ISSN 2316-624X
ASSISTÊNCIA TÉCNICA EM ENFERMAGEM DO TRABALHO AOS
PORTADORES DE SATURNISMO
Ivanilda Camargo Pedroso ¹
[email protected]
Yoná Portella Klimiont ²
[email protected]
Prof. Marcio Garcia Lauriano Leme ³
[email protected]
Prof. Dr Alaércio Aparecido de Oliveira 4
[email protected]
RESUMO
Quando as condições de trabalho ultrapassam os limites toleráveis do organismo, a
probabilidade de provocar uma doença no trabalhador é significativa, neste caso
têm-se uma doença profissional que no sentido restrito, se define como uma
patologia devido a fatores (físicos, químicos e biológicos) bem determinados do meio
de trabalho. O meio profissional pode também ter um papel importante, porém,
associado a outros fatores de risco do ambiente fora do trabalho e do modo de vida
do trabalhador, gerando as doenças do trabalho. O Saturnismo é uma dessas
doenças, que é caracterizada pelo manuseio e da inalação do destacado minério de
chumbo trazendo danos ao organismo, não imediato, mas com o passar do tempo –
efeito cumulativo. Atualmente estas doenças são verificadas com maior intensidade
em empresas de pequeno e médio porte, quando ocorre negligencia a segurança e
as condições dos ambientes de trabalho. Neste contexto a assistência técnica
especializada em enfermagem do trabalho é de fundamental importância, porque
auxilia o trabalhador na prevenção e no seu tratamento.
Palavras-chave: saturnismo; enfermagem do trabalho; doença profissional.
______________________________________
1. Ivanilda Camargo Pedroso, especializanda Técnica em Enfermagem do Trabalho do Curso de Especialização Técnica em
Enfermagem do Trabalho do Centro de Educação Profissional e Empresarial de Curitiba – CEPROMEC – Curitiba – Paraná Brasil;
2. Yoná Portella Klimiont, especializanda Técnica em Enfermagem do Trabalho do Curso de Especialização Técnica em
Enfermagem do Trabalho do Centro de Educação Profissional e Empresarial de Curitiba – CEPROMEC – Curitiba – Paraná Brasil.
3. Prof. Marcio Garcia Lauriano Leme, biólogo, advogado, orientador e professor do Curso de Especialização Técnica em
Enfermagem do Trabalho do Centro de Educação Profissional e Empresarial de Curitiba – CEPROMEC – Curitba – Paraná Brasil;
4. Prof. Dr. Alaércio Aparecido de Oliveira, especialista, mestrado e doutorado, co-orientador e professor do Centro de
Educação Profissional e Empresarial de Curitiba – CEPROMEC, ex professor de graduação e pós-graduações da Faculdade
Herrero, professor de pós-graduação do Instituto Brasileiro de Pós-Graduação e Extensão – IBPEX do Centro Universitário
Internacional UNINTER – Curitiba – Brasil
NURSING SERVICE TO WORK OF SATURNISM PATIENTS
ABSTRACT
When working conditions beyond tolerable limits of the body, the likelihood of
causing disease in workers is significant in this case have been an occupational
disease in the strict sense, is defined as a disease due to factors (physical, chemical
and biological) and determined the working. The professional environment can also
play a role, however, associated with other risk factors of the outside of work and
way of life of the worker, causing occupational diseases. The lead poisoning is one
such disease that is characterized by handling and detached from inhalation of lead
ore bringing damage to the body, not immediately, but over time - cumulative effect.
Currently these conditions are checked more intensely in small and medium-sized
negligence occurs when the safety and conditions of work environments. In this
context the expert technical assistance nursing work is of fundamental importance,
because it helps the worker in prevention and treatment.
Keywords: lead poisoning; nursing job; occupational disease.
