XXIII ENANGRAD
Empreendedorismo & Governança Corporativa (EGC)
EMPREENDEDORISMO: ESTUDO SOBRE O PERFIL EMPREENDEDOR DOS
ALUNOS DA FACULDADE ARQUIDIOCESANA DE CURVELO
Raimundo da Costa Lima Junior
Juliana Caroline Coutinho Coelho Guimarães
Geraldo Magela Guimarães
Bento Gonçalves, 2012
Área Temática:
Código:
Empreendedorismo e Governança Corporativa
EGC
EMPREENDEDORISMO: ESTUDO SOBRE O PERFIL EMPREENDEDOR DOS ALUNOS DA
FACULDADE ARQUIDIOCESANA DE CURVELO
RESUMO
Este artigo tem por objetivo principal identificar e analisar o perfil empreendedor dos alunos
do curso de Administração da Faculdade Arquidiocesana de Curvelo. A instituição possui grande
representatividade na região central de Minas Gerais, sendo agente formador de administradores
com capacidades e competências para gerir empresas em diversos ramos de atuação. Na realização
deste estudo foi concebida uma revisão da literatura sobre o tema empreendedorismo, o que
alicerçou o desenvolvimento do método Survey. Os questionários, com ênfase no perfil
empreendedor proposto por David C. McClelland, foram aplicados a 196 respondentes, sendo público
alvo os acadêmicos da instituição. O estudo revelou as características predominantes e presentes
nos alunos da faculdade, sendo base para a tomada de decisão no que se refere a novas diretrizes
do ensino e estímulo à cultura empreendedora na Faculdade Arquidiocesana de Curvelo.
Palavras-Chave:
Empreendedoras.
Empreendedorismo,
Perfil
Empreendedor,
Características
ABSTRACT
This article aims to identify and analyze the main entrepreneurial profile of students of the
Faculdade Arquidiocesana de Curvelo. The institution has a large representation in the central region
of Minas Gerais, forming agent managers with skills and competencies for managing companies in
various branches of activity. In conducting this study was designed to review the literature on the topic
entrepreneurship, which guided the Survey method development. The questionnaires, with an
emphasis on entrepreneurial proposed by David C. McClelland, were applied to 196 respondents, and
audience of the academic institution. The study revealed the characteristics prevalent and present in
college students, and basis for decision making with regard to new guidelines for teaching and
encouraging the entrepreneurial culture in the Faculdade Arquidiocesana de Curvelo.
Keywords: Entrepreneurship, Entrepreneur Profile, Entrepreneurial Characteristics.
INTRODUÇÃO
São diversas as definição para o termo empreendedorismo. Para Alves e Natal (2007), o
empreendedorismo é uma característica presente naquele indivíduo que tem habilidade para criar,
inovar, modificar, implementar e conduzir empreendimentos inovadores.
Muitas das pessoas mais prósperas do mundo começaram a vida como pequenos
empreendedores e de acordo com Maximiliano (2011), são estes empreendedores que
transformaram a tecnologia, o modo de fazer negócios e a própria sociedade. Os empreendedores
geram riquezas e aumentam o padrão e a qualidade de vida de uma comunidade.
A educação empreendedora é considerada fundamental para despertar o espírito
empreendedor nas pessoas, e assim permitir o surgimento de novos empreendedores e de uma
sociedade empreendedora. A inserção da disciplina de empreendedorismo no currículo escolar busca
demonstrar a importância de se inovar e de tornar os alunos mais preparados e participativos, de
modo a proporcionar aos mesmos, realização pessoal e financeira (LIMA, 2008).
No estudo que se segue, são apontadas as principais características de um empreendedor
e suas implicações. Com o mercado em extensa mudança seja tecnológica ou intelectual, a figura do
empreendedor assume papel relevante na busca de novos métodos de diferenciação. Planejamento,
gestão e criatividade refletem as ações de um gestor empreendedor.
O estudo prévio do empreendedorismo é de suma importância para o sucesso das ações
empreendedoras; é necessário que as instituições de ensino, em especial as faculdades e
universidades busquem desenvolver o espírito empreendedor em seus alunos. A questão a ser
tratada então é se o meio acadêmico está identificando quem é um empreendedor em potencial e
procurando suas características para, num futuro imediato, apresentar formas que criem melhores
condições para que este profissional aumente as suas possibilidades de sucesso no mercado de
trabalho.
A Faculdade Arquidiocesana de Curvelo busca através de sua política promover a cultura
nos planos intelectual, estético, moral e espiritual, em função do compromisso com os valores
cristãos da civilização e como instrumento de realização da vocação integral do homem. Em
conformidade com seus preceitos e valores a instituição deve buscar desenvolver o perfil
empreendedor de seus alunos para que estes possam elaborar novos planos de vida com ênfase na
perseverança, na imaginação, na criatividade, associadas à inovação. Para que isto ocorra é
necessário determinar este perfil empreendedor para que assim sejam identificadas as necessidades
e padrões de comportamento dos mesmos. Diante disso busca-se responder à pergunta: Qual o
perfil empreendedor dos alunos da Faculdade Arquidiocesana de Curvelo?
O estudo proposto se justifica pela necessidade das faculdades propiciarem a seus alunos
competências empreendedoras, formando indivíduos criativos e inovadores, criando e expandindo
condições para a sobrevivência destes em uma sociedade altamente competitiva. Atualmente, o
empreendedorismo torna-se fonte imediata de transformação de “sonhos” em realidade, sendo a
instituição agente fornecedor de conceitos e práticas essenciais para tanto. A Faculdade
Arquidiocesana de Curvelo, com base nos trabalhos acadêmicos realizados em conformidade com o
tema, deve criar diretrizes de forma a estabelecer uma relação de troca entre a instituição e os
alunos. Através desta premissa ambos poderão desenvolver habilidades empreendedoras que
acarretarão em uma constante evolução, seja em nível de lucratividade ou intelectual.
Assim, o objetivo do trabalho foi determinar e analisar o perfil empreendedor dos alunos da
Faculdade Arquidiocesana de Curvelo, segundo a metodologia proposta por McClelland.
