Black 150 lpi at 45 degrees p_gra_1a1b.ps F:\armazØm\2012\revisªo bimestral\1.” bimestre\1.“ sØrie\professor\p_gra_1a1b\p_gra_1a1b.vp sÆbado, 3 de mar o de 2012 07:50:06 Black 150 lpi at 45 degrees p_gra_1a1b.ps F:\armazØm\2012\revisªo bimestral\1.” bimestre\1.“ sØrie\professor\p_gra_1a1b\p_gra_1a1b.vp sÆbado, 3 de mar o de 2012 07:50:08 Black 150 lpi at 45 degrees p_gra_1a1b.ps F:\armazØm\2012\revisªo bimestral\1.” bimestre\1.“ sØrie\professor\p_gra_1a1b\p_gra_1a1b.vp sÆbado, 3 de mar o de 2012 07:50:11 Black 150 lpi at 45 degrees p_gra_1a1b.ps F:\armazØm\2012\revisªo bimestral\1.” bimestre\1.“ sØrie\professor\p_gra_1a1b\p_gra_1a1b.vp sÆbado, 3 de mar o de 2012 07:50:12 Black 150 lpi at 45 degrees p_red_1a1b.ps D:\Trabalho\Revisªo Bimestral EM\p_red_1a1b\p_red_1a1b.vp sÆbado, 3 de mar o de 2012 09:24:19 Black 150 lpi at 45 degrees p_red_1a1b.ps D:\Trabalho\Revisªo Bimestral EM\p_red_1a1b\p_red_1a1b.vp sÆbado, 3 de mar o de 2012 09:24:21 Black 150 lpi at 45 degrees p_red_1a1b.ps D:\Trabalho\Revisªo Bimestral EM\p_red_1a1b\p_red_1a1b.vp sÆbado, 3 de mar o de 2012 09:24:23 Black 150 lpi at 45 degrees p_red_1a1b.ps D:\Trabalho\Revisªo Bimestral EM\p_red_1a1b\p_red_1a1b.vp sÆbado, 3 de mar o de 2012 09:24:25 Black 150 lpi at 45 degrees p_red_1a1b.ps D:\Trabalho\Revisªo Bimestral EM\p_red_1a1b\p_red_1a1b.vp sÆbado, 3 de mar o de 2012 09:24:27 Black 150 lpi at 45 degrees p_red_1a1b.ps D:\Trabalho\Revisªo Bimestral EM\p_red_1a1b\p_red_1a1b.vp sÆbado, 3 de mar o de 2012 09:24:29 Black 150 lpi at 45 degrees p_red_1a1b.ps D:\Trabalho\Revisªo Bimestral EM\p_red_1a1b\p_red_1a1b.vp sÆbado, 3 de mar o de 2012 09:24:29 Roteiro de estudo Ondas do mar levado, se vistes meu amado! e ai Deus, se verrá cedo! – Cantiga de amigo – Cantiga folclórica – Canção popular e tradição folclórica – Canção popular e tradição culta Era Medieval – O Trovadorismo Contexto histórico A literatura da Idade Média em Portugal estende-se por mais de duzentos anos – de 1189 (1198) a 1434. Sua primeira fase, chamada Trovadorismo, tem como marco inicial a Cantiga da Ribeirinha ou Cantiga da Garvaia, de autoria de Paio Soares de Taveirós e se estende até a nomeação de Fernão Lopes como cronista-mor da Torre do Tombo. Vive-se a Europa feudal, detentora de uma economia de consumo, essencialmente agrária. As relações de trabalho são reguladas pelos senhores feudais, proprietários de grandes áreas. Aparece, então, a figura do suserano e do vassalo: aquele que devia obrigações e serviços ao primeiro. A Igreja Católica mantém o poder temporal e espiritual. Perpetua-se o obscurantismo. Nesse contexto surgem as cantigas criadas por poetas e músicos chamados trovadores. As cantigas classificam-se conforme o tema que abordam: em líricas, as cantigas de amor e as de amigo, e satíricas, aquelas de escárnio ou maldizer. Por ora estudaremos as cantigas de amigo. Cantiga de amigo A cantiga de amigo é proveniente da Península Ibérica. Tem raízes folclóricas e históricas na Alta Idade Média, quando a mulher era submissa ao homem e a galanteria da parte do homem à mulher não fazia parte dos hábitos do povo. Por tratar-se de uma forma mais arcaica, a cantiga de amigo reflete os costumes das camadas populares. O eu lírico é feminino e expressa seu amor ou saudades pelo amado (amigo), que está distante. Esse lamento é dirigido às amigas, à mãe, a elementos da natureza. A linguagem é popular e bastante simples. Para isso sua estrutura se baseia na repetição (paralelismo), havendo a presença de refrão ou estribilho. Normalmente é constituída por um diálogo entre dois interlocutores e o refrão é cantado pelo coro. Exercícios propostos Texto para