XV ENCONTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS DO NORTE E NORDESTE E PRÉ- ALAS BRASIL 04 A 07 DE SETEMBRO DE 2012 – UFPI – TERESINA-PI GT09 – SOCIEDADE, MERCADO E SUSTENTABILIDADE. Ciência, Tecnologia e Mercado: Uma reflexão sobre as pesquisas em Nanotecnologia Tânia Elias Magno da Silva Universidade Federal de Sergipe [email protected] Diego Rodrigues Souto Calazans Universidade Federal de Sergipe [email protected] 1 Ciência, Tecnologia e Mercado: Uma reflexão sobre as pesquisas em Nanotecnologia1 Tânia Elias Magno da Silva2 Diego Rodrigues Souto Calazans3 Resumo A presente comunicação discute a estreita relação entre a produção de conhecimento na área tecnológica, no caso a nanotecnologia, os interesses de mercado e os impactos sociais decorrentes desses avanços, assim como os desafios que estão colocados para o campo de análise das ciências sociais. As discussões apresentadas são fruto da pesquisa “Nanotecnologias aplicadas aos alimentos e aos biocombustíveis: reconhecendo os elementos essenciais para o desenvolvimento de indicadores de risco e de marcos regulatórios que resguardem a saúde e o ambiente” (898/2009), financiada pela Capes. A nanotecnologia é uma tecnologia de ponta que poderá ter e já tem inúmeras aplicações, portanto é do ponto de vista do mercado um investimento seguro e do futuro. Neste sentido é preciso discutir as questões éticas e legais que devem regular o uso das nanotecnologias. Neste trabalho o foco de discussão é a nanobiotecnologia, particularmente a produção de alimentos e remédios. Palavras-Chave: imaginário, nanotecnologia, impactos social, interações sociotécnicas A Nanotecnologia e as Ciências Sociais Arthur C. Clarke, escritor de ficção científica, afirmou certa vez que qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível da magia (TOMA, 2004). Em certa medida, parece ser este o caso da nanotecnologia, apontada como uma nova revolução científica capaz de resolver inúmeros problemas das sociedades modernas, como os relativos ao meio ambiente, à saúde, à alimentação, à genética, à modernização dos artefatos de guerra, entre outros. No imaginário social, é como se, graças ao uso da 1 Artigo apresentado no XV Encontro de Ciências Sociais do Norte e Nordeste e Pré-Alas Brasil, no GT 09, “Sociedade, Mercado e Sustentabilidade”, de 04 a 07 de setembro de 2012, UFPI, Teresina/PI. 2 Professora colaboradora do NPPCS/UFS, coordenadora do Grupo 05 da Pesquisa Nanotecnologias aplicadas aos alimentos e aos biocombustíveis: reconhecendo os elementos essenciais para o desenvolvimento de indicadores de risco e de marcos regulatórios que resguardem a saúde e o ambiente” (Edital 04/CII – 2008 – Nanobiotecnologia – da CAPES) 3 Pesquisador e bolsista do projeto Nanotecnologias aplicadas aos alimentos e aos biocombustíveis: reconhecendo os elementos essenciais para o desenvolvimento de indicadores de risco e de marcos regulatórios que resguardem a saúde e o ambiente. Doutorando em Sociologia - UFS” 2 nanotecnologia, todos os problemas acima listados pudessem ser resolvidos como em um passe de mágica. Em seu estudo sobre as implicações sociais da nanotecnologia, Foladori e Invernizzi (2006) alertam para o cuidado que devemos ter em relação às promessas que a colocam como capaz de, por si só, solucionar a maioria dos problemas do mundo, em especial os relacionados com a alimentação, energia, água potável, lixo e saúde. Como resultado de recentes promessas não cumpridas, como as associadas ao suposto benefício da energia nuclear ou aos organismos geneticamente modificados, a nanotecnologia tem despertado grandes controvérsias. Existem críticas sobre os possíveis efeitos das nanopartículas sobre a saúde e sobre o meio ambiente. (Op. Cit., p. 115). Ainda de acordo com os dois estudiosos, outra preocupação que deve fazer parte dos estudos sobre os impactos dessa nova tecnologia diz respeito aos possíveis efeitos que ela teria nos países pobres e na distribuição da riqueza. A ciência e a tecnologia não são neutras e, portanto, nunca estarão a serviço de todos indistintamente e sem custos. É preciso reconhecer que há uma interdependência entre tecnologia e sociedade, bem como uma estreita relação entre a produção de conhecimento, as novas tecnologias e o mercado (cf. SAREWITZ e WOODHOUSE, 2006). Como esclarecem Foladori e Invernizzi, “a imagem de que a tecnologia é algo neutro e resulta de inventores bem intencionados não se sustenta” (Op. Cit. 2006, p. 117). A verdade é que os avanços das pesquisas em nanotecnologia parecem prometer um novo tipo de revolução científica e industrial (GALLO, 2007); para algumas áreas do conhecimento como a química, a física e a biologia, o avanço neste