CARACTERIZAÇÃO FÍSICA E QUÍMICA DO ÓLEO DE LINHAÇA EXPOSTO AO
A DIFERENTES CONDIÇÕES DE ARMAZENAMENTO
Ana Luíza Macêdo COSTA1,2; Ângelo Luiz Fazani CAVALLIERI1,3; Renata Visconde
BRASIL1,4;Maria Ássima Bittar GONÇALVES1,4
[email protected], [email protected]
Palavras-chaves: óleos, linhaça, caracterização química, armazenamento.
Introdução
A linhaça (Linum usitatissimum L.) é a semente do linho, planta pertencente à família
das Lináceas, que tem sido cultivada há cerca de 4000 anos nos países mediterrâneos. É uma
semente com várias aplicações, podendo ser usada como matéria-prima para produção de óleo
e farelo. O óleo é usado pelas indústrias na fabricação de tintas, vernizes e resinas, já o farelo
é vendido para fábricas de rações animais. Também estão em desenvolvimento processos que
incluem o óleo de linhaça em rações, de forma que os produtos para consumo humano como a
carne, ovos, leite, possam estar enriquecidos com ácidos graxos ômega-3 (ω-3) (TURATTI,
2001). As sementes também são utilizadas como complemento alimentar, sendo adicionadas a
pães, bolos e biscoitos ou ainda misturadas cruas aos alimentos.
Esta oleaginosa é rica em proteína, gordura e fibras dietéticas. A energia presente em
100 gramas de linhaça é de 396 cal, sendo 109 cal provenientes de proteína e 287 cal de
lipídios. Isto corresponde a 41% da necessidade dietética de lipídios, 21% de proteínas, 28%
de fibras dietéticas, 4% de resíduo mineral e 6% de outros carboidratos (os quais incluem
açúcares, ácidos fenólicos, lignano e hemicelulose) (TURATTI, 2000). A semente crua e
armazenada em temperatura ambiente de 20ºC é composta por, aproximadamente, 46% de
ácidos graxos ω-3, 15% de ômega-6 (ω-6), 24% de ácido graxo monoinsaturado e somente
15% de saturados (GOMEZ, 2003).
O óleo de linhaça é um óleo vegetal, de coloração alaranjada e sabor levemente
amargo. Como notável antioxidante e imunoestimulante, previne doenças degenerativas,
cardiovasculares e apresenta excelentes resultados no tratamento da tensão pré-menstrual e
menopausa e na redução dos riscos de câncer de mama, próstata e pulmão (ARAÚJO, 2007).
1
Escola de Agronomia e Engenharia de Alimentos, Universidade Federal de Goiás (EAEA/UFG), Campus
Samambaia - Rodovia Goiânia / Nova Veneza, Km 0 - Caixa Postal 131, CEP 74001-970, Goiânia, GO, Brasil.
+55 62 3521-1530
2
Aluna de Iniciação Científica, programa PIVIC 2010/2011 – Universidade Federal de Goiás (UFG)
3
Orientador, +55 62 3521-1614, (trabalho revisado pelo orientador)
4
Co-autor
As principais alterações químicas que ocorrem nos óleos vegetais são por processos
químicos como a auto-oxidação, a polimerização térmica ou a oxidação térmica, que podem
ser acelerados pelo calor, luz (foto-oxidação), ionização, traços de metais ou catalisadores
(MALLÉGOL, 2000).
De maneira geral, observa-se que os óleos comercializados na cidade de Goiânia-GO,
especificamente no mercado municipal da cidade e nos mercados populares, não possuem o
adequado controle de armazenagem do produto, o que pode implicar na perda dos
componentes funcionais presentes neste produto devido a elevada instabilidade oxidativa dos
mesmos. Observa-se que os rótulos desses produtos não possuem alertas quanto à
armazenagem incorreta em presença de luz.
É de grande importância que o óleo mantenha suas qualidades nutricionais e tenha
maior tempo de estocagem. Uma pesquisa dessa natureza poderá contribuir na correta
orientação dos comerciantes, quanto ao armazenamento correto dos óleos de linhaça, levando,
assim, a uma melhoria da qualidade e uma maior confiabilidade nas propriedades dos óleos.