REFERENCIAL TEORICO
Empreendedorismo
O estudo do Perfil empreendedor dos agentes formadores de uma determinada instituição
ou parcela de uma população somente obterá êxito se este for embasado em conceitos e teorias que
tratam da história e da evolução do empreendedorismo de maneira geral. Gomes (2006, p.29-30)
esclarece que a existência de distintos conceitos de empreendedorismo:
[...] deve-se ao fato de terem sido propostos por pesquisadores que utilizam
os princípios de diferentes áreas do conhecimento. Duas correntes
principais, entretanto, tendem a conter elementos comuns à maioria delas e
são formadas pelos pioneiros no campo: os economistas de corte liberal,
que associam empreendedorismo a inovação e identificam aí um elemento
útil à compreensão do desenvolvimento; e os psicólogos, que enfatizam
aspectos aspectos atitudinais, como criatividade e intuição, tentando
compreender o empreendedor como pessoa.
De acordo com Dornelas (2008), o primeiro exemplo de definição de empreendedorismo foi
feito por Marco Polo, que tentou estabelecer uma rota comercial para o Oriente. Polo, como
empreendedor, assinou um contrato com um capitalista para vender as mercadorias deste. O
capitalista assumia riscos passivamente já Polo assumia um papel ativo correndo riscos emocionais e
físicos. Segundo Lenzi e Santiago (2010) o empreendedor sempre se fez participativo nas
transformações da humanidade. Na Idade Média, o termo empreendedor foi usado para descrever,
tanto o administrador como também os participantes de um grande projeto de produção. Este
indivíduo não corria riscos, mas administrava os recursos disponíveis.
Segundo Filion (2000, apud GOMES, 2006, p.31) a origem do conceito empreendedorismo,
está relacionada ao banqueiro e economista Richard Catillon (1680-1734). O interesse de Catillon
pelos empreendedores se harmonizava com os ideais dos pensadores da época, que pregavam a
liberdade plena, onde cada indivíduo poderia tirar o maior proveito possível dos frutos de seu
trabalho. Nesta época Catillon chamou de empreendedores aqueles indivíduos que compravam
matérias-primas por um preço certo e as vendiam, após processadas, por um preço incerto; nesta
relação de troca Catillon observava uma oportunidade de negócio onde os participantes assumiam
riscos de perda e ganho. Para ele, se o lucro fosse além do esperado, isto ocorrera porque o
indivíduo inovou em seu processo gerando então valor agregado a seu produto.
No século XVIII, caracterizou-se a diferenciação entre o capitalista e o empreendedor, em
decorrência ao início da industrialização mundial. Finalmente nos séculos XIX e XX, a figura do
empreendedor se assemelha ao inovador. Um indivíduo que desenvolve algo novo e único se
tornando o principal ator do desenvolvimento econômico. (DORNELAS, 2008). É de suma
importância o conhecimento das características de um empreendedor; como este observa o mercado
e suas variações. A partir deste estudo o indivíduo adquire conhecimentos para que as oportunidades
e necessidades de seu mercado alvo sejam saciadas, afinal um empreendedor dá forma a uma
oportunidade onde outros não veem possibilidade de sucesso.
Empreendedorismo no Mundo
No mundo como um todo, o empreendedorismo atrai, além do interesse governamental, a
atenção de muitas organizações e entidades multinacionais. Para Dornelas (2008, p. 9) em especial
na Europa, Estados Unidos e Ásia “há uma convicção de que o poder econômico dos países depende
de seus futuros empresários e da competitividade de seus empreendimentos”.
Conforme descreve Dornelas (2008, p. 7-8):
O crescimento do empreendedorismo no mundo se acelerou na década de
1990 e aumentou em proporção nos anos 2000, o que pode ser observado
nas ações desenvolvidas relacionadas ao tema. Alguns exemplos são:
programas de incubação de empresas e parques tecnológicos;
desenvolvimento
de
currículos
integrados
que
estimulem
o
empreendedorismo em todos os níveis, da educação fundamental à póssecundária; programas e incentivos governamentais [...].
A ênfase no estudo do empreendedorismo segundo Dornelas (2008) surge em decorrência
das mudanças tecnológicas e sua agilidade no mercado. Sendo assim o empreendedorismo não se
caracteriza como um modismo; uma prova deste fato é priorização do estudo do perfil empreendedor
em muitos países pelo mundo. Escolas e universidades procuram enfatizar a necessidade do
empreendedorismo por meio da criação de cursos e matérias específicas voltadas ao assunto.
Pesquisa GEM (Global Entrepreneurship Monitor)
O GEM (Global Entrepreneurship Monitor) é uma pesquisa internacional liderada pela
London Business (ING) e o Babson College (EUA) cuja proposta é avaliar o nível de
empreendedorismo no mundo envolvendo um número crescente de nações; sendo este nível obtido a
partir de indicadores comparáveis. A Pesquisa GEM tem como objetivo principal estimar a quantidade
de indivíduos envolvidos em atividade empreendedora em um determinado momento do tempo. Seus
formuladores visavam avaliar de forma abrangente o papel do empreendedorismo como propulsor do
crescimento econômico. Os seus relatórios indicam que a atividade empreendedora é o principal fator
de desenvolvimento econômico de um determinado país. Segundo Dolabela (2008), o GEM, além do
exposto também apresenta recomendações aos países que buscam o desenvolvimento econômico,
como o Brasil.
Empreendedorismo no Brasil
A discussão empreendedora no Brasil é recente se comparada ao histórico do
empreendedorismo no mundo. O movimento de empreendedorismo no Brasil iniciou-se apenas na
década de 1990, isto em decorrência da criação de entidades como o Sebrae (Serviço Brasileiro de
Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e Softex (Sociedade Brasileira para Exportação de Software).
