UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU INSTITUTO A VEZ DO MESTRE ARTE E LINGUAGEM TEATRAL NO CICLO I Por: Ana Laura da Silva Orientador: Profª. Fabiane Muniz Co-orientadora: Profª. Narcisa Castilho Melo São Paulo 2010 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU INSTITUTO A VEZ DO MESTRE ARTE E LINGUAGEM TEATRAL NO CICLO I Apresentação de monografia ao Instituto A Vez do Mestre – Universidade Candido Mendes como requisito parcial para obtenção do grau de especialista em Arteterapia em Educação Por: Ana Laura da Silva 2 AGRADECIMENTOS A todos os amigos, Alunos e professores que participaram desta jornada. Em especial a Profª. Leila I Miazaki minha maior colaboradora 3 DEDICATÓRIA aos professores e alunos que fizeram parte desta pesquisa, e a todos que se esforçam por uma educação de qualidade. 4 RESUMO O presente trabalho intitulado: Arte e linguagem teatral nas séries iniciais da Educação Básica apresenta os principais resultados obtidos no trabalho de pesquisa do curso de Especialização de Arteterapia em Educação com crianças de 7 a 11 anos de idade, da Escola Estadual Jornalista Professor Emir Macedo Nogueira, localizado na periferia da zona leste de São Paulo, aliando teatro, artes plásticas e alfabetização. Foi trabalhado durante o ano letivo em parceria com as professoras de alfabetização, em particular a Professora Leila I. Miazaki. Precisa-se elucidar primeiramente o que é Arte-terapia: conforme Sara Jarreau: Ainda que a noção de “arte-terapia” geralmente inclua qualquer tratamento psicoterapêutico que utiliza como mediação a expressão artística (dança, teatro, música,etc.),é uma forma lúdica de mobilizar processos internos conflitivos, facilitando a estrutura e expansão da personalidade, a compreensão do sujeito. Foram trabalhadas as dificuldades que alguns alunos apresentavam em entender a sonorização das letras, suas semelhanças e diferenças. Foram trabalhadas: a coordenação motora das crianças, a coordenação viso-motora, a noção espacial, a noção espaço temporal, noção de lateralidade, sensibilidade estética, codificação e decodificação de signos E assim ajudou-se na formação do entendimento da junção das letras a formação das palavras, ou seja na alfabetização das mesmas de forma lúdica. “Todas as crianças têm uma imaginação em profundidade que as faz pressentir riquezas secretas no interior das coisas” Simone de Beauvoir 5 METODOLOGIA A elaboração deste projeto visou fazer com que o aluno descobrisse e desenvolvesse seu senso crítico, sua iniciativa e sua criatividade, ampliando seu repertório cultural, conhecendo diversos tipos de linguagens e manifestações artísticas. A construção desse foi democrática e interagiu com a atuação Professor/Aluno e Professor/Professor sendo trabalhado com as professoras responsáveis pela alfabetização da sala, objetivando soluções e melhoria de qualidade do ensino/aprendizagem, elevando seu padrão e refletindo na prática cotidiana, construindo a efetiva aprendizagem do aluno e melhorando sua autoestima. Lembrando que todo conhecimento é digno de ser assimilado para que possamos cada vez mais, aprimorar a nossa condição humana. Vygotsky enfatiza a ligação entre as pessoas e o contexto cultural em que vivem e são educadas. De acordo com ele, as pessoas usam instrumentos que vão buscar à cultura onde estão imersas e entre esses instrumentos tem lugar de destaque a linguagem, a qual é usada como mediação entre o sujeito e oambiente social. A internalização dessas competências e instrumentos conduz à aquisição de competências de pensamento mais desenvolvidas, constituindo o cerne do processo de desenvolvimento cognitivo. Foi trabalhado como forma de autoconhecimento o reconhecimento o ambiente que os circundam , suas famílias, a comunidade aonde estão inseridos, seus vizinhos, amigos, a escola como fonte de inspiração, aprimorando a observação e a criatividade. Foi levada em consideração a bagagem cultural do aluno e seus familiares, seus costumes e vivencias a realidade social na qual estão inseridos e suas necessidades. Todo o trabalho foi realizado durante os anos de 2006 e 2007 na Escola Estadual Jornalista Professor Emir Macedo Nogueira, localizada a Rua Iaçapé, 322 , 6 Parque Santa Madalena - região leste de São Paulo; com a aprovação da Diretora Tânia Todoroff, da vice diretora Maria do Carmo . A presente pesquisa teve apoio incondicional das professoras de 1ª a 4ª séries em especial a Professora Leila I. Miazaki, que foi minha companheira durante todo o processo. Foi feita a pesquisa através da bibliografia citada, formulou-se um roteiro de trabalho, definindo situações que criaríamos para realizar a proposta de facilitação do processo de alfabetização das crianças que naquele momento ainda não tinham se apropriado da leitura e escrita, e ampliar o repertório cultural daquelas que já sabiam ler e escrever. Levamos as crianças a terem contanto com diversos sons através da atividade som natural e cultural, com CDs , vídeos do nosso folclore, de musicas regionais, cultura popular; também tiveram contato direto com apresentações teatrais ao vivo e gravadas(na sala de vídeo) ; e em sala de aula, confeccionaram fantoches de meia para depois, com seus pares criarem o agrupamento das letras através de seus bonecos criando histórias e sons que facilitaram no entendimento fonético das palavras e de como poderiam ser escritas. Foram trabalhadas diversas imagens, obras de arte e com elas pediu-se que as crianças realizassem uma leitura, aonde se pode notar que os elementos ali notados, mostraram claramente a capacidade de percepção de cada um. Cenas de O Retirante de Portinari, por exemplo, recebeu vários comentários sobre a tristeza, a pobreza, e as emoções que eles deveriam estar sentindo por estarem naquela situação. 7 Os Retirantes – Portinari Em outras oportunidades foram colocadas as obras de renomados artistas nacionais e internacionais para serem estudados, relidos e tudo tranformado em criação artística por nossos alunos. Em todos momento trabalho-se com a ludicidade. É brincando que se aprende... O lúdico tem sua origem na palavra latina "ludus" que quer dizer "jogo".Se se achasse confinado a sua origem, o termo lúdico estaria se referindo apenas ao jogar, ao brincar, ao movimento espontâneo. A evolução semântica da palavra "lúdico", entretanto, não parou apenas nas suas origens e acompanhou as pesquisas de Psicomotricidade. O lúdico passou a ser reconhecido como traço essencial de psicofisiologia do comportamento humano. De modo que a definição deixou de ser o simples sinônimo de jogo. As implicações da necessidade lúdica extrapolaram as demarcações do brincar espontâneo. Passando a necessidade básica da personalidade, do corpo e da mente. O lúdico faz parte das atividades essenciais da dinâmica humana. Caracterizando-se por ser 8 espontâneo funcional e satisfatório. Sendo funcional: ele não deve ser confundido com o mero repetitivo, com a monotonia do comportamento cíclico, aparentemente sem alvo ou objetivo. Nem desperdiça movimento: ele visa produzir o máximo, com o mínimo de dispêndio de energia. Segundo Luckesi são aquelas atividades que propiciam uma experiência de plenitude, em que nos envolvemos por inteiro, estando flexíveis e saudáveis. Para Santin, são ações vividas e sentidas, não definíveis por palavras, mas compreendidas pela fruição, povoadas pela fantasia, pela imaginação e pelos sonhos que se articulam como teias urdidas com materiais simbólicos. Assim elas não são encontradas nos prazeres estereotipados, no que é dado pronto, pois, estes não possuem a marca da singularidade do sujeito que as vivencia. Na atividade lúdica, o que importa não é apenas o produto da atividade, o que dela resulta, mas a própria ação, o momento vivido. Possibilita a quem a vivencia, momentos de encontro consigo e com o outro, momentos de fantasia e de realidade, de ressignificação e percepção, momentos de autoconhecimento e conhecimento do outro, de cuidar de si e olhar para o outro, momentos de vida. Uma aula com características lúdicas não precisa ter jogos ou brinquedos. O que traz ludicidade para a sala de aula é muito mais uma "atitude" lúdica do educador e dos educandos. Assumir essa postura implica sensibilidade, envolvimento, uma mudança interna, e não apenas externa, implica não somente uma mudança cognitiva, mas, principalmente, uma mudança afetiva. A ludicidade exige uma predisposição interna, o que não se adquire apenas com a aquisição de conceitos, de conhecimentos, embora estes sejam muito importantes. Uma fundamentação teórica consistente dá o suporte necessário ao professor para o entendimento dos porquês de seu trabalho. Trata-se de ir um pouco mais longe ou, talvez melhor dizendo, um pouco mais fundo. Trata-se de formar novas atitudes, daí a necessidade de que os professores estejam envolvidos com o processo de formação de seus educandos. Isso não é tão fácil, pois, implica romper com um modelo, com um padrão já instituído, já internalizado. 