UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO CENTRO PEDAGÓGICO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO DOUTORADO EM EDUCAÇÃO WAGNER DOS SANTOS A CONSTITUIÇÃO DO CAMPO EPISTEMOLÓGICO DO CURRÍCULO: ESTRATÉGIAS, APROPRIAÇÕES E CIRCULARIDADES CULTURAIS OPERADAS NA ANPED VITÓRIA 2011 WAGNER DOS SANTOS A CONSTITUIÇÃO DO CAMPO EPISTEMOLÓGICO DO CURRÍCULO: ESTRATÉGIAS, APROPRIAÇÕES E CIRCULARIDADES CULTURAIS OPERADAS NA ANPED Tese apresentada ao Programa de PósGraduação em Educação do Centro Pedagógico da Universidade Federal do Espírito Santo, como requisito parcial para obtenção do título de Doutor em Educação, na linha de pesquisa Currículo, Cultura e Formação de Educadores. Orientadora: Profª Drª Regina Helena Silva Simões. VITÓRIA 2011 Dados Internacionais de Catalogação-na-publicação (CIP) (Biblioteca Central da Universidade Federal do Espírito Santo, ES, Brasil) ___________________________________________________________________ S237c Santos, Wagner dos, 1978A constituição do campo epistemológico do currículo: estratégias, apropriações e circularidades culturais operadas na ANPEd / Wagner dos Santos. – 2011. 426 f. : il. Orientadora: Regina Helena Silva Simões. Tese (doutorado) – Universidade Federal do Espírito Santo, Centro de Educação. 1. Currículo. 2. ANPEd. 3. Campo epistemológico. 4. História. 5. Produção científica. I. Simões, Regina Helena Silva. II. Universidade Federal do Espírito Santo. Centro de Educação. III. Título. CDU: 37 ___________________________________________________________________ WAGNER DOS SANTOS A CONSTITUIÇÃO DO CAMPO EPISTEMOLÓGICO DO CURRÍCULO: ESTRATÉGIAS, APROPRIAÇÕES E CIRCULARIDADES CULTURAIS OPERADAS NA ANPED Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Educação do Centro Pedagógico da Universidade Federal do Espírito Santo, como requisito parcial para obtenção do título de Doutor em Educação na linha de pesquisa Currículo, Cultura e Formação de Educadores. Aprovada em 05 de janeiro de 2010. COMISSÃO EXAMINADORA Para minha filha Maria Clara e esposa Claudia AGRADECIMENTOS Minha gratidão a todos que colaboraram com este trabalho. Em especial: À professora Regina Helena Silva Simões que sempre esteve ao meu lado, me oferecendo condições para que o sonho do doutorado se tornasse realidade. Suas leituras criteriosas, sugestões e diálogos possibilitaram a qualificação deste trabalho. Aos professores Carlos Eduardo Ferraço e Janete Magalhães Carvalho intensos colaboradores, ou melhor, co-orientadores deste trabalho. Professores que sempre arrumavam um tempo para me atender, mesmo não o tendo. Ao professor Antonio Flávio Moreira pela disponibilidade de tempo e pelo criterioso/cuidadoso diálogo e contribuições. À professora Carmen Lúcia Perez que mesmo se encontrando em situação adversa aceitou participar desta banca. Ao professor Amarílio Ferreira Neto, amigo de todas as horas, que acompanha minha caminhada desde a Iniciação Científica e que sempre acreditou no meu trabalho. Suas leituras e sugestões foram extremamente significativas para o rumo desta pesquisa. À professora Silvana Ventorim, amiga atenciosa de todas as horas que sempre esteve à disposição para as longas conversas. A minha adorada companheira Claudia a quem sem dúvida devo muito. Sempre paciente para entender o quanto é difícil realizar um trabalho dessa natureza, abrindo mão, muitas vezes, dos momentos de lazer para ficar ao meu lado. Obrigado por compartilhar esse sonho comigo e por ter participado intensamente da sua materialização. À minha filha Maria Clara, meu refúgio nos momentos mais difíceis e, ao mesmo tempo, minha fonte inspiradora. À minha família, em especial, a minha mãe Glória que sempre me ofereceu tranqüilidade e uma palavra de ternura. E, ao meu sobrinho Paulo Vitor que me acompanhou e ajudou na formatação da tese. Ao PROTEORIA, lugar da segurança, do aconchego, do movimento constante de pessoas e idéias. Aos meus amigos do PROTEORIA: Amarílio, Omar, Andrea, Ana Claudia, André, Roziani, Felipes, que acompanharam de perto todas as angústias e inquietações dessa longa jornada. Ao Omar Schneider, amigo de todas as horas e de todos os momentos. Nossas conversas contribuíram ricamente para minha formação. Aos professores da UVV, em especial Marcelo Nunes, Marcio, Marcela, Miguel, Juca e Mônika que sempre tiveram uma palavra amiga. Aos estagiários do NATA, em especial, Juliana e Karla, que contribuíram também para a possibilidade desse acontecimento. À Universidade Federal do Espírito Santo, em especial, ao corpo docente e funcionários do Programa de Pós-Graduação em Educação. No infinito Do vão do espaço Se espaça o tempo, Não há cansaço! No infindo imenso De um tempo aço Se espessa o vão Que liberta o traço, Forte num abraço! Há muito mais Do que esperamos ser, Tem mais além De onde podemos ver... Mais muito há Do que pensamos ter, Além do mais Do que queremos crer! Há bem mais sóis Crestando entre as estrelas! Vamos andando Por aí ... Brilhar É o espaço siderar! Há bem mais sóis ... Há bem mais sóis, Crestando entre as estrelas : Confusos, tentamos vê-las! Confusos, tentamos tê-las! Confusos, tentamos ser As estrelas !!! “SÓIS” Sérgio Cassiano RESUMO Este trabalho evidencia as relações de força estabelecidas em contextos de produção e consumo do campo epistemológico, focalizando o olhar para o modo como atores, autores, orientadores e grupos de pesquisa vão estrategicamente/taticamente delineando o campo do currículo. Assume a via da pesquisa histórica como ferramenta e tem como fonte as Reuniões Anuais da ANPEd, as produções vinculadas no GT Currículo, a Revista Brasileira de Educação e o livro originado da sessão Trabalhos Encomendados no período de 1995 à 2008. O estudo é organizado em quatro eixos de análise que se imbricam: 1) história da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa, pontos de encontros e distanciamentos existentes entre as Reuniões Anuais, Revista Brasileira de Educação e GT Currículo; 2) papel exercido pela diretoria da ANPED, Presidência do GT Currículo, Editores da Revista Brasileira de Educação na constituição do campo do currículo; 3) relações de força entre autores, atores e grupos de pesquisa que configuram o campo do currículo no Brasil; 4) o debate sobre currículo veiculado na ANPEd, diferentes apropriações dos autores de referência e circularidade cultural entre os estudos. Observa-se nos 284 trabalhos analisados que a constituição epistemológica do campo do currículo expressa na circularidade cultural as invenções teórico-práticas, possibilidades de problematizações do campo pela polifonia das apropriações de autores de referência, assim como pelos processos hegemônicos que marcam as trajetórias dos espaços-tempos de produção/circulação analisados. Palavras-chave: Currículo. ANPEd. Campo epistemológico. História. Produção Científica. ABSTRACT This work highlights the power relations established in the context of production and consumption of the epistemological field, focusing on the watch on the way that actors, authors, advisors and research groups will strategically / tactically design the curriculum field. Assume the path of historical research as a tool and has as data sources the Reunião Annual da ANPEd, the productions linked to GT Curriculo, Revista Brasileira de Educação and the book originated from the session Trabalhos Encomendados from 1995 to 2008. The study is organized into four axis of analysis that imbricate: 1) history of the Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa, meeting points and distances between the Reuniões Anuais, Revista Brasileira de Educação and GT Currículo; 2) the role played by ANPED board, chair of GT Currículo, editors of Revista Brasileira de Educação in establishing the field of curriculum, 3) strength relationships between authors, actors and research groups that make up the curriculum field in Brazil and 4) the debate on curriculum broadcast in ANPEd, different appropriations of the reference authors and the cultural circularity among studies. It is observed in the 284 studies analyzed that the epistemological constitution of the curriculum field expresses in the cultural circularity the theoretical and practical inventions, possibilities of field problematization by polyphony of appropriations of reference authors, as well as the hegemonic processes that mark the trajectories of space-time of the analyzed production/circulation. Key-words: Curricullum. ANPEd. Epistemologic field. History. Scientific production. LISTA DE FIGURAS Fig. 1 – Fig. 2 – Fig. 3 – Fig. 4 – Fig. 5 – Fig. 6 – Fig. 7 – Fig. 8 – Fig. 9 – Fig. 10 – Fig. 11 – Fig. 12 – Fig. 13 – Fig. 14 – Fig. 15 – Fig. 16 – Fig. 17 – Fig. 18 – Fig. 19 – Fig. 20 – Fig. 21 – Fig. 22 – Fig. 23 – Fig. 24 – Fig. 25 – Fig. 26 – Fig. 27 – Fig. 28 – Fig. 29 – Fig. 30 – Fig. 31 – Fig. 32 – Fig. 33 – Fig. 34 – Identificação do ano e do local das Reuniões Anuais da ANPEd............................................................................................. Capa Boletim 12.............................................................................. Capa Boletim n. 15.......................................................................... Capa Boletim n. 17.......................................................................... Programação................................................................................... Apresentação 23 RA....................................................................... Apresentação 26ª RA...................................................................... Formando teia................................................................................. Apresentação 26ª RA...................................................................... Capa n. 0......................................................................................... Capa n. 5/6...................................................................................... Capa n. 16....................................................................................... Capa n. 21....................................................................................... Capa n. 22....................................................................................... Capa n. 32....................................................................................... Capa n. 25....................................................................................... Capa n. 29....................................................................................... Capa n. 31....................................................................................... Capa n. 33....................................................................................... Capa n. 34....................................................................................... Capa n. 17....................................................................................... Capa n. 35....................................................................................... Capa n. 24....................................................................................... Capa n. 19....................................................................................... Capa n. 38....................................................................................... Capa n. 14....................................................................................... Capa n. 15....................................................................................... Capa n. 30....................................................................................... Capa n. 36....................................................................................... Sumário do Boletim (1995).............................................................. Organização da Reunião Anual...................................................... Sumário (1995)................................................................................ Distribuição de trabalhos por instituição e estado........................... Distribuição de autores de referência............................................. 60 83 84 84 85 85 86 86 87 89 89 90 90 90 91 91 91 91 91 91 93 93 93 93 93 94 94 95 95 100 101 103 159 182 LISTA DE GRÁFICO Gráfico 1 – Gráfico 2 – Gráfico 3 – Gráfico 4 – Gráfico 5 – Gráfico 6 – Gráfico 7 – Gráfico 8 – Gráfico 9 – Gráfico 10 – Gráfico 11 – Distribuição de artigos publicados no GT Currículo Ritmo de publicação.......................................................................... Ritmo de produção da revista e quantidade de página.................... Distribuição de artigos por temáticas levando-se em consideração as RAs.............................................................................................. Distribuição de artigos sobre currículo nos números da RBE.................................................................................................. Relação entre a distribuição de trabalhos publicados na ANPEd e RBE.................................................................................................. Trabalhos apresentados no GT Currículo e tipo de instituição.......................................................................................... Percentual de Trabalhos Apresentados segundo sistema de ensino superior................................................................................. Número de trabalhos apresentados no GT Currículo e sua relação com o sistema de ensino superior.................................................... Distribuição dos artigos por região, país e quantitativo de instituições....................................................................................... Distribuição de trabalhos por Programas de Pós e linhas de pesquisa........................................................................................... 65 72 78 141 146 150 154 155 156 158 200 LISTA DE QUADROS Quadro 1 – Quadro 2 – Quadro 3 – Quadro 4 – Quadro 5 – Quadro 6 – Quadro 7 – Quadro 8 – Quadro 9 – Quadro 10 – Quadro 11 – Quadro 12 – Quadro 13 – Quadro 14 – Quadro 15 – Quadro 16 – Quadro 17 – Número de textos aceitos para avaliação e número de aprovados para apresentação nas Reuniões Anuais 1995 a 2007........................................................................................... Número de textos apresentados no GT Currículo no período de 1995 a 2007.......................................................................... Distribuição dos artigos segundo ano, número da revista, quantidade de artigos e autores................................................ Distribuição de trabalhos por instituição e Reunião Anual........ Distribuição das publicações da Região Sul por instituição e Reuniões Anuais........................................................................ Distribuição de textos da região Centro-Oeste por instituição e Reuniões Anuais........................................................................ Publicação por instituição nas Reuniões Anuais da Região Nordeste..................................................................................... Distribuição de trabalhos por instituição da Região Norte......... Situação dos Programas quanto à existência de atividade institucional em Currículo........................................................... Situação dos Programas quanto à existência de atividade institucional em Currículo........................................................... Formação e instituição formadoras dos pesquisadores que publicaram na sessão Trabalhos Apresentados........................ Distribuição de artigos estrangeiros por instituição e Reuniões Anuais........................................................................................ Mapeamento referente ao livros do GT originário dos trabalhos encomendados e grupos de pesquisa....................... Indicativos de citações e obras de referência............................ Apresentação dos principais autores de referência................... Distribuição quantitativa dos principais autores de referência... Distribuição de autores de referência........................................ 62 63 147 160 165 167 169 169 171 172 423 180 198 203 235 258 277 SUMÁRIO 1 1.1 1.2 1.3 1.4 1.5 CAPÍTULO I O OBJETO DE PESQUISA E SUA CONSTITUIÇÃO: AS TESSITURAS DE UM CAMPO INVESTIGATIVO............................ 14 OBJETIVOS...................................................................................... 18 QUESTÕES DE ESTUDO................................................................. 19 A ARQUITETURA DO PROJETO..................................................... 20 ENTRE A HISTÓRIA DO CURRÍCULO E O CURRÍCULO NA HISTÓRIA: PERCURSOS INVESTIGATIVOS.................................. 29 TRILHANDO ALGUNS CAMINHOS: EM BUSCA DE UMA METODOLOGIA................................................................................ 38 CAPÍTULO II 2. CENÁRIO DE INVESTIGAÇÃO: PONTOS DE ENCONTRO ANPED E RBE.................................................................................. 2.1 A ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PESQUISA E PÓSGRADUAÇÃO................................................................................... 2.2 REUNIÕES ANUAIS DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO.................................................... 2.2.1 Reuniões anuais.............................................................................. 2.2.2 Da manutenção da periodicidade anual das reuniões................. 2.3 REVISTA BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO: UM DIÁLOGO COM A ANPEd............................................................................................... 2.3.1 Da periodicidade da revista............................................................ 3. 3.1 3.2 3.3 3.3.1 3.3.2 3.4 3.4.1 3.4.2 3.5 3.6 4 4.1 4.2 4.3 CAPÍTULO III OS DIRETORES, OS EDITORES E SEUS DISPOSITIVOS: UMA ANÁLISE DAS REUNIÕES ANUAIS E DA REVISTA BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO......................................................... DAS CAPAS E APRESENTAÇÕES NAS REUNIÕES ANUAIS ANPED.............................................................................................. DAS CAPAS DA REVISTA BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO.............. DOS SUMÁRIOS............................................................................... Organização das Reuniões Anuais................................................ Sumários da Revista Brasileira de Educação............................... DOS EDITORIAIS............................................................................. Das apresentações nas Reuniões Anuais.................................... Dos editoriais da Revista Brasileira de Educação....................... TEMÁTICAS REVELADAS NAS REUNIÕES ANUAIS DA ANPED. TEMÁTICAS PROJETADAS NA REVISTA BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO...................................................................................... CAPÍTULO IV AUTORES, ATORES E GRUPOS DE PESQUISA: A CONSTITUIÇÃO DO CAMPO CIENTÍFICO...................................... Procedência Institucional.................................................................... Procedência Territorial, Institucionalização e Autores de Referência A internacionalização e a constituição do campo do currículo........... 43 45 54 56 59 69 71 80 83 88 96 98 102 106 107 117 133 139 152 153 157 179 5 5.1 5.2 5.2.1 5.2.2 5.2.3 5.3 5.3.1 5.3.2 5.3.3 5.4 5.4.1 5.4.2 5.5 5.5.1 5.5.2 5.5.3 5.5.4 CAPÍTULO V ENTRE APROPRIAÇÕES E CIRCULARIDADE CULTURAL: O DEBATE SOBRE CURRÍCULO NA ANPEd.................................... ATORES, AUTORES E GRUPOS DE PESQUISA: PRIMEIRAS APROXIMAÇÕES............................................................................... CURRÍCULO, HISTÓRIA, POLÍTICA E MULTICULTURALISMO...... História das disciplinas escolares, transposição didática e cultura escolar................................................................................... Política curriculares.......................................................................... Multiculturalismo, identidade e diferença....................................... CURRÍCULO, POLÍTICA E TEORIA CRÍTICA.................................... Formação de professores................................................................. Prática docente.................................................................................. Currículo e conhecimento................................................................ CURRÍCULO E AS PESQUISAS NOS/DOS/COM OS COTIDIANOS Concepção de conhecimento, cotidiano, sujeitos, pesquisa e currículo............................................................................................. Narrativas e imagens: um diálogo com o currículo e a formação de professores................................................................................... CURRÍCULO, PÓS-ESTRUTURALISMO E ESTUDOS CULTURAIS Currículo e conhecimento................................................................ Artefatos culturais............................................................................. Currículo e cultura............................................................................. Currículo, formação docente e prática pedagógica....................... 191 196 202 204 214 224 233 236 245 249 257 259 271 276 279 286 292 298 CONSIDERAÇÕES FINAIS................................................................ 304 REFERÊNCIAS................................................................................. APÊNDICES........................................................................................ Apêndice A — Mapa sobre o ano de fundação de todos os Grupos de Trabalho no período de 1982 a 2008............................................. Apêndice B — Mapeamento dos grupos de pesquisa, instituição e formação dos autores que publicaram na sessão Trabalhos Apresentados...................................................................................... Apêndice C — Mapeamento dos grupos de pesquisa, instituição e formação dos autores que publicaram na sessão Trabalhos Encomendados.................................................................................... Apêndice D — Mapeamento dos grupos de pesquisa, instituição e formação dos autores que publicaram na Sessões Especiais............ Apêndice E — Mapeamento dos grupos de pesquisa, instituição e formação dos autores que publicaram na sessão Mini-curso............. Apêndice F — Distribuição da produção nas Reuniões Anuais conforme grupos de pesquisas........................................................... Apêndice G — Formação e instituição formadoras dos pesquisadores que publicaram na sessão Trabalhos Apresentados.. 312 369 370 372 390 409 417 420 423 14 CAPÍTULO I 1 O OBJETO DE PESQUISA E SUA CONSTITUIÇÃO: TESSITURAS DE UM CAMPO INVESTIGATIVO AS Autores como Lopes e Macedo (2005), Macedo e Fundão (1996), Moreira (1998, 2000), Paraíso (2003, 2004) e Silva (2005) demonstram como as produções acadêmicas sobre currículo vêm assumindo, ao longo de sua história, diferentes correntes epistemológicas, sendo possível perceber a existência de leituras que circulam pelas teorizações críticas e pós-críticas.1 Sob forte influência das produções americanas, inglesas e espanholas, o campo de estudos do currículo tem se debruçado em investigações que ora se aproximam, ora se afastam das práticas escolares. Nesse contexto, os estudos no campo do currículo nos possibilitam compreender a ampliação dos programas de pós-graduação, dos grupos de pesquisa, bem como a diversificação de temas, teorias e métodos de investigação. Macedo (2006), por exemplo, ao mapear a produção acadêmica veiculada nos Programas de PósGraduação em Educação no período entre 1996 e 2002, apresenta um universo de 453 teses e dissertações defendidas em 27 Programas de Pós-Graduação sobre currículo. Dentre as temáticas abordas pelas pesquisas, chama a atenção o elevado número de estudos cujo principal interesse é a prática curricular ou o currículo vivido, praticado, perfazendo um total 43,5% trabalhos analisados. As propostas curriculares, ou o currículo formal, foram o segundo foco de maior interesse, constituindo 22,3% das teses e dissertações. Segundo a autora, apenas 12,6% das pesquisas procuram estabelecer uma análise que busque identificar as múltiplas relações existentes entre as propostas curriculares e o currículo materializado no cotidiano escolar pelos professores. As teorizações de cunho globalizante, tanto das vertentes funcionalistas como da crítica marxista, marcam a produção teórica da década de 1980 e 1990. A partir da 1 Moreira (1998) distingue duas linhas de pesquisa na teoria crítica: a primeira (dominante até os anos de 1980, fiel às abordagens estruturais e aos referenciais teóricos dos primeiros estudos) tendo como referência o neo-marxismo e a teoria crítica; a segunda (anos 1990), incorporando contribuições dos estudos feministas, de raça, estudos culturais e do pensamento pós-moderno e pós-estrutural, caracterizando o presente embate como entre os neo-marxistas e os pós-modernos. 15 matriz teórica crítica, os estudiosos no campo do currículo procuraram elaborar críticas sobre os currículos disciplinares; a hegemonia da cultura acadêmica nos conteúdos curriculares; a hierarquização de disciplinas no interior das propostas curriculares e as discriminações de classe, gênero e etnia presentes tanto nos currículos oficiais como nos materiais didáticos e nas práticas escolares. Multiplicamse trabalhos que defendem os currículos integrados; a necessidade de conhecimento das culturas dos alunos; o respeito às diferenças; a aproximação do currículo da vida cotidiana e da cultura da comunidade em que a escola se insere; a necessidade de a escola trabalhar não apenas conteúdos cognitivos, mas também valorizar e trabalhar o corpo, as emoções, as habilidades e os valores sociais; a reorganização da sala de aula no sentido do estabelecimento de práticas mais democráticas de ensino. Além disso, é discutida a influência do currículo na formação das subjetividades dos alunos em função não apenas dos conteúdos ministrados, mas das formas de ensino utilizadas (LOPES; MACEDO, 2002). Observamos, em meados da década de 1990, um movimento que se caracteriza pela multiplicidade de pesquisas e trabalhos que pensam a educação, a pedagogia, o currículo e outras práticas educativas de modo diferente do que vinha sendo produzido, assumindo como perspectiva epistemológica as teorias pós-críticas. As pesquisas realizadas no campo do currículo passam a privilegiar, como salienta Paraíso (2004), as explicações e narrativas parciais, locais e particulares (SILVA, 1993); a invenção, a criação, o artefato, a produção em lugar das ―revelações‖ ou ―descobertas‖ (CORAZZA, 2001); e a entender o sujeito como uma produção da linguagem, dos textos, do discurso, da história, dos processos de subjetivação (SILVA, 1999). Assim, como consequência de seus interesses, as pesquisas póscríticas em educação no Brasil têm questionado o conhecimento (e seus efeitos de verdade e de poder), o sujeito (e os diferentes modos e processos de subjetivação), os textos educacionais (e as diferentes práticas que estes produzem e instituem). Tais pesquisas têm problematizado as promessas modernas de liberdade, conscientização, justiça, cidadania e democracia, abdicado da exclusividade da categoria classe social e discutido questões de gênero, etnia, raça, sexualidade, idade (LOURO, 1995). Têm discutido ainda sobre tempos e espaços educacionais, 16 mostrando os processos de invenção da escola moderna, bem como pensado, de diferentes formas, a diferença, a identidade e a luta por representação. Apesar da tentativa em demarcar um lugar de diferenciação nas teorizações curriculares, no qual encontramos as teorias críticas e pós-críticas, parece-nos que o hibridismo tem se constituído como uma marca dessa produção. Estudos como os de Dussel (2002), Lopes e Macedo (2006), Lopes (2005, 2006), Matos e Paiva (2007), Paraíso (2003, 2004), Veiga-Neto (2007), Veiga-Neto e Macedo (2007) evidenciam a hibridização cultural existente entre os discursos pós-modernos e as teorizações críticas que fundamentam os estudos realizados sobre currículo. Para os autores, tal articulação tem trazido profícuas questões, com a emergência de novas problemáticas, redefinindo o campo. Esse processo ocorre tanto pela quebra como pela mistura de coleções organizadas por sistemas culturais diversos, com a desterritorialização de produções discursivas constituindo e expandindo gêneros impuros, configurando um campo contestado. Isso demonstra que o campo do currículo encontra-se frente a uma redefinição, exigindo do pesquisador em currículo apropriar-se daquilo que lhe é útil em outros campos, guiando-se por uma ideia de confrontação criativa de modo que consiga revalorizar as discussões sobre currículo, aproveitando os elementos disponíveis em seu campo de origem. Diante do contexto apresentado o importante, nesse momento, foi reconhecer que a mobilização do conceito de currículo [...] não é inocente e que ele tende a legitimar certos grupos e tendências em desfavor de outros. Nesse sentido, ele deve ser visto como parte dos jogos de interesse que definem o trabalho acadêmico e os processos de legitimação das diversas correntes científicas (NÓVOA, 1997, p. 14). O termo currículo, como salienta Pacheco (2005), não tem um sentido unívoco, pois se situa na diversidade de práticas e de conceitos em função das perspectivas que se adaptam, o que vem a traduzir-se, por vezes, em alguma imprecisão acerca da sua natureza. Insistir numa definição abrangente de currículo poder-se-á tornar extemporâneo e negativo, dado que não existe um acordo totalmente generalizado sobre o que significa. 17 Estudos sobre a constituição do campo epistemológico do currículo, quando pensados de forma linear, apontam para mudanças nas quais concepções curriculares derivadas de diferentes matrizes filosóficas acabam percebidas como tendências antagônicas ou mutuamente excludentes, na medida em que são lidas como possíveis avanços ou conservadorismo nas teorizações e práticas curriculares. Entretanto, para compreendermos além de um evolucionismo linear e simplificador, a complexidade dos movimentos no campo epistemológico do currículo no Brasil nas três últimas décadas, propomos aproximações com a temática curricular pela via da pesquisa histórica, com o objetivo de capturar percursos que se entrecruzam em espaços/tempos de produção acadêmico-científica. Por meio dessa operação histórica (CERTEAU, 1990), buscamos compreender de que forma nas relações de força (GINZBURG, 2002) estabelecidas em contextos de produção e consumo do campo epistemológico, atores, autores e grupos de pesquisa vão estrategicamente (CERTEAU, 1994) delineando, no jogo convencional do universo científico (BOURDIEU, 1989), a constituição do campo do currículo, práticas de apropriação (CERTEAU, 1994) e circularidade cultural (GINZBURG, 1987). Para tanto, destacamos, dentre os espaços/tempos de produção/circulação teóricoprática historicamente constituídos no Brasil, a ANPEd no período de 1995 e a 2008. Como analisamos a materialidade, o projeto editorial das fontes, os grupos de pesquisa e os saberes postos em circulação sobre currículo, resolvemos delimitar um período que contemplasse o primeiro número da Revista Brasileira de Educação. Um outro fator preponderante para a escolha do recorte temporal está no fato de as Reuniões Anuais só publicarem trabalhos completos a partir do ano de 1995. Anteriormente as publicações eram efetuadas no formato resumos o que, na nossa leitura, dificultaria a leitura e a análise dos dados. Privilegiamos, portanto, como fontes, Boletim ANPEd, Caderno de Programação e Resumo, trabalhos apresentados no Grupo de Trabalho Currículo, os livros originários da sessão Trabalhos Encomendados e a Revista Brasileira de Educação. 18 Defendemos a tese de que, estudada pela via da pesquisa histórica, a constituição do campo epistemológico do currículo expressa na circularidade cultural (GINZBURG, 1987) as invenções teórico-práticas, possibilidades de problematização do campo pela polifonia das apropriações (CERTEAU, 1994), assim como pelos processos hegemônicos que marcam as trajetórias dos espaços-tempos de produção/circulação analisados. 1.1 OBJETIVOS As questões orientadoras desta pesquisa foram construídas levando-se em consideração o objeto de estudo e as fontes analisadas. Nesse caso, assumimos como referência quatro eixos norteadoras: 1) apresentar uma análise histórica da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa apontando os pontos de encontro e distanciamento existente entre as Reuniões Anuais e a Revista Brasileira de Educação, bem como a contribuição dessa Associação para a construção do campo científico e do currículo especificamente; 2) analisar os dispositivos (capa, sumário, editoriais e temáticas) elaborados pela diretoria da ANPEd, editores da Revista Brasileira de Educação e suas implicações para o campo de currículo; 3) colocar em evidência os autores, atores e grupos de pesquisa que constituem o campo do currículo no Brasil, apontando as relações de força presentes nesse contexto; 4) analisar o debate sobre currículo veiculado nas fontes chanceladas pela ANPEd, apontando as diferentes apropriações realizada pelos autores de referência e a circularidade cultural presente nos estudos. Ao tomar as fontes de acordo com suas aproximações e circularidade, foi preciso compreendê-las como diferentes dispositivos por meio dos quais se propunha a leitura de indivíduos e de grupos, institucionalizados ou não, uma série de proposições em torno da educação brasileira e internacional, sendo meio de divulgação do pensamento acadêmico-pedagógico e, sobretudo político acerca da Educação e dos fazeres e saberes que os circunscrevem. 19 1.2 QUESTÕES DE ESTUDO Procuramos inicialmente discutir a materialidade das diferentes fontes a fim de indicar as aproximações e os distanciamentos existentes entre as Reuniões Anuais e a Revista Brasileira de Educação e suas implicações para a construção do campo científico do currículo. Questões referentes à natureza científica da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação foram emergindo na medida em que começamos a analisar as fontes e sua materialidade. Nesse caso, nos interessou apresentar, a ANPEd, sua natureza científica, as aproximações e distanciamentos entre os diferentes suportes e dispositivos. Foi preciso compreender que, como estratégia de luta e produção cultural, as Reuniões Anuais, o Grupo de Trabalho Currículo e a Revista Brasileira de Educação atuam como instância privilegiada na circulação de um modelo, de um estatuto e de uma posição, capazes de significar simbolicamente a existência de autores, atores e grupos de pesquisa. Procuramos incluir nesta análise o importante papel da Diretoria da ANPEd, os Coordenadores do GT Currículo e os Editores da Revista Brasileira de Educação, na formulação do campo científico. As Diretorias da ANPEd e os Editores da Revista Brasileira de Educação foram apresentados como autores autorizados a falar como autoridade sobre uma determinada temática que se julga seja capaz de preencher as expectativas e necessidades dos estudos em educação. Diante desse contexto, nos interessou, neste momento, responder as seguintes questões: qual o projeto editorial das Reuniões Anuais e Revista Brasileira de Educação? Quais os entrecruzamentos e os distanciamentos encontrados entre o projeto editorial das Reuniões e da Revista? Que implicações trazem para o campo do currículo? Como os estudos sobre currículo se apresentam nesse processo? Se o nosso olhar inicialmente se debruçava sobre o papel da Diretoria da ANPEd e dos Editores da Revista Brasileira de Educação na constituição do campo e dos estudos sobre currículo, no próximo tópico do trabalho procuramos identificar os autores, atores e grupos de pesquisa, objetivando apresentar as relações de força existentes. Com esse intuito assumiremos as seguintes questões orientadoras: qual o lugar ocupado pelos grupos de pesquisa no cenário das Reuniões Anuais e da Revista Brasileira de Educação? Quais as relações de forças presentes nesse 20 campo? Precisamos ainda acrescentar a essas questões algumas problematizações levantadas por Moreira (2005, p. 87) ao analisar o funcionamento do Grupo de Trabalho Currículo, procurando situá-lo no contexto mais amplo da associação e das políticas de pós-graduação, bem como as pesquisas apresentadas nos encontros ocorridos no período de 1996 a 2000. São mesmo claras as distinções entre estratégias de conservação e estratégias de sucessão ou elas diferem apenas na ênfase maior ou menor dada à apresentação de trabalhos? Não estaria o GT carecendo de estratégias de subversão que de fato renovassem o debate no interior do campo e incrementassem a interlocução com outras áreas? Não estamos sendo um pouco passivos? (MOREIRA, 2005, p. 87). Por fim, fizemos uma leitura, dentre várias possíveis, do debate circunscrito às produções teóricas sobre currículo publicadas nas fontes estudadas. Para além das estratégias impostas pelos autores, atores e grupos de pesquisa, foi preciso identificar as artes de fazer dos estudos sobre currículo postos em circulação pela ANPEd, observando seus pressupostos teóricos e como esses referenciais são usados e apropriados. Apontamos, nesse caso, as principais marcas teóricas presentes e/ou ausentes nos estudos do campo do currículo, as diferentes apropriações realizada pelos autores de referência e a circularidade cultural presentes nesses estudos. Como nos outros momentos do trabalho resolvemos elencar algumas questões norteadoras: quais as concepções epistemológicas assumidas nos trabalhos? Quais as bases teóricas utilizadas nos estudos sobre currículo? Como, no seio do GT e da Revista, tem-se representado o que considerar como currículo? Estas são algumas das questões orientadoras do nosso trabalho. Contudo, é preciso destacar que a maioria delas foram emergindo do próprio processo de investigação com as fontes, ou seja, elas não se constituíram a priori, pelo contrário, foram tecidas na medida em que tomávamos contato com as fontes analisadas 1.3 A ARQUITETURA DO PROJETO Entre os vários tipos de publicações, o periódico impresso é um dos canais mais usados pela comunidade científica, pois, por meio dele, o pesquisador expõe ideias, garante a propriedade científica e se submete à avaliação dos pares. Essa atividade de disseminação produz um fluxo informacional que propicia a transformação da 21 informação em conhecimento, contribuindo para o avanço da Ciência (NASCIMENTO, 2002). Nesse caso, o impresso tem sido percebido como uma fonte frutífera para se compreender o campo educacional, mas esse interesse não é novo, como lembra Catani (1994), pois se podem perceber, desde o final do século XIX (na França), estudos questionando o papel que esse objeto desempenha na formação do professorado. De acordo com a autora, a compreensão sobre a necessidade de se sistematizarem os conhecimentos distribuídos por meio da imprensa periódica tem mobilizado pesquisadores de vários países, pois se tem atentado que a imprensa periódica constitui-se como ―[...] um testemunho vivo dos métodos e concepções de uma época e da ideologia moral, política e social de um grupo profissional‖ (CATANI, 1994, p. 5). Alguns estudos2 vêm buscando acompanhar o próprio processo de constituição da imprensa, centrando atenção nas representações veiculadas, nos personagens envolvidos e nos grupos que se formam em volta desse veículo. A palavra imprensa, seus suportes e prescrições passam a ser percebidas não apenas como registro do que aconteceu, mas como parte constituinte do acontecimento, que tanto pode ser analisado em escala microscópica – como os usos que delas são feitos pelos professores para utilizar seus conhecimentos e preparar suas aulas –, assim como em escala macroscópica – quando se pode perceber a imprensa como estratégia de divulgação e convencimento do professorado sobre determinado projeto, proposta pedagógica ou lei sobre a educação (SCHNEIDER, 2003). Catani (1994) afirma que a revista especializada em educação, de modo geral, constitui uma instância privilegiada para a apreensão dos modos de funcionamento do campo educacional, enquanto faz circular informações sobre o trabalho pedagógico e o aperfeiçoamento das práticas docentes, o ensino específico das disciplinas, a organização dos sistemas, as reivindicações da categoria do magistério e outros temas que emergem do espaço profissional. Por outro lado, acompanhar o aparecimento e o ciclo de vida dessas revistas permite conhecer as 2 Dentre as diferentes pesquisas realizadas no campo da educação brasileira, gostaríamos de destacar os trabalhos de Bermond (2007); Berto (2008); Catani (1989, 1994, 2002); Catani e Sousa (1999); Carvalho (1996, 1998, 2006); Ferreira Neto, Bermond e Maia (2003); Linhales (2006); Santos, Locatelli e Maia (2003); Schneider (2003, 2004, 2007); Schneider, Ferreira Neto e Santos (2005); Vilela (2001); pelo tratamento dado ao objeto de estudo, bem como pela proximidade com a base teórico-metodológica assumida nesta tese. 22 lutas por legitimidade, que se travam no campo educacional. É possível também analisar a participação dos agentes produtores dos periódicos na organização do sistema de ensino e na elaboração dos discursos que visam instaurar as práticas exemplares. O impresso, como destaca Davis (1990, p. 159) não deve ser compreendido apenas como uma fonte de informações, de ideias de imagens, mas acima de tudo como um mensageiro de relações, o qual possui como ―[...] característica mais marcante [...] [o] papel de formador de opinião‖. Essa forma de fazer pesquisa prioriza o exame dos objetos investigados, utilizando como referência a história e a cultura, o que remete ao pesquisador a necessidade da análise pela materialidade, entendendo-a como ―[...] dispositivos, através dos quais bens culturais são produzidos, postos a circular e apropriados‖ (NUNES; CARVALHO, 1993, p. 44). Ao procurar compreender a produção teórica sobre currículo impressas nas Reuniões Anuais da ANPEd, no GT Currículo e na Revista Brasileira de Educação, assumimos a história como ferramenta de pesquisa. Para Bloch (2001), o ofício do historiador é analisar a história dos humanos no tempo. Assim, Os homens. Mais que o singular, favorável à abstração, o plural, que é o modo gramatical da relatividade, convém a uma ciência da diversidade. Por trás dos grandes vestígios sensíveis da paisagem, por trás dos escritos aparentemente mais insípidos e as instituições aparentemente mais desligadas daqueles que as criaram, são os homens que a história quer capturar. Quem não conseguir isso será apenas, no máximo, um serviçal da erudição. Já o bom historiador se parece com o ogro da lenda. Onde fareja carne humana, sabe que ali está sua caça (BLOCH, 2001, p. 54). É com base na reflexão apresentada por Bloch que Ginzburg (1989) elabora o que chama de paradigma indiciário. Dessa maneira, um trabalho histórico demanda uma leitura de sinais, pistas, deixadas pelos humanos no tempo. É preciso, para compreender essas pistas, retomar as raízes mais antigas, ao tempo em que o homem era caçador, para aprender [...] a reconstruir as formas e movimentos das presas invisíveis pelas pegadas na lama, ramos quebrados, bolotas de esterco, tufos de pêlos, plumas emaranhadas, odores estagnados. Aprendeu a farejar, registrar, interpretar e classificar pistas infinitesimais como fios de barba. Aprendeu a fazer operações mentais complexas com rapidez fulminante, no interior de um denso bosque ou numa clareira cheia de ciladas (GINZBURG, 1989, p. 151). 23 Nesse processo de caça ao objeto de estudo, tivemos como intuito revelar os vestígios deixados pelos autores, atores, grupos de pesquisa e suas produções acadêmicas a fim de entender como vêm se constituindo, no campo científico, os estudos sobre currículo no Brasil. O conceito de campo empregado neste trabalho tem como referencial os estudos produzidos por Bourdieu (1983, 1989). Para o autor, um campo científico se define, entre outras concepções, pelos objetos de disputas e dos interesses específicos referentes a esses objetos. [...] o campo científico, enquanto sistema de relações objetivas entre posições adquiridas é o lugar, o espaço de jogo de uma luta concorrencial. O que está em jogo especificamente nessa luta é o monopólio da autoridade científica definida, de maneira irreparável, como capacidade técnica e poder social; ou se quisermos, o monopólio da competência científica, compreendida enquanto capacidade de falar e de agir legitimadamente (isto é, de maneira autorizada e com autoridade), que é socialmente autorizado a um agente determinado (BOURDIEU, 1983, p. 122-123). Analisar como vem se constituindo o conjunto de pesquisadores no campo do currículo significou identificar as vozes legítimas autorizadas e com autoridades que possuem capacidade técnica e poder social para intervir e falar em nome de um determinado grupo. Com esse intuito, decidimos analisar os dados levando em consideração os grupos de pesquisas, as instituições em que estão ligados e seus pesquisadores. Nesse caso, a autoridade específica que está em jogo se apresenta como um estado da relação de força (GINZBURG, 2002) entre os grupos, as instituições e os pesquisadores engajadas na luta de poder. Para Bourdieu (1989, p. 90) [...] as lutas cujo espaço é o campo têm por objeto o monopólio da violência legítima (autoridade específica) que é característica do campo considerado, isto é, em definitivo, a conservação ou a subversão da estrutura da distribuição do capital específico [...]. O capital específico, fundamento do poder ou da autoridade específica característica de um campo, tende a estratégias de conservação – aquelas que nos campos da produção de bens culturais tendem à defesa da ortodoxia -, enquanto os que possuem menos capital (que frequentemente são também os recém-chegados e portanto, na maioria das vezes, os mais jovens) tendem a estratégias de subversão – as da heresia. Mediante os interesses que constituem o grupo de pesquisadores sobre currículo, procuramos evidenciar as estratégias e táticas efetuadas no campo científico para se legitimar os diferentes grupos de pesquisa. De acordo com Certeau (1994), as estratégias são as ações e relações de força que se tornam possíveis a partir do 24 momento em que um sujeito de querer e poder é isolável de seu ―ambiente‖, de um ―próprio‖. Desse modo, a estratégia postula um lugar suscetível de ser circunscrito como algo próprio e, portanto, capaz de servir de base a uma gestão de suas relações com uma exterioridade de alvos ou ameaças. Essa concepção de estratégia traz, como efeito principal, um corte entre o lugar apropriado e seu outro (sujeitos submetidos à propriedade de um próprio). O próprio é ―uma vitória do lugar sobre o tempo‖. Ele permite capitalizar vantagens conquistadas, preparar expansões futuras e obter, assim, para si, uma independência em relação à variabilidade das circunstâncias. ―É um domínio do tempo pela fundação de um lugar autônomo‖ (CERTEAU, 1994, p. 99). É, também, um domínio dos lugares pela vista, na medida em que ―[...] a divisão do espaço permite uma prática panóptica a partir de um lugar de onde a vista transforma as forças estranhas em objetos que se podem observar e medir, controlar e incluir na sua visão‖ (CERTEAU, 1994, p. 99). Segundo o autor, seria legítimo definir o poder do saber por essa capacidade de transformar as incertezas da história em espaços legíveis. Porém, é mais exato reconhecer nessas estratégias um tipo específico de saber, aquele que sustenta e determina o poder de conquistar para si um lugar próprio. ―Noutras palavras, um poder é preliminar desse saber, e não apenas o seu efeito ou o seu atributo. Permite e comanda as suas características. Ele se produz aí‖ (CERTEAU, 1994, p. 99-100). Ao lidarmos com as fontes, analisamos as estratégias de conservação e táticas de subversão que coexistem em um campo científico com interesses que se entrecruzam, ou seja, observamos o que está ligado à própria existência do grupo. Para Certeau (2001, p. 105), é necessária a relação entre estratégias e táticas, pois ―[...] o estudo das táticas cotidianas presentes não deve, no entanto, esquecer o horizonte de onde vem, nem tampouco, o horizonte para onde deveriam ir‖. Nesse ponto Carvalho (2002, 2009) salienta a necessidade de se considerar a importância das táticas para possibilidade de implementar ou implodir a estratégia. Essa autora nos ajudou a entender que é nas operações táticas efetuadas dentro das estratégias que os praticantes, denominados neste trabalho de autores e editores, vão criando outros lugares próprios, ou seja, transformando as táticas em novas estratégias. 25 Diante desse contexto, buscamos, a partir das fontes estudadas, dar a ver as relações de força no campo, mas também a própria constituição desse campo, já que, para mantê-lo, [...] esquece-se a luta e pressupõe um acordo entre os antagonistas sobre o que merece ser disputado, fato escondido por detrás da aparência do óbvio, deixada em estado de doxa, ou seja, tudo aquilo que constitui o próprio campo, o jogo, os objetos de disputas, todos os pressupostos que são tacitamente aceitos, mesmo sem que se saiba, pelo simples fato de jogar, de entrar no jogo. Os que participam da luta contribuem para a reprodução do jogo, contribuindo (mais ou menos completamente dependendo do campo) para produzir a crença no valor do que está sendo disputado (BOURDIEU, 1989, p. 90-91). Apresentar, nesse caso, as fontes é compreendê-las como produtos de relações entre diferentes atores, autores e grupos de pesquisa e, assim, entender que são objetos culturais, por meio dos quais saberes, modelos e formas de pensar o Currículo são colocados à leitura. Chartier (2002, p. 61-62), ao estudar a história do livro e dos impressos, diz ser essencial considerar o [...] processo pelo qual os diferentes atores envolvidos com a publicação dão sentido aos textos que transmitem, imprimem e lêem. Os textos não existem fora dos suportes materiais (sejam eles quais forem) de que são os veículos. Contra a abstração dos textos, é preciso lembrar que as formas que permitem sua leitura, sua audição ou visão, participam profundamente da construção de seus significados. O ‗mesmo‘ texto, fixado em letras, não é o ‗mesmo‘ caso mudem os dispositivos de sua escrita e de sua comunicação. Não se deve ―[...] ignorar os processos por meio dos quais um texto faz sentido para aqueles que o lêem‖. As operações pelas quais os editores organizam e dão a ler o impresso, apresentam-se como parte de sua arquitetura, dito de outro modo, as opções feitas pelos editores para tornar uma fonte legível, de acordo com o ponto de vista que desejam imprimir, é uma maneira de significar suas produções. Foi preciso compreender, conforme salienta Chartier (1994, p. 17), [...] contra a representação [...] segunda o qual existe em si mesmo, isolado de toda a materialidade – deve se lembrar que não há texto fora do suporte que o dá a ler (ouvir), e sublinhar o fato de que não existe a compreensão de um texto, qualquer que seja, que não dependa das formas através das quais ele atinge o leitor. Estudamos as operações, os modos de organizar o objeto a fim de problematizar a intencionalidade dos autores, atores, grupos de pesquisa e suas ações estratégias/táticas. Focalizamos não apenas, como salienta Toledo (2001), o estudo do conteúdo do objeto, mas também voltamos à atenção para os múltiplos 26 dispositivos editoriais que são produzidos estrategicamente pelos autores a fim de induzir a leitura do impresso. Ao tomar como dimensão o conceito de campo científico e estratégia/tática, observamos os debates presentes e ausentes nos estudos do campo do currículo e suas relações de força. Nesse ponto, foi preciso demonstrar o que está oculto, ―[...] fora do texto, que se encontra dentro do próprio texto, abrigado entre as suas dobras‖ (GINZBURG, 2002, p. 42), por isso a necessidade de descobri-lo e fazê-lo falar. Tratamos, nessa dimensão, de retornar a velhos objetos com perguntas que possibilitassem ler o que está presente ou ausente nas fontes. Nesses termos, ―[...] o passado é, por definição, um dado que nada mais modificará. Mas o conhecimento do passado é uma coisa em progresso, que incessantemente se transforma e aperfeiçoa‖ (BLOCH, 2001, p. 75). Foi fundamental interrogar o passado, entendido como, ―[...] no infinito da duração, um ponto minúsculo e que foge incessantemente; um instante que mal nasce morre‖ (BLOCH, 2001, p. 60), a fim de ler também aquilo que não foi desejo expor. Mas, a partir do momento em que ―[...] não nos resignamos mais a registrar pura e simplesmente as palavras de nossas testemunhas, a partir do momento em que tencionamos fazê-las falar (BLOCH, 2001, p. 78). Além disso, foi necessário apresentar as práticas de apropriação (CERTEAU, 1994) que constituem formas diferentes de interpretações que dialogam, todo o tempo, com as práticas produtoras de ordenamento. Para além das estratégias impostas pelas vozes autorizadas a falar em nome de um campo científico, foi preciso identificar as práticas de apropriação presentes nos estudos sobre currículo postos em circulação na ANPEd. Enredando nos espaços, ocasiões e possibilidades deixados pelas ―lacunas‖ das estratégias elaboradas por quem possui o ―monopólio da autoridade científica‖, os atores, autores e grupos de pesquisa vão se apropriando e alterando o ―próprio‖ no momento em que fazem usos dos saberes em circulação. Assim, foi primordial entender a cultura produzida por meio das estratégias, táticas e apropriações 27 elaboradas na articulação existente entre o mundo do texto e o mundo do leitor. Esses mundos não se apresentam de maneira dicotômica, mas existem na cultura e a partir dela e de seus diferentes espaços de poder. Apesar da possibilidade apresentada tanto por Certeau (1994) como pelo Chartier (1990, 1991, 2002) de apropriação do leitor, não podemos desconsiderar as intencionalidades, ou melhor, as estratégias e táticas presentes na materialidade dos objetos escritos. Uma história das leituras e dos leitores (populares ou não) trata, portanto, da historicidade do processo de apropriação dos textos. Ela considera que o mundo dos textos é um mundo de objetos ou de formas cujas estruturas, dispositivos e convenções sustentam e constrangem a produção de sentido. Considera, igualmente, que o mundo do leitor é constituído pela comunidade de interpretação a que ele pertence, que se define por um mesmo conjunto de competências, usos códigos e interesses. Daí a necessidade de uma dupla atenção: à materialidade dos objetos escritos e aos gestos dos sujeitos leitores (CHARTIER, 2002, p. 124). Na medida em que se apropriam das produções elaboradas pelas vozes autorizadas e com autoridade, os autores, atores e grupos de pesquisa vão operando seus modos de leitura, modificando os sistemas estratégicos de poder e, talvez, produzindo uma circularidade cultural. Ginzburg (1987, p.13) se apropria do conceito elaborado por Mikhail Bakhtin, para indicar a circulação de cultura ―[...] entre a cultura das classes dominantes e a das classes subalternas [...] como um relacionamento circular feito de influências recíprocas, que se movia de baixo para cima, bem como de cima para baixo‖. Dessa maneira, buscamos observar, neste trabalho, a circulação de uma cultura de pesquisa no campo do currículo entre os diferentes e variados atores envolvidos nesse grupo, bem como a circularidade cultural presente nas próprias fontes analisadas. Dito de outra maneira, na operação histórica (CERTEAU, 1990) realizada na leitura das fontes, procuramos, especialmente, indicar as múltipas constituições de sentido que, de forma estratégica e também astuciosa, foram produzindo circularidades culturais do modo como se pensam e se concebem os projetos editoriais das Reuniões Anuais, GT Currículo, Revista Brasileira de Educação e a própria produção sobre currículo publicizados por essas fontes. Foi preciso estabelecer a ―justa distância‖, baseando-nos em Chartier (1990), para lidar com fontes construídas para carregar os sentidos que instituições e grupos de 28 pesquisadores da produção sobre currículo desejam que sejam lidas pelos produtores e leitores. Foi necessário ler ―[...] os testemunhos às avessas, contra as intenções de quem os produziu. Só dessa maneira será possível levar em conta tanto as relações de força quanto aquilo que é irredutível a elas‖ (GINZBURG, 2002, p. 43). Procuramos, dessa forma, investigar e questionar aquilo que nos era familiar, uma vez que, como descreve Certeau (1996, p. 32), ―[...] o estudo se articula em torno da relação que a sua estranheza mantém com uma familiaridade‖. Nesse sentido, se destinamos um olhar de estranhamento, um olhar de heterogeneidade ao invés de homogeneidade, já que as fontes não são, como evidencia Ginzburg (2002, p. 4445), [...] janelas escancaradas, como acreditavam os positivistas, nem muros que obstruem a visão, como pensam os céticos: no máximo poderíamos compará-las a espelhos deformantes. A análise da distorção específica de qualquer fonte implica já um elemento construtivo. Mas a construção não é incompatível com a prova; a projeção do desejo, sem a qual não há pesquisa, não é incompatível com os desmentidos infligidos pelo princípio de realidade. O conhecimento (mesmo o conhecimento histórico) é possível. Mesmo reconhecendo as dificuldades encontradas na construção das análises históricas, o autor afirma: ―[...] se a realidade é opaca existem zonas privilegiadas – sinais, indícios – que permitem decifrá-la‖ (GINZBURG, 2002, p. 177). Para isso, escavamos os meandros dos textos, contra as intenções de quem o produziu (GINZBURG, 2007). Além da opacidade das fontes, foi preciso compreender a sua intencionalidade, como nos ensina Bloch (2001, p. 83): A despeito do que às vezes parecem imaginar os iniciantes, os documentos não surgem, aqui ou ali, por efeito [de não se sabe] qual misterioso decreto dos deuses. Sua presença ou ausência em tais arquivos, em tal biblioteca, em tal solo deriva de causas humanas que não escapam de modo algum à análise, e os problemas que sua transmissão coloca, longe de terem apenas o alcance de exercícios de técnicos, tocam eles mesmos no mais íntimo da vida do passado, pois o que se encontra assim posto em jogo é nada menos do que a passagem da lembrança através das gerações. A operação historiográfica dos sinais e indícios deixados pelos autores, atores e grupos de pesquisa nos permitiu uma leitura de: [...] reapropriação no texto do outro: ali vai caçar, ali é transportado, ali se faz plural como os ruídos do corpo. Astúcia, metáfora, combinatória, esta produção é igualmente uma ‗invenção‘ de memória. Faz das palavras as soluções de histórias mudas [...]. A fina película do escrito se torna um 29 remover de camadas, um jogo de espaços. Um mundo diferente (o do leitor) se introduz no lugar do autor. [...]. A leitura introduz, portanto uma ‗arte‘ que não é passividade (CERTEAU, 1994, p. 264-265). Inventaremos, como enfatiza Certeau (1994), nos textos, outra coisa que não aquilo que era a ―intenção‖ deles, destacando e combinando os seus fragmentos e criando algo não-sabido no espaço organizado por sua capacidade de permitir uma pluralidade indefinida de significações. Pretendemos, neste estudo compreender a ANPEd como instituição promovedora das Reuniões Anuais, do GT Currículo e chanceladora da Revista Brasileira de Educação, sua natureza científica, o papel da diretoria, dos coordenadores do GT e dos editores na produção do campo científico e a constituição dos estudos sobre currículo como campo epistemológico. 1.4 ENTRE A HISTÓRIA DO CURRÍCULO E O CURRÍCULO NA HISTÓRIA: PERCURSOS INVESTIGATIVOS Com um criterioso trabalho de fontes e uma sensibilidade histórica, como diria Bloch (2001), Ginzburg (2002) interpreta o texto de Lorenzo Valla, escrito em 1440, sobre a fraude da Doação de Constantino. Valla, ao analisar o Decreto de Constantino, um documento que tivera imensa circulação por toda a idade média, representa a falsidade do documento por meio de uma discussão que mostra, detalhadamente, os anacronismos, as contradições e os erros grosseiros nele presentes. Com base nesse texto, Ginzburg coloca a seguinte questão: o que significa, hoje, para nós, o discurso de Valla sobre a doação de Constantino? O autor busca compreender essa questão tomando como nexo o juízo de Valla sobre seu próprio texto, exercendo uma leitura a partir de duas possibilidades, quais sejam: o conteúdo e as características formais da obra de Valla. Ao situar suas análises nesses dois pontos, Ginzburg apresenta um interessante debate, a partir da filosofia e da filologia, ao colocar em destaque a noção de retórica e prova.3 3 Para Ginzburg (2002), a identificação da prova como núcleo racional da retórica, defendida por Aristóteles, se contrapõe, decididamente, à versão auto-referencial da retórica defendida por Nietzsche, baseada na incompatibilidade entre retórica e prova. Segundo o autor, ao apresentar a falsificação do documento, suas contradições, seus anacronismos, Lorenzo Valla se aproxima da concepção de retórica apresentada por Aristóteles. 30 Diante das contribuições apresentadas por Ginzburg, a partir da análise do texto de Lorenzo Valla, tivemos como intuito, neste tópico, compreender quais significados estão sendo produzidos pelos discursos dos estudos históricos no campo do currículo no Brasil. Dito de outro modo, o que significam, hoje, para nós, os discursos produzidos sobre a história do currículo? Buscamos, dessa maneira, fazer uma análise do conteúdo e das características formais dos estudos que se encontram entre a história do currículo e o currículo na história. As análises dos conteúdos presentes nas produções acadêmicas oferecem, geralmente, uma leitura das principais correntes teóricas e sua influência nos estudos sobre currículo no Brasil. É o caso, especificamente, dos trabalhos de Paraíso (1994) e Silva (2005). Esses autores demonstraram, por exemplo, como as produções acadêmicas sobre currículo vêm assumindo, ao longo de sua história, diferentes concepções epistemológicas. Percebemos, uma homogeneização e generalização das produções acadêmicas brasileiras, nos remetendo a uma perspectiva linear da História considerada como um movimento de fluxo contínuo. Paraíso (1994), por exemplo, apresenta um panorama das publicações sobre currículo, realizadas no Brasil, no período de 1983 a 1994. Demonstra um movimento de aproximação com outros referenciais teóricos advindos das teorias críticas. Nesse cenário, ganha destaque a influência dos estudos de Marx e Gramsci e, especificamente no campo do currículo, conforme Moreira (2005) e Paraíso (1994), o estudo de Domingues (1986), ―Interesses humanos e paradigmas curriculares‖, publicado na Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos.4 Para se ter uma ideia desse movimento e de suas implicações para a redefinição do campo científico, no primeiro encontro do GT Supervisão e Currículo realizado na Reunião Anual de 1995, verificamos a preocupação em selecionar como temática a ―Reconceptualização da área de Currículo‖. De acordo com Moreira (2005, p. 82), esse movimento representava a rejeição: 4 Uma análise crítica do estudo de Domingues pode ser lida em Moreira (1990). 31 a) ao caráter prescritivo e pretensamente apolítico dos estudos até então desenvolvidos; b) à ausência de uma perspectiva histórica, expressa no escasso diálogo entre as diversas gerações de investigadores; c) à excessiva preocupação em melhorar o trabalho desenvolvido nas escolas; d) à persistência de temas como objetivos escolares e planejamento; e) à indefinição referente ao objeto de estudo do campo e às suas relações com outros campos. A década de 1990 é marcada, segundo Moreira (2001, 2005) e Paraíso (1994), por um acentuado aumento nas produções acadêmicas brasileiras no campo do currículo. Esse aumento se fez presente nas publicações de dissertações, teses, livros, artigos de periódicos e em congressos, como na Associação Nacional de PósGraduação e Pesquisa em Educação (ANPEd) e no Encontro Nacional de Didática e Prática de Ensino (ENDIPE). Paraíso (1994) oferece outros elementos para esse debate, ao apontar o caráter teórico de alguns estudos veiculados nos periódicos da educação brasileira e ao identificar os artigos que tiveram um impacto considerável na produção acadêmica: 1) as reflexões sobre o ensino de Currículos e Programas, na tentativa de propor uma abordagem das questões curriculares, na disciplina de Currículos e Programas, de modo que ofereçam subsídios à prática pedagógica (Moreira, 1991b); 2) o estudo sobre as contribuições da teoria à compreensão das relações conteúdo-forma-determinações sócio políticas nos currículos escolares (Bordas, 1992); 3) a análise crítica da evolução do pensamento de Michael Young na tentativa de questionar que contribuições significativas sua teoria pode oferecer para o desenvolvimento de propostas curriculares críticas adequadas à realidade brasileira (Moreira, 1990b); 4) o estudo para examinar as teorias de controle social que têm permeado as principais tendências do pensamento curricular (Moreira, 1992a) e 5) o estudo sobre a realização dialética existente entre conteúdos e forma no discurso pedagógico, cujo argumento central é o de que não apenas mudanças de conteúdo levam a mudanças na forma, como também mudanças na forma podem contribuir para a própria mudança do conteúdo e, por conseguinte, provocar transformações no próprio discurso pedagógico (Santos, 1992a) (PARAÍSO, 1994, p. 105). Moreira (2005) fortalece as reflexões apresentadas por Paraíso, acrescentando outros nomes. De acordo com o autor, alguns desses trabalhos [...] correspondem a adaptações de dissertações e teses (Garcia, 1995; Jorga, 1993; Moreira, 1990; Saviani, 1994, Silva, 1990); outros constituem coletâneas de artigos de autores nacionais e estrangeiros (Gentili e Silva, 1994; Moreira, 1994, 1997; Moreira e Silva, 1994; Silva, 1993, 1994, 1995; Silva e Moreira, 1995; Veiga-Neto, 1995); outros incluem trabalhos apresentados em seminários em que se discutiram questões curriculares (Silva e Azevedo, 1995; Silva, Azevedo e Santos, 1996); outros representam valoroso esforço de sistematizar o pensamento em construção (Silva, 1992, 1996) (MOREIRA, 2005, p. 18). 32 As teorias críticas são apresentadas a fim de evidenciar as possibilidades e os limites que elas trouxeram ao campo do currículo. Assim, os autores chegam à conclusão de que os problemas enfatizados pelas teorias críticas são impossíveis de serem respondidos a partir delas próprias. Dentre os principais problemas apontados, encontra-se a ideia do distanciamento entre os avanços indicados pelas pesquisas acadêmicas e sua materialização no cotidiano escolar. Paraíso (1999) ressalta que faltam estudos que investiguem qual tem sido o efeito de teorias curriculares críticas (brasileiras ou estrangeiras) nas instituições educacionais brasileiras de todos os níveis. A questão central da área, ou seja, a determinação, seleção, organização e transmissão do conhecimento, com toda a problemática que envolve, continua praticamente desconhecida dos professores. Nesse caso, prossegue a autora, existe uma distância grande entre todas as reflexões críticas detectadas nos estudos dos teóricos e a prática dos docentes nas instituições de ensino. Segundo Cunha (1997) e Moreira (2005), o hiato produzido pelas teorias críticas acabava por favorecer o uso de diferentes referenciais teóricos para se entender o currículo. Isso contribui para que a década de 1990 fosse marcada, conforme Burnham (1993), Macedo e Fundão (1996) e Moreira (2001), por uma multirreferencialidade nos estudos de currículo advindos de diversas áreas do conhecimento.5 O pensamento curricular começa a incorporar enfoques pós-modernos e pósestruturais,6 como destacam Macedo e Fundão (1996) e Moreira (2001), que 5 Ao tomar como fonte a produção científica vinculada do Grupo Temático de Currículo da ANPEd nos anos de 1990, Macedo e Fundão (1996) e Moreira (2001) identificam a utilização do pensamento de Derrida sobre processos de desconstrução do currículo, de Foucault sobre as teorias dos micropoderes, de Deleuze e Guatarri, para apresentar implicações de novas metáforas da estrutura do conhecimento para a organização curricular. Paralelamente, continua a usar como referência Giroux, Aplle, Young e Forquin, bem como Habermas e Bachelard. Lopes e Macedo (2005) acrescentam ainda nessa lista a influência dos estudos de Morin. 6 Apesar de tratar de uma categoria bastante ambígua e indefinida, servindo para classificar um número sempre variável de teorias e perspectivas, o pós-estruturalismo e o pós-modernismo pertencem a campos epistemológicos diferentes. Para Silva (2005) o pós-estruturalismo limita-se a teorizar sobre a linguagem e o processo de significação; o pós-modernismo abrange um campo bem mais extenso de objetos e preocupações. 33 convivem concomitantemente com as teorizações de cunho globalizante, seja das vertentes funcionalistas, seja da teorização crítica marxista. Observamos, nos estudos apresentados até o momento, que a História, compreendida de maneira linear, é narrada a fim de mostrar os avanços, ou melhor, a evolução, produzida pelos estudos no campo do currículo desde sua gênese, nos anos 20 até a década de 1990, perpassando pelas teorias tradicionais e críticas até chegar às teorias pós-críticas. Fica-nos a impressão de que as teorias, de tradicional à pós-moderna, se sucedem e estão em constante movimento de superação. Ao mesmo tempo, parece haver certa intencionalidade em legitimar uma retórica pós-moderna, em contraposição com outras possibilidades de fazer e apresentar o currículo. As próprias características formais com que são construídos os textos induzem a ler dessa maneira, ou seja, as teorias tradicionais começam a ser discutidas, passando pelas teorias críticas até chegar às pós-críticas. Verifica-se, por exemplo, que a delimitação das produções críticas sobre currículo, na década de 1990, feitas pelos autores, fixa no tempo essa forma de ler o currículo. Essa fixação, ao que parece, busca silenciar as atuais produções que tomam a perspectiva teórica crítica como referencial. Nesse caso, fica-nos a pergunta: como as vozes autorizadas estão se movendo no campo científico para (des)legitimar determinadas retóricas? Que possibilidades e ausências essas leituras oferecem ao campo do currículo? Além das questões colocadas em debate, gostaríamos de destacar as práticas realizadas por Paraíso (1994) e Moreira (2005) para constituir um discurso que legitime, no campo científico, algumas autoridades científicas (BORUDIEU, 1983). Estar presente ou ausente nas listas apresentadas por esses autores indica, por exemplo, as estratégias utilizadas no campo do currículo no Brasil para se legitimar um determinado discurso, mas, em contrapartida, sinaliza o estado de relações de forças (GINZBURG, 2002) que pressupõe um acordo e reconhecimento entre os próprios concorrentes para se constituir um campo enquanto tal. Para Bourdieu (1983, p. 127), 34 Isso significa que, num campo científico fortemente autônomo, um produtor particular só pode esperar o reconhecimento do valor de seus produtos (‗reputação‘, ‗prestígio‘, ‗autoridade‘, ‗competência‘ etc.) dos autores produtores que, sendo também seus concorrentes, são os menos inclinados a reconhecê-lo sem discussão ou exame. De fato, somente os cientistas engajados no mesmo jogo detêm os meios de se apropriar simbolicamente da obra científica e de avaliar seus méritos. Uma outra possibilidade de leitura sobre a produção curricular no Brasil, a partir da ideia de autoridades específicas que constituem e controlam o campo científico, pode ser vista no estudo de Lopes e Macedo (2005). Ao tomar a ideia de campo intelectual de Bourdieu, criado pelas posições, relações e práticas que surgem de um contexto de produção discursiva em determinada área, Lopes e Macedo (2005) utilizam como fonte três grupos de pesquisa institucionalizados formados por sujeitos investidos de legitimidade para falar sobre currículo: a perspectiva pósestruturalista; o currículo em rede; e a história do currículo e a constituição do conhecimento escolar. Na perspectiva pós-estruturalista, efetua suas análises a partir da produção de Tomaz Tadeu da Silva, líder do Grupo de Currículo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Na vertente de trabalhos desenvolvidos, fundamentalmente, sobre currículo em rede, Lopes e Macedo (2005) apresentam suas leituras sobre o grupo de pesquisadores do Rio de Janeiro, coordenados por Nilda Alves, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, e por Regina Leite Garcia, da Universidade Federal Fluminense. Por fim, empreende seus esforços nas produções de Antonio Flavio Moreira, coordenador do Núcleo de Estudos de Currículo, vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro. As análises efetuadas por Lopes e Macedo (2005) apresentam uma interessante leitura das produções acadêmicas no campo do currículo que assumem uma perspectiva pós-estruturalista e pós-crítica, muito embora seja difícil pensar em classificações a partir dessas teorias. No entanto, as autoras não discutem os limites e possibilidades que essas perspectivas têm sinalizado para os estudos do currículo, bem como as relações de forças presentes entre os grupos, os modos de legitimação dos discursos na comunidade acadêmica e as estratégias utilizadas no campo político a fim de fortalecer esses grupos. Nesse caso, parece-nos ser difícil falar da constituição do campo científico garantindo força na análise das produções 35 dos coordenadores dos Grupos de Pesquisas e, ao mesmo tempo, desconsiderando as demais vozes que conferem autoridade, pois possuem autoridade reconhecida para falar sobre currículo. Por outro lado, é preciso reconhecer a fertilidade apresentada pelas autoras, ao enfatizarem o modo como as teorias pós-críticas e pós-estruturalistas vão se configurando a partir de um processo de hibridização das demais teorias. Essa perspectiva parece-nos se apresentar de maneira mais profícua para o avanço do debate no campo da história do currículo, pois não se apresenta de maneira linear. Contudo, essa não é uma especificidade dessas autoras, Dussel (2002), Matos e Paiva (2007), Silva (2005), Veiga-Neto e Macedo (2007) também estabelecem esse tipo de análise. Como podemos observar, essa forma de ler a produção acadêmica sobre currículo vem ganhando força no cenário brasileiro e internacional. De acordo com Matos e Paiva (2007), autores como Giroux, McLaren e McLaren e Giroux têm incorporado, em suas análises, conceitos considerados pós-críticos, mantendo-se fiéis a alguns princípios básicos da teoria crítica. A associação do conceito de recontextualização buscado na teoria estruturalista de Bernstein e de hibridismo, tributário dos princípios do pós-colonialismo para análise de políticas e práticas curriculares, configura um tipo de vinculação de conceitos procedentes de referenciais teóricos de origens distintas. Para Dussel (2002), pensar o currículo em termos de hibridação, a partir, sobretudo, dos estudos de Bhabha, contribui para analisar a complexidade dos processos de produção culturais, políticos e sociais que o configuram, introduzindo novas ideias em um campo cujas perguntas foram, muitas vezes, pobres teórica e tecnicamente. Segundo o autor (2005, p. 70), A própria noção de currículo pode ser considerada como um híbrido, se a pensarmos como o resultado de uma alquimia que seleciona a cultura e a traduz a um ambiente e uma audiência particular. Os discursos curriculares também têm sido estudados como híbridos que combinam distintas tradições e movimentos disciplinares, construindo coalizões que dão lugar a consensos particulares. O processo de hibridação ocorre, de acordo com Lopes e Macedo (2005), com a quebra e a mistura de coleções organizadas por sistemas culturais diversos, com a 36 desterritorialização de produções discursivas variadas, constituindo e expandindo gêneros impuros. Às teorizações de cunho globalizante, seja das vertentes funcionalistas, seja da teorização crítica marxista, vem se contrapondo a multiplicidade característica da contemporaneidade. Tal multiplicidade não vem se configurando apenas como diferentes tendências e orientações teórico- metodológicas, mas como tendências e orientações que se inter-relacionam, produzindo hibridismo culturais. Dessa forma, ―[...] o hibridismo do campo parece ser a grande marca dos estudos no Brasil na segunda metade da década de 1990‖ (LOPES; MACEDO, 2005, p. 33). De acordo com as autoras, esse hibridismo é fruto da mescla entre o discurso pósmoderno e o foco político na teorização crítica. Na busca de uma interpretação da escola no contexto pós-modernizado, as referências à Sociologia e à Filosofia são hibridizadas com as tradicionais. Discursos que têm penetrado nos embates sobre currículo vêm contribuindo para a constituição de novas identidades para o campo, tornando mais difusa a constituição de uma teoria do currículo, havendo certo deslizar das temáticas de um lugar a outro. Esse movimento é apresentado por Silva (2005, p. 148), ao dimensionar as misturas, os hibridismos entre as teorias críticas e pós-críticas: As teorias pós-críticas ampliam e, ao mesmo tempo, modificam aquilo que as teorias críticas nos ensinaram que a teoria pós-críticas continua a enfatizar que o currículo não pode ser compreendido sem uma análise das relações de poder nas quais ele está envolvido. Nas teorias pós-críticas, entretanto, o poder torna-se descentrado. O poder não tem mais um único centro, como o Estado, por exemplo. O poder está espalhado por toda a rede social. As teorias pós-criticas desconfiam de qualquer postulação que tenha como pressuposto uma situação finalmente livre de poder. Para as teorias pós-criticas, o poder transforma-se, mas não desaparece. Nas teorias pós-criticas, o conhecimento não é exterior ao poder, o conhecimento não é aquilo que põe em xeque o poder: o conhecimento é parte inerente do poder. Em contraste com as teorias críticas, as teorias pós-criticas não limitam a análise do poder ao campo das relações econômicas do capitalismo. Com as teorias pós-criticas, o mapa do poder é ampliado para incluir os processos de dominação centrados na raça, na etnia, no gênero e na sexualidade. Apesar de os autores não tomarem como referência a História, as discussões evidenciadas a partir da concepção do currículo como campo híbrido via estudos sociológicos e filosófico permitem uma leitura de (des)continuidade, de apropriação e de ressignificação, não apresentada nos outros estudos analisados. Contudo, é 37 necessário enfatizar que tanto o processo de hibridação como a ideia da desterritorialização apresentados pelos autores precisam ser lidos com certo cuidado. Para Lopes e Macedo (2005, p. 49), Essa crescente imprecisão, com a identificação do capital cultural a ele associado, parece-nos preocupante, na medida em que, por vezes, desconsidera a especificidade da educação e dos processos curriculares. Acreditamos, no entanto, que a abertura para esses significados requer a habilidade de abrir caminho nesses outros campos e de manipular seu sistema particular de significados. A relação com os demais campos precisa, portanto, se fazer na interação entre domínio e subordinação, na qual o pesquisador em currículo apropria-se daquilo que lhe é útil em outros campos, tendo, no entanto, a idéia de confrontação criativa como norteadora dessa apropriação. De acordo com Dussel (2005), uma das principais características apresentadas pelo processo de hibridação na contemporaneidade é a rapidez com a qual opera para incluir distintos discursos e, portanto, a velocidade com que se perdem os marcadores originais do discurso. Com base nas reflexões apresentadas, fica-nos o questionamento acerca de quais possibilidades e ausências o processo de hibridação e desterritorialização traz para o campo do currículo no Brasil. As críticas indicadas por Dussel (2005) e por Lopes e Macedo (2005) já haviam, de alguma maneira, sido sinalizadas por Moreira (1994, p. 74): Penso que os curriculistas precisam definir os alvos preferidos de suas preocupações, delimitando melhor os temas prioritários das investigações a serem realizadas. Da restrita visão de currículo como lista de disciplinas e conteúdos, passa-se a uma visão de currículo que abrange praticamente todo e qualquer fenômeno educacional [...]. Se por um lado essa flexibilização favorece a compreensão de que os efeitos das escolas não se limitam aos decorrentes das atividades previstas nos planos curriculares, por outro acaba, nas pesquisas e nas teorizações, dificultando a concentração dos esforços nos problemas mais prementes da prática curricular [...]. Das discussões que sugiro, caberia, então, esperar uma proposição mais clara dos contornos do campo do currículo e de seu objeto de estudo. As análises efetuadas, tomando como base o conteúdo e as características formais das obras, representam a existência de aproximações e distanciamentos nas produções efetuadas sobre a história do currículo. De um lado, encontramos os estudos que apresentam, de forma linear, a evolução da história do currículo, perpassando pela etimologia da palavra currículo, chegando até os dias atuais. De outro, verificamos, nas pesquisas, o processo de hibridação pelo qual vem passando 38 o campo do currículo, sobretudo a partir das leituras pós-modernos e pósestruturalistas. Levando em consideração o lugar (CERTEAU, 1996) que o debate sobre currículo vem ocupando no meio acadêmico brasileiro, com o aumento significativo de publicações em congressos científicos, como a ANPEd e ENDIPE, periódicos como Revista Brasileira de Educação, Revista Educação e Sociedade, Cadernos de Pesquisa e Currículo sem Fronteiras, faz-se necessário realizar esta pesquisa que, de alguma maneira, irá fornecer algumas leituras sobre a constituição dos estudos do currículo como campo epistemológico que, longe de ser linear, universal ou desencarnado, comporta e expressa continuidades, tensões, contradições e descontinuidades na trajetória histórica, como nos ensina Chartier (1990). 1.5 TRILHANDO ALGUNS CAMINHOS: EM BUSCA DE UMA METODOLOGIA Bloch (2001, p. 73), ao discutir a observação histórica, adverte: ―Como primeira característica, o conhecimento de todos os fatos humanos no passado, da maior parte deles no presente, deve ser [...] um conhecimento através dos vestígios‖. Assim, as fontes analisadas foram compreendidas como um repositório de traços, de pegadas deixadas pelo caminho, que informam sobre acontecimentos que não existem mais. Os vestígios deixados pelos humanos informam sobre esses mesmos humanos, seus conflitos, interesses, desafios, maneiras de lidar com as demandas da vida, escolhas realizadas e suas formas de resolver os problemas. Contudo, nem todas as pistas deixadas pelos humanos no tempo se prestam, com a mesma docilidade, à evocação retrospectiva (BLOCH, 2001). Para Bloch (2001, p. 75), ―[...] os exploradores do passado não são homens completamente livres. O passado é o seu tirano. Proíbe-lhes conhecer de si qualquer coisa a não ser o que ele mesmo lhes fornece [conscientemente ou não]‖. Diante da sinalização apresentada pelos autores, tomamos como fonte os trabalhos publicizados nas Reuniões Anuais da ANPEd por meio do Boletim ANPEd, 39 Relatórios produzidos pela ANPEd, Anais do Evento, CD-ROM, Grupo de Trabalho Currículo; nos livros originários da sessão Trabalhos Encomendados; e a Revista Brasileira de Educação. Com base nessas fontes, procuramos analisar historicamente a Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa; os dispositivos elaborados pela diretoria da ANPEd, editores da Revista Brasileira de Educação e suas implicações para o campo de currículo; os autores, atores e grupos de pesquisa que constituem o campo do currículo no Brasil, apontando as relações de força presentes nesse contexto; o debate sobre currículo veiculado nas fontes chanceladas pela ANPEd, indicando as diferentes apropriações realizadas pelos autores de referência e a circularidade cultural presente nos estudos. O ato, pois, de debruçarmos sobre a produção veiculada na ANPEd tendo como foco as fontes apresentadas, teve por base o reconhecimento da importância dessa Associação para a comunidade acadêmica. A ANPEd é uma das principais entidades científicas do campo da educação no Brasil (senão a principal) e, como tal, vem desempenhando um importante papel na produção de conhecimentos sobre a educação, a pesquisa e a pós-graduação. De acordo com Ferraço (2005, p. 38), ―Ao longo dos anos, tem se projetado no país e fora dele, como um importante fórum de debates das questões científicas e políticas da área, tendo se tornado referência para acompanhamento da produção brasileira no campo educacional‖. Especificamente no que concerne ao Grupo de Trabalho Currículo, Moreira (2005) enfatiza que ele vem recebendo um número crescente de pesquisadores, cujas diferentes experiências e formações têm enriquecido as discussões. Ressalta, ainda, as recentes adesões de especialistas no campo, antes ligados a outros Grupos de Trabalho. Para o autor (2002, p. 84), No GT Currículo reúnem-se docentes e discentes que se dedicam a investigar questões de currículo. Os mais produtivos autores do campo costumam comparecer às reuniões, fazendo com que o que se passa no GT corresponda, de fato, a uma caixa de ressonância do que se pesquisa sobre currículo no Brasil. Por conseguinte, um estudo sobre o GT pode certamente contribuir para o maior conhecimento do campo no Brasil. Entendemos, assim como Veiga-Neto e Macedo (2007, p. 9), que o GT é um ―[...] espaço privilegiado de divulgação e aprimoramento de nossas pesquisas e, portanto, ao falar sobre ele estamos também nos referindo a uma importante 40 instância para a institucionalização da pesquisa em Currículo‖ e para produção de conhecimento. A partir da materialidade (CHARTIER, 2002) das fontes, apresentamos os caminhos percorridos pelo grupo que as organiza, seu projeto, seus dispositivos editoriais, sua relevância para a educação, suas implicações para o campo do currículo, entendendo-os como espaço de lutas e interesses epistemológicos, políticos e culturais da área educacional e das relações de poder circunscritas no campo científico. Para identificação dos autores, atores e grupos de pesquisa, tomamos como fonte os artigos publicados na Revista Brasileira de Educação, no Grupo de Trabalhos Currículo e nos livros publicados em parceria GT e Universidade de Campinas. A partir da identificação dos atores, autores e grupos de pesquisa analisamos o debate sobre currículo veiculado nas fontes. A seleção do corpus documental foi efetuada levando em consideração o lugar de publicação, o título do trabalho, o resumo e as palavras-chave. Assim, buscamos, por meio desses critérios, encontrar pistas, que nos levem à temática currículo. É preciso, neste ponto, enfatizar a dificuldade encontrada em lidar com fontes que apresentam suportes diversos, impresso, cd-rom, revistas, livros. O processo de análise da materialidade teve que ser efetuado, levando em consideração, as especificidades de suportes de cada fonte. Após a leitura e seleção dos artigos, agrupamos segundo os autores, os grupos de pesquisa, as instituições do qual fazem parte e programas de Pós-Graduação em Educação. Assim como Veiga-Neto e Macedo (2007), Lopes e Macedo (2002), compreendemos que a constituição do campo dos estudos de currículo no Brasil perpassa pelos grupos de pesquisas ligados as instituição de pós-graduação. Nesse ponto, Veiga-Neto e Macedo (2007, p. 10) salientam que Como ocorre em vários outros campos – especialmente nas áreas das Ciências Humanas e Sociais –, no Brasil a pesquisa em currículo concentrase em Programas de Pós-Graduação. Desse modo, a dinâmica da pósgraduação parece impactar diretamente a configuração dos estudos curriculares. A valorização recente dos grupos de pesquisa, bem como a 41 preocupação em explorar temáticas e abordagens teórico-metodológicas comuns, são políticas que têm ajudado a configurar um campo que, para além da multiplicidade, partilha discussões, anseios e problemáticas bastante afins. Quanto a isso, é interessante notar que alguns grupos mais antigos já apresentam desdobramentos, produto da capacitação de pesquisadores que já passaram por eles. Acreditamos, nesse caso, que para falar da constituição do campo é preciso identificar não só as vozes autorizadas, mas os grupos que conferem e garantem autoridade a essas vozes e sua vinculação com os programas de Pós-Graduação. A fim de analisar os dados produzidos durante a pesquisa nos apropriamos de estudos de Bloch (2001), Chartier (2002) e Ginzburg (2002), sobretudo quando tratam dos contextos de produção, da necessidade do entrecruzamento das fontes e da leitura do que está dentro e fora do texto. Para Chartier (2002, p. 64), o processo de produção e publicação dos impressos [...] implica sempre uma pluralidade de espaços, de técnicas, de máquinas e de indivíduos. Portanto, trata-se, antes de tudo, de encontrar quais foram as diferentes decisões e intervenções que deram aos textos impressos suas diferentes formas materiais. No trato com as fontes, buscamos ler detida e cuidadosamente aquilo que se pressupõe que o leitor não iria ler do mesmo modo, ou seja, aquilo que, do ponto de vista da resposta, não interessa à leitura do leitor. Perseguimos os indícios sobre o modo de estruturação do impresso, procurando fazer com que as pistas ―falassem‖ sobre a forma das fontes e deixassem ver os artifícios empregados pelos autores, atores e grupos de pesquisa na tentativa de fazer com que as fontes obtivessem reconhecimento e se tornassem a voz autorizada e dotada de reconhecimento científico. As fontes documentais não falam por si, elas precisam ser interrogadas, muitas vezes, contra a vontade de quem as produziu (GINZBURG, 2007). Dessa maneira foi preciso, então, interrogar as fontes acerca dos modos de sua produção, do grupo que as construíram, das impressões e das relações desse grupo inscritas nos textos e nas formas. 42 Nesse contexto, podemos, assim como Ginzburg (1989), comparar os fios que compõem este projeto/pesquisa aos fios de um tapete, que aumentam em densidade à medida que vão sendo tecidos de modo complexo. Para o autor, [...] o tapete é o paradigma que chamamos a cada vez, conforme os contextos, de venatório, divinatório, indiciário ou semiótico. Trata-se, como é claro, de adjetivos não-sinônimos, que no entanto remetem a um modelo epistemológico comum, articulado em disciplinas diferentes, muitas vezes ligadas entre si pelo empréstimo de métodos ou termos-chave (GINZBURG, 1989, p. 170). O projeto/pesquisa, nesse caso, foi tecido em rede com várias entradas e saídas simultaneamente ao objeto de estudo, dado que teorias, modos de pesquisa e análise surgiram no ato de projetar/pesquisar. 43 CAPÍTULO II 2. CENÁRIO DE INVESTIGAÇÃO: PONTOS DE ENCONTRO ANPED E REVISTA BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO Neste tópico, produzimos uma análise histórica da Associação Nacional de Pósgraduação e Pesquisa em Educação e da Revista Brasileira de Educação a fim de indicar as aproximações e distanciamento existentes e suas implicações para a construção do campo científico e, especificadamente, do currículo. Ao descrever as características materiais das Reuniões Anuais da ANPEd e Revista Brasileira de Educação, direcionamos o foco de análise ao projeto editorial do impresso e às estratégias que foram desenvolvidas durante o período de edição das trinta e uma Reuniões e trinta e nove números da Revista Brasileira de Educação. Estudar as operações, os modos de organizar o objeto para produzir uma leitura adequada é fundamental para a compreensão de um projeto político editorial e, no caso específico da ANPEd institucional. Esse procedimento pode ser denominado análise das características materiais da impressa periódica ou, como define Toledo (2001), o estudo do aparelho crítico do impresso.7 Para a autora, ao se examinar o projeto editorial de um impresso, deve-se focalizar não apenas o estudo do conteúdo do objeto, mas também voltar a atenção para os múltiplos dispositivos editorias que são produzidos estrategicamente pelos editores e dirigentes a fim de didatizar o manuseio do impresso, ou como possibilidade de controle sobre a sua leitura.8 Não estamos negando a possibilidade de apropriação, nem poderíamos fazê-lo, ao assumirmos Certeau (2002) e Ginzburg (1989, 1987, 2002) como referencial teórico deste trabalho. Queremos demonstrar, entretanto, a partir das características formais das fontes, as estratégias, as operações, os modos de organizar o objeto a fim de dar a ver a intencionalidade de quem o produz, no qual, buscam induzir a nossa leitura, mesmo sabendo das possibilidades de ações táticas dos atores e autores. 7 O aparelho crítico é a forma como os dispositivos (elementos que compõem uma estratégia) são hierarquizados em um suporte material com a finalidade de didatizar seu uso, em determinada situação de manuseio e controle da leitura, ou sofisticação de seu design, com o objetivo torná-lo mais atraente ao público consumidor. O aparelho crítico nesse sentido é mais do que um mediador do discurso, ele molda a forma da apropriação do discurso (TOLEDO, 2001). 8 É importante ressaltar que estou me aproximando de estudos anteriores realizados em parceria com Ferreira Neto, Schneider e Ventorim (2003) e Schneider e Ferreira Neto (2005). 44 Operar aproximações possíveis entre a reunião da ANPEd e Revista Brasileira de Educação implica ressaltar, inicialmente, aquilo que possibilita seus entrecruzamentos e seus distanciamentos. Apesar de essas duas fontes terem sido criadas e mantidas pela Associação Nacional de Pós-graduação em Educação, elas ocupam lugares (CERTEAU, 1994) distintos na comunidade acadêmica. Ao considerar os impressos como produtos de práticas, é necessário pensar nos lugares (próprios) ocupados pelas instâncias de poder, dos quais se origina cada uma delas. Esses são lugares em que os autores e atores operam estrategicamente, entrecruzando saberes e fazeres com o objetivo de se alcançar uma dada legitimidade científica. Muito embora as fontes estudadas possuam uma mesma instância de poder chanceladora, em uma primeira leitura, essas fontes apresentam projetos editoriais e políticos que se diferenciam, mas que também se aproximam. Buscamos, inicialmente, voltar o olhar para o próprio processo de criação da ANPEd enquanto instituição representativa da Pós-Graduação no Brasil, para posteriormente analisar a Revista Brasileira de Educação e as Reuniões Anuais, tendo como fonte o Boletim ANPEd, Programação e CD-ROM. Para além da análise da ANPEd nos interessa, em particular, compreender o lugar que a produção acadêmica sobre currículo vem ocupando no cenário dessa entidade. Com esse intuito, focalizamos nossa análise ao Grupo de Trabalho Currículo instituído nas Reuniões Anuais, identificando sua trajetória e conteúdos por eles publicizados. Quanto a Revista Brasileira de Educação, analisamos as matérias por ela veiculadas, procurando identificar o modo como o debate sobre currículo vem se manifestando nesse impresso. Nunca é demais lembrar, que apesar de estabelecermos alguns apontamentos tendo como base a criação do GT Supervisão e Currículo em 1986, a nossa pesquisa toma como recorte temporal o período corresponde de 1995 a 2008. 45 2.1. A ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO A Associação Nacional de Cursos de Pós-Graduação em Educação foi criada em reunião realizada no Instituto de Estudos Avançados em Educação, da Fundação Getúlio Vargas (IESAE-FGV), em março de 1978. Criação da qual participaram coordenadores dos mestrados em educação, professores, alunos e representantes da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), do CNPq, da FINEP e do CNRH/IPEA.9 Muito embora a criação da ANPEd date de 1978, várias reuniões foram realizadas para que esse momento fosse possível. Apresenta-se como marco inicial um encontro convocado e financiado pela CAPES realizado em agosto de 1976, na PUC/RJ, que contou com a participação dos coordenadores de mestrado em Educação existentes no Brasil naquela época.10 As origens da ANPEd remontam a uma proposta de institucionalização de um sistema auto-regulador na política de pós-graduação em Educação, formulada pela CAPES. Segundo Saviani (2006), uma das estratégias construídas pela CAPES, tendo em vista o objetivo de consolidar a pós-graduação no país por meio do Plano Nacional de Pós-Graduação (PNPG), foi induzir a criação de associações nacionais por área de conhecimento. Em decorrência das ações desenvolvidas pela CAPES e coordenadores de Programas foi criada, na área de educação, a Associação Nacional de Pós-Graduação em Educação (ANPEd). É importante ressaltar, como afirma Carvalho (2001), que o termo ―pesquisa‖ só foi integrado a essa Associação em 1981, por ocasião da primeira reforma do estatuto da ANPEd, na 4ª Reunião Anual, realizada em Belo Horizonte, quando foi decidida também a criação dos grupos de trabalho.11 9 Participaram efetivamente 34 representantes dos diversos programas, a saber: dois representantes da UnB, UNICAMP, PUC/SP, UFSM, UFRS, UFPB, UFMG; um representante da UFC, UFPE, UFSC, UFPR, UFBA, PUC/RS; dois representantes da UFF, três da UFRJ e da PUC-Rio, mais seis representantes do FGV/IESAE, instituição em que estava sendo realizado o encontro nacional. 10 Compareceram coordenadores do mestrado da UFC, UFPE, UFRJ, UFMG, UFF, UFSCar, UFBA, UnB, UFRS, PUC/SP, PUC-Rio e FGV/IESAE. Participaram também o então diretor da CAPES, professor Darcy Closs, a assessora da CAPES e coordenadora do PPG/EDU, Marilú F. Medeiros, o assessor da CAPES, Edward Kapinus e alguns professores convidados. 11 Voltaremos a está questão nos próximos capítulos deste trabalho. 46 A intenção da CAPES era interligar a ANPEd ao sistema de direção do PNPG, constituindo-a como entidade representativa, reguladora e instituidora da pósgraduação em Educação no Brasil, aproximando-a dos moldes apresentados pelas recém-criadas Associações das áreas de Economia e Administração.12 De acordo com Ferraro (2005), a versão preliminar do primeiro estatuto da ANPEd já se afastava em alguns pontos do da ANPEC, prevendo a admissão de sócios individuais. Segundo o autor, na própria [...] plenária da criação da ANPEd, realizada em 1978, na FGV/Rio, argüiuse contra a função instituidora, interligada ao sistema de direção do I PNPG, e criticou-se a representatividade institucional através dos coordenadores de cursos (FÁVERO, 1993, p. 36). Uma análise dos documentos, artigos e estatuto da ANPEd evidencia uma preocupação constante no que se refere as dimensões da autonomia em relação ao Estado, da representatividade, e da composição de seus associados. Foi a partir dessas três questões que a configuração da ANPEd passou a ganhar novos sentidos, se diferenciando da ANPEC. O papel do Estado, como agente regulador das Associações, não aparece de maneira unívoca nas produções teóricas sobre o assunto, de acordo com Calazans (1995, p. 9, grifo da autora) ―É bom recordar – diz ela a propósito da origem da ANPEd – que as associações nacionais de pós-graduação (de todas as áreas) não são instrumentos das políticas do Estado, mas nasceram sob o patrocínio destas‖. E prossegue afirmando que é complexa a tarefa de falar das origens das associações científicas no Brasil, particularmente da ANPEd, em vista das diferentes interpretações que têm sido dadas ao papel do Estado e às iniciativas da sociedade civil na criação de tais entidades. ―É inegável o ‗patrocínio‘ estatal. Mas os 12 De acordo com Carvalho (1988), a Associação Nacional de Centros de Pós-Graduação em Economia, foi estruturada com as seguintes características: 1º era uma sociedade civil sem fins lucrativos; 2º eram sócios: a) programas, cursos e outros órgãos de universidades e entidades autônomas, que desenvolvessem pesquisas e formação de pessoal especializado; b) especialistas e profissionais; em caráter individual; 3º a admissão era feita por propostas de 1/5 dos membros associados, através de parecer de Comissão Especial e de decisão do Conselho Deliberativo; 4º eram seus objetivos: a) promover o intercâmbio entre as instituições associadas (cadastros de professores e pesquisadores; realização de encontros; celebração de acordos e projetos comuns; obtenção de cooperação nacional e internacional; intercâmbio de profissionais); b) incentivar a pesquisa, pela concessão de auxílios a programas e projetos institucionais e individuais; c) assegurar o debate de temas relevantes, através de encontros anuais, promoção de simpósios, seminários e reuniões; d) divulgar estudos, pela publicação de revista especializada e associação a programas editoriais de universidades e outras editoras. 47 fundadores e as fundadoras da associação optaram, em sua maioria, na eleição, por uma chapa que queria constituir uma associação identificada mais com a sociedade civil do que com o Estado‖ (FERRARO, 2005, p. 51). Nesse contexto, Juracy Marques, em entrevista concedida a Bianchetti (2005, p. 146), salienta: A CAPES deu muita liberdade, tanto é que quem coordenou a reunião foi uma colega, Vera Candau, escolhida pelo grupo. A CAPES pagou passagens, pagou diárias, mandou o representante, mas foi como se dissesse ‗agora vocês se virem‘. Havia muita liberdade, e essa liberdade fez emergir as questões políticas que estavam subjacentes nos diálogos que se travavam. Costumávamos dizer que tínhamos apoio financeiro da CAPES, tínhamos apoio técnico dos professores mais experientes, que em geral eram da USP ou da PUC-Rio, que também tinha uma boa tradição de pesquisa em pós-graduação, mas que precisávamos criar entre nós uma rede de apoio afetivo. [...] Assim, a ANPEd, na sua origem, é extremamente democrática. Ainda no que se refere a esse debate, Maria Calazans, em entrevista realizada por Bianchetti e Fávero (2005, p. 157), enfatiza: A CAPES tinha interesse de apoiar a ANPEd porque ela poderia ser um veículo de crescimento da pós-graduação. A ANPEd ganhou um certo interesse por ser esse veículo de crescimento. Por exemplo, na primeira Conferência Brasileira de Educação (I CBE), em 1980, percebemos a primeira demonstração disso. Não teve CAPES para organizar nada. A CBE foi organizada pela ANPEd e por outras associações que vieram conosco: o CEDES [Centro de Estudos em Educação e Sociedade], da UNICAMP, e a ANDE [Associação Nacional de Educação] de São Paulo. Portanto, não foi uma reunião oficial. [...] A ANPEd nunca foi tutelada pela CAPES. Em nenhum momento. Acreditamos, assim como Sousa e Bianchetti (2007), que a ANPEd respondeu de um modo próprio a iniciativa de indução, ou melhor, apoio do governo federal: além de admitir sócios institucionais (os programas de pós-graduação), abriu espaço para o ingresso de sócios individuais (docentes-pesquisadores e pós-graduandos). Propugnou-se, então, com base em seu estatuto, que a ANPEd fosse uma associação representante da sociedade civil, sem fins lucrativos, constituída por sócios institucionais e sócios individuais, cuja finalidade seria o desenvolvimento e a consolidação do ensino de pós-graduação e da pesquisa na área da Educação no Brasil. Apesar dos esforços empreendidos pela entidade em se manter de maneira autônoma e independente do Estado, a ANPEd, ao longo de sua história, vem 48 encontrando dificuldades em manter essa independência, já que o apoio da CAPES e outras instituições da sociedade civil marca a trajetória da entidade. Segundo Maria Malta Campos, em debate realizado na Fundação Carlos Chagas, para discutir os 30 anos da Associação:13 As reações levaram a ANPEd a uma certa independência. Enfatizo: uma certa independência, pois ainda estamos precisando de muitos apoios do Estado. A ajuda vem do Estado, pois temos dificuldade de sermos financeiramente autônomos. Isso gera uma tensão entre os órgãos de Estado, em particular a CAPES, e os grupos da sociedade civil. [...] A ANPEd esteve sempre presente na tensão entre os órgãos do Estado que lidam com a educação e com a pós-graduação, especificamente, e a sociedade civil, sua organização, suas demandas e sua crítica a respeito dos problemas na educação. Ela não é uma instituição burocrática como tantas outras. Ela tem um caráter de fórum, uma prática de debates abertos (apud SOUSA; BIANCHETTI, 2007, p. 393). Não podemos desconsiderar que, mesmo sendo conflituosa em alguns aspectos, sempre houve interlocução entre a associação e os órgãos governamentais de apoio à pesquisa e à pós-graduação, principalmente no que concerne as políticas públicas para a pós no Brasil. Sousa e Bianchetti (2007) identificam, como preocupação entre ANPEd e órgãos governamentais, a qualidade da produção científica na área e o necessário rigor no credenciamento de cursos, programas e instituições. Uma análise sobre a natureza da Associação indica que, além de tensões externas, internamente a tensão sempre esteve entre os posicionamentos políticos e questões acadêmicas e de pesquisa. Esse parece ser um olhar predominante nas produções acadêmicas que tratam da história da instituição. Henriques (1998), por exemplo, sinaliza uma tensão permanente entre as questões de caráter científico e de caráter político circunscritas no contexto da Associação. O espaço da pesquisa em educação parece ter estado sempre sob o crivo da busca de superação de uma oposição/interação entre dois pólos que tentam, como adversários cúmplices, definir os limites do campo pela participação legítima na luta: questões científico-educacionais e questões políticas (HENRIQUES, 1998, p. 9). 13 As falas dos participantes do debate realizado em São Paulo, nos dias 7 e 8 de maio de 2007 foram registradas, organizadas e publicadas no texto ―Pós-graduação e pesquisa em educação no Brasil: o protagonismo da ANPEd‖ elaborado por Sousa e Bianchetti (2007). Participaram desse debate: Alceu Ravanello Ferraro (Centro Universitário La Salle – UNILASSALE-RS), Bernardete Angelina Gatti (FCC-SP e Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC-SP), Carlos Roberto Jamil Cury (PUC-MG), Jacques Therrien (Universidade Federal do Ceará – UFC), Maria Malta Campos (FCC e PUC-SP). O debate foi coordenado por Sandra Zákia Sousa (Universidade de São Paulo – USP) e Lucídio Bianchetti (Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC), com a assessoria de Valéria Lopes (USP). 49 Ao corroborar com as proposições apresentadas por Henriques, Ferraro (2005) não só identifica duas políticas distintas, como também ressalta as suas predominâncias nos diferentes momentos da associação. A primeira política está centrada na consolidação da pós-graduação e na produção e disseminação do conhecimento na área da educação ou no que Henriques (1998) denomina ―questões científicoeducacionais‖; a segunda, denominada por Henriques (1998) de ―questões políticas‖, indica o envolvimento na (re)formulação da política educacional do país por ocasião dos processos de redemocratização, de elaboração da Constituição de 1988 e, na seqüência, de elaboração da Lei nº 9.394/96 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB). Ainda sobre esse assunto, Maria Malta Campos (apud SOUSA; BIANCHETTI, 2007, p. 395) salienta três momentos marcantes na história da ANPEd: Inicialmente, uma postura mais combativa, que se intensificou durante a Assembléia Nacional Constituinte, no final dos anos de 1980. Havia coesão e identidade entre os associados, em torno de propostas sobre o capítulo da educação na Constituição Federal e, posteriormente, para a Lei de Diretrizes e Bases. Já num segundo momento, nos anos de 1990, é possível identificar cisões internas à entidade, de natureza partidária. Às questões comuns emergiam respostas divergentes que expressavam preferências partidárias, e essas divergências interferiram na construção de perspectivas coletivas. E, num terceiro momento, iniciado com o primeiro Governo Lula, no qual parece ter havido recuo em posicionamentos e propostas da associação, arrefecendo tanto o debate interno, quanto o externo. A projeção da natureza científica de uma Associação é tecida pelas ações dos sócios dessa entidade, ou seja, consideramos que o papel que a ANPEd vem ocupando no cenário da Educação Nacional ao longo de sua história antes de ser uma busca pela superação de uma oposição entre as dimensões científicoeducacionais e políticas são uma operação astuciosa dessas duas dimensões. Fazer pesquisa é antes de tudo um ato político que requer escolhas e tomadas de decisões e é a partir dessas ações que se define a legitimidade de um campo científico. Observamos, no entanto, a partir da 26ª Reunião Anual uma presença maior de representantes do MEC, CNPq e CAPES participando do evento na condição de conferencista. Nesse caso, é preciso destacar que a relação estabelecida com as instâncias governamentais se estabeleceu em outros lugares, espaços de diálogo e 50 de diferentes formas, como pode ser observado no fragmento retirado do Relatório de Atividades publicado na 29ª RA: Na interação com os órgãos governamentais, foram feitos ajustes ao convênio com a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (SECAD/MEC); firmou-se um protocolo de intenções com a Secretaria de Educação Básica (SEB/MEC)) com o objetivo de desenvolver estudos e pesquisas na área de educação básica, assim como, ampliaram-se as conversações com o INEP visando à interlocução com os bancos de dados desse instituto de pesquisa. Com o Conselho Nacional de Educação (CNE), a articulação se efetivou mediante a participação da Associação, juntamente com o Fórum de Diretores de Faculdades/Centros de Educação das Universidades Públicas Brasileiras (FORUMDIR), Centro de Estudos Educação e Sociedade (CEDES) e Associação Nacional pela Formação dos Profissionais da Educação (ANFOPE), das audiências com a Comissão Bicameral que trataram das Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Pedagogia. Além disso, manteve-se a representação no Comitê Nacional de Políticas de Educação Básica – CONPEB/MEC, mediou-se a participação de membros do GT5 e do GT 11 na discussão do projeto nacional de formação continuada dos gestores da educação básica. Representando a ANPEd, a Presidente e os demais integrantes da Diretoria atenderam aos convites de participação em seminários internacionais de diversas instituições, a exemplo de eventos promovidos pelo MEC, CONSEd. UNESCO, CLACSO e por Universidades. Destacamos, também, as visitas de cortesia ao Ministro de Estado da Educação, Prof. Fernando Haddad, à Câmara Federal, à Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação e às Universidades (ANPED, 2006, p. 15) Diante desse contexto, estamos de acordo com Sousa e Bianchetti (2007, p. 390), quando salientam que: É um extenso leque de aspectos que evidencia o desencadeamento de uma práxis na qual se mesclam protagonismos de pessoas e do coletivo da associação, que se fizeram e se fazem presentes em momentos marcantes da história da pós-graduação em educação – interferindo inclusive na discussão e elaboração dos planos nacionais de pós-graduação e nos movimentos por uma educação de qualidade, pela redemocratização, nas discussões da Constituinte, nos embates no processo de elaboração da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, do Plano Nacional de Educação e das Diretrizes Curriculares Nacionais, assim como na indicação de pesquisadores para ocupar postos de destaque na elaboração e implementação de políticas, no processo de indicação de membros para o Conselho Nacional de Educação (CNE) e na relação com outras entidades congêneres, entre outros aspectos. Essa práxis não se apresenta de maneira aleatória, pelo contrário, ela é induzida de forma intencional pelos sócios individuais, coletivos e institucionais que constituem a Associação, dito de outro modo, as atuações desses sócios ganham diferentes sentidos de acordo com os espaços ocupados e diálogos estabelecidos no cenário científico e político da educação nacional, pois, como salienta Maria Malta Campos, 51 A atuação da ANPEd ganhou um papel diferente conforme o espaço que ocupou, e isso ocorreu propositalmente, intencionalmente. Nas reuniões da CBE, nas quais a ANPEd manteve parceria intensa com o CEDES e a ANDE, o papel de interlocução da ANPEd foi de mobilização e divulgação das pesquisas para um público mais amplo, formado por professores e estudantes; com a SBPC, ao lado da divulgação das pesquisas e do debate acadêmico, realizou-se uma parceria de militância, de luta pela democratização da escola e do ensino (apud SOUSA; BIANCHETTI, 2007, p. 393). As questões colocadas pela participação da ANPEd nas discussões das políticas educacionais, por exemplo, não se apresentam de maneira personificada e/ou individualizada, elas representam a voz coletiva da instituição. Diante do presente contexto, é possível verificar, como destaca Jacques Therrien, que as diretorias da ANPEd tiveram sua atuação, de um lado, dirigida para o desenvolvimento da pesquisa, com apoio do CNPq e da FINEP [Financiadora de Estudos e Projetos], assim como para a atuação dos grupos de trabalho; de outro, para dimensões da política educacional, por meio das Conferências Brasileiras de Educação (CBE) e do Fórum Nacional em Defesa da Escola Pública, por ocasião da Constituinte e da discussão da Lei de Diretrizes e Bases. Para Jacques Therrien, a ANPEd foi delineando sua identidade, na primeira década, nas tensões de busca de autonomia, sobretudo no que se remete as questões de política de pós-graduação com a CAPES e de políticas educacionais; e, na segunda década, buscou a consolidação da pesquisa e da produção científica por meio do fortalecimento dos grupos de trabalho. Para o autor, isso indica os dois fundamentos sobre os quais se apóiam a ANPEd e as suas práticas: de um lado, a base constituída pelos sócios individuais, pela estrutura de grupos de trabalho, pelas reuniões anuais e regionais, com a preocupação centrada na produção e disseminação do conhecimento, oferecendo sustentação à pós-graduação (ao ensino e às avaliações externas dos programas); de outro, a base constituída pelos programas de pós-graduação e o Fórum de Coordenadores (EDUFORUM), com atenção voltada para a consolidação dos programas e para a participação como autores e atores nas políticas públicas de pós-graduação e pesquisa, o que se traduz em apoio e benefício da produção e disseminação do conhecimento.14 14 Em particular, compete ao EDUFORUM discutir e encaminhar propostas para as questões relativas à política nacional de pós-graduação entre elas a avaliação e o apoio aos cursos, por meio de bolsas de estudos aos pós-graduandos e subvenções aos programas. 