RELATÓRIO FINAL DE PROJECTO
ANÁLISE TECNO-ECONÓMICA DE
REDES HETEROGÉNEAS
MULTIOPERADOR
AUTORES
Eduardo Jorge Pato Rodrigues
José Pereira Marques
ORIENTADOR
Prof. Doutor A. Manuel de Oliveira Duarte
CO-ORIENTADOR
Prof. Doutor Rui Aguiar
Departamento de Electrónica e Telecomunicações
Universidade de Aveiro
Setembro de 2003
AGRADECIMENTOS
Gostaria de agradecer a todos aqueles que contribuíram para a realização deste relatório.
Agradeço ao Professor A. Manuel Oliveira Duarte pela orientação, incentivo e motivação no
decorrer do projecto.
Ao Professor Rui Aguiar pelos esclarecimentos técnicos dados.
Aos colaboradores do Grupo de Sistemas de Banda Larga José Pedro Borrego, João
Rocha, Fernando Ramos e Daniel Martins.
Aos amigos José Pereira, Pedro Neves, Vítor Pinto, Hugo Martins, Emanuel Brito e Óscar
Sarabando.
À Lolimar.
E a todas as pessoas em geral que me ajudaram a acabar o curso e me incentivaram e
realizar este projecto.
Eduardo Pato
-3-
AGRADECIMENTOS
Gostaria de agradecer a todos aqueles que contribuíram para a realização deste relatório.
Agradeço ao Professor A. Manuel Oliveira Duarte pela orientação, incentivo e motivação no
decorrer do projecto.
Ao Professor Rui Aguiar.
Aos colaboradores do Grupo de Sistemas de Banda Larga: José Pedro Borrego, João
Rocha, Fernando Ramos, Daniel Martins.
Aos parceiros do Projecto CYBERAL, em especial a Katalin Kolosy.
Aos amigos Eduardo Pato, Nelson Oliveira, Luís Carlos Figueiredo, Marta e Elisabete.
À Cláudia.
Aos meus familiares.
E a todas as pessoas que contribuíram para o término do curso e na realização deste
projecto.
José Pereira
-4-
Índice
ÍNDICE.......................................................................................................................... 5
ÍNDICE DE FIGURAS .................................................................................................. 7
ÍNDICE DE TABELAS ................................................................................................. 8
PARTE I – INTRODUÇÃO ........................................................................................... 9
1.
A Importância da Banda Larga em Zonas Rurais e Periféricas............................................................... 9
2.
Abordagem e metodologia ........................................................................................................................... 10
3.
Identificação dos locais com Necessidade de Intervenção........................................................................ 11
4.
Caracterização dos locais identificados...................................................................................................... 11
4.1
Caracterização geográfica e demográfica............................................................................................. 12
4.2
Identificação das principais actividades sócio-económicas ................................................................. 12
4.3
Identificação das infra-estruturas existentes......................................................................................... 12
4.4
Identificação das necessidades em termos de serviços ........................................................................ 13
PARTE II – ANÁLISE DE TECNOLOGIAS DE REDES HETEROGÉNEAS............ 14
5.
Tecnologias Candidatas para Serviços de Banda Larga em Zonas Rurais ........................................... 14
5.1
Cobre disponível na rede de distribuição ............................................................................................. 14
5.2
Não existe cobre na rede de distribuição.............................................................................................. 15
5.2.1
Wireless LAN 802.11....................................................................................................................... 15
5.2.1.1
Planeamento cauteloso ........................................................................................................... 18
5.2.2
Modelação por Espalhamento de Espectro...................................................................................... 20
5.2.2.1
Direct Sequence SS ................................................................................................................ 21
5.2.2.2
Frequence-Hoping SS............................................................................................................. 23
5.2.3
Breve descrição do DVB (Digital Video Broadcasting) ................................................................. 25
6.
Arquitectura da Rede de Acesso Wi-Fi + Satélite..................................................................................... 27
6.1
Local de recepção de Satélite................................................................................................................ 27
6.2
Locais de acesso da rede 802.11b......................................................................................................... 28
6.3
Alcances máximos do 802.11b ............................................................................................................. 28
6.4
Instalação e Operação ........................................................................................................................... 29
6.5
Diversos Componentes na Rede ........................................................................................................... 32
6.5.1
Power over Ethernet (PoE) .............................................................................................................. 32
6.5.1.1
Transporte da Energia ............................................................................................................ 34
6.5.1.2
Detecção e Certificação.......................................................................................................... 35
6.5.1.3
Remoção e Manutenção da Potência ..................................................................................... 35
6.5.1.4
Funcionamento do PSE .......................................................................................................... 36
6.5.2
HomePlug Powerline Alliance......................................................................................................... 36
6.5.2.1
O Power Line como Meio de Transmissão............................................................................ 37
6.5.2.2
Uma abordagem adaptativa.................................................................................................... 37
6.5.2.3
Descrição do HomePlug......................................................................................................... 38
6.6
Estudo da propagação electromagnética do meio ................................................................................ 42
7.
Estudo de Caso Rede de Acesso Wi-Fi + satélite....................................................................................... 42
7.1
Servidor/Router/Switch......................................................................................................................... 43
7.2
Acesso Wi-Fi/Distribuição a utilizadores............................................................................................. 43
-5-
7.3
7.4
7.5
7.5.1
7.6
8.
Acesso Wi-Fi/Utilizadores.................................................................................................................... 44
Investimento no acesso à rede core ...................................................................................................... 44
Largura de banda necessária ................................................................................................................. 45
Considerações demográficas e económicas..................................................................................... 45
Resultados ............................................................................................................................................. 46
Estudo de caso Rede de acesso ADSL......................................................................................................... 47
8.1
Aspectos Geográficos e Demográficos................................................................................................. 47
8.2
Outras Soluções para as Astúrias.......................................................................................................... 48
8.3
Resultados ............................................................................................................................................. 49
PARTE III – METODOLOGIA DE AVALIAÇÃO DOS RESULTADOS DO
PROJECTO ................................................................................................................ 51
9.
INDICADORES E AVALIAÇÃO DOS RESULTADOS DO PROJECTO .......................................... 51
9.1
Objectivos da Avaliação do Projecto CYBERAL................................................................................ 52
9.1.1
Perspectiva Estratégica .................................................................................................................... 53
9.1.2
Perspectiva Operacional................................................................................................................... 54
9.2
Metodologia e Linhas de Orientação para a Avaliação ....................................................................... 55
10.
PROJECTOS SIMILARES NOUTROS ESPAÇOS DO MUNDO ................................................... 56
10.1
Serventia de Banda Larga em Zonas Rurais Periféricas Caso do Tarn (França) ................................ 56
10.2
Banda Larga no Canadá ........................................................................................................................ 56
PARTE IV – LEGISLAÇÃO DAS TELECOMUNICAÇÕES ...................................... 58
11.
O NOVO PACOTE DE TELECOMUNICAÇÕES............................................................................. 58
11.1
Modificações relativas às redes e serviços de comunicações electrónicas......................................... 59
PARTE IV – CONCLUSÕES...................................................................................... 60
REFERÊNCIAS .......................................................................................................... 61
ANEXO ....................................................................................................................... 62
-6-
Índice de Figuras
FIGURA 1: RELAÇÕES ENTRE A OFERTA E A PROCURA NO MERCADO DAS TELECOMUNICAÇÕES [3]........................ 10
FIGURA 2 REDE DE TRANSPORTE/DISTRIBUIÇÃO ..................................................................................................... 14
FIGURA 3 OS PRINCIPAIS COMPONENTES DO ADSL ................................................................................................. 15
FIGURA 4 LIGAÇÃO DE UMA REDE SEM A UMA REDE “WIRED” CONVENCIONAL [4]................................................. 16
FIGURA 5 UNIÃO DE DUAS BSS FORMANDO UMA ESS............................................................................................. 17
FIGURA 6 . SISTEMA DE ESPALHAMENTO DE ESPECTRO DE BANDA BASE IDEALIZADO. A) TRANSMISSOR B) CANAL
C) RECEPTOR ................................................................................................................................................... 21
FIGURA 7 ILUSTRAÇÃO DAS FORMAS DE ONDA DO EMISSOR DA FIGURA ANTERIOR. ............................................... 22
FIGURA 8 . ESQUEMA DO EMISSOR COM MODELAÇÃO DE ESPALHAMENTO DE ESPECTRO POR SALTOS NA
FREQUÊNCIA .................................................................................................................................................... 23
FIGURA 9 . ESQUEMA DO RECEPTOR COM MODELAÇÃO DE ESPALHAMENTO DE ESPECTRO POR SALTOS NA
FREQUÊNCIA .................................................................................................................................................... 24
FIGURA 10 ARQUITECTURA DA REDE SATÉLITE+WIRELESS .................................................................................... 27
FIGURA 11 NUVEM DE ALCANCE MÁXIMO [6] .......................................................................................................... 29
FIGURA 12 ARQUITECTURA PARA O INTERIOR DE EDIFÍCIOS. ................................................................................... 30
FIGURA 13 . DISTRIBUIÇÃO DE APS EM EDIFÍCIOS E LIGAÇÃO AO PC [8]................................................................. 30
FIGURA 14 DISTRIBUIÇÃO USANDO ETHERNET COM CABOS UTP [8] ...................................................................... 31
FIGURA 15 . DISTRIBUIÇÃO USANDO POWER LINE HOMEPLUG [8].......................................................................... 31
FIGURA 16 DISPOSIÇÃO DE COMPONENTES EM TODA A REDE PROJECTADA ............................................................. 32
FIGURA 17 INSTALAÇÃO DO POWER HUB [10] ......................................................................................................... 33
FIGURA 18 CONDUTORES A SER USADOS NO POE (OPÇÃO1) [11]............................................................................. 34
FIGURA 19 CONDUTORES A SER USADOS NO POE (OPÇÃO 2) [11]............................................................................ 34
FIGURA 20 . DIFERENÇAS DE FASE ENTRE PORTADORAS [12]................................................................................... 39
FIGURA 21 DOMÍNIO DO TEMPO E DOMÍNIO DA FREQUÊNCIA [12] ........................................................................... 40
FIGURA 22 UM PACOTE DO HOMEPLUG [12] ............................................................................................................ 41
FIGURA 23 POPULAÇÃO ADERENTE CONSIDERADA PARA A REGIÃO DE GRAMAT. ................................................... 46
FIGURA 24 CASH FLOW PARA A LOCALIDADE DE GRAMAT NO LOT. ........................................................................ 46
FIGURA 25 REGIÕES QUE DISPÕEM DE ACESSO A ADSL (COMO APRESENTADO NA REUNIÃO DO CONSORCIO DO
PROJECTO CYBERAL) [13] ............................................................................................................................... 47
FIGURA 26 LOCALIDADES ALVO DO PROJECTO CYBERAL [14]................................................................................. 48
FIGURA 27 ESTRUTURA INTERNA DE UMA DSLAM [13].......................................................................................... 48
FIGURA 28 . POPULAÇÃO ADERENTE DURANTE O PROJECTO ADSL EM BUSTO NAS ASTÚRIAS............................... 49
FIGURA 29 CASH FLOW DO PROJECTO ADSL EM BUSTO NAS ASTÚRIAS. ................................................................ 50
-7-
Índice de Tabelas
TABELA 1. SERVIÇOS E TECNOLOGIAS ...................................................................................................................... 13
TABELA 2 REQUISITOS DO PSE [9] ........................................................................................................................... 36
TABELA 3 LIMITES DO PD [9] ................................................................................................................................... 36
TABELA 4 PREÇOS DE OPERADORES COM SERVIÇOS DE ACESSO ATRAVÉS DE SATÉLITE (* PREÇO DE VENDA AO
PUBLICO). ........................................................................................................................................................ 43
TABELA 5 PREÇO DE EQUIPAMENTO USADO NO ACESSO À REDE CORE (* PREÇO DE VENDA AO PÚBLICO)............. 43
TABELA 6 PREÇO DE EUIPAMENTO USADO PARA A DISTRIBUIÇÃO AOS UTILIZADORES USANDO O PROTOCOLO
802.11 (* PREÇO DE VENDA AO PÚBLICO)...................................................................................................... 43
TABELA 7 PREÇOS DE EUIPAMENTO PARA CADA UTILIZADOR (* PREÇO DE VENDA AO PÚBLICO) .......................... 44
TABELA 8 CUSTO DO INVESTIMENTO (* PREÇO DE VENDA AO PÚBLICO)................................................................ 44
TABELA 9 CUSTO MENSAL DA MANUTENÇÃO DO SERVIÇO DE ACESSO POR SATÉLITE COM DISTRIBUIÇÃO EM WI-FI
(*PREÇO DE VENDA AO PÚBLICO)................................................................................................................... 45
TABELA 10 NÚMERO DE CLIENTES MÍNIMOS PARA QUE SEJA ECONOMICAMENTE VIÁVEL ESTE PROJECTO ............. 45
TABELA 11 NÚMERO DE CLIENTES MÁXIMOS POR LARGURA DE BANDA .................................................................. 45
TABELA 12 PREÇOS E LIGAÇÕES MÁXIMAS DOS VÁRIOS DSLAMS.......................................................................... 47
TABELA 13 PREÇOS DE MODEMS ADSL NO MERCADO EM ESPANHA. (* PREÇO DE VENDA AO PÚBLICO) ............. 49
-8-
Parte I – Introdução
1.
A Importância da Banda Larga em Zonas Rurais e Periféricas
Ao longo das últimas décadas tornou-se claro o papel das tecnologias da informação e da
comunicação como elementos potenciadores e estruturantes do desenvolvimento económico e
social.
As infra-estruturas telemáticas melhoram as possibilidades de contacto entre os vários
agentes dos sistemas económicos, facilitam o acesso e a disseminação da informação, a gestão
corrente das organizações e, desta forma, induzem e proporcionam novas oportunidades de
actividade económica e de desenvolvimento cultural e social.
Por sua vez, o incremento da actividade económica acarreta aumentos na procura de novos
serviços de apoio. Entre eles, os serviços de informação e de comunicação, pela sua presença
cada vez mais generalizada em praticamente todos os domínios de actividade, representam um
dos serviços de apoio com maior procura. Esta procura, se suficiente, estimula a instalação de
novas infra-estruturas de comunicação e o recurso cada vez mais generalizado a sistemas de
informação.
Para além das relações de interdependência apontadas acresce ainda o facto de, nas últimas
décadas, se ter assistido a uma tendência crescente para a globalização das economias.
Naturalmente que aqui já se pressente o papel atenuador das distâncias proporcionado pelas
telecomunicações, mas é também factual que estas tendências reflectem novos paradigmas de
organização económica e empresarial, onde o fluxo atempado de informação é um dos
factores de importância estratégica decisiva.
É importante reconhecer-se que as anteriores relações entre a procura e a oferta de serviços
de telecomunicações, embora sujeitas a estreita interdependência, não são automáticas:
•
A um acréscimo na oferta das infra-estruturas e serviços de telecomunicações pode não
corresponder necessariamente um aumento de actividade económica.
•
A um acréscimo de procura pode não corresponder de imediato o correspondente
aumento na oferta de serviços e infra-estruturas.
Esta falta de automaticidade causa-efeito pode ser particularmente grave nas regiões
periféricas e rurais.
Pelo lado dos utilizadores, diversos tipos de barreiras económicas e sociais podem impedir
a adesão à oferta de serviços que lhes é feita:
¾ Custos de subscrição muito elevados;
¾ Preço dos serviços demasiado altos;
-9-
Incapacidade de tirar partido da utilização dos serviços por falta de formação profissional
ou de inserção em redes de interesses e afinidades, é normalmente mais escassas nas zonas
rurais e periféricas que nas zonas urbanas e metropolitanas.
Pelo lado dos operadores e provedores de serviços, razões tais como elevados volumes de
investimento ou níveis de incerteza acima do limiar de risco que estão disponíveis a aceitar,
podem impedir a decisão de instalar novas infra-estruturas e oferecer novos serviços.
