PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS Programa de Pós-Graduação em Ensino de Física G GRAV VIITTA AÇ ÇÃ ÃO NO CON NTE EX XTTO O DA AP PE ES SQ QU UIISA MINE ER RA AL:: ttra annssppoossiçãão pparaa oo Ensiinnoo M Mééddiioo Amauri Marques dos Reis Belo Horizonte 2010 Amauri Marques dos Reis G GRAV VIITTA AÇ ÇÃ ÃO NO CON NTE EX XTTO O DA AP PE ES SQ QU UIISA MINE ER RA AL:: ttra annssppoossiçãão pparaa oo Ensiinnoo M Mééddiioo Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Ensino de Física da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais como requisito parcial para a obtenção do título do curso de Mestre em Ensino de Física. Orientador: Prof. Dr. Lev Vertchenko Belo Horizonte 2010 FICHA CATALOGRÁFICA Elaborada pela Biblioteca da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais R375g Reis, Amauri Marques dos Gravitação no contexto da pesquisa mineral: transposição para o Ensino Médio / Amauri Marques dos Reis, 2010. 132 f. il. Orientador: Lev Vertchenko Dissertação (Mestrado) – Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Programa de Pós-Graduação em Ensino de Física. 1. Construtivismo (Educação). 2. Gravitação. 3. Prospecção Mineral. I. Vertchenko, Lev. II. Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Programa de Pós-Graduação em Ensino de Física. III. Título. CDU: 531.5:373.5 Aos meus colegas professores, que tentam melhorar o mundo apesar de todas as dificuldades impostas pelo atual sistema educacional. Agradecimentos A Deus pela criação de um universo que faz com que eu consiga ter alegria de viver, sempre rodeado de pessoas maravilhosas; Aos meus pais, Antônio e Léa, que sempre tiveram um bom relacionamento, refletindo na criação dos seus filhos; Aos meus irmãos, por tantos momentos compartilhados, tantos prazeres que nem podem ser expressos por meio de palavras; Aos meus colegas de mestrado por conversarmos como amigos e dividirmos experiências alcançadas ao longo da vida; Aos professores de todo o curso básico, por conseguirem iluminar meu caminho nesta jornada de vida; Aos professores da PUC Minas que proporcionaram a formação final para que eu pudesse concluir mais uma etapa da vida, principalmente ao Lev, pela paciência de analisar o texto, sugerindo modificações que engrandeceram o trabalho; Um agradecimento especial a minha esposa Viviane, que me deu força em todos os momentos difíceis, sendo sua ajuda indispensável à formulação final deste trabalho. "Não se pode ensinar alguma coisa a alguém, pode-se apenas auxiliar a descobrir por si mesmo." (Galileu Galilei) RESUMO Esta dissertação é uma proposta de adaptar alguns conhecimentos de Gravimetria, parte da Geofísica que estuda a relação das rochas com o campo gravitacional terrestre, para escolas de Ensino Médio de regiões mineradoras do Brasil. Exibe um conjunto de textos baseados na pesquisa de minerais valiosos, os quais poderão ser utilizados por professores para exemplificar suas aulas, mostrando que os conceitos dos tópicos de gravitação são utilizados no âmbito profissional. Procura-se, desta forma, suprir parte da carência existente nos livros didáticos, os quais por seu caráter genérico não podem contextualizar os saberes para atender as características locais. A elaboração dos textos é fundamentada nos conceitos de Aprendizagem Significativa de David Ausubel e de Transposição Didática de Yves Chevallard, que fornecem teorias para o entendimento da estrutura cognitiva dos aprendizes e as considerações ao se preparar materiais didáticos. Uma parte do produto construído foi aplicada a duas turmas de um curso regular de Física, nas quais os alunos já haviam estudado os tópicos de gravitação, mostrando como foi a abordagem dos conceitos pelo professor em sala de aula e os resultados finais alcançados pelos aprendizes. Palavras-chave: Aprendizagem Significativa. Transposição Contextualização. Gravimetria. Gravitação. Pesquisa Mineral. Didática. ABSTRACT This dissertation is meant to adapt some concepts of Gravimetry to high school teachers living in mining areas in Brazil. Gravimetry is the part of geophysics that studies the relationship between rocks and the earth’s gravitational field. A set of texts based on the research of valuable minerals is presented throughout this paperwork and it can be helpful to teachers in classroom considering that the concepts of topics on gravitation are used in the professional field. It is expected that this dissertation can supply the school books’ lack of specific information by contextualizing it with some local working activities. The texts based on the concepts of Meaningful Learning by David Ausubel and Didactical Transposition by Yves Chevallard present theories both to understand learners’ cognitive structure and the manners to prepare didactical material. Part of the present study was used in two different classes in a regular physics course of which the students had already studied the topics on gravitation. It was shown the teacher’s approach of the concepts and the results obtained by his learners. Key-words: Meaningful Learning. Didactical Transposition. Contextualization. Gravimetry. Gravitation. Mineral Research. LISTA DE FIGURAS FIGURA 01: Camadas Geológicas da Terra ................................................................ 33 FIGURA 02: Experiência de Cavendish ....................................................................... 35 FIGURA 03: Força de interação gravitacional .............................................................. 36 FIGURA 04: Posições do pêndulo simples ................................................................... 44 FIGURA 05: Movimento de oscilação de um pêndulo simples ..................................... 45 FIGURA 06: Desenho esquemático de um gravímetro de mola.................................... 46 FIGURA 07: Deformação da mola pela ação de um campo gravitacional ................... 47 FIGURA 08: Equivalência entre peso e força gravitacional .......................................... 48 FIGURA 09: Linhas de campo gravitacional geradas por uma camada rochosa plana, longe das bordas ........................................................................................................... 50 FIGURA 10: Perfil gravimétrico associado a duas placas planas horizontais sobrepostas ................................................................................................................... 51 FIGURA 11: Perfil gravimétrico devido a um domo salino ............................................ 53 FIGURA 12: Perfil esquemático da Terra ..................................................................... 55 FIGURA 13: Massas geradoras do campo gravitacional .............................................. 56 FIGURA 14: Deformação para o cálculo da gravidade relativa .................................... 58 FIGURA 15: Mapa de linhas de mesmo valor do campo gravitacional ........................ 59 FIGURA 16: Esquema para obter dos perfis gravimétricos para massas distintas ...... 60 FIGURA 17: Decomposição do campo gravitacional ................................................... 62 FIGURA 18: Interpretação geológica de um perfil gravimétrico ................................... 64 FIGURA 19: Construção de perfil gravimétrico – etapa 1e 2 ........................................ 65 FIGURA 20: Construção de perfil gravimétrico – etapa 3 e 4 ....................................... 66 FIGURA 21: Construção de perfil gravimétrico – etapa 5, 6 e 7 ................................... 67 FIGURA 22: Campo gravitacional externo em um ponto na superfície da Terra .......... 69 FIGURA 23: Posições de maior e menor valor do campo gravitacional gerado pelas forças externas ............................................................................................................. 70 FIGURA 24: Representação do campo gravitacional para uma Terra homogênea e sem rotação .................................................................................................................. 71 FIGURA 25: Representação da aceleração da gravidade resultante pela rotação da Terra ............................................................................................................................. 71 FIGURA 26: Representação da altura de um ponto em relação ao nível de referência ...................................................................................................................................... 74 FIGURA 27: Correção devida à camada rochosa entre os pontos de observação ...... 76 FIGURA 28: Campo gravitacional adicional por causa da camada rochosa acima do nível de referência ......................................................................................................... 76 FIGURA 29: Campo que deve ser subtraído pela falta de massa ................................ 76 FIGURA 30: Correção do campo gravitacional pela presença de uma elevação nas proximidades do gravímetro .......................................................................................... 78 FIGURA 31: Correção pela presença de um vale nas proximidades do gravímetro .... 78 LISTA DE TABELAS TABELA 01: Linguagens compartilhadas pelas ciências .......................................... 22 TABELA 02: Densidade das principais rochas da superfície terrestre ...................... 41 TABELA 03: Módulo da componente vertical do campo gravitacional para a massa m1 ............................................................................................................................. 63 TABELA 04: Módulo da componente vertical do campo gravitacional para a massa m2 ............................................................................................................................. 63 TABELA 05: Variação da aceleração da gravidade com a latitude .......................... 73 TABELA 06: Respostas do pré-teste ...................................................................... 100 TABELA 07: Respostas do pós-teste ..................................................................... 101 LISTA DE GRÁFICOS GRÁFICO 01: Componente vertical do campo gravitacional em função da distância para m1 ......................................................................................................................... 63 GRÁFICO 02: Componente vertical do campo gravitacional em função da distância para m2 ......................................................................................................................... 63 GRÁFICO 03: Evolução dos alunos ............................................................................ 98 LISTA DE SIGLAS CBC: Currículo Base Nacional Comum LDB: Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional PCNEMs: Parâmetros Curriculares Nacionais - Ensino Médio PCNs: Parâmetros Curriculares Nacionais PCN+: Orientações Educacionais Complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais PNLEM: Programa Nacional do Livro Didático para o Ensino Médio LISTA DE ABREVIATURAS acf: aceleração centrífuga Ca: correção de altitude Cm:correção devido as montanhas ou vales CG: centro de gravidade E: escala Fg : força de interação gravitacional Fel: força elástica g: módulo do campo gravitacional gap: campo gravitacional aparente gas: campo gerado pelas rochas abaixo da superfície g0= aceleração da gravidade sem rotação gi: módulo do campo gravitacional devido a uma massa i gx: componente horizontal do campo gravitacional devido a uma massa m gy: componente vertical do campo gravitacional devido a uma massa m gl: campo gravitacional gerado na superfície pela Lua gm: campo gravitacional gerado por uma montanha gp: campo gravitacional no ponto medido gp’: campo gravitacional calculado para superfície de referência gr: campo gravitacional resultante gs: campo gravitacional gerado na superfície pelo Sol grex: campo devido as forças externas g (r ) : módulo do campo em função da distância g ( r h) : módulo do campo em função da distância e da altura G: constante universal da atração gravitacional (6,67x10−11Nm2/Kg2) K: constante elástica de uma mola h: altura ou espessura l: comprimento do pêndulo L: distância horizontal em um caminhamento gravitacional m: Massa do corpo de menor dimensões M: massa do corpo de maior dimensões mi: massa de um corpo qualquer P: Força peso Px= componente do peso segundo o eixo x Py= componente do peso segundo o eixo y r: raio de um corpo esférico ou a distância entre doi pontos ri: distância entre dois corpos T: Período x: deformação da mola V: volume ρ: densidade ou massa específica ∑: somatório Φ: latitude θ: ângulo qualquer : média aritmética = módulo Δg= gravidade relativa ou a correção devido a latitude SUMÁRIO 1- INTRODUÇÃO ......................................................................................................... 17 2- FUNDAMENTAÇÕES TEÓRICO-PEDAGÓGICAS ................................................. 21 2.1- Inserção do trabalho nos Parâmetros Curriculares Nacionais ....................... 21 2.2- Critérios para a escolha dos referenciais teórico-pedagógicos ..................... 23 2.3- Aprendizagem significativa ................................................................................ 25 2.4- Transposição didática ........................................................................................ 26 2.5- A sobrevivência dos saberes ............................................................................. 27 3- O PRODUTO ........................................................................................................... 30 3.1- Conhecendo o centro da Terra .......................................................................... 32 3.1.1- Instruções gerais ao professor ....................................................................... 32 3.1.2- Texto 1: Conhecendo o centro da Terra ......................................................... 33 3.1.3- Questões que podem ser discutidas com os alunos .................................... 41 3.2- Determinando experimentalmente a aceleração da gravidade ........................ 41 3.2.1- Instruções gerais ao professor ....................................................................... 41 3.2.2- Texto 2: Determinando experimentalmente a aceleração da gravidade ...... 45 3.2.2.1- Pêndulo simples ............................................................................................ 44 3.2.2.1- Gravímetro ..................................................................................................... 46 3.3- Gravidade relativa .............................................................................................. 54 3.3.1- Instruções gerais ao professor ....................................................................... 54 3.3.2- Texto 3: Gravidade relativa ............................................................................. 55 3.3.2.1-Determinação da profundidade dos corpos através do campo gravitacional ............................................................................................................... 60 3.3.2.2- Etapas para a construção de um perfil gravimétrico ................................. 65 3.4- Correções do campo gravitacional .................................................................... 68 3.4.1- Instruções gerais ao professor ....................................................................... 68 3.4.2- Texto 4: Correções do campo gravitacional .................................................. 68 3.4.2.1- Correção por causa da maré terrestre ........................................................ 69 3.4.2.2- Correção por causa da diferença de latitude .............................................. 70 3.4.2.3- Correção por causa da altitude .................................................................... 73 3.4.2.4- Correção devida à camada rochosa ............................................................. 75 3.4.2.5- Correção por causa da topografia ............................................................... 77 4- APLICAÇÃO DO PRODUTO E ANÁLISE DOS RESULTADOS ............................ 80 4.1- Caracterização dos alunos e da escola ............................................................. 80 4.2- Metodologia da pesquisa ................................................................................... 81 4.2.1- Primeiro levantamento de concepções .......................................................... 82 4.2.2- A aula ................................................................................................................ 84 4.2.3- Segundo levantamento de concepções ......................................................... 84 4.3- Classificação dos alunos ................................................................................... 86 4.4- Análise inicial dos resultados ............................................................................ 98 4.5- Análise final dos resultados ............................................................................. 102 5- COMENTÁRIOS FINAIS ........................................................................................ 104 REFERÊNCIAS .......................................................................................................... 106 ANEXOS .................................................................................................................... 