Antes disso, era quase inexistente algum debate com relação a empreendedorismo e criação de
pequenas empresas. O empreendedor praticamente não possuía informações suficientes para
auxiliá-lo na jornada empreendedora. O Sebrae é um órgão conhecido do micro e pequeno
empresário brasileiro, que busca junto a este, suporte necessário para a iniciação de uma empresa,
como também apoio na resolução de problemas em seu negócio. O Softex foi criado com a intenção
de levar as empresas de software do país ao mercado externo e pode ser confundido com o histórico
do empreendedorismo no Brasil. Além de alavancar o desenvolvimento de tecnologias nacionais,
essa entidade conseguiu através de seus programas, popularizar no país termos como plano de
negócios que até então eram ignorados pelos empresários (DORNELAS, 2008).
Segundo Dornelas (2010), nos Estados Unidos observou-se ao longo dos últimos 40 anos
um extraordinário avanço do empreendedorismo. Isto impactou o país sobre vários cenários, entre
eles o cenário cultural e econômico. Algo semelhante ocorre no Brasil, em especial nos últimos 20
anos. O estilo americano de empreendedorismo voltado à oportunidade estimulou a revolução
empreendedora em todo o mundo.
Para Alves e Natal (2007), a educação empreendedora é o conjunto de ações
desenvolvidas pelo sistema educacional de um país com o intuito de valorizar o papel do
empreendedor, disseminar a cultura empreendedora e despertar vocações empresariais. Busca-se
criar na escola e na sociedade uma mentalidade empreendedora por meio do estímulo à geração de
novos negócios.
Mas para isso, é necessário que se faça uma reestruturação no atual sistema público de
ensino, para que seja possível a inserção de uma metodologia que possibilite o estudo do
empreendedorismo no ensino médio e fundamental. Não se pode esperar que um povo seja
desenvolvido, sem uma educação de qualidade. Para que o comportamento empreendedor esteja
presente na educação básica brasileira é necessário um trabalho árduo, vislumbrando resultados em
longo prazo. O que deve ser disseminado na camada política são a importância e a urgência na
reestruturação do ensino no país.
O Empreendedor
Empreendedor, para Bulgacov (1999), é uma pessoa que cria um negócio em face de
incerteza, com a intenção de alcançar retornos financeiros e crescimento. Isto ocorre mediante a
identificação de oportunidades, ou seja, o empreendedor busca ideias que venham a se vincular a um
serviço ou produto agregando valor ao mesmo e consequentemente a seu público em questão.
Segundo Filion (1991, apud GUIMARÃES; SOUZA 2005, p.11) “o empreendedor além de
criativo, mantém alto nível de consciência do ambiente em que vive, usando-o para detectar
oportunidades de negócio”. O bom empreendedor deve segundo Dornelas (2008), conhecer suas
limitações e aprender com seus erros para não voltar a cometê-los. É necessário montar uma equipe
que leve seu empreendimento em direção à visão almejada, envolvendo-se, com o passar do tempo,
com questões estratégias.
Ser empreendedor não é uma opção de vida, mas uma missão de vida. O
empreendedor não arrisca apenas o seu futuro, mas também o de todos
aqueles que estão em sua volta, que trabalham para o sucesso e dependem
de suas atitudes e decisões. Empreendedores são responsáveis pelo
desenvolvimento de uma empresa, de uma cidade, de uma região, enfim,
pela construção de uma nação. O papel social talvez seja o mais importante
que o empreendedor assume em toda a sua vida (DORNELAS, 2008
p.217).
Para Chiavenato (2005), o empreendedor é um indivíduo que faz as coisas acontecerem,
pois é dotado de tino financeiro, sensibilidade para negócios e capacidade de identificação de
oportunidades. Transforma ideias em realidade demonstrando imaginação e perseverança. Os
empreendedores são para a sociedade heróis no mundo dos negócios. Introduzem inovações
tecnológicas e de pensamento, fornecem empregos direta e indiretamente e incentivam o
desenvolvimento e o crescimento econômico. Não são apenas provedores de mercadorias, mas
fontes de energia que assumem riscos inerentes.
O empreendedor é um ser da sociedade, sendo produto do meio ao qual está inserido. Se o
indivíduo empreendedor encontra-se em um ambiente onde ser empreendedor é visto como positivo,
este terá motivação para a criação de novos negócios. (DOLABELA, 1999).
McClelland e o Estudo do Perfil Empreendedor
David C. McClelland, através de seus estudos idealizou um modelo de pesquisa do perfil
empreendedor, composto de 55 questões, que evidencia as características que o mesmo considera
parte formadora do comportamento do empreendedor. (Dolabela, 1999).
1
McClelland identifica como características do comportamento do empreendedor (CCE’s):
•
Busca de Oportunidade e Iniciativa: O indivíduo realiza ações antes de
solicitado ou de forçado pelas circunstâncias. O mesmo age para expandir o negócio a novas
áreas, produtos ou serviços; Aproveita oportunidades fora do comum para começar o
negócio, obter financiamentos, equipamentos, terrenos, local de trabalho ou assistência.
•
Persistência: Agir diante de um obstáculo significativo. O indivíduo age
repetidamente ou muda de estratégia a fim de enfrentar um desafio ou superar um obstáculo;
Assume responsabilidade pessoal pelo desempenho necessário para atingir metas e
objetivos.
•
Comprometimento: Realiza sacrifício pessoal ou despende um esforço
extraordinário para completar uma tarefa; Colabora com os empregados ou se coloca no
lugar deles, se necessário, para terminar um trabalho; Se esmera em manter os clientes
satisfeitos e coloca em primeiro lugar a boa vontade em longo prazo, acima do lucro em curto
prazo.
•
Exigência de Qualidade e Eficiência: O indivíduo encontra maneiras de fazer
as coisas melhor, mais rápido e mais barato; Age de maneira a fazer as coisas que
satisfazem ou excedem o padrão de excelência; desenvolve ou utiliza procedimentos para
assegurar que o trabalho seja terminado a tempo ou que o trabalho atenda padrões de
qualidade previamente combinados.
•
Correr Riscos Calculados: Avalia alternativas e calcula riscos
deliberadamente; Age para reduzir os riscos ou controlar os resultados; Coloca-se em
situações que implicam desafios ou riscos moderados.