campo representa um poderoso incremento e revitalização de suas ciências. As pesquisas em nanotecnologia têm exigido cada vez mais estudos interdisciplinares, abarcando campos do conhecimento como a medicina, diferentes áreas da engenharia, economia e direito, bem como as ciências sociais, porque as possibilidades neste campo parecem aos olhos leigos infinitas, e incitam o imaginário coletivo. Para o público em geral, a nanotecnologia tem o potencial de centrar a imaginação coletiva nas possibilidades de um mundo onde a escassez de recursos naturais, poluição ambiental e 3 problemas de saúde supostamente sem tratamento sejam coisas do passado. A nanotecnologia promete diminuir a importância da matéria organizada e promover o desenvolvimento de tecnologias que são mais limpas e mais eficientes. É claro que muito se espera da nanotecnologia. (METHA, 2006, 107) A possibilidade de um mundo novo surge na promessa dos que investem nesta área do conhecimento, contudo cabe levantar algumas questões: Será a nanotecnologia capaz de resolver todas as demandas apresentadas? A que custos? Quais os possíveis impactos negativos e positivos que poderão advir decorrentes desta nova tecnologia? Estamos preparados para enfrentá-los? Como estabelecer medidas de precaução? Como estabelecer políticas de controle por parte do estado visando à proteção humana e ambiental? Qual a responsabilidade dos cientistas e tecnólogos com os possíveis impactos decorrentes do emprego da nanotecnologia? Os trabalhadores diretamente envolvidos na produção de produtos que contenham nanotecnologia estão cientes dos cuidados que devem ter para operar essa nova tecnologia? A sociedade civil está sendo corretamente informada a respeito dos alcances, limites e precauções? Inúmeras outras questões podem ser levantadas, mas poucas poderão poderão ser respondidas de imediato, contudo os produtos e o emprego da nanotecnologia já estão no mercado, sem que a sociedade civil tenha plena consciência do que é esta nova tecnologia e de seus possíveis impactos na vida social, bem como ainda carecemos de marcos regulatórios que possam dar segurança aos consumidores e trabalhadores quanto o uso dessa nova tecnologia. A nanotecnologia não é, em essência, uma tecnociência própria, mas a possibilidade de manipular tecnicamente os elementos constituintes da matéria em escala nanocóspica, isto é, elementos com nanômetros de diâmetro. Um nanômetro equivale a um bilionésimo de metro (1nm = 10-9m). Nessa dimensão é possível construir artefatos molécula a molécula, obtendo-se com isso resultados até então imaginados apenas pelos autores de ficção científica. A nanotecnologia é formada por diversos subcampos, isto é, por áreas de aplicação da manipulação nanométrica. 4 A manipulação de elementos em escala nanoscópica já garante a mescla entre compostos orgânicos e inorgânicos, favorecendo a inter-relação entre as tecnologias baseadas em organismos e as tecnologias baseadas em máquinas. Essa possibilidade promete gerar uma simbiose entre máquinas e organismos, particularmente entre neurônios e redes informacionais. Também há o aprimoramento de cada dimensão separadamente, com organismos cada vez mais otimizados e máquinas com inteligência semelhante à dos humanos. Alguns pensadores, especulando sobre os usos de tal possibilidade tecnocientífica, desenvolveram modelos de futuro, considerados altamente prováveis e desejáveis, em que as pessoas poderiam valer-se dos avanços – ainda potenciais – da nanotecnologia para superar problemas essenciais da humanidade, como o sofrimento, a velhice e mesmo a morte (KURZWEIL & GROSSMAN, 2006). Em “La Revolución Silenciosa - Biotecnología y Vida Cotidiana”, Alberto Díaz, professor adjunto da Universidade de Quilmes em Buenos Aires e diretor do Centro de Biotecnología Industrial do Instituto Nacional de Tecnologia Industrial da Argentina faz um alerta acerca das “ondas” tecnológicas: Ante cada oleada tecnológica los problemas son parecidos: siguem planteando benefícios y riesgos que permitem hacer llegar la biotecnologia a un gran número de personas a través de nuevas industrias y empresas, generadoras y usuarias de los conocimientos (Díaz, 2010: 15). Outro ponto levantado por Díaz em seu livro diz respeito à relação entre os avanços científicos e tecnológicos, políticas governamentais e interesses de mercado. O autor cita como exemplo os debates que ocorreram no início de 2006, em Buenos Aires, no Fórum Internacional sobre a relação entre Políticas e Ciências Sociais, promovido pela UNESCO. O debate centrouse na transferência de tecnologia ou conhecimento, que tanto preocupa os cientistas naturais. Contudo, como afirma Díaz (2010), muito mais