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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL
FACULDADE DE COMUNICAÇÃO SOCIAL
ANA CECÍLIA BISSO NUNES
JORNALISMO POPULAR:
UMA ANÁLISE DO JORNAL ALEMÃO BILD HAMBURG E DO DIÁRIO GAÚCHO
Porto Alegre
2010
1
ANA CECÍLIA BISSO NUNES
JORNALISMO POPULAR:
UMA ANÁLISE DO JORNAL ALEMÃO BILD HAMBURG E DO DIÁRIO GAÚCHO
Trabalho de conclusão de curso apresentado à
Faculdade de Comunicação Social da Pontifícia
Universidade Católica do Rio Grande do Sul
como requisito parcial para obtenção do título de
Bacharel em Jornalismo.
Orientadora: Profª. Drª. Ana Carolina D. Escosteguy
Porto Alegre
2010
2
ANA CECÍLIA BISSO NUNES
JORNALISMO POPULAR:
UMA ANÁLISE DO JORNAL ALEMÃO BILD HAMBURG E DO DIÁRIO GAÚCHO
Trabalho de conclusão de curso apresentado à
Faculdade de Comunicação Social da Pontifícia
Universidade Católica do Rio Grande do Sul
como requisito parcial para obtenção do título de
Bacharel em Jornalismo.
Aprovada em ____ de __________________________________ de ________.
BANCA EXAMINADORA:
Profª. Drª. Ana Carolina D. Escosteguy – PUCRS
_____________________________________
Prof. Me. Fabian Chelkanoff Thier - PUCRS
_____________________________________
Prof. Dr. Francisco Ricardo de M. Rüdiger - PUCRS
_____________________________________
3
Dedico esta monografia aos meus pais, avós,
irmã e namorado que, com a convivência, apoio
e amor, fazem eu ser quem sou e me dão
suporte e força para minhas conquistas.
4
AGRADECIMENTO
Para minha família, que sempre apoiou minhas idéias e conquistas. Ao meu pai, que
me ensinou a ler as primeiras linhas e a minha mãe que sempre me incentivou o gosto pela
leitura e que leu e releu as páginas deste trabalho inúmeras vezes. Aos meus avós e irmã que,
assim como eles, entenderam e ouviram meus anseios. A eles, devo tudo.
Ao meu namorado, Marcelo, pela compreensão, discussão e suporte emocional e
teórico durante todo o desenvolvimento deste trabalho. E aos meus amigos, por
compreenderem minhas ausências e ouvirem inúmeras vezes sobre o progresso desta
monografia.
A todos os professores da FAMECOS, que influíram no meu desenvolvimento
acadêmico e científico, em especial a minha orientadora, Ana Carolina Escosteguy e aos
professores Andréia Mallmann, André Pase e Eduardo Pellanda, os quais a presença foi muito
significativa durante toda minha vida acadêmica.
Ao Professor Gerson Roberto Neumann que, com muita dedicação, me ensinou a amar
a língua alemã, a compreender suas estruturas, a cultura do povo e a expressar-me com
clareza. Obrigada por responder minhas dúvidas e me incentivar na busca do conhecimento.
À equipe do Diário Gáucho, que me recebeu na redação e respondeu aos meus
questionamentos. Em especial a Alexandre Bach, que possibilitou, num primeiro momento,
que eu conhecesse de perto o jornalismo popular. Também a Cláudio Thomas, Claiton
Magalhães, Rozanne Adamy, Luiz Domingues e Renato Dornelles pela atenção,
disponibilidade e conversas.
À equipe do jornal BILD Hamburg, que me recebeu em sua redação, respondeu
minhas dúvidas e contribuiu para que eu compreendesse as rotinas do jornal. A todos os
profissionais que colaboraram para que esta pesquisa fosse realizada, um muito obrigado.
À família Moeller que me recebeu em sua casa em Hamburgo, me deu atenção e apoio
à pesquisa e ajudou-me em todo o período em que estive na Alemanha.
E, por fim, a Professora Beatriz Puffal, que me ensinou a compreender a língua
portuguesa e que acompanha meus passos desde o Ensino Fundamental.
5
RESUMO
Desde a eclosão dos periódicos populares no Brasil, na década de 90, essas publicações
ocupam espaço significativo no mercado comunicacional do país. Do outro lado do oceano, na
Europa, o jornal mais vendido do continente é popular e data de 1952. O periódico alemão
BILD tem vendagem diária superior a três milhões de exemplares e serviu de inspiração para
jornais populares brasileiros como o Diário Gaúcho, lançado em 2000 no Rio Grande do Sul e
o oitavo maior do Brasil. As publicações são semelhantes e dirigem-se a um mesmo
segmento, porém situam-se em contextos diversos. O presente trabalho estabelece
semelhanças e diferenças entre os jornalismos popular brasileiro e alemão, através da análise
dos jornais BILD (edição regional de Hamburgo) e do Diário de Gaúcho. Além de revisão
bibliográfica e documental, o material é fruto de coleta de informações “in loco”, nas
respectivas redações, e entrevistas com profissionais dos jornais. A análise das capas dos
periódicos, diagramação e títulos permitiram visualizar as editorias privilegiadas e os aspectos
enfatizados em cada um dos jornais. Percebeu-se que os títulos e seu modo de tratamento
revelam particularidades que dizem respeito aos jornais, mas também aos contextos em que
eles estão inseridos.
Palavras-chave: jornalismo popular. Diário Gaúcho. BILD. Hamburgo. Porto Alegre.
Alemanha. Brasil.
6
ZUSAMMENFASSUNG
Seit dem Auftachen der populären Tageszeitungen während der neunziger Jahren in
Brasilien nahmen solche Veröffentlichungen eine bedeutende Stellung auf dem Medienmarkt
des Landes ein. Weit in Übersee, in Europa nämlich, die meistverkaufte Zeitung ist ebenfalls
populär und stammt aus dem Jahr 1952. Die deutsche Boulevardzeitung BILD rechnet mit
einem täglichen Verkauf von mehr als drei Millionen Exemplaren und hat als Vorbild für
mehrere derartige brasilianische Zeitungen gedient, wie die Tageszeitung Diário Gaúcho,
welche im Jahr 2000 auf dem Markt gebracht wurde und unter den acht grössten Zeitungen
Brasiliens rangiert. Die Veröffentlichungen ähneln sich und richten sich an vergleichbaren
Zielgruppen, allerdings befinden sich in unterschiedlichen Umfelder. Die vorliegende Arbeit
bestrebt die Unterschiede und Gemeinsamkeiten zwischen den deutschen und brasilianischen
populären
Zeitungswesen
nachzuvollziehen,
mittels
einer
Erforschung
von
den
Tageszeitungen BILD (regionale hamburger Ausgabe) und Diário Gaúcho. Über
bibliographische und schriftliche Untersuchungen hinaus entstammt das Forschungsmaterial
aus Datensammlungen in den entsprechenden Redaktionsabteilungen und aus Befragungen an
den Redakteuren. Die Untersuchung von Titelseiten, grafischen Erstellungen und Titeln
ermöglichte es festzustellen, welche seien die bevorzugten Ressorts und die schwerwiegenden
Gesichtspunkte bei jeder Zeitung. Es wurde ebenso fesgestellt, wie die Titelerscheinungen die
Eigenschaften solcher Tageszeitungen offenbaren, so wie die der Umfelder, auf die sie sich
beziehen.
Schlüsselwörter: Populäre Journalismus. Diário Gaúcho. BILD. Hamburg. Porto Alegre.
Deutschland. Brasilien.
7
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Figura 1 - Capa do Hamburger Abendblatt do dia 24 de junho de 1952...................................17
Figura 2 - Capa do BILD do dia 24 de junho de 1952..............................................................17
Figura 3 – Capa do Diário Gaúcho de 17 de abril de 2000.......................................................20
Figura 4 – Capa da Zero Hora de 17 de abril de 2000...............................................................20
Figura 5 - Imagem de apelo sensual..........................................................................................42
Figura 6 - Balões de Fala em reportagem..................................................................................42
Figura 7 – Leser-Reporter.........................................................................................................45
Figura 8 – Site do jornal BILD..................................................................................................46
Figura 9 – Aplicativo do BILD para IPhone.............................................................................46
Figura 10 – Primeiro logotipo do BILD....................................................................................49
Figura 11 – Logotipo atual do BILD Hamburg.........................................................................49
Tabela 1 – Categorização dos títulos do BILD Hamburg ........................................................51
Figura 12 – Selo Acampamento Farroupilha.............................................................................71
Figura 13 – Desempenho dos “Boleiros”..................................................................................71
Figura 14 - Balões de fala no depoimento dos jogadores..........................................................71
Figura 15 – Resumo da Notícia.................................................................................................72
Figura 16 – Retratos da Fama....................................................................................................73
Figura 17– Retratos da Fama.....................................................................................................73
Figura 18– Retratos da Fama.....................................................................................................73
Figura 19 – Site do jornal Diário Gaúcho.................................................................................76
Figura 20 – Logotipo do Diário Gaúcho...................................................................................80
Tabela 2 - Categorização dos títulos do Diário Gaúcho ...........................................................83
8
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO...................................................................................................................11
2 O JORNALISMO POPULAR ATRAVÉS DO NASCIMENTO DO BILD E DG........14
2.1. SENSACIONALISTA OU POPULAR? ...........................................................................21
2.2. RECORTE METODOLÓGICO.........................................................................................28
2.2.1 Economia e Política........................................................................................................34
2.2.2 Emprego e Serviços........................................................................................................35
2.2.3 Polícia e Crimes..............................................................................................................35
2.2.4 Local.................................................................................................................................36
2.2.5 Saúde................................................................................................................................37
2.2.6 Esporte.............................................................................................................................37
2.2.7 Variedades.......................................................................................................................38
3 BILD HAMBURG...............................................................................................................41
3.1 AS CAPAS DO BILD HAMBURG...................................................................................48
3.1.1 Aspectos Gráficos...........................................................................................................49
3.1.2 Títulos............................................................................................................................. 51
3.1.2.1 Variedades.................................................................................................................... 52
3.1.2.2 Economia e Política.......................................................................................................56
3.1.2.3 Polícia e Crimes ............................................................................................................60
3.1.2.4 Esporte ..........................................................................................................................62
3.1.2.5 Emprego e Serviços.......................................................................................................65
3.1.2.6 Saúde.............................................................................................................................66
3.1.2.7 Local .............................................................................................................................67
4 DIÁRIO GAÚCHO.............................................................................................................69
4.1 AS CAPAS DO DIÁRIO GAÚCHO..................................................................................80
4.1.1 Aspectos Gráficos...........................................................................................................80
4.1.2 Títulos..............................................................................................................................83
4.1.2.1 Variedades.....................................................................................................................83
4.1.2.2 Local..............................................................................................................................87
4.1.2.3 Polícia e Crimes.............................................................................................................91
9
4.1.2.4 Esporte...........................................................................................................................93
4.1.2.5 Emprego e Serviços.......................................................................................................96
4.1.2.6 Economia e Política.......................................................................................................97
4.1.2.7 Saúde.............................................................................................................................98
5 CONCLUSÃO.....................................................................................................................100
REFERÊNCIAS.....................................................................................................................109
FONTES DOCUMENTAIS..................................................................................................116
APÊNDICE A – Fotografia panorâmica da cidade de Hamburgo.........................................118
APÊNDICE B – Fotografia da reunião de pauta às 10h15- BILD Hamburg.........................120
APÊNDICE C – Fotografia da entrada da redação da editoria de Local- BILD Hamburg...122
APÊNDICE D – Fotografia da redação do BILD Hamburg – editoria de Local...................124
APÊNDICE E – Fotografia da sala de diagramação- BILD Hamburg..................................126
APÊNDICE F – Fotografia do Editor-Chefe do BILD Hamburg – Matthias Onken............128
APÊNDICE G – Fotografia panorâmica da cidade de Porto Alegre.....................................130
APÊNDICE H – Fotografia da reunião de pauta - Diário Gaúcho........................................132
APÊNDICE I – Fotografia da reunião de pauta: Editor de Dia-a-Dia e Editor-Adjunto.......134
APÊNDICE J – Fotografia da Redação do Diário Gaúcho...................................................136
APÊNDICE K – Fotografia da Redação do Diário Gaúcho..................................................138
APÊNDICE L – Fotografia da Editor-Chefe do Diário Gaúcho- Cláudio Thomas...............140
ANEXO A – Primeira Propaganda do BILD Hamburg- 24 de junho de 1952.......................142
ANEXO B – Texto publicado na primeira edição do Diário Gaúcho- 17 de abril de 2000...144
ANEXO C – Documento original concedido na redação do BILD Hamburg- Rotina...........146
ANEXO D – Espelho do dia 9 de Setembro de 2009, concedido pelo BILD Hamburg........148
ANEXO E – Espelho do dia 5 de Maio de 2009, concedido pelo Diário Gaúcho.................150
ANEXO F – Capa do BILD Hamburg do dia 8 de Setembro de 2009...................................152
ANEXO G – Capa do BILD Hamburg do dia 9 de Setembro de 2009..................................154
ANEXO H – Capa do BILD Hamburg do dia 10 de Setembro de 2009................................156
ANEXO I – Capa do BILD Hamburg do dia 11 de Setembro de 2009..................................158
ANEXO J – Capa do BILD Hamburg do dia 12 de Setembro de 2009.................................160
10
ANEXO K – Capa do BILD Hamburg do dia 14 de Setembro de 2009................................162
ANEXO L – Capa do Diário Gaúcho do dia 8 de Setembro de 2009....................................164
ANEXO M – Capa do Diário Gaúcho do dia 9 de Setembro de 2009...................................166
ANEXO N – Capa do Diário Gaúcho do dia 10 de Setembro de 2009..................................168
ANEXO O – Capa do Diário Gaúcho do dia 11 de Setembro de 2009..................................170
ANEXO P– Capa do Diário Gaúcho do dia 12 de Setembro de 2009....................................172
ANEXO Q – Capa do Diário Gaúcho do dia 14 de Setembro de 2009..................................174
11
1 Introdução
A partir da década de 1990, um novo cenário descortinou-se no Brasil. A expansão dos
jornais populares gerou mudanças cruciais no mercado impresso que hoje se configura em
âmbito nacional: dados do Instituto Verificador de Circulação (IVC) de 2009 (apud
ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE JORNAIS, 2010) indicam que entre os dez periódicos com
maior circulação no país, cinco pertencem ao segmento popular, disputando posições lado a
lado com periódicos de referência. Na lista, encontram-se os populares Super Notícia (MG, 2º
lugar), Extra (RJ, 4º lugar), Meia Hora (RJ, 6º lugar), Diário Gaúcho (RS, 8º lugar) e Lance!
(RJ, 10º lugar).
Com muitas fotos, títulos em fontes gigantes e estímulos visuais por toda a parte, o
jornalismo popular hoje representa um segmento impresso significativo no mercado brasileiro.
A fórmula não é totalmente nova: muitas características provêm de jornais do passado ou que
ainda hoje estão no mercado. O diferencial está no tratamento dos temas e no seu
reconhecimento social como um produto para as camadas populares por parte das elites.
O segmento popular - intrinsecamente ligado ao sensacionalismo, porém com
peculiaridades - agrega novo termo para definir-se, com vias a extinguir um conceito prévio e
preconceito de valor agregado ao antigo termo. Apesar de as publicações assemelharem-se às
sensacionalistas, o cenário hoje no Brasil é novo, uma vez que elas sofreram transformações.
A escolha do tema “jornalismo popular” para esta monografia, mostrou-se, assim,
pertinente. Além do cenário nacional, percebeu-se que no Brasil, os jornais populares, apesar
de conquistarem audiências e espaço no mercado, ainda detêm pouca atenção por parte da
academia, como afirma Amaral (2004, p. 14): “(...) às publicações e aos programas dirigidos
às camadas populares destinam-se muitas críticas, pouca análise e, conseqüentemente, quase
nenhuma proposição.”
Aliado às motivações acadêmicas, a autora possuía contato anterior com publicações
do segmento e forte interesse pelo tema. Durante o período de sua formação, entre os lugares
que estagiou e trabalhou, a passagem pelo Diário Gaúcho ampliou o interesse pela imprensa
popular. A experiência de trabalho no veículo influenciou também a decisão para a realização
deste trabalho de conclusão de curso, que tem como objetivo entender as peculiaridades deste
segmento. O conhecimento do periódico juntamente com a proximidade geográfica e cultural,
além de sua importância em âmbito nacional influíram para que o mesmo fosse escolhido
como um dos objetos de análise.
12
No entanto, o interesse da autora por publicações populares ia além das fronteiras
nacionais. A autora queria entender se este jornalismo popular brasileiro era análogo àquele
que há décadas fazia sucesso na Europa. As pesquisas e conversas com profissionais da área
verificaram, então, que o Diário Gaúcho tivera influência, quando de sua criação, de
periódicos europeus, entre eles o BILD. A autora tinha conhecimento que a publicação alemã
constituía-se uma das de maior tiragem do mundo, com forte apelo na Alemanha e
significativa posição no mercado Europeu. A importância notória do jornal, aliada ao
conhecimento do idioma e viabilidade financeira para viagem e observação do jornal “in
loco” possibilitaram a escolha da publicação, também, como objeto de análise deste trabalho.
O BILD, contudo, tem circulação nacional, diferentemente do Diário Gaúcho. O
periódico alemão possui 23 edições regionais e tem sua atividade e produção de conteúdo
compartimentada: a parte nacional é realizada na redação principal, localizada em Berlim, e a
parte regional, nas unidades espalhadas pelo país. Para viabilizar uma comparação próxima,
decidiu-se, então, selecionar uma de suas edições regionais. Critérios como tamanho da cidade
e parecença com a capital gaúcha foram então considerados, chegando-se à decisão pela
edição de Hamburgo: cidade portuária como Porto Alegre e, também, com número de
habitantes semelhante (1.780.7481 em Hamburgo e 1.436.123 2 na capital gaúcha). Além disso,
Hamburgo foi a cidade onde o jornal iniciou suas atividades e, portanto, possui ligação mais
intrínseca com ele. Desta forma, apesar da redação principal encontrar-se na cidade de Berlim,
optou-se pela edição de Hamburgo.
A análise comparativa das publicações evidenciou-se como forma adequada para
verificar as semelhanças e diferenças destes impressos, além de suas editorias privilegiadas e
os aspectos enfatizados em suas capas. O procedimento metodológico pretendeu também
perceber como as publicações refletiam seus contextos sociais nos assuntos que elas
publicavam e definir perfis de jornalismo popular nos dois contextos.
Este trabalho concebeu-se, assim, com o propósito de ocupar um espaço e agregar
análise e reflexão sobre este segmento recente no Brasil, com vistas à melhor entender suas
proposições e singularidades. Percebeu-se a necessidade de identificar as características que
compõem as publicações e as abordagens que dizem respeito a este segmento, identificando as
peculiaridades típicas da publicação brasileira e da alemã em questão. Poderia-se, assim,
entender como funcionava o jornalismo popular praticado pelo Diário Gaúcho e o BILD
1
2
Statistische Ämter des Bundes und der Lander, referente a agosto de 2009.
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Estimativa a 1º julho 2009.
13
Hamburg, percebendo também, de certa forma, como era praticado o jornalismo popular nas
duas regiões.
Para a plena realização dos objetivos, a autora viajou até a Alemanha, onde procedeu
observação das rotinas de produção da redação do jornal BILD da cidade de Hamburgo, além
de coletar informações “in loco”, as quais seriam cruciais para a caracterização do jornal. O
mesmo foi realizado no Diário Gaúcho, na cidade de Porto Alegre. No entanto, para a
realização desta monografia, utilizou-se também pesquisa bibliográfica e documental 3.
Para embasar as discussões sobre jornalismo popular, escolheu-se autores como
Amaral (2004, 2006), Mott (2000), Angrimani (1994), Pedroso (2001) e Sunkel (2002), além
de autores alemães como Leonhard (1999) e Baumgarth (2004). Já para referenciar as
discussões relativas à história da comunicação no Brasil e na Alemanha e seus contextos
sociais, os autores Briggs e Burke (2006), Baer (2003) e Ortiz (2001) serviram de base. Com
relação aos questionamentos sobre valores-notícia e critérios de noticiabilidade, autores como
Amaral (2006), Traquina (2008) e Pena (2005) foram consultados. O embasamento da análise
gráfica, por sua vez, teve suporte de Collaro (1987), Fernandes (2003), Lupton e Stolarski
(2009), Silva (1985) e Rehe (2000).
Assim, este trabalho monográfico propõe-se a contribuir para uma discussão muito
atual e pertinente sobre o segmento popular, de modo a agregar conhecimentos e reflexões
sobre publicações que não possuem ainda numerosas análises acadêmicas no Brasil. Enfim, a
análise comparativa do jornal BILD Hamburg e do Diário Gaúcho, destaca as diferenças e
semelhanças entre as publicações, além de perceber influências dos contextos históricos e
particularidades na hierarquização das notícias, os quais podem contribuir para uma melhor
visualização do cenário e das peculiaridades nacionais e internacionais da mídia popular.
3
Vide Recorte Metodológico.
14
2 O jornalismo popular através do nascimento do BILD e DG
Rádionovelas, crescimento do setor livreiro, início do desenvolvimento do cinema
nacional e introdução de uma nova mídia de massa: a televisão. O cenário midiático brasileiro
no final da década de 40 e início da de 50 era de expansão em diversos setores. O rádio, após
um começo muito elitista, consegue atingir um percentual maior da população, atingindo, em
1952, a marca de dois milhões e 500 mil receptores no país (ORTIZ, 2001, p. 47). Os livros,
revistas e jornais aumentam suas tiragens e, é neste período também, que nascem as
fotonovelas (Revista Grande Hotel, 1951; Capricho, 1952). A década de 50 inicia com a
chegada da televisão no país: começando na cidade de São Paulo (1950) e chegando a Porto
Alegre em 1959. No entanto, como afirma Ortiz (2001, p. 45), “a ‘indústria cultural’ e a
cultura popular de massa emergente se caracterizam mais pela sua incipiência do que pela sua
amplitude”. Ou seja, o rádio, apesar do crescimento e significativo aumento no número de
aparelhos, ainda excluía grande parte da população e, como os outros meios, encontrava
barreiras em razão do subdesenvolvimento da sociedade brasileira.
No âmbito político, o Brasil acabava de sair de uma era populista: o Estado Novo,
comandado por Getúlio Vargas. De 1939 a 1945, o país vive um período ditatorial e de
consolidação da industrialização brasileira. Ao mesmo tempo, a Segunda Guerra Mundial
eclode no mundo, começando e terminando nos mesmos anos e o país se posicionando
contrário ao nazismo e favorável aos Estados Unidos. Terminada a guerra, em 1945, Dutra
inicia novamente um período democrático no país e comanda uma política econômica liberal,
em que o estado não interfere na economia. Em 1952, Getulio Vargas volta ao poder, desta
vez não mais como ditador.
Do outro lado do oceano Atlântico, no velho continente, o cenário era outro. Sob o
domínio de Hitler e da filosofia nazista, a comunicação radiofônica se alastrava e ganhava
dimensão nacional. O estímulo à produção maciça de aparelhos pequenos e baratos ajudou a
incrementar o desenvolvimento e os 4 milhões de ouvintes alemães em 1933, se multiplicaram
para 29 milhões em 1934, se transformando em 97 milhões em 1939 quando começou a
Segunda Guerra Mundial (IRVING apud DINES em MEDITSCH, 2001, p.12). Neste mesmo
ano, no entanto, um novo meio de comunicação era apresentado publicamente ao mundo, na
Feira Mundial de Nova York: era a televisão, que viria a ter transmissões na década de 40.
Com o país em guerra até 1945 e, após isso, dividido em Ocidental e Oriental, a evolução da
televisão na Alemanha se deu de forma diferente, seguindo “linhas que poderiam ter sido
antecipadas dada a história pós-guerra da radiodifusão” (BRINGS E BURKE, 2006, p. 241).
15
Na Alemanha Ocidental, a televisão e o rádio foram uma herança dos Aliados para os
governos locais, e a primeira estação de televisão, a Nordwest Deutscher Rundfunk, começou
a funcionar em dezembro de 1952, conforme destaca Brings e Burke (2006).
É neste contexto e no mesmo ano que, na cidade portuária de Hamburgo no norte da
Alemanha, nasce o jornal BILD, comandado pela editora Axel Springer 4, como destaca André
(1966, p.152):
Ao terminar a guerra, os estabelecimentos do grupo Springer em Hamburgo haviam
sido destruídos. Axel Springer reiniciou suas atividades, como as demais empresas
alemãs, prosperou e lançou algumas revistas de larga circulação, como “Kristall”, de
400.000 exemplares, tiragem também atribuída a um jornal denominado
“Abendblatt”, que começou a circular em 1948. Dois passos, no entanto, mudaram
os rumos da empresa. Em 1952, apareceu o BILD, de estilo completamente diferente
do tradicional, ágil, de caráter popular e que desde logo tomou conta da população.
O segundo foi a aquisição, em 1953, do tradicional “Die Welt”, que depois da guerra
ficara sob controle das forças britânicas de ocupação.
O “BILD Zeitung” nascia, assim, em 24 de junho de 1952, inspirado na imprensa
amarela inglesa com temas de “fácil digestão” para a massa. Axel Cäsar Springer (1912-1985)
comparava a filosofia do jornal com o “sabor de um pedaço de vanila de manhã cedo”(BILD,
2009, tradução nossa). Ou seja, a idéia era a de um periódico agradável aos leitores, que, por
sua vez, enfrentavam a realidade de um país seccionado e em reconstrução pós-guerra.
Era o que evidenciava também a propaganda de apresentação do jornal publicado na
edição de 23 de junho do mesmo ano, um dia antes do lançamento do BILD. Na página 6 do
periódico alemão Hamburger Abendblatt, da mesma editora, encontrava-se um anúncio
vertical de quase meia página, que dizia: “Todas as manhãs! Todas as manhãs, o BILD vai
cuidar para que nenhuma manhã seja maçante. Amanhã você irá conhecer o BILD. A partir de
quarta-feira, então, você terá o BILD por toda a parte. 30.000 DM (Marcos Alemães) em
concurso de leitura!” 5 (tradução nossa). Mais uma vez é possível perceber a que o jornal se
propunha: uma leitura leve. O preço extremamente acessível também chama a atenção no
anúncio, que destaca: “10 Pfg” (10 Pfennig), ou seja, o jornal BILD custava dez centavos de
Marco Alemão, unidade monetária existente na Alemanha até a introdução do Euro como
moeda corrente, em 2002 (G1). A propaganda evidencia também um certo caráter de
4
Estabelecida em 1946, a editora Axel Springer cria, produz e distribui informação e entretenimento através de
jornais, revistas e medias digitais. Hoje a companhia é a maior editora de jornais da Alemanha e a terceira maior
de revistas do país, possuindo cerca de 170 publicações, entre jornais e revistas e 80 serviços de informação
online, funcionando em 36 países com cerca de 10.000 empregados. A empresa apresentou receita de € 2.611,6
milhões de euros e um EBITDA de € 337,0 milhões no ano de 2009. (AXEL SPRINGER, [2010])
5
A página do jornal em que encontra-se a publicidade está disponível no Anexo A.
16
companheirismo com o leitor, no trecho: “... o BILD vai cuidar para que nenhuma manhã seja
maçante”. A frase passa a sensação de que o jornal irá se encarregar disso para o leitor. Outro
fator a se observar é a repetição da expressão “todas as manhãs”, ao qual parece buscar
construir uma relação de confiança, destacando que o jornal estará sempre com seus leitores.
Normalmente comercializado nas ruas por vendedores ambulantes, a primeira edição
do periódico tinha quatro páginas e foi distribuída gratuitamente. Kohlrusch (apud
BAUMGARTH, 2004) destaca que a idéia de Springer ao pensar o BILD era fazer um jornal
que tivesse matérias pelas quais 90 por cento dos leitores se interessassem. Além disso, a
televisão acabara de nascer e o editor, como grande competidor, prestou atenção nisto. Assim,
“o jornal foi pensado como uma resposta impressa à televisão” (BAUMGARTH, 2004, p. 95,
tradução nossa). A edição de 24 de junho daquele ano apresentava, desta forma, quase que
somente fotos, daí o nome, BILD (figura/foto em alemão) e entre os temas, estavam fofocas,
horóscopo, palavras cruzadas e concursos.
O BILD surgia com uma proposta diferente dos outros periódicos. A capa da primeira
edição evidenciava a singularidade do impresso, muito diverso do outro jornal da companhia,
o Hamburger Abendblatt, lançado em 1948. As capas dos dois jornais no dia do lançamento
do BILD, 24 de Junho de 1952 (figura 2 e 3, na página seguinte), mostram claramente a
diferença. A quantidade de texto é incomparável. O BILD nascia com um projeto mais
ilustrativo que textual, ao contrário de seu irmão. A tipografia do logo também fazia alusão ao
seu segmento: a letra com serifa do Hamburger Abendblatt evidenciava um estilo tradicional,
ao contrário do BILD, dono de um logo mais claro e com uma letra sem detalhes. Outro fato
que merece atenção e demonstra o caráter e apelo popular do BILD é a posição em destaque
de seu preço, o qual vem expresso junto ao logo, extremamente visível a todos os possíveis
compradores. O BILD era vendido nas ruas, o que justifica o destaque do custo, que, por sua
vez, é condizente também com o estilo popular/sensacionalista. O mesmo já não acontece na
outra publicação do grupo Springer. Mais um detalhe: a manchete principal do BILD termina
com ponto de exclamação, o que demonstra mais uma peculiaridade do impresso, que tenta,
desta forma, enfatizar ainda mais sua manchete principal, que já tem posição de destaque. A
pontuação demonstra coloquialidade e informalidade para com o leitor, tentando transpor uma
emoção típica da linguagem falada para a escrita, como destaca Pretti (2003, p.66):
Em todas as épocas (em especial no romantismo e na literatura moderna),
encontramos exemplos da tentativa de registros expressivos na fala, através de uma
pontuação de ordem emotiva, como, por exemplo, o ponto de interrogação, o ponto
de exclamação e as reticências freqüentemente associados.
17
Figura 1 - Capa do Hamburger Abendblatt do
dia 24 de junho de 1952
Figura 2 – Capa do BILD do dia 24 de junho de 1952
O novo jornal começava nesta época a sua história. A peculiar publicação foi se
adaptando com o tempo. Os títulos enfáticos acompanhados de textos foram introduzidos pelo
segundo editor-chefe do jornal, Rudolf Michael e no final da década de 50, os temas políticos
apareceram, ao lado das fofocas, como centrais no periódico. (BILD, 2009)
Quarenta e oito anos mais tarde, o cenário mundial não era mais nem mesmo parecido
com o período do nascimento do jornal alemão BILD. O planeta acabava de entrar no novo
milênio, era o ano 2000: a época da convergência, da internet e da diminuição de distâncias
através das tecnologias. Como destacam Briggs e Burke (2006, p. 313), “a década de 1990 foi
um período em que se romperam as fronteiras entre os meios antigos e os novos; no interior de
cada meio, entre a mídia experimental e a já estabelecida, os limites se embaraçavam, da
mesma forma que as linhas divisórias que separavam as estratégias de mídias nacionais dos
problemas e oportunidades globais. As decisões nacionais tinham implicações globais e viceversa.” Ou seja, o mundo vivia mais ou menos um mesmo cenário no âmbito comunicacional
devido à interligação de informações.
No âmbito econômico, o Brasil tentava se livrar da inflação, que por décadas
assombrara o país, chegando a atingir taxas mensais próximas de 50% em meados de 1994. O
Plano Real, instituído em julho daquele ano, diminuiu rapidamente os índices, que naquele
dezembro já reduziram para 0,6% e em julho de 1998 tinha valor anual de 4%. Os assalariados
18
de baixa renda, foram os mais beneficiados pela repentina estabilidade de seus ganhos reais e
tiveram aumento significativo de compras de bens de consumo duráveis (BAER, 2003).
Foi nesta época que o jornalismo popular ascendeu no Brasil, impulsionado por um
crescimento econômico. Como destacam Amaral e Prevedello (2007, p. 224):
[...]as indústrias da imprensa promovem, a partir de 1990 no Brasil, sucessivos
lançamentos de jornais populares, destinados prioritariamente ao público das classes
B, C e D. São exemplos o Extra (RJ), Agora São Paulo (SP), Folha de Pernambuco
(PE), Primeira Hora (MS), Notícia Agora (ES), Expresso Popular (SP), Meia-Hora
(RJ), A Hora de Santa Catarina (SC), Diário Gaúcho (RS).