52 Muito embora as reflexões apresentadas pelos autores busquem evidenciar uma dicotomia no projeto da ANPEd, construindo, de um lado, a imagem da entidade divulgadora da produção científica (espaço de debates, divulgação e qualificação das produções acadêmicas) e, de outro, como espaço de orientações, planejamento e envolvimento na política educacional do país, acreditamos que essas dimensões coexistem em um mesmo espaço tendo como eixo norteador a finalidade da ANPEd, qual seja, o desenvolvimento e a consolidação do ensino de pós-graduação e da pesquisa na área da Educação no Brasil. É fato, no entanto, que as ações realizadas para tal intento se constituiu, as vezes, de maneira conflituosa, por lutas, embates e negociações entre diferentes sócios, programas de Pós-Graduação e grupos de pesquisa. Essa assertiva foi evidenciada no próprio Boletim ANPEd (1990, p. 91) referente a texto apresentado na 13ª Reunião Anual, no qual destaca-se que ―O papel político da ANPEd junto à LDB foi fundamental para o reconhecimento da entidade. Esse papel deve ser mantido e intensificado, mas tendo presente que a ação política só será eficaz na medida em que efetivamente se preservar a aprofundar o estatuto científico da entidade‖. Esse ponto foi retomado no discurso de posse de Aguiar (2006, p. 188-189). Dentre os inúmeros desafios, a Diretoria que hoje assume a ANPEd, escolheu alguns para serem enfrentados, buscando conferir centralidade aos grandes temas da educação nacional de modo a intervir de forma mais incisiva (crítica e propositiva) na formulação das políticas públicas que incidem no campo da educação. Assim, neste momento reafirma os compromissos já manifestos, de atuar no sentido de contribuir para o fortalecimento da pós-graduação e da pesquisa em educação, com o ensino de qualidade para todos e com uma escola comprometida com os interesses da maioria da população, que faça, da passagem por ela, processo revigorado de cidadania e prática social. O processo de constituição da ANPEd se revela como uma busca dos educadores em criar e organizar uma associação que se caracterize como um espaço de construção de novos conhecimentos e novas práticas que respondessem às exigências do contexto de reabertura política do final dos anos de 1970 e início dos anos de 1980 no Brasil. A trajetória histórica da ANPEd revela a constituição dessa associação como parte do movimento de organização político-científico desse momento, somando-se a outras entidades/associações como a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), a Conferência Brasileira de Educação (CBE), 53 a Associação Nacional pela Formação dos Profissionais da Educação (ANFOPE), a congressos, como o Encontro Nacionais de Didática e Prática de Ensino (ENDIPE), e a diferentes organizações, partidos políticos, movimentos religiosos e populares. Nesse ponto é preciso compreender que, como espaço político, científico e de poder, a ANPEd, conforme destaca Fischer (2007, p. 410-411), desde sua implementação até os dias atuais, é marcada por interações e disputas de interesses por parte da comunidade acadêmica, [...] tanto na formulação de uma dicotomia forçadamente acentuada em uma ‗falsa disputa‘ entre perspectiva acadêmico-científico em oposição a uma ênfase na postura política da instituição. Decorrente da ampliação do número de programas de pós-graduação, dos titulados em nível de doutorado, da expansão dos GTs e do aumento de sócios da ANPEd, verifica-se também que, na própria internalidade da sua gestão, emergem esperadas disputas e demarcações de poder, e diferentes interesses quando da normatização da produção científica na área e das instâncias avaliativas. Contudo, concorrência e competição, como salienta Schneider (2003), não podem ser percebidos como antagonismo puro e simples, mas como uma ação em que o que está em jogo é o reconhecimento e o poder de fazer reconhecer, o que está em disputa no campo concorrencial é a luta por representações. O que está em jogo na ANPEd é a necessidade de fortalecer essa entidade científica como representativa das áreas de conhecimento das ciências humanas e sociais que tratam da educação. Podemos definir a ANPEd como uma Associação de caráter político, científico e acadêmico, originária do movimento dos educadores na década de 1970 e que, na atualidade, constitui-se em uma entidade de referência no cenário nacional e internacional quando se trata de debates e de proposições para a pesquisa e pósgraduação em Educação no Brasil. O reconhecimento de sua importância e de suas contribuições se deve, sobretudo, à forma protagonista (SOUSA; BIANCHETTI, 2007), como seus sócios se posicionam frente aos desafios historicamente colocados no campo das políticas educacionais e da pesquisa, especialmente de formação e de valorização dos profissionais da educação, em todos os níveis de ensino. A Associação tem, desse modo, uma atuação fundamental no debate da Educação, em particular no campo do currículo. 54 A ANPEd, como fórum de debates e divulgação do que se realiza na pós-graduação, além de promover a interlocução entre pesquisadores, é reconhecida como espaço de qualificação das produções acadêmicas, por meio do Comitê Científico, dos grupos de trabalho, do Fórum de Coordenadores, das reuniões anuais e da Revista Brasileira de Educação, espaços esses, político, científico, de exposições, diálogos, trocas, embates, aproximações, distanciamentos, pluralidades, transgressões, incertezas, criações e inventividades. 2.2 REUNIÕES ANUAIS DA PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE Foram inúmeras as dificuldades encontradas para falarmos sobre as Reuniões Anuais da ANPEd, dentre as quais podemos destacar a falta de conservação de documentos oficiais como cartas, ofícios, programações das reuniões e a dificuldade de manutenção dos registros das décadas de 1970 e 1980, devido a forma como foram produzidos.15 Esse cenário dificultou o trabalho de levantamento de fontes e ao mesmo tempo exigiu uma caça em acervos particulares e institucionais que durou cerca de dois anos. Diante das dificuldades expostas, pretendemos neste tópico apresentar um esboço sobre a natureza das Reuniões Anuais, a produção por elas posta em circulação e sua contribuição para a constituição da pesquisa e pós-graduação em Educação no Brasil, em particular as questões concernentes ao tema currículo. Para abordarmos o período que compreende 1979 a 1995, tomamos como fonte o Boletim ANPEd; para o período de 1996 a 1998, os Cadernos de Programação, e de 1996 a 2008, os CDs-ROM produzidos pelos organizadores do evento. O Boletim ANPEd teve o seu primeiro número publicado em 1979. Das primeiras edições até o ano de 1985, esse impresso apresentou um caráter extremamente informativo, aproximando-se, tanto em conteúdo como na forma, de um jornal. Por meio desse veículo, a ANPEd passou a informar seus associados sobre as 15 A maioria dos documentos do final da década de 1970 foram produzidos em papel ofício, datilografados e mimeografados, dificultando a conservação. 55 Reuniões Anuais, com indicação das programações do evento e indicativos de alguns resultados como relatórios das principais questões colocadas em debates nas Reuniões. Em 1985, após a 9ª Reunião Anual, realizada no Rio de Janeiro, o Boletim assumiu novo formato, passando a ser impresso com periodicidade quadrimestral, com apenas um número voltado para a publicação das informações referentes às Reuniões Anuais. Os demais números da revista publicaram artigos de caráter político-acadêmicos elaborados por autores convidados pelos editores da revista ou postos em circulação nas Reuniões Anuais. Naquele período, começa a assumir as formas de uma Revista Científica. Para os membros da Diretoria responsáveis pela organização do Boletim (DIRETORES n. 1-2, 1989, p. 3): Pode-se considerar as Reuniões Anuais e os Boletins como dois pontos altos da ANPEd; nos últimos anos. Progressivamente, ambos foram se definindo, se firmando, ampliando-se. As Reuniões, enquanto temáticas e participação [...]. Os Boletins, por sua vez, constituíram-se sobretudo em espaço de discussão dos problemas internos da pós-graduação da área, assim como da relação desta com o Estado [...]. Em algumas oportunidades, esses dois pontos se reforçam mutuamente: os Boletins antecipam temas e relatórios que foram discutidos nas reuniões e estes produziram documentos e análises que foram editados nos Boletins. Apesar das contribuições apresentadas pela Diretoria é importante notar que, naquele mesmo ano, o Boletim apresentou sua terceira estruturação, que correspondeu ao período 1989 a 1991. Devido às dificuldades encontradas em manter sua publicação, passou a ser editado apenas um número por ano do Boletim com o intuito de divulgar os resumos dos trabalhos apresentados nas Reuniões Anuais. A partir da 15ª Reunião, em 1992, o Boletim passa a ser editado duas vezes por ano: um número contendo a Programação da Reunião Anual e os resumos dos trabalhos a serem apresentados durante o evento, e outro divulgando os relatórios gerais da Reunião e das atividades desenvolvidas pelos GTs. A partir de 1995, ano em que foi instituída a Revista Brasileira de Educação, o Boletim passa a ter novamente caráter informativo em estilo jornal. Durante parte de sua trajetória, especificamente até o ano de 1985, a indicação da realização do Boletim foi conferida aos presidentes da ANPEd, ou seja, não foi 56 montado um conselho editorial específico para a elaboração dos Boletins, essa ação só veio a acontecer do ano de 1986 em diante. É oportuno salientar que nos primeiros anos o Boletim foi mantido pela ANPEd com apoio inicial do CNPq. Posteriormente começa a receber apoio do FINEP, INEP e FAPEMIG. Uma análise geral de suas características materiais indicam que tal impresso manteve um tamanho padrão de 20 X 15cm, com textos publicados em única coluna, predominantemente em preto e branco. Se, nas características formais, encontramos pouca variação, o mesmo não podemos falar sobre o conteúdo veiculado no impresso e, por sua vez, sua política editorial. Como observamos nos parágrafos anteriores, as intencionalidades do impresso se manifestam de maneira diversa, refletindo uma dificuldade encontrada em manter a sua periodicidade bem como a própria ideia do papel que deveria ocupar no cenário da ANPEd. Quanto a leitura das fontes, é preciso destacar ainda o CD-ROM produzido pela ANPEd em comemoração aos seus 25 anos. Ele coloca a disposição no formato de mídia magnética os resumos apresentados na 16ª e 17ª Reuniões Anuais, os textos completos da 18ª a 24ª e, ainda, algumas informações como temática, lugar de realização, diretoria da 9ª a 15ª Reunião,16 ou seja, ele sistematiza os eventos efetuados no período que corresponde de 1986 a 2001. 2.2.1 Reuniões anuais A primeira Reunião Anual da ANPEd foi realizada em 1978. Nasceu da necessidade encontrada em instituir um lugar de encontros coletivas entre programas de pósgraduação em educação no país. Uma análise geral sobre a natureza das três primeiras Reuniões Anuais evidencia que ela fixou uma estrutura organizacional que favorecia o encontro e o debate dos professores e coordenadores de pós-graduação em Educação, ou seja, a maioria dos espaços criados na programação do evento eram destinados à reunião de coordenadores de cursos. 16 Os autores do CD-Rom não encontraram dados referentes a 14ª Reunião. No entanto, essas informações podem ser encontradas no PROEDs. 57 Vale a pena destacar que as Reuniões Anuais assumiram como referência, em seu projeto editorial, a escolha por um tema central norteador do evento. Os temas das primeiras Reuniões, especificamente a 1ª, 2ª, 4ª, 6ª e 7ª, buscaram colocar em cena os mestrados e doutorados em Educação no Brasil. A preocupação em criar um lugar específico para o debate da pós-graduação em Educação se apresenta como uma contribuição importante da instituição, sobretudo, quando levamos em consideração que essa era uma área recente no cenário educacional brasileiro. A própria nomenclatura da Associação chanceladora das Reuniões Anuais indicam essa necessidade, já que até 1980, como já foi apresentado neste trabalho, ela era denominada de Associação Nacional de PósGraduação. Foi a partir da necessidade de expandir a associação, manifestada por seus presidentes, associados individuais e institucionais que, na 4ª Reunião ocorrida em 1981, houve a inclusão do termo pesquisa. De acordo com a nota editorial do Boletim ANPEd (1981), ao se criar um novo estatuto para redefinir a natureza dessa entidade, [...] consolidou-se a inserção da investigação científica em Educação entre as finalidades essenciais da organização. Não se trata mais de uma associação voltada preponderantemente para os problemas do ensino da pós-graduação, como foi antes por razões históricas. Na verdade a ANPEd agora é ANPPEd – Associação de Pesquisa e Pós-Graduação. Não que esta dimensão inexistisse anteriormente (o que justifica a permanência de apenas um ‗p‘), mas que agora é realçada. Apesar da indicação de se inserir o ―P‖ referente à pesquisa, essa ação não foi incorporada. A ANPEd continuou usando a mesma sigla, mas a palavra ―pesquisa‖ foi incorporada em sua denominação. A preocupação colocada pelo novo estatuto da ANPEd foi ampliar o debate, voltado à pesquisa em educação e ao diálogo com os programas de pós-graduação. Essas questões foram discutidas no primeiro Boletim ANPEd do ano de 1988. Ao debater sobre o tema ―Doutorado em Educação: situação atual, novas propostas e questões alternativas‖, o impresso buscou destacar a dificuldade encontrada pela Diretoria da Associação em se obter informações sobre os Programas de PósGraduação devido à grande escassez de estudos relacionados sobre a temática. Caberia a ANPEd, em seus diferentes espaços de formação, ―[...] desencadear um amplo debate, que permitisse um maior aprofundamento no tratamento desta 58 questão, que se apresenta como fundamental para o desenvolvimento da área‖ (APRESENTAÇÃO n. 1, 1988, p. 5). Parece-nos oportuno ressaltar a importância desta Reunião Anual para a pesquisa e a pós-graduação no Brasil. A produção científica, por sua natureza, requer a comunicação e intercâmbio que encontros deste gênero propiciam. Além disto, o isolamento entre pesquisadores e entre os próprios programas de pós-graduação é um risco ao qual se deve fazer frente. De acordo com as diretrizes políticas, cabe às Reuniões Anuais da ANPEd ter: I compromisso com a qualidade da pós-graduação; II compromisso com a reestruturação da Universidade; III articulação com associação congêneres a outros grupos ou associações que afetam a área da educação; IV intensificação do diálogo com os programas; V presença da ANPEd por onde passa a definição de políticas de pesquisa e pós-graduação; VI afirmação da ANPEd como associação acadêmica dentro da realidade social, política e econômica do momento; VII reforço à prática da política de consolidação da participação democrática; VIII redefinição dos grupos de trabalhos da ANPEd numa postura político de investir na qualidade social e técnica. (APRESENTAÇÃO n. 2, 1983, p. 5) Essas são as diretrizes definidas, na Reunião Anual de 1983, que precisam ser lidas e compreendidas à luz dos objetivos instituídos por essa entidade na Reunião de 1984.17 Cabe a este encontro anual, conforme Apresentação do Boletim n. 1 (1984), oferecer à comunidade acadêmica a oportunidade de debate sobre a pós-graduação em nível de mestrado e doutorado no Brasil, avaliando-se o esforço já desenvolvido, os resultados e impasses, a organização atual e as perspectivas para o futuro. Deve assegurar à ANPEd um encontro, anual de nível nacional, e, por fim, oferecer aos GTs a condição de se avaliar, de retomar suas atividades e de se comunicar sobre a atual situação de suas pesquisas. A partir das análises efetuadas podemos salientar que desde os primeiros anos as Reuniões da ANPEd foram se apresentando como um espaço de debate e ações políticas em favor da educação brasileira, sobretudo, da pós-graduação. Ao mesmo tempo vem se apresentando como um espaço de encontro, confronto e diálogo entre 17 Essa Reunião marca profundamente a trajetória do evento ao aprovar a elaboração dos grupos de trabalhos. 59 as pesquisas e os pesquisadores, posição essa expressa na Carta de Caxambu (2001, p. 133): Ao longo de sua trajetória, a ANPEd tem se pautado pelo compromisso acadêmico e político com a educação e em defesa dos interesses dos docentes, discentes, pesquisadores e pesquisadoras da área, congregados nos programas de pós-graduação. Vem participando, ao mesmo tempo, em conjunto com outras associações e entidades, dos movimentos em defesa do espaço público em todas as esferas e pela melhoria da educação superior e da educação básica. Em particular na luta pela qualificação docente. Reafirmando os princípios assumidos desde sua criação, a ANPEd denuncia, toma partido e acredita na possibilidade de mudança, em favor das firmes convicções do coletivo que vem representando. Este evento anual tem-se constituído em um espaço privilegiado de comunicação, de luta, de negociações e de intercâmbio científico na área da Educação, além de marcar a evolução e a expansão da própria instituição chanceladora, a ANPEd. Ao congregarem a comunidade científica da área educacional, as Reuniões Anuais situam-se como parte integrante do movimento histórico de reconfiguração da educação no Brasil. Esse movimento compreende a articulação de ações políticoacadêmicas de instituições, associações científicas, entidades, grupos de pesquisa, professores e pesquisadores, reunindo e expressando um quadro da produção científica passível e possível de ser investigado sistematicamente. Diante das diferentes ações desenvolvidas pela ANPEd ao longo de sua trajetória histórica, podemos enfatizar que essa entidade vem promovendo desde 1978 Reuniões Anuais de características político-científicos para congregar os programas de pós-graduação, núcleos e grupos de pesquisa em educação em torno de problemas e temas relevantes. Uma das ações colocadas em prática para se concretizar essa intencionalidade foi criar sessões específicas dentro do projeto editorial das Reuniões sendo elas: Fórum das Coordenações de Programas de PósGraduação em Educação, Grupos de Trabalhos, Reuniões de Diretoria, MesasRedondas. 2.2.2 Da manutenção da periodicidade anual das reuniões Uma análise sobre a periodicidade das Reuniões Anuais indica que a ANPEd vem cumprindo com um dos seus objetivos apresentados em 1984, qual seja, realizar um encontro anual de nível nacional. No período que compreende 1978 a 2008 foram 60 organizadas 31 Reuniões Anuais, ou seja, uma reunião realizada a cada ano, exceto em 1978 quando observamos a realização das duas primeiras reuniões. Verificamos, nesse caso, a manutenção da periodicidade do evento, conforme pode ser observado na fig. 1. Indicamos ainda nessa figura a cidade e o ano em que foram efetuados os encontros. 7ª Reunião Anual Local: Brasília Ano: 1987 1ª Reunião Anual Local: Fortaleza Ano: 1978 4ª e 13ª Reuniões Anuais Local: Belo Horizonte Ano: 1981, 1990 26ª Reunião Anual Local: Poços de Caldas Ano: 2003 3ª e 10 Reuniões Anuais Local: Salvador Ano: 1979 e 1987 15ª a 25ª e 27ª a 31ª Reuniões Anuais Local: Caxambu Anos: 1992 a 2002; 2004 a 2008 6ª Reunião Anual Local: Vitória Ano: 1983 5ª e 9ª Reuniões Anuais Local: Rio de Janeiro Ano: 1982 e 1986 2ª, 8ª, 12ª, 14ª Reuniões Anuais Local: São Paulo Ano: 1978, 1985, 1989, 1991 11ª Reunião Anual Local: Porto Alegre Ano: 1988 Fig. 1 – Identificação do ano e do local das Reuniões Anuais da ANPEd. Até a 14ª Reunião, os locais de realização foram se alternando. A primeira foi realizada em Fortaleza no ano de 1977; a 2ª, 8ª, 12ª e 14ª, em São Paulo; a 3ª e a 10ª, em Salvador; a 4ª e 13ª, em Belho Horizonte; a 5ª e 9ª, no Rio de Janeiro; a 6ª, em Vitória; a 7ª, em Brasília; e a 11ª, em Porto Alegre. Apesar de os 31 eventos se distribuírem entre sete estados e o distrito federal, as demais, da 15ª a 31ª, foram realizadas em Caxambu, sendo que a 26ª, excepcionalmente, foi organizada em Poços de Caldas. Em Minas Gerais foram organizados 19 das 31 reuniões efetuados pela ANPEd, sendo 2 em Belo Horizonte, 1 Poços de Caldas e 16 em Caxambu. Na seqüência, os Estados com maior número de eventos são: São Paulo com 3, Rio de Janeiro e Salvador com 2 cada. Os 61 demais estados, Espírito Santo, Ceará, Rio Grande do Sul e o Distrito Federal organizaram apenas um evento. A opção em realizar as Reuniões Anuais em um lugar distante dos grandes centros urbanos, que habitualmente sediavam os eventos da Associação, procurou atender ―A uma velha aspiração de se buscar um local mais tranqüilo, que, de um lado, garantisse maior concentração e aproveitamento do tempo e, de outro, oportunizasse maior conhecimento, intercâmbio e convivência entre os participantes‖ (APRESENTAÇÃO n. 2, 1992, p. 5). Uma das preocupações manifestados pela Diretoria da ANPEd em realizar o evento fora dos grandes centros era justamente a possível diminuição de participantes. No entanto, a previsão de que tal decisão reduziria sensivelmente o número de participantes não se verificou. Com efeito, para 433 participantes inscritos na 13ª Reunião Anual em Belo Horizonte e 648 na 14ª, em São Paulo, verifica-se 496 na 15ª em Caxambu.18 Por estarem centradas inicialmente nos Programas de Pós-Graduação, as três primeiras Reuniões contaram com uma média de 150 participantes. Esse número cresceu acentuadamente na década de 1980, quando observamos a indicação de 350 participantes. No início da década de 1990, evolui para 500 e, em 1993, atinge cerca de 900 participantes. Já na 23ª Reunião Anual, realizada em 2000, observamos a impressionante marca de 3000 participantes, número que vem se mantendo até o ano de 2008. Para além do número de participantes, na 31ª Reunião Anual da ANPEd, encontramos ainda o envolvimento de 84 Programas de Pós–Graduação em Educação, 22 Grupos de Trabalho e um Grupo de Estudo. Esse cenário demonstra, em grande medida, a força desse evento e, ao mesmo tempo, a expansão e a qualificação da pós-graduação em educação no Brasil ou, como afirma o Presidente da Entidade na solenidade de abertura da 31ª Reunião, ―[...] esses dados constituem 18 Segundo o Presidente da ANPEd, a diferença existente entre a 14ª e 15ª Reuniões se deve à grande concentração de Programas de Pós-Graduação e de pesquisadores no Estado de São Paulo, bem como ao fato de a Reunião da ANPEd ter sido organizada em 1991, logo após à VI Conferência Brasileira de Educação, ocorrida no mesmo Estado. 62 mais uma demonstração pública da inserção da ANPEd na comunidade científica nacional e internacional e da vitalidade da pesquisa e pós-graduação em educação no Brasil‖. Um outro indicador da valorização das Reuniões da ANPEd como espaço de difusão e debate das pesquisas que vêm sendo realizadas na pós-graduação é o número de textos submetidos à avaliação, conforme pode ser observado no quadro 1. Devido às mudanças ocorridas em cada Reunião, a comparação entre diversos anos só é possível considerando-se os vários tipos de textos em conjunto. Dessa maneira, é preciso lembrar que a esses números não estão acrescentados os trabalhos encomendados pelos GTs, nem os textos apresentados em outras sessões (sessões especiais, debates, colóquios e minicursos, etc.). Trabalhos Pôsteres Total de textos aceitos para avaliação Trabalhos aprovados Pôsteres Aprovados Total de Aprovados Ano de Realização das Reuniões Anuais 98 99 00 01 02 03 04 05 21ª 22ª 23ª 24ª 25ª 26ª 27ª 28ª 523 750 670 680 643 592 602 901 95 18ª 456 96 19ª 607 97 20ª 529 06 29ª 692 07 30ª 819 146 173 152 177 197 199 202 188 211 246 284 340 382 91 91 78 76 99 78 84 69 62 69 104 67 79 279 331 230 253 296 277 286 257 273 315 388 407 461 Quadro 1 - Número de textos aceitos para avaliação e número de aprovados para apresentação nas Reuniões Anuais 1995 a 2007 Percebemos nesse quadro uma variação de números de textos inscritos e aprovados em cada Reunião Anual, a partir da 18ª, efetuada no ano de 1995. Comparando o número de trabalhos inscritos na 20ª Reunião Anual com os inscritos na 30ª Reunião Anual, registramos um aumento de mais de 64%. No entanto, nem sempre o aumento no quantitativo de trabalhos inscritos representou um aumento de textos aprovados. A 21ª Reunião, por exemplo, teve 523 trabalhos enviados com 48% dos textos aprovados e a 22ª, com 750 artigos aceitos para avaliação, com aprovação de 39%. De acordo com a Apresentação da 23ª Reunião Anual (2000), o fato de financiar parcialmente (passagem e 3 diárias) os autores de trabalhos a serem apresentados tem gerado uma dificuldade em acompanhar o número de aprovações em relação 63 ao quantitativo de trabalhos inscritos. Para além da questão referente ao financiamento dos pesquisadores com trabalhos aprovados, observamos alterações na própria forma de avaliação dos textos, com a criação dos Comitês Científicos e, posteriormente, pareceristas ad hoc. Segundo a Apresentação da 18ª Reunião Anual (1995), tal fato se deve às exigências estabelecidas e ao maior cuidado revelado pelos pesquisadores em Educação na apresentação de seus trabalhos para julgamento. A oscilação no número de trabalhos submetidos a avaliação bem como de textos aprovados, de acordo com a Diretoria da Associação (1995, s. p.), revela: PRIMEIRO: foi com enorme satisfação que o Comitê Científico percebeu claramente um significativo acréscimo de qualidade tanto formal quanto de conteúdo, nos trabalhos apresentados para julgamento; SEGUNDO: tal fato vai permitir que a Reunião Anual não se reduza a uma reunião de apresentação de trabalhos, mas está abrindo espaço, na agenda da Reunião, para que os GTs possam dedicar algum tempo a uma avaliação mais aprofundada dos caminhos já percorridos, bem como estabelecer estratégias para sua consolidação e para tomadas de decisão que julgamos importantes para o futuro da ANPEd. Apesar desse panorama, verificamos, de maneira inversa ao que foi apresentado anteriormente, uma diminuição no número de trabalhos submetidos à avaliação com um quantitativo maior de aprovação. A 26ª Reunião teve uma diminuição de 51 textos submetidos à avaliação em relação a 25ª e um aumento no número de artigos aprovados. Nas 29ª e 30ª Reunião Anual, observamos um número maior de textos aprovados, ultrapassando o percentual de 50%. Até o momento, as proposições estabelecidas apontaram para uma análise macro. No entanto, face ao objeto de estudo proposto para esta tese, é necessário elaborar alguns apontamentos em nível micro sobre a produção circulada no GT Currículo. No quadro 2, indicamos o quantitativo de trabalhos publicizados no GT, no período de 1995 a 2008, ou seja, da 18ª a 31ª Reuniões Anual. Diferente da leitura estabelecida no campo macro, levamos em consideração o conjunto de textos aprovados pelo GT em suas diversas sessões. Contudo, não encontramos fontes que nos indicassem o número de artigos a serem avaliados, como está expresso no quadro 1. Grupo de Trabalhos Ano de realização das Reuniões Anuais 95 96 97 98 99 00 01 02 03 04 05 06 07 18ª 19ª 20ª 21ª 22ª 23ª 24ª 25ª 26ª 27ª 28ª 29ª 30ª Currículo 24 20 16 12 16 20 29 17 18 17 31 19 27 Quadro 2 – Número de textos apresentados no GT Currículo no período de 1995 a 2007. 08 31ª 26 64 O número de trabalhos apresentados no GT Currículo varia de acordo com o ano de realização das Reuniões Anuais. Não observamos, nesse caso, uma política editorial que defina o quantitativo mínimo ou máximo de pesquisas a serem apresentadas no GT, o que acaba por contribuir com a alta variedade de publicações a cada ano. De maneira geral, é preciso salientar que os dados presentes no quadro 2 refletem as oscilações encontradas e destacadas no quadro 1. Ou seja, nem sempre o aumento do número de artigos aprovados significa um aumento de trabalhos apresentados no GT Currículo, como também, o aumento de textos apresentados no GT não acompanha a diminuição das aprovações realizadas nas Reuniões Anuais. Por exemplo, encontramos um aumento de 51 trabalhos aprovados entre a 19ª e a 18ª Reuniões Anuais, que inversamente representou em uma diminuição de 4 textos no GT Currículo. Esse quadro se repetiu na 21ª e 20ª Reuniões, quando verificamos um aumento de 23 trabalhos aprovados, com uma redução de 4 sobre currículo. Nesse ponto, a diferença mais acentuada foi encontrada entre a 28ª e 29ª Reunião Anual, observamos uma queda de 29 para 18 textos apresentados no GT Currículo e, ao mesmo tempo, um aumento de 388 para 407 trabalhos aprovados nesses eventos. Como já foi salientado anteriormente, a leitura dessas fontes indica um cenário inverso, já que, na 23ª Reunião Anual, identificamos uma diminuição de 20 trabalhos aprovados em relação ao 22ª encontro e, ao mesmo tempo, um aumento de 4 trabalhos apresentados no GT Currículo. Verificamos ainda um aumento de trabalhos que acompanha o cenário apresentado nas Reuniões Anuais, ou seja, ao número maior de textos aprovados, como foi o caso da 26ª, 28ª e 30ª Reuniões Anuais. Por fim, verificamos a manutenção do número de textos publicados no GT Currículo, mesmo mediante a um aumento de trabalhos aprovados, como ocorre na 26ª e 27ª Reuniões Anuais. O fato de os GTs terem sessões específicas para a apresentação de trabalho também tem contribuído para a variação do quantitativo de textos apresentados no GT Currículo. Encontramos pelo menos cinco espaços de publicações diferentes 65 nos GT, podendo ser agrupados da seguinte maneira: sessão especial (SE), minicurso (MC) e trabalhos encomendados (TE), que congregam os textos elaborados a convite dos coordenadores do GT e/ou encaminhados como proposta à comissão organizadora do evento, ou seja, não submetidos à avaliação do Comitê Científico.19 As sessões trabalhos apresentados (TA) e pôsteres (PT) agrupam os textos enviados de forma espontânea e, portanto, submetidos à avaliação. 20 No gráfico 1, apresentamos a distribuição dos trabalhos publicados no GT Currículo, levando-se em consideração suas diferentes sessões. Gráfico 1- Distribuição de trabalhos publicados no GT Currículo 35 2 30 2 1 2 2 2 25 20 15 10 18 12 10 11 6 2 5 18 1 12 6 6 0 18ª RA 19ª RA 1 2 1 10 13 16 3 20ª RA 5 22ª RA 8 3 23ª RA 24ª RA SE MC 17 12 6 TA PT TE 11 9 1 21ª RA 15 2 11 3 2 1 8 8 4 3 3 1 2 2 2 2 25ª RA 26ª RA 27ª RA 28ª RA 29ª RA 30ª RA 31ª RA A maioria dos textos apresentados no GT são oriundos das sessões Trabalho (TA) e Pôsteres, conforme gráfico 1. Essas sessões são responsáveis por 255 textos 19 A definição das sessões e do seu papel nas Reuniões Anuais serão apresentadas com maiores detalhes no próximo capítulo deste trabalho. 20 É preciso destacar a dificuldade em mapear a produção expressa nas diferentes sessões no período de 1995 a 1999, ou seja, da 18ª a 22ª RAs. Nesse caso, os suportes utilizados para a produção das fontes desse período foram o CD-ROM comemorativo dos 25 anos da ANPEd e Boletim divulgado por essa Associação e ainda alguns relatórios produzidos pelo GT. No CD comemorativo encontramos os Trabalhos Apresentados e Pôsteres e, em alguns casos, a programação do evento. Os Boletim e os Relatórios nem sempre contem os dados quantitativos do evento. Estamos com isso querendo evidenciar que mesmo diante dessa dificuldade buscamos apresentar, a partir das diferentes fontes que possuem suportes variados, um possível mapeamento e leitura dos dados. 66 publicados, 186 na sessão Trabalhos e 69 Pôsteres. Esses números representam 86% das publicações vinculadas no GT Currículo. Cabe ainda ressaltar que essas produções se fazem marcantes em todas as Reuniões Anuais, se manifestando, contudo, de maneira heterogênia. Em alguns congressos, como o 21°, verificamos a presença de apenas 1 pôster, enquanto em outros, como no 9°, encontramos 9. Essa está longe de ser uma especificidade do pôster, ela também se manifesta na sessão Trabalhos Apresentados, como pode ser verificado no gráfico 1. É preciso ressaltar que, apesar de estarmos apresentando os dados referentes às duas sessões, Pôsteres e Trabalhos Apresentados, assumiremos como corpus documental de análise a segunda sessão. As demais sessões correspondem 14% dos textos publicados, o que equivale a 16 Trabalhos Encomendados, a 15 Minicursos e a 6 Sessões Especiais. 21 Observamos que essas produções aparecem de maneira esporádica, concentrado-se em algumas Reuniões. Identificamos uma concentração dos Minicursos nas 18ª, 19ª e 20ª Reuniões Anuais, manifestando-se novamente apenas na 27ª. A distribuição das Sessões Especiais concentra-se nas 24ª, 25ª, 28ª e 30ª Reuniões Anuais. Já os Trabalhos encomendados se situam nos três últimos congressos. Não estamos querendo afirmar a inexistência das sessões analisadas nos demais eventos da ANPEd, já que uma leitura dos Sumários referentes às Reuniões Anuais nos indica a existência de algumas dessas sessões nos demais eventos. O fato é que não foram divulgados nem publicados textos sobre currículo. Apesar de corresponderem a um número pequeno de matérias, levando-se em consideração o quantitativo de trabalhos publicados no GT, essas pesquisas se apresentam como essenciais para a análise da constituição do campo científico sobre currículo no Brasil. 21 Ao lidarmos com essa sessão computamos apenas as que tinham textos publicados. Destacamos também que a identificação dos textos por GT foi efetuada conforme destaque dado pela organização do Evento no caderno de programação. É importante ainda enfatizar que, a sessão Minicurso não é organizada por meio de convite efetuado pelo GT, mas pela submissão de uma proposta feita por quem pretende oferecê-la à comissão organizadora. 67 Essas sessões se configuram como um espaço de poder, em que se apresentam as vozes autorizadas e com autoridade reconhecida pelos pesquisadores de currículo dos programas de pós-graduação. Por serem sessões em que os autores são convidados pelo GT a publicar sobre determinados temas, indicam não só as autoridades sobre o assunto, mas o jogo de relações de forças presentes na conformação do campo científico. Esse foi um dos fatores que nos levou a selecionar essas sessões como corpus documental de nosso trabalho. O cenário apresentado no GT Currículo nos fornece pistas sobre os rumos assumidos pelas Reuniões Anuais e seus demais GTs. Dessa maneira, observamos um aumento quantitativo dos trabalhos submetidos a avaliação, como foi demonstrado no quadro 2, que, de acordo com a Apresentação do Boletim ANPEd n. 1 (1994), foram acompanhados de uma melhoria consubstancial dos aspectos qualitativos. Segundo análise apresentada pelo Presidente da entidade na 17ª Reunião Anual, O rigor no processo de avaliação efetivado pelos Coordenadores de GTs e pelos membros do Comitê Científico possibilitou a seleção de uma produção intelectual de bom nível, o que beneficiará os integrantes da comunidade acadêmica da área da Educação presentes a esta Reunião (BOLETIM ANPEd n. 1, 1994, p. 8). Na leitura dos Presidentes a Associação vinha, a cada ano, alcançando um nível de maturidade que a colocava em uma situação privilegiada em relação às suas congêneres, já que possuía e possui o maior número de associados, congregando o maior número de participantes em suas Reuniões Anuais. Para eles, esse cenário aponta a responsabilidade de se criar formas de aperfeiçoamento dos mecanismos e processos de preparação das Reuniões Anuais, da atuação científica e da responsabilidade política da Associação. As Reuniões Anuais da ANPEd, como já foi salientado no tópico anterior, tiveram o apoio do CNPq e da CAPES em todos os 31 encontros. Além dessas instituições, encontramos gradativamente um número cada vez maior de apoiadores logísticos e financeiros. Dentre eles podemos acrescentar: INEP, Fundação Ford, CLACSO, FAPERJ, FAPEMIG, FAPESP, FAPs, MEC/SEB/SECAD, bem como as Universidades e outras Instituições que apóiam. Esse fato evidencia, mais uma vez, 68 as táticas e estratégias de aproximações realizadas pela entidade para manter, por exemplo, a organização das reuniões anuais. Esses parceiros foram se aproximando da instituição gradativamente, alguns permanecendo na maioria das Reuniões como o CNPq, CAPES, INEP, FAPEMIG e CLACSO, outros eventualmente. O fato de a ANPEd ter recebido apoio de várias instituições não a impediu de sofrer dificuldades financeiras para promover as Reuniões Anuais. Na Apresentação do Boletim n. 2 (1994) Neidson Rodrigues, presidente do biênio 1993-1995, expõe as dificuldades financeiras para a realização da 17ª Reunião, [...] em face da crise política e administrativa nacional que inviabilizara a aprovação do orçamento nacional e, como conseqüência, afetara profundamente os trabalhos da ANPEd, que passou todo o ano, inclusive até o momento da abertura da Reunião Anual, sem poder contar com os recursos de financiamento comprometidos com as agências de fomento, todos vinculados ao orçamento nacional. A Reunião Anual se estava realizando graças à inventividade e à habilidade da Secretaria Geral, aos poucos recursos próprios advindos das inscrições para a Reunião e da anuidade dos sócios, a alguns recursos renegociados junto à FINEP, ao INEP, à FAPEMIG e ao compromisso histórico do CNPq, agências essas que garantiam, tão logo o orçamento fosse aprovado, a imediata liberação dos recursos já negociados. Com certa ousadia, a solução do reembolso posterior aos gastos que cada um realizará durante o evento. Será um trabalho adicional, mas foi a única forma viabilizada para que a Reunião não fosse cancelada. Mesmo diante das dificuldades apresentadas, a ANPEd não deixou de realizar a Reunião Anual, nem tampouco as demais ações como a Reunião Técnica da Diretoria com os Coordenadores de GTs, o Fórum de Coordenadores de Programas de Pós-Graduação. No entanto, a limitação de recursos obrigou a instituição a diminuir gastos como serviços profissionais de produção gráfica e o material de divulgação de inscrição e controle de trabalhos foi produzido pela própria secretaria da instituição. De acordo com os dados produzidos até o momento é possível indicar que as Diretorias da ANPEd vão, cada um ao seu modo, procurando responder aos problemas enfrentados por cada gestão, conferindo às Reuniões Anuais seu reconhecimento e legitimidade no meio acadêmico. Esse evento se tornou um espaço político-acadêmico de luta em favor da educação, especificamente da 69 pesquisa e da pós-graduação no Brasil que, de alguma maneira, se fizeram ecoar na Revista Brasileira de Educação. 2.3 REVISTA BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO: UM DIÁLOGO COM A ANPEd A Revista Brasileira de Educação é uma publicação quadrimestral chancelada pela ANPEd em co-edição com a editora Autores Associados. Nasce, no ano de 1995, das ações coletivas pensadas, construídas e implementadas na ANPEd, sobretudo do amadurecimento, crescimento e consolidação das Reuniões Anuais, de seu comitê científico, dos esforços empreendidos nos Boletins e nos Cadernos dessa entidade científica. Dirigida a professores e pesquisadores, assim como estudantes de graduação e pós-graduação a Revista Brasileira de Educação é voltada à publicação de artigos acadêmico-científicos visando a ―[...] desempenhar o seu papel de divulgadora da produção nacional e internacional sobre educação‖ (EDITORIAL 04, p. 3, 1997). Esse editorial salienta ainda a preocupação apresentada por seus editores em construir um projeto próprio para a Revista: Para enfrentar estes desafios, a Diretoria da ANPEd constituiu um corpo de editores responsáveis que mediante um apoio de um conselho editorial e de consultores ‗ad hoc‘, vem se empenhando em concretizar as expectativas e realizar as esperanças desta nova revista. Este conjunto de pessoas se mantém paralelo aos trabalhos que envolvem a Diretoria da ANPEd, com rotinas e mandatos próprios, visado a dar maior autonomia e continuidade às tarefas afeitas à lógica da produção de uma revista (EDITORIAL n. 1, 1996, p. 3) Ao colocar em relevo as pesquisas nacionais e internacionais sobre educação, a Revista Brasileira de Educação vai construindo um projeto editorial com características próprias mantendo, ao mesmo tempo, um diálogo constante com as produções teóricas publicizadas nas Reuniões Anuais, fato esse posto como um dos compromissos do impresso. A revista deve refletir este movimento [as Reuniões Anuais da ANPEd] ao se comprometer com a divulgação dos seus resultados. Mas a revista é, também, produto da oportunidade que se apresenta na conjuntura brasileira de discussão da temática educacional junto aos mais diversos setores de nossa sociedade que hoje se mostram sensibilizados para os seus problemas. Nosso desafio é o de colocar em pauta os temas da conjuntura, fazendo da revista um suporte para a análise dos problemas e das propostas deles decorrentes. Outro desafio é o de ampliar o debate científico para além das fronteiras nacionais. Se é verdade que a revista é prioritariamente um veículo de divulgação e discussão da pesquisa e dos problemas nacionais, temos a certeza que as discussões não prescindem 70 da produção científica internacional, ademais em um mundo onde os problemas e as soluções se mostram cada vez mais globalizados (EDITORIAL n. 01, 1996, p. 3). O diálogo estabelecido com as Reuniões Anuais produz aproximações entre o que é veiculado nesses encontros e na revista. A partir daí, é possível verificar uma estreita aproximação entre as temáticas debatidas e enfrentadas por esses dois espaços de divulgação científica. Isso significa dizer que as discussões que norteiam as reuniões se fazem, de alguma maneira, ecoar no projeto da Revista Brasileira de Educação ou, como está expresso no Editorial n. 17 (2001, p. 4), A revista de uma associação científica reflete, de uma forma ou de outra, a vida dessa associação. Nessa perspectiva, a revista da ANPEd é basicamente constituída pela produção de seus associados, em particular dos trabalhos apresentados em suas reuniões anuais. Nesse ponto, é preciso evidenciar que o impresso em consonância com o projeto da ANPEd apresenta-se como porta-voz das discussões políticas que circunscrevem o embate sobre educação, pesquisa e pós-graduação em âmbito nacional e internacional. Para tanto, cria, em seu projeto editorial, uma sessão específica denominada Espaço Aberto, com o intuito de apresentar uma leitura das ações e participações realizadas pela ANPEd no campo da política educacional. A seção Espaço Aberto abriga os temas e experiências de natureza conjuntural que alicerçam a presença da ANPEd no debate político nacional, assegurando aos autores as possibilidades de exposição de seus pontos de vista, garantindo, ao mesmo tempo, o pluralismo de ideias e posições que é peculiar a uma associação científica (EDITORIAL, 1996, n. 2, p. 3) Voltamos a afirmar que essa opção não se apresenta de maneira dicotômica, mas constitui-se com a natureza científica tanto da Revista como da própria ANPEd. Contudo, uma análise dos relatórios da 27ª a 31ª RAs publicado pelo GT Currículo, indica a relação de forças entre a organização geral do evento e o GT. Os coordenadores do GT Currículo destacam a necessidade de uma maior participação dos grupos na organização geral do evento e, ainda, a necessidade de se criar outros espaços de diálogos no projeto editorial do evento. O fragmento do relatório de atividades 2006 a 2007 (p. 4) enfatiza bem o diálogo estabelecido entre o GT e a organização do evento. Para os coordenadores do GT ―[...] os posicionamentos políticos quanto as questões importantes para a ANPEd têm seu espaço de proliferação e arranjos neste meio, coletivo, aleatório e muitas vezes silencioso‖ (RELATÓRIO DE ATIVIDADES, 2007, p. 4). 71 2.3.1 Da periodicidade da revista Uma análise sobre o ritmo e a periodicidade da Revista Brasileira de Educação nos possibilita compreender as estratégias editoriais construídas para se estruturar e manter a produção e circulação desse impresso e, ainda, o modo como vai se configurando e ganhando força no meio editorial. Ritmo e periodicidade, longe de serem interpretados apenas como dados quantitativos, qualitativamente representam, de certa maneira, a qualidade, a credibilidade e o reconhecimento que esse periódico vai assumindo no meio acadêmico-científico. De acordo com o Editorial n. 7 (1997, p. 3), Além da preocupação com a qualidade do conteúdo, nosso esforço tem se concentrado na busca de apoio financeiro e de estabilidade administrativa que permitem a manutenção, a periodicidade e do calendário das edições. Consideramos que tais fatores também são desejáveis para manter a credibilidade de uma publicação. Uma leitura das Revistas Especializadas no Brasil indica que não é uma tarefa fácil manter o ritmo e a periodicidade desse tipo de impresso. De acordo com Costa (apud OHIRA et al., 2000), no Brasil, cientistas de todas as áreas do conhecimento trabalham em pesquisa e publicam seus resultados em revistas especializadas. No entanto, a produção brasileira, de modo geral, é afetada pelos problemas enfrentados pela editoração de periódicos científicos no país, no que diz respeito aos seus aspectos de qualidade, normalização, 22 distribuição, falta de apoio institucional e de recursos financeiros, descontinuidade de suas edições e ausência de recursos humanos capacitados na área, com o conseqüente amadorismo presente em sua editoração (COSTA apud OHIRA et al., 2000). O autor afirma que a publicação de um periódico no Brasil é um ato heróico, tendo em vista que, além dos problemas acima relacionados, as publicações ainda contam com sistemas limitados de edição e de indexação, gerando dificuldades para a divulgação satisfatória do documento e para a organização e recuperação de um grande volume de informações contidas em artigos, teses, relatórios, etc. 22 No campo da produção editorial de revistas científicas, a normalização é dos quesitos que determinam em grande parte seu projeto gráfico e atua, segundo Gruszynski (2006) como uma atividade reguladora que busca facilitar a transferência de informações ao unificar formas e procedimentos. 72 Uma análise do contexto apresentado nos faz vislumbrar a força e os esforços empreendidos pelos editores em manter, quase em sua totalidade, a regularidade da Revista Brasileira de Educação. Isto porque nos quinze anos em que a Revista está em circulação foram lançados 39 números, sendo que desses apenas os números 05/06 foram publicados em edições conjugadas no ano de 1997, como pode ser observado no gráfico 2. Ritmo de publicação Publicação por ano 3 2 1 95 19 96 19 97 19 98 19 99 19 00 20 01 20 02 20 Tempo 03 20 04 20 05 20 06 20 07 20 08 20 Periodicidade Com publicação quadrimestral desde seu primeiro número, em 1995, a Revista Brasileira de Educação criou algumas estratégias para consolidar o seu projeto editorial, permitindo e possibilitando que ele se tornasse viável. A Revista Brasileira de Educação teve apoio da Fundação Ford até o segundo ano de publicação, ou seja, para a realização dos números 1, 2, 3 e 5/6. Esse apoio está impresso no expediente do periódico e expresso no Editorial n. 1 (1996, p. 3) ―Vale ressaltar ainda, o apoio da Fundação Ford que desde o princípio acreditou na viabilidade da revista‖. Em 1997, passa por dificuldades financeiras e não consegue manter o seu ritmo, tendo que publicar os números 05 e 06 juntos e com atraso, como indicado no Editorial n. 7 (1997, p. 3): [...] Todos nós sabemos das enormes dificuldades enfrentadas pelas revistas científicas. A nossa não foge dessa regra. Após o apoio inicial e fundamental da Fundação Ford para o lançamento e primeiro ano da RBE, vimos trabalhando no sentido de buscar novos recursos com fins de agilizar 73 os procedimentos necessários para a manutenção tanto da qualidade quanto da estabilidade da nossa publicação. Isso nem sempre tem sido possível e, como conseqüência, este número e o passado saíram com atraso. Nosso objetivo é o de regularizar esta situação a partir da próxima edição. Esse não só manteve o apoio da Fundação Ford como também recebeu a ajuda de outros colaboradores, sendo eles, o CNPq e a FAPESP. Mesmo não sendo mencionado nos editoriais, é possível salientar que essa foi uma das maneiras encontradas pelos editores para possibilitar a continuidade de circulação desse periódico. Uma outra estratégia interessante assumida nesse número foi elaborá-lo de forma temática. Segundo o Editorial n. 7 (1997, p. 3), isso favoreceu a ampliação do universo de leitores, ―[...] tendo grande aceitação como número avulso‖. Apesar das dificuldades apresentadas, o número 5/6 se consagra como a maior revista publicada pela associação em número de páginas, com 269, e de artigos, 16. Levando-se em consideração a quantidade de páginas e de artigos publicados nesse número especial, os editores usaram como estratégia o lançamento de dois números em um para manter o ritmo da revista, preservando assim o compromisso com o projeto editorial. A Revista n. 7 recebeu apoio do CNPq, sendo que esse apoio só retornou no n. 16, ou seja, nesse período a revista contou com apoio em apenas 4 números, 1, 2, 3 e 7. Mesmo passando por dificuldades financeiras, a Revista Brasileira de Educação manteve a sua tiragem que até o número 10 era de 1.500, aumentando para 1.700 nos números 11 a 13. Apesar de não ser mencionado em seus editoriais, o aumento na tiragem do periódico reflete o impacto e a importância que ele vai assumindo no cenário educacional. Ao estabelecer como compromisso ―[...] a divulgação, sob forma de texto escrito, da produção acadêmica apresentada nos fóruns da própria associação‖, a Revista Brasileira de Educação faz circular artigos que representam e manifestam os interesses dos associados que compõem a ANPEd. A diversidade de temáticas e perspectivas epistemológicas assumidas nos trabalhos veiculados no impresso buscam dar conta de diferentes interesses e interessados, o que contribui para a ampliação da publicização do conhecimento científico. 74 A revista de uma associação científica como a ANPEd revela, no conjunto dos artigos e textos que publica, um espelho multifacetado, pois é ricamente multifacetado a sua ida, a produção de seus associados e os horizontes abertos por seus colaboradores (EDITORIAL n. 17, 2001, p. 4). Esse espelho distorcido foi ganhando maior visibilidade e outras projeções na medida em que a Revista Brasileira de Educação ampliou sua divulgação e disseminação na Educação nacional. Ganha destaque a parceria estabelecida com Autores Associados, a partir do n. 14, que passou a ser co-editora da revista. Essa foi uma estratégia que não só contribui para minimizar os problemas enfrentados no segundo ano, bem como, permitiu, por se tratar de uma editora comercial, a ampliação de sua divulgação. Nesse ponto, observamos um aumento da tiragem para 2.000 revistas até o n. 27, com exceção do número especial 16 que teve 2.250 exemplares. A relação com a Autores Associados demarca um segundo momento na história da Revista Brasileira de Educação. Com ela, se tem o retorno do CNPq, no n. 16, e o apoio da UNESCO, a partir do n. 28. Ambas entidades mantiveram esse apoio até o n. 39, publicado em 2008. É importante enfatizar também que, a partir do n. 16, observamos o início da política de indexação. No projeto editorial, a indexação se tornou uma ação importante, tendo um aumento gradativo e progressivo a partir do momento em que assume a co-edição com Autores Associados. O exemplo disso pode ser apresentado da seguinte maneira: n. 14, indexação na BBE; n. 24, primeira indexador internacional Red ALyC – Red de Revistas Científicas de America Latina y el Caribe, España y Portugal, en Sciencias Sociales y Humanidades; n. 25, segunda nacional Edubase – Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP); n. 28, segundo indexador internacional Latindex – Catálogo (Sistema Regional de Información em Línea para Revistas Científicas de América Latina, el Caribe, España y Portugal); n. 29, no SciELO – Scientific Electronic Library Online. Nesse caso, ao ser indexada em bases de dados internacionais, a revista caminha para se tornar uma referência na área, tendo em vista que estar indexada e ser reconhecida são dimensões que estão relacionadas, de forma que ―[...] a condição ou potencial de referência de qualidade e credibilidade parece ser a força dominante 75 na construção e consolidação da visibilidade dos periódicos‖ (PACKER; MENEGHINI, 2006, p. 239). Dentre esses indexadores, ganha destaque, nos editoriais da Revista Brasileira de Educação, o SciELO, sobretudo por divulgar online os periódicos nele indexados: Vale destacar, finalmente, o encaminhamento da Revista para admissão no SciELO – Scientific Electronic Library Online, coordenado pelo BIREME, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, no começo deste ano. Nossa admissão nesse sistema significará não só importante credenciamento na área científica, como ampla disseminação da produção acadêmica da área (EDITORIAL n. 22, 2003, p. 4). O objetivo do SciELO é promover a visibilidade e acessibilidade da pesquisa científica, contribuindo para o avanço da pesquisa por meio do aperfeiçoamento e ampliação dos processos de construção e consolidação da impressa periódica especializada. Para Packer e Meneguini (2006, p. 237) ―[...] a visibilidade da produção científica de um país, de uma universidade, de uma área temática, de um grupo de pesquisa e de um pesquisador individual está relacionada diretamente com a visibilidade dos periódicos onde são publicados os resultados das suas pesquisas‖. A realização da indexação ocorre por meio de uma avaliação detalhada do periódico, levando em consideração dentre outros fatores: periodicidade regular, distribuição, critérios de seleção de artigos, qualidade dos artigos, originalidade. Esse foi um dos fatores que levaram a Revista Brasileira de Educação só ser indexada no SciELO em 2005, apesar de ter sido encaminhado o projeto no ano de 2003. Por publicizar a revista de maneira online, a partir do seu n. 21, o SciELO contribuiu para a divulgação, o conhecimento, o reconhecimento e a disseminação dos conteúdos veiculados nesse periódico.23 No entanto, fica uma crítica importante para ajudar aqueles que tomam o estudo do impresso como objeto: é preciso que elementos considerados não textuais como os nomes dos editores, conselho editorial, ficha catalográfica, apoio, tiragem e sumário completo sejam postos em 23 Ao discutir as políticas e programas de apoio à divulgação de periódicos científicos Nascimento (2002,p. 56), enfatiza o que denomina de círculo vicioso nas produções das Revistas nacionais: ―[...] para ser lida, uma revista precisa ser encontrada; a chance de ser encontrada será maior se for indexada, mas, para ser indexada, ela necessita de bons artigos. No entanto, os bons autores preferem publicar em revistas indexadas que podem ser facilmente encontradas, para que possam ser lidas. 76 divulgação no SciELO, pois sem eles fica inviável a compreensão do periódico a partir de seu projeto editorial. Apesar de assumir a co-edição com a Autores Associados, não percebemos mudanças significativas no projeto editorial da Revista Brasileira de Educação, nem no que se refere ao conteúdo e as formas do periódico. A maior mudança se encontra nas capas da revistas, como será observado em tópico específico sobre o assunto no próximo capítulo deste trabalho. Já alterações ocorridas no formato gráfico foram realizadas a fim de atender as exigências apresentadas pelo CNPq e SciELO, conforme Editorial n. 31 (2006, p. 6): Chamamos a atenção dos leitores para algumas mudanças no formato gráfico da Revista. Por exigência do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Scientific Electronic Library Online (SciELO), a partir deste número introduziremos: a indicação dos volumes - adotando a numeração corrida das páginas dos exemplares do ano pelo volume correspondente -, o sumário em inglês e espanhol, e considerando a divulgação da Revista para o público latino-americano, por intermédio da Red de Revistas Científicas de América Latina y el Caribe (RedALyC), os resumos também em espanhol. Passamos também a adotar, a partir deste número, para as referências bibliográficas, as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) 6023, de agosto de 2002. As exigências colocadas pelo CNPq, SciELO e, é preciso acrescentar a CAPES, foram feitas com o intuito de atender ao próprio processo de internacionalização assumido pela Revista Brasileira de Educação. Ao ser indexada nacional e internacionalmente, o periódico precisa adequar o seu projeto editorial as bases de dados do indexador, daí a necessidade dos resumos e sumários serem em português, inglês e espanhol, e de se assumir outras normatizações técnicas. Essas alterações demonstram também a influência das políticas editoriais no Brasil. Nesse ponto, o destaque deve ser dado ao papel assumido pelo CNPq e pela própria ANPEd, já que no campo da educação são essas instituições que elaboram e divulgam os sistemas de avaliação de periódicos. Esses dados nos projetam, mais uma vez, a discussão sobre autonomia política da instituição. A questão não está na análise da autonomia, mas nos processos de negociação, aproximação e enredamento, estabelecidos ao longo da história da ANPEd com diferentes instituições governamentais e de fomento a pesquisa. 77 Com base nas leituras apresentadas, podemos considerar que a Revista Brasileira de Educação possui duas etapas, uma em que o impresso esteve mantido apenas pela ANPEd e outra em que passou a ter a co-edição da Autores Associados. Em ambas as etapas, o projeto editorial se manteve tendo alguns ajustes com o objetivo de qualificar ainda mais a produção e divulgação. Em termos materiais, a Revista manteve desde sua origem o formato de página próximo ao A4, pequenas variações em seu formato gráfico. Por exemplo, até o n. 30, verifica-se a seguinte combinação alternada: cabeçalho, nome de autor com rodapé identificando o mês, ano e número da Revista; na página seguinte, título do trabalho e, no rodapé nome da Revista. A partir do n. 31, manteve-se a alternância para o cabeçalho entre nome do autor e título do trabalho e a permanência, no rodapé, em todas as páginas do nome da Revista, volume, número, mês e ano. Verificamos ainda que a forma de apresentar o rodapé, a partir do n. 31, está em concordância com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Essa mudança não acontece por acaso, busca responder às exigências colocadas pelos indexadores e agências de regulação da produção científica e de fomente à pesquisa, como já foi indicado pelo Editorial n. 31. Uma análise das ações desenvolvidas pelos editores para manter o ritmo e a periodicidade da Revista Brasileira de Educação evidencia, assim como na ANPEd, a relação de diálogo e apoio recebidos de outros órgãos e entidades com a Fundação Ford, CNPq e UNESCO. Além disso, a co-edição da Autores Associados e a indexação foi o modo tático e estratégico encontrado pelos editores para ampliar o projeto editorial da Revista Brasileira de Educação para além do âmbito nacional. No que se remete ao número de páginas a Revista Brasileira de Educação apresenta uma variação considerável, como pode ser visualizado na Gráfico 3: 78 Do n. 0 ao 3, a Revista Brasileira de Educação manteve uma média de 113 páginas. Já no ano de 1997, mesmo enfrentando problemas financeiros, houve um aumento dessa média, fruto do n. 5/6, já mencionado neste trabalho. Nesse caso, a Revista Brasileira de Educação não usou como artifício editorial a diminuição do número de páginas para o custeio da publicação, ação essa assumidas em outros periódicos nacionais.24 A partir do n. 10 verifica-se um pequeno aumento que, diferente dos anos anteriores, manteve-se de forma gradativa. Um avanço significativo desse quadro só será observado no 6° ano de publicação, sobretudo, nos n. 14 e 15 que possuem 199 e 207 páginas respectivamente. Um fator preponderante para a constituição desse quantitativo é que ambas as revistas foram elaboradas em comemoração aos 500 anos do descobrimento do Brasil, tendo como temática História da Educação no Brasil. É relevante mencionar ainda que a co-edição com a Autores Associados se fez presente do n. 14 em diante, muito embora tenha sido pensada inicialmente para apenas aquele número, como salienta Saviani, Cunha e Carvalho: Esperamos, assim, que este número venha a interessar a um público bem mais amplo do que aquele constituído pelos sócios da ANPEd. Daí, em 24 Schneider (2003) e Berto (2008) demonstram como a Revista Educação Physical faz uso desse artifício para manter o ritmo e periodicidade. 79 nosso entender, o acerto da decisão do Conselho Editorial ao publicá-lo em co-edição com uma editora que conta com uma boa rede de distribuição, chegando a um amplo número de livrarias espalhadas por todo o território nacional (EDITORIAL n. 14, 2000, p. 4) Mesmo tendo uma editoria comercial como participante do projeto da revista, não encontramos uma padronização do número de páginas. O exemplo dessa assertiva pode ser verificado quando observados os números 15, 24 e 27, que possuem mais de 200 páginas e os números 16, 17, 18 e 20, que não chegam a 160. Os dados sugerem que o tamanho do periódico é definido pela quantidade de textos distribuídos nas diferentes sessões que constituem a Revista Brasileira de Educação, o número de páginas desses trabalhos, as temáticas e sua visibilidade. Encontramos, dessa maneira, temáticas que apresentam uma demanda maior de textos, o que acaba gerando um quantitativo maior de trabalhos publicados e outras que são selecionados por meio de edições especiais, o que permite um aumento no tamanho dos trabalhos. A análise tanto do Ritmo de produção e periodicidade da Revista Brasileira de Educação indicaram uma regularidade pouco comum nos periódicos brasileiros, fruto dos esforços empreendidos pelos atores e colaboradores desse periódico. Não é por acaso que a Revista Brasileira de Educação se configura como um dos poucos periódicos do Brasil, na área de Educação com qualis internacional.25 25 Em texto publicado com Schneider, Ferreira Neto e Nascimento (2009), demonstramos que o novo sistema de avaliação dos periódicos científicos, implementado em 2008, parte de diretrizes comuns a todas as áreas e que estão sendo especificadas tendo em vista os critérios de cada campo. Existem critérios mínimos para que uma revista se enquadre como periódico científico que são: Editor responsável; Comissão Editorial; Conselho consultivo formado por pesquisadores de diferentes instituições; registro de ISSN; linha editorial definida (expediente: missão, foco temático, periodicidade e forma de avaliação/revisão); normas de submissão claras; periodicidade regular definida; avaliação dos originais realizada por membros do Conselho Consultivo ou pareceristas ad hoc; publicar contribuições na forma de artigos assinados; indicar a titulação e afiliação institucional dos autores; indicar a titulação afiliação institucional dos membros do Conselho Consultivo ou dos pareceristas ad hoc; título, resumo e palavras-chave no mínimo em dois idiomas, sendo um deles na língua do periódico; e data de recebimento e aceitação de cada artigo. Uma vez atendidos esses critérios, exigências adicionais servirão para enquadramento em oito estratos (A1, A2, B1, B2, B3, B4, B5, C). 80 CAPÍTULO III 3. AS DIRETORIAS, OS EDITORES E SEUS DISPOSITIVOS: UMA ANÁLISE DAS REUNIÕES ANUAIS E DA REVISTA BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO Em estudos realizados com Ferreira Neto, Schneider e Ventorim (2003), Schneider e Ferreira Neto (2005), Schneider, Ferreira Neto e Nascimento (2009) apresentamos os editores como atores importantes na forma como uma área do conhecimento se constitui. Eles assumem posições-chave no processo de divulgação das propostas, das teorias e dos atores considerados como autorizados a falar em nome de uma comunidade científica. Ao considerarmos as Reuniões Anuais e a Revista Brasileira de Educação como uma fonte importante para compreendermos a história recente da Educação, assim como da constituição do seu campo, também devemos considerar o papel exercido pelo editor, conselhos editoriais de revistas científicas/pedagógicas e diretoria da ANPEd, como produtores culturais e atores influentes nesse processo. Uma análise sobre os estudos desenvolvidos no campo da história da educação, demonstra que são poucos os trabalhos que se propõem a compreender à função do editor na constituição do campo científico. Dentre as pesquisas, podemos destacar Carvalho (1996, 2006), Bermond (2007), Berto (2008), Schneider (2003, 2004), Schneider e Ferreira Neto (2008) e Toledo (2001). Esse panorama indica que há muito a se discutir sobre a figura do editor na constituição do campo da educação, uma vez que ele não ocupa a linha de frente, mas posiciona-se nos bastidores, articulando, tomando decisões sobre o que ou a quem dar maior evidência, sobre as formas de apresentação do periódico, por meio da diagramação, arte gráfica e ainda quais temáticas devem ser privilegiadas na edição de um periódico. Nóvoa (1997), ao descrever as possibilidades que o estudo da imprensa pode abrir para a compreensão da história da educação em Portugal, discute que esse é um importante veículo para trazer à cena educacional novos atores, possibilitando, assim, perceber outros personagens povoando o campo da educação e trabalhando 81 para a sua consolidação. Para o autor, é preciso considerar a força e capacidade que a imprensa periódica possui para democratizar o acesso ao conhecimento. É necessário compreender a importância que a imprensa periódica tem ao fazer circular autores, atores e grupos de pesquisa que não têm acesso a outros meios para se fazerem ler e ouvir. Conforme Nóvoa (1997, p. 13-14), ―[...] muitas das melhores vozes da pedagogia portuguesas só se fizeram ouvir neste fórum, pois não tiveram acesso a outros meios de divulgação do pensamento‖. Precisamos incluir nessa análise o papel exercido pelo(s) editor(es), fornecendo oportunidades para que um grupo, constituído por atores que muitas vezes possuem orientações teóricas diferentes, seja percebido como constituído por autores autorizados a falar como autoridades sobre uma determinada temática que se julga seja capaz de preencher as expectativas e necessidades do professorado. Por abordarmos os editores da Revista Brasileira de Educação e diretores da ANPEd como figuras centrais para a constituição do campo científico é preciso, nesse momento, apresentá-los. Não encontramos, nas Reuniões Anuais, a presença do Editor, mas a figura do Presidente da Associação chanceladora do evento. Desde o ano de sua fundação até 2008, a ANPEd foi assumida por nove presidentes sendo eles: de 1978 a 1981, Jacques Veloso (UnB); de 1981 a 1983, Maria Julieta Calazans (IESAE/FGV); de 1983 a 1985, Glaura Vásquez de Miranda (UFMG); de 1985 a 1989, Osmár Fávero (IESAE/PUC-RJ); de 1989 a 1995, Alceu Ravanello Ferraro (UFRGS); de 1996 a 1999, Maria Malta Campos (PUC-SP/FCC); de 2000 a 2003, Nilda Alves (UERJ); de 2003 a 2005, Betania Leite Ramalho e, por fim, de 2005 a 2008, Marcia Ângela Aguiar. A Revista Brasileira de Educação teve, no período de 1995 a 2005, uma Comissão Editorial respondendo pelo periódico, que foi assim definida: em 1995, encontramos a presença de Sérgio Haddad, Maria Malta Campos, Marilia Pontes Sposito com a inserção, em 1996, de Marta Kohl de Oliveira. Essa foi a formação da Comissão Editorial até a Revista Brasileira de Educação n. 13 em 2000. Verificamos, a partir do n. 14, a inserção de Edil Vasconcellos de Paiva, Marisa Vorraber Costa, Osmar Fávero e Thimothy Ireland, acompanhados de Maria Malta Campos remanescentes da gestão anterior. Essa pesquisadora se manteve até o ano de 2005, quando saiu 82 da Comissão para a entrada de Lucídio Bianchetti. Na Revista Brasileira de Educação n. 31, do ano de 2006, houve uma ampliação em seu projeto editorial, no qual observamos a criação do Editor-Chefe. Assume então esse papel Osmar Fávero, sendo acompanhado pela seguinte Comissão Editorial: Ana Maria Galvão, Lucídio Bianchetti, Sandra Maria Zákia Lian Sousa, Timothy Denis Ireland. Essa configuração se manteve até o ano de 2008. Uma análise dos presidentes e editores com base nos autores que circularam no GT Currículo, evidencia que desses apenas Nilda Alves e Marisa Vorraber Costa se apresentaram como atores com presença marcante no GT. Cada Editor e Presidente foi, a seu modo, oferecendo uma importante parcela de contribuição para a constituição da identidade das fontes em estudo. Respondendo, na maioria das vezes, de modo criativo aos diferentes problemas enfrentados ao longo da trajetória desses espaços político de divulgação e produção de conhecimento. É importante destacar que, tanto as Revistas como as fontes que tratam das Reuniões Anuais, desde as suas primeiras edições, buscam apresentar aos seus leitores o grupo que oferecia suporte à publicação. No tocante específico das Reuniões Anuais, encontramos a identificação da Diretoria no papel do presidente e vice, secretário geral e adjunto, conselho fiscal. A partir da 5ª Reunião Anual, encontramos a presença dos Grupos de Trabalhos e seus respectivos coordenadores e, da 15ª RA em diante, a identificação dos pesquisadores que compõem o Comitê Científico. Quanto ao Boletim ANPEd e Revista Brasileira de Educação, ambos evidenciam a diretoria da ANPEd, a comissão científica, a comissão editorial, a comissão de pareceristas, de colaboradores, os responsáveis pela diagramação, arte e capas, assim como as diferentes fontes de apoio. No caso específico da Revista Brasileira de Educação, observarmos a identificação dos indexadores. 83 3.1 DAS CAPAS E APRESENTAÇÕES NAS REUNIÕES ANUAIS ANPED As capas de um impresso se constituem como a primeira imagem dada a ler por seus editores. A partir delas, é possível encontrar alguns indicativos importantes do projeto editorial de um periódico científico. Para Oliveira e Schincariol (2007, p. 1-2) o projeto editorial da capa de um impresso é elemento que deve ser analisado para compreender a identidade de um periódico, pois ―[...] [ela] caracteriza suas edições como pertencentes a uma série e ao mesmo tempo sinaliza a singularidade de cada exemplar. Assim, a articulação entre elementos constantes e variáveis pode possibilitar ao leitor [....] [a] percepção de individualidade com presença no conjunto‖. De acordo com Berto (2008), as capas se apresentam como ―portas de entrada‖ para aquilo que as Revistas especializadas podem revelar em seu interior, já que elas dizem muito sobre o que se deseja fazer circular e conservar. A análise desses dispositivos pode indicar as estratégias pretendidas por seus editores, pois segundo Chartier (1990, p. 179), uma imagem, uma ilustração ―[...] induz uma leitura fornecendo uma chave que indica através de que figura deve ser entendido o texto‖. Diante das dificuldades de fontes sobre as Reuniões Anuais da ANPEd, buscamos nos aproximar de três artefatos culturais com características e suportes diferentes, sendo eles: Boletins ANPEd, Caderno de Resumo e CD-Rom. As capas do Boletim ANPEd mantêm o mesmo design do primeiro até o número 14. Encontramos, em seu layout, a descrição do título do periódico na parte superior e, logo abaixo o nome da associação e a identificação da temática abordada na revista. Na parte inferior, encontramos a identificação do volume, mês e ano. Nos números referentes às Reuniões Anuais, encontramos logo na capa a identificação da temática central do congresso, cidade, Fig. 2 – Capa Boletim 12 local, dia, mês, ano em que foi realizado. 84 Identificamos também o número da Reunião, como pode ser observado na figura 2. A partir do Boletim n. 15, mantém-se o conteúdo das informações presentes nas capas com alteração do seu design, dito de outro modo, a formatação realizada pelos editores sofre uma pequena alteração, conforme fig. 3. Não há preocupação, por parte dos editores, de inserir na capa fotos ou imagens que nos remetam ou não ao conteúdo do impresso. Contudo, é preciso considerar os limites e dificuldades enfrentados para publicar a Revista, sobretudo no que concerne a falta de recursos financeiros. Segundo os Diretores (1992, p. Fig. 3 – Capa Boletim n. 15 3), A ANPEd vêm se constituindo em espaço de confluência de uma produção teórica significativa da área. Essa produção tem sido divulgada, em parte, pela variedade de revistas existentes, mas se torna desejável que a socialização do conhecimento científico passe ser cada vez mais intensa. Por essas rações, a Diretoria da ANPEd se põe a colaborar nesta tarefa dentro dos limites de sua função e de recursos disponíveis. A preocupação inicial do Boletim ANPEd está em constituir um projeto editorial que permita dar visibilidade as ações desenvolvidas tanto nas Reuniões Anuais como nos demais fóruns e eventos acadêmicos realizados pela entidade e seus respectivos GTs. Dessa maneira, a ANPEd se legitima como espaço de produção e divulgação das produções acadêmico-científicos elaboradas, sobretudo, nos programas de pós-graduação em educação no Brasil. A preocupação em estabelecer um diálogo com o leitor a partir do uso de recursos de imagem, só se fez presente nas capas dos Boletins do ano de 1994, ou seja, penúltimo ano de publicação com formato de revista científica. A projeção de sombras representando pessoas, como pode ser verificado na fig. 4, marcaram a capa das quatro revistas publicadas nos anos de 1994 e 1995. Nunca é demais lembrar que esses números visam publicizar os trabalhos desenvolvidos na 17ª e 18ª Reunião Anual. O fato de as imagens se manterem nos Fig. 4 – Capa Boletim n. 17 85 dois anos não nos remete a uma relação com as temáticas ―Ética, Ciência e Educação‖ e ―Poder, Política e Educação‖, apresentada nos dois eventos. Os esforços iniciais empreendidos pelos editores em procurar usar imagens na capa do Boletim serão incorporados pelo projeto editorial da Revista Brasileira de Educação, constituindo uma das marcas desse periódico. Já as capas dos Programas da 19ª e 20ª Reunião Anual se aproximam tanto do layout como do design dos Boletim ANPEd. Nelas, conforme fig. 5, encontramos a indicação da reunião, ano, associação chanceladora, data e temática. As análises das capas, até o momento, demonstram que, apesar das pequenas variações apresentadas, não encontramos diferenças significativas entre o Boletim e os Cadernos de Programa. As Fig. 5 – Programação ano de publicação alterações mais relevantes só apareceram no segundo no formato CD-Rom, o que corresponde a 23ª RA realizada em 2000. Ao abordar a temática ―A educação não é privilégio‖, os organizadores do evento fazem uso de várias imagens de crianças, tanto nos espaços-tempos escolares, como nos não escolares. A figura 6, por exemplo, foi usada como imagem de fundo do CD. Além disso, verificamos o destaque dado ao tema central da RA, a identificação do ano e instituição promovedora. Essa não foi a única imagem projetada no CD. Cada link traz uma foto específica que está associada à temática central, como pode ser visto na fig. 7. Fig. 6 – Apresentação 23 RA 86 A organização dos alunos sentados em duplas e suas vestimentas nos remetem a ideia da educação escolarizada. Associando essa imagem ao texto apresentado na 23ª Reunião Anual, que demarca o aniversário Fig. 7 – Apresentação 26ª RA de nascimento de Anísio Teixeira, podemos indicar que a foto representa a ideia da escola nova. A partir da temática ―A educação não é privilégio‖, os organizadores da 23ª Reunião Anual selecionam uma série de fotos que buscam situar o passado e o presente e sua relação com a educação escolarizada e não escolarizada. A escolha de imagens de crianças e mulheres buscou problematizar o processo de exclusão sofrido por esses sujeitos. A Diretoria procura, dessa maneira, ―tomar partido e se posicionar‖ em defesa da escola pública e de qualidade para todas e todos os brasileiros, colocando-se em oposição às políticas oficiais que [...] tentam liquidar as ricas e experiências que criaram/criam a possibilidade de superar, buscando alternativas múltiplas e variadas, a maneira como as elites brasileiras sempre tratam a coisa pública e contra a qual nosso educador homenageado (Anísio Teixeira) se coloca em seu ensaio que nomeia nossa Reunião Anual (A DIRETORIA, 2000, s. p.). A 24ª Reunião Anual apresenta as mesmas estratégias da 23ª, ou seja, as imagens projetadas buscam enfatizar o debate provocado pela temática central do evento. Contudo, chama-nos à atenção a fig. 8, por colocar em relevo uma imagem que nos remete a ideia de teia. Essa imagem sinaliza a complexidade de objetos, de referenciais teóricos Fig. 8 – Formando teia assumidos pelos 5 trabalhos encomendados para a sessão especial.26 26 Pacheco (2001) aborda a discussão sobre as práticas ocultas presentes nas políticas curriculares contemporâneas, Campos (2001) analisa o impacto da pesquisa em educação matemática na sala de aula. Pimenta, Garrido e Moura (2001) apresentam a contribuição da pesquisa colaborativa para a formação de professores. Scheibe (2001) reflete sobre a contribuição da ANFOPE na formação do Pedagogo no Brasil. E, por fim, Alves (2001) busca compreender o que os sujeitos do cotidiano fabricam, o que reproduzem/transmitem/criam no uso das tantas tecnologias hoje postas à disposição para o consumo. 87 Gostaríamos de terminar essa análise trazendo a tona a imagem projetada na 26ª Reunião Anual, conforme Fig. 9. A estrada que nos projeta para o horizonte, marcada por um contorno escuro, nos remete ao modo como a temática ―Novo governo. Novas políticas? O papel histórico da ANPEd na produção de novas políticas‖ foi tratada pelos participantes, sobretudo conferencistas, do evento. As representações postas em circulação por essa Fig. 9 – Apresentação 26ª RA imagem buscam provocar a discussão sobre as múltiplas atividades, significados assumidos pela mudança de governo no país, no início do ano de 2003, e, ao mesmo tempo, demonstrar os caminhos trilhados pela ANPEd para a constituição das políticas educacionais no Brasil. Como já indicamos neste trabalho, é nesse período também que observamos uma maior presença de representantes de entidades governamentais participando como conferencistas nas Reuniões Anuais. Os Diretores da ANPEd afirmam que cabe a essa instituição fazer conhecer tanto o que, coletivamente, seus associados vão tecendo em pensamento e ideias sobre o campo na realização de pesquisas, como o resultado de diálogos estabelecidos com outros campos de conhecimento e outras formas de organização social . Para eles, uma mudança de governo exige que se compreenda a importância da crítica exercida, da luta desenvolvida e do conhecimento acumulado pela ANPEd e demais Associação para qualquer tipo de reorganização que se faça necessária no campo educativo. Demarcam, dessa maneira, o papel assumido pela entidade e suas Reuniões Anuais: Não foi em vão que realizamos já vinte e seis reuniões anuais: nelas, permitimo-nos apresentar resultados de pesquisas importantes, debater e criticar as políticas oficiais em andamento e contribuir, de modo significativo, ao debate político no campo. Ninguém poderá dizer que estivemos ausentes quando os grandes debates se desenvolveram: no momento da Constituição, no momento da LDB, contra a implantação de políticas neoliberais (A DIRETORIA, 2003, p. 3). De acordo com os Diretores (2003, p. 4), as experiências vivenciadas ao longo da trajetória da ANPEd permitem ―[...] olhar nos olhos dos adversários e dos aliados, de 88 modo tranqüilo, pois sabemos que foram lutas honestas e sempre do lado da democracia, da educação pública e pela qualidade social das instituições públicas‖. As leituras postas em circulação nos diferentes dispositivos editoriais das fontes analisadas indicam a intencionalidade da Diretoria em legitimar o papel assumido pela ANPEd para o desenvolvimento das políticas e pesquisas educacionais no país. No entanto, o que nos interessou, nesse momento, foi buscar apresentar algumas pistas sobre as intencionalidades projetadas pelos organizadores do evento ao usarem as imagens associadas a textos que indiretamente lhe oferecem suporte. Destacamos a palavra ―indiretamente‖ pois, na maioria das vezes, os autores das apresentações das Reuniões Anuais não fazem uma referência às fotos usadas como pano de fundo dos CD-ROM. Por fim, é importante ressaltar que uma das dificuldades encontradas na leitura dessas fontes foi a falta de identificação ou legenda das fotos. Apesar dessa limitação, esse fato não nos impediu de projetarmos alguns apontamentos sobre os seus possíveis significados para o projeto editorial das Reuniões Anuais. 3.2 DAS CAPAS DA REVISTA BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO As capas da Revista Brasileira de Educação foram analisadas levando-se em consideração as reflexões apontadas no Editorial n. 35 (2007, p. 195): Vale uma palavra sobre as fotos das capas. A princípio, pretende-se que elas ilustrem o artigo colocado em primeiro lugar, ou o subconjunto de artigos que abordem a temática central apresentada em determinado número. Às vezes, pode significar apenas uma chamada para determinado artigo. Mas nem sempre é fácil alcançar isto, como também não é fácil obter um ótimo resultado de uma foto às vezes conseguida com bastante esforço. Nesse ponto, a arbitrariedade criativa revela-se por inteiro, independente até do resultado final: em alguns números, a alegria de uma bonita capa; em outros, fica valendo o esforço. Agrupamos as capas a partir do n. 14, prestando atenção nos conteúdos presentes nas Revistas, ou seja, à capas que estão relacionadas com apenas um artigo, outras com um grupo de artigos e ainda aquelas ligadas a temáticas específicas que originam os números especiais. 89 De maneira geral, observamos durante a trajetória de vida da Revista Brasileira de Educação a manutenção, exceto nos números especiais, do nome da revista, tipo de letra e fonte. A distribuição do layout também se apresenta de maneira preponderante como a distribuição do nome da revista, identificação da ANPEd, no início da página alinhado à direita, no Fig. 10 – Capa n. 0 centro, destaque para mês, ano e número, conforme figura 10. Mantém o ―Brasileira de‖ em tons de cinza em todos os números publicados que levam o nome da Revista no título, apresentando alterações de cores na ―Revista Educação‖, sempre em tonalidades claras. A opção de se manter um padrão estético na divulgação do nome da revista e sua distribuição na capa funciona como marca de identificação do periódico. No entanto, não deixa pistas, sobretudo até o n. 13, suficientes para se compreender o debate posto em circulação. Nesse período, a única revista que apresenta alterações marcantes é o número especial 5/6. Sendo o primeiro número monotemático, como é chamado no editorial, apresenta, à primeira leitura, o que se encontrará como debate central nesta Revista, ―Juventude e Contemporaneidade‖. As fotos retratam jovens em diferentes espaços e tempos de convivência. Fig. 11 – Capa n. 5/6 Contudo, não nos remete a ideia dos textos em circulação nesse número, qual seja, das mudanças cruciais ocorridas sobretudo na dimensão do trabalho, escola e política no contexto das transformações sociais ocorridas na década de 1990 . As principais mudanças encontradas nas capas da Revista Brasileira de Educação se fizeram presentes do número 14 em diante, quando se estabelece a coeditoração com Autores Associados. Essas mudanças ocorreram mais a nível do design do que do próprio layout. Nesse caso, se mantém o nome da revista na capa, o modo de distribuição, nome da associação, exceto nos números especiais. Quanto ao design, passa-se a usar sempre uma imagem como pano de fundo em cada revista. 90 Observamos, a identificação do final da página alinhado a direita da editora Autores Associados. Essa foi a principal mudança posta em circulação no layout. A imagem utilizada é registrada por Sarai Schmidt e retrata a Escola Municipal de Ensino Eugênio Nelson Ritzel de Porto Alegre. Apesar de não ser um número temático, a capa indicada na fig. 12 representa a maioria dos artigos presente nesta Revista, já Fig. 12 – Capa n. 16 que discutem a Educação Infantil. Os números 21, 22, 25, 29, 27, 31, 33 e 34 apresentam as mesmas características do número 16 e, embora não sejam temáticos, suas imagens representam a maioria dos artigos veiculados nas revistas. O n. 21 apresenta crianças brincando na praça central de Terezina Piauí. Essa imagem retrata a discussão sobre infância presente em dez artigos publicados. Observamos que a intencionalidade dos editores é demarcar a possibilidade de se estabelecer uma leitura sobre essa temática indo além do espaço e tempo escolar. Fig. 13 – Capa n. 21 Já a capa da Revista n. 22 indica a centralidade dada pelos editores as discussões referentes à educação indígena. Em especial, neste número, foram publicados 3 artigos, um sobre escola indígena, outro sobre a formação de professores indígenas e, por fim, a imagem dos índios em livros didáticos. O destaque dado a esta temática na capa, não contempla todos os artigos apresentados nesse periódico, já que, de um universo Fig. 14 – Capa n. 22 de 9 trabalhos, apenas 3 retratam a educação indígena. Contudo, responde a uma das problematizações levantadas no n. 16, qual seja, mapear e possibilitar a divulgação de temáticas pouco abordadas na área da educação, mas que se mostra importante para reflexão e ação educativa. 91 Ao colocar em destaque a educação indígena, os editores estão cumprindo o importante papel na ampliação dos objetos de estudos postos em divulgação na produção acadêmico-científica brasileira, chamando a atenção para outros veículos de divulgação. A preocupação em destacar essa temática não se limitou ao número 22. Uma análise das demais capas Fig. 15 – Capa n. 32 demonstra que o n. 32 destaca a foto de um criança indígena. Diferente do n. 22, em que temos três artigos sobre o assunto, no n. 32 encontramos apenas 1 dos 11 trabalhos publicados. Tanto o n. 25 como o n. 29 apresentam imagens de estudantes no espaço e tempo escolar, porém, o que pode ser observado é que o primeiro retrata crianças de uma escola municipal do Rio Grande do Sul e o Fig. 16 – Capa n. 25 segundo indica estudantes superior. Essa diferenciação do ensino não se Fig. 17 – Capa n. 29 apresenta por acaso, ela está ancorada nas especificidades de cada número. Algumas publicações conseguem apresentar de maneira mais explícita os objetivos dos editores e a relação entre o conjunto de textos veiculado nos periódicos. Em particular podemos destacar o n. 31 que discute a inclusão digital e o n. 33 que nos remete à ideia da educação especial. Fig. 18 – Capa n. 31 Fig. 19 – Capa n. 33 Fig. 20 – Capa n. 34 92 Já o n. 34 mantém o mesmo padrão do que foi apresentado até o presente momento. No entanto, a leitura da imagem da capa, a partir dos textos vinculados nessa revista, nos remete a ideia da discussão étnico-racial. A imagem de um rapaz, ogã do Terreiro da mãe Palmira, em Mesquita, na baixada Fluminense, sorrindo e batendo palmas se aproximada da discussão apresentada por Neves e Lima (2007) sobre a percepção de justiça social de negros e pardos em relação a cotas para estudantes em universidades públicas. Ao apresentar uma temática pouco abordada na educação nacional, os editores, como no n. 33, destacam as ações desenvolvidas pelos Grupos de Trabalho Educação Especial e Educação e Relações Étnico-Raciais da ANPEd. Apesar de serem relativamente recentes, esses Grupos de Trabalhos apresentam um número significativo de publicações sobre o tema, indicando o fortalecimento dessas temáticas nos programas de pós-graduação em educação no Brasil. As capas analisadas até o momento, procuram projetar um conjunto de artigos apresentados em cada número, entretanto, essa não foi a única estratégia usada pelos editores. As capas dos números 17, 19, 24, 35 e 38 estabelecem relações com apenas um artigo. A capa do n. 17 retrata a reunião realizada num assentamento do INCRA, em Pernambuco, no ano de 1970, coloca em relevo o texto ―Trabalho cooperativo no MST e ensino fundamental: desafios à educação básica‖ de Ribeiro (2001). Em relação ainda aos movimentos sociais, podemos indicar a capa do n. 35 que põe em tela uma outra foto da reunião de trabalhadores rurais do assentamento do INCRA em Pernambuco no ano de 1970. Essa capa está buscando destacar o texto de Pereira (2007) sobre ―Espaços de participação e escolarização de trabalhadores rurais: construção ou destituição do direito à educação no campo?‖. Muito embora encontremos apenas um artigo em cada número dessas revistas, os editores estão indicando a importância do desenvolvimento e do fortalecimento dessa temática para a educação nacional. 93 Fig. 21 – Capa n. 17 Fig. 22 – Capa n. 35 Fig. 23 – Capa n. 24 Uma outra revista que busca destacar na capa a educação e sua relação com o meio rural pode ser vista no n. 24. A imagem denominada de Aprendizes do Jogo, Comunidade Rural de Bracuí, Angra dos Reis, Rio de Janeiro, dá destaque ao trabalho de Vargas (2003) intitulado ―Processos de formação e aprendizagem no meio rural: o continuum família-escola‖. É importante observar que a opção feita pelos editores foi novamente de destacar temas com pouca visibilidade no Brasil. O n. 19 apresenta uma criança observando o trabalho de um escultor remetendo à discussão sobre trabalho infanto-juvenil elaborados por Alves-Mazzotti (2002). O n. 38 traz uma foto de um grupo de jovens realizando uma manifestação Fig. 24 – Capa n. 19 conhecida como a Revolta dos Pingüins, acontecida Fig. 25 – Capa n. 38 em Santiago, Chile, 2006, procurando dar destaque ao artigo de Zibas (2008), cujo o título é ―A revolta dos Pingüins e o novo pacto educacional chileno‖. Essa capa reforça a prática de intercâmbio instaurada no projeto editorial da Revista Brasileira de Educação desde seu primeiro número. Apesar de manter o layout e o design, o n. 18 é a única Revista que apresenta uma gravura na capa substituindo o uso da foto. A imagem de um homem com braço estendido em um plano superior aos demais sujeitos revela o diálogo estabelecido com a ANPEd. Muito embora não seja um número especial, são vários os textos que procuram analisar a contribuição dessa Associação e de seus Grupos de Trabalhos no campo das pesquisas em educação. Revelam, dessa maneira, assim como a 94 imagem da capa, os caminhos escolhidos pelos associados da ANPEd para falar sobre a formação de professores, currículo, educação popular, educação de jovens e adultos. É interessante notar que esta também foi a capa dos Anais do congresso e do CD-ROM da 24° Reunião Anual realizada no ano de 2001. Por fim, gostaríamos de analisar os números especiais 14, 15, 23, 30 e 36. Esses números apresentam um layout específico que se mantém em todas as edições especiais, inclusive no n. 5/6, já indicados neste trabalho. O tema é colocado em destaque no centro da Revista; na parte superior, à esquerda, encontram-se o nome, mês de publicação, ano, número e a identificação de número especial. A disposição dos nome da ANPEd e Autores Associados não se modificou. Mais do que uma simples alteração no layout e no design, essas opções constituem-se em um elemento importante de identificação da Revista. Eles, assim como os conteúdos, acabam por favorecer a construção da identidade do periódico. Por tratar dos ―500 anos de Educação Escolar‖, o n. 14 revela, em sua capa, a foto de uma classe de alunos do ano de 1949. Ao assumir a mesma temática, a capa da Revista Brasileira de Educação n. 15 indica as diferentes maneiras com Fig. 26 – Capa n. 14 que as imagens e vozes se manifestaram sobre a Educação não Fig. 27 – Capa n. 15 escolarizada. Ao discutir o tema ―Cultura, culturas e educação‖, a Revista n. 23 traz, em sua capa, a foto de crianças do ―Projeto Nosso Bairro em Pauta‖. Ao evidenciar os alunos lendo um jornal com uma reportagem internacional ―A queda de Bagda‖, os editores reforçam a necessidade de uma leitura global sobre o tema, ―[...] trazendo para o cenário educacional o conjunto de debates que têm ocupado boa parte das teorizações nas ciências humanas e sociais‖ (COSTA, 2003, p. 3). A imagem representa uma análise local e ao mesmo tempo global, indicando o que será encontrado nos textos que compõem esse número. 95 A foto da capa impressa no n. 30 destaca, conforme identificação presente na Revista, um aluno ao lado do pilotis da PUC-Rio. Ela busca demarcar a origem da pós-graduação em educação no Brasil, já que, no ano de 1965, foi aprovado nessa instituição o primeiro mestrado em educação. Ao destacar a história e as histórias da pós-graduação em educação, esse número visa instituições estabelecer uma análise tendo como base as Fig. 28 – Capa n. 30 reguladoras e de fomente a pesquisa, a Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Educação, as leis que regulamentam a pós-graduação e os autores/atores desse processo. Por fim, o n. 36 objetiva discutir os ―30 anos de criação da ANPEd‖. Ao apresentar 6 pessoas dando as mãos, a capa sinaliza os esforços coletivos empreendidos por seus associados em construir e manter essa entidade. Essa imagem destaca uma preocupação apresentada pelos editores, já no primeiro Fig. 29 – Capa n. 36 ano de publicação, qual seja, ―[...] construir coletivamente a identidade da Revista, do mesmo modo que a consolidação da ANPEd tem sido produto de um esforço contínuo de todos‖ (EDITORIAL n. 2, 1996, p. 3).27 A ideia da união de diferentes atores, autores e instituições estabelece o encontro entre passado, presente e futuro, pois a leitura do passado permite compreender o presente e ainda projetar o futuro. No entanto, sem as ações individuais e, sobretudo, coletivas, não seria possível escrever na história a história dessa associação. De maneira geral, as imagens projetadas nas capas dos diferentes números da Revista Brasileira de Educação apresentam ―[...] um desencadear de sentidos que permite aos editores, a partir da elaboração do padrão gráfico das capas, dizer aos leitores do que se trata o impresso‖ (SCHNEIDER, 2003, p. 73). 27 É preciso ressaltar que o destaque dado pelos editoriais e autores a construção coletiva da identidade da Revista, não nega os processos de lutas e embates forjados no campo científico. Assim, são diferentes os olhares e perspectivas assumidos pelos associados individuais e institucionais do que deveria ser a ANPEd, as Reuniões Anuais e a Revista Brasileira de Educação. 96 As capas indicam a busca dos editores em construir uma Revista que permita a divulgação de diferentes pesquisas e temas da educação, fortalecendo a imagem da ANPEd como entidade representativa da pós-graduação no Brasil. É preciso ressaltar ainda que a Revista Brasileira de Educação estabelece diálogos com a produção do conhecimento nacional e internacional, manifestando-se como um importante espaço de luta política em favor da educação. As ilustrações que compõem o projeto editorial do impresso motivam e propõem uma leitura crítica e diferenciada de seu conteúdo. Pode-se perceber que o dispositivo objetivado na forma das imagens, sobretudo a partir do n. 14, é um recurso bem projetado, pois funciona como textos significativamente repletos de mensagens que formam e informam ao leitor o que encontrará no interior do impresso. As capas produzidas para a revista funcionam como uma marca de identificação do projeto editorial constituído para o periódico. Desde a primeira revista publicada até o n. 39 (2008), percebemos esse dispositivo fazendo parte da constituição do seu aparelho crítico, o qual atua de duas maneiras, uma conferindo identidade ao impresso, a outra, decorrente da primeira, configurando-se como a busca de estratégias para conduzir o mundo do leitor em relação ao conteúdo veiculado. Por meio das imagens veiculadas, informa-se ao leitor sobre o tipo de leitura que ele irá encontrar, uma leitura crítica, politizada, sem ser partidária, que fala sobre temas pouco explorados e problemas a serem enfrentados pela Educação. 3.3 DOS SUMÁRIOS Se as capas das fontes se constituem como a porta de entrada, os sumários compreendem o modo como os Editores pensam e organizam o impresso e os conteúdos colocadas em circulação. Nesse ponto, Chartier (2002, p. 244) salienta que a própria forma com que é apresentado o impresso, ―[...] disposição da paginação, os modos de recorte do texto, as convenções tipográficas são investidos de uma ‗função expressiva‘ e sustentam a construção da significação‖. Produzidas por uma intenção de controle e didatização, as convenções tipográficas possuem produtores – editores e técnicos tipográficos – e destinatários, as comunidades de 97 leitores. Assim, falar em imprensa periódica estratégias editoriais é mobilizar novos personagens, povoando o campo das lutas simbólicas, as quais são expressas por meio das relações de força. De acordo com Hunt (1992), os documentos com os quais o historiador trabalha descrevem ações simbólicas, não podendo ser considerados textos inocentes e transparentes. Sabendo que foram escritos por autores com diferentes intenções e estratégias, os historiadores devem criar suas próprias estratégias para lê-los. Nesse escopo, Chartier (2002, p. 71-72) salienta ―O que quer que façam, os autores não escrevem os livros‖, eles escrevem textos que outros transformam em objetos impressos. Tanto as Reuniões Anuais como a Revista Brasileira de Educação possuem uma política editorial que marcadamente valoriza a difusão do conhecimento produzido em diferentes instâncias, o que pode ser verificado no modo com que se articulam os objetivos das sessões do impresso. A criação das sessões e sua delimitação dão ao Editor, como veremos nos tópicos que se seguem, o poder de decidir o que é ou não necessário aos leitores, uma vez que, nesse processo de criação e organização do que é ou não pertinente veicular, procura-se esquadrinhar os próprios leitores, suas expectativas, aptidões de leitura e, ainda, as demandas de trabalhos publicáveis. Nesse sentido, o papel da Diretoria e Editores que lidam com a imprensa periódica deve ser colocado em discussão ao se referenciar da constituição e organização das matérias colocadas em destaque. Diante desse contexto, é preciso analisar a maneira como a Diretoria apresenta a organização das Reuniões Anuais, bem como o papel exercido pelos Editores da Revista Brasileira de Educação na definição dos sumários. Nesse caso, tanto os editores como as diretorias se capacitam como vozes autorizadas a aproximar os vários assuntos tratados no impresso, ao mesmo tempo em que indica(m) protocolos de leituras para o que foi, pelo Comitê Científico, previamente selecionado como digno de ser conhecido pelos leitores. 98 3.3.1 Organização das Reuniões Anuais Ao analisarmos as sessões sumários e programações presentes no Boletim ANPEd e CD-Rom, procuramos apresentar as estruturas assumidas nas Reuniões Anuais. A leitura dessas fontes nos remete à própria programação do evento. Dessa maneira, é possível salientar que as primeiras Reuniões Anuais, realizadas no período de 1979 a 1984, foram organizadas levando em consideração a temática central do evento. Apresentado por meio da conferência de abertura, mesas redondas e alguns poucos trabalhos encomendados, os temas centrais constituíam-se como o eixo norteador dos debates e embates a serem enfrentados pelos associados da ANPEd no âmbito da educação. Encontramos ainda a elaboração, por parte da Diretoria, de espaços fixos na programação das Reuniões Anuais, com o intuito de promover a reunião de coordenadores de curso de pós-graduação e assembléia geral. A maioria dos trabalhos apresentados neste período são frutos de convites realizados pela organização do evento à pesquisas defendidas nos programas de pós-graduação. Não encontramos trabalhos encomendados na primeira Reunião Anual, eles só se fizeram presentes a partir da 2ª Reunião. Verificamos a indicação de três pesquisas naquela ocasião e de cinco no 3º e no 4º evento. Os sumários desse período marcam ainda as mudanças ocorridas, a partir da 5ª Reunião, na estrutura do evento e de seu projeto editorial. Nesse evento, encontramos a implementação dos 13 primeiros Grupos de Trabalho, como pode ser observado no quadro em Apêndice A. Nesse quadro, apresentamos ainda um mapa sobre o ano de fundação de todos os Grupos de Trabalho no período de 1982 a 2008. No tocante específico ao currículo, é preciso ressaltar que sua institucionalização como Grupo de Trabalho só veio a acontecer na 9ª Reunião Anual, ocorrida no Rio de Janeiro, no ano de 1986, ou seja, cinco anos após a implementação dessa política editorial. Entretanto, a denominação original para esse Grupo foi ―Supervisão e Currículo‖, mantendo-se dessa maneira apenas na primeira reunião, já que, no ano de 1987, na 10ª Reunião Anual, passou a se chamar ―Currículo‖. 99 De acordo com Moreira (1995), o primeiro encontro para a constituição do referido GT ocorreu no I Seminário Nacional de Currículo, promovido pelo Programa de Estudos de Pós-Graduação em Supervisão e Currículo da PUC-SP, em dezembro de 1985. O fato de o movimento para criação do GT ter sido fomentado, em grande medida, pelo Programa de Estudos da PUC favoreceu a constituição do nome ―Supervisão e Currículo‖. Entretanto, as discussões colocadas em voga na 9ª Reunião Anual realizada em 1998, sobre a necessidade de uma reconceptualização da área de currículo favoreceram a definição dos novos rumos a serem tomados pelo GT que, por sua vez, manifestaram-se na redefinição do próprio nome do grupo. Os novos rumos assumidos não só no GT Currículo, mas nas Reuniões Anuais foram apresentados no sumário do Boletim ANPEd de maio de 1983 da seguinte maneira: Nota de Apresentação; Reunião de Coordenadores; Sessão de Abertura; Grupos de trabalho; Assembléia; Informe ANPEd; Espaço ANPEd; Anexos. As sessões Nota de Apresentação, Informe e Espaço ANPEd são específicas do Boletim, ou seja, não retratam a organização do evento. Identificamos, a partir do ano de 1985, uma mudança nas formas de apresentação das matérias postas a ler no Boletim, bem como no próprio projeto editorial da revista, já que, além da divulgação das Reuniões Anuais, esse impresso passa a publicar 2 números com temáticas específicas. De acordo com os editores, essas modificações foram efetuadas a fim de propiciar e facilitar a participação dos associados na realização do periódico. Reservamos uma seção para Notícias onde circularemos todas as informações sobre eventos e em especial queremos colocar este espaço a disposição de todos os cursos de pós-graduação para divulgar suas atividades. A seção Informe ficará reservada às comunicações ligadas diretamente à prática da Associação. Pretendemos também incluir Indicações e Resenhas de livros, principalmente lançamentos [...]. Aos associados será garantida uma seção Espaço para correspondência ou discussão sobre aspectos ligados ao trabalho de professores e pesquisadores e encaminhamento de reivindicações e sugestões (NOTA DE APRESENTAÇÃO, 1985, p. 1). Segundo Macial (1986), editor do Boletim ANPEd, com a reestruturação do projeto da revista, procurou-se criar espaços para registrar as análises das práticas da Associação, no sentido de explicitar confrontos, captar movimentos, avaliar 100 compromissos e, em especial, demarcar o espaço ocupado pela ANPEd no cenário da pesquisa e da pós-graduação. Na década de 1990, observamos a configuração do formato definitivo do evento, sendo divida em três momentos distintos, conforme o Boletim ANPEd (1991, p. 7273): O formato da Reunião Anual será dividida em três momentos bastante distintos: 1º momentos gerais de responsabilidade da Diretoria da ANPEd; 2º atividades dos GTs: programadas, de responsabilidades das coordenações dos GTs, e espontâneas, procurando-se distinguir entre pesquisadores sênior e júnior; 3º sessões especiais de novas temáticas advindas da demanda espontânea, distinguindo-se novamente entre sênior e júnior. É possível, com base no sumário indicado na fig. 30, ter uma ideia do modo como esse formato foi operacionalizado durante as Reuniões Anuais. Além de manter a estrutura que estava sendo construída desde sua primeira realização, as Diretorias foram incluindo outros espaços específicos como: fóruns, assembléias, conferências, mesas- redondas, Grupos de Trabalhos, etc. A Diretoria caberia tratar da organização geral do evento e da programação concernente ao tema central, o que corresponde à definição dos fóruns, assembléia geral, conferência e mesas. Aos Fig. 30 – Sumário do Boletim (1995) GTs ficaria atribuída a responsabilidade de elaborar os temas específicos, a seleção dos trabalhos, pôsteres, a definição dos minicursos, sessões especiais, etc. Não estamos desconsiderando a ação colaborativa entre a Diretoria da ANPEd, os Grupos de Trabalhos e os Grupos de Estudos, pois, como é salientado na Apresentação da 22ª Reunião Anual (1999, s. p., grifos do autor), O núcleo principal das Reuniões são os GRUPOS DE TRABALHOS e os GRUPOS DE ESTUDOS: seus coordenadores ajudam a escolher o Tema Central da Reunião, a definir as programações das SESSÕES ESPECIAIS e são co-responsáveis pela seleção dos trabalhos e pôsteres, ao lado do Comitê Científico, o qual realiza a seleção final dos textos. 101 Apesar da referida parceria destacada anteriormente, é recorrente nos relatórios do Grupo de Trabalho Currículo a solicitação por parte de seus coordenadores e vicecoordenadores de uma maior aproximação com a organização geral do evento. No relatório referente a 31ª Reunião Anual encontramos, por exemplo, a seguinte afirmação ―[...] o GT defendeu enfaticamente que todas as atividades da reunião anual devem ser acordadas na reunião de planejamento que conta com todas as instâncias da ANPEd (GTs, Fórum, Diretoria) (GRUPO DE TRABALHO CURRÍCULO, 2008, p. 5). Encontramos ainda nos Boletins, os Relatórios das ações desenvolvidas pelos Grupos de Trabalhos com indicativos demonstrando o número de participantes, de instituições, de trabalhos apresentados, de representantes institucionais e de agência de fomento. Ao apresentar relatórios sobre as Reuniões Anuais, os Boletins nos oferecem uma ideia não só da forma assumida pelo evento, mas sobretudo dos conteúdos que nele se fizeram circular. A análise das demais fontes, Cadernos de Programa e CD-Rom, indica que não houve mudanças significativas na estrutura das Reuniões. Na realidade, encontramos a inserção da sessão Colóquio, como pode ser verificado na fig. 31. Fig. 31 – Organização da Reunião Anual A partir das configurações apresentadas no CD-Rom, é possível ter acesso ao calendário das reuniões prévias; ao Programa Geral das Reuniões Anuais; aos resumos dos trabalhos aprovados (algumas vezes encontramos ainda a publicação dos trabalhos considerados excedentes) e dos pôsteres, às ementas e textos dos minicursos. Encontramos ainda a programação dos colóquios organizados pela 102 ANPEd em conjunto com o CLACSO. Ao propiciar o diálogo entre diferentes pesquisadores da América Latina, essa sessão vem se constituindo como um lugar profícuo para se analisar os problemas comuns evidenciados no cenário educacional entre diferentes países e se projetar possíveis soluções coletivas. A programação específica de cada GT e dos trabalhos selecionados pelo Comitê Científico é detalhada em seus diversos encontros e publicizada na sessão pôsteres e minicursos. Algumas fontes indicam, ainda, o relatório do Comitê Científico. As pesquisas, reflexões e propostas sobre Educação, nos contextos nacional e internacional, são divulgadas e debatidas, conforme salientado na Apresentação da 31ª RA, em conferências, apresentações de trabalhos e pôsteres, intercâmbios de pesquisas, sessões especiais, sessões-conversa, minicursos, debates, exposições, filmes e vídeos, atos públicos, lançamentos de livros e encontros das associações congêneres que, dado seu formato, encontram espaço no projeto editorial das RAs. Nesses espaços, pesquisadores juniores e seniores, como são denominado pela Diretoria da ANPEd, congregados nos Grupos de Trabalho e no Fórum dos Programas de Pós-Graduação em Educação, socializam as pesquisas e estudos realizados, debatem os problemas da educação básica e da educação superior, problematizam aspectos teóricos, epistemológicos e metodológicos da produção científica e contribuem, nesse fecundo encontro para desenvolvimento da área. As Reuniões Anuais se constituem, nesse caso, como um espaço marcado por importantes debates, assentados nos mais variados referenciais teórico-analíticos em que os fenômenos, processos e problemas sócio-educacionais possam ser analisados na sua historicidade, como resultados das ações e relações de forças postas em jogo. 3.3.2 Sumários da Revista Brasileira de Educação As análises dos sumários da Revista Brasileira de Educação indicam uma conservação, manutenção na estrutura e forma de apresentação. Como pode ser observado na fig. 32, os trabalhos veiculados no periódico são organizados em diferentes sessões. 103 No sumário n. 0, encontramos as sessões editorial, artigos, resenhas, notas de leitura, resumos, normas para colaborações e assinaturas. Já no n. 01, observamos a inclusão da sessão espaço aberto, mantendose em vários números da revista. A organização fixada pelos editores nos dois primeiros números da Revista Brasileira de Educação se tornaram permanentes nas demais publicações. entanto, a Fig. 32 – Sumário (1995) inclusão Presenciamos, de no outras sessões, configurando-se da seguinte maneira: de forma esporádica, ao final de cada ano de publicação, a apresentação da relação de pareceristas e artigos já publicados; a inclusão, a partir do n. 4, do abstract; e, do n. 32, resumens; a inserção da sessão documentos presentes nos números 16 a 19, 21, 22, 27, 28, e 37. Encontramos ainda a criação de espaços que não se mantiveram durante a trajetória de vida da Revista Brasileira de Educação, ou seja, foram apresentados em apenas alguns números como: notas de pesquisa nos números 13 e 34; e entrevistas nos 20, 25 e 38. De maneira geral, as sessões apresentadas até o momento, constituem um panorama do que tem sido divulgado na Revista Brasileira de Educação em seus 14 anos. Para os editores, a fixação de espaços por meio de sessões específicas vem contribuindo para a construção da identidade do periódico, pois como destacado no Editorial n. 2 (1996, p. 4), A Revista vem encontrando boa receptividade no âmbito dos profissionais dedicados à pesquisa e ao tema da Educação no nosso país. A esse quadro pode ser acrescida a idéia de que a Revista vai encontrando um caminho para construir sua identidade, mediante a estruturação de alguns espaços fixos nos números até agora editados. Assim, temos buscado de um lado, a complementaridade entre a produção de nossos pesquisadores, mediante a divulgação de seus trabalhos e, de outro, a produção internacional, ao publicar, em cada número, ao menos dois artigos traduzidos. 104 Uma análise exploratória dos dados demonstra uma manutenção na natureza e no formato da Revista e uma variação significativa nos tamanhos dos textos. Por exemplo, até o n. 17, o tamanho dos artigos não deveria exceder a 10 mil palavras; para as resenhas, 2.000; notas de leitura, 1.000 e espaço aberto, 8.000 palavras. Do número 20 em diante, temos uma ampliação no tamanho das matérias publicizadas na Revista: 40 a 70 mil caracteres com espaço, para artigos; até 10 mil, para resenhas; 5 mil, para notas de leitura e, por fim, o limite de 50 mil caracteres para a sessão espaço aberto. No que se refere aos conteúdos presentes nas sessões, cabe enfatizar a descrição feita no espaço fixado no periódico denominado de Normas para Colaborações. A sessão Artigos publica trabalhos inéditos de autores brasileiros e/ou estrangeiros resultantes de pesquisas, ensaios teóricos e relatos de experiências que tratem de temáticas concernentes à educação. Assume como critérios a contribuição à educação e a linha editorial da Revista, a originalidade do tema ou da forma como foi abordado, assim como a consistência e o rigor da abordagem teóricometodológica. Na sessão Documentos, são divulgados textos coletivos elaborados pela ANPEd ou por Associações afins, bem como documentos (Leis, Pareceres e Normatizações) instituídas por órgão governamentais e que abordem questões de interesse para a área da educação. De acordo com o Editorial n. 16 (2001, p. 4), essa sessão trata da [...] publicação de documentos da ANPEd, que traduzem tomadas de posições frente a políticas governamentais para as áreas de educação, ciência e tecnologia, ou no trato dos problemas, políticos, econômicos e sociais que dizem respeito a vida de todos os brasileiros. [...] Pretendemos que esta seção esteja presente em todos os números futuros. As sessões Resenhas e Notas de Leitura configuram-se como um meio de divulgação da produção ―[...] recente não só em Educação, mas também nas áreas afins das Ciências Humanas, constituindo apoio para a atualização bibliográfica de nossos associados e colaboradores‖ (EDITORIAL n. 2, 1996, p. 4). Textos que tratem de temas polêmicos ou que debatam algum assunto, com defesa de posicionamentos, são publicados na sessão Espaço Aberto. Essa sessão, 105 conjuntamente com a Documentos, se tornou um importante espaço de divulgação das ações no campo político desenvolvidos pela ANPEd, como salienta o Editorial n. 2 (1996, p. 3): A seção Espaço Aberto abriga os temas e experiências de natureza conjuntural que alicerçam a presença da ANPEd no debate político nacional, assegurando aos autores as possibilidades de exposição de seus pontos de vista, garantindo, ao mesmo tempo, o pluralismo de idéias e posições que é peculiar a uma associação científica. Pelo destaque dado nos editoriais n. 12 e 16, vale ainda enfatizar as sessões Notas de Pesquisa e Entrevistas. A primeira é destinada à publicação de projetos em andamento, com intenção de divulgar pesquisas da área da educação ainda não finalizadas e, portanto, não passíveis de publicações sob forma de artigo. Já a segunda pretende publicar entrevistas com educadores, do Brasil e do exterior, apresentando outros temas e abrindo perspectivas novas ou renovadas de análise dos fenômenos educativos. Apesar de serem encontrados em apenas alguns números, dado o pressuposto assumido e os textos circulados, configuram-se como possíveis espaços de reconhecimentos para novos pesquisadores e autoridades da área da educação. Uma análise das matérias colocadas à disposição nos sumários, a partir dos autores, fortalece a ideia do diálogo internacional posto como elemento fundamental do projeto editorial da Revista Brasileira de Educação, que foi iniciado nas Reuniões Anuais. Nesse caso, encontramos a publicação de pelo menos um artigo de autores internacionais em cada número da Revista. Esses artigos tratam de realidades de diferentes países, sendo produzidos em Universidades da França, Estados Unidos, Espanha, Portugal, Argentina, Chile, etc. Dentre os autores, poderíamos destacar Anne-Marie Chartier, Pierre Bourdieu, Mariano Enguita, Jurjo Torres Santomé, Philippe Perrenoud, Agnes Van Zaten, Maurice Tardif, Michael Apple, Jorge Larrosa, José Augusto Pacheco, Ivor Goodson, dentre outros. Quanto aos autores nacionais, percebe-se a tentativa dos editores em ampliar a divulgação de publicações de várias regiões e instituições do país. No entanto, essas ações se fazem ecoar de maneira tímida no projeto editorial, já que a grande maioria dos trabalhos são originados do eixo Sul e Sudeste. Esse é um dado que indica, dentre outras possibilidades de análise, a necessidade da descentralização e 106 do fortalecimento da pós-graduação no país. Um outro achado interessante sobre os autores é que eles estão vinculados a instituições de diferentes natureza. A Revista, ao que tudo indica, possui uma política editorial que marcadamente valoriza a difusão do conhecimento produzido em diferentes instituições, tendo como foco abordagens e temáticas também diversas. A análise dos trabalhos colocados em destaque no sumário reforça a ideia da diversidade, pois, de um universo de 529 autores, 377, ou seja, 71%, publicaram apenas uma vez no impresso. Os autores que se fizeram mais presentes foram: Carlos Roberto Jamil Cury, com 6 publicações; na seqüência, temos Marília Ponte Sposito, com 5; Bernadete Angelina Gatti e Luis Antônio Cunha, com 4 matérias cada. A esse cenário podemos acrescentar os seguintes dados: 41 autores publicaram 2 vezes enquanto 17 o fizeram 3 vezes. Uma leitura sobre a publicação presente nos sumários indicam que 336 das 402 matérias foram assinadas individualmente, enquanto as demais foram elaborados em co-autoria. Por fim, gostaríamos ainda de destacar que, dos 402 trabalhos com identificação de autores divulgados no sumário, apenas 30, ou seja, 7% são assinados por autores que fazem parte do conselho editorial ou são editores. Esse fato indica que o impresso apresenta uma baixa endogenia, o conselho editorial e os próprios editores publicam pouco na Revista Brasileira de Educação e muitos nem chegaram a publicar.28 3.4 DOS EDITORIAIS Ao trabalhar dando ênfase ao aparelho crítico do impresso, podemos perceber a figura do(s) editor(es), de maneira mais forte, atuando em um dispositivo importante na constituição da fórmula de um projeto editorial, qual seja, os editoriais. Por meio desse dispositivo, o(s) editor(es) fala(m) com os leitores, indica(m)-lhes por qual registro as matérias selecionadas deverão ser lidas, interfere(m) no que é publicado ao recortar e adicionar sentidos ao pensamento dos autores, muitas vezes distantes 28 Muito embora esses dados não tenham sido evidenciados na análise das Reuniões Anual, podemos salientar que eles retratam, em grande parte, o que está veiculado nesse evento. 