Boletim Ibero-americano de Criatividade e Inovação Nº 07 Periodicidade Bimestral Organização: Boletim Ibero-americano de Criatividade e Inovação, Campinas, nº 05, 80-100, dezembro-2014/janeiro-2015 Editorial 120 Sergio Fernando Zavarize 121 Zenita C. Guenther 128 Carolina Rosa Campos, Cristina Caballo Escribano, Tatiana de Cassia Nakano 131 Felipe Biguinatti Carias, Laura de Carvalho 134 Vera Maria Tindó Freire Ribeiro 136 Fernando Cardoso de Sousa EmpresasInovadoras 139 139 Estela Sant’Ana AgendadeEventos 142 143 Boletim Ibero-americano de Criatividade e Inovação, Campinas, nº 07, 118-143, junho-julho, 2015 Editorial Sergio Fernando Zavarize Membro da Associação Brasileira de Criatividade e Inovação - Criabrasilis Editor-chefe do BCriai E-mail: [email protected] Promovido pela Associação Brasileira de Criatividade e Inovação – CRIABRASILIS e em sua empreitada de divulgar a produção Ibero-americana de conhecimentos na área da criatividade e inovação, o Boletim BCriai lança sua sétima edição. Este Boletim abraça a interdisciplinaridade como norteadora de sua filosofia. Com uma periodicidade bimestral vem oferecendo desde seu início, leituras variadas e muito ricas no âmbito da inovação e da criatividade. Nesta edição são apresentados artigos interessantes, que devem provocar a reflexão sintonizada com os múltiplos aspectos da vida criativa contemporânea. A Doutora Zenita Guenther trás um texto onde apresenta uma experiência importante no sentido de poder encontrar as crianças dotadas na população escolar: Reconhecendo a Capacidade e Talento na Escola - Quando é Preciso Inventar... As pesquisadoras Carolina Campos, Cristina Caballo Escribano e Tatiana Nakano Primi discorrem sobre a Creatividad en las IX Jornadas Cientificas Internacionales de Investigación sobre Personas con Discapacidad, que ocorreu este ano em Salamanca, Espanha. Felipe Carias e a Doutora Laura de Carvalho apresentam sua experiência com a Capoeira-mandinga e a filosofia do corpo ensinando de forma lúdica e inovadora em uma escola municipal no estado do Mato Grosso. A psicóloga Vera Tindó provoca uma reflexão sobre o estímulo à Criatividade e Inovação na área de Ensino a Distância. Este Boletim trás também como novidade, uma seção sobre “empresas inovadoras”. Neste número a Pesquisadora Dra. Estela Sant´Ana apresenta o perfil inovador de uma empresa brasileira da área da reabilitação física e da estética e seus processos de desenvolvimento e criação de novos produtos e tecnologias. Cientes de que as contribuições elencadas referendam em grande parte os propósitos deste Boletim, convidamos todos aqueles que reconhecem a importância dessa temática a participar conosco, envidando suas contribuições. A todos, nossos votos de uma ótima leitura! Boletim Ibero-americano de Criatividade e Inovação, Campinas, nº 07, 118-143, junho-julho, 2015 Zenita C. Guenther Doutora em Psicologia da Educação pela Universidade da Florida, EUA Diretora Técnica do CEDET e ASPAT Lavras MG CEDET – Centro para Desenvolvimento do Potencial e Talento E-mail: [email protected] Em busca de novas direções Dotação e Talento são reconhecidos pela qualidade do que a pessoa realiza, alcança e produz, o que geralmente acontece mais tarde na vida, permanecendo o problema de identificar capacidade alta ainda na infância, quando a disponibilidade para aprender é maior e mais confiante. A criança está na escola, o que simplificaria a questão, porem o reconhecimento de dotação nas escolas foi desacreditado por Pegnato e Birch, (1959) negando confiabilidade e eficácia aos professores. Essa ideia permaneceu mesmo após evidência em contrário exposta por Gagné (1985; 1994) nos próprios dados de Pegnato e Birch, ampliada em outros autores, (Shipley, 1978; Renzulli e Delcourt, 1986; McBride, 1992; Hunsucker, Finley e Frank, 1997), demonstrando que os professores são perfeitamente confiáveis no reconhecimento de alta capacidade em seus alunos. A configuração se completa com o Delphi Study (Singer, Houtz, e Rosenfield, 1992) demonstrando que professores são capazes de abstrair e sintetizar características de crianças dotadas, expressas em variadas formas de atributos, adjetivos, traços e comportamentos em sala de aula. Foi nesse confuso cenário de incertezas que o ideário do CEDET começou a lançar raízes, em 1992/93, enfrentando a primeira perplexidade da prática: encontrar as crianças dotadas na população escolar. Conceitos e princípios Apesar do crescer continuado no acervo de conhecimento, a área avançava pouco além do “é ou não é superdotado”, aprisionada na polêmica hereditariedade X ambiente, que dificultava o estudo da capacidade e dotação humana. Crawford (1979) mostra a noção popular que associava raízes genéticas com determinismo, e fatores ambientais com liberdade de escolha, apesar de estudos em genética apontarem características herdadas modificáveis, e adquiridas profundamente resistentes (Plomin, 1983; 1998). Finalmente, através de análise compreensiva em centenas de estudos publicados em várias partes do mundo, (Angoff 1988; Howe, Davidson, Sloboda, 1998; Gagné, 1999;) foi estabelecido que Potencial (aptidão) indica capacidade natural, própria do indivíduo, presente na configuração do plano genético; e Desempenho (competência) referese a capacidade adquirida no ambiente. No esforço de clarear o caótico cenário conceitual e Boletim Ibero-americano de Criatividade e Inovação, Campinas, nº 07, 118-143, junho-julho, 2015 minimizar a confusão criada pelo uso indeterminado de vários termos para o mesmo conceito, Gagné desenvolveu a teoria-modelo DMGT (Developmental Model for Gift and Talent) (Gagné, 1995; 1998; 1999; 2004; 2008), pela qual nos foi possível visualizar bases operacionais para o reconhecimento e identificação de alunos dotados e talentosos: Dotação, Potencial- indica presença de alta capacidade natural em um ou mais domínios de capacidade humana; Talento, Desempenhoindica capacidade adquirida no ambiente, expressa em comportamentos sistematicamente desenvolvidos e treinados (Gagné e Guenther, 2010). Portanto pode-se dizer que a base da metodologia CEDET para identificação enraíza-se no estudo dos Domínios de Capacidade Humana inspirados em Gagné (2008), com apoio no mapeamento das funções cerebrais captado em Clark (1984). Gagné