Resumindo o estado ambiental de Macau, em 2010, podemos afirmar que se registaram algumas melhorias, mas também algumas preocupações. Os dezanove indicadores das sete principais áreas ambientais mostraram diferentes tendências. Os indicadores relacionados com área socio-economicoambiental, no que diz respeito aos solos e produto interno bruto (PIB), apresentaram uma tendência positiva; os indicadores demográficos, no final do ano, mantinham-se estáveis, enquanto que os indicadores relativos ao número de visitantes e aos gastos de energia mereceram preocupação. No que diz respeito ao ambiente atmosférico, os indicadores da qualidade do ar mantiveram-se estáveis: as emissões atmosféricas, as emissões de gases com efeito de estufa e a eco-eficiência do sector energético manifestaram boa tendência, mas os indicadores da eco-eficiência do sector dos transportes mereceram a nossa preocupação. Quanto aos recursos hídricos, os indicadores da água para abastecimento foram bons e os indicadores do consumo de água mantiveram-se estáveis, mas os indicadores da qualidade das águas nas zonas costeiras, inclusivamente o índice médio de poluição, e os indicadores de tratamento das águas residuais mereceram a nossa preocupação. No que se refere aos resíduos, os indicadores sobre a produção de resíduos mantiveram-se estáveis, o mesmo já não aconteceu com os indicadores de tratamento final de resíduos que mostraram alguma instabilidade. No tocante à conservação da Natureza, os indicadores sobre as zonas verdes mantiveram-se bons. No aspecto do ruído ambiental, os indicadores da força motriz de ruído e dos níveis de ruído mantiveram-se estáveis, mas os indicadores das reclamações sobre o ruído ambiental mereceram a nossa preocupação. Quanto à gestão ambiental, os indicadores do investimento e despesa pública em planeamento ambiental, ordenamento e instalações, da participação e atenção pública, assim como da promoção e implementação dos sistemas de gestão ambiental mostraram-se favoráveis. No que toca ao ambiente atmosférico, através dos dados obtidos, relativos aos níveis de poluentes no ambiente atmosférico, verificou-se que, em 2010, embora os valores registados nas estações automáticas de monitorização da qualidade do ar tenham revelado que a qualidade do ar em 132 Macau variou entre o “bom” e o “moderado”, o número de dias em que a qualidade do ar foi “bom” diminuiu, nas diversas estações automáticas de monitorização da qualidade do ar, face a 2009. Devido a uma tempestade de areia proveniente da China Continental foram registados pela primeira vez, em 2010, dois dias com valores de IQA “muito insalubre”, na estação da Calçada do Poço e na estação da Cidade da Taipa, e dois dias com valores de IQA “perigoso” na Subestação de Macau Norte e na estação de Taipa Grande. Segundo os resultados da avaliação dos poluentes atmosféricos, as principais emissões encontradas em Macau incluem monóxido de carbono, óxidos de enxofre, óxidos de nitrogénio, partículas totais em suspensão, partículas inaláveis em suspensão com diâmetro inferior a 10μm e chumbo e reflectiram uma diminuição em relação a 2009. Entre estes, os óxidos de enxofre foram os que revelaram uma diminuição mais visível, mas registou-se um ligeiro aumento na emissão de amoníaco e dos Compostos Orgânicos Voláteis não Metânicos. Apesar de se ter registado uma redução na maior parte das emissões de poluentes atmosféricos, em Macau, os valores registados nas estações automáticas de monitorização da qualidade do ar revelaram que a qualidade do ar variou entre o “muito insalubre” e o “perigoso”, devido ao impacte resultante da tempestade de areia na China Continental, o que significa que a qualidade do ar em Macau pode ser facilmente influenciada pela poluição a nível regional. A partir de 2005, as emissões de gases com efeito de estufa, em Macau, têm vindo registar uma tendência decrescente. Em 2010, as estimativas das emissões totais reduziram 14,8% face a 2009. Uma vez que as emissões resultantes da “produção de