•
Estabelecimento de Metas: O indivíduo estabelece metas e objetivos que são
desafiantes e que têm significado pessoal, define metas de longo prazo, claras e específicas;
Estabelece objetivos de curto prazo, mensuráveis.
•
Busca de Informações: Dedica-se pessoalmente a obter informações de
clientes, fornecedores ou concorrentes; Investiga pessoalmente como fabricar um produto ou
fornecer um serviço; Consulta especialistas para obter assessoria técnica ou comercial.
•
Planejamento e Monitoramento Sistemáticos: O indivíduo planeja tarefas de
grande porte em subtarefas com prazos definidos; Constantemente revisa seus planos
1
http://www.planodenegocios.com.br/www/empreendedorismo/McClelland.php?idUsuario=105111
levando em conta os resultados obtidos e mudanças circunstanciais; Mantém registros
financeiros e utiliza-os para tomar suas decisões.
•
Persuasão e Rede de Contatos: Age para desenvolver e manter relações
comerciais; Utiliza pessoas-chave como agentes para atingir seus próprios objetivos; Utiliza
estratégias deliberadas para persuadir ou influenciar os outros.
•
Independência e Autoconfiança: Busca autonomia em relação a normas e
controles de terceiros; Mantém seu ponto de vista, mesmo diante da oposição ou de
resultados inicialmente desanimadores; Expressa confiança na sua própria capacidade de
completar uma tarefa difícil ou de enfrentar um desafio.
A Teoria proposta por McClelland (1961, apud GOMES NETO 2010) é fundamentada na
motivação psicológica e direcionada por três necessidades básicas descritas abaixo, sendo a mais
encontrada nos empreendedores a necessidade de realização. Ainda segundo o mesmo autor pode
existir alternância entre as necessidades, visto o momento da vida do empreendedor.
•
Necessidade de Afiliação: Esta ocorre quando há alguma evidência sobre a
preocupação em estabelecer, manter ou restabelecer relações emocionais positivas com
outros indivíduos;
•
Necessidade de Poder: Baseia-se na execução de ações poderosas, nesta
necessidade há uma forte preocupação em exercer autoridade sobre os outros;
•
Necessidade de Realização: Nesta necessidade McClelland busca mensurar
as realizações pessoais e explica que a necessidade de realização é a que motiva o indivíduo
a provar seus limites, de almejar a realização de um trabalho da melhor forma possível.
Pessoas com alta necessidade de realização são aquelas que procuram mudanças em suas
vidas, estabelecem metas que podem ser realizadas e que são condizentes com a realidade.
Através de seus estudos o autor comprova que a carência de realização é a primeira
identificada entre os empreendedores bem sucedidos e que essa necessidade impulsiona os
indivíduos a iniciar e construir um empreendimento.
McClelland (1972, apud GOMES NETO 2010, p. 34) defende que “[...]uma sociedade que
tenha um nível geralmente elevado de realização produzirá um maior número de empresários ativos,
os quais, por sua vez, darão origem a um desenvolvimento econômico mais rápido.”
METODOLOGIA
A metodologia aplicada no trabalho foi a quantitativa, descritiva e conclusiva. Sendo ainda
utilizada a pesquisa qualitativa para que o objetivo do estudo fosse alcançado. A investigação foi feita
através de uma pesquisa de campo. A técnica utilizada na concepção da pesquisa quantitativa foi o
Survey.
O instrumento de coleta de dados, ou seja, o questionário, adaptado de Gomes Neto
(2010), foi composto por afirmativas que vieram a propor uma auto-avaliação por parte do
entrevistado, por meio de uma escala, que se fundamenta no raciocínio qualitativo de avaliações
intangíveis de Likert. A pontuação da escala para cada afirmação, expressa o comportamento do
entrevistado, considerando pontuação 1, quando for equivalente a “nunca” ter tal comportamento, até
o número 5, que equivale “sempre” ter este comportamento. A pontuação final, que identifica a
intensidade de cada um das dez características empreendedoras propostas por McClelland ocorreu
por meio de uma tabela, que compreende uma sequência estruturada de somas e subtrações,
impedindo um raciocínio tendencioso do entrevistado. É válido ressaltar que não existe uma
pontuação ideal, nem um perfil pré-determinado, mas os empreendedores, na média, possuem a
maioria das características comportamentais com pontuação entre 15 e 25 pontos, quando estas
possuem patamar abaixo do estipulado é necessário que o indivíduo desenvolva um plano pessoal de
desenvolvimento para aperfeiçoá-las. Posterior ao teste de perfil empreendedor de McClelland, o
questionário procurou abordar e caracterizar o entrevistado e o que este espera obter do curso de
Administração na Faculdade Arquidiocesana de Curvelo.
Com o objetivo de se obter base em relação a aplicação e validação do questionário, foi
realizado na primeira semana de agosto de 2011, um pré-teste que constatou que seriam necessárias
algumas alterações nas questões 7 e 8 do referido instrumento de coleta de dados. Após a correção,
o questionário foi aplicado aos alunos da instituição, sendo estes divididos em turma e gênero para a
apuração dos resultados e análises.
O tratamento dos dados qualitativos baseou-se em uma análise temática, onde o conjunto
de informações recolhidas junto aos entrevistados foi organizado de modo a refletir os temas
abordados nos questionamentos presentes no instrumento de coleta de dados, ou seja, a entrevista
em profundidade (DUARTE, 2004). A entrevista aplicada teve como objetivo identificar a percepção
da direção, coordenação e professores quanto à influência da formação oferecida pela Faculdade
Arquidiocesana de Curvelo; sendo assim foram abordados temas como a grade curricular, a disciplina
de empreendedorismo, sua aplicabilidade e os programas de incentivo desenvolvidos pela instituição.
