Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão
Secretaria de Recursos Humanos
RELATÓRIO FINAL DA
CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS
DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL – 2009
A democratização das relações de trabalho: um novo olhar sobre a
política de gestão de pessoas na Administração Pública Federal
Outubro de 2009
Brasil. Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão.
Secretaria de Recursos Humanos.
Relatório final da Conferência Nacional de Recursos Humanos
da Administração Pública Federal – 2009: A DEMOCRATIZAÇÃO
DAS RELAÇÕES DE TRABALHO: Um novo olhar sobre a política de
gestão de pessoas da Administração Pública Federal / Ministério do
Planejamento, Orçamento e Gestão, Secretaria de Recursos Humanos.
– Brasília: MP, 2009
254 p.: il. color.
ISBN 978-85-89199-06-3
I. Administração Pública – Gestão de Pessoas. 2. Recursos
Humanos. 3. Relações de Trabalho 4. Serviço Público – Humanização no Trabalho 5. Capacitação 6. Ética I. Título.
331.101.4 : 35.08(81)
República Federativa do Brasil
Luiz Inácio Lula da Silva
Presidente
Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão
Paulo Bernardo Silva
Ministro
João Bernardo de Azevedo Bringel
Secretário-Executivo
Francisco Gaetani
Secretário-Executivo Adjunto
Secretaria de Recursos Humanos
Duvanier Paiva Ferreira
Secretário de Recursos Humanos
Maria do Socorro Mendes Gomes
Secretária-Adjunta
Valéria Porto
Departamento de Normas, Procedimentos Judiciais e Órgãos Extintos
Marcela Tapajós e Silva
Departamento de Relações do Trabalho
Sérgio Antonio Martins Carneiro
Departamento de Saúde, Previdência e Benefícios do Servidor
Nelson Luiz Oliveira de Freitas
Departamento de Administração de Sistemas de Informações
de Recursos Humanos – SRH
EQUIPE TÉCNICA
Alberto Felippi Barbosa
Alda Mitie Kamada
Arlete Maria de Paula
Cláudia Couto Rosa Lopes
Cláudio Ribeiro Braga
Diogo Joel Demarco
Eliane Aparecida Cruz
Giovanna de Sá Lúcio
Idel Profeta Ribeiro
Jaqueline Gomes de Jesus
Luiz Roberto Moselli
Maria Gabriela Moya Gannuny El Bayeh
Maria Lúcia de Matos Felix Silva
Nilzélia Maria da Silva Oliveira
Paula Marquez
Rafael de Sousa Moreira
Renata Vila Nova Holanda
Roseane do Nascimento
Rosilã Jaques Pereira
Samara Maria Dias
Sandra Helena Caresia Gustavo
Simone Maria Vieira de Velasco
Sônia Maria Borges
Comissão Organizadora
Conferência Nacional de Recursos Humanos na
Administração Pública Federal – 2009
Edison Silveira Collares
Priscilla Araújo
Casa Civil da Presidência da República
Quenes Silva Gonzaga
Secretaria Geral da Presidência da República
Duvanier Paiva Ferreira
Secretaria de Recursos Humanos – SRH
Maria da Penha Barbosa da Cruz Carmo
Secretaria de Gestão – SEGES
Margaret Baroni
Escola Nacional de Administração Pública – ENAP
Edson Raimundo Machado
Ministério da Justiça
Heloísa Marcolino
Ministério da Saúde
Alex Mansur de Oliveira
Ministério do Desenvolvimento Agrário
Josimária Bezerra Araújo
Ministério da Previdência Social
Maria Inês de Mello Espínola Dias
Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome
Antônia Valéria Martins Maciel
Ministério da Educação
Luiz Eduardo Lemos da Conceição
Ministério do Trabalho e Emprego
Cristina Calvet
Ministério da Fazenda
Mônica Valente
Internacional de Serviços Públicos – ISP
Lúcia Regina dos Santos Reis
Central Única dos Trabalhadores – CUT
Josemilton Maurício da Costa
Confederação Nacional dos Servidores Federais – CONDSEF
Luis Moura Ferreira
Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos – DIEESE
Antônio Augusto de Queiroz
Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar – DIAP
SECRETARIA DE RECURSOS HUMANOS
Acyene Lopes Araujo
Alessandra Ferreira de Melo
Alexandre Cavalcanti
Alexandre Soares Diniz
Alexsander dos Santos Ventura
Aline Branquinho Silva
Altair Barbosa de Almeida
Amador Almeida da Silva
Amazonas Marques
Ana Cristina Sá Teles D’Avila
Ana Kathya Silva Henriques
Ana Lúcia da Silva
Ana Maria Botelho Alkmin Cunha
Ana Maria da Silva
Ana Maria da Silva Figueiredo
Ana Maria Pereira de Souza
Ana Paula de Oliveira Fernandes
André Cardoso dos Santos
Andrea Bayer
Andrea Nunes Lazzarini
Andreia Batista da Costa Souza
Angela Cristina Barreto Ribeiro
Antonia Reijane Silva Mendes
Antonio Alves Dias
Antonio José Aniceto de O. Lima
Antonio Jose Correa Junior
Antonio José de Souza
Antonio José Neto
Antonio Ronilson Nunes Oliveira
Aristides Terencio de Lima Filho
Bruna Dias da Silva
Bruna Pereira de Souza
Byanne Rigonato
Carlos Bizzotto
Carlos Cézar Soares Batista
Carlos Henrique Marques da Silva
Carmelinda Maria de Sousa
Caroline Correa Machado
Catiene Romeiro de Jesus
Cláudia Alves de Oliveira
Claudia Coura Moreira Campos
Cleide Maria Pereira de Freitas
Cleonice Sousa de Oliveira
Cleusa Maria Cassiano
Clever Pereira Fialho
Cristiane de Oliveira Ramos
Cristiano dos Santos Saldanha
Daiane Ribeiro Martins Rodrigues
Daniela Christina de Melo Rocha
Daniela da Silva Peplau
Danilo Ambrósio de Assis
David Falcão Pimentel
Dayse Maria Silveira Bastos Vieira
Deine Pereira Goulart
Delfina Augusta Arraes de Azevedo
Denilson Bezerra dos Santos
Diego Soares Pereira
Dilce Fernandes Nunes
Diógenes Souza Alencar
Divina Aparecida Moreira
Dora Nice Rodrigues Teixeira
Dulcide Gomes Oliveira
Edilce Jane Lima Cassiano
Edilson Alves Espindola
Edma Rodolfo de Quieroz
Eduardo Francisco Reges
Elaine Rodrigues Cavalcante
Elena Ramos Coutinho
Elizabeth Muniz de Souza
Eloá Mendes da Silva Quadros
Elza Maria de Jesus e Souza
Emanuel Alves de Carvalho
Emeriúda Borges Santos
Emídio Joaquim de Carvalho
Erida Maria Feliz
Erlindo Marques Moreira
Esse Marques Moreira
Evandro Luiz de Oliveira
Fernanda Kelem de Medeiros
Flavia de Souza Ramos
Francinildo Lopes dos Santos
Francisca de Souza Cavalcante
Francisca Sousa Pereira
Franklim Soares Caldeira
Frederico Dias Vasconcelos
Frederico Ponce de Leon Barreto de Melo
Gabriela Alves Ferreira
Gabriela Figueiredo Lobato de Castro
Geisiane Borges Cardozo
Genaine Berto de Andrade Cerqueira
George Marques Varela
Geraldo Antonio Nicolli
Gilmar José Alves
Giulianna Louise Christofoli
Grazielle Seabra Duraes Aguiar
Guaraciara Beca e Silva
Heliana Esteves de França Romano
Iana Alves Pinheiro
Ildemar José Pimentel Tajano
Ilídio Luiz Brandão
Ilva Pereira Cardoso
Inara Sueli Oliveira Vasconcelos
Ingrid Aretz Cunha
Iris Paula de Santana Ramos Morais
Irisdeth Maria Assunção do Vale
Isabel Crsitina Jeronymo Mussoline
Ismael Bronizio Paignez
Ivana Maria Santos Nascimento
Iverson Santos Silva
Ivete Joana Oliveira Vasconcelos
Jacqueline Rodrigues
Jaime Pereira Fialho
Jannayna Martins Sales
Joana Oliveira Silva
Joelina Magalhães Cavalcanti
Joelma Almeida Lousada dos Santos
Joelma Magalhães Cavalcanti
Jonas Ramalho
José Antonio de Magalhães
José Barbosa Costa
José de Arimateia Sampaio
José Dias de Souza
José Emídio Albuquerque e Silva
José Everton Mourão e Melo
Jose Leitao de Albuquerque Filho
José Maria da Silva
José Maria da Silva
José Nunes Barbosa
José Pereira de Sousa Filho
José Raimundo de Almeida
José Ribamar Passinho Beckman
José Teixeira Marques Júnior
Josinete Gomes de Brito Barroso
Juliana Demonte Moreira
Jurema Costa Gurjão
Jussara Maria Dias de Alencar
Jussyene Ramos Costa
Karine Vinagre de Brito
Keila Resende Peixoto
Lana Maria Alves de Souza
Leah Machado
Leandro da Silva Souza
Lecticia Bizarria Gomide
Lillian Maria Goepfert
Lourival Roberto da Costa Araújo
Luciane Mara de Oliveira Patrício Tauil
Luciano Silva Fontenele
Luciene Fernandes de Souza
Lucilene Carlos da Silva
Luzinete Evangelista Barbosa
Luzmária Santos Barbosa Lucena
Magda Gonçalves de Sousa
Maíra Pinheiro Alves
Mara Clella Brito Alves
Marcelo Braga de Paula
Marcelo de Sousa
Marcelo Garrido Pereira
Marcelo Rodrigues Vaz da Costa
Marcia Alves de Assis
Márcia de Olinda Masson dos Reis
Márcia de Oliveira Costa Azevedo
Márcia Helena da Silva
Marcida Olinda Ribeiro Lopes
Márcio Sobral e Silva
Marco Antonio Costa Dias
Marcos Antônio Assunção do Vale
Margarida Agle Pinheiro Gonsalves
Maria Aparecida da Silva
Maria Beatriz Araujo Brito Galarraga
Maria Carmelita de Jesus
Maria Cleudimar Rodrigues da Silva
Maria Costa Meneses
Maria Cristina Rodrigues Costa
Maria da Anunciação Candeira de
Mendonça
Maria da Penha Teodoro Alves
Maria das Dores Araújo Casseb
Maria das Graças Moura Costa
Maria das Graças Tavares de Oliveira
Maria do Socorro de Almeida Melo
Fernandes
Maria do Socorro de Oliveira Mourão
Maria do Socorro de Souza Mota
Maria Francinete de Miranda
Maria Gertrudes Santos Brígido Alvarez
Maria Graci Gomes Fernandes
Maria Helena Cabral da Silva
Maria Helena da Conceição Barreto
Maria Hilda Magalhães da Rocha Wrobel
Maria Inês de Souza Pereira Pedra
Maria Isis de Santana Ramos
Maria José dos Santos
Maria José Fernandes de Araujo
Maria Marcia Caldeira Soares
Maria Raquel Stacciarini
Maria Regina Ferreira da Cunha
Maria Rute Pereira Tavares
Maria Vicentina Pereira de Araújo
Maria Vilani Maia Freitas
Maria Yaneide de Lucena Pereira
Mariana Correa Maldi e Souza
Mariana Nascimento Totoli
Mariangela Davis
Marina Garcia Gonçalves
Maristela Rats Correa
Marta Josefa de Barros
Martha Célia Zeidan de Oliveira
Mauro do Nascimento
Miriam Alves de Almeida Resende
Mirian Borges de Souza Cardozo
Mirian Lucia Bittencourt Guimarães
Monica Bispo dos Santos
Mônica Vieira Maia
Namir Jesus Amorim de B. Guimarães
Neleide Abila
Orita Viana de Paiva
Otávio Correa Paes
Patrícia de Freitas Barros Monteiro
Patricia Marinho dos Santos
Paula Leite Ferreira
Paula Susy Gomes de Almeida
Paulo Cesar Caserta da Cunha Vasconcelos
Paulo Henrique Gonçalves Vianna
Paulo Max Cavalcante da Silva
Paulo Silas Gonçalves
Rafael Edgard Lopes Braga
Rainiery Limeira Lima
Rebeca Barozzi Pires
Regiane Braz Barbosa
Regina Helena Xavier Oliveira
Reinaldo Dourado Matos
Renata Mendes Vianna Benevenuto
Ricardo Murilo Liberal Silva
Rita de Cássia Saraiva de Sousa
Rita Emarilice Sousa Nunes
Rodrigo Ferreira de Almeida
Rogerio Barbosa da Silva
Rogério Xavier Rocha
Rosangela da Silva Fernandes de Araújo
Roselene Dias de Jesus
Sabino Pereira de Souza
Salvador Maria Marra
Salvio Romero Pereira Botelho
Samara Maria Douets Vasconcelos
Samuel Farias Milanez
Sandra Cravo Monteiro Lima
Sandra Scherrer de Amorim Nagem Vidal
Sara Duarte Hungria Cardoso
Sarah Silva Santos
Sárvia Pastor de Barros Lima
Sebastiana Alves Lopes
Severina Cândida dos Santos
Silvia Conceicão de Souza
Simone Silveira de Oliveira
Solange Augusta Deud Brum Faria
Solangia Maria Melão
Sônia Christina Brant Wolff
Sonia Maria Domingos
Sueli Avelino da Silva
Takakazu Ayoama
Tânia Grade Fernandes Santos
Telma Nunes Menezes
Teomair Correia de Oliveira
Teresa Maria Teodoro
Thais Melo Matheus
Tullio Cesar Amorim de Queiroz
Valdemiro Severino de Maria
Vanessa da Silva Otoni
Vanessa de Castro Goulart
Vânia Prisca Dias Santiago
Vera Lúcia Caliman
Vivian de Ornelas Silva
Viviane Roque Ramalho de Oliveira
Wellington Terra Passos
Werlen Ricardo Moreira
Wildemar Santos de Moura
Yandara Fonseca Gois Pajaú
Yandra Ribeiro Torres
Yedda Maria Moreira Nova da Costa Barbosa
Zeni Cerqueira Moreira Salvador
Zilda Terezinha Cassiano Gil
Estagiários
Adriano Guedes Pereira
Anna Carolina Miranda Dantas
Aylis Ibiapina Leite Monteiro Toussaint
Bárbara Madureira das Virgens Ferreira
Camila Santos Nascimento Rocha
Carlos Eduardo Dias Lazaro Alves
Crystiam Antonio Vieira
Denis Wilson da Silva
Diego de Casrile Vitz Rebuelta Neves
Eloá Henrique Costa e Silva
Erivelto Carvalho Machado
Estanislau Nascimento do Couto Silva
Flavia Monteiro de Almeida Ângelo
Gleysson George Alves Mendes Maciel
Hudson Raphael Gomes da Silva
Igor Viana Reis
Inara Zugno Reis
Jean Lopes de Azevedo
José Henrique Silva Pinheiro
Karine Borges Borghetti
Larissa dos Santos Joaquim
Larissa Pereira Coelho de Oliveira
Luana Madeira
Luiz Paulo da Silva Santos
Márcio Henrique Silva Santos
Marcos Roberto Lopes da Silva
Marjorie Rodrigues da Silva
Milane Moreira Fernandes da Silva
Nayane Gomes de Sousa
Rejane Oliveira Nunes
Rosa Vieira Alves
Suellen Cristina Queiroz Pimentel
Thais Oliveira Veras
Vinícius Evangelista da Costa
Vinicius Lopes Ribeiro Silva
FOTógrafos
Abreu Produções Digitais
Alexandre Morais
Akai
Charles
Flora Egrécia
Foca Lisboa
Gustavo Maia
Luiz Ribeiro
Marcio Ferreira
Passarinho
SUMÁRIO
PREFÁCIO .................................................................... 15
APRESENTAÇÃO.......................................................... 18
PARTE I – METODOLOGIA DA CONFERÊNCIA ............ 22
PARTE II – A POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS
NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL......... 28
1 – Democratização das Relações de Trabalho........................... 29
2 – Diretrizes de Carreira ............................................................ 43
3 – Gestão por Competências e Avaliação de Desempenho....... 52
4 – Saúde, Previdência e Benefícios do Servidor ........................ 75
5 – Sistemas e Processos em Gestão de Pessoas ..................... 91
PARTE III – DEBATES..................................................100
1 – Democratização das Relações de Trabalho .................................... 101
1.1 – Dimensões próprias e metodológicas dos grupos de trabalho ..... 101
1.2 – Resultados ................................................................................... 103
2 – Diretrizes de Carreiras em Debate ................................................... 105
2.1 – Dimensões próprias e metodológicas dos grupos de trabalho ..... 105
2.2 – Resultados ................................................................................... 105
3 – Gestão por Competências e Avaliação de Desempenho em Debate..... 124
3.1 – Dimensões próprias e metodológicas do grupo de trabalho ........ 124
3.2 – Resultados ................................................................................... 124
4 – Política de atenção à saúde do servidor (PASS) .............................. 129
4.1 – Dimensões próprias e metodológicas do grupo de trabalho ........ 129
4.2 – Resultados ................................................................................... 130
5 – Sistemas e Processos em Gestão de Pessoas em Debate.............. 147
5.1 – Dimensões próprias e metodológicas do grupo de trabalho ........ 147
5.2 – Resultados ................................................................................... 147
PARTE IV – CONFERÊNCIAS MAGNAS ...................... 152
1 – O Papel do Estado na Sociedade Contemporânea............................ 153
2 – Os Desafios da Administração Pública Federal na Atualidade........... 156
3 – O Tratamento dos Conflitos nas Relações
de Trabalho no Setor Público ................................................................. 162
4 – O Emprego Público na Sociedade Contemporânea........................... 167
PARTE V – PAINÉIS TEMÁTICOS E PAINÉIS DE
EXPERIÊNCIA..................................................... 168
PAINEL TEMÁTICO I – CARREIRAS ............................................. 169
Painel: Diretrizes para as Carreiras da Administração
Pública Federal ........................................................................... 169
Experiência: A Gestão de Pessoas no Estado Peruano................ 174
PAINEL TEMÁTICO II – AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO .................................................. 176
Painel: Cultura do Planejamento Estratégico e Gestão de Desempenho ......................... 176
Experiência: O Sistema de Avaliação de Desempenho do INMETRO .............................. 180
PAINEL TEMÁTICO III – SAÚDE E BENEFÍCIOS DO SERVIDOR PÚBLICO....................... 184
Painel: Os Desafios da Implantação da Política de Atenção à Saúde do Servidor ............ 184
Experiência: Implantação do SIASS nas Regiões ............................................................. 187
PAINEL TEMÁTICO IV – GESTÃO POR COMPETÊNCIAS ................................................ 189
Painel: Gestão por Competências e suas Implicações para a
Administração Pública Federal......................................................................................... 189
Experiência: As Experiências de Gestão por Competências da Casa Civil e
no Ministério da Fazenda................................................................................................. 191
PAINEL TEMÁTICO V – SISTEMAS E PROCESSOS EM GESTÃO DE PESSOAS ............. 195
Painel: Processos de Trabalho e Sistema de Informação na Gestão de Pessoas ............. 195
Experiência: Modernização do Atendimento do Instituto Nacional de Seguro Social ........ 198
PAINEL TEMÁTICO VI – PREVIDÊNCIA............................................................................ 205
Painel: Desafios da Implantação do Regime Próprio da Previdência e da Previdência
Complementar ................................................................................................................ 205
Experiência: O Exemplo da Previdência do Estado da Bahia............................................ 208
PAINEL TEMÁTICO VII – CAPACITAÇÃO ........................................................................ 210
Reflexões sobre a Política de Capacitação na Administração Pública Federal.................. 210
PAINEL TEMÁTICO VIII – PESQUISA SOBRE EMPREGO PÚBLICO ................................ 212
PAINEL TEMÁTICO IX – ÉTICA NO SERVIÇO PÚBLICO .................................................. 218
PARTE VI – A CONFERÊNCIA EM NÚMEROS ............ 222
LISTA DE SIGLAS .................................................................................. 249
POSFÁCIO .................................................... 252
PREFÁCIO
Serviços públicos de qualidade, atendimento célere às demandas dos cidadãos
e presença atuante do Estado em todos os cantos deste país de dimensões
continentais são a tradução de uma sociedade mais justa e igualitária. O país
que queremos ser requer, sem sombra de dúvida, o aprimoramento do próprio
funcionamento do Estado.
Mas ao voltarmo-nos para este olhar interno, na busca da excelência da máquina
pública, complexa como é, devemos, todo o tempo, lembrar que o Estado existe
para a sociedade e tem por missão tornar a vida de milhões de brasileiros melhor,
tão melhor quanto sonhamos que pode ser.
Tampouco podemos nos esquecer que o Estado exerce suas funções por intermédio
dos servidores públicos. No tratamento direto com o cidadão, o Estado abstrato,
sem rosto, não existe. São os servidores públicos que emprestam sua forma
ao Estado no lido direto com o cidadão, e com isso tem o poder de reviver no
destinatário daquele serviço prestado uma estima que andou em frangalhos: o
orgulho de ser brasileiro.
São, pois, os servidores públicos que compõem o Estado um dos fatores de
sucesso no aprimoramento dos serviços, na utilização racional de recursos, na
tradução de um país mais solidário e mais justo.
Soma-se a isso que o ingresso no serviço público é, na grande maioria das vezes,
a opção derradeira de uma vida, e assim sendo, a gestão de recursos humanos do
Governo Federal deve, necessariamente, ser dinâmica para acompanhar as fases
e mudanças tantas quantas passam uma pessoa durante a vida.
Não é por acaso que o eixo central da política de recursos humanos do Governo
Federal é exatamente a democratização das relações de trabalho, pois é imperioso
que os servidores públicos que acompanham todas as políticas do Governo
pudessem acompanhar, por intermédio de suas representações, também a
Política de Gestão de Pessoas e dela participar.
Neste espírito foi realizada a Conferência Nacional de Recursos Humanos da
Administração Pública Federal, um espaço para conferir a Política de Gestão de
15
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
16
Pessoas, participar, falar e ouvir, que contou com a participação de membros do
Governo, sindicatos e representantes da sociedade civil.
A Conferência Nacional de Recursos Humanos ampliou o debate sobre os
estudos e projetos elaborados pela Secretaria de Recursos Humanos trazendo à
discussão todos os atores desse processo, o que confere legitimidade às soluções
encontradas, na medida em que é discutida com seus destinatários, mas não é só.
Elaborar políticas de recursos humanos de portas abertas e colocar esta política
em conferência trazendo o debate a todos os envolvidos, inclusive à sociedade
brasileira, demonstra transparência, objetividade nos critérios, equidade das
soluções, impessoalidade e profissionalismo. Características que buscamos
incessantemente na solução de gestão de pessoas no Governo Federal.
Isso por si só seria desafio suficiente. Mas pensar que esta Conferência de Recursos
Humanos foi realizada durante uma crise econômica internacional como a de
2009 demonstra o quanto progredimos e o quanto é possível realizarmos com
planejamento, competência, vontade política e democracia.
As propostas do Governo para os recursos humanos federais foram postas a
provas em debates envolvendo tanto os órgãos de recursos humanos do Executivo
federal quanto os sindicatos, enquanto legítimos representantes dos servidores e
a sociedade civil. Em um ano de crise internacional, a Conferência de Recursos
Humanos da Administração Pública Federal deu um exemplo de maturidade
democrática ao discutir o enfrentamento da crise e a manutenção dos reajustes do
funcionalismo. Visionário? Sim, mas vitorioso. Não há como democratizar relações
sem transparência, não há como aproximar o Governo da sociedade se houver
resistência, preconceito. E não há como vencer essa resistência sem compreensão
da complexidade e da riqueza dos recursos humanos do Governo Federal.
Os reajustes foram mantidos e o Governo Lula conseguiu destravar o crescimento
econômico atingindo um patamar muito positivo de crescimento sustentado. Ao
levar o diálogo como regra, e não se recusar a qualquer debate, a Conferência
Nacional de Recursos Humanos da Administração Pública Federal aproximou
a sociedade da realidade do servidor público e, ao fazê-lo, deu um importante
passo para derrotar dois algozes conhecidos desta relação: o preconceito e
o medo. Não se trata de dividir responsabilidades do Governo ou referendar
decisões políticas, mas de perceber que tornar transparente o debate é o caminho
que leva a uma sociedade melhor.
A Conferência Nacional de Recursos Humanos da Administração Pública Federal
foi mais que uma experiência bem-sucedida. Foi um exemplo de democracia e
do quanto é possível realizarmos, quando estamos todos empenhados na busca
de soluções.
Aos servidores, cidadãos, sindicatos e membros do Governo que participaram
desse desafio e trabalharam arduamente: meus sinceros cumprimentos. Os
debates falam por si.
Boa leitura!
Paulo bernardo Silva
Ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
O desafio que está posto agora é o progresso contínuo, pois o crescimento que
este Governo tanto almejou e vem alcançando pressupõe servidores aptos para
lidar com novas questões que antes não nos eram apresentadas. Novos tempos
pressupõem novos desafios e, portanto, novas competências. E para isso devemos
estar preparados. Tratando-se de pessoas, as soluções são temporais, pois as
necessidades humanas não são perenes, ao contrário. Faz parte da natureza
humana e da natureza da relação do trabalho que as necessidades mudem e
variem. É imperioso, pois, para a gestão de pessoas que espaços criados como
esta Conferência continuem a fomentar o diálogo e acompanhem, passo a passo,
as necessidades de uma sociedade que prospera.
17
APRESENTAÇÃO
A realização da Conferência Nacional de Recursos Humanos da Administração
Pública Federal advém de um processo histórico de incessante busca por uma
gestão participativa e transparente, mesmo quando estes conceitos podiam
residir apenas no campo das ideias.
Do campo dos ideais, por tantos compartilhados, este conceito tomou forma e
oportunidade. Iniciamos um diálogo permanente, primeiro com os órgãos do
Sistema de Pessoal Civil (SIPEC), depois com os servidores. Demonstramos
que é possível fazer gestão de pessoas no Governo Federal com impessoalidade,
profissionalismo, transparência e diálogo. A Conferência é, portanto, o ápice de
um processo que consagra um novo olhar para a gestão de recursos humanos do
Governo Federal.
A Secretaria de Recursos Humanos promoveu um movimento de maior
integração com os servidores componentes do SIPEC, composto pelo conjunto
de RH de todos os órgãos federais. Desde 2003 foram promovidos cinco
Encontros Nacionais do SIPEC que significaram a ampliação do diálogo entre
o órgão central (SRH/MP) e os órgãos setoriais, por meio da abordagem de
diversos temas fundamentais ao fortalecimento da gestão de pessoas dos órgãos
públicos. Esses encontros anuais foram espaços de debates, informação e
participação, espaços de troca de experiências nessa atividade complexa que é o
gerenciamento dos recursos humanos do Governo Federal.
Na constante busca de diálogo e aprimoramento dos mecanismos de
comunicação, foram criados e ampliados canais de diálogo, com destaque para
a criação da Ouvidoria do Servidor Público, também em 2003, e o Sistema
Nacional de Negociação Permanente (SINNP). O primeiro destinado a acolher
individualmente o servidor, o segundo formado por entidades sindicais
representativas dos servidores públicos federais, que os representam, em sua
coletividade, nas negociações com o Governo Federal.
Ao trazer ao debate temas e propostas para a gestão de pessoas do Governo Federal,
a Conferência Nacional de Recursos Humanos desmistificou os paradigmas da
impossibilidade de debate imposta pela complexidade e imprimiu o diálogo e a
transparência como pressupostos para a Política de Gestão de Pessoas.
18
A aproximação dos órgãos de recursos humanos com as demandas e os anseios
dos servidores, por intermédio dos sindicatos, por vezes dispostas na Conferência,
foram inestimáveis. Pois, aos que se dedicam a cuidar das pessoas o exercício do
diálogo; a observação do outro ao expressar-se com sua própria voz, ao invés
de imaginarmos quais são suas necessidades, é o exercício democrático de
conhecer as críticas, e ao fazê-lo tratar os conflitos das relações de trabalho. Não
poderemos gerir servidores públicos ou mesmo formular e implantar políticas se
não entendermos as pessoas destinatárias destas. Lidamos com seres humanos, e
assim sendo, as lições antigas ainda são atuais: ouvir ainda é mais importante que
falar. Mas não é só. O exercício demonstra que o princípio da efetividade e eficácia
das soluções se sobrepõe, indubitavelmente, à necessidade humana em sua busca
por concordância e par. Em matéria de gestão de pessoas a solução adequada não
é aquela mais visionária, mais acadêmica, mas antes aquela legítima e que mais
adere à realidade, e por isso mesmo com melhor chance de sucesso.
A busca pelo consenso é um ideal, mas na impossibilidade deste resultado, não
nos esquivamos do debate e lutamos pela manutenção do diálogo. Democratizar
as relações de trabalho é também aceitar as diferenças inerentes tanto do
trabalho quanto dos indivíduos. Buscamos isonomia, mas não queremos ser
iguais na acepção literal do termo, queremos antes que cada servidor e cada
trabalho sejam respeitados em suas diferenças. Igualdade deve ser de condições,
de transparência, de critérios.
A Conferência foi vitoriosa ao promover debates com respeito às diferenças,
pois é na pluralidade dos recursos humanos do Governo Federal que reside o
maior patrimônio do funcionamento deste Estado.
O passado da gestão de pessoas no serviço público já deveria ser diagnóstico
e lição suficiente para a constatação de que ignorar os problemas não os faz
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
A Conferência Nacional de Recursos Humanos da Administração Pública
Federal refletiu justamente a preocupação em ampliar o debate sobre a Política
de Gestão de Pessoas aos atores externos que representassem, de um lado, o
interesse direto do funcionalismo por meio de suas entidades de classe e, de outro,
o interesse difuso da sociedade a quem em última análise destina-se a execução
das políticas públicas, a efetivação das metas de Governo e o funcionamento da
máquina pública. Sendo assim, a Conferência reflete objetivos de diversificação
e aprofundamento da temática para o conjunto da sociedade brasileira.
19
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
20
desaparecerem, pelo contrário: a história nos mostra que os conflitos ignorados
se avolumam e progridem para confrontos e ineficiências que, por sua vez, têm
por resultado prejuízos reais a todos os envolvidos, em especial à sociedade,
destinatária dos serviços públicos, ao tempo que revela a ineficiência do Governo
em lidar com sua própria estrutura.
Essa ineficiência do Poder Executivo no trato com os seus servidores públicos foi
por anos a fio uma relação degenerada, com desgastes acentuados para ambos os
lados. E os prejuízos vão para além do Executivo para atingir outros Poderes da
república. A falta de um modelo eficiente de gestão de pessoas por tantos anos
no Governo Federal e a recusa em lidar com críticas e conflitos oriundos das
relações de trabalho tornaram comum o que deveria ser excepcional: a resolução
pelo Poder Judiciário, dos conflitos nas relações de trabalho do Poder Executivo.
A judicialização dos conflitos nas relações de trabalho do Poder Executivo era um
processo de volume crescente tão intenso que beiramos a quase impossibilidade
de retomar a competência que cabia à gestão de pessoas da Administração
Pública Federal: o de resolver, antes da via judicial, nossos próprios conflitos
internos. Por certo que é direito do servidor valer-se do Poder Judiciário quando
entender que há direito lesionado, mas é incompreensível que o Governo delegue
os seus problemas para serem resolvidos, a priori, por outro Poder. E é necessário
que os órgãos do Governo tenham a sensibilidade, senão a obrigação, de agir
em colaboração com os seus pares para que estes também possam atingir seus
objetivos e ideais, pois é em colaboração que tornaremos este um Brasil melhor.
À luz do projeto de sociedade que estamos construindo, não é concebível que
o Poder Executivo seja, por omissão de suas responsabilidades, causador de
mazela tão gravosa à sociedade: o de ser o mais demandado nas ações judiciais
a ponto de causar a morosidade do sistema. Pois o brasileiro sabe que justiça
tardia muitas vezes é simplesmente injustiça.
A democratização das relações de trabalho é modelo com foco no resultado.
Neste novo modelo e na busca por uma sociedade mais livre, justa e plural, os
velhos padrões já não respondem mais às necessidades da sociedade brasileira.
Ao incorporarmos os princípios democráticos consagrados pela constituição,
a gestão de pessoas, o fizemos de forma vívida para além da burocracia. Desta
forma, a transparência que buscamos é real, e não doutrinária. É necessário que
se atue com honestidade, corolário, e pressuposto essencial deste princípio. Neste
A transparência deste reconhecimento impõe ao Estado o dever de tratá-lo e, ao
fazê-lo, gerir as funções que lhe competem com maior eficiência.
De tão simples, tão humano, que é o exercício do diálogo, acreditamos que essa
conquista, que é de todos nós, pareça ao passar dos anos como corriqueira e banal.
E talvez um dia esse processo pioneiro realizado na I Conferência Nacional de
Recursos Humanos da Administração Pública Federal pareça de uma obviedade
absoluta. E que assim seja. Mas, os que participaram de todo esse processo irão
lembrar-se do empenho necessário para chegarmos até aqui. E até chegarmos lá,
quero mais uma vez repartir essa vitória com cada servidor, cada sindicato, cada
membro do Governo e da sociedade civil que aceitaram esse desafio.
Portanto, é com indisfarçável honra e satisfação que torno público os resultados
dos debates oriundos da I Conferência Nacional de Recursos Humanos da
Administração Pública Federal. Que o empenho, o respeito mútuo, a hombridade
e os esforços conjuntos daqueles dias sejam nosso parâmetro para continuarmos
a enfrentar nossos desafios com celeridade , transparência e diálogo.
duvanier Paiva Ferreira
Secretário de Recursos Humanos
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
diapasão, o primeiro passo foi reconhecer que na relação entre os servidores e o
Estado existem conflitos advindos das relações de trabalho, reconhecimento este
que o Estado impôs à iniciativa privada e isentou-se de fazê-lo, quando deveria
ser o primeiro a dar o exemplo.
21
PARTE I
METODOLOGIA
DA CONFERÊNCIA
A Conferência Nacional de Recursos Humanos na Administração Pública
Federal foi criada com o objetivo central de colocar em debate a política de
recursos humanos da Administração Pública Federal com os órgãos federais que
a executam, os servidores públicos e os representantes da sociedade, mote da
organização do Estado.
Para a consecução deste objetivo, foi especialmente constituída a Comissão
Nacional Organizadora, instituída pela Portaria Ministerial no 16, de 29 de
janeiro de 2009, composta por órgãos federais, por representantes das entidades
sindicais e por representantes da sociedade civil organizada.
Para envolver todas as regiões do país, no debate foram organizadas cinco Etapas
Regionais:






nordeste: de 11 a 13-3-2009, na Universidade Federal de Pernambuco;
Sudeste – Minas Gerais e espírito Santo: de 18 a 20-3-2009, na
Universidade Federal de Minas Gerais;
Sul: de 25 a 27-3-2009, na Universidade Federal de Santa Catarina;
Sudeste – São Paulo e Rio de janeiro: de 1o a 3-4-2009, na Universidade
Federal do ABC;
centro-Oeste: de 6 a 8-4-2009, na Universidade de Brasília; e
norte: de 14 a 16-4-2009, na Escola de Administração Fazendária de
Belém/PA.
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
24
As Etapas Regionais discutiram cinco eixos estratégicos da política de recursos
humanos em curso no Governo Federal:





democratização das relações de trabalho;
diretrizes de carreiras;
gestão por competências e avaliação de desempenho;
saúde, previdência e benefícios do servidor; e
sistemas e processos em gestão de pessoas.
À luz de criar um ambiente propício aos debates, ao tempo que propugnamos
pela transparência das políticas de gestão de pessoas no Governo Federal,
elemento imprescindível para permitir que esse processo pioneiro tivesse
êxito, foi elaborado o texto base das
Etapas Regionais da Conferência
de Recursos Humanos, documento
descritivo das políticas dispostas em
cada um dos eixos, que incluíram,
quando cabível, o diagnóstico
elaborado pelo Governo, referências
legislativas e glossários dos termos
usados, em formato que permitia a
rápida consulta dos participantes.
A partir do que foi
apresentado, discutido
e elaborado nas Etapas
Regionais, foi arquitetada
a Conferência Nacional
de Recursos Humanos
Formulada com critérios consultivos
e propositivos, a Conferência primou
por uma metodologia dedutiva, é
dizer, partiu do âmbito geral para o particular. Em torno dos eixos da Conferência,
estabeleceram-se painéis temáticos regidos pela colaboração teórico-prática
de representantes do Governo, de entidades sindicais, da sociedade civil e de
membros da academia. Neste diapasão, os painéis realizados durante as Etapas
Regionais da Conferência foram espaço não apenas de exposição da política de
cada um dos eixos, mas antes tornaram o ambiente favorável à troca de ideias,
uma vez que os diversos atores deste processo foram expositores em conjunto
com os membros do Governo.
Cada painel temático correspondeu a um grupo de trabalho. Os grupos
formados permitiram um amplo debate em que todos os participantes tiveram
a oportunidade de se manifestar e apresentar suas opiniões, críticas e propostas,
PARTE I - METODOLOGIA DA CONFERÊNCIA
Após os debates dos grupos, um participante era eleito representante entre
seus pares para apresentar as conclusões dos debates do eixo para os demais
participantes daquela etapa da Conferência.
A partir do que foi apresentado, discutido e elaborado nas Etapas Regionais, foi
arquitetada a Conferência Nacional de Recursos Humanos, oportunidade em que
os temas receberam análise mais ampla e aprofundada, com destaque aos pontos
de crítica e aos desafios a serem enfrentados pela Administração Pública, reunindo
os participantes das Etapas Regionais para o aprofundamento dos debates e
possibilitando a incorporação de interessados que surgiam por todo o país.
O evento foi então estruturado em Conferências Magnas, destinadas a todos
os participantes, e Painéis Temáticos seguidos de Experiências, que ocorreram
simultaneamente, possibilitando aos participantes focar nos eixos de seu maior
PARTE I - METODOLOGIA DA CONFERÊNCIA
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
e a mediação dos grupos deu-se para permitir a apresentação dos resultados
destes debates, orientando a apresentação de pontos fortes, pontos fracos e
desafios a serem enfrentados por cada uma dessas políticas.
25
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
26
O presente relatório tem
como objetivo compartilhar
os resultados dos debates
ocorridos ao longo da
realização da Conferência
e demonstrar o avanço
promovido pelo diálogo
interesse. As Conferências Magnas
privilegiaram temas abrangentes, em
que seus expositores apresentaram
reflexões contextualizadas sobre
o papel do Estado na sociedade
contemporânea, o emprego público,
os desafios da Administração Pública
Federal e o tratamento de conflitos no
serviço público. Os Painéis Temáticos,
por sua vez, possibilitaram uma
discussão mais focalizada; assim,
cada participante integrou um painel
temático a cada dia, conforme prévia
escolha no momento da inscrição.
Importante dizer que os grupos de trabalho que compuseram os cinco eixos
da Conferência de Recursos Humanos tiveram dimensões próprias, face às
peculiaridades de cada uma das políticas. Em tributo ao princípio da liberdade de
expressão, os resultados obtidos e ora expostos estão em consonância com o que
foi debatido, que em alguns eixos, foi para além do que foi inicialmente proposto.
Alguns eixos apresentaram maior coesão nas opiniões e propostas entre os
integrantes do grupo e esta teve transversalidade entre as etapas da Conferência, ao
passo que eixos como diretrizes de carreiras e Saúde, Previdência e benefícios
revelaram um número notável
de insumos, que, para espelhar
a realidade dos debates,
tiveram de ser percentualmente
quantificados. Além destes
exemplos, os grupos de trabalho
formados para a discussão de
Sistemas e Processo em Gestão
de Pessoas, para além do que
foi proposto, apresentaram
premissas e pressupostos, à
luz da construção de um novo
sistema. Estas diferenciações,
quer pelo valor que agregam
PARTE I - METODOLOGIA DA CONFERÊNCIA
Por dever de didática e organização, os debates dispostos na parte II deste
relatório estão elencados por eixo e antes de cada qual há explicitações sobre
as diferenças metodológicas supramencionadas.
O presente relatório tem como objetivo compartilhar os resultados dos debates
ocorridos ao longo da realização da Conferência e demonstrar o avanço promovido
pelo diálogo. E assim sendo, e à luz da transparência que norteia o processo
da democratização das relações de trabalho e que culminou na realização da I
Conferencia Nacional de Recursos Humanos da Administração Pública Federal,
relembramos os eixos da política que nortearam a realização das Etapas Regionais
e os acréscimos feitos à política adotada, é dizer, a transparência dos debates,
proposituras e avanços realizados naquelas etapas, de maneira consolidada, e que
culminaram no aprofundamento das questões apontadas pelos participantes que
foram objeto de aprofundamento e reflexão na Conferência.
PARTE I - METODOLOGIA DA CONFERÊNCIA
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
a este processo quer também por dever de transparência, ora permanecem
incorporados neste relatório em tributo à essência e não à forma, mas principalmente
por dever de consagração da liberdade de expressão das Etapas Regionais.
27
PARTE II
A POLÍTICA DE
RECURSOS HUMANOS
NA ADMINISTRAÇÃO
PÚBLICA FEDERAL
1. Democratização das relações
de trabalho
A política de recursos humanos na Administração Pública Federal tem por
fundamento a democratização das relações de trabalho. Trata-se de um
rompimento com a relação tradicionalmente unilateral entre a Administração
Pública e seus servidores que vinha se perpetuando como resquício de um
Estado autoritário. A redemocratização do Estado é um processo em curso e
a necessidade de conceber as relações de trabalho de forma horizontal é uma
consequência desse processo.
Nesse sentido, entende-se que a gestão de pessoas no Governo Federal pode e
deve tanto incorporar quanto pautar-se pelos princípios democráticos do Estado
brasileiro, não apenas em sua burocracia, mas sim em sua forma mais viva,
mais dinâmica. Desta forma, democratizar as relações de trabalho significa, em
apertada síntese, tornar vivos os princípios democráticos já consagrados por
nossa Constituição no cotidiano da Administração de Recursos Humanos no
Governo Federal.
Incorporar a democracia à gestão de pessoas parece decorrência lógica, e por
certo, que é do processo de redemocratização do Estado. No entanto, trata-se
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
30
o diálogo é o
instrumento, por
excelência da
democratização
das relações de
trabalho, como o
é da democracia
inexoravelmente da quebra do paradigma de outrora
em que a gestão de recursos humanos do Governo
Federal era feita de forma autoritária, segmentada,
de portas fechadas.
Historicamente, a gestão de recursos humanos
no Governo Federal sentia-se descompromissada
com estes princípios que devem ser por todos,
indistintamente, observados. Atualmente, já se
compreende que quando não há critério de quem são
os interlocutores, não há impessoalidade. De mesma
forma, não é possível falar-se em efetividade se as
soluções propostas não têm aderência à realidade,
por desconhecimento ou por falta de legitimidade do que é apresentado. Em um
Estado moderno não é mais possível imaginar que os princípios consagrados
por nossa democracia devem obedecer apenas aos ritos processuais. É hora de
entender que os princípios que são mais caros ao Estado de Direito também
devem ser à gestão e administração deste Estado e, portanto, devem estar
permeados por todo o processo, do início ao fim.
Incorporar estes princípios, rompendo com os resquícios autoritários de outrora,
trouxe isonomia e transparência para os recursos humanos do Governo Federal,
esta que é a área vital do funcionamento do Estado.
Neste diapasão, a democratização das relações de trabalho deve ser vista em um
contexto amplo, em que se incorporam estes princípios também na relação com
os servidores. A par das negociações com os servidores públicos ser importante
instrumento e conquista desta política, ela não traduz, no todo, o significado
deste eixo, que é principiológico, transversal. É dizer, democratizar as relações de
trabalho é espécie do qual a negociação é gênero, assim como o é a construção de
sistemas e processos que, por contar com a participação dos pares, colaboradores
e usuários fazem tributo, por exemplo, ao princípio da efetividade.
Falar é a contraposição do autoritarismo, e, portanto o diálogo é o instrumento,
por excelência da democratização das relações de trabalho, como o é da
democracia. Por princípio, o conjunto de todas as ações estratégicas vem sendo
desenvolvido à luz dessa nova política, cabendo destaque à nova sistemática
de avaliação de desempenho estruturada a partir da pactuação de metas entre
PARTE II - A POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
Ao democratizar as relações de trabalho é forçoso reconhecer, por legítimo, a
existência dos conflitos que advém com as relações de trabalho, este que desde há
muito tempo foi reconhecido na esfera privada, mas entre servidores públicos e a
Administração a existência deste foi recorrentemente negada, como se inexistente.
A nova política de gestão de pessoas prima pela dignidade do servidor público e
este reconhecimento é de primordial importância para que o servidor seja visto
enquanto detentor tanto de direito quanto de deveres e nesta seara, portanto,
pode ter, individual ou coletivamente, conflitos oriundos desta relação que
deixa de ser unilateral.
Reconhecer a existência do conflito é um importante passo, mas não basta. Pois
a eficiência da Administração Pública e, portanto, da gestão de pessoas reside,
justamente no tratamento destes conflitos, que quando ignorados não desaparecem,
pelo contrário, tomam maior vulto e transformam-se em confrontos, que culminam,
inexoravelmente em perda de produtividade.
Buscando conciliar o interesse dos servidores com o fim a que se destina o Estado,
que é o atendimento ao cidadão, o tratamento dos conflitos, tendo por base o
diálogo, é um dos desdobramentos da política de
democratização que notadamente traz benefício
a todos os vértices da relação Administração
– Servidor – Sociedade, uma vez que, colocase como alternativa à greve, instituto legítimo
que continua assegurado, mas que passa a ter
sua posição como derradeira no ordenamento
jurídico, não mais como marco inicial do processo
negocial, evitando assim os possíveis prejuízos
a serem causados à comunidade afetada pelos
serviços públicos eventualmente paralisados por
falta de diálogo entre Governo e servidores.
PARTE II - A POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
chefias e servidoresTratando-se de política transversal, aplicada como modo
de concepção das ações em gestão de pessoas, os benefícios da democratização
das relações de trabalho são mensuráveis na medida do sucesso de cada uma
dessas políticas que vêm trazendo maiores e melhores resultados em termos
de eficiência e qualidade, primando ainda, pela impessoalidade, legalidade e
transparência de todo o processo.
31
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
32
Por certo que tanto o direito de greve quanto o direito de petição estão e
permanecem absolutamente garantidos. Mas é hora de entender que estes direitos,
tão custosos aos servidores, à Administração e à sociedade não precisam mais ser
vistos como a única medida para o tratamento destes conflitos. Pelo contrário,
a Administração Pública pode e deve tratar de seus conflitos internos, até por
que a recusa em fazê-lo implica em milhares de ações judiciais que consomem
anualmente centenas de servidores destacados para este fim, milhares de reais,
complexidade sistêmica de operação e revela que a Administração de Recursos
Humanos do Governo Federal relegou historicamente ao Poder Judiciário a sua
política remuneratória, importante componente na gestão de pessoas.
Neste diapasão, foram criados dois mecanismo para o tratamento dos conflitos
na Administração Pública Federal: a negociação coletiva para o conjunto do
funcionalismo e a Ouvidoria do servidor, visando assegurar a manifestação
individual dos servidores.
Negociação coletiva
A negociação coletiva, direito laboral coletivo reconhecido pela Organização
Internacional do Trabalho e por nosso ordenamento jurídico pátrio, decorre do
princípio da liberdade sindical, disposto no art. 8o da Constituição de 1988.
É justamente nesse contexto que se enquadra o processo de democratização e
o tratamento de conflitos coletivos nas relações de trabalho entre os servidores
públicos e o Estado e que busca dar respostas adequadas e melhores soluções
aos conflitos existentes nas relações de trabalho no serviço público e, ainda,
corresponder aos conceitos e às exigências atribuídos à Administração Pública
pela Constituição de 1988.
No tocante aos servidores públicos, a Constituição de 1988 instituiu o direito
à livre associação sindical e o instrumento da greve, ainda pendente de
regulamentação, mantendo-se omissa quanto à possibilidade do estabelecimento
da negociação coletiva para os servidores públicos.
Por ser espaço de mediação de conflitos, a negociação coletiva com os servidores
públicos situa-se entre a liberdade sindical e o direito de greve, possibilitando o
exercício pleno desta liberdade e sendo alternativa ao acirramento do conflito.
PARTE II - A POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
Não há que se confundir a negociação coletiva em curso no Governo Federal
com a negociação normatizada para o setor privado. Em que pese a denominação
comum a ambas, são institutos absolutamente distintos. E não poderia ser
diferente, uma vez que as regras e normas que regem os empregados celetistas
são diferentes daqueles que regem os servidores públicos. Mas ressalta-se um
denominador comum destes institutos: a necessidade de tratamento dos conflitos
como forma de conferir eficácia aos resultados do trabalho.
Esta Administração optou pelo diálogo com os servidores, por intermédio do
mecanismo democrático de representação das entidades de servidores públicos,
no intuito de conhecer as demandas das diferentes categorias e com elas construir
possíveis soluções.
Para viabilizar o processo de negociação, foi instituído o Sistema Nacional de
Negociação Permanente, responsável por organizar o funcionamento das mesas
PARTE II - A POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
A greve é instituto legítimo que deve ser assegurado, mas que deve deixar de ser
o primeiro passo do processo negocial, evitando assim os possíveis prejuízos a
serem causados à sociedade.
33
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
34
de negociação e a forma de participação das entidades representativas dos
servidores públicos, com observância aos princípios democráticos de direito.
Esta talvez tenha sido a maior expressão do processo de democratização das
relações de trabalho na atual política de recursos humanos que foi concretizada
com a abertura de um espaço permanente de negociação coletiva com os
servidores públicos federais que, por meio dos representantes por eles escolhidos,
foi espaço para construção de soluções legítimas referentes às questões funcionais
dos servidores públicos federais.
Importante dizer que diante do diagnóstico elaborado pela Secretaria
de Recursos Humanos sobre a gestão de pessoas no Governo Federal,1 a
negociação coletiva com os representantes do conjunto do funcionalismo
público federal teve papel fundamental para conhecer e coadunar as demandas
do funcionalismo com as propostas do Governo, o que conferiu aderência e
legitimidade às soluções encontradas.
A negociação coletiva, nos termos propostos e em andamento no Governo
Federal, está em absoluto compasso com os princípios democráticos consagrados
na Constituição Federal de 1988, que por este modelo de gestão é ora incorporado
na relação do Estado com os servidores.
Os debates feitos por intermédio da Mesa Nacional de Negociação e as decisões
dali advindas não prescindem de nenhum fluxo democraticamente constituído
para o exame da matéria referente aos servidores públicos. A negociação coletiva
com os servidores público trata-se de modelo de gestão para a construção de
solução com legitimidade, transparência e eficácia, primando inclusive pelo
princípio da legalidade.
As matérias, objeto de negociação coletiva, são aquelas cujo objeto diz
respeito ao funcionalismo público, inclusive sobre aquelas que, conforme
dispõe o ordenamento jurídico positivo brasileiro, sejam objeto de exame pelo
Legislativo, a exemplo de Planos de Carreira, que obrigatoriamente devem estar
dispostas em lei.
1
Sobre o diagnóstico, ver capítulo 2, Diretrizes de Carreiras, p. 36 e ss.
PARTE II - A POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
As soluções para a gestão dos recursos
humanos no Governo Federal
incluindo as diretrizes de carreira
e os mecanismos remuneratórios
davam-se de “portas fechadas”, é dizer, sem qualquer transparência de critérios
ou interlocutores, sem qualquer método ou política que norteasse tal gestão e
não raro sem eficácia da solução apresentada.
Ao recusar-se ao diálogo e, portanto, a conhecer as demandas e dificuldades
enfrentadas pelo funcionalismo em sua atividade, as propostas careciam não apenas
de legitimidade, mas também de eficácia e terminavam impostas ao funcionalismo
agravando sobremaneira a situação dos servidores públicos federais.
E neste diapasão é importante lembrar que não há que se imaginar a
negociação coletiva do setor público como mera discussão de mecanismos
remuneratórios, pois este é um reducionismo que não confere a amplitude do
modelo de gestão que a democratização das relações de trabalho busca atingir
com o diálogo: a interiorização dos princípios democráticos no mecanismo
da máquina pública no tocante ao tratamento do Estado com seus servidores,
que se coadunam com os anseios do Estado e da sociedade, na prestação de
serviços públicos de qualidade.
A falta de regras e transparência na maneira de construir carreiras, mecanismos
remuneratórios e avaliações é incompatível com o exercício da função pública
acometida aos servidores. Considerando a longevidade da carreira pública, o
instituto da estabilidade nos termos dispostos no art. 41 da Constituição Federal,
PARTE II - A POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
A negociação coletiva situa-se, em
linha do tempo, entre o diagnóstico
e a elaboração do projeto de lei. É
dizer, é a negociação o insumo para
a feitura de projeto de lei quando for
matéria para esta forma normativa.
Portanto não se prescinde de
nenhuma instância de observação
ou controle, pois é antes, modelo
de gestão para busca de soluções
legítimas e democráticas.
A falta de regras e
transparência na
maneira de construir
carreiras, mecanismos
remuneratórios e avaliações
é incompatível com o
exercício da função pública
acometida aos servidores
35
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
36
de maneira isolada, não confere ao servidor público concursado as garantias
necessárias ao exercício de suas funções, mote da criação deste instituto que
tutela o interesse coletivo da sociedade.
O Sistema Nacional de Negociação Permanente possui princípios e regras,
inclusive quanto à interlocução, é dizer, são os legítimos representantes dos
servidores, escolhidos por estes, que os representam junto ao Governo de forma
que não apenas se faz tributo ao mecanismo de representação consagrado em
nossa democracia, mas há transparência dos atores desta relação, é dizer: este
modelo incorpora, de maneira inédita, o princípio da impessoalidade na gestão
de pessoas dos servidores públicos.
Ao incorporar os princípios antes relacionados, e ainda contando com soluções
que se apresentaram mais eficazes, uma vez que legítimas, o Governo Federal
desde 2003 manteve diálogo com todas as categorias de servidores, para com
estes construir, em conjunto, soluções para a gestão de pessoas do Governo
Federal em inúmeras frentes.
TERMOS DE COMPROMISSO ASSINADOS COM ENTIDADES
REPRESENTATIVAS DOS SERVIDORES PÚBLICOS
No ano
Acumulado
70
37
2
2003
2
10
2004
23
20
12
8
2005
Número de Entidades Sindicais: 59
Número de Servidores Beneficiados: 1,15
3
2006
33
14
2007
2008
milhões
PARTE II - A POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
Ouvidoria do servidor
A Ouvidoria do Servidor, criada em julho de 2003, conferiu voz aos servidores
federais que passaram a ter um espaço permanente e eficiente de comunicação
com o Governo Federal, em que o servidor público federal pode tirar dúvidas,
fazer reclamações, sugestões e denúncias e cumpre significativo papel na
intermediação de conflitos individuais que advém da relação de trabalho.
Firmando-se como um espaço de livre expressão dos servidores públicos
federais, a Ouvidoria possibilita o realinhamento na forma do diálogo entre
a Administração e o servidor o que já resulta em melhor compreensão,
resolutividade e agilidade desta relação.
A Ouvidoria desempenha
importante papel tanto
para o servidor, que pode
ter suas dúvidas, sugestões,
reclamações e opiniões
rapidamente tratadas como
para
a
Administração,
que tem na Ouvidoria um
importante parceiro que
possibilita o aprimoramento
e acompanhamento das
ações de recursos humanos.
PARTE II - A POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
Na certeza de que a negociação coletiva contribui de forma decisiva para a
consolidação do Estado Democrático de Direito e que referidas negociações, já
instauradas na prática no âmbito da Administração Pública, são indispensáveis
na formação do tripé fundamental do equilíbrio nas relações de trabalho:
liberdade sindical – negociação coletiva – direito de greve, a Secretaria de
Recursos Humanos do Ministério do Planejamento tem por meta a elaboração
de proposta de projeto de lei sobre a democratização e o tratamento de conflitos
nas relações de trabalho entre servidores públicos e a Administração Pública,
necessidade esta que foi recorrentemente apontada em todas as Etapas Regionais
desta Conferência.
37
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
38
Ao firmar-se como importante instrumento de diálogo individual com
a Administração Pública, a Ouvidoria preza a universalidade dos atores
destinatários da política de recursos humanos, motivo pelo qual não exclui
os aposentados e pensionistas, pelo contrário, engloba também, no que disser
respeito às relações de trabalho, até mesmo os cidadãos, conforme demonstra o
quadro abaixo.
TIPO DE USUÁRIO
Período: 01/01 a 31/12/2008
Beneficiário
Pensão de
Servidor Público
Federal
Servidor Público
Federal Ativo
51%
10%
Cidadão Usuário
23%
Servidor Público
Federal
Aposentado
16%
Primando pela eficácia e celeridade no tratamento das demandas, a Ouvidoria
do servidor mantém um portal na internet <www.ouvidoriadoservidor.gov.br>,
com sistema operacional customizado e atalhos de páginas eletrônicas em órgãos
públicos, utilizando a tecnologia como importante aliada para a celebridade no
processo de respostas. No entanto, mantém-se atenta a seu objetivo primordial
que é o atendimento às demandas de seus usuários, e desta forma, prima pela
universalização deste atendimento, dando tratamento a todas as mensagens que
lhe chegam, independentemente da forma escolhida pelo usuário: cartas, ofícios,
e-mail, fac-símile etc., em tributo à essência e não à forma.
PARTE II - A POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
MENSAGENS REGISTRADAS - POR ANO
PÉRIODO: 20038/10/2003 a 31/12/2008
5500
5000
4500
5520
4000
3500
4400
3000
3941
2500
3090
2000
1500
1000
2979
1671
500
0
2003
2004
2005
2006
2008
2007
N DE REGISTROS
MENSAGENS RECEBIDAS POR CORRESPONDÊNCIAS
(FAX, OFÍCIOS, CARTAS)
CORRESPONDÊNCIAS RECEBIDAS
500
453
400
414
337
300
254
200
100
61
25
0
2003
2004
2005
2006
2007
2008
QUANTITATIVO POR ANO
PARTE II - A POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
MENSAGENS RECEBIDAS PELO SÍTIO ELETRÔNICO
39
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
40
Interessante notar que ao passo que os conflitos individuais dos servidores
vão sendo tratados, e muitas vezes coadunam com os conflitos apresentados
de forma coletiva, as demandas da Ouvidoria do servidor mudam em um
ciclo sazonal.
Por exemplo, no início do processo de democratização das relações de
trabalho, o número de críticas era bastante expressivo e foi diminuindo a
partir de 2007, ano em que o período de pedidos de informação passou a
ser maior que o de críticas. A diminuição das reclamações ocorreu durante
o período de 2007 a 2008, justamente após ações efetivas da SRH, que
equacionaram problemas que vinham sendo enfrentados pelos servidores
e, notadamente, com as publicações das Medidas Provisórias nos 431, 440,
441 e 442 diretamente relacionadas aos reajustes salariais. Ou seja, avalia-se
essa diminuição de acessos como uma reivindicação que foi em sua grande
maioria atendida aos servidores públicos federais.
Desta forma, ao equacionar o problema das críticas surge a necessidade de
informação, que se justifica pela maior procura e pelo interesse do servidor em
conhecer seus direitos e entender os novos atos que regem sua vida funcional,
como as próprias Medidas Provisórias, antes citadas.
TIPOS DE MENSAGENS
Período: 01/01 a 31/12/2008
Solicitação
18%
Sugestão
1%
Denúncia
Elogio
2%
1%
Denúncia - 2%
Elogio - 1%
Sem
Classificação
10%
Informação - 53%
Reclamação - 15%
Sem Classificação - 10%
Solicitação - 18%
Reclamação
15%
Informação
53%
Sugestão - 1%
PARTE II - A POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
Atualmente, a Ouvidoria do servidor conta
com sistema operacional customizado
pelo Serpro/Brasília (SISOuvidor), a
partir de modelo utilizado e cedido
pela Ouvidoria-Geral do Ministério da
Fazenda e visa atender às necessidades no
âmbito do SIPEC.
Sua disponibilização gratuita às unidades
de recursos humanos do SIPEC, que se
manifeste pela criação de uma ouvidoria
setorial, baseia-se no livre acesso a um
software livre, diminuindo custos ou
repasse dos mesmos a fim de garantir acesso
a um canal de comunicação com o próprio
servidor do órgão ou entidade pública.
As Ouvidorias do servidor – setoriais e/
ou seccionais –, presentes em algumas das Coordenações-Gerais de Recursos
Humanos dos órgãos da Administração Pública Federal, compõem atualmente
uma rede de ouvidorias, ainda que de forma voluntária ou por convite, como
participantes e parceiras da construção do SISOuvidor:








Ouvidoria Setorial do Servidor na Presidência da República (PR);
Ouvidoria Setorial do Servidor no Ministério do Planejamento,
Orçamento e Gestão (MP);
Ouvidoria Setorial do Servidor no Ministério da Fazenda (MF);
Ouvidoria Setorial do Servidor no Ministério da Educação (MEC);
Ouvidoria Setorial do Servidor no Ministério da Saúde (MS);
Ouvidoria Setorial do Servidor no Ministério dos Transportes (MT);
Ouvidoria Setorial do Servidor no Ministério da Previdência Social (MPS);
Ouvidoria Setorial do Servidor no Ministério do Trabalho e Emprego
(MTE);
PARTE II - A POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
As mensagens citadas neste gráfico
correspondem ao utilizado no Sistema
Operacional II da Ouvidoria do servidor.
ao equacionar o
problema das críticas
surge a necessidade
de informação, que
se justifica pela
maior procura e pelo
interesse do servidor
em conhecer seus
direitos e entender os
novos atos que regem
sua vida funcional
41
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
42







