PPGCOM ESPM – ESCOLA SUPERIOR DE PROPAGANDA E MARKETING – SÃO PAULO –
15 E 16 OUTUBRO DE 2012
Compartilhamento Digital e Consumo de Produtos Educacionais: Um Estudo do
Blog e do Grupo Viciados em Livros1
Adriano Vinício da Silva do Carmo2
Universidade Federal de Juiz de Fora
Resumo
Este artigo propõe uma discussão sobre o compartilhamento digital e o consumo de produtos educacionais.
Para isso, tais práticas são contextualizadas em relação às sociedades de Consumidores e da Informação,
realizando-se pesquisas empíricas envolvendo o blog e o grupo de discussão Viciados em Livros. Objetiva-se
refletir sobre o consumo de informações, levando-se em conta os hábitos de consumo já consolidados na
sociedade, como também a perspectiva 'tecnofetichista' que pode surgir dessa relação. Aponta-se também os
tipos de participação envolvidos nesse contexto, destacando o papel que a participação passa a assumir em
relação ao consumo de produtos digitais em comunidades de compartilhamento.
Palavras-chave: Compartilhamento Digital; Consumo; Produtos Educacionais; Viciados em Livros
1. Introdução
Este trabalho é desenvolvido levando-se em conta o contexto da chamada Sociedade da
Informação (CASTELLS, 1999; LÉVY, 1999), na qual a influência das redes de computadores tem
se mostrado de grande relevância, possibilitando uma interconexão entre as pessoas cada vez mais
presente no cotidiano.
Os novos hábitos dessa sociedade em rede – assim chamada por Castells – trazem
influências inclusive para a esfera do consumo. Segundo Bauman (2008), nesse novo ambiente as
pessoas são transformadas em mercadorias, passando-se, assim, a haver um consumo de suas
produções/manifestações em rede.
1
Trabalho apresentado no Grupo de Trabalho Comunicação, Educação e Consumo (GT - 07), do 2º Encontro de GTs Comunicon, realizado nos dias 15 e 16 de outubro de 2012.
2
Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFJF, com bolsa FAPEMIG. Linha de Pesquisa
'Estética, Redes e Tecnocultura', e-mail: [email protected]
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Nesse sentido, o compartilhamento de informações consiste hoje em uma das formas de
estar no ambiente virtual, sendo uma das marcas das redes sociais, que se apresenta de forma mais
substancial pelo compartilhamento de arquivos digitais. Portanto, trabalhar-se-á neste artigo o
compartilhamento digital de produtos educacionais, com a intenção de investigar como o
conhecimento é consumido pela sociedade da informação, levando-se em conta as possibilidades de
acesso à informação por meio da Internet.
Serão trabalhados produtos educacionais – como livros, softwares, audiobooks, etc – cuja
forma de aquisição ocorre legalmente pela compra, havendo, entretanto, uma maneira alternativa de
aquisição e consumo possibilitada pelo compartilhamento digital desses produtos.
Objetiva-se verificar hábitos de consumo de produtos educacionais disponibilizados no blog
Viciados em Livros3. Para isso, serão identificadas, entre as categorias de materiais compartilhados,
aquelas que podem ser enquadradas como 'produtos educacionais', ou seja, materiais que tenham
finalidade educativa ou de instrução. É importante ressaltar que, paralelamente ao blog, existe
também um grupo de discussões4 para os membros do Viciados em Livros, o qual será aqui
igualmente estudado.
Nesse contexto, é válido lembrar que a influência da técnica e da tecnologia na história da
humanidade, constituiu-se como parte fundamental no acúmulo progressivo de conhecimentos que,
vez ou outra, sempre levou a algum tipo de inovação. Segundo reforça Steven Johnson (2001),
analisando palavras de McLuhan, vive-se hoje um momento de 'velocidade elétrica', em que a
grande produção de informações e o progresso científico têm sido realizados de maneira acelerada.
Nesse sentido, analisar os processos de compartilhamento digital na prática de consumo
educacional permite entender as implicações desse fenômeno nas novas formas de aquisição e
construção do conhecimento. Assim, através desses compartilhamentos, as pessoas têm acesso a um
número cada vez maior de produtos educacionais, influenciando a forma como os assimilam e
também o modo como o mercado se comporta em relação a esse novo contexto.
3
4
<http://www.viciadosemlivros.blogspot.com.br/>, acesso em 02 de setembro de 2012.
<http://groups.google.com.br/group/viciados_em_livros>, acesso em 02 de agosto de 2012.