energia eléctrica” e da “deposição de resíduos em aterros” diminuíram, as emissões de dióxido de carbono e metano também diminuíram ligeiramente, nas diversas estimativas de gases com efeito de estufa . No que diz respeito aos recursos hídricos, em 2010, registou-se uma redução nos diferentes tipos de consumo, nomeadamente na quantidade média diária de água facturada per capita e na quantidade média diária de água consumida no sector doméstico per capita reduziram, respectivamente, 0,1% e 0,5%. Quanto à qualidade das águas costeiras, através da avaliação global dos índices de qualidade, verificou-se que esta se tem vindo a degradar, nos últimos anos. A poluição por substâncias não metálicas, tem vindo a agravar-se, fazendo com que os índices de poluição participaram nos planos de recolha selectiva de resíduos atingiu 289 e o número de edifícios habitacionais aumentou para 295. Estas iniciativas disponibilizam assim meios mais convenientes para os cidadãos procederem à separação de resíduos recicláveis. No que toca à conservação da natureza, devido à introdução de reajustamentos na definição das áreas ocupadas pelas zonas verdes, por parte do IACM, para efeitos de estatística, os seis grandes tipos existentes passaram para 4 grandes tipos de zonas verdes: “Espaço verde de lazer e recreação”, “Espaço verde rodoviário”, “Espaço verde de viveiro de mudas” e “Espaço verde de paisagem ecológica”. global tenham aumentado 6,5% em relação a 2009, nos diversos pontos de amostragem. A poluição por substâncias não metálicas na zona no Porto Interior continua a ser a mais grave, tendo o respectivo índice sido superior ao índice médio anual. Em 2010, a maior parte dos pontos de monitorização para a avaliação registaram um aumento de 10% a 20% no índice de poluição por substâncias não metálicas, face a 2009. No que se refere à poluição por metais pesados, sistematizando os dados de 2009 e 2010, verificou-se que, na maior parte dos pontos de amostragem, a concentração de mercúrio, zinco e chumbo revelou um valor crítico ou ultrapassou mesmo o valor-limite. Em 2010, foram transportadas para serem tratadas na Central de Incineração de Macau, 321.425 toneladas de resíduos. A quantidade de resíduos produzidos por habitante, por dia, transportada para tratamento, corresponde a 1,64 kg/dia, um nível que poderemos considerar elevado, semelhante à situação em 2009. De acordo com o reajustamento acima mencionado, e segundo os dados estatísticos, em 2010, a área global das zonas verdes subordinadas ao IACM foi 8.534.475 m2. Comparando com os dados de 2009, com 7.703.995 m2, verificou-se um aumento de 10,8%. De acordo com os dados da estatística ambiental, em 2010, o total das árvores nas bermas das vias na Península de Macau e o total das árvores nas áreas reflorestadas da Taipa, Cotai e Coloane (bermas das vias) também aumentaram. No âmbito do ruído ambiental, segundo o registado nas quatro estações fixas de monitorização do ruído ambiental, em 2010, as médias anuais do nível sonoro contínuo equivalente (Leq), registado por cada período horário, na estação da Avenida Horta e Costa continuam a ser os mais elevados, seguindo-se-lhe a estação da Avenida Venceslau de Morais. As médias anuais do Leq registado por cada período horário na estação da Rua Correia da Silva, na Taipa, aumentaram de forma evidente. Entretanto, desde 2007, a quantidade de entulhos produzidos tem sido elevada. Em 2008 e 2009 diminui, mas em 2010 voltou a aumentar, com um acréscimo de 16,9% face a 2009. Como tal, a pressão verificada na deposição de entulhos não foi totalmente atenuada. Quanto à promoção da recuperação de resíduos, o Governo da RAEM continuou a melhorar as instalações e os equipamentos para a recolha selectiva de resíduos nos bairros comunitários. Em 2010, os ecopontos públicos, em Macau, aumentaram para 220. O número de escolas, serviços públicos, associações e instituições privadas que 133 No que toca às reclamações sobre o ruído ambiental, o número de queixas apresentadas às entidades