3
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO...................................................................................................... 4
2 DOENÇA PROFISSIONAL ................................................................................... 5
3 DOENÇA DO TRABALHO .................................................................................... 6
4 ACIDENTES DO TRABALHO ............................................................................
7
4.1 ASPECTOS GERAIS SOBRE ACIDENTES DO TRABALHO............................ 8
5 SATURNISMO (INTOXICAÇÃO POR CHUMBO)................................................. 10
6 ASSISTÊNCIA TÉCNICA E ENFERMAGEM DO TRABALHO............................. 11
CONSIDERAÇÕES FINAIS .....................................................................................13
REFERÊNCIAS ..................................................................................................... 14
4
1. INTRODUÇÃO
As doenças relacionadas com o trabalho vêm chamar a atenção dos
profissionais da saúde devido a sua gravidade e o grande número de afastamento
de trabalhadores de suas respectivas funções. Deve-se notar também o número de
pessoas que se aposentam precocemente por invalidez total ou parcial em diversas
áreas de atuação. Quando o ambiente de trabalho não é adequado às
características e funcionamento da máquina humana, colocando-a em situações
penosas, o que se pode observar é o surgimento de diferentes tipos de doenças.
O Saturnismo, ou Intoxicação por Chumbo, é definido por quadro clínico
compatível secundário à exposição, de curto ou longo prazo, a chumbo ou seus
compostos, podendo apresentar-se como quadro agudo ou crônico, conforme a
intensidade e duração dos sinais e sintomas. Pode-se citar como um dos
causadores desta situação a condição de trabalho, que em muitas vezes
ultrapassam os limites toleráveis do organismo, a probabilidade de provocar uma
doença no trabalhador é significativa. Neste caso, têm-se uma “Doença Profissional”
que se define como uma doença devido a fatores (físicos, químicos e biológicos)
bem determinados do meio de trabalho.
Outro fator relevante é o meio profissional que pode também ter um papel
importante, porém, associado a outros fatores de risco do ambiente fora do trabalho
ou do modo de vida do trabalhador, gerando as doenças do trabalho.
Quando o trabalho é bem adaptado ao homem, não só às suas atitudes e
seus limites, mas também os seus desejos e seus objetivos, ele pode ser um trunfo
à saúde do trabalhador. Neste sentido, o trabalho nem sempre significa algo
patogênico. Ele é, muitas vezes, um poder estruturante em direção à saúde mental.
Ao dar aos trabalhadores a oportunidade de realizarem em seu trabalho, estar-se-á
contribuindo para a sua satisfação e bem-estar.
Ou seja, com relação às doenças profissionais existe uma relação direta de
causa e efeito entre o fator de risco no trabalho e a doença. Ao contrário, nos casos
ligados à profissão, o fator de risco no trabalho é somente um fator entre outros.
Nesse sentido a assistência técnica em enfermagem do trabalho visa adotar
medidas para prevenção e em casos de acidentes, ou melhor intoxicação por
chumbo orientação de tratamento e para os trabalhadores e também sua reinserção
no meio ambiente do trabalho.
5
2. DOENÇA PROFISSIONAL
O tema faz um alerta sobre as Doenças Relacionadas ao Trabalho e ao
grande número de trabalhadores afastados de suas atividades por conta deste mal
que se faz presente no dia-a-dia dos trabalhadores.
Abordadas as várias doenças relacionadas ao trabalho desde as mais
conhecidas como a Lesão por Esforço Repetitivo (LER) e a Distúrbio Osteomuscular
Relacionado ao Trabalho (DORT), chegando às menos conhecidas e não menos
perigosas como o Saturnismo, sendo esta caracterizada por afetar o sistema
respiratório e ao manusear, atinge o sistema sanguíneo o que faz dela uma doença
gravíssima, sendo cancerígena e letal para os seres humanos.
As doenças profissionais decorrem da exposição a agentes físicos, químicos
e biológicos que agridem o organismo humano. Essa simples conceituação permite
imaginar a frequência e a gravidade que devem revestir as doenças profissionais.