107 do que foi proposto originalmente nos textos. Essa possibilidade de modelação da leitura a partir do olhar dos editores é assumida e reconhecida por Maria Vorraber Costa no Editorial n. 23 (2003, p. 3): O conjunto de artigos que integram esta coletânea é, finalmente, o panorama que conseguimos compor sobre o foco temático escolhido. Certamente, ele expressa uma seleção que, superados os fatores já mencionados e consideradas as limitações de extensão, está fortemente marcada por minha ótica, pela forma como meu olhar constituiu uma perspectiva de abordagem das aproximações entre cultura, culturas e educação. Este é um conjunto possível; não o melhor, muito menos o único, mas aquele que podemos compor neste momento. A busca presente neste tópico se efetua no sentido de evidenciar as marcas das relações de força travadas pelas diretorias e editores presentes nas Reuniões Anuais e Revista Brasileira de Educação, a fim de significar simbolicamente um estatuto e uma posição. Nesse caso, pretendemos dar a ver as estratégias institucionalizadas e objetivadas para postularem de modo visível e perpétuo a Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Educação como entidade científica representativa das áreas da educação e demais áreas de conhecimento, especialmente das ciências sociais e humanas. 3.4.1 Das apresentações nas Reuniões Anuais Nesse momento, deteremos a nossa atenção para a análise das apresentações referentes às Reuniões Anuais da ANPEd. Vale lembrar que as fontes utilizadas para tal intento foram os Boletins da ANPEd, o material publicado nos Anais do Evento e nos CDs-ROM. Não pretendemos, nesse caso, analisar o projeto editorial de cada fonte, mas como esses contribuem para a construção e consolidação das Reuniões Anuais, ou seja, o que está em destaque são as Apresentações ou as Notas Editorias remetentes as Reuniões Anuais. É importante destacar que todas as Apresentações analisadas foram assinadas com a indicação da Diretoria da ANPEd, não havendo a identificação de nomes. Uma análise das formas e estruturas das fontes indicam que elas são organizadas com o intuito de apresentar as ações desenvolvidas durante as Reuniões Anuais, tornando-se porta voz do que acontecia no cenário educacional brasileiro e das ações desenvolvidas pela ANPEd. 108 Com base nessas fontes, é possível encontrar pistas como número de inscritos nos eventos, número de trabalhos enviados e aprovados, dados sobre as temáticas tratadas, apoiadores financeiros e organizacionais, resumos dos trabalhos, relatório dos Grupos de Trabalhos, etc. Uma leitura dos conteúdos nos permite identificar as diferentes ações desenvolvidas coletivamente, segundo Apresentação da 27ª Reunião Anual, para se construir a natureza político-científica do evento. Na perspectiva desse coletivo a ANPEd responde, efetivamente pela crescente institucionalização de toda uma comunidade acadêmico-científico da educação brasileira e vem tendo sua identidade enquanto Associação, construída ao longo dos anos, pelos pesquisadores e estudiosos envolvidos com a pesquisa e a pós-graduação em educação. As Reuniões Anuais, são por excelência oportunidades para universalizar informações, estimulando a convivência entre pesquisadores experientes e aqueles em formação inseridos em instituições espalhadas por este vasto país (A DIRETORIA, 2004, s. p.). A discussão sobre a identidade da ANPEd e sua correlação com as dimensões políticas e acadêmicas demarcaram e demarcam a história da instituição e de seus diferentes veículos de comunicação. É possível afirmar, levando em consideração as ações desenvolvidas pela ANPEd. Além da defesa de aspectos específicos voltados à educação, a ANPEd tem se envolvido nas questões relevantes da vida do país, como, por exemplo, a luta pela normalidade democrática contra a ditadura, em favor da anistia, da constituinte por uma LDB resultante de amplo debate das instituições sociais e órgãos de democracia, de educação e sociedade pelos quais temos lutado. Tem-se envolvido fortemente na luta conjunta por uma educação pública, gratuita e de qualidade. Manter, reforçar e ampliar este espaço é um objetivo do qual não podemos abrir mão. E isso somente se consegue por meio de uma visão da ANPEd muito mais ampla do que a da realização da Reunião Anual (A DIRETORIA, 2004, p. 10). Como observamos no capítulo anterior deste trabalho, as ações desenvolvidas por esta Associação no plano político provocaram intensos debates, sobretudo em seus primeiros encontros. Ao se preocupar com a qualidade científica da produção da área, Arroyo (1987), por exemplo, propõe a superação da dicotomia entre o acadêmico e o político. Para ele, as Reuniões realizadas nos anos de 1980 estavam se tornando um espaço para soluções de problemas imediatos (estruturais) e os GTs como um lugar para troca de experiências. 109 Os rumos assumidos por esse evento, segundo Arroyo (1987), não estavam propiciando um debate sobre as bases teóricas das pesquisas em educação. O destaque dado pelo autor não é para o abandono do campo político, mas para o esforço de elaboração teórica, inclusive na pesquisa e na qualidade da produção da área.29 O ―falso dilema‖ entre político e acadêmico, como enfatiza Fávero (2005), produzido por essa retórica busca justamente (re)definir o estatuto científico das Reuniões Anuais. Nesse ponto, é preciso entender que a institucionalização dos GTs na 4ª Reunião Anual são o reflexo desses embates que ganham ainda mais fôlego na voz de alguns membros da diretoria como Luis Antonio Cunha, Miguel Arroyo, Osmar Fávero, Jacques Veloso, Maria Julieta Calazans, Glaura Vasquez Miranda, entre outros. Com base nessas questões, a ANPEd elabora uma reformulação no seu estatuto na 4ª Reunião Anual, incorporando os GTs à sua estrutura organizacional e a entidade, ampliando também a sua nomenclatura e adicionando o termo ―pesquisa‖. 30 Segundo Azevedo e Aguiar (2001), ao estabelecer essas ações, a entidade deixa de ser apenas uma associação de programas de pós-graduação para abranger também os pesquisadores. A ANPEd definiu então os GTs e isso dependeu fundamentalmente de quem esteve presente àquela reunião. A eleição da presidência e da secretaria geral significou o enfrentamento de dois grupos: daqueles que queriam refletir sobre a educação na sociedade, em termos mais amplos, e daqueles que estavam no antigo esquema, em virtude dos cursos de pósgraduação. Os GTs terminaram representando a vitória da primeira tendência [...]. A nosso ver, não era mais possível continuar discutindo a organização de programas de pós-graduação. Era necessário extrapolar para questões mais voltadas à pesquisa, possibilitando um avanço na área (ANPED, 1986, p. 5). Os primeiros GTs instituídos na 5ª Reunião Anual (Rio de Janeiro, 1982) deveriam se constituir, conforme destacado na Apresentação do Boletim de 1981, como um 29 Ao debater sobre as pesquisas produzidas no campo da educação, Marques, em entrevista concedida a Bianchetti (2005, p. 141), enfatiza que ―[...] a grande discussão teórica era de fenomenologia, behaviorismo, e uma terceira corrente na qual eu me incluo, que era uma busca de método mais do que conteúdo [...]. Pesquisa não depende tanto de conteúdo, depende do método que se utiliza para a aproximação de qualquer fenômeno que se queira estudar‖. 30 A ampliação da análise sobre os Grupos de Trabalhos e Comitê Científico se deve à importância que esses assumem na constituição das Reuniões Anuais e das Revista da ANPEd. 110 lugar para discussão e troca de opiniões sobre resultados de pesquisas e de experiências metodológicas, para a seleção de problemas relevantes e para intercâmbios de informações bibliográficas e de estudos e trabalhos. Nesses termos, reforçar o papel da ANPEd como entidade científica, com a dinamização e reestruturação dos grupos de trabalho e a redefinição do formato das Reuniões Anuais, constituiu-se o eixo central da propostas colocadas em destaques pelas gestões do período de meados da década de 1980 até a década de 1990 (Boletim ANPEd, 1989). Os Grupos de Trabalhos passaram a se configurar como um lugar aglutinador/difusor do conhecimento que se produz sobre as diferentes áreas, sendo nutrido pelo que ocorre em outros espaços institucionais. As produções vinculados nesses Grupos são originadas, em sua grande maioria, nas práticas sociais que configuram a produção do conhecimento nos Programas de Pós-Graduação em Educação associadas à ANPEd, particularmente daqueles que se ocupam da área temática que lhes é concernente. Uma análise dos relatórios da 27ª a 31ª Reuniões Anuais produzidos pelo GT Currículo evidencia a participação efetiva e permanente dos programas de PósGraduação em Educação, sobretudo aqueles que possuem linhas de pesquisa na área de currículo. É importante destacar também a presença dos líderes dos grupos de pesquisa, já que esses, na maioria das vezes, participam na condição de coordenadores de sessão, conferencistas, autores de trabalhos apresentados, etc. Nesse sentido, o GT, como uma das células vitais da ANPEd, representa também uma parcela significativa do espaço de discussão e de publicização dos resultados da investigação científica da área, cumprindo, como parte dessa associação, a função de legitimação daquilo que produz a comunidade acadêmica com que ela interage (AZEVEDO; AGUIAR, 2001). Segundo Therrien (2005, p. 25), ―A expansão e a consolidação dos GTs e sua forte atuação nas Reuniões Anuais mobilizaram a ANPEd e seus sócios em direção à produção e divulgação da produção científica‖. Muito embora tenham nascido da necessidade apresentada por parte de seus associados em estabelecer um aprofundamento das ações científicas em 111 contraposição às dimensões políticas, o Boletim ANPEd (1990) enfatiza que alguns GTs viram-se profundamente envolvidos com questões conjunturais como a Constituinte, a LDB, etc., chegando a sobrepor-se em certa medida a preocupação política ao caráter científico da ANPEd. De acordo com esse estudo era preciso retomar a perspectiva científica, de análise, nos GTs, resguardando o papel da ANPEd como associação científica e a Reunião Anual como avaliadora da produção dos pesquisadores da área. Nesses termos, caberia aos GTs ―[...] contemplar a apresentação de trabalhos acadêmicos de fôlego, pesquisas concluídas e enviadas com antecedência por escrito. As sessões devem evidenciar o caráter científico das atividades desenvolvidas‖ (BOLETIM ANPED, 1990, p. 90-91). Especificamente no GT Currículo, autores como Moreira (1995) salientam que a Reunião de 1990 pode ser considerada, em razão do número de trabalhos e da dinâmica desenvolvida, um marco no funcionamento desse GT, já que de 1991 em diante, os encontros passaram a privilegiar a apresentação de trabalhos. De acordo com Moreira (1995, p. 13), ao assumir essas características a [...] Reunião do GT de Currículo deixou de fato de caracterizar-se pela discussão de políticas curriculares, de pesquisas, de experiências e dos rumos do campo, como ocorrera até 1990. Passou a se caracterizar pela apresentação de trabalhos e pela maior profundidade e variedade de quadros teóricos (multirreferencialidade). As discussões de políticas educacionais e temas emergentes ou de interesse dos pesquisadores passaram a ocorrer em horários extraordinários durante a década de 1990. Cabe acrescentar que tais mudanças, assim como indica Moreira (1995), não se processaram sem resistências por parte de alguns membros do GT, que não concordavam com a redução do espaço de discussão de políticas curriculares e da constituição do campo científico. As problematizações apresentadas por Moreira (1995) indicam a aproximação existente entre o debate ocorrido no campo macro das Reuniões Anuais, ou seja, da organização do tema geral, das mesas, conferências e a sua relação com as ações realizadas dentro de cada GT. Não há como delimitar o lugar onde se inicia e se termina o diálogo entre a organização geral e o GT. O fato é que as discussões apresentadas sobre a natureza científica da entidade não ficaram restritas à organização geral do evento. 112 Especificamente no que se refere à constituição dos GTs, é preciso ainda trazer para a cena novamente as reflexões apresentadas por Moreira (2002). De acordo com o autor, os GTs têm representado uma verdadeira força-motriz das Reuniões Anuais, propiciando significativo espaço de discussão, construção e reconstrução do conhecimento. Essa reflexão não impediu Moreira (2002, p. 86) de levantar alguns questionamentos: [...] será que as mudanças que se introduziram, principalmente nos anos de 1990, no funcionamento dos GTs, têm favorecido o desenvolvimento de saberes que se elaboram na tensão permanente entre a dimensão práticopragmática e o domínio teórico-empírico do projeto educacional? (Brandão, 1998). Em outras palavras, em que medida as transformações ocorridas nos GTs têm de fato incrementado o avanço do conhecimento pedagógico e a realização de pesquisas pertinentes, voltadas para as candentes questões da educação brasileira? A busca pela identificação do papel dos GTs na configuração das Reuniões Anuais foi uma questão colocada em discussão desde suas primeiras edições, não ficando restrita, como já foi salientado, ao GT Currículo. Na Apresentação da 9ª Reunião Anual, por exemplo, encontramos as seguintes problematizações: Qual o lugar do GT na ANPEd? Que funções deve cumprir? Que espaço deve ocupar dentro e fora da ANPEd? Fazer um corte por nível de ensino ou por área temática? Que práticas sustentam o fazer contínuo? Que postura permitem um avanço? Como avançar? São questões que não devem deixar de ser consideradas e respondidas pelos participantes da 9ª Reunião (MACIEL, 1986, p. 1). Ao estabelecer uma análise das produções expressas nos GTs, a Apresentação da 8ª Reunião constata que grande parte das pesquisas inscrevem-se como ―exercícios acadêmicos‖, atendendo mais a interesses de natureza circunstancial, do que a uma produção comprometida com a relevância e realidade social. Indicam ainda que a falta de criticidade no trato de informações teóricas e dos dados da realidade continua sendo um problema de grande impacto exigindo uma atenção permanente por parte dos que participam da pós-graduação em educação no país (DIRETORIA, 1985, p. 2). Acrescenta-se ainda a esses dados, com base nos estudos de Gatti (1995), a grande rotatividade dos participantes. Uma análise específica do GT Currículo indica, além da rotatividade de autores, instituição e grupos de pesquisa, a concentração da produção nos orientadores de Programas de Pós-Graduação em Educação. Nesse caso, observamos nuances 113 significativas quando projetamos o olhar para o lugar de produção, pois a rotatividade se constitui como uma característica marcante da sessão Trabalho Apresentado. Voltaremos a essas questões nos próximos capítulos deste trabalho. Entre os encaminhamentos dados para buscar solucionar alguns desses problemas, podemos destacar a realização de um estudo para avaliar a trajetória e a estrutura atual dos GTs, publicado em formato livro, cujo título é Histórico e avaliação dos grupos de trabalho (ANPEd, 1992). Dentre os diferentes itens enfatizados, encontramos: definição da função dos GTs; critérios para a criação de novos GTs; critérios para funcionamento dos GTs; seleção de trabalhos, publicações, intercâmbios e relação com o Comitê Científico; sugestões para financiamento e eleição de coordenadores, suas tarefas, relações intergrupos e com a diretoria da ANPEd. Contém também textos elaborados por dez GTs, dentre eles um sobre o GT Currículo elaborado por Moreira (1995).31 Dentre as ações apresentadas anteriormente, ganha mais destaque, nas Apresentações analisadas, a criação do Comitê Científico implementado na 15ª Reunião Anual. Pela primeira vez, a ANPEd contou com um Comitê Científico como última instância para avaliação dos trabalhos espontaneamente encaminhados pelos pesquisadores associados para apresentação no evento. O referido Comitê fora constituído segundo normas estabelecidas pela Assembléia Geral (FERRARO, 1992, p. 6). De acordo com a proposta para a constituição do Comitê Científico publicada no Boletim ANPEd (1991), esse teria competência de julgar o mérito dos trabalhos e priorizá-los para fins de apoio financeiro. Quanto ao número de componentes, a proposta sugeria que o Comitê tivesse sete integrantes: um indicado pelos coordenadores de GTs; um indicado pelos coordenadores de programas, um indicado pela Diretoria; e quatro eleitos pelos associados da ANPEd. A eleição desses quatro seria efetuada em dois turnos, o primeiro para indicação de nomes e o segundo para a votação. Segundo Sposito (2005), a introdução do comitê científico e o fortalecimento dos grupos de trabalho (GTs) como instância de discussão 31 de pesquisas científicas, ajudaram na Esse texto já foi usado em diferentes momentos nesta pesquisa. ampliação do estatuto 114 epistemológico da ANPEd. No entanto, como destaca Marília Sposito em depoimento cedido à Fischer (2007, p. 417), Não foi fácil ‗segurar a barra‘ nessa primeira reunião realizada em Caxambu, em 1992. Houve inclusive proposta, na assembléia, de extinção do Comitê Científico. A avaliação pelos pares constituiu uma novidade perturbadora nos seus primórdios. O fato, porém, é que o Comitê, sempre revisto e aperfeiçoado em sua composição, critérios de avaliação e relação com os GTs e a ANPEd, não só sobreviveu, como tornou-se um instrumento valiosíssimo e inquestionável, até hoje, quando o assunto é estatuto científico da associação. Nesse período, a produção acadêmica, além de combinar as informalidades, vai trazendo à tona as relações com o entorno político, social, econômico. E a educação na pós-graduação vai ‗vertebrando‘ suas reflexões junto com as demandas de toda a sociedade. É muito significativo esse fato, pois se, de um lado, os vínculos informais também serviam para trocas férteis a respeito do momento histórico que todos estávamos vivendo, havia, por outro lado, a necessidade de afirmarse a ANPEd como instância crítica, competente, qualificada e reflexiva. A pós-graduação fortalece-se tanto em seus programas como no conjunto dos seus pesquisadores, nas diversas iniciativas convergentes nessa perspectiva de unir competência crítica com competência acadêmica (FISHER, 2007, p. 413). Fischer (2007) desloca sua análise para o interior das ações desenvolvidas nos GTs e nos Comitês Científicos, procurando ampliar as reflexões para além do binarismo campo científico e político apresentado pela maioria dos autores que tratam do tema. Para o autor, os desdobramentos da dinâmica implementada pelo Comitê Científico foram ocorrendo não só no seu caráter de avaliação da produção ―em si‖, mas também trazendo à tona outras disputas de poder. Para o autor, desde a implementação dos GTs e do Comitê Científico até os dias atuais, pode-se verificar as disputas de interesses por parte da comunidade acadêmica, sobretudo na formulação de uma dicotomia forçadamente acentuada em uma ―falsa disputa‖ entre uma perspectiva acadêmico-científica em oposição a uma ênfase na postura política da instituição. Decorrente da ampliação do número de programas de pós-graduação, dos titulados em nível de doutorado, da expansão dos GTs e do aumento de sócios da ANPEd, na própria internalidade da gestão da ANPEd emergem disputas e demarcações de poder e diferentes interesses sobre a normatização da produção científica na área e das instâncias avaliativas. Maria Malta Campos, em depoimento cedido à Fischer (2007, p. 417), definiu esse processo da seguinte maneira: O que eu consegui acompanhar do Comitê Científico, dele participando desde a gestão do Neidson até a minha gestão como presidente e depois 115 como coordenadora do GT 0-6 anos, pode ser resumido na tensão sempre latente ou explícita entre o poder dos coordenadores dos GTs, querendo influir mais na seleção de trabalhos, e a autonomia sempre relativa do Comitê e o apoio maior ou menor que diferentes diretorias lhe davam na defesa de sua autonomia. A brecha para a influência dos GTs parece ser a indicação de pareceristas ad hoc. Sempre foi problemática, e acho que, pelo menos em alguns GTs, continua sendo. Representantes não competentes são escolhidos, panelas se formam etc. – as velhas histórias. Eu lembro que tentávamos preservar a autoridade do Comitê até em decidir de diferente do recomendado pelos pareceristas. Outra coisa que me contam que mudou é que agora os membros do Comitê decidem sozinhos. Eu lembro que os casos de divergência entre pareceres eram discutidos na plenária. A Nilda introduziu aquelas câmaras, acho que se chamam assim, por grandes áreas. Precisaria ver como estão funcionando, se há discussão coletiva. Eu lembro que, por sugestão da Marli André, no nosso tempo tentamos alguma interdisciplinaridade: pessoas de outros grupos examinavam trabalhos de um outro tema próximo. De acordo com Fischer (2007, p. 413), para apresentar um trabalho nas Reuniões Anuais, antes do Comitê Científico, era preciso, submetê-lo ―[...] ao crivo da referência ao sênior. [...] Havia uma espécie de certificação, por mérito, de parte desses pioneiros da pós-graduação, que se associava com suas trajetórias pessoais e profissionais‖. Com a criação e a autonomia do Comitê Científico e, posteriormente, dos pareceristas ad hoc, os coordenadores dos GTs poderiam perder o controle dos trabalhos produzidos nas Reuniões. Por mencionar o comitê científico e os pareceristas ad hoc é preciso destacar, ao voltarmos o olhar para o GT Currículo, que a própria constituição dos nomes que os compõem, nos oferece pistas sobre os autores de referência, grupos de pesquisa e Programas de Pós-Graduação em Educação. Os membros desses lugares de avaliação da produção científica vinculada no GT expressam a diversidade do campo de currículo no Brasil, bem como a tentativa de contemplar os principais grupos de pesquisa e programas. É preciso destacar ainda que outros espaços foram criados para manter e garantir a definição do campo científico, dentre eles as sessões especiais instituída na 16ª Reunião Anual. Segundo Apresentação realizada por Ferraro (1992), essa sessão garantia aos GTs trabalhos encomendados a pesquisadores ―seniores‖, sobre temas definidos pela sua relevância e atualidade. O projeto editorial se situava na necessidade de se garantir a participação de pesquisadores de reconhecida autoridade científica e a unidade temática em cada sessão, objetivos esses que se afirmaram nas diversas Reuniões Anuais. 116 Apesar das iniciativas colocadas em voga pela Diretoria e Associados da ANPEd a fim de solucionar os problemas destacados neste trabalho, Gatti (1995, p. 17), ao propor uma rediscussão sobre os significados dos GTs levanta uma série de questões merecedoras de análise por sua pertinência e profundidade. O que vejo hoje é que temos grupos de diferentes naturezas epistêmicas, de recortes diferentes. Temos os grupos disciplinares: filosofia, psicologia, sociologia; temos os grupos de ensino e temos grupos temáticos. Acho que chegou a hora de fazermos uma discussão sobre o significado dos grupos de trabalho no momento contemporâneo da pesquisa educacional, os dilemas e problemas que vêm sendo colocados e os modos como estes dilemas e problemas vêm sendo tratados. Há alguns avanços muito importantes na pesquisa educacional. Estamos criando um novo modo de pesquisar, superando alguns modelos investigativos e criando outras instâncias de investigação a partir de temas provocativos. Então, não está mais interessando se determinado tema é da órbita do ensino fundamental ou do ensino médio; está interessando a relação pedagógica e as pessoas nela envolvidas, seja com crianças e adolescentes ou jovens e adultos. As pesquisas de maior densidade estão caminhando numa direção que chamo de temática, e, por isso, fazendo interfaces de vários segmentos envolvidos, nos quais a questão está presente. Exemplos disso são os trabalhos sobre gênero e corpo, que não têm sido segmentados. Essa é uma tendência internacional que tem a ver também com a questão da interdisciplinaridade; não está no discurso, mas nas formas de investigar. Isto poderia acarretar uma revisão da composição dos grupos de trabalho. Provocar essa discussão é um desafio posto para a ANPEd que necessita delinear um cenário, um horizonte para onde caminhar na composição dos grupos de trabalhos num futuro próximo, superando divisões que estão sendo construídas a partir da constituição de grupos ou, como enfatiza Gatti (1995, p. 25), ―guetos‖: Temos de reconhecer que há guetos e que esses guetos poderiam ser superados se trabalhássemos, por exemplo, com temáticas que são relevantes hoje e que, entendo, manterão essa relevância por alguns anos. Combinar permanência e flexibilidade. Permanência porque há temáticas que vão perpassar a questão da pesquisa e da política educacional na construção do conhecimento; e flexibilidade porque há temáticas que vão ser superadas, aparecendo outras. Parece-me mais simples encerrar o trabalho dos grupos cujas temáticas já foram superadas por uma série de condições, e assumir outras temáticas que estão emergindo como relevantes. Criar uma flexibilidade, sem a necessidade de multiplicar grupos. O que está acontecendo é que aparecem novas temáticas e, ao invés de vermos onde elas se encaixam, abrimos novos grupos de trabalho. As críticas apresentadas por Gatti (1995) servem também para o GT Currículo. Moreira (2002), ao realizar uma análise sobre as produções veiculadas neste GT, no período de 1996 a 2000, sinaliza como um dos problemas a serem enfrentados a secundarização da discussão de problemas educacionais que carecem de atenção 117 provocada pelo grande número de textos selecionados para apresentação, diversidade de autores e temas. Coloca, ainda, na centralidade do debate, a preocupação com a natureza científica do GT ao destacar: Em primeiro lugar, creio que se faz necessário um acordo, provisório e instável que seja em relação ao que entendemos por um Grupo de Trabalho. É espaço privilegiado de apresentação de trabalhos ou é espaço de discussão e de aprofundamento das questões que nos são próprias, de frutífera tensão entre ciência e política? Vejo como inadiável um maior equilíbrio entre o tempo reservado aos variados trabalhos produzidos em nossos programas de pós-graduação e as discussões de nossas questões, que certamente não se esgotam nas abordadas nos trabalhos (MOREIRA, 2002, p. 98). As reflexões evidenciadas pelos diferentes atores e colocadas em destaque nas Apresentações das Reuniões Anuais não desqualificam a importância da ANPEd no cenário educacional nacional e internacional. [...] Nesse sentido, é importante lembrar, mais uma vez, o respeito de que a ANPEd é merecedora no seio da sociedade civil organizada, pois em inúmeras circunstâncias, fomos chamados para pronunciamentos sobre aspectos variados da política e da prática educacional. [...] Em todos os contatos que tivemos possibilidades de desenvolver, de interinidade e qualidade muito diferente, é notável o reconhecimento do acerto de nossas posições e propostas (APRESENTAÇÃO 25ª REUNIÃO ANUAL, 2002, s. p.) Um outro exemplo dessa força está na presença de pesquisadores de outras partes da América Latina e de outras regiões, que asseguram a internacionalização da ANPEd, afirmando-se como entidade participante no processo de globalização do debate científico. A evidente demonstração de maturidade da área, atestada pelos GTs e Comitês Científicos, aparece na Revista Brasileira de Educação. 3.4.2 Dos editoriais da Revista Brasileira de Educação Uma análise das características formais presentes nos editoriais indica que, dos 39 números da Revista Brasileira de Educação, 32 são assinados pela comissão editorial, os outros 7 são por atores convidados a realizar e organizar a revista ou por um dos editores desse periódico, sendo assim representados: n. 5/6, Angelina Teixeira Peralva e Marilia Pontes Sposito; n. 14, Dermeval Saviani, Luiz Antônio Cunha e Marta Maria Chagas de Carvalho; n. 15, Antonio Flávio Moreira, Clarice Nunes e Maria Alice Nogueira, número especial; n. 23, Marisa Vorraber Costa; n. 30, Lucídio Bianchetti e Osmar Fávero e n. 32 e 33, Osmar Fávero. 118 É importante ressaltar que Marilia Pontes Sposito, Marisa Vorraber Costa, Lucídio Bianchetti e Osmar Fávero são editores da revista e os demais, excetuando-se Angelina Teixeira Peralva, fazem parte do conselho editorial, ou seja, a maioria dos autores convidados a organizar esses números possuem uma história de colaboração com o periódico. A dimensão do capital simbólico é um importante conceito para analisarmos a escolha desses autores, pois essas Revistas, excetuando-se os números 32 e 33, são números especiais. Os autores não só escrevem os editoriais como ficam na responsabilidade de organizá-los, possuindo assim reconhecido capital simbólico para avaliar os trabalhos publicizados e falar sobre eles. No entanto, varia a forma como esses autores são apresentados nos editorias. Nos números 14 e 15, por exemplo, não verificamos, inicialmente, a existência dos convidados, mas a reflexão estabelecida pelos editores na qual ressaltam o papel desses atores na comunidade científica evidencia sua presença: Identificados os pesquisadores que vêm se dedicando ao estudo histórico desses temas, formulamos o convite para a produção dos respectivos artigos. Felizmente contamos com a disposição favorável dos colegas que, uma vez contatados, aceitaram com presteza a tarefa que lhes atribuímos (SAVIANI, CUNHA, CARVALHO, 2000, p. 4). Convidamos os articulistas a efetuarem um rastreamento do tema sob sua responsabilidade de modo que os leitores pudessem ter uma idéia das transformações, das questões, dos impasses e/ou dilemas significativos, que, ainda hoje, nos afetam de forma direta e indireta. Os autores ficaram à vontade para definir suas questões decisivas, seus recortes espaçostemporais e sua forma de entrada na interlocução com os educadores e a educação (MOREIRA, NUNES, NOGUEIRA, 2000, p. 4). Na continuação do editorial n. 14 e 23, escutamos a voz dos próprios autores convidados. Esses ressaltam o difícil trabalho de organizar um número especial, sobretudo quando se assume a postura política de tentar atender a diversidade de objetos, fontes e matizes teóricas: Para a organização desse número nomeou três de seus membros: Dermeval Saviani, Luiz Antônio Cunha e Marta Maria Chagas de Carvalho. Como organizadores, tínhamos claro que se tratava de um número de caráter histórico. Mas estávamos, também, conscientes das dificuldades da tarefa que nos fora confiada (SAVIANI, CUNHA, CARVALHO, 2000, p. 4). 119 Com membro da Comissão Editorial da Revista Brasileira de Educação, foime confiada a tarefa de organizar este número especial, o que muito me honrou, ao par de trazer-me grandes preocupações de correntes da compreensão da complexidade de tal intento. Na condição de pesquisadora associada da ANPEd e participante ativa das lideranças investigativas no meio acadêmico brasileiro da Educação, senti-me apta para o empreendimento; contudo, face à amplitude e à variada gama de matizes dessa produção espalhada pelo país, bem como a invisibilidade de boa parte da mesma, minha sensação foi de incapacidade. Ciente das dificuldades e entusiasmada como o projeto, apresentei ao Conselho Editorial, por ocasião da 25 Reunião Anual da ANPEd, em outubro de 2002 proposta preliminar de composição deste número. Após as apreciações feitas e acolhendo as sugestões, desde então dediquei-me ao empreendimento (COSTA, 2003, p. 4). Uma outra estratégia estabelecida pelos editores a fim de qualificar os trabalhos veiculadas na Revista Brasileira de Educação foi a de buscar montar uma minicomissão para análise de determinados temas, conforme editorial n. 7: Pudemos constatar que o esforço de buscar uma editoria de apoio para divulgar uma análise em profundidade de determinada temática, considerando a produção nacional e internacional, produz um resultado bastante positivo pois, além de informar nossos assinantes e apoiar os estudos daqueles que vêm pesquisando o tema, essa publicação ampliou o universo de leitores, tendo grande aceitação como número avulso (EDITORIAL n. 7, 1998, p 3) Essa estratégia se repetiu no n. 33 da Revista Brasileira de Educação, como pode ser observado a seguir: Tínhamos quatro textos em processo de análise e, após uma chamada feita durante a 28ª Reunião Anual, recebemos mais 22 textos. Para a seleção dos mesmos, foi montada uma minicomissão composta por quatro especialistas da área: Maura Corcini Lopes (UNISINOS), Júlio Romero (UNIMEP), Lodenir Becker Karnopp (UFRGS/ ULBRA) e Ida Mara Freire (UFSC). Na indicação dos artigos a serem inseridos na Revista, foram adotados os seguintes critérios: privilegiar os textos mais gerais sobre política e gestão dessa subárea; valorizar os textos baseados em pesquisa; publicar apenas um texto de cada estado, desde que não comprometesse a qualidade do conjunto (EDITORIAL n. 33, 2006, p. 385). Nos dois casos apresentados, os colaboradores não se constituíram como os responsáveis pela organização dos números, mas atores com reconhecido capital simbólico e autoridade científica para conservarem, na luta por representações, a qualidade acadêmica do que se faz publicizar no periódico. Uma análise geral das características formais dos Editoriais da Revista Brasileira de Educação indica ainda que eles se apresentam de forma explicativa, informativa e essencialmente problematizadora. A forma explicativa se caracteriza pelo modo como os editores vão apresentando os textos que compõem a revista. Alguns 120 editoriais fazem essa exposição tomando como referência os temas abordados, os autores, os títulos e outros ainda, aqueles que ressaltam os títulos, autores e instituições nos quais estão vinculados. Na maioria das vezes, esse modo de apresentação é acompanhado por contextualizações e problematizações sobre o impacto dessas produções no campo da educação. Observamos uma forma singular indicada pelos editores para manter um diálogo com os leitores do periódico, qual seja, as informações e recados postos em circulação em algumas revistas. Um exemplo desse modelo de apresentação pode ser observado nos seguintes editoriais: A presença desse último tema na revista [movimentos negros] é especialmente significativa nesse momento em que a ANPEd e a Ação Educativa lançam o primeiro concurso de dotações para pesquisas sobre negro e educação, com apoio da Fundação Ford, cujas normas estão descritas no final deste número. Esperamos que o concurso amplie o conhecimento nas mais diversas dimensões sobre o negro brasileiro e a educação, contribuindo, ao mesmo tempo, para a consolidação de uma comunidade de pesquisadores nessa área (EDITORIAL n. 9, 1998, p. 3). O relatório Avaliação e perspectivas na área de educação: 1982-1991, resultante de ampla pesquisa coordenada pela ANPEd com financiamento do CNPq, pode ser considerado o trabalho coletivo mais valioso realizado pelos pesquisadores da área. Apesar de sua enorme importância, jamais foi divulgado amplamente; em boa hora a diretoria da ANPEd decidiu disponibilizá-lo no portal da entidade (BIANCHETTI; FÁVERO, 2005, p. 6). Quanto ao projeto editorial da revista, observamos que ela nasce inicialmente da necessidade interna da ANPEd em criar um canal próprio de divulgação que reflita o desenvolvimento das produções expressas nessa associação, como pode ser observado no Editorial n. 0 (1995, p. 3): Esta revista nasce de um projeto que vem sendo preparado há algum tempo pela ANPEd. Resulta de um processo de amadurecimento de nossa associação, que, nos últimos anos, ao mesmo tempo em que apresentou um grande crescimento quantitativo, procurou ajustar suas formas de organização e comunicação de maneira a priorizar um desenvolvimento qualitativo da pesquisa e da pós-graduação no país. A consolidação do Comitê Científico, que, juntamente com os coordenadores dos grupos de trabalho temáticos, seleciona, de acordo com critérios sistemáticos e impessoais, os textos apresentados nas reuniões anuais, contribuiu significativamente para um salto de qualidade no trabalho desenvolvido pelos diversos grupos. A luta pela criação de uma revista não se explica somente pelas necessidades internas de uma dada entidade científica. Os editores da Revista Brasileira de Educação procuram construir um projeto editorial que responda pela publicação de 121 trabalhos acadêmicos científicos que tratem dos problemas, possibilidades e propostas para a educação nacional, tendo como referência a ANPEd, ampliando o seu diálogo e análise para o que acontece no contexto internacional. Tanto a Revista como as Reuniões Anuais buscam se constituir como um lugar dotado de autoridade reconhecida pelos pesquisadores em educação no Brasil, sobretudo aqueles ligados à ANPEd, tendo como intuito trazer à tona o aporte da pesquisa e da reflexão sistemáticas sobre as questões educacionais. Nosso desafio é o de colocar em pauta os temas da conjuntura, fazendo da revista um suporte para a análise dos problemas e das propostas deles decorrentes. Outro desafio é o de ampliar o debate científico para além das fronteiras nacionais. Se é verdade que a revista é prioritariamente um veículo de divulgação e discussão da pesquisa e dos problemas nacionais, temos a certeza que as discussões não prescindem da produção científica internacional, ademais em um mundo onde os problemas e as soluções se mostram cada vez mais globalizados (EDITORIAL n. 1, 1996, p. 3). A necessidade de se colocarem em destaque temas que tratem da educação para além das fronteiras educacionais esteve presente em 27 dos 39 editoriais analisados. O desafio colocado pela Revista Brasileira de Educação foi assumido e enfrentado desde sua primeira publicação. Nela fica explicita a preocupação em apresentar publicações de intelectuais e pesquisadores de outros países. O conselho editorial, desde o primeiro número, assume nome de pesquisadores reconhecidos no cenário acadêmico mundial. Esses dados foram explicitados nos editoriais n. 0 (1995, p. 3) e n. 17 (2001, p. 4): A colaboração de autores de fora do Brasil é bem-vinda, não só porque os problemas que a educação enfrenta entre nós não são muito diferentes daqueles que preocupam os pesquisadores de outros países, mas também pelo fato de que o acesso a estes textos é geralmente difícil para muitos programas de pós-graduação. A revista de uma associação científica deve estar aberta a contribuições de intelectuais e pesquisadores de outros países que venham contribuir para ampliar os horizontes de nossas análises, sobretudo em temas por nós pouco explorado. Quanto às publicações de autores nacionais, esses advêm de trabalhos, textos publicados nas Reuniões Anuais da ANPEd ou de pesquisas originais enviadas diretamente aos editores. De acordo com o editorial n. 20 (2002, p. 4), [...] a revista de uma associação deve refletir a vida dessa associação, em particular, divulgando a produção acadêmico-científico de seus associados. Ao mesmo tempo deve estar aberta a contribuições que complementem 122 essa produção e abram novos caminhos para reflexões e análises. [...] Esperamos, mais um vez, que o esforço de produção deste número da Revista Brasileira de Educação cumpra os objetivos que a Revista e a ANPEd se propõem, e contribuía para ampliar e enriquecer os debates no campo da Educação (grifos do autor). As estratégias elaboradas pelos editores, com o intuito de consolidar o projeto editorial da Revista Brasileira de Educação, se fizeram ecoar já no primeiro ano do periódico que ―[...] com sua pequena história, já ocupa um importante papel no processo de divulgação sistemática do conhecimento produzido na área da educação‖ (EDITORIAL n. 3, 1996, p. 4). Segundo os editores, o perfil que a Revista vem assumindo no cenário da imprensa especializada fez com que ela fosse se ―[...] firmando frente a comunidade de educadores e pesquisadores membros da ANPEd e outros setores da sociedade científica, e interessados em geral‖ (EDITORIAL n. 7, 1997, p. 3). O perfil assumido pela revista foi ganhando novos sentidos na medida em que os diferentes editores deixavam suas marcas e contribuição na história desse periódico. As mudanças mais visíveis são percebidas a partir do editorial n. 16, em que os editores operam uma (re)adequação no projeto editorial, indicando a necessidade de explorar temáticas pouco abordadas no campo da educação, como pode ser verificado a seguir: Como linha editorial da Revista Brasileira de Educação, sem desmerecer outras contribuições, estamos propondo continuar valorizando, na sua composição, especialmente artigos produzidos a partir de pesquisas, particularmente com discussão de políticas e teses fundamentais, artigos que façam ‗varreduras‘ de temas importantes ou que proponham agendas de pesquisas sobre temáticas ‗de ponta‘, ensaios que contenham reflexão teórica sobre um tema; assim como textos que revelem novas perspectivas históricas da educação brasileira. Consideramos essencial mapear áreas ainda pouco abordadas e que se mostram importantes para a reflexão e ação educativa; por exemplo: educação ambiental, abordagens atuais sobre a juventude, gênero e relações raciais, relação economia e educação, avaliação de sistemas educacionais ou de práticas educativas (EDITORIAL n. 16, 2000, p. 4). Com o intuito ainda de qualificar o projeto editorial, os editores salientam, na Revista n. 21, a necessidade de se estabelecer uma maior aproximação com os grupos de trabalhos da ANPEd, o que se fortaleceu nos demais números da Revista. Essa ação reflete a importância e o significado desses grupos, representando, de alguma maneira, os esforços empreendidos pelos pesquisadores e comitê científico em qualificar a produção acadêmica apresentada nos fóruns da ANPEd. 123 Contudo, é preciso enfatizar que esse diálogo nem sempre garante as publicações recomendados pelos GT. Mesmo com indicação do comitê científico e dos pareceristas ad hoc dos Grupos, a decisão de publicar ou não o artigo recomendado fica na responsabilidade do editor e do conselho editorial. No dizer de Fávero (2006, p. 34) editor da Revista Brasileira de Educação: Com a disponibilidade de maior número de textos e com a exigência da SciELO no sentido de serem privilegiados artigos decorrentes de pesquisa, precisamos e podemos ser mais exigentes na seleção. Às vezes tem-se artigos aprovados por pareceristas, mas que repetem temáticas muito exploradas ou que nada acrescentam à discussão das mesmas. A decisão de aceitá-los ou não para publicação compete à Comissão Editorial. As questões pontuadas pelos editoriais n. 16 e 20 foram retomadas no editorial n. 22, que faz uma breve análise a respeito das repercussões obtidas no período que compreende essas publicações. No olhar dos editores, grande parte das propostas colocadas em pauta foram contempladas conforme destaque apresentado no editorial n. 22 (2002, p. 5): Realmente foram publicados vários artigos produzidos a partir de pesquisas, algumas amplas e inovadoras, a elaborados a partir de trabalhos apresentados nas reuniões anuais ou recebidos diretamente pela secretaria da Revista; foram publicados vários ensaios, abortando teoricamente temas de relevância e alguns textos apresentando perspectivas históricas originais da educação brasileira. [...] Quanto às temáticas que dizíamos ainda pouco abordadas, entre elas educação ambiental, juventude, gênero e relações sociais, aos poucos foram sendo contempladas. Em especial, neste número estão sendo publicados três artigos sobre escolas indígenas, sobre formação de professores/as índios/as e representações relativas a índios/as em livros didáticos e outros artefatos culturais. Uma outra questão não enfatizada pelos editoriais n. 16 e 21, mas de extrema importância para qualificação da revista remete-se à política de ampliação do número de autores e descentralização de trabalhos provindos do Centro-Sul, favorecendo a colaboração de autores do Norte, Nordeste e Centroeste. Conforme ressaltado no editorial n. 27 (2004, p. 5), ―É de se ressaltar, também, ao lado da diversidade temática característica dos números regulares da Revista, a ampliação do leque de autores, um dos objetivos da Comissão Editorial. Cada vez mais têm sido publicadas contribuições de pesquisadores de diferentes regiões brasileiras‖. Estabelecendo uma análise dos objetivos que constituem o projeto da Revista Brasileira de Educação, não podemos deixar de mencionar a busca constante dos 124 editores em atender a diversidade de temáticas e de artigos. Abordada de maneira polifônica e polifórmica, a revista apresenta uma gama de temas que se entrelaçam de diferentes maneiras desenvolvidas a partir de perspectivas teórico-metodológicas bastante diversas, mas que se encontram ao abordar de questões que compõem a pauta de debates hoje em destaque no campo educacional e no GTs das Reuniões Anuais da ANPEd. Nesses termos, a diversidade é compreendida de maneira potencializadora, pois foi referenciada em vários editoriais dos quais gostaríamos de destacar o número 36:32 Por abordarem temáticas complexas, as análises feitas certamente suscitarão polêmicas. Isso não somente é possível como desejável, pois esse é o papel que se espera que seja desempenhado por um periódico do porte da Revista Brasileira de Educação (EDITORIAL n. 36, 2007, p. 388 grifos do autor). Os editores visam apresentar a Revista Brasileira de Educação como lócus autorizado a responder pela educação do país, de maneira a contribuir com o cenário da pesquisa e da pós-graduação em suas diferentes temáticas e perspectivas teóricas. Como estratégia de luta e produção cultural, a Revista Brasileira de Educação atua como instância privilegiada na circulação de modelos, de estatutos e de posições, pois é capaz de significar simbolicamente e de forma objetivada a existência de uma Associação que procura falar em nome da Educação. A leitura que se constrói ―[...] de que a revista de uma associação científica reflete, de uma forma ou de outra, a vida dessa associação‖ (EDITORIAL n. 17, 2001, p. 4) apresenta a intencionalidade de se transferir o reconhecimento e prestígio da ANPEd para o periódico ou, como indicado no Editorial n. 2 (1996, p. 3), ―Sendo a ANPEd uma referência nacional para os pesquisadores em Educação, a Revista crescerá na medida em que se tornar um veículo efetivo de disseminação do conhecimento produzido nesta associação‖. No jogo concorrencial da luta pela representatividade científica, os editores vão estrategicamente silenciando outras instituições a fim de fortalecer a imagem da ANPEd e dos pesquisadores que a elas estão associados, conferindo-os monopólio da autoridade científica. 32 Além desses poderíamos ainda enfatizar os editoriais números 5/6, 12, 13, 17, 21, 26, 27, 30, 35. 125 São três as formas colocados em destaque pelos editores e seus editoriais para legitimar a ANPEd como entidade representativa da pesquisa e pós-graduação em educação, sendo elas: a divulgação da estrutura e ações desenvolvidas na ANPEd e por ela; a seleção das temáticas e de artigos que tomam a Associação como objeto de estudo; o uso de artigos apresentados nas Reuniões Anuais. Assumida como porta-voz da ANPEd, a Revista Brasileira de Educação acaba por cumprir um papel de divulgadora das ações desenvolvidas no interior dessa entidade. Esse papel fica evidente já na segunda publicação do impresso, ao destacar que a sua concepção e amadurecimento são decorrentes do crescimento e consolidação da ANPEd. Segundo os editores, isso pode ser verificado a cada reunião anual, em que o número de pesquisadores está aumentando, bem como a qualidade da produção científica publicada. Cabe à revista refletir esse movimento, comprometendo-se com a divulgação de seus resultados. O número 19 procura marcar os 25 anos da ANPEd. Para tanto, discute a criação dos grupos de trabalho e elabora uma cronologia dessa criação, indicando os seus primeiros coordenadores. Encontramos ainda, no n. 30, as influências exercidas pela ANPEd no sistema de avaliação da pós-graduação. Não podíamos deixar de destacar a própria atuação da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPEd), no esforço de dar caráter científico à produção da área, nem de refletir sobre as decisivas influências do sistema de avaliação, garantidor de indiscutível qualidade da pós-graduação brasileira, em alguns momentos terreno de disputa pela hegemonia entre as áreas e privilégios na repartição dos recursos (BIANCHETTI; FÁVERO, 2005, p. 4). Enquanto o n. 30 procura situar o papel da ANPEd na avaliação dos programas de pós-graduação, o n. 32 trata do papel assumido por essa entidade na análise dos periódicos em educação: Por solicitação da Comissão de Avaliação da área, a elaboração do primeiro Qualis dos periódicos em educação foi assumida pela ANPEd, em 2001, tomando como base o segundo levantamento referido. Ainda com a colaboração da ANPEd foi feito um segundo Qualis, em 2003, seguindo-se complementações assumidas pelas próprias comissões de avaliação que se sucederam. Para a elaboração do primeiro Qualis, foi adaptado um instrumento criado pela área de psicologia para avaliar seus periódicos; esse instrumento foi progressivamente revisto e aperfeiçoado, inclusive para contemplar os periódicos de divulgação (FÁVERO, 2006, p. 209). 126 Nesse ponto, é preciso destacar que a ANPEd teve uma contribuição importante, como já salientou Fávero (2006), na redefinição dos contornos da política de avaliação de periódicos na área da educação, fato esse destacado no Relatório de Atividades publicado na 29ª RA. Em março de 2006, o Representante e a Presidente de ANPEd combinaram que a ANPEd estabeleceria uma comissão para analisar e reclassificar os periódicos da Área, com a meta de concluir a tarefa até o inicio de 2007. Enquanto isso, uma segunda comissão, composta de membros indicados tanto pela Representação quanto pela Diretoria da ANPEd, reuniu-se em setembro para atualizar o QUALIS para periódicos, eventos e livros, necessário para a realização do acompanhamento-2005. (ANPED, 2006, p. 19). É inegável a importância dessas informações para garantir um espaço no terreno de disputa da hegemonia científica entre a educação e as demais áreas do conhecimento. Por outro lado, nem sempre essas informações se encontram vinculadas às temáticas de artigos postos em circulação pela Revista Brasileira de Educação. Para além do modelo de avaliação adaptado da área de psicologia, parece-nos que a própria Revista Brasileira de Educação chancelada pela ANPEd serviu como um parâmetro para esse processo. Dito de outra maneira, alguns critérios fundamentais como internacionalização, periodicidade, tiragem, resumos em diferentes idiomas, indexação faziam parte do projeto editorial da Revista Brasileira de Educação bem antes de haver o próprio Qualis. Esse modo de legitimar a ANPEd também se faz presente na trajetória de vida da revista. Temos, nesse caso, publicações de trabalhos que tomam a associação como objeto de estudos em números não temáticos, como 18, 21, 31, 32 e 37, e a elaboração de publicações temáticas, como no n. 30, que trata da história e histórias da pós-graduação no Brasil. Apesar do título da temática ―História e Histórias da Pós-Graduação no Brasil‖ não se remeter à institucionalização, os editores, a partir da apresentação dos textos que compõem esse número, demonstram as contribuições da ANPEd na história da pósgraduação. 127 Por sua vez Alceu Ravanello Ferraro, no artigo ‗A ANPEd, a pós-graduação, a pesquisa e a veiculação da produção intelectual na área de educação‘, toma seu período de gestão como presidente da ANPEd (1989-1993) como ‗ângulo de visão‘ e, com base em rigorosa e detalhada pesquisa documental, ajuda-nos a compreender a trajetória da associação, em passado recente. Analisa inicialmente o final dos anos de 1980, quando a ANPEd, em suas reuniões anuais e, em conjunto com o Centro de Estudos Educação e Sociedade (CEDES) e com a Associação Nacional de Educação (ANDE), nas Conferências Brasileiras de Educação (CBE), colaborou intensa e qualificadamente com a Assembléia Constituinte de 1987-1988 e com o início de preparação da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). E contrapõe ao esforço feito no início dos anos de 1990 para equilibrar a participação política da ANPEd com o necessário caráter científico de uma associação acadêmica. É um artigo que não pode deixar de ser lido, caso se queira entender o papel dessa associação tanto nas lutas políticas quanto no processo de afirmação da área de educação, particularmente a partir da constituição dos grupos de trabalho, da criação do comitê científico, do formato das reuniões anuais, da atuação do Fórum de Coordenadores do Programas de Pós-Graduação em Educação, da criação da Revista Brasileira de Educação, entre outros aspectos. De outro ponto de vista, abordando período imediatamente anterior (1981-1992), o depoimento de Bernardete Gatti relembra a atuação conjunta do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (CAPES), na implantação do Programa de Intercâmbio na Área de Pesquisa Educacional, nos moldes existentes para a área de saúde. O objetivo maior era a melhoria da qualidade da pesquisa em educação nos país, por meio dos profissionais nela envolvidos, da permuta de informações e da realização de trabalhos de pesquisa em colaboração. Dispunha, para tanto, de recursos específicos e realizou-se durante todo o período, por meio de ‗estágios‘ temáticos, em diferentes instituições universitárias. Inicialmente coordenado pela Fundação Carlos Chagas, a partir de 1992 ficou sob a responsabilidade da ANPEd, que transformou os "estágios" em ‗seminários de pesquisa‘ realizados por diferentes grupos de trabalho, o que garantiu a eles - e ainda garante, nos dias atuais - eficiente forma de definição e aprofundamento dos respectivos trabalhos de pesquisa. Inserimos neste número as entrevistas com Juracy C. Marques, professora aposentada da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), e Maria Julieta Costa Calazans, professora aposentada da UFRN e da FGVRio. Suas trajetórias, em muitos momentos ocupando posições opostas, convergem no sentido de terem exercido importantes funções na criação de programas e na expansão da pós-graduação, respectivamente nas regiões Sul e Sudeste; papel decisivo na criação e nos rumos da ANPEd; atuação destacada em diversos fóruns nos quais se discutiu e se tomou decisões e a partir dos quais se implementaram medidas a respeito de políticas de pósgraduação e frentes de atuação da ANPEd (BIANCHETTI; FÁVERO, 2005, p. 5). O tamanho da citação indica, a partir do olhar dos editores, o lugar que a ANPEd assumiu na história da Pós-Graduação no Brasil. Isso por si só indica o modo como essa Associação é veiculada na Revista Brasileira de Educação. Contudo, quando voltamos a nossa análise para o número especial ―30 anos de ANPEd‖, observamos que os editores não fizeram reflexões sobre o papel dessa instituição na Educação 128 Nacional. Na realidade, essa leitura se configurou como tema central do Editorial n. 36 (2007, p. 387): Em 2005, comemorando os 40 anos da institucionalização da pósgraduação no Brasil, foi organizado um número especial da Revista Brasileira de Educação (n. 30, set.-dez.) enfocando o assunto. [...] À época ficou evidente que essa temática, tratada de forma não-central nesse número especial, deveria ser retomada e aprofundada. Neste ano de 2007, no qual tem início a comemoração dos 30 anos de criação da ANPEd, a Comissão Editorial julgou oportunas a produção e divulgação de alguns artigos que trouxessem contribuições analíticas acerca da atuação da associação, em especial abordando as ações que ela vem desenvolvendo na constituição e consolidação da pós-graduação e da pesquisa em educação do Brasil. Além da centralidade nos debates da 30ª Reunião Anual com a temática "ANPEd: 30 anos de pesquisa e compromisso social", essa comemoração mereceu espaço privilegiado no presente número da Revista Brasileira de Educação. Nela são publicados três artigos sobre a associação, todos eles lançando um olhar para o passado e ao mesmo tempo propondo perspectivas a respeito dos desafios a serem enfrentados. Os números 30 e 36 procuram apresentar novas fontes e abordagens teóricas para se compreender a história da ANPEd. Para tanto, entrecruzam essas análises, situando o lugar dessa associação na história da pós-graduação brasileira. Essa foi um das estratégias encontradas pelos editores para marcar e afirmar a ANPEd como porta-voz da pesquisa e pós-graduação no país. De acordo com Nóvoa (2002, p. 11), ―[...] a imprensa é o lugar de uma afirmação coletiva, na medida em que ‗cada criador‘ está sempre a ser julgado seja pelo público, seja por outras revistas, seja pelos seus próprios companheiros de geração‖. Uma outra estratégia apresentada pelos editores para afirmar a importância da ANPEd no cenário educacional brasileiro foi aumentar cada vez mais o diálogo com as Reuniões Anuais por meio da publicização de alguns trabalhos apresentados nesse evento acadêmico-científico. Como vimos nos editoriais n. 0, 2, 7 e 17, esse é um dos compromissos colocados em relevo no projeto da Revista Brasileira de Educação, ser um impresso divulgador das ações e discursos veiculados pela ANPEd e suas Reuniões Anuais. De uma estratégia que não ocorria em todos os números, mas em sua grande maioria, variando de acordo com os temas escolhidos para a revista e demanda de textos, passa a se instituir de maneira contínua a partir do número 21 (2002, p. 4): A maioria dos demais artigos desse número, inclusive os históricos dos grupos de trabalho, foram apresentados na 25ª Reunião Anual. A Revista configura-se, dessa forma, como veículo de publicização da produção 129 acadêmica da área, que tem nas reuniões anuais da ANPEd momento privilegiado de apresentação e discussão. Esses textos, encomendados para as sessões coordenadas, ou recomendados pelo Comitê Científico para os grupos de trabalho, ainda são avaliados por pares, tendo em vista a sua publicação. [...] Devido à inegável importância dos grupos de trabalho da ANPEd, tanto pelo que representam para a vida da associação, como pelo que significam para a pesquisa educacional no país, decidimos divulgar os históricos mais significativos, em princípio dois em cada um dos futuros números da Revista. Ressaltamos, no entanto, que eles passam por cuidados editoriais equivalentes aos outros trabalhos apresentados nas reuniões e aos ensaios encaminhados à Revista. Para os editores, essa opção possibilitou que a Revista aumentasse o número de artigos e a qualidade do que é circulado, permitindo também que o periódico se tornasse, na avaliação do Qualis da Capes, um dos mais conceituados do Brasil.33 A Revista Brasileira de Educação vive um dos momentos mais férteis de sua história. De um lado, a sistematização e o controle da coleta dos trabalhos encomendados para as sessões especiais das reuniões anuais e dos trabalhos indicados para publicação pelo Comitê Científico vêm possibilitando melhor aproveitamento da produção dos pesquisadores que participam da ANPEd. De outro lado, tem sido cada vez maior o número de textos recebidos para análise, na forma de demanda espontânea. Isto decorre provavelmente do fato de a Revista ter se tornado mais divulgada e conhecida, e por ter sido classificada entre os melhores periódicos nacionais da área de educação, sendo inclusive considerada de nível internacional na avaliação realizada para subsidiar o Qualis da CAPES (EDITORIAL n. 27, 2004, p. 5, grifos do autor). A fertilidade da qual tratam os editores não se restringe ao n. 27, mas se faz ampliar para os demais números da Revista Brasileira de Educação. Na nossa análise, a revista é fruto de um projeto editorial que desde o n. 0 soube definir os seus objetivos norteadores bem como teve a compreensão de sua importância para o desenvolvimento e fortalecimento da pesquisa e pós-graduação. Mediante as análises efetuadas sobre os editoriais, cabe-nos ainda apresentar, neste momento, a maneira como os editores nos dão a ler os textos veiculados na Revista Brasileira de Educação sobre currículo. Dos 22 artigos encontrados no periódico sobre o tema estudado, apenas 4 não foram destacados pelos editores. Esse fato se deve a forma como os editoriais foram elaborados, ou seja, os editores procuram apresentar de maneira generalizada os conteúdos que seriam lidos no 33 De fato, como apontam Gonçalves, Ramos e Castro (2006) a qualidade de uma revista não é valor facilmente avaliado ou completamente tangível, pois sua estrutura é formada por um conjunto de diversos aspectos, como: conteúdo, forma de apresentação, normalização e produção editorial. Assim, ainda que a qualidade do conteúdo seja fator determinante para a qualidade de uma revista, os aspectos formais das publicações constituem importantes indicadores, tendo em vista que permitem a sua localização e disseminação. 130 impresso, sem se preocupar em apresentar os diferentes textos que compõem as Revistas. Dentre os editoriais que colocam em destaque os textos produzidos sobre currículo, observamos que os editores os apresentam de maneira distinta. Na primeira delas, procuram situar os artigos tendo como referência os autores e o título do trabalhos, conforme pode ser visualizado a seguir: Antônio Flávio Barbosa Moreira aborda temáticas trabalhadas nos últimos anos, respectivamente pelos GT de Currículo e Educação Popular (EDITORIAL n. 18, 2001, p. 3). [...] de Elizabeth Macedo, da Faculdade de Educação e Programa de PósGraduação em Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), abordando o currículo como espaço-tempo de fronteira cultural (FÁVERO, 2006, p. 209). Outros editoriais buscam dar ênfase aos textos, destacando o objetivo do trabalho, como é o caso dos n. 18, 20 e 32: [...] e em especial o debate ocorrido entre Sandra Mara Corazza e Reinaldo Matias Fleuri sobre a complexa e atual relação entre os currículos oficiais e os currículos alternativos, vistos à luz da educação popular (EDITORIAL n. 17, 2003, p. 3). Na seção ―Espaço Aberto‖, destinada à abordagem de temas polêmicos com defesa de posicionamentos, é publicada a crítica de Nelson De Luca Pretto sobre as atuais iniciativas de formação de professores em rede (EDITORIAL n. 20, 2002, p. 3). [...] Ivor Goodson retoma as origens dos estudos sobre currículo e propõe novas perspectivas para a área [...] (EDITORIAL n. 35, 2007, p. 196). Encontramos ainda o editorial n. 39, que incorpora as duas formas de apresentações analisadas anteriormente, ou seja, os editores destacam os autores, o título e o objetivo do trabalho. [...] Juares da Silva Thiesen, em ‗A interdisciplinaridade como um movimento articulador no processo ensino-aprendizagem‘, a partir de diversos autores, discute a trajetória do conceito de interdisciplinaridade e suas potencialidades para repensar a educação na contemporaneidade (EDITORIAL n. 39, 2008, p. 423). Percebemos, nessas fontes, a voz dos autores dos textos se sobrepondo ao discurso dos editores. Ao colocar em destaque os autores, o título do trabalho e o objetivo, os editores efetuam um recorte do que consideram mais relevante nos 131 artigos sem, contudo, elaborarem uma análise sobre as contribuições dessas produções teóricas no campo do currículo. Essa forma de apresentar os trabalhos é expressa nos editorias n. 24, 25 e 26. Neles observamos não só o destaque dado aos textos a partir de seus autores, mas uma presença marcante dos próprios editores. Também não se afastam da discussão das políticas públicas tanto o exame do discurso da ciência e da divulgação em orientações curriculares de Língua Portuguesa, feito por Marildes Marinho, lançados pelo Ministério de Educação em 1997 por meio dos parâmetros curriculares nacionais [...] (EDITORIAL n. 24, 2003, p. 3). Finalmente, Ozerina Victor de Oliveira e Denise de Souza Destro discutem concepções de política curricular, com o objetivo de caracterizar uma abordagem metodológica de pesquisa que evidencie processos contrahegemônicos em políticas curriculares. Para tanto, definem política curricular como um processo histórico, no qual diferentes protagonistas geram tensões em torno da produção, circulação e consolidação de significados no currículo escolar. Em conseqüência, entendem política curricular como política cultural e propõem análises a partir do local/ global, em lugar da hegemônica perspectiva global/local (EDITORIAL n. 25, 2004, p. 3). Alice Casimiro Lopes enfrenta a discussão sobre a frustrante continuidade das políticas curriculares estabelecidas no Governo Fernando Henrique Cardoso e no atual Governo Lula, porque mantidas pela mesma comunidade epistêmica e presas aos mesmos compromissos com as agências internacionais (EDITORIAL n. 26, 2004, p. 3). Os três trabalhos apresentados nos remetem às discussões sobre as políticas curriculares. Nota-se, nesse caso, que os editores assumem o lugar de autor do texto ao destacar algumas reflexões que se encontram fora do próprio texto, ou seja, as vozes dos editores se fazem presentes em reflexões que manifestam um diálogo com os artigos apresentados. Essa não é uma especificidade desses editoriais, ao colocar em evidência o trabalho de Pinar (2003), os editores sinalizam que o tema escolhido pelos autores é pouco estudado nas produções teóricas sobre currículo: Por sua vez, o artigo de William F. Pinar, ‗O corpo do pai e a raça do filho: Noé, Schreber e a maldição do pacto‘, a partir da descrição de um livro que resume e justapõe pesquisas que possibilitam aos professores estabelecer conversas sobre o currículo no qual eles e seus alunos estão engajados, lembra o pacto entre Jeová e os israelitas, no Velho Testamento, e argumenta que o racismo branco relaciona–se a este pacto, que envolve a repressão do desejo sexual entre pai e filho e a projeção da diferença 132 sexual para os ‗outros‘. Traz, portanto, reflexões ainda pouco tematizadas na bibliografia brasileira sobre educação (EDITORIAL n. 37, 2008, p. 5). Observamos, nesse editorial, o papel assumido pela Revista em abordar e apresentar aos seus leitores temas considerados pouco explorados no cenário educacional brasileiro, fato esse já indicado neste trabalho. Por fim, gostaríamos de enfatizar o Editorial n. 23. não só por evidenciar uma outra estrutura de apresentação dos textos, mas, sobretudo, por ser a revista em que encontramos uma concentração de trabalhos sobre currículo ou que pelo menos dialogam com esse campo. É importante destacarmos que esse editorial representa um dos poucos números especiais monotemáticos publicados pela Revista Brasileira de Educação. Ao estabelecer como tema ―Cultura, Culturas e Educação‖, os editores procuram traçar suas reflexões tendo como eixo central o modo como o tema é abordado e apresentado pelos diferentes autores presentes no impresso. Na leitura dos editores: O primeiro artigo, de autoria de Alfredo Veiga-Neto, constitui-se em contribuição no sentido de situar nossa discussão, de fornecer subsídios para que se possa pensar os debates deste número à luz dos contextos que abrangem a proveniência e a emergência do conceito de cultura, na Modernidade, bem como os desdobramentos posteriores, que levam à crise e ao estilhaçamento da visão moderna de mundo. O segundo e o terceiro são trabalhos que traçam os delineamentos e as contribuições de dois novos campos ao debate das imbricações entre questões culturais e a educação. Reinaldo Matias Fleuri esboça a movimentação denominada intercultura, vislumbrando-a tanto como uma perspectiva epistemológica, quanto como um objeto de estudo interdisciplinar e transversal, direcionado à teorização e tematização da complexidade e da ambivalência, nos processos de significação cultural intergrupais e intersubjetivos. No terceiro estudo, as peculiaridades do campo dos Estudos Culturais, suas aproximações com a educação e a pedagogia, bem como as conseqüências deste encontro são abordadas no artigo que escrevi juntamente com Rosa Hessel Silveira e Luis Henrique Sommer. [...] O artigo de Nilda Alves procura recuperar a importância dos estudos do cotidiano para que se possa compreender como a cultura e seus artefatos de todo tipo estão encarnados nos ‗praticantes‘, através das diversas redes em que estão enredados. A autora recorre a imagens de origens diversas para nos mostrar as ―marcas‖ que diversos aparatos e vivências do dia-a-dia em certos espaçostempos imprimem em todos nós. [...] Antonio Flavio Barbosa Moreira e Vera Maria Candau, por sua vez, pensam em caminhos a partir de suas vivências junto ao professorado e às escolas brasileiras e defendem a necessidade de currículos pautados por justiça curricular (COSTA, 2003, p. 4). 133 Como ficou apresentado no Editorial n. 23, os textos publicizados abordam de modo diferente as maneiras como a cultura está sendo produzida pelos diferentes autores do campo da educação. A seleção desses textos foi efetuada tomando como base os autores e o seu diálogo com o campo do currículo, diálogo esse nem sempre explorado pelos editores. É importante salientar que são vários os grupos de pesquisas que assumem os estudos culturais como referencial norteador para as pesquisas no campo do currículo. Não precisamos buscar em outras fontes dados que nos apontem pistas sobre a assertiva apresentada anteriormente, já que o próprio Editorial n. 23 indica a maneira como os estudos culturais vêm ganhando força nos grupos de pesquisa sobre currículo no Brasil. As análises das produções cientificas presentes nos próximos capítulos desta tese fortalecerão o argumento sobre o modo como os estudos culturais vem se fortalecendo no campo do currículo. A análise dos editoriais que colocam em destaque os textos sobre currículo veiculados na Revista Brasileira de Educação evidencia o lugar de poder ocupado pelos editores na constituição do campo científico. Definir o que vai ser ou não publicado nos editoriais e ainda como será apresentado, antes de ser uma ação desprovida de intencionalidade representa as estratégias escolhidas por esses atores para legitimar ou não os artigos postos em circulação no impresso. 3.5 TEMÁTICAS REVELADAS NAS REUNIÕES ANUAIS DA ANPED Uma análise sobre as Reuniões Anuais da ANPEd indica que ela tem se organizado, sobretudo a partir do 5° evento realizado em 1982, em torno de dois eixos básicos, uma temática geral e temáticas específicas elaboradas por cada GT. Nesse caso, nem sempre as temáticas destacadas como centrais do evento tiveram/tem relação com os trabalhos organizados nos GTs. Cada Grupo, levando em consideração suas necessidades, vai construindo coletivamente questões ou temáticas geradoras para serem discutidas internamente. Essas questões são geralmente pontuadas no momento da construção e apresentação do Relatório produzido pelos GTs ao final de cada Reunião Anual. 134 O GT Currículo, por exemplo, define na 9ª RA alguns eixos a serem aprofundados nos próximos eventos como: a reconceptualização da área de currículo, o ensino da disciplina currículo na Universidade e a pesquisa em currículo no país (SAUL, 1986). Verificamos, no entanto que, apesar de definirem uma temática específica a ser discutida levando em consideração as necessidades do GT, os participantes procuram também os pontos a serem debatidos sobre o tema central da 9ª Reunião Anual, ―Educação e Constituinte‖. É fundamental mencionar que essa não foi uma prática isolada, mas se constitui como uma marca no projeto editorial do GT durante a década de 1980. Com o esvaziamento das discussões concernentes ao cenário das políticas educacionais e da própria constituição do currículo enquanto campo científico, ocorrida na década de 1990, como já foi apresentado nesta tese, observamos uma centralização do debate para dentro do próprio GT. Temáticas como ―Currículo e Conhecimento‖ e ―Currículo: novas perspectivas‖ se constituíram como eixo norteador do debate realizado no período entre 15ª e a 18ª RA. O panorama apresentado na década de 1990 vai se modificando na medida em que os GTs passam a fixar sessões específicas no projeto editorial. Um marco desse movimento pode ser encontrado no ano de 2005, no GT Currículo, com a implementação da sessão Trabalho Encomendado. Esse é um espaço destinado a submissão de textos, por meio de convite feito pelos coordenadores do GT a grupos de pesquisa vinculados a programas de pós-graduação. Tem como objetivo dar ênfase a temas considerados relevantes para a pesquisa no campo do currículo no país, ou como afirmam Oliveira e Amorim (2006, p. 1), interessa-nos: [...] especialmente, em continuar os processos de apresentação e discussão das linhas teóricas, metodológicas e de experiências investigativas que marcam e multiplicam os sentidos de currículo, pensamos em estabelecer um diálogo, dentro do GT, com grupos de pesquisa brasileiros e latinoamericanos que lançam para o currículo seus olhares investigativos. Com isso, traremos para o interior do GT maior pluralidade de discussões, questionamentos e intercâmbios de idéias e práticas. Dentre as temáticas apresentadas, podemos destacar: ―As potencialidades da centralidade da(s) cultura(s) para as investigações no campo do currículo‖, foco da 26ª RA; ―A passagem da modernidade - pós - modernidade – pós – estruturalismo 135 no campo do currículo‖, tema da 30ª RA e ―Como nossas pesquisas concebem a prática e com ela dialogam?‖, questão central da 31ª RA.34 Nos relatórios de avaliação da 27ª a 31ª Reuniões Anuais produzidos pelo GT Currículo são inúmeros as referencias feitas a criação e implementação da sessão Trabalho Encomendado. Nesse caso, todos os relatórios destacam a potencialidade da sessão ao proporcionar a possibilidade de diferentes grupos de pesquisas, dentre os quais ―os menos consolidados‖, a estarem expondo os seus pontos de vista a respeito dos temas definidos pelo GT. O relatório da 31ª RA expressa o movimento destacado anteriormente: Os membros do GT, de variadas formas, ressaltaram o significado inovador da sessão Trabalho encomendado. Foram ressaltadas a ampliação do número de trabalhos, sua distribuição geográfica e a importância das temáticas que permitem aproximações e diferenciações significativas no campo, assim como a sólida contribuição que os debates vêm trazendo para a compreensão do campo. Salientou-se, ainda, que este formato de trabalho permite a reconfiguração do GT como grupo que pensa tendências e apresenta problemáticas em relação às discussões postas no país (GT CURRÌCULO, 2009, p. 6). As definições dos convidados, temas, sessões representam a natureza científica dos GTs, e, em especial, do GT Currículo. Assim, conforme destaque presente no relatório de atividades 2006 a 2007 (p. 4), ―As escolhas de temáticas do campo do Currículo, assim como das pessoas com quem queremos conversar, e fazerem-se ouvidas, têm neste coletivo, também ruidoso, a possibilidade de acontecer‖. Os eixos selecionados pelos GTs se constituem como base delineadora para a definição das matérias e cursos postos a circulação no Evento. Dito de outro modo, os eixos dão o tom do que será debatido nos GTs, influenciando a definição dos trabalhos encomendados, os minicursos e a seleção dos artigos e pôsteres. De acordo com o Boletim ANPEd (1991, p. 72-73), Cada GT, ouvidos os programas de pós-graduação, apresentará sua programação científica anual, constando: problematização temática, 34 Muito embora não seja foco desta pesquisa, é preciso mencionar que as mudanças ocorridas no contexto das Reuniões Anuais da ANPEd acabam por refletir, de alguma maneira, a expansão do sistema de pós-graduação no Brasil e o modelo de avaliação implementado pela Capes. Os vestígios deixados pelas fontes indicam que as transformações que se verificam nos diferentes espaços das Reuniões Anuais revelam as mudanças que foram ocorrendo no panorama da pós-graduação em educação no país. Essa é uma questão a ser explorada por outros estudos, já que esse não representa o objeto de análise desta tese. 136 programa de atuação na reunião anual, pesquisadores envolvidos que apresentarão trabalhos sob encomenda. [...] 2. Demanda espontânea agrupada no eixo temático desenvolvido pelo GT. A secretaria geral encaminha os textos da demanda espontânea aos coordenadores de GTs, os quais avaliarão em primeira instância, devolvendo, a seguir, à Secretaria Geral, que nesta etapa os encaminhará ao Comitê Científico. A este caberá analisar e emitir um parecer circunstanciado. 3. Demanda espontânea de temáticas novas, não cobertas pela programação anual dos GTs: esta também deverá ser encaminhada à Secretaria Geral, que por sua vez enviará ao Comitê Científico. Como foi apresentado anteriormente, as Reuniões Anuais são organizadas tomando como referência uma temática geral e temáticas específicas de cada GT. No que se refere ao primeiro caso, observamos a definição de temáticas que nos remetem à ideia do debate cotejado pelo campo das políticas educacionais e da pesquisa. De acordo com Fisher (2007, p. 419), Ao mesmo tempo em que ocorriam aproximações entre ciência e sociedade por meio de inserções concretas de profissionais da educação nesses dois campos, as reuniões anuais da ANPEd iam, de certa forma, revelando o que ocorria no plano político brasileiro, em especial com temas que aglutinavam os interesses dos educadores, como foi o caso das discussões em torno da elaboração de propostas para a LDB. Uma análise das primeiras Reuniões Anuais indica que a pós-graduação foi escolhida como eixo central dos eventos. A 1ª Reunião tratou da ―Concepção de Mestrado em Educação‖; a 2ª, da temática ―Doutoramento no Brasil‖; a 4ª buscou colocar em destaque a necessidade de criação de ―Núcleo temático em Pesquisas Educacionais‖; a 8ª debateu ―A pesquisa nos cursos de Mestrado e Doutorado em Educação no Brasil‖. A centralidade da análise na pós-graduação é fruto da necessidade apresentada pela área da educação em definir os sentidos da própria pós-graduação no Brasil. As primeiras Reuniões Anuais objetivam construir um corpo de conhecimento sobre as ações desenvolvidas nesse campo, sua estrutura, propostas pedagógicas e o seu papel social. Questões como ―Para que serve a pós-graduação?‖, ―A quem interessa o ensino de pós?‖ ―Como deve ser organizada e com que finalidade?‖, ―Qual a sua contribuição para o desenvolvido do ensino e da pesquisa?‖ são apresentadas como essenciais. Assim, busca-se, nesse período, definir outros rumos para a pósgraduação no Brasil, contrapondo-se, na maioria das vezes, as políticas reguladores e definidoras do Estado. Segundo Gatti (2001, p. 108), 137 Naquele momento os cursos de pós-graduação – mestrados e doutorados – foram criados, apoiados e sustentados em seu desenvolvimento sob um certo modelo e vocação não discutidos amplamente, mas gestados por setores da burocracia estatal em consenso com algumas lideranças acadêmicas, e, por isto mesmo, um modelo voltado ao desenvolvimentismo e à formação de quadros para a pesquisa e para as universidades, dentro de uma certa concepção sobre ciência, sobre seu papel e os das tecnologias e sua produção/reprodução. Mestrados e doutorados em nosso país originaram-se então, não do desenvolvimento da pesquisa científica nas universidades ou outras instituições, mas de uma política deliberada de organismos estatais, no final da década de 1960 e inícios de 1970. O papel político assumido pela ANPEd e suas Reuniões Anuais foi imprescindível para a definição da natureza da pós-graduação em educação no país. Uma análise sobre essa contribuição pode ser vista na 28ª Reunião Anual. Ao abordarem os ―40 anos de pós-graduação em educação no Brasil‖, os congressistas do evento apresentaram um cenário histórico sobre o desenvolvimento da pós, situando o lugar ocupado pela ANPEd tanto no desenvolvimento das políticas educacionais como na pesquisa. As análises da educação, tomando como referência as políticas, não são uma especificidade do debate realizado em torno da pós-graduação, que se constitui a própria identidade da ANPEd e de suas Reuniões Anuais. A 9ª RA discute ―Educação e Constituinte‖; a 10ª, 11ª e 12ª Reuniões focalizam a Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional, com os temas ―Educação brasileira: dos dispositivos constitucionais às diretrizes e bases‖, ―Em direção às novas diretrizes e bases da educação nacional‖ e ―Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional: propostas específicas e subsídios‖. Esses debates mostram a indissociabilidade entre política e produção acadêmica, que em vários momentos, foi apresentada pelos autores de maneira dicotômica. Ainda em torno da discussão sobre a política e a educação, podemos indicar a 19ª Reunião com o tema ―Política e Educação no Brasil: globalização e exclusão social‖; a 20ª, ―Educação crise e mudança: tensão entre a pesquisa e a política‖; a 19ª, 25ª e 31ª discutem o direito à educação no Brasil, abordando as temática: ―Política e Educação no Brasil: globalização e exclusão social‖, ―Educação: manifestos, lutas e utopias‖ e ―Constituição Brasileira, Direitos Humanos e Educação‖. 138 A análise das temáticas postas em relevo indicam a preocupação da ANPEd em discutir as Leis que regem a educação nacional. Essa intenção não se encontra apenas em nível de discurso, mas está pautada nas ações realizadas pela entidade na construção dessas políticas, sempre se colocando em defesa de uma educação pública e democrática. Essas questões foram apontadas de maneira mais específica na 21ª e 27ª Reuniões Anuais, ao selecionarem as temáticas ―Conhecimento e poder: em defesa da universidade pública‖ e ―Sociedade, democracia e educação: qual universidade?‖. Ao abordarem as temáticas ―Novo governo. Novas políticas? O papel histórico da ANPEd na produção de políticas educacionais‖ e ―ANPEd: 30 anos de pesquisa e compromisso social‖, a 26ª e 30ª Reuniões Anuais procuraram apresentar o papel histórico desenvolvido por essa entidade na produção de políticas públicas para a educação no Brasil. Podemos sinalizar, a partir da análise dessas fontes, que, longe de serem dicotômicas, ciência e política constituem-se de maneira indissociável à identidade da ANPEd. Além das discussões focalizadas no plano das políticas educacionais, as temáticas propostas nas demais Reuniões procuraram enfatizar as mudanças de cunho social e epistemológico encontradas no contexto de transição paradigmática. A 13ª traz à tona a temática ―Neoliberalismo e Educação, Ciência e Tecnológica‖; a 15ª discute a temática ―Poder, política e educação: educação 92‖ e a 17ª apresenta o debate sobre ―Ética, ciências e educação‖. As análises apresentadas por essas temáticas buscam constituir-se como: [...] um espaço para aproximar-nos mais da revisão que as Ciências Sociais vêm fazendo de aspectos e pressupostos que são centrais na construção do nosso campo do fazer-pensar a educação: o modelo da individualidade e de indivíduo racional; o ideal da razão e a crença nos ideais emancipatórios da razão; as dicotomias entre saber científico, arte culta, saber e arte popular, a ciência, a arte, a moralidade como esferas independentes, campos específicos de verdade e objetividade; a existência de modos de ser e pensar, de produzir e produzir-se universais; a escola-produção institucionalizada desses universais, imutáveis, necessários e objetivos. Revisão imposta por uma realidade sociocultural que vem destacando a diversidade, coexistência, fusões de culturas, etnias, gêneros, classes. Revisão que vem questionando a universalidade dos ideais de progresso, disciplina, racionalidade, emancipação humana, espírito especulativo, cidadania, liberdade, república. Ideais que têm desempenhado um papel central no desenvolvimento das concepções e instituições educacionais (EDUCAÇÃO 92, 1992, p. 2). 139 Os desafios para a educação na fronteira do século XXI, como salienta a 22ª Reunião, são apresentados de maneira a situar os compromissos assumidos pelos educadores, pesquisadores e instituições ―[...] em favor de uma educação comprometida com a melhoria das condições de vida de sociedade brasileira‖ (APRESENTAÇÃO DA 31ª REUNIÃO). Para Rodrigues (1994, p. 9), ―[...] o momento histórico exige um alargamento no horizonte teórico e prático de nossas formas de intervenção na vida pública, especialmente no terreno próprio de nossa ocupação: a Educação brasileira‖. 3.6 TEMÁTICAS PROJETADAS NA REVISTA BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO A tematização do periódico é um dispositivo poucas vezes empregado na Revista Brasileira de Educação. Muito embora os editores tenham indicado essa intenção, dos 39 números publicados até o ano de 2008, apenas 6 foram temáticos: n. 5/6, ―Juventude e contemporaneidade‖; n. 14, ―500 anos de educação escolar‖; n. 15, ―500 anos imagens e vozes da educação‖; n. 23, ―Cultura, culturas e educação‖; n. 30, ―40 anos de pós-graduação‖; n. 36, ―30 anos de criação da ANPEd‖. Como já foi evidenciado na análise dos sumários e das capas, esses números são denominados pelos editores como especiais e tratam de questões específicas da Educação colocadas em evidência, sobretudo nas Reuniões Anuais da ANPEd. Apesar da diversidade e heterogeneidade discursiva dos artigos presentes nos demais números da Revista, percebemos a tentativa dos editores em congregar o máximo de trabalhos sobre determinada temática, que são geralmente indicadas na capa do periódico. De acordo com os editores, a Revista Brasileira de Educação ―[...] traz artigos que, em sua maioria, embora ancorados em abordagens diversas e tematizando diferentes objetos, analisam os fenômenos educativos a partir de uma perspectiva predominantemente macro e [micro] analítica‖ (EDITORIAL n. 39, 2008, p. 421, grifo do autor). Diferentes fatores têm dificultado a organização da Revista por meio de temáticas específicas, dentre os quais, podemos destacar: número reduzido de artigos recebidos em relação às temáticas, qualidade da produção acadêmica, necessidade 140 de publicação internacional, diversidade de autores e instituições e cuidado com a endogenia. Essa questão tem sido colocada como um dos principais problemas a serem enfrentados pelos editores, como se observa no seguinte Editorial n. 35 (2007, p. 195): A composição de um número de um periódico depende de dois parâmetros: a disponibilidade de artigos e o conjunto que se pode obter com eles. A disponibilidade resulta de uma rotina: recebimento de textos; obtenção de pareceres; aprovação, não raro após reformulações exigidas ou recomendadas; revisão dos originais, com idas e vindas para resolver dúvidas com os autores. O conjunto não é uma simples reunião de artigos: inicialmente, de acordo com o perfil do periódico, exige equilíbrio entre artigos derivados de pesquisa e entre as temáticas abordadas; deve-se cuidar, sobretudo, para que se constitua em real contribuição ao debate de temáticas contempladas; e devem ser considerados ainda os lugares e as instituições de origem dos autores, para que sejam mantidas as dimensões nacional e internacional do periódico. Por sua vez, o conjunto depende fundamentalmente dessa disponibilidade, pois raramente tem-se excesso de artigos, e se constitui em um arranjo que, no fundo, é arbitrário. O que melhor representa essa arbitrariedade é a própria ordenação dos textos, que normalmente passa por vários ensaios. O conjunto de artigos veiculados nos números da Revista são organizados levando em consideração textos com publicações espontâneas e/ou derivados das Reuniões Anuais. As aproximações estabelecidas e fortalecidas gradativamente com as Reuniões Anuais foi uma forma encontrada pelos editores para resolver, ou melhor, minimizar os problemas enfrentados pela Revista. Apesar das dificuldades apresentadas pelos editores, acreditamos que, ao selecionar textos que refletem temáticas com pouca visibilidade no cenário da produção periódica, a Revista vem forjando uma importante contribuição epistemológica político-social para a divulgação e ampliação das pesquisas realizadas na área da Educação, bem como vem fortalecendo o trabalho desenvolvido nos diferentes GTs da ANPEd . Antes de ser uma ―arbitrariedade‖, a publicação dos números não temáticos representam uma coerência com o projeto político editorial construído e consolidado na história da Revista Brasileira de Educação. A difusão da produção do conhecimento produzido nas diferentes áreas da pesquisa e da pós-graduação, o intercâmbio com autores nacionais e internacionais, a política de descentralização da divulgação da produção acadêmica encontram espaço na Revista, na medida em que ela atende a uma multiplicidade de temáticas. 141 Diante do conteúdo e referencial teórico presente em cada artigo e o projeto editorial da Revista Brasileira de Educação, fizemos um agrupamento dos textos postos em circulação nos 39 números do impresso. Assim, a leitura inicial dos sumários e dos resumos dos artigos nos remeteu para a possibilidade de aproximação com os Grupos de Trabalho, como pode ser observado no gráfico 4. Essa foi uma opção feita por nós, mas que revelam também as estratégias efetuadas pelos editores sobretudo nos números especiais. Gráfico 4 – Distribuição de artigos por temática levando-se em consideração as RAs Apesar da diversidade de assuntos e temáticas, foi possível agrupar todos os 402 trabalhos publicados na Revista Brasileira de Educação em algum Grupo Temático. No eixo História da Educação, foram reunidos os trabalhos que tinham como preocupação a análise da educação escolarizada e não escolarizada, da leitura e da escrita, a histórica cultural como abordagem epistemológica, história dos intelectuais, história da ANPEd e da Pós-Graduação no Brasil e o papel da universidade na constituição da educação. Observa-se que esse eixo congrega o maior número de trabalhos (72) e representa também dois dos seis números especiais. 142 Quando analisadas as produções que tomaram como objeto de estudo a ANPEd, encontramos um universo de 18 trabalhos distribuídos nos diferentes eixos temáticos. Muito embora haja uma centralização no eixo História da Educação, é possível ressaltar que 11 artigos procuram analisar a história dessa instituição e sua relação com a pesquisa e a pós-graduação no Brasil, e que os demais textos buscam apresentar as contribuições dos diferentes Grupos de Trabalhos para o campo epistemológico da educação. O cenário apresentado na revista não se reflete diretamente nas Reuniões Anuais, já que o GT de História da Educação não se configura como de maior publicação no congresso. O eixo Movimentos Sociais agrupa um pequeno quantitativo de trabalhos que tratam de questões como educação do movimento dos sem-terra, dos trabalhadores rurais e as diferentes formas de manifestação dos chamados movimentos instituinte. Os 11 trabalhos presentes nesse eixo estão distribuídos nos diferentes números da Revista, sem haver a concentração em alguma edição específica. No eixo Didática, procuramos relacionar os trabalhos que discutem a prática docente, a avaliação educacional do processo ensino-aprendizagem e a própria didática como campo epistemológico. Sua publicação se manifesta de maneira tímida na trajetória de vida do periódico com apenas 7 trabalhos, sobretudo se compararmos com os 252 textos publicados nas Reuniões Anuais. Em Estado e Política Educacional, foram aproximados 17 títulos que tinham como objetivo analisar conhecimentos direcionados para a discussão política na área da educação como: a Constituição Federal e Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, as reformas políticas educacionais, os sistemas nacionais de avaliação da educação em suas diferentes esferas, as reformas educacionais em vista das políticas internacionais. O eixo Política de Educação Superior apresenta os mesmos sentidos da temática anterior, no entanto, tem como foco a universidade e a pós-graduação no Brasil e na América Latina. Um outro tema que se aproxima das discussões políticas e de formação é o de Educação Fundamental. Nele indicamos os estudos que discutem 143 os Parâmetros Curriculares Nacionais, formas de organização desse segmento de ensino, etc. Na temática Educação Popular, encontramos um universo pequeno de trabalhos, 9, cujo debate circunscreve a uma variabilidade de assuntos como a participação popular na melhoria da qualidade do ensino e na gestão democrática, a agenda da educação popular no fórum mundial de educação, a análise das relações entre famílias populares e escola. O conjunto de matérias que correspondem a Educação da Criança de 0 a 6 anos traz um importante debate sobre a educação da infância no Brasil e em outros países. Verificamos trabalhos que tomam como referência a história, a sociologia e a psicologia, a pedagogia e as políticas da infância escolarizada ou não. A Formação de Professores corresponde a 20 trabalhos. Nela, encontramos os estudos que abordam a formação inicial, continuada, as políticas publicadas no campo da formação e a história da formação de professores e do Grupo de Trabalho correspondente a essa temática. Já no eixo Trabalho e Educação também observamos a presença de textos que procuram voltar o olhar para o professorado, porém tendo como foco a prática docente e o contexto de trabalho. Além dessas análises encontramos matérias que abordam outras questões como mercado de trabalho e formação profissional, o jovem no mercado de trabalho, os problemas concernentes à crise do trabalho e da educação e trabalho infantil. Em Alfabetização, Leitura e Escrita estão destacados os títulos que versavam sobre as diferentes possibilidades apresentadas por esses três temáticas ao longo da história, suas múltiplas facetas e a possibilidade de se estabelecer como elemento fundamental de inclusão social. Dos 12 trabalhos, 1 busca analisar o debate encontrado sobre Alfabetização, Leitura e Escrita nos 25 anos da ANPEd. O agrupamento de trabalhos que tematizam a Sociologia da Educação corresponde a um número significativo da produção colocada em circulação na Revista Brasileira de Educação. Sua fundamentação se apresenta de maneira multifacetada, abordando discussões que perpassam pela compreensão dos autores da sociologia 144 e a sua contribuição para o debate na educação, as mudanças sociais na contemporaneidade e suas implicações para os diferentes contextos educacionais, o lugar da sociologia na formação do estudante e do professor, a escola nos diferentes contextos culturais, etc. Os textos e os autores extrapolam a educação nacional perpassando pela Europa, Estados Unidos e América Latina. Nesse caso, retratam as mudanças sociais nos diferentes países e suas correlações com a educação. Uma outra temática que tem marcado o projeto editorial da Revista Brasileira de Educação é a Educação e Comunicação. As matérias dadas a ler procuram analisar as novas tecnologias e suas implicações no trabalho docente, na vida dos alunos e em seu aprendizado, buscando compreender o papel da indústria de comunicação no modelo de conformação social. As discussões epistemológicas e filosóficas que fundamentam as pesquisas veiculadas na Revista Brasileira de Educação foram agrupadas no eixo Filosofia e Educação. Ele concentra um número significativo de artigos que se distribuem em diferentes números do periódico. Dentre as questões observadas, podemos destacar o debate concernente ao saber da experiência, a crise de paradigmas educacionais, a discussão sobre a contribuição de alguns autores da filosofia para a educação, dentre outros. Como o nome já diz, a Educação de Jovens e Adultos retrata os vários trabalhos que buscam analisar as políticas governamentais sobre essa temática, seus modos de formação, as concepções teórico-metodológicas que lhe oferecem suporte. Verificamos nessa temática um panorama que não se restringe à produção nacional, pois procura evidenciar experiências de formação de Jovens e Adultos em outros países, sobretudo Argentina. A Educação Matemática não se apresenta de modo diferente do que já foi exposto neste trabalho. Oferecendo visibilidade às experiências realizadas com o ensino da geometria na Educação Fundamental, aborda a discussão sobre a formação inicial e continuada do professor de matemática. Sua produção se concentra na Revista Brasileira de Educação n. 27. A Psicologia da Educação e Educação Ambiental apresentam-se de maneira tímida no projeto editorial da Revista Brasileira de Educação. Ambas constituem um 145 quantitativo de duas produções cada, sendo que a primeira aborda as implicações das teorias da psicologia para a educação e a segunda trata das políticas de educação ambiental e suas contribuições para a formação do aluno. Na Educação Especial estão elencados os títulos que tramam sobre exclusão escolar e formação profissional para surdos. A produção dessa temática se concentra na Revista Brasileira de Educação n. 33, em que encontramos 5 dos 6 trabalhos classificados nessa temática. A produção científica encontrada no eixo Educação e Relações Ético-Raciais centraliza as análises na Educação Afro-Brasileiros. Nela encontramos trabalhos que discutem cotas para negros, diversidade racial e educação, multiculturalismo, políticas de ação afirmativa, raça e racismo. Por debater de maneira ampla das relações étnicas, raciais e de educação, resolvemos incluir nesse eixo os trabalhos sobre a educação indígena. Os 6 trabalhos encontrados sobre o assunto atendem a uma gama de demandas dentro das quais podemos destacar o estudo histórico da Educação de povos indígenas, a atuação docente de professores na educação indígena, a leitura dos índios em livros didáticos e outros artefatos culturais. Na temática Gênero, Sexualidade e Educação, encontramos artigos que fazem uma discussão da educação escolar e não escolar tendo como foco as implicações das políticas públicas de Estado, trabalho docente e relações de gênero, ações afirmativas, etc. Por fim, gostaríamos de destacar o lugar que as produções sobre currículo vem ocupando no projeto editorial da revista. Os 19 trabalhos encontrados sobre o tema apresentam objetos de análises e referenciais teóricos. Verificamos a presença de trabalhos que abordam as questões referentes a políticas curriculares; a novas teorias produzidas nesse campo epistemológico; análise da produção científica; currículo e cultura, currículo e formação de professores; história do currículo. No gráfico 5, apresentamos a distribuição de artigos sobre currículo, levando em consideração os números da Revista e ano de publicação. 146 Gráfico 5 - Distribuição de artigos sobre currículo nos números da RBE 6 2008 5 2007 2006 4 2005 3 2004 2003 4 2 2002 2 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 2 1 2001 1998 0 n. 07 n. 17 n. 18 n. 21 n. 23 n. 24 n. 25 n. 26 n. 28 n. 29 n. 32 n. 35 n. 37 n. 39 Uma análise inicial, tomando como referência a quantidade de trabalhos publicados sobre currículo, indica que eles representam um impacto tímido na produção veiculada na Revista Brasileira de Educação, já que correspondem a apenas 5% do total de textos publicados na Revista. Entretanto, quando elaboramos essa análise levando em consideração o período de 1995 a 2008, verificamos que, após o ano de 2001, o debate sobre currículo se apresenta de forma permanente, ou seja, esse periódico e os seus editores passam a atribuir uma considerável importância a essa temática. Um outro achado interessante refere-se aos números da Revista em que esses artigos foram apresentados. No ano de 1998, encontramos a publicação de 1 artigo no n. 07, fato esse que se repete no ano de 2002, 2005, 2006 e 2007. Já nos anos de 2001, 2003 e 2008, observamos a publicações em dois números da revista por ano. O ano de 2004 é o único que apresenta artigos em todos os números publicados da revista. Com exceção da Revista Brasileira de Educação n. 23 em que há uma concentração de 4 estudos referentes à currículo, nos demais anos analisados, observamos uma variação entre 2 a 1 trabalho por número. Nunca é demais lembrar que a Revista Brasileira de Educação n. 23 aborda especificamente da temática ―Cultura, Culturas e Educação‖. 147 Com relação a autoria dos artigos, observamos, conforme quadro 3, que a maioria dos trabalhos são elaborados em publicações individuais, havendo apenas cinco trabalhos coletivos. Além da autoria, destacamos, no quadro 3, o ano de publicação, o número da revista e a origem dos artigos sobre currículo. Ano 1988 2001 2002 Número da Revista n. 07 n. 17 n. 18 n. 21 n. 23 2003 2004 2005 2006 2007 2008 n. 24 n.25 n. 26 n. 28 n. 29 n. 32 n. 35 n. 37 n. 39 Autores Lopes (1998) Corazza (2001) Moreira (2001) Canen e Oliveira (2002) Alves (2003); Moreira e Candau (2003); VeigaNeto (2003); Costa, Silveira e Sommer (2003) Marinho (2003) Ozerina Oliveira e Miranda (2004) Lopes (2004) Ozerina Oliveira e Destro (2005) Costa (2005) Macedo (2006) Goodson (2007) Pinar (2008); Santos (2008) Thiesen (2008); Rosa e Ramos (2008) Origem dos Artigos 20ª Reunião Anual 23ª Reunião Anual 24ª Reunião Anual 25ª Reunião Anual Convite feito pelos editores 26ª Reunião Anual Enviados a secretaria 27ª Reunião Anual Enviados a secretaria Enviados a secretaria Enviados a secretaria 29ª Reunião Anual Enviados a secretaria Enviados a secretaria Quadro 3 – Distribuição dos artigos segundo ano, número da revista, quantidade de artigos e autores. A leitura do quadro 3 nos indica a diversidade de autores que publicam sobre currículo, sendo que apenas 4 autores de um total de 22 apresentaram dois artigos sobre o tema, sendo eles: Lopes (1998, 2003), Moreira (2001, 2003), Costa (2003) e Oliveira (2004, 2005). A maioria dos autores que publicam sobre currículo no impresso são professores do ensino superior de instituições que se situam no eixo sul e sudeste do Brasil. É importante destacar, ainda, levando em consideração o processo de internacionalização apresentado pelo projeto editorial da Revista Brasileira de Educação, a publicação de autores como Goodson (2007), da University of Brighton, e Pinar (2008), da University of British Columbia. Ao efetuarmos uma leitura dos dados apresentados na Revista Brasileira de Educação levando em consideração as temáticas específicas, trabalhos apresentados no GT Currículo e autores, verificamos uma aproximação nítida entre as produções postas em circulação por essas duas fontes. Nesse ponto, encontramos casos em que as Reuniões Anuais serviram de base para delimitação 148 de temas e trabalhos que viriam a ser publicados na Revista. Já em outros, observamos a Revista Brasileira de Educação abordando assuntos que só foram se constituir enquanto temática central das Reuniões Anuais ou específicas dos GTs um a dois anos depois. A Revista n. 23, por exemplo, destaca a temática ―Cultura, Culturas e Educação‖. Nela encontramos o maior número de artigos que tomam o currículo como objeto de estudo, contudo, essas questões só se constituíram como foco de análise do GT em 2005 na 28ª Reunião. Os dados apresentados até o momento nos permitem estabelecer uma análise tendo como base as aproximações existentes entre as Reuniões Anuais da ANPEd e a Revista Brasileira de Educação. A intensificação das produções científicas nos programas de pós-graduações se refletem nos trabalhos e comunicações apresentados nas Reuniões Anuais e, posteriormente, na Revista Brasileira de Educação. Nesse ponto, é possível identificar uma aproximação entre as Reuniões Anuais e a Revista Brasileira de Educação, principalmente no que se refere aos textos publicados, objetos de estudo, referenciais teóricos e autores postos em circulação. Dos 19 trabalhos publicados na Revista Brasileira de Educação sobre currículo, 8 foram apresentados primeiro nas Reuniões Anuais, como pode ser observado no quadro 3. De acordo com o Editorial n. 21 (2002, p. 4), A Revista configura-se, dessa forma, como veículo de publicização da produção acadêmica da área, que tem nas reuniões anuais da ANPEd momento privilegiado de apresentação e discussão. Esses textos, encomendados para as sessões coordenadas, ou recomendados pelo Comitê Científico para os grupos de trabalho, ainda são avaliados por pares, tendo em vista a sua publicação. Freqüentemente, retornam aos autores para revisão e complementações. Dentre os textos publicados sobre currículo, encontramos ainda os trabalhos encomendados pelos editores do periódico e os artigos originais enviados para avaliação. É preciso enfatizar que não só a publicação de textos apresentados nas Reuniões Anuais da ANPEd marcam a aproximação com a Revista, como a própria possibilidade de identificar e agrupar os artigos tendo como base os Grupos de Trabalhos evidencia esse movimento de aproximação. 149 No gráfico 6, por exemplo, apresentamos uma tentativa de aproximação tendo como referência a Revista Brasileira de Educação e as Reuniões Anuais. É importante destacar que essa é uma projeção realizada para se ter uma ideia do quantitativo de trabalhos divulgados nas duas fontes de pesquisa. Entretanto, sabemos que nem todos os artigos publicizados na Revista Brasileira de Educação são frutos dos textos originados nos GTs. Apesar da diferença de ano de fundação entre os GTs, seus dados quantitativos se aproximam. Nesse ponto, precisamos ressaltar que Educação e Relações ÉtnicoRaciais, Educação Ambiental e Gênero, Sexualidade e Educação só foram se constituir como GT nos anos de 2003, 2005 e 2006, respectivamente. Como não encontramos dados na Revista sobre o Grupo de Estudo Educação e Arte, instituído na 30ª RA, fizemos a opção de não inseri-lo no gráfico. O lugar ocupado pelos Grupos de Trabalho da ANPEd possibilita, por meio da divulgação da produção acadêmica, o intercâmbio de autores e atores da educação nacional e a qualificação das pesquisas em educação, materializada na Revista Brasileira de Educação. Como podemos indicar, para compor a produção publicada na ANPEd e dar forma ao projeto editorial expresso nas Reuniões Anuais e na Revista Brasileira de Educação, levou-se em consideração os Grupos de Trabalhos, a diversidade de objeto, de referencial teórico, de metodologias, a variabilidade de autores/atores e o intercâmbio nacional e internacional. Como afirma Aguiar (2006, p. 187), Vi (e vivi!) a ANPEd como o intelectual coletivo de sabor gramsciano: espaço aglutinador das diferenças e dos diferentes, arena de disputa filosófica-política, construtoras ou desmistificadoras de propostas de natureza diversas que circulam no território educacional. Espaço de ressonância das questões polêmicas do nosso tempo atinentes ao campo das idéias e às práticas da sociedade brasileira no contexto das relações globalizadas. M ov H is im e n tór ia to da s S Ed oc uc ia i s aç Es e Ed ã o ta do uc e aç Ed Po ão uc lít D id aç ica át ão Ed Edu ic a de c uc C aç aci o ria ão na nç Fo l Po rm as de pu aç la 0 ão r a d 6 Al e an Tr P fa ro a os be fe ti z balh ss a o or çã Po e o, l ít Ed es ic Le uc a i tu de aç r ão a E e du Es ca cr çã i ta o S Ed up er uc io aç C r ur ão So r íc ci F u un ol og da l o ia m en da E t E du Ed d u al ca uc c aç ç aç ã ão ão Es o e Ed p Fi C lo om ec i uc so aç u n al fi a ão ic d aç de a ão E Jo du v ca en Ed çã s Ed uc o e uc aç A P du aç ão si co lt a ão M lo s at e gi e R a m el da át aç ic õe E du a G s ên ca Ét er Ed ni o, c o ção uc Se -R aç ac xu ão al Am ia is id ad bi e en e Ed ta l uc aç ão 150 Relação entre a distribuição de trabalhos publicados na ANPEd e RBE 450 400 300 100 50 386 350 275 250 280 252 11 7 17 291 249 9 261 15 20 26 280 285 200 72 12 16 19 6 295 223 246 249 239 7 233 192 197 20 26 17 183 8 198 150 6 Revista Anped 118 90 24 2 92 52 0 9 151 Diante das questões apresentadas, observarmos, assim como Nóvoa (2002, p. 11), que tanto a Revista Brasileira de Educação como as Reuniões Anuais se constituem como ―[...] lugar de uma afirmação coletiva, na medida em que ‗cada criador está sempre a ser julgado, seja, pelo público, seja por outras revistas, seja pelos seus próprios companheiros de geração‘‖. Nesse ponto, Nóvoa (2002, p. 13) ainda afirma que ―[...] a feitura de um periódico apela sempre a debates e discussões, a polêmicas e conflitos; mesmo quando é fruto de uma vontade individual, a controvérsia não deixa de estar presente, no diálogo com os leitores, nas reivindicações junto dos poderes públicos ou nos editoriais de abertura‖. A trajetória da atuação da ANPEd, durante duas décadas, é demarcada pelos eventos por ela organizados, pelas publicações, por suas relações institucionais e pelos esforços políticos empreendidos a fim de ampliar e qualificar a pesquisa e a pós-graduação no Brasil. 152 CAPÍTULO IV 4. AUTORES, ATORES E GRUPOS DE PESQUISA: A CONSTITUIÇÃO DO CAMPO CIENTÍFICO Neste capítulo, apresentamos os autores, atores que constituem o campo do currículo no Brasil, apontando as relações de força presentes nesse contexto. Ao observarmos as especificidades de cada espaço de publicação, configurados nas sessões específicas do GT Currículo e na Revista Brasileira de Educação, foi preciso analisar os dados indicando suas singularidades. Para tanto, tomamos como referência os seguintes indicadores: 1) procedência institucional; 2) territorialização da produção; 3) autores, formação acadêmica; 4) internacionalização do campo de currículo. Delimitar o lugar do impresso como materialização de um projeto cultural que envolve estratégias de circulação de saberes científico-pedagógicos podem evidenciar múltiplas relações sociais que se depositam no texto, as quais Chartier denomina como lutas de representações.35 Para o autor (1990, p. 17), ―[...] as lutas de representações têm tanta importância quanto as lutas econômicas para a compreensão dos mecanismos pelos quais um grupo impõe, ou tenta impor, sua concepção de mundo social, seus valores e seu domínio‖. De acordo com Carvalho e Hansen (1996, p. 15, grifos do autor), As categorias de prática e de representação, operadas com a de apropriação, têm grande valor heurístico, pois permitem desnaturalizar as representações e colocá-las na generalidade transistórica de categorias mágicas, como ‗influência‘, ‗imitação‘ e ‗transplante de idéias‘. A dissolução da naturalidade da representação faz com que os resíduos do arquivo falem a partir de si mesmos e, para isso, os reatualiza como evidências datadas, isto é, como representação de práticas que resultam de práticas de representação. Quando se determina o caráter dessas práticas, pode-se também especificar o caráter das representações que elas produzem; e, uma vez que as mesmas práticas são formalizadas culturalmente, também se evidencia que são representações (grifos dos autores). Visualizar o material impresso como estratégia e tática permite observá-lo como representação tanto individuais, mas sobretudo coletivas, pois, segundo Chartier (1991), é preciso que se observe que essas representações são coletivas, o que pressupõe que estejam sempre em concorrência e em competição, o que faz com que se considere que 35 Para construção deste capítulo assumo como base a elaboração de um estudo anterior tecido coletivamente com Scnheider, Ferreira Neto e Nascimento (2009). 153 são ―[...] matrizes de práticas construtoras do próprio mundo social‖ (CHARTIER, 1991, p. 183).36 Sendo assim, escolhas, ordenações, seleções e demais atos que configuram a existência e as formas de organização assumidas pelo Grupo de Trabalho Currículo e Revista Brasileira de Educação, direta ou indiretamente, trazem as marcas das relações de força e de poder próprias de um lugar e de um espaço que atua no sentido de realização daquela função de legitimação. Além disso, se, de um lado, a sua identidade reflete a cadeia das relações acadêmico-institucionais que ele abriga, de outro, é também fortemente influenciada pelas especificidades conferidas pela sua própria área temática. É esta ação que se encarrega, em última instância, de fazer emergir os múltiplos objetos em que se transmuda a sua temática e dos quais vão se ocupar os pesquisadores que para ele convergem (AZEVEDO; AGUIAR, 2001). Como posto, a análise das características materiais da produção científica e dos autores que circulam nas fontes estudadas nesta tese, e sua relação com a constituição do campo do currículo é o foco central deste capítulo. 4.1 Procedência Institucional Nas sessões Trabalhos Apresentados, Especiais, Trabalhos Encomendados e Minicursos foram publicados 324 artigos no período que corresponde de 1995 a 2008. Do total de artigos, 76% foram produzidos individualmente; os demais trabalhos tiveram autoria configurada da seguinte maneira: 16% artigos assinados por dois autores, 4% estudos por três, 2 (%) foi publicado por quatro autores e por mais de quatro. Ao analisarmos a procedência institucional das 324 publicações veiculadas nas sessões do GT Currículo, tomando como referência as informações apresentado pelos autores e as contidas no currículo lattes, verificamos que a grande maioria dos trabalhos são originárias do ensino superior federal, conforme gráfico 7. 36 Para Silva (2003), uma representação é um sistema de significação por meio do qual os processos culturais não podem ser compreendidos quando dissociados dos signos e dos sentidos a eles atribuídos nas relações concretas que os engendram. 154 Trabalhos Apresentados no GT Currículo e tipo de instituição 180 160 140 120 100 80 60 40 20 0 159 108 37 Instituição federal Instituição estadual Instituição privada 19 6 Instituição estrangeira Outros Esse gráfico 7 revela ainda que 108 trabalhos foram veiculados em instituições estaduais, 37 em particulares, 19 em instituições estrangeiras e 6 foram classificas como outros. No que tange aos seis trabalhos classificados como outros, 3 estão chancelados por agência de fomento a pesquisa, 1 por Secretaria Municipal de Educação, 1 pelo Ministério da Educação e Cultura e 1 por grupo de pesquisa. Quando comparamos esses dados com as sessões que compreendem o projeto editorial do GT Currículo e com a produção expressa na Revista Brasileira de Educação, não observamos alterações significativas. Ou seja, há um predomínio significativo da produção do conhecimento por parte das instituições públicas de ensino. Um dos fatores que tem contribuído para a formação desse cenário advém do fato de a produção estar vinculada aos programas de pós-graduação, como veremos em maiores detalhes ainda neste capítulo. A distribuição percentual dos trabalhos revela que 48% são de instituições federais, 33% estaduais, 11% particulares, 6% estrangeiras e 2% outros, como pode ser observado no gráfico 8. 