2
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2. Sociedade de Consumidores X Sociedade da Informação
No mundo acadêmico, diversos teóricos têm trazido visões reflexivas e críticas sobre a
sociedade, nesse sentido, deve-se ressaltar que as perspectivas das quais eles partem possuem suas
peculiaridades e diferenças, abrangendo uma série de afirmações sobre o mundo e a natureza das
relações nele presentes. Assim, Bauman (2008) fala sobre uma Sociedade de Consumidores, a qual
motiva e valoriza atitudes que estejam relacionadas a um “estilo de vida e uma estratégia existencial
consumistas” (2008, p. 71), ignorando-se qualquer outra manifestação cultural que não esteja ligada
a essa visão.
Para Bauman (2008), na maior parte da história moderna – período em que se vigorava a
produção nas indústrias e o recrutamento para os exércitos – a sociedade era composta por uma
parte masculina de produtores e soldados, e uma parte feminina de prestadoras de serviço.
Consistia, segundo o autor, em uma 'administração de corpos', de maneira que o 'espírito' nessas
relações de produção deveria ser silenciado e, com o tempo, desativado, prevalecendo uma
manipulação de corpos voltada para fins industriais. Tais atitudes visavam a moldar o indivíduo,
tendo-se em vista sua adaptação a um “pretenso hábitat natural: o chão da fábrica e o campo de
batalha” (BAUMAN, 2008, p. 72).
Por outro lado, na Sociedade de Consumidores as ações de pressão e coerção exercidas
sobre seus membros ao longo da vida estão ligadas à 'administração do espírito', levando à
adequação das pessoas a um novo habitat, agora constituído em torno dos shopping centers.
Conforme Bauman (2008), o consumo tem tal importância na construção das identidades que a
criança, até mesmo antes de aprender a ler, já se vincula a essa prática por intermédio dos pais, o
que resulta em influências sobre seu modo de ver o mundo. Assim, diferentemente da sociedade de
produtores/soldados, a Sociedade de Consumidores não possui distinções de idade, gênero ou
classe. Preconiza-se que todos sejam 'consumidores por vocação', o que já representa uma forma de
subjugar e coagir socialmente. Desse modo, em comparação com aquela outra sociedade – em que
alguém podia ser excluído devido ao desemprego ou por ter sido rejeitado no serviço militar –, na
sociedade do consumo reina uma lógica coercitiva de que “cumprir os preceitos da cultura de
consumo é algo considerado (de modo gritantemente contrafactual) permanente e universalmente
possível” (BAUMAN, 2008, p. 75).
3
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Portanto, todos estariam fadados a fazer parte dessa sociedade de consumo, uma vez que não
são feitas restrições, já que as pessoas “não podem ser rejeitadas como consumidoras de uma
mercadoria se tiverem dinheiro para pagar o seu preço” (idem). Contudo, essa lógica não leva em
consideração as condições financeiras da população, tendo como premissa a ideia de que basta ter
dinheiro para se inserir nessa sociedade – não importando, portanto, de onde provenha os recursos
financeiros, se do campo, do mercado financeiro, do comércio, ou do tráfico. Assim, o consumo, a
partir do intermédio dos cifrões, torna-se, então, um “investir na afiliação social de si próprio”
(ibidem), de maneira que é gerado um pertencimento social por meio do investimento em coisas que
representem uma valoração, com consequentes reflexos na auto-estima do indivíduo.
Nessa perspectiva, os membros da sociedade que não possuem condições de fazer parte de
determinado mercado de consumo são chamados de 'consumidores falhos', uma vez que sua
presença não traz retornos financeiras plausíveis, sendo considerados desnecessários à sociedade de
consumidores. Essa dinâmica de influências desenvolvida pelo mercado atinge, principalmente, o
Estado, tirando-lhe a soberania, isto é, sua capacidade de “estabelecer o limite entre incluídos e
excluídos” (BAUMAN, 2008, p. 86). Dessa forma, o mercado influencia a cotação das moedas, os
investimentos públicos em setores estratégicos da economia, a admissão de potenciais
consumidores em determinada região, bem como as tendências da moda e o gosto dos indivíduos.
“O Estado como um todo, incluindo seus braços jurídico e legislativo, torna-se um executor da
soberania do mercado” (BAUMAN, 2008, p. 87).
Baseando-se na visão de Bauman, entende-se que os indivíduos não têm outra saída a não
ser a de serem plenos 'consumidores'. Contudo, outra forma de consumo emergiu das estruturas
sociais, havendo um predomínio do consumo de bens simbólicos em detrimento de bens materiais.
Assim, muitas vezes, a maior parte do valor de um tênis pode estar concentrada no valor simbólico
da marca, enquanto o valor material, compreendido em matéria-prima e mão-de-obra, é irrisório.
Além disso, uma boa parte da sociedade pode ainda não ter condições de consumir
determinados produtos – o que realmente acontece. Assim, quais seriam as consequências práticas
da existência desses 'consumidores falhos'? E quais seriam as influências das tecnologias de
informação e comunicação na organização e articulação desses consumidores?