Estas situações de potencial impasse de mercado estão ilustradas na Figura 1.
Selecção das
possíveis
arquitecturas de rede
de forma a satisfazer
as necessidades
dos utilizadores
Análise económico
financeira de
diferentes
cenários de redes
tendo em conta
uma préespecificação
de condições
de mercado
O Lado da Oferta
Operadores,
Provedores de Serviços,
Fabricantes de Tecnologia
Vontade/Capacidade
de pagar
Tarifas
Estimação do potencial de arranque
dos serviços identificados (procura)
Equilíbrio de Mercado
Identificação das
necessidades
em termos de serviços
Caracterização
sócio-económica
e geográfica
Autoridades regulamentadoras
Políticas públicas
O Lado da Procura
Utilizadores
Figura 1. Relações entre a oferta e a procura no mercado das telecomunicações [3]
Perante este tipo de situações em que o estabelecimento dos mecanismos causa-efeito que
as anteriores relações poderiam fazer inferir não se verifica, duas posições são possíveis:
1. Deixar os mecanismos de mercado funcionar por si sós. Neste caso, muito
provavelmente nada acontecerá e as regiões com este tipo de condições sócioeconómicas terão as suas possibilidades de desenvolvimento cada vez mais reduzidas
face a outras regiões com uma maior dinâmica.
2. Intervir colocando em campo mecanismos de estimulação económico-social
(financiamento e elevação das capacidades sociais) tendentes a ultrapassar este ciclo
vicioso. [2]
2.
Abordagem e metodologia
A abordagem e metodologia propostas para a oferta de banda larga em zonas rurais podem
ser sumariadas da seguinte forma:
- 10 -
1. Identificação dos locais com necessidades de intervenção (reforço de infra-estruturas
ou dinamização dos mercados);
2. Caracterização dos locais identificados (sua geografia, demografia, principais
actividades sócio-económicas, infra-estruturas existentes, carências ao nível de
serviços, etc.);
3. Possíveis cenários de oferta de infra-estruturas de acesso e de interligação;
4. Soluções de rede candidatas;
5. Enquadramento regulamentar das tecnologias candidatas;
6. Possíveis cenários de oferta de serviços de telecomunicações (Quais os actores? Quais
as interdependências entre eles?);
7. Negociação com operadores e fornecedores de serviços (Quem é o “dono” do
cliente?);
8. Análise tecno-económica para avaliação das soluções de rede;
9. Indicadores e avaliação dos resultados do projecto;
10. Comentários e recomendações.
Nos capítulos seguintes tenta-se fazer uma apresentação mais detalhada de cada um destes
passos metodológicos. [2]
3.
Identificação dos locais com Necessidade de Intervenção
Para cada uma das regiões sob consideração é seleccionado um conjunto de situações em
que os operadores de telecomunicações locais não contemplam disponibilizar recursos de
acesso à Internet em banda larga no momento actual, nem num futuro previsivelmente
próximo, por considerarem tais operações desprovidas de rentabilidade comercial.
Estas situações poderão ser decorrentes de três tipos de carências:
4.
•
Insuficiências infraestruturais;
•
Falta de dinâmica de mercado;
•
Simultânea insuficiência de infra-estruturas e de falta de dinâmica de mercado. [2]
Caracterização dos locais identificados
Os aspectos geográficos, demográficos, a actividade económica, a capacidade de utilização
de instrumentos das TIC (Tecnologias de Informação e Comunicação), as infra-estruturas já
instaladas e as necessidades actuais das populações em termos de serviços influem
decisivamente nas soluções de rede de telecomunicações candidatas a instalar nos locais
identificados.
É, por isso, importante caracterizar os locais em todas estas vertentes, de modo a assegurar
a melhor tecnologia de acesso aos serviços de telecomunicações pretendidos. [2]
- 11 -
4.1
Caracterização geográfica e demográfica
A distribuição geográfica das populações e a procura por serviços de telecomunicações
segue um padrão extremamente complexo. As densidades populacionais reflectem o contraste
entre as povoações rurais e urbanas, mas também ilustram fortes variações inter e intraurbanas. As densidades dependem, de entre outros factores, das condições económicas e
culturais de cada país e região, do tamanho dos aglomerados urbanos e, dentro de cada cidade
ou área metropolitana, da posição de cada região urbana (se mais periférica, se mais central).
A geografia dos locais identificados é um aspecto crucial na instalação de redes de
telecomunicações. Um exemplo paradigmático desta asserção é a instalação de par entrançado
(cobre) para servir uma população numa zona montanhosa (caso das Astúrias, em Espanha),
com telefone. O enorme investimento em cablagem para instalação duma rede deste tipo
impede que esta solução seja financeiramente viável, e assim a opção por uma rede sem fios
(por exemplo DECT) torna-se mais atractiva. [2]
4.2
Identificação das principais actividades sócio-económicas
De forma a caracterizar o ambiente sócio-económico do local candidato, deve ter-se em
consideração os seguintes pontos:
•
Educação;
•
Poder de compra;
•
Saúde;
•
Mercado de trabalho;
•
Actividade económica;
•
Comércio;
•
Sector primário – Agricultura;
•
Sector secundário – Indústria;
•
Sector terciário – Serviços;
•
Turismo. [2]
4.3
Identificação das infra-estruturas existentes
As infra-estruturas existentes nos locais identificados devem ser aproveitadas, nos casos
onde tal seja possível. No entanto, torna-se indispensável a actualização e melhoramento das
soluções instaladas, para que estas possam servir os renovados interesses e necessidades das
populações.
Certas tecnologias, por exemplo o ADSL (explicado no capítulo 5), não é mais do que uma
evolução da rede telefónica tradicional. Sobre os mesmos pares de cobre torna-se possível
(através de novas técnicas de modulação, e de relativamente pouco investimento) transportar
novos serviços (e já não só a voz). [2]
- 12 -
4.4
Identificação das necessidades em termos de serviços
Com o aparecimento da Internet, da telefonia móvel e com os avanços das novas
tecnologias da comunicação começou a surgir a necessidade de novos serviços de
telecomunicações. O paradigma dos operadores de telecomunicações passou da oferta
exclusiva de serviços de voz para a oferta de outros serviços, em especial o acesso à Internet.
Actualmente os operadores prometem já uma miríade de novos serviços, alguns dos quais
se encontram ilustrados na Tabela 1. No entanto, deve entender-se que todas as redes de
telecomunicações oferecem limitações, estando assim o tipo de serviços escolhidos para
oferecer às populações intimamente ligado com a escolha da solução de rede para os oferecer.
Assim, se for pretendido fornecer apenas o serviço de voz, a rede telefónica comutada
actualmente existente é mais do que suficiente. No entanto, se se pretenderem serviços como
TV Digital de alta qualidade, a solução terá de passar pelas redes em fibra óptica com altas
taxas de transmissão.
Tecnologias
Serviços
Acesso Internet
Telefonia
E-mail
Fax
Messanger
Transferência de ficheiros
Comércio Electrónico
Jogos on-line
Video telefonia
Videoconferência
Rede Telefónica
Comutada
ADSL
LMDS
Lento
OK
Lento
OK
OK
Lento
Lento
NÃO
NÃO
OK
OK
OK
OK
OK
OK
OK
OK
OK
OK
OK
OK
OK
OK
OK
OK
OK
OK
LMDS+Wi
WiFi
Fi
OK
OK
OK
OK
OK
OK
OK
OK
OK
OK
OK
OK
OK
OK
OK
OK
OK
OK
GPRS
Muito lento
OK
Muito lento
N/A
N/A
Muito lento
Muito lento
NÃO
NÃO
Correntes
portadoras FTTH/FTTB/F
Satélite
TTC
bidireccional
em linhas de
energia
OK
OK
OK
OK
OK
OK
OK
OK
OK
OK
OK
OK
OK
OK
OK
OK
Muito rápido
OK
OK
OK
OK
OK
OK
OK
OK
OK
OK
Alta
Razoável
OK
Qualidade
NÃO
Razoável
OK
OK
OK
NÃO
Fraca Qualidade
OK
OK
OK
OK
NÃO
OK
Video-On-Demand
NÃO
NÃO
NÃO
NÃO
OK
NÃO
NÃO
TV Digital
NÃO
NÃO
NÃO
NÃO
OK
NÃO
NÃO
Vídeo remoto (vigilância,
monitorização)
Tele-Medicina
NÃO
NÃO
NÃO
NÃO
OK
NÃO
NÃO
Tele-Educação
NÃO
Razoável
Razoável
Razoável
OK
NÃO
Razoável
OK
Alta
Qualidade
Alta
Qualidade
Alta
Qualidade
Alta
Qualidade
OK
OK
OK
OK
OK
OK
OK
OK
OK
Fibra
Óptica +
Cabo
Coaxial
OK
OK
OK
OK
OK
OK
OK
OK
OK
OK
OK
OK
OK
OK
Muito rápido
OK
OK
OK
Boa Qualidade
Cabo
Coaxial
VDSL
OK
OK
OK
OK
OK
OK
OK
OK
OK
Boa Qualidade
OK
OK
OK
Boa Qualidade
OK
OK
OK
Boa Qualidade
OK
OK
OK
Boa Qualidade
Tabela 1. Serviços e tecnologias
Possíveis cenários de oferta de infra-estruturas de acesso e de interligação
As carências infra-estruturais a que se propõe responder situam-se nos segmentos da rede
de transporte (ou de interligação) e da rede de distribuição (ou de acesso):
Rede de Distribuição (ou de Acesso)
A rede de acesso designa o último segmento de rede antes do usuário e liga o ponto de
acesso da rede de transporte (ou de interligação) ao equipamento do usuário – que, por sua
vez, pode, ele próprio, ser uma rede local privada (rede do cliente).
Rede de Transporte (ou de Interligação)
A rede de transporte (ou de interligação) estabelece a conectividade entre as várias redes de
acesso e é responsável pelo transporte a longa distância dos sinais de telecomunicações.
- 13 -
Para efectuar a identificação da conveniência de reforço das infra-estruturas de
telecomunicações já existentes ou determinar a necessidade de construção de novas infraestruturas é necessário conhecer as disponibilidades actuais, reais, existentes nas regiões em
estudo. [2]
Parte II – Análise de Tecnologias de Redes Heterogéneas
5.
Tecnologias Candidatas para Serviços de Banda Larga em Zonas
Rurais
As redes de acesso podem ser separadas em dois tipos principais: as redes de transporte e
as redes de distribuição.
Equipamento
do Cliente
IP Backbone
Rede de Transporte
Rede de Distribuição
Figura 2. Rede de Transporte/Distribuição
A rede de transporte estabelece a ligação entre o acesso ao serviço (Broadband Access
Point - BAP) e a rede de distribuição (Local Access Point – LAP) e é responsável pelo
transporte dos sinais de telecomunicações de longa distância.
No caso particular das zonas rurais a rede de distribuição é a parte da rede com maior
interesse, para o estudo.
Os serviços necessários para regiões rurais, apenas exigem um planeamento da rede de
distribuição. O outro segmento de rede (rede de transporte) é aproveitado da rede já existente,
(Operador telefónico local ou ligação por Satélite).
5.1
Cobre disponível na rede de distribuição
ADSL
A tecnologia ADSL (Asymmetric Digital Subscriber Line) pode transferir a altas taxas de
transferência de dados usando modulação digital avançada sobre as linhas de cobre. Os sinais
de dados são simplesmente adicionados às linhas PSTN (Public Switched Telephone
Network) ou ISDN (Integrated Services Digital Network) usando splitters passivos (filtros)
no cliente e na estação central. O sistema ADSL consiste em quatro grandes componentes:
- 14 -
•
DSLAM (Digital Subscriber Line Access Multiplexer) com placas ADSL e
placas de interface de rede
• O splitter da estação central
• O splitter do cliente
• O modem ADSL do cliente. Os modems ADSL estão disponíveis com interface
de utilizador 10BaseT Ethernet e/ou 25.6Mbit/s ATM
Figura 3. Os principais componentes do ADSL
O desenvolvimento do ADSL pode ser feito rapidamente e não são necessários grandes
investimentos iniciais de infra-estrutura. Mas o ADSL tem limitações: a máxima velocidade
de downstream é de 8Mbit/s, na práctica é um máximo de 4-5Mbit/s até 2Km e 2Mbit/s até
3Km de linhas de cobre. Isto significa que podemos ter um canal de TV de alta qualidade e
Internet rápida simultaneamente. O serviço normalmente oferecido é o acesso rápido à
Internet.
5.2
Não existe cobre na rede de distribuição
Nestas zonas não existem infra-estruturas de serviço telefónico ou se existem, as
comunicações telefónicas são suportadas por tecnologias sem fios (por exemplo DECT).
5.2.1 Wireless LAN 802.11
O standard IEEE 802.11 define basicamente uma arquitectura para as WLANs que abrange
os níveis físico e de enlace. No nível físico são tratadas apenas as transmissões de rádio
frequência (RF) e infravermelhos (IR), embora a tecnologia de suporte Infravermelhos não
tenha sido comercializada. No nível de enlace, o IEEE definiu um protocolo de controlo de
acesso ao meio (protocolo MAC), bastante semelhante ao protocolo usado em redes locais
Ethernet (CSMA/CD). O standard IEEE 802.11 possibilita a transmissão de dados numa
velocidade de 1 à 2Mbps, e especifica uma arquitectura comum, métodos de transmissão, e
outros aspectos de transferência de dados sem fio, permitindo a interoperabilidade entre os
diversos produtos WLAN.
- 15 -
Apesar do significativo aumento da taxa de transferência de dados que subiu de algumas
poucas dezenas de Kbps para 2Mbps, as WLANs não atendiam satisfatoriamente a
necessidade de largura de banda das empresas.
Portanto, a adopção do sistema sem fio vem crescendo significativamente, e que muitas
soluções WLAN estão ou já foram implantadas em empresas, universidades e outras
instituições do mundo inteiro. Isso indica, sem dúvida, que as redes de computadores sem fio
são uma realidade e, provavelmente, nos próximos anos, substituirão ou serão adicionais aos
sistemas com fio já existentes, passando a ser uma solução bastante interessante para as
organizações, pois desta forma os pontos que necessitam de mobilidade são conectados à rede
pelo meio “Wireless” e as estações fixas são ligadas à rede via cabo.
Figura 4. Ligação de uma rede sem a uma rede “wired” convencional [4]
A maioria das redes sem fio é baseada nos standards IEEE 802.11 e 802.11b (sendo esta
última evolução da primeira), para comunicação sem fio entre um dispositivo e uma rede
LAN. Estes standards permitem transmissão de dados de 1 a 2Mbps, para o IEEE 802.11, e de
5 a 11Mbps, para o IEEE 802.11b, e especificam uma arquitectura comum, métodos de
transmissão, e outros aspectos de transferência de dados sem fio, permitindo a
interoperabilidade entre os produtos.
A arquitectura Wireless LAN 802.11
O standard IEEE 802.11 define uma arquitectura para as redes sem fio, baseada na divisão
da área coberta pela rede em células. Essas células são denominadas de BSA (Basic Service
Area). O tamanho da BSA (célula) depende das características do ambiente e da potência dos
transmissores/receptores usados nas estações. Outros elementos que fazem parte do conceito
da arquitetura de rede sem fio, quais sejam:
BSS (Basic Service Set) – Representa um grupo de estações comunicando-se por
radiodifusão ou infravermelho numa BSA.
- 16 -
Ponto de acesso (Access Point – AP) – são estações especiais responsáveis pela captura
das transmissões realizadas pelas estações de sua BSA, destinadas a estações
localizadas em outras BSAs, retransmitindo-as, usando um sistema de
distribuição.
Sistema de distribuição – representa uma infra-estrutura de comunicação que interliga
múltiplas BSAs para permitir a construção de redes cobrindo áreas maiores que
uma célula.