155 Pecentual de Trabalhos Apresentados segundo sistema de ensino superior 6% 2% 11% 48% 33% Instituição federal Instituição estadual Instituição privada Instituição estrangeira Outros Somando-se a porcentagem dos trabalhos vinculados às instituições federais, estaduais e outros, observamos que 83% (272 dos 324 artigos publicados no GT Currículo) são oriundos de instituições públicas. As demais produções se distribuem em instituições particulares, com 11%, e estrangeiras, com 6%. Esses dados revelam um panorama também apresentado por Ventorim (2005), ao estudar a formação do professor pesquisador na produção científica dos Encontros Nacionais de Didática e Prática de Ensino (ENDIPE), no período de 1994 a 2000. Segundo a autora, em todos os encontros analisados o número de trabalhos do sistema público de ensino foi significativamente superior (84%) ao número de trabalhos do sistema privado de ensino (15%). Esse panorama também foi apresentado por Carvalho (2002), ao analisar a produção acadêmica sobre a formação de professor publicada nos resumos dos anais de 2001 e da década de 1980 da SBPC. Especificamente, sobre a origem institucional, observou que 80% das instituições são públicas, ou referidas a universidades federais (53%) ou a universidades estaduais (28%). Já as universidades privadas representam 8%, as faculdades integradas e os centros universitários públicos ou privados, aproximadamente, 1% e 2%, sendo, portanto, inexpressiva a sua participação na produção científica da formação de professores veiculado nas fontes por Carvalho (2002) analisadas. Ao voltarmos o foco para as Reuniões Anuais, analisando particularmente cada evento, vemos, pelo gráfico 9, que em todos se configurou o maior número de pesquisas de 156 instituições públicas com prevalência do sistema de ensino federal, exceto na 19ª e 30ª Reuniões Anuais, no qual, observamos um predomínio de instituição estadual. Número de Trabalhos Apresentados no GT Currículo e sua relação com o sistema de ensino superior 25 23 21 21 19 20 17 16 15 15 15 13 10 10 10 8 8 8 7 7 6 6 5 5 5 4 3 3 5 33 3 22 2 1 6 5 3 4 4 3 3 2 1 1 7 6 1 11 1 11 11 1 1 28ª RA 29ª RA 2 1 0 18ª RA 19ª RA 20ª RA 21ª RA Instituição federal 22ª RA 23ª RA Instituição estadual 24ª RA 25ª RA 26ª RA Instituição privada 27ª RA Instituição estrangeira 30ª RA 31ª RA Outros Muito embora verificamos o predomínio de pesquisas advindas das instituições públicas, os dados oscilam de maneira significativa de uma reunião para outra, assim como o número de trabalhos apresentados por Reunião Anual. Por exemplo, da 18ª a 22ª Reuniões Anuais, verificamos uma média de 11 trabalhos por evento. Esse número se deve, sobretudo, pela ausência das Sessões Especiais, Minicursos e Trabalhos Encomendados. As duas primeiras só se fizeram presentes na 13ª Reunião Anual e os Trabalhos Encomendados só irão se constituir na política editorial como uma sessão específica do GT em 2004 , na 27ª Reunião Anual. Exceto a 19ª Reunião Anual, em que observamos a sobreposição dos trabalhos oriundos das Instituições Estaduais, há predominância das Federais com uma variação de 4 a 8 trabalhos. Uma análise das produções veiculadas no GT Currículo e sua institucionalização reflete a tímida presença das instituições particulares, inclusive se mantendo ausente na 20ª e 22ª Reuniões Anuais, como pode ser observado no gráfico 8. É interessante notar que os números referentes à produção das instituições particulares é menor que a quantidade de 157 trabalhos oriundos de autores estrangeiros, no qual, identificam-se 5 trabalhos, distribuídos em 3 das 5 reuniões referentes a este recorte temporal. Já no período que corresponde da 23ª à 27ª Reuniões Anuais, suprindo-se a 25ª em que não encontramos dados sobre a Sessão Especial, verificamos uma média de 21 trabalhos por evento. Nesse período, há um predomínio significativo de estudos vinculados as instituições federais.37 Na 24ª Reunião identificamos uma presença acentuada de autores estrangeiros, superando inclusive trabalhos provenientes das instituições estaduais e privadas brasileiras. Ainda sobre o processo de internacionalização, outro achado interessante remete-se à presença de autores estrangeiros, em quatro das cinco Reuniões Anuais que compreende o período da 23ª à 27ª. Por fim, da 28ª à 30ª Reunião anual, encontramos uma média de 46 trabalhos, já na 31ª observamos uma queda desse número para 31 pesquisas. Isso se explica pelo fato de não encontrarmos textos na Sessão Especial. A análise quantitativa sinaliza um aumento gradativo de estudos publicizados no GT Currículo. Um dos fatores que tem favorecido a constituição desse panorama, refere-se a criação de diferentes sessões, no período que corresponde 2005 a 2008 (28ª à 31ª), com intuito de publicar variadas produções garantindo estrategicamente a circulação de diferentes autores. Nunca é demais lembrar o merecido destaque dado à sessão Trabalhos Encomendados, já que ela tem, a partir de 2006, contribuído para dar visibilidade as leituras produzidas por diferentes grupos de pesquisas. Esse fato nos remete aos movimentos incentivados pela organização do evento a fim de atender e enfrentar as demandas e os debates tensionados internamente no GT e na Revista Brasileira de Educação. 4.2 Procedência Territorial, Institucionalização e Autores de Referência Quanto à procedência territorial, constatamos que a maioria expressiva dos Trabalhos Apresentados no GT Currículo concentra-se na Região Sudeste com o total de 200 (62%) dos 324 trabalhos publicados. Esses estudos se distribuem em 27 instituições de ensino superior, como pode ser verificado no gráfico 10. 37 A distribuição dos trabalhos publicados do GT Currículo por sessão foi realizado no gráfico 01 do capítulo anterior desta tese. 158 Distribuição dos artigos por região, país e quantitativo de instituições 250 27 200 150 100 200 12 50 7 67 17 0 Suldeste Centro-Oeste 8 3 Sul 2 18 4 Norte Nordeste Quantitativo de artigos 6 Portugal 3 1 Alemanhã 10 1 Argentina Estados Unidos 1 2 Paris Quantitativo de instituição A região Sul com 67 (13%) trabalhos publicados por 12 instituições representa a segunda maior concentração de estudos. Ela é seguida da região Nordeste com 18 (5%), vinculadas a 8 instituições. A região Centro-Oeste é responsável por 17 (4%) participações que estão distribuídas em 7 instituições. Já a Norte, com 4 (1%) artigos associados a 3 instituições, é a região que apresenta menor percentual de produção. Como podemos observar, existe uma significativa concentração da produção científica na região Sudeste e Sul, fato esse, que se deve especificamente, ao desenvolvimento social, político, cultural e econômico dessas regiões. Em estudo correlato sobre a formação de professores, Carvalho (2002) observou que os maiores percentuais da produção territorial são referidos às regiões Sudeste, com 34%, e Nordeste, com 36% das pesquisas apresentadas na sessão de pôsteres, seguidas da região Sul, com 22%, da região Norte, com 5%, e da região Centro-Oeste, com apenas 3%. Para a autora, a surpreendente presença da região Nordeste, provavelmente, justifica-se pela proximidade geográfica com o Estado-sede da 53ª Reunião da SBPC, Salvador/BA. Ao investigar também a formação de professores, porém focalizando a análise no debate sobre professor pesquisador expresso nos ENDIPEs, Ventorim (2005), constatou que o maior número de trabalhos encontrados concentra-se na região sudeste com o total de 61,76%, seguida da região Sul com 30,96%, da região Nordeste e Centro-Oeste, com 2,94% e da região Norte 1,96%. Os dados apresentados por Ventorim (2005) se 159 aproximam, em grande medida, dos dados produzidos nesta tese sobre a produção no campo de currículo e sua territorialização. Diante do cenário encontrado, é oportuno destacar o lugar ocupado pelas instituições do Sudeste e Sul no cenário acadêmico do ensino, pesquisa e extensão, ou seja, é nessas regiões que estão localizadas os centros de referências da pós-graduação em educação. Nela também encontramos o maior número de universidades, de grupos de pesquisas e de agências de fomento à pesquisa, etc. No mapa representado na fig. 33, apresentamos a distribuição numérica dos trabalhos por região, Estado e instituição. TOTAL – 3 UFPA – 2 UEPA – 1 UTO – 1 UFMA – 1 UFC – 3 UFRN – 1 UERN – 3 TOTAL – 4 UFPB – 3 UFCG – 1 UFPE - 1 TOTAL – 5 UFBA – 2 UNEB – 3 UFMT – 3 UnB - 1 TOTAL - 10 UFMS – 9 UCDB – 1 TOTAL - 6 UFPR – 2 PUC/PR – 3 UNICENTRO - 1 UFES - 14 UFG - 1 UCG - 1 TOTAL – 36 UFMG – 20 UFU – 3 CEFET – 1 PUC – 4 UFJF – 2 UNIPAC – 2 SMEJF – 1 FUIT – 1 ESMIG/CF – 1 UFSJ - 1 TOTAL – 10 UNIVALI – 2 UFSC – 5 UDESC – 2 UESC – 1 TOTAL – 51 UFRGS – 39 UFPEL – 7 PUC – 1 UNISC – 1 UNISINOS - 3 Sul TOTAL – 106 UFRJ – 13 UERJ – 70 UNIRIO – 3 PUC-RIO - 7 IMS – 1 UCP - 1 UFF – 11 TOTAL – 44 USP – 4 UNESP – 1 CENPEC-SP – 1 UNICAMP – 28 PUC/SP – 6 UNISANTOS – 1 CUML – 1 UNISO – 1 FCC – 1 Sudeste Norte Nordeste Centro-Oeste 160 Dos 200 trabalhos publicados na região sudeste, 106 (52%) são oriundos do Estado do Rio de Janeiro, seguidos por 44 (23%) de São Paulo, 36 (18%) de Minas Gerais e 14 (7%) do Espírito Santo. Dentre as 20 instituições da região sudeste, 7 são do Estado do Rio de Janeiro, 8 de Minas Gerais, 5 de São Paulo e 1 do Espírito Santo. Mais uma vez encontramos o predomínio de instituições públicas nos lugares de publicações. No quadro 4 a seguir, apresentamos a produção dos trabalhos sobre currículo tomando como referência a Região Sudeste, Instituição e Reunião Anual. 18ª 19ª 20ª 21ª 22ª 23ª SUDESTE RA RA RA RA RA RA UFRJ 1 1 2 UERJ 1 3 2 3 3 2 UNIRIO 2 PUC/Rio 1 IMS 1 UCP UFF 1 1 1 USP UNESP 1 CENPEC/SP 1 UNICAMP 1 1 1 3 UNISANTOS CUML UNISO FCC PUC/SP UFMG 2 3 1 2 UFU CEFET/MG PUC/MINAS UFJF UNIPAC UFSJ SMEJF FUIT ESMIG/CF UFES 1 1 1 TOTAL 5 6 6 8 6 13 24ª RA 1 1 1 1 1 1 1 1 8 25ª 26ª 27ª 28ª 29ª 30ª 31ª RA RA RA RA RA RA RA TOTAL 13 2 1 3 1 1 70 2 6 8 13 6 11 9 3 1 7 1 2 1 1 1 1 1 11 1 1 2 1 1 1 4 2 2 1 1 28 1 6 7 5 3 1 1 1 1 1 1 1 1 6 1 1 4 20 2 2 2 2 2 1 3 1 1 1 4 2 1 1 2 2 2 2 1 1 1 1 1 1 1 14 1 1 1 2 4 2 9 12 15 34 29 29 23 200 Quadro 4 – Distribuição de trabalhos por instituição e Reunião Anual Além de concentrar o número de publicações, a região sudeste apresenta também o maior número de instituições, publicando nas diferentes sessões que compreendem o GT Currículo. Esse achado reforça o argumento sobre a regionalização da produção científica e sua concentração nos Estados em que há um fortalecimento dos programas de pósgraduação. Uma análise mais detalhada, tomando como referência as instituições e as Reuniões Anuais, evidencia que a Universidade Estadual do Rio de Janeiro é responsável por 70 trabalhos apresentados, ou seja, 66% correspondentes ao Estado do Rio de Janeiro e 53% de todas as produções da região sudeste. Outro fato interessante é que essa instituição, bem como a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, são as únicas que possuem estudos publicados em todas as Reuniões Anuais analisadas. 161 Dentre os autores que têm se constituído como referência da Universidade Estadual do Rio de Janeiro ganha destaque Elizabeth Fernandes de Macedo com 10 publicações, sendo 4 (18ª, 19ª, 21ª e 27ª Reuniões Anuais) nas sessões Trabalhos Apresentados, 2 (23ª e 28ª Reuniões Anuais) nas Sessões Especiais e 4 (28ª a 31ª Reuniões Anuais) nos Trabalhos Encomendados.38 Encontramos ainda um grupo de autoras com 8 participações cada sendo elas Inês Barbosa de Oliveira, Rita de Cássia Prazeres Frangella e Alice Ribeiro Casimiro Lopes. O lugar da produção e sua distribuição variam de acordo com as referidas pesquisadoras. Assim, Inês Barbosa de Oliveira fez sua produção circular em 3 sessões do congresso, apresentando-se da seguinte maneira: 4 (19ª, 22ª, 24ª, 26ª Reuniões Anuais) Trabalhos Apresentados, 2 (28ª e 30ª Reuniões Anuais) Sessões Especiais e 2 (25ª e 31ª Reuniões Anuais) Minicursos. Rita de Cássia Prazeres Frangella, por sua vez, prioriza suas publicações na sessão Trabalhos Apresentados com 5 (26ª à 28ª, 30ª e 31ª Reuniões Anuais) e Trabalhos Encomendados com 3 (29ª à 31ª Reuniões Anuais). Por fim, observamos a participação de Alice Ribeiro Casimiro Lopes cuja produção se divide entre as sessões Trabalhos Apresentados (19ª à 21ª e 28ª Reuniões Anuais) e Sessões Especiais (23ª, 26ª, 28ª e 30ª Reuniões Anuais). Nilda Guimarães Alves é uma das poucas pesquisadoras, dentre todas as instituições do Brasil conforme mapa 2, que possui produção vinculada em todas as sessões que compõem o projeto editorial do GT Currículo. De suas 6 participações, 1 (22ª Reunião Anual) está no formato Trabalhos Apresentados, 1 (27ª Reunião Anual) Minicurso, 1 (27ª Reunião Anual) Sessão Especial e 3 (28ª à 30ª Reuniões Anuais) Trabalhos Encomendados. 38 Ao assumirmos como referência os autores que publicaram no Congresso, construímos, conforme Apêndices B, C, D e E, quatro quadros, um para cada sessão que constitui o evento, indicando os grupos de pesquisa em que os autores estão vinculados, orientadores de stricto-sensu, ano e instituição em que fez a pós-graduação, número da reunião anual em que publicou e instituição a que está ligado. Esses quadros só foram possíveis de serem construídos mediante o portal currículo lattes disponível na internet. Com base nos autores, fizemos o mapeamento do currículo para configurar os indicadores destacados anteriormente. 162 Já Débora Raquel Alves Barreiros concentra suas participações em formato Trabalhos Apresentados com 4 produções (25ª à 27ª e 31ª Reuniões Anuais). Possui ainda 1 (29ª Reunião Anual) contribuição na sessão Trabalhos Encomendados. Com 4, se destacam os pesquisadores Mailsa Carla Pinto Passos, Paulo Sgarbi e Monique Mendes Franco. Os dois primeiros dividem suas produções nas sessões Trabalhos Apresentados e Trabalhos Encomendados, caracterizando-se da seguinte maneira: Mailsa Carla Pinto Passos publica Trabalhos Apresentados na 22ª e 29ª Reuniões Anuais e Trabalhos Encomendados na 29ª e 30ª Reuniões Anuais; Paulo Sgarbi efetua sua participação na sessão Trabalhos Apresentados da 27ª e 29ª Reuniões Anuais e Trabalhos Encomendados na 29ª e 30ª Reuniões Anuais. Finalmente, Monique Mendes Franco concentra suas contribuições na sessão Trabalhos Apresentados da 25ª à 28ª Reuniões Anuais. Ainda no que se remete à distribuição de trabalhos por instituição no Estado do Rio de Janeiro, conforme mapa e quadro 4, encontramos a publicação de 13 trabalhos ligados a Universidade Federal do Rio de Janeiro postos em circulação em 9 das 14 Reuniões Anuais estudadas. Quanto aos autores, ganha destaque Ana Canen com 5 (21ª à 23ª, 25ª e 28ª Reuniões Anuais) Trabalhos Apresentados, Marcia Serra Ferreira com 2 produções na 28ª Reunião Anual, 1 Trabalho Apresentado e 1 Trabalho Encomendado em parceria com Antônio Flávio Barbosa Moreira. Esse autor ofereceu ainda um Minicurso na 26ª Reunião Anual. Os 11 trabalhos publicados pela Universidade Federal Fluminense se distribuem em 10 Reuniões Anuais. Regina Leite Garcia e Edwiges Zaccur são responsáveis por 6 dessas produções, 3 cada. A colaboração de Regina Leite Garcia se apresenta com 1 (19ª Reunião Anual) Trabalho Apresentado, 1 (24ª Reunião Anual) Minicurso e 1 (28ª Reunião Anual) Trabalho Encomendado. Já Edwiges Zaccur é responsável por 2 (19ª e 21ª Reuniões Anuais) Trabalhos Apresentados e 1 (24ª Reunião Anual) Minicurso. As demais instituições do Estado do Rio de Janeiro apresentaram menos de 10 estudos veiculados no Congresso e não possuem autores com participação marcante nas sessões do GT Currículo, bem como na Revista Brasileira de Educação. 163 O segundo Estado com maior publicação é o de São Paulo, responsável por 44 (23%) dos estudos produzidos pela região sudeste. Dentre as universidades destaca-se a Universidade de Campinas (Unicamp) com 28 estudos, as demais instituições não ultrapassam o quantitativo de 6 trabalhos cada. Esse achado revela a concentração de 60% das pesquisas publicadas pelo Estado de São Paulo em uma única universidade, um outro fator também instigante está na concentração da produção da Unicamp nas Reuniões Anuais realizadas entre os anos de 2005 a 2008. Essa é uma característica também apresentada na produção da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, na qual, verificamos a distribuição de seus trabalhos nos anos de 2006 a 2008 , com um aumento no último ano, conforme pode ser observado no quadro 4. Quanto à circulação dos autores, temos observado o destaque aos professores da UNICAMP. Antonio Carlos Rodrigues de Amorim coordenou a sessão Trabalhos Encomendados da 28ª à 31ª Reuniões Anuais, bem como publicou 4 estudos, 1 em cada reunião. Apresentou ainda dois artigos (23ª e 25ª Reuniões Anuais) no formato Trabalhos Apresentados, 2 (29ª e 30ª Reuniões Anuais) na Sessões Especiais e 1 Minicurso. Somando-se todas as participações de Antonio Carlos Rodrigues de Amorim chegamos a um expressivo número de 9 trabalhos e 4 coordenações. Esse é também um dos poucos pesquisadores a circular em todas as sessões do GT Currículo. Um outro autor merecedor de destaque da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) é Silvio Gallo que publicou 2 (18ª e 19ª Reuniões Anuais) Trabalhos Apresentados e 1 na Sessão Especial (23ª Reunião Anual). O Estado de Minas Gerais é o terceiro da região sudeste a ter maior número de estudos e o quarto quando comparamos com os dados referentes a todo o território nacional. Dentre as dez instituições do Estado de Minas Gerais a configurar-se como referência da produção acadêmica sobre currículo nas Reuniões Anuais da ANPEd, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) é responsável por 20 (55%) dos 36 estudos. Para se ter uma ideia da potencialidade dessa assertiva, a segunda instituição desse Estado com maior número de publicações é a Pontifícia Universidade Católica com 4. Uma leitura da frequência de publicações das Reuniões Anuais indica que a UFMG esteve presente do 20º ao 31ª evento, exceto na 27ª Reunião Anual. Uma outra questão 164 interessante versa sobre o lugar da produção dessa instituição nas sessões que configuram a política editorial do evento, nesse caso, privilegiando Trabalhos Encomendados e Apresentados. Apesar de configurar um número significativo de textos do Estado de Minas Gerais, os estudos produzidos pela UFMG se concentram em duas autoras, Marlucy Alves Paraíso e Lucíola de Castro Paixão Santos. A primeira publicou 7 (20ª à 28ª Reuniões Anuais exceto a 22ª e 27ª) Trabalhos Apresentados e 1 (30ª Reunião Anual) Trabalho Encomendado. Em parceria com Lucíola de Castro Paixão Santos, produziu outros 3 Trabalhos Encomendados (28ª, 29ª, 31ª Reuniões Anuais). Diante do levantamento de dados e conforme os Apêndices (B, C, D, E) desta tese, verificamos que Marlucy Alves Paraíso é a pesquisadora que mais publicou no GT. Entretanto, sua produção se distribui em apenas duas sessões do evento, como foi destacado anteriormente. No que tange ao Estado do Espírito Santo, observamos a presença apenas da Universidade Federal com 14 trabalhos. Levando em consideração o contexto de produção em que está sendo realizada esta tese, faz-se relevante destacar o lugar ocupado pelo Programa de Pós-Graduação em Educação da UFES, no âmbito do GT Currículo e suas diferentes sessões. Em número de trabalhos a UFES representa a 4ª instituição do sudeste e a 5ª do Brasil em publicação. Um fato que nos chama atenção concerne à centralidade da produção em um único pesquisador, Carlos Eduardo Ferraço. Este autor circula da 22ª à 31ª reunião, exceto na 25ª. Somando todas as participações observamos o quantitativo de 9 colaborações, sendo 2 nas sessões Minicursos (25ª e 30ª Reuniões Anuais) e 2 Trabalhos Apresentados (22ª a 23ª Reuniões Anuais). Há um predomínio de publicação por parte desse autor na sessão Trabalhos Encomendados com 5 (27ª a 31ª Reuniões Anuais) produções, sendo que dessas uma foi elaborada em parceria com Janete Magalhães Carvalho e Regina Helena Silva Simões (28ª Reunião Anual) e, outra com Janete Magalhães Carvalho (31ª Reunião Anual). 165 Outro ponto a ser destacado refere-se ao lugar de publicação privilegiado pelos autores. A sessão Trabalhos Encomendados e o impresso produzido em parceria com a UNICAMP têm se constituído estrategicamente como um importante lugar para se compreender a constituição do campo do currículo no Brasil, pois é nela que diferentes grupos de pesquisas têm feito circular suas produções.39 A partir dessa sessão, é possível observar as lutas de representações que engendram as práticas discursivas dos pesquisadores e as demarcações existentes na constituição do campo científico. Pois como enfatiza Chartier (1990, p. 17), as ―[...] representações do mundo social [...] são sempre determinadas pelos interesses de grupo que as forjam‖, portanto representação pode ser compreendida como a produção de uma rede de relações‖. Existe, neste caso, na luta do campo científico, a presença de diferentes estratégias e táticas para se constituir como ator e autor com legitimidade reconhecida pelos pares. Entretanto, apesar de o campo ser concorrencial, é possível observar, ao analisarmos as produções expressas no GT, seus lugares de produção e institucionalização, os processos de reconhecimento, negociação e aproximações realizadas pelos autores, individualmente em grupos de pesquisas. Como já foi apresentado no mapa 2 e evidenciado neste capítulo, a segunda região com maior número de publicação é a Sul com 67 trabalhos, o que corresponde a 21% de produção. No quadro 5 que se segue, abordamos as publicações por instituição indicando o quantitativo por Reunião Anual da ANPEd. 18ª 19ª 20ª 21ª 22ª 23ª 24ª 25ª 26ª 27ª 28ª 29ª 30ª SUL RA RA RA RA RA RA RA RA RA RA RA RA RA UNICENTRO 1 UNIVALI 1 1 UFRGS 4 2 2 2 4 8 3 1 1 3 3 3 2 UDESC 2 UFSC 1 1 1 1 UESC 1 PUC/RS 1 UNISC 1 UNISINOS 1 1 1 UFPR 1 UFPEL 1 1 2 1 PUC/PR 1 1 TOTAL 6 2 2 2 5 9 7 2 1 3 5 9 8 31ª RA 1 1 1 2 1 6 TOTAL 1 2 39 2 5 1 1 1 3 2 7 3 67 Quadro 5 – Distribuição das publicações da Região Sul por instituição e Reuniões Anuais 39 Estamos assumindo como Trabalhos Encomendados não só as apresentações realizadas no GT Currículo, mas o impresso, formato livro, publicado em colaboração com a UNICAMP a partir da 27ª Reunião Anual. 166 A maioria da produção está concentrada no Rio Grande do Sul, com 51 estudos (77%). Naquele Estado, encontramos a presença da 4ª instituição com maior número de publicação quando comparado com o território nacional, qual seja, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, com 38 publicações, correspondendo a 76% do Rio Grande do Sul e 59% da região Sul. Como já foi mencionado, essa instituição juntamente com a Universidade Estadual do Rio de Janeiro, são as únicas que apresentam produções em todos os eventos realizados pelo GT Currículo. Dentre os autores que têm se configurado como referência, podemos destacar Tomás Tadeu da Silva com 11 textos, Sandra Corazza com 6 produções, Lizete Bampi com 4 e Alfredo Veiga-Neto com 3. Tomás Tadeu da Silva tem centrado sua produção no formato: Trabalhos Apresentados com 5 artigos (18ª, 20ª, 21ª, 23ª, 24ª Reuniões Anuais),Trabalhos Encomendados também com 5 estudos (26ª, 28ª, 29ª, 30ª, 31ª Reuniões Anuais) e Minicurso com 1 texto (23º Evento). Dentre os 14 eventos analisadas, Tomás Tadeu da Silva só não teve Trabalhos Apresentados na 19º, 25º, 27º Evento. Já Sandra Corazza tem focalizado sua produção como Trabalhos Apresentados com 4 artigos (18ª, 19ª, 20ª, 27ª Reuniões Anuais) e 2 nas Sessões Especiais (23ª e 26ª Reuniões Anuais). Lizete Bampi apresentou 4 trabalhos no período de 1999 a 2002, ou seja, da 22ª à 25ª Reuniões Anuais. O destaque dado a esse período deve-se à tentativa de compreender a ausência da autora no GT currículo e nos eventos posteriores. Um achado interessante é que suas publicações concentram-se entre a conclusão de seu mestrado e doutorado, orientados respectivamente por Tomás Tadeu da Silva e Sandra Corazza. Alfredo Veiga-Neto publicou apenas 3 trabalhos no GT, sendo que essas situam-se na Sessão Especial (30ª) e Minicursos (27ª e 28ª). Outra instituição federal de ensino superior do Estado do Rio Grande do Sul que possui autores circulando em diferentes sessões é a de Pelotas. Dos 7 trabalhos vinculados a ela, 3 têm a presença de Maria Manoela Garcia, sendo 1 Trabalho Apresentado (22ª Reunião Anual) e 2 Trabalhos Encomendados (30ª e 31ª Reuniões Anuais). 167 As produções das demais instituições que constituem o Estado do Rio Grande do Sul não apresentam dados expressivos de produção bem como autores com participações em diferentes sessões do GT. O Estado de Santa Catarina é responsável por 16% das participações originadas na região Sul. A instituição com maior publicação é a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), com metade da produção, sendo ela, juntamente com a Universidade Estadual de Santa Catarina (UESC), as únicas do Estado em que existem autores que circulam em outra sessão, para além de Trabalhos Apresentados. Assim, tanto Reinaldo Fleuri (23ª Reunião Anual) e Araci Catapan (29ª Reunião Anual) da UFSC, como Nadir Azibeiro (29ª Reunião Anual) da UESC participaram como palestrantes da Sessão Especial. É preciso enfatizar a singularidade dessa sessão, já que ela é organizada em parceria com outros Grupos de Trabalho. Seus organizadores procuram elaborar temáticas que tangenciam diferentes objetos de estudo, convidando para o debate autores que se constituem como referência em outros espaços da ANPEd. Ainda sobre a análise da produção da região Sul, o Estado do Paraná tem 6 (7%) publicações. A única instituição e os únicos autores que circulam na sessão Trabalhos Encomendados (30ª Reunião Anual) e Trabalhos Apresentados (31ª Reunião Anual) é a Pontifícia Universidade Católica do Paraná, com os pesquisadores Ana Maria Eyng e seu orientando Ricardo Chiquito. Os trabalhos da região Centro-Oeste concentram-se na Universidade de Mato Grosso do Sul (UFMS), responsável por 9 (50%) das 16 contribuições oferecidas por essa região, como pode ser observado no mapa 2 e no quadro 6 a seguir. CENTROOESTE 18ª 19ª 20ª 21ª 22ª 23ª 24ª 25ª 26ª 27ª 28ª 29ª 30ª 31ª RA RA RA RA RA RA RA RA RA RA RA RA RA RA TOTAL UFMS 1 2 2 2 1 1 9 UCDB 1 1 UCG 1 1 UnB UFG 1 1 UFMT TOTAL 1 1 1 1 2 1 2 5 3 1 1 3 2 16 Quadro 6 – Distribuição de textos da região Centro-Oeste por instituição e Reuniões Anuais 168 Verificamos que a produção expressa pela UFMS está distribuída entre a 26ª e a 31ª Reuniões Anuais e nos seguintes lugares: 3 Trabalhos Encomendados (28ª, 30ª e 31ª Reuniões Anuais), 5 Trabalhos Apresentados (25ª à 28ª Reuniões Anuais) e 1 Sessão Especial (29ª Reunião Anual). Entre os autores da região Centro-Oeste, destacam-se Eurize Caldas Pessanha que possui 4 Trabalhos Encomendados (28ª a 31ª Reuniões Anuais), 1 Trabalho Apresentado, 1 Sessão Especial, e que coordenou os Trabalhos Apresentados da 29ª Reunião Anual. Dentre essas publicações, 3 Trabalhos Encomendados foram efetuadas em parceria com Fabiany Tavares Silva (29ª a 31ª Reuniões Anuais), como pode ser verificado nos Apêndices B, C, D, E. Ao tomarmos como objeto de análise a produção da região Centro-Oeste, é possível ressaltar que Fabiany Tavares Silva publicou ainda mais 2 Trabalhos Apresentados (27ª e 28ª Reuniões Anuais). As Universidades Federais de Goiás, Campina Grande e de Brasília são representadas por autores que participaram apenas da Sessão Especial. Nas duas primeiras universidades, observamos a presença de uma mesma autora Iria Brzezinski (23ª e 28ª Reuniões Anuais). Foi a primeira vez que encontramos instituições que configuraram autores em apenas uma sessão, no caso a Especial. Um outro exemplo desse caso foi encontrado na região Nordeste, com a Universidade Federal de Pernambuco, que tem apenas 1 trabalho na mesma sessão. A característica editorial da Sessão Especial favorece para que surja esse tipo de situação, conforme já foi destacado neste trabalho. Como esse lugar de produção possui característica de congregar diferentes GTs, possivelmente alguns autores circulam em outros Grupos de Trabalho como pode ser verificado na Sessão Especial. A região Nordeste tem 18 publicações distribuídas em 8 Universidades, conforme quadro 7: 169 NORDESTE UFBA UNEB UFPB UFPE UFCG UFMA UFRN UFC TOTAL 18ª 19ª 20ª 21ª 22ª 23ª 24ª 25ª 26ª 27ª 28ª 29ª 30ª 31ª RA RA RA RA RA RA RA RA RA RA RA RA RA RA TOTAL 2 1 1 3 1 1 1 3 1 1 1 1 1 1 1 1 1 4 1 1 2 3 1 1 1 1 1 1 1 1 1 2 3 5 2 18 Quadro 7- Publicação por instituição nas Reuniões Anuais da Região Nordeste Dentre as Universidades que compõem o cenário da produção da região Nordeste no GT Currículo, tem se destacado, em número de trabalhos, a Universidade Estadual do Rio Grande do Norte, com 3 (16%). Débora Maria do Nascimento, responsável por 2 Trabalhos Apresentados (29ª e 30ª), se destaca por fazer circular mais de um estudo no GT Currículo. Já Moisés Domingos Sobrinho, coordenou, na 28ª Reunião Anual, os trabalhos desenvolvidos na Sessão Especial. No que tange ainda à região Nordeste, verificamos que apenas a Universidade Estadual da Bahia e a de Pernambuco se fazem presentes em mais de uma sessão. Especificamente na UNEB, observamos a publicação de 2 Trabalhos Apresentados no 20º e 25º Evento e a coordenação da Sessão Especial feita por Elizeu Clementino de Souza na 30ª Reunião Anual. Por fim, precisamos destacar que a Universidade Federal de Pernambuco é a única instituição da região Nordeste representada em três sessões. Dentre as autoras, destacam-se Maria Zuleide Pereira e Eliza Pereira Gonçalves. A primeira é responsável por 2 textos que compõem Trabalhos Apresentados e Trabalhos Encomendados nas 30ª e 28ª Reuniões Anuais. Já Eliza Pereira Gonçalves coordenou a Sessão Especial da 27ª Reunião Anual. A região Norte é a que apresenta o menor número de produções (4), quando comparados as demais do Brasil, desses 3 estão situados no Estado do Pará e 1 no Tocantins, conforme quadro 8. NORTE UFPA UTO UEPA TOTAL 18ª RA 19ª 20ª RA RA 1 1 2 21ª RA 22ª 23ª 24ª 25ª RA RA RA RA 26ª 27ª 28ª 29ª RA RA RA RA 1 1 1 1 30ª 31ª RA RA TOTAL 2 1 1 4 170 É preciso destacar, que todas as publicações da região Norte foram realizadas no formato Trabalhos Apresentados. Dentre os autores destaca-se Josenilda Maués da Silva da Universidade Federal do Pará, que apresentou 2 pesquisas (28º e 29º Congresso). Geograficamente falando, esta é a região com menor número de representantes por Estado, ou seja, dois dos sete Estados que constituem a região Norte, como pode ser verificado no mapa 2. A região Nordeste por exemplo, tem produção vinculada em seis dos nove Estados que a compõem; já a Sul, a Sudeste e a Centro-Oeste possuem representantes de todos os Estados. Esses dados nos remetem a discussão realizada pela Revista Brasileira de Educação sobre a política de descentralização da produção científica, que tem sido uma das grandes dificuldades encontradas no projeto editorial do periódico. Nesse caso, como estabelecer uma política de descentralização desvinculada de um projeto de fortalecimento da pós-graduação nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste? É evidente que estamos tratando, neste estudo, especificamente, da produção vinculada no GT Currículo e na Revista Brasileira de Educação; contudo, os dados gerados dessas análises nos oferecem algumas pistas sobre a produção acadêmico-científica e sua relação com a pós-graduação. Um exemplo dessa assertiva pode ser identificada na quantidade de instituições por região e Estado. A região Sudeste é a que tem maior número de instituições vinculadas nas diferentes sessões que compõem o GT Currículo, correspondendo a 28 (49%). Na sequência temos a região Sul com 12 (21%), a Nordeste com 9 (15%), a Centro-Oeste com 6 (10%) e a Norte com 3 (5%) instituição. Lopes e Macedo (2007) ao efetuarem uma pesquisa sobre as teses e dissertações produzidas no período de 1996 a 2002 pelos Programas de Pós-Graduação em Educação no País que assumem como objeto de estudo currículo e seus diferentes diálogos com a educação básica, evidenciam uma grande quantidade de produção distribuídas em 65 Programas. 171 Com base no levantamento das informações sobre áreas de concentração, linhas e projetos de pesquisa dos 65 Programas de Pós-Graduação, as autoras encontram em 28 programas que possuem linha na área de currículo ou que faz menções nas definições das linhas a palavra currículo, como pode ser visto no quadro 9 abaixo. PROGRAMAS FURG PUC-SP PUC-SP PUC-MG UCB UCGO UERJ UFBA UFC UFMT UFPE UFPR UFRGS UFRJ UFRN UnB UNESP-Araraquara UNESP-Pres. Prudente UNISINOS UNIVALI USP PUC-Rio UNICAMP UNIJUÍ UNIMEP UFES UFF UFMG LINHAS Linha "Educação ambiental: currículo e formação de professores" Programa específico - Supervisão e Currículo Linha "Intelectuais, impressos e instituições educacionais", com menção a currículo em sua descrição Linha "Escola, currículo e conhecimento escolar" Linha "Dinâmica curricular e ensino-aprendizagem" Linha "Teorias da educação e processos pedagógicos" Linha "Cotidiano e cultura escolar" Linha "Currículo e tecnologias da informação e comunicação" Linha "Educação, currículo e ensino" Linha "Instituições escolares, saberes e práticas educativas" em que a descrição explicita "currículo e avaliação" Linha "Formação de professores e práticas pedagógicas" explicita temáticas de currículo na descrição Linha "Currículo, conhecimentos e saberes nas práticas escolares" Eixo "Cultural, currículo e sociedade" e pesquisa em outro eixo Linha "Currículo: teorias e práticas" /// Área: currículo e ensaio Linha "Práticas pedagógicas e currículo" Linha "Organização do trabalho pedagógico" Linha "Ensaio dos conteúdos escolares" Linha "Políticas públicas, organização escolar e formação de professores", com menção a currículo em sua descrição Linha "Currículo, cultura e sociedade" Linha "Formação docente e identidades profissionais", com menção a currículo em sua descrição Linha "Ensaio de ciências e matemática", com menção a currículo em sua descrição Não há linha específica - há um projeto que trata de currículo Menções a currículo em diferentes linhas Menções a currículo em pesquisas de duas linhas Menções a currículo em projetos de duas linhas Não há linha específica. Há pesquisadores que publicam na área de currículo Não há linha específica. Há pesquisadores que publicam na área de currículo Não há linha específica. Há pesquisadores que publicam na área de currículo Quadro 9 – Situação dos Programas quanto à existência de atividade institucional em Currículo Fonte: Adaptado de Macedo (2007) Ao efetuar uma pesquisa nos sites dos 28 Programas de Pós-Graduação indicados por Lopes e Macedo (2007) que não apresentavam áreas de concentração, linhas e/ou projetos de pesquisa sobre currículo, observamos que a Universidade Federal do Espírito Santo criou a linha Cultura, Currículo e Formação de Educadores; a Universidade Federal de Minas Gerais abriu a linha Educação Escolar: Instituições, Sujeitos e Currículos; e a Universidade de Ijuí construiu a linha Currículo e Formação de Professores. A criação de linhas específicas de pesquisas nos referidos Programas já tinha sido anunciada por Lopes e Macedo (2007) ao destacarem, conforme quadro apresentado anteriormente, a presença de pesquisadores de currículo ou a menções da palavra currículo em diferentes linhas e/ou projetos. 172 Ao estabelecermos uma análise comparativa dos estudos de Lopes e Macedo (2007) com os dados produzidos neste capítulo, verificamos que, das instituições em que há linhas de pesquisa sobre currículo, apenas a Universidade de Ijuí (Unijuí), Universidade Federal do Rio Grande (FURG), Universidade Católica de Brasília (UCB), Universidade Católica de Goiás (UCGO) e Universidade Metodista de Piracicaba (UNIMEP) não tiveram publicações presentes nas diferentes sessões que configuram o GT Currículo e a Revista Brasileira de Educação no período de 1995 a 2008. Observamos também que as demais instituições em que há linhas de pesquisa ou que fazem menção sobre currículo representam 234 trabalhos publicados no GT. Das 23 instituições que possuem linhas de pesquisa, menções à currículo em outras linhas ou pesquisadores que se apresentam como autores de trabalhos vinculados no GT e na Revista Brasileira de Educação, 13 são da Região Sudeste, 4 da Sul, 4 da Nordeste, 2 Centro-Oeste e nenhum do Norte. Esses dados reforçam a tese sobre os programas de Pós-Graduação e a produção vinculada nas fontes que constituem este trabalho. Contudo, quando comparamos esses dados com a produção das instituições em que não há linhas de pesquisa, menções sobre currículo ou programas de Pós-Graduação em Educação, verificamos que o quadro se modifica drasticamente. Assim, das 37 instituições apresentadas por Lopes e Macedo (2007) apenas 12 tiveram publicações ou no GT Currículo e/ou na Revista Brasileira de Educação. Com base nesses dados iniciais, efetuamos um levantamento das demais instituições que tiveram autores com trabalhos publicados e/ou participaram como coordenadores de sessões do GT Currículo da ANPEd, configurando o quadro 10 a seguir. PROGRAMAS PUC-PR PUC-RS UCDB UNISO UFPA UEPA UNIRO UDESC UFG UFJF UFMA UFMT UFPB UFPel UFSC UFU UTO LINHAS Não há linha de pesquisa Não há linha de pesquisa Não há linha de pesquisa Não há linha de pesquisa Não há linha de pesquisa Não há linha de pesquisa Não há linha de pesquisa Não há linha de pesquisa Não há linha de pesquisa Não há linha de pesquisa Não há linha de pesquisa Não há linha de pesquisa Não há linha de pesquisa Não há linha de pesquisa Não há linha de pesquisa Não há linha de pesquisa Não foi encontrado Programa de Pós-Graduação em Educação 173 UERN UFCG CEFET UNIPAC SMEJF FUIT ESNUG/CF IMS CENPEC-SP CUML FCC UNISC UESC UNICENTRO Não foi encontrado Programa de Pós-Graduação em Educação Não foi encontrado Programa de Pós-Graduação em Educação Não foi encontrado Programa de Pós-Graduação em Educação Não foi encontrado Programa de Pós-Graduação em Educação Não foi encontrado Programa de Pós-Graduação em Educação Não foi encontrado Programa de Pós-Graduação em Educação Não foi encontrado Programa de Pós-Graduação em Educação Não foi encontrado Programa de Pós-Graduação em Educação Não foi encontrado Programa de Pós-Graduação em Educação Não foi encontrado Programa de Pós-Graduação em Educação Não foi encontrado Programa de Pós-Graduação em Educação Não foi encontrado Programa de Pós-Graduação em Educação Não foi encontrado Programa de Pós-Graduação em Educação Não foi encontrado Programa de Pós-Graduação em Educação Quadro 10 – Situação dos Programas quanto à existência de atividade institucional em Currículo Fonte: Adaptado de Lopes e Macedo (2007) Dentre as instituições que não estavam presentes na pesquisa de Lopes e Macedo (2007) e que possuem Programas de Pós-Graduação em Educação, temos, na região Norte e Nordeste, a presença das Universidades Federal e Estadual do Pará, a Universidade Federal do Ceará. Da região Sudeste, a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, e da Sul, a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e a Universidade Estadual de Santa Catarina. Uma análise geral da territorialização e Programas de Pós-Graduação indica que 4 estão alocados na região Sudeste e Sul, 3 na Centro-Oeste e 2 na Nordeste e Norte. Ao comparar o número de Programas por região e quantidade de trabalhos divulgados no GT, oferecemos maior visibilidade a relação existente entre produção e Programas de Pós. Quando somamos os Programas destacados no quadro 10 e os que não possuem linhas de pesquisa específica sobre currículo, chegamos ao número de 39 instituições com publicação no GT Currículo e na Revista Brasileira de Educação. A distribuição por região desses programas se manifesta da seguinte maneira: 17 instituições no Sudeste, 10 na Sul, 6 na região Nordeste, 4 na Centro-Oeste e 3 no Norte. Ao suprimirmos os Programas de Pós-Graduação apresentados por Lopes e Macedo (2007) que não tiveram trabalhos produzidos no GT Currículo e na Revista Brasileira de Educação, bem como inserirmos as instituições que não possuem Pós-Graduação em Educação, conforme levantamento efetuados nos sites de todas as entidades presentes nas fontes estudadas, chegamos ao número de 31 instituições . 174 Das 15 instituições em que não há Programas em Educação, como destacado no quadro 10, 9 estão situadas na região Sudeste, sendo 5 de Minas Gerais, 3 de São Paulo e 1 do Rio de Janeiro. Da região Sul temos apenas 3, uma de cada Estado, da Nordeste 2, 1 em Pernambuco e outro no Rio Grande do Norte e, por fim, 1 no Tocantins. Quando traçamos um paralelo entre a produção dos Programas de Pós-Graduação, que possuem trabalhos vinculados no GT Currículo, verificamos que, das 23 instituições, conforme foi destacado no quadro 9, 14 estão presentes em mais de uma sessão. Quando observamos os 16 Programas de Pós-Graduação em Educação em que não há linhas de pesquisa, esse número reduz para 6 Universidades. A maior queda é observada nas instituições em que não existem Programas, assim, de 15 universidades apenas 2 circulam em outras sessões que não compreendem Trabalhos Apresentados.40 Essa tem sido a tônica da maioria das instituições em que não há Programa de PósGraduação. Uma outra característica importante é que essas instituições aparecem de maneira esporádica no formato Trabalhos Apresentados. Percebemos, nesse caso, uma variabilidade de autores e instituições publicando nessa sessão. Na maioria das vezes, conforme análise dos currículos, esses pesquisadores apresentam os dados referentes ao estudo de mestrado ou doutorado. Por outro lado, a análise da permanência dos autores, bem como a contribuição em diferentes formas, tem demarcado o nome dos professores orientadores dos Programas de Pós-Graduação como os grandes contribuidores do debate e da constituição do campo do currículo no Brasil. De maneira geral, o panorama evidenciado pela regionalização e a institucionalização da produção acadêmica circulada no GT Currículo e na Revista Brasileira de Educação, indica-nos a necessidade de uma releitura de um dos principais critérios de avaliação dos impressos da comunidade científica, qual seja, a endogenia. Nesses termos, tomando como referência a figura que representa o mapa 2, os quadros 9 e 10 e os Apêndices B, C, D, E, podemos destacar que, na produção sobre currículo 40 Nas instituições em que há linhas de pesquisa, encontramos PUC-SP, PUC-MG, UERJ, UFBA, UFMT, UFPE, UFRGS, UERJ, UNIVALI, UNICAMP, UFES, UFF E UFMG. Já nas Universidades em que só temos Programas de Pós-Graduação, ganha relevo PUC-PR, UNIRIO, UFJF, UFMT, UFPB e UFPEL. Nas instituições em que não há Programas, temos UNIPAC e CUML. 175 apresentadas neste trabalho, a endogenia se faz necessária, entre outros fatores, por centrar-se nos professores da pós-graduação, em que estão as principais linhas de pesquisa sobre currículo no Brasil, portando formadores de novos pesquisadores. Esses professores são formadores de novos pesquisadores que se inserem também em programas de Pós-Graduação, mas ao mesmo tempo mantém em suas produções as marcas dos orientadores. Uma leitura dos diferentes grupos de pesquisa que circulam nas fontes estudadas, revela bem esse movimento de aproximação com os orientadores e instituições formadoras. Ou seja, observamos a criação de grupos interinstitucionais formado, na maioria das vezes, pelos professores e seus ex-orientandos que se encontram na condição de professor de Pós. Verificamos nessa trama a tessitura de uma rede que estabelece fugas de tempos, espaços e lugares, já que as instituições de referência no campo do currículo no Brasil e seus professores orientadores formam novos professores, que também formam outros pesquisadores. Assim, mapeamos duas, três, quatro gerações de formadores. Diante desse contexto, ao invés de chamarmos a atenção para a endogenia, é necessário ter uma leitura positiva do importante papel cumprido por esses programas e seus orientadores na formação e produção científica sobre currículo no Brasil. Nesse ponto, é preciso destacar que a própria identificação realizada por Lopes e Macedo (2007) sobre os orientadores das teses e dissertações sobre currículo e educação básica no período de 1996 a 2002 aproxima-se dos pesquisadores que têm circulado no GT Currículo e da Revista Brasileira de Educação. Constituir-se como pesquisador formador e com grande circularidade na produção curricular circunscrita na produção analisada neste trabalho parece, como veremos no próximo capítulo, ser condição fundamental para se colocar no campo como autor de referência. A própria configuração dos coordenadores do GT nos fornece pistas interessantes para podermos observar a constituição do campo científico do currículo e a definição das vozes autorizadas e com autoridade a falar, ou melhor, a coordenar as ações desenvolvidas no GT. Assim, dos coordenadores, Antonio Flavio Barbosa Moreira (1994-1995), Nilda Alves (1996-1997), Alfredo Veiga-Neto e Elizabeth Macedo (1998-1999), Alice Casimiro Lopes e 176 Regina Cunha (2000-2001), Sandra Corazza e Carlos Eduardo Ferraço (2002-2003), Inês Barbosa de Oliveira e Antonio Carlos Amorim (2004-2005), Antonio Carlos Amorim e Eurize Pessanha (2006-2007), Elizabeth Macedo e Roberto Sidnei Macedo (2008-2009),41 apenas Regina Cunha não foi destacada como autora com presença marcante nas análises efetuadas neste capítulo. O lugar de formação dos pesquisadores denota uma centralização na região Sul e Sudeste, ou seja, apesar de observarmos a presença de representantes de todas as regiões do país e um número significativo de instituições, totalizando 58, existe uma concentração da formação em algumas instituições. Uma análise da formação dos autores que publicaram Trabalhos Apresentados nos oferece, conforme quadro 11 em Apêndice F,42 alguns elementos para compreendermos o discurso sobre a territorialização da pós-graduação no Brasil, bem como a grande diversidade de autores com baixa permanência no GT Currículo. É preciso destacar também que a maioria dos trabalhos publicados são originários dos mestrados e doutorados, alguns publicados com os próprios orientadores, entretanto os autores desses trabalhos não mantêm uma permanência de produção vinculados ao GT e a Revista Brasileira de Educação, como demonstramos durante a elaboração deste capítulo. Os dados referentes à produção dos estudos no campo do currículo e sua vinculação com as instituições de ensino superior se aproximam das análises sobre os programas de pósgraduação. Dito de outro modo, a produção vinculada no GT por Estado tem sido acompanhada pela formação de mestres, doutores e pós-doutores. A região Sudeste se apresenta como a maior formadora de mestres e doutores que publicam nas fontes estudadas. Em números, verificamos que esta região formou 83 mestres, 79 doutores e 14 pós-doutores. 41 Os demais coordenadores do GT foram: Ana Maria Saul (1986-1987), José Luiz Domingues (1988-1989), Iracema Lima Pires Ferreira (1990-1991), Terezinha Fróes Burnham (1992-1993). 42 Apresentamos no quadro 11 o mapeamento da formação tipo (mestrado, doutorado e pós-doutorado) e instituição. 177 O Estado do Rio de Janeiro é o primeiro com relação à formação de pesquisadores apresentando: 42 mestres, 38 doutores, 4 pós-doutores. Quanto à instituição formadora, a Universidade Estadual do Rio de Janeiro apresenta: 14 mestres, 13 doutores e 4 pósdoutores; a Federal do Rio de Janeiro com 7 mestres e 12 doutores; a PUC do Rio com 9 doutores e 9 pós-doutores. Essas instituições têm se constituído, tomando como referência os números, como as principais formadoras de pesquisadores que publicam Trabalhos Apresentados, conforme Apêndice B. Um fato interessante é que a maioria dos professores que fazem mestrado, doutorado e pós-doutorado no Rio de Janeiro são originários de instituições da região Sudeste. Observamos apenas 1 mestrado e 1 doutorado de professores da região Sul, e 2 doutores da região Centro-Oeste. Esse panorama é visualizado quando analisamos o Estado de Minas Gerais, com formação de 13 mestres, 5 doutores e 1 pós-doutor. Esse é o 4º Estado do Brasil em número de formação de pesquisadores vinculados a pós-graduação, no qual, ganha destaque a Universidade Federal de Minas Gerais, com 8 mestres, 5 doutores e 1 pósdoutor. Essa é a única instituição de Minas Gerais que forma pesquisadores vinculados a outros Estados para além do Sudeste, no caso, Rio Grande do Sul, com 4 mestres e 1 doutor. O Estado de São Paulo é o segundo do Brasil em formação de pesquisadores, apresentando uma quantidade de 25 mestres, 36 doutores e 9 pós-doutores. O programa de pós-graduação com maior destaque quando analisados os números é o da PUC/São Paulo, com a formação de 8 mestres e 15 doutores, seguido pelo da USP com 3 mestres, 5 doutores e 5 pós-doutores e pelo da UNICAMP com 10 mestres, 12 doutores e 4 pósdoutores. Diferente do Rio de Janeiro, encontramos no Estado de São Paulo um quantitativo maior de formação de professores, configurando-se da seguinte maneira: 6 doutores com publicações vinculadas às instituições da região Sul, apresentado 3 no Estado do Paraná, e 2 em Santa Catarina , 2 do Rio Grande do Sul, 2 mestrados e 2 doutorados no Pará, 1 mestre, 4 doutores e 1 pós-doutor do Nordeste, encontramos 1 doutor da Bahia, 1 mestre, 1 doutor e 1 pós-doutor no Maranhão. Na região Centro-Oeste, observamos a presença de instituições de Mato Grosso do Sul, com 2 mestres, 4 doutores e 1 pós-doutor. 178 A região Sul representa a segunda região com maior número de formação de professores que publicam artigos na sessão Trabalhos Apresentados. Dos 34 mestres e 26 doutores formados na região Sul, 20 mestres e 21 doutores fizeram suas pós-graduações no Estado do Rio Grande do Sul. A formação concentra-se na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, com 18 mestres e 19 doutores. O Estado do Paraná é responsável pela formação de 8 mestres, 3 doutores, distribuídos em 5 programas de pós-graduação. Já o Estado de Santa Catarina é responsável pela formação de 6 mestres, 2 doutores, todos formados na Universidade Federal de Santa Catarina. A formação realizada no Sul tem privilegiado os professores de sua própria região. Nesses termos, observamos a presença de apenas 2 mestrados e 1 doutorado de pesquisadores do Estado do Rio de Janeiro, 1 mestrado e 1 doutorado de professores do Ceará e 1 doutorado de autor do Tocantins. A região Nordeste é a terceira do Brasil em número de professores formados em mestrado, doutorado e pós-doutorado, correspondendo a 11 mestres, 6 doutores, e 1 pósdoutor. A maior parte dessa formação foi realizada na Universidade Federal da Bahia, com 6 mestres, 2 doutores e 1 pós-doutor. Essa é a única instituição do Nordeste que formou autores de outras regiões do país, apresentando 1 mestre e 1 doutor de Santa Catarina; 1 mestre e 1 doutor de Minas gerais; 1 mestre de São Paulo e de Mato Grosso do Sul e 1 pós-doutor de Tocantins. Na sequência de análise da região Nordeste, encontramos a Universidade Federal da Paraíba com 2 mestres e um 1 doutor, a Universidade Federal de Pernambuco com 2 mestres e a Universidade Federal do Rio Grande do Norte e do Ceará com 1 doutor cada. Por fim, a região Centro-Oeste configura-se com a formação de 5 mestres distribuídos nas seguintes instituições: 2 na Universidade Federal de Mato Grosso e Universidade Federal de Goiás, e 1 na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Dentre os autores e instituições, observamos que desses mestres um é do Rio de Janeiro e outro do Tocantins. Nesses termos, encontramos a presença de apenas 2 mestres e 1 doutor no Estado do Rio de Janeiro, 1 mestre e 1 doutor no Ceará e 1 doutor no Tocantins. 179 De maneira geral, verificamos, conforme destaque nos Apêndices B, C, D, E, que a produção da maioria dos autores está vinculada à instituição de formação, e que, os programas de pós-graduação têm privilegiado a formação de pesquisadores das cidades, Estados e região concernentes a cada programa. Essa perspectiva tem favorecido a constituição do campo do currículo que circula na ANPEd, sua institucionalização e a formação de grupos de pesquisa. Outro aspecto interessante está no fato de alguns programas de Pós-Graduação, sobretudo da Região Sudeste e Sul, formarem pesquisadores que posteriormente retornam à instituição na condição de professor, tanto da graduação como da pós-graduação, o que favorece a formação de novos pesquisadores e o fortalecimento dos grupos de pesquisa por instituição. Uma outra questão merecedora de novos estudos remete ao fato de que alguns autores, com vínculo em outras instituições, manterem suas produções atreladas aos programas de pós-graduação a que estão ligados. Essa vinculação se faz presente tanto no momento da formação como também em seu término. Um dos motivos que tem favorecido essa ação está no fato de as publicações efetuadas pelos autores serem originários dos mestrados, doutorados e pós-doutorados, não importando assim o período em que essa publicação é realizada. 4.3 A INTERNACIONALIZAÇÃO E A CONSTITUIÇÃO DO CAMPO DO CURRÍCULO A análise do processo de internacionalização e sua influência na constituição do campo do currículo no Brasil revela as iniciativas realizadas pelos projetos editoriais do GT Currículo da ANPEd e da Revista Brasileira de Educação. Assim, especificamente no GT verificamos a presença de autores estrangeiros em quase todas as Reuniões Anuais, como apresentamos no quadro 12: 180 18ª 19ª 20ª 21ª 22ª 23ª 24ª 25ª 26ª 27ª 28ª 29ª ESTRANGEIRO RA RA RA RA RA RA RA RA RA RA RA RA PORTUGAL Univ. Porto 1 Univ. Minho 1 ALEMANHÃ IBB 1 ARGENTINA UNQ 1 UNLP 1 UBA 2 1 2 1 1 USA Univ. Brighton 1 PARIS Univ. Paris VIII 1 TOTAL 2 1 0 1 0 1 3 1 1 0 1 1 30ª RA 31ª RA 2 1 1 TOTAL 4 2 1 1 1 1 8 1 1 4 2 2 20 Quadro 12 – Distribuição de artigos estrangeiros por instituição e Reuniões Anuais O diálogo estabelecido no GT Currículo tem privilegiado a publicação dos autores da Argentina, responsável por 10 (50%) das 20 produções estrangeiras, sobretudo no que se refere à Universidade de Buenos Aires, com 8 publicações, 40% da produção total. Uma característica importante da produção expressa pelas três instituições argentinas está no fato de apenas um dos dez trabalhos serem apresentados na sessão Trabalhos Encomendados, sendo os demais estudos publicizados na sessão Trabalhos Apresentados. É importante lembrar que essa é uma sessão com publicações espontâneas, que depende da seleção feita pelo Comitê Científico do GT. Estamos destacando que tanto as Sessões Especiais, Trabalhos Encomendados e Minicursos se configuram pelo convite realizado pelos organizadores do GT aos pesquisadores da área. Dentre os autores, o único que está presente com produção situada nas sessões Trabalhos Apresentados e Trabalhos Encomendados é Suares (1995; 2008). Dentre os autores que mais publicaram ganha destaque Feldman (1995, 1996, 2001), com o texto divulgado em 1995 e elaborado em parceria com Palamidessi, autor esse que possui outro trabalho em 2001. O segundo país com maior número de publicações é Portugal com 5 participações, 3 da Universidade do Porto, e 2 da Universidade do Minho. Na reunião número 30 observamos a participação de José Machado Pais na Sessão Especial; já na reunião número 31, na sessão Trabalhos Encomendados, verificamos a participação da palestrante Calinda Leite, ambos professores da Universidade do Porto. 181 Da Universidade do Ninho, o destaque é dado na sessão Trabalhos Encomendados à palestra de João Menelal Parasqueva, realizada na 30ª Reunião Anual. Dessa mesma instituição, encontramos ainda a participação de José Machado Pacheco na Sessão Especial da 24ª Reunião Anual. Ainda no que se refere ao processo de internacionalização, é importante destacar a contribuição oferecida por Bernad Charlot e Jacques Revel, ambos da Universidade de Paris. Nessa sessão encontramos, também a participação, na 29ª Reunião Anual, do pesquisador Ivor Goodson, da University of Brighton. Como foi salientando no capítulo anterior, o trabalho apresentado por Goodson (2007) nessa reunião foi também publicado na Revista Brasileira de Educação número 35. Esse foi o único pesquisador de outro país a fazer sua produção circular nos dois impressos tomados como fonte de estudo desta tese. De maneira geral, a maioria das colaborações internacionais, sobretudo, Portugal, Estados Unidos e Paris, centram seus estudos nas Sessões Especiais. No tocante específico a Portugal, encontramos duas publicações no formato Trabalhos Encomendados. Entretanto, quando analisada a produção das instituições oriundas da Argentina, esse dado se inverte, já que dos 10 trabalhos encontrados, 8 estão situados na sessão Trabalhos Apresentados. Diante do exposto, a análise do processo de internacionalização do debate sobre currículo no Brasil precisa ser feita tomando como base: os referenciais teóricos assumidos nos trabalhos; os usos e apropriações feitos desses referenciais; a circulação de autores nos congressos e eventos realizados no Brasil, bem como de autores brasileiros em outros países; o lugar ocupado pelos autores e as políticas editoriais dos eventos e da Revista Brasileira de Educação; a divulgação de diferentes formas de comunicações (impressos, mídias, etc.); as próprias instituições chanceladoras e sua representação no âmbito da produção acadêmica; a formação de pesquisadores brasileiros em instituições fora do Brasil, etc. Como pode ser elucidado, a questão do processo de internacionalização depende de uma leitura ampla que confere um olhar múltiplo sobre os modos de consumo da produção de 182 autores de fora do Brasil nos estudos nacionais. Assim, o processo de interação entre o pensamento curricular brasileiro, que busca a construção de sua identidade própria, e a experiência de outros países, especialmente os de língua inglesa que têm influenciado mais profundamente o campo no Brasil, faz com que a história do currículo no Brasil intercepte a produção internacional (MACEDO, FUNDÃO, 1996). Uma análise mais detalhada dos estudos no campo do currículo evidenciam que o processo de internacionalização se constitui como uma marca da produção brasileira, antecedendo as discussões emergentes do movimento de reconceptualização. De acordo com Moreira (2002, 2005), Macedo e Fundão (1996), Schmidt (2003) e Warde (1995), desde os primeiros estudos é possível encontrar um intenso diálogo com os autores como Ralph Tyler, John Dewey, Jerome Bruner, Bobbit, Herbart, Claparéde, Piaget, Ausubel, Lev Vygotski. Macedo e Fundão (1996), ao analisarem a produção veiculada no GT Currículo da ANPEd, no período correspondente ao ano de 1990 à 1995, nos apresenta a seguinte configuração dos autores de referência: Fig. 34 – Distribuição de autores de referência Fonte: Macedo e Fundão (1996) Moreira (2002), ao ampliar o foco de análise sobre os trabalhos apresentados no GT Currículo para o período de 1996 a 2000, fornece uma visão do campo do currículo no Brasil, dando conta do "[...] movimento dinâmico de ideias, teorias e modelos entre 183 diferentes países, assim como evitando análises que, embora reconhecendo a existência de interações e resistências, dão importância secundária à esfera cultural no processo de formação de um campo de estudos" (MOREIRA, 2003, p.182). Nesse caso, o autor identifica a permanência, quando comparado ao estudo de Macedo e Fundão (1996), dos seguintes autores estrangeiros: Michael Apple, Cleo Cherryholmes, Jean Claude Forquin, Henry Giroux, Ivor Goodson. Moreira (2002) acrescenta ainda a essa lista a presença de novos autores no cenário da produção curricular circulada no Grupo de Trabalho da ANPEd: Basil Bernstein, Deborah Britzman, José Gimeno Sacristán,43 Peter McLaren, António Nóvoa, Thomas Popkewitz, Jurjo Torres Santomé, Valerie Walkerdine, Willian Pinar. Dentre os autores nacionais, Macedo (2002) revela o seguinte predomínio: Nilda Alves, Sandra Corazza, Paulo Freire, Alice Lopes, Antonio Flavio Moreira, Lucíola Santos, Tomaz Tadeu da Silva, Alfredo Veiga-Neto. Excluindo Paulo Freire, as analises realizadas nesta tese indicaram também a presença marcante desses autores, bem como a inserção de outros, na configuração dos diferentes lugares de produção que configuram o projeto editorial do GT Currículo e da Revista Brasileira de Educação. Entretanto, não podemos afirmar ainda que esses autores têm se constituído como referencial teórico brasileiros dos estudos produzidos no campo do currículo, reflexão essa, que só será possível na apresentação do próximo capítulo, já que iremos analisar a produção científica por grupo de pesquisa, seus autores de referência, os usos e apropriações efetuadas desses pesquisadores para assim definirmos a constituição do campo científico sobre currículo no Brasil. São também frequentes as citações a autores associados a outras áreas de conhecimento mantendo-se como referência os estudos de Pierre Bourdieu, Michel Foucault, Gilles Deleuze, Félix Guatarri, Jurgen Habermas, e a inserção de autores como 43 Em estudo realizado com Nunes (2008) sobre a influência do pensamento de José Gimeno Sacristán no debate da produção científica, acerca da temática Currículo veiculada nos periódicos Caderno de Pesquisa e Revista Brasileira de Educação, identificamos 22 artigos, em um universo de 1404 pesquisas, que usam o autor como referência, distribuídos nas décadas de 1980, 1990 e 2000. Desses, 17 encontram-se na Revista Caderno de Pesquisa e 5 na Revista Brasileira de Educação. Dentre as obras mais referenciadas, destaca-se Reformas educativas e y reformas del currículo e Compreender y transformar la enseñanza. Foi possível ainda, conforme o conteúdo dos textos, observar a contribuição do autor para as pesquisas que abordam Análise da Produção Científica, Política e Reformas Curriculares, Formação de Professor e Avaliação. 184 Theodor Adorno, Jean Baudrillard, Michel de Certeau, Stuart Hall, Jorge Larrosa, Edgar Morin, Nikolas Rose, Boaventura de Sousa Santos, Raymond Williams (MOREIRA, 2002).44 No estudo que busca analisar a produção de teses e dissertações sobre currículo e educação básica, Lopes e Macedo (2007) efetuam uma identificação dos autores de referência estabelecendo as associações existentes entre os pesquisadores do campo do currículo com autores da filosofia, da sociologia, da psicologia, da antropologia e das áreas específicas do campo. Para as autoras, tal associação mostra-se coerente com o hibridismo que caracteriza as produções teóricas produzidas no campo do currículo. De acordo com as pesquisadoras, os autores da sociologia do currículo que se encontram entre os mais citados, ganha destaque os estrangeiros Basil Bernstein, Ivor Goodson, Jean Claude Forquin, José Gimeno Sacristán, Michael Apple, Michael Young e Peter McLaren. Entre os brasileiros, o autor mais referenciado é Antonio Flavio Moreira, seguido pelos primeiros trabalhos de Tomaz Tadeu da Silva. Nos estudos marxistas estão presentes Dermeval Saviani, Gaudêncio Frigotto, Antonio Gramsci, bem como os trabalhos de Paulo Freire. No enfoque psicológico, é notável a referência a Vygotsky, seguida da influência dos estudos da mudança conceitual. Nos antropológicos, são fortes as referências a Jacques Gauthier, Alain Coulon e Clifford Geertz. As pesquisas de cunho histórico, como demonstram Lopes e Macedo (2007), vão desde um enfoque notadamente descritivo, marcado pelas histórias do ensino dos componentes curriculares, singularmente identificados com as legislações de ensino e propostas curriculares oficiais, até os estudos com teorização da história do currículo e das disciplinas escolares. Nos últimos, as referências a Ivor Goodson, André Chervel e aos autores da história cultural, como Roger Chartier e Carlos Ginzburg, são as que representam maior destaque. 44 O processo de internacionalização não pode ser considerada uma especificidade do campo do currículo. Em estudos que buscam efetuar um estado da arte sobre a formação de professores, Carvalho (2002), Carvalho e Simões (2003), Ventorim (2005) e Vieira (2006) e no campo da avaliação, pesquisas como as de Candau e Oswald (1995), Barreto et al. (2001), Vianna (2000) e Santos (2002, 2005) demonstram a influência do referencial teórico estrangeiro na produção acadêmico-científica. 185 Nas pesquisas relativas à complexidade, é frequente a referência a Edgard Morin, Fritjof Capra, Humberto Maturana e Varella. Muitas vezes, tais referências se associam com as discussões sobre o cotidiano, notadamente com Nilda Alves e Michel de Certeau. Já os estudos marcados pelas referências pós-críticas fundamentam-se centralmente em Michel Foucault, Stuart Hall, Alfredo Veiga-Neto, Henry Giroux e Tomaz Tadeu da Silva. Observamos que as leituras feitas por Lopes e Macedo (2007) da constituição dos autores de referência não se distanciam das demais pesquisas trazidas para o debate neste trabalho. A diferença está na identificação das áreas de conhecimento e sua associação com os autores de base, bem como no próprio mapeamento das teses e dissertações e sua relação com os programas de pós-graduação e grupos de pesquisa. Entretanto, as análises produzidas no desenvolvimento deste capítulo nos permitiram apresentar outras possibilidades para o processo de internacionalização, quais sejam, a presença dos próprios autores de referência nas diferentes sessões que configuram o projeto editorial tanto do GT Currículo da ANPEd como da Revista Brasileira de Educação. Assim, dentre todos os autores estrangeiros que circularam nas fontes analisadas, somente Wilian Pinar (2007) e Ivor Goodson (2006, 2008) estão presentes nas listas construídas por Macedo e Fundão (1996) e Moreira (2002). A multirreferencialidade produzida no campo do currículo, conforme destacam Burnham (1993), Macedo e Fundão (1996) e Moreira (2001),45 tem contribuído para a construção de diálogos com outras áreas do conhecimento, bem como com autores estrangeiros, entretanto, fica-nos a questão: quais são as apropriações realizadas pelos autores brasileiros dos pesquisadores estrangeiros? De que maneira o diálogo entre os ―[...] campos nacionais e regionais deve estar atento aos desdobramentos que se processam local e globalmente? Como se evidenciam, na internacionalização do campo, as relações de poder, não necessariamente igualitárias, entre diferentes países?‖ (MOREIRA, 2008, p. 9-10). 45 O Grupo de Trabalho de Currículo da ANPEd, em 2002, encomendou, a quatro pesquisadores, trabalhos que buscassem mapear a produção do campo tendo por base o próprio GT. Moreira (2003), Paraíso (2003, 2004) e Veiga Neto (1999), em perspectivas diversas, procuraram inventariar as produções, trabalhando com amplas categorias temáticas e teórico-metodológicas, enquanto Alves (2003) privilegiou a análise de como o cotidiano tem sido tratado anualmente nos trabalhos apresentados. De certa forma, a multiplicidade do campo foi ressaltada nos textos. 186 A partir das categorias globalização, hibridização cultural e cosmopolitismo, Moreira e Macedo (2006), Moreira (2008), chama-nos a atenção para a potencialidade e riscos evidentes do processo de internacionalização realizado no campo do currículo. Para os autores Ao mesmo tempo que se difundem os benefícios decorrentes da ampla mobilização de conhecimentos científicos de todos os tipos, esboçam-se com mais intensidade os riscos decorrentes das traduções e interpretações pasteurizadas de uma mídia globalizada, nas quais as imagens da realidade e as visões de mundo transmitidas são as que beneficiam os grupos sociais poderosos. Assim, diferentes saberes, formas de vida e visões de mundo encontram-se, atritam-se, confrontam-se, subordinam-se, renovam-se. Se o processo pode causar homogeneização, invasão, destruição de manifestações culturais, pode, por outro lado, estimular uma apropriação crítica de idéias e teorias elaboradas pelo 'outro' (MOREIRA, MACEDO, 2006). O apoio aos diálogos acadêmicos esboçados em territórios transnacionais, que se verificam no interior e além de fronteiras regionais e nacionais, constitui um esforço por aprofundar e socializar as pesquisas e os estudos que se centram no conteúdo, no contexto e no desdobramento do processo educativo, cujo foco organizacional e intelectual é o currículo (MOREIRA, 2008). Os resultados dessas negociações e traduções podem representar consideráveis conquistas para a compreensão do campo do currículo. De acordo com o autor (2008, p. 14) Nessas conversas, deseja-se a confluência, mas não a homogeneização, de distintos modos de pensar, de imaginar e de improvisar. Nelas, autonomia, respeito e cosmopolitismo precisam ocupar lugares de destaque, para que não se desvalorizem ou se subjuguem discursos, vozes e interesses locais. A característica híbrida do campo do currículo, com múltiplas referências, parece ser uma das principais marcas desse campo em diferentes partes do mundo. Além do hibridismo, destacam-se a influência das teorias críticas inglesas e americanas – ainda que recontextualizadas – em diferentes países do mundo e o foco principal em estudos sobre a melhoria da escola (LOPES, MACEDO, 2007), Ao utilizarem também o conceito hibridação para compreender os estudos sobre currículo, Lopes e Macedo (2002, 2003) argumentam que as marcas do campo são a mescla entre os discursos crítico e pós-moderno e a reterritorialização de discursos filosóficos e sociológicos, que tornam, na visão das autoras, "[...] mais difusa a constituição de uma teoria do currículo" (Lopes, Macedo, 2002, p. 48). Segundo reflexão das pesquisadoras (2007, p. 12): A multiplicidade de subsídios para a discussão curricular não vem se configurando apenas como somatório de diferentes tendências e orientações 187 teórico-metodológicas, mas como tendências e orientações que se interrelacionam produzindo híbridos culturais (Dussel, Tiramonti, Birgin, 1998). O hibridismo parece ter sido a grande marca do campo no Brasil na segunda metade da década de 1990 (Lopes, Macedo, 2003), característica que se configura como uma tendência em nível mundial (Pinar, Reynolds, Slatter, Taubman, 1995). Pinar et al. (2003) chamam a atenção para a grande variedade de vozes que constituía o campo do currículo nos EUA, numa espécie de cacofonia também salientada por Franklin (1999). Se, por um lado, essa cacofonia captura a multiplicidade de estudos e referências, por outro, traz as marcas de trabalhos isolados, que se articulam pouco para a constituição de uma área. Destacam Pinar et al. que não estão defendendo formas que definam o que o currículo pode ser, mas argumentando que o trabalho em colaboração, com autonomia para a proliferação de ideologias e metodologias, é fundamental para a maior complexidade do campo. Sacristán (2008), ao analisar o processo de internacionalização no campo do currículo no mundo globalizado, estabelece uma analogia à rede. Para ele, no mundo em rede, as partes são interdependentes, constituindo uma rede de intercâmbios, empréstimos e acordos de cooperação. É um mundo com muitas possibilidades de comunicação, cujas partes se conhecem entre si, se influenciam reciprocamente, se apoiam ou se opõem. Temos a ideia, nesse caso, de que constituiu um todo, embora com uma fraca coesão. Essa trama é o resultado de imposições dos poderosos sobre os que estão em inferioridade de condições, de hibridizações culturais, substituições, justaposições, etc. Nesse mundo, o que acontece a uma pessoa repercute sobre as demais, como se fôssemos células de um órgão ou partes de um mesmo corpo. Para o autor, a rede conecta sociedades, culturas, a atualidade das vidas de povos e indivíduos, a economia, a miséria, a poluição ambiental, os enfrentamentos ou a política. Segundo Sacristán (2008), o mundo em rede é um mundo diferente no qual se produzem conexões múltiplas entre distâncias variáveis e com conteúdos distintos, no qual o protagonismo dos diferentes Estados, povos e culturas é desigual. Todos os fios participam na rede, mas nem por isso cada fio deixa de ser o que é nem tem o mesmo peso. Essa maneira de ver a realidade que se globaliza por meio de dinâmicas complexas é atraente por ser mais adequada para compreender os fenômenos culturais, bem como o currículo derivado desses fenômenos. 188 Contudo, as interdependências são assimétricas, pois, embora todos sejamos ou estejamos nos fios de uma teia que nos prende, encontramo-nos aí de diferentes formas: alguns a tecem em maior medida que outros e outros governam, mais dos outros, o que nela acontece. Em outras palavras, há dependências, além de interdependências. A globalização, tal como vem sendo desenvolvida, une e opõe ao mesmo tempo (SACRISTÁN, 2008). Trazendo para o campo do currículo, as influências do processo de internacionalização e globalização não parecem ter sido importadas, em geral, de forma acrítica, mas, em vez disso adotaram, de alguma forma, uma autoconsciência para propósitos específicos locais. Essa perspectiva, conforme destaca Pinar, Lopes e Macedo (2006), espera que os estudiosos tornem-se conhecedores mais críticos, conscientes e seletivos em relação à apropriação acadêmica de fontes externas. A circulação dos autores estrangeiros no GT Currículo da ANPEd tem, de certa forma, apresentado pistas importantes sobre o processo de internacionalização da produção científica no Brasil, contudo, esse movimento não se restringe à ANPEd. Outros eventos estão sendo realizados no país e fora dele, com a participação de autores brasileiros, dentre os quais podemos destacar os Colóquios Luso-Brasileiros sobre Questões Curriculares, os Congressos Internacionais, Diálogo sobre Diálogos e a criação em 2001 da Associação Internacional para o Avanço dos Estudos Curriculares. Uma outra característica marcante que engendra o processo de internacionalização é a formação de professores brasileiros em universidades fora do Brasil. Dos autores que publicaram tanto no GT Currículo como na Revista Brasileira de Educação encontramos a formação de 3 mestres, 12 doutores e 11 pós-doutores fora do Brasil, ver quadro 11 em Apêndice G. Os Estados Unidos destacam-se como país em que há o maior número de pesquisadores brasileiros fazendo formação acadêmica, 5 doutores e 2 pós-doutores, distribuídos em 5 Universidades (Stanford, Chicago, Columbia, Indiana, Madson), destacam-se como o país que mais tem formado pesquisadores brasileiros que circulam nas fontes analisadas. Dentre os pesquisadores, 2 são da região Sudeste (1 UFF, 1 PUC-Rio), 4 da região Sul (1 UFRGS, 1 UFSC e 2 UFPEL) e 1 do Norte (UEPA). 189 Sobre os autores que publicaram nas diferentes sessões do GT Currículo e que vêm se constituindo como referência, conforme análises produzidas neste capítulo, podemos destacar Regina Leite Garcia que fez dois pós-doutorados, um em Maidson e outro em Londres; Elizabeth Macedo com pós-doutorado em British Columbia; e Tomaz Tadeu da Silva que cursou o doutorado na Universidade de Stanford. Esses foram os únicos pesquisadores que publicaram Trabalhos Apresentados e em outras sessões do evento. Na sequência da formação em instituições de fora do Brasil está a Espanha, especificamente a Universidade de Barcelona e de Valência, com 1 mestre, 1 doutor e 3 pós-doutores. Dentre as regiões do Brasil e instituições em que os autores da sessão Trabalhos Apresentados estão vinculados, verificamos a centralidade do Sul com 4 pesquisadores (2 PUC-PR, 1 UFPEL, 1 UNISINOS) e 1 da região Sudeste (UFMG). Das autoras que circularam em diferentes sessões do Grupo de Trabalho e que realizam seu stricto-sensu no Programa de Pós-Graduação da Universidade de Valência ganha destaque Marlucy Alves Paraíso. Já Ana Maria Eyng fez seu mestrado e doutorado na Universidade de Barcelona. A França tem se destacado também pela procura de pesquisadores brasileiros para a formação da sua pós-graduação stricto-sensu. Este país, por meio da Universidades Paris V e VIII e de Strasburg, é responsável pela formação de 3 doutores, apresentando 2 da região Sudeste, especificamente da Universidade Estadual do Rio de Janeiro. Encontramos ainda a formação de 1 doutorado da região Nordeste, Universidade Federal da Bahia.46 Do Sudeste temos o doutoramento de Nilda Alves efetuado na Universidade de Paris e Inês Barbosa de Oliveira com doutorado na Universidade de Strasburg, já Roberto Sidinei Macedo da UFBA fez seu doutorado na Universidade de Paris VIII. Na Universidade de Coimbra e do Minho de Portugal foram formados 3 pós-doutores todos da região Sudeste, UFRJ, UERJ e USP. Mais uma vez, ganha destaque a autora Inês Barbosa de Oliveira por ter feito o seu pós-doutorado na Universidade de Coimbra. 46 José Gonçalves Gondra da Universidade Estadual do Rio de Janeiro que fez seu pós-doutorado na École des Hautes Etudes en Sciences Sociales de Paris não se constitui como autor de referência nas análises produzidas neste trabalho. 190 Finalmente, encontramos ainda países como a Suíça, Escócia, Inglaterra, Alemanha e Chile que a partir das instituições de Fribourg, Glasgow, London Frankfurt e Universidade do Chile têm contribuído para a formação de 2 mestres, 3 doutores e 2 pós-doutores. Na Escócia, Chile e Alemanha, verificamos a presença de autores de instituições do Sudeste, UFRJ no primeiro caso seguido de UNICAMP, PUC-Minas e BIBB. Já a Suíça contribuiu para a formação de 1 autor da UFBA. Entre os autores o único que está presente em mais de uma sessão do evento é novamente Roberto Sidinei Macedo que cursou o seu pós-doutorado na Universidade de Fribourg, na Suíça. Dos autores que fizeram formação fora do Brasil, enfatizados neste trabalho e que não estão presentes na sessão Trabalhos Apresentados, podemos destacar: da região Sudeste, Antônio Flávio Barbosa Moreira da UFRJ, que cursou o doutorado na Universidade de London, Lucíola de Castro Paixão da UFMG, que cursou o doutorado e o pós-doutorado também na Universidade de London e Janete Magalhães Carvalho, da UFES, que fez o seu pós-doutorado no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. Diante dos dados apresentados até o momento podemos enfatizar que a grande maioria dos autores que fizeram suas pós-graduações fora do país têm a sua produção ligadas as instituições da região Sudeste, sobretudo, do Estado do Rio de Janeiro. A análise da produção vinculada no GT e na Revista Brasileira de Educação tendo como referência os diferentes lugares demarcados política e academicamente, nos oferece indícios importantes para se captar a constituição dos estudos no campo do currículo no Brasil. Nesse caso, observamos a forte presença dos orientadores dos Programas de Pós-Graduação em Educação, sobretudo, daqueles presentes nos eixos sul e sudeste. 191 CAPÍTULO V 5. ENTRE APROPRIAÇÕES E CIRCULARIDADE CULTURAL: O DEBATE SOBRE CURRÍCULO NA ANPEd O objetivo deste capítulo foi analisar a produção científica vinculada nas fontes estudadas (GT Currículo, Revista Brasileira de Educação, e Livro originário da sessão Trabalhos Encomendados), destacamos os grupos de pesquisa, autores de referência, usos e apropriações desses autores e o debate produzido no campo do currículo. Buscamos apresentar as relações de forças estabelecidas em contextos de produções e consumo do campo epistemológico delineando, no jogo convencional do universo científico produzido pelas ações táticas e estratégicas dos autores, atores e grupos de pesquisa. Os enunciados acerca desses praticantes, contextos de produções, pressupostos teóricos e suas implicações para o campo do currículo entrelaçam e tecem o processo de leitura das análises elaboradas pela ―reapropriação do texto do outro‖ e projetadas na trama deste capítulo. Ao tratar da possibilidade de ―reapropriação do texto do outro‖, Compagnon (2003) evidencia a rede de relações entre leitor e leitura que se caracteriza pela tensão e não pelo reflexo imediato e direto, o que pressupõe que a leitura introduz uma arte que não é passividade, ou como afirma Compagnon (2003, p. 143) ―[...] a leitura tem a ver com empatia, projeção, identificação. Ela maltrata obrigatoriamente o livro, adapta-o às preocupações do leitor‖ (COMPAGNON, 2003, p. 143). Essa relação instaura um tecido sem proprietários individuais, mas torna-se coletivizada quando mobilizada pela e na rede de relações do campo, o que o torna ―habitável‖. Os textos sobre currículo publicizados pela ANPEd em suas Reuniões Anuais e na Revista Brasileira de Educação, foram feitos para serem lidos, portanto, ―habitáveis‖, convidando ao seu uso para que se possam captar os sentidos da diversidade da produção escrita e perceber, mais profundamente, como se inscrevem objetos, sujeitos, grupos, conhecimento científico. Quando lidos podem sugerir infinitas leituras e mudanças. Segundo Certeau (2002, p. 49), 192 Ele [o leitor] insinua as astúcias do prazer e de uma reapropriação no texto do outro: aí vai caçar, ali é transportado, ali se faz plural como os ruídos do corpo. Astúcia, metáfora, combinatória, esta produção é igualmente uma ‗invenção‘ da memória. Faz das palavras as soluções de histórias mudas [...]. A fina película do escrito se torna um remover de camadas, um jogo de espaços. Um mundo diferente (o do leitor) se introduz no lugar do autor. Esta mutação torna o texto habitável, à maneira de um apartamento alugado. Ela transforma a propriedade do outro em lugar tomado de empréstimo, por alguns instantes, por um passante. Os locatários efetuam uma mudança semelhante no apartamento que mobíliam com seus gestos e recordações [...]. Com a apologia da impertinência do leitor, esse autor argumentou que, num ―jogo de implicações e de astúcias‖, a maneira como um texto é lido cria a possibilidade de a leitura modificar o seu objeto, de modo que esse texto lido só tem sentido em função dos seus leitores. ―O leitor é livre, maior, independente: seu objetivo é menos compreender o livro do que compreender a si mesmo através do livro; aliás, ele não pode compreender um livro se não se compreende ele próprio graças a esse livro‖ (COMPAGNON, 2003, p. 144). Para Certeau (2000, p. 266), [...] o texto só tem sentido graças a seus leitores; muda com eles; ordena-se conforme códigos de percepção que lhe escapam. Torna-se texto somente na relação á exterioridade do leitor, por um jogo de implicações e de astúcias entre duas espécies de ‗expectativa‘ combinadas: a que organiza um espaço legível (uma literalidade) e a que organiza uma démarche necessária para a efetuação da obra (uma leitura). Segundo Salim (2009), os termos mundo do texto e mundo do leitor, reforçam a concepção da leitura como um movimento, um encontro entre diferentes mundos. Uma ―produção própria do leitor‖ operada com a busca do sentido, da interpretação e da combinação de um sistema de signos sob um texto que se oferece a uma ―leitura plural‖, que se torna ―arma cultural‖. A leitura permite a criatividade, a invenção, a transgressão e a manifestação de liberdades, mesmo que somente entre os autorizados. Só por um hábito cultivado na linguagem falsa dos prefácios e das dedicatórias o escritor diz: ‗meu leitor‘. Na realidade, cada leitor é, quando lê, o próprio leitor de si mesmo. A obra do escritor é somente uma espécie de instrumento de ótica que ele oferece ao leitor a fim de permitir-lhe discernir aquilo que sem o livro talvez não tivesse visto em si mesmo (PROUST, 1927, p. 489-490). Procuramos descrever, sistematizar e interpretar as ideias trazidas pelos autores e grupos de pesquisa, habitando no texto por eles produzidos e, por sua vez, me reapropriando de maneira inventiva a fim de consumir, por meio da realidade opaca, os discursos produzidos no campo do currículo. Nesse caso, foi necessário ―Ler a realidade às avessas, partindo de sua opacidade, para não permanecer prisioneiro dos esquemas da inteligência‖ (GINZBURG, 2004, p. 14). 193 Contudo, em estudo correlato, Lopes e Macedo (2005) demonstram a constituição do campo do currículo no Brasil na década de 1990, como foi demonstrado no primeiro capítulo desta tese, focalizando suas análises nos grupos de pesquisa institucionalizados e seus coordenadores. Em recente pesquisa, as autoras (2007) voltam o olhar para a temática currículo e Educação Básica, a fim de preencher uma lacuna na produção do conhecimento, qual seja, a pesquisa tendo como fonte as teses e dissertações produzidas pelos Programas de Pós-Graduação em Educação no país. Para elas, e estamos de acordo, a falta de estudos da produção teórica elaboradas nos/pelos Programas de Pós-Graduação, comprometem a compreensão do campo, dado que boa parte da pesquisa em educação é vinculada a pós-graduação, e é nessa instância que se dá a formação dos grupos de pesquisa. Apesar de mapear as dissertações e teses de todos os Programas em que há PósGraduação em educação, as autoras centralizam suas análises nas produções expressas pela PUC/SP, UERJ, UFMG, UFRGS, UFRJ. A justificativa para tal intento está no fato de essas serem as instituições com maior número de orientações concluídas sobre currículo e educação básica. Se, na primeira pesquisa elaborada pelas autoras, o foco de análise está nos grupos de pesquisa, instituição e coordenadores, na segunda, configura-se como centralidade os programas de pós-graduação e sua produção. Em ambos os estudos garante-se força na análise das produções dos autores e programas de referência, desconsiderando as demais vozes que conferem a pluralidade de pesquisadores circulando nas fontes analisadas. Esse, por exemplo, foi um dos desafios enfrentados por esta tese, o que demandou da nossa parte, diante do grande corpus documental, um esforço considerável para ler, aproximar e discutir, com 284 textos buscando a partir deles, narrar sentidos e significações. É preciso destacar o mapeamento da produção encomendado pelo GT Currículo a três de seus membros, textos esse que foram publicados na Revista Brasileira de Educação. As características formais de análise produzidas por Paraíso (2003, 2004) se aproxima dos estudos de Moreira (2003) e Veiga-Neto (2003). A autora procura mostrar os mapas 194 formados pelas pesquisas pós-criticas sobre currículo, evidenciando expansões, fraturas, conquistas e aberturas nos quadros convencionalmente provocados no campo do currículo no Brasil. Paraíso (2003, 2004) argumenta que nos mapas montados por essas pesquisas existe uma criação: o currículo pós-crítico denominado por ela de currículomapa. As leituras dos trabalhos, prioritariamente, divulgados nos encontros anuais da Associação Nacional de Pós-Graduação Pesquisa em Educação, foram efetuadas tendo como referência as bases teóricas que lhe oferecem suporte. Não encontramos, dessa maneira, a preocupação por parte de Moreira (2003), Veiga-Neto (2003) e Paraíso (2003, 2004) em demarcar a produção tendo como base as instituições, grupos de pesquisa, programas de pós-graduação e/ou orientadores. Se por um lado essa opção favorece as aproximações entre diferentes autores e instituições, por outro, dificulta a análise da constituição do campo do currículo no Brasil ao desconsiderar os grupos de pesquisa. Um outro fator que nos parece relevante e que não foi explorado pelos autores com que temos dialogado refere-se ao lugar de produção das pesquisas e sua política editorial. Como demonstramos, a ocupação dos lugares e as ações que se manifestam nos espaços/tempos das fontes analisadas tem demarcado e explicitado nas ações estratégicas/táticas usadas no campo do currículo. Por fim, gostaríamos de salientar ainda a necessidade de colocarmos no centro da análise um dos mais importantes atores no processo de constituição do campo científico, o(a) orientador(a). A leitura com base na identificação desses atores e de seus orientandos parece-nos possibilitar a ampliação da rede entre diferentes grupos de pesquisa e instituições. Dito de outro modo, muito embora encontramos diferentes grupos de pesquisa em várias instituições do país, é possível fazer aproximações quando assumimos como referência os orientadores e os autores de base desses grupos. A complexidade dos movimentos no campo epistemológico do currículo no Brasil nas três últimas décadas, e os percursos que se entrecruzam em espaços/tempos de produção acadêmico-científica chancelados pela ANPEd apontam para possibilidade de lermos as fontes prestando devida atenção aos programas de pós-graduação, orientadores, grupos de pesquisa, referencial teórico. 195 Entretanto, levando-se em consideração a política editorial das diferentes sessões do GT Currículo, da Revista Brasileira de Educação e o objeto deste trabalho, fizemos a opção de selecionarmos para análise as sessões Trabalho Apresentado, Trabalho Encomendado, os livros publicados pelo GT em parceria com a UNICAMP, derivados da sessão Trabalhos Encomendados, e os textos veiculados na Revista Brasileira de Educação. Essa opção justifica-se pelos seguintes fatores: 1) a sessão Trabalhos Apresentados por fazer circular, mediante avaliação do comitê Científico, uma pluralidade de autores e perspectivas teóricas; 2) a sessão Trabalhos Encomendados por ser um lugar em que se manifestam, por meio do reconhecimento dos pares e convite do GT, os autores de referência no campo do currículo e seus grupos de pesquisa; 3) os Livros, por demarcarem a produção, via convocação feita pelos coordenadores do GT, aos grupos de pesquisa; 4) a Revista Brasileira de Educação por ser um impresso que se propõe, entre outros fatores, a publicizar as produções expressas na ANPEd, nos apresentando pistas, assim, sobre a circularidade dos autores e grupos de pesquisa.47 Considerando as fontes selecionadas para este capítulo, chegamos a um universo de 284 textos, 187 Trabalhos Apresentados, 16 Trabalhos Encomendados, 59 artigos publicados no Livro organizado pelo GT Currículo em parceria com a UNICAMP e 19 artigos vinculados na Revista Brasileira de Educação. Defendemos a tese de que, estudada pela via da pesquisa histórica, a constituição do campo epistemológico do currículo expressa na circularidade cultural (GINZBURG, 1987) as invenções teórico-práticas, possibilidades de problematização do campo pela polifonia das apropriações (CERTEAU, 1994), assim como pelos processos hegemônicos que marcam as trajetórias dos espaços-tempos de produção/circulação analisados. 47 Como pode ser observado, fizemos a opção, neste momento, em não trabalhar com os estudos divulgados nas sessões Especial e Minicurso. A primeira por ser organizada em parceria com diferentes Grupos de Trabalho o que dificulta o mapeamento e seleção dos estudos. Já a Minicurso, na maioria das vezes, não divulga textos completos, o que dificultaria a análise projetada neste capítulo. 196 5.1 ATORES, AUTORES E GRUPOS DE PESQUISA: PRIMEIRAS APROXIMAÇÕES Diferente das análises efetuadas até o momento que nos permitiram identificar, em dados numéricos, os autores que se apresentam de maneira marcante nas fontes estudadas, iremos focalizar o nosso olhar na produção e sua relação com os grupos de pesquisa e programas de pós-graduação. Como anunciamos no capítulo anterior, a sessão Trabalhos Encomendados e os livros produzidos pelo GT derivados desse lugar se configuram como fonte privilegiada para quem pretende estudar o campo do currículo no Brasil. Nela encontramos a produção, por grupo de pesquisa, dos principais atores e autores que circulam tanto no GT como na Revista Brasileira de Educação. Em texto síntese sobre os Grupos de Pesquisa que enviaram contribuições para a elaboração do livro referente ao Trabalho Encomendado da 30ª Reunião Anual ―Passagens entre moderno para o pós-moderno: ênfases e aspectos metodológicos das pesquisas sobre currículo‖, Veiga-Neto e Macedo (2007) nos oferecem uma importante leitura sobre os pesquisadores, grupos de pesquisa e autores de referência. No livro foram publicados trabalhos de 13 Grupos de Pesquisa, sendo 4 UERJ, 2 da UNICAMP, 1 UFRGS, 1 PUC/PR, 1 UFES, 1 UFMS, 1 UFPEL, 1 UNIPAC, 1 UFMG. Como podemos perceber, existem grupos diferentes fazendo parte de uma mesma instituição, bem como a presença marcante da região sudeste com 9, seguida da sul com 3 e da centro-oeste com 1. Quando analisamos a participação por grupo de pesquisa e autor, verificamos que, no livro produzido com os trabalhos enviados à coordenação do GT para a 30ª Reunião Anual, a presença de Alexandra Garcia Ferreira Lima e Maria Luiza Sussekind Veríssimo Cinelli da UERJ, referente ao grupo ―Redes de conhecimentos e práticas emancipatórias no cotidiano escolar‖; Alice Casimiro Lopes que não indicou o nome do grupo, Elizabeth Macedo e Rita de Cássia Prazeres Frangella, com o grupo ―Currículo: sujeitos, conhecimento e cultura‖ e Nilda Alves, Paulo Sgarbi, Mailsa Passos e Stela Guedes Caputo representando ―Cotidiano escolar e currículo‖. 197 A UNICAMP é representada por Antonio Carlos Amorim do grupo ―Escritascurrículo, representação e diferenças‖ e ―Narrar currículos: inventando tessituras metodológicas‖ coordenado por Maria Inês Rosa et al. Da PUC-PR temos a presença de Ana Maria Eyng e Ricardo Santos Chiquito do grupo ―Políticas Curriculares: as representações dos profissionais da educação à luz da teorização‖; da UFRGS, Alfredo Veiga-Neto com ―Grupo de estudos e pesquisas em currículo e pós-modernidade‖, Jarbas Santos Vieira do ―Grupo de pesquisa processo de trabalho docente‖; da UFES, Carlos Eduardo Ferraço com ―Currículo, cotidiano e cultura‖; da UFMS, Eurize Pessanha e Fabiany de Cássia Tavares Silva, com ―Observatório de cultura escolar: ênfase e tratamentos metodológicos da pesquisa sobre currículo‖; da UNIPAC, o grupo ―Educação e sociedade‖ coordenado por Maria Bellini e Maria Q. A Anastácio e, por fim; o ―Grupo de estudos sobre currículo e culturas‖ representado por Marlucy Paraíso. Uma análise geral de todos os textos publicados nos livros organizados pelo GT com intuito de divulgar os Trabalhos Encomendados indica ainda a presença, conforme quadro 13, dos seguintes grupos de pesquisa e autores. No Apêndice F, apresentamos o mapeamento das pesquisas publicadas na sessão Trabalhos Apresentados. todos os textos publicados no livro referente aos Trabalhos Encomendados encontram-se situados em algum grupo de pesquisa, respeitando assim a política editorial proposta pela sessão. De maneira geral, temos uma ampliação na quantidade de grupos de pesquisa quando comparados com os trabalhos publicados na 30º Reunião Anual, o que corresponde a um total de 26 grupos, distribuídos em dezoito instituições de Ensino Superior brasileira, prevalecendo mais uma vez a concentração na região sudeste. 198 QUADRO 13 – MAPEAMENTO REFERENTE AO LIVROS DO GT ORIGINÁRIO DOS TRABALHOS ENCOMENDADOS E GRUPOS DE PESQUISA 28ª 2005 29ª 2006 Currículo, cotidiano e cultura – UFES – 2007 – Carvalho, Simões e Ferraço (2005); Ferraço (2006, 2007); Ferraço e Carvalho (2008) 1 1 1 1 4 Cotidiano escolar e currículo – UERJ – 1997 – Alves (2005, 2008); Alves et al. (2006, 2007) 1 1 1 1 4 Currículos: sujeitos, conhecimento e cultura – UERJ – 2005 – Macedo (2005); Macedo et al (2006); Macedo e Frangella (2007, 2008) 1 1 1 1 4 Políticas de currículo em contextos disciplinares – UERJ – Lopes (2005, 2006, 2007, 2008) Redes de conhecimento e práticas emancipatórias no cotidiano escolar – UERJ – 1999 – Oliveira (2005); Garcia e Oliveira (2006); Lima e Cinelli (2007), Barbosa e Oliveira (2008) 1 1 1 1 4 1 1 1 1 4 Alfabetização dos alunos e alunas das classes populares - UFF – 1987 – Garcia (2005) 1 Núcleo de Estudos de Currículo – UFRJ – 1992 – Moreira e Ferreira (2005); Gabriel (2006) 1 Currículo, história e poder – CUML - 2001 – Costas et al (2005) 1 Política e Sociologia da Educação – UFJF – 2002 – Teixeira (2005); 1 Grupo Estudos e Pesquisas sobre Currículos e Culturas – UFMG – 2004 – Paraíso e Santos (2005, 2006, 2008); Paraíso (2007) 1 1 1 1 4 Observatório de cultura escolar – UFMS – 2006 – Pessanha (2005); Pessanha e Silva (2006, 2007); Silva e Pessanha (2008) 1 1 1 1 4 Grupo de Estudos e Pesquisas em Políticas Curriculares – UFPB – 2002 – Pereira e Moura (2005); Pereira, Moura e Porto (2008) 1 1 2 Grupo de estudos e pesquisas em currículo e pósmodernidade – UFRGS/ULBRA – 2001 – Veiga-Neto (2005, 2006, 2007, 2008) 1 1 1 1 4 Escritascurrículo, representação e diferenças – UNICAMP – 1994 – Amorim (2005, 2007, 2008) Sentidos do currículo: entre linhas teóricas, metodológica e experiências investigativas – UNICAMP – 1992 – Pereira (2005) 1 1 1 1 3 1 Interdisciplinaridade e Ciência do Sistema Terra como Eixos para o Ensino Básico – UNICAMP – 2004 – Gonçalves e Sicca (2005, 2006) 1 1 1 GRUPOS DE PESQUISA, INSTITUIÇÕES, ANO DE FUNDAÇÃO E AUTORES Narrar currículos: inventando tessituras metodológicas – UNICAMP – 1996 – Rosa (2006), Rosa et al (2007); Rosa e Prado (2008) Políticas públicas de currículo e avaliação – UNIVALI – 2000 – Borba, Ferri e Gesser (2005) TOTAL 1 1 2 1 1 1 1 2 1 Multidisciplinar de pesquisa em fundamentos da prática educativa – UFSJ – 2002 – Leal (2006) 3 1 1 Gestão, Currículo e Políticas Educativas - UFPEL – 2004 – Vieira et al (2007); Vieira et al (2008) Gestão e Políticas Públicas na Educação Superior –PUC/PR – 1999 – Eyng (2005); Eyng e Chiquito (2007) 30ª 31ª 2007 2008 1 1 1 Educação e Sociedade – UNIPAC – 2004 – Bellini e Anastácio (2007) 1 2 1 2 1 1 Formação de profissionais da educação e práticas educativas – IMS – 2007 – Cardieri (2008) 1 1 Currículo, Formação e Práticas Escolares – UFMT – Grupo de pesquisa (2008) (Autoria não indicada) 1 1 Políticas de Educação/Currículo – PUC/SP – 1996 – Saul e Silva (2008) 1 1 Grupo de Estudos e Pesquisas em Interdisciplinaridade – PUC/SP – 1986 – Fazenda et al (2008) TOTAL POR REUNIÃO 1 16 1 59 18 12 13 199 Ao analisarmos os grupos de pesquisa e os Programas de Pós-Graduação, chegamos à conclusão que dezesseis deles estão vinculados a programas em que existem linhas de pesquisa sobre currículo.48 Seis grupos estão vinculados em programas de pós que não possuem linhas específicas sobre currículo,49 e quatro em instituições que não tem pós-graduação em educação.50 Quando focalizamos o nosso olhar para a produção, identificamos que apenas quatro trabalhos não estão vinculados a programas de pós, dez em programas que não apresentam linhas de pesquisa e quarenta e seis em programas com linhas de pesquisa sobre currículo. Cruzando os dados projetados no quadro 13 com a produção expressa na sessão Trabalho Apresentado, chegamos ao número de 67 grupos de pesquisa. Desses, dezessete circulam tanto nos livros como na sessão Trabalho Apresentado, ou seja, apenas nove grupos só estão situados no livro.51 Ao aproximarmos esses resultados com as publicações de autores brasileiros na Revista Brasileira de Educação, verificamos que todos são membros pesquisadores de grupos de pesquisa, ou melhor, em sua grande maioria, esses autores são os coordenadores dos grupos de pesquisa e professores dos Programas de Pós-Graduação. 48 Currículo, cotidiano e cultura – UFES; Cotidiano escolar e currículo – UERJ; Currículos: sujeitos, conhecimento e cultura – UERJ; Políticas de currículo em contextos disciplinares – UERJ; Redes de conhecimento e práticas emancipatórias no cotidiano escolar – UERJ; Núcleo de Estudos de Currículo – UFRJ; Grupo Estudos e Pesquisas sobre Currículos e Culturas – UFMG; Grupo de Estudos e Pesquisas em Políticas Curriculares – UFPB; Grupo de estudos e pesquisas em currículo e pós-modernidade – UFRGS/ULBRA; Escritascurrículo, representação e diferenças – UNICAMP; Sentidos do currículo: entre linhas teóricas, metodológicas e experiências investigativas – UNICAMP; Interdisciplinaridade e Ciência do Sistema Terra como Eixos para o Ensino Básico – UNICAMP; Narrar Currículos: iventando tessituras metodológicas – UNICAMP; Políticas públicas de currículo e avaliação – UNIVALI; Políticas de Educação/Currículo – PUC/SP; Grupo de Estudos e Pesquisas em Interdisciplinaridade – PUC/SP. 49 Alfabetização dos alunos e alunas das classes populares – UFF; Política e Sociologia da Educação – UFJF; Observatório de cultura escolar – UFMS; Multidisciplinar de pesquisa em fundamentos da prática educativa – UFSJ; Gestão, Currículo e Políticas Educativas – UFPEL; Gestão e Políticas Públicas na Educação Superior –PUC/PR. 50 Currículo, história e poder – CUML; Educação e Sociedade – UNIPAC; Formação de profissionais da educação e práticas educativas – IMS; Currículo, Formação e Práticas Escolares – UFMT. 51 Currículo, história e poder – CUML; Educação e Sociedade – UNIPAC; Formação de profissionais da educação e práticas educativas – IMS; Grupo de Estudos e Pesquisas em Interdisciplinaridade – PUC/SP; Multidisciplinar de pesquisa em fundamentos da prática educativa – UFSJ; Grupo de estudos e pesquisas em currículo e pós-modernidade – UFRGS/ULBRA; Sentidos do currículo: entre linhas teóricas, metodológica e experiências investigativas – UNICAMP; Interdisciplinaridade e Ciência do Sistema Terra como Eixos para o Ensino Básico – UNICAMP; Narrar currículos: inventando tessituras metodológicas – UNICAMP. 200 As análises das 284 publicações circuladas nas fontes estudadas, tomando como foco a produção expressa e o lugar de publicação, indicam que 201 textos estão ligados a grupos de pesquisa que possuem linhas sobre currículo nos Programas de Pós-Graduação em Educação, 42 trabalhos estão associados a Programas em que não há linhas de pesquisa e apenas 15 não se apresentam vinculados à pósgraduação. Em Apêndice B destacamos o mapeamento da sessão Trabalho Apresentado levando em consideração autores, publicações, grupos de pesquisa e reuniões anuais em que os textos foram publicados. O percentual de trabalhos associado ou não aos Programas de Pós-Graduação em Educação está representado no Gráfico 11: Distribuição de trabalhos por Programa de Pós e linha de pesquisa 6% 16% 78% Linha de pesquisa Não possue linha de pesquisa Não tem Programa de Pós Uma primeira leitura do gráfico 11 evidencia o expressivo percentual de estudos com vinculação institucional a Programas que possuem linhas específicas sobre currículo publicados nos livros da sessão Trabalhos Encomendados, Trabalhos Apresentados e da Revista Brasileira de Educação. Ao somarmos os percentuais correspondentes aos estudos oriundos dos Programas de Pós-Graduação em que há ou não linhas de pesquisa sobre currículo, percebemos a potencialidade da pós em educação no Brasil. Isso significa que 94% 201 das produções que constituem o corpus documental deste capítulo, são advindos dos Programas de Pós-Graduação em Educação. Esses dados fortalecem as análises efetuadas no capítulo anterior desta tese, permitindo uma melhor leitura do impacto dos programas de Pós-Graduação e dos grupos de pesquisas a eles ligados, na configuração dos estudos curriculares e da constituição do campo. Ao abordar especificamente a constituição e consolidação dos grupos de pesquisa no país sobre currículo, Veiga-Neto e Macedo (2007, p. 10) ressaltam: A valorização recente dos grupos de pesquisa, bem como a preocupação em explorar temáticas e abordagens teórico-metodológicas comuns, são políticas que têm ajudado a configurar um campo que, para além da multiplicidade, partilha discussões, anseios e problemáticas bastante afins. Quanto a isso, é interessante notar que alguns grupos mais antigos já apresentam desdobramentos, produto da capacitação de pesquisadores que já passaram por eles. Os desdobramentos a que se referem os autores são observamos de forma contundente nas produções estudadas neste trabalho. Verificamos um intenso diálogo entre diferentes grupos de pesquisa e instituições apresentando, na maioria das vezes, o papel central dos professores orientadores e Programas de PósGraduação e dos coordenadores de grupos de pesquisas. A formação de novos pesquisadores que acabam por se constituir também professores de instituições de ensino superior e sua inserção em Programas de Pós-Graduação tem contribuído para se ampliar a rede entre diferentes grupos de pesquisas e instituições. Observamos ainda as possíveis aproximações via matriz teórica que oferecem possibilidade de leitura aos trabalhos realizados no campo de currículo. Um exemplo desses diálogos nos foi apresentado por Paraíso (2003, 2004) ao elaborar um estado da arte, no período que compreende 1993 a 2002, das pesquisas de autores brasileiros que assumem as teorias pós-crítico como referência. Foi com olhar destinado às aproximações existentes entre os diferentes grupos de pesquisa e autores de referência que buscamos agrupar os estudos vinculados nas sessões Trabalhos Apresentados, Trabalhos Encomendados, os quatro livros produzidos pelo GT e a Revista Brasileira de Educação, a saber: Currículo, história, 202 política e multiculturalismo; Currículo, política e teoria crítica; Currículo e pesquisas nos/dos/com os cotidianos; Currículo, pós-estruturalismo e estudos culturais. Essa opção demandou um intenso trabalho de busca de indícios dos referenciais teóricos, objetos de estudo, autores, grupos de pesquisa, orientados e instituições formadoras. A primeira ação praticada que caracterizou a ―reapropriação do texto do outro‖ se apresenta na tentativa de aproximar autores e grupos de pesquisa distintos. Gostaríamos de enfatizar a importância do portal currículo lattes para o mapeamento e constituição desses dados, sem o qual, as identificações dos autores e grupos de pesquisa se tornariam ainda mais complicadas. Assumimos, no entanto, apesar de todos os esforços, a dificuldade em aproximar os grupos de pesquisa e seus autores, pois, como salienta Paraíso (2004, p. 288), Mesmo sabendo que corro o risco de cometer uma certa ‗violência‘ com os trabalhos analisados, ao agrupar pesquisas e estudos que talvez não devessem ser agrupados, faço esses agrupamentos para apresentar um panorama geral daquilo que é enfocado pelos estudos e pesquisas [...] em educação no Brasil. Nesse ponto, é preciso destacar que, pretendemos apresentar uma leitura, dentre tantas possíveis, inventariando, ao nosso modo, diferentes maneiras e artes de dizer e fazer nossas aproximações ―aos textos dos outros‖ (CERTEAU, 2002). Para tanto, efetuamos um mapeamento de todos os autores analisados, identificando lugares de produção, a filiação aos grupos de pesquisa, professores orientadores, instituições formadoras e ano de formação. O mapeamento dos dados estão publicados nos Apêndices (B, C, D, E). 5.2 Currículo, história, política e multiculturalismo De maneira geral, os estudos presentes neste agrupamento têm buscado privilegiar o debate sobre história das disciplinas escolares, cultura escolar, políticas curriculares, multiculturalismo, identidade e diferença. Dentre os grupos de pesquisa, observamos a presença marcante de Pesquisas Currículos: sujeitos, conhecimento e cultura escolar; Pesquisa Multicultural; Observatório de Cultura Escolar e; Núcleo de Estudos de Currículo; Políticas de Currículo em Contextos Disciplinares; Grupo 203 de Estudo e Pesquisa em Educação Continuada; Narrar currículos: inventando tessituras metodológicas e Processo de trabalho docente. Quanto à circulação da produção pelos autores, percebemos a força dos coordenadores desses grupos de pesquisa, sendo eles também professores de Programas de Pós-Graduação em Educação. Assim, constituem-se como os principais autores, ao analisarmos o quantitativo da produção, Elizabeth Macedo, Alice Casimiro Lopes, Antonio Flávio Barbosa Moreira, Maria Inês Petrucci, Eurize Pessanha e Ana Canen. É interessante notar que a maioria desses autores também se configuram como pesquisadores de referência no campo dos estudos do currículo presentes neste tópico. Dentre esses é merecedor de destaque as apropriações efetuadas dos estudos de Antonio Flávio Barbosa Moreira, Alice Casimiro Lopes, Elizabeth Macedo e Ana Canen, como pode ser observado no quadro 14 a seguir. Sobre o mapeamento dos autores de referência presentes nos quatros eixos deste capítulo, é importante ressaltar o cuidado que tivemos em quantificar as obras usadas nos 284 textos analisados. Diante desse esforço chegamos a um impressionante número de 3005 obras e 3587 citações. Esses dados oferecem uma ideia do trabalho que tivemos que enfrentar para realizar esse mapeamento. Total de citações: Total de obras: Nº Autor 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 ALVES, N. APPLE, M. W. BALL, S. BERNSTEIN, B. BHABHA, H. K. BORDIEU, P. BRASIL, Ministério da Educação CANCLINI, N. G. CANDAU, V. M. F. CANEN, A. CERTEAU, M. FOUCAULT, M. FOURQUIN, J. C. GIROUX, H. GOODSON, I. F HALL, S. 1199 978 Freq. % Citações Citação 7 0,58% 27 2,25% 47 3,92% 11 0,92% 12 1,00% 7 0,58% 18 1,50% 9 0,75% 8 0,67% 27 2,25% 7 0,58% 9 0,75% 13 1,08% 10 0,83% 28 2,34% 21 1,75% 204 17 LACLAU, E. 11 0,92% 18 LOPES, A. C. 46 3,84% 19 MACEDO, E. F. 37 3,09% 20 McLAREN, P. 17 1,42% 21 MOREIRA, A. F. B. 55 4,59% 22 MOUFFE, C. 8 0,67% 23 NÓVOA, A. 9 0,75% 24 PESSANHA, E. C. 6 0,50% 25 POPKEWITZ, T. S. 6 0,50% 26 SACRISTÁN, J. G. 14 1,17% 27 SANTOS, B. S. 16 1,33% 28 SANTOS, L. 11 0,92% 29 SILVA, T. T. 32 2,67% Quadro 14 – Indicativos de citações e obras de referência Apesar da grande variedade de obras referenciadas, 978, em um total de 1199 citações, identificamos uma grande correlação e aproximação dos autores mais usados com os temas abordados pelas pesquisas. Existe, dessa maneira, um intenso diálogo com autores da sociologia da educação e especificamente da área do currículo. Dentre eles, os mais usados são Ball, Bernstein, Bhabha, Forquim e Boaventura de Sousa Santos. No que tange aos estudos do currículo, além dos autores nacionais coordenadores dos Grupos de Pesquisa apresentados anteriormente identificamos uma grande influência dos pesquisadores ingleses e norte-americanos, dentre os quais são merecedores de destaque Goodson, Giroux, MacLaren e Sacristán. Nos tópicos que se seguem, buscamos analisar a produção expressa nos estudos que assumem esses pesquisadores como referência, identificando os usos e apropriações e as possibilidades que esses trazem para o campo do currículo. 5.2.1 História das disciplinas escolares, transposição didática e cultura escolar Dentre as diferentes temáticas abordadas pelos estudos agrupados neste tópico, ganham destaque as pesquisas que discutem história das disciplinas escolares, cultura escolar e transposição didática.52 Apresenta-se ainda como maiores 52 Com relação ao conceito de disciplina escolar argumentamos que, embora sejam muitos os significados produzidos por diferentes autores (Goodson, Chervel, Julia) considerando – semânticos, 205 expoentes os autores que fazem parte dos grupos de pesquisa Observatório de Cultura Escolar e Núcleo de Estudos de Currículo. De maneira geral, as pesquisas que assumem como referência a história das disciplinas escolares tem privilegiado o ensino fundamental e as disciplinas de História (OLIVEIRA, 2007), Ciências (FERREIRA, 2005; GOODSON, 2007), Educação Física (GARIGLIO, 2001), Química (AIRES, 2001; AIRES, ERN, 2005) e Matemática (STAJN, 1996). São estudos que buscam, a partir da abordagem qualitativa, estabelecer o cruzamento entre documentos escritos e entrevistas com professores. De acordo com Oliveira (2007, p.1), A associação de depoimentos e documentos escritos, ambos constitutivos do currículo, permitiu-me compreender como os últimos buscam fixar freqüentemente parâmetros importantes para a sala de aula (Goodson, 1997) e considerar também que esses parâmetros não são totalmente originais: são apropriações de práticas ressignificadas que, (re)postas em prática, engendram modos distintos de usos das deliberações que contêm. Apoiados nos trabalhos de Goodson (2007), os autores compreendem as disciplinas escolares como amálgamas mutáveis de subgrupos e tradições que, em busca de status, recursos e territórios, tanto entram em disputas quanto se apropriam de determinados padrões de professores, estudantes, temáticas e atividades de ensino, os quais foram socialmente produzidos e legitimados pelos sistemas educacionais. Tais padrões possuem, como salienta Goodson (1997, p. 27) ―[...] valor como moeda no ‗mercado da identidade social‘‖, e a apropriação desses visa a construção de narrativas adequadas para que as comunidades disciplinares obtenham apoio ideológico e recursos materiais dos grupos externos. Dessa maneira, as disciplinas escolares não são definidas de uma forma acadêmica desinteressada, mas sim ―[...] em uma relação estreita com o poder e os interesses de grupos sociais. Quanto mais poderoso é o grupo social, mais provável que ele vá exercer poder sobre o conhecimento escolar‖ (GOODSON, 2007, p. 244). Julia (2001, p. 16), ao falar da realidade francesa, afirma que esses materiais têm sido historicamente descartados nas instituições escolares, já que ―regularmente, históricos, etimológicos –, não é nosso objetivo trazer para este trabalho essa discussão, mas sim buscar compreender os usos e apropriações feitos pelos autores que configuram este tópico. 206 como se diz, é preciso ‗arranjar espaço‘ e os documentos não são nem mesmo transferidos para depósitos de arquivos que deveriam legalmente recebê-los‖. De acordo com Oliveira (2007), a validação epistemológica por parte das comunidades disciplinares da seleção e da forma como os conteúdos se estruturam no currículo é um mecanismo que expressa por um lado o ―poder do saber‖ (Foucault) e, por outro, padrões de estabilidade. Nesse caso, as escolhas produzidas nas escolas quanto à forma e aos conteúdos selecionados que os professores fazem estão relacionadas ao status desses sujeitos e às suas oposições de poder diante dos saberes defendidos por essas comunidades disciplinares. É o pertencimento a essas comunidades que orienta a escolha de determinados saberes e concepções disciplinares, questão essa apresentada pelo estudo de Gariglio (2001), ao compreender a posição da Educação Física na hierarquia dos saberes escolares e, especificamente, como essa hierarquia é construída numa escola profissionalizante CEFET-MG. Quanto ao uso do Foucault para análises da história das disciplinas escolares e cultura escolar, esse também foi realizado por Gama e Gondra (1998). De acordo com os autores, os estudos de Foucault permitem estabelecer grande similaridade entre as escolas de instrução primária da cidade do Rio de Janeiro e as escolas francesas do século XIX. Em ambas, segundo os autores, o tempo de todas as atividades realizadas no interior do espaço escolar é rigorosamente controlado e tem as mesmas finalidades: garantir a qualidade do tempo empregado, anulação de tudo o que possa perturbar e distrair, enfim, a intenção é a de construir um tempo integralmente útil. Nesse caso, os autores se reportam mais uma vez a Goodson, para destacar que uma melhor compreensão da estabilidade e da mudança nos currículos escolares passa, necessariamente, pela constituição de modelos analíticos que busquem examinar os assuntos internos em paralelo com as relações externas, como um modo de desenvolver pontos de vista sobre a mudança organizacional e sobre as mudanças em categorias institucionais mais amplas. Afinal, para Goodson (2007), a estabilidade que usualmente observamos nas diferentes disciplinas escolares pode ser muito menos uma ausência de transformações, e sim o resultado de uma série 207 de conflitos tanto no interior das comunidades disciplinares quanto destas com os vários grupos externos. Nesses termos, o currículo escrito na sua forma pré-ativa (currículo como matéria de ensino) indica publicamente uma determinada retórica, intenções, valores e objetivos concebidos e produzidos em um determinado contexto social. Por outro lado, esse mesmo currículo escrito é traduzido para uso em ambiente educacional particular as salas de aula. Observamos ainda, nos estudos sobre as disciplinas escolares, a referência às pesquisas elaboradas pelo Grupo de Pesquisa Núcleo de Estudos de Currículo, sobretudo, de Macedo, Lopes e Moreira. Os autores argumentam que o currículo é uma construção sócio-histórica, tanto no contexto acadêmico, quanto no contexto escolar. Há sempre um processo de (re)interpretação, realizando dessa forma a (re)contextualização. O uso do conceito de recontextualização é assumido com base em Bernstein e surge com maior força nas pesquisas sobre política curricular como veremos posteriormente. Nesse contexto, os estudos destacados vêm apontando a disciplina como parte de uma estrutura mais ampla que incorpora e define os objetivos e possibilidades sociais do ensino, entendendo que é nessa [micro] estrutura disciplinar que os debates sobre os objetivos sociais da educação são travados. Como salienta Hora (2000) em estudo histórico no qual visa apresentar a racionalidade médica como uma das matrizes do pensamento curricular na formação de professores primários na década de 1930, A escola de fato opera para distribuir valores ideológicos e conhecimentos, entretanto sua influência não se restringe apenas a isso. Ela ajuda a produzir um conhecimento necessário à manutenção dos quadros sociais vigentes. As instituições educacionais trabalham na tensão entre distribuição e produção, o que resulta de certa maneira em uma legitimidade para a distribuição de poder na sociedade. [...] Advogamos para a pesquisa em história das disciplinas, a necessidade de articulação dos níveis macro e micro, principalmente seguindo os argumentos de Goodson e Reid na valorização das ocorrências externas como definidoras e portadoras das categorias de conteúdo, papel ou atividade, que aqui identificamos como matriz de pensamento curricular, portanto orientadoras dos processos que constituem os fatores internos, permitindo aumentar nossa compreensão sobre eles (HORA, 2000, p. 3). 