2ª Conferência da REDE de Língua Portuguesa de Avaliação de Impactos 1° Congresso Brasileiro de Avaliação de Impacto cccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccc Associação Brasileira de Avaliação de Impacto ASPECTOS CONCEITUAIS E METODOLÓGICOS PARA A INTEGRAÇÃO DE SIG E ACV Natalia Crespo Mendes Bacharel em Química, Mestranda do PPGSEP/EESC/USP Paula Madeira Gomes Geógrafa, Mestranda do PPG-SEA/EESC/USP Ana Laura Raymundo Pavan Bióloga, Mestranda do PPG-SEA/EESC/USP Jaqueline Zanin Lima Graduanda do curso de Engenharia Ambiental USP/São Carlos Marcelo Montaño Professor Doutor do Departamento de Hidráulica e Saneamento da EESC/USP Aldo Roberto Ometto Professor Doutor do Departamento de Engenharia de Produção da EESC/USP Produtos e serviços advindos dos setores de agricultura, mineração, silvicultura, construção civil, entre outros apresentam potencial de causar impactos significativos relacionados ao uso da terra, como a diminuição da biodiversidade e alterações sobre a estrutura e a qualidade do solo. No campo da Avaliação de Impacto de Ciclo de Vida (AICV) verifica-se a intensificação no desenvolvimento de metodologias que incorporam a categoria de impacto sobre o uso da terra abordando, por exemplo, a avaliação de alterações na estrutura do solo, a quantificação da área convertida para determinados usos, emissões de gases de efeito estufa, a quantidade de espécies perdidas, etc., sem haver, no entanto, consenso em relação aos parâmetros a serem utilizados na avaliação dos impactos. A integração de Sistemas de Informação Geográfica à AICV vem sendo apontada há mais de uma década como uma prática promissora, contudo, a falta de um padrão de avaliação e de utilização retardam sua implementação na prática. Diante dessa lacuna, o presente trabalho tem como objetivo discorrer sobre o modo como a categoria de impactos associados ao uso da terra vem sendo utilizada na AICV tendo os SIG como elemento de suporte metodológico ao longo de suas diferentes etapas. A partir da revisão da literatura especializada foi possível verificar como as principais abordagens referentes à AICV têm lidado com categorias de impactos relacionados ao uso do solo, concluindo-se que a integração com os Sistemas de Informação Geográfica se coloca como um campo promissor para o desenvolvimento de metodologias compatíveis com o contexto de aplicação. Palavras-chave: Avaliação de Ciclo de Vida (ACV), Sistemas de Informação Geográfica (SIG), uso do solo. ABSTRACT Products and services from the sectors of agriculture, mining, forestry, construction, among others show potential to cause significant environmental impacts related to land use, such as loss of biodiversity and changes on the structure and soil quality. In the field of Life Cycle Impact Assessment (LCIA) there is an intensification in developing methodologies which incorporate the category of land use impact dealing with, for example the evaluation of changes in soil structure, the quantification of area converted Este trabalho foi recebido pela Comissão Cientifica e pertence aos anais do Congresso. O conteúdo do trabalho é de inteira responsabilidade do autor. 2ª Conferência da REDE de Língua Portuguesa de Avaliação de Impactos 1° Congresso Brasileiro de Avaliação de Impacto cccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccc Associação Brasileira de Avaliação de Impacto for certain uses, climate change and the amount of lost species, without, however, consensus related to the parameters to be used in evaluation of the impacts. The integration of Geographic Information Systems (GIS) to the LCIA has been identified for more than a decade as a promising practice, however, the lack of a standard evaluation and utilization delay its implementation in practice. Given this gap, this paper aims to discuss how the impact category associated with land use has been used in LCIA and the GIS as an element of methodological support throughout its different stages. From the review of the literature was verified how the main approaches concerning the LCIA have been dealing