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IMPACTS IN ORGANIZATIONS AND THEIR INFORMATION SYSTEMS DUE
TO CONVERGENCE OF BRAZILIAN ACCOUNTING STANDARDS TO
INTERNATIONAL FINANCIAL REPORTING STANDARD (IFRS)
Gilberto Perez (Universidade Presbiteriana Mackenzie, Brasil) - [email protected]
Camila
Olo
Terra
(Universidade
Presbiteriana
Mackenzie,
Brasil)
[email protected]
Fabiana Célia Monteiro (Universidade Presbiteriana Mackenzie, Brasil) [email protected]
Roberta de Oliveira Morelli (Universidade Presbiteriana Mackenzie, Brasil) [email protected]
With this paper we aim to analyze, by an exploratory qualitative research, what the impacts
on Organizations and Information Systems (IS) due to the convergence to IFRS
(International Financial Reporting Standard) were in Brazil. For this purpose, a sample was
used with managers from three different companies of several sectors, getting five
interviews. In data processing techniques of content analysis were applied taking the
results in the form of categories, revealing that: companies had the need to adapt their IS to
the new accounting standard, or because they need to upgrade, for parameters changes; it
was necessary to purchase or improve the IS already implemented; companies have had to
train their employees to use the IS and new accounting standards. All companies have
suffered impacts on their IS due to convergence to IFRS, which may be of greater or lesser
relevance.
Keywords: Brazilian Accounting Practices, International Standards, Information System,
IFRS.
IMPACTOS NAS ORGANIZAÇÕES E EM SEUS SISTEMAS DE INFORMAÇÃO
DEVIDO À CONVERGÊNCIA DAS NORMAS CONTÁBEIS BRASILEIRAS AO
INTERNATIONAL FINANCIAL REPORTING STANDARD (IFRS)
Com esta pesquisa pretendeu-se analisar, por meio de uma abordagem predominantemente
qualitativa e exploratória, quais foram os impactos nas Organizações e em Sistemas de
Informação (SI) devido à convergência ao IFRS (International Financial Reporting
Standard) no Brasil. Para tanto, utilizou-se uma amostra com gestores de três empresas de
setores variados, obtendo-se ao todo, cinco entrevistas. Para o tratamento de dados foram
aplicadas técnicas de análise de conteúdo, tendo os resultados, na forma de categorias,
revelado que: as empresas tiveram necessidade de adaptar seus SIs às novas normas
contábeis, sejam elas por necessidade de atualização ou mudanças de parâmetros; foi
necessário a aquisição ou aprimoramento dos SIs já implementados; as empresas tiveram
que treinar seus empregados para utilização dos SIs e das novas normas contábeis. Todas
as empresas pesquisadas sofreram impactos em seus SIs devido à convergência ao IFRS,
podendo ser de maior ou menor relevância.
Palavras-chave: Prática Contábil Brasileira, Normas Internacionais, Sistema de
Informação, IFRS.
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1. INTRODUÇÃO
A Normatização da Contabilidade tem como objetivo garantir aos usuários
internos e externos que as demonstrações financeiras sejam as fontes mais
confiáveis e seguras para se avaliar a situação econômica de uma organização.
Atualmente, o processo de convergência das Normas Contábeis Brasileiras
(Brazilian Generally Accepted Accounting Principles – BR GAAP) às Normas da
Contabilidade Internacional, composta por pronunciamentos chamados de
International Financial Reporting Standards (IFRS), tem gerado diversos aspectos
inovadores e interessantes dentro da esfera Contábil. Um desses aspectos diz
respeito à constante busca pelo aperfeiçoamento do uso da Tecnologia da
Informação (TI) e de Sistema de Informação (SI) nesse cenário.
Sperb e Neto (2006) afirmam que a competitividade global torna os
mercados acirrados e que as organizações precisam de uma gestão estratégica
eficiente para sobreviver e crescer, além da necessidade de serem inteligentes
diante às mudanças constantes da sociedade e da informação. Isso faz com que
elas se modifiquem e requeiram planejamento de suas informações, que são
facilitadas pelos recursos da TI.
Em complemento, Laudon & Laudon (2011) ressaltam que o SI contém
informações sobre pessoas, locais e itens significativos para a organização ou
para o ambiente que a cerca, além de produzir as atividades que as organizações
necessitam para tomar decisões, controlar operações, analisar problemas e criar
novos produtos e serviços.
Os SIs fornecem importantes ferramentas para melhorar a eficiência das
operações das empresas e, com isso, alcançar maior lucratividade (Laudon &
Laudon, 2011). Neste contexto está inserida a contabilidade, que compõe uma
ciência que pode ser definida como um SI e, que tem por objetivo prover aos seus
usuários, demonstrações e análises de caráter econômico financeiro, físico e de
produtividade com relação à entidade objeto (Iudicibus, Martins & Gelbcke, 2000;
Moraes, 2007).
PricewaterhouseCoopers [PWC] (2010b) afirma que a área de SI é uma
das principais responsáveis pela íntegra convergência das normas contábeis
brasileiras ao IFRS. Como a lei obriga as empresas abertas a aderirem a esse
padrão de publicação, o processo de convergência ao IFRS demonstra grande
complexidade, com expressivos impactos na dinâmica, resultado e patrimônio
líquido das sociedades empresárias, além da intervenção no valor das ações no
mercado financeiro de capitais (Silva, Weffort, Peters, 2010).
1.1. Justificativa
Desde a implantação do IFRS no Brasil, diversos trabalhos foram
desenvolvidos a fim de desvendar os impactos dessa adoção no mercado, na
cultura, na educação e na área jurídica, porém não foram encontrados trabalhos
que tivessem ligação direta com os Sistemas de Informação utilizados pela área
contábil.
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Sendo assim, com este trabalho, buscaram-se identificar quais foram os
impactos nos Sistemas de Informação das organizações devido à convergência
das normas contábeis brasileiras ao IFRS.
1.2. Problema de Pesquisa
Diante o cenário de sensíveis mudanças nas práticas contábeis adotadas
no Brasil e na Tecnologia da Informação em evidência nas organizações,
formulou-se a seguinte questão de pesquisa: Quais os impactos nas
organizações e em seus Sistemas de Informação devido à convergência das
normas contábeis brasileiras ao IFRS?
1.3. Objetivos da Pesquisa
Para auxiliar a responder a questão de pesquisa, formulou-se o seguinte
objetivo geral: identificar quais foram os impactos nas organizações e em seus
Sistemas de Informação devido à convergência das normas contábeis brasileiras
ao IFRS.