competentes aumentou, na generalidade, nos últimos anos. Em 2010, o número de reclamações por mil habitantes ascendeu a 9,31, representando um aumento de 18,8% em relação a 2009. A PSP recebeu ao longo do ano 4.435 casos de reclamações sobre o ruído ambiental, continuando a ser a principal via utilizada para a apresentação de reclamações, principalmente quando se referem a ruído proveniente de actividades da vida social, nas categorias de “perturbação do sossego em residências/vizinhos”, “obras de construção” e “conversação e gritos”. No que se refere à gestão ambiental, nos últimos anos, o Governo tem alocado recursos para apoiar financeiramente, de forma contínua, as acções que visam a protecção ambiental e a prevenção e controlo da poluição. Em 2010, o investimento em “planeamento e ordenamento ambiental” aumentou 33,1% face a 2009. Além disso, a participações do público nas actividades de protecção ambiental teve um aumento superior a 15,1%, em relação a 2009, embora o número de actividades de sensibilização e educação ambiental realizadas e o número de co-organizadores tenha diminuído. Segundo os dados estatísticos, o número de participantes nas actividades e o montante investido alcançaram, nos últimos anos, com o apoio forte do Governo e dos cidadãos, um novo patamar. Por outro lado, o número de reclamações sobre ruído e poluição atmosférica, entre outras questões ambientais dirigidas à DSPA, IACM e PSP, tem vindo a aumentar anualmente. Desde a sua criação em 29 de Junho de 2009, a DSPA assumiu atribuições mais abrangentes na área da protecção ambiental, pelo que se tem vindo a tornar, gradualmente, na entidade coordenadora e de acompanhamento das reclamações apresentadas neste âmbito. Em 2010, o número de reclamações atendidas pela DSPA sobre a poluição sonora e atmosférica aumentou 133,9% e 119,0%, respectivamente, o que é bastante significativo. 2010 é um ano simbólico para a protecção ambiental, em Macau. Com a publicação do «Quadro Geral do Planeamento Conceptual da Protecção Ambiental de Macau (2010-2020)», em 22 de Abril de 2010, a DSPA deu início ao projecto relativo ao primeiro planeamento de protecção ambiental para os próximos dez anos (até 2020), que compreende três fases e está em harmonia com a visão de “Transformar Macau num centro de baixo carbono e partilhar uma vida mais ecológica”. 134 Ao abrigo deste Quadro Geral, estão a ser desenvolvidos vários planos específicos, sobretudo no que diz respeito ao desenvolvimento sustentável, ao desenvolvimento de baixo carbono, aos conceitos de participação de toda a população e de cooperação regional, à promoção do ambiente atmosférico, à água, ao tratamento de resíduos sólidos, ao ambiente sonoro, à ecologia, à luz, às radiações e à gestão e políticas ambientais, entre outros planos. Está também em curso um estudo sobre o planeamento ambiental global de Macau, de modo a melhor dominar e avaliar com maior precisão os desafios ambientais que se colocam a Macau. Este planeamento abrange não só a área actual da RAEM, como também engloba os futuros Novos Aterros Urbanos. Com base na definição de condições sociais adequadas e nas opiniões da população, este planeamento ambiental destina-se a promover, numa conjugação de esforços, acções de protecção de longo prazo e a definir as metas e o rumo de desenvolvimento para as várias áreas do ambiente, nomeadamente, o habitat, o consumo de recursos, o tráfego rodoviário, a gestão empresarial, a ecologia e o património mundial e a coordenação regional. Com o rápido desenvolvimento urbano da RAEM, a |acelerada integração regional, as aspirações comuns de criação de um ambiente com qualidade de vida, o ambiente de Macau enfrentará muito mais desafios e oportunidades, no futuro. Assim, à medida que se vai elaborando o planeamento de protecção ambiental, é necessário, não só reforçar a coordenação, articulação, complementaridade e melhoramento recíproco com outros tipos de planeamento, como o planeamento urbanístico, o planeamento de tráfego, o planeamento