as questões 1 e 2 Ondas do mar de Vigo, se vistes meu amigo! e ai Deus, se verrá cedo! 12 – p_lit_1a1b.indd 12 alto Se vistes meu amigo, o por que eu sospiro! e ai Deus, se verrá cedo! aquele pelo qual Se vistes meu amado, por que hei gran cuidado! e ai Deus, se verrá cedo! tenho grande (Martim Codax) 1 (Mackenzie-SP – modificado) – Com relação ao texto, assinale a alternativa incorreta. a) Trata-se de uma cantiga de amigo, visto que um eu lírico feminino deseja saber o paradeiro do “amigo” (amante). b) Justifica a presença de recursos estilísticos que contribuem para o caráter musical do poema o fato de, no contexto em que ele foi produzido, a literatura ser veiculada oralmente. c) A natureza integra o cenário, e de um modo muito particular, pois as ondas do mar de Vigo são o interlocutor a quem a moça dirige suas palavras. d) A musicalidade da composição advém exclusivamente da regularidade das rimas emparelhadas e da presença do refrão. e) A cantiga insere-se em um contexto em que a poesia se fazia acompanhar de instrumentos musicais. Há diversos outros fatores de musicalidade no poema transcrito, além dos mencionados na alternativa d. Não só as rimas e o refrão contribuem para a musicalidade dessa composição, mas também o paralelismo sintático e métrico, as aliterações (em d e em m) etc. 2 O paralelismo é uma característica formal comum em determinadas cantigas do Trovadorismo. No texto transcrito, esse procedimento acaba criando séries de estrofes. Identifique-as, apontando o assunto referente a cada uma delas. A cantiga de Martim Codax apresenta duas séries de estrofes paralelas. A primeira abrange as estâncias 1 e 2, nas quais o eu lírico pergunta às ondas se estas viram o “amigo”. A segunda é formada pelas estrofes 3 e 4, em que, além de se indagar o mesmo que na série anterior, expressa-se a emoção que o amado produz no enunciador. virá 3/3/2012 08:06:31 Releia a seguir trecho da canção “Olhos nos olhos”, analisada em sala de aula, e responda ao que se pede. Texto para a questão 5 Você gosta de mim? Olhos nos olhos Quando você me deixou, meu bem, Me disse pra ser feliz e passar bem. Quis morrer de ciúme, quase enlouqueci, Mas depois, como era de costume, obedeci. Quando você me quiser rever, Já vai me encontrar refeita, pode crer. Olhos nos olhos, Quero ver o que você faz, Ao sentir que sem você eu passo bem demais, E venho até remoçando, Me pego cantando Sem mais nem por quê, E tantas águas rolaram, Tantos homens me amaram Bem mais e melhor que você. (...) 3 A letra acima foi escrita por Chico Buarque de Holanda. Essa composição apresenta um elemento também presente nas cantigas de amigo. Trata-se do/a a) superioridade feminina. b) regularidade métrica. c) eu lírico feminino. d) presença de cenário natural. e) lamento pela ausência do amante. Tanto nas cantigas de amigo como na canção de Chico Buarque, o eu lírico é feminino. Ainda que o compositor seja um homem, a voz que fala no poema (cantiga, canção...) é a de uma mulher. Você gosta de mim, ó menina? Eu também de você, ó menina. Vou pedir a seu pai, ó menina, Pra casar com você, ó menina. Se ele disser que sim, ó menina, Tratarei dos papéis, ó menina. Se ele disser que não, ó menina, Morrerei de paixão. (Cancioneiro folclórico brasileiro) 5 A cantiga acima, cantada em cirandas, apresenta elementos formais que são também observados nas cantigas de amigo. Aponte alguns desses elementos. Observa-se métrica regular (versos com seis sílabas métricas), paralelismo (“Se ele disser que sim”, “Se ele disser que não”) e uso de refrão (“ó menina”). A rima não é regular, mas está presente nos versos 3/7 e 13/15. Notar, porém, que o eu lírico da canção “Você gosta de mim?” é masculino. Além disso, as cantigas de amigo, cujas origens eram as composições folclóricas ibéricas, foram compostas pelos mesmos poetas que compunham as cantigas de amor, consideradas composições cultas e cuja origem era a lírica provençal. 