Além disso, como objetivos específicos, tiveram-se: a) identificar qual foi a
necessidade de implantações de SIs ou atualizações em SIs já utilizados pelas
organizações; b) analisar o processo de adaptação das organizações e de seu
pessoal às mudanças incorridas nos SIs devido à convergência das normas
contábeis brasileiras ao IFRS.
2. REFERENCIAL TEÓRICO
Nos seguintes tópicos apresenta-se um panorama sobre Sistemas de
Informação, IFRS e a relação entre essas duas vertentes.
2.1. Sistemas de Informação
Sperb e Neto (2006) afirmam que a competitividade global torna os
mercados acirrados e que as organizações precisam de uma gestão estratégica
eficiente para sobreviver e crescer, além da necessidade de serem inteligentes
diante às mudanças constantes da sociedade e da informação. Isso faz com que
elas se modifiquem e requeiram planejamento de suas informações, que são
facilitadas pelos recursos da TI. Além disso, os SIs têm papel fundamental nas
organizações. É por meio dos sistemas que o tomador de decisão consegue ter
acesso às informações de todos os aspectos de sua organização (Perez &
Zwicker, 2010), visto que os sistemas estão presentes no dia-a-dia dos gestores.
A correta administração dessas informações é fundamental para o sucesso de
uma organização, pois, com base nelas, os executivos podem decidir qual rumo
devem tomar.
2.1.1. Conceito de Sistema de Informação
Existem várias definições acerca do SI na literatura. Para Moraes (2007),
os SIs são aplicações computacionais, que têm por objetivo o provimento de
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informação para determinados usuários, em diferentes níveis de atuação, que vão
desde o nível operacional até o nível estratégico.
Segundo Turban, Rainer e Potter (2007), um SI coleta, processa, armazena
e dissemina informações para um fim específico e consideram como
componentes básicos de um SI: hardware, software, banco de dados, rede,
procedimentos e pessoas.
Para Laudon & Laudon (2011), os SIs são componentes relacionados entre
si, atuando conjuntamente para coletar, processar, prover informações aos
sistemas e/ou processos de decisão, coordenando, controlando, analisando e
visualizando processos internos da organização. Além disso, o SI contém
informações sobre pessoas, locais e itens significativos para a organização ou
para o ambiente que a cerca, além de produzir as atividades que as organizações
necessitam para tomar decisões, controlar operações, analisar problemas e criar
novos produtos e serviços.
Segundo Laudon & Laudon (2011) e Turban, Leidner, Mclean, & Wetherbe
(2010), as empresas estão investindo em SI e TI para atingir seis objetivos
organizacionais: Excelência operacional; Novos produtos, serviços e modelo de
negócio; Relacionamento estreito com clientes e fornecedores; Melhor tomada de
decisão; Vantagem competitiva; Sobrevivência.
Os SIs têm importantes ferramentas para melhorar a eficiência das
operações das empresas e, com isso, alcançar maior lucratividade (Laudon &
Laudon, 2011). Neste contexto está inserida a contabilidade, que compõe uma
ciência que pode ser definida como um SI, que tem por objetivo prover aos seus
usuários demonstrações e análises de caráter econômico financeiro, físico e de
produtividade com relação à entidade objeto (Iudicibus, Martins & Gelbcke, 2000)
(Moraes, 2007).
2.2. Tipos de Sistemas de Informação
Existem diversas aplicações dos SIs no âmbito dos negócios. Neste tópico
estão apresentadas as descrições de alguns tipos de SIs que se tornam mais
relevantes no campo de estudo deste trabalho.
2.2.1. Sistemas de Informações Gerenciais
Laudon & Laudon (2011) afirmam que os Sistemas de Informações
Gerenciais (SIGs) proporcionam relatórios sobre o desempenho da organização e
que, com isso, é possível monitorar e controlar a empresa. Ainda, segundo
Laudon & Laudon (2011), os SIGs resumem as operações básicas da
organização. Os dados básicos de transações obtidos dos SPTs são comprimidos
e geralmente apresentados em relatórios.
Os SIGs são sistemas projetados para apoiar os gerentes das áreas
funcionais (produção/operações, marketing, contabilidade, finanças, gestão de
recursos humanos), fornecendo relatórios periódicos que incluem resumos,
comparações e outras estatísticas (Turban et al., 2010).
2.2.2. Sistemas de Apoio à Decisão
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Sistemas de Apoio à Decisão (SADs) são SIs que oferecem informações
interativas a gerentes e profissionais de negócios durante o processo de tomada
de decisão. Utilizam modelos analíticos, banco de dados especializados, opinião
e percepção do responsável pela decisão e um processo interativo de modelagem
baseada no computador (O’Brien & Marakas, 2008).
De acordo com Gordon e Gordon (2006), os SADs completos consistem
em quatro componentes principais: banco de dados, base de conhecimentos,
base de modelos e uma interface com o usuário.
Laudon & Laudon (2011) defendem a ideia
que os SADs ajudam os
gerentes de nível médio a tomar decisões não usuais, focando problemas
específicos, que se alteram com rapidez e para os quais não há um procedimento
de resolução predefinido.
2.2.3. Sistemas de Planejamento de Recursos Empresariais ou Sistemas
Integrados
Os Sistemas de Planejamento de Recursos Empresariais ou Sistemas
Integrados (ERP) ligam todas as funções de uma empresa. O’Brien & Marakas
(2008) definem os ERPs como sistemas interfuncionais orientados por um
conjunto integrado de módulos de software que auxilia os processos internos
básicos de uma empresa. Já para Gordon e Gordon (2006), os ERPs integram
diferentes atividades internas ou externas à empresa, suportam vários idiomas e
moedas e ajudam as empresas a integrarem suas operações dispersas em vários
locais e unidades de negócios.
Segundo Turban et al. (2010), o principal objetivo de um ERP é integrar
todos os departamentos e fluxos de informações em uma empresa em um único
sistema de computador que atenda a todas as necessidades da empresa.
Os ERPs são utilizados para integrar processos de negócio nas áreas de
manufatura e produção, finanças e contabilidade, vendas e marketing e recursos
humanos em um único sistema de software (Laudon & Laudon, 2011), nesse
sentido, são pacotes de aplicações de processos de negócios padronizados que
propiciam visibilidade do negócio ao fornecer a informação integrada e
consolidada em um banco de dados, para diferentes áreas de uma organização
em tempo real (Decoster, 2008).