Pois segundo afirma Sobrinho1 “Todo trabalhador que sofrer uma intoxicação,
afecção ou infecção causada por estes agentes foi acometido por uma doença
profissional”.
São exemplos de doenças profissionais:
a) As lesões por esforço repetitivo (LER): O conjunto de doenças que atingem
os músculos, tendões e nervos superiores e que têm relação com as exigências das
tarefas, dos ambientes físicos e da organização do trabalho. São, portanto
inflamações provocadas por atividades de trabalho que exigem movimentos manuais
repetitivos durante longo tempo.
b) Perda auditiva é a mais frequente doença profissional reconhecida desde a
Revolução Industrial, sendo provocada, na maioria das vezes, pelos altos níveis de
ruído.
c) Bissinose: ocorre com trabalhadores que trabalham com algodão.
1
SOBRINHO, O. S. Temas de Ciências Sociais: In: Medicina básica do trabalho, Curitiba: Gênesis, v.
III, pp.601-602, 1995.
6
d) Pneumocarnose (bagaçose): ocorre com trabalhadores com atividades na
cana-de-açúcar, as fibras da cana esmagada são assimiladas pelo sistema
respiratório.
e) Siderose: ocorre quando de atividades desenvolvidas com limalha e
partículas de ferro, para quem trabalha com o metal.
f) Asbestose: ocorre com trabalhadores que trabalham com amianto, o que
provoca câncer no pulmão.
Enfim existem inúmeras doenças profissionais que irão se caracterizar de
acordo com o risco, podendo causar vários problemas ao organismo e até a morte.
As doenças profissionais podem ser prevenidas respeitando-se os limites de
tolerância de cada risco, utilizando-se adequadamente os equipamentos de proteção
individual e com formas adequadas de atenuação do risco na fonte (ou seja,
maneiras de atacar as causas das doenças nas suas origens).
3. DOENÇA DO TRABALHO
Não só as doenças profissionais afetam a saúde do trabalhador, existindo sim
um grande numero de fatores que auxiliam no aparecimento de enfermidades que
afetam a figura do profissional, são normalmente denominadas como doenças do
trabalho.
Na visão de Sobrinho2
As doenças do trabalho são resultantes de condições especiais de
trabalho, não relacionadas em lei, e para as quais se torna
necessária a comprovação de que foram adquiridas em decorrência
do trabalho. Portanto, no caso de doenças do trabalho, como nos
demais fatores de interferência da saúde, o trabalhador deve ser
conscientizado sobre a importância de preservar sua saúde. É
preciso que ele esteja preparado ou predisposto a receber
orientações, utilizar os equipamentos de proteção individual e
obedecer às sinalizações e as normas que objetivam proteger a
saúde.
Atualmente, estas doenças são verificadas, com maior intensidade, nas
empresas de pequeno e médio porte, situação que é vivenciada em todos os países,
2
SOBRINHO, O. S. Temas de Ciências Sociais: In: Medicina básica do trabalho, Curitiba: Gênesis, v.
III, 1995, p 602.
7
pois os mesmos negligenciam a segurança e as condições dos ambientes, levando
os trabalhadores a desenvolverem doenças do trabalho com maior frequência.
São exemplos de doenças do trabalho:
a) Alergias respiratórias provenientes de locais com ar-condicionado sem
manutenção satisfatória, principalmente limpeza de filtros e dutos de circulação de
ar.
b) Estresse, nada mais é do que a resposta do organismo a uma situação de
ameaça, tensão, ansiedade ou mudança, seja ela boa ou má, pois o corpo está se
preparando para enfrentar o desafio. Isto significa que o organismo, em situação
permanente de estresse, estará praticamente o tempo todo em estado de alerta,
funcionando em condições anormais.