with impact categories related to land use, concluding that the integration with GIS stands as a promising field for development methodologies compatible with the application context. Keywords: Life Cycle Assessment (LCA), Geographic Information Systems (GIS), land use. 1 INTRODUÇÃO A avaliação do ciclo de vida (ACV) caracteriza-se como a principal prática para a avaliação dos impactos ambientais relativos ao ciclo de vida de produtos e serviços. Os dados coletados de entradas e saídas de um sistema de produto são transformados em indicadores de impactos, relacionados à saúde humana, meio ambiente e esgotamento de recursos (JRC, 2010). Esta etapa é definida com Avaliação de Impacto do Ciclo de Vida (AICV) e visa o melhor entendimento da significância dos potenciais impactos ambientais. Produtos e serviços advindos dos setores de agricultura, mineração, silvicultura, entre outros, apresentam potencial de causar impactos significativos ao uso da terra, como a diminuição da biodiversidade e alterações sobre a estrutura e a qualidade do solo. Sendo assim, verifica-se a intensificação do estudo da categoria de impacto uso da terra a fim de incorporar os impactos relacionados ao uso e ocupação da terra por atividades desta tipologia. Nesta categoria de impacto, entende-se que as diferenças regionais precisam ser consideradas. Os impactos do uso da terra são altamente dependentes da localização do sistema em estudo. Muitos fatores biogeográficos, como paisagem, padrões climáticos, vegetação e uma variedade de propriedades do solo determinam a gravidade dos efeitos ambientais. Entretanto, a falta de informação e diferenciação da significância dos impactos em relação à sua localização sempre foi apontada como um problema, mas ainda não se tem um consenso sobre métodos mais adequados para incorporar essas diferenças (GEYER et al, 2010). Para tal, entende-se que o uso de Sistemas de Informação Geográfica (SIG) pode atuar como elemento de suporte metodológico a fim de suprir as questões relacionadas ao aspecto espacial dos impactos avaliados na AICV. Pineda (2011) pôde constatar em seu trabalho que o acoplamento ACV-SIG provou ser muito útil para desenvolver métodos para avaliar os impactos ambientais no uso da terra. Sendo assim, o presente trabalho tem como objetivo discorrer sobre o modo como a categoria de impactos associados ao uso da terra vem sendo utilizada na AICV tendo o SIG como elemento de suporte metodológico ao longo de suas diferentes etapas. Este trabalho foi recebido pela Comissão Cientifica e pertence aos anais do Congresso. O conteúdo do trabalho é de inteira responsabilidade do autor. 2ª Conferência da REDE de Língua Portuguesa de Avaliação de Impactos 1° Congresso Brasileiro de Avaliação de Impacto cccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccc Associação Brasileira de Avaliação de Impacto 2 METODOLOGIA De acordo com os objetivos propostos foi realizado um levantamento bibliográfico na base de dados Web of Knowledge utilizando os seguintes strings de pesquisa: LCA AND Land Use; LCA AND GIS; Land Use Impact AND LCA. Inicialmente foram analisados os resumos de forma a incluir no estudo os artigos que consideram o uso da terra como categoria de impacto e/ou que aplicam SIG na ACV. Artigos indisponíveis na íntegra na internet foram excluídos da revisão, bem como aqueles não escritos em língua inglesa ou portuguesa. Para os artigos selecionados, foram definidos os seguintes parâmetros de análise: Conceito de uso da terra utilizado na AICV; Método aplicado na avaliação do uso da terra; Indicadores da categoria; Modelo de caracterização do impacto; Dados de inventário necessários para o cálculo; Ponto final da categoria; Abrangência da validade de aplicação; Local de aplicação; Escopo temporal; Categoria em que o SIG foi utilizado; e Objetivo do uso do SIG; 3 RESULTADOS Para facilitar a compilação das informações na revisão bibliográfica, optou-se por responder às questões deste artigo baseadas nos itens da norma ISO 14040 e ISO 14044, as quais estão apresentadas abaixo juntamente com os resultados coletados. Foram identificadas as principais vertentes de abordagem da categoria de impacto uso da terra, que são apresentados no Quadro 1. Quadro 1: Conceitos de uso da terra utilizados na AICV Conceitos de uso da terra usado na AICV Ocupação e transformação da terra Biodiversidade Degradação da terra devido ao uso antrópico Este trabalho foi recebido pela Comissão Cientifica e pertence aos anais do Congresso. O conteúdo do trabalho é de inteira responsabilidade do autor. 