sugere cinco domínios de capacidade humana: - Inteligência é poder para ação intelectual, enraizado na função cognitiva do cérebro, envolvendo compreender, abstrair, organizar e utilizar conceitos e ideias; - Capacidade Física é poder para contactar, agir e interagir no mundo físico, expresso em duas vias principais: sensorial e motora; - Capacidade Perceptual é uma área de mediação entre o poder físico de captar os vários tipos de estimulação sensorial, e a função mental de interpretar o sentido desses estímulos em termos de compreensão própria e potencial para ação; - Capacidade Sócio-afetiva, é poder para lidar com sentimentos e emoções originado na função afetiva à base do cérebro, expresso por percepção e ação levando a compreender, conviver e intervir no ambiente social. - Criatividade é poder para aprender e agir por vias não cognitivas, com raízes provavelmente na função intuitiva do cérebro; é um domínio complexo de capacidade, diferenciado dos outros por ser essencialmente uma atividade mental “fora da esfera da razão” e, ao mesmo tempo, “fora da influência da emoção”, captando e organizando informações das mais variadas fontes, por meio de regras próprias e originais, nem sempre identificáveis. Construindo o instrumental A essa altura enfrentamos no CEDET outra área de perplexidade. Entre os estudos científicos que reconhecem o professor como fonte de informação sobre o grau de capacidade dos seus alunos, cresce a evidência de que essa observação alcança 91% de resultados iguais ou superiores aos testes psicométricos, quando o professor recebe orientação sobre o que observar, e há um guia prático a orientar a observação (Shipley, 1978; McBride, 1992). Entretanto, à medida que o Delphy Study (1992) confirma a confiabilidade dos professores para reconhecer e descrever crianças dotadas, foram se apresentando listas descritivas como instrumentos de identificação, que introduziam fragilidades no processo (Feldhusen, 1995; Moon, Feldhusen, e Kelly, 1991); esses estudos foram em tempo sintetizados com base em evidência de que traços, atributos e características individuais não se relacionam ao grau de capacidade (McCrae et. alli. 2000), e que essas listas lidam com objetivos e fins da educação, mas não com o processo de identificar alunos dotados (Feldhusen, 2003). Portanto, uma lista de atributos não ajudaria. Não localizamos na literatura científica nenhum estudo próximo aos nossos objetivos: 1º Base teórica sólida; 2º metodologia defensável que não introduzisse desvios e/ou erros, e que, 3º não transferisse aos professores a responsabilidade de “nomear, indicar ou designar” alunos a serem examinados. Nesse caminhar fomos movendo em direção ao Boletim Ibero-americano de Criatividade e Inovação, Campinas, nº 07, 118-143, junho-julho, 2015 processo que levamos à prática, o qual, essencialmente: a) parte da observação anual de toda a população escolar; b) focaliza o grupo etário e social na sala de aula comum; c) envolve integração longitudinal de dados; contínua e d) desenvolve-se em período de tempo apontado por validação empírica; e) orienta-se por resultados derivados da pesquisa atualizada; f) controla a presença de características, traços, atributos, e comportamentos com base em princípios estabelecidos pela Psicologia do Desenvolvimento; g) relaciona-se, mas não reproduz objetivos do projeto educativo visualizado; h) identifica o aluno por um perfil, não uma palavra ou índice numérico. Verificamos na prática que a observação sistemática direta é favorecida pela presença de um professor regente na turma, porque depende do conhecimento profundo dos alunos. Nos dados de 5 (cinco) anos consecutivos não encontramos consistência nas observações dos professores de disciplinas, observando a mesma turma de alunos. Eles parecem focalizar maior atenção em ensinar a sua matéria do que em conhecer os alunos à sua frente (Combs, 1962; Guenther, 2009). Recolhidas as folhas de dados dos professores, essas informações são processadas e analisadas de modo a esquematizar o perfil do aluno pelo estudo dos indicadores em que ele se sobressai, mapeando assim a provável orientação do potencial detectado. Nesse momento é necessário concentrar atenção nos domínios de capacidade, porque é comum a escola pensar em dotação (superdotação) como um todo indiferenciado, um erro conceitual que geralmente traz frustração, pois idéias gerais não se aplicam a situações especificas. Validando o processo Ao início do trabalho no CEDET, após coletar 25.000 observações independentes em 5 anos consecutivos, procedeu-se à validação do processo, e configurou-se o guia para orientar e organizar os dados de observação direta em sala de aula (Guenther, Barroso, Bezerra e Veiga, 1997). Por essa via são sinalizadas as crianças que consistentemente sobressaem em várias situações em sala de aula, por sua própria capacidade, ou seja, por ações, comportamentos, atitudes e posição pessoal, sem interferência de conteúdos ensinados. O desenrolar desse estudo levantou séria preocupação em relação à margem de erro nos dados colhidos em uma só observação (20 a 30%), e não poderia ser computado ao acaso, o que em tese invalidaria o processo, pois, não se pode minimizar o fato de que dados colhidos em sala de aula carregam tal margem de erro. A busca de meios para corrigir esse desvio conduziu ao método dos “juízes múltiplos”, como explicitado em Combs, Richards & Richards (1976), pelo qual se pode assegurar validade a resultados de julgamento quando a situação é examinada por dois ou mais juízes independentes. Analisando então os dados na sequencia anual, a margem de erro desce a 2% a partir de duas observações, portanto aceitável como por acaso (Guenther, Barroso, Bezerra e Veiga, 1997). Com esse resultado completam-se as bases da metodologia CEDET para identificação: a criança é dotada quando sobressai em pelo menos duas observações independentes, feitas por professores diferentes, em momentos diferentes. Uma vez que pela seriação escolar a criança muda de série no ano seguinte, convive Boletim Ibero-americano de Criatividade e Inovação, Campinas, nº 07, 118-143, junho-julho, 2015 com outros colegas, e geralmente tem outro professor, estabeleceu-se a prática de coletar dados de observação nas escolas todos os