111 17 1- INTRODUÇÃO No ensino tradicional de gravitação encontra-se a análise histórica dos modelos de descrição do sistema solar desde a Antiguidade, culminando com a Lei da Gravitação Universal feita por Newton associada ao valor da constante gravitacional calculada por Cavendish. Para o detalhamento dessa lei, os textos encontrados nos livros didáticos, em sua maioria, usam os conceitos de variação do campo gravitacional nas proximidades da superfície da Terra e a análise de corpos em órbita, sempre baseando em exemplos bem elaborados, mas que não são contextualizados com as questões vividas no universo profissional das regiões mineradoras do Brasil. Esses conceitos apresentados nos livros didáticos são pré-requisitos para o entendimento dos textos produzidos neste trabalho, nos quais a Gravimetria, parte da Geofísica que trata dos assuntos referentes ao campo gravitacional terrestre, é a fonte das questões tratadas. Os textos propostos buscam a análise de situações com a visão focada principalmente no campo gravitacional da Terra, sugerindo questões vivenciadas por geofísicos e outros profissionais que trabalham com a pesquisa de minerais valiosos no subsolo. Uma vantagem dos textos elaborados com base na Gravimetria é a possibilidade de fornecer aos professores um material contextualizado perante o mundo do trabalho das regiões brasileiras, nas quais a atividade mineradora tem características economicamente significativas, podendo ser importante também para as outras regiões. Os textos foram criados para serem trabalhados por professores, para que possam mostrar que o ensino de Gravitação está ligado ao trabalho das empresas mineradoras próximas às regiões em que os alunos residem. Essa associação com a Gravimetria deu-se considerando a necessidade de formação profissional, evidenciada no artigo 26 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, a Lei 9.394/96 (LDB): Os currículos do ensino fundamental e médio devem ter uma base nacional comum, a ser complementada, em cada sistema de ensino e estabelecimento escolar, por uma parte diversificada, exigida pelas 18 características regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia e da clientela. (BRASIL, 1996) Espera-se que após a leitura dos textos, os professores consigam visualizar aplicações escolares dos conceitos de Gravitação no contexto profissional das empresas mineradoras, potencializado o processo ensino-aprendizagem. Uma grande contribuição ao processo educacional foi à implantação do Programa Nacional do Livro Didático para o Ensino Médio (PNLEM), que recomendou coleções didáticas sintonizadas com a política educacional vigente, com conteúdo de qualidade. Ainda assim os livros recomendados pelo PNLEM não trazem as características locais, que devem estar envolvidas nas rotinas de sala de aula, conforme orientação de Núñez: O professor deve desenvolver saberes e ter competências para superar as limitações próprias dos livros, que por seu caráter genérico, por vezes, não podem contextualizar os saberes como não podem ter exercícios específicos para atender às problemáticas locais. É tarefa dos professores complementar, adaptar, dar maior sentido aos bons livros recomendados pelo MEC. (NÚÑEZ, 2003, pág.3) Portanto, os tópicos desta dissertação buscam ampliar os conhecimentos dos professores sobre algumas atividades mineradoras, além de propiciar aos seus alunos algumas práticas próximas das desenvolvidas por profissionais qualificados que estudam a superfície do planeta Terra. Esses conhecimentos profissionais transpostos ao ambiente escolar têm objetivos como: Mostrar que a formulação da Lei de Atração dos Corpos da Gravitação Universal é usada por profissionais da pesquisa mineral; Ampliar o conceito de álgebra vetorial, ou seja, além do módulo os alunos devem ter atenção na direção e no sentido do campo gravitacional; Mostrar a importância de pequenas flutuações dos valores do módulo do campo gravitacional para a vida profissional de trabalhadores que pesquisam rochas e minerais valiosos. Para execução de tais objetivos, no capítulo 2, são inicialmente verificadas as razões que consolidam o presente trabalho dentro das bases estruturais dos Parâmetros Curriculares Nacionais - Ensino Médio (PCNEMs). 19 Em seguida é mostrada a razão da escolha dos referenciais teóricopedagógicos, neste caso, David Ausubel e Yves Chevallard. O primeiro, pela sua contribuição com o conceito de Aprendizagem Significativa, e o segundo por mostrar a necessidade de adaptar didaticamente textos para o Ensino Médio. No capítulo 3, são apresentados os textos produzidos nesta dissertação: “Conhecendo o centro da Terra”, “Determinando experimentalmente a aceleração da gravidade”, “Gravidade relativa” e “Correções do campo gravitacional”. Os três primeiros textos podem ser tratados diretamente com os alunos do Ensino Médio, uma vez que suas propostas são compatíveis com as formulações conceituais encontradas neste ciclo de aprendizagem. Já o quarto texto possui um maior nível de dificuldade, visando dar subsídios teóricos ao professor perante a complexidade dos trabalhos de Gravimetria. Este texto procura mostrar aos professores situações um pouco mais complexas sobre o campo gravitacional do que as estudados no Ensino Médio. Para introduzir os textos são colocadas algumas instruções metodológicas para seu uso no processo ensino-aprendizagem, finalizando os três primeiros com algumas questões que podem ser trabalhadas com os alunos. Dentro dos textos são colocadas algumas caixas de diálogo provenientes da prática pedagógica. Enquanto algumas caixas apontam situações a serem destacadas no texto, outras procuram esclarecer alguns conceitos aos próprios professores. O primeiro texto, “Conhecendo o centro da Terra”, traz uma análise da experiência de Cavendish, mostrando através de cálculos simples, como foi possível calcular a densidade média da Terra sem ter em mãos todos os materiais constituintes do planeta. Esse cálculo tem o objetivo principal de diferenciar o conceito de investigação direta e indireta, ou seja, a possibilidade extrapolar valores a partir de equações. O segundo texto, “Determinando experimentalmente a aceleração da gravidade”, visa mostrar o princípio de funcionamento de equipamentos de medida do módulo do campo gravitacional na superfície da Terra. Discute, ainda, o porquê do uso do gravímetro ao invés do pêndulo simples na pesquisa mineral. A importância do terceiro texto, “Gravidade relativa” se relaciona com o trabalho de mapas e gráficos, possibilitando aos alunos diferentes linguagens para a 20 representação das grandezas físicas e a analise de problemas de ordem profissional. No quarto texto, “Correções do campo gravitacional”, são estudadas algumas correções necessárias em um trabalho profissional de Gravimetria, indispensáveis para o refinamento das informações coletadas em campo. Esse texto visa principalmente dar subsídios teóricos ao professor sobre as situações vividas pelos geofísicos. No capítulo 4, é apresentada uma análise dos resultados obtidos com a aplicação-teste do texto, “Conhecendo o centro da Terra”, nas turmas B e E, dos segundos anos do Ensino Médio, da Escola Estadual “Dom Silvério”, localizada em Mariana/MG. Finalmente, no capítulo 5 são apresentadas as considerações finais, mostrando o fechamento do trabalho, levando em consideração observações baseadas na teoria de David Ausubel. 21 2- FUNDAMENTAÇÕES TEÓRICO-PEDAGÓGICAS 2.1- Inserção do trabalho nos Parâmetros Curriculares Nacionais A implantação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), de dezembro de 1996, estabelece no Brasil o Currículo Base Nacional Comum (CBC), correspondente a todas as áreas de ensino, sendo dada ao Ensino Médio a identidade final da Educação Básica. Em outras etapas, foram criados os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) e as Orientações Educacionais Complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN+) especificas para todas as áreas do conhecimento estudadas no Ensino Médio. A Física ficou associada à área de Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias, que pretende explicitar as habilidades básicas e as competências específicas a serem desenvolvidas pelos professores (RICARDO, 2003). A inovação das orientações trazidas tanto pela LDB quanto pelos PCNEMs e PCNs+ consiste em indicar a necessidade da educação escolar estar em harmonia com os ambientes de trabalho no qual as escolas de Ensino Médio estão inseridas. Seguem trechos dos PCN+ das Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias compatíveis com a proposta de contextualização dos tópicos de gravitação com a pesquisa mineral. Especialmente em sua versão pré-universitária, o ensino médio tem se caracterizado por uma ênfase na estrita divisão disciplinar do aprendizado. Seus objetivos educacionais se expressavam e, usualmente, ainda se expressam em termos de listas de tópicos que a escola média deveria tratar, a partir da premissa de que o domínio de cada disciplina era requisito necessário e suficiente para o prosseguimento dos estudos. Dessa forma, parecia aceitável que só em etapa superior tais conhecimentos disciplinares adquirissem, de fato, amplitude cultural ou sentido prático. Por isso, essa natureza estritamente propedêutica não era contestada ou questionada, mas hoje é inaceitável. (BRASIL, 2002, p.8) A citação anterior evita que a proposta do Ensino Médio seja simplesmente preparatória para o vestibular ou para um curso profissionalizante, gerando a 22 necessidade de um tratamento mais contextualizado dos assuntos abordados nas escolas. Há, no entanto, problemas para a transição do ensino tradicional ao idealizado dentro do PCN+, sendo um a formação deficitária de professores. Ricardo e Zylbersztajn (2007) apontam problemas como: a falta de políticas educacionais que viabilizassem tais discussões, a não-formação continuada dos professores e a carência de ações efetivas para modificar a estrutura escolar ainda centralizadora e apoiada em cargas horárias pesadas para os docentes. Na elaboração do programa de ensino de cada uma das quatro disciplinas, está se levando em conta o fato de que elas incorporam e compartilham, de forma explícita e integrada, conteúdos de disciplinas afins, como Astronomia e Geologia. Da mesma forma, aspectos biológicos, físicos, químicos e matemáticos, presentes nas questões tecnológicas, econômicas, ambientais ou éticas das relações interpessoais e do sistema produtivo e dos serviços, serão tratados como contexto em que se desenvolve o conhecimento científico, e não em separado, como apêndices ou aplicações de uma ciência básica. (BRASIL, 2002, p.24) Para que se possa conduzir o ensino conforme citação anterior, a tabela 01 mostra a síntese de linguagens compartilhadas pelas ciências, que podem promover competências necessárias aos alunos no processo educacional. TABELA 01: Linguagens compartilhadas pelas ciências Fonte: PCN+, 2002 23 Consequentemente, um trabalho que ensine tópicos de gravitação com base na Gravimetria necessita de um tratamento didático para que os alunos reconheçam em termos práticos os códigos científicos, transpostos da pesquisa mineral, a partir de textos, equações, diagramas e gráficos. Para tal pretensão, esta dissertação visa análises educacionais baseadas em temas educacionais atuais, tais como o descobrimento de jazidas minerais e de petróleo em sua camada pré-sal, tão divulgadas na atualidade. Caberá sempre ao professor, dentro das condições específicas nas quais desenvolve seu trabalho, em função do perfil de sua escola e do projeto pedagógico em andamento, selecionar, priorizar, redefinir e organizar os objetivos em torno dos quais faz mais sentido trabalhar. (BRASIL, 2002, p.62) Sabe-se atualmente que grande parte dos professores de Física do Ensino Médio não é licenciada, ou fez apenas uma complementação de curso para poder lecionar. A presente proposta oferece um material com maior amadurecimento dentro das novas concepções de educação. 2.2- Critérios para a escolha dos referenciais teórico-pedagógicos Para a elaboração dos textos foi necessário fazer algumas reflexões sobre as transformações dos conteúdos científicos, no caso conhecimentos de Gravimetria, em conteúdos escolares. Essa dificuldade baseia-se na diferença significativa entre o campo profissional e o mundo vivenciado pelos alunos do Ensino Médio. Consequentemente, a escolha dos referenciais teórico-pedagógicos adotados seguiu os seguintes critérios: 1- O contexto no qual a escola está inserida; 2- Fazer com que o conteúdo científico possa ser compartilhado com os alunos de forma que tenham uma participação ativa em sua construção. Para atender ao primeiro critério proposto foi escolhida a Escola Estadual “Dom Silvério” para a aplicação inicial do trabalho. Essa escolha foi feita porque ela se localiza no município de Mariana, que está inserido no Quadrilátero Ferrífero do 24 Estado de Minas Gerais e, consequentemente, tem grande parte de suas divisas econômicas originárias de impostos pagos por grandes empresas mineradoras que estão instaladas ao seu redor. Por conseguinte, uma parcela significativa dos alunos tem vontade de conhecer a realidade vivida por essas empresas. Para atender o segundo critério foi-se buscar respostas em dois referenciais teóricos da educação: David Ausubel, com sua Teoria da Aprendizagem Significativa, e Yves Chevallard, que aborda a transposição didática. A escolha de Ausubel é porque ele preconiza que para haver retenção de conhecimentos na estrutura cognitiva do aluno são necessárias duas condições: o aluno precisa ter uma pré-disposição para aprender e o conteúdo a ele fornecido deve ser potencialmente significativo. (AUSUBEL, 2003) Como os conhecimentos de Gravimetria se encontram próximos à vivência dos alunos das regiões mineradoras e também fazem a análise do campo gravitacional na superfície da Terra, pressupõe-se que os alunos possam se interessar pelos trabalhos de profissionais como os geofísicos e os geólogos. A escolha de Yves Chevallard está relacionada ao fato do conhecimento científico aplicado nas empresas não ser o mesmo conhecimento vivido nas escolas do Ensino Médio, uma vez que no ambiente escolar os alunos não possuem instrumentos lógicos para entender de imediato o que está no mundo dos pesquisadores. Consequentemente, os textos criados são modificados de uma linguagem encontrada em textos científicos de Gravimetria para uma linguagem acessível aos alunos do Ensino Médio, realizando uma mudança que é denominada transposição didática. Pode-se então tratar o termo transposição didática como o conjunto de transformações sofridas pelo saber científico, antes de ser ensinado na escola, ou seja, da escolha do saber a ensinar à sua adaptação ao sistema didático. Pretende-se, desta forma abordar alguns tópicos de gravitação para serem usados por professores em turmas do Ensino Médio com o auxílio de conhecimentos de Gravimetria objetivando enriquecer o currículo escolar. 25 2.3- Aprendizagem significativa Ausubel (2003) cita que no processo de aprendizagem significativa, há uma hierarquização dos conceitos presentes na estrutura cognitiva, que são abstrações da experiência do indivíduo. Os conceitos, já existentes na estrutura cognitiva do indivíduo, são denominados subsunçores (ou conceitos subsunçores). Então, no processo de formação da estrutura cognitiva, para que os aprendizes consigam mais facilmente adquirir os novos conhecimentos apresentados pelo professor é necessária a interação destes conceitos com os subsunçores, para haver uma ancoragem do novo conteúdo potencialmente significativo. Uma suposição para elaboração desta dissertação é que os alunos das proximidades de áreas mineradoras se interessam pelo trabalho das empresas do seu entorno, por isso a Gravimetria pode tornar o aprendizado mais significativo. Segundo Ausubel (2003) para tornar a aprendizagem significativa pode-se usar de alguns facilitadores da aprendizagem, dentre eles os organizadores prévios. Organizadores prévios são materiais introdutórios com um nível mais alto de abstração, generalidade e inclusividade, para servir de ponte entre o que o aprendiz já sabe e o que deveria saber. Para Ausubel, a fundamentação lógica para a utilização dos organizadores baseia-se essencialmente em: 1. A importância de se possuírem idéias relevantes, ou apropriadas, estabelecidas, já disponíveis na estrutura cognitiva, para fazer com que as novas idéias logicamente significativas se tornem potencialmente significativas e as novas idéias potencialmente significativas se tornem realmente significativas (i.e., possuírem novos significados), bem como fornecer-lhes uma ancoragem estável. 2. As vantagens de se utilizarem as idéias mais gerais e inclusivas de uma disciplina na estrutura cognitiva como idéias ancoradas ou subsunçores, alteradas de forma adequada para uma maior particularidade de relevância para o material de instrução. Devido à maior aptidão e especificidade da relevância das mesmas, também usufruem de uma maior estabilidade, poder de explicação e capacidade integradora inerentes. 3. O fato de os próprios organizadores tentarem identificar um conteúdo relevante já existente na estrutura cognitiva (e estarem explicitamente relacionados com esta) e indicar, de modo explícito, a relevância quer do conteúdo existente, quer deles próprios para o novo material de aprendizagem. (AUSUBEL, 2003, p. 12) 26 Espera-se que com a aplicação das idéias contidas nos textos pelos professores, os alunos retenham em suas estruturas cognitivas novas informações significativas e tenham seus conhecimentos subsunçores modificados. A proposta do trabalho é buscar a aprendizagem significativa, processo que visa diferenciar progressivamente a estrutura cognitiva, fazendo a reconciliação integradora de modo a identificar semelhanças e diferenças e reorganizar seu conhecimento. 