Ribeiro3 e outros apresentam algumas recomendações no sentido de prevenir
doenças, de trabalho e profissional. Tais como: Alterações de processos; Utilização
dos equipamentos de proteção individuais e coletivos; móveis adequados às
características físicas dos trabalhadores; limpeza regular dos aparelhos de ar
condicionado; quando da concepção da instalação; aproveitar da melhor forma
possível à ventilação natural; rotatividade das tarefas; pausas; redução da carga
horária; flexibilidade dos horários; técnicas de relaxamento; conhecimento do perigo;
manter sob controle os exames médicos dos trabalhadores que desenvolvem
atividades com grande perigo.
4. ACIDENTES DO TRABALHO
Acidente de trabalho é todo acidente que envolva a pessoa do trabalhador e
sua condição de trabalho, causando perda temporária ou permanente da capacidade
produtiva, levando a lesões graves ou a morte.
A Constituição Federal de 1988, conceitua acidente de trabalho como:
Art. 131 Acidente do trabalho - ocorre pelo exercício do trabalho a
serviço da empresa, ou ainda, pelo exercício do trabalho dos
segurados especiais, provocando lesão corporal ou perturbação
funcional, podendo causar tanto a morte como a perda ou redução
da capacidade para o trabalho (temporária ou permanente).
3
Ribeiro et al, De que adoecem e morrem os trabalhadores. São Paulo: 1984;
8
Além disso, a própria Carta Magna4 trouxe a proteção aos direitos do
trabalhador em seu texto, garantindo assim o direito a saúde e bem estar do
trabalhador, bem como a sua proteção a ocorrência de acidentes de trabalho, que
para o legislador envolve tanto a doença profissional bem como a doença do
trabalho. É o que diz o artigo 132 da Constituição.
Art. 132 Consideram-se acidentes do trabalho as seguintes entidades
mórbidas: I – doença profissional; II – doenças do trabalho: Não
serão consideradas como doença do trabalho: A doença
degenerativa; A inerente a grupo etário; A que não produz
incapacidade laborativa; a doença endêmica adquirida por segurados
habitantes de região em que ela se desenvolva, salvo comprovação
de que é resultante de exposição ou contato direto determinado pela
natureza do trabalho.
Em relação aos acidentes ainda são considerados por equiparação o acidente
no local e no horário de trabalho, acidente de percurso, a doença proveniente de
contaminação acidental do trabalhador no exercício de sua atividade.5
4.1 ASPECTOS GERAIS SOBRE ACIDENTES DO TRABALHO
Conceição6 et al, ressaltam que os acidentes do trabalho revestem-se de
grande importância por diversos fatores, que vão desde o grande número de
pessoas expostas até a possível gravidade dos mesmos, resultando em
4
Art. 7 São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua
condição social:
IV - salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender a suas
necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação,
saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos
que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim;
XXII - redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e
segurança;
XXIII - adicional de remuneração para as atividades penosas, insalubres ou perigosas, na
forma da lei;
XXVIII - seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do empregador, sem excluir a
indenização a que este está obrigado, quando incorrer em dolo ou culpa;
XXXIII - proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre aos menores de dezoito e de
qualquer trabalho a menores de quatorze anos, salvo na condição de aprendiz; Constituição
da República Federativa Do Brasil de 1988.
5
CONCEIÇAO, A.P.S; LIMA; M.G. Estudo dos acidentes de trabalho na empresa de
saneamento do Estado da Bahia de 1987 a 1992 - Uma proposta de participação sindical na
vigilância de saúde dos trabalhadores. Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, n.87/88,
v.23, p.41- 48, 1997.
9
incapacidade funcional temporária, permanente ou mesmo na morte do trabalhador.
Os acidentes do trabalho implicam em altos custos sociais: aposentadorias, às
vezes, precoces; indenizações; anos de vida perdidos; perda de familiares, entre
outros.
Ainda, Conceição7, salienta que o Brasil aparece como recordista mundial de
mortes por acidentes do trabalho, segundo avaliação da OIT. Os dados do INSS
mostram que no Brasil, no período de 1990 a 1995, ocorreram em média 513.456/
ano acidentes e doenças no trabalho, com 3.943 óbitos/ano (FUNDACENTRO,
1997).