anos, no segundo semestre, quando o professor já conhece os alunos. Entretanto, apesar da segurança trazida pela validação, a prática mostrou pontos sensíveis, tais como: incoerência entre os dados (sinalização contraditória de um ano para outro, ou em domínios muito diferentes); dúvidas quanto à confiabilidade de certas observações; ausência de dados para crianças vindas de locais onde não houve coleta sequenciada. Alem disso notamos que o ambiente da escola comum abre poucas oportunidades para a expressão de alguns indicadores, devido à organização e tradição da pedagogia escolar, nomeadamente, restrição à autonomia de professores e alunos por força das constantes instruções externas, preferência por vias de expressão associadas ao pensamento linear e interação verbal, e ênfase no coletivo causando insegurança do professor ao olhar uma criança individualmente. Para tentar controlar essas barreiras situacionais, estabeleceu-se um período para estudo pelos facilitadores do CEDET das crianças já sinalizadas, a que chamamos “observação assistida”. Em tempo a Observação Assistida evoluiu para um período de cerca de 4 horas de convivência entre o facilitador e a criança, junto a outros pares sinalizados em outras escolas. Esse momento acontece no Centro, em ambiente organizado de modo a prover experiência diversificada e ampla gama de estimulação, possibilidades de múltiplas vias de expressão, com o mínimo possível de associação ao ambiente escolar. Sendo o foco central amenizar fragilidades inerentes aos dados colhidos na escola, o objetivo envolve prover espaço aberto e amplo para escolhas individuais e ação espontânea, com o mínimo de instruções, facilitar situações apropriadas a expressões de pensamento não linear e não verbal, e liberdade para diferentes estilos de interação com pares também sinalizando potencial. Figura 1. Observação Assistida 2015 (fotos). Os resultados da revalidação paralela de 2012-2013 (concurrent validity), incorporando a experiência de 20 anos (Guenther, 2013), conduziram a poucas modificações: a) Confirma-se a coleta de dados na escola em várias observações independentes, seguida por observação assistida para os alunos sinalizados em pelo menos duas; Boletim Ibero-americano de Criatividade e Inovação, Campinas, nº 07, 118-143, junho-julho, 2015 b) Ressalta como básico ao julgamento por múltiplos juízes: o conjunto de dados da escola em diferentes momentos, mais dados dos facilitadores em observação assistida; c) Enfatiza o preparo continuado nas escolas para o professor observador, sensibilização do contexto escolar, e estudo continuado do significado dos indicadores. Completa-se o perfil do aluno pela integração dos dados de sinalização da escola com as informações colhidas pelo facilitador. Uma vez identificado o seu domínio de maior potencial é feita a inscrição ao CEDET, e iniciase a Ficha Acumulativa com o registro do processo vivido na identificação. Passa-se então à intervenção educativa, a qual começa pelo estudo da criança em sua vida pessoal, familiar e escolar. Essa fase se completa com a elaboração do Plano Individual para o primeiro semestre, seguindo os passos normais da Metodologia CEDET1 (Guenther, 2011). A Ficha Acumulativa acompanha o processo através dos anos, registrando informações datadas e comentadas sobre o desenvolvimento do trabalho, o acompanhamento semanal, e tudo o mais que ocorre na vida do aluno no CEDET, na escola e na família. barreira mais séria do que se percebe, pois, tais atividades nem sempre mantém interesse, e não deixam resultados de longo prazo, como comprovado pelo corpo de pesquisa avaliativa dos últimos 20 anos (Subotnik, & Arnold, 1994; Holahan & Sears, 1995; Freeman, 1998; 2006; Ziegler & Stoeger, 2008; Ziegler, A and Phillipson, S. (2012)). Essa questão foi estudada em profundidade para fundamentação e análise da prática desenvolvida no CEDET (Guenther, 2011), e detalhada para escolas e professores (Guenther, 2006; 2012). Figura 2. “Cor e Imagem”, CEDET, 2014 (foto). Delineando a metodologia Um resumo da Metodologia CEDET não caberia nos limites desse artigo, mas a experiência é conhecida em boa parte do mundo, principalmente por sinalizar resultados a médio e longo prazo. Na oportunidade apontamos uma observação recorrente, relativa à dificuldade das escolas em desenvolver programas para seus alunos dotados: essa situação parece reacionada ao fato de haver pouco a fazer alem de “atividades de enriquecimento”. Essa é uma 1 Metodologia – CEDET (Caminhos para Desenvolver Potencial e Talento) Figura 3. “Alquimia”, Unilavras, 2014 (foto). Referências Angoff, W. H. (1988). The NatureNurture Debate, Aptitudes, and Group Boletim Ibero-americano de Criatividade e Inovação, Campinas, nº 07, 118-143, junho-julho, 2015 Differences, American Psychologist, Vol. 43, No. 9, 7 13-720 Clark, Bárbara (1984). Growing up Gifted. Macmillan Publishing Co. N Y. 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En la edad adulta ser creativo puede promover el afrontamiento de las responsabilidades de la vida personal, la resolución de problemas laborales y el desarrollo de relaciones sociales saludables. En este sentido, uno de los retos que tienen la mayoría de las escuelas, instituciones, organizaciones y entidades consiste en gestionar adecuadamente las diferencias individuales en aprendizaje ydesarrollo laboral a fin de promover la calidad de vida de todas las personas. Esta tarea se vuelve aún más difícil cuando se consideran poblaciones específicas como niños, adolescentes y adultos con discapacidad, problemas de aprendizaje, enfermedades mentales, altas habilidades, entre otros. Figura 1. Banner de las “IX Jornadas Científicas Internacionales de Investigación sobre Discapacidad - Prácticas Profesionales y Organizacionales Basadas en la Evidencia”. Boletim Ibero-americano de Criatividade e Inovação, Campinas, nº 07, 118-143, junho-julho, 2015 Entre el 18 e 20 de marzo de 2015, el Instituto Universitario de Integración en la Comunidad (INICO) de la Universidad de Salamanca (USAL) ha organizado en la Hospedería del Colegio Fonseca - Salamanca / ES, las "IX Jornadas Científicas Internacionales de Investigación sobre Discapacidad - Prácticas Profesionales y Organizacionales Basadas en la Evidencia ", cuyo principal