A C I D A D E D O P O RT O NA 1 . ª M ETA D E D O SÉCULO XIX: P O P U LAÇÃO E U R BA N I S MO 1 Pa ula Guilhermina d e Carvalho Fernandes Universidade Lusíada 1 . I n tro d u ç ã o o século XIX é uma época de crescimento urbano intenso, pelo menos na Euro pa 2 , assu m i ndo-se a cidade como um mercado de trabalho q u e atra i todas as franjas sociais. ocorrem trocas d e popu lação entre o centro e a periferia, tocando a mobilidade em todos os grupos sociais. Este movi m e nto é , regra gera l , mais i n tenso na segu n d a metade do século X I X , do q u e na primeira (embora o urbanismo inglês t e n h a ca racterís ticas mais precoces), mas já se vai fazendo senti r, por então. A cidade vai a d q u i ri r o seu ca rácter específico - a l h ea m e nto dos ca m pos - ao longo d e oitocentos, mas a par dos n ovos tra ços sacio-económicos, u rbanos, que vão s u rgindo; coexistem nela resistências das sociedades d e Antigo Regi me: por exe m p l o , se as a ctividades profissionais são u rbanas, as condições d e vida fa m i l i a res são m u i ta s vezes rurais. A cidade é u m verdadeiro tecido de contradições, de desconti n u idades h istóricas 3 rea lidade q u e historiadores e sociólogos comprova m. o Porto tem sido frequentemente enca rado como uma cidade onde os meados d o s é c u l o XIX tra r ã o c o n s i go p r e c i s a m e n t e um a c e n t u a r d e ssas c o n t ra d i çõ e s e desconti n u idades, plasmados no a cel era d o e níti do cresci mento p o p u laciona l , m u ito evidente a pós a década de 1 8 70 4 , concreta mente. A ideia de uma espécie de ruptura, ocorrida nos a n os 60 (altura em q u e o primeiro recensea me nto moderno se efe ctua , permiti ndo precisa mente o fornecimento de dados m a i s a p u ra d os), e ntre a d i n â m i ca d e mográfica e sacio-eco n ó m i ca portu ense p révia e póstuma a este período, pa rece s u bjacente nos já não pouco numerosos estudos sobre a segu nda cidade do país. M u i to e m b o ra outros tra b a l h os, como o d e David J u sti n o , l e m b re m o d e c l í n i o económico do pólo portuense na segu nda metade do s é c u l o XIX, em favor de u m o utro centro aglutinador e reorganizador do espaço económico, já a nível nacional - Lisboa s , a verdade é q u e o Porto burguês, "cidade do trabalho" e das i l has, típico da segu nda metade d o século XIX; conti n u o u a dese m p e n h a r u m papel não menosprezável de plataforma giratória de negócios, oficinas e pequenas fá bricas. Pólo de produções e exportações de produtos e gentes, respectiva mente para os m e rcados regionais b e i rã o , transmo nta n o e m i n hoto, e para o B ra s i l , a l é m - m a r 6, o Porto venceu uma "guerra " regional no contexto do d i na mismo económico do Norte, a o l ongo d o s sécu l os XVI I I e XIX. Esta vitória "assegurou-lhe o controlo dos veleiros que - - interferiam na economia atlântica, a barra do Douro vai tornar-se o principal porto de escoamento de emigração oitocentista com origem no vasto "hinterland" de en tre Minho e Vouga, mas aonde o lugar prioritário cabia, sem dúvida, ao distrito do Porto " 7. É esse Porto de final de século que marcou miticamente a cidade, nas perspectivas contemporâneas. o tra balho que aqui se apresenta procu ra discernir até que ponto os esteios dessa cidade dinâmica - a popu lação, a expansão urbana, a dinâm ica socioeconómica- se vão já a fi rma ndo, em que traços específicos e em que ritmos, na época i n icial de oitocentos a. 229 PAULA GUILHERMINA DE CARVALHO FERNANDES Fizemos, assim, uma a proximação ao cá lculo dos qua ntitativos populacionais da cidade pa ra a pri m e i ra metade do sécu lo XIX, tentando, por via da a p l i cação d e alguma metodologia simples, confi rmar e comparar ritmos de cresci me nto d emográfico urbano. Segu ida mente, tentá mos compreender como essa cidade q u e crescia d e mografi ca mente, evo l u í a , ta mbém, urbaname nte, através da co lecção e d escrição ordenada de dados d isponíveis noutros estu dos. 2) A população urbana do Porto na 1 ª metade do século XIX: os dados d i s p o n íveis e uma a n á l i s e i n i c i a l dos ritmos d e cres c i m e nto A época pré-estatística é de dificil tratamento para qu e m nela se abalança. Os cálculos da população da u rbe portuense nos i n ícios do sécu lo XIX não esca pam a esta regra. O p tá m o s p e l a a u s ê n c i a d e cá l c u l o s a p u ra d o s e p o rv e n t u ra c o r r i g i d o s d a popu lação u rbana portuense. A razão de ta l opção prende-se com a fragi l i d a d e dos dados que as fo ntes (con heci das) fo rnecem. o quadro que a segu i r vos a prese nta mos (QUADRO nº 1) reúne, assim, os elem entos recolhidos e permite uma breve a n á l ise dos mesmos, mas não nos capa cita a ava nçar cá lculos mais fiáveis ou corrigidos para a época a b ra ngida. Assim, n o toca nte à população urbana do Porto, seguem-se os dados reco l h i d os: QUADRO N" 1 - A POPULAÇÃO U R BANA DO PORTO ANO F R E G U ES I A S HAB ITANTES (TOTAL) 9 H O M EN S M U L H ER E S -- -- -- 30000 1 2020 26723 25287 520 1 0 22549 40 1 9 1 FOGOS 1 7 50 10 1 787 11 1 7 94 13 7 1 08 2 8 1 7 642 1 7 98 14 7 1 1 1 68 -- - 1 801 16 7 1 1 30 1 -- -- 432 1 8 1819 17 5 - - - - -- 45 1 80 1 833 18 9 19 - - -- -- 50000 1 8 38 20 9 21 1 3 1 63 -- -- 59370 1 8 50 22 -- -- - - 74000 1 864 23 - -- - - 8675 1 -- 12 7 -- 12 24 - - __ 15 o n ú m e ro r e l a t i v o a m e a d o s d o s é c u l o X V I I I 3 0 . 0 0 0 h a b i ta n te s - é u m a esti mativa d e Pa u l Ba iroch, Jean Batou e Pie rre Chévre. Utilizá m o-la, porque nos pareceu uma estimativa fiável, quando cruzada com a i n formação d e d uas fontes p ratica m ente coevas, e m b o ra passíveis d e m u itas fragi l i d a d es. Trata m-se dos n ú m e ros avançados pelo geógrafo D. Luiz Caeta n o d e Lima, para 1 7 3 2 , relativos a 1 1 freguesias 3 0 . 0 2 4 - - 230 A ODADE DO PORTO NA 1." MITADE DO SÉCULO XIX: POPULAÇÃO E URBANISMO " a l mas" 25 - ; e do n ú mero avançado pelas "Me mórias Paro q u iais", em 1 7 5 8 - 3 5 .000 habitantes para a cidade e a rra baldes. A esti mativa por nós escolhida surge, ass im, como u m dado m i n i ma m e nte segu ro e sensato, p re fe ríve l , porventura , aos dados o rigi n a i s , já q u e a m bas as fo ntes s ã o porve ntura deficientes 26 Mas, quando co mparada essa esti mativa relativa a 1 7 5 0 com os dados d e 1 794 (40. 1 9 1 habita n tes), parece claro q u e os dados ava nçados por Rebello da Costa , e m 1 78 7 - 5 2 . 