TRABALHO SOCIO EDUCATIVO
Rosa Macedo e Equipe
O Trabalho Sócio-Educativo com
Famílias
Dinâmica de Apresentação/Integração
Rosa Macedo e Equipe
Alguns temas:
Educação de filhos
Estudo e Trabalho;
Consumo
Drogas
Gravidez na Adolescência;
Sexualidade
Violência e Preconceito
Drogas
•
Drogas é outra categoria que descreve uma das preocupações dos pais.
No atual contexto da nossa sociedade a possibilidade dos filhos se
envolverem com as drogas se constitui numa grande ameaça para os pais
e os filhos pertencentes às famílias.
•
Os sentimentos vivenciados são o
medo, a insegurança, a
desconfiança e o desespero e em geral estão relacionados ao fato dos
pais perceberem que não têm controle sobre o amanhã de seus filhos, por
aonde e com quem andam, principalmente porque quando já tiveram ou
têm alguma experiência de uso ou abuso de drogas na família com o
cônjuge, um dos filhos ou outros parentes.
Drogas
•
Em geral relatam experiências vividas como caóticas, em que
em torno da questão das drogas na família permearam a
privação material, a ruptura do sistema de valores pessoais,
sofrimento, brigas, violência familiar, prisão, separação e
distanciamento afetivo, além de pensarem ser esta, uma
situação em que os menores ficam expostos a modelos
negativos e temem que eles possam repeti-los.
“Eu to falando que a gente tem de acompanhar mesmo... porque o
tratamento é muito difícil e quando a pessoa chega e está drogada, que ela
tá muito alucinada, o que a gente deve fazer mesmo, que eu aprendi é se
calar. Mesmo, eu chorava muito, o L. também chorou muito. Sempre me
acompanhou. Quando o pai dele estava neste estado ele ficava comigo, ali
do meu lado. Aconteceu uma época da gente se separar... Ele ficou dois
anos fora de casa, dois anos e meio... Que até preso ele acabou indo... Hoje
ele trabalha, graças a Deus não usa mais nada, nem uma cerveja ele não
bebe mais. Então pra mim foi uma vitória muito grande.. (...) ...Eu não tinha
saída... Aí na época que ele tava muito envolvido com essas drogas, que ele
chegou na cocaína... no crack... no crack, foi onde ele começou a vender
tudo que tinha. Até as roupas do L. ele vendia... roupa nova... tênis, tudo...
(...) ... “Aí eu e o L. sofria muito mesmo, de ver o pai dele naquele estado. “Aí
foi assim...”.
Estudo
Reflete o temor que os pais possuem relacionados ao insucesso
escolar dos filhos, esperando que estes tenham compromisso
com o aprendizado, indo para a escola, realizando tarefas e
deveres escolares, respeitando professores e outros adultos
mais velhos, para que possam ser bem sucedidos na vida, se
tornando gente de bem e ter um futuro melhor, diferente do que
seus pais tiveram, para que tenham uma profissão e não sofram
privações materiais.
“Eu também tenho preocupação com o estudo. Ter que estudar
pra ser alguém amanhã. Hoje eu ainda falei pra T.: Você tem que
estudar bastante, pra talvez você poder fazer inglês... Porque o
inglês é muito importante pra você ter uma língua a mais, um
trabalho amanhã. Porque a vida ta muito difícil e se vocês não
estudarem bastante vai ser difícil vocês arrumar trabalho. Hoje já
ta difícil, daqui a alguns anos vai ta mais difícil ainda. Então
vocês têm que estudar muito pra poder ser alguém amanhã e
não passar as dificuldade que a gente passou...”.
Educação de Filhos
•
Reflete preocupações tais como sustento material e privação,
buscando estabelecer prioridade com relação à satisfação das
necessidades básicas, tais como alimento e vestuário. Sentemse culpados por não satisfazerem as exigências de consumo dos
filhos.
•
Também temem serem vítimas da violência cotidiana que ronda
os contextos aonde residem, relacionados a roubos,
delinqüência, estupro, violência escolar, etc, o que reflete a falta
de segurança e policiamento.
Educação de Filhos
•
•
Controlam e acompanham (mesmo de longe ou através
da vizinhança) os filhos com relação às amizades,
orientam para que sejam do bem e seguirem exemplos
de pessoas que sejam modelos positivos.
Procuram ponderar com os filhos para que não vivam
num mundo de fantasias, estabelecem limites e
explicam por quê; mostram os exemplos negativos e
conversam sem rodeios, questionam, falam, repetem,
recomendam e instruem.
Educação de Filhos
•
Percebem haver conflitos entre os pais com relação à educação dos filhos, em
que um manda e outro desmanda e acabam responsabilizando um ao outro
pela ineficácia das estratégias, surgindo crises de exercício de autoridade.