208 O conceito de transposição didática (Chevallard), oriundo do campo da didática, ofereceu também contribuições para a busca da compreensão dos processos de ensino, ou seja, das modificações necessárias ao processo de didatização – como tornar ―um objeto de saber em objeto de ensino‖ – o que implica na elaboração de um outro saber, o saber ensinado conforme Chevallard. Contudo, estudos como os de Lopes (1996), Hora (2000), Gabriel e Monteiro (2007) têm indicado, ao usarem Lopes como referencial, a necessidade de se substituir o termo transposição por mediação didática. No dizer de Gabriel e Monteiro (2007, p. 3, grifos dos autores), Defendemos que o termo transposição didática não representa bem o processo ao qual nos referimos: (re)construção de saberes na instituição escolar. O termo transposição tende a se associar à idéia de reprodução, movimento de transportar de um lugar a outro, sem alterações. Mais coerentemente devemos nos referir a um processo de mediação didática. No sentido dialético: um processo de constituição de uma realidade através de mediações contraditórias, de relações complexas, não imediatas. Um profundo sentido de dialógica. Verificamos no uso dos conceitos de transposição didática uma apropriação feita por parte dos autores e a construção da noção de processos de mediação didática. Gabriel e Monteiro (2007) apresentam ainda possibilidades teóricas criadas pela utilização do conceito de narrativa histórica para a compreensão dos processos envolvidos no ensino da História, no contexto das questões relativas à pósmodernidade apropriadas e discutidas no campo do currículo. Para os autores, fundamentados nos estudos de Dias e Cicillini, nas narrativas o texto acadêmico assume o papel de uma alternativa de cunho autobiográfico, deixando entrever a ideia de uma tomada de posição do autor nos debates do e no campo. Conforme o autor, o conceito de "narrativa histórica" pode servir de base para a apreensão da dinâmica da vida dos saberes, na medida em que oferece elementos para identificar se o que está sendo transposto e/ou ensinado corresponde a novas matrizes de narrativa e uma ou mais de suas variáveis de maneira independente. Operar com essa categoria significa escolhê-la como porta de entrada para a exploração, no campo da História, das tramas da didatização desse saber, fazendo relacionar as dinâmicas que são específicas de cada uma das instâncias de problematização do saber e o tipo de intriga encenado. Essa parece ser uma boa saída para os estudos que buscam aproximar o olhar para as disciplinas escolares, cultura escolar e a mediação didática, ou seja, ao tratar dos processos que 209 constituem a cultura escolar, faz-se necessário compreender como estão sendo tecidos esses processos, de que maneira são selecionados e mobilizados. Nesse ponto, os autores argumentam, com base em Bourdieu (1981), que o processo de tradição seletiva, conforme conceito elaborado por Williams, atua sobre conhecimentos, significados, práticas, valores, mas também, especificamente, sobre sistemas de pensamento e problemáticas, capazes de permitir a integração cultural.53 A escola permite a estruturação de um senso comum que é condição básica para a comunicação. Isso não significa que a cultura da sociedade tenha sua origem na escola, mas sim que com ela estabelece uma dinâmica social a partir da constituição desse habitus: a escola tem autonomia relativa e "eficácia" própria na dinâmica cultural, na visão de Gabriel e Monteiro (2007). Goodson (2007) ao estudar a invenção da disciplina curricular de ciências, tomando como base os estudos de Gregory Bateson sobre aprendizagem e a leitura efetuada por Zygmunt Bauman sobre o assunto, destaca que: Mais do que escrever novas prescrições para as escolas, um novo currículo ou novas diretrizes para as reformas, elas precisam questionar a verdadeira validade das prescrições predeterminadas em um mundo em mudança. Em resumo, precisamos mudar de um currículo prescritivo para um currículo como identidade narrativa; de uma aprendizagem cognitiva prescrita para uma aprendizagem narrativa de gerenciamento da vida. É essa a mudança que tentarei delinear neste artigo. Primeiramente, discorrerei sobre a redundância definitiva do currículo prescritivo, e depois procurarei esboçar a mudança para um currículo narrativo que, acredito, marcará o caminho para nosso novo futuro social (GOODSON, 2007, p. 242). Nesse caso, a narrativa não é compreendida somente como fonte de pesquisa, mas, sobretudo como forma e modo de aprendizagem, denominado pelo autor, a partir dos estudos de Bourdieu e Passeron, de aprendizagem narrativa e capital narrativo. Na visão de Goodson (2007) essa perspectiva possibilita o aprender sobre si mesmo 53 Segundo Gabriel e Monteiro (2007), a cultura de tradição seletiva é um fator de conexão da cultura vivida - a cultura de uma época e um lugar determinados, somente acessível para aqueles que vivem esta época e lugar - e a cultura de um período - a cultura registrada, de todo tipo, desde a arte aos mais variados fatos do cotidiano. O autor salienta que, de uma maneira geral, a educação é tratada como se fosse uma abstração e o currículo como se fosse um corpo estabelecido de conhecimentos a serem ensinados e aprendidos, cuja única problematização que nos apresenta diz respeito a sua distribuição: em que quantidade, em que período de tempo, para este ou aquele grupo. Ao contrário, defende Williams que o conteúdo da educação, sujeito a grandes variações históricas, expressa, consciente ou inconscientemente, certos elementos básicos da cultura: é uma seleção determinada, um conjunto particular de ênfases e omissões 210 como pessoa, como ser social de um determinado ambiente e definir um projeto identitário. Observamos, tanto no estudo referido como no de Hora (2000), um alargamento dos conceitos utilizados nas pesquisas presentes neste tópico, bem como nos referenciais teóricos. Estabelecem assim, aproximações com os estudos referentes a história das disciplinas escolares, mediação didática, e cultura escolar, sobretudo com base em Forquin. Entra em cena também o campo de pesquisa em ―história das instituições escolares‖, como pode ser observado no estudo de Aires e Ern (2005). Dentre os autores de referência tem se destacado Nóvoa, Gatti Junior e Lopes. A história das instituições escolares, tem aparecido ao lado da história das disciplinas escolares, inserindo-se, também, em um processo de renovação no campo da história da educação, principalmente pelo fato de essas investigações permitirem análises das ―[...] singularidades sociais em detrimento das precipitadas análises de conjunto‖ (GATTI JUNIOR, 2002, p. 4). Os autores defendem a necessidade de as pesquisas das histórias das disciplinas escolares serem vinculados ao estudo da cultura escolar que lhe oferece significado, o que para Pessanha (2003) representa que a história das disciplinas escolares só pode ser escrita a partir da instituição, lócus, onde foi produzida. Pessanha, em parceria com Daniel e Menegazzo (2003), defende que o estudo da história das disciplinas escolares estaria limitado, caso se restringisse aos processos ocorridos internamente em cada disciplina, ignorando a história da cultura escolar na qual foi produzida. Define que: Mais do que estudar a história de uma determinada disciplina escolar, sua gênese e de ―como a escola começa a pôr em prática a disciplina‖? (CHERVEL, 1990:183), interessa-nos estudar a cultura escolar em que essa disciplina foi produzida e que foi por ela produzida. Só assim torna-se possível estudar a história do currículo a partir da história das disciplinas escolares (PESSANHA, DANIEL, MENEGAZZO, 2003, p. 4). O conceito de cultura escolar aparece sempre relacionado com um espaço destinado/privilegiado para a transmissão de conhecimentos e, principalmente, valores, afirmação essa apropriada dos estudos de Forquin, Warde, Faria Filho e 211 Julia. Consideram cultura como produto e processo que dão significado às práticas humanas (MENEGAZZO, 2001), o que estudar a cultura escolar é estudar os processos e produtos das práticas escolares, isto é, práticas que permitem a transmissão de conhecimentos e a incorporação de condutas circunscritas a um espaço/tempo identificado como escola. Consideram também, concordando com Faria Filho, que a cultura escolar não se articula em torno do conhecimento, mas da possibilidade de construção de uma instituição. Instituição cuja construção, conforme destacam Pessanha, Daniel e Menegazzo (2003), esteve frequentemente associada a um projeto político e à noção de progresso. Fundamentados então em Forquin, os autores ressaltam ser fundamental refletir sobre os motivos pelos quais determinados tipos de conhecimento são selecionados e sobre suas possíveis consequências. Aqui também são usados os conceitos de Bourdieu para se discutir a destruição das bases econômicas e sociais das aquisições culturais da humanidade, que se verifica nas sociedades neoliberais contemporâneas. A maneira pela qual se percebe possível essa decodificação se dá na utilização da noção de habitus formulada por Bourdieu. As questões apresentadas por Pessanha, Daniel e Menegazzo (2003), também se fazem presentes nos estudos de Silva e Megazzo (2005), Aires e Ern (2005), Sá e Vilela (2001), Negri e Souza (2008), Silva (2006), ou seja, estão diretamente associadas ao Grupo de Pesquisa Observatório de Cultura Escolar. Silva (2006), por exemplo, ao pesquisar os tempos e espaços escolares, destaca que a cultura escolar configura o processo no qual o currículo se desenvolve, estabelecendo critérios de regulação que ocorrem por meio de categorias que constroem um certo tipo de escola e de ações no interior dela. Se o currículo é uma seleção da cultura, trata-se, portanto, de uma versão particular. Para ela, a análise dos tempos e espaços escolares traz à tona a possibilidade de capturar a existência de uma cultura própria da/na escola e pelas potencialidades de investigação do currículo como um dos veículos conformadores da expressão escola inclusiva. 212 Nesse escopo, baseado nos estudos de Williams, definem o currículo como um compromisso intemporal entre uma seleção de interesses e determinadas ênfases que se vão colocando em novos interesses como a escola inclusiva. O currículo como cultura da escola é um processo maculado de justiça, na medida em que traduz não só processos de seleção, de escolha e de opções culturais, como também, e por inércia, um conjunto sempre rejuvenescido de processos outros de marginalização, de segregação e de aniquilamento silencioso e sutil das diferenças. De acordo com esse pressuposto, decodificar as condições de escolarização do currículo significaria decodificar o tipo de cultura que se pode transmitir e se transmite na escola, interligadas aos comportamentos pedagógicos, organizacionais e institucionais que se formam, sobrevivem e se reproduzem dentro desse espaço. Com base em outros referenciais teóricos, Drumond (2007) procura estabelecer suas leituras sobre os espaços arquitetônicos escolares e currículo. As decorações dos ambientes nas escolas podem estar nos vários lugares, tanto nas salas de aula, quanto nos outros espaços, móveis e motes decorativos e podem ser, também, instrumentos de territorialização e de identificação dos lugares mapeados (Certeau). Assim, há indicações para a sala da direção, a biblioteca, o laboratório, os saguões, as salas de aula. Esse dispositivo busca garantir a funcionalidade do mapeamento e as diferenciações dos territórios. Além disso, as decorações têm funções estritamente curriculares, incluindo as funções formativas gerais de caráter ético e moral. Com base nessas reflexões, o autor se aproxima do conceito sobre hibridismos culturais de Dussel. Segundo Drumond (2007), a sala de aula é território histórico de produção da identidade e da diferença e onde as redes de subjetivação têm uma relevância fundamental, assim, os elementos decorativos produzem relações discursivas nos contextos curriculares, com consequências sobre os processos de subjetivação dos sujeitos, tanto alunos e alunas, quanto professoras e professores e outros profissionais que constituem redes de intersubjetividades, em suas práticas escolares. 213 Uma característica marcante dos estudos sobre a cultura escolar está no diálogo estabelecido com os autores do campo do currículo. Assim, além de Williams outros autores se constituem como referência como Giroux, Gimeno-Sacristán, Pacheco, Maclaren e Apple. Silva e Menegazzo (2005) operam com os conceitos de currículo de Giroux para analisar a relação escola e cultura escolar. Segundo as autoras, se, de um lado, é o currículo tido como capaz de expressar e articular as diferenças entre escola e cultura escolar, de outro, é também preciso, conforme apropriação de Giroux, compreender como as relações nas quais as diferenças são construídas operam como parte de um conjunto de práticas sociais, políticas e culturais. O discurso produzido por Silva e Menegazzo (2005) confere também o entendimento do currículo como seleção de cultura que serve a uma sociedade ou a uma visão de como esta há de ser, a seleção considerada apropriada depende das forças dominantes de cada momento e dos valores que historicamente se foram perfilando, como destacam a partir de Gimeno-Sacristán. Já Negri e Souza (2008), com base em Apple, consideraram que o currículo consiste na seleção do conhecimento socialmente legitimado e, portanto, configura-se como o produto das tensões culturais, políticas e econômicas presentes em uma sociedade, tornando-se, na maioria das vezes, a expressão dos interesses dominantes. Diante das reflexões apresentadas, na grande maioria dos trabalhos, as escolas não são agências extra-societárias, mas encontram-se inseridas no sistema social. Entretanto, uma análise mais detalhada revela as aproximações efetuadas pelos estudos oriundo do Núcleo de Currículo, apresentados neste tópico, com a discussão sobre as políticas curriculares. Os trabalhos apresentados neste subtópico analisam a história do currículo, estabelecendo um diálogo com três eixos norteadores que se interrelacionam, quais sejam, disciplinas escolares, transposição didática e cultura escolar. No primeiro caso, a preocupação dos autores está em problematizar as questões concernentes aos modos como as disciplinas escolares se legitimam no contexto 214 escolar. Nesse cenário, há um empreendimento por parte dos autores para demonstrar a hierarquia dos saberes escolares, o lugar ocupado pelas disciplinas nos contextos escolares e sua relação com o projeto da modernidade. Assim, apontam a disciplina como parte de uma estrutura mais ampla que incorpora e define os objetivos, possibilidades e limites sócio-históricas do ensino. No momento em que a transdisciplinaridade, interdisciplinaridade, transversalidade se colocam como conceitos privilegiados por grande parte da produção, ainda encontramos vários autores e grupos de pesquisa que têm se dedicado aos estudos das disciplinas escolares, que nos parece permanecer ―teimosamente‖ estruturando os currículos escolares. Dizer por exemplo, os motivos que levam uma disciplina a fazer parte de um currículo, pelo viés da história, é uma contribuição importante para entender o processo de constituição da educação escolarizada. Encontramos, desse modo, uma preocupação com a cultura escolar produzida pelas/nas práticas pedagógicas dos professores. Ganha destaque nesse caso, o conceito de transposição didática, que são denominados por Gabriel e Monteiro (2002) de mediação didática. Esses conceitos potencializam a análise ao focalizarem o olhar para a cultura produzida no contexto escolar. Contudo, apesar dessas contribuições, não observamos nos estudos presentes neste tópico a voz dos praticantes escolares (professores, alunos, diretores, grupo técnico-pedagógico, etc.). A ausência e o silenciamento dessas vozes podem dificultar a produção de narrativas que se propõe estudar a cultura produzida no contexto escolar. Fica-nos a seguinte questão: como discutir a disciplina escolar, o processo de mediação didática e a cultura inventada neste contexto, sem ouvir, sentir, se aproximar dos praticantes escolares? 5.2.2 Política curriculares Uma leitura dos autores que assumem como objeto de estudo as políticas curriculares revelam a centralidade da produção no Grupo de Pesquisa Políticas de currículo em contextos disciplinares liderados por Elizabeth Fernandes de Macedo e 215 Alice Ribeiro Casimiro Lopes. A grande maioria das pesquisas, Costa (2005), Costa et al. (2006), Barreiros (2003), Destro (2005), Mello (1999), Lopes (2004, 2005a, 2006), Maranhão (2000) e Franco (2002), Oliveira e Miranda (2004) efetuam suas análises tomando como fonte as propostas curriculares oficiais como os Parâmetros Curriculares Nacionais e Temas Transversais. Autores como Dias e Abreu (2005) e Mello (2005) visam os livros didáticos como textos constituintes de políticas curriculares. Há um grupo que procura ainda discutir as políticas curriculares e formação de professores, sendo eles, Agostinho (2008), Frangella (2003, 2007, 2005), Frangella e Barreiros (2008), Rosa et al. (2007), Rosa, Prado e Geraldi (2008), Rosa e Ramos (2008), Oliveira (2005), Mello (1999), Santos (1999), Vieira et al. (2007, 2008). Observamos, a partir desses autores, a presença de outros grupos de pesquisa tendo destaque Narrar currículos: inventando tessituras metodológicas e Processo de trabalho docente. A maioria das pesquisas destacadas neste tópico são do tipo bibliográfica, apenas Costa (2005), Costa et al. (2006), Barreiros (2003) e Santos (1999) fazem uso do estudo de caso como metodologia e Rosa e Ramos (2008), que trabalham com a ideia da memória e história de vida. Os autores procuram desenvolver o entendimento da política de currículo como uma política cultural que prioritariamente legitima determinadas concepções de conhecimento escolar. A política de currículo refere-se, então, às tomadas de decisão sobre seleção, organização e distribuição do conhecimento escolar que visam a orientar determinados desenvolvimentos simbólicos, obter consenso para uma dada ordem e/ou alcançar uma transformação social almejada, aproximando-se dos estudos sobre cultura escolar. Com base no ciclo contínuo de políticas de Stephen Ball, situam as políticas de currículo como produções de múltiplos contextos, nos quais o processo de elaboração dos textos de definição das políticas não deve ser separado de suas influências ou de suas reinterpretações, sejam elas no contexto internacional ou no contexto da prática. São particularmente investigados os condicionamentos 216 institucionais e disciplinares dos efeitos das políticas de currículo no contexto da prática. Nessa perspectiva, as políticas estão sempre em processo de vir a ser, sendo múltiplas as leituras possíveis de serem realizadas por múltiplos leitores, em um constante processo de interpretação das interpretações. Lopes (2004, 2005a, 2006) e seu grupo de pesquisa têm buscado elaborar uma interpretação da política, particularmente da política de currículo, tendo em vista tanto a conexão entre Estado e sociedade civil quanto entre proposta e implementação na prática. No modelo heurístico desenvolvido por Ball, as definições políticas são compreendidas como textos e como discursos, associando princípios estruturalistas e pós-estruturalistas, não cabendo, na visão da autora, separar política e prática, proposição e implementação. Dentre as múltiplas influências exercidas sobre os textos produzidos, algumas são entendidas como mais legítimas do que outras. Mesmo dentre aquelas que são legitimadas, porém, há disputas, compromissos, interpretações e reinterpretações na negociação pelo controle dos sentidos e significados nas leituras a serem realizadas. Por isso, os textos podem ser mais ou menos legíveis em função da história, dos compromissos, dos recursos e do contexto em que os diferentes atores procedem a suas leituras. 54 Além de Stephen Ball, a autora (2006) tem buscado dialogar com outros teóricos, dentre eles García Canclini, Stuart Hall, Ernesto Laclau, Chantal Mouffe para problematizar as políticas de currículo como produções de múltiplos contextos, buscando superar concepções que entendem as políticas como ações verticalizadas do Estado. Na perspectiva com a qual trabalha, a política é entendida como um terreno racional, mas em um terreno marcado pelo conflito. Oliveira (2005), ao estudar as tendências teórico-metodológicas das teses e dissertações defendidas entre 1995 e 2002 que tomaram como objeto as políticas curriculares destaca que Os estudos de Bowe & Ball (1992) e Ball (1997) ajudam a pensar essas conexões porque concebem a política curricular como texto, portanto como uma construção simbólica resultante de relações de poder desencadeadas na esfera cultural. Uma implicação dessa concepção é a compreensão do 54 Uma análise detalhada da produção dos autores de referencia que discutem as tensões entre recontextualização e hibridismo nas políticas de currículo pode ser vista em Lopes (2005). 217 processo da política como aquele que emerge de uma contínua interação entre textos e contextos. Assim, estes pesquisadores identificam três contextos da política curricular: o de influência, o de produção do texto político e o da prática (OLIVEIRA, 2005, p. 12). Tais interpretações são analisadas por intermédio da recontextualização (Basil Bernstein) e do hibridismo (García Canclini, Homi Bhabha e Stuart Hall), de forma a considerar que toda política de currículo é decorrente de uma negociação de sentidos e significados entre grupos em disputa sob determinadas relações de poder. Os autores procuram argumentar que os grupos disciplinares são organizados em diferentes trajetórias, intrinsecamente relacionadas às trajetórias das disciplinas escolares, tal como investigadas por Ivor Goodson, levando à constituição de sentidos e significados diversos nas políticas de currículo. Observamos uma aproximação com os estudos apresentado no tópico anterior. De acordo com Lopes (2007, p. 38), A incorporação da categoria hibridismo implica entender as políticas de currículo não apenas como políticas de seleção, produção, distribuição e reprodução do conhecimento, mas como políticas culturais, que visam a orientar determinados desenvolvimentos simbólicos, obter consenso para uma dada ordem e/ou alcançar uma transformação social almejada (García Canclini, 2001). Em uma perspectiva anti-hegemônica, desenvolver políticas culturais implica favorecer a heterogeneidade e variedade de mensagens, que podem ser lidas por diferentes sujeitos de diferentes formas, sem a pretensão de congelar identidades. As orientações curriculares centralizadas, entretanto, tendem a projetar certas identidades (Lopes, 2002) e a regular os sentidos das mesmas, ainda que não consigam sempre as projeções e regulações almejadas. Lopes (2006, 2007) e Macedo et al. (2007), baseando-se em teoria desenvolvida por Stephen Ball, estudam, entre outros aspectos ―[...] o papel das comunidades epistêmicas na circulação de discursos que produzem as políticas de currículo‖ (LOPES, 2006, p.33). A autora esclarece, então, que as comunidades epistêmicas ―são compostas por grupos de especialistas que compartilham concepções, valores e regimes de verdade comuns entre si e que operam nas políticas pela posição que ocupam frente ao conhecimento, em relação de saber-poder‖ (p.41). Ainda fundamentada em Ball, Lopes (2006, p. 38) afirma que ―[...] investigar os discursos implica investigar as regras que norteiam as práticas‖ (p.38). Nessa perspectiva, ressalta que a política de currículo passa a não ser mais vista como um ―pacote‖ lançado de cima às escolas as quais caberia apenas sua implementação. Supera também o binarismo que se apresenta com a polarização política, como dominação e prática como resistência. Nesse sentido, Mello (2001) aponta que os estudos 218 atuais compreendem a relação entre política e prática, concebendo as interpenetrações e mesclas entre dominação e resistência, bem como a ambivalência nos discursos. Assumem, como bem destacam Frangella e Barreiros (2008), uma concepção de currículo e política como enunciação, articulação/produção de significados, ressaltando a dimensão discursiva da produção curricular. Ainda que esse discurso não seja construído de forma plena e acabada, ele institui os sentidos atribuídos às ações, fomenta e torna possíveis desejos e projeções de trabalho. Como discurso, elabora, concorre, constrange, amplia. Assim, na linguagem se dá a tradução incompleta, o ―entre-lugar‖ como espaço significativo (BHABHA). Para Macedo e Frangella (2008) a concepção de currículo como enunciação se constitui como uma tentativa de superar a ideia de que há algo especificamente distinto entre o texto curricular escrito e os textos que professores escrevem diariamente no contexto da prática (MACEDO, 2006). Para tanto, utilizaram a formulação de Ball que traz da teoria literária a noção de currículo como texto e como discurso. Esses entendimentos – da política como negociação e do currículo como prática de enunciação – trazem questões para a análise curricular, arguindo a articulação de diferenças. Os múltiplos posicionamentos – ou identidades fragmentadas – decorreriam das negociações/traduções das diferenças, do diálogo entre elas, criando espaços intersticiais, os entre-lugares. Os autores, ao destacarem a concepção de tradução/negociação, falam da perspectiva de que esta pode significar um outro lugar cultural e político de enfrentamento ao projetar a possibilidade de articulação de elementos contraditórios, numa construção que não é nem um nem outro, mas um híbrido. Ressaltam que a contribuição da negociação é criar e estabelecer o entre-lugar. O entendimento do currículo como enunciação põe sob foco a prática de significação como arena de confronto em torno do significado, pressupondo negociação, articulação. Advogam, assim, autores como Barreto (1998); Geraldi (2000); Moreira e Macedo (2000) em favor de construções curriculares locais que sejam realizadas com a 219 participação docente e que dêem uma atenção especial aos conhecimentos que são trazidos pelos alunos ao ingressarem nas escolas, pois estaria proporcionando aos mesmos a compreensão de que são responsáveis por sua aprendizagens e construtores dela (DESTRO, 2005). Sobre o assunto, Oliveira e Destro (2003, 2005) e Lima (2008) têm argumentado que a abordagem metodológica desses estudos tem potencial para mostrar, fundamentalmente, o poder das chamadas políticas oficiais ou hegemônicas e das relações políticas no sentido global /local sobre os currículos escolares. A ampliação do campo político em particular trouxe a discussão das relações de poder até ao que, tradicionalmente, tem sido denominado de campo cultural ou dimensão cultural da realidade social, tornando possível assim a absorção das contribuições de estudos pós-coloniais para estudos dos processos analíticos de pesquisas em políticas curriculares.55 De acordo com os autores, fundamentados em Gimeno Sacristán e Ball, em tempos de globalização, torna-se imprescindível entender a política curricular como um processo holístico construído historicamente, em que diferentes agentes políticos, formados e incorporando diferentes significados, práticas culturais e projetos sociais, travam conflitos em torno da produção, circulação e consolidação de significados no currículo escolar. A política curricular é, então, um processo cultural que redefine formas de poder social, é uma política cultural. Como esses processos culturais são mais bem visualizados em situações históricas específicas, entendem que a melhor forma de se definir uma temática para estudo em política curricular é fazê-la localmente, sem, contudo, isolar, polarizar ou inverter a verticalização em relação ao contexto global. Esses modos de análise têm se configurado tomando como referência os discursos produzidos sobre recontextualização (BERSTEIN) e hibridismo (CANCLINI), uma 55 Para Macedo (2002, p. 9-10), ―[...] em linhas gerais, o pós-colonialismo estudaria as relações entre a Europa e as sociedades por ela colonizadas no período moderno. As discussões que, no entanto, vêm-se travando no campo dos estudos pós-coloniais transcendem essa definição, englobando tanto a experiência de minorias em países centrais quanto as formas de subjugação neo-coloniais advindas da expansão do capitalismo e da globalização. Ou seja, inúmeros estudos utilizam-se da expressão pós-colonialismo, significando uma posição contra o imperialismo ou o americanismo. Resistência a todas as formas de globalismos‖. 220 vez que, na visão dos autores que compõem este tópico, toda política de currículo é decorrente de uma negociação de sentidos e significados entre grupos em disputas sob determinadas relações de poder (LIMA, 2008). Fundamentados nos estudos de Ball, Lima (2008), adverte que no mundo globalizado, os processos de recontextualização são, sobretudo, produtores de discursos híbridos. Lopes (2005a) ao analisar como as políticas de currículo passam por processos de recontextualização em diferentes instâncias nas quais transitam, desde o nível em que são produzidas até à instância da prática, assegura que esse trânsito se faz permeado pela interpretação de diferentes agências e grupos disciplinares, inclusive de pesquisadores de diferentes áreas. O entendimento do processo de recontextualização decorre, na visão de Lopes (2005a), da necessária compreensão acerca da articulação macro-micro nas políticas de currículo. Nessa produção discursiva, como salienta Stajn (1996), as mudanças curriculares não ocorrem no papel mas na prática dos professores. Um documento curricular só existe enquanto reforma na hora em que é implementado na sala de aula. O documento escrito, por si só, não garante modificações nas práticas docentes e, mais ainda, não garante que possíveis modificações aconteçam na direção desejada. Fatores pessoais, sociais e culturais influenciam a forma como um professor implementa recomendações curriculares, pois, como enfatiza Moreira ao se referir aos Parâmetros Curriculares Nacionais, "Não acreditamos que quaisquer tentativas de reformulação curricular possam obter sucesso sem a participação e a adesão do professorado" (MOREIRA, 1995, p.22). Nessa perspectiva, Teixeira (2001, p. 18 grifos do autor) salienta que, O currículo escrito não passa, segundo este, de um testemunho visível, público e sujeito a mudanças, uma lógica que se escolhe para mediante sua retórica, legitimar uma escolarização (Goodson,1998, p.21). Assim, o currículo escrito vem a legitimar determinados objetivos educacionais, à medida que estes se realizam em estruturas e instituições. É uma fonte documental, um roteiro oficial, sujeito, é claro, a modificações. Se presta ainda, como instrumento de controle de um dado sistema pois, a partir de sua instituição, se torna possível uma mensuração sobre os caminhos curriculares que as escolas trilharam. Certamente, a definição de um currículo escrito não assegura seu reconhecimento como válido e legítimo. Dias e Abreu (2005), nos lembram, referenciados em Moreira e Silva, por exemplo, que o livro didático faz parte da construção do currículo, e como tal deve ser entendido como uma construção sócio-histórica formada por intenções, realidades e 221 decisões provenientes de diferentes indivíduos e contextos. Assim, não pode ser considerado como elemento inocente e neutro de transmissão desinteressada do conhecimento social. Eles são produções culturais, resultados concretos de disputas sociais relacionadas com decisões e ações curriculares. Segundo Dias e Abreu (2005) e Mello (2005), a produção e circulação, assim como a instituição de um Programa Nacional do Livro Didático para o ensino médio, pode ser entendida como outro momento de difusão e de regulação da reforma curricular. Nesse processo, participam outros sujeitos (autores dos livros, equipes de produção de materiais de apoio para o professor, como os manuais do professor) e instituições (editoras) que ―[...] reinterpretam os princípios da reforma e traduzem para essa nova linguagem os significados e sentidos da reforma curricular (DIAS, 2004, p. 85). Realizam, assim, outro processo de recontextualização dos textos curriculares oficiais, processo no qual discursos são retirados do seu local de origem e recolocados em outros locais que possuem outras relações e sujeitos que influenciam a produção de novos significados para os recortes estabelecidos. Nesse caso, textos que circulam provenientes dos livros didáticos são reinterpretados, (re)focalizados, ou seja, são (re)contextualizados. Os estudos de Agostinho (2008), Frangella (2003, 2007) e Vieira et al. (2007, 2008) que abordam a política da produção curricular e a formação de professores têm, ao assumir como base os estudos culturais, potencializado a emergência de temáticas relativas à identidade, diferença e formação de professores.56 Segundo a autora, a análise cultural exige a articulação e redimensionamento do caráter político da produção curricular. Cultura essa entendida, conforme Lopes (2006), sempre plural e multifacetada, constituída pelas diferentes formas segundo as quais a realidade é interpretada e pelas diferentes realidades constituídas nessa interpretação. Por isso, como destaca a autora, em tempos de centralidade da cultura, a questão da diferença também se torna central. 56 Um estudo do estado da arte das dissertações e teses referentes as políticas públicas, recortando estudos de caso curriculares, debatendo e analisando a questão identitária na contemporaneidade pode ser visto em Franco (2005). 222 O entendimento da cultura como tal se cruza com a noção de currículo antevendo-o como artefato cultural, focalizando-o como processo de elaboração, marcado por conflitos e tensões, mas que neles se negociam sentidos para as práticas cotidianas, saberes e fazeres que se organizam no currículo. O currículo como cultura vislumbra-o como produção, considerando a cultura um processo contínuo, ambíguo, de negociação de sentidos, produzindo nas decisões curriculares discursos, espaços de enunciação de saberes, culturas. O entendimento do currículo como produção cultural implica concebê-lo como uma construção híbrida, que traz as marcas da presença de diferentes culturas em negociação. Entender esse processo e dedicar-se a ele é pensar nas possibilidades, conforme destacam as autoras, de se narrar que os sujeitos, no fazer curricular, constroem. Defendem que essa produção curricular se dá num espaço de diálogo com alteridades, na busca pelo reconhecimento de uma autoridade que não signifique a busca pelo mesmo, mas a possibilidade da formação de um sujeito sensível que possa se colocar no lugar do outro. Ao defender que o currículo é um entre-lugar de negociação e embate, os autores argumentam que o estudo de políticas curriculares se dá na articulação de diferentes contextos de produção, num processo de luta política em torno de projetos distintos, ou seja, a política curricular como espaço de lutas hegemônicas. Nesse ponto os autores se referenciam a Ball para definir que as políticas curriculares precisam ser consideradas no âmbito de um ciclo político, produzidas na confluência de diferentes contextos: o da política, das influências e da prática, que não têm seus significados fixos, mas, nesse processo de reinterpretação pelos diferentes sujeitos/dimensões, gera práticas diversas. Ao destacar o entendimento da produção do currículo como produção de cultura, salientam as negociações que disputam e se hibridizam na formulação curricular, evidenciando sua condição de processo político inacabado, em que há lutas por identificações e construção de discurso. Quando remetem-se à negociação, apóiamse, como Bhabha, na compreensão dessa como espaço em que significados são construídos dialogicamente, uma vez que os sentidos não são transparentes e estáveis, retomando o caráter discursivo da produção de sentidos. 223 A diferença, as posições, a cultura são enunciações - como unidades de comunicação discursiva que pressupõem a alternância de sujeitos, o outro replicante (Bakthin, 1992) - que são postas em jogo e criam movimentos de iteração. Sendo assim, o currículo como produção discursiva, enuncia significados que são postos na arena de lutas em torno das significações para si, que criam cultura (FRANGELLA, 2007, p. 15). No olhar da autora, o currículo e as políticas curriculares precisam ser analisados como produções culturais na medida em que significam as ações praticadas, que produzem e apresentam representações com as quais os sujeitos subjetivamente dialogam, dando sentido à sua posição nos grupos em que circulam. A partir das reflexões apresentadas, os autores abordados neste tópico, como bem salienta Lopes (2008), procuram constituir uma teorização que contribua para o entendimento das políticas de currículo e da apropriação de discursos curriculares, especialmente relativas à recontextualização por processos híbridos. Para a autora, entender as ambivalências nos textos e discursos das políticas de currículo, produtoras de deslizamentos de sentidos, pode favorecer a leitura heterogênea e diversificada nos diferentes contextos, abrindo espaços para ações contrahegemônicas. Os estudos que abordam as políticas curriculares se estabelecem na tensão entre estado, sociedade civil, propostas e implementações nas práticas pedagógicas que se concretizam no cotidiano escolar. Entendem as políticas como textos e discursos não dicotomizando as questões anteriormente apresentadas. Assim, as políticas de currículo são decorrentes de processos de negociações, de sentidos e significados entre grupos em disputas sobre determinadas relações de poder. Nesse sentido, conceitos como recontextualização, hibridismo, entre-lugar, práticas de enunciação têm ganhado destaque em várias pesquisas. As opções tomadas pelos autores vem contribuindo para se lançar um olhar as questões referentes as políticas de currículo que avançam para além do binarismo que polariza a discussão em política e prática, estado e escola, proposta e atuação docente, etc. Observamos uma aproximação dos discursos sobre políticas curriculares com os processos de recontextualização, hibridismo, negociação em diferentes instâncias, 224 nas quais transitam o cotidiano escolar, propostas curriculares, etc. Inspirados nos estudos de Ginzburg (1989, 2002) observamos a presença e nuances das/nas pesquisas que dialogam com as práticas curriculares. Dentre outras questões, falase muito sobre práticas docentes sem dar a ver os processos originados por essas práticas e os modos de conservação/subversão produzidos taticamente/estrategicamente pelos professores, alunos, pedagogos, ou seja, por aqueles que tencionam, reproduzem, resistem, inventam, conservam e subvertem a ordem imposta. Uma outra questão que parece não ter se constituído como objeto de análise foi a discussão sobre políticas de currículo e formação de professores. Levando em consideração a atual conjuntura política que levou a necessidade de mudanças nos cursos de formação inicial, esta parece ser uma questão merecedora de maior atenção. Observamos, por exemplo, na abordagem dessa ponto uma possível análise das tensões existentes entre as políticas de formação advindas dos movimentos instituídos e suas implicações para a prática dos instituintes. É preciso pensar ainda, o modo como os praticantes se apropriam e transformam essas políticas curriculares e suas implicações no processo de formação. De igual modo, também não observamos a produção de pesquisas que abordam os processos de negociações, aproximações, distanciamentos e lutas travadas entre a Pós-Graduação em Educação e as instituições reguladoras, as agências de fomento a pesquisa e suas implicações para o campo do currículo. Para além desses processos evidenciados até o momento, é interessante notar as estratégias instituídas pelas políticas de currículo em consonância com os avanços da globalização, do projeto da modernidade e suas apropriações nos contextos escolares. 5.2.3 Multiculturalismo, identidade e diferença As discussões produzidas sobre multiculturalismo, identidade e diferença se aproximam dos referenciais teóricos apresentados até o momento. Nesse caso, observamos a presença marcante do Grupo de Pesquisa Currículos: sujeitos, conhecimento e cultura liderados por Elisabeth Macedo e Alice Casimiro Lopes, do 225 grupo Pesquisa Multicultural: significados e prática na formação docente liderado por Ana Canen, e, do Narrar Currículos: inventando tessituras metodológicas, coordenado por Maria Inês Petrucci Rosa. Uma outra característica marcante deste tópico é a centralidade das pesquisas multiculturais na formação docente, dentre os quais destacamos, Canen e Oliveira (2002), Canen (1998, 1999, 2005), Fogaça (2008) e Ferri (2001), Moreira e Candau (2003), Fleuri (2003), Rosa (2006, 2007), Rosa e Ramos (2008). Nessa pesquisa há uma diversidade de abordagens metodológica perpassando por estudo de caso etnográfico, pesquisa-ação, narrativas e pesquisa bibliográfica. Verificamos ainda a presença da pesquisa de Canen, Arbache e Franco (2000) que estabelecem um estado da arte da produção bibliográfica das dissertações e teses defendidas no período de 1981 a 1998. Por fim, destacamos ainda os estudos de revisão de literatura e/ou de definição das linhas e bases teóricas que constituem os grupos de pesquisa publicados na sessão Trabalho Encomendado, como de Macedo (2005, 2006, 2007), Macedo et al. (2006), Macedo e Frangella (2007, 2008). Os conceitos de crítica cultural (MOREIRA; MACEDO, 2001), hibridização (Bhabha; McLaren), ancoragem social dos discursos, ―potenciais multiculturais‖ (CANEN et. al., 2000)57 constituem-se como categorias ferramentas para a construção elaborada pelos pesquisadores deste tópico de possíveis caminhos de tradução do multiculturalismo crítico no currículo em ação. Nesse caso, como destacam Canen (1998, 1999, 2005) e Canen e Oliveira (2002), a partir de uma abordagem do multiculturalismo em uma perspectiva crítica pós-colonial (McLaren; Souza Santos), que busca não só a valorização da pluralidade cultural, mas a problematização do processo de construção da identidade, da alteridade e das diferenças. Para Canen, Arbache e Franco (2000), Lopes (1999) e Moreira (1999), esses estudos têm tensionado o campo do currículo, trazendo novas configurações e propondo novos olhares, voltados ao reconhecimento e valorização de identidades culturais apagadas ou negadas em estruturas curriculares monoculturais. 57 A denominação refere-se à presença, a nível de intenções, de preocupações referentes a desigualdades relacionadas a determinantes de raça, etnia, gênero, classe social e outros, bem como de reflexões sobre formas de desafiá-las, no âmbito da educação. 226 Os autores referem-se à necessidade de se compreender a sociedade como constituída de identidades plurais, com base na diversidade de raças, gênero, classe social, padrões culturais e linguísticos, habilidades e outros marcadores identitários. Para eles, referenciados nas pesquisas de Grant e McLaren, o multiculturalismo se constitui, em uma ruptura epistemológica com o projeto da modernidade, no qual se acreditava na homogeneidade e na evolução "natural" da humanidade rumo a um acúmulo de conhecimentos que levariam à construção universal do progresso. O projeto multicultural, por sua vez, insere-se em uma visão pós-moderna de sociedade, em que a diversidade, a descontinuidade e a diferença são percebidas como categorias centrais. Da mesma forma, contrapondo-se à percepção moderna e iluminista da identidade como uma essência, estável e fixa, o multiculturalismo a percebe como descentrada, múltipla e em processo permanente de construção e reconstrução. Nesse sentido, autores como Canen (1995, 1997), alertam para a necessidade do reconhecimento da fragmentação de uma noção de identidade fixa e bem localizada, enfatizando a pulverização das identidades culturais de classe, gênero, etnia, raça, padrões culturais e nacionalidade, a serem levadas em consideração em práticas pedagógico-curriculares voltadas à construção de uma sociedade democrática e ao desenvolvimento da cidadania crítica e participativa. A partir de Bhabha, Canen (1999), por exemplo, argumenta que a revisão da teoria crítica e do multiculturalismo nela apoiada deverá, justamente, basear-se no trabalho com a noção de "diferença cultural" e não de "diversidade cultural". Segundo a autora, enquanto a diversidade cultural é o reconhecimento de conteúdos e costumes culturais pré-dados, dando origem a noções liberais de multiculturalismo, a diferença cultural concentra-se no problema da ambivalência da autoridade cultural: "[...] a tentativa de dominar em nome de uma supremacia cultural que é, ela mesma, produzida apenas no momento da diferenciação" (CANEN, 1999, p. 7). Macedo (2005, 2006, 2007), adentra ao debate, destacando o entendimento da cultura a partir da ideia de negociação agonística, conforme elaborações produzidas por Hall. Segundo a autora, no espaço-tempo da prática, sempre híbrido, a cultura 227 se estabelece como lugar de enunciação e as identidades são forjadas num terreno movediço, em entre-lugares culturais. Assim, não podem ser concebidas com base numa oposição entre presença e ausência absolutas. Seria mais produtivo, na leitura da autora, pensar a diferença como algo que não pode ser fixado de forma decisiva que se constitui em uma temporalidade em que elementos antagônicos e até mesmo contraditórios se articulam sem a perspectiva da superação, criando espaços de luta híbridos, nos quais polaridades positivas ou negativas, ainda que relativas, não se justificam. Ou seja, na temporalidade da negociação, não é possível pensar em sentidos fixos, primordiais, que reflitam objetos políticos unitários e homogêneos. As categorias que têm alicerçado muitas de nossas lutas políticas são, elas mesmas, um processo de tradução. Rearticulam os elementos que supostamente as constituem, contestando os territórios definidos por cada uma para si. Macedo (2005, 2006, 2007), apresenta, então, a ideia de que a diferença cultural nos currículos só pode ser compreendida numa perspectiva relacional que problematize as próprias normas pelas quais é construída. Os sistemas de representação, conforme conceito apropriados de McCarthy, em que a diferença é construída precisam ser confrontados com outros sistemas, de modo a promover uma reflexão sobre como, ideologicamente, são representados grupos dominantes e subordinados em diversos artefatos culturais formais e informais, entre eles o currículo. Trata-se de uma tentativa de entender como as relações de poder são naturalizadas nas formas como esses artefatos demarcam as fronteiras entre as culturas dos diferentes grupos. Essa exigência nos leva à ideia de que o currículo é um processo cultural, um espaço-tempo em que sistemas simbólicos dominantes negociam com posições minoritárias que resistem à totalização, permitindo à diferença cultural rearticular a soma de conhecimentos. No olhar de Moreira e Candau (2003, p. 157), Entendemos diferença como McCarthy (1998), que a define como o conjunto de princípios que têm sido empregados nos discursos, nas práticas e nas políticas para categorizar e marginalizar grupos e indivíduos. Defendemos, ainda, o ponto de vista de que, particularmente em um país como o Brasil, não é possível nos esquecermos da desigualdade e nos 228 voltarmos apenas para as diferenças entre os indivíduos. Não cabe, portanto, abandonarmos a idéia de totalidade (García Canclini, 1990). Apoiando-nos em Sousa Santos (2001, 2003), insistimos na necessidade de uma orientação multicultural, nas escolas e nos currículos, que se assente na tensão dinâmica e complexa entre políticas da igualdade e políticas da diferença. ‗As versões emancipatórias do multiculturalismo baseiam-se no reconhecimento da diferença e do direito à diferença e da coexistência ou construção de uma vida em comum além de diferenças de vários tipos‘ (Santos, 2003, p. 33). De acordo com as autora, embora essa ideia, a princípio, nada tenha de novo, a produção sobre currículo tem frequentemente mantido a centralidade da categoria conhecimento o que dificulta a percepção do currículo como espaço-tempo de produção cultural. É comum no campo, a utilização dos termos cultura e conhecimento sem maiores distinções, o que torna o currículo um espaço-tempo em que extratos selecionados da cultura são ou não legitimados (MACEDO, 2004). Nesses preceitos, Macedo (2006), se apropria de outros estudos além dos apresentados por Canen. No dizer da autora (2006, p. 21), Por essa porta, fomos levados às discussões pós-coloniais e a teóricos como Bhabha (2003), Hall (1997a, 2003), Said (1990), Gilroy (2001) e Spivak (1994, 1996), que vieram se juntar a autores que tratavam a diferença no currículo, em especial McCarthy (1994), Mahalingam e McCarthy (2000), Willinsky (1998) e Fleuri (2000, 2001, 2002), e a algumas discussões levantadas por Santos e Nunes (2003). Criamos assim um terreno sobre o qual compreender a diferença que articulava um entendimento antropológico da diferença com uma perspectiva relacional com forte matriz psicanalítica (Hall, 1997b). Com isso, tornava-se possível entender os estereóripos que marcam a diferença como uma forma de tentar expelir tudo que não se encaixa nos limites simbólicos estabelecidos pelas culturas, mas também como uma projeção sobre o outro da ‗parte má‘ do eu que nos persegue e com a qual não sabemos lidar. Especificamente sobre as pesquisas que discutem a formação de professores é preciso ressaltar que elas assumem como ênfase a formação docente multiculturalmente orientada. Nessa linha, autores como Canen e Moreira (2001), Canen e Oliveira (2002), Moreira e Macedo (2001), Pinto (1999), dentre outros, têm apontado para perspectivas diferenciadas pelas quais o multiculturalismo é percebido. Segundo Canen (1998, 1999, 2005), a formação multicultural de professores não pode reduzir-se a intenções ou metas curriculares, mas é potencializada na medida em que mobilize a construção identitária docente na direção da sensibilidade às diferenças e da valorização da cidadania multicultural e híbrida. 229 Mais uma vez, observarmos a forte presença do uso da narrativa nos estudos da formação de professores onde buscando-se uma aproximação entre os conceitos de Benjamin e Certeau. Para Canen (1999, p. 16), Analisar narrativas daqueles que colocaram o projeto multicultural em prática significa ver contribuições, idéias e estratégias, mas também detectar dúvidas e contradições na consecução do multiculturalismo no cotidiano das práticas pedagógicas. Longe de inviabilizar as experiências em questão, os silêncios, vibrações, êxitos e fracassos nas diversas formas de tradução de currículos multiculturais ‗formais‘ para currículos multiculturais ‗em ação‘, nas experiências de formação docente multicultural, podem representar subsídios para o aprimoramento de políticas e práticas comprometidas nessa linha, bem como tensionar e ressignificar posturas teóricas voltadas a projetos multiculturais emancipatórios. Em tempos de projetos neoliberais excludentes, racismo, indiferença e violência contra o ‗outro‘, a formação de professores sensíveis à pluralidade identitária e portadores de práticas discursivas desafiadoras da homogeneização e da cristalização das diferenças torna-se tarefa urgente. Salientam a necessidade de se passar além das narrativas de subjetividades originárias e de focalizar momentos, espaços de tempo, instantes "presentes" em que se travam os embates, articulações e hibridizações culturais na construção das identidades. A dupla inscrição cultural de indivíduos marcados por histórias de deslocamentos, imigrações e reterritorializações - à base de tais estudos – promove reflexões estimulantes sobre processos de articulação de diferenças culturais e de estratégias que iniciam novos signos de identidades. Nesse sentido, a categoria de hibridização ou hibridismo cultural passa a ser central na análise da construção das identidades culturais. Dentre os trabalhos desenvolvidos pelo Grupo de Pesquisa Narrar Currículos: inventando tessituras metodológicas e Pesquisas em Educação Continuada da Faculdade de Educação da Unicamp, estão aqueles que, coordenados ou orientados por Maria Inês Petrucci Rosa, investigam questões relacionadas com currículo e formação docente. Nesse contexto, as pesquisas se desenvolvem tendo como aporte teórico a perspectiva cultural do currículo, com as contribuições do pensamento de autores como Michel de Certeau, Stuart Hall, Garcia Canclini, entre outros. No contato com problemáticas da formação docente, a noção de identidade é bastante presente nas investigações desenvolvidas nesse grupo, acompanhada de discussões sobre processos de currículo no cotidiano escolar, tanto na perspectiva das matrizes curriculares disciplinares como também do ponto de vista dos 230 processos institucionais de formação (escola e universidade) (ROSA, 2006, 2007; ROSA; RAMOS, 2008). Ao fazer a opção pelas narrativas, assim como os grupos que constituíram as analises anteriores, as autoras buscam privilegiar os discursos produtores de identidades, de experiência e de currículo daqueles que são os praticantes, aqueles que nas brechas de suas memórias, podem oferecer-nos imagens de um tempo e de um lugar. Para tanto, estabelecem um diálogo com Valter Benjamin e Michel Certeau. Tanto a narrativa como os interlocutores que oferecem suporte para os seus usos se constituem como uma das grandes diferenças existentes na produção do Grupo de Pesquisa Educação Continuada e Políticas de currículo em contextos disciplinares. Com base em Benjamin, destacam que a narrativa encontra-se intimamente relacionada ao ato de rememorar, a possibilidade de re-significação da própria experiência por meio das memórias cheias de significados, sentimentos e sonhos. Trabalhar com narrativas é trabalhar com aberturas, com a possibilidade de interlocuções com outros, sem procurarmos responder a todas as perguntas, muitas vezes até criando outras. Já a partir de Michel de Certeau, as autoras destacam que ao falarmos ou ao narrarmos, estamos praticando uma arte e essa produz efeitos. Assim, o narrar não seria um retorno à descrição, mas um ato que procura, distanciando-se cautelosamente da realidade, provocá-la. Nas palavras do autor (ROSA; RAMOS, 2008, p. 6), ―[...] mais que descrever um ‗golpe‘, ela (a narrativa) o faz‖. E ao fazer o golpe, ao praticar a astúcia, essa arte pode assumir múltiplos desdobramentos. Sendo arte, exige criação; sendo astúcia, pode se engendrar com ousadia. As discussões sobre currículo, identidade e diferença se apresentam com maior força nos estudos que procuram estabelecer suas análises para as questões multiculturais. De acordo com Macedo (2006), as produções expressas até o momento tem discutido a temática do multiculturalismo, enfatizando e defendendo a aproximação entre abordagens críticas e pós-críticas (MOREIRA; MACEDO, 2002). Nesse 231 sentido, ainda que se preocupem em colocar o currículo a favor do processo de formação de novas identidades, Moreira e Macedo (2002, p. 24) explicitam a ―[...] intenção [de] que se reformule o conhecimento escolar de modo a favorecer a afirmação das identidades e dos pontos de vista de grupos minoritários‖. Em texto, em coautoria com Canen e Moreira (2001, p. 32), por exemplo, destacam que ―[...] uma perspectiva multicultural deve informar os conteúdos selecionados em todas as áreas de conhecimento‖. Esses e outros recortes ilustram o quanto a discussão de cultura e currículo empreendida neste tópico permanece tendo por horizonte questões postas pela teoria política do currículo sobre a seleção e organização do conhecimento escolar e sobre as relações de poder que lhes são subjacentes. Essa é uma preocupação importante da área e que não podemos perder do horizonte. Mediante as leituras produzidas, é importante destacar que os autores, ao analisarem as produções teóricas sobre currículo originadas em diferentes contextos de produção, têm demonstrado, na constituição do campo científico, o processo de hibridação e desterritorialização tecidos a partir de diferentes matrizes teóricas que se interrelacionam. Moreira (1998) refere-se a essa posição, no campo da teoria curricular, como a que vislumbra possibilidades de diálogo entre a teoria crítica e os insights dos aportes pósmodernos, preservando-se o compromisso com a justiça social, a democracia e a formação para a cidadania. Oliveira (1998, p. 17) sugere que, neste tipo de abordagem, o pluralismo se coloca como a perspectiva de conviver com as diferenças, tendo como horizonte norteador a Ética, vista como "[...] meio de construir ações humanas pautadas pela tolerância, cujo significado se situa muito além da mera condescendência ou respeito para com o diferente". No dizer de Macedo e Frangella (2007, p. 72), Entendemos que tais transformações nas formas cotidianas de vida dos sujeitos exigem repensar as categorias teóricas com as quais trabalhamos, explicitando o que chamaríamos de uma agência pós-moderna ou póscolonial. Assim, mantemos nosso compromisso com a agência, com a intervenção dos sujeitos, com o que poderíamos, por respeito a terminologias que nos são tão caras, chamar de emancipação. Ainda que se trate de uma emancipação de outra natureza, se pensamos nos discursos da Modernidade, reafirma o compromisso da teoria com a transformação do social, composta de minúsculas ações cotidianas que se dão nos processos 232 de negociação, numa concepção que não polariza emancipação/poder, mas, ao desconstruir os binarismos, se propõe a pensar a ação política como em constante movimento, hegemonias parciais e agonísticas. Essas discussões também são exploradas por Canen (2005), ao abordar os estudos multiculturais. Segundo a autora, mais do que celebrar a diversidade cultural, o multiculturalismo, em sua vertente mais crítica é preciso denunciar e superar mecanismos que calam as vozes oprimidas e lutar por sua representação em currículos e práticas cujo horizonte norteador é a emancipação, a tolerância e a justiça social. A leitura dos autores que assumem como foco de estudo multiculturalismo, identidade e diferença, tem se aproximado dos referenciais teóricos dos demais tópicos apresentados até o momento. Enfatizam assim, a necessidade de abordarmos a noção de identidades culturais ou multiculturais, como pulverizada, fluído, não fixada e localizada em locais demarcados pelos lugares de poder. Nesse ponto, a interlocução com conceitos como negociação agonística, diferença cultural, hibridismo, identidade, multiculturalismo, entre-lugares, forjam estrategicamente as contribuições promovidas pelos autores. Dentre outras questões, gostaríamos de trazer a tona para o debate algumas contribuições apresentados por Candau (2003), Macedo e Fragella (2007). A primeira delas está centrada na necessidade de manter atenção dinâmica e complexa entre política de igualdade e diferença. Observamos neste caso, a ideia de não abandonarmos a noção de totalidade e ao mesmo tempo assumirmos as questões emancipatórias do multiculturalismo. Nesses contornos, retomam e ressignificam o conceito de emancipação, sobretudo com base em Boaventura de Souza Santos. É evidente que a noção de emancipação posta em circulação ganham outros sentidos e significados quando comparados com as teorias críticas, por exemplo. Essas ideias potencializam e promovem um alargamento dos estudos multiculturais ao trazer a tona uma tensão entre práticas individuais de construção da 233 identidade/diferença e práticas coletivas. Emancipação/totalidade são marcas que se mantém e se revigoram nas reflexões de alguns autores e grupos de pesquisa. A formação de professores tendo como mote o multiculturalismo, assume um discurso sobre diferença que se apresenta nas experiências individuais e coletivas se configuram nos diversos movimentos de se ―tornar professor‖. Diferente dos tópicos anteriores, encontramos um interessante diálogo com a formação de professores, o multiculturalismos e os processos identitários. Colocam em evidência tanto elementos da prática de formação, como discussões sobre a importância desse debate às instituições formadores e suas implicações para o campo do currículo. É preciso, entretanto, destacar que o currículo é lido pelos autores como engendramento das práticas, propostas, políticas, etc. De maneira geral, uma leitura de todos os tópicos que compreendem os estudos do agrupamento Currículo, história, política e multiculturalismo, indicam, mesmo com a diversidade de objetos de estudo, uma circularidade entre os autores de referência e os usos e apropriações efetuadas dos conceitos produzidos por esses autores, tais como: recontextualização, hibridismo, entre-lugar, enunciação, multiculturalismo, diferença e identidade. No campo tático e estratégico produzidos pelos pesquisadores brasileiros, observamos a referência aos líderes de grupos de pesquisa e orientadores de programas de Pós-Graduação como: Antonio Flavio Barbosa Moreira, Elizabethe Macedo, Alice Cassimiro Lopes, Ana Canen. 5.3 CURRÍCULO, POLÍTICA E TEORIA CRÍTICA Uma análise dos estudos que assumem como referencial teórico a perspectiva crítica indica a presença de uma grande diversidade de autores e grupos de pesquisa, que, por sua vez, publicaram apenas um trabalho nas fontes abordadas. Esse fato contribuiu para que encontrássemos uma multiplicidade de objetos de estudos e referenciais teóricos, dificultando, assim, a aproximação entre os artigos publicados. 234 Parece-nos, nesse ponto, que a permanência das produções dos diferentes grupos de pesquisa, que nem sempre é acompanhada por uma recorrência de autores, bem como as aproximações estabelecidas por essas instâncias institucionalizadas, tem configurado uma marca fundamental para se legitimar determinadas concepções sobre as teorias do Currículo. Para além do lócus no qual se trava um embate entre atores e/ou instituições em torno de formas de poder específicas na busca do monopólio científico que caracterizam o campo do currículo, observamos as estratégias de conservação efetuadas pelos diferentes grupos de pesquisa. Estratégias essas que não se apresentam como uma marca das produções que assumem o referencial teórico crítico. Ao analisar as produções teóricas sobre currículo publicadas no Brasil, Lopes e Macedo (2005), a partir da categoria elaborada por Pinar et al (1995), vão denominar os estudos com vertentes marxista e crítica de currículo como texto político. Essa também é a argumentação de Macedo e Fundão (1996, p. 10) quando afirmam que, Trata-se de uma construção derivada na Nova Sociologia do Currículo, originária da Inglaterra, que se tornou hegemônica na teorização curricular americana. A idéia de que o currículo só pode ser compreendido quanto contextualizado política, econômica e socialmente constitui-se como tema central dessa abordagem, cujos referenciais iniciais foram as teorias marxistas e crítica. Dentro do discurso da modernidade, a compreensão do currículo como texto político envolvia um elemento utópico - a formação do cidadão emancipado, capaz de alterar as condições concretas de uma sociedade de classes injusta. Iniciada com as teorias da reprodução, a compreensão do currículo como artefato político, passou, no início dos anos 80, a operar com a categoria resistência a partir de trabalhos de Willis (1981), Apple (1982) e Giroux (1981, 1983) entre outros. A análise da produção científica publicada pelas fontes chanceladas pela ANPEd correspondente ao recorte temporal assumido nesta tese, nos fornece outros elementos para pensarmos a produção de currículo que assume um referencial crítico. Para além dos autores apresentados como referência, visualizamos um intenso diálogo que pode ser dividido da seguinte maneira: uso dos estudos de pesquisadores que visam discutir a educação de maneira geral, dentre os quais destacam-se, Pedro Demo, Miguel Arroyo, Gaudêncio Frigotto e Paulo Freire; articulação com as publicações específica do campo de currículo, dentre as quais ganha relevo, Michel Apple, Henry Giroux, Gimeno Sacritán, Michael Young, Thomas Popkewitz e Tomaz Tadeu da Silva; aproximação com a sociologia e 235 filosofia, tendo destacado as pesquisas de Theodor Adorno, Antonio Gramsci, Jürgen Habermas, Max Horkeimer. No quadro 15 a seguir podem ser observados autores de referência e sua ocorrência nas produções analisadas. Total de citações Total de Obras 270 258 Freq. % Citações Citação 1 ADORNO, T. W. 6 2,22% 2 APPLE, Michel W. 9 3,33% 3 ARROYO, M. 3 1,11% 4 BERNARDO, J. 3 1,11% 5 BRASIL, Conselho Federal de Educação. 6 2,22% 6 DEMO, P. 2 0,74% 7 FREIRE, P. 4 1,48% 8 FRIGOTTO, G. 3 1,11% 9 GIROUX, H. A. 7 2,59% 10 GOODSON, I. F. 4 1,48% 11 GRAMSCI, A. 3 1,11% 12 HABERMAS, J. 13 4,81% 13 HORKHEIMER. M. 2 0,74% 15 MOREIRA, A. F. B. 4 1,48% 16 POPKEWITZ, T. S. 5 1,85% 17 SACRISTÁN, J. G. 7 2,59% 18 SILVA, T. T. 12 4,65% 19 VYGOTSKY, L. S. 2 0,74% 20 YOUNG, M. 6 2,22% Quadro 15 – Apresentação dos principais autores de referência Nº Autor Observamos uma aproximação dos autores de referência com os estudos apresentados no agrupamento anterior, sobretudo, no que remete ao diálogo estabelecido com os pesquisadores do campo do currículo. Nesse ponto, é preciso destacar que a própria produção desses autores assume, ao longo de sua história, diferentes matrizes teórico-epistemológicas. A análise dos textos que compreendem este tópico tendo como delineamento o conteúdo dos trabalhos e seus referenciais teóricos, indica um aprofundamento das questões referentes a currículo e conhecimento, prática docente, formação de professores, política curricular, relações étnico-raciais e gênero. Comparando o mapeamento da produção apresentada anteriormente com os dados produzidos por Lopes e Macedo (2005), Macedo e Fundão (1996), observamos que houve uma ampliação nos objetos de estudos pesquisados bem como nos 236 referenciais teóricos. Nesse caso, vale ressaltar, mais uma vez, a adequação realizada para análise dos trabalhos, já que, como não tínhamos um referencial teórico que se aproximava entre as pesquisas, resolvemos efetuar a leitura como base, sobretudo, os conceitos e autores de referência. 5.3.1 Formação de professores No tópico formação de professores, aproximamos os trabalhos que abordam tanto a formação inicial, Duran e Júlio (1997), Mendes (2002), Vieira et al. (2007), Thiesen (2008), Saul e Silva (2008), Vieira et al. (2008), Pereira e Moura (2008) como a formação continuada, Gonçalves, Aparecida e Sicca (2006). Dentre os grupos de pesquisa, destaca-se em número de publicações Gestão Currículo e Políticas Educativas, que compreendem os autores Vieira et al. (2007), Vieira et al. (2008). Há ainda um predomínio em pesquisas de campo, tendo destaque as metodologias qualitativas exploratórias e estudo de caso. Duran e Júlio (1997), do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Formação do Educador, ao procurarem ouvir a voz do aluno do Curso de Pedagogia, partem do entendimento do currículo como construção histórica que pode revelar-se como uma proposta transformadora ou conservadora, independentemente dos contornos que os documentos formais explicitem. Por isso, na compreensão dos autores, apreender a prática pedagógica concreta e suas relações com uma determinada concepção de educador que se pretende formar é critério fundamental para os estudos no campo do currículo. Contudo, dentre as diferentes questões abordadas por Duran e Júlio (1997), encontramos a preocupação de uma formação que contemple a pesquisa. Ao assumirem como base os estudos de Pedro Demo, os autores, definem a pesquisa como princípio educativo, e não apenas como princípio científico, ou melhor, como "[...] capacidade de questionar de modo reconstrutivo, natural e permanente a realidade como forma de vida, como maneira de ser" (DURAN, JÚLIO, 1997, p. 4). Segundo as autoras a ideia da pesquisa vem ocupando um espaço importante quando se discute a formação de professores, no qual se reconhece, na capacidade de pesquisa, uma maneira mais próxima de reconstruir conhecimento, 237 passando da simples transmissão para a atitude reconstrutiva que implica em coresponsabilidade na/da própria formação. Ao apoiar-se num enfoque processual dos problemas curriculares concebendo-se o currículo como um processo social em que acontecem múltiplas transformações que lhe dão sentido particular, valor e significado, com base em Gimeno Sacristán, Gonçalves, Aparecida e Sicca (2006) do Grupo e pesquisa interdisciplinar e ciências do sistema terra, também vão abordar, dentre outras questões, a necessidade da formação do professor pesquisador, porém reflexivo. Fundamentam-se em Carvalho e Pimenta para assinalarem a importância de vivências reflexivas e inovadoras do ensino para orientar atividades dos professores. De acordo com Gonçalves, Aparecida e Sicca (2006, p. 74), Este grupo interdisciplinar iniciou seus trabalhos procurando compreender o currículo prescrito pelos órgãos governamentais analisando o texto oficial e procedendo a uma incursão na literatura sobre análises feitas por pesquisadores do campo de currículo. Especial atenção foi dada à análise conduzida por Michael Apple e James Beane, o primeiro trouxe o debate sobre escolas democráticas (Beane & Apple, 1997) e o segundo valorizou a criação de ambientes favoráveis à integração curricular (Beane, 2003). Perseguem-se certas referências que contribuem para orientar inovações curriculares coletivamente planejadas e aplicadas por professores do ensino básico e, ao mesmo tempo, indicam trajetórias para construir o currículo do programa de formação de professores (Beane, 2003; Apple, 1995; Apple & Beane, 2003; Rodriguez & Garzón, 2003; Contreras, 1997; Gimeno & Pérez, 1998). Encontramos também no trabalho de Saul e Silva (2008) referência à formação com base na ideia do professor-pesquisador. De acordo com as autoras que estão vinculados ao grupo de pesquisa Políticas de Educação/Currículo, a proposta da formação crítica do educador-pesquisador está referenciada em pressupostos da dialogicidade freireana, na qual assume o papel político-epistemológico de tomar a realidade concreta da educação como objeto de ensino e investigação. Para as autoras, conceber a prática de ensino como um processo de permanente investigação significa assumir o posicionamento epistemológico em que o educando é o sujeito de seu conhecimento, estando sua aprendizagem associada a um processo constante de pesquisa sobre sua realidade. Em outras palavras, significa não distanciar a prática educativa do exercício da curiosidade epistemológica dos educandos. 238 Uma outra autora que se apropria dos estudos de Paulo Freire para pensar a formação de professor e o currículo é Thiesen (2008). Com forte aproximação com os referenciais da educação, dentre eles Maria Cândida Moraes, Gaudêncio Frigotto, Moacir Gadotti, Pedro Demo e Ivani Fazenda, Thiesen (2008) objetiva discutir a temática da interdisciplinaridade e suas implicações para a formação do professor. De acordo com a autora, a necessidade da interdisciplinaridade na produção e na socialização do conhecimento no campo educativo vem sendo discutida por vários pesquisadores, principalmente por aqueles que pesquisam as teorias curriculares e as epistemologias pedagógicas. Para Thiesen (2008), o materialismo histórico e dialético resolveu em parte o problema da fragmentação do conhecimento quando colocou a historicidade e as leis do movimento dialético da realidade como fundamentos para todas as ciências. O pensamento e as práticas interdisciplinares, tanto nas ciências em geral quanto na educação, precisam por em xeque a dimensão disciplinar do conhecimento em suas etapas de investigação, produção e socialização. O que se propõe é uma profunda revisão de pensamento, que deve caminhar no sentido da intensificação do diálogo, das trocas, da integração conceitual e metodológica nos diferentes campos do saber. Baseado em Gadotti, Thiesen (2008) enfatiza que a interdisciplinaridade visa garantir a construção de um conhecimento globalizante, rompendo com as fronteiras das disciplinas. Para isso, integrar conteúdos não seria suficiente no olhar da autora. É preciso, destaca Thiesen (2008) referenciando-se em Ivani Fazenda, também uma atitude interdisciplinar, condição esta manifestada no compromisso profissional do educador, no envolvimento com os projetos de trabalho, na busca constante de aprofundamento teórico e, sobretudo, na postura ética diante das questões e dos problemas que envolvem o conhecimento. Nesse ponto, Thiesen (2008) se apropria dos estudos de Pedro Demo para pensar sobre a importância da interdisciplinaridade no processo de ensino e aprendizagem, quando propõe que a pesquisa seja um princípio educativo e científico. Para ela, disseminar informação, conhecimento e patrimônios culturais é tarefa fundamental. 239 Por isso, a aprendizagem é sempre um fenômeno reconstrutivo e político, nunca apenas reprodutivo. Estabelece interlocução com Paulo Freire para definir a interdisciplinaridade como processo metodológico de construção do conhecimento pelo sujeito e sua relação com o contexto, com a realidade, com sua cultura. Busca-se a expressão dessa interdisciplinaridade pela caracterização de dois movimentos dialéticos, quais seja, a problematização da situação, pela qual se desvela a realidade, e a sistematização dos conhecimentos de forma integrada. É justamente nessa questão que o estudo de Thiesen (2008) se aproxima das reflexões elaboradas por Saul e Silva (2008) sobre a formação e o professor pesquisador. Pensar no professor que pesquisa sua prática docente e na interdisciplinaridade como processo metodológico de construção de conhecimento é interessante, mas não desloca os pilares de sustentação da escola moderna. A formação tem como objetivo, nessa perspectiva, a constituição de sujeitos críticos, participativos, autônomos e transformadores sociais. Essa leitura mantém intacta questões como a formação da escola moderna, a concepção de conhecimento, etc. Uma outra reflexão posta para este momento remete-se a noção de interdisciplinaridade. Pensada como processo metodológico e não ruptura epistemológica, a interdisciplinaridade favorece as aproximações entre as disciplinas sem, contudo, romper com a concepção de conhecimento que fundamenta a própria ideia de disciplina. Mendes (2002), ao se apropriar dos conceitos de Popkewitz de reforma e mudança, analisa a reforma curricular do Curso de Educação Física da Escola de Educação Física da UFMG (EEF/UFMG). O recorte do objeto de estudo tendo como base as reformas das políticas curriculares na conjuntura do Estado Brasileira, também foram foco de análise dos estudos de Pereira e Moura (2008). No entanto, essas autoras visam analisar o impacto das reformas nos processos de formação de identidade de docentes e nas práticas educativas. 240 Na visão de Pereira e Moura (2008), as políticas destinadas à organização e à seleção do conhecimento oficial, constitutivo do currículo, nem sempre estiveram em discussão nas escolas da educação básica do Brasil. Historicamente, tais políticas representam interesses conflitantes e tornam-se bandeiras de campanhas dos processos eleitorais. Subjacentes a elas estão valores relacionados às concepções de sociedade, que os governantes pretendem preservar ou aquelas que pretendem construir. Nesta perspectiva, o currículo torna-se fator de investimentos, constitui campo de disputas e oculta relações de poder. Por fim, as leituras produzidas pelos estudos de Vieira et al. (2007) e Vieria et al (2008) do grupo de pesquisa Gestão, Currículo e Políticas Educativas têm estabelecido como preocupação fundamental contribuir para o aprofundamento do saber a respeito da profissão docente, independentemente do nível ou rede de ensino. Para tanto, analisam as características do trabalho docente, os perfis dos profissionais, suas identidades profissionais, o tipo de participação em movimentos sociais e/ou sindicatos de trabalhadores. As políticas curriculares, as análises curriculares e a constituição das identidades docentes tornam-se objeto central dos estudos de Neira et al (2007) e Vieira et al (2008). Assim, buscam desenvolver pesquisas acerca da identidade e dos modos de subjetivação dos professores e professoras na esfera pública, atentando para a política de representação e subjetivação que estão instituindo discursos veiculados por grupos de indivíduos que disputam o espaço político e cultural ou que estão na gestão do estado. Cabe dizer que os autores, ao expressarem a transição paradigmática existente na passagem do moderno para o pós-moderno, compartilham da ideia a respeito da flexibilidade de referenciais teóricos, que busca construir uma interpretação, como salientam Vieira et al. (2007) e Vieira et al. (2008), menos economicista e mecânica do trabalho docente e de suas relações com o currículo e as políticas curriculares. Fato esse também esboçada pelo grupo Políticas de Currículo em Contextos Disciplinares. Incorporam assim alguns insights de autores que procuravam articular a teoria crítica com elementos do pós-estruturalismo, como Stephen Ball e Henry Giroux, por exemplo. 241 Nesse caso, a trajetória teórica desse grupo de pesquisa, tem sido marcada por forte influência das análises neo-marxistas e gramscianas (Antonio Gramsci; Michael Apple; Stuart Hall), discutindo os processos de reestruturação educativa como dinâmicas de lutas por hegemonia, nos quais as forças conservadoras têm conseguido impor sua agenda política e cultural. De acordo com Vieira et al. (2007) e Vieira et al. (2008), os estudos produzidos pelo Grupo avançam na tentativa de articular uma perspectiva crítica com aportes pósestruturalistas, de forma a absorver as análises sociais, políticas e econômicas construídas pela teoria crítica (neo-marxista), incluindo elementos do pósestruturalismo, tais como a compreensão de discurso e poder. Embora continuem apresentando preocupação com as questões de classe, têm privilegiado outras dinâmicas, agora relacionadas ao multiculturalismo, ao gênero e ao sexo, complexificando as relações entre currículo e trabalho docente, evidenciando suas tensões e instabilidades e, ainda, explorando as possibilidades de autonomia do professorado frente às políticas educacionais. Se nos estudos que se aproximam das configurações apresentadas no tópico de Currículo, história, política e multiculturalismo verificamos uma forte presença dos processos de lutas, embates e negociações entre diferentes instâncias de poder, nas pesquisas críticas, mesmos aqueles que dialogam com matrizes pósestruturalistas e pós-coloniais, observamos a focalização das análises nos grupos instituintes. Nesse caso, percebemos um olhar dicotômico que coloca as políticas curriculares, a formação prescrita, de outro a sua meterialização e as implicações para a luta pela transformação social. Dentre muitas questões destacamos: como aproximar matrizes teóricas tão diversas como os estudos pós-estruturalista e pós-coloniais, mantendo no centro de análise categorias como classe social, transformação social, emancipação, etc. Apesar de os autores indicarem as aproximações realizadas pelo Grupo de Pesquisa Gestão Currículo e Políticas Educativas aos estudos multiculturais, gênero e sexo, não encontramos nenhum trabalho sobre esses temas por tal grupo nas 242 fontes analisadas. Essas questões emergiram nos estudos de três autores pertencente a grupos distintos, sendo eles: Barletto (2003) do Núcleo Interdisciplinar de Estudos de Gênero, Neira (2008) do Grupo de Pesquisa em Educação Física Escolar e Aires (2001) do Grupo de Investigação no Ensino de Química. Áires (2001) procura mostrar, por meio do discurso dos líderes indígenas da tribo Tapeba, a luta da inclusão da diferença cultural nos currículos e suas implicações para a invenção da ―Escola Diferenciada Tapeba‖. Com base no conceito de invenção das tradições de Hobsbawn e Ranger, Aries (2001) salienta que uma série de práticas culturais, tais como a dança e as músicas do Toré e a confecção do artesanato, são práticas culturais ―inventadas‖, adquiridas e pouco disseminadas e até mesmos aceitas pelos indivíduos do grupo étnico, mas que são utilizados ativamente no contexto local, dando à garantia de que a população é realmente indígena diante da ―luta‖ pelos direitos sociais e contribuindo para a criação de símbolos de importância valorativa para o reconhecimento de si mesmo como uma população culturalmente homogênea e integrada. Segundo Aires (2001, p. 17, grifos do autor), A incorporação e apresentação da diferença cultura por parte dos indígenas têm o seu início e intensifica-se com os encaminhamentos do processo de reconhecimento da população indígena e delimitação da Área Indígena Tapeba. O fato é que, com o decorrer da ‗luta‘ pela terra e as constantes afirmações de que os Tapeba não são índios, fazem com que uma variedade de ‗tradições‘ sejam incorporadas pelos líderes indígenas, procurando apresentar os Tapeba como uma população diferenciada. Para isso definem uma série de ‗tradições‘ como indígenas: a dança do Toré, a confecção do artesanato e outras que genericamente os índios intitulam de ‗resgate‘. Estes são os temas que comporão o currículo que os líderes prescrevem para a escola Diferenciada Tapeba a partir dos anos 90. O ‗regate‘ é um tema amplo que diz respeito aos interesses dos líderes indígenas diante da ‗luta‘ e das possibilidade de formular representação elaboradas pelo próprio grupo em que a escola e o currículo se configuram como um dos canais alternativos de representação. Nesse contexto, a escola e o currículo indígena aparecem como resultado dos interesses diante das possibilidades abertas do reconhecimento público. No entanto, conforme destaca Aires (2001), a percepção da importância por uma escola, não está associada à ideia de diferença cultural, mas a uma reivindicação por uma escola para aprender a ler e escrever. 243 Interessante, nesse estudo, é observar o modo como são usadas táticas de subversão na invenção de tradições que possibilitam o reconhecimento estratégico dos índios e seu lugar na produção de narrativas permeados pela compreensão da diferença cultural. Para as lutas dos índios é importante demarcar um lugar que os diferencie. Contudo, quando focaliza o olhar para a escola, Aries (2009) verifica que essas questões não se fazem presentes no espaços/tempos de formação. Nesse ponto, observamos que a opção feita pela autora em trabalhar com entrevistas dificultou o olhar das ausências/presenças evidentes nos discursos produzidos em sala de aula. A própria configuração do referencial teórico se afasta desse sentido. Barletto (2003) destaca as análises de Gramsci sobre a questão sexual apresentadas nos Cadernos do Cárcere, de modo a propiciar a reflexão sobre algumas questões sobre gênero e classe presentes na obra desse autor marxista. O esvaziamento político e histórico do gênero e dos costumes de modo geral, cria, na visão de Barletto (2003), uma ética sobre o feminino que dificulta, na classe subalterna, as mediações da questão sexual na totalidade das relações sociais, ou seja, nas suas relações e sua função de hegemonia. Para o autor, a questão sexual se apresenta como uma das mediações superestruturais do fundamento do contrato social de compra e venda de força de trabalho. Sua legitimidade está por ser firmado entre os iguais, por natureza biológica (que é sexual), os livres em arbítrio (na vida privada) e fraterna por serem indivíduos autônomos vivendo em sociedade. Isso constitui uma ética civil. O machismo na sociedade moderna, determinado e determinante dessa ética, é uma postura que reforça e é reforçada, no plano superestrutural, pelo mito do homem natural, conforme ressalta Barletto (2003), princípio da dissimulação da oposição e exploração das relações na sociedade de dois sexos e de luta de classes. ―O machismo só pode ser comparado a dominação de classe na sociedade moderna no sentido de reconstruir, no campo das questões de gênero, os princípios ‗naturalizados‘ que fundamentam as relações no contrato de trabalho do modo capitalista‖ (BARLETTO, 2003, p. 11). 244 Analisar as questões de sexo, gênero, raça e etnia estabelecendo um olhar dicotômico, silencia os movimentos de negociações, embates, lutas existentes entre os sujeitos. A produção de silenciamentos subjugam as minorias sociais a um lugar constante de subordinação/submissão. Não estamos querendo afirmar que esses movimentos não existem, mas sobre eles agimos e os ressignificamos. Essas são questões, por exemplo, que podem também serem empregadas ao estudo de Neira (2008). O autor ao realizar uma pesquisa de caso de tipo etnográfico com uma escola de primeiro ciclo da Educação Básica situada num bairro social de Braga, Neira (2008) visa reconhecer de que forma o currículo da Educação Física tem se adaptado às demandas multiculturais em uma realidade frequentemente alimentada pelos debates e discussões que advogam o respeito e o reconhecimento das diferenças culturais. Fundamentado nos estudos de Giroux e Maclaren, Neira (2008) salienta que a ideologia democrática aponta para a necessidade de se desenvolverem situações pedagógicas que, em vez de imporem a cultura do silêncio, conduzam à valorização das vozes dos grupos subjugados. A teorização curricular empreendida pelos autores de referência, possibilidade, na leitura de Neira (2008), identificar um considerável movimento em busca das transformações necessárias à nova realidade, visando a inclusão de todos os grupos culturais na instituição escolar. Em suas análises, a escola hegemônica propicia pouca ou quase nenhuma opção de escolha aos alunos em desvantagem cultural e coloca-os diante de um dilema: ou competem em condições desiguais, negando seus conhecimentos de rua, da família e outros espaços culturais, além da sua dignidade, ficando fadados ao fracasso, ou são colocados para fora do sistema. Nas aulas do componente fundadas na pedagogia operante, quando os conhecimentos trazidos pelas crianças não são aceitos pela cultura hegemônica, elas se tornam ―estranhas‖. Para Neira (2000), diante das condições impositivas do currículo conservador da Educação Física, a criança ou se sujeita àquela cultura e procura incorporar os gestos ensinados, ou resiste à dominação. 245 Como podemos observar sujeitamento e resistência são práticas que se sobrepõem umas as outras, ou seja, para o autor, a existência de uma dessas práticas eliminam a possibilidade da outra. Entendemos, a partir do referencial teórico assumido neste estudo, a coexistência de sujeitamento e dominação ao mesmo tempo, pois ao agirmos provocamos movimentos que burlam as produções de metanarrativas dicotômicas, que fixam lugares e espaços de ações. 5.3.2 Prática docente Neste tópico, aproximamos as pesquisas que visam discutir, a partir de diferentes perspectivas, a prática pedagógica de professores, dentre os quais situamos Machado (2007); Torriglia (2008), Mello (2008), Greco e Fonseca (2001). Torriglia (2008) e Machado (2007) se aproximam dos estudos de Gimeno Sacristán, para buscar compreender o currículo, as práticas docentes e a relação entre professor, estudante e conhecimento. Efetuam uma leitura do currículo a partir das práticas, entendendo-as como algo fluido, fugaz, difícil de apreender em coordenadas simples, além disso, complexa enquanto nela se expressam múltiplos determinantes, ideias, valores e usos pedagógicos. A prática é entendida como ethos das instituições escolares, que supõe a articulação do dinâmico e complexo triângulo conhecimento-professor-estudante. Esse movimento, segundo a autora, transcende a especificidade e as intencionalidades dos sujeitos individuais, pois o contexto social mais amplo perpassa as formas institucionais e estas se adaptam, misturam mediações, prescrições, resistem, adotam modismos, ou seja, respondem e estão presentes nos limites e possibilidades que as condições históricas determinam. Cada uma dessas relações se desdobra e se encadeia, às vezes mais ou menos explicitamente, em níveis variados de objetivação que se manifestam na vida cotidiana. Para Torriglia (2008), todas as dimensões e mediações inerentes à organização curricular, ao currículo e à produção de conhecimento, de maneira direta ou indireta, interessam à formação e à prática docente. Entre tais dimensões e mediações 246 salienta o papel da linguagem, o sentido de conhecer a realidade e o conceito de cotidiano, a partir de Heller, Marx e Engles. Nesse caso, a vida cotidiana é compreendida, na visão de Torriglia (2008), como um conjunto de atividades que caracterizam a reprodução dos homens particulares e, ao mesmo tempo, a reprodução social, terreno fundante e fundamental da realidade. Isto significa que quando os homens e as mulheres criam seu ambiente, reproduzem em um primeiro nível objetivações - coisas, utensílios, objetos que ao ser exteriorizadas conformam um sistema que serve de referência e de orientação. Apropriam-se do ‗mundo‘, das coisas, da linguagem, dos costumes, captam e representam a realidade. Elaboram um sistema de orientação que permite ‗sobreviver‘ no mundo, capturando o aspecto fenomênico da realidade: o mundo da vida cotidiana (TORRIGLIA, 2008, p. 5). Para Torriglia (2008), com base em Heller, a vida cotidiana é histórica, muda ou se transforma com a dinâmica social e possui uma universalidade extensiva. A sociedade somente pode ser compreendida em sua totalidade, em sua dinâmica evolutiva, quando está em condições de entender a vida cotidiana em sua heterogeneidade universal. Nessa circunstância, o currículo depende da concepção e da perspectiva, dispondo de conhecimentos compreendidos como válidos e relevantes para serem ensinados. Agrupa diversas faces da cultura, do desenvolvimento pessoal e social, das necessidades vitais dos indivíduos para seu desempenho em sociedade, competências e habilidades consideradas fundamentais na práxis pedagógica (MACHADO, 2007).58 O uso do conceito de práxis se apresenta em todos os trabalhos agrupados neste tópico e na maioria das pesquisas que assumem um referencial marxista e crítico. Mello (2008), ao estudar a narrativa de professores sobre planejamento diários, baseando-se no conceito de Mikhail Bakhtin sobre gênero discursivo em construção, salienta a ideia do planejamento como uma práxis, consistindo numa ação orientada por um pensamento transformador da realidade. Compreende assim, a práxis 58 A autora define competência como a capacidade de mobilizar conhecimentos, valores e decisões para agir de modo pertinente numa determinada situação. Quanto às habilidades, são classificadas como sendo da mesma família das competências. A diferença entre o que seria uma competência e o que seria uma habilidade, na visão de Machado (2007), depende do contexto. 247 articulando-a com a necessidade da intervenção do professor na zona de desenvolvimento proximal, baseada em Vygotsky. Assim, o planejamento passa a ser visto, então, como relação dialética entre pensamento e ação e o documento escrito constitui-se em uma síntese das conclusões obtidas durante o processo de reflexão. A concepção de planejamento apresentada por Mello (2008) é também assumida por Greco e Fonseca (2001). Essas autoras procuram analisar os aprendizes, as aprendizagens e a Geografia, como um saber e uma prática em movimento, vivida, experimentada e compreendida de diferentes formas dentro e fora da escola. Dessa forma, conhecer o aluno como ser sócio-cultural, mapear os cenários exteriores da Geografia escolar com os quais os alunos vivenciam seu tempo, seu espaço e seu ‗mundo‘, pensar sobre seus olhares em relação à Geografia no espaço escolar, foram proposições para se compreender essa disciplina e ampliar as reflexões sobre as dimensões do currículo, conteúdo-forma e o ensinoaprendizagem oferecidos aos alunos. Fundamentado em Eric Hobsbawn, Philippe Ariès, Rosa Fischer e Henry Giroux, Greco e Fonseca (2001) assumem as concepções de cultura juvenil, identidade, currículo, as categorias de lugar, mundo e mundialização da informação e mídia, como referências para as análises teórico-metodológicas. O estudo indica que a fragilidade da educação escolar, enquanto referência cultural para alunos e alunas, está em vencer as lacunas que são estabelecidas e nesse espaço escolar, entre teoria e realidade/prática e conteúdo-forma. Tratando-se de dimensões do território do currículo escolar e da Geografia no ensino fundamental. Para Greco e Fonseca (2001) é necessária a inclusão dos espaços e meios de socialização que representem a geografia vivida pelos alunos no currículo da escola e na sala de aula. Entre os conteúdos selecionados para o currículo destacam ser preciso introduzir a cultura juvenil, a linguagem e as expressões, seus espaços e meios de socialização, para ação e reflexão, trazendo para o aluno o desafio de investigar questões relacionadas ao consumo, lazer, mercado, imagens, sons, ritmos, letras, tecnologia, trabalho, códigos, lugares multiculturais, tempo(s) e 248 espaço(s) políticos dos sujeitos jovens adolescentes. Um diálogo, afirmam as autoras, entre o currículo escolar da Geografia e o currículo da geografia da vida dos alunos, dos saberes, das práticas e vivências culturais de jovens adolescentes. Defendem introduzir, no espaço da sala de aula, outras formas de pensar o conhecimento geográfico, no mundo contemporâneo. Ou seja, a forma como o discurso geográfico se concretiza centrado no livro didático, nos exercícios e correção, nega, na visão das autoras, outras possibilidades de linguagens/formas de aprendizagem capazes de motivar, desejar compreender e desvendar os diversos lugares do mundo, capazes de relacionar aquelas experiências multiculturais vividas no cotidiano ao conhecimento da Geografia escolar, estabelecendo um diálogo entre os sujeitos do processo ensino-aprendizagem. Gostaríamos de chamar atenção para a importante contribuição oferecida pelos autores ao colocarem na centralidade do debate a história como perspectiva matriz. No entendimento do sujeito histórico, social e culturalmente produzido, possibilita uma leitura sobre formação de professores que dialogam com diferentes espaços/tempos da vida cotidiana. Todavia, é preciso manifestarmos, ao situar o estudo de Torriglia (2008), a preocupação com a noção de totalidade e dinâmica evolutiva produzida pelo viés histórico. Se, por um lado, esses conceitos reforçam a ideia de reprodução social, por outro, não potencializam a dinâmica complexa, heterogênia de encontros e desencontros de reprodução, ressignificação produzidos/inventados pelas práticas discursivas ao longo da história. Precisamos ainda destacar as possibilidades apresentadas pelos usos e apropriações dos estudos de Sacristán. Assumem, nesse caso, a interlocução com as problematizações sobre objetivações do currículo produzidas de forma individual e coletiva. Essas objetivações se manifestam no currículo prescrito; apresentado aos professores; modelado pelos professores; em ação; realizado; e, avaliado. As análises com base nas objetivações do currículo, possibilitam o estudo das orientações prescritivas e da prática pedagógica sem subjugar uma a outro. 249 É interessante notar que os estudos nos/dos/com os cotidianos também se apropriam de Sacristán, porém com interesse particular na noção de currículo em ação e currículo realizado, voltaremos a essa questão ainda neste capítulo. Essa discussão se faz interessante ao se encontrar na tensão/mediação existente entre prescrições e práticas. Não observamos, desta maneira, a centralização da análise entre o que é prescrito e o que é de fato praticado.59 5.3.3 Currículo e conhecimento Neste tópico, foram agrupadas as pesquisas que efetuam uma análise do conhecimento e sua articulação com o currículo. Dentre os autores, encontramos Hage (1995), Ribeiro (1995), Santos (1995), Cunha (1997), Campos (2004), Silva (2002), Soares et al. (2008). As análises desses trabalhos evidenciam uma presença marcante do uso da teoria da ação comunicativa de Habermas. Nesse caso, dos seis trabalhos agrupados neste tópico, três, Ribeiro (1995), Cunha (1997) e Santos (1995) estabelecem interlocuções com Habermas. Ribeiro (1995) se apropria da teoria habermasiana, a fim de analisar o denominado movimento de reconceptualização de currículo. O autor defende a possibilidade de reconstrução teórica do conceito de currículo, tendo como objetivo oferecer ao professor uma teoria do currículo que, de forma autorizada, diga-lhe o que fazer quando chegar a hora de desenvolver, implementar e avaliar o currículo. De acordo com Ribeiro (1995, p. 7), Para fundamentar a nova concepção, aprofundo a relação dos conceitos trabalho e interação, conhecimento e razão, concluindo que o desvelamento da lógica do conceito mundo da vida pode produzir sujeitos emancipados que, por meio da razão instrumental, desencadeada no interior das forças produtivas, e da razão funcionalista, desenvolvida nas capacidades de organizar e planejar, construam uma sociedade mais digna e igualitária. 59 Em estudo sobre o processo de formação continuada vinculada no programa Escola de Gestores, elaboro uma análise buscando articular as diferentes objetivações do currículo. Para mais informações sobre o assunto ver Santos (2009). 250 Se, no estudo de Ribeiro (1995), Habermas é usado para demarcar um projeto de emancipação social com pretensão de oferecer aos sujeitos professores uma teoria curricular capaz de lhes dizer o que fazer e como; nas pesquisas de Cunha (1997) e Santos (1995), os conceitos do autor aparecem como possibilidade de solucionar a crise de legitimação produzida, e, por que não, inventada, no campo da teoria curricular crítica.60 Esses autores destacam, como exemplos paradigmáticos da teoria crítica, os estudos de Michael Young e Michael Apple. Segundo Cunha (1997, p. 3), [...] a concepção crítica se apóia na compreensão reflexiva do objeto, implicando em uma teorização sobre o mesmo, mas que esta teorização, sem o devido aprofundamento na essência histórica do conceito e no âmbito de uma filosofia do sujeito, não levará a uma saída da crise de legitimação. Uma possibilidade de saída estaria em se ver estas relações (teoria/ prática) no âmbito habermasiano do discurso teórico e prático, o que implicaria em se buscar, intersubjetivamente, através de proposições assertóricas, uma resposta à questão: o que é currículo? Santos (1995), no entanto, analisa a possibilidade de utilizar o conceito da razão comunicativa de Habermas, como pressuposto do discurso da cidadania, levando em conta a "guinada lingüística" no pensamento filosófico, situando-o no debate sobre a crise da modernidade em que se enfatiza a perda de força explicativa dos paradigmas modernos, especialmente em torno da crítica à razão. Nessa produção, passa-se de uma noção de conhecimento baseado na percepção e na representação de objetos, para um conhecimento que se constrói em relações intersubjetivas no ato lingüístico, na busca do entendimento pela troca de opiniões justificadas por meio da argumentação, abrangendo não só o conteúdo do discurso que constata fatos, estabelecendo o nexo da prática e da comunicação cotidianas. Ao tratar a questão da cidadania via razão comunicativa, pressupõe dar relevância a sua dimensão ética (SANTOS, 1995), tendo em conta que as relações sociais ocorridas no mundo vivido e que qualificam o indivíduo enquanto ser-cidadão, assumem a forma comunicativa, expressa como ato linguístico. Este, por sua vez, exige uma ética discursiva, fundada no princípio da universalidade, que se sustenta não num sistema lógico-formal, no qual proposições são deduzidas de proposições, 60 A questão central apresentada pelos autores como marca da crise de legitimação da concepção crítica está no distanciamento entre as ideias dessas teorias e sua relação com a prática, essa é também uma reflexão feita por Moreira (2005) e apresentada na introdução desta pesquisa. 251 mas numa fundação pragmático-linguística, implícita em toda forma de argumentação, seja teórica ou prática. Santos (1995) destaca que é de conhecimento as dificuldades para se defender uma instância ética em tempo de discursos 'pós-modernos', entretanto, insiste em afirmar que só no âmbito deste campo de ação é possível justificar a imprescindibilidade do agir no campo político. Para tal, utiliza o expediente da razão comunicativa, de Habermas, ancorada na ética do discurso, na forma proposta por Apple, em que aos concernidos é assegurado apresentar e fazer valer suas pretensões de validade. Assim, apresentar uma pretensão de validade significa afirmar a alteridade, o que, como salienta Santos (1995), leva à aceitação das normas da intermediação argumentativa dos conflitos, pressupondo estar de acordo com os outros parceiros da interação, tanto com relação ao sentido do enunciado em que a pretensão se dá, quanto sobre suas condições de validade, garantindo, assim, a simetria da situação interativa. Um outro aspecto considerado pelo autor é a intervenção da escola no processo de transformação da sociedade. Com base em Giroux, Santos (1995) adverte que uma proposta emancipatória de educação para a cidadania requer a problematização da própria natureza da cidadania, permitindo identificar como determinada concepção de cidadão é transmitida, por meio da racionalidade dominante, em determinada ordem social. A exemplo, observa que a vitalidade de qualquer campo é medida, em parte, pela intensidade do debate que gera a respeito de suas pressuposições e objetivos mais básicos. A educação-escolarização emancipatória das classes sociais empobrecidos é também foco de estudo de Hage (1996) que assume como referência os trabalhos de Giroux e Apple. Ao realizar uma pesquisa acerca da proposta político-pedagógica da Escola Cidade de Emaús (Belém), demonstra ser possível apropriar-se das contradições subjacentes ao processo educacional e subverter as relações predominantes de discriminação e exclusão de raça, sexo e classe social. Na leitura do autor, a escola tem servido hegemonicamente para dissimular e ocultar a dominação, a discriminação e a exploração a que tem sido submetida grande parte 252 da população brasileira e mundial. As contradições subjacentes ao processo educacional tem revelado não ser ontologicamente sua função social, sendo possível portanto redimensionar tal função, no sentido de poder atuar como possibilidade de conscientização e emancipação das classes e grupos menos favorecidos e oprimidos da sociedade. Corroborando com as reflexões de Apple, Hage (1996, p. 10, grifos do autor) salienta que [...] parece-nos sem sentido o fato de que na atualidade enquanto as 'grandes narrativas' de progresso estão sendo consideradas ultrapassadas, a educação e a escola estão cedendo aos 'encantos' de outra grande narrativa, a do mercado, cujos resultados têm-se apresentado de forma devastadora: a destruição de nossas comunidades e de nosso meio ambiente, o crescente racismo da sociedade, os rostos e os corpos de nossas crianças, que vêem o futuro e perdem a esperança. A questão do processo de escolarização para trabalhadores, tendo como eixos as novas formas de organização do trabalho e o processo de qualificação do trabalhador, assim como a articulação entre cotidiano do trabalhador e o processo de escolarização formal se constituiu como objeto de pesquisa de Soares et al. (2008). Estabelecem um grande diálogo com autores do campo da educação como Arroyo, Frigotto e especificamente do de currículo Giroux e Simon, Silva, com intuito de salientar que enquanto o processo fabril tem avançado vertiginosamente os processos pedagógicos têm avançado muito lentamente. Para Soares et al. a escola, historicamente, tem se encastelado, como se o processo de formação acontecesse somente dentro dela e o processo de deformação dentro do sistema fabril. Os vínculos, educação e trabalho, estão longe de serem articulados em função dessa posição da escola, que, por exemplo, quando discute tais vínculos entre eles, aproxima-se de uma forma ingênua, idolatrando o trabalho artesanal como o trabalho digno, formador do homem, e nega uma discussão com o processo de trabalho real. Com base nessas questões e assumindo a leitura de Silva como referência, Soares et al (2008) enfatizam que os teóricos críticos do currículo deixaram de acreditar que o acesso e a permanência na escola seriam as únicas bandeiras de democratização do ensino. O interior da escola deve ser investigado, apontando-a como responsável pela exclusão. Assumem assim, o cotidiano, como lugar ao mesmo tempo informal, banal, bem como um espaço no qual o sujeito recria, espaço esse contraditório, 253 terreno de luta que pode ser usado pela escola com vistas a transformar as condições ideológicas e materiais de dominação. As práticas que promovem o fortalecimento da democracia são possíveis, pois habilitam as pessoas a intervir nas suas próprias subjetividades e, portanto, a exercer o poder. Por fim, Silva (2006), assim como Santos (1995), procura estabelecer suas análises tomando como base a crise da modernidade, contudo, estabelece críticas fortes aos estudos culturais e pós-modernos. Para a autora, os estudos pós-modernistas ao rejeitarem as análises do todo, priorizam o local em contraposição ao global e guardam relação direta com as teses neoliberais, tendo como causa comum a defesa da postura conservadora que paralisa os movimentos sociais. Ao enfatizar a heterogeneidade dos jogos de linguagem, relegam, na visão da autora, todo esforço de busca do consenso e do coletivo, considerando-os ultrapassados. A diferença torna-se revolucionária e os acontecimentos, devido ao seu caráter incerto, implicam na negação da utopia e na criação de um futuro melhor para a humanidade. As teorizações sobre o fim das metanarrativas, sobre o fim da certeza provisória, da história, da razão, entre outras, articuladamente com o neoliberalismo, constituem, no dizer de Silva (2007), o arcabouço ideológico da pósmodernidade. Seguindo esta lógica, os estudos pós-modernos de currículo limitam-se a compreender o que o currículo faz no presente e não propõem um currículo alternativo para a formação de homens necessários para modificar o status quo. Tais estudos, ao negarem a possibilidade de um projeto pedagógico com intenções definidas construído coletivamente pelos docentes, criam na escola clima de mal-estar, de desânimo e de impotência diante dos problemas do presente [...]. Para melhor compreender porque a economia atual funciona em nível transnacional, enquanto que os estudos culturais focalizam o local e o regional, importa entender que não se pode confundir mundialização da economia com mundialização das classes sociais. A transnacionalização da economia trouxe o aumento da coesão dos capitalistas, porém para os trabalhadores implicou em sua fragmentação social e em sua debilitação. Atualmente, a economia e os capitalistas estão transnacionazalidos, porém os trabalhadores fragmentados (SILVA, 2007, p. 4, grifos do autor). Na concepção da autora, enquanto se processa o fortalecimento da transnacionalização da economia, consolida-se uma articulação teórica – teoria do caos e suas versões, estudos pós-estruturalistas, estudos culturais e o neoliberalismo – que reforça a crença nas incertezas para explicar os 254 acontecimentos; elege a diferença como resistência; a cultura local como objeto de estudo; exacerba o individualismo e troca o horizonte político pelo acontecimento. Para Silva (2007), um currículo dentro de uma proposta pedagógica para além da pós-modernidade, ou seja, que responda aos desafios da pós-modernidade, contesta esta concepção que nega a função crítico-transformadora da escola. Em oposição, busca criar, ao assumir Bauman como interlocutor, relações de tipo novo, solidárias, compromissadas com a liberdade. O momento atual, na leitura da autora, exige que coletivamente os educadores somem esforços, em caráter de urgência, para ultrapassar a crítica ao currículo tecnicista e humanista conservador, mas também, as vertentes analíticas cujas discussões de tão racionalizadas e idealizadas, ignoram o que ocorre na prática curricular e negam os determinantes econômicos e sociais mais amplos, que constituem a infra-estrutura das culturas. Na visão de Aparecida (2007), impõe-se, também, ir além da compreensão dos determinantes macro-sociais e econômicos e enxergar o que está acontecendo na realidade das práticas curriculares provocadas por estes determinantes. É oportuno lembrar que a relegação dos fins a segundo plano; a redução da cultura no sentido lato e antropológico à cultura local, sem estabelecimento da articulação entre elas, e entre estas e a infra-estrutura econômica; a hiper-valorização do individual e a eleição da diferença como capaz de gerar transformações coincidem, no mesmo período histórico, com a transnacionalização da economia, com as definições das políticas educacional e de currículo atreladas às diretrizes de agências internacionais de financiamento, tais como Banco Mundial, BIRD, Organização Mundial do Comércio, as quais têm finalidades explícitas (APARECIDA, 2007, p. 12). A compreensão destes elos e da coincidência entre o movimento macro no campo econômico e o movimento micro no campo educacional levanta questões em torno do conhecimento que é veiculado pela escola, do tratamento que esta vem dando às experiências dos alunos e à herança cultural. Defende então, uma proposta de currículo que leve em conta estes questionamentos não negando a cultura no sentido lato, antropológico, mas partindo do princípio de que os conhecimentos são social e culturalmente construídos e podem se reverter para o enfrentamento de problemas sociais, cujas soluções se situam no horizonte de probabilidades de transformação da realidade. Um currículo, nesses termos, volta-se para a construção de outra pós-modernidade, a de libertação. 255 Neste tópico encontramos críticas aos discursos pós-modernos e a defesa na da modernidade, mas da necessidade de se manter como pilares de formação a noção de transformação social, emancipação, cidadania, autonomia, etc. Assumem, nesse caso, categorias como classes sociais minoritárias, excluídas de um projeto de transformação. Na visão dos autores a escola é o lugar hegemônico, assim como outras esferas sociais, onde se dissimula e oculta a dominação, discriminação e exploração. O conhecimento é historicamente construído pela escola como um saber centrado nos processos de exclusão e manutenção da ordem social vigente. Assumir o conhecimento nessa perspectiva é negar, no nosso olhar, a capacidade de usos, consumos e apropriações (CERTEAU, 1994) dos praticantes escolares. Mesmo a teoria crítica assumindo os professores, alunos, pedagogos como sujeitos, eles se apresentam, se não estiverem conscientes da necessidade da transformação social, como reprodutores da ideologia e dos discursos produzidos pelo sistema capitalista. Essa leitura desapropria dos praticantes suas capacidades inventivas, criativas e os modos como podem burlar as questões impostas. Estamos chamando atenção para a necessidade de voltar o olhar para os processos coletivos e individuais instituidores de táticas que redefine nos usos astuciosos o ―lugar próprio‖, pois como enfatiza Carvalho (2009, p. 168-169) As táticas devem ser consideradas como campos de possibilidades de professores e alunos transcenderem a trajetória, transcenderem o lugar próprio de autoria individualizada rumo a um projeto estratégico/tático de criação coletiva, contextualizada e problematizada, em fim, enraizada no princípio de comunidade. É preciso enfatizar ainda que a leitura da função crítico-transformadora da escola e suas análises produzidas a partir do campo macro e suas influências no campo micro, nos oferecem interessantes contribuições para pensarmos sobre as produções discursivas que sinalizam o fim das certezas parciais, da história e da razão. Nesse ponto nos aproximamos das leituras feitas por Aparecida (2007) por estabelecer um profícuo diálogo entre os campos macro e micro-sociais. Por fim, gostaríamos de salientar que, o debate produzido pelos autores que assumem a corrente marxista e crítica de currículo, não se esgotam na primeira 256 metade da década para ceder espaço aos estudos pós-modernos, pós-estruturais e pós-coloniais e nem sempre se manifestam por meio de hibridismos culturais, como salienta Lopes e Macedo (2005). Tal debate marca todo o período temporal estudado, que compreende 1995 a 2008. Nesse ponto, Aguiar (2006) ao analisar a natureza científica da ANPEd, destacar que Como ANPEd, enfrentamos também o debate teórico, epistemológico e metodológico motivado pela crise paradigmática que aportou em nossas plagas, traduzida na diversificação da produção da área das ciências humanas e sociais. Fomos capazes de resistir aos acenos daqueles que apregoavam o fim da história e das ideologias, denunciado permanentemente e com competência, porque assentada em consistente produção teórica, as falsas premissas da suposta vitória do capitalismo, como sistemas ideal para a humanidade. Não nos abatemos: ao contrário, avivamos a nossa capacidade crítica, quando a onda do neoliberalismo pretendeu varrer da história o legado dos clássicos que nos ensinaram a pôr o homem no centro da produção material. Nesse movimento, a ANPEd foi uma das primeiras a contrapor-se a essas idéias e a alertar para os riscos da visão que queria impor, a todos, o mercado como a única saída (AGUIAR, 2006, p. 187-188). De maneira geral, as reflexões apresentadas pelos estudos do Currículo, política e teorias críticas, indicam uma diversidade de autores, interlocutores de referência e grupos de pesquisa. Não observamos, no entanto, aproximações institucionalizadas por parte dos autores. Esse fato além de dificultar a análise, representa também o enfraquecimento dos grupos de pesquisa na constituição do campo de currículo no Brasil. A identificação, por exemplo, das diretorias, do comitê científico, pareceristas ad hoc e das publicações expressas na Revista Brasileira de Educação, nos oferecem pistas sobre as ausências dos pesquisadores. Esses lugares de poder são forjados pelos processos de negociação, lutas, reconhecimento, acordos, embates, estabelecidos não só pelos autores, mas, sobretudo pelos grupos de pesquisa e programas de Pós-Graduação em Educação. Diante desse contexto, fica o questionamento para estudos futuros: em que medida as ausências dos pesquisadores nos lugares de poder que constituem importantes espaços de negociação (Comitê Científico, Diretorias, Pareceritas), contribuem para a publicação de um número reduzido de trabalhos? Entretanto, acreditamos que o próprio distanciamento entre os grupos, tem projetado o desenho desse cenário. 257 5.4 CURRÍCULO E AS PESQUISAS NOS/DOS/COM OS COTIDIANOS A constituição do campo dos estudos da produção teórica que resolvemos denominar pesquisas nos/dos/com os cotidiano é demarcada pela relação institucional entre diferentes programas de pós-graduação e grupos de pesquisas. Nesse caso, é notória a presença dos Grupos de Pesquisa: da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Cotidiano escolar e currículo coordenados por Inês Barbosa de Oliveira e Nilda Guimarães Alves; Redes de conhecimentos e práticas emancipatórias no cotidiano escolar, liderados por Inês Barbosa de Oliveira; e Currículos, redes educativas e imagens coordenados por Nilda Alves e Carlos Eduardo Ferraço da Universidade Federal do Espírito Santo. Dessa Universidade, verificamos ainda a presença do grupo Currículo, cotidiano, cultura e redes de conhecimentos, liderados por Carlos Eduardo Ferraço e Janete Magalhães Carvalho; da Universidade Federal Fluminense o grupo Alfabetização dos alunos e alunas das classes populares, coordenados por Regina Leite Garcia e Maria Teresa Esteban; e, por fim, da Universidade de Campinas Escritascurrículo, representação e diferenças liderados por Antonio Carlos Rodrigues de Amorim. É interessante notar que os líderes dos grupos de pesquisa mencionados anteriormente se apresentam como autores que mais publicam nas fontes estudadas neste trabalho. A maioria deles também se constituem como os principais referenciais teóricos do campo do currículo analisados neste tópico, como pode ser observado no quadro 16. 258 Quadro 16 – Distribuição quantitativa dos principais autores de referência Os dados apresentados no quadro aproximam-se em parte com as análises apresentadas por Lopes e Macedo (2005). As autoras destacam que, enquanto a maioria da produção em currículo no Brasil apóia-se na discussão oriunda de países de língua inglesa, os estudos sobre currículo em rede referenciam-se, em sua maioria, em bibliografia francesa, especialmente em autores como Certeau, Lefèbvre, Morin, Guattari e Deleuze. Observamos, nesse caso, uma ampliação de autores e origem territorial, com a presença de Boaventura de Sousa Santos, Pierre Levy, Michel Foucault, Humberto Maturana e Homi Bhabha. 259 Contudo, a diferenciação estabelecida neste trabalho com o estudo de Lopes e Macedo (2005) não está na ampliação dos referenciais teóricos advindos de outros países e áreas de conhecimento, sobretudo da sociologia, mas na assertiva produzida por parte desses autores ao enfatizarem o reduzido diálogo com a área de currículo, tal como ela se apresenta na literatura internacional ou nacional. Observamos, dessa maneira, um significativo diálogo com autores internacionais dos quais se destacam Gimeno Sacristán, Michel Aplle, Giroux, NacLaren e Goodson. No que se refere às produções nacionais, os estudos elaborados pelas pesquisas nos/dos/com os cotidiano tem privilegiado um diálogo com os próprios atores que constituem o campo, coordenadores dos grupos de pesquisa, como pode ser observado no quadro anteriormente, dentre eles: Nilda Alves, Inês Barbosa de Oliveira, Carlos Eduardo Ferraço e Antonio Carlos Amorim. Observamos ainda um diálogo com outros pesquisadores que estudam currículo no Brasil, como Antônio Flávio Moreira e Tomaz Tadeu da Silva. Dada a aproximação entre os referenciais teóricos assumidos nas pesquisas e objetos de estudos, resolvemos analisar os pontos em comum entre os trabalhos e, posteriormente, na medida do possível, sinalizando as singularidades entre os autores e grupos de pesquisa. A intenção posta em circulação está em analisar os movimentos e nuances produzidos pelas narrativas tecidas pelos atores que compõem este tópico, situando as aproximações com autores de referência e as polifonias discursivas apresentadas para o campo de currículo. 