objetivo era proporcionar reuniones y discusiones entre los profesionales que trabajan con poblaciones específicas en el campo de la Educación, el Empleo y los servicios sociales y de salud multidisciplinarios. El evento contó con la presencia de 500 personas y más de 240 actividades científicas internacionales que se presentaron en forma de conferencias, seminarios, mesas redondas, presentaciones orales y posters. Contaron con la presencia de Investigadores destacados en el ámbito de la discapacidad como Álvaro Marchesi, Robert L. Schalock, Gerardo Echeita, Luigi Croce, Elena Martín, María Sotillos, Cristina Jenaro, Benito Arias, Antonio Aguado, Patricias Navas, Delfín Montero, Pere Rueda, Luiso Cervellera Enrique Galván, Laura Gómez, Javier Tamarit, Juanjo Lacasta, entre otros. Entre las actividades presentadas encontramos brotes de creatividad en dos vertientes, como producto y como proceso. La creatividad como producto se pudo apreciar en proyectos cuyo objetivo era el desarrollo de la creatividad de los niños con discapacidades (sordera, intelectual), o en estudios en los que se hacía uso de dibujos universales o de materiales construidos con materiales reciclables. También la encontramos en la presentación de distintos tipos de programas como los de estimulación y desarollo de capacidades cognitivas, o de actividades de lectura y fantasía, o de desarrollo de competencias profesionales. Finalmente se apreciaba en programas dirigidos al envejecimiemto saludable, a personas con discapacidad y necesidades de apoyo y a personas con altas capacidades. Con respecto a la creatividad como proceso, se encontró en gran cantidad de nuevos estudios. Así, se realizaron distintas propuestas relacionadas con la formación de profesionales o el desarrollo de ayudas técnicas y adaptaciones. Algunos ejemplos incluyen la formación de profesores para adaptar los materiales para el aprendizaje, la enseñanza de técnicas y estrategias, la construcción de instrumentos psicológicos para evaluar la creatividad, (las técnicas de asertividad dirigidas a cambios profesionales), proyectos de innovación tecnológica para mejorar la calidad de vida,programas formativos universitarios para atender demandas específicas, intervención social y familiar para el desarrollo de niños y jóvenes con discapacidades. Todas estas propuestas aportaron datos prometedores. Durante el evento aún, también hubo un coloquio sobre la discapacidad y el humor, y se presentó el libro "Mirando a la discapacidad con humor" de Francisco de Borja Jordán de Urries y Miguel Ángel Verdugo (Figura 2), que Figura 2. Capa del Libro “Mirando a la discapacidad com humor” de Francisco de Borja Jordán de Urríes y Miguel Angel Verdugo. Boletim Ibero-americano de Criatividade e Inovação, Campinas, nº 07, 118-143, junho-julho, 2015 proporciona, a través de viñetas y tiras cómicas, una visión de la discapacidad con humor desde múltiples perspectivas. El libro también refleja la capacidad creativa de los autores. En general, se puede decir que el evento permitió el intercambio de ideas y de conocimiento científico acerca de las temáticas desarolladas para personas con discapacidad. Indirectamente se ha demuestrado que se trata de un campo rico para el desarrollo de la creatividad en sus diferentes dimensiones. Finalmente han sido unas Jornadas de gran valor para la promoción de un desarrollo saludable del individuo en su medio biopsicosocial. Boletim Ibero-americano de Criatividade e Inovação, Campinas, nº 07, 118-143, junho-julho, 2015 Felipe Biguinatti Carias Universidade Federal de Mato Grosso /Campus de Rondonópolis E-mail: [email protected] Laura de Carvalho Universidade Federal de Mato Grosso /Campus de Rondonópolis Este trabalho teve como objetivo relatar a experiência de nove meses na Escola Municipal Vila Paulista em uma cidade do interior do Mato Grosso, com a atividade da arte capoeira, e como que a filosofia dessa arte percorreu na mentalidade dos alunos, que tem como característica o ensinamento por meio da ludicidade. Numa perspectiva criativa, buscou-se inserir o projeto no contexto educativo, de forma inovadora, frisando que mesmo trabalhando com a forma lúdica, não se perde o nível de qualidade de ensino-aprendizagem, enveredado por músicas, expressões corporais e mandingas. Há um marco muito forte entre a modernidade e a pós-modernidade ou se apropriando dos conceitos de BAUMAN, Z. (1925), entre a modernidade-sólida e a modernidade-líquida, tendo como grande marco divisor a segunda guerra mundial, colocando em cheque a lógica racional ocidental, que discriminava excessivamente qualquer forma de pensamento não científico, como o pensamento popular, o folclore, entre outros. Com o início da criação discursiva do termo pós-modernidade, ocorreram-se mudanças nas visões historiográficas, transitando da história positivista para historiografia correlacionada com o social e o cultural, porém, essa mudança não se dá repentinamente e nem drasticamente. As concepções de mundo não mudam tão facilmente por conta das criações conceituais humanas, como se na pós-modernidade não houvesse nenhum resquício da modernidade pensando numa lógica da “história de longa duração2”. Pensando nessa lógica, é de fácil percepção que na academia ainda há uma grande presença da história positivista. Pois em pleno século XXI é notável a discriminação com o conhecimento popular, como se fosse menor ou menos importante que o 2 História de longa duração é um conceito criado pelo historiador Fernand Brauldel filiado a escola dos Annales, tendo como característica a história das mentalidades, rejeitando as marcações temporais históricas endurecidas, alegando que os discursos não se modificam tão facilmente porque houve uma mudança social. Boletim Ibero-americano de Criatividade e Inovação, Campinas, nº 07, 118-143, junho-julho, 2015 conhecimento empírico científico, e é a partir dessa problemática que utilizaremos a interpretação de Jorge Larrosa sobre os pensamentos Nietzschiano, com o livro “Nietzsche e a Educação”, e Bauman Zygmunt, com o livro “Vida para consumo” e por último, Nestor Capoeira, com o livro “Capoeira: A construção da malícia e a filosofia da malandragem” ( 1800 – 2010). Tentaremos fazer uma relação entre os três pensadores e os alunos