9 SUMÁRIO INTRODUÇÃO 11 CAPITULO I – Sobre o teatro 13 CAPITULO II – Teatro e Arteterapia 19 CAPÍTULO III - Atividades desenvolvidas e seus resultados 22 CAPÍTULO IV - Sugestões de atividades 28 CAPÍTULO V - Resultados Obtidos 36 CAPÍTULO VI - Fotos do processo de criação e apresentações 39 CONCLUSÃO 46 ANEXOS 48 BIBLIOGRAFIA 63 10 INTRODUÇÃO O que os alunos são capazes de fazer? Quais os padrões desejáveis que deveriam ser atingidos para que os alunos desenvolvam as competências e habilidades básicas exigidas para a aquisição da leitura e escrita? O que caracteriza o real aprendizado e a aquisição da leitura e escrita? Em que o teatro educação pode ajudar nessa aquisição? Devemos começar especificando o que é e qual a origem do teatro: De acordo com a pesquisa realizada no site www.kliceducacao.com.br Encontramos a definição: teatro nasceu dos rituais realizados nas sociedades primitivas, as quais acreditavam que as danças imitativas propiciavam poderes sobrenaturais que controlavam os fatos, como a fertilidade da terra e o sucesso em batalhas. Nos primórdios, a teatralidade também foi usada para exorcizar os maus espíritos. ...Já no Brasil o teatro originou-se com as representações de catequização dos índios. As peças, com conteúdos didáticos, procuravam traduzir a crença cristã para a cultura indígena. A Companhia de Jesus, ordem que se encarregou da expansão da crença pelos países colonizados, encenou as primeiras peças desse tipo no país. Os autores eram o Padre Joséde Anchieta e o Padre Antônio Vieira. Entendemos que desde a colonização o teatro desempenhava importante papel na sociedade , ajudava na”educação” que se pretendia dar as pessoas e obteve muita eficiência nesse processo. Claro que guardada as devidas distâncias de tempo e espaço, conseguimos avanços notáveis na aquisição da leitura e escrita , aliando o teatro e a alfabetização. Este trabalho apresenta os principais resultados obtidos durante o ano letivo, suas principais contribuições a facilitação na aquisição da leitura e escrita 11 Para isso, apresentamos inicialmente um rápido balanço sobre a situação das dificuldades sentidas pelos alunos: quando chegam a escola , principalmente as crianças que não fizeram o pré, tem muita dificuldade até mesmo para pegar no lápis. Não tem coordenação motora fina e nem senso de direção. Para que este quadro melhorasse foram propostos exercícios de coordenação motora pela professora da sala, utilizado o quadro negro e o caderno. Em arte foi trabalhado o espaço pessoal e global e diversos exercícios de expressão corporal aonde os alunos foram convidados a dar forma aos sentimentos, exploraram a expressões de medo, alegria, dor, insegurança, dúvida, raiva etc e através deste exercíco concluíram que todos “sentem mais ou menos igual” ( palavras de um dos alunos da 1ª séria A – da professora Leila) Por fim, apresentamos breves comentários a respeito das atividades utilizadas em sala de aula que tiveram resultado positivo na aquisição do letramento. 12 CAPITULO I Sobre o teatro: É comum ouvirmos dizer que o teatro começou na Grécia, há muitos séculos atrás. No entanto, existem outros exemplos de manifestações teatrais anteriores aos gregos. • Na China antiga, o budismo usava o teatro como forma de expressão religiosa. • No Egito, um grande espetáculo popular contava a história da ressurreição de Osíris e da morte de Hórus. • Na Índia, se acredita que o teatro tenha surgido com Brama. • E nos tempos pré-helênicos, os cretenses homenageavam seus deuses em teatros, provavelmente construídos no século dezenove antes de Cristo. Através desses exemplos, pode-se perceber uma origem religiosa para as manifestações teatrais, embora ninguém saiba ao certo como e quando surgiu o teatro. Provavelmente nasceu junto com a curiosidade do homem, que desde o tempo das cavernas já devia imaginar como seria ser um pássaro, ou outro bicho qualquer. De tanto observar, ele acabou conseguindo imitar esses bichos, para se aproximar deles sem ser visto numa caçada, por exemplo. O próximo passo: O homem primitivo deve ter encenado toda essa caçada para seus companheiros das cavernas só para contar a eles como foi, já que não existia ainda linguagem como a gente conhece hoje. Isso tudo era teatro, mas ainda não era um espetáculo. 13 Muito provavelmente, o espetáculo de teatro só foi aparecer quando os rituais entraram em cena! Santo Teatro! Ao contrário do que se costuma ver hoje em dia em comédias, por exemplo, que apresentam estruturas debochadas, de riso fácil etc., o teatro nasce sagrado. acreditava-se que, por meio de rituais (encenações), era possível invocar aos deuses e as forças da natureza para fazer chover, tornar a terra mais fértil e as caças mais fáceis, ou deixar os desastres naturais bem longe de sua comunidade. destes rituais envolviam o cantos, as danças e as encenações de histórias dos deuses, que assim deveriam ficar felizes com a homenagem e ser bonzinhos com os homens. Ainda hoje, muitas espécies de teatro, especialmente no Oriente, ainda são ligados ao sagrado, e encenam histórias de deuses há milênios, porém, foi no ocidente, que um tipo especial de teatro surge a partir destes mesmos rituais: o Teatro Grego. A palavra "Teatro" significa um genero de arte e tambem uma casa, ou edifício, em que são representados vários tipos de espetáculos. A palavra provém da forma grega "Theatron", derivada do verbo "ver"(theaomai) e do substantivo "vista"(thea), no sentido de panorama. Do grego, passou para o latim com a forma de "Theatrum" e, através do latim para outras línguas, inclusive a nossa. Porém, o teatro não é uma invenção grega, espalhada pelo resto do mundo. É uma manifestação artística presente na cultura de muitos povos e se desenvolveu espontaneamente em diferentes latitudes, ainda que, na maioria dos casos, por imitação. Antes mesmo do florescimento do teatro grego na antiguidade, a civilização egípcia tinha nas representações dramáticas uma das expressões de sua cultura. Essas representações tiveramorigem religiosa, sendo destinados a exaltar as principais divindades da mitologia egípcia, principalmente Osíris e Ísis. Três mil de duzentos anos antes de cristo já existiam tais representações teatrais. E foi do Egito que elas passaram para a Grécia, onde o teatro teve um florescimento admirável, graças á genialidade 14 dos dramaturgos gregos. Para o mundo ocidental, a grecia é considerada o berço do teatro, ainda que a precedência seja o Egito. No continente asiático o teatro também existia, com outras características, que ainda hoje o singularizam. Na china, por exemplo, o teatro foi estabelecido durante a dinastia Hsia, que se prolongou do ano 2205 ao ano 1766 antes da era cristã. Portanto, o teatro chinês é o segundo, cronologicamente, antes mesmo do teatro grego. Como no Egito, surgiu também com características rituais. Mas além das celebrações de caráter religioso, passaram também a ser evocados os êxitos militares e outros acontecimentos. Assim, as procissões e danças foram cedendo lugar á forma dramática. A Índia começou a desenvolver seu teatro cinco séculos antes da era cristã, depois do aparecimento de seus poemas egípcios Mahabharata e Ramayana, que são as grandes fontes de inspiração dos primeiros dramaturgos indianos. Países tão distantes como a Coréia e o Japão, mesmo sem contatos com o mundo ocidental, desenvolveram ao seu modo formas próprias de teatro a Coréia ainda antes da era cristã e o Japão durante a Idade Média (o primeiro dramaturgo japonês, o sacerdote Kwanamy Kiyotsugu, viveu entre os anos de 1333 e 1384 da era cristã).A origem do teatro remonta ás primeiras sociedades primitivas que acreditavam que a dança imitativa trazia poderes sobrenaturais e