ESA (Extend Service Area) – representa a interligação de vários BSAs pelo sistema de
distribuição através dos APs.
ESS (Extend Service Set) – representa um conjunto de estações formado pela união de
vários BSSs conectados por um sistema de distribuição.
A figura seguinte, apresenta união de duas BSSs ligadas por um sistema de distribuição.
Figura 5. União de duas BSS formando uma ESS
A identificação da rede ocorre da seguinte maneira: cada um dos ESSs recebe uma
identificação chamada de ESS-ID; dentro de cada um desses ESSs, cada BSS recebe uma
identificação chamada de BSS-ID. Então, o conjunto formado por esses dois identificadores
(o ESS-ID e o BSS-ID), formam o Network-ID de uma rede sem fio standard 802.11.
Apesar dos elementos que fazem parte da arquitectura sem fio possibilitar a construção de
uma rede abrangendo áreas maiores do que um ambiente local, o projecto do IEEE 802.11
limita o standard IEEE 802.11 às redes locais, com ou sem infra-estrutura.
Numa rede WLAN sem infra-estrutura (conhecidas por redes Ad Hoc), as estações
comunicam-se na mesma célula, sem a necessidade de estações especiais, ou seja, sem
necessidade dos APs para estabelecer as comunicações. Numa rede local com infra-estrutura,
é necessária a interligação de múltiplos BBSs, formando um ESS. Nesse caso, a infra-estrutura é representada pelos APs, e pelo sistema de distribuição que interliga esses APs. O
sistema de distribuição, além de interligar os vários pontos de acesso, pode fornecer os
recursos necessários para interligar a rede sem fio a outras redes, e ele, o sistema de
- 17 -
distribuição, geralmente é representado por um sistema de comunicação com fio (cobre ou
fibra).
Um elemento fundamental na arquitectura de rede local sem fio com infra-estrutura é o
ponto de acesso, que desempenha as seguintes funções:
- Autenticação, associação e reassociação: permite que uma estação móvel mesmo
saindo de sua célula de origem continue conectada à infraestrutura e não perca a
comunicação.
A função que permite manter a continuidade da comunicação quando um usuário passa de
uma célula para outra, é conhecida como handover. Os conceitos a seguir descritos estão
associados à rede 802.11b:
- Gestão de potência: permite que as estações operem economizando energia, através de
um modo chamado de power save.
- Sincronização: garante que as estações associadas a um AP estejam sincronizadas por
um relógio comum.
5.2.1.1
Planeamento cauteloso
Como outros projectos, o planeamento da instalação de uma rede wireless involve o
estabelecimento de um escalonamento de tempo e de recursos. Por exemplo, serão necessários
dois técnicos durante seis semanas para instalar 150 Access Points e apenas um técnico e
alguns dias para uma rede mais pequena com cinco Access Points.
Será necessário fazer alguma pré-coordenação para assegurar que a instalação estará
completa no tempo certo. Os Access points serão ligados a switchs através de cabos ethernet,
logo será necessário contactar com as pessoas responsáveis pela rede ethernet do edifício caso
já exista. Cada Access point requer uma ligação de 10 ou 100Mbps dependendo da rede
wireless. Será mais seguro e melhor em termos de performance separar os pontos de acesso
do resto da rede atravez de um router ou uma rede local virtual (Virtual LAN).
Em relação ao escalonamento do tempo de instalação, a melhor abordagem será instalar os
pontos de acesso durante o tempo em que existe menos trafico na rede. Por exemplo não é
aconselhado a instalação em lojas ou supermercados em Novembro e Dezembro devido à
altura de férias, ou em escritórios durante o dia onde existem muitas pessoas a circular e a
passar nos locais de instalação.
Identificar locais para instalação de pontos de acesso
Os locais de instalação de pontos de acesso têm um impacto significante no desempenho.
Logo terá que se ter um cuidado especial para realizar esta tarefa, fazendo uma analise de
- 18 -
rádio frequência antes de instalar os pontos de acesso. Esta análise vai mostar pontencias
fontes de ruído e interferência electromagnética e facultar uma base para determinar os locais
mais eficientes para a instalação dos pontos de acesso.
É necessário ter presente a cobertura e os requisitos de performance exigidos, os limites
máximos de comprimento de cabo ethernet (100 metros).
Para obeter melhores resultados de propagação de sinal aconselha-se a montarem pontos de
acesso em locais o mais alto possível, não esquecendo que será necessário estar perto do
ponto de acesso (fisicamente) para efectuar serviços de manutenção de tempos a tempos.
Electricidade é outro ponto que tem que ser considerado na identificação de um local para
a instalação do ponto de acesso. Uma alternativa é usar “Power over Ethernet” para fornecer
energia eléctrica ao ponto de acesso usando apenas um cabo ethernet. Se não for possível usar
este sistema, será necessário um técnico (electricista) para fornecer electricidade ao ponto de
acesso. Este é um ponto que muitas vezes é considerado trivial, mas que na pratica não é. A
instalação de redes sem fios é um pouco diferente da instalação de redes com fios.
Será necessário também um equipamento rádio de teste e análise de sinal electromagnético
que permita e receber o e analisar ondas electromagnéticas. São exemplos AirMagnet ou
Yellow Jacket que permitem analisar sinais da rede WLAN na altura que é efectuado o estudo
electromagnético do meio. Claro que será necessárias ferramentas de operação para a
instalação deste tipo de redes, como por exemplo, abraçadeiras para passar cabos, alicates
para cravar fichas nos cabos ethernet, parafusos, buchas, etc.
Instalar o sistema de distribuição
O sistema de distribuição são os switchs ethernet, routers e cabos entrançados que
funcionam em cada ponto de acesso. É necessário etiquetar todos os cabos de acordo com as
especificações ou métodos da companhia que define. A idéia principal é identificar cada
extremidade do cabo por algum esquema de número em que se fica a saber que access point
se está tratando ao conectar o fio a um painel de remendo e recablando ou pesquisando
defeitos no sistema no futuro.
Testar a instalação
O teste da instalação é feito com ferramentas tais com a AirMagnet ou o Yellow Jacket e
assegurando que a potência do sinal seja suficientemente alta em todas as áreas onde os
utilizadores serão conectados. É também necessário garantir que o desempenho se encontre
com as exigências do utilizador. Se a cobertura for deficiente será necessário mover alguns
access points ou instalar adicionais.
Os testes têm de decorrer durante as épocas em que os utilizadores estejam a ter uma
utilização natural. Isto significa que estes testes têm de decorrer sob as piores situações.
Documentar a instalação final
Após ter terminado a instalação, é necessário documentar com cuidado o que foi feito. A
documentação deve incluir um diagrama que descreve a posição dos access points instalados e
os ajustes aplicáveis da configuração. Esta documentação será certamente necessária a fim de
- 19 -
encontrar fisicamente os access points no futuro. Também a informação de configuração será
necessária a fim de monitorar, pesquisar defeitos e actualizar as WLAN.
5.2.2 Modelação por Espalhamento de Espectro
Este tipo de modelação é usada no 802.11b. Aqui dá-se uma pequena noção do
funcionamento da modelação por espalhamento de espectro, e a sua principal vantagem e
porque é usado.
A principal vantagem é a capacidade de rejeitar interferência de outro utilizador que esteja
a usar ao mesmo tempo o mesmo canal de comunicação, ou de uma fonte hostil que esteja a
usar o canal de comunicações ao mesmo tempo.
A definição de Modelação com espalhamento de espectro, pode ser resumida a duas partes:
1)
2)
Espalhamento de espectro é um meio de transmissão em que a sequencia de dados
ocupa uma largura de banda maior que a necessária para enviar esses dados.
O espalhamento de espectro é feito antes da transmissão usando um código que é
independente da sequência de dados. A mesma sequência é usada no receptor
(operando em sincronismo com o emissor) para reduzir o sinal à sua banda base, de
modo a que a sequencia de dados seja recuperada.
Embora as técnicas de modulação em frequência e em códigos de pulsos satisfaçam a parte
1 da definição, elas não satisfazem a parte 2. A seguir vai ser discutido os princípios da
modelação em espalhamento de espectro com particular atenção para a modelação por
sequência directa (Direct Sequence Spread Spectrum - DSSS) e para a modelação saltos de
frequência (Frequence Hope Spread Spectrum - FHSS).
Na técnica de espalhamento de espectro por sequência directa, são usados dois andares de
modulação. Primeiro os dados de entrada são usados para modular um código com grande
largura de banda. Este código transforma a sequência de dados de pequena largura de banda
num sinal parecido com ruído de grande largura de banda. Este sinal resultante com grande
largura de banda sofre, a seguir, uma segunda modelação usando uma técnica de chaveamento
por deslocação de fase (Phase Shift Keying – PSK).
Por outro lado, na técnica de espalhamento de espectro por saltos de frequência, o espectro
de uma portadora de dados modulados, é alargado, alterando a frequência da portadora de
uma maneira pesseudo-aleatoria.
Estas duas técnicas contam com a disponibilidade deste código pseudo-aleatorio quer no
emissor quer no receptor. Estas duas técnicas são usadas no 802.11, e aqui apenas se vai dar
uma noção de como funcionam estas técnicas.
- 20 -
5.2.2.1
Direct Sequence SS
A Figura 6 mostra o sinal b(t) (o sinal de dados a ser modulado), e o sinal c(t) (o sinal
pseudo-aleatorio gerado no emissor, Pseudo-Noise – PN).
m(t)
b(t)
r(t)
m(t)
c(t)
i(t)
b)
a)
z(t)
r(t)
∫
Tb
0
v
dt
‘1’ se v>0
Block de
Decisão
‘0’ se v<0
c(t)
c)
Figura 6. Sistema de espalhamento de espectro de banda base idealizado. a) Transmissor b) Canal c)
Receptor
O sinal de saída do modulador do emissor, é o m(t)=c(t)b(t). O sinal recebido r(t) é o sinal
m(t) mais ruído aditivo como mostrado na Figura 6 (b).
- 21 -
1
a) Sinal de dados de entrada b(t) 0
-1
Tb
1
b) Código de espalhamento c(t)
0
-1
1
c) Sinal produto m(t)
0
-1
Figura 7. Ilustração das formas de onda do emissor da Figura anterior
Para recuperar a mensagem original b(t) o sinal recebido é multiplicado pelo sinal c(t),
passa por um filtro integrador e um circuito de decisão. O multiplicador possui a mesma
sequência do código que foi multiplicado o sinal de dados no emissor. Além disso esta
sequencia de código está em perfeito sincronismo com emissor. A saída do multiplicador
(sinal z(t)) é dada por:
z (t ) = c(t )r (t )
= c 2 (t )b(t ) + c(t )i (t )
(1)
A equação (1) mostra que o sinal b(t) é multiplicado duas vezes pelo PN (Pseudo-Noise
code) c(t), enquanto que o sinal indesejado i(t) é multiplicado apenas uma. O sinal c(t) alterna
entres os níveis 1 e –1, logo quando de tem duas multiplicações o sinal b(t) deixa de estar
aletrado.
c 2 (t ) = 1
, para todo o t (2)
Simplificando,
z (t ) = b(t ) + c(t )i (t )
- 22 -
(3)
O sinal de dados é reproduzido na saída do multiplicador mais o sinal da interferência
multiplicado pelo PN. Isto significa que o sinal de interferência vem afectado pelo
PN do mesmo modo que o sinal de dados foi afectado pelo PN no emissor. Então
temos o sinal de interferência i(t) com uma grande largura de banda, logo com uma
potência, na banda do sinal de dados, muito pequena. Então aplicando um filtro
com largura de banda igual à largura de banda do sinal b(t) consegue-se eliminar o
sinal de interferência. Este filtro é mostrado na Figura 6 c) como o integrador.
[1]
5.2.2.2
Frequence-Hoping SS
Neste tipo de modelação os dados são modulados com uma portadora em que a sua
frequência está a saltar no tempo aleatoriamente. Aqui o sinal espalhado não ocupa a largura
total do espectro dedicado ao espalhamento instantaneamente.
Dados
Binários
Filtros
Passa-Banda
M-ary FSK
Modulator
Portadora
Sinal
FH/MFSK
Sintetizador
de
Frequências
Gerador de
Códigos PN
Figura 8. Esquema do emissor com modelação de espalhamento de espectro por saltos na frequência
- 23 -
Sinal
Recebido
Filtros
Passa-Banda
Detector
M-ary FSK
Não-Coerente
Sinal de dados
estimado
Sintetizador
de
Frequências
Gerador de
Códigos PN
Local
Figura 9. Esquema do receptor com modelação de espalhamento de espectro por saltos na
frequência
Como se pode ver na Figura 8 o emissor, modula os dados de entrada modulados com uma
portadora que é seleccionada segundo um código (o PN). Logo em cada instante o sinal de
saída terá uma frequência de portadora bem definida, pelo código PN.
A Figura 9 mostra o receptor. Aqui pode-se ver que o sinal é desmodulado com a portadora
dada pelo código PN. Existem também os filtros passa baixo que têm a mesma
função que no receptor de DSSS.
[1]
Resumo da Técnica de Espalhamento de Espectro
Para que estes dois sistemas funcionem, teremos que ter em perfeito sincronismo no
receptor e no emissor, o código peseudo-aleatorio. Isto é conseguido com em duas partes
Aquesição e seguimento (acquesition e tracking).
Resumo do 802.11
O propósito de uma rede sem fio não é a de substituir as redes com fio, é sim, extendê-las.
Hoje podemos ter num escritório uma WLAN operando aproximadamente a 11Mbps com
uma distância máxima entre as estações de 50 metros. Numa comparação com uma LAN
standard com fio (uma rede Ethernet com cobre, por exemplo), essa taxa pode chegar até
100Mbps e a distância entre as estações até 100 metros. Isso prova que as redes sem fio ainda
não substituirão com total eficiência às redes com fio. Além disso, a taxa de 11 Mbps das
WLANs ainda não é praticada, sendo atingida apenas de 4 a 8Mbps (úteis), por várias razões,
entre elas: o standard 802.11b só é 85% eficiente no que diz respeito à camada física, devido à
codificação, sincronização, e protocolos de transmissão acrescentarem cargas em cima do
pacote de dados no nível de enlace; a subcamada de controlo de acesso ao meio (MAC)
- 24 -
trabalha com contenção, tendo que encontrar o melhor momento para transmitir, o que
diminui a eficiência.
Por outro lado, as redes sem fio permitem maior mobilidade e flexibilidade na transmissão
de dados. Elas são fácies de montar, precisando apenas da colocação de cartões PCMCIA ou
adaptadores PCI/ISA nas estações, e da instalação de pontos de acesso (Access Points – APs),
que servem como intermediários entre uma rede local com fio e uma WLAN.
Segurança é a principal preocupação acerca das redes sem fio, pois os dados irão ser
transmitidos pelo ar e poderão ser interceptados por pessoas com equipamentos apropriados.
Para essa questão de segurança, o standard IEEE 802.11 definiu um mecanismo de segurança
opcional e privativo, que provoca uma sobrecarga (overhead) na rede, mas que oferece
segurança às redes sem fio tanto quanto às com fio. Para impedir que utilizadores não
autorizados acedam à sua rede sem fio, um valor de identificação chamado de ESS-ID, é
programado em cada AP para identificar a sub-rede de comunicação de dados e funciona
como ponto de autenticação das estações da rede. Se uma estação não puder identificar esse
valor, não poderá comunicar com o AP respectivo. Outros fabricantes duplicam a tabela de
controlo de endereços MAC sobre o AP, permitindo, dessa forma, que apenas estações com o
endereço MAC reconhecido possam aceder à rede wireless.
