticas sociais com a política econômica para redistribuição de renda, geração de
emprego com elevação da renda do trabalho, serviços sociais básicos
universalizados, portanto, ações globais articuladas, contínuas, suficientes e
focalizadas nos mais pobres, entendendo-se pobreza não só como insuficiência de
renda para manter a sobrevivência biológica, mas como a falta de oportunidades de
acesso à riqueza e aos bens socialmente produzidos e capazes de manter a vida da
população (SILVA, 2001, p. 13).
Na sociedade atual, onde se fala muito em “sobrantes” e “excluídos”, não existe
espaço para os trabalhadores do “velho” mundo do trabalho, ou seja, para aquelas profissões
onde o homem e sua força de trabalho eram os eixos principais. Essas atividades vêm sendo
substituídas pelas máquinas e pelas novas tecnologias, aumentando a produtividade das
empresas, através da rapidez dos equipamentos modernos e diminuindo a mão-de-obra, pois
muitos profissionais são vistos como não capacitados para trabalhar em determinados setores.
Segundo Reis e Dornelles, “a exclusão do mercado de trabalho tem transformado o cotidiano
dos trabalhadores que se encontravam estavelmente empregados, forçando-os a procurar outra
atividade no setor informal” (2001, p. 262).
Entende-se por trabalho formal o setor que emprega trabalhadores com registro, com
carteira assinada, feito de acordo com as legislações trabalhistas. Já o trabalho informal é o
que não prevê aos sujeitos garantias das leis trabalhistas, em que o trabalhador, de forma
autônoma, desempenha suas atividades laborais. Atualmente, há uma redução do trabalho
formal e, conseqüentemente, um aumento do trabalho informal e precarizado, ou seja,
trabalhos parciais, temporários, subcontratados, terceirizados. Muitas vezes, um trabalho de
exploração, com baixas remunerações e com aumento da jornada laboral. Diante deste
contexto, Pochmann, refere-se:
À expansão das ocupações nos segmentos não organizados, que
compreende formas de ocupações mais heterogêneas, de características
não capitalistas, ainda que incluída de forma dependente e subordinada à
dinâmica capitalista. Assim, enquadra nessa categoria algumas
ocupações, tais como: as empresas familiares, os trabalhadores por conta
própria, pequenos prestadores de serviços e serviço doméstico (trabalho
em domicílio, trabalho por peça, vendedores ambulantes, biscateiros,
cuidadores de carros, engraxates) (1999, p.66).
Uma das alternativas que parece auxiliar para uma mudança da posição de excluído
para incluído é a qualificação, uma vez que pode garantir um mínimo de mudança e novas
oportunidades, como, “ter acesso ao pensar”, ao criticar e ao observar a realidade (REIS,
2001, p. 273).
16
Segundo Demo, no capitalismo, o processo de inclusão social passa pelo mercado,
tornando-se cada vez mais problemático na globalização competitiva; soa o alarme mais alto,
a ponto de se imaginar nova questão social. A inclusão social só pode adquirir profundidade a
peso da cidadania envolvida, se tivermos um mínimo de percepção dialética da história do
capitalismo (1998, p. 34).
Para que se obtenha uma melhor compreensão do processo de exclusão e de inclusão
no mercado de trabalho formal e na sociedade, é de suma importância entender o contexto
político, econômico e social em que vivem os sujeitos. Compreende-se que é a partir do
entendimento do contexto social mais amplo que a pobreza e a exclusão social vão desvelarse, pois a miserabilidade é extensa e as condições de sobrevivência da maioria da população
são precárias.
1.3 A CATEGORIA TRABALHO FRENTE À EXCLUSÃO E INCLUSÃO SOCIAL
Pode-se dizer que a exclusão social assume proporções gigantescas, sendo interpretada
por alguns autores como Elimar Nascimento(1998), como a nova questão social. Todavia, fica
a interrogação, será que é realmente a nova questão social, ou a mesma de outras décadas
passadas (desigualdades, pobreza), com nova roupagem, ou seja, mascarada, mas que surte os
mesmos efeitos de uma categoria voltada ao capitalismo que explora e exclui?
Inserida neste debate, Iamamoto define por questão social, “o conjunto das expressões
das desigualdades da sociedade capitalista madura que tem uma raiz comum: a produção
social é cada vez mais coletiva, o trabalho torna-se mais amplamente social, enquanto a
apropriação dos seus frutos mantém-se privada, monopolizada por uma parte da sociedade”
(2006, p.27).
A segunda metade do século XX foi marcada por rápidas e profundas transformações
demográficas e ocupacionais em todo o Brasil. De um lado, houve o abandono da
concentração populacional nas atividades agrárias e das moradias no meio rural para as
ocupações urbano-industriais, com forte ênfase nos empregos assalariados. Por conta disso, os
sinais importantes de progresso no âmbito econômico foram acompanhados globalmente por
resultados significativos na esfera social.
O processo de industrialização resultou na expansão das cidades, tornando-se a base
populacional das iniciativas de direitos consagrados pelas políticas sociais regulatorias da
cidadania. No que se refere ao meio urbano da população, que está sob as condições de
17
trabalho assalariado, diversas políticas sociais e trabalhistas foram asseguradas aos
empregados.
Como exemplo da consolidação dessas políticas, o autor Pochmann faz referência à
importante lei assegurada ao empregado:
[...] A consolidação das Leis do Trabalho (CLT) tornou-se o principal estatuto legal
de garantias contra os riscos do trabalho aos formalmente empregados, protegendoos do rebaixamento salarial (salário mínimo), do desemprego (estabilidade no
emprego) e da perda de renda em casos de invalidez e velhice (pensões e
aposentadoria). No final dos anos 70, por exemplo, 6 a cada 10 ocupados eram
assalariados, enquanto nos anos 30 somente 1 a cada 10 era assalariado (2005, p.
60).
Esta perspectiva legal que prevê garantias contratuais para os empregados remete ao
importante debate acerca da inclusão no mercado de trabalho e na sociedade. Entende-se a
inclusão social como um processo pelo qual a sociedade se adapta para poder incluir em seus
sistemas. “A inclusão social constitui, então, um processo bilateral no qual as pessoas, ainda
excluídas e a sociedade buscam, em parceria, equacionar problemas, decidir sobre soluções e
efetivar a equiparação de oportunidades para todos” (SASSAKI, 2002, p. 41).
Para um melhor entendimento sobre o assunto é necessário saber qual o papel
desempenhado pelo Ministério do Trabalho, no que se refere ao apoio dado ao empregado. As
autoras Bento e Castelar definem da seguinte forma:
O Ministério do Trabalho atualmente no Brasil está mudando sua agenda. Nasceu e
se estruturou no Estado Novo, enraizado no populismo excludente. A tarefa do
mesmo hoje é atuar na formatação de um novo modelo de desenvolvimento
econômico-social no Brasil, promovendo uma política pública de trabalho e renda
inclusiva e não reforçadora de desigualdades. Para o Ministério do trabalho, é
fundamental apoiar as ações de toda a sociedade e participar delas, para promover o
trabalho digno de homens e mulheres, independentemente de sua etnia e outras
características pessoais e sociais (2001, p. 48-9).
Sabe-se que um dos componentes da exclusão é a falta de acesso à qualificação
profissional. Não quer dizer que a qualificação, por si só, resolva o problema do desemprego,
entretanto, acredita-se ser fundamental em qualquer política pública que pretenda romper o
círculo vicioso da pobreza e da exclusão.
A exclusão social atinge tanto as periferias, como os grandes centros urbanos. Nas
comunidades periféricas, é dita como natural; e nos centros urbanos, ocorre de forma
discriminatória a grupos particulares (homossexuais e negros, por exemplo), mas, em
qualquer um desses locais, muitas vezes, os direitos são negados e as portas do mercado de
18
trabalho encontram-se fechadas. Segundo Sposati, “a exclusão social é a impossibilidade de
poder partilhar, o que leva a vivência da privação, da recusa, do abandono e da expulsão,
inclusive com violência, de um conjunto significativo da população. Por isso, é uma exclusão
social e não pessoal” (1999, p. 67).
Nesse sentido, não se pode deixar de mencionar as políticas que vão em direção a
empregabilidade.
[...] Hoje, a grande corrida para “remediar o problema de desemprego” parece que
passa necessariamente pelos cursos de qualificação profissional. Essa política exime
o estado da responsabilidade de formular políticas públicas para criar trabalho.
Exigem não mais o domínio prático do oficio a ser exercido, mas a capacidade
intelectual do trabalhador, principalmente inteligência e criatividade (BENTO;
CASTELAR, 2001, p. 122).
Propiciar o acesso à qualificação profissional ao trabalhador pode significar que o
mesmo tenha seus direitos sociais garantidos, que ele faça parte de uma sociedade inclusiva e
que sua valorização no mercado seja reconhecida e fortalecida com Leis favoráveis e
determinantes para a permanência e inserção nesse cenário de exigências.