controlava os fatos necessários à sobrevivência (fertilidade da terra, casa, sucesso nas batalhas, etc.). Estas mesmas danças eram feitas para exorcizar os maus espíritos. Portanto, a conclusão de historiadores aponta que o teatro, em suas origens, possuia carater ritualistico.Com o desenvolvimento do domínio e o conhecimento do homem em relação aos fenômenos naturais, o teatro foi aos poucos deixando suas características ritualísticas, dando lugar às ações educativas. Ee um estagio de amior desenvolvimento, o teatro passou a ser o lugar de representação de lendas relacionadas aos deuses e herois.O teatro ou a arte de representar floresceu em terrenos sagrados à sombra dos templos, de todas as crenças e em todas as épocas, na Índia, Egito, Grécia, China, entre outras nações e nas igrejas da Idade Média. Foi a forma que o homem descobriu para manifestar seus sentimentos de amor, dor e ódio. 15 São quatro os principais gêneros dramáticos conhecidos: • A tragédia, nascida na Grécia, segue três características: antiga, média e nova. É a representação viva das paixões e dos interesses humanos, tendo por fim a moralização de um povo ou de uma sociedade. • A comédia representa os ridículos da humanidade ou os maus costumes de uma sociedade e também segue três vertentes: a política, a alegórica e a moral. • A tragicomédia é a transição da comédia para o drama. Representa personagens ilustres ou heróis, praticando atos irrisórios. • O drama (melodrama) é representado acompanhado por música. No palco, episódios complicados da vida humana como a dor e a tristeza combinados com o prazer e a alegria. O teatro, expressão das mais antigas do espírito lúdico da humanidade, é uma arte cênica peculiar, pois embora tome quase sempre como ponto de partida um texto literário (comédia, drama, e outros gêneros), exige uma segunda operação artística: a transformação da literatura em espetáculo cênico e sua transformação direta com a platéia. Assim, por maior que seja a interdependência entre texto dramático e o espetáculo, o ator e a cena criam uma linguagem específica e uma arte essencialmente distinta da criação literária. A arte dos atores e do diretor de cena não sobrevive á representação; os textos ficam. Podemos dizer também que o teatro é a arte da transformação, sempre modifica quem de certa forma participa ou interage com ele. Sendo como agente construtor de personagens ou receptor dos mesmo, tem nos dias atuais sua importância ligada a cultura e a educação de nossas crianças. Sabemos que a teatralidade encontra-se presente em todas as esferas da vida social. Mas o que entendemos por teatralidade? Sem pretender aprisionar as múltiplas significações da teatralidade em um único e exclusivo sentido, vamos pensar a teatralidade como uma modalidade da comunicação cênica ou comunicação corporal. 16 Comunicar pressupões intencionalidade por parte de quem comunica, isto e, vontade deliberada de instaurar um processo interativo com os receptores aos quais se destinam os enunciados ou “mensagens”. A comunicação cênica (corporal) desempenha um importante papel em nossas vidas. Podemos nos perguntar: Qual o papel da comunicação cênica no nosso dia-adia? O que se aprende coma prática da comunicação cênica no faz-de-conta infantil, nos jogos teatrais e na atividade teatral de formato cênico invariante no âmbito do ensino de arte (teatro) ao longo da escolarização? Podemos dizer que o faz-de-conta infantil é um aspecto cotidiano da comunicação cênica, em razão de essa brincadeira ocorrer mutio frequentemente. Basta observarmos ao redor, com atenção, crianças brincando. O faz-de-conta infantil é uma modalidade lúdica do agir como se fossemos outra pessoa. Lúdica, porque desenvolvida para a obtenção desinteressada do prazer, ou seja, sem qualquer objetivo funcional de natureza pragmática. Este faz-de-conta é uma brincadeira que conduz o aprendizado social e, consequentemente, implica desenvolvimento cultural. Ao fazer-de-conta, as crianças emprestam não apenas sentido a suas ações corporais, mas redescobrem o significado cultural da infância e de “ser” criança. Trata-se de uma atividade humana de construção social e conjunta de sentidos que requer cumplicidade e cooperação, para a existência mesma da infância. A importância do faz-de-conta para o desenvolvimento de modos culturais de atuação por parte das pessoas tem sido demonstrada em numerosos estudos informados pelos saberes da psicologia e da pedagogia contemporâneas ( Japiassu 2000 e 2003). 17 CAPITULO II TEATRO E ARTETERAPIA A Arte-Terapia é um tipo de psicoterapia que utiliza a expressão artística como instrumento terapêutico: cantar, dançar, desenhar, pintar, esculpir, recitar, representar e escrever são desde sempre expressões humanas primordiais. Os diversos meios utilizados permitem ao inconsciente expressar-se e revelar aquilo que até então não era consciente, facilitando e enriquecendo o processo terapêutico. Recorrer às metáforas e ao simbólico através da expressão artística permite aos pacientes com alguma resistência a expressão verbal , uma possibilidade de mostrarem os seus sentimentos de uma maneira alternativa e de certa forma divertida, facilitando assim uma reparação das problemáticas. A Arteterapia é similar aos processos terapêuticos psicanalíticos, porque em sua metodologia utiliza-se em parte a livre associação das ideias e a expressão espontânea. Por esta razão,podemos associar a Arte-Terapia ao teatro, trnaformando os em um lugar para se dar aulas, enriquecer as aulas, e transpor os obstaculos que encontramos no decorrer do processo pedagogico. É uma verdadeira “ferramenta” terapêutica de busca sobre si mesmo, que pode ser A 1º) praticado tanto Arte-Terapia em sessões funciona O individuais em como três em grupo. níveis: Lúdico “Criar brincando e brincar criando” poderia ser o lema desse nível, que visa fazer renascer e descobrir dentro de si a capacidade inerente de criatividade. Tomar contacto com os próprios dons e brincar como crianças, permite-nos 18 estar no “aqui 2º) e O agora”. Terapêutico Os atos simbólicos e criativos provocam uma verdadeira libertação emocional que age nos níveis físico, psicológico e energético. O atelier recria um espaço de segurança, onde a pessoa se dá o direito de através do ato criativo agir em sintonia na totalidade do seu ser. Sua ação é múltipla, permitindo entre outras coisas, uma melhor expressão das suas emoções e sentimentos, o estímulo da imaginação e da criatividade, o aumento da auto-estima e da confiança e também a capacidade de expressão, que proporciona um melhor conhecimento de nós mesmos,dos outros, das nossas limitações, e de comos supera-las. 3º) O Transformador A arte terapêutica associa o processo de evolução psicológica com a criação artística. Devemos então considerar que a arte e o ato criativo tomam suas origem dentro do corpo (comparado ao magma original), como uma pulsão que nos religa a nossa parte arcaica e a nossa dimensão universal que chamamos de Tudo, Deus, Guia... Dentro da nossa psique, C.G Jung denominou-a de “Si Mesmo” (ver texto C.G.Jung). Podemos então fazer uma analogia interessante entre o ato criativo e o processo alquímico, usando-o como uma metáfora psicológica aplicável ao ato criativo. A transmutação alquímica efetua-se sobre a matéria (Prima Matéria) para se poder criar a obra (Opus), a qual passará por diversos estágios transformadores do processo alquímico : calcinatio, solutio, coagulatio, sublimatio, entre outros. De um ponto de vista psicológico, podemos considerar a Prima Matéria a nossa Sombra, onde se esconde nossas pulsões arcaicas, conflitos, medos, complexos, etc. A Obra (alquímica e/ou artística) encontra sua fonte dentro da Sombra (Prima Matéria) para que seja transformada, de maneira a produzir a Obra e alcançar aquilo a que os alquimistas chamavam de Lapis: a Pedra Filosofal. 