Em 17 de abril de 2000, nascia, assim, o Diário Gaúcho, na cidade de Porto Alegre no
sul do Brasil. O DG chegava às ruas e mobilizava a população já na época de seu lançamento,
convidando o público a escolher seu nome. O concurso, que tinha como prêmio um carro,
contou com mais de 500 mil votos, número que demonstrava o grande apelo conquistado junto
aos porto-alegrenses (AMARAL, 2006). A publicação entrava no mercado da região
metropolitana após pesquisas e estudos de viabilidade realizados no ano anterior, buscando
agregar um leitor que não consumia jornais regularmente. Voltado às classes C, D e E, o
projeto gráfico, criado pelo editor de Arte dos jornais do Grupo RBS 6, Luiz Adolfo Lino de
Souza, buscava cores e características que se relacionassem ao universo popular, utilizando,
como auxílio para sua construção, referências locais e internacionais. Entre as principais
influências do âmbito local, estavam os jornais Hoje e Folha da Tarde. Já no âmbito
internacional, Souza 7 destaca o The Sun e o Daily Mirror, da Inglaterra, além do jornal BILD,
da Alemanha, o qual o autor já tinha maior intimidade: “Eu já conhecia o BILD, pois o esporte
da Zero Hora 8, em alguns momentos de sua história, chegou a ter também um projeto gráfico
parecido com o BILD.” Segundo o autor, foram necessários três meses para realizar o projeto
gráfico do Diário Gaúcho.
Com um visual gráfico inspirado em modelos locais e europeus, o DG nascia
caracterizado por fotos grandes, uso de cores e textos simples. A idéia era atingir um público
de menor poder aquisitivo, com notícias claras e que fizessem parte da realidade dos leitores.
6
Empresa detentora do Diário Gaúcho e de muitos outros veículos de comunicação no sul do Brasil. Fundada em
1957, o Grupo RBS é uma empresa de comunicação multimídia com cerca de 5,7 mil funcionários. A empresa
opera no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, sendo detentora de 18 emissoras de TV aberta (afiliadas à Rede
Globo), duas televisões comunitária, uma emissora com enfoque no agronegócio, oito jornais diários, quatro
portais de internet, além de gráfica, editora, gravadora etc. O Grupo RBS possui diversas sucursais e escritórios
espalhados pelo país como nos estados do Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Minas Gerais e
Mato Grosso, sendo a maior empresa de comunicação multimídia da Região Sul do país. (GRUPO RBS, [2009?];
ZERO HORA, 2008)
7
Em entrevista presencial a autora em 25 de maio de 2010.
8
Periódico de referência pertencente à mesma empresa.
19
O entretenimento tinha lugar, assim como no BILD, e trazia notícias de celebridades. As
matérias policiais, secção de esportes e espaços em que o leitor era o foco tinham também
destaque no periódico. O DG buscava ser simples e não deixar dúvidas a seus leitores, por
isso, os textos utilizavam vocabulários de uso diário. Essa filosofia é evidenciada no texto de
apresentação publicado na página 2 da primeira edição do jornal:
Para ler o seu Diário Gaúcho
O Diário Gaúcho nasce hoje, 17 de abril de 2000, como um jornal popular. Popular
porque será barato, completo e digno. Por apenas R$ 0,25 você vai ter bem cedinho,
em uma linguagem clara e fácil, as últimas notícias. Principalmente as de interesse
da maior parte dos 2,8 milhões de habitantes da Grande Porto Alegre. Vão ser mais
de 4,9 mil pontos de venda em 19 de municípios. O dia do nascimento do Diário
Gaúcho não é acaso. A astróloga Sônia Jorge fez o mapa astral do Diário Gaúcho e
concluiu que o dia de hoje seria o mais favorável para que o jornal nascesse com
êxito em sua missão junto aos leitores. Confira como será o seu Diário Gaúcho, e
seja bem-vindo! [...] 9
Dando continuidade ao texto de apresentação (acima), seguiam-se itens explicativos de
cada editoria do jornal e as páginas onde elas situavam-se, como uma bula de remédio ou um
manual de instruções de leitura passo a passo. O texto é um manifesto do que virá a ser a
filosofia do jornal. Através dele, é possível perceber características populares e semelhanças
com o periódico BILD. O Diário Gaúcho enfatiza, assim como o jornal alemão em sua
primeira edição, seu custo. O texto, com intuito de ser simples e fácil é praticamente autoexplicativo: “Popular porque será barato, completo e digno”. O jornal se apresenta e já destaca
as qualidades que quer que o leitor observe em suas edições. Ele classifica também o estilo de
seus textos: “linguagem clara e fácil” e, assim como o BILD diz em sua primeira propaganda
que a partir do dia seguinte estará por toda a parte, o Diário Gaúcho destaca o grande número
de pontos de venda e municípios em que o jornal pode ser encontrado, comunicando de forma
diferente a mesma idéia transmitida pelo tablóide alemão em sua primeira aparição.
Da mesma forma que o BILD, o Diário Gaúcho foi uma inovação frente aos jornais
publicados em sua região e às outras publicações do Grupo RBS. Há neste contexto outra
semelhança: o DG possui também um irmão tradicional10, é o jornal Zero Hora, fundado em
1964 e, assim como no periódico alemão, ao compararem-se as capas da data de lançamento
do DG com a de mesma data do jornal Zero Hora, fica evidente a diversidade. O fato
(corroborado pela figura 3 e 4, na página seguinte) constituiu-se uma das premissas adotadas
pelo autor do projeto gráfico do jornal ao pensá-lo. A proposta buscava evitar que os jornais
citados concorressem entre si no mercado impresso da capital.
9
Texto completo pode ser encontrado no Anexo B.
Admite-se aqui tradicional como sinônimo de jornais de referência.
10
20
Eu comecei a fazer o projeto do Diário Gaúcho, com uma idéia básica: ele tinha que
ser totalmente diferente da Zero Hora para evitar um canibalismo entre eles. Embora
o Grupo RBS soubesse que havia mercado (as pesquisas apontavam que os leitores
gostariam de um jornal até com preço mais baixo, que leriam este jornal) a Zero
Hora tinha medo de perder leitores. Mas isto realmente não aconteceu. O Diário
Gaúcho acabou criando um novo mercado de leitores. (SOUZA, 2010)
Figura 3 – Capa do Diário Gaúcho de 17 de abril de
2000.
Figura 4 – Capa da Zero Hora de 17 de abril de 2000.
Assim, segundo Souza, o projeto tanto gráfico como editorial foi pensado de modo a
opor-se ao irmão de referência: a Zero Hora. As cores foram escolhidas de maneira a não
serem análogas nem próximas uma da outra. As fotos dos colunistas utilizadas na Zero Hora,
no DG foram representadas através de desenhos. O Diário Gaúcho constitui-se um impresso
mais visual, com cores mais vibrantes que a ZH, além de fotos e manchetes maiores e o abuso
de fios e boxes. A simetria foi também outro fator deixado de lado por Souza ao pensar o
projeto gráfico do DG. O tamanho da fonte das manchetes mostra-se também
significativamente maior no periódico popular e é possível observar-se a ausência de textos na
capa do Diário Gaúcho, o qual possui apenas títulos, cartolas, legendas e imagens. Além disso,
a fonte serifada da Zero Hora, diferencia-se à do Diário Gaúcho, a qual não tem serifa. Estas
últimas características puderam também ser observadas ao comparar a capa do BILD com o
seu irmão Hamburger Abendblatt. O preço ocupa também aqui posição de destaque,
21
igualmente como acontece no periódico alemão. 11 Souza lembra ter se inspirado no BILD
para definir o tamanho dos títulos do Diário Gaúcho, assim como o sublinhado presente na
manchete principal da capa, as fotos recortadas, além da diagramação a partir da foto.
Esta seção propôs-se, então, a evidenciar a proposta dos periódicos BILD e Diário
Gaúcho e o contexto de seu lançamento, a fim de situá-los historicamente. A comparação com
“seus irmãos de referência” e a análise de seus primeiros textos de apresentação evidenciou
ainda mais a relação inegável entre os periódicos que, apesar de situarem-se distantes
geográfica e temporalmente, apresentam características análogas, e dizem respeito a um
segmento voltado para as massas populares. A delimitação histórica realizada viabiliza, então,
a discussão de conceitos que permeiam estas publicações.
2.1 Sensacionalista ou Popular?
Para entender os conceitos que permeiam o objeto de estudo desta monografia, é
preciso reconstruir o processo nos quais os termos “sensacionalista” e “popular” adquiriram
forma e significado. Segundo Martín-Barbero (2009, p. 173), o nascimento de uma nova
cultura de massa foi resultado de uma ruptura sofrida desde meados do século XIX no “longo
processo de enculturação das classes populares no capitalismo”, que alterou as relações da
burguesia com ela (de submissão para consenso). Assim, “massa designa, no movimento de
mudança, o modo como as classes populares vivem as novas condições de existência (...). E
de massa será a chamada cultura popular” (MARTÍN-BARBERO, 2009, p. 169).
O autor aponta a conjuntura e surgimento dos folhetins como precursores de uma
comunicação popular. O termo folhetim, segundo ele, era antes utilizado para denominar o
rodapé das capas de jornais onde “variedades” eram o foco: “o que não era admitido no corpo
do jornal podia, sem impedimentos, ser encontrado no folhetim (...).” (Ibidem, p. 171) A
definição do conteúdo destes impressos remete a um outro conceito, intrínseco à história dos
veículos direcionados às massas populares: o fait divers. A interpretação de Serra (1980, p.13)
da expressão empregada por Barthes evidencia a afinidade: fait divers - “que de marginal nos
jornais ‘sérios’ torna-se básico nos ‘populares’”. Portanto, a relação do conteúdo dos folhetins
em relação ao restante da publicação é análoga à veiculação de fait divers nos jornais
destinados às massas e de referência. A herança dos folhetins, situa-se hoje, então, relacionada
ao termo francês, como afirma Amaral (2006, p. 76):
11
Os aspectos gráficos de ambos periódicos serão avaliados com maior profundidade nos capítulos que seguem
(três e quatro)
22
Nos jornais de hoje, é raro encontrar-se o folhetim propriamente dito, mas heranças
de seu estilo, sua forma e seus valores perceptíveis na mídia como um todo,
traduzindo um gosto que se fez popular historicamente no movimento da imprensa
em direção aos modos de narrar populares e pelo acolhimento desses produtos entre
os setores populares. Entre as diversas formas que o folhetim deu origem, estão os
fait divers, notícias diversas sem maiores repercussões.
A expressão francesa fait divers (sem correspondente exato em português) caracteriza
uma notícia em que o conteúdo contém-se em si mesmo, ou seja, a qual dispensa informações
externas para o seu entendimento. Na teorização de Barthes (2009, p. 58 e 59), ele assim o
define:
O assassinato político é pois sempre, por definição, uma informação parcial; o fait
divers, pelo contrário, é uma informação total, ou mais exatamente, imanente; ele
contém em si todo o seu saber: não é preciso conhecer nada do mundo para consumir
um fait divers; ele não remete formalmente a nada além dele próprio.
Evidentemente, seu conteúdo não é estranho ao mundo: desastres, assassínios,
raptos, agressões, acidentes, roubos, esquisitices, tudo isso remete ao homem, a sua
história, a sua alienação, a seus fantasmas, a seus sonhos, a seus medos (...) no nível
da leitura, tudo é dado num fait divers; suas circunstâncias, suas causas, seu passado,
seu desenlace; sem duração e sem contexto, ele constitui um ser imediato, total (...)É
sua imanência que define o fait divers.
Serra (1980, p. 11), conforme já evidenciado, disserta também sobre o conceito de
Barthes:
O fait-divers - diferentemente da informação política, por exemplo- realça a História
em função de um espaço fechado sobre si mesmo, intemporal, mítico, voltado para a
essencialidade de um Destino. O crime daquele que, no morro do Borel, permanece
ainda hoje atual, através da manchete irônica que nos introduz ao anômalo, o
teratológico do fato: o fait-divers.
Os fait divers constituem-se, então, em um conteúdo novo, apresentado de modo
autônomo e sem necessidade de referência externa a si mesmo, os quais não são admitidos nos
meios de referência. Os folhetins, precursores deste conteúdo, podem ser vistos como o início
de uma mudança no modo de comunicação, o qual só foi possível graças à emergência de uma
cultura de massa. Foi o início de uma comunicação direcionada ao povo. Inicialmente,
conforme já citado, a expressão folhetim designava apenas o rodapé da capa dos jornais.
Porém, com a emergência de publicações em forma de romance, aos quais apresentava
histórias divididas em capítulos, o termo passou a ser associado a elas. Martín-Barbero (2009,
p. 179) sintetiza as implicações do folhetim:
O estatuto da comunicação literária sofre com o folhetim um duplo deslocamento:
do âmbito do livro para o da imprensa- o que implica a mediação das técnicas da
escritura jornalística e da técnica do aparato tecnológico na composição e na
diagramação de um formato específico- e do âmbito do escrito-autor, que agora só
entra com a ‘matéria-prima’ e que por vezes, mais do que escrever, reescreve, para o
do editor-produtor, que é quem muitas vezes ‘tem o projeto’ e dirige sua realização.
23
Com a adaptação do folhetim, Martín-Barbero (2009, p. 188) aponta, então, o
surgimento do que passou a chamar-se de imprensa sensacionalista ou popular:
O folhetim é uma narração que já não é um conto, mas que tampouco chega a ser um
romance. É uma escritura que não é literária nem jornalística, e sim a ‘confusão’ das
duas: a atualidade com a ficção. Entre a linguagem da notícia e a do folhetim há
mais de uma corrente subterrânea que virá à tona ao se configurar aquela outra
imprensa que, para ser diferenciada da ‘séria’, chama-se sensacionalista ou popular.
É importante ressaltar que o nascimento de uma comunicação voltada às grandes
massas, chamada nesta época de sensacionalista ou popular, não significa a legitimação, por
parte das elites, de uma cultura do povo. As manifestações surgem num contexto de indústria
cultural, onde as produções adquirem significado meramente mercadológico. Não há uma
valorização das produções destinadas às massas por parte das elites ou pesquisadores, tendo,
assim, os termos conotação pejorativa e preconceituosa. A este contexto, Genro Filho (1989,
p. 100) descreve:
A cultura tradicional é entendida como “cultura superior” e tomada como padrão.
Sendo contraposta, então, à ‘cultura inferior’, esta produzida através do sistema
industrial. A grande arte burguesa (em termos de literatura, teatro, música e pintura)
é assumida como único paradigma da “arte elevada”.
A definição de imprensa sensacionalista ou popular designava a cultura a qual a elite
não legitimava como “de valor”. Por isso o termo utilizado pelo autor: “cultura inferior”. No
entanto, é possível afirma que a negação de valor a essas manifestações culturais destinadas às
massas iam mais longe: a elite não as admitia nem como cultura. Definir que só a cultura
superior pode ser assim chamada e que todas as outras não representam manifestações
culturais é negar as diferenças e a existência de uma massa que não é apática, mas sim, que
tem e produz cultura. Ao termo sensacional relaciona-se a emoção, e, ao popular, a classe as
quais a publicações destinavam-se. Para as elites, essas manifestações podiam ser
denominadas de outras formas, mas não de cultura:
Há no elitismo uma certa tendência a identificar o bom com o sério e o
literariamente valioso com o emocionalmente frio. De maneira que “o outro”, o que
agrada às pessoas comuns, poderá ser em suma algum tipo de entretenimento, mas
não literatura. (MARTÍN-BARBERO, 1997, p. 189).
O século XIX descortinou, portanto, um cenário comunicacional diferente: a
emergência de uma sociedade de massa propiciou o aparecimento de uma comunicação para
as massas. No entanto, o termo sensacionalista, utilizado por alguns até os dias de hoje para
referir-se ás publicações voltadas para as camadas populares, não pode ter seu nascimento
vinculado a um período único, apesar da intrínseca relação com os folhetins. É difícil precisar
24
o surgimento deste segmento, devido principalmente a conceituação difusa do termo. A
atribuição de diferentes períodos históricos e a associação de jornais ou movimentos ao
surgimento da imprensa sensacional vincula-se diretamente aos diferentes conceitos
relacionados a ele. Para Dines (apud PEDROSO, 2001, p. 49),
o sensacionalismo é uma forma de mitificação de tratamento das classes sociais. o
povão só gosta (supõe-se que) de informação superficial, grosseira, primária,
desvinculada da estrutura social, política e econômica da sociedade.
Segundo o autor, o sensacionalismo estaria atrelado a uma mitificação, algo que não é
real, ainda com raízes em um preconceito. Angrimani (1994, p. 16) atrela o conceito ao
tratamento dos fatos: “Sensacionalismo é tornar sensacional um fato jornalístico que, em
outras circunstâncias editoriais, não mereceria este tratamento.” No entanto, apesar de
normalmente apresentar conotação pejorativa, a expressão pode ser compreendida de maneira
mais ampla, como o faz Amaral (2006, p. 20): “é possível afirmar que todo o jornal é
sensacionalista, pois busca prender o leitor para ser lido e, conseqüentemente, alcançar uma
boa tiragem.”
Sendo assim, a imprensa dita sensacionalista tem origem incerta, sendo atribuída por
alguns ao século passado, a Penny Press e a imprensa amarela norte-americana (Joseph
Pulitzer e William Randolf Hearst). No entanto os antecedentes não delimitam uma origem
precisa. Sobre isso, Mott (2000, p. 442, tradução nossa) ratifica: “nada que responde a desejos
fundamentais e primitivos pode pertencer a um período único (específico)”. Para Angrimani
(1994, p. 19), o sensacionalismo está também “enraizado na imprensa desde seus primórdios”.
O autor afirma que ao analisar-se a origem da imprensa em dois países diferentes: França e
Estados Unidos, verifica-se que o sensacionalismo está ali, “na origem do processo". O autor
destaca que no primeiro, o gênero era representado pelos “occassionnels” (brochuras onde, de
acordo com Seguin apud Angrimani (Ibidem), predominava o exagero, falsidade,
inverossimilhança, imprecisões e inexatidões) e pelos jornais “Nouvelles Ordinaires” e
“Gazette de France”, periódicos nascidos entre 1560 e 1631 naquele país. Já nos Estados
Unidos, o primeiro jornal com características sensacionalista, surgiu em 1690 e chamava-se
Publick Occurrences. Mas, apesar de periódicos do século XV já apresentarem características
sensacionais, Amaral (2006, p.17) afirma que foi somente no final do século XIX, que a
imprensa sensacionalista desenvolveu-se, “com a popularização dos jornais por intermédio do
aperfeiçoamento das técnicas de impressão, expansão do telégrafo e das redes de cabos
submarinos, do desenvolvimento do telefone e das redes de anúncios”.
25
Foi nesta época que surgiu a “Penny Press” nos Estados Unidos e na Inglaterra, a qual
também pode ser relacionada ao sensacionalismo. De acordo com Leonhard at al (1999), ela
foi a precursora do jornalismo sensacionalista e tem como representantes o New York Sun,
fundado em 1833 – impresso que custava apenas 1 centavo (ou seja, um “penny”) - e o New
York Herald, criado em 1835. O autor ainda afirma que é indiscutível que os mais antigos
jornais sensacionalistas são o “Kronen Zeitung”, fundado em 1900 em Viena, o “B.Z. am
Mittag” vendido nas ruas de Berlim a partir de 1904 e o “Daily Mirror” nascido no mesmo
ano em Londres.
Tais precursores enfatizaram um conceito de sensacionalismo atrelado a uma imprensa
que privilegia o exagero, não só de conteúdo, como também gráfico. Atribui-se, então, ao
sensacionalismo um “rótulo” gráfico, mas principalmente de tratamento dos conteúdos,
conforme pode ser percebido no texto de Angrimani (1994, p.16)
Sensacionalismo é a produção do noticiário que extrapola o real, que
superdimensiona o fato. Em casos mais específicos, inexiste a relação com qualquer
fato e a “notícia” é elaborada como mero exercício ficcional. (...) Um noticiário
sensacionalista tem credibilidade discutível. A inadequação entre manchete e texto
(...) é outra característica da publicação sensacionalista, o que pode reforçar a
posição de descrédito do leitor perante o veículo.
Pedroso (2001, p.52), apesar de reconhecer que hoje já existem publicações
direcionadas às massas que assim não se apresentam, também atrela ao sensacionalismo um
estereótipo de valor:
O sensacionalismo, então, é exploração deste fascínio pelo extraordinário, pelo
desvio, pela aberração, pela aventura que é suposto existir apenas na classe baixa.
É no distanciamento entre leitura e realidade que a informação sensacional se
instala como cômica ou trágica, chocante ou atraente.
O conceito de sensacionalismo, como foi evidenciado, construiu-se enraizado em um
preconceito de valor, ao qual permanece até hoje vinculado a ele, devido a um modo simplista
de tratamento das manifestações culturais. Um jornal nunca é mero reflexo de uma realidade.
Hall (2009, p. 239) evidencia o assunto, apesar de ainda revelar preconceito ao referir-se aos
jornais destinados às massas, definindo- o como detentor de uma brutalidade degradante:
A linguagem do jornal Daily Mirror não é nem uma construção pura do linguajar do
Fleet Street, nem a linguagem que os leitores trabalhadores realmente falam. É uma
espécie altamente complexa de ventriloquismo lingüístico, em que a brutalidade
degradante do jornalismo popular é habilmente combinada e entretecida a alguns dos
elementos da objetividade e da peculiaridade vívida da linguagem da classe
trabalhadora. Ele não conseguiria sobreviver sem preservar um pouco das raízes
vernáculas- no “popular”.
26
O termo sensacionalista carrega, portanto, julgamento de valor e atrela-se a um
momento particular, o qual não mais se assemelha ao que é vivenciado hoje. Essa premissa é a
que é tomada por base neste trabalho. A reconstrução do termo evidenciou sua ligação com
preconceitos e características hoje não mais aplicados à imprensa destinada às massas. Assim,
o adjetivo sensacionalista não pode mais hoje ser associado como sinônimo de popular:
A noção de sensacionalismo, que por anos pairou como explicação da estratégia dos
produtos populares, agora está ultrapassada. Os novos jornais, ampliadores dos
índices de leituras em segmentos populares, são fundados em diversas características
que devem ser abordadas de maneira não generalista. O sensacionalismo é um modo
de caracterizar essa imprensa, uma maneira de explicar o que ocorria na mídia em
um determinado momento, mas não é sinônimo de imprensa, revista ou programa
popular. (AMARAL, 2006, p.21).
A ampliação de um mercado destinado às massas a partir de 1990 12 descortinou um
novo cenário comunicacional no Brasil e no mundo. As publicações populares transformaram
o mercado e encontraram nicho consumidor, focado em leitores das classes B, C e D.
Em várias capitais brasileiras, a reestruturação de jornais como O Dia (Rio de
Janeiro), Jornal da Tarde (São Paulo), e o lançamento de periódicos como o Diário
Gaúcho (Porto Alegre), Notícia Agora (ES), Folha de Pernambuco (Recife),
Primeira Hora (Campo Grande), Extra, Q!, Meia-Hora e Expresso da Informação
(Rio de Janeiro), Agora São Paulo, Espresso Popular e o Diário de São Paulo (São
Paulo), Aqui! e Super Notícia (Belo Horizonte), Aqui (Brasília) e A Hora de Santa
Catarina (Florianópilis), confirmam essa tendência. No contexto internacional,
segundo pesquisa de Bernardes (2004), somente o grupo Innovation é responsável
pela criação e reestruturação de jornais como El Comercio, do Peru, Super Express,
da Polônia, Correio da Manhã, de Portugal, Al Dia e Nuestro Diário, da Guatemala,
e no Brasil do próprio Extra, da Infoglobo e do Diário Gaúcho, da RBS.
(PREVEDELLO, 2008, p. 31 e 32)
A estes novos periódicos, atribui-se a nomenclatura de jornalismo popular. Neles,
características presentes no antigo sensacionalismo ainda figuram, mas de maneira diferente.
São publicações que destacam assuntos do cotidiano e que privilegiam notícias que possuem
relação e conseqüência direta no dia-a-dia dos leitores, como caracteriza Amaral (2009, p. 10):
Vendidos somente em bancas, os jornais conhecidos como populares seguem com
capas chamativas e a violência permanece como assunto, mas os cadáveres são cada
vez mais raros. No lugar da linguagem chula, da escatologia, e das matérias
inventadas, os jornais buscam a linguagem simples, o didatismo, a prestação de
serviços e, pasmem, a credibilidade. São jornais que atendem às regiões
metropolitanas, apostam nas editorias de Cidades e dificilmente se tornarão
nacionais.
12
Conforme contexto econômico brasileiro abordado anteriormente neste capítulo ao referir-se ao nascimento do
jornal Diário Gaúcho.
27
As publicações deste segmento distanciam-se dos jornais de referência através de
aspectos gráficos, lingüístico e temático (Ibidem), porém não podem ser definidos como
sensacionais:
Uma proposta que não se enquadra nem no antigo sensacionalismo, calcado em
objetos políticos e marcado pela simplificação acompanhada da degradação e/ou
ridicularização humana, nem no tradicional jornalismo de referência, caracterizado
pela maior proximidade com a noção clássica de interesse público e pela proposta
mais convencional de estruturação das notícias. Os novos jornais populares situamse numa faixa intermediária, buscam a sedução do leitor pelo apelo visual e pela
velocidade dos textos mais sintéticos, priorizam a temática do cotidiano e da
proximidade com o mundo de interesse público, mas mantêm certa distância dos
exageros e das fórmulas consagradas. (PREVEDELLO, 2008, p. 31)
Nacionalmente, os jornais populares que eclodem na década de 90 no Brasil
diferenciam-se dos jornais destinados às massas que eclodiram em meados do século XX no
país não só por seu estilo sensacionalista como também por seu conteúdo. Entre os jornais
pertencentes a esta época, estão o Folha da Noite (1921-1960), O Dia (1951 até hoje), Última
Hora (1951-1964), Luta Democrática (1954-1979) e Notícias Populares (1963-2001). Segundo
Amaral (2004, p. 14 e 15), “cada um, atuou, ao seu modo, como populares para julgar os
crimes contra a ‘economia do povo’. As reivindicações e denúncias, bem como conquistas
sociais, motivaram muitas reportagens e manchetes.” Assim, o tema político, que é muitas
vezes hoje relegado pelos jornais populares (sendo ele inexpressivo ou inexistente),
representava a base dos jornais destinados às massas do século passado. (PREVEDELLO,
2008)
A discussão e a reconstituição da formação de conceitos relacionados ao segmento aos
quais os objetos desta monografia se relacionam, mostram-se essenciais para o
desenvolvimento da análise dos periódicos BILD Hamburg e Diário Gaúcho. Esta seção
propôs-se, então, a elucidar a utilização dos termos sensacionalista e popular ao referir-se às
publicações destinadas as massas. Às publicações aqui analisadas usaremos, portanto, a
denominação popular como referência, buscando, desta forma, não agregar julgamento prévio
de valor a elas.
28
2.2 Recorte Metodológico
Para a realização deste trabalho, os jornais Diário Gaúcho e BILD Hamburg 13 foram
acompanhados no período de 28 de agosto a 14 de setembro de 2009. As quinze edições 14 de
ambos periódicos foram armazenadas para posterior seleção das unidades de análise que são
foco desta monografia, que tem o objetivo de analisar e perceber semelhanças e diferenças
entre as publicações de contextos sociais diversos, mas que possuem preço em moeda local,
diagramação, modo de produção e proposta15 semelhante. O intuito encontra-se em perceber,
através das duas publicações, se este jornalismo popular, o qual seu processo de
desenvolvimento iniciou há cerca de vinte anos no Brasil, assemelha-se àquele que faz
sucesso há mais de 50 anos na Europa. O trabalho aqui exposto é decorrência da percepção de
um cenário novo de comunicação no Brasil, o qual se iniciou em 1990, e até hoje, possui
pouca atenção por parte da academia. Os dados são resultado de pesquisas documentais,
entrevistas e coleta de informações nas próprias redações dos jornais em análise.
Em relação ao periódico BILD Hamburg, as informações que servem de apoio para sua
caracterização, proposta e rotinas de produção de notícias (apresentados na primeira metade
do capítulo dois: “BILD Hamburg”) foram coletadas “in loco” e observadas a partir da análise
do jornal. Para tal, a autora viajou até a cidade de Hamburgo, na Alemanha, onde passou
aproximadamente um mês (20 de Julho à 31 Julho e 28 agosto à 14 Setembro de 2009), a fim
de conhecer melhor a cidade em que o jornal circula e em que o conteúdo local é produzido.
Neste período, além de acompanhar as edições do periódico, a autora visitou durante três dias
(8 a 10 de Setembro de 2009), a redação do jornal BILD na cidade.
Na primeira visita, a autora acompanhou todas as reuniões de pauta ocorridas na
redação, conversou com os profissionais e editores, além de observar o trabalho dos repórteres
da seção “Local” do periódico, durante o turno da manhã e da tarde até o início da noite. No
13
O BILD Hamburg é uma versão regional do periódico alemão BILD, de amplitude nacional. Possui parte do
conteúdo produzido na cidade e outra proveniente da redação principal, situada em Berlim. No entanto, a origem
das reportagens não foi considerada quando da análise do periódico, devido ao foco deste trabalho ser no
conteúdo apresentado e não na procedência dele. Foram avaliados, assim, o modo de produção da redação
regional e as notícias publicadas na edição, porém sem levar em conta quem as produziu.
14
Tanto o Diário Gaúcho como o BILD Hamburg não possuem edição dominical, por isso o período soma 15
jornais e não 17. O Diário Gaúcho possui uma única publicação no final de semana que corresponde a todo o
período (sábado e domingo) e que é vendido aos sábados. Já o BILD Hamburg (edição regional do periódico
alemão BILD) não possui edição dominical produzida na cidade. Existe somente uma publicação nacional do
BILD, denominado “BILD Am Sonntag”, (“BILD no Domingo” em alemão) que é comercializado no referido
dia da semana. Porém, como o foco deste trabalho é a publicação regional da cidade de Hamburgo pertencente
ao referido jornal (BILD Hamburg), tal publicação dominical não está inserida na amostra.
15
Neste trabalho, entende-se por proposta (ou filosofia) não só a linha editorial e o que os periódicos se propõem
a realizar, mas também o que apresentam em suas páginas.
29
segundo dia 16, durante a tarde, a autora acompanhou mais uma vez o trabalho dos repórteres
responsáveis pela produção de notícias da categoria Local na redação do jornal. No terceiro
dia, foi realizada a entrevista com o editor-chefe da redação de Hamburgo, Mathias Onken, a
qual foi gravada e, posteriormente transcrita e traduzida para o português. Ao todo, a autora
passou dois meses no referido país, sendo um na cidade de Hamburgo e outro na cidade de
Bayreuth (no estado da Bavária, sul da Alemanha), onde realizou aulas de alemão e
jornalismo e media na universidade da cidade, a fim de entender melhor como funciona o
mercado de comunicação naquele país.
Procedimento semelhante foi realizado também para a coleta das informações que
servem de apoio para a primeira parte do capítulo referente ao jornal Diário Gaúcho (capítulo
3). No entanto, neste, a experiência profissional prévia da autora e a facilidade de acesso ao
jornal facilitou a coleta de informações, além de todo procedimento realizar-se em sua línguamãe, fator que não pode ser desconsiderado. Apesar das particularidades e do conhecimento
prévio, optou-se por realizar procedimento semelhante ao realizado no BILD Hamburg no
jornal Diário Gaúcho. Assim, nos dias 3 e 4 de maio de 2010, a autora efetuou observação das
rotinas de produção, além de conversar com editores e repórteres.
No dia 5 do mesmo mês, compareceu novamente à redação, onde realizou entrevista
com o gerente-executivo do DG, Alexandre Bach. O jornalista era editor-adjunto quando do
lançamento do jornal e, de 2004 a 2009, ocupou o cargo de editor-chefe do mesmo periódico,
sendo hoje Gerente Executivo de Produto do Segmento da Maioria do Grupo RBS
(Farroupilha, Cidade, Rural e Diário Gaúcho). A entrevista teve como objetivo entender a
proposta e a evolução do periódico, enfocando as adaptações neste período, a relação leitorjornal, seus pilares-básicos e o início do trabalho na redação, quando do lançamento do Diário
Gaúcho. Da mesma maneira, foi realizada também, no dia 24 de maio de 2009, a entrevista
com o atual editor-chefe do jornal, Cláudio Thomas, destacando a proposta do periódico e
importância de editorias. Com o intuito de melhor entender a proposta gráfica do jornal e sua
ligação com o periódico alemão BILD, optou-se também por realizar-se entrevista com o
editor de arte dos jornais do Grupo RBS, responsável pela criação do projeto gráfico do Diário
Gaúcho, Luiz Adolfo Lino de Souza, em 25 de maio do mesmo ano.