2.2.4. Sistemas de Informações Contábeis
O’Brien & Marakas (2008) afirmam que os Sistemas de Informações
Contábeis são os mais antigos e mais utilizados nas empresas. São sistemas
capazes de registrar além dos dados, também e as regras e as normas da área
contábil (Boockholdt, 2005). Administrar o dinheiro que entra e sai das
organizações é uma missão primária, porém muito ampla, pois recursos
financeiros estão envolvidos em todas as funções de uma organização (Turban et
al., 2010).
Toda transação financeira afeta as receitas e o balanço geral da empresa,
e o Sistema Contábil é o responsável por registrar e informar o fluxo dos fundos
da organização com base no histórico e também produzir importantes
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demonstrativos financeiros, como o balanço patrimonial e demonstração do
resultado (O’Brien & Marakas, 2008).
Para Turban et al. (2010), o Sistema de Informação Contábil também é o
responsável por coletar os dados necessários para o SPT da contabilidade,
transformando esses dados em informações e disponibilizando-as aos usuários,
seja como informações sobre a folha de pagamento, como também relatórios
internos ou relatórios externos para acionistas e agências governamentais.
2.3. Ciclo de Vida do Desenvolvimento de Sistema
Usuários finais de negócios e especialistas de TI podem usar uma
abordagem sistêmica a fim de ajudá-los a desenvolver soluções de SI que vão de
encontro às oportunidades de negócio. Isso pode envolver um ciclo de
desenvolvimento de sistemas, no qual especialistas de SI e usuários finais
concebem, projetam e implementam sistemas empresarias. (O’Brien & Marakas,
2008).
Neste tópico estão apresentados os pontos principais do Ciclo de Vida do
Desenvolvimento de Sistemas (CVDS), tais como seu histórico, implantação,
planejamento e a gestão de mudanças.
2.3.1. Conceito do CVDS
Para Turban, Rainer e Potter (2007), o CVDS é uma estrutura que consiste
em processos sequenciais, pelos quais os SIs são desenvolvidos. Para os
autores, existem três vantagens: controle, responsabilidade e detecção de erro; e
algumas desvantagens: o ciclo de desenvolvimento é relativamente inflexível,
demorado e caro.
O Ciclo de Desenvolvimento é estruturado numa abordagem em fases à
montagem de um sistema, dividindo o desenvolvimento de sistemas em estágios
formais. E embora os desenvolvedores de sistemas possam ir e voltar entre um
estágio e outro, o ciclo é predominantemente uma abordagem "em cascata", no
qual as tarefas de cada estágio devem ser concluídas antes que o estágio
seguinte se inicie (Laudon & Laudon, 2011).
Para O’Brien & Marakas (2008), as atividades envolvidas no ciclo de
desenvolvimento de sistemas são altamente relacionadas e interdependentes,
assim, várias atividades evolutivas podem ocorrer ao mesmo tempo, enquanto
certas atividades dentro de determinado passo podem ser repetidas.
2.3.2. Fases da Implantação do SI
Turban et al. (2007), Laudon & Laudon (2011) e O’Brien & Marakas (2008),
classificam os processos a serem desenvolvidos para implantação de um sistema
em oito etapas: Primeira etapa: Investigação de Sistemas – estágio inicial, que
começa com o problema empresarial. A principal tarefa nesse estágio é o estudo
da viabilidade; Segunda etapa: Análise de sistemas – exame do problema
empresarial que a organização planeja resolver com um sistema de informação;
Terceira etapa: Projeto de sistemas – descreve como o sistema realizará sua
tarefa.
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O resultado desta fase é o projeto técnico; Quarta etapa: Programação –
envolve a conversão das especificações do projeto para códigos de computador;
Quinta etapa: Testes – verificação do código de computador, a fim de averiguar
se ele produz os resultados esperados e desejados, sob determinadas condições;
Sexta etapa: Implementação – processo de conversão do antigo sistema para o
novo; Sétima etapa: Operação e método – quando as operações do novo sistema
estão estabilizadas, são realizadas auditorias para avaliar os recursos do sistema
e determinar se está sendo utilizado corretamente; Oitava etapa: Manutenção –
os sistemas necessitam de diversos tipos de manutenção, como depurações,
atualizações e novas funções.
Para O’Brien & Marakas (2008), a implementação do SI envolve a compra
de hardware e software, teste de programa e procedimentos, conversão de
recursos de dados, além de educação e treinamento dos usuários finais e dos
especialistas que operarão o novo sistema.
Segundo Lozinsky (1996), existem algumas vantagens em utilizar
consultores na implementação de sistemas. Uma consultoria com experiência
comprovada tem uma metodologia já testada e comprovada para fundamentar
tecnicamente a decisão e garantir um grau de imparcialidade ao processo de
implementação.
2.3.3. Planejamento de SI
Para Turban et al. (2010), o planejamento de TI é organizado da
infraestrutura e dos portfólios de aplicações realizados em vários níveis da
organização. E isto determina quais aplicações os usuários finais podem instalar.
Assim, para os autores, o sistema deverá atender aos objetivos previstos,
proporcionando melhoria e otimização do processo decisório, vantagem
competitiva, aumento da lucratividade, melhor posicionamento no ambiente
externo e melhor efetividade no gerenciamento da organização.
Laudon & Laudon (2011) descrevem a utilização de um plano de SI para
mostrar o quanto a solução escolhida se encaixa na estratégia e no plano de
negócios geral da empresa. Este plano contém uma declaração das metas
corporativas e específica como a TI apoia a realização dessas metas. Para os
autores, o plano de SI precisa descrever também as mudanças organizacionais
(requisitos de gestão e treinamento de funcionários), mudanças nos processos de
negócios e as mudanças em autoridade, estrutura ou prática de gestão. Além
disso, os autores ressaltam que dentre os principais componentes do plano de SI,
está o realinhamento organizacional e a reorganização interna.
2.3.4. Gestão de Mudança
Laudon & Laudon (2011) afirmam que o desenvolvimento de uma nova
solução de SI não está apenas relacionado à instalação de software e hardware.
É necessário lidar com as mudanças organizacionais que a nova solução
implicará, isto é, novas informações, novos processos de negócios e novas
relações hierárquicas de poder para tomar decisões. Para os autores, mesmo
uma solução bem projetada pode não funcionar se não for introduzida na
organização com cuidado.
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"A gestão da mudança envolve a análise e definição de todas as mudanças
diante da organização e programas de desenvolvimento para reduzir os riscos e
custos, e para maximizar os benefícios da mudança" (O’Brien & Marakas, 2008:
398).
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2.4. International Financial Reporting Standards (IFRS)
Neste tópico estão apresentados os principais aspectos do IFRS, como seu
histórico, sua expansão no território mundial, suas aplicações no Brasil e o
envolvimento da área de Sistemas de Informação neste cenário.