2.4- Transposição didática A ciência ensinada na escola não é a mesma elaborada pelos cientistas. Pode até parecer que a mudança do conhecimento científico ao conhecimento escolar é prejudicial à ciência. Porém, se por um lado, parte do conhecimento científico é perdida e/ou transformada, por outro a mudança é necessária para que os alunos possam entender pelo menos parte significante do pensamento da ciência. Para Chevallard citado por Rosa (2006), o saber ensinado é diferente do saber sábio, não apenas porque acaba sendo diferente, por contingência, mas porque ele assim o é em essência, porque serve para atender às demandas do contexto escolar, que possui uma dinâmica própria. Para um estudo da mudança dos saberes científicos aos alunos do Ensino Médio é necessário fazer a distinção entre as esferas do saber, que segundo Chevallard citado por Brockington e Pietrocolla (2005, p. 396), se classificam em: o Saber Sábio, o Saber a Ensinar e o Saber Ensinado O Saber Sábio está relacionado ao mundo dos cientistas. Uma percepção necessária para elaboração deste trabalho é que o conhecimento de Gravimetria aplicado à pesquisa de minerais de valor econômico encontra-se com os geólogos, geofísicos, entre outros profissionais ao trabalharem no estudo real da superfície da Terra. Esse conhecimento de ponta, ou não é publicado por sigilo ou é publicado em revistas especializadas, congressos e periódicos científicos. O Saber a Ensinar trata da primeira mudança do conhecimento científico. Reflete-se na literatura oferecida aos professores e aos alunos para uma linguagem 27 mais próxima da realidade destes. O conhecimento passa a ter novas estruturas, que devem conter a forma didática para apresentá-lo aos alunos. Esses textos modificados vão aparecer em materiais como os livros didáticos, os roteiros de estudo, os guias de laboratório, dentre outros materiais educacionais (PAIS, 2008). Finalmente, o Saber Ensinado, que é a parte final da transposição didática, não coincide com aquele apresentado pelos professores. Desta forma o Saber a Ensinar não coincide com o Saber Ensinado. Nessa esfera há, portanto, o predomínio de valores didáticos, pois agora a finalidade desta transposição está voltada para o trabalho do professor em sua prática diária. Assim, a didática entra nessa relação como uma forma de aperfeiçoar as conexões feitas nos materiais frente às informações que se deseja repassar aos alunos (BROCKINGTON; PIETROCOLLA, 2005). Assim, o termo transposição didática pode ser entendido como um conjunto de mudanças que o conhecimento científico deve sofrer, para que possa ser entendido da melhor forma possível pelos alunos. 2.5- A sobrevivência dos saberes Os saberes ensinados na escola devem ser formulados pela interação entre o sistema escolar, o conhecimento científico e o entorno social. Portanto, para elaboração dos textos foi levado em conta a noosfera, que pode ser entendida a partir da análise da citação a seguir: O estudo da trajetória percorrida pelo saber escolar permite visualizar as influências recebidas do saber científico, bem como de outras fontes. São influências que moldam não só o aspecto conceitual como também didático, em consequência da defesa do pressuposto que as praxeologias matemáticas e didáticas são indissociáveis. O conjunto das fontes de influências que atuam na seleção dos conteúdos que deverão compor os programas escolares e determinam todo o funcionamento do processo didático recebeu de Chevallard, o nome de noosfera, da qual fazem parte cientistas, professores, especialistas, políticos, autores de livros e outros agentes da educação. O resultado do trabalho seletivo da noosfera resumese não só à determinação dos conteúdos, como também influencia a estruturação dos valores, dos objetivos e dos métodos que conduzem a prática de ensino. Essa é a idéia da transposição didática, entretanto, devemos retornar a ela varias vezes na busca de sua essência (PAIS, 2008, p. 16). 28 O que deve ser objetivo dos agentes da noosfera é a melhoria do ensino, assim ela deve regular o processo de ensino e aprendizagem de maneira eficiente. Chevallard citado por Brockington e Pietrocolla (2005), define algumas características necessárias durante a transposição didática do Saber Sábio: 1- Ser consensual: o conteúdo a ser ensinado deve ter pelo menos durante sua apresentação aos alunos um status de verdade, histórica ou de atualidade. A Gravimetria é hoje um conhecimento de ponta, logo os conhecimentos nela contidos são atuais. 2- Ser pertinente: o conhecimento deve ter dois tipos de atualidade: a) Moral: o saber deve estar adequado à sociedade. Baseada nesta característica, a Gravimetria se encontra ligada à sociedade localizada no entorno das escolas de regiões mineradoras; b) Biológica: o saber deve possuir uma atualidade em relação à ciência praticada. A Geofísica é hoje uma ciência que está bem estruturada e de grande relevância para as novas descobertas científicas. 3- Ter operacionalidade: o Saber a Ensinar deve ser capaz de gerar exercícios, produzir atividades e tarefas que possibilitem uma avaliação objetiva. Assim, ao final de alguns textos são colocadas questões e/ou atividades que podem ser executadas por alunos do Ensino Médio. 4- Ter Criatividade Didática: implica na criação de um saber com identidade própria no contexto escolar. Os textos criados tentam fazer que assuntos complexos vividos por profissionais especializados possam ter sua base conceitual transformada em um material mais simples, que possa ser analisada por alunos do Ensino Médio. Trata-se da parte mais difícil do trabalho, pois a Gravimetria requer um conhecimento matemático sofisticado, que não pode ser passado na íntegra para os alunos. Nesse ponto há uma reconfiguração dos conceitos, tornando-os possíveis de serem vislumbrados no Ensino Médio. 29 Um problema possível nessa mudança é a realidade vivida em algumas escolas de Ensino Médio, na qual muitos alunos demonstram grande dificuldade de realização de cálculos elementares. Esse fato é o reflexo da fragilidade dos subsunçores. 5- Dar resultados positivos em testes in loco: os saberes devem gerar resultados quando aplicados em sala de aula. Assim, haverá avaliações para ver se o aprendizado é ou não plausível de ser ensinado a novas turmas do Ensino Médio. Astolfi, citado por Brockington e Pietrocolla (2005), elaborou cinco regras que deveriam ser observadas durante o processo de Transposição Didática, permitindo melhor descrever a dinâmica de transformação do saber e que complementam a idéia original da sobrevivência dos saberes. Essas regras são: modernizar o saber escolar, atualizar o saber a ensinar, articular o saber “novo” com o “antigo”, transformar um saber em exercícios e problemas e tornar um conceito mais compreensível. A proposta de atualização do saber desta dissertação foi feita para regiões mineradoras, em que o conhecimento de Gravimetria fornece as idéias para a contextualização para o sistema de ensino. Entretanto, como os textos mostram uma análise da Gravimetria compatível com o Ensino Médio e as riquezas minerais são estudadas em todas as regiões, uma suposição é que os textos também possam ser usados nas demais localidades brasileiras. 30 3- O PRODUTO O conjunto de textos de gravitação elaborados tem como objetivo melhorar o processo ensino-aprendizagem. Sua elaboração tem a intenção de criar um material de apoio didático a ser usado pelos professores do Ensino Médio como um complemento ao ensino tradicional. Os textos fazem a articulação do que já é tratado rotineiramente nas aulas do Ensino Médio, com as propostas contidas nos PCNs, ou seja, associam os conhecimentos já divulgados nos livros didáticos com a realidade do mundo do trabalho. Para que os textos de gravitação chegassem a sua forma final, utilizou-se dos conceitos aprendizagem significativa de David Ausubel e de transposição didática de Yves Chevallard. O processo de aprendizagem significativa parte das seguintes premissas: para haver maior retenção dos conceitos é necessário que os alunos queiram aprender e que a eles sejam oferecidos pelos educadores materiais potencialmente significativos que interajam com sua estrutura cognitiva. A idéia aqui proposta é que os textos baseados nos conceitos de Gravimetria, que fazem parte dos trabalhos da pesquisa mineral, tornem mais estimulante o ensino dos tópicos de gravitação. Já o conceito de transposição didática fundamenta-se no princípio que os trabalhos de Gravimetria feitos pelos geólogos e geofísicos não são compatíveis com as estruturas conceituais dos alunos do Ensino Médio. Essa característica se reflete em equações que não são escritas em suas formas diferenciais e em tabelas e gráficos simplificados e que necessitam de menor grau de abstração mental dos que os encontrados nos textos originais. Dentro dos textos de apoio didático ao professor são comuns as relações da Gravitação com a análise histórica, com conceitos de astronomia ou com aplicativos computacionais, porém mesmo tais materiais não fazem relações com o mundo profissional de regiões mineradoras. As construções de textos baseados nos trabalhos gravimétricos enfatizam os olhares educacionais diretamente ao que acontece na Terra, mostrando: 31 Alguns princípios físicos para medir o campo gravitacional na superfície do planeta; Os equipamentos utilizados em trabalhos profissionais; As análises dos resultados efetuadas por profissionais visando às possíveis associações com as rochas do interior do planeta; As correções necessárias para a sofisticação dos trabalhos. Para concretizar tal pretensão a estrutura básica dos textos do produto foi dividida em: - Instruções gerais aos professores: são as idéias norteadoras dos textos, com o objetivo de informar aos professores o motivo de sua formulação e a estrutura metodológica para trabalhá-los com seus alunos; - Texto a ser trabalhado: textos criados para serem usados como organizadores prévios do estudo dos tópicos de Gravitação, ou seja, são os elementos que fazem a ligação do Saber Ensinar e o Saber Ensinado. Relembrando, a base teórico-pedagógica de tais textos é a teoria da Aprendizagem Significativa, segundo a qual para que o conhecimento possa ser mais facilmente retido na estrutura cognitiva é necessário que ele interaja com conhecimentos já existentes dentro desta. Considerando que antes da aplicação dos textos os alunos já estudaram os tópicos de Gravitação, os textos criados possuem maior complexidade dos que os já tratados no Ensino Médio e servirão de ligação entre o que o aluno sabe de gravitação e o que deve saber. - Conjunto de questões sobre o tema: conjunto de questões sugeridas nos dois primeiros textos, para fazer com que o professor consiga interagir com os alunos e perceber se a aprendizagem foi ou não significativa. No terceiro texto é proposta a análise de um perfil gravimétrico para que os alunos se aproximem das análises feitas pelos geofísicos. 32 3.1- Conhecendo o centro da Terra 3.1.1- Instruções gerais ao professor A fim de analisar as atividades dos alunos, é bom o professor conhecer parte de um estudo sobre a resolução de problemas de Física, mostrado em um estudo feito por G. Polya citado por Peduzzi (1997), o qual propõe os seguintes passos para a resolução de problemas: 1. Ler o enunciado do problema com atenção, buscando à sua compreensão; 2. Representar a situação-problema por desenhos, gráficos ou diagramas para melhor visualizá-la; 3. Listar os dados (expressando as grandezas envolvidas em notação simbólica); 4. Listar a(s) grandeza(s) incógnita(s) (expressando-a(s) em notação simbólica); 5. Verificar se as unidades das grandezas envolvidas fazem parte de um mesmo sistema de unidades; em caso negativo, estar atento para as transformações necessárias; 6. Analisar qualitativamente a situação problema, elaborando as hipóteses necessárias; 7. Quantificar a situação-problema, escrevendo uma equação de definição, lei ou princípio em que esteja envolvida a grandeza incógnita e que seja adequada ao problema; 8. Situar e orientar o sistema de referência de forma a facilitar a resolução do problema; 9. Desenvolver o problema literalmente, fazendo as substituições numéricas apenas ao seu final ou ao final de cada etapa; 10. Analisar criticamente o resultado encontrado; 11. Registrar, por escrito, as partes ou pontos chave no processo de resolução do problema. (POLYA apud PEDUZZI, 1997, p.239) Para que os alunos consigam se orientar em seus trabalhos, é necessário que o próprio professor utilize estas etapas ao resolver os problemas, evitando fazer com que eles pareçam meros exercícios de substituição numérica. Durante a apresentação do texto é necessário diferenciar medidas diretas e indiretas. As medidas diretas são obtidas da leitura do próprio instrumento de medida. Já as medidas indiretas são aquelas derivadas, geradas com o auxílio de equações. Exemplo: a área de uma superfície, volume de um corpo ou a vazão de um rio ou canal. 33 Exemplificando, quando calculamos a área (A) de um quadrado a medida de um dos lados (l) pode ser aferida diretamente, por exemplo, por uma régua graduada, entretanto a área é obtida indiretamente pela fórmula A = l². Outra etapa necessária é a análise crítica dos resultados. Ou seja, não adianta simplesmente dizer aos alunos que a densidade média da Terra é 5,5g/cm³ e sim, mostrar que este valor é incompatível com os valores dos materiais encontrados na superfície da Terra. 3.1.2- Texto 1: Conhecendo o centro da Terra Alguns assuntos educacionais da atualidade referem-se aos tópicos científicos que estão difundidos nas revistas, jornais, internet e outras possíveis fontes de informação. Essas informações científicas mostram como no exemplo da figura 01, como varia a densidade do interior do planeta. Quem os lê, em sua maioria, não questiona como é possível saber tais dados com tanto rigor. Durante a aula, perguntar como foram obtidos os valores de densidade das camadas interiores da Terra, para gerar uma discussão sobre grandezas diretas e indiretas. Figura 01: Camadas Geológicas da Terra Fonte: Adaptado da Wikipédia 34 Na prática, para entender os dados relacionados às densidades no interior do planeta, contidos na figura, é necessário saber que a análise científica consiste de investigações diretas e indiretas. A investigação direta é aquela que você pode medir os dados de amostras que se tem em mãos. Por exemplo, mede-se o comprimento de uma mesa usando uma régua. Simetricamente, o valor do módulo campo gravitacional da Terra na superfície pode ser medido diretamente usando um gravímetro (o princípio de funcionamento de um gravímetro de mola será discutido em um próximo texto). Na investigação indireta tem-se que fazer inferências. Por exemplo, para ter o valor da área de um retângulo devem-se medir seus lados e usar a fórmula matemática adequada. Analogamente, para calcular a densidade média dos materiais do interior do planeta deve-se ter uma equação que relacione suas densidades com grandezas que possam ser medidas na superfície, uma vez que conforme a profundidade em que o material se encontra, não é possível coletar suas amostras. Para se ter uma idéia, a profundidade da perfuração que retirou as amostras de rochas mais profundas do planeta (furo de sonda) tem 12,4km. Sabe-se que a Terra tem em média 6.378km de raio, consequentemente as amostras mais profundas retiradas não alcançam nem 0,2% ( de profundidade em relação ao raio da Terra. Porém, quando abrimos textos científicos encontramos valores como os tabelados na figura 01. Então como os pesquisadores sabem dos valores de densidades com tamanho rigor, se ninguém conseguiu chegar por meio direto ao interior da Terra? A resposta a essa questão está na Geofísica e seus métodos de investigação indireta. Mas, mesmo antes do grau de refinamento de dados geológicos e geofísicos existentes atualmente, Henry Cavendish (1731-1810), físico e químico britânico, com reconhecida habilidade pela acurácia de suas medições, usou a balança de torção para obter o valor da constante gravitacional G, o que lhe possibilitou determinar a densidade média da Terra. A balança de torção (figura 02) é um aparelho baseado num grande braço de alavanca que age como um multiplicador do efeito de forças. Esse braço estabelece um torque assim que as massas m e M são aproximadas umas das outras, 35 possibilitando que mesmo uma força de baixa intensidade, como a interação gravitacional entre dois pequenos corpos possa ser medida. Assim, para a medida da força gravitacional, Cavendish colocou duas esferas de iguais massas nas suas extremidades. Quando outras esferas são aproximadas destas, a atração gravitacional entre elas provoca um torque, girando a barra de um ângulo muito pequeno. Esse ângulo pôde ser medido com o auxílio de um feixe de luz que incide sobre o espelho acoplado à balança. A partir deste ângulo foi possível determinar a força que provocou o torque na balança. Assim, conhecidas as massas e as forças de origem gravitacional, Cavendish pôde calcular com grande precisão o valor da constante gravitacional G e consequentemente tem ainda hoje seu nome associado à constante gravitacional. Figura 02: Experiência de Cavendish Fonte: http://profs.ccems.pt/PauloPortugal/PHYSICA/Cavendish/Cavendish.htm Cavendish então mediu indiretamente a massa da Terra utilizando a equação da força gravitacional associada ao valor da constante gravitacional por ele calculada. Para que seja possível fazer uma análise numérica condizente com o Ensino Médio, pode-se mostrar um raciocínio similar ao de Cavendish para calcular a densidade média da Terra através da investigação indireta. Esse raciocínio pode ser mostrado em um exercício que parte de duas pequenas massas colocadas próximas uma da outra e interagindo com uma força de atração gravitacional de 6,7x10-9N. Sabendo que uma das massas tem 10kg, a 36 outra 100g e a distância entre elas é 10cm, calcula-se inicialmente o valor da constante gravitacional. Não se esqueça das estratégias de resolução de problemas anteriormente descritas. Figura 03: Força de interação gravitacional Fonte: dados pessoais Partindo da equação, , em que Fg é a força gravitacional; G é a constante gravitacional; M e m são as massas aproximadas e r a distância entre as massas, chega-se ao valor da constante gravitacional que poderá ser usada em todos os cálculos derivados da força gravitacional. Resolução para mostrar aos alunos. Dados: F=6,7x10-9N M=10kg m=100g = 10-1kg r=10cm = 10-1m Pede-se: G Cálculos 37 O volume de uma esfera é calculado matematicamente pela equação , onde r é o raio da esfera. Considerando o valor médio aproximado do raio da Terra 6,4x106m e que ela pode ser aproximada por uma esfera, obtém-se o volume aproximado a seguir. Resolução para mostrar aos alunos. Dados: r=6,4x106m Pede-se: V Cálculos 38 Segundo Binney e Tremaine (1994), Newton, antes mesmo dos cálculos de Gauss, provou dois teoremas que permitem-nos calcular a força gravitacional de qualquer distribuição esférica de massa de forma muito simples. 