ISSN: 1981-3031
A TV COMO RECURSO DE APRENDIZAGEM: resignificando o ensino de Língua
Portuguesa em turmas de 9º ano do ensino fundamental
Altamir Pereira de Lima
1
Elisangela Mercado 2
RESUMO:
O presente trabalho discutiu a contribuição do uso da televisão no processo ensino e aprendizagem. A
televisão, em geral, é usada na escola apenas como instrumento de entretimento, perdendo-se assim a
oportunidade de problematizar e construir novos conhecimentos e posicionamentos em sala de aula. O
uso consciente, direcionado, planejado e sistematizado dessa mídia, defendido nesse trabalho, encontra
respaldo nos estudos de Neves (2000), Moran (1993), Napolitano (2003) e outros. Para discutir e
analisar um uso potencial e significativo da TV em situações de aprendizagem foi adotado como
procedimentos metodológicos a pesquisa qualitativa descritiva, realizada numa escola pública
municipal de Estrela de Alagoas. Instrumentos de observação, entrevistas e propostas pedagógicas do
uso da TV nas aulas de Língua Portuguesa do 9º ano foram determinantes para a realização do tipo de
pesquisa adotado, a pesquisa participativa. Foi desenvolvido na escola o planejamento, a discussão e a
integração das tecnologias na execução das tarefas pedagógicas, de forma significativa, motivadora e
desafiante para os alunos. A proposta configurada nesse trabalho desafiou para um novo olhar no uso
da TV em situação de aprendizagem, sugerindo a gestores, professores e alunos explorar de forma
criativa e ousada todas as potencialidades desse recurso midiático à melhoria da educação pública
brasileira.
PALAVRAS-CHAVE: Mídia, Televisão, Prática Pedagógica.
Introdução
A relação teoria e prática ocupa lugar principal nas discussões sobre a formação e
atuação pedagógica. O docente hoje deve se preocupar como exercício de sua função e com
os recursos que deverão ser utilizados para o sucesso do processo de ensino e aprendizagem.
A prática pedagógica a ser desenvolvida ao favorecer o aprendizado contextualizado e
significativo tem como suporte o uso das mídias.
A televisão (TV) passa a ser considerada como um excelente instrumento
pedagógico a ser utilizado por pelos professores na dinamicidade, inovação e motivação do
processo educativo. Como instrumento que desperta o interesse, apresenta novos conceitos,
paradigmas comportamentais, gêneros e linguagens a TV coloca-se como recurso instigador
de discussões, análise e descrição de fatos e avanços tecnológicos e mudanças conceituais que
torna o espaço da sala de aula mais atrativo e desafiador.
1
2
Autarquia Educacional de Belo Jardim-FABEJA. [email protected]
Prof. Assistente da Universidade Federal de Alagoas. [email protected]
2
O uso desse recurso em sala de aula não deve ser restrito, como na maioria das
práticas pedagógicas da Educação Básica, a visão estreita de que TV é apenas entretenimento
ou péssimo exemplo de conduta social. A TV representa a barbárie da sociedade
contemporânea, à medida que instiga a banalização da violência. Essa visão preconceituosa e
estreita desse instrumento midiático se defronta e confronta com as atuais discussões
educacionais que defendem o ensino além do quadro e giz e da memorização de conteúdos
descartáveis. A TV em sala de aula instiga a discussão, a problematização e uma nova forma
de ver e analisar o mundo.
Ao trazer para discussão à temática: contribuições do uso da TV na melhoria do
processo educativo, este artigo se propõe a refletir como a mídia televisiva pode contribuir
com professores do 9º ano, da disciplina Língua Portuguesa, podem melhorar o processo de
ensino e aprendizagem. O interesse por esta pesquisa surgiu da inquietação sentida por alguns
dos professores diante do uso limitado da TV em sala de aula e de modelos práticas
pedagógicas ineficientes aprendidas ao longo da atuação docente.