2.4.1. Breve Histórico do IFRS
De acordo com Ernst & Young & Fipecafi (2010), em 2001, a Comissão
Europeia adotou as normas internacionais de contabilidade, para padronização
das demonstrações contábeis das sociedades empresárias abertas que faziam
parte da Comunidade Europeia. Contudo, essa adoção coincidiu com a
reestruturação do IASC (International Accounting Standards Committee – antiga
entidade responsável pela formalização e publicação das normas internacionais
de contabilidade, de forma independente), e a criação do IASB (International
Accounting Standards Board).
O IASB é uma organização internacional independente, criada em 2001,
por conta da reformulação do IASC. Por isso, foi herdeiro da responsabilidade
técnica e das IAS (International Accounting Standards – normas internacionais de
contabilidade) emitidas até então. Com isso, os novos pronunciamentos, ou
normas internacionais de contabilidade, emitidos pelo IASB passaram a ser
chamados de IFRS, assim como as novas interpretações das normas
internacionais, conhecidas até então como SIC (Standing Interpretations
Committe), passaram a ser chamadas de IFRIC (Internacional Financial Reporting
Committe) (LIMA, 2010).
Em 2005, a comunidade europeia estabeleceu, pela primeira vez, a adoção
integral das normas internacionais, que tornou rápida a adesão dos países
europeus ao IFRS (Ernst & Young; Fipecafi, 2010). Lima (2010) esclarece que as
normas internacionais de Contabilidade são os pronunciamentos e as
interpretações adotadas pelo IASB, que compreendem: os IFRS, as IAS e as
interpretações produzidas pelo IFRIC ou por seu antecessor, o SIC.
2.4.2. Aplicação do IFRS no Brasil
No Brasil, as IAS foram traduzidas e adaptadas pela Comissão de Valores
Mobiliários (CVM), aplicando-as aos CPCs (Comitê de Pronunciamentos
Contábeis). Os CPCs são pronunciamentos técnicos que retratam os
procedimentos contábeis aplicados no Brasil, adaptados às normas internacionais
de contabilidade. O IFRS, junto às normas contábeis brasileiras alteradas pela
sanção da Lei nº 11.638/07 e aos CPCs, têm como objetivo padronizar as
demonstrações financeiras das companhias abertas, instituições financeiras que
possuem comitê de auditoria e companhias brasileiras de grande porte (PWC,
2010a).
De acordo com PWC (2010a), a adoção do IFRS no Brasil foi inevitável, já
que ele acabou tornando-se a linguagem contábil mundial. Caso não houvesse a
adoção, seria refletida no Brasil a dificuldade de atuação no ambiente globalizado.
Por isso, no final de 2010, a Instrução nº 485 foi divulgada pela CVM, a qual
determina que as companhias abertas devem apresentar suas demonstrações
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financeiras consolidadas conforme o IFRS e as normas contábeis brasileiras
emitidas pelos CPCs. Porém, as demonstrações financeiras individuais devem
aplicar, obrigatoriamente, somente os CPCs. O uso do IFRS também pode ser
determinado por outros órgãos reguladores brasileiros, como o Banco Central
(BACEN) e a Superintendência de Seguros Privados (SUSEP).
Segundo Antunes, Grecco, Formigoni & Mendonça Neto (2012), o CPC
emite os pronunciamentos contábeis baseados no IFRS e os órgãos reguladores
no Brasil – tais como o Conselho Federal de Contabilidade (CFC), a Comissão de
Valores Mobiliários (CVM) e o Banco Central do Brasil (BACEN) – que adotam, ou
não, esses pronunciamentos, que passam a vigorar como norma contábil.
Ainda para os autores, em decorrência das novas práticas contábeis, é
necessária a divulgação de várias informações em notas explicativas que
anteriormente não eram exigidas, aumentando, assim, o conteúdo informacional
desse relatório.
2.4.3. Impacto da Convergência ao IFRS
Conforme já citado, o IFRS tem como objetivo padronizar as
demonstrações financeiras. Com as empresas abertas sendo obrigadas a aderir a
esse padrão de publicação em seus balanços, o processo de convergência para a
implantação do IFRS demonstra grande complexidade, com expressivos impactos
sobre o resultado e o patrimônio líquido das sociedades empresárias, com efeitos
significativos na valorização de suas ações no mercado de capitais (Silva et al.,
2010).
Para Silva et al. (2010), quando a padronização das demonstrações
financeiras torna-se um objetivo universal, há a preocupação com o processo de
convergência, já que enquanto a migração para o IFRS não tornar-se completa,
corre-se o risco de discussões serem geradas a partir dos processos de
adaptação de cada entidade.
De acordo com McManus (2009), com a adoção do IFRS, pode haver um
vasto impacto na infraestrutura da sociedade empresária, que inclui os processos,
controles de suporte e sistemas.
2.4.4. Envolvimento da Área de Sistemas
Para Deloitte Touche Tohmatsu Limited (2007), os líderes corporativos
compreendem plenamente os impactos que a conversão ao IFRS irá causar em
suas organizações. Com essa perspectiva, há uma maior facilidade para o líder
determinar a abordagem para coordenar os elementos-chave, além de identificar
as prioridades no desenvolvimento da estratégia final de implementação do IFRS.
Ainda segundo Deloitte Touche Tohmatsu Limited (2007) as mudanças nas
políticas contábeis e nos processos de relatórios financeiros podem causar
impacto significativo nos sistemas financeiros e na infraestrutura necessária para
a elaboração de relatórios da empresa. Essas mudanças podem exigir alguns
ajustes nas interfaces existentes e nos bancos de dados subjacentes para
incorporar dados específicos para suportar a prestação de informações
financeiras segundo o IFRS. As considerações-chave incluem:
• Sistemas upstream – A transição do BR GAAP para o IFRS pode resultar
na exigência de relatórios complementares para áreas tão complexas
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quanto as tributária, de instrumentos financeiros, de pagamentos com base
em ações e ativos fixos, entre outras;
• Razão geral – A conversão para o IFRS pode exigir mudanças no plano de
contas e modificações para apropriar dados específicos exigidos por esse
modelo contábil. Além disso, durante a transição para o IFRS, o balancete
possivelmente precisará acomodar múltiplos livros contábeis (segundo o
BR GAAP, tributários e o IFRS) e a manutenção de múltiplas estruturas de
livros contábeis durante a transição demandará planejamento;
• Banco de dados (data warehouse) – Os sistemas atuais podem não
oferecer a funcionalidade para lidar com as exigências do IFRS e, dessa
forma, os requisitos relativos a informações financeiras devem ser
identificados, e o impacto desses requisitos sobre os modelos de dados
existentes deve ser analisado;
• Relatórios downstream – A conversão para o IFRS pode também resultar
em mudanças no número de empresas consolidadas, estruturas mapeadas
e formatos de demonstrações financeiras. Tudo isso demandará ajustes
com relação ao sistema de consolidação. Os modelos de relatórios
externos precisarão ser avaliados para que as mudanças necessárias
sejam identificadas.