1o Teorema: Um corpo que está no interior de uma casca esférica de matéria não sente nenhuma força gravitacional líquida (resultante) da casca. 2o Teorema (que o ocupou por mais de 10 anos): A força gravitacional sobre um corpo que se encontra externamente a uma casca esférica de matéria é a mesma que seria encontrada se toda a massa da casca esférica estivesse concentrada em seu centro. Newton sabia que a força gravitacional calculada baseada na terceira Lei de Kepler não é estritamente verdadeira, mas é valida apenas na situação em que a Terra é reduzida a um ponto. O resultado mostrado por Newton pode ser atualmente deduzido através do teorema da divergência, elaborado por Gauss (1777-1855) escrito a seguir: Esse teorema expressa que o fluxo do campo gravitacional através de uma superfície fechada é proporcional à massa contida dentro da mesma superfície. Uma conseqüência é que uma massa pontual exterior a esfera é atraída pelo campo gravitacional como se toda massa estivesse em seu centro. A lei de Gauss é aplicada em problemas com simetria nos corpos geradores de campo gravitacional, facilitando a resolução de muitos problemas que seriam de difícil resolução por integração direta. 39 Medidas atuais mostram que o módulo do campo gravitacional médio da Terra é aproximadamente 9,8N/m e sabe-se que a força de interação gravitacional entre a Terra e um corpo em sua superfície é denominada peso do corpo. Através do teorema de Gauss, calculado para uma distribuição esférica, considera-se a massa total da Terra localizada em seu centro e iguala-se então a força de atração gravitacional com o peso (o peso é a força gravitacional para corpos na superfície de um planeta), calculando a massa da Terra (M): em que g é o módulo do campo gravitacional, G é a constante gravitacional, M é a massa da Terra e r é o raio da Terra. Logo a massa da Terra calculada é: Como a densidade absoluta ou massa específica é dada pela razão entre a massa m e o volume V , pode-se então concluir numericamente o exercício, calculando o valor médio para a densidade média da Terra. Questione os alunos sobre o valor da densidade da Terra como um todo, ser maior do que a das rochas encontradas na superfície. 40 Para fazer a análise qualitativa do exercício pode-se partir do princípio que o conhecimento do valor médio da densidade da Terra foi muito interessante para Cavendish e para todos os cientistas que trabalham no estudo do planeta, porque a densidade aproximada da água (1g/cm3) e das rochas encontradas na superfície terrestre (~2,7g/cm3) tem valores menores do que o calculado. Esses valores sugerem que o interior da Terra deve ser necessariamente composto por materiais com maior valor de densidade dos que os citados, para que a densidade do conjunto aumente. Claro que para análise mais sofisticada da parte central da Terra usou-se outras tecnologias e métodos, mas o principal é que desde a determinação da densidade média da Terra como um todo passou a existir um pensamento para propor novas idéias em busca de uma melhor análise do interior do planeta. Assim, com o avanço das técnicas geofísicas foi possível fazer a divisão das camadas do planeta como na figura 01, inicialmente analisada e também redesenhar estruturas geológicas próximas a superfície partindo da análise do campo gravitacional e outras técnicas geofísicas. Como na pesquisa mineral é interessante o conhecimento da distribuição espacial das rochas, os conhecimentos de Gravimetria passam a ser indispensáveis aos geofísicos para que possam tomar decisões mais rápidas e baratas para analisar as rochas abaixo da superfície. Uma consequência importante para as empresas mineradoras é a diminuição dos custos dos trabalhos na pesquisa de minerais, pois conhecendo melhor as rochas faz-se a diminuição da área a ser estudada. Concluindo, pode-se dizer que a partir dos valores das variações do campo gravitacional terrestre, é possível obter informações do material que se encontra no interior da Terra por meio de investigação indireta. Para finalizar a proposta deste texto, é bom que os alunos trabalhem em grupos fazendo os exercícios indicados a seguir. 41 3.1.3- Questões que podem ser discutidas com os alunos 1- Se nosso planeta fosse composto exclusivamente por água e aproximando a Terra por uma esfera, qual seria o valor do campo gravitacional na superfície formada? 2- Observe a tabela a seguir retirada de livros geológicos: Rocha Densidade (g/cm³) Granito 2,7 Basalto 3,0 Quartzito 2,65 Arenito 2,0 TABELA 02: Densidade das principais rochas da superfície terrestre Fonte: dados pessoais Se toda a Terra fosse constituída por basalto, que possui uma das maiores densidades encontradas na natureza, o que você poderia concluir sobre o módulo do campo gravitacional? 42 3.2- Determinando experimentalmente a aceleração da gravidade 3.2.1- Instruções gerais ao professor A determinação do módulo do campo gravitacional por um pêndulo simples é uma atividade experimental importante no processo ensino-aprendizagem, mas é bom ressaltar que a imprecisão de tal experimento não é condizente com os trabalhos de Gravimetria. Mesmo sabendo da imprecisão do pêndulo simples, deve-se ter em mente o pensamento a seguir: (...) o uso de atividades experimentais como estratégia de ensino de Física tem sido apontado por professores e alunos como uma das maneiras mais frutíferas de se minimizar as dificuldades de se aprender e de se ensinar Física de modo significativo e consistente. Nesse sentido, no campo das investigações nessa área, pesquisadores têm apontado em literatura nacional recente a importância das atividades experimentais. (ARAÚJO; ABID, 2003, p.176) Como conseqüência, o experimento do pêndulo simples pode oferecer aos alunos as seguintes motivações: despertar a curiosidade, demonstrar de maneira simples o conceito de campo gravitacional; possibilitar aos alunos a manipulação de objetos que permitam calcular o campo gravitacional em um ponto da superfície terrestre. Também podem ser trabalhados em conjunto com o experimento os erros das medidas que vão justificar a razão pela qual os trabalhos científicos necessitam de equipamentos mais sofisticados. No caso da Gravimetria, para medir o módulo do campo gravitacional são usados os gravímetros. No anexo A, mostra-se um experimento com o pêndulo simples, cujo resultado mostra uma imprecisão na segunda casa decimal, que é incompatível com a pesquisa mineral, que trabalha com valores bem mais refinados. 43 3.2.2- Texto 2: Determinando experimentalmente a aceleração da gravidade Hoje, sabe-se que o módulo do campo gravitacional não é o mesmo em todos os pontos da superfície terrestre. Os livros didáticos do Ensino Médio mostram sua variação com a latitude e a altitude, não levando em consideração a variação devida às rochas abaixo da superfície. Nos trabalhos de Gravimetria, o principal fator a ser analisado é a relação do campo gravitacional com a densidade das rochas no interior da crosta, principalmente as mais próximas à superfície. Assim, busca-se através do campo gravitacional separar rochas pela diferença de densidade. Por isso, em trabalhos práticos, para analisar pontos internos à superfície deve-se levar em conta a necessidade de instrumentos que dêem respostas a perguntas como: 1) Qual a grandeza que se pode medir na superfície que dê informações sobre o que há abaixo da superfície? 2) Quais os aparelhos usados para medir essa grandeza? 3) Como interpretar os seus resultados? Para responder a primeira pergunta pode-se afirmar que as rochas possuem propriedades elétricas, magnéticas, dentre outras, que podem ser medidas através de interações de campos elétricos e magnéticos gerados artificialmente ou mesmo campos de origem natural. Como a variação do campo gravitacional em um ponto da superfície terrestre depende da densidade nas rochas abaixo do solo, uma grandeza que se pode medir em superfície para estimar o valor da densidade das rochas é o módulo do campo gravitacional. Respondendo a segunda pergunta, os aparelhos a serem usados são, por exemplo: multímetros, magnetômetros, etc. Para medir o módulo do campo gravitacional usa-se o gravímetro. A resposta à terceira pergunta se dá em cálculos feitos a partir da interpretação de mapas e perfis que são comparados a outros que tem 44 configurações já conhecidas. Assim, para saber o valor da densidade das rochas analisam-se mapas e perfis gravitacionais. 3.2.2.1- Pêndulo simples Um pêndulo simples consiste em uma partícula com certa massa suspensa por um fio ideal. Quando a partícula é deslocada ligeiramente de sua posição de equilíbrio, ela passa a oscilar em um movimento periódico sob a ação do campo gravitacional terrestre. Entende-se por período de oscilação de um pêndulo simples, o tempo necessário para que a partícula mova-se da sua posição inicial até sua posição final, retornando ao ponto de partida (figura 04). O professor deve ficar atento se fizer o experimento do pêndulo simples com os alunos. Alguns costumam errar no valor do período, utilizando apenas o tempo de saída da posição inicial até a posição de retorno. Outra atitude significante é tomar a medida de várias oscilações completas, para que o erro calculado fique menor. Figura 04: Posições do pêndulo simples Fonte: arquivo pessoal O período de oscilação de um pêndulo simples pode ser medido diretamente, sendo que a expressão aproximada para pequenas amplitudes de oscilação é dada pela seguinte equação: 45 Em que T é período oscilação do pêndulo, de o comprimento do pêndulo e g o módulo do campo gravitacional FIGURA 14: decomposição de forças Fonte: arquivo pessoal FIGURA 05: Movimento de oscilação de um pêndulo simples Fonte: arquivo pessoal A equação para o cálculo do período de oscilação pode ser modificada para calcular o módulo da aceleração da gravidade em um ponto, ficando com a configuração a seguir: Em trabalhos científicos o experimento do pêndulo simples requer a consideração de muitos detalhes para poder obter valores precisos do módulo da aceleração da gravidade. Por isso, em levantamentos gravimétricos, usam-se equipamentos denominados gravímetros. Para se ter a noção da imprecisão do pêndulo simples apesar dos erros das medidas situarem-se na determinação do comprimento e no período de oscilação do 46 pêndulo, em trabalhos usados em sala de aula a imprecisão fica em valores bem superiores aos usados em Gravimetria. 3.2.2.2- Gravímetro O gravímetro é um aparelho formado essencialmente por uma massa suspensa por uma mola de grande sensibilidade que, como qualquer mola, submetida a pequenas deformações, obedece a Lei de Hooke (figura 06). O nível de complexidade do conjunto de peças que compõe um gravímetro de molas é muito grande, desta forma durante a apresentação dos conceitos aos alunos deve-se apenas visualizar os princípios de funcionamento do mesmo, analisando apenas a deformação de uma única mola. Figura 06: Desenho esquemático de um gravímetro de mola. Fonte: UFPR (Adaptado de Lacoste & Romberg, 1988) 47 Para então medir o valor do campo gravitacional em um ponto da superfície, coloca-se neste o gravímetro e verifica-se a deformação da mola, que é calibrada para fazer a leitura direta. A figura 07 mostra a deformação de uma mola devido à interação gravitacional. 1) Posição de equilíbrio sem atuação gravitacional 2) Mola deformada pelo campo gravitacional Figura 07: Deformação da mola pela ação de um campo gravitacional Fonte: arquivo pessoal A situação 1 é apontado um sistema massa-mola na posição de equilíbrio e desprezando a interação gravitacional, enquanto na 2 é mostrada uma nova posição de equilíbrio devido a ação do peso da massa de prova. Consequentemente, em 2, para que o sistema fique em equilíbrio a resultante das forças deve ser nula, logo o módulo da força elástica deve ser igual ao peso. Logo, em que g é o módulo do campo gravitacional, k é a constante elástica da mola, x é a deformação da mola e m a massa de prova. 48 Essa equação oferece um meio de verificar que o campo gravitacional em um ponto pode a ser medida diretamente através da deformação da mola do gravímetro nele instalado. Então, se os pesquisadores têm o valor da constante de deformação da mola (k) e o valor da massa de prova (m), o valor do campo gravitacional é obtido apenas multiplicamos a razão desses valores pelo valor da deformação da mola (x). Voltando agora a terceira questão, a interpretação dos resultados, torna-se necessária a percepção de outra equação, partindo do princípio que a força de atração gravitacional na superfície do planeta é o peso (figura 08), logo: Figura 08: Equivalência entre peso e força gravitacional Fonte: arquivo pessoal Relembrando, para uma distribuição esférica pode-se utilizar o teorema de Gauss, considerando toda a massa da Terra está concentrada no seu centro. Assim, a equação anterior pode ser reescrita da seguinte forma: consequentemente, 49 em que g é o módulo do campo gravitacional, G é a constante gravitacional, M é a massa e r é o raio da Terra. Todavia, em um caso mais próximo da realidade, deveremos usar: Essa equação mostra que para o cálculo do campo gravitacional em um ponto deve-se levar em consideração a soma de todas as massas pontuais que influenciam o resultado. Essa equação indica que o módulo do campo gravitacional do planeta independe da massa de prova, assim quanto maior for o valor das massas que geram o campo gravitacional, maior é o valor do módulo desse campo. Como também é mostrado, o módulo do campo gravitacional depende do inverso do quadrado da distância, então massas mais distantes têm efeitos similares aos de pequenas massas próximas ao gravímetro, desde que a razão da massa pelo quadrado das distâncias seja mesma. Agora, para analisar as rochas que estão próximas ao gravímetro é necessário entrar com o conceito de densidade, mostrado a seguir: em que m é a massa, ρ é a densidade e V é o volume das rochas. Essa equação nos mostra que, quanto maior o valor da densidade das rochas próximas ao corpo de prova do gravímetro, maior a sua contribuição no valor do módulo do campo gravitacional, uma vez que a massa é diretamente proporcional a densidade das rochas. 50 Porém, também se sabe que o campo gravitacional é inversamente proporcional ao quadrado da distância das massas que o geram. Portanto, os geofísicos interpretam os dois parâmetros ao mesmo tempo. Para analisar um pouco as idéias contidas no trabalho de um geofísico, vamos analisar os esquemas hipotéticos a seguir: Esquema 1 Esse esquema mostra uma camada rochosa aproximada por uma placa horizontal de grande tamanho e com densidade constante. Uma camada rochosa pode ser considerada infinita quando seu comprimento e largura são muito maiores que sua espessura e quando se está longe das bordas. A equação usada para calcular o módulo do campo gravitacional na superfície (cálculo da equação no anexo B) gerado por uma placa infinita longe das bordas em sua superfície externa é: em que g é o módulo do campo gravitacional, ρ é a densidade média estimada das rochas e h é a espessura da camada rochosa. Consequentemente, para um plano infinito paralelo à camada rochosa, tem-se na superfície longe de suas bordas um campo gravitacional uniforme que depende diretamente da densidade das rochas e da espessura da camada (figura 09). Não é o que acontece exatamente na natureza, mas pode-se usar de uma combinação de planos ou outras formas geométricas para aproximar o máximo possível das situações reais. Figura 09: Linhas de campo gravitacional geradas por uma camada rochosa plana longe das bordas. Fonte: arquivo pessoal 51 Esquema 2 Uma questão a ser debatida com os alunos diz respeito aos valores que os Geofísicos buscam identificar: não exatamente os campos uniformes, e sim a variação do módulo do campo gravitacional, pois esta traz informações sobre a densidade das rochas abaixo da superfície. Na natureza não existem rochas tão homogêneas que um modelo matemático simplificado possa descrevê-las com precisão absoluta, mas os pesquisadores associam um conjunto de formas geométricas com modelos matemáticos conhecidos e convergentes ao máximo com a conformação natural existente. Um esquema hipotético próximo dos analisados pelos geofísicos é o de duas placas horizontais associadas. Tal esquema simplificado na figura 10 tem um bom nível de aproximação de algumas ocorrências rochosas encontradas na natureza. A figura mostra a superposição de dois planos de massas diferentes (m1 e m2) e densidades (ρ1 e ρ2) diferentes superpostos. Perfis como estes são conseguidos principalmente ao se trabalhar com rochas sedimentares, com análise de falhas geológicas, etc. Figura 10: Perfil gravimétrico associado a duas placas planas horizontais sobrepostas. Fonte: arquivo pessoal Na parte mais à esquerda, vê-se o menor valor do módulo do campo gravitacional, uma vez que é a região de menor influência da massa m2, 52 consequentemente a conformação da curva é bem próxima à descrita por uma placa plana (camada rochosa), como no esquema anterior. À medida que se aproxima da massa m2, o valor do campo aumenta, pois passa a sofrer maior influência da segunda placa. Assim, o campo é a soma das contribuições das massas m1 e m2. À direita da figura, a soma dos campos gravitacionais das duas placas toma o aspecto do campo formado por uma única camada, assim a curva volta a se aproximar do modelo descrito por uma única placa horizontal, só que resulta da soma dos campos das duas massas. Consequentemente há uma maior aproximação dos casos reais, transformando os corpos rochosos em figuras em que a configuração do campo é conhecida, no caso configuração de placas, mas poderiam ser usados modelos esféricos, cilíndricos, etc. Esquema 3 A figura 11 mostra uma associação rochosa comum na prospecção de petróleo, que é bem conhecida pelos geólogos. Eles sabem que o petróleo é encontrado com frequência próximo aos domos salinos (material composto essencialmente por cloreto de sódio) que tem menor densidade do que as rochas sedimentares em suas proximidades. Uma consequência para pesquisa de petróleo é que existe uma maior probabilidade do petróleo ser encontrado em regiões de menor gravidade relativa, considerando o padrão normal das rochas sedimentares. Considerando, por exemplo, uma superfície marinha horizontal e de dimensões na qual podem ser desconsideradas as correções de altitude e latitudinal tem-se nas proximidades do domo salino uma variação negativa do módulo do campo gravitacional. Essa variação negativa devida à menor densidade do domo salino provoca na mola do gravímetro uma diminuição de sua deformação. A partir da associação do campo gravitacional com as rochas que estão abaixo da superfície é que os pesquisadores tomarão a decisão de onde concentrar os futuros trabalhos de pesquisa mineral. 