Objetivo
Em vista do exposto, o presente trabalho tem o objetivo de analisar as alterações
físicas e químicas do óleo de linhaça provenientes da exposição do óleo a diferentes
condições de armazenagem comumente encontradas nos seus locais típicos de
comercialização na cidade do Goiânia, GO (exposição à luz). Paralelamente, os óleos foram
armazenados ao abrigo total de luz de forma a permitir se traçar uma comparação e relacionar
a influência das condições de armazenagem sobre as alterações físicas e químicas do produto,
com particular atenção aos parâmetros relacionados à sua oxidação.
Metodologia
Ensaios preliminares e estudo exploratório no mercado municipal da cidade de
Goiânia – GO
Foram realizadas várias visitas ao mercado municipal da cidade de Goiânia – GO (em
torno de 3 visitas com espaçamento de 2 semanas cada), com o objetivo de se realizar uma
identificação dos pontos de venda dos óleos (estabelecimentos comerciais), e realizar uma
entrevista com os vendedores destes estabelecimentos. O objetivo desta entrevista foi
identificar a procedência do óleo de linhaça nestes estabelecimentos comerciais
(fornecedores), o tempo de retenção do produto nas prateleiras até a sua comercialização e as
condições
de
exposição
e
armazenagem
deste
produto
(tipos
de
embalagens,
acondicionamento em prateleiras ou gôndolas de exposição, com ou sem exposição à luz
ambiente). Além disso, foi verificado a condição de fornecimento de amostras em quantidade
para análises regulares com o tempo de estudo.
Ensaios caracterização físicas e químicas e de estabilidade ao armazenamento
Após o trabalho de caracterização preliminar no mercado municipal de Goiânia-GO,
foi identificado o principal fornecedor de óleo de linhaça para a revenda fracionada nos
principais estabelecimentos comerciais do Mercado. Considerando-se que não foi possível a
aquisição de um lote único, com o mesmo tempo de exposição ás condições de
armazenamento encontradas no mercado municipal, e em quantidade suficiente para a
realização das análises, optou-se pela compra direta de um lote único do óleo de linhaça
diretamente no fornecedor identificado como principal responsável pelo abastecimento do
produto no mercado. Um lote de 30 litros de óleo de linhaça foi adquirido da empresa Samar
Distribuidora de produtos naturais LTDA, localizado no setor Coimbra da cidade de GoiâniaGO. O lote foi adquirido fracionado em várias garrafas vidro transparente de 150 ml contidas
em caixas seladas de papelão. Uma fração das embalagens de 150 ml foi envolta em folhas de
papel alumínio e foram então armazenadas em caixas de papelão dentro de um armário
fechado, na temperatura ambiente e na ausência total de luz por um período de ate 08
semanas. Um outro lote das embalagens foi então exposto a prateleiras no laboratório de
físico-química do setor de Engenharia de Tecnologia de alimentos da Escola de Agronomia e
Engenharia de alimentos da UFG. Estas embalagens foram totalmente expostas à luz
ambiente do laboratório e armazenadas próximas a janelas, de maneira semelhante ao
observado para os produtos de óleo de linhaça identificados nos ensaios preliminares de
observação no mercado Municipal de Goiânia. Foram realizadas análises físico-químicas no
óleo de linhaça logo após o recebimento do material e com o tempo de exposição à luz do
ambiente, a cada duas semanas. A avaliação incluiu os índices de acidez, de peróxidos, de
saponificação e de iodo.
Análises químicas
Índice De Acidez
Para a determinação do índice de acidez foi utilizada a metodologia da A.O.C.S.
(American Oil Chemists' Society, 1993), solubilizando-se 28,2 g da amostra em 50 mL de éter
etílico 95% aquecido, como solvente foi utilizado a solução titulante de hidróxido de sódio
0,1 mol/L até o aparecimento de cor rósea clara. Anteriormente, foi preparada uma
determinação em branco da mesma forma que a amostra, porem sem a presença da amostra e
foram anotados os volumes gastos de hidróxido de sódio 0,1 mol/L nas titulações da amostra
e branco. As analises foram realizadas em quintuplicata.
