Realização
Associação Latinoamericana de Filosofia da Educação e
Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Educação
PUC Campinas
Apoio Institucional
DEFHE – Faculdade de Educação – UNICAMP
Faculdade de Educação – UFRJ
Financiamento
Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo - FAPESP
Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro- FAPERJ
Comitê Gestor
Andrea Díaz Genis -Uruguai
Andrés Mejía Delgadillo - Colômbia
Angela Medeiros Santi - Brasil
Ciro Parra - Colômbia
Leopoldo Arteaga - Peru
Martín López Calva - México
Renato Huarte – México
Samuel Mendonça - Brasil
Sonia Vásquez - Chile
http://www.alfe-filosofiadelaeducacion.org/
2011
ii
Apresentação
A Associação Latinoamericana de Filosofia da Educação ALFE e o Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Educação da
PUC Campinas realizam o I Congresso Latinoamericano de Filosofia da
Educação, com o tema: “Identidade e diferença da Filosofia da
Educação na América Latina”. Este evento conta com o apoio
institucional do Departamento de Filosofia, História e Educação da
Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas, da
mesma forma que da Faculdade de Educação da Universidade Federal
do Rio de Janeiro. O fomento para a realização deste Congresso coube à
FAPESP - Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, à
FAPERJ – Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro e
a infraestrutura foi cedida pela Pontifícia Universidade Católica de
Campinas que disponibilizou todas as condições materiais para a sua
realização. Esta ação da Universidade evidencia o compromisso com a
pesquisa qualificada e aponta para o interesse de internacionalização do
Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Educação.
O I Congresso Latinoamericano de Filosofia da Educação tratase de encontro inédito e relevante para a área de Educação na América
Latina, dado que a investigação de fundamentos da educação,
especialmente da filosofia da educação, constitui-se de perspectiva
essencial de todos os programas de pós-graduação da América Latina e
mais, de todas as perspectivas de pesquisa em educação, na medida em
que não é possível propor uma investigação rigorosa sem o cuidado
conceitual e a reflexão filosófica decorrente da seleção das fontes de
pesquisa. A filosofia da educação é, antes de tudo, campo da filosofia e,
neste sentido, a organização deste evento que envolve a América Latina
tem como ponto de diálogo as sociedades de filosofia da educação dos
diversos países, além da iniciativa individual dos pesquisadores e
interessados na temática filosófica da educação.
Há diversas entidades que organizam discussões de filosofia da
educação, como por exemplo, a INPE – International Network of
Philosophers of Education, a PES – Philosophy of Education Society e o
nascimento da ALFE – Associação Latinoamericana de Filosofia da
Educação, em julho de 2010 em Bogotá, Colômbia, apresenta-se em
momento importante de qualificação das pesquisas em educação nos
países da América Latina. Mais do que isto, na busca da identidade e na
reflexão das diferenças da filosofia da educação é preciso reivindicar o
iii
lugar e as tarefas da filosofia da educação como campo rigoroso de
investigação em educação.
Este Caderno de Resumos simboliza a riqueza e a diversidade
das proposições recebidas e aprovadas para comunicação neste evento,
com contribuições de professores e estudantes dos diversos países da
América Latina e também de outros países.
O processo de avaliação de trabalhos foi rigoroso e constituiu-se
de importante momento da ALFE, então, os avaliadores têm o mérito da
riqueza das proposições e da qualidade deste Congresso. O Comitê
Gestor agradece aos avaliadores pelo cuidado e competência no
processo de análise das propostas.
Os Anais do I Congresso Latinoamericano de Filosofia da
Educação (ISSN 2236-7519) estão organizados em três momentos.
Apresentam-se os resumos relativos às conferências, em um primeiro
momento, os resumos de trabalhos completos e, por último, os resumos
dos trabalhos em andamento. Quanto ao segundo e terceiro momentos,
preserva-se a ordem dos eixos temáticos, quais sejam, Democracia e
Educação, Ensino de Filosofia, Filosofia e Educação na América Latina,
Fundamentos da Educação, Método e Pesquisa em Educação, Política e
Educação e Teorias da Educação.
Agradecemos aos diversos sujeitos deste Congresso,
professores, estudantes e interessados na temática da filosofia da
educação, ao auxílio das agências: FAPESP e FAPERJ e muito
especialmente aos membros dos diversos comitês.
Apresentam-se, a seguir, a Programação, a ata da primeira
reunião da Associação Latinoamericana de Filosofia da Educação, a
composição das equipes deste Congresso e os resumos cf. descrição
anterior.
Sejam muito bem vindos ao I Congresso Latinoamericano de
Filosofia da Educação.
Campinas, 30 de junho de 2011.
Prof. Dr. Samuel Mendonça
Membro do Comitê Gestor e da Organização do
I Congresso Latinoamericano de Filosofia da Educação
Coordenador do Programa de Pós-Graduação
Stricto Sensu em Educação – PUC Campinas
4
Acta de la primera reunión
Debate y creación de la Asociación Latinoamericana de Filosofía de
la Educación – ALFE
El día 30 de julio de 2010, en la ciudad de Bogotá, Colombia, en
ocasión del 12º Congreso Internacional de Filosofía de la Educación INPE 2010, se reunieron algunos participantes latinoamericanos con el
objetivo de debatir y crear una asociación, en el espíritu de la INPE (Red
Internacional de Filósofos de la Educación), enfocada en América
Latina. Se relataron experiencias de administración de otras sociedades,
especialmente la INPE, la PES (Sociedad de Filosofía de la Educación,
con base en Norteamérica), y la PESGB (Sociedad de Filosofía de la
Educación de la Gran Bretaña), entre otras.
El grupo decidió crear la “Asociación Latinoamericana de Filosofía de
la Educación”, de ahora en adelante ALFE. Un grupo de representantes
de los países presentes se candidatizaron para componer un “equipo de
gestión”. Dicho equipo quedó conformado inicialmente por Martín
López y Renato Huarte, de México; Angela Santi y Samuel Mendonça,
de Brasil; Sonia Vásquez de Chile; Leopoldo Arteaga, de Perú; Andrea
Díaz, de Uruguay; y Ciro Parra y Andrés Mejía, de Colombia. Durante
los próximos días, este equipo se reunirá por medios virtuales, y
elaborará una propuesta de prioridades y otros aspectos, para la
fundación de ALFE.
Se establecieron algunos elementos para iniciar el trabajo, para todos los
participantes, como por ejemplo: 1) la realización de un congreso cada
dos años, el primero de los cuales podría ser realizado en 2011; 2) la
necesidad de establecer contacto con filósofos de la educación de
América Latina, a fin de contar con miembros de todos los países; 3)
como objetivo principal se determinó el compartir los conocimientos y
prácticas de la filosofía de la educación en América Latina. El grupo
definirá los demás objetivos específicos, la misión y, también, los
aspectos fundamentales de la identidad de ALFE. Todo lo que se
elabore será puesto para conocimiento y discusión del grupo.
También se discutió sobre la construcción de un portal electrónico que
pueda albergar incluso una revista de ALFE. Los costos operacionales,
ya sean para la constitución de una “persona jurídica” (estatuto social,
etc.), ya sea para la construcción y mantenimiento de una página de
5
internet, serán cubiertos por los miembros fundadores, con una cuota
que será establecida por el equipo de gestión.
La reunión se cerró a las 14:00 horas, habiendo iniciado a las 12:50
horas. Asistieron Ciro Parra, Sonia Vásquez Garrido, Renato Huarte
Cuéllar, Roselén Schiaffino, Leopoldo Arteaga Ramírez, Carlos del
Pino, Samuel Mendonça, Marina Camejo, Susana Maya Machin, Ana
Laura Nuin, Esther Charabati, Angela Medeiros Santi, Andrea Díaz
Genis, Andrés Mejía D. y Martín López Calva.
Bogotá, 30 de julio de 2010.
6
Comitê Organizador
Andrea Díaz Genis - Universidad de la República Montevideo
Andrés Mejía Delgadillo - Universidad de los Andes
Angela Medeiros Santi – Universidade Federal do Rio de Janeiro
Ciro Parra - Universidad de la Sabana
Marisa Meza - Universidad Catolica de Chile
Martín López Calva - Universidad Iberoamericana Puebla-México
Renato Huarte - Universidad Nacional Autónoma de México
Samuel Mendonça – Pontifícia Universidade Católica de Campinas
Silvio Gallo – Universidade Estadual de Campinas
Sonia Vásquez - Universidad Catolica de Chile
Comitê Organizador Local
Angela Medeiros Santi – Universidade Federal do Rio de Janeiro
Samuel Mendonça – Pontifícia Universidade Católica de Campinas
Silvio Gallo – Universidade Estadual de Campinas
Comitê Científico
Alexandre Simão de Freitas – Universidade Federal do Pernambuco
Ana Maria Valle Vázquez - Universidad Nacional Autónoma de México
Andrea Díaz Genis - Universidad de la República Montevideo
Andrés Mejía Delgadillo - Universidad de los Andes - Bogotá
Angela Medeiros Santi – Universidade Federal do Rio de Janeiro
Ciro Parra - Universidad de la Sabana - Bogotá
Claudio A. Dalbosco – Universidade Passo Fundo
Diego Barragán - Universidad de la Salle - Bogotá
Divino José da Silva – Universidade Estadual Paulista
Elisete Tomazetti – Universidade Federal de Santa Maria
Enrique Puchet – UdelaR - Uruguai
Hilda Patiño - Universidad Iberoamericana de la ciudad de México
José Pedro Boufleuer – Unijuí – Universidade Regional
Leoni Henning – Universidade Estadual de Londrina
Leopoldo Arteaga - Universidad Ricardo Palma - Peru
Luiz Roberto Gomes – Universidade Federal de São Carlos
Márcio Danelon – Universidade Federal de Uberlândia
Marisa Meza - Universidade Católica de Chile
Martín López Calva - Universidad Iberoamericana Puebla - México
Mauricio Langon - Instituto de Profesores Artigas - Uruguai
7
Nadja Hermmann - Pontifícia Universidade Católica do RS
Pedro Ângelo Pagni - Universidade Estadual Paulista
Pedro Gontijo – Universidade de Brasilia
Renato Huarte - Universidad Nacional Autónoma de México
Samuel Mendonça – Pontifícia Universidade Católica de Campinas
Silvio D. Oliveira Gallo – Universidade Estadual de Campinas
Sonia Vásquez - Universidade Católica de Chile
Walter Omar Kohan – Universidade Estadual do Rio de Janeiro
Comitê Editorial
Angela Medeiros Santi – Universidade Federal do Rio de Janeiro
Renato Huarte - Universidad Nacional Autónoma de México
Samuel Mendonça – Pontifícia Universidade Católica de Campinas
Equipe de Apoio
Mestrandos e estudantes de Iniciação Científica
sob orientação de docentes do Programa de Pós-Graduação
Stricto Sensu em Educação da PUC Campinas
Adriana Zampieri Martinati
Aline Aparecida Akamine
Ana Paula Araújo Mota
Andréa Maria Martins Chiacchio
Armando Lourenço Filho
Felipe Adaid
Heloísa Poltronieri
Henrique Raimundo Sperandio
Jaqueline Cristina Massucato
Juliana Gomes Santos
Maria do Carmo Jürgensen Lencioni
Maria Salete Pereira Santos
Patricia Nunes Arantes
Talita Carneiro Gader Safa
8
Sumário
APRESENTAÇÃO .......................................................................................... II
TRABALHOS COMPLETOS ....................................................................... 12
EIXO TEMÁTICO: DEMOCRACIA E EDUCAÇÃO............................................... 12
EIXO TEMÁTICO: ENSINO DE FILOSOFIA ....................................................... 12
EIXO TEMÁTICO: FILOSOFIA E EDUCAÇÃO NA AMÉRICA LATINA ................. 13
EIXO TEMÁTICO: FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO ......................................... 13
EIXO TEMÁTICO: MÉTODO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO ................................ 14
EIXO TEMÁTICO: POLÍTICA E EDUCAÇÃO...................................................... 14
EIXO TEMÁTICO: TEORIAS DA EDUCAÇÃO .................................................... 14
TRABALHOS EM ANDAMENTO .............................................................. 15
EIXO TEMÁTICO: DEMOCRACIA E EDUCAÇÃO............................................... 15
EIXO TEMÁTICO: ENSINO DE FILOSOFIA ....................................................... 15
EIXO TEMÁTICO: FILOSOFIA E EDUCAÇÃO NA AMÉRICA LATINA ................. 16
EIXO TEMÁTICO: FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO ......................................... 16
EIXO TEMÁTICO: MÉTODO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO ................................ 16
EIXO TEMÁTICO: POLÍTICA E EDUCAÇÃO...................................................... 17
EIXO TEMÁTICO: TEORIAS DA EDUCAÇÃO .................................................... 17
9
PROGRAMAÇÃO ......................................................................................... 18
CONFERÊNCIA DE ABERTURA “BALANÇO DA FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO NA
AMÉRICA LATINA” ....................................................................................... 18
MESA TEMÁTICA – “O QUE É A FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO NA AMÉRICA
LATINA?” ..................................................................................................... 21
MESA TEMÁTICA “O ENSINO DE FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO NA AMÉRICA
LATINA” ....................................................................................................... 29
REUNIÃO COM TODOS OS MEMBROS EFETIVOS DA ALFE (AUDITÓRIO D.