da poupança da água e o planeamento da conservação energética, como também criar e reforçar um mecanismo de diálogo interdepartamental no âmbito da protecção ambiental. Ao mesmo tempo, é também fundamental reforçar a coordenação com o planeamento regional, com as suas ideias e objectivos, com as acções concretas de protecção ambiental e o desenvolvimento das indústrias relacionadas, pois só assim o planeamento ambiental de Macau e respectivos planeamentos regionais poderão ser devidamente implementados e aprofundados. A cada segundo, a qualidade do ar afecta a sobrevivência dos seres humanos, e influencia o ecossistema de todo o Planeta. Por essa razão, não podemos baixar os braços, no que toca ao melhoramento da qualidade do ar. Os trabalhos para assegurar a saúde dos cidadãos e melhorar a qualidade de vida devem ser contínuos. O conhecimento efectivo e abrangente da situação relativa às fontes fixas de poluição atmosférica, às fontes de poluição atmosférica mais grave e à poluição causada pelos transportes é fundamental. No que toca à poluição, deve-se começar pela prevenção na fonte seguida de um rigoroso controlo e tratamento final, para se obter uma melhoria constante da qualidade do ar. No que diz respeito aos transportes terrestres, começar pela fonte significa fixar os limites de emissão de gases de escape a que devem obedecer os veículos novos aquando da sua importação, reduzir a circulação de veículos altamente poluidores, elaborar um regime para recolha e deposição de veículos obsoletos e inutilizados, introduzir e promover o uso de eco-veículos e melhorar a qualidade dos combustíveis para veículos motorizados, entre outras medidas, ou até incentivos, nos seus vários aspectos, para controlar a poluição atmosférica resultante dos transportes terrestres. Num futuro, quando estiverem mais aperfeiçoados os equipamentos e infra-estruturas complementares dos transportes públicos, dever-se-á proceder a estudos no sentido de controlar o aumento de número de veículos. Ao mesmo tempo, também é necessário criar, através da estreita cooperação com as regiões vizinhas, uma rede regional para a monitorização do ar, para melhor conhecer, eficaz e atempadamente as diversas fontes de poluição atmosférica na região e a sua distribuição espacial de forma a permitir elaborar medidas mitigadoras. Por outro lado, o facto de as estimativas das emissões de gases com efeito de estufa revelarem uma tendência decrescente, nos últimos anos, não significa que os trabalhos para a redução das emissões possam ser descurados. Na verdade, para cooperar no cumprimento das metas nacionais, no que diz respeito ao controlo das emissões de gases com efeito de estufa para reduzir o aquecimento global, resultantes da aplicação do «Protocolo de Quioto»; estar em coordenação com os planos de desenvolvimento de Macau, no sentido de se transformar num centro internacional de turismo e de lazer; criar um círculo regional de cooperação e de alta qualidade de vida; e levar a cabo a visão de transformar Macau num centro de baixo carbono, é necessário definir e organizar, de forma integrada, as medidas relevantes para a redução de emissões em Macau e definir estratégias globais para um desenvolvimento de baixo carbono. Para além disso, propõe-se também a utilização da energia renovável e de equipamentos energeticamente eficientes e o aumento da utilização de células fotovoltaicas nos edifícios que reúnam condições, com vista a continuar a promover o consumo da energia solar. Propõe-se, ainda, promover o uso generalizado de iluminação energeticamente eficiente junto do sector da construção civil. Para promover eficazmente as a protecção ambiental e a poupança de energia, Propõe-se, também, que o Governo da RAEM considere a possibilidade de criar um fundo especial de assistência no âmbito da protecção ambiental e poupança de energia, com base nos de benefícios económicos estipulados para incentivar mais empresas a optarem por produtos economizadores de energia, por energias alternativas