ANÁLISES DOS RESULTADOS
A análise final do teste de perfil empreendedor foi realizada com base a todo o público da
pesquisa, sem distinção de turma ou período. Verificou-se uma pontuação acima de 15 pontos em
todas as características de comportamento empreendedor, indicando assim uma valorização do
ensino e da atuação empreendedora. Em especial, verifica-se nas características de Estabelecimento
de Metas (19,56 pontos), Comprometimento (18,59 pontos), Exigência de Qualidade e Eficiência
(18,44 pontos), Independência e Autonomia (18,39 pontos) e Busca de Informações (18,19 pontos),
maior influência perante o comportamento dos entrevistados. Num patamar logo abaixo, em torno dos
17 pontos, mas igualmente significativo ficam as pontuações de Busca de Oportunidade e Iniciativa
(17,89 pontos), Persistência (17,47 pontos) e Persuasão e Rede de Contatos (17,15 pontos). É
possível também constatar que nas características de pontuação média inferior, como Planejamento
e Monitoramento Sistemáticos (16,76 pontos) e principalmente Correr Riscos Calculados (16,28
pontos), que foram as que apresentaram menor absorção comportamental, torna-se necessário o
estudo e empenho por parte dos respondentes de modo a aprimorar a metodologia empreendedora.
Os resultados também demonstram que os acadêmicos do gênero feminino se sobressaem
em relação a aqueles do gênero masculino. As mulheres possuem maior pontuação nas seguintes
CCE’s: Busca de Oportunidades e Iniciativas, Persistência, Comprometimento, Exigência de
Qualidade e Eficiência, Correr Riscos Calculados, Estabelecimento de Metas, Busca de Informações,
Planejamento e Monitoramento Sistemáticos e Independência e Autoconfiança. Em contrapartida os
homens da instituição apenas se destacam na característica Persuasão e Rede de Contatos.
Atualmente a participação feminina no empreendedorismo brasileiro é muito significativa, estudos
revelam que as mulheres representam um novo paradigma de inovação e crescimento pessoal. Esta
premissa é refletida no estudo realizado na Faculdade Arquidiocesana de Curvelo, onde, em geral, o
gênero feminino se sobressaiu em relação ao masculino em quase a totalidade das características
estudadas.
Por fim, é estabelecido um comparativo entre as médias gerais das turmas estudadas de
modo a demonstrar a evolução do perfil empreendedor ao longo da vida acadêmica dos alunos
(GRAF. 1). Através deste estudo observa-se que a média sofre variações nas turmas estudadas e
que em geral estas compreendem valores entre 17 e 18 pontos. A análise demonstra que ao se
comparar os períodos iniciais, ou seja, 1º e 2º Períodos, em relação ao 4º ano, fica clara a elevação
da pontuação média do perfil proposto por McClelland. O 1º Período apresenta média igual a 17,80
pontos; o 2º Período registra 17,63 pontos, em contrapartida os alunos do 4º ano 01 e 02 apresentam
médias superiores a 18 pontos, sendo estas 18,03 pontos e 18,21 pontos respectivamente. Com o
exposto, é evidenciada a melhora no padrão do empreendedorismo nos alunos; o que passa a ser
almejado então é a busca por uma constante valorização do perfil empreendedor dentro da instituição
de modo a sempre buscar o aprimoramento das características empreendedoras nos acadêmicos.
GRÁFICO 1.
– Evolução do perfil empreendedor
Fonte: Dados da pesquisa
Caracterização do respondente e suas convicções
Os acadêmicos da instituição são predominantemente jovens; isto é comprovado quando se
analisa a faixa etária dos alunos (GRAF. 2). Dos respondentes, 74% dos mesmos estão
compreendidos na faixa etária que engloba os 25 anos de idade. A faixa etária que compreende
alunos entre 26 e 30 anos representa 18% do total, nela estão inseridos 36 respondentes. Os
acadêmicos acima dos 40 anos representam apenas 1% do total abordado, correspondendo apenas
a um aluno. Os resultados ainda indicam que 13 acadêmicos que responderam a pesquisa possuem
idade entre 31 e 40 anos, sendo estes 7% do total.
GRÁFICO 2.
– Classificação quanto a idade
Fonte: Dados da pesquisa
No estudo e tabulação dos questionários constatou-se a predominância do gênero feminino
entre os respondentes (GRAF. 3). As mulheres representam 54% dos acadêmicos pesquisados,
sendo as mesmas em número igual a 106. O gênero masculino, por sua vez, representa 46% do
público pesquisado.
GRÁFICO 3.
– Classificação quanto ao gênero
Fonte: Dados da pesquisa
Ao analisar o estado civil dos acadêmicos respondentes desta pesquisa, chega-se a
conclusão que grande maioria destes encontram-se solteiros. Enquanto os casados representam 9%
do total pesquisado, os solteiros possuem representatividade equivalente a 89% do público do
estudo. Aqueles que se dizem divorciados representam apenas 1% do total, sendo sua frequência de
2 respondentes. Três acadêmicos julgam-se em estado civil diferente dos apresentados e constituem
1% do total pesquisado. (GRAF. 4)
GRÁFICO 4. Classificação quanto ao estado civil
Fonte: Dados da pesquisa
Quando se avalia a renda familiar dos acadêmicos respondentes da pesquisa chega-se a
conclusão que a maioria dos mesmos está inserida na classe média brasileira (GRAF 5). O
percentual equivalente a renda familiar entre 04 e 10 salários mínimos é de 58%, evidenciando uma
frequência absoluta de 113 pessoas. Apenas 19 acadêmicos, ou seja, 10% do total pesquisado,
atribuem a sua renda familiar um valor superior a 10 salários mínimos. Em contrapartida 64
respondentes declaram sua renda familiar entre 01 e 03 salários mínimos, essa frequência equivale a
32% do total pesquisado.
GRÁFICO 5. Classificação quanto a renda familiar
Fonte: Dados da pesquisa
Ao analisar a distribuição dos respondentes com relação a período/ano observa-se que o 2º
Período 01 abrange 43 respondentes, o que representa 22% do total de entrevistados. O 4º Ano 02
compreende 31 alunos, sendo estes 16% do público da pesquisa. O 4º Período 01 e o 6º Período 01
juntos possuem a representatividade de 28% dos acadêmicos abordados na pesquisa, isso nos leva
a crer que ambos contribuíram com 28 respondentes ao estudo. Os períodos de menor
representatividade em relação a quantidade de questionários aplicados foram 6º período 02 e o 1º
Período 01, estes contribuíram respectivamente com 24 e 22 respondentes. Por fim o 4º Ano 01
representou apenas 10% dos alunos entrevistados, sendo sua frequência absoluta de 20
acadêmicos. (GRAF. 6)
GRÁFICO 6.