complicado é o objetivo dos cientistas sociais: integrar seus conhecimentos e descobertas com as organizações políticas e de governo. Ao final, mais de mil universitários presentes no Fórum e representantes de mais de 85 países concluíram haver a necessidade de uma articulação entre políticas públicas e o conhecimento gerado pelas disciplinas 5 na área das ciências sociais, para atuar com mais eficiência frente aos complexos problemas que afetam a comunidade internacional. Ou seja, a conclusão foi: Estes novos conhecimentos são produzidos por quem? Para que finalidade? Para atender que populações? Quais os riscos e benefícios? Quem fica o com o bônus e com quem fica o ônus? Às ciências sociais cabe exatamente o papel de investigar estas questões; e ainda desmistificar falsas promessas, propor políticas públicas que realmente atendam o interesse da maioria da população, em especial os mais pobres, bem como cobrar ações governamentais no âmbito da criação de marcos regulatórios baseados no princípio de precaução4. Prevenir é sempre melhor que remediar. Alertam MATTEDI, MARTINS & PREMEBIDA (2011): Se a adoção de uma nova tecnologia impacta a malha social e as interações entre seus membros, o desenvolvimento da nanotecnologia constitui uma questão política e, portanto, deve estar aberta ao exame das ciências sociais. (op. cit., p.136). Nanotecnologia: uma nova tecnociência5? A nanotecnologia nada mais é do que uma ferramenta, ainda que uma ferramenta de extrema utilidade, para o aprimoramento de tecnociências já existentes, como a engenharia genética e a robótica. Uma das oportunidades e dos desafios da nanotecnologia é lidar com as alterações que certas substâncias apresentam em suas propriedades quando manipuladas nessa escala. Um metal inofensivo em escala padrão pode tornar-se altamente tóxico quando manipulado em escala nanométrica. Em alguns casos, por outro lado, há um aumento significativo na eficácia de certos produtos, como remédios e alimentos desenhados para agir como remédios. Nessa dimensão, o medicamento pode ser transportado pelo corpo e ativado apenas quando em contato com microorganismos nocivos ou células defeituosas, garantindo redução sensível de efeitos colaterais e maior eficácia do tratamento. Produtos em tal escala também são mais difíceis de controlar, em particular quando se trata de sua toxicidade. O corpo não consegue impedir a entrada de substâncias que sejam menores do que seus filtros podem 4 Vide a esse respeito entre outros, Engelmann et al. (2010). Uma discussão sobre o conceito de “tecnociência” e seus usos pode ser encontrada em Latour (2001). 5 6 interceptar. É quase certo que um produto que se valha de nanomateriais, ainda que construído para agir somente na pele, chegará à corrente sanguínea, o que pode gerar consequências imprevistas. Apesar dos riscos já conhecidos, há disponíveis no mercado inúmeros cosméticos contendo nanomateriais. Dá-se o nome de nanopartículas aos elementos em escala nanoscópica. Quanto à sua origem, existem três tipos de nanopartículas: as de origem natural, as de origem humana não intencional e as intencionalmente projetadas. Sobre os dois primeiros tipos, pouco se pode fazer e não nos parece oferecer grandes ameaças, uma vez que convivemos com eles desde, pelo menos, o início do uso do fogo pela humanidade (cf., p.ex., SCHULZ, 2009). É sobre as nanopartículas intencionalmente geradas que repousa grande parte das considerações éticas. A nanotecnologia funciona como um catalisador do avanço de diversas tecnociências. Graças a ela, é possível manipular os genes de embriões para selecionar as características genéticas a serem preservadas ou descartadas. Ela também torna possível à robótica a construção de próteses mecatrônicas diretamente conectadas ao sistema nervoso do usuário, garantindo assim o controle cerebral do membro metálico. Para a tecnologia da informação também a nanotecnologia surge como condição indispensável do desenvolvimento de chips com memória e velocidade em crescimento exponencial. Graças à microtecnologia a robótica saltou das fábricas automotivas para os lares ao longo das últimas décadas do século XX, há quem aponte que será graças à nanotecnologia que a mesma robótica, não apenas deixará de produzir robôs limitados a atos repetitivos previstos na programação original para desenvolver andróides capazes de processar as informações do ambiente de modo a adaptarem seu comportamento, indo além de sua programação básica, como também vem fazendo esses mesmos robôs com autonomia aumentada saltarem das casas das pessoas para dentro de seus corpos. A manipulação genética é, dentre as tecnociências turbinadas pelas nanotecnologias, a que mais