Anais do XV Encontro de Iniciação Científica da PUC-Campinas - 26 e 27 de outubro de 2010
ISSN 1982-0178
ESTUDO BIBLIOMÉTRICO ACERCA DO PROCESSO DE
TRABALHO DE ENFERMEIROS COM ATUAÇÃO
EM UNIDADES BÁSICAS DE SAÚDE.
Ana Claudia de Carvalho Maia
Inahiá Pinhel
Faculdade de Enfermagem
Centro de Ciências da Vida
[email protected]
Gestão de Pessoas e de Práticas de
Enfermagem e Saúde
Centro de Ciências da Vida
[email protected]
Resumo: Estudo bibliométrico com o objetivo de realizar investigação acerca do processo de trabalho de
enfermeiros com atuação em Unidades Básicas de
Saúde, por meio de pesquisas bibliográficas nacional, latino-americanas e do Caribe, nas bases de dados Lilacs e Scielo, no período de 2005 a 2009, com
a utilização dos descritores enfermagem, processo,
trabalho e saúde pública. Foram selecionados dez
publicações, com a constatação de que seis correspondem a artigos publicados em revistas científicas,
duas são dissertações de mestrado e duas são teses
de doutorado. A organização dos dados, a partir do
agrupamento das características comuns de cinco
publicações resultou em três categorias: ações de
enfermagem, gerenciamento e enfermagem em saúde da família. Os estudos indicam que o processo de
trabalho em enfermagem na saúde pública encontrase em processo de transformação, ou seja, existe
uma tentativa na atualidade em se aproximar os subprocessos assistir e gerenciar, compreendendo que a
inter-relação é necessária para a melhoria da qualidade da assistência prestada.
Palavras-chave: saúde, enfermagem e trabalho.
Área do Conhecimento: Saúde - Enfermagem
1. INTRODUÇÃO
A saúde pública é voltada para a prevenção e o controle de doenças e deficiências e para a promoção da
saúde física e mental da população [1]. As Unidades
Básicas de Saúde foram implantadas no estado de
São Paulo seguindo o modelo médico sanitário [8].
Em 1989 ocorreram os primeiros investimentos na
estrutura da Rede Pública dos Serviços, com ênfase
nos serviços básicos, ocorrendo a revisão dos modelos assistenciais [13].
Campinas iniciou o processo em 1970, implantando
os primeiros postos de saúde na cidade [6]. Estes
postos de saúde municipais se caracterizavam por
práticas simplificadas de saúde e funcionavam em
casas alugadas, havendo na ocasião a proposta de
trabalhar em parceria com a população [11].
Para substituir o modelo tradicional, foram propostas
pelo Ministério da Saúde alternativas para a melhoria
do Sistema Único de Saúde (SUS), que resultaram
na implantação do Programa de Agentes de Saúde
(PACS) em 1981 e em 1994, a estruturação do Programa de Saúde da Família (PSF), com o objetivo de
reorganizar a prática de atenção a saúde [4,7]. Entre
suas metas está o compromisso de prestar uma assistência qualificada, universal, integral, igualitária,
contínua e, sobretudo, com alta resolubilidade, levando em conta a realidade local, por meio do diagnóstico situacional [2,4,12].
Observa-se que suas diretrizes visam intervenções
determinantes e condicionantes nos níveis de saúde
na comunidade, ressaltando os fatores de risco, relacionados à alimentação, moradia, saneamento básico, meio ambiente, educação, trabalho, lazer, acesso
aos bens e serviços essenciais e ao mesmo tempo
prestando assistência individual, além de propor mudanças na postura profissional de saúde, a partir de
uma visão ampliada da clínica, remetendo às diretrizes do SUS [3].
O processo de trabalho tem como elementos básicos: os agentes, aqueles a quem compete a realização do trabalho; o objeto, como algo que os trabalhadores querem transformar; os instrumentos, que
são os saberes técnicos e científicos e a finalidade,
que é a meta a ser alcançada [5].
Em relação ao processo de trabalho nos Centros de
Saúde, observa-se em geral, que os profissionais de
enfermagem atuam como educadores da equipe e
da população, realizando ações de vigilância sanitária, gestão da unidade, porém, com pouca atuação
nas ações assistenciais [9]. Considera-se que estas
ações devam ser planejadas e que o seu gerenciamento ocorra como uma atribuição do enfermeiro
[10].
Anais do XV Encontro de Iniciação Científica da PUC-Campinas - 26 e 27 de outubro de 2010
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2. OBJETIVO
Realizar investigação bibliográfica acerca do processo de trabalho de enfermeiros com atuação em Unidades Básicas de Saúde.
3. MÉTODOS
Estudo bibliométrico sobre processo de trabalho em
enfermagem em unidades básicas de saúde, por
meio de pesquisas bibliográficas nacional, latinoamericanas e do Caribe, com análise das publicações em relação à freqüência, país de origem, ano,
tipo de publicação e foco principal das abordagens.