4 Transcreva trechos da canção “Olhos nos olhos” que comprovem sua resposta ao teste anterior. A flexão do adjetivo refeita (verso 6) e a expressão “tantos homens” (verso 14) indicam tratar-se de eu lírico feminino. 6 Marinha, bailia, alba, dialogada, pastorela, barcarola, entre outras, são algumas modalidades da cantiga de amigo, conforme o local ou circunstância do episódio amoroso cantado: o mar como interlocutor ou como cenário, um baile (dança) com as amigas, a despedida do amado ao alvorecer etc. Leia os versos a seguir e indique a qual modalidade de cantiga de amigo eles se associam. I. Bailemos nós já todas três, ai amigas, so aquestas avelaneiras frolidas, e quem for velida como nós, velidas, se amigo amar, so aquestas avelaneiras frolidas verrá bailar. floridas formosa virá – 13 p_lit_1a1b.indd 13 3/3/2012 08:06:31 Bailemos nós já todas três, ai irmanas, so aqueste ramo destas avelanas; e quen for louçana, como nós, louçanas, se amigo amar, so aqueste ramo destas avelanas verrá bailar. irmãs Leito de folhas verdes bela Por Deus, ai amigas, mentr’al non fazemos, so aqueste ramo frolido bailemos; e quen ben parecer, como nós parecemos, se amigo amar, so aqueste ramo sol que nós bailemos, verrá bailar. Bailia II. Ai flores, ai flores do verde pinho, Se sabedes novas do meu amigo, Ai, Deus, e u é? (...) – Vós me preguntades polo voss’amigo? E eu ben vos digo que é san’e vivo: Ai, Deus, e u é? Dialogada III. Levad’, amigo que dormides as manhanas frias; todalas aves do mundo d’amor dizian. Leda mh and’eu. alegre Levad’, amigo que dormide-las frias manhanas; todalas aves do mundo d’amor cantavan. Leda mh and’eu. Alba Exercícios-Tarefa 1 Assinale a alternativa incorreta. a) O documento literário português mais antigo de que se tem notícia é a Cantiga da Ribeirinha, de Paio Soares de Taveirós. b) Cantigas de romaria, serrania, pastorela, barcarola, alba, entre outras, são alguns nomes atribuídos à cantiga de amigo, conforme o local ou circunstância do episódio amoroso cantado. c) O paralelismo é um dos recursos estilísticos mais comuns na poesia lírico-amorosa trovadoresca; consiste na repetição ordenada de versos, com pequena variação em seus elementos finais, acompanhados de um verso que se repete sem variação (refrão). d) Nas cantigas de amigo, a linguagem é popular, simples, como ainda se observa, em nossos dias, nas cantigas do nosso folclore. e) As cantigas de amigo têm sua origem na lírica provençal (Provença, sul da França). Resolução: As cantigas de amigo têm origem na tradição folclórica, popular, da Península Ibérica. Resposta: E 14 – p_lit_1a1b.indd 14 Texto para as questões 2 e 3 Por que tardas, Jatir, que tanto a custo A voz do meu amor moves teus passos? Da noite a viração, movendo as folhas, Já nos cimos dos bosques rumoreja. brisa Eu sob a copa da mangueira altiva Nosso leito gentil cobri zelosa Com mimoso tapiz de folhas brandas, Onde o frouxo luar brinca entre flores. tapete (...) A flor que desabrocha ao romper d’alva Um só giro do sol, não mais, vegeta: Eu sou aquela flor que espero ainda Doce raio do sol que me dê vida. (...) Não me escutas, Jatir! Nem tardo acodes A voz do meu amor, que em vão te chama! Tupã! Lá rompe o sol! Do leito inútil! A brisa da manhã sacuda as folhas! (Gonçalves Dias) 2 Gonçalves Dias é o poeta do Romantismo mais apegado às raízes culturais. Este poema é exemplo de lírica amorosa. Quem é o eu lírico e quem é o destinatário de sua fala? Resolução: O eu lírico é a mulher amante. O destinatário é o amado ausente, no caso, Jatir. 