Boletim Ibero-americano de
Criatividade e Inovação
Nº 07
Periodicidade Bimestral
Organização:
Boletim Ibero-americano de Criatividade e Inovação, Campinas, nº 05, 80-100, dezembro-2014/janeiro-2015
Editorial
120
Sergio Fernando Zavarize
121
Zenita C. Guenther
128
Carolina Rosa Campos, Cristina Caballo Escribano, Tatiana de Cassia Nakano
131
Felipe Biguinatti Carias, Laura de Carvalho
134
Vera Maria Tindó Freire Ribeiro
136
Fernando Cardoso de Sousa
EmpresasInovadoras
139
139
Estela Sant’Ana
AgendadeEventos
142
143
Boletim Ibero-americano de Criatividade e Inovação, Campinas, nº 07, 118-143, junho-julho, 2015
Editorial
Sergio Fernando Zavarize
Membro da Associação Brasileira de Criatividade e Inovação - Criabrasilis
Editor-chefe do BCriai
E-mail: [email protected]
Promovido
pela
Associação
Brasileira de Criatividade e Inovação –
CRIABRASILIS e em sua empreitada de
divulgar a produção Ibero-americana de
conhecimentos na área da criatividade e
inovação, o Boletim BCriai lança sua
sétima edição. Este Boletim abraça a
interdisciplinaridade como norteadora de
sua filosofia.
Com uma periodicidade bimestral
vem oferecendo desde seu início, leituras
variadas e muito ricas no âmbito da
inovação e da criatividade.
Nesta edição são apresentados
artigos interessantes, que devem
provocar a reflexão sintonizada com os
múltiplos aspectos da vida criativa
contemporânea.
A Doutora Zenita Guenther trás
um texto onde apresenta uma experiência
importante no sentido de poder encontrar
as crianças dotadas na população escolar:
Reconhecendo a Capacidade e Talento na
Escola - Quando é Preciso Inventar...
As
pesquisadoras
Carolina
Campos, Cristina Caballo Escribano e
Tatiana Nakano Primi discorrem sobre a
Creatividad en las IX Jornadas Cientificas
Internacionales de Investigación sobre
Personas con Discapacidad, que ocorreu
este ano em Salamanca, Espanha.
Felipe Carias e a Doutora Laura de
Carvalho apresentam sua experiência com
a Capoeira-mandinga e a filosofia do
corpo ensinando de forma lúdica e
inovadora em uma escola municipal no
estado do Mato Grosso.
A psicóloga Vera Tindó provoca
uma reflexão sobre o estímulo à
Criatividade e Inovação na área de Ensino
a Distância.
Este Boletim trás também como
novidade, uma seção sobre “empresas
inovadoras”.
Neste
número
a
Pesquisadora Dra. Estela Sant´Ana
apresenta o perfil inovador de uma
empresa brasileira da área da reabilitação
física e da estética e seus processos de
desenvolvimento e criação de novos
produtos e tecnologias.
Cientes de que as contribuições
elencadas referendam em grande parte os
propósitos deste Boletim, convidamos
todos aqueles que reconhecem a
importância dessa temática a participar
conosco, envidando suas contribuições.
A todos, nossos votos de uma
ótima leitura!
Boletim Ibero-americano de Criatividade e Inovação, Campinas, nº 07, 118-143, junho-julho, 2015
Zenita C. Guenther
Doutora em Psicologia da Educação pela Universidade da Florida, EUA
Diretora Técnica do CEDET e ASPAT Lavras MG
CEDET – Centro para Desenvolvimento do Potencial e Talento
E-mail: [email protected]
Em busca de novas direções
Dotação e Talento são reconhecidos pela
qualidade do que a pessoa realiza, alcança e
produz, o que geralmente acontece mais tarde
na vida, permanecendo o problema de
identificar capacidade alta ainda na infância,
quando a disponibilidade para aprender é maior
e mais confiante. A criança está na escola, o que
simplificaria a questão, porem o reconhecimento
de dotação nas escolas foi desacreditado por
Pegnato e Birch, (1959) negando confiabilidade
e eficácia aos professores. Essa ideia
permaneceu mesmo após evidência em
contrário exposta por Gagné (1985; 1994) nos
próprios dados de Pegnato e Birch, ampliada em
outros autores, (Shipley, 1978; Renzulli e
Delcourt, 1986; McBride, 1992; Hunsucker,
Finley e Frank, 1997), demonstrando que os
professores são perfeitamente confiáveis no
reconhecimento de alta capacidade em seus
alunos. A configuração se completa com o
Delphi Study (Singer, Houtz, e Rosenfield, 1992)
demonstrando que professores são capazes de
abstrair e sintetizar características de crianças
dotadas, expressas em variadas formas de
atributos, adjetivos, traços e comportamentos
em sala de aula. Foi nesse confuso cenário de
incertezas que o ideário do CEDET começou a
lançar raízes, em 1992/93, enfrentando a
primeira perplexidade da prática: encontrar as
crianças dotadas na população escolar.
Conceitos e princípios
Apesar do crescer continuado no acervo
de conhecimento, a área avançava pouco além
do “é ou não é superdotado”, aprisionada na
polêmica hereditariedade X ambiente, que
dificultava o estudo da capacidade e dotação
humana. Crawford (1979) mostra a noção
popular que associava raízes genéticas com
determinismo, e fatores ambientais com
liberdade de escolha, apesar de estudos em
genética apontarem características herdadas
modificáveis, e adquiridas profundamente
resistentes (Plomin, 1983; 1998). Finalmente,
através de análise compreensiva em centenas de
estudos publicados em várias partes do mundo,
(Angoff 1988; Howe, Davidson, Sloboda, 1998;
Gagné, 1999;) foi estabelecido que Potencial
(aptidão) indica capacidade natural, própria do
indivíduo, presente na configuração do plano
genético; e Desempenho (competência) referese a capacidade adquirida no ambiente. No
esforço de clarear o caótico cenário conceitual e
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minimizar a confusão criada pelo uso
indeterminado de vários termos para o mesmo
conceito, Gagné desenvolveu a teoria-modelo
DMGT (Developmental Model for Gift and
Talent) (Gagné, 1995; 1998; 1999; 2004; 2008),
pela qual nos foi possível visualizar bases
operacionais para o reconhecimento e
identificação de alunos dotados e talentosos:
Dotação, Potencial- indica presença de alta
capacidade natural em um ou mais domínios de
capacidade humana; Talento, Desempenhoindica capacidade adquirida no ambiente,
expressa em comportamentos sistematicamente
desenvolvidos e treinados (Gagné e Guenther,
2010). Portanto pode-se dizer que a base da
metodologia CEDET para identificação enraíza-se
no estudo dos Domínios de Capacidade Humana
inspirados em Gagné (2008), com apoio no
mapeamento das funções cerebrais captado em
Clark (1984). Gagné sugere cinco domínios de
capacidade humana:
- Inteligência é poder para ação
intelectual, enraizado na função cognitiva do
cérebro, envolvendo compreender, abstrair,
organizar e utilizar conceitos e ideias;
- Capacidade Física é poder para
contactar, agir e interagir no mundo físico,
expresso em duas vias principais: sensorial e
motora;
- Capacidade Perceptual é uma área de
mediação entre o poder físico de captar os vários
tipos de estimulação sensorial, e a função
mental de interpretar o sentido desses estímulos
em termos de compreensão própria e potencial
para ação;
- Capacidade Sócio-afetiva, é poder para
lidar com sentimentos e emoções originado na
função afetiva à base do cérebro, expresso por
percepção e ação levando a compreender,
conviver e intervir no ambiente social.