Segundo Pochmann:
A inovação nestas políticas públicas envolve um conjunto amplo de ações
direcionadas à inclusão social com distribuição de renda, o que permite a construção
de um espaço voltado especialmente ao apoio, tanto direto com o indireto, à
profusão de novas formas de ocupação e renda, além da participação em atividades
de formação ocupacional e comunitária, entre elas os cursos de empreendedorismo e
cooperativismo, bem como em atividades de utilidade coletiva como compromisso
necessário dos beneficiários dos programas (2002, p. 166).
Pode-se afirmar que as mudanças ocorridas no âmbito do trabalho, muitas vezes, são
paradigmáticas e que precisam ser vistas em relação ao papel do Estado. Acredita-se que,
nesse processo de transformação mundial, o Estado deve repensar as políticas econômicas na
perspectiva da redução das desigualdades de acesso aos bens e serviços. Romper com
políticas que tratam os problemas dos sujeitos de maneira separada, individualizada,
contrapondo-se a perspectiva universal e coletiva parece uma possibilidade de se reduzir o
processo de exclusão vivenciado em nível mundial.
19
2
O
SERVIÇO
SOCIAL
JUNTO
AOS
CURSOS
DE
CAPACITAÇÃO
PROFISSIONAL DO CENTRO SOCIAL MARISTA SANTA MARTA
A presente seção tem por objetivo discorrer acerca da inserção do Serviço Social junto
aos Cursos de Capacitação Profissional do Centro Social Marista Santa Marta, localizado na
Região oeste de Santa Maria / RS. Pretende-se contextualizar a importância do trabalho
desenvolvido pelo profissional Assistente Social neste espaço sócio-ocupacional. O
desenvolvimento desta seção tornou-se de suma relevância para o processo do Trabalho Final
de Graduação II, pois é no decorrer da mesma que será elucidada a relação teoria-prática, bem
como as ações desempenhadas na intervenção do Serviço Social junto à formação desses
cursos.
Deste modo, a seção está dividida em três subitem que publicizarão os conhecimentos
acerca da instituição campo de estágio; das atividades desempenhadas pelo profissional
Assistente Social; dos processos de trabalho e, especialmente, da implementação do Projeto
de Intervenção que integrou a construção do TFG II.
O primeiro subitem aborda, em suma, a sistematização do estágio, enfatizando a
instituição campo de estágio, fundação da Escola e Centro Social Marista Santa Marta, os
projetos desenvolvidos, bem como a inserção do Serviço Social neste campo e a intervenção
do profissional Assistente Social na Instituição.
O segundo subitem discorre acerca do acolhimento da proposta elaborada pela
estagiária, onde a mesma realiza o Projeto de Intervenção intitulado “Capacitação
Profissional: O Serviço Social em busca da inserção dos usuários no mercado de trabalho”,
abordando os objetivos propostos e de que forma o mesmo se realiza.
O terceiro subitem aborda a implementação do projeto de intervenção e o
reconhecimento dos usuários. Além disso, revela os instrumentais técnico-operativos
utilizados e como eles são desenvolvidos nessa etapa. Nota-se que o projeto foi muito bem
aceito pela Instituição, havendo, por parte dos usuários, um amplo reconhecimento, o que se
reafirma na participação e assiduidade dos mesmos nos grupos.
20
2.1 A SISTEMATIZAÇÃO DO ESTÁGIO
2.1.1 Instituição campo de estágio
A Escola Marista de Ensino Fundamental Santa Marta e o Centro Social Marista Santa
Marta localizam-se na região Oeste de Santa Maria / RS. Sobre os aspectos históricos2 da
região, consta que no dia 07/12/1991 ocorreu uma ocupação de terras, organizada pelo
Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM), junto à antiga Fazenda Santa Marta,
por famílias sem moradia. Nos primeiros dias da ocupação, estavam presentes duzentas
famílias.
A comunidade é constituída por aproximadamente 25 mil pessoas que, em sua
maioria, vivem sem condições dignas de moradia, sem alternativas de geração de renda, bem
como falta de rede de saneamento básico, áreas de lazer, postos de saúde que comportem a
demanda local. Além disso, a população, também em sua grande maioria, é constituída de não
alfabetizados e sem renda fixa formal.
Destaca-se que o Programa Social Bolsa Família3 e a coleta de materiais recicláveis
tornam-se importantes fontes de renda para a maioria da população dessa comunidade, que
sobrevivem em situação de extrema miserabilidade.
Inserida neste debate Souza conceitua comunidade como:
[...] Um conjunto de grupos e subgrupos de uma mesma classe social, que têm
interesses e preocupações comuns sobre condições de vivência no espaço de
moradia e que, dadas as suas condições fundamentais de existência, tendem a
ampliar continuamente o âmbito de repercussão dos seus interesses, preocupações e
enfrentamentos comuns (2004, p. 61).
No intuito de integrar as crianças, adolescentes e jovens, sem possibilidade de estudo,
na comunidade, funda-se4 a Escola Marista Santa Marta no dia 09/03/1998. Esta iniciativa é
fruto de uma ação dos Irmãos Maristas, cujo fundador, São Marcelino Champagnat, tinha
como objetivo formar crianças e jovens, tornando-os cristãos e virtuosos cidadãos.
2
Os aspectos históricos aqui utilizados foram extraídos dos registros, disponíveis no Centro Social Marista Santa
Marta.
3
Programa do Governo Federal que beneficia famílias com baixo poder aquisitivo.
4
Dados disponíveis nos registros que se encontram na Escola e no Centro Social Marista Santa Marta.
21
Atualmente, a Escola proporciona educação para 821 alunos, nos turnos da manhã e
tarde, oferecendo desde a Educação Infantil ao 7º ano do Ensino Fundamental.
O Centro Social Marista Santa Marta, por sua vez, foi fundado em outubro de 2001, e
está localizado em prédio anexo a Escola Marista Santa Marta. As duas instituições atendem,
sistematicamente, mais de 520 crianças e adolescentes e, também, suas famílias, em diversos
projetos sociais nas diferentes áreas de atuação.
A instituição encerra um caráter filantrópico educacional e assistencial. Segundo
Freitas (2003), a finalidade da filantropia é desonerar o poder público que tem a obrigação
constitucional de prestar Assistência Social, Educação e Saúde, garantindo os direitos
fundamentais dos cidadãos, assegurados na Constituição Federal de 1988.
A instituição tem como objetivo oferecer, para as centenas de alunos, uma educação
de qualidade, voltada para a emancipação e à autonomia, contando com um quadro funcional
de profissionais competentes e qualificados para entender e agir diante do contexto da
realidade social em que essa população encontra-se inserida.
A Escola Marista Santa Marta conta com o trabalho de dezenas de professores que
atuam nos períodos da manhã e da tarde, atendendo alunos da educação infantil ao 7º ano do
Ensino Fundamental. Conta, ainda, com profissionais da área administrativa, dos serviços
gerais (limpeza, cozinheiros, auxiliares), dentre outros.
No Centro Social Marista Santa Marta, atuam vários educadores sociais, entre estes
Pedagogos, estagiárias da Psicologia e do Serviço Social, professores de Educação Física,
músicos, professores de teatro, capoeira e balé, funcionárias da limpeza. Ao todo, Escola e
Centro Social possuem mais de 100 colaboradores, incluindo contratados e estagiários.
2.1.1.1. Os projetos sociais desenvolvidos no campo de estágio
Objetivos gerais de alguns projetos desenvolvidos no Centro Social:
*PROTEÇÃO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE:
a) PROGRAMA DE ERRADICAÇÃO DO TRABALHO INFANTIL (PETI):
Desenvolvido para possibilitar um espaço de proteção a crianças e adolescentes, com idades
entre 07 a 15 anos, proporcionando condições para seu desenvolvimento educacional, social e
cultural, buscando a erradicação do trabalho infantil.
22
b) PROTEÇÃO EM CENA: Atende crianças de 05 a 09 anos, vítimas de violência
familiar.
c) VIRANDO O JOGO: Voltado para a prática esportiva e às práticas pedagógicas.
Atende crianças e adolescentes entre 10 e 17 anos.
d) PROJETO CULTURA POPULAR (Teatro, Capoeira, Dança): Atende crianças e
adolescentes de 05 a 15 anos, que se encontram em situação de risco social.
e) PROJETO MÚSICA (Coral Vidas em Canto e Coral Canto e Magia): Atende
crianças e adolescentes de 05 a 17 anos, que desenvolvem atividades práticas com
instrumentos musicais e trabalho de voz.
f) PROJETO MÃOS DADAS: Atende crianças que almoçam na Escola. Este projeto
é vinculado ao Programa Fome Zero, ao Serviço Social do Comércio - SESC Brasil e à
cozinha comunitária mantida em parceria com a Prefeitura de Santa Maria.
g) ARTE DE RUA – Expressão da Paz: Trabalho interdisciplinar que promove a
prevenção do uso de drogas, através da valorização da cultura urbana. Atende adolescentes de
12 a 18 anos.
h) CENTRO MARISTA DE INCLUSÃO DIGITAL (CMID): Oportuniza a inclusão
digital e acesso a tecnologias da informação para adolescentes, jovens e adultos da Nova
Santa Marta, proporcionando espaço profissionalizante de formação técnica. Estes são
desenvolvidos pelo Centro Marista de Inclusão Digital – CMID que é vinculado ao Centro
Social Marista Santa Marta, localizado em um prédio quase em frente à escola. O projeto
oferece: Acesso à Internet (Tele centro), com espaços separados de lazer e estudo; Cursos na
área de informática: Sistema Operacional Linux, Metareciclagem, Meta Arte, Eletrônica
Básica, Robótica Livre, dentre outros.