Essa inquietação despertou como problema da pesquisa a questão: como fazer um
uso eficaz da TV nas aulas de Língua portuguesa do 9º ano? Partindo da hipótese que
raramente o uso da TV em sala de aula tem o caráter de aprofundar, despontar ou exemplificar
uma situação social, esse recurso midiático tem sido utilizado apenas com o caráter de
subsidiar um vídeo temático ou preencher o tempo de uma aula sem assunto sistematicamente
planejado e direcionado. Defende-se que o uso da TV em ambiente escolar deve ser variado,
estimulante, problematizador e interligado ao currículo programático, a fim de possibilitar aos
alunos relacionar teoria e prática, realidade e ficção. Trazer e relacionar questões sociais,
políticas, econômicas e culturais propagadas diariamente por essa mídia amplia o universo
letrado dos alunos e instiga a participação, autonomia e formação cidadã.
Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio (BRASIL, 2000)
a nova sociedade, decorrente da revolução tecnológica apresenta características possíveis de
assegurar à educação autonomia e cidadania. Isto ocorre porque a dinamização do mundo
audiovisual no contexto da sala de aula possibilita a professores e alunos conhecerem, de
modo específico, novas formas de linguagem, programação, condições de produção e de
recepção televisiva, na medida em que entendem esse recurso como objeto de aprendizagem.
Estudiosos como Neves (2002), Moran (1993), Napolitano (2003) e outros,
defendem que o professor durante anos vem fazendo uso das tecnologias com suas novas
formas de aprender e ensinar. Com isso, a construção do conhecimento e introdução das
tecnologias com suas novas formas de aprender e ensinar, seus equipamentos, linguagem,
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valores éticos e estéticos resignificam o fazer pedagógico educativo, apesar de muitas vezes
limita-los a um único ponto de vista, o seu. A TV tem papel importantíssimo e estratégico na
ligação do mundo global com a realidade e os interesses dos alunos, além da natureza
acessível que a constitui: estar presente em todos os lares brasileiros. Com isso, o uso desse
recurso no contexto educativo vem desafiando os docentes na discussão e mudança de
paradigmas ao oferecer a oportunidade de discutir comportamentos, símbolos e valores
sociais.
Para refletir sobre a contribuição do uso da TV na melhoria do processo de aprendizagem
foi adotado como procedimentos metodológicos a pesquisa qualitativa de natureza descritiva, focada
nos princípios da pesquisa participativa, princípios esses que elegem a escola como lugar empírico
para a investigação. Nesses termos, realizaram-se numa escola pública municipal de Estrela de
Alagoas observações, entrevistas e a analise de uma proposta pedagógica do uso da TV nas aulas de
Língua Portuguesa do 9º ano. Foi desenvolvido, junto ao professor da disciplina, o planejamento, a
discussão e a integração das tecnologias na execução das tarefas pedagógicas, de forma significativa,
motivadora e desafiante para os alunos, compreendendo que a televisão contribui para a construção
de novos caminhos para que se aprenda através de espaço e de metodologias enriquecedoras
na nossa prática pedagógica.
Compreendendo que esta é uma temática interessante este texto não tem a
pretensão de esgotá-la e sim, de contribuir, junto a professores, acadêmicos, alunos e
interessados na temática, na resignificação do uso da TV em sala de aula e compreensão de
que esse recurso auxilia os alunos na apreensão do conhecimento e de novas linguagens e
rediscussão dos valores e papeis sociais.
1. Televisão e aprendizagem
Estamos vivendo em uma sociedade que cresce constantemente na área
tecnológica, por isso é necessário que o homem além do contato com o ambiente natural
também
possa
vivenciar
novas
oportunidades
de
construção
do
conhecimento,
especificamente, relacionando televisão e aprendizagem.
A televisão é um meio de comunicação encontrado em todos os ambientes e que a
cada dia invade mais o cotidiano escolar. Com presença constante na vida das pessoas a TV
desempenha a importante função de socializar, informar e transmitir cultura. Ao constituir um
poderoso meio de reprodução social torna-se um instrumento eficaz de transmissão do saber
acumulado e informações sobre a atualidade, as representações do mundo e as regras de
integração social.