Classificação quanto a período/ano
Fonte: Dados da pesquisa
O presente trabalho procurou revelar quais os principais motivos que levaram os atuais
acadêmicos a escolher o curso de Administração na Faculdade Arquidiocesana de Curvelo (GRAF 7).
Constatou-se que 26% dos respondentes ingressaram na instituição em busca de inserção no
mercado de trabalho, sendo sua frequência absoluta equivalente a 51 respostas. Os estudos também
revelam que ascender profissionalmente motiva os alunos na busca do curso em questão; 41
respondentes assinalaram essa alternativa, representando 21% do total. Para 38 alunos, ou seja,
19% do público da pesquisa, Administração é a profissão desejada. Muitos acadêmicos procuram a
instituição como meio de se capacitar para exercício de gestão em empresas familiares. Buscar
preparo para administrar empresa familiar é determinante para 25 respondentes, sendo este total
equivalente a 13% do público pesquisado. Um dado preocupante para a instituição é que 12% dos
acadêmicos pesquisados, 23 respondentes, disseram que a escolha do curso foi motivada em virtude
de falta de opção. A faculdade deve buscar desenvolver diretrizes de incentivo e valorização do curso
de Administração para que assim a escolha seja motivada por fatores alheios à falta de opção no
mercado.
O principal objetivo da pesquisa é a determinação do perfil empreendedor e a propensão
dos acadêmicos em relação ao mesmo. O que se observa é que apenas 6% dos entrevistados
buscaram o curso com o intuito claro de obter capacitação para montar empreendimento próprio,
muito pouco se comparado à importância do empreendedorismo em um mercado dinâmico no qual as
empresas estão inseridas. O reconhecimento social também é pouco lembrado pelos entrevistados,
apenas 2 destes assinalaram essa opção.
GRÁFICO 7.
Motivo de escolha do curso de administração
Fonte: Dados da pesquisa
Para acompanhar o desenvolvimento do mercado onde se insere e enfrentar a
concorrência, o indivíduo ao escolher um curso superior almeja contribuições que virão a agregar
valor a seus conhecimentos. Para melhor entendimento da questão foi realizada uma média simples
de modo a expressar as contribuições prioritárias para os acadêmicos. A principal contribuição na
visão dos alunos é a capacitação para uma boa colocação profissional, isto pode ser observado na
TAB 1. Nela as contribuições que apresentam menor média são em ordem de importância as mais
procuradas entre os acadêmicos. Fornecer subsídios tanto para gerenciar o negócio próprio (familiar),
quanto para trabalhar em empresas (privada ou pública) assume na visão dos respondentes, em grau
de importância, o segundo posto da pesquisa. A terceira contribuição almejada pelos acadêmicos em
escala de importância é preparo para participação em concursos, muitos buscam estabilidade no
poder público. A média 3,39 expõe o retorno salarial como a quarta prerrogativa de importância na
mente dos alunos da instituição. A faculdade ainda pode fornecer base para continuação dos
estudos, sendo na visão dos acadêmicos em escala de importância a quinta contribuição fornecida
pela FAC. A sexta contribuição almejada pelos respondentes assume média equivalente a 4,18 sendo
ela a contribuição na mudança social.
TABELA 1
Contribuições Almejadas no Curso de Administração
Contribuições
Capacitação para uma boa colocação profissional
Fornecer subsídios tanto para gerenciar o negócio próprio (familiar), quanto para
trabalhar em empresas (privada ou pública).
Preparo para participação em concursos
Base para continuação nos estudos
Retorno salarial
Contribuição na mudança social
Fonte: Dados da pesquisa
Média
1,80
2,93
3,31
3,78
3,39
4,18
O conteúdo programático do curso na visão de 51% dos alunos analisados fornece
subsídios tanto para gerenciar negócio próprio quanto para atuar em empresas. Na visão de 23% dos
entrevistados o curso se caracteriza por sua parte teórica, sendo sua frequência absoluta equivalente
a 45 respondentes. Para 35 acadêmicos o conteúdo programático do curso está bem estruturado
tanto prática quanto tecnicamente, isto corresponde a 18% do total pesquisado. Fornecer subsídios
apenas para trabalhar em empresas já estruturadas é na visão de 6% dos alunos abordados na
pesquisa como característica do conteúdo do curso. Por fim apenas 5 respondentes afirmam que o
curso é voltado para a parte prática (GRAF. 8). A instituição deve rever seus conceitos e buscar a
adequação de sua teoria à prática de modo a incentivar o espírito empreendedor em seus alunos
fazendo com que os mesmos venham a vivenciar a intensa globalização do mercado.
GRÁFICO 8.
– Avaliação do conteúdo programático do
curso
Fonte: Dados da pesquisa
O questionário também procurou abordar as principais vantagens de se empreender na
visão dos acadêmicos (GRAF. 9). Segundo os mesmos, Autonomia caracteriza-se como a principal
vantagem do empreendedorismo. Lucratividade é outro ponto abordado na pesquisa sendo para 19%
dos entrevistados o principal atrativo na atividade empreendedora. Outros benefícios citados pelos
alunos foram a flexibilidade de horários e a possibilidade de se aliar a teoria e a prática. Os alunos
ainda enfatizam que a satisfação pessoal incentiva o pensamento empreendedor e que traçar
perspectivas de crescimento os impulsiona perante a cultura empreendedora.
GRÁFICO 9.
– Vantagens de ser empreendedor
Fonte: Dados da pesquisa
As desvantagens caracterizam o empreendedorismo como algo difícil a ser seguido.