3 Qual é o tipo de poesia portuguesa medieval que apresenta um eu lírico semelhante? Resolução: É a cantiga de amigo, na qual uma mulher se queixa da ausência do amado. 4 Classifique a cantiga de amigo transcrita a seguir (bailia, marinha, pastorela etc.). Quantas sabedes amar amigo treydes comig’a lo mar de Vigo e banhar-nos-emos nas ondas. Quantas sabedes amar amado treydes comig’a lo mar levado: e banhar-nos-emos nas ondas. todas que sabeis vinde elevado, ondulado Treydes comig’a lo mar de Vigo e veeremo’ lo meu amigo: e banhar-nos-emos nas ondas. Treydes comig’a lo mar levado e veeremo’ lo meu amado: e banhar-nos-emos nas ondas. Resolução: Trata-se de uma marinha. 3/3/2012 08:06:31 Black 150 lpi at 45 degrees p_ate_1a1b.ps D:\Trabalho\Revisªo Bimestral\p_ate_1a1b\p_ate_1a1b.vp quinta-feira, 17 de mar o de 2011 16:18:25 Black 150 lpi at 45 degrees p_ate_1a1b.ps D:\Trabalho\Revisªo Bimestral\p_ate_1a1b\p_ate_1a1b.vp quinta-feira, 17 de mar o de 2011 16:18:26 Black 150 lpi at 45 degrees p_ate_1a1b.ps D:\Trabalho\Revisªo Bimestral\p_ate_1a1b\p_ate_1a1b.vp quinta-feira, 17 de mar o de 2011 16:18:27 Black 150 lpi at 45 degrees p_ate_1a1b.ps D:\Trabalho\Revisªo Bimestral\p_ate_1a1b\p_ate_1a1b.vp quinta-feira, 17 de mar o de 2011 16:18:28 Black 150 lpi at 45 degrees p_ate_1a1b.ps D:\Trabalho\Revisªo Bimestral\p_ate_1a1b\p_ate_1a1b.vp quinta-feira, 17 de mar o de 2011 16:18:29 Black 150 lpi at 45 degrees p_ate_1a1b.ps D:\Trabalho\Revisªo Bimestral\p_ate_1a1b\p_ate_1a1b.vp quinta-feira, 17 de mar o de 2011 16:18:29 Black 150 lpi at 45 degrees P_Gra_2a1b.ps D:\Trabalho\Revisªo Bimestral EM\p_gra_2a1b\P_Gra_2a1b.vp sÆbado, 3 de mar o de 2012 09:42:33 Black 150 lpi at 45 degrees P_Gra_2a1b.ps D:\Trabalho\Revisªo Bimestral EM\p_gra_2a1b\P_Gra_2a1b.vp sÆbado, 3 de mar o de 2012 09:42:35 Black 150 lpi at 45 degrees P_Gra_2a1b.ps D:\Trabalho\Revisªo Bimestral EM\p_gra_2a1b\P_Gra_2a1b.vp sÆbado, 3 de mar o de 2012 09:42:36 Black 150 lpi at 45 degrees p_red_2a1b.ps D:\Trabalho\Revisªo Bimestral EM\p_red_2a1b\p_red_2a1b.vp sÆbado, 3 de mar o de 2012 09:45:18 Black 150 lpi at 45 degrees p_red_2a1b.ps D:\Trabalho\Revisªo Bimestral EM\p_red_2a1b\p_red_2a1b.vp sÆbado, 3 de mar o de 2012 09:45:20 Black 150 lpi at 45 degrees p_red_2a1b.ps D:\Trabalho\Revisªo Bimestral EM\p_red_2a1b\p_red_2a1b.vp sÆbado, 3 de mar o de 2012 09:45:22 Black 150 lpi at 45 degrees p_red_2a1b.ps D:\Trabalho\Revisªo Bimestral EM\p_red_2a1b\p_red_2a1b.vp sÆbado, 3 de mar o de 2012 09:45:24 Black 150 lpi at 45 degrees p_red_2a1b.ps D:\Trabalho\Revisªo Bimestral EM\p_red_2a1b\p_red_2a1b.vp sÆbado, 3 de mar o de 2012 09:45:26 Black 150 lpi at 45 degrees p_red_2a1b.ps D:\Trabalho\Revisªo Bimestral EM\p_red_2a1b\p_red_2a1b.vp sÆbado, 3 de mar o de 2012 09:45:29 Black 150 lpi at 45 degrees p_red_2a1b.ps D:\Trabalho\Revisªo Bimestral EM\p_red_2a1b\p_red_2a1b.vp sÆbado, 3 de mar o de 2012 09:45:30 Português 2.a série do Ensino Médio Frente 2 – Literatura Roteiro de estudo • José de Alencar e Manuel Antônio de Almeida • Antero de Quental • Eça de Queirós: O Primo Basílio e O Crime do Padre Amaro Texto para as questões 1 e 2: A mobília da sala consistia em sofá, seis cadeiras e dois consolos1 de jacarandá 2, que já não conservavam o menor vestígio de verniz. O papel da parede branco passara a amarelo e percebia-se que em alguns pontos já havia sofrido hábeis remendos. (...) Tudo isto (...) era (...) cuidadosamente limpo e espanejado, respirando o mais