2ª Conferência da REDE de Língua Portuguesa de Avaliação de Impactos 1° Congresso Brasileiro de Avaliação de Impacto cccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccc Associação Brasileira de Avaliação de Impacto Mudanças diretas e indiretas no uso da terra Indicador da categoria mudança climática Na maioria dos estudos, o uso da terra é considerado um recurso natural que está temporariamente indisponível para outros fins. Logo, a categoria está estritamente ligada aos conceitos de ocupação e transformação da terra. (BRENTRUP et al., 2002; VAN DER WERF; PETIT; SANDERS, 2005; BASSET-MENS; LEDGARD; BOYES, 2009; BURATTI; FANTOZZI, 2010; MORAIS; MATA; FERREIRA, 2010; NGUYEN; HERMANSEN; MOGENSEN, 2010; GALLEGO et al, 2011). Outra vertente apresenta o uso da terra relacionado à biodiversidade, considerando o número de espécies afetadas (CANALS; ROMANYA; COWELL, 2007; SCHMIDT, 2008; DE SCHRYVER et al, 2010; BRANDAO; MILA I ANALS; CLIFT, 2011) consideram as funções de suporte a vida e Toffoletto et al (2007) integra os dois conceitos. Lindeijer e Alfers (2001) e Brentrup et al (2004b) avaliam a degradação da terra devido a utilização humana, como por exemplo para a agricultura e indústria. Em alguns estudos o uso do solo não é tratado como uma categoria de impacto, e sim como indicador da categoria mudança climática. Kim, JimenezGonzalez e Dale (2009), Kristensen et al (2011), Lechon, Cabal e Saez (2011) e Reinhardt e Von Falkenstein (2011) consideram o efeito das mudanças do uso do solo nas emissões de gases de efeito estufa. Ainda nessa vertente alguns autores, como Kim, Jimenez-Gonzalez e Dale (2009), Rettenmaier et al (2010) e Notarnicola et al (2012) tratam estes efeitos em mudanças diretas e indiretas, porém muitas vezes as mudanças indiretas não são avaliadas. No Quadro 2 são apresentados os métodos aplicados nos estudos analisados. Quadro 2: Métodos utilizados na AICV Métodos aplicados na AICV CML TRACI EcoIndicator 99 LUCAS EDIP 97 Modelos próprios Este trabalho foi recebido pela Comissão Cientifica e pertence aos anais do Congresso. O conteúdo do trabalho é de inteira responsabilidade do autor. 2ª Conferência da REDE de Língua Portuguesa de Avaliação de Impactos 1° Congresso Brasileiro de Avaliação de Impacto cccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccc Associação Brasileira de Avaliação de Impacto Observa-se que não há um consenso sobre qual metodologia utilizar na avaliação do uso da terra na AICV. Dentre os métodos mais utilizados em estudos de ACV, considerados aqui como tradicionais, Panichelli, Dauriat e Gnansounou (2009), Brandao, Mila I Canals e Clift (2011) e Gallego et al (2011) usaram versões do CML. Já Curran (2004) utilizou o método TRACI em sua avaliação, enquanto Morais, Mata e Ferreira (2010) usaram EcoIndicator 99; Toffoletto et al (2007), o método canadense LUCAS e Nguyen, Hermansen e Mogensen (2010) o EDIP 97. Nos estudos de Nielsen e Hoier (2009) e Knudsen et al (2010) foram utilizados o EDIP 97, Impact 2002 e EcoIndicator 95, porém na avaliação de outras categorias abordadas, não integrando uso da terra como categoria mas sim como uma informação da área ocupada. Muitos autores optam por utilizar modelos próprios ou adaptações de metodologias existentes, como por exemplo, Brentrup et al (2004a), Bovea et al (2007), Schmidt (2008), Buratti e Fantozzi (2010), Liu et al (2010), Lechon, Cabal e Saez (2011), Pfister et al (2011), e Van Middelaar et al (2011). Dentre as metodologias avaliadas foram identificados diferentes indicadores da categoria e modelos de caracterização, apresentados no Quadro 3. Quadro 3: Principais Indicadores da Categoria e Modelos de Caracterização utilizados Produtividade Primária Líquida Riqueza de espécies de plantas vasculares Funções de Suporte a Vida Biodiversidade Indicadores da Categoria Depleção de recursos e impactos ambientais Valorização de recursos naturais Eficiência do uso da terra Este trabalho foi recebido pela Comissão Cientifica e pertence aos anais do Congresso. O conteúdo do trabalho é de inteira responsabilidade do autor. 