GILBERTO) .................................................................................................... 33
MESA GERAL – PLANO DE AÇÕES DA ALFE. DISCUTIR A “IDENTIDADE E
DIFERENÇA” DA FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO NA AMÉRICA LATINA NA
PERSPECTIVA DE AVALIAÇÃO DO CONGRESSO – ........................................... 33
MESA TEMÁTICA – “FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO COMO DISCIPLINA” .............. 33
CONFERÊNCIA DE ENCERRAMENTO “FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO NA AMÉRICA
LATINA: IDENTIDADE E DIFERENÇA”............................................................. 33
RESUMOS DAS CONFERÊNCIAS ............................................................. 35
LA FILOSOFIA DE LA EDUCACIÓN COMO DISCIPLINA .................................... 35
A POTÊNCIA MESSIÂNICA DO AGORA - A FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO NA
AMÉRICA LATINA EM TRÊS TEMPOS: WALTER BENJAMIN, PAULO FREIRE E
VIK MUNIZ ................................................................................................... 36
UM BALANÇO DA FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO NA AMÉRICA LATINA .............. 37
ENSEÑAR A PENSAR Y ENSEÑAR A PENSAR-NOS: LOS RETOS DE LAENSEÑANZA
DE LA FILOSOFÍA DE LA EDUCACIÓN EN AMÉRICA LATINA ........................... 38
LA FILOSOFIA Y EL RETO DE LA EDUCACIÒN LATINOAMERICANA ................. 39
10
FILOSOFÍA DE LA EDUCACIÓN COMO DISCIPLINA, EL CASO DE CHILE. PRIMER
INTENTO DE COMPRENSIÓN ........................................................................... 40
MÉXICO COMO PUNTO DE ENCUENTRO PARA LA FILOSOFÍA DE LA EDUCACIÓN
..................................................................................................................... 41
FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO NA AMÉRICA LATINA: IDENTIDADE E DIFERENÇA42
LA ENSEÑANZA DE LA FILOSOFÍA DE LA EDUCACIÓN EN AMÉRICA LATINA:
FORMACIÓN EN EL ACTUAR PEDAGÓGICO, INNOVACIÓN EN LA EDUCACIÓN .. 43
RESUMOS DOS TRABALHOS COMPLETOS ......................................... 44
EIXO TEMÁTICO: DEMOCRACIA E EDUCAÇÃO............................................... 44
EIXO TEMÁTICO: ENSINO DE FILOSOFIA ........................................................ 59
EIXO TEMÁTICO: FILOSOFIA E EDUCAÇÃO NA AMÉRICA LATINA ................. 91
EIXO TEMÁTICO: FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO ......................................... 99
EIXO TEMÁTICO: MÉTODO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO .............................. 141
EIXO TEMÁTICO: POLÍTICA E EDUCAÇÃO.................................................... 146
EIXO TEMÁTICO: TEORIAS DA EDUCAÇÃO .................................................. 163
RESUMOS DOS TRABALHOS EM ANDAMENTO............................... 175
EIXO TEMÁTICO: DEMOCRACIA E EDUCAÇÃO ............................................ 175
EIXO TEMÁTICO: ENSINO DE FILOSOFIA ..................................................... 181
EIXO TEMÁTICO: FILOSOFIA E EDUCAÇÃO NA AMÉRICA LATINA ............... 206
EIXO TEMÁTICO: FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO ....................................... 216
EIXO TEMÁTICO: MÉTODO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO .............................. 240
11
EIXO TEMÁTICO: POLÍTICA E EDUCAÇÃO ................................................... 244
EIXO TEMÁTICO: TEORIAS DA EDUCAÇÃO ................................................. 252
12
Trabalhos Completos
Eixo temático: Democracia e Educação
Anderson Alencar Menezes
Darcísio Natal Muraro
Fabiano de Oliveira Moraes
Guillermo Zamora Poblete
Iván Darío Moreno Acero
Marina Leticia Camejo Manrique
Nivaldo Alexandre de Freitas
Paulo César de Oliveira
Polianne Delmondez Oliveira
Eixo temático: Ensino de Filosofia
Adriany Thatcher C. Soares
Áglaé Cecília Toledo Porto Alves
Alex Sander da Silva
Amâncio Leandro Correa Pimentel e
Maria Dulcinea da Silva Loureiro
André Soares Ferreira
Américo Grisotto
Cristiane Maria Marinho
Eniel do Espírito Santo e Luiz Carlos Sacramento da Luz
Jean Dyêgo Gomes Soares
Jorge da Cunha Dutra e Mauro Augusto Buckert Delfino
José Rogério Vitkowski
Lúcia Schneider Hardt
Luciene Antunes Alves
Maria Anastácia Ribeiro M. Carbonesi e Cleide Bezerra da Silva
Miécimo Ribeiro Moreira Júnior
Pablo Aguayo Westwood
Renê Trentin Silveira
Roberto Rondon
Sônia Aparecida Belletti Cruz
Tânia Rodrigues Palhano e Rebeca Ferraz de Souza
Walace Soares de Oliverira
13
Eixo temático: Filosofia e Educação na América Latina
Bruno Botelho Costa
Daniel Pansarelli
Gerardo Garay Montaner
Marcela Calixto dos Santos e Leoni Maria Padilha Henning
Morena Dolores Patriota da Silva e Simone Moreira de Moura
Ofélia Maria Marcondes
Pedro Angelo Pagni
Eixo temático: Fundamentos da Educação
Alexandre Ferreira de Mendonca
Alexnaldo Teixeira Rodrigues
Ana María Valle Vásquez
Angelo Vitório Cenci
Belkis Souza Bandeira, Kelin Valeirão, Avelino da Rosa Oliveira
Claudio Piontkewicz
Danilo Augusto Santos Melo
Eduardo Gabriel Molino
Elvira Cristina Martins Tassoni
Irazema Edith Ramirez Hernandez
José Carlos Mendonça
José Fernandes Weber
Kelin Valeirão e
Avelino da Rosa Oliveira
Laisa Blancy de Oliveira Guarient
Luciana Azevedo Rodrigues
Márcio Coelho e Maria Cristina Piumbato Innocentini Hayashi
Marco Antonio Jiménez García y Ana María Valle Vázquez
Marcos Roberto de Faria
Maria Betânia do Nascimento Santiago
Maria Emanuela Esteves dos Santos
Mauro Rocha Baptista e Wellington Elias de Jesus
Nelino José Azevedo de Mendonça
Rosemary Roggero
Sabina Maura Silva
Silvia Cristina Fernandes Lima
Sueli Soares dos Santos Batista e Emerson Freire
14
Tarcísio Jorge Santos Pinto
Eixo temático: Método e Pesquisa em Educação
Abdael Gaspar de Sousa
Egeslaine de Nez
Tarso Bonilha Mazzotti
Victor Junger Silveira
Eixo temático: Política e Educação
Andrés Mejía Delgadillo e Mónica Almanza Marroquín
Carlos Alberto Tolovi
Carlos Odilon da Costa
Daniel Alejandro Mares Sánchez
Diogo Acioli Lima
Edgar Domingo de Albuquerque
Fabio Barros Silva
Gilson Luís Voloski
Jonas Waks
José de Sousa Miguel Lopes
Luiz Roberto Gomes
Wescley Dinali
Eixo temático: Teorias da Educação
Almiro Schulz
Carlos Andrés Muñoz López
Daniel Figueiras Alves
Edna Batista da Silva
José Cláudio Morelli Matos
Maria das Graças de Almeida Baptista
Mónica Almanza Marroquín
Pedro Ergnaldo Gontijo
Sônia Regina da Luz Matos e Nadja Acioly Regnier
15
Trabalhos em Andamento
Eixo temático: Democracia e Educação
Elias João de Melo
José Aguiar Nobre e Samuel Mendonça
Lía Lucy Rebaza López
Priscila Resende Silveira
Eixo temático: Ensino de Filosofia
Adriany Thatcher C. Soares, Alexandra Quadro Siqueira e Vera Lúcia
Santos Malaquias Mutti
Alexandra Quadro Siqueira, Dante Augusto Galeffi, Eduardo Davi de
Boulevard, Leonardo Rangel dos Reis e Lisiane Weber Oliveira
Antonio Carlos Petean
Cristiane Maria Marinho
Daniel Santini Rodrigues e Jackeline Rodrigues Mendes
Edgard Vinícius Cacho Zanette
Geraldo Adriano Emery Pereira
Janice da Silva Oliveira e Maria Betania Don Santiago
Jesús Ernesto Urbina Cárdenas
Jordi García Farrero
José Cardoso Simões Neto
Juliana Cristina Bel
Katherine Cortiana Fagundes
Laura Angélica Bárcenas Pozos
Livio dos Santos Wogel
Maurinúbia Monteiro de Moura, Darlene Moura de Campos e Maria
Betânia do N. Santiago
Patrícia Del Nero Velasco
16
Eixo temático: Filosofia e Educação na América Latina
Diana Milena Patiño, Natalia Sánchez, Andrés Mejía Delgadillo,
Diego Fernando Barragán Giraldo
Gislaine de Medeiros Baciano
Leoni Maria Padilha Henning
Paulo César Nodari
Selene Georgina López Reyes
Virginia Georg Schindhelm e