escrupuloso 3 asseio 4. Não se via uma teia de aranha na parede, nem sinal de poeira nos trastes. O soalho 5 mostrava aqui e ali fendas 6 na madeira; mas uma nódoa 7 sequer não manchava as tábuas areadas 8. (...) No recosto 9 de uma das velhas cadeiras de jacarandá, via-se neste momento uma casaca preta, que pela fazenda 10 superior, mas sobretudo pelo corte elegante e esmero 11 de trabalho, conhecia-se ter o chique da casa do Raunier, que já era naquele tempo o alfaiate da moda. Ao lado da casaca estava o resto de um traje de baile, que todo ele saíra daquela mesma tesoura em voga12; finíssimo chapéu de claque 13 do melhor fabricante de Paris; luvas de Jouvin cor de palha; e um par de botinas como o Campas só fazia para os seus fregueses prediletos. (...) Um observador reconheceria nesse disparate 14 a prova material de completa divergência entre a vida exterior e a vida doméstica da pessoa que ocupava esta parte da casa. 1 O terceiro e quarto parágrafos sugerem um comportamento ainda muito frequente na atualidade em certos estratos sociais. Trata-se do apego à grife (palavra que vem do francês griffe, “assinatura” ou “etiqueta”), ou seja, a valorização da marca, do nome que distingue um artigo de luxo. Aponte as expressões que explicitam tal valorização. “(...) uma casaca preta [com] o chique do Raunier”, “luvas de Jouvin”, “um par de botinas como o Campas só fazia para os seus fregueses prediletos”. 2 Sabe-se que Fernando Seixas, personagem a quem se associa o trecho transcrito, abandona Aurélia Camargo para se tornar noivo de Adelaide Amaral, moça de situação financeira mais bem afortunada e que, portanto, possui o dote que falta à primeira. Qual a relação que a descrição apresentada estabelece entre o ambiente em que a personagem vive e seu comportamento afetivo? A descrição que foi feita da casa de Fernando Seixas põe em relevo o caráter da personagem, preocupado com o luxo, com a consideração social, com o prestígio, o que o faz apegar-se a bens materiais, que só um casamento financeiramente vantajoso lhe poderia propiciar. Assim, entende-se a lógica que o fez abandonar Aurélia Camargo, a quem amava, mas que era pobre, para unir-se com a rica Adelaide Amaral. José de Alencar, Senhora Vocabulário: 1 – Consolo: suporte ou mesa de canto 2 – Jacarandá: madeira nobre e escura 3 – Escrupuloso: exigente, rigoroso 4 – Asseio: higiene, limpeza 5 – Soalho: madeira que serve como piso 6 – Fenda: rachadura 7 – Nódoa: mancha 8 – Areado: polido 9 – Recosto: encosto 10 – Fazenda: tecido 11 – Esmero: capricho, refinamento, perfeição 12 – Em voga: na moda 13 – Claque: chapéu alto, de molas, que se fecha 14 – Disparate: absurdo, despropósito Texto para a questão 3: Era este um homem todo em proporções infinitesimais, baixinho, magrinho, de carinha estreita e chupada, excessivamente calvo; usava óculos, tinha pretensões de latinista e dava bolos nos discípulos por dá cá aquela palha. Por isso era um dos mais acreditados na cidade. O barbeiro entrou acompanhado pelo afilhado, que ficou um pouco escabreado à vista do aspecto da escola, que nunca tinha imaginado. Manuel Antônio de Almeida, Memórias de um Sargento de Milícias – 31 p_lit_2a1b.indd 31 3/3/2012 08:54:32 3 (Fuvest-SP – modificada) – Observando-se, neste trecho, os elementos descritivos, o vocabulário e, especialmente, a lógica da exposição, que atitude caracteriza a posição do narrador diante dos fatos narrados? Trata-se de uma atitude cômico-irônica, com abstenção de juízo moral do tipo maniqueísta. Memórias de um Sargento de Milícias é, como quer a melhor crítica, um romance sem culpa e, também por isso, excêntrico à tradição