2ª Conferência da REDE de Língua Portuguesa de Avaliação de Impactos 1° Congresso Brasileiro de Avaliação de Impacto cccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccc Associação Brasileira de Avaliação de Impacto Grau de reabilitação da terra Qualidade da terra Área de ocupação / transformação Tempo de ocupação / restauração Dados usados na caracterização Fator de Caracterização referente à riqueza de espécies Relação entre a vulnerabilidade, riqueza de espécies e escassez inerente do ecossistema Potencial Degradação Natural Liu et al (2010) adota como indicador de categoria a mudança da Produtividade Primária Líquida do ecossistema. No seu modelo de caracterização o cálculo do impacto de ocupação e transformação considera a mudança da qualidade da terra (que é a diferença entre a qualidade da terra natural e ocupada/transformada), a área e duração da ocupação, e o tempo de restauração. Schmidt (2008) utiliza como indicador a riqueza de espécies de plantas vasculares, sendo o modelo baseado em Köellner (2000) a caracterização relacionada à ocupação é calculada pela área (ha) multiplicada pelo tempo (ano) e o fator de caracterização (wS100/ ha ano), onde wS100 se refere a riqueza de espécies em uma área padrão de 100 m². Enquanto que a caracterização para transformação é calculada como área (ha) multiplicada pelo fator de caracterização (wS100/ ha). Já Toffoletto et al (2007) adota Funções de Suporte a Vida dos sistemas naturais e Biodiversidade como indicadores. O primeiro é relacionado diretamente com a Produção Primária Líquida ao longo do tempo e o segundo ligado à riqueza de espécies de plantas vasculares (SR); escassez inerente do ecossistema (ES); e vulnerabilidade do ecossistema (EV). Assim, para Biodiversidade o cálculo será a multiplicação de nSR, nES e nEV , sendo n o fator de normalização. Da mesma maneira, Pfister et al (2011) utiliza tais indicadores em seu estudo. Brentrup et al (2004a) utiliza como indicador a depleção de recursos (RDI) e impactos ambientais (EcoX) e fatores de caracterização são calculados como Potencial Degradação Natural (NDP), sendo o cálculo separado por região biogeográfica. O estudo adota o conceito de Hemerobia, assim como o trabalho de Buratti e Fantozzi (2010). Os indicadores utilizados por Bovea et al (2007) são a valorização de recursos naturais (%): material comercializado (m³) / Volume total extraído anualmente (m³) x 100; eficiência de uso da terra (m³/m²): quantidade total do produto comercial (m³) / Este trabalho foi recebido pela Comissão Cientifica e pertence aos anais do Congresso. O conteúdo do trabalho é de inteira responsabilidade do autor. 2ª Conferência da REDE de Língua Portuguesa de Avaliação de Impactos 1° Congresso Brasileiro de Avaliação de Impacto cccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccc Associação Brasileira de Avaliação de Impacto área utilizada (m²); e grau de reabilitação da terra (%): área reabilitada (m²) / área ocupada (m²)x100. Para Nielsen e Hoier (2009), Buratti e Fantozzi (2010) e Gallego et al (2011) o impacto dessa categoria é indicado pela relação entre a área e o tempo de ocupação. Já Nguyen, Hermansen e Mogensen (2010) e Dekker et al (2011) incluem a quantidade de produto nesta relação. Em alguns estudos de AICV no setor da agricultura é levado em conta o teor de matéria orgânica do solo como indicador de Funções de Suporte a Vida (CANALS; ROMANYA; COWELL, 2007; GARRIGUES et al 2012). Portanto, para realizar os cálculos, nota-se que na maioria dos casos os principais dados de inventário necessários na AICV são