Em relação às entrevistas anteriormente citadas, para atender aos propósitos
qualitativos da pesquisa, a autora optou por entrevistas semi- abertas com questões semi16
Nesta mesma data, no turno da manhã, a autora dirigiu-se à região de Wandsbek (distrito municipal da cidade
de Hamburgo) e acompanhou durante três horas o trabalho da equipe do “BILD kämp für Sie” (“BILD luta por
você”), com o objetivo de perceber a natureza dos problemas relatados e como eles eram tratados pela equipe,
embora isto não vá ser analisado neste momento.
30
estruturadas, a fim de poder explorar o tema sem respostas pré-determinadas, porém obtendo
certa ordem de raciocínio através de roteiro prévio e flexível. O plano de perguntas foi
utilizado apenas como guia, sendo possível à autora agregar novas questões, quando
pertinentes, durante a realização da entrevista. Os entrevistados foram escolhidos de acordo
com a propriedade para tratar dos temas e a relação com os periódicos em análise. As
entrevistas foram presenciais, realizadas individualmente e tiveram seus áudios gravados.
Após sua realização, foram transcritas e, na única realizada em alemão (editor-chefe do BILD
Hamburg, Matthias Onken), também traduzida para melhor visualização das respostas. Após
sua realização, procedeu-se, também, contato via e-mail para obtenção de informações
pontuais e complementares.
Quando da realização das visitas às redações, a autora observou e conversou também
com os profissionais dos respectivos jornais, porém de maneira informal e sem roteiro prévio
determinado, constituindo assim, entrevista aberta com questões não-estruturadas. O objetivo
era unicamente o esclarecimento de rotinas e procedimentos e, por isso, não se utilizou de
gravação, somente de bloco de notas para registro. Devido ao caráter informal, os nomes dos
profissionais não foram citados, visto que suas informações apenas elucidaram rotinas e
procedimentos. A única exceção constitui-se em relação à editora de produção do Diário
Gaúcho, Rozanne Adamy, que acompanhou a autora durante os dias de visita ao DG e
concedeu informações mais pontuais em relação à rotina do jornal, tendo assim, seu nome
citado.
Além das informações coletadas nas respectivas redações, as quinze edições de cada
periódico serviram também como base para a realização da primeira parte dos capítulos sobre
os jornais em questão (Capítulo 3- BILD Hamburg e Capítulo 4- Diário Gaúcho). Desta
forma, a autora procedeu à leitura dos jornais e observação da diagramação. Identificou
também a existência ou não de cadernos, as secções fixas presentes, assim como o número de
páginas das edições. Tal procedimento foi realizado com o intuito de descrever as publicações
em questão, de modo que fosse possível entender como os jornais se apresentam ao público e
que o leitor pudesse conhecer as características das publicações, sem o objetivo, no entanto de
realizar análise sobre os conteúdos e diagramação.
Posteriormente, em posse das quinze edições dos periódicos e fruto de sua leitura, foi
preciso definir um foco delimitado de análise que propiciasse avaliação qualitativa dos
periódicos e, assim, atendesse aos objetivos propostos por este trabalho. A análise da
totalidade dos impressos (cada um com cerca de 30 páginas) dispersaria o foco e não
permitiria análise profunda devido a sua extensão. Uma vez que a capa de um jornal é
31
construída através de escolhas editoriais, as quais refletem a filosofia e a identidade de uma
publicação, pensou-se que elas seriam adequadas para compor a análise dos periódicos.
Segundo Fourie (2006, p. 348, tradução nossa):
Palavras ou texto verbal são ferramentas do editor para transmitir um significado.
Tudo o resto é uma ferramenta visual. Para transmitir um significado para o leitor, o
editor deve escolher as palavras certas e organizar os fatos e idéias de forma
sistemática. O layout ajuda o leitor a "ouvir" o tom de voz do editor (por exemplo,
quais as notícias são importantes de acordo com o editor), através da aparência do
texto (por exemplo, tipografia- tamanho e espessura de impressão) e a posição do
texto no jornal. Por exemplo, o texto na primeira página é mais importante que o
texto em outras páginas. Um leitor percebe que a notícia principal (a história
principal) aparece na primeira página com um título grande e que, muitas vezes, é
ilustrada com uma fotografia.
Assim, a primeira página de um jornal é muito mais que um aglomerado de títulos e
cartolas, os assuntos ali destacados dizem respeito a uma proposta editorial, que pode ser
visualizada em sua apresentação (projeto gráfico), mas também na escolha das palavras e nos
próprios títulos que a compõem: a escolha dos assuntos, o aspecto noticioso de cada
reportagem que é na capa destacado, assim como a posição e modo que ele é apresentado,
hierarquizam os assuntos publicados na edição do dia. As notícias que tem espaço na primeira
página são aquelas mais importantes e caracterizam a filosofia da publicação, evidenciando
para os leitores essa proposta editorial. Sunkel (2002, p.71, tradução nossa) afirma que “a
capa é um espaço privilegiado onde os diários constroem uma identidade pública que lhes
permite ser reconhecidos por seus leitores”, relacionando essa identificação a características
formais e de conteúdo da primeira página.
Observou-se também que a capa tem especial importância para jornais em que a venda
é realizada, principalmente ou exclusivamente, de forma avulsa, como no caso dos periódicos
em análise, tendo ela ainda maior importância. Sua construção deve ser realizada de maneira
ainda mais minuciosa, pois dela depende também a vendagem do jornal, desempenhando,
portanto, um espaço de captação de leitores, como afirma Ryan e Conover (2004, p. 561,
tradução nossa): “A capa de um jornal é a primeira coisa que um leitor vê no café da manhã. É
a página poster olhando para os transeuntes (...) Além disso, estabelece o tom e o estilo para o
resto da publicação, e reflete a filosofia editorial e noticiosa da publicação.”
A capa possui também função remissiva, perpassando diferentes editorias e assuntos,
podendo através dela analisar-se os principais conteúdos dispostos na edição. Como afirma
Amaral (2006, p. 117) “Em geral, a capa reflete o conteúdo do jornal e expressa a diversidade
de matérias contidas nele, fazendo com que cada grupo de leitores ache nela algo que lhe
interessa, seja serviço, esporte ou entretenimento/variedades”. Por fim,
32
A primeira página é a vitrine de todos os jornais, é o elemento mais importante do
design do jornal. Como os leitores vêm a capa primeiro, ela lhes dá a sua primeira
impressão do conteúdo do periódico. Os leitores não podem ignorar a primeira
página. (FOURIE, 2006, p. 346, tradução nossa).
Desta forma, devido a sua função e particular importância para os periódicos em
questão, foram estabelecidas as capas como objeto de análise da segunda metade dos capítulos
referidos a cada publicação (capítulo 3.1 – As Capas do BILD Hamburg e capítulo 4.1 – As
Capas do Diário Gaúcho). Os títulos e suas cartolas, por sua função remissiva, atenderiam ao
objetivo de perceber a proposta e os assuntos privilegiados pelo impresso. Através deles, seria
possível também visualizar os aspectos da reportagem nele destacados, podendo, assim,
identificar seu tratamento pelo jornal, escolha de palavras e ênfases. Dentre as seis capas
analisadas de cada jornal, foram estipulados também títulos principais (um por edição),
definidos de acordo com o espaço ocupado, tamanho da fonte e posição na capa do jornal
(hierarquia das notícias), como forma de perceber os assuntos que obtinham maior destaque
com significativa freqüência.
No entanto, achou-se também necessário realizar descrição e análise do projeto gráfico
da primeira página dos impressos e do logotipo, devido à intrinseca relação que se estabelece
entre o projeto gráfico, a filosofia e os leitores, como destaca Fernandes (2003, p.211)
“qualquer impresso é uma expressão plástica do pensamento de quem o produz. É algo
racionalmente articulado com conceitos e idéias que seu produtor deseja comunicar.” O
carácter identitário da capa não se resume a escolhas editoriais, mas também gráficas. Como
afirma Collaro (1987, p. 15):
Desenhar uma página significa muito mais do que apenas dispor textos e fotos no
papel, significa construir, estruturar os elementos que irão compor uma mensagem
que deve ser trabalhada conscientemente.
As escolhas editoriais dizem respeito aos leitores a quem ela se destina e evidenciam
também hierarquização de notícias dentro da própria página, como destaca Fourie (2006, p.
346, tradução nossa):
O layout de uma página de jornal faz parte do projeto global dele. O layout dá
indicações sobre a importância dos vários conteúdos do jornal e ajuda a estabelecer a
identidade do periódico. Por exemplo, o uso constante da mesma tipografia e estilo
de apresentação e publicação de itens como notícias, esporte, comentários editoriais
e programas de TV na mesma parte do jornal em cada edição torna-o familiar para o
leitor. Os leitores se identificam com "seu jornal", e são capazes de encontrar o seu
caminho nele com facilidade.
33
Assim, decidiu que antes de proceder-se à análise dos títulos, era preciso conhecer a
comunicação gráfica dos periódicos para com os leitores. Desta forma, um subcapítulo foi
destinado para tratar do assunto, avaliando logotipo, principais cores, colunagem, tipografia e
uso de recursos como boxes e fios, a fim de identificar a filosofia do impresso evidenciada em
tais escolhas gráficas, uma vez que, de acordo com Rehe (2000, p.98, tradução nossa), o
designer tipográfico, num sistema de massa, “situa-se entre a fonte original da mensagem e o
canal [na proposta desta discussão, a página impressa] que vai carregar a mensagem para uma
audiência”. Assim, após conhecer as mensagens transmitidas através das cores e escolhas
gráficas da capa, poder-se-ia analisar com maior propriedade os títulos nela dispostos.
Uma vez definidos os focos de análise, viu-se necessário estabelecer-se seleção quanto
ao volume do material. Tendo em vista a quantidade de títulos presentes nas capas,
aproximadamente sete em cada uma, a análise da totalidade da amostra geraria um número
demasiado para a realização da investigação detalhada, cerca de 210. Desta forma, optou-se
por reduzir o número de capas da amostragem, com o propósito de realizar análise profunda.
Foram, assim, selecionadas apenas seis edições de cada impresso, compondo uma semana,
começando a partir da primeira visita da autora a redação do BILD em Hamburgo. Assim, a
amostragem para a análise (qualitativa e quantitativa) de conteúdo foi delimitada de 08 de
Setembro de 2009 (terça-feira) à 14 de Setembro do mesmo ano (segunda-feira).
A análise das capas das edições do BILD Hamburg e Diário Gaúcho 17 dos dias já
mencionados somaram 45 e 43 títulos, respectivamente, o que gerou um total de 88 títulos de
capa, dentre eles, seis enquadrados como principais, de acordo com os critérios já
especificados. Em posse deles, foram definidas, então, sete categorias, com vista à melhor
analisá-los, sendo elas: Economia e Política; Emprego e Serviços; Polícia e Crimes; Local;
Saúde; Esporte; Variedades. A cada uma delas, critérios de seleção foram especificados, os
quais estão definidos abaixo. Além da análise do título, muitas vezes foi preciso recorrer aos
textos da reportagem no interior do jornal para melhor enquadrá-los nas categorias e avaliá-los
(mesmo que eles não fossem o foco) tendo em vista que texto e títulos não podem ser
estudados de forma completamente isolada. O mesmo pode ser aplicado às fotografias de capa
e legendas.
17
As capas da amostra podem ser visualizadas nos anexos de F a Q.
34
2.2.1 Economia e Política
Nesta categoria estão agrupadas notícias que dizem respeito a fatores econômicos, tais
como juros, índices, impostos, preços, crise, situações de empresas com sede no país, etc. Os
acontecimentos políticos enquadram-se também aqui e estão relacionados a eleições e disputas
partidárias em geral, refletindo o período pré-eleitoral que se encontrava a Alemanha naquele
momento. O motivo do tratamento em conjunto dos assuntos é justificada por dois fatores:
ligação entre os temas e modo de tratamento de ambos pelo jornal.
Os temas, certas vezes, se interligam, como na notícia sobre a Opel 18, reerguida através
de dinheiro público: a decisão política interviu num cenário econômico e, desta forma,
precisa-se tratar a história considerando ambos aspectos para compreender as decisões e suas
conseqüências. Além disso, economia e política são tratados da mesma maneira pelo
periódico: simples e, certas vezes, até lúdica, e enfatizando as conseqüências ou números
referentes ao fato.
BILD HAMBURG 19
08.09 - (Trabalho mal feito!) 20 - Pensões calculadas incorretamente – Cabe a você agora
também uma diferença? 21
09.09 - A maior aposta eleitoral de todos os tempos – Ganhe um milhão de Euros
09.09 - Economia Suíça Número 1
10.09 - A grande aposta eleitoral do BILD – Eu vou buscar o Milhão para mim!
10.09 - (Linhas de Crédito - Juros- Exploração) -Alemães pagam 512 Mio Euro a mais!
11.09 - Opel (um pouco) salva... mas a que preço?
11.09 - 2ª parte! Hoje Novela Eleitoral no BILD.de 22
11.09 – Outra vez novas quedas de preços através de descontos!
14. 09- (Duelo amigável (aconchegante) em vez de luta eleitoral) Sim, nós bocejamos!
DIÁRIO GAÚCHO
11.09 – (25%) Cai o imposto para sacoleiros
11.09- Pedido de impeachment de Yeda
18
Fabricante alemã de automóveis.
Os títulos pertencentes ao jornal BILD Hamburg são uma versão, realizada pela própria autora, dos originais
publicados nas referidas datas no jornal. As capas analisadas estão inclusas nos anexos.
20
As informações entre parênteses referem-se às cartolas das referidas reportagens.
21
Apesar de o título estar relacionado à prestação serviço, seu assunto principal diz respeito à Economia.
22
Título aqui enquadrado devido à natureza dos vídeos, que tratam especificamente de política.
19
35
2.2.2 Emprego e Serviços
Situam-se aqui os títulos que dizem respeito aos trabalhadores, tais como leis, índices e
ofertas de trabalho. Encontram-se aqui também serviços, tais como ofertas de emprego ou
matérias que tem relação direta com o cotidiano do leitor ou visam unicamente, ou
prioritariamente, esclarecimento.
BILD HAMBURG
08.09 - Hartz IV 23 - Beneficiários não estão dispostos a se relocar 24
10.09 - O chefe dos transportes Grube apresenta-se aos leitores do BILD
10.09 - Quase um a cada dois vai trabalhar mesmo doente
12.09 – O tempo na Alemanha
DIÁRIO GAÚCHO
08.09 -(Comércio amplia quadros para o Natal) Há 8,6 mil vagas
09.09 - Conheça o novo site do Diário 25
09.09 - Mais de 630 ofertas de empregos
11.09 - Mais de 600 ofertas de empregos
14.09 - Agenda de chances da semana
2.2.3 Polícia e Crimes
Relacionam-se a esta categoria notícias ligadas a crimes e à polícia, tais como
assassinatos, assaltos e furtos.
BILD HAMBURG
08.09 - Exército Federal mata piratas
09.09 -Processo contra Demjanjuk 26 na prisão?
12.09- Cada vez mais crimes econômicos na Internet.
23
Disposições que regulam o sistema de assistência legal aos desempregados.
Assunto relaciona-se com economia, mas como o assunto principal relaciona-se a questão de empregos, ele
encontra-se aqui enquadrado.
25
O título enquadra-se nesta categoria devido ao caráter didático-explicativo de aplicação direta.
26
Demjanjuk é acusado de ter sido guarda em um campo de concentração nazista e cúmplice na morte de cerca
de 28 mil judeus. (O Globo, 2009).
24
36
14.09 - (S-Bahn 27- Drama) Pisoteado até a morte, porque protegeu crianças.
14.09 - Homicida enterrado sem cérebro
14.09 – Pelo menos 30 civis mortos no ataque aéreo da OTAN!
DIÁRIO GAÚCHO
08.09 - (Ronda Policial) O terror dos bondes em Canoas
09.09 - (vítimas de assaltos relatam drama de conviver com o medo e a insegurança) Vida
marcada pela violência
10.09 - (Assaltante furta equipamentos de som de paróquias) Ladrão deixa igrejas sem voz
10.09 - Estudante baleado em escola
11.09 - (Faculdade também vira vítima de homem que furta microfones) Ladrão de Igreja
ataca outra vez
11.09 - Bando descarrega arma na Brigada
14.09 - (Ronda Policial) Assalto e morte em motel
14. 09 - (Ronda Policial) Protesto no Caso Franciele
2.2.4 Local
Estão agrupadas nesta categoria notícias referentes à cidade e a região metropolitana
em que os jornais são publicados, tais como transporte, trânsito, manifestações na cidade e
eventos climáticos que causaram danos a região (como chuvas e cheias). Exclui-se desta
categoria títulos locais relacionados à saúde, visto que ela possui editoria própria.
BILD HAMBURG
11.09 - Novo aborrecimento nos trens! Limite de velocidade para 760 trens regionais 28.
12.09 - Forte tumulto após manifestação do NPD 29 em Hamburgo
DIÁRIO GAÚCHO
08.09 - Alvorada e as suas crateras
09.09 - E ainda chamam isto de rua...
27
Nome dado a metrô de superfície.
Notícia tem âmbito nacional, porém seu efeito é local, afetando diretamente a região de circulação do jornal.
29
Nationaldemokratische Partei Deutschland – Partido Nacional Democrata
28
37
09.09 - (Chuva) Temporal deixou estragos
10.09 - Paradas sem identificação em Alvorada
10.09 -(Trânsito) Um gesto para garantir a vida
11.09- (Faixas de Segurança) Pedestre aprova idéia, falta só o motorista.
12.09 - (Defesa Cível está mobilizada para atender vítimas da chuva) - Perigo de cheias deixa
moradores em alerta
12.09 - A internet comunitária
14.09 - (Chuvarada) Apreensão com a cheia de rios
2.2.5 Saúde
Enquadram-se nesta categoria, notícias relacionadas a hospitais e doenças, ou seja,
reportagens ligadas à saúde da população.
BILD HAMBURG
08.09 - (Pílula do dia seguinte) – Agora ela faz efeito em até 5 dias
09.09 - Está a caminho a vacina contra o Câncer de Próstata?
12.09 - (Gripe Suína) – Primeira vacina em 4 semanas
14.09 - Em breve pílula contra álcool?
DIÁRIO GAÚCHO
09.09- Dr. Bastista: bem juntinho dos leitores 30
12.09 -(Guaíba) Portas fechadas para os bebês
2.2.6 Esporte
Refere-se a noticias sobre modalidades esportivas e campeonatos, tanto locais, como
nacionais ou internacionais.
30
Título tem função ligada à serviço, porém, devido ao tema da coluna ser saúde, ele encontra-se aqui
enquadrado.
38
BILD HAMBURG
08.09 - (3 x 1 contra a Noruega) - Siiim! 31 Nossas mulheres na final do Campeonato Europeu.
09.09 - So cool 32 são nossas mulheres do futebol
10.09 – 4 x 0 - Jogi 33 clamou o despertar da Alemanha
11.09 - (Alemanha- Inglaterra) 6 x 2
11.09 - (HSV 34- Choque) Guerrero - 6 meses de Pausa
14.09 - (HSV & Pauli fortes como nunca) Hamburgo em “êxtase-futebolística”
DIÁRIO GAÚCHO
08.09 - Como o Grêmio perdeu Leandro
09.09 - Guerra: Seleção joga para cumprir tabela
10.09 - (Eliminatórias - Copa do Mundo) Nilmar é o nome do jogo
11.09 - Seleção libera Sandro
12.09 - Vencer é o desafio da Dupla (Campeonato Brasileiro 2009)
14.09 - (Grêmio ganha do náutico e fica pertinho do G4) - Ufa! Nasceu a vitória lá fora
14.09 - Colorado falha na hora H (2 Inter x 3 Cruzeiro)
2.2.7 Variedades
Enquadram-se nesta categoria títulos referentes a celebridades 35, entretenimento e
eventos realizados na cidade, além de notícias que não se enquadram em nenhuma das
categorias anteriores, como a série do jornal alemão sobre depoimentos de contemporâneos à
queda do muro de Berlim, extraídos de um livro. É recorrente na capa dos periódicos em
questão fotos de pessoas famosas ou comuns, seminuas ou em poses sensuais, tendo o jornal
BILD uma editoria específica para fotos provenientes de leitores, chamada BILD Girl e BILD
Boy, as quais são remuneradas. Os títulos relacionados a este assunto encontram-se também
situadas nesta categoria.
31
No título original, a expressão utilizada é Jaaa!, sim em alemão. Na tradução, foi mantida a repetição da vogal,
como forma de manter o sentido do texto inicial.
32
Expressão incorporada da língua inglesa. Significa “tão legais”.
33
Joaquim Löw - técnico da Seleção alemã
34
Sigla referente ao Hamburg Sport-Verein, mais conhecido no Brasil como Hamburgo (clube de futebol com
sede na cidade em questão).
35
Considera-se aqui celebridades, pessoas de vida pública como atores, músicos, cineastas, etc, assim como
pessoas comuns que se tornam famosas devido a fatos incomuns, como a mãe de óctuplos, notícia no mundo
inteiro, e que recebeu propostas para realização de reality show com os filhos.
39
Devido a esta abrigar a maior quantidade de títulos em ambos periódicos, verificou-se
a necessidade de subdivisão do material. Estabeleceu-se, então, três subcategorias:
celebridades, BILD Girl e outros. A primeira diz respeito a pessoas públicas, de acordo com a
definição de celebridades já anteriormente elucidada. Já o subitem BILD Girl foi criado
devido às particularidades da editoria presente no jornal BILD Hamburg, o qual necessitava
espaço separado de análise para contemplar tais singularidades 36. A subcategoria outros
agrupou, por sua vez, os títulos que não se enquadravam em nenhuma das duas categorias
mencionadas anteriormente, como os eventos ocorridos ou a serem realizados na região. Tal
divisão foi criada com o intuito de melhor analisar os títulos aqui presentes.
BILD HAMBURG
Celebridades:
08.09 - (O Artista completa 75) – Udo Jürgens 37 sobre idade, sexo & amor
08.09 - Janine 38 pode encontrar qualquer homem
10.09 - (Til Schweiger 39) Esta é minha nova paixão (Esta é minha nova amada)
10.09 - Jenny 40 tem um problema de medida 41
11.09 - (Babs Becker 42) Casamento dos Sonhos
12.09 - (Barbara Schöneberger 43) – Casamento secreto - Agora ela é uma aristocrata
14.09- A “oito-vezes-Mãe” 44 e sua montanha repleta de felicidade
BILD-Girl:
09.09- Kristin vende artigos eróticos
11.09 - Patricia, o que te acende/provoca? (BILD Girl)
14.09 - Anika sonha com um Opel 45
36
Por esta editoria ser própria do jornal BILD Hamburg, ela não é considerada quando da análise dos títulos do
jornal Diário Gaúcho pertencentes a Variedades.
37
Famoso compositor e cantor austríaco.
38
Modelo da edição da época da revista Penthouse.
39
Ator de origem alemã de fama internacional. Sua aparição mais recente no cinema foi no filme Bastardos
Inglórios, dirigido por Quentin Tarantino.
40
Modelo da edição da época da Playboy.
41
Maβ, medida em alemão, também é a palavra utilizada para denominar caneca cerveja de um litro. O título faz
um jogo de palavras.
42
Atriz, modelo e designer de origem alemã.
43
Atriz, cantora e apresentadora de televisão de origem alemã.
44
Californiana que ficou famosa após ter dado a luz a óctuplos.
45
Marca de carros; fabricante de automóveis com sede na Alemanha
40
Outros:
10.09- Alemães comem cada vez mais peixe
11.09 - Sextas-feiras tem peixe
12.09 - Contemporâneos relembram a queda do muro
12.09 - Iguana-Rock!
DIÁRIO GAÚCHO
Celebridades
08.09 - Olha só que bela tatuagem!
08.09 - (Estrelas da Periferia) O funk do Algarve!
09.09 - Playboy no ritmo da Gafieira
10.09 – Essa mulher é uma aventura
12.09 - Quase cinco décadas de glórias
Outros
10.09 - (Baita Show!) Daniel tem sede de romance
10.09 - Os leitores aprovaram!
11.09 - Are Baba, não perca o último capítulo
12.09 - (Diversão) Tem show do Daniel e JA especial
14.09 – Viver a Vida vem aí!
41
3 BILD Hamburg
Mais de 50 anos depois de seu lançamento, o BILD é hoje diferente das quatro páginas
com praticamente só fotos que apresentava em sua primeira edição: o jornal cresceu, adaptouse e ganhou espaço no mercado. A equipe, que inicialmente era composta por dez redatores e
duas secretárias, hoje é formada por cerca de mil jornalistas (BILD 46, 2009) O periódico que
começou em Hamburgo com uma tiragem de 455 mil exemplares, hoje encontra-se entre os de
maior circulação do mundo, ficando em sexto lugar, com cerca de 3,8 milhões de cópias,
segundo dados da World Association of Newspapers referentes a 2005. Nesta apuração, o
BILD também figura como o maior jornal da Europa, estando o jornal britânico The Sun na
segunda posição, com cerca de 2,4 milhões.
Atualmente comercializado a 60 centavos de euro (não mais a dez centavos de Marco
Alemão), o BILD, que antes era vendido somente nas ruas, possui hoje também a opção de
assinatura. No entanto, o número não é expressivo se comparado a suas vendas avulsas. Dados
referentes ao segundo trimestre de 2009 indicam que elas representam cerca de 28,7 mil do
total de 3,23 milhões da média de exemplares do BILD vendidos por dia na Alemanha neste
período. Com cerca de 11,67 milhões de leitores diários (7,27 milhões do sexo masculino e
4,34 milhões do sexo feminino), o BILD conta hoje com 23 edições regionais espalhadas por
toda a Alemanha, sendo o foco deste trabalho a da cidade-estado de Hamburgo, no norte do
país, onde a publicação começou a circular quando do lançamento do jornal.
O BILD Hamburg vende cerca de 248 mil exemplares por dia, a maior vendagem
regional do periódico. Apesar do BILD ter sido lançado na cidade em questão, hoje, no
entanto, a redação principal encontra-se em Berlim. Desta forma, parte do conteúdo vem da
capital do país e outra é gerada na sucursal da cidade. No topo da página, a origem do material
é identificada: Bundesausgabe (quando é produzido em Berlim) e BILD Hamburg (quando o
conteúdo foi elaborado na cidade). Segundo o editor-chefe do periódico, Matthias Onken 47, o
BILD Hamburg é o jornal que a maioria lê e o maior da cidade, sendo que possui 55% de
leitura na região metropolitana e 45% nos arredores.
A edição regional BILD Hamburg possui número de páginas variadas (de 22 à 32). O
periódico possui apenas um caderno 48: Alsterliebe & Elbeverkehr (amor do Alster49 e
46
Os dados apresentados neste item foram retirados do site do jornal ou de materiais fornecidos quando da visita
da autora à redação. Os número e informações que não seguem esta referência, estão devidamente indicados no
próprio texto.
47
Em entrevista a autora em 10 de Setembro de 2009.
48
Entende-se aqui por caderno, seção temática a qual pode ser inteiramente destacada do jornal
42
comunicações do Elba 50, em alemão), publicado às terças-feiras. Através dele, pessoas
buscam maridos, mulheres e companheiros. A seção possui quatro páginas e pode ser
destacada do jornal. No entanto, apesar de possuir apenas um caderno semanal, o jornal
apresenta-se diariamente em dois ou três conjuntos de páginas, destacáveis, sem divisão
temática e cujo conteúdo é contínuo.
Sobre o estilo, a publicação mostra-se informal e pouco
conservadora, com mulheres com seios a mostra em várias páginas ou
homens sem camisa. A sensualidade encontra-se difundida nas páginas do
jornal, não estando presente somente na capa, como também no interior dele
e na contracapa: fotos sensuais, notícias que remetem ao tema, textos sobre
filmes com fotos que remetem a sexo, etc. O estilo informal do periódico se
evidencia
também
na
diagramação 51, que por vezes faz
uso de balões de fala ou legendas
Figura 5 - Imagem de
dispostas de maneira incomum e apelo sensual
Fonte: BILD
singular (vide figuras 5 e 6). O Hamburg, 14 de
grande
uso
de
imagens
e
Setembro 2009.
fotografias também se evidencia uma característica
Figura 6 – Balões de Fala em reportagem
Fonte: BILD Hamburg, 3 de Setembro 2009
da publicação, que iniciou com esta proposta e faz
uso deste recurso até hoje.
Quanto ao texto, o jornal apresenta estilo simples, evitando o uso de palavras
complexas, como destaca Onken, editor-chefe da edição de Hamburgo: “Nós buscamos
abordar temas difíceis e contextos complexos de maneira bem simples, de modo que cada um
o entenda: o professor na universidade, mas também os trabalhadores no canteiro de obras, em
qualquer lugar, na rua, etc. Quando o jornal é lido por alguém, casualmente, independente de
quem seja, ele também deve ser compreendido.” Outra característica é o jogo de palavras,
presente algumas vezes em títulos. Além disso, o uso de ponto de interrogação e exclamação é
recorrente, trazendo, como já destacado no primeiro capítulo, oralidade e emoção para a frase.
Sobre o conteúdo 52, de maneira geral, o BILD Hamburg é um jornal que não é dividido
por editorias, ou seja, na cartola da maioria das páginas não existe nada que indique de que
49
Rio do norte da Alemanha e que entra canalizado na cidade de Hamburgo. Desemboca no Elba.
É um rio da Europa Central, que deságua no Mar do Norte, na Alemanha. Em Hamburgo ele se separa em Elba
do Norte e Sul, junto ao porto da cidade de Hamburgo.
51
A título de ilustração, o espelho do jornal do dia 09.09.09 encontra-se no Anexo D.
52
Este tema será abordado em profundidade quando da análise da capa, nos subcapítulos 3.1.2 Títulos e 4.1.2
Títulos, referentes ao BILD Hamburg e Diário Gaúcho, respectivamente.
50
43
assunto ela trata. No entanto, há sim algumas seções fixas: como o esporte, BILD Kino e
página 4. Além disso, a contracapa do jornal, apesar de não possuir indicação de editoria,
apresenta disposição e temática sempre semelhante: notícias de celebridades e fofocas. As
matérias de esporte são sempre publicadas nas últimas páginas do jornal, com exceção da
contracapa. A página quatro, instituída como editoria em novembro de 2007, apresenta uma
cartola com seis assuntos dispostos no topo da página: Geld (dinheiro), Gesundheit (saúde),
Technik & Wissenschaft (tecnologia e ciência), Liebe & Leben (amor e vida), Mode & Trends
( moda e tendências) e Mein Recht (meu direito). A cada dia um deles é destacado de acordo
com o tema abordado na seção. Já o BILD Kino (Kino, cinema em alemão), publicado às
quintas-feiras, também é uma editoria fixa do jornal, porém não diária, mas semanal, em que o
periódico apresenta notícias sobre os filmes a serem lançados na semana, bilheteria dos longametragens que estão nos cinemas e outros.
Da mesma forma que as citadas acima, as seções BILD-Girl e BILD-Boy, veiculadas
na capa, também são características da publicação, apesar de não possuírem periodicidade
definida na capa. Ambas representam espaço de conteúdo de tom erótico: fotos de mulheres
com seios à mostra e homens sem camisa em poses sensuais, os quais respondem a
questionário sobre temas como idade da primeira relação sexual, parte do próprio corpo que
mais gosta e local do sexo oposto que mais lhe chama a atenção 53. A seção destinada a fotos
masculinas (BILD-Boy) é recente, tendo sido lançada em junho de 2009, e é publicada
raramente, normalmente quando possui algum motivo especial (Dia Internacional das
Mulheres, por exemplo). Já a feminina (BILD-Girl) é mais antiga e popular. A seção tem
maior freqüência, sendo veiculada na capa em torno de três ou mais vezes por semana.
Segundo dados do site do jornal, no ano de 2008, cerca de 1300 mulheres inscreveram-se para
a seção. Os protagonistas das imagens são os próprios leitores, os quais recebem € 500,00 pela
fotografia. No entanto, para as mulheres, o valor ainda pode subir: caso seja escolhida a
BILD-Girl do mês, o valor passa para € 1000, podendo chegar até €11000 caso seja a
vencedora anual. Para os homens, a seção ainda é incipiente e não apresenta tais
possibilidades.
A capa é espaço privilegiado do jornal e, além das seções acima citadas e dos títulos e
fotos característicos a serem abordados no próximo item, possui também duas seções fixas:
Nachrichten (Informativo) e TV-Tipp (Dica de TV), os quais, conforme descrito na
metodologia não fazem parte da amostra de títulos para análise, porém merecem ser
53
Perguntas variam de caso para caso, porém apresentam sempre temática sensual.
44
explicados. O primeiro constitui-se de um retângulo com pequenas notas em que predominam
assuntos referente à política, economia e loterias. Ao lado das notas e internamente ao box, é
publicado também diariamente o “Gewinner” (Ganhador) e “Verlierer” (Perdedor) do dia, em
que o destaque pode ser tanto um fato, como uma personalidade política ou celebridade. No
final do texto referente a eles, o jornal emite opinião através de algum comentário traduzido
em poucas palavras, os quais vêm escritos após o texto padrão: “BILD meint:” (BILD pensa:).