heroica e galante do Romantismo. O narrador onisciente, neutro, observa e retrata, de modo divertido, os tipos do Rio Colonial. Nivela bons e maus na alternância da ordem e da desordem, da qual ninguém escapa. O tom caricatural da figura do mestre-escola e a associação irônica entre respeitabilidade e retórica pomposa e latinizante modulam um retrato quase ao gosto dos realistas. Texto para as questões 4 e 5: O QUE DIZ A MORTE 5 O que quer dizer a Morte com a expressão “As torrentes da Dor (...) em mim desaparecem”? A Morte afirma que ela é o fim de todo sofrimento. Texto para a questão 6: Quando percebia a porta do quarto dela entreaberta, ia resvalar para dentro olhares gulosos, como para perspectivas de um paraíso: um saiote pendurado, uma meia estendida, uma liga que ficara sobre o baú (...) Ao pé dela, muito fraco, muito langoroso, não lhe lembrava que era padre (...) Eça de Queirós, O Crime do Padre Amaro “Deixai-os vir a mim, os que lidaram 1; Deixai-os vir a mim, os que padecem; E os que cheios de mágoa e tédio encaram As próprias obras vãs 2, de que escarnecem 3... Em mim, os Sofrimentos que não saram, Paixão, Dúvida e Mal, se desvanecem 4. As torrentes da Dor, que nunca param, Como num mar, em mim desaparecem.” — 6 Que contradição a palavra paraíso, em destaque no trecho, pode revelar sobre a personagem Padre Amaro? A contradição vivida por Amaro pode ser expressa considerando-se, de um lado, a ideia de paraíso relacionada ao prazer carnal e à felicidade mundana, material, e, de outro, o conceito cristão de paraíso, ligado ao mundo espiritual e à sublimação dos instintos, e que deveria estar mais próximo da realidade de um religioso. Assim a Morte diz. Verbo velado 5, Silencioso intérprete sagrado Das cousas invisíveis, muda e fria, É, na sua mudez, mais retumbante 6 Que o clamoroso 7 mar; mais rutilante 8, Na sua noite, do que a luz do dia. Antero de Quental Vocabulário: 1 – lutaram, sofreram 2 – inúteis 3 – zombam 4 – desfazem 5 – palavra oculta 6 – barulhenta 7 – ruidoso 8 – brilhante 4 A quem se refere o pronome de primeira pessoa (mim)? Refere-se à Morte. 7 (Fuvest-SP) – O Primo Basílio pertence à fase dita realista de seu autor, Eça de Queirós. É reconhecido, também, como um romance de tese — tipo de narrativa em que se demonstra uma ideia, em geral com intenção crítica e reformadora. Tendo em vista essas determinações gerais, é correto afirmar que, nesse romance, a) o foco expressivo se concentra na interioridade subjetiva das personagens, que se dão a conhecer por suas ideias e sentimentos, e não por suas falas ou ações. b) as personagens se afastam de caracterizações típicas, tornando-se psicologicamente mais complexas e individualizadas. c) a preferência é dada à narração direta, evitando-se recursos como a ironia, o suspense, o refinamento estilístico de períodos e frases. d) o interesse pelas relações entre o homem e o meio amplia o espaço e as funções das descrições, tornadas mais minuciosas e significativas. e) a narração de ações, a criação de enredos e as reflexões do narrador são amplamente substituídas pelo debate ideológico-moral entre Jorge e o Conselheiro Acácio. 