Índice De Peróxido
Para a determinação do índice de peróxido também foi utilizada a metodologia
A.O.C.S. (1993), solubilizando 5 g da amostra em 30 mL de solução de ácido acético –
clorofórmio (3:2 v/v) e 0,5 mL de solução saturada de iodeto de potássio, deixando em
repouso por exatamente 1 minuto. Em seguida, foram adicionados 30 mL de água destilada e
0,5 mL de solução indicadora de amido (preparada anteriormente com amido de milho),
utilizando como solução titulante o tiossulfato de sódio 0,01 mol/L até o desaparecimento da
cor (amostra transparente). Anteriormente, foi preparada uma determinação em branco da
mesma forma que a amostra, porém sem a presença da amostra e foram anotados os volumes
gastos de tiossulfato de sódio 0,01 mol/L nas titulações da amostra e branco. As analises
foram realizadas em quintuplicata.
Índice De Saponificação
Para a determinação do índice de saponificação seguiu-se a metodologia A.O.C.S.
(1993), solubilizando-se 2 g de amostra em 25 mL de solução alcoólica de hidróxido de
potássio 0,5 mol/L, aquecendo a solução em refluxo por 30 minutos, e titulando-a com ácido
clorídrico 0,5 mol/L até o aparecimento da cor rosa. Anteriormente, foi preparada uma
determinação em branco da mesma forma que a amostra, porem sem a presença da amostra e
foram anotados os volumes gastos de ácido clorídrico 0,5 mol/L nas titulações da amostra e
branco. As analises foram realizadas em quintuplicata.
Índice De Iodo
Para a determinação do índice de iodo realizou-se o método de Wijs, descrito pela
metodologia A.O.C.S. (1993), solubilizando-se 0,25 g de amostra em 10 mL de tetracloreto
de carbono e 25 mL solução de Wijs, deixando- a em repouso ao abrigo de luz e à temperatura
ambiente durante 30 minutos. Em seguida foram adicionados 10 mL de solução de iodeto de
potássio 15% e 100 mL de água recentemente fervida e fria, sendo titulada com tiossulfato de
potássio 0,1 mol/L até o aparecimento de uma fraca coloração amarela. Adicionou-se ainda 1
mL da solução indicadora de amido 1% (preparada anteriormente com amido de milho),
continuando-se a titulação até o completo desaparecimento da cor azul. Anteriormente, foi
preparada uma determinação em branco da mesma forma que a amostra, porem sem a
presença da amostra e foram anotados os volumes gastos de tiossulfato de potássio 0,1 mol/L
nas titulações da amostra e branco.
Analise estatística dos dados
Diferenças significativas (p<0,05) entre as características físicas e químicas das
amostras (tempo de armazenamento e tratamento, com ou sem exposição à luz) foram
determinadas por análise de variância e as comparações entre os valores médios foram
avaliadas pelo teste de Tukey. As análises estatísticas foram realizadas usando o software
STATISTICA 6.0 (Statisoft Inc., Tulsa, USA).
Resultados e Discussões
Ensaios preliminares
Pôde-se observar com as visitas ao mercado municipal de Goiânia – GO que os óleos
de linhaça comercializados estavam sendo armazenados em exposição à luz, e até mesmo ao
sol, dependendo da hora do dia e da localização da banca de venda. O produto era
comercializado, em pequenas garrafas de vidro (de 50 a 250 mL) e grande parte dos
comerciantes afirmaram não ter controle em relação à exposição à luz durante o tempo de
armazenagem dos frascos na banca de comercialização, e afirmaram que a procedência dos
óleos era a mesma.
As marcas dos óleos de linhaça eram diferenciadas em relação à empresa responsável
pela embalagem desses óleos. No entanto, na maioria das bancas e estabelecimentos
consultados, foi afirmado pelo vendedor ou responsável do estabelecimento, que a
procedência do material era proveniente da empresa Samar distribuidora de produtos naturais
LTDA, localizado no setor Coimbra da cidade de Goiânia-GO. O baixo nível de organização
do estoque demonstrou uma deficiência de especialização e conhecimento dos vendedores sob
as condições adequadas de armazenamento destes óleos. Os vendedores também informaram
que a retenção do produto na prateleira era variável, podendo chegar a um período de até dois
meses. Por não terem uma venda muito acentuada do óleo de linhaça, os comerciantes não
ofereciam a venda em larga escala. Por isso, os estoques eram relativamente pequenos, não
sendo superior ao número de cinco embalagens em exposição na prateleira, dependendo da
banca consultada. Desta maneira, concluiu-se que era inviável a aquisição de um lote regular
de óleo de linhaça a partir das bancas de comercialização no mercado municipal de Goiânia,
uma vez que não foi encontrado um fornecedor disposto a estabelecer uma parceria de
fornecimento regular do produto exposto na banca de comercialização. Em virtude disso,
foram estabelecidos contatos com a empresa Samar distribuidora de produtos naturais LTDA
de forma a realizar a compra direta de um lote de produto, em quantidade suficiente para a
pesquisa, e simular as condições de armazenamento em laboratório, em condições de
exposição à luz semelhantes às observadas no mercado municipal. Em paralelo, um lote
controle, foi submetida a ausência total de luz, de forma a realizar comparações e
determinações dos efeitos da exposição à luz sob os óleos de linhaça.