5.4.1 Concepção de conhecimento, cotidiano, sujeitos, pesquisa e currículo O debate produzido por Alves (2003, 2006, 2008), Alves et al. (2007a), Alves et al. (2007b), Amorim (2000, 2002, 2007, 2008), Andrade (2005, 2006), Barbosa e Oliveira (2008), Carvalho, Simões e Ferraço (2005), Cinelli e Garcia (2008), Ferraço (1997, 1999, 2000, 2004, 2006, 2007a, b), Ferraço e Carvalho (2008), Garcia (2004), Garcia e Oliveira (2006), Regina Macedo (2004), Martins (2006), Oliveira e Alves (1999), Oliveira (1996, 2001, 2003, 2008), Passos (1999, 2006), Sammy (2006), 260 Sgarbi (2004, 2006), Zaccur (1998), Zaccur e Garcia (1996), Wunder (2008), tem privilegiado, como objeto de análise, o estudo da formação de professores, cotidiano, narrativa e imagem. Nesse caso, é intenso o diálogo com diferentes autores e uso de vários conceitos do campo da sociologia, da historiografia, da educação, etc., dentre os quais podemos destacar pela recorrência nos estudos analisados: ―cotidiano‖, ―estratégia‖, ―tática‖, ―consumo‖, ―lugar‖, ―espaço‖, ―uso‖, ―cultura ordinária‖ (Michel Certeau); ―redes‖, ―teias, ―rizomas‖, ―acontecimento‖ e ―cartografia‖ (Capra; Deleuze e Guattari; Guattari; Foucault; Najmanovich), ―autopoiese‖ (Humberto Maturana e Francisco Varela), ―complexidade‖ (Edgar Morin; Lewin), ―auto-organização‖ (Prigogine; Prigogine e Stengers), ―caos‖ (Bergé, Berman), e ―currículo real‖ (Sacristán), ―tradução‖, ―rede de subjetividade‖, ―conhecimento emancipação‖ (Boaventura Santos), ―diferenças culturais‖ e ―hibridismo‖ (Bhabha), ―topologia‖ e ―hipertexto‖ (Lévy), ―traço‖ e ―contexto‖ (Derrida), ―paradigma indiciário‖ (Ginzburg). A incorporação dessas interlocuções tem possibilitado aos estudiosos dos/nos/com os cotidianos entenderem a vida cotidiana como um espaço-tempo61 antropológico onde/quando se vive as práticas de experimentação que taticamente abrem novos possíveis e/ou outras formas e forças que se enredam nos cotidianos escolares, favorecendo processos inventivos e de resistência (FERRAÇO, CARVALHO, 2008). Para isso, como salienta Barbosa e Oliveira (2008) tem-se debruçado sobre a ideia da ―invenção do cotidiano‖, forjadas pelos ―praticantes‖, conforme conceitos elaborados por Michel de Certeau, entendendo-os como usuários de normas, ou seja, não apenas consumidores passivos, mas produtores de lances que aproveitam as ocasiões oferecidas pela circunstância em cada momento mediante as artes de fazer. De acordo com Oliveira (2002), as artes de fazer, estilos de ação dos praticantes cotidianos, obedecem a outras regras que não aquelas da produção e do consumo oficiais. Diferentes e interferentes, essas artes criam um jogo mediante a estratificação de funcionamento, dando origem a novas maneiras de utilizar a ordem 61 Forma de escrita usada pelos autores, no qual, se procura apresentar outras formas de se conceber o conhecimento para além da lógica fundante do paradigma da modernidade. 261 imposta. Para além do consumo puro e simples, os praticantes desenvolvem ações, fabricam formas alternativas de uso, tornando-se produtores, disseminando alternativas, manipulando, a seu modo, os produtos e as regras, de forma invisível e marginal. É a partir dessas operações e das trajetórias por elas desenhadas que os estudiosos do cotidiano buscam captar a vida real e as potencialidades que ela inclui, para além das normas estruturais que regem o sistema social (BARBOSA, OLIVEIRA, 2008). Segundo Cinelli e Garcia (2008), o que se pretende nos estudos nos/dos/com os cotidianos, ao assumir como lócus as artes de fazer, é provocar as invisibilidades, fazer a sociologia das emergências, desinvisibilizando-as. Para tanto, como destaca Oliveira (2006), é preciso superar a dicotomia hierarquizante fundamentada na redução do real a modelos de comportamento, considerando que não há nem propostas nem práticas que possam ser inequivocamente identificadas com a regulação ou com a emancipação. No dizer da autora (2006, p. 25), Captar a complexidade e a riqueza desses processos exige outra postura. Em primeiro lugar, porque propostas de inspiração emancipatória não garantem práticas emancipatórias, do mesmo jeito que propostas em tom mais regulatório não implicam necessariamente, práticas regulatórias. Em segundo lugar, porque a tensão entre a regulação e a emancipação não representa uma dicotomia, nem mesmo uma gradação linear. São apenas pólos analiticamente estabelecidos para nos auxiliar na tarefa de busca de práticas e de saberes mais emancipatórios do que aqueles que hoje se apresentam como dominantes. A regulação e a emancipação devem, portanto, ser entendidas como processos e não como dados absolutizados de uma realidade qualquer. Para Oliveira (2006), o objetivo principal dos estudos nos/dos/com os cotidianos é reconhecer espaços e práticas emancipatórios para desenvolver a ideia de uma pedagogia da emancipação (Santos) fundamentada no fazer cotidiano, buscando avançar ideias e ações que possam levar à compreensão, ao desenvolvimento e à institucionalização de alternativas curriculares democráticas. A noção de emancipação ganha novos contornos, ou melhor, é referenciada nas pesquisas nos/dos/com os cotidianos como processos que se configuram nas práticas diárias. Os deslocamentos operados nesse conceito, em comparação com as teorias críticas, manifestam a emancipação, regulação, resistência, reprodução, criatividade, inventividade como ações que se tecem na complexidade da vida 262 cotidiana. Não projetam a emancipação como um fim da formação, ela, antes de tudo, é uma prática que deve ser exercida no projeto da vida diária. Por isso, o foco dos autores está nos processos complexos que configuram as diferentes maneiras e artes de dizer/fazer as práticas de emancipação. A emancipação é um exercício que se estabelece nas práticas cotidianas geradas pelas tensões dos diferentes movimentos da vida. Para tal, procura aprofundar o estudo a respeito dos processos por meio dos quais os professores criam currículo cotidianamente, articulando, nesse processo, saberes tecidos a partir da prática pedagógica, nas relações com as normas oficiais, em processos formais de aprendizagem e de formação, além de tantos outros saberes que os constituem enquanto redes de subjetividades (Santos) e que os permitem agir sobre a realidade social e escolar criativamente. A abordagem teóricoepistemológico-metodológica, apontada por Oliveira (2006), está organizada em torno da noção de tessitura de conhecimentos em rede no cotidiano, necessária para pesquisarmos os processos educativos reais, fruto do enredamento de ações, convicções, saberes formais e eventos vividos, buscando compreender o que se passa, efetivamente, nas nossas salas de aula. Essa proposição epistemológica revaloriza, segundo Cinelli e Garcia (2008) e Oliveira (2006), os universos na medida em que, ao perceber o que está para além dos invólucros e discursos sobre o cotidiano, pode-se recuperar a dignidade dos que fazem e pesquisam esses espaçostempos da educação, da escola e da cultura ordinária produzida nesses contextos. Assim, a cultura ordinária, conceito elaborado por Certeau, praticada por cada escola, a partir de sua identidade singular, não se reduz ao padrão comum a todas as escolas, pois nelas estão presentes elementos diferenciados das relações de poder, reconhecidas e atuantes permitindo a cohabitação, no mesmo universo, de formas culturais próprias e de subjetividades estranhas à colonização, da qual não podem fugir, com sentidos mediados pelas redes de seus praticantes (GARCIA, 2004; OLIVEIRA, 2006, AMORIM, 2006, 2007, 2008). 263 Ao tratar do conceito de cultura é preciso ressaltar outras aproximações realizadas pelos pesquisadores presentes neste tópico. Ferraço (2007) e Garcia (2004), por exemplo, ao assumirem Bhabha como referência, destacam a ideia de cultura como ―lugar enunciativo‖ que se realiza a partir das negociações, traduções, mímicas e usos que são vividos nas redes cotidianas. No olhar dos autores, se a cultura como epistemologia se concentra na função e na intenção, ou ainda, na descrição de elementos culturais em sua tendência a uma totalidade, a ideia de cultura como enunciação se concentra na significação. Assim, [...] a cultura pensada como enunciação busca rastrear deslocamentos e realinhamentos que são resultado de articulações culturais, subvertendo a razão do momento hegemônico e recolocando lugares híbridos, alternativos, de negociação cultural. A intenção de especificar o presente enunciativo na articulação da cultura é estabelecer um processo pelo qual outros objetificados possam ser transformados em sujeitos de sua história e de sua experiência, o que se aproximaria da proposta de sujeito praticante de Certeau. As enunciações tecidas em redes estabelecem entre-lugares culturais no cotidiano em meio aos diferentes espaçostempos e lógicas em que se processam mímicas, traduções e negociações que tecem as redes de saberesfazeres e os currículos realizados, impossível de serem identificados de modo fixo a partir de qualquer binarismo (FERRAÇO, 2007, p. 89). De modo mais específico, Ferraço (2007) busca problematizar, com os sujeitos que praticam o cotidiano, os currículos realizados em meio às redes de saberesfazeres tecidas e compartilhadas por eles, assumindo a perspectiva de escola como entrelugar da cultura. Apresenta os sujeitos cotidianos, e não só Ferraço (2007), mas as pesquisas produzidas no campo dos estudos com o cotidiano, como autoresautoras, reconhecidos em seus discursos. Dito de outro modo, os textos e discursos elaborados e compartilhados por esses sujeitos cotidianos da pesquisa ―[...] precisam ser pensados não apenas como citações e/ou exemplos dos discursos das autoras e dos autores que estudamos na academia, mas como discursos tão necessários e importantes quanto estes‖ (FERRAÇO, 2006, p. 13). Considera como sujeitos das pesquisas com o cotidiano todos aqueles que, de modo mais visível ou mais sutil, deixam suas marcas nesse contexto. Alves (1999) coloca em evidência a constituição de cada um como sujeito de conhecimento. Para Regina Macedo (2004), é conhecendo esses sujeitos e os conhecimentos que produzem e criam, que estaremos nos aproximando de uma possibilidade de entendimento das realidades das salas de aula e desenvolvendo formas de nelas 264 intervir, no sentido de contribuir para a produção de práticas voltadas para a emancipação social. Como pode ser observado, ganha destaque nessas pesquisas a noção da tessitura de conhecimento em meio às redes de saberesfazerespoderes, 62 no dizer de Ferrraço (2004, p. 3), As questões, temas, objetos de análise só se sustentam na perspectiva da pesquisa com o cotidiano quando se mostram como envolvidas, como inerentes aos processos de tessituras das redes que estão sendo tecidas pelos sujeitos cotidianos. Por que sempre tecidas junto a outras questões são sempre questões complexas (Morin). Qualquer imposição temática, qualquer desconsideração em relação às questões que estão sendo tecidas pelos sujeitos resulta em ―descredenciamento‖, (que na maioria das vezes não são verbalizados) de nossas pesquisas pelos sujeitos cotidianos. Os estudos nos/dos/com os cotidianos optam pelo caminho da complexidade, da complementariedade, entendendo a práticateoriaprática nas tessituras das redes cotidianas de conhecimentos e significações (ALVES, 2008). Assim, ―[...] as redes não estão no cotidiano. Elas são o cotidiano!‖ (FERRAÇO, 2004, p. 9). Segundo o autor (1999, p. 4), Como suporte corpóreo do cotidiano (Santos, 1997), as redes se tecem individual e socialmente. Nesse processo de tessitura, elas: a) estão em constante extensão e renegociação (princípio de metamorfose); b) não possuem unidade orgânica nem motor interno (princípio de exterioridade); c) não possuem um único centro, mas diversos (princípio da mobilidade dos centros); d) tudo funciona por proximidades, isto é, o curso dos acontecimentos é uma questão de caminhos (princípio de topologia); e) nos nós e conexões encontramos imagens, sons, cheiros, sensações, palavras (princípio de heterogeneidade); e f) qualquer nó ou conexão quando analisado revela-se como uma rede (princípio de multiplicidade e encaixe de escalas) (Lèvy, p.25 e 26). Uma outra metáfora utilizada para compreender a produção do conhecimento escolar sob a perspectiva do rizoma é apresentada por Amorim (2007, 2008), ao tratar da ideia de mapa, cartografia. Com base em Deleuze e Guattarri, Amorim (2000, 2002) remonta a noção do conhecimento rizomático como a construção de um mapa, sempre desmontável, conectável, reversível, com múltiplas entradas e saídas, com suas linhas de fuga. O autor pretende dimensionar, 62 Mantivemos os modos de escritas produzidos pelas pesquisas analisadas neste tópico, pois, na nossa leitura, elas dizem muito sobre a concepção epistemológica e a tentativa de ultrapassar as noções disciplinantes, hieraquizadoras, dicotômicas que fundamentam a ciência moderna. 265 [...] a produção de conhecimentos nas práticas dos professores como cartografia: o mapa é aberto, é conectável em todas as suas dimensões, desmontável, reversível, suscetível de receber modificações constantemente. [...] O rizoma pode ser cartografado, mapeado e tal cartografia mostra-nos que ele possui entradas múltiplas; isto é, o rizoma pode ser acessado de infinitos pontos, podendo daí remeter a quaisquer outros em seu território. Percebida dessa maneira, a produção, em aula, de professores e alunos é configurada como se fosse um processo de filmagem com várias possibilidades de desfecho da trama dependentes da edição, mesmo que sejam mantidas situações comuns nos vários produtos finais que vão a público. Os exercícios são uma dessas situações comuns (AMORIM, 2000, p. 1). Perceber aspectos das complexas redes tecidas, cartografadas diariamente na escola, cujos fios se tecem como práticas solidárias, segundo Ferraço (1999), 63 tem levado, os pesquisadores situados neste tópico, a salientarem a necessidade do rompimento das tradicionais amarras teórico-metodológicas produzidas na/pela modernidade. Na visão do Ferraço (1997), referenciando-se em Naymanovich, a ciência moderna pretendeu defender a viabilidade de um conhecimento universal e absoluto, verdadeiro em quaisquer circunstâncias temporais e espaciais. Buscando construir o edifício do conhecimento sobre estruturas imutáveis e estandartizadas, a modernidade deixou de fora dessa construção o homem real, ou seja, seus construtores/moradores. Ao dicotomizar homem, natureza, razão e emoção, a modernidade instaura um estilo narrativo impessoal, generalizante e desprovido de vida. Para Ferraço (2004), [...] em meio às redes e contextos vividos, os diferentes saberespráticas têm na relação solidária (Maturana & Varela) sua expressão mais visível. O currículo e a formação continuada assumidos em meio às redes tecidas estão encharcados de relações que advogam em favor dos princípios de coletividade e solidariedade. Ao contrário da lógica que estimula e valoriza práticas individualistas e de competição, as redes tecidas e compartilhadas pelos sujeitos no cotidiano das escolas nas quais as pesquisas aconteceram apontam para ações coletivas que são realizadas de modo a se buscar saídas para os problemas enfrentados. Não há imobilismo. Há resistência. Zaccur (1998), com base em Edgar Morin, destaca que os três pilares da racionalidade clássica (a separabilidade, o princípio da identidade e o terceiro excluído) se encontram em estado de desintegração não porque a ordem foi substituída pela desordem, mas porque deram conta de que lá onde a ordem 63 Uma leitura das práticas solidárias a partir das comunidades de afetos pode ser lida em Carvalho (2009). 266 reinava, na realidade existe um jogo dialógico. Conscientes dos obstáculos à recuperação da complexidade esquecida, Zaccur e Garcia (1996), por exemplo, enfatizam a necessidade de se romper a visão disciplinar, valendo-nos da ideia de transversalidade e de rizoma de Guattari. As discussões produzidas por Alves (2003, 2006), Ferraço (1997, 2004), Zaccur (1998), Maranhão (2000, 2002), dentre outros, giram em torno da necessidade de se assumir a noção do paradigma ―emergente‖ (Boaventura de Souza Santos), da complexidade (Morin) para se problematizar a perspectiva disciplinar, compartimentalizada, dicotomizada que fundamenta a relação causa e efeito e suas implicações para o conhecimento, o cotidiano, o currículo e a formação. No dizer de Alves (2001, p. 14-16), Defendo, e não estou sozinha, que há um modo de fazer e de criar conhecimento no cotidiano, diferente daquele aprendido, na modernidade, especialmente, e não só, com a ciência. [...] Em relação ao método, tenho que começar por admitir que estou sempre cheia de dúvidas e sobre ele tenho muito que aprender. Mas, como sempre digo aos meus orientandos: ‗É preciso fazer, para saber‘. [...] Admito, ainda, que como a vida, o cotidiano é um ‗objeto‘ complexo, o que exige também métodos complexos para conhecê-lo. São quatro os aspectos que julgo necessário discutir para começar a compreender essa complexidade. O primeiro deles se refere [ao fato de que] a trajetória de um trabalho no cotidiano precisa ir além do que foi aprendido com as virtualidades da modernidade, na qual o sentido da visão foi exaltado. É preciso executar um mergulho com todos os sentidos no que desejo estudar. Pedindo licença ao poeta Drumond tenho chamado esse movimento de o sentimento do mundo. O segundo movimento a ser feito é compreender que o conjunto de teorias, conceitos e noções que herdamos das ciências criadas e desenvolvidas na chamada modernidade e que continuam sendo um recurso indispensável, não é só apoio e orientador da rota a ser trilhada, mas, também e cada vez mais, limite ao que precisa ser tecido. Para nomear esse processo [...] estou usando a ideia de virar de ponta cabeça. Para ampliar os movimentos necessários, creio que o terceiro deles, incorporando a noção de complexidade vai exigir a ampliação do que é entendido como fonte e a discussão sobre os modos de lidar com a diversidade, o diferente e o heterogêneo. Creio poder chamar a esse movimento de beber em todas as fontes. Por fim, vou precisar assumir que para comunicar novas preocupações, novos problemas, novos fatos e novos achados é indispensável uma nova maneira de escrever, que remete a mudanças muito mais profundas. A esse movimento talvez se pudesse chamar de narrar a vida e literaturizar a ciência. Ao mergulhar com todos os sentidos no complexo mundo cotidiano virando-o de ponta a cabeça, os autores dos estudos nos/dos/com os cotidianos buscam romper com o paradigma da modernidade, como afirma Alves (2001). Dentre as questões e 267 dificuldades apresentadas para o que a autora denomina de narrar a vida e literaturizar a ciência destaca-se a questão do método. Macedo (2005) sugere que para perceber e compreender o cotidiano é preciso procurar examinar os pormenores mais negligenciáveis, baseando-se em indícios imperceptíveis para a maioria conforme destaque dado por Ginzburg. Essa postura, como enfatiza a autora, ajuda a compreender que o que se apresenta como detalhes secundários, particularidades insignificantes ganham a máxima importância, pois configuram-se como reveladores da realidade que se busca conhecer (CINELLI, GARCIA, 2008). Assim, conforme destaca Ferraço (2004), os estudos com o cotidiano das escolas acontecem em meio às situações do dia-a-dia, por entre fragmentos das vidas vividas. Procuram mostrar por meio de indícios (Ginzburg) efêmeros, pistas do que está, de fato, sendo feito/pensado/falado pelos praticantes cotidianos. Para tanto, os autores salientam ser preciso, com base em Pais (2003), abandonar a lógica do ―preestabelecido‖ para se tomar como campo epistemológico a lógica da descoberta com o cotidiano. No dizer desse autor, [...] a lógica da descoberta que caracteriza a sociologia do quotidiano afasta-se da lógica do ‗preestabelecido‘, que condena os percursos de pesquisa a uma viagem programada, guiada pela demonstração rígida de hipóteses de partida, a uma domesticação de itinerários que facultam ao pesquisador a possibilidade de apenas ver o que os seus quadros teóricos lhe permitem ver. Nesta lógica da descoberta [...], o desafio consiste em enigmatizar o social, recorrendo à ironia, na certeza de que a obscuridade dos enigmas é potencialmente clarificadora, intrigantemente reveladora (PAIS, 2003, p. 17). Assumem, conforme Cinelli e Garcia (2008), a intervenção direta do pesquisador como construtor, produtor das fontes e da ―realidade‖ da pesquisa e, com isso, reconhecem na pesquisa científica supostamente neutra e objetiva, um caráter precário, por desconsiderar essa interferência mútua. A pesquisa nos/dos/com os cotidianos ―[...] expressam o ‗entremeado‘ das relações das redes cotidianas, os diferentes espaçostempos‘ vividos pelos sujeitos cotidianos. Acontecem nos processos de ‗tessitura‘ e contaminação dessas redes‖ (FERRAÇO, 2003 apud CINELLI, GARCIA, 2008, p. 11). De acordo com Barbosa e Oliveira (2008), pensar o cotidiano e erguê-lo à condição de espaçotempo privilegiado de produção da existência e de conhecimentos, 268 crenças e valores que a ela dão sentido e direção, considerando-o de modo complexo e composto de elementos sempre e necessariamente articulados, implica em não poder dissociar a metodologia em si das situações estudadas por seu intermédio. Acreditam, nesses termos, que esse é um elemento de força desta metodologia, que não coloca como partes distintas as diversas dimensões que envolvem a pesquisa, ou seja, a teoria e a prática; os saberes formais e os saberes cotidianos; o modelo social e a realidade social; os dados relevantes e os irrelevantes cientificamente; os observadores e os observados; o conteúdo e a forma. De modo geral, as pesquisas publicadas nas fontes analisadas buscam problematizar a formação e o currículo, tendo como referências as discussões no âmbito dos estudos culturais, pós-coloniais e do cotidiano. Com base em metodologias que pretende viabilizar espaços de debates nas escolas e entre os seus sujeitos e os sistemas, com vistas a uma produção teórico-metodológica profícua que tome o currículo e a formação praticadas no cotidiano como pontos de partida e chegada de suas leituras (FERRAÇO, 2007). Nas investigações desenvolvidas por esse autor, e pelos grupos de pesquisa do qual faz parte, têm se buscado problematizar a visão que reduz currículo a documento escrito, assumindo-o como redes de saberesfazeres tecidas na complexidade do cotidiano escolar. Nessa perspectiva, o interesse está em contribuir para os discursos a favor dos usos que os sujeitos praticantes do cotidiano fazem das prescrições curriculares escritas, nos processos de tradução, negociação e mímicas das enunciações culturais. Isto significa assumir os sujeitos das escolas em seus diferentes espaçostempos de existência como protagonistas, praticantes e realizadores da rede de poderessaberesfazeres do qual é tecido o currículo. Nessas redes, estamos interessados nas possibilidades teóricometodológicas praticadas pelos sujeitos cotidianos que escapam àquelas propostas no currículo prescrito expressando, muitas vezes, embates culturais que são produzidos performativamente a partir de uma negociação complexa em andamento que procura conferir autoridade aos hibridismos culturais (BHABHA). Os sujeitos praticantes do cotidiano, ao tecerem suas redes de fazeressaberes por ocasião do currículo, negociam temporalidades culturais incomensuráveis (FERRAÇO, 2007, p. 89). No entanto, Oliveira (2001), pondera que ao considerar, que o que hoje está visível para um número crescente de educadores e estudiosos do cotidiano, não caracteriza 269 uma grande inovação, mas fundamentalmente, um movimento de horizontalização das relações entre aqueles que, histórica e socialmente desfrutaram do direito de serem reconhecidos como produtores de saber, e aqueles que, por meio de ―táticas desviacionistas‖ e ―astúcias cotidianas‖, produziram saberes cotidianamente. Essa produção se efetua por meio dos usos que deram às regras e produtos que o poder instituído lhes impõe, mesmo sem serem oficialmente reconhecidos na sua produção (OLIVEIRA, 2001). Partem, assim, do entendimento de que o currículo nas escolas se constitui tanto dos conteúdos oficiais e dos valores hegemônicos sobre os quais eles se fundamentam e se legitimam quanto dos múltiplos e diferenciados valores abraçados pelas professoras que divulgam, difundem, ensinam, explicitamente ou não, uns e outros, produzindo, portanto, uma rede de conhecimentos com a qual os alunos interagem, tecendo, com seus saberes e experiências anteriores, suas novas e próprias redes (OLIVEIRA, ALVES, 1999). Para além das conceituações apresentadas anteriormente, Amorim (2007, 2008), Alves (2008) e Andrade (2005, 2006), têm pensado a Educação (e o currículo) no deslocamento da potencialidade das representações culturais para as superfícies do acontecimento. Na visão de Amorim (2007, p. 58), [...] além da multiplicidade de enfoques, temáticas, metodologias e ações, o campo do currículo passa a constituir-se em bricolagens teóricas, metodológicas e de imaginação, expressando desejos por um vir a ser, ainda acontecimento, [...] sua existência é quase alcançada, sua identidade quase estabelecida, suas desfigurações sempre o movimentando. As análises produzidas por Amorim (2007) sobre a desterritorialização no campo do currículo podem ser, à primeira leitura, aproximadas das problematizações efetuadas por Lopes (2005), Matos e Paiva (2007), quando discutem o movimento de recontextualização curricular no Brasil. Entretanto, esse debate precisa ser representada à luz da noção de multiplicidade. Segundo Amorim (2000, p. 2), As multiplicidades produzem-se nas tensões entre o tradicional e o novo, a partir de movimentos de contradição entre as formas e os conteúdos que interdependentemente se articulam nos processos de produção do conhecimento escolar. Encontram-se na extensão do rizoma, situações em que novas formas encarnam-se em velhos conteúdos, como no caso do trabalho com o vídeo e em algumas situações de dramatização; na captura não-linear, novos conteúdos se vestem de velhas formas, como no trabalho com livros didáticos e exercícios, assim como, na descontinuidade do rizoma, 270 conteúdos similares (trabalhados nos exercícios e nos livros didáticos) podem servir-se de diferentes formas. Andrade (2005, p. 12), com base em Amorim (2000), prefere apostar, [...] não em uma definição, uma materialização concreta e real, uma significação, mas em metamorfoses incorpóreas, desestruturadas, criativas por entre os fluxos que emergem e submergem dos convívios e das experiências. Professores e professoras que perambularam por entre imagens, sons, não-peles, superfícies sem espessura. Angustiaram-se, calaram-se, opinaram. A escola? Os alunos? O conhecimento? Partícipes na fala e/ou no silêncio. Mas, quando propuseram-se a estranhar, a desviar, a subverter as funções já normatizadas das ideias, das falas, das escrituras, das imagens penso termos experienciado momentos muito criativos e resistentes ao controle. Pensar o currículo escolar marcado pela experiência, pelas singularidades e pelas fugas possíveis que podem ser geradas em uma hidráulica que quer eleger e gerar identidades a serem assumidas. Cabe ressaltar que observamos a construção de vários conceitos de currículo entre os autores que constituem este tópico, dentre eles se destacam currículo em rede (ALVES, 2003, 2006), currículo praticado (OLIVEIRA, 1996, 2001), currículo realizado (FERRAÇO, 2000, 2007), currículo como acontecimento (AMORIM, 2007, 2008; ANDRADE, 2005, 2006, ALVES, 2008). Contudo, todos esses autores buscam dar visibilidade às práticas curriculares reais, entendendo-as como complexas e relacionadas a fazeres e saberes que nem sempre, ou mesmo raramente, constituem um todo coerente e organizado como aquele que, supostamente, informa as propostas curriculares oficiais. Isso significa dizer que os sujeitos cotidianos tecem suas práticas a partir de redes, muitas vezes contraditórias, de convicções e crenças, de possibilidades e limites, de regulação e emancipação. Nesse caso, procurar entender esses currículos reais, complexos e enredados que existem nas práticas dos professores e professoras de cada escola, e de cada turma é um desafio enfrentado pelos estudos nos/dos/com os cotidianos, na medida em que leva, no próprio ato de pesquisar, ―[...] a territórios pouco conhecidos, a dados não organizáveis nem quantificáveis, à necessidade de desenvolvimento de metodologias de pesquisa que possibilitem esse tipo de estudo‖ (OLIVEIRA, 2001, p. 7). 271 5.4.2 Narrativas e imagens: um diálogo com o currículo e a formação de professores Na busca por criar alternativas metodológicas, inventariando ―mil maneiras de caça não autorizada‖ ao objeto de estudo (CERTEAU, 1996), os autores têm privilegiado o uso de narrativas e imagens. Desenvolvendo essas ideias, do ponto de vista teórico-epistemológico e teórico-metodológico, centram-se, assim, suas preocupações, nos currículos praticados buscando dar uma contribuição ao campo, a partir das relações dos praticantes com artefatos tecnológicos múltiplos, ou seja, com base na materialidade dos processos curriculares. Essas relações são buscadas, não em observações de uso, no presente, mas em narrativas sobre as memórias dos praticantes e imagens a cerca de usos que fizeram e virão fazer, no passado, no presente e no futuro (ALVES, 2007). A ideia central da autora é captar com base nas narrativas e imagens os ―acontecimentos‖ entendidos como conhecimentos virtuais, buscando compreender a produção cultural do presente, discutindo fatos do passado comum, indicando possibilidades futuras aos praticantes discentes, futuros docentes, dos currículos. Dessa maneira, Alves (2008) salienta que, em movimentos diversos, nas redes de conhecimentos e significações nas quais vivemos, em nossos tantos cotidianos, não há a ―construção‖ de uma sólida teoria de apoio anterior às nossas ações. Segundo a autora, é a memória, conhecida e re-conhecida, em narrativas e imagens, presentes todo o tempo, no momento mesmo das ações que realizamos, como lembranças de fazeres passados e sempre presentes e alterados, que vai nos permitir organizar aquilo que faz a compreensão das práticasteoriaspráticas, vividas/pensadas, articuladas em modos próprios pelos fazeres. Essa assertiva é compartilhada por Ferraço e Carvalho (2008) que destacam ainda a necessidade de se ouvir e partilhar dialogicamente as narrativas, imagens, conversações e experimentações dos educadores e dos alunos, considerando-as, como dimensões teóricopráticas desenvolvidas nas tessituras do coletivo escolar por meio do tecido oral. Para Alves et al (2007), o trabalho elaborado com memórias e 272 narrativas criam uma outra história da escola, diferente da ‗oficial‘ marcada, muitas vezes, pela desqualificação de seus professores/professoras e seus alunos/alunas. De fato, como salienta Ferraço (2004, 2007), as narrativas dos sujeitos praticantes do cotidiano das escolas têm se revelado como potencialidades de expressões das relações, dos enredamentos, dos acontecimentos, dos fluxos, das redes, envolvendo diferentes lugares praticados pelos sujeitos narradores e diferentes relações de fazeressaberes desses narradores. Trabalhar com narrativas, representa para os autores, uma possibilidade de fazer valer as dimensões de reconhecimento dos atores da vida cotidiana como protagonista de seu processo de formação, se configurando como vozes autorizadas e com legitimidade para falar de sua prática pedagógica e do processo experiência de ser/tornar-se professor. Com base nesse entendimento, os autores partem da compreensão de que, [...] a aprendizagem da prática docente começa muito antes da primeira aula que damos, já que tantos contatos temos com 'bons' e 'maus' professores que nos servem de exemplo. Por outro lado, percebendo que os valores são marcados em nós em toda a nossa vida nas complexas relações que temos nos múltiplos contextos cotidianos nos quais vivemos. Por isso, é necessário que deixemos falar a memória sobre estas relações. São as histórias lembradas ou criadas que nos permitem entender aquelas tantas opções – de forma e conteúdo; teóricas e práticas - que cada professora precisa fazer no seu cotidiano profissional, e que, ao fazê-lo, criam alternativas curriculares, não estruturadas e pontuais, mas que merecem nossa atenção de estudiosos na área, na medida em que constituem caminhos concretos, trilhados por praticantes (Certeau, 1994) da área. Através destas falas, podemos estudar os limites impostos pelos praticantes da vida cotidiana, com suas ‗táticas‘ e ―lances‖ singulares e particulares (Certeau, 1994), aos desígnios e imposições presentes nas ‗estratégias‘ usadas pelo poder instituído, presentes em suas propostas (OLIVEIRA, ALVES, 1999, p. 4). Segundo Oliveira (2003), a produção cotidiana de alternativas curriculares, por meio do trabalho com as memórias e vivências docentes, verbais e/ou visuais e do estudo a respeito do trabalho cotidiano que realizam, tem buscado contribuir para a compreensão dos processos educativos reais e para o desenvolvimento de propostas e ações curriculares voltadas aos interesses e as necessidades locais e ao fortalecimento da educação emancipatória. A utilização da narrativa por meio de imagens, tem como finalidade o despertar constante da memória procurando desvelar as redes de conhecimento e 273 subjetividades que constituem as práticas curriculares. Nos estudos apresentados até o momento, observamos a centralidade da análise nas narrativas, ficando as imagens como suporte para o resgate da memória. Encontramos, no entanto, nos estudos de Amorim (2004, 2005, 2006), Andrade (2006), Oliveira Jr. (2006) e Wunder (2008), a centralização no uso da imagem como objeto/fonte de estudo. Amorim (2004, 2005, 2006), Andrade (2006) e Wunder (2008), têm se dedicado a análise da fotografia como linguagem em que se (des)foca o predicado e não o sujeito, por isso, os autores dedicam a atenção para o acontecimento. Assim, buscam, com as imagens, deslizar o pensamento sobre a educação pelas multiplicidades e superfícies das pequenas coisas, pelas minoridades que desestabilizam modos de pensar (ANDRADE, 2006). Dessa maneira, As fotografias desarranjam os nossos discursos sobre as coisas e os seres; nelas, eles também ganham outras formas. Há a potência do corte, do apagamento, da sombra, da luz, da transformação das cores, em especial nas imagens preto e branco, da justaposição, do adensamento de corpos e da retenção do efêmero. As fotografias além de reterem marcas, também criam outras. Criam-se outros sentidos nessa materialização do efêmero, como um acontecimento que se dá na própria linguagem, neste dizer das coisas e seres (Deleuze, 1995, p.13) por imagens. Sentidos que não provêm apenas do fato fotografado, mas desses dizeres sobre algo visto, atravessados pela passagem inexorável da luz. No ato de fotografar, há uma indissociável combinação entre intenção – retenção de sentidos - e despropósitos – criação de sentidos não controláveis. Ações permitidas e significadas perduram como intenção de reter a vida de um tempo e de certos sentidos, mas, inexoravelmente, na fotografia, algo morre, não se permite a vida completa dos sentidos previstos. O instante falsamente retido pela fotografia faz pensar sobre a impossibilidade da apropriação dos sentidos dos encontros nos dizeres com imagem. Por essa retenção impossível, as formas e as cores silenciosas, inodoras, sem profundidades e sem texturas efetuam (WUNDER, 2008, p. 13). No dizer do autor, a fotografia da mesma maneira que retém o instante não possibilita nos apropriarmos dele, lança-nos a outros tempos além daquele particular e datado. Oferecem-nos instantes inapropriáveis como um acontecimento que nos rompe inesperadamente. Um lugar de trânsito como um labirinto entre o que foi e o que é na imagem. É nesse sentido que Wunder (2008) enfatiza que nas escolas parece haver uma busca cotidiana de imortalizar alguns instantes, de dar certa importância a eles, de trazê-los à vista. A escola pensada para fazer durar saberes, valores, atos, desejos é também, conforme Amorim (2005), lugar de apagamentos de identidades em imagens, o desejo sempre de uma outra escola. 274 Contribuindo com as questões apresentadas por Amorim (2004, 2005, 2006), Andrade (2006), Wunder (2008) e Oliveira Jr. (2006), tomam os desenhos na prática educativa como forma de falar e escutar do professor aquilo que lhes é dito – desenhado – pelos alunos. Na concepção defendida pelo autor, ver os desenhos é também ouvir e, sob outra perspectiva, ler. As intenções visualizadas ao se trazer o desenho como prática no dizer conhecer dos alunos é colocar em circulação na formação de professores o uso de uma linguagem não habitual e a criação de espaços de escuta dos alunos no interior das práticas educativas, criando aberturas para os diferentes saberes conhecimentos que circulam nos e entre os alunos. Dirigida e realizada com futuros professores, a intenção proposta por Oliveira Jr. (2006), é buscar deslocamentos, quebras, fraturas, desassossegos nestes alunos, apontando para um ofício de professor pensado não só como aquele que fala aos alunos, mas também como aquele que os escuta e promove a escuta entre eles e o mundo. As análises projetadas neste tópico nos faz corroborar com Alves (2008) quando destaca, dentre várias contribuições oferecidas pelos grupos que pesquisam nos/dos/com os cotidianos nos campo do currículo: 1. a ideia de tessitura dos conhecimentos e significações em redes como modo de criação nos cotidianos; 2. a compreensão da necessidade desses conhecimentos criados para o existir humano, em contextos múltiplos e nos vários processos educativos; 3. a compreensão dos processos teórico-metodológicos (chamados ‗movimentos‘) que precisam ser criados e ampliados para que se pesquise as redes educativas cotidianas. 4. destaque dado à memória obtida por meio de narrativas (orais e escritas; imagéticas e musicais) e de imagens (materiais como a fotografia ou imateriais como as lendas familiares) dos praticantes (Certeau, 1994) dos cotidianos, sobre o uso que fazem, em diversas e complexas táticas, dos artefatos culturais existentes, colocados à disposição pelo poder produtor, em suas estratégias para ampliar o consumo; (ALVES, 2008, p. 55). No entanto, é preciso enfatizar ainda, como bem descreve Ferraço (2004, 2006), que mesmo com todo o empenho e determinação dos pesquisadores nos/dos/com os cotidianos, ainda são esses pesquisadores que decidem [...] que fios, que lembranças, que relatos, que imagens, que histórias, que sons, sombras e silêncios se tornarão 'visíveis' aos 'olhos' dos nossos leitores. Somos alguns poucos que, ao ousar 'invadir' os cotidianos das escolas na tentativa de falar aos que ainda não se deram conta de que nada 275 lá é lugar comum, repetição ou obviedade, acabaremos por decidir quais serão as 'marcas' dos cotidianos a serem impressas em nossos textos. Então, para que a pena nos seja leve, precisamos assumir nossos limites, amarras e impossibilidades não como problemas, mas como condições necessárias aos estudos 'com' os cotidianos. Ainda aqui, precisamos assumir nossos textos em sua permanente condição de 'discursos inacabados'. O presente texto revela essa condição. Não se trata, ainda, de um estudo 'com' os cotidianos das escolas. Mais uma vez, acabou por ser um texto 'sobre' os cotidianos das escolas, apesar da nossa própria crítica (FERRAÇO, 2004, p. 18). Esse é um problema que perpassa as questões de cunho teórico-epistemológicometodológico dos estudos nos/dos/com os cotidianos. As possibilidades apresentadas pelos autores têm contribuindo para demarcar o lugar da escola como lócus de produção de conhecimento, tendo os praticantes escolares a centralidade no processo de constituição das redes de saberesfazeres que enredam o currículo. Contudo, o fato de reconhecer o sujeito como autor e ator da vida cotidiana não desloca o papel do pesquisador desse processo. Nesse caso, é preciso compreender pesquisadores e sujeitos participantes dos estudos como praticantes, protagonistas e colaboradores do processo de pesquisa, assumir uma pesquisa com o cotidiano é, dessa maneira, produzir uma narrativa que se tece na complexidade multifacetada do mundo cotidiano. Nesse contexto, as iniciativas sinalizadas pelos autores como o uso de narrativas como fonte de pesquisa e a concepção de conhecimento, cotidiano, currículo assumidos como referencial, têm sinalizado as potencialidades, limites, tentativas, inventividades dos estudos nos/dos/com os cotidianos. As contribuições apresentadas pelos estudos nos/dos/com os cotidianos ao centralizarem suas análises nas maneiras e artes de fazer dos sujeitos cotidianos, potencializam a escola como lugar próprio de produção e os sujeitos escolares como protagonistas dessa produção. Dessa maneira, as narrativas inventadas no movimento de tessitura que procura dar visibilidade aos cotidianos escolares e não escolares, aproximam-se do campo epistemológico das teorias pós-críticas. De maneira complexa, refletem sobre questões como conhecimento, formação, prática pedagógica, narrativas, imagens, etc. 276 5.5 CURRÍCULO, PÓS-ESTRUTURALISMO E ESTUDOS CULTURAIS Ao realizar um estudo em que discute os efeitos das produções acadêmicas do campo da educação e, especificamente do currículo no Brasil, que assume a matriz teórica pós-crítica,64 Paraíso (2003, 2004) traça um esboço de mapa dessas produções no período que corresponde de 1993 a 2003. De acordo com a autora, e concordamos com ela, as pesquisas pós-críticas começam a surgir no início da década de 1990 e hoje representam, quando analisamos o corpus documental desta tese, um grande quantitativo de trabalhos. No dizer de Paraíso (2003, 2004), com base em Deleuze e Guattarri, há uma espécie de contágio dessas teorias nas pesquisas educacionais brasileiras. O impacto dos autores de referência e suas aproximações com os estudos pósestruturalistas e culturais pode ser visualizado no quadro 17 a seguir. 64 Embora saibamos que os termos pós-estruralismo, pós-crítica, pós-colonialismo são usados, na maioria das vezes sem a preocupação em estabelecer uma devida diferenciação. Paraíso (2007), contudo, fundamentada em Tomaz Tadeu da Silva, salienta que embora o pós-estruturalismo e o pósmodernismo partilhem certos elementos, como a crítica do sujeito centrado e autônomo, o pósmodernismo define-se relativamente a uma mudança de época e abrange um campo bem mais extenso de objetos e preocupações. Uma saída, apresentada pela autora tem sido chamá-las todas de teorias pós-críticas. Contudo, essa mesma autora, em trabalho que se preocupa em discutir o processo de significação de uma política educacional, com base em Foucault e Derrida, usa o conceito ―pós-estruturalismo‖ (PARAÍSO, 2001). 277 Total de citações 1252 Total de obras Nº Autor 894 Freq. % Citações Citação 1 APPLE, M. 10 0,80% 2 BERNSTEIN, B. 10 0,80% 3 BRASIL 12 0,96% 4 CANCLINI, N. G. 8 0,64% 5 CORAZZA, S. 43 3,43% 6 COSTA, M. V. 21 1,68% 7 D‘AMBROSIO, U. 15 1,20% 8 DELEUZE,G. 57 4,55% 9 FORQUIN, J. C. 6 0,48% 10 FOUCAULT, M. 157 12,54% 11 GIROUX, H. A. 11 0,88% 12 GUATTARI, F. 31 2,48% 13 HALL, S. 22 1,76% 14 LARROSA, J. 16 1,28% 15 LOURO, G. L. 13 1,04% 16 NIETSCHE, F. 12 0,96% 17 PARAÍSO, M. A. 18 1,44% 18 POPKEWITZ, T. 13 1,04% 19 ROSE, N. 31 2,48% 20 SILVA, T. T. 73 5,83% 21 VEIGA-NETO, A. 25 2,00% 22 ZEICHNER, K. M. 10 0,80% Quadro 17 – Distribuição de autores de referência Como pode ser observado no recorte dos autores de base apresentados no quadro 17, temos um grande número de citações, 1252, que é também acompanhada de um número significativo de obras, 894. Contudo, seguramente, este é o tópico em que verificamos as concentrações de citações dos autores de referência. Nesse caso, é intensa a interlocução com os autores advindos, sobretudo da filosofia e sociologia como Michel Foucault, Guiles Deleuze, Felix Guattari. Estabelecem aproximações ainda com Basil Bernstein, Néstor Canclini, Friedrich Nietzsche, Stuart Hall e Jorge Larrosa Bondiá. Do campo específico do currículo, o diálogo é estabelecido, preferencialmente, com os autores ingleses e norte-americanos como Michel Apple, Henri Giroux, Tomaz Popkewitz. Entretanto, o grande debate estabelecido com o campo do currículo é feito a partir de autores brasileiros que assumem a matriz teórica pós-estruturalista e 278 cultural, assim como nos grupos analisados nos outros tópicos desta tese, dentro os quais se destacam: Tomaz Tadeu da Silva, Sandra Corazza, Alfredo Veiga-Neto, Marisa Vorraber Costa, Guacira Lopes Louro e Marlucy Alves Paraíso. Observa-se que dessa lista apenas Marlucy Paraíso não está vinculada ao programa de pósgraduação em educação da UFRGS. Outro fato interessante, que caracteriza o papel central do orientador, é que desses autores apenas Gracira Louro e Marisa Vorraber Costa não foram orientadas por Tomaz Tadeu da Silva. É importante destacar que grande parte desses pesquisadores também se configuram como autores com maior número de publicações, quando analisado o corpus documental desta tese. Observamos ainda uma relação significativa entre autores, programas de pós-graduação e orientadores. Dito de outro modo, todos os autores apresentados são professores/orientadores de programas de pós-graduação e geralmente líderes de grupos de pesquisa. Por mencionar os grupos, apesar de encontrarmos uma expressiva presença de diferentes grupos de pesquisa quando analisamos a produção de todos os trabalhos selecionados para este tópico, verificamos que esses se concentram no Grupo de Estudos e Pesquisas em Currículos e Culturas da UFMG liderados por Marlucy Alves Paraíso e Lucíola de Castro Paixão Santos; o Grupo de Estudo e Pesquisas em Currículo e Pós-modernidade da UFRGS coordenado por Alfredo Veiga-Neto; Núcleo de Estudo e Pesquisa sobre Licenciatura da UFOP orientados por Roseli de Alvarenga Corrêa e Cláudio Lúcio Mendes; Artistagens, fabulações, variações da UFRGS liderados por Sandra Mara Corazza e Paola Basso Menna Barreto Gomes Zordan, grupo ao qual também está ligado Tomaz Tadeu da Silva. Mediante essas primeiras aproximações gostaríamos de destacar a diversidade e proximidade de objeto de estudo revelados pelas produções dos autores. Assim, em uma análise das apropriações dos autores de referência, observamos que os autores têm tencionado a produção no que se refere ao currículo e cultura; artefatos tecnológicos e culturais; currículo identidade e diferença e política curricular. 279 5.5.1 Currículo e conhecimento Paraíso (2004, p. 286) define bem os caminhos percorridos pelos estudos póscríticos no Brasil, ao salientar que [...] explicitam aquilo que não constitui objeto de seus interesses: não gostam de explicações universais, nem de totalidades, nem de completudes ou plenitudes. Em vez disso, optam claramente por explicações e narrativas parciais, pelo local e pelo particular (Silva, 1993a). Não se preocupam com comprovações daquilo que já foi sistematizado na educação, nem com ‗revelações‘ ou ‗descobertas‘. Preferem a invenção, a criação, o artefato, a produção (Corazza, 2001). Não acreditam na ‗suposta‘ autonomia do sujeito ou da subjetividade, à qual nós da educação não cansávamos de apegarnos. Consideram o sujeito um efeito da linguagem, dos textos, do discurso, da história, dos processos de subjetivação (Silva, 1999). Além disso, essas pesquisas não se interessam por modos ‗certos‘ de ensinar, formas ‗adequadas‘ de avaliar ou por conhecimentos ‗legítimos‘; a não ser para problematizar essas comprovações, esses modos, essas formas e conhecimentos (Paraíso, 2003). [...] As pesquisas pós-críticas em educação no Brasil têm problematizado as promessas modernas de liberdade, conscientização, justiça, cidadania e democracia, abdicado da exclusividade da categoria classe social e discutido, também, questões de gênero, etnia, raça, sexualidade, idade (Louro, 1995). Têm discutido questões dos tempos e espaços educacionais, mostrando os processos de feitura da escola moderna, bem como pensado, de diferentes formas, a diferença, a identidade e a luta por representação. Têm aberto mão da função de prescrever, de dizer aos outros como devem ser, fazer e agir. Têm, acima de tudo, buscado implodir e radicalizar a crítica àquilo que já foi significado na educação, e procurado fazer aparecer o que não estava ainda significado (PARAÍSO, 2004, p. 286). Dentro da diversidade de autores, grupos de pesquisa, referencial teórico, objeto de estudo e métodos incorporados por aqueles que se apropriam das teorias denominadas de pós-crítica, tem sido privilegiado, como destacam Paraíso e Santos (2006, 2007, 2008) e Veiga-Neto (2006, 2007a, 2008), as seguintes temáticas: Currículos e culturas (juvenil, infantil, negra, cega, surda, de gênero, etnia); Currículo e artefatos tecnológicos e culturais (televisão, literatura juvenil, revistas em quadrinhos, orkut, filmes infantis, jogos eletrônicos e novas tecnologias); Currículo e produção de identidades/subjetividades; Currículo e diferença; História do currículo e das disciplinas; Políticas curriculares; Reformas curriculares da educação básica e de cursos de graduação; currículo e formação docente. As discussões elaboradas sobre a história do currículo, das disciplinas, política curricular, currículo e cultura, se aproximam dos estudos efetuados pelos Grupos de Pesquisa Currículos: sujeitos, conhecimento e cultura; Políticas de currículo em contextos disciplinares ambos da UERJ, sobretudo, no que se refere ao referencial 280 teórico. Ou seja, o destaque é dado, quando se discute história do currículo, das disciplinas escolares e política curricular, aos autores como Goodson, Chervel, Kliebard, Popkwitz, Whitty, Ball, Apple. Como pode ser verificado observamos uma estreita aproximação com as pesquisas apresentadas no agrupamento Currículo, história, política e multiculturalismo. No que tange ao currículo e cultura, observamos a forte presença das teorias advindas dos Estudos Culturais. Dentre os autores de referência destacam-se, Terry Eagleton, Stuart Hall, Homi Bhabha, Michel Foucault, David Harvey, Zygmunt Bauman, Antonio Negri, Michael Hardt, Paul Virilio, Gilles Deleuze e Richard Rorty. No debate sobre organização e a construção do currículo o diálogo é aprofundado a partir de Bernstein e Young; nas pesquisas que assumem a diversidade cultural e o multiculturalismo a ênfase é dada aos trabalhos de McLaren e Giroux; e, por fim, os estudos sobre produção de subjetividades e estratégias de governo, assumem como base as pesquisas de Michel Foucault e a filosofia da diferença de Deleuze e Guattari (PARAÍSO, SANTOS, 2006, 2007, 2008; VEIGA-NETO, 2008). Veiga-Neto (2006) e Silva (2001) salientam ainda, como pode ser observado no tópico anterior deste estudo, o lugar de destaque ocupado por Michel Foucault na teorização pósmoderna/pós-estruturalista. Cabe então explicitar que a cultura é tanto objeto de estudo de várias investigações desenvolvidas pelos autores e grupos de pesquisa, como conceito. Por tal fato, na visão de Paraíso e Santos (2007), ela tem recebido atenção privilegiada na produção acadêmica sobre currículo, sendo usada, conforme apropriação dos estudos de Hall, em seus aspectos substantivos (lugar da cultura na estrutura empírica real e na organização das atividades, instituições e relações culturais na sociedade) e em ―seu peso epistemológico‖ (posição da cultura em relação às questões de conhecimento e conceitualização). Dentre outras conceituações, a maioria dos trabalhos compreende a cultura como ―espaço de contestação, conflitos e negociações culturais‖; como território em que ―as diferentes culturas existentes são representadas de modo desigual‖, como 281 campo em que ―os diferentes grupos culturais constroem suas identidades e diferenças (SILVA, 1995, 1996, 1998). Diante dessas diferentes conceituações, os autores, como Mendes (2000, 2002) Veiga-Neto (2006, 2007a, b, 2008), que se apropriam dos Estudos Culturais lançam mão do conceito de pedagogia cultural. Esse conceito potencializa o entendimento dos processos educativos em vários locais além da escola, pois compreendem que os sujeitos aprendem em diferentes lugares, de diferentes formas, em diferentes contextos. Nesse caso, são igualmente considerados como espaços pedagógicos os momentos/lugares onde o poder, e suas relações com o conhecimento, se organizam e se exercitam. Os estudiosos que assumem os Estudos Culturais como referência, preocupados com questões pedagógicas, consideram esses momentos/lugares como nichos importantes para se analisar os processos educacionais, buscando entender melhor como os sujeitos constroem conhecimento sobre si, sobre os outros e sobre as coisas que os rodeiam. Nesse ponto Silva (2001, p. 13), com o auxílio do que chama de ―Nietzsche curriculista e do professor Deleuze‖ salienta que A existência de um currículo só faz sentido em sua relação com um campo de forças, com um campo de poder. Um currículo é sempre uma imposição de sentidos, de valores, de saberes, de subjetividades particulares. Um currículo não é apenas um local em que se desdobram relações de poder: um currículo encarna relações de poder. Todo currículo é pura relação de força. Outra vez, Nietzsche e suas lições: o importante não é perguntar o que é verdadeiramente um currículo, o que é um currículo em sua essência, mas, antes, perguntar que impulso, que desejo, que vontade de saber e que vontade de poder movem um currículo. Perguntar não pelo 'ser' de um currículo, mas pelas condições de sua emergência, de sua invenção, de sua criação, de sua imposição. Dedicar-se, em suma, não a uma ontologia, mas a uma genealogia do currículo (SILVA, 2001, p. 5, grifos do autor). São várias as metáforas que apresentam uma prática discursiva sobre o que venha ser currículo. Silva (1999), por exemplo, estabelece a ideia do currículo como fetiche. Segundo o autor, ver o currículo como fetiche significa restabelecer a ambiguidade, a contradição, a indeterminação, tornando inútil a busca de essências, ridicularizando hipótese de um significado último, transcendental. Nesse caso, subverte a lógica binária, busca ultrapassar as fronteiras, colocando em dúvida a autonomia do sujeito (SILVA, 1999). 282 Paraíso (2005), Gallo (1995) e Gomes (2004) apresentam, com base em Deleuze e Guatarri, a noção do currículo rizomático. No dizer de Paraíso (2005), ―[...] um currículo é, por natureza, rizomático, porque é território de proliferação de sentidos. Apesar de todos os poderes que fazem o controle, demarcam as áreas e opinam sobre como evitar a desorganização em um currículo, tudo vaza e escapa‖ (PARAÍSO, 2005, p. 7). Gallo (1995) ao tratar do conceito de currículo a partir do paradigma rizomático enfatiza que ele rompe com a hierarquização, pois no rizoma são múltiplas as linhas de fuga e, portanto, múltiplas as possibilidade de conexões, aproximações, cortes, percepções. Para o autor, romper com a hierarquia estanque pede, porém, uma nova forma de trânsito possível por entre seus inúmeros ―devires‖; situado no que denomina, a partir de Guatarri, de transversalidade.65 Diante dessa análise Gallo (1995, p. 17) ressalta que Para a educação, novamente as implicações são profundas. A aplicação do paradigma rizomático na organização curricular da escola significaria uma revolução no processo educacional, pois substituiria um acesso arquivístico estanque ao conhecimento que poderia, no máximo, ser intensificado através dos trânsitos verticais e horizontais de uma ação interdisciplinar que fosse capaz de vencer todas as resistências, mas sem conseguir vencer, de fato, a compartimentalização, por um acesso transversal que elevaria ao infinito as possibilidades de trânsito por entre os saberes. O acesso transversal significaria o fim da compartimentalização, pois as ‗gavetas‘ seriam abertas; reconhecendo a multiplicidade das áreas do conhecimento, trata-se de possibilitar todo e qualquer trânsito por entre elas. Ao tratar do currículo como rizoma tecido na transversalidade das práticas cotidianas, os autores como Paraíso (2003), Gallo (1995, 2002) e Cunha (1995) têm dedicado suas atenções ao que chamam de currículo menor, baseados na ideia de ―literatura menor‖ de Deleuze e Guattari, isto é, aquele tecido na sala de aula, no cotidiano escolar. Associado a esses conceitos e aos autores de referência, tem ganhado força a ideia da cartografia como procedimento metodológico nas pesquisas pós-críticas. Cartografar um currículo é, conforme ressalta Paraíso (2003), Eyng e Chiquito (2008), construir um mapa aberto dos seus segmentos (poderes e territórios) e dos 65 Tanto o paradigma rizomático como a noção de transversalidade são conceitos centrais dos estudos nos/dos com os cotidianos. Inclusive em alguns deles, observamos a referência aos estudos feitos por Silvio Gallo. Esse autor também tem publicado em obras organizadas pelos estudiosos no/do com o cotidiano, conforme se pode observar na coleção o Sentido da Escola. 283 seus pontos de desterritorialização (por onde um currículo foge e faz fugir). Nesse caso, o currículo-mapa tem perseguido as linhas do poder, das relações de poder para mostrar o que faz algo movimentar, formar, impor-se (SILVA, 2003). Observamos, na construção das metáforas e autores de referência que fundamentam a concepção de currículo uma estreita aproximação com os estudos produzidos no campo dos/nos/com os cotidianos. A noção do currículo e do conhecimento rizomático, da cartografia, circulam na produção desses dois grandes grupos. Uma das diferenças produzidas pelas apropriações realizadas pelos estudos que abordam as perspectivas pós-estruralistas e culturais, parece-nos estar na busca por se construir novas conceituações para o próprio nome ―currículo‖. Sobre esse assunto, observamos, tanto nos trabalhos de Rocha (1999, 2000) como no de Veiga-Neto (2008), a tentativa, derivado do estranhamento em relação ao que, convencionalmente é chamado de "currículo", abordando-o para se assumir a noção de máquina. O termo máquina envolve, como destaca Veiga-Neto (2008), uma noção de arranjamento de multiplicidades. Na contextualização que apresenta Silva (1998), o currículo é concebido como um arranjamento coletivo de enunciação e maquínico do desejo. Ao assumir essa abordagem, conforme destaca Kroef (2001, p. 16), O currículo passa a ser considerado como acontecimentos com traços singulares compostos pela heterogeneidade de elementos e ordenações distintas dos resultados e dos trajetos bem definidos. Tais ordenações cortam o espaço, marcando a polivocidade existente nesta máquina conectada a outras máquinas. Neste sentido, o currículo não é tomado como um bloco estático, homogêneo e monolítico, mas como um arranjamento polifônico, em movimentos descontínuos, traçados em uma zona de aberturas sobre uma superfície rica para as análises. A partir dessa leitura, Kroef (2001), ao estudar as políticas curriculares, formula duas concepções de currículo, que designa como: 1) currículo-programa constituído por propostas curriculares oficiais e as ditas alternativas, e 2) currículo-corte, como atalho, ruptura. Para o autor, ambas configuram máquinas de diferentes naturezas: máquinas de Estado e máquinas de guerra. No entanto, os currículos-cortes tecem redes com diferentes suportes de saberes que circulam pelas trocas. Com isto, currículo deixa, então, de ser currículo, pois é impossível, na concepção de Kroef (2001), apreender, reduzir a "currículo" uma infinidade de multiplicidades. 284 Ao tomar como objeto de pesquisa a desconstrução histórica de algumas edificações escolares situadas na cidade de Porto Alegre (RS), Rocha (2000) analisa a relação entre espaço(s) escolar(es) e pedagogia(s), descrevendo as continuidades e as rupturas que tais marcas imprimiram aos espaços por elas ocupados, identificando alguns dos mecanismos de sujeição (controle) e disciplinamento (vigilância). Com base no conceito maquinaria disciplinar moderna, o autor apresenta os elementos que permitem compreender os espaços escolares como construções que foram se ―modernizando‖ para continuarem produzindo corpos dóceis, disciplinados, educados. Com base nas argumentações elaboradas sobre currículo como máquina desejante, Kroef (2001) salienta que a concepção moderna e disciplinar de sociedade utiliza a Educação como um dos instrumentos para garantir a integração, por meio da participação dos indivíduos iguais, em unidades pertencentes a uma totalidade. Essa Educação visa assegurar, na concepção do autor, a cidadania, organizando uma espécie de programa, ordenado pelo currículo, que prepara para o exercício dos direitos e deveres. Tal concepção denota o currículo como um programa, como uma grande maquinaria disciplinar moderna, que visa atingir resultados. O programa configura um roteiro de execuções, que se encontra associado às práticas disciplinares. Este roteiro objetiva um fim, através de um percurso calculado que busca um melhor desempenho. A disciplina faz-se necessária uma vez que, conforme Foucault, corresponde ‗à arte das distribuições‘ dos indivíduos no espaço e no tempo, conformando uma técnica de poder ‗capaz de compor forças para um aparelho eficiente‘ (Foucault, 1996, p.147). Além de normalizar os indivíduos, a disciplina distribui saberes, delimitando campos do conhecimento como matérias (conteúdos) curriculares. Desta forma, segrega, diferencia e hierarquiza saberes e conhecimentos. O currículo, como elemento que delineia os territórios identitários através da eleição do padrão e do reconhecimento pela representação, opera por analogias, semelhanças e igualdades. A operacionalização dos resultados desdobra-se na produção de identidades, corroborando um maior controle através de uma sujeição subjetiva (KROEF, 2001, p. 9). Fundamentados nesses conceitos, os autores, que assumem como referencial os estudos culturais e a perspectiva pós-estruturalista, estabelecem uma crítica ao paradigma da modernidade. ―É fato que o campo do currículo vem perdendo a sua solidez iluminista, na medida em que se constitui num dos campos de aguda crise como instituição, no bojo da própria crise do conhecimento e dos saberes educativos‖ (MACEDO, 2000, p. 11). 285 Silva (1998) salienta que a ―crise‖ de legitimação que está no centro das nossas formas de conhecer o mundo está, pois, indissoluvelmente ligada à ―crise‖ no estatuto da representação – nossas formas de representar o mundo. Ao se apropriar da prática discursiva e representação, de Derrida e Foucault, Silva (1998) e Corazza (1996), salientam que na perspectiva pós-estruturalista, conhecer e representar são processos inseparáveis. A representação – compreendida como inscrição, marca, traço, significante e não como processo mental – é a face material, visível, palpável, do conhecimento. Para o autor (1998, p. 8), Conceber o currículo como representação significa, pois, destacar o trabalho de sua produção, significa expô-lo como o artefato que é. Ver o currículo como representação implica expor e questionar os códigos, as convenções, a estilística, os artifícios através dos quais ele é produzido: implica tornar visíveis as marcas de sua arquitetura. Há lugar aqui para uma poética do currículo. Da perspectiva de uma poética do currículo, ele não é visto como a pura expressão ou registro de uma realidade ou de um significado pré-existente: ele é a criação lingüística, discursiva, de uma realidade própria. Uma poética do currículo como representação chama a atenção para a medida na qual o conhecimento é dependente de códigos, de convenções: de recursos retóricos. Esses recursos retóricos estruturam a representação que constitui o currículo. Sua eficácia emotiva, seu efeito de realidade, não podem ser desvinculados dos elementos estéticos que, precisamente, fazem com que ele seja, antes de tudo, representação. Nessa perspectiva, o foco não é o significado, mas o significante. Numa poética do currículo, o significante não aparece simplesmente como o meio transparente através do qual o significado se expressa: o significante é que é a matéria-prima da representação. [...] A representação, em conexão com o poder, está centralmente envolvida naquilo que nos tornamos. Não há identidade nem alteridade fora da representação. O currículo é, ali, naquele exato ponto de intersecção entre poder e representação, um local de produção da identidade e da alteridade. É precisamente, aqui, nesse ponto, que o currículo, tal como o conhecimento, se torna um terreno de luta em torno da representação. Como vimos, são vários os conceitos e concepções de currículo produzidos pelos autores que se apropriam dos estudos culturais e das teorias pós-críticas. No entanto, uma perspectiva que circula em todos os quatro grupos analisados é a leitura do currículo pelo viés da cultura. As possibilidades que os estudos culturais trazem para o campo do currículo são inúmeras, contudo, as questões que foram colocadas, caminham na contramão desse argumento, fica-nos os seguintes questionamentos: que movimentos e nuances esses estudos produzem? Quais os silenciamentos que tem sido provocados por esse debate? Neste trabalho já destacamos um deles que, na nossa 286 visão, podem esvaziar as leituras produzidas pelos estudos no campo do currículo, qual seja, a história e o sujeito como ser histórico. Assim, mesmo quando usam autores de referência que estabelecem o seu olhar pelo viés da história e da cultura, como é o caso de Stuart Hall, as práticas de apropriações efetuadas pelas obras estudadas neste tópico tem se apropriado apenas do debate sobre a cultura. Outras questões foram postas ao longo deste texto e que nos parecem estar em consonância com os estudos produzidos pelas perspectivas pós-críticas como a centralidade na prática, a secundarização das questões macro-sociais, sobretudo, aquelas que tratam das discussões políticas e econômicas. 5.5.2 Artefatos culturais Observamos, nos estudos que abordam os artefatos tecnológicos e culturais, a presença marcante dos seguintes grupos de pesquisa e autores: Grupo de Estudos e Pesquisas em Currículos e Culturas da UFMG (PARAÍSO, 2001, 2002, 2006); da UFRGS o Grupo de Estudo e Pesquisas em Currículo e Pós-modernidade (VEIGANETO, 2006, 2007a, b, 2008) e Núcleo de Estudos de Mídia, Educação e Subjetividade (UBERTI, 2003); Núcleo de Estudo e Pesquisa sobre Licenciatura da UFOP (MENDES, 2000, 2002); e da PUC/PR, Políticas Curriculares: as representações dos profissionais da educação à luz da teorização pós-crítica do Currículo (EYNG, CHIQUITO, 2008). Reunimos ainda neste tópico os trabalhos de Santos (2000), Sommer (2000) e Freitas (2007) que não se encontram ligados a grupos de pesquisa. Uma análise geral indica que as pesquisas presentes neste tópico focalizam os seus estudos nos diferentes artefatos culturais, tais como: mídia educativa, literatura juvenil, cinema, jogos eletrônicos, programas televisivos, revistas em quadrinhos, Orkut, etc. Como enfatiza Mendes (2002, p. 3), Abordando alguns artefatos culturais, vários(as) estudiosos(as) vêm propondo analisar a lógica dos discursos que elaboram o significado dessas produções culturais para o currículo. Nessa perspectiva, GIROUX (1995) dá ênfase maior à produção da mídia e suas interpretações da cultura infantil, SIMON (1995) às tecnologias culturais e algumas relações com a educação, STEINBERG (1997) à construção do infantil pelas grandes corporações, KINCHELOE (1997) às campanhas publicitárias das grandes corporações, dentre outros trabalhos. Igualmente, estudos brasileiros estão se 287 preocupando em analisar artefatos culturais de nossa realidade. As representações sobre a natureza apresentadas pela mídia (AMARAL, 1997), o discurso da mídia na produção de subjetividade da adolescência (FISCHER, 96), os jogos eletrônicos como formas de sujeição (MENDES, no prelo) e o discurso da mídia propondo um currículo para a escola (PARAÍSO, no prelo) são alguns exemplos dessas discussões. Todos esses trabalhos acima, de uma certa maneira, estão analisando os discursos dos respectivos artefatos culturais como formas de poder e de saber e como esses artefatos propõem tipos de aprendizagens e de pedagogias. As pesquisas agrupadas neste tópico têm se preocupado em estudar as produções discursivas atuais da televisão sobre a educação e o currículo (PARAÍSO, 2002, 2006; UBERTI, 2003), a relação das políticas e revista (PARAÍSO, 2001; UBERTI, 2000; EYNG, CHIQUITO, 2008), mídia, informática e jogos eletrônicos (MENDES, 2000, 2002), informática educativa (RESENDE, 2002; SANTOS, 2000; SOMMER, 2000), símbolos e artefatos culturais como indumentária, música, poesia, etc. (FREITAS, 2007; SCHWANTES, 2002). De maneira geral, todos os autores se apropriam dos estudos culturais usando, sobretudo, a noção de pedagogia cultural. Segundo Mendes (2000, 2002), a pedagogia cultural percebe a produção do currículo de duas maneiras: a) o currículo escolar sofrendo interferência dos artefatos culturais e b) as corporações e/ou outros artefatos culturais propondo um currículo cultural para dentro da escola e para fora dela. Sendo assim, passa-se a ideia de educação como um fenômeno que ocorre em qualquer ambiente, propondo, igualmente, práticas curriculares, ou seja, um currículo cultural. Ganham destaque, nesse caso, as investigações que vem estudando diferentes artefatos tecnológicos e culturais escolares e não escolares, para os quais cultura é também objeto de estudo importante. Resende (2002), por exemplo, problematiza as relações entre o currículo escolar e o currículo extra-escolar, a partir de Silva, Forquin e Sacristán, com o intuito de contribuir para a discussão sobre o papel da escola e os desafios por ela enfrentados, no cenário social e cultural associados às novas tecnologias de informação e de comunicação. Os estudos de Freitas (2007) e Schwantes (2002) estão alinhados justamente às pesquisas que consideram a centralidade da cultura (HALL) e que buscam analisar de que maneira as pedagogias culturais atuam e como elas constituem a identidade 288 dos sujeitos. No caso específico de Freitas (2007), procura analisar a ―pedagogia do gauchismo‖ e sua influência na construção da identidade de gaúchos e de gaúchas migrantes, que saíram do Rio Grande do Sul e se estabeleceram nas cidades de Tangará da Serra e Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso. O termo ―pedagogia do gauchismo‖ refere-se, como salienta a autora, à maneira como se aprende a ser gaúcho, as mais diversas formas de se dizer o gaúcho e como ele é representado, tomando-se como base os discursos, os quais o atrelam à sua figura mítica, associada à paisagem rural, ao cavalo, ao chimarrão, e às suas práticas vivenciadas nos Centros de Tradições Gaúchas, festas, concursos, comemorações, música, culinária, indumentária. Mediante o referencial teórico assumido no trabalho, Freitas (2007) destaca que as tradições gaúchas, com todo o seu sistema simbólico e artefatos atuam pedagogicamente, por meio de um currículo cultural, ensinando o que é ser gaúcho e constituindo identitariamente não só aquelas pessoas nascidas no Rio Grande do Sul, como também quem se sentir interpelado por tais discursos e artefatos. Usando também a noção de pedagogia cultural, porém incorporando as contribuições de Foucault acerca do discurso e do poder, Paraíso (2006) se interessa em estudar os processos pelos quais as ―verdades‖ sobre a escola são produzidas pela televisão para a participação compulsória numa rede simbólica que não mais fala da ―escola existente‖, mas antes produz uma série de valores, conceitos e ideias que auxiliam a produção de um discurso próprio sobre a educação, a escola e o currículo. Para tanto, analisa os comerciais e programas sobre a escola que têm sido amplamente divulgados pela televisão brasileira na virada de século, especialmente pelo Canal Futura. Segundo a autora, a televisão, usando de novas técnicas, outras estratégias, constrói e produz um tipo de currículo, propondo às escolas uma multiplicidade de temas, conteúdos, histórias, regras e normas. Ela produz também o professor necessário para desenvolver esse currículo e o aluno ―adequado‖ para ser formado por esse currículo tecnológico. As evidências advindas das observações levantadas por Paraíso (2006, p. 16) dos discursos da televisão para e sobre a escola e o 289 currículo, ―[...] apontam para uma tentativa da televisão de seduzir ‗as mentes e os corações dos/as brasileiros/as‘ para que se passe a definir a educação, a entender a escola ideal e o currículo ideal para o Brasil do novo século, a partir das suas ideias‖. Além da possibilidade de produzir práticas discursivas que caracterizam um tipo de currículo, de professor, aluno, formação ideal, Paraíso (2001), em estudo anterior, havia demonstrado a relação das políticas implementadas na década de 1990 direcionadas para ―formar os/as professores/as a distância e para melhorar o ensino fundamental‖ e o programa TV Escola. Toma como material de análise a revista TV Escola, com o intuito de descrever o processo de implementação dessa política, bem como analisar alguns dos discursos sobre o currículo escolar veiculados pela revista em questão. Em estudo similar, Eyng e Chiquito (2008) identifica, no discurso de professores da educação, as formas como o planejamento de ensino torna-se visível e as maneiras como o mesmo é invisível, estabelecendo relações com a Revista Nova Escola e os manuais de Didática. Entendem o discurso, com base em Foucault, como práticas que sistematicamente formam os objetos de que falam. Consideram, assim, Revista TV Escola, Nova Escola e os Manuais de Didática como um discurso em sua materialidade, um artefato cultural que também é discurso e que, como tal, contam coisas, histórias, produzem saberes e verdades. Assim, as reflexões apontadas pelas autoras caminham no sentido de demonstrar que a produção idealizada de um currículo é definida para atender o Brasil do novo século. Essa é uma questão retomada no estudo de Paraíso (2002) sobre as práticas de produção e as tecnologias de subjetivação do discurso da mídia educativa brasileira sobre a escola e o currículo, no qual buscou, discutir como a subjetividade docente é fabricada pelo currículo da mídia educativa, analisando cinco programas do Canal Futura (Nota 10, Ação, Jornal Futura, Amigos da Escola: focos de atuação e Acelera Brasil). Essa perspectiva é também assumida no trabalho de Uberti (2003) sobre o programa de televisão o ―Diário de um bebê‖. O argumento desenvolvido nesses trabalhos é o de que 290 [...] as subjetividades dos/as professores/as são fabricadas e reguladas por um currículo que procura ativar neles/as motivações, desejos, esperanças e sonhos pessoais e profissionais, individuais e coletivos. Além disso, mostro que as técnicas a que recorrem esse currículo são, em sua maior parte, suaves e românticas, mas nem por isso menos eficientes no processo de governo e de produção de subjetividades docentes atuantes, empreendedoras, corajosas, esclarecidas, responsáveis, amorosas e dedicadas. Sem prescindir das técnicas de dominação, no processo de ―montagem‖ da subjetividade docente, as técnicas mais comumente acionadas por esse discurso são as técnicas do eu [...] (PARAÍSO, 2002, p. 16, grifos da autora). Uberti (2000, 2003), com base nos conceitos de governo e subjetivação, salienta que não existe um objeto natural chamado infantil, adulto, educação ou escola, esses são materializados pela gramática que os enuncia. Assim, o discurso produzido na/pela materialidade institui subjetividades à medida que enuncia, ou seja, diz que(m) e como é (o) ser infantil. ―O que existem são seus ditos. Não há um sentido oculto, misterioso ou obscuro, à espera de ser clareado. Não há nada por trás do discurso que sanciona, como algo a ser descoberto. Os efeitos de poder que provoca não estão ocultos ou invisíveis‖ (UBERTI, 2003, p. 2). Especificamente no estudo sobre governo moral do infantil pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), Uberti (2000) aborda o discurso curricular em seu aspecto material, por seus ditos, que fazem com que os infantis se tornem determinados sujeitos. Na leitura da autora, fundamentada em Corazza, o currículo nacional, ao assumir pressupostos teóricos da literatura psicológica em que pretendem entender e explicar o sujeito, sua subjetividade, suas ações, seus desvios, sua conduta, suas necessidades, assujeita o infantil ao estado brasileiro, à escola, e aos professores, pela regulação e dependência, e assujeita-o a si mesmo pelo apego à sua identidade de pequeno cidadão. Nesse caso, afirma Uberti (2000, p. 11), a forma prescritiva moral dos PCNs estabelece uma relação de subordinação do infantil na sua relação com os adultos. [...] as proposições do currículo nacional fornecem técnicas que permitem ao infantil efetuar um certo número de operações sobre seus corpos, pensamentos e condutas, possibilitando-o transformar-se a si mesmo, de um modo tal que o Estado possa guiar, corrigir e moldar a condução do infantil na escola e na sociedade; o infantil já encontra formas de explicarse, narrar-se e entender-se, pois os jogos de significação, construídos pela Ciência Psicológica, ao explicarem as subjetividades, fazem-nas calculáveis e abrem possibilidades para que se façam ―coisas‖ com ela e para que sejam governáveis; o mecanismo discursivo dos PCNs, instaura verdades sobre os sujeitos, constituindo suas subjetividades, estabelecendo condutas 291 e operando o governo social; a arte de governar os infantis cria um compromisso subjetivo que os incita a governar suas próprias condutas e a guiar suas atitudes de acordo com os princípios cidadãos. Inspirado também na literatura dos estudos culturais e, especificamente na perspectiva de governo de Foucault, Mendes (2000, 2002) analisa as mudanças de fronteiras entre o público e o privado, procurando identificar algumas repercussões dos discursos dos currículos culturais no currículo escolar e na produção de identidades. Centra atenção na mídia (com seus discursos específicos ou promovendo discursos de outros artefatos), na informática (dando ênfase à Internet) e nos jogos eletrônicos. Já em estudo similar, Sommer (2000) descreve e analisa alguns documentos publicados na mídia impressa local circunscritos à emergência do discurso da informática educativa de Novo Hamburgo. O argumento defendido pelos autores é que os artefatos culturais estão ocupando espaços e influenciando as formas privadas com discursos supostamente individualizantes, mas se apresentam extremamente públicos em seus interesses. Nesse caso, os discursos se apresentam como individuais (privados), porém com um tom de grande reprodução, se repetindo para milhões de indivíduos ao mesmo tempo, buscando, com isso, que eles tenham atitudes homogêneas e comuns no campo cultural e de consumo. Para Mendes (2002, p. 15), os currículos culturais produzidos pelos diferentes artefatos [...] estão falando ‗verdades‘ e constituindo as identidades de nossos(as) jovens, porém não conseguimos ouvi-las (será que queremos?). Ainda achamos o espaço ‗privativo‘ do lar como aquilo que está sujeito só aos pais e às mães, ou, no máximo, à família. Que o espaço público da escola é responsabilidade apenas de seus profissionais e dos conteúdos trabalhados no currículo. Tanto no lar como na escola outras vozes estão falando e nós, adultos(as), temos grande dificuldade de ouvi-las. Talvez rompendo com as dicotomias entre as formas/espaços do público e do privado possamos ampliar nossas audições e quem sabe, superar nossos medos do que não compreendemos ou controlamos. Por fim, ao partir do Livro ―Logo: Computadores e educação‖ de Seymour Papert, Santos (2000) analisa uma prática curricular denominada de os infantis ―logogizados‖. O campo de análise selecionado pela autora foi constituído de textos ―práticos‖, no sentido atribuído por Foucault. Assim, ao conceber a prática Logo, como modo de subjetivação, investigou seus conhecimentos, linguagens, ciências, formas de raciocínio, enquanto vinculados às relações de poder e de saber que constroem e modificam a experiência que os sujeitos têm de si. 292 Na concepção de Santos (2000, p. 18), dentro de um ambiente inventado calculada e deliberadamente – o ambiente Logo –, onde a experiência do próprio corpo possibilita às crianças encontrarem soluções para seus problemas, um ambiente que possibilita à ―[...] criança desenvolver uma linguagem articulada, a participar de uma ‗conversação matemática‘, refletir sobre suas ações e seus pensamentos, desenvolver seu raciocínio, é pois, evidente, que um determinado tipo de sujeito é produzido, um sujeito logogizado, particularmente um infantil logogizado‖. Uma análise das pesquisas que discutem o currículo na sua interlocução com os artefatos culturais indica as iniciativas dos autores em produzir outras formas de construção textual. Nesse caso, é comum encontramos nos textos usos de imagens iconográficas (fotos, desenhos, menção a filmes, vídeos, etc,) e outras formas de escritas como união de palavras e inclusão de símbolos como @. Todas essas ações táticas objetivam demarcar o referencial teórico-epistemólogica-metodológico assumidos nas pesquisas. Um olhar das características formais (GINZBURG, 2002) dos artigos evidenciam que apesar de todas as iniciativas, eles mantém uma estrutura que se aproxima da construção e produção do conhecimento científico. Muito embora usem imagens e outras formas de inventividade, não esgotam a noção de uma estruturação lógica que perpassa definição de um problema de pesquisa, objetivos, referencial teórico, metodologia e resultados. Acreditamos, que essa forma se faz necessária tendo em vista o lugar e tipo de produção que se faz. 5.5.3 CURRÍCULO E CULTURA A leitura dos textos que constituem os estudos do currículo com perspectiva póscrítica, nos levou a aproximar as discussões realizadas pelos autores sobre currículo, cultura, produção de identidades/subjetividades e diferença. Com base nas produções expressas nos textos elaboramos as seguintes temáticas: Gênero, sexualidade e etnia (ALTMANN, 2003; MELLO, 1999; OLIVEIRA, COSTA, 2003; MEYER, 1998; LOURO, 1995; REALI, 1996; PARAÍSO, 1995, 1997, 1998), diversidade cultural e multiculturalismo (ALMEIDA, CICILLINI, 2005; BAMPI, 1999, 2000, 2001; CORAZZA, 2001; FRAGA, 1998; NASCIMENTO, 2006). 293 Uma análise dos autores segundo o grupo de pesquisa indica uma centralização da produção no Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Currículos e Culturas (GECC) da UFMG (OLIVEIRA, COSTA, 2003; PARAÍSO, 1995, 1997, 1998). Esse foi o único grupo com mais de uma publicação, os demais se configuraram da seguinte forma: Grupo de Estudo Interdisciplinar em Sexualidade Humana da UNICAMP (ALTMANN, 2003); Fogueira: Grupo de Estudos e Pesquisas de Gênero da UNOCHAPECO (REALI, 1996); Desenvolvimento Profissional e Docência Universitária: saberes e práticas educativas da UFU (ALMEIDA, CICILLINI, 2005); Grupo de Estudos sobre Cultura e Corpo da UFRGS (FRAGA, 1998); Currículo, Saberes e Práticas Educativas da UFRN (NASCIMENTO, 2006); Grupo de Estudos de Educação e Relações de Gênero da UFRGS (LOURO, 1995); e, Artistagens, fabulações, variações também da UFRGS (CORAZZA, 2001). Já os autores Mello (1999) e Bampi (BAMPI, 1999, 2000, 2001) e Meyer (1998) não apresentam em seus currículos, conforme plataforma lattes, associação a grupos de pesquisa. Nos primeiros trabalhos publicados sobre gênero e formação de professores, Paraíso (1995) toma como referência os autores da teoria crítica de currículo, dentre eles Michael Apple e Tomaz Tadeu da Silva, para argumentar em favor de currículos que abordem as experiências dos grupos socialmente marginalizados: de classe, raça, sexo, religião, etc. A autora chama-nos atenção para a existência dos conflitos de classe, raça, sexo, religião, etc. e argumenta em favor da construção de currículos que abordem tais questões. A defesa central levantada por Paraíso (1995, p. 15) é de que, ―[...] a experiência e a perspectiva femininas não estão presentes no currículo formal, ou seja, o gênero é campo de silêncio do currículo formal‖. Entretanto, as questões de gênero não só estão presentes ―[...] de forma oculta nas relações em sala de aula, como também contam como critério para a seleção dos conteúdos a serem trabalhados pelas/os professoras/es‖ (PARAÍSO, 1995, p. 3). Com base nesse argumento, constata que o gênero está presente todo o tempo no currículo em ação, conforme conceito apropriado de Sacristán. Nesses termos, ele é 294 dito, instala conflitos e até mesmo direciona alguns conteúdos. ―Sinto que o tema, de tão presente que está nas relações cotidianas, ganha vida e emerge no currículo em ação, fugindo ao controle dos planejadores do currículo‖ (PARAÍSO, 1995, p. 18). Tanto a questão do silêncio produzido pelo currículo formal como as discussões concernentes ao currículo em ação, foram aprofundadas nos artigos apresentados pela autora nos anos de 1997 e 1998. Referenciada em Silva, Santomé e Cheryholmes, Paraíso (1997) redefine a ideia da questão étnica-racial como constituidora de um campo de silêncio do currículo formal. Para a autora, essas questões não se apresentam em um campo de silêncio, mas de maneira silenciada no currículo em ação. Desse modo, o currículo em ação é considerado uma instância em que as aprendizagens de gênero se processam cotidianamente, ainda que no currículo oficial o gênero seja silenciado, negado; ainda que os organizadores dos currículos e dos livros didáticos não atribuam ao tema a legitimidade necessária para lhe conceder ―espaço‖ nas disciplinas e nos cursos. No dizer da autora, o gênero é tão vivo e presente nas relações cotidianas ―das instituições‖, que parece forçar e escapar das armaduras do currículo oficial para marcar presença forçada no currículo em ação. Assim, ainda apoiada na Teoria Crítica do Currículo, Paraíso (1997) começa a analisar o currículo escolar como um artefato cultural, constituidor de identidades específicas. Ganha força no estudo publicado em 1998 a ideia das identidades culturais de gênero, etnia e sexualidade e sua constituição no currículo em ação, aproximandose dos estudos de Stuart Hall, além de manter os autores de referência já citados. Em seu trabalho, busca, portanto, dar visibilidade às identidades que o currículo em ação produz, desenvolvendo o argumento de que os currículos investigados continuam trabalhando no sentido de estabilizar as identidades entendendo-as de maneira fixa, fechada, unificada e acabada, ainda que o mundo evidencie o surgimento de novas identidades abertas, fragmentadas, contraditórias e inacabadas dos sujeitos que vivem esse novo tempo. 295 Paraíso (1998) reconhece que o currículo em ação não apenas transmite conhecimentos, nem mesmo apenas os produz, mas que também ―fabrica‖ sujeitos, produz identidades sexuais, étnicas, de gênero e de classe. Destaca, ainda, que essas identidades são produzidas por meio de relações desiguais e que o currículo está comprometido com a manutenção de uma sociedade dividida, o que contribui para a continuidade da produção de desigualdades. Essas são questões também apresentadas por Mello (1999), ao abordar a relação da constituição da identidade do corpo e da sexualidade pelo viés histórico, social e cultural; e por Oliveira e Costa (2003), ao discutirem como as identidades e subjetividades raciais são silenciadas e negadas. Como destaca Paraíso (1998, p. 18), ―[...] esse é um silêncio impregnado por relações de poder; um silêncio selecionador e discriminador de povos e grupos étnicos/raciais sem poder‖. A centralidade do debate no currículo em ação e suas implicações na constituição das identidades não se restringem às discussões referentes a gênero, etnia e sexualidade. Messias (2001), por exemplo, pesquisa a construção das identidades docentes forjada em cursos de formação continuada de professores no currículo em ação. Dessa maneira, é interessante notar que os estudos que discutem a questão da identidade assumem diferentes modos, no qual são problematizadas a arrogância, os silêncios do currículo sexista, generificado, urbano, etnocêntrico, e com uma sexualidade padrão (LOURO, 1998; MEYER, 1998). São explicitados ―os binarismos do currículo urbano que exclui as culturas de colonos/as migrantes‖ (REALI, 1996). São discutidas práticas educativas e diferentes textos que produzem identidades de tipos específicos: ―o bom moço e a boa moça‖ (FRAGA, 1998), ―profissionais femininas do magistério‖ (COSTA, 1998), ―o surdo trabalhador‖ (KLEIN, 1998), dentre outras questões. Contudo, em texto que procura discutir currículo e identidade social, Silva (1996) salienta que a Teoria Crítica do Currículo tem contribuído para aumentar a compreensão sobre as íntimas e estreitas relações entre conhecimento, poder e identidade social e, portanto, sobre as múltiplas formas pelas quais o currículo está centralmente envolvido na produção do social. De acordo com o autor (1996, p. 4), [...] as teorias da reprodução social, por exemplo, mostraram como a distribuição desigual de conhecimento, através do currículo e da escola, 296 constituem mecanismos centrais do processo de produção e reprodução de desigualdade social. Perspectivas mais culturalistas, como a de Bourdieu, por exemplo, contribuíram para nos fazer compreender como as desigualdades escolares escondem fundamentais relações entre cultura e poder. Silva (1996), entretanto, estabelece um contraponto entre as possibilidades apresentadas pela teoria crítica e suas limitações. Para o autor (1996, p. 4), [...] boa parte da teorização crítica do currículo permanece presa a certas concepções, seja do saber, seja do poder, ou ainda, da relação entre os dois, que têm sido questionadas pela teorização social e cultural mais recente, particularmente, por aquilo que passou a se chamar de ―pósestruturalismo‖. Assim, [...] tem sido muito pouco questionada a própria noção realista e representacional de conhecimento, uma noção que continua implícita na maior parte das análises neomarxistas sobre currículo. Diante dessas problematizações, Paraíso (2005) e Souza (2001), dentre outros autores, vão se afastando da ideia de identidade para pensar o currículo com a diferença, segundo conceito elaborado por Deleuze. Paraíso (2005) afirma que assumir a diferença como base de análise é tirar o foco da identidade: tanto do pensamento identitário (que tem como critério a reunião) como do conceito identidade (que procura o comum sobre a diversidade ou que identifica pessoas e grupos para, em seguida, agrupá-los como diferentes). Assim, um currículo é um território de multiplicidades de todos os tipos, de disseminação de saberes diversos, de encontros ―variados‖, de composições ―caóticas‖, de disseminações ―perigosas‖, de contágios ―incontroláveis‖, de acontecimentos ―insuspeitados‖. Inspirado no pensamento da diferença, não se olha para os currículos e pergunta se são verdadeiros ou falsos; qual é o mais crítico e o menos crítico; qual é oficial e qual é alternativo; qual é o tradicional e qual é o construtivista; qual é o público, o privado e o particular. Importam as sensações: o mundo do sensível. Interessa dizer o que faz ‗gritar‘, se desterritorializam coisas, se produzem bons encontros (aqueles que aumentam a potência dos envolvidos no processo). Importa sentir se são ‗importantes‘, ‗interessantes‘ e ‗notáveis‘. [...] Para deixar a diferença continuar o seu trabalho é preciso: possibilitar o acontecimento em um currículo! Deixar vazar! Fazer matilhas! Contagiar! Possibilitar um outro currículo; um currículo que pense com a diferença para ver, sentir e viver a vida em sua proliferação. Experimentar em um currículo: fazer currículo sem medo e sem programa. Arriscar! Com certas precauções, é claro! Aventurarse: aventurar junto com outras pessoas. Partilhar: coisas, afectos, sensações, desejos, aprendizagens (PARAÍSO, 2005, p. 3). Reconhecer o currículo como produção e múltiplos acontecimentos pautados na ideia da diferença significa colocar, na visão de Paraíso (2005) e Santos (1996), a possibilidade de desconstruir o discurso como narrativas preferidas, como narrativas dominantes. Essas são questões, por exemplo, exploradas por Altmann (2003), ao 297 discutir o fenômeno da ―orientação sexual‖ e por Souza (2001), ao analisar as Turmas de Progressão, na proposta de organização curricular Ciclos de Formação, nas escolas municipais de Porto Alegre. De acordo com Altmann (2003), a escola é uma entre as múltiplas instâncias sociais que exercitam uma pedagogia da sexualidade e do gênero, colocando em ação várias tecnologias de governo, conforme conceito elaborado por Foucault. Na perspectiva de Altmann (2003, p. 11), Esses processos prosseguem e se completam através de tecnologias de autodisciplinamento e autogoverno exercidas pelos sujeitos sobre si próprios, havendo um investimento continuado e produtivo desses sujeitos na determinação de suas formas de ser ou 'jeitos de viver' sua sexualidade e seu gênero. Ao questionar a própria noção de identidade, subverte-se e complexifica-se a discussão sobre o assunto por meio de maior ênfase no conceito de diferença (SILVA, 2000b). Além disso, as pesquisas pós-críticas assumem outros contornos e traçados, trazendo outras marcas, referenciais teóricos e outros procedimentos de análise. Assim, ganha maiores atenções a noção de governo de Michel Foucault para mostrar como nas subjetividades são reguladas (CORAZZA, 2001; LOURO, 1999; SILVA, 2001), ou seja, para ―[...] atentar para as formas de saber orientadas não somente para conduzir e moldar a conduta dos indivíduos, mas também, para as que capacitam os indivíduos a aplicar poder sobre si, aquelas que se destinam as suas próprias condutas‖ (BAMPI, 2000). Nesse caso, Corazza (1999) aborda o modo de subjetivação do infantil, Bampi (1999) trata da ―vontade de cidadania‖ do discurso da educação matemática, e Louro (1999) analisa a pedagogia da sexualidade e do gênero. Todos esses autores salientam que os processos prosseguem e se completam por meio de tecnologias de autodisciplinamento e autogoverno exercidas pelos sujeitos sobre si próprios, havendo um investimento continuado e produtivo desses sujeitos na determinação de suas formas de ser. No entanto, Bampi (2001) estabelece uma aproximação entre a noção de governo com o discurso multicultural. Para o autor a multiculturalização do currículo propicia respeito, dignidade e confiança às etnias excluídas por meio do resgate dos saberes 298 subordinados. O governo multicultural depende de formas de saber que definem e determinam as condutas a serem governadas. Essas reflexões também são compartilhadas por Almeida e Cicillini (2005), ao estudar o texto da Escola Plural intitulado Assumindo a escola emergente. Por fim, Nascimento (2006) destaca o processo de construção e reinvenção histórica da educação escolar no contexto das comunidades indígenas brasileiras, mais notadamente dos povos guarani/kaiowá do estado do Mato Grosso do Sul. Nesse sentido, faz uso da leitura multicultural, com base em Homi Bhabha, articulada com os conceitos de organismo vivo, polifônico/polissêmico de Mikail Bakhtin, e poder e produção de conhecimento a partir dos estudos foucaultianos. O currículo é assumido como uma linguagem, significação, um evento que expressa uma realidade que percorre um caminho, que vive um tempo de negociações internas, locais elaboradas no fragmento, no cotidiano. Nesse caso, o contexto educacional é visto não mais como estritamente o espaço escolar, mas ―entre-lugares‖, organismo vivo, polifônico/polissêmico, ambivalente que, em última instância, constitui-se no ―território‖, espaço de traduções inesgotáveis do significado, como afirma Veiga-Neto (2008), forjador de multiplicidades culturais. 5.5.4 CURRÍCULO, PEDAGÓGICA Neste tópico, FORMAÇÃO reunimos os trabalhos que DOCENTE discutem E PRÁTICA a formação docente (CARDARELLO, 2000; CUNHA, 1995; GARCIA, 2001; MAUÉS, 2001; MESSIAS, 2001) e a prática docente (LUNARDI, 2007; NASCIMENTO, 2006; NOGUEIRA, 2004; REZENDE, 2004; RIBEIRO, 1995; STEPHANOU, 1997; VIEIRA, HYPÓLITO, DUARTE, 2006). É preciso destacar que desses autores o único que não está ligado a grupo de pesquisa é Cardarello (2000). Por mencionar os grupos de pesquisa, encontramos neste tópico uma grande diversidade. Para ser mais preciso, cada autor está associado a um grupo diferente, configurando-se da seguinte maneira: Grupo Interdisciplinar de Estudos e Pesquisas para o Desenvolvimento Sustentável do Litoral do Paraná – UFPR (CUNHA, 1995); Processo de Trabalho Docente – 299 UFPEL (GARCIA, 2001); Grupo de Pesquisa Diferença e Educação – UFPA (MAUÉS, 2001); Educação, Trabalho e Formação de Professores – UNICENTRO (MESSIAS, 2001); Educação, Arte e Inclusão – UDESC (LUNARDI, 2007); Observatório Sociológico Família-Escola: trajetórias e práticas de escolarização – UFMG (NOGUEIRA, 2004); Educação e Interculturalidade – UCDB (NASCIMENTO, 2006); Grupo de Pesquisa em História e Historiografia da Educação Brasileira – UFU (RESENDE, 2004); Teorias e práticas curriculares no campo da educação em saúde – UFRJ (RIBEIRO, 2004); Histórias e Memórias da Educação Brasileira e da Cultura Escolar - UFRGS – 2001 – (STEPHANOU, 1997); e, Gestão, Currículo e Políticas Educativas – UFPEL (VIEIRA, HYPÓLITO, DUARTE, 2006). Dentre os estudos que abordam a formação de professores, encontramos a presença de temas que convergem para a formação inicial (CUNHA, 1995; MAUÉS, 2001, CARDARELLO, 2000); continuada (MESSIAS, 2001) e Implantação das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica, em nível superior, cursos de Licenciatura (GARCIA, 2001). Ao tomarem como referencial teórico os estudo de Foucault e Guattarri, os autores que abordam a formação de professores mostram como a linguagem, as práticas discursivas, os modos de subjetivação têm se mostrado importantes para explorarmos, dentre outras questões, ―‗[...] como nos tornamos o que somos?‘; ‗que técnicas e tecnologias são acionadas na produção de determinados tipos de sujeitos‘; ‗por que queremos que alguém se torne um sujeito de um certo tipo?‘‖ (PARAÍSO, 2004, p. 291). De acordo com Cardarello (2000), as contribuições produzidas por esses conceitos, alargam, ampliam e ressignificam a categoria currículo, quando apontam que este, assim como a cultura, também pode ser visto como uma prática de significação, como um produtor de subjetividades e, além de tudo, como uma prática discursiva. Cardarello (2000), ao elaborar uma análise da Pedagogia Libertadora de Paulo Freire, problematiza as questões referentes à formação de professor, se afastando da noção do educador libertador para se aproximar da ideia do cuidado de si que o objetiva, cria e assujeita. A partir disso, indaga sobre o currículo, as práticas, as prescrições, as normas e as regras de conduta que instituem o cuidado de si do/a 300 educador/a libertador/a, no que diz respeito à relação que este/a vai estabelecer consigo mesmo/a, ao exercer uma atividade de pensamento sobre seu próprio pensamento. Pergunta como e por meio de quais práticas de si, o currículo pedagógico libertador subjetiva o/a educador/a libertador/a, ao opinar, valorar, propor, aconselhar determinadas formas de relação consigo. Compreende a linguagem como elemento que entra na constituição das experiências, das subjetividades e que ainda nos possibilitam interpretar nossas experiências e as de outrem, foi alvo de destaque de Maués (2001). Demonstra a potencialidade do uso da narrativa como processos de inventidade metodológica para a leitura do currículo no ensino superior. Nesse caso, tanto a linguagem como o discurso, se apresentam como fundamentos centrais do trabalho. Maués (2001), a partir dos estudos de Guattari, Sob a inspiração foucaultiana, salienta que os discursos são materialmente produzidos por arranjos sociais, políticos, econômicos específicos; as regras dos discursos governam o que pode ou não ser dito; quem pode falar com autoridade e quem deve escutar; diferentes regimes e processos de apropriação do discurso; são produzidos e governados por relações de poder. Diante dessas análises, as narrativas são vistas como práticas, objetos de luta que apontam o presente, relacionam-se com o passado, acionam virtualidades futuras, e essa posição requer para a educação uma outra retórica. Do ponto de vista epistemológico, conforme salientam Maués (2001) e Cunha (1995), implica em transformações nas formas de se conceber a ciência e a linguagem a partir do ponto de vista de seu poder de criar sujeitos. No estudo de Garcia (2001) sobre a implantação das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica, em nível superior, cursos de Licenciatura, de graduação plena, observamos uma aproximação com os conceitos foucaultianos de discurso, noção de poder, produção de verdade e com a ideia de recontextualização desenvolvida por Basil Barnstein. Ao se apropriar desses conceitos, a autora teve como intuito dar a ver os processos de ressignificação implicados na construção das políticas curriculares estabelecendo o olhar sobre os textos da política e os contextos da prática, conforme expressões elaboradas por Stuart Hall. Para Garcia (2001, p. 17), 301 A estrutura curricular proposta pelas Resoluções do CNE foi recontextualizada (Ball, 1994) pelos cursos investigados como uma questão de adequação dos currículos já existentes aos componentes curriculares e às séries de tempos determinados pela legislação. Resultaram desse processo textos curriculares que incorporaram os componentes curriculares e a distribuição de tempo proposta pelas Diretrizes Nacionais, mas deixaram em grande parte a organização disciplinar do conhecimento e a transmissão de conteúdos como o aspecto central do processo de formação docente e do ensino. A discussão apresentada anteriormente foram tratadas também por Nogueira (1995), Nascimento (2006) e Lunardi (2007). As autoras buscam direcionar o olhar para o cotidiano da sala de aula, percebendo-o como um espaço entrecortado por relações de controle e poder, no qual se articulam as formas como o professor constrói a relação pedagógica e os processos de recontextualização dos conteúdos escolares. De igual modo, Resende (2004) se apropria das discussões sobre discurso, poder, produção de verdade e recontextualização para investigar a produção de conhecimento em contextos não-escolares. Ao localizar a penetração do educacional na prisão, de modo que se opera uma espécie de derivação do conceito de sistema carcerário, de Michel Foucault, Resende (2004), realizada uma pesquisa com treze presos condenados, utilizando-se do recurso teórico-metodológico da história oral de vida, identificando aspectos educativos no cumprimento da pena privativa de liberdade. Práticas educativas em contexto não escolares e em risco social são também objeto de estudo de Ribeiro (1995). Ao se apropriar das discussões foucaltianas sobre discurso, noção de poder e produção de verdade, Ribeiro (1995) investiga a produção de conhecimento em contextos não-escolares caracterizados como de risco social. Parte da ideia, corroborando com Corazza, de que o currículo não é construído apenas de maneira institucionalizada, ou seja, seus significados, fluxos, cortes são também inventados e reconhecíveis fora da escola, apontando como pessoas ―[...] que vivem num local que pode ser considerado impróprio à moradia criam estratégias para viver melhor‖ (RIBEIRO, 1995, p. 6). Tanto esses estudos como os de Vieira, Hypólito e Duarte (2006) e Stephanou (1997) trazem à tona as práticas educativas produzidas no cotidiano escolar. 302 Stephanou (1997) caracteriza, a grosso modo, o que têm sido o currículo e o ensino de história, particularmente nas escolas fundamentais, comentando as implicações dessa prática. Assim, se aproxima do conceito de currículo elaborado por Cherryholmes e Popkewitz, entende-o como o que os estudantes têm oportunidade de aprender na escola, oculta ou explicitamente, bem como aquilo que não lhes é oportunizado, porque excluído. Com base sobretudo nesses dois autores, Stephanou (1997, p. 4) estabelece uma série de crítica sobre o ensino de história por esse ter se constituído [...] em solo fértil para a memorização, a repetição, o monólogo do professor, um espaço propício para a idéia de saber pronto, acabado, que resta apenas transmitir. Em geral, prevalece a compreensão de que o conhecimento, em história, diz respeito tão somente ao passado. O passado, por sua vez, pode ser apreendido ou resgatado tal como aconteceu. Subjacente à elaboração desses currículos, supõem-se que os conteúdos históricos contêm uma verdade, visto que o passado é passível de ser cientificamente recuperado mediante o auxílio de instrumentos, mais ou menos adequados. Ou seja, ―o que aconteceu, aconteceu!‖: os fatos históricos são indiscutíveis; ninguém muda o que aconteceu. Esta forma de raciocínio sobre o conhecimento histórico, fortemente inscrita nos arranjos curriculares do ensino de história, encontra-se marcada pelos referenciais do positivismo e do historicismo. Por fim, Vieira, Hypolito e Duarte (2006), ao tratarem do tema currículo e trabalho docente, referenciando-se em Deleuze, apresentam a existência de dispositivos de controle que, atuando no interior das escolas com o intuito de impedir e retardar, de alguma forma, as mudanças educacionais, produzindo efeitos sobre o desempenho e a identidade do professorado. As análises dos trabalhos agrupados neste tópico evidenciam as diferentes abordagens teóricas usadas e os muitos conceitos trabalhados para tratar das temáticas: currículo e conhecimento, artefatos tecnológicos e culturais, currículo e cultura, currículo formação docente e prática pedagógica. Em uma leitura superficial poderíamos dizer que, ao conceituar e dialogar com a prática, são usados conceitos como: relações de poder, prática discursiva e não-discursiva, gênero, relações de poder-saber, subjetividade, identidade, diferença, narrativas, representação, pedagogias culturais, produção de sujeitos, significados, práticas de si, regimes de verdade, subjetivação, agenciamento, multiplicidades, rizoma, cartografia. Trata-se 303 como se vê de um conjunto de conceitos que se aproximam dos estudos culturais e das perspectivas pós-estruturalistas, sobretudo, as foucaltianas. Nesse contexto, uma outra questão relevante está em encontrarmos estudos que abordam a formação de professores em todas os grupos que se debruçam ao campo do currículo apresentado nesta pesquisa. Entretanto, cada grupo vai, ao seu modo, produzindo suas singularidades e complexidades ao problematizar os diferentes processos de formação inicial e contínua escolar e não escolar. 304 CONSIDERAÇÕES FINAIS Por meio da operação histórica (CERTEAU, 1990), apresentamos, ao longo deste trabalho, as relações de força (GINZBURG, 2002) estabelecidas em contextos de produção e consumo do campo epistemológico, focalizando o olhar para o modo como atores, autores, orientadores e grupos de pesquisa vão estrategicamente/taticamente (CERTEAU, 1994) delineando o campo do currículo. Para tanto, destacamos, dentre os espaços/tempos de produção/circulação teóricoprática historicamente constituídos no Brasil, a ANPEd no período de 1995 a 2008. Defendemos a tese, por meio da via da pesquisa histórica, de que a constituição do campo epistemológico do currículo expressa uma circularidade cultural (GINZBURG, 1987) de invenções teórico-práticas, possibilidades de problematização pela polifonia das apropriações (CERTEAU, 1994). Com esse intuito apresentamos uma leitura sobre a ANPEd, apontando os pontos de encontros/distanciamentos entre as Reuniões Anuais, Grupo de Trabalho Currículo e Revista Brasileira de Educação. Nesse momento do estudo, observamos a luta em criar uma associação representativa da Pós-Graduação em Educação no Brasil. Uma analise da natureza científica da instituição revelou um binarismo que coloca a ideia de contraposição entre autonomia e regulação, política e ciência, função instituidora e representativa da pós, etc. Procuramos, na contramão desse discurso, dar a ver os movimentos, tensões produzidos pela/na ANPEd, ao longo de seu processo de institucionalização. Assim, antes de serem excludentes, a natureza científica da Associação é forjada pelas ações contraditórias de subversão e conservação, no qual, se buscou enfrentar diferentes questões. As ações desenvolvidas pela ANPEd mostram as práticas táticas/estratégicas de aproximações, distanciamentos e criações de lugares que configuram a entidade como representativa da Pós-Graduação. Um exemplo da complexidade dessa prática está no diálogo, ou melhor, nas negociações/tensões estabelecidas com a CAPES desde o início da criação da Associação. 305 Com base na compreensão da complexidade da natureza da ANPEd, dedicamos, o nosso olhar, aos espaços de divulgação/circulação científica, dentre os quais focalizamos as Reuniões Anuais, o GT Currículo e a Revista Brasileira de Educação. No diálogo com diferentes dispositivos que se apresentam a partir de diversos suportes evidenciamos a tessitura de projetos editorais distintos que se aproximam e se distanciam. Centralizamos, dessa maneira, a leitura para os dispositivos (capas, sumários, editoriais, apresentações e temáticas) elaborados pelas diretorias da ANPEd, editores da Revista Brasileira de Educação e diretoria do GT Currículo, demonstrando suas implicações para o campo do currículo. Diretorias, editores, comitê científico, pareceristas ad hoc, conselho editorial, orientadores de pósgraduação e líderes de grupo de pesquisa, foram apresentados como vozes autorizados a falar e definir com autoridade reconhecida a constituição do campo científico. Estar presente ou ausente nos diferentes lugares de poder (Comitê Científico, Pareceristas, Editores, Diretoria, Conselho Editorial) demonstra as relações de força entre instituições de Pós-Graduação, autores e grupos de pesquisa. Uma das táticas/estratégias utilizadas para se reconhecer as autoridades científicas no campo do currículo foi olhar para a circulação dos autores nos diferentes lugares anunciados nos projetos editoriais do GT e da Revista Brasileira de Educação. Os processos de negociação evidenciados pela constituição dos Comitês Científicos, dos Pareceristas ad hoc, Diretoria do GT, Editor, Conselho editorial da Revista Brasileira de Educação, demonstram bem a movimentação do/no campo. A configuração dos nomes e instituições revelam a força dos pesquisadores no cenário do currículo no Brasil e a inserção/disputa dos grupos de pesquisa de maior visibilidade. Nesse caso, as táticas de subversão, como a criação da sessão Trabalhos Encomendados que possibilitou e potencializou a projeção de diferentes grupos de pesquisa, se constituíram também como estratégias de conservação. A própria ideia 306 inicial de se criar a sessão Trabalhos Encomendados, pode ser interpretada como uma forma astuciosa de criar, nas brechas deixadas por quem constrói seu projeto editorial, um espaço que garantisse a manutenção dos autores de referência e de seus grupos de pesquisa. De um espaço astucioso foi transformada em um lugar estratégico de manutenção, negociação, ressignificação e luta no campo científico. Só é possível entender os papéis atribuídos aos lugares de poder, como os mencionados anteriormente, se considerarmos os projetos editoriais das fontes estudadas. Existe uma aproximação, mas, ao mesmo tempo, um afastamento, ou por hora, uma tensão entre a organização geral do evento, a Revista Brasileira de Educação e as ações desenvolvidas dentro do GT Currículo. Essa é uma questão ―quase‖ silenciada, velada nos relatórios produzidos pelo Grupo de Trabalho, pela diretoria da ANPEd e pelos editores da Revista Brasileira de Educação. O ―quase‖ ganha uma conotação interessante quando voltamos o olhar para os espaços em branco, deixadas por quem produz os documentos. Em muitos relatórios elaborados pelo GT Currículo fica-nos a impressão que esses estão ganhando contornos de evento distinto (organização geral das Reuniões Anuais e projetos específicos do GT). A própria criação de temáticas diversas ao mesmo tempo que garantem, potencialidade ao evento e ao GT, indicam também, mesmo que indiciariamente, alguns afastamentos. Dizemos isso porque na maioria dos encontros realizados pelo GT Currículo nas Reuniões Anuais, não observamos a circularidade de temáticas que enredam as produções dos distintos lugares. É fundamental, em estudos posteriores, mostrar as tensões existentes no interior do GT Currículo. Para isso, acreditamos ser preciso estabelecer escutas aos atores que constituem esse espaço político e acadêmico de produção/circulação de conhecimento científico e de constituição do próprio campo do currículo no Brasil. Tínhamos a intenção, no projeto desta tese, de entrevistarmos os autores que se configuram como referência nos estudos de currículo e dentro do GT, contudo não tivemos condições e tempo viável para fazê-lo neste momento. A necessidade de uma aproximação maior entre o GT Currículo e as ações desenvolvidas nos demais espaços das Reuniões Anuais tem sido alvo de 307 comentários sutis por parte dos presidentes do GT na produção dos relatórios. Contudo, a leitura detalhada das fontes indicam uma aproximação maior entre a organização geral da Reunião Anual e a Revista Brasileira de Educação. São vários os números derivados das temáticas colocadas em destaque nas Reuniões Anuais, assim como o contrário, ou seja, algumas questões abordadas pelo impresso foram posteriormente assumidas como referência nas Reuniões Anuais. Observamos também aproximações na própria publicação de textos que circularam primeiro nas Reuniões Anuais como artigos, conferências, relatórios, pareceres, etc., para posteriormente serem divulgadas na Revista Brasileira de Educação. Por mencionar a produção vinculada no impresso, é preciso destacar que esse vem se configurando como um importante lugar de publicação de alguns trabalhos expressos no GT Currículo. No entanto, apresentam o diálogo forjado pelos processos de representações que constituem lugares distintos de poder, derivados de uma instância, ANPEd. Apesar de publicar trabalhos que circulam no GT Currículo indicados pelas comissões organizadoras do evento, seus comitês científicos, pareceristas ad hoc, a definição do que é publicado na Revista Brasileira de Educação é definida por seu editor e conselho editorial, ou seja, mesmo com as indicações do GT, o impresso envia o texto para uma nova avaliação, a do próprio periódico. Ou seja, muito embora façam parte da mesma instituição (ANPEd) as Reuniões Anuais e a Revista se configuram como espaços diferentes e cabe ao editor da Revista a decisão do que será posto em circulação. Ganha papel central, nesse processo, os editores, diretores, comitês científicos e pareceristas, eles são figuras importantes na constituição do campo científico, contudo, seus poderes têm sido negligenciados por parte das pesquisas na educação. Observamos ainda a necessidade de novos estudos sobre as tensões, negociações entre GT e Revista, esta é uma questão que precisa ser enfrentada pela área. Ao colocar em destaque atores, autores, grupos de pesquisa e orientadores, verificamos a centralização da produção nas regiões Sudeste e Sul, especificamente 308 em instituições em que há programas de Pós-Graduação com linhas de pesquisa sobre currículo. Esse fato, além de representar o fortalecimento da pós nessas regiões do país, evidencia também o lugar de destaque ocupado pelos orientadores. Associado a essa questão, apresentamos com base no currículo lattes dos autores, a rede de instituições formadas pelos autores, orientadores e grupos de pesquisa. Mostramos ainda, o movimento de internacionalização ocorridos no GT e na Revista Brasileira de Educação, destacando os diferentes autores que publicaram nessas fontes. Apesar desse cenário, observamos um processo que tem estabelecido maiores diálogos com autores brasileiros que publicam sobre currículo. Desses autores, todos estão filiados ou são líderes de Grupos de Pesquisa e orientadores de Programas de Pós-Graduação. É preciso enfatizar que além de se constituírem como autores de referência, a maioria desses professores se configuram como personagens com presença marcante tanto na produção do GT e como nas publicações da Revista Brasileira de Educação. Foi a partir dos pesquisadores, autores de referência, orientadores, grupos de pesquisa e conteúdo que estabelecemos as aproximações entre os textos. Nesse ponto, foi possível agrupar os trabalhos em quatros vertentes: Currículo, história, política e multiculturalismo; Currículo, política e teoria crítica; Currículo e as pesquisas nos/dos/com os cotidianos; Currículo, pós-estruturalismo e estudos culturais. A ampliação quantitativa de autores, trabalhos e grupos de pesquisa está diretamente relacionado a criação de sessões específicas do GT Currículo e da elaboração do livro chancelado pelo GT em parceria com a UNICAMP que é derivado da sessão Trabalhos Encomendados. Os estudos vinculados nas quatros vertentes expostas e seus diferentes lugares de produção, tem produzido uma polifonia de perspectivas teórico-metodológica-epistemológica. De maneira geral os estudos produzidos em todas as perspectivas analisadas têm buscado discutir o conhecimento, a escola, a formação de professores, o currículo, destinando o olhar para as práticas cotidianas a partir da dimensão cultural. Os movimentos tensionados pelos diferentes autores e grupos de pesquisa têm 309 provocado uma circularidade cultural entre objetos de estudo e autores de referência. As invenções teóricas e práticas produzidas no campo epistemológico do currículo, fazem circular a noção de conhecimento que busca ampliar o discurso disciplinar. Os grupos que adotam as teorias pós-críticas, pós-estruturalismo e os estudos culturais, se aproximam das análises postas pelo paradigma pós-moderno. Já o grupo Currículo, Política e Teoria Crítica destaca a necessidade de se estabelecer aproximações entre as diferentes disciplinas que compõem o currículo. As questões colocadas em relevo pelas discussões sobre conhecimento e seus processos de configurações/tessituras estão diretamente associadas as concepções de currículo. Dessa maneira, a noção de currículo trazida pelos autores que se aproximam dos estudos culturais, pós-estruturalistas, pós-colonial, tem sinalizado os movimentos de acontecimentos, de atravessamentos. No entanto, em todos os grupos encontramos a presença de narrativas sobre as práticas curriculares, ou melhor, o currículo realizado, em ação, praticado, etc. Como apresentamos ao longo do texto, Sacristán foi um dos autores que forneceu importantes interlocuções sobre o assunto, sendo consumido (CERTEAU, 1994) nos estudos nos/dos/com os cotidianos e nas pesquisas que assumem uma vertente crítica. É preciso ressaltar que apesar desse debate se fazer presente em todos os grupos, ele está ausente na produção de alguns autores. Por mencionar o referencial teórico, é preciso destacar a sua circularidade, sobretudo quando observamos os diálogos estabelecidos com os pesquisadores do currículo. A singularidade, nesse caso, está na identificação dos autores de referência, pois a maioria desses pesquisadores se apropriam de diferentes perspectivas teórica ao longo de sua produção, em um contínuo movimento de reflexão sobre os próprios estudos. Esse fato evidenciou a necessidade de estudos futuros que tomem como base, além dos autores de referência, suas obras e perspectivas teóricas. 