32 – p_lit_2a1b.indd 32 3/3/2012 08:54:32 O romance O Primo Basílio tem como objetivo criticar a burguesia de Lisboa, analisando o cotidiano morno e fútil dos tipos que a compõem. As descrições minuciosas são bastante significativas no conjunto da obra, pois funcionam como explicitação da submissão do homem ao meio. Texto para a questão 8: Que noite para Luísa! A cada momento acordava num sobressalto, abria os olhos na penumbra do quarto, e caía-lhe logo na alma, como uma punhalada, aquele cuidado pungente: Que havia de fazer? Como havia de arranjar dinheiro? Seiscentos mil-réis! As suas joias valiam talvez duzentos mil-réis. Mas depois, que diria Jorge? Tinha as pratas… Mas era o mesmo! (…) Quem lhe poderia valer? — Sebastião! Sebastião era rico, era bom. Mas mandá-lo chamar e dizer-lhe ela, ela Luísa, mulher de Jorge: — Empreste-me seiscentos mil-réis. — Para quê, minha senhora? E podia lá responder: para resgatar umas cartas que escrevi ao meu amante. Era lá possível! Não, estava perdida. Restava-lhe ir para um convento. Eça de Queirós, O Primo Basílio, cap. VIII 8 Que elementos aí presentes demonstram que o texto pertence à segunda fase da produção de Eça de Queirós? Abordagem de uma questão moral (o adultério), vista como consequência da formação da personagem e dos valores da sociedade em que vive. Não se pode exprimir o sarcasmo que salpicava dos lábios da moça; nem a indignação que vazava dessa alma profundamente revolta, no olhar implacável com que ela flagelava o semblante do marido. Seixas, trespassado pelo cruel insulto, arremessado do êxtase da felicidade a esse abismo de humilhação, a princípio ficara atônito. Depois, quando os assomos da irritação vinham sublevando-lhe a alma, recalcou-os esse poderoso sentimento do respeito à mulher, que raro abandona o homem de fina educação. José de Alencar, Senhora 1 (PUCCamp-SP – modificado) – Considerando o trecho transcrito, indique a alternativa incorreta. a) Pode-se observar que Alencar destaca os jogos entre aparência e essência, bem como aspectos contraditórios dos sentimentos humanos. b) A forma dialógica e a narração em terceira pessoa servem, respectivamente, à expressão direta das falas de Aurélia e Seixas e à revelação do que ocorre em seu íntimo. c) O uso combinado de narração em primeira e em terceira pessoa permite ao autor envolver-se diretamente na cena e afastar-se dela quando o julga conveniente. d) As reações íntimas de Seixas sugerem a verdade de seu amor por Aurélia, o que torna ainda mais intensa a sua humilhação. e) As falas de Aurélia desnudam o aspecto mercantil dos valores burgueses, que determinam os papéis sociais. Resolução: Não há narração em primeira pessoa. Resposta: C Exercícios-tarefa Texto para o teste 1: – Aurélia! Que significa isto? – Representamos uma comédia, na qual ambos desempenhamos o nosso papel com perícia consumada. Podemos ter este orgulho, que os melhores atores não nos excederiam. Mas é tempo de pôr termo a esta cruel mistificação, com que nos estamos escarnecendo mutuamente, senhor. Entremos na realidade, por mais triste que ela seja; e resigne-se cada um ao que é, eu, uma mulher traída; o senhor, um homem vendido. – Vendido! exclamou Seixas ferido dentro d’alma. Vendido, sim: não tem outro nome. Sou rica, muito rica; sou milionária; precisava de um marido, traste indispensável às mulheres honestas. O senhor estava no mercado; comprei-o. Custou-me cem contos de réis, foi barato; não se fez valer. Eu daria o dobro, o triplo, toda a minha riqueza por este momento. Aurélia proferiu estas palavras desdobrando um papel, no qual Seixas reconheceu a obrigação por ele passada ao Lemos. Texto para o teste 2: Leonardo não é um pícaro saído da tradição espanhola, mas sim o primeiro grande malandro que entra na novelística brasileira, vindo de uma tradição folclórica e correspondendo, mais do que se costuma dizer, a certa atmosfera cômica e popularesca de seu tempo no Brasil. Antonio Candido 2 (UFV-MG) – Podemos afirmar também que Leonardo a) caracteriza sarcasticamente o malandro, típico do subúrbio do Rio de Janeiro, que deseja levar vantagens em tudo. b) passa por