É preciso, portanto, confrontar ou relacionar essas ideias com uma outra visão crítica, a qual
consiste na perspectiva da existência de uma Sociedade da Informação, na qual a base da economia
4
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tornou-se os saberes institucionalmente aceitos – como a medicina, economia, direito etc. –, em
detrimento da força bruta e de técnicas rudimentares (LÉVY, 2004). Nesse contexto, as redes de
computadores, fazendo parte dessa evolução, tornaram-se fundamentais, interconectando pessoas,
serviços e produtos. Por meio da Internet, portanto, é possível ler a biografia e os textos de um
palestrante de um congresso, como também é possível comprar passagens aéreas para esse mesmo
congresso, ou comprar um livro do referido palestrante. Desse modo, a sociedade nessa perspectiva
é marcada por uma extremada interconexão e interdependência de informações e conhecimentos,
havendo uma renovação tecnológica em períodos de tempo cada vez mais curtos (CASTELLS,
1999). Tal perspectiva tem levado à constituição de uma sociedade marcada pela aceleração
tecnológica, afetando comportamentos e hábitos da população, principalmente em relação ao
consumo de informações e à geração de conhecimentos.
Percebe-se, nesse contexto, que o conhecimento e as informações tornaram-se mais
próximos, contudo, até que ponto as pessoas estão sendo preparadas para lidarem com um grande
número de informações todos os dias? Trabalhando essa temática, Pernisa Junior e Alves (2010)
apontam que hoje existe uma abordagem das informações como mercadorias e não como bens
culturais:
Os bens culturais dão mais trabalho para serem assimilados, levam mais tempo para
ser interpretados e incorporados como conhecimento, por meio da comparação. A
comunicação, que serviria como parceira para essa assimilação, também é posta em
segundo plano. Não há tempo para conversas, para a troca de informações. (2010, p.
21)
Desse modo, tudo acontece de forma muito rápida, muitas vezes devido ao extenso
montante de informações a serem assimiladas. Com a difusão da Internet, os portais de notícias se
multiplicam, surgem fontes alternativas – como blogs – e tem-se desenvolvido uma cultura de
repassar links, de repassar informações, como ocorre na maioria das redes sociais. Corroborando
com essas ideias, Jenkins (2006) fala de uma 'cultura participativa', na qual as pessoas se interrelacionam a partir da criação e compartilhamento de conteúdos. Assim, segundo o autor, as formas
de participação incluem (JENKINS, 2006, p. 3):
- Afiliação: as pessoas se associam, formal ou informalmente, por meio de comunidades
online centradas em vários tipos de mídia, como Facebook, Orkut, MySpace, fóruns de discussão,
entre outros.
5
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- Expressão: são produzidas novas formas de conteúdos pelos usuários da Internet, pode-se
destacar, por exemplo, a postagem de vídeos no YouTube, com a produção de fãs, a criação de fan
fictions e fanzines.
- Solução colaborativa de problemas: são criados grupos de trabalho, formal ou
informalmente, a fim de resolverem determinadas atividades e de construírem novos
conhecimentos, nesse sentido é possível destacar a iniciativa Wikipédia, como também jogos de
realidade alternativa.
- Circulação: é possível compartilhar informações, distribuindo-as amplamente, a partir de
diversas mídias, como podcastings e blogs.
Neste trabalho, por sua vez, fala-se prioritariamente de 'circulação', analisando seu impacto
na sociedade de consumidores, principalmente em relação ao compartilhamento de produtos
educacionais em formato digital. Contudo, como ressaltado por Jenkins (2006), a subdivisão dessas
formas de participação consiste em um procedimento teórico para estudos, mas em circunstâncias
reais essas características da participação encontram-se interligadas e co-existem.
3. Breve Histórico do Blog e do Grupo Viciados em Livros
Para prosseguir com a apresentação da metodologia e com a análise dos dados, antes é
preciso contextualizar a criação, difusão e utilização do blog e do grupo de discussões Viciados em
Livros, que consistem em iniciativas coletivas de compartilhamento de arquivos digitais, com
especial destaque para livros – ou e-books, como ficaram conhecidos esses formatos digitais. Neste
artigo, por se tratar de uma pesquisa preliminar, optou-se por usar informações já disponíveis na
Internet a respeitos do referido grupo. Com o futuro desenvolvimento da pesquisa, pretende-se
realizar uma entrevista específica para colher informações mais atuais.