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Nessa era da tecnologia da informação e o professor, parte principal do processo
educativo, é convidado a participar deste cenário, para que possa romper com a falta de
dinamismo e a limitação dogmática de conhecimentos, motivando os alunos a conhecerem
novas linguagens e posicionamentos sócio-históricos. No processo de ensino e aprendizagem
ele deve centrar preocupações no processamento das informações, instigando nos alunos a
necessidade de compreender a história e o pensamento humano, percebendo-se como
integrante dessa realidade.
Para Moran (1993, p. 360) ―tudo que passa na televisão é educativo. Basta o
professor fazer as intervenções certas e proporcionar momentos de debate e reflexão‖. Essa
visão traz um redirecionamento na concepção de que aliar TV e aprendizagem é desenvolver
meios e estratégias pedagógicas que estimulam a reflexão, a visão crítica e a participação.
A vantagem da televisão ligada à sala de aula é de impulsionar os alunos rumo a
uma educação promissora que liberte o cidadão da opressão. É preciso então o norteamento e
criatividade do professor junto à turma, pois várias são as possibilidades do uso da TV em
sala de aula. Monteiro (2011) apresenta a TV como algo fantástico, mas é preciso que as
pessoas se ponham diante dela, como diante de tudo, criticamente. Por exemplo, esse
instrumento pode ser usado de maneira a confundir o ouvinte com mensagens pré-fabricadas,
reduzindo sua ação junto a aqueles que querem aprender e fazendo com que os alunos sejam
os depositários de ideias.
Uma maneira educativa de uso da TV em sala de aula é o estudo dos programas das
emissoras, observando a linguagem, o discurso e as imagens, Estudiosos como Moran (1993),
Neves (2002) e outros acreditam que os recursos midiáticos contribuem para desenvolvimento
de novas técnicas educativas e que a abordagem dos fatos apresentados revelam
posicionamentos que necessitam de análise crítica, confronto ou consolidação. A TV é o meio
técnico que representa o aqui e agora da realidade, transmitindo e retransmitindo os fatos e as
imagens no momento em que ocorrem.
É importante não esquecermos a influência que esse recurso exerce sobre as
crianças. Antes da apresentação visual, um dos componentes mais importantes no processo
ensino e aprendizagem é o ambiente educativo, ou seja, as mensagens sociais exibidas pela
televisão. Como atividade dinâmica a ser utilizada no ambiente escolar há a apresentação de
programas em formato de quiz exibidos pela TV, por ter temas variados constituem
excelentes materiais para análise do comportamento dos alunos e dos saberes acumulados,
além de atrair a atenção desses jovens para o mundo que o cerca.
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Com isso, percebemos que a televisão pode ser usada em todas as disciplinas
abordando de forma interdisciplinar, contextualizada e dinâmica os vários temas que circulam
e inquietam a sociedade. Utilizar a televisão como um mecanismo associado ao sucesso do
ensino e aprendizagem favorece a formação de cidadãos críticos e conscientes de sua
responsabilidade enquanto sujeito participativo da sociedade. Por isso, o professor deve, ao
mediar o processo educativo, fazer com que o aluno compreenda a necessidade de ter um
olhar atencioso sobre a linguagem dessa nova tecnologia.
Além disso, a televisão aparece com grande poder de destaque e comunicação
eficiente que atinge a cidadãos de todas as idades, daí ser um instrumento de instigação a
dinamização do processo de ensino e aprendizagem por responder aos anseios da sociedade.
Na TV o conteúdo é selecionado de acordo com o público alvo. Há programas voltados
especificamente para todos os públicos (programas livres), para as escolas (programas
educativos), para às donas de casa (programas de culinária, artesanato, serviço) ou para às
crianças (programas de entretenimento).