A existência de diversas tecnologias sem fio, como o HomeRF, Bluetooth, e HiperLAN2
(Europa), podem causar confusão para os consumidores e apresentar problemas de
interoperacionalidade, sem contar ainda que essas tecnologias podem apresentar interferências
entre si, quando implantadas num mesmo ambiente, tendo em vista que esses standards
utilizam a mesma frequência de 2.4GHz, e apesar de usarem técnicas de transmissão
diferentes, pacotes aerotransportados podem facilmente colidir. Actualmente a probabilidade
disso acontecer é muito remota, mas de acordo com o crescimento dos utilizadores sem fio,
essa probabilidade pode aumentar e esse problema pode-se tornar uma realidade que terá que
ser considerada.
Embora ainda hajam muitas questões sendo analisadas a respeitos das redes sem fio, a
comunidade científica tem investido de forma significativa no melhoramento dos standards,
tentando oferecer uma velocidade que possa chegar até 50Mbps, e um alcance maior de
transmissão que possa se aproximar à distância do standard Ethernet (100 metros).
É bom lembrar que a tecnologia de redes com fio, logo no início, também teve os seus
problemas que. Com o passar do tempo foram sendo corrigidos ou melhorados. Embora a
tecnologia sem fio seja diferente das com fio, muitos investimentos estão a ser feitos para
tornar as WLANs mais seguras, rápidas, e, consequentemente, mais atractivas.
5.2.3 Breve descrição do DVB (Digital Video Broadcasting)
Trata-se de um projecto para difundir sinais de som e imagens. É usado em vários, meios
de transmissão (terrestre, satélite, e por cabo).
Este projecto adoptou como padrão para a codificação de fonte, tanto para o sinal de vídeo
como para o sinal de áudio a norma MPEG-2 (leyers I e II para o áudio). Esta é uma norma
internacional usada na codificação de áudio e vídeo e que tem sido desenvolvida a já algum
tempo. As variações mais recentes destas normas são o MPEG-4 e MPG-7, estando esta
- 25 -
última em estágio inicial de desenvolvimento. Em alguns países, nomeadamente nos Estados
Unidos da América, tem-se utilizado o Dolby AC-3 como padrão de codificação de áudio. [5]
DVB-Satélite
Os satélites usados na difusão de televisão, estão localizados na orbita geo-estacionária,
perto do equador a uma altitude de 36 000 Km. Devido a estes satélites se moverem com a
mesma velocidade angular e na mesma direcção de rotação da Terra, a nossa precessão é de
que estão num ponto fixo em relação a nós.
A energia necessária para essa transmissão é fornecida pelo sistema solar do satélite, que
como resultado da baixa eficiência do aproveitamento da luz solar, a potência de saída é
muito limitada. Contudo a rica variedade de larguras de banda, alivia esta limitação. Hoje em
dia os sistemas de satélite usam tipicamente canais com larguras de banda de 26 MHz a 54
MHz. Devido também às limitações de energia, usa tipos de modulação adequados (QPSK).
Uma das grandes vantagens das comunicações por satélite é uma elevada largura de banda
disponível, que permite um grande fluxo de dados. [5]
- 26 -
6.
Arquitectura da Rede de Acesso Wi-Fi + Satélite
As soluções apresentadas integram três tecnologias: Satélite+WirelessLAN e ADSL. No
primeiro ponto é apresentada a solução Satélite+WirelessLAN apresentando toda a descrição
do material usado e é efectuado também um estudo económico da rede implementada. No
capítulo 8 será apresentado um estudo económico de uma arquitectura de rede ADSL.
Neste caso o acesso é feito através de uma ligação ao satélite com uma antena situada num
edifício preferencialmente no centro da região que vai usufruir do serviço, para poder ser
coberta a maior área possível. Neste local além da antena de acesso ao satélite encontra-se um
modem (o modem usa a tecnologia DVB/RCS), um ponto de acesso que usa a norma 802.11b
e servidores de manutenção e autenticação para controlo dos utilizadores.
Figura 10. Arquitectura da rede Satélite+Wireless
6.1
Local de recepção de Satélite
No local onde está situado o sistema de acesso ao satélite existe também um ponto de
acesso Wi-Fi para dar acesso aos vários moradores da zona. Trata-se de um aparelho que usa
o protocolo 802.11b normalmente com antenas integradas.
Estas antenas integradas permitem alcances até 200m no máximo (dentro de edifício o
alcance pode ser muito mais baixo, por exemplo 50m a 11Mbps devido à existência de
paredes e outros obstáculos). Para aumentar o alcance substitui-se a antena emissora integrada
por uma localizada no cimo do edifico ligadas aos APs (ou bridge wireless) por um cabo.
Estas antenas denominam-se por antenas omnidireccionais, emitindo um feixe de 360º
Horizontal e um feixe menor que 360º Vertical (exemplo: AIR-ANT2506 da CISCO com
360ºH e 50ºV). Comercialmente este tipo de aparelhos que permite a ligação de antenas
externas tem o nome de Bridge Wireless.
- 27 -
A potência emitida não pode ultrapassar os 20bBm (100mW norma ETS 300-328-2). Esta
potência corresponde a uma antena de 6dBi de ganho ligada a uma bridge a emitir a 30mW
desprezando as perdas no cabo de ligação da bridge à antena.
Será necessário também equipamento de rede que tenha a funções de:
1.
2.
3.
4.
5.
Controlar o acesso aos utilizadores que se ligam através do ponto de acesso Wi-Fi;
Encaminhar as ligações dos utilizadores (router);
Projectar a rede contra ataques maliciosos (Firewall);
Controlar a utilização da largura de banda de cada utilizador da rede Wi-Fi;
Fornecer os serviços mais comuns aos utilizadores locais (web hosting, ftp, mail server,
etc.)
Trata-se de uma entidade de rede com no mínimo duas interfaces Ethernet 10/100 e tem a
possibilidade de ser acedido remotamente, para manutenção e configuração das várias funções
do sistema. Normalmente um router simples faz as funções 1,2,3,4, enquanto que a função 5
terá que ser desempenhada por um servidor à parte. Se não houver possibilidade de encontrar
equipamento que desempenhe todas as funções, então tem que se usar duas entidades
computacionais.
6.2
Locais de acesso da rede 802.11b
Cada utilizador terá que dispor de uma antena direccional (por exemplo Parabolic Dish)
ligada a uma Bridge Wireless. A antena é montada num local de preferência em linha de vista
com a antena omnidireccional e apontada pela ela. A Bridge faz a ligação entre a antena e a
rede do cliente dentro do edifício. Normalmente é ligada à rede Ethernet do cliente ou a uma
porta USB de um computador dentro do edifício. A rede do utilizador pode ser de qualquer
tipo, dependendo apenas das necessidades dos utilizadores no edifício e da sua estrutura.
No caso dos utilizadores que se localizem no mesmo edifício da antena omnidireccional (até
200m), podem aceder à rede usando apenas uma placa Wireless ligada a um computador
portátil ou fixo. Nestes últimos casos, o acesso depende também das características do
edifício. Há locais onde pode não se conseguir o acesso (fora do edifício), e há outros que o
acesso é facilitado (dentro do edifício e com poucas paredes entre as duas entidades).
6.3
Alcances máximos do 802.11b
O alcance da tecnologia Wi-Fi varia com a distância e em consequência varia também a taxa
de transferência entre o AP e os utilizadores. A Figura 11 mostra a dependência da taxa de
transferência com a distância ao AP.
- 28 -
Figura 11. Nuvem de alcance máximo [6]
Quando se usam antenas com o objectivo de aumentar o alcance, esta nuvem é, esticada
num dos sentidos no caso de antenas direccionais, e é achatada quando se usam antenas omnidireccionais.
Para minimizar a perda no cabo que liga a Bridge e a antena coloca-se a Bridge Wireless o
mais próximo possível da antena (por exemplo no mastro da antena).
Um ponto de acesso Wi-Fi com antena omnidireccional a emitir a 100mW permite cobrir
um raio de 1Km aproximadamente com a largura de banda 11Mbps, isto em espaço aberto.
Conseguem-se alcances de 4Km em espaço livre mas com taxas de transferências de 1Mbps.
Em situações práticas, por exemplo em dias de chuva, ou ainda em situações em que as
antenas não estão em linha de vista uma da outra, existe uma atenuação significativa das
ondas de rádio. Logo numa situação real é estimado que é permitido cobrir 350m a 11Mbps e
1,4Km a 1Mbps.
6.4
Instalação e Operação
Existem algumas particularidades do equipamento e na instalação. Alguns equipamentos
terminais terão que dispor de antenas exteriores, estes equipamentos terão que ser colocados
no cimo de edifícios, o alcance e cobertura da rede é limitada pelos obstáculos
electromagnéticos que existirem entre as diversas antenas. Algumas soluções são apresentadas
a seguir para tentar resolver estes problemas.
Na Figura 12 é mostrada uma arquitectura no interior do edifício.
- 29 -
Router
Bridge
ZOOM
Servidor
Web/email
HUB
AP
Figura 12. Arquitectura para o interior de edifícios
As redes de interior do edifício podem ser “wired” ou “wireless”. As redes sem fios podem
usar o mesmo protocolo que é usado para as comunicações ponto a ponto (802.11b), tendo
que para isso ser configurados os AP’s de modo a operarem em canais diferentes, para que
não haja interferências (Figura 13). Pode ser usado a tecnologia Power over Ethernet com o
objectivo de diminuir a quantidade de cabos até ao AP.
Figura 13. Distribuição de APs em edifícios e ligação ao PC [8]
As redes “Wired” podem ser de vários tipos, por exemplo Ethernet até aos dispositivos do
cliente com HUBs ou Switchs a interligar a rede (Figura 14), ou Power Line HomePlug
usando os cabos da rede eléctrica que já estão instalados nos edifícios (Figura 15).
- 30 -
Figura 14. Distribuição usando Ethernet com cabos UTP [8]
Figura 15. Distribuição usando Power Line HomePlug [8]
- 31 -
6.5
Diversos Componentes na Rede
A Figura 16 ilustra a disposição dos diversos componentes na rede em estudo.
Serviços de
Gestão/Web/FTP/Email/
Autenticação
Centralizados
Acesso ao
Backbone
Bridges
Wireless
Hubs/Switches
Laptops
Bridges
Wireless
Satélite
Access Points
Impressoras
Transporte/Feeder
Network
Antena
Satélite no
local de
ligação ao
Backbone
Distribuição/Acesso
Antenas
WLAN de
802.11b
Antena
Satélite no
local de
Recepção
Costumer Primer
Network
Web Cams
Ethernet
Computadores
Pessoais
Figura 16. Disposição de componentes em toda a rede projectada
Existem componentes que pertencem a duas partes da rede como por exemplo a antena de
satélite no local de recepção e as antenas Wireless nos edifícios do cliente.
6.5.1 Power over Ethernet (PoE)
Todos os aparelhos de rede necessitam dispor de energia eléctrica para poderem alimentar
os circuitos eléctricos internos que possuem, polarizar semicondutores, etc. Os aparelhos que
exigem especial atenção são, por exemplo, pontos de acesso que se localizem ao pé de antenas
exteriores ou em locais onde não convém ter cabos eléctricos (no tecto de uma sala, por
exemplo).
Para resolver este problema existem algumas soluções, por exemplo o PoE (Power over
Ethernet). É uma solução em que a energia é transportada até ao equipamento (Acess Point’s,
HUB’s ou switch’s) usando alguns condutores que estão disponíveis no cabo de uma rede
Ethernet. Para possibilitar dispor de energia aos mais variados equipamentos e marcas com
Power over Ethernet, está a ser desenvolvido pelo IEEE um standart. O grupo do IEEE
802.3af Power via MDI (Media Denpendent Interface) está actualmente a finalizar o standart
e estará pronto em meados de 2003. Neste momento está disponível já a versão Draft.
- 32 -
A arquitectura Power over Ethernet consiste em dois elementos: o Power Sourcing
Equipment (PSE) e o Powered Device (PD). O PD é o dispositivo que está a consumir energia
da linha de dados UTP (Unshiled Twisted Pair) ou que apresentem uma assinatura válida
durante o algoritmo de detcção feito pelo PSE. São exemplos de PD os AP’s wireless,
câmaras de segurança e telefones IP. O standart do IEEE permite o uso até 12.95 wats de
potência por cada PD.
Os PSE são os dispositivos que fornecem energia às linhas UTP. As funções principais são
a verificação da existência de ligações com Powered Devices, fornecer energia apenas às
linhas em que sejam detectados PD’s, e retirar energia das linhas quando o limite máximo de
potência for ultrapassado. Os PSE’s disponibilizam 15.4Watts de potência para os cabos UTP.
Parte da potência é perdida no cabo de transporte e no pior dos casos apenas 13 Watts estão
disponíveis para os PD’s. O equipamento PSE está disponível na forma de Midspan Insertion
Panel (chamado vulgarmente por um “Power Hub”) ou então uma solução integrada num
“enterprise edge Switch”. O Power Hub é instalado entre o edge switch e os PD’s, como
mostrado na figura 6.
Figura 17. Instalação do Power Hub [10]
Estes dispositivos fornecem uma solução barata para implementar o PoE numa infra-estrutura de rede já existente sem upgrades do equipamento de switching.
As soluções integradas de PoE são preferidas, quando existem muitos PD. Ou então se
existir necessidade que a infra-estrutura completa esteja apta a ligações de PD (esteja “Power
Ready”). Esta solução elimina a necessidade de um dispositivo separado (Midspan) para
fornecer a energia à rede, mas requer um grande consumo de potência pelo switch. Os 15,4
Watts (Max) para cada porta do switch podem duplicar a potência necessária pelo aparelho.
Este tipo de equipamento para disponibilização de energia é também conhecido “ Endpoint
Power Sourcing Equipment”, e pode ser compatível com 10Base-T, 100Base-TX, and/or
1000BaseTMDI como definido pela versão Draft do Standart IEEE 802.3af.
- 33 -
6.5.1.1 Transporte da Energia
Existem duas soluções descritas na versão Draft IEEE 802.3af.
•
•
A energia é transportada directamente via dos pares são usados dos cabos UTP
10BaseT ou 100Base-TX. Este método pode ser usado por Endpoint e Mid-Span
PSE’s.
A energia é injectada no ponto central dos transformadores de linha que existem nas
portas Ethernet [pinos 1/2 e 3/6] do switch e extraídos pelo ponto central do
transformador de linha da porta do PD. Este método usa os fios de dados, e é limitado
por instalações velhas de cablagem, que usam apenas dois fios obrigatórios de dados.
Contudo a versão Draft IEEE 802.3af restringe o uso apenas a dispositivos endpoint
PSE.
Figura 18. Condutores a ser usados no PoE (opção1) [11]
Figura 19. Condutores a ser usados no PoE (opção 2) [11]
Para prevenir que um equipamento não compatível com a tecnologia PoE esteja ligado a
um cabo UTP com PoE, a versão Draft do 802.3af define um método para detecção de PD. A
energia só ficará disponível no cabo UTP se for ligado com sucesso um PD.
- 34 -
6.5.1.2 Detecção e Certificação
O conceito de detecção e certificação foi desenvolvido para permitir que equipamentos
Ethernet que não estejam em conformidade com o PoE possam ser usados nesta mesma rede.
Assim o PSE apenas disponibiliza energia, por um dos dois métodos descritos anteriormente e
na porta respectiva, quando existir um aparelho que tenha sido detectado com sucesso como
PD nessa porta. Em todos as outras condições, as comunicações de dados manter-se-ão sem
alterações, e a energia para essa porta não será disponibilizada. Contudo o PSE pode detectar
com sucesso um PD, mas por razões que gestão de potência pode não disponibilizar energia
para essa porta. A detecção utiliza um método de teste muito eficaz. Uma porta de um PSE
consegue distinguir entre uma ligação aberta, um dispositivo PD não válido, e um dispositivo
PD válido. Existem dois métodos de detecção e certificação do PD: um baseado em
Capacidades, e outro baseado em Resistências. Apenas o método baseado em Resistências foi
adoptado pelo grupo de trabalho 802.3af para ser incluído no standard final. Contudo existem
dispositivos que disponibilizam o método não standard das Capacidades.