19 A Obra é de fato, todo o processo criativo de transformação para atingir a “produção”final. Por sua vez, a Obra Artística permite transformar nossas pulsões arcaicas e convertê-las em materia pura. É o momento da sublimação. Podemos concluir então, que a Obra terminada contém também a Prima Matéria. A simultaneidade da causa e efeito encontram-se reunidos dentro do Lapis, mas também dentro do ser que terá produzido esta Obra . Podemos então dizer que a Arte-Terapia proporciona a Transformação. De acordo com a abordagem Junguiana e Transpessoal , a arte permite um contato direto com o inconsciente e o mundo dos arquétipos. Devendo portanto ser integrada ao teatro pedagogico para atraves do ludico induzido encontrarmos as respostas para as dificuldades de internalização de alguns simbolos pelas crianças que não conseguiram entender o que foi ensinado de forma tradicional, revertendo em aprendizado o que era dispersão em sala de aula. 20 CAPÍTULO III ATIVIDADES DESENVOLVIDAS E SEUS RESULTADOS “A Arte é um meio para a liberdade, a liberação da mente humana, que é o objetivo real e ultimo de toda educação” ( Ingrid Dormien Koudela) Descrevemos algumas atividades que tenham feito com que os alunos descobrissem e desenvolvessem seu senso crítico, sua iniciativa e sua criatividade, ampliando seu repertório cultural, conhecendo diversos tipos de linguagens e manifestações artísticas. Para que se tornem conscientes da forma estética, todos tem de ter contato com a arte e passar a produzi-la. Aprender por meio da experiência. A construção de personagens a partir da realidade do aluno foi o primeiro passo, sempre abusando do aspecto lúdico, todos foram convidados a representar uma figura importante em suas vidas: pai, mãe, avô, professor etc... Depois pedimos para que todos invertessem os papéis com seus pares, se colocando no lugar do outro. Foi trabalhado como forma de autoconhecimento o reconhecimento do ambiente que o circunda como fonte de inspiração, tendo o teatro como uma área do conhecimento e da sensibilização, aprimorando a observação e a criatividade de cada um e do coletivo. 21 Os alunos entraram em contato com peças do teatro amador e do profissional, para que reconheçam nelas fontes de cultura e de lazer, para assimilarem e transformarem tudo o que foi aprendido em criação artística. Começou-se o trabalho com a dinâmica da historinha, realizadas em todas as séries do ensino fundamental I. Objetivo: Treinar a memorização e atenção. Procedimento: Todos devem estar posicionados em círculo de forma que todos possam se ver. O organizador da dinâmica deve ter em mãos um objeto pequeno e direcionando a todos deve começar a história dizendo: Isto é um ..... (Ex. cavalo). Em seguida deve passar o objeto à pessoa ao seu lado que deverá acrescentar mais uma palavra a história sempre repetindo tudo o que já foi dito. (Ex. Isto é um cavalo de vestido...), e assim sucessivamente até que alguém erre a ordem da história pagando assim uma prenda a escolha do grupo. Cria-se cada história engraçada e inicia-se um processo muito rico de criação e socialização. Outra atividade que fizeram em seguida foi o de desenhar sentimentos: expressões fisionômicas (uma expressão de alegria, dor, dúvida, medo...) e em seguida interpretar o sentimento desenhado. Isto incluía a expressão facial, corporal e os sons. Em seguida relacionaram esses sons as letras do alfabeto, comparando assim os sons que cada sentimento realiza e sua forma de expressa-los também na escrita. Por exemplo: o encontro silábico das palavras: Ai, Ui , de dor . Esta atividade foi realizada em especial comas as primeiras séries, onde foram trabalhados os sons das vogais, o encontro silábico, fazendo assim com que eles compreendessem que as vogais podem compor uma palavra sem a necessidade de consoante. Foram trabalhados jogos dramático e outras dinâmicas como a da escultura :Esta dinâmica estimula a expressão corporal e criatividade. Sempre divididos em grupos os alunos Preferencialmente o professor diferentes devem fazer levara varias a seguinte tarefa: reproduções de obras de arte de estilos: 22 Um participante trabalha como escultor, fazendo uma releitura da obra de arte indicada ou escolhida enquanto os outro (s) ficam estátua (parados). O escultor deve usar a criatividade de acordo com o objetivo esperado pelo Coordenador, ou seja, pode buscar: -estátua -estátua -estátua mais engraçada mais mais criativa assustadora -estátua mais parecida com o modelo original , etc. Quando o escultor acabar (estipulado o prazo para que todos finalizem), seu trabalho vai ser julgado juntamente com os outros grupos. De vê revezar até todos terem feito todos os papéis. Registra-se o resultado através de fotos, que serão expostas posteriormente. Realiza-se após todas as apresentações uma bateria de perguntas e repostas acerca da obra escolhida e seu estilo, o período da história que ela representa, a opinião de cada um sobre o que foi aprendido,etc. Depois os alunos foram levados á sala de vídeo para assistir filmes e gravações de peças teatrais, durante quatro aulas. Assistiram a apresentação teatral da peça A cigarra e a formiga realizada por um grupo amador da comunidade e apresentações circenses de um grupo de teatro local, realizadas na própria escola, durante o período de aula. Participaram de oficinas de trabalhos manuais para que desenvolvessem suas habilidades manuais, como a de origami, criação de bonecos de papel marchê de construção de brinquedos com materiais reciclados. Realizam leituras dramáticas, a partir de textos de autores consagrados da literatura infantil. Fizeram uma releitura e escreveram uma peça teatral coletiva a partir da experiência anterior. A experiência artística é sempre dinâmica. Confeccionaram a indumentária e os adereços dos bonecos de fantoches que criaram; os instrumentos musicais com material reciclado, já pensando nos sons que fariam com seus instrumentos , na sonoplastia das suas peças teatrais. 23 Elaboraram movimento corporais para dar vida aos personagens. Conseguiram melhor domínio do espaço pessoal e global ,compartilhando o tempo e o espaço com os demais atuantes, tanto dentro como fora do palco. Aprenderam a utilizar a voz como recurso para a caracterização de personagens. Apresentaram maior domínio na utilização da leitura, escrita e da voz (projeção, respiração, dicção, entonação) Elaboraram textos e interpretaram-nos, dando ênfase na resolução dos problemas diários existentes no cotidiano de cada um dos envolvidos. Lembrando que “Teatro é a arte cuja primeira lei é a de divertir instruindo”. Outra atividade realizada durante o processo foi o exercício coletivo de atribuição de significado, de“leitura” do texto (Pode ser a letra de uma música já conhecida, um conto, uma lenda do nosso folclore, uma parlenda, etc) Nessa atividade o professor pode perceber que é possível ler antes de saber decodificar todas as palavras, que ler é atribuir significado, e a relação do analfabeto com a língua materna (nos alunos que ainda não se alfabetizaram) é mais ou menos parecida com a nossa relação com um idioma desconhecido. Assim o aluno, durante sua exploração do texto tenta encontrar a correspondência entre a escrita e a pausa sonora dos versos (da música memorizada ). Nesta fase já entenderam a relação som e letra (palavra). Outra atividade realizada foi o encontro consigo mesmo, aonde os alunos descobrem seus limites: eles são questionados sobre quanto tempo conseguem ficar agachados sem qualquer tipo de sensação desagradável, quanto tempo conseguem prender a respiração, quantas horas precisam dormir para conseguir descansar de verdade e acordarem bem dispostos para mais um dia de aula; seus gostos musicais, etc. Todos se colocam em círculo e vão relacionando suas preferências, seus gostos, suas dúvidas e soluções. E reconhecem no outro as semelhanças existentes. Sentiu-se que as relações existentes entre todos os envolvidos no processo se tornou mais humana, mais emotiva, mais amiga. Cerceada de compreensão e 24 companheirismo. As pequenas desavenças foram solucionadas através do diálogo e da amizade. Através dos diversos jogos dramáticos os alunos foram estimulados a usar a imaginação dramática, sendo que ela é parte fundamental do desenvolvimento da inteligência e por isso mesmo deve ser cultivada por todos os métodos modernos de educação. Piaget indica que o jogo está diretamente relacionado ao desenvolvimento do pensamento na criança. Com qualquer estrutura cognitiva (esquema) há dois processos associados : o jogo assimila a nova experiência e, então, prossegue pelo mero prazer do domínio; a imitação, relacionase com a experiência de modo a acomoda-la dentro da estrutura cognitiva – jogo para assimilar, imitação apara acomodar.A imaginação dramática interioriza os objetos e lhes confere significado.Pode-se ou melhor deve-se utilizar poemas e poesias extraídas de diversos autores para dar inicio a dramatização, foi utilizada por nós durante todo o processo de alfabetização e seu resultado foi extremamente positivo. Alem de aumentar o interesse, dispertou a curiosidade e interesse pela leitura. Abaixo deixamos uma poesia interessante de Orides Fontela: Ludismo - Orides Fontela Quebrar o brinquedo é mais As peças são construiremos Os outros cacos e outros jogo multiplica Mundos mais real reais pela o se segredo. são ocultos é jogos: outro antes e divertido. forma estraçalhado ao que a frágeis integridade: infinito mais lúcido. adquiridos 25 no despedaçamento E o e saber o e de do sabor contra E a forma e instituído das anterior vertigem das multiplicando possíveis jogo limitação a múltiplo reais livre a coisas do espelho novas formas a a em consciência jogos consciência que se múltiplos até lúcidos totalmente: exercício esgotando Quebrar os do níveis o cria e gerar-se no só. real dos o contra um jogo do brinquedo ser. ainda é mais brincar. Outros poemas podem ser utilizados, como podem ver nos anexos. 