Antes de prosseguir contextualizando o surgimento do Viciados em Livros é preciso relatar
peculiaridades referentes à fonte que está sendo utilizada. O texto 5 usado foi escrito por C.S. Soares
e disponibilizado em seu blog Pontolit 6, consiste em um conjunto de informações sobre o estado da
5
As referentes ao histórico do Viciados em Livros estão disponíveis em um texto arquivado no clipping do Ministério
da Cultura, acessível no seguinte endereço: http://www.cultura.gov.br/site/2008/03/03/viciados-em-livros/
6
<http://blog.pontolit.com.br>, indisponível para acesso. Contudo, disponível no WaybackMachine (site que arquiva
cópias
de
outros
sites,
criando
um
histórico
da
Internet)
pelo
seguinte
endereço:
<http://web.archive.org/web/20100329072844/http://blog.pontolit.com.br/2008/03/02/leetspeak-viciados-em-livros-2/>,
acesso em 02 de setembro de 2012.
6
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arte do compartilhamento de livros em 2008, com uma entrevista, logo em seguida, feita com
Lancelot, principal moderador do grupo Viciados em Livros na época. O curioso, nessa situação, é
que o texto atualmente só está disponível – com possibilidades para ser encontrado por meio de
buscadores – no site do Ministério da Cultura, já que o blog Pontolit não se encontra mais no ar. O
Ministério, em 03 de março de 2008, provavelmente por meio de algum agente (mecanismo de
busca automático) encontrou o referido texto e o arquivou. Tal suposição é possível, uma vez que o
início do texto cita o “Ministério da Cultura” – termo que seria procurado para a realização do
clipping automático.
A menção a essa curiosidade vem ao encontro das ideias de Jenkins (2008) em relação ao
que ele chama de cultura da convergência. Segundo ele, “a convergência representa uma
transformação cultural, à medida que consumidores são incentivados a procurar novas informações
e fazer conexões em meio a conteúdos midiáticos dispersos” (JENKINS, 2008, p. 28). O que se
percebe nesse contexto é a ação de consumidores – como C. S. Soares – que passam a buscar
informações e gerar novos conhecimentos a partir de sua interação com as mídias. Um outro fato
relevante nessa situação diz respeito à incorporação de um conteúdo 'não-oficial' – já que foi criado
em um blog de pouca abrangência e respaldo pela mídia oficial – por um órgão institucionalizado,
como o Ministério da Cultura. Trata-se de uma expressão da comunicação alternativa sendo
incorporada pelos meios oficiais e institucionalizados de comunicação, o que demonstra uma maior
autonomia dos consumidores no âmbito do consumo de informações, rendendo-lhes mais respeito e
credibilidade7.
Visto essas sutilezas em relação à fonte de informações preliminares, vale prosseguir a
contextualização do movimento de compartilhamento de livros no Brasil. Assim, é importante
lembrar que o grupo Viciados em Livros surgiu em 2006, e em 2008 já contava com mais de 1.200
e-books preparados voluntariamente. Segundo Lancelot, os precursores do movimento iniciaram
suas atividades no final da década de 1990 nas salas do IRC (Internet Relay Chat) – um dos
primeiros serviços de comunicação instantânea que se popularizou –, em seguida foram usadas
newsletters da UOL e grupos do Yahoo, chegando até os atuais grupos de discussão do Google.
Junto à comunidade Viciados em Livros surgiram outros grupos, que igualmente fazem parte do
7
Entretanto, os efeitos de credibilidade aí adquiridos podem ser resultado da ação de um agente inteligente (um
software que busca informações automaticamente) de clippings, que arquivou uma fonte não-oficial. O que leva ao
impasse referente a confundir máquinas com seres humanos, o qual é tratado por Johnson (2001), mas não será
trabalhado neste artigo, visto que aqui está sendo desenvolvido um outro foco de discussão.
7
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movimento, mas têm uma função específica, como o Digital Source, que propôs a criação de um
padrão de qualidade para a digitalização dos livros, possibilitando uma boa diagramação e fácil
leitura dos livros por programas de acessibilidade desenvolvidos para deficientes visuais. Relata-se
que o objetivo inicial era possibilitar o acesso aos deficientes visuais, os quais são amparados por
lei8 para digitalizar obras literárias, artísticas ou científicas de interesse. Contudo, as mesmas obras
digitalizadas para esse fim são também usadas por leitores tradicionais. Vê-se, portanto, nessa
situação uma legislação que justifica a ação de digitalizar, tornando tal atividade cada vez mais
natural, mesmo que o leitor final não seja um deficiente visual.
