114 SOCIEDADE DE EDUCAÇÃO DO VALE DO IPOJUCA - SESVALI MANTENEDORA DA FACULDADE DO VALE DO IPOJUCA - FAVIP CURSO DE BACHARELADO EM TURISMO TURISMO PEDAGÓGICO: A ATIVIDADE TURÍSTICA COMO UM MECANISMO DE MELHORIA DO APRENDIZADO NA ESCOLA SANTA CECÍLIA-ENSINO FUNDAMENTAL, NA CIDADE DE ARCOVERDE-PE NAYARA FERNANDA GALLINDO DA SILVA CARUARU 2010 114 NAYARA FERNANDA GALLINDO DA SILVA TURISMO PEDAGÓGICO: A ATIVIDADE TURÍSTICA COMO UM MECANISMO DE MELHORIA DO APRENDIZADO NA ESCOLA SANTA CECÍLIA-ENSINO FUNDAMENTAL, NA CIDADE DE ARCOVERDE-PE Trabalho de Conclusão de Curso (T.C.C.), disciplina existente no curso de Turismo para obter o titulo de Bacharel em Turismo pela Faculdade do Vale do Ipojuca, trabalho este, orientado pelo professor Moisés Bonifácio. CARUARU 2010 115 Catalogação na fonte Biblioteca da Faculdade do Vale do Ipojuca, Caruaru/PE S586t Silva, Nayara Fernanda Gallindo da. Turismo pedagógico: a atividade turística como um mecanismo de melhoria do aprendizado na escola Santa Cecíliaensino fundamental, na cidade de Arcoverde-PE / Nayara Fernanda Gallindo Silva. -- Caruaru : FAVIP, 2009. 87 f. Orientador(a) : Moisés Feitosa Bonifácio. Trabalho de Conclusão de Curso (Turismo) -- Faculdade do Vale do Ipojuca. 1. Turismo pedagógico. 2. Aula-passeio. 3. Escola Santa Cecília (Arcoverde). I. Título. CDU 379.85[11.1) Ficha catalográfica elaborada pelo bibliotecário: Jadinilson Afonso CRB-4/1367 116 NAYARA FERNANDA GALLINDO DA SILVA TURISMO PEDAGÓGICO: A ATIVIDADE TURÍSTICA COMO UM MECANISMO DE MELHORIA DO APRENDIZADO NA ESCOLA SANTA CECÍLIA-ENSINO FUNDAMENTAL, NA CIDADE DE ARCOVERDE-PE BANCA EXAMINADORA _______________________________________________________ Nome do Orientador (a) _______________________________________________________ Examinador 1 _______________________________________________________ Examinador 2 117 DEDICATÓRIA A Deus, luz do meu caminho. A meu avô materno, pela força e oração em todos os momentos. A minha mãe e em memória de meu pai, por moldarem minha essência e se fazerem suporte nessa longa e dura caminhada. 118 AGRADECIMENTOS Primeiramente a Deus, pelo dom da vida, por todas as bênçãos derramadas, sem Ele nada sou e com Ele tudo posso. À minha mãe, por ser presença constante, pela compreensão, carinho e amor. Ao meu pai (in memorian) que vive em mim para sempre e está presente em todas as coisas que eu faço, a quem dedico e a quem devo minha vida. Obrigada por tudo, Caxuxu! Ao meu avô José, meu segundo pai, por toda proteção e cuidado que me tem concedido. Em memória do meu avô João e tio Josias, pelo apoio, por terem me recebido sempre de braços abertos, por me fazerem sentir importante e amada. À minha família pelas orações constantes, pelos momentos de descontração, por toda ajuda e amor ofertado. E por enlouquecerem junto comigo nessa etapa final. Aos amigos da faculdade, por todos os momentos maravilhosos que me propiciaram. Por alegrar meus momentos de tristezas e minimizar “as dores de cabeça” geradas pela faculdade. Aos nossos mestres, pela comunicação do saber e por tantas vezes se fazerem amigos. Ao professor e orientador Moisés Bonifácio, pela paciência, colaboração e serviços prestados a todos nós e ao curso de Turismo, conosco até o fim. Aos colegas de ônibus por reduzirem o cansaço das viagens. Aos companheiros do Departamento de Tributos de Buíque-PE, pela impagável compreensão todos esses anos. Aos meus mais novos e maravilhosos amigos da Escola Santa Cecília. Não há dúvida que sem vocês a realização deste trabalho não seria possível. Muitíssimo obrigada! Aos meus grandes e magníficos amigos (não citarei nomes, para não ser injusta) por se fazerem presentes, ainda que ausentes. Muito obrigada por tudo que me proporcionam. Saber que teriam todos vocês para me apoiar no momento que eu precisasse, me fez continuar a caminhada. Obrigada a todos os envolvidos direta e indiretamente na conclusão dessa jornada. 119 “É no problema da educação que assenta o grande segredo do aperfeiçoamento da humanidade.” (Immanuel Kant) 120 RESUMO A educação, atualmente, tem seu dever e suas responsabilidades ampliadas. O desafio imposto é muito maior que ensinar apenas as matérias tradicionais, ela tem a importante função de preparar os jovens para a vida. Este trabalho analisou a relevância do turismo pedagógico no âmbito escolar, como um mecanismo que facilita, aumenta o aprendizado e é capaz de proporcionar o desenvolvimento pessoal dos alunos. Além de se constituir em uma nova alternativa para ampliar o mercado de agências de viagens. O trabalho baseou-se no estudo aprofundado dos impactos sobre a aprendizagem após uma excursão turístico-pedagógica, realizada por professores e alunos da Escola Santa Cecília, que visitou o Espaço Ciência e o Instituto Ricardo Brennand na cidade de Recife-PE, com posterior aplicação de questionários aos docentes e discentes, que evidenciaram a eficácia do uso da atividade turística como ferramenta de melhoria do ensino-aprendizagem. Palavras chave: Turismo pedagógico; Aula-passeio; Educação; Turismo. 121 ABSTRACT Education currently has his duty and his responsibilities expanded. The challenge imposed is much more than teach just the traditional materials, she has an important role in preparing young people for life. This study examined the relevance of pedagogical tourism in schools, as a mechanism that facilitates, increased learning and is able to provide the personal development of students. Besides to constitute in a new alternative to enlarge the market for travel agents. The work was based in depth study of the impacts on learning after tourist excursion pedagogical, held by teachers and students of Santa Cecilia School, who visited the Espaço Ciência and Instituto Ricardo Brennand in the city of Recife-PE, with subsequent application of questionnaires to teachers and students, that showed the effectiveness the use of tourism as a tool for improvement of teaching and learning. Keywords: Pedagogical tourism; Class-tour; Education; Tourism. 122 LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Conhecimento sobre o aquecimento global........................................… 57 Figura 2 - Conhecimento sobre o efeito estufa e as conseqüências do aquecimento global..............................................................................................… 58 Figura 3 - Conhecimento sobre astronomia........................................................…. 59 Figura 4 - Chegada dos alunos ao Espaço Ciência............................................…. 73 Figura 5 - Grupo reunido atrás da réplica do planeta Saturno............................… 73 Figura 6 - Aula sobre os planetas que compõem o Sistema Solar......................… 74 Figura 7 - Grupo dirigindo-se ao Planetário.........................................................… 74 Figura 8 - Interior do Planetário...........................................................................… 75 Figura 9 - Alunos no Observatório Indígena........................................................… 75 Figura 10 - Alunos na simulação de um terremoto..............................................… 76 Figura 11 - Alunos no interior da caverna............................................................… 76 Figura 12 - Alunos no Laboratório de Biologia....................................................…. 77 Figura 13 - Alunos interagindo com o coordenador no Laboratório de Biologia..… 77 Figura 14 - Entrada do Instituto Ricardo Brennand.............................................… 78 Figura 15 - Peças da coleção de Ricardo Brennand expostas no jardim do Instituto................................................................................................................…. 78 Figura 16 - Fachada da Pinacoteca.....................................................................… 79 Figura 17 - Grupo em frente à Pinacoteca..........................................................…. 79 Figura 18 - Parte interna da Pinacoteca..............................................................… 80 Figura 19 - Grupo com o instrutor no interior da Pinacoteca...............................… 80 Figura 20 - Salão da Pinacoteca com objetos da época do Brasil Holandês......… 81 Figura 21 - Vista externa do Museu de Armas castelo São João........................… 81 Figura 22 - Alunos com a instrutora em frente ao Museu de Armas Castelo São João..............................................................................................................………. 82 Figura 23 - Interior do Museu de Armas Castelo São João.................................… 82 Figura 24 - Alunos no interior do Museu de Armas Castelo São João................… 83 122 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1 - Desempenho dos alunos da 7ª série na disciplina: Língua Portuguesa.......................................................................................................……. 41 Gráfico 2 - Desempenho dos alunos da 7ª série na disciplina: História..............…. 41 Gráfico 3 - Desempenho dos alunos da 7ª série na disciplina: Geografia..........…. 42 Gráfico 4 - Desempenho dos alunos da 7ª série na disciplina: Ciências............…. 43 Gráfico 5 - Desempenho dos alunos da 7ª série na disciplina: Matemática.......…. 43 Gráfico 6 - Desempenho dos alunos da 7ª série na disciplina: Artes.................….. 44 Gráfico 7 - Desempenho dos alunos da 7ª série na disciplina: Direitos Humanos e Cidadania.........................................................................................……………... 45 Gráfico 8 - Desempenho dos alunos da 7ª série na disciplina: Língua Estrangeira Modalidade Inglês............................................................................……………….. 45 Gráfico 9 - Desempenho dos alunos da 8ª série na disciplina: Língua Portuguesa..........................................................................................................…. 46 Gráfico 10 - Desempenho dos alunos da 8ª série na disciplina: História............…. 47 Gráfico 11 - Desempenho dos alunos da 8ª série na disciplina: Geografia........…. 47 Gráfico 12 - Desempenho dos alunos da 8ª série na disciplina: Ciências..........…. 48 Gráfico 13 - Desempenho dos alunos da 8ª série na disciplina: Matemática......… 49 Gráfico 14 - Desempenho dos alunos da 8ª série na disciplina: Artes................…. 49 Gráfico 15 - Desempenho dos alunos da 8ª série na disciplina: Direitos Humanos e Cidadania.........................................................................................……………... 50 Gráfico 16 - Desempenho dos alunos da 8ª série na disciplina: Língua Estrangeira Modalidade Inglês............................................................................…. 50 Gráfico 17 – Alunos que já haviam visitado o Espaço Ciência................................ 54 Gráfico 18 - Alunos que já haviam visitado o Instituto Ricardo Brennand...........… 55 Gráfico 19 – Alunos que já realizaram alguma aula-passeio..............................…. 56 122 LISTA DE TABELAS Tabela 1 – Média geral dos alunos da 7ª série...................................................….. 39 Tabela 2 – Média geral dos alunos da 8ª série...................................................…. 40 Tabela 3 – A importância dos museus: alunos que realizaram a visita...............… 59 Tabela 4 – A importância dos museus: alunos que não realizaram a visita........… 60 Tabela 5 - Opinião a respeito das aulas-passeio: alunos que viajaram..............…. 61 Tabela 6 - Opinião a respeito das aulas-passeio: alunos que não viajaram.......…. 61 Tabela 7 - Diferenças entre as aulas expositivas e as aulas realizadas através de experiências e visitações: alunos que viajaram..............................................…….. 62 Tabela 8 - Diferenças entre as aulas expositivas e as aulas realizadas através de experiências e visitações: alunos que não viajaram.......................................…….. 63 123 LISTA DE SIGLAS OMT – Organização Mundial de Turismo MEC – Ministério da Educação PDE – Plano de Desenvolvimento da Escola IDEB – Índice de Desenvolvimento da Educação Básica INEP – Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira PCN – Parâmetros Curriculares Nacionais 124 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO...................................................................................................... 15 1.1 Objetivos.................................................................................................................... 16 1.1.1 Objetivo geral....................................................................................................... 16 1.1.2 Objetivos específicos.......................................................................................... 16 2 REFERENCIAL TEÓRICO.................................................................................... 17 2.1 Conceito e Tipos de Turismo....................................................................... 17 2.2 Turismo Pedagógico - A relação entre Educação e Turismo.................... 19 2.2.1 As Escolas e as Agências de Viagens...................................................... 23 2.3 Uma abordagem sobre o Lazer e sua relação com o Turismo e com a Educação................................................................................................................. 26 2.4 A importância da construção de novas propostas pedagógicas............. 28 2.5 Temas transversais, Interdisciplinaridade e Turismo................................ 33 3 METODOLOGIA.................................................................................................... 37 4 DESEMPENHO DOS ALUNOS – ESCOLA SANTA CECÍLIA............................ 39 4.1 Desenvolvendo uma nova prática educativa: O turismo e a aulapasseio.................................................................................................................... 