- Criatividade é poder para aprender e
agir por vias não cognitivas, com raízes
provavelmente na função intuitiva do cérebro; é
um domínio complexo de capacidade,
diferenciado dos outros por ser essencialmente
uma atividade mental “fora da esfera da razão”
e, ao mesmo tempo, “fora da influência da
emoção”, captando e organizando informações
das mais variadas fontes, por meio de regras
próprias e originais, nem sempre identificáveis.
Construindo o instrumental
A essa altura enfrentamos no CEDET
outra área de perplexidade. Entre os estudos
científicos que reconhecem o professor como
fonte de informação sobre o grau de capacidade
dos seus alunos, cresce a evidência de que essa
observação alcança 91% de resultados iguais ou
superiores aos testes psicométricos, quando o
professor recebe orientação sobre o que
observar, e há um guia prático a orientar a
observação (Shipley, 1978; McBride, 1992).
Entretanto, à medida que o Delphy Study (1992)
confirma a confiabilidade dos professores para
reconhecer e descrever crianças dotadas, foram
se apresentando listas descritivas como
instrumentos de identificação, que introduziam
fragilidades no processo (Feldhusen, 1995;
Moon, Feldhusen, e Kelly, 1991); esses estudos
foram em tempo sintetizados com base em
evidência de que traços, atributos e
características individuais não se relacionam ao
grau de capacidade (McCrae et. alli. 2000), e que
essas listas lidam com objetivos e fins da
educação, mas não com o processo de
identificar alunos dotados (Feldhusen, 2003).
Portanto, uma lista de atributos não ajudaria.
Não localizamos na literatura científica
nenhum estudo próximo aos nossos objetivos:
1º Base teórica sólida; 2º metodologia
defensável que não introduzisse desvios e/ou
erros, e que, 3º não transferisse aos professores
a responsabilidade de “nomear, indicar ou
designar” alunos a serem examinados. Nesse
caminhar fomos movendo em direção ao
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processo que levamos à prática, o qual,
essencialmente:
a) parte da observação anual de toda a
população escolar;
b) focaliza o grupo etário e social na sala
de aula comum;
c) envolve integração
longitudinal de dados;
contínua
e
d) desenvolve-se em período de tempo
apontado por validação empírica;
e) orienta-se por resultados derivados
da pesquisa atualizada;
f) controla a presença de características,
traços, atributos, e comportamentos com base
em princípios estabelecidos pela Psicologia do
Desenvolvimento;
g) relaciona-se, mas não reproduz
objetivos do projeto educativo visualizado;
h) identifica o aluno por um perfil, não
uma palavra ou índice numérico.
Verificamos na prática que a observação
sistemática direta é favorecida pela presença de
um professor regente na turma, porque
depende do conhecimento profundo dos alunos.
Nos dados de 5 (cinco) anos consecutivos não
encontramos consistência nas observações dos
professores de disciplinas, observando a mesma
turma de alunos. Eles parecem focalizar maior
atenção em ensinar a sua matéria do que em
conhecer os alunos à sua frente (Combs, 1962;
Guenther, 2009).
Recolhidas as folhas de dados dos
professores, essas informações são processadas
e analisadas de modo a esquematizar o perfil do
aluno pelo estudo dos indicadores em que ele se
sobressai, mapeando assim a provável
orientação do potencial detectado. Nesse
momento é necessário concentrar atenção nos
domínios de capacidade, porque é comum a
escola pensar em dotação (superdotação) como
um todo indiferenciado, um erro conceitual que
geralmente traz frustração, pois idéias gerais
não se aplicam a situações especificas.
Validando o processo
Ao início do trabalho no CEDET, após
coletar 25.000 observações independentes em 5
anos consecutivos, procedeu-se à validação do
processo, e configurou-se o guia para orientar e
organizar os dados de observação direta em sala
de aula (Guenther, Barroso, Bezerra e Veiga,
1997). Por essa via são sinalizadas as crianças
que consistentemente sobressaem em várias
situações em sala de aula, por sua própria
capacidade,
ou
seja,
por
ações,
comportamentos, atitudes e posição pessoal,
sem interferência de conteúdos ensinados. O
desenrolar desse estudo levantou séria
preocupação em relação à margem de erro nos
dados colhidos em uma só observação (20 a
30%), e não poderia ser computado ao acaso, o
que em tese invalidaria o processo, pois, não se
pode minimizar o fato de que dados colhidos em
sala de aula carregam tal margem de erro.
A busca de meios para corrigir esse
desvio conduziu ao método dos “juízes
múltiplos”, como explicitado em Combs,
Richards & Richards (1976), pelo qual se pode
assegurar validade a resultados de julgamento
quando a situação é examinada por dois ou mais
juízes independentes. Analisando então os
dados na sequencia anual, a margem de erro
desce a 2% a partir de duas observações,
portanto aceitável como por acaso (Guenther,
Barroso, Bezerra e Veiga, 1997). Com esse
resultado completam-se
as
bases
da
metodologia CEDET para identificação: a criança
é dotada quando sobressai em pelo menos duas
observações
independentes,
feitas
por
professores
diferentes,
em
momentos
diferentes. Uma vez que pela seriação escolar a
criança muda de série no ano seguinte, convive
Boletim Ibero-americano de Criatividade e Inovação, Campinas, nº 07, 118-143, junho-julho, 2015
com outros colegas, e geralmente tem outro
professor, estabeleceu-se a prática de coletar
dados de observação nas escolas todos os anos,
no segundo semestre, quando o professor já
conhece os alunos.