De acordo com PWC (2010b), observa-se a necessidade do mercado de
ter o conhecimento de que o processo de implantação do IFRS foi organizado e
estruturado. Para isso, apresenta-se o Embedding, que significa “corrigir o
conjunto de forma segura ou profunda”, ou seja, tudo que deve ser feito para a
adequação do IFRS nas organizações, formando um cenário ideal.
PWC (2010b) ressalta que para o mercado ter essa confiabilidade, as
sociedades empresárias precisam endereçar itens, como: a) quando se deu início
e quem apoiou o processo; b) os departamentos envolvidos, inclusive se o
Conselho de Administração e o especialista financeiro receberam os devidos
treinamentos; c) quais as especialidades utilizadas, como laudos e cálculos
atuariais.
O Embedding, para PWC (2010b), envolve a integração dos relatórios
internos e externos do dia-a-dia, controle e procedimentos através de políticas e
manuais de IFRS e CPC devidamente atualizados, treinamento das pessoas
envolvidas e a área de Sistemas como um todo.
Segundo PWC (2010b), a área de Sistemas tem grande envolvimento na
convergência ao IFRS, pois é responsável pela identificação dos novos dados que
irão compor as notas explicativas e seus detalhamentos, e pela remoção do
trabalho manual, já que é designado à elaboração de sistemas novos ou
otimizados mais eficazes, com plano de contas baseado nos CPCs e no IFRS.
McManus (2009) explica que o nível de mudança necessário nos sistemas
de informação depende de cada empresa. Por exemplo, uma empresa que tem
várias controladas operando com sistemas contábeis diferentes, que reportam
para um sistema único da controladora. Caso uma das controladas opte por
incorporar o IFRS, pode haver conflito nas informações, pois uma demonstração
financeira está em IFRS e as outras, em um dos múltiplos GAAPs.
Para Ernst & Young Terco (2008) o tempo de existência, a flexibilidade e o
histórico de atualizações dos sistemas de tecnologia serão fatores determinantes
para definir se os sistemas existentes podem ser aprimorados ou devem ser
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substituídos. Quando o volume de mudanças exigidas no sistema de TI para
ajustá-lo ao IFRS for significativo, a administração deverá considerar a
necessidade de novos recursos para tecnologia e também se o plano do projeto
reflete os cronogramas de atualizações dessa área.
3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Pesquisa é uma atividade voltada para a investigação de problemas
teóricos ou práticos por meio do emprego de processos científicos (Cervo,
Bervian & Silva, 2007). Neste tópico estão apresentadas as opções
metodológicas que foram utilizadas na pesquisa.
3.1. Método de Pesquisa
O método em pesquisa significa a escolha de procedimentos sistemáticos
para a descrição ou explicação de fenômenos. Há dois grandes métodos de
investigação: o quantitativo e o qualitativo. O método quantitativo caracteriza-se
pelo emprego de quantificação tanto nas modalidades de coleta de informações,
quanto no tratamento delas por meio de técnicas estatísticas. Já o método
qualitativo é caracterizado como a tentativa de uma compreensão detalhada dos
significados e características situacionais apresentadas (Richardson et al., 2007).
Nesta pesquisa utilizou-se o método qualitativo, pois teve como objetivo
analisar a interação das variáveis SIs e IFRS, que tive início com a implantação
do IFRS no Brasil.
3.2. Tipo de Pesquisa
Cervo et al. (2007) explicam que cada abordagem admite diferentes níveis
de aprofundamento e enfoques específicos conforme o objeto de estudo, os
objetivos e a qualificação do pesquisador. Sendo assim, é natural a existência de
inumeráveis tipos de pesquisa. Cada tipo de pesquisa possui, além do núcleo
comum de procedimentos, suas particularidades.
Richardson et al. (2007) definem como três principais tipos de pesquisa: os
estudos descritivos, exploratórios e explicativos. Os estudos descritivos são
utilizados quando se deseja descrever as características de um fenômeno; os
estudos exploratórios, quando não se tem informação sobre determinado tema e
se deseja conhecer o fenômeno; e os estudos explicativos, quando se deseja
analisar as causas ou consequências de um fenômeno.
Em complemento, Cervo et al. (2007) defendem que a pesquisa
exploratória não requer elaboração de hipóteses a serem testadas no trabalho,
limitando-se a definir objetivos e buscar mais informação sobre determinado
assunto de estudo. Além disso, esse tipo de pesquisa realiza descrições precisas
da situação e quer descobrir as relações existentes entre seus elementos
componentes.
Adotou-se o tipo exploratório citado no parágrafo anterior, levando em
consideração que o objetivo geral da pesquisa foi identificar quais foram os
impactos nas organizações e em seus SIs devido à convergência das normas
contábeis brasileiras ao IFRS.
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3.3. Espaço Amostral
Segundo Cervo, Bervian e Silva (2007: 66) “População pode referir-se a um
conjunto de pessoas, de animais ou de objetos que representam a totalidade de
indivíduos que possuam as mesmas características definidas para um estudo”.
Uma pesquisa é feita com utilização de uma amostra, que se refere à parte
representativa da população, ou seja, a uma unidade de análise.
A amostra foi constituída por empregados de nível hierárquico elevado da
área Contábil de três empresas de diferentes segmentos, sendo que em uma das
três empresas, houve possibilidade de entrevistar três gestores diferentes.
3.4. Instrumento de Coleta de Dados
Cervo, Bervian e Silva (2007) destacam três instrumentos de Coleta de
Dados: a) Entrevista: conversa orientada com o objetivo de recolher, por meio do
interrogatório do informante, os dados para a pesquisa; b) Questionário:
possibilita medir com exatidão o que se almeja, pois é composto por perguntas
fechadas, padronizadas, fáceis de aplicar, de simples codificação e análise; c)
Formulário: destinado à coleta de dados resultantes de observações ou
interrogações, preenchido pelo próprio investigador.
Segundo Marconi e Lakatos (2010), a entrevista é um encontro entre
pessoas, a fim de que uma delas obtenha informações a respeito de determinado
assunto. Trata-se, pois, de uma conversação face a face, de maneira metódica,
que proporciona ao entrevistador, verbalmente, a informação necessária.