Para Iida8 os acidentes geralmente resultam de interações inadequadas entre
o homem, a tarefa e o seu ambiente.
Quando da ocorrência de um acidente do trabalho de grande monta, ouve-se,
frequentemente, a expressão "o acidente foi causado por erro humano". Wisner
9
afirma que este pensamento está equivocado. A ocorrência dos acidentes está
ligada a várias causas, dificilmente a uma única, por isso, utiliza-se, habitualmente, o
método da árvore de causas para avaliar a ocorrência de acidentes do trabalho. As
causas dos acidentes, frequentemente, têm três componentes: organizacional,
tecnológico e humano. Neste sentido, seria falso acreditar que somente o operador
comete os erros.
A complexidade dos sistemas deve respeitar as capacidades do cérebro
humano. Quando do funcionamento normal, não ocorre nenhum problema, mas
quando ocorrem disfunções no sistema, há uma propagação rápida das
perturbações e, pela complexidade das combinações, o operador pode ter
dificuldade de localizar as suas origens. O autor salienta, ainda, que não se podem
prever todos os acidentes, nem todas as reações dos operadores. Mas, devem-se
colocar todas as condições ótimas de segurança e de prevenção para os
operadores.
As Normas Técnicas (NR’s) surgiram no sentido de fornecer programas de
apoio à prevenção de acidentes do trabalho, entre elas destacam-se:
7
CONCEIÇAO, loc cit.,1997, p. 41-48.
IIDA, I. Ergonomia: projeto e produção. São Paulo: Editora Edgar Bucher Ltda, 1992.
9
WISNER, A. Por dentro do trabalho. Ergonomia: método & técnica, São Paulo: FTD/Oboré,1987.
8
10
COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES (CIPA – encontrase na CLT, regulamentada pela Portaria 3214/78-NR5). Objetivos da CIPA: Observar
e relatar as condições de riscos nos ambientes de trabalho; Solicitar medidas para
reduzir ou eliminar os riscos existentes; Discutir os acidentes ocorridos, solicitar
medidas preventivas. Orientar os demais trabalhadores quanto à prevenção de
acidentes. Investigar as causas de circunstâncias dos acidentes e doenças
ocupacionais; Promover anualmente a Seminários Internos de Prevenção de
Acidentes do Trabalho - SIPAT; Realizar inspeções de segurança.
PROGRAMA DE CONTROLE MÉDICO DE SAUDE OCUPACIONAL –
PCMSO (NR 7) Objetivo principal: a promoção e preservação da saúde dos
trabalhadores.
PROGRAMA DE PREVENÇÃO DE RISCOS AMBIENTAIS – PPRA (NR 9)
Objetivo principal: a preservação da saúde e da integridade dos trabalhadores,
considerando a proteção do meio ambiente e dos recursos naturais.
Portanto a caracterização dos acidentes de trabalho se dá através da
combinação entre os fatores de casualidade juntamente com os elementos inerentes
a questão de prevenção. Como visto a contaminação do trabalhador pelo manuseio
de substâncias também é considerado acidentes de trabalho, causador de doença
que pode inclusive condenar o trabalhador ao afastamento temporário ou
permanente tal como ocorre com o saturnismo.
5. SATURNISMO (INTOXICAÇÃO POR CHUMBO)
O Saturnismo é uma doença causada pela intoxicação do chumbo. Ela afeta
milhões de pessoas em todo mundo como resultado da poluição do meio ambiente,
além de outras espécies, como as aves. Em humanos, as principais fontes de
intoxicação são as tintas que contém chumbo, baterias de automóveis, pilhas, soldas
e emissões industriais.
Em outras espécies, somam-se o chumbo usado em
projéteis para caçada (que também são uma causa de saturnismo em humanos com
projéteis alojados) e como peso para linhas de pesca, que são ingeridos por peixes,
por sua vez ingeridos pelas aves.