Segundo os acadêmicos a principal desvantagem em se empreender é assumir inteira
responsabilidade sobre o que ocorre na empresa. Os riscos de mercado também afligem os alunos
da instituição, para 15% dos entrevistados estes seriam entraves no desenvolvimento de ações
empreendedoras. Enquanto alguns creditam flexibilidade de horários como vantagem no
empreendedorismo, outros relacionam o excesso de trabalho e a falta de tempo como entraves à
formação de uma organização, os assuntos foram lembrados por 4% e 8% dos entrevistados
respectivamente. Alta carga de despesas e impostos e possíveis prejuízos também assolam os
futuros empreendedores; muitos acreditam que a carga tributária no país é excessiva e que o
governo deveria estabelecer diretrizes de apoio ao novo empreendedor.
Pesquisa Qualitativa
Segundo Rabelo e Santos (2008) é praticamente inevitável a associação do termo
empreendedorismo com a atividade empresarial. Muitos parecem não saber que empreendedor é
todo indivíduo que sonha, inova, cria e coopera e, isto pode ser feito em todas as atividades
humanas. Desse modo, a educação, seja em nível fundamental, médio ou superior, também deve
utilizar-se de práticas empreendedoras. Afinal de contas ser empreendedor além de ser perseverante,
lutador, criativo é antes de tudo, respeitar os outros, aprender com os próprios erros, e, isto se insere
perfeitamente na educação.
Nesse conceito de empreendedorismo e educação, realizou-se uma fase qualitativa de
pesquisa com sete entrevistas em profundidade, sendo entrevistas com o coordenador, o diretor e
professores do curso de Administração da instituição de ensino em estudo. Os profissionais
entrevistados foram questionados a respeito da aplicação dos conceitos empreendedores na
faculdade. Foram abordados temas como o ensino do empreendedorismo e a adequação da grade
curricular às necessidades de mercado encontradas na região.
O primeiro questionamento foi o seguinte: A FAC passou a oferecer a disciplina de
empreendedorismo em sua grade curricular a partir do ano letivo de 2004. Quais os motivos, em sua
opinião, foram determinantes para a inserção da disciplina? Constatou-se com relação às respostas,
que a instituição procura através da inserção da disciplina no curso de administração desenvolver e
despertar o espírito empreendedor de seus acadêmicos. Hoje o empreendedorismo é uma tendência
global, capaz de criar oportunidades e desenvolver no indivíduo o senso de risco calculado. Segundo
os professores isso faz com que sejam incentivados o exercício das técnicas aprendidas em sala de
aula e a abertura de novas empresas. Outro ponto determinante que ocasionou a inserção da matéria
na instituição foi o esforço realizado pelo Ministério da Educação no intuito de que a disciplina em
questão viesse a ser lecionada na maioria dos cursos de bacharelado. Para alguns profissionais a
disciplina já deveria ser lecionada antes da grade curricular de 2004.
O segundo questionamento procurou avaliar se o interesse dos alunos pela atividade
empreendedora elevou-se a partir da inserção da disciplina de empreendedorismo na instituição. O
que se constatou na realidade foi que a faculdade não possui atualmente controle formal sobre o
questionamento. Caberia a mesma realizar pesquisas com o egresso sobre o impacto e se essa
disciplina provocou um maior interesse do aluno em ser empreendedor. Informalmente percebe-se
que de imediato, logo quando foi inserida, a disciplina não afetou a relevância dada pelos acadêmicos
à cultura empreendedora. Porém nos últimos anos constata-se que os alunos começaram a
despontar a vontade de empreender, sendo esta em decorrência da atratividade que foi dada a
matéria. Muitos alunos procuram os profissionais da instituição com a intenção de pedir orientações a
respeito da abertura de novos negócios.
Outro ponto abordado neste questionamento foi que a elevação do espírito empreendedor
do indivíduo, depende claramente da forma como a disciplina é oferecida na instituição. O
empreendedorismo engloba várias outras disciplinas, ou seja, é interdisciplinar; a colocação da
mesma no curso de administração é estratégica sendo que esta depende de como o professor e o
projeto pedagógico a aciona. Deu-se uma oxigenada no curso com a inserção da disciplina, sendo os
alunos receptíveis ao pensamento empreendedor.
Em seguida foi abordada a seguinte questão: Qual o conceito de empreendedorismo
utilizado pelo curso? O que se observa é que o tema, assim como a interdisciplinaridade, é recorrente
nas reuniões do corpo docente da instituição. Porém, a faculdade não expõe um conceito básico de
empreendedorismo a ser aplicado; a disciplina é extremamente importante, só que não é dada a ela a
devida ênfase. O empreendedorismo deve ser baseado na prática, com isso a instituição deve
fomentar ou incentivar o empreendedorismo através de propostas empreendedoras no momento em
que oferecer a disciplina; havendo este processo será possível detectar o verdadeiro potencial de
alunos empreendedores ou mesmo criar uma habilidade empreendedora nos mesmos.
A instituição na visão de seu diretor é empreendedora. Com a tendência mundial, brasileira
e por que não regional a instituição busca desenvolver um projeto de desenvolvimento institucional
empreendedor, onde a disciplina baseia-se na premissa de formar empreendedores com capacidade
de inovação, responsabilidade e visão.
O próximo questionamento foi: Qual o maior desafio no ensino do empreendedorismo? No
geral os professores relataram que o maior desafio é colocar a disciplina dentro de uma visão mais
prática, fazendo com que o acadêmico venha se interessar pelo empreendedorismo, conseguindo
aliar conceito e prática através de exemplos e estudos de casos reais, para que assim o aluno possa
vivenciar e participar da cultura empreendedora. Outro desafio abordado é fazer com que o aluno
venha a compreender o que é realmente o empreendedorismo. O indivíduo deve ter uma visão
empreendedora, e transformar esta visão empreendedora em algo que seja realmente possível de ser
realizada na elaboração e no desenvolvimento de projetos e propostas.
Em relação à instituição, o grande desafio da direção é encontrar um profissional com
didática e metodologia consoantes com a disciplina, alguém que desperte o interesse e o perfil
empreendedor do aluno.