Com isso, o grupo Viciados em Livros tornou-se referência em relação ao compartilhamento
de livros no Brasil, envolvendo uma série de outros grupos espalhados pela rede, entre eles podem
ser citados 'Adoramos Ler', 'Troca de Livros', 'Troca de E-book', 'Arca Literária', 'Papiros Virtuais' e
'PDL – Projeto de Democratização da Leitura', entre outros. Percebe-se que cada um desses grupos
representa uma comunidade seguimentada, devido ao uso de diferentes ferramentas e recursos da
web. Tal seguimentação, contudo, não impede que o mesmo objetivo de compartilhamento de livros
seja realizado de forma eficiente e articulada, uma vez que as comunidades se inter-relacionam.
Ainda vale destacar que no contexto do compartilhamento digital existem alguns temas que
são emblemáticos, principalmente no que diz respeito aos direitos autorais. Assim, alguns autores –
um exemplo conhecido é Paulo Coelho –, defendem o compartilhamento de suas obras em formato
digital, afirmando que tal atitude proporciona uma maior difusão do conteúdo, revertendo-se depois
em novas compras de livros. A partir dessa visão, o formato digital possibilita que o leitor conheça
a obra antes de fazer um investimento em um livro impresso, que se supõe seja o meio preferido
para a leitura. Em relação aos direitos autorais, o grupo Viciados em Livros também é afetado de
forma negativa: alguns autores e editoras já entraram em contato pedindo que a obra seja retirada do
grupo (o que é feito pelos moderadores), e há casos de moderadores que foram processados.
4. Viciados em Livros: Rastreando Tags 'Pedido' e 'Envio'
Levando-se em conta a existência desse complexo contexto, tem-se falado muito na
mudança de um paradigma comunicacional, com o despontar de um emissor-receptor ativo e o
8
Inciso I do artigo 46 da lei 9.610/98.
8
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desenvolvimento da comunicação todos-todos, o que implica dizer que as possibilidades de
interação e presença na rede são maiores. Mas, como fazer uso desses recursos de maneira
construtiva, levando à formação do conhecimento? Talvez seja essa uma das principais
preocupações dos educadores atualmente.
Considerando-se essas perspectivas, e tendo como base as categorias de materiais
disponibilizados no blog Viciados em Livros, este trabalho pretende identificar quais delas se
enquadram na ideia de 'produtos educacionais', problematizando a questão do simples
compartilhamento em relação ao compartilhamento requisitado.
Para isso, é preciso lembrar que o blog Viciados em Livros possui uma versão de mesmo
nome nos Grupos de Discussões do Google, na qual os usuários interagem por meio de duas formas
básicas: pelo pedido de matérias, cujas mensagens possuem a tag 'Pedido', ou pelo envio sem ou
com prévia solicitação, por meio meio da tag 'Envio'.
Assim, parte-se da premissa de que materiais compartilhados mediante um 'Pedido' tenham
maior importância para os usuários da comunidade, portanto, pretende-se verificar o modo como
essa relevância pode ou não se manifestar, e quais as relações de participação que estão implicadas
nesse processo. Para fazer essa verificação, definiu-se primeiro quais são os tipos de conteúdo que
podem ser considerados tradicionalmente como produtos educacionais. Como subsídio para realizar
as análises foram utilizadas as tags de conteúdo do blog, as quais estão situadas em uma coluna do
blog, à direita, chamada 'Gêneros'. Entre as diversas etiquetas utilizadas para marcar os temas
compartilhados no blog, figuram-se termos que fazem referência aos tradicionais produtos
educacionais, como também a produtos de entretenimento, ficção e literatura, entre outros. Para
facilitar a visualização dos dados, as 134 tags do blog foram analisadas, destacando-se 45 delas que
fazem referência a produtos educacionais9, as quais podem ser vistas na Tabela 110.
Produtos Educacionais
Administração (3)
espanhol (1)
Português (3)
Agronomia (1)
Filosofia (14)
Psicanálise (5)
9
Para fins de delimitação do corpus de pesquisa, ressalta-se que está sendo considerado um conceito estrito de produtos
educacionais (ou seja, produtos que tenham a finalidade explícita de instruir, ensinar), não se levando em conta a
possibilidade educativa de produtos de entretenimento, como ficções e obras literárias de forma geral.
10
Os números ao lado das tags representam a quantidade de vezes que as mesmas foram usadas para marcar algum
conteúdo, além disso, deve-se destacar que determinado conteúdo poderá ter sido marcado com mais de uma etiqueta.