Ouvidoria Setorial do Servidor no Ministério da Ciência e Tecnologia
(MCT);
Ouvidoria Setorial do Servidor no Ministério da Cultura (MinC) ;
Ouvidoria Setorial do Servidor no Ministério da Justiça (MJ);
Ouvidoria Seccional do Servidor no Instituto Nacional de Seguridade
Social (INSS);
Ouvidoria Seccional do Servidor na Fundação Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (FIBGE);
Ouvidoria Seccional do Servidor no Instituto do Patrimônio Histórico
(IPHAN); e
Ouvidoria Seccional do Servidor na Fundação Nacional de Saúde (Funasa).
Está prevista a adesão ao Sistema de Ouvidorias do Ministério da Agricultura,
Ministério da Justiça, Ministério da Defesa, da Anvisa e Funai.
Assim, somando-se todas as ouvidorias (central, setoriais e seccionais), o
servidor público federal civil já conta com mais de 30 pontos de atendimento,
incluindo os postos das Coordenações-Gerais da SRH e a própria OuvidoriaGeral do Servidor (central de atendimento na SRH), número este que em
projeção pode ser alterado para abarcar todas as demandas individuais dos
servidores públicos federais.
Ainda assim a Ouvidoria do servidor mantém política de constante
aprimoramento para facilitar e agilizar o fluxo de informações e soluções para os
servidores e já se firmou como importante estrutura na resolução e atendimento
das demandas individuais dos servidores, primando pela transparência,
seriedade e fazendo tributo aos
mais altos princípios do Estado
Democrático de Direito.
PARTE II - A POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
Uma das primeiras tarefas assumidas pela SRH/MP, logo no início do Governo
Lula, em 2003, foi mapear a forma de organização dos quadros de pessoal da
Administração Pública Federal. Verificou-se então a existência de 32 planos
de carreiras institucionalizados; oito grupos de cargos isolados que recebem o
mesmo tratamento dado às carreiras; o Plano de Classificação de Cargos (PCC),
instituído pela Lei no 5.645, de 10 de dezembro de 1970, que reunia mais de dois
terços dos servidores existentes; o Plano Único de Classificação e Retribuição
de Cargos e Empregos (PUCRCE), de que trata a Lei no 7.596, de 10 de abril de
1987; e ainda planos diversos de autarquias e fundações públicas abrangendo
cerca de 553 mil servidores ativos, 364 mil servidores aposentados e 249 mil
instituidores de pensão.
Desse estudo, resultou a constatação de que boa parte dos planos de carreiras e
de cargos até então existentes tinham sido criados e estavam sendo estruturados
e reestruturados sem uma diretriz ou modelo formalizado que lhes conferisse
alguma organicidade, o que acabou por introduzir no âmbito da Administração
Pública Federal diferentes arquiteturas de pseudocarreiras.
Foram identificados problemas em todas as áreas e conteúdos relacionados aos
planos de carreiras e de cargos, desde a aplicação do aporte conceitual e legal,
passando pelos mecanismos de recrutamento e seleção para ingresso, pelos
critérios e instrumentos de desenvolvimento – aí compreendidas a progressão
funcional, a promoção e a capacitação –, até as estruturas e composição das
tabelas remuneratórias e os princípios e critérios de avaliação de desempenho.
Constatou-se também que ao longo da história da administração pública haviam
ocorrido avanços nas discussões sobre a política de gestão de pessoas, mas estas
discussões não resultaram em medidas capazes de solucionar os problemas
que foram se acumulando e seguiu-se confundindo carreiras com mecanismos
unicamente remuneratórios e mesmo esses não cumpriam sua função finalística,
a de retribuição adequada e valorização do servidor público.
É de constatar-se que os planos de carreiras e de cargos, até então existentes,
que haviam sido criados, estruturados e reestruturados sem uma diretriz ou
modelo, possibilitaram que as questões remuneratórias fossem tratadas de forma
casuística, em nome do pragmatismo e da urgência, o que causou disparidades
PARTE II - A POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
2 – Diretrizes de carreira
43
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
44
O desafio posto vai para
além da recomposição
salarial ou criação e
reestruturação de planos
de carreiras e de cargos,
pois a pretensão em
curso desde 2003 é
manter por referência
soluções legítimas
entre as diversas categorias de servidores
públicos. Sem diretrizes, perdeu-se
a visão e o compromisso com a
gestão do conjunto dos servidores e
as soluções implementadas sob esta
égide foram pontuais e alcançaram
em seus efeitos apenas determinados
segmentos, deixando de tratar uma
série de problemas que já vinham se
acumulando em todos os processos de
gestão de pessoas.
O reducionismo do conceito de
carreira dos servidores federais como
mero mecanismo para distinção
remuneratória entre os servidores, tal
qual adotado primordialmente a partir
de 1995 quando abandonou-se os
reajustes para o conjunto dos servidores públicos para recomposição salarial
e adotou-se sucessivos reajustes particulares a pequenos grupos de servidores,
acabou por levar a perda da noção institucional do que deva ser um plano de
carreira, que passou a ser visto como trampolim para a obtenção de melhores
tabelas salariais, desprezando-se todos os outros elementos que deveriam integrálo como regras de desenvolvimento, capacitação e perspectivas de crescimento
profissional e individual.
Este diagnóstico revela mais do que a desorganização administrativa na gestão
de pessoas e a falta de diretrizes de carreiras para o serviço público federal, pois
o descuido com os recursos humanos inferem na desvalorização institucional do
servidor público e, por decorrência, dos serviços por estes prestados.
Neste contexto, o foco principal da gestão de pessoas do Governo Federal desde
2003 foi resgatar a importância e a valorização do servidor público federal por
intermédio da adoção de medidas que resultem na sua atuação motivada em
um novo ambiente organizacional, democrático e participativo, em que possa
desempenhar as funções que lhe cabem de maneira adequada, contributiva e
comprometida com a excelência do desempenho e dos resultados organizacionais.
PARTE II - A POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
Este processo, implementado com a finalidade de recompor a força de trabalho
dos órgãos e entidades e também garantir a substituição de pessoal terceirizado
que se encontra na execução de atividades de nível médio ou superior que
deveriam ser exercidas por servidores públicos efetivos, tem sido acelerado nos
últimos anos. Outro feito importante foi o estabelecimento de requisitos para
suportar as demandas de composição e recomposição dos quadros de pessoal,
que permitem, minimamente, planejar os ingressos buscando equilibrar as
necessidades e as possibilidades de atendimento. Órgãos como a AdvocaciaGeral da União e o Ministério das Cidades que não dispunham de Quadros de
Pessoal passaram a tê-lo.
PARTE II - A POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
O desafio posto vai para além da recomposição salarial ou criação e
reestruturação de planos de carreiras e de cargos, pois a pretensão em curso
desde 2003 é manter por referência soluções legítimas, ou seja, diretrizes
gerais consolidadas e reconhecidas por todos como válidas. Pois a experiência
pregressa da falta de diálogo resultou na situação que se diagnosticou e que
ensejava urgentes mudanças.
45
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
46
a opção pelo serviço
público é, na maior parte
das vezes, a opção
derradeira da vida
profissional do indivíduo
Noutra vertente, o tratamento dado ao
Plano de Classificação de Cargos, de
que trata a Lei no 5.645 de 1970, com
a criação do Plano Geral de Cargos
do Poder Executivo (PGPE) no ano de
2006, mostra a tentativa de modernizar
e valorizar este Plano de Cargos como
um plano geral que permeia vários
órgãos, atendendo às necessidades dos
Ministérios por pessoal qualificado de nível médio e superior para atividades
assemelhadas e generalistas, em geral de cunho técnico e administrativo. No
compasso deste movimento, foram criadas Carreiras, Cargos Isolados e Planos
Especiais de Cargos, todos com origem no PCC para atender às necessidades de
pessoal específico, por exemplo, das Agências Reguladoras e outras entidades e
órgãos da Administração Direta e Indireta. A reestruturação do Quadro Geral
de Pessoal do Poder Executivo tem em vista a racionalização de seus cargos,
reduzindo a quantidade de denominações existentes, atualizando as atribuições,
criando cargos novos que contam com amplitude de atribuições adequadas às
necessidades dos órgãos e das entidade.
Particularmente, em relação aos cargos novos criados no âmbito do PGPE, cabe
destacar que recuperam o valor da transversalidade. Nesta esteira de modernização
do serviço público, foram também criadas carreiras com cargos de especialistas,
analistas e técnicos para trabalharem nas atividades finalísticas e, em alguns
casos, analistas e técnicos para as áreas técnicas e administrativas dos órgãos e
das entidades da Administração Pública. Como exemplo, criou-se recentemente
a Carreira de Analista em Infraestrutura e o cargo isolado de Especialista em
Infraestrutura Sênior, com possibilidade de atuar em diferentes Ministérios,
voltada para as demandas do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) e demais
necessidades de infraestrutura do país. Na mesma linha, foi criada a Carreira de
Desenvolvimento de Políticas Sociais para atender a diversos órgãos e entidades.
No Congresso tramita também Projeto de Lei que trata da criação da Carreira de
Analista Executivo, também com as características da transversalidade.
A transversalidade não visa atender apenas e tão somente o princípio da eficiência
do Estado, o que já a justificaria, mas não é só. Ao tratarmos da gestão de pessoas
no Governo Federal é importante lembrarmos que a opção pelo serviço público
é, na maior parte das vezes, a opção derradeira da vida profissional do indivíduo
PARTE II - A POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
Neste diapasão, modernizar a gestão dos recursos humanos no serviço público
brasileiro deve estar, certamente, no cerne de uma proposta séria de reformulação
da máquina estatal, sem esquecer-se que tratamos de pessoas e que a formulação,
execução, avaliação e fiscalização das políticas públicas de todas as áreas de
atuação governamental dependem fundamentalmente da qualidade da força de
trabalho dos indivíduos que desempenham essas tarefas.
A política de recursos humanos do atual Governo, marcada pela realização de
concursos públicos para recompor a força de trabalho, estruturação de novos
planos de carreiras e de cargos, valorização da capacitação e da avaliação
de desempenho como instrumentos de desenvolvimento profissional e
recuperação do sistema de mérito, lança as bases para o encontro de soluções
mais estruturantes e menos conjunturais.
Observe-se o que foi e está sendo feito em relação à remuneração visando, não
apenas ao alcance de patamares adequados de retribuição salarial aos servidores
públicos, mas também à superação de problemas históricos que assombravam
a Administração Pública: revisão e recomposição das estruturas e dos valores
remuneratórios com valores ajustados para a maioria dos servidores até 2010;
fim dos valores de vencimento básico abaixo do salário mínimo; incorporação de
vantagens e gratificações ao vencimento básico e às gratificações de desempenho;
desvinculação das parcelas remuneratórias do valor do vencimento básico,
mudando a base de cálculo de adicionais e
gratificações, com ênfase na Gratificação de
Atividade (GAE), de que trata a Lei Delegada
no 13, de 27 de agosto de 1992; mudança na
relação entre vencimento básico e demais
parcelas remuneratórias, reforçando o valor
do vencimento básico e diminuindo o peso
relativo das demais parcelas; aplicação da
modalidade de retribuição por intermédio
de subsídio, conforme disposto no texto
constitucional; adequação das gratificações
por qualificação, com a valorização da
PARTE II - A POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
e, portanto, é matéria que importa à Secretaria de Recursos Humanos verificar
que esta característica coaduna com as mudanças que por certo ocorrerão com
aquele que ingressa no serviço público federal.
47
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
48
titulação para os servidores de nível superior, particularmente vinculados à
docência e à área de pesquisa em ciência e tecnologia e criação de gratificações
próprias para os servidores de nível intermediário. Estas são algumas das
iniciativas que marcaram, sem dúvida nenhuma, o início de um novo processo
na política de carreiras e remunerações.
A recomposição salarial do funcionalismo federal, ao lado da reestruturação
das carreiras, visando à motivação dos servidores e devolvendo o papel
retributivo e valorativo destes institutos à luz do fortalecimento do Estado,
proposta do Governo, foi algumas das questões que estiveram presentes durante
as negociações coletivas entre o Governo e os servidores, pois, em que pese a
evidência da necessidade dessas reestruturações após o diagnóstico, os termos e
contornos destas construções foram feitos em conjunto com os servidores, o que
possibilitou, por parte do Governo, o exame de estratégias que visavam devolver
a dignidade dos servidores, agredida pela perda da capacidade retributiva de seus
salários, em decorrência do enfraquecimento da máquina administrativa, à luz da
política do Estado mínimo que via nas terceirizações, e não no investimento do
servidor público, alternativa para a prestação de serviços públicos de qualidade.
Resultado das negociações sobre
carreiras e remuneração
2007-2008
Acordos assinados:
47
Beneficiados:
1,15 milhão
Impacto financeiro Anualizado:
2008
-
7,7 bilhões
2009
-
20,9 bilhões
2010
-
28,9 bilhões
Os números mencionados traduzem a dimensão da repercussão que as
negociações coletivas tiveram na máquina administrativa. De 2007 a 2008
foram assinados 47 termos de compromisso, que promoveram reajustes e
reestruturaram carreiras, abrangendo mais de 1 milhão de servidores.
PARTE II - A POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
Despesa de exercício % do PIB pessoal
(R$ milhões)
1995
37.895,0
5,37
1996
40.900,9
4,85
1997
44.529,7
4,74
1998
47.946,6
4,90
1999
51.571,0
4,84
2000
58.240,7
4,94
2001
65.449,4
5,03
2002
75.029,0
5,08
2003
78.974,7
4,65
2004
89.431,5
4,61
2005
100.286,7
4,67
2006
115.011,9
4,95
2007
126.878,5
4,88
2008
144.483,7
5,00
Interessante notar que o movimento para recomposição salarial dos
servidores públicos e reestruturação das carreiras, em que pesem as
dimensões e a abrangência, conforme quadro a seguir, não representaram,
percentualmente, aumento na relação de despesas e foram objeto de criterioso
trabalho de responsabilidade fiscal. Além do mais, é importante dizer que
o movimento de reorganização de carreiras não foi isolado, pelo contrário,
no mesmo período promoveu a substituição dos terceirizados em situação
PARTE II - A POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
Os impactos financeiros desse grandioso processo negocial têm reflexos até 2010
e foram objeto de cauteloso trabalho de responsabilidade fiscal, o que se pode
verificar ao se examinar a relação de despesa com pessoal com o PIB.
49
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
50
irregular, ocorrendo a autorização para a realização de concurso público
para o provimento de 20.651 vagas especificamente para estas substituições
pelo Ministério do Planejamento.2
Formalmente não é fácil estabelecer diretrizes de carreira, mas na prática da
Administração Pública Federal entende-se que o processo de elaboração de
carreiras deve contemplar minimamente os seguintes aspectos:
1.
2.
3.
4.
Definição de critérios para estruturação e criação de novas carreiras.
Definição de uma política de ingresso, recrutamento e seleção.
Aperfeiçoamento dos critérios de progressão e promoção.
Vinculação do desenvolvimento na carreira a critérios objetivos da
capacitação.
5. Estabelecimento de referenciais para definição de estruturas
remuneratórias.
6. Definição da composição das tabelas remuneratórias (vencimento básico,
gratificações de desempenho, gratificações de exercício, retribuição por
titulação, gratificação de qualificação).
7. Delineamento de sistemas mais adequados de avaliação e gratificação de
desempenho.
À luz destas necessidades e de muitas outras não nomeadas, a gestão de pessoas
deve basear-se numa perspectiva estratégica da missão da Administração Pública
Federal direta, autárquica e fundacional e na compreensão alargada de seus
contextos. Este ponto de vista deve partir da análise das políticas de recursos
humanos vigentes ou das práticas gerais e específicas que refletem os conceitos
organizacionais, econômicos, culturais, políticos, jurídico-institucionais,
técnicos e tecnológicos das quais decorrem.
Os desafios estão postos e foram expostos ao longo do texto. A discussão,
portanto, que se coloca é sobre os limites e condicionantes da proposição de uma
lei de diretrizes de planos de carreiras. Não há dúvida de que este é o caminho de
reordenação do serviço público fundado na racionalização da máquina pública,
na valorização e profissionalização do servidor, no estabelecimento de estruturas
e composições remuneratórias adequadas e na recuperação e implantação de um
sistema de mérito e competência, condições sem as quais não há que se falar em
carreiras, nas quais o servidor possa vislumbrar o seu horizonte de crescimento
2
Fonte: Ofício no 419/SE-MP, de 20 de agosto de 2009.
PARTE II - A POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
É este o desafio do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, por
intermédio principalmente da Secretaria de Recursos Humanos: cumprir,
no que diz respeito aos Planos de Carreiras, sua missão institucional de gerir
democraticamente os Planos de Carreiras e de Cargos da Administração
Pública Federal a partir de diretrizes – aqui entendidas como um conjunto
de princípios gerais, parâmetros e procedimentos – “ajustadas ao aporte
conceitual adequado, às necessidades e complexidades do serviço público e
aos limites constitucionais”, sem descurar da dimensão política implícita em
qualquer ato de gestão, sendo a deste Governo, o fortalecimento do Estado, e
por decorrência a valorização do papel e importância do servidor público no
projeto de uma sociedade mais justa e igualitária.
PARTE II - A POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
individual e profissional e a sociedade, usuária dos serviços públicos, possa
contar com a ação administrativa pautada na eficiência e eficácia. Vislumbrase que devam ser vencidos ou contornados obstáculos de toda ordem: técnicoconceituais, jurídicos, constitucionais, políticos, econômicos e administrativos.
Todavia, para que estes obstáculos possam ser tratados, é necessário identificá-los
pontualmente, descrevê-los e dimensioná-los objetivamente, para que não sejam
nem super nem subvalorizados.
51
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
52
3 – Gestão por competências e
avaliação de desempenho
3.1 Introdução
Ao incluir para discussão em mesmo eixo avaliação de desempenho e gestão
por competências, a Secretaria de Recursos Humanos buscou conferir a
estes institutos as dimensões holográficas que fazem parte da política da
democratização das relações de trabalho, que alberga acepções múltiplas, as
que dizem respeito ao indivíduo, e as que dizem respeito à Administração.
Desta forma, entendemos que os institutos são imbricados na medida em que
perseguem objetivos similares, ainda que em dimensões diferentes.
A construção de um novo modelo de sociedade mais justa e igualitária já se
faz sentir. Toda mudança promove novos desafios e estes nos impelem a novas
competências e olhares para continuarmos progredindo em busca da sociedade
que queremos ser. O papel da gestão de pessoas em um Brasil próspero é ter
mecanismos que possibilitem aos servidores atingirem suas metas e que elas se
coadunem com as metas da sociedade, objeto de nossos serviços e nossa proposta
da avaliação de desempenho.
Colocar a política de gestão de pessoas à prova em processo de conferência
significa compreender as dimensões do possível para seguir adiante com os
debates, e conforme apontado pelos participantes das Etapas Regionais, os
institutos que unimos em discussão por teoria encontravam-se separados na
prática, primordialmente por graus díspares em relação à maturidade destes
conceitos dentro da Administração Pública Federal, motivo pelo qual passamos
a tratar um em outro em apartado, em tributo à eficiência.
PARTE II - A POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
A edição do Decreto no 5.707, de 23 de fevereiro de 2006, que instituiu a Política e
as Diretrizes para o Desenvolvimento de Pessoal incorporou o conceito de gestão
por competências na Administração Pública Federal (APF) direta, autárquica
e fundacional. Essa nova abordagem tem entre seus objetivos: a adequação
das competências requeridas dos servidores aos objetivos das instituições; o
desenvolvimento permanente do servidor público; a racionalização e efetividade
dos gastos com capacitação. Essas finalidades imprimem às organizações públicas
o desafio do estabelecimento de um novo referencial teórico e metodológico
para a gestão do desenvolvimento.
Nesse novo referencial, destacam-se o incentivo às iniciativas de capacitação,
promovidas pelas próprias instituições, mediante o aproveitamento de
habilidades e de conhecimentos de servidores do próprio quadro de pessoal;
o apoio ao servidor público em iniciativas de capacitação, voltadas para o
desenvolvimento das competências institucionais e individuais; a garantia de
acesso dos servidores a eventos de capacitação interna ou externa ao seu local de
trabalho; o incentivo à inclusão das atividades de capacitação como requisito para
a promoção do servidor na carreira; e a complementaridade entre o resultado
das ações de capacitação e a mensuração do desempenho, as quais constituem
diretrizes que reforçam um novo olhar para o desenvolvimento.
Essa política de desenvolvimento de pessoas se apoia em três instrumentos:
o Plano Anual de Capacitação, o Relatório de Execução de Atividades e o
Sistema de Gestão por Competência, esse último,
ferramenta gerencial que permite planejar,
monitorar e avaliar ações de capacitação a
partir da identificação dos conhecimentos,
das habilidades e das atitudes necessárias ao
desempenho das funções dos servidores.
O Decreto no 5.707/2006 apresenta a noção
de competência como desenvolvimento do
conjunto de conhecimentos, habilidades e
atitudes necessárias ao desempenho das funções
dos servidores, visando ao alcance dos objetivos
da instituição (inciso I, art. 2o).
PARTE II - A POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
Gestão por competências
53
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
54
Assumir a gestão por competências na Administração Pública Federal não é
mera questão semântica ou de modismo pós-modernista, ela reflete um estágio
de maturação e de apropriação do conceito que vem da década de 1990.
A abordagem de gestão por competências ganhou força no Brasil naquela
década, principalmente no setor privado e em empresas públicas que,
atualmente, vivenciam os resultados do modelo e sua consolidação. Exemplos
concretos são as experiências do Banco do Brasil, Petrobras e Caixa Econômica
Federal que agregaram o conceito de competências ao seu modelo de gestão
de pessoas e puderam utilizá-lo para ações de desenvolvimento, seleção e
mensuração do desempenho.
Em que pese a breve trajetória da gestão por competências no Brasil, uma análise
da literatura sobre o tema nos remete a algumas constatações importantes: o
conceito de gestão por competências ganha força quando as práticas de gestão de
pessoas parecem não atender aos novos conceitos de desenvolvimento no trabalho
e de valorização do indivíduo na estratégia organizacional; competência constitui
um conceito complexo e multifacetado, que pode ser analisado sob diferentes
PARTE II - A POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
O crescimento do interesse desse
tema, enquanto objeto de estudos e
pesquisas, a partir de 2001, aponta
para uma convergência importante no
conceito de competências, articulada
com base em três dimensões:
conhecimentos, habilidades e atitudes.
O conhecimento corresponde a uma
série de informações assimiladas e
estruturadas pelo indivíduo, que lhe
permitem entender o mundo, ou seja,
é a dimensão do saber. A habilidade,
por sua vez, está associada ao saberfazer, ou seja, à capacidade de aplicar e
fazer uso produtivo do conhecimento
adquirido e utilizá-lo em uma ação,
com vista ao atendimento de um
propósito específico. Finalmente, a
atitude é a dimensão do querer-saberfazer, que diz respeito aos aspectos sociais e afetivos relacionados ao trabalho. As
três dimensões da competência estão interligadas e são interdependentes.
Nesse contexto, o desafio que se coloca para a Administração Pública, mais
do que apropriação do conceito de competências, é o desafio cultural de
transformar estruturas burocráticas, hierarquizadas e que tendem a um processo
de insulamento, em organizações flexíveis e empreendedoras. No setor público,
mais do que em qualquer outro setor, a base fundamental da abordagem de
competências deixa de ser o desenho de cargos e passa a ser o conceito dinâmico
de habilidades e competências necessárias ao cumprimento da missão do órgão.
Ademais, estudos apresentam algumas premissas para a adoção da gestão por
competências, que auxiliam na reflexão das dificuldades de implementação do
modelo na Administração Pública. A primeira se refere à passagem do foco
PARTE II - A POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
perspectivas e, em decorrência disso,
adquiriu variadas conotações na última
década, inserindo-se em um contexto
de fragmentação teórica.
o desafio que se coloca
para a Administração
Pública, mais do que
apropriação do conceito de
competências, é o desafio
cultural de transformar
estruturas burocráticas,
hierarquizadas e que
tendem a um processo
de insulamento, em
organizações flexíveis e
empreendedoras
55
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
56
do controle para o foco no desenvolvimento,
a segunda diz respeito à passagem do foco nos
instrumentos para o foco no processo. A terceira
premissa refere-se ao foco no interesse conciliado
ao invés do foco no interesse da organização.
Esse foco se caracteriza pela busca de
desenvolvimento mútuo, de forma dinâmica, e
a negociação torna-se imprescindível. A quarta
premissa refere-se ao foco no modelo integrado
e estratégico ao invés do foco no modelo
construído por partes desarticuladas entre si.
No que se refere à gestão de pessoas, a abordagem da competência mostrouse uma forma avançada e inovadora porque a sua base de sustentação está nos
conhecimentos requeridos pela organização, na flexibilização do conceito de
posto de trabalho e no envolvimento e na responsabilização permanente do
indivíduo em seu desenvolvimento.
Dentre as preocupações da abordagem está o desdobramento das estratégias
organizacionais em conhecimentos, habilidades e atitudes desejadas dos
profissionais, necessárias para a definição de perfis e fundamentais para o
estabelecimento de padrões requeridos para o desempenho e o desenvolvimento
dos indivíduos.
A profunda mudança no comportamento social dos indivíduos, caracterizada,
principalmente, pela necessidade de uma postura reflexiva e ativa em relação ao
seu trabalho, possivelmente esteja dentre as principais dificuldades da adoção da
gestão por competências.
Na Administração Pública Federal, a abordagem ainda carece de experiências
concretas, cujos resultados possam ser mensurados, analisados e disseminados.
Alguns efeitos perversos e algumas distorções do uso da gestão por competências
são apresentados na literatura e servem como reflexão para a implementação
do modelo na Administração Pública Federal, que ocorrem, principalmente,
pela cópia de experiências e de modelos, sem a preocupação da análise do
contexto em que a organização está inserida e pelo uso inadequado de conceitos
e de ferramentas. Dentre os principais efeitos, verificam-se: desarticulação
PARTE II - A POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
Compreender o universo em que se inserem o
conceito de competência e os efeitos práticos do
seu desdobramento na Administração Pública
são determinantes para a compreensão e a
adoção do modelo de gestão por competências.
Esse modelo tem por objetivos planejar, captar,
desenvolver e avaliar, nos diferentes níveis da
organização pública, as competências necessárias
à consecução dos objetivos organizacionais.
Igualmente, objetiva gerenciar as lacunas (gaps)
de competências eventualmente existentes na
organização para eliminá-las ou minimizá-las.
Essa lacuna de competência diz respeito à discrepância entre as competências
necessárias à consecução dos objetivos organizacionais e aquelas de que a
organização dispõe.
O mapeamento de competências, fase inicial do processo de implantação do
modelo, é compreendido como o processo que permite identificar a lacuna de
competências. Assim, é fundamental que o mapeamento seja preciso, pois dele
decorrem os esforços da organização para captar e desenvolver as competências
de que necessita. Isso pressupõe, na Administração Pública, definição prévia da
missão da organização, conhecimento efetivo da estrutura e do funcionamento
PARTE II - A POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
conceitual – fragmentação teórica do tema e
necessidade de articulação entre conceito e
práticas necessários para sustentar a coerência
da gestão de pessoas, exploração do trabalhador
–, uso que a gestão por competências pode ter,
não para fazer uma reflexão sobre o trabalho,
mas para exigir níveis crescentes de entrega,
sem que o trabalhador tenha suporte político ou
econômico para tanto; descolamento estratégico
– ocorre quando o modelo adotado tem pouco
compromisso com os objetivos estratégicos do
órgão; desarticulação com as pessoas, referese à baixa articulação do modelo em relação às
expectativas e necessidades das pessoas.
Compreender o
universo em que se
inserem o conceito
de competência e os
efeitos práticos do
seu desdobramento
na Administração
Pública são
determinantes para
a compreensão e a
adoção do modelo
de gestão por
competências
57
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
58
do órgão e razoável grau de envolvimento dos gestores e dirigentes, com vista
a legitimar o processo de implantação do modelo de gestão por competências.
A pesquisa realizada pela SRH identificou, ainda, barreiras ou fatores que,
na visão dos órgãos pesquisados, dificultam a implementação da gestão
por competências:
a. Falta de consenso sobre o tema.
b. Ausência de sensibilização dos dirigentes da organização para a
necessidade da implementação do modelo.
c. Recente edição do decreto e da abordagem de gestão por competência.
d. Carência de servidores qualificados no tema.
e. Insuficiente apoio metodológico e instrumental para concepção e
execução do projeto de gestão por competências.
f. Ausência do sistema de apoio (Sistema de Gestão por Competências),
que agora entra em fase de implementação nos órgãos pilotos.
g. Fragilidade dos arranjos funcionais e estruturais do órgão.
h. Carência de quadro próprio de servidores.
i. Necessidade de reestruturação das áreas de desenvolvimento de pessoas.
Ao adotar o conceito de gestão por competências, quando da edição do Decreto
nº 5.707, de 23 de fevereiro de 2006, que instituiu a Política e as Diretrizes para
o Desenvolvimento de Pessoal, a Administração imprimiu às organizações
públicas o desafio de estabelecer um novo referencial teórico e metodológico para
a gestão do desenvolvimento dos recursos humanos. Referida abordagem tem
entre seus objetivos a adequação das competências requeridas dos servidores aos
objetivos das instituições, o desenvolvimento permanente do servidor público e
a racionalização e a efetividade dos gastos com capacitação.
Destaque-se nesse novo referencial:
a. O incentivo às iniciativas de capacitação, promovidas pelas próprias
instituições, mediante o aproveitamento de habilidades e de
conhecimentos de servidores do próprio quadro de pessoal.
b. O apoio ao servidor público em iniciativas de capacitação voltadas para o
desenvolvimento das competências institucionais e individuais.
c. A garantia de acesso dos servidores a eventos de capacitação interna ou
externamente ao seu local de trabalho.
PARTE II - A POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
A política de desenvolvimento de pessoas apoia-se em três instrumentos, a saber:
o Plano Anual de Capacitação, o Relatório de Execução de Atividades e o Sistema
de Gestão por Competência, que permite planejar, monitorar e avaliar ações de
capacitação a partir da identificação dos conhecimentos, das habilidades e das
atitudes necessárias ao desempenho das funções dos servidores.
Na gestão de pessoas, a abordagem da competência mostrou-se como
forma avançada e inovadora, uma vez que sua base de sustentação está nos
conhecimentos requeridos pela organização, na flexibilização do conceito de
posto de trabalho e no envolvimento e na responsabilização permanente do
indivíduo em seu desenvolvimento.
PARTE II - A POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
d. O incentivo à inclusão das atividades de capacitação como requisito
para a promoção do servidor na carreira e a complementaridade entre o
resultado das ações de capacitação e a mensuração do desempenho.
59
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
60
Os desafios apontam,
principalmente, para
a necessidade de
apropriação do tema
na Administração
Pública direta e para o
desenvolvimento dos
agentes envolvidos
com o modelo
Desafios à Consolidação
da Gestão por
Competências na APF
Ainda que a abordagem da competência
esteja relativamente consolidada, enquanto
novo modelo para a gestão de pessoas,
principalmente no setor privado e em
segmentos específicos do setor público,
como empresas e sociedades de economia
mista, na Administração Pública Federal
o tema e as decorrências de sua aceitação
ainda são bastante incipientes.
A maioria das experiências em gestão por
competências nos órgãos pesquisados
encontra-se em fase de concepção e enfrenta
barreiras que ameaçam a continuidade e, consequentemente, a disseminação
do modelo. Tais experiências concentram-se na área de capacitação, o que
demonstra que a adoção da gestão por competências ainda está na fase inicial
de evolução.
Os desafios apontam, principalmente, para a necessidade de apropriação do
tema na Administração Pública direta e para o desenvolvimento dos agentes
envolvidos com o modelo.
Dentre os desafios que merecem destaque está a necessária compreensão, de
maneira mais ampla, dos conceitos e metodologias de gestão por competências
pelo conjunto dos órgãos. Há que se destacar, também, a necessidade de
elaboração do planejamento estratégico da organização para nortear a
identificação das competências organizacionais e o satisfatório mapeamento
das competências relacionadas às atividades desenvolvidas. Esses são desafios
políticos e operacionais determinantes para o sucesso da adoção do modelo.
Nesse sentido, é fundamental o entendimento do papel estratégico das áreas de
RH na implementação da gestão por competências, bem como sua necessária
legitimação na condução do processo. A efetiva implementação do sistema
PARTE II - A POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
Por fim, a formação de interlocutores – gestores de RH, coordenadores de
capacitação e consultores – qualificados para construção e aplicação do modelo
é outra tarefa absolutamente necessária para a geração de uma massa crítica
com capacidade operacional para a condução dos processos nos órgãos e para a
necessária e permanente reflexão acerca das características e especificidades do
modelo de gestão por competências no setor público.
Avaliação de Desempenho
A nova política de recursos humanos dispensa tratamento diferenciado às
avaliações de desempenho, utilizadas até então por grande parte dos gestores
como o cumprimento de uma obrigação burocrática desgastante. O que se
buscou foi sistematizar esta atividade, tornando-a instrumento de gestão, útil
para o gestor, o servidor e a sociedade, a quem se destinam os serviços públicos.
Foram elaboradas diretrizes gerais para o sistema da avaliação de desempenho
e tanto a Lei no 11.784, de 22 de setembro de 2008, que enfatizou a parte
referente à avaliação institucional e individual que servirão de base para o
pagamento das gratificações de desempenho quanto a Lei no 11.890, de 24 de
dezembro de 2008, que instituiu o Sistema de Desenvolvimento na Carreira
(SIDEC) institucionalizaram critérios e procedimentos novos na condução
deste importante processo de gestão democrática de pessoas, qual seja a
avaliação de desempenho com base em metas individuais, por equipes e
institucionais, previamente conhecidas e acordadas entre todos os envolvidos
no processo, à luz da política de democratização das relações de trabalho,
conforme já dispomos anteriormente.
Para o alcance desse ideal, foi instituída uma sistemática inovadora de avaliação
de desempenho, estruturada a partir da definição de metas institucionais e
individuais prévias, pactuadas entre as chefias e os respectivos servidores.
PARTE II - A POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
de capacitação, que agora entra em fase de uso pelos órgãos pilotos, é outro
desafio importante a ser enfrentado, não apenas no seu domínio pelos setores
de desenvolvimento de pessoal, mas, sobretudo, como ferramenta gerencial que
permitirá o monitoramento e a elaboração dos Planos Anuais de Capacitação
dos órgãos, orientados pelo modelo de gestão por competências.
61
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
62
MINISTÉRIO DO PLANEJAMENTO
Secretaria de Recursos Humanos
CICLO DE AVALIAÇÃO
PRINCIPAIS PREMISSAS:
Planejamento Estratégico
Plano de Capacitação
Pactuação metas
equipes
Publicação
das metas
globais
Compromisso
Plano de
Trabalho
Acompanhamento
do desempenho
Retorno aos
avaliados
Avaliação parcial
dos resultados
Apuração
final das
pontuações
360 graus
Publicação
do
resultado
final
O novo paradigma está previsto na Medida Provisória no 431, de 14 de maio
de 2008, convertida na Lei no 11.784, de 22 de setembro de 2008, que define
princípios e diretrizes gerais para a evolução dos servidores da Administração
Pública Federal e insere o conceito de avaliação de desempenho no processo
de planejamento dos órgãos ou entidades de lotação dos servidores, prevendo
a pactuação de metas intermediárias e individuais, a publicização de metas e
resultados e a participação dos usuários.
A referida Lei define a avaliação de desempenho como o monitoramento
sistemático e contínuo da atuação individual e institucional do servidor, tendo
como referência as metas globais e intermediárias dos órgãos e das entidades
que compõem o conjunto de carreiras e cargos do Sistema de Pessoal Civil do
Executivo Federal. Os objetivos da avaliação de desempenho são: promover a
melhoria da qualificação dos serviços públicos e subsidiar a política de gestão de
pessoas, principalmente quanto à capacitação, ao desenvolvimento no cargo ou
na carreira, à remuneração e à movimentação de pessoal.
PARTE II - A POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
A avaliação de desempenho na Administração Pública Federal é utilizada
com a finalidade de aprovação em estágio probatório, progressão funcional,
promoção e pagamento das gratificações de desempenho. Sua base legal está
prevista na Constituição Federal, na Lei no 8.112, de 11 de dezembro de 1990,
“regime jurídico dos servidores públicos civis da União, das autarquias e das
fundações públicas federais”, e nas legislações específicas de cargos, carreiras e
planos de cargos.
A avaliação de desempenho não é algo recente na Administração Pública. Na
experiência brasileira, desde os anos 70, vem-se buscando implementar sistemas
de avaliação de desempenho vinculados à remuneração ou ao desenvolvimento
nas carreiras do serviço público.
Conforme Paulo Godoy (2005), na sua tese de Mestrado em Administração3,
citando vários autores, diz que:
“(…) as primeiras diretrizes para aplicação de Avaliação do Desempenho na
administração pública brasileira surgiram com a Lei n° 284/1936, a chamada
lei do reajustamento (…)”. Desde então surgiram quatro sistemas de avaliação
(1934, 1960, 1977 e 1980), todos reafirmando a meritocracia como critério
absoluto e condicionando a progressão funcional a um bom desempenho.
A Lei no 5.645/1977 e seus decretos de regulamentação introduziram as bases
para o sistema atual de progressão funcional, conduzida por critérios de mérito
(desempenho) ou antiguidade, no corpo do Plano de Classificações de Cargos,
que, na época, contemplava a totalidade dos servidores públicos civis. “(…)
desde tal normalização, foi adotada a metodologia da escala de distribuição
forçada – que definia, a priori, a percentagem de funcionários cujo desempenho
poderia ser considerado elevado, médio ou baixo – no intuito de minimizar a
tendência de se conceder a melhor avaliação de forma generalizada”.
Paulo Ricardo Godoy dos Santos, “Avaliação de desempenho no contexto da Administração Pública Federal Direta: aspectos determinantes de sua efetividade” – Curso de Mestrado em Administração (CMA),
Brasília, Junho de 2005.
3
PARTE II - A POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
Histórico
63
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
64
O Decreto no 80.602/1977, de 24 de outubro, disciplinou o desenvolvimento
em carreira dos integrantes dos cargos do Plano de Classificação de Cargos da
Lei no 5.645/1970, que à época abrangia a totalidade dos servidores federais da
Administração direta.
O Decreto no 80.602/1977 regulamentou a progressão funcional, definindo-a como
a “elevação do servidor à classe imediatamente superior”. Definiu o “aumento
por mérito” como a movimentação do servidor da referência em que estivesse
posicionado para a imediatamente superior, dentro da mesma classe, extinguiu a
promoção por antiguidade e instituiu, pela primeira vez, para o serviço público
federal, para fins de promoção, o mecanismo da “curva forçada” visando obrigar
os avaliadores a enquadrar os avaliados numa pretensa curva normal.
O Decreto no 84.699, 29 de abril de 1980 revogou o Decreto no 80.602/1977 e
alterou esses conceitos passando a definir a progressão como progressão vertical
e o aumento por mérito como progressão horizontal. Alterou esses conceitos,
abandonou o mecanismo da “curva forçada” e estabeleceu a distribuição
quantitativa de cargos por classes em cada categoria funcional, conforme o
número de classes a que correspondessem.
Leis posteriores em 1985 e em 1993, designadamente a Lei no 8.627, de 19
de fevereiro de 1993, introduziram para todos os servidores a progressão
automática de várias referências, sem qualquer requisito de vinculação ao
mérito e sem qualquer relação com o desenvolvimento da carreira.
Em 1988, a Constituição Federal brasileira, com a nova redação dada ao § 2o do
seu art. 39, determina que a “União, os Estados e o Distrito Federal manterão
escolas de Governo para a formação e o aperfeiçoamento dos servidores públicos,
constituindo-se a participação nos cursos um dos requisitos para a promoção na
carreira, facultada, para isso, a celebração de convênios ou de contratos entre os
entes federados”.
A Lei no 8.112/1990, a qual dispõe sobre o regime jurídico dos servidores
públicos civis da União, das autarquias e das fundações públicas federais, prevê
em seu art. 20 a avaliação do desempenho para aprovação no estágio probatório,
observados os seguintes fatores: assiduidade, disciplina, capacidade de iniciativa,
produtividade e responsabilidade.
PARTE II - A POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
a. Avaliação de desempenho dos dirigentes de órgãos e entidades que
tiveram sua autonomia gerencial ampliada mediante contrato de gestão
(art. 37, § 8o, inciso II).
b. Perda de cargo público (art. 41, § 1o, inciso II).
c. Condição para aquisição de estabilidade (art. 41, § 4o).
d. Avaliação de desempenho dos administradores das empresas públicas
(art. 173, inciso V).
E, também, o § 7O do art. 39 da Constituição Federal prevê a disciplina
da “aplicação de recursos orçamentários provenientes da economia com
despesas correntes em cada órgão, autarquia e fundação, para aplicação no
desenvolvimento de programas de qualidade, treinamento e desenvolvimento,
modernização, reaparelhamento e racionalização do serviço público, inclusive
sob a forma de adicional ou prêmio de produtividade”.
A partir de 1994, a curva forçada foi reiterada, na esfera federal, pelos
regulamentos de avaliação de desempenho individual vinculados ao pagamento
das diversas gratificações de desempenho já existentes.
PARTE II - A POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
A Emenda Constitucional no 19/1998 introduziu na Constituição Federal
situações para as quais está prevista a avaliação de desempenho, a seguir:
65
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
Os regulamentos de avaliação de desempenho individual, vinculados ao
pagamento de diversas gratificações, adaptaram-se, bem como se acentuou
a tendência de “curva forçada” à medida que fossem implementados para o
conjunto dos servidores federais “bônus de desempenho” ou gratificações de
produtividade.
As gratificações de desempenho anteriores a 1995, embora tendo sido criadas com o
objetivo de avaliarem o desempenho, foram-se desvirtuando, ao longo do tempo, até
passarem a ser pagas a todos os servidores com valores iguais.
Pela Medida Provisória no 1.548, de 7 de fevereiro de 1995, foi aprovada a
Gratificação de Desempenho e Produtividade (GDP) convertida em lei pela
Lei no 9.625, de 7 de abril de 1998, que recuperou o conceito da Avaliação do
Desempenho como base na remuneração, a partir de que se foi generalizando;
consolidou um modelo e um referencial que passou a ser seguido por muitas
carreiras que adotaram gratificações do mesmo tipo e correspondeu a uma “cesta
de pontos” em que cada ponto corresponde a um percentual do vencimento base.
Em junho de 1999, surgiu a Gratificação para o Desempenho para as carreiras
de Auditoria que contemplava uma parte relativa à avaliação do desempenho
individual e outra relativa à avaliação de desempenho institucional, tendo
constituído um modelo inovador quanto à sua concepção.
Dessa forma, foi fixada em 50% do vencimento
básico dos servidores, 20% relativos ao
desempenho institucional dos órgãos a até 30%
vinculada ao desempenho individual.
A partir desse momento começaram a surgir
várias
gratificações
com
características
semelhantes.
Em junho de 2000, foi extinta a Gratificação
de Desempenho e Produtividade e substituída
pela Gratificação de Desempenho da Atividade
do Ciclo de Gestão (GCG), concebida de forma
semelhante.44
4
66
A Gratificação do Desempenho da Atividade do Ciclo de Gestão foi atribuída a:
PARTE II - A POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
A essas, seguiram-se outras gratificações variáveis em função do desempenho
individual, coletivo e institucional, todas designadas por Gratificações de
Desempenho.
Remuneração por Desempenho
A remuneração, no sistema brasileiro, é constituída por: uma parcela fixa –
vinculada ao cargo efetivo, ao provimento dos cargos de direção de assessoramento
superior (DAS), a funções gratificadas e a vantagens pessoais adquiridas; e uma
parcela variável, dependente dos desempenhos institucional e individual.
O relatório de Isabel Corte-Real5 com base num documento realizado pela SRH/
MP sobre vencimentos conclui:
a. “a Gratificação de Atividade - GAE, atribuída ao PCC e planos correlatos
das autarquias e fundações públicas corresponde a percentagem de 160%
do vencimento básico;
b. as gratificações de desempenho situam-se entre 50% a 100% do valor
do vencimento básico,sendo mais comum que se fixem à volta dos
55% no caso das carreiras; no caso do PCC e planos correlatos são
superiores a 100%;
c. enquanto não existe regulamentação da gratificação, se paga em regra um
percentual do valor total previsto; quando há regulamentação há variações
na atribuição mas, na prática, ninguém recebe menos do que 60%;
Analista de Finanças e Controle (Carreira de Finanças e Controle).
Analista de Planejamento e Orçamento (Carreira de Planejamento e Orçamento.
Especialista em Políticas públicas e Gestão Governamental (Carreira da mesma denominação).
Técnico de Planejamento e Pesquisa – IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).
Técnico de Planejamento – P-1501 do Grupo TP – 1500.
Cargos de Nível Superior do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).
Analista de Comércio exterior (Carreira de Analista de Comércio Exterior).
5
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
Em fevereiro de 2002, foi instituída a Gratificação de Desempenho de Atividade
Técnico-Administrativa (GDATA) para os servidores do PCC e de planos
correlatos das Autarquias e Fundações Públicas. De fato, tratou-se da aplicação
da avaliação associada ao desempenho que abrangeu cerca de 300 mil servidores.
Isabel Corte-Real – Estudo sobre Remunerações – Missão do Projeto EuroBrasil, Brasília, fevereiro de 2006
PARTE II - A POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
67
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
68
d. há gratificações de desempenho calculadas na base de um sistema
de pontos (cesta de pontos) e/ou valores absolutos e outras que são
percentuais do vencimento básico;
e. há ainda abonos que se praticam na base do percurso individual de
parte dos servidores, como por exemplo anuênios (correspondentes a
1% do vencimento básico para cada ano trabalhado) e as incorporações
de funções gratificadas (incorporadas à remuneração a partir do
quinto ano de ocupação de funções de chefia e assessoramento, à razão
de um quinto/décimo para cada ano de permanência na função a
partir do quinto ano), transformados em vantagens pessoais em 1997(por decisão judicial esses direitos se estenderam até 2001, portanto
não mais aplicáveis aos servidores que ainda não tinham este direito
assegurado na data de transformação, com as alterações introduzidas
pelo Poder Judiciário).”
Assim, e em síntese, as gratificações associadas ao desempenho são:
a. Todas pagas com base em duas parcelas: a avaliação institucional e a
avaliação individual.
b. Tipificadas, ainda que com modelos diferentes, a partir da base de cálculo.
Podem revestir a forma de:
a. Percentual do vencimento básico.
b. Cesta de pontos” em que cada ponto tem um valor fixo (para todos os
planos de cargos ou por classe).
c. O valor do ponto é um percentual do vencimento base (sistema misto).
De acordo com o já citado Relatório, é a seguinte situação do peso das gratificações
na estrutura remuneratória:
PARTE II - A POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
NATUREZA
PARCELAS
O QUE REMUNERA
Parcela fixa
Vencimento
básico
Atribuições dos cargos
e carreiras
Parcela
variável
Gratificação do
desempenho
Desempenho individual
Desempenho de equipes
Desempenho institucional
Função
gerencial
Gratificação da
função gerencial
Cargo/função comissionada
Gerencial/
Assessoria NES, DAS, FG, CD
Função
técnica
Gratificação
função técnica
Postos de trabalho
Função Comissionada
Técnica FCT
Qualificação
Gratificações
e Adicionais
Titulação /Qualificação
Condições
de trabalho
Gratificações
e Adicionais
Peculiaridades das
condições de trabalho
Legenda: neS: cargos de natureza especial; daS: cargos de direção e assessoramento superior; FG: função
gratificada; cd: cargos de direção; Fct: função comissionada técnica.
Uma Nova Abordagem da Avaliação
de Desempenho para a Administração
Pública Brasileira
A Medida Provisória no 431, editada em 14 de maio de 2008, convertida na
Lei no 11.784, de 22 de setembro de 2008, representa um novo paradigma
para a avaliação de desempenho ao definir princípios e diretrizes gerais para
o conjunto dos servidores da Administração Pública Federal e aponta para a
sua inserção no processo de planejamento dos órgãos ou entidade de lotação
PARTE II - A POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
Estrutura Remuneratória
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RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
70
dos servidores, prevendo a pactuação de metas intermediárias e individuais, a
publicização de metas e resultados e a participação dos usuários. A seguir, estão
detalhados os aspectos mais relevantes.
A referida Lei define a avaliação de desempenho como o monitoramento
sistemático e contínuo da atuação individual e institucional do servidor, tendo
como referência as metas globais e intermediárias dos órgãos e entidades que
compõem o conjunto de carreiras e cargos do Sistema de Pessoal Civil do
Executivo federal. Os objetivos da avaliação de desempenho são os de promover
a melhoria da qualificação dos serviços públicos e de subsidiar a política de
gestão de pessoas, principalmente quanto a capacitação, desenvolvimento no
cargo ou na carreira, remuneração e movimentação de pessoal.
O ciclo de avaliação de desempenho terá início com a definição das metas
institucionais que serão fixadas anualmente, em ato do dirigente máximo
de órgão ou entidade da Administração Pública Federal direta, autárquica e
fundacional. As metas institucionais devem ser objetivamente mensuráveis,
quantificáveis e diretamente relacionadas às atividades do órgão ou da entidade;
compatíveis com as diretrizes, políticas e metas governamentais dos órgãos
da Administração direta aos quais estão vinculadas, devendo ser amplamente
divulgadas pelos órgãos ou pelas entidades da Administração Pública Federal,
inclusive em sítio eletrônico.
As metas institucionais se subdividem em globais, quando refletem os objetivos
estratégicos da organização como um todo, e intermediárias, relativas aos
objetivos estratégicos das equipes de trabalho a serem elaboradas em consonância
com as metas globais.
Outra mudança de paradigma diz respeito ao processo de pactuação ou de
negociação prévia das metas de desempenho individual e intermediárias, que
deverão ser definidas entre o servidor, a chefia e a equipe de trabalho, por critérios
objetivos, resultando na elaboração de um Plano de Trabalho da unidade.
Essa formulação traduz a compreensão de que o servidor, a chefia e a equipe
de trabalho são atores do processo de planejamento, que ele se dá em contexto
e coletivamente. Portanto esse é o cenário em que brotam concretamente e
cotidianamente as situações de conflito e resistências, bem como a construção
de alternativas de superação, constituindo-se solo fértil para a definição de
compromissos individuais e coletivos de desempenho.
PARTE II - A POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
a. estabelecimento de compromissos de desempenho individual e
institucional, firmados no início do ciclo entre o gestor e cada integrante
da equipe, a partir das metas institucionais;
b. acompanhamento do desempenho individual e institucional de todas as
etapas ao longo do ciclo;
c. avaliação parcial dos resultados obtidos, para fins de ajustes necessários; e
d. apuração final das pontuações para o fechamento dos resultados obtidos
em todos os componentes da avaliação de desempenho.
Na dimensão individual, os servidores ocupantes de cargos em comissão de
nível hierárquico intermediário poderão ser avaliados a partir dos conceitos
atribuídos pelo próprio avaliado, pela chefia imediata e da média dos conceitos
atribuídos pelos integrantes da equipe de trabalho a ele subordinados.
Os servidores não ocupantes de cargos em comissão ou de função de confiança
poderão ser avaliados na dimensão individual, a partir dos conceitos atribuídos
pelo próprio avaliado, pela chefia imediata e pela média dos conceitos atribuídos
pelos demais integrantes da equipe de trabalho. Dessa forma, busca-se a unificação
de procedimentos metodológicos de avaliação para chefias e equipes de trabalho.
Quanto à dimensão institucional, poderão ser considerados os resultados
obtidos na avaliação:
a. do Plano de Trabalho, cuja pontuação corresponderá ao índice de
cumprimento das ações que o integram, devidamente ponderadas;
b. do desempenho da equipe de trabalho realizada pelos seus integrantes;
c. realizada pelos usuários internos ou externos de cada unidade de trabalho;
d. das condições de trabalho, feita pelos integrantes de cada equipe de
trabalho; e
e. do desempenho do órgão ou entidade, no alcance das metas globais.
Nesse aspecto pode-se identificar o grau de sofisticação e abrangência que o
processo de avaliação de desempenho institucional quer alcançar, ao propor
a identificação de um conjunto de elementos que influenciam diretamente na
gestão do desempenho de pessoas e equipes.
PARTE II - A POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
O Plano de Trabalho deverá conter o registro das etapas do ciclo da avaliação
de desempenho:
71
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
72
Destaca-se aqui o aspecto de inovação e reforço à cidadania e ao controle
social ao estabelecer a participação dos usuários no processo de avaliação das
instituições e dos serviços públicos.
Cada ciclo avaliativo terá as seguintes etapas:
a. publicação das metas globais;
b. estabelecimento de compromissos de desempenho individual e
institucional, com a elaboração do Plano de Trabalho;
c. acompanhamento periódico do desempenho individual e institucional;
d. avaliação parcial dos resultados obtidos, para fins de ajustes;
e. apuração final das pontuações para o fechamento dos resultados obtidos
em todos os componentes da avaliação de desempenho;
f. publicação do resultado final da avaliação; e
g. retorno aos avaliados, com vista à discussão dos resultados obtidos na
avaliação de desempenho, após a consolidação das pontuações.
Os resultados da avaliação de desempenho poderão ser utilizados para a melhoria
dos diversos subsistemas de gestão de pessoas, tais como: fomentar o redesenho
de programas de capacitação; aferir pontuação para efeito de pagamento de
gratificação de desempenho; referenciar a política de promoção e progressão na
carreira; identificar demandas de melhoria de processos, fluxos e condições de
trabalho, entre outros.
Considerando a necessidade de monitoramento contínuo do processo de
implantação e acompanhamento, foi estabelecido um Comitê Gestor da
Avaliação de Desempenho que entre outras tem por finalidade propor
os procedimentos gerais referentes à operacionalização da avaliação de
desempenho, aos instrumentais de avaliação e aos fatores a serem considerados,
bem como à pontuação atribuída a cada um deles; e realizar, continuamente,
estudos e projetos, para aperfeiçoar os procedimentos. O Comitê Gestor
será coordenado pela Secretaria de Recursos Humanos do Ministério do
Planejamento, Orçamento e Gestão e terá a participação de representantes do
governo, sociedade civil e servidores.
Está prevista também a composição de Comissões de Acompanhamento instituídas
por ato do dirigente máximo de cada órgão ou entidade, que participarão de todas
as etapas do ciclo da avaliação de desempenho. Serão formadas por representantes
PARTE II - A POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
Implementação do Sistema de Desenvolvimento
na Carreira (SIDEC)
Com a edição da Medida Provisória no 440, de 29 de agosto de 2008, convertida
na Lei no 11.890, de 24 de dezembro de 2008, diversos cargos e carreiras, a partir
de 1o de julho de 2008, passaram a ser remunerados exclusivamente por subsídio,
fixado em parcela única, vedado o acréscimo de qualquer gratificação, adicional,
abono, prêmio, verba de representação ou outra espécie remuneratória.
Além de alterar a estrutura remuneratória, que passou de um sistema de
remuneração variável para um sistema de remuneração fixa, importante
ressaltar que a Lei no 11.890, de 2008, desvincula o resultado da avaliação de
desempenho à percepção de gratificação variável e estabelece nova sistemática
de avaliação de desempenho para fins de desenvolvimento do servidor na
carreira (progressão e promoção).
Pela Lei no 11.890, de 2008, o desenvolvimento dos servidores nos seus respectivos
cargos dar-se-á por meio de um sistema de progressão e promoção orientado
pelo mérito, com requisitos de capacitação e existência de vaga para a promoção,
e de acordo com o Sistema de Desenvolvimento na carreira.
Aspectos Gerais
O índice de pontuação do servidor no SIDEC poderá ser utilizado como critério
de preferência em:
a.
b.
c.
d.
concurso de remoção;
custeio e liberação para curso de longa duração;
seleção pública para função de confiança; e
premiação por desempenho destacado.
PARTE II - A POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
indicados pela administração do órgão ou da entidade e por membros indicados
pelos servidores e deverão julgar, em última instância, os eventuais recursos
interpostos quanto aos resultados das avaliações individuais.
73
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
74
Ato do Poder Executivo definirá em que casos será utilizado o índice de pontos
do SIDEC e a forma de sua aplicação.
Desafios para a Implantação do Modelo de
Avaliação de Desempenho
Constituem-se pontos críticos para o êxito da implementação do processo
eficaz, efetivo e de qualidade da avaliação de desempenho para o conjunto da
Administração Pública Federal:
a. criar cultura do planejamento estratégico para os órgãos e as entidades;
b. definir sistemática contínua e incentivada de monitoramento dos
resultados propostos;
c. vincular a avaliação de desempenho à política estratégica de gestão de
pessoas, que possibilite a valorização dos servidores com a melhoria da
remuneração pelo bom desempenho e pelas condições de trabalho;
d. propiciar o desenvolvimento e o aprimoramento das lideranças internas;
e. envolver o conjunto dos servidores no processo e planejamento de metas,
monitoramento de resultados enquanto sujeitos do processo de melhoria
da qualidade dos serviços públicos; e
f. criar mecanismos efetivos de participação dos usuários.
A adoção dos princípios e diretrizes contidos nos novos marcos regulatórios
será peça fundamental para a mudança de paradigma e valorização dos serviços
públicos, atendendo assim aos anseios da sociedade brasileira em relação à
qualidade e efetividades das políticas públicas.
PARTE II - A POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
A política de atenção à saúde do servidor, pautada pela democratização das
relações de trabalho, tornou-se um eixo fundamental visionário por trazer
unidade e planejamento para o conjunto dos servidores à luz da equidade e
universalização do cuidado à saúde de todos os servidores.
Buscando a sistematização de uma política de saúde para o servidor público
baseada na equidade, iniciou-se um processo de construção coletiva da
política de atenção à saúde do servidor com encontros, oficinas e reuniões
com as áreas de recursos humanos dos órgãos federais, os técnicos de
saúde e as entidades sindicais, com o escopo de compartilhar experiências,
dificuldades e projetos.
Para enfrentar esse desafio proposto, nas dimensões e no ritmo que o
cenário atual exige, foi criado no âmbito do SIPEC, o Subsistema Integrado
de Atenção à Saúde do Servidor (SIASS) e o Comitê Gestor de Atenção à
Saúde do Servidor (CGASS). O SIASS, como sistema estruturante, possibilita
a elaboração de normas, a padronização de procedimentos e a racionalização
de recursos, com uso de informação para ação, projetos de formação e canais
de comunicação.
A organização do SIASS contempla uma política sustentada a partir dos eixos:
vigilância aos ambientes e processos de trabalho e promoção à saúde, perícia
em saúde e assistência médica e odontológica. A política está fundamentada na
abordagem biopsicossocial, em informação epidemiológica, na inter-relação
entre os eixos, no trabalho em equipe multidisciplinar, no conhecimento
transdisciplinar e na avaliação dos locais de trabalho em que se considere os
ambientes e as relações de trabalho.
Com o objetivo de consolidar essa política, diversas ações estratégicas foram
elaboradas, como descrevemos a seguir.
PARTE II - A POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
4 - Saúde, previdência e
benefícios do servidor
75
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
76
Diagnóstico dos Serviços de Saúde
em Âmbito Nacional
Iniciou-se, em dezembro de 2007, um levantamento de dados por meio de
instrumento de pesquisa, com o objetivo de conhecer os recursos humanos,
materiais, técnicos, a infraestrutura e as atividades desenvolvidas nos serviços
de saúde dos órgãos federais. A pesquisa alcançou a maioria dos estados e
será oportunamente estendida a todos os estados da Federação, conforme
gráfico a seguir:
RR
Em construção
18 estados + DF
AP
AM
PA
MA
CE
PI
AC
RO
TO
PE
BA
MT
DF
GO
MG
MS
SP
Por iniciar em
8 estados
ES
RJ
PR
SC
RS
PARTE II - A POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
RN
PB
AL
SE
Sistema de Informações (SIAPE SAÚDE)
O desenvolvimento do Sistema Integrado de Informações (SIAPE-SAÚDE)
possibilita a consolidação de informações periciais, de licenças médicas,
de acidentes de trabalho, de doenças profissionais, de aposentadorias por
invalidez e de readaptações funcionais. O sistema consolida ainda dados dos
exames médicos periódicos, avaliações de outros profissionais técnicos da
área de saúde, dados dos ambientes de trabalho e informações assistenciais
e gerenciais.
A coleta, a sistematização e a análise de informações individuais e coletivas
do sistema constituem a base para a formação do perfil epidemiológico dos
servidores, para a gestão qualificada das questões relativas à saúde do servidor.
Perícia em Saúde
As iniciativas na área pericial visam à uniformização de procedimentos, à
transparência dos critérios técnicos, à eficiência administrativa, à humanização
no atendimento, à racionalidade de recursos, ao apoio multidisciplinar e
às relações com as áreas da assistência e da promoção à saúde. Uma perícia
compromissada com o retorno ao trabalho e preservada pelos preceitos éticos
da relação entre o perito e o periciado.
A alteração na Lei no 8.112/1990 possibilitou a regulamentação das licenças
de curta duração e a adoção de novos critérios para: perícia singular,
atuação de juntas médicas, revisão das aposentadorias por invalidez, além da
instituição da perícia odontológica. Com a nova legislação, a Administração
qualifica a avaliação pericial, possibilita o controle gerencial, compartilha
responsabilidades e garante eficácia aos direitos dos servidores.
PARTE II - A POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
Os dados já consolidados revelam potencialidades, identificam problemas e
possibilitam a produção de informações gerenciais essenciais, que apoiam
a organização das unidades de saúde e a implementação das políticas que
sustentam o SIASS nas unidades da Federação.
77
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
78
O prontuário eletrônico,
o manual de perícia, a
capacitação da equipe
técnica e a edição do
decreto que normatiza
as licenças médicas
possibilitam a construção
de um novo padrão de
avaliação da capacidade
laborativa dos servidores
públicos federais
Os
protocolos
técnicos
com
parâmetros para a concessão de
licenças, de aposentadorias por
invalidez, de readaptação funcional e
dos exames admissionais possibilitarão
transparência e uniformização das
pericias oficiais.
A equipe multidisciplinar, proposta
como parte integrante do processo de
avaliação da capacidade laborativa,
tem a função de subsidiar as decisões
periciais, avaliar o ambiente e o
processo de trabalho, acompanhar os
servidores afastados por motivos de
saúde e dar suporte no tratamento e
nas restrições de atividades, visando
a uma integração das ações de
assistência, à prevenção aos agravos e
à promoção da saúde, possibilitando
um retorno mais rápido ao trabalho.
O Manual de Perícia Oficial em Saúde foi elaborado com a contribuição de um
conjunto de técnicos de diversos órgãos e foi colocado em discussão pública no
portal do SIASS, para sugestões e contribuições.
O prontuário eletrônico, o manual de perícia, a capacitação da equipe técnica e a
edição do decreto que normatiza as licenças médicas possibilitam a construção
de um novo padrão de avaliação da capacidade laborativa dos servidores
públicos federais.
Vigilância e Promoção da Saúde
Executar ações de vigilância e de promoção da saúde, que alterem ambientes
e processos de trabalho e produzam impactos positivos sobre a saúde dos
servidores federais, constitui o grande desafio para a estruturação do SIASS.
PARTE II - A POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
O exame médico periódico é uma conquista dos servidores e um compromisso
do Governo para a melhoria da qualidade de vida e trabalho.
A Norma Operacional de Saúde do Servidor (NOSS), com diretrizes e
metodologias para orientar as equipes de vigilância na avaliação e intervenção
nos ambientes e nos processos de trabalho, e a norma que institui as Comissões
de Saúde por Local de Trabalho (OLT Saúde) constituem duas importantes
iniciativas na área de Promoção da Saúde do Servidor.
A NOSS foi elaborada por um conjunto de técnicos e aprovada pelo Comitê
Gestor de Atenção à Saúde do Servidor (CGASS) após discussão pública do
portal do SIASS <www.siapenet.gov.br>, e encontra-se em fase de publicação.
A criação de comissões de saúde do servidor por local de trabalho possibilitará
o incremento de ações de promoção, pois essas organizações constituem
espaços no qual o servidor pode reconhecer os riscos à saúde e à segurança,
assim como negociar com a Administração
mudanças no ambiente e na organização
do trabalho.
As ações de vigilância e de promoção
da saúde fundamentam-se no uso de
informações epidemiológicas coletadas pelo
Sistema, no conhecimento transdisciplinar
para melhor entender a relação saúdetrabalho e na participação dos servidores
em todas as fases do processo de intervenção
nos ambientes de trabalho.
PARTE II - A POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
A instituição da obrigatoriedade do exame médico periódico para todos os
servidores públicos federais (Decreto no 6.856/2009) é parte das iniciativas
para o acompanhamento da saúde dos servidores e tem como objetivo a
prevenção dos agravos instalados e a promoção da saúde. O exame permite
avaliar a condição de saúde dos servidores e detectar precocemente doenças
relacionadas ou não ao trabalho, por meio de exames clínicos e avaliações
laboratoriais gerais e específicas com base nos riscos (físicos, químicos,
biológicos, ergonômicos, mecânicos, psicossociais, entre outros) a que estão
expostos os servidores nas diversas atividades exercidas.
79
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
80
Capacitação e Comunicação
A construção compartilhada da Política de Atenção à Saúde do Servidor tem
requerido a realização de oficinas e encontros temáticos como estratégia para a
implantação das unidades do sistema e para a formação de equipes focadas nos
objetivos do SIASS.
A prioridade posta é a realização de cursos regionalizados de vigilância, promoção
e perícia em saúde para a capacitação das equipes que atuarão nas ações de
vigilância, o que possibilita a uniformização de conceitos e procedimentos.
A organização do SIASS exigiu uma política de comunicação que possibilitou o
compartilhamento de informações e a troca de ideias e experiências relacionadas
com as questões ligadas à saúde do servidor, para subsidiar a tomada de decisões. A
criação do portal SIASS e do boletim de saúde do servidor foram as primeiras ações
de comunicação para a articulação de uma rede de serviços em saúde do servidor.
Organização de Unidades do SIASS
Com o Decreto no 6.833/2009, que instituiu o Subsistema Integrado de Atenção
à Saúde do Servidor e a Portaria Normativa SRH/MP 05/2009, que estabelce
orientações para a realização de Termos de Cooperação Técnica, o Ministério do
Planejamento assume o papel estratégico na articulação das unidades de saúde
do servidor.
A implantação do SIASS exige ações de otimização de recursos humanos, físicos
e materiais, existentes e dispersos entre os diversos órgãos da Administração
Pública Federal.
As unidades do SIASS são responsáveis por desenvolver ações de perícia,
promoção da saúde, vigilância dos ambientes de trabalho, registro dos
acidentes de trabalho, nexo das doenças profissionais, readaptação funcional
e apoio assistencial para os casos de agravos instalados. Essas unidades devem
contar com equipes multiprofissionais que desenvolvam ações abrangentes e
integradas, com otimização dos recursos humanos e com espaço físico adequado
às normas sanitárias.
PARTE II - A POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
A organização de unidades, em diferentes órgãos, distribuídas em diversas
cidades e apoiadas por um sistema de informação, possibilitará a criação de
uma Rede Nacional de Serviços de Saúde do Servidor para apoiar as políticas
de recursos humanos na área de promoção da saúde, qualidade de vida e
trabalho, que devem existir em todos os órgãos e entidades da Administração
Pública Federal.
PARTE II - A POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
A definição de unidades convenentes e conveniadas está subsidiada na análise
das informações produzidas pela pesquisa e segue critérios de capacidade
física e humana instalada, facilidade de acesso e apoio institucional ao
projeto SIASS. A escolha dessas unidades contempla, ainda, um processo de
entendimento coletivo.
81
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
82
Saúde Suplementar
O Ministério do Planejamento, por meio da Secretaria de Recursos Humanos
(SRH) e da Secretaria de Orçamento Federal (SOF), universalizou a oferta do
benefício da assistência médica odontológica para todos os servidores federais,
transformou o benefício em despesa orçamentária obrigatória (evitando
contingenciamentos), recuperou o valor do per capita destinado aos servidores
e estabeleceu a isonomia no tratamento deste benefício entre todos os entes do
Poder Executivo.
O valor do per capita, disponibilizado como cota governamental, foi reajustado
semestralmente desde 2007. O aumento do valor do per capita para a assistência
à saúde suplementar será de no mínimo 72% indo até 207%, para os de menor
faixa salarial, no período compreendido entre 2007 e 2010, com orçamento
aproximado de 1,5 bilhão de reais.
Evolução do valor do benefício da
saúde suplementar (R$)
129
42
jul/07
50
55
60
jul/08
jul/08
jul/09
65
jul/09
jul/10
Um grupo de trabalho, formado por técnicos e profissionais de diversos
ministérios, elaborou uma proposta para distribuir o benefício por 40 faixas,
sendo oito faixas remuneratórias e cinco salariais. A proposta, aprovada no
CGASS, possibilita aos servidores com menores salários e aos mais idosos
receberem um per capita maior do governo do que as pessoas com maiores
salários e mais jovens.
PARTE II - A POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
Foi realizado levantamento do número total de
servidores e de seus dependentes inscritos em
planos de saúde, para que os recursos repassados
referentes ao per capita, em 2010, sejam em
números reais; permitindo a isonomia dos
valores repassados.
O objetivo central é
tornar o benefício da
saúde suplementar
mais equânime,
eficaz e eficiente
O benefício da saúde suplementar, regido pela
Portaria Normativa SRH no 3, de 15 de setembro
de 2009, torna obrigatória às operadoras de
planos de saúde a cobertura mínima do rol
de procedimentos em saúde da Agência Nacional de Saúde (ANS), a oferta
de planos com coberturas e redes credenciadas diferenciadas e permite o
pagamento do benefício para os que optarem por convênio de autogestão ou
possuam plano privado.
Quanto aos serviços médicos isolados prestados por alguns órgãos, a previsão
é de mantê-los de forma residual, mas sem estimular a criação de novos. O
objetivo é a integração destes na rede do SIASS, além de estimular a realização
de convênios ou contratos coletivos mais eficazes, menos onerosos, com suporte
de rede laboratorial, ambulatorial e hospitalar.
A Previdência do Servidor
Atualmente há três diferentes regimes de previdência, voltados a públicos diversos
e com um conjunto de normas jurídicas próprias. São eles:
Regime Geral de Previdência Social (RGPS), dos trabalhadores da iniciativa
privada, ocupantes de empregos públicos ou exclusivamente de cargo em
comissão do governo, administrado pelo Instituto Nacional do Seguro Social
(INSS); Regime Próprio de Previdência Social dos Servidores da união
ocupantes de cargos efetivos, cuja administração pertence ao ente da Federação
PARTE II - A POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
O objetivo central é tornar o benefício da saúde suplementar mais equânime,
eficaz e eficiente estipulando valores diferenciados com base na faixa
remuneratória dos servidores e na faixa etária dos beneficiários.
83
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
84
ao qual estejam vinculados, conforme art. 40 e art. 149, § 1o, da Constituição
Federal; e o Regime de Previdência complementar, cuja finalidade básica é
complementar a aposentadoria do trabalhador/servidor para garantir que
ele receba na inatividade o mesmo valor recebido quando estava no efetivo
exercício do cargo.
O Regime Próprio de Previdência Social dos Servidores Públicos, conforme
previsto no art. 40 da Constituição Federal, deve ser criado no âmbito
da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios, e assegurar
por lei, pelo menos, os benefícios de aposentadoria e pensão por morte.
No âmbito da União, esse Regime deve oferecer cobertura exclusiva para
servidores públicos titulares de cargo efetivo, inclusive os de suas autarquias
e fundações, magistrados, ministros e conselheiros dos Tribunais de Contas,
membros do Ministério Público e de quaisquer dos Poderes da União, bem
como os seus dependentes.
Para a instituição desse Regime Próprio de Previdência Social, o Governo Federal
enfrentará desafios. Entre eles, destacam-se:
a. instituir um único regime para todos os servidores e agentes políticos da
União (Executivo, Legislativo e Judiciário);
b. administrar o custeio do passivo dos benefícios atuais; e
c. deslocar os recursos previdenciários da Conta do Tesouro Nacional para
um Fundo Próprio e torná-lo autossustentável.
A criação do Regime Próprio irá acontecer após uma série de alterações
ocorridas na previdência do servidor, que se iniciou com a edição da Emenda
Constitucional no 20/1998, com várias mudanças nas regras de funcionamento
da seguridade em geral e da previdência. Essa alterou a Lei no 8.112/1990,
modificou o sistema de previdência social e estabeleceu normas de transição
para o serviço público federal.
Uma das principais mudanças para o servidor segurado foi a instituição de
regras de transição para os que ingressaram antes do dia 16-12-1998 no serviço
público, como aquela que consiste em aplicar o percentual de 20% sobre o
tempo que faltava para a aposentadoria integral na data supracitada para
obter esse benefício e de 40% sobre o tempo que faltava para a aposentadoria
proporcional naquela data. A idade mínima para a aposentadoria voluntária
PARTE II - A POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
Em 2003, foi editada a Emenda Constitucional no 41 que modificou a idade
mínima para as aposentadorias dos servidores: 55 anos para as mulheres
e 60 para os homens, respeitado um tempo mínimo de contribuição de 35
anos para homens e 30 para mulheres. Há ainda a exigência de no mínimo
20 anos no serviço público e dez anos na carreira, além de cinco anos de
exercício no cargo.
Em 2005 foi editada a Emenda Constitucional no 47 que possibilita a
aposentadoria integral e a paridade para quem ingressou no serviço público
até 16-12-1998. Exige, para isso, 60 anos de idade para homens e 55 anos para
mulheres, reduzida em um ano por cada ano de tempo de contribuição que
exceder o mínimo. O tempo mínimo de contribuição é de 35 anos para homens
e de 30 anos para mulheres.
A Emenda no 47/2005 foi instituída com o objetivo de concluir essa série de
alterações na Previdência brasileira. Conhecida como “PEC Paralela”, o seu
principal caráter foi de aperfeiçoar as modificações da Emenda no 41/2003 e
estabelecer regras de transição como forma de garantir os direitos vinculados
posteriormente. Esta Emenda identificou claramente quais as parcelas
remuneratórias que não são computadas para efeito do teto (art. 37, XI, da CF),
possibilitou fixar como limite único, para fins de teto, o subsídio mensal dos
ministros do Supremo Tribunal Federal. Criou
a regra de transição para quem era servidor
na data da Emenda Constitucional no 20/1998
e estendeu a possibilidade de aposentadoria
especial para os servidores portadores de
deficiência, para os que exerçam atividade de
risco ou aqueles sujeitos a condições especiais
que prejudiquem a saúde ou integridade física
(art. 40, § 4o).
Para viabilizar essas aposentadorias especiais, o
texto constitucional exige sua regulamentação por
meio de Lei Complementar. A proposta do Poder
PARTE II - A POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
integral e proporcional passou a ser de 48 anos para a mulher e 53 anos para
o homem, e cinco anos de efetivo exercício no cargo, tanto para o homem
quanto para a mulher.
85
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
86
o sistema previdenciário
complementar a ser
instituído deve garantir
o pleno usufruto dos
benefícios deferidos
no tempo e ter caráter
contributivo
Executivo foi encaminhada ao Congresso
Nacional e visa equiparar direitos de
trabalhadores privados e públicos.
A Emenda Constitucional no 41/2003
levou o Estado a criar o Regime de
Previdência Complementar, conforme
estabelece a Lei no 9.717/1998, que
define as regras para a organização e o
funcionamento dos regimes próprios
de previdência social dos servidores
públicos ocupantes de cargos efetivos
da União, dos estados, do Distrito
Federal e dos municípios, e o disposto nos arts. 1o, 2o e 15 da Lei no 10.887,
de 18 de junho de 2004.
O objetivo da previdência é garantir, ao servidor e à sua família, o máximo de
benefícios possíveis com sustentabilidade financeira, econômica e atuarial.
Assim, o sistema previdenciário complementar a ser instituído deve garantir
o pleno usufruto dos benefícios deferidos no tempo e ter caráter contributivo.
Ainda com o intuito de equiparar direitos de trabalhadores privados e públicos,
o Governo Federal pretende limitar os benefícios garantidos pelo Regime
Próprio de Previdência da União ao teto do Regime Geral de Previdência
Social (RGPS). O servidor com rendimento mensal superior ao teto do RGPS
terá uma dupla cobertura previdenciária. Os benefícios até o teto serão de
responsabilidade do Regime Próprio de Previdência, enquanto os benefícios
acima desse valor serão cobertos pelo Regime de Previdência Complementar.
Para tanto, o art. 40, § 14, da Constituição Federal determina que o Regime
de Previdência Complementar seja instituído antes do Regime Próprio
de Previdência. Assim, o Poder Executivo Federal propôs Projeto de Lei
que autoriza a criação de entidade fechada de previdência complementar
denominada Fundação de Previdência Complementar do Servidor Público
Federal (FUNPRESP) e o encaminhou ao Congresso Nacional. Apresentado
ao Plenário da Câmara dos Deputados em 11-09-2007, o PL 1992/2007
encontra-se na Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público
(CTASP) e conta com 57 propostas de emendas.
PARTE II - A POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
O Projeto de Lei prevê apenas uma entidade (FUNPRESP) para os três Poderes da
União, o que possibilitará melhor gestão e ganho de escala. A governança da entidade
será compartilhada entre os Poderes. A presidência do Conselho Deliberativo será
exercida de forma rotativa pelos membros indicados. No Conselho Fiscal os dois
membros serão indicados pelo Ministério Público e pelo Tribunal de Contas da
União. Assim como a União, seus servidores terão participação nos Conselhos
Deliberativo e Fiscal. Sua representação será paritária, isto é, terão direito a eleger
três membros no Conselho Deliberativo e dois no Conselho Fiscal.
PARTE II - A POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
O regime complementar proposto para os Servidores da União está sendo
construído, pautado na criação de um regime previdenciário orientado
principalmente para os novos servidores, ainda que os já em atividade possam
vir a aderir. Do ponto de vista de gestão de recursos humanos, busca-se a
valorização e a proteção previdenciária dos servidores e o estímulo à retenção
nas carreiras, com a construção de um regime sustentável do ponto de vista
atuarial e financeiro. Do ponto de vista financeiro, observa-se a capacidade de
contribuição das partes e o impacto fiscal e orçamentário. Do ponto de vista
econômico, vislumbra-se o incentivo à formação de poupança de longo prazo,
com suas externalidades positivas sobre a economia em geral.
87
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
A construção de uma
88
política transversal de
recursos humanos,
envolvendo órgãos
da administração
direta, autárquica
e fundacional, os
diversos estados e
o Distrito Federal,
constitui um desafio
de democratização
da gestão pública
e estabelece um
novo paradigma
de organização de
serviços que servem
a diversos órgãos
A
Fundação
de
Previdência
Complementar
do
Servidor
Público Federal (FUNPRESP) será
estruturada na forma de fundação
com personalidade jurídica de
direito privado, gozará de autonomia
administrativa, financeira e gerencial
e terá sede e foro no Distrito Federal.
A fundação observará os princípios
da eficiência e da economicidade,
devendo adotar mecanismos de
gestão operacional que maximizem
a utilização de recursos de forma
a otimizar o atendimento aos
participantes e assistidos e diminuir
as despesas administrativas. A
FUNPRESP deverá dar publicidade
a seus demonstrativos contábeis,
atuariais, financeiros e de benefícios,
sem prejuízo do fornecimento de
informações aos participantes e
assistidos do plano de benefícios e
ao órgão regulador e fiscalizador das
entidades fechadas de previdência
complementar.
A
partir
do
funcionamento
da
entidade
de
previdência
complementar, todos os servidores
que ingressarem no serviço público
federal e os que eventualmente
optarem por aderir ao novo regime
de previdência complementar ficarão
sujeitos ao teto de benefícios de valor
idêntico ao do RGPS. O servidor que
participar do regime complementar
poderá acumular recursos para
complementar a sua aposentadoria,
PARTE II - A POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
O plano de benefícios oferecido será na modalidade de contribuição definida,
com contas individuais para os participantes e opção de renda vitalícia. O
regime não será compulsório, mas facultativo. Somente será obrigatória a
filiação dos servidores e membros de Poderes ao regime básico, isto é, o Regime
Próprio de Previdência dos Servidores da União (RPPSU).
A norma que instituir o RPPSU definirá quem serão seus segurados e
dependentes, quais serão suas fontes de custeio, os tipos de benefícios que
garantem, quem será seu órgão gestor e qual o papel dos demais órgãos e
entidades envolvidos.
Atualmente, essa construção não está limitada à Secretaria de Recursos
Humanos ou ao Ministério do Planejamento. Tendo em vista a distribuição de
competências no Poder Executivo Federal, o Ministério da Previdência Social e a
Casa Civil também estão envolvidos na elaboração da nova proposta de política
previdenciária para o servidor público federal.
A discussão tem sido orientada, em sintonia com a construção das demais
políticas tratadas pela SRH, no sentido de diminuir as disparidades entre
os direitos dos servidores públicos federais e aqueles dos trabalhadores da
iniciativa privada, de forma a garantir condições dignas e justas a todos os
trabalhadores brasileiros.
Visando ampliar as contribuições para elaboração de uma política previdenciária
para o servidor público federal, a Secretaria de Recursos Humanos coloca
em discussão, por meio da Conferência Nacional de Recursos Humanos, a
construção do Regime Próprio de Previdência dos Servidores da União e da
Previdência Complementar do Servidor Público Federal.
A construção de uma política transversal de recursos humanos, envolvendo
órgãos da administração direta, autárquica e fundacional, os diversos
estados e o Distrito Federal, constitui um desafio de democratização da
gestão pública e estabelece um novo paradigma de organização de serviços
que servem a diversos órgãos.
PARTE II - A POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
recebendo então dois benefícios previdenciários: um do regime próprio da
União e outro proveniente do regime complementar.
89
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
90
A União tem desafios consideráveis a superar no sentido de construir um Regime
Próprio de Previdência e sua Previdência Complementar com gestão responsável,
transparente e eficaz para todos os seus servidores públicos. Há ainda, em relação
ao Regime Próprio, o dever de gerenciar e acompanhar constantemente os riscos
externos decorrentes da aplicação destes recursos aliados com a elevação da
expectativa de vida da população.
Por fim, mais que assegurar instrumentos de controle da máquina estatal,
conceder benefícios e garantir reduções de déficits futuros, tratar sobre a Política
Previdenciária do Servidor Público Federal do Brasil é uma iniciativa de gestão
das questões relativas à previdência do trabalhador que vem resgatar uma
exigência histórica e legítima dos servidores na esfera pública federal, que é a sua
proteção enquanto indivíduo detentor de um direito constitucional, cabendo ao
Estado efetivá-la em todos os seus níveis de abrangência, inclusive enquanto
empregador e gestor de recursos humanos.
PARTE II - A POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
A política de recursos humanos na Administração Pública tem como uma de
suas ações prioritárias modernizar os processos de trabalho e o sistema de
informação na gestão de pessoas.
As constantes mudanças nas áreas econômica, tecnológica e de mercado têm
demandado do setor público adaptações em suas estruturas organizacionais e
revisão de conceitos e paradigmas referentes à forma de organização do trabalho,
no propósito de conferir agilidade, eficiência e eficácia na prestação de serviço
público. Esse cenário faz que sejam repensadas as atuais práticas de recursos
humanos, especialmente, na gestão dos processos de trabalho e no uso de
sistemas de informação, enquanto instrumentos administrativos que auxiliam
na melhoria da gestão.
Adaptando o conceito de Djalma Oliveira (2007) à realidade da função de
recursos humanos do setor público, o processo trabalho é definido como
um conjunto estruturado de atividades sequenciais que apresentam relação
lógica entre si, com a finalidade de atender e, preferencialmente, suplantar
as necessidades e as expectativas das atividades-fim da organização pública.
Essas atividades podem ou não ser automatizadas por meio de um sistema de
informação, que pode ser definido
como um conjunto de partes
integrantes e interdependentes que
forma um todo com determinado
objetivo e efetua uma função
específica. Tem por missão melhorar
o desempenho dos trabalhos
realizados na organização por meio
da automação das atividades.
a administração de
processos deve ser
uma atividade contínua
e acumulativa que
repense o redesenho
do resultado desejado
Destaca-se que a administração de
processos deve ser uma atividade
contínua e acumulativa que repense
PARTE II - A POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
5- Sistemas e processos
em gestão de pessoas
91
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
92
o redesenho do resultado desejado. Enquanto ferramenta de gestão fica
evidente que a definição dos processos de trabalho, incluindo a identificação
das funções e atividades, precede o desenvolvimento e a implantação de
qualquer sistema de informação. Um processo bem definido, provavelmente,
garantirá um elevado nível de automação e, consequentemente, melhor
desempenho da organização.
Uma boa gestão de processos perpassa primeiramente por sua reengenharia.
A primeira fase concentra-se na identificação dos que são ineficazes
e na concepção de métodos alternativos para executar o trabalho. A
segunda fase trata da simplificação e melhoria dos processos, exigindo
invariavelmente o uso eficiente dos recursos tecnológicos para a execução
dos que foram redefinidos.
Estes aspectos, inclusive referendados pelos grupos de trabalho, reafirmam o
cenário vivenciado pela maioria das unidades de recursos humanos do Poder
Executivo Federal. O desenho a seguir evidencia as deficiências e fragilidades
que justificam a atuação em atividades meramente operacionais:
Ineficiência/Ausência de
Planejamento Estratégico
Processos não
Formalizados
Desatualização
Tecnológica do SIAPE
RH
Atual
Sistemas não
integrados
Condições Inadequadas
de Trabalho
Foco em Demanda
Operacional
Ações Centralizadas
Visão Fragmentada
PARTE II - A POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
Outra importante contribuição a ser oferecida pelos órgãos integrantes
do SIPEC refere-se à validação dos processos de trabalho mediante as
definições dos principais fluxos com as respectivas funções e atividades.
Essas definições serão fundamentais para sua análise e melhoria, bem como
a identificação das funcionalidades desejadas no novo sistema de gestão de
recursos humanos.
PARTE II - A POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
Sendo assim, a análise e a melhoria dos processos de trabalho de recursos
humanos certamente minimizarão e, inclusive, poderão eliminar tais
deficiências. Cada um dos processos deve ser delineado como um
procedimento administrativo que seja simples, compreensível, aplicável,
interativo e, preferencialmente, informatizado, sendo fundamental o uso
eficiente dos recursos tecnológicos. Nesse caso, o sistema de informação
deve refletir a realidade dos processos redesenhados e conferir alto grau de
automação das atividades.
93
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
94
a estratégia
baseou-se
na aproximação
entre o órgão
central e os
órgãos setoriais
e seccionais
do Sistema de
Pessoal Civil da
União (SIPEC),
por meio do
compartilhamento
e disseminação
de informações,
experiências e
boas práticas
Este sistema tem passado por constantes
aperfeiçoamentos desde sua implementação,
contudo insuficientes para acompanhar as
frequentes e significativas mudanças dos
processos de trabalho e das alterações na
legislação de pessoal.
Os principais motivadores para implantação de
um novo sistema são as carências do SIAPE, tanto
no que tange às suas funcionalidades, quanto
aos recursos tecnológicos empregados. Alguns
dos pontos que exemplificam essa necessidade
são descritos a seguir:
a. obsolescência da arquitetura tecnológica;
b. rigidez na adaptação do sistema às constantes
necessidades de mudanças de regras de
negócio, implicando soluções rápidas,
porém frágeis em termos de segurança do
processo e das informações (lançamento
de valores não parametrizados na folha de
pagamento);
c. bases de dados dos módulos não são integradas
(SIAPE, SIAPECad e SIAPENet), gerando
redundância de informações;
d. interfaces antiquadas e pouco amigáveis;
e. fragilidade nos processos atuais, sobretudo
nos procedimentos de segurança;
f. baixo
nível
de
documentação
e
manualização do sistema e da organização
do código, acarretando dificuldade na
implementação de novas funcionalidades e
manutenção das existentes;
g. redundância de funcionalidades suportadas
pelo SIAPE e pelos sistemas de RH setoriais; e
h. dificuldade de obtenção de informações
gerenciais e estratégicas.
PARTE II - A POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
a. processo participativo e compartilhado;
b. sensibilização e mobilização para mudança;
c. gestão orientada para resultados com a otimização e melhoria da cadeia
dos processos; e
d. vinculação da solução tecnológica aos objetivos estratégicos.
Neste sentido a estratégia baseou-se na aproximação entre o órgão central e
os órgãos setoriais e seccionais do Sistema de Pessoal Civil da União (SIPEC),
por meio do compartilhamento e disseminação de informações, experiências
e boas práticas, além da definição das demandas para o aperfeiçoamento dos
processos de trabalho e oportunidade de integração entre os dirigentes de
recursos humanos.
Outra importante contribuição a ser oferecida pelos órgãos integrantes
do SIPEC refere-se à validação dos processos de trabalho mediante as
definições dos principais fluxos com as respectivas funções e atividades.
Estas definições serão fundamentais para sua análise e melhoria, bem como
a identificação das funcionalidades desejadas no novo sistema de gestão de
recursos humanos.
Por intermédio das contribuições dadas pelos órgãos integrantes do SIPEC,
pretendeu-se chegar à visão sistêmica de RH, sintetizada na figura a seguir, na
qual se tem a integração de instrumentos administrativos de planejamento,
monitoramento e processos.
PARTE II - A POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
Cabe destacar que o êxito destas ações dependerá da construção de uma agenda
de trabalho com as seguintes premissas:
95
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
96
VISÃO SISTÊMICA DE RH
Planejamento
Monitoramento
Informações
Gerenciais/
Tomadas de
Decisão
PROCESSOS
Entrada
Arcabouço Legal;
Políticas de RH;
Aspectos
Organizacionais.
Provisão da Força de Trabalho
Capacitação e Desenvolvimento
Manutenção de R. H.
Avaliação de Desempenho
Evolução Funcional
Relação de Trabalho
Seguridade Social
Qualidade de Vida
Gestão de Processos e Sistemas
Legislação de Pessoal
Saída
Melhoria da
Gestão Pública:
Qualidade na
Prestação de
Serviços Públicos;
Eficiência
Organizacional;
Satisfação dos
Servidores.
A visão sistêmica representada demonstra as entradas de informações, que
sempre devem estar de acordo com o arcabouço legal, com as políticas de recursos
humanos e os aspectos organizacionais. Tais informações devem ser processadas
de forma integrada e orgânica pelos subsistemas de recursos humanos, que
constituem os processos de trabalho, gerando resultados coerentes com os
objetivos previamente traçados.
O planejamento vem de uma realidade diagnosticada e analisada em contraponto
aos objetivos e às políticas estabelecidas. A partir de então, são traçadas as ações,
por sua vez transformadas em processos,
verificados pelo monitoramento.
O monitoramento são os controles interno
e externo com o objetivo de acompanhar
desempenho e resultados e subsidiar o
processo de tomada de decisão. Por meio
dele, pode-se delinear novas ações de modo
a realimentar o sistema e alcançar com êxito
os objetivos organizacionais inicialmente
estabelecidos pelo planejamento.
PARTE II - A POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
Partindo desse pensamento sistêmico, foram definidas as principais premissas
para a construção e o funcionamento do novo sistema de gestão de recursos
humanos, a seguir relacionadas:
a. Possuir Cadastro Único, unificação dos cadastros e tabelas do SIAPE,
SIAPENet e SIAPECad.
b. Implementar pastas virtuais que permitam a digitalização de documentos
funcionais dos servidores integrados ao Cadastro Único.
c. Possuir capacidade de parametrização das regras de negócio, em
conformidade com a legislação de pessoal e a especificação de requisitos
junto aos órgãos central, setoriais e seccionais.
d. Possuir estrutura robusta de manutenção do histórico dos dados de
negócio, a exemplo da evolução do servidor no cargo, dos registros de
ocupação de cargos comissionados, dos(as) afastamentos/licenças, das
estruturas remuneratórias e das férias.
e. Prover de mecanismos de auditoria on-line de todas as ações realizadas
no sistema (rastreabilidade).
f. Permitir a geração de relatórios gerenciais com vista a subsidiar os
processos decisórios.
g. Utilizar a certificação digital como instrumento da política de segurança.
h. Considerar que a implementação do sistema deverá ocorrer de forma
modular, prevendo ciclos de implantação.
i. Ser capaz de integrar os demais sistemas estruturantes, infrasigs de
RH e outras integrações que se fizerem necessárias, tais como bancos
conveniados.
A partir do exposto e pensando na mudança de lógica de gestão e organização
do Estado no escopo do Governo Federal, o grande desafio da Administração
de Recursos Humanos é tirar seus funcionários da condição de operadores de
recursos humanos, que tratam apenas dos processos burocráticos de registros
funcionais e de confecção da folha de pagamento e seus respectivos controles,
para atuarem em nível estratégico nos órgãos públicos em que estão inseridos,
que tem como resultado do processo a melhoria da gestão pública, objetivo
precípuo e final desta reestruturação, conforme modelo a seguir.
PARTE II - A POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
Como resultado de todo este processo, tem-se a qualidade dos gastos públicos, com
a consequente melhoria da gestão pública, fundamentada na qualidade na prestação
dos serviços públicos, na eficiência organizacional e na satisfação dos servidores.
97
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
98
Parceiro Estratégico
PE de RH integrado ao PE
da organização; e
Transformar estratégia em ação.
Gestão de Processos
Redefinição do SIPEC;
Visão Sistêmica; e
Análise e Melhoria de
Processos.
Aprimoramento dos
Sistemas de RH
Gestão de
Pessoas
Estratégica
Melhoria da
Gestão Pública
Cadastro Único;
Parametrização;
Pastas virtuais; e
Integração com Sistemas.
Relatórios Gerenciais.
O novo modelo requer dos profissionais em gestão de pessoas a habilidade de
serem ao mesmo tempo estratégicos e operacionais, concentrando-se no longo
e no curto prazo (foco no(nas) futuro/estratégias; e foco no(s)/(nas) cotidiano/
operacional, ferramentas e sistemas).
Diante de tantas questões, cabe um olhar mais profundo, levando-se em conta
as limitações legais e estruturais, para se buscar novas formas, novos desenhos
nos processos de trabalho, reconhecer as necessidades gerenciais em cada órgão
da estrutura do SIPEC e, por fim, colaborar na construção de uma nova lógica
de pensamento e ferramenta de tecnologia que sirva para elaborar e implantar
as políticas de gestão de pessoas, permitindo o fortalecimento da qualidade das
políticas públicas do Estado Brasileiro.
A Secretaria de Recursos Humanos tem realizado melhorias significativas que
estão sendo implementadas para o desenvolvimento das pessoas e da gestão
das informações e dos processos de trabalho, a fim de trazer mais qualidade ao
processo decisório relativo à gestão de pessoas.
As novas práticas na gestão de processos e o uso de sistema de informação
deverão ser instrumentos gerenciais que permitirão a melhoria da gestão pública.
Paralelamente a essas práticas, é indispensável o investimento na capacitação do
PARTE II - A POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
A implementação desses instrumentos gerenciais, observando os princípios da
administração pública, tem como finalidade o alcance da democratização, da
transparência das informações e do controle social sobre as ações de recursos
humanos, que consequentemente trarão qualidade na prestação do serviço
público à sociedade.
PARTE II - A POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
servidor público que, diante deste cenário, precisa desenvolver novas habilidades
para trabalhar em ambientes complexos, dentro dos novos arranjos que estão
configurados nas legislações recentes.
99
PARTE III
DEBATES
1– Democratização das relações
de trabalho em debate
1.1 Dimensões próprias e metodológicas dos
grupos de trabalho
Nas seis Etapas Regionais os Grupos de Trabalhos reunidos para o debate do
eixo Democratização das Relações de Trabalho aglutinou 110 pessoas, número
reduzido se comparado aos demais eixos. Esse dado já sinaliza um dos pontos
bastante problematizados nas discussões: a necessidade de apropriação pelo
servidor público pela cultura da democratização das relações de trabalho, da
incorporação da gestão partilhada e do diálogo negocial já estabelecido nas
Mesas de Negociação Coletiva.
Interessante notar que os próprios participantes dos grupos das etapas regionais
apontaram que a pequena participação desse eixo devia-se pelo caráter filosófico
da discussão, e, portanto, a dificuldade enfrentada para o debate deu-se, não só
pelo grau de inovação desta política, mas pelo seu alto grau abstrato. Apontaram
que não havia experiência que conhecessem para traçar-se um paralelo e que
produzisse uma comparação razoável.
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
102
O diálogo, a negociação, a
constituição da Ouvidoria
do Servidor, a ampliação
do espaço de discussão
às entidades sindicais e à
sociedade como um todo
revelam o esforço do atual
governo em consolidar um
cenário real de relações
de trabalho democráticas
e partilhadas no serviço
público federal
Ao contrário de eixos como Carreiras
ou Sistemas, onde há algum
acúmulo, a inovação deste tema, seja
no campo prático, seja no campo
teórico incomodou os participantes,
e tomou grande parte dos debates.
Curiosamente, a falta de literatura e de
estudos científicos brasileiros sobre o
tema foi uma das questões apontados
pelos participantes do grupo.
O pioneirismo da política traz
enraizado o medo de errar, até mesmo
no debate. Interessante também se
notar que outra questão apontada
por todas as etapas foi a necessidade
de referendar o caminho da OIT. Ou
seja, incorporar o caminho traçado
internacionalmente na legislação
brasileira, o que foi apontado como
um avanço, pelo menos no que tange
à negociação dos servidores com a
Administração Pública.
Por outro lado, também se observou a necessidade e a carência dos servidores
em discutirem e participarem de temas com os quais trabalham há anos, e para
os quais somente agora foram abertos o diálogo e a participação.
Inobstante o represamento dessa demanda, a importância desse debate é singular,
pois esse processo apesar de crescente e envolvente é muito recente para ser
tido como irreversível. O diálogo, a negociação, a constituição da Ouvidoria do
Servidor, a ampliação do espaço de discussão às entidades sindicais e à sociedade
como um todo revelam o esforço do atual governo em consolidar um cenário real
de relações de trabalho democráticas e partilhadas no serviço público federal.
Desse modo, os pontos fortes, os pontos fracos e as propostas oriundas das Etapas
Regionais desse primeiro processo de Conferência perfazem material não apenas para
uma análise política sobre a condução da democratização das relações de trabalho
nesse período histórico, mas instigam a formulação de políticas e instrumentos
capazes de fazer avançar esse processo tão essencial ao serviço público brasileiro.
PARTE III - DEBATES
Não sendo um movimento estanque, foi retomado o Grupo de trabalho que
dispôs sobre o Tratamento dos Conflitos na Administração Pública, para
discussão com vista a possível encaminhamento de Projeto de Lei ao Congresso
Nacional para regulamentar a matéria, cujas discussões continuam em curso,
uma vez que se trata de projeto de construção coletiva.
Sobre a ratificação da Convenção 151 da OIT, não é sem propósito lembrar que há
mensagem presidencial para sua ratificação, enviada ao Congresso Nacional.
Também lembramos por oportuno que a SRH fomentou cursos de capacitação em
negociação coletiva para preparar os servidores e também os próprios membros do
governo para esse desafio.
1.2 Resultados
A percepção, a partir dos aspectos elencados pelo público participante, é que o
debate gerado nas Etapas Regionais foi capaz de estabelecer um conhecimento
e uma reflexão mais densa sobre a Democratização das Relações de Trabalho e
mais ainda: conseguiu pautar os desafios postos.
Pontos fortes