26 CAPÍTULO IV SUGESTÕES DE ATIVIDADES Foram utilizado sugestões do livro Jogos Teatrais na Escola de Olga Reverbel , Teoria e Técnica da arte-terapia de Sara Jarreau, dentre outras de dominio popular. Vamos deixar alguma delas para que sejam utilizadas também. Variar as técnicas de arte-terapia é muito importante: umas favorecem o modo relacional, outras, a expressão individual, algumas apelam mais para a imaginação, outras, mais a habiidade e a paciência, umas previlegiam a reflexão, outras a sensorialidade. A diversidade permite uma progressão na aprendizagem. Assim, o encontro de uma técnica mais complexa, através da experiência de uma técnica simplificada que se assemelha a ela, favorece sua prática. Exemplo citado por Jarreau: um “cartão” para raspar ajuda na compreensão do trabalho da linoleogravura (Processo de gravura semelhante à xilogravura, em que a imagem é recortada em linóleo colado em uma base de madeira.(pt.wikipedia.org/wiki/Linoleogravura); as máscaras de papelão são uma boa preparação para a fabricação de um fantoche de vara. O Cartão para raspar: É uma técnica utilizada pelos grafistas ou gravadores para realizar rapidamente esboços em preto e branco. O “efeito gravura” é obtido sem muita dificuldade, mas trat-se de uma falsa aparência. O material empregado é o papelão branco revestido de uma camada preta ( pode-se utilizar o giz de cera colorido e depois o preto e/ou tinta guache), que se grava com a ajuda de um estiliete, que faz aparecer o branco de origem. Agora levantando as atividades utilizadas em teatrro educação sempre começa-se com o aquecimento que pode ser numa atividade que leve de tres a quatro minutos: peça a todos os alunos da classe que , inicialmente realizaem corridas curtas em torno de si mesmos, o ritmo da corrida deve ser controlado 27 por um sinal previamnete combinado.Por exemplo: uma batida de tambor significa ritmo lento, duas batidas,ritmo normal e tres batidas, ritmo acelerado. Pode-se adequar ao som de uma musica tambem. Essse exercicios de aquecimento visam promover o relaxamento grupal, alem de desenvolver a espontanéidade e a descontração. 1) Atividade: O modelador Conteudo :Expressão gestual Objetivo:Desenvolver o relacionamento grupal através de atividades de imaginação com contato físico Participam dessa atividade, no máximo 20 alunos. O restante observa, e depois é feito um rodízio.O trabalho é realizado em pares, com dois grupos de 10 alunos. Organize os alunos dois a dois, um em frente ao outro, em duas filas paralelas. Após um sinal previamnte combinado, uma criança da dupla modela a outra conforme sua vontade, como se fosse um escultor. Depois que a modelagem dos 10 componentes de uma fila estiver pronta, inverta os papéis dos componentes das duplas. Pode-se usar a variante anteriormente citada, da criação de esculturas coletivas focando a releitura de uma obra de arte. O foco do debate será: o aluno modelado conservou a criação? Houve entrosamento? 2) Atividade:Criando sons com harmonia Conteúdo; Expressão verbal 28 Obetivo: Desenvolver o relacionamento através de atividades de criação e emissão de sons. A atividade é desnvolvida com alunos divididos em dois grupos. Um grupo trabalha e o outro observa atentamente. Unidos pelos ombros e mantendo os olhos fechados, os alunos do primeiro grupo formam um círcula. Cada um dos participantes, a um sinal combinado, começa a emitir um som, cuja altura média deve ser sempre mantida. Aos poucos, ouvindo-se unas aos outro, os alunos vão modificando os sons, de modo a criar , ao final , um único e harmonioso som. No debate, devem-se enfocar as seguintes questões: houve variedade de sons? O grupo conseguiu um único som (uníssono)? Como podemos escrever esses sons? Sugere-se sempre que possível, gravar os sons para serem ouvidos pelos alunos, durante o debate, quantas vezes forem necessárias. Para finalizar da-se uma caneta e papel para cada um e pede-se para os alunos escreverem os sons, as imagens os representaria e tudo que tiverem vontade. 3) Atividade: Recitação Coral Conteúdo: Expressão verbal Objetivo: Desenvolver o relacionamento e o ritmo coletivo atrvés de atividades de recitação coral. Realize esta atividade com todos os alunos da classe. Leia em voz alta diversas poesias ou textos para os alunos escolherem um de sua preferencia. 29 Releia o texto escolhido, pedindo as crianças que destaquem tres tipos de elementos: movimentos de personagens, sons e objetos que neles aparecem, os quais serão escritos na lousa, em tres colunas (gestos, sonoplastia e plástica): GESTOS Relacionar SONOPLASTIA os movimentos identificam tipos PLÁSTICA de Relacionar os tipos Relacionar os tipos de que de sons. as objetos, lugares, ambientes. personagens. Peça aos alunos que formem quatro grupos, três dos quais devem trabalhar com elementos relacionados com o quadr. O quarto grupo, chamado coro, fará a leitura, com expressão e ritmo, para que os outros interpretem. O prmeiro grupo interpretará dramaticamente cada uma das personagens, o segundo produzirá os sonse o terceiro criará o cenário com elementos plásticos confeccionados por eles mesmos, podendo utilizar o corpo em poses estáticas. Esta atividade integra os conteúdos de Portugues, Teatro, Artes Plásticas e Música. Um exemplo trabalhado em sala de aula: Poema de Vinicius de Moraes: A porta 30 A porta Eu sou feita Madeira, Mas de madeira matéria não há morta coisa no mundo Mais viva do que uma porta. Eu abro Pra devagarinho passar Eu o abro bem Pra com passar Eu abro menininho cuidado o namorado bem prazenteira cozinheira Pra passar a Eu abro de supetão Pra passar o capitão. Só não Que Que abro diz (a se pra mim uma essa bem me pessoa gente importa...) é burra É burra como uma porta. Eu sou Eu fecho Fecho muito a a Fecho inteligente! frente frente tudo da do nesse casa quartel mundo Só vivo aberta no céu! Elementos destacados na poesia: GESTOS SONOPLASTIA PLÁSTICA -de menininho - ranger da porta que fecha e -porta:pode ser feita compapelão,papel jornal pintado ou com o corpo de dois 31 -de casal de abre ou mais alunos namorados -Ruído de passos de quem -roupas - de cozinheira entra e sai - de capitão -batidas e objetos personagens:panela, de panelas cozinheira usados pelas brinquedo, flor da para a namorada, quépi e espada do capitão,etc. -outros Recomenda-se que o grupo que compõe o coral fique no fundo da sala ou do palco, para que haja espaço para os outros grupos. O tempo limite da atividade depende do ritmo dos quatro grupos, mas geralmente, gastam-se 50 minutos ou uma hora-aula.Quando os alunos considerarem que a atividade está pronta para ser apresentada para uma platéia, na escola ou na comunidade, marca-se uma data. 4) Atividade: As Máscaras Conteúdo: Desenvolvimento plástico das habilidades técnicas e sensíveis Objetivos: Discutir o real, o possivel e o imaginário Esta atividade se inicia com a confecção de máscaras de papel, que dispõe de receitas diversas para seu preparo. Abaixo descreve-se algumas simples: a) Mascara de argila Materiais: - Argila (1 kg para cada aluno) 32 - Cola a base de PVA (Tenaz) - Vaselina (em pasta) - Jornal cortado em tamanhos de + ou - 5x2 cm - Vasilhame para misturar a cola (pode ser usado em grupo) - Objetos para moldar (palito de sorvete, faca sem