Em humanos, a intoxicação pode levar a quadro clínico evidente ou a
alterações bioquímicas mais sutis. Os sintomas mais comuns são dores abdominais
severas, úlceras orais, constipação, parestesias de mãos e pés e a sensação de
11
gosto metálico. O exame físico pode demonstrar a presença de uma linha de
depósito de chumbo na gengiva e neuropatia periférica. Outras alterações incluem
anemia (por porfiria secundária e inibição da medula óssea), disfunção renal,
hepatite e encefalopatia (com alterações de comportamento)
De acordo com a Resolução do INSS pode ser conceituado como:
Quadro clínico compatível (a ser descrito adiante), secundário à
exposição, de curto ou longo prazo, a chumbo ou seus compostos,
podendo apresentar-se como quadro agudo ou crônico, conforme a
intensidade e duração dos sinais e sintomas. Pode-se definir ainda
situação de absorção anormal de chumbo, quando níveis de
indicadores de exposição e de efeito encontram-se acima dos limites
de tolerância na ausência de sinais, sintomas de intoxicação. 10
A contaminação pode ocorrer pela via respiratória (vapores, fumos, poeiras),
pelo via digestiva (ingestão de alimentos contaminados) ou, mais raramente, por via
cutânea.
As manifestações clínicas são fraqueza, irritabilidade, sonolência, diminuição
do apetite (anorexia), desconforto e cólicas abdominais, prisão de ventre
(constipação), palidez, sudorese e sintomas neurológicos graves.
Tratamento: afastamento imediato da exposição; administração de quelantes
(para aumentar a excreção do produto).
Prevenção: controle médico, medidas de higiene do trabalho, boas práticas
quanto à saúde e procedimentos de trabalho seguro, uso de equipamentos de
proteção individual (EPI) adequado.
6. ASSITÊNCIA TÉCNICA DE ENFERMAGEM DO TRABALHO
Nos casos de intoxicação por chumbo o papel do profissional de enfermagem
do trabalho é de extrema importância, pois uma vez que superada a prevenção –
aparecimento de doença laboral, inicia-se etapa de acompanhamento e controle dos
fatores e evolução da doença junto ao trabalhador e sendo necessário do
afastamento ao retorno das atividades.
10
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações
Programáticas Estratégicas. Atenção à saúde dos trabalhadores expostos ao chumbo
metálico / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Ações
Programáticas Estratégicas. – Brasília : Editora do Ministério da Saúde, 2006.
12
Segundo Araujo et al.11
“as diferenças de comportamento e de higiene entre os
trabalhadores, a frequência diferenciada do uso de mascaras (Lee et
al.,1993), ou de elmos com ar mandado, o habito de fumar no
trabalho, entre outros promovem uma absorção diferenciada do
chumbo. [...]
Desta forma, a atuação do profissional deve ser de forma a prevenir os
acidentes, pelo controle dos fatores de risco, ligados a questão da enfermagem
como um todo, principalmente no tocante ao uso correto de EPI’s e praticas de
saúde como o combate ao tabagismo e alcoolismo no ambiente de trabalho.
Há também a necessidade do acompanhamento técnico nos exames
periódicos médicos e laboratoriais, conferindo a medição da concentração do
chumbo no sangue e também em testes neurocomportamentais uma vez que a
presença de contração anormal de chumbo pode vir a ter reflexos nessa esfera do
trabalhador.
Ainda segundo Araujo12, faz-se necessário à implementação de politicas e
metodologias de avaliação e bem como incremento na fiscalização das medidas já
existentes. E que o fator contaminação, contudo não pode ser atribuído somente ao
trabalhador. Neste sentido “Assim, a culpa pela contaminação normalmente
atribuída ao trabalhador, depende na realidade, do processo de produção, das
condições dos locais de trabalho e da manutenção de um ambiente insalubre e
inadequado.” É o que ocorre na maioria dos ambientes em que se observa o
Saturnismo como doença profissional.13
Segundo os parâmetros das NR-7 e NR-15, permitem que os trabalhadores
permaneçam em ambientes insalubres onde a exposição ao Pb vai acumulando
lenta e silenciosamente no organismo do trabalhador levando a sua incapacitação
definitiva não só para o trabalho como também para o lazer.