inúmeras peripécias, superando sempre as dificuldades, sendo que, através dele, triunfa o Bem e o primeiro amor. c) vive inúmeras aventuras amorosas, como é próprio dos heróis do século XIX. d) retrata o tipo alegre e extrovertido, mas a hostilidade de todos torna-o um revoltado. e) inverte a trajetória do “herói” do mundo burguês, uma vez que é ironizado e não consegue ascender socialmente. – 33 p_lit_2a1b.indd 33 3/3/2012 08:54:33 Resolução: As Memórias de um Sargento de Milícias revelam uma malandragem ainda meio idílica, distante da via-crúcis dos excluídos sociais que o subsequente Realismo irá retratar de maneira contundente. Resposta: B Texto para o teste 3: Força é pois ir buscar outro caminho! Lanças o arco de outra nova ponte Por onde a alma passe — e um alto monte Aonde se abra aqui à luz o nosso ninho. 4 (Fuvest-SP – modificado) – Observando-se os recursos de estilo presentes na composição deste trecho, é correto afirmar que a) o acúmulo de pormenores induz a uma percepção impessoal e neutra do real. b) a descrição se baseia em impressões que o ambiente provoca, conferindo-se dimensão subjetiva à caracterização do espaço. c) as descrições veiculam as impressões do narrador, e o monólogo interior, as da personagem. d) a carência de adjetivos confere caráter objetivo e imparcial à representação do espaço. e) o predomínio da descrição confere caráter expressionista ao relato, eliminando-se seus resíduos subjetivos. 3 (Univ. do Sagrado Coração-SP) – A estrofe transcrita é do poeta Antero de Quental. Nestes versos, o poeta propõe a) a busca de identidade do ser humano. b) a busca da opulência e do poder. c) a busca de um novo caminho pela transcendência. d) a busca dos ideais de forma materialista e racional. e) a busca da força no próximo. Resolução: Resolução: 5 (Fuvest-SP) – O segmento do texto em que a preposição de estabelece relação de causa é a) “ao pé de uma casa amarelada”. b) “escada, de degraus gastos”. c) “gradeadozinho de arame”. d) “parda do pó acumulado”. e) “luz suja do saguão”. O eu lírico propõe a busca de um novo caminho, em que “a alma passe”, ou seja, em que seja possível transcender o mundo material. Resposta: C Texto para os testes 4 e 5: A carruagem parou ao pé de uma casa amarelada, com uma portinha pequena. Logo à entrada um cheiro mole e salobro enojou-a. A escada, de degraus gastos, subia ingrememente, apertada entre paredes onde a cal caía, e a umidade fizera nódoas. No patamar da sobreloja, uma janela com um gradeadozinho de arame, parda do pó acumulado, coberta de teias de aranha, coava a luz suja do saguão. E por trás de uma portinha, ao lado, sentia-se o ranger de um berço, o chorar doloroso de uma criança. Expressões como “cheiro mole e salobro”, “coava a luz suja” e “chorar doloroso” são evidências de uma descrição de caráter subjetivo, pois essas expressões traduzem as sensações experimentadas por aquele que descreve o espaço. Resposta: B Resolução: A preposição de introduz expressão que indica o motivo, a causa de estar parda a janela da casa amarelada. Resposta: D Eça de Queirós, O Primo Basílio 34 – p_lit_2a1b.indd 34 3/3/2012 08:54:33 Black 150 lpi at 45 degrees p_ate_2a1b.ps F:\armazØm\2011\revisªo bimestral\1.” bimestre\2.“ sØrie\professor\p_ate_2a1b\p_ate_2a1b.vp sÆbado, 3 de mar o de 2012 09:13:52 Black 150 lpi at 45 degrees p_ate_2a1b.ps F:\armazØm\2011\revisªo bimestral\1.” bimestre\2.“ sØrie\professor\p_ate_2a1b\p_ate_2a1b.vp sÆbado, 3 de mar o de 2012 09:13:55 Black 150 lpi at 45 degrees p_ate_2a1b.ps F:\armazØm\2011\revisªo bimestral\1.” bimestre\2.“ sØrie\professor\p_ate_2a1b\p_ate_2a1b.vp sÆbado, 3 de mar o de 2012 09:13:56