corte, espátula etc.) - Massa corrida - Lixa para massa corrida (grana 120,150 ou 200) - Tinta: látex ou esmalte ou guache - Madeira ou papelão para suporte Modo de fazer: 1º dia - moldar a argila 2º dia - papelamento (colar as camadas de papel) 3º dia - passar a massa corrida 4º dia - lixar e dar o acabamento com a tinta b) Mascara de papel simples - Folha de sulfite -Tesoura -Lapis de cor ou tinta guache -pincéis Modo de fazer: Dobrar a folha de sulfite ao meio Desenhar alguns detalhes de rosto Recortar a partir do lado aberto da folha Deixando partes vazadas 33 Terminar fazendo o contorno sempre com a folha dobrada e após terminar o recorte Abri-la e pintar dando acabamento. Após o termino da atividade plástica iniciar a utilização das máscaras entrando na seguinte discussão: Qual a tua máscara? O que somos o que queremos ser e que representamos para o mundo. Tudo o que for discutido deve ser transcrito pelos alunos em papel pardo para futuros estudos. “Não posso estar no mundo de luvas nas mãos, Constatando apenas. Constatando, intervenho, educo e me educo. Ensino porque busco, Porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço E comunicar ou anunciar a novidade. O que me faz esperançoso Não é tanto a certeza do achado, Mas mover-me na busca. Não é possível buscar sem esperança, Nem, tampouco, na solidão.” Paulo Freire 34 CAPÍTULO V RESULTADOS OBTIDOS Notamos que durante todo o processo de criação os alunos se tornaram mais cooperativos, atenciosos, interessados em entender as limitações de cada um dos envolvidos e realizar todas as etapas do processo de criação de forma organizada e cooperativa. Cada descoberta era para eles motivo de uma nova investigação, a fim de dar prosseguimento ao aprendizado, instigados pela própria curiosidade. Um conceito importante da teoria de Vygotsky é o de Zona de Desenvolvimento Proximal. Essa é definida como uma zona cognitiva onde os estudantes são ainda capazes de trabalhar (solucionar problemas) se assistidos, mas ainda não são capazes de fazê-lo sozinhos. Para vygotsky o professor deve trabalhar na Zona de Desenvolvimento Proximal, de modo a fazer avançar a fronteira da Zona de Desenvolvimento Real, definida como aquela zona cognitiva onde o aluno pode trabalhar só. Como fazer isto? O professor deve apresentar problemas que contenham elementos dentro da Zona de Desenvolvimento Real mas que contenham também elementos da zona cognitiva que se encontra em fase de desenvolvimento, a Zona de Desenvolvimento Proximal. O trabalho em grupo e cooperativo entre os estudantes mais avançados (ou o próprio professor) fará com que os alunos avancem, transformando assim a Zona de Desenvolvimento Proximal em Zona de Desenvolvimento Real. Isto foi feito na maior parte das atividades aqui descritas. Quando um dos alunos descobriu que conseguia criar diferentes sons com uma bexiga esticada e enrolada sobre uma lata de marmelada, realizando assim parte da sonoplastia de sua peça teatral, ele logo mostrou aos demais que se 35 sentiram instigados a complementar a descoberta, com outros instrumentos feitos de sucata. O fato se repetiu durante todo o processo de criação e fez com que o envolvimento fosse geral. Eles dividiram todas as informações e descobertas no decorrer da criação, ajudando e dando opiniões sobre as descobertas de cada um dos participantes. Com o exercício coletivo de atribuição de significado, de“leitura” do texto (Pode ser a letra de uma música já conhecida, um conto, uma lenda do nosso folclore, uma parlenda, uma paródia inventada pelos próprios alunos etc) , percebemos que é possível ler antes de saber decodificar todas as palavras, que ler é atribuir significado, e a relação do analfabeto com a língua materna (nos alunos que ainda não se alfabetizaram) é mais ou menos parecida com a nossa relação com um idioma Assim o aluno, durante sua exploração do texto desconhecido. tentou encontrar a correspondência entre a escrita e a pausa sonora dos versos (da música memorizada ). Nesta fase já entenderam a relação som e letra (palavra).O progresso dos alunos foi notável.Sabemos que a aprendizagem depende de características individuais que correspondem às experiências vividas, desde o nascimento; o ritmo de aprendizagem que variam de acordo com a capacidade e interesses de cada um dos alunos. A teoria Histórico Cultural de Vygostsky aponta o respeito às individualidades, mas destaca a contribuição do trabalho em grupo ou cooperativo no processo ensino - aprendizagem. E foi dentro desse contexto que os alunos foram levados a trabalhar, sempre em grupos, de forma lúdica e cooperativa. Dividindo experiências, erros e acertos e acima de tudo respeitando as diferentes falas de seus pares. Sentimos que gradativamente os alunos foram se percebendo agentes do processo de construção do conhecimento através da ampliação e recriação de suas experiências e de sua articulação com o saber organizado e da relação da teoria com a prática.Notou-se também que ao alunos aprenderam a utilizar a voz como recurso para a caracterização de personagens. Apresentaram maior domínio na utilização da leitura, escrita e da voz (projeção, respiração, dicção, entonação)Aprimoraram as possibilidades de 36 expressão corporal através da identificação das diferentes partes do corpo.Exploraram efeitos sonoros e criaram movimentos corporais para os mesmos. Aprenderam a localizar no tempo e no espaço o desenrolar de uma história. Resumindo houve aprendizado tanto da parte pedagógica como enriquecimento cultural e o mais importante valorização das relações humanas. 37 CAPÍTULO VI FOTOS DO PROCESSO DE CRIAÇÃO E DAS APRESENTAÇÕES Apresentação teatral dos alunos das 4ªs séries. Tema: lendas do nosso folclore 38 Teatro de fantoche da 3ª série A – Tema: Piadas e parlendas 39 Confecção e utilização de fantoches de meia . 40 Alunos da 3ª série apresentando osinstrumentos musicais que fizeram com sucata e “tirando um som” com os mesmos, cantando cantigas folcloricas. 41 42 Festa a fantasia em que os alunos foram responsáveis por toda a decoração e pela escolha do repertório musical, refletindo o aprendizado sobre nossa cultura. 43 Profª Leila e alunos da 1 serie A Profª Ana Laura com alunas fantasiadas 44 CONCLUSÃO O desenvolvimento de diferentes atividades de forma integrada, e lúdica, apontou para algumas mudanças na forma de entendimento dos alunos, o que pode significar a concretização do aprendizado. As práticas desenvolvidas e os resultados obtidos mostram que é necessário integrar os conteúdos de artes a toda forma de alfabetização, a fim de consegui enriquecer e dinamizar as atividades em sala de aula. Chega-se a conclusão de que a partir da articulação entre os jogos teatrais e a tarefa de alfabetizar de forma lúdica e organizada conseguiu-se um resultado positivo na alfabetização desses alunos. As atividades aqui descritas visam, como já foi dito, o desenvolvimento das capacidades de expressão do aluno. O professor poderá aplicá-las no ensino de qualquer uma das disciplinas do currículo. Uma vez que se o aluno desenvolver suas capacidades de expressão, ou seja, observação, percepção, expressão, espontaneidade e imaginação alem da capacidade relacional, estará aberto a todo tipo de aprendizagem. Sempre lembrando que o aprendizado é um processo contínuo e está sempre em andamento mas nunca acabado. De acordo com Koudela: “A atividade artística é periférica ao sistema escolar e lhe é atribuída a característica de “recreação”, quando não é submetida a exercícios de coordenação motora. Se considerarmos que o símbolo elaborado pelo indivíduo através da imitação, do jogo, do desenho, da construção com materiais possui significado lógico, sensorial e emocional, podemos concluir que, pelo contrário, a educação artística constitui o próprio cerne do processo educacional” Temos que mudar a concepção de aula, a pratica pedagógica, as estruturas educacionais vigentes, que fragmenta o conhecer e o fazer humano em diferentes areas do conhecimento, e as dissocia do emocional. Nós não somos seres fragmentados, somos um todo, e assim temos que compreender os nossos alunos : corpo, mente e alma(emocional) e trabalha-los respeitando sua totalidade e acima de tudo fazendo uso dessa tríade para buscar neles o que está adormecido. 