Entretanto, Ferrés (1996) alerta que a TV por si só não produz efeito, é necessário
que haja interação e diálogo na prática educativa e que o professor fique atento à elaboração
da construção do saber para que professores e alunos telespectadores não sejam manipulados
pela mídia. Para que o uso desse recurso seja verdadeiramente educativo pedagógico é preciso
que haja planejamento participativo na escola, pois é através da participação coletiva onde
experiências sejam socializadas e compartilhadas no contexto escolar que são ampliadas as
possibilidades e estratégias de aprender através de televisão.
A TV ajuda-nos a preparar uma aula mais atrativa, trazendo à sala de aula uma
linguagem e situações cotidianas que merecem tratamento específico e oportuno em cada
situação dentro da escola. Nesta concepção o aluno pode reorganizar as informações obtidas
durante a aula agregando-a ao seu conhecimento aquilo que julgar positivo e proveitoso para
sua vida real fazendo a diferenciação entre o positivo e o negativo. Não podemos enxergar a
TV só como entretenimento ou algo desvinculado com a nossa realidade, pois ela é sim uma
grande aliada à nossa prática pedagógica.
Compreende-se, então, que a TV é recurso que rompe práticas obsoletas
transformando as aulas em momentos de novas descobertas e interação entre os sujeitos
envolvidos. Por isso, o uso da televisão na prática pedagógica deve ser visto como um projeto,
de preferência coletivo, partilhado entre diversos profissionais de um estabelecimento escolar.
―O poder e a influência da TV só podem ser revertidos em conhecimento escolar na medida
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em que o uso da TV em sala de aula seja a conseqüência de um conjunto de atividades e
reflexões compartilhadas.‖ (NAPOLITANO, 2003, p.25).
O professor precisa superar-se. Ele não ensina mais a alunos desprovidos de
saberes, alheios as situações sociais e que estão a repetir conhecimentos científicos
propagados como verdades absolutas. Ao relacionar sua prática à necessidade da inovação a
TV surge como uma alternativa dinâmica e atraente que motiva os alunos a participarem do
processo educativo, pois à medida que as informações são apresentadas a interação torna-se
fundamental para a consolidação de novos saberes.
Desta forma, o professor parte da relação entre o conhecimento prévio, senso
comum e conhecimento científico para impulsionar por meio de debates, estudos de casos,
dramatizações e relatos de situações cotidianas a compreensão do sistema linguístico,
discursivo e das condições sócio, políticas e históricas que envolvem o cotidiano humano.
Construir conhecimento científico não é atividade fácil, mas que deve ser encarado por todos
que estão envolvidos no processo educacional e que visam à formação humana de um ser
crítico, participativo, capaz de transformar a sociedade.
Na construção do conhecimento devemos considerar situações que retrate a
imagem, como defende Kellner (2001, p.103) ―A educação certamente deveria prestar atenção
a essa nova cultura, tentando desenvolver uma pedagogia crítica que estivesse preocupada
com a leitura de imagens‖. Em concordata com esse pensamento Freire (2003) aponta a
necessidade dos professores recriarem as possibilidades para a produção ou construção do
saber pelos alunos. ―Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar possibilidades para sua
própria produção ou a sua construção.‖ (p. 57). O conhecimento precisa ser vivido e
testemunhado pelos alunos. Fica evidente que o homem é o ator de sua própria história e que
é um ser em constante movimento a caminho de novos conhecimentos. E, isso nos faz
acreditar em uma prática pedagógica transformadora que veja o aluno como ser capaz de
construir e traçar sua própria trajetória de vida. Contudo, a televisão é uma grande aliada ao
docente na sua prática pedagógica, estimulando o conhecimento dos alunos e despertando a
vontade de aprender mais levando o professor e o aluno a posicionar-se frente às necessidades
da sociedade humana.
2.2 O uso da TV em sala de aula do 9º ano do ensino fundamental
Na educação muito tem se falado sobre a importância da inclusão da TV na
demanda de um entendimento de que a humanidade está em permanente processo de
construção do conhecimento. Com a inclusão da televisão em sala de aula podemos descobrir
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e conhecer a complexidade do mundo real, além da diversidade cultural existente,
relacionando o conhecimento de informações interessante ao crescimento intelectual.