tem despertado interesse e exaltações dos grupos de pressão, uma vez que ela apresenta a possibilidade de gerar organismos artificiais com características sob demanda, inclusive seres 7 humanos. Também traz a possibilidade de manipular a estrutura genética de organismos complexos plenamente formados através de terapia genética. Tanto a manipulação embrionária quanto a pós-uterina já são praticadas regularmente em centros de pesquisa, empresas e hospitais, gerando pressões contrárias para o estabelecimento de leis que possam regular o setor. O debate crescente tem se dado em torno de questões éticas, particularmente quanto às atuais e potenciais aplicações desse novo conhecimento. É possível impor limites? Quem decidirá quais são esses limites? Nanotecnologia, Mercado e Governos A nanotecnologia movimenta um montante considerável de capital e desperta interesses conflitante por todo o mundo. As perspectivas são de que, ainda nessa década, a nanotecnologia movimente recursos na casa dos trilhões de dólares anuais, mesmo no cenário mais pessimista. Apesar da importância estratégica do setor, e em grande parte por conta dos custos e das demandas em termos de infraestrutura e formação acadêmica, só uns poucos países têm investido significativamente na pesquisa e desenvolvimento em nanotecnologia. Os principais investidores de recursos públicos no setor são os Estados Unidos, o Japão e a Europa. O mercado consumidor de produtos que contêm nanomateriais também está concentrado nessas três áreas: Europa, Estados Unidos e parte da Ásia (mais precisamente o Extremo Oriente). Dessa forma, os maiores produtores são eles também os maiores compradores. Canadá, México e Brasil, os países que mais investem em nanotecnologia, depois dos Estados Unidos, não têm uma posição relevante dentro do cenário mundial do setor. Nos últimos anos, o Brasil tem assumido uma posição de potência emergente e despertado a atenção de empresários e especuladores de diversos setores da economia, mas ainda não está entre os maiores mercados consumidores – ao menos se compararmos à China, Estados Unidos e Europa. As empresas de nanobiotecnologia têm presença significativa e são mais comuns nos Estados Unidos e no Reino Unido do que no Japão e na Alemanha, levando-se em conta apenas os quatros países que mais possuem empresas do setor. A nanobiotecnologia é o setor que mais cresce. Os 8 interesses econômicos e consequentes demandas políticas em torno da nanobiotecnologia são proporcionais ao montante de recursos gerados e as perspectivas de crescimento do setor. Por ser uma área de interesse estratégico para corporações e países, o cuidado na apresentação dos dados sobre os potenciais do setor e a busca por mais espaço de manobra em nome da competitividade tem gerado uma disputa com os grupos de pressão que demandam maior controle sobre a nanobiotecnologia, o que poderia ser menos lucrativo para as empresas do setor porque limitariam a velocidade de inovação e levariam à proibição de produtos. Esta disputa entre os grupos de pressão, os interesses de mercado por lucro e dos países para deterem um maior domínio no campo nanotecnológico aponta para uma batalha entre visões de mundo inconciliáveis pelo apoio da opinião pública, de modo a legitimar a formulação de novas leis restringindo ou ampliando o controle do Estado e da sociedade civil sobre as aplicações atuais e possíveis da manipulação nanoscópica de elementos biológicos. A disputa ocorre principalmente por meio dos meios de comunicação de massa, tanto os mainstream quanto os alternativos, como espaços de manipulação de dados por parte de universidades, empresas, governos, ONGs etc., em busca de simpatia e apoio, valendo-se para tanto do reforço ou da negação de concepções pré-estabelecidas. Os produtos relacionados à Saúde & Boa-Forma – que podem ser entendidos como produtos relacionados ao Bem-Estar, uma vez que grande parte é voltada para pessoas saudáveis – correspondem a muito mais da metade dos disponibilizados. Alimentos & Bebidas aparecem em terceiro lugar. A indústria dos nutracêuticos, isto é, alimentos modificados para agir como fármacos, e dos aprimoradores de desempenho é voltada principalmente para o melhoramento da performance do corpo saudável, com o objetivo declarado de torná-lo melhor do que a média, ou seja, em vez de se limitar a normalizá-lo, o que se pretende é torná-lo superior ao normal – o que, por si só, faz de quem tem um corpo normal alguém em situação de inferioridade diante de quem tem um corpo aprimorado, assim como quem tem um corpo abaixo do normal pode ser tratado por muitos como inferior a quem tem um corpo dentro da média. Lucra-se vendendo a ideia de que nunca