Maria de Fátima Costa de Paula
Eixo temático: Fundamentos da Educação
Armando Lourenço Filho e Samuel Mendonça
Artur José Renda Vitorino
Giselle Moura Schnorr
Gláucia Maria Figueiredo Silva
Gustavo Arantes Camargo
José Carlos Abrão
José Sílvio de Oliveira
Marcelo Alexandre dos Santos
Marco Aurélio Gomes de Oliveira e Armindo Quillici Neto
Maria Dolores García Perea
Maria dos Remédios de Brito
Rafaela Ferreira Marques
Renato Huarte Cuéllar
Romeu Adriano da Silva
Ronaldo dos Santos Travassos
Roselaine Bolognesi
Wanderley Jose Ferreira Junior
William de Goes Ribeiro
Eixo temático: Método e Pesquisa em Educação
Adriana Carvalho da Silva
José Guadalupe Sánchez Aviña
17
Eixo temático: Política e Educação
Alonso Bezerra de Carvalho
Ana Elisa Spaolonzi Queiroz Assis
Carolina Mayora Fernández
Paulo Roberto Rodrigues Simões
Roberta dos Santos Kwasinski
Rodrigo Barchi
Eixo temático: Teorias da Educação
Adalgisa Leão
Ana Carolina Conrado
Daniel Figueiras Alves
Diego Fernando Barragán Giraldo
Ezir George Silva
Jorge Vergara Esteves
Maria Juliana Lima
Mirelle Castilho de Freitas
Renato Huarte Cuéllar
18
I CONGRESSO LATINOAMERICANO DE
FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO
Identidade e diferença da
Filosofia da Educação na América Latina
Dias 01, 02 e 03/08/2011 - Campinas - SP – Brasil
Local: Pontifícia Universidade Católica de Campinas
Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Educação
Endereço: Rodovia D. Pedro I, km 136
Parque das Universidades - Campinas – SP
Recepção e Credenciamento
31/07/2011 – das 17h às 21h
Casa do Professor Visitante - UNICAMP
Campus Unicamp - Barão Geraldo - Fone (19) 3221 2809 (19) 3221
2809 - http://www.funcamp.unicamp.br/
Haverá credenciamento também durante o evento.
Programação
Dia 01/08/2011 (segunda-feira)
Manhã
8h – Recepção e Credenciamento – Aud. D. Gilberto
8h 45min – Abertura Oficial do I Congresso da ALFE
9h 15min às 10h 30min – Conferência de abertura “Balanço da
Filosofia da Educação na América Latina”
Palestrante: Antonio Joaquim Severino (Brasil)
Coordenador: Samuel Mendonça (Brasil)
10h 30min – Café
Obs: Todas as apresentações serão feitas nas salas do CEATEC (junto
ao Auditório D. Gilberto) A103, A104, A105, A107, A109, A202,
A203, A205, A208 e A209. As salas estarão sinalizadas e a Equipe de
Apoio estará à disposição dos autores para o que couber. As salas são
equipadas com recursos de multimídia.
19
10h 45min às 12h 15min
Sessões para Trabalhos Completos
Mesa C1 – Sala A103
Nietzsche e a educação: crítica às instituições de
ensino e desdobramentos da genealogia em
tematizações contemporâneas sobre a educação.
Nietzsche, cultura e educação: a exemplaridade da
Grécia Pré-Socrática
O mal estar e a pseudoformação do indivíduo
contemporâneo no âmbito da cultura e do trabalho:
possibilidades de emancipação da subjetividade e
da consciência
Mesa C2 – Sala A104
Abdael Gaspar de A hermenêutica reconstrutiva de Habermas como
Sousa
método nas pesquisa em educação
Egeslaine de Nez Materialismo e rede de significações (RedSig):
aproximações teóricas sobre o método
Victor Junger
Por uma pesquisa dos sentidos, das sensiblidades
Silveira
e das poéticas nosdoscom os cotidianos escolares:
contra uma escola do absurdo
Mesa C3 – Sala A105
Alexandre
Ferreira de
Mendonca
Silvia Cristina
Fernandes Lima
Rosemary
Roggero
Carlos Odilon da
Costa
Jonas Waks
Diogo Acioli
Lima
Marcos Roberto
de Faria
Mauro R.
Baptista e
Wellington Jesus
Fabio Barros
Silva
Educação escolar indígena:
Currículo,
interculturalidade e revitalização
Sobre artesanos y proletarios: consideraciones
acerca de relatos de experiencias y trabajo docente
O eterno retorno das violências nas escolas
públicas do Distrito Federal
Mesa C4 – Sala A107
Fundamentos filosóficos e políticos da campanha
pedagógica contra-reformista: séculos XVI/XVII
Humanismo e educação
O Século das Luzes e a educação pública como
instituição política republicana
20
Mesa C5 – Sala A109
Elvira Cristina
Martins Tassoni
Marco Antonio
Jiménez García e
Ana María Valle
Vázquez
Alexnaldo Teixeira
Rodrigues
A filosofia e as emoçoes na história do
pensamento humano
Huellas de erotismo prehispánico en la
formación humana
Andrés
Mejía
Delgadillo
e
Mónica Almanza
Marroquín
Pedro
Ergnaldo
Gontijo
Dos caminos posibles en la formación ética: La
literatura y la filosofía
Sônia Regina da
Luz Matos e Nadja
Acioly Regnier
Gilson
Luís
Voloski
Carlos Alberto
Tolovi
Criança, infância e infantil: nas teorias da
educação contemporânea
Os fundamentos da educação feminia em
Rousseau: aspectos morais e políticos
Mesa C6 – Sala A202
Pensando uma docência nômade: apontamentos
a partir do Deleuze (aluno e professor) do
ABCDário.
Mónica Almanza Es mejor un buen divorcio que un mal
Marroquín
matrimonio:
Sobre la enseñanza de la lengua y la literatura
Mesa C7 – Sala A203
A Filosofia da Educação no contexto de
reformas do ensino superior
O impacto social da educação no campo na
realidade do semi-árido nordestino
Mesa C8 – Sala A205
Maria
Anastácia Filosofia: o pensar crítico nas Instituições de
Ribeiro Carbonesi Ensino Superior
e Cleide Bezerra da
Silva
Amâncio L. Correa Educação moral: PCNs e o ensino de ética na
21
Pimentel e Maria Educação de Jovens e Adultos – EJA
Dulcinea Loureiro
André
Soares Identidade da filosofia no ensino médio sulFerreira
mato-grossense
Mesa C9 – Sala A208
Adriany Thatcher É possível ensinar filosofia na escola inclusiva?
C. Soares
Áglaé
Cecília A filosofia na formação continuada de docentes
Toledo Porto Alves do Centro Paula Souza, na modalidade
semipresencial
Alex Sander da O ensino de filosofia: novos contexto e antigas
Silva
exigências
Mesa C10 – Sala A209
Iván Darío Moreno
Acero
Fabiano
de
Oliveira Moraes
Paulo César de
Oliveira
Hacia una educación ciudadana de carácter
moral y cosmopolita
A ‘fala’ do aluno em questão: por uma
democracia linguística na sala de aula
A gestão democrática da escola: as contribuições
de Lèvinas para a superação do totalitarismo
Tarde
12h 15min às 14h – Almoço
14h às 15h 30min – Mesa temática – “O que é a Filosofia da Educação
na América Latina?”
Angela Santi (Brasil), Ciro Parra (Colômbia), Renato Huarte
(México) - (Auditório D. Gilberto)
Coordenador: Marisa Meza (Chile)
15h 30min – Café
22
15h 45min às 18h
Sessões para Trabalhos em Andamento
Adalgisa Leão
Edgard Vinícius
Cacho Zanette
Maria Dolores
García Perea
Maria dos
Remédios de B.
Ana Elisa
Spaolonzi Queiroz
Assis
Carolina M.
Fernández
Jean Dyêgo Gomes
Soares
Alonso Bezerra de
Carvalho
Paulo Roberto
Rodrigues Simões
Roberta dos Santos
Kwasinski
Rodrigo Barchi
Elias João de Melo
Artur José Renda
Vitorino
Mesa A1 – Sala A103
Dimensão formativa da literatura, espaço
público
e
competência
argumentativa:
construindo relações para uma educação cidadã
O macaco de kafka e a educação filosófica: É
possível sair da jaula?
El campo de estudio de la esperanza
Por uma educação da singularidade
Mesa A2 – Sala A104
Controle Judicial de Políticas Públicas
Educacionais: um enfoque zetético de
investigação
Políticas de Género en la Educación Militar en
México
O básico para alguma filosofia
Mesa A3 – Sala A105
A educação moral no mundo contemporâneo: a
experiência da amizada na sala de aula
Programa Universidade para todos: uma política
de civilização
A Escola: Fator de Mobilidade ou Estagnação
Social?
Mesa A4 – Sala A107
Educação e meio ambiente entre a biopolítica e a
biopotência
Saberes ambientais indígenas e não indígenas e a
educação ambiental
O Problema da Formação do Espírito Ético na
Educação da Cultura no Brasil: Mario Vieira de
Mello e a correspondência entre a estrutura da
alma humana e a sociedade
23
Giselle Moura
Schnorr
Romeu Adriano da
Silva
Ronaldo dos S.