e por produtos mais ecológicos, bem como incentivar as diversas camadas sociais a adoptar produtos e equipamentos que permitam contribuir para a redução das emissões de gases com efeito de estufa e dos poluentes atmosféricos. Entretanto, também se propõe manter ou até aumentar o uso do gás natural na produção local de energia e promover o consumo de energia mais limpa na cidade, a fim de reduzir ainda mais a emissão de gases com efeito de estufa e de poluentes atmosféricos. Quanto à gestão dos recursos hídricos, embora se tenha registado uma redução no consumo de água, em 2010, nos serviços públicos e no sector doméstico, devido ao aumento da consciencialização sobre a poupança da água, por parte dos cidadãos, é importante continuar a promover o “plano de poupança de água” e aprofundar as respectivas acções, de acordo com o «Programa de Poupança de Água de Macau». 135 Quanto à situação de deterioração da qualidade da água no Canal dos Patos e Porto Interior, propõe-se a realização de um levantamento e monitorização in loco mais aprofundados e abrangentes, no Canal dos Patos, e a aplicação de um modelo matemático para simular as alterações hidrológicas, de modo a conhecer os factores dinâmicos que influenciam a qualidade da água do rio, que permita apresentar uma proposta com base científica, viável e eficaz, para melhorar a qualidade da água. Propõe-se ainda, que, no âmbito do quadro da cooperação entre Guangdong e Macau, se adoptem medidas no sentido de implementar um ordenamento sistemático e faseado, para optimização do ambiente hídrico no Canal dos Patos de forma a melhorar a qualidade de vida dos cidadãos naquela zona. No que diz respeito à “poupança de água”, propõe-se continuar a expandir a aplicação de dispositivos de controlo de caudal de água e introduzir outras medidas de poupança da água, como o controlo do consumo através da fixação de tarifas e o aumento da consciencialização do público sobre a poupança da água, de modo a consolidar a eficácia dos trabalhos desenvolvidos em Macau para a poupança de água. Entretanto, propõe-se que se preste mais atenção ao consumo de água no sector comercial, especialmente nos sectores que mais consomem, tal como o sector da hotelaria, nomeadamente através da divulgação da importância da poupança de água. Apelando ao reforço da gestão do consumo e poupança da água. No que se refere à exploração de fontes e recursos hídricos, propõe-se que seja reforçada a exploração e o aproveitamento de águas recuperadas, realizando, para tal, um estudo sobre o planeamento e desenvolvimento futuro de um sistema de aproveitamento deste tipo de águas e, com base nos resultados, que se continue a construir as respectivas instalações nos recintos adequados e que no projecto dos Novos Bairros Urbanos seja considerado o aproveitamento das águas recuperadas. Propõe-se, ainda, a exploração de recursos hídricos não convencionais, tais como a água das chuvas. Através da exploração de novas fontes de recursos e da poupança de água, Macau pode dispor de uma maior reserva deste precioso recurso. Por outro lado, quanto à gestão das águas residuais, propõe-se que se continue a executar as obras de melhoria da rede de drenagem e aperfeiçoamento das instalações de tratamento das águas residuais, assim como as acções de optimização e melhoramento contínuo, de expansão e modernização das estações de tratamento de águas residuais e do respectivo processo de tratamento. 