Abaixo, mais um tópico sempre presente no box “Nachrichten”: o “Kallenderspruch”, que
pode ser definido como frase do dia. Através dele, pensamentos são expostos diariamente,
com seus mentores devidamente creditados.
Já o TV-Tipp (Dica de TV), seção independente do box “Nachrichten” apresenta
sugestões de filmes ou programas para ver na televisão naquela data, de maneira sucinta. Os
programas provém de emissoras abertas ou privadas (cabo ou satélite) e seu nome vem
expresso no final da dica. Além disso, duas características são enfatizadas e classificadas,
dependendo do estilo do programa em foco. Assim, humor, informação, entretenimento, entre
outros são qualificados de uma a três marcações vermelhas. Da mesma forma, a publicidade
está também sempre presente na primeira página do jornal,
Apesar de ser uma publicação peculiar e antiga na cidade, o BILD Hamburg possui
diversidade de leitores. Em entrevista concedida a autora, Matthias Onken, editor-chefe do
periódico, comenta sobre o público do jornal: “Nós temos (pelo fato de sermos tão grandes)
leitores que prestaram vestibular (Abitur), chefes de empresas, em repartições públicas ou em
casas especializadas, por exemplo. Contudo, nós naturalmente temos também muitas pessoas
que vivem de maneira simples, como trabalhadores e simples empregados. Mas nós também
temos autônomos como leitores.” Para dialogar e interagir com eles, o BILD Hamburg tem
canais de comunicação, como o Leser-Reporter, o Lesertelefon, BILD Kämpf für Sie e
Leserbeirat.
Tais iniciativas são importantes para a relação deles com o jornal, como
evidencia Bowman e Willis (2003, p. 53, tradução nossa):
Uma audiência que participa do processo jornalístico é mais exigente que
consumidores passivos de notícias. Mas eles provavelmente também se sentem
capacitados a fazer a diferença. Como conseqüência, eles sentem como se tivessem
uma forte participação no resultado final.
Desta maneira, tais canais de comunicação aproximam o leitor do processo produtivo
do jornal, dando voz a eles. No BILD, o Leser-Reporter (em português, Leitor-Repórter) é o
canal de comunicação onde o cidadão pode enviar fotos e textos para serem publicados no
jornal. As fotos produzidas por leitores vêm com um selo de identificação com as palavras
45
“1414
Leser-Reporter”,
como
mostra a figura ao lado. As fotos
são remuneradas: se ela for
publicada na edição regional, o
valor pago é de € 100,00; já se a
foto tiver circulação nacional, o
valor quintuplica: € 500,00. O Figura 7 – Leser-Reporter
texto enviado pelo cidadão e que
Fonte: BILD Hamburg, 9 de Setembro 2009
acompanha a foto é retrabalhado e, muitas vezes, reescrito pelos jornalistas antes de ser
publicado. O material é enviado pelo leitor através de email.
Já o Lesertelefon (Leitor- Telefone, em português) também é uma forma de inclusão
do cidadão no processo de realização do jornal, mas de maneira diferente. Neste, o leitor se
comunica com o periódico através do telefone, sugerindo pautas ou contando a sua própria
história. Um exemplo é a matéria publicada em 28 de agosto de 2009, sexta-feira, no BILD
Hamburg sobre a mais jovem soldado da Alemanha, que vai servir aos 16 anos. A reportagem,
segundo jornalistas da redação, foi realizada devido a uma ligação para o Lesertelefon. As
reportagens sugeridas por este canal não vem identificadas na publicação, como acontece com
o Leser-Reporter, impossibilitando a identificação delas pelos leitores em geral.
Outro canal de interação com o leitor, porém completamente diferente dos outros dois,
é o BILD Kämpf für Sie (BILD Luta por Você). No projeto, criado em 1971, uma equipe do
BILD vai às ruas para ajudar a população. Quem tem problemas e precisa de ajuda, pode
conversar com a equipe do BILD, que tentará ajudá-lo. Toda vez que um tour começa pela
região do jornal, o leitor é avisado através da publicação sobre os lugares e os dias onde a
equipe estará, normalmente praças ou locais com grande circulação de pessoas. Os locais por
onde a Kombi do BILD Kämpf für Sie vai passar podem ser acompanhados também pela
internet.
O quarto canal de interação com o público foi criado em 2007: é o Leserbeirat
(Conselho de Leitores). Através da iniciativa, os participantes sugerem modificações ao
impresso. A cada ano, 32 pessoas são selecionadas para fazer parte do projeto, adotando-se
critérios de idade, sexo e religião. O BILD foi o primeiro jornal alemão a ter um Conselho de
Leitores, tendo o exemplo seguido por outros jornais e revistas da Alemanha como o
Westdeutsche Allgemeine Zeitung. Durante o “mandato”, o conselho se encontra duas vezes
com o Chefe da Redação. As sugestões são publicadas e algumas são implementadas no
periódico. Até agora, segundo site da empresa, 33 sugestões foram recebidas. Elas podem ser
46
vistas no site e são relacionadas a aumento de espaço para o tratamento de certos temas ou
sugestões para implementação em secções fixas, como BILD Kämpf für Sie (BILD Luta Por
Você). Alguns dos temas que os leitores pediram mais destaque foram educação, ciência e
reportagens destinadas a jovens e orientação de carreira.
Além da edição impressa, o BILD possui
um portal de acesso eletrônico: BILD.de. A
interação com o meio online começou em 1996,
com apenas quatro pessoas trabalhando no setor,
hoje
com
cerca
de
100
funcionários 54.
Atualmente, o portal possui um link no topo da
página chamado Regional, em que o usuário
pode acessar os conteúdos de doze edições
locais, incluindo a de Hamburgo. A página Figura 8 – Site do jornal BILD
possibilita a leitura de reportagens, visualização
Fonte: Site do BILD, 25 abril de 2010
de vídeos e conteúdos adicionais criados exclusivamente pelo núcleo
online, sem a necessidade de senha ou login. Há também a
possibilidade de visualização do conteúdo através do celular, com a
utilização de um aplicativo do BILD desenvolvido para Iphones
(serviço pago). Outra possibilidade é o BILD Mobil, um chip de
celular que possibilita acesso ao conteúdo do jornal.
O portal online do BILD é um dos mais populares da
Alemanha, tendo em janeiro de 2009, um bilhão de páginas
visualizadas. O site possui cerca de 5,59 milhões de usuários únicos
(Presseportal, 2009). A remissão da edição impressa para o site
Figura 9 - Aplicativo do
BILD para IPhone
Fonte: Site do BILD, 25
de abril de 2010
acontece com freqüência através de selos nas reportagens e publicidade
sobre o portal. Assim, os conteúdos lidos podem ser complementados
no meio online, incentivando os leitores a procurar o site.
Voltando a versão impressa do BILD Hamburg, a redação da cidade que até 2008 foi a
principal do jornal BILD, hoje conta com cerca de 100 funcionários, sendo 35 repórteres e 7
editores, não incluindo neste número fotógrafos (10) e diagramadores (14). Comparada com
as outras unidades, a redação de Hamburgo se define como a “madrugadora”, ou seja, a que
começa mais cedo. Segundo dados da própria redação, obtidos quando da visita realizada a
54
Dado referente ao ano de 2007.
47
sede do jornal em Hamburgo, conforme citado na metodologia, os horários principais são os
seguintes:
“9h – O trabalho começa. Os colegas chegam, lêem o BILD e todos os outros jornais de
Hamburgo e preparam as pautas do dia.
9h28min – Prazo final para a entrega das sugestões de pauta. O que não foi entregue por
escrito até agora como proposta, não entrará em nosso plano para o dia. O motivo para a
entrega antecipada: os editores-chefes precisam selecionar as propostas de todos os colegas e
trabalhá-las para a proposta geral para sua repartição.
9h50min – Pré-reunião. Os editores falam em pequeno grupo sobre as pautas do dia.
10h15min – Reunião. Até perto das 10:40 os editores, em grande reunião, apresentam os
temas dos colegas. As pautas são discutidas, aprovadas, rejeitadas.
11h15min – Reunião nacional com ligações de Berlim. Avaliação do jornal e sugestões de
títulos e manchetes provenientes das redações sucursais do BILD na Alemanha.
11h30min – Pequena reunião (“misturar”/ “embaralhar”). Editor-chefe e editores decidem
quais temas serão publicados em qual extensão e em que páginas. Quem já tem certeza que
sua pauta estará na edição (vai ser publicada), a desenvolve.
12h30min – Um pouco mais cedo ou um pouco mais tarde, mas à tarde o plano para o dia está
pronto. Aqui fica claro: quem deve entregar o que, em quais páginas e em que tamanho. Mais
tardar agora está o trabalho distribuído (dividido). É inteligente esperar para almoçar até o
espelho chegar.
Almoço
14h – Reunião das sucursais. Todas as sucursais de redações do BILD fazem uma conferência
(reunião) por telefone onde estão interconectadas e apresentam suas edições individuais. 55
55
Uma moderadora, localizada em Berlim coordena a reunião e vai passando a palavra para cada uma das
sucursais (nota da autora)
48
17h – Os temas deveriam, o mais tardar (!), agora estar pesquisados e escritos (prontos).” 56
A rotina se sucede sem a presença de um produtor, que busca as notícias e organiza a
redação. Cada repórter pensa diariamente sobre o que escrever e apresenta aos chefes até as
9h28. Uma vez aprovada a pauta, ele pode pesquisar e escrever o seu texto. Depois de pronta,
a reportagem é enviada ao superior, que ratifica a matéria. O profissional deve escrever
sempre sobre a editoria em que é locado, porém, caso tenha uma ótima idéia para outra seção,
pode, eventualmente, escrever a matéria também. Os diagramadores ficam encarregados do
layout da página, e repórteres e diagramadores podem abrir o mesmo arquivo
simultaneamente em computadores diversos, ou seja, trabalharem ao mesmo tempo. O
trabalho na redação acontece em salas separadas, ou seja, dividido por editoria e os
diagramadores locando-se, também, em ambiente a parte. Na redação de Hamburgo, há
repórteres trabalhando nas editoriais de local, cultura e sociedade, polícia, política e economia
e esporte.
Este capítulo propôs-se, então, a compreender os processos produtivos do jornal BILD
Hamburg, além de descrever o objeto de análise desta seção. O conhecimento do
funcionamento da redação é importante uma vez que as rotinas de produção de um jornal
influem diretamente no seu resultado. O estudo e descrição do periódico e seu modo de
produção viabilizam a análise das capas proposta a seguir.
3.1 As Capas do BILD Hamburg
O BILD Hamburg é um jornal de conteúdo variado, entre eles polícia e crimes,
economia e política, serviços, variedades, local, saúde e esporte. Dentre estes assuntos, cerca
de sete notícias são selecionadas diariamente para ocupar o lugar mais privilegiado do
periódico: a capa. Esta seção se destina a analisar a primeira página do jornal BILD Hamburg
da semana referente aos dias 08 à 14 de Setembro de 2009 57, com o intuito de identificar
decisões editoriais vinculadas às escolhas gráficas e de conteúdo. Os títulos da capa foram
delimitados como forma de perceber assuntos privilegiados e valores-notícia a eles
56
57
(tradução nossa) - Documento original disponível no Anexo C.
Vide Recorte Metodológico.
49
relacionados, a fim de identificar a filosofia do periódico. As cores e recursos gráficos
empregados são aqui avaliados como forma de definir também a identidade do jornal.
3.1.1 Aspectos Gráficos
O BILD possui uma identidade forte no que diz respeito ao
seu logo. Desde a seu lançamento, em 1952, ele não sofreu grandes
modificações (conforme pode ser observado através das figuras 10
e 11). Como afirma Lupton e Stolarski (2009, p. 53), “os logos
usam a tipografia e a letragem para grafar o nome de uma
organização de um modo memorável. Se algumas marcas são feitas
com símbolos abstratos ou ícone pictóricos, um logotipo usa letras
para criar uma imagem distinta.”
A tipografia lapidária (podendo Figura 10 – Primeiro
logotipo do BILD
também ser chamada de bastão) foi a Fonte: BILD, 24 de junho de
escolhida para o logo do jornal. Tal 1952
grupo ou família tem origem alemã, assim como o periódico, e “a
ausência de serifas e uniformidade quase total dos caracteres o
tornam o tipo mais legível de todos para a execução de trabalhos
publicitários”. (COLLARO, 1987, p. 24). É importante lembrar
que na época de seu lançamento, o BILD não possuía assinaturas
Figura 11 – Logotipo atual do
BILD Hamburg
Fonte: BILD Hamburg, 10
Setembro de 2009.
como o tem hoje e era vendido somente nas ruas, daí a
importancia da legibilidade da fonte. Além de caracterizar o
jornal, o logotipo teria que chamar a atenção daqueles que passam
pelas ruas em ritmo acelerado. A família das lapidárias atende a este requisito à medida que é
“indicada para situações onde a leitura seja difícil ou deva ser feita rapidamente”
(FERNANDES, 2003, p. 33). O preço, também expresso em fonte da mesma família e dentro
do logotipo (10 pfg) reflete, da mesma forma, a venda avulsa.
Hoje o logotipo é um pouco diferente: mantém a identidade e a fonte inicial, mas o
preço e a palvra “Zeitung” (jornal, em alemão) foram suprimidos dele. As necessidades
mudaram. A partir de 1953, o jornal passsou a ter edições regionais, sendo a primeira delas a
de Hamburgo e hoje totalizando 23. A região do jornal vem expressa atualmente no logo na
50
parte inferior, abaixo das palavras unabhängig (independente) e überparteilich (imparcial). No
caso, o logo pertence a cidade-estado de Hamburgo, região foco deste trabalho. O periódico
possui também, agora, assinaturas e o preço é apresentado, desta maneira, fora do retângulo
vermelho que o delimita, juntamente com a data e o código de barras O ponto acima do “i”,
antes redondo hoje é quadrado e o site do jornal vem expresso logo abaixo do retângulo
vermelho, alinhado à esquerda.
Além do logotipo, que identifica e se caracteriza por representar a “assinatura do
jornal”, a composição da capa é de suma importância para um periódico. O jornal BILD, de
formato Standart (40 cm x 57 cm), possui capa que caracteriza-se pelo abuso de contrastes,
cores e fotos dispostas em conjunto com manchetes que misturam letras serifadas e sem
detalhes. As imagens, as quais eram o recurso principal do jornal quando do seu lançamento,
continuam tendo forte importância, sendo o recorte de fotografias muito frequente. Silva
(1985, p. 46) afirma que “há algum tempo atrás, os jornais apresentavam-se confusos e
desordenados gráfica e editorialmente”. Quanto a parte gráfica, o BILD é um jornal que ainda
hoje apresenta diagramação despadronizada.
No que diz respeito a sua capa, o abuso de estímulos e contrastes, deixa o leitor sem
saber para onde olhar. A manchete principal ocupa cerca de um quarto da página (variando
um pouco para mais ou menos) e situa-se sempre na parte superior do jornal, ao lado do logo.
O retângulo vermelho com o nome BILD pode, por sua vez, deslocar-se verticalmente do
canto superior esquerdo para mais próximo do centro da página (vide capas em anexo),
dependendo da diagramação do dia. Tal movimentação do logo não parece obedecer a um
critério específico. A manchete principal vem sempre acompanhada de contraste: fundo preto,
letra branca com detalhes ou sublinhado em vermelho ou em amarelo; ou fundo bege com
letras pretas e vermelhas, por exemplo. O título principal fica, assim, situado em um box
colorido e na maioria das vezes vem acompanhado de uma cartola e alguma vezes de
subtítulos, os quais apresentam tipografias diferentes: manchetes com serifa e cartola e
subtítulos sem, ou vice-versa. No entanto, o título principal tem sempre tipografia sem serifa,
semelhante a do logotipo.
A partir das amostras, foi possível perceber também as cores mais utilizadas na capa
do periódico alemão BILD, são elas: vermelho, preto, azul, branco e bege. O vermelho,
situado no logotipo, é utilizado para destacar manchetes (sublinhado ou cartola com fundo
colorido). A cor vibrante denota, segundo Fernandes (2003, p. 217) vida, força, calor,
sensualidade, paixão, ímpeto, dinamismo, intensidade entre outros. O branco é trabalhado
51
como forma de contraste nas tipografias e espaços vazios. O preto é a cor das manchetes
secundárias e o azul vem expresso em boxes ou como fundo de cartolas, assim como o bege.
A colunagem é variável e flexível: a maioria das notícias de capa se adapta a uma
divisão de oito colunas por página, mas se for preciso, uma chamada situada em duas colunas
pode ser expressa em três, ou mesmo uma coluna pode ser divida em duas. Não há um padrão.
Os textos nela contidos são justificados e hifenizados, com excecção do quadro Nachrichten
(Informativo) e de notícias em boxes, geralmente pequenas e dispostas em uma coluna (nestas,
os textos nem sempre são justificados, somente hifenizados). Os textos impressos lado a lado
a fotos recortadas, atendem a padrão próprio, adaptando-se a imagem, para não invadi-la,
podendo ser hifenizados ou não, alinhados à esquerda ou direita etc, conforme a situação
requerer.
Quanto aos títulos, a maioria é disposto em toda a área disponível em caixas alta e
baixa, porém espaços em branco aparecem, por vezes, em notícias menores. O uso de
fotografias e imagens recortadas com textos circundando-as é um recurso amplamente
utilizado. O título principal ocupa cerca de um quarto da página e encontra-se sempre disposto
ao lado do logo ou cincundando-o na parte superior da página ao centro ou centro-esquerda. A
escolha justifica-se, pois como afirma Collaro (1987, p. 69), “biologicamente, a vista humana
tende sempre a caminhar em um veículo impresso, de cima para baixo, e da esquerda para a
direita; (...) ” Assim, tanto o logo quanto a manchete principal localizam-se em ponto
privilegiado de visão.
3.1.2 Títulos
Através da análise e categorização
59
dos títulos
das edições do BILD Hamburg foi possível identificar
escolhas editoriais. Dentre os quarenta e cinco
pertencentes as capas de 08 a 14 de Setembro de 2009
do jornal, a maioria está relacionada a categoria
Variedades, sendo seguido por Economia e Política
58
Variedades
14
31,1%
Economia e Política
9
20%
Polícia e Crimes
6
13,3%
Esporte
6
13,3%
Emprego e Serviços
4
8,9%
Saúde
4
8,9%
Local
2
4,4%
Tabela 1 58 – Categorização dos títulos do
BILD Hamburg
Fonte: O autor (2010)
Os números foram arredondados, considerando-se, para isso, a segunda casa decimal: quando este algarismo
era maior ou igual a cinco, somou-se um a primeira casa decimal. Quando era inferior, ele foi apenas
desconsiderado
59
Conforme Recorte Metodológico.
52
(vide tabela 1 60). As duas, juntamente, representam mais de 50% dos títulos da semana
avaliada. A terceira e a quarta posição é ocupada “Polícia e Crimes” e “Esporte”. As quatro
categorias representam, portanto, as mais privilegiadas pelo impresso naquela semana, tendo
“Emprego e Serviços”, “Saúde” e “Local”, menor importância na amostra. Os títulos,
divididos em tais categorias, são agora analisados com o propósito de identificar o enfoque
dado a eles pelo jornal e os principais critérios relacionados à publicação das notícias.
3.1.2.1 Variedades
A editoria Variedades, detentora de 31,1% dos títulos da amostra e presente em todas
as capas dos jornais analisados, tem espaço garantido e evidente destaque no periódico.
Segundo o editor-chefe da edição de Hamburgo, Matthias Onken, os temas policiais
(criminalidade) e histórias triviais (fofocas) são os mais lidos segundo pesquisas e
levantamentos realizados, seguido das histórias surpreendentes, independente de em que
campo. Os números coletados evidenciam que tais temas não são apenas os preferidos dos
leitores, mas também estão entre os mais destacados pelo periódico na semana avaliada (vide
tabela).
Dos quatorze títulos pertencentes à categoria Variedades, sete são relacionados a
celebridades e pessoas públicas, quatro, a outros assuntos, e três, referentes a secção BILDGirl (já explicada anteriormente), da seguinte forma:
Celebridades:
08.09 - (O Artista completa 75) – Udo Jürgens sobre idade, sexo & amor
08.09 - Janine pode encontrar qualquer homem
10.09 - (Til Schweiger) Esta é minha nova paixão (Esta é minha nova amada)
10.09 - Jenny tem um problema de medida
11.09 - (Babs Becker) Casamento dos Sonhos
12.09 - (Barbara Schöneberger) – Casamento secreto - Agora ela é uma aristocrata
14.09- A mãe de óctuplos e sua montanha repleta de felicidade
60
Os números foram arredondados, considerando-se, para isso, a segunda casa decimal: quando este algarismo
era maior ou igual a cinco, somou-se um a primeira casa decimal. Quando era inferior, ele foi apenas
desconsiderado.
53
BILD-Girl
09.09- Kristin vende artigos eróticos
11.09 - Patricia, o que te acende/provoca? (BILD Girl)
14.09 - Anika sonha com um Opel
Outros
10.09- Alemães comem cada vez mais peixe
11.09 - Sextas-feiras tem peixe
12.09 - Contemporâneos relembram a queda do muro
12.09 - Iguana-Rock!
Considerando-se que a categoria Variedades tem sete títulos relacionados a
celebridades, fica claro que a preferência dos leitores por histórias triviais (fofocas), é
corroborada pelo jornal, que destina grande espaço a este tipo de notícias. Além disso, é
possível perceber que a maior parte dos títulos da categoria enfatiza aspectos relacionados a
amor 61, sexo e sensualidade: dos quatorze, nove apresentam enfoque relacionado a tais temas,
sendo seis pertencentes à subdivisão Celebridades e três, à BILD-Girl.
Em Celebridades, os títulos “Janine pode encontrar qualquer homem” e “Jenny tem um
problema de medida” tem seus títulos acompanhados de foto de nudez, com seios das
mulheres em foco, à mostra. Além disso, ambas as frases remetem a sensualidade: na
primeira, transmitindo a idéia de encontro “romântico” e, na segunda, utilizando um jogo de
palavras para se referir aos atributos físicos da modelo, pois a palavra “Maβ” em alemão pode
se referir também a caneca de um litro de cerveja, a qual a menina está segurando. No texto,
as primeiras linhas comprovam o trocadilho: “Hmmm, qual o tamanho de uma caneca de
cerveja (Maβ) na Oktoberfest? ‘1,5 litros!’, aposta a playmate Jenny Martin (19) (...).” É
sabido na Alemanha que um Maβ tem 1 litro, daí a escolha da expressão no título “problema
de medida”, usado de forma ambígua.
Já no título “(O artista completa 75) – Udo Jürgens sobre idade, sexo & amor”, dois
dos três aspectos enfatizados da entrevista realizada pelo BILD encontram-se entre os três
citados anteriormente: sexo e amor. Em “(Babs Becker) - Casamento dos Sonhos”, “(Barbara
Schöneberger) – Casamento secreto - Agora ela é uma aristocrata” e “Til Schweiger - Esta é
minha nova paixão (Esta é minha nova amada)”, o tema amor (paixão) é evidente. Já na
61
Amor aqui se refere ao sentido romântico e, não, fraternal.
54
subdivisão BILD-Girl, todos os títulos enfatizam aspectos como sensualidade e o sexo, o que
se justifica pela própria proposta da secção: mulheres comuns, semi-nuas, respondendo
perguntas sobre sexo.
Entre as notícias da categoria Variedades, é possível constatar também que aspectos
curiosos tem espaço, podendo se encaixar nesta afimação os seguintes títulos: “Sextas-feiras
tem peixe”, “Iguana-Rock!”, “Alemães comem cada vez mais peixe” e “A mãe de óctuplos e
sua montanha repleta de felicidade”. Nos dois primeiros, a foto é o ponto alto da reportagem:
um pássaro com um peixe no bico e uma iguana parecendo tocar uma guitarra,
respectivamente. Já no título “Alemães comem cada vez mais peixe”, a ênfase encontra-se no
número (nos dados e nas espécies mais consumidas), a titulo de curiosidade. O mesmo
acontece no referente à mãe e aos oito filhos, onde o surpreendente é a ênfase do fato.
Uma vez que os valores-notícia de um jornal popular são diversos dos de jornais
tradicionais, é possível perceber que a ampla presença da categoria “Variedades” no impresso
condiz com tais critérios de noticiabilidade próprios de jornais desta categoria, como define
Amaral (2006, p. 63):
Na imprensa popular, um fato terá mais probabilidade de ser noticiado se:
- possuir capacidade de entretenimento;
- for próximo geograficamente ou culturalmente do leitor;
- puder ser simplificado;
- puder ser narrado dramaticamente;
- tiver identificação dos personagens com os leitores (personalização);
- for útil.
As quatorze notícias acima analisadas tem capacidade de entretenimento,
simplificação, proximidade geográfica e cultural do leitor e possível identificação com as
personagens. Felipe Pena (2005) afirma que “a espetacularização da vida” se destaca hoje
frente às outras formas de distração e que as pessoas consomem tais informações como
capítulos de filmes. É o caso de cinco dos sete títulos da subcategoria celebridades referentes a
casamentos de personalidades (secreto e dos sonhos), nova paixão de ator, depoimentos sobre
amor, sexo e idade de compositor e mulher que dá a luz a óctuplos, os quais nada tem de
interesse público, mas, sim, de espetacularização da vida de pessoas públicas e proeminentes.
Sobre isso, destaca Pena (2005, p. 88 e 89):
Cada acontecimento em torno de um indivíduo é superdimensionado, transformado
em capítulo e consumido como um filme. Mas a valorização dos acontecimentos
individuais é diretamente proporcional à capacidade desse indivíduo em roubar a
cena, ou seja, em tornar-se uma celebridade. Aliás, as celebridades tornaram-se o
pólo de identificação do consumidor-ator-espectador do espetáculo contemporâneo.
São elas que catalizam a atenção e preenchem o imaginário coletivo.
55
Ou seja, tais narrativas geram personalização e identificação dos indivíduos para com
os proeminentes focos das notícias, um dos critérios de noticiabilidade do jornalismo popular.
A leitura sobre a vida de celebridades recria, segundo Mira (apud Pena, 2005, p. 31), os
pequenos bairros e comunidades onde todos sabem sobre a vida de todos, pois propiciam
intimidade e proximidade entre leitor e famosos. Sobre tal editoria, Onken, editor-chefe do
BILD Hamburg, aponta:
[...] os alemães gostam de observar o que fazem as pessoas que estão na televisão, no
teatro e no cinema. Quando elas [essas pessoas famosas] estão na cidade, então as
pessoas querem ver isso. Aí nós as encontramos e conversamos com elas, como se
essas histórias [as dos famosos] fossem as delas [leitores]. Isso chama-se fofoca.
Como destaca Onken, é possível perceber que as manchetes apresentam tom de
familiaridade e intimidade para tratar da vida das personalidades em foco ou das mulheres da
seção BILD-Girl. As frases tratam o leitor como ele fosse participante desta realidade e íntimo
dos retratados, dando a impressão de estarem ouvindo um relato amigável sobre a vida destas
pessoas, como fica evidente na notícia publicada no dia 10 de Setembro: “(Til Schweiger)
Esta é minha nova paixão”. O título reconstitui um momento de apresentação, como se o autor
estivesse introduzindo a namorada para os seus amigos.
O critério de proximidade geográfica e cultural, destacado acima por Amaral (2006),
pode ser percebido também nas notícias. As celebridades são conhecidas no espaço nos quais
os leitores vivem, sendo, em sua maioria, de origem alemã, ou com fama no país. A única que
não se encaixa neste contexto nacional é a mãe dos óctuplos, porém sua fama internacional
pelo fator extraordinário torna-a também próxima da realidade dos leitores: o grande espaço
fornecido pela mídia para o assunto gerou conhecimento da história de modo amplo, gerando
proximidade e, como já citado, até intimidade com a personalidade em questão. Além disso, a
notícia “Contemporâneos relembram a queda do muro” diz respeito igualmente a um cenário
próximo e conhecido: a situação de divisão que viveu o país até cerca de 20 anos atrás.
A presença de notícias curiosas encaixa-se no âmbito do entretenimento, mas também
do singular, do extraordinário. Ou seja, “se um cachorro morde um homem, não é notícia,
mas, se um homem morde um cachorro, aí então é notícia, e sensacional” (Amus Cummings,
apud Pena, 2005, p. 90). Tais títulos podem ser relacionados também, desta forma, ao valor
notabilidade, o qual Traquina (2008, p. 82), caracteriza como “a qualidade de ser visível,
tangível”, estando associado à quantidade de pessoas que envolve o acontecimento (“Alemães
comem cada vez mais peixe”), ao excesso/escassez (notícia relativa à mãe de óctuplos) e a
inversão, segundo autor, “o contrário do ‘normal’” (“Sexta-feira tem peixe” e “Iguana-Rock!”,
fator explicitado através das imagens que acompanham o título, já descritas). Já as notícias
56
sobre celebridades podem ser relacionadas ao valor notoriedade, devido à importância e a
evidência dos que estão em foco nas notícias.
Em relação a todos os títulos da categoria “Variedades” deve-se também destacar que,
considerando-se que cada capa possui um título principal, ou seja, que hieraquicamente está
mais destacado, é possível perceber que apenas dois deles encontram-se na categoria citada.
Os outros quatro são pertencentes a editoria “Economia e Política”, a qual ocupa a segunda
posição na tabela. Tal observação comprova que, apesar da primeira ser mais numerosa nas
capas da semana analisada, os títulos referentes à segunda, tem maior destaque no jornal
durante o período. No entanto, o fato reflete também o contexto da semana observada: dentro
de duas semanas ocorreriam eleições Federais na Alemanha, realizadas no dia 27 de setembro
de 2009.
3.1.2.2 Economia e Política
Quando questionado sobre qual seria a editoria mais importante do jornal BILD
Hamburg, o editor-chefe regional Onken foi claro: política e desenvolvimento da cidade. O
primeiro tema é comprovado pela análise como um dos mais privilegiados juntamente com
economia: a editoria aqui em foco é o segundo tema mais numeroso nas capas do BILD
Hamburg, com um quinto dos títulos referente a este assunto. O destaque é justificado por
Onken através de características da cidade de Hamburgo:
Importante é a política. Porque Hamburgo, como cidade-estado – isto é, não é um
estado no que diz respeito à área, uma cidade que tem governo próprio -, tem um
grande significado na região norte da Alemanha; (Hamburgo) é a segunda maior
cidade do país, e, também pelo fato de termos aqui uma política de coalizão, nova na
Alemanha – Preto e Verde, CDU e Verdes; [...] além disso, há os muitos projetos
grandes na cidade, a Elbphilharmonie, por exemplo. Por isso a Política é muito
importante e interessa às pessoas.
Em ano eleitoral, as notícias de política entram ainda mais em evidência. Os títulos da
amostra refletem o período de debates e disputas pré-eleitorais no país, além de notícias
econômicas de âmbito nacional. Os temas estão interligados, tendo em vista que mudanças
políticas tem consequências econômicas e vice-versa. Os títulos relacionados nesta categoria
estão presente nas capas do BILD Hamburg de quase todos os dias da amostra (a única capa
que não apresenta notícias do gênero é a de 12.09.09, sabádo), como pode ser observado
abaixo:
57
08.09 - (Trabalho mal feito!) - Pensões calculadas incorretamente – Cabe a você agora
também uma diferença?
09.09 - A maior aposta eleitoral de todos os tempos – Ganhe um milhão de Euros
09.09 - Economia Suiça Número 1
10.09 - A grande aposta eleitoral do BILD – Eu vou buscar o Milhão para mim!
10.09 - (Linhas de Crédito - Juros- Exploração) -Alemães pagam 512 Milhões de Euro a mais!
11.09 - Opel (um pouco) salva... mas a que preço?
11.09 - 2ª parte! Hoje Wahl-Soap no BILD.de
11.09 – Outra vez novas quedas de preços através de descontos!
14. 09- (Duelo amigável (aconchegante) em vez de luta eleitoral) Sim, nós bocejamos!
Como citado na secção anterior, a categoria aqui analisada detém quatro títulos
principais, do total de seis pertencentes ao BILD Hamburg, definidos de acordo com a
metodologia já esclarecida. Destes, três são relacionados às eleições e um à economia, todos
enfatizando em seus títulos conseqüências ou repercussão direta dos fatos que estão
noticiando. Segundo Amaral (2006, p. 61), tal fato constitui uma característica dos produtos
dirigidos às classes populares, os quais “tendem a priorizar o que está relacionado com o mais
próximo e concreto da vida do leitor” (utilidade).