9
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Apostila (27)
Foucault (2)
Psicologia (19)
Artes (4)
Física (1)
Publicidade (1)
Ciências Biológicas e Naturais (3) geografia (1)
quimica (1)
Ciências Exatas (4)
História (29)
Segurança do Trabalho (1)
Ciências Humanas e Sociais (7)
Hobbies (5)
Revista Aventuras na História (1)
Curso (4)
informática (6)
Revista Nova Escola (1)
Didático (15)
Inglês (2)
sociologia (1)
Direito (7)
Jornalismo (3)
Tutoriais (19)
educativo (13)
Letras (9)
vestibular (6)
educação física (1)
Letras / Linguística (1)
Video-Aulas (26)
eja (1)
LIBRAS (1)
videoaula (3)
Enfermagem (1)
matematica (1)
vídeo aula (27)
Engenharia de alimentos (1)
Mecânica (1)
Áudio-Aula (1)
Tabela 1: Tags Referentes a Produtos Educacionais do Blog Viciados em Livros (Fonte: Elaboração do autor)
Com a análise feita, chegou-se a um conjunto de tags que fazem referência a áreas do
conhecimento (como Administração, Agronomia, Artes, Direito, etc), tipo de material (Curso,
Didático e Tutoriais), fases e tipos de educação (Eja e Vestibular) e nomes de personalidades
(Foucault e Robbies). Para melhorar a visualização dos dados, foram destacadas as tags que
possuem maior taxa de utilização, entre elas: apostila, didático, educativo, Filosofia, História,
Psicologia, Tutoriais, Video-Aulas e Vídeo aula11.
Para a realização de uma análise com maior profundidade, optou-se por utilizar o material
marcado com a tag 'História', a mesma foi escolhida por ser a mais utilizada no campo amostral
apontado acima. A pesquisa foi realizada conforme os seguintes procedimentos:
- No blog Viciados em Livros foram encontradas as obras marcadas com a tag História
- Os nomes de cada obra e/ou de seus autores, foram copiados e pesquisados no grupo de
discussão homônimo
- Com essa pesquisa, objetivou-se verificar se as obras enviadas foram anteriormente
requisitadas no grupo de discussão
11
Como se percebe, os termos utilizados são redundantes, diferindo, às vezes, somente na grafia (como em Video-Aulas
e Vídeo aula), o que é consequência de um trabalho feito em grupo, com parâmetros de organização, porém com pouco
rigor.
10
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Os dados resultantes desse protocolo estão na Tabela 2. É válido ressaltar que, das 29 obras
marcadas com a tag História, foram analisadas somente 15, visto que, para um artigo, seria
inapropriado desenvolver a análise de uma quantidade maior de informações, devido à
complexidade gerada com o aumento do número de variáveis.
Nome da Obra
Nome do Autor
A História das Guerras
Cometário - análise
--
X
O livro foi disponibilizado pela primeira
vez em 2008, já no ano de 2009 a equipe
do Digital Source o 'lança' conforme seus
critérios de qualidade. O livro foi
compartilhado 5 vezes no grupo.
História da Sexualidade Michel Foucault
2 - O Uso dos Prazeres
--
X
O livro foi disponibilizado como
'lançamento' do Digital Source, sendo
compartilhado essa única vez.
História da Sexualidade Michel Foucault
1 - A Vontade de Saber
--
X
O livro é mencionado em 2007 em uma
lista bibliográfica de Foucault. Aparece
novamente em 2010, como 'lançamento'
do Digital Source.
Livro Didático Público Vários autores
de História
--
--
Nenhum resultado encontrado. Trata-se
de uma obra em domínio público,
disponibilizada pela Secretaria de Estado
da Educação do Paraná.
Auschwitz:
Testemunho
Médico
--
X
Aparecem 8 tópicos de interação sobre o
livro, nos anos de 2007 e 2009, todos
como 'lançamento' do Digital Sources.
Uma Breve História do Geoffrey Blainey
Mundo
X
X
Há 17 interações sobre o livro, de 2008 a
2011. A primeira versão não é
disponibilizada formatada, porém já em
julho de 2008 o grupo Portal do Criador
lança o livro com sua formatação.
Os Vivos e os Mortos Jean-Claude
na sociedade medieval Schmitt
--
X
Com 3 interações sobre o livro, em 2008
e 2009, o livro é também um
'lançamento' do Digital Source.
O Príncipe Maldito
Mary Del Priore
X
X
O livro foi pedido em agosto e dezembro
de 2007, somente em novembro de 2008
ele foi 'lançado' pela Digital Source. E
em 2012 ele já foi compartilhado outras 2
vezes no grupo.
O Apogeu da Cidade Jacques Le Goff
Medieval
--
X
Encontrada uma única interação, em
2008, com o 'lançamento' do livro pela
Digital Source.
Os Templários - Esses MICHEL LAMY
--
X
Única interação encontrada, em 2008,
de
Demétrio Magnoli
Tag
Tag
'Pedido' 'Envio'
O Miklos Nyiszli
um
11
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Grandes Senhores de
Mantos Brancos
com o 'lançamento' do livro pela Digital
Source.
Superinteressante
Especial - 1a. Guerra
Mundial - 90 anos
--
X
Encontrada uma única interação, em
2008, com o 'lançamento' da revista pela
Digital Source.