•
Sentem que os problemas e dificuldades pessoais afetam emocionalmente e
atrapalham a educação, em que acabam muitas vezes se descontrolando e
descontando suas frustrações nos filhos, batendo, xingando, e espancando;
•
Vivenciam peso de consciência, remorso e sentimento de culpa quando batem,
espancam e ofendem os filhos e, apesar de acreditarem que o diálogo é o
melhor caminho, às vezes pensam que a palavra dói mais do que um tapa.
•
Todos têm a lembrança de que apanharam na infância de algum adulto próximo
e repetem o modelo porque sentiam vergonha, e o resultado era medo e dor.
Educação de Filhos
Percebem que em relação à sua época houve muitas mudanças
em termos de educação. Antes os pais falavam pouco e só
bastava um olhar. Hoje conversam abertamente e buscam
proximidade emocional com os filhos
Conforme
os filhos vão crescendo eles também se vêem
obrigados a mudar de estratégia, em que transitam do bater para
o castigo. Embora façam uso do primeiro, acreditam que bater
não adianta.
Educação de Filhos
•
Expectativas
-
Ter autoridade;
Filhos obedientes e responsáveis;
Assertividade na educação;
Abertura para diálogo;
Filhos Seguros;
Proximidade emocional;
Filhos bem sucedidos na vida.
Nau usar drogas
Não fazer sexo antes da hora (gravidez e doenças)
Não se envolverem e serem vítimas de violência
Estratégias de Trabalhos
Desenvolver reuniões Sócio-Educativas em que os pais
possam pensar sobre o que é família, suas funções e
compartilhar sentimentos e experiências relacionadas à
Educação dos filhos, sendo conduzidos num processo de troca
de experiências pelo diálogo, a partir de atividades dirigidas,
em que a partir de suas vivências, possam ser questionados e
refletirem sobre suas atitudes e preocupações relacionadas à
crenças, práticas educativas e valores presentes na família.
Estratégias de Trabalhos
•
As reuniões Sócio-Educativas com temas de Educação de
filhos podem girar em torno das seguintes questões:



Quais são as preocupações que surgem?
De que maneira, como pais, lidam com estas preocupações?
Que recursos eles possuem, utilizam e julgam necessários para
fazerem tais enfrentamentos?
Que medidas, estratégias utilizam para se fazerem respeitar?
Como os filhos respondem às práticas desenvolvidas pelos pais
(eficácia)?
De que maneira esses pais assumem seu lugar de
responsabilidade, de autoridade e suporte para os filhos?
Que recursos eles apontam no sentido de poderem ajudá-los nas
funções que lhes cabem?




Sexualidade e Gravidez na
Adolescência
•
•
Desejam que os filhos tenham saúde, higiene, respeito por si
próprios e pelos outros, entendendo que para tudo tem hora e lugar
certos. Assim devem se restringir com relação a fazer sexo,
desejando os filhos busquem informação e pratiquem sexo seguro
evitando pegar doenças e gravidez precoce, além do medo de que
os filhos vendam o corpo se prostituindo.
Ao conversar sobre sexo experimentam sentimentos de vergonha,
desconforto, confusão e ambigüidade.
Estratégias de Trabalho
1) Grupos de Adolescentes
Realizar Reuniões Sócio-Educativas com
Grupos de Adolescentes, utilizando estratégias
que possibilitem a troca de idéias e informações,
bem como a expressão de sentimentos
relacionados ao tema da sexualidade (iniciação,
contracepção, valores, comportamento, opinião e
padrões de relacionamentos, etc);
Estratégias de Trabalho
2) Grupos de Pais
Nas realizações de Reuniões Sócio-Educativas com as famílias
abordar temas relacionados à Sexualidade, uma vez que os jovens
valorizam e aspiram boa comunicação e apoio familiar, prevenindo
que a família somente seja surpreendida pela solicitação da urgência
de um problema relacionado a uma situação extrema relacionada à
sexualidade dos filhos: gravidez precoce ou doença. Os objetivos
devem ser o fornecimento de informações e reflexões sobre como os
pais se relacionam com as diferentes experiências sexuais de seus
filhos e filhas; como vivenciam a evolução do comportamento sexual
dos filhos e quais os temas que têm maior dificuldade de tratar e se e
como percebem as principais dificuldades associadas aos
comportamentos seguros e de risco .
Violência
Definição
“[...] a conversão dos diferentes em desiguais e a desigualdade
em relação entre superior e inferior. [...] a ação que trata um ser
humano não como sujeito, mas como uma coisa. Esta se
caracteriza pela inércia, pela passividade e pelo silêncio de
modo que, quando a atividade e a fala de outrem são impedidas
ou anuladas, há VIOLÊNCIA”.