Este trabalho descreve a experiência reflexiva do uso da TV nas aulas de Língua
Portuguesa em turmas de 9º ano. Ao defrontarmos com a desmotivação e a falta de
dinamicidade no ensino de alguns assuntos do sistema linguístico e, a riqueza de situações
linguísticas e discursivas a ser explorada nas cenas televisivas, reproduzidas diariamente nas
conversas dos alunos, o desafio de articular e refletir sobre os usos sociais da língua à
aprendizagem significativa tornou-se elemento motivador da mudança na prática pedagógica
desenvolvida nessas turmas.
Para tal, foi desenvolvido o projeto didático: TV: analisando e discutindo em sala
de aula a Língua Portuguesa. Com duração de 2 meses esse projeto tem por finalidade
compreender a dinamicidade do sistema linguístico na representação de situações televisivas.
Ao assumirmos uma postura metodológica de pesquisa qualitativa exploratória, foi escolhido
como procedimento os pressupostos e instrumentos da pesquisa participante. Contando com a
participação de professores e alunos, iniciamos a primeira reunião pedagógica apresentando o
projeto e discutindo a necessidade da utilização da mídia televisiva como recurso motivador e
propulsor de novas aprendizagens, de forma dinâmica, participativa e crítica.
Diante do interesse e do desafio de inclusão das novas tecnologias, televisão, no
cotidiano das práticas pedagógicas foi ampliado, de forma interdisciplinar, o universo de
disciplinas a serem envolvidas nesse projeto. Os docentes de Língua Portuguesa, Arte,
História e Geografia levaram essa proposta de trabalho para as turmas de 9º ano, que a
princípio apresentaram algumas resistências, mas ao conhecer a dinâmica do trabalho a ser
realizada e o grau de envolvimento e interesse do corpo docente se dispuseram a participar
dessa primeira experiência piloto nesta instituição.
A partir daí vários trabalhos foram desenvolvidos utilizando a TV como recurso
de aprendizagem. Desde a leitura comentada de programas jornalísticos e novelas a análise
mais aprofundada de filmes/documentários que mostram o período jesuítico no Brasil Colônia
e os que retratam A Era dos Descobrimentos. A escolha desses programas e filmes ocorreu de
forma conjunta entre professores e alunos, por meio da construção do planejamento
participativo. Após a discussão do plano de disciplina com a turma foi lido a sinopse dos
filmes e discutido as temáticas usualmente tratadas pelos telejornais e enredos narrativos das
novelas, com o intuito de dá sequência ao currículo de sala de aula.
A dinâmica utilizada no processo de ensino e aprendizagem tem grande valia para
a compreensão de uma nova visão de mundo e a formação de sujeitos críticos. A educação é o
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motor de transformação da sociedade, por isso deve ser bem pensado com responsabilidade e
compromisso de todos os envolvidos com as ações pedagógicas que promovam um trabalho
inovador favorecendo a aprendizagem e a troca de experiências.
Um dos resultados constatado nessa prática foi que o uso da televisão aliado aos
conhecimentos propagados pelas disciplinas demonstraram que essa nova forma de aprender é
mais motivadora, significativa, participativa e reflexiva para os alunos, por permitir a
conscientização, a autonomia e a criticidade defendida por Freire (2003) em seus estudos.
No decorrer do processo forma utilizadas como estratégias metodológicas debates,
produção textual, elaboração de cartazes, dramatizações e paródias, todas com o intuito de
compreender como o uso do recurso midiático contribui para a melhoria do processo
educativo e a formação de novas habilidades de domínio do sistema linguístico e saberes
propagadas pelo conjunto de conhecimentos das demais ciências.
Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) norteadores do processo
educacional descreve que ―a televisão oferece uma diversidade de informações e em muita
quantidade, utilizando basicamente imagens e sons, o que a faz não depender necessariamente
da cultura letrada.‖
(1998, p.142). Esse recurso desempenha um importante papel
na sociedade como formadora de informações, opiniões, valores e crenças e divulgadora
de variações linguísticas, modos de vida e fatos cotidianos, Esse conjunto de saberes se
ligam aos
conhecimentos
ensinados
nas
disciplinas
curriculares
e
ajudam
no
processo de aprendizagem dos alunos, seja na mudança paradigmática de valores, seja na
normatização de novos comportamentos.
De fato a televisão é um instrumento de comunicação que contribui
significativamente para o sucesso na aquisição do conhecimento, tornando a aprendizagem
mais prazerosa. Mas não devemos esquecer que o uso dos recursos audiovisuais devem ser
bem planejado e aliado aos objetivos educativos da proposta pedagógica da escola. Segundo
os PCNs (BRASIL, 1998, p. 144)
é comum que crianças e jovens tenham acesso, pela televisão, a informações
diversas, sobre meio ambiente, conflitos internacionais, sexo, drogas, saúde,
diferenças culturais etc. que muitas vezes são fragmentadas,
descontextualizadas, imprecisas, tendenciosas e até discriminatórias.
Embora os alunos, diante da exposição direta à essas temáticas, ainda não tenham
discernimento suficiente para entendê-las totalmente deliberam como significados a forma
que a veem. Na sala de aula, o professor deve estimular situações que propicie um debate
profícuo sobre a compreensão desses significados e os conhecimentos relacionados para que
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haja a construção de outros saberes, desenvolvendo assim posicionamentos críticos e
conscientes frente aos conteúdos veiculados na TV.
O trabalho com a dramatização de situações reais permitiu ―estudos comparativos
de personagens e ambientes de novelas [...]; levantamento da estrutura narrativa de diversos
programas; análise e elaboração de campanhas publicitárias, [...] simulações de programas,
como noticiários, entrevistas, debates, programas de variedade, [...] (BRASIL, 1998, p.143).
O conjunto de saberes de cada disciplina pode ser amplamente estudado em situações que
despertaram o interesse dos alunos. Olhar a televisão é também um meio de transmissão de
programas
educacionais,
proporcionou
aos
professores
e
alunos
desvendar
os
BRASILanismos utilizados para a elaboração de entrevistas, debates, jogos de perguntas e
respostas e transformações de narrativas em textos teatrais. Além da discussão de diversas
informações cientificas e pesquisas realizadas no mundo sobre temas que despertaram o
interesse dos alunos. Como podemos perceber, o uso da TV em sala de aula ofereceu uma
gama de conhecimento e inquietações, na forma como a sociedade aborda determinados
temas, aos professores que fizeram parte do projeto, além da riqueza de sugestões de
atividades e experiências propostas.
As atividades propostas e realizadas durante o projeto demonstraram a
necessidade de revisão da prática docente, adequando-a a realidade dos alunos. A promoção
momentos contínuos de participação e troca de experiências entre alunos e professores
promoveu a construção de novos conhecimentos. A televisão antes inutilizada e expurgada da
escola torna-se instrumento integrador do processo educativo. Como afirma Moran (1993), a
simples presença de novas tecnologias na escola não é por si só, garantia de maior qualidade
na educação, pois a aparente modernidade pode mascarar um ensino tradicional baseado na
recepção e na memorização de informações. Essa concepção de ensino e aprendizagem
revela-se na prática de sala de aula e na forma como professores e alunos utilizam os recursos
tecnológicos disponíveis — livro didático, giz e lousa, televisão ou computador. ―A
tecnologia deve servir para enriquecer o ambiente educacional, propiciando a construção de
conhecimentos por meio de uma atuação ativa, crítica e criativa por parte de alunos e
professores‖. (PCNs. 1998, p.140).