51 5 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS.......................................... 54 5.1 Alunos............................................................................................................. 54 5.2 Professores.................................................................................................... 63 6 CONCLUSÃO........................................................................................................ 67 REFERÊNCIAS........................................................................................................ 69 APÊNDICES............................................................................................................. 72 125 15 1 INTRODUÇÃO O uso da atividade turística no âmbito escolar no Brasil tem crescido nos últimos anos, mas o volume de ações nesse sentido ainda é incipiente. Estudos científicos a respeito do tema já existem, porém escassos e pouco profundos. Por isso, o interesse de evidenciar a relevância do turismo dentro do contexto escolar. O presente trabalho, a partir de uma experiência realizada na Escola Santa Cecília de ensino fundamental da rede estadual, na cidade de Arcoverde-PE, busca servir de instrumento para conscientizar os alunos, pais e/ou responsáveis, gestores, supervisores e docentes de instituições de ensino, da importância do desenvolvimento de práticas educacionais diferentes das tradicionais, com a inclusão de atividades turísticas no processo educativo. Através de uma averiguação realizada na Escola Santa Cecília, com a observação do comportamento dos alunos em sala de aula e depoimentos de professores verificou-se a falta de concentração e interesse dos alunos, a dificuldade dos mesmos em obter resultados positivos em relação aos conteúdos trabalhados, e dos professores para manter a atenção e motivação do alunado na sala de aula. A partir dessas considerações, levantou-se o seguinte questionamento: Que tipo de atividades podem ser desenvolvidas para melhorar o processo de ensinoaprendizagem na Escola Santa Cecília? A educação, atualmente, enfrenta muitos desafios. Além de fazer com que os alunos aprendam os conteúdos didáticos, é preciso inseri-los dentro do contexto social, formando jovens conscientes, capacitados e preparados para encarar qualquer tipo de realidade. Ademais, o processo educativo necessita ser aprimorado, para que de fato, haja aprendizado. Então como hipóteses, a realização de aulas-passeios e excursões com finalidades didáticas pode aumentar o rendimento escolar e melhorar o desempenho dos alunos. A partir do desenvolvimento desse tipo de atividade turística, o processo de aprendizagem tornar-se-ia mais agradável e produtivo. Diante disso, essa análise poderá passar ao leito as contribuições que o turismo pode trazer, para melhorar o aprendizado nas escolas públicas e privadas do país, através da ponderação da experiência realizada na Escola Santa Cecília. 126 16 1.1 Objetivos 1.1.1 Objetivo geral Verificar a relevância das excursões turísticas no contexto da Escola Santa Cecília. 1.1.2 Objetivos específicos • Analisar se a realização de atividades turísticas traz alguma contribuição para melhorar o aprendizado dos alunos da Escola Santa Cecília. • Contribuir para a inserção das excursões com fins didáticos em uma nova proposta pedagógica. • Subsidiar a inserção de atividades ligadas ao turismo, como complemento às aulas tradicionais na Escola Santa Cecília. • Fazer uma avaliação da utilização de atividades turísticas como prática educativa. • Fomentar uma nova alternativa para as agências de viagens ampliarem sua oferta de serviços. 114 17 115 2 REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 Conceito e Tipos de Turismo O turismo é uma atividade abrangente e complexa que envolve diversos setores. A Organização Mundial de Turismo (OMT) considera que o turismo engloba as viagens realizadas por prazer, negócios ou com outras finalidades, para um ambiente diferente do usual, num período inferior a um ano (1994 apud IGNARRA, 2003, p.11). Essa definição serve de padrão para os países membros da organização, porém não abrange a real magnitude desse fenômeno. Vários são os conceitos a respeito do tema. As definições assumem tendências econômicas, técnicas e socioculturais. Outros autores preferem uma definição que englobe todos esses fatores, pois acreditam que a atividade é um conjunto de todos eles. Os professores suíços Hunziker e Krapf, procuram fazer uma abrangência sobre o assunto e definem o turismo como: A soma dos fenômenos e das relações resultantes da viagem e da permanência de não-residentes, na medida em que não leva à residência permanente e não está relacionada a nenhuma atividade remuneratória (HUNZIKER; KRAPF, 1942, apud BENI, 2003, p. 36). Apesar das inúmeras definições relacionadas à atividade turística, elas apresentam noções em comum. O deslocamento para um lugar fora do seu entorno habitual por um período determinado, desde que não seja para fixar residência temporária ou definitiva ou exercer trabalho remunerado e a necessidade de equipamentos e serviços receptivos que possam atender às necessidades dos turistas, são elementos necessários para que ocorra de fato, o turismo. O primeiro a dar uma definição sobre o tema foi Herman Von Schullern, que enfatiza a atividade turística como: A soma das operações, principalmente de natureza econômica, que estão diretamente relacionadas com a entrada, permanência e deslocamento de estrangeiros para dentro e para fora de um país, cidade ou região (SCHULLERN, 1910, apud BENI, 2003, p.34). Nesse caso, Herman dá um único enfoque para a atividade, reconhecendo apenas as implicações econômicas do Turismo. 114 18 115 A conceituação de uma atividade tão dinâmica, não deve ficar limitada a uma simples definição nem a um único campo. O fenômeno turístico não é simplesmente uma atividade econômica, ela envolve relações interpessoais, entre diversos lugares e culturas, motivações e desejos diferenciados. Por esse motivo Beni tem conceituado o Turismo como: Um elaborado e complexo processo de decisão sobre o que visitar, onde, como e a que preço. Nesse processo intervêm inúmeros fatores de realização pessoal e social, de natureza motivacional, econômica, cultural, ecológica e científica que ditam a escolha dos destinos, a permanência, os meios de transporte e o alojamento, bem como o objetivo da viagem em si para a fruição tanto material como subjetiva dos conteúdos de sonhos, desejos, de imaginação projetiva, de enriquecimento existencial histórico-humanístico, profissional, e de expansão de negócios (BENI, 2003, p. 37). O turismo é um conjunto de fatores que vão desde as motivações que levam as pessoas a se deslocarem temporariamente de seu entorno habitual até àqueles que se ocupam em recebê-los, bem como todos os equipamentos necessários para atender os indivíduos fora de suas residências. Para Andrade (2000, p. 38) o turismo conceitua-se por ser: “um complexo de atividades e serviços relacionados aos deslocamentos, transportes, alojamentos, alimentação, circulação de produtos típicos, atividades relacionadas à cultura, visitas, lazer e entretenimento”. A atividade turística não deve ser considerada como algo que atinge apenas quem o realiza, ou seja, do ponto de vista do turista, deve ser pensada e analisada também em relação à comunidade receptora, com preocupação em relação ao ambiente visitado. Nesse sentido Fuster (1974 apud IGNARRA, 2003, p.13) define-o como: “Turismo é, de um lado, o conjunto de turistas; de outro, os fenômenos e as relações que essa massa produz em conseqüência de suas viagens”. Desse modo, o desenvolvimento da atividade turística pode trazer benefícios e prejuízos para a localidade e comunidade receptora. Por isso, é necessário que haja um planejamento adequado e um trabalho de conscientização dos turistas, para minimizar os possíveis impactos negativos. Por ser uma atividade tão complexa, não existe apenas um tipo de turismo. As motivações que levam as pessoas a empreenderem suas viagens, determinam que tipo de turismo os indivíduos estão praticando. Segundo Kurt Krapf (1942 apud ANDRADE, 2000, p. 61): “as pessoas fazem turismo sempre que viajam em busca 116 19 de conhecimentos, à procura de lugares e de recursos para curar suas enfermidades ou para repousar, por devoção ou por motivos políticos”. Vários são os tipos de turismo, dentre eles destacam-se: turismo de férias, turismo cultural, turismo de negócios, desportivo, de saúde, religioso e o turismo educativo. O turismo pedagógico é uma atividade ainda incipiente no mercado turístico, mas com grande potencial, tanto no que diz respeito à ampliação e diversificação da atividade turística, quanto em relação à sua colaboração para a Educação. O processo educativo deve encorajar o pensamento inovador, com práticas diferenciadas, buscando a ação cooperativa entre os indivíduos e as instituições, e o mundo em que vivem. É nesse sentido que deve ser encorajado o desenvolvimento da atividade turística dentro dos âmbitos pedagógicos. O turismo educativo tem essa função de revitalizar os processos educacionais, proporcionando aos alunos, muito mais que simples momentos de lazer. É a incrível possibilidade de interação do aluno com o conteúdo, com lugares diferentes, com os professores. O percurso da educação não pode ser reduzido apenas à sala de aula. É necessário, e é nesse sentido que se propõe o turismo pedagógico, que a realidade dos alunos seja retratada na sala de aula e que as experiências adquiridas no processo educativo, sejam elas realizadas dentro da sala de aula ou não, possam ser levadas para a vida. No decorrer deste trabalho, serão resgatados pensamentos de autores para explicar um pouco melhor do que se trata o turismo pedagógico, mostrando as razões para que ele possa ser entendido como um instrumento auxiliar a educação. 2.2 Turismo Pedagógico - A relação entre Educação e Turismo Apesar de ser um tema relativamente recente nas escolas atuais, a prática do turismo com finalidades didáticas já eram realizadas no século XVIII. Os ingleses, ricos e poderosos, acreditavam que somente aqueles que realizassem um grand tour1 pela Europa, eram os que detinham o saber cultural e uma educação e formação profissional realmente válidas. Para Beni (2003), o turismo educacional é a retomada dessa antiga prática utilizada na Europa, nos Estados Unidos e em 1 Viagem em circuito; deslocamento de ida e volta. (BENI, 2003, p. 37). 117 20 algumas escolas de elite no Brasil, que organizavam viagens culturais, com finalidade de desenvolvimento educacional. Os ingleses limitaram o conceito de turismo às viagens de estudo e diversão, sem considerar nenhuma das relações decorrente delas. Andrade relata que: Os jovens aristrocatas ingleses faziam viagens acompanhados de seus competentes e ilustrados preceptores, às principais cidades européias dos séculos XVIII e XIX. O grand tour sob o imponente e respeitável rótulo de “viagens de estudo”, assumia o valor de um diploma que lhes conferia status social, embora – na realidade – a programação se fundamentasse em grandes passeios de excelente qualidade e repletos de atrativos prazerosos, que denominavam de turísticos, nomenclatura adotada para expressar a realização de viagem através de regiões e países diversos, ou mesmo para significar a realização da volta ao mundo conhecido ou possível à sociedade mais evoluída da época (ANDRADE, 2000, p. 9). Hoje o turismo não é privilégio da elite, grande parte da população já tem acesso à atividade. As motivações, entretanto são diferenciadas, o que permite a segmentação do mercado e da própria atividade turística. Para Vaz (1999 apud Ignarra, 2003, p. 116) a segmentação do mercado é: “a divisão do público em agrupamentos homogêneos, com uma ou mais referências mercadologicamente importantes”. Dentre os vários tipos de turismo, está o turismo pedagógico, que envolve atividades ligadas à educação e ampliação do conhecimento. As aulas-passeio permitem que o aluno vivencie in loco aquilo que apenas leu ou viu em fotos. É a práxis2 sendo utilizada para melhorar a educação. O turismo educativo é fundamentado na proposta de sair da rotina rígida e formal dos métodos convencionais para uma proposta mais ampla e prática, que proporciona ao alunado a oportunidade de novas experiências, em lugares diferentes. Segundo os autores espanhóis Moreira, Avilés e Valle (2009), o turismo educativo se caracteriza pelos seguintes aspectos: Es la rama del turismo con el porposito no solo del conecer el lugar, si no de aprender, entender y comprender el entorno visitado; sin ser realizado dicho aprendizaje necesariamente dentro de un plan estricto y formal de aprendizaje; si no todo lo contrario; dentro de un espectro amplio y utilizando toda la gama de opciones de aprendizaje que nos brinda el avance en la rama educativa; utilizando los medios necesarios para que el turista se involucre dentro de dichos espacio (MOREIRA; AVILÉS; VALLE, 2009, p. 9). 