53 Consequentemente, para pesquisa de petróleo os futuros trabalhos de sísmica e de perfuração se posicionarão principalmente na região de menor campo gravitacional, o que faz com que as empresas tenham grande economia devido a um menor custo com as futuras operações na pesquisa mineral. Caso os pesquisadores estivessem pesquisando minério de ferro, por exemplo, eles concentrariam os trabalhos posteriores, inerentes a pesquisa de tal minério, em regiões em que existem campos gravitacionais mais intensos. Figura 11: Perfil gravimétrico devido a um domo salino Fonte: arquivo pessoal A figura representa uma região propícia à pesquisa de petróleo, porque há a associação de um domo salino com rochas sedimentares. Como o domo salino tem menor densidade, em sua proximidade há a diminuição do módulo do campo gravitacional, consequentemente a mola mostrará uma menor deformação. 54 3.3- Gravidade relativa 3.3.1- Instruções gerais ao professor Antes de texto, é colocado um perfil esquemático desde a superfície até a parte central da Terra, para que os alunos entendam que a Terra tem uma constituição complexa, que é em seguida simplificado para tornar possível seu estudo. Em seguida, é mostrado como é calculado o valor da gravidade relativa, indicando que as comparações dos valores do campo gravitacional com um valor de referência possibilitam uma forma mais simples de se analisar as densidades das rochas, facilitando a pesquisa mineral. Introduz-se então um mapa e um perfil gravimétrico, que oferecerá aos alunos uma diversidade de linguagens físicas para interpretar as medidas gravimétricas, fazendo possível a correlação entre o valor do campo gravitacional e a densidade das rochas, chegando a perceber a possibilidade de comparar profundidade de corpos rochosos com curvas gravitacionais. A associação da projeção horizontal e vertical tem como objetivo mostrar que os profissionais usam de vários modelos de representação para facilitar a visualização de informações. Durante a apresentação do texto aos alunos é nececessário ressaltar a característica vetorial do campo gravitacional, mostrando como seu módulo varia com o produto das massas e o quadrado da distância entre elas. Tal análise materializa-se em dois perfis gravitacionais para duas massas em posições diferentes em relação à superfície da Terra. Consequentemente, o debate aqui sugerido parte da idéias que massas diferentes podem até gerar o mesmo valor do campo gravitacional em um ponto da superfície, mas quando se analisa a distribuição espacial do campo gravitacional, vêse que há respostas diferentes. Essa questão fica evidenciada nos gráficos da componente vertical do campo gravitacional em função da distância, no qual as rochas mais profundas mostram curvas mais suaves. 55 3.3.2- Texto 3: Gravidade relativa Esse perfil esquemático mostra que o arcabouço estrutural da Terra é mais complexo que o modelo apresentado durante os cálculos do texto 3. Divisões da Terra Figura 12: Perfil esquemático da Terra Fonte: Trindade; Molina, s/d A astenosfera é representada na seção esquemática, entre os 400 e 650 Km de profundidade, com a cor verde claro. Ela segue a litosfera, fazendo parte do manto superior, sendo uma zona plástica constituída por rochas fundidas. O campo gravitacional em um ponto é devido à soma vetorial das parcelas geradas por todas as massas ao seu redor. Consequentemente, o campo gravitacional nas proximidades da superfície terrestre tem seu valor dependente de todas as massas que estão presentes desde a superfície até o interior da Terra. Considerando o modelo hipotético da figura 13, em que os centros de gravidade das massas m1 a m4 são concêntricos e há ainda a massa m5, o campo gravitacional no ponto P pode ser calculado pela seguinte equação: 56 A partir do modelo da Terra da figura 13, que considera as massas m1 a m4 concêntricas com o centro do planeta, o módulo do campo gravitacional g no ponto P é dado por: A massa m5 representa uma descontinuidade superficial do planeta interessante na pesquisa mineral, pois ela representa a associação rochosa rica em materiais valiosos. Figura 13: Massas geradoras do campo gravitacional Fonte: arquivo pessoal O campo gravitacional depende principalmente dos valores das massas e das densidades dos materiais do núcleo interno (m1), núcleo externo (m2), do manto (m3), da crosta terrestre (m4). No modelo descrito pode-se usar para os cálculos o teorema de Gauss, fazendo com que as camadas internas m1, m2, m3 e m4 possam ser substituídas por massas pontuais no centro da Terra, o que é aceitável para a grande maioria das situações cotidianas. 57 Mas, quando se faz pesquisa mineral, o que é mais interessante não é o valor do módulo do campo gravitacional, e sim sua variação. Por isto ficou associado o modelo a massa m5, que representa uma descontinuidade portadora do recurso mineral valioso. A massa m5 apesar de ter uma menor influência no valor absoluto do campo, pois em cálculos simples pode ser até desprezada, é a de maior influencia na variação da gravidade em um ponto da superfície. Consequentemente, a pesquisa mineral é baseada em tal massa, a rocha portadora do recurso mineral valioso. Para medir os valores absolutos do módulo do campo gravitacional, como visto anteriormente, podemos usar equipamentos com o seu princípio de funcionamento fundamentam-se em algum efeito causado pela ação do campo gravitacional, como a distensão de uma mola. Para simplificar as análises dos trabalhos de Gravimetria, ao invés de calcular o valor do campo gravitacional em um ponto, usa-se a diferença entre dois valores de gravidade. O valor do campo gravitacional no ponto em que foi instalado o gravímetro subtraído do valor do campo em um ponto de referência. O resultado desta operação é denominado de gravidade relativa (figura 14). Essas medidas relativas consistem em analisar os efeitos da gravidade sobre o medidor (gravímetro), em um ponto com o valor de g conhecido (determinado pela gravidade absoluta) e compará-lo com o outro onde o campo é medido. Como, na maioria dos casos da Gravimetria, não é interessante saber a valor da gravidade absoluta, pode-se fazer com que o valor do módulo do campo gravitacional no ponto de referência seja igual a zero. Após essa consideração, efetua-se a medida da variação da gravidade (gravidade relativa) nos demais pontos desejados. É um processo mais simples e rápido, pois é mais fácil de comparar tais medidas quando elas se materializam nos mapas. A seguir, é mostrado um esquema hipotético para calcular o valor da gravidade relativa em um ponto da superfície terrestre. 58 Figura 14: Deformação da mola para o cálculo da gravidade relativa Fonte: arquivo pessoal Na figura 14, o módulo da força elástica (kx) pode ser calculado pela força gravitacional no ponto 2 Fg2 subtraido da força gravitacional no ponto 1 Fg1 (ponto de referência), consequetemente a variação do campo gravitacional pode ser dada pela seguinte expressão: em que Δg é denominado gravidade relativa, k é a constante elástica da mola, x sua deformação e m a massa de prova. Então, para se obter o valor da gravidade relativa, basta analisar a distenção (variação positiva da gravidade) ou contração (variação negativa da gravidade) da mola do gravímetro. A relação matemática anterior mostra que a gravidade relativa é diretamente proporcional a deformação da mola do gravímetro. Partindo desses valores de gravidade relativa, os geófísicos geram um mapa de linhas de mesmo valor da gravidade relativa para prospectar os bens minerais, como na figura 15, lembrando que são necessárias correções, como será visto no próximo texto. Esse mapa então mostra um plano hipotético que considera os valores de gravidade relativa corrigidos para uma mesma altitude e latitude, possibilitando a comparação entre eles. 59 No mapa a seguir pode-se notar que as linhas em azul possuem um valor da gravidade relativa negativo. Isso implica necessariamente que nesta região deve haver rochas próximas a superfície de menor densidade. Logo, se a busca é por rochas menos densas, é nesta região que se deve ter a maior concentração de trabalhos de pesquisa mineral. Analogamente, se os pesquisadores desejassem rochas com maiores valores de densidade, os trabalhos deveriam ser concentrados na região avermelhada. As linhas em vermelho mostram valores de gravidade relativa positivos, as em azul negativos e as em preto tem valores nulos. Figura 15: Mapa de linhas de mesmo valor do campo gravitacional. Fonte: (PINTO; USSAMI; CÔGO DE SÁ, 2007) A partir de perfis gravimétricos1 elaborados a partir das curvas de mesmo valor do campo gravitacional é possível ter a noção da profundidade dos corpos e de suas massas, comparando as curvas com as de corpos rochosos com formatos já conhecidos, como veremos agora na análise de dois perfis simples. Após a visão deste mapa, pode-se fazer um perfil gravimétrico em um papel quadriculado. Para a simplificação do perfil, é bom que se amplie o mapa para tornar o traçado mais simples para alunos do Ensino Médio. 1 Um perfil gravimétrico representa a relação em um plano vertical da variação do campo gravitacional em função da distância horizontal. 60 3.3.2.1- Determinação da profundidade dos corpos através do campo gravitacional Em homenagem a Galileu Galilei, a unidade de medida do campo gravitacional no sistema c.g.s é o Gal (1Gal=1cm/s²). Uma unidade normalmente utilizada nas medidas em estudos gravimétricos é o miligal (1mGal=10-³Gal=10-³cm/s²) Para analisar as respostas de corpos diferentes em um perfil gravimétrico, pode-se analisar, como na figura 16, um esquema hipotético do qual se faz um perfil em uma superfície horizontal, através de distâncias entre pontos de 10 em 10m. Nos pontos desta há uma simulação das medidas do campo gravitacional para dois corpos de massas m1 e m2=4m1, sendo que o corpo de massa m2 está a uma profundidade duas vezes maior do que o de massa m1. Para fazer os dois perfis representativos os dados foram tratados em uma planilha eletrônica com os seguintes valores atribuídos: m1=106kg e h=10m. A análise é feita em relação a componente vertical do campo gravitacional, uma vez que o gravímetro é colocado em tal posição para fazer as medidas, não interessando para fins de pesquisa mineral a variação do campo gravitacional com a horizontal. Observe o esquema abaixo: Figura 16: Esquema para obter dois perfis gravimétricos para massas distintas. Fonte: arquivo pessoal 61 Antes de chegar nos traçados dos perfis gravimétricos propriamente ditos, vamos calcular a distância r dos centros de massa de um corpo abaixo da superfície até um ponto P qualquer da superfície horizontal que faz um ângulo α com a profundidade do corpos. O campo gerado pela massa nesse ponto P pode ser calculado do seguinte modo: substituindo, logo, em que gp é o campo gravitacional no ponto P devido a massa em excesso, G a constante gravitacional, m a massa do corpo e o ângulo entre a profundidade e o ponto da superfície em que o campo foi medido. Mas como a análise é feita apenas em relação a vertical, pois o gravímetro é colocado nesta posição e as componentes horizontais não sensibilizam suas medidas. Pode-se analisar então, pela figura 17, o cálculo da componente vertical do campo gravitacional. 62 Figura 17: Decomposição do campo gravitacional Fonte: arquivo pessoal Concluindo, onde gpy é a componente vertical do campo gravitacional em um ponto da superfície, m é a massa geradora do campo, h é a profundidade do centro de gravidade da massa e α é o ângulo entre h e r. A coluna da esquerda, mostra os cálculos com os valores da componente vertical do campo gravitacional calculado para a massa m1 e seu devido perfil, enquanto a coluna da direita mostra os mesmos procedimentos para o corpo m2. Verifica-se que no ponto P5 o módulo da componente vertical do campo gravitacional é o mesmo para as massas m1 e m2, porém os valores mudam para os outros pontos. 63 TABELA 03 TABELA 04 Módulo da componente vertical do campo Módulo da componente vertical do campo gravitacional para a massa m1 gravitacional para a massa m2 Ponto L(m) r(m) g(N/m) Ponto L(m) r(m) g(N/m) 9 1 40 44,72136 5,96583.10 -8 -7 1 40 41,23106 9,51596.10- 2 30 31,62278 2,10924.10 -8 2 30 36,05551 1,13842.10 3 20 22,36068 5,96583.10-8 3 20 28,28427 2,3582.10--7 4 10 14,14214 2,3582.10-7 4 10 22,36068 4,77266.10-7 5 0 10 5 0 20 6 10 14,14214 2,3582.10-7 6 10 22,36068 4,77266.10 7 20 22,36068 5,96583.10 -8 7 20 28,28427 2,3582.10 8 30 31,62278 2,10924.10 -8 8 30 36,05551 1,13842.10 --7 9 40 41,23106 9,51596.10 -9 9 40 44,72136 5,96583.10 --8 6,67.10-7 Fonte: dados de pesquisa Gráfico 01: Componente vertical do campo gravitacional em função da distância para a massa m1 Fonte: dados pessoais 6,67.10-7 -7 --7 Fonte: dados de pesquisa Gráfico 02: Componente vertical do campo gravitacional em função da distância para a massa m2 Fonte: dados pessoais No ponto P5, o valor da camponente vertical do campo gravitacional é o mesmo porque a razão entre a massa e o quadrado das distâncias para as duas massas têm o mesmo valor. 64 Porém com a variação profundidade do corpo, a razão da massa e o quadrado da distância não permanece constante para os pontos da superfície, pois essa relação muda mais lentamente em corpos mais profundos. Assim, mesmo que corpos diferentes tragam valores iguais do campo gravitacional em um ponto, quando se analisa os perfis gravimétricos, nota-se que quanto mais suave é a curva maior é a profundidade do corpo rochoso. Portanto, pode-se concluir que a variação do campo gravitacional fornece informações sobre a densidade dos materiais que se encontram abaixo da superfície assim como a profundidade em que se encontram. Como exemplo da explanação anterior, os geofísicos a partir de tais dados de campo associados aos perfis gravitacionais fazem a interpretação das rochas e suas profundidades aproximadas como na figura 18: Figura 18: Interpretação geológica de um perfil gravimétrico Fonte: dados pessoais A região de menor valor do campo gravitacional fica associada a materiais inconsolidados, de menor densidade. Consequentemente, na pesquisa mineral, se os geólogos procurassem rochas menos densas, como o calcário, concentrariam os 65 trabalhos na parte esquerda da área, caso contrário, procurassem por granito, à direita. 3.3.2.2- Etapas para a construção de um perfil gravimétrico 1- Escolhe-se a direção segundo a qual pretendemos analisar a gravidade relativa; 2- Traça-se, no mapa, um segmento de reta segundo a referida direção (figura 19); E = 1/100 000 Curvas de mesmo valor de gravidade relativa em mGal Figura 19: Construção de perfil gravimétrico – etapa 1e 2 Fonte: arquivo pessoal 3- Coloca-se o papel quadriculado sobre esse segmento; 4- Marcam-se, sobre o papel quadriculado, os pontos de intersecção das curvas de nível com o segmento anteriormente traçado (figura 20); 66 Figura 20: Construção de perfil gravimétrico – etapa 3 e 4 Fonte: arquivo pessoal 5- Assinalam-se, num dos lados do papel quadriculado, os valores da escala vertical pretendida para o levantamento do perfil (figura 21); 6- Levantam-se os pontos de intersecção das curvas de mesmo valor de gravidade com a direção do corte; 67 Figura 21: Construção de perfil gravimétrico – etapa 5, 6 e 7 Fonte: arquivo pessoal 7- Unem-se esses pontos levantados (figura 21); Observações: a) Quando houver dois pontos seguidos à mesma gravidade relativa, como os vistos nas curvas de 400mGal, não se deve ligá-los por um segmento reto, mas sim através de uma curva com a concavidade virada para cima ou para baixo, conforme os valores dos pontos que os precedem e sucedem ou dos que figuram entre eles; b) As curvas de união não podem atingir o valor do campo gravitacional da curva seguinte. 68 3.4- Correções do campo gravitacional 3.4.1- Instruções gerais ao professor Esse texto visa expor uma série de dificuldades práticas do trabalho de Gravimetria, oferecidas pela configuração superficial da Terra. O tratamento formal das correções não está ao alcance dos alunos do Ensino Médio, mas oferece aos professores um maior potencial de análise para o entendimento de trabalhos profissionais. Essas dificuldades práticas são devidas às posições latitudinais e de relevo. Elas geram a necessidade das correções para uma uniformização dos dados coletados pelos gravímetros. São correções que fazem parte da vida prática dos profissionais que trabalham com a pesquisa de minerais. Desta forma, este texto visa situar os professores na vivência dos trabalhos de campo da pesquisa de minerais, mostrando algumas questões a serem resolvidas pelos geofísicos. As correções são baseadas em somas ou subtrações de parcelas que vão influenciar o campo gravitacional, de modo que os valores fiquem sempre relacionados para a mesma altitude e latitude, possibilitando uma comparação de dados mais uniformes. 