Faz-se necessário também destacar que as atividades propostas visou respeitar o
ritmo e de aprendizagem e interesse dos alunos, uma vez que cada um tem tempo próprio de
compreender os conteúdos trabalhados e assimilar ou confrontar a cultura dominante. Com a
televisão a oportunidade de diversificar as estratégias de aprendizagem que vai além da leitura
da imagem e escuta do texto falado é necessário o desvelar do discurso propagado,
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compreendendo que muitas vezes ele tem intenções diretas e preconceituosas que cabe ao
professor lançar mão desses instrumentos e ensiná-los aos alunos.
Com isso, a visão inicial de que somos reflexos da televisão, ou seja, com o hábito
de situar as imagens da televisão dentro de um contexto de assimilação e conceituação ativa,
reproduzindo e produzindo àquilo exposto pela televisão foi colocada em discussão. A
televisão na condição de meio de comunicação tem grande importância para a área
educacional, detentora de uma linguagem específica capaz de assegurar o desenvolvimento de
apreensão de conhecimentos traz à tona a realidade de várias regiões do mundo (SILVA,
2011). O papel educacional desempenhado pela TV no processo de aprendizagem é
riquíssimo, uma vez que mostra valores humanos e diversidade cultural, ensina várias formas
de linguagens e discursos e enfatiza a discussão de papeis e posturas sociais. A inclusão do
potencial pedagógico do discurso televisivo na ação docente é formar um telespectador mais
crítico e exigente quanto à forma e ao conteúdo da TV. O professor pode criar situações de
aprendizagem com mais qualidade, dando espaço ao novo, gerando conhecimentos e,
principalmente, ajudando na formação de um sujeito pensante, ativo, participativo e crítico
que tenha autonomia em suas escolhas.
Durante nosso trajeto no processo de ensino e aprendizagem em busca de métodos
que facilitem a construção do conhecimento através da TV, a interação, motivação e
participação de todos foi grande aliada em todos os momentos. Mas só isso não foi o
suficiente. Pois foram considerados nos trabalhos em grupos e individuais os conhecimentos
prévios dos alunos. Todo o trabalho foi desenvolvido de maneira que uns aprenderam com os
outros e que essa troca de conhecimento gerou um novo aprendizado. Realizamos também
momentos de avaliação para que pudéssemos de fato ver onde poderíamos aperfeiçoar nosso
trabalho e apresentar o que aprendemos durante a realização das atividades. Não esquecemos
de levamos também em consideração a clientela que atendemos, pois são alunos de classe
média baixa, filhos de agricultores principalmente, feirantes, domésticos e desempregados.
O trabalho desenvolvido revelou a necessidade de desmistificar o uso da TV em
sala de aula, organizando acordos claros e objetivos para todos os participantes e socializando
as informações e conhecimentos adquiridos. Diante disso, percebemos que a utilização da
televisão pedagogicamente é um recurso favorável na construção e aquisição
do
conhecimento, a partir de uma análise criteriosa do professor. Desta forma, a aula será
prazerosa e participativa.
No percorrer da realização das tarefas propostas pelo projeto evidenciou-se que os
alunos gradativamente ficavam mais participativos e motivados, a ponto de começar a
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contagiar outras turmas. Como a contextualização da aprendizagem os conteúdos tornaram-se
significativos e os professores mudaram sua postura em relação aos alunos, que agora se
encontravam mais solícitos e interessados. A postura crítica ensinada em sala não mais
assusta e sim, demonstra o verdadeiro potencial de cada um. Professores felizes por
recuperarem o sentido de ensinar e alunos interessados e envolvidos com o processo de
aprendizagem, eis o resultado do uso da TV em sala de aula.
O que antes era insatisfação e enrolação de tempo, técnica geralmente utilizadas
para a TV na escola deu lugar a uma nova forma de construção de conhecimento e forma de
ensinar. O uso da televisão em sala de aula é complexo e exige preparação, planejamento e
descentralização do trabalho docente. É necessário ser persistente, desbravador de saberes do
mundo e confiar no que faz. Inserir o uso da televisão na prática pedagógica é desafiante,
principalmente, com alunos que a vêm apenas como mero instrumento de entretenimento, e
não como parte integrante na construção de conhecimentos e saberes.