0 1 O habitantes -, são cifras empoladas. Essa é ta mbém a opinião d e outros a utores, como Ricardo Jorge, que comenta, a este propósito: "Devo confessar que esta estimativa tal vez seja u m pouco exagerada; fe ita a comparação com a valiações posteriores, as cifras podem tomar-se por demasia " 2 7 Rebello da Costa , a liás, embora afirme a exactidão do cá lculo que a prese nta , reafirmando "um laborioso exame e uma efficaz diligencia" 28 , não especifica de onde retirou os dados ava nçados e como os ca lculou. Os seis últimos a n os d o sécu l o XVI I I ( 1 7 9 4 a 1 8 0 1 ) mostra m uma progressão populacional a u m ritmo d e cresci mento de 1 , 1 % ao ano, mantendo-se a p o p u l a çã o portuense na casa d o s 40.000 habitantes. Os dados avançados por A . B a l b i para as 5 fre guesias centrais da cidade em 1 8 1 9 prenu nciam, a serem correctos, uma m a n utenção do ritmo de cresci me nto: embora encontremos entre as cifras d e 1 80 1 e 1 8 1 9 uma taxa de crescime nto a ritmético de 0,25% ao ano, note-se q u e os dados a pontados para a última data, são re lativos somente a 5 freguesias, e não a 7. o n ú m e ro a p ontado para 1 8 3 3 , 1 4 a n o s depois, refe re-se j á a 9 freguesias e estima um aume nto populacional evidente. Pa rece claro que vai ser na d écada de 3 0 do século X I X q u e o Porto ultra passa a m e i a centena de habitantes, rondando os 60.000 habita ntes ainda a ntes da década fi ndar, e m 1 8 3 8 (5 9 . 3 7 0 habita ntes). Na viragem do sécu lo, já se esti mam 74.000 habita ntes à cidade e somente 1 4 anos depois, e m 1 8 64, já se ultra passou a ci fra d e 80.000 habita ntes. A a n á l ise das cifras relativas à população urbana do Po rto req uer, a nosso ver, a fe itura das taxas de cresc i m e nto a ritméticas da população portu ense. o cá l c u l o d o ritmo de crescimento d e u m a população proporciona-nos u m resultado a n u a l m é d i o , que n o s permitirá compara r períodos de d i ferente amplitude no q u e toca às d iversas i n formações dispo níveis acerca do volume dessa população 29 _ Os resu ltados são os q u e apresenta mos no QUADRO nº 2 . QUADRO N." 2 - TAXAS D E CRESCIM ENTO ARITMÉTICO DA P O P U LAÇÃO URBANA D O PORTO 3 0 A N 03 1 TOTAIS 1 80 1 432 1 8 1819 45 1 80 T X . C . A R IT . (%) 0,25 0,77 * * 1 833 5 0000 1 838 5 9 3 70 1 850 74000 1 864 8675 1 3,74 2,10 1 ,2 3 · · Entre 1 82 1 e 1 83 5. a ta xa de crescimento aritmético da popu lação nacional cifrou-se nos 0,2 1 %. 23 1 PAULA GU/LHERMINA DE CARVALHO FERNANDES U m a o bserva ção rá pida do QUADRO nº 2 i n d icia alguns pormenores perti n e n tes. A taxa de cresci me nto aritmético da população portuense a u menta entre 1 80 1 e 1 8 3 8 , sendo n a década d e 3 0 q u e s e verifi ca uma maior pujança populacional ( 3 , 74% entre 1 8 3 3 e 1 8 38). De 1 8 3 8 a 1 864, declinam leveme nte os valores, mantendo-se, contu d o , a t é meados do sécu lo, na casa dos 2o/o, o q u e não s ã o va lores m e n osprezáveis. Ainda d e refe r i r o fa cto d e , e ntre i n ícios da década d e 2 0 e meados da d é ca d a d e 30, a popu lação portu ense ter crescido a um ritmo superior ao da população nacional (0, 7 7% contra 0,2 1 %). Parece-nos poder i n ferir que a) o cresci me nto populacional tradicional me nte atri buído ao Po rto nos fi nais do século XIX, especialmente entre 1 8 78- 1 890 e 1 8 90- 1 900 3 2 , é de facto u m cresci mento q u e pa rece ter tido a ntecedentes já na segu nda metade da década d e 3 0 do século XIX e até, pelo menos, á década d e 50. A viragem do século tra ria consigo u m l evíssi m o a bra ndame nto d este ritmo d e cresci mento, s e m no enta nto se nota rem s i n a i s visíveis d e paragem. b) não se verifica clara mente uma situação de refreame nto ou estagnação, fa ce a estes n ú m e ros, estagnação essa que outros a utores a ponta m poder ter ocorri d o entre fi nais do sécu lo XVI I I e o pri m e i ro terço do século XIX 33 . É certo que a á rea centra l da cidade - fregu esias da Sé, S. Nicolau, Vitória - pode deixar entreve r u m a d i m i n u içao populacio n a l , q u e se d everá provave l m e nte ás vi cissitu des da gue rra , aos contágios d u ra n te o cerco. a o a b a n d o n o , em troca d e zonas mais a l tas, mais segu ras e m a i s sadias da cidade 34 M a s t a l regressã o n ã o é demo nstrada de fo rma segu ra , e m termos do global da cidade que, como acima vimos, até pa rece te r tido u m ritmo de crescimento populacional superior àquele naciona l , nestes i nícios do século XIX. A segu n d a meta d e do sécu l o X I X parece ass i n a l a r u m ritmo d e cresci m e nto contínuo 3 5 , que se intensifi ca no último quarto do século. Há mesmo u m a "progressão vertiginosa da pressão demográfica " 3 6 n o d i strito do Porto a o lo ngo d o sécu l o XI X, sustenta da "s obre o cres cim e n to da população que (. . .) s e efectua a u m ri tmo superior ao do espaço continental, se exceptuarmos o período dos anos 5 0 (...), período em que, tanto ao nível da evolução do índice de crescimento como na taxa de crescim e n to anual m é dio, o Porto é ultrapassado pelo conj u n to nacional. Esta q uebra na década de 5 0, tem, naturalmen te, a sua explicação no pico emigratório que então se verifica, bem como na epidemia de "cholera morbus " de 1 855 que atacou com bastan te intensidade em alguns concelhos do distrito, nomeadamente na cidade, fazendo relem brar a de 1 833, mas sem atingir agora a mesma virulência " 3 7. o momento do Ce rco do Porto ( 1 8 3 2/ 3 3 ) , estudado por nós em tra b a l h o a nterio r e de maiores dimensões 38 , mostra-nos porta nto e como exemplo do q u e acima é escrito, uma c i d a d e q u e , m a lgra d o a p o n t u a l e e s p e c i a líss i m a s i t u a ç ã o d e cerco, fo m e e epidemia, com a momentâ nea e consequente regressã o demográfica; se i nscreve n u m quadro d e aumento populacional a ritmos razoáveis. 3) U r b a n i s m o , cresci m e nto d e m ográ fi co, d i n â m i ca e c o n ó m i ca e social - traços gerais o Po rto que se n o s depara n o s a nos 30 a 5 0 do sécu lo XIX é uma cidade q u e é fruto de um razoável período de tra nsformações que ocorrera m na segu nda meta d e d o 232 A CIDADE DO PORTO NA 1." MffADE DO SÉCULO XIX: POPULAÇÃO E URBANISMO sécu lo XVI I I 39 . É por demais reconhecida a a cção importa nte dos "Aimadas", João d e Almada e M e l o e s e u fi lho, Fra n cisco d e Almada e Mendonça , q u e lhe sucede n o ca rgo d e gove r n a d o r d a s A r m a s do Po rto e c o n t i n u a rá a o b ra i n i ci a d a 4 0 n o p l a n o d a u r b a n izaçã o , o b ras p ú b l i cas e a rq u itectura da u rb e . Luga r centra l n estes tra ba l h os ocupará a j u nta das Obras Públicas, com re ndimentos próprios assegura d os, sendo d e s u b l i n h a r ta mbém, c o m o lembra M.