3.4.2- Texto 4: Correções do campo gravitacional Os geofísicos podem comparar os dados gravimétricos durante a pesquisa mineral desde que os valores do campo gravitacional estejam relacionados a um mesmo sistema de referência tanto para latitudes quanto para altitudes. Para que seja possível tal comparação, os geofísicos fazem as correções das medidas dos gravímetros, de modo que o conjunto de valores coletados da aceleração da gravidade seja convertido em valores de gravidade relativa para um sistema de referência adequado. 69 As correções baseiam-se em somas e/ou subtrações de valores para obter os mapas corrigidos que oferecerão elementos razoáveis para serem analisados, os quais apresentarão informações dos corpos que geram os valores de gravidade relativa anômalos. A seguir se encontram algumas correções utilizadas no estudo gravimétrico de uma região com o objetivo da pesquisa mineral. 3.4.2.1- Correção por causa da maré terrestre A variação da posição entre Terra, Sol e Lua causa perturbações nos valores do campo gravitacional (figura 21) que podem ser observadas durante um dia. Essa perturbação é baseada numa composição dos campos gerados pelas forças da Terra sobre o corpo e forças gravitacionais externas (atração do Sol e da Lua). No desenho é apresentado por gs o campo gravitacional na superfície da Terra devido ao Sol, gl o devido a Lua e grex o campo externo resultante devido aos dois astros. Figura 22: Campo gravitacional externo na superfície da Terra. Fonte: arquivo pessoal Essa composição de campos é a fonte das marés terrestres, que são similares as marés marinhas, só que enquanto a superfície das águas dos mares aumenta ou diminui seu nível até dezenas de metros, a superfície da Terra apresenta variações de alguns centímetros. 70 Essa composição causa variações no campo gravitacional, apresentando amplitude máxima inferior a 0,3mGal. O valor máximo fica relacionado ao alinhamento máximo entre a Terra, Lua e Sol e a mínima no alinhamento Lua, Terra e Sol. Figura 23: Posições de maior e menor valor do campo gravitacional gerado pelas forças externas. Fonte: arquivo pessoal Essa variação, embora muito pequena em atividades rotineiras, alcança a ordem de grandeza de anomalias comumente encontradas nos levantamentos para prospecção mineral. Uma consequência da variação das posições relativas dos astros é que as marés são devidas, principalmente, à atração da Lua e, no entanto o valor da força gravitacional do Sol é maior. Uma boa descrição deste fenômeno encontra-se na dissertação Explorando a Gravitação no Ensino Médio, de Kerley (2008), contendo o formalismo matemático adequado ao Ensino Médio. 3.4.2.2- Correção por causa da diferença de latitude Para essa correção, os fatores analisados são: a não esfericidade da Terra (a distância dos pólos ao centro do planeta é menor que a distância dos pontos do Equador) e a rotação do planeta (a velocidade escalar de rotação dos pontos do Equador é maior que nos pontos dos pólos, logo a força centrífuga diminui do Equador em direção aos pólos). 71 Se a Terra fosse uma esfera homogênea e não efetuasse movimento de rotação, a aceleração da gravidade que é medida com o gravímetro teria o mesmo valor do módulo do campo gravitacional go em qualquer ponto (figura 23). Figura 24: Representação do campo gravitacional para uma Terra homogênea e sem rotação. Fonte: arquivo pessoal Como a Terra tem rotação, assim ela não é um referencial inercial. A aceleração da gravidade dada para referenciais não inerciais é a soma vetorial das acelerações devido ao campo gravitacional e a força centrífuga, assim qualquer experimento feito na superfície da Terra ficará sujeito a aceleração resultante dessa soma. A figura 25 mostra a análise simplificada da aceleração da gravidade em algumas posições devido à diferença de velocidade de rotação entre os pontos do Equador e dos polos. Figura 25: Representação da aceleração da gravidade resultante pela rotação da Terra. Fonte: arquivo pessoal 72 Com base na figura anterior e lembrando que o gravímetro mede o peso aparente (Pap), pois a Terra tem movimento de rotação, pode-se escrever a seguinte equação para calcular a aceleração da gravidade em um ponto. Logo a aceleração aparente medida pelo gravímetro ( ) vai ser a soma vetorial da aceleração devido ao campo gravitacional terrestre ( ) e a aceleração centrífuga ( ) devido ao seu movimento de rotação. Somado ao movimento de rotação, a Terra possui diferença entre os raios equatoriais e polares de cerca de 21km. A soma de tais fatores faz com que nos pólos o valor do módulo da gravidade exceda ao do Equador em cerca de 5,2Gal. Os Geofísicos, em trabalhos gravimétricos, usam a seguinte equação para a correção da variação do campo gravitacional com a latitude: Δg=0,0081senΦ mGal onde Φ é o valor da latitude do ponto considerado. Se o ponto de interesse estiver em uma maior latitude que o ponto de referência, o valor da correção por latitude deve ser subtraída, pois em direção aos polos a aceleração da gravidade aumenta. Caso contrário, deve ser adicionado. Alguns valores que mostram a variação do campo gravitacional levando em consideração a latitude são mostrados na tabela 05: 73 TABELA 05 Variação da aceleração da gravidade com a latitude. Latitude g (m/s²) 0 9,78039 10 9,78159 20 9,78641 30 9,79329 40 9,80171 45 9,80665 50 9,81071 60 9,81918 70 9,82608 80 9,83059 90 9,83217 Fonte: Sampaio e Calçada, 2005, p.22. 3.4.2.3- Correção por causa da altitude Para essa correção deve-se saber o valor da diferença de altura (h) entre os pontos que se deseja saber o valor da gravidade relativa (P’) e o ponto medido (P), pois se deve trabalhar com dados referentes à mesma altitude. Por exemplo, no modelo simplificado da figura 26 nota-se que o P (onde é posicionado o gravímetro) tem maior altitude do que o nível de referência (onde fica localizado o ponto P’), consequentemente, o módulo do campo gravitacional é menor em P do que em P’ (gp< gp’). 74 Figura 26: Representação da altura de um ponto em relação ao nível de referência. Fonte: arquivo pessoal Sabe-se, que para uma Terra esférica e sem rotação, o valor do campo é dado por: em que h é a diferença de altura entre o nível de referência e o ponto de observação. Essa equação, comum no Ensino Médio, mostra que o campo gravitacional diminui com o valor da altitude, assim os geofísicos em trabalhos práticos usam a seguinte equação para a correção de altitude: Ca= 0,3086h mGal (h em metros) em que Ca é a correção de altitude, r é o raio da Terra e h é a altura em relação ao nível de referência. Se o ponto P estiver acima do ponto de referência, como no caso da figura 26, o valor do campo gravitacional vai ser inferior ao do nível de referência. Consequentemente deve-se somar o valor da correção devido à altitude. Analogamente, se o ponto P estiver a uma menor altitude, deve-se subtrair. 75 Para se deduzir a equação da correção de altitude podem ser feitos os cálculos seguintes: g (r ) GM GM g ( r h) 2 r ( r h) 2 Expandindo em Série de Taylor: g ( r h) g ( r ) g (r ) h 2 g ( r ) h2 r 1! r 2 2! então, g ( r h) GM 2GM 3GM 3 h 4 h2 2 r r r para h r , g (r h ) GM 2GM 2 g (r ) 3 h g (r ) h r2 r r g (r h) g (r ) 2 g (r ) h r Substituindo-se pelos valores de r = R (raio médio da Terra) e g(R), temos: CAL = 0,3086h mGal m 3.4.2.4- Correção devida à camada rochosa Essa correção é complementar a anterior, uma vez que na correção de altitude não se leva em consideração as rochas que estão entre o ponto em que se mede a aceleração da gravidade e o nível de referência (figura 27). 76 Figura 27: Correção devida à camada rochosa entre os pontos de observação Fonte: dados pessoais Para resolver tal problema, os geofísicos usam uma primeira aproximação sem considerar o relevo, aproximando as rochas por placas planas e infinitas, conforme cálculos no anexo B. Como não é levado em consideração o relevo das montanhas (será visto na próxima correção), a análise se dá em relação à espessura da placa e sua densidade. Caso exista uma montanha entre a estação P e o ponto de referência P’, a massa da montanha criará um campo adicional em relação ao nível de referência, logo a correção será subtraída do valor do módulo do campo gravitacional (figura 27). Figura 28: Campo gravitacional adicional por causa da camada rochosa acima do nível de referência. Fonte: arquivo pessoal Em caso contrário, se existir uma depressão, a falta de rochas causará uma diminuição do valor do campo gravitacional em relação ao nível de referência (figura 29). Figura 29: Campo que deve ser subtraído pela falta de massa. Fonte: dados pessoais 77 Para tal procedimento os geofísicos fazem a correção devido a uma placa horizontal de rochas com densidades conhecidas, usando assim a correção que obedece a seguinte equação: Cm = 0,1119h mGal onde Cm é a correção devido as montanhas ou vales e h a espessura das rochas. Observar a dedução do campo gerado por uma placa plana no anexo B. 3.4.2.5- Correção por causa da topografia Esse tipo de correção é necessário porque a superfície terrestre possui irregularidades topográficas, as quais não podem ser desprezadas. Observando a figura 30, pode-se perceber que a composição do campo gravitacional devido às rochas abaixo da superfície com o gerado pela montanha mostrará um desvio em relação à vertical que ocasionará uma diminuição do campo gravitacional em relação ao nível de referência, pois a componente vertical será menor. 78 w Figura 30: Correção do campo gravitacional pela presença de uma elevação nas proximidades do gravímetro. Fonte: dados pessoais Analogamente, se existirem depressões, a ausência de rochas também vão mudar a configuração do campo, criando um desvio similar ao da montanha, diminuindo da similarmente a componente vertical do campo gravitacional (figura 31). Figura 31: Correção pela presença de um vale nas proximidades do gravímetro Fonte: dados pessoais 79 Em trabalhos profissionais, em que a precisão dos dados calculados é muito grande os valores do relevo do campo gravitacional alterados pela região deve ser analisado, sendo que para tal correção é necessário conhecer a topografia da região com grande precisão. Essa correção, as anteriormente descritas e outras a devida à deriva instrumental, movimento do gravímetro, etc são as bases dos trabalhos de Gravimetria. Somente após tais procedimentos os geofísicos vão realmente poder comparar os valores do campo gravitacional de uma região e encontrar áreas que poderão ter continuidade dos trabalhos de pesquisa mineral. 80 4- APLICAÇÃO DO PRODUTO E ANÁLISE DOS RESULTADOS 4.1- Caracterização dos alunos e da escola O produto foi aplicado na Escola Estadual “Dom Silvério, na qual há uma grande diversidade de alunos matriculados, uma vez que é uma escola urbana e fica localizada na parte central da cidade de Mariana. Dentro das turmas do diurno os alunos são, em maior parte, de classe média e baixa, provenientes da parte central, bairros e distritos da cidade, que procuram a escola por ser considerada de bom nível e também por ser uma escola pública e, como tal, sem ônus para o estudante. As duas turmas nas quais foi aplicado o trabalho são do turno diurno, e os alunos têm, de modo geral, a faixa etária adequada às séries que cursam – 16 a 18 anos. A Escola Estadual “Dom Silvério” tem, oficialmente, seu trabalho norteado pelo projeto Escola Referência, da Secretaria de Educação do Estado de Minas Gerais (SEEMG), cujo objetivo é desenvolver planos, programas e ações com vistas a garantir educação com qualidade para todos os mineiros. Essa proposta de trabalho define o aluno como centro das atenções educacionais e busca fortalecer o compromisso da política estadual de educação com a obtenção do sucesso do aluno no processo de aprendizagem e de sua formação como cidadão. Houve nos últimos anos a capacitação dos docentes dentro de uma prática pedagógica com a formação de grupos de desenvolvimento profissional (GDP) e também em cursos de usos de tecnologias de educação. Durante o desenvolvimento das propostas oriundas do projeto Escola Referência, o maior problema verificado é a carga horária de trabalho dos profissionais da escola, dificultando as reuniões de professores, pois coincidem com seus horários de trabalho. Os materiais de suporte ao professor são: o quadro negro; uma biblioteca com bons livros, principalmente após a chegada dos livros escolhidos a partir do Programa Nacional do Livro Didático do Ensino Médio (PNLEM); dois retroprojetores 81 funcionando; um auditório que conta com um DVD, um vídeocassete e um datashow. Apesar de ser uma boa variedade de recursos, o seu compartilhamento por todos os professores os tornam insuficientes para atendê-los, dificultando o trabalho desses profissionais. A grade horária é de 25 aulas semanais de 50 minutos, em que a primeira série possui duas aulas de Física, a segunda série, três e a terceira depende da escolha dos alunos quanto à aptidão futura, entre as áreas de humanas, biológicas ou exatas. 4.2- Metodologia da pesquisa O trabalho foi aplicado em duas segundas séries de Ensino Médio da Escola Estadual “Dom Silvério”, consistindo de três etapas: um pré-teste de 50 minutos; uma aula de 100 minutos e um pós-teste de 50 minutos. Durante os testes os alunos podiam usar somente uma calculadora eletrônica e consultar o livro Universo da Física, v.2, de Sampaio e Calçada (2009), que é o livro-texto dos alunos da segunda série da Escola Estadual “Dom Silvério”. Etapa 1- Realização de um primeiro levantamento de concepções do aluno sobre o tema em foco antes da aplicação do texto “Conhecendo o centro da Terra”. Etapa 2- Uma aula de 100 minutos, sobre o texto “Conhecendo o centro da Terra”, frisando principalmente os conceitos de investigação indireta, densidade e campo gravitacional. O texto escolhido foi o de menor complexidade, uma vez que havia uma previsão das dificuldades matemáticas dos alunos que iriam participar da pesquisa. Para retirada das dúvidas foi usado o quadro negro e para a fixação dos conceitos nos trinta minutos finais foram feitos pequenos grupos de alunos para resolver as questões propostas após o texto. 82 Fase 3- Aplicação de um segundo levantamento de concepções para comparar os resultados com o levantamento anterior. 4.2.1- Primeiro levantamento de concepções O primeiro levantamento de concepções foi baseado em um pré-teste mostrado no próximo quadro. Este foi baseado em uma questão dividida em duas letras, a e b. Na letra a, optou-se por uma parte mais objetiva para verificar se os alunos poderiam calcular o campo gravitacional da Terra, supondo-a composta por um único tipo de rocha, com a maior densidade das rochas tabeladas. Se os alunos resolvessem a letra a corretamente, verificariam o que o valor do campo gravitacional calculado seria menor do que o campo gravitacional médio da Terra, dado este fornecido no teste. Consequentemente, na letra b, a partir da idéia da investigação indireta, poderiam afirmar que a densidade do material do interior do planeta é maior do que a densidade das rochas encontradas em sua superfície. 83 PRÉ-TESTE A tabela a seguir representa a síntese das densidades das principais rochas encontradas na superfície da Terra. Rocha Densidade (kg/m³) Granito 2700 Basalto 3000 Quartzito 2650 Arenito 1600 Dados: G = 6,67x10-11N.m²/kg² Campo gravitacional médio na superfície da Terra => 9,8N/kg Raio médio da Terra => de 6,4x106m Volume de uma esfera => V 4 r ³ 3 Densidade média da Terra: 5,5x10³kg/m³ Densidade => d M V a) Calcule o valor do campo gravitacional do planeta Terra, considerando-o composto por basalto, que é a rocha da tabela com maior densidade. b) A partir do valor calculado é possível inferir alguma relação do valor da densidade do material encontrado no interior do planeta e a do material encontrado na superfície? Justifique. 84 4.2.2- A aula A aula foi baseada em uma leitura compartilhada do texto “Conhecendo o centro da Terra”, com o objetivo central de mostrar aos alunos a possibilidade de fazer inferências ao estudar determinados objetos através da investigação indireta. Para que tal suposição fosse entendida a aula foi apoiada na experiência de Cavendish, demonstrando como ele conseguiu medir a massa da Terra e calcular sua densidade, mesmo sem uma balança para pesá-la e, principalmente, mostrar que a possibilidade de especulação sobre a densidade do material que não se podia tocar com as mãos. Durante essa aula os alunos tinham acesso ao texto “Conhecendo o centro da Terra”, podendo fazer quaisquer perguntas que achassem necessárias ao professor, sendo que este contaria com as figuras do texto e o quadro negro para esclarecer as dúvidas. Nos últimos 30 minutos de aula foram formados pequenos grupos de alunos para resolver as questões propostas no fim do texto, tanto para familiarizar com as operações matemáticas envolvidas, como para terem apoio dos colegas mais experientes e do professor. O professor tentou direcionar a discussão para a compreensão da idéia de investigação indireta, mostrando que como a densidade do planeta como um todo é maior que a densidade dos constituintes da superfície terrestre, é possível atribuir maiores densidades aos constituintes internos da Terra. 4.2.3- Segundo levantamento de concepções No segundo levantamento de concepções foi elaborado um pós- teste, como no quadro a seguir. Foi solicitada a resolução de uma questão diferente a do préteste, para evitar uma resolução mecânica. A questão era análoga àquela do primeiro levantamento, só que enquanto a primeira pedia para calcular o campo gravitacional e inferir valores para a densidade, a segunda pedia o cálculo de densidade e a inferência do valor do campo. 