ATENDIMENTO PRIMÁRIO À SAÚDE:
Realizado pelo Programa Mão Amiga do Hospital Dr. Astrogildo de Azevedo –
HCAA de Santa Maria, em parceria com a Escola Marista Santa Marta. O programa oferece
atendimento com profissionais: Dentistas; Enfermeira; Médicos; Psicóloga; Fonoaudióloga;
Recepcionista; Técnica de Enfermagem e Assistente Social (sendo estes profissionais
vinculados ao HCAA).
ATENDIMENTO AS FAMÍLIAS:
Realizado pelo Assistente Social da Instituição, através de:
23
- Plantão Social;
- Trabalho de Grupo com Famílias;
a) PROJETO GERAÇÃO, TRABALHO E RENDA (Grupo de Corte e Costura;
Reciclagem (Associação dos Recicladores Pôr-do-Sol – ARPS): Disponibiliza um espaço de
formação e de trabalho com grupos de Geração, Trabalho e Renda a jovens, adultos e famílias
da comunidade Nova Santa Marta, proporcionando, também, Cursos de Capacitação
Profissional, com vistas à emancipação, autonomia e melhoria da renda familiar.
b) PROJETO DE CAPACITAÇÃO PROFISSIONAL (Corte e Costura, Hotelaria
(culinária) e Serigrafia): Estimular nas famílias o espírito de colaboração, visando o
desenvolvimento integral e social do grupo; oportunizar condições para que a família possa
prover as necessidades básicas; buscar a inclusão social dos grupos no mercado de trabalho e,
através de fomentação ao cooperativismo, a realização de parcerias com empresas e
instituições locais. Todos os projetos citados recebem acompanhamentos do profissional
Assistente Social da Instituição.
Diante das ações elucidadas, acredita-se que, se não houvesse o comprometimento da
Filantropia Institucional, muitos adolescentes, jovens e familiares não teriam acesso aos
projetos desenvolvidos e aos cursos de capacitação profissional, em virtude de um poder
aquisitivo baixo dessa população que possui um alto índice de desemprego.
2.1.2. A inserção do serviço social na instituição
A inserção do Serviço Social na Escola e no Centro Social Marista Santa Marta
ocorreu no ano de 2002, a fim de atender as mais diversas expressões da questão social, entre
elas, destaca-se o enfrentamento da pobreza. Para Silva (2001), a pobreza não é só
insuficiência de renda para manter a sobrevivência biológica, mas a falta de oportunidades, de
acesso à riqueza e aos bens socialmente produzidos capazes de manter a vida das populações.
O Serviço Social, além de proporcionar às famílias um melhor entendimento para desvelar a
realidade local e social em que se encontram, também busca a garantia do acesso dos direitos
aos usuários.
Um dos maiores desafios que o Assistente Social vive no presente é desenvolver sua
capacidade de decifrar a realidade e construir propostas de trabalho criativas e
capazes de preservar e efetivar direitos, a partir de demandas emergentes no
cotidiano. Enfim, ser um profissional propositivo e não só executivo (IAMAMOTO,
2006, p.20).
24
O espaço físico destinado ao Serviço Social para a realização dos trabalhos e projetos
prevê uma área de abrangência ampla e muita bem organizada, havendo uma sala disponível
ao Assistente Social, com infra-estrutura que inclui telefone, computador, mesa, cadeiras,
armários (arquivos) etc., proporcionando conforto aos usuários. O Centro Social encontra-se
em prédio anexo às dependências da Escola, com amplas e criativas salas para atender
crianças e adolescentes dos projetos. O Assistente Social tem sua sala de trabalho no próprio
Centro Social.
2.1.3 A intervenção profissional do assistente social na instituição.
.
A intervenção profissional do Assistente Social na Instituição se constitui em:
avaliação
de
fichas
socioeconômicas;
pareceres
sociais;
visitas
domiciliares;
acompanhamento de famílias referenciadas; plantão social; acompanhamento das crianças
e/ou adolescentes e famílias inseridas no Programa de Erradicação do Trabalho Infantil PETI;
trabalho de grupo operativo com famílias; elaboração, execução, monitoramento e avaliação
dos projetos sociais desenvolvidos pela instituição; relatórios relacionados à filantropia.
É importante destacar as reuniões do Centro de Referência da Assistência Social CRAS5 –oeste, do Núcleo de Assistentes Sociais – NUCRESS, de que o Assistente Social
participa e que incluem também a articulação da rede sócio-assistencial, tendo em vista as
demandas sociais apresentadas no cotidiano profissional.
Ora, o Serviço Social reproduz-se como um trabalho especializado na sociedade por
ser socialmente necessário: produz serviços que atendem às necessidades sociais,
isto é, tem um valor de uso, uma utilidade social. Por outro lado, os Assistentes
sociais também participam, como trabalhadores assalariados, do processo de
produção e/ou de redistribuição da riqueza social. Seu trabalho não resulta apenas
em serviços úteis, mas ele tem efeito na produção ou na redistribuição do valor e da
mais-valia (IAMAMOTO, 2006, p.24).
O Assistente Social utiliza instrumental técnico-operativo que compreende:
acolhimento entrevista, documentação, observação, reunião, visita domiciliar, grupo. Estes
instrumentos são utilizados nos atendimentos e para ter um controle mensal dos
encaminhamentos, bem como para a prestação de contas à instituição. Segundo Martinelli
5
O CRAS compõe a nova política da Assistência Social, sendo que se constitui num espaço que viabiliza e
atende as diversas demandas da região oeste de Santa Maria.
25
(1994), o instrumental é o conjunto articulado de instrumentos e técnicas que permitem a
operacionalização da ação profissional.
A população usuária que procura atendimento junto ao Assistente Social é, em sua
maioria, pessoas com precárias condições de sobrevivência, e de alto índice de risco social;
são pessoas humildes, muitas delas analfabetas e com pouco conhecimento; sem instruções e
com poucas oportunidades.
O Assistente Social atende os usuários no Plantão Social onde se apresentam as mais
diversas expressões. Nota-se que os usuários se sentem seguros diante do profissional, pois
acreditam que algumas de suas demandas serão garantidas. Entende-se, porém, que em
algumas vezes isso não se torna possível, pois há critérios institucionais a serem seguidas, no
que se refere à disponibilização de benefícios sociais aos usuários, como renda per capita e
residirem na região oeste.
(...) Entende-se que o Plantão Social está circunscrito pelas relações entre a
existência de necessidades da população e a ausência das condições para supri-las;
portanto, sua superação não é apenas técnica ou gerencial, mas acima de tudo
política, pois implica uma recondução das formas de compreender os direitos sociais
e implementar as políticas sociais e, nestas, a reorganização dos serviços sociais
(SARMENTO, 1999, p.105).
As demandas que freqüentemente se apresentam ao Serviço Social são solicitações de
auxílio de cestas básicas; auxílio lentes e armações de óculos (geralmente para crianças);
vagas em projetos sociais; encaminhamentos para a confecção de documentos pessoais e para
a rede sócio-assistencial, dentre outros. Muitos chegam aos atendimentos encaminhados pelos
professores da Escola, bem como a partir de contato com outros usuários já beneficiados. O
atendimento está aberto a todos que do Serviço Social precisarem, ou seja, a população das
sete vilas que fazem parte da comunidade Nova Santa Marta (Pôr-do-sol, Núcleo Central,
Alto da Boa Vista, 7 de Dezembro, 10 de Outubro, 18 de Abril, Marista I).
Muitas destas famílias têm filhos inseridos em projetos sociais desenvolvidos pela
Escola e Centro Social, visto compreenderem que além de proporcionar diversas atividades
aos filhos, também suprem a falta de alimentação.
A implementação do Serviço Social Escolar propiciará não só diagnosticar mais
propor resoluções e alternativas a problemática social vivida por muitas crianças e
adolescentes, evitando a evasão escolar, o baixo rendimento escolar e outras causas
decorrentes das desigualdades e carências vividas pelo educando. Trará, de outra
sorte, benefícios para os alunos, sobretudo para aqueles oriundos de famílias com
maiores dificuldades econômicas, possibilitando e orientando aos serviços sociais e
assistenciais, através de programas e encaminhamentos efetuados pelo profissional
(TERRA, 2001, p.25).
26
Entende-se que as pessoas, em especial crianças e adolescentes, só conseguirão
desenvolver algum tipo de atividade ou até mesmo freqüentar a escola se estiverem
alimentadas, aumentando a produtividade escolar, reafirmando, assim, a importância do
trabalho através dos projetos sociais proporcionados pela Instituição à comunidade.