136 Em simultâneo, propõe-se que se proceda a estudos sobre a qualidade da água nas zonas costeiras, que se aperfeiçoe, gradualmente, a rede de monitorização, que se pondere o desenvolvimento de acções de prevenção e controlo da poluição difusa, durante a execução do sistema separativo de águas residuais e de águas pluviais e se realize um estudo sobre a gestão integrada das fontes de poluição difusa. O controlo das fontes de poluição e a prevenção da poluição pontual e difusa poderão ajudar a prevenir e controlar a poluição das águas costeiras de Macau. No que se refere à gestão dos resíduos, propõe-se continuar a incentivar a redução de resíduos a partir da fonte, promover a recolha e o reaproveitamento de resíduos recicláveis, aperfeiçoar os métodos de gestão, melhorar as instalações de tratamento, entre outros trabalhos integrados, promover a redução, a valorização e o tratamento menos nocivo dos resíduos sólidos, em Macau. E, ao mesmo tempo, lançar acções de sensibilização e educação junto dos cidadãos sobre a redução de resíduos, através da realização de diferentes tipos de actividades e da implementação de incentivos económicos para promover planos de recolha e separação de resíduos, estimular a população para a redução de resíduos “a partir da fonte” e destacar a importância dos 5 Rs (Recusar, Reduzir, Reutilizar, Recuperar e Reciclar). Recomenda-se a realização de estudos globais sobre as estratégias de gestão de resíduos sólidos e de estudos relativos aos planos específicos, sobretudo, ao reaproveitamento dos resíduos de construção, ao regime de recolha e gestão de veículos velhos e obsoletos, à produção e redução do uso de sacos de plástico, bem como um estudo e demonstração sobre a redução e gestão de resíduos electrónicos. Quanto ao tratamento de resíduos, a composição dos resíduos em Macau contem grande quantidade de substâncias orgânicas, assim, recomenda-se a efectuar um estudo sobre a viabilidade da sua redução e reciclagem, tendo em consideração a introdução de equipamentos para a reciclagem. Por seu lado, a deposição de resíduos especiais e perigosos despertam mais atenção dos cidadãos, assim, propõe-se a realização de estudos no sentido de encontrar formas de tratamento deste tipo de resíduos mais adequadas à situação de Macau. Simultaneamente, propõe-se o reforço e melhoramento do sistema de gestão e monitorização de resíduos sólidos bem como do sistema de informação. Os métodos de gestão e as instalações de tratamento permitem reduzir a quantidade de resíduos sólidos, em Macau, e melhorar gradualmente a sua reciclagem; no entanto, para resolver eficazmente a questão da deposição valorização e reaproveitamento de resíduos, é necessário estabelecer laços de cooperação a nível regional. Um bom ambiente - de baixo carbono, mais habitável, com qualidade de vida - é a base sólida para o desenvolvimento sustentável de uma cidade. Para proporcionar maior conforto ambiental à população, propõe-se a optimizar o planeamento e a conservação das zonas verdes dos bairros antigos e novos, tudo fazendo para aumentar a abrangência das zonas verdes e as funções ecológicas e o melhorar a distribuição de áreas arborizadas na RAEM. O planeamento, protecção e recuperação do precioso ecossistema são importantes pelo que deve ser mantido um certo equilíbrio entre os espaços naturais e o aproveitamento de terrenos para desenvolvimento. Para que o desenvolvimento de Macau seja mais sustentável, à medida que a cidade se vai desenvolvendo, devem ser conservadas as zonas com valor ecológico, bem como preservada uma proporção significativa para espaços verdes no centro urbano, através de uma regulamentação metódica. Quanto ao combate à invasão de espécies exteriores, deve ser dada continuidade aos estudos para reforçar a prevenção e controlo destas espécies prejudiciais. Por outro lado, propõe-se a realização de trabalhos de conservação contínua das zonas ecológicas, de modo a que se tornem atractivas para a permanência e reprodução de mais animais, melhorando, assim, o ecossistema. Para que o público possa sentir de perto a Natureza, aconselha-se que se desenvolvam os recursos naturais do ambiente ecológico num local ideal para o público e os alunos a fazer estágios em educação ambiental. Para além de salvaguardar os êxitos das zonas ecológicas e zonas verdes existentes, pode ser aumentadas as funções de prestação de serviços sobre a Natureza através de diferentes métodos de conservação de zonas verdes e de ecologia, o que não só contribui para disponibilizar um confortável recinto de lazer aos cidadãos, como também a