da escola Municipal Paulista, praticantes da arte capoeira. E as mudanças perceptíveis nas visões de mundo de cada aluno posterior o início das aulas, destacando as dicotomias entre o pensamento ocidental – corpo e razão - e o pensamento capoeirístico – sensívelcorporal - como diria Nestor Capoeira “Poderíamos até dizer que, na capoeira, o corpo é mais importante que o intelecto - a sabedoria da ação”. (Capoeira: a construção da malícia e a filosofia da malandragem 1800 – 2010. P. 31) como podemos ver é uma lógica muito diferente da ocidental, mas não por completa, pois Nietzsche (1844 – 1900) foi um dos precursores a fomentar uma filosofia que desconstruísse toda lógica do pensamento ocidental, com críticas ferrenhas ao cristianismo, ao cientificismo e ao racionalismo. E uma das coisas que Nietzsche pensava que se aproxima demasiadamente da filosofia da capoeira era a concepção de leitura. Para o autor a leitura deveria ser entregue de corpo e alma, a compreensão e a leitura de um livro estaria muito mais além do que apenas a utilização dos olhos e da cabeça. E todo esse movimento foi perceptível com os alunos da escola Municipal Paulista. No início os alunos não expressavam a menor vontade de praticar a arte capoeira, pois como Nietzsche, aquilo não fazia o menor sentido para a vida deles, era apenas mais uma coisa chata inventada pela escola. Mas todo esse ideário foi modificando esporadicamente com as discussões sobre a história da capoeira e os seus mecanismos de luta e resistência contra a repressão. E com isso foram-se aflorando algumas afirmações de identidade, criando-se laços sentimentais com a capoeira, chegando ao ponto de uma criança falar que estava muito triste porque um menino de fora da escola estava falando mal da capoeira! Mas a noção de afirmação da identidade se expressou de uma forma drástica quando foi apresentado algumas músicas de capoeira com um cunho mais africano e histórico, como por exemplo, as músicas, “Sinhá mandou chamar3”, “Balança o Corpo Sinhá4”, “Jogar capoeira de angola5” e “Deixa o menino brincar6” e “Olha a navalha7”. Músicas que continham jargões desconhecidos pelos alunos instigando-os a curiosidade, tendo alguns deles como, Mandinga, Axé, Dendê, Fundamentos, Malícia, Sinhá, angola entre outros, que ao descobrirem se sentiram mais animados na hora de cantar, soando até um comentário de um aluno com a seguinte frase “professor, eu nunca ginguei e cantei uma música de capoeira tão feliz como agora”. E toda essa alegria não dissolvia o ensino-aprendo, a criatividade e o respeito diferente da disciplina -. Tentava-se nas aulas utilizar as músicas cantadas para discutir sobre problemas socais e raciais, por exemplo, a letra da música “Sinhá mandou chamar”. (coro) Sinhá mandou chamar – sinhá mandou dizer – que se o negro não “vim” vai apanhar – Mas negro não quer saber. “Negro não que saber se vai pro tronco de madeira – é que negro esquece tudo quando ta na capoeira – Sinhá mandou chamar”. A letra está carregada de 3 Sinhá mandou chamar, música de Boa-voz da escola Abadá-Capoeira. 4 Balança o corpo sinhá, música de Falamansa da escola Abadá-Capoeira. 5 Jogar Capoeira de Angola, música de Mestre Camisa da escola Abadá-Capoeira 6 Deixa o menino Brincar, música de Mestre Toni Vargas da escola Senzala 7 O a navalha, música do Mestre Toni Vargas da escola Senzala Boletim Ibero-americano de Criatividade e Inovação, Campinas, nº 07, 118-143, junho-julho, 2015 processos históricos em relação ao corpo negro, como era tratado, disciplinado, adestrado, agredido e marginalizado. Aflorando paulatinamente o senso crítico dos alunos sobre tais conceitos, fomentando uma forma lúdica de ensino-aprendizado, brincando e aprendendo ao mesmo tempo, despertando a vontade dos alunos de escrever músicas, movimentos novos para capoeira e até chegando ao ponto de tentar criar instrumentos – berimbau – para capoeira. De certa forma, até trazendo uma autonomia para o aluno, tanto intelectual como criativa. Coisas que não são comuns na sociedade contemporânea, onde buscamos sempre praticar e ter coisas que nos tornem mais vendáveis e produtivas, sem se perguntar se estamos felizes ou não. Tornou-se muito mais fácil comprar o instrumento do que criálo ou seguir as normas do professor educação física – o detentor do saber corporal – do que criar movimentos e alongamentos. O sujeito não possui mais autonomia do seu corpo, basta comprar tudo pronto nas lojas, ações relativamente difíceis para capoeira, pois os capoeiristas sempre buscam criar os seus instrumentos, ao invés de comprar de terceiros. O que não é produtivo para rede de poder do marketing, um berimbau confeccionado artesanalmente não possui uma marca específica, o que de vale esse objeto se não tem uma marca para outorgá-lo como “bom” e “interessante” (BAUMAN, Z. 1925). Fazendo com que o sujeito perca sua compreensão de posicionamento, confundindo o sujeito com o objeto, como se fizessem parte de um único corpo, tornando-se o próprio objeto a ser vendido e exposto. A capoeira como ensino vem para isso, mostrar que o sujeito é diretor da sua vida, das suas ações e da sua criatividade, o capoeirista não precisa comprar um objeto pronto, ele mesmo cria através das suas necessidades e vontades. Conclusão Essa discussão sobre o saber ocidental e o saber capoeirístico tem o intuito de problematizar o método de ensino moderno, que tem como caráter a ideia de que o professor é o detentor de todo o conhecimento e a criança é apenas um objeto a apreender e reproduzir o conteúdo, incapaz de exercer qualquer reflexão aprofunda. Além da dissociação entre corpo e mente, como se fossem duas coisas distintas, com a ideia de quem pratica exercício físico não adquire ou desenvolve a capacidade de pensar e criar. Referências Bauman, Zygmunt (2008). 