Considerações Finais
Atualmente o mundo moderno está marcado pelas várias invenções tecnológicas
tanto dos meios de comunicação, quanto dos meios de informação. Diante dessa realidade,
esse texto proporciona uma reflexão do uso da TV em sala de aula, discutindo o papel dos
professores e alunos no processo de ensino-aprendizagem, como protagonistas de suas
próprias ações.
Não se cresce sem aprendizagem. Durante o seu desenvolvimento o ser humano
precisa de novas descobertas para dinamizar sua capacidade de pensar e agir, para isso tem
que ver a realidade por vários ângulos e a partir daí construir seus próprios conceitos e valores
de mundo. Argumento importante para consolidarmos a tese de que o uso da televisão no
ambiente escolar traz contribuições significativas, além da possibilidade de confrontarmos
―verdades‖ e ampliarmos os conhecimentos sobre a língua e a linguagem. Com isso,
a utilização da televisão em sala de aula proporciona uma atividade diferenciada, participativa
e construtiva para assimilação do conhecimento, sendo de grande importância à criação de
uma relação afetiva e positiva com o conhecimento prévio, a fim de construir junto aos
demais atores escolares novos conhecimentos. As transformações ocasionadas pelo uso da
TV em ambiente
profundas
de
aprendizagem
nas
práticas
trazem
mudanças
pedagógicas desenvolvidas em sala de
aula e na aprendizagem dos alunos.
No cenário atual da educação o desafio do fazer pedagógico consiste em
equacionar de um lado o trabalho do professor comprometido com a educação e a qualidade
12
de ensino que visa o crescimento intelectual de seus alunos e do outro lado, a participação do
aluno no processo educativo, desenvolvendo uma visão critica e emancipatória dos saberes
propagados. Para que essa parceria seja bem sucedida é preciso haver mudanças de
comportamento no modo como professor e alunos se reconhecem no processo educativo e que
a inclusão das novas tecnologias no processo de aprendizagem ocorra de forma significativa.
A televisão proporciona, a professores e alunos, alternativas de trabalho que
possibilitam o aprofundamento dos conhecimentos desenvolvidos no curso. Trabalhar com a
televisão em sala de aula oferecer novas situações de aprendizagem, fazendo com que o
conhecimento previamente construído pelo aluno na escola ou em seu cotidiano social seja
confrontado ou contextualizado com o veiculado pela mídia televisiva.
Em suma, o uso da televisão em situação de aprendizagem escolar contribui para a
melhoria do processo educativo, ao favorecer posicionamentos críticos, participativos e
libertários. A formação docente para o uso adequado e potencial da mídia televisiva como
ferramenta de aprendizagem favorece a dinamicidade e diversidade de práticas pedagógicas
que auxiliam na motivação e interesse dos alunos. Planejar, conhecer, refletir e propor
atividades voltadas a inclusão tecnológica no cotidiano escolar interligando as disciplinas e
saberes educacionais possibilita a construção significativa e contextualizada da aprendizagem
e fortalece a formação critica, cidadã e autônoma dos alunos.
Referencias
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fundamental: introdução aos parâmetros curriculares nacionais/ Secretaria de Educação
Fundamental. – Brasília: MEC/SEF, 1998.
FERRÉS, J. Vídeo e Educação. 2 ed. Porto Alegre: Artmed, 1996.
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http://www.ipv.pt/forumedia/3/3_fi3.htm. Acesso em: 29 maio 2011.
MORAN, J. Leituras dos Meios de Comunicação. São Paulo, Ed. Pancast, 1993.
SILVA; M. F. C.; LEITE, L. S. Uso pedagógico da televisão e do vídeo: o olhar de
professor
aluno
de
licenciatura
em
história.
eduimagem.pro.br/frames/seminarios. Acesso em: 9 jul. 2011.
Disponível
em:
www.lab-
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A TV COMO RECURSO DE APRENDIZAGEM