•
O método baseado nas Resistências:
Apenas será um PD válido se possuir um declive de 25KOhms, quando o PSE
aplica uma variação de tenções à porta de 2.8V a 10V com duas fontes de tensões
com impedâncias não limitadas. Caso se verifique esta condição do PSE aplica a
tensão de operação à porta.
•
O método baseado nas Capacidades:
Um PD válido apresenta uma capacidade no seu andar de potência de entrada entre
47mF e 570mF. O PSE entra em conta com as capacidades da linha e calcula a
capacidade real do possível PD.
6.5.1.3 Remoção e Manutenção da Potência
De modo a manter a potencia pelo PSE, o PD deve fornecer uma assinatura válida de
manutenção de potência. Para que isso aconteça devem ser satisfeitas as seguintes condições:
a corrente consumida deverá ser maior que 10mA e a impedância de entrada igual ou menor
que 26,25KOhms. Se um PD não manter estas características durante um período mínimo de
400 milissegundos, o PSE da rede deixa de fornecer energia a essa porta e desligará esse PD.
Se existirem dispositivos que tenham o sistema de PoE e que não necessitam de o usar,
devem ser retirados de actividade, com o prejuízo de sobrecarregarem o PSE, sem
necessidade.
Em resumo o PSE tem duas opções para desligar um PD. Uma é olhar para a corrente de
consumo DC, e outra é olhar para a impedância do PD.
- 35 -
6.5.1.4 Funcionamento do PSE
A zona de funcionamento permitida para um PD é entre 10-350mA, cerca de 13Watts. As
tabelas seguintes sumariam os requisitos de saída dos PSE’s e os limites de potência dos
PD’s.
Tabela 2. Requisitos do PSE [9]
Tabela 3. Limites do PD [9]
Um dispositivo PSE pode classificar um PD baseado na informação disponibilizada pelo
próprio dispositivo antes da aplicação da energia à linha. A classificação define a máxima
potência necessária pelo PD durante a sua operação e permite aos PSE’s uma melhor gestão
dos seus recursos de potência. O standard IEEE 802.3af só define especificações de Hardware
e não define uma interface de gestão completa. O IETF definiu uma MIB SMNP (RFC2665)
com os objectos necessários para a gestão de equipamento com Power over Ethernet e suas
portas. O IETF está a trabalhar em paralelo com o IEEE com o objectivo de disponibilizar a
MIB Power over Ethernet quando o standard IEEE 802.3af estiver finalizado, pelo IEEE.
6.5.2 HomePlug Powerline Alliance
A ideia de um edifício com rede de comunicações tem levado muitas empresas a planos de
negócio. Contudo a oferta de produtos até à data está muito limitada na capacidade ou no
potencial mercado. Avanços na industria de semicondutores, possibilita o uso de sofisticadas
técnicas de processamento de sinal com preços que estão a fazer com que redes Ethernet em
casa via Wireless, phone Lines, e mais recentemente Power Lines sejam uma realidade actual
de custo-efeciência.
- 36 -
Redes para o Lar têm um conceito diferente do que as redes no local de trabalho. As
aplicações são diferentes, os padrões de tráfego são diferentes e o meio disponíveis para
transmissão de dados são também diferentes. Certamente os utilizadores de redes em casa têm
necessidade de transferir ficheiros entre os seus computadores e partilhar impressoras.
Necessitam também de gateways para o acesso à rede exterior em banda larga e para partilhar
o acesso à Internet entre múltiplos dispositivos.
Os moradores também vão querer outros serviços, como Voice-over-IP (VoIP) e streaming
media para entretenimento, e suporte para jogos de multiplayer. E enquanto que muitas casas
recentes estão equipadas com cabos UTP para uso de Ethernet, as mais antigas e a maior parte
não estão. A escolha do meio físico – Phone wiring, Wireless e Power Line – todas elas
apresentam uma mistura de atributos.
O Power Line é certamente o meio com mais problemas de ruído destes três, mas tem dois
atributos apelativos. Primeiro, como nas linhas de telefone, não existe necessidade de
conversão RF, consequentemente o custo do equipamento comparado com o Wireless pode
ser menor. E em segundo, e o mais importante, os condutores eléctricos existem em todas as
divisões dos edifícios, que se possa querer ligar um dispositivo de dados.
No sentido de esclarecer a confusão do consumidor e a fragmentação do mercado, um
grupo de empresas formaram “The HomePlug Powerline Alliance” para criar um standard na
indústria para redes de casa a alta velocidade via Power Line. A versão 1 do standard saiu no
primeiro quarto do ano de 2001.
6.5.2.1 O Power Line como Meio de Transmissão
A linha de transporte de energia (Power Line) é um ambiente ruidoso para comunicações.
O canal de comunicações entre dois pontos do edifício possui uma função de transferência
extremamente complicada em que existem várias impedâncias em cada extremidade da linha.
Este tipo de rede tem uma resposta em amplitude e em fase que varia muito com a frequência.
Para algumas frequências o sinal transmitido chega ao receptor com relativamente poucas
perdas, enquanto que a outras frequências o sinal pode nem chegar. Em alguns casos a função
de transferência do canal mudam com o tempo (não é invariante no tempo). Isto pode
acontecer devido ao morador da casa ligar novos aparelhos à rede eléctrica, ou se alguns dos
aparelhos já ligados à rede eléctrica alterar o seu consumo de potência.
Como resultado, a natureza do canal de comunicação entre dois pontos do edifício pode
alterar-se. Em alguns casos existe uma grande largura de banda com boas características para
a transmissão, e noutros casos existe uma grande limitação da largura de banda para
transmissão.
6.5.2.2 Uma abordagem adaptativa
Devido a estas variações de frequência, o uso eficiente do canal requer uma abordagem
adaptativa que compense de algum modo a função de transferência do canal. A tecnologia
HomePlug possui um método eficaz e fiável para efectuar a adaptação e que atinge altas
velocidades de transferência em canais típicos. Contudo existe um ajuste do Bit Rate para um
suporte de canais mais ruidosos.
Para além do problema da função de transferência do canal e com igual importância, a
interferência no Power Line deve ser considerada. As fontes de interferência mais
significativas raramente têm propriedades parecidas com o ruído Gaussiano que é analisado
- 37 -
facilmente e produzido pelo receptor. A interferência pode ser impulsiva ou selectiva na
frequência, ou por vezes ambas.
As fontes de ruído típicas são motores de escovas, lâmpadas fluorescentes e de halogéneo,
fontes comutadas e interruptores de luz. Também rádios amadores de emissão RF, podem
causar significante ruído. O impacto na rede destas diferentes fontes de ruído é medido pelos
bits de dados de erros recebidos pelos descodificadores, que têm que ser corrigidos de alguma
forma. A Technologia HomePlug tem “Forward Error Correction (FEC), “interleaving”,
detecção de erros e pedidos automáticos de repetição de mensagem enviada. (ARQ-Automatic
Repeat reQuest) para assegurar que o canal se mantém fidedigno para os demais Layers de
protocolos.
A topologia de distribuição da rede eléctrica para as casas é outro factor que tem que ser
considerado. Num bairro dos Estados Unidos típico, um transformador de distribuição
disponibiliza potencia para um relativo pequeno número de casas (cerca de seis). O
transformador de distribuição bloqueia os sinais de dados enviados pelo protocolo, para
propagação para a rede core eléctrica. Contudo, não bloqueia os sinais entre duas casas que
estejam a ser servidas pelo mesmo transformador. Assim os sinais gerados pelo Power Line
numa casa podem aparecer na rede de outra casa. Este facto cria preocupações urgentes sobre
da privacidade, parecidas com as encontradas nos sistemas Wireless.
O vendedores de equipamento de Power Line de baixa largura de banda (abaixo de 1MHz)
lutaram anos com o impacto do curte de circuitos, e a distribuição de energia tri-fásica.
6.5.2.3 Descrição do HomePlug
Qualquer solução sustentável para comunicações fidedignas usando a rede eléctrica de uma
casa como canal de comunicações, tem que incluir uma camada física robusta (PHY) e um
protocolo “Media Access Control” (MAC) eficiente. O protocolo MAC controla a partilha do
canal com múltiplos clientes, enquanto que o PHY especifica a modulação, codificação, e o
formato básico dos pacotes.
A camada PHY do HomePlug usa multiplex por divisão de frequência ortogonal (OFDM Ortogonal Frequence Devision Multiplex) como técnica básica de transmissão. OFDM é bem
conhecida na literatura e na indústria. É usada abundantemente na tecnologia DSL e também
em distribuição de sinais de televisão terrestre sem fios. Em contraste com estas tecnologias o
HomePlug, usa OFDM num modo de rajada, em vez do modo contínuo. A tecnologia
HomePlug usa também códigos de Viterbi e Reed Solomon ligados com interleaving para os
dados de carga paga (payload data), e usa “Turbo Product Coding (TPC) para os dados de
controlo.
A camada MAC na tecnologia HomePlug é uma variante do conhecido protocolo Carrier
Sense Multiple Access With Collision Avoidence (CSMA/CA). Foram adicionadas
características para suportar classes de prioridades, fornecer justiça, e permitir o controlo de
atrasos. O uso do CSMA/CA significa que a camada PHY tem que suportar transmissão e
recepção em rajadas; que cada cliente active o seu emissor apenas quando tiver dados para
transmitir; e quando acabar de transmitir desligue o seu emissor e volte ao modo de receptor.
O OFDM divide do dados a ser transmitidos a alta velocidade em streams paralelos, em
que cada um deles tem uma relativa necessidade de largura de banda. Cada bit stream modula
uma portadora duma série de portadoras. A propriedade da ortogonalidade é o resultado de
- 38 -
escolher o espaçamento de portadoras igual ao inverso do Bit Rate de cada portadora. A
consequência prática da ortogonalidade é isto: Se efectuarmos uma FFT (Fast Fourier
Transform da onde recedida durante um período de tempo igual ao inverso do período de bit
numa portadora, o valor de cada ponto na saída da FFT é uma função apenas do bit (ou bits)
que modula a portadora correspondente, e não é afectado pela informação que modula
qualquer outra portadora.
Quando o espaçamento entre portadoras é suficientemente pequeno tal que a resposta do
canal é relativamente constante na banda ocupada pela portadora, uma equalização do canal
torna-se fácil. Se for implementado no domínio da frequência, a equalização pode ser feita por
uma simples acentuação do símbolo recuperado de cada portadora, por uma constante
complexa. Podem ser usados vários tipos de modulação em cada portadora individual.
A necessidade de equalização é completamente eliminada pelo uso de modelação
“Differencial Quadrature Phase Shift Keying (DQPSK) onde os dados são codificados com a
diferença em fase entre o presente e anterior símbolo da mesma sub-portadora (Figura 20).
Figura 20. Diferenças de fase entre portadoras [12]
A modulação diferencial melhora a performance em canais de comunicação onde existem
rápidas mudanças de fase.
O HomePlug não usa modulação em quadratura de amplitude (QAM) de alta ordem como
no DSL.
As formas de onda do OFDM são tipicamente geradas usando uma FFT inversa (IFFT) em
que os pontos do domínio da frequência consistem no conjunto de símbolos complexos que
modulam cada portadora. O resultado da IFFT chama-se símbolo OFDM. Cada símbolo tem a
duração igual ao recíproco do espaçamento da sub-portadora e geralmente é um período de
tempo longo comparado com a velocidade dos dados (data rate). No receptor, os dados são
recuperados via uma FTT directa, convertendo para o domínio da frequência. A Figura 21
mostra o processo de conversão entre o domínio da frequência e o domínio dos tempos.
- 39 -
Figura 21. Domínio do tempo e domínio da frequência [12]
É de notar que o sinal no domínio do tempo inclui um prefixo cíclico, em que
essencialmente é uma replicação dos últimos segundos do símbolo de OFDM. O motivo para
aparecer um prefixo cíclico é absorver a interferência entre símbolos que resulta do facto do
atraso apresentado pelo canal não é constante com a frequência.
Sem o prefixo cíclico algumas das amostras usadas na FFT conteriam energia do símbolo
OFDM seguinte ou do anterior. Se o prefixo cíclico fosse tão longo quanto o pior caso de
variação de atraso dentro da banda de frequência, então esperar até ao fim do prefixo para
começar a ler amostras para usar a FFT, assegura que a FFT não é degradada pelos símbolos
vizinhos.
Formatados por uma série de símbolos OFDM, o pacote de dados do HomePlug consiste
num delimitador de frame inicial, uma carga paga, e um limitador de fim de frame (ver Figura
22).
- 40 -
Figura 22. Um pacote do HomePlug [12]
Para transmissões unicast, a estação destino responde transmitindo uma delimitação de
resposta indicando o estado da recepção (ACK, NACK ou FAIL).
O delimitador consiste numa sequência preâmbulo seguida por um campo de controlo de
frame com codificação TPC. Esta sequência de preâmbulo é escolhida para possibilitar boas
propriedades de correcção tal que cada receptor pode detectar o delimitador com fiabilidade,
mesmo que haja uma interferência considerável, e um deficiente conhecimento da função de
transferência do canal.
O controlo de frame contem a informação de gestão para o Layer MAC ( por exemplo
comprimento de pacote e estado da resposta). A baixa taxa de TPC e o interleaving usado no
controlo de frame fornece uma boa imunidade ao emparelhamento selectivo tão bem como
interferência de banda larga. Todos os três tipos de delimitadores têm a mesma estrutura, mas
a informação transportada no delimitador, varia dependendo da sua função.
A parte da carga paga do pacote só tem significado para o receptor. Os dados de carga paga
só são transportados no conjunto de portadoras que foi previamente acordado, entre o receptor
e o transmissor.
Devido a apenas portadoras que respondam bem a partes do canal serem usadas, não é
necessário usar uma codificação erros muito pesada, como em outros tipos de transmissões.
Esta combinação adaptação ao canal e uma codificação leve dos dados para cargas unicast
permite ao HomePlug atingir altas taxas de transferência sobre a linha eléctrica.
A adaptação tem três graus de liberdade:
- Ajuste às portadoras que melhor respondam ao canal
- Selecção de modulação de portadoras individuais (DBPSK ou DQPSK)
- Selecção de taxas de códigos convulsionais.
Adicionalmente a estas opções, a carga paga pode ser enviada usando o modo de ROBO,
um modo muito robusto que usa todas as portadoras com modulação DBPSK em cada uma, e
- 41 -
um pesado código de correcção de erros com repetição de bits e “interleaving”. O modo
ROBO não usa adaptação à melhor portadora e assim pode ser recebido por qualquer receptor.
Este modo é usado para iniciar comunicações entre dispositivos que não efectuaram a
adaptação ao canal, para transmissões multicast, ou para transmissões unicast em casos que o
canal é muito fraco.
O HomePlug ocupa a banda de 4.5 a 21 MHz. A camada PHY possui uma densidade
espectral de potência de transmissor reduzida na banda de rádio amador, para minimizar o
risco de energia radiada da rede eléctrica que pode interferir com estes sistemas. A taxa de
transmissão usando a modulação DQPSK com todas as portadoras activas é 20Mbps. A taxa
de transmissão entregue à camada MAC pela camada PHY é cerca de 14Mps.
6.6
Estudo da propagação electromagnética do meio
Obstáculos electromagnéticos que existem dentro de edifícios (paredes, metais) provocam
graves atenuações e alterações na propagação do sinal RF. Num projecto de redes Wi-Fi deve
existir um estudo da propagação do sinal RF em todos os locais que se queira cobrir com uma
rede 802.11. Devem ser efectuadas medições da qualidade de sinal recebido, usando terminais
portáteis (Laptop) com placas de recepção Wireless. Muitas vezes a alteração do local do AP
é a solução para a melhoria da cobertura, outras vezes é mesmo necessário o aumento de
potência do AP.