45 Desperta-los para o conhecimento e para o auto conhecimento, para tenham consciência daquilo que são capazes de fazer autonomamente, daquilo em que precisam de ajuda e ainda no que podem ajudar ao outro. 46 ANEXOS Índice de anexos Anexo 1 - Primeiro dia de aula: Quebrando o gelo. Anexo 2 - Atividades utilizadas pelas professoras alfabetizadoras 47 ANEXO 1 Diário de Classe João Luís de Almeida Machado Doutor em Educação pela PUC-SP; Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP); Professor Universitário e Pesquisador; Autor do livro "Na Sala de Aula com a Sétima Arte – Aprendendo com o Cinema" (Editora Intersubjetiva). Primeiro dia de aula Quebrando o gelo... A retomada do trabalho nas escolas segue um ritmo aparentemente comum a quase todas as instituições que conheço. O administrativo retorna logo depois da virada do ano para lidar com a papelada; o staff pedagógico vai voltando aos poucos, primeiro os diretores, depois os coordenadores e orientadores, para a composição dos planos e projetos para o novo ano que se inicia; os professores entram na roda apenas a partir dos últimos dez dias do mês de janeiro, para o planejamento pedagógico e reuniões com a direção. 48 Aos alunos, por sua vez, cabe o regresso apenas na semana inicial de fevereiro. Quando entram pelas portas da escola nos dias iniciais do segundo mês do ano já encontram a estrutura preparada para as aulas, atividades extraclasse, projetos relativos as disciplinas, atendimento por parte da secretaria e da coordenação/direção,... As aulas, que representam pelo menos 90% do tempo gasto pelo aluno na escola, devem ser, por esse motivo (entre outros), objeto de estudo, planejamento qualificado e realização primorosa por parte dos docentes para que a motivação seja a tônica entre os estudantes. Quantos professores realmente se preocupam em pensar e repensar com seriedade sua realização profissional em sala de aula de um ano para o outro? A acomodação com as fórmulas já testadas e utilizadas anteriormente tende a ser a prática mais comum não apenas em escolas brasileiras mas também em muitos países do mundo todo. O exercício a ser feito, diga-se de passagem, não deveria ser a reflexão sobre a aula apenas na passagem de um ano letivo para o próximo e, sim, aula a aula, semana a semana, mês a mês... Somente assim poderíamos realmente ter uma dimensão clara da efetividade e da qualidade de nosso trabalho na educação. Torne as reuniões de planejamento encontros que sejam realmente produtivos e inovadores para o trabalho e a prática pedagógica. Nesse ínterim, vale ressaltar que os resultados colhidos ao longo do ano dependem muito da consistência da proposta pedagógica da escola, do 49 envolvimento dos educadores e da persistência em buscar e atingir os objetivos propostos. Seriedade, embasada por critérios e diretrizes claras, sem a mudança de regras ao longo da jornada, contando com o apoio e a participação de todos os professores e funcionários dão a qualquer plano de trabalho a consistência necessária para que a realização se torne um sucesso. Os alunos percebem desde os primeiros dias de aula a seriedade da proposta de cada professor e, a partir da prática de sala de aula, transformam a compreensão do imediato e local para o mais amplo tanto no que se refere ao tempo quanto ao espaço e seus protagonistas. Isso quer dizer que a visão da escola como um todo se relaciona aos olhos dos educandos a postura e as realizações e implementações dos educadores com os quais têm contato nas aulas. O sucesso na educação é decorrente, portanto, de uma construção que acontece todos os dias no processo de ensino-aprendizagem e que exige paciência, determinação, objetivos criteriosamente definidos, incentivo a participação constante dos alunos, projetos instigantes que relacionem os temas trabalhados a realidade e a conhecimentos previamente adquiridos pelos estudantes (tanto na escola quanto na vida extra-escolar). É preciso igualmente ter consciência de que qualquer realização, seja ela qual for (nesse caso na educação), passará necessariamente por experiências boas e também por outras ruins, por acertos e erros... Use o seu conhecimento em prol do grupo. 50 Argumente e participe suas opiniões sempre tendo em vista o crescimento e a melhoria do trabalho de todos. E os erros devem ser entendidos como oportunidades. Nossa completude é um sonho inconseqüente e irresponsável que cabe somente nas palavras de nossos melhores poetas e músicos. A perfeição não deve ser o nosso objetivo de vida e sim um horizonte que nos inspire em nossa trajetória para a obtenção de melhores resultados na busca por um mundo melhor, mais digno, justo e de paz. Critique se for necessário. Pondere quando sentir que suas opiniões podem ajudar a compor um novo cenário nos trabalhos e projetos em que estiver envolvido. Argumente sempre tendo como matriz de seu pensamento idéias em que realmente acredite e relativamente às quais possua informações sólidas. Não utilize os erros dos outros para demolir suas proposições ou, principalmente, pessoas e grupos. Chega de competição nos moldes do mais selvagem capitalismo. O barco é o mesmo para todos e se não nos dispusermos a ajudar uns aos outros e estimular o crescimento conjunto de nossas instituições estamos fadados ao perecimento... Aplauda e reconheça os méritos alheios. Participe opiniões em projetos vitoriosos para reforçar suas bases. Disponha-se a trabalhar sempre, em qualquer circunstância, seja ela de ventos favoráveis ou de tormentas da pior espécie. Numa escola ou num hospital, numa grande indústria ou num banco, em um estabelecimento comercial ou numa fazenda, pouco importa o ramo de atuação profissional em que se trabalhe, deve-se levar em conta que o primeiro dia é sempre de fundamental importância para que imagens se consolidem entre os envolvidos e permitam uma melhor (ou pior) performance de cada indivíduo e do grupo como um todo. 51 O capitão e os marinheiros somente sobrevivem ao mar quando atuam de forma harmônica, estabelecendo um ambiente de intercâmbio, troca, compreensão e auxílio. Numa sala de aula não é diferente... Como a escola tem como base e firmamento a sala de aula, logo se estabelece que é nesse espaço que se ganha ou que se perde o jogo. E nesse sentido vale destacar que o capitão do barco é o professor e os marujos são os estudantes. Todos sabem e reconhecem que o conhecimento mais amplo sobre a embarcação e também sobre as técnicas náuticas pertence ao experiente capitão (professor). Todos também reconhecem que o navio só conseguirá navegar e atingir os portos nos quais deseja chegar a partir da ação dos marinheiros (alunos). Se o contato inicial desse capitão com sua tripulação não for bom o que se poderá esperar para as viagens futuras da referida embarcação? Deve ficar claro para todos que não há estabilidade plena nos oceanos pelos quais todos irão navegar. Um dia pode ser de tormenta e o outro pode ser de total calmaria... Nesse sentido é preciso sempre quebrar o gelo entre professores e alunos na aula inicial deixando claros alguns limites e estabelecendo canais de comunicação constantes entre o capitão e os marinheiros. Conheço professores que afirmam categoricamente que na primeira aula devem-se mostrar os dentes e dizer com clareza quem manda nesse espaço coletivo chamado sala de aula; a outros que pretendem ser muito “chegados” dos 52 estudantes... Discordo totalmente dessas iniciativas. Nem tanto ao sol, nem tanto a lua... Creio que aos estudantes devem ser apresentadas idéias importantes quanto ao curso, às avaliações, a disciplina, os projetos, a pessoa do educador, a instituição e também relativas ao conteúdo. Deve-se falar e escutar. Abrir espaço para apresentações, dúvidas, troca de idéias, sugestões e apreciações dos estudantes quanto ao curso, à escola e mesmo quanto às propostas do professor. Estabeleça o diálogo com os colegas e os estudantes. Fale e escute. Aprenda a anotar as sugestões interessantes para poder implementá-las posteriormente. Cresça em conjunto com seus pares no trabalho. E não é só escutar. Ao professor cabe anotar as boas idéias e se mostrar disposto a pensar e eventualmente aplicar algumas dessas contribuições obtidas no contato com seus estudantes. Isso dá credibilidade ao curso e ao docente, estabelece uma comunicação que aproxima todos os presentes e ainda permite implementar o curso a partir da visão de quem está num outro importante papel, o de