permanência de visitantes, ajudando a desenvolver e transformar Macau numa cidade internacional de cultura, mais adequada para o turismo e mais habitável. Macau é um local com grande dinamismo económico e os diversos tipos de ruído daí resultantes despertam a preocupação dos cidadãos, porque causam algum incómodo à sua vida quotidiana. Para além de a revisão do “diploma legal sobre o ruído” vir reforçar as respectivas sanções, após a sua entrada em vigor, virá também controlar a produção do ruído provocado pelas obras de construção e controlar com maior rigor o ruído provocado pela utilização de bate-estacas na construção civil. Ao mesmo tempo, o ruído da vida social também passará a ser regulado. Quanto ao ruído resultante das actividades humanas, propõe-se aumentar a consciência cívica e responsabilização pelos cidadãos comuns, utilizando vários meios de sensibilização e de popularização das leis ambientais e educando os cidadãos para a redução do ruído por iniciativa própria. Também se propõe que sejam proporcionadas acções de formação, neste mesmo sentido, ao sector da construção e aos respectivos operadores, que seja promovida a utilização de equipamentos mecânicos de melhor qualidade nas obras e de técnicas mais avançadas de construção, orientando o sector de construção civil a excluir os equipamentos e técnicas mais obsoletos e que provocam altos níveis de ruído. Além do mais, tendo em conta que o ruído do tráfego é a fonte principal dos elevados valores no ruído ambiental, propõe-se que sejam fixados os limites de ruído dos veículos novos importados, que seja elaborado um plano de 137 distribuição rodoviária mais racional, implementados os conceitos de “Prioridade aos transportes públicos” e “Passeio ecológico”, promovidos os transportes que produzem baixa poluição sonora, que as vias rodoviárias sejam preparadas com pavimentos menos ruidosos, instaladas barreiras acústicas e que sejam utilizadas as medidas adequadas para o controlo rodoviário, de forma a reduzir os impacte do ruído dos veículos motorizados. Por outro lado, também se propõe a introdução de limites do ruído nos edifícios (habitacionais), bem como a utilização de isolamento acústico nos projectos de construção civil. No que se refere à questão da poluição sonora de baixa frequência, que constitui uma das principais preocupações dos cidadãos, propõe-se que se investiguem as principais fontes de poluição sonora e se estudem as respectivas estratégias de controlo e métodos de monitorização, por forma a definir gradualmente os métodos de monitorização e critérios de avaliação do ruído de baixa frequência. É igualmente importante o controlo da poluição sonora a partir da fonte; como tal, dever-se-á, começar pelo planeamento urbanístico. Assim, propõe-se que durante o planeamento urbanístico dos Novos Aterros Urbanos e na concepção dos novos projectos seja tida em consideração a ecologia, o desenvolvimento de baixo carbono e a prevenção do ruído ambiental na cidade. Em 2010, foi concluída a primeira fase do planeamento da protecção ambiental de Macau e, com base nisso e através de estudos científicos mais detalhados, devem ser enriquecidos os diversos dados ambientais, devem ser especificados o rumo, os objectivos e os programas das 138 acções de protecção ambiental da RAEM a promover no futuro. Para um planeamento sistemático e científico, a protecção ambiental necessita da participação conjunta. Se cada um de nós der um pequeno passo para proteger o ambiente, ao reunir os esforços, poderemos dar um passo maior no seu melhoramento. Para tal, propõe-se que os serviços públicos liderem este movimento de adopção da cultura de gestão ambiental. Propõe-se também que se aprofunde a cooperação interserviços nesta matéria, através da disseminação de guias de orientação, acções de sensibilização e formação, para aumentar a consciencialização da importância de valorização dos recursos públicos e a eco-aquisição, bem como para aperfeiçoar o “plano de gestão ambiental no sector público”. Por