Este é um estudo que deve ser efectuado, sempre antes da decisão da arquitectura da rede.
A cobertura RF do local depende dos obstáculos electromagnéticos que existam.
Por exemplo, um AP serve para cobrir uma determinada área num local com poucos
obstáculos, e noutro local com mais obstáculos já são necessários 2 ou 3 AP para cobrir a
mesma área.
7.
Estudo de Caso Rede de Acesso Wi-Fi + satélite
Considera-se que a duração do projecto é de 5 anos a começar em 2003. A Tabela 4 é uma
análise entre os preços disponibilizados das várias operadoras que fornecem acesso à rede
através de satélite na Europa. Algumas empresas possibilitam que o equipamento seja alugado
em vez de comprado.
Empresas:
⇒ Aramiska (http://www.aramiska.com/)
⇒ i-Sat (http://www.i-sat.fr/)
⇒ Sat2Way (http://www.sat2way.com/)
⇒ Hexasky (http://www.hexasky.com/)
⇒ NetbySat (powered by Divona) (http://www.netbysat.com/)
- 42 -
Instalação+Antena+Modem DVB
Aluguer do material
128Kbps Up / 512Kbps Down
256Kbps Up / 1024Kbps Down
512Kbps Up / 2048Kbps Down
Mínimo (PVP*)
450 €
129 €
118 €
298 €
657 €
Máximo (PVP*)
897 €
179 €
185 €
401 €
801 €
DIVONA (PVP*)
2529
135
287
559
Tabela 4. Preços de operadores com serviços de acesso através de satélite (* Preço de Venda ao
Publico)
7.1
Servidor/Router/Switch
É preciso ter em conta que a maior parte das Bridegs (AP’s) vendidas comercialmente,
possuem já FireWall incorporada e alguns serviços de autenticação e segurança. Assim não
haverá necessidade de adquirir novo equipamento. No servidor, os principais serviços a
instalar são, Web Hosting com espaço suficiente para os vários utilizadores, servidor de email e servidor de FTP.
Router CISCO com Gestão de LB Série 1721
Servidor
Configuração e instalação
Total
Mínimo (PVP*)
895 €
500 €
0€
1395 €
Máximo (PVP*)
1000 €
1000 €
400 €
2400 €
Tabela 5. Preço de equipamento usado no acesso à rede core (* Preço de Venda ao Público)
7.2
Acesso Wi-Fi/Distribuição a utilizadores
Na Tabela 6 apresentam-se o custo de equipamento para a distribuição do acesso a
utilizadores.
Bridge Wireless (Cisco Aironet 350)
Antena omnidireccional Cisco (AIRANT4121 com 12dBi)
Pára-raios
Cabos e Conectores
Instalação
Total
Mínimo (PVP*)
810
Máximo (PVP*)
1500
510
550
100
50
-1470
150
90
200
2340
Tabela 6. Preço de equipamento usado para a distribuição aos utilizadores usando o protocolo 802.11
(* Preço de Venda ao Público)
- 43 -
7.3
Acesso Wi-Fi/Utilizadores
Supõe-se que o custo com o equipamento não entra no custo do investimento inicial à rede
core. Logo, o estudo efectuado a seguir apenas considera o custo de acesso ao satélite, e cada
cliente é responsável pelo seu próprio investimento. A tabela 7 mostra o preço do
equipamento e um custo estimado que cada cliente terá que despender para o acesso ao link
de satélite.
Placa compatível 802.11b
Antena direccional Panel Mount
(MAXRAD, MYP24008-8dBi)
Bridge Wireless (Cisco Aironet 350)
Access Point no interior opcional
Pára-raios
Cabos e conectores
Instalação
Total
Duração do pagamento
Custo mensal
Mínimo (PVP*)
80 €
300 €
Máximo (PVP*)
220 €
400 €
810 €
-100 €
50 €
Pelo utilizador
1340 €
3 anos
37,22 €/Mês
1500 €
200 €
130 €
90 €
200 €
2740 €
2 anos
114,17 €/Mês
Tabela 7. Preços de equipamento para cada utilizador (* Preço de Venda ao Público)
7.4
Investimento no acesso à rede core
Inicialmente é necessário o acesso ao satélite disponibilizado por uma empresa (i-Sat,
Sat2Way, Divona, etc), o router/servidor, e o sistema de emissão/recepção Wi-Fi (Antenas e
Bridge). A coluna “Divona” representa a soma do custo de instalação oferecido pela empresa
Divona com o material de custo mínimo das Tabelas 5 e 6.
Investimento inicial
Duração do pagamento
Custo mensal do equipamento
Mínimo (PVP*)
3315 €
3 anos
93 €/Mês
Máximo (PVP*)
7269 €
3 anos
202 €/Mês
DIVONA (PVP*)
5394
3 anos
149 €/Mês
Tabela 8. Custo do Investimento (* Preço de Venda ao Público)
Somando o valor do investimento no inicial na Tabela 8 com os preços do custo do acesso
na Tabela 4, chega-se ao valor do custo mensal deste tipo de solução para cada localidade que
se queira fornecer o serviço de acesso em banda larga.
- 44 -
128K emissão / 512K recepção
256K emissão / 1024K recepção
512K emissão / 2048K recepção
Mínimo (PVP*)
211 €
391 €
750 €
Máximo (PVP*)
387 €
603 €
1003 €
DIVONA (PVP*)
284 €
436 €
708 €
Tabela 9. Custo mensal da manutenção do serviço de acesso por satélite com distribuição em Wi-Fi
(*Preço de Venda ao Público)
Supondo que cada cliente paga 30 euros (custo do acesso ao ADSL pela FranceTelecom)
para aceder à rede usando a tecnologia Wi-Fi com antenas instalada no seu edifício e largura
de banda de 128Up/128Down (instalação por conta do cliente ilustrada na Tabela 4), é
necessário um número mínimo de clientes de modo a que o investimento inicial se pague por
si próprio. Este número é ilustrado na Tabela 10.
128K Up / 512K Down
256K Up / 1024K Down
512K Up / 2048K Down
Mínimo (users)
8
14
26
Máximo (users)
13
21
34
Tabela 10. Número de clientes mínimos para que seja economicamente viável este projecto
Contudo, o número de clientes máximos que, para uma determinada largura de banda
disponível pelo satélite, é aconselhado pela empresa NetbySat (powered by DIVONA) de
modo a que o tráfego seja possível com alguma comodidade, encontra-se na Tabela 11.
Larguras de Banda
128K Up /512K Down
256K Up /1024K Down
512K Up / 2048K Down
Netbysat powered by DIVONA
3
10
30
Tabela 11. Número de clientes máximos por largura de banda
7.5
Largura de banda necessária
Os utilizadores particulares usam o serviço preferencialmente à noite, enquanto que os
utilizadores profissionais (Empresas, Escolas, Câmara Municipal) usam os serviços
preferencialmente durante o dia.
7.5.1 Considerações demográficas e económicas
Os dados da região do Lot encontram-se nos anexos deste relatório. Considera-se que a
taxa de penetração do serviço ao fim de 10 anos será de 30%. Todos os detalhes encontram-se
em anexo neste relatório.
- 45 -
7.6
Resultados
A seguir encontram-se gráficos que ilustram a penetração do serviço e o “Cash Flow” da
localidade de Gramat no Lot.
População aderente considerada
200
Residência
s
180
160
140
120
100
80
60
40
20
0
Semestres Inicio em 2003
Figura 23. População aderente considerada para a região de Gramat
Cash Flow
70000
60000
50000
40000
30000
20000
10000
Semestres (inicio em 2003)
0
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
-10000
-20000
Figura 24. Cash flow para a localidade de Gramat no Lot
As pequenas variações iniciais (até ao 12º semestre) devem-se aos investimentos que são
necessários no início para que a ligação ao satélite consiga suportar todos os clientes
(subscrição de mais links de satélite e compra de equipamento). Não existe necessidade de
aumentar a largura de banda do acesso ao satélite para mais de 10Mb/seg, devido à limitação
do link Wi-Fi de 11Mb/seg.
- 46 -
Considerou-se apenas esta localidade porque possui maior número de habitantes, e
consequentemente um maior potencial para a exploração deste serviço. O estudo das restantes
localidades do Lot encontra-se em anexo neste relatório.
8.
Estudo de caso Rede de acesso ADSL
O acesso é feito usando as infra-estruturas da rede telefónica que algumas localidades
dispõem. Como foi dito no ponto 5.1 apenas é necessário instalar DSLAM’s nas centrais
telefónicas que cobrem a região, e spliters para separar o sinal de dados do sinal de voz.
O custo de instalação de uma DSLAM é elevado o que provoca uma grande dificuldade da
rentabilização do projecto.
DSLAM_50
DSLAM_100
DSLAM_250
DSLAM_500
DSLAM_1000
Numero Max de Ligações
50
100
250
500
1000
Preços (Euros)
10 000
15 000
20 000
25 000
40 000
Tabela 12. Preços e ligações máximas dos vários DSLAMs
8.1
Aspectos Geográficos e Demográficos
Nas Astúrias existem algumas regiões em que neste momento já está disponível o serviço
ADSL. A figura a seguir mostra as regiões que neste momento estão providas de ADSL.
Figura 25. Regiões que dispõem de acesso a ADSL (como apresentado na reunião do consorcio do
projecto Cyberal) [13]
- 47 -
As localidades alvo para o acesso em banda larga estão na figura seguinte.
Figura 26. Localidades alvo do projecto Cyberal [14]
Como se pode ver pela figura anterior, quase todas as localidades que inicialmente se têm
como objectivo para fornecer o acesso em banda larga, estão cobertas por centrais já com
acesso ao ADSL.
8.2
Outras Soluções para as Astúrias
Nas localidades onde não exista cobertura ADSL e caso esses locais possuam a rede
telefónica terá que ser instalado uma DSLAM na central que cobre essa região, ficando toda a
região com acesso ADSL. Um DSLAM (Digital Subscriber Line Access Multiplexer) como o
nome indica serve para fazer a multiplexagem de todas as linhas ADSL que são recebidas dos
clientes numa linha única ATM (como se vê na Figura 27). Depois é também necessário a
instalação de spliters na entrada da central, que se tratam de filtros para separar o sinal de voz
dos sinais de dados. A instalação da rede ADSL não carece de grandes cuidados e atenções.
Figura 27. Estrutura interna de uma DSLAM [13]
- 48 -
Os preços dos modems ADSL em Espanha encontram-se na tabela 13. Este será o único
investimento necessário para os clientes ADSL. Poderão necessitar também de filtros
(spliters) onde existam terminais telefónicos, na casa do cliente, mas o preço é muito menor
comparado com o modem.
Marca / Distribuidor
Telefónica (Telecom Espanha)
Zoom 5510 (Optize)
Dlink 200 (Optize)
Preço PVP* (€)
120 €
80 €
116€
Tabela 13. Preços de Modems ADSL no mercado em Espanha (* Preço de Venda ao Público)
No projecto Cyberal inicialmente existem 9 localidades que vão usufruir do serviço de
banda larga nas Astúrias. O estudo é feito tendo em conta que todas as localidades têm acesso
à rede telefónica
8.3
Resultados
Os dados de entrada para o estudo encontram-se em anexo neste relatório.
Depois de instalada a DSLAM na central telefónica toda a região que é servida pela central
fica com possibilidade de acesso em banda larga ADSL. Poderá acontecer até que a central
cubra mais que uma localidade alvo do projecto Cyberal. Para este estudo considera-se que
existe uma central telefónica a cobrir uma localidade. A seguir encontra-se o estudo da
localidade de Busto devido a apresentar uma maior concentração de residências.
População aderente ao Serviço
18,00%
16,00%
14,00%
12,00%
10,00%
8,00%
6,00%
4,00%
2,00%
0,00%
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
Semestres (Inicio em 2003)
Figura 28. População aderente durante o projecto ADSL em Busto nas Astúrias
- 49 -
19
20
Cash Flow
60000
50000
40000
30000
20000
10000
Semestres (Início em 2003)
0
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
-10000
-20000
Figura 29. Cash flow do projecto ADSL em Busto nas Astúrias
- 50 -
18
19
20
Parte III – Metodologia de avaliação dos resultados do
projecto
9.
INDICADORES E AVALIAÇÃO DOS RESULTADOS DO
PROJECTO
É importante a criação de uma referência comum quanto ao método de experimentação e
avaliação tecno-económica. Este referencial comum deverá comportar um diagnóstico
técnico, económico e social de cada território testado que representará o ponto inicial da
operação piloto e permitirá a medição do impacto do ponto de vista tecnológico, mas também
do ponto de vista do desenvolvimento local. Esse referencial dará seguimento a dois
processos de avaliação:
•
A avaliação tecno-económica, visando a formalização da ordem pública junto dos
operadores de telecomunicações.
A avaliação “etnográfica”, que alimentará a reflexão em torno do desenvolvimento rural
durável.
Os resultados provenientes do projecto serão medidos através de um conjunto de
indicadores onde avultam os seguintes:
−
Criação de uma metodologia de planeamento e projecto
−
Criação de uma metodologia de avaliação tecno-económica de cenários de rede
−
Criação de uma metodologia de avaliação de impacto socio-económico
Em relação à avaliação, há diversos elementos a ter em conta:
•
Avaliação da Tecnologia
•
Utilização
ο
Quantos são atingíveis?
ο
Quantos efectivamente aderiram?
ο
Qual a intensidade de uso?
ο
Para fazer o quê?
•
•
Que serviços são utilizados?
Impacto socio-económico
- 51 -
•
ο
Desenvolvimento económico
ο
Estratégias de diversificação económica
Impacto potencial
ο
“Quantos são beneficiáveis?” em vez de “Quantos são os que
efectivamente tiram benefício?”
ο
Efeito demonstrador para outras comunidades periféricas e rurais
Seguem algumas ideias soltas para um questionário:
•
Nível de adesão ao uso do serviço para cada uma das finalidades apresentadas;
•
Grau de importância atribuída a cada uma das finalidades, ou seja, qual a percepção
que os respondentes têm acerca da importância do serviço nas suas rotinas de trabalho;
•
Apresentação e análise dos resultados para cada uma das finalidades, com os
respondentes subdivididos em dois grupos: utilizadores diários e esporádicos. Esta
análise tem por objectivo tentar perspectivar em que medida o tipo de uso (diário ou
ocasional) modela ou não a percepção da importância do uso do serviço. A hipótese
nula é: o tipo de uso não interfere na construção da representação da importância dos
serviços em rede nas práticas cognitivas e relacionais da comunidade em estudo; [2]
9.1
Objectivos da Avaliação do Projecto CYBERAL
O projecto CYBERAL foi concedido como um programa para os Cidadãos animado de uma
visão estratégica, apostado em contribuir para a tranformação dos hábitos e comportamentos
dps individuos e das instituições que fazem as regiões de implementação do projecto, e
orientado por um conjunto de objectivos e metas.
O exercício de avaliação final do projecto que se pretende lançar contemplará as duas
seguintes perspectivas complementares:
−
Perspectiva Estratégica
−
Perspectiva Operacional
Passa-se a descrever as ideias base por detrás de cada uma destas perspectivas de
avaliação. [2]
- 52 -
9.1.1 Perspectiva Estratégica
Cabe aqui um conjunto de questões de fundo de onde se destacam as seguintes:
•
Em que medida o projecto conseguiu ser um instrumento mobilizador da sociedade e
em que estados de cumprimento se encontram os objectivos gerais do programa nas
suas vertentes social, económica e cultural, num cenário de congregação de todos os
agentes do desenvolvimento local para a construção duma comunidade digital que irá
contribuir para melhorar a qualidade de vida e o bem-estar dos seus cidadãos?
•
Como se tem processado a concertação e o diálogo social promovidos até ao momento
pelo projecto?