Grécia e Roma
Pedro Paulo Funari
--
X
Três interações sobre o livro, entre 2008
e 2009, destacando-se o post de
'lançamento' da Digital Source.
A Escrita da História
Michel de Certeau
--
X
Quatro interações sobre o livro, entre
2008 e 2011, sendo uma delas o
'lançamento' pela Digital Source, e as
outras três são compilações de conjuntos
de livros disponibilizados no ambiente.
1822 (Ilustrado)
Laurentino Gomes
--
X
Duas interações a respeito, em 2012,
consistindo no simples envio dos arquivo
do livro.
--
X
Duas interações em 2008 e 2009. A
primeira foi o 'lançamento' pela Digital
Source, e a segunda uma compilação de
livros de história.
As três Ordens ou o Georges Duby
Imaginário
do
Feudalismo
Tabela 2: Rastreamento de tags 'Pedido' e 'Envio' (Fonte: Elaboração do autor)
5. Análise de Dados: Algumas Considerações e os Tipos de Participação
A partir da análise dos dados da amostra, percebe-se que somente duas das obras haviam
sido requisitadas e posteriormente enviadas: 'Uma Breve História do Mundo' e 'O Príncipe Maldito'.
O primeiro livro, inclusive, foi pedido para que um dos usuários pudesse estudar para um concurso
público, o que demonstra a importância dada àquele conteúdo.
Um dos livros nem mesmo foi disponibilizado no grupo de discussão ('Livro Didático
Público de História'), sendo oferecido somente no blog. O trabalho é uma publicação da Secretaria
de Estado da Educação do Paraná12, disponível sem restrição de direitos autorais. É preciso lembrar
que outras obras dessa Secretaria também foram disponibilizadas, o que leva a entender que,
provavelmente, algum moderador do blog teve contado com as obras e aproveitou para também
compartilhá-las, aumentando a distribuição do conteúdo.
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<http://www.educacao.pr.gov.br/>, acesso em 19 de agosto de 2012.
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As demais obras não foram requisitadas por usuários do grupo de discussão, sendo
compartilhadas por espontânea vontade. É preciso também destacar que 12 das obras
compartilhadas receberam uma formatação específica, desenvolvida pelo grupo Digital Source, o
que dá indícios de que os livros compartilhados no blog foram previamente selecionados, levandose em conta a qualidade da formatação do texto. Além disso, é possível identificar o histórico de
desenvolvimento do material compartilhado, visto que alguns livros chegam à comunidade sem a
formatação por ela formalizada, realizando-se a formatação à medida que os voluntários têm
disponibilidade.
Deve-se ressaltar que nesse ambiente todos os trabalhos são feitos de forma voluntária, por
isso, por mais que determinado conteúdo não tenha sido solicitado, os usuários do grupo tendem a
compartilhar o que têm, visto que o compartilhamento é o principal objetivo. Assim, em uma das
interações, após um dos membros listar uma série de livros que tem em seu computador e perguntar
pelo interesse dos demais, a seguinte frase é escrita por outro usuário: “Eu gostaria mesmo de ter
todos. Na faculdade sempre o recomendam, então gostaria de dispor de todos, se não for incômodo”
(JDS). Por meio desta expressão, pode-se perceber uma perspectiva diferente em relação ao
consumo. Nessa situação, o dinheiro não é um limitador, que levaria à constituição de
'consumidores falhos', o que limita, nesse caso, é a capacidade de se interagir com a comunidade e
receber o devido retorno que se espera. Para exemplificar essa situação, é válido mencionar que nas
mensagens de moderação os usuários são incentivados a postar algum livro quando fizerem um
pedido (lembrando de usar a tag 'Pedido') de alguma outra obra. Além disso, o grupo possui regras
de comportamento, a partir das quais os moderadores atuam, uma dessas regras diz respeito ao
número de pedidos que é possível fazer por mês (cinco pedidos) e também sobre o número de
postagens durante o dia, que não deve ultrapassar dez por usuário.
Tais regras visam a manter a organização, ajudando a prevenir que os usuários criem algum
tipo de comportamento imediatista para conseguirem seus bens de consumo digital. Esse tipo de
comportamento, tem a ver com o que Kerckhove (1997) diz sobre a integração das tecnologias à
vida das pessoas, em que as tecnologias “podem gerar uma espécie de obsessão fetichista nos
utilizadores” (p.31). A esse fascínio o autor chama de 'tecnofetichismo', o qual está relacionado à
crença de que certas tecnologias possibilitarão determinados 'poderes' a seus possuidores.