85 Como os valores da densidade da Lua como um todo é um pouco maior do que a densidade das rochas trazidas pelos astronautas esperava-se que os alunos respondessem que as rochas do interior da Lua deveriam ser um pouco mais densas do que as rochas da superfície, ou que as densidades das rochas eram bem próximas. PÓS-TESTE Sabe-se que missão Apolo 12 trouxe amostras de rochas da superfície da Lua com densidade de 3,0x10³kg/m³. Dados: G = 6,67x10-11N.m²/kg² Campo gravitacional médio na superfície da Lua => 1,6N/kg Raio médio da Lua => de 1,738x106m Volume de uma esfera => V Densidade => d 4 r ³ 3 M V a) Calcule a densidade média da Lua usando os valores apresentados no quadro anterior. b) É possível inferir algo sobre o valor do módulo do campo gravitacional da Lua se esta fosse composta apenas de rochas de densidades encontradas pela Apolo 12? Justifique. 86 4.3- Classificação dos alunos Antes de comentar a classificação a seguir, é necessário frisar que os testes transpostos foram fotocopiados na íntegra de modo a retratar fielmente as evoluções ou involuções sofridas pelos alunos durante a realização do trabalho. As anotações em vermelho são marcações do professor. Para análise dos resultados a melhor maneira encontrada foi agrupar os alunos em um padrão definido pela qualidade matemática de resolução no primeiro levantamento de concepções. Após a separação verificou-se o desenvolvimento dos alunos após a aula, o que ficou parcialmente materializado no pós-teste. Assim, os alunos foram separados segundo as classes que serão descritas a seguir, com os exemplos materializados pela resolução dos seus testes: 1- Não usados na comparação (NC): Esses alunos fizeram apenas o pré-teste ou o pós-teste, por isso não foi possível comparar os resultados alcançados com a aplicação da aula. 2- Entregaram o pré-teste em branco (TB): foram subdivididos em três grupos, conforme sua evolução. a) Pouco ou nada desenvolveram: apesar da maioria não entregar o pós-teste em branco, não foi perceptível nas suas resoluções verificar padrões que efetivamente apresentassem uma evolução lógica. Como pode ser visto a seguir, o aluno 20 entregou um conjunto de rabiscos; o 47 entregou a cópia da fórmula de força acompanhado do valor da constante gravitacional; o 48 continuou entregando o teste em branco, o 59 tentou substituir alguns valores em uma fórmula de força que não soube copiar; e o 61 escreve uma fórmula de densidade. 87 20 47 Entregou o teste em branco. 48 59 61 b) Desenvolveram de forma incipiente: esses alunos percebem que se deve calcular a densidade da Lua, mas é perceptível pelas anotações feitas em vermelho, no teste transposto a seguir, que não possuem conhecimentos matemáticos suficientes para resolver a questão. Aluno 12 88 c) Desenvolveu de forma significativa: Apesar de faltar na resolução a maioria das unidades das grandezas físicas e não resolver as equações de forma correta, percebe-se a estrutura lógica, calculando o volume e a massa para calcular a densidade. Uma dificuldade comum nesta resposta, assim como quase todas as outras respostas dos alunos que conseguiram chegar a um valor na resolução, é a falta de percepção da ordem de grandeza do resultado obtido. Esse padrão sugere que os conceitos de ordem de grandeza, densidade e as operações matemáticas apesar de serem estudadas em Física, Matemática e Química, não se encontram fixos na estrutura cognitiva dos alunos. 89 Aluno 50 3- Sem lógica de resolução aparente (SLRA) Esses alunos efetivamente têm vontade de resolver as questões sugeridas, mas a sua estrutura cognitiva está aquém do esperado em alunos da segunda série do Ensino Médio. 90 Para a resolução da questão do pré-teste os alunos colocam números em fórmulas para chegar a um resultado, continuando sem organizar coerentemente a resolução da questão no pós-teste. No pós-teste verifica-se um maior conjunto de operações matemáticas, mas não há uma boa base estrutura formal de resolução de problemas (resoluções a 60 (pré-teste) 10 (pós-teste) 10 (pré-teste) seguir). 60 (pós- teste) 91 4- Usaram regra de três Para resolver a primeira parte da questão era possível usar uma regra de três simples, porque o aluno poderia considerar homogênea a densidade do planeta, consequentemente o módulo do campo gravitacional seria diretamente proporcional a densidade da Terra. Lembrando que o campo gravitacional dado por uma esfera homogênea pode ser aproximado, segundo o teorema de Gauss, por uma massa pontual colocada no centro da esfera, pode-se escrever as seguintes equações: em que G é a constante gravitacional, M a massa do planeta e r o raio da Terra. Por outro lado, na qual ρ é a densidade e V o volume do corpo. Associando as equações obtém-se: 92 Essa equação mostra que o campo gravitacional na superfície da Lua é diretamente proporcional a densidade ρ das rochas que a constitui, se r for considerado constante. Sem saber tal princípio, alguns alunos, de uma forma intuitiva, usaram regra de três para resolver o problema, porém houve grande dificuldade em efetuar cálculos matemáticos simples como o aluno 63, que tem seus testes transpostos a seguir; Pós-teste Pré-teste Aluno 63 Resolução 93 A seguir é mostrada a melhor resolução do pré-teste, feita pelo aluno 9, como mostrado a seguir, porém no pós teste não conseguiu a lógica necessária para a resolução (vide resolução seguinte). Resolução Pós-teste Pré-teste Aluno Nota-se que até a resposta da questão b no pré-teste, foi dada com muita coerência, como em sua resposta a seguir. “Se meus cálculos estiverem corretos, o material no interior da Terra é mais denso que o material encontrado na superfície.” (Aluno 9) 94 5- Usaram um recurso matemático (R1). a) Pouco ou nada desenvolveram: Verifica-se a mesma estrutura lógica na resolução dos dois testes, errando os cálculos matemáticos e tentando resolver aplicando Pós-teste Pré-teste apenas uma única fórmula matemática. b) Desenvolveram de forma incipiente: no pós-teste há um melhor encadeamento matemático, mas para a construção da resposta o aluno anda em círculos, ou seja, usa a densidade para calcular a massa, retornando para voltar ao mesmo valor de densidade. Pós-teste Pré-teste 95 c) Desenvolveu de forma significativa: de todos os alunos analisados no pós-teste o 49 mostra a melhor resolução matemática, excetuando-se pala falta de colocação das unidades das grandezas físicas. No pré-teste simplesmente usou colocar valores em uma fórmula de força, dando uma resposta sem apoio matemático. Já no pós-teste conseguiu encontrar a lógica de resolução e principalmente percebeu que os valores da densidade das rochas em superfície eram próximos dos valores das amostras trazidas pelos astronautas. Pós-teste Pré-teste 96 97 6- Usaram dois ou mais recursos matemáticos (R2): Esses alunos já tinham uma maior argumentação matemática, mas com algumas deficiências em trabalhar com notação científica. Alguns conseguiram perceber a lógica matemática, mas infelizmente, erraram os cálculos. 98 4.4- Análise inicial dos resultados O gráfico a seguir sintetiza como se deu a evolução dos alunos: Gráfico 03: Evolução dos alunos Fonte: dados da pesquisa Dos alunos que entregaram o pré-teste em branco, a maioria passou a resolver a questão do pós-teste, mas continuaram sem ter a lógica necessária para calcular o que foi pedido. Destes, o que mais se aproximou da resolução desejada, teve a sequencia de cálculos correta, errando em operações matemáticas. Aqueles que não mostraram nenhuma lógica na resolução do pré-teste continuaram sem mostrar essas qualidades após as aulas, apenas aumentam o número de operações matemáticas. Os alunos que usaram regra de três, mesmo o que tinha coerência na resolução do pré-teste, não conseguiram resolver o problema elaborado no pósteste. 99 A maior evolução foi observada nos alunos que usavam apenas um recurso matemático, pois eles passaram a usar mais recursos matemáticos para resolver a questão, chegando inclusive, um deles, a lógica matemática necessária para resolver a questão. Já os alunos que usaram dois ou mais recursos matemáticos perceberam a lógica da resolução do problema, mas continuaram errando em operações matemáticas. Resoluções da parte b das questões dos levantamentos de concepções A letra b da questão acabou não mostrando nenhuma evolução na resposta da maioria dos alunos. As tabelas 06 e 07 a seguir mostram as respostas dadas de todos os testes que podem ser comparadas do pré e pós-teste, inclusive parece perceptível que alguns alunos não conseguiram entender as duas perguntas formuladas. Essas repostas foram transcritas com o máximo de fidelidade, do que foi reproduzido no papel em que foram resolvidos os testes, incluindo os erros de transcrição da língua portuguesa. Um problema na elaboração desta parte da questão é o vínculo com a resposta da letra a, pois caso os alunos não conseguissem fazer os cálculos anteriores, não poderiam relacionar valores através da investigação indireta. 100 Tabela 06 Resposta do pré-teste Aluno Resposta 2 Não, pois o material da superfície e maior que o da terra 4 Sim, porque o material encontrado no interior do planeta e do material encontrado na superfície da terra pode sim inferir alguma relação. 6 Na verdade a força é muito pequena. 7 Não, pois não sabemos como é a interior do planeta e do material encontrado na superfície. 9 Se meus cálculos estiverem corretos, o material encontrado no interior da Terra é Pré-teste mais denso que o material encontrado na superfície. 11 É possível 13 Não 17 Não, a velocidade do raio aumenta. 19 Não. Porque é uma força de intensidade muito pequena, de modo que seu efeito é desprezível no dia -dia 42 O valor do material encontrado no interior é mais densa que o encontrado na superfície 49 Não 56 Não 60 =Não=por que 63 Sim. O material encontrado no interior do planeta é mais denso de o valor encontrado na superfície Fonte: dados da pesquisa 101 Tabela 07 Resposta do pós-teste Aluno Resposta Observação 2 - Não respondeu. 4 Não. Porque a densidade é maior a do que a Chegou ao resultado d=75000 Apolo 12 que trouxe para terra. 6 7 Sim, pois tirou apenas a camada da crosta, se Não chegou a um resultado fosse do nível seria maior numérico de densidade. Mesmo com esse resultado não podemos afirmar Calculou de forma errada um o valor de campo, que teve campo gravitacional da Lua, pois não conhecemos a superfície da Lua. como valor 1,97m/s². 9 - Não respondeu. 11 É possível porque a densidade da rocha e igual a Trabalhou em círculo, logo densidade da Lua. achou o mesmo valor de densidade. 13 Sim, podemos inferir Através de cálculos errados Pós-teste achou d=1,499735 17 19 Sim, as rochas são bem mais pesadas pois como Tentou responder sem base podemos matemática Não poderia ser por mais coisas Calculou um volume 6 V=72.75 n 42 Sim, pois a densidade ficará quase a mesma. Melhor resolução numérica. 49 Sim, pois é possível inferir algo sobre o valor do Sem cálculo numérico. módulo do campo gravitacional da lua se ela fosse composta apenas por rochas de densidade como coletadas pela Apolo 12. 56 Não. Porque é muito menor Calculou um valor densidade d=0,033x10 60 de 17 Sim, pois com o resultados obtido na conta Não sei quais são os números anterior dividindo pelo numero de baixo dara o citados. resultado que queremos. 63 Sim porque o campo gravitacional na lua é muito Olha que encontrou um valor menor com isso as coisas ficam mais leves de densidade 5,12x10 Fonte: dados da pesquisa 63 102 4.5- Análise final dos resultados Considerando que os resultados obtidos com os alunos não foram satisfatórios, procuraram-se dentro da teoria da aprendizagem significativa motivos que possam justificar as falhas no processo ensino-aprendizagem. Segundo Ausubel (2003) alguns aspectos para trabalhos educacionais de que a abordagem de ensino expositivo e de aprendizagem por recepção acaba fomentando verbalismos vazios são: 1. Uso prematuro de técnicas verbais puras com alunos imaturos em termos cognitivos. 2. Apresentação arbitrária de fatos não relacionados sem quaisquer princípios de organização ou de explicação. 3. Não integração de novas tarefas de aprendizagem com materiais anteriormente apresentados. 4. Utilização de procedimentos de avaliação que avaliam somente a capacidade de se reconhecerem fatos discretos, ou de se reproduzirem idéias pelas mesmas palavras ou no contexto idêntico ao encontrado originalmente (AUSUBEL, 2003, p.7). Desses aspectos, o primeiro e o terceiro parecem que foram cruciais no baixo rendimento dos alunos. O primeiro pode-se perceber durante as aulas, em que praticamente não houve questionamentos ao professor e os poucos questionamentos revelam uma falta de maturidade para adquirir os conhecimentos trabalhados no texto. O terceiro aspecto, que é o mais relevante para o trabalho proposto, se mostra durante a resolução dos testes, a falta de conhecimentos anteriores que não permitiram a integração de novos conhecimentos. Os conhecimentos necessários que devem ser mais trabalhados antes da aplicação do texto “Conhecendo o centro da Terra” são: a) o vocabulário básico para entender o texto; b) a incapacidade de operacionalizar sentenças matemáticas elementares e analisar os resultados; 103 c) a incapacidade de organizar o raciocínio. Assim para melhorar os resultados com os alunos é necessário verificar vários procedimentos, principalmente na transformação do Saber a Ensinar ao Saber Ensinado e rever alguns processos de aprendizagem, tais como: 1. A descoberta da natureza dos aspectos do processo de aprendizagem que afetam a vasta disponibilidade, estabilidade e significação de conjuntos de conhecimentos organizados, capacidades, etc., no aprendiz. 2. Como modificar as capacidades de aprendizagem nos alunos. 3. Identificar os aspectos de personalidade e cognitivos do aprendiz, bem como dos aspectos interpessoais e sociais do ambiente de aprendizagem, que afetam a motivação para a aprendizagem e as formas características de assimilação de materiais de instrução. 4. Descoberta de práticas de revisão e de retorno apropriadas e com a máxima eficiência e de formas de organizar, atribuir uma sequência e apresentar os materiais de aprendizagem e de motivar e direcionar, de modo deliberado, a aprendizagem para objetivos específicos (AUSUBEL, 2003). Essa falta de resultados positivos pode deixar dúvidas se a aprendizagem por recepção é passiva, mas segundo Ausubel “O surgimento de significados, à medida que se incorporam novos conceitos e idéias na estrutura cognitiva, está longe de ser um fenômeno passivo.” (AUSUBEL, 2003, p. 54) A falta de resultados positivos origina-se no conjunto de idéias ancorantes da estrutura cognitiva não se mostraram claras, nem estáveis, e esse é o principal fator de facilitação da aprendizagem significativa, como também a “ausência de tais idéias constitui a principal influência limitadora ou negativa sobre a nova aprendizagem significativa.” (AUSUBEL 2003, p.155). Para potencializar o resultado do texto em novas oportunidades é preciso de uma maior carga horária para que se possa obedecer mais fielmente aos princípios programáticos facilitadores como: Diferenciação progressiva: princípio que sugere que as idéias mais gerais e inclusivas da matéria de ensino devem ser apresentadas desde o início da instrução e, progressivamente, diferenciadas em termos de detalhes e especificidade. 104 Como o princípio norteador da aplicação era que os alunos já tivessem bons conhecimentos de Gravitação, pois já haviam estudado a matéria na primeira série. Infelizmente, não houve tempo de trabalhar melhor os cálculos matemáticos e as técnicas de resolver exercícios desejados. Organização sequencial: por motivo de tempo, foi aplicado com os alunos apenas um dos textos elaborados. Para o estudo deste texto, o conhecimento previsto de gravitação dos alunos não era suficiente para perceber as relações de dependência natural existentes no material de ensino. Reconciliação integradora: os alunos, talvez por timidez não mostraram suas dificuldades com perguntas, mesmo quando questionados pelo professor. Assim, não foi possível proporcionar a diferenciação progressiva, nem chamar a atenção para diferenças e semelhanças para reconciliar inconsistências reais e aparentes. Consolidação: esse princípio sugere que antes de se introduzir novo material de aprendizagem, assegura-se uma prontidão contínua de matérias e um êxito na aprendizagem sequencialmente organizada. Este tipo de aprendizagem pressupõe que os passos precedentes estejam claros, estáveis e bem organizados. Ou seja, com as práticas avaliativas e o tempo limitado foi possível perceber várias lacunas da estrutura cognitiva dos alunos, mas essas lacunas deveriam ser retrabalhadas no decorrer da aplicação, algo que não foi feito. Assim, faltou aos alunos mais clarificação através de revisões. Como os alunos parecem mudar de séries de ensino sem que os conhecimentos anteriores fiquem retidos podem-se gerar problemas futuros da educação como os percebidos por Naegele citado por Ausubel (2003). Naegele alega que a falta de conhecimentos iniciais que ancorem os novos conhecimentos pode gerar problemas futuros na educação superior, uma vez que o tempo de aprendizagem das unidades seqüenciais em um curso de Física é mais dependente da adequação da aprendizagem nas unidades iniciais. 