1925 – Vida para Consumo: A transformação das pessoas em mercadorias. Tradução Carlos Alberto Medeiros. Rio de Janeiro: Zahar. Larrosa, Jorge (2002). Nietzsche e a Educação. Traduzido por Alfredo Veiga-Neto. Belo Horizonte: Autêntica. Passos Neto, Nestor Sezefredo (2011). Capoeira: A construção da malícia e a filosofia da malandragem 1800 – 2010. Trilogia do jogador, Vol 1. De Nestor Capoeira. Boletim Ibero-americano de Criatividade e Inovação, Campinas, nº 07, 118-143, junho-julho, 2015 Vera Maria Tindó Freire Ribeiro Universidade Tiradentes E-mail: [email protected] O crescimento de pesquisas sobre a importância da Criatividade na Educação, que tem atraído o interesse de pesquisadores de diversas áreas e a demanda de novos critérios e metodologias que estimulem a Criatividade e Inovação na área de Ensino a Distância, foram alguns dos estímulos à produção da Dissertação de Mestrado: “EXPERIÊNCIAS DE APLICAÇÃO DO MODELO DE HABILIDADES DE PENSAMENTO DE PUCCIO, MURDOCK E MANCE NA CONSTRUÇÃO DE CONTEÚDOS PARA ENSINO A DISTÂNCIA”, defendida pela Psicóloga Vera Maria Tindó Freire Ribeiro, na Universidade Tiradentes, Aracaju, tendo como Orientador o Prof. Dr. Ronaldo Nunes Linhares. Tendo como base o Modelo de Habilidades de Pensamento proposto por Puccio, Murdock e Mance (2007), uma das evoluções do modelo CPS de Osborn e Parnes (1963), a pesquisa teve como Objetivo analisar o uso da metodologia de Resolução Criativa de Problemas: modelo de Habilidades de Pensamento, em experiências de produção de conteúdo para EAD. Foram produzidas três experiências de uso do modelo na construção de conteúdos para cursos de EAD usando o Modelo de Habilidades de Pensamento. Para cada uma das experiências, foram identificadas e analisadas as facilidades e dificuldades encontradas com relação à utilização do modelo e propostas orientações para sua utilização futura. Resultados Em virtude da extensão do estudo e do prazo curto não foram incluídas, por orientação da Banca de Qualificação, a apresentação e avaliação dos resultados em relação ao desempenho dos alunos. O estudo está tendo continuidade com o progresso da experiência de construção do Curso Online, o qual está em fase de finalização, devendo nos próximos 30 dias ser constituída uma turma-piloto para avaliação de resultados e ajuste do programa. A pesquisadora continua trabalhando com a equipe técnica do Projeto e os resultados serão objeto de futura publicação. Uma comunicação sobre os resultados da oficina para conteudistas, a terceira experiência do estudo, foram apresentados no EDUCON de 2014, realizado na UFES, sob o titulo: “Des-formatando formadores: uma experiência de Oficina de Criatividade para Professores-conteudistas em Ensino a Distância.” Como possível contribuição, o estudo apresentou a sugestão da inclusão da práxis do pensamento criativo nos programas de formação continuada de professores, iniciando-se na preparação de docentesformadores. Foi assinalada ainda, como oportunidade, a amplitude de campo de pesquisa que se abre quanto à aplicação da Criatividade, notadamente quanto ao estudo Boletim Ibero-americano de Criatividade e Inovação, Campinas, nº 07, 118-143, junho-julho, 2015 do Pensamento Criativo, nos vários domínios da Educação, tanto para docentes como para discentes. A construção de um programa de desenvolvimento para equipes multidisciplinares a ser implementado nas Instituições que trabalham com EAD, alinhando saberes e fazeres do professorconteudista com os da equipe técnica, completa as sugestões e contribuições feitas. Boletim Ibero-americano de Criatividade e Inovação, Campinas, nº 07, 118-143, junho-julho, 2015 Fernando Cardoso de Sousa Presidente da APGICO Associação Portuguesa de Criatividade e Inovação E-mail: [email protected] Quanto mais intenso o ritmo da mudança a que estamos sujeitos, mais ansiamos por algo verdadeiramente diferente, que nos abra caminhos e perspetivas para o futuro, em vez de termos de consumir o que parece diferente, mas é apenas mais do mesmo. E, pensamos nós, não deve haver maior fonte de novidade do que as áreas da criatividade e da inovação, pois só elas favorecem o aparecimento dos últimos gritos da arte, da tecnologia, do mercado e da ciência. Assim, cremos que devem existir novas formas de gerar ideias e de inovar, que levem as empresas e centros de investigação a novos produtos e patentes, consubstanciando a quantidade de livros, artigos, blogues, sites, que, com grande vitalidade, todos os dias parecem enriquecer esta temática. Na realidade, as coisas não são tão diferentes assim. Com efeito, se analisarmos em pormenor toda esta evolução, perceberemos que muito do que se escreve deriva de exemplos baseados na Internet. Termos como open innovation, crowdsourcing, crowdfunding, cocreation, retratam formas colaborativas do processo de inovação, sobre as quais já se falava em finais do século XIX e se teorizaram muito a partir dos anos 40 (pósGrande Depressão). A diferença agora está em que, graças à Internet, muitas mais pessoas podem participar nestes processos, desde que a estrutura organizacional e o processo de decisão autorizem essa participação, em tempo e com eficácia. Por outro lado, pensarmos que é às áreas tecnológicas de ponta, como a nanotecnologia, a biotecnologia e as TIC, que vamos buscar inspiração sob novos processos de criatividade e inovação é completamente enganador, pois elas flutuam ao sabor dos investimentos e não das teorias. Do lado da criatividade, hoje valorizam--se mais as equipes - base da formação das organizações colaborativas (as chamadas flat organizations, orientadas por projetos, levados a cabo por equipes de stakeholders internos e externos), e não tanto os métodos de produção de ideias, que arrefeceram bastante desde os anos 90, em virtude da contestação feita à eficácia do brainstorming. Insiste-se mais sobre a natureza coletiva da criação e do valor da facilitação de equipes, enquanto forma de liderança - esta, sim, a verdadeira fonte de mudança de paradigma, também muito influenciada pelas organizações baseadas na Internet. Mesmo assim, apenas se recuperaram caminhos traçados pela psicologia social dos anos 40. Um tanto estranhamente, é a engenharia de processos, de pendor neotaylorista, que se tem tornado mais popular, indo buscar modelos de inspiração japonesa/norteamericana do pós-guerra (ex. Kaisen/Lean), anteriores aos conhecidos Círculos de Qualidade, TQM e Six Sigma. Também adotámos soluções que a Comissão Europeia importou dos EUA, como o design thinking e os sistemas de gestão de ideias, que permanecem Boletim Ibero-americano de Criatividade e Inovação, Campinas, nº 07, 118-143, junho-julho, 2015 mais como moda do que pelos êxitos obtidos na inovação das empresas. Sobre a inovação, a crise