A característica é evidenciada quando da análise de tais títulos principais. No primeiro,
pertencente ao dia 08.09, o destaque para a aplicação prática da notícia fica evidente através
da pergunta: “Cabe a você agora também uma diferença?” O espaço ocupado pelo título na
capa é, neste caso, maior que o utilizado pela reportagem na parte interna do jornal. É possível
perceber que o fato encontra-se na primeira página por sua aplicação e repercussão direta e
não por sua extensão ou complexidade. A ênfase é na utilidade: possibilitar ao leitor saber se
tem direito à diferença e como proceder caso a resposta seja afirmativa.
O segundo título principal traz também outro aspecto peculiar dos jornais populares, a
realização de promoções como forma de atrair os leitores. Desta forma, a frase “A maior
aposta eleitoral de todos os tempos – Ganhe um milhão de Euros” não só enfatiza, como o
título acima analisado, a conseqüência de ordem prática (prêmio) como anuncia o início de
uma nova promoção referente às eleições. A notícia evidencia um modo peculiar do jornal de
atrair os leitores para o tema, no caso, os pleitos eleitorais. A iniciativa faz parte de uma
58
campanha lançada pelo jornal chamada “Ich bin dann mal wählen” (em português, “Então eu
vou votar desta vez”) para incentivar os leitores a irem às urnas 62.
A promoção premia com a quantia aquele(s) que acertar(em) a porcentagem obtida
pelos cinco maiores partidos nas eleições federais, que definem a ocupação das cadeiras do
Parlamento. O participante deve também comprovar que votou nas eleições principais e
realizar a “aposta” até o final do dia 21 de Setembro 2009, seis dias antes do pleito no país,
marcado para 27 de Setembro daquele ano.
Da mesma maneira que as anteriores, o terceiro título principal, referente à Opel,
realça as conseqüências diretas da decisão política de salvar a fabricante alemã de automóveis.
A ênfase pode ser percebida através da frase “mas a que preço?”. O jornal seduz os leitores
através da proposta de esclarecimento e explicação do fato: no caso, conseqüências para o
Estado, para os trabalhadores da empresa e para os contribuintes (os quais, na reportagem, são
divididos através de subtítulos). O acontecimento é também de grande repercussão.
O último título principal pertencente a esta categoria, publicado no dia 14.09, não diz
respeito a conseqüências, mas a repercussão do fato, no caso, do debate realizado entre os dois
principais candidatos a chanceler do país: Ângela Merkel e Frank-Walter Steinmeier. A
reportagem resume o debate televisionado e adiantado através do título, o resultado: “Duelo
amigável em vez de luta eleitoral - Sim, nós bocejamos!”.
Dentre os cinco títulos restantes (secundários nas capas), o enfoque prático pode ser
notado em outros dois deles: “A grande aposta eleitoral do BILD – Eu vou buscar o Milhão
para mim!” e “Outra vez novas quedas de preços através de descontos!”. No primeiro, a frase
torna ação e conseqüência claras: eu participo da aposta do BILD e eu vou arrebatar o prêmio.
Já no segundo, o foco está nos descontos de produtos em supermercados. Somado aos outros
títulos com tal característica analisados acima, seis dos nove títulos desta categoria destacam a
praticidade, sendo três deles principais, o que demonstra ser esta uma proposta do impresso ao
tratar de notícias relacionadas à economia e política: o maior destaque é dado àquelas notícias
que tem conseqüências claras (diretas) ou grande repercussão no país.
Os outros três títulos secundários não possuem aplicação prática, mas, da mesma
forma que os anteriores, apresentam as notícias de formas claras e simples: “Economia Suíça
Número 1” (nota sobre as mais competitivas economias do mundo) “Alemães pagam 512
Milhões de Euros a mais!” (nota sobre lucros dos bancos com juros e linhas de crédito) e “2ª
parte! – Hoje Novela Eleitoral no BILD.de” (notícia com foto sobre novo vídeo referente as
62
Na Alemanha, as eleições são facultativas, estando aptos para exercer o direito os cidadãos acima de 18 anos.
59
eleições no site do jornal). Assim, é possível perceber que a capacidade de simplificação,
citada por Amaral como critério de noticiabilidade típico dos jornais populares, pode ser
relacionado aos títulos.
Traquina (2008, p. 91) também disserta sobre o valor, relacionando-o como de
construção, da seguinte forma: “por valores-notícia de construção entende-se os critérios de
seleção dos elementos dentro do acontecimento dignos de serem incluídos na elaboração da
notícia.” Ainda de acordo com o autor, a simplificação pertence a esta categoria e foi
identificada por Ericson, Baranek e Chan (apud Traquina, 2008), determinando ela que quanto
menos complexa uma notícia, mais chance ela tem de ser compreendida e notada. Este valor
pode ser identificado em todos os títulos do BILD Hamburg pertencentes à categoria em
análise.
O critério de personalização pode ser também relacionado às notícias. Compilados por
ambos os autores, Amaral (2006) define o valor como típico dos veículos populares, porém
Traquina (2008, p. 92) igualmente disserta sobre ele: “Por personalizar, entendemos valorizar
as pessoas envolvidas no acontecimento: acentuar o fator pessoa”. No “A grande aposta
eleitoral do BILD – Eu vou buscar o milhão para mim!”, a notícia é um desdobramento do
título do dia anterior “A maior aposta eleitoral de todos os tempos- Ganhe um milhão de
euros”. Nela, pessoas públicas como cantores populares e boxeadores, e pessoas comuns,
como uma estudante de Munique, informam que vão participar da promoção, funcionando
como um incentivo para os outros leitores participarem. Segundo Traquina (2008, p.92),
“inúmeros estudos sobre o discurso jornalístico apontam para a importância da personalização
como estratégia para agarrar o leitor porque as pessoas se interessam por outras pessoas”. O
autor afirma também que quanto mais personalizada uma notícia, maior a chance de ela ser
notada.
O mesmo acontece na iniciativa anunciada no título “2ª parte! - Hoje Novela Eleitoral
no BILD.de”. Na seqüência de vídeos intitulada “Zeit der Entscheidung” 63 (Tempo de
Decisão), é evidenciado como a política influencia a vida das pessoas, personificando os
temas através dos personagens da pequena novela. O título faz uma ligação do meio digital
com o impresso, remetendo o leitor a acessar o site do periódico para visualizar o material. A
criação de enredos facilita o entendimento dos conteúdos de política apresentados no jornal,
simplificando-os, além de evidenciar as propostas dos cinco maiores partidos: o final do
63
BILD. So funktioniert die interaktive BILD.de-Wahl-Soap. [S.l.], 2009. Disponível em:
http://www.bild.de/BILD/politik/2009/09/03/wahl-soap/erste-interaktive-wahl-soap.html Acesso em: 02 jun
2010.
60
material audiovisual é aberto e interativo, podendo o usuário escolher entre cinco finais
referentes aos partidos CDU/CSU, SPD, FDP, Grüne ou Die Linke.
Assim, é possível perceber que o título é uma mera remissão a uma iniciativa digital,
porém que se encontra interligada com o impresso: uma vez que o leitor compreenda melhor o
universo político, ele entenderá mais facilmente as reportagens sobre o assunto veiculados no
jornal, daí, provavelmente, o destaque da notícia na primeira página. Desta forma, é possível
perceber que além do valor-notícia de construção personificação, o de consonância encontrase também relacionado a este material. Segundo Traquina (2008), “quanto mais uma notícia se
insere numa ‘narrativa’ já estabelecida, mais possibilidades a notícia tem de ser notada”. Os
vídeos criam uma narrativa, a fim de chamar a atenção do leitor para os temas eleitorais em
pauta naquele mês.
Portanto, de maneira geral, os títulos referentes à economia e política publicados na
amostra possuem enunciados simples e diretos, refletem o período eleitoral pelo o qual o país
passa naquele momento e enfatizam o aspecto prático e direto da reportagem ou sua
repercussão. Os valores notícia simplificação, personalização e consonância podem ser
identificados nas notícias apresentadas, sendo que o primeiro é o único evidente em todos os
títulos da amostra.
3.1.2.3 Polícia e Crimes
A categoria Polícia e Crimes é a terceira mais privilegiada da amostra, juntamente com
Esportes, que possui o mesmo número de títulos que a primeira: seis, o que representa cerca
de 13,3% do total. Os títulos aqui relacionados são os seguintes:
08.09 - Exército Federal mata piratas
09.09 - Processo contra Demjanjuk na prisão?
12.09 - Cada vez mais crimes econômicos na Internet.
14.09 - (S-Bahn- Drama) Pisoteado até a morte, porque protegeu crianças.
14.09 - Homicida enterrado sem cérebro
14.09 – Pelo menos 30 civis mortos no ataque aéreo da OTAN!
Através da análise das frases acima, é possível perceber que três delas estão
relacionadas diretamente à morte: valor-notícia de seleção, enquadrado nos critérios
61
substantivos, segundo Traquina (2008). Os títulos “Exército Federal mata piratas”, “(S-BahnDrama) Pisoteado até a morte, porque protegeu crianças” e “Pelo menos 30 civis mortos no
ataque aéreo da OTAN!”, podem ser nele enquadrados. O autor destaca que Wolf divide os
critérios de seleção em dois subgrupos: substantivos e contextuais, sendo o primeiro
relacionado “à avaliação direta do acontecimento em termos de sua importância ou interesse
como notícia.” A morte é destacada por Traquina (2008, p. 79) como valor-notícia
fundamental: “Onde há morte, há jornalistas”.
Outro critério que pode ser observado é a notoriedade, o qual define que “o nome e a
posição da pessoa são importantes como fator de noticiabilidade” (TRAQUINA, 2008, p. 81)
No caso, o valor pode ser identificado também em quatro dos seis títulos. No primeiro,
referente a “Exército Federal mata piratas” o critério é observado por parte do agressor
(Exército Federal), assim como no título publicado em 14 de Setembro daquele ano: “Pelo
menos 30 civis mortos no ataque aéreo da OTAN”. Na frase que diz respeito a John
Demjanjuk, o valor é percebido no próprio réu, que se tornou famoso ao ser acusado de ter
sido guarda em um campo de concentração nazista na época de Hitler e cúmplice na morte de
cerca de 28 mil judeus. Finalmente, no “Homicida enterrado sem cérebro”, o título diz
respeito a um adolescente que, numa crise de loucura, matou cerca de 16 pessoas no sudoeste
da Alemanha. O fato teve espaço em jornais de todo o mundo e daí, a notoriedade do
envolvido.
É possível perceber também a característica de dramatização, relacionada conforme já
mencionado, aos periódicos populares. O critério é identificado em cinco dos seis títulos
analisados, excluindo-se somente o publicado no dia 12 de setembro daquele ano. Segundo
Amaral (2006, p. 119), “dramatizar é tornar um fato interessante e comovente como um
drama, apresentando-o sob aspecto trágico ou evocando-o com cores mais vivas do que as que
realmente têm.” A autora afirma que tal fato faz parte do papel do jornalista, no entanto,
limites devem ser levados em conta para não se exagerar na hora de contar uma história. Dos
cinco títulos enquadrados neste aspecto, dois parecem ultrapassar a barreira mencionada pela
autora: “(S-Bahn- Drama) Pisoteado até a morte, porque protegeu crianças” e “Homicida
enterrado sem cérebro”. Na primeira, a descrição do modo do assassinato não tinha
necessidade de ser explicitada e poderia ser suprimida ou escrita de modo menos agressivo. Já
na segunda, a reportagem revela que os pais do assassino em questão cederam o cérebro do
adolescente para a ciência. Desta forma, o foco não precisava estar no fato de o menino ser
enterrado sem o órgão, mas sim, de o cérebro ter sido cedido para análise científica.
62
Por fim, quatro dos títulos desta categoria podem ser enquadrados no critério de
noticiabilidade infração que, segundo Traquina (2008) refere-se à violação de normas. No
caso da notícia “Cada vez mais crimes econômicos na Internet”, índices são enfatizados, em
detrimento das particularidades de cada transgressão, o que não acontece nos outros três
títulos: “Exército Federal mata piratas”, “(S-Bahn- Drama) Pisoteado até a morte, porque
protegeu crianças” e “Pelo menos 30 civis mortos no ataque aéreo da OTAN!”, os quais
enfatizam os acontecimentos e não estatísticas. Os outros dois títulos neste critério ainda não
comentados - Processo contra Demjanjuk na prisão?”e “Homicida enterrado sem cérebro”-,
são continuações de fatos já anteriormente noticiados e não noticiam os crimes em si.
Desta forma, os títulos enquadrados nesta categoria estão relacionados a critérios como
morte, notoriedade, dramatização e infração, tendo dois dos seis descrição excessivamente
detalhada do modo de assassinato e enfoque desnecessário em aspectos chocantes, como já
analisado. A dramatização das notícias é aspecto freqüente e recorrente em todos os títulos,
com exceção de apenas um. A análise dos títulos evidencia também que a terceira editoria
mais privilegiada relata crimes, índices ou repercussão de notícias policiais já anteriormente
publicadas, tendo maior espaço (possuem mais títulos relacionados) aquelas com potencial de
dramatização e não as referentes a índices ou números.
3.1.2.4 Esporte
A grande quantidade de espaço para notícias referentes ao assunto foi destacada na
parte inicial deste capítulo e é corroborada agora através da análise das capas. A editoria de
esportes está entre as quatro mais privilegiadas no jornal, reprensentando, igualmente como
Polícia e Crimes, 13,3% dos títulos. A unanimidade de notícias referentes a Futebol na
amostra, revelam a modalidade ser a de maior destaque dentro de sua categoria, conforme
pode ser observado abaixo:
08.09 - (3 x 1 contra a Noruega) - Siiim! Nossas mulheres na final do Campeonato Europeu.
09.09 - So cool são nossas mulheres do futebol
10.09 – 4 x 0 - Jogi clamou o despertar da Alemanha
11.09 - (Alemanha- Inglaterra) 6 x 2
11.09 - (HSV- Choque) Guerrero - 6 meses de Pausa
14.09 - (HSV & Pauli fortes como nunca) Hamburgo em “êxtase-futebolística”
63
Tal hegemonia pode ser relacionada a popularidade da prática na Alemanha, que, de
acordo com Silva e Santos (2006), poder ser considerada, assim como o Brasil, o país do
futebol. Sobre a popularidade do esporte nos países, os autores escrevem:
(..) por volta de 1919 no Brasil e em torno de 1922 na Alemanha- o futebol já é um
esporte de massas, mobilizando milhares de pessoas e enchendo estádios
especialmente construídos para este esporte. Mais importante de tudo: a partir dos
anos 20 do século XX, o futebol é, em ambos os países, um esporte popular,
praticado nas escolas, nas ruas e nos campos improvisados. (SILVA E SANTOS,
2006, p. 17)
Desta forma, é possível perceber que o destaque dado ao assunto se deve, além de
outros fatores, a um cenário que se constituiu através de anos, em que o futebol tornou-se
modalidade popular entre os alemães. No entanto, as notícias acima relacionadas se encaixam
também em alguns dos critérios de noticiabilidade dos jornais populares citados por Amaral
(2006): capacidade de entretenimento, proximidade geográfica ou cultural do leitor, potencial
de simplificação e possibilidade de ser narrado dramaticamente.
A capacidade de entretenimento e a proximidade cultural é evidente tendo em vista a
popularidade do esporte no país e, por conseguinte, na cidade da publicação em questão,
Hamburgo. A proximidade geográfica é maior nos dois títulos referentes aos times locais HSV
e St. Pauli, publicados nos dias 11 e 14 de setembro. Porém, os outros quatro também
possuem a característica, visto que referem-se a seleção do país e seu avanço no campeonato
europeu, espaço geográfico próximo e conhecido.
A dramatização é também um recurso utilizado pelo jornal ao se referir ao assunto. O
esporte gera emoção para quem acompanha os jogos, e em três dos seis títulos da amostra é
possível perceber claramente isso, sendo eles: “Siiim! Nossas mulheres na final do
Campeonato Europeu”, “Jogi clamou o despertar da Alemanha” e Hamburgo em “êxtasefutebolística”. No primeiro, o “siiim” representa um grito de comemoração, que é evidenciado
pela pontuação e a repetição da vogal tônica. No segundo, o vocábulo “clamou”, juntamente
com a imagem que acompanha o título (foto do treinador com a boca aberta, como se estivesse
gritando e a mão levantada), demonstram igualmente sentimento e emoção. Por fim, no
terceiro título, a expressão que demonstra a dramatização é “êxtase-futebolística”
Além disso, as notícias relacionadas ao tema tem grande potencial de simplificação: o
futebol é por si só, um esporte de fácil entendimento, com apenas 17 regras. Num país onde a
modalidade é popular, o funcionamento do esporte é conhecido e não necessita explicação.
64
Desta forma, as notícias informam resultados, repercussões de jogos e mudanças concretas
nos times, como jogadores lesionados, venda ou compra deles.
A única exceção entre os títulos é “So cool são nossas mulheres do futebol”, em que o
jornal apresenta pequenos perfis das “heroínas” que chegaram a final do Campeonato Europeu
feminino, a realizar-se no dia seguinte ao da publicação, contra a seleção da Inglaterra. Assim,
é possível relacionar o valor-notícia personalização à reportagem, além de uma “celebrização
das jogadoras”, ou seja, um tratamento das integrantes da equipe como celebridades. Sobre tal
fator, ratifica Smart (2005, p. 102, tradução nossa): “No âmbito da força cultural e comercial
formado pela estreita articulação do esporte, da televisão e do patrocínio, o caráter do herói
esportivo tem sido substituído pela figura da celebridade da estrela do esporte”.
A ampliação e evidência do assunto deve-se também ao momento (final de
campeonato), onde o nacionalismo e união afloram no país. Como enfatiza Schubart (2009, p.
36, tradução nossa):
As nações como construções simbólicas tem necessidade permanente de serem
reproduzidas de maneiras incontáveis e na maioria das vezes não espetaculares
através de rotinas do dia a dia e interações. Os esportes se ajustam bem a essa
demanda porque, por um lado, um imenso número de pessoas está associado a isto
através da presença nos estádios ou através dos meios de massa, e porque suas
‘contribuições narrativas’ por outro lado são mais facilmente relacionadas a
estereótipos culturais e nacionalistas que outros fenômenos sociais
Apesar de o autor afirmar que, na maioria das vezes, as manifestações relacionadas ao
futebol caracterizam-se como não espetaculares, observa-se hoje grande espetacularização da
mídia em relação aos grandes times e campeonatos, como evidenciado nos títulos. No entanto,
voltando às características gerais dos títulos, além dos fatores já apresentados, o futebol é,
segundo Murad (2007, p. 14), “o esporte mais popular do planeta. Envolve direta e
indiretamente bilhões de pessoas, entre praticantes amadores, atletas profissionais, torcedores
e incaculáveis recursos humanos (...)” Desta forma, a atividade mobiliza um grande número
de pessoas e este, segundo Amaral (2006), representa também um critério de noticiabilidade,
porém citado pela autora como próprio dos veículos de referência.
Outro fator que deve ser salientado é a participação da editoria de esporte na
popularização dos jornais. De acordo com Conboy (apud Boyle, 2006, p. 35, tradução nossa),
“a capacidade de narrativas esportivas serem desenvolvidas num âmbito amplo de história
popular foi um elemento crucial na popularização dos jornais com crescimento de leitores”. O
periódicos que nasceram em Nova York nas décadas de 1880 e 1890 eram caracterizados pela
informação e entretenimento, e o esporte fazia parte desssa segunda função.
65
Sendo assim, os títulos aqui enquadrados, além de evidenciarem a popularidade do
futebol na Alemanha, possuem valores-notícias característicos de jornais populares como
capacidade de entretenimento, proximidade geográfica ou cultural do leitor, potencial de
simplificação e possibilidade de ser narrado dramaticamente. O envolvimento de um grande
número de pessoas no assunto constitui também um critério de noticiabilidade. Além disso, os
jogadores são tratados pela mídia, muitas vezes, como celebridades.
3.1.2.5 Emprego e Serviços
Com apenas quatro notícias pertencentes a esta categoria, a editoria representa,
juntamente com Saúde, 8,9% dos títulos da amostra. As notícias aqui relacionadas dizem
respeito ao trabalhador ou oferecem informações de aplicabilidade direta com o cotidiano
dele. Empregos e Serviços encontra-se entre as três categorias menos privilegiadas no jornal
BILD Hamburg e constitui-se pelos seguintes títulos:
08.09 - Hartz IV - Beneficiários não estão dispostos a se relocar
10.09 - O chefe dos transportes Grube apresenta-se aos leitores do BILD
10.09 - Quase um a cada dois vai trabalhar mesmo doente
12.09 – O tempo na Alemanha
Entre os títulos, dois relacionam-se a emprego, sendo eles: “Hartz IV - Beneficiários
não estão dispostos a se relocar” e “Quase um a cada dois vai trabalhar mesmo doente”.
Ambos, no entanto, não apresentam aplicabilidade prática e constituem apenas informações
que dizem respeito aos trabalhadores. Ambos os títulos se relacionam ao valor-notícia
notabilidade, neste caso, através do registro de inversão, que, segundo Traquina (2008), é
definido como “o contrário do ‘normal’”. No primeiro, o esperado é que os beneficiados
desejassem se relocar, arrumar um novo emprego, o que, no entanto, não ocorre. Da mesma
forma no segundo: o regular seria os trabalhadores doentes não dirigirem-se ao emprego,
porém, de acordo com a reportagem, 50% exercem seus ofícios mesmo debilitados.
As outras duas notícias têm como foco o serviço. A primeira, referente ao chefe dos
transportes, propõe que os leitores enviem duas perguntas (através de carta ou email) para a
redação principal do BILD, em Berlim. Na semana seguinte, as dúvidas mais freqüentes
seriam respondidas pelo chefe dos transportes, Rüdiger Grube, e publicadas no jornal. A
66
notícia constituía-se, desta forma, um veículo de esclarecimento para os leitores, servindo de
intermediário. Já o título que informa a previsão do tempo na Alemanha, não busca gerar
esclarecimento, mas informar sobre fato que interfere diretamente no dia a dia. A notícia é
informação pura e simples. Tais títulos estão relacionados ao valor-notícia utilidade, típico do
segmento popular, segundo Amaral (2006), devido a aplicabilidade prática e direta. É
interessante ressaltar também, que a reportagem referente ao chefe dos transportes, gera no
leitor a impressão de proximidade com a autoridade: eu posso mandar perguntas e obter
respostas. E, para o receptor, o responsável por isso foi o jornal, o BILD.
3.1.2.6 Saúde
Conforme já explicitado, à editoria “Saúde”, destina o jornal BILD Hamburg, o mesmo
número de títulos que à anteriomente analisada (Empregos e Serviços). As quatro notícias
aqui relacionadas são as seguintes:
08.09 - (Pílula do dia seguinte) – Agora ela faz efeito em até 5 dias
09.09 - Está a caminho a vacina contra o Câncer de Próstata?
12.09 - (Gripe Suína) – Primeira vacina em 4 semanas
14.09 - Em breve pílula contra álcool?
Os títulos relacionados a esta categoria enfocam temas que dizem respeito a realidade
dos leitores. Em relação a primeira notícia, a pílula do dia seguinte é receitada e vendida na
Alemanha somente sob prescrição médica e, segundo pesquisa com 2,5 mil jovens entre 14 e
17 anos, divulgada em 2002, 8% destas adolescentes alemãs já a usaram alguma vez
(Deutsche Welle). O segundo título, refere-se ao câncer de próstata, doença que atinge 60 mil
alemães a cada ano, segundo a própria notícia. Já o terceiro diz respeito ao vírus da Gripe
Suína, o qual configurou uma pandemia mundial em 2009, matando cerca de 18 mil pessoas,
segundo dados da Organização Mundial de Saúde referentes a 7 de maio de 2010. Por fim, a
última notícia desta categoria refere-se, da mesma forma, a um problema de dimensão
mundial, o alcoolismo.
Tais fatores podem ser relacionados ao valor-notícia relevância, que segundo Traquina
(2008), “responde à preocupação de informar o público dos acontecimentos que são
importantes porque têm um impacto sobre a vida das pessoas.” No entanto, dois deles não
67
possuem
aplicabilidade
prática,
pois
constituem
somente
pesquisas
ainda
em
desenvolvimento, sendo eles: “Está a caminho a vacina contra o Câncer de Próstata?” e “Em
breve pílula contra álcool?”. Assim, o critério relevância não pode ser aplicado a todos os
títulos relacionados nesta categoria, pois não possuem um impacto sobre a vida das pessoas,
visto que ainda não há concretude dos acontecimentos. Desta forma, é possível afirmar que
todas as notícias dizem respeito à realidade mundial ou nacional, mas nem todas possuem
relevância.
Da mesma forma, os valores-notícia novidade e notabilidade podem ser também
relacionados aos títulos. O primeiro, segundo Traquina (2008) pode ser definido como “o que
há de novo”. O fato pode ser comprovado a partir da análise das manchetes acima citadas e de
seus enfoques: novo medicamento, pesquisa para possível vacina, data de vacinação nacional
e pesquisa para pílula contra alcoolismo, respectivamente, de acordo com a data de
publicação. Já o critério notabilidade possui, ainda segundo o autor, um registro
correspondente a grande quantidade de pessoas envolvidas, o que já foi comprovado segundo
os dados apresentados nos parágrafos anteriores. As notícias caracterizam-se também por
constituírem espécie de “cultura de almanaque” relacionadas ao singular, extraordinário,
configurando quebra do normal e, assim, relacionando ao registro inversão do critério
notabilidade.
Já de acordo com os critérios de noticiabilidade característicos do jornalismo popular
citados por Amaral (2006),os quais já foram aqui especificados, as notícias podem ser
relacionadas a dois deles: ser útil e próximo geográfica e culturalmente do leitor. Os dados
relacionados no início desta secção comprovam que os temas das notícias são parte da
realidade e, portanto, possuem proximidade geográfica e cultural. Já o valor utilidade, pode
ser relacionado somente a dois deles: “(Pílula do dia seguinte) Agora ela faz efeito em até 5
dias” e “(Gripe Suína) – Primeira vacina em 4 semanas”, pois constituem os únicos a ter
aplicabilidade imediata.
3.1.2.7 Local
A categoria “Local” é a menos privilegiada pelo BILD Hamburg, com apenas dois
títulos nas capas da semana avaliada, sendo eles os seguintes:
11.09 - Novo aborrecimento nos trens! Limite de velocidade para 760 trens regionais.
68
12.09 - Forte tumulto após manifestação da NPD em Hamburgo
As notícias dizem respeito a fatores próximos geograficamente dos leitores, um valornotícia que é citado por Amaral (2006) como característico dos veículos populares. Entre os
critérios destacados pela autora como específicos do gênero, os valores utilidade e capacidade
de simplificação também podem ser associados às notícias, porém não a todas. O primeiro
(utilidade) relaciona-se somente ao título publicado no dia 11 de setembro, visto que outro
relata acontecimento passado, sem reflexo direto no cotidiano das pessoas naquele momento.
O segundo (simplificação) pode ser relacionado ao texto referente ao tumulto: a notícia
apresenta uma cronologia da manifestação através de itens, evidenciando exatamente o
ocorrido, passo a passo. O primeiro título não necessita de simplificação, pois o é por si só: o
limite de velocidade dos trens intermunicipais foi reduzido de 160 para 125 km/h.
Já entre os valores-notícias relacionados por Traquina (2008) os quais não foram acima
citados, podem relacionar-se os títulos aos critérios notabilidade e inesperado. A quantidade
de pessoas envolvidas nos fatos comprovam a relação das notícias com o primeiro critério. O
título referente aos trens influi na vida de milhares de pessoas e o relacionado ao tumulto,
ocorre após manifestação que envolveu cerca de 2.700 pessoas diretamente e mais milhares
indiretamente (engarrafamentos e etc). O valor inesperado também é justificado devido a
ambas as medidas fugirem do padrão: o normal de velocidade dos trens regionais é 160 e
sofreu mudança; da mesma forma, manifestações não acontecem diariamente na cidade, muito
menos do porte que a noticiada apresentou (cerca de 2.700 pessoas envolvidas).
69
4 Diário Gaúcho
Com trajetória ainda recente, o jornal Diário Gaúcho completa no ano de 2010, uma
década de existência. Apesar de muito mais novo que o periódico alemão BILD, o Diário
Gaúcho encontra-se consolidado hoje no mercado brasileiro de comunicação: dados refentes a
2009, mostram que o jornal situa-se entre os dez maiores do Brasil, ocupando a oitava
posição, com cerca de 155 mil exemplares vendidos ao dia (INSTITUTO VERIFICADOR DE
CIRCULAÇÃO apud ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE JORNAIS) 64. Em relação a este dado,
é importante ressaltar que o Diário Gaúcho alcança tal posição mesmo tendo circulação
principalmente em Porto Alegre e Região Metropolitana, sem presença significativa no
interior do Rio Grande do Sul. Quando do lançamento em abril de 2000, 95 mil exemplares
foram disponibilizados nas bancas. Em apenas dois meses, o periódico atingiu níveis
semelhantes aos atuais, cerca de 180 mil (INSTITUTO VERIFICADOR DE CIRCULAÇÃO
apud AMARAL, 2006).
Ao longo desses dez anos, o jornal apresentou algumas mudanças: incorporou seções e
retirou outras, adaptando-se de acordo com os interesses dos leitores. Alexandre Bach,
Gerente-Executivo de Produto do Segmento da Maioria do Grupo RBS (Diário Gaúcho e
rádios Cidade, Farroupilha e Rural), enfatiza que a exigência do público é sempre a mesma: o
jornal deve ser bom. No entanto, tais interesses mudam, devido inclusive ao momento
econômico pela qual o país passa, e o jornal deve estar atento a isso. As alterações do DG
foram editoriais, diretamente relacionadas a determinadas editorias, e não modificaram o
modo de apresentação dos fatos, o texto ou o número de páginas 65. De acordo com Bach, que
acompanha o jornal desde seu lançamento 66, os pilares-básicos que formam o jornal
continuam os mesmos. Tal fato é corroborado pelo texto publicado na edição de 17 de abril de
2010, em comemoração aos dez anos do jornal.
Muito obrigado!
Você já deve ter percebido que esta é uma edição mais do que especial do Diário
Gaúcho. Não é apenas pela comemoração dos dez anos. É a renovação dos nossos
compromissos em oferecer aos leitores um jornal surpreendente, vibrante, útil, de
64
Dados referentes à circulação média diária no periodo de janeiro a dezembro de 2009.
Como forma de atualização, é importante ressaltar que em março de 2010, o jornal Diário Gaúcho passou a ser
impresso em um novo Parque Gráfico do Grupo RBS, o qual permitiu que sua impressão, a partir daquele dia,
totalmente em cores. O projeto gráfico sofreu também modificações, alterando-se os cabeçalhos e certos detalhes
gráficos. A capa não sofreu grandes modificações. Algumas seções foram também ampliadas (como O Que Há
de Novo, Seu Problema é Nosso, Com a palavra, Leitor e Retratos da Fama) e' a coluna Ponto Final foi
incorporada ao cabeçalho da contracapa.
66
O jornalista era editor-adjunto quando do lançamento, posteriormente, ocupou o cargo de editor-chefe (2003 a
2009), sendo hoje gerente-executivo.
65
70
linguagem simples e capaz de retratar boas histórias dia após dia. Queremos dividir
com você a nossa alegria pela jornada de sucesso que começou em 17 de abril de
2000. Muita coisa mudou na última década, mas o Diário Gaúcho manteve firmes
todos os pilares fixados desde a primeira edição. Entre eles, o de facilitar a vida das
pessoas, com serviços, dicas de diversão e interatividade, e de chorar de emoção ou
de tristeza em muitos momentos. (DIÁRIO GAÚCHO, 2010).
O texto ratifica a permanência de conceitos e premissas-chave do DG, enfatizando,
como também já destacado por Bach, que as alterações sofridas pelo jornal desde o seu
lançamento não tiveram influência em sua filosofia e valores. Segundo o gerente-executivo,
Bach, o Diário Gaúcho baseia-se principalmente em três premissas: comunicação com o leitor
(no sentido de estar aberto a eles), utilidade e bom humor. Os leitores são um pilar à medida
que pautam os assuntos que se encontram no periódico (não por escreverem nele) e, segundo o
jornalista, esse é um ponto que não se pode relegar. No âmbito da utilidade, o jornal procura
informar de modo a enfatizar aquilo que afeta a vida das pessoas. O bom-humor é outro fator
salientado pelo profissional. Segundo ele, o DG é um jornal divertido, alegre, não só por causa
das cores, das fotos e da parte de variedades. Ele enfatiza que a equipe sempre procura fazer
um jornal de alto astral. Porém, evidentemente, ele destaca que existem momentos em que isto
não é possível, como, por exemplo, quando acontece alguma tragédia. No entanto, segundo o
Gerente-Executivo, de maneira geral, o jornal procura ser bem humorado e descontraído. Os
valores destacados por Bach podem ser também identificados no texto de apresentação do
jornal através das afirmações: busca por “facilitar a vida das pessoas” (utilidade), “dicas de
diversão e interatividade, e de chorar de emoção ou de tristeza em muitos momentos”
(comunicação com o leitor e emotividade).