2 Práxis: integração entre pensamento e ação. 118 21 A educação, atualmente, possui um papel muito maior que apenas ensinar as matérias tradicionais, ela tem a função de formar jovens responsáveis e preparados para enfrentar qualquer tipo de experiência em suas vidas. A mobilidade gerada pelo turismo permite que o aluno entre em contato com novas realidades e se identifique mais com aquilo que está aprendendo teoricamente. De acordo com Beni (2003) ela tem o poder de modificar o comportamento dos indivíduos. Além de ampliar os conhecimentos culturais, dinamizando o aprendizado e contribuindo para atingir os objetivos que antes não eram possíveis. O mesmo autor continua falando sobre o assunto e finaliza afirmando que: “A mobilidade põe em contato muitas pessoas, amplia e enriquece as maneiras de pensar e de atuar, expandindo o acervo cultural” (BENI, 2003, p. 78). Ademais, a atenção relaxada e inconsciente dá mais resultados no aprendizado, do que um esforço concentrado e consciente. As excursões turísticas propiciam esse relaxamento, pois o lazer gerado pela atividade faz com que os alunos aprendam sem as “pressões” de uma sala de aula. Como lembra Bolstad (1997), as crianças aprendem as canções infantis e dos comerciais de TV sem a necessidade de estudá-las conscientemente, pois não estão pressionadas a aprender, apenas estão relaxadas enquanto as ouvem. O turismo pedagógico segue exatamente essa linha de raciocínio, propiciar ao aluno um aprendizado aparentemente despretensioso. Contudo, acaba fazendo com que o aluno adquira conhecimento em um local diferente do habitual, com técnicas também diferenciadas, tendo o objetivo de transportá-lo para uma realidade concreta. A educação no Brasil sofre muitas dificuldades. É necessário achar um caminho para melhorar esse processo e garantir um ensino de qualidade e que realmente faça a diferença na vida das pessoas. Os alunos precisam encontrar sentido naquilo que é ensinado nas escolas. E isso depende muito da habilidade de gestores e professores em entusiasmar e despertar o prazer em aprender. Os professores eficazes são hábeis em motivar e inspirar os alunos a alcançar o seu melhor. Quanto melhor a relação aluno/professor, maior será o interesse e a motivação para seguir as sugestões e diretrizes do mestre. As viagens proporcionam a troca necessária entre professores, alunos e o meio. Muitas vezes os métodos utilizados são insuficientes neste sentido, conforme destaca Jorge (1981 apud PILETTI, 1997, p. 35): “É preciso mudar o método, caso 119 22 se deseje chegar a frutos concretos de educação e à libertação que faça o homem ‘ser mais’ sujeito de sua história e não um objeto nas mãos de educadores opressivos”. É nesse contexto que se pretende incluir a atividade turística, como proposta de complemento ao ensino formal, com a finalidade de enriquecer e expandir a forma de pensar e atuar dos jovens, propiciando um aprendizado efetivo. A realidade da educação necessita de práticas inovadoras e diferenciadas, que sejam condizentes com as necessidades atuais. A experiência turística proporciona a vivência, o contato com a realidade, propicia um aprendizado mais prático e prazeroso e reafirma valores de ordem social, cultural e ambiental. O turismo pedagógico promove o desenvolvimento de valores construtivos, que vão além dos valores pedagógicos, pois além de estabelecer relações entre o sujeito e os objetos de estudo, facilitando o aprendizado das matérias disciplinares, institui relações diferenciadas entre aluno/aluno e professor/aluno, com possível contribuição de melhora desses relacionamentos no ambiente escolar. A experiência vivida e a satisfação provocada pelas excursões provocam no aluno o despertar para o saber, para obter conhecimento e o prazer em aprender. A excursão turística é entendida pelo alunado como uma forma de lazer. Cabe às instituições e aos professores enxertar essa atividade de instrumentos positivos, relacionando os conteúdos abordados em sala de aula com a prática das viagens. O lazer propiciado pelo turismo acaba se confundindo com os objetivos gerais da proposta educativa. A fuga da rotina, viabilizada pelas viagens, faz com que o estudo seja percebido como algo realmente prazeroso, fazendo da ligação do turismo com as atividades escolares, um ingrediente a mais na busca por uma educação mais produtiva e eficaz. Contudo, é por esse caráter de lazer que as viagens assumem, que se deve ter o cuidado e devido planejamento para que a atividade não perca sua finalidade educativa. Apesar de serem áreas distintas, o Turismo e a Educação podem ser aliados na busca por uma educação de qualidade, que envolva num mesmo momento várias áreas do conhecimento. Segundo Siqueira e Ornelas: A viagem passa a ser uma ferramenta cada vez mais utilizada pelas escolas como necessária á concretização dos seus propósitos educacionais e pedagógicos. Estabelece-se, dessa forma, a relação entre educação e turismo, cabendo a este último proporcionar dinamismo às atividades educacionais, contribuindo para a 120 23 efetivação dos estudos in loco (SIQUEIRA; ORNELAS, 2005, apud MILAN, 2007, p. 25). Diante do exposto, pode-se dizer que, ao adotar a prática turística como complemento prático às aulas teóricas, as instituições de ensino viabilizarão aos seus alunos a oportunidade de conhecer e vivenciar os conteúdos que são trabalhados na sala de aula. Os benefícios proporcionados pela atividade turística são diversos e de acordo com Milan (2007, p. 32) englobam vários aspectos: a) O psicológico, porque suas vivências e comportamentos estão sujeitos a mudanças por influências do turismo, alterando objetivamente as motivações, preferências, valores e atitudes enquanto “futuros cidadãos”; b) O sociológico, porque suas observações e relações no meio em que vivem são interativas com o turismo como fenômeno social, proporcionando novos contatos, experiências e integração entre os alunos, com os professores e a comunidade em geral; c) O cultural, pois o conhecimento do patrimônio histórico-cultural e o contato com outras culturas, tradições, hábitos e costumes da população local transformam-se em experiência enriquecedora, promovendo o intercâmbio entre visitantes e visitados; d) E o ambiental, porque a apreciação gera consciência para aumentar a preservação da herança natural como fator de potencial turístico da localidade. Além de facilitar o processo de assimilação do conteúdo, os alunos desenvolvem uma maior consciência de preservação e conservação, fazendo com que o aprendizado seja ilimitado, proporcionando não apenas o estudo de conteúdos disciplinares, mas experiências que realmente gerem mudanças significativas na vida dos estudantes, tornando-os conscientes de suas responsabilidades. 2.2.1 As Escolas e as Agências de Viagens O desafio que hoje é imposto à educação brasileira é contemplar a cidadania, a partir de ações competentes que integrem o aluno ao contexto social. Portanto, o sistema educacional não deve se restringir às escolas, deve ser mais diversificado em termos de objetivos e de procedimentos e métodos de participação. Sendo assim, a atividade turística pode ser utilizada como um agente auxiliar da educação. Para Azevedo e Irving, vários pontos exemplificam a aproximação entre as áreas de educação e turismo: 121 24 [...] a interdisciplinaridade nítida que permeia cada qual desses campos; a correlação espaço/cultura/educação embutida nas manifestações e fluxos turísticos; os vínculos estreitos entre turismo e educação ambiental; e sobretudo, o fato de a prática turística constituir processo essencialmente pedagógico, de aprendizagem constante: seja na percepção de outras realidades e diferentes estilos de vida, na utilização do tempo ocioso, na preservação de bens, na assimilação de novos papéis e funções que vêm emergindo com a “explosão” do turismo, seja, ainda, na exigência de formação específica dos profissionais (AZEVEDO; IRVING, 2002, p. 167). Contudo, o que se observa é que ainda não é dada a importância devida à prática do turismo do tipo pedagógico. Aires e Aguiar afirmam que: [...] ele é realizado pelos próprios professores das escolas e outros profissionais desqualificados para este tipo de serviço, comprometendo a qualidade e objetivos desta prática. Portanto, atentas ao desenvolvimento desse nicho de mercado, muitas agências de viagens começaram a se especializar na prática do turismo educativo e a incorporarem mais esse serviço em suas atividades (AIRES; AGUIAR, 2005, p. 406). O fato é que muitas escolas não utilizam as aulas-passeio como uma prática pedagógica, e quando o fazem, na maioria das vezes não prescindem dos serviços das agências de viagens. Aires e Aguiar (2005, p. 409) conceituam as agências de turismo como: “organizações que têm a finalidade de comercializar produtos turísticos. Elas orientam as pessoas que desejam viajar, estudam as melhores condições e assessoram os clientes acerca da definição dos itinerários”. Portanto, a importância das agências de viagens consiste em combinar todos os elementos necessários para o desempenho e sucesso das viagens. É verdade, que hoje em dia, o ambiente globalizado e as tecnologias permitem que qualquer pessoa organize sua viagem por conta própria. Porém, somente profissionais tecnicamente capacitados são capazes de harmonizar os itens necessários de acordo com o perfil, necessidade e exigência dos consumidores, além de garantir a satisfação do cliente. De fato, as agências têm enfrentado grandes desafios frente às novas tecnologias da informação, especialmente a internet. E por isso, tem procurado alternativas para se diferenciar no mercado, como ressalta Aires e Aguiar: A busca por diferenciação no mercado tem induzido algumas agências a incorporarem diversos tipos de serviços à sua oferta, atuando em diversos nichos ou se voltando a um determinado nicho de mercado, de acordo com seu público-alvo, procurando oferecer um padrão de atendimento que alcance ou supere as expectativas dos consumidores (AIRES; AGUIAR, 2005, p. 409). 122 25 Por conseguinte, o turismo educativo surge como um novo segmento de mercado, incrementando os serviços das agências, podendo ainda contribuir para que os equipamentos e serviços turísticos não fiquem inutilizados nos períodos de baixa temporada. Dessa forma, as escolas devem entender que as agências são empresas especializadas nesse tipo de serviço, o que representa ganhos expressivos para a escola e a garantia de uma viagem bem sucedida. Tomelin explica que: As agências de viagens e turismo, servindo como intermediárias e distribuidoras na produção de serviços entre a oferta e a demanda, ou seja, entre aqueles que desejam viajar e aqueles que desejam receber os turistas, tornam-se ícones principais na distribuição dos produtos até o consumidor final, caracterizando-se fortemente como componentes do setor de viagens que se preocupam com a atividade pelo tipo e segmento de mercado responsável pelo atendimento das necessidades finais dos turistas (TOMELIN, 2001, apud AIRES; AGUIAR, 2005, p. 410). Em suma, muitas vezes por falta de uma visão de um profissional qualificado, as viagens pedagógicas não conseguem atingir os objetivos educacionais, pois roteiros que seriam interessantes para acrescentar o conhecimento dos alunos deixam de ser incluídos. A prática do turismo pedagógico pode beneficiar as escolas, com inclusão dos roteiros educativos e aulas-passeio; as agências, criando um novo nicho de mercado; e a própria atividade turística em si, ao fazer com que o turismo seja desenvolvido em todas as épocas do ano, diminuindo dessa maneira, a sazonalidade. É um novo ramo do turismo que está crescendo, com oportunidade para as agências e operadoras de viagens desenvolverem projetos e pacotes no sentido de atender esse novo segmento. Ademais, a utilização da atividade turística nas escolas, com finalidades pedagógicas, acaba possibilitando a formação de novos adeptos do turismo, com possível surgimento de novos turistas, sendo esses, mais educados e mais conscientes. 123 26 2.3 Uma abordagem sobre o Lazer e sua relação com o Turismo e com a Educação É importante analisar os motivos que levam as pessoas a viajar. Como já mencionado anteriormente, muitas são as razões que fazem os indivíduos se deslocarem, cada um de sua maneira e de acordo com suas possibilidades. Dentre os vários fatores que determinam a realização das viagens, destacase a busca pelo lazer, que muitas vezes é confundido com o próprio fenômeno turístico em si. Camargo esclarece que: Por mais que alguns tentem sobrepor ou mesmo reduzir um fenômeno a outro, trata-se de mostrar que ambos se recortam mutuamente, guardando um núcleo comum, mas conservando subáreas autônomas (CAMARGO, 2004, p. 236). Na conceituação de Dumazedier (1976 apud CAMARGO, 2004, p. 247) o lazer é: “um conjunto de atividades desenvolvidas pelos indivíduos seja para o descanso, seja para o divertimento, seja para o seu desenvolvimento pessoal e social, após cumpridas suas obrigações profissionais, familiares e sociais”. Diante da dinamicidade da vida moderna, as pessoas estão buscando cada vez mais, momentos de descontração e fuga da rotina, fazendo do lazer, um produto do trabalho industrial moderno. Dumazedier vê o tempo de lazer como: [...] produto de duas revoluções modernas: de uma revolução técnico-científica, que permitiu ao trabalhador produzir mais com menor tempo de trabalho, e de uma revolução ético-estética, que colocou os valores do lazer como nova referência para o cotidiano e mesmo para as instituições de base da sociedade – o trabalho, a família, a religião e a política (DUMAZEDIER, 1980, apud CAMARGO, 2004, p. 245). As pessoas agora dispõem de tempo livre para ser usufruído e na maioria dos casos, buscam atividades de lazer para preencher esse tempo. O lazer sempre é associado a outros termos como ócio, recreação, tempo livre, e subtende bem-estar. Por isso, a relação estreita com o Turismo, que segundo Camargo (2004, p. 267): “[...] sempre traz embutida uma conotação lúdica que o aproxima do lazer, sendo que as férias, tempo nobre do lazer, estão associadas tanto a lazer como a turismo”. O lazer envolve diversas atividades, que podem ser desenvolvidas dentro de casa, como assistir televisão, ler um livro, navegar na internet, e fora de casa, como ir a restaurantes, a um parque, cinema e viajar. E é nesse ponto que ele se confunde com a atividade turística. 