se está bem o bastante, de que sempre é possível ficar mais “saudável”, isto é, de que sempre é possível 9 melhorar o desempenho do corpo, como se melhora o desempenho de uma máquina. O grosso da produção farmacêutica, contudo, ainda corresponde a produtos para pessoas doentes, para que seus corpos superem o que os deixa abaixo da média. Como exemplos de aplicações nas áreas de interesse do presente artigo, temos embalagens bactericidas para estocar comida, garrafas de plástico que não deixam o gás dos refrigerantes escapar, suplementos polivitamínicos voltados em geral para pessoas saudáveis que desejam aprimorar o desempenho de seus corpos, “regeneradores” de óleo de cozinha, cremes faciais, pastas de dente “remineralizadoras”, brinquedos bactericidas para bebês, entre outros. Entretanto a toxidade, ou melhor a nanotoxidade não é suficientemente levantada nos relatórios do setor que são publicizados pela imprensa leiga e muitas vezes até pelas publicações científicas. As informações existentes dão conta de problemas que parecem dar razão aos que demandam considerações políticas urgentes sobre a questão. Durante o ciclo de vida potencial das nanopartículas no corpo humano, as substâncias podem chegar ao mesmo órgão por diversas vias de exposição. O risco da exposição à nanomateriais se faz presente durante todas as etapas de sua produção. Os danos atuais e potenciais estão presentes já no momento da extração da matéria-prima e seguem ameaçando tanto os trabalhadores do setor quanto os consumidores, acabando por se voltar para o próprio ambiente. Tentativas de regulação de nanomateriais precisam levar em conta não apenas a particularidade de cada produto a ser controlado, mas também todo seu ciclo de vida, adequando-se sempre que possível aos riscos inerentes a cada estágio, sob pena de ineficácia. Ainda não há leis para regulamentar e controlar o setor dado a pouco tempo que de existência do emprego da nanotecnologia em relação a testes que precisam ser feitos para mensurar de fato os riscos potenciais, e como o avanço das pesquisas é extremamente dinâmico aliado aos interesses de mercado, tanto da iniciativa privada como de países, que envolvem bilhões de dólares, nenhum país tem um código específico. Em geral, tenta-se adaptar a legislação existente. Enquanto não há consenso, as empresas seguem com invejável liberdade para produzir, distribuir e descartar nanomateriais segundo princípios 1 válidos para os produtos comuns. Há uma batalha entre grupos de pressão para que se aumente ou se diminua as restrições. Para melhor entendermos o que está em jogo, no próximo item vamos dar alguns exemplos das promessas e dos avanços concretos da nanotecnologia, particularmente na saúde e nos alimentos (nesse último caso, a ênfase é nos transgênicos). Promessas, Avanços e Questões da Nanotecnologia em Saúde e Alimentos Saúde Tem havido muitos avanços em áreas associadas à engenharia genética. Pesquisadores da Universidade da Pensilvânia publicaram, em março de 2012, os resultados de um estudo inovador através do qual um grupo de pacientes com cegueira hereditária conseguiu enxergar – ainda que não perfeitamente – por meio de terapia genética (Zero Hora, 2012). A terapia genética é uma das maiores promessas da medicina desde o final do século XX – e tem sido tratada com suspeita por muitos. Ela consiste, grosso modo, no “conserto” de mutações problemáticas no DNA de um indivíduo através da substituição dos genes tidos como defeituosos por genes tidos como saudáveis, transportados para o interior das células por vírus devidamente programados. O organismo das cobaias humanas não rejeitou os novos genes, para surpresa dos próprios pesquisadores. Os cientistas obtiveram um sucesso tão grande que decidiram refazer o procedimento em vez de divulgar os resultados. Isso explica porque foram precisos três anos para que viessem a público. Se já é possível modificar o DNA de um organismo hiper-complexo plenamente formado, como um ser humano adulto, mais fácil é montar organismos simples gene a gene. A Biologia Sintética tem apresentado descobertas interessantes nos últimos anos. A construção de novas formas de vida sempre desperta considerações relevantes. Em 2011, foi anunciado que uma equipe multidisciplinar composta por cientistas de seis países havia recebido 1,6 milhão de dólares de uma agência britânica de fomento à pesquisa, para desenvolver um projeto de pesquisa cujo objetivo seria o de desenvolver células reprogramáveis, isto é, formas de vida construídas para 1 obedecerem uma programação prévia, como minúsculos computadores orgânicos (Thorne, 2011). Os defensores do projeto ressaltam que o polêmico campo da Biologia Sintética