Travassos
Jorge
Vergara
Esteves
Ana
Carolina
Conrado
Priscila
Resende
Silveira
Leoni
Maria
Padilha Henning
José Carlos Abrão
José Sílvio
Oliveira
Jordi
Farrero
de
A filosofia intercultural no âmbito da filosofia
da liberdação latinoamericana: possíveis
contribuições para a educação
Mesa A5 – Sala A109
Categoria trabalho e pesquisa em educação:
reflexões filosóficas e históricas
Trabalho e educação: a produção social da
consciência e da linguagem
La concepción de la educación de Hayek y
Friedman. Una crítica filosófica
Indústria Cultural e Semi formação: um
importante debate na Educação
Mesa A6 – Sala A202
Experiência de Paulo Freire em países africanos
e sua praxis educativa
Antropologia freireana: lições para a América
Latina
Do discurso pedagógico: alguns questinamentos
Mesa A7 – Sala A203
A formação humana contemporânea a partir do
contexto histórico-social da filosofia grega
García Largas caminatas a pie con el maestro: a
propósito de una obra de Raimon Panikkar y
Milena Carrara, ‘Peregrinación al Kailasa y al
centro del sí’
Daniel
Alves
Antonio
Petean
Figueiras Educação imagética em Platão
Carlos Montaigne: Filosofia, Etnocentrismo e Educação
Mesa A8 – Sala A205
Rafaela
Ferreira O corpo próprio e virtual. Um Diálogo entre M.
Marques
Ponty e Michel Serres e suas Implicações para a
Educação a Distância
Patrícia Del Nero A filosofia e seu ensino: reflexões a partir da
24
Velasco
perspectiva Merleau-Pontiana sobre filosofia e
história da filosofia
Gláucia
Maria Bergson e Deleuze: conexões não
Figueiredo Silva
representacionais entre Fil. e Pedagogia
Gustavo
Arantes Nietzsche e a educação para tornar-se si mesmo
Camargo
Mesa A9 – Sala A 208
O Ensino De Filosofia Na Zona Rural e Seu
Papel Social: Construindo Um Rosto Libertador
O ensino de filosofia no ensino médio para além
do trabalho: a formação filosófica em vista da
significação do jovem estudante.
Geraldo
Adriano A especificidade da reflexão filosófica e a sua
Emery Pereira
adequação à realidade do ensino médio
Janice da Silva Filosofia no ensino médio: em busca de um
Oliveira e Maria pensar nacional
Betânia
do
Nascimento
Santiago
José
Cardoso
Simões Neto
Livio dos Santos
Wogel
Dia 02/08/2011 (Terça-feira)
Manhã
8h 30min às 10h
Sessões para Trabalhos Completos
Mesa C11 – Sala A103
Eduardo
Fundar la educación en el diálogo. Desde la
Gabriel Molino antropología filosófica de Martin Buber a la
filosofía de la educación.
Maria Betânia Diálogo e Confiança na Relação Educativa: Uma
do Nascimento Contribuição a partir da Filosofia do Diálogo de
Santiago
Martin Buber
Danilo Augusto A educação entre indivíduo e coletivo: uma
Santos Melo
experiência paradoxal
25
Mesa C12 – Sala A104
José de Sousa Sobre o conceito de fronteiras: uma reflexão em
Miguel Lopes
torno do diálogo entre a filosofia e a política
visando interrogar o pensamento hegemônico
Luiz
Roberto Teoria crítica, sociedades democráticas e formação
Gomes
política em Habermas
Wescley Dinali “O que vocês fizeram está fora de um padrão
aceitável para a escola”: sujeição e práticas de
liberdade no cotidiano escolar – (in) disciplina ao
cuidado de si
Mesa C13 – Sala A 105
Tarcísio Jorge
Santos Pinto
Claudio
Piontkewicz
Renê
Trentin
Silveira
A dimensão ética e pedagógica da intuição em
Bergson
O processo educativo para a emergência da pessoa
na abordagem personalista mounieriana
A importância e o papel da história da filosofia no
ensino de filosofia: considerações a partir de
Gramsci
Mesa C14 – Sala A 107
Ofélia
Maria
Marcondes
Pedro Angelo
Pagni
Daniel
Pansarelli
Leopoldo Zea e a contribuição de sua filosofia para
a educação
Filosofia da Educação no Brasil: uma particular
experiência do pensar na educação?
Panorama histórico da Filosofia no Brasil: ensino
como princípio e humanismo como fundamento
Mesa C15- Sala A109
Darcísio Natal
Muraro
José
Cláudio
Morelli Matos
Edgar Domingo
de Albuquerque
Democracia e educação: relações ente as
concepções de John Dewey e Paulo Freire
A interpretação de textos na formação da pessoa
reflexiva, segundo John Dewey
Educação e justiça na perspectiva da filosofia de
John Rawls
Mesa C16 – Sala A202
Tarso
Bonilha Dissociação de noções é o método da dialética
26
Mazzotti
hegeliana
José Fernandes O Romance de Formação (Bildungsroman) no
Weber
Romantismo Alemão: formação enquanto Cultivo
em Novalis
Belkis
Souza Formação cultural e semiformação: contribuições
Bandeira, Kelin de Kant, Hegel, Marx e Adorno para pensa a
Valeirão
e educação hoje
Avelino da R.
Oliveira
Mesa C17 – Sala A203
Miécimo Ribeiro Experiência no Pibid: contribuições para a melhoria
Moreira Júnior
das aulas de filosofia dadas por não filósofos
Sônia Aparecida
Ensino de filosofia: novos pensamentos e ações
Belletti Cruz
para as crianças das séries iniciais do ensino
fundamental
Walace Soares de A Odisséia da disciplina de Filosofia a sua Ítaca: o
Oliverira
seu papel e sua realidade hoje, um diálogo com
nossos filósofos sobre as perspectivas da filosofia
quanto disciplina e reflexão para o jovem do século
XXI.
Mesa C18 – Sala A205
Jorge da Cunha
Dutra e Mauro
Augusto B. D.
Pino
Eniel do Espírito
Santo e Luiz
Carlos
Sacramento
da
Luz
Tânia Rodrigues
Palhano e Rebeca
Ferraz de Souza
A implementação da disciplina de Filosofia no
ensino médio: um estudo das escolas estaduais no
município do Rio Grande-RS
O Ensino da Filosofia no Ensino Médio do Sistema
FIEB: um Estudo de Caso do Café Filosófico no
SESI/BA
Os materiais didáticos no ensino de filosofia da
Paraíba: a reflexão como obrigatoriedade curricular
Mesa C19 – Sala A208
Daniel F. Alves
Educação musical na República de Platão
27
Irazema Edith R.
Hernandez
Ana María Valle
Vázquez
Gerardo
Garay
Montaner
Paideia: aportación de los griegos a la educación
Mito y Formación en Homero y Nezahualcóyotl
“Tenés que estudiar para no ser un obrero igual que
tu padre”. Educación popular y conciencia de clase;
un comentario crítico a un artículo de José Luis
Rebellato
Mesa C20 – Sala A209
da O Conceito de Emancipação em Jacques Rancière
Edna Batista
Silva
Sueli Soares dos O conceito de tecnologia na formação do
Santos Batista e tecnólogo
Emerson Freire
Américo Grisotto
Aprendizagem do pensamento em filosofia e a
ante-sala do trabalho com os conceitos filosóficos
10h – Café
10h 15min – 12h
Sessões para trabalhos completos
Mesa C21 – Sala A103
Michel Serres: a possível nova hominescência e os
desafios para a educação do homem contemporâneo
A experiência formativa na instituição escolas,
ainda possível?
Governamentalidade e práxis educacional: um
questionamento da alegada ‘crise da escola’
Mesa C22 – Sala A104
Laisa Blancy de Atravessamentos deambulantes: aprender o desOliveira Guarient
aprender
Luciana Azevedo A experiência do ler na Sociedade Excitada
Rodrigues
Márcio Coelho e
Estudo epistemológico e bibliométrico da produção
Maria Cristina P. científica da área de Fundamentos da Educação do
Innocentini
PPGE/UFSCar
Maria
Emanuela
Esteves dos Santos
José
Carlos
Mendonça
Kelin Valeirão e
Avelino da Rosa O.
28
Hayashi
Mesa C23 – A105
Angelo
Vitório Conflito e formação na perspectiva da teoria social
Cenci
crítica de Axel Honneth
Sabina Maura Silva Anísio Teixeira e os fundamentos filosóficos da
educação democrática
Nelino
José Contribuições dos humanismos no pensamento de
Azevedo
de Paulo Freire
Mendonça
Mesa C24 – Sala A107
Cristiane
Maria Pós-modernidade e educação no capitalismo
Marinho
contemporâneo
Lúcia
Schneider O cultivo de si e o ensino de Filosofia
Hardt
José
Rogério Filosofia da educação: contribuições Deleuzianas
Vitkowski
Mesa C25 – Sala A109
Pablo
Aguayo La didáctica de la filosofía como metáfilosofía
Westwood
Roberto Rondon
Ensaio sobre a importância dos ‘textos bem
elaborados’ como atividade central do ensino de
filosofia
Daniel Alejandro S. Educación -disciplina y control- el paradigma de la
competencia
Mesa C26 – Sala A202
Anderson Menezes
Democracia e educação: por uma Cidadania
Multicultural e por uma Educação Intercultural na
leitura de Jurgen Habermas
Nivaldo Alexandre Educação, autonomia e os impasses para a
de Freitas
democracia com base na Teoria Crítica
Marina
Leticia Relaciones Entre Democracia Y Educación
Camejo Manrique
Científica Desde La Perspectiva De Paul
Feyerabend
Mesa C27 – Sala A203
Guillermo Zamora El problema de la escasez en la educación chilena
Poblete
29
Polianne
Identidade e diferença: a formação
Delmondez
professores/as na perspectiva da diversidade
Oliveira
Maria das Graças A relação teoria e prática nas licenciaturas
de
Almeida
Baptista
de
Mesa C28 – Sala A205
Bruno
Botelho
Costa
Marcela Calixto
dos Santos e
Leoni
Maria
Padilha Henning
Morena Dolores
Patriota da Silva
e Simone Moura
Conscientização, sociedade e educação popular em
Paulo Freire
Experiência e natureza: algumas contribuições
deweyanas à prática dos docentes sul-americanos
Pressupostos da eugenia e seus impactos na
concepção de homem e de educação do início do
século XX
Mesa C29 – A208
Almiro Schulz
Formação ética na perspectiva da teoria antinômica
de cabanas
Carlos
Andrés La condicionada renuncia al instinto de propiedad,
Muñoz López
como parénesis de la teoría de la educación sin
escuela.