•
Como se pode julgar a utilidade e a sustentabilidade dos serviços e demais recursos
que resultarão das várias acções financiadas pelo projecto?
•
Em que estado de cumprimento se encontra a visão estratégica do projecto?
•
Se continuado, quais são as medidas de re-orientação nos objectivos, visão estratégica
e práticas de que o projecto deve ser alvo?
Neste contexto algumas das perguntas a que o exercício de avaliação deve procurar dar
resposta são as seguintes:
•
Como é que o projecto CYBERAL procura promover o bem-estar dos cidadãos?
•
Como é que o projecto CYBERAL procura encorajar a participação no exercício da
cidadania e da democracia?
•
Como é que o projecto CYBERAL procura incrementar e melhorar o acesso à
informação e aos serviços?
•
Como é que o projecto CYBERAL procura aumentar a eficácia da administração
pública local e central?
•
Como é que o projecto CYBERAL procura reforçar o crescimento sustentado?
•
Como é que o projecto CYBERAL procura contribuir para a igualdade de
oportunidades entre as pessoas e as organizações?
•
Como é que o projecto CYBERAL procura promover o emprego, a justiça social e a
aprendizagem ao longo da vida?
•
Como é que o projecto CYBERAL procura favorecer a inclusão das pessoas com
necessidades especiais e de grupos socialmente desfavorecidos?
•
Como é que o projecto CYBERAL procura identificar as melhores práticas de
introdução das tecnologias da informação e da comunicação no desenvolvimento de
cidades sustentadas;
- 53 -
•
Como é que o projecto CYBERAL procura alcançar efeitos de difusão das suas
melhores práticas para outras regiões?
Os benefícios esperados a médio prazo são os seguintes:
•
Abrir o meio rural à sociedade da informação;
•
Introduzir aos empresários rurais a utilização das TIC;
•
Pôr em jogo os distintos operadores no meio rural;
•
Reforçar a capacidade de negociação dos actores locais para oferta de banda larga no
seu território;
•
Diminuir as zonas sem cobertura de banda larga;
Os benefícios esperados a longo prazo são os seguintes:
•
Modernizar a vida do meio rural;
•
Eliminar barreiras de separação entre o meio rural e o meio urbano;
•
Estabelecer competência entre sistemas e operadores;
•
Generalizar o uso e qualificar a procura de banda larga no meio rural;
•
Criar um modelo de avaliação sociológica, técnica e económica das tecnologias de
banda larga para as zonas de baixa densidade populacional. [2]
9.1.2 Perspectiva Operacional
Esta perspectiva deve considerar, entre outras as seguintes questões:
•
Estado de realização do projecto CYBERAL
Pretende-se com esta parte do exercício avaliar o estado de execução do projecto
CYBERAL, nomeadamente o estado de realização individual das várias “áreas de
intervenção” e das “metas” definidas aquando do lançamento do projecto (NB: Será
necessário definir “Indicadores de Realização”)
•
Avaliação da administração e gestão do projecto CYBERAL
Pretende-se com esta parte do exercício avaliar as actividades da gestão do projecto e
o próprio modelo de gestão assente na figura de Consórcio. Este trabalho de avaliação
debruçar-se-à sobre os comportamentos destes orgãos, identificando as suas práticas
de funcionamento e devotando particular atenção aos factores susceptíveis de
- 54 -
dificultar a normal execução técnica e financeira do projecto, ou que possam impedir a
desejável ligação e sinergias entre sub projectos e organizações participantes.
•
Avaliação da execução dos compromissos assumidos perante o INTERREG
A execução do orçamento colocado à disposição do Consórcio CYBERAL pelo
Programa INTERREG, será determinada por uma série de condições a que o
Consórcio se vinculará por intermédio de um Termo de Aceitação que se compromete
a respeitar. Este “Termo de Aceitação” identifica as responsabilidades e compromissos
do consórcio perante o INTERREG, resultantes do referido “Termo de Aceitação”. [2]
9.2
Metodologia e Linhas de Orientação para a Avaliação
Apontam-se desde já as seguintes ideias base:
O exercício de avaliação deverá ser conduzido tendo por base a comparação entre os
objectivos e as metas inicialmente estabelecidos e o estado das várias intervenções lançadas
pelo projecto, à data de avaliação. [2]
Para o efeito de responder aos requisitos estabelecidos foi desenvolvido um conjunto de
questões para medir inicialmente o estado dos organismos onde se irá implementar as novas
tecnologias de telecomunicações. Este conjunto de questões encontra-se neste documento em
anexo com o título “ Questionário sobre o Organismo”.
Na sequência da implementação das tecnologias de telecomunicações nos diversos locais
será fundamental fazer a avaliação do impacto desta implementação no decorrer de um
período de 3 a 4 anos. Para isso foi desenvolvido uma matriz para esse efeito e encontra-se
neste documento em anexo com o título “Formulário da Matriz Económica da Metodologia de
Avaliação de Resultados”. [17]
Esta matriz poderá ter um contorno mais específico nalgumas áreas de medição consoante
o tipo de organismo. Para isso terá de se analizar todos os tipos de organismos e implementar
uma matriz personalizada que vai ao encontro de uma medição mais perfeita.
- 55 -
10. PROJECTOS SIMILARES NOUTROS ESPAÇOS DO MUNDO
O sucesso da implementação de uma nova tecnologia de telecomunicações num
determinado local passa pela análise de estudos já efectuados em outras regiões com o intuíto
de avaliar a portabilidade e o ajusto de medidas a tomar para prevenir e anular erros que
compremetam o bom funcionamento do projecto.
Para isso é focado o estudo realizado no Tarn (França) pelo Sr Didier Lebrun. Este estudo
é muito semelhante a este projecto visto que tem como directiva a serventia de banda larga em
zonas rurais periféricas com a tecnologia de telecomunicações Satélite + Wifi. [15]
O Canadá é o país mais desenvolvido no que diz respeito ao uso das tecnologias de
informação e de comunicação. Por isso é essencial analizar e estudar os projectos de banda
larga levados a cabo nesse país. [16]
10.1 Serventia de Banda Larga em Zonas Rurais Periféricas Caso do Tarn (França)
O estudo realizado descreve uma solução económica para dar serventia em banda larga às
aldeias afastadas dos centros de telecomunicações. O princípio consiste em estabelecer uma
ligação bidireccional por satélite num lugar central da aldeia e a liga-lo às casas em redor por
conexão Wifi. O baixo custo destas tecnologias permite fornecer larguras de banda
equivalentes às fornecidas pelo ADSL, por um preço equivalente, mediante um investimento
inicial da ordem dos 1500 €. O equilíbrio orçamental pode ser obtido a partir de uma dezena
de utilizadores num raio de 0,5 a 2 Km.
A ligação obtida equivale a uma conexão permanente à Internet, independente do telefone,
que se pode utilizar a todo o momento sem que isso se traduza em mais gastos de
comunicações e por uma imobilização do telefone. Uma vez instalado e configurado, o
periférico Wifi é transparente para o utilizador. Esse periférico estabelece espontaneamente a
ligação desde que um pedido é dirigido à Internet. Só é necessário abrir uma aplicação (email,
web, FTP, etc.) e não se preocupar com a conexão.
O investimento inicial poderia ser coberto por pré-pagamentos dos primeiros subscritores
numa razão de 150 a 200€. O serviço pode estar operacional num período de 3 a 6 meses
desde que existe um grupo de utilizadores decididos.
Em contrapartida de algumas imperfeições, esta solução tem a vantagem de ser
imediatamente operacional e capaz de fornecer banda larga a pequenos grupos de utilizadores
não contemplados por ADSL ou por cabo. As outras tecnologias existentes representam
investimentos desproporcionados em relação a uma procura ainda tímida que se contabilizam
em poucas dezenas de utilizadores. [15]
10.2 Banda Larga no Canadá
O grande princípio de direcção subjacente à banda larga no Canadá é que todos os
canadianos devem ter acesso aos serviços da rede de banda larga de modo a poderem viver e
- 56 -
prosperar em qualquer região do país e beneficiar das melhores oportunidades, tanto no que
diz respeito a educação e a saúde como também na parte cultural e económica.
Para tirar o melhor partido das vantagens dos serviços de banda larga destinados as
colectividades canadianas é necessário garantir que estas colectividades tenham acesso às
redes e aos serviços de banda larga, mas também que estes servem com a melhor eficácia
possível os objectivos económicos, sociais e culturais como também os seus objectivos no que
diz respeito aos negócios públicos.
Com o propósito de estimular a inovação e encorajar a utilização das redes e dos serviços
de banda larga para atingir os objectivos nacionais, é necessário tomar as seguintes medidas:
•
Verificar que todos os canadianos tenham acesso aos serviços de banda larga a um
preço aceitável, com a ajuda de sites de acesso público e oferta às colectividades, às
pessoas de baixos rendimentos e às pessoas deficientes.
•
Verificar que os sites de acesso público possam servir a sua clientela, fornecendo o
equipamento necessário, o acesso à Internet, o apoio técnico e a formação do pessoal.
•
Trabalhar com as partes interessadas e o sector privado para divulgar as vantagens da
conectividade de banda larga e incrementar a utilização dos particulares, das
colectividades, das empresas, das administrações públicas e dos estabelecimentos
públicos.
•
Colaborar na criação das condições necessárias para formar, segurar e activar uma
mão-de-obra, possuindo a formação e as competências necessárias para assegurar a
competividade na economia em rede.
•
Estimular o desenvolvimento dos conteúdos e dos serviços, em particular para as
aplicações no domínio da apreendizagem, da saúde, dos negócios públicos, da cultura,
do lazer, do desenvolvimento do espírito comunitário e do comércio.
•
Estimular as empresas que trabalham no domínio das tecnologias da informação e das
comunicações (TIC), especialmente as pequenas e médias empresas, a pôr em
funcionamento novas aplicações de banda larga nos domínios da ciber-aprendizagem,
da cibersaúde e dos cibernegócios.
•
Favorecer e despontar as tecnologias e as aplicações de banda larga, tanto que as
ciências fundamentais tais como a microelectrónica e as comunicações sem fio, no
quadro dos programas de desenvolvimento e das actividades de pesquisa do Estado
relacionadas com as TIC.
•
Verificar se as políticas que têm como função assegurar um mercado equilibrado e
eficaz para os produtores e os consumidores suportam adequadamente a evolução da
economia e do ambiente dos serviços de banda larga de modo a que a protecção das
pesquisas pessoais, da segurança, da protecção dos consumidores, da protecção contra
os conteúdos ilegais e ofensivos, do direito de autor, do quadro legislativo que gere as
transacções electrónicas, do sector das empresas de telecomunicações, do livre acesso
aos fornecedores de conteúdos e de serviços sejam conseguidos. [16]
- 57 -
Parte IV – Legislação das telecomunicações
11. O NOVO PACOTE DE TELECOMUNICAÇÕES
O Parlamento Europeu aceitou um acordo de negócio no pacote de telecomunicações da
União Europeia. Este pacote visa modernizar o regulamento das comunicações electrónicas na
Europa. A nova legislação inclui oito medidas. Essa nova legislação vai dinamizar o sector
das telecomunicações e essas medidas são as seguintes:
1. A regulação como a competição tornam-se eficazes em mercados específicos;
2. Simplifica regras de entrada de mercado e estimula mais competição;
3. Fortalece o mercado interno através dos fortes mecanismos de coordenação a nível
europeu;
4. Mantém as obrigações de serviço universal para evitar a exclusão da sociedade de
informação e a criação de uma “divisão digital”;
5. Estabelece uma estrutura de política na Comunidade para a coordenação de políticas
de aproximação no espectro de rádio, e estabelece uma estrutura legal a fim de
assegurar condições harmonizadas no que diz respeito à disponibilidade e ao uso
eficiente do espectro de rádio;
6. Fornece reguladores com os instrumentos para lidar com as mudanças do mercado e o
desenvolvimento das tecnologias futuras, dentro de uma estrutura definida de
objectivos e soluções;
7. Promove padrões europeus para a televisão digital interactiva;
8. Assegura-se de que os sistemas legais nacionais levem em conta as apelações em
decisão feitas pelas autoridades de regulação nacional;
Na presença de um projecto de lei relativo às comunicações electrónicas, os governos
esperam retirar conhecimentos dos primeiros anos de abertura à concorrência do sector das
telecomunicações, com o fim de facilitar o desenvolvimento das suas indústrias, de reforçar a
sua competitividade, de consolidar o serviço público, e de oferecer aos cidadãos e às empresas
uma vasta gama de serviços.
Os pontos-chave do novo quadro regulamentar europeu são os seguintes:
•
Confirmação do objectivo de estabelecer uma concorrência efectiva sobre o
conjunto do mercado das comunicações electrónicas;
•
Elaboração de um quadro regulamentar harmonizado para o conjunto das redes de
comunicações electrónicas (audiovisual e telecomunicações), os conteúdos
fornecidos sobre estas redes fica submetido a regimes distintos;
- 58 -
•
Confirmação do papel chave das autoridades de regulação nacionais na sua
implementação;
•
Aproximação dos princípios de regulação sectorial e dos direitos da concorrência;
•
Fortalecimento da coordenação das autoridades de regulação nacionais ao nível
comunitário;
•
Fortalecimento do poder de parecer das autoridades de regulação nacionais, com
uma contrapartida um “direito de veto” da Comissão Europeia sobre algumas das
suas decisões;
11.1
Modificações relativas às redes e serviços de comunicações electrónicas
1. O regime jurídico das redes e dos serviços de comunicações electrónicas
O projecto de lei modifica de maneira profunda o regime jurídico aplicável ao
estabelecimento e a exploração das redes de comunicações electrónicas e ao
fornecimento dos serviços de comunicações electrónicas com dois objectivos:
simplificar as condições de adesão ao mercado e ter em conta a aproximação entre os
sectores das telecomunicações e da comunicação audiovisual.
•
Simplificar as condições de adesão ao mercado
•
Harmonizar o regime jurídico das infra-estruturas audiovisuais e das
telecomunicações
2. A regulação
O desenvolvimento da concorrência e as transformações do mercado (aparecimento de
novos serviços, como o acesso à Internet de banda larga, desenvolvimento da telefonia
móvel, etc.) tornam necessária uma formulação dos mecanismos de regulação.
•
As novas modalidades de regulação
•
Aumento dos poderes e a efectividade das decisões da autoridade da regulação
das telecomunicações
3. O serviço público das comunicações electrónicas e o serviço universal
4. A gestão das frequências radioeléctricas
•
Disposições gerais
O projecto de lei reúne as disposições gerais relativas à gestão das frequências
radioeléctricas no código dos postos de telecomunicações.
•
Frequências afectadas à autoridade de regulação das telecomunicações
- 59 -
Parte IV – Conclusões
O investimento na inovação e a utilização das redes de banda larga é essencial para
concretizar as vantagens económicas e sociais associadas aos serviços de banda larga.
A necessidade em estimar as colectividades pouco susceptíveis de ter acesso aos serviços
de banda larga pelas únicas forças do mercado e a recomendação de estratégias que consistem
na acção centralizada de todas as partes interessadas para permitir às empresas e aos
habitantes destas colectividades de participar na revolução dos serviços de banda larga e de
tirar benefícios são funções muito importantes para o sucesso dos diversos projectos de
telecomunicações a implementar.
Não será suficiente desenvolver a tecnologia para tirar partido das possibilidades que
advém da revolução dos serviços de banda larga. Será também necessário criar aplicações e
conteúdos que permitam valorizar as possibilidades dos serviços de banda larga para melhorar
a actuação do país nestes campos e noutros da vida nacional. Será também necessário criar
um contexto próprio para estimular um investimento privado no desenvolvimento de redes e
de serviços de banda larga e de conteúdos, tendo em atenção a protecção dos direitos e
interesses dos consumidores e dos criadores de conteúdos.