educandos. E para melhorar ainda mais esse contato inicial e evitar os já habituais e exauridos modelos de apresentação formal dos estudantes e do próprio docente, que tal variar a fórmula e procurar incrementar a mesma adicionando elementos culturais, esportivos, geográficos, históricos, literários, artísticos ou 53 científicos a esse exercício básico de toda a primeira aula do ano? Como? Que tal usar a imaginação... Por exemplo, uma possibilidade seria trabalhar com trechos de músicas conhecidas (uns vinte ou trinta, de acordo com a quantidade de alunos de cada sala) que seriam disponibilizados para todos os estudantes. A cada um deles poderia ser pedido que escolhesse um daqueles trechos para falar de si mesmo. Alunos que selecionassem o mesmo trecho se reuniriam num mesmo grupo e trocariam informações sobre eles mesmos com os colegas e depois seriam apresentados por outras pessoas do grupo... Outra alternativa seria a utilização de fotografias de personalidades da ciência, das artes ou dos esportes. Caberia aos alunos se agruparem de acordo com um sorteio ou pela preferência individual tendo uma dessas personalidades como base para uma conversa. Nesse bate-papo eles deveriam enumerar as qualidades do sujeito e, a partir de uma lista concebida pelo grupo, deveriam falar sobre si mesmos para o restante da turma. Ainda a título de sugestão caberia por exemplo selecionar livros conhecidos do público-alvo de alunos e colocá-los em contato com os mesmos para que todos aqueles que já tivessem lido um determinado título pudessem se reunir para falar sobre a obra, o autor, a trama, os personagens e, com base no que conversaram sobre o livro, viessem a falar sobre as pessoas do grupo traçando paralelos com a trama do livro, os personagens, o autor,... Há inúmeras outras alternativas que poderiam ser criadas. Todas demandam tempo de planejamento e criatividade. Libertem-se de suas amarras e mãos a obra para a concepção de uma alternativa que viabilize um começo de ano e de trabalho promissor para suas aulas e sua escola. Bom retorno a sala de aula! Avaliação deste Artigo: Copyright © 2006 Planeta Educação Todos os direitos reservados 54 ANEXO 2 Retirado de sites da internet como o Picasa e Klickeducação, e trabalhando em forma de dramatização em sala de aula para fins de percepção de sons e alfabetização coletivamente. A ARCA DE NOÉ VINÍCIUS DE MORAES - TOQUINHO SETE EM CORES, DE REPENTE O ARCO-ÍRIS SE DESATA NA ÁGUA LÍMPIDA E CONTENTE DO RIBEIRINHO DA MATA. O SOL, AO VÉU TRANSPARENTE DA CHUVA DE OURO E DE PRATA RESPLANDECE RESPLENDENTE NO CÉU, NO CHÃO, NA CASCATA. E ABRE-SE A PORTA DA ARCA LENTAMENTE SURGEM FRANCAS A ALEGRIA E AS BARBAS BRANCAS DO PRUDENTE PATRIARCA. VENDO AO LONGE AQUELA SERRA E AS PLANÍCIES TÃO VERDINHAS DIZ NOÉ: QUE BOA TERRA PRA PLANTAR AS MINHAS VINHAS. 55 ORA VAI, NA PORTA ABERTA DE REPENTE, VACILANTE SURGE LENTA, LONGA E INCERTA UMA TROMBA DE ELEFANTE. E DE DENTRO DO BURACO DE UMA JANELA APARECE UMA CARA DE MACACO QUE ESPIA E DESAPARECE. "OS BOSQUES SÃO TODOS MEUS!" RUGE SOBERBO O LEÃO "TAMBÉM SOU FILHO DE DEUS!" UM PROTESTA; E O TIGRE — "NÃO!" A ARCA DESCONJUNTADA PARECE QUE VAI RUIR AOS PULOS DA BICHARADA TODA QUERENDO SAIR. AFINAL COM MUITO CUSTO EM LONGA FILA, AOS CASAIS UNS COM RAIVA, OUTROS COM SUSTO VÃO SAINDO OS ANIMAIS. OS MAIORES VÊM À FRENTE TRAZENDO A CABEÇA ERGUIDA E OS FRACOS, HUMILDEMENTE VÊM ATRÁS, COMO NA VIDA. LONGE O ARCO-ÍRIS SE ESVAI E DESDE QUE HOUVE ESSA HISTÓRIA QUANDO O VÉU DA NOITE CAI ERGUEM-SE OS ASTROS EM GLÓRIA ENCHEM O CÉU DE SEUS CAPRICHOS. EM MEIO À NOITE CALADA OUVE-SE A FALA DOS BICHOS NA TERRA REPOVOADA. 56 O PATO VINÍCIUS DE MORAES/ TOQUINHO LÁ VEM O PATO PATA AQUI, PATA ACOLÁ LA VEM O PATO PARA VER O QUE É QUE HÁ. O PATO PATETA PINTOU O CANECO SURROU A GALINHA BATEU NO MARRECO PULOU DO POLEIRO NO PÉ DO CAVALO LEVOU UM COICE CRIOU UM GALO COMEU UM PEDAÇO DE JENIPAPO FICOU ENGASGADO COM DOR NO PAPO CAIU NO POÇO QUEBROU A TIGELA TANTAS FEZ O MOÇO QUE FOI PRA PANELA. CORUJINHA VINÍCIUS DE MORAES/ TOQUINHO 57 CORUJINHA, CORUJINHA QUE PENINHA DE VOCÊ FICA TODA ENCOLHIDINHA SEMPRE OLHANDO NÃO SEI QUE O TEU CANTO DE REPENTE FAZ A GENTE ESTREMECER CORUJINHA, POBREZINHA TODO MUNDO QUE TE VÊ DIZ ASSIM, AH! COITADINHA QUE FEINHA QUE É VOCÊ QUANDO A NOITE VEM CHEGANDO CHEGA O TEU AMANHECER E SE O SOL VEM DESPONTANDO VAIS VOANDO TE ESCONDER HOJE EM DIA ANDAS VAIDOSA ORGULHOSA COM QUÊ TODA NOITE TUA CARINHA APARECE NA TV CORUJINHA, CORUJINHA QUE FEINHA QUE É VOCÊ! A FOCA VINÍCIUS DE MORAES/ TOQUINHO QUER VER A FOCA FICAR FELIZ? É POR UMA BOLA NO SEU NARIZ. QUER VER A FOCA BATER PALMINHA? É DAR A ELA UMA SARDINHA. QUER VER A FOCA COMPRAR UMA BRIGA? É ESPETAR ELA NA BARRIGA! LÁ VAI A FOCA 58 TODA ARRUMADA DANÇAR NO CIRCO PRA GARATODA. LÁ VAI A FOCA SUBINDO A ESCADA DEPOIS DESCENDO DESENGONÇADA. QUANTO TRABALHA A COITADINHA PRA GARANTIR SUA SARDINHA. AS ABELHAS VINÍCIUS DE MORAES/ BACALOV A AAAAAAABELHA MESTRA E AAAAAAAS ABELHINHAS ESTÃO TOOOOOOODAS PRONTINHAS PRA IIIIIIIR PARA A FESTA. NUM ZUNE QUE ZUNE LÁ VÃO PRO JARDIM BRINCAR COM A CRAVINA VALSAR COM O JASMIM. DA ROSA PRO CRAVO DO CRAVO PRA ROSA DA ROSA PRO FAVO E DE VOLTA PRA ROSA. VENHAM VER COMO DÃO MEL AS ABELHAS DO CÉU. A ABELHA RAINHA ESTÁ SEMPRE CANSADA ENGORDA A PANCINHA E NÃO FAZ MAIS NADA NUM ZUNE QUE ZUNE LÁ VÃO PRO JARDIM 59 BRINCAR COM A CRAVINA VALSAR COM O JASMIM. DA ROSA PRO CRAVO DO CRAVO PRA ROSA DA ROSA PRO FAVO E DE VOLTA PRA ROSA. VENHAM VER COMO DÃO MEL AS ABELHAS DO CÉU. A PULGA VINÍCIUS DE MORAES UM, DOIS, TRÊS QUATRO, CINCO, SEIS COM MAIS PULINHO ESTOU NA PERNA DO FREGUÊS UM, DOIS, TRÊS QUATRO, CINCO, SEIS COM MAIS UMA MORDINHA COITADINHO DO FREGUÊS UM, DOIS, TRÊS QUATRO, CINCO, SEIS TÔ DE BARRIGUINHA CHEIA TCHAU GOOD BYE AUF WEDERSEHEN 60 A CASA VINÍCIUS DE MORAES ERA UMA CASA MUITO ENGRAÇADA NÃO TINHA TETO NÃO TINHA NADA NINGUÉM PODIA ENTRAR NELA NÃO PORQUE NA CASA NÃO TINHA CHÃO NINGUÉM PODIA DORMIR NA REDE PORQUE NA CASA NÃO TINHA PAREDE NINGUÉM PODIA FAZER PIPI PORQUE PENICO NÃO TINHA ALI MAS ERA FEITA COM MUITO ESMERO NA RUA DOS BOBOS NÚMERO ZERO 61 BIBLIOGRAFIA - FONTELA, ORIDES.1940-1998 :POESIA REUNIDA 1969-1996 SÃO PAULO; Cosac Naify: Rio de Janeiro: 7 Letras, 2006 (Coleção Às de colete;v. 12); 376 p - KOUDELA, Ingrid Dormien. JOGOS TEATRAIS – São Paulo: Editora Perspectiva, 1984. - LUCKESI, Cipriano Carlos. Educação, ludicidade e prevenção das neuroses futuras: uma proposta pedagógica a partir da Biossíntese. In: LUCKESI, Cipriano Carlos (org.) Ludopedagogia - Ensaios 1: Educação e Ludicidade. Salvador: Gepel, 2000 - JARREAU, Sara Pain Gladys. Teoria e Técnica da arte-terapia. Porto Alegre, artes Médicas,1996 - OLIVEIRA, MARTA K. DE. VYGOTSKY: APRENDIZADO E DESENVOLVIMENTO; UM PROCESSO SÓCIO-HISTÓRICO. 4. ED. SÃO PAULO: SCIPIONE,1997. - PIAGET, Jean. - A Educação artística e a Psicologia da Criança” Revista de Pedagogia, jan.-jul., 1966, ano XII, vol. XII, nº 31, pp. 137-139. - REVERBEL, Olga. OFICINA DE TEATRO – Porto Alegre: Kuarup,1993. - REVERBEL, Olga. JOGOS TEATRAIS NA ESCOLA – São Paulo, Scipione; 1989. - A Formação do Símbolo na Criança. Rio, Zahar, 1975. - Blog da Psicologia da Educação: http://www6.ufrgs.br/psicoeduc/ - http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/historia-do-teatro/historia-do- teatro.php - http://www.notapositiva.com/trab_professores/textos_apoio/psicologia/t eoriaspiagetvygostsky.ht 62 - Coleção Folclore em Atividades. Edições Sabida. - Coleção Folclore, Contos e Cantos. Brasilleitura . Todolivro ltda. - DVD: Lá vem história. 20 histórias do Folclore Brasileiro, com Bia Bedran – Cultura Marcas. - DVD: Música do Brasil, com Gilberto Gil. Giros- - .Livros de Alfabetização e apostilas do curso Arteteapia em Educação – do projeto A Vez do Mestre- UCAM - Sites da internet: www.novaescola.com.br , www.kliceducacao.com.br , 63 ÍNDICE FOLHA DE ROSTO 2 AGRADECIMENTO 3 DEDICATÓRIA 4 RESUMO 5 METODOLOGIA 6 INTRODUÇÃO 11 CAPITULO I – Sobre o teatro 13 CAPITULO II – Teatro e Arteterapia 18 CAPÍTULO III - Atividades desenvolvidas e seus resultados 21 CAPÍTULO IV - Sugestões de atividades 27 CAPÍTULO V - Resultados Obtidos 35 CAPÍTULO VI - Fotos do processo de criação e apresentações 38 CONCLUSÃO 45 64 ANEXOS 47 BIBLIOGRAFIA 62 INDICE 64 65 FOLHA DE AVALIAÇÃO Nome da Instituição: Título da Monografia: Autor: Data da entrega: Avaliado por: Conceito: 66