Luciene Antunes Kant e Hegel sob a perspectiva do ensino de filosofia
Alves
(na educação brasileira)
Tarde
12h às 14h – Almoço
14h às 15h 30min - Mesa temática “O ensino de Filosofia da
Educação na América Latina”
Sonia Vásquez (Chile), Leopoldo Arteaga Ramírez (Peru) e Martín
López Calva (México) - (Auditório D. Gilberto)
Coordenadora: Angela Santi (Brasil)
15h 30min – Café
30
15h 45min – 18h
Sessões para trabalhos em andamento
José Guadalupe
Sánchez Aviña
Adriana Carvalho
da Silva
Armando
Lourenço Filho e
Samuel Mendonça
Selene Georgina
López Reyes
Mesa A10 – Sala A103
Métodos de investigación en educación
A reflexividade na construção do papel do professor
no contexto cibercultural
A autonomia do aluno: desafios para a sua promoção
e desenvolvimento
Evaluación curricular de la licenciatura en filosofía
para la mejor inserción social y laboral de sus
egresados.
Mesa A11 – Sala A104
Adriany Thatcher Mapeando novos tempso de ensinar e aprender
C.
Soares, filosofia: experiência no PIBID
Alexandra
Quadros Siqueira,
Vera
Lúcia
Malaquias
Daniel
Santini O ensino de filosofia e as orientações curriculares
Rodrigues
e para o seu ensino: uma análise discursiva
Jackeline
Rodrigues Mendes
Katherine
O Ensino de filosofia e o filosofar: Por que e para
Cortiana Fagundes que?
Jesús
Ernesto Aprender con pasión en la Universidad
Urbina Cárdenas
Mesa A12 – Sala A105
Marco
Aurélio A criança aprende ou ensina? Um olhar deweyano
Gomes de Oliveira sobre o processo educativo.
e
Armindo
Quillici Neto
Laura
Angélica La filosofía en la educación básica: El programa de
Bárcenas Pozos
Filosofía para Niños
Virginia
Georg A sexualidade da criança. Poderes e saberes na
31
Schindhelm e
educação infantil
Maria de Fátima
Costa de Paula
Juliana
Cristina O ensino de Filosofia na ONG Casa do Zezinho –
Bel
Uma experiência filosófica com crianças e jovens
carentes
Mesa A13 – Sala A107
Renato
Huarte Traducir “educación”, el caso del escrito Reden über
Cuéllar
das Erzieherische de Martin Buber
Mirelle Castilho Epistemologia e educação – um estudo comparativo a
de Freitas
partir da teoria emancipatória e da filosofia
existencial numa perspectiva de formação humana
Ezir George Silva Educação e Formação Humana no Pensamento
Pedagógico de Otto Friedrich Bollnow: entre o
princípio da descontinuidade na Filosofia da
Existência e o princípio da continuidade na Filosofia
da Esperança
Wanderley Jose A condição humana na concepção fenomenológico
Ferreira Junior
existencial – o ato de educar e a prática docente em
questão
Mesa A14 – Sala A109
Gislaine
de A crise educacional como reflexo da crise
Medeiros Baciano contemporânea da moral e da cultura
Paulo
César Filosofia, ética e educação
Nodari
Lía Lucy Rebaza Carácter ético de la educación y su rol en la
López
construcción de una sociedad democrática
William de Goes Multiculturalismo e ética em educação: uma análise
Ribeiro
do discurso contra o Bullying
Mesa A15 – Sala A202
José Aguiar Nobre Anísio Teixeira: desafios para a educação
e
Samuel democrática e pública de qualidade
Mendonça
Diana
Milena ¿Tiene un papel la filosofía de la educación en la
Patiño,
Natalia práctica educativa? El filósofo como pedagogo y el
Sánchez, Andrés pedagogo como filósofo
Mejía Delgadillo,
32
Diego Fernando
Barragán Giraldo
Marcelo A. dos
Santos
Maria
Juliana
Lima
Leonardo
Maia
Bastos Machado
Roselaine
Bolognesi
Diego Fernando
Barragán Giraldo
Conhecimento e experiência formativa no mundo
administrado
Liberdade, educação e autoeducação:
uma proposta jasperiana para a formação humana
Mesa A16 – Sala A203
Foucault professor - a solidão de uma aula
Louis Althusser: da Filosofia à Educação
Los prejuicios, el preguntar y la aplicación: tres
categorías de comprensión a partir de Hans-Georg
Gadamer
Mesa A17 – Sala A205
Cristiane
Maria A categoria da diferença em Gilles Deleuze e sua
Marinho
influência na filosofia da educação no Brasil
Maurinúbia
Ensino de Filosofia: O Diálogo como Formador do
Monteiro
de Ser Reflexivo
Moura
Darlene Moura de
Campos
Maria Betânia do
N. Santiago
Alexandra Quadro Além da legalização do ensino de filosofia: Uma
Siqueira,
Dante nova Filosofia para a Educação Filosófica ou uma
Augusto Galeffi,
nova Educação Filosófica para a Filosofia?
Eduardo David de
Oliveira,
Leonardo Rangel
dos Reis e
Lisiane
Weber
Oliveira
33
03/08/2011 (quarta-feira)
Manhã
8h 30min às 10h 30min – Reunião com todos os membros efetivos da
ALFE (Auditório D. Gilberto)
10h 30min – Café
10h 45min – 12h – Mesa Geral – Plano de ações da ALFE. Discutir a
“identidade e diferença” da Filosofia da Educação na América Latina
na perspectiva de avaliação do Congresso –
Samuel Mendonça (Brasil), Andrés Mejía Delgadillo (Colômbia).
Coordenador: Renato Huarte (México)
Tarde
12h às 14h – Almoço
14h às 15h 30min – Mesa temática – “Filosofia da Educação como
disciplina”
Andrés Mejía Delgadillo (Colômbia), Marisa Meza (Chile), Andrea
Díaz Genis (Uruguai) - (Auditório D. Gilberto)
Coordenador: Martín López Calva (México)
15h 30min – Café
15h 45min às 18h – Conferência de Encerramento “Filosofia da
Educação na América Latina: identidade e diferença”
Palestrante: Silvio Gallo (Brasil)
Coordenador: Andrés Mejiá (Colômbia)
Campinas, 30 de junho de 2011.
Atenciosamente,
ALFE – Comitê Gestor
34
35
Resumos das Conferências
La Filosofia de la Educación como disciplina
Andrea Díaz Genis
Universidad de la República
Uruguay
[email protected]
Resumen
Este artículo trata de desarrollar la idea de cómo debe entenderse a la Filosofía
de la Educación; en el que se considera el abigarrado y confuso panorama de la
Ciencias de la Educación. Termina resaltando la función teórica y práctica de
la filosofía como arte de existencia, que “sirve” a una educación emancipadora
y enriquecedora del ser humano.
Palabras-clave: filosofia, disciplina, educación.
36
A Potência Messiânica do Agora - a Filosofia da Educação na
América Latina em Três Tempos: Walter Benjamin, Paulo Freire e
Vik Muniz
Angela Santi
Faculdade de Educação - UFRJ
Brasil
[email protected]
Resumo
O artigo pretende tratar da questão da filosofia da educação latinoamericana a
partir de uma constelação de autores – Walter Benjamin, Paulo Freire e Vik
Muniz – para, através deles, ativar a potência messiânica presente neste
universo. Iremos buscar em Paulo Freire, através de sua ideia de uma educação
ativa, essa potência do agora que queremos para a educação. Iremos
potencializar seu pensamento educacional com o pensamento de Walter
Benjamin sobre a história, que “não distingue entre os grandes e pequenos
acontecimentos”, entendendo que, deste modo, podemos ler o universo da
produção do pensamento da educação latinoamericano como acontecimento
válido em si, e não a partir de uma relação comparativa com o (ex)
“colonizador”. Para Benjamin, o atual contém, a cada vez, a potência do
messiânico: é no profano, no conjunto de elementos “decaídos”, que o olhar
atento do pensador pode reconhecer a força significativa de um momento, que é
força messiânica porque é capaz de instaurar um tempo, uma história e um
sentido. Assim, na história da América Latina e na da educação, o que parece
adequado é a percepção desta “fagulha” messiânica, presa nos detalhes dos
acontecimentos. Através de Benjamin, e de sua concepção de história, podemos
construir, senão uma definição do que seja a filosofia da educação na América
Latina, pelo menos uma metodologia de análise através da qual teremos boas
ferramentas para des-cobrir e potencializar o que seja o elemento
latinoamericano, a partir dos fios soltos da história dos pequenos fatos e feitos,
desprezados pela história oficial. Além disso, focaremos na ideia de
transformação (do lixo em arte) que encontramos no recente trabalho do artista
plástico Vik Muniz, Lixo Extraordinário. Através deste mosaico de referências,
pretendemos trazer alguns elementos que nos coloquem na órbita da
compreensão do que seja filosofia da educação na e para a América Latina,
analisada de um ponto de vista não local, específico, mas de modo amplo,
recolhendo e costurando marcas de uma possível identidade latino-americana,
espalhadas por todos os continentes.
Palavras-chave: potência messiânica, filosofia da educação, Benjamin, Freire,
Muniz.
37
Um balanço da Filosofia da Educação na América Latina
Antônio Joaquim Severino
Uninove/Feusp
Resumo
O propósito da conferência é apresentar uma primeira aproximação do
pensamento filosófico-educacional na América Latina, tal como vem se
expressando na atualidade. Junto com este balanço necessariamente preliminar
da produção do campo, busca suscitar uma reflexão problematizadora sobre os
desafios, teóricos e práticos, que se colocam para a Filosofia da Educação, no
contexto sócio-histórico-cultural do continente. Destaca então o debate sobre a
própria natureza dessa reflexão frente à exigência do cuidado conceitual para
que se consolide como campo rigoroso de investigação sobre a realidade
educacional, colocando em pauta a questão da identidade desse campo de
conhecimento e de sua inserção não só no universo da cultura em geral mas
também da própria prática educacional, levando-se em conta igualmente sua
demanda como componente relevante tanto no âmbito do ensino como naquele
da formação cultural. Pleiteia um programa de investigação sistemática que
possa dar conta da presença da temática educacional no discurso filosófico
latino-americano bem como da presença da reflexão filosófica no discurso
especificamente educacional. Ao destacar a presença de uma Filosofia da
Educação na produção tanto dos filósofos como naquela dos teóricos da
educação, busca apresentar os esforços que já vem sendo feitos e os desafios
que se colocam aos pensadores latinoamericanos do campo educacional no
sentido de elaborar ferramentas teóricas aptas a contribuirem para a
intencionalização da prática educacional, a partir de sua própria construção em
ato, ou seja, como presença atuante numa determinada sociedade, num
determinado tempo histórico. Se se pode definir a Filosofia da Educação como
o esforço para o desvendamento/ construção do sentido da educação no
contexto do sentido da existência humana, pode-se lhe atribuir a tarefa de
intencionalizar a prática educacional, ou seja, dar-lhe referências para se
realizar como praxis, ou seja, ação realizada com sentido, ação pensada,
refletida, apoiada em significações construídexplicitadas e assumidas pelos
sujeitos envolvidos, de tal modo que eles se tornem igualmente construtores da
sua própria história, meta inelutável para os educadores latinoamericanos se
quiserem participar da construção de um projeto civilizatório para seu
continente.