É recomendável que as administrações públicas asseguram a inspecção geral dos vários
campos associados à elaboração de políticas, tendo uma incidência sobre os serviços de banda
larga e que o governo examine as políticas e as regulamentações em vigor, para assegurar o
encorajamento do investimento privado no desenvolvimento das redes e dos serviços de
banda larga.
A realização dos objectivos propostos assenta na formação de parcerias e de colaborações
entre todas as partes interessadas – o governo, os governos civis regionais, as administrações
municipais, o sector privado, os fornecedores de serviços de educação e de cuidados de saúde
e também outros serviços públicos e as colectividades.
Não será fácil de coordenar o contributo de todas as partes interessadas e de as incentivar a
se concentrar nas metas a atingir, mas isso é uma condição essencial para permitir que todos
beneficiam das vantagens dos serviços de banda larga.
As tecnologias de rede, WirelessLAN 802.11b e Satélite que foram estudadas neste
relatório caracterizam-se de fácil e rápida instalação. O ADSL trata-se de uma tecnologia que
já depende dos recursos existentes no meio (condutores de cobre instalados pela operadora
local) e a sua instalação torna-se um pouco morosa, e não rentável em zonas rurais de baixa
densidade populacional.
- 60 -
Referências
[1] -
Communication Systems, John Wiley & SONS, INC, 1994
[2] -
Referencial Comum do projecto Cyberal, Grupo de Banda Larga da Univ. de
Aveiro, em 25 de Junho de 2003
[3] -
TONIC,”Techno-Economics of IP Optimized Networks and Services” URL:
http://www-nrc.nokia.com/tonic/
[4] -
Relatório final da Disciplina de Redes com Integração de Serviços, 2002/03,
António Rafael Paiva e Tiago Martins Duarte.
[5] -
Relatório final do projecto “Análise Tecno-económica de Redes Heterogéneas com
Qualidade de Serviço”, Ricardo Cruz e Sérgio Martins em Julho de 2002.
[6] -
http://www.cisco.pt
[8] -
http://www.howstuffworks.com
[9] -
Whitepaper da Avaya “PoE technology for Converged Voide and Data”, de Março
2003
[10] - Whitepaper da ENTERASYS NetworksTM “Power over Ethernet”.
[11] - http://www.poweroverethernet.com
[12] - http://www.commsdesign.com/
[13] - Em apresentação de “Governo do principado de Astúrias”, em Maio de 2003
[14] - Route 66 Software Application
[15] - “ Solution de desserte à haut débit des villages excentrés “ http://didier.quartierrural.org/implic/ran/
[16] - “Le nouveau rêve national: Réseautage du pays pour l'accès aux services à large
bande” http://broadband.gc.ca/Broadband-document/report_f.asp
[17] - “Measuring Economic Development Outcomes of Telecommunications Projects in
Rural Communities” http://bcn.boulder.co.us/aerie/evaluation/impact.htm
http://www.uoguelph.ca/~res/pacts/
http://broadband.gc.ca/resources_f.asp
- 61 -
Anexo
Taxas de penetração consideradas
Penetração considerada
Percentagem
(%)
7
6
5
4
3
2
1
0
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
Semestres Início em 2003
Shopping List (Wi-Fi + Satélite)
Electronics
Electronics
Electronics
Electronics
Civil_Works
Rent
Rent
Civil_Works
Electronics
Electronics
Electronics
Electronics
Electronics
Descrição
ANT_DIR_120º_12dBi
ANT_OMNI_10dBi
Bridge_Wireless_Orinoco
Cabos_LMR_200_20ft
Configuração_Instalação_Servers
Divona-Sat_1024D/256
Divona-Sat_2048D/512U
Instalação_Antenas_Wireless
Install_SAT_DVB_MODEM
Pára_Raios
PoE_injector_1port_848611299
Router_CIS1721_LB
Servidor_Web_Email
1
1,25 1,5 1,75
2
2,25 2,5 2,75
3
3,25 3,5 3,75
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
2
2
2
3
3
3
3
4
4
4
5
1
0
0
1
0
0
0
1
0
0
1
1
0
0
1
0
0
0
1
0
0
1
- 62 -
Shopping List (Wi-Fi + Satélite) (Continuação)
Descrição
Electronics ANT_DIR_120º_12dBi
Electronics ANT_OMNI_10dBi
Electronics Bridge_Wireless_Orinoco
Electronics Cabos_LMR_200_20ft
Civil_Works Configuração_Instalação_Servers
Rent
Divona-Sat_1024D/256
Rent
Divona-Sat_2048D/512U
Civil_Works Instalação_Antenas_Wireless
Electronics Install_SAT_DVB_MODEM
Electronics Pára_Raios
Electronics PoE_injector_1port_848611299
Electronics Router_CIS1721_LB
Electronics Servidor_Web_Email
4
4,25 4,5 4,75
5
5,25 5,5 5,75
5
5
5
5
5
5
5
5
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
Shopping List (ADSL)
Descrição
Electronics DSLAM_100
1
1,25
1,5
1,75
1
Data Base (preços de componentes considerados)
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
ANT_DIR_120º_12dBi
ANT_OMNI_10dBi
Bridge_Wireless_Orinoco
Cabos_LMR_200_20ft
Configuração_Instalação_Servers
Divona-Sat_1024D/256
Divona-Sat_2048D/512U
Instalação_Antenas_Wireless
Install_SAT_DVB_MODEM
Pára_Raios
PoE_injector_1port_848611299
Router_CIS1721_LB
Servidor_Web_Email
Electronics
Electronics
Electronics
Electronics
Civil_Works
Rent
Rent
Civil_Works
Electronics
Electronics
Electronics
Electronics
Electronics
295
345
595
85
400
1533
1677
200
2528
150
169
1000
500
Dados demográficos de entrada no Lot
Localidades
Leyme
Salviac
Martel
Gramat
Montecuq
Sycala
Habitantes
171
342
467
1127
402
421
- 63 -
Área da Região (Km2)
5,72
29,89
34,93
57,18
32,38
41,38
Dados de demográficos de entrada das Astúrias
Astúrias
Habitantes
Vivendas
Superfície (Km2)
Densidade (Hab/Km2)
Navelgas
550
180
21,69
25,3
Pousada de Rengos
335
107
8,93
37,5
Berducedo
209
59
26,63
7,84
Astúrias
Habitantes
Vivendas
Superfície (Km2)
Densidade (Hab/Km2)
Villar de Vildas
126
39
35,54
3,54
Asiego
468
158
19,95
23,4
Porrúa
381
136
8,7
43,7
Astúrias
Habitantes
Vivendas
Superfície (Km2)
Densidade (Hab/Km2)
Cuñaba
56
19
16,15
3,46
Busto
1209
368
28,97
41,7
Argüero
527
186
12,4
42,5
- 64 -
Atenas da CISCO
- 65 -
Antenas da MAXRAD
Omidireccionais
Painel Sectorial
Yagi
- 66 -
IDENTIFICAÇÃO DO
ORGANISMO
Questionário sobre o Organismo
Nome:
Actividade:
Localidade:
País ou parque:
Efectivos:
Volume de negócios anual:
Produtos matéria-prima
Transformados
NOMENCLATURA DAS ACTIVIDADES (CODÍGO NAC)
Integrado de valor
Distribuídos
Retalhista
Serviços públicos / privados: -- Banca
-- Saúde
-- Educação e cultura
-- Transportes
-- Segurança (Polícia, Bombeiros, etc.)
-- Administração pública: -- Fiscal
-- Judicial
-- Território
-- Registo e notarial
-- Comércio
-- Turismo / lazer / lúdico
-- Informação e comunicação
MEIOS HUMANOS
-- Electricidade / gás / água
Número
Nível operário
Nível empregado
Nível quadro
- 67 -
Taxas de utilização TIC (%)
MEIOS INFORMÁTICOS
Questionário sobre o Organismo (continuação)
Número de postos informáticos -- Número de computadores:
-- Número de computadores conectados à Internet:
Os vossos postos informáticos então em rede?
sim / não
Tendes equipamento de videoconferência, web cam, máquina fotográfica digital, outra?
sim / não
Especifique:
SERVIÇOS DE TELECOMUNICAÇÕES
Tipo de linha dedicada ao acesso à Internet ou à transferência de dados?
Especifique (RTC, Numéris, ligação alugada, outra...):
É possuidor de uma subscrição Internet?
Indique o nome do fornecedor do acesso:
Qual a natureza do sua subscrição Internet?
- Número de horas de conexão por mês:
- Tarifa mensal (em Euro):
- A subscrição engloba a conexão e as comunicações?
- 68 -
sim / não
Questionário sobre o Organismo (continuação)
Utiliza uma Intranet para o correio electrónico?
sim / não
Utiliza uma Intranet para a troca de ficheiros?
sim / não
Que tipos de ficheiros (texto, base de dados, imagem)?
UTILIZAÇÕES
Que volume médio (> 1 Mbyte)?
Utiliza a teleformação no interior do organismo?
sim / não
Utiliza a teleconferência no interior do organismo?
sim / não
Possui um site Intranet?
sim / não
Elabora CDROM (arquivos, demos, catálogos, etc.)?
sim / não
Utiliza uma Extranet nas suas relações com: -- Os comerciantes?
sim / não
-- As outras unidades de produção?
sim / não
-- Outros (especifique)?
sim / não
Pesquisas sobre a web: -- Download de ficheiros de grande capacidade?
sim / não
-- Download vídeo?
sim / não
-- Download audio?
sim / não
-- Responder aos pedidos de oferta?
sim / não
-- Fazer compras?
sim / não
Trocas de ficheiros com os vossos clientes (envio de CDROM)?
sim / não
Trocas de ficheiros com os vossos fornecedores?
sim / não
Possui um site Internet?
sim / não
Se sim, indique o endereço:
Se o organismo possui no seu site web: -- Informações simples, encomendas?
-- Vendas via o site?
Teleconferência com: -- os vossos clientes?
sim / não
sim / não
sim / não
-- os vossos fornecedores?
sim / não
Qual o impacto que espera da banda larga sobre as vossas utilizações?
INFRAESTRUTURAS / INSTALAÇÕES
Tipo de localização geográfica -- Parque industrial?
sim / não
-- Zona urbana?
sim / não
-- Zona rural?
sim / não
Superfície ocupada pelo organismo (m2):
Superfície coberta pelas telecomunicações (m2):
Existência de estrutura cablada?
sim / não
Tipo de edifícios existentes: -- Nº de edifícios:
-- Nº de pisos:
Tipo de estruturas e muros dos edifícios: -- No interior:
-- No exterior:
- 69 -
metálica / betão
metálica / betão
Questionário sobre o Organismo (continuação)
Como vê a evolução das trocas de informação no seu organismo para os próximos anos?
Para cada aplicação, indique: + para aumento; = para estabilidade; - para diminuição
Em 1 ano
Voz:
Em 3 anos
Telefone fixo
Telefone móvel
Trocas administrativas e
contabilísticas
Dados:
Encomendas, ordens, facturas
Serviços www
Imagens:
Foto
Vídeo
Imagine que o seu organismo dispõe de equipamentos apropriados.
Para as seguintes actividades como utilizaria as tecnologias da comunicação e da informação?
Nada
Pouco
Muito
Formação
Manutenção, SAV
Marketing + Commissioning
Círculos de trocas (trabalhos de exportação, vigília,
inspecção)
Outros (especifique)
Comentários, sugestões:
Formulário da Matriz Económica da Metodologia de Avaliação de Resultados
MATRIZ DE AVALIAÇÃO: METODOLOGIA PARA AVALIAR O DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO
E OS RESULTADOS DO PROGRESSO DA COMUNIDADE
AVALIAÇÃO DO PROJECTO RURAL DE TELECOMUNICAÇÕES
METAS: demonstrar, usando um número de comunidades como casos, que as tecnologias de
telecomunicações podem servir como a base para o acesso da informação e da educação que conduz ao
progresso da comunidade e ao desenvolvimento económico.
CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO: impacto no desenvolvimento económico da comunidade; inovação;
replicabilidade; praticabilidade; grau de partida; capacidade de administração; poder de compra da
comunidade/sociedades; sustentabilidade; desempenho decorrido.
- 70 -
Formulário da Matriz Económica da Metodologia de Avaliação de Resultados
(Continuação)
METAS DO PROJECTO:
INFORMAÇÃO DE LINHA DE BASE:
1º ANO
2003
VARIÁVEIS
1. INFRA-ESTRUTURA DAS TELECOMUNICAÇÕES
2. METAS DO PROJECTO E OBJECTIVOS
3. PROJECTOS IMPLEMENTADOS
4. APOIO DA COMUNIDADE
5. CAPACIDADE DA EQUIPA DE TRABALHO DO PROJECTO
6. RECURSOS FINANCEIROS CONCEDIDOS
RESULTADOS ECONÓMICOS DE DESENVOLVIMENTO:
7. RECURSOS DE ÍNDICE ELEVADO DE CAPITAL EMPRESTADO
7a. DINHEIRO DA COMUNIDADE EUROPEIA
7b. DINHEIRO ESTATAL
7c. DINHEIRO LOCAL
7d. DINHEIRO PRIVADO
7e. DINHEIRO TOTAL
7f. EM ESPÉCIE PÚBLICO
7g. EM ESPÉCIE PRIVADO
7h. EM ESPÉCIE TOTAL
8. VALOR TOTAL DO PROJECTO
9. % RELAÇÃO DOS RECURSOS FINANCEIROS DE CONCESSÃO COM O DINHEIRO DE PARTIDA
10. % RELAÇÃO DOS RECURSOS FINANCEIROS DE CONCESSÃO COM O DINHEIRO&EM
ESPÉCIE
11. CRIAÇÃO DE EMPREGO
11a. EMPREGOS DE FULLTIME
11b. EMPREGOS DE PART-TIME
11c. ESTIMATIVA DE SALÁRIO MÉDIO
12. RELAÇÃO DOS RECURSOS FINANCEIROS DE CONCESSÃO COM A CRIAÇÃO DE EMPREGO
13. FORMAÇÃO DE NOVOS NEGÓCIOS
14. RECOLOCAÇÃO DE NEGÓCIOS
- 71 -
2º ANO
2004
3º ANO
2005
4º ANO 2006
OPCIONAL
Formulário da Matriz Económica da Metodologia de Avaliação de Resultados
(continuação)
RESULTADOS DO PROGRESSO DA COMUNIDADE:
15. BENEFÍCIOS PÚBLICOS
15a. POPULAÇÕES SERVIDAS
15b. # DE PESSOAS SERVIDAS
16. (COMO) O PROJECTO AUMENTA A COMUNIDADE LOCAL DE NEGÓCIOS?
17. (COMO) O PROJECTO AUMENTA A GOVERNAÇÃO LOCAL/REGIONAL?
18. (COMO) O PROJECTO AUMENTA A CAPACIDADE DA COMUNIDADE? CAPACIDADE DE
PROJECTOS
19. QUAIS AS CARACTERÍSTICAS INOVADORAS DO PROJECTO?
20. QUE CARACTERÍSTICAS DO PROJECTO SÃO REPLICÁVEIS A OUTRAS COMUNIDADES?
21. QUAL É O PLANO DE SUSTENTABILIDADE PARA O PROJECTO?
22. QUE FACTORES FACILITARAM A IMPLEMENTAÇÃO BEM SUCEDIDA DO PROJECTO?
23. QUE FACTORES IMPEDIRAM OU LIMITARAM O ÊXITO DO PROJECTO?
24. (COMO) SÃO SUPERADAS AS BARREIRAS AO ÊXITO?
25. QUAIS OS ACONTECIMENTOS EXTERNOS COM INFLUÊNCIA POSITIVA NO PROJECTO?
26. QUAIS OS ACONTECIMENTOS EXTERNOS COM INFLUÊNCIA NEGATIVA NO PROJECTO?
27. OUTRAS INFORMAÇÕES
- 72 -
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análise tecno-económica de redes heterogéneas