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Os dados coletados também possuem aspectos que se enquadram em relação às
características dos tipos de participação apontadas por Jenkins (2006). Assim, por 'filiação' pode ser
citada a grande incorporação de novos usuários: em postagem de janeiro desse ano, o atual
moderador responsável pelo grupo, conhecido como Ricardo, anunciou que já quantifica-se mais de
50.000 membros, com a inserção de 10 a 20 novos usuários por dia. Além disso, uma outra forma
de filiação acontece pela aderência de outros grupos paralelos, como o Digital Source e o Portal do
Criador, citados na Tabela 2.
Uma outra forma de participação diz respeito à 'expressão', a qual pode ser verificada pela
própria criação de um padrão de qualidade pelo Digital Source, ou ainda pela customização de
postagens do grupo, com a reunião de livros aí disponibilizados, criando-se coletâneas, por
exemplo, de História, com imagens, sinopses e links dos livros.
A terceira forma de participação diz respeito à 'solução colaborativa de problemas', o que
ocorre sempre no grupo, devido principalmente à existência de 'links quebrados', ou seja, que não
funcionam mais, muitas vezes, devido a autores que pedem para tirar a obra do ar, devido à
instabilidade dos sistemas de compartilhamento de arquivos externos ao grupo, ou devido ao
encerramento de contas de compartilhamento por falta de uso. Assim, são vários fatores que exigem
do grupo um dinâmico processo de reposição de conteúdos.
A última forma consiste na 'circulação', que é desenvolvida de maneira natural pelo blog,
disponibilizando o material do grupo de discussão para um público externo e, com isso, divulgando
o próprio grupo. Outra forma de divulgação que acontece pela circulação está relacionada ao selo
criado pela Digital Source, o qual marca o produto que foi digitalizado, informando a existência do
grupo de compartilhamento e disponibilizando seu endereço eletrônico.
6. Considerações Finais
Os dados trazidos por essa pesquisa elucidam um campo de estudos ainda pouco explorado
pela comunicação, o qual requer do pesquisador um posicionamento de inserção nos ambientes
digitais, reconhecendo as diversas formas de manifestação cultural aí desenvolvidas. É necessário
mencionar que o blog e o grupo de discussão Viciados em Livros são duas instâncias independentes,
que pertencem a uma rede de compartilhamento de arquivos digitais. Desse modo, tem-se uma rede
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'descentralizada', da qual analisou-se interações somente de dois nós, o que não é suficiente para
tratar de toda a imbricada relação existente entre demandas e ofertas de produtos educacionais
digitalizados. Contudo, o estudo sobre tal amostra possibilita uma visão preliminar sobre um campo
a ser melhor desbravado, suscitando, inclusive, questionamentos sobre quais seriam os melhores
procedimentos metodológicos para a realização desse tipo de pesquisa.
Como se pode perceber, o desenvolvimento das análises leva a entender que é frágil a ideia
de que seria dada maior importância a materiais compartilhados mediante um 'Pedido', visto que a
pesquisa não teve condições de mensurar essa importância, havendo sim, um destaque dado às tags
'Envio'. Isso leva a pensar que, para além das requisições dos usuários, o grupo sobrevive do
dinâmico processo de envio de novos materiais, ou de conteúdos que já não se encontram
disponíveis nos mesmos endereços eletrônicos de antes. Nesse contexto, diversas formas de
participação se desenvolvem e se articulam, dotando os então 'consumidores falhos' de poder de
consumo – o qual agora é mediado por regras de comportamento e pela relação desenvolvida pelos
usuários, diminuindo-se a importância dada ao poder financeiro.
Referências
BAUMAN, Zygmunt. Vida para consumo: a transformação das pessoas em mercadorias. Rio de Janeiro:
Jorge Zahar Ed., 2008.
CASTELLS, Manuel. A Sociedade em Rede. São Paulo: Paz e Terra, 1999.
JENKINS, Henry - Confronting the Challenges of Participatory Culture: Media Education for the 21st.
2006.
JENKINS, Henry. Cultura da Convergência. São Paulo: Aleph, 2008.
JOHNSON, Steven. Cultura da Interface. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2001.
KERCKHOVE, Derrick de. A Pele da Cultura. Lisboa: Relogio d'Água. 1997.
LÉVY, Pierre. Cibercultura. Rio de Janeiro: Editora 34, 1999.
LÉVY, Pierre. Inteligencia colectiva: por una antropología del ciberespacio . Organización Panamericana
de la Salud . 2004. Disponível em: <http://inteligenciacolectiva.bvsalud.org >, acesso em: 27 mar 2011.
PERNISA JÚNIOR, Carlos; ALVES, Wedencley. Comunicação digital: jornalismo, narrativas, estética.
Rio de Janeiro: Maud X, 2010.
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Compartilhamento Digital e Consumo de Produtos