Índice da acidez
O índice de acidez antes do óleo de linhaça ser exposto à luz correspondeu a 0,896 ±
0,002 %. Na Tabela 1 pode ser observado os valores de acidez encontrados durante as 8
semanas de armazenamento, durante o experimento.
Tabela 1: Índice de acidez do óleo de linhaça submetido à exposição á luz e ao abrigo da luz.
Exposto á luz
Abrigo de luz
2ª semana
0,971± 0,002aA*
0,967± 0,003aA
Índice de Acidez
4ª semana
1,050± 0,034bA
0,971± 0,002acB
6ª semana
1,058± 0,019bA
0,975± 0,002bcB
8ª semana
1,127± 0,002cA
0,977± 0,001bB
* letras minúsculas diferentes na mesma linha significam diferenças significativas nas médias entre as semanas
de estudo (p<0,05); letras maiúsculas diferentes na mesma coluna significam diferenças significativas nas
médias entre os tratamentos de estudo (p<0,05)
Se os ácidos graxos são constituintes dos óleos e gorduras na forma de mono, di e
triglicerídios, uma grande quantidade de ácidos graxos livres indica que o produto está em
acelerado grau de deterioração. A principal conseqüência disso é que o produto torna-se mais
ácido. Um elevado índice de acidez indica, portanto, que o óleo ou gordura está sofrendo
quebras em sua cadeia de trigliceróis, liberando seus constituintes principais: os ácidos graxos
(ALVES et al, 2009).
De acordo com os valores de referência da Physical and Chemical Characteristics of
Oils, Fats, and Waxes (AOCS, 1993), a acidez no óleo de linhaça deve ser menor que 3%
(óleo bruto) ou menos que 0,15% (óleo refinado). Como foi observado na Tabela 1, o óleo
está dentro das normas da categoria óleo bruto, no entanto, com considerável grau de aidez
quando consideramos os índices para óleo refinado.
O óleo que ficou exposto à luz sofreu maior alteração em relação à acidez, enquanto a
amostra que ficou ao abrigo de luz teve um menor aumento quanto a esse parâmetro. Pode-se
dizer, portanto, que não é aconselhável armazenar o óleo de linhaça exposto à luz, pois com o
passar do tempo, o seu índice de acidez aumenta, podendo gerar óleo de qualidade inferior à
desejada. Pode-se também observar que para duas semanas de armazenagem, não há diferença
significativa (p<0,05) entre as amostras armazenadas em presença ou ausência de luz, sendo
os efeitos significativos a partir de 4 semanas de armazenagem.
Índice de Peróxido
O índice de peróxido antes do óleo de linhaça ser exposto à luz foi de 3,896± 0,0018
meq/Kg. Na Tabela 2 tem-se os valores de peróxido encontrados durante as 8 semanas.
Tabela 2: Índice de peróxido do óleo de linhaça submetido à exposição à luz e ao abrigo da
luz.
Exposto á luz
Abrigo de luz
Índice de peróxido (meq/Kg)
2ª semana
4ª semana
6ª semana
4,366±0,002aA 5,127±0,001bA 5,988±0,001cA
2,987±0,001aB 3,245±0,001bB 3,457±0,001cB
8ª semana
7,025± 0,004dA
3,572± 0,001dB
* letras minúsculas diferentes na mesma linha significam diferenças significativas nas médias entre as semanas
de estudo (p<0,05); letras maiúsculas diferentes na mesma coluna significam diferenças significativas nas
médias entre os tratamentos de estudo (p<0,05)
O índice de peróxido determina, em moles por 1000g de amostra, todas as substâncias
que oxidam o iodeto de potássio, devido sua ação fortemente oxidante (Zambiazi, 2007).