Entretanto, apesar da segurança trazida
pela validação, a prática mostrou pontos
sensíveis, tais como: incoerência entre os dados
(sinalização contraditória de um ano para outro,
ou em domínios muito diferentes); dúvidas
quanto à confiabilidade de certas observações;
ausência de dados para crianças vindas de locais
onde não houve coleta sequenciada. Alem disso
notamos que o ambiente da escola comum abre
poucas oportunidades para a expressão de
alguns indicadores, devido à organização e
tradição da pedagogia escolar, nomeadamente,
restrição à autonomia de professores e alunos
por força das constantes instruções externas,
preferência por vias de expressão associadas ao
pensamento linear e interação verbal, e ênfase
no coletivo causando insegurança do professor
ao olhar uma criança individualmente. Para
tentar controlar essas barreiras situacionais,
estabeleceu-se um período para estudo pelos
facilitadores do CEDET das crianças já
sinalizadas, a que chamamos “observação
assistida”.
Em tempo a Observação Assistida
evoluiu para um período de cerca de 4 horas de
convivência entre o facilitador e a criança, junto
a outros pares sinalizados em outras escolas.
Esse momento acontece no Centro, em
ambiente organizado de modo a prover
experiência diversificada e ampla gama de
estimulação, possibilidades de múltiplas vias de
expressão, com o mínimo possível de associação
ao ambiente escolar. Sendo o foco central
amenizar fragilidades inerentes aos dados
colhidos na escola, o objetivo envolve prover
espaço aberto e amplo para escolhas individuais
e ação espontânea, com o mínimo de instruções,
facilitar situações apropriadas a expressões de
pensamento não linear e não verbal, e liberdade
para diferentes estilos de interação com pares
também sinalizando potencial.
Figura 1. Observação Assistida 2015 (fotos).
Os resultados da revalidação paralela
de
2012-2013
(concurrent
validity),
incorporando a experiência de 20 anos
(Guenther, 2013), conduziram a poucas
modificações:
a) Confirma-se a coleta de dados na
escola em várias observações independentes,
seguida por observação assistida para os
alunos sinalizados em pelo menos duas;
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b) Ressalta como básico ao julgamento
por múltiplos juízes: o conjunto de dados da
escola em diferentes momentos, mais dados
dos facilitadores em observação assistida;
c) Enfatiza o preparo continuado nas
escolas para o professor observador,
sensibilização do contexto escolar, e estudo
continuado do significado dos indicadores.
Completa-se o perfil do aluno pela
integração dos dados de sinalização da escola
com as informações colhidas pelo facilitador.
Uma vez identificado o seu domínio de maior
potencial é feita a inscrição ao CEDET, e iniciase a Ficha Acumulativa com o registro do
processo vivido na identificação. Passa-se
então à intervenção educativa, a qual começa
pelo estudo da criança em sua vida pessoal,
familiar e escolar. Essa fase se completa com a
elaboração do Plano Individual para o primeiro
semestre, seguindo os passos normais da
Metodologia CEDET1 (Guenther, 2011). A Ficha
Acumulativa acompanha o processo através
dos anos, registrando informações datadas e
comentadas sobre o desenvolvimento do
trabalho, o acompanhamento semanal, e tudo
o mais que ocorre na vida do aluno no CEDET,
na escola e na família.
barreira mais séria do que se percebe, pois,
tais atividades nem sempre mantém interesse,
e não deixam resultados de longo prazo, como
comprovado pelo corpo de pesquisa avaliativa
dos últimos 20 anos (Subotnik, & Arnold, 1994;
Holahan & Sears, 1995; Freeman, 1998; 2006;
Ziegler & Stoeger, 2008; Ziegler, A and
Phillipson, S. (2012)). Essa questão foi
estudada
em
profundidade
para
fundamentação e análise da prática
desenvolvida no CEDET (Guenther, 2011), e
detalhada para escolas e professores
(Guenther, 2006; 2012).
Figura 2. “Cor e Imagem”, CEDET, 2014 (foto).
Delineando a metodologia
Um resumo da Metodologia CEDET
não caberia nos limites desse artigo, mas a
experiência é conhecida em boa parte do
mundo, principalmente por sinalizar resultados
a médio e longo prazo. Na oportunidade
apontamos uma observação recorrente,
relativa à dificuldade das escolas em
desenvolver programas para seus alunos
dotados: essa situação parece reacionada ao
fato de haver pouco a fazer alem de
“atividades de enriquecimento”. Essa é uma
1
Metodologia – CEDET (Caminhos para
Desenvolver Potencial e Talento)
Figura 3. “Alquimia”, Unilavras, 2014 (foto).
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Boletim Ibero-americano de Criatividade e Inovação, Campinas, nº 07, 118-143, junho-julho, 2015
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Boletim Ibero-americano de Criatividade e Inovação, Campinas, nº 07, 118-143, junho-julho, 2015
Carolina Rosa Campos
Alumna de Doctorado en Psicología por la PUC-Campinas (Brasil)
Contacto: [email protected]
Cristina Caballo Escribano
Profesora del Dpto. de Personalidad, Evaluación y Tratamiento
Psicológico de la Universidad de Salamanca (España)
Tatiana de Cassia Nakano
Tutora y Profesora de Posgrado en Psicología por la
PUC-Campinas (Brasil)
En el contexto de la psicología, se
considera que la creatividad contribuye de
forma importante al desarrollo, la motivación y
el aprendizaje de niños y adolescentes. En la
edad adulta ser creativo puede promover el
afrontamiento de las responsabilidades de la
vida personal, la resolución de problemas
laborales y el desarrollo de relaciones sociales
saludables. En este sentido, uno de los retos
que tienen la mayoría de las escuelas,
instituciones, organizaciones y entidades
consiste en gestionar adecuadamente las
diferencias individuales en aprendizaje
ydesarrollo laboral a fin de promover la calidad
de vida de todas las personas. Esta tarea se
vuelve aún más difícil cuando se consideran
poblaciones
específicas
como
niños,
adolescentes y adultos con discapacidad,
problemas de aprendizaje, enfermedades
mentales, altas habilidades, entre otros.
Figura 1. Banner de las “IX Jornadas Científicas
Internacionales de Investigación sobre
Discapacidad - Prácticas Profesionales y
Organizacionales Basadas en la Evidencia”.
Boletim Ibero-americano de Criatividade e Inovação, Campinas, nº 07, 118-143, junho-julho, 2015
Entre el 18 e 20 de marzo de 2015, el
Instituto Universitario de Integración en la
Comunidad (INICO) de la Universidad de
Salamanca (USAL) ha organizado en la
Hospedería del Colegio Fonseca - Salamanca /
ES, las "IX Jornadas Científicas Internacionales
de Investigación sobre Discapacidad - Prácticas
Profesionales y Organizacionales Basadas en la
Evidencia ", cuyo principal objetivo era
proporcionar reuniones y discusiones entre los
profesionales que trabajan con poblaciones
específicas en el campo de la Educación, el
Empleo y los servicios sociales y de salud
multidisciplinarios.