-T. Mandroux-Fra nça, a a ctividade com p l e m e nta r d e outro orga n ismo na urban ização do Porto, a Compa nhia da Agricultura das V i n h a s d o Alto Douro, c o m s e d e nesta cidade 4 1 . Vivia-se por então um momento de bonança económica e demográfi ca , q u e se reflectiria de sobrema neira no u rbanismo portuense. A cidade, d ividida e ntre uma zona ri beiri n h a , centro comerci a l , e uma zona mais alta, residencial e a rtesã; e ntre uma zona i ntra m u ros e outra , extra m u ros, tinha a necessidade de resolver as com u n i cações e ntre esta s desconti n u i da d es. U rgia ordenar, regu lar, a l i n har, e m b e l ezar, a l a rga r vias, cri a r outras. enfi m , u rbanizar c o m o racionalismo e a beleza possíveis. A qu estão das ligações a o " h i nterla n d " foi ataca da através da a bertura d e n ovas vias, que se i nscrevera m em velhos eixos viários (Porto-Póvoa , Porto-Braga o u Porto -Penafiel), para a l é m d e se procurar ordenar o cresci me nto u rba n o extra m u ros. A velha m u ra l h a fe rna ndina foi ro mpida em vá rios pontos, por exemplo, para a construçã o do Real Teatro de S. João ( 1 798) ou do edifício da Real Casa Pia ( 1 790- 1 804). A q u estão das comunicações zona baixa-zona alta da cidade foi resolvida pela abertura da Rua de S. João, e n tre a Praça da R i b e i ra e o La rgo d e s . D o m i ngos, a rtéria rectí l i n e a , a rej a d a , q u e assentaria em a rcaria sobre o leito terminal do rio da Vila. Este curso d e água a ca b a ria por fica r completa mente encanado com a abertura , ce rca d e u m século depois, da Rua Mouzi n h o da Si lvei ra , na década de 1 8 70. Ta mbém o centro eco n ó m i co e soci a l , i.e., a zona da Praça da Ribeira , precisava de receber edifícios cond ignos com a sua condiçã o d e coração da cidade. Os proj e ctos a rq u itectó n i cos refe rentes a o ú l t i m o q u a rtel d o s é c u l o XVI I I , n o m e a d a m e nte o d o i nglês J o h n Wh ite h e a d p a ra a Praça d a R i b e i ra , reflectem o ca rá cter pragmático e gosto neoclássico d e i n s p i ração palaciana q u e os e difícios públicos e particulares iriam assu m i r, por contra posição à li nguagem ba rroca da a rq u i te ctu ra religi osa da época. compare m-se, por exemplo, a To rre dos Clérigos ( 1 7 5 7- 1 7 6 3 , de N i co lau Nasoni) com o Hospita l d e Santo Antó n i o ( 1 76 9 , de John Carr), ou o Quartel d e Santo Ovídio ( 1 790- 1 8 06, provavel mente de Reinaldo O u d i n ot). e será bem cla ra esta divergê n cia de padrões arqu itectó n i cos laicos ou religi osos. A v i ragem d o sécu l o traz consigo p e rturbações d e ord e m politico-eco n o m i co - s o c i a l (i nvasões fra ncesas, c r i s e comerci a l , i nsta u ração d o l i b e ra l i s m o . . .) , q u e serão reflecti das n u m mome nto d e paragem urbanística . Nos a nos 2 0 , fa r-se-á a a b e rtura e co nstru çã o de algumas a rtérias. como a Rua dos Bragas ou do B o m Reti ro, q u e , n o entanto não modifi ca rão este mome nto d e estagnação, a penas contra b a l a n ça d o p o r u m cresci mento do casa rio extra m u ros. o cerco do Porto, e m 1 8 3 2 - 3 3 , vai facil itar a degradação da zona ri beiri n h a , mais atingida pelas gra nadas e pelo esvaziame nto populacional, q u e ocorre em d i recção às zonas mais a ltas da cidade, mais a rejadas, mais saudáveis, com melhor construção h a b i ta c i o n a l . A s ca m a d a s s o c i a i s q u e m a i s a b a n d o n a m o R i o s ã o a q u e l a s e co n o m i ca m e n t e m a i s a b a s ta d a s , fica n d o o c e n tro m e d i eva l e n t r e g u e m a i o ri ta r i a m e nte a q u e m d e l e n ã o p o d e o u n ã o c o n segue sa i r. É o m o m e nto d a cresc i m e nto da zona d e Cedofeita , por exe m p l o , e da generalização d o gosto pelos chalés m u rados, recatados e independentes. É o momento d e u m certo reord e n a mento espacial da cidade, mantendo-se a construção em altura no centro por contraste com zonas p e r i fé r i ca s . As e p i d e m i a s d e c ó l e ra , fre q u e ntes a pa rti r de 1 8 3 0 , e a n o va m e n ta l i d a d e fi la ntró p i ca e reformi sta q u e se vão afirm a n d o , exigem ta m b é m u m a re n o v a ç ã o d a i n te rve n ç ã o p ú b l i ca p a ra m e l h o ra r a s co n d i ç õ e s d e h i g i e n e d a s 233 PAULA GUILHERMINA DE CARVALHO FERNANDES aglomerações u rbanas, tanto velhas, como novas 42 . Estas correntes, mais visíveis, por exemplo, em Inglate rra do que em Portuga l , vão-se, no enta nto, fazendo sentir. o Ce rco parece ser, na o p i n i ã o d e a lguns a utores, u m m o m e nto d e reord e n a me nto e mudança 43 , não só em termos espa ciais, c o m o socia is, muito embora o centro comercial da cidade contin uasse próximo do rio, na Rua Nova dos I ngleses, na Rua de s. João, n o La rgo d e S. D o m i ngos, na Rua das Flores ... Ai manti n h a m a s suas sedes as e m p re s a s p o rtu e n s e s e e s t ra n ge i ra s . A l i á s , a p ó s o C e r c o , esta á re a s e rá a d e i m pla ntação não s ó d e uma burguesia m ercantil, como d e uma burguesia fi n a n ce i ra , ta mbém. o Porto d e meados d o sécu lo XIX parece-nos u m a c i d a d e com u m e n raizado coração comerci a l , na zona baixa, refo rça d o pala construção da po nte p ê n s i l e n tre 1 8 4 1 - 1 8 4 3 ; mas com um alastrar d e outros pólos d i n a m izad o res, como é o caso do novo centro cívico, a Praça Nova , os merca dos do Bolhão e do Anjo, a Bolsa, n ovas ruas, como a da Constitu ição, ou de Gonçalo Cristóvão. A d é c a d a de 6 0 é de a c e l e ra ç ã o do m o v i m e n t o de u rb a n i z a çã o , a l i á s , e m consonância com u m a situação económica positiva. A preocupação u rba nística a fi rma se ta nto n o toca nte à periferia, como n o tocante ao centro u rba n o , co nstru i n do-se u rban izações, melhora n do-se o sistema viário, d estru indo-se zonas insalu bres. Vão-se utiliza n d o as praças, de fo rmato redondo ou quadrado, e a malha das ruas e m triângu lo, tão preferida por Haussman e os seus sucessores, e que permite o bter o maior n ú m e ro de â ngulos que favoreçam o comércio 44 Entre 1 8 70 e o fi nal do século XIX, a malha u rbana a lastra e a d e nsa-se , com u m c o e v o a u m e nto p o p u l a c i o n a l . A b r e m - s e , na zona centra l d a c i d a d e , a s Ru a s Sá d a Bandeira e Passos Manuel. Em 1 8 96 é aberta a Esta ção d e s. Bento, tendo oco rri do n o s vi nte a n o s a nte riores u m razoável a u m e nto d a s ligações ferroviá rias d o Porto, fa cto r q u e n ã o t e rá s i d o a l h e i o à u r b a n i za ç ã o d a s z o n a s c i rcu n v i z i n h a s d e Ca m p a n h ã , n o m e a d a m e nte no sentido ca m p a n h ã - Bata l h a . A s zonas da constitu ição e Boavista conhecem um d i namismo notável, abrin do-se, por exemplo, várias a rtérias na pri m e i ra e a Praça da Boavista , na segu nda. Até a Foz ficou "mais perto" dos portu enses, com a i ntrod ução do "americano" ( 1 8 7 2) , do "eléctrico" e a abertura do Passeio Alegre ( 1 8 8 8). Em 1 8 9 5 a b re-se a estrada da Circunvalação, i ntegra n d o as fregu esias d e N evogi l d e , Aldoar e Ra malde no Concelho. o Porto fi n issecu lar é uma cidade em tra nsformação e em cresci m ento, mas uma cidade cheia d e p ro b l e m a s d e mográ ficos e u rba n os: a e l evadíss i m a m o rta l i d a d e , a habitação, o saneame nto e o a basteci me nto de água era m q uestões i rreso lúveis n o contexto vigente. Os esforços das autoridades m u n i cipais pa ra as resolver e ra m , a t é a o s a nos 80, "frustes e de fraco alcance " 45 , já que a m u n i cipalidade não dispunha d e u m plano global d e intervenção u rba nística. A a usência de um plano orga n izado