obrigou a rever muitas das concepções, alterando o discurso baseado quase exclusivamente em investimentos e tecnologia para outro mais centrado no negócio. Assim, do primado dos novos produtos, investimentos em I&D, patentes registadas e adoção de tecnologia, derivou-se para a fusão entre produto e serviço, com realce para o processo de construção de um negócio aceite pelo mercado. E a prioridade dada ao mercado colocou o cliente à frente do produto e o chamado ADN dos colaboradores (conjunto de ideias, conhecimentos, compromissos e capacidade para inovar) à frente dos departamentos de I&D e de marketing. Ao conhecido processo Fuzzy Front End of Innovation, que colocava a essência na produção de ideias para o desenvolvimento do produto final, juntou-se o Fuzzy Back End, ou seja, a compreensão do consumidor enquanto esforço criativo principal, agora fonte de preocupação de todos os colaboradores da empresa, incluindo os responsáveis pela tecnologia e não, apenas, os de marketing e vendas. Em termos de conceito de inovação, transferiu-se o "por uma ideia em uso" para a "criação de valor", o que pressupõe transferir o foco na área financeira e tecnológica para o domínio das pessoas. E, como tratar as questões relativas a pessoas complica um pouco mais o assunto, vamos tentar resumir, em doze princípios, os últimos 30 anos de produção na área colaborativa da criatividade e da inovação. 1. Se juntarmos as pessoas adequadas (com autoridade, conhecimentos, perícias, recursos ou informação) a um dado objetivo, sob uma liderança facilitadora e utilizando um método de trabalho rigoroso, elas criarão as visões e estratégias necessárias e surpreender- nos-ão com a sua criatividade, sabedoria e poder de concretização. 2. A inovação é tanto mais geradora de mudança efetiva quanto maior for o círculo da participação, isto é, quanto mais indivíduos, grupos e organizações se responsabilizarem por um mesmo projeto. 3. Apesar de só a inovação (traduzida pelo valor criado) interessar verdadeiramente às organizações, é essencial a criatividade (imaginação, conhecimento e vontade em persistir) de cada indivíduo para tal valor acontecer, pois a aprendizagem organizacional faz-se através das pessoas, e não dos sistemas. 4. A criação é sempre coletiva, pelo que o indivíduo isolado, por muito criativo que seja, estará sempre mais limitado do que se estiver inserido num grupo. Por isso a base de qualquer organização deve ser constituída pelas equipes e o valor de cada equipe depende, em alto grau, da qualidade da liderança que a serve. 5. Por qualidade da liderança deve entender-se a capacidade de incluir outros no processo de decisão e de conciliar a disciplina no trabalho do dia-a-dia com o desenvolvimento de projetos imaginados e levados a cabo pelas equipes. 6. O valor dos grandes talentos individuais é inegável, mas para as organizações, é menor que o resultante da aplicação do talento e conhecimentos únicos que todos possuem, em benefício do coletivo, cabendo aos órgãos de gestão reconhecer esses talentos, incentivá-los e desenvolvê-los. 7. Sem participação não existe verdadeiro desenvolvimento organizacional mas não basta apelar à participação para que ela ocorra. A transparência é fundamental, Boletim Ibero-americano de Criatividade e Inovação, Campinas, nº 07, 118-143, junho-julho, 2015 sobretudo no que respeita às recompensas, avaliação do desempenho e segurança na relação pois, sem confiança, a participação não é possível. 8. A criatividade surge mais da diversidade de contribuições do que dos métodos utilizados ou do treino recebido. 11. Se bem que os grupos ideais sejam os grupos pequenos, é perfeitamente possível trabalhar com grupos grandes, desde que os métodos utilizados e as perícias de coordenação permitam manter o mesmo grau de eficácia e participação dos grupos pequenos. 9. A definição ou a descoberta do problema é mais importante do que a sua solução, mas fazer um diagnóstico que mobilize todos para a ação requer tempo, conhecimentos e persistência, não podendo ser conseguido, meramente, pela aplicação de um qualquer processo de raciocínio individual ou forma de trabalho em grupo. 12. A Internet e as novas tecnologias vieram ampliar muito as possibilidades de juntar as pessoas adequadas em grande número e ao mesmo tempo. No entanto, a tecnologia será sempre complementar do valor da reunião presencial, sem outra mediação para além de um facilitador e um cavalete com folhas de papel. 10. A maior dificuldade do trabalho em grupo consiste em obter flexibilidade no pensamento, isto é, a capacidade de cada um aceitar os pontos de vista dos outros e de não censurar os seus próprios pensamentos. No entanto, por muito boa que seja a flexibilidade de pensamento obtida, se não houver um compromisso forte com a equipe e com as decisões tomadas, a criatividade dificilmente pode resultar em inovação. Sendo assim, que novidades para quem quer inovar? É que podemos ser dos mais criativos, adaptáveis e improvisadores, mas se não conseguirmos adotar formas colaborativas de inovação e mantivermos a tendência para a fragmentação, continuaremos a insistir em soluções que podem parecer diferentes, mas que no fundo, são só mais do mesmo. Boletim Ibero-americano de Criatividade e Inovação, Campinas, nº 07, 118-143, junho-julho, 2015 EmpresasInovadoras Estela Sant’Ana Pesquisadora de Clínica Médica Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento Ibramed Coordenadora do Curso Lato Sensu MBA em Fisioterapia Dermatofuncional, Estética e Cosmética CEFAI – Centro de Estudos e Formação Avançada IBRAMED E-mail: [email protected] Gigante da reabilitação e da estética, a IBRAMED está localizada na cidade de Amparo, cidade do interior de São Paulo e foi fundada em 1994, com sede em Amparo/SP. Sua missão é produzir equipamentos eletromédicos e difundir conhecimento em benefício do ser humano. Conta hoje com uma área construída de 3.800 m² e modernos processos para a produção, verificação e assistência técnica de equipamentos, adequada às normas das Boas Práticas de Fabricação de produtos médicos. Atualmente possui 35 equipamentos cadastrados na ANVISA e, destes, 14 equipamentos já possuem certificação no FDA para venda no mercado americano. Outros equipamentos passam por processo de certificação. A