O Diário Gaúcho, ou DG, como informalmente também é conhecido, é hoje
comercializado a 75 centavos de Real e circula principalmente na cidade de Porto Alegre e
Região Metropolitana. O jornal possui formato tablóide (28,8cm x 37,5cm) não possui
assinatura e é vendido de forma avulsa em pontos diversos da cidade. Segundo Bach, a última
pesquisa do Instituo Marplan evidencidou que o periódico possui cerca 1,3 milhão de leitores,
o que significa 66% dos leitores de jornais da região. O DG possui redação própria (fotógrafos
e repórteres), porém está sempre interligado com outros jornais do Grupo RBS, sendo comum
reportagens permutarem de um para o outro, principalmente entre Zero Hora e Diário Gaúcho,
alterando-se apenas a linguagem do texto, compartimentando-o e/ou substituindo-se alguns
termos.
Segundo o editor-chefe do jornal, Cláudio Thomas, o Diário Gaúcho é um jornal
diferenciado em relação aos demais jornais. Primeiramente, em relação ao público que se
destina, pois, desde seu lançamento, o DG tem como foco trabalhar com leitores da classe C,
71
D e E. Thomas ressalta que a publicação é calcada em pontos como serviço, entretenimento,
esporte (profissional e amador) e segurança pública (polícia). O jornal tem como uma de suas
estratégias a realização de promoções, sendo o “Junte e Ganhe” a mais popular e de caráter
permanente. Nela, o acúmulo de selos possibilita a troca por kits de panelas ou outros
utensílios. Os brindes são sazonais.
O jornal popular do Grupo RBS tem quantidade de páginas variadas (de 28 à 40 no
período analisado) e não possui nenhum caderno além do principal. A publicação apresenta-se
em cores virantes e tem forte presença de imagens. Seu estilo informal e diferença em relação
aos veículos tradicionais evidencia-se também em outras escolhas gráficas: a presença de
ilustrações é frequente, balões de fala é um recurso aqui utilizado, além de bonecos em
formato de círculo e o peculiar resumo da notícia, característico do periódico (vide figura 12,
13, 14 e 15).
Em relação às ilustrações, elas aparecem difusas pelas
páginas do jornal, sendo um ponto marcante da publicação. Elas
estão presentes em selos sazonais como a do Acampamento
Farroupilha, mas também em permanetes, como a imagem ao lado
do santo do dia, na seção Bom Dia, publicada diariamente na Figura 12 - Selo do
Acampamento
página dois. Os desenhos situam-se Farroupilha
Fonte: Diário Gaúcho,
também nas caricaturas dos colunistas, 14 de Setembro 2009
na parte de esportes (na avaliação do
desempenho dos jogadores, ali chamados de “boleiros”), na seção
presságios (a qual apresenta ilustrações de cada signo e outras
imagens relacionadas ao assunto),
além de serem também freqüentes
na seção de empregos, variedades
e na publicação como um todo. A
Figura 13 – Desempenho dos
“Boleiros”
Fonte: Diário Gaúcho, 31
Agosto de 2009
característica alude a um estilo
lúdico
de
apresentação
das
notícias, que busca traduzir um
pouco do que está expresso na reportagem ou seção através de
figuras. Os balões de fala demonstram igualmente tal Figura 14 – Balões de fala no
depoimento dos jogadores
característica, além de evidenciarem um padrão pouco Fonte: Diário Gaúcho, 14 de
convencional de apresentação de depoimentos dos jogadores.
Setembro 2009.
72
Já o resumo da notícia (figura 13), concentra o lead do assunto retratado em um box, o
qual está presente nas reportagem de maior valor hieráquico. O formato de apresentação
condensa
o
conteúdo
e
permite
um
maior
entendimento ao leitor que, assim, pode saber de
forma sucinta sobre o assunto e continuar a ler
somente se for de seu interesse. As fotos de
entrevistados ou personagens centrais em formato
circular demonstram também que a publicação não
Figura 15 – Resumo da Notícia
segue as normas e os padrões tradicionais ao Fonte: Diário Gaúcho, 11 de Setembro 2009.
apresentar seus conteúdos.
Quanto ao texto, o Diário Gaúcho busca construir seus relatos de forma simples, com
construções lineares. De acordo com o manual de redação do próprio jornal 67, datado de
agosto de 2005 e ainda vigente, sete princípios devem ser observados ao se escrever o texto:
“1) O texto do Diário Gaúcho deve ser claro, simples e preciso. Deve ser construído
como um meio termo entre a linguagem falada e a linguagem literária. Com uma
restrição: o repórter nunca deve escrever o que não diria.
2) Devem ser usadas palavras adequadas para cada descrição na reportagem. De
modo geral, sempre há uma palavra par descrever uma situação. Não é proibido
repetir palavras desde que seja necessário para que a narração e o significado de um
fato fiquem claros ao leitor.
3) Não está proibido o uso de palavras ou termos mais elaborados ou técnicos nos
textos desde que seja explicado, entre parênteses, seu significado. Mas, sempre que
possível, devem ser evitados.
4) Deve, sempre, ser adotada a ordem direta na narração dos fatos. Uma história tem
começo, meio e fim. E o respeito a essa situação cronológica, conduz mais
facilmente o leitor à essência da notícia.
5) Os parágrafos não podem ser escritos como se fossem histórias estanques. A cada
parágrafo, uma frase, uma palavra ou uma expressão deve fazer uma ligação
harmoniosa com o período anterior, de forma que o texto tenha um ritmo único.
6) Um jornal é um intermediário entre o leitor e o fato, e o repórter é o agente deste
processo. Assim, ao escrever, o repórter não deve colocar no texto apenas
informações objetivas, coletadas com uma fonte formal. Também deve rechear o
texto com detalhes observados ou obtidos informalmente durante a confecção da
reportagem e que sejam importantes para se entender o contexto da situação. São
esses detalhes que enriquecem o texto. O olho do repórter numa cena é o olho do
leitor.
7) Está terminantemente proibido o uso de expressões ou palavras consideradas
chavões. Texto simples não significa texto pobre.”
O jornal propõe-se, então, a publicar texto acessível, com parágrafos interligados. Os
recursos utilizados visam à facilidade de entendimento (linearidade do texto) e reconstrução
do cenário (através de descrição). Outros fatores que merecem destaque são a busca por fontes
não oficiais e a linguagem proposta (“meio termo entre a linguagem falada e a linguagem
67
Brochura que circula na redação do periódico.
73
literária”). Tais premissas permitem uma inserção do leitor no contexto da notícia (descrição)
e geram identificação com o jornal (linguagem). O editor-chefe do periódico, Cláudio
Thomas, afirma que o estilo do texto do Diário Gaucho é o mais simples possível, um texto
que qualquer pessoa leia e entenda. Ele ressalta também que, apesar de não estar presente
quando da criação do projeto, é sabido que um dos pontos que era tido como meta era tornar
os textos do jornal acessíveis a um público de 8 à 80 anos:
“Então, nossa linguagem é direta, concisa, objetiva e clara. Mesmo que seja uma
reportagem especial, o texto é simples. Pode ser elegante, mas simples, com um
vocabulário que qualquer pessoa entenda. Se tiver alguma palavra de uso não
comum, entre parênteses estará a tradução daquela palavra, o que ela significa.”
(THOMAS, 2010)
O estilo informal evidencia-se também
nas legendas, títulos e chamadas. De maneira
geral 68,
eles
apresentam
flexibilidade
e
construções que fogem do padrão utilizado em
jornais tradicionais, sendo comum o uso de
interjeições ou pontuação para dar ênfase e
oralidade a eles. Entre estas construções,
Figura 16– Retratos da
Fama
Fonte: Diário Gaúcho, 1
de Setembro de 2009
destacam-se as legendas da seção “Retratos da Figura 17 – Retratos da
Fama
Fama”, em que o “Véio” é a figura de Fonte: Diário Gaúcho, 3 de
linguagem recorrente e tornou-se uma espécie Setembro de 2009
de marca do jornal. As figuras ao lado exemplificam o fato
e possuem as seguintes legendas: “Como é mesmo aquele
exercício com as pernocas para cima? Mostra para o Veio,
Bia!” (01.09) e “O Veio ordena: mãos ao alto!” (03.09) e
“O Veio ta cheio de idéias: vamos passar na floresta,
enquanto seu lobo não vem?! (09.09.09). As legendas
enfatizam aspectos sensuais, porém, de modo indireto. São
utilizados jogos de palavras e figuras de linguagens para
transmitir as idéias, que relacionam-se ao interesse sexual
Figura 18 – Retratos da Fama
Fonte: Diário Gaúcho, 9 de
Na seção “Retratos da Fama”, publicada diariamente Setembro de 2009
ou desejo.
68
Títulos serão analisados com profundidade quando da análise das capas pertencentes a amostra (vide Recorte
Metodológico).
74
na página central do periódico, encontram-se as notícias de celebridades e, com freqüência,
são veiculadas fotos sensuais de mulheres famosas. O apelo erótico é mais ou menos evidente
dependendo da edição do dia, como fica claro ao observar as figuras 16, 17 e 18: umas mais
conservadoras e outras nem tanto. Apesar disso, diferentemente do jornal alemão, não há seios
a mostra, e as fotos mais insinuam do que mostram verdadeiramente o corpo das mulheres.
Dentre as celebridades retratadas na seção uma sempre é chamada de capa, fazendo com que a
presença da figura feminina seja constante na primeira página do periódico.
Além da página central, há também outras divisões fixas, semanais ou diárias,
presentes no Diário Gaúcho. A capa e a contracapa constituem-se espaço nobre dos jornais,
principalmente para aqueles vendidos de forma avulsa, como o Diário Gaúcho. Assim, a
contracapa do DG traz seções diferentes a cada publicação de acordo com o dia da semana. Na
segunda feira, é publicado o “De Bem com a Vida”, com reportagens que possam trazer
ânimo ou melhorar o dia-a-dia dos leitores. Na terça-feira, o “Pah!” traz assuntos relacionados
ao jovens. Na quarta-feira, o “Faça Você Mesmo” ensina confeccionar algum artesanato. Na
quinta, o “Passeio da Família” sugere entretenimento de preço acessível. Na sexta, o “Cozinha
do Diário” veicula receitas e , por fim, no sábado, é publicado o “Moda & Estilo”. As seções
tratam dos assuntos de forma prática, dando dicas para os leitores, de modo que eles tenham
certa utilidade.
Sobre o conteúdo, assim como o periódico alemão, o jornal não apresenta indicação de
editoria no topo da página, com exceção das divisões fixas, as quais possuem cartola padrão.
Elas estão presentes em muitas das páginas do jornal (pois são numerosas), e, assim, de certa
forma, guiam a leitura. O DG possui colunistas que escrevem periodicamente e reportagens
sobre assuntos variados 69. As seções fixas diárias evidenciam alguns dos assuntos que tem
espaço no jornal, sendo elas: Bom Dia e o que há de novo (publicados na página 2: o primeiro
constitui uma cartola de ‘boas-vindas’, com o santo do dia e informação sobre data
comemorativa e o segundo apresenta pequenas notas sobre fatos de grande repercussão
mundial e nacional), Espaço do Trabalhador (informações sobre vagas e assuntos relacionados
ao tema emprego), Jogo Total (referente a esporte), Presságios (horóscopo, interpretação de
sonhos, etc), A Boa do Dia (eventos, festas ou sugestão de programas de televisão para
distração), Ronda Policial (matérias referente à editoria de polícia) e Classidiário (anúncios).
Entre as seções semanais estão “Caranga e Cia” e “Estrelas da Periferia” (ambos veiculados às
terças-feiras), Planeta Moto (publicado às quartas-feiras) e Informática Fácil (nas quintas69
Assuntos privilegiados serão analisados quando da avaliação dos títulos na seção Capas do Diário Gaúcho,
pertencente a este capítulo.
75
feiras) e Jardim do Diário (conteúdo infantil, veiculado nos fins-de-semana), Retratos da Vida
(perfil de morador da região de abrangência do jornal) e Carta da Redação (texto escrito pelo
editor-chefe enfatizando algum fato da semana).
Para interação com o público, há também espaços e canais específicos. As seções Fala,
Leitor”, “Página do Leitor”, “Clube dos Corações Solitários”, “Falando de sexo” e “Falando
de amor” desempenham a função de diferentes formas e são publicadas todos os dias, exceto
as duas primeiras, que não são veiculadas na edição de fim-de-semana.. No “Fala, Leitor”,
cartas e fotos de leitores, enquetes, textos sobre pessoas que buscam familiares ou amigos são
publicadas, além de um artigo sobre algum acontecimento em pauta. Já na “Página do Leitor”
são publicados o “Seu Problema é Nosso”, o “Meu sonho é.. Real!!!”, o “pede-se
providências”, o “meu sonho é...” e o “pergunte a quem sabe”’. O primeiro constitui-se de
reportagem feita mediante telefonemas e reclamações de leitores sobre problema de
responsabilidade pública o qual ainda não foi resolvido. Já o “Meu sonho é...” e o “Meu sonho
é.. Real!!!” são interligados. No primeiro, cartas de leitores são publicadas com os seus
desejos e, logo abaixo dele, um texto informa um contato do jornal para quem se disponha a
ajudar. O periódico faz o papel de intermediário do processo. No “Meu sonho é.. Real!!!”,
então, uma reportagem conta história de um sonho que foi atendido. Por fim, o “pergunte a
quem sabe”’ traz informações úteis como ortografia, remédios ou outros assuntos produzidos
por especialistas.
Em relação às seções que funcionam como canais diários de comunicação com o leitor
(veiculados inclusive na edição de final-de-semana) os assuntos tratados são mais amenos que
nas seções anteriores. O “Clube dos Corações Solitários” consiste na publicação de cartas de
pessoas em busca de um par. No “Falando de sexo”, o Dr. Batista responde à perguntas de
leitores, sem identificá-los no periódico. Já no “Falando de amor”, Isabella Fernandez publica
cartas sobre o assunto contento declarações ou procurando amores do passado, por exemplo.
Ela comenta os textos e dá conselhos.
A interatividade é citada no manual do jornal como um dos pilares editoriais do
periódico que, como foi especificado, destina páginas e seções específicas para atendê-los.
Segundo informações obtidas na redação, a editoria de Opinião, responsável pelo setor, recebe
cerca de 250 cartas por mês e cerca de 30 telefonemas ao dia. Neste sentido, é importante
lembrar que a interação com o público aprimorou-se, no que diz respeito ao modo de
76
comunicação, com o lançamento do novo site do jornal, no ar desde o dia nove de Setembro
de 2009, fato noticiado na capa do jornal da data 70.
Anteriormente,
o
veiculo
possuía página online somente com
conteúdo
estático
e
informações
reduzidas. O novo portal é mais
dinâmico e atualizado, além de, nele,
ser mais fácil achar informações. O
recurso online facilita a comunicação à
quem tem acesso ele, à medida que Figura 19 – Site do jornal Diário Gaúcho
concentra informações, possibilitando
Fonte: Site do Diário Gaúcho, 5 de junho de 2010
ao usuário pode completar o processo de interação sem precisar recorrer a outro meio (como
enviar reclamação através de formulário digital). Promoções também passaram a ser
divulgadas no site, sendo algumas exclusivas do meio online. Além de facilitar a
comunicação, o portal relaciona conteúdos de diferentes naturezas, como blogs sobre
diferentes assuntos produzidos por repórteres e colunistas do jornal e vídeos produzidos pelos
profissionais da redação. Há também um guia de serviços com informações como localização
do radar móvel, cálculo de tempo de contribuição para aposentadoria, direcionamento de onde
realizar boletim de ocorrência online, entre outros.
O conteúdo do jornal é veiculado no portal de forma parcial, tendo prioridade esporte,
entretenimento e assuntos factuais. Desta forma, nem todo o conteúdo do jornal impresso está
disponível online. No entanto, as reportagens ali publicadas se encontram na íntegra. O
material disponível no site engloba notícias publicadas no DG e também em outros veículos
pertencentes ao Grupo RBS, como Zero Hora e Clique RBS. O site pode ser visualizado de
forma integral, sem necessitar de login.
O núcleo de produção e elaboração do Diário Gaúcho tanto impresso, quanto online,
encontra-se na redação do jornal, situado no prédio do Grupo RBS, na sede da Av. Ipiranga,
em Porto Alegre. A equipe trabalha em pequenos núcleos em uma sala comum, os quais são
dispostos de acordo com as editorias ou função que desempenham: Polícia, Opinião, Dia-aDia, Esporte, Variedades, Online, Fotógrafos e Diagramadores. O trabalho, diferentemente do
jornal alemão, possui a figura de uma produtora, a qual organiza todo o trabalho dos
jornalistas do veículo impresso: define o fotógrafo que acompanhará cada repórter e organiza
70
A publicação pertence à amostra e será avaliada no subcapítulo 3.1 Capas do Diário Gaúcho.
77
os horários de realização das pautas. O objetivo é ter profissionais suficientes para realizar as
tarefas e também, não atrasar o fechamento do jornal.
No trabalho de atualização do Diário Gaúcho online atuam seis jornalistas, sendo uma
delas a editora do setor. Já a produção de conteúdo do jornal impresso envolve 14 repórteres,
dois sub-editores, oito editores, uma produtora, um editor-adjunto e um editor-chefe, além de
um gerente-executivo. Na equipe, encontram-se também quatro foto-repórteres e cinco
diagramadores. O trabalho na redação começa por volta das sete horas e, segundo Rozanne
Adamy, produtora do jornal, o Diário Gaúcho começa a trabalhar nas pautas do dia mais cedo
que o outro periódico do Grupo, a Zero Hora, que funciona no mesmo prédio. De acordo com
os dados coletados quando da visita da autora à redação do periódico 71, a rotina do Diário
Gaúcho funciona da seguinte forma:
7h – Produtora chega à redação. Ela precisa estar atenta às notícias veiculadas nos
meios de comunicação para pensar nas pautas a serem realizadas naquele dia e em possíveis
manchetes para o jornal do dia que virá. Além disso, ela olha sugestões de matérias,
reportagens que estão sendo realizadas e os assuntos que os repórteres já deixaram préagendados para aquela data. Assim, ela sabe exatamente quem pode escalar para os assuntos a
serem realizados naquele dia e em qual horário. Neste momento também, ela organiza a
agenda da data de forma a ter fotógrafos e repórteres disponíveis para os assuntos que
precisam ser cobertos. As pautas sofrem adaptações ao longo do dia, conforme necessidade.
8h - Começam a chegar os repórteres. Cada um tem um horário diferente, no entanto,
os primeiros a chegarem à redação são da editoria de Polícia. Eles saem para cobrir às pautas
de acordo com os horários organizados pela produtora. O deadline para finalização do texto é
flexível.
9h – Começam as chegar os repórteres da editoria de Dia-a-Dia e os das outras seções.
12h30min /13h – O primeiro diagramador chega à redação e a parte referente a
Variedades começa a ser diagramada. Os outros profissionais da seção também se apresentam
para trabalhar no transcorrer da tarde. O turno é destinado para o desenho das páginas que
tem anúncios fixos ou não possuem publicidade.
71
Vide Recorte Metodológico.
78
14h/ 15h – Reunião. Editor-chefe, editor-adjunto, produtora e editores das seções
conversam sobre as pautas do dia e pré-definem a capa do jornal. A reunião de segunda-feira é
mais demorada, pois avaliam a semana anterior e também pré-definem pautas para a seguinte.
Por isso, nesse dia, ela inicia mais cedo, por volta das 14h. Nos outros dias, a reunião começa
perto das 15h. O horário é aproximado. Aqui é definida a manchete do dia, porém pode ainda
haver mudanças.
17h – Primeira versão do espelho é disponibilizada. Assim, a equipe de diagramadores
pode começar a desenhar as páginas que ainda não foram trabalhadas. No entanto, o espelho
pode sofrer alterações depois desta versão. Ele é flexível de acordo com a necessidade do
jornal e do comercial. Assim, alguns detalhes podem, às vezes, ser negociados.
19h - Por volta deste horário começa o processo de revisão das páginas. Normalmente,
cada página é lida pelo editor correspondente e mais dois profissionais. Os repórteres trocam
as páginas entre si, revisando as reportagens uns dos outros.
20h – As páginas da edição são entregues ao editor-adjunto para revisão e aprovação.
Além dos horários e reuniões diárias acima descritos, os repórteres e editores de cada
seção fazem uma reunião própria por semana para pensar nos assuntos a serem trabalhados no
período. Neste momento, eles discutem temas e ganchos para as pautas, além de avaliarem o
que foi feito na semana anterior. Rozanne Adamy, produtora do jornal, afirma que é preciso
ter pautas pensadas para não ficar “refém do dia” e que isso é importante especialmente na
editoria de Polícia. Assim, as pautas são pensadas com certa antecedência e algumas são prédefinidas na reunião semanal realizada por cada editoria.
Desta forma, cada editor pesquisa assuntos para abordar no jornal durante a semana e
freqüentemente deixa outros pré-agendados, conforme já descrito. No entanto, cabe à
produtora organizar os horários e ver os assuntos factuais, aqueles que não podem ser
pensados previamente. Durante o dia, as pautas são debatidas pela produtora e editor-adjunto,
os quais dialogam também com editores e repórteres para ver o que está sendo feito e de que
forma está sendo abordado, as fotos produzidas pelos fotógrafos, etc.
É no momento da diagramação que os títulos de cada reportagem são definidos pelo
editor correspondente. No entanto, os repórteres podem também dar sugestões. A definição da
79
organização e desenho da página é, muitas vezes, definida em conjunto por diagramador e
editor responsável pela reportagem, porém só o primeiro trabalha na página. O repórter, autor
da matéria, não tem muita voz neste processo, somente o editor. Este último pode dizer mais
ou menos como pensa a página e discutir com o diagramador que, irá, então, executar o
desenho da página. É possível também o diagramador pensar e realizar o desenho e,
posteriormente, encaminhar para o editor responsável. A capa, no entanto, tem tratamento
especial. Ela é desenhada em conjunto pela editora de diagramação, o ilustrador (que trabalha
em setor externo à redação do jornal), o editor de fotografia, o editor-adjunto e o editor-chefe.
As chamadas são definidas pelo editor-adjunto quando do desenho da página.
Sobre os horários, assim como o trabalho nas pautas do dia começa mais cedo no
veículo popular do Grupo RBS, o periódico também fecha sua edição antes que o jornal
tradicional, a ZH. O fechamento da edição do DG ocorre normalmente por volta das 22h. O
periódico possui duas edições: a primeira vai para a região metropolitana e, a segunda, para a
capital. Esta última pode ser alterada até mais tarde.
Em relação às editorias para as quais os repórteres respondem, existe certa
flexibilidade: se ele tiver uma idéia boa ou precisar, pode ajudar em outra também. Além
disso, como forma de comunicação e integração de conteúdos entre os veículos do Grupo
RBS, todas as pautas do DG são repassadas pela produtora para os outros veículos da
empresa. Os outros jornais, rádios e meios televisivos procedem da mesma forma. Assim, é
possível ficar a par do que os outros estão produzindo e organizar-se com as reportagens.
Desta forma, assim como realizado em relação ao jornal alemão BILD Hamburg, esta
seção propôs-se a elucidar os processos produtivos do jornal Diário Gaúcho e descrever o
periódico, o qual é um dos objetos de análise desta monografia. Tendo em vista que trata-se de
uma comparação, é preciso conhecer ambos jornais sobre os aspectos relacionados na
metodologia de modo a viabilizar a análise. As informações acima relacionada tornam
possível uma análise específica das capas do DG, a seguir, tendo em vista que o objeto de
estudo e suas rotinas já são conhecidos.
80
4.1 As Capas do Diário Gaúcho
A primeira página é o espaço mais privilegiado em uma publicação. Ela chama a
atenção dos leitores e destaca os assuntos principais da edição 72. Da mesma maneira que o
realizado em relação ao jornal BILD Hamburg no capítulo anterior, as capas do periódico
Diário Gaúcho são agora foco de análise. A natureza comparativa desta monografia exige
avaliação semelhante de ambos os periódicos, sendo as capas do Diário Gaúcho dos dias 8 à
14 de Setembro de 2009 (exatamente as mesmas datas observadas no periódico alemão) o
foco deste subtítulo. O objetivo, da mesma forma que no subtítulo referente ao BILD
Hamburg, é estabelecer os assuntos privilegiados, através dos títulos das capas, e a identidade
do jornal, através de descrição do projeto gráfico.
4.1.1 Aspecto Gráficos
O logotipo do Diário Gaúcho
tem
forte
relação
com
o
tradicionalismo do Rio Grande do Sul.
As cores vermelho, amarelo e verde
são as mesmas da bandeira do Estado,
proporcionando identificação com o Figura 20 – Logotipo do Diário Gaúcho
espaço em ele que circula - o Rio
Fonte: Diário Gaúcho, 8 de Setembro de 2009
Grande do Sul- e, consequentemente, com os próprios leitores, que pertencem a esta região. O
nome do jornal também alude à identificação e bairismo, através do termo “gaúcho”. A
expressão refere-se aos habitantes do Estado, tendo também forte apelo tradicionalista.
Segundo o autor do projeto, Luiz Adolfo Lino de Souza 73, as cores foram escolhidas
de acordo com sua vibração, apelo de venda e função cultural. As tonalidades do logotipo são
também as principais do projeto gráfico, apesar de outras tonalidades também serem
contempladas no jornal (como roxo e azul), a fim de dar um carácter mais segmentado à
proposta.
Eu não tinha porque fazer um jornal com cores clássicas, cores sóbrias. Entre o
vermelho e o vinho, eu precisava ficar com o vermelho. Entre o amarelo e azul, eu
tinha que optar pelo amarelo. Eu também não podia fazer um jornal nem muito
vermelho nem muito azul, pela questão de Inter e Grêmio. Além disso, eu não queria
fazer um jornal muito vermelho pela coisa de ‘espreme sai sangue’. Então foi muito
fácil para mim, descartando o vermelho, azul, o vermelho e preto (do Extra), definir:
72
73
Vide Recorte Metodológico.
Em entrevista presencial à autora em 25 de maio de 2010.
81
as cores que vão identificar o jornal são as cores da bandeira do Rio Grande.
(SOUZA, 2010)
Assim como no periódico alemão, a tipografia escolhida para o logotipo- e, no caso do
DG, também para o projeto gráfico- foi a lapidária (ou bastão), a qual caracteriza-se pela
ausência de serifa e uniformidade, sendo indicada para textos curtos e visuais (Fernandes,
2003). Da mesma maneira que o BILD quando de seu lançamento, o DG não possui
assinatura. A escolha mostra-se, então, adequada, uma vez que a legibilidade característica da
família escolhida é propícia para venda avulsa em bancas e nas ruas. Entre as particularidades
do logo, é possível notar também certa inclinação nas fontes, acompanhando as linhas
vermelha e amarela em sua lateral esquerda (fonte em estilo itálico).
O preço, externo ao logotipo, é um item móvel, podendo estar junto ao nome do jornal
(vide figura 20) ou expresso em outro espaço, sempre na metade superior do periódico. A
informação é sempre indicada em fonte preta dentro do box oval de fundo amarelo com
contorno vermelho. O destaque do custo justifica-se, tanto pelo público-alvo (classes de baixo
poder aquisitivo, onde o preço representa fator de compra) como também pela característica
de venda. As informações de data estão localizadas sempre abaixo do logotipo, juntamente
com o local, ano, número e indicação de vínculo com o Grupo RBS. O logotipo do DG
localiza-se sempre no canto superior esquerdo, abaixo do banner do “Junte e Ganhe”, e, até os
dias de hoje, não sofreu alterações gráficas, tendo mantido sua identidade 74.
Sobre a capa, Souza comenta que ela é inspirada em um cartaz. Nela, há sempre um
título principal, em corpo maior que 80, ao qual se localiza próximo ao logotipo e abaixo dele,
ocupando toda ou quase toda largura da página (vide capas em anexo). A característica do
sublinhado, retirada do jornal BILD, permanece na primeira página do Diário Gaúcho e está
presente quase que diariamente no título principal, com exceções onde a manchete encontra-se
diagramada juntamente com uma imagem ou arte, como na capa do dia 8 de Setembro (em
anexo). Com exceção de quando há uma grande notícia, a capa apresenta em média de sete
títulos, não sendo obrigatório a foto dominante estar ligada à manchete principal. “Isso não
ocorre, inclusive, em jornais não-populares. Nem sempre, o fato mais importante do dia tem
uma imagem forte que possa ser capa de jornal.” (Souza 75, 2010).
A capa do DG possui excesso de estímulos e contrastes, da mesma que o BILD
Hamburg: cores, imagens, fios e boxes. É uma linguagem tipicamente popular, a qual difere
74
Apesar de não fazer parte da amostra, é importante destacar, como forma de atualização, que no ano de 2010
foi incorporado um retângulo vermelho com fonte em cor branca escrito “10 anos”, junto a letra “O” da palavra
Gaúcho, aludindo aos dez anos da publicação.
75
Em texto enviado à autora.
82
da de referência. No entanto, a capa do Diário Gaúcho não possui mistura de fontes e a
ausência de texto passa uma impressão de maior clareza do que no jornal alemão. A capa é
vibrante, colorida e apresenta somente fotos, títulos e chamadas. Não há texto de reportagem
na capa, sendo ela utilizada somente para chamar os assuntos. O tamanho tablóide influencia
também para a visualização, tendo em vista que o tamanho do jornal BILD contribui para
maior quantidade de pontos de foco de atenção. Na capa, os títulos são escritos em caixas altas
e baixas, porém as linhas de apoio vêm expressas normalmente em caixa alta, assim como as
manchetes que acompanham as fotos de celebridades. Souza afirma que o design gráfico da
página condiz com uma linguagem própria do público-leitor, gerando identificação:
Para se dirigir para a classe B, C e D tem que se fazer uma coisa poluída visualmente,
graficamente suja? Não, mas não vamos abrir mão de que essas coisas estão dentro do
universo das ruas, das casas e é uma linguagem. Há códigos no vestuário, há códigos
também no design. Eu acho que se eu buscasse um design limpo, clássico, talvez eu
não identificasse o jornal tanto com o público. (SOUZA, 2010)
Assim como no restante do jornal, as fotos recortadas estão presentes na capa: as
imagens femininas de celebridades apresentam quase sempre este recurso. Seu uso é uma
característica dos jornais populares e umas das influências do BILD na publicação. A técnica
permite maior flexibilidade de diagramação e ênfase nas figuras humanas:
As fotografias de jornais populares, também, priorizam rostos e imagens humanas,
em função de sua pauta estar focada em comportamento, celebridades, esportes e
fatos que envolvem pessoas. O recurso de recortar ou siluetar fotos favorece o foco
nesses rostos e permite uma diagramação variada com maior integração entre a
disposição de textos e imagens.Um ritmo mais agitado e vibrante é uma necessidade
de edição e diagramação de jornais que buscam um sensacionalismo gráfico que
integra a gênese desse tipo de publicação. (SOUZA, 2010 76)
A disposição dos elementos na capa não se adapta a uma colunagem fixa e há certa
flexibilidade em sua organização, dependendo dos assuntos do dia. Porém os espaços em
branco permitem visualizar as fotos e títulos com clareza e evidenciam as manchetes. Os
títulos são dispostos de modo a preencher todo o espaço a ele destinado. Há abuso de fios,
boxes e balões.
76
Em texto enviado à autora.
83
4.1.2 Títulos
Assim como realizado com a edição regional de Hamburgo do jornal BILD, a
categorização dos títulos do Diário Gaúcho evidenciou escolhas editoriais, estando aqui
também a “Variedades” na primeira posição. No
entanto, no DG, a editoria “Local” possui apenas um
títulos na capa a menos que a anteriomente citada, o
que demonstra que tem importância praticamente
análoga a ela. Dos 42 publicados nas capas dos dias em
análise (8 a 14 de Setembro de 2009), dez estão
relacionados à essa categoria, nove à Local, sete a
Polícia e Crimes e este mesmo número à Esporte (vide
Variedades
10
23,3%
Local
9
20,9%
Polícia e Crimes
8
18,6%
Esporte
7
16,3%
Emprego e Serviços
5
11,6%
Economia e Política
2
4,7%
Saúde
2
4,7%
Tabela 2 77 – Categorização dos títulos do Diário
tabela 2). Estas representam, desta forma, as editorias Gaúcho
mais privilegiadas na semana estudada, tendo Fonte: O autor (2010)
Empregos e Serviços, Economia e Política e Saúde menor destaque e importância na amostra.