De acordo com Lima & Gonçalves (1994) e Ramesh (1995), a elevação do índice de
peróxido demonstra o aumento da oxidação térmica e lipídica, formando hidroperóxidos que
podem comprometer o aroma, cor e sabor dos óleos, culminando no processo de rancificação
do óleo.
Segundo a RDC 270 da ANVISA (2005), o índice de peróxido para óleos prensados a
frio deve ser no máximo 15meq/kg. Então o óleo de linhaça continuou todo o tempo dentro
dos padrões exigidos. Porém, observa-se que com o decorrer do tempo a tendência do índice
de peróxido é de continuar aumentando.
Índice de saponificação
O índice de saponificação antes do óleo de linhaça ser exposto à luz correspondeu a de
195,417± 0,0438 KOH/g. Na tabela 3 tem-se os valores de saponificação encontrados durante
as 8 semanas.
Tabela 3: Índice de saponificação do óleo de linhaça submetido à exposição à luz e ao abrigo
da luz.
Índice de saponificação (KOH/g)
2ª semana
4ª semana
6ª semana
8ª semana
Exposto á luz
195,243± 0,014aA
193,212±0,012bA
190,765±0,004cA
189,593±0,004dA
Abrigo de luz
195,325± 0,003aB
194,222±0,004bB
193,917± 0,005cB
192,396±0,002dB
* letras minúsculas diferentes na mesma linha significam diferenças significativas nas médias entre as semanas
de estudo (p<0,05); letras maiúsculas diferentes na mesma coluna significam diferenças significativas nas
médias entre os tratamentos de estudo (p<0,05)
O índice de saponificação é a quantidade de base necessária para saponificar definida
quantidade de óleo e, ou, gordura. É expresso em número de miligramas de hidróxido de
potássio necessário para saponificar 1,0 g de amostra (ARAÚJO, 2009). Segundo a legislação
brasileira (ANVISA, 1999) e os valores de referência da Physical and Chemical
Characteristics of Oils, Fats, and Waxes (AOCS), o índice de saponificação para óleos
vegetais deve estar entre 189 e 195 mg KOH/g. Então, podemos considerar que os índices
encontrados estão dentro dos valores exigidos, mas observa-se que com o tempo de exposição
ao sol o índice de saponificação tende a diminuir.
Os ácidos graxos livres aumentam o índice de saponificação das gorduras vegetais,
sendo que índice de saponificação elevado indica maiores possibilidades de aplicação para
fins alimentares. Quanto maior o índice de saponificação menor será o peso molecular do
ácido graxo (MORETTO e FETT, 1998).
Índice de Iodo
O índice de iodo antes do óleo de linhaça ser exposto à luz correspondeu a 189,358 ±
0,0015 g I2/g. Na Tabela 4 tem-se os valores de saponificação encontrados durante as 8
semanas.
Tabela 4: Índice de iodo do óleo de linhaça submetido à exposição da luz e ao abrigo da luz.
Exposto á luz
Abrigo de luz
2ª semana
186,623± 0,003aA
187,017± 0,003aB
Índice de iodo (g I2/g)
4ª semana
6ª semana
181,236± 0,002bA 178,465± 0,004cA
186,451± 0,002bB 185,675± 0,002cB
8ª semana
172,044± 0,003dA
185,015± 0,004dB
* letras minúsculas diferentes na mesma linha significam diferenças significativas nas médias entre as semanas
de estudo (p<0,05); letras maiúsculas diferentes na mesma coluna significam diferenças significativas nas
médias entre os tratamentos de estudo (p<0,05)
O índice de iodo está relacionado às reações de halogenação que parte de um princípio
de que cada dupla ligação presente em ácidos graxos insaturados pode facilmente reagir com
dois átomos de halogênio (cloro, bromo ou iodo, por exemplo), produzindo derivados transsaturados. Quando é utilizado o iodo como reagente halogenado, o numero de gramas de iodo
absorvido por 100 gramas de lipídios é chamado de número, índice ou valor de iodo. Este
valor é usado como uma estimativa do grau de insaturação dos óleos e gorduras (MORETTO,
1998).