2.2 O PROJETO DE INTERVENÇÃO
O Serviço Social desenvolve, desde o ano de 2002, um trabalho com os Cursos de
Capacitação Profissional, nas áreas de Hotelaria (Culinária), de Corte e Costura e de
Serigrafia. Inicialmente, este trabalho não era aprofundado, pois o profissional Assistente
Social estava presente no início de cada curso, realizava alguns encaminhamentos à rede
sócio-assistencial e acompanhamentos somente quando necessário. Os Cursos encontravam-se
voltados ao trabalho prático, ficando a cargo mais das instrutoras técnicas especializadas nas
referidas áreas. A partir destas constatações, surgiu, por parte da instituição, a necessidade de
um trabalho voltado à formação humana e ao fortalecimento dos sujeitos usuários desses
cursos. Partindo desta necessidade, foi discutido e aprovado o Projeto de Intervenção, sendo
este implementado pela estagiária do Serviço Social, no período de março a dezembro de
2008.
Desta maneira, ressalta-se um fator de suma importância que é a crescente demanda
pelos Cursos de Capacitação Profissional, sendo beneficiados em 2007, 146 usuários. Já a
estimativa de atendimento para 2008 é de 400 usuários. Segundo Pochmann (2002), o enfoque
dos Cursos de formação e capacitação profissional volta-se para o mercado formal de trabalho
e destina-se, por isso, a beneficiários dos programas sociais, cuja precariedade de condições
sociais é decorrente, principalmente, da trágica transformação e evolução do desemprego.
Acredita-se que o trabalho numa relação teoria-prática é de suma importância, pois
além de uma qualificação técnica, é necessário propiciar aos usuários o fortalecimento da
auto-estima, da autonomia, bem como um melhor entendimento às suas demandas e
necessidades básicas.
Nesse raciocínio, temáticas voltadas à inclusão no mercado formal de trabalho, por
exemplo, se fazem necessárias, uma vez que se insere no debate questões que enriquecem o
sujeito, fazendo com que o mesmo se instrumentalize para enfrentar a falta de acesso ao
trabalho formal.
27
O Centro Social Marista Santa Marta, no intuito de reafirmar sua finalidade que é
“promover a inclusão social através do resgate da cidadania, da auto-estima, dignidade e
justiça mediante novos caminhos de educação, de assistência social, de evangelização e
solidariedade”, contribui socialmente com a comunidade local. Para tanto, houve o
acolhimento da proposta de projeto de intervenção elaborada pela estagiária do Curso de
Serviço Social do Centro Universitário Franciscano, envolvendo os níveis II, III e IV do
estágio curricular obrigatório.
O Projeto de Intervenção intitulado “Capacitação Profissional: O Serviço Social em
busca da inserção dos usuários no mercado de trabalho” tenciona fortalecer os Cursos de
Corte e Costura, de Hotelaria, de Serigrafia e o Grupo de Corte e Costura, do Centro Social
Marista Santa Marta, a fim de promover a inserção dos mesmos no mercado de trabalho.
Para essa implementação, realiza-se, semanalmente, encontros com os usuários, a fim
de trabalhar assuntos pertinentes à realidade social da comunidade local, bem como suas
necessidades. Além disso, socializa-se informações acerca dos direitos sociais aos usuários
atendidos pelo projeto, no sentido de propiciar aos mesmos o encaminhamento à rede sócioassistencial, visando garantir o acesso aos bens e serviços.
Conhecer a realidade comunitária a ser trabalhada implica conhecer a sua conjuntura
social. É nesse sentido que se faz necessária a análise dessa realidade enquanto
conjuntura. A análise de conjuntura deve levar em conta as articulações e dimensões
locais, regionais e internacionais dos fenômenos, dos acontecimentos, dos atores,
das forças sociais (SOUZA, 2004, p. 97-8).
O projeto prevê, também, parcerias com empresas e micro-empresas, no intuito de
oportunizar a inserção dos usuários no mercado de trabalho. Acredita-se que, desta forma,
pode-se contribuir para a promoção social dos envolvidos, bem como aos seus familiares, pois
se estimula o resgate da auto-estima, da autonomia, conscientizando-os a intervir na própria
forma de ser e agir diante da realidade social em que vivem.
O Projeto de Intervenção está sendo implementado desde março de 2008. No
princípio, houve uma porcentagem de insegurança por parte da estagiária, pois se sabe que
todo e qualquer início de projeto social é arriscado e questionável. Todavia, primeiramente,
foi requerido aos grupos um voto de confiabilidade e segurança, uma vez que era preciso por
em prática o previsto no texto teórico do projeto. Em seguida, realizou-se breve explicação,
abordando desde o motivo do desenvolvimento do trabalho, da importância de ser um projeto
voltado aos cursos de capacitação e ao grupo, de forma contínua, e que pudesse viabilizar os
28
interesses dos mesmos. Quando a autora Safira Ammann, refere-se à inserção de técnicos no
grupo, ela conceitua da seguinte forma:
É o momento de mergulhar no grupo com quem se vai trabalhar, procurar descobrir
seu modo de pensar, de julgar e de agir, captar suas tensões, seus problemas e seus
interesses. Quanto mais o trabalhador social for capaz de compreender a experiência
vivida pelo grupo, mais possibilidades de êxito existirá no trabalho (1991, p. 21).
Nota-se que o projeto obteve resultados positivos e um grande reconhecimento da
instituição. Salienta-se que o mais importante é que se conseguiu atingir 90 %, dos usuários
envolvidos no projeto, registrado na assiduidade e participação das reuniões de grupo
ocorridas semanalmente, bem como nas dinâmicas e trabalhos propostos.
A participação acrescenta ao processo organizacional elementos muito concretos que
influenciam nessas diferenças. Entre eles, o desenho conjunto dos projetos com a
comunidade pobre permite que ela lhes incorpore suas verdadeiras prioridades. Sua
intervenção na gestão do projeto lhe proporciona uma força singular. (...) A
comunidade apresenta iniciativas, idéias, preocupa-se com cada detalhe de seu
funcionamento. Sua integração à monitoria e avaliação permite que o projeto tenha
um “chão” permanente de realidade (KLIKSBERG, 2003, p. 93).
Neste sentido, faz-se necessário que o projeto tenha continuidade no ano de 2009 e nos
anos seguintes, para obter novamente resultados positivos e para aumentar cada vez mais as
demandas dos Cursos de Capacitação Profissional desenvolvidos pelo Centro Social Marista
Santa Marta. A participação dos usuários nos cursos acrescenta a importância do Serviço
Social neste meio e demonstra o quanto o trabalho é importante.
2.2.1 A implementação do projeto de intervenção e o reconhecimento dos usuários
Para a implementação do projeto utilizam-se instrumentais técnico-operativos que
compreendem: acolhimento, linguagem, observação, entrevista, dinâmica de grupo. Num
primeiro momento, realiza-se um acolhimento, com os Cursos de Corte e Costura, de
Hotelaria, de Serigrafia e com o Grupo de Corte e Costura, fortalecendo-os, a fim de
promover a inserção dos mesmos no mercado de trabalho. Realiza-se encontros semanais das
13h:30min às 17h:30min, um dia específico para cada grupo, numa sala disponível para a
realização do projeto.
29
Realizam-se visitas domiciliares e entrevistas individuais, utilizando-se um formulário
6
inicial desenvolvido pela estagiária, visando conhecer a realidade socioeconômica em que
vive a família dos usuários. No que diz respeito à visita domiciliar, a autora Amaro diz que:
Na visita, devemos estar aptos para encontrar a verdade daquela realidade, não a
verdade que acreditamos ou que queremos ver(...). Em cada vida, em cada
experiência particular, vive, provavelmente, uma verdade nas motivações,
necessidades e situações que impulsionam a realização desta ou daquela ação pelo
indivíduo (2003, p. 23).
Trabalha-se nas reuniões de grupo diferentes temáticas, utilizando-se dinâmica
referente ao assunto. Na ocasião, aborda-se temas como: trabalho-emprego; trabalho coletivo;
os papéis desempenhados dentro de um grupo, a importância da documentação; o mercado de
trabalho; entre outros.
Em outros momentos, são realizadas palestras sobre cooperativismo, um dos assuntos
propostos pelos usuários dos cursos com profissionais especializados nesta área, como
também palestras com profissionais de outras áreas, desde psicólogos, estagiários do Direito e
pela própria estagiária do projeto.
Durante os encontros, também foram trabalhados assuntos como a Constituição
Federal (Leis Trabalhistas), a Lei Orgânica de Assistência Social - LOAS, sobre as Políticas
Sociais, sobre o Centro de Referência da Assistência Social (CRAS), vídeos sobre
higienização, entre outros, conforme exigiam as demandas. As muitas discussões de grupo
acabaram por enriquecer o trabalho e a viabilização do Projeto de Intervenção.
Também são socializadas informações acerca dos direitos sociais aos usuários
atendidos pelo projeto, no sentido de propiciar o encaminhamento à rede sócio-assistencial,
garantindo o acesso aos bens e serviços. Ocorrem, também, encaminhamentos para o Sistema
Nacional de Emprego - SINE e aos órgãos competentes para a confecção de documentos.
Sendo encaminhadas mensalmente em média cinco famílias aos locais citados.