O modo de tratamento dos títulos e os critérios à eles relacionados são agora foco de análise,
dividos nas respectivas categorias em que os títulos foram enquadrados.
4.1.2.1 Variedades
A editoria Variedades detém a maioria entre os títulos da semana, com dez deles.
Porém sua hegemonia é menor que no periódico alemão: além de nenhum de seus títulos ser o
principal das edições, no Diário Gaúcho, a categoria supera em apenas um título a editoria
Local. Variedades representa 23,3% dos títulos da amostra e evidencia-se com presença
garantida diariamente nas capas. Apesar de alguns títulos possuirem destaque iconográfico,
eles nunca constituem chamada principal da primeira página. Dos dez títulos da categoria,
metade refere-se a celebridades e o restante, a outros assuntos da seguinte forma:
Celebridades
08.09 - Olha só que bela tatuagem!
77
Os números foram arredondados, considerando-se, para isso, a segunda casa decimal: quando este algarismo
era maior ou igual a cinco, somou-se um a primeira casa decimal. Quando era inferior, ele foi apenas
desconsiderado
84
08.09 - (Estrelas da Periferia) O funk do Algarve!
09.09 - Playboy no ritmo da Gafieira
10.09 – Essa mulher é uma aventura
12.09 - Quase cinco décadas de glórias
Outros
10.09 - (Baita Show!) Daniel tem sede de romance
10.09 - Os leitores aprovaram! (evento de divulgação do site no mercado público)
11.09 - Are Baba, não perca o último capítulo
12.09 - (Diversão) Tem show do Daniel e JA especial
14.09 – Viver a Vida vem aí!
A partir da análise dos títulos de ambas as subcategorias, é possível perceber relação
deles com os seis valores- notícia associados por Amaral (2006) como típicos da imprensa
popular: capacidade de entretenimento, proximidade geográfica ou cultural do leitor,
capacidade de simplificação, possibilidade de dramatização, identificação (personalização) e
utilidade.
Na primeira subcategoria, as frases “Olha só que bela tatuagem!”, “Playboy no ritmo
da Gafieira”, “Essa mulher é uma aventura” e “Quase cinco décadas de glórias” remetem a
reportagens sobre as celebridades em questão, no caso, a atrizes Paula Barbosa e Juliana
Alves, a apresentadora Dani Monteiro e a modelo e atriz Luiza Brunet, respectivamente. Os
textos aludem à vida das celebridades em foco, com especulações sobre os próximos
trabalhos, depoimentos ou dicas de beleza. As notícias, além de capacidade de entretenimento,
possuem também possibilidade de simplificação, devido ao próprio tema, que por si só
mostra-se de fácil entendimento.
Outra característica que pode ser associada aos títulos citados é a proximidade cultural.
Todas as celebridades em questão encontram-se em evidencia no momento: duas estão
participando de novelas (Juliana Alves e Paula Barbosa), uma é apresentadora de programa de
esporte (Dani Monteiro) e, a outra, é matéria de revista sobre cuidados com o corpo naquele
mês (Luiza Brunet). Partindo da teoria, já apresentada quando da avaliação dos títulos do
BILD Hamburg, que a leitura de conteúdos referentes a celebridades cria certa intimidade
entre os leitores e os noticiados, o valor de proximidade cultural justifica-se. Sobre o assunto,
Pena (2002, p. 155) ratifica: “Se, no passado, era preciso ler a biografia de uma estrela para
85
conhecer passagens de sua intimidade que ela julgasse conveniente divulgar, hoje a biografia é
escrita diariamente na mídia”.
Dentre os títulos da subcategoria “Celebridades”, um foi excluído quando da avaliação
acima, devido a possuir peculiaridade, sendo ele: “(Estrelas da Periferia) O funk do Algarve!”.
A manchete relaciona-se a seção semanal que evidencia grupos que estão fazendo sucesso em
bairros ou regiões de circulação do periódico. São artistas ainda desconhecidos e que estão no
início de uma possível carreira, diferentemente dos outros personagens da subdivisão em
questão. Desta forma, como os outros títulos acima analisados, este possui também capacidade
de entretenimento, simplificação e proximidade cultural (música pertencente a cultura
popular). Porém, outras duas características podem ser aqui identificadas de forma mais
evidente: proximidade geográfica e identificação. Os artistas da categoria são locais,
pertencentes a ambientes e regiões do conhecimento dos leitores. Além disso, representam
pessoas comuns, gerando identificação ainda maior que a presente em celebridades em geral.
Sobre o assunto, Pena (2002, p. 155) afirma: “Mais do que se identificar, o espectador se vê na
figura da estrela instantânea. (...) A mídia cria um sentido de auto-semelhança”.
Nesse sentido de identificação, podem também ser incluídos os títulos referentes a
novelas, pertencentes à subdivisão outros: “Are Baba, não perca o último capítulo” e “Viver a
Vida vem aí!”. No Brasil, as telenovelas representam forte fator de projeção, como afirma
Maia (2007, p. 6):
Nesta era líquida-moderna, os meios de comunicação despontam como potentes
colaboradores do intrincado processo de construção identitária dos sujeitos,
fabricando em grande escala modelos para projeção e identificação. Neste contexto,
destacam-se as mídias audiovisuais, meio com poder suficiente para interferir no
inconsciente e no imaginário social, compondo cenários em que novas identidades também flutuantes - são apresentadas e defendidas.
Não é uma espetacularização da vida como no caso das celebridades, mas é momento
em que o espetáculo gera identificação com o dia-a-dia da população. As reportagens
relacionadas aos títulos apresentam, respectivamente, os acontecimentos a serem apresentados
no último capítulo da novela das 20h da Rede Globo Caminho das Índias e o início da
próxima, Viver a Vida, da mesma emissora. Assim, o entretenimento encontra-se também
intrinsecamente ligado a manchete. A capacidade de simplificação do fato pode ser percebida
pela própria natureza do tema, que constitui-se elementar. A dramatização dos fatos encontrase também evidente. Por fim, a proximidade cultural evidencia-se na popularidade das
telenovelas no Brasil.
86
Em relação aos títulos “(Baita Show!) Daniel tem sede de romance” e “(Diversão) Tem
show do Daniel e JA especial”, ambos constituem-se de anúncio de evento na cidade e estão
também diretamente ligados ao valor entretenimento. No primeiro, o foco encontra-se no
anúncio de show do cantor sertanejo Daniel na cidade, o qual interpretará repertório
romântico. A manchete remete à reportagem que anuncia a vinda do show para a cidade e
informa dados da venda de ingressos, local e outros. Já o segundo título, é também
relacionado ao cantor sertanejo, porém com foco também na edição especial do telejornal
regional JA (Jornal do Almoço) a ser filmada em ponto específico da cidade, apresentando
também dados sobre as atividades. Assim, ambas as notícias possuem - além dos valores
entretenimento, proximidade geográfica e cultural do leitor e capacidade de simplificação - o
fator utilidade, por apresentarem informações concretas e que podem ser úteis para os leitores.
O único título ainda não analisado constitui “Os leitores aprovaram!”, o qual refere-se
a evento de lançamento do site do próprio jornal, promovido pelo impresso em questão. A
notícia trata sobre o acontecimento realizado na região de circulação do periódico e, por
conseguinte, área próxima aos leitores, informando sobre a impressão deles para com o site do
Diário Gaúcho. Assim sendo, o título pode ser enquadrado nos critérios de personalização e
proximidade geográfica, além de capacidade de simplificação. A reportagem é a única que não
possui forte capacidade de entretenimento e mostra-se com certo grau de autopromoção do
próprio veículo.
Desta forma, a análise dos títulos permitiu constatar que todos eles vinculam-se a pelo
menos um dos critério citados por Amaral (2006) como característicos de meios populares.
Porém, eles podem ser relacionados também a outros valores, como notabilidade e novidade,
citados por Traquina (2008). Os títulos “(Estrelas da Periferia) O funk do Algarve!”, ‘Playboy
no ritmo da Gafieira”, “Essa mulher é uma aventura”, “(Baita Show!) Daniel tem sede de
romance, “Os leitores aprovaram!, “Are Baba, não perca o último capítulo”, “(DIVERSÃO)
Tem show do Daniel e JA especial” e “Viver a Vida vem aí!” representam novidade pela
revelação de evento, conteúdo televisivo, promoção de banda nova e por apresentar outra face
de artista. Já ao critério notabilidade, relacionado a proeminência dos personagens e
quantidade de pessoas envolvidas, podem ser relacionadas todas as notícias, por um motivo ou
outro.
Em relação a esta categoria, outro fator que merece destaque é o apelo sensual presente
em sete deles. A característica nem sempre pode ser percebida através da análise isolada dos
títulos, pois em algumas ocasiões, a relação com a foto é que revela a característica. No caso
de “Olha só que bela tatuagem!”, a foto evidencia a posição da tatuagem destacada na frase, a
87
qual situa-se na parte inferior das costas da atriz Paula Barbosa, próxima aos glúteos. Já em
“Playboy no ritmo da Gafieira” acompanhada de foto da atriz Juliana Alves, o termo Playboy
já carrega o sentido. O título “Essa mulher é uma aventura” vem expresso juntamente à foto
sensual da apresentadora Dani Monteiro e pode ser interpretado também em sentido figurado,
no sentido de namorar ela ser uma aventura. Na chamada “Quase cinco décadas de glórias”, a
atriz e modelo Luiza Brunet encontra-se também em pose sensual, tapando os seios com as
mãos. Assim como em Viver a Vida vem aí!, onde a atriz encontra-se de biquíni na capa do
jornal. No título “(Baita Show!) Daniel tem sede de romance” o caráter sensual encontra-se no
trocadilho realizado, o qual dá a impressão de que ele procura uma namorada ou companheira
e, no entanto, a reportagem refere-se ao repertório de seu show. A intensidade da característica
sensualidade vinculada a cada título é variada, de acordo com seu tratamento e imagem a ele
relacionada. Além dos já citados, é possível perceber também traços sensuais em “Are Baba,
não perca o último capítulo”, devido a imagem escolhida para a capa ser a de personagem de
apelo sensual, caracterizada por deixar parte do sutiã à mostra.
4.1.2.2 Local
A categoria menos privilegiada no BILD Hamburg é, no Diário Gaúcho, uma das de
maior destaque. A editoria “Local” possui nove títulos nas capas do período e detém 20,9% do
total deles. Além de ser a segunda mais privilegiada na semana avaliada, ela possui um dos
seis títulos principais da amostra: “(Defesa Civil está mobilizada para atender vítimas da
chuva) - Perigo de cheias deixa moradores em alerta”. Notícias relacionadas a esta categoria
são chamadas de capa diariamente no período analisado, como pode ser verificado abaixo:
08.09 - Alvorada e as suas crateras
09.09 - E ainda chamam isto de rua...
09.09 - (Chuva) Temporal deixou estragos
10.09 - Paradas sem identificação em Alvorada
10.09 -(Trânsito) Um gesto para garantir a vida
11.09- (Faixas de Segurança) Pedestre aprova idéia, falta só o motorista.
12.09 - (Defesa Civil está mobilizada para atender vítimas da chuva) - Perigo de cheias deixa
moradores em alerta
12.09 - A internet comunitária
88
14.09 - (Chuvarada) Apreensão com a cheia de rios
Em “Local”, o próprio nome da categoria relaciona-se a um critério de noticiabilidade:
a proximidade geográfica. As notícias referem-se a principal região de circulação do jornal, a
Grande Porto Alegre, espaço de moradia da maior parte dos leitores. Os assuntos retratados
nos títulos possuem em comum características como capacidade de simplificação, de
dramaticidade, e de identificação com os leitores. Além disso, pode ser relacionado a eles
também, o valor utilidade, de forma que, dos seis valores citados por Amaral (2006) como
típicos do segmento popular, apenas um não relaciona-se aos conteúdos: capacidade de
entretenimento.
Em relação a proximidade cultural e personalização, Amaral (2006) ressalta:
“O jornalismo caracteriza-se como popular quando se interessa pela vida das pessoas
do povo. Assim, um fato tem muito mais probabilidade de ser notícia se tiver
impacto na vida de uma pessoa comum e puder ser comentado por alguém do povo.
É frequente a personalização dos problemas e das soluções. Personalizar é dar um
caráter pessoal, definir um conjunto de parâmetros para que se atenda às exigências
de uma pessoa em especial.”
As notícias da categoria “Local” apresentam tal característica: retratam problemas
próximos do leitor, de onde eles vivem e também adjacentes à sua realidade e, muitas vezes,
utilizam os próprios leitores para evidenciar os problemas, agregando emoção e dramaticidade
às notícias. O fato é corroborado quando da análise dos títulos, imagens que os acompanham e
legendas presentes nas capas. Das dez manchetes da categoria, sete possuem fotografia na
primeira página (agregada ao título) e, dessas, três remetem já na capa à singularização e
personalização dos conteúdos. Em “Paradas sem identificação em Alvorada”, “(Faixas de
Segurança) Pedestre aprova idéia, falta só o motorista” e “A internet comunitária”, pessoas
comuns protagonizam a imagem e as legendas das chamadas de capa, sendo estas últimas as
seguintes, respectivamente: “Elemar Friedrich não sabe o número do ponto de ônibus que usa
diariamente”, “Kais Ismail estendeu o braço para o carro parar, mas não foi respeitado”, “A
casa de Viviane de Campos é um exemplo de como a rede é acessada na periferia”.
O jornal busca atrair o leitor através da apresentação na capa de pessoas semelhantes a
ele, configurando-se uma ordem peculiar de ênfase de conteúdo e captação da atenção do
público: por meio da singularização, captando “leitores através de leitores”. A característica
mostra relação com a apresentação dos fatos no antigo sensacionalismo, não referente ao
tratamento de conteúdo, mas em relação à hierarquização dele. De acordo com Genro Filho
(1989), neste segmento a notícia é apresentada de maneira diversa do que em um de
89
referência. O autor, ao questionar a tese da pirâmide invertida, afirma que um fato se torna
notícia (em qualquer segmento) devido ao seu aspecto singular. Para ele, o triângulo
eqüilátero evidencia “um equilíbrio entre a singularidade do fato, a particularidade que o
contextualiza e, com base nesta relação, numa certa racionalidade intrínseca que estabelece
seu significado universal.” (Genro Filho, 1989, p.191). Neste sentido, o sensacionalismo
constituir-se-ia de um triângulo isósceles, onde ocorre uma extrema singularização dos fatos,
em detrimento do contexto, com objetivo de provocar sensação, emoção:
Não é por acaso que esse tipo de jornalismo recebe o nome de sensacionalista. Se a
informação jornalística reproduz as condições de uma "experiência imediata", as
sensações têm um importante papel nessa forma de conhecimento. Aliás, o que o
jornalismo busca é uma forma de conhecimento que não dissolva a "sensação da
experiência imediata", mas que se expresse através dela. Porém, na singularização
extrema, isto é, no sensacionalismo, ocorre uma distorção do concreto através dos
seus aspectos sensíveis no contexto da percepção e da apropriação subjetiva. A
sensação assume um papel destacado na reprodução da realidade e o fundamento
histórico e dialético do fenômeno, ao invés de ser sugerido, é diluído na superfície
do sensível. (GENRO FILHO, 1989, p.197)
O autor corrobora, portanto, que esta personalização e hierarquização permitem uma
dramatização maior dos fatos: capta-se a emoção do leitor através da história daquele que
poderia facilmente ser seu vizinho ou amigo, é a valorização do “gente como a gente”. Genro
Filho atenta para também a extrema singularização dos fatos, porém, para estabelecer se essa
exacerbação realmente ocorre, seria preciso realizar análise profunda dos textos, os quais não
são foco desta pesquisa. O que é enfatizado aqui, com esta referência, é que a valorização do
leitor e do aspecto humano tem papel diferenciado do que na imprensa de referência, tendo
aproximação com o descrito por Genro Filho ao relacionar a hierarquização da notícia no
sensacionalismo. No entanto, talvez, o enfoque encontre-se em um espaço intermediário. Os
títulos evidenciam, desta forma, que o leitor tem papel de destaque, dando a eles um espaço
“rarefeito” na mídia de referência, como evidencia Amaral (2006, p. 67):
Ao conceder lugar para a fala dos populares, os jornais inovam porque no mercado
simbólico do campo jornalístico a manifestação popular tem uma tímida história de
inclusão nos jornais impressos, nos quais os lugares disponíveis para as falas se
relacionam à importância social, econômica e cultural das fontes.
O foco no leitor é um aspecto de relevância ao referir-se a jornais populares e ao
Diário Gaúcho: como citado anteriormente, o Gerente-Executivo, Alexandre Bach, afirma ser
esse um dos pilares do periódico, no sentido de eles pautarem os assuntos. A análise dos
títulos só vem a corroborar tal fato, evidenciando que a presença do leitor nas matérias, por
vezes, é destacada como parte principal da notícia, sendo sua imagem elevada à capa da
90
publicação e a sua história particular, a um ponto crucial de captação de leitores. A
personalização da história agrega também simplificação: explicar um acontecimento através
de exemplos práticos facilita o entendimento do que está sendo narrado e, acompanhado de
uma linguagem corriqueira, responde a uma forma de narração típica do jornalismo popular.
Assim, é importante ressaltar que as três notícias que possuem fotografias de leitores
na capa, evidenciam personalização e proximidade cultural agregada à identificação que
propicia. No entanto, os outros títulos apresentam igualmente características populares. A
personalização não é evidenciada na chamada de capa, porém a proximidade cultural
encontra-se vinculada à manchete à medida que ela trata de problemas pertencentes à região
de moradia da maioria dos leitores ou próxima a eles. Os títulos são todos diretos e claros,
com palavras simples e a maioria agregado à imagem que auxilia a compreensão: sete
possuem fotografias e, um, ilustração (“Um gesto para garantir a vida”). Desta forma, do
montante avaliado, somente um não é acompanhado de recurso iconográfico de caráter
ilustrativo. A característica permite, portanto, a relação do valor simplificação às notícias.
Por fim, a análise dos títulos permite relacioná-los a mais um valor típico do segmento
popular: a utilidade. As notícias dizem respeito a informações úteis para os leitores: algumas
de forma prática e imediata, e outras de caráter mais perene. Na primeira, relacionam-se sete
dos nove títulos desta categoria, sendo eles: Alvorada e as suas crateras”, “E ainda chamam
isto de rua...”, “(Chuva) Temporal deixou estragos”, “Paradas sem identificação em
Alvorada”, “(Faixas de Segurança) Pedestre aprova idéia, falta só o motorista”, “(Defesa Cívil
está mobilizada para atender vítimas da chuva) - Perigo de cheias deixa moradores em alerta”,
“(Chuvarada) Apreensão com a cheia de rios”. Nestas, as notícias relatam problemas que, ao
serem publicados, pressionam o poder público a sua resolução, como buracos em ruas e etc.
Além disso, há títulos referentes a problemas relacionados a eventos climáticos, e, nestes, as
reportagens informam números para emergências e dados referentes a números de pessoas ou
municípios atingidos.
Os títulos restantes - “(Trânsito) Um gesto para garantir a vida” e “A internet
comunitária”- dizem respeito a informações nas quais a utilidade tem caráter mais
permanente. No primeiro, o foco é o anúncio de uma nova campanha de trânsito, em que um
sinal facilitaria para o pedestre atravessar vias onde existe faixa de segurança, a fim de
diminuir índices de atropelamento. No segundo, o foco é a internet comunitária. Personagens
são utilizados para falar do assunto e os tipos de internet e locais onde é disponibilizado o
serviço gratuitamente são relacionados.
91
Em relação a critérios não-específicos de veículos populares, podemos relacionar
também o valor-notícia notabilidade, compilado por Traquina (2008). Ele relaciona-se aos
títulos pelo fato de ser tangível, atingir significativo número de leitores e também por, nos
casos de problemas públicos, constituírem uma falha, neste caso, referente ao poder público.
O valor novidade relaciona-se somente a um dos títulos: “Um gesto para garantir a vida”, o
qual refere-se à nova campanha a entrar em vigor na Capital.
4.1.2.3 Polícia e Crimes
A categoria “Polícia e Crimes” possui sete títulos na amostra e ocupa a terceira posição
na tabela que relaciona as editorias mais privilegiadas na semana avaliada. Os títulos
referentes a Polícia e Crimes constituem 18,6% do montante, sendo eles:
08.09 - (Ronda Policial) O terror dos bondes em Canoas
09.09 - (vítimas de assaltos relatam drama de conviver com o medo e a insegurança) Vida
marcada pela violência
10.09 - (Assaltante furta equipamentos de som de paróquias) Ladrão deixa igrejas sem voz
10.09 - Estudante baleado em escola
11.09 - (Faculdade também vira vítima de homem que furta microfones) Ladrão de Igreja
ataca outra vez
11.09 - Bando descarrega arma na Brigada
14.09 - (Ronda Policial) Assalto e morte em motel
14. 09 - (Ronda Policial) Protesto no Caso Franciele
É possível perceber que apenas uma edição do período avaliado não possui manchete
policial na primeira página do jornal: a do final de semana, referente aos dias 12 e 13 de
Setembro. A editoria “Polícia e Crimes” está presente na maioria das capas e, muitas vezes,
possui papel de destaque. Dentre os oito títulos aqui enquadrados, três são títulos principais:
“(vítimas de assaltos relatam drama de conviver com o medo e a insegurança) Vida marcada
pela violência”, “(Assaltante furta equipamentos de som de paróquias) Ladrão deixa igrejas
sem voz” e “(Faculdade também vira vítima de homem que furta microfones) Ladrão de Igreja
ataca outra vez”. O número é expressivo uma vez que cada edição possui apenas um título
considerado como principal, gerando um total de seis títulos no período analisado. Assim, a
92
editoria “Polícia e Crimes” detém 50% dos títulos principais da semana, fato que evidencia
que, apesar de menos numerosa que “Local” e “Variedades”, seu destaque na primeira página
foi mais expressivo. Segundo o gerente-executivo Alexandre Bach, pesquisas mostram que
esta é uma das editorias mais lidas do jornal, juntamente Esporte e a seção “O Que Há de
Novo”, que traz pequenas notas sobre notícias nacionais. O fato evidencia que a preferência
dos leitores é corroborada pelo jornal, que dá destaque à editoria em sua primeira página.
Os títulos enquadrados nesta categoria podem ser relacionados a cinco critérios
relacionados por Amaral (2006) à imprensa popular: proximidade geográfica e/ou cultural do
leitor, capacidade de simplificação, possibilidade de ser narrado dramaticamente,
personalização/identificação e utilidade. O primeiro pode ser a todos os títulos relacionados,
tendo em vista que as notícias relatadas acontecem nas imediações das moradias da maioria
dos leitores: a Grande Porto Alegre. A proximidade cultural também é evidente, uma vez que
a cidade de Porto Alegre teve cerca de 35 mil furtos, 350 homicídios e 20 mil roubos somente
no ano de 2009 (SIP/PROCERGS apud Secretaria de Segurança Pública) 78. A editoria
“Polícia e Crimes” relaciona-se a títulos referentes a reportagens sobre temas afins à violência
e criminalidade.
Já a capacidade de dramatização é evidente devido ao próprio tema aos quais os títulos
dizem respeito, da mesma forma que a capacidade de simplificação: narrar acontecimentos
pontuais sobre crimes e transgressão de regras não constitui tema de difícil entendimento e a
construção pode ser realizada de maneira linear.
Já a personalização pode ser observada em apenas um dos títulos: “(vítimas de assaltos
relatam drama de conviver com o medo e a insegurança) Vida marcada pela violência”. A
reportagem chama a atenção para transtornos pós-traumáticos partindo da narração do caso de
cinco pessoas. O artifício propicia identificação dos leitores com os fatos narrados, utilizando
situações particulares para falar de problemas gerais: os transtornos que podem sofrer pessoas
que passam por traumas. Os demais títulos remetem a crimes ou transgressões pontuais,
relatando o fato através de vítimas e autoridades, porém não caracterizam personalização, pois
constituem narração de evento em particular.
Em relação à utilidade, todos apresentam vínculo com a característica, mas de maneira
diversa. Na maioria delas (sete), a relação é meramente informativa e instantânea, fornecendo
descrição dos crimes e, quando o autor ou procedimento é recorrente (ladrão de igrejas e
bondes), descrição de como identificá-los. Na restante, “(vítimas de assaltos relatam drama de
78
Ocorrências cadastradas (delitos consumados) no RS, por município, até o dia 31 de dezembro de 2009.
93
conviver com o medo e a insegurança) Vida marcada pela violência”, a abordagem da
violência através do drama de cidadãos comuns traz à tona informações de uso público sobre
transtornos de estresse agudo e pós-traumático e locais para buscar ajuda gratuita ou em que o
pagamento é feito de acordo com a renda, fornecendo espécie de serviço no final da
reportagem.
Em relação a valores não vinculados especificamente à imprensa popular, o critério de
noticiabilidade infração (transgressão de regras) pode ser vinculado à maioria dos títulos,
excluindo-se somente deste critério “Protesto no Caso Franciele”, o qual se refere à passeata
em homenagem a jovem de 24 anos assassinada há um mês, com o intuito também de pedir
justiça. Já o valor conflito e controvérsia, que, segunda Traquina (2008) refere-se à violência
física ou simbólica, pode também ser relacionado aos títulos, excluindo-se a anteriormente
citada, referente ao protesto e a “Vida marcada pela violência”, devido ao foco da notícia não
estar na violência em si, mas no protesto contra o assassinato de Franciele e nos transtornos
que a violência causa nos cidadãos, respectivamente. Em “Assalto e morte em motel” o valor
morte pode ser também a ele relacionado.
4.1.2.4 Esporte
Conforme destacado anteriormente, o Esporte encontra-se entre as editorias mais lidas
pelos leitores do Diário Gaúcho e, assim como ocorre na seção de Polícia, aqui também sua
preferência é corroborada pelo jornal, que, diariamente, publica na primeira página títulos
referentes ao assunto. A categoria “Esporte” é a quarta mais privilegiada na primeira página
da semana avaliada, detendo 16,3% dos títulos da amostra. A editoria possui também um
título principal entre os seis da semana: “Ufa! Nasceu a vitória lá fora”, em relação a jogo
gremista. Os sete títulos da categoria são os seguinte:
08.09 - Como o Grêmio perdeu Leandro
09.09 - Guerra: Seleção joga para cumprir tabela
10.09 - (Eliminatórias - Copa do Mundo) Nilmar é o nome do jogo
11.09 - Seleção libera Sandro
12.09 - Vencer é o desafio da Dupla (Campeonato Brasileiro 2009)
14.09 - (Grêmio ganha do Náutico e fica pertinho do G4) - Ufa! Nasceu a vitória lá fora
14.09 - Colorado falha na hora H (2 Inter x 3 Cruzeiro)
94
Assim como ocorre no periódico alemão BILD Hamburg, no Diário Gaúcho há
também uma hegemonia de títulos referentes a futebol. As manchetes demonstram esta ser a
modalidade mais privilegiada na seção de Esportes. O acontecimento engloba uma série de
fatores como a popularidade da modalidade no país e a relação dele com a própria identidade
do povo. No Brasil, o futebol perpassa uma série de esferas:
“Estritamente regulado pela CBD, pela FIFA e pelas respectivas federações
estaduais, o “esporte rei” insere-se na sociedade brasileira, não apenas como uma
instituição social, mas também política, econômica e sobretudo cultural, no que se
refere a uma identificação com a nossa brasilidade.” (SANTOS E SILVA, 2006, p.
188)
Os títulos referentes a futebol possuem, portanto, forte proximidade cultural para com
os leitores, além de capacidade de entretenimento e possibilidade de simplificação. O esporte
possui quantidade de regras reduzidas, conforme citado quando da análise dos títulos do BILD
Hamburg, tornando o assunto em si facilmente compreensível. Além disso, a utilização de
figuras e imagens nas matérias serve de apoio à informação.
É importante também ressaltar que, devido ao futebol ter ligação com a cultura do país,
existe identificação para com a modalidade. Além disso, o esporte possui função não só de
entretenimento, mas também como uma válvula de escape dos problemas diários. Segundo
Lyra Filho (apud SILVA E SANTOS, 2006, p.189), “O povo brasileiro vale-se de um grande
jogo de futebol, por exemplo, para pôr em fuga os aperreios acumulados em sua vida
cotidiana”.
A dramatização é outro valor que pode ser relacionado aos títulos, no sentido de passar
sentimento e conceder grande importância ao fato. O futebol possui no Brasil forte apelo
popular e a emoção encontra-se intrinsecamente ligada a ele. Assim, os títulos traduzem, por
vezes, o possível sentimento dos torcedores em relação aos jogos, como na manchete: “Ufa!
Nasceu a vitória lá fora”, referindo-se a vitória gremista em campo adversário. A interjeição
agrega também característica oral ao título, gerando coloquialidade.
Outro fator que merece destaque é em relação aos times noticiados: do total, quatro
referem-se a Grêmio ou Inter (times locais) e três a Seleção Brasileira. A amostra reflete um
momento específico no futebol: Campeonato Brasileiro e Eliminatórias de Copa do Mundo.
Por este último justifica-se a significativa presença de notícias sobre a Seleção. Segundo o
editor-chefe do Diário Gaúcho, Cláudio Thomas, “o jornal tem uma cobertura intensa de
esporte, de quatro a cinco páginas por dia, com prioridade para Grêmio e Inter e demais
95
esportes, esporte amador com destaque principalmente para a questão do futebol de várzea.” A
amostra evidencia tal destaque dado aos times da dupla Grenal, oriundos da Capital e
pertencentes ao espaço de moradia da maioria dos leitores. A presença dos jogos da Seleção
justifica-se pelo momento estudado e pela mobilização cultural que existe em torno de jogos
com o time nacional.
Assim, em relação aos critérios relacionados por Amaral (2006) como típicos da
imprensa popular, apenas um não possui significativa ligação com os títulos: a utilidade. A
funcionalidade das reportagens encontra-se em âmbito informativo e sem relação prática e
direta, em relação a assunto fortemente ligado ao lazer e que, apesar de perpassar âmbitos
sociais, culturais e econômicos, não tem influência direta sobre o dia a dia da maioria dos
leitores, a não ser de modo lúdico, como evidencia Silva e Santos (2006, p.314):
Com um apelo comercial maior do que qualquer outro esporte, o futebol sai na frente
na defesa de determinado discurso de globalização que prega a organização da
sociedade voltada para o consumo de bens cada vez mais distantes das necessidades
humanas básicas e cada vez mais carregadas de valores simbólicos.
Por fim, os títulos podem ser relacionados a mais um critério, compilado por Traquina
(2008): a notabilidade. O esporte constitui assunto tangível, além de envolver milhões de
pessoas ao redor do mundo todo e também no Brasil: não só em relação a torcedores, mas
também funcionários, patrocinadores, etc:
“A FIFA possui um número superior a 193 países filiados. Nos quatro anos, entre
uma Copa e outra, dá treinamento e cursos para mais de 40.000 pessoas, financia
aproximadamente 1270 reuniões para 45 mil técnicos, envolvendo 200 milhões de
pessoas em todo o mundo.” (VOSER, 2006, p. 9)
Portanto, esta análise evidenciou que o destaque dado à modalidade futebol na
categoria Esporte no jornal Diário Gaúcho relaciona-se a critérios tipicamente populares,
como proximidade geográfica e cultural, capacidade de entretenimento, possibilidade de
simplificação, além de certo grau de dramatização. Além desses, o critério de notabilidade,
devido a envolver grande número de pessoas e ser tangível, relaciona-se também aos títulos.
96
4.1.2.5 Empregos e Serviços
A categoria “Empregos e Serviços” possui cinco títulos da amostra a ela relacionados,
o que representa 11,6% do total. São eles:
08.09 -(Comércio amplia quadros para o Natal) Há 8,6 mil vagas
09.09 - Conheça o novo site do Diário
09.09 - Mais de 630 ofertas de empregos
11.09- Mais de 600 ofertas de empregos
14.09- Agenda de chances da semana
Os cinco títulos acima relacionados podem ser vinculados a três valores notícias
tipicamente populares: utilidade, proximidade geográfica e simplificação. No que diz respeito
ao primeiro, as manchetes “Mais de 630 ofertas de empregos”, “Mais de 600 ofertas de
empregos” e “Agenda de chances da semana” constituem um serviço onde o trabalhador pode
visualizar as oportunidades e fazer contato caso alguma vaga ou curso lhe interesse. Nelas,
além de vagas em empresas privadas, são divulgados também a abertura de concursos
públicos e de cursos de qualificação gratuitos. O serviço não se mostra útil simplesmente para
aqueles que se encontram desempregados, mas também aos que almejam um trabalho melhor.