Segundo (MAIA, 2006), quanto maior o índice de iodo, maior o número de duplas
ligações (insaturações) presentes no óleo, sendo assim, há uma maior probabilidade da
amostra ser considerada um óleo do que uma gordura, pois, é sabido de que os óleos possuem
um maior grau de insaturação do que as gorduras, o que justifica elas serem sólidas à
temperatura ambiente (25ºC). O índice de iodo de uma determinada amostra é geralmente
descrito como uma faixa de valor, ao invés de um número fixo, porque o grau de insaturação
pode variar sazonalmente ou em função de diferentes processamentos do óleo.
Segundo os valores de referência da Physical and Chemical Characteristics of Oils,
Fats, and Waxes (AOCS), o índice de iodo do óleo de linhaça deve estar entre 170 e 203 g I2 /
100g. Observa-se que o índice de iodo do óleo de linhaça é visivelmente maior que o de
muitos outros óleos, isso prova que há maior numero de insaturações no óleo de linhaça.
Então, podemos considerar que os índices encontrados estão dentro dos valores de
referencia da AOCS.
Conclusões/Considerações Finais
Observando os resultados de todo o estudo, vemos que a influência do parâmetro luz
no armazenamento do óleo poderá influenciar na qualidade do mesmo. Visto que as amostras
expostas à luz obtiveram alterações maiores, em todas as análises.
As alterações nos valores obtidos não ficaram fora dos padrões exigidos pela
legislação, porém, os resultados indicam que ao se acentuar o tempo de exposição do óleo a
luz, com o decorrer do tempo existe tendência é que os valores continuem mudando, podendo
comprometer significativamente a qualidade do óleo de linhaça.
O ligeiro aumento nos índices de acidez e peróxido indicam que o óleo de linhaça
estudado foi armazenado de forma inadequada (em recipientes transparentes), adicionalmente
podem ter sido expostos à ação do oxigênio do ar, e o conjunto de fatores de armazenamento
e tempo de exposição à luz pode comprometer a sua qualidade. Desta forma, pode-se concluir
que as condições de armazenamento estudadas, semelhantes ás observadas no mercado
municipal de Goiânia, são condições inadequadas, que comprometem a qualidade do óleo de
linhaça, degradando muito dos princípios químicos relacionados ao aumento do consumo
deste produto. Desta forma recomenda-se que a comercialização e o consumo sejam feitos em
embalagens escuras vidros escuros, além da retenção deste material em caixas de papelão ao
abrigo da luz.
Então, com base nos resultados orienta-se aos comerciantes de óleos de linhaça que
armazenem os mesmos em local fora do alcance de luz, tendo assim um produto de melhor
qualidade e confiabilidade.
Parecer do orientador sobre o trabalho
O plano de trabalho da aluna foi contemplado em parte, conforme pode ser visualizado
pela análise cronograma. Foram realizadas as análises exploratórias de amostras com o
objetivo de verificar o ponto de coleta de dados e identificar fornecedores aptos para o
fornecimento regular das amostras necessárias ao desenvolvimento do trabalho. Também
foram realizadas as análises de caracterizações físicas e químicas, além de um estudo da
interferência de parâmetros associados ao comprometimento da qualidade de óleos segundo
as condições de armazenamento detectadas nos pontos de venda. No entanto, faltou realizar as
análises de oxidação segundo as metodologias espectrofotométricas de índice anisidina e de
peróxidos, além da extração dos óleos por método físico químicos a frio, a partir das próprias
sementes de linhaça, no intuito de traçar os paralelos de comparação com as amostras
comerciais estudadas.
A não realização da integralidade do plano de trabalho pode ser atribuída a dois
fatores, um não relacionado ao comprometimento e empenho da aluna e outro diretamente
relacionado ao comprometimento da aluna com o seu projeto de pesquisa, sendo estes fatores
relatados a seguir.
A) Fatores não associados ao comprometimento da aluna com o trabalho de pesquisa.