Em média, são visitadas quatro empresas por mês (mercados e supermercados) para
firmar parcerias com o Centro Social Marista Santa Marta, onde se realiza contatos
telefônicos e reuniões para a viabilização de estágio aos usuários do Curso de Hotelaria
(culinária) – Curso de Confeitaria Industrial. Essa iniciativa é uma estratégia para que os
empregadores venham a contratar os usuários dos cursos, inserindo os mesmos no mercado de
trabalho formal.
6
O referido formulário foi elaborado pela estagiária e encontra-se disposta no apêndice deste trabalho.
30
O Projeto foi bem aceito, havendo por parte dos usuários um reconhecimento,
demonstrado através da ficha de avaliação7 ao término de cada curso. Percebe-se que os
sujeitos sentem-se seguros, quando é mostrado aos mesmos um trabalho claro, bem
desenvolvido, com grande valor e, especialmente, por estar voltado a eles que são de uma
comunidade que permanentemente luta pelos direitos e por melhores condições de vida.
7
A referida ficha foi elaborada pela estagiária e encontra-se disposta nos anexos deste trabalho.
31
3 A IMPORTÂNCIA DA CAPACITAÇÃO PROFISSIONAL A PARTIR DO CAMPO
DE ESTÁGIO
A presente seção tem por objetivo discorrer acerca da importância da Capacitação
Profissional, a partir do estágio, e como a mesma está sendo colocada em prática nos Cursos
desenvolvidos neste espaço. O desenvolvimento desta seção tornou-se de suma importância
para concretizar o Trabalho Final de Graduação II, pois é no decorrer da mesma que será
explanada a valorização desta Capacitação para os usuários dos cursos e, especialmente, sobre
a contribuição do Serviço Social neste campo de trabalho.
Para tanto, a seção está dividida em três subitens que disponibilizarão subsídios para
um melhor entendimento do processo de trabalho do Assistente Social neste contexto, bem
como a demonstração, por meio de gráficos, do perfil dos usuários dos Cursos de Capacitação
Profissional.
O primeiro subitem desta seção aborda a contribuição do Serviço Social para a
inclusão dos usuários no mercado formal de trabalho, enfatizando a intervenção do
profissional Assistente Social no fortalecimento dos usuários dos cursos de Capacitação
Profissional.
O segundo subitem discorre sobre como é feita a implementação do Projeto de
Intervenção desenvolvido pela estagiária do Serviço Social, demonstrando quais são as
habilidades e as técnicas utilizadas pela mesma com os grupos, no decorrer da intervenção.
O terceiro subitem aborda o perfil dos usuários dos Cursos de Capacitação
Profissional, e a realidade socioeconômica da Comunidade Nova Santa Marta demonstrando,
por meio de gráficos, os dados oriundos do formulário inicial aplicado individualmente com
os usuários. Foram entrevistados no período de março a setembro de 2008, setenta e cinco
usuários, a fim de identificar o perfil socioeconômico dos usuários dos Cursos de Capacitação
Profissional.
Acredita-se ser de extrema importância visualizar o perfil dos usuários através de
representação gráfica, tendo em vista um melhor entendimento da realidade dos mesmos, de
seus contextos familiares e sociais.
32
3.1 A CONTRIBUIÇÃO DO SERVIÇO SOCIAL PARA A INCLUSÃO DOS USUÁRIOS
NO MERCADO FORMAL DE TRABALHO
A contribuição do Serviço Social para a inclusão dos usuários no mercado formal de
trabalho se dá através da intervenção do profissional Assistente Social para o fortalecimento
dos mesmos, colaborando para que estejam inseridos num espaço sócio ocupacional que lhes
propicie renda. No entanto, a situação não é tão simples, pois o profissional Assistente social
deve estar atento às mudanças que atualmente vêm ocorrendo no contexto social, econômico e
político, principalmente no que se refere ao âmbito do trabalho.
Acredita-se que o profissional Assistente Social deve criar estratégias de ação para
propiciar acesso aos usuários no mercado formal de trabalho. Estas estratégias englobam o
conhecimento e o apropriamento que se tem da realidade vivenciada pela população, ou seja,
ter um envolvimento com a comunidade, ir além do primeiro contato, conhecer os reais
interesses dos sujeitos enquanto trabalhadores. Além disto, prevê a articulação de novas
alternativas8 de renda, mais viável para a população, pois o mercado de trabalho, no contexto
atual, exige muitas competências e habilidades, às quais os sujeitos não têm acesso, devido à
ausência de igualdade de oportunidades.
O objetivo e o objeto do Serviço Social, neste processo, vinculam-se a uma visão de
mundo e de homem, fundamentados numa perspectiva teórico-metodológica que, no modo
capitalista de produção, implica uma opção política e uma teoria norteadora de ação. Uma
ação que constrói e reconstrói e demonstra com clareza a intervenção do Serviço Social.
Diante desde contexto, Iamamoto diz que:
Para garantir uma sintonia do Serviço Social com os tempos atuais, é necessário
romper com uma visão endógena, focalizada, uma visão “de dentro” do Serviço
Social, prisioneira em seus muros internos. Alargar os horizontes, olhar para mais
longe, para o movimento das classes sociais e do Estado em suas relações com a
sociedade; não para perder ou diluir as particularidades profissionais, mas ao
contrário, para melhor apreendê-lo na história da sociedade da qual ele é parte e
expressão (2006, p. 20).
O Serviço Social, diante deste contexto, acredita que as perspectivas presentes podem
estar na criação e no fortalecimento dos Projetos de Capacitação Profissional, uma vez que
contribuem para uma possível inserção no mercado formal de trabalho, servindo, em diversas
8
Essas novas alternativas de renda são oportunizadas para os usuários através do contato realizado com as
empresas no intuito de realizar estágios (convênios) no término dos Cursos e de uma possível contratação dos
usuários.
33
oportunidades, como uma porta de acesso. A participação dos sujeitos envolvidos nestes
projetos é de extrema importância. No entanto, para que ocorram novas possibilidades e
possíveis transformações, torna-se necessário uma ação integrada com a população envolvida
com um interesse comum a todos.
A capacitação é legitimada, ao se apresentar como um dos requisitos fundamentais
ao processo de reestruturação produtiva; já que postulada como componente
essencial da chamada empregabilidade, terminologia que encerra controvérsias
teórico-conceituais e que, de uma perspectiva crítica, inclusive a da própria
concepção do PLANFOR, tende a remeter ao indivíduo a organização das condições
necessárias para concorrer no mercado de trabalho, assim como nele manter-se
(SILVA, 2006, p.196).
Diante do contexto demonstrado pelos Cursos oferecidos no Centro Social Marista
Santa Marta, a Capacitação Profissional ali disponibilizada se torna uma das alternativas para
a formação de um profissional que está em busca de oportunidade no mercado formal de
trabalho, bem como sua permanência no mesmo. Sabe-se que a Capacitação Profissional não
é a única forma para se tornar um profissional capacitado e inserido no mercado, mas por seu
intermédio podem surgir novas oportunidades de renda.
3.1.1 A intervenção do serviço social junto aos cursos de capacitação profissional.
Para o desenvolvimento do projeto de intervenção, elaborado durante o estágio
curricular obrigatório, com o objetivo geral de fortalecer os Cursos de Corte e Costura, de
Hotelaria, de Serigrafia, do Centro Social Marista Santa Marta; a fim de promover a inserção
dos mesmos no mercado de trabalho, são realizados encontros semanais no período da tarde,
com duração de 04 horas, um dia específico para cada grupo9, numa sala disponível para a
realização do projeto. Em média, os grupos variam entre 15 e 20 usuários, na sua maioria
mulheres. O trabalho com os grupos tem se dado por meio de dinâmicas e, na seqüência, é
trabalhada uma temática de interesse do grupo que complementa a dinâmica.
Os Cursos de Capacitação Profissional do Centro Social Marista Santa Marta se
tornam uma opção de aprendizado e enfrentamento da exclusão, principalmente para os
usuários que estão afastados do mercado formal de trabalho por falta de acesso e “baixa
qualificação”. Estes usuários aproveitam a oportunidade de realizar o curso, pois além de se
capacitar e adquirir um certificado de conclusão encontram nas dinâmicas de grupo atividades
que propiciam o fortalecimento. Além disso, neste espaço, buscam subsídios para lutarem por
9
. As especificidades dos grupos foram relatadas no subitem 2.2 deste Trabalho final de Graduação.
34
seus direitos e pela inclusão social, seja no mercado formal de trabalho ou na sociedade como
um todo.
O trabalho em grupo10 possibilita realizar reflexões e buscar soluções conjuntas para
determinados problemas vivenciados pela maioria dos usuários. As dinâmicas e as temáticas
são acolhidas e aceitas de maneira satisfatória, fazendo com que se tenha uma harmoniosa
integração dos grupos. Trabalhar o coletivo visa a cada usuário descobrir seu espaço dentro do
grupo, e de que forma o mesmo pode contribuir com os demais integrantes. A maioria dos
participantes não se conhece, então é preciso haver uma boa articulação do coordenador do
grupo, neste caso o estagiário em Serviço Social, para que o trabalho flua conforme a
proposta.