A coleta de dados foi realizada de forma on-line em
periódicos, utilizando os unitermos processo, trabalho
enfermagem e saúde pública. O percurso previu a
identificação de fontes bibliográficas, utilizando a Biblioteca Virtual em Saúde e o banco de teses disponíveis no Portal dos Sistemas de Bibliotecas das Universidades Estaduais Paulistas, bem como as bases
de dados: Literatura Latino-Americana e do Caribe
em Ciências da Saúde e Scientific Electronic Library
Online, no período de 2005 a 2009.
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
A partir dos descritores foram selecionadas dez publicações, das quais, seis correspondem a artigos
publicados em revistas científicas, duas dissertações
de mestrado e duas teses de doutorado.
A partir da análise dos dados contidos nos resumos,
cinco publicações atenderam ao objetivo do presente
estudo, que após leitura foram agrupadas de acordo
com as suas características comuns, resultando em
três categorias: ações de enfermagem, gerenciamento e enfermagem em saúde da família.
A categoria ações de enfermagem na saúde pública
aponta o desafio de que os enfermeiros assumam as
atividades de assistência e gerência, de forma interdependente, com vistas a promover a qualidade da
assistência presta.
A categoria gerenciamento aponta que as atividades
de gerência em sua maioria, são realizadas nas Unidades Básicas de Saúde pelo enfermeiro, podendo
demonstrar que as mudanças propostas para o processo de trabalho em enfermagem, com vistas a garantir a assistência direta pelo enfermeiro, quer pelo
contexto institucional ou da postura deste profissional
têm demonstrado uma tendência em assumir mais
as atividades gerenciais em detrimento das assistenciais.
A categoria enfermagem em saúde da família identifica as dificuldades da atuação do enfermeiro no programa de saúde da família, pois os mesmos não utilizam os instrumentos necessários para obter uma
visão ampliada das necessidades de saúde da população.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este estudo nos mostra que o processo de trabalho
em enfermagem na atenção básica está em transformação, ou seja, buscando interligar ações assistenciais com as gerenciais, com vistas a qualificar a
assistência prestada.
Os enfermeiros reconhecem que o processo de trabalho desenvolvido de forma adequada, melhora a
qualidade da assistência, pois, norteia as ações e
facilita o planejamento, conforme as necessidades
apresentadas pelos usuários.
AGRADECIMENTO
Ao Programa de Iniciação Científica, modalidade
FAPIC/Reitoria da PUC-Campinas.
REFERÊNCIAS
[1] Biblioteca Virtual em Saúde (2009), Descritores
em Ciências da Saúde, capturado on line em
20/09/2009 de http://decs.bvs.br/cgibin/wxis1660.exe/decsserver/.
[2] Brasil (2003), Programa Saúde da Família – PSF,
Brasília: Ministério da Saúde, capturado on line
em 16/07/2010 de
<http://www.saude.gov.br/psf.htm>.
[3] Campos ,G.W.S. (1997), Equipe de Saúde: entre
a especialização e a polivalência. In: Merhy EE,
Onocko R (org.). Agir em Saúde: um desafio público. São Paulo: Hucitec.
[4] Franco, T.A., Merhy, E.E. (1999), PSF: Contradições de um Programa Destinado à Mudança do
Modelo Assistencial, Campinas: Unicamp, mimeo.
[5] Marx, K. (1994),O Capital: crítica da economia
política. 14ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil.
[6] Mellin, A.S., (2005) Processo de trabalho de enfermeiros com atuação na rede básica de saúde
de Campinas, São Paulo, Relatório de pesquisa
apresentado para a PUC-Campinas.
[7] Pires, D.E.P., Souza, H.M. (2000), Programa Saúde da Família, Rev. Bras. Enf. , v.53, n.7, p.16.
[8] Santos, F.P. dos, Merhy, E.E. (2006), A regulação
pública da saúde no Estado brasileiro: uma revisão. Interface, Botucatu, v. 10, n. 19, p.21-27.
[9] Silva, M.J.P. (2000), O amor é o caminho: maneiras de cuidar. São Paulo: Gente.
[10] Silva, A.M., Peduzzi, M. (2005), O trabalho de
enfermagem em laboratórios de análises clínicas. Rev. Latino-Am. Enfermagem, jan./fev.,
vol.13, n.1, p.65-71.
[11] Smeke, E.L. (1989), Saúde e Democracia: experiência de gestão popular: um estudo de caso.
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ISSN 1982-0178
Campinas, Tese de Doutorado, Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de
Campinas.
[12] Souza, M.F. (2000), A enfermagem Reconstruindo sua prática: mais que uma conquista no PSF,
Rev. Bras. Enf., v.53, n.esp., p.25-30.
[13] Viana, A.L., et. al. (2000), Descentralização no
SUS: efeitos da NOB-SUS 01/96. In: Negri, B.,
Viana, A. L. d´A. (org.), O Sistema Único de Saúde em dez anos de desafio. São Paulo: Sobravime.
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