de esgotos e a eva cuação dos d etritos em fossas fi xas ou c on d utas, t i n h a m tra nsformado a re d e h i d rográ fica portu e n s e n u m d e pósito de excrementos. N o s i nícios d o sécu lo X X a i nda a m a i o ria d a s fossas fixas portue nses não tinha co m u n i cação com o sistema d e esgotos. sendo provavel mente o meio san itário mais expandido no Porto, as fossas fixas acabariam por representa r u m pe rigo rea l , reve l a n do-se foco i n feccioso e d e gra n d e i ns u fi c i ê n c i a d e escoa m e n to , n u m a cidade em expansão. Ta mbém a rede de esgotos se trad uzia pela a usência d e u m plano prévio e pela existência d e n u m e rosos canos ra tei ros espa l ha d os pela c i d a d e , com fo rmas e d i â m etros d iversos. os detritos escoava m-se c o m frequ ência para o subsolo, i n d o i n q u i n a r as águas de poços e fo ntes. o desentulham ento das fossas fazia-se para ca rros d e bois, que ci rc u l a v a m pela c i d a d e . E m i n ícios d o sécu l o X X é constru i d o u m s i ste m a de esgotos na cidade, por uma fi rma i nglesa, mas este só fu nciona rá a parti r dos anos 20. 234 A CIDADE DO PORTO NA 1." MITADE DO SÉCULO XIX: POPUlAÇÃO E URBANISMO o a b asteci m e nto d e águas ocorria através d a s fo ntes e poços exi ste n tes n a cidade. Os poços e r a m m u itas vezes a bertos paredes- meias com as fossas fixas, d e modo q u e a s águas eram ra pidamente i n q u i nadas, pela ausência de i m permea b i l ização. Diversas a n á l ises fe itas nesta época às águas do Porto dava m resultados catastróficos, no tocante à sua sa lu bridade. Entreta nto, a cidade irá passa r a ser a baste cida de água ca nal izada a pa rti r do Rio Sousa , a partir de 1 8 8 7 , que se revelava de boa q u a l i d a d e , m a s à qual pou cos portue nses tinham acesso. A habitação popular irá ser qu estão ca nde nte e preocupa nte no Porto, ta l como o e ra pa ra o u tras c i d a d e s e u ro p e i a s , c o n fr o n ta d a s c o m u m c r e s c i m e n t o u r b a n o ga lopa nte. Multi p l i cavam-se a s "casas d a malta" e a s "i lhas", formas d e h a b itação ba rata e sem condições de sa l ubridade míni mas. As " casas da malta " , espa ços onde dormem, acanhadame nte e sem c o n d i ções h i g i é n i ca s , m u itos i n d i ví d u os que tra b a l h a v a m n a c i d a d e à s e m a n a , mas que s e deslocavam à a l d e i a n o s fi ns de sema na, s ã o geralme nte lo ngos armazéns. Nas " i l has", u m estreito corredor, geralme nte ao ar livre, separa fi eiras de cubículos, pouco a rejados e sem luz. Apenas u m quarto-d e-ba n h o co mum, ta lvez com uma fossa. Fra ca a l i m e n tação d o s habita ntes e péssi mas condições de salubridade e de v i d a , enfi m . Já Rebelo da Costa menciona i l has, dentro da cidade do Porto, n a s fregu esias da Sé e d e Sa n to I l d e fonso: "casas, que têm q uinze famílias diferen tes, e que pela sua dilatada extensão, se chamam Ilhas " 46 , embora a descrição d estas hab itações não seja pormenorizada. Em 1 8 3 2 - 3 3 , encontra mos " i l has" e " i l has de pobres", no bai rro d e Santa Catarina, e m número de 3 7 casos ( 1 ,42% do tota l de registos) 4 7 . Ta l dado é a q u i ava nça do, como i n d i c i o da perma n ê n c i a d este tipo d e h a b itaçã o n o b a i rro mais centra l d a c i d a d e , a b ra ngendo o centro cita d i no. o bai rro de Santa Cata rina cobria o monte da S é , centro de trocas por excelência, prolongando-se para leste (rua de Sto. António, praça da Batalha, zona d e S. Láza ro, zona das Fonta i n has, etc), chegando a enquadra r a i n d a a zona mais próxima d e Ca mpanhã 48 , e foi nosso objecto privilegiado d e estu do noutro trabalho. Mas é a "cidade escondida" das i l has do fi nal do século XIX 49 , aquela q u e ma rca rá profu n d a m e nte a fa ce u rbanísti ca , económica, social e mental da c i d a d e , fica n d o o i maginário dos portue nses bem ma rcado por elas. No centro da cidade a ntiga , são as "colmeias", i l has em a ltura , que i m p ressi o n a m os co ntemporâneos, enqua nto as il has d e ca racte rísticas térreas a lastra m u m p o u c o por toda a cidade, especi a l m ente nas zonas ma is i n d ustri a l izadas (Monte Belo, S. Vítor, ca mpo Pequeno, rua da sa udade, Sa lgueiros, etc) 50 Em 1 8 99, a popu lação das i l has ro ndaria os 3 6.000 i n d ivíduos 5 1 , numa a ltura em que a popu lação do concelho do Po rto seria de ce rca de 1 6 8.000 habita ntes 5 2 (ou sej a , cerca de 2 1 ,43% d o s habita ntes do Porto, viveria em i l has). Nesta conju ntura , compreend e-se que as i l has sejam e n caradas como " focos de i n fecção fís i c a " 5 3 , o n d e as c o n d i ções d e s a l u b r i d a d e e agl o m e ra ç ã o p o p u l a c i o n a l fa c i l i t a m os c o n t á g i o s . A varío l a , o sa ra m p o , a t u b e r c u l o s e , a s fe b r e s t i fó i d e s , a coqueluche, a difteri a , grassa m fa cilmente por entre os q u e se a l ojam nas "casas da ma lta" e nas " i l has" 5 4 Co incidindo com as situações acima descritas, o Porto a p resentava taxas brutas de morta l i dade elevadíssimas, "vinha no alto da escaleira das dez cidades europeias, de Londres a Ruão, sobrepojando-as a todas na lethalidade " 5 5 . Embora a sobre m o rta l idade urbana oitocentista seja fe nómeno conhecido dos d e m ógrafos, as ci fras portuenses atingiam níveis pouco ha bituais, ligados decerto às típicas con d i ções da vida u rbana tri peira , à qualidade a l i menta r, nível de vida em gera l , higiene públ ica e pessoal em q u e o s cidadãos do Porto viviam. 235 PAULA G UILHERMINA DE CARVALHO FERNANDES 4. C o n c l u s ã o Da segu nda cidade do país d u rante a pri m e i ra metade do século XIX, podemos esse n c i a l m e nte relevar u m d i n a m i s m o d e m ográ fi co níti d o , e m termos g l o b a i s d e cresci me nto, especia lmente e ntre a s décadas d e 3 0 a 5 0 . A este momento segu i r-se-ia um esboço d e a b ra n d a m e nto d essa te n d ê ncia na década d e 50, c o m p e n s a d o , n ã o o bsta nte, nos a n os segui ntes: a a c e l e ra ç ão d o r i t m o d e cresci m e nto d e m ográfico u rb a n o p o rtuense é fa cto sobej a m e n te c o n h e c i d o , especi a l m e nte n o que toca ao último quartel do sécu lo XIX. Tudo i n d ica que nesta cidade que a u m enta , em termos d e m ográ ficos, desde bem cedo, a expansão u rbana e socio-económica foi coeva , consentânea e, provave l m e nte, causa e consequência, à vez. o ritmo d e alastra mento da malha urbana (intra e extra m u ros), d a i m p l a nta ç ã o d e p o n tos de prod u çã o e troca , a m e l h o r i a d a rede e da orga nização dos transportes e com u n i cações, a consci ência p ú b l i ca das i nsufi ci ê n cias urbanas a nível sanitá rio e d e a bastecimento a l i m e ntar; são a lguns dos i n d ícios d e que a cidade, espaço d e vivência socia l , crescia e se modificava nas suas gentes, espaço, ordenação, produções, trocas e nas relações entre todos estes facto res. U m a a n á lise m a i s a profu n d a d a d a d i n â m i ca eco n ó m i ca cita d i n a desta época, já i n i ci a d a n o u tras obras 5 6 , será elemento essencial para completa r o quadro a q u i esboçado. Parece-nos poder i n ferir, a pós a breve a n á l ise acima efectuada, q u e todo este cresci mento, recheado de contra d i ções e d esconti nuida des, já se a n u n ciava d e forma cla ra a o longo da 1 ª metade do sécu lo XIX. NOTAS o a rtigo q u e a q u i s e a presenta baseia-se nos estudos efectuados para a dissertação de Mestrado e m H istória Moderna e contemporânea apresentada à Faculdade de Letras da U n iversidade d o Porto p e l a autora . Trabalho e habitação no Porto oitocentista ( 1 832- 1 833). O bairro de santa Catarina durante o Cerco d o Porto, Porto. edição policopiada. 