Rompimento do modelo autoritário.
Inauguração do processo permanente de negociação.
Solução consensuada e legítima dos conflitos pela participação dos
sindicatos representantes do funcionalismo.
Reconhecimento da liberdade de organização sindical no serviço público.
Instituição do conceito democrático de relações entre o servidor público
e a Administração.
Criação da Ouvidoria do servidor.
PARTE III - DEBATES
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
Os desafios e os pontos fracos pontuados nas etapas regionais foram objeto de
aprofundamento na Conferência Nacional, de forma que, diante do apontado
pelos grupos, foram convidados, para o aprofundamento dos debates,
conferencistas que atuam como autores do tema à luz do ordenamento brasileiro,
bem como um consultor da OIT.
103
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
104
Pontos fracos





Falta de regulamentação da negociação coletiva no serviço público.
Falta de atividade científica sobre o tema: “democratização das relações
de trabalho”.
Distanciamento entre servidores públicos e a sociedade civil.
Dificuldade nas relações interpessoais.
Omissão da Constituição Federal sobre a negociação coletiva dos
servidores públicos.
Propostas apresentadas nos grupos








Ratificação da Convenção 151 da OIT.
Regulamentação em lei da negociação coletiva no setor público.
Participação da sociedade nos momentos de conflitos podendo atuar,
inclusive, como mediadora.
Valorização do processo de negociação coletiva.
Negociação coletiva deve compor a agenda administrativa pública em
conjunto com o ciclo orçamentário.
Melhoria dos canais de comunicação.
Posicionamento contrário ao imposto sindical.
Construção da regulamentação para o tratamento dos conflitos advindos
das relações de trabalho no serviço público.
O aprofundamento dos debates estão relacionados aos seguintes painéis
promovidos na conferência nacional:
conferências Magnas:
iii – O tratamento dos conflitos nas relações de trabalho no setor público
Painéis temáticos:
iX – ética no serviço público
PARTE III - DEBATES
2.1 Dimensões próprias e metodológicas dos
grupos de trabalho
A discussão sobre diretrizes de carreira, ao contrário do que ocorreu com outros
grupos de debate, não foi homogênea, uma vez que entre as discussões do grupo,
muitas vezes não houve consenso sobre os pontos fortes, fracos e as propostas. Tal
fato, contudo não enfraquece o debate, pelo contrário, demonstra a complexidade da
gestão de pessoas do Governo Federal.
A falta de consenso não diminui o debate em nenhum momento, mas antes revela
interesses divergentes, acúmulos sobre carreiras específicas, e primordialmente a
carência desse debate que tomou forma nas etapas regionais. Por isso, a busca
do consenso por certo é um ideal, mas a falta desse não pode paralisar nem o
Governo em sua constante busca pelo aprimoramento da gestão de pessoas, nem
os participantes do grupo que querem ver seus registros publicados e organizados.
Diante da complexidade do tema, foram condensados os pontos de convergência
que os grupos apresentaram como sendo os pontos fortes, fracos e as propostas sobre
o tema diretrizes de carreiras, que ora apresentamos.
2.2 Resultados
Pontos fortes





Abertura de canais de discussão e negociação.
Ingresso no serviço público, por meio de concurso.
Realização da avaliação de desempenho do servidor.
Incentivo à capacitação por meio da RT e GQ.
Busca de profissionalização dos quadros, por meio dos requisitos para
ingresso e capacitação continuada.
PARTE III - DEBATES
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
2 – Diretrizes de carreiras em debate
105
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
106


Possibilidade de desenvolvimento na carreira, que é escalonada em
classes e padrões.
Política de resgate da remuneração.
Pontos fracos








Não consideração da experiência profissional no caso de novo ingresso,
pelo fato do mesmo ter que se dar em classe e padrão iniciais.
Limitação à mobilidade horizontal (entre órgãos) e vertical (ascensão
funcional) dos servidores.
Contratação de funcionários temporários e terceirizados.
Falta de uma política de capacitação permanente.
Remuneração vinculada à avaliação de desempenho.
A não regulamentação de algumas gratificações de desempenho.
A falta de parâmetros claros para estabelecimento da remuneração.
Ausência de uma política remuneratória permanente.
Propostas











Alterações constitucionais e legais que permitam a ascensão funcional.
Racionalização de cargos e tabelas salariais.
Acesso a cargos de gestão por mérito e por servidores de carreira.
Avaliação como instrumento de gestão, e não de punição.
Acesso democrático e contínuo à capacitação e qualificação.
Extensão dos cursos de formação a todos os concursos públicos.
Incorporação das gratificações ao salário base.
Isonomia de benefícios.
Instituição de mecanismos que evitem a estagnação dentro da carreira.
Parametrização da remuneração entre cargos e níveis assemelhados
na APF.
Substituição de trabalhadores terceirizados que exercem atribuições de
servidores efetivos.
Estes pontos foram os mais apontados e com maior concordância, no entanto,
outros pontos fortes, fracos e outras propostas foram apresentadas sem consenso
nos grupos de trabalho e sem transversalidade entre as etapas. Estas propostas,
elencadas a seguir, como registro, e igualmente sobre o tema fica o registro sobre
PARTE III - DEBATES
PONTOS FORTES SEM CONSENSO ENTRE OS INTEGRANTES DO
GRUPO E /OU SEM CONSTÂNCIA ENTRE AS ETAPAS REGIONAIS
TEMA
AD
PONTOS FORTES
REGIONAIS
Avaliação de desempenho
CO
N
C
Incentivo à capacitação por meio da RT/GQ
MG
N
C
Legislação de capacitação
CO
C
Busca de profissionalização dos quadros
CO
N
D
Desenvolvimento na carreira (classes, padrões)
MG
CO
Comitês de carreira
CO
E
Instituição de carreiras transversais
CO
E
Carreira como fortalecimento para atividade
finalística do órgão
CO
G
Fortalecimento do Estado
CO
DEM
G
Percepção da necessidade de mudança
CO
G
Estabilidade
MG
legenda
AD
C
D
DEM
E
G
I
R
Regionais
Avaliação de Desempenho
Capacitação
Desenvolvimento
Democratização das Relações de Trabalho
Estrutura de carreiras
Geral
Ingresso
Remuneração
N
Norte
CO
Centro-Oeste
MG
Sudeste 1
SP
Sudeste 2
S
Sul
NE
Nordeste
PARTE III - DEBATES
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
os pontos que coadunam, os que coadunam e avançam e os que divergem entre
os debates feitos pelos grupos e a política apresentada pelo Governo.
107
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
108
PONTOS FRACOS SEM CONSENSO ENTRE OS INTEGRANTES DO
GRUPO E /OU SEM CONSTÂNCIA ENTRE AS ETAPAS REGIONAIS
TIPO
PONTOS FRACOS
FREQUÊNCIA
REGIONAIS
AD
Algumas avaliações de
desempenho não estão
regulamentadas
1
MG
AD
Falta de critérios eficazes para a
avaliação de estágio probatório
1
SP
1
SP
AD
PL 248/1998
AD
Distorção da aplicação da
avaliação de desempenho
1
N
AD
Avaliação de desempenho
vinculada à remuneração
1
N
AD
Não instrumentalização do
avaliador
1
N
AD
Inflexibilidade no
estabelecimento de metas
institucionais e individuais
1
N
AT
Atribuições dos cargos não
estão bem definidas/claras
1
MG
AT
Desvio de função
1
N
C
Falta de recurso para
capacitação e qualificação
1
SP
C
Não valorização do esforço do
servidor por sua qualificação e
capacitação
1
N
C
Falta de uma política
permanente de qualificação
1
N
C
Exigência de compensação da
carga horária do servidor para
qualificação (art. 98 da Lei no
8.112)
1
N
PARTE III - DEBATES
1
CO
CC
Critérios de nomeação para
cargos comissionados
1
N
CT
Condições de trabalho
inadequadas
1
N
D
Falta de critérios para
progressão funcional
1
SP
D
Ausência de perspectiva
1
CO
D
Não haver ascensão funcional
2
CO
D
Limitação da progressão pela
estrutura de padrões e classes
da tabela
1
N
D
Ausência de mobilidade vertical
e horizontal
1
N
E
Limitações de mobilidade
4
NE
D
Ausência de comunicação entre
cargos da mesma carreira
1
N
E
Diversidade de carreiras
1
CO
I
Ingresso não considera a
experiência profissional
1
MG
I
Concursos são realizados
para atender à Legislação e ao
Judiciário e não aos órgãos
1
MG
I
Terceirização e precarização
1
SP
I
Definição inadequada das
exigibilidades para ingresso na
carreira
1
CO
N
MG
CO
N
PARTE III - DEBATES
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
CC
Ocupação de cargos
comissionados por pessoas que
não pertencem à carreira
109
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
110
I
Contratação de temporários e
terceirizados
2
CO
I
Quantitativo de servidores
insuficiente
1
N
I
Concurso Público na classe e
padrão inicial da carreira
1
S
P
Insatisfação geral em relação
aos modelos existentes
1
MG
P
PL 92/2007
1
SP
P
Ausência de uma política de RH
e ingerência política
1
CO
P
Carreira confundida com tabela
salarial
1
CO
P
Desvios políticos na concepção
das carreiras
1
CO
P
Ausência de visão sistêmica na
estruturação das carreiras
1
CO
P
Não existem carreiras
de fato
1
CO
P
Falta de uma política de Estado
1
N
R
Ausência de paridade entre
ativos, aposentados e
pensionistas
1
SP
R
Tabela diferenciada
1
SP
R
Existência de gratificação
1
SP
R
Benefícios diferenciados entre
os Poderes
1
SP
PARTE III - DEBATES
N
Inexistência de isonomia entre
cargos/carreiras
1
CO
R
As carreiras (cargos) do
Executivo são discriminadas em
relação aos outros Poderes
1
CO
R
Desigualdade de tratamento
entre os diferentes segmentos
de servidores públicos
1
CO
R
Desvalorização da carreira do
PGPE e PST
1
CO
R
Diversidade de tratamento nas
carreiras
1
CO
R
Política discriminatória em
relação à(s) aposentadorias/
quebra da paridade
1
N
R
Benefícios diferenciados entre
os três Poderes
1
N
R
Ausência de uma política salarial
permanente
1
N
R
Desvalorização dos cargos de
apoio
1
N
R
Falta de parâmetros para a
definição da remuneração
1
N
R
Remuneração diferenciada para
atividades afins, de mesmo nível
de escolaridade
1
N
R
Não universalização da
retribuição por titulação
1
N
R
Distorção entre os Planos de
Carreira entre os três Poderes
1
NE
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
R
PARTE III - DEBATES
111
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
112
PROPOSTAS SEM CONSENSO ENTRE OS INTEGRANTES DO
GRUPO E/OU SEM CONSTÂNCIA ENTRE AS ETAPAS REGIONAIS
TEMA
PROPOSTAS
POLÍTICA
FREQ.
REGIONAIS
Três carreiras:
militares,
universidades e
demais
Diverge
1
S
CC
Acesso a cargos de
gestão por mérito
Coaduna
e avança
2
NE
N
C
Acesso democrático
à capacitação e
qualificação
Coaduna
e avança
2
SP
N
DEM
Acompanhar os
trabalho da SRH –
MP na consolidação
das propostas,
observando a
inclusão das
proposições das
demais Conferências
Coaduna
1
NE
I
Adequar a Port.
MPOG no 450 de
2002 (normas gerais
para realização de
concurso) às novas
realidades trazidas
pelas DPCs
Coaduna
e avança
1
NE
D
Alterações nas
normas que
regulamentam as
carreiras (ascensão
funcional)
Diverge
5
NE
C
As DPCs devem
conter política de
incentivo e estímulo
à capacitação e
qualificação
Coaduna
1
NE
E
PARTE III - DEBATES
MG
S
CO
N
Coaduna
1
NE
AD
Avaliação de
desempenho com
critérios objetivos e
compartilhados com
o avaliado
Coaduna
1
N
AD
Avaliação de
desempenho como
instrumento de
gestão e diagnóstico
das condições de
trabalho
Coaduna
1
S
AD
Avaliação de
desempenho do
processo participativo
e igualitário
considerando
as condições de
trabalho
Coaduna
1
S
AD
Avaliação não deve
ser utilizada como
instrumento punitivo
Coaduna
2
S
G
Buscar
continuamente a
equidade entre os
servidores dos três
Poderes no que se
refere ao PC
Diverge
1
NE
C
Capacitação
continuada
Coaduna
e avança
2
CO
D
Conhecer e discutir
as propostas
existentes sobre
ascensão funcional
Inova
1
NE
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
R
As DPCs devem
garantir a
amplitude da tabela
remuneratória: início
e fim da carreira
N
PARTE III - DEBATES
113
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
114
R
Consequência
da capacitação e
qualificação
Coaduna
e avança
1
S
R
Considerar
capacitação,
qualificação,
tempo de serviço e
desempenho
Coaduna
1
N
G
Consolidação
das propostas
de diretrizes para
discussão na mesa
permanente de
negociação, entre
Entidades Sindicais e
Governo
Coaduna
e avança
1
NE
E
Construir uma
carreira única para
os SPF
Inova
2
NE
DEM
Convocação imediata
da MNNP para
discutir e aprovar as
DPCs
Coaduna
e avança
1
NE
R
Correlação
percentual entre
os cargos, de nível
superior (referência),
intermediário e
auxiliar, a exemplo
da correlação entre
a maior e a menor
remuneração da APF
Coaduna
e avança
1
MG
G
Criação de diretrizes
para as carreiras
Coaduna
1
CO
E
Criar carreiras
específicas
Inova
1
NE
PARTE III - DEBATES
MG
Coaduna
e avança
1
NE
G
Criar uma Política
Nacional de Gestão
de Pessoas
Coaduna
e avança
1
NE
AT
Definição de
atribuições cuja
complexidade seja
ampliada conforme
evolução na carreira
Inova
1
NE
Coaduna
1
NE
R
Definição de um piso
salarial e da relação
entre maior e menor
salário
Coaduna
e avança
1
N
AT
Definições claras de
atribuições de forma
não complexiva
Coaduna
1
MG
E
Diretrizes claras
de um Plano de
Carreiras que
oportunize a
mobilidade
Inova
1
NE
C
Dotação
Orçamentária para
capacitação
Coaduna
2
NE
AT
Ênfase no caráter
coletivo das atividades
desenvolvidas pelo
servidor
Coaduna
1
N
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
AD
Criar cultura de
avaliação de
desempenho
inclusive para cargos
comissionados
Definição de diretrizes
gerais de carreira,
G
que uniformizem
conceitos e
parâmetros
S
PARTE III - DEBATES
115
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
116
G
Esclarecer a
sociedade que a boa
prestação de serviço
está relacionada
a qualificação dos
servidores
Inova
1
NE
R
Estabelecer como
diretriz a titulaçãoqualificação para
todas as carreiras do
serviço público em
todas as classes;
Diverge
1
MG
R
Estabelecer data base
para reajuste salarial
para o funcionalismo
público federal
Diverge
1
MG
R
Estrutura salarial que
estimule o ingresso
e a permanência na
carreira
Coaduna
1
NE
E
Estruturação das
classes em “Y”
Inova
1
CO
E
Estruturação
por meio do
aproveitamento de
cargos com similitude
de atribuições e grau
de escolaridade em
uma carreira única
(administrativa)
Diverge
2
CO
N
C
Extensão dos cursos
de formação a
todos os concursos
públicos
Inova
2
SP
N
C
Firmar termos de
parcerias entre as
instituições para
capacitações
Coaduna
1
NE
PARTE III - DEBATES
Inova
1
S
AD
Fundamentação
objetiva nas
avaliações de
desempenho
negativas
Coaduna
1
MG
G
Garantia de
orçamento para
implantação da
carreira e para
capacitação
Coaduna
1
NE
AT
Garantir a
participação dos
servidores na
definição dos
processos de
trabalho
Coaduna
1
NE
D
Implantação de
Sistema de Gestão
por Competência,
capaz de mostrar
desafios motivadores
aos servidores para
evoluir na carreira
Coaduna
e avança
1
NE
R
Incentivo de
localização para
regiões inóspitas ou
de difícil acesso
Coaduna
1
N
R
Incentivos de
qualificação iguais
para todos os
servidores
Diverge
1
S
R
Incorporação das
gratificações ao
salário base
Diverge
2
S
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
C
Flexibilização
da legislação de
capacitação
SP
PARTE III - DEBATES
117
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
118
R
Incorporação das
gratificações para fins
de aposentadoria
Diverge
1
N
R
Instituição de nova
tabela salarial com
referências acima
das atuais
Diverge
1
N
G
Instituição de
políticas de RH que
sejam de Estado,
não de Governo
Coaduna
1
N
R
Isonomia de
benefícios entre os
três Poderes
Diverge
2
S
R
Manutenção
dos adicionais
(periculosidade,
insalubridade,
noturno, etc.) nas
remunerações por
subsídios
Diverge
1
MG
Melhoria dos
instrumentos
avaliativos
priorizando a
imparcialidade
Coaduna
1
S
1
NE
1
NE
AD
G
Mobilização dos
servidores e da
sociedade para
aprovação do PL
no Congresso
G
Mudar a Legislação
na busca da paridade
entre os três Poderes
PARTE III - DEBATES
Diverge
N
Coaduna
1
NE
D
O desenvolvimento
na carreira por
capacitação
e titulação
seja igualitário
independentemente
do cargo
Inova
1
NE
G
O Governo enviar ao
Congresso o PL das
Diretrizes do Plano
de Carreira aprovado
MNNP
1
NE
D
O PC deve
contemplar o Plano
de Desenvolvimento
dos Servidores
Coaduna
1
NE
CC
Ocupação dos
Cargos de Direção
e Assessoramento
(DAS) por servidores
da carreira
estruturada
Coaduna
e avança
2
MG
S
D
Oportunidade de
crescimento dentro
da carreira com
mecanismos que
evitem estagnação
Inova
2
NE
S
AD
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
Normatização
dos Sistemas
de Avaliação de
Desempenho com
regras claras e
motivadoras aos
servidores
PARTE III - DEBATES
119
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
120
E
Otimização da
estrutura de
cargos transversais
(atribuições similares)
Coaduna
1
NE
R
Parametrização da
remuneração entre
cargos e níveis
assemelhados na
APF
Coaduna
2
MG
N
R
Paridade entre ativos
e inativos
Diverge
3
MG
SP
AD
Participação da
sociedade na
avaliação dos
serviços prestados
Coaduna
1
N
DEM
Participar de
todo processo de
negociação das
DPCs
Coaduna
1
NE
D
Perspectivas claras
que retratem a
evolução do servidor
na carreira
Coaduna
2
NE
R
Pisos e tetos
unificados para
ativos, aposentados
e pensionistas
Diverge
1
S
I
Planejar e definir a
força de trabalho
necessária
Coaduna
1
NE
E
Planos de Carreiras
que propiciem a
movimentação de
servidores entre os
órgãos públicos
Inova
1
NE
PARTE III - DEBATES
SP
CO
Coaduna
1
MG
N
E
Racionalização de
cargos e tabelas
salariais prevendo
novas nomenclaturas
e readequação
de cargos com
atribuições extintas
Coaduna
e avança
3
NE
MG
I
Realização de
concurso para todos
os níveis
Diverge
1
MG
E
Recriação dos
cargos efetivos de
apoio
Diverge
1
SP
E
Redimensionamento
da Força de Trabalho
por órgão, de
maneira a possibilitar
o remanejamento
entre órgãos
Inova
1
MG
D
Regras claras de
mobilidade na
carreira (atribuições,
avaliação, de
certificação de
competência, etc.)
Coaduna
1
NE
Resgatar as
condições de
trabalho (ambiente
de trabalho)
Coaduna
1
NE
CT
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
D
Progressão e
promoção vinculadas
à qualificação,
capacitação e
avaliação
N
PARTE III - DEBATES
121
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
122
I
Substituição de
trabalhadores
terceirizados que
exercem atribuições
de servidores efetivos
Coaduna
2
MG
E
Substituição do
conceito de cargo
pelo de classe,
a exemplo da
carreira diplomática
(1o Secretário, 2o
Secretário, etc.)
Inova
1
CO
R
Tabela salarial única
para o Executivo
Diverge
1
CO
G
Ter pessoas
habilitadas e
qualificadas para
dialogar, planejar e
coordenar a Política
Nacional de RH
Coaduna
1
NE
DEM
Trabalho
constante de
acompanhamento,
por parte dos
representantes
sindicais, da
sociedade
organizada e
dos participantes
da Conferência
Nacional junto aos
parlamentares
G
Uniformização
de conceitos na
temática “carreiras”
Coaduna
1
CO
R
Universalização das
RTs
Diverge
1
N
PARTE III - DEBATES
NE
N
Coaduna
1
NE
I
Utilizar no
recrutamento por
concurso público
o instituto do título
(exemplo: experiência
profissional)
Coaduna
1
MG
C
Valorização de toda
capacitação
Inova
1
S
legenda
AD
AT
C
CC
CT
D
DEM
E
G
I
R
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
G
Utilizar instrumentos
de convencimento
(mídia, assembleias,
etc.) para
conscientização a
respeito da melhoria
do serviço público
Regionais
Avaliação de Desempenho
Atribuições
Capacitação
Cargos comissionados
Condições de trabalho
Desenvolvimento
Democratização das relações de trabalho
Estrutura de carreiras
Geral
Ingresso
Remuneração
N
Norte
CO
Centro-Oeste
MG
Sudeste 1
SP
Sudeste 2
S
Sul
NE
Nordeste
O aprofundamento dos debates deu-se nos seguintes painéis:
Painéis temáticos
Carreiras – Diretrizes para as carreiras da Administração Pública Federal
VII - Pesquisa sobre emprego público
Experiências: A gestão de pessoas no Estado peruano
PARTE III - DEBATES
123
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
124
3 – Gestão por competências
e avaliação de desempenho
em debate
3.1 Dimensões próprias e metodológicas do
grupo de trabalho
A exemplo dos demais painéis temáticos os grupos formados para a discussão
do eixo gestão por competências e avaliação de desempenho permitiram um amplo
debate em que todos os participantes tiveram a oportunidade de se manifestar e
apresentar suas opiniões, críticas e propostas, e didaticamente foram pontuados
os pontos fortes, os pontos fracos e os desafios a serem enfrentados.
Todos os integrantes dos grupos de trabalho deste eixo discutiram gestão por
competência e avaliação de desempenho, mas à luz das conclusões, críticas e
proposições encontradas os resultados dos debates acerca de avaliação de
desempenho e gestão por competências foram formulados de forma separada,
em todas as etapas da Conferência, razão pela qual, passamos a apresentar as
conclusões dos grupos da maneira que foram concebidas.
3.2 Resultados
Sobre a avaliação de desempenho, os grupos de trabalho concluíram pelas
seguintes proposições:
PARTE III - DEBATES