outro lado, os planos de parceria “Eco-Escolas”, “Empresas Verdes ” e o “Prémio de Hotel Verde Macau”, constituíram-se como 3 plataformas cujos efeitos irradiam para a sociedade. Através deles e das respectivas actividades, os funcionários dos serviços públicos e o público em geral adquirem conhecimentos sobre a protecção ambiental, influenciando o seu comportamento e aumentando-lhes a responsabilidade de proteger o ambiente na sua própria vida quotidiana. Propõe-se ao Governo da RAEM o reforço gradual da monitorização da qualidade ambiental, o aperfeiçoamento das normas ambientais e a criação de um regime de avaliação de impacte ambiental mais aperfeiçoado, para aumentar a capacidade de gestão ambiental. Para que o princípio geral de promover a melhoria da qualidade de vida e os princípios específicos da prevenção, do equilíbrio, da participação, da cooperação internacional, da recuperação, da responsabilização, constantes da Lei de Bases do Ambiente sejam eficazmente cumpridos, é necessário determinar, a longo prazo, um conjunto de regimes e legislação específica com incidência nos diferentes elementos ambientais; criar um sistema jurídico mais aperfeiçoado para que a legislação ambiental e o respectivo sistema jurídico possam evoluir. Após o estabelecimento e eventual melhoramento do sistema jurídico ambiental local, deve-se, ao mesmo tempo, reforçar a cooperação com os outros serviços, para implementar as orientações e critérios na sociedade, tornando-os mais eficazes e eficientes de forma a corresponder às rápidas mudanças e desenvolvimento da economia e da sociedade de Macau e, também, atender eficazmente os pedidos do público. Além disso, devido à internacionalização da cidade, ao crescimento da população e do número de visitantes e também à estreita cooperação regional, propõe-se que se tenha em conta as experiências de outras regiões para elaborar e desenvolver uma estratégia de contingência e respectivo mecanismo de resposta para todos os tipos de acidentes ambientais súbitos, a fim de proteger o ambiente e a saúde dos residentes. O ambiente não tem fronteiras. A garantia de água para consumo, a qualidade do ar, o melhoramento da qualidade da água das zonas costeiras, o tratamento de resíduos e o ecossistema são aspectos que colocam Macau intimamente ligado com a região do Delta do Rio das Pérolas. Por isso, para melhoramento e promoção contínua das acções de protecção ambiental, propõe-se o reforço da cooperação regional e internacional na área ambiental. Com especial destaque para o «Plano Específico de Construção Conjunta de Círculo de Qualidade de Vida» e o «Acordo-Quadro de Cooperação entre Guangdong e Macau», devem-se aproveitar as oportunidades de planeamento regional, salvaguardar a qualidade do ar de Macau, promover a coordenação regional no tratamento de resíduos especiais, assim como participar activamente na realização de projectos de cooperação regional sobre a protecção ecológica transfronteiriça e a construção de infra-estruturas paisagísticas, no sentido de elevar a qualidade do ambiente e melhorar a qualidade de vida dos cidadãos, a nível regional. Não podemos ignorar a existência de desafios no que diz respeito ao estado do ambiente de Macau; no entanto, acreditamos que, desde que se insista no conceito de “Responsabilidade ambiental assumida por todos”, que o Governo da RAEM invista mais recursos humanos e outros para o melhoramento da qualidade ambiental, que desenvolva políticas ambientais mais eficazes, que as empresas apliquem mais as tecnologias limpas na produção e utilizem equipamentos mais ecológicos e energeticamente eficientes, que todas os cidadãos ponham em prática as acções que favorecem o ambiente no seu trabalho diário e na vida quotidiana, a visão de “Transformar Macau num centro de baixo carbono e partilhar uma vida ecológica” não será apenas uma visão. A participação de todos e o esforço conjunto poderá transformar Macau e gerar um ambiente com qualidade de vida, a par do desenvolvimento sustentável. 139