124 27 Portanto, as viagens e o turismo em si, pode ser a ocasião de praticar vários tipos de lazer, contudo, em um ambiente diferente do habitual, com contato com pessoas, culturas e estilos de vida diferenciados. Nesse sentido, na prática do turismo pedagógico pretende-se oferecer ao alunado, além do aprendizado, momentos de lazer. Ou ainda, aliar às aulaspasseios, o momento de recreação, criando o lúdico necessário para que as aulas sejam percebidas como algo realmente aprazível. O interesse central da sociologia de Dumazedeir é baseado nessa associação, no desenvolvimento cultural e o da educação. De acordo com Camargo, sua sociologia do lazer é: Uma sociologia da educação não-formal, assentando-se na observação de que o tempo de lazer é hoje mais relevante para a educação global dos indivíduos do que o tempo escolar. Uma criança passa mais horas diante da televisão do que nos bancos escolares. E, se um adulto recensear todos os campos de exercício da cidadania que teve de aprender, de alguma forma, certamente perceberá que esse aprendizado ocorreu no tempo de lazer – na conversação cotidiana desinteressada, em livros, revistas, jornais que leu por puro desejo de ocupar agradavelmente seu tempo. Nesse caso, o grande problema do tempo de lazer é a quantidade e a qualidade de seu exercício (CAMARGO, 2004, p. 247). Como se vê, a educação e o lazer podem ser utilizados simultaneamente, na tentativa de combater alguns problemas da educação formal, como: a falta de motivação, de exercício da mente e do imaginário e o baixo nível de práticas associativas e realmente educativas. O fato é que mesmo quando os interesses da viagem não são condicionados pelo lazer, ou seja, quando se viaja a negócios, ou por motivos religiosos, de saúde ou educacionais, sempre se buscam alguns ingredientes, valores e expectativas de lazer (CAMARGO, 2004). Outrossim, antigamente, as viagens eram condicionadas por guerras ou motivos excepcionais. Camargo (2004, p. 269) salienta que: “o moderno turismo começou a ganhar feição no século XIX, quando o deslocamento humano deixou de ser uma contingência de momentos difíceis ou especiais para afirma-se como lazer”. Verdadeiramente, a sociologia do lazer contribui para o desenvolvimento do turismo educativo, pois familiariza o aluno com o ambiente e com a dinâmica cultural do local visitado, auxilia na compreensão dos conteúdos trabalhados na aulapasseio, além de torná-lo mais atento a dimensão educativa da viagem. 125 28 O problema, segundo Camargo, é que: Apenas uma pequena minoria vê no tempo de lazer a instância da busca individual de formas de desenvolvimento pessoal. Há outra minoria para qual o lazer é o tempo de exercício da pequena criminalidade, das drogas, da violência. E há a imensa maioria para qual o lazer resume-se a um gastar o tempo por absoluta falta de conhecimento ou de motivação para a busca de alternativas (CAMARGO, 2004, p. 248). Porém, se o lazer for entendido como uma necessidade humana é pertinente justificar a junção de educação e lazer na escola. O desafio é utilizar as atividades de lazer de forma positiva, crítica e menos alienante. Até porque as expectativas dos alunos em relação às viagens educativas são primeiramente de lazer e recreação. Portanto, para não frustrá-los nesse sentido, é interessante que as escolas que vierem a desenvolver o turismo pedagógico, conciliem às aulas e práticas educacionais, momentos prazerosos e de descontração, para que os alunos possam sempre vincular o aprendizado ao bem-estar. De tal maneira, que o lazer seja incluído no processo educativo como um instrumento favorável para uma educação de maior qualidade e tendo na atividade turística, uma real possibilidade de aliar a prática e a teoria dos conteúdos que são abordados apenas na sala de aula. 2.4 A importância da construção de novas propostas pedagógicas Durante as décadas de 70 e 80 houve um aumento expressivo no acesso às escolas. Contudo os altos índices de repetência e evasão, remetem a evidência da insatisfação com o trabalho realizado nas escolas. Diante desses pareceres, o Ministério da Educação (MEC)3 vê a necessidade de implementação de novas propostas educacionais e planos para aprimorar a qualidade do ensino. Um deles é o Plano de Desenvolvimento da Escola (PDE)4 que é considerado um processo de planejamento estratégico desenvolvido pela escola para a melhoria da qualidade do ensino e da aprendizagem. 3 MEC – Ministério da Educação. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/>. Acesso em: 20 de setembro 2010. 4 PDE – Plano de Desenvolvimento da Escola. Desenvolvido pelo Ministério da Educação. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=176:apresentacao&catid=137:pdeplano-de-desenvolvimento-da-educacao>. Acesso em: 20 de setembro 2010. 126 29 O MEC oferece assistência técnica e financeira para as escolas públicas municipais e estaduais que estão com médias baixas no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB)5. O IDEB foi criado no ano de 2007 para medir a qualidade das escolas e de cada rede de ensino, através da avaliação do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) e das taxas de aprovação dos alunos. Uma parte dessa ajuda financeira poderia ser utilizada na realização de aulas-passeio, no intuito de atingir os objetivos do PDE, que é oferecer mais qualidade de ensino aos estudantes, para melhorar o desempenho e média dos alunos. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996)6, reafirma o dever do poder público para com a educação. E em seu artigo nº 13, estabelece e permite que as escolas elaborem estratégias diversas para que os alunos realmente aprendam os conteúdos disciplinares. Portanto, toda escola tem livre arbítrio para introduzir nas suas práticas pedagógicas tradicionais, atividades inovadoras, como aulas-passeio, favorecendo uma educação completa para os alunos. O MEC também elaborou os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN)7, que são referenciais de qualidade para a educação no Ensino Fundamental em todo o país, tendo como meta a propensão da educação e a função de garantir a organização e coerência dos investimentos no sistema educacional. O momento de inadaptação social e instabilidade familiar atual, acaba se refletindo no desempenho escolar. Essas constatações levam a uma mudança de pensamento em relação ao papel social da escola, que não pode ser uma ilha. Deve estar inserida dentro de um determinado contexto social. 5 IDEB – Índice de Desenvolvimento da Educação Básica. Desenvolvido pelo Ministério da Educação. Disponível em: < http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=180&Itemid=286>. Acesso em: 20 de setembro 2010. 6 LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/ldb.pdf>. Acesso em: 20 de setembro 2010. 7 PCN – Parâmetros Curriculares Nacionais. Desenvolvidos pelo Ministério da Educação. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/livro01.pdf>. Acesso em: 20 de setembro 2010. 127 30 Os PCN atentam para essa realidade e declara que para mudar esse cenário faz-se necessário uma prática educacional adequada às necessidades sociais, econômicas, políticas e culturais dos indivíduos, que garantam a formação de cidadãos críticos e participativos, capazes de atuar na comunidade em que vivem. Logo, diante da dinamicidade da sociedade atual, verifica-se a precisão de mudança da postura das escolas, pois as referências tradicionais tornam-se insuficientes para a premência do mundo contemporâneo. Por conseguinte, os PCN propõem um reequacionamento do papel da educação, oferecendo para a escola um horizonte mais amplo e diversificado do que aquele que, até poucas décadas, orientava a concepção e construção dos projetos educacionais. De acordo com os PCN a “pedagogia tradicional” é uma proposta de educação centrada no professor. Baseia-se na exposição oral dos conteúdos numa seqüência predeterminada e fixa. Hoje, o que se prega é uma “pedagogia renovada” que estreite os laços entre aluno e professor, fortalecendo o processo de aprendizagem. Os PCN salientam que o espaço de aprendizagem não se restringe à escola, sendo necessário propor atividades que ocorram fora dela. A programação deve contar com passeios, excursões, teatro, cinema, visita a fábricas, enfim, com as possibilidades existentes em cada local e as necessidades de realização do trabalho escolar. Alguns objetivos dos PCN, como fazer com que os alunos sejam capazes de conhecer características fundamentais do Brasil, como meio de construir uma identidade nacional, conhecer e valorizar a pluralidade do patrimônio sociocultural brasileiro, podem ser concretizados com o desenvolvimento de atividades turísticas, que ao permitir a vivência in loco e a interação direta dos alunos com o meio e os objetos em questão, contribuem ativamente para o alcance desses objetivos. A escolarização deve fomentar propostas para otimizar o potencial de aprendizagem. Muitas crianças e jovens possuem dificuldades para aprender os conteúdos trabalhados em sala de aula. É necessário que sejam desenvolvidas novas propostas para mudar essa realidade. Portanto, a escola deve estar interessada em métodos novos de ensino, além dos métodos tradicionais. Esses métodos devem estimular a atividade e iniciativa do aluno e favorecer o diálogo dos alunos entre si, com os professores e com o mundo em que vive. 128 31 De acordo com Fonseca (1995, p. 359): “A aprendizagem tem que ter o ingrediente lúdico e emocional, base de todo o sucesso e de toda gratificação social”. Para despertar o interesse do aluno em adquirir conhecimento é necessário desenvolver práticas diferenciadas. Qualquer situação ou prática diferente do habitual é interessante no sentido de prender a atenção do aluno e facilitar o processo de aprendizagem dos conteúdos disciplinares. Segundo Piletti (1997, p. 118): “a concepção pedagógica tradicional é a separação entre o pensamento e a ação”. Atualmente, para se alcançar uma educação de melhor qualidade, se propõe a utilização da práxis, que proporciona aos alunos um conhecimento mais amplo. O autor supracitado continua falando sobre o assunto e esclarece que: Ainda hoje, a pedagogia está ás voltas com esse problema: a integração entre pensamento e ação. A revalorização da ação, ou seja, do jogo dialético ação-pensamento, pensamento-ação, constitui o caminho que conduz à educação integral do homem (PILETTI, 1997, p. 53). Nessa perspectiva pode-se incluir a atividade turística, como uma prática inovadora que permite a práxis, fazendo com que o aluno vivencie na prática o que aprendeu na teoria. Além de facilitar o aprendizado, promove um processo educacional diferente, fora dos parâmetros tradicionais do ambiente escolar. Outrossim, a pedagogia tradicional limitou-se à transmissão do conteúdo de professor para aluno, de maneira sistemática, fazendo com que o aluno memorize, porém não aprenda efetivamente aquilo que está sendo ensinado. Paulo Freire fala sobre essa relação entre professor/aluno fundamentalmente narradora e explica que: A narração de conteúdos tendem a petrificar-se ou a fazer-se algo quase morto, sejam valores ou dimensões concretas da realidade. Narração ou dissertação que implica um sujeito – o narrador – e objetos pacientes, ouvintes – os educandos. Há uma quase enfermidade da narração. A tônica da educação é preponderantemente esta – narrar, sempre narrar (PAULO FREIRE, 2007, p. 65). É o que ele chama de visão bancária, que faz do educador um “ser superior”, que tudo sabe, e o discente um depósito do saber, que não tem nada a acrescentar. Segundo Paulo Freire (2007, p. 65): “[...] na concepção “bancária”, o educador aparece como seu indiscutível agente, como o seu real sujeito, cuja tarefa indeclinável é “encher” os educandos dos conteúdos de sua narração. 129 32 As viagens com finalidades pedagógicas diminuem a distância entre aluno e professor. Fora do âmbito da sala de aula o professor perde um pouco o “ar superior” que diminui as relações com os estudantes e passa a assumir o papel de facilitador do processo de busca do conhecimento, quando coloca o aluno em contato com aquilo que se pretende ensinar. Paulo Freire afirma que: Falar da realidade como algo parado, estático, compartimentado e bem-comportado, quando não falar ou dissertar sobre algo completamente alheio à experiência existencial dos educandos vem sendo, realmente, a suprema inquietação desta educação (PAULO FREIRE, 2007, p. 65). As viagens proporcionam a interação com o objeto a ser conhecido, facilitando a incorporação das idéias por parte dos estudantes. As excursões turísticas ajudam a desenvolver uma maior consciência ambiental e social. Permitem o contato com outras pessoas, outras culturas e diferentes realidades, contribuindo não apenas para melhorar a fixação dos conteúdos, mas para transformar o comportamento dos alunos na escola, com mais respeito aos professores e colegas, a partir da convivência social que as viagens proporcionam. Uma mudança realizada na própria sala de aula serve de incentivo para melhorar a concentração dos alunos. O simples reajuste das carteiras facilita o trabalho em grupo, o diálogo e cooperação. Conseqüentemente, as viagens podem ser consideradas uma maneira de integrar e complementar as propostas pedagógicas. A educação não pode ser passiva e conformista, deve ultrapassar as barreiras da escola, dando lugar às experiências de campo, que podem ser concretizadas com as excursões turísticas. A Escola Santa Cecília, onde foi desenvolvida a experiência da realização do turismo pedagógico, mantida pelo poder público estadual, expõe em sua proposta pedagógica que tem a finalidade de assegurar um ensino de qualidade oferecendo uma educação voltada para a construção de competências e formando seres humanos com qualidades, que aprendam a conviver, a gostar de ler, a comunicarse, a resolver problemas e a aprender continuamente, para desenvolver suas potencialidades, em clima de respeito mútuo, organização e busca contínua da autosuperação, tornando-se agentes transformadores, solidários, sensíveis, críticos e interativos. 