Estabelecimento de diretrizes gerais para a avaliação de desempenho
com a edição da Lei no 11.784, de 22 de setembro de 2008.
Metodologia participativa proposta na Sistemática de Avaliação de
Desempenho, que dispõe sobre a possibilidade de construção coletiva do
processo de avaliação, plano de trabalho previamente pactuado entre o
gestor e a equipe, avaliação 360º, feedback, bem como de maior transparência
e clareza para os servidores quanto ao desempenho esperado.
Possibilidade de a avaliação de desempenho ser utilizada como
instrumento de gestão, capaz de subsidiar ações de capacitação,
desenvolvimento e movimentação do servidor.
A avaliação de desempenho como um processo contínuo e objetivo, baseado
em planejamento, com foco em resultados, metas e objetivos estratégicos,
proporcionando maior conhecimento da realidade institucional.
Capacidade de estimular o desenvolvimento do servidor e promover a
valorização e o aperfeiçoamento profissional.
Pontos fracos








Vinculação da avaliação de desempenho à parcela da remuneração, bem
como a sua não utilização como instrumento de gestão.
Ausência de capacitação e qualificação específica em relação ao processo
de avaliação de desempenho, tanto por parte dos gestores, quanto dos
servidores.
Falta de cultura de avaliação e de consciência da importância da avaliação
de desempenho, o que dificulta o comprometimento dos atores no processo.
Subjetividade.
Ausência de comunicação entre os gestores e servidores.
Ausência de feedback.
Não vinculação da avaliação de desempenho ao planejamento estratégico.
Avaliação de desempenho como sinônimo de perseguição ou punição.
PARTE III - DEBATES
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
Pontos fortes
125
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
126
Propostas






Criação de espaços/canais de comunicação, socialização, discussão e
troca de experiências entre os órgãos.
Elaboração de programa de capacitação para avaliadores e avaliados
sobre o processo de avaliação de desempenho.
Criação de mecanismos que possibilitem conscientizar/sensibilizar os
gestores e servidores sobre a importância da avaliação de desempenho,
bem como estabelecer mudança cultural em que se compreenda o
processo de avaliação de desempenho como instrumento de gestão e
ferramenta de tomada de decisões.
Garantia de orçamento destinado a ações de capacitação dos servidores,
haja vista a avaliação de desempenho possibilitar esse diagnóstico.
Desenvolvimento de sistemas efetivos de comunicação nos órgãos e de
mecanismos que possibilitem a avaliação dos usuários, quando couber,
no processo de avaliação de desempenho.
Instituição de planejamento estratégico pelos órgãos.
Os debates em relação à gestão por competências, em todas as etapas
apresentaram uma reflexão mais conceitual e operacional em torno dos desafios
de implementação deste modelo de gestão na Administração Pública Federal,
pois foi apresentado pelos participantes que a implementação da gestão por
competências na APF é uma iniciativa ainda muito incipiente, restringindo-se a
um pequeno número de órgãos e centrada no mapeamento das competências e
em algumas iniciativas de capacitação por elas orientadas, portanto este modelo
ainda permanece distante da realidade de todos os órgãos da APF, engessados
pela cultura de falta de planejamento e clareza de missão, por estruturas pouco
flexíveis e reféns dos limites impostos pelas atribuições dos cargos.
Durante os debates foi ressaltado que ainda há pouco conhecimento e acúmulo
por parte dos setores de RH e também pelas chefias acerca do conceito de gestão
por competências e das suas implicações sobre toda a gestão da organização.
Gerir por competências as organizações não é um desafio exclusivo dos setores de
recursos humanos e há pouca capacidade operacional na APF em dar suporte ao
aprofundamento deste debate capaz de superar os limites culturais apresentados,
bem como assessorar os processos de mapeamento das competências pelos
órgãos da APF.
PARTE III - DEBATES




Permite um alinhamento às metas institucionais e uma análise crítica de
cada servidor, agregando valores para a instituição.
Demanda uma modernização da atuação dos setores de RH, exigindo
um papel mais estratégico dos mesmos.
Ajuda a planejar, monitorar e avaliar o plano de capacitação e progressão
de carreira, facilitando a alocação de pessoas e trilhas de aprendizagem.
Concede mais transparência aos critérios de provimento, seleção,
sucessão e gestão de desempenho.
Com estas considerações, os grupos de debates das etapas regionais da
Conferência chegaram a três importantes questões centrais sobre o modelo de
gestão por competências:



A gestão por competências é um modelo adequado à APF? Para todos os
órgãos indistintamente?
Quais os entraves/limites para a sua efetiva implementação?
Quais diretrizes/elementos devem conter uma “agenda positiva” de
tratamento desta temática na APF?
PARTE III - DEBATES
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
Os grupos compreenderam a gestão de competências como um modelo de
gestão mais avançado, à luz dos seguintes quesitos:
127
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
128
Ressaltamos que estas questões, que se afiguraram como os desafios desta
política, foram enviadas aos palestrantes do painel temático deste eixo na etapa
Nacional da Conferência de Recursos Humanos com o intuito de aprofundar os
debates sobre o tema e construir possíveis soluções.
O aprofundamento dos debates deu-se nos seguintes painéis:
Painéis temáticos
Avaliação de desempenho
Gestão por competências e suas implicações para a Administração Pública
Federal
Capacitação
Experiência: Avaliação de Desempenho no INMETRO
PARTE III - DEBATES
4.1 Dimensões próprias e metodológicas do
grupo de trabalho
Os grupos formados para a discussão da Política de Atenção à Saúde do
Servidor permitiram um amplo debate em que todos os participantes tiveram a
oportunidade de se manifestar e apresentar suas opiniões, críticas e propostas, e
didaticamente foram pontuados os pontos fortes, os pontos fracos e os desafios
a serem enfrentados.
Mas, a exemplo dos debates acerca do eixo Diretrizes de carreiras, as discussões
sobre a Política de Atenção à Saúde do Servidor não foram homogêneas, uma
vez que entre as discussões do grupo, muitas vezes, não houve consenso sobre
determinadas propostas, ou mesmo sobre os pontos fortes ou fracos. Tal fato,
contudo não enfraquece o debate, pelo contrário, demonstra a complexidade do
tema e os desafios daí advindos.
À luz do princípio da transparência que norteou os debates e com o intuito de que
este relatório seja fiel às discussões das etapas, foram assinalados percentualmente
os pontos de convergência dos debates e no mesmo diapasão os critérios que os
grupos apresentaram como sendo os pontos fortes, fracos e as propostas, que ora
apresentamos. Em vista da transversalidade dos temas e complexidade do quanto
apresentado, também foram propostos os pontos que coadunam, os que coadunam
e avançam e os que divergem entre os debates feitos pelos grupos e a política
apresentada.
PARTE III - DEBATES
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
4 - Política de atenção à saúde
do servidor (PASS)
129
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
130
4.2 Resultados
Pontos fracos
5%
2%
3%
2% 3%
1%
10%
11%
3%
8%
7%
6%
8%
9%
16%
3%
Pessoal / Equipe - 10%
Perícia - 11%
Gestão e Política - 16%
Auxílios - 2%
Vigilância e Promoção - 3%
Saúde Suplementar - 7%
Aposentados e Previdência - 9%
Capacitação - 6%
Infra-estrutura e Logísitica - 3%
Interface RH e RENAST - 2%
Redistribuídos / cedidos /
terceirizados - 3%
Comunicação e Informações - 8%
Orçamento - 3%
Normas e Regulamentação - 8%
Informatização - 5%
Sucateamento SUS - 1%
Gestão e Política – 16%
coaduna com a PaSS:






PARTE III - DEBATES
Insegurança e resistência devido à mudança de cultura.
Falta de comprometimento e vontade política de alguns gestores, nos
diversos níveis.
Fragilidade na definição das competências e responsabilidades na
implantação do SIASS e das áreas internas de cada órgão.
Falta de diretrizes.
Falta de autonomia da Política de Assistência à Saúde dos Servidores.
Ausência de definição da política remuneratória.


Falta de visão de saúde organizacional.
Conceito de saúde restrito ao aspecto ocupacional, em detrimento da
perspectiva integral.
Perícia – 11%
coaduna com a PaSS:




Dificuldade na troca de paradigma de perícia médica.
Falta de regulamentação/padronização da atividade pericial para os
servidores públicos federais.
Ênfase inicial nas ações de perícia médica em detrimento de outras ações
de promoção da saúde.
Risco do SIASS se tornar exclusivamente um modelo pericial de controle.
não se coaduna com a PaSS:

A possibilidade da necessidade de deslocamento do periciado entre
cidades.
Pessoal/Equipe – 10%
coaduna com a PaSS:



Quadro reduzido para as atividades do SIASS, especialmente para as
ações periciais.
Indefinição do papel, do perfil e da composição da equipe de vigilância
à saúde.
Ausência de esclarecimentos de como será estruturada a equipe técnica,
seu papel e sua vinculação.
PARTE III - DEBATES
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
não se coaduna com a PaSS:
131
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
132
não se coaduna com a PaSS:

Ausência de alguns cargos, como técnico de segurança.
Aposentados/aposentadoria/
Previdência – 9%
coaduna com a PaSS:


Indefinição de uma política de preparação para a aposentadoria.
Ausência de regulamentação das aposentadorias especiais.
não se coaduna com a PaSS:






Não concessão do abono de permanência ao professor que completa os
requisitos para a aposentadoria.
Atuais regras de aposentadoria são prejudiciais.
Perda de integralidade dos proventos (previdência).
Perda de paridade ativos/aposentados.
As regras de aposentadoria atuais são prejudiciais ao servidor.
Falta de política de saúde voltada para os servidores aposentados.
Comunicações e Informações – 8%
coaduna com a PaSS:



PARTE III - DEBATES
Falta de comunicação entre as diversas unidades envolvidas com a PASS.
Falhas na comunicação entre o Governo e os diversos órgãos.
Falta de divulgação/publicização da política do SIASS para todos os
órgãos públicos.


Dificuldade de comunicação e atendimento logístico ao servidor e seus
dependentes lotados em locais distantes da sede do órgão, devido às
características.
Falta de informação sobre a forma de integração do SIAPE-SAÚDE com
os outros módulos existentes no SIAPE (exemplo: licença médica).
Normas e regulamentação – 8%
coaduna com a PaSS:




Ausência de regulamentação do SIASS.
Falta de regulamentação dos exames periódicos.
Demora na efetiva implementação do SIASS.
Demora na discussão da política do SIASS, sem efetividade de ações.
Saúde Suplementar – 7%
coaduna com a PaSS:

A maioria dos servidores não foi contemplada com planos de saúde por
restrições da Portaria no 01/2007
não coaduna com a PaSS:



Execução dos periódicos pela saúde suplementar.
Exclusão de progenitores como dependentes.
Valor per capita defasado em relação ao mercado.
PARTE III - DEBATES
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
não se coaduna com a PaSS:
133
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
134
Capacitação – 6%
coaduna com a PaSS:


Ausência de ações de capacitação dos profissionais voltados para a saúde
do servidor e para o trabalho em equipe.
Falta de definição de uma política de qualificação e capacitação específicas
para as áreas de RH e de saúde.
não coaduna com a PaSS:

Exclusão dos servidores descentralizados nas capacitações.
Informatização -5%
coaduna com a PaSS:




Falta de instrumento para acompanhar o processo de implantação do
SIASS.
Falta de instrumento para pesquisa e avaliação do impacto das ações.
Ausência das informações das atividades laborais do servidor.
Falta de sistema informatizado.
Vigilância e Promoção – 3%
coaduna com a PaSS:



PARTE III - DEBATES
Falta de ações efetivas de promoção e prevenção que possam ser
implementadas dentro do perfil de cada órgão.
Indefinição de uma política de combate à dependência química.
Ausência de ações de vigilância com foco nos ambientes de trabalho e na
saúde do servidor.

Ausência de um plano de assistência suplementar único para todos os
servidores.
Orçamento – 3%
coaduna com a PaSS:


Falta de orçamento.
Falta de financiamento específico para as ações de implementação do
SIASS, especialmente para as ações de promoção da saúde.
Redistribuídos/cedidos/
terceirizados – 3%
coaduna com a PaSS:

Falta de visão sistêmica do trabalho, que inclua todos os colaboradores
(terceirizados, estagiários, bolsistas, etc).
não coaduna com a PaSS:

Falta de assistência ocupacional para os servidores cedidos e redistribuídos.
Infraestrutura e logística – 3%
coaduna com a PaSS:

Falta de condições de infraestrutura e logística adequadas no local de
trabalho.
PARTE III - DEBATES
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
não coaduna com a PaSS:
135
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
136


Falta de política para aquisição de material ergonômico para o serviço
público.
Falta de infraestrutura física para as ações do SIASS.
Interfaces – 2%
coaduna com a PaSS:


Dificuldade de interface com os RHs dos órgãos.
Dificuldade de interface com a RENAST e outros órgãos.
Auxílios – 2%
coaduna com a PaSS:


Disparidade entre os valores do auxílio-alimentação.
Valores insuficientes: auxílio pré-escolar e alimentação.
Sucateamento do SUS – 1%
não coaduna com a PaSS:

PARTE III - DEBATES
Sucateamento do SUS (constitucionalmente obrigado a prestar assistência)
9%
1% 1% 1% 2% 2%
15%
8%
21%
15%
11%
Normas e legislação - 15%
Saúde Suplementar - 8%
Criação, organização e integração de unidades - 15%
Informatização de dados e informações epidemiológicas - 14%
Equipe Multidisciplinar - 11%
Construção democrática e coletica do SIASS - 21%
14%
Eixos do SIASS - 9%
Aproximação área de saúde e RH - 1%
Avaliação de riscos nas unidades de trabalho - 1%
Uniformização do RPP - 1%
Qualificação de servidores - 1%
Melhoria da saúde e qualidade de vida do servidor/família - 2%
Construção democrática
e coletiva do SIASS – 21%
coaduna com a PaSS





Construção coletiva da política de atenção à saúde de forma democrática
com cooperação entre as instituições.
Compartilhamento da construção do SIASS.
Interlocução com os responsáveis em nível nacional pela implantação do
SIASS.
Envolvimento de diferentes atores (movimento sindical, servidores,
RH´s, técnicos dos serviços).
Novo paradigma na atenção à saúde do servidor público.
PARTE III - DEBATES
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
Pontos fortes
137
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
138
Criação, organização e integração
das unidades do SIASS – 15%
coaduna com a PaSS






Diagnóstico do perfil (infraestrutura, RH, equipamentos, etc).
Política de transversalidade entre os órgãos.
A criação de unidades com integração dos órgãos, com troca de experiências.
Gestão participativa com instrumentos de cooperação entre os diversos
órgãos federais.
Trabalho em rede.
Polos com equipes de vigilância e juntas periciais.
Normas e regulamentação – 15%
coaduna com a PaSS







Correção da falta de aplicação da legislação em saúde, segurança e
promoção da saúde.
Parâmetros para serviço de atenção ao servidor público.
Possibilidade da aplicação das normas regulamentadoras.
Uniformização dos procedimentos.
Legalização dos exames periódicos.
Manual Único da Perícia Médica.
Padronização de procedimentos.
Informatização de dados e
informações epidemiológicas – 14%
coaduna com a PaSS


PARTE III - DEBATES
Criação do SIAPE Saúde.
Informatização dos dados.




Tratamento das informações.
Formação de perfil epidemiológico do servidor.
Favorecimento do planejamento de ações de prevenção e promoção
à saúde.
Democratização das informações.
Fortalecimento da Política de Atenção à Saúde do Servidor.
Equipe multidisciplinar – 11%
coaduna com a PaSS




Criação de equipes multidisciplinares.
Visão multidisciplinar propicia atenção mais completa e humanizada à
saúde do servidor.
Vigilância e perícia com abordagem multidisciplinar.
Equipe multidisciplinar.
Saúde suplementar – 8%
coaduna com a PaSS




Uniformização das normas e dos procedimentos corrigindo distorções
na concessão de benefícios.
Reajuste semestral ao valor per capita.
Universalização do benefício.
Proposta de conceder valores de acordo com a faixa etária e remuneratória
do servidor.
não coaduna com a PaSS

Plano assistencial para todos os servidores e familiares.
PARTE III - DEBATES
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009

139
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
140
Eixos do SIASS - 9%
coaduna com a PaSS:





Mudança dos critérios da saúde ocupacional para política de saúde do trabalho
com ênfase na prevenção e promoção dos Servidores Públicos Federais.
Contemplar os três eixos - promoção, assistência e perícia.
Proposta de atenção global à saúde.
Modelo de integração entre perícia, promoção, vigilância e assistência.
Programas para promoção e vigilância.
Cria grupos de investigação
para avaliar riscos nas
unidades de trabalho – 1%
Prevê a qualificação
dos servidores – 2%
Aproxima a área de saúde da
política de recursos humanos – 1%
Uniformização do regime
da Previdência para todos
os servidores – 1%
Melhoria da saúde e da qualidade
de vida do servidor/família – 2%
PARTE III - DEBATES
1% 1%
11%
8%
15%
4%
15%
4%
15%
10%
4%
12%
Pessoal / Equipe Multidisciplinar - 15%
Comunicação e democratização das informações - 4%
Saúde Suplementar / benefícios / auxílios - 15%
Orçamento - 4%
Aposentadorias / aposentados - 10%
Banco de dados / informatização - 11%
Infraestrutura e recursos humanos - 12%
RPP APF - 1%
Exames periódicos / Perícia - 4%
SUS - 1%
Vigilância / Promoção - 8%
Gestão / Política / Comprometimento - 15%
Pessoal/Equipe
multidisciplinar – 15%
coaduna com a PaSS





Recomposição da força de trabalho.
Ampliação do quadro de profissionais de saúde e segurança, tais como
engenheiros de segurança, fisioterapeutas/terapeutas ocupacionais,
técnicos de segurança, pedagogos, nutricionistas, profissionais de
educação física, etc.
Capacitação e formação contínuas das equipes multiprofissionais.
Valorização das equipes multidisciplinares nas ações de promoção de saúde.
Incentivos aos profissionais.
inova na Política de atenção à Saúde do Servidor


Necessidade de observar o perfil do servidor que irá trabalhar na equipe
SIASS.
Estabelecimento de uma política de valorização salarial do servidor que
atuará no SIASS.
PARTE III - DEBATES
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
Sugestões/Proposições/Desafios
141
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
142
Saúde suplementar/
Benefícios – 15%
coaduna com a PaSS



Valor per capita isonômico a todos os poderes.
Extensão do auxílio saúde a todos os servidores.
Atingir um tratamento igualitário para todos os servidores.
não coaduna com a PaSS




Monitoramento da qualidade da assistência suplementar, mediação de
aumentos abusivos.
Celebração de convênio com hospitais.
Permanência dos pais como dependentes legais no plano de saúde do servidor.
Aumento da per capita equiparando-se ao valor de mercado.
inova na Política de atenção à Saúde do Servidor


Possibilidade de escolha de mais de uma modalidade de saúde suplementar.
Isonomia de tratamento dos benefícios entre os poderes.
Gestão/Política/
Comprometimento – 15%
coaduna com a PaSS







PARTE III - DEBATES
Sensibilizar e responsabilizar os gestores em relação à saúde do servidor.
Democratizar as informações dos gestores nos fóruns da saúde do servidor.
Garantir meios para implantar as mudanças no ambiente de trabalho.
Garantir integração entre as áreas envolvidas.
Humanizar o serviço.
Incentivar participação dos servidores nos programas de promoção e
prevenção.
Envolver os trabalhadores nas ações de vigilância e promoção à saúde.


Estabelecer cronograma das propostas e ações estabelecidas nos
encontros da saúde.
Buscar mecanismos para motivar e conscientizar os servidores nas
questões relativas à saúde.
Infraestrutura e recursos
humanos – 12%
coaduna com a PaSS




Diagnosticar perfil de cada instituição: RH, infraestrutura, equipamentos, etc.
Garantir suporte físico para as unidades.
Criar unidades regionais de atenção à saúde adequadas às necessidades.
Instalar polos do SIASS no interior dos estados.
inova na Política de atenção à Saúde do Servidor




Definir estrutura e logística mínima para as unidades do SIASS.
Estabelecer equipes locais responsáveis pela implantação do SIASS.
Fortalecer os serviços de RH para dar suporte às ações do SIASS.
Padronizar procedimentos básicos do SIASS, respeitando particularidades.
Aposentadorias/
Aposentados – 10%
coaduna com a PaSS


Desenvolver programas de preparação para a aposentadoria.
Regulamentar aposentadorias especiais para os servidores públicos.
PARTE III - DEBATES
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
inova na Política de atenção à Saúde do Servidor
143
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
144
não coaduna com a PaSS

Reavaliação da previdência buscando: integralidade, paridade, aprovação
da PEC no 441/2005.
inova na Política de atenção à Saúde do Servidor



Integrar a aposentadoria por invalidez.
Construir uma política de readaptação dos servidores públicos.
Regulamentar no RJU todos os benefícios não previdenciários.
Banco de dados/
Informatização – 11%
coaduna com a PaSS





Tratar os dados visando à promoção da saúde.
Garantir a segurança da informação do sistema SIAPE Saúde.
Integrar o SIAPE Saúde com os demais sistemas de RH.
Coletar dados da história laboral do servidor.
SIAPE Saúde contemplar todas as ações.
inova na Política de atenção à Saúde do Servidor



PARTE III - DEBATES
Interface com a RENAST e outros órgãos.
Monitoramento da execução das ações.
Criação e tratamento de indicadores sociais que deem conta da realidade
dos servidores.
coaduna com a PaSS






Regulamentar as ações de vigilância e promoção.
Avaliar locais e processos de trabalho.
Implementar atividades de promoção em todas as unidades.
Efetivar Organizações por Locais de Trabalho (OLT).
Priorizar as ações de prevenção.
Programas efetivos na área de dependência química.
Exames Periódicos/Perícia – 4%
coaduna com a PaSS


Execução dos exames periódicos e seus desdobramentos, considerando
as peculiaridades de cada instituição.
Garantir suporte para as ações periciais.
não coaduna com a PaSS

Contratação de empresas especializadas para realização de PCMSO.
Comunicação/Democratização
das informações – 4%
coaduna com a PaSS



Promover a democratização das informações.
Criar um plano de comunicação – divulgação.
Criar instrumento regulares de comunicação entre os participantes
do SIASS.
PARTE III - DEBATES
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
Vigilância e Promoção – 10%
145
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
146
Orçamento – 4%
coaduna com a PaSS



Garantir o financiamento para as ações do SIASS.
Garantir a dotação orçamentária.
Garantir recursos para os periódicos.
Previdência – 1%
não coaduna com a PaSS

A FUNPRESP a ser criada deve ser amplamente discutida com os
servidores e as entidades sindicais.
SUS – 1%
não coaduna com a PaSS

Contar efetivamente com o SUS.
O aprofundamento dos debates deu-se nas seguintes conferências:
Painéis temáticos III – Saúde e Benefícios do servidor público.
Os Desafios da Implantação da Política de Atenção à Saúde do Servidor.
Experiência: implantação do SIAAS nas regiões.
PARTE III - DEBATES
5.1 Dimensões próprias e metodológicas
do grupo de trabalho
Os grupos formados para a discussão do eixo sobre sistemas e processos em
gestão de pessoas ratificaram a necessidade de mudanças na forma de organizar
os processos de trabalho e na revisão dos sistemas de informação.
Ressalta-se que os grupos de trabalho que debateram sistemas e processos
em gestão de pessoas tiveram como incentivo a possibilidade da construção
conjunta de um novo sistema em gestão de pessoas, o que motivou a elaboração
de pressupostos e premissas, diferentemente dos outros eixos e na seguinte
conformidade:
5.2 Resultados
Pressupostos





Processo participativo e compartilhado.
Sensibilização e mobilização para a mudança.
Gestão orientada para o resultado: otimização e melhoria da cadeia dos
processos.
Vinculação da solução tecnológica aos objetivos estratégicos.
Desenvolvimento de novo sistema de gestão de pessoas.
PARTE III - DEBATES
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
5 - Sistemas e processos em
gestão de pessoas em debate
147
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
148
Premissas para um novo sistema de gestão de pessoas




Segurança e confiabilidade das informações do sistema.
Democratização das informações, dos relatórios e do conhecimento.
Aprimoramento do processo de auditoria.
Atualização do sistema de acordo com a legislação.
Demonstrando que o caminho a ser trilhado está na direção certa, os debates
realizados nas etapas da Conferência de Recursos Humanos identificaram as
fragilidades e ratificaram a necessidade de mudanças, na forma de organizar
os processos de trabalho e na revisão dos sistemas de informação, conforme o
quadro a seguir:
PARTE III - DEBATES








Necessidade do desenvolvimento
da cultura do planejamento
estratégico participativo
nos órgãos públicos e,
particularmente, das áreas de
recursos humanos.
Fortalecimento do quadro
de pessoal responsável pela
coordenação dos subprocessos
de gestão de pessoas.
Construção ou revisão de
processos de trabalho no sentido
de torná-los mais ágeis, mais
claros e mais bem controlados
e geridos à luz dos desafios
estratégicos de cada órgão público.
Utilização de recursos de
inovação tecnológica, visando à
conferência dos processamentos,
à disponiblização e à flexibilização
de relatórios, com agilidade e
confiabilidadade.
Ampliação da atuação do RH,
tornando-o estratégico.
Aprimoramento dos processos
para a gestão de pessoas.
Mapeamento, com os órgãos
do SIPEC, dos processos de
gestão de pessoas, utilizando
experiências existentes.
Estabelecimento de ambientes
de trabalho mais colaborativos,
integrados e agradáveis,
cumprindo seu papel de apoio às
atividades-fins.
Sistemas de Informação












Desenvolvimento de novo sistema
integrado de gestão de pessoas para
o Governo Federal, compatível com
as necessidades de cada órgão.
Capacitação dos usuários do novo
sistema.
Transparência ao sistema.
Segurança e confiança nas
informações do sistema, para serem
usadas como ferramenta de gestão.
Disponibilidade diária para
atualizações.
Restrição do acesso das
consignatárias às folhas de
pagamento.
Recuperação automática dos dados
existentes na base de dados, com
sistema único de recadastramento de
aposentados e pensionistas.
Manutenção atualizada do sistema
com relação à legislação.
Desenvolvimento de módulo voltado à
capacitação do servidor.
Instrumentalização, com dados
gerenciais consistentes, para a
tomada de decisão dos gestores.
Democratização das informações,
dos relatórios e do conhecimento,
no âmbito de cada órgão e para a
sociedade em geral.
Auditagem permanente na
movimentação da folha de
pagamento.
PARTE III - DEBATES
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
Processos de Trabalho
149
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
150
Os grupos de trabalho durante os debates, coadunaram e ratificaram a diretriz
política do Governo para o eixo que objetiva o rompimento da condição
de meramente operacional para estratégico de gestão de pessoas, e, neste
diapasão, foram elencados pelos participantes os desafios para a mudança
deste paradigma:
Principais desafios






Simplificação dos processos de trabalho.
Aquisição de sistema de gestão de pessoas que atenda às atuais
necessidades do Governo Federal.
Recomposição da força de trabalho.
Profissionalização e capacitação contínua.
Mudança da cultura organizacional.
Transparência e controle social sobre ações de gestão de pessoas.
Diante do contexto e com apoio das contribuições apresentadas nas
conferências regionais e nacional, a Secretaria de Recursos Humanos tem
absoluta clareza da necessidade de priorizar as seguintes ações que já se
encontram em curso:




Assegurar a melhoria contínua dos processos de recursos humanos.
Aperfeiçoar as estruturas de auditoria e de controle dos processos e de
informações.
Implementar o sistema de gestão de recursos humanos, para garantir
qualidade, segurança, confiabilidade, disponibilidade, confidencialidade
e legalidade das informações.
Garantir a qualidade do gasto público (equilíbrio entre o valor da
informação e os custos do sistema).
Os desafios apontados, numerosos e complexos, já estão postos assim como está
a construção do sistema de gestão de pessoas apresentados neste eixo, que a seu
favor conta com o modus operandi pelo qual se concebeu esta reformulação,
democrática e coletivamente, o que torna o processo legítimo dentro da estrutura,
e incorpora transparência e efetividade às soluções, indubitável vantagem para o
enfrentamento dos desafios apresentados.
PARTE III - DEBATES
Painéis temáticos V – Sistemas e processos em gestão de pessoas – processos de
trabalho e sistema de informação na gestão de pessoas.
Experiências: modernização do atendimento do Instituto Nacional do
Seguro Social.
PARTE III - DEBATES
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
Em continuidade aos debates o aprofundamento deste eixo deu-se nos seguintes
painéis da Conferência:
151
PARTE IV
CONFERÊNCIAS
MAGNAS
1 – O papel do Estado na
Sociedade Contemporânea
conferência proferida em 7-7-2009
PaleStRanteS
ladislau dowbor
Economista e Professor Titular da Pontifícia Universidade Católica de
São Paulo (PUC/SP)
Márcio Pochmann
Presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA)
cOORdenadORa de MeSa
Maria do Socorro Gomes
Secretária-adjunta de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento,
Orçamento e Gestão (SRH/MP)
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
154
O professor Ladislau Dowbor focou sua exposição no diagnóstico de algumas
das questões mais prementes da atualidade mundial como a superpopulação
mundial, o uso exacerbado dos recursos naturais por meio do consumismo, da
economia de mercado, dos valores humanos inadequados à sustentabilidade das
espécies animais, da humanidade e do ecossistema como um todo.
Destacou Dowbor que a economia poderia servir a outros valores, ademais
daqueles puramente comerciais e lucrativos. Ademais, é preciso reverter as
macrotendências que implicam diretamente no agravamento da situação
socioeconômica dos povos e da conservação do ambiente global. Algumas
dessas macrotendências cresceram vertiginosamente ao longo da história, tais
como: população; concentração de dióxido de carbono na atmosfera; Produto
Interno Bruto; redução das florestas tropicais e extinção de espécies; veículos
automotores; uso dos recursos naturais, como a água; consumo de papel;
exploração da pesca; e a destruição da camada de ozônio.
Seguindo uma lógica de reversão dessas tendências, o autor afirma que o Estado
tem papel fundamental na gestão dos interesses da humanidade e que quanto
mais forte é um Estado, mais desenvolvido social e economicamente ele será. E
o desenvolvimento econômico deve ser acompanhado de perto pelo Estado, de
modo que este intervenha sempre que necessário, no sentido de fazer as grandes
corporações atuarem de maneira responsável e ética. O Estado tem que ser
impulsionador da cidadania.
O professor Márcio Pochmann fez uma contextualização histórica da organização
das sociedades e do Estado, e, para tanto, pautou-se em três momentos históricos
de organização social: a sociedade agrária; a sociedade urbano-industrial; e a
sociedade pós-industrial.
Em sua análise, o Estado transforma-se a partir da intervenção de dois
principais vetores: o vetor econômico e o social. Desse modo, tanto a economia
quanto a organização social são fundamentais para as mudanças na forma de
estruturação do Estado.
Nas sociedades agrárias, onde as economias eram organizadas de forma livre,
de maneira a prevalecer a lei da oferta e da demanda, o Estado não tinha muitas
demandas a atender. Com a livre concorrência, a regulação econômica era feita
pelo mercado. Basicamente, o Estado exercia três funções: detinha o monopólio
PARTE IV - CONFERÊNCIAS MAGNAS
Já a sociedade urbano-industrial exigiu do Estado uma nova forma de atuação
na sociedade e na economia, visto que estas se modificaram amplamente
durante o século XX. Nesse período histórico, o Estado passou a atuar
na função de regulador, tendo em vista que a economia não mais sofre a
autorregulação do mercado. Ela está organizada por meio de monopólios. Ao
invés do preço dos produtos serem determinados pela oferta e procura, como
nas sociedades agrárias, nas sociedades urbano-industriais o preço passará a
ser determinado pelo custo final da produção, associado a uma margem de
lucro para o produtor, sendo que essa margem será variável de acordo com a
dimensão e o poder da corporação.
No âmbito social, exige-se do Estado um papel mais interventor, o chamado
Estado Providência ou Estado de Bem-Estar Social, obrigado a prestar serviços
sociais à sua população, como maneira de disciplinar e, ao mesmo tempo,
assegurar o crescimento econômico.
O século XXI desenha uma nova realidade, ainda que em muitos lugares,
inclusive no Brasil, ainda seja possível encontrar comunidades organizadas sob
a lógica das sociedades agrárias. Pochmann avançou em suas reflexões ao dizer
que estamos vivendo a transição para a sociedade pós-industrial, marcada não
mais pela produção de bens materiais, mas imateriais, ou seja, não tangíveis.
Nessa sociedade a economia reestruturar-se-á em função de um modelo
mais diversificado. Essa organização socioeconômica exigirá do Estado uma
remodelação da lógica na condução da formação, da educação das pessoas. Não
mais a educação utilitarista da sociedade urbano-industrial, mas a educação
ampliada e contínua, em direção à gestão do conhecimento, passando a ser
fulcral para o alcance de uma vida de qualidade.
Nesse sentido, aponta a necessidade de refundar o Estado como uma exigência
do século XXI, visto que os problemas que os Estados Nacionais têm que
enfrentar são totalizantes e exigem o desenvolvimento de políticas públicas
matriciais, articuladas e integradas de modo a garantir a qualidade de vida
das populações.
PARTE IV - CONFERÊNCIAS MAGNAS
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
das forças de segurança, o monopólio da moeda e o monopólio da arrecadação
e do gasto público. Esse tipo de sociedade perdurou até o final do século XIX,
início do século XX.
155
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
156
A estrutura do Estado atual, no entanto, não oferece essa possibilidade. Faz-se
necessária a superação desta realidade em direção à constituição de um Estado
mais forte, a Estados supranacionais, que liderem condições necessárias e
suficientes, inclusive para regularem as grandes corporações.
Por fim, destacou os grandes desafios a serem enfrentados, embora acredite
que a capacidade de formulação e mudança também o é, sobretudo no Brasil,
que pela primeira vez enfrenta um desafio dessa magnitude por vias do regime
democrático. É que em nenhum outro momento o país experimentou a
democracia na passagem da sociedade agrária para a urbano-industrial.
O desafio, portanto, é construir uma maioria política que esteja engajada com
essa transformação. Isso pressupõe não apenas conhecimento, formulação,
planejamento, visão de médio e longo prazo, uma visão programática, mas,
ainda, força e maioria política, pois na democracia não há alternativa que não
seja a opção do voto, da participação e da decisão. E reafirma que eventos como
essa Conferência ajudam a caminhar nesse sentido.
2 – Os desafios da Administração
Pública Federal na atualidade
conferência proferida em 7-7-2009
PaleStRanteS
Francisco Gaetani
Secretário Executivo Adjunto do Ministério do Planejamento,
Orçamento e Gestão
alexandre Padilha
Subchefe de Assuntos Federativos da Secretaria de Rel. Institucionais da
Presidência da República
PARTE IV - CONFERÊNCIAS MAGNAS
Aponta, também, para uma nova concepção de Estado, que passa a exercer papel
ativo no processo de desenvolvimento e de promoção da justiça social.
Francisco Gaetani aborda os desafios enfrentados em função da heterogeneidade
institucional da Administração Pública em um país continental como o Brasil.
Exemplo disso é a convivência de organizações com um nível de desenvolvimento
bastante alto com outras que mantêm resquícios de um passado longínquo.
Todavia, num mundo em que a comunicação é instantânea, a Administração
Pública vê-se obrigada a lidar com a comunicação de forma estruturada. Não há
espaço para delimitação de jurisdições federativas, visto que as questões não são
enxergadas pela sociedade como algo exclusivo de uma região ou um município,
mas do Estado como um todo.
Refere que a Administração Pública no Brasil ainda enfrenta reformas inacabadas
do século XIX, como a questão da profissionalização do serviço público; as bases
de dados defasadas; bem como a judicialização da gestão de recursos humanos,
que acaba por resultar em modelos meritocráticos que não alcançam, por
exemplo, por meio dos concursos públicos, os perfis desejados.
Aborda, ainda, questões que vêm sendo discutidas, como a aposentadoria
integral para o servidor público, a questão previdenciária e a implementação
dessa transição. A modernização das carreiras, dos concursos públicos e da
política salarial ainda reflete debates rudimentares, e por isso são temas que
necessitam de um maior acúmulo. Para tanto, o Governo tem atuado de modo a
valorizar a negociação, a busca pelo consenso e a necessidade de adequações às
legislações vigentes.
Gaetani destaca ainda a situação da cacofonia organizacional, apontando para
a enorme multiplicidade de figuras organizacionais “sem que necessariamente
haja uma consistência, uma congruência do marco legal”. Na relação entre
PARTE IV - CONFERÊNCIAS MAGNAS
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
O objetivo desta conferência é o de refletir sobre os principais desafios colocados
no contexto atual para a Administração Pública no Brasil. A compreensão das
sucessivas mudanças ocorridas ao longo da história da constituição do Estado
brasileiro é fundamental para uma análise mais crítica e aprofundada dos
aspectos que perpassam o planejamento, a execução e o monitoramento das
políticas públicas na Administração Federal.
157
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
158
Na relação entre
Estado e individuo,
temos a herança
de uma relação de
desconfiança, o
que fica evidente
com a quantidade
de instituições de
controle
Estado e individuo, temos a herança de uma
relação de desconfiança, o que fica evidente com
a quantidade de instituições de controle, como
o Ministério Público, o Tribunal de Contas
da União, a Controladoria-Geral da União, o
Conselho de Controle de Atividades Financeiras e
a Polícia Federal. Apesar do esforço desses órgãos,
o problema da corrupção ainda é algo grave em
nossa sociedade. Nesse sentido, órgãos como a
CGU têm apostado na prevenção à corrupção,
com ênfase na transparência, utilizando-se de
tecnologias para transformar antigos paradigmas.
Um outro desafio para a Administração Pública
é a valorização da área de recursos humanos, bem
como da de compras e contratos. Há muito o que
evoluir, mas já existe no Congresso um projeto de
lei em tramitação para a modernização da Lei no
8.666/1993, sendo que um dos principais avanços já se deu com a implementação
do pregão eletrônico.
“Os problemas da Administração Pública são problemas de todos os governos”.
Ocorre que cada Governo dá encaminhamentos específicos às questões. O atual
Governo, por exemplo, lida de maneira a instituir o diálogo, a negociação e o
entendimento com os servidores públicos.
“Diante dos problemas das instituições brasileiras, quanto custa não fazer nada
e seguir o fluxo deixando-se levar pela inércia? Se as instituições importam, as
organizações precisam ser repensadas. Os riscos que as instituições enfrentam
é se desconectarem e assim tornarem-se irrelevantes. O país precisa aprimorar
as instituições para melhorar seu funcionamento. Existem muitas questões
que vemos atualmente no debate nacional, questões que não dizem respeito
à política partidária ou às características do indivíduo. E sim com as regras
do jogo das instituições. O desafio é desenvolver as capacidades requeridas
para que as instituições cumpram seu papel em sintonia com as necessidades
do país. Pois, há a necessidade de um pluralismo consistente, voltado para
desenvolver uma cultura de objetivação e enfrentamento de processamento
de conflitos.”
PARTE IV - CONFERÊNCIAS MAGNAS
Conclui sinalizando que “o grande debate
contemporâneo no Brasil é o debate da
coordenação executiva. Precisamos aprender a
discutir política, sem tomá-la como algo nefasto,
como era feito no regime autoritário. No longo
prazo, o destino da discussão da gestão pública,
das políticas públicas é o local, é o município.
Porque é na ponta que as coisas acontecem. Temos
que trabalhar essas dimensões das políticas de
forma mais clara e objetiva a fim de promover sua
melhor formulação e execução na ponta”.
Os mecanismos de
governança do país
hoje, nas suas várias
políticas públicas,
precisam incorporar
de forma efetiva
a participação da
sociedade
alexandre Padilha aborda o diálogo como demonstração das diretrizes
adotadas pelo Governo e a necessidade da participação de todos, pois sem
participação não existem mudanças nas políticas públicas. Menciona três
grandes questões, duas delas extremamente estruturantes, quanto à organização
da nossa federação.
A primeira refere-se à existência de uma profunda desigualdade regional. Esse
contexto impede o Governo Federal de se relacionar com os entes federados
como se eles fossem homogêneos.
Destaca que a segunda questão consiste em pensar se é possível manter, como
se tem hoje, uma carreira de órgão federal, em qualquer área, sobretudo
aquelas que tenham inserção nos diversos estados e que estejam estruturas
de maneira igual para o país inteiro. Além das carreiras, devemos pensar se é
PARTE IV - CONFERÊNCIAS MAGNAS
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
Ressalta ainda que “precisamos internalizar a noção de custo e eficiência, afinal,
toda ação governamental gera custos e a sociedade paga a conta. Não podemos
recusar esse debate sob a alegação de que se trata de uma visão conservadora
da Administração Pública. Precisamos trabalhar na criação de mecanismos
de pactuação ou contratualização críveis. Temos que encontrar mecanismos
de gestão flexíveis, mas sem abusos. As reformas para as diferentes instâncias
de governo são variadas e precisamos envolver
a sociedade na discussão de governança. Os
mecanismos de governança do país hoje, nas suas
várias políticas públicas, precisam incorporar de
forma efetiva a participação da sociedade”.
159
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
160
possível que a estrutura dos órgãos federais descentralizados, ou seja, aqueles
que têm inserção nos estados e municípios, continue sendo a mesma em todas
as regiões do país.
A terceira questão decorre da mudança da agenda das relações intergovernamentais
em relação ao que ocorreu ao longo dos anos 1990, em direção a um novo ciclo
histórico vivenciado no Governo Lula. Trata-se de um período inovador e de
crescimento, combinado com a consolidação das relações federativas e a questão
dos órgãos federais.
Relembra que o tema central das relações entre Governo Federal, estados e
municípios, ao longo dos anos 1990, foi o ajuste fiscal, impactando no processo
de precarização dos vínculos de trabalho, dando margem aos processos de
terceirização.
Avalia o papel do Governo, que deve, cada vez mais, se colocar como formulador
e coordenador das políticas públicas federais, de pensar novos arranjos de
coordenação não só no plano nacional, mas no plano territorial, lançando um
novo olhar da política de recursos humanos e do papel que os quadros de pessoal
têm que ter na formação dos sistemas nacionais.
Ressaltou a importância do papel do Estado na indução dos investimentos e do
desenvolvimento, bem como a necessidade de reestruturar os órgãos e estabelecer
uma política de recursos humanos adequada visando acelerar os investimentos
públicos, como o PAC, e o desafio de estabelecer políticas capazes de sustentar
os fortes investimentos necessários, não apenas públicos, mas também privados,
no longo prazo.
Na nova agenda nacional de desenvolvimento destacou como pontos centrais:
1. Aceleração dos investimentos públicos, visando o enfrentamento de gargalos
no crescimento econômico do País
Isso implicou “fazer um grande esforço para construir novos mecanismos,
quadro de recursos humanos e instrumentos para que o governo federal, os
estados e os municípios acelerassem os investimentos públicos”.
PARTE IV - CONFERÊNCIAS MAGNAS
Diversas ações federais se relacionam com os estados e municípios, entre
elas as obras do PAC, a execução dos recursos pelos convênios, o Programa
Minha Casa, Minha Vida. Essas ações, fomentadas por instituições financeiras
governamentais, geram investimentos privados, ou seja, é o Estado induzindo
crescimento econômico.
3. O Plano de Desenvolvimento da Educação
O lançamento desse Plano exige capacitação específica de força de trabalho apta
a monitorar a execução do Plano, com atuação tanto nos estados quanto nos
municípios. A qualificação dos servidores associada aos investimentos sociais
em educação reflete no aumento crescente da oferta de vagas nas universidades
públicas, bem como no significativo crescimento do número de Escolas Técnicas
Federais.
4. O fortalecimento da rede de proteção social
Historicamente no Brasil a pobreza urbana sempre aumentava em períodos de
crise. Na atual crise mundial, a pobreza diminuiu nas regiões metropolitanas.
Isso se deveu a uma rede de proteção social bastante fortalecida e composta pelas
esferas federal, estadual e municipal. Todavia, a criação de novos quadros para
gerir essa rede é uma discussão séria e que precisa ser brevemente encampada,
tendo em vista a continuidade e o avanço da mesma.
5- Consolidação institucional e a ampliação da capacidade de gestão de estados
e municípios
As políticas sociais federais estão a exigir cada vez maior e melhor desempenho
da gestão municipal; nesse sentido, é preciso fornecer as ferramentas adequadas
para que as políticas alcancem seus objetivos de forma plena.
Alexandre Padilha finaliza declarando não ter dúvidas de que o exercício da
cooperação federativa e o compartilhamento dessa Agenda de Desenvolvimento
Nacional com estados e municípios está no centro, hoje, de qualquer perspectiva
de crescimento do país, impactando diretamente na política de recursos
humanos. Essa postura exige do Governo Federal um conjunto de mudanças
nas políticas públicas.
PARTE IV - CONFERÊNCIAS MAGNAS
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
2. Novo posicionamento do papel do Estado em relação aos investimentos privados
161
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
162
3 – O tratamento dos conflitos
nas relações de trabalho no setor
público
conferência proferida em 8-7-2009
PaleStRanteS
denise Motta dau
Secretária Nacional de Organização Sindical da Central Única dos
Trabalhadores (CUT Nacional)
ericson crivelli
Consultor da Organização Internacional do Trabalho (OIT) no Brasil
Mônica valente
Secretária Sub-Regional da Internacional de Serviços Públicos no
Brasil (ISP)
antônio augusto de Queiroz
Diretor de Documentação do Departamento Intersindical de Assessoria
Parlamentar (DIAP)
cOORdenadORa de MeSa
Maria Gabriela el bayeh
Diretora de Relações de Trabalho da Secretaria de Recursos Humanos
do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (SRH/MP)
PARTE IV - CONFERÊNCIAS MAGNAS
eliane cruz
Coordenadora-Geral de Negociação e Relações Sindicais do Departamento
de Relações de Trabalho da Secretaria de Recursos Humanos do Ministério
do Planejamento, Orçamento e Gestão (SRH/MP)
Ao iniciar os trabalhos, a coordenadora da mesa e Diretora de Relações de
Trabalho da Secretaria de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento,
Orçamento e Gestão (SRH/MP) apresentou os principais pontos debatidos nas
etapas regionais.
denise Mota dau
Secretária Nacional de Organização Sindical da Central Única dos Trabalhadores
A exposição resgatou o histórico a respeito do direito de greve nas décadas de
1930 e 1960, demonstrando o tratamento diferenciado que as mobilizações dos
servidores públicos recebiam em comparação com as do setor privado. Apontou
experiências marcantes no processo de instalação de espaços de diálogos e da
negociação coletiva com as entidades sindicais, tais como a experiência do
Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (IAMSPE); a
instalação da Mesa Nacional de Negociação Coletiva do Sistema Único de Saúde
(MNNP-SUS); o Sistema de Negociação Permanente de São Paulo (SINP/SP); e
a Mesa de Negociação Permanente dos Servidores Públicos Federais (MNNP).
Enfatizou que a luta pela democratização das relações de trabalho não se limita
ao cenário sindical, mas, ao contrário, estende-se para o contexto nacional com
a vitória da democracia no Brasil.
Descreveu as limitações jurídicas a respeito do processo de negociação
coletiva, que deve ser vista pelos gestores como um instrumento de
democratização das relações de trabalho, com vista à eficiência e à eficácia
do serviço público, contando, ainda, com a participação dos trabalhadores
na elaboração das políticas, na melhoria do atendimento e na qualidade da
prestação dos serviços.
PARTE IV - CONFERÊNCIAS MAGNAS
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
RelatORa
163
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
164
Relatou o processo de construção do debate sobre relações de trabalho no
setor público na Central Única dos Trabalhadores (CUT) Nacional, onde a
estruturação dos mecanismos de participação e de controle social e a formulação
de políticas de gestão de recursos públicos são acompanhadas da revisão de
conceitos e com transformações estruturais de concepção, administração e
execução dos serviços públicos.
Por fim, ressalta a importância do debate a respeito da negociação coletiva dentro
de instâncias como o Fórum Nacional do Trabalho, bem como a ratificação da
Convenção 151 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
ericson crivelli
Organização Internacional do Trabalho
O tema principal da exposição foi a ratificação da Convenção 151 da
OIT que trata do direito à sindicalização e de relações de trabalho na
Administração Pública. Descreveu o conferencista o funcionamento da
OIT e sua organização, caracterizada por conferências internacionais
realizadas anualmente; sua constituição tripartite formada por estados,
governos e empresários; a fundamentação das convenções internacionais
e seu histórico.
a Convenção 151 (...)
preenche lacunas
que não incluíram a
mediação de conflitos
entre os servidores
públicos e a
Administração Pública
PARTE IV - CONFERÊNCIAS MAGNAS
Apontou a Convenção 151 como um
complemento fundamental à Convenção
no 98, pois preenche lacunas desta última e
de outras convenções que não incluíram a
mediação de conflitos entre os servidores
públicos e a Administração Pública e
demarcou limitações e avanços da aplicação
da convenção no Brasil.
Os principais pontos tratados em
relação à Convenção 151 são: inclusão
dos servidores públicos no processo de
sindicalização e negociação coletiva,
com a exclusão dos servidores que
detêm informações confidenciais e
aqueles pertencentes às categorias das
Mônica valente
Internacional de Serviços Públicos (ISP)
A conferencista procedeu a uma avaliação das relações de trabalho no
setor público como um desafio do século XXI em âmbito internacional,
principalmente no que se refere à definição do novo papel do Estado frente
à crise mundial. Tratou os impactos da crise em relação ao mundo do
trabalho, o fracasso da experiência do neoliberalismo nos últimos trinta
anos e esse momento de transformação pelo qual passa o mundo, onde se
faz necessário construir novos consensos em contraposição ao Consenso
de Washington.
Destacou o fortalecimento do papel regulador do Estado para o desenvolvimento
dos países e o reconhecimento da necessidade de desenvolver relações de
trabalho em sintonia com a justiça social e a qualidade nos serviços. Essa
evolução faz-se necessária para o desenvolvimento de políticas de trabalho
decentes, com o aprimoramento de mecanismos regulatórios e civilizatórios na
gestão do Estado, priorizando a ratificação da Convenção 151 da OIT no Brasil
como ação decisiva nesta direção.
Analisou a negociação coletiva como um instrumento que extrapola o
atendimento de reivindicações salariais e sindicais, atingindo status de
ferramenta de gestão para a melhoria dos serviços públicos. Essa concepção
afirma-se por meio de experiências de negociação coletiva que têm
contribuído para a sedimentação desse novo comportamento no trato das
relações de trabalho.
Por fim, discorreu sobre a melhoria da qualidade dos serviços públicos à
população, a superação das desigualdades salariais e a institucionalização da
negociação coletiva como instrumentos essenciais para a renovação do Estado.
PARTE IV - CONFERÊNCIAS MAGNAS
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
forças armadas e policiais do processo negocial. A convenção ainda trata
da proteção contra atos antissindicais; garantia da independência das
organizações sindicais em relação à sua direção e ingerências externas;
a participação na determinação das condições de trabalho; a valorização
dos direitos civis e políticos; e a solução de conflitos, caracterizada pela
utilização de ferramentas como a arbitragem, a mediação e a conciliação,
marcadas pela voluntariedade das partes.
165
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
166
antônio augusto de Queiroz
Departamento IntersindicaI de Assessoria Parlamentar (DIAP)
Tratou da complexidade do processo decisório e da trajetória da
Administração Pública na perspectiva dos trabalhadores. Destacou a
resolução de conflitos à luz da conjuntura política do país no contexto atual.
A resolução de conflitos é um debate recente, que sofreu impedimentos
de avanços devido a interpretações sobre sua subsunção ao princípio
constitucional da legalidade.
Avaliou a atuação do atual Governo perante o resgate da imagem dos
serviços públicos e o desafio de dialogar sobre grandes temas. Nesse sentido,
destacou a relação com os servidores públicos, como um grande tema que
logrou espaço de discussão com a criação da Mesa Nacional de Negociação
Permanente, por meio da Secretaria de Recursos Humanos, interlocutora
com poder decisório.
Destacou a valorização da participação social, a proposta de eliminar as
diferenças existentes entre as instituições e os servidores, a criação de espaços
para tratamento de questões inerentes à prestação e à qualidade dos serviços,
as relações de trabalho e o fortalecimento do Estado democrático de direito.
Concluiu com a avaliação de que os servidores detêm hoje instrumentos que
pressionam e estimulam a melhoria da qualidade dos serviços públicos, por meio
de ações imparciais e da contrapartida da Administração Pública no sentido do
cumprimento de seus deveres constitucionais.
PARTE IV - CONFERÊNCIAS MAGNAS
conferência proferida em 7-7-2009
PaleStRanteS
Knut Rexed
Consultor da Organização para Cooperação de Desenvolvimento Econômico (OCDE)
elsa Pilichowski
Funcionária da OCDE
cOORdenadORa de MeSa
valéria Porto
Assessora do Gabinete da Secretaria de Recursos Humanos (SRH) do MP
A Conferência sobre o Emprego Público na Sociedade Contemporânea reuniu
dois representantes da OCDE. Em primeiro lugar ouvimos Elsa Pilichowski,
coordenadora de Programa na área do Emprego Público e Administração na
OCDE, na Diretoria de Governança e Desenvolvimento Territorial, que fez,
inicialmente, uma apresentação do processo de Peer Review que está sendo
desenvolvido entre a OCDE e a SRH do Ministério do Planejamento, na área de
administração e gestão de recursos humanos na Administração Pública Federal.
Em seguida, a Sra Pilichowski mostrou indicadores de recursos humanos em
governos de países-membros da OCDE, com foco, basicamente, no planejamento
da força de trabalho.
Na segunda palestra, o Consultor da OCDE, Knut Rexed, fez uma exposição
sobre as tendências gerais da administração de recursos humanos nos paísesmembros da OCDE, quando abordou três pontos principais: a administração
de recursos humanos, especificamente a interface político-administrativa
na tomada de decisões sobre políticas a serem adotadas na área de recursos
humanos, o recrutamento por mérito e a gestão por competências.
Knut Rexed foi diretor-geral do “Statskontoret”, a agência Sueca de
administração Pública. atualmente é também consultor do Ministério das
Finanças da Suécia, da Presidência Sueca da união europeia.
PARTE IV - CONFERÊNCIAS MAGNAS
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
4 – O emprego público na
sociedade contemporânea
167
PARTE V
PAINÉIS TEMÁTICOS E
PAINÉIS DE EXPERIÊNCIA
PAINEL TEMÁTICO I - CARREIRAS
DIRETRIZES PARA AS CARREIRAS DA
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
Painel proferido em 7-7-2009
PaleStRanteS
luiz alberto dos Santos
Subchefe de Análise e Acompanhamento de Políticas Governamentais da
Casa Civil da Presidência da República (CC/PR)
aldino Graef
Diretor do Departamento de Articulação Institucional da Secretaria de Gestão
do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão – MP (SEGES/MP)
luis Fernando Silva
Assessor Jurídico da Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público
Federal (CONDSEF)
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
170
cOORdenadORa de MeSa
Maria lúcia de Matos Félix
Coordenadora-Geral de Carreiras e Análise do Perfil da Força de Trabalho
da Secretaria de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento,
Orçamento e Gestão (SRH/MP)
RelatOR
Rafael Moreira
Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental (SRH/MP)
Tema: Estruturação de Carreiras
O tema de estruturação de carreiras é bastante complexo, por envolver
aspectos jurídicos, constitucionais, conceituais e temporais. Existem diferentes
concepções, com critérios e formas de organização específicos, e que por vezes
são aplicadas simultaneamente para os servidores públicos federais.
Portanto, definir diretrizes gerais para as carreiras do serviço público federal
foi considerado por todos os painelistas um debate fundamental e urgente.
Ressaltou-se que estamos vivendo um momento político fundamental e esperase que esse momento seja de construção de mudanças, e não de consolidação
de antigos conceitos que nos impeçam de seguirmos adiante. Nesse sentido,
fica evidente na exposição dos painelistas que pensar na carreira é muito mais
do que tratar de tabela salarial, e que a organização de carreiras deve ter em
vista o atendimento ao interesse público e estar fundada em princípios como
eficiência, isonomia e impessoalidade, de forma que os conceitos de carreira e
de cargo devem ser revisitados à luz dos preceitos constitucionais, buscando,
inclusive, que se forme jurisprudência a respeito do tema, de forma a dirimir as
divergências hoje existentes.
PARTE V - PAINÉIS TEMÁTICOS E PAINÉIS DE EXPERIÊNCIA
O painel trouxe o consenso de que é preciso estabelecer diretrizes para a
estruturação de carreiras que garantam um mínimo de coerência e racionalidade.
Para os expoentes, não se vislumbra a possibilidade de aprovação de diretrizes
gerais de carreiras para toda a Administração Pública sem a realização de amplo
debate sobre o assunto, qualificado e democrático.
Tema: Ingresso
No escopo do ingresso nas carreiras, ficou patente a divergência de opiniões
sobre a ascensão funcional. O retorno da possibilidade de ascensão funcional é
visto por alguns como imprescindível para uma discussão sobre carreiras, o que
é frequentemente defendido pelo movimento sindical. Porém, o ponto de vista
não era consenso no grupo, havendo quem considerasse que não é o momento
de se flexibilizar o mecanismo de ingresso nas carreiras, devendo ser preservado
o concurso público como forma de ingresso.
Um consenso que se observou sobre o tema foi o entendimento de que muitas
das propostas existentes no âmbito do Congresso Nacional para o resgate
ou revitalização da ascensão funcional precisam ser revistas, inclusive sob
a ótica do que constitucionalmente é permitido, pois a maior parte das
propostas existentes configura formas negativas de tentativa de resgate e
utilização desse mecanismo.
Observou-se também no painel a afirmação unânime de que, independente
das opiniões contrárias sobre o resgate da possibilidade de ascensão
funcional, o ingresso no serviço público por meio de concurso, hoje um
instrumento fortalecido e reconhecido, é uma conquista democrática da
sociedade brasileira.
PARTE V - PAINÉIS TEMÁTICOS E PAINÉIS DE EXPERIÊNCIA
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
Outro aspecto discutido no painel foi a necessidade de se aprofundar o debate
de carreiras especializadas e transversais. Os palestrantes entenderam que
atualmente a estrutura de carreiras e cargos é muito fragmentada. Há carreiras
supostamente especializadas cuja existência provoca distorções remuneratórias,
inconsistências conceituais e até mesmo conflitos de competência por possuírem
atribuições assemelhadas.
171
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
172
Tema: Desenvolvimento
Expôs-se no painel que a questão da progressão e da promoção deve considerar
aspectos como tempo, mérito, qualificação, regularidade e objetividade para
que se tenha um sistema de desenvolvimento na carreira adequado, com
critérios definidos. Outra opinião surgida nos debates foi a de que o conceito
de desenvolvimento precisa ser ampliado para contemplar a capacitação, as
competências e o crescimento profissional que resultariam, então, em progressões
e promoções. E isso deve ser pensado não só para os novos servidores, mas
também para os servidores atuais.
Nesse sentido, sistemas de desenvolvimento como o Sistema de Desenvolvimento
na Carreira (SIDEC) podem ser pontos de partida para o desenvolvimento da
estrutura das carreiras e dos cargos, já que considera aspectos como a capacitação
e a qualificação dos servidores.
Outro tema surgido na seara do desenvolvimento na carreira é a questão do
acesso aos cargos comissionados. Houve quem opinasse que seria necessário
ampliar o acesso dos servidores aos cargos comissionados, o que não foi
consenso no painel. Mas todos reconheceram que o Decreto no 5.497/2005
trouxe muitos avanços.
Tema: Desempenho/Qualificação
Debateu-se a questão da qualificação em muitos momentos da Conferência.
Para alguns painelistas, a fixação de metas de desempenho deve considerar
diferenças socioeconômicas, regionais, condições de trabalho e o envolvimento
dos servidores de cada órgão, para não haver distorções nos resultados da
avaliação de desempenho.
Houve opinião contrária ao pagamento de gratificação de desempenho, por
entender-se que a qualificação e o desempenho devem estar relacionados
unicamente com a evolução do servidor na carreira, e não apenas com a
remuneração variável por meio da gratificação.
PARTE V - PAINÉIS TEMÁTICOS E PAINÉIS DE EXPERIÊNCIA
Tema: Remuneração
Sob o aspecto da remuneração, fica evidente no debate a preocupação de que a
remuneração cumpra as suas funções retributiva, atrativa e valorativa. Ademais,
a fixação dos patamares remuneratórios deve efetivamente ser feita observando
a natureza, os requisitos de investidura, a complexidade e as peculiaridades dos
cargos, o que permite a classificação e reclassificação dos cargos e se constitui
base mínima para a discussão da isonomia.
Outro ponto de consenso a respeito desse tema é que as carreiras não podem
ser confundidas com tabelas salariais, sob pena de se empobrecer o debate e ser
prejudicial ao Estado e ao servidor.
Fica evidenciada, ainda, a preocupação dos painelistas de que há que se
continuar revendo a composição das tabelas salariais, o peso relativo de cada
parcela, a diferença entre os patamares e a sua amplitude, além da relação entre
a remuneração do servidor ativo e do aposentado.
PARTE V - PAINÉIS TEMÁTICOS E PAINÉIS DE EXPERIÊNCIA
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
No sentido de aprimorar a qualificação dos servidores, o debate demonstrou
opiniões a favor de uma política de qualificação que deve ser proposta pela
Secretaria de Recursos Humanos conjuntamente com a Escola Nacional de
Administração Pública.
173
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
174
Experiência: A gestão de pessoas
no estado peruano
PaleStRanteS
beatriz Robles
Gerente de Política de Gestão de Recursos Humanos da Autoridade
Nacional do Serviço Civil – SERVIR da República do Peru
Ricardo Matallama
Gerente de Desenvolvimento Institucional do Sistema de Recursos
Humanos da Autoridade Nacional do Serviço Civil – SERVIR da
República do Peru
cOORdenadORa de MeSa
Maria lúcia de Matos Félix
Coordenadora-Geral de Carreiras e Análise do Perfil da Força de Trabalho
da Secretaria de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento,
Orçamento e Gestão (SRH/MP)
Os palestrantes apresentaram um breve histórico contemplando aspectos
sociológicos, econômicos e estatísticos de seu país. Detalharam o funcionamento
da máquina pública e suas implicações estruturais, enfatizando que a década de
1990 foi basicamente voltada para a redução do aparato estatal, com a simples
demissão, incluindo a voluntária, de até 50% dos servidores. “Foi um tempo de
fusão, desaparecimento das entidades públicas, tais como o Instituto Nacional
de Administração Pública (INAP), entidade que regia os servidores públicos do
Peru, e também o Instituto Público de Planejamento, liquidando as empresas
relacionadas com o Banco de Fomento, também, o Banco Agrário, o Banco
Industrial, o Banco Mineiro e o de Moradia”.
PARTE V - PAINÉIS TEMÁTICOS E PAINÉIS DE EXPERIÊNCIA
Segundo os palestrantes, o Peru precisa passar por um processo de modernização
que deve ir além das entidades encarregadas da política fiscal. Precisa redefinir
políticas, planos e programas de acordo com uma visão estratégica de longo prazo.
Enfocaram a necessidade de capacitar servidores públicos, acompanhar a qualidade
do gasto e investimento, aprimorar o serviço fornecido ao cidadão e modernizar a
gestão de pessoas nos três níveis do Governo para garantir as reformas necessárias.
Por fim, apresentaram missão, metas e objetivos estratégicos institucionais do
SERVIR, o respectivo organograma e relataram as atribuições do SERVIR e das
demais instituições governamentais.
PARTE V - PAINÉIS TEMÁTICOS E PAINÉIS DE EXPERIÊNCIA
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
Mencionam que durante o Governo do Presidente Fujimori houve uma redução
do Estado com relação às entidades que prestavam serviços sociais à população.
Mas também houve um desenvolvimento importante, que foi a reforma do
Estado relacionado com aquelas entidades que eram responsáveis pelo regime
monetário. Houve um profundo processo de modernização nas entidades
públicas, que necessitavam de independência do poder político.
175
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
176
PAINEL TEMÁTICO II –
AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO
CULTURA DO PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO
E GESTÃO DE DESEMPENHO
Painel proferido em 7-7-2009
PaleStRanteS
alexandre Kalil
Gerente de Projeto da Secretaria de Gestão (SEGES/MP)
Sandro bergue
Professor Doutor da Universidade de Caxias do Sul e Professor
Convidado da ENAP e UFRGS; Auditor Fiscal do Tribunal de Contas do
Rio Grande do Sul (UCS/UFRGS/TCE)
cOORdenadORa de MeSa
Simone velasco
Chefe de Divisão da Coordenação-Geral de Carreiras e Análise do Perfil
da Força de Trabalho (SRH/MP)
PARTE V - PAINÉIS TEMÁTICOS E PAINÉIS DE EXPERIÊNCIA
Giovanna lúcio
Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental na
Coordenação-Geral de Carreiras e Análise do Perfil da Força de Trabalho
(SRH/MP)
A partir dos pontos fortes, pontos fracos e propostas apresentadas nas Etapas
Regionais relativas ao tema “Avaliação de Desempenho”, mostrou-se importante
que na Etapa Nacional fossem abordadas as temáticas “Cultura do Planejamento
Estratégico” e “Gestão do Desempenho”, por serem questões que precisam ser
melhores desenvolvidas no âmbito das organizações públicas brasileiras.
As organizações que compõem a Administração Pública são resultado de traços
da formação histórica e cultural brasileira, tais como o patrimonialismo e o
clientelismo. Referidos traços contrastam com o valor central do planejamento e
da gestão do desempenho, que é a meritocracia. Esta tem sido adotada no campo
formal-legal pela Administração Pública desde a Constituição de 1824, a qual
trazia a ideia de que os cargos públicos deveriam ser ocupados por quem tivesse
talento, aptidão para tal. Entretanto, na prática, a meritocracia ainda não aderiu
a essa matriz de valores da Administração Pública.
Como marcos institucionais da inserção da meritocracia nas organizações públicas
pode-se apontar o “Ciclo Burocrático” ocorrido na década de trinta do século XX,
caracterizado pela criação e atuação do Departamento Administrativo do Serviço
Público (DASP), e, mais recentemente, o “Ciclo da Administração Pública Gerencial”,
no qual questões como autonomia gerencial, contratualização de desempenho,
vinculação da remuneração ao mérito e a possibilidade de perda do cargo público
por insuficiência de desempenho se fazem presentes no atual texto constitucional.
Isso posto, o painel destacou a importância de se tratar a avaliação de desempenho
para além de um instrumento remuneratório. Propõe-se que o foco deve ser na
gestão do desempenho, vinculado ao planejamento estratégico das organizações,
devendo a cultura de avaliação ser introduzida e disseminada, por meio da
capacitação e do desenvolvimento de competências de comunicação e avaliação
dos gestores em todos os níveis.
PARTE V - PAINÉIS TEMÁTICOS E PAINÉIS DE EXPERIÊNCIA
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
RelatORa
177
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
178
Ao planejamento estratégico é atribuída a função de construir junto à alta
administração um consenso sobre os rumos desejados para a organização,
definindo as responsabilidades das unidades e servir de base para um
processo alocativo interno coerente dos diversos recursos disponíveis. E é
a partir do planejamento estratégico que se constrói um sistema de gestão
do desempenho, por meio da fixação de metas e objetivos, bem como da
definição de responsáveis pelas ações. Nesse sentido, não deve ser apenas uma
transposição de modelos gerenciais exógenos, mas adaptado à realidade da
Administração Pública.
Apresentou-se a experiência do Tribunal de Contas do Rio Grande do Sul, no
qual o foco da avaliação de desempenho é no desenvolvimento do servidor, com
o propósito de disseminar a cultura da avaliação. O modelo possui três grandes
fases: de planejamento, acompanhamento e avaliação.
Relacionar planejamento e desempenho é um grande desafio. É necessário
desenvolver uma cultura de pensar estrategicamente, planejar, estabelecer
parâmetros objetivos e subjetivos e, a partir desses parâmetros, avaliar pensando
no desenvolvimento da pessoa.
PARTE V - PAINÉIS TEMÁTICOS E PAINÉIS DE EXPERIÊNCIA
A comunicação no ambiente organizacional assume papel primordial neste
contexto por ser o instrumento que a alta administração utiliza para transmitir
seus valores e objetivos aos demais níveis hierárquicos. Ressalta-se aqui a
importância do estabelecimento de metas intermediárias, por equipe, entre as
metas institucionais e as individuais, de modo que as pessoas consigam enxergar
se estão contribuindo para a organização.
Um dos elementos essenciais em relação à avaliação de desempenho é a cultura
de risco. A inovação implica fazer errado. As experiências que não deram certo
não devem, necessariamente, ser abandonadas, mas podem ser aprimoradas.
Inclusive, no processo de planejamento há margem para o risco. Nesse sentido,
a correção é um processo consequente e está associada à capacidade de
planejar, comunicar objetivos, gerenciar recursos, responsabilizar engenharia
e recursos humanos.
Por fim, a implantação de uma cultura de gestão do desempenho depara-se
com uma série de desafios. O primeiro é o deslocamento da ideia de avaliação
de desempenho para gestão do desempenho, mudança esta que traz consigo
a necessidade de relacionar o desempenho ao planejamento. O segundo é a
necessidade de vincular o desempenho ao desenvolvimento da pessoa, e não mais
a remuneração e punição. O terceiro desafio diz respeito a assumir a dimensão
subjetiva da gestão, dado que ela existe e não deve ser ignorada, assim como
as especificidades culturais. Outro desafio é desenvolver soluções de gestão de
desempenho endogenamente orientadas, ou seja, soluções que sejam criadas
em cada órgão, de acordo com sua realidade. Outros desafios, mas não menos
importantes, consistem em preparar o gestor para a gestão do desempenho e
desenvolver nas pessoas a cultura e o senso de autoavaliação.
PARTE V - PAINÉIS TEMÁTICOS E PAINÉIS DE EXPERIÊNCIA
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
Nesse sentido, a avaliação de desempenho precisa ser vista de uma maneira
sistêmica, vinculada a uma visão mais ampla da organização, e atuar como
elemento de alinhamento, na medida em que explicita nos seus instrumentos
valores importantes que devem ter um alinhamento mais geral dentro da
organização. Isso exige manifestação de vontade clara e envolvimento da alta
administração.
179
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
180
Experiência: O sistema de
avaliação de desempenho do
INMETRO
PaleStRante
Oscar acselrad
Diretor de Planejamento e Desenvolvimento do Instituto Nacional
de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (INMETRO).
Professor da Escola de Engenharia e do Instituto Luiz Coimbra de PósGraduação e Pesquisa de Engenharia (COPPE/UFRJ)
cOORdenadORa de MeSa
Simone velasco
Chefe de Divisão na Coordenação-Geral de Carreiras e Perfil da Força
de Trabalho da Secretaria de Recursos Humanos do Ministério do
Planejamento, Orçamento e Gestão (SRH/MP)
RelatORa
Giovanna lúcio
Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental na
Coordenação-Geral de Carreiras e Análise do Perfil da Força de Trabalho
(SRH/MP)
PARTE V - PAINÉIS TEMÁTICOS E PAINÉIS DE EXPERIÊNCIA
Em 1998, o INMETRO assinou um contrato de gestão com o MDIC. Ao assinar
o referido contrato a instituição comprometeu-se a cumprir determinadas metas
e objetivos e, em troca, adquiriu algumas flexibilidades administrativas que as
autarquias comuns não têm, caracterizando-se, então, como Agência Executiva.
O primeiro requisito para se fazer um Contrato de Gestão é a existência de um
planejamento estratégico na instituição. O INMETRO já trabalha com processos
de planejamento estratégico desde os meados da década de noventa do século
XX, e, dessa forma, já tinha, em 1998, certa cultura de planejamento estratégico,
o que permitiu a assinatura do Contrato de Gestão com o MDIC.
A missão do INMETRO é “Prover confiança à sociedade brasileira nas medições e
nos produtos, através da metrologia e da avaliação da conformidade, promovendo
a harmonização das relações de consumo, a inovação e a competitividade do
PARTE V - PAINÉIS TEMÁTICOS E PAINÉIS DE EXPERIÊNCIA
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
Nesse painel relatou-se a experiência do Sistema de Avaliação de Desempenho
do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial
(INMETRO), autarquia federal com 35 anos de existência, vinculada ao
Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).
181
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
182
País”. Dessa forma, o INMETRO tem foco no desenvolvimento nacional e
na proteção ao cidadão. É uma instituição que visa à excelência em ciência e
tecnologia, e também na gestão.
Nesse contexto, papel importante tem a avaliação de desempenho, que é
institucionalizada no INMETRO a partir da reestruturação da carreira que
ocorreu por meio da Lei no 11.355, de 2006. A implementação de um sistema de
avaliação de desempenho traz consigo diversas perspectivas para a instituição. A
primeira é desenvolver uma cultura de gestão, orientada em resultados com bases
em objetivos. Segundo, mobilizar os servidores em torno da missão essencial da
organização. A avaliação de desempenho também permite o reconhecimento
do mérito, por meio da diferenciação e valorização dos diversos níveis de
desempenho. Promove ainda a comunicação eficaz entre hierarquias. Outra
perspectiva é fomentar a solidariedade, o companheirismo e o trabalho em
equipe e, por fim, fomentar o desenvolvimento profissional dos trabalhadores
por meio da identificação de necessidades de formação.
Como benefícios da implementação de um processo de avaliação de
desempenho podemos apontar ainda que ela estimula a comunicação entre
funcionários e dirigentes, permitindo maior clareza, participação e harmonia
nesta relação; promove um registro escrito para dar apoio a decisões envolvendo
o desenvolvimento do servidor na carreira; torna transparente para todos
os seus deveres e suas responsabilidades, e a expectativa da instituição com
relação a cada um dos servidores; evidencia de forma objetiva a contribuição
de cada um; ajuda a elevar a eficiência, a eficácia e a efetividade; é um
mecanismo para o aperfeiçoamento dos servidores apontando a necessidade
de capacitação e de mudanças dentro da instituição; e melhora a percepção
das organizações por parte da sociedade.
Entretanto, diversos estudos constatam as dificuldades de implementação
de sistemas de avaliação de desempenho, pelo fato de não conseguirem
se posicionar como instrumentos efetivos de crescimento e melhoria do
serviço público. Isso se deve, em grande medida, à utilização da avaliação
como instrumento meramente punitivo, ou ainda, à dificuldade em avaliar,
pelo fato de nossa cultura estar permeada por valores como paternalismo e
benevolência.
Isto posto, constatou-se que a implementação de um sistema de avaliação
de desempenho que realmente conseguisse atingir os benefícios esperados
PARTE V - PAINÉIS TEMÁTICOS E PAINÉIS DE EXPERIÊNCIA
é o instrumento que
possibilita uma pactuação
entre o servidor e sua
As bases legais da avaliação de
desempenho no INMETRO são a Lei
no 11.355, de 19 de outubro de 2006
e o Decreto no 6.507, de 9 de julho de
2008, que regulamenta a gratificação de desempenho e a portaria interna que
rege o processo de avaliação. A Gratificação pela Qualidade do Desempenho
no INMETRO (GQDI), a parcela remuneratória vinculada à avaliação de
desempenho tem um valor máximo de cem pontos, sendo sessenta decorrentes
da avaliação de desempenho individual e quarenta pontos em função do
resultado da avaliação institucional, sendo anual a periodicidade da avaliação.
chefia imediata
No INMETRO a avaliação é conduzida por um comitê cuja maioria dos
membros é externa à instituição. Na reunião do comitê os avaliadores, tantos
os internos quanto os externos, ficam concentrados durante uma semana
e fazem a avaliação de desempenho dos servidores do INMETRO. Essa
reunião tem como pauta fazer a avaliação do desempenho individual, fazer
a análise dos planos de trabalho e proporcionar a troca de opiniões para o
aperfeiçoamento do processo.
O Plano de Trabalho é o instrumento que possibilita uma pactuação entre
o servidor e sua chefia imediata, vinculada a um conjunto de objetivos
estratégicos, devendo este acordo ser ratificado pelo comitê de avaliação.
Ao final do ciclo, o servidor prepara um relatório individual de trabalho e a
chefia emite um parecer sobre os relatórios individuais dos membros da sua
equipe. O plano de trabalho, o relatório de atividades do servidor e o parecer
da chefia imediata são os documentos básicos encaminhados à comissão de
avaliação, para os procedimentos finais. A nota da avaliação final é a média
ponderada das notas atribuídas a cada um dos objetivos, podendo o servidor
alcançar cinco pontos se os objetivos tiverem sido completamente cumpridos.
A apresentação da experiência do INMETRO demonstrou na prática o
processo de avaliação de desempenho como ferramenta de aperfeiçoamento
da cultura institucional.
PARTE V - PAINÉIS TEMÁTICOS E PAINÉIS DE EXPERIÊNCIA
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
pelo INMETRO constituía um grande
desafio. Para a estruturação do Sistema
de Avaliação de Desempenho (SIADI) do
INMETRO, buscou-se conhecer outras
experiências nacionais e internacionais
de avaliação.
O Plano de Trabalho
183
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
184
PAINEL TEMÁTICO III – SAÚDE
E BENEFÍCIOS DO SERVIDOR
PÚBLICO
OS DESAFIOS DA IMPLANTAÇÃO DA POLÍTICA
DE ATENÇÃO À SAÚDE DO SERVIDOR
Painel proferido em 7-7-2009
PaleStRanteS
célia corrêa
Secretária de Orçamento Federal do Ministério do Planejamento,
Orçamento e Gestão (SOF/MP)
Koshiro Otani
Médico do Centro de Referência em Saúde do Trabalho da Secretaria de
Estado de Saúde de São Paulo (CEREST/SES/SP)
elza tomé de andrade
Mestre em Saúde Pública (Fiocruz/RJ)
cOORdenadOR de MeSa
Sérgio carneiro
Coordenador-Geral de Seguridade Social e Benefícios do Servidor
da Secretaria de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento,
Orçamento e Gestão (SRH/MP)
PARTE V - PAINÉIS TEMÁTICOS E PAINÉIS DE EXPERIÊNCIA
Rosilã jaques
Chefe de Divisão da Coordenação-Geral de Seguridade Social e
Benefícios do Servidor da Secretaria de Recursos Humanos do Ministério
do Planejamento, Orçamento e Gestão (SRH/MP)
Foi apresentado um panorama dos desafios do Subsistema de Atenção à Saúde
do Servidor (SIASS), apontados nas Etapas Regionais da Conferência à Política
de Atenção à Saúde do Servidor proposta pela SRH/MP.
A Secretária de Orçamento Federal, Célia Corrêa, ressaltou que a saúde do
servidor era tratada no orçamento de forma per capita, no âmbito da ação
orçamentária de assistência médica e odontológica dos servidores, considerando
a disponibilidade orçamentária de cada órgão. Hoje, a saúde do servidor é
tratada dentro de uma nova política, que envolve assistência, perícia, promoção
e acompanhamento da saúde.
As despesas com assistência médica foram incluídas no rol das despesas
obrigatórias da União. A Secretária informou sobre as alterações que estão no
orçamento federal, contemplando o benefício da saúde suplementar, os exames
médicos periódicos, a implantação do sistema informatizado SIAPE Saúde e as
ações de fomento à saúde do servidor, como a criação e a ampliação das unidades
do SIASS, a formação e a capacitação de servidores e os programas de vigilância
e promoção à saúde do servidor.
O palestrante Koshiro Otani, da Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo,
entendendo o trabalho como um desafio, uma forma de crescimento pessoal e
de inserção no convívio social, propiciou a reflexão acerca do exercício de um
trabalho saudável, em que não se trabalha para viver nem se vive para trabalhar.
As pessoas não são descartáveis, não trabalham como meros objetos e suas
limitações devem ser contornadas.
Deve-se defender a saúde e o trabalho decente, que, para a Organização
Internacional do Trabalho, “consiste em promover oportunidades para que
mulheres e homens possam ter acesso a um trabalho digno e produtivo em
condições de liberdade, equidade, segurança e dignidade”.
PARTE V - PAINÉIS TEMÁTICOS E PAINÉIS DE EXPERIÊNCIA
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
RelatORa
185
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
186
O expositor referiu que, sendo a saúde do
trabalhador um direito constitucional, o
investimento na mesma tem impacto direto
no desenvolvimento econômico e social do
país. Um dos desafios é transformar o Estado
na vanguarda de novas maneiras de prover
a saúde e a segurança do trabalho no setor
público. Para tanto, sugere a implantação
de programas de educação permanente
dos profissionais, com reciclagem para
qualificação de gestores, incentivo ao papel
ativo dos trabalhadores.
A palestrante Elza Tomé de Andrade
observou que em todos os órgãos públicos
que conheceu, mesmo existindo atenção à saúde do trabalhador, não havia a
obrigatoriedade de sua regulação ou fiscalização. Desse modo, a questão ficava a
cargo do próprio gestor, com todas as subjetividades que isso implica.
Destacou ainda que, na atual política de saúde e segurança do trabalhador, o
trabalho é considerado um determinante social de saúde. Nas suas diretrizes o
conceito de saúde do trabalhador vai além da saúde ocupacional, compreendendo
o trabalhador de maneira holística.
Sobre o histórico do SIASS, a palestrante afirmou que o projeto está acontecendo de
modo organizado. A coordenação promove oficinas periódicas, proporcionando
um trabalho integrado. A instituição do Comitê Gestor de Atenção à Saúde do
Servidor inscreve-se como algo fundamental nesse processo.
PARTE V - PAINÉIS TEMÁTICOS E PAINÉIS DE EXPERIÊNCIA
PaleStRanteS
eliane Schmidt
Gerente Regional do Instituto Nacional de Seguridade Social na Região Sul
Sandra Helena
Gerente de Recursos Humanos do Ministério da Fazenda em São Paulo
Fernanda azevedo
Coordenadora de Atenção Integral à Saúde do Servidor do Ministério
da Saúde
Mário coutinho
Perito Médico Previdenciário do Instituto Nacional de Seguridade Social
A palestrante Eliane Schmidt concorda com a importância de o Governo Federal
tratar a questão da saúde dos servidores como prioritária e entende que o Sistema
de Atenção à Saúde do Servidor (SIASS) é o sistema possível, nesse momento,
para situar e compreender a realidade em que vive o trabalhador do serviço
público federal em relação à saúde.
O principal desafio na implantação do SIASS é o envolvimento dos dirigentes
e das chefias no âmbito de um processo de sensibilização para que superem o
preconceito existente na sociedade contra quem adoece. Existe uma negação da
situação de adoecimento e uma ignorância quanto às várias doenças a que os
servidores estão suscetíveis.
A palestrante Sandra Helena relatou sua experiência na implantação do SIASS
em São Paulo, envolvendo a operacionalização das unidades de referência do
SIASS, os termos de cooperação técnica e a integração das diferentes áreas de
conhecimento da saúde.
PARTE V - PAINÉIS TEMÁTICOS E PAINÉIS DE EXPERIÊNCIA
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
Experiência: Implantação do
SIASS nas regiões
187
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
O principal desafio na
188
implantação do SIASS
é o envolvimento dos
dirigentes e das chefias no
âmbito de um processo
de sensibilização para que
superem o preconceito
existente na sociedade
A palestrante Fernanda Azevedo
detalhou o diálogo entre a
política do SIASS e o modelo
de serviços estruturado no
Ministério da Saúde, em Brasília.
Para a implantação do SIASS em
Brasília, houve discussão com a
equipe técnica, em especial com os
técnicos da perícia e profissionais
da vigilância já organizados em
torno de um serviço de perícia e de
programas de atenção e promoção
da saúde.
O palestrante Mário Coutinho
encerrou o Painel descrevendo
a heterogeneidade do grupo de
trabalho do SIASS em Pernambuco
e os resultados da pesquisa realizada
com os órgãos federais no estado de Pernambuco, tendo sido identificado que
64% dos órgãos tinham programas de qualidade de vida do servidor, porém com
ações pontuais, e não integradas a uma política mais ampla de atenção à saúde
do servidor. Oitenta e dois por cento realizam exames admissionais, enquanto
apenas 27% realizam exames periódicos. Relatou ainda sobre as ações do grupo
de trabalho de implantação do SIASS no estado de Pernambuco.
contra quem adoece
PARTE V - PAINÉIS TEMÁTICOS E PAINÉIS DE EXPERIÊNCIA
GESTÃO POR COMPETÊNCIAS E SUAS
IMPLICAÇÕES PARA A ADMINISTRAÇÃO
PÚBLICA FEDERAL
Painel proferido em 8-7-2009
PaleStRanteS
Hugo de Pena brandão
Gerente de Divisão da Diretoria de Gestão de Pessoas do Banco do Brasil
Margaret baroni
Diretora de Desenvolvimento Gerencial da Escola Nacional de
Administração Pública (ENAP)
cOORdenadOR de MeSa
diogo demarco
Coordenador-Geral de Desenvolvimento de Pessoas (SRH/MP)
PARTE V - PAINÉIS TEMÁTICOS E PAINÉIS DE EXPERIÊNCIA
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
PAINEL TEMÁTICO IV – GESTÃO
POR COMPETÊNCIAS
189
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
190
RelatOReS
Paulo Ricardo Godoy dos Santos
Analista de Finanças e Controle na Secretaria do Tesouro Nacional do
Ministério da Fazenda (STN/MF)
arlete Maria costa de Paula
Chefe de Divisão na Coordenação-Geral de Desenvolvimento de Pessoas
da Secretaria de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento,
Orçamento e Gestão (SRH/MP)
O foco principal deste painel foi realizar uma reflexão conceitual e operacional
em torno dos desafios da implementação do modelo de gestão por competências
na Administração Pública Federal (APF).
Para isso, foi solicitado aos palestrantes que respondessem às seguintes questões
centrais levantadas nas Etapas Regionais da Conferência Nacional de Recursos
Humanos:
1. A gestão por competências é um modelo adequado a todos os órgãos da
APF?
2. Quais os entraves para sua efetiva implementação?
3. Que diretrizes deve conter o tratamento desta temática na APF?
Os palestrantes foram unânimes em afirmar que:




A gestão por competências permite um alinhamento às metas
institucionais, agregando valores para a instituição.
Ela ajuda a planejar, monitorar e avaliar o plano de capacitação do órgão,
a progressão na carreira, a definição de trilhas de aprendizagem e facilita
a alocação de pessoas.
A gestão estratégica de pessoas, baseada nas competências profissionais,
presentes e a desenvolver, demanda uma modernização da atuação dos
setores de RH.
A gestão por competências não é uma nova realidade, e sim um novo olhar,
uma nova visão da mesma paisagem, e engloba todos os macroprocessos
PARTE V - PAINÉIS TEMÁTICOS E PAINÉIS DE EXPERIÊNCIA

É fundamental garantir espaços de troca de experiências entre os órgãos que
já iniciaram a implementação da gestão por competências e os que desejam
iniciar a implementação, para se aprender com as experiências que deram
certo. Isso pode ser feito por meio de comunidades de práticas, publicações,
articulação de atividades conjuntas, racionalização de espaços, materiais,
recursos logísticos, e no desenvolvimento de ações visando reduzir as
diferenças regionais.
Experiência: As Experiências
de Gestão por Competências
na Casa Civil e no Ministério da
Fazenda
cristina calvet
Coordenadora-Geral de Recursos Humanos do Ministério da Fazenda
casa civil/Presidência da República
celina dantas
Coordenadora-Geral de Desenvolvimento de Pessoas da Diretoria de
Gestão de Pessoas da Casa Civil da PR
PARTE V - PAINÉIS TEMÁTICOS E PAINÉIS DE EXPERIÊNCIA
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009

da gestão de pessoas: seleção, capacitação, avaliação de desempenho,
negociação, remuneração, sucessão e mobilidade a partir da competência
desejada pela organização.
A gestão por competências é adequada a todos os órgãos da APF. Mas
não existe um modelo único e universal. Cada organização deve procurar
estabelecer um modelo que esteja adequado ao contexto, à cultura, à
estratégia e à estrutura da organização.
A gestão por competências está diretamente relacionada ao estilo
gerencial e não à qualidade do instrumento utilizado.
191
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
192
cOORdenadOR de MeSa
diogo demarco
Coordenador-Geral de Desenvolvimento de Pessoas (SRH/MP)
RelatOReS
Paulo Ricardo Godoy dos Santos
Analista de Finanças e Controle na Secretaria do Tesouro Nacional do
Ministério da Fazenda (STN/MF)
arlete Maria costa de Paula
Chefe de Divisão na Coordenação-Geral de Desenvolvimento de Pessoas
da Secretaria de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento,
Orçamento e Gestão (SRH/MP)
O coordenador de mesa apresenta o painel de experiência como um diálogo
com quem vive na prática os conceitos e idéias abordados para a gestão por
competências.
1. Experiência de gestão por competências na
Casa Civil/PR – Celina Dantas
Celina Dantas ressaltou que a abordagem de gestão por competências é adequada
para a administração pública, possível e desejável pois viabiliza a gestão por
resultados. Mas que o modelo a ser utilizado tem que estar adequado ao contexto
do órgão. Essa escolha depende da maturidade de gestão em que a organização
se encontra. É preciso buscar e ocupar o espaço que se apresenta, mesmo que se
inicie apenas pelo subsistema capacitação.
PARTE V - PAINÉIS TEMÁTICOS E PAINÉIS DE EXPERIÊNCIA
A gestão pro competências é mais do que normativa, pois há um aspecto de
mudança que é de atitude, e estas não são mudadas de um dia para o outro.
Na Presidência busca-se a clareza de um modelo completo, mesmo que utópico,
para que não se fique a mercê de modelos, criando colchas de retalhos aqui e ali.
Mesmo com todas as especificidades de um órgão como a Casa Civil – estritamente
político e sem quadro de pessoal próprio, foi implementado um modelo de
gestão por competências que buscou o comprometimento e engajamento dos
gerentes desde o início e durante todo o processo.
Lidando com a harmonização conceitual a Casa Civil criou o conceito do CHA,
significando conhecimento, habilidade e atitude.
Em um segundo ciclo, passou-se a trabalhar com competências transversais,
definindo 3 dimensões: transversal, gerencial e específica, esta por adesão, e as
competências foram mapeadas para subsidiar os planos de capacitação.
A palestrante informa que estes processos são de constante aprimoramento mais
hoje pode-se dizer que estão consolidados e o processo conta com vários ciclos
de planejamento estratégico e Balanced Scorecard.
Um importante momento de mudança estabelecido foi parar de olhar as
dificuldades e passar a enxergar as possibilidades. A Casa Civil não possui quadro
próprio, por isso a capacitação sempre ficou em segundo plano, mas lembrou a
palestrante que as pessoas não chegam prontas, o aprendizado deve ser contínuo
e assim percebeu-se que era importante investir em capacitação pois os que ali
estavam ao voltar para os seus órgãos de origem o fariam com outra visão, e isso
era ganho para a máquina pública.
PARTE V - PAINÉIS TEMÁTICOS E PAINÉIS DE EXPERIÊNCIA
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
A administração indireta, que já galgou alguns passos rumo à implementação
da gestão por competências tem por base um modelo mais puro, como o têm
também a iniciativa privada. A administração central ainda está inserida em um
modelo híbrido e menos avançado.
193
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
194
2. Ministério da Fazenda – Cristina Calvet
A palestrante contextualizou a experiência do Ministério da Fazenda no
âmbito da Subsecretaria de Planejamento, Orçamento e Administração –
SPOA, pois o planejamento e a formação de um mapa estratégico é essencial
para a implantação da gestão por competências.
O início do processo foi motivado pelo Decreto n.º 5.707, e o objetivo foi
alinhar a política de gestão de pessoas com a estratégia organizacional, o
que não foi fácil, pois historicamente, ambos caminhavam separados e o
cenário era de um RH preocupado com o controle, especificamente focado
na folha de pagamento. Um reflexo prático disso é capacitar as pessoas que
no dia-a-dia não fazem falta à organização, ao invés de aprimorar aquelas
que são essenciais.
O modelo que se busca hoje é o da organização que apóia o desenvolvimento
das pessoas, para isso foi feito investimento em sistemas, manuais e
mobilização de dirigentes, pois isso dá credibilidade para a implantação.
Trabalhamos com a delimitação de um modelo conceitual, definindo
princípios e competências organizacionais e humanas. O Foco foi realizado
em processos de trabalho e dividido por áreas funcionais.
O desafio enfrentado hoje e complementar a gestão de competências é a avaliação
de desempenho e o modelo adotado para tanto é o do Avaliador - Avaliado.
PARTE V - PAINÉIS TEMÁTICOS E PAINÉIS DE EXPERIÊNCIA
PROCESSOS DE TRABALHO E SISTEMA DE
INFORMAÇÃO NA GESTÃO DE PESSOAS
Painel proferido 8-7-2009
PaleStRanteS
Rogério Santanna dos Santos
Secretário de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do
Planejamento, Orçamento e Gestão (SLTI/MP)
Rodrigo Ortiz assumpção
Presidente da Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência
Social (DATAPREV)
cOORdenadOR de MeSa
luiz Roberto Moselli
Auditor-Chefe da Secretaria de Recursos Humanos do Ministério do
Planejamento (SRH/MP)
PARTE V - PAINÉIS TEMÁTICOS E PAINÉIS DE EXPERIÊNCIA
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
PAINEL TEMÁTICO V –
SISTEMAS E PROCESSOS EM
GESTÃO DE PESSOAS
195
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
196
RelatORa
Mitie Kamada
Coordenadora-Geral de Procedimentos Judiciais (SRH/MP)
Processos de Trabalho em Gestão de Pessoas
Ao se pensar na substituição dos sistemas de Governo, em especial o da área de
recursos humanos, é preciso focar a discussão nos processos de trabalho, que
devem ser revistos e redesenhados de modo a espelharem a realidade. Diante
dos resultados dessa primeira reflexão, o novo sistema deve ser coerente com os
processos de trabalho gerados. Algumas falas reforçaram essa ideia:
“Um bom processo de trabalho dá melhores resultados do que pessoas
brilhantes num processo de trabalho ruim” e “O importante é estruturar o
processo para que o sistema possa atuar. Se o processo é ruim, nós teremos um
processo ruim acelerado”.
A tecnologia hoje existe como existia há 30 anos e os problemas também. A
fragilidade não está unicamente na tecnologia utilizada, e sim nos processos de
trabalho, que com o decorrer dos anos tornaram-se mais complexos.
Os palestrantes afirmaram que as tecnologias disponíveis permitem trazer
melhorias significativas ao desenvolvimento do trabalho, mas é preciso ter
definição política para tomar as atitudes necessárias a fim de se alcançar o
alinhamento dos processos. Essa é a parte mais difícil porque envolve um enorme
quantitativo de pessoas e organizações com experiências diferentes, em que cada
organização conhece somente uma parte do processo.
O que se deseja aos servidores que atuam em recursos humanos é que a
tecnologia de informação esteja à disposição como ferramenta e que possa sair
de um processo extremamente operacional para a construção de uma política
de recursos humanos. A melhoria dos processos na área de recursos humanos
economizará milhões em recursos públicos.
PARTE V - PAINÉIS TEMÁTICOS E PAINÉIS DE EXPERIÊNCIA
A era da informática ingressou no serviço público pela área de recursos humanos
porque existe um grande volume de dados que mereciam tratamento. Na época
em que os computadores eram muito caros, o volume de informações era tão
grande que justificou o investimento inicial da tecnologia de informação na área
de recursos humanos.
Relataram que os sistemas de Governo estão sendo continuamente adaptados.
Porém, tais adaptações não suprem a real necessidade de substituição e
modernização desses sistemas, que deveriam ter sido substituídos há cinco ou
seis anos. Essa tarefa é muito difícil por conta da imensa base de dados existente.
Foi esclarecido no Painel que o sistema de recursos humanos é um dos
principais sistemas estruturantes do Governo. É um dos que gerencia o maior
volume de recursos e, por isso, merece maior atenção. Durante as discussões,
houve ênfase no sério problema que deverá ser enfrentado pela Administração
Pública, referente às ações judiciais e aos acordos administrativos, que devem
ser mais bem administrados por gerarem um grande volume de dados no
sistema, volume este que supera um terço dos dados totais. Os lançamentos
manuais são fontes de erros, distorções e fraudes e por conta disto devem ser
reanalisados e reformulados.
Os palestrantes destacaram a importância do uso de recursos tecnológicos que
permitam melhor acompanhamento e execução das atividades de recursos
humanos, a exemplo de recursos de auditoria e do ambiente da Web 2.0, que
possibilitarão maior integração e segurança da informação.
Outro ponto relevante discutido no painel foi sobre a gestão e o tratamento
da informação, que devem constituir um processo contínuo de melhoria e
aprimoramento, e não apenas um procedimento executado posteriormente.
Defendeu-se a ideia de que a entrada dos dados deve permitir a constituição
de uma base de dados confiável e segura e que impossibilite brechas sistêmicas,
inibindo qualquer forma de fraude e pagamentos indevidos. Nesse sentido, a
sugestão dada foi a de utilização de ferramentas tecnológicas para qualificar,
higienizar, padronizar e eliminar duplicações de dados.
Por fim, os palestrantes concluíram as discussões defendendo o uso de tecnologias
como ponto fundamental para o desenvolvimento das pessoas e das instituições.
Para eles, o desafio é implementar um sistema de informação que não só faça
PARTE V - PAINÉIS TEMÁTICOS E PAINÉIS DE EXPERIÊNCIA
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
Sistema de Informação na Gestão de Pessoas
197
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
198
uso das novas tecnologias, mas que também viabilize a automação das funções
de recursos humanos a partir da análise e melhoria dos processos de trabalho,
liberando o profissional de recursos humanos das atividades operacionais para
dedicar-se às questões estratégicas das organizações públicas.
Experiência: Modernização do
atendimento do Instituto Nacional
do Seguro Social
Painel proferido em 7-7-2009
PaleStRante
valdir Moysés Simão
Presidente do INSS
cOORdenadOR de MeSa
luiz Roberto Moselli
Auditor-Chefe da Secretaria de Recursos Humanos do Ministério do
Planejamento, Orçamento e Gestão (SRH/MP)
PARTE V - PAINÉIS TEMÁTICOS E PAINÉIS DE EXPERIÊNCIA
No Brasil, com a Constituição de 1988, estabeleceu-se o tripé da Seguridade
Social, composta por:



Previdência Social, de caráter contributivo e obrigatório, estruturada por
um regime geral, operado pelo INSS para os trabalhadores da iniciativa
privada; por regime próprio dos servidores públicos de todas as esferas
(federal, estadual e municipal); previdência complementar, fiscalizada
pelo Ministério da Previdência Social; e previdência dos Militares.
Assistência Social, de caráter universal e não contributivo.
Saúde, igualmente de caráter universal e não contributivo.
dados do inSS
Em junho de 2009 foram 26,614 milhões de benefícios pagos em dia, sendo 15,2
milhões na área urbana, 7,8 milhões na área rural. Deste montante, 3,4 milhões
refere-se ao Benefício de Prestação Continuada (BPC) – política do Ministério
do Desenvolvimento Social, mas que é operada pelo INSS.
O que representa a Previdência Social sob a ótica da linha da pobreza?
A representatividade que a Previdência tem para o Brasil como um instrumento
de proteção social é fundamental, não só para a estabilidade social como para a
dinâmica das economias locais. A Previdência é responsável pela retirada de 22,2
milhões de pessoas da linha de pobreza. Está previsto para 2009 o pagamento de
R$ 220 bilhões, que movimentam a economia de todas as cidades.
A cobertura dos trabalhadores ocupados no Brasil até 2002 era decrescente.
A partir de 2003 houve uma política de inclusão de trabalhadores no sistema
de proteção; em 2007 a população ocupada protegida pela Previdência Social
chegou a 65,1% e em 2008 a 66%.
Outra grande iniciativa que o Brasil está adotando para formalizar mais
trabalhadores é o empreendedor individual. Desde julho de 2009, uma
pessoa física com faturamento anual de até 36 mil reais, com contribuição
reduzida, tem direito a todos os benefícios previdenciários, incluídos os seus
PARTE V - PAINÉIS TEMÁTICOS E PAINÉIS DE EXPERIÊNCIA
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
estrutura da Seguridade Social
199
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
200
familiares. São 11 milhões de pessoas que se encontram nessa situação, sendo
que a estimativa é que até o final de 2010 1,5 milhões de pessoas formalizem
a sua situação. A adesão ao Programa possibilita ao empreendedor, além da
cobertura de segurado, emitir nota fiscal, contratar com governos, ter apoio do
SEBRAE e de linhas de créditos. Essa solução genuinamente brasileira já vem
sendo observada por outros países.
as mudanças no inSS
O INSS, há algum tempo, era sinônimo de mau atendimento, descaso, refletido
nas enormes filas de atendimento, sem contar com as fraudes que só aumentavam
o descrédito na Previdência, inclusive por parte do Governo.
A partir de 2003 o processo começou a ser revertido. O Ministério da Previdência
em 2003 e 2004 dedicou-se à reformulação dos marcos legais. A partir de 2005
mergulhou nos processos de trabalho do INSS, buscando responder a seguinte
questão: que tipo de Previdência Social queremos para o futuro?
A resposta foi discutida nas oficinas de planejamento, com os próprios
servidores do INSS: “tem de ser um sistema de proteção social inclusivo, público
e sustentável”. Daí saíram cinco direcionadores estratégicos, como segue abaixo,
além de 20 objetivos:





gestão estratégica de pessoas;
modernização da infraestrutura da base;
foco na gestão e no controle social;
excelência no atendimento, sendo um processo virtuoso de melhoria
contínua; e
fortalecimento da proteção social.
É fundamental ressaltar que o trabalho de modernização do INSS não foi
realizado por consultorias, foi feito internamente, pelos próprios servidores
do INSS que continuam a conduzir toda a modernização, sendo as soluções
tecnológicas tratadas pela DATAPREV.
PARTE V - PAINÉIS TEMÁTICOS E PAINÉIS DE EXPERIÊNCIA
O INSS trabalha com informações. Foi construído um banco de dados, o
Cadastro Nacional de Informação Social (CNIS), que reúne informações dos
trabalhadores desde 1976. No entanto, não havia autorização legal para o uso
pleno das informações, porém com a Lei Complementar no 128/2008, o INSS foi
autorizado a ter pleno acesso às informações do CNIS. Por meio desse Cadastro,
sabe-se quem é o cidadão e qual o valor da contribuição por ele realizada, por
exemplo. Com isso o atendimento pode ser programado de acordo com cada
situação.
O desafio agora passou a ser zelar pela qualidade das informações que estão
nesse banco de dados, garantindo que, no momento em que o cidadão solicite
qualquer benefício, o INSS o consiga fazer de forma automática, o que é chamado
de reconhecimento automático de direito. Dessa forma, os eventos de acesso
a benefícios como tempo de contribuição, idade, maternidade e óbito estão
automatizados.
O outro grande evento é a incapacidade laboral; sua constatação continua sendo
subjetiva e dependerá de uma avaliação médica. O benefício por incapacidade
refere-se a 50% das novas demandas. O segurado passa para a condição de
beneficiário, podendo tal condição ser permanente, temporária ou ocorrer a
reabilitação profissional.
Melhoria no atendimento
O modelo de atendimento utilizado pelo INSS é chamado de atendimento
programado, seletivo e resolutivo:
A programação consiste em possibilitar comodidade no atendimento. O
segurado agenda o atendimento pela internet ou pela central telefônica e quando
comparece à agência as informações necessárias já estão no sistema operacional
de reconhecimento de direito.
A seletividade permite que o atendimento seja organizado de modo a otimizar o
serviço, pois sabendo quem virá à agência e que tipo de benefício será requerido, de
antemão, coloca-se para realizar o atendimento do servidor que conheça do tema.
PARTE V - PAINÉIS TEMÁTICOS E PAINÉIS DE EXPERIÊNCIA
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
Modelo operacional construído
201
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
202
A resolutividade implica concluir o atendimento com uma decisão, deferindo
ou indeferindo o pedido, o que evita o retorno do segurado à unidade de
atendimento.
as principais ações realizadas






Fim da terceirização da perícia médica: até 2002 o INSS passou por
um processo intenso de terceirização das atividades, inclusive a perícia
médica que era realizada sem supervisão. O resultado foi a explosão
da despesa com auxílio-doença, sendo que de 2002 a 2005 esses gastos
haviam quintuplicado, chegando a 1,66 milhões de benefícios, sem que
houvesse uma justificativa razoável. Hoje a terceirização foi banida e
100% das perícias são feitas por médicos peritos do quadro do INSS.
Passou-se a ter maior rigor no processo de concessão e de supervisão
das concessões, sendo que os médicos previdenciários têm autonomia
técnica. Com o fim da terceirização das perícias o auxílio-doença foi
estabilizado em 900 mil benefícios.
Implantação do modelo de Cobertura Previdenciária Estimada (COPES).
Havia demora para se fazer as perícias e muitas vezes os benefícios eram
pagos quando a incapacidade já havia deixado de existir. Com o novo
modelo o segurado comparece à perícia médica com dia e hora marcados
e o perito fixa o tempo necessário para recuperação. Ele não precisa
voltar ao INSS para ter alta e, caso se sinta incapacitado para o trabalho,
ele pode solicitar prorrogação e pedir nova perícia.
Ampliação do horário de atendimento da maioria das agências. De
seis horas diárias passou para dez horas de atendimento, eliminando
as demandas excessivamente reprimidas. Também houve proibição
de senhas restritivas e com o agendamento foi possível organizar o
atendimento.
Oferta de serviços pela internet.
Criação do atendimento telefônico 135. São três centrais telefônicas no
país: em Caruaru, Recife e Salvador.
Reconhecimento automático de direito. O INSS sempre teve o papel de
concessor de benefícios, porém ocorreu uma mudança conceitual: o
órgão não é mero concessor de benefícios, mas sim um reconhecedor de
direitos. O INSS passa a ser gestor de informações dos segurados, zelando
pela qualidade das informações armazenadas no banco de dados para
PARTE V - PAINÉIS TEMÁTICOS E PAINÉIS DE EXPERIÊNCIA



Por último, outra ação fundamental é a de estar estendendo a vários públicos na
condição de segurado:



Trabalhador Rural: por meio de parceria com as entidades sindicais de
representação desses trabalhadores, é feito o recadastramento dessas
pessoas, e por meio de uma carta do sindicato, declarando a vinculação
à Previdência Social, faz-se a prova de exercício. São quase 5 milhões de
pequenos produtores nessa situação.
Indígenas: por meio de convênio com a FUNAI, certifica-se que o indígena
permanece na sua comunidade, explorando a atividade agrícola, sendo
considerado segurado especial e dispensando entrevistas.
Quilombolas: por meio de parceria com a Secretaria Especial de Políticas
de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), que está ajudando a
identificar as comunidades remanescentes de quilombo, para que possam
se beneficiar do reconhecimento automático de direitos.
PARTE V - PAINÉIS TEMÁTICOS E PAINÉIS DE EXPERIÊNCIA
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009

garantir esse reconhecimento automático de direito, quando o segurado
requerer um benefício previdenciário.
Criação do extrato de contribuições previdenciárias, que é o histórico
previdenciário do trabalhador.
Realização de convênio com o Banco do Brasil, que permite aos correntistas
acessar as informações previdenciárias nos terminais de autoatendimento
e home banking, permitindo acompanhar todos os vínculos empregatícios,
as remunerações e as contribuições, possibilitando o acompanhamento
e a fiscalização do empregador, além de não deixar as atualizações para o
momento da aposentadoria.
Ampliação da rede de atendimento. Em 86 anos de história são 1.110
agências presentes em 950 municípios brasileiros, o que representa menos
de 20% nos municípios brasileiros. É necessário estar mais próximo
do segurado, e não basta a internet e os extratos. Há necessidade dessa
proximidade, sobretudo por causa das perícias. Portanto, até o fim de 2010,
serão mais 720 novas pequenas agências, tendo em vista o grande número
de segurados e trabalhadores que não conseguem obter um serviço e/ou
benefício previdenciário por conta da distância e dificuldade de acesso.
Implantação do requerimento do benefício. Trata-se do envio às
residências dos segurados de uma carta informando que o mesmo tem
direito à aposentadoria, bem como o valor estimado que irá receber
se optar por obtê-la. A carta traz ainda orientação para agendar o
atendimento, de forma simples e gratuita.
203
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
204


Pescadores: a Secretaria Especial da Pesca (SEAP) também disponibilizou
o banco de dados.
Assentados: o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA)
disponibilizou seu banco de dados.
Essa integração permite ganhos a todos.
Modernização Tecnológica
Por trás de todas essas ações há um forte investimento em tecnologia, que ainda
está em curso e receberá mais investimentos. A DATAPREV que é a empresa de
tecnologia da Previdência vem desenvolvendo toda essa inteligência.
Gestão Estratégica
Foi criado o mapeamento estratégico, que permite o acompanhamento de todos
os indicadores.
Permite verificar em tempo real quantas unidades de atendimento têm um
tempo médio de espera por perícia médica, menor ou igual a 5 dias, saber
imediatamente se um sistema saiu do ar, se alguma agência perdeu o link e está
incomunicável, quantas pessoas foram atendidas até o momento no dia, quantas
pessoas estão aguardando na agência, em qual agência, nome do servidor e do
segurado. Isso permite verificar as unidades que estão com dificuldades, e os
gerentes executivos e regionais auxiliam na procura e solução dos problemas.
O gerente da unidade é o principal gestor da Previdência Social, por isso temse investido muito na formação dessas pessoas, por tratar-se da valorização do
atendimento humano e humanizado.
Por fim, conclui o Presidente do INSS: “houve momentos na história que tínhamos
vergonha de dizer que trabalhávamos no INSS. Hoje não. Temos orgulho de
servir a Previdência social, e os servidores do INSS estão se colocando a frente
como modelo de serviço público brasileiro”.
PARTE V - PAINÉIS TEMÁTICOS E PAINÉIS DE EXPERIÊNCIA
DESAFIOS DA IMPLANTAÇÃO DO REGIME
PRÓPRIO DA PREVIDÊNCIA E DA PREVIDÊNCIA
COMPLEMENTAR
Painel proferido em 8-7-2009
PaleStRanteS
Helmut Schwarzer
Secretário de Previdência Social (MPS)
luiz antônio Padilha
Diretor do Departamento de Programas de Cooperação Internacional
em Gestão (SEGES/MP)
luciano Fazio
Coordenador de Planejamento Previdenciário da Diretoria de Benefícios
da Fundação dos Economiários Federais (FUNCEF)
cOORdenadORa de MeSa
daniele Russo
Diretora do Departamento de Normas e Procedimentos Judiciais da
Secretaria de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento,
Orçamento e Gestão (SRH/MP)
PARTE V - PAINÉIS TEMÁTICOS E PAINÉIS DE EXPERIÊNCIA
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
PAINEL VI – PREVIDÊNCIA
205
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
206
RelatORa
Renata Holanda
Agente Administrativo da Coordenação-Geral de Seguridade Social
da Secretaria de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento,
Orçamento e Gestão (SRH/MP)
O palestrante Helmut Schwarzer tratou dos pilares do sistema previdenciário
brasileiro administrado pelo INSS, do Regime Geral de Previdência Social
(RGPS) e do Regime Próprio de Previdência Social dos Servidores Públicos.
Os 26 estados, o Distrito Federal e os 1.911 municípios já criaram seus respectivos
regimes próprios. Um projeto de lei ordinária, tratando exclusivamente do
Regime Próprio de Previdência Social da União (RPPSU), encontra-se em
processo de construção.
De acordo com os dados apresentados, há 2 milhões de servidores civis sujeitos
ao regime próprio da União, e 7 milhões de pessoas nos estados e municípios.
A Lei no 9.717, de 1998, estabelece os critérios para a organização dos regimes
próprios, que são regimes jovens e em fase de acumulação, de poupança, para
fazer frente às aposentadorias e às pensões, de modo a se construir um capital
para lastrear o pagamento futuro dos benefícios dos segurados.
O MPS acompanha os números dos regimes instituídos pelos entes da federação,
bem como dos fundos de pensão complementares, e faz o monitoramento e as
auditorias diretas e indiretas sobre o cumprimento da legislação.
A Secretaria de Previdência Social (SPS) é responsável pela formulação
da política voltada aos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS),
estabelecendo critérios para o funcionamento do RPPS e observância de
requisitos para a expedição do certificado de regularidade previdenciária.
São exemplos disso: a criação de um órgão gestor do regime; a avaliação do
equilíbrio de médio e longo prazo dos regimes; a separação da conta do RPPS
do restante das contas do setor público; o zelo pelas aplicações nos fundos
de investimento para otimizar os recursos; e a exigência de qualificação e
capacitação dos dirigentes dos regimes próprios.
PARTE V - PAINÉIS TEMÁTICOS E PAINÉIS DE EXPERIÊNCIA
O palestrante Luiz Antônio Padilha apresentou como principais aspectos a
necessidade de criação de uma estrutura organizacional para gerir os fundos;
a adequação às regras constitucionais (art. 40/CRFB, EC no 20/1998, EC no
41/2003 e EC no 47/2005); a aplicação dos recursos financeiros em conformidade
com a Resolução no 3.506/2007, do Conselho Monetário Nacional; e a criação do
Fundo Financeiro e do Fundo Previdenciário.
A seguir, alguns pontos destacados para estruturar o RPPSU, podendo servir de
exemplo para os demais entes federais:






Evitar a influência dos ciclos econômicos nas ações de cunho
previdenciário para os servidores.
Preservar os direitos dos servidores.
Adotar regime de capitalização forte, sólido e que aplique bem as reservas
financeiras.
Minorar riscos fiscais e de decisões adversas.
Estimular a geração de poupança interna.
Favorecer a criação de ambiente propício ao desenvolvimento econômico
e social.
Por sua vez, o palestrante Luciano Fazio apresentou a lógica dos três pilares
para a implantação do Regime de Previdência Complementar (previdência
básica pública), previdência complementar fechada (fundos de pensão) e
previdência complementar aberta (seguradoras, bancos, etc.). A implantação
do regime de previdência complementar proporcionará uma redução de
despesas públicas no longo prazo.
De acordo com o que dispõe a Constituição, o regime de previdência
complementar a ser criado por lei de iniciativa do Poder Executivo, terá os
planos de benefícios na modalidade de “contribuição definida”, que não garante
benefícios com valor definido vitaliciamente. De acordo com o texto do Projeto
de Lei no 1.992, de 2007, em discussão no Congresso Nacional, a indicação de
administradores exclusivamente pelos órgãos públicos (patrocinadores) darse-á nos dois primeiros anos após a instituição do regime.
PARTE V - PAINÉIS TEMÁTICOS E PAINÉIS DE EXPERIÊNCIA
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
A Lei no 10.887, de 2004, dispõe que a unidade gestora será formada por colegiado,
com participação paritária dos servidores e da União para acompanhar e
fiscalizar o regime próprio.
207
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
208
No sistema de três pilares as vantagens para o servidor são: maior flexibilidade,
aumento do poder de decisão do segurado sobre quanto e quando contribuir e
diversificação do risco. Porém, apontou possíveis desvantagens para o servidor,
configurada na redução de responsabilidade estatal. Para o Estado, verifica-se
uma uniformização do tratamento previdenciário, redução das despesas com
pessoal, a longo prazo, e estímulo ao aumento da poupança nacional.
Na sequência, ao se abrir espaço para debates dos participantes, apresentouse como propostas, para análise da SRH, críticas ao regime de previdência
complementar, demonstrando-se preocupação com os riscos de falência dos
planos de regime complementar, a exemplo do ocorrido em outros países, tendo
sido ainda solicitado que as entidades sindicais sejam inseridas no processo
de discussão do regime próprio. Alegou-se, também, que a isonomia entre o
RPPSU e o RGPS não deve retirar direitos já conquistados pelos servidores,
defendendo-se que a situação dos servidores não é de privilégio em relação aos
demais trabalhadores do setor privado.
Experiência: O exemplo da
Previdência do Estado da Bahia
PaleStRanteS
daniella Gomes
Secretaria de Administração do Estado da Bahia (SAEB)
adriano tambone
Secretaria de Administração do Estado da Bahia (SAEB)
Os representantes da Secretaria de Administração do Estado da Bahia
apresentaram o Regime Próprio de Previdência Social dos servidores públicos
daquele estado. A exposição tratou da necessidade da nova gestão, que tinha
PARTE V - PAINÉIS TEMÁTICOS E PAINÉIS DE EXPERIÊNCIA
Em 9 de fevereiro de 2009, foi aprovada a Lei no 11.357, organizando o RPPS
Bahia e se adequando às novas regras de previdências contidas na Constituição.
Com essa nova organização, foi destinado o Fundo Financeiro (FUNPREV)
para os servidores que ingressaram até 31/12/2007. Este fundo é constituído sob
o regime de caixa, com conta capitalizada, formado por receitas recebidas de
compensação financeira entre regimes e 2% da contribuição previdenciária do
estado, com a finalidade de oxigenar a conta do fundo.
Conta, ainda, com a contribuição previdenciária do servidor, que aporta 12% de
sua remuneração, e do estado, que aporta o dobro da contribuição do servidor,
ou seja, 24%.
Já os novos servidores estão contribuindo para o fundo novo, o BAPREV, que
conta com 6.900 segurados e nasceu completamente saneado, pois já iniciou
recebendo a contribuição de 36%, sendo 12% do servidor mais 24% do estado. O
BAPREV contém 42 milhões de reais e o FUNPREV 57 milhões de reais.
PARTE V - PAINÉIS TEMÁTICOS E PAINÉIS DE EXPERIÊNCIA
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
como desafio apropriar-se do conhecimento das questões previdenciárias,
razão pela qual foi editada, em 23 de dezembro de 2007, a Lei no 10.955,
criando a Superintendência de Previdência (SUPREV), como unidade gestora
do RPPS da Bahia.
209
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
210
PAINEL TEMÁTICO VII –
CAPACITAÇÃO
REFLEXÕES SOBRE A POLÍTICA DE
CAPACITAÇÃO NA ADMINISTRAÇÃO
PÚBLICA FEDERAL
Painel proferido em 9-7-2009
PaleStRanteS
aleksandra Santos
Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental na
Secretaria de Gestão do Ministério do Planejamento, Orçamento e
Gestão (SEGES/MP)
Paulo Sérgio de carvalho
Diretor de Formação Profissional da Escola Nacional de Administração
Pública (ENAP)
diogo joel demarco
Coordenador-Geral de Desenvolvimento de Pessoas da Secretaria
de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento, Orçamento e
Gestão (SRH/MP)
PARTE V - PAINÉIS TEMÁTICOS E PAINÉIS DE EXPERIÊNCIA
duvanier Paiva Ferreira
Secretário de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento,
Orçamento e Gestão (SRH/MP)
RelatOReS
Paulo Ricardo Godoy dos Santos
Analista de Finanças e Controle na Secretaria do Tesouro Nacional do
Ministério da Fazenda (STN/MF)
arlete Maria costa de Paula
Chefe de Divisão da Coordenação-Geral de Desenvolvimento de Pessoas
da Secretaria de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento,
Orçamento e Gestão (SRH/MP)
As reflexões apontaram os grandes desafios para a implementação e consolidação
da Política Nacional de Desenvolvimento de Pessoal. A política tem como
desafio de aprendizagem a articulação entre os diferentes atores, com o intuito
de sensibilizar, mobilizar e comprometer os dirigentes públicos.
A palestrante Aleksandra Santos abordou o conceito de aprendizagem e competência,
além de fazer uma distinção básica entre instrução, capacitação, treinamento,
desenvolvimento e formação, explicitando sua relação com as novas diretrizes da
política de desenvolvimento de pessoal da Administração Pública Federal.
Paulo Carvalho levantou a importância de transformar os departamentos de
recursos humanos em departamentos de gestão estratégica de pessoal, capazes de
formar servidores públicos que sejam aprendizes para toda a vida e que possam
responder e se adaptar às mudanças. Enfatizou ainda a relevância da atuação
das escolas de Governo para a concretização de uma política de capacitação e
relatou que a ENAP está realizando um trabalho de mapeamento da oferta de
capacitação dessas escolas.
PARTE V - PAINÉIS TEMÁTICOS E PAINÉIS DE EXPERIÊNCIA
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
cOORdenadOR de MeSa
211
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
212
Diogo Demarco apresentou o balanço dos relatórios de execução dos planos
anuais de capacitação, a fim de identificar elementos concretos para pensar e
estruturar a política de desenvolvimento de pessoal.
As seguintes questões foram debatidas ao longo do Painel:







Repensar a forma como são elaborados os planos de capacitação, de
forma a torná-los pró-ativos e alinhados com as políticas estratégicas
definidas no Plano Plurianual (PPA).
Pensar novas formas de capacitação e de aprendizagem.
Fortalecer instâncias intermediárias de diálogo, de discussão e de
aprofundamento conceitual.
Definir indicadores de acompanhamento e de avaliação das ações de
capacitação.
Consolidar a capacitação como requisito para desenvolvimento na carreira.
Consolidar uma rede de escolas.
Definir critérios para distribuição orçamentária.
PAINEL TEMÁTICO VIII – PESQUISA
SOBRE EMPREGO PÚBLICO
Painel proferido em 9-7-2009
PaleStRanteS
eneuton Pessoa de carvalho
Pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e
Professor Colaborador na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRGS)
Max leno
Assessor do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos
Socioeconômicos (DIEESE) e Professor Universitário
PARTE V - PAINÉIS TEMÁTICOS E PAINÉIS DE EXPERIÊNCIA
luiz Roberto Moselli
Auditor-Chefe na Secretaria de Recursos Humanos do Ministério do
Planejamento, Orçamento e Gestão (SRH/MP)
O palestrante Eneuton Pessoa fez uma apresentação sobre a pesquisa
Emprego e Trabalho no Setor Público Federal, realizada pelo IPEA, em
parceria com a SRH/MP e a SEGES/MP, a ENAP e o IBGE. Essa pesquisa
partiu da necessidade de se fazer um panorama do emprego público no país.
Isso porque todas as tentativas e as propostas de reforma no serviço público
brasileiro sempre foram feitas sem um conhecimento mais cuidadoso sobre
os números, sobre o que existe de emprego público e o que é o emprego
público no país. Para transformar qualquer realidade, é preciso conhecêla. E o tema do emprego público é um tema bastante eivado de interesses
políticos e ideológicos.
Em comparação com o resto do mundo, a Administração Pública no Brasil não
pode ser considerada “inchada”, observando a relação dos números de servidores
e empregados públicos com a população economicamente ativa. Uma breve
comparação: os Estados Unidos possuem 20,5 milhões de empregados públicos,
contra 10 milhões no Brasil.
É fundamental sabermos, face aos desafios sociais colocados para a sociedade
brasileira, o quanto precisamos e o quanto requeremos de serviços públicos
em termos de quantidade e qualidade. A partir desse diagnóstico podem ser
considerados aspectos do emprego público, tais como dimensão, tamanho e
impacto na sociedade.
A partir de um conceito amplo de emprego público, que contempla a
administração direta e indireta, e aí incluindo autarquias, fundações e empresas
públicas, têm-se alguns aspectos que explicam a evolução do emprego público
de forma diferenciada pelas esferas de Governo.
PARTE V - PAINÉIS TEMÁTICOS E PAINÉIS DE EXPERIÊNCIA
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
cOORdenadOR de MeSa
213
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
214
Quantitativo de servidores públicos nas três esferas de Governo
Década
de 1950
A partir de
2006 a 2007
Quantidade de
Servidores 2006/2007
Governo Federal
50%
15%
1,5 milhões
Governos Estaduais
35%
34%
3,5 milhões
Governos Municipais
15%
51%
5,2 milhões



A partir da década de 1970, definiu-se que aos municípios cabia,
inicialmente, o ensino básico e, depois, a universalização da saúde.
Em 1950, 70% da população brasileira viviam no campo, onde não se
prestavam serviços; em 1980 houve uma reversão, 70% passaram a residir
em cidades, e são nas cidades onde se prestam os serviços públicos.
Os estados e sobretudo os municípios cresceram na prestação de serviços
de utilidade pública: água, esgoto, saneamento e outros.
Nos anos 1990, o emprego público, na esfera federal, sofreu grande redução.
Nos municípios continuou a crescer. E nos estados, a partir de 1995, também
foi diminuído. Esse fenômeno deu-se por conta das negociações das dívidas
estaduais com o Governo Federal à época, devido às privatizações e aos planos
de demissão voluntária. Mas, de forma geral, o emprego público, nos anos 1990,
quase que se estagna. Mas não se reduz.
Exemplos e considerações do crescimento do
emprego
Governo Federal

Reposição da redução que houve nos anos 1990: em 1992 havia 1,4
milhões de servidores na União. Ao longo da década de 1990 houve um
decréscimo acentuado, chegando a 1,2 milhões, em 2002. A partir de
2003 voltou a crescer, chegando a 1,5 milhões em 2007. Um exemplo foi a
expansão das empresas públicas, por exemplo os Correios e a Petrobras,
que aumentaram significativamente o número de empregados públicos.
PARTE V - PAINÉIS TEMÁTICOS E PAINÉIS DE EXPERIÊNCIA
Fortalecimento institucional do Estado e criação, melhoria e aumento de
diversas políticas públicas à população.
Governo estaduais

Apesar do aumento das demandas de serviços de utilidades básicas, os
estados ocuparam uma posição de omissão, pois repassaram muitos
serviços aos municípios, ocasionando a redução do efetivo das polícias
militares, da segurança pública e outros.
Governos Municipais


Após a Constituição de 1988, foram criadas mais de 1,3 mil novos
municípios, o que exigiu estruturas mínimas.
Transferência de responsabilidades, principalmente dos estados, nas áreas
de educação básica e fundamental, saúde, guardas municipais e outras.
Essa pesquisa tem como eixo norteador a visão de que para o desenvolvimento
econômico-social do país importa muito a ação do Estado. E essa ação é tão
mais importante quanto mais qualificada ela for. E essa qualificação reside
fundamentalmente na qualidade do servidor público. Tanto em termos de
suas competências individuais, quanto em termos das instituições públicas que
devem permitir o desenvolvimento desses servidores.
PARTE V - PAINÉIS TEMÁTICOS E PAINÉIS DE EXPERIÊNCIA
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009

215
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
216
A antiga dicotomia entre Estado e mercado dos anos 1990 é ultrapassada. As boas
experiências de desenvolvimento econômico-social em outros países mostram
que há necessidade de haver equilíbrio entre o setor público e o setor privado,
isto é, uma boa divisão de trabalho entre essas duas esferas. Não se trata de levar
o Estado ao extremo, nem também retirar o Estado de cena como se acreditava.
Outra avaliação muito importante, além da questão quantitativa, é a análise do
emprego público por ocupações. Trata-se de uma pesquisa nova e inicial com
dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) e da Relação
Anual de Informações Sociais (RAIS), considerando o período de 2002 a 2007.
esfera Municipal



Aumento significativo do número de professores com formação superior
para o ensino fundamental e também de ocupações de gestão da escola
pública, o que aponta o esforço para qualificar o ensino público municipal.
Aumento significativo no número de auxiliares de enfermagem.
Aumento de 123% na categoria de policiais e guardas municipais.
esfera estadual

Redução do número de policiais militares, principalmente as patentes
mais baixas. A redução é em torno de 50 mil em todo o Brasil.
esfera Federal

Crescimento do número de professores universitários.
A expansão do emprego público é o resultado da democratização da sociedade
brasileira por meio da demanda de serviços públicos. Existe sim um problema de
gestão, de eficiência e de eficácia, mas insistir em um discurso de que os serviços
públicos não cumprem seu papel e de que o Estado precisa abrir mão de prestálos não é concebível a nenhuma sociedade.
Historicamente, foi construído um Estado para poucos e o desafio é criar um
Estado para todos, visando diminuir as desigualdades. E o desafio, enquanto
servidores públicos, é ter claro que a qualidade de vida das pessoas depende da
prestação de serviços e da qualidade de serviços que são prestados.
PARTE V - PAINÉIS TEMÁTICOS E PAINÉIS DE EXPERIÊNCIA
É bastante válido reforçar que essas informações, seja sob o aspecto quantitativo,
bem como pelo qualitativo, são pesquisas que demonstram a trajetória do emprego
público no decorrer dos anos. Há muitos aspectos interessantes na pesquisa, como
o crescimento da chamada municipalização que incrementou, sem dúvida alguma,
o emprego público. E também não podemos esquecer todo o cenário político,
econômico e social que, de certa forma, permeia essa discussão do emprego público,
que remete à reflexão sobre a importância da presença do Estado na economia.
Importante ressaltar as três funções importantes que o Estado exerce dentro de
uma sociedade. A função distributiva, a função reguladora, que hoje vem à tona
com muita força, e principalmente a estabilizadora.
O DIEESE realizou uma pesquisa sobre emprego e desemprego em seis regiões
metropolitanas: São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Salvador e
Recife. Abaixo, alguns dos resultados dessa pequisa.
Comparação do setor público e privado:
- Crescimento do setor público foi de 17%
- Crescimento do setor privado foi de 47%

O setor público representa 14% do número de ocupados no mercado
brasileiro, com destaque para Brasília que é de 22,5%.