É importante ressaltar que a participação dos usuários nos Cursos de Capacitação
Profissional desenvolvidos pelo Centro Social Marista Santa Marta têm rotatividade. A cada
módulo11 de curso mudam alguns usuários, então se começa novamente o processo de
fortalecimento. Todavia, o mais interessante é que eles se integram rapidamente e interagem
como se já se conhecessem há meses, conferindo relevância ao desenvolvimento do trabalho.
Nos primeiros encontros, já se percebe o papel de cada integrante dentro do grupo, facilitando
a compreensão de todos em determinadas decisões e soluções. Cria-se um vínculo muito forte
entre o profissional Assistente Social e os integrantes dos grupos que permanecem mais
tempo nos módulos; a convivência diária faz com que se conheça mais intimamente cada
situação. Inserido neste contexto, Kisnerman infere que:
O Assistente Social de grupo deve compreender a necessidade da existência de
subgrupos e avaliar o seu lugar no grupo total. Deve conhecer as posições dos
membros isolados, líderes ou membros de subgrupos, porque o papel de cada
membro está relacionado às expectativas do grupo e aos seus valores e hábitos. Deve
reconhecer o vínculo como uma parte vital em todos os grupos e compreender que
seu grau se relaciona, intrinsecamente, à formação de grupo e ao objetivo.
Finalmente, deve reconhecer a solução de conflitos e a tomada de decisões como
funções especificas dos grupos, com forte impacto, por sua vez, no desenvolvimento
individual (1984, p. 84-5).
A dinâmica de grupo está profundamente ligada à dinâmica de cada integrante. O que
está sendo trabalhado com os grupos são temas e dinâmicas vivenciadas no cotidiano. Quando
é feita a reflexão da dinâmica proposta, a participação e a discussão surgem de forma natural;
10
Segundo Pereira (2001) o trabalho em grupo se constrói no espaço múltiplo das diferenças entre cada
participante. O importante, neste caso, é a tomada de consciência por parte dos elementos.
11
Os cursos são divididos em módulos, por exemplo, o Curso de Corte e Costura têm cinco módulos – roupas
infantis; abrigos; vestidos; entre outros. O Curso de Hotelaria (culinária) têm nove módulos – panificação
industrial; bolos e tortas; confeitaria industrial; doces e salgados; entre outros.
35
e, é claro, sempre são colocados exemplos vivenciados por eles ou pelos moradores da
comunidade ao qual estão inseridos.
Dentre as dinâmicas12 utilizadas, entre outras, a que mais gera discussão é a dos
rótulos, sendo desenvolvida da seguinte forma: O coordenador entrega uma etiqueta em
branco para cada participante e sugere que escrevam na mesma uma palavra - um rótulo que a
sociedade coloca nas pessoas. Ex: pobre – miserável; marginal – vagabundo; louco;
preguiçoso – ocioso; patricinha – mauricinho, entre outros. Como o objetivo do projeto de
intervenção realizado com esses grupos é a inserção dos mesmos no mercado formal de
trabalho, é proposto que os rótulos sejam voltados a essa temática. Continuando a dinâmica, a
seguir as etiquetas são colocadas na testa de cada participante, de modo que ele não veja o que
está escrito na sua etiqueta, mas veja o que está escrito nas etiquetas dos outros participantes.
Colocadas as etiquetas pede-se então que os participantes circulem e conversem entre si,
tratando os outros como se ele fosse o que está escrito em sua testa, dando dicas e pistas do
que está escrito.
Após um tempo determinado pelo coordenador, em média quinze minutos, pede-se
para que sentem em círculo, perguntando-se a cada um se descobriu o que está escrito na
própria testa, e como se sentiu com o tratamento recebido. O objetivo desta dinâmica é
demonstrar que, muitas vezes, julga-se e se pré-julga as pessoas pela aparência, pelo seu jeito,
seja de se vestir, de andar, de conversar, sem ao menos conhecê-la ou compreendê-la.
Acredita-se que está dinâmica é bem favorável à temática “mercado de trabalho”, pois
os integrantes dos grupos vivenciam quase que diariamente a exclusão imposta pelo sistema
capitalista atual. Nota-se que, neste contexto, os profissionais altamente qualificados e os de
reduzida qualificação sofrem o processo de exclusão.
Diante disto, faz-se um trabalho voltado à inserção desses usuários no mercado formal
de trabalho, fortalecendo-os pessoal e profissionalmente para o enfrentamento da exclusão.
Para tanto, em média, quatro empresas são visitadas por mês, para dialogar e propor uma
possível inserção dos usuários capacitados nos Cursos no mercado formal. Após este contato,
obteve-se um resultado bastante relevante. Em um total de 200 usuários, conseguiu-se inserir
em torno de 40 usuários no mercado formal de trabalho, nas áreas de Corte e Costura,
Hotelaria e Serigrafia.
12
. Para o desenvolvimento das dinâmicas utilizou-se referência teórica como: Borges (2000); Oliveira e Meireles
(2003); Suárez (2001); entre outras.
36
Acredita-se que a intervenção do Serviço Social teve uma contribuição nesse
resultado, pois os usuários, além de capacitados tecnicamente, estão fortalecidos para
enfrentar as várias formas de exclusão social.
Um dado muito importante a ser socializado refere-se a uma pergunta feita durante o
formulário inicial13 aplicado individualmente a cada usuário dos cursos. Este dado foi
coletado no período de março a setembro de 2008, realizada com 75 usuários dos cursos, que
foram entrevistados. É importante ressaltar que o número de inscritos até o mês de setembro
de 2008, em todos os módulos das três áreas oferecidas, é superior a 200, mas, como citado,
alguns usuários realizam todos os módulos, e o formulário inicial é aplicado uma só vez, ou
seja, quando o usuário inicia o primeiro módulo de um dos Cursos.
A pergunta feita a eles é a seguinte: Acredita que haverá um fortalecimento para a sua
vida pessoal e profissional com a intervenção do Serviço Social nos Cursos?
A afirmação dos usuários foi totalmente satisfatória, isto é, 100%, comprovando o
reconhecimento dos mesmos diante da intervenção do Serviço Social juntos aos Cursos.
Acredita-se que com essa porcentagem fica demonstrado como o Projeto de Intervenção teve
sua importância e como os usuários depositam confiança no trabalho do profissional
Assistente Social. Segundo alguns relatos orais emitidos pelos usuários a partir da pergunta,
destacam-se alguns pontos em comum entre os depoimentos coletados: esse fortalecimento é
construído através de um conjunto de fatores positivos que vem do convívio com os colegas,
do resgate da auto-estima, do trabalho coletivo, do aprendizado e do acolhimento feito pelo
profissional Assistente Social.
Deste modo, desenvolver um trabalho em que se está apropriado da realidade do
sujeito, torna-se muito mais dinâmico e desafiador. Dinâmico porque há uma integração com
o contexto social; e desafiador porque, muitas vezes, rompe-se com alguns obstáculos de
exclusão.
3.2 O PERFIL DOS USUÁRIOS DOS CURSOS DE CAPACITAÇÃO PROFISSIONAL E A
REALIDADE DA COMUNIDADE NOVA SANTA MARTA
Acredita-se que conhecer o perfil socioeconômico dos usuários atendidos é
fundamental para o desenvolvimento de um trabalho efetivo. É a partir deste desvelamento
que se organiza e direciona a intervenção profissional, sendo uma forma de aproximação
13
Em anexo
37
concreta da realidade vivenciada pelos mesmos. Entende-se que é na apropriação do perfil
que os profissionais atualizam o conhecimento da realidade; podem ter clareza de quem são e
como são os usuários que chegam até os Cursos de Capacitação Profissional.
O perfil dos usuários dos Cursos de Capacitação Profissional do Centro Social Marista
Santa Marta foi construído a partir dos dados coletados do formulário inicial, aplicado para 75
usuários que realizam os Cursos de Capacitação Profissional. O período de coleta compreende
os meses de março a setembro de 2008, no início de cada módulo dos cursos oferecidos pelo
Centro Social Marista Santa Marta.
No gráfico 02, é demonstrada a faixa etária dos usuários, onde se observou que 22%
possuem idades entre 36 a 40 anos, totalizando 16 usuários; e que 20%, ou seja, 15 usuários
têm idade entre 28 a 31 anos, evidenciando que a maior procura pelos cursos é feita por
adultos. Nota-se que muitos compreendem que uma das exigências do mercado formal de
trabalho no contexto atual é a preferência por pessoas mais jovens para o preenchimento das
vagas. Na verdade, a inserção no mercado de trabalho se torna competitiva para todas as
faixas etárias, mas, sobretudo, àquelas consideradas “velhas” para o trabalho.
Ao visualizar os dados representados no gráfico de número 02, percebe-se que a
procura dos jovens pelos Cursos de Capacitação Profissional ainda é muito baixa, isto é
apenas 9%, correspondente a 07 usuários. Acredita-se que os mesmos buscam outras formas e
alternativas neste campo, seja nos estudos ou nos Programas de Primeiro Emprego14.