105 5- COMENTÁRIOS FINAIS Espera-se que este trabalho possa contribuir com a prática educativa, mostrando a possibilidade de criação de novos materiais didáticos adequados à realidade regional brasileira e colocados à disposição dos professores. Durante a execução dos trabalhos conseguiu-se elaborar textos de Gravimetria para suporte ao ensino de tópicos de gravitação com o formalismo matemático usado no Ensino Médio, mas permaneceu o problema na transposição do Saber a Ensinar ao Saber Ensinado. Problema ocorrido durante a aplicação do texto “Conhecendo o centro da Terra”, pois mesmos os cálculos que pareciam simples na visão do professor, pois já haviam sido estudados na série anterior, não se mostraram presentes na estrutura cognitivas dos alunos. A aplicação do texto mostrou-se útil principalmente para os alunos que no primeiro levantamento de concepções já usavam na resolução do pré-teste um recurso matemático. Não houve um desenvolvimento muito significativo dos alunos que entregaram o pré-teste em branco ou dos que usavam regra de três para a resolução, de modo que a aula não me mostrou eficiente para a melhoria do aprendizado dos alunos inseridos em tais classes. Os alunos que já usavam mais de um recurso matemático melhoraram a lógica de resolução, mas acabaram errando em cálculos de modo que não conseguiram uma resolução satisfatória no segundo levantamento de concepções. A falta de um resultado significativo não elimina a possibilidade dos textos poderem ser utilizados no Ensino Médio, mas revela a necessidade de outras aplicações, pois uma característica necessária para a transposição didática é que a aplicação in loco mostre resultados positivos. 106 REFERÊNCIAS ALVES FILHO, José de Pinho; PINHEIRO, Terezinha de Fátima; PIETROCOLA, Maurício. A eletrostática como exemplo de transposição didática. In: PIETROCOLA, Maurício (org.) Ensino de Física – conteúdo, metodologia e epistemologia numa concepção Integradora. Florianópolis: EFSC, 2001. Cap.4, p.77-99. ARAÚJO, Mauro Sérgio Teixeira de; ABIB, Maria Vidal dos Santos. Atividades Experimentais no Ensino de Física: Diferentes Enfoques, Diferentes Finalidades. Revista Brasileira de Ensino de Física, São Paulo, v.25 n.2, abr/jun. 2003. Disponível em: <http://www.sbfisica.org.br/rbef/pdf/v25_176.pdf>. Acesso em: 15 dez. 2007 AUSUBEL, David P. Aquisição e retenção de conhecimentos: uma perspectiva cognitiva. 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Calculando o erro relativo do comprimento do pêndulo, tem-se: l 0,005m 0,002 l 2,077m Para medir o período de oscilação foram feitas três medidas e 10 oscilações completas, com o intuito de minimizar erros como o tempo de reflexo do ser humano, assim, tem-se ao final um valor do período com menor interferência de tal erro. Essas medidas foram colocadas na primeira coluna da tabela. Lembrando da impossibilidade de se conhecer o valor exato de uma grandeza física, estamos diante da seguinte questão: que valor se deve adotar para tal grandeza? Para resolver tal questão, encontramos o valor mais provável para uma medida qualquer que é dado, pela Estatística, segundo a seguinte equação: 112 Logo, Esse dado foi colocado na segunda coluna da tabela. A dispersão do conjunto de medidas em relação ao valor mais provável pode ser quantificada procedendo-se da seguinte forma: calculam-se os erros absolutos (também chamados desvios absolutos ou incertezas absolutas) de cada uma das medidas, definidas pelas diferenças entre essas medidas e o valor mais provável da grandeza: Esses valores foram colocados na terceira coluna da Tabela. TABELA Período de oscilação do pêndulo e seus desvios Período de dez Período médio de dez Desvios oscilações do pêndulo oscilações do pêndulo (s) T(s) (s) 28,92 28,85 0,07 28,61 28,85 -0,24 29,01 28,85 0,16 Fonte: dados de pesquisa O erro médio absoluto definido pela média aritmética dos valores absolutos dos últimos: 113 Assim, o erro médio absoluto é Então a maneira correta de se expressar o período das dez oscilações é: Logo, cada oscilação vale: T=(2,89+/-0,02)s Finalmente vamos calcular o valor de g. Observação: se uma grandeza é igual ao produto de várias outras, ou igual ao quociente de duas outras, o erro relativo do resultado é igual à soma dos erros relativos das grandezas independentes. Δg=0,01m/s² Considerando os algarismos significativos percebemos que o erro se encontra na segunda casa decimal, então o valor apropriado para expressar o valor calculado de g é: g=(9,82+/-0,01)m/s² Percebe-se nesta análise que a precisão da medida encontra-se na segunda casa decimal, logo, tal experimento dentro da pesquisa de minerais não oferece valores compatíveis a ordem de grandeza desejada. 114 ANEXO B Dedução da equação do campo gerado por uma placa plana Para obter a equação da placa plana pode-se fazer os seguintes cálculos: d Campo gravitacional gerado por uma placa horizontal Fonte: Gemael apud Cargnelute (2007) Elemento de volume dv=rdrdφdz Figura 10: Elemento de volume em coordenadas cilíndricas Fonte: arquivo pessoal 115 Como se está analisando placas de grande extensão horizontal pode-se considerar que o campo é perpendicular as mesmas, uma vez que se desprezam os efeitos das bordas. Por simetria pode-se escrever: O campo gravitacional gerado por uma massa pontual é dado pela seguinte equação: Mas como se sabe, a densidade é dada por: Logo Restando analisar apenas a componente vertical, Pela figura podemos tirar que, O valor do vetor unitário em coordenadas cilíndricas é dado por: dv=rdrdφdz Substituindo temos, 116 Continuando 117 ANEXO C Análise dos Resultados do pré-teste do 2º B e 2º E Questão a Entregaram o teste em branco (EB). Sem lógica de resolução aparente (SLRA). Usaram regra de três simples (RT) Aluno Usaram um recurso matemático (ou volume, ou densidade ou força, ou campo) Usaram dois recursos matemáticos, R2 Usaram três recursos matemáticos R3. Observações R1 . 1 2 X X As contas consistem em um conjunto de números e operações aleatórios, que não puderam ser encaixados em nenhum padrão de resolução aparente. 3 X 4 Não conseguiram desenvolver a questão. X Tentou resolver usando uma regra de três simples, mas não sabe como armá-la. 5 X 6 7 Não conseguiu desenvolver a questão. X X Baseou-se na equação de força, tentou fazer algumas deduções, mas sem chegar a nenhum resultado para finalizar a resolução. Usou a equação de força sem chegar a nenhum resultado para finalizar a resolução. As contas consistem em um conjunto de números e operações aleatórios, que não puderam ser encaixados em nenhum padrão de resolução aparente. 118 Entregaram o teste em branco (EB). Sem lógica de resolução aparente (SLRA). Usaram regra de três simples (RT) Aluno Usaram um recurso matemático (ou volume, ou densidade ou força, ou campo) Usaram dois recursos matemáticos, R2 Usaram três recursos matemáticos R3. Observações R1 . 8 X 9 Usou a equação de força sem chegar a nenhum resultado para finalizar a resolução. X 10 Resolveu usando uma regra de três simples e deu uma resposta coerente. X Partiu da equação de força sem chegar a nenhum resultado para finalizar a resolução. 11 12 13 X Usou a equação de força sem chegar a nenhum resultado para calculara a densidade. X X Não apresenta uma resolução com uma lógica parente. 14 X Resolveu usando regra de três simples. 15 X Tentou resolver usando uma regra de três simples, mas sem coerência. 16 17 Não usado na comparação X Não conseguiu desenvolver a questão. 119 Entregaram o teste em branco (EB). Sem lógica de resolução aparente (SLRA). Aluno Usaram regra de três simples (RT) Usaram um recurso matemático (ou volume, ou densidade ou força, ou campo) Usaram dois recursos matemáticos, R2 Usaram três recursos matemáticos R3. Observações R1 . 18 X Usou a equação de força sem chegar a nenhum resultado para finalizar a resolução. 19 X Usou a equação de força achando um valor 5 da ordem de 10 e dizendo que é pequena.. 21 X Usou a equação de força sem chegar a nenhum resultado para finalizar a resolução. 22 X Não conseguiu desenvolver a questão. 20 X 23 X As contas consistem em um conjunto de números e operações aleatórios, que não puderam ser encaixados em nenhum padrão de resolução aparente. 24 X Usou a equação de força sem chegar a nenhum resultado para finalizar a resolução. 25 26 X X Não conseguiram desenvolver a questão. As contas consistem em um conjunto de números e operações aleatórios, que não puderam ser encaixados em nenhum padrão de resolução aparente. 120 Entregaram o teste em branco (EB). Sem lógica de resolução aparente (SLRA). Usaram regra de três simples (RT) Aluno Usaram um recurso matemático (ou volume, ou densidade ou força, ou campo) Usaram dois recursos matemáticos, R2 Usaram três recursos matemáticos R3. Observações R1 . 27 X 28 Tentou resolver usando uma regra de três simples, mas sem coerência. X 29 30 Não conseguiu desenvolver a questão. Não usado na comparação X Apresenta um conjunto de números aleatórios. 31 X Não conseguiu desenvolver a questão. 32 X Não conseguiu desenvolver a questão. 33 Não usado na comparação 34 Não usado na comparação 35 Não usado na comparação 36 Não usado na comparação 37 Não usado na comparação 121 Entregaram o teste em branco (EB). Sem lógica de resolução aparente (SLRA). Aluno Usaram regra de três simples (RT) Usaram um recurso matemático (ou volume, ou densidade ou força, ou campo) Usaram dois recursos matemáticos, R2 Usaram três recursos matemáticos R3. Observações R1 . 38 X Iniciou pelo conceito de velocidade orbital, mas não sabia como caminhar. 39 40 Não usado na comparação As contas consistem em um conjunto de números e operações aleatórios, que não puderam ser encaixados em nenhum padrão de resolução aparente. X 41 X 42 X Iniciou pelo conceito de velocidade orbital. Usou a equação de força sem chegar a nenhum resultado para finalizar a resolução. 43 X As contas consistem em um conjunto de números e operações aleatórios, que não puderam ser encaixados em nenhum padrão de resolução aparente. 44 X Não conseguiu desenvolver a questão. 45 Não usado na comparação 122 Entregaram o teste em branco (EB). Aluno Sem lógica de resolução aparente (SLRA). Usaram regra de três simples (RT) Usaram um recurso matemático (ou volume, ou densidade ou força, ou campo) Usaram dois recursos matemáticos, R2 Usaram três recursos matemáticos R3. Observações R1 . 46 47 X 48 X 49 50 51 X Escreveu a fórmula de campo, colocou alguns números. X Não conseguiu desenvolver a questão. X Não conseguiu desenvolver a questão. X 52 Não usado na comparação 53 X Não conseguiu desenvolver a questão. 54 X Iniciou pelo conceito de velocidade orbital. 55 56 Não usado na comparação X Usou o fórmula de campo, mas não conseguiu desenvolver a questão. 123 Entregaram o teste em branco (EB). Sem lógica de resolução aparente (SLRA). Usaram regra de três simples (RT) Aluno Usaram um recurso matemático (ou volume, ou densidade ou força, ou campo) Usaram dois recursos matemáticos, R2 Usaram três recursos matemáticos R3. Observações R1 . 57 X Mostrou um conjunto de números sem conexão. 58 59 X X 60 61 X Usou a equação de força sem chegar a nenhum resultado para finalizar a resolução. X 62 63 Não conseguiu desenvolver a questão. X X Não conseguiu desenvolver a questão. Tentou resolver usando uma regra de três simples. 64 Não usado na comparação 65 Não usado na comparação 66 Não usado na comparação 67 Não usado na comparação 124 Entregaram o teste em branco (EB). Sem lógica de resolução aparente (SLRA). Usaram regra de três simples (RT) Aluno Usaram um recurso matemático (ou volume, ou densidade ou força, ou campo) Usaram dois recursos matemáticos, R2 Usaram três recursos matemáticos R3. Observações R1 . 68 Não usado na comparação 69 Não usado na comparação 70 Não usado na comparação 71 Não usado na comparação total 7 11 6 22 4 2 NUC=19 125 ANEXO D Análise dos Resultados do pós-teste do 2º B e 2º E 1 6 X X X X Fez as contas erradas, mas m elhorou a lógica de resolução, percebendo que era para calcular a densidade. Permaneceu estável Houve regressão. Observações Houve evolução x Usou dois recursos, mas efetivamente não reorganizou seu pensamento. X 3 5 R3 X 2 4 Usaram três recursos matemáticos R2 R Usaram dois recursos matemáticos, Usaram um recurso matemático (ou volume, ou densidade ou força, ou campo) Usaram regra de três simples (RT) Sem lógica de resolução aparente (SLRA). Aluno Entregaram o teste em branco (EB). Questão a x Fez contas sem nenhuma estrutura. x Continuou usando regra de três, sem uma melhora notável x Fez as contas erradas, mas m elhorou a lógica de resolução. x Fez as contas erradas, mas melhorou a resolução. x lógica de 7 X Usou o valor da densidade no lugar da massa, mas sem calculando o campo gravitacional. 8 X Colocou os números em uma fórmula de força, sem a menor conexão, parecendo não ter noções matemáticas elementares. x x 9 X Abandonou a regra de três para um a resolução que ainda não dominava o caminho. 10 X Perdeu-se completam ente nos cálculos matemáticos. x x 11 X Trabalhou em círculo. x 12 X Calculou a densidade através de operações matemáticas incorretas. x 13 X 14 15 Continua da mesma forma. X X Permaneceu estável Houve regressão. Houve evolução Observações R3 Usaram três recursos matemáticos R2 R Usaram dois recursos matemáticos, Usaram um recurso matemático (ou volume, ou densidade ou força, ou campo) Usaram regra de três simples (RT) Sem lógica de resolução aparente (SLRA). Aluno Entregaram o teste em branco (EB). 126 Não mais utilizou de regra de três para resolução. Passou de uma regra de três para uma invenção de números. x x x 16 Permaneceu estável Houve regressão. Houve evolução Observações R3 Usaram três recursos matemáticos R2 R Usaram dois recursos matemáticos, Usaram um recurso matemático (ou volume, ou densidade ou força, ou campo) Usaram regra de três simples (RT) Entregaram o teste em branco (EB). Aluno Sem lógica de resolução aparente (SLRA). 127 Não usado na comparação 17 X Basicamente, continuou se perdendo nas contas durante a resolução. x 18 X Continuou inventando a resolução. x 19 X x Deixou de usar o conceito de força, passou a usar o de volume, mas piorou a utilização de notação científica. 20 X Trocou um teste em branco por um rabisco. 21 X A letra e a organização pioraram no pósteste. x No pré teste pelo menos escreveu uma equação. x 22 X 23 X 24 X x A lógica de resolução se tornou coerente, x mas não soube fazer as operações com potências. Melhorou a lógica matemática. x 25 X X 29 31 32 Permaneceu estável Houve regressão. Houve evolução Observações Praticamente repetiu os cálculos. X 28 30 R3 X 26 27 Usaram três recursos matemáticos R2 R Usaram dois recursos matemáticos, Usaram um recurso matemático (ou volume, ou densidade ou força, ou campo) Usaram regra de três simples (RT) Sem lógica de resolução aparente (SLRA). Aluno Entregaram o teste em branco (EB). 128 x As contas consistem em um conjunto de números e operações aleatórios, mas que visavam o cálculo de densidade. x Não usou regra de três, mas se perdeu nos cálculos. x x A resolução continuou sem uma lógica aparente. Não usado na comparação X Continuou sem nenhuma lógica aparente. X Usou um pouco mais de recursos que no pré-teste, X Permaneceu bem similar. 33 Não usado na comparação 34 Não usado na comparação x x x 35 Não usado na comparação 36 Não usado na comparação 37 Não usado na comparação 38 X Não usado na comparação 40 X Trocou uma série de números aleatórios por outra. 41 X Não mais usou a velocidade orbital. x x 42 X Retirando a falta das unidades seu cálculo ficou preciso. 43 X Perdeu-se aos o cálculo de volume, não sabendo ainda a necessidade de calcular a densidade. 44 Permaneceu estável x Não mais usou equação da velocidade orbital e sim a de campo gravitacional. 39 Houve regressão. Houve evolução Observações R3 Usaram três recursos matemáticos R2 R Usaram dois recursos matemáticos, Usaram um recurso matemático (ou volume, ou densidade ou força, ou campo) Usaram regra de três simples (RT) Sem lógica de resolução aparente (SLRA). Aluno Entregaram o teste em branco (EB). 129 X Apesar de mais partes escritas, continuou sem nenhuma conexão. x x x 45 X 47 X X Saiu do branco para uma fórmula de força sem que houvesse continuação do cálculo. x Continuou em branco. x Continuou com cálculos desconexos. x 50 X Saiu da resolução em branco para um cálculo que o erro se deu pelas operações com notação científica. x 51 X Melhorou muito a lógica, se perdeu nos cálculos matemáticos. x 52 53 54 Permaneceu estável x Se perdeu completamente nos cálculos matemáticos. X 49 Houve regressão. Houve evolução Não usado na comparação 46 48 Observações R3 Usaram três recursos matemáticos R2 R Usaram dois recursos matemáticos, Usaram um recurso matemático (ou volume, ou densidade ou força, ou campo) Usaram regra de três simples (RT) Entregaram o teste em branco (EB). Aluno Sem lógica de resolução aparente (SLRA). 130 Não usado na comparação X Passou a nem tentar resolver. X Não usou o conceito de velocidade orbital e melhorou os cálculos. x x 55 Não usado na comparação 56 X 57 X 58 X Permaneceu estável Houve regressão. Houve evolução Observações R3 Usaram três recursos matemáticos R2 R Usaram dois recursos matemáticos, Usaram um recurso matemático (ou volume, ou densidade ou força, ou campo) Usaram regra de três simples (RT) Sem lógica de resolução aparente (SLRA). Aluno Entregaram o teste em branco (EB). 131 x Errou na lógica matemática, entre outras coisas. x Chegou a um resultado, sem grande análise de seu valor. x Caminhou em círculo, usando a densidade para calcular a massa e usando a mesma massa para encontrar a densidade. x 59 X Saiu do branco para uma resolução sem coerência a partir da equação para o cálculo de força. x 60 X Repetiu algo similar ao pré-teste. x 61 X Escreveu apenas uma fórmula de densidade. x Repetiu algo muito similar. x 62 63 X X Não mais usou regra de três. x Aluno Total 3 13 1 8 15 12 64 Não usado na comparação 65 Não usado na comparação 66 Não usado na comparação 67 Não usado na comparação 68 Não usado na comparação 69 Não usado na comparação 70 Não usado na comparação 71 Não usado na comparação Permaneceu estável Houve regressão. Houve evolução Observações R3 Usaram três recursos matemáticos R2 R Usaram dois recursos matemáticos, Usaram um recurso matemático (ou volume, ou densidade ou força, ou campo) Usaram regra de três simples (RT) Sem lógica de resolução aparente (SLRA). Entregaram o teste em branco (EB). 132