El evento contó con la presencia de
500 personas y más de 240 actividades
científicas internacionales que se presentaron
en forma de conferencias, seminarios, mesas
redondas, presentaciones orales y posters.
Contaron con la presencia de Investigadores
destacados en el ámbito de la discapacidad
como Álvaro Marchesi, Robert L. Schalock,
Gerardo Echeita, Luigi Croce, Elena Martín,
María Sotillos, Cristina Jenaro, Benito Arias,
Antonio Aguado, Patricias Navas, Delfín
Montero, Pere Rueda, Luiso Cervellera Enrique
Galván, Laura Gómez, Javier Tamarit, Juanjo
Lacasta, entre otros.
Entre las actividades presentadas
encontramos brotes de creatividad en dos
vertientes, como producto y como proceso. La
creatividad como producto se pudo apreciar
en proyectos cuyo objetivo era el desarrollo de
la creatividad de los niños con discapacidades
(sordera, intelectual), o en estudios en los que
se hacía uso de dibujos universales o de
materiales construidos con materiales
reciclables. También la encontramos en la
presentación de distintos tipos de programas
como los de estimulación y desarollo de
capacidades cognitivas, o de actividades de
lectura y fantasía, o de desarrollo de
competencias profesionales. Finalmente se
apreciaba en programas dirigidos al
envejecimiemto saludable, a personas con
discapacidad y necesidades de apoyo y a
personas con altas capacidades.
Con respecto a la creatividad como
proceso, se encontró en gran cantidad de
nuevos estudios. Así, se realizaron distintas
propuestas relacionadas con la formación de
profesionales o el desarrollo de ayudas
técnicas y adaptaciones. Algunos ejemplos
incluyen la formación de profesores para
adaptar los materiales para el aprendizaje, la
enseñanza de técnicas y estrategias, la
construcción de instrumentos psicológicos
para evaluar la creatividad, (las técnicas de
asertividad dirigidas a cambios profesionales),
proyectos de innovación tecnológica para
mejorar la calidad de vida,programas
formativos universitarios para atender
demandas específicas, intervención social y
familiar para el desarrollo de niños y jóvenes
con discapacidades. Todas estas propuestas
aportaron datos prometedores.
Durante el evento aún, también hubo
un coloquio sobre la discapacidad y el humor, y
se presentó el libro "Mirando a la discapacidad
con humor" de Francisco de Borja Jordán de
Urries y Miguel Ángel Verdugo (Figura 2), que
Figura 2. Capa del Libro “Mirando a la
discapacidad com humor” de Francisco de
Borja Jordán de Urríes y Miguel Angel
Verdugo.
Boletim Ibero-americano de Criatividade e Inovação, Campinas, nº 07, 118-143, junho-julho, 2015
proporciona, a través de viñetas y tiras
cómicas, una visión de la discapacidad con
humor desde múltiples perspectivas. El libro
también refleja la capacidad creativa de los
autores.
En general, se puede decir que el
evento permitió el intercambio de ideas y de
conocimiento científico acerca de las temáticas
desarolladas para personas con discapacidad.
Indirectamente se ha demuestrado que se
trata de un campo rico para el desarrollo de la
creatividad en sus diferentes dimensiones.
Finalmente han sido unas Jornadas de gran
valor para la promoción de un desarrollo
saludable del individuo en su medio
biopsicosocial.
Boletim Ibero-americano de Criatividade e Inovação, Campinas, nº 07, 118-143, junho-julho, 2015
Felipe Biguinatti Carias
Universidade Federal de Mato Grosso /Campus de Rondonópolis
E-mail: [email protected]
Laura de Carvalho
Universidade Federal de Mato Grosso /Campus de Rondonópolis
Este trabalho teve como objetivo
relatar a experiência de nove meses na Escola
Municipal Vila Paulista em uma cidade do
interior do Mato Grosso, com a atividade da
arte capoeira, e como que a filosofia dessa arte
percorreu na mentalidade dos alunos, que tem
como característica o ensinamento por meio
da ludicidade.
Numa perspectiva criativa, buscou-se
inserir o projeto no contexto educativo, de
forma inovadora, frisando que mesmo
trabalhando com a forma lúdica, não se perde
o nível de qualidade de ensino-aprendizagem,
enveredado por músicas, expressões corporais
e mandingas.
Há um marco muito forte entre a
modernidade e a pós-modernidade ou se
apropriando dos conceitos de BAUMAN, Z.
(1925), entre a modernidade-sólida e a
modernidade-líquida, tendo como grande
marco divisor a segunda guerra mundial,
colocando em cheque a lógica racional
ocidental, que discriminava excessivamente
qualquer forma de pensamento não científico,
como o pensamento popular, o folclore, entre
outros.
Com o início da criação discursiva do
termo
pós-modernidade,
ocorreram-se
mudanças
nas
visões
historiográficas,
transitando da história positivista para
historiografia correlacionada com o social e o
cultural, porém, essa mudança não se dá
repentinamente e nem drasticamente. As
concepções de mundo não mudam tão
facilmente por conta das criações conceituais
humanas, como se na pós-modernidade não
houvesse nenhum resquício da modernidade pensando numa lógica da “história de longa
duração2”.
Pensando nessa lógica, é de fácil
percepção que na academia ainda há uma
grande presença da história positivista. Pois
em pleno século XXI é notável a discriminação
com o conhecimento popular, como se fosse
menor ou menos importante que o
2
História de longa duração é um conceito criado
pelo historiador Fernand Brauldel filiado a escola
dos Annales, tendo como característica a história
das mentalidades, rejeitando as marcações
temporais históricas endurecidas, alegando que os
discursos não se modificam tão facilmente porque
houve uma mudança social.
Boletim Ibero-americano de Criatividade e Inovação, Campinas, nº 07, 118-143, junho-julho, 2015
conhecimento empírico científico, e é a partir
dessa problemática que utilizaremos a
interpretação de Jorge Larrosa sobre os
pensamentos Nietzschiano, com o livro
“Nietzsche e a Educação”, e Bauman Zygmunt,
com o livro “Vida para consumo” e por último,
Nestor Capoeira, com o livro “Capoeira: A
construção da malícia e a filosofia da
malandragem” ( 1800 – 2010).