Como instrumento de coleta de dados, foram feitas entrevistas com
empregados de nível hierárquico elevado da área Contábil de três empresas de
diferentes segmentos, para que fosse possível solucionar o problema de
pesquisa.
3.5. Técnica de Análise de Dados
Como se utilizou o método qualitativo, foi empregada a análise de conteúdo
como técnica de análise do material coletado nas entrevistas. Toda comunicação
que implica a transferência de significados de um emissor a um receptor pode ser
objeto de análise de conteúdo. Pela natureza cientifica, a análise de conteúdo
deve ser eficaz, rigorosa e precisa (Richardson et al., 2007; Bardin, 2009).
De acordo com Richardson et al. (2007), a análise de conteúdo é uma
técnica de pesquisa que tem como características metodológicas a objetividade
(explicitação das regras e dos procedimentos utilizados em cada etapa da
análise), a sistematização (inclusão ou exclusão do conteúdo de acordo com
regras consistentes e sistemáticas) e a inferência (operação pela qual se aceita
uma proposição em virtude de sua relação com outras proposições já aceitas
como verdadeiras).
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4. APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS
Ao todo foram realizadas cinco entrevistas, mediante roteiro de entrevistas
previamente elaborado (que por limitações de espaço foi suprimido), no mês de
setembro de 2012, conforme indicado no Quadro 1. Por questões de sigilo
garantido, os entrevistados estão indicados apenas pelo primeiro nome e as
empresas, por nomes fictícios E1, E2,..., E5.
Quadro 1: Síntese das entrevistas realizadas
Entrevista
Entrevistado
Empresa
Cargo - Função
Data
E1
E2
E3
E4
E5
Beatriz
Stefano
Márcio
Fábio
Carlos
E1
E2
E3
E4
E5
Consultor
Analista Sênior
Coordenador
Gerente
Superintendente
03/09/2012
05/09/2012
06/09/2012
12/09/2012
19/09/2012
As entrevistas foram gravadas e posteriormente transcritas. Inicialmente,
os dados foram submetidos a análises e leituras reflexivas, como primeira etapa
da análise de conteúdo (Bardin, 2009). Em seguida, iniciou-se a codificação, pela
identificação das Unidades de Registro (URs). Por similaridade, as unidades de
registro foram agrupadas para a elaboração de uma matriz de Unidades de
Significado (USs). A matriz de USs representa a organização da massa de dados
por assunto e compartilhamento de ideias contidas nas URs. A partir dessa
matriz, foram criadas oito Categorias (apresentadas no Quadro 2) e explicadas na
sequência.
Quadro 2: Categorias Obtidas
Categorias (Cs)
C1: Adequação dos
Sistemas de Informação
C2: Aquisição de Novos
Sistemas de Informação
C3: Treinamento para as
novas normas contábeis e
para SIs
C4: Contratação de
Consultorias e/ou
Profissionais
Especializados
C5: O Processo de
Comunicação
C6: Dificuldade e
Resistência aos SIs e/ou
IFRS
C7: Liderança no Processo
de Adaptação
C8: Resultados
Unidades de Significado (USs)
• US2: Necessidade de atualizações nos SIs
• US3: Mudanças de parâmetro nos SIs já utilizados pelas
áreas
• US4: Período de adequação dos SIs ao IFRS
• US1: Implantação de novos SIs
• US5: Investimento em SIs devido à adequação ao IFRS
• US6: Treinamento sobre as novas normas contábeis e/ou
para utilização dos SIs implantados/adaptados por conta do
IFRS
• US7: Contratações de profissionais especialistas em IFRS
para o processo de adaptação dos SIs
• US8: Contratação de Consultorias/Desenvolvedores externos
para auxiliar no processo de implantação/adaptação dos SIs
e/ou IFRS
• US9: Processo de comunicação para implantação/adequação
dos SIs e/ou IFRS
• US10: Dificuldades no processo ou resistência na
implantação/adaptação dos SIs e/ou IFRS
• US11: Liderança no processo de implantação/adaptação dos
SIs e/ou ao IFRS
• US12: Resultados obtidos (positivos/ negativos) com a
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Decorrentes das Mudanças
implantação/adequação dos SIs e/ou ao IFRS
C1: Adequação dos Sistemas de Informação
As US’s agrupadas nesta categoria identificam-se com as necessidades de
adaptação dos SIs, sejam elas por necessidade de atualização, mudanças de
parâmetros, dentre outros.
No contexto da adoção das novas Normas Contábeis, a PWC (2010a)
afirma que as demonstrações financeiras individuais devem aplicar,
obrigatoriamente, somente os CPCs. O uso das IFRS também pode ser
determinado por outros órgãos reguladores brasileiros, como o Banco Central
(BACEN) e a Superintendência de Seguros Privados (SUSEP).
Em complemento com a PWC (2010a), Antunes et al. (2012) afirmam que o
CPC emite os pronunciamentos contábeis baseados nas IFRS e os órgãos
reguladores no Brasil – tais como o Conselho Federal de Contabilidade (CFC), a
Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o Banco Central do Brasil (BACEN) –
que adotam, ou não, esses pronunciamentos, e passam a vigorar como norma
contábil. As palavras do entrevistado E5 confirmam o que os autores conceituaram
ao relatar que:
E5: “Realizamos a expansão dos sistemas atuais, com a criação de
empresas espelhos – Duplicamos as empresas nos módulos dos
sistemas, para que os ajustes em IFRS fossem efetuados. No caso da
Seguradora, as contas contábeis foram triplicadas, pois há três reports:
BACEN, SUSEP e IFRS”.
Antunes et al. (2012) descrevem ainda que, em decorrência das novas
práticas contábeis, é necessária a divulgação de várias informações em notas
explicativas (NEs) que anteriormente não eram exigidas, aumentando, assim, o
conteúdo informacional desse relatório.
Para Deloitte Touche Tohmatsu Limited (2007) as mudanças nas políticas
contábeis e nos processos de relatórios financeiros podem causar impacto
significativo nos sistemas financeiros e na infraestrutura necessária para a
elaboração de relatórios da empresa. Essas mudanças podem exigir alguns
ajustes nas interfaces existentes e nos bancos de dados subjacentes para
incorporar dados específicos que suportam a prestação de informações
financeiras segundo o IFRS. Estas referências bibliográficas podem ser
confirmadas pelo no seguinte trecho de entrevista:
E1: “O pessoal de produto também teve que mudar bastante, pois o
grande impacto pra gente foi nas NEs, pois tivemos que falar mais dos
nossos produtos, abrir mais as informações, o que considerávamos uma
informação particular, tivemos que divulgar, o IFRS 7 exige isso, mostrar
onde está investindo, qual é o risco, os principais mercados”.