FAIXA ETÁRIA DOS USUÁRIOS
16%
Entre 18 - 21
9%
16%
Entre 22 - 27
Entre 28 - 31
22%
Entre 32 - 35
17%
20%
Entre 36 - 40
Entre 41a mais
Gráfico 01: Porcentagem por faixa etária dos usuários dos Cursos de Capacitação
Profissional do Centro Social Marista Santa Marta, no período de março a
setembro de 2008.
14
Programa do Governo Federal que oportuniza a inserção de jovens no mercado de trabalho.
38
FAIXA ETÁRIA
NÚMERO DE USUÁRIOS
Entre 18 – 21
07
Entre 22 - 27
12
Entre 28 - 31
15
Entre 32 - 35
13
Entre 36 - 40
16
Entre 41 a mais
12
O gráfico de número 03 demonstra o sexo dos usuários. Nota-se que 92%, ou seja, 69
usuários são do sexo feminino, prevalecendo a participação das mulheres. Deste modo, os
Cursos de Capacitação Profissional se tornam um espaço possível para a inserção da força
laboral feminina no mercado de trabalho, pois se sabe que a mulher sofre neste âmbito, diante
da discriminação tanto pessoal, como salarial.
Sobre este tema, Kliksberg diz que:
[...] nos lares modestos, a chefia da família implica, para a mulher, ter de enfrentar
condições de vida ainda mais difíceis. Além de trabalhar fora de casa, a mulher
precisa ao mesmo tempo, atender às tarefas domésticas e arcar com vários papéis. O
trabalho da mulher é normalmente levado a cabo em condições de discriminação
salarial e ocupacional, e sob o peso de fortes estereótipos e preconceitos (1997, p.
20).
Na atualidade, o perfil das mulheres é muito diferente daquele vivenciado por
gerações passadas. Além de trabalhar e ocupar cargos de responsabilidade a exemplo dos
homens, elas desempenham as tarefas tradicionais como ser mãe, esposa e dona de casa.
Trabalhar fora do ambiente doméstico é uma conquista relativamente recente do sexo
feminino. Manter seu próprio sustento, conquistar independência e ainda ser reconhecida
como profissional, é questão de superação da subalternação feminina, ou seja, da mulher ter
que se submeter a todas as formas de desvalorização e à possibilidade de igualdade social
entre os sexos, no que se refere ao âmbito do trabalho.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em junho de
2005, em um contingente de 21,9 milhões de pessoas economicamente ativas (voltadas para o
mercado de trabalho), constatou-se que os homens representam 54,9% dessa população,
enquanto as mulheres representam 45,1%.
39
SEXO DOS USUÁRIOS
8%
FEM
MASC
92%
Gráfico 02: Porcentagem por sexo dos usuários dos Cursos de Capacitação
Profissional do Centro Social Marista Santa Marta, no período de março a
setembro de 2008.
SEXO
Feminino
NÚMERO DE USUÁRIOS
69
Masculino
06
O gráfico de número 04, a seguir, elucida o estado civil dos usuários, observando-se
que 39%, correspondente a 30 usuários, possuem uma relação de união estável, ou seja, um
novo modelo familiar, onde os casais vivem com os respectivos companheiros (as); numa
relação não formalizada, evidenciando os novos arranjos familiares; arranjos que se
constituem desde famílias monoparentais, famílias extensas (pai, mãe, filhos, avós, tios), entre
outros.
Muitos desses usuários são provenientes de famílias pobres, onde as condições
financeiras não são favoráveis para arcar com os custos de uma relação formal. Muitos
garantem manter uma convivência familiar apropriada para a efetivação de uma relação
duradoura, mesmo não sendo “casados no papel”.
A família é o espaço indispensável para a garantia da sobrevivência, do
desenvolvimento e da proteção integral dos filhos e demais membros,
independentemente do arranjo familiar ou da forma como vêm se estruturando. É a
família que propicia os aportes afetivos e, sobretudo materiais necessários ao
desenvolvimento e bem-estar dos seus componentes (KALOUSTIAN, 1994, p. 112).
40
Contudo, o índice de usuários que são casados também é relevante, isto é, 35%,
totalizando 26 usuários. Percebe-se que no contexto atual os índices de união estável
aumentam em relação há alguns anos atrás, evidenciando que cada vez mais novos arranjos
familiares estão se constituindo.
ESTADO CIVIL DOS USUÁRIOS
39%
35%
7%
19%
CASADO (A)
SOLTEIRO (A)
SEPARADO (A)
UNIÃO ESTÁVEL
Gráfico 03: Porcentagem do estado civil dos usuários dos Cursos de
Capacitação Profissional do Centro Social Marista Santa Marta, no período de
março a setembro de 2008.
ESTADO CIVIL
Casado (a)
NÚMERO DE USUÁRIOS
26
Solteiro (a)
Separado (a)
União Estável
14
05
30
No gráfico de número 05, será demonstrada a escolaridade dos usuários, onde se
observa que 48%, ou seja, 36 usuários possuem Ensino Fundamental Incompleto e que 25%,
19 usuários possuem o Ensino Médio Completo, sendo este último, em sua maioria, concluído
através do EJA - Educação para Jovens e Adultos. Acredita-se que a “baixa escolaridade” dos
que possuem Ensino Fundamental Incompleto pode ser decorrente da “falta de
oportunidades”, bem como da prioridade para outra atividade, como trabalhar cedo, deixando
os estudos em segundo plano.
No cenário atual, o mercado de trabalho exige dos trabalhadores, no mínimo, o Ensino
Médio Completo; e, em certos casos, até o nível superior.
É importante ressaltar que nesta amostra a taxa de analfabetismo é de 0%. Segundo
depoimento oral de alguns usuários, o EJA motivou muitos a voltarem a estudar, pela
41
facilidade de aprendizado e por não demandar muito tempo de estudos, facilitando a
possibilidade de trabalharem e estudarem concomitantemente.
ESCOLARIDADE DOS USUÁRIOS
3%
0%
12%
12%
ENS.FUND.COM.
ENS.FUND.INCOM.
ENS.MED.COM.
ENS.MED.INCOM.
25%
48%
ENS.SUP(C/I)
ANALFABETO
Gráfico 04: Porcentagem da escolaridade dos usuários dos Cursos de apacitação
Profissional do Centro Social Marista Santa Marta, no período de março a
setembro de 2008.
ESCOLARIDADE
NÚMERO DE USUÁRIOS
Ens.Fund. Completo
09
Ens. Fund. Incompleto
36
Ens. Méd. Completo
19
Ens. Méd. Incompleto
09
Ens. Sup. (C/ I)
02
Analfabeto
00
O gráfico de número 06, no que se refere ao número de filhos dos usuários, ilustra que
48% da amostra, ou seja, 36 usuários têm de 01 a 02 filhos, e que 28%, 21 usuários têm de 02
a 04 filhos por família. Para consolidar sua posição no mercado, as mulheres têm cada vez
mais adiados projetos pessoais, como o sonho de ser mãe. A redução do número de filhos é
um dos fatores que parece incentivar a presença da mão-de-obra feminina no mercado formal
de trabalho.
Salienta-se que as famílias de classe média baixa estão reduzindo o número de filhos,
pois o orçamento doméstico está cada vez mais caro, e o número de desempregos é
considerado alto.
42
NÚMERO DE FILHOS DOS USUÁRIOS
3%
16%
48%
DE 1 - 2
5%
DE 2 - 4
DE 4 - 6
DE 6 OU +
NÃO TÊM
FILHOS
28%
Gráfico 05: Porcentagem sobre o número de filhos dos usuários dos Cursos de
Capacitação Profissional do Centro Social Marista Santa Marta, no período de
março a setembro de 2008.
NÚMERO DE FILHOS
NÚMERO DE USUÁRIOS
De 01 – 02
36
De 02 – 04
21
De 04 – 06
04
De 06 ou +
02
Não têm filhos
12
No que se refere ao critério renda familiar, elucidado no gráfico de número 07,
demonstra que 23%, 25 usuários, possuem renda mensal de até um salário mínimo; e que
20%, 22 usuários possuem renda mensal de até dois salários mínimos por família. Segundo
dados do IBGE de 2003/2004, no ano de 2001, 24,1 % dos trabalhadores brasileiros
ganhavam até um salário mínimo; em 2002, esse percentual aumentou para 27,1%.
Em relação ao gráfico, percebe-se que 16%, 17 usuários não possuem renda fixa, ou
seja, trabalham na informalidade, como faxinas, biscates, na coleta de materiais recicláveis,
tendo uma renda mensal que varia conforme a demanda de trabalho.
Segundo Silva (2006), “estar na informalidade” pode representar um custo social
extremamente alto, que, nos dias atuais, agrava-se à medida que aumenta a parcela da
população trabalhadora inserida em ocupações que se caracterizam pela negação de direitos
trabalhistas.
Um dado que exige destaque é que 31% desta amostra de 75 usuários, ou seja, 34
deles recebem o Benefício Bolsa – Família. O Programa Bolsa - Família é a proposta do
43
Governo Federal, lançada no dia 20 de outubro de 2003, para unificação dos Programas de
Transferência de Renda, sendo eles: Bolsa – Escola; Bolsa – Alimentação; Vale – gás e
Cartão – Alimentação.