1 99 5 . ai expostos. Neste a rtigo util izam-se ta is dados, e m bora a lgumas alterações relativas à sua contextua lização tenham sido feitas. 2 Cf., por exemplo, POUSSOU, J.-P. - La croissance des villes au X/Xe siécle. France, Royaume-Uni, États-Unis et Pays Germaniques, 2e éd., col. "Regards sur I'H istoire", Pa ris, Sedes, 1 992; ou BAIROCH, Pa ul; BAlOU, Jean e CHEVRE, Pierre · La population des villes européennes de 8 0 0 à 1 8 5 0 , Cen tre d ' H isto i r e Éco n o m i q u e lnternationale., Genéve, Librairie Droz. 1 988. FREY, J.·P- L a vil/e industriei/e et ses urbanités. La dinstinction ouvriers!employés. Le Creusot 1 8 70- 1 930, col. Architecture+Recherches, Liége, Pierre Ma rdaga Éditeur. 1 994, pág. 1 8. Teresa RODRIG U ES e Olegá rio FERREIRA a pontam taxas de cresci mento anual médio de 1 , 1 ( 1 864/ 78); 2, 4 ( 1 8 7 8/90): 1 ,9 ( 1 890/00). Cit. in MAIA, José João Maduro - Flutuações e declínio da mortalidade na cidade do Porto ( 1 8 70- 1 902). Ensaio de demografia histórica, Porto, LUsolivro, 1 994, pág. 4 1 . Cf. David J USTINO - A formação d o espaço económico nacional. Portugal, 1 8 1 0- 1 9 1 3 , 2" vol., Lisboa, Ed. Vega , 1 989, págs. 1 5 9·262, especialmente págs. 2 3 7 -2 39. Este autor sublinha ainda que "a uma bicefalia urbana (Lisboa e Porto, no contexto nacional) corresponde uma bipola rização económica. baseadas numa forte concentração que se torna esmagadora para os resta ntes centros populacionais e correspondentes espaços económicos" (Op. cit. , 1" vol., pág. 366). 236 A ODADE DO PORTO NA 1." METADE DO SÉCULO XIX: POPULAÇÃO E URBANISMO 6 RAMOS, Luis A. de Ol iveira (dir. de) - História do Porto, Porto, Porto Editora, 1 99 5 , pág. 4 1 6, para citar u m estudo recente sobre o Porto onde s e rea firmam estas perspectivas. ALVES, Jorge Fernandes - os Brasileiros. Emigração e retorno no Porto oitocentista, (versão da dissertação de Doutoramento em História Moderna e contemporânea apresentada a Faculdade de Letras da U niversidade do Porto), Porto, Ed. Autor, 1 994, pág. 1 1 . Sobre este assunto, cf. ainda, por exemplo, as págs. 1 6 5 - 1 7 5 . P o r exemplo, Jorge M iguel PEDREIRA lem bra, em estudo a profundado recente, que "no inicio do século XIX, para além de Lisboa ( ...) e do Porto, que com os seus 45 m i l residentes é a unica cidade que polariza uma economia regional ( .. .)", in PEDREIRA, Jorge Miguel - Estrutura industrial e mercado colonial. Portugal e Brasil col. Memória e Sociedade, Lisboa, Difel, 1 994, pág. 392. ( 1 780- 1 830), 9 Em a lguns destes n urnerarnentos, não se indicam "habitantes", mas sim "almas". Este ultimo termo, q u e já desesperava A. Balbi, traz consigo problemas incontornáveis, pelo significado d iverso que lhe é atribuído. umas vezes, significa simplesmente habita ntes em gera l , outras, tem os significados eclesiásticos de "alrnas de confissão" (exclusão dos menores de 7 anos) ou "almas de comunhão" (exclusão dos menores de 1 o ou 12 anos). Optou-se por assumir o tota l de "almas" por tota l de habitantes, nos casos em que surgem. 10 Estimativa de BAIROCH, Pa ul; BATOU, Jean; CHEVRE, Pierre - La population des villes européennes de 800 à 1 850, centre d'H istoire Econornique l nternationale, Université de Genéve, Genéve, Librairie Droz, 1 98 8 , pág. 57. Gaspar PEREIRA e M' do Carrno SEREN a pontam 35000 habitantes para "os lim ites a ctuais da cidades" (i.e., "a cidade, incluindo os arrebaldes"); tendo sido ta is elementos avançados pelas Memórias Paroquiais, ern 1 7 5 8 . l n RAMOS, L u i s A. d e O l iveira (di r. de) - His tória do Porto, Porto, Porto Editora , 1 9 9 5 , pág. 4 0 1 . Mencionam a i nda dados de 1 7 32 , provenientes decerto de D. Luiz Caeta no de Lima, mas optámos por não os considerar, já que Ricardo JORGE os considera "cifras ... deficientes". l n Ricardo JORGE - Demographia e Hygiene na cidade do Porto. I. Clirna - População - Mortalidade, Porto, Repa rtição de Saude e Hygiene da Câ mara do Porto, 1 899, pág. 1 1 3. 11 COSTA, Agosti nho Rebello da - oescripçào topografica e historica da cidade do Porto ... , Porto, Officina de Antonio Alva rez Ribeiro, 1 789, pág. 76. 1 2 Referimo-nos as freguesias da Sé, S. Nicolau, Vitória (intra m u ros), Sto. I l d efonso, M i raga i a , Cedofe i ta e Massarelos (extramuros). As duas ultimas freguesias forarn incorporadas na cidade ern 1 789. ln MOREIRA , Domi ngos A. - Freguesias d a cidade d o Porto. Elementos onomásticos altimedievais , "Boletim Cultural da Câ mara M u n icipal do Porto", vol. XXXIV, Fases. 1 e 2. Porto, 1 9 7 3, pág. 1 2 6. 13 ln VI LLAS-BOAS, c. J. Gomes de - Cadastro da Província do Minho , i n CRUZ, António, "Geografia e Economia da Proví ncia do Minho nos fi ns do sécXVIII", Porto, Centro de Estudos Humanísticos/Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 1 9 70. Como F. SOUSA aponta, em bora datados de 1 800 neste tra balho, os dados reportam -se a 1 794. ln SOUSA, Fernando de - A população portuguesa nos inícios do século XIX, dissertação de D o u tora m e n to e m H i stória M o d e r n a e C o n t e m p o r â n e a a p r e s e n t a d a a F a c u l d a d e de Letras d a U niversidade do Porto, Porto, edição policopiada, 1 " vol., 1 9 79, pág. 43-45. 14 ln A população de Portugal em 1 798. o censo de Pina Manique, introdução de SERRÃO, Joaqu i m Veríssi mo, Paris, Ed. Fundação Calouste Gulbenkian, 1 9 70, pág. 68. 15 16 17 Fernando de SOUSA apresenta uma esti mativa do tota l de almas/ha bitantes de 4 3 5 5 2 habita ntes, tendo obtido tal número, pela m u ltiplicação do n" de fogos pelo coeficiente 3.9, ou seja, o n" rnédio de almas por fogo registado em 1 80 1 . ln SOUSA, Fernando de - Op. cit. ,pág. 1 88. ln Tabuas topogra[ícas e estatísticas de todas as comarcas de Portugal, e das terras de cada hum em ordem alfabetica, com a povoação existente no anno de 1 8 0 1 , Lisboa, Instituto Nacional de Estatística , s.d. (Col. "Su bsídios para a História da Estatística em Portuga l"), vol. I. BALBI, Adrien - varietés politico-statistiques, 1 82 2 , pág. 1 04. Balbi refere-se as 5 freguesias centrais: Sé, Sto. Ildefonso, s. Nicolau, Vitória, Miraga ia. 237 PAULA GUILHERMINA DE CARVALHO FERNANDES 18 Dados fornecidos por Ricardo JORGE, in Op. cit. , pág. 1 1 6, citando o Relataria da commissão sanita ria do Porto, 1 8 3 3. Ta mbém COSTA, Maria Fernão Couceiro da - Estudos sobre a população da cidade do Porto. Evolução demográfica, Porto. Instituto de Antropologia da un iversidade do Porto, 1 94 6, indica ta is n"s. No entanto, refi ramos que Bernard in o A. Gomes (fi lho) menciona 80 a 1 00000 a l mas para o Porto. Foz e povoações intermédias, em 1 8 33. ln GOMES (fi lho), Bernardino A. - Memoria sobre a epidemia da Cholera-morbus que grassou n a cidade do Porco desde 1 8 3 2 a 1 8 3 3 , Lisboa , Typogra p h i a d a Sociedade Propaga d o ra dos conhecimentos Uteis. 