Marilene Chauí (1985)
[...] A violência tem uma expressão multifacetada: seria tudo
que se vale da força para ir contra a natureza de um agente
social; todo ato de força contra a espontaneidade, a
vontade e a liberdade de alguém (é coagir, constranger,
torturar, brutalizar); todo ato de transgressão contra o que
uma sociedade define como justo e como um direito.
Conseqüentemente, violência é um ato de brutalidade,
sevícia e abuso físico e/ ou psíquico contra alguém e
caracteriza relações intersubjetivas e sociais definidas pela
opressão e intimidação, pelo medo e o terror (Chauí apud
Sallas, 1999:25)
Formas de expressão da violência
Violência Estrutural
“Pode ser entendida como aquela que incide sobre a condição
de vida das famílias com suas crianças e adolescentes, a partir
de decisões histórico-econômicas e sociais, tornando
vulnerável o seu crescimento e desenvolvimento”.
De
forma mais genérica, a percepção das manifestações da
desigualdades estrutural como violência é uma questão ainda
desconsiderada por uma grande parte da população
Tipos de manifestação da
violência estrutural:
Crianças de ruas,
 Exploração do trabalho infantil e
 Crianças institucionalizadas.
Esse tipo de violência está intimamente
relacionado à questão da desigualdade social.
Donde desigualdade social é uma violência, à qual
reagimos, em geral, como se fosse norma estabelecida pela
natureza da sociedade e contra a qual pouco é possível
fazer.
Violência Urbana
É a violência presente em cada momento do nosso dia:
No trânsito, nos estádios de futebol, nos locais destinados à
diversão e ao lazer boates, shows, salões de baile, dentro do
cinema, no interior de nossa casa, dentro de nossas escolas,
nas ruas da vizinhança (criminalidade).
Presente em todas as classes sociais, desde os bairros
mais sofisticados, até nas favelas.
Conseqüências na paisagem urbana: alterações na
arquitetura, alterações significativas no estilo de vida de
cada cidadão, que alimentado pela cultura do medo
elabora novas formas de relações sociais e novos padrões
éticos.
Com isso, o mundo tornou-se menor e mais limitado, levando a
um isolamento familiar, assegurado atrás de grandes muros e
portões e protegido por uma parafernália eletrônica.
Já nos outros bairros menos favorecidos (periferia e,
principalmente, nas favelas) os cidadãos convivem lado-a-lado
com a violência, realidade cuja proximidade contribui para sua
banalização.
Violência Doméstica
É um tipo de violência que permeia todas as classes como
violência de natureza interpessoal.
É uma violência “intersubjetiva” na qual ocorre:
a)
(...) transgressão do poder disciplinador do adulto
convertendo a diferença de idade, adulto – criança –
adolescente, numa desigualdade de poder intergeracional;
b)
c)
(...) negação do valor de liberdade: ela exige que a criança ou
adolescente sejam cúmplices do adulto, num pacto de silêncio;
(...) um processo de vitimização como forma de aprisionar a
vontade e o desejo da criança ou do adolescente, de submetêla ao poder do adulto a fim de coagi-la a satisfazer os
interesses as expectativas e as paixões deste.
A violência doméstica contra a criança pode se manifestar em
diferentes modalidades, tais como: violência física, violência sexual,
violência psicológica e negligência.
Definição de Violência Doméstica
“Todo ato ou omissão praticado por pais, parentes ou
responsáveis contra crianças ou adolescentes que – sendo
capaz de causar dano físico, sexual e/ou psicológico à vítima –
implica de um lado, numa transgressão do poder / dever de
proteção do adulto e, de outro, numa coisificação da infância,
isto é numa negação do direito que crianças e adolescentes
têm de ser tratados como sujeitos pessoas em condição
peculiar de desenvolvimento”.
Maria Amélia Azevedo (1995).
O sistema familiar é depositório da violência em suas
múltiplas formas: ele vive, reproduz, gera, sofre, mas
também, como mostra a experiência, a família como
sistema é capaz de encontrar novos e diferentes
caminhos para suas dificuldades, que permitam a cada
um de seus membros desenvolver-se de maneira mais
saudável.
(Maldonado, 2003)
Para compreender e intervir nas
situações de Violência...
– A teoria geral dos sistemas fornece conceitos
básicos fundamentais para a compreensão e
intervenção nas interações violentas a saber:
- Circularidade
- Hierarquia
- Seqüências transacionais
- Relação Sistema / Eco-sistema
Circularidade
Há na violência um inter-jogo entre abusadorabusado que constitui um padrão relacional em que
freqüentemente são criados significados que “legitimam”
os atos de violência, ocorrendo uma falsa noção de
igual responsabilidade na interação violenta.