130 33 A proposta da escola tem como foco central a valorização da aprendizagem dos alunos e busca uma maior eficácia no desempenho das atividades pedagógicas, visando desenvolver um trabalho integrado, reflexivo, criativo e participativo. No documento referente à proposta da Escola Santa Cecília, destaca-se a preocupação com o desenvolvimento de novas práticas pedagógicas, que enriqueçam o currículo construído na sala de aula com outros conteúdos e aprendizagens, outros objetivos específicos de acordo com a sistematização, necessidade e criatividade do professor (a) a partir de sua vivência na prática docente e pedagógica inclusive em espaços educativos complementares a exemplo de visitas a museus, a laboratórios, pesquisas de campo e outros. 2.5 Temas transversais, Interdisciplinaridade e Turismo Atualmente existe uma necessidade de buscar novos caminhos para a escolarização, buscar o verdadeiro papel das escolas em virtude da pluralização e globalização da sociedade. Diante dessas mudanças o MEC propõe que as escolas trabalhem temas transversais, como a ética, a pluralidade cultural, o meio ambiente, a saúde e a orientação sexual. Com a inclusão desses temas o MEC pretende: resgatar a dignidade da pessoa humana, a igualdade de direitos, a participação ativa na sociedade e a co-responsabilidade pela vida social (ARAÚJO, 2000). Uma das formas de se influir nesse sistema de transformação, sem abrir mão dos conteúdos tradicionais, é inserir a atividade turística como um instrumento facilitador desse seguimento. As escolas devem rejuvenescer seus objetivos e suas práticas, pois é um dos espaços que mais sofrem as conseqüências das mudanças da sociedade. Os novos contextos sociais implicam mudanças nas formas de ensinar e aprender. O turismo educativo tem essa proposta de envolver o aluno com o decurso de aprendizagem, colocando-o não apenas como mero expectador, mas como participante do processo educacional. É preciso envolver, estimular as ações e a participação dos alunos. A prática proporcionada pela atividade turística permite isso. E mais ainda, permite que as atuais preocupações sociais sejam trabalhadas, criando instrumentos necessários para a obtenção das finalidades desejadas. As 131 34 viagens permitem o contato com a realidade. Uma formação de qualidade precisa interagir com as grandes questões sociais. Diante das mudanças ocorridas em nosso cotidiano, como a globalização, aumento das desigualdades e da violência, a educação passa a desempenhar um papel cada vez mais importante na formação dos cidadãos e conseqüentemente na contribuição para um mundo melhor. Na concepção de Araújo: As transformações da realidade escolar precisam passar necessariamente por mudanças de perspectiva, em que os conteúdos escolares tradicionais deixem de ser encarados como “fim” na Educação. Eles devem ser “meio” para a construção da cidadania e de uma sociedade mais justa. Esses conteúdos tradicionais só farão sentido para a sociedade se estiverem integrados em um projeto educacional que almeje o estabelecimento de relações interpessoais, sociais e éticas de respeito às outras pessoas, à diversidade e ao meio ambiente (ARAÚJO, 2000, p.15) Nesse sentido, o papel das escolas é o de produzir conhecimento e também a sociabilização dos indivíduos no contexto social, cultural e humanitário. Torna-se necessário, portanto, o desenvolvimento de projetos interdisciplinares, que garantam um conhecimento mais amplo, objetivando sempre a qualidade do ensino. Segundo Fazenda: Ao buscar um saber mais integrado e livre, a Interdisciplinaridade conduz a uma metamorfose que pode alterar completamente o curso dos fatos em Educação, pode transformar o sombrio em brilhante e alegre, o tímido em audaz e arrogante e a esperança em possibilidade (FAZENDA, 2008, p. 2) Quando falamos sobre interdisciplinaridade, como sugere o próprio nome, estamos nos referindo a uma espécie de interação entre as várias áreas do saber. Fazenda fala um pouco sobre o surgimento do tema e afirma que: O movimento da interdisciplinaridade surge na Europa, principalmente na França e na Itália, em meados da década de 1960, (causa ou conseqüência, não é o caso de aqui se discutir o lado mais importante da questão, acreditamos que ambos) época em que insurgem os movimentos estudantis, reivindicando um novo estatuto de universidade e de escola (FAZENDA, 2008, p. 18) Atualmente a interdisciplinaridade vem ganhando força nas escolas, e com os PCN, que propõem a integração de uma série de conhecimentos de diferentes disciplinas para a construção de instrumentos de compreensão e intervenção na realidade em que vivem os alunos, tem sua presença intensificada no cenário educacional. 132 35 A educação geralmente distingue vários aspectos do conhecimento, que são tratados isoladamente. As disciplinas tradicionais são aplicadas sem conexão umas com as outras, o que acaba gerando e transmitindo fragmentos isolados das ciências. A interdisciplinaridade se efetiva exatamente, no contato entre todas as matérias, permitindo um conhecimento mais amplo e integrado, com a finalidade de transformar indivíduos e sociedade. É um meio de cooperação entre as disciplinas que enriquece o saber, desde que seja praticada com base em pesquisas constantes e permita a sociabilização. Para compor uma nova abordagem, capaz de reunir os conhecimentos disciplinares mais diversos, o turismo e a educação podem ser trabalhados simultaneamente. As excursões turísticas fornecem muitos elementos que podem ser desenvolvidos dentro da proposta de interdisciplinaridade. Uma única viagem pode trazer conhecimentos a respeito de ciências, geografia, história e artes, por exemplo. Além de permitir o envolvimento de temas transversais, pois ao ter contato com o local visitado e vivenciando na prática aquilo que costuma aprender na teoria, cria-se uma educação de valores, transformando a prática pedagógica do isolacionismo, com a participação responsável de todos os envolvidos. A educação aliada ao turismo permite um aprofundamento maior das questões estudadas em sala de aula, abre um enorme espaço e oportunidade para se trabalhar a interdisciplinaridade e simplifica a compreensão do alunado, quando o coloca em contato com aquilo que se deseja ensinar. Além do mais, a atividade turística é uma ferramenta importante para promover relações culturais, ou seja, um intercâmbio cultural, pois coloca o aluno em contato com práticas culturais diferenciadas e desperta a consciência em relação à preservação do patrimônio histórico-cultural, contribuindo para a formação de uma identidade cultural e conseqüentemente o enriquecimento do saber. Bussons, Hamabata e Gonçalves consideram o patrimônio histórico-cultural como: Bens materiais ou imateriais que nos remetam a algum período histórico caracterizando a cultura de determinado povo ou região. Sua preservação é de fundamental importância para que as gerações futuras tenham algum contato com símbolos remanescentes do passado, conservando assim sua identidade cultural (BUSSONS; HAMABATA; GONÇALVES, 2005, p. 4). 133 36 Dessa forma, evidencia-se a articulação do conhecimento teórico e prático, e a oportunidade de lidar com diversas disciplinas em uma única aula-passeio, possibilitando a inclusão de experiências turísticas como um instrumento facilitador desse processo. A interdisciplinaridade trabalhada aliada ao turismo deve avançar no sentido de construir uma lógica, onde sejam aplicadas as mais diversas ciências dentro de um único contexto, mostrando a interligação entre os mais variados campos do saber. 134 37 3 METODOLOGIA O estabelecimento de ensino escolhido para o estudo de caso foi a Escola Santa Cecília, localizada no município de Arcoverde-PE. A escolha da escola se deve à facilidade de acesso às informações e documentos, aos professores, alunos e gestores, uma vez que, a autora faz parte da equipe de funcionários da referida escola. No dia 05 de outubro de 2010, foi realizada uma excursão turísticopedagógica, que tinha a finalidade de levar os alunos a conhecerem o Instituto Ricardo Brennand, como complemento ao Projeto de Artes (plásticas e visuais) desenvolvido na 7ª série do ensino fundamental, pela professora Gislaide de Oliveira. Na mesma data, os alunos também foram levados ao Espaço Ciência, aproveitando a semana de astronomia e o ensejo da viagem, no intuito de ampliar os conhecimentos dos estudantes. Além dos alunos da 7ª série envolvidos no projeto de artes, a escola concedeu aos alunos da 8ª série a oportunidade da viagem, por ser o último ano deles na instituição, com intenção de proporcionar além dos momentos de lazer e descontração inerentes da viagem, o enriquecimento de seus conhecimentos. Os discentes da 5ª e 6ª série não participaram da viagem, pois não havia disponibilidade financeira para contemplar todos os alunos, dando preferência aos alunos da 7ª e 8ª série pelos motivos supracitados. Ademais, um dos empecilhos para que esse tipo de atividade não aconteça é que a maioria dos professores não quer se comprometer a assumir a responsabilidade de uma viagem e em relação aos alunos, especialmente os menores (informação verbal)8. A 7ª série do ensino fundamental da Escola Santa Cecília possui um total de 25 alunos, destes, viajaram 17 discentes. A 8ª série possui 14 alunos, dos quais 10 realizaram a viagem. Os 8 e 4 estudantes, respectivamente, da 7ª e 8ª série não foram à viagem com fins didáticos, ou por vontade própria ou porque os pais não autorizaram. A viagem não era obrigatória. No presente trabalho adotou-se a pesquisa exploratória, com utilização de questionários, que foram aplicados a 34 discentes e 05 docentes da Escola Santa Cecília, após a realização da viagem. 8 Informação obtida em agosto de 2010, em conversa com a gestora Cléa Camêlo. 135 38 Os questionários, aplicados aos alunos da 7ª e 8ª série do Ensino Fundamental, foram elaborados com base em temas já trabalhados em sala de aula e que também foram vistos durante a aula-passeio, quando foram visitados o Espaço Ciência e o Instituto Ricardo Brennand, na cidade de Recife-PE, como dito anteriormente. Para fins de avaliação e comparação entre as respostas, os questionários foram aplicados aos 22 dos 27 alunos que viajaram e aos 12 alunos que não viajaram, acessíveis à pesquisa no momento em que foi executada, ou seja, os questionários foram respondidos pelos alunos que estavam presentes em sala de aula no momento da aplicação. Além de perguntas de classificação dicotômicas (sim/não), de completar espaços em branco, falso-verdadeiro e de associação, foram elaboradas perguntas discursivas para saber a opinião do alunado a respeito da aula-passeio e do desenvolvimento desse tipo de ação, com envolvimento da atividade turística nas práticas educativas. Já o questionário aplicado aos docentes, tinha a finalidade de verificar a relevância da proposta e a opinião dos mesmos em relação à utilização da atividade turística como um mecanismo auxiliador ao processo de ensino-aprendizagem, bem como analisar o comportamento e desempenho dos alunos. Para aprofundamento teórico e embasamento da pesquisa e do trabalho em si, foi também utilizado o procedimento técnico de pesquisas bibliográficas e documentais. 136 39 4 DESEMPENHO DOS ALUNOS – ESCOLA SANTA CECÍLIA Para verificar o desempenho dos alunos da Escola Santa Cecília e analisar se existe a necessidade de serem desenvolvidas novas práticas pedagógicas para melhorar esse desempenho, foi realizada uma ponderação das médias gerais dos alunos da 7ª e 8ª série do ensino fundamental, no I semestre de 2010, bem como um levantamento da porcentagem de alunos que estão abaixo, acima e no limite da média 6,09. As tabelas 1 e 2 mostram, respectivamente, as médias gerais dos alunos da 7ª e 8ª série do ensino fundamental, nas seguintes disciplinas: Língua Portuguesa, História, Geografia, Ciências, Matemática, Artes, Direitos Humanos e Cidadania e Língua Estrangeira Modalidade Inglês. Não foram contabilizadas as disciplinas de Religião e Educação Física. Tabela 1 – Média geral dos alunos da 7ª série Disciplina Língua Portuguesa 6,0 História 6,5 Geografia 6,0 Ciências 8,0 Matemática 6,0 Artes 7,5 Direitos Humanos e Cidadania 7,0 Língua Estrangeira Modalidade Inglês 6,5 Fonte: pesquisa de campo e documental 9 Média geral Dados obtidos nas cadernetas da Escola Santa Cecília no ano de 2010. 137 40 Tabela 2 – Média geral dos alunos da 8ª série Disciplina Média geral Língua Portuguesa 7,0 História 7,5 Geografia 6,0 Ciências 7,0 Matemática 6,0 Artes 8,0 Direitos Humanos e Cidadania 7,0 Língua Estrangeira Modalidade Inglês 6,5 Fonte: pesquisa de campo e documental A seguir são apresentados gráficos que demonstram a porcentagem dos alunos da 7ª e da 8ª série que se encontram abaixo da média, no limite da média e acima da média, nas disciplinas de Língua Portuguesa, História, Geografia, Ciências, Matemática, Artes, Direitos Humanos e Cidadania e Língua Estrangeira Modalidade Inglês. Mais uma vez, o desempenho dos alunos nas disciplinas de Religião e Educação Física não foi analisado. Para melhor sistematização dos dados, os alunos com média 6,5 foram contabilizados como alunos que estão no limite da média. Para fins de comparação, os valores foram convertidos em 100%. No gráfico 1 é exposta a situação dos estudantes da 7ª série do ensino fundamental na disciplina de Língua Portuguesa. 35% dos alunos estão com notas acima da média 6,0; 39% estão no limite dessa média e 26% estão abaixo da média, mostrando que apesar da quantidade de alunos que está abaixo da média ser menor da que está acima da média, esse número ainda é alto quando se busca uma educação de qualidade. 