Tentaremos fazer uma relação entre
os três pensadores e os alunos da escola
Municipal Paulista, praticantes da arte
capoeira. E as mudanças perceptíveis nas
visões de mundo de cada aluno posterior o
início das aulas, destacando as dicotomias
entre o pensamento ocidental – corpo e razão
- e o pensamento capoeirístico – sensívelcorporal - como diria Nestor Capoeira
“Poderíamos até dizer que, na capoeira, o
corpo é mais importante que o intelecto - a
sabedoria da ação”. (Capoeira: a construção da
malícia e a filosofia da malandragem 1800 –
2010. P. 31) como podemos ver é uma lógica
muito diferente da ocidental, mas não por
completa, pois Nietzsche (1844 – 1900) foi um
dos precursores a fomentar uma filosofia que
desconstruísse toda lógica do pensamento
ocidental, com críticas ferrenhas ao
cristianismo,
ao
cientificismo
e
ao
racionalismo. E uma das coisas que Nietzsche
pensava que se aproxima demasiadamente da
filosofia da capoeira era a concepção de
leitura. Para o autor a leitura deveria ser
entregue de corpo e alma, a compreensão e a
leitura de um livro estaria muito mais além do
que apenas a utilização dos olhos e da cabeça.
E todo esse movimento foi perceptível
com os alunos da escola Municipal Paulista. No
início os alunos não expressavam a menor
vontade de praticar a arte capoeira, pois como
Nietzsche, aquilo não fazia o menor sentido
para a vida deles, era apenas mais uma coisa
chata inventada pela escola. Mas todo esse
ideário foi modificando esporadicamente com
as discussões sobre a história da capoeira e os
seus mecanismos de luta e resistência contra a
repressão. E com isso foram-se aflorando
algumas afirmações de identidade, criando-se
laços sentimentais com a capoeira, chegando
ao ponto de uma criança falar que estava
muito triste porque um menino de fora da
escola estava falando mal da capoeira!
Mas a noção de afirmação da
identidade se expressou de uma forma
drástica quando foi apresentado algumas
músicas de capoeira com um cunho mais
africano e histórico, como por exemplo, as
músicas, “Sinhá mandou chamar3”, “Balança o
Corpo Sinhá4”, “Jogar capoeira de angola5” e
“Deixa o menino brincar6” e “Olha a navalha7”.
Músicas que continham jargões desconhecidos
pelos alunos instigando-os a curiosidade,
tendo alguns deles como, Mandinga, Axé,
Dendê, Fundamentos, Malícia, Sinhá, angola
entre outros, que ao descobrirem se sentiram
mais animados na hora de cantar, soando até
um comentário de um aluno com a seguinte
frase “professor, eu nunca ginguei e cantei
uma música de capoeira tão feliz como agora”.
E toda essa alegria não dissolvia o
ensino-aprendo, a criatividade e o respeito diferente da disciplina -. Tentava-se nas aulas
utilizar as músicas cantadas para discutir sobre
problemas socais e raciais, por exemplo, a letra
da música “Sinhá mandou chamar”. (coro)
Sinhá mandou chamar – sinhá mandou dizer –
que se o negro não “vim” vai apanhar – Mas
negro não quer saber. “Negro não que saber
se vai pro tronco de madeira – é que negro
esquece tudo quando ta na capoeira – Sinhá
mandou chamar”. A letra está carregada de
3
Sinhá mandou chamar, música de Boa-voz da
escola Abadá-Capoeira.
4
Balança o corpo sinhá, música de Falamansa da
escola Abadá-Capoeira.
5
Jogar Capoeira de Angola, música de Mestre
Camisa da escola Abadá-Capoeira
6
Deixa o menino Brincar, música de Mestre Toni
Vargas da escola Senzala
7
O a navalha, música do Mestre Toni Vargas da
escola Senzala
Boletim Ibero-americano de Criatividade e Inovação, Campinas, nº 07, 118-143, junho-julho, 2015
processos históricos em relação ao corpo
negro, como era tratado, disciplinado,
adestrado,
agredido
e
marginalizado.
Aflorando paulatinamente o senso crítico dos
alunos sobre tais conceitos, fomentando uma
forma lúdica de ensino-aprendizado, brincando
e aprendendo ao mesmo tempo, despertando
a vontade dos alunos de escrever músicas,
movimentos novos para capoeira e até
chegando ao ponto de tentar criar
instrumentos – berimbau – para capoeira. De
certa forma, até trazendo uma autonomia para
o aluno, tanto intelectual como criativa.
Coisas que não são comuns na
sociedade contemporânea, onde buscamos
sempre praticar e ter coisas que nos tornem
mais vendáveis e produtivas, sem se perguntar
se estamos felizes ou não. Tornou-se muito
mais fácil comprar o instrumento do que criálo ou seguir as normas do professor educação
física – o detentor do saber corporal – do que
criar movimentos e alongamentos. O sujeito
não possui mais autonomia do seu corpo,
basta comprar tudo pronto nas lojas, ações
relativamente difíceis para capoeira, pois os
capoeiristas sempre buscam criar os seus
instrumentos, ao invés de comprar de
terceiros. O que não é produtivo para rede de
poder
do marketing, um berimbau
confeccionado artesanalmente não possui uma
marca específica, o que de vale esse objeto se
não tem uma marca para outorgá-lo como
“bom” e “interessante” (BAUMAN, Z. 1925).
Fazendo com que o sujeito perca sua
compreensão de posicionamento, confundindo
o sujeito com o objeto, como se fizessem parte
de um único corpo, tornando-se o próprio
objeto a ser vendido e exposto. A capoeira
como ensino vem para isso, mostrar que o
sujeito é diretor da sua vida, das suas ações e
da sua criatividade, o capoeirista não precisa
comprar um objeto pronto, ele mesmo cria
através das suas necessidades e vontades.
Conclusão
Essa discussão sobre o saber ocidental
e o saber capoeirístico tem o intuito de
problematizar o método de ensino moderno,
que tem como caráter a ideia de que o
professor é o detentor de todo o
conhecimento e a criança é apenas um objeto
a apreender e reproduzir o conteúdo, incapaz
de exercer qualquer reflexão aprofunda. Além
da dissociação entre corpo e mente, como se
fossem duas coisas distintas, com a ideia de
quem pratica exercício físico não adquire ou
desenvolve a capacidade de pensar e criar.
Referências
Bauman, Zygmunt (2008). 1925 – Vida
para Consumo: A transformação das pessoas
em mercadorias. Tradução Carlos Alberto
Medeiros. Rio de Janeiro: Zahar.
Larrosa, Jorge (2002). Nietzsche e a
Educação. Traduzido por Alfredo Veiga-Neto.
Belo Horizonte: Autêntica.
Passos Neto, Nestor Sezefredo (2011).
Capoeira: A construção da malícia e a filosofia
da malandragem 1800 – 2010. Trilogia do
jogador, Vol 1. De Nestor Capoeira.