1 84 2, pág. 1 9. 19 As 9 freguesias são Sé, Sto. Ildefonso, Vitória, S. Nicolau, Miragaia, Cedofeita , Massarelos, Foz e Lordelo. ln JORGE, Ricardo - Op. cit. , pág 1 1 5 - 1 1 8. 20 Dados do Arredondamento Parochial ( 1 83 8), sancionado pelo decreto de 1 1 .Dezembro. 1 84 1 , sob a referenda de costa Cabral.ln JORGE, Ricardo - Op. cit. , pág. 1 1 7- 1 1 9. 21 As 9 freguesias a q u i referidas são Sé, Sto. Ildefonso, Vitória. S. N i cola u , M i raga i a , Cedofeita, Massarelos, Bonfim e Ca mpanhã. Em 26 de Novembro de 1 83 6 haviam sido a nexadas 3 novas freguesias à cidade do Porto: Lordelo do Ouro, Campanhã e S. João da Foz. Por carta de lei de 2 7 de Setem bro de 1 8 3 7 , é anexada à cidade a freguesia de Pa ra nhos. Em 1 1 de Dezembro de 1 84 1 , sob a referenda de costa Cabra l, sa nciona-se o a rredondame nto paroq u i a l que permitiu a criação da nova freguesia do Senhor do Bonfi m , tendo este ocorrido em 1 8 3 8 , a i n da. Nasceu este desmem bra m e n to da gra nde á rea que era a freguesia de Sto. Ildefonso. Esti mativa de BAIROCH, Paul; BATOU, Jean; CHÉVRE, Pierre - La population des villes européennes de 800 à 22 1 850, 23 Centre d'Histoire Économique lnternationale, Université de Genéve, Genéve, Librairie Droz, 1 988, pág. 5 7 . ln Censo da População de Portugal 24 - 1 86 4 , Lisboa, Direcção-Geral de Estatística. As 1 2 freguesias aqui referenciadas estão agre miadas em dois Bai rros, o Oriental e o Ocidenta l . São elas: Sé, Sto. I l d e fonso, B o n fi m , C a m p a n h ã , Pa ra n h os (Bai rro Oriental); Cedofeita , Vitória , S. N i c o l a u , M i raga i a , Massa relos, Lordelo, Foz do Douro (Bai rro Ocidental). 25 Cit. in JORGE, Ricardo - Op. cit. , pág. 1 1 3. 26 JORGE, Ricardo - Op. cit. , pág. 1 1 3. 2 7 JORGE, Ricardo - Op. cit. , pág. 1 1 6. 28 COSTA, Agostinho Rebello da - Op cit, pág. 4 7. 29 NAZARETH , Joaquim Manuel - Princípios e métodos de análise da demografia portuguesa, Lisboa, Editorial Presença , 1 988, pág. 1 64. 30 Ca lculadas com base nas indicações metodológicas fornecidas por NAZARETH, Joa q u i m Manuel - Princípios e métodos de análise da demografia portuguesa, Lisboa. Editorial Presença, 1 988, págs. 1 64- 1 6 7 . 31 A s taxas de crescimento aritmético calculadas para o s dados referentes ao século XVI I I , s ã o : 1 7 50 (30000 hab.) - 1 78 7 (520 1 0 hab.) � 2%; 1 78 7 (520 1 0 hab.) - 1 794 (40 1 9 1 hab) � -3%; 1 794 (40 1 9 1 hab ) - 1 80 1 (4 32 1 8 hab.) � 1 , 1 %. Optámos por não a s incluir n o QUADRO n " 2 , devido à fa l i b i lidade dos n"s acerca d o tota l populacional. Explicar estes dados, i m p l icaria corrigi-los, o que não estava, neste momento do trabalho, contem plado. 32 Teresa RODRIGUES e Olegá rio FERREIRA apontam taxas de cresci mento anual médio de 1 , 1 ( 1 864/78); 2 .4 ( 1 8 7 8/90); 1 ,9 ( 1 890/00) Cit. in MAIA, José João Maduro - Flutuações e declínio da mortalidade na cidade do Porto ( 1 8 70- 1 902). Ensaio de demografia histórica, Porto. Lusolivro, 1 994 , pág. 4 1 . Ta mbém Jorge Fernandes 238 A ODADE DO PORTO NA 1." METADE DO SÉCULO XIX: POPUlAÇÃO E URBANISMO ALVES lem bra que, "u ltrapassado este período (da década de 1 8 50) o ritmo de cresci mento populacional do d istrito do Porto acelera mais, com u m a descolagem decisiva nas duas décadas fi nais (do século XIX) em relação à i magem nacional", por exemplo. Cf. q u a d ro e citação i n ALVES, J o rge Fernandes -O p . cit. , págs. 1 69 - 1 70. 33 Gaspar PEREIRA e M' do Carmo SEREN in ln RAMOS, Luis A. de Oliveira (di r. de) - História do Porto, Porto, Porto Editora, 1 99 5 , pág. 402. 34 35 Gaspar PEREIRA e M' do Carmo SEREN i n RAMOS, Luis A. de Oliveira (di r. de) - Op. cit. , pág. 403. "(. .. ) Fase de recu peração ( ...) após meados do século", afirmam estes mesmos autores, in RAMOS, Luis A. de Ol iveira (dir. de) - Op. cit. , pág. 403. 36 ALVES, Jorge Fernandes - op. cit. , pág. 1 69. 37 Idem, ibid. 38 FERNANDES, Pa ula Guilhermina de carva lho - Trabalha e habitação no Porto oitocen tista ( 1 83 2 - 1 833). O bairro de santa Catarina durante a cerca do Porto, Porto, edição policopiada de d issertação de m estrado em História Moderna e Contemporâ nea, 1 995. 39 As l i n has segu i n tes resu ltam da consulta e recolha de i n formações de várias o b ras gera i s , das q u a i s destaca mos OLIVEIRA, J . M . Pereira de - o espaço urbano do Porto, d i ssertação de d o u tora m e n to e m Geografia apresentada à Faculdade de Letras da universidade de Coimbra, Coimbra, Instituto de Alta Cultu ra. centro de Estudos Geográficos. 1 9 73; MANDROUX-FRANÇA, Marie-Thérése - Quatro fases da urbanização do Porto no século XVIII, " Boletim Cultural da câmara Mu nicipal do Porto", 2" série. 2 , Porto, Câ mara M u n icipal do Porto, 1 986; Gaspar PEREIRA a M' do Carmo SEREN i n RAMOS, Luis A. de Oliveira (dir. de) - História do Porto, Porto, Porto Editora, 1 99 5 , págs. 3 78-399. 40 Alguns autores consultados que sublinham precisa mente esta questão: MANDROUX-FRANÇA, Marie-Thérése - Op. cit. ; Gaspar PEREIRA a M' do Carmo SEREN i n RAMOS, Luis A. de Ol iveira (dir. de) - Op. cit. , págs. 3 78-3 80; ALVES, Joaquim Jaime B. Ferreira - O Porto na época dos A/modas. Arquiteaura. Obras Públicas, Porto. Ed. CMP, 1 988. 41 MANDROUX-FRANÇA, Marie-Thérése - Op. cit. , págs. 24 7-248. 42 BEN EVOLO, Leonardo - La vil/e dons /'histoire européenne, col "Faire I'Europe", Paris, Editions d u seu i l , 1 993 , pág. 207. 43 Gaspar PEREIRA a 44 BEN EVOLO, Leona rdo - Op. cit. , pág. 2 1 9. 45 M' do Carmo SEREN in RAMOS, Luis A. de Oliveira (di r. de) - Op. cit. , págs. 384. MAIA, José João Maduro - Flutuações e declinio da mortalidade na cidade do Porto ( 1 870- 1 902). Ensaio de demografia histórica, Porto, Lusolivro, 1 994, pág. 30. Sobre a situação sanitária do Porto, cf. as págs. 24-39. 46 COSTA, A. Rebelo da - Op. cit. , pág. 42. 47 FERNANDES, Pa ula Gui lhermina de carva lho - Op. cit. , págs. 92-95. 