C2: Aquisição de Novos Sistemas de Informação
Nesta categoria é evidenciado como a empresa adequou seus SIs para
atender às novas exigências do IFRS, seja por substituição do sistema ou seu
aprimoramento. Para Ernst &Young Terco (2008) o tempo de existência, a
flexibilidade e o histórico de atualizações dos sistemas de tecnologia serão fatores
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determinantes para definir se os sistemas existentes podem ser aprimorados ou
devem ser substituídos.
Quando o volume de mudanças exigidas no sistema de TI para ajustá-lo ao
IFRS for significativo, a administração deverá considerar a necessidade de novos
recursos para tecnologia e também se o plano do projeto reflete os cronogramas
de atualizações dessa área. Nas entrevistas realizadas, foram encontradas tanto
empresas que tiveram que substituir o sistema, quanto empresas que tiveram que
aprimorar os SIs já existentes:
E2: “Os sistemas anteriormente utilizados serão todos substituídos pelo
sistema integrado Dynamics AX”.
E3: “Expansão dos sistemas atuais, com a criação de empresas espelhos
– duplicamos as empresas nos módulos dos sistemas, para que os
ajustes em IFRS fossem efetuados”.
C3: Treinamento para as Novas Normas Contábeis e para SIs
As US’s agrupadas nesta categoria identificam-se com as necessidades de
treinamentos dos usuários contábeis, sejam elas por necessidade de
conhecimento das novas normas contábeis, ou uso dos SIs.
No contexto da adoção das novas Normas Contábeis, a PWC (2010b)
ressalta que, para o mercado ter a confiabilidade nas novas demonstrações
financeiras (atualizadas com as novas normas), as sociedades empresárias
precisam endereçar itens, como os devidos treinamentos fornecidos aos
departamentos envolvidos, inclusive ao Conselho de Administração e ao
especialista financeiro. As palavras dos entrevistados confirmam o que os autores
conceituaram ao relatar que:
E1: “Houve treinamentos não por conta de SIs, mas sim por conta das
novas práticas de IFRS que a contabilidade adotou”.
E2: “Foi fornecido treinamento em SI para os usuários chaves para cada
módulo implantado”.
E4 e E5: “Através de um convênio com a FIPECAFI, foi fornecido um MBA
in company, para o IFRS, onde o banco arcou com 60% do custo do
curso (com os módulos que continham informações sobre IFRS). Quem
tivesse interesse no diploma, poderia continuar o curso na FIPECAFI,
arcando os 40% com seus recursos próprios”.
C4: Contratação de Consultoria e/ou Profissionais Especializados
Nesta categoria foram agrupadas US’s que se relacionam à necessidade
de novas contratações, seja de profissionais especializados, de consultorias de
IFRS ou de SIs. No âmbito de SIs, os usuários finais de negócios e especialistas
de TI podem usar uma abordagem sistêmica a fim de ajudá-los a desenvolver
soluções de SI que vão de encontro às oportunidades de negócio. Isso pode
envolver um ciclo de desenvolvimento de sistemas, no qual especialistas de SI e
usuários finais concebem, projetam e implementam sistemas empresarias
(O’Brien & Marakas, 2008).
Para Lozinsky (1996) existem algumas vantagens em utilizar consultores
na implementação de sistemas. Uma consultoria com experiência comprovada
tem uma metodologia já testada e comprovada para fundamentar tecnicamente a
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decisão e garantir um grau de imparcialidade ao processo de
implementação. Abaixo, estão trechos das entrevistas que confirmam a teoria:
E1: “Tivemos uma consultoria para IFRS, ela mostrou como deveria ser
feito, foi nas áreas com a gente, passávamos o que eles tinham que
fazer, e a área ia atrás para fazer a demanda. A consultoria desenhou o
que tinha que ser feito”.
E2: “Houve contratação de desenvolvedores para a customização de
alguns módulos do sistema pra adequação ao IFRS, e de consultores
para auxiliar na adaptação do novo sistema”.
C5: O Processo de Comunicação
Esta categoria diz respeito à importância da comunicação corporativa em
um cenário de mudanças nos SIs de uma organização devido a convergência das
normas contábeis ao IFRS.
Como afirmam Perez & Zwicker (20110) e Laudon & Laudon (2011), o
desenvolvimento de uma nova solução de SI não está apenas relacionado à
instalação de software e hardware. É necessário lidar com as mudanças
organizacionais que a nova solução implicará, isto é, novas informações, novos
processos de negócios e novas relações hierárquicas de poder para tomar
decisões. Para os autores, mesmo uma solução bem projetada, pode não
funcionar se não for introduzida na organização com cuidado, ou seja, é
necessária uma comunicação efetiva.
Laudon & Laudon (2011) ressaltam que dentre os principais componentes
do plano de SI, está o realinhamento organizacional e a reorganização interna.
Abaixo, estão trechos das entrevistas que confirmam a teoria:
E2: “Foram utilizados comunicados internos (e-mails corporativos) e
reuniões específicas para cada área que tinha módulos envolvidos na
sua respectiva operação”.
E3: “Houve diversas reuniões em todos os níveis hierárquicos, desde a
área de estudos contábeis até as áreas que executam e controlam os
processos”.
C6: Dificuldade e Resistência aos SIs e/ou IFRS
Nesta categoria são evidenciadas as dificuldades no processo de
adaptação e resistência aos SIs e/ou ao IFRS quando a empresa adequou seus
SIs para atender às novas exigências do IFRS.
Segundo PWC (2010b), a área de Sistemas tem grande envolvimento na
convergência ao IFRS, pois é responsável pela identificação dos novos dados que
irão compor as notas explicativas e seus detalhamentos, e pela remoção do
trabalho manual, já que é designado à elaboração de sistemas (novos ou
otimizados) mais eficazes, com plano de contas baseado nos CPCs e nas IFRS.
Nas entrevistas realizadas, foram encontrados casos de resistência tanto aos SIs,
quanto ao IFRS:
E1: “Na contabilidade não tivemos resistência, mas nas outras áreas
tivemos que envolver os diretores, pois não queriam abrir as
informações, falar tudo sobre o produto”.
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E2: “Funcionários de algumas áreas insistiam em usar a metodologia
antiga de trabalho ou a rotina antiga de SI. Foi necessária a troca de
alguns colaboradores (principalmente os antigos), já que tinham
dificuldades em aprender, não só as novas normas, mas em se adaptar
ao novo modelo de Sistema. Foram efetuadas algumas ações para
conscientizar as áreas da necessidade de adequação ao novo SIs”.