Boletim Ibero-americano de Criatividade e Inovação, Campinas, nº 07, 118-143, junho-julho, 2015
Vera Maria Tindó Freire Ribeiro
Universidade Tiradentes
E-mail: [email protected]
O crescimento de pesquisas sobre a
importância da Criatividade na Educação, que
tem atraído o interesse de pesquisadores de
diversas áreas e a demanda de novos critérios
e metodologias que estimulem a Criatividade e
Inovação na área de Ensino a Distância, foram
alguns dos estímulos à produção da
Dissertação de Mestrado: “EXPERIÊNCIAS DE
APLICAÇÃO DO MODELO DE HABILIDADES DE
PENSAMENTO DE PUCCIO, MURDOCK E
MANCE NA CONSTRUÇÃO DE CONTEÚDOS
PARA ENSINO A DISTÂNCIA”, defendida pela
Psicóloga Vera Maria Tindó Freire Ribeiro, na
Universidade Tiradentes, Aracaju, tendo como
Orientador o Prof. Dr. Ronaldo Nunes Linhares.
Tendo como base o Modelo de
Habilidades de Pensamento proposto por
Puccio, Murdock e Mance (2007), uma das
evoluções do modelo CPS de Osborn e Parnes
(1963), a pesquisa teve como Objetivo analisar
o uso da metodologia de Resolução Criativa de
Problemas: modelo de Habilidades de
Pensamento, em experiências de produção de
conteúdo para EAD.
Foram produzidas três experiências de
uso do modelo na construção de conteúdos
para cursos de EAD usando o Modelo de
Habilidades de Pensamento. Para cada uma
das experiências, foram identificadas e
analisadas as facilidades e dificuldades
encontradas com relação à utilização do
modelo e propostas orientações para sua
utilização futura.
Resultados
Em virtude da extensão do estudo e do
prazo curto não foram incluídas, por
orientação da Banca de Qualificação, a
apresentação e avaliação dos resultados em
relação ao desempenho dos alunos.
O estudo está tendo continuidade com
o progresso da experiência de construção do
Curso Online, o qual está em fase de
finalização, devendo nos próximos 30 dias ser
constituída uma turma-piloto para avaliação de
resultados e ajuste do programa. A
pesquisadora continua trabalhando com a
equipe técnica do Projeto e os resultados
serão objeto de futura publicação.
Uma comunicação sobre os resultados
da oficina para conteudistas, a terceira
experiência do estudo, foram apresentados no
EDUCON de 2014, realizado na UFES, sob o
titulo: “Des-formatando formadores: uma
experiência de Oficina de Criatividade para
Professores-conteudistas em Ensino a
Distância.”
Como possível contribuição, o estudo
apresentou a sugestão da inclusão da práxis do
pensamento criativo nos programas de
formação
continuada
de
professores,
iniciando-se na preparação de docentesformadores.
Foi
assinalada
ainda,
como
oportunidade, a amplitude de campo de
pesquisa que se abre quanto à aplicação da
Criatividade, notadamente quanto ao estudo
Boletim Ibero-americano de Criatividade e Inovação, Campinas, nº 07, 118-143, junho-julho, 2015
do Pensamento Criativo, nos vários domínios
da Educação, tanto para docentes como para
discentes.
A construção de um programa de
desenvolvimento
para
equipes
multidisciplinares a ser implementado nas
Instituições que trabalham com EAD,
alinhando saberes e fazeres do professorconteudista com os da equipe técnica,
completa as sugestões e contribuições feitas.
Boletim Ibero-americano de Criatividade e Inovação, Campinas, nº 07, 118-143, junho-julho, 2015
Fernando Cardoso de Sousa
Presidente da APGICO
Associação Portuguesa de Criatividade e Inovação
E-mail: [email protected]
Quanto mais intenso o ritmo da
mudança a que estamos sujeitos, mais
ansiamos por algo verdadeiramente diferente,
que nos abra caminhos e perspetivas para o
futuro, em vez de termos de consumir o que
parece diferente, mas é apenas mais do
mesmo.
E, pensamos nós, não deve haver
maior fonte de novidade do que as áreas da
criatividade e da inovação, pois só elas
favorecem o aparecimento dos últimos gritos
da arte, da tecnologia, do mercado e da
ciência. Assim, cremos que devem existir novas
formas de gerar ideias e de inovar, que levem
as empresas e centros de investigação a novos
produtos e patentes, consubstanciando a
quantidade de livros, artigos, blogues, sites,
que, com grande vitalidade, todos os dias
parecem enriquecer esta temática.
Na realidade, as coisas não são tão
diferentes assim. Com efeito, se analisarmos
em
pormenor
toda
esta
evolução,
perceberemos que muito do que se escreve
deriva de exemplos baseados na Internet.
Termos como open innovation, crowdsourcing,
crowdfunding, cocreation, retratam formas
colaborativas do processo de inovação, sobre
as quais já se falava em finais do século XIX e
se teorizaram muito a partir dos anos 40 (pósGrande Depressão). A diferença agora está em
que, graças à Internet, muitas mais pessoas
podem participar nestes processos, desde que
a estrutura organizacional e o processo de
decisão autorizem essa participação, em
tempo e com eficácia. Por outro lado,
pensarmos que é às áreas tecnológicas de
ponta, como a nanotecnologia, a biotecnologia
e as TIC, que vamos buscar inspiração sob
novos processos de criatividade e inovação é
completamente enganador, pois elas flutuam
ao sabor dos investimentos e não das teorias.
Do lado da criatividade, hoje
valorizam--se mais as equipes - base da
formação das organizações colaborativas (as
chamadas flat organizations, orientadas por
projetos, levados a cabo por equipes de
stakeholders internos e externos), e não tanto
os métodos de produção de ideias, que
arrefeceram bastante desde os anos 90, em
virtude da contestação feita à eficácia do
brainstorming. Insiste-se mais sobre a natureza
coletiva da criação e do valor da facilitação de
equipes, enquanto forma de liderança - esta,
sim, a verdadeira fonte de mudança de
paradigma, também muito influenciada pelas
organizações baseadas na Internet. Mesmo
assim, apenas se recuperaram caminhos
traçados pela psicologia social dos anos 40. Um
tanto estranhamente, é a engenharia de
processos, de pendor neotaylorista, que se
tem tornado mais popular, indo buscar
modelos de inspiração japonesa/norteamericana do pós-guerra (ex. Kaisen/Lean),
anteriores aos conhecidos Círculos de
Qualidade, TQM e Six Sigma. Também
adotámos soluções que a Comissão Europeia
importou dos EUA, como o design thinking e os
sistemas de gestão de ideias, que permanecem
Boletim Ibero-americano de Criatividade e Inovação, Campinas, nº 07, 118-143, junho-julho, 2015
mais como moda do que pelos êxitos obtidos
na inovação das empresas.