Ensinar empreendedorismo é transformar uma vocação ou interesse em um projeto
tecnicamente viável. Percebe-se em geral, que a boa vontade e o interesse em desenvolver é o que
motiva a criação do negócio. A academia pode vir a ajudar em uma pesquisa de mercado, estruturar
um plano que possa vir a auxiliar o acadêmico no desenvolvimento e sucesso do novo
empreendimento.
Outro ponto exposto nesse sentido retrata que apesar do ensino do empreendedorismo, o
indivíduo adquire sua maturidade técnica, capacidade de visão e sensibilidade ao risco com sua
experiência e vivência prática. O curso de Administração contribui no desenvolvimento e
aperfeiçoamento de características empreendedoras, sendo o meio no qual o indivíduo está inserido
agente modelador de ações e diretrizes.
A quinta questão trata da grade curricular da instituição: A grade curricular atualmente
condiz com a necessidade de mercado na qual a região está inserida? Para os elementos da direção
e coordenação a grade atual condiz com a necessidade da região, isto ocorre porque ela foi
elaborada e amplamente discutida com a comunidade acadêmica. Na sua elaboração foi levada em
consideração toda a vocação regional quanto às potenciais formas de inserção no mercado,
buscando contemplar as questões empreendedoras, ambientais e de agronegócio, além das linhas
clássicas da administração como marketing, finanças, pessoas e produção. O próprio conjunto das
disciplinas tem sintonia com as exigências acadêmicas do Ministério da Educação. A grade não é
isolada, há uma espinha dorsal oferecida pelo MEC, sendo a mesma distribuída de acordo com as
demandas regionais.
A opinião dos professores é mais variada. Segundo alguns a tentativa foi no sentido
abordado na questão. Se bem trabalhada a grade pode levantar vários benefícios a instituição, sendo
necessário certo tempo para a devida avaliação se a mesma condiz com tais necessidades regionais.
Para outros a grade atual é generalista e universal, com uma ideia de formação de alunos com
capacidades universais. Para estes adequar a grade à região é muito especifico, apesar da região
representar certa universalidade em termos empresariais.
Uma sugestão na visão da professora de Empreendedorismo seria a adequação da matéria
de planejamento estratégico. Segundo a mesma, empreendedorismo e estratégia devem estar
interligados. A formulação de ideias inovadoras e ao mesmo tempo estratégicas busca garantir
vantagens competitivas aos empreendedores. É válido ainda lembrar que nenhuma grade é perfeita e
que esta reflete a opinião de quem a fez, sendo necessária a busca contínua pelo aperfeiçoamento
da mesma.
Por fim, foi abordada a seguinte questão: Como a faculdade busca estimular o
desenvolvimento de práticas empreendedoras nos alunos? Apenas um respondente acredita que a
instituição não realiza esta prática, segundo o mesmo a FAC deveria buscar realizar fóruns e
encontros com empreendedores/empresários que poderiam disseminar estas ideias para os alunos
da instituição.
No geral, os demais respondentes acreditam que a instituição busca agregar valor as
práticas ligadas ao empreendedorismo. O projeto Bitaka e a Revitalização da empresa Júnior, são
dois projetos que podem alavancar a maior cultura empreendedora na instituição, porque os alunos
que estão envolvidos nestes projetos conseguem ter uma visão fora da faculdade, uma visão de
mercado e com isso despertam a cultura empreendedora. É uma maior segurança na execução de
seu papel como administrador. Outros exemplos citados de atividades de apoio ao
empreendedorismo foram: A barraca do Forró de Curvelo, o Arraiá da FAC e a parceria da instituição
com o SEBRAE.
A Faculdade Arquidiocesana de Curvelo deve incentivar o acadêmico a descobrir seus
talentos; deve também mostrá-lo que quem tem informação tem poder, e que esse poder deve ser
utilizado para tratar a informação tornando-a conhecimento para criar e inovar produtos; além de
incutir no mesmo o senso de responsabilidade social e sustentabilidade.
CONCLUSÕES E SUGESTÕES
Através deste estudo foi possível identificar e analisar o perfil empreendedor dos
acadêmicos da Faculdade Arquidiocesana de Curvelo. O resultado alcançado revela que os alunos
da instituição possuem, de maneira geral perfil empreendedor, mas isto efetivamente se refletirá em
sucesso empresarial se este for trabalhado de modo a buscar a inovação e o aperfeiçoamento
contínuos.
A pesquisa ressalta ainda o papel feminino no empreendedorismo desenvolvido na
faculdade; hoje elas possuem as melhores médias das características comportamentais estudadas e
refletem um novo paradigma mundial: As mulheres sabem inovar e são empreendedoras.
Estabelecimento de Metas caracterizou-se como a característica mais latente aos
acadêmicos, já Correr Riscos Calculados é a CCE com menor absorção comportamental, devendo
esta ser trabalhada pelos alunos em parceria com a instituição para que desde modo a metodologia
empreendedora seja aprimorada.
O empreendedor constantemente é associado à criatividade e à inovação, é uma pessoa
que sabe identificar oportunidades potenciais de negócios e definir objetivos e meios que devem ser
utilizados para alcançar o resultado desejado. E, diferente do que muitas pessoas pensavam, o
empreendedorismo pode ser aprendido. Porém, não pode ser ensinado da mesma forma como se
ensina outras matérias. A instituição deve preparar seus alunos para que estes possam assumir o
papel de agentes formadores de ideias e opiniões. A criação de mecanismos de inter-relação entre a
prática e a teoria deve ser premissa no curso, dessa forma o perfil empreendedor aqui presente terá
condições de se desenvolver.
Verifica-se, de maneira geral, que a Faculdade Arquidiocesana de Curvelo busca
disseminar a cultura empreendedora, só que em uma escala menor do que a necessária. Projetos de
extensão, palestras com empreendedores bem sucedidos, são apenas alguns exemplos que possam
vir a elevar o nível e a importância do empreendedorismo na visão dos acadêmicos da instituição.
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empreendedorismo: estudo sobre o perfil