Hierarquia
Apesar da ênfase na circularidade na questão da
violência é fundamental considerar a hierarquia e toda
diferença de poder presente na interação. Daí que a
responsabilidade dos elementos do sistema têm pesos
diferentes na violência.
Seqüências transacionais
Seqüências transacionais refere-se à interação e à troca
de mensagens entre as pessoas que se comunicam;
É importante reconhecer que na convivência as pessoas
interagem e praticam ações que refletem umas nas outras
gerando respostas e criando significados mútuos de
violência;
Compreender a seqüência de atos, gestos, palavras, etc
na comunicação entre as pessoas é o que pode favorecer
a desconstrução dos padrões violentos.
Relação Sistema / Eco-sistema
O mundo é construído nas atividades e inter-relações sociais entre
as pessoas em seu cotidiano, sofrendo múltiplas interferências
Cada sistema, cada família se organiza em função de seu contexto
e de suas experiências.
Cada sistema é único.
Importante considerar no trabalho com famílias os sistemas:
político, econômico, cultural e ideológico
Cada sistema, cada família se organiza em função
de seu contexto e de suas experiências.
Cada sistema é único.
Importância de considerar, no trabalho com famílias
o político, econômico, cultural e ideológico.
Assim, desses princípios apontados deriva uma postura de
multiparcialidade e respeito pelas diferenças, pela diversidade
de formas de ser.
Neste mundo de desigualdade de poder e exclusão esse
respeito se traduz por trabalhar com a re-valorização, o codescobrimento das potencialidades positivas, das forças e
recursos – tendência contra cultural: a sociedade trabalha com
o que falta o que está errado e pretende corrigir com punição.
A transformação da sociedade na qual prevalece a
discriminação e portanto, o principio de exclusão, como
tem sido o caso de mulheres, crianças, idosos, doentes
entre tantos só será possível se levarmos o principio de
não exclusão a todas as práticas à saúde mental.
Estratégias de Trabalho
Realizar Reuniões Sócio-Educativas abordando o tema da
Violência através de abordagens que incluam vivência,
informação, rede de proteção e serviços disponíveis;
Grupos de reflexão com:
Homens violentos;
Pais violentos;
Mulheres abusadas;
Grupos de multi-famílias;
Discutir Temas: Violência Familiar (Física, Sexual
Psicológica, Abandono e Maus tratos), etc.
Construção de redes
Redes locais dos diversos setores públicos
envolvidos: serviço social, judiciário, médico;
Redes pessoais – fortalecer as relações da família
com outros sistemas: família extensa, amigos,
vizinhos, companheiros de trabalho, estudo...
Redes comunitárias – Igreja, Escola, ONGs, Posto
de Saúde, Centros Comunitários, etc...
Bibliografia
Abramovay, M.; Castro, M.G.; Da Silva, L. B. Juventude e Sexualidade.
Brasília: UNESCO-Brasil, 2004.
Acosta, A.R. Vitalle, M.A.F. (orgs). Família: Redes, Laços e Políticas Públicas,
São Paulo, IEE/PUC-SP, 2003.
Carvalho, M. C. B. (Org). A Família Contemporânea em Debate. São
Paulo:Educ, Cortez, 2002.
Santos, J. L. Transformando Nós em Laços. Dissertação Mestrado, PUC-SP,
2006.
Sarti, C. A. A Família como Espelho: Um estudo sobre a Moral dos Pobres.
São Paulo: Cortez, 2003.
Ementa
Esta aula visa sensibilizar os participantes para o trabalho sócioeducativo, buscando fortalecer as potencialidades das famílias em
termos de suas dimensões relacionadas com a vida em família,
família na comunidade e vida de direitos e deveres. Visa o
fortalecimento das relações, dos vínculos familiares de afeto,
cuidado e proteção, de crianças, adolescentes idosos e pessoas
portadoras de deficiência.
OBJETIVOS:
Sensibilizar os participantes com relação às algumas questões concretas da vida no cotidiano que
refletem vulnerabilidades sociais relacionadas a questões de educação, saúde, justiça e lazer.
Visa refletir sobre temas que podem estar presentes na vida das famílias e constituir situações de
crises imprevisíveis e stress, dificultando seu desenvolvimento positivo.
TEMAS:
 Educação de filhos
 Estudo e Trabalho;
 Consumo
 Drogas
 Gravidez na Adolescência;
 Sexualidade
 Violência e Preconceito
•
Método:
•
Aula expositiva com a participação do grupo
•
Dinâmica de apresentação/integração – jogar a bexiga e quem estiver com ela na mão se
apresenta: “Eu sou... E o que mais gosto é...”
•
Material: datashow, flipchart e 2 bexigas por grupo.
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