Ocorreu um atraso na liberação de recursos de projeto Edital MCT/CNPq N º 14/2010
– Universal aprovado pelo orientador, o que comprometeu em grande parte a compra de
materiais de trabalho, reagentes, amostras e vidrarias. Para compensar este fator e possibilitar
o andamento do trabalho da aluna, o orientador solicitou junto ao programa de pós-graduação
em ciência e tecnologia de alimentos (EAEA/UFG), do qual faz parte como docente
permanente, a compra de reagentes necessários à pesquisa, o que foi aprovado e solicitado
junto a PROAD/UFG. No entanto, a empresa que ganhou a licitação de compra (Farol
Produtos Científicos LTDA) entregou os materiais com muito atraso devido ao processo
licitatório de compra. Os reagentes foram entregues em parte, faltando os reagentes principais
importados da SIGMA ALDRICH CO. (p-anisidina, peróxido de cumila) e parte dos
reagentes de rotina necessários para o andamento das análises. O referido processo se arrastou
por um ano sem que a empresa entregasse os materiais, fato este que ainda não ocorreu até o
presente momento. Assim que o recurso de consumo do projeto CNPq universal do orientador
foi liberado (já no ano de 2011) os reagentes foram comprados por outra empresa (DIGILAB
equipamentos para Laboratório, representante TECNAL em GO) na forma de compra direta,
no entanto, por se tratar de reagentes importados, a entrega não foi imediata e ocorreu apenas
no inicio do mês de maio. De qualquer sorte, foi fornecido à aluna o auxílio em laboratório,
com a presença do próprio orientador nos dias de trabalho combinados com a aluna, além de
um professor parceiro de pesquisa (Prof.ª Maria Assima Bittar Gonçalvez), que atuou como
co-orientador da aluna. Além disso, foi provido o auxílio de uma aluna de mestrado do
orientador, de forma a prover todas as condições de realização das análises em tempo hábil
para a conclusão do projeto na sua totalidade. Adicionalmente, pelo fato do orientador possuir
mais uma aluna no programa PIBIC-PIVIC 2010/2011, foi estimulado o trabalho conjunto das
alunas sob responsabilidade do orientador, de forma a facilitar a realização da orientação e da
realização da parte prática do projeto, com todo o suporte necessário às alunas envolvidas.
B) Fatores associados ao comportamento e comprometimento da aluna.
A aluna não apresentou desempenho e comprometimento satisfatório no andamento do
trabalho, o que foi apontado no questionário semestral de acompanhamento no sistema
SISPIBIC. Foi acordado com a aluna a dedicação exclusiva por um período mínimo de seis
horas semanais, durante o período de aulas, exceto nos períodos de realização de provas do
curso de graduação. Também foi acordado que no período de férias de janeiro, a aluna estaria
em período integral no laboratório, sob o acompanhamento direto do professor orientador e do
professor co-orientador na pesquisa, além de, uma dedicação mais intensiva nos meses finais,
quando todos os reagentes necessários para as análises já estariam disponíveis.
No entanto, a aluna não apresentou a dedicação acordada com o orientador, não
comparecendo aos dias de trabalho marcados com o orientador e com o professor auxiliar.
Não foram apresentadas justificativas plausíveis que pudessem justificar o comportamento da
aluna. Os contatos e acordos de trabalho entre professor e aluna, além do contato direto no
gabinete e laboratório, estão também registrados na forma de email. No entanto, apesar do
contato próximo, não houve retorno da aluna em relação ao melhor desempenho e dedicação
às atividades de pesquisa.
Apesar destes fatos, os resultados do trabalho de iniciação cientifica da aluna são
necessários para o desenvolvimento do projeto de pesquisa do orientador e para a realização
do relatório de acompanhamento do projeto CNPq/Universal do orientador e desta forma, os
trabalhos serão realizados por outros alunos. Em virtude do comportamento pouco
profissional da aluna e do baixo comprometimento da mesma, não foi solicitado a renovação
do projeto de pesquisa no edital PIBIC-PIVIC 2011/2012, optando o orientador pelo
encerramento da participação da aluna junto ao projeto. Fica manifestado pelo orientador, que
o presente relatório foi revisado e possui a qualidade mínima para a sua apresentação, no
entanto, não esta completo em seu plano.
Referências
ALVES, R. F.; GUIMARÃES, S. M.; ABREU T. C.; SILVA, R. D. Índices de Acidez Livre
e de Peróxido. Relatório para a Disciplina de Bioquímica, Curso Técnico de Química
Industrial, Centro de Educação Profissional Hélio Augusto de Sousa, São José dos Campos,
SP, 2009.
ANVISA. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Ministério da Saúde. Resolução de
Diretoria Colegiada – RDC Nº. 270, de 22 de Setembro de 2005.
ANVISA. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução nº 482, de 23 de setembro
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Ana Luiza Macedo Costa