310 Assim, matrizes teóricas e conceitos aparecem, desaparecem, ressurgem de maneira ressignificada, como é o caso da noção de emancipação. Em outras situações se mantém a ideia do conceito apagando o seu termo e/ou o autor de referência. Observamos ainda, as táticas de apropriações das obras dos autores de referência, no qual, se operam um recorte de produção efetuando deslocamentos de interesses. De igual modo, identificamos também um corpo de autores de referência que caracteriza/permite a aproximação e agrupamento dos textos. Esses autores, na maioria dos casos, são de outras áreas do conhecimento como sociologia, filosofia e história. Um outro dado interessante, que tem tangenciado todos os grupos, é a presença marcante de pesquisadores que publicam nas fontes analisadas como autores de referência. Esses atores são orientadores de Programa de PósGraduação e líderes de grupos de pesquisas que também vem se constituindo como referência nos estudos de currículo no Brasil. Sobre o debate produzido no campo do conhecimento, parece-nos que o foco está nos seus processos, dito de outra maneira, no modo como ele é vivido no cotidiano escolar. Questões como ―o que ensinar‖ não se manifestam com tanta força, o debate é posto no sentido de dar visibilidade ao que se aprende. Esse fato tem favorecido para o silenciamento do currículo prescrito em contrapartida com o olhar detalhado sobre o modo como o currículo é praticado. Observamos que o campo do currículo, em sua grande maioria, está por demais preocupado com os processo e se esquecendo dos produtos. Dessa leitura extraímos duas possibilidades de pesquisa, a necessidade de se investigar a relação entre currículo prescrito e praticado, e a necessidade de dar visibilidade ao que se aprende com o que se ensina, ou seja, aos modos de apropriação e consumo produtivo dos praticantes escolares. Quanto a presença e/ou ausência das perspectivas teóricas no campo dos estudos do currículo analisados nesta tese, vimos não um movimento de fluxo contínuo, mas processos de negociações, tensões, lutas, aproximações e distanciamentos de diversas matrizes e autores. 311 Se por um lado observamos a diversidade de autores de referência e perspectivas teóricas, por outro verificamos o predomínio do uso de abordagens metodológicas qualitativas. Nesse ponto, ganha destaque, a tentativa de inventariar uma multiplicidade de formas de pesquisa como: narrativas, cartografias, imagens iconográficas, artefatos tecnológicos, etc. Uma análise das características formais sinalizam ainda a tentativa, por parte de alguns autores, em usar outras estéticas na produção textual, como a apresentação de diferentes símbolos e metáforas. As questões trabalhadas nesta tese apresentaram uma circularidade cultural da constituição do campo epistemológico do currículo. Encontramos uma polifonia de matrizes teóricas, objetos de estudo, autores de referência e grupos de pesquisa, que tem ajudado a inventar a complexidade que configura o campo do currículo no Brasil. Assim, autores, grupos de pesquisa e orientadores vão estrategicamente/taticamente arquitetando o campo. Constatamos, dessa maneira, que ao olhar para os movimentos e nuances buscando dar visibilidade as relações de forças e os processos de subversão/conservação nos possibilitou enxergar a multiplicidade e a complexidade presentes nas pesquisas sobre currículo chanceladas pela ANPEd. 312 REFERÊNCIAS AGOSTINHO, Patricia Garcia Caselli. Currículo de formação docente no cotidiano escolar. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS- GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 31., 2008, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2008. AIRES, Joanez Aparecida; ERN, Edel. A influência dos professores na construção das disciplinas escolares: o caso da química em uma instituição de ensino secundário catarinense. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 28., 2005, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2005. ALMEIDA, Carmen Lúcia de; CICILLINI, Graça Aparecida. Igualdade de direitos e direito à diferença: interfaces no cotidiano escolar. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 28., 2005, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2005. AIRES, Jouberth Max. A escola dos índios tapeba e a invenção do currículo pelos líderes indígenas. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓSGRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 24., 2001, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2001. ALVES, Nilda. Artefatos tecnológicos relacionados à imagem e ao som na expressão da cultura de afro-brasileiros e seu ‗uso‘ em processos curriculares de formação de professoras na educação superior – o caso do curso de pedagogia da uerj/campus maracanã. In: OLIVEIRA, Inês Barbosa de; AMORIM, Antonio Carlos Rodrigues de (orgs.). Sentidos de currículo: entre linhas teóricas, metodológicas e experiências investigativas. Campinas, SP: UNICAMP, ANPEd, 2006. p. 28-32. ______. Cultura e cotidiano escolar. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, n. 23, p. 62-74, maio/ago. 2003. 313 ______. Discurso de Abertura da 24ª Reunião Anual. Revista Brasileira de Educação, n. 18, p. 123-124, set./dez. 2001. ______ et al. Cultura material, cotidianos e práticas culturais afro-brasileiras em diversos espaços educativos, dentro e fora da escola: discutindo as cotas e trazendo perguntas. In: AMORIM, Antonio Carlos Rodrigues de; PESSANHA, Eurize (orgs.). As potencialidades da centralidade da(s) cultura(s) para as investigações no campo do currículo. Campinas, SP: UNICAMP, GT Curriculo da ANPEd, 2007. p. 25-31. ______ et al. Nós e nossas histórias em imagens e sons - uma história em imagens. In: AMORIM, Antonio Carlos Rodrigues de (org.). Passagens entre o moderno para o pós-moderno: ênfase e aspectos metodológicos das pesquisas sobre currículo. Campinas, SP: UNICAMP, GT Currículo da ANPEd, 2007. p. 21-28. ______. "Romper o cristal e envolvermo-nos nos acontecimentos que se dão": os contatos cotidianos com a tecnologia. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 24., 2001, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2001. ______. Uma ou duas coisas que diria sobre ela: a questão da prática no Grupo de pesquisa ―As redes de conhecimentos em educação e comunicação: questão de cidadania‖. ln: MACEDO, Elizabeth; MACEDO, Roberto Sidnei; AMORIM, Antonio Carlos (orgs.). Como nossas pesquisas concebem a prática e com ela dialogam? Campinas, SP: UNICAMP, 2008. p. 48-56. ALTMANN, Helena. A construção social da orientação sexual na escola. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 26., 2003, Poços de Caldas. Anais... Poços de Caldas: ANPEd, 2003. ALVES-MAZZOTTI, Alda Judith. Repensando algumas questões sobre trabalho infantil. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, n. 19, p. 87-98, jan./abr. 2002. 314 AMORIM, Antonio Carlos Rodrigues de. Entre potencialidades, centralidade, currículo e culturas: discussão do trabalho encomendado de 2006. In: AMORIM, Antonio Carlos Rodrigues de; PESSANHA, Eurize (orgs.). As potencialidades da centralidade da(s) cultura(s) para as investigações no campo do currículo. Campinas, SP: UNICAMP, GT Curriculo da ANPEd, 2007. p. 03-13. AMORIM, Antonio Carlos Rodrigues de. Gritos sem voz. In: MACEDO, Elizabeth; MACEDO, Roberto Sidnei; AMORIM, Antonio Carlos (orgs.). Como nossas pesquisas concebem a prática e com ela dialogam? Campinas, SP: UNICAMP, 2008. p. 14-22. AMORIM, Antonio Carlos Rodrigues de. Grupo de estudos ―currículo, imagens e impregnações da pós modernidade‖. In: OLIVEIRA, Inês Barbosa de; AMORIM, Antonio Carlos Rodrigues de (orgs.). Sentidos de currículo: entre linhas teóricas, metodológicas e experiências investigativas. Campinas, SP: UNICAMP, ANPEd, 2006. p. 63-67. AMORIM, Antonio Carlos Rodrigues de. Mapas desmontáveis: professores e alunos na produção de conhecimento escolar. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 23., 2000, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2000. AMORIM, Antonio Carlos Rodrigues de. Platôs, multiplicidade e criatividade na estética da produção do conhecimento escolar. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 25., 2002, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2002. ANPEd. Histórico e avaliação dos grupos de trabalho. Caxambu (MG): ANPEd, 1992. ______. Avaliação e perspectivas na área da educação: 1982-1991. Porto Alegre: ANPEd, Diretoria, 1993. 315 ______. Nota de apresentação. Boletim ANPEd, Niterói, v. 3, n. 1, p. 5-6, out.1981. ______. Apresentação. Boletim ANPEd, Niterói, v. 5, n. 2, p. 4-5, maio 1983. ______. Apresentação. Boletim ANPEd, Niterói, v. 6, n. 1, p. 4-5, março 1984. ______. Apresentação. Boletim ANPEd, Niterói, v. 7, n. 3, p. 4-5, jul. 1985. ______. Apresentação. Boletim ANPEd, Niterói, v. 7, n. 4, p. 1-2, ago. 1985. ______. Apresentação. Boletim ANPEd, Niterói, v. 8, n. 1, p. 3, jan./mar. 1986. ______. Apresentação. Boletim ANPEd, Niterói, v. 8, n. 2-3, p. 53, abr./jun. 1986. ______. Apresentação. Boletim ANPEd, Niterói, v. 8, n. 3-4, p. 1, jul./dez. 1986. ______. Apresentação. Boletim ANPEd, Niterói, v. 9, n. 1, p. 59, jan./mar. 1987. ______. Apresentação. Boletim ANPEd, Niterói, v. 9, n. 4, p. 64, out./dez. 1987. ______. Apresentação. Boletim ANPEd, Niterói, v. 10, n. 1, p. 2, jan./mar. 1988. ______. Apresentação. Boletim ANPEd, Niterói, v. 10, n. 2-3, p. 88, abr./set. 1988. ______. Apresentação. Boletim ANPEd, Niterói, v. 10, n. 4, p. 2, out../dez. 1988. ______. Apresentação. Boletim ANPEd, Niterói, v. 10, n. 1-2, p. 108, jan./jun. 1989. ______. Apresentação. Boletim ANPEd, Porto Alegre (RS), n. 1-2, p. 92, jan.-dez. 1990. ______. Apresentação. Boletim ANPEd, Porto Alegre, n. 1-2, p. 184, jan.-dez. 1991. ______. Apresentação. Boletim ANPEd, Porto Alegre, n. 1, p. 149, set. 1992. 316 AGUIAR, Márcia Ângela. Discurso na posse da nova Diretoria. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro: ANPEd, n. 31, p. 186-190, jan./abr. 2006. ANDRADE, Elenise Cristina Pires. Educação menor: vertigens por deslizamentos e desmoronamentos curriculares. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 29., 2006, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2006. ______. Currículo, professor/a: ―habitantes de Babel‖. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 28., 2005, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2005. AZEVEDO; Janete Maria Lins de; AGUIAR, Márica Ângela. A produção do conhecimento sobre a política educacional no Brasil: um olhar a partir da ANPEd. Educação & Sociedade, ano XXII, n, 77, p. 49-70, dez. 2001. BELLINI, Maria; ANASTÁCIO, Maria Q. Em tempos pós-modernos. In: AMORIM, Antonio Carlos Rodrigues de (org.). Passagens entre o moderno para o pósmoderno: ênfase e aspectos metodológicos das pesquisas sobre currículo. Campinas, SP: UNICAMP, GT Currículo da ANPEd, 2007. p. 64-68. BAMPI, Lisete Regina. Arte da sedução multicultural no governo do currículo. REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 24., 2001, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2001. ______. Currículo como tecnologia de governo de cidadãs e cidadãos. REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 23., 2000, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2000. 317 ______. O currículo libertador da matemática cidadã. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 22., 1999, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 1999. BARBOSA, Denise Rezende; OLIVEIRA, Inês Barbosa de. Como nossas pesquisas concebem a prática e com ela dialogam? ln: MACEDO, Elizabeth; MACEDO, Roberto Sidnei; AMORIM, Antonio Carlos (orgs.). Como nossas pesquisas concebem a prática e com ela dialogam? Campinas, SP: UNICAMP, 2008. p. 114119. BARLETTO, Marisa. Gramsci e a questão sexual. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 26., 2003, Poços de Caldas. Anais... Poços de Caldas: ANPEd, 2003. BARREIROS, Débora. O sistema nacional de avaliação da educação básica: vínculos entre avaliação e currículo. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 26., 2003, Poços de Caldas. Anais... Poços de Caldas: ANPEd, 2003. BARZOTTO, Valdir Heitor. Leituras de revistas periódicas: forma, texto e discurso – um estudo sobre a revista Realidade (1966-1967). 1998. 228 f. Tese (Doutorado em Linguística) – Instituto de Estudos da Linguagem, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 1998. BERMOND, Magda Terezinha. Educação física escolar na Revista de Educação Física (1932-1952): apropriações de Rousseau, Claparède e Dewey. 2007. Dissertação (Mestrado em Educação) – Faculdade de Educação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2007. BERTICELLI, Ireno Antonio. Currículo: tendências e filosofia. In: COSTA, Marisa Vorraber (Org.). O currículo nos limiares do contemporâneo. 4. ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2005. p. 159-176. 318 BERTO, Rosianny Campos. Regenerar, civilizar, modernizar e nacionalizar: a educação física e a infância em revista nas décadas de 1930 e 1340. 2008. Dissertação (Mestrado em Educação Física) – Centro de Educação Física e Desportos, Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória, 2008. BIANCHETTI, Lucídio. Juracy C. Marques Primórdios e expansão da pós-graduação stricto sensu em educação na região Sul. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeira, n. 30, p. 139-151, set./dez. 2005. ______; MACHADO, Ana Maria Netto. Entrevista Maria Célia Marcondes de Moraes. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, v. 13, n. 38, p. 369-386, maio/ago. 2008. ______; FÁVERO, Osmar. Editorial: história e história da pós-graduação em educação no Brasil. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeira, n. 30, p. 3-6, set./dez. 2005. ______; FÁVERO, Osmar. Maria Julieta Costa Calazans: O papel do IESAE e da ANPEd na pós-graduação em educação. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeira, n. 30, p. 151-161, set./dez. 2005. BLOCH, Marc. Apologia da história ou o ofício de historiador. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001. BORBA, Amândia Maria de; FERRI, Cássia; GESSER, Verônica. Políticas públicas de currículo e avaliação. In: OLIVEIRA, Inês Barbosa de; AMORIM, Antonio Carlos Rodrigues de (orgs.). Sentidos de currículo: entre linhas teóricas, metodológicas e experiências investigativas. Campinas, SP: UNICAMP, ANPEd, 2006. p. 79-82. BOURDIEU, Pierre. Sociologia. Rio de Janeiro: Ática, 1983. ______. O poder simbólico. Rio de Janeiro: Ática, 1989. 319 BRZEZINSKI, Iria; GARRIDO, Elsa. Análise dos trabalhos do GT Formação de Professores: o que revelam as pesquisas do período 1992-1998. Revista Brasileira de Educação, n. 18, p. 82-100, set./dez. 2001. BURNHAM, T. F. Complexidade, multirreferencialidade, subjetividade: três tendências polêmicas para a compreensão do currículo escolar. Em aberto, Brasília, n. 58, p. 3-13, 1993. CALAZANS, Maria Julieta Costa. ANPEd: trajetória da pós-graduação e pesquisa em educação no Brasil. Belo Horizonte: ANPEd, 1995. CAMPOS, Nilceia Protásio. Luz, câmera, ação e.... música!: os efeitos do espetáculo nas práticas musicais escolares. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 27., 2004, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2004. CAMPOS, Tânia Maria Mendonça. Impacto da pesquisa na sala de aula. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 24., 2001, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2001. CANEN, Ana; ARBACHE, Ana Paula; FRANCO, Monique. Pesquisando multiculturalismo e educação: o que dizem as dissertações e teses. REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 23., 2000, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2000. ______. Educação multicultural, identidade nacional e pluralidade cultural: tensões e implicações curriculares. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 21., 1998, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 1998. ______. Multiculturalismo e formação docente: experiências narradas. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 22., 1999, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 1999. 320 ______; OLIVEIRA, Angela M. A. de. Multiculturalismo e currículo em ação: um estudo de caso. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, n. 21, p. 61-74, set./dez. 2002. ______. Pesquisando multiculturalismo e pensando multiculturalmente sobre pesquisa na formação docente: uma experiência de currículo em ação.In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 28., 2005, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2005. CARDARELLO, Carla Giovanna Lamas. A busca de uma nova erótica num currículo de ―formação docente‖. REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓSGRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 23., 2000, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2000. CARDIER, Ielisabete. A Formação inicial dos educadores: os formadores e suas práticas. ln: MACEDO, Elizabeth; MACEDO, Roberto Sidnei; AMORIM, Antonio Carlos (orgs.). Como nossas pesquisas concebem a prática e com ela dialogam? Campinas, SP: UNICAMP, 2008. p. 94-99. CARTA de Caxambu/2001: à sociedade brasileira e às autoridades constituídas. Revista Brasileira de Educação, n. 18, p. 133-134, set./dez. 2001. CARVALHO, Janete Magalhães. Do projeto às estratégias/táticas dos professores como profissionais necessários aos espaços/tempos da escola pública brasileira. In: ______. (Org.). Diferentes perspectivas da profissão docente na atualidade. Vitória: EDUFES, 2002, v. 1, p. 9-45. ______ et al. Estado da Arte da Formação de Professores no Brasil. Educação e Sociedade, São Paulo, v. 1, n. 68, p. 301-309, dez. 1999. ______. O cotidiano escolar como comunidade de afetos. Petrópolis: DP et Alii, 2009. 321 ______. Os epaços/tempos da pesquisa sobre o professor. Educação e pesquisa, São Paulo, n. 2, v. 28, p. 69-86, jul./dez. 2002 ______. O não-lugar dos professores nos entrelugares de formação continuada. Revista Brasileira de Educação, São Paulo, v. 1, n. 28, p. 96-107, abr. 2005. ______; SIMÕES, Regina; FERRAÇO, Carlos Eduardo. Formação de professores e práticas pedagógicas. In: OLIVEIRA, Inês Barbosa de; AMORIM, Antonio Carlos Rodrigues de (orgs.). Sentidos de currículo: entre linhas teóricas, metodológicas e experiências investigativas. Campinas, SP: UNICAMP, ANPEd, 2006. p. 33-35. CARVALHO, Marta Maria Chagas de. A caixa de utensílios e o tratado: modelos pedagógicos, manuais de pedagogia e práticas de leitura de professores. In: CONGRESSO BRASILEIRA DE HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO, 4., 2006, Goiânia. Anais... Goiânia: UCG, 2006. 1 CD-ROM. CARVALHO, Marta Maria Chagas de. Pedagogia e usos escolares do impresso: uma incursão nos domínios da história cultural. São Paulo: PUC, 1998. ______; HANSEN, João Adolfo. Modelos culturais e representação: uma leitura de Roger Chartier. Varia História, Belo Horizonte, n. 16, p. 7-24, set. 1996. CARVALHO, Rosa Malena. Corporificando novas possibilidades na formação de professores. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓSGRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 27., 2004, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2004. . CARVALHO, José Carmelo Braz de. Origens da ANPEd: de instituída a instituinte. Boletim ANPEd, Niterói, v. 8, n. 3-4, p. 3-7, jul./dez. 1988. ______. Origens da ANPEd: de instituída a instituinte. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, n. 17, p. 134-139, maio/ago. 2001. 322 CASTRO, César Augusto. Da interdisciplinaridade hipotética de um currículo a um currículo interdisciplinarmente materializado. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 30., 2007, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2007. CATANI, Denice Bárbara. Educadores à meia-luz: um estudo sobre a revista de ensino da associação beneficente do professorado público de São Paulo (19021918). 1989. 392 f. Tese (Doutorado em Educação) – Programa de Pós-Graduação em Educação, Universidade de São Paulo, 1989. ______. Perspectivas de investigação e fontes para a história da educação brasileira: a imprensa periódica educacional. In:______ (Orgs.). Ensaios sobre a produção e circulação dos saberes pedagógicos. São Paulo: Dedalus, 1994. p. 58-76. CATANI, Denice Barbara; SOUSA, Cynthia Pereira de. O catálogo da imprensa periódica educacional paulista (1890-1996): um instrumento de pesquisa. In:________ (Orgs.). Imprensa periódica educacional paulista (1890-1996): catálogo. São Paulo: Plêiade, 1999. p. 9-30. CERTEAU, Michel de. A escrita da história. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1999. ________. A invenção do cotidiano: artes de fazer. 8. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 1994. CERTEAU, Michel de; GIARD, Luce; MAYOL, Pierre. A invenção do cotidiano: 2. morar, cozinhar. 4. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 1996. CHARTIER, Roger. A ordem dos livros: leitores, autores e bibliotecas na Europa entre os séculos XIV e XVIII. Brasília: Editora da Universidade de Brasília, 1994. 323 ______. A visão do historiador modernista. In: AMADO, J.; FERREIRA, M. de M. (Org.). Usos e abusos da história oral. 3. ed. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 1998. p. 215-218. ______. Os desafios da escrita. São Paulo: Editora UNESP, 2002. ______. A história cultural: entre práticas e representações. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil S. A., 1990. ______. O mundo como representação. Estudos Avançados, n. 11, p. 173-191, 1991 CHIQUITO, Ricardo Santos. Escrita curricular: algumas considerações a partir das abordagens pós-estruturalistas/pós-críticas do currículo. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 31., 2008, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2008. CINELLI, Maria Luiza; GARCIA, Alexandra. Olhar sem ver: escolas invisíveis e currículos praticados. n: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓSGRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 31., 2008, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2008. COMPAGNON, Antoine. O demônio da teoria: literatura e senso comum. Belho Horizonte, MG: Editora UFMG, 2003. CORAZZA, Sandra Mara. Currículos alternativos/oficiais: o(s) risco(s) do hibridismo. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, n. 17, p. 100-114 maio/ago. 2001. ______. O que quer um currículo? Pesquisas pós-críticas em educação. 1. ed. Petrópolis: Vozes, 2001. CORAZZA, Sandra Mara. Currículo como modo de subjetivação do infantil. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E 324 PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 22., 1999, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 1999. CORAZZA, Sandra Mara. Currículo e política cultural da avaliação. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 18., 1995, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 1995. CORAZZA, Sandra Mara. Olhos de poder sobre o currículo. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 19., 1996, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 1996. CORAZZA, Sandra Mara. Pesquisar o currículo como acontecimento: em V exemplos. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓSGRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 27., 2004, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2004. COSTA, Alessandra David Moreira da et al. Grupo de pesquisa: currículo, história e poder. In: OLIVEIRA, Inês Barbosa de; AMORIM, Antonio Carlos Rodrigues de (orgs.). Sentidos de currículo: entre linhas teóricas, metodológicas e experiências investigativas. Campinas, SP: UNICAMP, ANPEd, 2006. p. 5-8. COSTA, Thais Almeida. A noção de competência enquanto princípio de organização curricular: algumas considerações. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 27., 2004, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2004. COSTA, Marisa Vorraber; SILVEIRA, Rosa Hessel; SOMMER, Luis Henrique. Estudos culturais, educação e pedagogia. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, n. 23, p. 36-61, maio/ago. 2003. COSTA, Maria Vorraber. Editorial. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, n. 23, p. 3-5, set./dez. 2003. 325 COSTA, Thais Almeida. A noção de competência enquanto princípio de organização curricular. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, n. 29, p. 52-62, maio/ago. 2005. CUNHA, Luiz Antônio. A retomada de compromissos históricos aos 30 anos da ANPEd. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, v. 13, n. 37, p. 168-172, jan./abr. 2008 CUNHA, Regina Céli Oliveira da. A crise de legitimação da concepção crítica de currículo. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓSGRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 20., 1997, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 1997. CUNHA, Cláudia Madruga. Currículo experimental na UFPR setor-litoral: uma análise de filosofia da diferença e educação. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 31., 2008, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2008. DESTRO, Denise de Souza. O contexto da prática subsidiando o contexto de produção do texto político: diferentes usos e leituras dos envolvidos no processo. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 28., 2005, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2005. DIAS, Rosanne Evangelista; ABREU, Rozana Gomes de. Discursos do mundo do trabalho nos livros didáticos do ensino médio. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 28., 2005, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2005. DIRETORES. Apresentação. Boletim ANPEd, Niterói, n. 15, p. 3-4, out./dez. 1992. DIRETORIA. Apresentação. Boletim ANPEd, Niterói, v. 7, n. 3, p. 2-3, jul. 1985. 326 ______. Apresentação. In: CALAZANS, Maria Julieta Costa. ANPEd: trajetória da pós-graduação e pesquisa em educação no Brasil. Belo Horizonte: ANPEd, Diretoria. p. 5-6. ______. Apresentação. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 18., 1995, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 1995. ______. Apresentação. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 22., 1999, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 1999. ______. Apresentação. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 23., 2000, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2000. ______. Apresentação. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 25., 2002, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2002. DIRETORIA. Apresentação. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 26., 2003, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2003. ______. Apresentação. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 27., 2004, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2004. ______. Educação 92. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 15., 1993, Porto Alegre. Anais... Porto Alegre: ANPEd, 1993. DOMINGUES, José Luis. Interesses humanos e paradigmas curriculares. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, Brasília, v. 67, p. 351-366, fev./mar. 1986. 327 DRUMOND, José Cosme. Hibridismos nas decorações de ambientes escolares. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 30., 2007, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2007. DURAN, Marília Claret Geraes; JÚLIO, Maria Lúcia Monteiro. Repensando o curso (noturno) de pedagogia de uma instituição particular. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 20., 1997, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 1997. DUSSEL, Inês. O currículo híbrido: domesticação ou pluralização das diferenças? In: LOPES, Alice Casimiro; MACEDO, Elizabeth (Org.). Currículo: debates contemporâneos. São Paulo: Cortez, 2002. p. 55-77. EDITORES. Nota de apresentação. Boletim ANPEd, Niterói, v. 7, n. 4, p. 1-2, ago. 1985. ______. Apresentação. Boletim ANPEd, Niterói, v. 15, n. 2, p. 72-73, jan./jun. 1991. ______. Editorial. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, n. 0, p. 3-4, set./dez. 1995. ______. Editorial. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, n. 1, p. 3-4, jan./abr. 1996. ______. Editorial. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, n. 2, p. 3-4, maio/ago. 1996. ______. Editorial. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, n. 3, p. 3-4, set./dez. 1996. ______. Editorial. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, n. 4, p. 3-5, jan./abr. 1997. 328 ______. Editorial. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, n. 5, p. 3-5, set./dez. 1997. ______. Editorial. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, n. 8, p. 3-5, maio/ago. 1998. ______. Editorial. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, n. 9, p. 3-5, set./dez. 1998. ______. Editorial. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, n. 14, p. 3-5, maio/ago. 2000. ______. Editorial. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, n. 16, p. 3-5, jan./abr. 2001. ______. Editorial. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, n. 17, p. 3-5, maio/ago. 2001. ______. Editorial. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, n. 18, p. 3-5, set./dez. 2001. ______. Editorial. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, n. 20, p. 3-5, maio/ago. 2002. ______. Editorial. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, n. 21, p. 3-5, set./dez. 2002. EDITORES. Editorial. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, n. 22, p. 35, jan./abr. 2003. ______. Editorial. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, n. 24, p. 3-5, set./dez. 2003. 329 ______. Editorial. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, n. 25, p. 3-5, jan./abr. 2004. ______. Editorial. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, n. 26, p. 3-5, maio/ago. 2004. ______. Editorial. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, n. 27, p. 4-5, set./dez. 2004. ______. Editorial. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, n. 31, p. 5-6, jan./abr. 2006. ______. Editorial. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, v. 11, n. 33, p. 385-386, set./dez. 2006. ______. Editorial. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, v. 12, n. 35, p. 245-247, maio/ago. 2007. ______. Editorial. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, v. 12, n. 36, p. 387-388, set./dez. 2007. ______. Editorial. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, v. 13, n. 39, p. 421-422, set./dez. 2008. ______. História e histórias da pós-graduação em educação no Brasil. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, n. 30, p. 3-6, set./dez. 2005. EYNG, Ana Maria. A produção de sentidos de currículo: o projeto pedagógico em questão. In: OLIVEIRA, Inês Barbosa de; AMORIM, Antonio Carlos Rodrigues de (orgs.). Sentidos de currículo: entre linhas teóricas, metodológicas e experiências investigativas. Campinas, SP: UNICAMP, ANPEd, 2006. p. 8-14. EYNG, Ana Maria; CHIQUITO, Ricardo Santos. Políticas curriculares: as representações dos profissionais da educação á luz da teorização pós-crítica do 330 currículo. In: AMORIM, Antonio Carlos Rodrigues de (org.). Passagens entre o moderno para o pós-moderno: ênfase e aspectos metodológicos das pesquisas sobre currículo. Campinas, SP: UNICAMP, GT Currículo da ANPEd, 2007. p. 50-55. FÁVERO, Osmar. Política de pós-graduação em educação no Brasil. 1993, 89 f. Tese (Concurso para professor titular na área de Política da Educação) Universidade Federal Fluminense, Rio de Janeiro, 1993, ______. Editorial. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, n. 32, p. 2092006, maio/ago. 2006. FÁVERO, Maria de Lourdes de Albuquerque. Durmeval Trigueiro Mendes e sua contribuição à pós-graduação em educação. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, n. 30, p. 21-35, set./dez. 2005. ______. GT Política de Educação Superior da ANPEd: origem, desenvolvimento e produção. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, n. 21, p. 115-126, set./dez. 2002. FAZENDA, Ivani et al. Contribuições dos estudos e pesquisas sobre interdisciplinaridade para um possível redesenho de currículo. ln: MACEDO, Elizabeth; MACEDO, Roberto Sidnei; AMORIM, Antonio Carlos (orgs.). Como nossas pesquisas concebem a prática e com ela dialogam? Campinas, SP: UNICAMP, 2008. p. 87-93. FERRAÇO, Carlos Eduardo; CARVALHO, Janete Magalhães. Currículos realizados e/ou vividos nos cotidianos de escolas públicas: sobre como concebemos a teoria e a prática em nossas pesquisas In: MACEDO, Elizabeth; MACEDO, Roberto Sidnei; AMORIM, Antonio Carlos (orgs.). Como nossas pesquisas concebem a prática e com ela dialogam? Campinas, SP: UNICAMP, 2008. p. 4-13. FERRAÇO, Carlos Eduardo . Possibilidades discursivas no campo do currículo a partir das narrativas dos sujeitos praticantes do cotidiano de escolas públicas do primeiro segmento do Ensino Fundamental. In: AMORIM, Antonio Carlos Rodrigues 331 de; PESSANHA, Eurize (orgs.). As potencialidades da centralidade da(s) cultura(s) para as investigações no campo do currículo. Campinas, SP: UNICAMP, GT Curriculo da ANPEd, 2007. p. 89-91. FERRAÇO, Carlos Eduardo. Cotidiano escolar e currículos reais: sobre a complexidade das redes de saberes produzidas e articuladas nas salas de aula. REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 23., 2000, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2000. FERRAÇO, Carlos Eduardo. Currículos e conhecimentos em redes: as artes de dizer e escrever sobre as artes de fazer. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 20., 1997, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 1997. FERRAÇO, C. E. . Currículo e pesquisa com o cotidiano: sobre usos, traduções, negociações e hibridismos da cultura como enunciação. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 30., 2007, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2007. FERRAÇO, Carlos Eduardo. Do currículo como texto prescritivo ao currículo como hipertexto vivido: sobre a força e a densidade humana do cotidiano. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 22., 1999, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 1999. FERRAÇO, Carlos Eduardo. Pesquisa com o cotidiano. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 27., 2004, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2004. FERRAÇO, C. E. Possibilidades discursivas no campo do currículo a partir das narrativas dos sujeitos praticantes do cotidiano de escolas públicas do primeiro segmento do Ensino Fundamental. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 30., 2007, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2007. 332 FERRAÇO, C. E. ; CARVALHO, J. M. ; SIMOES, R. H. S.. Grupo de Pesquisa Formação de Professores e Práticas Pedagógicas: contribuições para os estudos do currículo. IIn: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓSGRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 29., 2006, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2006. FERRARO, Alceu Ravanello. A ANPEd, a pós-graduação, a pesquisa e a veiculação da produção intelectual na área da educação. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, n. 30, p. 47-69, set./dez. 2005. FERREIRA, Marcia Serra. A disciplina escolar ciências no Colégio Pedro II: entre as iniciativas inovadoras e a estabilidade curricular. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 28., 2005, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2005. FERREIRA NETO, Amarílio et al. 15 anos de Motrivivência: o debate sobre a graduação. Revista Movimento/Universidade Federal do rio Grande do Sul – Escola de Educação Física, Porto Alegre, v. 9, n. 1, p. 57-90, jan./abr. 2003. FERREIRA NETO, Amarílio; BERMOND, Magda Terezinha; MAIA, Ediane de Mello. Revista de Educação Física: ciclo de vida, seção unidade de doutrina e lição de educação física (1932-2002). Revista Movimento/Universidade Federal do rio Grande do Sul – Escola de Educação Física, Porto Alegre, v. 9, n. 1, p. 91-118, jan./abr. 2003. FERRI, Cássia. Currículo Multicultural e a formação do professor: a busca por um profissional culturalmente comprometid. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 24., 2001, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2001. FIORIO, Angela Francisca. Repetir, repetir, repetir: o caminho que o experimentar inventa e segue, cotidianamente. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO 333 NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 30., 2007, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2007. FISCHER, Nilton Bueno. Comitê Científico da ANPEd: memórias, desafios e conquistas de uma ação construída em parcerias múltiplas. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, v. 12, n. 36 p. 410-423, set./dez. 2007. FLEURI, Reinaldo Matias. Entre o oficial e o alternativo em propostas curriculares: para além do hibridismo. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, n. 17, p. 100-114 maio/ago. 2001. ______. Intercultura e educação. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, n. 23, p. 16-35, maio/ago. 2003. FOGAÇA, Mônica. Análise do processo de construção de um currículo póscrítico de ciências por seus sujeitos. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 31., 2008, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2008. FRAGA, Alex Branco. Bom-mocismo: configuração de um modo de ser adolescente. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 21., 1998, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 1998. FRANCO, Monique Mendes. Contrapontos à herança platônica e o paradoxo identitário na contemporaneidade: ser, sujeito e currículo. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 26., 2003, Poços de Caldas. Anais... Poços de Caldas: ANPEd, 2003. ______. Diretrizes Nacionais para a educação especial na educação básica: identidades e políticas de homogeneização no currículo nacional. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 25., 2002, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2002. 334 ______. Historicizando o tempo: cognição, tecnologia e currículo. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 27., 2004, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2004. ______; LEAL, Rita. Currículo-sem-fim ou entre a toupeira e a serpente: dos moldes e às modulações. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓSGRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 28., 2005, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2005. v FRANGELLA, Rita de Cássia Prazeres. Colégio de Aplicação como espaço de formação: notas sobre currículo e identidade. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 26., 2003, Poços de Caldas. Anais... Poços de Caldas: ANPEd, 2003. ______. Currículo e identidade: a ANFOPE e seu papel na (re)formulação curricular dos cursos de formação de professores. IIn: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 28., 2005, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2005. ______. Disputas curriculares, disputas identitárias: o processo político da produção curricular num curso de formação de professores. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 30., 2007, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2007. ______; BARREIROS, Débora Raquel Alves. Buscando o sentido de política nos estudos curriculares: perspectivas de análise em questão. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 31., 2008, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2008. ______; MACEDO, Elisabeth Fernandes de. Currículo e cultura:deslizamentos e hibridações. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓSGRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 30., 2007, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2007. 335 FREITAS, Letícia F. R. O currículo e sua dimensão cultural: o caso do gauchismo em comunidades de migrantes em Mato Grosso. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 30., 2007, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2007. GABRIEL, Carmen Teresa. As potencialidades da centralidade da(s) cultura(s) para investigações no campo do currículo: algumas reflexões para o debate.. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 30., 2007, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2007. ______; MONTEIRO, Ana Maria. Currículo, ensino de história e narrativa. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 30., 2007, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2007. ______. As potencialidades da centralidade da(s) cultura(s) para as investigações no campo do currículo: algumas reflexões para o debate – NEC/UFRJ. In: AMORIM, Antonio Carlos Rodrigues de; PESSANHA, Eurize (orgs.). As potencialidades da centralidade da(s) cultura(s) para as investigações no campo do currículo. Campinas, SP: UNICAMP, GT Currículo da ANPEd, 2007. p. 79-88. GALLO, Sílvio. Conhecimento, transversalidade e currículo. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 18., 1995, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 1995. GAMA, Zacarias Jaegger; GONDRA, José Gonçalves. Uma estratégia de unificação curricular ―os estatutos das escolas públicas de instrução primária‖ (Rio de Janeiro: 1865). In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 21., 1998, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 1998. GARCIA, Alexandra; CINELLI, Maria Luiza Sussekind Veríssimo. Os estudos do cotidiano ajudam a desinvisibilizar as práticas educativas emancipatórias? In: 336 AMORIM, Antonio Carlos Rodrigues de (org.). Passagens entre o moderno para o pós-moderno: ênfase e aspectos metodológicos das pesquisas sobre currículo. Campinas, SP: UNICAMP, GT Currículo da ANPEd, 2007. p. 10-15. GARCIA, Alexandra; OLIVEIRA, Inês Barbosa. Práticas culturais, regulação e emancipação cultural no cotidiano escolar. In: AMORIM, Antonio Carlos Rodrigues de; PESSANHA, Eurize (orgs.). As potencialidades da centralidade da(s) cultura(s) para as investigações no campo do currículo. Campinas, SP: NICAMP, GT Currículo da ANPEd, 2007. p. 32-36. GARCIA, Regina Leite. Grupalfa. In: OLIVEIRA, Inês Barbosa de; AMORIM, Antonio Carlos Rodrigues de (orgs.). Sentidos de currículo: entre linhas teóricas, metodológicas e experiências investigativas. Campinas, SP: UNICAMP, ANPEd, 2006. p. 36-40. GARCIA, Maria Manuela Alves. Texto e contexto: a reforma em cursos de licenciatura na Universidade Federal de Pelotas (UFPEL). In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 24., 2001, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2001. GARIGLIO, José Ângelo. A educação física na hierarquia dos saberes escolares de uma escola profissionalizante. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 24., 2001, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2001. GATTI, Bernardete Angelina. Reflexão sobre os desafios da pós-graduação: novas perspectivas sociais, conhecimento e Poder. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, n. 18, p. 108-116, set./dez. 2001. GINZBURG, Carlos. Mitos emblemas e sinais. São Paulo: Companhia das Letras, 1989. ______. O fio e os rastros. São Paulo: Companhia das Letras, 2007. 337 _______. O queijo e os vermes: o cotidiano e as idéias de um moleiro perseguido pela inquisição. São Paulo: Companhia das Letras, 1987. _______. Relações de Força: História, Retórica, Prova. São Paulo: Companhia das Letras, 2002. GOLÇALVES, Pedro Wagner; SICCA, Natalina. Interdisciplinaridade e ciência do sistema terra como eixos para o ensino básico. In: AMORIM, Antonio Carlos Rodrigues de; PESSANHA, Eurize (orgs.). As potencialidades da centralidade da(s) cultura(s) para as investigações no campo do currículo. Campinas, SP: UNICAMP, GT Curriculo da ANPEd, 2007. p. 52-60. GOLÇALVES, Pedro Wagner; SICCA, Natalina. Interdisciplinaridade e ciência do sistema terra como eixos para o ensino básico. In: OLIVEIRA, Inês Barbosa de; AMORIM, Antonio Carlos Rodrigues de (orgs.). Sentidos de currículo: entre linhas teóricas, metodológicas e experiências investigativas. Campinas, SP: UNICAMP, ANPEd, 2006. p. 74-78. GOMES, Paola Basso Menna Barreto. Terra fendida: problemas da matéria e das criações. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓSGRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 27., 2004, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2004. GOODSON, Ivor. Currículo, narrativa e o futuro social. Revista Brasileira de Educação, v. 12, n. 35, p. 241-252, maio/ago. 2007 GRECO, Fátima A. Silveira; FONSECA, Selva Guimarães. Geografia, saberes, práticas e vivências culturais de jovens adolescentes. REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 24., 2001, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2001. GRUPO de pesquisa: Currículo, Formação e Práticas Escolares (PPGE/UFMT). Como nossas pesquisas concebem a prática e com ela dialogam? ln: MACEDO, Elizabeth; MACEDO, Roberto Sidnei; AMORIM, Antonio Carlos (orgs.). Como 338 nossas pesquisas concebem a prática e com ela dialogam? Campinas, SP: UNICAMP, 2008. p. 71-78. GRUPO de Pesquisa Processo de Trabalho Docente UFPEl. Percurso teóricometodológico das pesquisas sobre currículo. In: AMORIM, Antonio Carlos Rodrigues de (org.). Passagens entre o moderno para o pós-moderno: ênfase e aspectos metodológicos das pesquisas sobre currículo. Campinas, SP: UNICAMP, GT Currículo da ANPEd, 2007. p. 45-49. GUEDES, Maristela Gomes de Souza. Livros didáticos católicos: o ensino religioso e a discriminação de religiões afro-descendentes. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 31., 2008, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2008 HAGE, Salomão Mufarrej. Construindo uma escola que interessa às classes populares: análise da proposta político-pedagógica da escola cidade de Emaús, Belém-Pará. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓSGRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 19., 1996, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 1996. HENRIQUES, Márcio Simeone. O pensamento complexo e a construção de um currículo não-linear. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓSGRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 21., 1998, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 1998. HENRIQUES, Vera Maria Pereira de Miranda. ANPEd e a preocupação da autonomia: em busca de reconhecimento e consagração. 1998. 191 f. Tese (Doutorado em Educação) – Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1998. HUNT, Lynn. A nova história cultural. São Paulo: Martins Fontes, 1992. HYPOLITO, Álvaro Moreira; LEITE, Maria Cecília Lorea. Contextos, articulação e recontextualização: uma construção metodológica. In: REUNIÃO ANUAL DA 339 ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 29., 2006, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2006. KLEIN, Rejane Ramos. Propostas de voluntariado na escola: produção de saberes no currículo. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓSGRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 28., 2005, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2005. KRETLI, sandra. Artefatos culturais usados por professores/as e alunos/as no cotidiano escolar como possibilidades de ressignificar o currículo. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 30., 2007, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2007. KROEF, Ada Beatriz Gallicchio. Currículo como máquina desejante.REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 24., 2001, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2001. LEAL, Murilo Cruz. Cultura científica, cultura escolar, cultura juvenil e cultura popular no currículo de química no ensino médio: um coro de vozes: quão afinado, quão desafinado? In: AMORIM, Antonio Carlos Rodrigues de; PESSANHA, Eurize (orgs.). As potencialidades da centralidade da(s) cultura(s) para as investigações no campo do currículo. Campinas, SP: UNICAMP, GT Curriculo da ANPEd, 2007. p. 49-51. LIMA, IDELSUITE DE SOUSA. MÚLTIPLAS FACES NAS POLÍTICAS CURRICULARES. IN: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓSGRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 31., 2008, CAXAMBU. ANAIS... CAXAMBU: ANPED, 2008. LINHALES, Meily Assbú. A escola, o esporte e a ‘energização do caráter’: projetos culturais em circulação na Associação Brasileira de Educação: 1925-1935. 2006. Tese (Doutorado em Educação) – Faculdade de Educação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2006. 340 LINHARES, Célia Frazão. A ANPEd e a cooperação Latino-Americana em pesquisa educacional. Revista Brasileira Estudos Pedagógicos, Brasília, v. 72, n. 172, p. 405-408, set./dez. 1991. LOPES, Alice Casimiro. Conhecimento escolar: processos de seleção cultural e mediação didática. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓSGRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 19., 1996, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 1996. ______. Pluralismo cultural e políticas de currículo nacional: análise preliminar do tema transversal pluralismo cultural dos PCN. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 28., 2005, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2005. ______. Tensões entre recontextualização e hibridismo nas políticas de currículo. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 28., 2005, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2005. ______ MACEDO, Elizabeth Fernandes de. Das ciências naturais às ciências sociais: o currículo segundo William Doll. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 21., 1998, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 1998. ______. Cultura na investigação das políticas de currículo. In: AMORIM, Antonio Carlos Rodrigues de; PESSANHA, Eurize (orgs.). As potencialidades da centralidade da(s) cultura(s) para as investigações no campo do currículo. Campinas, SP: UNICAMP, GT Curriculo da ANPEd, 2007. p. 37-42 ______. Currículo, conhecimento e cultura: construindo tessituras plurais. In: CHASSOT, Attico; OLIVEIRA, Renato José. Ciência, ética e cultura na educação. São Leopoldo: Unisinos, 1998. 341 ______. Currículo no debate modernidade, pós-modernidade. In: AMORIM, Antonio Carlos Rodrigues de (org.). Passagens entre o moderno para o pós-moderno: ênfase e aspectos metodológicos das pesquisas sobre currículo. Campinas, SP: UNICAMP, GT Currículo da ANPEd, 2007. p. 16-20. ______. Grupo de pesquisa sobre políticas de currículo In: OLIVEIRA, Inês Barbosa de; AMORIM, Antonio Carlos Rodrigues de (orgs.). Sentidos de currículo: entre linhas teóricas, metodológicas e experiências investigativas. Campinas, SP: UNICAMP, ANPEd, 2006. p. 15-18. ______. História do currículo da pós-graduação em educação da UFRJ (1972-1981): concepções de conhecimento e pesquisa. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, n. 07, p. 57-73, jan./abr. 1998. ______. Políticas curriculares: continuidade ou mudança de rumos? Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, n. 26, p. 109-118, maio/ago. 2004 ______. Política de currículo: recontextualização e hibridismo. Currículo sem Fronteiras, Rio de Janeiro, v. 5, n. 2, p. 50-64, jul./dez. 2005. ______. Relações macro/micro na pesquisa em currículo. Cadernos de Pesquisa, São Paulo, v. 36, n. 129, p. 619-635, set./dez. 2006 ______. Sentidos da prática nas políticas de currículo ln: MACEDO, Elizabeth; MACEDO, Roberto Sidnei; AMORIM, Antonio Carlos (orgs.). Como nossas pesquisas concebem a prática e com ela dialogam? Campinas, SP: UNICAMP, 2008. p. 57-62. ______; MACEDO, Elizabeth. O pensamento curricular no Brasil. In: LOPES, Alice Casimiro; MACEDO, Elizabeth (Org.). Currículo: debates contemporâneos. São Paulo: Cortez, 2002. p. 13-54. 342 LOPES, Sammy W. O sujeito do discurso menor da educação. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 30., 2007, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2007. LOURO, Guacira. Gênero, História e Educação: construção e desconstrução. Educação e Realidade, Porto Alegre, v. 20, n. 2, p. 101-132, 1995. LOURO, Guacira. Produzindo sujeitos masculinos e cristãos. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 18., 1995, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 1995. LUNARDI, Geovana M. Ainda as ―partes da árvore‖: seleção, organização e distribuição do conhecimento na sala de aula nas séries iniciais do ensino fundamental. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓSGRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 30., 2007, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2007. MACEDO, Elisabeth Fernandes de. Currículo como espaço espaço-tempo de fronteira cultural. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, v. 11, n. 32, p. 285-372, maio/ago. 2006. ______; FRANGELLA, R. C. P. Como nossas pesquisas concebem a prática e com ela dialogam?. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓSGRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 31., 2008, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2008. ______; FRANGELLA, Rita de Cássia Prazeres. Como nossas pesquisas concebem a prática e com ela dialogam? ln: MACEDO, Elizabeth; MACEDO, Roberto Sidnei; AMORIM, Antonio Carlos (orgs.). Como nossas pesquisas concebem a prática e com ela dialogam? Campinas, SP: UNICAMP, 2008. p. 37-43. ______; FRANGELLA, Rita de Cássia Prazeres. Currículo e cultura: deslizamentos e hibridizações. In: AMORIM, Antonio Carlos Rodrigues de (org.). Passagens entre o 343 moderno para o pós-moderno: ênfase e aspectos metodológicos das pesquisas sobre currículo. Campinas, SP: UNICAMP, GT Currículo da ANPEd, 2007. p. 69-75. ______ et al. Estudos em currículo e cultura. In: OLIVEIRA, Inês Barbosa de; AMORIM, Antonio Carlos Rodrigues de (orgs.). Sentidos de currículo: entre linhas teóricas, metodológicas e experiências investigativas. Campinas, SP: UNICAMP, ANPEd, 2006. p. 19-23. ______ et al. Uma abordagem cultural do currículo. In: AMORIM, Antonio Carlos Rodrigues de; PESSANHA, Eurize (orgs.). As potencialidades da centralidade da(s) cultura(s) para as investigações no campo do currículo. Campinas, SP: UNICAMP, GT Curriculo da ANPEd, 2007. p. 74-78. ______; FUNDÃO, A. M. A produção do GT de Currículo da ANPED dos anos 90. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 19., 1996, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 1996. ______. O movimento da categoria pesquisa no currículo de pós-graduação em educação: a experiência da Universidade Federal do Rio de Janeiro na década de 70. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 18., 1995, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 1995. ______; FUNDÃO, Ana Paula Nery Gomes Mattos. A produção do GT de currículo da ANPEd nos anos 90. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 19., 1996, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 1996. MACEDO, Regina Coeli Moura de. Os conhecimentos que professores e alunos produzem nas Salas de aula como parte de um projeto emancipatório. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 27., 2004, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2004. 344 ______. Trajetória, itinerário, itinerância e errância: perspectivando o currículo enquanto crisálida. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓSGRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 28., 2005, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2005. MACIAL, José. A ANPEd e a pós-graduação. Boletim ANPEd, Niterói, v. 8, n. 3-4, p. 53, abr./jun. 1986. MACHADO, Nilson José. Epistemologia e didática: as concepções de conhecimento e inteligência e a prática docente. São Paulo: Cortez, 1995. MACHADO, Tânia Mara Rezende. Organização curricular: objetivos ou competências e habilidades? Procurando a diferença entre ―seis e meia dúzia‖. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 30., 2007, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2007. MARANHÃO, Helena Ponce. A diversidade e seus sentidos nos Parâmetros Curriculares Nacionais (5ª a 8ª séries do ensino fundamental): questões prévias. REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 23., 2000, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2000. ______. Redes de conhecimentos na formação docente: noções e experiências em prévias anotações. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓSGRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 25., 2002, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2002. MARINHO, Marildes. O discurso da ciência e da divulgação em orientações curriculares de Língua Portuguesa. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, n. 24, p. 126-139, set./dez. 2003. MARTINS, Maria do Carmo. História, currículo e práticas pedagógicas: sobre memórias e narrativas. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE 345 PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 29., 2006, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2006. MATOS, Maria do Carmo de; PAIVA, Edil Vasconcellos de. Hibridismo e currículo: ambivalências e possibilidades. Currículo sem Fronteiras, Rio de Janeiro, v.7, n.2, p.185-201, jul./dez. 2007. MAUÉS, Josenilda. O currículo no trabalho com narrativas no ensino superior. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 28., 2005, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2005. MELLO, Jenice Tasqueto de. Buscando contextualizar os limites e as possibilidades de uma intervenção no terreno da sexualidade na instituição escola. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 22., 1999, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 1999. MELLO, Josefina Carmen Diaz de. Os livros didáticos nas políticas curriculares para o ensino médio. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓSGRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 28., 2005, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2005. MELLO, Maria Lucia de Souza. Estudando o currículo como gênero do discurso. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 31., 2008, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2008. ______. Planejamentos diários: o que falam e escrevem professoras alfabetizadoras. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓSGRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 24., 2001, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2001. 346 MENDES, Cláudio Lúcio. Currículo cultural e as ressignificações do público e do privado. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS- GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 25., 2002, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2002. ______. Duas lições para se conectar a um currículo. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 25., 2002, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2002. ______. Reforma curricular de um curso superior: relações de poder e busca de legitimidade. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓSGRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 21., 1998, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 1998. MESSIAS, Maria da Glória Martins. Aventurando-se no conhecimento: a construção de uma partitura ―porvir‖. REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 24., 2001, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2001. MOREIRA, Antonio Flavio Barbosa. A crise da teoria curricular crítica. In: Costa, Maria Vorrabe. (org.). O currículo nos limiares do contemporâneo. Rio de Janeiro: DP&A, 1998, p. 11-36. ______; FERREIRA, Marcia Serra. Núcleo de estudos de currículo – NEC/UFRJ. In: OLIVEIRA, Inês Barbosa de; AMORIM, Antonio Carlos Rodrigues de (orgs.). Sentidos de currículo: entre linhas teóricas, metodológicas e experiências investigativas. Campinas, SP: UNICAMP, ANPEd, 2006. p. 55-59. ______. A recente produção científica sobre currículo e multiculturalismo no Brasil (1995-2000): avanços, desafios e tensões. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, n. 18, p. 65-81, set./dez. 2001. 347 ______. Estudos de currículo: avanços e desafios no processo de internacionalização. In: COLÓQUIO LUSO-BRASILEIRO SOBRE QUESTÕES CURRICULARES, 4., 2008, Florianópolis. Anais... Florianópolis: UFSC, 2008. ______; CANDAU, Vera Maria. Educação escolar e cultura(s): construindo caminhos. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, n. 23, p. 156-167, maio/ago. 2003. ______. Currículo e estudos culturais: tensões e desafios em torno das identidades. Currículos e programas no Brasil. In: SILVEIRA, Rosa Maria Hessel (Org.). Cultura, poder e educação: um debate sobre estudos culturais em educação. 1 ed. Canoas: Editora Ulbra, 2005. p. 123-143. ______. Currículos e programas no Brasil. Campinas: Papirus, 1990. ______. Currículo, diferença cultural e diálogo. Educação & Sociedade, Porto Alegre, ano XXIII, n. 79, p. 15-38, Ago. 2002. ______. O campo do currículo no Brasil: construção no contexto da ANPED. Cadernos de Pesquisa, n. 117, p. 81-101, Nov. 2002. ______. O campo do currículo no Brasil: os anos noventa. In: CANDAU, Vera Maria (org.). Didática, currículo e saberes escolares. 2 ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2001. ______. Propostas curriculares alternativas: limites e avanços. Educação & Sociedade, Porto Alegre, ano XXI, n. 73, p. 109-138, dez. 2000. ______. O GT Currículo. In: ANPED. Histórico e avaliação dos grupos de trabalho. Caxambu: ANPEd, 1995. ______; NUNES, Clarice; NOGUEIRA, Maria Alice. 500 anos: imagens e vozes da educação. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, n. 15, p. 3-5, set./dez. 2000. 348 NASCIMENTO, Ana Claudia Silvério. Análise das características formais dos periódicos científicos da educação física brasileira: o caso da Revista Brasileira de Ciências do Esporte. 2002. 110 f. Monografia (Licenciatura Plena em Educação Física) – Centro de Educação Física da Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória, 2002. NASCIMENTO, Débora Maria do; ANDRADE, Maria Edgleuma de. A reestruturação do currículo do curso de Pedagogia/UERN/CAMEAM: trajetória e debates. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 30., 2007, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2007. ______. A construção do saber escolar no contexto de uma escola organizada em ciclos: o discurso pedagógico construído no cotidiano. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 29., 2006, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2006. NEIRA, Marcos Garcia. O currículo da educação física frente à diversidade cultural: um estudo de caso. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓSGRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 31., 2008, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2008. NEGRI, Stefania de Resende; SOUZA, Maria Inez Salgado de. Afinal, existe um currículo democrático? In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 31., 2008, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2008. NEVES, Paulo S. C.; LIMA, Marcus Eugênio O. Percepções de justiça social e atitudes de estudantes pré-vestibulandos e universitários sobre as cotas para negros e pardos nas universidades públicas. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, v. 12, n. 34, p. 17-38, jan./abr. 2007. NOGUEIRA, Marlice de Oliveira e. A apropriação do conhecimento em sala de aula: relações com o currículo numa escola do ensino fundamental. In: REUNIÃO ANUAL 349 DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 28., 2005, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2005. NÓVOA, Antonio. Introdução. In: GOODSON, Ivor. A construção social do currículo. Lisboa: Educa, 1997. p. 9-16. NUNES, Clarice. (Des)encantos da modernidade pedagógica. In: LOPES, Eliane Marta Teixeira; FARIA FILHO, Luciano Mendes de; VEIGA, Cynthia Greive (Org.). 500 anos de educação no Brasil. Belo Horizonte: Autêntica, 2000. p. 371-398. ______; CARVALHO, Marta Maria Chagas de. Historiografia da educação e fontes. In: GONDRA, José Gonçalves (Org.). Pesquisa em história da educação. Rio de Janeiro: DP&A, 2005. OLIVEIRA, Inês Barbosa de. A produção cotidiana de alternativas curriculares. REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 24., 2001, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2001. ______. As bases político-ideológicas dos currículos escolares. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 19., 1996, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 1996. ______. Currículos praticados: regulação e emancipação no cotidiano escolar. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 26., 2003, Poços de Caldas. Anais... Poços de Caldas: ANPEd, 2003. ______; ALVES, Nilda. Cotidiano, redes de conhecimentos e valores. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 22., 1999, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 1999. ______. Redes de conhecimentos e práticas emancipatórias no cotidiano escolar grpesq currículo e cotidiano escolar. In: OLIVEIRA, Inês Barbosa de; AMORIM, 350 Antonio Carlos Rodrigues de (orgs.). Sentidos de currículo: entre linhas teóricas, metodológicas e experiências investigativas. Campinas, SP: UNICAMP, ANPEd, 2006. p. 24-27. OLIVEIRA, Ozerina Victor de; DESTRO, Denise de Souza. Política curricular como política cultural: uma abordagem metodológica de pesquisa. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, n. 28, p. 140-150, jan./abr. 2005. ______; MIRANDA, Cláudia. Multiculturalismo crítico, relações raciais e política curricular: a questão do hibridismo na Escola Sara. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, n. 25, p. 67-81, jan./abr. 2004. ______. Tendências teórico-metodológicas em estudos de política curricular: o que dizem teses e dissertações. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 28., 2005, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2005. OLIVEIRA JR, Wenceslao Machado de. Desenhos e escutas. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 29., 2006, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2006. OLIVEIRA, Ana. Currículo único, transmissão de saberes universais e naturalização de saberes acadêmicos: ―velhas‖ concepções nas políticas curriculares. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 30., 2007, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2007. OLIVEIRA, Marcio Romeu Ribas de. Uniformes entre imagens do pensamento e narrativas dos meus cotidianos. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 31., 2008, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2008. OLIVEIRA, Maria Lucia Cunha Lopes de. Currículo, professores e transformação: rumo a uma pedagogia ―saudável‖? In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO 351 NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 22., 1999, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 1999. OLIVEIRA, Vanessa Regina Eleutério Miranda de; COSTA, Claudio Fernandes da. A questão racial no currículo e no cotidiano da escola. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 26., 2003, Poços de Caldas. Anais... Poços de Caldas: ANPEd, 2003. PACHECO, José Augusto. Competências curriculares: as práticas ocultas nos discursos das reformas. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 24., 2001, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2001. ______. Escritos curriculares. São Paulo: Cortez, 2005. PAIS, José Machado. Vida cotidiana: enigmas e revelações. São Paulo: Cortez, 2003. PARAÍSO, Marlucy Alves. Algumas metodologias das pesquisas desenvolvidas no GECC: articulações, misturas, colagens. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 30., 2007, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2007. ______. Algumas metodologias das pesquisas desenvolvidas no grupo de estudos sobre currículos e culturas (gecc) da fae/ufmg: articulações, misturas, colagens, invenções, e criações. In: AMORIM, Antonio Carlos Rodrigues de (org.). Passagens entre o moderno para o pós-moderno: ênfase e aspectos metodológicos das pesquisas sobre currículo. Campinas, SP: UNICAMP, GT Currículo da ANPEd, 2007. p. 40-44. ______ . A produção do currículo na televisão: que discurso é esse?. REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 23., 2000, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2000. 352 ______. A(s) cultura(s) no GECC: artefato, objeto de estudo e conceito. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 30., 2007, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2007. ______. Currículo e identidades: a produção de gênero, sexualidade e etnia na formação da professora. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 21., 1998, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 1998. _______. Currículo, etnia e poder: o silêncio que discrimina. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 20., 1997, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 1997. ______. Currículo-mapa: linhas e traçados das pesquisas pós-críticas sobre currículo no Brasil. IIn: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓSGRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 26., 2003, Poços de Caldas. Anais... Poços de Caldas: ANPEd, 2003. ______. Diferença em si no currículo. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 28., 2005, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2005. ______ et al. A(s) cultura(s) no GECC: artefato, objeto de estudo e conceito. In: AMORIM, Antonio Carlos Rodrigues de; PESSANHA, potencialidades da centralidade da(s) cultura(s) para as Eurize (orgs.). As investigações no campo do currículo. Campinas, SP: UNICAMP, GT Curriculo da ANPEd, 2007. p. 18-24. ______. Gênero na formação do/a professor/a: campo de silêncio do currículo? In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 18., 1995, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 1995. 353 ______. O currículo da mídia educativa: governando a subjetividade docente. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 25., 2002, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2002. ______. O programa TV Escola para reformar o currículo escolar e administrar os/as docentes. REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 24., 2001, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2001. ______; SANTOS, Luciola. A prática nas pesquisas desenvolvidas pelo Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Currículos e Culturas (GECC). In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 31., 2008, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2008. ______; SANTOS, Lucíola. A ―prática‖ nas pesquisas desenvolvidas pelo grupo de estudos e pesquisas sobre currículos e culturas da FAE/UFMG. ln: MACEDO, Elizabeth; MACEDO, Roberto Sidnei; AMORIM, Antonio Carlos (orgs.). Como nossas pesquisas concebem a prática e com ela dialogam? Campinas, SP: UNICAMP, 2008. p. 106-113. ______; SANTOS, Luciola. Grupo de Estudos e Pesquisas em Currículo e Culturas (GECC) FAE/UFMG. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓSGRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 29., 2006, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2006. ______; SANTOS, Lucíola L. de Castro Paixão. 0 grupo de estudos e pesquisas em currículo e culturas (gecc) fae/ufmg. In: OLIVEIRA, Inês Barbosa de; AMORIM, Antonio Carlos Rodrigues de (orgs.). Sentidos de currículo: entre linhas teóricas, metodológicas e experiências investigativas. Campinas, SP: UNICAMP, ANPEd, 2006. p. 44-48. ______. Estudos sobre currículo no Brasil: tendências das publicações na última década. Educação & Sociedade, Porto Alegre, n. 10, p. 95-114, jul./dez. 1994. 354 ______. Pesquisas pós-críticas em educação no Brasil: esboço de um mapa. Cadernos de Pesquisa, São Paulo, v. 34, n. 122, p. 283-303, maio/ago. 2004. ______. Os campos de silencia do currículo na formação docente. In: IV Congresso de Ciências Humanas, Letras e Artes, 4., 1999, Viçosa. Anais... Viçosa: UFV, 1999. PARENTE, R. M. Representações culturais de gênero e raça na constituição da masculinidade e do corpo dos homens do grupo afro-moçambique de Osório. REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 23., 2000, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2000. PASSOS, Mailsa Carla Pinto. Aprendi no pé da Érica: diálogos, negociações e transformações em uma prática de cultura popular. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 22., 1999, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 1999. ______. História de um educador-leitor: a leitura como viagem e transcendência. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 29., 2006, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2006. PEREIRA, Maria Zuleide da Costa. Curriculo e autopoiése: um espaço vivo de construção do Conhecimento. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 30., 2007, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2007. ______; MOURA, Arlete Pereira. Grupo de estudos e pesquisas em políticas curriculares. In: OLIVEIRA, Inês Barbosa de; AMORIM, Antonio Carlos Rodrigues de (orgs.). Sentidos de currículo: entre linhas teóricas, metodológicas e experiências investigativas. Campinas, SP: UNICAMP, ANPEd, 2006. p. 53-54. 355 PEREIRA, Maria Zuleide da Costa; MOURA, Arlete Pereira; PORTO, Rita de Cassia Cavalcanti. Como nossas pesquisas concebem a prática e com ela dialogam? ln: MACEDO, Elizabeth; MACEDO, Roberto Sidnei; AMORIM, Antonio Carlos (orgs.). Como nossas pesquisas concebem a prática e com ela dialogam? Campinas, SP: UNICAMP, 2008. p. 120-130. PEREIRA, Elisabete Monteiro de Aguiar. Sentidos do currículo; entre linhas teoricas,metodológicas e experiências investigativas. In: OLIVEIRA, Inês Barbosa de; AMORIM, Antonio Carlos Rodrigues de (orgs.). Sentidos de currículo: entre linhas teóricas, metodológicas e experiências investigativas. Campinas, SP: UNICAMP, ANPEd, 2006. p. 68-73. PESSANHA, Eurize Caldas. Observatório de cultura escolar – espaço/para pesquisar o currículo. In: OLIVEIRA, Inês Barbosa de; AMORIM, Antonio Carlos Rodrigues de (orgs.). Sentidos de currículo: entre linhas teóricas, metodológicas e experiências investigativas. Campinas, SP: UNICAMP, ANPEd, 2006. p. 49-52. ______; SILVA, Fabiany de Cássia Tavares. Observatório de cultura escolar: ênfases e tratamentos metodológicos da pesquisa sobre currículo. In: AMORIM, Antonio Carlos Rodrigues de (org.). Passagens entre o moderno para o pósmoderno: ênfase e aspectos metodológicos das pesquisas sobre currículo. Campinas, SP: UNICAMP, GT Currículo da ANPEd, 2007. p. 36-39 PESSANHA, Eurize Caldas; SILVA, Fabiany de Cássia Tavares. Observatório de cultura escolar: as potencialidades da centralidade da(s) cultura(s) para as investigações no campo do currículo. In: AMORIM, Antonio Carlos Rodrigues de; PESSANHA, Eurize (orgs.). As potencialidades da centralidade da(s) cultura(s) para as investigações no campo do currículo. Campinas, SP: UNICAMP, GT Curriculo da ANPEd, 2007. p. 43-48. PESSANHA, Eurize Caldas; DANIEL, Maria Emília Borges; MENEGAZZO, Maria Adélia. Da historia das disciplinas escolares à história da cultura escolar: uma trajetória de pesquisa sobre história do currículo. In: REUNIÃO ANUAL DA 356 ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 26., 2003, Poços de Caldas. Anais... Poços de Caldas: ANPEd, 2003. PIMENTA, Selma Garrido; GARRIDO, Elsa; MOURA, Manoel O. Pesquisa Colaborativa na escola facilitando o desenvolvimento profissional de professores. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 24., 2001, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2001. PINAR, William F. O corpo do pai e a raça do filho: Noé, Schreber e a maldição do pacto. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, v. 13, n. 37, p. 35-44, jan./fabr. 2008. PRETTO, Nelson De Luca. Formação de professores exige rede! Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, n. 20, p. 121-131, maio/ago. 2002. PRESIDENTE. Solenidade de abertura. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 31., 2008, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2008. RAMALHO, Betania Leite. 40 anos da pós-graduação em educação no Brasil: produção do conhecimento, poderes e práticas. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, v. 11, n. 31, p. 183-185, jan./abr. 2006 ______; MADEIRA, Vicente de Paulo Carvalho. A pós-graduação em educação no Norte e Nordeste: desafios, avanços e perspectivas. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, n. 30, p. 70-81, set./dez. 2005. REALI, Noeli Gemelli. Colonos/as migrantes no currículo escolar: presença ausente. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 19., 1996, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 1996. 357 REIS, J. C. ―Da ‗história global‘ à ‗história em migalhas‘: o que se ganha, o que se perde?‖. In: GUAZZELLI, C. A. B. et al. (Org.). Questões de teoria e metodologia da história. Porto Alegre, EdUFRGS, 2000. p. 177-208. RESENDE, Haroldo de. Currículo carcerário: práticas educativas na prisão. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 27., 2004, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2004. RESENDE, Tânia de Freitas. “Escola tá bravo!‖: provocações para um debate sobre as relações entre currículo escolar e currículo extra-escolar na ―era da informação‖. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 25., 2002, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2002. RIBEIRO, Vândiner. Situações de risco contribuem com a produção de conhecimento?In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓSGRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 30., 2007, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2007. RIBEIRO, Victoria Maria Brant. Para uma reconstrução teórica do conceito de currículo à luz da Teoria de Habermas. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 18., 1995, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 1995. ROCHA, Cristianne Maria Famer, Desconstruções edificantes. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 22., 1999, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 1999. ROCHA, Cristianne Maria Famer. Espaços escolares: nada fora do controle. REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 23., 2000, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2000. 358 ROSA, Maria Inês Petrucci et al. Narrar currículos: inventando tessituras metodológicas. In: AMORIM, Antonio Carlos Rodrigues de (org.). Passagens entre o moderno para o pós-moderno: ênfase e aspectos metodológicos das pesquisas sobre currículo. Campinas, SP: UNICAMP, GT Currículo da ANPEd, 2007. p. 29-35. ______; PRADO, Guilherme do Val Toledo; GERALDI, Corinta Maria Grisolia. GEPEC: como nossas pesquisas concebem a prática e com ela dialogam. ln: MACEDO, Elizabeth; MACEDO, Roberto Sidnei; AMORIM, Antonio Carlos (orgs.). Como nossas pesquisas concebem a prática e com ela dialogam? Campinas, SP: UNICAMP, 2008. p. 95-105. ROSA, Maria Inês Petrucci; RAMOS, Tacita Ansanello. Memórias e odores: experiências curriculares na formação docente. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, v. 13, n. 39, p. 565-575, set./dez. 2008. ______. Sobre cultura(s) e seu lugar nas pesquisas sobre currículo escolar. In: AMORIM, Antonio Carlos Rodrigues de; PESSANHA, potencialidades da centralidade da(s) cultura(s) para as Eurize (orgs.). As investigações no campo do currículo. Campinas, SP: UNICAMP, GT Curriculo da ANPEd, 2007. p. 68-73. SÁ, Eliana Maria de Oliveira; VILELA, Rita Amélia Teixeira. Quando o currículo faz a diferença... o currículo integrado na formação em serviço do técnico em higiene dental (THD). REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS- GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 24., 2001, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2001. SANTIAGO, Sandra Helena Moreira. Breve análise sobre a adoção do paradigma de ―rede‖ na proposta de multieducação. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 20., 1997, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 1997. SANTOS, Akiko. Complexidade e transdisciplinaridade em educação: cinco princípios para resgatar o elo perdido. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, v. 13, n. 37, p. 71-83, jan./abr. 2008. 359 SANTOS, Lorene dos. A construção do currículo na escola e suas implicações para a formação docente. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓSGRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 22., 1999, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 1999. SANTOS, Norma Lúcia Vídero Vieira. Cidadania, ética e razão comunicativa: uma questão para o currículo. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 18., 1995, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 1995. SANTOS, Regina Marcia Simão et al. A dimensão cultural no composto música, educação e currículo. In: AMORIM, Antonio Carlos Rodrigues de; PESSANHA, Eurize (orgs.). As potencialidades da centralidade da(s) cultura(s) para as investigações no campo do currículo. Campinas, SP: UNICAMP, GT Curriculo da ANPEd, 2007. p. 61-67. SANTOS, Stella Rodrigues dos. A história in (visível) do currículo, no cotidiano de professoras da roça, em classes multisseriadas. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 25., 2002, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2002. SANTOS, Suzana Lima dos. Logogização do infantil: uma prática curricular. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 23., 2000, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2000. SANTOS, Wagner dos. Currículo e avaliação na educação física escolar: do mergulho à intervenção. Vitória: Proteoria, 2005. ______. Programa Escola de Gestores: um olhar sobre as práticas curriculares e avaliativas. In: SCHWARTZ, Cleonara Maria; ARAÚJO, Gilda Cardoso de; RODRIGUES, Paulo da Silva (orgs.). Escola de Gestores da Educação Básica: democracia, formação e gestão escolar. Vitória: GM, 2009. p. 25-40. 360 SANTOS, Wagner dos; LOCATELLI, Andrea Brandão; MAIA, Ediane de Melo. Revista de Educação Física: ciclo de vida (1932-2002). In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DO ESPORTE, 8., 2003, Caxambu. Anais... Caxambu: CBCE, 2003. SAUL, Ana Maria; SILVA, Antonio Fernando Gouvêa da. Dialogando com a prática: o ensino e a pesquisa na cátedra Paulo Freire da PUC/SP ln: MACEDO, Elizabeth; MACEDO, Roberto Sidnei; AMORIM, Antonio Carlos (orgs.). Como nossas pesquisas concebem a prática e com ela dialogam? Campinas, SP: UNICAMP, 2008. p. 79-86. SAVIANI, Dermeval. O legado educacional do breve século XIX brasileiro. In: SAVIANI, D. et al. (Org.). O legado educacional do século XIX. 2 ed. Campinas: Autores Associados, 2006, v. 1, p. 7-32. SAVIANI, Dermeval; CUNHA, Luiz Antônio; CARVALHO, Marta Maria Chagas de. 500 anos de educação escolar. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, n. 14, p. 3-5, maio/ago. 2000. SCHEIBE, Leda. Pedagogia e sua multidimensionalidade: diferentes olhares a contribuição da ANFOPE para a compreensão da formação do pedagogo no Brasil. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 24., 2001, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2001. SCHMIDT, Elizabeth Silveira. Currículo: uma abordagem conceitual e histórica. Publ. UEPG Humanit. Sci., Appl. Soc. Sci, Linguist., Lett. ARts, Ponta Grossa, n. 11, v. 1, p. 59-69, jun. 2003. SCHNEIDER, Omar. A circulação de modelos pedagógicos e as reformas da instrução pública: atuação de Herculano Marcos Inglês de Souza. 2007. Tese (Doutorado em Educação) – Programa de Estudos Pós-Graduação em Educação: História, Política, Sociedade, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo: 2007. 361 ______. A revista Educação Physica (1932-1945): estratégias editoriais e prescrições educacionais. 2003. 342 f. Dissertação (Mestrado em Educação) – Programa de Estudos Pós-Graduação em Educação: História, Política, Sociedade, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo: 2003. ______. Entre a correção e a eficiência: mutações no significado da Educação Física nas décadas de 1930 e 1940: um estudo a partir da revista Educação Physica. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, Florianópolis, v. 25, n. 2, p. 39-54, 2004. ______; FERREIRA NETO, Amarílio; SANTOS, Wagner. Autores, atores e editores: os periódicos como dispositivos de confrontação do campo científico/pedagógico da educação física. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIA DO ESPORTE E I CONGRESSO INTERNACIONAL DE CIÊNCIAS DO ESPORTE, 14., 2005, Porto Alegre. Anais... Porto Alegre: CBCE, 2005, v. 1. SCHNEIDER, Omar; FERREIRA NETO, Amarílio; NASCIMENTO, Ana Claudia Silverio; SANTOS, Wagner. Arqueologia das práticas editoriais: 15 anos de um impresso em Movimento. Revista Movimento/Universidade Federal do rio Grande do Sul – Escola de Educação Física, Porto Alegre, v. 15, n. 3, p. 23-40, jul./set. 2009. SCHWANTES, Lavínia. A poética das exibições do Museu de Ciências e Tecnologia da PUCRS. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓSGRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 25., 2002, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2002. SGARBI, Paulo. Entre perguntas e respostas, conversando com meu filho sobre currículo. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓSGRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 27., 2004, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2004. 362 ______. O valor da notaconceito de participação: currículo avaliação na brincadeira de ser deus.In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓSGRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 29., 2006, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2006. ______; PESSANHA, Eurize Caldas. Observatório de cultura escolar: como nossas pesquisas concebem a prática e como operamos com ela? ln: MACEDO, Elizabeth; MACEDO, Roberto Sidnei; AMORIM, Antonio Carlos (orgs.). Como nossas pesquisas concebem a prática e com ela dialogam? Campinas, SP: UNICAMP, 2008. p. 44-47. ______. Currículo como cultura da escola: os desenhos do ordenamento temporal e espacial da escola inclusiva. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 27., 2004, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2004. ______; MENEGAZZO, Maria Adélia. Escola e cultura escolar: gestão controlada das diferenças no/pelo currículo. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 28., 2005, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2005. SILVA, Maria Aparecida da. Currículo para além da pós-modernidade. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 29., 2006, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2006. SILVA, Tomaz Tadeu. A produção social da identidade e da diferença. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 26., 2003, Poços de Caldas. Anais... Poços de Caldas: ANPEd, 2003. ______. Currículo e identidade social: territórios contestados. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EDUCAÇÃO, 19., 1996, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 1996. EM 363 ______. Documentos de identidade: uma introdução às teorias do currículo. 2. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2005 ______. Dr. Nietzsche, curriculista – com uma pequena ajuda do professor Deleuze. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 24., 2001, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2001. ______. O currículo como fetiche.MAUÉS, Josenilda. O currículo no trabalho com narrativas no ensino superior. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 22., 1999, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 1999. ______. Teoria educacional crítica em tempos pós-modernos. 1. ed. São Paulo: Cortez, 1994. SOARES, Rosângela de Fátima; OSOWSKI, Cecília; OLIVEIRA, Dulce Maria de; TITTONI, Jaqueline. Supletivo de trabalhadores: uma experiência pedagógica .- colocar et. al. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 18., 1995, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 1995. SOMMER, Luís Henrique. Informática educativa e currículo: materialidade pósmoderna e racionalidade moderna. REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 23., 2000, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2000. SOUSA, Sandra Zákia; BIANCHETTI, Lucídio. Pós-graduação e pesquisa em educação no Brasil: o protagonismo da ANPEd. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, v. 12, n. 36, p. 389-546, set./dez. 2007. SOUZA, Doris Helena de. Um olhar perspectivado nas turmas de progressão: potencialidades e transformações de saberes e poderes. REUNIÃO ANUAL DA 364 ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 24., 2001, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2001. v SOUZA, Elaine Constant Pereira. O ciclo de formação na cidade do rio de janeiro: entre a tradição e a transformação nas práticas pedagógicas. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 30., 2007, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2007. STAJN, Paola. Olhando Teresa e pensando parâmetros. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 19., 1996, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 1996. STEPHANOU, Maria. Currículos de história: instaurando maneiras de ser, conhecer e interpretar. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓSGRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 20., 1997, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 1997. SUANO, Marilza Vanessa Rosa. Auto-avaliação institucional: princípios e metodologia do grupo focal. In: BELLO, José Luiz de Paiva. Pedagogia em foco. Rio de Janeiro, 2002. TEIXEIRA, Beatriz de Basto. Grupo política e sociologia da educação – UFJF. In: OLIVEIRA, Inês Barbosa de; AMORIM, Antonio Carlos Rodrigues de (orgs.). Sentidos de currículo: entre linhas teóricas, metodológicas e experiências investigativas. Campinas, SP: UNICAMP, ANPEd, 2006. p. 41-43. ______. PCN do ensino fundamental no contexto de escolas mineiras. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 28., 2005, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2005. TEIXEIRA, Vânia Laneuville. As propostas curriculares oficiais: reinterpretações de uma instituição escolar. REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓSGRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 24., 2001, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2001. . 365 THIESEN, Juares da Silva. A interdisciplinaridade como um movimento articulador no processo ensino-aprendizagem. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, v. 13, n. 39, p. 545-554, set./dez. 2008. TOLEDO, Maria Rita de Almeida. Coleção atualidades pedagógicas: do projeto político ao projeto editorial: 1931-1981. 2001. Tese (Doutorado em Educação) – Programa de Estudos Pós-Graduação em Educação: História, Política, Sociedade, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2001. TORRIGLIA, Patricia Laura. Organização escolar: o currículo como uma mediação do conhecimento. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓSGRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 31., 2008, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2008. UBERTI, Luciane. A sujeição moral do infantil-cidadão no currículo nacional. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 26., 2003, Poços de Caldas. Anais... Poços de Caldas: ANPEd, 2003. _______. ―Diário de um bebê‖: economia de governo na política de subjetividade da infância. REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 23., 2000, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2000. VARGAS, Sonia Maria de. Processos de formação e aprendizagem no meio rural: o continuum família-escola. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, n. 24, p. 79-102, set./dez. 2003. VEIGA-NETO, Alfredo. As duas faces da moeda: heterotopias e emplazamientos curriculares. Educação em Revista, Belo Horizonte, v. 45. p. 249-264. jun. 2007. ______. Cultura, culturas e educação. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, n. 23, p. 5-14, maio/ago. 2003. 366 ______. ESTUDOS DE CURRÍCULO: NOVIDADE NO FRONT. Educ. Soc., Campinas, vol. 25, n. 89, p. 1405-1408, Set./Dez. 2004. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 27., 2004, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2004. ______. Grupo de estudos e pesquisas em currículo e pós-modernidade. In: AMORIM, Antonio Carlos Rodrigues de (org.). Passagens entre o moderno para o pós-moderno: ênfase e aspectos metodológicos das pesquisas sobre currículo. Campinas, SP: UNICAMP, GT Currículo da ANPEd, 2007. p. 56-60. ______. Grupo de estudos e pesquisas em currículo e pós-modernidade. In: OLIVEIRA, Inês Barbosa de; AMORIM, Antonio Carlos Rodrigues de (orgs.). Sentidos de currículo: entre linhas teóricas, metodológicas e experiências investigativas. Campinas, SP: UNICAMP, ANPEd, 2006. p. 60-62. ______. Grupo de estudos e pesquisas em currículo e pós-modernidade – GEPCPós. In: AMORIM, Antonio Carlos Rodrigues de; PESSANHA, Eurize (orgs.). As potencialidades da centralidade da(s) cultura(s) para as investigações no campo do currículo. Campinas, SP: UNICAMP, GT Curriculo da ANPEd, 2007. p. 14-17. ______. Grupo de Estudos e Pesquisas em Currículo e pós-modernidade GEPCPÓS: concepções sobre a prática. In: MACEDO, Elizabeth; MACEDO, Roberto Sidnei; AMORIM, Antonio Carlos (orgs.). Como nossas pesquisas concebem a prática e com ela dialogam? Campinas, SP: UNICAMP, 2008. p. 23-36. ______; MACEDO, Elizabeth. Estudos curriculares: como lidamos com os conceitos de moderno e pós-moderno? In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 30., 2007, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2007. VENTORIM, Silvana. A formação do professor pesquisador na produção científica dos encontros nacionais de didática e prática de ensino: 1994-2000. 367 2005. Tese (Doutorado em Educação) – Programa de Pós-Graduação em Educação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2005. VIEIRA, Jarbas Santos; HYPOLITO, Álvaro Moreira; DUARTE, Bárbara Gonçalves Vaz. Controle através da tradição: dispositivos de regulação conservadora, currículo e trabalho docente. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓSGRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 29., 2006, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2006. ______ et al. Currículo, trabalho docente e gestão: o lugar da prática em nossas investigações? ln: MACEDO, Elizabeth; MACEDO, Roberto Sidnei; AMORIM, Antonio Carlos (orgs.). Como nossas pesquisas concebem a prática e com ela dialogam? Campinas, SP: UNICAMP, 2008. p. 63-70. VILELA, Marize Carvalho et al. Estudo de periódicos: possibilidades para a história da educação brasileira. In: MENEZES, Maria Cristina (Org.). Educação, memória, história: possibilidades, leituras. Campinas, SP: Mercado de Letras, 2004. p. 401450. WARDE, Miriam. Currículo e conhecimento: os impactos da psicologia. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 18., 1995, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 1995. WUNDER, Alik. Restos quase mortais: fotografia, acontecimento e escola. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 31., 2008, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2008. ZACCUR, Edwiges. O affaire sokal e a questão dos paradigmas: as muitas dobras de uma polêmica oculta. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 21., 1998, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 1998. 368 ______; GARCIA, Regina Leite. Uma experiência de rompimento com a divisão disciplinar. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓSGRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO, 19., 1996, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 1996. ZIBAS, Dagmar M. L. ―A revolta dos Pingüins‖ e o novo pacto educacional chileno. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, v. 13, n. 38, p. 199-220, maio/ago. 2008. 369 APÊNDICE 370 Apêndice A — mapa sobre o ano de fundação de todos os Grupos de Trabalho no período de 1982 a 2008. Ano de criação Designação Primeiros Instituição Coordenadores Educação de 1º Grau 1982 Guiomar Namo de PUC/SP E ANDE 5ª Reunião Anual A partir de 1986, passou a designar- Mello se Política do Ensino 1º Grau e Rio de Janeiro-RJ depois de 1994, na 17ª Reunião Bertha de Borja Reis do UFRJ Anual, Ensino Fundamental Valle Educação do 2º Grau Funcionamento suspenso em 1994, na 17ª Reunião Anual Educação Superior Passou a ser denominada Política do Ensino Superior em 1986, na 9ª Reunião Anual Educação Popular Educação e Trabalho Em 1989, na 12ª Reunião Anual é redefinido como Trabalho e Educação 1983 6ª Reunião Anual Vitória-Es 1984 7ª Reunião Anual Brasília-DF 1985 8ª Reunião Anual 1986 9ª Reunião Anual Rio de Janeiro-RJ 1998 11ª Reunião Anual Luís Antônio Cunha FGV/IESAE UNICAMP Neidson Rodrigues Laura da Veiga UFMG UFMG Osmar Fávero Carlos Rodrigues Brandão Jacques Velloso FGV/IESAE UNICAMP UnB Gaudêncio Frigotto Educação Rural Em 1998, passou a designar-se Educação e Movimentos Sociais no Campo e a partir de 1992, na 15ª Reunião Anual, Educação e Movimentos Sócias Maria Juleita Calazans IESAE/FGV Maria Juleita Calazans IESAE/FGV Maria da Glória Gohn UNICAMP Educação e Linguagem Em 1987, na 10ª Reunião Anual, transformando em GT Alfabetização e a partir de 1995, na 18ª Reunião Anual, passou a chamar-se Alfabetização, Leitura e Escrita Educação Pré-Escolar Em 1989, na 12ª Reunião Anual, passou a denominar-se Educação de Crianças de 0 a 6 anos Metodologia Didática Passou a designar-se Didática, em 1995, na 18ª Reunião Anual História da Educação Magda Backer Soares UFMG José Roberto Mutton Leão PUC/SP Sônia Kramer Maria Malta Campos PUC-Rio/UERJ FCC Metodologia da Pesquisa Funcionou apenas nesta reunião Supervisão e Currículo No ano de 1987 na 10ª Reunião Anual passou a se chamar Currículo Política, Planejamento e Administração de Educação Transformado em Estado e Política no Brasil em 1987, na 10ª Reunião Anual. A partir de 1996, na 19ª Reunião Anual passou a designar-se Estado e Política Educacional Grupo Especial sobre Sociedade e Educação na América Latina Ana Lúcia Goulart Faria Vera Candau PUC-Rio Esther Buffa UFSCar Robert Jary UFPB Ana Maria Saul PUC/SP José Luiz Domingues Fátima Cunha UFGO UFF Maria das Graças C. de Oliveria UFPE Luis Fernando Dourado Maria Beatriz Luce Célia Linhares UFMG UFRS UFF 371 Porto Alegre-RS 1990 13ª Reunião Anual Belo Horizonte-MG Dissolvido em 1992 Educação Especial UFF USP Sociologia da Educação Maria Ciavatta Elcie F. Sauzano Masine Heloisa Dupás Panteado Nelson Pretto Tomaz Tadeu da Silva 1991 14ª Reunião Anual São Paulo-SP 1993 16ª Reunião Anual 1998 21ª Reunião Anual Caxambu-MG Filosofia da Educação Newton Duarte UNESP Sérgio Haddad Sônia B. C. Igliori PUC/SP e Ação Educativa PUC/SP Vera Placco PUC/SP Iolanda de Oliveira UFF Marcos Reigota UNISO Claudia Maria Ribeira UFLA Luciana Loponte UFRGS Educação e Comunicação Grupo de Estudo Educação de Pessoas Jovens e Adultos Educação Matemática Psicologia da Educação UFSC UFBA UFRS Esses Grupos de Estudos foram transformados em Grupos de Trabalho na 23ª Reunião Anual em 2000 2001 24ª Reunião Anual Caxambu-MG 2003 26ª Reunião Anual Caxambu-MG 2004 27ª Reunião Anual Caxambu-MG 2007 30ª Reunião Anual Caxambu-MG Grupo de Estudo Afro-Brasileiro e Educação Transformado em GT Relações Raciais, Étnicas e Educação na 26ª Reunião Anual em 2003 Grupo de Estudo Educação Ambiental Em 2005 na 28ª Reunião Anual é transformado em GT Grupo de Estudo Gênero, Sexualidade e Educação Transformado em GT na 29ª Reunião Anual em 2006 Grupo de Estudo Educação e Arte Gruppelli 372 Apêndice B — Mapeamento dos grupos de pesquisa, instituição e formação dos autores que publicaram na sessão Trabalhos Apresentados Grupos de pesquisa/Instituição/Formação/Orientador Instituição Programa de Estudos e Documentação Educação e Sociedade – UFRJ – 1987 Libânia Nacif Xavier Sonia Maria de Castro Nogueira Lopes Pesquisa Multicultural: significados e prática na formação docente (apoio CNPq) – UFRJ – 2005 Ana Canen Nigel D C Grant University of Glasgow, GLASGOW, Escócia. - 1993 – 1996 – Dout. Zélia Mediano. PUC/RJ - 1981 – 1984 – Mest. Pedro Benjamim UFRJ - 1999 – 2004 – UFRJ Dout. Carvalho e Silva Garcia Carlos A. Hasenbalg Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro – 1977-1990 – Mest. NEC - Núcleo de Estudos de Currículo – UFRJ - 1992 Antonio Flavio Barbosa Moreira Marcia Serra Ferreira Oficinas de História – UERJ – 2004 Marcelo de Souza Magalhães Vera Maria Candau PUC/RIO - 2000 – 2003 – Dout. Vera Maria Candau PUC/RIO - 1997 – 1999 – Mest. NEC - Núcleo de Estudos de Currículo – UFRJ - 1992 Antonio Flavio Barbosa Moreira Marcia Serra Ferreira Oficinas de História – UERJ – 2004 Marcelo de Souza Magalhães Francisco Creso PUC/RJ – 197-2002 – Dout. Franco Júnior Ismênia de Lima UFF - 1979 – 1985 – Mest. Martins Alípio Casali PUC/SP - 2002 – 2006 – Dout. Ana Canen UFRJ – 1998-2000 – Mest. NEC - Núcleo de Estudos de Currículo – UFRJ - 1992 Antonio Flavio Barbosa Moreira Marcia Serra Ferreira Antonio Flavio Barbosa UFRJ – 1999-2005 – Dout. Moreira Pedro Benjamim PUC/RJ - 1991 – 1995 – Mest. Garcia Ensino Médico – UGF - 2006 Anete Trajman Victoria Maria Brant Ribeiro Machado Teorias e práticas curriculares no campo da educação em saúde – UFRJ - 2002 Victoria Maria Brant Ribeiro Machado Maria Paula Cerqueira Gomes Werner Markert UFRJ - 1991 – 1994 – Dout. Osmar Fávero FGV-RJ - 1982 – 1985 – Mest. NÚCLEO DE PESQUISAS POLÍTICAS QUE PRODUZEM EDUCAÇÃO – UERJ – 2004 Eveline Bertino Algebaile Mônica Dias Peregrino Ferreira Paulo Roberto G. Vaz. UFRJ – 2002 – 2006 – Dout. Ana Canen UFRJ – 1998 – 2001 – Mest. Waldeck Carneiro da UFRJ - 2004 - 2009 - Dout. Silva Alice Casimiro LOPES UFRJ – 1998 - 2000 –Mest. UFRJ Reunião Anual 25 UFRJ 22 UFRJ (CNPq) 28 UFRJ 23 UFRJ 25 LISE/FE/UFRJ 23 Carmen Teresa Gabriel UFRJ 30 Ana Maria Monteiro UFRJ 30 UFRJ 23 Marcia Serra Ferreira UFRJ 28 Victoria Maria Brant Ribeiro UFRJ 18 Monique Franco UFRJ 23 Vânia Laneuville Teixeira UFRJ 24 Autor(a) Instituição Ana Canen Helena Severiano Ponce Maranhão Ana Paula Arbache UERJ – Universidade Estadual do Rio de Janeiro Currículos, redes educativas e imagens – UERJ - 2008 Nilda Guimarães Alves Carlos Eduardo Ferraço Mailsa Carla Pinto Políticas Públicas, Gestão Educacional e Participação Cidadã – UFPB – 2007 Passos Virgínia de Oliveira Silva UERJ 22 373 Marilia Lopes de Campos Pós-doctor Tania Dauster UERJ - 2005 – 2006 PUC-RIO 2000 – 2004 Dout. Nilda Guimarães Alves UERJ 1996 – 1999 Mest. Currículo: sujeitos, conhecimento e cultura – UERJ - 2004 Elizabeth Fernandes de Macedo Alice Ribeiro Casimiro Lopes Antonio Flavio Barbosa UFRJ - 1992 – 1996 – Dout. Moreira José Américo da Motta Instituto de Estudos Avançados em Educação - 1987 – Pessanha 1990 – Mest. Jorge Ferreira Silva UFRJ – 1995-1997 – Mest. Coletivo de Estudos de Política Educacional – FIOCRUZ - 2007 Lucia Maria Wanderley Neves Maria Apparecida PUC-RJ 2004 – 2008 Dout. Campos Mamede Neves. Raquel Villardi Mest. 1998 – 2000 UERJ Currículo: sujeitos, conhecimento e cultura – UERJ - 2004 Elizabeth Fernandes de Macedo Alice Ribeiro Casimiro Lopes Elizabeth Fernandes Dout. 2005 – 2009 UERJ de Macedo Elizabeth Fernandes Mest. 2000 – 2003 UERJ de Macedo COTIDIANO ESCOLAR E CURRÍCULO – UERJ -1997 Inês Barbosa de Oliveira Nilda Guimarães Alves Pós-Dout. Universidade de Coimbra. 2002 – 2002 Université de Sciences Humaines de Strasbourg 1989 – 1993 Dout. Carlos Alberto Plastino Instituto de Altos Estudos Em Educação 1984 – 1988 Mest. COTIDIANO ESCOLAR E CURRÍCULO – UERJ - 1997 Inês Barbosa de Oliveira Nilda Guimarães Alves – UERJ -2008 Nilda Guimarães Alves Carlos Eduardo Ferraço Pós-doutorado Institut Nacional de Recherche Pédagogique - 1989-1990 Jean Houssaye Vivianne IsambertDout. Universite de Paris V (Rene Descartes), U.P. V, Jamati França – 1978-1980 – Dout. NÚCLEO DE PESQUISAS POLÍTICAS QUE PRODUZEM EDUCAÇÃO – UERJ 2004 Eveline Bertino Algebaile Mônica Dias Peregrino Ferreira Paulo Roberto G. Vaz UFRJ - 2002 – 2006 - Dout. Ana Canen UFRJ - 1998 – 2001 - Mest. Programa de Estudos e Documentação Educação e Sociedade – UFRJ – 1987 Libânia Nacif Xavier Sonia Maria de Castro Nogueira Lopes Pesquisa Multicultural: significados e prática na formação docente (apoio CNPq) – UFRJ – 2005 Ana Canen Nigel D C Grant University of Glasgow, GLASGOW, Escócia. - 1993 – 1996 – Dout. Zélia Mediano. PUC/RJ - 1981 – 1984 – Mest. Currículo: sujeitos, conhecimento e cultura – UERJ -2004 Elizabeth Fernandes de Macedo ETFQ-RJ / UERJ 19 UERJ / UFRJ (CNPq) 28 UERJ UERJ 20 21 Sandra Helena Morcira Santiago UERJ 20 Claudio Fernandes da Costa UERJ 26 UERJ 26 UERJ 27 UERJ 31 UERJ (CNPq) 26 UERJ; e Professora do Colégio Pedro II- UFF 22 UERJ 24 UERJ 19 UERJ 22 UERJ/FFP 26 UERJ/FFP UERJ FFP/UERJ 27 28 25 Ana Canen UERJ 21 Rita de Cássia Prazeres Frangella UERJ (CNPq) 26 Alice Ribeiro Casimiro Lopes Débora Raquel Alves Barreiros Inês Barbosa de Oliveira Nilda Guimarães Alves Monique Mendes Franco 374 Alice Ribeiro Casimiro Lopes Formação em diálogo: narrativas de professoras, currículos e culturas – UERJ 2006 Jacqueline de Fátima dos Santos Morais Cláudia Hernandez Barreiros Elizabeth Fernandes UERJ - 1999 – 2001 - Mest. de Macedo Elizabeth Fernandes UERJ - 2003 – 2006 - Dout. de Macedo COTIDIANO ESCOLAR E CURRÍCULO – UERJ -1997 Inês Barbosa de Oliveira Nilda Guimarães Alves Inês Barbosa de UERJ - 2003 –Doutoranda Oliveira UERJ UERJ UERJ UERJ 27 28 30 31 UERJ 27 UERJ (CNPq e FAPERJ/UERJ) 27 UERJ 21 UCP / ETFQ-RJ 18 UC Petrópoles, UERJ, ETFQ – RJ 19 UERJ (CAPES) 27 UERJ 29 Rosanne Evangelista Dias CApUFRJ / UERJ 28 Rozana Gomes de Abreu CApUFRJ / UERJ (CNPq 28 Rita Leal URFJ 28 Mailsa Carla Pinto Passos UERJ 29 José Cosme Drumond UEMG / UERJ 30 Ana Oliveira Elaine Constant Pereira UERJ-CP II UERJ 30 30 Alexandra Garcia Inês Barbosa de UERJ - 2001 – 2003 – Mest. Oliveira Currículo de ciências: uma abordagem cultural – UERJ Elizabeth Fernandes de Macedo Currículo: sujeitos, conhecimento e cultura – UERJ -2004 Elizabeth Fernandes de Macedo Alice Ribeiro Casimiro Lopes Pós-doutorado University of British Columbia. 2007 LILI KATSUCO KAWAMURA Unicamp - 1993-1997 -Dout. LILIA DA ROCHA BASTOS UFRJ - 1990-1992 -Mest. Currículos, redes educativas e imagens – UERJ - 2008 Nilda Guimarães Alves Carlos Eduardo Ferraço Nilda Guimarães Alves UERJ - 2002-2005 - Dout. Nilda Guimarães Alves UERJ - 2000-2002 - Mest. Currículo: sujeitos, conhecimento e cultura – UERJ -2004 Elizabeth Fernandes de Macedo Alice Ribeiro Casimiro Lopes Alice Ribeiro Casimiro UERJ - 2005-2009 - Dout. Lopes Alice Ribeiro Casimiro UERJ - 1999-2002 – Mest. Lopes Currículo: sujeitos, conhecimento e cultura – UERJ -2004 Elizabeth Fernandes de Macedo Alice Ribeiro Casimiro Lopes Alice Casimiro Lopes UERJ – 2006 – Doutorando Alice Casimiro Lopes UERJ - 1999-2002 – Mest. Não foi encontrado currículo lattes Currículos, redes educativas e imagens – UERJ – 2008 Nilda Guimarães Alves Carlos Eduardo Ferraço Políticas Públicas, Gestão Educacional e Participação Cidadã – UFPB – 2007 Virgínia de Oliveira Silva Marilia Lopes de Campos Pós-doutorado UERJ - 2005-2006 Tania Dauster. PUC/RJ - 2000-2004 -Dout. Nilda Guimarães Alves UERJ - 1996-1999 - Mest. Ângela Imaculada UFMG – 2007 – Doutorando Loureiro de Freitas Dalben Alice Casimiro Lopes UERJ - 2006-2007- Mest Não foi encontrado currículo lattes UERJ 2006 Doutorando Elizabeth Fernandes de Macedo Paulo Sgarb 375 Ana Chrystina UERJ 2001-2003 MEST Venancio Mignot Currículos, redes educativas e imagens – UERJ – 2008 Carlos Eduardo Ferraço Nilda Guimarães Alves Nilda Guimarães Alves UERJ -2006 – Doutorando Giovani De Lorenzi UFSC, 2002-2004 – Mest. Pires Maria de Lourdes Tura UERJ – 2003 – Doutoranda Sonia Kramer Marcio Romeu Ribas de Oliveira UERJ 31 Maria Lucia de Souza e Mello SEE-RJ e UERJ 31 Patrícia Garcia Caselli Agostinho UERJ 31 Não foi encontrado currículo lattes Ana Paula Nery Gomes Mattos Fundão UERJ 19 Não foi encontrado currículo lattes Maria Lucia Cunha Lopes de Oliveira PUC/RJ - 1996-1998 - Mest. Currículo: sujeitos, conhecimento e cultura – UERJ - 2004 Elizabeth Fernandes de Macedo Alice Ribeiro Casimiro Lopes Elizabeth Fernandes UERJ – 2005-2007 –Mest. de Macedo Currículo: sujeitos, conhecimento e cultura – UERJ - 2004 Elizabeth Fernandes de Macedo Alice Ribeiro Casimiro Lopes Alice Casimiro Lopes UERJ – 2005-2008 – Dout. Alice Ribeiro Casimiro UFRJ – 1999-2002 – Mest. Lopes Políticas, Gestão e Avaliação em Educação 2000 Zacarias Jaegger Gama André Malina Trabalho, Formação Humana e Políticas Públicas 2008 Gaudencio Frigotto Marise Nogueira Ramos Antonio Flávio Barbosa UFRJ - 1998 – 2002 - Dout. Moreira Zélia Domingues PUC/RJ - 1989 – 1993 - Mest. Mediano Instituições, Práticas Educativas e História – UERJ – 2004 Ana Chrystina Venancio Mignot José Gonçalves Gondra Pós-doutorado Universidade Estadual de Campinas – 2008 Pós-doutorado Marta Maria Chagas de Carvalho Alda Judith Alves Souza École des Hautes Etudes en Sciences Sociales de Paris 2008-2009 USP - 1996 – 2000 - Dout. 22 Josefina Carmen Dias de Mello UERJ 28 Zacarias Jaegger Gama UERJ 21 José Gonçalves Gondra UERJ 21 UNIRIO 23 PUC-Rio (CNPq) 26 UFRJ - 1987 – 1991 - Mest. UNIRIO – Universidade Federal do Estado do rio de Janeiro LOGOS - UNIRIO - 2000 Rita Maria Manso de Barros Diógenes Pinheiro Núcleo de Estudos - Tempos, Espaços e Educação Integral – UNIRIO - 2008 Ligia Martha Coimbra da Costa Coelho Ana Maria Villela Cavaliere Núcleo de Estudos e Pesquisas em História da Educação Brasileira – NEPHEB Deyse Hora UNIRIO -2006 Nailda Marinho da Costa Bonato Angela Maria Souza Martins Antonio Flávio Barbosa PUC/SP - 1996 – 2000 - Dout. Moreira Roosevel Pinto UERJ - 1987 – 1990 - Mest. Sampaio PUC-RIO – Pontífice Universidade Católica do Rio de Janeiro Geish - Grupo de Estudo Interdisciplinar em Sexualidade Humana - UNICAMP -1992 Joaquim Brasil Fontes Junior Helena Altmann Ana Maria Faccioli de Camargo 376 Tania Dauster. PUC/RJ - 2001-2005 - Dout. Eustáquia Salvadora UFMG - 1996-1998 -Mest. Sousa Currículos, redes educativas e imagens – UERJ -2008 Nilda Guimarães Alves Carlos Eduardo Ferraço Pós-doutorado UERJ - 2006 – 2009 Vera Maria Ferrão Candau Vera Maria Ferrão Candau Frank K Lester Jr PUC/RJ - 2001 – 2005 -Dout. Maristela Gomes de Souza Guedes PUC-Rio 31 Paola Stajn PUC-RJ 19 Maria Lúcia de Souza e Mello PUC-Rio 24 UFF 19 UFF 19 UFF 21 Edith Frigotto UFF 23 Angela Maria Araújo de Oliveira UFF 25 Marisa Barletto UFV/UFF 26 UNICENTRO 24 UNISINOS (Capes) 28 PUC/RJ - 1995– 1998 - Mest. Almir O Caldeira Maria de Lourdes Tura Indiana University, IU*, Estados Unidos - 1991-1995 Dout. UNICAMP - 1986-1989 - Mest. UERJ -2006 -Doutorando Sonia Kramer PUC-RIO - 1996-1998 -Mest. UFF- Universidade Federal Fluminense ALFABETIZAÇÃO DOS ALUNOS E ALUNAS DAS CLASSES POPULARES - UFF 1987 Regina Leite Garcia Maria Teresa Esteban do Valle Regina Leite Garcia Pós-Doutorado University of Wisconsin – Madison - 1994 Pós-Doutorado University of London - 1993 Newton Lins Sucupira UFRJ - 1980 – 1986 - Dout. ALFABETIZAÇÃO DOS ALUNOS E ALUNAS DAS CLASSES POPULARES - UFF 1987 Regina Leite Garcia Maria Teresa Esteban do Valle Semiótica, leitura e produção de textos – SELEPROT – UERJ - 2002 Darcilia Marindir Pinto Simões Nícia Ribas D'Ávila Regina Leite Garcia UFF 1995 – 1999 Dout. Regina Maria Leite Garcia UFF 1990-1991 Mest. Linguagem, cultura e práticas educativas - UFF -2002 Cecilia Maria Aldigueri Goulart VERA CANDAU PUC-RIO 1995 – 1999 Dout. Magda Becker Soares PUC/RIO 1987 – 1989 Mest. Não foi encontrado currículo lattes Núcleo Interdisciplinar de Estudos de Gênero - UFV -1996 Maria de Fatima Lopes Marisa Barletto Regina Leite Garcia UFF - 2002 – 2006 -Dout. Nilda Alves Edwiges Zaccur UFF - 1990 – 1993 -Mest. UNICENTRO – Universidade Estadual do Centro-Oeste Educação, Trabalho e Formação de Professores - UNICENTRO - 2008 Susana Soares Tozetto Corinta Maria Grisolia Geraldi UNICAMP - 1996 – 2000 – dout. Maria da Glória Martins Messias Rosália Maria Ribeiro de Aragão UNICENTRO - 1991 – 1995 - Mest. UNISINOS – Universidade do Vale do Rio dos Sinos Currículo, cultura e sociedade – UNISINOS – 2004 Gelsa Knijnik Elí Terezinha Henn Fabris Rejane Ramos Klein UNISINOS 2007 Doutoranda Maura Corcini Lopes. 