138 41 Língua Portuguesa Alunos acima da média Alunos no limite da média Alunos abaixo da média Gráfico 1 - Desempenho dos alunos da 7ª série na disciplina: Língua Portuguesa Fonte: pesquisa de campo e documental O gráfico 2 retrata a disciplina de História e mostra que 57% dos alunos estão acima da média; 13% estão no limite; e 30% estão abaixo da média. Nessa disciplina, percebe-se uma melhoria do desempenho dos alunos, pois um pouco mais da metade está com notas acima da média 6,0, embora a quantidade de alunos que possuem notas abaixo da média seja bem significativa. É preciso estimular o aprendizado do aluno, fazer com que ele realmente se interesse pelo que está sendo ensinado e não apenas decore o conteúdo nas vésperas da prova, como geralmente acontece. História Alunos acima da média Alunos no limite da média Alunos abaixo da média Gráfico 2 - Desempenho dos alunos da 7ª série na disciplina: História Fonte: pesquisa de campo e documental 139 42 A disciplina de Geografia está representada no gráfico 3, que mostra o seguinte resultado dos alunos: 22% estão acima da média; 43% dos estudantes da 7ª série estão no limite da média nessa disciplina; e 35% estão abaixo da média. Nesse caso, uma pequena porcentagem dos alunos está com notas acima da média, fazendo ver, mais uma vez, a necessidade de serem desenvolvidas novas técnicas educacionais para melhorar o desempenho desses alunos. Geografia Alunos acima da média Alunos no limite da média Alunos abaixo da média Gráfico 3 - Desempenho dos alunos da 7ª série na disciplina: Geografia Fonte: pesquisa de campo e documental Na disciplina de Ciências, como mostra o gráfico 4, 83% estão acima da média; 4% estão no limite da média; e 13% estão abaixo da média. Aqui, temos uma realidade diferente da que foi vista até agora. Nessa matéria um bom quantitativo de alunos está com notas acima da média, o que não significa que melhorias não possam ser realizadas. A educação necessita ir muito mais além dos conhecimentos didáticos e das aparências refletidas nas notas. É muito importante que os alunos possuam notas boas, contudo, mais importante do que isso é que haja aprendizado de fato. 140 43 Ciências Alunos acima da média Alunos no limite da média Alunos abaixo da média Gráfico 4 - Desempenho dos alunos da 7ª série na disciplina: Ciências Fonte: pesquisa de campo e documental O gráfico 5 mostra o desempenho dos alunos na disciplina de Matemática, com os seguintes resultados: 35% dos alunos estão acima da média; 30% estão no limite da média; e 35% dos alunos estão com notas abaixo da média 6,0. Aqui o que se observa é que há um equilíbrio nas notas dos alunos, contudo é forçoso que sejam desenvolvidas ações para melhorar esse desempenho quantitativamente e qualitativamente. M atemática Alunos acima da média Alunos no limite da média Alunos abaixo da média Gráfico 5 - Desempenho dos alunos da 7ª série na disciplina: Matemática Fonte: pesquisa de campo e documental 141 44 O gráfico 6 expõe o desempenho dos estudantes na disciplina de Artes e mostra os seguintes resultados: 83%, ou seja, ainda que não todos, ao menos a maioria está acima da média; 17% estão acima da média; e nenhum dos alunos encontra-se com notas abaixo da média nessa disciplina. Nesse caso, é importante atentar para os métodos que são utilizados nessa disciplina. Geralmente trata-se de fazer um desenho qualquer, pintar, “rabiscar”. O nosso estado possui uma cultura ampla que pode e dever ser “explorada” para dinamizar a disciplina e enriquecer os conhecimentos dos alunos. As viagens são uma ótima oportunidade para dar dinamismo a essa matéria e demonstrar sua importância. É o exemplo do que aconteceu na Escola Santa Cecília. Como complemento aos métodos tradicionais de ensino em Artes, foi desenvolvida uma excursão pedagógica, que levou os alunos ao Instituto Ricardo Brennand, onde puderam visualizar aquilo que haviam aprendido na teoria em sala de aula. Artes Alunos acima da média Alunos no limite da média Alunos abaixo da média Gráfico 6 - Desempenho dos alunos da 7ª série na disciplina: Artes Fonte: pesquisa de campo e documental Já o gráfico 7 revela o desempenho dos alunos na disciplina de Direitos Humano e Cidadania e mostra que 79% dos alunos estão com notas acima da média nessa matéria; 4% estão no limite da média; e 17% estão abaixo da média, registrando o bom desempenho dos estudantes nessa matéria. 142 45 Direitos Humanos e Cidadania Alunos acima da média Alunos no limite da média Alunos abaixo da média Gráfico 7 - Desempenho dos alunos da 7ª série na disciplina: Direitos Humanos e Cidadania Fonte: pesquisa de campo e documental O gráfico de número 8 exibe que 48% dos alunos estão acima da média; 43% estão no limite da média; e 9% estão abaixo da média na disciplina de Língua Estrangeira Modalidade Inglês. Fica evidenciado que nessa matéria poucos alunos estão com notas abaixo da média, porém uma grande quantidade de estudantes está no limite da média 6,0, realidade de muitas disciplinas, como pode ser observado nos gráficos anteriores. Língua Estrangeira M odalidade Inglês Alunos acima da média Alunos no limite da média Alunos abaixo da média Gráfico 8 - Desempenho dos alunos da 7ª série na disciplina: Língua Estrangeira Modalidade Inglês Fonte: pesquisa de campo e documental 143 46 O gráfico 9 apresenta os resultados obtidos na análise das notas dos alunos da 8ª série do ensino fundamental na disciplina de Português e revela os seguintes resultados: a maioria dos alunos, 77% estão acima da média; 15% estão no limite da média; e 8% estão abaixo da média 6,0. Em comparação aos alunos da 7ª série, aqui há um melhor resultado, ao menos, quantitativamente. Língua Portuguesa Alunos acima da média Alunos no limite da média Alunos abaixo da média Gráfico 9 - Desempenho dos alunos da 8ª série na disciplina: Língua Portuguesa Fonte: pesquisa de campo e documental Em História, praticamente todos os alunos estão com notas acima da média, 92%; nenhum dos alunos está no limite da média; e apenas 8% estão com notas abaixo da média, conforme pode ser visto no gráfico 10. Diante do bom desempenho dos alunos nessa disciplina, as interferências que poderiam ser feitas, seria no sentido de dinamizar as aulas e sair da rotina da sala de aula. A educação não deve ser conformista, deve buscar constantemente mudanças e melhorias. 144 47 História Alunos acima da média Alunos no limite da média Alunos abaixo da média Gráfico 10 - Desempenho dos alunos da 8ª série na disciplina: História Fonte: pesquisa de campo e documental Já na disciplina de Geografia, grande parte dos alunos está no limite da média 6,0. O gráfico 11 mostra que apenas 8% dos alunos estão com notas acima da média; 61% estão no limite da média; e 31% estão abaixo da média. Cabe ao professor, utilizar sua capacidade e criatividade para fazer uso de métodos que contribuam para melhorar esses números e garantam um verdadeiro aprendizado. Geografia Alunos acima da média Alunos no limite da média Alunos abaixo da média Gráfico 11 - Desempenho dos alunos da 8ª série na disciplina: Geografia Fonte: pesquisa de campo e documental 145 48 O gráfico 12, mostra o desempenho dos estudantes na disciplina de Ciências e revela que mais da metade da turma possui notas acima da média, correspondendo a uma porcentagem de 54%; 31% estão no limite da média, evidenciando que grande parte dos alunos, não apenas nessa matéria, encontramse no marco da média 6,0; e apenas 15% do total de alunos da 8ª série estão com notas abaixo da média. Ciências Alunos acima da média Alunos no limite da média Alunos abaixo da média Gráfico 12 - Desempenho dos alunos da 8ª série na disciplina: Ciências Fonte: pesquisa de campo e documental Na disciplina de Matemática os alunos da 8ª série, possuem o seguinte desempenho: 31% estão acima da média; 38% estão no limite da média; e 31% estão abaixo da média, conforme mostra o gráfico de número 13. Mais uma vez pode-se testemunhar o alto percentual de alunos que estão no limite da média, demonstrando que é preciso analisar os tipos de ações que estão sendo desenvolvidas para mudar esse cenário, se é que alguma coisa está sendo feita nesse sentido. 146 49 Matemática Alunos acima da média Alunos no limite da média Alunos abaixo da média Gráfico 13 - Desempenho dos alunos da 8ª série na disciplina: Matemática Fonte: pesquisa de campo e documental O gráfico 14, mostra que 100% dos alunos da 8ª série estão com notas acima da média em Artes. Os dados, apesar de serem totalmente positivos, levam a desconfiança se realmente é dada a devida atenção e importância a essa disciplina. Artes Alunos acima da média Alunos no limite da média Alunos abaixo da média Gráfico 14 - Desempenho dos alunos da 8ª série na disciplina: Artes Fonte: pesquisa de campo e documental Na disciplina de Direitos Humanos, os alunos da 8ª série obtiveram os seguintes resultados: 77% estão acima da média; 23% dos alunos estão abaixo da média; e diferentemente do que tinha acontecido na maioria das disciplinas, nenhum dos alunos está com notas no limite da média 6,0. O gráfico 15 expõe essa realidade. 147 50 Direitos Humanos e Cidadania Alunos acima da média Alunos no limite da média Alunos abaixo da média Gráfico 15 - Desempenho dos alunos da 8ª série na disciplina: Direitos Humanos e Cidadania Fonte: pesquisa de campo e documental O gráfico 16, exibe a realidade dos alunos na disciplina de Língua Estrangeira Modalidade Inglês. Os resultados obtidos pelos alunos foram os seguintes: 46% dos alunos estão acima da média; a mesma porcentagem de alunos, 46% estão com notas no limite da média 6,0; e 8% dos estudantes estão abaixo da média. Língua Estrangeira Modalidade Inglês Alunos acima da média Alunos no limite da média Alunos abaixo da média Gráfico 16 - Desempenho dos alunos da 8ª série na disciplina: Língua Estrangeira Modalidade Inglês Fonte: pesquisa de campo e documental 148 51 Pode-se verificar através desse levantamento realizado na Escola Santa Cecília que a maioria dos alunos está no limite da média, quando não estão abaixo dela. A parte menos numerosa corresponde aos alunos que possuem notas acima da média. A verdade é que poucas ações são postas em prática para mudar essa realidade. Evidentemente que não se trata apenas de mascarar as notas dos alunos e achar que está tudo resolvido. As pessoas precisam acordar para a importância da Educação, no sentido amplo da palavra. É preciso entender que nesse processo é imprescindível que haja aprendizagem de fato. Desarte, foi desenvolvido na Escola Santa Cecília - Ensino Fundamental, uma atividade turístico-pedagógica com pretensões realmente educativas e que fez diferença não somente na vida didática dos alunos, mas igualmente na vida pessoal, como observou-se e procedeu-se a análise. 4.1 Desenvolvendo uma nova prática educativa: O Turismo e a aula-passeio No dia 05 de outubro de 2010, com um grupo de 32 pessoas, sendo 27 discentes e 05 docentes, foi realizada pela escola Santa Cecília – Ensino Fundamental uma excursão turístico pedagógica. O passeio foi todo documentado conforme mostram as figuras que estão no apêndice do trabalho. A viagem com destino a Recife-PE saiu às 05h00 da cidade de Arcoverde-PE, chegando por volta das 09h00 no primeiro local que seria visitado pelos alunos: o Espaço Ciência10. Os alunos visitaram o Espaço Ciência na semana de Astronomia e puderam tirar dúvidas e saber curiosidades do mundo astronômico. No planetário aprenderam, através de uma aula dinâmica, sobre o sistema solar, satisfazendo suas curiosidades a respeito dos corpos celestes e planetas que o constitui. Outrossim, viram como os indígenas determinavam as horas e estações do ano, no Observatório Indígena, participaram da simulação de um terremoto e visitaram as cavernas, sempre interagindo com os coordenadores. 10 O Espaço Ciência é o maior museu de ciência a céu aberto do país. Possui vários experimentos como o planetário, terremoto, uma misteriosa caverna, dentre vários outros. Além dos laboratórios de Química, Física, Matemática, Biologia e Informática. O espaço ainda promove vários tipos de programas, inclusive programas socias e ações educativas. Disponível em: <http://www.espacociencia.pe.gov.br/espacociencia/>. Acesso em 22 de outubro 2010. 149 52 Os estudantes ainda tiveram a oportunidade de conhecer um dos laboratórios do Espaço Ciência. No laboratório de Biologia, através de experimentos lúdicos e interativos, instruíram-se a respeito de temas como o aquecimento global e suas conseqüências. Por volta do meio-dia, o grupo almoçou em um restaurante da cidade, num grande momento de sociabilidade. Em seguida, o ônibus, com os alunos e professores seguiu em direção ao segundo local a ser visitado: o Instituto Ricardo Brennand11. A visita proporcionou aos alunos o contato com obras de artes de diferentes procedências e épocas, reunidas em coleções de Pintura brasileira e estrangeira, Armaria, Tapeçaria, Artes Decorativas, Escultura e Mobiliário. As visitas monitoradas colocaram o alunado em maior contato intelectual com as obras expostas, pois forneceram informações importantes para que os alunos entendessem o conceito da exposição, conhecessem melhor os artistas e suas obras. Ademais, o Instituto Ricardo Brennand estava em cartaz com a mostra “Frans Post e o Brasil Holandês”, que contribuiu para ampliação dos conhecimentos dos estudantes a respeito da história do nosso país. Dessa forma, o projeto de Artes (plásticas e visuais)12 da professora Gislaide de Oliveira, que tinha o intuito de levar os alunos a re (descobrir) e apreciar a própria cultura e a do outro, respeitando as diversas manifestações artísticas em suas múltiplas funções, com o objetivo geral de compreender a arte no processo histórico, como fundamento da memória cultural, importante na formação do cidadão, e objetivo específico de realizar produções individuais e coletivas, através de vivências significativas, foram todos alcançados. Essa visita proporcionada pela excursão 11 O Instituto Ricardo Brennand é, em suma, um conjunto de obras de arte do colecionador Ricardo Brennand. Ele é composto por um Castelo, uma Biblioteca, uma Pinacoteca e um imenso espaço ao ar livre que também expõe muitas peças da coleção Ricardo Brennand. O Museu de Armas Castelo São João foi criado pelo colecionador pernambucano e conta com belíssimas obras de artes de várias épocas. A Biblioteca tem ênfase na história do período Brasil - holandês e atualmente possui um acervo próximo de 20.000 itens, entre livros, partiduras, fotografias, obras raras, que abriga obras do século XVI ao XX, dificilmente encontradas em outras bibliotecas ou arquivos. A Pinacoteca é composta por um salão expositivo, um auditório com capacidade para 100 pessoas, banheiros, reserva técnica, loja, cafeteria, biblioteca e sala do conselho. O Instituto Ricardo Brennand dispõe ainda de vários espaços para eventos. Além disso, desenvolve programas educativos para as escolas, com atividades culturais, ciclos de debates, cursos e encontros. Disponível em:<http://www.institutoricardobrennand.org.br/index2.html>. Acesso em: 22 de outubro 2010. 