área e tempo de ocupação, área transformada e tempo de restauração (SCHMIDT, 2008; PFISTER et al, 2011). Além destes, ainda destaca-se como dados do inventário Produtividade Primária Líquida, número de espécies afetadas (LIU et al, 2010). Em alguns estudos observase a necessidade de dados como o volume de ocupação, área reabilitada e teor de matéria orgânica no solo (GARRIGUES et al, 2012). Com relação ao ponto final da categoria, Garrigues et al (2012) classifica o mecanismo ambiental em seu trabalho em: Qualidade do solo e Uso do Solo como o ponto intermediário e os pontos finais: Danos a Saúde humana, Danos à diversidade do ecossistema e Escassez de recursos. Já Liu et al (2010) considera Danos ao ecossistema como ponto final da categoria. Em alguns casos foi considerada como midpoint, por exemplo, por Schmidt (2008). Muitos estudos avaliados não indicam uma classificação. Quanto à abrangência de validade de aplicação, foi possível identificar estudos cuja abrangência se refere à apenas um país, como por exemplo, Liu et al (2010) o qual realiza a AICV na China com um método de validade de aplicação especÍfica para este país e Toffoletto et al (2007) que apresenta o método LUCAS de abrangência de validade específica para o Canadá, tendo executado a aplicação no mesmo país. Métodos de validade de aplicação global foram utilizados por Schmidt (2008) e Pfister et al (2011) sendo que o primeiro realizou uma análise de âmbito mundial, enquanto o segundo aplicou na Dinamarca, Malásia e Indonésia. Brentrup et al (2002) utilizaram um método de validade de aplicação regional em sua aplicação na Europa. A figura 1 ilustra os países em que houve aplicação da ACV, incluindo os estudos que não definiram a validade de aplicação dos métodos. Esses últimos foram realizados na Inglaterra (BRENTRUP et al, 2004b), Espanha (BOVEA et al, 2007; CANALS; ROMANYA; COWELL, 2007; GALLEGO et al, 2011; LECHON; CABAL; SAEZ, 2011), Holanda (SLEESWIJK et al, 2008; DEKKER et al, 2011; VAN MIDDELAAR et al, 2011), Nova Zelândia (BASSET-MENS; LEDGARD; BOYES, 2009), China (KNUDSEN et al, 2010), Alemanha (NIELSEN; HOIER, 2009), Itália (BURATTI; FANTOZZI, 2010), Argentina (PANICHELLI; DAURIAT; GNANSOUNOU, 2009), Estados Unidos (MILLER, 2010) e ainda a União Europeia (NGUYEN; HERMANSEN; MOGENSEN, 2010). Este trabalho foi recebido pela Comissão Cientifica e pertence aos anais do Congresso. O conteúdo do trabalho é de inteira responsabilidade do autor. 2ª Conferência da REDE de Língua Portuguesa de Avaliação de Impactos 1° Congresso Brasileiro de Avaliação de Impacto cccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccc Associação Brasileira de Avaliação de Impacto Figura 1- Aplicação da ACV utilizando a categoria Uso da terra e/ou SIG Nota-se uma concentração maior de estudos na Europa, na América do Norte, apenas um na América do Sul e não foram encontrados trabalhos aplicados no continente Africano. Na maioria dos trabalhos avaliados foi possível observar que o escopo temporal mais adotado foi de um ano. Nos trabalhos em que o SIG foi utilizado, observa-se uma maior concentração da aplicação no uso da terra relacionado à categoria mudança climática (emissão de CO2). Também foi constatado sua utilização na categoria desertificação e biodiversidade (GEYER et al, 2010; NUÑEZ et al, 2010). Mutel, Pfister e Hellweg (2011) utilizaram o SIG em mais de uma categoria, sendo elas saúde humana, eutrofização, acidificação, consumo de recursos e danos ao ecossistema. Quadro 4: Categorias de Impacto em que o SIG foi utilizado Categorias em que o SIG foi aplicado Mudança climática Desertificação e Biodiversidade Saúde Humana Eutrofização Este trabalho foi recebido pela Comissão Cientifica e pertence aos anais do Congresso. O conteúdo do trabalho é de inteira responsabilidade do autor. 