377 Beatriz Terezinha Daudt UNISINOS 2003 – 2005 Mest. Fischer Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Currículos e Culturas (GECC) – UFMG – 2004 Marlucy Alves Paraíso Lucíola Licínio de Castro Paixão Santos Grupo de Estudos sobre Numeramento – UFMG – 2005 Maria da Conceição Ferreira Reis Fonseca Maria Laura Magalhães Gomes Núcleo de Educação de Jovens e Adultos – UFMG – 1999 Maria da Conceição Ferreira Reis Fonseca Carmem Lúcia Eiterer PRAPEM - Prática Pedagógica em Matemática – UNICAMP - 1995 Dario Fiorentini Dione Lucchesi de Carvalho Marlucy Alves Paraiso UFMG - 2009 -Doutorando Attico Chassot UNISINOS - 2005 – 2007 - Mest. Pós-doutorado UFMG - 1998 - 1998 Margot Bertoluci Ott. UFRGS - 1983 – 1989 Dout. UFRGS - 1974 – 1977 - Mest. Juracy Cunegatto Marques Não foi encontrado currículo lattes Políticas Públicas e Produção de Subjetividade - UFRGS - 2004 Cleci Maraschin Henrique Caetano Nardi Saúde Mental e Trabalho – UFRGS – 2002 Jaqueline Tittoni Henrique Caetano Nardi Pós-doutorado Universidade Autônoma de Barcelona - 2005 – 2006 Maria Assunta Campilongo UFRGS - 1994 – 1999 - Dout. Maria Assunta Campilongo UFRGS - 1988 – 1992 -Mest. Vândiner Ribeiro UNISINOS 30 Cecília Osowski, Dulce UNISINOS 18 Maria de Oliveira UNISINOS 18 Jaqueline Tittoni UNISINOS 18 USP 31 USP 31 UNESP 18 USP – Universidade de São Paulo GIEL/USP - Grupo Interdisciplinar de Estudos do Lazer - USP - 2008 Ricardo Ricci Uvinha Edmur Antonio Stoppa Grupo de Estudos e Pesquisa em Educação Física Escolar (GEPEFE) - UNICAMP 1999 Jorge Sergio Pérez Gallardo Grupo de Pesquisa em Educação Física Escolar – USP - 2004 Marcos Garcia Neira Marcos Neira Garcia Mário Luiz Ferrari Nunes Pós-Doutorado Universidade do Minho - 2006 – 2007 Pós-Doutorado Marieta Lúcia Machado Nicolau. Marieta Lúcia Machado Nicolau Marcelo Giordan UNICAMP - 2004 – 2005 USP 2000 – 2002 - Dout. Lino de Macedo USP - 2003 – 2006 - Mest. Elza Dias Pacheco Sérgio Luna UNESP – Universidade Estadual Paulista USP - 1986 – 1990 - Dout. Cleide Nébias PUC/SP - 1971 – 1978 - Mest. USP 1997 – 1999 - Mest. USP - 2007 - Doutoranda Mônica Fogaça CENPEC-SP – Centro de Estudos e Pesquisas em Ed./Cultura e Ação Comunitária de São Paulo Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Currículos e Culturas (GECC) – UFMG - 2004 Marlucy Alves Paraíso Lucíola Licínio de Castro Paixão Santos Maria das Mercês CENPEC-SP Mirian Jorge Warde PUC/SP - 1994 – 1997 -Dout. Ferreira Sampaio Mirian Jorge Warde PUC/SP - 1981 – 1988 – Mest. Maria José Reginato Não foi encontrado currículo lattes CENPEC-SP Ribeiro 18 18 378 Maria Silvia Bonini Tararan UNICAMP – Universidade Estadual de Campinas Avaliação e organização do trabalho pedagógico - UNB - 2000 Benigna Maria de Freitas Villas Boas LABORATORIO DE OBSERVACAO E ESTUDOS DESCRITIVOS – LOED UNICAMP - 1989 Luiz Carlos de Freitas Mara Regina Lemes De Sordi Luis Carlos Freitas Livre-docência UNICAMP - 1994 Não foi encontrado currículo lattes Pós-Doutorado Carolina Martucelli Bori 18 Unicamp 21 UNICAMP 18 UNICAMP 19 UNICAMP 23 UNICAMP 25 UNICAMP 28 UNICAMP 29 Maria do Carmo Martins UNICAMP 29 Wenceslao Machado de Oliveira Jr. UNICAMP 29 UNICAMP 31 PUC-SP 30 PUC-SP 31 USP - 1995-1996 USP - 1980 – 1987 -Dout. Wolfgang Paul Sigel Universidade Católica de Chile - 1972-1974 - Mest. Grupo de Estudos e Pesquisa Diferenças e Subjetividades em Educação UNICAMP - 2005 Silvio Donizetti de Oliveira Gallo Paidéia - Grupo de estudos e Pesquisas em Filosofia da Educação - UNICAMP 1999 Silvio Ancisar Sanchez Gamboa Cesar Aparecido Nunes Newton Aquiles von Zuben UNICAMP - 1990 – 1993 - Dout. JOAO FRANCISCO REGIS UNICAMP - 1987-1990 - Mest. DE MORAIS LABORATORIO DE ESTUDOS AUDIOVISUAIS – UNICAMP - OLHO - 1994 Milton José de Almeida Hilario Fracalanza. UNICAMP - 1997 – 2000 - Dout. Hilario Fracalanza UNICAMP - 1993 – 1995 -Mest. LABORATORIO DE ESTUDOS AUDIOVISUAIS – OLHO - UNICAMP - 1994 Milton José de Almeida Antonio Carlos Rodrigues de UNICAMP - 2003-2006 -Dout. Amorim Ivan Amorosino do Amaral UNICAMP - 1997 – 2002 -Mest. Grupo de Pesquisa Memória, História e Educação – MEMÓRIA - UNICAMP - 1996 Heloísa Helena Pimenta Rocha Ernesta Zamboni Ernesta Zamboni. UNICAMP - 1997 – 2000 -Dout. Ernesta Zamboni CENPEC-SP Sílvio Gallo Antonio Carlos Rodrigues de Amorim Elenise Cristina Pires de Andrade UNICAMP - 1992 – 1996 - Mest. Grupo de Pesquisa Linguagens Geográficas – UNESP - 2007 Cláudio Benito Oliveira Ferraz Jones Dari Goettert LABORATORIO DE ESTUDOS AUDIOVISUAIS – OLHO - UNICAMP - 1994 Milton José de Almeida Milton José de Almeida UNICAMP - 1995 – 1999 - Dout. Vani Moreira Kenski UNICAMP - 1992 – 1994 - Mest. Biotecnologia de Rua - UNICAMP -2008 Carlos Alberto Vogt LABORATORIO DE ESTUDOS AUDIOVISUAIS – OLHO - UNICAMP - 1994 Milton José de Almeida Alik Wunder Antonio Carlos Rodrigues de UNICAMP - 2003 – 2008 -Dout. Amorim Antonio Carlos Rodrigues de UNICAMP - 2000 – 2002 -Mest. Amorim PUC-SP – Pontífice Universidade Católica de São Paulo Não foi indicado PUC-SP (não foi informado) Doutoranda Tânia Mara Rezende Machado Carlos Alberto Alves de UFPE - 1999 – 2002 -Mest. Sousa PEC - Políticas de Educação/Currículo - PUC/SP - 1996 Antonio Chizzotti Ana Maria Saul Antonio Chizzotti Pós-Doutorado Centre National de la Recherche Scientifique 1989-1991 379 Antonio Joaquim Severino PUC/SP - 1975 – 1980 -Dout. Antonio Joaquim Severino PUC/SP - 1973 – 1975 - Mest. Grupo de Estudos e Pesquisas sobre a Formação do Educador – USP - 1988 Selma Garrido Pimenta Maria Isabel de Almeida PEC - Políticas de Educação/Currículo - PUC/SP - 1996 Antonio Chizzotti Ana Maria Saul Ana Maria Saul PUC/SP - 1992 – 1996 - Dout. Selma Garrido Pimenta PUC-SP 31 Regina Lucia Giffoni Luz de Brito PUC-SP 31 UFRGS 23 Marlucy Alves Paraíso UFRGS 18 Carla Giovanna Lamas Cardarello UFRGS 23 Alex Branco Fraga UFRGS 21 Maria Stephanou UFRGS 20 Rosângela de Fátima Soares UFRGS 18 Luís Henrique Sommer UFRGS 23 UFRGS 18 UFRGS UFRGS UFRGS CNPq/PROPESQ 19 22 UFRGS 19 PUC/SP - 1988 – 1989 - Mest. Formação de Professores e Cotidiano Escolar - PUC/SP - 2000 Marina Graziela Feldmann Myrtes Alonso PUC/SP 1995 – 1998 Dout. Vitor Henrique Paro PUC/SP - 1984 – 1989 - Mest. Margarete Axt Branca Jurema Ponce UFRGS – Universidade Federal do Rio Grande do Sul UFRGS - 2000 – 2005 - Mest. Suzana Lima dos Santos Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Currículos e Culturas (GECC) – UFMG – 2004 Marlucy Alves Paraíso Lucíola Licínio de Castro Paixão Santos Núcleo de Estudos sobre Trabalho e Educação – UFMG – 1995 Antonio Julio de Menezes Neto Hormindo Pereira de Souza Junior Pós-doutorado Univ. de Valência – 2008-2009 Antônio Flávio Barbosa UFRJ – 1999-2002 – Dout. Moreira Tomaz Tadeu da Silva UFRGS – 1993-1995 – Mest. Rosa Maria Bueno Fischer. UFRGS - 2000 – 2005 - Dout. Tomaz Tadeu da Silva UFRGS - 1997 – 1999 - Mest. GRECCO - Grupo de Estudos sobre Cultura e Corpo - UFRGS - 2002 Silvana Vilodre Goellner Alex Branco FRAGA Guacira Lopes Louro UFRGS - 1999 – 2005 -Dout. Guacira Lopes Louro UFRGS - 1996 – 1998 - Mest. GEPEDHE - Grupo de Estudos e Pesquisas sobre a Disciplina História da Educação – UFU - 2008 Décio Gatti Júnior Carlos Roberto da Silva Monarcha Histórias e Memórias da Educação Brasileira e da Cultura Escolar - UFRGS - 2001 Maria Stephanou Maria Helena Camara Bastos Juventudes e Participação Social - UFRGS - 2004 Maria Stephanou MARISA FAERMANN UFRGS - 1994 – 1999 - Dout. EIZIRIK. NILTON BUENO FISCHER UFRGS - 1985 – 1990 - Mest. Grupo de Estudos de Educação e Relações de Gênero – GEERGE - UFRGS - 1990 Jane Felipe de Souza Guacira Lopes Louro Guacira Lopes Louro. UFRGS - 2000 – 2005 - Dout. Guacira Lopes Louro UFRGS - 1987 – 1992 - Mest. Marisa Vorraber Costa UFRGS - 1999 – 2003 -Dout. DIF - Artistagens, fabulações, variações - UFRGS -2002 Sandra Mara Corazza Paola Basso Menna Barreto Gomes Zordan Tomaz Tadeu da Silva UFRGS - 1994 – 1998 - Dout. Augusto Nibaldo Silva UFRGS - 1988 – 1990 -Mest. Triviños Fogueira: Grupo de Estudos e Pesquisas de Gênero - UNOCHAPECO - 2000 Myriam Aldana Vargas Santin Sandra Mara Corazza Noeli Gemelli Reali 27 380 Valéria Silvana Faganello Madureira Nilton Bueno Fischer UFRGS - 1993 – 1996 -Mest. DIF - Artistagens, fabulações, variações - UFRGS -2002 Sandra Mara Corazza Paola Basso Menna Barreto Gomes Zordan Arturo Pacheco Stanford University, SU, Estados Unidos -1980 – 1984 - Dout. Ray Chesterfield UFRGS - 1975 – 1977 - Mest. Grupo de Estudo e Pesquisa em Educação e Sociedade (GEPES) - FUIT - 2004 Maria José de Morais Pereira José Pereira Peixoto Filho Núcleo de Estudo e Pesquisa sobre Licenciatura (NEPEL) - UFOP - 2009 Roseli de Alvarenga Corrêa Cláudio Lúcio Mendes Tomaz Tadeu da Silva. UFRGS - 2000 – 2004 - Dout. Lucíola Licínio Castro Paixão Santos Sandra Mara Corazza Tomaz Tadeu da Silva 20 UFRGS 21 UFRGS UFRGS UFRGS 22 18 24 FACED/UFRGS 25 UFRGS 24 UFRGS 22 UFRGS 23 UFRGS 24 UFRGS (CAPES) 26 UFRGS 23 Paola Basso Menna Barreto Gomes UFRGS (CNPq) 27 Letícia F. R. Freitas, UFRGS 30 UFRGS 22 UFRGS 23 UDESC 30 UDESC 30 Tomaz Tadeu da Silva Cláudio Lúcio Mendes UFMG - 1996 – 1999 -Mest. UFRGS - 2001 – 2003 -Dout. UFRGS - 1996 – 1998 - Mest. Sandra Mara Corazza UFRGS - 2000 – 2003 -Dout. Sandra Mara Corazza UFRGS - 1999 – 2000 -Mest. Núcleo de Estudos de Mídia, Educação e Subjetividade (NEMES) - UFRGS - 2002 Rosa Maria Bueno Fischer Gilka Elvira Ponzi Girardello Rosa Maria Bueno Fischer UFRGS - 2003 – 2007 -Dout. Sandra Mara Corazza UFRGS - 2000 – 2002 -Mest. DIF - artistagens, fabulações, variações – UFRGS -2002 Sandra Mara Corazza Paola Basso Menna Barreto Gomes Zordan Sandra Mara Corazza UFRGS - 2001 – 2004 - Dout. Rosa Maria Bueno Fischer UFRGS - 1998 – 2000 -Mest. Não foi encontrado currículo lattes Cultura e Educação - ULBRA - 2002 Rosa Maria Hessel Silveira Daniela Ripoll Saúde Bucal em Atenção Primária em Saúde - S/A – GHC - 2009 Julio Baldisserotto Sergio Antonio Sirena Alfredo José Veiga-Neto UFRGS Lisete Regina Bampi Ada Beatriz Gallicchio Kroef Luciane Uberti Cristianne Maria Famer Rocha UFRGS - 2000 – 2005 -Dout. UFRGS - 1998 – 2000 -Mest. UDESC – Universidade do Estado de Santa Catarina Sociedade, Memoria e Educação – UDESC - 2000 Norberto Dallabrida Maria Teresa Santos Cunha Maria Auxiliadora Moreira UFPR - 2001 – 2005 - Dout. dos Santos Schmidt Gladys Mary Teive Auras Federico Gómez Rodríguez Universidad Nacional de Educación - 2003 – 2004 de Castro Dout. Alfredo José Veiga-Neto Marli Auras UFSC - 1989 – 1993 -Mest. Comunicação e Processos de Ensino e de Aprendizagem – UDESC - 2002 Marileia Maria da Silva Elisa Maria Quartiero Educação, Arte e Inclusão – UDESC - 2006 Maria Cristina da Rosa Fonseca da Silva Geovana Mendonça Lunardi Mendes OBSERVATÓRIO DE CULTURA ESCOLAR - UFMS -2006 Eurize Caldas Pessanha Fabiany de Cássia Tavares Silva Maria das Mercês Ferreira PUC/SP - 2001 – 2005 - Dout. Geovana M. Lunardi 381 Sampaio Silvia Zanata da Ross UFSC - 1998-2000 - Mest. UFSC – Universidade Federal de Santa Catarina GIEQ - Grupo de Investigação no Ensino de Química - UFSC - 2005 Carlos Alberto Marques Santiago Francisco Yunes Joanez Aparecida Aires Edel Ern UFSC - 2002-2006 - Dout. Edel Ern UFSC -1998-2000 -Mest. Marie Thourston Jones University of Chicago, U.C., Estados Unidos - 1979 Edel Ern – 1984 - Dout. Estudos Marxistas em Educação - UNESP - 2002 Newton Duarte Maria Célia Marcondes de Moraes Maria Célia Marcondes de UFSC - 2000 – 2004 -Dout. Patricia Laura Torriglia Moraes Maria Célia Marcondes de UFSC - 1996 – 1999 -Mest. Moraes. UESC – Universidade Estadual de Santa Catarina Educação superior e desenvolvimento regional - UESC - 2005 Moema Maria Badaró Cartibani Midlej Norma Lúcia Vídero Vieira Santos Educação, Universidade e Região – EduReg - UNEB - 2002 Norma Lúcia Vídero Vieira Nadia Hage Fialho Santos José Antônio Moreira Icó da Silva Miguel Angel Bordas / CoUFBA - 1999 – 2003 -Dout. orient.Dra.Marli Geralda Wilson Silva Gomes UFBA - 1991-1994 - Mest. FUIT - Fundação Universidade de Itaúna Teorias críticas na produção artística hispano-americana: inter-relações culturais e estéticas – UFRJ – 2005 Maria Aparecida da Silva Roberto García Bonilla Maria Aparecida da Silva Olinda Maria Noronha UNICAMP - 1989 – 1994 - Dout. Cláudio de Moura Castro Alfredo José Veiga-Neto Políticas Educacionais 2004 Miguel Alfredo Orth Alceu Ravanello Ferraro Marilu Fontoura de Medeiros Maria Helena Menna Barreto Abrahão Marilu Fontoura de Medeiros 28 UFSC UNIVALI 28 UFSC 31 UESC 18 FUIT 29 UFCG 31 PUCRS 25 PUCRS 24 CEFET – RS, mestranda em Educação da FaE / UFPel 22 UFPel 24 PUC/RIO – 1976 – 1979 - Mest. UFCG - Universidade Federal de Campina Grande Grupo de estudos e pesquisas em currículo, conhecimento, cultura - UFCG - 2007 Idelsuite de Sousa Lima Grupo de Estudos e Pesquisas em Políticas Curriculares - UFPB - 2002 Maria Zuleide da Costa Pereira Idelsuite de Sousa Lima Rita de Cassia Cavalcanti Porto Maria do Carmo Martins UNICAMP - 2003 – 2006 -Dout. Wojciech Andrejz Kulesza. UFSC UFB - 1998 – 2000 - Mest. PUC-RS – Pontífice Universidade Católica do Rio Grande do Sul UFRGS - 2000 – 2002 - Mest. Lavínia Schwantes PUC/RS - 2003 - Doutoranda PUC/RS - 2003 – 2007 -Dout. Doris Helena de Souza PUC/RS - 1998-2000 - Mest. UFPel - Universidade Federal de Pelotas Processo de Trabalho Docente - UFPEL -1999 Marcia Ondina Vieira Ferreira Jenice Tasqueto de Mello Suzana Bornéu Funk UCPEL - 2008 – Doutoranda MÁRCIA ONDINA VIEIRA UFPEL - 1998-2000 - Mest. FERREIRA Processo de Trabalho Docente - UFPEL -1999 Marcia Ondina Vieira Ferreira Pós-Doutorado . University of Wisconsin – Madison - 2006 – 2007 Maria Manuela Alves Garcia 382 Tomaz Tadeu da Silva Magda Becker Soares ANA MARIA EYNG UFRGS - 1996 – 2000 - Dout. UFMG - 1991 – 1994 -Mest. PUC-PR - 2006 – 2007 -Mest. Gestão e Políticas Públicas na Educação Superior –PUC/PR - 1999 Ana Maria Eyng Maria Amélia Sabbag Zainko HISTÓRIA E POLÍTICAS DE EDUCAÇÃO E A FORMAÇÃO DE PROFESSORES PUC/PR - 1993 Maria Elisabeth Blanck Miguel Ana Maria Eyng Pensamento Educacional Brasileiro: História e Políticas - PUC/PR - 2001 Peri Mesquida Ana Maria Eyng Universidad Autonoma de Barcelona, U.A.B., Joan Rue Y Domingo Espanha - 1996-2001 - Dout. Joan Rue y Domingo hiquito Ana Maria Eyng PUC-PR 31 PUC-PR 31 UNIVALI 24 UFMG 20 UFMG 20 FAE/UFMG 25 UFMG 26 Universidad Autonoma de Barcelona, U.A.B., Espanha - 1996-1998 - Mest. Alvino Moser PUC-PR - 1993-1995 - Mest. UNIVALI – Universidade do Vale do Itajaí Políticas públicas de currículo e avaliação – UNIVALI – 2000 Cassia Ferri Amândia Maria de Borba Cássia Ferri MERE ABRAMOWICZ PUC/SP - 1996 – 2000 - Dout. MARIA OLY PEY UFSC - 1991-1994 - Mest. UFMG – Universidade Federal de Minas Gerais Nucleo de Pesquisa sobre Cultura, Cotidiano, Educação e Saúde – UFMG – 2009 Claudia Maria de Mattos Penna Núcleo de Pesquisas e Estudos em Saúde Coletiva-NUPESC – UFMG – 2000 Andréa Gazzinelli Corrêa de Oliveira Maria Flávia Carvalho Maria Imaculada de Fátima Freitas Gazzinelli Luiz Alberto Oliveira UFBA - 1996-2000 - Dout. Terezinha Froes Burnham. UFBA - 1992 – 1995 -Mest. Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Currículos e Culturas (GECC) – UFMG – 2004 Marlucy Alves Paraíso Lucíola Licínio de Castro Paixão Santos Núcleo de Estudos sobre Trabalho e Educação – UFMG – 1995 Antonio Julio de Menezes Neto Hormindo Pereira de Souza Junior Pós-Doutorado Universidade de Valencia -2008 – 2009 Antônio Flávio Barbosa UFRJ - 1999 – 2002 -Dout. Moreira Tomaz Tadeu da Silva UFRGS - 1993 – 1995 - Mest. Marlucy Alves Paraíse UFMG (PRPq / UFMG) UFMG/UFRJ UFMG FAE/UFMG Currículo e Formação Docente – UFMG - 2002 Lucíola Licínio de Castro Paixão Santos Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Currículos e Culturas (GECC) – UFMG – 2004 Marlucy Alves Paraíso Lucíola Licínio de Castro Paixão Santos Lucíola Licínio de Castro UFMG - 2005 -Doutoranda Paixão Santos. Lucíola Licínio de Castro UFMG - 1999-2002 - Mest. Paixão Santos Grupo de Estudo e Pesquisa em Educação e Sociedade (GEPES) – FUIT – 2004 Maria José de Morais Pereira José Pereira Peixoto Filho Núcleo de Estudo e Pesquisa sobre Licenciatura (NEPEL) – UFOP – 2009 28 23 21 24 Vanessa Regina Eleutério Miranda de Oliveira FaE/UFMG (Fundação Ford) 26 Cláudio Lúcio Mendes UFMG 21 383 Roseli de Alvarenga Corrêa Cláudio Lúcio Mendes Tomaz Tadeu da Silva Lucíola Licínio Castro Paixão Santos Rousiley Celi Moreira Maia UFRGS - 2000 – 2004 -Dout. UFMG - 1996 – 1999 -Mest. UFMG - 2004 – 2008 -Dout. UFMG 23 UFMG 21 UFMG 22 UFMG 25 CEFET-MG 24 PUC Minas (FAPEMIG) 27 PUC/MG (CAPES 28 PUC-MG 31 Maria Inez Salgado de Souza PUC-MG 31 Rita Amélia Teixeira Vilela PUC-MG 24 UFJF (FAPEMIG; PIBIC/CNPq; UFJF) 28 ESMIG/CF 24 UFB 20 UFB 23 Márcio Simeone Henriques Antônio Flávio Barbosa UFRJ - 1993 – 1996 -Mest. Moreira Não foi encontrado currículo lattes Lorene dos Santos Observatório Sociológico Família-Escola: trajetórias e práticas de escolarização – UFMG - 2003 Maria Alice de Lima Gomes Nogueira Maria Jose Braga Viana Tânia de Freitas Resende TEIA: Territórios, educação integral e cidadania – UFMG – 2008 Lúcia Helena Alvarez Leite Lucíola Licínio de Castro UFMG – 1998-2003 – Dout. Paixão Santos CEFET-MG – Centro de Educação Tecnológica de Minas Gerais Teoria e Metodologia do Ensino Tecnológico - CEFET-MG – 1994 Maria Rita Neto Sales Oliveira Suzana Lanna Burnier Coelho José Ângelo Gariglio Isabel O.M. Lélis. PUC/RJ - 2000 – 2004 -Dout. Lucíola Licínio C P. Santos UFMG - 1994 – 1997 - - Mest. Maria Inez Salgado de Souza PUC MINAS – Pontífice Universidade Católica de Minas Gerais PUC-MINAS - 2002 – 2004 - Mest. Thais Almeida Costa Observatório Sociológico Família-Escola: trajetórias e práticas de escolarização – UFMG – 2003 Maria Alice de Lima Gomes Nogueira Maria Jose Braga Viana Maria Alice de Lima Gomes UFMG - 2008 –Doutoranda Nogueira. Maria Inez Salgado de Souza Maria Inez Salgado de Souza PUC/MINAS - 2002 – 2004 - Mest. PUC/MINAS - 2006 – 2007 - Mest. Robert Cowen University Of London Institute Of Education 1985-1988 - Dout. Luis Antonio Rodrigues da FGV-RJ -1973-1975 - Mest. Cunha Teoria Crítica e Educação - UNIMEP – 1991 Bruno Pucci Luiz Antonio Calmon Nabuco Lastória Patrick Dias Universitat Frankfurt an Main - Johann Wolfgang Goethe, JWGUF, Alemanha - 1982 – 1985 – Dout. Maria Angela Valadares FGV-RJ – 1974-1976 – Mest. Marlice de Oliveira e Nogueira Stefania de Resende Negri UFJF – Universidade Federal Juiz de Fora Politica e Sociologia da Educação – UFJF – 2002 Beatriz de Basto Teixeira Rosimar de Fátima Oliveira Maria Victória de Mesquita USP - 1996 – 2000 - Dout. Beatriz de Basto Teixeira Benevides Soares Lisandre Maria Castello USP - 1991-1995 -Mest. Branco ESMIG/CF - Escola de Saúde de Minas Gerais Não foi encontrado currículo lattes Eliana Maria Oliveira Sa UFBA – Universidade Federal da Bahia Não foi encontrado currículo lattes América Cézar FORMACCE em aberto - Grupo de Pesquisa em Currículo e Formação – UFBA – 2009 Roberto SidineI Macedo Roberto Sidnei Alves Macedo Maria Ornélia da Silveira Marques 384 Gestão Organizacional e Politicas Públicas em Edcuação - UCSAL - 2009 Arlinda Paranhos Leite Oliveira Pós-doutorado Universidade de Fribourg-Suiça - 2007 – 2008 Alain Coulon Universite de Paris VIII, U.P. VIII, França - 1991 – 1995 - Dout. Teresinha Fróes Burnham UFBA - 1984 – 1988 -Mest. CEASB – Centro de Educação Ambiental de São Bartolomeu Não foi encontrado currículo lattes Ana Lúcia Formigli UNEB – Universidade Estadual da Bahia Recôncavo:Território, Cultura, Memória e Ambiente – UNEB – 2002 Miguel Cerqueira dos Santos Janio Roque Barros de Castro Territórios, hegemonias, periferias e ausências - Grupo de Estudo e Pesquisas – Stella Rodrigues dos UNEB - 2008 Santos Celso Antonio Fávero Stella Rodrigues dos Santos Bernadete Angelina Gatti PUC/SP - 1993 – 1997 - Dout. Jandira Maria Ribeiro dos UFBA - 1990 – 1993 -Mest. Santos Consciência Planetária e Educação – UCSAL – 2008 Ana Katia Alves dos Santos Gilca Oliveira Carrera GRAFHO - Grupo de Pesquisa Autobiografia Formação História Oral – UNEB – Ana Sueli Teixeira de 2002 Pinho Elizeu Clementino de Souza Yara Dulce Bandeira de Ataíde Elizeu Clementino de Souza UNEB - 2009 –Doutoranda Stella Rodrigues dos Santos. UNEB - 2002 – 2004 -Mest. ESCOLA, IDENTIDADES E CULTURAS – UCP – 2004 Antonio Flavio Barbosa Moreira Marlene Alves de Oliveira Carvalho Núcleo de Estudos de Currículo – UFRJ – 1992 Regina Céli Oliveira da Antonio Flavio Barbosa Moreira Cunha Marcia Serra Ferreira WERNER MARKET UFRJ – 1991-1997 – Dout. ROBERT EVAN VERHINE CEASB 20 UNEB 25 UNEB 25 UNEB 20 UFMS 26 UFMS 26 UFMS 26 UFMS 28 UFBA – 1983-1989 – Mest. UFMS – Universidade Federal do Mato Grosso do Sul ESCOLA, IDENTIDADES E CULTURAS – UCP – 2004 Antonio Flavio Barbosa Moreira Marlene Alves de Oliveira Carvalho NEC - Núcleo de Estudos de Currículo – UFRJ – 1992 Antonio Flavio Barbosa Moreira Eurize Caldas Pessanha Marcia Serra Ferreira WERNER MARKET UFRJ - 1991 – 1997 - Dout. ROBERT EVAN VERHINE UFBA - 1983 – 1989 -Mest. Grupo de Estudos Lingüísticos – UFMS – 2000 Maria Emilia Borges Daniel Glaucia Muniz Proença Lara OBSERVATÓRIO DE CULTURA ESCOLAR – UFMS – 2006 Eurize Caldas Pessanha Fabiany de Cássia Tavares Silva José Luiz Fiorin USP - 1996 – 2001 - Dout. Raquel Salek Fiad UNICAMP - 1992 – 1995 - Mest. Estudos literários e culturais: memória e contemporaneidade – UFMS – 2000 Maria Adélia Menegazzo OBSERVATÓRIO DE CULTURA ESCOLAR – UFMS – 2006 Eurize Caldas Pessanha Fabiany de Cássia Tavares Silva Teorias críticas de Literatura Comparada na América Latina – UFBA – 2004 Rachel Esteves Lima Pós-Doutorado . USP - 2009 Maria Emilia Borges Daniel Maria Adélia Menegazzo 385 Silvia Maria Azevedo José Fernandes UNESP - 1992 – 1996 - Dout. UFG - 1985 – 1987 -Mest. OBSERVATÓRIO DE CULTURA ESCOLAR – UFMS – 2006 Eurize Caldas Pessanha Fabiany de Cássia Tavares Silva UFMS - 2006 – 2008 -Dout. Eurize Caldas Pessanha Eurize Caldas Pessanha UFMS - 2003 – 2004 -Mest. Educação, Arte e Inclusão – UDESC – 2006 Maria Cristina da Rosa Fonseca da Silva Geovana Mendonça Lunardi Mendes OBSERVATÓRIO DE CULTURA ESCOLAR – UFMS – 2006 Eurize Caldas Pessanha Fabiany de Cássia Tavares Silva ALDA JUNQUEIRA MARIN PUC/SP - 2000 – 2003 - Dout. JOSÉ GERALDO SILVEIRA BUENO (FUNDECTMS) Nilceia Protásio Campos UFMS (CAPES) 27 UFMS 27 UFMS 28 UFU 27 Carmen Lúcia de Almeida UFU 28 Graça Aparecida Cicillini UFU 28 Fátima A. Silveira Greco UFU 24 Selva Guimarães Fonseca UFU 24 UFPA (PNOPG/CNPq) 28 Fabiany de Cássia Tavares Silva PUC/SP - 1994 – 1996 - Mest. UFU – Universidade Federal Uberlândia Grupo de Pesquisa em História e Historiografia da Educação Brasileira – UFU – 1992 Wenceslau Goncalves Neto Jose Carlos Souza Araujo Haroldo de Resende Salma Tannus Muchail PUC/SP - 1998 – 2002 -Dout. Regina Célia de Santis Feltran Graça Aparecida Cicillini UFU - 1993 - 1996 -Mest. UFU - 2003 – 2005 - Mest. Desenvolvimento Profissional e Docência Universitária: saberes e práticas educativas – UFU – 2003 Graça Aparecida Cicillini Silvana Malusá Baraúna Docência e formação para o ensino de Ciências e Matemática – UFU – 2008 Marcos Daniel Longhini Graça Aparecida Cicillini Grupo de Pesquisa em Educação e Culturas Populares – UFU – 2009 Gercina Santana Novais Benerval Pinheiro Santos Hilário Francalanza UNICAMP - 1993 – 1997 - Dout. Décio Pacheco UNICAMP - 1985 – 1989 - Mest. ESCOLA/CULTURA/CONHECIMENTO/COTIDIANO – USP – 1994 Sonia Teresinha de Sousa Penin Elba Siqueira de Sá Barretto Selva Guimarães Fonseca UFU - 1999 – 2000 -Mest. Formação Docente, Saberes e Práticas de Ensino de História e Geografia – UFU – 2000 Selva Guimarães Fonseca Iara Guimarães Formação e Profissionalização Docente – UFG – 1999 Valter Soares Guimarães Pós-Doutorado . UNICAMP - 2006-2007 Marcos Antonio Silva USP - 1992 – 1996 - Dout. USP - 1988 – 1991 - Mest. UFPA – Universidade Federal do Pará DIFERE - Grupo de Pesquisa Diferença e Educação – UFPA – 2008 Josenilda Maria Maués da Silva FILOSOFIAS DA DIFERENÇA E EDUCAÇÃO NA CONTEMPORANEIDADE – UFPA – 2007 Josenilda Maués Jadson Fernando Garcia Gonçalves GEPEGE-Grupo de Estudos e Pesquisa Gênero e Educação – UFPA – 2006 Joyce Otânia Seixas Ribeiro Vilma Nonato de Brício NEPEC: Núcleo de Estudos e Pesquisas em Currículo – UFPA - 2002 Marcos Antonio da Silva 386 Paulo Sérgio de Almeida Corrêa Mere Abramowicz PUC/SP - 1994 – 1998 - Dout. Antonio Chizzoti PUC/SP - 1990 – 1993 - Mest. Josenilda Maria Maués da Silva UCDB – Universidade Católica Dom Bosco UFPA 29 Adir Casaro Nascimento UCDB 29 UFMT – Universidade Federal Mato Grosso UERJ - 2002 – 2006 - Dout. Ozerina Victor de Oliveira UFMT - 1994 – 1997 - Mest. UFMT UFMT 26 28 Educação e Interculturalidade – UCDB – 2005 Adir Casaro Nascimento Antonio Jacó Brand Programa Kaiowá/Guarani – UCDB - 1996 Antonio Jacó Brand Leandro Skowronski Jayme Wanderley UNESP - 1996 – 2000 - Dout. Gasparotto Sarita Maria Affonso Moyses UFMS - 1988 – 1991 -Mest. Elizabeth Fernandes Macedo Olga Maria Por Deus Évora UFPR – Universidade Federal Paraná Práticas pedagógicas: elementos articuladores – UTP – 2002 Maria Antônia de Souza Joe de Assis Garcia Ivani Fazenda PUC/SP - 1996 – 1999 - Dout. Joe Garcia José Alberto Pedra UFPR - 1992 – 1995 -Mest. Grupo Interdisciplinar de Estudos e Pesquisas para o Desenvolvimento Sustentável do Litoral do Paraná – UFPR – 2006 Valdo José Cavallet Rodrigo Arantes Reis Sandra Mara Corazza UFRGS – 2001-2006 Dout. Edmundo Rabusk PUC/SP – 1996-1998 Mest. Elizabeth Fernandes de Macedo UFPR 18 Cláudia Madruga Cunha SMEJF - Secretaria Municipal de Educação de Juiz de Fora UERJ - 2002 – 2004 - Mest. Denise de Souza Destro UFES – Universidade Federal do Espírito Santo COTIDIANO ESCOLAR E CURRÍCULO – UERJ – 1997 Inês Barbosa de Oliveira Nilda Guimarães Alves Currículos, cotidianos, culturas e redes de conhecimentos – UFES – 2007 Carlos Eduardo Ferraço Janete Magalhaes Carvalho Formação de professores e práticas pedagógicas – UFES – 1992 Sandra Kretli Janete Magalhaes Carvalho Regina Helena Silva Simões Janete Magalhães Carvalho UFES - 200? – 2006 - Mest. Especialização em Formação de Especialista em Educação Janete Magalhães Carvalho UFES - 2000 – 2002 -Lato-sensu Janete Magalhães Carvalho UFES - 2004-2006 -Mest. Carlos Eduardo Ferraço UFES - 2004 – 2006 - Met. UFPR SMEJF (CNPq, FAPERJ) SMEJF (FAPERJ / CNPq) 26 28 UFES 30 Sammy William Lopes UFES 29 Angela Francisca Caliman Fiorio PPGE / UFES 30 Carlos Eduardo Ferraço UFES 20 UFES - 2008 –Doutorando Currículos, cotidianos, culturas e redes de conhecimentos – UFES – 2007 Carlos Eduardo Ferraço Janete Magalhaes Carvalho 387 Currículos, redes educativas e imagens – UERJ – 2008 Nilda Guimarães Alves Carlos Eduardo Ferraço Formação de professores e práticas pedagógicas – UFES – 1992 Janete Magalhaes Carvalho Regina Helena Silva Simões Pós-Doutorado UERJ - 2007 Alberto Villani Nilda Guimarães Alves Regina Leite garcia USP - 1996 – 2000 -Dout. UFF - 1985 – 1989 - Mest. UFES 22 DASE/CP/UFES 23 UFPB 30 UFPel 29 UFPel 29 Maria Cecilia Lorea Leite UFPel 29 Jarbas Santos Vieira UFPel 29 Bárbara Regina Gonçalves Vaz Duarte UFPel 29 Maria Manuela Alves Garcia UFPel 31 UFMA 30 UFPB – Universidade Federal da Paraíba Globalização e educação do tempo presente – UFPB – 2008 Afonso Celso Caldeira Scocuglia Emília Maria da Trindade Prestes Grupo de Estudos e Pesquisas em Políticas Curriculares – UFPB – 2002 Maria Zuleide da Costa Pereira Rita de Cassia Cavalcanti Porto Pós-Doutorado UERJ - 2008 Cleiton de Oliveira UNIMEP - 1997 – 2001 - Dout. Esperdito Pedro da Silva Maria Zuleide da Costa Pereira UFPB - 1990 – 1995 -Mest. UFPel – Universidade Federal de Pelotas Enfermagem, Saúde Mental e Saúde Coletiva – UFPEL – 2000 Luciane Prado Kantorski Gestão, Currículo e Políticas Educativas - UFPEL – 2004 Maria Cecilia Lorea Leite Álvaro Luiz Moreira Hypólito Michael W. Apple University of Wisconsin - Madison, U.W., Estados Unidos - 1997 – 2004 -Dout. Leila Alvarenga Mafra. UFMG - 1989 – 1994 - Mest. Gestão, Currículo e Políticas Educativas – UFPEL - 2004 Maria Cecilia Lorea Leite Álvaro Luiz Moreira Hypólito Grupo de Estudos Inovação e Avaliação na Universidade – UFRGS – 1989 Denise Balarine Cavalheiro Leite Ana Maria e Souza Braga Núcleo de Estudos em Práticas de Saúde e Enfermagem – NEPEn – UFPEL – 1994 Maira Buss Thofehrn Denise Balarine Cavalheiro UFRGS - 1998 – 2003 -Dout. Leite Nestor Luis João Beck. PUC RS - 1989 – 1994 -Mest. Processo de Trabalho Docente – UFPEL – 1999 Marcia Ondina Vieira Ferreira Pós-Doutorado . Universidad de Barcelona, U.B., Espanha - 2003 – 2004 Alceu Ravanello Ferraro UFRGS - 1996 – 2000 - Dout. Tomaz Tadeu da Silva. UFRGS - 1989 – 1991 - Mest. Álvaro Moreira Hypólito UFPEL - 2006 – 2008 -Mest. Processo de Trabalho Docente – UFPEL - 1999 Marcia Ondina Vieira Ferreira Tomaz Tadeu da Silva UFRJ - 1996 – 2000 -Dout. Magda Becker Soares UFMG - 1991 – 1994 -Mest. Alvaro Luiz Moreira Hypolito UFMA – Universidade Federal Maranhão Núcleo de estudos e documentação em historia da educação e das práticas leitoras no Maranhão – UFMA – 2005 Cesar Augusto Castro César Augusto Castro 388 Pós-Doutorado USP - 2005 – 2006 Denise Barbar Catani Else Benetti Marques USP - 1994 – 1998 - Dout. PUC Campinas - 1992 – 1993 - Mest. UFRN – Universidade Federal Rio Grande do Norte Currículo, Saberes e Práticas Educativas – UFRN - 1998 Marcia Maria Gurgel Ribeiro Francisca Lacerda de Gois Márcia Maria Gurgel Ribeiro UFRN - 2007 – Doutorando Márcia Maria de Oliveira UFPE - 2003 – 2005 - Mest. Melo Grupo de Pesquisa sobre Inclusão, Exclusão e Diversidade – UFPB - 2007 Roberto Jarry Richardson Wilson Honorato Aragão Roberto Jarry Richardson UFPB – 2008 – Doutorando UERN 29 UFRN 30 UFRN 30 Isabel Maria Andrade Silva UFCe 19 Maria Nobre Damasceno UFCe 19 Jouberth Max Aires UFC 24 UTO 19 Luiza Cortesão CIIE/UP 19 Stephen R. Stoer CIIE/UP 19 IMS 20 Débora Maria do Nascimento Maria Edgleuma de Andrade UFPB – 2003 – 2005 -Mest. Janete Maria Lins de Azevedo UFCe – Universidade Federal do Ceará Não foi encontrado currículo lattes Saber e prática social do educador – UFC - 1989 Jacques Therrien Maria Nobre Damasceno Alceu R. Ferraro UFRGS -1979 – 1983 - Dout. Fernando Leiton UFSM - 1972-1973 - Mest. Grupo de Estudos e Pesquisas em Etnicidade - UECE - 2007 Jouberth Max Maranhão Piorsky Aires Isabelle Braz Peixoto da Silva GRUPO DE ESTUDOS E PESQUISAS ÉTNICAS – UFC – 2005 Isabelle Braz Peixoto da Silva Jouberth Max Maranhão Piorsky Aires LEME - Laboratório de Estudos em Movimentos Étnicos – UFCG – 2004 Rodrigo de Azeredo Grünewald Clarice Novaes da Mota Núcleo de Estudos, Pesquisa e Extensão: Gestão Pública e Desenvolvimento Urbano – UECE - 1997 Geovani Jacó de Freitas Maria de Lourdes Peixoto UFC – 2001 – 2005 - Dout. Brandão UTO - Universidade do Tocantins EDUNTIC, Educação e Novas Tecnologias da Informação e da Comunicação – UNITINS – 2003 Geraldo da Silva Gomes Gestão Social – EaD – UNITINS – 2007 Fernando Lothario da Roza Elidio Luiz Martinelli Pós-Doutorado . UFBA – 2006 Alberto Efendy Maldonado de la Torre. UNISINOS – 2001 – 2004 -Dout. José Luiz Domingues UFG – 1993-1995 – Mest. Geraldo da Silva Gomes CIIE/UP - Universidade do Porto Autores estrangeiros IMS (RJ ) - Instituto Moreira Salles FormAção - Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Formação do Educador – UMESP - 1995 Marília Claret Geraes Duran Norinês Panicacci Bahia GEPEAD - Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Educação a Distância/FACELUMESP – 2006 Marília Claret Geraes Duran 389 Norinês Panicacci Bahia Edna Maria Barian Perrotti Políticas Educacionais e Gestão Escolar – UCG – 1998 Iria Brzezinski Maria Esperança Fernandes Carneiro Pós-doutorado Fundação Carlos Chagas – 2008 Maria Laura Puglisi Barbosa Franco Maria Laura Puglisi Barbosa Franco Especialização Lato-sensu PUC/SP – 1990-1995 – Dout. PUC/SP – 1985-1988 – Mest. USP – 1975-1976 Maria Lúcia Monteiro Júlio IMS 20 UEPA 19 BIBB 21 Graciela Cappelletti UNQ 23 Silvina Feeney UNQ 23 UNLP 24 UBA UBA UBA UBA UBA UBA UBA UBA UBA UBA UBA UBA 18 25 25 25 25 26 26 18 24 18 19 24 UEPA - Universidade do Estado do Pará GEPES/UFPA – UFPA – 1996 Vera Lúcia Jacob Chaves Arlete Maria Monte de Camargo Grupo de Estudo e Pesquisa em Educação do Campo na Amazônia – UFPA – 2002 Salomao Antonio Mufarrej Hage Maria Natalina Mendes Freitas UNIVERSITAS/RIES – PUC-RS Marilia Costa Morosini Alípio Casali PUC/SP – 1996-2000 – Dout. Michael W. Apple Universidade de Wisconsin-Madison, UWMadison, Estados Unidos – 1998-1999 Doutorado Sanduíche Ana Maria Saul PUC/SP – 1993-1995 – Mest. Livre-docência Universitat Frankfurt an Main - Johann Wolfgang Goethe, JWGUF, Alemanha - 1986 JWGUF - 1968 – 1972 – Dout. Universitat Frankfurt an Main - Johann Wolfgang Goethe, JWGUF, Alemanha - 1961-1967 – Mest. Salomão Mufarrej Hage BIBB - Bundesisntitut für Berufsbildung Alemanha Martin Vogel. Ludwig von Friedeburg Werner Markert UNQ - Universidade Nacional de Quilmes, Argentina Autores estrangeiros UNLP - Universidade Nacional de La Plata, Argentina Autora estrangeira Autores estrangeiros María Elena Martínez UBA - Universidad de Buenos Aires Daniel Suárez Estela Cols; Alejandra Amantea Graciela Cappelletti Silvina Feeney; Silvina Gvirtz Silvina Larripa Angela Oría Mariano Ismael Palamidessi Daniel Ricardo Feldman 390 Apêndice C — Mapeamento dos grupos de pesquisa, instituição e formação dos autores que publicaram na sessão Trabalhos Encomendados Grupos de pesquisa/Instituição/Formação/Orientador Instituição Currículos, cotidianos, culturas e redes de conhecimentos – UFES – 2007 Carlos Eduardo Ferraço Janete Magalhaes Carvalho Currículos, redes educativas e imagens – UERJ – 2008 Nilda Guimarães Alves Carlos Eduardo Ferraço Formação de professores e práticas pedagógicas – UFES – 1992 Janete Magalhaes Carvalho Regina Helena Silva Simões Pós-Doutorado UERJ - 2007 Alberto Villani COTIDIANO ESCOLAR E CURRÍCULO – UERJ -1997 Inês Barbosa de Oliveira Nilda Guimarães Alves Pós-Dout. Universidade de Coimbra. 2002 – 2002 Jean Houssaye Université de Sciences Humaines de Strasbourg 1989 – 1993 Dout. Carlos Alberto Plastino Instituto de Altos Estudos Em Educação 1984 – 1988 Mest. Currículo, história e poder – CUML - 2001 Natalina Aparecida Laguna Sicca Maria Cristina da Silveira Galan Fernandes Marcus Vinicius da Cunha UNESP - 2000 – 2004 – Dout. UFES Palestrante 27ª 2004 Roberto Konduru UERJ Palestrante 27ª 2004 Inês Barbosa de Oliveira UERJ Coorden. 27ª 2004 Alessandra David Moreira da Costa CUML Palestrante 28ª 2005 CUML Palestrante 28ª 2005 CUML Palestrante 28ª 2005 UNESP – 1994 – 1997 – Mest. Currículo, história e poder – CUML - 2001 Natalina Aparecida Laguna Sicca Maria Cristina da Silveira Galan Fernandes Interdisciplinaridade e Ciência do Sistema Terra como Eixos para o Ensino Básico – UNICAMP – 2004 Pedro Wagner Gonçalves Natalina Aparecida Laguna Sicca Tárcia Regina da Silveira Dias UNESP - 1998 – 2002 – Dout. Norma Telles Carlos Eduardo Ferraço Reunião Anual Instituição USP - 1996 – 2000 -Dout. Nilda Guimarães Alves UFF - 1985 – 1989 - Mest. Regina Leite garcia Instituições, Práticas Educativas e História – UERJ - 2004 Ana Chrystina Venancio Mignot José Gonçalves Gondra NUCLEAR - Núcleo de Livres Estudos de Arte e Cultura Contemporânea – UERJ – 1998 Vera Beatriz Cordeiro Siqueira Roberto Luís Torres Conduru Ana Maria Mauad de Sousa UFF - 1995 – 2000 – Dout. Andrade Essus Ronaldo Brito Fernandes PUC/RJ - 1990 – 1994 – Mest. Alzira Lobo de Arruda Campos Nome Maria Cristina da Silveira Galan Fernandes PUC/SP - 1989 – 1994 – Mest. Ambiente Virtual de Apoio ao Letramento Estatístico – AVALE – UESC – 2008 José Cláudio Faria Irene Mauricio Cazorla Psicologia da Educação Matemática – UNICAMP – 1989 Marcia Regina F Brito Dias Claudette Maria Medeiros Vendramini Miriam Cardoso Utsumi 391 Marcia Regina Ferreira de Brito Dias Cleiton de Oliveira UNICAMP - 1997 – 2000 – Dout. UNICAMP – 1993-1995 – Mest. Ambiente Virtual de Apoio ao Letramento Estatístico – AVALE – UESC – 2008 José Cláudio Faria Irene Mauricio Cazorla Psicologia da Educação Matemática – UNICAMP – 1989 Marcia Regina F Brito Dias Claudette Maria Medeiros Vendramini Décio Pacheco UNICAMP - 1991 – 1996 – Dout. Décio Pacheco CUML Palestrante 28ª 2005 UERJ Palestrante 28ª 2005 UERJ Palestrante 28ª 2005 UERJ Palestrante 28ª 2005 UERJ Palestrante 28ª 2005 UFES Palestrante 28ª 2005 UNICAMP – 1984 – 1990 – Mest. Políticas de currículo em contextos disciplinares – UERJ – Currículo: sujeitos, conhecimento e cultura – UERJ - 2004 Elizabeth Fernandes de Macedo Alice Ribeiro Casimiro Lopes Antonio Flavio Barbosa UFRJ - 1992 – 1996 – Dout. Moreira José Américo da Motta Pessanha Natalina Aparecida Laguna Sicca Alice Casimiro Lopes Instituto de Estudos Avançados em Educação - 1987 – 1990 – Mest. Currículo de ciências: uma abordagem cultural – UERJ – Currículo: sujeitos, conhecimento e cultura – UERJ -2004 Elizabeth Fernandes de Macedo Alice Ribeiro Casimiro Lopes Pós-doutorado University of British Columbia. 2007 LILI KATSUCO KAWAMURA Unicamp - 1993-1997 - Dout. LILIA DA ROCHA BASTOS UFRJ - 1990-1992 - Mest. Redes de conhecimentos e práticas emancipatórias no cotidiano escolar GRPESQ Currículo e Cotidiano Escolar – UERJ COTIDIANO ESCOLAR E CURRÍCULO – UERJ -1997 Inês Barbosa de Oliveira Nilda Guimarães Alves Pós-Dout. Universidade de Coimbra. 2002 – 2002 Jean Houssaye Université de Sciences Humaines de Strasbourg 1989 – 1993 Dout. Carlos Alberto Plastino Instituto de Altos Estudos Em Educação 1984 – 1988 Mest. COTIDIANO ESCOLAR E CURRÍCULO – UERJ - 1997 Inês Barbosa de Oliveira Nilda Guimarães Alves Currículos, redes educativas e imagens – UFES -2008 Nilda Guimarães Alves Carlos Eduardo Ferraço Pós-doutorado Institut Nacional de Recherche Pédagogique - 1989-1990 Vivianne Isambert-Jamati Dout. Universite de Paris V (Rene Descartes), U.P. V, França – 19781980 – Dout. COTIDIANO ESCOLAR E CURRÍCULO – UERJ – 1997 Inês Barbosa de Oliveira Nilda Guimarães Alves Currículos, cotidianos, culturas e redes de conhecimentos – UFES – 2007 Carlos Eduardo Ferraço Janete Magalhaes Carvalho Formação de professores e práticas pedagógicas – UFES – 1992 Janete Magalhaes Carvalho Regina Helena Silva Simoes Pós-Doutorado Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa - 2008 Elizabeth Macedo Inês Barbosa de Oliveira Nilda Alves Janete Magalhães Carvalho, 392 Pós-Doutorado UERJ - 2007 – 2008 Maria de Loudes de Albuquerque Fávero. Vera Maria Ferrão Candau. Jack Conrad Willers UFRJ - 1987 – 1992 – Dout. PUC/RJ - 1974 – 1977 – Mest. Vanderbilt University. - 1988 – 1992 – Dout. Jack Conrad Willers George Peabody College – 1978-1979 – Mest. Currículos, cotidianos, culturas e redes de conhecimentos – UFES – 2007 Carlos Eduardo Ferraço Janete Magalhaes Carvalho Currículos, redes educativas e imagens – UERJ – 2008 Nilda Guimarães Alves Carlos Eduardo Ferraço Formação de professores e práticas pedagógicas – UFES – 1992 Janete Magalhaes Carvalho Regina Helena Silva Simões Pós-Doutorado UERJ - 2007 Alberto Villani Nilda Guimarães Alves Regina Leite garcia Newton Lins Sucupira UFRJ - 1980 – 1986 - Dout. Politica e Sociologia da Educação – UFJF – 2002 Beatriz de Basto Teixeira Rosimar de Fátima Oliveira Maria Victória de Mesquita USP - 1996 – 2000 - Dout. Benevides Soares Lisandre Maria Castello USP - 1991-1995 -Mest. Branco Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Currículos e Culturas (GECC) – UFMG – 2004 Marlucy Alves Paraíso Lucíola Licínio de Castro Paixão Santos Núcleo de Estudos sobre Trabalho e Educação – UFMG – 1995 Antonio Julio de Menezes Neto Hormindo Pereira de Souza Junior Pós-Doutorado Universidade de Valencia -2008 – 2009 Antônio Flávio Barbosa UFRJ - 1999 – 2002 -Dout. Moreira Tomaz Tadeu da Silva UFRGS - 1993 – 1995 - Mest. Currículo e Formação Docente – UFMG - 2002 Lucíola Licínio de Castro Paixão Santos Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Currículos e Culturas (GECC) – UFMG – 2004 Marlucy Alves Paraíso Lucíola Licínio de Castro Paixão Santos Grupo de Estudos sobre Política Educacional e Trabalho Docente – GESTRADO – UFMG - 2002 Dalila Andrade Oliveira Adriana Maria Cancella Duarte Pós-Doutorado University of London. – 2003-2004 Péricles Trevisan UFES Palestrante 28ª 2005 Carlos Eduardo Ferraço UFES Palestrante 28ª 2005 UFF Palestrante 28ª 2005 Palestrante 28ª 2005 UFMG Palestrante 28ª 2005 UFMG Palestrante 28ª 2005 USP - 1996 – 2000 -Dout. UFF - 1985 – 1989 - Mest. Alfabetização dos alunos e alunas das classes populares - UFF - 1987 Regina Leite Garcia Maria Teresa Esteban do Valle Pós-Doutorado University of Wisconsin – Madison 1994 Pós-Doutorado University of London - 1993 Charles Posner. Regina Simões University of London - 1984 – 1989 – Dout. UFSCAR - 1978 – 1980 – Mest. Regina Leite Garcia Beatriz de Basto Teixeira Marlucy Alves Paraíso Lucíola L. de Castro Paixão Santos UFJF 393 ESCOLA, IDENTIDADES E CULTURAS – UCP – 2004 Antonio Flavio Barbosa Moreira Marlene Alves de Oliveira Carvalho NEC - Núcleo de Estudos de Currículo – UFRJ – 1992 Antonio Flavio Barbosa Moreira Marcia Serra Ferreira Observatório de cultura escolar – UFMS – 2006 Eurize Caldas Pessanha Fabiany de Cássia Tavares Silva WERNER MARKET UFRJ - 1991 – 1997 - Dout. ROBERT EVAN VERHINE Palestrante 28ª 2005 Maria Zuleide da Costa Pereira UFPB Palestrante 28ª 2005 UFPB Palestrante 28ª 2005 UFRJ Palestrante 28ª 2005 UFRJ Palestrante 28ª 2005 UFRGS / ULBRA Palestrante 28ª 2005 UNICAMP Palestrante 28ª 2005 UNICAMP Palestrante 28ª 2005 UNIMEP - 1997 – 2001 - Dout. Esperdito Pedro da Silva UFPB - 1990 – 1995 -Mest. Grupo de Estudos e Pesquisas em Políticas Curriculares – UFPB - 2002 Maria Zuleide da Costa Pereira Rita de Cassia Cavalcanti Porto UFRN - 1997 – 2001 – Dout. Werner Markert Evaldo Amaro Vieira UNICAMP - 1977 – 1981 – Mest. ESCOLA, IDENTIDADES E CULTURAS – UCP – 2004 Antonio Flavio Barbosa Moreira Marlene Alves de Oliveira Carvalho NEC - Núcleo de Estudos de Currículo – UFRJ – 1992 Antonio Flavio Barbosa Moreira Marcia Serra Ferreira Michael Young University of London, UL, Inglaterra 1984 – 1988 – Dout. Teresinha Accioly Corseuil UFRJ - 1974 – 1978 – Mest. Granato NEC - Núcleo de Estudos de Currículo – UFRJ - 1992 Antonio Flavio Barbosa Moreira Marcia Serra Ferreira Antonio Flavio Barbosa UFRJ – 1999-2005 – Dout. Moreira Pedro Benjamim Garcia PUC/RJ - 1991 – 1995 – Mest. Grupo de estudos e pesquisas em currículo e pósmodernidade – UFRGS – ULBRA – 2001 Alfredo Veiga-Neto Tomaz Tadeu da Silva. UFRGS - 1992 – 1996 – Dout. LABORATORIO DE ESTUDOS AUDIOVISUAIS – UNICAMP - OLHO 1994 Milton José de Almeida Hilario Fracalanza. UNICAMP - 1997 – 2000 - Dout. Hilario Fracalanza UFMS UFBA - 1983 – 1989 -Mest. Globalização e educação do tempo presente – UFPB – 2008 Afonso Celso Caldeira Scocuglia Emília Maria da Trindade Prestes Grupo de Estudos e Pesquisas em Políticas Curriculares – UFPB – 2002 Maria Zuleide da Costa Pereira Rita de Cassia Cavalcanti Porto Pós-Doutorado UERJ - 2008 Cleiton de Oliveira Eurize Caldas Pessanha Arlete Pereira Moura Antonio Flavio Barbosa Moreira Marcia Serra Ferreira Alfredo Veiga-Neto Antonio Carlos Rodrigues de Amorim UNICAMP - 1993 – 1995 -Mest. Corinta Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Superior – UNICAMP – 1992 Elisabete Monteiro de Aguiar Pereira Jose Dias Sobrinho Livre-docência UNICAMP – 2007 José Camilo dos Santos Filho UNICAMP – 1985 – 1989 – Dout. Denis Porter University of Sheffield, SHEFFIELD, Elisabete Monteiro de Aguiar Pereira 394 Inglaterra - 1977 – 1979 – Mest. Grupo de Pesquisa em Educacao Aplicada as Geociências – UNICAMP – 1983 Mauricio Compiani Silvia Fernanda de Mendonça Figueirôa Interdisciplinaridade e Ciência do Sistema Terra como Eixos para o Ensino Básico – UNICAMP – 2004 Pedro Wagner Gonçalves Natalina Aparecida Laguna Sicca Roberto Romano da Silva. UNICAMP – 1991 – 1997 – Dout. Silvia Maria Manfredi. UNICAMP – 1983 – 1989 – Mest. Currículo, história e poder – CUML - 2001 Natalina Aparecida Laguna Sicca Maria Cristina da Silveira Galan Fernandes Interdisciplinaridade e Ciência do Sistema Terra como Eixos para o Ensino Básico – UNICAMP – 2004 Pedro Wagner Gonçalves Natalina Aparecida Laguna Sicca Décio Pacheco UNICAMP - 1991 – 1996 – Dout. Décio Pacheco UNICAMP – 1984 – 1990 – Mest. POLÍTICAS PÚBLICAS DE CURRÍCULO E AVALIAÇÃO – UNIVALI – 2000 Cassia Ferri Amândia Maria de Borba Mere Abramowicz PUC/SP - 1995 – 1999 – Dout. Mere Abramowicz Palestrante 28ª 2005 Natalina A.L. Sicca UNICAMP Palestrante 28ª 2005 Amândia Maria de Borba UNIVALI Palestrante 28ª 2005 UNIVALI Palestrante 28ª 2005 UNIVALI Palestrante 28ª 2005 UERJ Coorden. 28ª 2005 Antonio Carlos Rodrigues de Amorim UNICAMP Coorden. 28ª 2005 Antonio Carlos Rodrigues de Amorim UNICAMP Palestrante 29ª 2006 Cássia Ferri UFSC - 1991-1994 - Mest. POLÍTICAS PÚBLICAS DE CURRÍCULO E AVALIAÇÃO – UNIVALI – 2000 Cassia Ferri Amândia Maria de Borba Stephen M Fain. Florida International University - 1998 – 2001 – Dout. Mere Abramowicz PUC/SP - 1994 – 1996 – Mest. COTIDIANO ESCOLAR E CURRÍCULO – UERJ -1997 Inês Barbosa de Oliveira Nilda Guimarães Alves Pós-Dout. Universidade de Coimbra. 2002 – 2002 Jean Houssaye Université de Sciences Humaines de Strasbourg 1989 – 1993 Dout. Carlos Alberto Plastino Instituto de Altos Estudos Em Educação 1984 – 1988 Mest. LABORATORIO DE ESTUDOS AUDIOVISUAIS – UNICAMP - OLHO 1994 Milton José de Almeida Hilario Fracalanza. UNICAMP - 1997 – 2000 - Dout. Hilario Fracalanza UNICAMP PUC/SP - 1990 – 1993 – Mest. POLÍTICAS PÚBLICAS DE CURRÍCULO E AVALIAÇÃO – UNIVALI – 2000 Cassia Ferri Amândia Maria de Borba MERE ABRAMOWICZ PUC/SP - 1996 – 2000 - Dout. MARIA OLY PEY Pedro W. Gonçalves Verônica Gesser Inês Barbosa Oliveira UNICAMP - 1993 – 1995 -Mest. LABORATORIO DE ESTUDOS AUDIOVISUAIS – UNICAMP - OLHO 1994 Milton José de Almeida 395 Hilario Fracalanza. UNICAMP - 1997 – 2000 - Dout. Hilario Fracalanza UNICAMP - 1993 – 1995 -Mest. GRUPO DE ESTUDOS E PESQUISAS EM CURRÍCULO E PÓSMODERNIDADE – UFRGS – ULBRA – 2001 Alfredo Veiga-Neto Tomaz Tadeu da Silva. UFRGS - 1992 – 1996 – Dout. Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Currículos e Culturas (GECC) – UFMG – 2004 Marlucy Alves Paraíso Lucíola Licínio de Castro Paixão Santos Núcleo de Estudos sobre Trabalho e Educação – UFMG – 1995 Antonio Julio de Menezes Neto Hormindo Pereira de Souza Junior Pós-Doutorado Universidade de Valencia -2008 – 2009 Antônio Flávio Barbosa UFRJ - 1999 – 2002 -Dout. Moreira Tomaz Tadeu da Silva UFRGS - 1993 – 1995 - Mest. Currículo e Formação Docente – UFMG - 2002 Lucíola Licínio de Castro Paixão Santos Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Currículos e Culturas (GECC) – UFMG – 2004 Marlucy Alves Paraíso Lucíola Licínio de Castro Paixão Santos Grupo de Estudos sobre Política Educacional e Trabalho Docente – GESTRADO – UFMG - 2002 Dalila Andrade Oliveira Adriana Maria Cancella Duarte Pós-Doutorado University of London. – 2003-2004 Charles Posner. University of London - 1984 – 1989 – Dout. Péricles Trevisan UFSCAR - 1978 – 1980 – Mest. COTIDIANO ESCOLAR E CURRÍCULO – UERJ - 1997 Inês Barbosa de Oliveira Nilda Guimarães Alves Currículos, redes educativas e imagens – UFES -2008 Nilda Guimarães Alves Carlos Eduardo Ferraço Pós-doutorado Institut Nacional de Recherche Pédagogique - 1989-1990 Vivianne Isambert-Jamati Dout. Universite de Paris V (Rene Descartes), U.P. V, França – 19781980 – Dout. Currículos, redes educativas e imagens – UERJ - 2008 Nilda Guimarães Alves Carlos Eduardo Ferraço Nilda Guimarães Alves UERJ - 2002-2005 - Dout. Nilda Guimarães Alves Alfredo Veiga-Neto UFRGS / ULBRA Palestrante 29ª 2006 Marlucy Alves Paraíso UFMG Palestrante 29ª 2006 Lucíola L. de C. Paixão Santos UFMG Palestrante 29ª 2006 Nilda Alves UERJ Palestrante 29ª 2006 Paulo Sgarbi UERJ Palestrante 29ª 2006 Mailsa Passos UERJ Palestrante 29ª 2006 Stela Guedes Caputo UERJ Palestrante Alexandra Garcia Ferreira Lima UERJ Palestrante UERJ - 2000-2002 - Mest. Currículos, redes educativas e imagens – UERJ - 2008 Nilda Guimarães Alves Carlos Eduardo Ferraço Políticas Públicas, Gestão Educacional e Participação Cidadã – UFPB – 2007 Virgínia de Oliveira Silva Marilia Lopes de Campos Pós-doutorado UERJ - 2005-2006 Tania Dauster. PUC/RJ - 2000-2004 -Dout. Nilda Guimarães Alves UERJ - 1996-1999 - Mest. COTIDIANO ESCOLAR E CURRÍCULO – UERJ - 1997 Inês Barbosa de Oliveira 29ª 2006 29ª 2006 396 Nilda Guimarães Alves Inês Barbosa de Oliveira UERJ – 2006 – Doutorando Inês Barbosa de Oliveira UERJ – 2001-2003 – Mest. COTIDIANO ESCOLAR E CURRÍCULO – UERJ -1997 Inês Barbosa de Oliveira Nilda Guimarães Alves Pós-Dout. Universidade de Coimbra. 2002 – 2002 Jean Houssaye Université de Sciences Humaines de Strasbourg 1989 – 1993 Dout. Carlos Alberto Plastino Instituto de Altos Estudos Em Educação 1984 – 1988 Mest. Currículo: sujeitos, conhecimento e cultura – UERJ - 2004 Elizabeth Fernandes de Macedo Alice Ribeiro Casimiro Lopes Antonio Flavio Barbosa UFRJ - 1992 – 1996 – Dout. Moreira José Américo da Motta Instituto de Estudos Avançados em Pessanha Educação - 1987 – 1990 – Mest. ESCOLA, IDENTIDADES E CULTURAS – UCP – 2004 Antonio Flavio Barbosa Moreira Marlene Alves de Oliveira Carvalho NEC - Núcleo de Estudos de Currículo – UFRJ – 1992 Antonio Flavio Barbosa Moreira Marcia Serra Ferreira OBSERVATÓRIO DE CULTURA ESCOLAR – UFMS – 2006 Eurize Caldas Pessanha Fabiany de Cássia Tavares Silva WERNER MARKET UFRJ - 1991 – 1997 - Dout. ROBERT EVAN VERHINE UFBA - 1983 – 1989 -Mest. Educação, Arte e Inclusão – UDESC – 2006 Maria Cristina da Rosa Fonseca da Silva Geovana Mendonça Lunardi Mendes OBSERVATÓRIO DE CULTURA ESCOLAR – UFMS – 2006 Eurize Caldas Pessanha Fabiany de Cássia Tavares Silva ALDA JUNQUEIRA MARIN PUC/SP - 2000 – 2003 - Dout. JOSÉ GERALDO SILVEIRA PUC/SP - 1994 – 1996 - Mest. BUENO Educação Científica, Arte e Cultura Popular – UFSJ – 2006 Priscila Correia Fernandes FUPE-Grupo multidisciplinar de pesquisa em fundamentos da prática educativa – UFSJ – 2002 Écio Antônio Portes Grupo de Pesquisa em Ensino de Ciências e Matemática – UFSJ – 2008 Heitor Antônio Gonçalves Linguagem e Cognição em Salas de Aula de Ciências – UFSJ – 1994 Eduardo Fleury Mortimer Orlando Gomes de Aguiar Júnior UFMG - 1999 – 2003 – Dout. Eduardo Fleury Mortimer Inês Barbosa Oliveira UERJ Palestrante 29ª 2006 Alice Casimiro Lopes UERJ Palestrante 29ª 2006 Eurize Caldas Pessanha UFRJ Palestrante 29ª 2006 Fabiany de Cássia Tavares Silva UFRJ Palestrante 29ª 2006 Murilo Cruz Leal UFSJ Palestrante 29ª 2006 Pedro Wagner Gonçalves UNICAMP Palestrante 29ª 2006 UFV - 1988 – 1991 – Mest. Maurílio Alves Moreira Grupo de Pesquisa em Educacao Aplicada as Geociências – UNICAMP – 1983 Mauricio Compiani Silvia Fernanda de Mendonça Figueirôa Interdisciplinaridade e Ciência do Sistema Terra como Eixos para o Ensino Básico – UNICAMP – 2004 Pedro Wagner Gonçalves 397 Natalina Aparecida Laguna Sicca Roberto Romano da Silva. UNICAMP – 1991 – 1997 – Dout. Silvia Maria Manfredi. UNICAMP – 1983 – 1989 – Mest. Ambiente Virtual de Apoio ao Letramento Estatístico – AVALE – UESC – 2008 José Cláudio Faria Irene Mauricio Cazorla Psicologia da Educação Matemática – UNICAMP – 1989 Marcia Regina F Brito Dias Claudette Maria Medeiros Vendramini Décio Pacheco UNICAMP - 1991 – 1996 – Dout. Décio Pacheco UNICAMP – 1984 – 1990 – Mest. Ensino-Aprendizagem em Música – UNIRIO – 2002 Regina Marcia Simão Santos Theogenes Eugenio Figueiredo Milton José Pinto UFRJ - 1992 – 1997 – Dout. ELZA VIEIRA DE SOUZA UFRJ - 1981 – 1986 – Mest. TEIXEIRA Ensino-Aprendizagem em Música – UNIRIO – 2002 Regina Marcia Simão Santos Theogenes Eugenio Figueiredo UNIRIO - 2003 – 2006 – Dout. REGINA MARCIA SIMÃO SANTOS Mauro Sa Rego Costa CBM - 1991 – 1994 – Mest. Ensino-Aprendizagem em Música – UNIRIO – 2002 Regina Marcia Simão Santos Theogenes Eugenio Figueiredo REGINA MARCIA SIMÃO UNIRIO - 2002 – 2004 – Mest. SANTOS Ensino-Aprendizagem em Música – UNIRIO – 2002 Regina Marcia Simão Santos Theogenes Eugenio Figueiredo Regina Mércia Simão Santos UNIRIO - 2005 – Mestrando GRUPO DE ESTUDOS E PESQUISAS EM EDUCAÇÃO CONTINUADA – GEPEC – UNICAMP – 1996 Guilherme do Val Toledo Prado Corinta Maria Grisolia Geraldi Práticas Culturais em Ensino de Matemática e Ciências – UNICAMP – 2008 Elisabeth Barolli Anna Regina Lanner de Moura VIOLAR: Laboratório de Estudos sobre Violência, Imaginário e Formação de Educadores – UNICAMP – 2002 Áurea Maria Guimarães Dirce Djanira Pacheco e Zan Roseli Pacheco Schnetzler UNICAMP – 1997 – 2000 – Dout. Roseli Pacheco Schnetzler UNICAMP – 1992 - 1995 – Mest. Currículo: sujeitos, conhecimento e cultura – UERJ -2004 Elizabeth Fernandes de Macedo Alice Ribeiro Casimiro Lopes Pós-doutorado University of British Columbia. 2007 LILI KATSUCO KAWAMURA Unicamp - 1993-1997 - Dout. LILIA DA ROCHA BASTOS UFRJ - 1990-1992 - Mest. Formação de Professores: Abordagens Múltiplas e Alternativas – UERJ – 2002 Henrique Garcia Sobreira Natalina Sicca UNICAMP Palestrante 29ª 2006 Regina Marcia Simão Santos UNIRIO Palestrante 29ª 2006 Elza Lancman Greif UNIRIO Palestrante 29ª 2006 Neila Ruiz Alfonso UNIRIO Palestrante 29ª 2006 Sérgio Sansão Simões UNIRIO Palestrante 29ª 2006 Maria Inês Petrucci Rosa UNICAMP Palestrante 29ª 2006 Elizabeth Macedo UERJ Palestrante 29ª 2006 UERJ Palestrante 29ª 2006 Aura Helena Ramos 398 Elizabeth Macedo UERJ – 2006 - Doutoranda Vera Maria Ferrao Candau PUC/RJ - 1984 – 1988 – Mest. Currículo: sujeitos, conhecimento e cultura – UERJ - 2004 Elizabeth Fernandes de Macedo Alice Ribeiro Casimiro Lopes Elizabeth Fernandes de Dout. 2005 – 2009 UERJ Macedo Elizabeth Fernandes de Mest. 2000 – 2003 UERJ Macedo Currículo: sujeitos, conhecimento e cultura – UERJ - 2004 Elizabeth Fernandes de Macedo Alice Ribeiro Casimiro Lopes Formação em diálogo: narrativas de professoras, currículos e culturas – UERJ – 2006 Jacqueline de Fátima dos Santos Morais Cláudia Hernandez Barreiros Elizabeth Fernandes de UERJ – 2003 – 2006 – Macedo Dout. Elizabeth Fernandes de UERJ – 1999 – 2001 – Mest. Macedo Currículo: sujeitos, conhecimento e cultura – UERJ - 2004 Elizabeth Fernandes de Macedo Alice Ribeiro Casimiro Lopes Elizabeth Fernandes de UERJ – 2005-2007 –Mest. Macedo Currículo: sujeitos, conhecimento e cultura – UERJ - 2004 Elizabeth Fernandes de Macedo Alice Ribeiro Casimiro Lopes Elizabeth Macedo UERJ – 2006 – Mestranda Débora Barreiros UERJ Palestrante 29ª 2006 UERJ Palestrante 29ª 2006 Patrícia Agostinho UERJ Palestrante 29ª 2006 Sonia Griffo Mattioda UERJ Palestrante 29ª 2006 UERJ Palestrante 29ª 2006 UERJ Palestrante 29ª 2006 UERJ Palestrante 29ª 2006 UERJ Palestrante 29ª 2006 Carmen Teresa Gabriel UFRJ Palestrante 29ª 2006 Carlos Eduardo Ferraço UFES Palestrante 29ª 2006 Antonio Carlos Rodrigues de Amorim UNICAMP Coorden. 29ª 2006 Rita de Cássia Frangella Alcione Correa Rita de Cássia Prazeres Frangella UERJ - 2004 – 2008 – Grad. Bonnie Axer Janaina Lins Renata Marinho NEC - Núcleo de Estudos de Currículo – UFRJ - 1992 Antonio Flavio Barbosa Moreira Marcia Serra Ferreira Oficinas de História – UERJ – 2004 Marcelo de Souza Magalhães Vera Maria Candau PUC/RIO - 2000 – 2003 – Dout. Vera Maria Candau PUC/RIO - 1997 – 1999 – Mest. Currículos, cotidianos, culturas e redes de conhecimentos – UFES – 2007 Carlos Eduardo Ferraço Janete Magalhaes Carvalho Currículos, redes educativas e imagens – UERJ – 2008 Nilda Guimarães Alves Carlos Eduardo Ferraço Formação de professores e práticas pedagógicas – UFES – 1992 Janete Magalhaes Carvalho Regina Helena Silva Simões Pós-Doutorado UERJ - 2007 Alberto Villani USP - 1996 – 2000 -Dout. Nilda Guimarães Alves UFF - 1985 – 1989 - Mest. Regina Leite garcia LABORATORIO DE ESTUDOS AUDIOVISUAIS – UNICAMP - OLHO 1994 Milton José de Almeida Hilario Fracalanza. UNICAMP - 1997 – 2000 - Dout. 399 Hilario Fracalanza UNICAMP - 1993 – 1995 -Mest. ESCOLA, IDENTIDADES E CULTURAS – UCP – 2004 Antonio Flavio Barbosa Moreira Marlene Alves de Oliveira Carvalho NEC - Núcleo de Estudos de Currículo – UFRJ – 1992 Antonio Flavio Barbosa Moreira Marcia Serra Ferreira OBSERVATÓRIO DE CULTURA ESCOLAR – UFMS – 2006 Eurize Caldas Pessanha Fabiany de Cássia Tavares Silva WERNER MARKET UFRJ - 1991 – 1997 - Dout. ROBERT EVAN VERHINE UFBA - 1983 – 1989 -Mest. Currículos, cotidianos, culturas e redes de conhecimentos – UFES – 2007 Carlos Eduardo Ferraço Janete Magalhaes Carvalho Currículos, redes educativas e imagens – UERJ – 2008 Nilda Guimarães Alves Carlos Eduardo Ferraço Formação de professores e práticas pedagógicas – UFES – 1992 Janete Magalhaes Carvalho Regina Helena Silva Simões Pós-Doutorado UERJ - 2007 Alberto Villani 29ª 2006 Carlos Eduardo Ferraço UFES Palestrante 30ª 2007 Alexandra Garcia UERJ Palestrante 30ª 2007 Maria Luiza Sussekind Veríssimo Cinelli UERJ Palestrante 30ª 2007 Alice Casimiro Lopes UERJ Palestrante 30ª 2007 Nilda Alves UERJ Palestrante 30ª 2007 Paulo Sgarbi UERJ Palestrante 30ª 2007 Mailsa Passos UERJ Palestrante 30ª 2007 Instituto de Estudos Avançados em Educação - 1987 – 1990 – Mest. COTIDIANO ESCOLAR E CURRÍCULO – UERJ - 1997 Inês Barbosa de Oliveira Nilda Guimarães Alves Currículos, redes educativas e imagens – UFES -2008 Nilda Guimarães Alves Carlos Eduardo Ferraço Pós-doutorado Institut Nacional de Recherche Pédagogique - 1989-1990 Vivianne Isambert-Jamati Dout. Universite de Paris V (Rene Descartes), U.P. V, França – 19781980 – Dout. Currículos, redes educativas e imagens – UERJ - 2008 Nilda Guimarães Alves Carlos Eduardo Ferraço Nilda Guimarães Alves UERJ - 2002-2005 - Dout. Nilda Guimarães Alves Coorden. UFRRJ – 2000 – 2002 – Mest. Currículo: sujeitos, conhecimento e cultura – UERJ - 2004 Elizabeth Fernandes de Macedo Alice Ribeiro Casimiro Lopes Antonio Flavio Barbosa UFRJ - 1992 – 1996 – Dout. Moreira José Américo da Motta Pessanha UFMS USP - 1996 – 2000 -Dout. Nilda Guimarães Alves UFF - 1985 – 1989 - Mest. Regina Leite garcia COTIDIANO ESCOLAR E CURRÍCULO – UERJ -1997 Inês Barbosa de Oliveira Nilda Guimarães Alves Inês Barbosa de Oliveira UERJ - 2003 -Doutoranda Inês Barbosa de Oliveira UERJ - 2001 – 2003 – Mest. COTIDIANO ESCOLAR E CURRÍCULO – UERJ -1997 Inês Barbosa de Oliveira Nilda Guimarães Alves Inês Barbosa de Oliveira UERJ - 2004 – 2007 – Dout. Silvana Gonçalves de Paula Eurize Caldas Pessanha UERJ - 2000-2002 - Mest. Currículos, redes educativas e imagens – UERJ - 2008 Nilda Guimarães Alves 400 Carlos Eduardo Ferraço Políticas Públicas, Gestão Educacional e Participação Cidadã – UFPB – 2007 Virgínia de Oliveira Silva Marilia Lopes de Campos Pós-doutorado UERJ - 2005-2006 Tania Dauster. PUC/RJ - 2000-2004 -Dout. Nilda Guimarães Alves UERJ - 1996-1999 - Mest. Stela Guedes Caputo GRUPO DE ESTUDOS E PESQUISAS EM EDUCAÇÃO CONTINUADA – GEPEC – UNICAMP – 1996 Guilherme do Val Toledo Prado Corinta Maria Grisolia Geraldi Práticas Culturais em Ensino de Matemática e Ciências – UNICAMP – 2008 Elisabeth Barolli Anna Regina Lanner de Moura VIOLAR: Laboratório de Estudos sobre Violência, Imaginário e Formação de Educadores – UNICAMP – 2002 Áurea Maria Guimarães Dirce Djanira Pacheco e Zan Roseli Pacheco Schnetzler UNICAMP – 1997 – 2000 – Dout. Roseli Pacheco Schnetzler UNICAMP – 1992 - 1995 – Mest. Maria Inês Petrucci Rosa UNICAMP – 2004 – 2007 – Mest. GRUPO DE ESTUDOS E PESQUISAS EM EDUCAÇÃO CONTINUADA – GEPEC – UNICAMP – 1996 Guilherme do Val Toledo Prado Corinta Maria Grisolia Geraldi Práticas Culturais em Ensino de Matemática e Ciências – UNICAMP – 2008 Elisabeth Barolli Anna Regina Lanner de Moura Maria Inês Petrucci Rosa UNICAMP – 2009 - Doutoranda Maria Inês Petrucci Rosa UNICAMP – 2005 – 2008 – Mest. Maria Inês Petrucci Rosa UNICAMP – 2004 – 2007 – Mest. GRUPO DE ESTUDOS E PESQUISAS EM EDUCAÇÃO CONTINUADA – GEPEC – UNICAMP – 1996 Guilherme do Val Toledo Prado Corinta Maria Grisolia Geraldi Maria Inês F. Petrucci S. Rosa UNICAMP – 2006 - Mestrando Maria Inês Petrucci Rosa UNICAMP - 2003 – 2005 – Mest. GRUPO DE ESTUDOS E PESQUISAS EM EDUCAÇÃO CONTINUADA – GEPEC – UNICAMP – 1996 Guilherme do Val Toledo Prado Corinta Maria Grisolia Geraldi Maria Inês de Freitas Petrucci UNICAMP – 2006 - Doutorando Santos Rosa Daniel Pereira Palestrante 30ª 2007 Maria Inês Petrucci Rosa UNICAMP Palestrante 30ª 2007 Adriana C. Pavan UNICAMP Palestrante 30ª 2007 Ana Carolina G. de Oliveira UNICAMP Palestrante 30ª 2007 Andréa V. Carreri UNICAMP Palestrante 30ª 2007 Celisa C. Bonamigo UNICAMP Palestrante 30ª 2007 Dulcelena P. Corradi UNICAMP Palestrante 30ª 2007 Marivaldo Parma UNICAMP Palestrante 30ª 2007 Mirian P.Silva UNICAMP Palestrante 30ª 2007 UNICAMP – 1991 – 1994 – Mest. Formação de Professores, Ensino Aprendizagem e Construção do Conhecimento – UNICSUL – 2002 Maria Delourdes Maciel GRUPO DE ESTUDOS E PESQUISAS EM EDUCAÇÃO CONTINUADA – GEPEC – UNICAMP – 1996 Guilherme do Val Toledo Prado Corinta Maria Grisolia Geraldi Práticas Culturais em Ensino de Matemática e Ciências – UNICAMP – 2008 Elisabeth Barolli 401 Anna Regina Lanner de Moura Maria Inês Petrucci Rosa UNICAMP – 2004-2007 – Dout. Washington Luiz Pacheco de UNESP - 2000 – 2002 – Mest. Carvalho GRUPO DE ESTUDOS E PESQUISAS EM EDUCAÇÃO CONTINUADA – GEPEC – UNICAMP – 1996 Guilherme do Val Toledo Prado Corinta Maria Grisolia Geraldi Práticas Culturais em Ensino de Matemática e Ciências – UNICAMP – 2008 Elisabeth Barolli Anna Regina Lanner de Moura Maria Inês de Freitas Petrucci UNICAMP – 2006 – Dout. dos Santos Rosa Maria Inês de Freitas Petrucci UNICAMP – 2006 – 2008 – Mest. dos Santos Rosa ESCOLA, IDENTIDADES E CULTURAS – UCP – 2004 Antonio Flavio Barbosa Moreira Marlene Alves de Oliveira Carvalho NEC - Núcleo de Estudos de Currículo – UFRJ – 1992 Antonio Flavio Barbosa Moreira Marcia Serra Ferreira OBSERVATÓRIO DE CULTURA ESCOLAR – UFMS – 2006 Eurize Caldas Pessanha Fabiany de Cássia Tavares Silva WERNER MARKET UFRJ - 1991 – 1997 - Dout. ROBERT EVAN VERHINE UFBA - 1983 – 1989 - Mest. Educação, Arte e Inclusão – UDESC – 2006 Maria Cristina da Rosa Fonseca da Silva Geovana Mendonça Lunardi Mendes OBSERVATÓRIO DE CULTURA ESCOLAR – UFMS – 2006 Eurize Caldas Pessanha Fabiany de Cássia Tavares Silva ALDA JUNQUEIRA MARIN PUC/SP - 2000 – 2003 - Dout. JOSÉ GERALDO SILVEIRA PUC/SP - 1994 – 1996 - Mest. BUENO Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Currículos e Culturas (GECC) – UFMG – 2004 Marlucy Alves Paraíso Lucíola Licínio de Castro Paixão Santos Núcleo de Estudos sobre Trabalho e Educação – UFMG – 1995 Antonio Julio de Menezes Neto Hormindo Pereira de Souza Junior Pós-Doutorado Universidade de Valencia -2008 – 2009 Antônio Flávio Barbosa UFRJ - 1999 – 2002 -Dout. Moreira Tomaz Tadeu da Silva UFRGS - 1993 – 1995 - Mest. Gestão, Currículo e Políticas Educativas - UFPEL – 2004 Maria Cecilia Lorea Leite Álvaro Luiz Moreira Hypólito Gestão e Políticas Públicas na Educação Superior –PUC/PR - 1999 Ana Maria Eyng Maria Amélia Sabbag Zainko HISTÓRIA E POLÍTICAS DE EDUCAÇÃO E A FORMAÇÃO DE PROFESSORES - PUC/PR - 1993 Maria Elisabeth Blanck Miguel Ana Maria Eyng Pensamento Educacional Brasileiro: História e Políticas - PUC/PR 2001 Peri Mesquida Ana Maria Eyng Universidad Autonoma de Barcelona, Joan Rue Y Domingo U.A.B., Espanha - 1996-2001 - Dout. Joan Rue y Domingo Universidad Autonoma de Barcelona, U.A.B., Espanha - 1996-1998 - Mest. Alvino Moser PUC-PR - 1993-1995 - Mest. Tacita A. Ramos UNICAMP Palestrante 30ª 2007 Eurize Caldas Pessanha UFMS Palestrante 30ª 2007 Fabiany de Cássia Tavares Silva UFMS Palestrante 30ª 2007 Marlucy Alves Paraíso UFMG Palestrante 30ª 2007 UFPEl UFPEL Palestrante 30ª 2007 Ana Maria Eyng PUC/PR Palestrante 30ª 2007 402 ANA MARIA EYNG PUC-PR - 2006 – 2007 -Mest. LABORATORIO DE ESTUDOS AUDIOVISUAIS – UNICAMP - OLHO 1994 Milton José de Almeida Hilario Fracalanza. UNICAMP - 1997 – 2000 - Dout. Hilario Fracalanza UNICAMP - 1993 – 1995 -Mest. GRUPO DE ESTUDOS E PESQUISAS EM CURRÍCULO E PÓSMODERNIDADE – UFRGS – ULBRA – 2001 Alfredo Veiga-Neto Tomaz Tadeu da Silva. UFRGS - 1992 – 1996 – Dout. Educação e Sociedade – UNIPAC – 2004 Sebastião Rogério Gois Moreira Maria Bellini James J Gallagher Michigan State University, M.S.U., Estados Unidos - 1987 – 1991 – Dout. Menga Ludke PUC/RJ - 1972 – 1975 – Mest. Educação e Sociedade – UNIPAC – 2004 Sebastião Rogério Gois Moreira Maria Bellini Fenomenologia em Educação Matemática – UNESP – 1995 Maria Aparecida Viggiani Bicudo Rosa Monteiro Paulo Núcleo de Educação em Ciência, Matemática e Tecnologia – UFJF Sônia Maria Clareto Vicente Paulo dos Santos Pinto UNICAMP - 1991 – 1999 – Dout. Eduardo Sebastiani Ferreira Eduardo Sebastiani Ferreira UNESP – 1985 – 1990 – Mest. Currículo: sujeitos, conhecimento e cultura – UERJ -2004 Elizabeth Fernandes de Macedo Alice Ribeiro Casimiro Lopes Pós-doutorado University of British Columbia. 2007 LILI KATSUCO KAWAMURA Unicamp - 1993-1997 - Dout. LILIA DA ROCHA BASTOS UFRJ - 1990-1992 - Mest. Currículo: sujeitos, conhecimento e cultura – UERJ - 2004 Elizabeth Fernandes de Macedo Alice Ribeiro Casimiro Lopes Formação em diálogo: narrativas de professoras, currículos e culturas – UERJ – 2006 Jacqueline de Fátima dos Santos Morais Cláudia Hernandez Barreiros Elizabeth Fernandes de UERJ – 2003 – 2006 – Macedo Dout. Elizabeth Fernandes de UERJ – 1999 – 2001 – Mest. Macedo José Pacheco National Louis University - Chicago, NLU, Estados Unidos - 2000 – 2004 – Dout. José Pacheco Universidade do Minho, U.MINHO, Portugal –1996 – 1998 – Mest. GRUPO DE ESTUDOS E PESQUISAS EM CURRÍCULO E PÓSMODERNIDADE – UFRGS – ULBRA – 2001 Alfredo Veiga-Neto Tomaz Tadeu da Silva. UFRGS - 1992 – 1996 – Dout. Currículo: sujeitos, conhecimento e cultura – UERJ -2004 Elizabeth Fernandes de Macedo Alice Ribeiro Casimiro Lopes Pós-doutorado University of British Columbia. 2007 LILI KATSUCO KAWAMURA Unicamp - 1993-1997 - Dout. Ricardo Santos Chiquito PUC/PR Palestrante 30ª 2007 Antonio Carlos Rodrigues de Amorim UNICAMP Palestrante 30ª 2007 Alfredo Veiga-Neto ULBRA/UFRG S Palestrante 30ª 2007 Maria Bellini UNIPAC Palestrante 30ª 2007 Maria Q. A Anastácio UNIPAC Palestrante 30ª 2007 Elizabeth Macedo UERJ Palestrante 30ª 2007 Rita de Cássia Prazeres Frangella UERJ Palestrante 30ª 2007 Universidade do Minho – Portugal Palestrante 30ª 2007 UFRGS/ULBR A Palestrante 30ª 2007 (UERJ) Palestrante 30ª 2007 João Menelau Paraskeva Alfredo Jose da VeigaNeto Elizabeth Fernandes de Macedo 403 LILIA DA ROCHA BASTOS UFRJ - 1990-1992 - Mest. ABORATORIO DE ESTUDOS AUDIOVISUAIS – UNICAMP - OLHO 1994 Milton José de Almeida Hilario Fracalanza. UNICAMP - 1997 – 2000 - Dout. Hilario Fracalanza UFES Palestrante 31ª 2008 UFES Palestrante 31ª 2008 UNICAMP Palestrante 31ª 2008 Alfredo Veiga-Neto ULBRA/UFRG S Palestrante 31ª 2008 Elizabeth Macedo UERJ Palestrante 31ª 2008 Rita de Cássia Prazeres Frangella UERJ Palestrante 31ª 2008 Carlos Eduardo Ferraço Janete Magalhães Carvalho PUC/RJ - 1974 – 1977 – Mest. Antonio Carlos Rodrigues de Amorim UNICAMP - 1993 – 1995 -Mest. GRUPO DE ESTUDOS E PESQUISAS EM CURRÍCULO E PÓSMODERNIDADE – UFRGS – ULBRA – 2001 Alfredo Veiga-Neto Tomaz Tadeu da Silva. UFRGS - 1992 – 1996 – Dout. Currículo: sujeitos, conhecimento e cultura – UERJ -2004 Elizabeth Fernandes de Macedo Alice Ribeiro Casimiro Lopes Pós-doutorado University of British Columbia. 2007 LILI KATSUCO KAWAMURA 30ª 2007 UFRJ - 1987 – 1992 – Dout. LABORATORIO DE ESTUDOS AUDIOVISUAIS – UNICAMP - OLHO 1994 Milton José de Almeida Hilario Fracalanza. UNICAMP - 1997 – 2000 - Dout. Hilario Fracalanza Coorden. UFF - 1985 – 1989 - Mest. COTIDIANO ESCOLAR E CURRÍCULO – UERJ – 1997 Inês Barbosa de Oliveira Nilda Guimarães Alves Currículos, cotidianos, culturas e redes de conhecimentos – UFES – 2007 Carlos Eduardo Ferraço Janete Magalhaes Carvalho Formação de professores e práticas pedagógicas – UFES – 1992 Janete Magalhaes Carvalho Regina Helena Silva Simoes Pós-Doutorado Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa - 2008 Pós-Doutorado UERJ - 2007 - 2008 Maria de Loudes de Albuquerque Fávero. Vera Maria Ferrão Candau. UNICAMP UNICAMP - 1993 – 1995 -Mest. Currículos, cotidianos, culturas e redes de conhecimentos – UFES – 2007 Carlos Eduardo Ferraço Janete Magalhaes Carvalho Currículos, redes educativas e imagens – UERJ – 2008 Nilda Guimarães Alves Carlos Eduardo Ferraço Formação de professores e práticas pedagógicas – UFES – 1992 Janete Magalhaes Carvalho Regina Helena Silva Simões Pós-Doutorado UERJ - 2007 Alberto Villani USP - 1996 – 2000 -Dout. Nilda Guimarães Alves Regina Leite garcia Antonio Carlos Rodrigues de Amorim Unicamp - 1993-1997 - Dout. LILIA DA ROCHA BASTOS UFRJ - 1990-1992 - Mest. Currículo: sujeitos, conhecimento e cultura – UERJ - 2004 Elizabeth Fernandes de Macedo Alice Ribeiro Casimiro Lopes Formação em diálogo: narrativas de professoras, currículos e culturas – UERJ – 2006 404 Jacqueline de Fátima dos Santos Morais Cláudia Hernandez Barreiros Elizabeth Fernandes de UERJ – 2003 – 2006 – Macedo Dout. Elizabeth Fernandes de UERJ – 1999 – 2001 – Mest. Macedo Educação, Arte e Inclusão – UDESC – 2006 Maria Cristina da Rosa Fonseca da Silva Geovana Mendonça Lunardi Mendes OBSERVATÓRIO DE CULTURA ESCOLAR – UFMS – 2006 Eurize Caldas Pessanha Fabiany de Cássia Tavares Silva ALDA JUNQUEIRA MARIN PUC/SP - 2000 – 2003 - Dout. JOSÉ GERALDO SILVEIRA PUC/SP - 1994 – 1996 - Mest. BUENO ESCOLA, IDENTIDADES E CULTURAS – UCP – 2004 Antonio Flavio Barbosa Moreira Marlene Alves de Oliveira Carvalho NEC - Núcleo de Estudos de Currículo – UFRJ – 1992 Antonio Flavio Barbosa Moreira Marcia Serra Ferreira OBSERVATÓRIO DE CULTURA ESCOLAR – UFMS – 2006 Eurize Caldas Pessanha Fabiany de Cássia Tavares Silva WERNER MARKET UFRJ - 1991 – 1997 - Dout. ROBERT EVAN VERHINE UFBA - 1983 – 1989 -Mest. COTIDIANO ESCOLAR E CURRÍCULO – UERJ - 1997 Inês Barbosa de Oliveira Nilda Guimarães Alves Currículos, redes educativas e imagens – UFES -2008 Nilda Guimarães Alves Carlos Eduardo Ferraço Pós-doutorado Institut Nacional de Recherche Pédagogique - 1989-1990 Vivianne Isambert-Jamati Dout. Universite de Paris V (Rene Descartes), U.P. V, França – 19781980 – Dout. Currículo: sujeitos, conhecimento e cultura – UERJ - 2004 Elizabeth Fernandes de Macedo Alice Ribeiro Casimiro Lopes Antonio Flavio Barbosa UFRJ - 1992 – 1996 – Dout. Moreira José Américo da Motta Instituto de Estudos Avançados em Pessanha Educação - 1987 – 1990 – Mest. Processo de Trabalho Docente – UFPEL – 1999 Marcia Ondina Vieira Ferreira Pós-Doutorado . Universidad de Barcelona, U.B., Espanha - 2003 – 2004 Alceu Ravanello Ferraro UFRGS - 1996 – 2000 - Dout. Tomaz Tadeu da Silva. Fabiany de Cássia Tavares Silva UFMS Palestrante 31ª 2008 Eurize Caldas Pessanha UFMS Palestrante 31ª 2008 Nilda Alves UERJ Palestrante 31ª 2008 UERJ Palestrante 31ª 2008 Jarbas Santos Vieira UFPel Palestrante 31ª 2008 Álvaro Moreira Hypolito UFPel Palestrante 31ª 2008 Maria Manuela Alves Garcia UFPel Palestrante 31ª 2008 Maria Cecília Lorea Leite UFPel Palestrante 31ª 2008 Alice Casimiro Lopes UFRGS - 1989 – 1991 - Mest. Enfermagem, Saúde Mental e Saúde Coletiva – UFPEL – 2000 Luciane Prado Kantorski Gestão, Currículo e Políticas Educativas - UFPEL – 2004 Maria Cecilia Lorea Leite Álvaro Luiz Moreira Hypólito Michael W. Apple University of Wisconsin - Madison, U.W., Estados Unidos - 1997 – 2004 Dout. Leila Alvarenga Mafra. UFMG - 1989 – 1994 - Mest. Processo de Trabalho Docente – UFPEL – 1999 Marcia Ondina Vieira Ferreira Tomaz Tadeu da Silva UFRGS - 1996 – 2000 -Dout. Magda Becker Soares UFMG - 1991 – 1994 -Mest. Gestão, Currículo e Políticas Educativas – UFPEL – 2004 Maria Cecilia Lorea Leite 405 Álvaro Luiz Moreira Hypólito Grupo de Estudos Inovação e Avaliação na Universidade – UFRGS – 1989 Denise Balarine Cavalheiro Leite Ana Maria e Souza Braga Núcleo de Estudos em Práticas de Saúde e Enfermagem – NEPEn – UFPEL – 1994 Maira Buss Thofehrn Denise Balarine Cavalheiro UFRGS - 1998 – 2003 -Dout. Leite Nestor Luis João Beck. PUC RS - 1989 – 1994 -Mest. Educação, Linguagens e Trabalho Docente – UFAL – 2005 Maria Auxiliadora da Silva Cavalcante Laura Cristina Vieira Pizzi Currículo, Cultura e Atividade Docente – UFAL – 2005 Laura Cristina Vieira Pizzi Pós-doutorado University of California at Berkeley 2000 – 2002 PUC/SP - 1995 – 1999 – Dout. Marcos Tarcísio Masetto Tomaz Tadeu da Silva UFRGS - 1989 – 1992 – Mest. Currículo, formação e práticas escolares – UFMT - 2002 PEC - Políticas de Educação/Currículo – PUC/SP – 1996 Antonio Chizzotti Ana Maria Saul Maria Amélia Azevedo PUC/SP - 1981 – 1985 – Dout. Goldberg Laura Cristina Vieira Pizzi UFPel PPGE/UFMT Palestrante 31ª 2008 Palestrante 31ª 2008 Ana Maria Saul PUC/SP Palestrante 31ª 2008 Antonio Fernando Gouvêa da Silva PUC/SP Palestrante 31ª 2008 Ivani Fazenda PUC/SP Palestrante 31ª 2008 Maria Cecília Gasparia PUC/SP Palestrante 31ª 2008 Raquel M. Gianoll PUC/SP Joel Martins PUC/SP - 1969 – 1971 – Mest. Educação e formação do conhecimento – UESC – 2005 Ana Maria Alvarenga Grupo de Estudos e Pesquisa em Ensino de Ciências - SC – GEPECISC - UESC – 1992 Demetrio Delizoicov Neto Grupo de Integração entre Pesquisa e Ensino em Ciências - UFSCAR – 2008 Antonio Fernando Gouvêa da Silva PEC - Políticas de Educação/Currículo – PUC/SP – 1996 Antonio Chizzotti Ana Maria Saul Ana Maria Saul PUC/SP - 2000 – 2004 – Dout. USP – 1980-1982 – Mest. Grupo de Estudos e Pesquisas em Interdisciplinaridade – GEPI – PUC/SP – 1986 Ivani Catarina Arantes Fazenda Livre-docência UNESP - 1991 Teófilo de Queiroz Junior USP – 1984 – Dout. Antonio Joaquim Severino PUC/SP - 1978 – Mest. Grupo de Estudos e Pesquisas em Interdisciplinaridade – GEPI – PUC/SP – 1986 Ivani Catarina Arantes Fazenda Ivani Catarina Arantes PUC/SP - 2005 – Doutoranda Fazenda PUC/SP - 2002 – 2003 – Mest. Ivani Catarina Arantes Fazenda Grupo de Estudos e Pesquisas em Interdisciplinaridade – GEPI – 31ª 406 PUC/SP – 1986 Ivani Catarina Arantes Fazenda Ivani Catarina Arantes PUC/SP - 2004 – 2008 –Doutor. Fazenda MARCOS ANTONIO DOS SANTOS REIGOTA Maria Elizabeth Bianconcini de Almeida UNISO – 1997-1998 – Mest. Maurina Passos G. O. da Silvo PUC/SP Palestrante 31ª 2008 Maria Cecília Soares PUC/SP Palestrante 31ª 2008 Ana Maria Dos Reis Taino PUC/SP Palestrante 31ª 2008 Dirce Encarnacion Tavares PUC/SP Palestrante 31ª 2008 Diamantino Trindade PUC/SP Palestrante 31ª 2008 Palestrante 31ª 2008 UNICAMP Palestrante 31ª 2008 UNICAMP Palestrante 31ª 2008 PUC/SP – 2009 – Doutoranda Ivani Catarina Arantes PUC/SP – 2006-2008 – Mest. Fazenda Grupo de Estudos e Pesquisas em Interdisciplinaridade – GEPI – PUC/SP – 1986 Ivani Catarina Arantes Fazenda Ivani Catarina Arantes PUC/SP - 2003 – 2007 –Doutor. Fazenda Myrtes Alonso PUC/SP - 1999 – 2001 – Mest. Ivani Catarina Arantes Fazenda Ana Maria Saul 2008 PUC/SP - 2007 – 2008 – Dout. PUC/SP - 1986 – 1992 – Mest. Grupo de Estudos e Pesquisas em Interdisciplinaridade – GEPI – PUC/SP – 1986 Ivani Catarina Arantes Fazenda Políticas Públicas e Formação de Professores:possibilidades e desafios – IFSP – 2007 Diamantino Fernandes Trindade Fátima Beatriz De Benedictis Delphino Pós-Doutorado Grupo de Estudos e Pesquisa em Interdisciplinaridade - 2007 - 2008 Ivani Catarina Arantes PUC/SP - 2004 – 2007 –Doutor. Fazenda Sylvia Helena Souza da Silva UNICID - 1999 – 2002 – Mest. Batista Formação de profissionais da educação e práticas educativas – IMES – 007 Vitória Kachar Hernandes Silvia Regina Rocha de Campos Brandão Investigações temáticas em Educação – UNIMARCO - 2006 Sanny Silva da Rosa PSICANÁLISE E EDUCAÇÃO – USP - 1997 Bernardete Angelina Gatti PUC/SP - 1998 – 2002 – Dout. Elisabete Mokrejs USP - 1991 – 1996 – Mês. GRUPO DE ESTUDOS E PESQUISAS EM EDUCAÇÃO CONTINUADA – GEPEC – UNICAMP – 1996 Guilherme do Val Toledo Prado Corinta Maria Grisolia Geraldi Práticas Culturais em Ensino de Matemática e Ciências – UNICAMP – 2008 Elisabeth Barolli Anna Regina Lanner de Moura VIOLAR: Laboratório de Estudos sobre Violência, Imaginário e Formação de Educadores – UNICAMP – 2002 Áurea Maria Guimarães Dirce Djanira Pacheco e Zan Roseli Pacheco Schnetzler UNICAMP – 1997 – 2000 – Dout. Roseli Pacheco Schnetzler UNICAMP – 1992 - 1995 – Mest. GRUPO DE ESTUDOS E PESQUISAS EM EDUCAÇÃO CONTINUADA – GEPEC – UNICAMP – 1996 Guilherme do Val Toledo Prado Corinta Maria Grisolia Geraldi Pós-Doutorado Universidade de Aveiro - 2006-2007 Raquel Salek Fiad UNICAMP – 1996 – 1999 – Dout. Elisabete Cardieri Maria Inês Petrucci dos Santos Rosa Guilherme do Val Toledo Prado 407 Saria Maria Affonso Moyses UNICAMP – 1988 – 1992 – Mest. GRUPO DE ESTUDOS E PESQUISAS EM EDUCAÇÃO CONTINUADA – GEPEC – UNICAMP – 1996 Guilherme do Val Toledo Prado Corinta Maria Grisolia Geraldi LEIA-LABORATORIO DE EDUCACAO E INFORMATICA APLICADA – UNICAMP – 1989 Afira Vianna Ripper Milton José de Almeida UNICAMP – 1984 – 1993 – Dout. Rosália Maria R. de Aragão Currículo e Formação Docente – UFMG - 2002 Lucíola Licínio de Castro Paixão Santos Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Currículos e Culturas (GECC) – UFMG – 2004 Marlucy Alves Paraíso Lucíola Licínio de Castro Paixão Santos Grupo de Estudos sobre Política Educacional e Trabalho Docente – GESTRADO – UFMG - 2002 Dalila Andrade Oliveira Adriana Maria Cancella Duarte Pós-Doutorado University of London. – 2003-2004 Péricles Trevisan Inês Barbosa de Oliveira UNICAMP Palestrante 31ª 2008 Marlucy Alves Paraíso UFMG Palestrante 31ª 2008 Lucíola Licínio de C. P. Santos UFMG Palestrante 31ª 2008 Denise Rezende Barbosa UERJ Palestrante 31ª 2008 Inês Barbosa de Oliveira UERJ Palestrante 31ª 2008 Maria Zuleide da Costa Pereira UFPB Palestrante 31ª 2008 Arlete Pereira Moura UFPB Palestrante 31ª 2008 UNICAMP – 1976 – 1980 – Mest. Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Currículos e Culturas (GECC) – UFMG – 2004 Marlucy Alves Paraíso Lucíola Licínio de Castro Paixão Santos Núcleo de Estudos sobre Trabalho e Educação – UFMG – 1995 Antonio Julio de Menezes Neto Hormindo Pereira de Souza Junior Pós-Doutorado Universidade de Valencia -2008 – 2009 Antônio Flávio Barbosa UFRJ - 1999 – 2002 -Dout. Moreira Tomaz Tadeu da Silva UFRGS - 1993 – 1995 - Mest. Charles Posner. Corinta Maria Grisolia Geraldi University of London - 1984 – 1989 – Dout. UFSCAR - 1978 – 1980 – Mest. UERJ - 2005 – 2007 – Mest. COTIDIANO ESCOLAR E CURRÍCULO – UERJ -1997 Inês Barbosa de Oliveira Nilda Guimarães Alves Pós-Dout. Universidade de Coimbra. 2002 – 2002 Jean Houssaye Université de Sciences Humaines de Strasbourg 1989 – 1993 Dout. Carlos Alberto Plastino Instituto de Altos Estudos Em Educação 1984 – 1988 Mest. Globalização e educação do tempo presente – UFPB – 2008 Afonso Celso Caldeira Scocuglia Emília Maria da Trindade Prestes Grupo de Estudos e Pesquisas em Políticas Curriculares – UFPB – 2002 Maria Zuleide da Costa Pereira Rita de Cassia Cavalcanti Porto Pós-Doutorado UERJ - 2008 Cleiton de Oliveira UNIMEP - 1997 – 2001 - Dout. Esperdito Pedro da Silva UFPB - 1990 – 1995 -Mest. Grupo de Estudos e Pesquisas em Políticas Curriculares – UFPB - 2002 Maria Zuleide da Costa Pereira Rita de Cassia Cavalcanti Porto 408 UFRN - 1997 – 2001 – Dout. Werner Markert Evaldo Amaro Vieira UNICAMP - 1977 – 1981 – Mest. Grupo de Estudos e Pesquisas em Políticas Curriculares – UFPB – 2002 Maria Zuleide da Costa Pereira Rita de Cassia Cavalcanti Porto Helena Costa Lopes de UNICAMP – 202-2007 – Dout. Freitas Ana Maria Saul PUC/SP - 1986 – 1992 – Mest. Currículo: sujeitos, conhecimento e cultura – UERJ -2004 Elizabeth Fernandes de Macedo Alice Ribeiro Casimiro Lopes Pós-doutorado University of British Columbia. 2007 LILI KATSUCO KAWAMURA Unicamp - 1993-1997 - Dout. LILIA DA ROCHA BASTOS UFRJ - 1990-1992 - Mest. FORMACCE em aberto - Grupo de Pesquisa em Currículo e Formação – UFBA – 2009 Roberto Sidnei Alves Macedo Maria Ornélia da Silveira Marques Gestão Organizacional e Politicas Públicas em Edcuação - UCSAL 2009 Arlinda Paranhos Leite Oliveira Pós-doutorado Universidade de Fribourg-Suiça - 2007 – 2008 Alain Coulon Universite de Paris VIII, U.P. VIII, França - 1991 – 1995 - Dout. Teresinha Fróes Burnham Rita de Cassia Cavalcanti Porto Elizabeth Macedo ROBERTO SIDINEI MACEDO Palestrante UERJ Palestrante UFB Palestrante 31ª 2008 31ª 2008 UFBA - 1984 – 1988 -Mest. Carlinda Leite Daniel Suárez LABORATORIO DE ESTUDOS AUDIOVISUAIS – UNICAMP - OLHO 1994 Milton José de Almeida Hilario Fracalanza. UNICAMP - 1997 – 2000 - Dout. Hilario Fracalanza UFPB UNICAMP - 1993 – 1995 -Mest. Antonio Carlos Amorim Universidade do Porto UBA ARGENTINA UNICAMP Palestrante Palestrante Coordenad or 31ª 2008 31ª 2008 31ª 2008 409 Apêndice D — Mapeamento dos grupos de pesquisa, instituição e formação dos autores que publicaram na Sessões Especiais GTs Grupos de pesquisa/Instituição/Formação/Orientador Instituição DIF - Artistagens, fabulações, variações - UFRGS -2002 Sandra Mara Corazza Paola Basso Menna Barreto Gomes Zordan Tomaz Tadeu da Silva UFRGS - 1994 – 1998 - Dout. Augusto Nibaldo Silva Triviños 12 13 6 13 12 Participante Instituição Papel Sandra Corazza UFRGS Palestr. Reinaldo Fleuri UFSC Palestr Silvio Gallo UNICAMP Palestr Alice Casimiro Lopes UERJ Coordenado ra Helena C. de Freitas UNICAMP Iria Brzezinski UFG Elizabeth F. Macedo UERJ Ligia Martha Coelho UNIRIO Reunião Anual 23ª UFRGS - 1988 – 1990 -Mest. CEF - Centro de Estudos Freirianos – USP – 2005 Moacir Gadotti Educação intercultural e movimentos sociais – UFSC – 1997 Reinaldo Matias Fleuri Cristiana Tramonte Pós-Doutorado USP – 2003-2004 Pós-Doutorado Università degli Studi di Perugia – 1995-1996 Moacir Gadotti UNICAMP – 1984-1988 – Dout. Moacir Gadotti PUC/SP – 1972-1978 – Mest. Grupo de Estudos e Pesquisa Diferenças e Subjetividades em Educação UNICAMP - 2005 Silvio Donizetti de Oliveira Gallo Paidéia - Grupo de estudos e Pesquisas em Filosofia da Educação UNICAMP - 1999 Silvio Ancisar Sanchez Gamboa Cesar Aparecido Nunes Newton Aquiles von UNICAMP - 1990 – 1993 - Dout. Zuben Joao Francisco UNICAMP - 1987-1990 - Mest. Regis de Morais Currículo: sujeitos, conhecimento e cultura – UERJ - 2004 Elizabeth Fernandes de Macedo Alice Ribeiro Casimiro Lopes Antonio Flavio UFRJ - 1992 – 1996 – Dout. Barbosa Moreira José Américo da Instituto de Estudos Avançados em Educação - 1987 Motta Pessanha – 1990 – Mest. Laboratório de observação e estudos descritivos – LOED – UNICAMP – 1989 Luiz Carlos de Freitas Mara Regina Lemes De Sordi Pós-Doutorado USP – 1995-1996 Dermeval Saviani UNICAMP – 1983-1993 – Dout. Rosália Maria Ribeiro UNICAMP – 1975-1979 – Mest. de Aragão Políticas Educacionais e Gestão Escolar – UCG – 1998 Iria Brzezinski Maria Esperança Fernandes Carneiro Pós-Doutorado Universidade de Aveiro, UA, Portugal – 2000-2002 Beatriz Alexandrina USP – 1991-1994 – Dout. de Moura Fétizon Valnir Chagas UNB – 1984-1986 – Mest. Currículo: sujeitos, conhecimento e cultura – UERJ -2004 Elizabeth Fernandes de Macedo Alice Ribeiro Casimiro Lopes Pós-doutorado University of British Columbia. 2007 LILI KATSUCO Unicamp - 1993-1997 - Dout. KAWAMURA LILIA DA ROCHA UFRJ - 1990-1992 - Mest. BASTOS Núcleo de Estudos - Tempos, Espaços e Educação Integral – UNIRIO - 2008 Ligia Martha Coimbra da Costa Coelho Ana Maria Villela Cavaliere Núcleo de Estudos e Pesquisas em História da Educação Brasileira – NEPHEB – UNIRIO - 2006 Nailda Marinho da Costa Bonato Angela Maria Souza Martins Práticas Educativas e Formação de Professores – UNIRIO - 2006 Carmen Diolinda da Silva Sanches Sampaio 23ª 23ª 23ª 23ª 23ª 23ª Coordenado ra 23ª 410 Claudia de Oliveira Fernandes Pedro Demo Anazildo Vasconcelos da Silva UFRJ – 1988-1992 – Dout. UFRJ - 1979-1982 – Mest. José Augusto Pacheco Antonio Ibañez Ruiz Currículo: sujeitos, conhecimento e cultura – UERJ - 2004 Elizabeth Fernandes de Macedo Alice Ribeiro Casimiro Lopes Antonio Flavio UFRJ - 1992 – 1996 – Dout. Barbosa Moreira José Américo da Instituto de Estudos Avançados em Educação - 1987 Motta Pessanha – 1990 – Mest. DIF - Artistagens, fabulações, variações - UFRGS -2002 Sandra Mara Corazza Paola Basso Menna Barreto Gomes Zordan Tomaz Tadeu da UFRGS - 1994 – 1998 - Dout. Silva Augusto Nibaldo UFRGS - 1988 – 1990 -Mest. Silva Triviños COTIDIANO ESCOLAR E CURRÍCULO – UERJ - 1997 Inês Barbosa de Oliveira Nilda Guimarães Alves Currículos, redes educativas e imagens – UFES -2008 Nilda Guimarães Alves Carlos Eduardo Ferraço Pós-doutorado Institut Nacional de Recherche Pédagogique - 19891990 Vivianne IsambertDout. Universite de Paris V (Rene Descartes), U.P. Jamati V, França – 1978-1980 – Dout. Pós-Doutorado Universidad Del Museo Social Argentino – 1985-1988 – Dout. Alfabetização dos alunos e alunas das classes populares – UFF - 1987 Regina Leite Garcia Maria Teresa Esteban do Valle Pós-Doutorado Universidade Nacional Autonoma de México - 2006 Pós-Doutorado Universidade do Minho/IEP - 2007 Lourdes Montero Universidade de Santiago de Compostela – 1994Mesa 1997 – Dout. Regina Leite Garcia UFF – 1989-1992 – Mest. Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Biocêntrica – UFPB 2008 Elisa Pereira Gonsalves Luiz Gonzaga Gonçalves Valdemar Sguissardi UNIMEP – 1996-2000 – Dout. Maria de Lourdes UFPB – 1991-1994 – Mest. Barreto de Oliveira Centro de estudos orientais – PUC/SP – 1999 Christine Greiner Marco André Vinhas de Souza Cotidiano Escolar – UNISO – 2007 Eliete Jussara Nogueira Pós-Doutorado Universidade de Genebra, UG, Suíça – 1993-1994 JEAN MARIE DE Universite Catholique de Louvain, U.C.L., Bélgica – KETELE E PAUL 1985-1990 – Dout. BERTHET ANNA BONBOIR 12 24 (MEC) 26 Alice Casimiro Lopes (UFRJ) 26 Sandra Mara Corazza (UFRGS Nilda Alves (UERJ) 27 Carlos Bernardo Skliar (UFRGS) 27 Maria Teresa Esteban do Valle UFF 27 Elisa Pereira Gonçalves UFPB Coordenado ra 27 Marcos Reigota UNISO Coordenado r 27 Iria Brzezinsky (UCG Coordenado ra 26 UFRGS – 1996-1999 Jacobo Feldman 06 17 12 07 22 13 Univ. do Minho PUC/SP – 1981-1984 – Mest. Políticas Educacionais e Gestão Escolar – UCG – 1998 28 411 Iria Brzezinski Maria Esperança Fernandes Carneiro Pós-Doutorado Universidade de Aveiro, UA, Portugal – 2000-2002 Beatriz Alexandrina USP – 1991-1994 – Dout. de Moura Fétizon Valnir Chagas UNB – 1984-1986 – Mest. Educação e comunicação – UERJ – 2004 Raquel Goulart Barreto FRANCISCA MARIA UFRJ – 1992-1994 – DOUT. DO NASCIMENTO NÓBREGA LILIA DA ROCHA UFRJ – 1978-1981 – Mest. BASTOS Currículo: sujeitos, conhecimento e cultura – UERJ - 2004 Elizabeth Fernandes de Macedo Alice Ribeiro Casimiro Lopes Antonio Flavio UFRJ - 1992 – 1996 – Dout. Barbosa Moreira José Américo da Instituto de Estudos Avançados em Educação - 1987 Motta Pessanha – 1990 – Mest. Currículo: sujeitos, conhecimento e cultura – UERJ -2004 Elizabeth Fernandes de Macedo Alice Ribeiro Casimiro Lopes Pós-doutorado University of British Columbia. 2007 Raquel Goulart Barreto (UERJ 28 Alice Lopes (UERJ/UFRJ 28 Elizabeth Macedo (UERJ) 28 Moisés Domingos Sobrinho (UFRN / INEP) Bernard Charlot Universidade de Paris VIII – St. Denis / Consultor UNESCO Brasília / Pesquisador CNPq na UFMT 28 Cristopher Martin Fundação FORD 28 Cultura e Educação – ULBRA - 2002 Rosa Maria Hessel Silveira Daniela Ripoll Núcleo de Estudos sobre Currículo, Cultura e Sociedade – UFRGS – 1996 Elisabete Maria Garbin Ivaine Maria Tonini Pós-Doutorado Universidade de Lisboa - 2005 Mérion Campos UFRGS – 1989-1995 – Dout. Bordas Roque Moraes PUC/RS – 1977-1980 – Mest. Marisa Vorraber ULBRA / UFRGS 28 COTIDIANO ESCOLAR E CURRÍCULO – UERJ -1997 Inês Barbosa de Oliveira Nilda Guimarães Alves Pós-Dout. Universidade de Coimbra. 2002 – 2002 Jean Houssaye Université de Sciences Humaines de Strasbourg 1989 – 1993 Inês Barbosa de Oliveira UERJ LILI KATSUCO Unicamp - 1993-1997 - Dout. KAWAMURA LILIA DA ROCHA UFRJ - 1990-1992 - Mest. BASTOS Grupo Interdisciplinar de Pesquisa, Formação, Autobiografia, Representações Sociais – UFRN – 1999 Maria da Conceição Ferrer Botelho Sgadari Passeggi Maria do Rosario de Fatima de Carvalho Grupo Interdisciplinar Norte e Nordeste de Estudos e Pesquisas em Representações Sociais – UEPB – 1998 Suerde Miranda de Oliveira Brito Jean Remy Universite Catholique de Louvain, U.C.L., Bélgica 1988 – 1994 – Dout. Jacira Gondim Safieh UFRN - 1984 – 1988 – Mest. Formação do professor e do pesquisador – UFS – 2002 Miguel André Berger Grupo de Estudos e Pesquisas Educação e Contemporaneidade – UFS – 2007 Veleida Anahi da Silva PROFORME – UNEB - 2005 Cristina Maria D'Ávila Teixeira Maheu Livre-docência Université de Paris X, Nanterre, Paris X, França 1985 Gilles FERRY Université de Paris X, Nanterre, Paris X, França – 1981-1985 – Dout. 12 Coordenado r Coordenado ra 28 28 412 Dout. 04 08 12 19 23 02 12 13 14 07 10 12 15 16 23 Carlos Alberto Instituto de Altos Estudos Em Educação 1984 – 1988 Plastino Mest. Formação de Professores, Currículo e Cotidiano Escolar – PUC/RJ - 2004 Maria Inês Marcondes NEC - Núcleo de Estudos de Currículo – UFRJ – 1992 Antonio Flavio Barbosa Moreira Marcia Serra Ferreira Zelia Domingues PUC/RJ – 1983-1988 – Dout. Mediano Vera Maria Ferrão PUC/RJ – 1977-1980 – Mest. Candau Currículo e Formação Docente – UFMG - 2002 Lucíola Licínio de Castro Paixão Santos Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Currículos e Culturas (GECC) – UFMG – 2004 Marlucy Alves Paraíso Lucíola Licínio de Castro Paixão Santos Grupo de Estudos sobre Política Educacional e Trabalho Docente – GESTRADO – UFMG - 2002 Dalila Andrade Oliveira Adriana Maria Cancella Duarte Pós-Doutorado University of London. – 2003-2004 Charles Posner. University of London - 1984 – 1989 – Dout. Péricles Trevisan UFSCAR - 1978 – 1980 – Mest. Grupo de Estudos e Pesquisas sobre a Formação do Educador – USP – 1988 Selma Garrido Pimenta Maria Isabel de Almeida Práticas Pedagógicas:Pesquisa e Formação – UNISANTOS – 2004 Maria Amelia do Rosario Santoro Franco Sueli Mazzilli Selma Garrido USP – 1999-2001 – Dout. Pimenta Heloisa Shimanski PUC/SP – 1994-1996 – Mest. Formação de Professores, Ensino e Avaliação – UNISINOS – 2000 Maria Isabel da Cunha UNIVERSITAS/RIES – PUC/RS – 1997 Marilia Costa Morosini Pós-Doutorado Universidad Complutense de Madrid - 1998 Newton Cezar Bazar UNICAMP – 1985-1988 – Dout. Maria das Graças PUC/RS – 1977-1999 – Mest. Feldens História das disciplinas escolares e dos livros didáticos – PUC/SP - 2002 Kazumi Munakata Mirian Jorge Warde. PUC/SP – 1993-1997 – Dout. Maria Stella UNICAMP – 1977-1982 – Mest. Bresciani ESCOLA, IDENTIDADES E CULTURAS – UCP – 2004 Antonio Flavio Barbosa Moreira Marlene Alves de Oliveira Carvalho NEC - Núcleo de Estudos de Currículo – UFRJ – 1992 Antonio Flavio Barbosa Moreira Marcia Serra Ferreira WERNER MARKET UFRJ - 1991 – 1997 - Dout. ROBERT EVAN UFBA - 1983 – 1989 -Mest. VERHINE Grupo Interdisciplinar de Pesquisa da Subjetividade (GIPS) Pesquisa atual: Perspectivas da juventude contemporânea: ética, participação política e modos de subjetivação – PUC/RJ – 1998 Solange Jobim e Souza Nilton Gonçalves Gamba Junior Regina Alcântara de PUC/RJ - 1988-1992 – Dout. Assis CIRCE NAVARRO PUC/RJ – 1976-1978 – Mest. Maria Inês Marcondes de Souza (PUC-Rio) 29 Luciola Licinio de Castro Paixão Santos (UFMG 29 Maria Amelia do Rosario Santoro Franco (UNISANTO S) Maria Isabel da Cunha (UNISINOS) 29 Ivor Goodson (University of Brighton 29 Kazumi Munakata (PUC-SP) Coordenado ra Coordenado ra 29 29 Eurize Caldas Pessanha (UFMS) 29 Solange Jobim e Souza (PUC-Rio 29 413 RIVAS Linguagem, cultura e práticas educativas – UFF – 2002 Cecilia Maria Aldigueri Goulart Núcleo de Pesquisa da Argumentação (NupArg) – UFPE – 2004 Selma Leitão Santos Jürgen Heye PUC/RJ – 1993-1997 – Dout. Leticia Maria Sicuro PUC/RJ – 1989-1992 – Mest. Correa Grupo de Estudos e Pesquisas em Arte, Educação e Cultura – UFSM – 2000 Marilda Oliveira de Oliveira IDENTIDADE E DIFERENÇA NA EDUCAÇÃO – UNISC – 2006 Mozart Linhares da Silva Cláudio José de Oliveira Núcleo de Estudos de Mídia, Educação e Subjetividade (NEMES) – UFRGS – 2002 Rosa Maria Bueno Fischer Gilka Elvira Ponzi Girardello Rosa Maria Bueno UFRGS – 2000-2005 – Dout. Fischer Célia Maria de UNICAMP – 1996-1998 – Mest. Castro Almeida Contextos Integrados em educação infantil – USP – 2000 Tizuko Morchida Kishimoto Mônica Appezzato Pinazza Desenvolvimento, linguagem e educação da criança – UFC – 1999 Rita Vieira de Figueiredo Silvia Helena Vieira Cruz Pós-Doutorado IEC- Universidade do Minho, UMINHO, Portugal – 2007-200? Maria Helena Souza USP – 1988-1994 – Dout. Patto Maria Helena Souza USP – 1984-1987 – Mest. Patto GEIN - GRUPO DE ESTUDOS EM EDUCACAO INFANTIL – UFRGS – 1997 Leni Vieira Dornelles Susana Rangel Vieira da Cunha Grupo de Estudos de Educação e Relações de Gênero – GEERGE – UFRGS – 1990 Jane Felipe de Souza Guacira Lopes Louro Guacira Lopes Louro UFRGS – 1994-2000 – Dout. 08 06 12 14 16 22 23 Estela dos Santos UFF – 1987-1991 – Mest. Abreu Estudos do Habitat – UFRN – 1997 Angela Lúcia de Araújo Ferreira Paulo José Lisboa Nobre Grupo de Estudos de Praticas Educativas em Movimento – GEPEM – UFRN – 1994 Marta Maria Castanho Almeida Pernambuco Luís Carlos de USP – 1989-1994 – Dout. Menezes Ernst Wolfgang USP – 1976-1982 – Mest. Hamburger Educação intercultural e movimentos sociais – UFSC - 1997 Reinaldo Matias Fleuri Cristiana Tramonte Instituições, Políticas Públicas e Trabalho – UDESC – 2001 Maurício Aurélio dos Santos Reinaldo Matias UFSC – 2002-2006 – Dout. Fleuri Reinaldo Matias UFSC – 1992-1994 – Mest. Fleuri LABORATORIO DE ESTUDOS AUDIOVISUAIS – UNICAMP - OLHO - 1994 Milton José de Almeida Hilario Fracalanza. UNICAMP - 1997 – 2000 - Dout. Hilario Fracalanza UNICAMP - 1993 – 1995 -Mest. Cecília Maria Aldigueri Goulart (UFF 29 Luciana Gruppelli Loponte (UNISC 29 Silvia Helena Vieira Cruz (UFCE) Jane Felipe de Souza (UFRGS 29 Marta M. C. Almeida Pernambuco (UFRN 29 Nadir Esperança Azibeiro UDESC 29 Carlos Rodrigues Amorim (UNICAMP) Coordenado ra Coordenado r 29 29 414 05 08 09 10 11 12 16 EduPesquisa: Educação, Estado e Sociedade – FURB – 1997 Stela Maria Meneghel Lauro Carlos Wittmann Inteligência Artificial e Tecnologia Educacional – UFSC – 2008 Ricardo Azambuja Silveira Silvia Modesto Nassar Núcleo de Complexidade e Cognição – UFSC – 1997 Francisco Antonio Pereira Fialho Christianne Coelho de Souza Reinisch Coelho PCEADIS – UFSC – 2007 Araci Hack Catapan Rosângela Schwarz Rodrigues FRANCISCO UFSC – 1997-2001 – Dout. ANTONIO FIALHO LAURO CARLOS UFSC – 1990-1993 – Mest. WITTMANN Ábaco - Grupo de Pesquisas Interdisciplinares Sobre o Computador na Educação – UNB – 1994 Gilberto Lacerda dos Santos Marcelo Giordan Ciência, Tecnologia e Educação na Contemporaneidade – UNB – 1992 Ana Maria Fernandes Fernanda Antonia da Fonseca Sobral GERAJU - grupo de pesquisa em educação e políticas públicas: gênero, raça/etnia e juventude – UNB – 2005 Wivian Weller Eliane dos Santos Cavalleiro Mediação - Grupo de pesquisas sobre o processo de mediação pedagógica na sala-de-aula virtual – UNOPAR – 2008 Gilberto Lacerda dos Santos Pós-Doutorado Universite Laval, U.L., Canadá - 2001 Fernanda Sobral Richard Gagnon UNB – 1998-2001 – Dout. Universite Laval, U.L., Canadá – 1991-1995 – Dout. Jacques Imbeau Universite Laval, U.L., Canadá – 1989-1991 – Mest. Núcleo de Estudos de Mídia, Educação e Subjetividade (NEMES) – UFRGS – 2002 Rosa Maria Bueno Fischer Gilka Elvira Ponzi Girardello Pós-Doutorado New York University - 2009 CÉLI REGINA UFRGS – 1992-1996 – Dout. JARDIM PINTO ZILAH XAVIER DE FGV – 1977-1982 – Mest. ALMEIDA BORGES Araci Hack Catapan (UFSC 29 Gilberto Lacerda Santos (UnB 29 Sonia Schechtman Sette UFPE 29 Rosa Maria Bueno Fischer UFRGS Jacques Revel 02 12 13 14 SOCED - Grupo de Pesquisas em Sociologia da Educação - PUC/RJ – 1992 Rosaly Hermengarda Lima Brandão Zaia Brandão Cynthia Paes de Carvalho Ilmar Rohllof de PUC/RJ – 1990-1992 – Dout. Mattos Paulo Novaes PUC/RJ – 1970-1973 – Mest. HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO: INSTITUIÇÕES, INTELECTUAIS E CULTURAS ESCOLARES NO PARANÁ (SÉCULO XX) – UFPR - 2000 Marcus Levy Albino Bencostta Carlos Eduardo Vieira Pós-Doutorado University of Cambridge – 2008-2009 Mirian Jorge Warde Mirian Jorge Warde 03 06 09 12 18 Coordenado ra 29 França 30 Zaia Brandão PUC-Rio 30 Carlos Eduardo Vieira (UFPR José Machado Pais Portugal 30 Inês Barbosa de Oliveira (UERJ) 30 Coordenado r 30 PUC/SP – 1995-1998 – Dout. PUC/SP – 1990-1993 – Mest COTIDIANO ESCOLAR E CURRÍCULO – UERJ -1997 Inês Barbosa de Oliveira Nilda Guimarães Alves Pós-Dout. Universidade de Coimbra. 2002 – 2002 415 22 07 13 02 08 10 12 14 15 18 19 20 12 19 17 Jean Houssaye Université de Sciences Humaines de Strasbourg 1989 – 1993 Dout. Carlos Alberto Instituto de Altos Estudos Em Educação 1984 – 1988 Plastino Mest. Juventude, sociabilidades e educação não-formal – USP - 1995 Marilia Pontes Sposito Sergio Haddad Núcleo de Educação de Jovens e Adultos – UFMG – 1999 Maria da Conceição Ferreira Reis Fonseca Carmem Lúcia Eiterer Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre relações étnico-Raciais e Ações Afirmativas – UFMG – 2007 Nilma Lino Gomes OBSERVATORIO DA JUVENTUDE DA UFMG – 2007 Juarez Tarcisio Dayrell Geraldo Magela Pereira Leão Pós-Doutorado Instituto de Ciencias Sociais da Universidade de Lisboa - 2006 Marilia Pontes USP – 1997-2001 – Dout. Sposito Miguel Gonsalez UFMG – 1984-1989 – Mest. Arroyo ESCOLA/CULTURA/CONHECIMENTO/COTIDIANO – USP – 1994 Sonia Teresinha de Sousa Penin Elba Siqueira de Sá Barretto Grupo de Pesquisa Centro de Estudos em Representações Sociais e Subjetividade Educação - CIERS-ed – FCC – 2008 Clarilza Prado de Sousa Lucia Pintor Santiso Villas Boas POLÍTICAS E PRÁTICA DE EDUCAÇÃO BÁSICA E DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL – FCC – 2006 Elba Siqueira de Sá Barretto Angela Maria Martins APARECIDA JOLY USP – 1989-1991 – Dout. GOUVEIA APARECIDA JOLY USP – 1973-1980 – Mest. GOUVEIA EDUCAÇÃO INFANTIL: HISTÓRIA, POLÍTICAS E PRÁTICAS – FCC – 1991 Maria Machado Malta Campos Moysés Kuhlmann Júnior PEC - Políticas de Educação/Currículo – PUC/SP – 1996 Antonio Chizzotti Ana Maria Saul Pós-Doutorado University of London - 1990 Pós-Doutorado Stanford University – 1986-1987 Aparecida Joly USP – 1976-1982 – Dout. Gouveia GRAFHO - Grupo de Pesquisa Autobiografia Formação História Oral – UNEB – 2002 Elizeu Clementino de Souza Yara Dulce Bandeira de Ataíde MEMÓRIA DA EDUCAÇÃO NA BAHIA – UNEB – 1997 Jaci Maria Ferraz de Menezes Elizabete Conceição Santana Maria Ornélia UFBA - 2001-2004 – Dout. Marques - CoOrientação António Nóvoa Cipriano Carlos UFBA – 1991-1995 – Mest. Luckesi História, Filosofia e Educação Matemá – UNICAMP – 1996 Maria Angela Miorim Antonio Miguel Lafayette de Moraes UNICAMP – 1993 – Dout. MILTON JOSE DE ALMEIDA UNICAMP – 1979-1984 – Mest. Juarez Tarcisio Dayrell Elba Siqueira de Sá Barretto UFMG Coordenado ra 30 (USP); 30 Maria Machado Malta Campos (FCC) 30 Elizeu Clementino de Souza (UNEB Antonio Miguel UNICAMP Coordenado r 30 30 416 Currículo: sujeitos, conhecimento e cultura – UERJ - 2004 Elizabeth Fernandes de Macedo Alice Ribeiro Casimiro Lopes Antonio Flavio UFRJ - 1992 – 1996 – Dout. Barbosa Moreira José Américo da Instituto de Estudos Avançados em Educação - 1987 Motta Pessanha – 1990 – Mest. GRUPO DE ESTUDOS E PESQUISAS EM CURRÍCULO E PÓSMODERNIDADE – UFRGS – ULBRA – 2001 Alfredo Veiga-Neto Tomaz Tadeu da UFRGS - 1992 – 1996 – Dout. Silva. LABORATORIO DE ESTUDOS AUDIOVISUAIS – UNICAMP - OLHO - 1994 Milton José de Almeida Hilario Fracalanza. UNICAMP - 1997 – 2000 - Dout. Hilario Fracalanza UNICAMP - 1993 – 1995 -Mest. Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Matemática e Educação – USP – 2004 Vinicio de Macedo Santos Celi Aparecida Espasandin Lopes Livre-docência USP - 2008 Pós-Doutorado Universidad de Sevilla – 2000-2001 Luadir Barufi USP – 1991-1995 – Dout. Maria Luisa Santos Ribeiro PUC/SP – 19984-1999 – Mest. Alice Ribeiro Casimiro Lopes UERJ 30 Alfredo Jose da Veiga-Neto ULBRA/UFR GS 30 Antonio Carlos Rodrigues de Amorim (UNICAMP 30 Vinicio de Macedo Santos USP 30 417 Apêndice E — Mapeamento dos grupos de pesquisa, instituição e formação dos autores que publicaram na sessão Mini-curso Grupos de pesquisa/Instituição/Formação/Orientador Instituição DIF - Artistagens, fabulações, variações - UFRGS 2002 Sandra Mara Corazza Paola Basso Menna Barreto Gomes Zordan Nilton Bueno Fischer UFRGS - 1993 – 1996 Mest. Arturo Pacheco Stanford University, SU, Estados Unidos -1980 – 1984 - Dout. Ray Chesterfield UFRGS - 1975 – 1977 Mest. Alfabetização dos alunos e alunas das classes populares - UFF - 1987 Regina Leite Garcia Maria Teresa Esteban do Valle Semiótica, leitura e produção de textos – SELEPROT – UERJ - 2002 Darcilia Marindir Pinto Simões Nícia Ribas D'Ávila Regina Leite Garcia UFF 1995 – 1999 Dout. Regina Maria Leite UFF 1990-1991 Mest. Garcia Alfabetização dos alunos e alunas das classes populares – UFF - 1987 Regina Leite Garcia Maria Teresa Esteban do Valle Pós-Doutorado Universidad Nacional Autonoma de México 2006 Pós-Doutorado Universidade do Minho/IEP - 2007 Lourdes Montero Mesa Universidade de Santiago de Compostela – 19941997 – Dout. Regina Leite Garcia UFF – 1989-1992 – Mest. Alfabetização dos alunos e alunas das classes populares - UFF - 1987 Regina Leite Garcia Maria Teresa Esteban do Valle Pós-Doutorado University of Wisconsin – Madison - 1994 Pós-Doutorado University of London 1993 Newton Lins Sucupira UFRJ - 1980 – 1986 Dout. Currículos, cotidianos, culturas e redes de conhecimentos – UFES – 2007 Carlos Eduardo Ferraço Janete Magalhaes Carvalho Currículos, redes educativas e imagens – UERJ – 2008 Nilda Guimarães Alves Carlos Eduardo Ferraço Formação de professores e práticas pedagógicas – UFES – 1992 Janete Magalhaes Carvalho Regina Helena Silva Simões Pós-Doutorado UERJ - 2007 Alberto Villani USP - 1996 – 2000 -Dout. Nilda Guimarães Alves UFF - 1985 – 1989 - Mest. Regina Leite Garcia Nome Instituição Título Reunião Anual Tomaz Tadeu da Silva UFRGS Monstros, ciborgues e clones: os limiares da subjetividade em educação 23 Edwiges Zaccur; UFF Cotidiano- compreender o compreender das professoras e das crianças 24 Maria Teresa Esteban UFF Cotidiano- compreender o compreender das professoras e das crianças 24 Regina Leite Garcia UFF Cotidiano- compreender o compreender das professoras e das crianças 24 Carlos Eduardo Ferraço UFES Pensando currículos contra-hegemônicos através das pistas do cotidiano 25 418 Cotidiano Escolar e Currículo – UERJ -1997 Inês Barbosa de Oliveira Nilda Guimarães Alves Pós-Dout. Universidade de Coimbra. 2002 – 2002 Jean Houssaye Université de Sciences Humaines de Strasbourg 1989 – 1993 Dout. Carlos Alberto Plastino Instituto de Altos Estudos Em Educação 1984 – 1988 Mest. Alfabetização dos alunos e alunas das classes populares - UFF - 1987 Regina Leite Garcia Maria Teresa Esteban do Valle Regina Leite Garcia UFF – 1999-2002 – Dout. Laís Loffredi. UFRJ – 1981-1986 Escola, Identidades e Culturas – UCP – 2004 Antonio Flavio Barbosa Moreira Marlene Alves de Oliveira Carvalho NEC - Núcleo de Estudos de Currículo – UFRJ – 1992 Antonio Flavio Barbosa Moreira Marcia Serra Ferreira Michael Young University of London, UL, Inglaterra - 1984 – 1988 – Dout. Teresinha Accioly UFRJ - 1974 – 1978 – Corseuil Granato Mest. Grupo de Estudos e pesquisa em Currículo e Pósmodernidade - UFRGS \ ULBRA – 2001 Alfredo Veiga-Neto Tomaz Tadeu da Silva. UFRGS - 1992 – 1996 – Dout. Cotidiano Escolar e Currículo – UERJ - 1997 Inês Barbosa de Oliveira Nilda Guimarães Alves Currículos, redes educativas e imagens – UFES 2008 Nilda Guimarães Alves Carlos Eduardo Ferraço Pós-doutorado Institut Nacional de Recherche Pédagogique 1989-1990 Vivianne IsambertDout. Universite de Paris Jamati V (Rene Descartes), U.P. V, França – 1978-1980 – Dout. Nilda Guimarães Alves UERJ – 2004-2008 – Dout. Nilda Guimarães Alves UERJ – 1999-2001 – Mest. ALFABETIZAÇÃO DOS ALUNOS E ALUNAS DAS CLASSES POPULARES - UFF - 1987 Regina Leite Garcia Maria Teresa Esteban do Valle Regina Leite Garcia UFF – 1999-2002 – Dout. Laís Loffredi. UFRJ – 1981-1986 Laboratorio de Estudos Audiovisuais – UNICAMP Olho - 1994 Milton José de Almeida Hilario Fracalanza. UNICAMP - 1997 – 2000 Dout. Hilario Fracalanza UNICAMP - 1993 – 1995 Mest. Inês Barbosa de Oliveira UERJ Pensando currículos contra-hegemônicos através das pistas do cotidiano 25 Joanir Gomes de Azevedo UFF Pensando currículos contra-hegemônicos através das pistas do cotidiano 25 Antonio Flavio Barbosa Moreira UCP História do currículo e das disciplinas escolares 26 Alfredo Veiga-Neto ULBRA/ UFRGS Nilda Guimarães Alves Dirceu Castilho Pacheco UERJ UERJ Joanir Gomes de Azevedo UFF Antônio Carlos Rodrigues Amorim UNICAMP Espaço, Tempo e Império: implicações para o currículo Pesquisar a história do Currículo no cotidiano da escola: para além das narrativas Pesquisar a história do Currículo no cotidiano da escola: para além das narrativas Pesquisar a história do Currículo no cotidiano da escola: para além das narrativas Escritascurrículo, diferenças em acontecimentos 27 27 27 27 28 419 Grupo de estudos e pesquisas em currículo e pósmodernidade – UFRGS – ULBRA – 2001 Alfredo Veiga-Neto Tomaz Tadeu da Silva. UFRGS - 1992 – 1996 – Dout. Robert Cowen University Of London Institute Of Education 1985-1988 - Dout. Luis Antonio Rodrigues FGV-RJ -1973-1975 da Cunha Mest. Observatório Sociológico Família-Escola: trajetórias e práticas de escolarização – UFMG – 2003 Maria Alice de Lima Gomes Nogueira Maria Jose Braga Viana Maria Alice de Lima UFMG - 2008 – Gomes Nogueira. Doutoranda Maria Inez Salgado de PUC/MINAS - 2002 – Souza 2004 - Mest. Alfabetização dos alunos e alunas das classes populares - UFF - 1987 Regina Leite Garcia Maria Teresa Esteban do Valle Regina Leite Garcia UFF – 1999-2002 – Dout. Laís Loffredi. UFRJ – 1981-1986 Currículos, cotidianos, culturas e redes de conhecimentos – UFES – 2007 Carlos Eduardo Ferraço Janete Magalhaes Carvalho Currículos, redes educativas e imagens – UERJ – 2008 Nilda Guimarães Alves Carlos Eduardo Ferraço Formação de professores e práticas pedagógicas – UFES – 1992 Janete Magalhaes Carvalho Regina Helena Silva Simões Pós-Doutorado UERJ - 2007 Alberto Villani USP - 1996 – 2000 -Dout. Nilda Guimarães Alves UFF - 1985 – 1989 - Mest. Regina Leite Garcia Cotidiano Escolas e Currículo – UERJ -1997 Inês Barbosa de Oliveira Nilda Guimarães Alves Pós-Dout. Universidade de Coimbra. 2002 – 2002 Jean Houssaye Université de Sciences Humaines de Strasbourg 1989 – 1993 Dout. Carlos Alberto Plastino Instituto de Altos Estudos Em Educação 1984 – 1988 Mest. Alfredo Veiga-Neto Maria Inez Salgado de Souza ULBRA/ UFRGS Império e currículo: inclusão, diferenciação e gerenciamento 28 PUC-MG As contribuições de Basil Bernstein para as investigações da sala de aula 29 Maria Alice de Oliveira e Nogueira PUC/MG As contribuições de Basil Bernstein para as investigações da sala de aula 29 Joanir Gomes de Azevedo UFF Currículo e pesquisa com o cotidiano 30 Carlos Eduardo Ferraço UFES Currículo e pesquisa com o cotidiano 30 UERJ O pensamento de Boaventura de Sousa Santos e a educação: práticas curriculares emancipatórias no cotidiano escolar 31 Inês Barbosa de Oliveira 420 Apêndice F — Distribuição da produção nas Reuniões Anuais conforme grupos de pesquisas TRABALHO APRESENTADO 18 Instituição Ribeiro (1995); Maranhão (2000, 2002); 19 20 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 TOTAL 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 1 1 Programa de Estudos e Documentação Educação e Sociedade – UFRJ – 1987 – Canen (1998, 1999, 2001, 2005);Canen; Arbache, Franco (2000); Canen e Oliveira (2002); Franco (2002, 2003, 2004); Franco e Leal (2005) Núcleo de Estudos de Currículo – UFRJ – 1992 – Lopes (1996, 1997); Cunha (1997); Henriques (1998); Teixeira (2001); Oliveira e Destro (2003); Pessanha; Daniel e Menegazzo (2003); Silva e Menegazzo (2005); Oliveira (2005); Destro (2005); Ferreira (2005); Lopes (2005); Gabriel e Monteiro (2007); Drumond (2007) Currículo de ciências: uma abordagem cultural – UERJ – Macedo (1995, 2004); Macedo e Fundão (1996); Lopes e Macedo (1998); Frangella (2003, 2007); Frangella e Barreiros (2008) Redes de conhecimento e práticas emancipatórias no cotidiano escolar – UERJ – 1999 (Currículo e Cotidiano) – Oliveira (1996, 2001, 2003); Santiago (1997); Gama e Gondra (1998); Oliveira (1999); Costa (2003); Oliveira (2007); Souza (2007) – UERJ COTIDIANO ESCOLAR E CURRÍCULO – UERJ – 1997 – Oliveira e Alves (1999); Passos (1999, 2006); Garcia (2004); Sgarbi (2004, 2006); Currículo: sujeitos, conhecimento e cultura – UERJ – 2004 – Barreiros (2003); Barreiros e Frangella (2004); Frangella (2005); Dias e Abreu (2005); Mello (2005); Agostinho (2008) 21 1 1 1 2 1 1 1 1 1 1 2 1 1 1 1 1 1 1 2 1 1 13 2 10 5 2 1 1 1 1 1 2 2 1 1 6 2 3 Currículos, redes educativas e imagens – UERJ – 2008 – Oliveira (2008); Guedes (2008) 6 1 6 2 2 1 Stajn (1996); Mello (2001, 2008) – PUC/Rio Geish - Grupo de Estudo Interdisciplinar em Sexualidade Humana - UNICAMP -1992 – Altmann (2003) – PUC/RIO GRUPO DE ESTUDOS E PESQUISAS EM EDUCAÇÃO CONTINUADA – GEPEC – UNICAMP – 1996 – Messias (2001) – Unicentro Alfabetização dos alunos e alunas das classes populares - UFF – 1987 – Zaccur e Garcia (1996); Zaccur (1998) 1 1 1 1 1 1 2 Núcleo Interdisciplinar de Estudos de Gênero – UFV -1996 – Barletto (2003) 1 Frigotto (2000) – UFF 2 1 1 1 7 3 1 2 LOGOS - UNIRIO - 2000 – Hora (2000) 14 1 1 1 Grupo de Pesquisa em Educação Física Escolar – USP – 2004 – Neira (2008) Fogaça (2008) – USP 1 1 1 1 Nébias (1995) UNESP 1 1 Centro de Pesquisas para Educação e Cultura – CENPEC-SP - Sampaio; Ribeiro e Tararan (1995) 1 1 Gallo (1995, 1996) UNICAMP; LABORATORIO DE OBSERVACAO E ESTUDOS DESCRITIVOS – LOED - UNICAMP - 1989 – Freitas (1998) LABORATORIO DE ESTUDOS AUDIOVISUAIS – UNICAMP - OLHO – 1994 – Amorim (2000; 2002); Andrade (2005, 2006); Oliveira (2006); Wunder (2008) 1 Grupo de Pesquisa Memória, História e Educação – MEMÓRIA - UNICAMP – 1996 – Martins (2006) 1 2 1 1 1 1 1 2 1 1 6 1 421 Machado (2007) - PUC/SP 1 PEC - Políticas de Educação/Currículo - PUC/SP – 1996 – Chizzotti e Ponce (2008) Formação de Professores e Cotidiano Escolar - PUC/SP – 2000 – Brito (2008) Políticas públicas de currículo e avaliação – UNIVALI – 2000 – Ferri (2001) Grupo Estudos e Pesquisas sobre Currículos e Culturas – UFMG – 2004 – Paraíso (1997, 1998, 2000; 2001, 2002, 2003, 2005); Mendes (1998, 2000); Resende (2002) 1 Gazzinelli (1997); Santos (1999); – UFMG 1 1 2 1 1 2 1 1 9 2 1 1 1 1 1 Costa (2004); Negri e Souza (2008)– PUC/Minas Observatório Sociológico Família-Escola: trajetórias e práticas de escolarização – UFMG – 2003 – Nogueira (2004) - PUC/Minas 1 1 1 1 1 1 3 1 1 1 1 1 1 3 3 1 3 1 1 2 6 2 18 1 2 1 1 1 3 1 Reali (1996); Stephanou (1997); Santos (2000); Sommer (2000); Freitas (2007) – UFRGS 1 2 1 1 Núcleo de Estudos de Mídia, Educação e Subjetividade (NEMES) - UFRGS – 2002 – Uberti (2003) 1 1 2 Sociedade, Memoria e Educação – UDESC – 2000 – Auras (2007) Comunicação e Processos de Ensino e de Aprendizagem – UDESC – 2002 – Lunardi (2007) GIEQ – Grupo de Investigação no Ensino de Química - UFSC – 2005 – Aires e Ern (2005) 1 5 1 1 1 1 1 1 Estudos Marxistas em Educação - UNESP – 2002 – Torriglia (2008) - UFSC 1 1 1 1 Souza (2001); – PUC/RS Processo de Trabalho Docente – UFPEL -1999 – Mello (1999); Garcia (2001; 2008) Gestão, Currículo e Políticas Educativas - UFPEL – 2004 – Vieira; Hypolito e Duarte (2006); Hypolito e Leite (2006) 1 1 Teoria Crítica e Educação - UNIMEP – 1991 – Sá e Vilela (2001) – ESMIG/CF Currículo, cultura e sociedade – UNISINOS – 2004 – Klein (2005) Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Currículos e Culturas (GECC) – UFMG – 2004 – Ribeiro (2007) UNISINOS Grupo de Estudos e Pesquisas em Interdisciplinaridade – GEPI – PUC/SP – 1986 - Garcia (1995) – UFPR 1 1 Teoria e Metodologia do Ensino Tecnológico - CEFET-MG – 1994 – Gariglio (2001) Santos (1995) – UESC 1 1 Currículo e Formação Docente – UFMG – 2002 – Oliveira (2003) Politica e Sociologia da Educação – UFJF – 2002 – Teixeira (2005) Teorias críticas na produção artística hispano-americana: inter-relações culturais e estéticas – UFRJ – 2005 – Silva (2006) – FUIT Formação de professores e práticas pedagógicas – UFES – 1992 - Ferraço (1997, 1999, 2000); Lopes (2006); Kretli (2007); Fiorio (2007), Sammy ( DIF - Artistagens, fabulações, variações - UFRGS -2002 - Silva (1995, 1997, 1998, 1999, 2001); Corazza (1995, 1996, 1999, 2004); Bampi (1999, 2000, 2001); Cardarello (2000); Paraíso (1995); Gomes (2004); Uberti (2000); Koef (2001); Mendes (2002); Grupo de Estudos de Educação e Relações de Gênero – GEERGE - UFRGS – 1990 – Soares; Osowski; Oliveira; Tittoni (1995); Fraga (1998) Grupo de estudos e pesquisas em currículo e pósmodernidade – UFRGS – ULBRA – 2001 - Rocha (1999, 2000); Schwantes (2002) 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 2 3 2 422 Gestão e Políticas Públicas na Educação Superior –PUC/PR – 1999 – Chiquito e Eyng (2008) 1 Cezar (1997); Macedo (2000) – UFB 1 Formigli (1997) – CEASB Recôncavo:Território, Cultura, Memória e Ambiente – UNEB – 2002 e GRAFHO - Grupo de Pesquisa Autobiografia Formação História Oral – UNEB – 2002 – Santos e Pinho (2002) 1 1 1 2 1 1 1 OBSERVATÓRIO DE CULTURA ESCOLAR – UFMS – 2006 – Campos (2004); Silva (2004) 2 2 FormAção – Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Formação do Educador – UMESP – 1995 Duran e Júlio (1997) ESCOLA/CULTURA/CONHECIMENTO/COTIDIANO – USP – 1994 / Formação Docente, Saberes e Práticas de Ensino de História e Geografia – UFU – 2000 – Greco e Fonseca (2001) Grupo de Pesquisa em História e Historiografia da Educação Brasileira – UFU – 1992 – Resende (2004) Desenvolvimento Profissional e Docência Universitária: saberes e práticas educativas – UFU – 2003 – Almeida e Cicillini (2005) 1 1 1 1 1 1 1 Núcleo de Estudos e Pesquisas em Currículo – UFPA – 2002 – Maués (2005, 2006) 1 Educação e Interculturalidade – UCDB – 2005 – Nascimento (2005) Grupo de Estudos e Pesquisas em Políticas Curriculares – UFPB – 2002 – Pereira (2007); Lima (2008) Núcleo de estudos e documentação em historia da educação e das práticas leitoras no Maranhão – UFMA – 2005 – Castro (2007) Currículo, Saberes e Práticas Educativas – UFRN – 1998 – Nascimento (2006); Nascimento e Andrade (2007) 1 1 1 2 1 1 1 1 2 1 1 1 2 Saber e prática social do educador – UFC – 1989 - Silva e Damasceno (1996); - UFCE Núcleo de Estudos, Pesquisa e Extensão: Gestão Pública e Desenvolvimento Urbano – UECE - 1997 Aires (2001) 1 Gomes (1996) – UTO 1 1 Cortesão e Stoer (1996) – CIIE/UP 1 1 GEPES/UFPA – UFPA – 1996 – Hage (1996) 1 1 1 1 1 Narkert (1998) – BIBB 1 1 Cappelletti e Feeney (2000) – UNQ 1 Martínez (2001) – UNLP Suárez (1995); Palamidessi e Feldman (1995); Feldman (1996, 2001); Palamidessi (2001); Cols; Feeney; Cappelletti e Amantea (2002); Gvirtz e Oría (2003) 2 1 TOTAL 13 10 1 1 10 9 11 13 1 2 1 1 14 8 12 7 12 17 11 15 14 171 423 Anexo G – Formação e instituição formadoras dos pesquisadores que publicaram na sessão Trabalhos Apresentados UERJ UFPEL PUC-RIO UFMG CEFET-MINAS PUC-MINAS UNISINOS UFRGS Total UFMG PósMest. Dout. dot. 1 3 1 2 2 1 1 1 1 1 8 5 1 UERJ UNIVALI UDESC UFSC Total UFBA UESC UFMG UFBA UNEB UFMS UTO Total PósMest. Dout. dot. 1 1 1 1 1 1 1 1 5 2 1 FGV-RJ Mest. Dout. Pós- UFSC PósMest. Dout. dot. 1 1 2 2 2 6 2 UFPE PósMest. Dout. dot. 1 1 2 PUC-SP UERN Total UFB UFCG Total PósMest. Dout. dot. 1 1 UFMT Mest. Dout. Pós- PUC-SP UFPR UDESC Total UFPR PósMest. Dout. dot. 1 1 1 1 UFRGS PósMest. Dout. dot. 1 1 1 1 1 3 4 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 8 15 PósMest. Dout. dot. UNISINOS 2 2 UFRGS 13 12 PUC-RS 1 UFPEL 1 3 UFMG 1 1 UFCE 1 Total 18 19 UNICENTRO Mest. Dout. Pós- UNISINOS Mest. Dout. Pós- UFRJ UNIRIO UNESP CENPEC-SP PUC-SP UDESC UNIVALI UNEB UFMS UFU UFPA UFPR UEPA Total 424 dot. UFRJ PUC-MINAS Total UFRJ USP UNESP UNICAMP UFJF UFMS UFU UFES UFMA Total 1 2 3 dot. UERJ UFMT Total USP UNESP PósMest. Dout. dot. 1 2 2 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 3 9 5 PósMest. Dout. dot. 1 1 2 UFMS UCDB Total UERJ UERJ UNIRIO PUC-RJ UFMT FAPERS UFES Total PósMest. Dout. dot. 12 11 2 1 1 1 1 1 1 14 13 4 PósMest. Dout. dot. 1 UNICENTRO Total PósMest. Dout. dot. UFRJ 3 2 UERJ 2 3 PUC-RIO 2 2 UFF 1 1 FUIT 1 CEFET-MG 1 Total 9 9 PósMest. Dout. dot. UERJ 1 1 PUC-RIO 1 UNICENTRO 1 USP 1 UNICAMP 6 6 1 FUIT 1 UFCG 1 UFU 1 1 1 NWK 1 1 UFMS 1 Total 10 12 4 UFMA UNISINOS UTO Total UFRJ UFF UFES Total PósMest. Dout. dot. 1 2 2 1 4 2 UFRJ UERJ UFF UFMG UFMS UFPEL Total UFRN 2 1 1 2 PósMest. Dout. dot. 3 5 3 3 1 1 1 1 7 11 UNIMEP UFPB Total UFRN PósMest. Dout. dot. 1 2 UFRJ UFF PUC-CAMPINAS PósMest. Dout. dot. 1 1 1 dot. UNICAMP PUC-RIO UFPB UFPB 1 1 2 dot. PósMest. Dout. dot. 1 1 UFSM UFC PósMest. Dout. dot. 1 425 UFRN Total 1 2 1 1 UFC UFC Total PósMest. Dout. dot. 1 1 Total 1 Instituto Um. Pesquisa RJ PósMest. Dout. dot. UFRJ 2 UERJ 1 Total 3 UFPEL UFPEL Total PósMest. Dout. dot. 2 1 2 1 PósMest. Dout. dot. 2 2 PUC-PR Total UFMS UTO Total UFMS UCDB Total Univ. do Minho USP Total PósMest. Dout. dot. 1 1 UNICAMP Total FRANKFURT PUC-MG BIBB Total PósMest. Dout. dot. 1 1 1 1 PUC-MINAS Total UFBA Total PósMest. Dout. dot. 3 3 UFU Total PósMest. Dout. dot. 3 2 PUC-RS UFPEL Total UFRGS Total UNEB Total UFBA Total PósMest. Dout. dot. 1 1 UFES UFES Total PósMest. Dout. dot. 3 1 3 1 CHICAGO UFSC Total PARIS VIII PósMest. Dout. dot. 1 1 PósMest. Dout. dot. 1 2 1 2 2 UNEB SANTANFORD PósMest. Dout. dot. 1 1 1 PUC-RS UFU FRIBOURG-Suíça PósMest. Dout. dot. 1 1 Total PUC-MINAS UNIV. CHILE PósMest. Dout. dot. 1 1 PósMest. Dout. dot. 1 1 2 UFRJ UERJ Total UFMS PósMest. Dout. dot. 1 1 1 2 1 1 UNIV. COIMBRA PUC-PR UFG PósMest. Dout. dot. 1 1 2 Total PósMest. Dout. dot. 1 1 STRASBOURG UERJ Total PósMest. Dout. dot. 1 1 426 PARIS V UERJ Total PósMest. Dout. dot. 1 1 1 1 INDIANA PUC-RIO Total BARCELONA UNISINOS PUC-PR UFPEL Total PósMest. Dout. dot. 1 1 1 1 1 1 2 PósMest. Dout. dot. 1 1 VALÊNCIA UFMG Total PósMest. Dout. dot. 1 1 MADSON UFF UFPEL UEPA Total PósMest. Dout. dot. 1 1 1 1 2 2 GLASGOW-ESCÓCIA PósMest. Dout. dot. UFRJ 1 Total 1 LONDON UFF PUC-MG Total PósMest. Dout. dot. 1 1 1 1 BRITSH - COLUMBIA PósMest. Dout. dot. UERJ Total 1 1