Palavras-chave: filosofia da educação, balanço, América Latina.
38
Enseñar a pensar y enseñar a pensar-nos: Los retos de laenseñanza
de la filosofía de la Educación en América Latina
Juan Martín López Calva
Universidad Iberoamericana Puebla
México
[email protected]
Resumen
La enseñanza de la Filosofía de la Educación, como la enseñanza de la
Filosofía general sigue siendo desafortunadamente, un proceso de transmisión
de la herencia de los grandes filósofos de la historia, su pensamiento y
aportaciones para la definición de lo que es educar. En el mejor de los casos
esta transmisión se hace a través de un clima de aprendizaje y un método que
permiten a los estudiantes llegar a un aprendizaje más o menos significativo de
esta herencia y enriquecer con ella su experiencia como futuros profesionales
de la Educación, pero en muchas ocasiones este proceso es simplemente el de
la repetición de nombres, fechas, conceptos e ideas que no dicen mucho al
estudiante sobre sí mismo y sobre la realidad educativa de su entorno. Sin
embargo es todavía raro que se conciba la enseñanza de la filosofía de la
Educación como un proceso centrado en la generación de pensamiento
filosófico de los estudiantes acerca de los principales elementos y problemas
del hecho educativo, un proceso en el que los estudiantes aprendan a pensar
filosóficamente y a pensar-se filosóficamente como sujetos de la educación. En
esto residen los principales retos de la enseñanza de la Filosofía de la
Educación hoy y especialmente en la realidad latinoamericana: en trascender el
campo de la teoría y orientarse desde el campo de la interioridad (Lonergan,
1999) para volver a los estudiantes capaces de pensar y pensar-se
filosóficamente: pensar filosóficamente los problemas educativos desde la
estructura de una filosofía compleja de la Educación y pensar-se como sujetos
de la educación, pensar-nos como sociedades con retos en sus prácticas, en sus
sistemas educativos, en su cultura de lo educativo en un contexto históricocultural concreto y en un horizonte de significados y valores más o menos
comunes. que nos identifican como latinoamericanos.
Palabras-clave: Pensamiento, Filosofía, Enseñanza, Pensamiento crítico,
Reflexión.
39
La filosofia y el reto de la educaciòn latinoamericana
Leopoldo Arteaga Ramìrez
Instituto de Investigaciones Filosòficas de la Universidad Ricardo Palma, Lima
Perù
[email protected]
Resumen
Vivimos tiempos de globalización. Tiempos de un desarrollo extraordinario de
las ciencias y la tecnología, de la mundialización de la economía de mercado,
de las comunicaciones y las redes informáticas, de la pretensión universalista
de la cultura occidental y de la exaltación de los valores de la sociedad de
consumo. Tiempos en que los pueblos de América Latina, dotados de
diversidad étnica, lingüística y cultural, y caracterizados por profundas
asimetrías socioeconómicas, educativas, de género y de oportunidades, viven
una lógica heterogénea de desarrollo combinado, contradictorio y dependiente.
Vivimos una época de inmediatismos, de racionalidad instrumental e
individualismos, de predominio de los valores de la competitividad y la
rentabilidad de las organizaciones por sobre el valor de la persona humana. En
general, los sistemas educativos de nuestros paìses tienen como objetivo real el
instrumentalizar al hombre unidimensional en la perspectiva utilitarista del
crecimiento económico. Minimizan las ciencias humanas, el arte y la reflexión
filosófica; y exhaltan el desarrollo tecnològico, las ciencias empìricas y
formales, como si fueran incompatibles, antagónicos de las humanidades;
desconociendo las profundas raíces ontológicas, epistemològicas y axiológicas
que las vertebran, y de lo imprescindible de su concurrencia y articulaciòn para
la formación integral de la persona . No es casual por ello, la existencia de
algunas tendencias autoritarias que sesgan las políticas educativas hacia la
disminución, fusión o eliminación de las asignaturas de humanidades y al
recelo de sus contenidos, promoviendo pragmàticamente una educación para el
desarrollo del mercado, una educación para el Desarrollo Econòmico. Pero
humanizar cada vez màs y mejor a las personas y levantar propuestas de
convivencia social, de respeto al otro, al diferente; de pluralidad y democracia
participativa; asì como, hacer conciencia en estos tiempos de violencia física y
emocional institucionalizada, de la necesidad de la internalización de una
cultura de paz y progreso, de valores, de respeto a las diferencias y tolerancia
en la mente de las èlites dirigentes y de las nuevas generaciones, será siempre
una tarea y un reto de una educación de profunda raigambre filosófica
40
humanista que no podràn obviar. Estos nuevos horizontes deben vertebrar la
construcciòn del proyecto educativo nacional y de una nueva visiòn de la
Educación para el Desarrollo Humano. Pienso que hacer Filosofía de la
Educación, desde la perspectiva latinoamericana, requiere de una profunda
reflexión crìtica de segundo orden con un enfoque multidisciplinar sistémico
con base en el pensamiento complejo de Edgar Morin, que, a partir del estudio
de los fundamentos ontológico, epistémico y axiológico de la educación nos
permita no sòlo racionalizar, comprender e interpretar la realidad educativa,
sino vislumbrar las posibilidades de su prospectiva con nuevas propuestas de
lineamientos filosóficos integrados al avance científicos, tecnológico,
humanísticos y de la cultura en general que enriquezcan el desarrollo de la
reflexiòn educativa y la formación integral del ser humano en una sociedad
màs justa y democrática
Palabras-clave: Filosofìa, educación, desarrollo humano.
Filosofía de la Educación como disciplina, el caso de Chile.
Primer intento de comprensión
Marisa Meza Pardo
Facultad de Educación - Pontificia Universidad Católica de Chile
Chile
[email protected]
Resumen
Llama la atención la escasa presencia de la Filosofía de la Educación de las
universidades chilenas. Indagando sobre el tema a través del análisis de algunos
programas de cursos de algunas de las universidades más antiguas en Chile y a
través de algunas entrevistas con académicos chilenos de esas universidades, se
fue haciendo necesaria una ordenación de las razones que se daban para
comprender el retroceso de la presencia de la Filosofía de la Educación. En
general se pueden distinguir tres grupos de razones: un primer grupo de razones
estaría vinculado al carácter economicista que comienza a primar en la toma de
decisiones del ámbito educativo tanto en el mundo como en los países
Latinoamericanos y en Chile; un segundo grupo de razones se vincularía con la
historia reciente de Chile, particularmente con la suerte que vivió la filosofía y
quienes trabajaban con y en ella durante el período de dictadura militar en Chile
y por último, un grupo de razones asociado a las consecuencias de la dictadura
41
en Chile que influyó fuertemente acerca de lo que se entiende por Filosofía de
la Educación y lo que esta involucra en su quehacer. Este tercer grupo de
razones requiere de un análisis filosófico acerca del significado y alcance de la
Filosofía de la Educación y del análisis de lo que se está entendiendo
actualmente en Chile por ella. En este trabajo voy a transitar este último
camino. Uno de los hallazgos más interesantes de este trabajo consiste en
constatar las resistencias existentes para llamar Filosofía de la Educación a lo
que se hace. Esta situación hace necesario el repensar nuestras concepciones y
pre concepciones acerca de lo que Filosofía de la Educación sea con el fin de re
inventarnos y descubrir los posibles hitos que otorgan cierta unidad a nuestros
quehaceres.
Palabras-clave: Filosofía de la Educación, Filosofía de la Educación en Chile.
México como punto de encuentro para la filosofía de la
educación
Renato Huarte Cuéllar
Facultad de Filosofía y Letras - Universidad Nacional Autónoma de México
México
[email protected]
Resumen
México, sólo como un ejemplo, es un espacio de encuentro para distintas
corrientes y propuestas de filosofía de la educación. En el presente trabajo se
mostrarán sólo algunas propuestas en dos momentos, el pensamiento de lso
pueblos originarios y el siglo XX, como ejemplos de la inmensidad de
posibilidades a encontrar en la región latinoamericana en torno al pensamiento
filosófico de la educación. Se discutirán el papel del tlamatine como figura
filosófica y educativa, así como la perspectiva “nosótrica” de los tojolabales,
pueblo mayense que viven en Chiapas hasta el día de hoy. Por su parte se
abordará un momento interesante entre el neokantismo de Francisco Larroyo y
el vitalismo de Joaquín Xirau como puntos de encuentro, sin olvidar que se
dejan de largo varios momentos y una infinidad de pensamientos de otros
momentos que deberán ser trabajados.
Palabras-clave: Filosofía de la educación, filosofía mexicana.
42
Filosofia da Educação na América Latina: identidade e
diferença
Sílvio Gallo
Faculdade de Educação - Universidade Estadual de Campinas
Brasil
[email protected]
Resumo
Os países latino-americanos possuem diferentes perspectivas de educação,
diferentes histórias das instituições educativas, diferentes realidades de
presença de uma produção em Filosofia da Educação e diferentes concepções
de Filosofia da Educação. Quais os sentidos de uma associação de filósofos da
educação que reúna participantes destes diferentes países, com suas distintas
realidades e perspectivas? Partindo da ideia de que a Filosofia da Educação
pode constituir-se como um “campo disciplinar”, tal como pensado por M.
Foucault, o propósito desta conferência é o de pensar a prática da Filosofia da
Educação na América Latina, na perspectiva do diálogo entre as diferentes
culturas, as distintas realidades sociais e políticas e as possibilidades de
construção de projetos comuns. Para tanto, problematizará as noções de
identidade, articulada a uma filosofia da representação, e de diferença, pensada
desde uma filosofia da multiplicidade, para defender a perspectiva de um
diálogo na diferença, na produção de projetos comuns alicerçados no dissenso e
não na fabricação de um consenso irreal. Os países latino-americanos possuem
diferentes histórias, diferentes culturas, diferentes línguas, múltiplas tradições.
Buscar uma identidade latino-americana seria tanto irreal como um processo de
totalização que contribuiria para borrar as singularidades regionais em nome de
um projeto comum que não teria como ser sustentado. Pensar a multiplicidade
latino-americana, por outro lado, pode ser um empreendimento que sedimente a
possibilidade de produção de projetos comuns, preservando as singularidades e
mesmo reforçando-as. Nesta perspectiva, seria possível, a partir das distintas
realidades de cada país latino-americano, almejar a construção de um “campo
disciplinar” da Filosofia da Educação no continente? Tal será a questão
norteadora, pensando nas possibilidades de articulação futura da ALFE.