48 A cidade do Porto foi dividida em três grandes bairros, ou distritos, para efeitos de admin istração da j ustiça criminal e segu rança pública. por decreto de 4 de Dezem bro de 1 8 32. Eram eles os bairros de Santa Catarina, santo Ovídio e Cedofeita. o primeiro cobria a pa rte mais centra l da cidade, nomeadamente a zona ribeirinha tradicional, o segu ndo cobria a zona norte da cidade, o terceiro, cobria a zona oeste da urbe. Cf. FERNANDES, Pa ula Guilhermina de Ca rva lho - Op. cit. , págs. 4-5 e mapa n' 1 , pág. 1 4.a. 239 PAULA GU/LHERMINA DE CARVALHO FERNANDES 49 P E R E I R A , G a s p a r M a r t i n s - Fa m ílias p o r t u e nses no vira g e m do s é c u l o ( 1 8 8 0 - 1 9 1 O), d i sse rta ção d e Doutora mento apresentada à Faculdade de Letras d a Universidade d o Porto, Porto, edição policopiada, 1 99 3 , pág. 7 5 . 50 PEREIRA, Gaspar M. - Op. cit. , págs. 76-77. 51 Idem . pág. 79. 52 Idem, pág. 5 3 , tendo por fonte o Recenseamento d a População. 53 PEREIRA, Gaspar M. - Op. cit. , pág. 80. 54 Idem, pág. 77. 55 JORGE, Ricardo - Op. cit. , pág. 304. 56 Exemplo de síntese recente sobre esta temática e aquela efectuada por Gaspa r M. PEREIRA e M -' do Ca rmo SERÉN i n RAMOS, Luis A. de Oliveira (dir. de) - Op. cit., págs. 4 1 6-424 ou 4 34-438. Estudos como o s de José Paulo MOURA - A época d a bonança. Economia e Sociedade do Porto ao tempo da 1 . " in vasão fra ncesa, d issertação de mestrado em H istória Moderna a p resentada à F.L.U.P., Porto, ed. policopiada, 1 989; ou o ca pítulo que Nuno MADUREIRA dedica ao Porto i n Mercado e privilégios na indústria portuguesa ( 1 750- 1 834), tese de doutoramento em História Económica apresentada ao ISCTE. ed. policopiada, Lisboa, 1 996; podem ser elementos a levarem conta na prossecução de ta l análise aprofu ndada. 240 A ODADE DO PORTO NA 1." METADE DO SÉCULO XIX: POPULAÇÃO E URBANISMO 5. Fo ntes e b i b l i ografia B I B L I OTECA P Ú B LICA M U N ICIPAL D O P O RT O F o n t e s cartográficas Planta da cidade do Porto de George BALCK ( 1 8 1 3) Planta da cidade do Porto e arredores, com localização das torrificações liberais e miguelistas durante o Cerco do Porto, l i tografia i nglesa, pertencente ao Arq u ivo H istórico M u nicipal da Cidade do Porto, edição da Câ m a ra M u n icipal do Porto, 1 9 8 2 carta topographica da cidade do Porto ... por Augusto Geraldes Tel/es FERREIRA ( 1 892) ANDRADE, Monteiro (co m p i l . de) - Plantas antigas da cidade (século XVIII e primeira metade do século XIX), Porto , C.M.P./Gabi nete de História da Cidade, 1 94 3 Fontes i m p ressas Censo da População de Portugal - 1 864, Lisboa, Di recçã o - Geral de Estatística. Col/ecção de Leis 1 829 até Ag. 1 834, Lisboa, I m prensa Nacional GOMES (fi l h o), Bernard i n o A. Memoria sobre a epidemia da Cholera-morbus que grass o u na cidade d o Porto desde 1 8 3 2 a 1 8 3 3 , L i s b o a , Ty p o g ra p h i a da S o c i e d a d e P r o p a ga d o ra dos - Conhecime ntos Uteis, 1 84 2 I.N.E. - A cidade do Porto - súm ula estatística ( 1 864- 1 968), Lisboa, I.N.E., 1 9 7 1 Tabuas topograficas e estatísticas d e todas as comarcas d e Portugal, e das terras d e cada hum em ordem alfabetica, com a povoação existente no anno de 1 80 1 , Lisboa, I n stituto Naci o n a l de Estatística , s . d . (Col. "Su bsíd ios para a H istória da Esta tística e m Portuga l"), vol. I VILLAS - BOAS, C. j. G o m es de - Cadastro da Província do Minho ( 1 800), in CRUZ, A n tó n i o , " G e ografia e Eco n o m i a da Proví ncia d o M i n h o nos fi ns d o séc.XVI I I " , Porto, C e n tro d e Estu d o s H u m a n ísticos/Fa culdade d e Letras da Unive rsidade do Po rto, 1 9 70. Fontes i m p ressas - p e r i ó d i cos Borboleta Constitucional, n Q 2 2 9 , 1 1 d e O u t u b ro d e 1 8 2 2 , Porto , I m p re n sa do G a n d ra 16 24 1 PAULA GUILHERMINA DE CARVALHO FERNANDES B I B L I O G RAFIA a) Sobre a cidade do Porto A população de Portugal em 1 789. o censo de Pina Manique, i ntro d u çã o de SERRÃO, Joa q u i m Veríssimo, Paris, Ed. Fu ndação Ca louste G u l benkian, 1 9 70 ALvEs, Joa q u i m J a i m e B. Ferre i ra - o Porw na época dos A/modas. Arquitectura. Obras Públicas, Porto, Ed. CMP, 1 9 8 8 ALvEs, Jorge Ferna ndes - Os Brasileiros. Emigração e rewrno no Porto oiwcentista, (versão d a d isse r tação de Doutora m e n to em H istória Moderna e Co ntemporânea a presentada à Fa culdade d e Letras da U n iversidade d o Porto e m 1 993), Porto, Ed. Autor, 1 9 94 ANDRADE, Mo nte i ro - Uma curiosa do Porto", pags. 1 24- 1 2 6 planta antiga do Porw, i n "Boletim Cultural d a Câ m a ra M u n icipal CosTA, Agost i n h o Rebello da - Descripção topografica d e Anton io Alva rez Ribeiro, 1 7 89 D., A. A. - e hiswrica da cidade do Porw ... , Po rto, Officina Porw, Cerco do ( 1 832- 1 833), i n SERRÃO, Joel (dir. de) - "Dicionário d e H istória d e Portuga l " , v o l . I V , Porto, Livra ria Figu e i ri n has, 1 9 90 Exposição de plantas da cidade do Porw dos XVIII e XIX, Gabi nete de H istó ria da Cidade da Câ m a ra M u n icipal do Porto, Porto, 1 94 9 FERNANDES, Pa ula Guilhermina de carva lho - Trabalho e habitação no Porto oiwcentista ( 1 832- 1 833). O bairro de Santa Catarina durante o Cerco do Porw, Porto, e d i çã o policopiada da d i ssertação d e m estrado e m História Moderna e Conte m porânea a p resentada à Facu l d a d e d e Letras d a Un iversidade do Porto, 1 99 5 . FERNANDEs, Pa ula G u i l hermina d e ca rva lho - Breve abordagem a uma estrutura sacio-profissional do Porw nas vésperas do Cerco (1 827), com u n i cação a p resentada a o congresso " O Porto na É poca Conte m porânea", rea l iza do pelo Ate neu comercial do Porto em Outubro de 1 9 8 9 , e ntregue para p u b l icação e m Actas, 1 9 89 FERNANDEs, Pa u l a G u i l hermina de ca rva l h o - o quotidiano portuense visw pela imprensa à época do Cerco. Contribuição para um estudo, com u n i cação a p resentada ao Congresso "A I m prensa n o M u n d o d e E x p ressão Portugu e s a " , rea l i za d o pelo Ate n e u C o m e rc i a l d o Po rto e m outu b ro d e 1 99 2 , entregu e para p u b l icação e m Actas, 1 99 2 JoRGE, Ricardo - Demographia e Hygiene na cidade do Porw. I. Clima Repa rtição de Sa ú d e e Hygiene da Câ m a ra do Porto, 1 899 JoRGE, Ricardo - População - Mortalidade, Porto, - Origens & desenvolvimento da população do Porto. Notas historicas & estatísticas, Porto, Typ. Occid enta l , 1 8 9 7 MAIA, José J o ã o Mad u ro - Flutuações e declínio da mortalidade na cidade do Porto ( 1 870- 1 902). Ensaio de demografia histórica, Porto, Lusol ivro, 1 994 MANDRoux- FRANÇA, Marie-Thérése - Quatro fases da urbanização do Porto no século XVIII, "Boletim Cultura l da Câ m a ra M u n icipal do Porto", 2" série, 2 , Porto, câ m a ra M u n icipal d o Porto, 1 9 8 6 MoREIRA, D o m i ngos A. - Freguesias da cidade do Porto. Elemen tos onomás ticos alt.m edievais , "Boletim Cultura l da Câ m a ra M u n icipal do Porto" , vol. XXXIV, Fases. 1 e 2. Porto, 1 9 7 3 . 