Sobre a inovação, a crise obrigou a
rever muitas das concepções, alterando o
discurso baseado quase exclusivamente em
investimentos e tecnologia para outro mais
centrado no negócio. Assim, do primado dos
novos produtos, investimentos em I&D,
patentes registadas e adoção de tecnologia,
derivou-se para a fusão entre produto e
serviço, com realce para o processo de
construção de um negócio aceite pelo
mercado. E a prioridade dada ao mercado
colocou o cliente à frente do produto e o
chamado ADN dos colaboradores (conjunto de
ideias, conhecimentos, compromissos e
capacidade para inovar) à frente dos
departamentos de I&D e de marketing. Ao
conhecido processo Fuzzy Front End of
Innovation, que colocava a essência na
produção de ideias para o desenvolvimento do
produto final, juntou-se o Fuzzy Back End, ou
seja, a compreensão do consumidor enquanto
esforço criativo principal, agora fonte de
preocupação de todos os colaboradores da
empresa, incluindo os responsáveis pela
tecnologia e não, apenas, os de marketing e
vendas. Em termos de conceito de inovação,
transferiu-se o "por uma ideia em uso" para a
"criação de valor", o que pressupõe transferir o
foco na área financeira e tecnológica para o
domínio das pessoas.
E, como tratar as questões relativas a
pessoas complica um pouco mais o assunto,
vamos tentar resumir, em doze princípios, os
últimos 30 anos de produção na área
colaborativa da criatividade e da inovação.
1. Se juntarmos as pessoas adequadas
(com autoridade, conhecimentos, perícias,
recursos ou informação) a um dado objetivo,
sob uma liderança facilitadora e utilizando um
método de trabalho rigoroso, elas criarão as
visões e estratégias necessárias e surpreender-
nos-ão com a sua criatividade, sabedoria e
poder de concretização.
2. A inovação é tanto mais geradora de
mudança efetiva quanto maior for o círculo da
participação, isto é, quanto mais indivíduos,
grupos e organizações se responsabilizarem
por um mesmo projeto.
3. Apesar de só a inovação (traduzida
pelo valor criado) interessar verdadeiramente
às organizações, é essencial a criatividade
(imaginação, conhecimento e vontade em
persistir) de cada indivíduo para tal valor
acontecer, pois a aprendizagem organizacional
faz-se através das pessoas, e não dos sistemas.
4. A criação é sempre coletiva, pelo
que o indivíduo isolado, por muito criativo que
seja, estará sempre mais limitado do que se
estiver inserido num grupo. Por isso a base de
qualquer organização deve ser constituída
pelas equipes e o valor de cada equipe
depende, em alto grau, da qualidade da
liderança que a serve.
5. Por qualidade da liderança deve
entender-se a capacidade de incluir outros no
processo de decisão e de conciliar a disciplina
no
trabalho
do
dia-a-dia
com
o
desenvolvimento de projetos imaginados e
levados a cabo pelas equipes.
6. O valor dos grandes talentos
individuais é inegável, mas para as
organizações, é menor que o resultante da
aplicação do talento e conhecimentos únicos
que todos possuem, em benefício do coletivo,
cabendo aos órgãos de gestão reconhecer
esses talentos, incentivá-los e desenvolvê-los.
7. Sem participação não existe
verdadeiro desenvolvimento organizacional
mas não basta apelar à participação para que
ela ocorra. A transparência é fundamental,
Boletim Ibero-americano de Criatividade e Inovação, Campinas, nº 07, 118-143, junho-julho, 2015
sobretudo no que respeita às recompensas,
avaliação do desempenho e segurança na
relação pois, sem confiança, a participação não
é possível.
8. A criatividade surge mais da
diversidade de contribuições do que dos
métodos utilizados ou do treino recebido.
11. Se bem que os grupos ideais sejam
os grupos pequenos, é perfeitamente possível
trabalhar com grupos grandes, desde que os
métodos utilizados e as perícias de
coordenação permitam manter o mesmo grau
de eficácia e participação dos grupos
pequenos.
9. A definição ou a descoberta do
problema é mais importante do que a sua
solução, mas fazer um diagnóstico que
mobilize todos para a ação requer tempo,
conhecimentos e persistência, não podendo
ser conseguido, meramente, pela aplicação de
um qualquer processo de raciocínio individual
ou forma de trabalho em grupo.
12. A Internet e as novas tecnologias
vieram ampliar muito as possibilidades de
juntar as pessoas adequadas em grande
número e ao mesmo tempo. No entanto, a
tecnologia será sempre complementar do
valor da reunião presencial, sem outra
mediação para além de um facilitador e um
cavalete com folhas de papel.
10. A maior dificuldade do trabalho em
grupo consiste em obter flexibilidade no
pensamento, isto é, a capacidade de cada um
aceitar os pontos de vista dos outros e de não
censurar os seus próprios pensamentos. No
entanto, por muito boa que seja a flexibilidade
de pensamento obtida, se não houver um
compromisso forte com a equipe e com as
decisões tomadas, a criatividade dificilmente
pode resultar em inovação.
Sendo assim, que novidades para
quem quer inovar? É que podemos ser dos
mais criativos, adaptáveis e improvisadores,
mas se não conseguirmos adotar formas
colaborativas de inovação e mantivermos a
tendência
para
a
fragmentação,
continuaremos a insistir em soluções que
podem parecer diferentes, mas que no fundo,
são só mais do mesmo.
Boletim Ibero-americano de Criatividade e Inovação, Campinas, nº 07, 118-143, junho-julho, 2015
EmpresasInovadoras
Estela Sant’Ana
Pesquisadora de Clínica Médica
Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento Ibramed
Coordenadora do Curso Lato Sensu MBA em Fisioterapia
Dermatofuncional, Estética e Cosmética CEFAI –
Centro de Estudos e Formação Avançada IBRAMED
E-mail: [email protected]
Gigante da reabilitação e da estética, a
IBRAMED está localizada na cidade de Amparo,
cidade do interior de São Paulo e foi fundada
em 1994, com sede em Amparo/SP. Sua
missão
é
produzir
equipamentos
eletromédicos e difundir conhecimento em
benefício do ser humano. Conta hoje com uma
área construída de 3.800 m² e modernos
processos para a produção, verificação e
assistência
técnica
de
equipamentos,
adequada às normas das Boas Práticas de
Fabricação de produtos médicos. Atualmente
possui 35 equipamentos cadastrados na
ANVISA e, destes, 14 equipamentos já
possuem certificação no FDA para venda no
mercado americano. Outros equipamentos
passam por processo de certificação. A
previsão é que, até o final de 2015, todos os 35
equipamentos tenham certificação americana.