Palavras-chave: filosofia da educação; campo disciplinar; identidade;
diferença.
43
La enseñanza de la Filosofía de la educación en América Latina:
formación en el actuar pedagógico, innovación en la educación
Sonia Vásquez Garrido
Pontificia Universidad Católica de Chile, Sede Villarrica
Chile
[email protected]
Resumen
El presente trabajo presenta algunas reflexiones respecto al tratamiento de la
enseñanza de la filosofía de la educación considerándola como problema
filosófico y a la disciplina como filosofía práctica, dando relevancia a la
interpretación de la práctica educativa como escenario para la formación de los
estudiantes y de la innovación en educación. Estos desafíos nos conducen en la
enseñanza de la filosofía de la Educación, a buscar nuevas formas de plantear
cuestionamientos para mejorar la educación.
Palabras clave: Enseñanza, filosofía práctica, reflexión, actuar pedagógico.
44
Resumos dos Trabalhos Completos
Eixo temático: Democracia e Educação
Por uma Cidadania Multicultural e por uma
Educação Intercultural na leitura de Jurgen Habermas
Anderson de Alencar Menezes
Universidade Federal de Alagoas
Brasil
[email protected]
Resumo
O presente artigo se propõe discutir fundamentalmente a relação entre
Democracia e Educação tendo como principal questão a ideia de Jurgen
Habermas sobre cidadania multicultural que postula um problema de base
ligado à ideia de uma educação intercultural na perspectiva de um Estado
Democrático de Direito. A partir desta compreensão de Estado Pós-Nacional,
Habermas procura discutir os pressupostos fundamentais para uma Cidadania
Multicultural e por uma Educação Intercultural baseando-se nos princípios da
Teoria Crítica da Educação na esteira dos frankfurteanos. A partir deste
contexto, pode-se pensar a preocupação habermasiana com a questão
educacional em três sentidos na leitura que faz Morrow e Torres (2002). A
primeira está ligada ao significado histórico da institucionalização dos
discursos; a segunda, na relação geral da educação entre esfera pública e a
democracia, em especial as regras das Universidades e a terceira, no significado
do “novo” movimento social como forma de aprendizado coletivo relacionado
à revitalização da esfera pública. O primeiro aspecto que deve ser salientado diz
respeito a uma nova compreensão do método em educação. De uma perspectiva
positivista para uma perspectiva hermenêutica, oriunda não mais de uma
filosofia clássica, mas, proveniente dos pressupostos de uma filosofia da
linguagem.O segundo aspecto é que a concepção habermasiana de educação
aplicado à ação educativa salvaguarda três princípios centrais: esclarecimento
(autonomia), emancipação (liberdade) e formação ( auto-reflexão-crítica). Por
fim, a ideia de cidadania esclarecida e sua importante conseqüência social.
Trata-se do papel ético, cívico e reflexivo. Frente a sociedades que promovem o
xenofobismo e o etnocentrismo, urge uma educação mais comprometida com
45
suas bases democráticas. De fato, é preciso formar bem a opinião pública, e, as
agências educativas têm esta finalidade central, educar para a emancipação com
o intuito de construir o que denominamos de Cidade Educadora, em que as três
grandes tarefas educativas na ótica habermasiana possam ser sedimentadas.
Palavras-chave: cidadania multicultural, educação intercultural, Habermas.
46
Eixo temático: Democracia e Educação
Democracia e educação: relações ente as concepções de John Dewey e
Paulo Freire
Darcísio Natal Muraro
UEL/PR
Brasil
[email protected]
Resumo
O presente artigo tem por objetivo investigar as concepções de democracia e
educação desenvolvidas por John Dewey e Paulo Freire. Investigar estas
relações conceituais se traduz num esforço de leitura comparativa da produção
teórica desses pensadores tentando encontrar respostas à seguinte indagação:
quais são as concepções deweyanas sobre democracia e educação aportadas na
obra de Freire e de que forma são feitas? Paulo Freire teve contatos com a obra
de Dewey através da leitura feita por intelectuais que marcaram o debate
educacional no Brasil, sobretudo a partir da década de 30 do século passado,
destacando-se Anísio Teixeira, que foi um tradutor das obras de Dewey, e
Lourenço Filho. O pensamento deweyano ecoa na obra freireana podendo ser
um eixo de leitura para se compreender a originalidade da criação da tessitura
conceitual desse autor sobre a democracia e a educação. Nesta linha de
raciocínio, Freire pensará o conceito de experiência, pressuposta na teoria
filosófica de Dewey, no contexto brasileiro utilizando-se de outros
instrumentos de leitura em voga. Na tentativa de entender essa trama
conceitual, outras referências deweyanas podem ser desfiadas, como por
exemplo, a noção de experiência concebida histórica e culturalmente, o caráter
inacabado do homem como um ser de relações no e com o mundo (natural e
cultural) e a realidade com caráter histórico evolutivo. Para Dewey, a
democracia não se encerra numa forma de governo, mas abrange a totalidade
das relações humanas, constituindo-se numa forma de vida que é mutuamente
comunicada e alimentada pela educação. Tais concepções repercutem na obra
de Freire entendendo a dimensão de comunicabilidade da experiência na
democracia pela noção de transitividade da consciência que se dá pela
participação e pela dialogicidade. Nesta medida, educação é para ambos a
transformação da própria vida. Para Dewey a educação trata das condições de
ampliação das possibilidades de vida pela aquisição da capacidade de pensar
reflexivamente os problemas concretos dos homens. Para Freire, a educação é
uma prática de desenvolvimento da consciência crítica que problematiza a
47
própria realidade como condição de sua libertação e humanização superando a
opressão que também é historicamente criada pelo próprio homem.
Palavras-chave: Dewey, Freire, democracia, filosofia e educação.
48
Eixo temático: Democracia e Educação
A ‘fala’ e os saberes do aluno: pela democracia linguística na sala de aula
Fabiano de Oliveira Moraes
UFES
Brasil
[email protected]
Resumo
Sabendo-se que a fala antecede a escrita tanto na história das sociedades como
no desenvolvimento humano, tendo sofrido, a primeira, uma série de
reconfigurações com a ascendente preponderância da escrita no ocidente
moderno, o trabalho objetiva: identificar os mecanismos históricos envolvidos
na gradativa superioridade da escrita em detrimento da fala na nossa sociedade;
indicar as possíveis consequências da carência de abordagens críticas sobre a
oralidade no espaço escolar, e; inferir de que forma o respeito à fala dos alunos
no cotidiano escolar pode contribuir com a constituição dos mesmos enquanto
sujeitos capazes, conscientes de que são detentores de saberes que devem ser
respeitados na nossa sociedade. Na pesquisa bibliográfica, detectamos, com
base em Marcuschi (2002), como a oralidade vem sendo relegada ao lugar do
erro nas salas de aula, e como a discriminação linguística dos dialetos que se
afastam em maior grau da norma culta tem, consequentemente, se consolidado
como um poderoso mecanismo de exclusão, de controle e de estratificação
social tanto dentro quanto fora dos muros da escola. Observou-se ainda o
quanto este mecanismo, fundado em crenças grafocêntricas, segundo Gnerre
(1998), opõe-se à democracia ao trazer em seu bojo preconceitos linguísticos,
educacionais, culturais e sociais, promovendo a subalternização dos falares e
dos saberes de dados grupos sociais. Considerando-se que o aspecto coletivo da
fala constitui comunidades de afetos, como afirma Carvalho (2009), buscou-se
em Maturana (1998) estratégias viáveis de respeito ao outro como legítimo
outro no convívio social, propondo-se a ampliação das redes de saberesfazeres
presentes no currículo praticado no âmbito do cotidiano escolar, como sugere
Ferraço (2005). O resultado dessa abordagem crítica aponta para caminhos que
possibilitem: resgatar a coletividade; viabilizar, no nível do currículo praticado,
negociações no uso do código linguístico, como sugere Hall (2003) e Souza
Santos (2005, 2008); desenvolver no espaço escolar noções de comunidade nas
quais as diferenças possam ser respeitadas e traduzidas através dos saberes e
49
falares do outro, não mais relegados ao lugar do erro, e; formar sujeitos que se
saibam capazes e que transitem pela ampla rede de saberes e falares.
Palavras-chave: Democracia linguística, oralidade, saberes subalternizados.
50
Eixo temático: Democracia e Educação
El problema de la escasez en la educación chilena.
Una Barrera para el aprendizaje y la participación
Guillermo Zamora Poblete
Pontificia Universidad Católica de Chile
Chile
[email protected]
Resumen
En Chile, la calidad de la educación se presenta como un bien escaso. El
acceso a oportunidades efectivas para aprender es restringido. Los resultados de
las pruebas aprendizajes muestran que las escuelas chilenas están lejos de
asegurar que todos sus alumnos aprendan los contenidos mínimos de los
programas de estudios. Muchos son los obstáculos que impiden alcanzar
calidad para todos. El presente trabajo da cuenta de uno de ellos. Se trata de la
presencia de una contingencia, propia de la economía, que se ha instalado en el
sistema educacional chileno: esta es, la calidad de los aprendizajes como un
bien escaso. La escasez constituye la contingencia propia con la cual trata la
economía y para muchos resulta consistente que sea la ella la que resuelva el
problema de la escasez de la calidad de la educación. Sin embargo, la escasez
de la calidad de la educación no sólo es un problema “para” la economía, sino
también es un problema “de” la economía. Siguiendo a Luhmann (1993), el
sistema económico presenta el aprendizaje de calidad como un bien
necesariamente escaso, por lo cual más que estar orientado a resolver tal
situación, está orientado a mantenerla y potenciarla. En otras palabras, desde
una perspectiva económica, la educación está condenada a tener
permanentemente problemas de escasez de calidad. Esta situación es recurrente
en Chile, donde las mediciones educacionales suelen establecer escasos cupos
para las posiciones de privilegio: en la prueba nacional de ingreso a la
educación superior, sólo un porcentaje menor, previamente establecido, tiene la
posibilidad a obtener calificaciones satisfactorias. En vista de lo anterior, este
trabajo postula que la mejora de la calidad de la calidad de educación chilena
requiere superar la lógica de la escasez reubicándose en una de la
“abundancia”, la cual es garantía para asegurar aprendizajes para todos y para
el desarrollo democrático del país.
Palabras-clave: escazes, educación chilena, aprendizaje y participación.