12 Projeto didático-pedagógico desenvolvido pela professora de artes Gislaide de Oliveira na Escola Santa Cecília, que se concretizou com a realização da viagem. 150 53 pedagógica ofereceu aos alunos, ampliação de conhecimento, sensibilização para a arte e enriquecimento cultural. A visita ao Instituto Ricardo Brennand terminou por volta das 16h00. Logo em seguida, o grupo retornou a Arcoverde-PE, chegando à referida cidade aproximadamente às 19h30min. 151 54 5 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS 5.1 Alunos Para verificar se de fato as viagens turísticas trazem alguma contribuição para melhorar o aprendizado, foram aplicados questionários após a realização da viagem, a dois grupos diferentes de alunos: os que realizaram a visita e os que não realizaram. Dos 27 estudantes que participaram da viagem, 22 estavam presentes na sala de aula no momento da pesquisa e responderam ao questionário que também foi aplicado aos outros 12 alunos que não realizaram a viagem. Para fins de comparação entre as respostas, esses valores foram convertidos em 100%. A primeira e a segunda pergunta tinham o propósito de saber se os alunos já tinham visitado o Instituto Ricardo Brennand e o Espaço Ciência, conforme mostram os gráficos 17 e 18. Alunos que viajaram e alunos que não viajaram Sim Não Gráfico 17 – Alunos que já haviam visitado o Espaço Ciência Fonte: pesquisa de campo 152 55 Alunos que viajaram e alunos que não viajaram Sim Não Gráfico 18 - Alunos que já haviam visitado o Instituto Ricardo Brennand Fonte: pesquisa de campo De acordo com os dados, verifica-se que nenhum dos alunos teve contato anterior com os lugares visitados. Portanto, a escola pôde proporcionar além da aula-passeio, a oportunidade dos alunos conhecerem ambientes diferenciados, que talvez nunca chegassem a conhecer, não fosse a iniciativa da instituição da realização da viagem. O terceiro questionamento era a respeito da realização de aulas-passeio. Se os alunos já haviam praticado alguma vez esse tipo de atividade. O gráfico 19 faz ver que todas as respostas foram negativas, ou seja, a escola Santa Cecília e as outras prováveis instituições onde os alunos estudaram, não têm o hábito de realizar esse tipo de prática educativa. Essa é a realidade de muitas escolas. E o intuito desse trabalho é exatamente mostrar para as instituições de ensino a importância da utilização do turismo como prática pedagógica e exibir os resultados do desenvolvimento desse tipo de atividade. 153 56 Alunos que viajaram e alunos que não viajaram Sim Não Gráfico 19 – Alunos que já realizaram alguma aula-passeio Fonte: pesquisa de campo As questões 4, 5, 6 e 7 foram baseadas nos conteúdos trabalhados na sala de aula e durante o passeio didático. A figura 1 ilustra a quarta questão do questionário, onde foi pedido que os alunos completassem um texto relacionado ao aquecimento global, com determinadas palavras citadas. Dentre os alunos que viajaram 40,9% acertaram todas as palavras, 50% obtiveram 03 acertos e 9,1% acertaram 02 palavras, não havendo índice de 01 acerto e nem alunos que erraram todas as palavras. Dentre os alunos que não viajaram, 25% acertaram tudo; 41,6% acertaram 03 palavras; 25% apenas 02 e 8,4% obtiveram 01 acerto, não havendo índice para todas as respostas completamente erradas. É notável que o número de acertos é maior para os alunos que realizaram a viagem, pois durante o passeio tiveram uma aula prática no laboratório, sobre o aquecimento global e seus efeitos, inclusive com participação ativa junto aos instrutores. Convém destacar o número significativo de acertos dos alunos que não realizaram a viagem, pois também puderam estudar a respeito do assunto, todavia, apenas dentro da sala de aula. 154 57 Questão 4 50,00% 45,00% 40,00% 35,00% 30,00% 25,00% 20,00% 15,00% 10,00% 5,00% 0,00% Alunos que viajaram Alunos que não viajaram Acertaram 3 acertos todas 2 acertos 1 acerto Erraram todas Figura 1 – Conhecimento sobre o aquecimento global Fonte: pesquisa de campo O quinto quesito proposto aos alunos era para marcar verdadeiro ou falso nas afirmações que se referiam ao efeito estufa, ao aumento nas temperaturas globais e as conseqüências desse aquecimento. A figura 2 indica que 31,8% dos alunos que viajaram acertaram toda a questão; 45,4% acertaram 03 das afirmações que foram colocadas; 13,7% obtiveram 02 acertos e 9,1% acertaram apenas uma das colocações. Já dentre os alunos que não viajaram o resultado foi o seguinte: 8,3% acertaram todas; 25% tiveram 03 acertos; 41,7% obtiveram 02 acertos e 25% acertaram apenas uma. Não houve respostas completamente erradas. O que se observa mais uma vez é que apesar de todos terem estudado sobre o assunto referido, os que viajaram tiveram um melhor desempenho em relação aos que não realizaram a visita, pois tiveram a oportunidade de vivenciar uma aula diferenciada, que contribuiu para um aprendizado mais efetivo por parte dos estudantes. 155 58 Questão 5 50,00% 40,00% 30,00% Alunos que viajaram 20,00% Alunos que não viajaram 10,00% 0,00% Acertaram 3 acertos 2 acertos todas 1 acerto Erraram todas Figura 2 – Conhecimento sobre o efeito estufa e as conseqüências do aquecimento global Fonte: pesquisa de campo A sexta pergunta era para relacionar termos referentes ao assunto de astronomia a suas respectivas descrições. O intuito era averiguar se os alunos que viajaram fixaram melhor os conteúdos referentes ao tema, que já tinha sido discutido em sala, durante as aulas teóricas. A figura 3 mostra que os resultados foram estes: Dos alunos que viajaram, 54,5% acertaram todas as relações; 31,9% conseguiram 03 acertos e 13,6% obtiveram apenas 02 acertos. Não houve índices para 01 acerto e não houve respostas completamente erradas. Dentre os alunos que não realizaram a viagem, apenas 8,3% acertaram a questão por inteiro; 16,7% adquiriram 03 acertos; 41,7% obtiveram 02 relações corretas; 25% obtiveram apenas 01 acerto e 8,3% dos alunos erraram toda a questão. Verifica-se que os alunos que participaram da aula passeio apresentam um percentual maior de acertos. Os alunos puderam vivenciar aulas práticas a respeito do Universo e suas curiosidades, confirmando que a visita além de lúdica proporcionou real aprendizagem. Entre os alunos que não foram, existe conhecimento a respeito do assunto, pois, como dito anteriormente, foram conteúdos também trabalhados em sala de aula, porém de maneira diferenciada, com a prática tradicional de ensino. 156 59 Questão 6 60,00% 50,00% 40,00% 30,00% Alunos que viajaram 20,00% Alunos que não viajaram 10,00% 0,00% Acertaram 3 acertos 2 acertos todas 1 acerto Erraram todas Figura 3 – Conhecimento sobre astronomia Fonte: pesquisa de campo A sétima pergunta indagava os alunos sobre a importância dos museus. A tabela 3 mostra as respostas que foram dadas pelos alunos que realizaram a visita, enquanto a tabela 4 apresenta as opiniões dos alunos que não viajaram. Tabela 3 – A importância dos museus: alunos que realizaram a visita Respostas Citações Relembrar o passado 02 Preservar objetos e coisas para que outras 09 pessoas possam ver Aprender mais sobre a história do Brasil Aprender mais sobre arte, cultura 05 e 04 patrimônio histórico Preservar coisas antigas 02 Total 22 Fonte: pesquisa de campo 157 60 Tabela 4 – A importância dos museus: alunos que não realizaram a visita Respostas Citações Preservar a história 02 Para saber mais sobre outras épocas 03 Não tem importância pra mim, porque não 02 conheci Para aprender sobre coisas antigas 03 É um lugar bonito e interessante 01 Guardar a história e cultura de um povo 01 Total 12 Fonte: pesquisa de campo O que se pode observar diante das respostas dos alunos é que aqueles que viajaram possuem uma maior consciência da importância que os museus assumem para o conhecimento da história do Brasil, bem como da preservação da cultura e do patrimônio histórico. Isso se deve ao fato de que os alunos puderam conhecer melhor, durante a visita ao Instituto Ricardo Brennand, a história do Brasil holandês. Ademais, os alunos têm a mesma concepção de relacionar os museus à preservação de coisas antigas. Vale destacar também que dois alunos que não realizaram a visita admitem que os museus, para eles, não possuem importância alguma, pois nunca tiveram a oportunidade de conhecer um museu. A oitava questão tinha o intuito de saber a opinião dos alunos em relação às aulas-passeio. A tabela 5 apresenta as opiniões dos alunos que tiveram a oportunidade de vivenciar uma aula desse tipo, e a tabela 6 mostra o que pensam os alunos a respeito dessa prática educativa, apesar de não terem realizado a viagem. 158 61 Tabela 5 - Opinião a respeito das aulas-passeio: alunos que viajaram Respostas Citações As aulas-passeio permitem conhecer coisas 05 novas Com a aula passeio aprendo mais sobre os 03 assuntos vistos apenas na sala de aula É algo diferente e interessante Importante, porque vendo 03 as coisas, 07 Com a aula-passeio é mais fácil de 04 aprendo mais aprender Total 22 Fonte: pesquisa de campo Tabela 6 - Opinião a respeito das aulas-passeio: alunos que não viajaram Respostas Citações É uma atividade empolgante 01 Quem foi para a viagem aprendeu mais do 02 que quem não foi É divertido e legal 03 É mais interessante que a aula na sala 05 É importante, porque você aprende mais 01 Total 12 Fonte: pesquisa de campo Nota-se que os alunos que viajaram e os que não realizaram a visita esboçam quase as mesmas opiniões, que em resumo, fortalecem a idéia de que as aulaspasseio facilitam o aprendizado e são mais interessantes do que as teóricas aulas tradicionais. Além de possibilitar o conhecimento de lugares diferentes e proporcionar um ensino-aprendizagem mais divertido e agradável. Vale salientar a opinião de dois alunos que não participaram da viagem didática, que afirmam que o aprendizado daqueles que viajaram foi superior ao daqueles que não foram. Nessa questão vale ressaltar que a opinião daqueles que não foram à viagem é baseada naquilo que eles entendem ou imaginam que seja uma aula-passeio. Até porque, conforme visto no gráfico 19, nenhum dos alunos em questão havia realizado uma 159 62 aula-passeio. Portanto, o fato de alguns terem feito a observação de que os alunos que realizaram a viagem aprenderam mais, talvez tenha sido adquirida pelas informações repassadas pelos colegas e professores que realizaram a visita. A última pergunta do questionário pedia que os alunos estabelecessem as diferenças entre as aulas expositivas e as aulas realizadas através de experiências e visitações. Aqui também, a opinião daqueles que não viajaram, é baseada no juízo ou sentimento que os alunos que realizaram a viagem manifestam a respeito do que é uma aula-passeio. As tabelas 7 e 8 mostram a opinião dos alunos que viajaram e dos alunos que não viajaram, respectivamente. Tabela 7 – Diferenças entre as aulas expositivas e as aulas realizadas através de experiências e visitações: alunos que viajaram Respostas Citações As aulas-passeio são mais interessantes 03 A aula-passeio é melhor e mais divertida 03 A aula-passeio permite ver pessoalmente e 01 não somente através de livros e internet Com a aula-passeio tenho maior 01 experiência em relação aos assuntos dados em sala de aula Com a aula-passeio aprendo mais 07 Você assiste aula em outro espaço, outra 01 cidade e aprende mais A aula passeio aumenta o conhecimento 01 Com coisas 03 As aulas expositivas e as realizadas através 02 a aula-passeio aprendo diferentes e interessantes de visitas são iguais Total Fonte: pesquisa de campo 22 160 63 Tabela 8 - Diferenças entre as aulas expositivas e as aulas realizadas através de experiências e visitações: alunos que não viajaram Respostas Citações Na aula expositiva o professor fala muito e 02 tem que escrever Na sala você só ouve. Na aula-passeio você 02 pode ver, é bem mais interessante A aula-passeio é diversão e aprendizado 04 A 03 aula-passeio permite vivenciar experiências e visitar lugares diferentes Na aula-passeio não precisa escrever Total 01 12 Fonte: pesquisa de campo Ao serem perguntados sobre a diferença entre as aulas expositivas e as aulas realizadas através de visitações, os alunos que viajaram comentaram que as aulaspasseio além de serem melhores, mais interessantes e mais divertidas, permitem que os alunos visualizem in loco, o que estão habituados a ver apenas através de livros e internet. Além disso, afirmam que as aulas-passeio proporcionam ampliação dos conhecimentos, pois além dos conteúdos tradicionais, aprendem coisas diferentes. Há aqueles que também não vêem diferença alguma entre os dois tipos de aula. Para a maioria dos alunos que não viajaram a diferença está no fato de que nas aulas expositivas o professor fala demais e exige a necessidade de escrever muito. Enquanto que nas aulas-passeio, pode-se visualizar e vivenciar experiências novas. Além de conhecer lugares diferentes dos que estão habituados. Para alguns, a aula-passeio é a união de diversão e aprendizado. 