242 A ODADE DO PORTO NA 1 " METADE DO SÉCULO XIX: POPULAÇÃO E URBANISMO MouRA, José Pa u l o - A época da bonança. Economia e sociedade do Porto ao tempo da 1 " invasão francesa, d isserta ção de Mestrado em H istória Moderna a prese ntada à Facu ldade d e Letras da U n iversidade do Porto, Porto, edição policopiada, 1 9 8 9 OuvEIRA, J. M. Pere i ra de - O espaço urbano do Porto, d isserta ção de doutora mento e m G eografia a p resentada à Facu ldade d e Letras da U n iversidade d e Coim bra, Co i m bra, I nstituto d e Alta Cultura. centro de Estu dos G eográficos, 1 9 73 PEREIRA, Gaspar M a rtins - Estruturas familiares na cidade do Porto em meados do século XIX. A freguesia de Cedofeita, d isserta ção de Mestrado em H istória Moderna e Conte m porâ n e a a p resentada à Facu ldade de Letras da U n iversidade do Porto, e d i ç ã o p o l i c o p i a d a , 1 9 86 PEREIRA, Gaspa r Martins - Famílias portuenses na viragem do século ( 1 880 - 1 9 1 0), d isse rta ção d e Douto ra mento e m H istória Moderna e conte m porânea a p resentada á Fa culdade d e Letras da U n iversidade do Porto, ed ição policopiada, Porto, 1 99 3 PEREIRA, lso l i n a Rosa P r i o r La d e i ra Alves - Mobilidade geográfica na cidade do Porto ( 1 800- 1 827), d issertação de Mestrado e m H istória Moderna e Conte m porânea a p resentada à Facu ldade d e Letras da U n iversidade do Porto, ed ição policopiada, 1 990 PEREs, D a m ião; CRUZ, Antón io 1 9 65 PINTO, J. M. P. 1 8 69. - História da Cidade do Porto, vol. I I I , Porto, Po rtu calense Ed itora, 1 96 2 - Apontamentos para a história da cidade do Porto, Porto, Typogra p h i a C o m m e rc i a l , Porto. Roteiro e plan ta. , ed ição oficia l , Porto, Domingos Barreira Editor, 1 9 3 3 . RAMOS, L u i s A. de Oliveira (dir. d e ) - História do Porto, Porto, Porto Editora, 1 99 5 Rateiro prático da Cidade do Porto, Porto, T i p . E m p rêsa G u edes, Lda., 1 944 SANTos, câ n d i d o d o s - A população do Porto de 1 700 a 1 820. Contribuição para o es tudo da demografia urbana, s e p a rata d a " R evista d e H i stó r i a " , P o r t o , C e n tro d e H i s t ó r i a da U n i versidade do Poro, vol. I, 1 9 79 b) Suporte teórico, metodol ógico e i nstrumentos d e a n á l ise A História social. Problemas, fontes e métodos, Colóquio da Escola Normal Superior d e Saint-Cioud ( 1 5 - 1 6 de Maio de 1 9 65), Lisboa, Ed ições Cosmos, s.d. AGULHON, Mau rice - Une vil/e ouvriére Mouton et E. H. E. S. S., 1 9 70 au temps du socialisme utopique: Tou/on, 1 8 1 5 à 1 85 1 , Paris, BAIROCH, Pa u l - Cities and economic development. The U n iversity of Chicago Press, 1 9 8 8 BAIROCH, Pa u l From the dawn of History to the presem, C h i cago, Population urbaine et taille des villes en Europe de 1 600 à 1 970; presentation de series s tatis tiques, i n " D é m ogra p h i e u rb a i n e . XVe - XXe s i e c l e " , Lyo n , C e n tre d ' H istoi re - Éco n o m i q u e et Socia le d e la régi on Lyon na ise, n" 8 , 1 9 76, p. 1 - 4 2 BAIROCH, Pa u l ; BATOU, Jean; CHÉVRE, Pierre - L a population des villes européennes d e 8 0 0 à 1 850, Centre d 'Histoire Éco n o m i q u e lnternationale, U n iversité d e Ge néve, G e néve, Libra i r i e D roz, 1 988 243 PAULA GU/LHERMINA DE CARVALHO FERNANDES BALBI, Adrien - Essai statistique sur /e royaume de Portugal et d'Aigarve comparé aux autres états de / 'Europe et suivi d'un coup d'oeil sur l'état actuei des sciences, des lemes et des beaux arts parmi /es portugais des deux hémisphéres, Paris, Chez Rey et G ravier, Libr., 2 tomos, 1 82 2 BARDET, J.-P. - Rouen aux XVI/e et XVII/e siêcle: /es mutations d'une espace social, pa ris, CDU, 1 98 3 BENEvoLo, Leonardo - L a vil/e dons /'histoire européenne, col. " Fa i re I'Europe", Paris, Éd itions d u Seu i l , 1 99 3 Alberto ( a cura di) - Da/la città preindustriale a/la città dei capitalismo, Bologna, Società CARACCIOLo, ed itrice ii M u l i n o , 1 9 75 Maria Fernão Couce i ro da CosTA, - Estudos sobre a população da cidade do Porto. Evolução demo gráfica, Porto, I nstituto d e Antropologia da U n i versidade d o Porto, 1 946 DusY, Georges (dir. de) - Histoire de la France Urbaine, Paris, seuil, 1 9 8 1 FRANZINI, M . M . - Instrucções statisticas que por ordem do Excellentissimo e Reverendissimo Senhor Principal Souza, compilou M.M. Franzini (...) em 1 8 14, Lisboa, I m p ressão Regia , 1 8 1 5 FREY, Jean-Pierre - La vil/e industriei/e et ses urbanités. La disntinction ouvriers!employés. Le Creusot 1 870- 1 930, col. Architecture+Recherches, Liége, Pierre Ma rdaga Édite u r, s.d. ( 1 994?) GARDEN, Mau rice - Lyon et les Lyonnais au XVIII siêcle, Paris, Fla m m a rion, 1 9 7 5 HARVEY, David - Urbanismo y desigua/dad social, Madrid, Siglo Vinti u n o d e Espana Ed ito res, 1 99 2 J usTINO, David - A formação do espaço económico nacional. Portugal, 1 8 1 0- 1 9 1 3 , 2 vols., Lisboa, Ed. Vega , 1 9 8 9 LEPETIT, Bernard - Les villes dons l a France moderne Pa ris, Éditions Albin Michel, 1 98 8 ( 1 740 - 1 840), c o l . "L'Évolution d e I ' H u m a n ité", Ler História. (Lisboa: perspectivas sobre o passado), n" 26, Lisboa, Fim d e Sécu l o Edições, Lda., 1 99 4 MADUREIRA, N u n o Luís - Cidade: Espaço e quotidiano (Lisboa 1 740- 1 830), Lisboa, Livros Horizonte, 1 99 2 PEDREIRA, Jorge M iguel - Estrutura industrial e mercado colonial. Portugal e Brasil ( 1 780 - 1 83 0), Col. memória e Sociedade, Lisboa, Difel, 1 99 4 PEREIRA, M i riam Hal pern - Negociantes, fabricantes e artesãos, entre velhas e novas instituições, col. "A Crise d o Antigo Regi me e as Cortes Constitu i ntes d e 1 8 2 1 - 1 8 2 2 " , Lisboa, Ed ições joão Sá da Costa , 1 992 PERES, Damião (dir. de) - História de Portugal, Edição monu mental comemora tiva do 8" centenário d a Fundação d a Nacionalidade, v o l . VIl, Barcelos, Portu ca lense Editora, Ld.", 1 93 5 PINHEIRO, Magda - Crescimento e modernização das cidades n o Portugal oitocentista, "Ler História", n " 20, Lisboa, 1 990, p. 79 - 1 0 7 Poussou, j.-P. - L a croissance des villes au X/Xe siécle. France, Royaume-Uni, États- Unis et Pays Germaniques, 2 e édition, Col. Rega rds sur I'H istoi re, Paris, Sedes, 1 99 2 SERRÃO, j o e l 244 - Fontes d e Demografia Portuguesa ( 1 800- 1 862), Lisboa, Livros Horizonte, 1 9 7 3 A ODADE DO PORTO NA 1 " METADE DO SÉCULO XIX POPULAÇÃO E URBANISMO S o u s A , F e r n a n d o d e - A p o p u lação p o r t u g u esa nos i n ícios do s é c u l o XIX, d i s s e rta ç ã o d e Douto ra m e nto e m H istória Moderna e Contem porânea a p resenta d a à Facu ldade d e Letras d a U n iversidade do Porto, Porto, ed ição policopiada, 2 vols., 1 9 79 TEIXEIRA, Manuel c. - A história urbana em Portugal. Desenvolvimentos recentes, "Aná l ise Social", vol. XXVI I I ( 1 2 1 ), Lisboa, 1 99 3 , p. 3 7 1 -390 TEIXEIRA, Manuel c. - A habitação popular no século XIX - características morfológicas, a transmissão de modelos: as ilhas do Porto e os cortiços do Rio de janeiro, "Aná l ise Socia l", vol. XXIX ( 1 2 7), Lisboa, 1 994, p. 5 5 5 - 5 79 Vil/e et santé en Grande-Brewgne. XVII/e-XIXe siécles, Actes du col loque de Clermont-Ferra n d ( 1 7- 1 8 j a n v i e r 1 9 86) ré u n is p a r J a c q u e s Carré, F a c u lté des Lettres e t S c i e n ces h u m a i nes d e I ' U n iversité de Bla ise-Pasca l , 1 98 8 ZELLER, O l ivier - Les Recensements Lyonnais d e 1 597 et 1 636. Démographie historiq ue et géographie sociale, Lyon, Presses Un iversitai res de Lyo n , 1 9 8 3 245