é responsável por novas descobertas médicas relevantes, como drogas desenvolvidas “sob medida” para as necessidades de cada paciente e mesmo o crescimento de órgãos para transplantes. Os detratores do projeto, por sua vez, argumentam que ele tem por objetivo tão somente dar aos cientistas o poder de criar sistemas biológicos novos – e que isso traz não apenas riscos a serem levados em consideração, mas questões ético-morais que não deveriam ser ignoradas. A princípio essa tecnologia poderia ser usada para modificar o comportamento de organismos vivos. Frente a possibilidade de manipular microrganismos para que se tornem fármacos, é preciso ter em mente que fármacos podem ser remédios ou venenos, a depender de como são usados, e que o mesmo método que permite manipular organismos simples, a princípio, permitiria fazer o mesmo com os complexos; plantas e animais – incluindo os humanos. Saindo do âmbito da engenharia genética, mas mantendo-se na engenharia e no transporte de medicamentos pelo interior do corpo, a Ficção Científica apresentou há décadas a imagem de microfoguetes capazes de navegar pelo interior do corpo humano, ou para destruir in loco as células cancerígenas, ou para circunscrever a área de ação de medicamentos arriscados ou para realizar cirurgias com precisão inimitável. Os livros e filmes da série Viagem Fantástica, e suas cópias, são os principais difusores dessa ideia. Essa proeza deixou de ser mera especulação e entrou para o campo dos avanços iminentes quando foi anunciado que o primeiro protótipo fora desenvolvido (Inovação e Tecnologia, 2012). Idealizado por Samuel Sanchez e seus colegas do Instituto Leibniz, na Alemanha, e testado pela equipe de Joseph Wang, da Universidade da Califórnia, o primeiro modelo criado, contudo, não era funcional, uma vez que precisava levar consigo seu próprio combustível, o que fazia com que não fosse possível usá-lo adequadamente no interior de um ser vivo. Em fevereiro de 2012, porém, a mesma equipe que desenvolveu o protótipo anunciou que aprimorou seu microfoguete, garantindo que agora ele pode se movimentar até 1 mesmo no ácido estomacal, sem fonte externa de combustível, e numa velocidade considerável. O objetivo é não apenas destruir células problemáticas, mas também transportar drogas pelo interior do hospedeiro, limitando sua ação a um local específico, aumentando assim sua eficiência e reduzindo os efeitos colaterais. Os cientistas responsáveis pelo protótipo informam tê-lo testado em diversos meios similares aos fluidos orgânicos pelos quais deve se deslocar no interior do organismo, mas o microfoguete ainda não foi inserido em um ser vivo. Reduzindo-se ainda mais a dimensão dos robôs, temos os nanorrobôs. Se os microrrobôs dependem da nanotecnologia para serem viáveis, os nanorrobôs são em si construtos de dimensão nanoscópica. Quase na mesma época em que os pesquisadores da Universidade da Califórnia afirmaram haver consertado os defeitos de seu microrrobô, uma equipe de cientistas da Universidade de Harvard anunciou a construção de um nanorrobô a partir da modelagem de um DNA, numa técnica análoga ao tradicional origami6 (Hamzelou, 2012). O objetivo central é o mesmo do microrrobô: destruir células cancerígenas sem danificar células saudáveis. A equipe construiu um robô dobrando uma molécula de DNA num formato que lhe permitisse carregar a droga desejada e desenvolvendo duas “trancas” genéticas – no caso em questão, segmentos de DNA capazes de reconhecer uma molécula específica. Quando a célula desejada é atingida, o construto de DNA se desdobra, liberando a substância. A equipe fez o teste construindo um robô que identifica as moléculas características da superfície de células com leucemia. Foram introduzidas células doentes em um cultivo de células normais, fora de qualquer organismo, e nelas inseridos milhões de nanorrobôs. Em três dias, metade das células cancerígenas havia sido destruída sem que nenhuma saudável fosse atacada. Em novembro de 2010, durante o Seminário Internacional de Nanotecnologia, Sociedade e Meio-Ambiente, realizado no Rio de Janeiro, Mihail C. Roco, presidente do subcomitê do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia dos Estados Unidos responsável pelos estudos em Ciência, Engenharia e Tecnologia em Nanoescala, Consultor Sênior para 6 Origami é uma técnica milenar japonesa que consiste na produção de objetos artesanais geométricos mediante dobramento de papel, sem que o papel seja colado ou cortado de nenhuma forma. 