E3: “A dificuldade maior foi em relação à falta de informações para a
aplicação da regra e de aplicar um conceito novo criando novos
processos. Sendo uma demanda legal não havia muitas alternativas”.
E5: “A dificuldade foi no entendimento das normas contábeis, por isso o
banco forneceu o MBA in company. Com relação ao sistema, não houve
resistência, já que o processo de utilização do sistema não foi alterado
para os usuários contábeis”.
C7: Liderança no Processo de Adaptação
Nessa categoria ficou evidenciada a necessidade de liderança no processo
de adaptação aos SIs e/ou ao IFRS, visto que são mudanças a serem conduzidas
e, que devem necessitam de liderança forte e marcante.
Para Deloitte Touche Tohmatsu Limited (2007), os líderes corporativos
compreendem plenamente os impactos que a conversão ao IFRS irá causar em
suas organizações. Com essa perspectiva, há uma maior facilidade para o líder
determinar a abordagem para coordenar os elementos-chave, além de identificar
as prioridades no desenvolvimento da estratégia final de implementação do IFRS.
Os seguintes trechos das entrevistas confirmam a teoria:
E1: “No processo de adaptação ao IFRS, o Edson era gerente do projeto,
o Celso o diretor e eu o operacional”.
E2: “Cada área tem um usuário chave que está sendo líder na
implementação/customização de cada área/módulo”.
E5: “Sim. Nossa equipe (Itaú Holding) é a líder do processo, pois somos
os responsáveis pela publicação dos balanços. Mas para ocorrer a
implantação com sucesso, conversamos com os líderes das outras
equipes, que normalmente são os gerentes das áreas”.
C8: Resultados Decorrentes das Mudanças
Estão agrupados neste código padrão os resultados obtidos, sejam eles
negativos ou positivos, onde há mudanças nos Sis devido à convergência das
normas contábeis ao IFRS.
Para Turban et al. (2010), o planejamento de TI é organizado da infraestrutura e
dos portfólios de aplicações realizados em vários níveis da organização. E isto
determina quais aplicações os usuários finais podem instalar.
Assim, para os autores, o sistema deverá atender aos objetivos previstos,
proporcionando melhoria e otimização do processo decisório, vantagem
competitiva, aumento da lucratividade, melhor posicionamento no ambiente
externo e melhor efetividade no gerenciamento da organização. Os trechos das
entrevistas abaixo confirmam os pensamentos dos autores:
E2: “Maior confiabilidade nas informações geradas e minimização dos
erros do SI antigo que não era integrado demandando intervenções
manuais e consequentemente maiores erros. Gerou um ganho de
produtividade na elaboração das DFs e no fechamento mensal, mas
ainda temos alguns problemas gerados pela customização de alguns
módulos (estoque, ativo imobilizado, compras e faturamento)”.
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E3: “O principal ponto positivo é a padronização do banco aos critérios
internacionais servindo de parâmetro e exemplo para o mercado –
imagem do banco perante o mercado. Um diferencial é que o BIUHF
publica estas informações trimestralmente sendo um diferencial do
mercado que publica anualmente. O principal ponto negativo é o
aumento das demandas operacionais com a manutenção da carga
humana e a diminuição dos prazo”.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O objetivo deste artigo foi efetuar um estudo qualitativo exploratório, com a
finalidade de se obter a resposta ao problema de pesquisa: Quais os impactos
nas organizações e em seus Sistemas de Informação devido à convergência das
normas contábeis brasileiras ao IFRS? Como suporte teórico, foram realizadas
investigações em bases de dados disponíveis, como artigos, livros, sites,
dissertações e teses sobre o tema, além de entrevistas para formação da massa
de dados para a análise de conteúdo.
Pelos dados coletados nas entrevistas verificou-se que algumas
organizações tiveram menor impacto, já outras, tiveram grandes impactos em
seus recursos de SIs. Para a organização que sofreu baixo impacto, pode-se citar
que as adaptações ao IFRS foram feitas com a utilização do software Excel.
Porém, no que se refere ao IFRS, essa organização teve de investir fortemente
em treinamentos e consultorias para obter o conhecimento técnico das novas
normas.
Houve a possibilidade de entrevistar três gestores de diferentes empresas
de um mesmo grupo, e foi possível verificar que foram feitas mudanças nos SIs
de todas as três, que, por terem sido desenvolvidos pela organização, foram
aprimorados pelos seus próprios empregados. Em relação ao IFRS, a área
contábil dessas empresas recebeu treinamentos, inclusive pela realização de um
MBA sobre o assunto.
Foi encontrada uma organização que sofreu grandes impactos em seus
SIs, sendo necessária a troca total do SI. Para isso, houve um alto investimento
financeiro na área de TI, tanto para adquirir o novo software, como para contratar
desenvolvedores externos para sua implantação. Já no que se refere ao
conhecimento técnico de IFRS, houve orientações da auditoria externa.
Os resultados da pesquisa indicam que mudanças no contexto das
organizações, como a implementação das normas internacionais IFRS, que têm
implicações em nível operacional, tático e estratégico e, principalmente em
requerem ajustes em seus recursos informacionais (Sistemas e Tecnologias de
Informação), necessitam ser muito bem planejadas, sob o risco de se tornarem
fracassos.
Portanto, respondendo ao problema de pesquisa pôde-se inferir que, todas
as organizações da amostra analisada sofreram algum tipo de impacto em sua
operação e em seus SIs, podendo ser de maior ou menor relevância. Além disso,
observando-se isoladamente o fator convergência ao IFRS, é possível afirmar que
houve grandes impactos em todos os casos analisados. Considera-se também
que os objetivos inicialmente propostos foram atingidos de forma satisfatória.
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Os resultados aqui apresentados dizem respeito à amostra estudada, o que
não permite generalizações. Contudo, tais resultados podem ser relevantes para
empresas que estejam em fase de planejamento ou implementação do IFRS e,
consequentemente, em seus SIs, bem como, a necessidade de cuidados com
formação das pessoas em termos de cursos e aperfeiçoamento.
Recomenda-se para futuras investigações, que sejam entrevistadas
organizações de outros setores, como Varejo e Indústria. Também seria
interessante uma investigação aprofundada nas empresas desenvolvedoras de
Sistemas Integrados (ERP), como o SAP, e observar o quê essas empresas
fizeram no sentido de adequar seus SIs por conta do IFRS para atender às
necessidades de seus clientes.
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