Novos produtos se encontram em processo de
registro na ANVISA ou em testes de
certificação no Instituto de Pesquisas
Tecnológicas (IPT/USP).
A inovação sempre esteve presente na
IBRAMED. Adotar tecnologia de ponta e
soluções para equipamentos nas áreas da
Fisioterapia, Reabilitação, Fisiatria, Medicina
estética, Fisioterapia Dermatofuncional e
Estética elevou a IBRAMED ao status de uma
das maiores fabricantes da América Latina.
Nos mercados da medicina estética,
fisioterapia dermatofuncional e estética, a
IBRAMED se sobressai pela produção de
equipamentos como Hooke, Ares e a
Plataforma de Terapia Combinada com
ultrassom Heccus, além de outros produtos. A
proponente também conta com completa
linha equipamentos destinada à reabilitação,
medicina esportiva e traumato-ortopedia com
ultrassom terapêutico, eletroestimulador
neuromuscular,
massagem
mecânica,
diatermia por ondas-curtas e laser terapêutico.
Destaque para a Corrente Aussie (reconhecida
pelo FDA), um produto exclusivo da IBRAMED,
considerada como uma das maiores inovações
terapêuticas com usos na fisioterapia e
reabilitação. A empresa também conta com
completa linha equipamentos destinada à
reabilitação, medicina esportiva e traumatoortopedia com ultrassom terapêutico,
eletroestimulador neuromuscular, massagem
mecânica, diatermia por ondas-curtas e laser
Boletim Ibero-americano de Criatividade e Inovação, Campinas, nº 07, 118-143, junho-julho, 2015
terapêutico. Destaque para a Corrente Aussie
(reconhecida pelo FDA), um produto exclusivo
da IBRAMED, considerada como uma das
maiores inovações terapêuticas com usos na
fisioterapia e reabilitação. Além disso, conta
com uma equipe de profissionais altamente
capacitados, clínicos e científicos, que
ministram cursos e treinamentos sobre os usos
dos equipamentos e temas correlatos.
A equipe de P&D, i está centrada na
capacidade de transformar expectativas em
produto,
norteada
por
fatores
de
competitividade tais como: confiabilidade,
custo, flexibilidade, qualidade e velocidade.
Sendo assim, a empresa usa elementos
geradores
de
competitividade
no
desenvolvimento de produtos e processos com
utilização das melhores práticas em custos e
qualidade de acordo com as necessidades dos
consumidores. O entendimento das demandas
de mercado em relação a uma determinada
categoria de produto e também a identificação
de lançamentos inovadores neste segmento de
atuação seguidos de uma busca minuciosa em
literatura científica a cerca das tendências
relacionadas a tratamentos clínicos por meio
desta categoria de produto.
Para a criação de um produto, geração
e triagem de ideias, uma equipe muldisciplinar
é acionada. Uma intensa pesquisa de mercado
para identificação das necessidades do cliente
associada à pesquisa básica e levantamento de
literatura de suporte é realizada. Reuniões
adicionais são realizadas para afunilar as
possibilidades. Uma vez decidida a solução, a
viabilização do produto ocorre via engenharia,
que materializa o protótipo. A funcionalidade,
gerenciamento de risco e usabilidade são
avaliadas antes e após a prototipagem. Tudo
isso ocorre, atendendo normas técnicas. O
protótipo é encaminhado para ensaios de
certificação para posterior registro sanitário.
Avalições de funcionalidade são realizadas
seguindo uma rotina: avaliação de bancada,
estudos experimentais, estudo pré-clínico,
seguido de estudo clínico. Toda a validação da
técnica e funcionalidade é realizada. O
desenvolvimento é um processo dinâmico que
envolve diferentes visões, tudo para atender
as necessidades do mercado, criando soluções
que melhores a saúde e a qualidade de visa
das pessoas.
Figura 1. Fluxograma de desenvolvimento de ideias e produtos (elaborado pela autora).
Boletim Ibero-americano de Criatividade e Inovação, Campinas, nº 07, 118-143, junho-julho, 2015
Além disso, a IBRAMED conta com
uma equipe de profissionais altamente
capacitados, clínicos e científicos, que
ministram cursos e treinamentos sobre os
usos dos equipamentos e temas correlatos.
O Centro de Estudos e Formação Avançada
IBRAMED (CEFAI) colabora com essa prática
por meio de cursos aos profissionais da área
e
o
desenvolvimento
de
novas
aplicabilidades
terapêuticas
para
os
equipamentos que produz.
Nos mercados da medicina estética,
fisioterapia dermatofuncional e estética, a
IBRAMED se sobressai pela produção de
equipamentos
como
Hooke,
Ares,
Sonofocus, Lyra e a Plataforma de Terapia
Combinada com ultrassom Heccus, além de
outros produtos. Atrelado ao centro de P&D,
a IBRAMED possui uma escola de PósGraduação, que desenvolve pesquisas
clínicas e científicas e também parcerias
com diferentes laboratórios de pesquisas de
universidades nacionais e internacionais
com objetivo de desenvolver projetos
inovadores de produtos serviços.
Com esta configuração, a IBRAMED
desenvolve produtos eletromédicos com
primor funcional e tecnologia avançada. A
integração entre os departamentos de
Marketing,
Qualidade,
Pós-vendas
e
Comercial visa a proporcionar equipamentos
modernos e com design avançado aos
clientes, fabricados de acordo com as
normas técnicas e gestão da qualidade, com
atendimento comercial e pós venda
personalizados.
Figura 2. Fachada da empresa localizada na cidade de Amparo – SP.
Boletim Ibero-americano de Criatividade e Inovação, Campinas, nº 05, 80-100, dezembro-2014/janeiro-2015
AgendadeEventos
http://www.ibapnet.org.br/congresso2015/
http://www.conpeispa.com/conpeispa_inicio.html
http://congresos.um.es/cisyt/cisyt2015
Boletim Ibero-americano de Criatividade e Inovação, Campinas, nº 07, 118-143, junho-julho, 2015
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Convidamos a todos os interessados em publicar neste Boletim a enviar
suas contribuições até dia 20/07 / 2015.
Boletim nº 08 – Lançamento previsto para dia 05 de agosto de 2015.
Este boletim aceita contribuições nos idiomas português, espanhol e
inglês.
Participem! Esta é uma excelente oportunidade para divulgar seus
trabalhos para a comunidade ibero-americana.
E-mail para o envio: [email protected]
Cordialmente,
Sergio Fernando Zavarize
Editor-chefe
Solange Muglia Wechsler
Co-editora
Organização:
Boletim Ibero-americano de Criatividade e Inovação, Campinas, nº 07, 118-143, junho-julho, 2015
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