Segundo Silva (2004), “o Bolsa-Família é considerado uma inovação no âmbito dos
Programas de Transferência de Renda por se propor a proteger o grupo familiar pela
simplificação que representa e pela elevação de recursos destinados a programas dessa
natureza”.
RENDA FAMILIAR DOS USUÁRIOS
ATÉ 1 SALÁRIO
MÍNIMO
31%
ATÈ 2 SALÀRIOS
MÍNIMOS
23%
MAIS DE 3 SALÁRIOS
MINÍMOS
16%
20%
10%
NÃO POSSUI RENDA
FIXA
RECEBEM BENEFÍCIO
BOLSA FAMILÍA
Gráfico 06: Porcentual da renda familiar dos usuários dos Cursos de Capacitação
Profissional do Centro Social Marista Santa Marta, no período de março a
setembro de 2008.
RENDA FAMILIAR
NÚMERO DE USUÁRIOS
Até 01 salário mínimo
25
Até 02 salários mínimos
22
Até 03 salários mínimos
11
Não possuem renda fixa
17
Recebem Bolsa Família
34
O gráfico de número 08 que segue demonstra que 57%, totalizando 43 usuários, já
tiveram a carteira de trabalho assinada; e que 43%, ou seja, 32 usuários ainda não possuem
carteira de trabalho assinada. Percebe-se que a porcentagem aos usuários com carteira de
44
trabalho assinada é bastante relevante. Por outro lado, o índice de usuários que já tiveram a
carteira de trabalho assinada, é significativo.
Contudo, segundo relatos orais dos usuários, no momento atual, não conseguiram
manter as carteiras de trabalho assinadas, uma vez que os empregadores, na intenção de
cortarem gastos, decidiram demitir funcionários. Diante disto, muitos usuários resolveram
partir para trabalho informal.
O crescimento da informalidade, direta ou indiretamente ligada ao processo
produtivo, produz conseqüências funestas tanto para os trabalhadores assalariados
com carteira de trabalho, quanto para aqueles excluídos do núcleo estruturado do
mercado de trabalho (assalariados sem carteira, autônomos, e não-remunerados)
(SILVA, 2006, p.146).
JÁ TIVERAM A CARTEIRA DE TRABALHO ASSINADA
43%
SIM
NÃO
57%
Gráfico 07: Porcentual dos usuários dos Cursos de Capacitação do Centro
Social Marista Santa Marta, que já tiveram a carteira de trabalho assinada,
segundo dados coletados no formulário aplicado no período de março a setembro
de 2008.
CARTEIRA DE TRABALHO
NÚMERO DE USUÁRIOS
ASSINADA
Sim
43
Não
32
Essa demonstração gráfica serviu de subsídio para compreender a realidade
socioeconômica dos usuários dos cursos, bem como para desvelar sua realidade social e
familiar. No entanto, o desenvolvimento deste capítulo configurou uma importante
colaboração à construção do Trabalho Final de Graduação, obtendo-se melhor entendimento
acerca da contribuição do Serviço Social para a inclusão dos usuários no mercado formal de
45
trabalho, e como a intervenção do profissional Assistente Social conquistou o devido
reconhecimento.
46
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente Trabalho Final de Graduação apresentou a sistematização da experiência
adquirida ao longo do estágio curricular em Serviço Social, destacando-se a relação teoriaprática. Além disto, propiciou o aprofundamento acerca da temática escolhida para o estudo.
Deste modo, discorreu sobre como o trabalho, enquanto categoria, passou e passa por diversas
transformações no contexto mundial.
Tendo em vista que o presente estudo enfatizou a importância da Capacitação
Profissional para a inserção dos usuários no mercado formal de trabalho, buscou-se adquirir
maiores conhecimentos referentes a esse âmbito. A intervenção do Serviço Social junto aos
Cursos de Capacitação Profissional, desenvolvidos no Centro Social Marista Santa Marta na
Comunidade Nova Santa Marta, região oeste de Santa Maria, tornou-se uma ação instigante,
tendo em vista as possibilidades de intervenção profissional neste campo.
Entende-se que o profissional Assistente Social teve um papel fundamental junto aos
Cursos, pois os mesmos apresentaram uma demanda significativa durante o ano de 2008, a
partir da implementação do Projeto de Intervenção desenvolvido pela estagiária. É importante
ressaltar o quanto foi desafiador desenvolvê-lo, face à complexidade de construir uma relação
de confiabilidade com os usuários destes Cursos, sabendo das condições socioeconômicas
vivenciados pelos mesmos na comunidade.
Por fim, entende-se como fundamental que a intervenção do profissional Assistente
Social tenha continuidade neste campo, tendo em vista a nova obtenção de resultados
positivos e, também, para aumentar ainda mais as demandas dos Cursos de Capacitação
Profissional do Centro Social Marista Santa Marta.
Sobretudo, acredita-se que é essencial a continuidade do Projeto de intervenção
implementado pela estagiária, uma vez que o mesmo almeja propiciar o fortalecimento aos
usuários do Serviço Social do Centro Social Marista.
47
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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50
APÊNDICE A - Ficha Cadastral / Social – Perfil socioeconômico dos usuários.
Ficha Cadastral / Social – Perfil socioeconômico dos usuários.
Centro Social Marista Santa Marta
Curso de Serviço Social
FORMULÁRIO INICIAL:
DADOS PESSOAIS:
Nome:______________________________________________________________________
Idade: ______________________________________________________________________
Endereço: __________________________________________________________________
Sexo: ( ) Mas
( ) Fem
Estado Civil:
( ) casado(a)
( ) solteiro(a)
Escolaridade: ( ) Ens.Fundamental completo
( ) Ens.Médio completo
( ) Analfabeto
( ) separado(a)
( ) união estável
( ) Ens.Fundamental incompleto
( ) Ens.Médio incompleto ( ) Ens.Superior (compl./incomp.)
NÚCLEO FAMILIAR:
Nome do Esposo: ____________________________________________________________
Nome da Esposa: _____________________________________________________________
Nome e idade do(s) filho(s): ____________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
MORADIA: ( ) casa própria
( ) alvenaria
Número de cômodos: ( ) um
( ) casa alugada ( ) mora de favor
( ) madeira
( ) dois
( ) cedida
( ) mista
( ) três
( ) mais de quatro
51
RENDA FAMILIAR:
( ) um salário mínimo
( ) dois salários mínimos
( ) mais de três salários mínimos
( ) não possui renda ( ) recebe algum beneficio do governo
( ) Qual? _______________
Quantas pessoas contribuem para esta renda? ______________________________________
Quantas pessoas vivem dessa renda? _____________________________________________
DADOS CADASTRAIS:
Documentos que possui: ( ) Certidão de Nascimento
Eleitor
( ) Certidão de Casamento
( ) RG
( ) CPF
( ) Título de
( ) Carteira Profissional
Em relação à carteira profissional, já foi assinada por algum empregador? ( ) sim
( ) não
Quanto tempo? ____________________________________
Você tem conhecimento, dos locais onde se confeccionam os documentos? ( ) sim ( ) não
RELATO ESPONTÂNEO:
O que levou você a procurar o curso, ao qual está inserido? ___________________________
___________________________________________________________________________
O que você, espera do curso?____________________________________________________
Quais suas expectativas em relação ao grupo formado? _______________________________
___________________________________________________________________________
Acredita que haverá por parte dos assuntos propostos, um fortalecimento para sua vida
pessoal e profissional?
( ) sim
( ) não
Por quê? _____________________________________________
52
APÊNDICE B
FICHA DE AVALIAÇÃO (ao término de cada curso):
DADOS PESSOAIS:
Nome: _____________________________________________________________________
Em relação, ao curso ao qual estava inserido, o mesmo superou-lhe as expectativas?
( ) Sim
( ) Não
( ) Em parte
Os assuntos e as dinâmicas trabalhadas no decorrer da formação, lhe foram favoráveis?
( ) Sim
( ) Não
( ) Em parte
Acredita que ocorreu alguma mudança em sua vida pessoal e profissional, ao realizar o curso?
( ) Sim
( ) Não
( ) Em parte
Sente-se capacitado profissionalmente para o mercado de trabalho?
( ) Sim
( ) Não
( ) Em parte
O curso, lhe despertou interesse em obter maior qualificação profissional?
( ) Sim
( ) Não
( ) Em parte
A carga horária foi favorável para a aprendizagem do curso?
( ) Sim
( ) Não
( ) Em parte
Dê uma nota de 01 a 10 para o curso (aulas, dinâmicas, palestras): ______________________
Dê uma nota de 01 a 10 para o seu desempenho durante o curso: _______________________
Descreva, em poucas palavras, como avalia o trabalho em grupo e qual seu real interesse nesta
área profissional ao qual o curso está lhe proporcionando? ____________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
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ANEXO A – Fotos dos Cursos de Capacitação Profissional.
Curso de Hotelaria / Culinária
54
Curso de Serigrafia
55
Curso de Corte e Costura
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TFG II - ANGELA MARIA OLIARI