1 Nanotecnologia da Fundação Nacional de Ciência dos Estados Unidos e editorchefe do Journal of Nanoparticle Research, um cientista diretamente envolvido com os investimentos da Casa Branca em nanotecnologia, respondeu ao questionamento de um dos autores do presente artigo, afirmando que tais robôs diminutos, capazes de viajar pela corrente sanguínea, não passavam de fantasias. Isso mostra como é problemática, mesmo para os especialistas, a percepção do que é especulação irrealista e do que é avanço iminente no campo da nanotecnologia. Alimentos Em 2010, o biólogo russo Alexey Surov publicou os resultados de um estudo segundo o qual a soja geneticamente modificada causaria esterilidade e mortalidade infantil em hamsters (Voice of Russia, 2010). Surov alimentou hamsters por dois anos, através de três gerações, com uma dieta à base de soja geneticamente modificada, do mesmo tipo que a Monsanto cultiva em vários países do mundo, inclusive o Brasil. Na terceira geração, mais de 50% dos hamsters que receberam essa alimentação tornaram-se estéreis. Houve também um retardo no crescimento e um aumento da taxa de mortalidade infantil. Para completar, alguns hamsters da terceira geração tiveram pelos crescendo dentro de suas bocas – um fenômeno raramente visto em hamsters normais, mas aparentemente comum entre os hamsters alimentados com soja geneticamente modificada. Diversos estudos chegaram à conclusão de que animais que se alimentam de vegetais geneticamente modificados podem passar adiante na cadeia alimentar os efeitos da transgenia original (Bio-Safety, 2009). Mas o uso de engenharia genética na produção de alimentos não tem ficado restrito aos vegetais. Em 2011, pesquisadores chineses anunciaram que conseguiram modificar geneticamente centenas de vacas para que elas passassem a produzir leite “mais parecido com o humano” (Jornal do Brasil, 2011). Para ser mais exato, os cientistas desenvolveram embriões bovinos com os genes responsáveis pela produção de lisozima, uma proteína de forte caráter bactericida, muito comum no leite humano, mas rara no da vaca. Afora o 1 aumento considerável da lisozima presente no leite dessas vacas, nada mais o assemelha ao leite humano. A questão dos transgênicos está envolta em um mar de polêmicas, com agressões contínuas entre os grupos de interesse e celebradas vitórias políticas de um ou de outro lado. Em 2009, foi aprovada por unanimidade uma lei que proíbe a entrada de quaisquer formas de organismos geneticamente modificados no Peru num prazo de 10 anos (Andina, 2009). O objetivo declarado era o de proteger os produtos nativos. Em outros países da região, discussões semelhantes estão em curso. A preocupação com os transgênicos, porém, não é algo restrito aos mercados latino-americanos, como alguns defensores da transgenia querem fazer acreditar. A Autoridade Européia em Segurança Alimentar (AESA, no original) publicou uma orientação básica dando informações mais específicas quanto aos estudos a serem realizados sobre riscos decorrentes do uso de nanotecnologia em alimentos (Montague-Jones, 2011), o que por certo inclui a transgenia. No documento recém-publicado, a AESA defende o uso de práticas de avaliação de risco clássicas nesta área emergente da ciência dos alimentos. Isto significa a identificação e caracterização do perigo seguido de avaliação da exposição e caracterização do risco. Nem todos, contudo, estão de acordo quanto à necessidade de aumentar o controle público sobre a produção de alimentos geneticamente modificados. Uma cientista que já foi Conselheira de Ciência e Tecnologia do Departamento de Estado dos EUA, Nina Fedoroff, escreveu um longo artigo no The New York Times criticando o que ela considera ser um excesso de legislação por parte do governo dos Estados Unidos sobre as técnicas mais avançadas de engenharia alimentar (Fedoroff, 2011). Segundo Fedoroff, essas técnicas possibilitarão um aumento considerável da produção de alimentos com uma redução drástica do custo, tornando possível a eliminação da fome no mundo. Diversos pesquisadores rebateram os argumentos de Fedoroff. Dentre seus críticos, destacamos Márcia Ishii-Eiteman, que aponta a hipocrisia do discurso da ex-conselheira (cf. Ishii-Eiteman, 2011). A crítica aponta as ligações da autora do texto anterior com interesses corporativos das grandes indústrias alimentícias e diz que ela deliberadamente ignora a abundância de 1 relatórios de agências da ONU e estudos científicos independentes que mostram que os alimentos geneticamente modificados não têm nenhum impacto positivo no tocante ao combate à fome, mas que, pelo contrário, geram consequências danosas para a segurança alimentar e ambientar de vastas populações. A rejeição aos transgênicos tem sido tão grande em vários países que algumas empresas já anunciaram que não mais trabalharão com essa tecnologia, ao menos nos territórios em que o mercado