2ª Conferência da REDE de Língua Portuguesa de Avaliação de Impactos 1° Congresso Brasileiro de Avaliação de Impacto cccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccc Associação Brasileira de Avaliação de Impacto Acidificação Consumo de recursos Danos ao ecossistema A integração de Sistemas de Informação Geográfica à AICV vem sendo apontada há mais de uma década como uma prática promissora (BENGTSSON et al, 1998), contudo, a falta de um padrão de avaliação e de utilização retardam sua implementação na prática. Neste trabalho, foi possível observar que o SIG vem sendo utilizado principalmente para gerar dados relativos a áreas ocupadas por culturas agrícolas (GEYER et al, 2010; GASOL, 2011). Também se observou seu uso para calcular a distância espacial, como por exemplo em Blengini e Garbarino (2010) que fazem uma análise espacial da coleta e transporte de resíduos da construção civil para avaliar as diferentes opções de plantas de reciclagem. Gasol et al (2010) analisam a nível local a distância entre usinas de energia e as áreas de cultivo a fim de comparar a redução da emissão de CO2 entre a utilização de gás natural e biomassa. Os estudos geralmente não produzem dados geográficos primários e sim utilizam dados já existentes da área de estudo. A integração entre SIG e ACV tende a se tornar ainda maior com o avanço no entendimento da categoria de impacto uso do solo e a difusão de seu uso em diferentes produtos e não apenas naqueles relativos à agricultura. Syrrakou, Yanoulis e Skordilis (2001) enfatizam que a aplicação de SIG para a ACV possibilita considerar informações específicas regionais além de otimizar a AICV, em especial o gerenciamento do fim da cadeia do produto. Os autores também dão exemplos de informações fornecidas pelo SIG que podem ser utilizadas na ACV de aterros sanitários, como por exemplo, condições edafoclimáticas e distância das áreas residenciais, aeroportos; e sistemas fotovoltaicas, sendo depósito de matérias primas, distância da fábrica, combustível por km/rodado, risco da escavação à saúde humana e ao meio. 4 CONCLUSÃO A categoria de impacto uso da terra está sendo utilizada pelos praticantes da ACV em três vertentes principais: indicador da categoria mudança climática, biodiversidade e o uso da terra enquanto recurso natural temporariamente indisponível para outros fins. Em relação aos métodos, ainda não há um consenso sobre qual utilizar ou mesmo como aplicar para tal categoria. A integração de SIG e ACV acontece a medida que o primeiro atue como elemento metodológico respondendo as questões relacionadas à espacialidade dos impactos estudados e preenchendo a lacuna referente a homogeneização dos impactos no ambiente realizada atualmente pela ACV. Constatou-se que a integração de diferenças regionais na AICV será imensamente facilitada com a atuação conjunta com o SIG. Este trabalho foi recebido pela Comissão Cientifica e pertence aos anais do Congresso. O conteúdo do trabalho é de inteira responsabilidade do autor. 2ª Conferência da REDE de Língua Portuguesa de Avaliação de Impactos 1° Congresso Brasileiro de Avaliação de Impacto cccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccccc Associação Brasileira de Avaliação de Impacto AGRADECIMENTOS Este trabalho é financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) – MCT/CNPq nº 14/2011. As autoras Natália, Ana Laura Pavan e Paula Madeira Gomes agradecem a CAPES e a FAPESP pela bolsa de estudos concedida para o desenvolvimento do mestrado. REFERÊNCIAS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (2001). NBR ISO 14040 Gestão Ambiental – Avaliação do ciclo de vida – Princípios e estrutura. Brasil: ABNT. Novembro. 10p. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (2001b). NBR ISO 14040 Gestão Ambiental – Avaliação do ciclo de vida – Princípios e estrutura. Brasil: ABNT. Novembro. 10p. BASSET-MENS, C.; LEDGARD, S.; BOYES, M. Eco-efficiency of intensification scenarios for milk production in New Zealand. Ecological Economics, v. 68, n. 6, p. 1615-1625, Apr 2009. ISSN 0921-8009. Disponível em: < <Go to ISI>://WOS:000265341600008 >. BENGTSSON, M. An approach for handling geographical information in life cycle assessment using a relational database: Elsevier. 61: 67-75 p. 1998. BLENGINI, G. A.; GARBARINO, E. 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