No aspecto remuneratório, em todas as regiões, exceto São Paulo, a
remuneração do setor público supera, em média, duas vezes a remuneração
do setor privado, com destaque para Brasília, que supera em quatro vezes.
Por fim, ressaltam-se as questões abaixo que ajudam a orientar as ações em
relação aos empregos públicos:



Crescimento significativo no número de aposentados e pensionistas e
retração no número de ativos, nos últimos anos, apesar do incremento
de concursos.
Geração do superávit primário, permitindo a intervenção no mercado
e nas ações de Governo com o saldo gerado em torno de 4% a 4,59% do
Produto Interno Bruto, entre 80 a 100 bilhões por ano.
PARTE V - PAINÉIS TEMÁTICOS E PAINÉIS DE EXPERIÊNCIA
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
Antes de abordar uma pesquisa do DIEESE sobre o tema, o palestrante Max
Leno teceu alguns comentários sobre a pesquisa realizada pelo IPEA. A pesquisa,
segundo ele, permite tratar de eixos importantes como a questão da Previdência,
de benefícios, do processo de negociação coletiva, bem como vários aparatos
legais que estão muito vinculados à ação da esfera pública.
217
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
218



Redução do nível de endividamento do país, que chegou a 52% e se
encontra em 36%, resultado das políticas governamentais adotadas.
Investimentos públicos e futuros do Governo Federal. A atuação do Estado
como impulsionador do crescimento da economia foi fundamental,
como as iniciativas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
O limite dentro da Lei de Responsabilidade Fiscal é de 50%, no âmbito
da esfera federal. Atualmente, o limite real está em aproximadamente
30%, ou seja, bem abaixo dos limites estabelecidos nas regulamentações
relativas à despesa com pessoal.
Dessa forma, a discussão sobre emprego público é bastante ampla e, mesmo que
seja somente do ponto de vista financeiro, os dados acima comprovam que as
ações estão sendo positivas.
PAINEL TEMÁTICO IX – ÉTICA
NO SERVIÇO PÚBLICO
Painel proferido em 9-7-2009
PaleStRanteS
luiz navarro de brito Filho
Secretário Executivo da Controladoria-Geral da União – CGU
Roberto de Figueiredo caldas
Membro da Comissão de Ética Pública da Presidência da República
adalberto Fulgêncio dos Santos
Ouvidor do Sistema Único de Saúde (SUS) do Ministério da Saúde
coordenador de Mesa
alberto Felippi barbosa
Ouvidor-Geral da Ouvidoria do Servidor (SRH/MP)
PARTE V - PAINÉIS TEMÁTICOS E PAINÉIS DE EXPERIÊNCIA
interesses tem
que estar na
Ressaltou que nos últimos anos houve uma intensificação
das ações nas diversas instituições do Estado, promovidas
pelo Governo, no combate à corrupção; entretanto,
permanece uma sensação negativa em virtude de
termos uma tradição de impunidade, o que pode gerar
desesperança. Ainda, destacou Navarro, que não se deve
pensar no combate à corrupção só sob a perspectiva da
repressão, mas, contrariamente, sob o ângulo da prevenção.
pauta de qualquer
Esclareceu que a CGU reúne quatro unidades em um
mesmo órgão, a saber, a Secretaria Federal de Controle
Interno, a Secretaria de Prevenção e Informações
Estratégicas, a Corregedoria Geral da União e a
Ouvidoria Geral da União, o que contribui para o
desempenho das atividades.
principalmente em
discussão sobre
ética, lembrando
que a ética atua
defesa do servidor
e da instituição
Em seguida abordou a questão da prevenção, que é o conceito de integridade da
Administração Pública e integridade das instituições. Essa preocupação surge com
riscos internos e externos e para esclarecer dúvidas sobre como agir em determinadas
situações, faz-se necessário um código de conduta e a declaração de missão e visão
do órgão, a fim de que haja comprometimento fundido com a questão ética.
O palestrante defendeu que todas as instituições públicas devem ter comissões de
ética, e que muitas vezes a referida comissão é mais importante que a instauração
das comissões disciplinares, porque, embora possa assumir, ao final, um papel
de reprimenda e censura, antes de tudo tem uma tarefa consultiva, preventiva
e pedagógica, o que não ocorre com a comissão dos Processos Administrativos
Disciplinares, que se iniciam com uma sindicância, com funções investigativas,
corretivas e punitivas.
Demonstrou ainda que o conflito de interesses tem que estar na pauta de qualquer
discussão sobre ética, lembrando que a ética atua principalmente em defesa do
servidor e da instituição.
PARTE V - PAINÉIS TEMÁTICOS E PAINÉIS DE EXPERIÊNCIA
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
O Dr. Luiz Navarro de Brito Filho falou da importância do
tema e de seu relacionamento com tantos outros temas,
como a gestão, a prevenção da corrupção, a integridade e
a eficiência na Administração Pública Federal.
o conflito de
219
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
220
O segundo palestrante, Roberto de Figueiredo Caldas, ressaltou que a ética
é tema de grande interesse para os servidores públicos, pois tem um papel
fundamental no desenvolvimento humano, social e econômico; em seguida
esclareceu que o foco de sua apresentação baseava-se em pesquisa sobre
valores éticos realizada pela Universidade de Brasília (UnB) em 2008, mediante
convênio estabelecido com a Comissão de Ética Pública vinculada à Presidência
da República, envolvendo a sociedade e os servidores públicos.
Procedeu então a uma rápida explicação sobre os conceitos de ética, variados
nos diversos países e dentro de nosso próprio país, e citou Vasquez para afirmar
que a ética tem conteúdo racional pelo fato de se ter que aprendê-la.
Devemos refletir sobre o que queremos como padrão de ética, uma vez que este
se encontra em constante transformação e construção. No âmbito nacional, o
sistema de gestão da ética tem no Decreto no 6.029/2007 o marco sistematizador
e a Comissão de Ética tem por objetivo coordenar e supervisionar o referido
sistema, cujo público de interesse ou de atuação é a alta administração por
intermédio do código de conduta (Ministros de Estado, Secretários de Estado
e todos aqueles que detenham DAS de nível especial, ademais dos dirigentes de
empresas estatais).
Citou o Decreto no 1.171/1994, que trata da atuação das comissões de ética nos
setores das repartições públicas, dos ministérios e das empresas estatais, pois
considera importante o conhecimento dessas normas para o bom agir, porque
muitas vezes o agir fora dos padrões normais se dá pelo desconhecimento, como
comprova a pesquisa.
O palestrante informou que
foram ouvidos cerca de 2.000
representantes da sociedade
civil e 1.027 servidores
públicos em geral, inclusive
terceirizados, com o objetivo
de constatar padrões éticos,
e que uma das conclusões da
pesquisa é que há um razoável
desconhecimento sobre normas
jurídicas sobre ética.
PARTE V - PAINÉIS TEMÁTICOS E PAINÉIS DE EXPERIÊNCIA
O terceiro palestrante, Adalberto Fulgêncio dos Santos, tentou focar-se no
conceito de ética sob a ótica de sua experiência como servidor público.
Em sua opinião a ética no serviço público tem ambiente favorável e devemos
discuti-la em uma perspectiva de universalizá-la o quanto antes; e, caso não seja
possível, que ao menos torne-se uma ética eminentemente pública. Para que se
faça o estudo da ética, tem-se que discutir o modelo de gestão, de democracia e
de concepção de Estado.
Discorreu então sobre o significado do serviço público, os tipos de serviços que se
quer oferecer, o tipo de servidor que se quer alcançar e os valores de remuneração,
com o intuito de que se possa cobrar desses servidores comportamentos morais,
éticos e disciplinares.
Fez uma breve alusão aos órgãos de controle e ao sistema de saúde, com
suas diversas legislações que acabam por impedir a autonomia do gestor, e
finalizou abordando algumas experiências sobre diálogo, debate, contato com
a sociedade e sabedoria popular, reafirmando os preceitos constitucionais e
nossa condição de Estado democrático e de direito, plural, laico e que preza
pela dignidade humana.
PARTE V - PAINÉIS TEMÁTICOS E PAINÉIS DE EXPERIÊNCIA
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
Verificou-se a importância das redes de ética e dos cursos, inclusive conferências
como esta, que deveriam ocorrer com maior frequência nos âmbitos locais.
Concluiu com a afirmação de que a ética se aprende e que cada servidor público
é um promotor da ética; e, ainda, de que prevenção é mais importante que a
punição individual.
221
PARTE VI
A CONFERÊNCIA
EM NÚMEROS
A Conferência Nacional de Recursos Humanos foi organizada em dois
momentos diferentes e complementares, quais sejam: as Etapas Regionais e a
Etapa Nacional.
As Etapas Regionais decorreram em 6 cidades, nas 5 regiões do país, de 11 de
Março a 16 de abril de 2009, e reuniram mais de 1.000 participantes, conforme
quadro a seguir. Todos os dados apresentados nesse relatório têm como fonte
o Portal SIPEC e/ou listas de presença coletadas durante os eventos. Os dados
foram coletados entre março e julho de 2009.
Quadro 1. Participantes das Etapas Regionais
Etapa Regional
Participantes
Nordeste - Local: Recife (UFPE)
195
Sudeste 1 (MG e ES) - Local: Belo Horizonte (UFMG)
134
Sul - Local: Santa Catarina (UFSC)
173
Sudeste 2 (SP e RJ) - Local: São Paulo (UFABC)
159
Centro-Oeste - Local: Brasília (UnB)
205
Norte - Local: Belém (ESAF)
193
TOTAL
1.059
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
224
PERFIL – ETAPAS REGIONAIS
Baseados nos dados de inscrição do Portal SIPEC, apresentaremos alguns
dados referentes ao sexo, à escolaridade, à faixa etária e à função ocupada pelos
participantes. Importa referir que esses dados correspondem ao total de inscritos
no Portal SIPEC (1.059 pessoas).
Deste universo, estiveram presentes os seguintes órgãos públicos federais: AGU,
Agências Regulamentadoras, BCB, Caixa de Financiamento Imobiliário da
Aeronáutica, CEFETs, Colégio Pedro II, Comando da Aeronáutica, Comando da
Marinha, Comando do Exército, FUNDACENTRO, FUNAG, ENAP, FUNDAJ,
FUNASA, FUNAI, FIOCRUZ, FNDE, IBAMA, ICMBIO, IBGE, IFETs,
INMETRO, Instituto de Pesquisa Jardim Botânico do Rio de Janeiro, IPHAN,
INCRA, INSS, MAPA, MCT, MINC, Ministério da Defesa, MEC, MF, MPS, MS,
Ministério das Cidades, MME, MDS, MDA, Ministério do Esporte, MP, MTE,
PR, SUSEP, SUDAM, SUDENE.
A participação das mulheres foi majoritária em todas as Etapas Regionais e
evidencia um corte de gênero, no que diz respeito à atuação nas áreas de RH.
Nordeste
Sudeste 1
MG e ES
Sul
Sudeste 2
SP e RJ
CentroOeste
Norte
TOTAL
Feminino
133
95
100
111
157
145
741
Masculino
62
39
73
48
48
48
318
SEXO
1.059
Gráficos -Etapas Regionais. Participantes por sexo.
Sexo dos Participantes
Etapa Nordeste
Sexo dos Participantes
Etapa Sudeste 1
27%
38%
Feminino - 73%
Masculino - 62%
Masculino - 27%
Feminino - 38%
62%
73%
Sexo dos Participantes
Etapa Sudeste 2
Sexo dos Participantes
Etapa Sul
30%
32%
Feminino - 70%
Feminino - 68%
Masculino - 30%
Masculino - 32%
70%
68%
Sexo dos Participantes
Etapa Norte
Sexo dos Participantes
Etapa Centro-Oeste
22%
28%
Feminino - 72%
Feminino - 78%
Masculino - 28%
72%
Masculino - 22%
78%
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
Sexo
225
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
Escolaridade
A maioria dos participantes possui ensino superior completo, o que não significa
que ocupem cargos de nível superior em seus respectivos órgãos.
ESCOLARI-
Nor-
DADE
deste
Ensino
Fundamental
Ensino Médio
Ensino
Superior
1 MG e
Sul
ES
Sudeste
Centro-
2 SP e RJ
Oeste
Norte
TOTAL
%
2
0
0
0
2
5
9
0,85%
39
24
37
33
30
61
224
21,15%
154
110
136
126
173
127
826
78%
1.059
100%
Gráficos - Etapas Regionais. Participantes por Escolaridade.
Escolaridade - Etapa Nordeste
1%
Escolaridade - Etapa Sudeste 1
18%
20%
Ensino Fundamental - 1%
Ensino Médio - 18%
Ensino Médio - 20%
Ensino Superior - 82%
Ensino Superior - 79%
82%
79%
Escolaridade - Etapa Sudeste 2
Escolaridade - Etapa Sul
20%
21%
Ensino Médio - 20%
Ensino Médio - 21%
Ensino Superior - 80%
Ensino Superior - 79%
80%
79%
Escolaridade - Etapa Centro Oeste
1%
Escolaridade - Etapa Norte
14%
31%
Ensino Fundamental - 1%
Ensino Médio - 14%
Ensino Médio - 31%
Ensino Superior - 85%
Ensino Fundamental - 2%
Ensino Superior - 67%
85%
226
Sudeste
67%
2%
A partir dos gráficos a seguir, verificamos que a grande maioria dos participantes
das Etapas Regionais tem acima de 41 anos, o que reflete uma dimensão bastante
clara do envelhecimento do servidor público brasileiro.
Gráficos - Etapas Regionais. Faixa Etária
Faixa Etária - Etapa Sudeste 1
Faixa Etária - Etapa Nordeste
27%
6%
34%
13%
6%
15%
25 a 30 anos - 6%
25 a 30 anos - 6%
31 a 40 anos - 13%
31 a 40 anos - 15%
41 a 50 anos - 54%
41 a 50 anos - 45%
Acima de 50 anos - 27%
Acima de 50 anos 34%
54%
45%
Faixa Etária - Sudeste 2
Faixa Etária - Etapa Sul
34%
8%
7%
16%
24 a 30 anos - 8%
47%
7%
27 a 30 anos - 7%
31 a 40 anos - 16%
31 a 40 anos - 7%
41 a 50 anos - 42%
41 a 50 anos - 39%
Acima de 50 anos - 34%
Acima de 50 anos - 47%
39%
42%
Faixa Etária - Centro-Oeste
33%
7%
Faixa Etária - Etapa Norte
34,37%
22%
6,25%
11,88%
24 a 30 anos - 6,25%
26 a 30 anos - 7%
31 a 40 anos - 11,88%
31 a 40 anos - 22%
41 a 50 anos - 47,50%
41 a 50 anos - 38%
Acima de 50 anos - 34,37%
Acima de 50 anos - 33%
38%
47,50%
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
Faixa etária
227
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
228
QUADRO DE SERVIDORES –
Ocupantes de Cargos Técnicos e Chefias
etapa nordeste
O público participante nas Etapas Regionais foi composto por servidores com ou
sem funções comissionadas. Abaixo, seguem gráficos que mostram tal composição.
Gráficos - Etapas Regionais. Quadro de Servidores
Quadro dos Servidores - Etapa Nordeste
Assessor - 3%
26%
12%
Função Gratificada, Função
Comissionada Técnica - 12%
Chefe - 26%
3%
5%
Coordenador - 5%
Coordenador Geral - 10%
Diretor - 12%
10%
27%
2%
12%
1% 2%
Pro-Reitor - 2%
Superintendente - 1%
Secretario - 2%
Quadro Técnico - Sem
Função Comissionada - 27%
Quadro dos Servidores - Sudeste 1
Chefe - 18%
Assistente - 3%
40%
Função Gratificada e Função
Comissionada a Técnica - 10%
18%
Cordenador - 4%
3%
4%
1%
9%
11%
4%
10%
Coordenador Geral - 11%
Diretor - 9%
Pro-Reitor e Pró-Reitor
Adjunto - 1%
Secretario - 4%
Quadro Técnico - Sem
Função Comissionada - 40%
3%
Assessor - 3%
31%
Chefe - 31%
Cordenador - 6%
Coordenador Geral - 6%
Diretor - 10%
36%
6%
6%
1% 1%
6%
10%
Função Comissionada
Tecnica - 6%
Secretario Geral - 1%
Superintendente - 1%
Quadro Técnico - Sem
Função Comissionada - 36%
Quadro de Servidores - CO
11%
34%
0%
1% 3%
9%
18%
10%
14%
Assessor - 11%
Função Comissionada - 9%
Chefe - 18%
Coordenador - 14%
Coordenador-Geral - 10%
Diretor - 3%
Pro-Reitor - 1%
Secretário - 0%
Quadro Técnico - Sem
Função Comissionada - 34%
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
Quadro dos Servidores - Sudeste 2
229
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
230
Quadro de Servidores - Etapa Norte
3%
20%
39%
12%
1%
4%
5%
4%
1%
11%
Assessor - 3%
Chefe - 20%
Coordenador - 12%
Coordenador-Geral - 1%
Diretor - 5%
FG,FCT - 11%
Gerente - 4%
Secretário - 4%
Superintendente - 1%
Quadro Técnico - Sem
Função Comissionada - 39%
Quadro de Servidores - Etapa Sul
1%
39%
21%
7%
9%
2%
3%
3%
8%
7%
Assessor - 1%
Chefe das Unidades - 21%
Coordenador - 7%
Coordenador-Geral - 9%
Função Comissionada
Técnica - 7%
Diretor - 8%
Secretario - 3%
Pro-Reitor - 3%
Presidente - 2%
Quadro Técnico - Sem
Função Comissionada - 39%
Na Etapa Nacional poucas foram as mudanças, no que diz respeito ao perfil dos
participantes, sobretudo pelo caráter consultivo da Conferência, que previa a
participação na Etapa Nacional, mediante a participação em alguma das Etapas
Regionais. Desse modo, a Conferência Nacional agregou participantes novos, e
o fez para otimizar as vagas e garantir a participação de órgãos e entidades que
não puderam participar nas Etapas Regionais. Os dados a seguir referem-se aos regularmente inscritos, sendo que ouvintes que
fizeram parte da Etapa Nacional não estão computados nos dados.
Participantes por Região.
Origem dos Participantes por Região
18%
18%
Nordeste - 18%
Sudeste - 13%
13%
20%
Sul - 16%
Sudeste 2 - 15%
Centro Oeste - 20%
Norte - 18%
15%
16%
No quadro a seguir tem-se o quantitativo de participantes da Etapa Nacional,
divididos por segmento de representação.
Participantes
Quantitativo
%
Servidores Públicos Federais
872
82,34%
Representantes Sindicais
177
16,71%
10
0,94%
1059
100,00%
Representantes da Sociedade Civil
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
Etapa Nacional
231
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
232
Sendo a participação de outros atores sociais um dos maiores diferenciais da
primeira Conferência Nacional de Recursos Humanos, a imensa maioria de
servidores públicos, entretanto, revela-se condizente com o histórico dos
Encontros do SIPEC e com o próprio perfil dessa Conferência. Por outro lado, a
quantidade de representantes sindicais presentes nos eventos evidenciou que a
Conferência abriu um espaço há muito almejado pelas entidades sindicais. Por
sua vez, a participação da sociedade civil não alcançou um patamar de destaque,
muito em razão da gestão de pessoas no serviço público ainda não representar
uma agenda dentro dos movimentos sociais, conselhos e demais representantes
da sociedade civil organizada. Porém, este foi um segmento que já alcançou
maior participação na Etapa Nacional.
As entidades sindicais e representantes da sociedade civil estiveram presentes
nas Etapas Regionais segundo o quadro a seguir.
Participantes por segmento
ETAPA REGIONAL
SERVIDOR
REPRESENTAÇÃO
SINDICAL
SOCIEDADE
CIVIL
Etapa Nordeste
149
34
2
Etapa Sudeste MG e ES
130
20
2
Etapa Sul
132
29
1
Etapa Sudeste SP e RJ
154
30
2
Etapa Centro-Oeste
147
35
1
Etapa Norte
160
29
2
TOTAL
872
177
10
Etapa nas Etapas Regionas por Segmento
17%
1%
Servidor - 82%
Representação Sindical - 17%
Sociedade Civil - 1%
82%
Grupos de trabalho
Os grupos de trabalho foram compostos visando à melhor condução dos trabalhos
de forma a permitir o desenvolvimento de uma metodologia de identificação dos
pontos fortes e fracos da Política de Recursos Humanos referentes a cada eixo
temático, e consolidaram propostas para a melhoria e o avanço dessa mesma
política. Abaixo, segue um quadro em que é possível verificar a participação de
acordo com a presença nos 5 eixos temáticos abordados na Conferência. Abaixo, a quantidade de participantes inscritos em cada painel temático. Importa
ressaltar que os painéis eram concomitantes, logo, o número total é alcançado
pela soma dos participantes nos três painéis de cada dia.
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
Participação nas Etapas Regionais por Segmento
233
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
234
Participantes nos Painéis Temáticos
PAINÉIS TEMÁTICOS
07/07/2009
08/07/2009
09/07/2009
1 - Diretrizes para as carreiras da administração pública federal
361
2 - Cultura do planejamento estratégico e gestão do
desempenho
352
3 - Os desafios da implantação da política de atenção à saúde
do servidor
346
4 - Gestão por competências e suas implicações para a
administração pública federal
357
5 - Processos de trabalho e sistemas informatizados na gestão
de pessoas
351
6 - Desafios de implantação do regime próprio da previdência e
da previdência complementar
351
7 - Reflexões sobre a política de capacitação na administração
pública federal
358
8 - Pesquisa sobre emprego público
350
9 - Ética no serviço público
351
A seguir temos, por meio de gráficos, a ilustração do perfil dos participantes de
todos os segmentos na Etapa Nacional da Conferência de Recursos Humanos,
contendo dados sobre sexo, faixa etária, escolaridade, região de procedência e
órgãos presentes no evento.
No que diz respeito à representação sexual na Conferência, à faixa etária,
bem como ao nível de escolaridade dos participantes, os índices reproduzem
o que foi apresentado nas Etapas Regionais, até mesmo porque em razão do
caráter consultivo da Conferência, o público participante da Etapa Nacional é
praticamente o mesmo das Etapas Regionais.
Desse modo, evidencia-se o predomínio de participantes do sexo feminino, de
pessoas acima dos 41 anos de idade e com escolarização superior.
Sexo dos Participantes
30%
Feminino - 70%
Masculino - 30%
70%
Faixa Etária - Etapa Nacional
4%
10%
21 a 30 Anos - 10%
16%
29%
31 a 40 Anos - 16%
41 a 50 Anos - 41%
51 a 60 Anos - 29%
Acima de 60 Anos - 4%
41%
Escolaridade - Etapa Nacional
3%
18%
Ensino Fundamental - 3%
Ensino Médio - 18%
Ensino Superior - 79%
79%
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
Abaixo, a representação gráfica desses aspectos
235
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
236
Órgãos na Etapa Nacional
A seguir têm-se os órgãos públicos federais representados na Etapa Nacional,
agrupados em categorias.
Órgãos da APF Representadas na Conferência
%
Ministérios
36,63%
Agências
2,77%
IFES (Universidades 30)
14,65%
CEFETs 22, Escolas Agrotécnicas 17, Técnicas 1)
7,55%
Fundações
12,54%
Institutos
10,43%
Outros
15,43%
Total
100,00%
A seguir, a relação dos órgãos públicos na Etapa Nacional:
AGU – Advocacia Geral da União
ABIN – Agência Brasileira de Inteligência
ANP – Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis
ANTAQ – Agência Nacional de Transportes Aquaviários
ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica
ANS – Agência Nacional de Saúde Suplementar
ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária
ANCINE – Agência Nacional do Cinema
BCB – Banco Central do Brasil
Caixa de Financiamento Imobiliário da Aeronáutica
CC/PR - Casa Civil da Presidência ad República
CEFET/MT – Centro Federal de Educação Tecnológica do Mato Grosso
CEFET/SC – Centro Federal de Educação Tecnológica de Santa Catarina
CEFET/Bento Gonçalves-RS – Centro Federal de Educação Tecnológica de
Bento Gonçalves
CEFET/Petrolina-PE – Centro Federal de Educação Tecnológica de Petrolina
CEFET/BA – Centro Federal de Educação Tecnológica da Bahia
CEFET/Rio Pomba-MG – Centro Federal de Educação Tecnológica de Rio Pomba
CEFET/Campos-RJ – Centro Federal de Educação Tecnológica de Campos
CEFET/GO – Centro Federal de Educação Tecnológica de Goiás
CEFET/Ouro Preto-MG – Centro Federal de Educação Tecnológica de Ouro Preto
CEFET/PE – Centro Federal de Educação Tecnológica de Pernambuco
CEFET/RR – Centro Federal de Educação Tecnológica de Roraima
CEFET/PI – Centro Federal de Educação Tecnológica do Piauí
CEFET/Pelotas-RS – Centro Federal de Educação Tecnológica de Pelotas
CEFET/SP – Centro Federal de Educação Tecnológica de São Paulo
CEFET/CE – Centro Federal de Educação Tecnológica do Ceará
CEFET/PA – Centro Federal de Educação Tecnológica do Pará
CEFET/MG – Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais
CEFET/AM – Centro Federal de Educação Tecnológica do Amazonas
CEFET/ RN – Centro Federal de Educação Tecnológica do Rio Grande do Norte
CEFET/SE – Centro Federal de Educação Tecnológica de Sergipe
CEFET/ Cuiabá – Centro Federal de Educação Tecnológica de Cuiabá
Colegio PedroII
Comando da Aeronáutica
Comando da Marinha
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
CEFET/AL – Centro Federal de Educação Tecnológica de Alagoas
237
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
238
Comando do Exército
CVM – Comissão de Valores Mobiliários
CNEN – Comissão Nacional de Energia Nuclear
CNPq – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
DPF – Departamento de Policia Federal
DNPM – Departamento Nacional de Produção Mineral
DNIT – Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes
DPRF – Departamento de Polícia Rodoviária Federal
DNOCS – Departamento Nacional de Obras Contra as Secas
EAF/São João Evangelista-MG – Escola Agrotécnica Federal de São João Evangelista
EAF/Vitória de Santo Antão-PE – Escola Agrotécnica Federal de Vitória de
Santo Antão
EAF/Colorado do Oeste-RO – Escola Agrotécnica Federal de Colorado do Oeste
EAF/Senhor do Bonfim/BA – Escola Agrotécnica Federal de Senhor do Bonfim
EAF/Santa Inês/BA – Escola Agrotécnica Federal de Santa Inês
EAF/Araguatins-TO – Escola Agrotécnica Federal de Araguatins
EAF/Santa Teresa-ES – Escola Agrotécnica Federal de Santa Teresa
EAF/Alegre-ES – Escola Agrotécnica Federal de Alegre
EAF/Barbacena-MG – Escola Agrotécnica Federal de Barbacena
EAF/Cáceres-MT – Escola Agrotécnica Federal de Cáceres
EAF/Castanhal-PA – Escola Agrotécnica Federal de Castanhal
EAF/Catu-BA – Escola Agrotécnica Federal de Catu
EAF/Codó-MA – Escola Agrotécnica Federal de Codó
EAF/Manaus – Escola Agrotécnica Federal de Manaus
EAF/ São Luís – Escola Agrotécnica Federal de São Luís
EAF/Uberlândia-MG – Escola Agrotécnica Federal de Uberlândia
ETF/Palmas – Escola Agrotécnica Federal de Palmas
Fundação Capes
Fundação IBGE - Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
Fundação UFGD – Fundação Universidade Federal da Grande Dourados
Fundação UNIR - Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
FUNDACENTRO – Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina
do Trabalho
Fundação UNIVASF - FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DO VALE
DO SÃO FRANCISCO
FUNAG – Fundação Alexandre de Gusmão
Fundação ENAP - Fundação Escola Nacional de Administração Pública
FUNDAJ – Fundação Joaquim Nabuco
FUNASA – Fundação Nacional de Saúde
FUNAI – Fundação Nacional do Índio
FIOCRUZ – Fundação Oswaldo Cruz
Fundação UFOP – Fundação Universidade Federal de Ouro Preto
Fundação UFU – Fundação Universidade Federal de Uberlândia
FUB – Fundação Universidade de Brasília
FURG – Fundação Universidade de Rio Grande
Fundação UFAM – Fundação Universidade do Amazonas
UNITINS – Fundação Universidade Federal do Tocantins
Fundação UFPel – Fundação Universidade Federal de Pelotas
Fundação UFABC – Fundação Universidade Federal do ABC
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
EAF/ Satuba-AL – Escola Agrotécnica Federal de Satuba
239
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
240
Fundação UNIPAMPA – Fundação Universidade Federal do Pampa
Fundação UNIFAP – Fundação Universidade Federal do Amapá
FNDE – Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação
IBAMA – Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis
INMETRO – Instituto Nacional de Meteorologia e Normalização e Qualidade
Industrial
INEP – Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira
IBC – Instituto Benjamin Constant
ICMBIO – Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
Instituto de Pesquisa Jardim Botânico do Rio de Janeiro
IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional
INPI – Instituto Nacional da Propriedade Industrial
INCRA – Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária
INES – Instituto Nacional de Educação de Surdos
INSS – Instituto Nacional de Seguro Social
MAPA – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
MDIC – Ministério do Desenvolvimento Industrial e Comércio Exterior
MCT – Ministério da Ciência e Tecnologia
MinC – Ministério da Cultura
MD – Ministério da Defesa
MEC – Ministério da Educação
MF – Ministério da Fazenda
MI – Ministério da Integração Nacional
MJ – Ministério da Justiça
MPS – Ministério da Previdência Social
MC – Ministério das Cidades
MME – Ministério de Minas e Energia
MDS – Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome
ME – Ministério do Esporte
MP – Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão
MTE – Ministério do Trabalho e Emprego
MT – Ministério do Turismo
MTrans – Ministério dos Transportes
PR – Presidência da República
SUSEP – Superintendência de Seguros Privados
SUDAM – Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia
SUDENE – Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste
SUFRAMA – Superintendência da Zona Franca de Manaus
UFMS – Universidade Federal de Mato Grosso do Sul
UFRB – Universidade Federal do Recôncavo da Bahia
UFRRJ – Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro
UTFPR – Universidade Tecnológica Federal do Paraná
UFRN – Universidade Federal do Rio Grande do Norte
UFRGS – Universidade Federal do Rio Grande do Sul
UFTM – Universidade Federal do Triângulo Mineiro
UFBA – Universidade Federal da Bahia
UFAL – Universidade Federal de Alagoas
UFCG – Universidade Federal de Campina Grande
UFG – Universidade Federal de Goiás
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
MS – Ministério da Saúde
241
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
242
UFJF – Universidade Federal de Juiz de Fora
UFMT – Universidade Federal de Mato Grosso
UFMG – Universidade Federal de Minas Gerais
UFPE – Universidade Federal de Pernambuco
UFRR – Universidade Federal de Roraima
UFSC – Universidade Federal de Santa Catarina
UFSM – Universidade Federal de Santa Maria
UFSCAR – Universidade Federal de São Carlos
UNIFESP – Universidade Federal de São Paulo
UFV – Universidade Federal de Viçosa
UFC – Universidade Federal do Ceará
UFES – Universidade Federal do Espírito Santo
UFPA – Universidade Federal do Pará
UFPR – Universidade Federal do Paraná
UFRJ – Universidade Federal do Rio De Janeiro
UFF – Universidade Federal Fluminense
UFRA – Universidade Federal Rural da Amazônia
UFRPE – Universidade Federal Rural de Pernambuco
As entidades representantes de servidores públicos e as da sociedade civil
organizada estiveram representadas pelas seguintes instituições: entidades Sindicais
ADUFC – Associação de Docentes da Universidade Federal do Ceará
ANARF – Associação Nacional dos Analistas Previdenciários da Receita Federal
do Brasil
ANESP – Associação Nacional dos Especialistas em Políticas Públicas e Gestão
Governamental
APUB – Associação dos Professores Universitários da Bahia
ASFOC/FIOCRUZ – Sindicato dos Servidores de Ciência, Tecnologia, Produção
e Inovação em Saúde Pública
ASNAB – Associação Nacional dos Empregados da Companhia Nacional de
Abastecimento
Associação dos Servidores do Município de Sinop
ASSUFRGS – Associação dos Servidores da Universidade Federal do Rio
Grande Sul
CNTSS – Confederação Nacional dos Trabalhadores em Seguridade Social
CONDSEF – Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal
CUT – Central Única dos Trabalhadores
FASUBRA – Federação de Sindicatos de Trabalhadores em Educação das
Universidades Brasileiras
FENAJUFE – Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário Federal e
Ministério Público da União
ISP – Internacional de Serviços Públicos
PROIFES – Fórum de Professores das Instituições Federais de Ensino Superior
SINAGENCIAS – Sindicato Nacional dos Servidores das Agências Nacionais de
Regulação
SINAIT – Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho
SINASEMPU – Sindicato Nacional dos Servidores do Ministério Público da União
SINDARQ/MT – Sindicato dos Arquitetos do Mato Grosso
SINDIFES – Sindicato dos Trabalhadores nas Instituições Federais de Ensino de
Belo Horizonte
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
ANERSINDICAL – Sindicato Nacional dos Servidores Efetivos das Agências
Reguladoras Federais
243
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
244
SINDIPREV/BA – Sindicato dos Trabalhadores Federais em Saúde, Trabalho,
Previdência e Assistência Social no Estado da Bahia
SINDIRECEITA – Sindicato Nacional dos Analistas Tributários da Receita
Federal do Brasil
SINDITEST/PR – Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Terceiro Grau
Público de Curitiba, Região Metropolitana e Litoral do Estado do Paraná
SINDSEF – Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Federal
SINDSEP – Sindicato dos Servidores Públicos Federais
SINTEST/AC – Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Terceiro Grau
do Acre
SINTPREVS/PA – Sindicato dos Trabalhadores Públicos em Previdência, Saúde,
Trabalho e Assistência Social no Estado do Pará
SINTRAJUFE/RS – Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário Federal do Rio
Grande do Sul
SINTSEP – Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Federal
SINTSERF – Sindicato dos Trabalhadores e Servidores Públicos Federais da
Paraíba
SINTUFPA – Sindicato dos Trabalhadores da Universidade Federal do Pará
SINTUNIFESP – Sindicato dos Trabalhadores da Universidade Federal de
São Paulo
UNACON – União Nacional dos Analistas e Técnicos de Finanças e Controle
UNAFISCO SINDICAL – Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita
Federal do Brasil
entidades da Sociedade civil Organizada
ANTAC – Associação Nacional de Tecnologia do Ambiente Construído
CNDM – Conselho Nacional dos Direitos da Mulher
CNE – Conselho Nacional de Educação
CONADE – Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência
CONCIDADES – Conselho das Cidades
CONTAG – Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura
DIEESE – Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos
FBES – Fórum Brasileiro de Economia Solidária
FEMAB/MT – Federação Mato-grossense das Associações de Moradores de
Bairros
MNLM – Movimento Nacional de Luta pela Moradia
OAB – Ordem dos Advogados do Brasil
REDE GTA – Grupo de Trabalho Amazônico
UNARH – União Nacional dos Profissionais de Recursos Humanos do Poder
Executivo Federal
UNISOL BRASIL – Central de Cooperativas e Empreendimentos Solidários
Avaliação
Foram respondidos 375 questionários de avaliação no Portal SIPEC. A partir
dessas avaliações passamos a apresentar dados, bem como alguns gráficos
ilustrativos, que levam em conta todas as atividades da Etapa Nacional da
Conferência Nacional de Recursos Humanos.
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
CNES – Conselho Nacional de Economia Solidária
245
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
246
Avaliação de aspectos
do evento
PÉSSIMO
%
RUIM
%
BOM
%
MUITO
BOM
%
ÓTIMO
%
Divulgação
0,27
0,80
7,47
35,73
55,73
Credenciamento
0,00
0,53
0,53
24,53
74,40
Conforto das instalações
0,00
0,27
2,13
22,67
74,93
Pontualidade das atividades
1,33
2,13
13,87
45,60
37,07
Alimentação (coffee-break
e almoço)
7,60
8,53
23,20
35,47
25,20
Palestras das conferências
magnas
0,50
1,16
7,82
48,05
42,48
Palestras dos painéis
temáticos
0,61
1,02
5,58
38,19
54,60
Exposições nos painéis de
experiência
1,52
2,10
10,28
45,65
40,45
Plenária de encerramento
1,87
1,33
7,47
45,07
44,27
INSUFICIENTE
%
SUFICIENTE
%
EXCESSIVA
%
Carga horária do evento
16,00
79,20
4,80
Tempo disponibilizado para
debates
47,20
51,47
1,33
Outros pontos que importam destacar: a avaliação de como o texto-base
contribuiu para a aprendizagem dos temas abordados na Conferência. Oitenta e
seis por cento dos participantes que responderam à avaliação consideraram que
a contribuição do texto foi muita boa ou ótima.
Resposta
Quantidade
%
PÉSSIMO
1
0,27
RUIM
7
1,87
BOM
24
6,40
MUITO BOM
162
43,20
ÓTIMO
162
43,20
NÃO LI O TEXTO
19
5,07
Em relação à expectativa que o participante tinha sobre a Conferência, 91%
esperavam que ela fosse muito boa ou ótima. Ao final, a avaliação global
da Conferência revelou que essa expectativa foi alcançada, já que 89% dos
participantes a consideraram como muito boa ou ótima, segundo os dados
abaixo.
Pontue de 1 a 10 a sua
expectativa sobre a Conferência antes de
iniciá-la.
Resposta
Quantidade
%
PÉSSIMO
0
0,00
RUIM
4
1,07
BOM
28
7,47
MUITO BOM
150
40,00
ÓTIMO
193
51,47
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
Avalie a contribuição do texto-base para sua
aprendizagem sobre os assuntos tratados
247
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
248
Qual é a sua avaliação global da
Conferência, após concluí-la?
Resposta
Quantidade
%
PÉSSIMO
0
0,00
RUIM
8
2,13
BOM
30
8,00
MUITO BOM
161
42,93
ÓTIMO
176
46,93
Administração Pública Federal
APF
Benefício de Prestação Continuada
BPC
Cadastro Nacional de Informação Social
CNIS
Cargos de Direção e Assessoramento Superior
DAS
Cargos de Natureza Especial
NES
Cobertura Previdenciária Estimada
COPES
Comissão Permanente do Pessoal Técnico Administrativo
CPPTA
Constituição Federal
Contribuição de Saúde do Trabalhador
Departamento Administrativo do Serviço Público
Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde
Emenda Constitucional
Fundo Financeiro
Fundo Monetário Internacional
Gratificação de Desempenho da Atividade do Ciclo de Gestão
Gratificação de Desempenho de Atividade Técnico-Administrativa
CF
CST
DASP
DATASUS
EC
FUNPREV
FMI
GCG
GDATA
Gratificação de Desempenho e Produtividade
GDP
Gratificação pela Qualidade do Desempenho no INMETRO
CQDI
Grupo de Trabalho
GT
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
LISTA DE SIGLAS
249
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
250
Lei de Responsabilidade Fiscal
LRF
Medida Provisória
MP
Mesa Nacional de Negociação Permanente
Organização Internacional do Trabalho
Organização Mundial da Saúde
Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico
Organização Mundial do Comércio
MNNP
OIT
OMS
OCDE
OMC
Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios
PNAD
Plano de Carreira, Cargos e Salários
PCCS
Processo Administrativo Disciplinar
Produto Interno Bruto
PAD
PIB
Programa de Aceleração do Crescimento
PAC
Projeto de Emenda Constitucional
PEC
Projeto de Lei
PL
Recursos Humanos
RH
Regime Geral de Previdência Social
RGPS
Regime Próprio de Previdência Social
RPPS
Regime Próprio de Previdência Social da União
Registro Geral
Relação Anual de Informações Sociais
Sistema de Atenção à Saúde do Servidor
RPPSU
RG
RAIS
SIASS
SIADI
Sistema de Desenvolvimento na Carreira
SIDEC
Sistema de Pessoal Civil
SIPEC
Sistema Integrado de Administração de Recursos Humanos
SIAPE
Sistema Integrado de Administração de Recursos Humanos - Cadastrado
SIAPCad
Sistema Integrado de Administração de Recursos Humanos - Net
SIAPNet
Sistema Nacional de Negociação Permanente
Sistema Único de Saúde
SINNP
SUS
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
Sistema de Avaliação de Desempenho do INMETRO
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POSFÁCIO
Caminhante, são tuas pegadas
o caminho e nada mais;
caminhante, não há caminho,
se faz caminho ao andar
Ao andar se faz caminho
e ao voltar a vista atrás
se vê a senda que nunca
se há de voltar a pisar
cantares – antonio Machado
Planejar, organizar, executar e por fim participar da I Conferencia Nacional de
Recursos Humanos do Governo Federal foram ações que trouxeram inspiração e
motivação de forma profunda e, portanto, rara para continuarmos perseguindo
o ideal de uma sociedade mais justa, livre e plural.
Um processo como este e ainda que desta magnitude não nos isenta de todas as
questões ou dúvidas, mas incute ao menos uma certeza: é impossível retroceder.
A democracia por modelo e o diálogo por instrumento agregam mais aos
nossos objetivos do que tecnicidades que não aderem à realidade complexa da
sociedade brasileira.
Somos membros de um país imenso e plural, latinos por certo, mas com
características intrínsecas e tão próprias que é uma benção sermos muitos, pois
somos únicos enquanto povo: criativos, trabalhadores, incansáveis, solidários,
batalhadores: orgulhosamente brasileiros.
Os debates realizados durante as etapas da Conferência demonstram nossa
pluralidade, ao tempo que desmentem quem nos caracteriza como povo
sem memória: o respeito e a hombridade dos participantes da conferência
consagram que o direito do outro se expressar é imperativamente maior do que a
necessidade humana de buscar concordância e par. Esse reconhecimento revela
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A publicização dos resultados desta conferência, dispostas neste relatório,
eram imperativas, quer por dever de compartilhar o respeito e a hombridade
daqueles dias, quer pelo compromisso da SRH com a política de democratização
das relações de trabalho. Mas à luz do conceito dos princípios vivos desta
política, a mera publicação não responde à transparência que se busca neste
modelo de gestão de pessoas, era necessário que estes fossem dispostos
de forma fidedigna e de maneira compreensível, pois um emaranhado de
informações desconexas também não responderia ao anseio ao princípio
vivo da transparência, uma vez que tornariam os resultados destes debates
incompreensíveis.
Foi o derradeiro dos muitos desafios impostos pela I Conferência Nacional de
Recursos Humanos. Durante a pesquisa metodológica para coordenação de
dados tão complexos, uma vez que abertos, em tributo à essência, à liberdade de
expressão, e não à forma burocrática, encontramos, fora da doutrina, práticas que
nos instigaram a este desafio: construções coletivas em arte que incorporavam
individualidades dentro da mesma tela.
Por ocasião da pesquisa deparamo-nos com uma expressão artística que, apesar
de não ser usada como parâmetro metodológico, representou, para nós, a imagem
e a dimensão do número de participantes que construíram este relatório.
A dança das mil mãos é expressão artística chinesa que ganhou notoriedade
quando apresentada nos jogos paraolímpicos de 2004 pela China Disabled
People’s Performing Art Troupe, e conta com um detalhe surpreendente: todos os
integrantes da trupe sofrem de deficiência auditiva, e em que pese o significado
desse desafio, produzem um espetáculo de beleza única.
Os bailarinos e suas mil mãos representam Guan Yin, que nasceu e viveu como
mulher e em sua condição humana enfrentou sofrimentos de toda ordem, sem
abandonar seus princípios de gentileza e bondade. A dança da deusa Guan
Yin representa o auxilio de mil mãos para quem mantiver retidão de caráter e
gentileza: mil mãos que virão em auxílio e mil mãos que serão concedidas para
auxiliar aos outros.
RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
nosso amadurecimento democrático. Para aqueles que não acreditavam nessa
possibilidade, pela complexidade que envolve esta organização, demonstramos
que estamos prontos, mas na verdade sempre estivemos.
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RELATÓRIO FINAL DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE RECURSOS HUMANOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL - 2009
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As mil mãos em dança e as mil mãos que construíram esses resultados perseguem
o objetivo de uma sociedade melhor: eles pelas artes, nós pela busca de soluções
tangíveis, e ambas surpreendem os espectadores que as observam.
O processo não foi fácil: o novo modelo proposto, até pelo pioneirismo,
requereu dos participantes empenho, dedicação e esforço para agregar
competências que antes não nos eram demandadas. Mas foram todos
vitoriosos. Os resultados que aqui estão não são estanques, pelo contrário.
Desde o início desse processo, as contribuições dos participantes foram sendo
agregadas no texto base, e é de notar-se que os eixos estratégicos da gestão de
pessoas disposta na parte I deste relatório foram modificados à luz de tornar
tão efetivas quanto legítima as soluções do Governo Federal, que se pautam
pelo foco nos resultados.
Suprimir o diálogo, ignorar os conflitos de trabalho dentro da administração
pública, permanecer com os mesmos e antigos parâmetros de sistemas e
processos tornam os procedimentos de recursos humanos mais simples, mas
continuam produzindo os mesmos resultados ruins.
A Secretaria de Recursos Humanos, ao sofisticar os processos e os
procedimentos, progride para o conceito de gestão de pessoas e reveste de
eficácia as soluções. A surpresa fica por conta de ser este novo modelo mais
célere do que outros, e as razões divergem em assertiva, mas se assemelham
ao apontar para o mesmo caminho: há os que advogam que a transparência
real e o comprometimento público de todos os envolvidos otimizam a
produtividade, mas há hipótese de que a maior produtividade seja fruto do
reconhecimento e da importância do servidor público, com a consequente
revitalização de sua dignidade.
A busca pelo resultado se sobrepõe a manutenção dos antigos padrões. E é
de notar-se que só a inovação de pensar, de técnica e de método, poderia ser
incentivo e razão para nos motivar a ir para além do conhecido no desafio de
reunir o que foi apresentado: um livro escrito por mil mãos.
Organização da SRH da i conferência nacional de Recursos Humanos do
Governo Federal
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Conferência Nacional de Recursos Humanos da