As vagas de emprego constituem utilidade direta e imediata, porém os cursos configuram uma
utilidade mais perene. No entanto, os títulos evocam a primeira, vinculando-se a uma utilidade
prática. As informações contemplam também o valor notícia simplificação, sendo os títulos
escritos de forma direta e enfatizando o objetivo do conteúdo. Internamente, as oportunidades
são apresentadas em itens, boxes e fios, além da página possuir ilustrações, facilitando o
entendimento e visualização.
Em “(Comércio amplia quadros para o Natal) Há 8,6 mil vagas”, título principal do dia
08 de Setembro, o destaque é o mesmo que nas anteriores (enfoque no título para as vagas de
emprego), porém o conteúdo e sua apresentação são diversos. O texto constitui de reportagem
com dados e personagem (personalização) e não meramente informação de vagas e requisitos,
apesar de o título aludir somente às vagas. Assim, não há apresentação de vagas, mas
estimativas de números de pessoas a serem contratadas na época e dicas de como preparar-se e
comportar-se quando da seleção, além de informação sobre curso de qualificação gratuita. Tal
divulgação de formas de aperfeiçoamento ocorre também em “Agenda de chances da
semana”.
97
Ao divulgar cursos de qualificação e dicas, a informação torna-se mais perene e de
utilidade mais ampla, trazendo para o jornal informações que podem ajudar na ascensão
profissional dos leitores. Em contrapartida, o título “Conheça o novo site do Diário”, possui
utilidade restrita e específica estando vinculado principalmente a uma esfera comercial, no
sentido de autopromoção do novo meio recém integrado ao periódico.
Todos os títulos só mostram-se pertinentes uma vez que se encontram próximos
geograficamente dos leitores, dizendo respeito ao lugar onde vivem a maioria deles. Assim, é
possível vincular também o critério proximidade geográfica a eles. Em relação aos critérios
não vinculados especificamente à imprensa popular, o valor-notícia novidade pode ser
vinculado a todos eles: no caso do site, o motivo é evidente, o lançamento do portal; nos
outros, a novidade encontra-se nas vagas, que modificam-se todos os dias, sendo novas
anunciadas. O valor notabilidade relaciona-se também aos títulos devido a envolver grande
número de pessoas.
4.1.2.6 Economia e Política
A categoria “Economia e Política” tem espaço pouco expressivo nas capas da amostra
do Diário Gaúcho. Nenhum dos dois títulos é o principal de alguma das edições da semana.
As duas manchetes, juntas, representam 4,7% do total dos títulos analisados, sendo elas:
11.09 – (25%) Cai o imposto para sacoleiros
11.09- Pedido de impeachment de Yeda
O critério de simplificação pode ser vinculado a ambos os títulos. As notícias
anunciam de forma direta e clara o que está expresso na reportagem e, internamente,
simplificam o conteúdo através de itens e boxes. O valor utilidade também encontra-se a eles
relacionados, porém de maneira diversa: o primeiro representa conseqüência já consumada
para o grupo de leitores que busca mercadorias no Paraguai para comercializar; já o segundo
apresenta utilidade de âmbito informativo, tendo em vista que noticia uma possibilidade e não
um fato consumado. Os títulos vinculam-se também ao espaço geográfico dos leitores e
imediações, sendo o título referente ao imposto justificado também devido ao Rio Grande do
Sul fazer fronteira com o Paraguai.
98
Em relação a critérios não especificamente vinculados às notícias publicadas na
imprensa popular, os valores de notoriedade e notabilidade podem ser relacionados ao título
“Pedido de impeachment de Yeda”. O primeiro, segundo Traquina (2008) diz respeito a
notoriedade do ator principal, no caso, à governadora Yeda Crusius. Já o segundo pode ser
vinculado à notícia devido à quantidade de pessoas a que essa informação diz respeito, ou
seja, diretamente a todos os cidadãos do Rio Grande do Sul, além disso, o fato representa uma
quebra do normal, do usual.
4.1.2.7 Saúde
A categoria “Saúde” possui o mesmo número de títulos que a anterior: Economia e
Política. As duas manchetes aqui enquadradas, representam, juntas, 4,7 % do total de títulos
da amostra. São elas:
09.09- Dr. Batista: bem juntinho dos leitores
12.09 -(Guaíba) Portas fechadas para os bebês
O primeiro título refere-se à ampliação para o universo online da coluna sobre sexo
que é publicada diariamente no jornal. O título relaciona-se a expansão da comunicação com
os leitores da coluna “Falando de Sexo”. O título tem característica meramente informativa e
sua utilidade é restrita a uma informação pontual: a ampliação da coluna no mundo online,
através de blog. A notícia vincula-se principalmente a uma esfera comercial, sendo
autopromotiva de um recurso relacionado ao site do jornal. O critério novidade pode ser
relacionado ao título.
Já a segunda manchete remete à reportagem. O título mostra vínculo com valoresnotícias relacionados ao segmento popular como: proximidade geográfica, utilidade e
identificação (personalização). A localidade da notícia pertence à Grande Porto Alegre,
principal local de circulação do jornal, mostrando a proximidade geográfica existente. Em
relação à utilidade, a notícia é uma denúncia informativa sobre o hospital de Guaíba que não
está realizando partos. A reportagem tem utilidade para todas as mulheres que utilizam o
serviço e sua utilidade é direta e imediata.
Outro valor que merece destaque é a personalização. Assim como ocorrido em outras
reportagens da categoria “Local”, o título é acompanhado na capa de foto de duas mulheres
grávidas que não puderam ter seus filhos no hospital de Guaíba. A legenda evidencia o
99
destaque para as leitoras: “Jaqueline de Freitas (E) e Angélica da Silva terão de dar à luz na
Capital”. O destaque demonstra a singularização e captação de leitores através de outros
leitores. A singularização e dramatização permitem também certo grau de dramaticidade.
Em relação aos critérios não relacionados especificamente aos veículos populares, o
valor notabilidade pode ser à notícia relacionado, uma vez que envolve grande número de
pessoas: todos àqueles que utilizam o serviço de maternidade do hospital, o qual atende a
cidade de Guaíba e municípios vizinhos.
100
5 Conclusão
As semelhanças entre as publicações não se encontram somente no âmbito do
planejamento gráfico (diagramação), mas estão conectadas intrinsecamente à proposta delas e
ao momento em que surgiram. Os pontos de identidade entre a filosofia do BILD e do Diário
Gaúcho evidenciam-se no destaque de determinados aspectos ao apresentarem-se quando de
seu lançamento. Entre eles, merece atenção a relação de sua produção com o cumprimento de
“missão para com os leitores”, o qual propicia sentimento de companheirismo e confiança
entre os jornais e seu público, característica que possui maior destaque em publicações do
segmento popular. Outro aspecto que merece destaque encontra-se no fator inovação
(diferenciação frente aos outros jornais no contexto em que se encontravam) e o destaque ao
custo do periódico, que busca evidenciar o caráter popular da publicação, ou seja, a sua
relação com as massas, transmitindo a idéia de um jornal acessível a todos através do preço e
da linguagem utilizada.
Em relação ao contexto histórico, apesar das publicações nascerem em épocas e
espaços geográficos diversos, o momento (em âmbito nacional) pelo qual passavam os países
assemelha-se. O BILD nasce em uma conjuntura de pós- guerra, após momento de opressão
Hitlerista. O período é de reconstrução material e social, reorganizando-se a sociedade e as
fronteiras, em um país que, como conseqüência da guerra, encontrava-se dividido. Nasce,
assim, de modo muito propício, uma publicação que deseja ser como o sabor de “um pedaço
de vanila de manhã cedo”. Ou seja, era uma publicação de leitura leve, que estruturava as
notícias através de fotos e que tinha como tema central o entretenimento.
No Brasil, o período de nascimento dos jornais populares do estilo do Diário Gaúcho
inicia-se em 1990, cinco anos após o final da ditadura no país. Nacionalmente, da mesma
forma que no contexto alemão, o país vive um momento de reconstrução (aqui apenas de
cunho social e político), de reestruturação de uma democracia e direitos dos cidadãos. A
ascensão deste segmento de jornalismo no Brasil, do qual o DG faz parte, processa-se em um
cenário semelhante ao do nascimento do BILD, uma vez que ambos situam-se em momento
de reestruturação social e política.
As publicações brasileiras, além do entretenimento tinham seu foco no leitor. Ou seja,
sua participação era intensa e evidente. Após um momento de opressão, o fato tinha
importância crucial. No caso do DG, apesar de seu lançamento acontecer em 2000, os fatores
ainda relacionam-se da mesma forma, visto que seu nascimento foi também resultado de uma
conjuntura de ascensão deste segmento de publicações em âmbito nacional. O jornal prega
101
uma participação popular de uma maneira que era inexistente no Estado, tendo os leitores
espaço inclusive na capa, conforme analisado. As publicações evidenciavam-se, assim,
propícias da mesma maneira que na Alemanha. Uma leitura leve, com possibilidade de
expressão e espaço para aqueles que estiveram às margens da sociedade midiática e, ainda,
sem possibilidade de expressão devido a um regime autoritário. Ambos os jornais pregam o
acesso à informação a todos, através de textos simples e compreensíveis, dando espaço e
atenção a uma classe que vinha sendo subjugada.
Além disso, é importante destacar a função lúdica e auto- explicativa das imagens e
fotos. A grande quantidade de recursos iconográficos em ambos os jornais remetem a um
“jornal televisivo”. O BILD define-se inclusive como uma resposta impressa à televisão. Ele
previne-se ao novo meio logo no início de seu processo de desenvolvimento (seu lançamento).
No Brasil, essa resposta à televisão talvez tenha chegado depois, com os jornais populares. Os
periódicos impressos de referência não tinham grande espaço entre as massas. A televisão, no
entanto, sempre ocupou lugar de destaque nas casas, mesmo entre as pessoas com menor
poder aquisitivo. Essa relação do jornal e imagens, possivelmente foi um fator que gerou
identificação no Brasil, e conseqüente maior popularização do meio. O abuso de fotos e
entretenimento trazia as publicações para um universo próximo de seu leitor, que já possuía
intimidade com a apresentação do conteúdo aliada a imagens no meio televisivo.
Em relação aos conceitos que permeiam as publicações (sensacionalista e popular), é
possível afirmar que eles não são totalmente independentes e diferentes. Ambas as expressões
referem-se a impressos destinados às massas, diferindo-se em seu tom destes e no julgamento
de valor agregado aos conceitos. Ao sensacionalismo estava relacionado abuso de violência e
sangue, entre outras abordagens pejorativas. A expressão vinculava-se também a um
preconceito de valor empregado pelas elites (burguesia) às publicações destinadas às massas.
O uso do termo popular justifica-se, portanto, devido à adaptação destas publicações, que não
se valem mais de sangue e cadáveres para agregar leitores. O limite, porém, entre
sensacionalismo e popular é tênue, uma vez que o popular tem nuances (características) do
antigo sensacionalismo (fotos e manchetes grandes), mas sem abuso de sangue ou descrições
desnecessárias de crimes. No entanto, o segmento popular não é totalmente novo, mas uma
readaptação de um modelo antigo. A nova nomenclatura justifica-se pelo abandono de um
preconceito e julgamento de valor prévio, o qual estava intrinsecamente ligado ao
sensacionalismo, mas não ao ineditismo da fórmula. As alterações da sociedade ocorrem de
forma lenta e suas modificações acontecem à medida que uma idéia passa a ser considerada
antiga, como afirma Hoggart (1975, p.10 e 11):
102
As alterações dos comportamentos processam-se, na maioria dos aspectos da vida
social, com grande lentidão. As atitudes novas são incorporadas noutras já
existentes, parecendo, por vezes, à primeira vista, formas das atitudes ‘antigas’ que
receberam uma nova aparência. Os indivíduos vivem assim simultaneamente e sem
dificuldades aparente em ‘climas mentais’ diferentes. (...) O que tem como resultado
que as perspectivas contemporâneas sejam aceites apenas na medida em que é
possível identificá-las parcialmente com atitudes ‘antigas.
Conclui-se, então, que a adoção de um termo novo para caracterizar os termos
justifica-se em âmbito social e de valor a ele agregado, para que estas publicações possam ser
estudadas e lidas sem julgamento prévios, buscando também exterminar lentamente o
preconceito vinculado às publicações para as massas. Tais impressos possuem, sim,
características provindas das massas e sustentam-se justamente por que dizerem respeito a
elas.
Além dos fatos acima, a análise específica das capas possibilitou relacionar outras
inferências aos jornais e seus títulos. As capas evidenciaram peculiaridades do jornalismo
popular do BILD Hamburg e do DG e permitiram conclusões no que diz respeito ao
tratamento de temas e também aos assuntos privilegiados nas publicações, as quais são
elucidadas abaixo. Foi possível estabelecer relações também ao contexto de publicação dos
jornais e ao modo de abordagem das notícias a ele relacionados.
Em relação aos aspectos gráficos, verificou-se que o logotipo do BILD Hamburg e
Diário Gaúcho representa forte identidade para ambos os períodicos, não tendo eles, por isso,
sofrido mudanças de grande porte no decorrer de sua história. A importância do recurso
gráfico relaciona-se à própria imagem do jornal, mas possui ainda mais relevância uma vez
que ambos possuem somente ou basicamente venda avulsa 79.
A diagramação das capas dos jornais assemelha-se, o que explica-se, uma vez que o
DG foi inspirado em jornais europeus do segmento popular, entre eles o BILD. Além disso,
através da análise gráfica foi possível concluir que os periódicos adequam-se a sua proposta
popular, tendo cores fortes e vibrantes, além de tipografias e diagramação que dizem respeito
ao público ao que se destinam. A diagramação dos jornais mostra-se desorganizada e com
apelos visuais que deixam o leitor sem saber para onde olhar, porém o fato condiz com
característica de periódicos populares, como o BILD. Sobre isso, afirma García (2009,
tradução nossa),
79
O jornal BILD Hamburg possui assinatura, porém, conforme os dados apresentados no capítulo da referida
publicação (Capítulo 2- BILD Hamburg), o número é pouco expressivo se comparado às vendas avulsas. Já o
Diário Gaúcho não possui assinatura.
103
[...] bom design é aquele que é apropriado para o meio e audiência para o qual ele é
pensado. Com essa definição, ninguém faz isso melhor que o BILD, e
consistentemente, o que é importante. Eu chamo, o que esse pássaro exótico e
colorido na forma de um jornal faz, de ‘caos sistemático’, com continuidade visual e
surpresas por todo o lado.
A diagramação do Diário Gaúcho, inspirada em jornais como o BILD, é também
adequada aos seus leitores e condiz com a proposta editorial do jornal. Foi possível concluir
também que as cores do periódico gaúcho remetem a identidade do próprio povo, além do
estilo de diagramação estilo cartaz dizer respeito à cultura das ruas.
A análise dos títulos evidenciou sua estreita relação com valores notícias
caracterizados por Amaral (2006) como tipicamente populares, tais como: capacidade de
entretenimento; proximidade geográfica ou cultural do leitor; capacidade de simplificação,
possibilidade de ser narrado dramaticamente; capacidade de identificação dos personagens
com os leitores (personalização) e utilidade. Porém, percebeu-se também que outros critérios
podem ser relacionados às notícias como morte, notoriedade, novidade, notabilidade, inversão,
falha, excesso/escassez, inesperado, infração, entre outros. A relação com os critérios
relacionadas ao segmento popular está presente de forma mais ampla e significativa nos
periódicos, mostrando-se mais intrínseca neles, porém a relação com outros critérios também
mostra-se presente e evidente.
Outra característica que merece destaque é o vocabulário utilizado nas manchetes, as
quais, muitas vezes, possuem marcas de oralidade, como: pontuação, letras repetidas
(evidenciando emoção ou grito) e interjeições. Assim, através da análise e da própria
descrição do texto pelos respectivos editores, conclui-se que, embora ele seja lido, o mesmo
conserva características da difusão oral, propiciando proximidade cultural com o universo dos
leitores e informalidade aos periódicos, além de gerar identificação do público para com os
jornais. Através destes recursos gramaticais, cria-se certa sensação de companheirismo e
amizade com os leitores, característica que começa a ser construída quando da apresentação
dos jornais ao público através de seus textos e anúncios. A característica faz parte da proposta
dos jornais.
A compilação dos títulos revelou prioridades e escolhas por parte dos periódicos. A
capacidade de entretenimento (valor-notícia principalmente vinculado aos títulos das
categorias “Variedades” e “Esportes”) possui maior destaque. Mesmo que sua proeminência
na capa (por meio dos títulos principais) não seja análoga em ambos os jornais, visto que o
DG não possui títulos principais pertencentes à categoria Variedades, e que BILD Hamburg
104
não possui relacionado a “Esportes”, é possível perceber que o entretenimento constitui um
dos pilares do jornalismo popular do BILD Hamburg e do Diário Gaúcho.
Entre as editorias com destaque em ambos periódicos, pode-se evidenciar Variedades,
a qual tem maior proeminência no BILD Hamburg, mas possui também forte presença no DG.
Além dela, as categorias “Polícia e Crimes” e “Esportes”, se sobressaem nos dois jornais em
análise, sendo estas, no entanto, com maior destaque no Diário Gaúcho.
A amostra evidencia também que a editoria “Local”, de grande importância para o
Diário Gaúcho, é raramente citada na capa do BILD, evidenciando uma diferenciação editorial
entre os jornais. Assim como a importância dos assuntos de “Economia e Política” também se
mostra diferenciada no período avaliado, refletindo um momento de eleições na Alemanha,
mas também características dos jornais no modo de tratamento dos temas. Percebeu-se
também que os títulos, em sua maioria e independente de a qual editoria relacionam-se,
evidenciam aspectos práticos, tendo forte ligação com o valor notícia utilidade, mostrando-se,
por vezes, prática e outras, informativa.
A análise permitiu também identificar enfoques e aspectos evidenciados nos títulos,
demonstrando o tratamento a eles despendido. A presença e ênfase do aspecto particular, da
história do leitor, na capa do Diário Gaúcho é um ponto que merece destaque. O DG é um
jornal de leitores inclusive em sua capa, um jornal de rostos. As notícias são exemplificadas e
destacadas, por vezes, através das histórias deles, com imagem e legendas a eles relacionadas
na capa do jornal. Esta característica foi percebida, no DG, principalmente na categoria
“Local”, mas também em outras. Já no BILD Hamburg, a presença de leitores na capa se dá
unicamente a partir da seção BILD-Girl e BILD-Boy, sendo a feminina, conforme citado neste
trabalho, muito mais abrangente. No entanto, essa participação dos leitores na capa tem valor
pecuniário agregado e não constitui reportagem, mas uma entrevista pingue- pongue de cunho
sensual e apelo sexual, destinando os jornais espaços diferenciados a seus leitores na primeira
página.
O destaque da categoria Variedades evidenciou uma semelhança editorial entre os
periódicos. Porém, é importante ressaltar que sua proeminencia é ainda maior no periódico
alemão, que possui títulos principais referentes ao assunto, além de maior quantidade deles, os
quais representam quase um terço das notícias da amostra. Outro ponto que merece destaque é
a ligação de grande parte das notícias aqui relacionadas à amor 80, sexo e/ou sensualidade.
Nove dos quatorze títulos da categoria referente ao BILD Hamburg e sete, dos dez do DG,
80
Amor aqui se refere ao sentido romântico e, não, fraternal.
105
enquandram-se nesta premissa. Percebe-se que este constitui aspecto característico de ambos
os periódicos, porém com uma diferenciação no tom utilizado e na forma de abordagem. No
periódico brasileiro, a sensualidade encontra-se relacionada ao títulos, mas o aspecto sexual
não possui referência direta. A sensualidade no Diário Gaúcho evidencia-se através de
imagens de celebridades ou títulos alusivos ao assunto, porém de modo mais sutil que no
jornal alemão.
No BILD Hamburg, o apelo sensual e sexual relaciona-se também a imagens e/ou
títulos, porém é recorrente no jornal fotografias femininas com seios a mostra. A seção BILDGirl tem o topless como característica, além das perguntas relacionadas à sexo. Por vezes, há
também celebridades representadas da mesma maneira na primeira página.
Assim, além do fator sensualidade, percebeu-se que a representação da mulher de
maneira sensual constitui característica das publicações. A presença da figura feminina
seminua é recorrente e amplamente utilizada pelos periódicos, respeitando as devidas
proporções. O grau de sensualidade e apelo sexual possivelmente relaciona-se ao contexto
social e cultural em que as publicações encontram-se. A ausência de topless, proibido no
Brasil, propicia maior conservadorismo em relação a exposição dos seios femininos. Já na
Alemanha, onde a prática é permitida e amplamente realizada, inclusive em parques, a
exposição da imagem do busto feminino possivelmente seja vista com outros olhos.
Além disso, a cidade de Porto Alegre, pelo clima mais frio que no restante das capitais
do país e pela inexistencia de praias, propicia também que a exposição do corpo seja menos
frequente, sendo a população menos acostumada a tal exposição que no restante do país. O
próprio Diário Gaúcho foi pensado de modo a responder ao conservadorismo peculiar do
estado, como comenta Bach, gerente-executivo do jornal ao falar sobre o planejamento do
periódico: “Ao pensar o jornal, a gente conhecia algumas coisas do gaúcho. As pessoas
tendem a achar que nós temos uma visão moderna, mas somos ainda muito conservadores.” O
DG foi pensado de modo a ser um jornal que respeitasse as particularidades do gaúcho e fosse
um periódico que entrasse nas casas das pessoas. Assim, a diferenciação do apelo sensual
possivelmente responde ao contexto social e cultural em que situam-se as publicações. A
forma de abordagem é diverso nas publicações adequando-se ao ambiente em que circulam.
Por fim, concluiu-se que a ampla presença das celebridades propicia intimidade e
identificação dos leitores para com elas. Os periódicos analisados recriam, através das estrelas,
um senso de comunidade entre o público e as personalidades retratadas. Ao saber da vida das
celebridades, os leitores têm a sensação de tornarem-se íntimos de seus passos, como amigos
ou pessoas próximas a elas.
106
Já a categoria “Local” evidenciou significativa diferença editorial entre os periódicos.
Através da análise, percebeu-se que, até devido ao fato do BILD Hamburg constituir edição
regional do periódico de circulação nacional BILD, a ênfase na capa aos assuntos locais
encontra-se, por ele, relegada. O BILD Hamburg evidencia, então, sua amplitude nacional na
capa e, apesar de ser uma edição regional, o destaque para as notícias locais é inexistente.
A grande característica do jornalismo popular brasileiro não tem o mesmo destaque no
periódico alemão em análise. No DG, a categoria “Local” possui um título principal e, em seu
somatório, é superada em apenas um título pela editoria “Variedades”, o que demontra que o
“Local” tem destaque e privilégio praticamente igual ao da outra categoria. Os jornais do
segmento popular no Brasil, como o Diário Gaúcho, possuem a ênfase ao regional como uma
peculiaridade, conforme destaca Amaral (2006) ao descrever as publicações brasileiras do
segmento: “(...) São jornais que atendem às regiões metropolitanas, apostam nas editorias
Cidades e dificilmente se tornarão nacionais”. Tal descrição não condiz com a publicação
alemã, constituindo diferença editorial importante.
As capas de um jornal, por constituirem espécie de “janela” de seu conteúdo, destacam
os assuntos de cada edição. Assim, por sua vez, refletem também o período e as notícias em
pauta naquele momento, as quais pertinem a seu contexto de circulação. As edições do BILD
Hamburg pertencentes à amostra, evidenciam assim, período pré-eleitoral no país, porém, ao
analisar as notícias que possuem destaque (títulos principais) apenas metade delas (duas)
relaciona-se a política, sendo as outras duas ligadas à economia. Assim, apesar de o período
eleitoral influir no maior destaque ao assunto, percebe-se que títulos relacionados à
“Economia e Política” possuem por si só mais destaque que no jornal brasileiro Diário
Gaúcho. O DG apresentou apenas duas notícias relacionadas a esta editoria durante a semana
analisada, evidenciando esta não ser uma editoria de grande destaque no periódico.
O aspecto político e econômico em destaque justifica-se também em relação ao
contexto de circulação do periódico alemão, pois Hamburgo é uma cidade-estado, possuindo
grande importância política. O destaque da categoria evidencia outra diferença editorial, sendo
ela um dos pilares do BILD Hamburg, mas não constituindo, da mesma forma, editoria
privilegiada do Diário Gaúcho.
Assim, o conteúdo político, que representava a base dos antigos jornais
sensacionalistas brasileiros, hoje são conteúdo de pouco destaque no Diário Gaúcho, que
possui apenas dois títulos relacionado ao tema na semana analisada: um
de conteúdo
econômico, dizendo respeito ao público-alvo do jornal e, o outro, relacionado à política, sobre
assunto de grande repercussão. Percebeu-se também que o asunto política tem tratamento
107
peculiar pelo jornal BILD Hamburg, que faz uso de promoções e personalidades para
incentivar os leitores a votarem por exemplo.
A editoria de “Polícia e Crimes” tem importância semelhante nos dois jornais, porém a
análise evidenciou que no jornal brasileiro, ela tem maior destaque, já que ele possui três
títulos principais relacionados ao assunto na semana analisada, e o jornal alemão, nenhum. O
Diário Gaúcho possui também maior quantidade de títulos desta categoria na amostra. Assim,
apesar de ambos possuírem percentuais semelhantes de títulos relacionados ao assunto, foi
possível concluir o maior destaque dado à categoria pelo jornal brasileiro.
No entanto, o tratamento deste tema nos periódicos é diverso, trazendo, certas vezes, o
BILD Hamburg, descrição mais detalhada e ênfase desnecessárias a aspectos brutais dos
acontecimentos em seus títulos, característica presente em dois dos seis da amostra. Em ambos
os periódicos, as notícias desta categoria tem relação principalmente com valores-notícia
como infração e dramatização. Percebe-se também que, no Diário Gaúcho, elas relacionam-se
ao espaço geográfico próximo do leitor e, no BILD Hamburg, este espaço encontra-se mais
ligado, principalmente, ao nacional, e não ao regional.
O Esporte, relacionado principalmente ao critério de capacidade de entretenimento,
possui significativo espaço em ambas as capas. Os títulos da amostra tratam exclusivamente
de futebol, evidenciando parecença cultural dos locais em que os jornais circulam, uma vez
que a popularidade da modalidade é forte em ambos os contextos. Nos dois periódicos, há
ênfase para campeonatos locais e nacionais. Uma diferença, no entanto é que o BILD
Hamburg trata uma de suas reportagens de modo a personalizar as jogadoras da seleção
feminina do país, tratando-as como celebridades, o que não é observado nos títulos do DG.
Observou-se também uso de interjeições e ênfases gramaticais para agregar emoção aos
títulos.
Através da análise dos títulos da categoria “Empregos e Serviços”, foi possível
concluir que estas notícias tem enfoques totalmente diferentes nos dois periódicos. No DG, a
ênfase encontra-se, na maioria deles, nas ofertas de emprego divulgadas na edição. Já no
BILD Hamburg, o tema é destacado na capa através de notícias sobre o assunto, enfatizando
situações e dados. A oferta de vagas pelo periódico brasileiro constitui serviço à população, e
divulga, além das oportunidades de trabalho, cursos ou dicas para entrevista e etc.
No BILD Hamburg, além das notícias relacionadas a emprego (duas), as outras duas
relacionam-se à previsão do tempo no país e à perguntas que leitores poderiam enviar ao chefe
dos transportes, constituindo-se também em serviço, mas de natureza diferente e com menor
freqüência que no DG. O serviço publicado na capa do BILD Hamburg é variado e o do DG,
108
mais específico, principalmente vagas de emprego. É importante, no entanto, ressaltar que
aqui se enquadram as notícias que tem como foco central o serviço, porém outros títulos
apresentaram traços da característica quando de sua análise, estando ela relacionada a
utilidade prática e direta das notícias.
A grande oferta de vagas de emprego no periódico brasileiro possivelmente diz
respeito ao contexto social em que ele circula, onde os desempregados não têm o suporte
existente na Alemanha. No país europeu, o seguro desemprego é fornecido inclusive à pessoas
que possuem trabalho, como complemento de renda (DEUTSCHE WELLE, 2008). Há
também outros benefícios sociais, e, por essa razão, deduz-se que as ofertas de vagas não têm
o mesmo apelo popular.
A editoria de “Saúde” possui pouca proeminência em ambos os jornais analisados. No
entanto, a análise permitiu concluir também que a ênfase delas na capa é diferenciada. No
jornal BILD Hamburg, metade das notícias relacionadas à saúde constituíam-se de pesquisas
ainda em desenvolvimento, as quais não apresentam utilidade prática. As outras duas
constituíam de serviço à população: anúncio de vacinação em um mês e maior duração da
pílula do dia seguinte. Já no Diário Gaúcho, apenas duas notícias de capa relacionavam-se ao
tema, tendo ela ainda menos destaque que no jornal alemão. As notícias traziam o fechamento
da maternidade de Guaíba (Grande Porto Alegre) e a ampliação da coluna, que responde
dúvidas de sexo dos leitores, para o meio online.
O conteúdo, abordagem dos títulos e apresentação dos jornais refletem seu segmento,
filosofia, contexto e público. O Diário Gaúcho, apesar de ter tido influência do segmento
europeu para sua concepção, apresenta características próprias. O jornalismo popular gaúcho,
por ele representado, destaca o entretenimento, assim como europeu, porém aspectos locais e
vagas de emprego têm maior proeminência do que no alemão, representado, neste trabalho
pelo BILD Hamburg. De abrangência nacional, este último possui semelhanças ao DG, porém
igualmente reflete suas peculiaridades, mostrando-se, em sua capa, o local praticamente
relegado. Tais diferenciações evidenciam-se no destaque dado aos títulos, na representação e
espaço destinado aos leitores e no grau de apelo sensual na capas, que demonstram que os
jornais são únicos e dizem respeito a uma cultura e local diferenciados. A expressão gráfica
semelhante revela traços em comum e filosofias parecidas, porém os jornais possuem
característica que lhe são peculiares.
109
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117
APÊNDICE A – Fotografia panorâmica da cidade de Hamburgo
118
119
APÊNDICE B – Fotografia da reunião de pauta às 10h15- BILD Hamburg
120
121
APÊNDICE C – Fotografia da entrada da redação da editoria de Local- BILD Hamburg
122
123
APÊNDICE D – Fotografia da redação do BILD Hamburg – editoria de Local
124
125
APÊNDICE E – Fotografia da sala de diagramação- BILD Hamburg
126
127
APÊNDICE F – Fotografia do Editor-Chefe do BILD Hamburg – Matthias Onken
128
129
APÊNDICE G – Fotografia panorâmica da cidade de Porto Alegre
130
131
APÊNDICE H – Fotografia da reunião de pauta - Diário Gaúcho
132
133
APÊNDICE I – Fotografia da reunião de pauta: Editor de Dia-a-Dia e Editor-Adjunto
134
135
APÊNDICE J – Fotografia da Redação do Diário Gaúcho
136
137
APÊNDICE K – Fotografia da Redação do Diário Gaúcho
138
139
APÊNDICE L – Fotografia da Editor-Chefe do Diário Gaúcho- Cláudio Thomas
140
141
ANEXO A – Primeira Propaganda do BILD Hamburg- 24 de junho de 1952
142
143
ANEXO B – Texto publicado na primeira edição do Diário Gaúcho- 17 de abril de 2000
144
145
ANEXO C – Documento original concedido na redação do BILD Hamburg- Rotina
146
147
ANEXO D – Espelho do dia 9 de Setembro de 2009, concedido pelo BILD Hamburg
148
149
ANEXO E – Espelho do dia 5 de Maio de 2009, concedido pelo Diário Gaúcho
150
151
ANEXO F – Capa do BILD Hamburg do dia 8 de Setembro de 2009
152
153
ANEXO G – Capa do BILD Hamburg do dia 9 de Setembro de 2009
154
155
ANEXO H – Capa do BILD Hamburg do dia 10 de Setembro de 2009
156
157
ANEXO I – Capa do BILD Hamburg do dia 11 de Setembro de 2009
158
159
ANEXO J – Capa do BILD Hamburg do dia 12 de Setembro de 2009
160
161
ANEXO K – Capa do BILD Hamburg do dia 14 de Setembro de 2009
162
163
ANEXO L – Capa do Diário Gaúcho do dia 8 de Setembro de 2009
164
165
ANEXO M – Capa do Diário Gaúcho do dia 9 de Setembro de 2009
166
167
ANEXO N – Capa do Diário Gaúcho do dia 10 de Setembro de 2009
168
169
ANEXO O – Capa do Diário Gaúcho do dia 11 de Setembro de 2009
170
171
ANEXO P– Capa do Diário Gaúcho do dia 12 e 13 de Setembro de 2009
172
173
ANEXO Q – Capa do Diário Gaúcho do dia 14 de Setembro de 2009
174
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