5.2 Professores O segundo questionário foi aplicado aos professores e a gestora adjunta que acompanharam os alunos durante a realização do passeio turístico-pedagógico. Em linhas gerais o questionário tinha como finalidade saber a opinião dos professores a respeito do turismo pedagógico, analisar a percepção deles em relação a 161 64 experiência vivida pelos alunos, examinar os pontos positivos e negativos e verificar se os objetivos propostos foram alcançados. Para melhor sistematização e confidencialidade dos dados, os professores serão identificados por letras. A primeira questão pedia que os professores citassem os pontos positivos e negativos da aula-passeio. Os pontos positivos citados foram resumidos em: Fuga da rotina da sala de aula e mudança do espaço didático, com oportunidade de aprender e ver coisas novas, além dos momentos de descontração, tornando a aulapasseio uma experiência significativa e inesquecível; o contato que os alunos puderam ter com a arte e o patrimônio histórico e vivenciar os conteúdos trabalhados em sala de aula, com ampliação dos conhecimentos; a interação do grupo entre si, com os instrutores e com as explicações que eram dadas; a possibilidade dos alunos entenderem melhor do que se trata uma aula-passeio; e para finalizar os pontos positivos, a interação entre teoria e prática que é proporcionada pela aula-passeio. Quanto aos pontos negativos, destacam-se: a dispersão de alguns alunos em momentos da aula-passeio; a responsabilidade em relação aos alunos e a desobediência de alguns deles; a imaturidade de alguns, que ainda não sabem usufruir positivamente dessas oportunidades; e a distância entre os dois pontos visitados e o curto espaço de tempo, que acabou atrasando um pouco a visita ao Instituto Ricardo Brennand. A segunda pergunta indagava os professores sobre o projeto ter ou não alcançado os objetivos que foram propostos. Quatro dos professores acreditam que os objetivos foram totalmente alcançados e um deles acha que os objetivos foram apenas parcialmente alcançados. A terceira pedia que os docentes classificassem o projeto como excelente, bom, regular ou ruim. Quatro deles o rotularam como excelente e um deles classificou o projeto como bom. A quarta questão pedia que eles descrevessem a experiência dos alunos durante a realização do roteiro. E eles responderam que os alunos comportaram-se bem e tiveram a oportunidade de comparar de forma prática os conteúdos trabalhados na sala de aula; interagir com os monitores dos espaços; registrar o que mais chamou sua atenção; e aprender de forma divertida e prazerosa, com aumento do conhecimento. Segundo a professora “C”, “os alunos ficaram maravilhados com o universo novo para a maioria deles. O contato com a arte, com objetos históricos 162 65 nunca anteriormente vistos, despertou interesse e atenção dos alunos. Além disso, as práticas diferenciadas de ensino despertaram a curiosidade, fazendo com que a maioria participasse da aula, junto com os orientadores”. A professora “E” complementa o raciocínio dizendo que, “os alunos visitaram locais onde puderam constatar e apreciar aspectos antes só vistos em fotos e tela do computador. A experiência foi válida, segundo relatos dos mesmos, pois a interação com o conhecimento e a experiência de olhar, ouvir e muitas vezes manipular é mais significante e torna a aprendizagem mais prazerosa”. Todos concordaram que os comentários feitos pelos alunos, no retorno, não poderiam ter sido melhores e que eles realmente ficaram encantados com tudo que puderam ver. Questionados se o Turismo Pedagógico pode ser considerado um instrumento eficaz na melhoria do ensino-aprendizagem, todos responderam afirmativamente, enfatizando a importância do desenvolvimento desse tipo de atividade que coloca o aluno em contato com espaços de dimensões e elementos diferentes dos que estão acostumados, proporcionando a exploração de fontes novas de conhecimento e oportunidades e experiências nunca antes possíveis. A opinião da professora “B” em relação ao Turismo Pedagógico é que, “a viagem dá um encantamento diferente para a educação e motiva os alunos em um ambiente diferente da sala de aula. Os conhecimentos adquiridos em sala de aula são evidenciados na prática, contribuindo para o ensino-aprendizagem, através de aulas mais dinâmicas, quebrando o paradigma existente na sala de aula, onde o professor fala e o aluno apenas escuta. Portanto, pode-se concluir que o turismo traz benefícios e pode servir de complemento pedagógico”. Além disso, segundo a opinião geral dos professores a realização de aulas-passeio permite que os conteúdos teóricos sejam trabalhados de forma prática, saindo da rotina da sala de aula e dessa forma, despertando o interesse e aumentando a compreensão dos alunos. De acordo com a professora “C”, “a realização de atividades turísticas com finalidades pedagógicas permitem que os alunos entrem em contato com a cultura local, diferenciada, desenvolvendo uma maior preocupação de conservação e preservação. A realização de atividades turísticas torna o aprendizado mais agradável e produtivo”. Já para a professora “D”, “o turismo pedagógico é muito importante, pois além de agregar conhecimento, promove o contato do aluno com algo real. Na escola ele tem palavras, imagens, no passeio a aprendizagem é através do toque, do cheiro, ou seja, com sensações diferentes da sala de aula”. E 163 66 nas palavras da professora “E”, a relevância desse tipo de atividade está no fato de, “proporcionar interação e constatação do conhecimento trabalhado em sala de aula, ampliando-o e aperfeiçoando-o significativamente”. Sobre as críticas e sugestões a respeito do roteiro utilizado todos foram unânimes em dizer que o roteiro foi cumprido segundo o planejado e os objetivos maiores foram atingidos. 164 67 6 CONCLUSÃO Em virtude do que foi mencionado no decorrer do trabalho, em função da pesquisa de campo realizada e das pesquisas bibliográficas, pode-se verificar a relevância da utilização de práticas turísticas dentro do âmbito escolar, subsidiando a inserção dessas ações dentro de uma nova proposta pedagógica, que alie teoria e prática. A apresentação e análise dos dados obtidos por meio da pesquisa de campo revelaram que a realização de aulas-passeio pode aumentar e melhorar o rendimento dos alunos, pois aqueles que viajaram obtiveram um maior número de acertos nas questões relacionadas a conteúdos didáticos, indicando que, por serem mais práticas, as aulas-passeio ampliam o aprendizado sobre os assuntos tratados em sala de aula. Além disso, pôde-se observar, a partir dos depoimentos dos alunos, que as excursões com finalidades didáticas tornam o processo de aprendizagem mais agradável, reforçando a idéia de que esse tipo de aula, além de ser mais interessante, facilita o aprendizado e amplia os conhecimentos. Os docentes, através de respostas discursivas, enfatizaram a importância do turismo pedagógico como um instrumento educativo, que coloca o aluno em contato com novas fontes de conhecimentos e proporcionam experiências dinâmicas e inovadoras. Dessa forma, os resultados obtidos com a realização da viagem colaboraram para reforçar a proposta desse trabalho, que é enfatizar a contribuição do turismo para um aprendizado mais efetivo. Essa pesquisa, portanto, poderá servir de subsídio para que a comunidade, as instituições de ensino e todos que as compõem, analisem e avaliem os resultados obtidos, podendo servir de exemplo para que outras escolas também promovam o turismo educativo como complemento aos métodos tradicionais de ensino. Outrossim, não será apenas a educação a ser beneficiada. O turismo pedagógico é uma alternativa para minimizar os efeitos da sazonalidade e ociosidade dos equipamentos e serviços turísticos na baixa estação. Além do mais, é uma alternativa para as agências de viagens ampliarem seu mercado, pois poderão agregar em suas ofertas, pacotes para as escolas, driblando, dessa forma, os desafios e a competitividade gerada pelas novas tecnologias e o ambiente globalizado. 165 68 Diante do exposto, verifica-se que o turismo com finalidades didáticas é muito mais que um mero instrumento auxiliador do aprendizado. Ele, de fato, pode realizar mudanças significativas na vida dos estudantes, com formação de cidadãos mais críticos, atuantes e comprometidos com suas responsabilidades e a sociedade em que vivem. Além dos benefícios que pode trazer para o desenvolvimento do turismo em si. O presente estudo, por mais pontual que seja, pois foi desenvolvido em uma pequena escola da rede estadual de ensino, busca servir de exemplo para encorajar novas pesquisas, que apresentem a relevância da inserção da atividade turística nas propostas pedagógicas. 166 69 REFERÊNCIAS AIRES, A. B.; AGUIAR, M. de F. Turismo educativo em Fortaleza. Em: BAHL, M.; MARTINS, R. C. R.; MARTINS, S. F. (orgs.). O turismo como força transformadora do mundo contemporâneo. São Paulo: Roca, 2005. ANDRADE, J. V. de. Turismo: Fundamentos e dimensões. 8ª ed. São Paulo: Ática, 2000. ARAÚJO, U. F. de. Apresentação à edição brasileira. Em: BUSQUETS, M. D.; CAINZOS, M.; FERNANDEZ, T.; LEAL, A.; MORENO, M.; SASTRE, G. 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Arcoverde, 2010. 169 APÊNDICES 72 169 73 APÊNDICE A – Fotos dos alunos no Espaço Ciência e no Instituto Ricardo Brennand Figura 4 – Chegada dos alunos ao Espaço Ciência Fonte: acervo da autora Figura 5 – Grupo reunido atrás da réplica do planeta Saturno Fonte: acervo da autora 169 Figura 6 – Aula sobre os planetas que compõem o Sistema Solar Fonte: acervo da autora Figura 7 – Grupo dirigindo-se ao Planetário Fonte: acervo da autora 74 169 Figura 8 – Interior do Planetário Fonte: acervo da autora Figura 9 – Alunos no Observatório Indígena Fonte: acervo da autora 75 169 Figura 10 – Alunos na simulação de um terremoto Fonte: acervo da autora Figura 11 – Alunos no interior da caverna Fonte: acervo da autora 76 169 Figura 12 – Alunos no Laboratório de Biologia Fonte: acervo da autora Figura 13 – Alunos interagindo com o coordenador no Laboratório de Biologia Fonte: acervo da autora 77 169 Figura 14 – Entrada do Instituto Ricardo Brennand Fonte: acervo da autora Figura 15 – Peças da coleção de Ricardo Brennand expostas no jardim do Instituto Fonte: acervo da autora 78 169 Figura 16 – Fachada da Pinacoteca Fonte: acervo da autora Figura 17 – Grupo em frente à Pinacoteca Fonte: acervo da autora 79 169 Figura 18 – Parte interna da Pinacoteca Fonte: acervo da autora Figura 19 – Grupo com o instrutor no interior da Pinacoteca Fonte: acervo da autora 80 169 Figura 20 – Salão da Pinacoteca com objetos da época do Brasil Holandês Fonte: acervo da autora Figura 21 – Vista externa do Museu de Armas castelo São João Fonte: acervo da autora 81 169 Figura 22 – Alunos com a instrutora em frente ao Museu de Armas Castelo São João Fonte: acervo da autora Figura 23 – Interior do Museu de Armas Castelo São João Fonte: acervo da autora 82 169 Figura 24 – Alunos no interior do Museu de Armas Castelo São João Fonte: acervo da autora 83 169 84 APÊNDICE B – Questionário aplicado aos alunos 1. Você já visitou o Espaço Ciência? ( ) SIM ( ) NÃO 2. Você já visitou o Instituto Ricardo Brennand? ( ) SIM ( ) NÃO 3. Você já realizou alguma aula-passeio? ( ) SIM ( ) NÃO 4. Complete o texto com as palavras abaixo: oceanos calotas polares efeito estufa ar mar O aquecimento global é o aumento da temperatura média dos __________ e do __________ perto da superfície da terra. Um aumento nas temperaturas globais pode causar várias alterações, incluindo o derretimento das __________, aumentando o nível do __________. O aquecimento global está ocorrendo em função do aumento da emissão de gases poluentes. Um dos males causados pelo excesso destes gases na atmosfera é o __________. 5. Marque V para verdadeiro e F para falso: ( ) A camada de ozônio protege animais, plantas e seres humanos dos raios ultravioletas emitidos pelo Sol. ( ) A camada de gases que envolve a Terra é a Litosfera. ( ) O oxigênio é um dos gases responsável pelo efeito estufa. ( ) O aumento nas temperaturas globais pode resultar em enchentes. 169 85 6. Enumere a segunda coluna de acordo com a primeira. (1) Plutão ( ) É provável que exista vida extraterrestre. (2) Constelação ( ) Possui 63 luas. (3) Júpiter ( ) Hoje em dia não é mais considerado um planeta. (4) Marte ( ) É o sexto planeta por ordem de distância do Sol. (5) Saturno ( ) Conjunto de estrelas que formam uma imagem. 7. Pra você, qual a importância dos museus? ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ 8. Qual sua opinião a respeito das aulas-passeio? ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ 9. Qual é a diferença entre as aulas expositivas e as aulas realizadas através de experiências e visitações? ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ 169 86 APÊNDICE C – Questionário aplicado aos professores 1. Cite os pontos positivos e negativos da aula-passeio. ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ 2. O projeto alcançou os objetivos propostos? ( ) Totalmente ( ) Parcialmente ( ) Não alcançou 3. Você classifica o projeto como: ( ) Excelente ( ) Bom ( ) Regular ( ) Ruim 4. Descreva, de forma sucinta, como foi a experiência dos alunos durante a realização do roteiro turístico pedagógico. ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ 169 87 5. Considera o Turismo Pedagógico, com a realização de atividades turísticas, um instrumento eficaz na melhoria do ensino-aprendizagem? ( ) SIM ( ) NÃO Por quê? ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ 6. Aponte críticas e/ou sugestões a respeito do roteiro realizado. ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________