é desfavorável. A empresa alemã Basf anunciou, em janeiro de 2012, que, frente a desconfiança persistente na Europa quanto aos alimentos transgênicos, pretende abandonar o desenvolvimento de novos produtos destinados ao mercado europeu, centrando suas atividades em mercados mais “permissivos” como Estados Unidos e Brasil (G1, 2012). O Brasil é comumente apontado como um dos mercados mais promissores para os alimentos transgênicos, particularmente como produtor (o "celeiro do mundo"). Segundo estimativa oficial, a área cultivada com sementes geneticamente modificadas em nosso país deve chegar a 31,8 milhões de hectares na safra 2011/12, que começou a ser colhida em janeiro (Valor, 2011). Trata-se de um aumento de 20,9% em relação à safra anterior. O Brasil é o segundo maior produtor mundial de transgênicos, atrás apenas dos Estados Unidos. No dia 15 de setembro de 2011, a CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança) aprovou, a partir de um relatório elaborado por pesquisadores da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), e sob protestos de ambientalistas e pesquisadores anti-transgênicos, a liberação do cultivo de feijão modificado geneticamente para resistir ao vírus causador do mosaico dourado (Guimarães, 2011). Com isso, a produção se tornaria supostamente menos nociva à saúde e também mais barata. A CTNBio aproveitou o ensejo para modificar seu regulamento de modo a agilizar a aprovação de novos cultivos transgênicos. Para o Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), a aprovação do cultivo do feijão transgênico foi precipitada e estaria em desacordo com os testes necessários para demonstrar a segurança dos alimentos modificados geneticamente na alimentação do consumidor brasileiro (Kozan, 2011). O 1 Consea (Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional) posicionouse contrário à liberação do feijão geneticamente modificado por entender que, além de os estudos de análise de risco apresentados serem insuficientes, não haveria necessidade de investir na pesquisa e na liberação deste produto, que demandará uso de agrotóxicos, uma vez que a própria Embrapa já realizou experimentos bem sucedidos com o cultivo orgânico de feijão sem a infestação das doenças causadoras do vírus do mosaico dourado e sem comprometer a produtividade. Conclusão A nanotecnologia é o catalisador de algumas revoluções científicas que apontam maravilhas para esse início de século, mas podem gerar problemas para os quais não estamos nos preparando adequadamente. Os valores em jogo ultrapassam a casa dos bilhões de dólares, assim como as possibilidades de gerar novos produtos e gerar novas áreas de aplicação da naotecnologia aumenta as espectativas de lucro dos mercados. Este é um campo de conhecimento que está apenas no início, há muito ainda para se descobrir . O uso de nanomateriais deve abrir novas frentes de pesquisa e de aplicação dos nanomateriais em novos produtos. Os exemplos citados neste artigo reforçam a questão levantada por Díaz (2010) quanto a relação entre os avanços científicos e tecnológicos, políticas governamentais e interesses de mercado, assim como os desafios que estão colocados para os cientistas socais neste campo de conhecimento e um deles é trabalhar com o princípio de precaução, bem como no campo da divulgação científica buscando conscientizar e mobilizar a sociedade civil em torno do tema. Não se trata de ser contra ou a favor a nanotecnologia, mas sim de buscar estabelecer normas e agências reguladoras que possam realmente acompanhar o que está sendo colocado no mercado, e determinar os limites éticos das experiencias neste campo. Há questões de varias ordens que circulam o tema, questões éticas, morais, sociais, economicas, políticas, culturais que precisam ser analisadas. O tema é complexo, envolve várias áreas do conhecimento e interesses diversos. Os cientistas que produzem o conhecimento e os tecnólogos que transforma 1 esse conhecimento em produtos não podem se eximir de responsabilidade conforme os impactos que essa nova tecnologia possa causar, assim como devem a sociedade, que de certa forma os paga, explicações sobre o que vem produzindo, porque e para quem. Afinal, os interesses econômicos não devem estar acima dos interesses sociais. BIBLIOGRAFIA ANDINA. En Comisión de Pueblos Andinos Aprueban prohibir durante quince años ingreso al Perú de productos transgénicos. Jun. 2009. Disponível em http://www.andina.com.pe/Espanol/Noticia.aspx?Id=8UdUk5vk9so= BIO-SAFETY Info. Food Derived From GM Fed Animals Are Not GM-Free. 24/11/09. Disponível em http://www.biosafety-info.net/article.php?aid=645 BLOOR, D. 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