11
ARAUJO. U.C. et al – Avaliação da Exposição Ocupacional ao Chumbo: proposta de uma
estratégia de monitoramento para prevenção dos efeitos clínicos e subclinicos. Cad. Saúde
Pública, Rio de Janeiro, 15 (1): 123-131, jan-mar 1999.
12
ARAUJO, Loc Cit, 1999, p. 123-131.
13
Em sua conclusão Araujo considera que a mudança das condições de trabalho é um
processo que se inicia com o gradual entendimento dos técnicos, tanto com os empresários,
quanto com os trabalhadores, e se dá a partir de negociações em que estão envolvidos
interesses, principalmente econômicos, de ambas as partes, no atual estágio da nossa
sociedade. (Nota dos autores)
13
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A saúde consiste em bem estar físico, mental e espiritual. Uma pessoa nunca
consegue esse estado geral de saúde, pois alguma área da nossa vida sempre está
à mercê do acaso.
Na medida do possível, como prevenção, o trabalhador deve procurar uma
ocupação de que lhe dê prazer, satisfação e auto-realização.
A Empresa deve fazer a sua parte, demonstrando que respeita e valoriza seu
colaborador, dando-lhes oportunidade de crescimento dentro da empresa,
incentivando-o a procurar novos conhecimentos através cursos e reciclagens.
O ambiente de trabalho deve respeitar os limites de tolerância do organismo
proporcionando bem estar e conforto, pois como sabemos, passamos mais tempo
de nossas vidas no ambiente de trabalho que em nossos próprios lares, no convívio
com a família e de pessoas que nos cercam.
O Saturnismo como sendo uma doença causada pela conseqüência da
poluição do meio ambiente, no ambiente onde os trabalhadores estão expostos
deverá ser coletado materiais para exames para verificar a quantidade de poluição
existente e a partir daí tomar as medidas necessárias. O profissional de enfermagem
do trabalho deve investir em ações que visem à prevenção. Demonstrar aos
colaboradores que realmente está interessada em sua saúde e bem estar e não
apenas obrigando-os a cumprir um regulamento.
14
REFERÊNCIAS
ARAUJO. U.C. et al – Avaliação da Exposição Ocupacional ao Chumbo:
proposta de uma estratégia de monitoramento para prevenção dos efeitos
clínicos e subclinicos. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 15 (1):, jan-mar 1999,
p. 123-131.
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria n.º 777/GM, de 28 de abril de 2004. Dispõe
sobre os procedimentos técnicos para a notificação compulsória de agravos à
saúde do trabalhador em serviço sentinela específica, no Sistema Único de
Saúde (SUS). Diário Oficial da União, Poder Executivo,Brasília, DF, nº 81, 29 abr.
2004.Seção 1, p. 37-38.
CONCEIÇAO, A.P.S; LIMA; M.G. Estudo dos acidentes de trabalho na empresa
de saneamento do Estado da Bahia de 1987 a 1992 - Uma proposta de
participação sindical na vigilância de saúde dos trabalhadores. Revista Brasileira de
Saúde Ocupacional, n.87/88, v.23, 1997 p.41- 48.
RIBEIRO, H. P. & LACAZ, F. A. C., 1984. De que Adoecem e Morrem os
Trabalhadores.
São
Paulo:
Amesp,
Diesat.
disponível
em
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X1997000600007.
Acesso em: 29.08.2012 às 17:00 h;
SOBRINHO, O. S. Temas de Ciências Sociais: In: Medicina básica do trabalho,
Curitiba: Gênesis, V. III, 1995, p.601-602.
WISNER, A. Por dentro do trabalho. Ergonomia: método e técnica, São Paulo:
FTD/Oboré, 1987, p 74.
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