previsão é que, até o final de 2015, todos os 35 equipamentos tenham certificação americana. Novos produtos se encontram em processo de registro na ANVISA ou em testes de certificação no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT/USP). A inovação sempre esteve presente na IBRAMED. Adotar tecnologia de ponta e soluções para equipamentos nas áreas da Fisioterapia, Reabilitação, Fisiatria, Medicina estética, Fisioterapia Dermatofuncional e Estética elevou a IBRAMED ao status de uma das maiores fabricantes da América Latina. Nos mercados da medicina estética, fisioterapia dermatofuncional e estética, a IBRAMED se sobressai pela produção de equipamentos como Hooke, Ares e a Plataforma de Terapia Combinada com ultrassom Heccus, além de outros produtos. A proponente também conta com completa linha equipamentos destinada à reabilitação, medicina esportiva e traumato-ortopedia com ultrassom terapêutico, eletroestimulador neuromuscular, massagem mecânica, diatermia por ondas-curtas e laser terapêutico. Destaque para a Corrente Aussie (reconhecida pelo FDA), um produto exclusivo da IBRAMED, considerada como uma das maiores inovações terapêuticas com usos na fisioterapia e reabilitação. A empresa também conta com completa linha equipamentos destinada à reabilitação, medicina esportiva e traumatoortopedia com ultrassom terapêutico, eletroestimulador neuromuscular, massagem mecânica, diatermia por ondas-curtas e laser Boletim Ibero-americano de Criatividade e Inovação, Campinas, nº 07, 118-143, junho-julho, 2015 terapêutico. Destaque para a Corrente Aussie (reconhecida pelo FDA), um produto exclusivo da IBRAMED, considerada como uma das maiores inovações terapêuticas com usos na fisioterapia e reabilitação. Além disso, conta com uma equipe de profissionais altamente capacitados, clínicos e científicos, que ministram cursos e treinamentos sobre os usos dos equipamentos e temas correlatos. A equipe de P&D, i está centrada na capacidade de transformar expectativas em produto, norteada por fatores de competitividade tais como: confiabilidade, custo, flexibilidade, qualidade e velocidade. Sendo assim, a empresa usa elementos geradores de competitividade no desenvolvimento de produtos e processos com utilização das melhores práticas em custos e qualidade de acordo com as necessidades dos consumidores. O entendimento das demandas de mercado em relação a uma determinada categoria de produto e também a identificação de lançamentos inovadores neste segmento de atuação seguidos de uma busca minuciosa em literatura científica a cerca das tendências relacionadas a tratamentos clínicos por meio desta categoria de produto. Para a criação de um produto, geração e triagem de ideias, uma equipe muldisciplinar é acionada. Uma intensa pesquisa de mercado para identificação das necessidades do cliente associada à pesquisa básica e levantamento de literatura de suporte é realizada. Reuniões adicionais são realizadas para afunilar as possibilidades. Uma vez decidida a solução, a viabilização do produto ocorre via engenharia, que materializa o protótipo. A funcionalidade, gerenciamento de risco e usabilidade são avaliadas antes e após a prototipagem. Tudo isso ocorre, atendendo normas técnicas. O protótipo é encaminhado para ensaios de certificação para posterior registro sanitário. Avalições de funcionalidade são realizadas seguindo uma rotina: avaliação de bancada, estudos experimentais, estudo pré-clínico, seguido de estudo clínico. Toda a validação da técnica e funcionalidade é realizada. O desenvolvimento é um processo dinâmico que envolve diferentes visões, tudo para atender as necessidades do mercado, criando soluções que melhores a saúde e a qualidade de visa das pessoas. Figura 1. Fluxograma de desenvolvimento de ideias e produtos (elaborado pela autora). Boletim Ibero-americano de Criatividade e Inovação, Campinas, nº 07, 118-143, junho-julho, 2015 Além disso, a IBRAMED conta com uma equipe de profissionais altamente capacitados, clínicos e científicos, que ministram cursos e treinamentos sobre os usos dos equipamentos e temas correlatos. O Centro de Estudos e Formação Avançada IBRAMED (CEFAI) colabora com essa prática por meio de cursos aos profissionais da área e o desenvolvimento de novas aplicabilidades terapêuticas para os equipamentos que produz. Nos mercados da medicina estética, fisioterapia dermatofuncional e estética, a IBRAMED se sobressai pela produção de equipamentos como Hooke, Ares, Sonofocus, Lyra e a Plataforma de Terapia Combinada com ultrassom Heccus, além de outros produtos. Atrelado ao centro de P&D, a IBRAMED possui uma escola de PósGraduação, que desenvolve pesquisas clínicas e científicas e também parcerias com diferentes laboratórios de pesquisas de universidades nacionais e internacionais com objetivo de desenvolver projetos inovadores de produtos serviços. Com esta configuração, a IBRAMED desenvolve produtos eletromédicos com primor funcional e tecnologia avançada. A integração entre os departamentos de Marketing, Qualidade, Pós-vendas e Comercial visa a proporcionar equipamentos modernos e com design avançado aos clientes, fabricados de acordo com as normas técnicas e gestão da qualidade, com atendimento comercial e pós venda personalizados. Figura 2. Fachada da empresa localizada na cidade de Amparo – SP. Boletim Ibero-americano de Criatividade e Inovação, Campinas, nº 05, 80-100, dezembro-2014/janeiro-2015 AgendadeEventos http://www.ibapnet.org.br/congresso2015/ http://www.conpeispa.com/conpeispa_inicio.html http://congresos.um.es/cisyt/cisyt2015 Boletim Ibero-americano de Criatividade e Inovação, Campinas, nº 07, 118-143, junho-julho, 2015 Chamadaparaapró ximaediçã o Convidamos a todos os interessados em publicar neste Boletim a enviar suas contribuições até dia 20/07 / 2015. Boletim nº 08 – Lançamento previsto para dia 05 de agosto de 2015. Este boletim aceita contribuições nos idiomas português, espanhol e inglês. Participem! Esta é uma excelente oportunidade para divulgar seus trabalhos para a comunidade ibero-americana. E-mail para o envio: [email protected] Cordialmente, Sergio Fernando Zavarize Editor-chefe Solange Muglia Wechsler Co-editora Organização: Boletim Ibero-americano de Criatividade e Inovação, Campinas, nº 07, 118-143, junho-julho, 2015