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Eixo temático: Democracia e Educação
Una educación ciudadana de carácter moral y cosmopolita
Iván Darío Moreno Acero
Universidad de la Sabana
Colômbia
[email protected]
Resumen
Dentro del contexto de la investigación “Discursos y prácticas en la formación
de sujetos sociales de derechos” adelantada en la Facultad de Educación de la
Universidad de la Sabana, surge el interés por pensar los modos en que se está
fortaleciendo la ciudadanía desde cada uno de los ámbitos escolares, pues
algunos factores como por ejemplo los crecientes procesos de migración, la
ampliación de los lazos sociales por medio de la consolidación de redes
mundiales de comunicación, el aumento de la socialización a través de medios
virtuales, la instauración de comunidades virtuales de orden mundial e
intercultural, entre otros hechos. Hace necesaria la implementación nuevas
exigencias a los ciudadanos, en las que ha de primar su compromiso moral y
político con su contexto social, pero a la vez con el mundial, pues en las
actuales circunstancias de la globalización, la ciudadanía no es una condición
que pueda ser reducida espacial o temporalmente a un lugar geográfico
delimitado, sino por el contrario es un estado moral cosmopolita que desborda
la condición geográfica propia de los sujetos y los lleva a empoderarse y a
preocuparse de la situación de otros lugares, o del padecimiento que viven otros
sujetos, sin dejar de lado la reflexión de la condición de su propio ámbito de
vida. El objetivo de este texto es mostrar cómo para la formación de ciudadanos
se requiere de un fortalecimiento de los valores mórales cívicos, en donde los
niños, las niñas y los jóvenes articulen sus acciones civiles con base en un
horizonte moral cosmopolita que les permita ser parte activa en la construcción
de lo político de su contexto social. Sin embargo, este esfuerzo sería
incompleto si no se le acepta como un sujeto social de derecho, capaz de
participar desde su propia dimensión social y personal en la edificación de lo
que nos es común, y en especial de una sociedad abierta al diálogo y a la
aceptación reciproca de lo que nos diferencia o nos une a otros sujetos.
Palabras-clave: Formación ciudadana, moral cosmopolita, sujetos sociales de
derechos.
52
Eixo temático: Democracia e Educação
Relaciones entre Democracia Y Educación Científica
desde la perspectiva de Paul Feyerabend
Marina Leticia Camejo Manrique
Universidad de la República – Montevideo
Uruguai
[email protected]
Resumen
El problema que se pretende examinar en este trabajo remite a las relaciones
entre educación científica y democracia pero desde la óptica de Paul
Feyerabend. Para ello nos centraremos específicamente en “Cómo defender a la
sociedad contra la ciencia”, y en “Tratado contra el método”. La relevancia de
los problemas asociados a las relaciones entre ciencia y sociedad radica en que
no podemos negar la importancia ni la significación que tiene para nosotros el
conocimiento científico. En buena parte la imagen que tenemos de la empresa
científica es un legado de la postura positivista, que nos presentó a la ciencia
como el único conocimiento capaz de explicar los acontecimientos de la
realidad con verdad, además de prometernos un futuro mejor a través del
desarrollo de la misma. Frente a esto es que Paul Feyerabend propone a la
ciencia como un “cuento de hadas”, como un “mito”, como una “ideología”
más, ya que no se cuestiona la legitimidad de la misma sino que se asume su
poder basado en su capacidad explicativa, su capacidad predictiva, su
metodicidad y en su papel liberador de la opresión de la Iglesia. La ciencia
moderna permitió al hombre liberarse de las explicaciones que la religión
pretendía dar de los hechos naturales, así es como ciencia e ilustración surgen
de la mano.
Al haberse convertido en una ideología más, la simbiosis que
se ha generado entre ciencia y Estado perjudica la libertad de los hombres. A
razón de esto el autor aboga por una separación formal entre ciencia y Estado,
para que los hombres en el ejercicio de su libertad puedan decidir en qué
educarse. Los hombres han de poder elegir no solo que credo religioso seguir
sino también que saberes desarrollar.
Lo que se plantea es un
cuestionamiento de la ciencia, lo que solo puede ser llevado a cabo en
democracia. Democracia que debe fomentar y propiciar ámbitos donde se
discuta no solo la legitimidad de la ciencia como conocimiento sino también su
presencia en los planes de estudio.
Palabras-clave: Democracia, educación, Paul Feyerabend.
53
Eixo temático: Democracia e Educação
Educação, autonomia e os impasses para a
democracia com base na Teoria Crítica
Nivaldo Alexandre de Freitas
Instituto de Psicologia - Universidade de São Paulo
Brasil
[email protected]
Resumo
Esta comunicação pretende apontar alguns elementos da relação entre Teoria
Crítica e Educação a partir dos conceitos de indústria cultural, formação e
pseudoformação. O problema da pseudoformação foi teorizado por Theodor
Adorno no final da década de 1950 e encontra relações com o conceito de
indústria cultural cunhado anteriormente também por Adorno em conjunto com
Max Horkheimer na obra Dialética do Esclarecimento. Tais questões remetem
a uma preocupante regressão da cultura à barbárie, uma vez que os bens
culturais que auxiliariam a alcançar a emancipação humana se tornam somente
mercadorias, e a formação cultural pela metade, uma falsa formação, ajuda a
adaptar o sujeito às necessidades do sistema econômico e político, afastando a
possibilidade da já possível emancipação, uma vez que não mais existem as
limitações materiais como na época das descrições de Marx. Assim, é ainda
atual e necessária a análise que entenda como se forma a falsa consciência na
atualidade e busque com todos os problemas que tal análise também necessita
expor, o caminho para a resistência e para a autonomia, de forma que a
emancipação ainda possa ser realmente desejada e concretamente buscada pelos
humanos. Uma esfera social importante para fornecer resistências à barbárie é a
da arte. A literatura, por exemplo, é capaz de expor uma historiografia
inconsciente da cultura, ou seja, ela mostra o que ficou para trás na formação da
cultura e torna evidente a perda de sentido da realidade atual. Pretende-se expor
nesta comunicação como a literatura de Franz Kafka pode fornecer o choque
necessário para tocar a consciência alienada e levá-la ao desmascaramento da
aparência da realidade. Kafka, por meio da mímesis, pode levar à expressão
aquilo que a ciência e a filosofia não podem conceituar, tornando possível o
contato com elementos da cultura que são resultado de um projeto histórico
difícil de ser compreendido à luz da especialização dos saberes que torna a
realidade fragmentária. Entender a mensagem que estas obras preservam, bem
como a condição de experiência dos leitores é fundamental para refletir acerca
54
de uma educação que realmente seja capaz de formação, isto é, que possa
promover a autonomia no sentido do sujeito conduzir os rumos de sua vida sem
a direção de outrem.
Palavras-chave: Teoria crítica da sociedade, Formação, Ideologia, Franz
Kafka.
55
Eixo temático: Democracia e Educação
A gestão democrática da escola:
as contribuições de Lèvinas para a superação do totalitarismo
Paulo César de Oliveira
UNIFAL-MG
Brasil
[email protected]
Resumo
O totalitarismo se apresenta como uma possibilidade sempre presente ao
homem; para nós, latino-americanos, devido a pouca experiência democrática e
à dificuldade de conviver com a pluralidade de ideias e posturas, constitui-se
um desafio constante superar o autoritarismo, sobretudo na gestão das
instituições. As posturas autoritárias se encontram também no cotidiano da
gestão escolar, apesar de constatarmos um discurso diverso. Há, em todo o
processo de formação de docentes e na própria organização da educação, uma
forte presença da concentração do poder e grande dificuldade em despertar os
envolvidos no processo motivação e participação. O que fazer superar práticas
cotidianas autoritárias? Quais caminhos a filosofia pode oferecer aos docentes e
dirigentes? Diante dessa situação, faz-se necessário estudar o fenômeno do
autoritarismo, buscando alternativas de superação. Uma dessas alternativas
encontra-se na filosofia de Emmanuel Lèvinas. Especificamente nesse artigo, o
que nos interessa é mostrar como a filosofia moderna deu sustentação teórica a
concepções totalitárias que subsistem à gestão da escola e como superá-las
valendo-se da filosofia de Lèvinas. Uma das questões centrais do pensamento
moderno é o problema do conhecimento; e a teoria que entende o conhecimento
como dominação do objeto pelo sujeito está na base de uma filosofia da
totalidade e de regimes totalitários. O referencial para esse tipo de abordagem é
encontrado também na filosofia de Lévinas. A superação do totalitarismo se dá
mediante uma filosofia que rejeite a identificação e a redução de tudo ao eu e,
simultaneamente, admita a existência e a irredutibilidade do outro, do diferente.
O totalitarismo não pode ser ignorado; mas a filosofia ocidental se esquivou de
sua responsabilidade de olhar honestamente para situações simples e complexas
(como o holocausto) a que o autoritarismo pode chegar. Além do mais, a
filosofia forneceu terreno fértil para que o holocausto tomasse forma mais
facilmente. A filosofia não pode tratar o autoritarismo de forma
irresponsavelmente romântica, chegando a fornecer justificativas antecipadas e
56
tornado-se cúmplice do crime que expressa a que ponto pode chegar o
autoritarismo: Auschwitz.
Palavras-chave: Gestão, totalitarismo, filosofia.
57
Eixo temático: Democracia e Educação
Identidade e diferença:
a formação de professores (as) na perspectiva da diversidade
Polianne Delmondez Oliveira
Universidade de Brasília
Brasil
[email protected]
Resumo
Este trabalho é fruto de uma pesquisa teórico-prática sobre as concepções de
identidade e de diferença, problematizadas a partir de uma visão crítica no
contexto da diversidade cultural. A proposta foi realizar uma análise conceitual
dos termos cultura, identidade, diferença e diversidade e multiplicidade, a partir
dos referenciais colocados e situar o texto no cenário contemporâneo. O estudo
teórico ancorou-se numa investigação sobre o tema junto a professores/as.
Assim, foram colocadas questões referentes à educação, trazendo considerações
sobre o processo de formação de professores/as. O conceito de diversidade foi
tratado em dois contextos durante o trabalho. No primeiro momento, tomam-se
os debates sobre o multiculturalismo. Em seguida, num segundo momento,
elegem-se as questões contemporâneas sobre cultura como campo de reflexão.
Para posteriormente, serem trabalhados os conceitos de identidade e diferença.
Por meio de uma problematização ética e política, consideram-se dois
importantes fatores: o contexto atual da globalização e o processo histórico de
exclusão social das minorias étnico-raciais, de gênero, entre outras. Durante a
realização do trabalho, os conceitos auxiliaram na investigação sobre as
questões relativas à educação no mundo contemporâneo. Assim, a temática
lançou reflexões em torno das problemáticas da identidade na atualidade e
também perpassou por uma problematização em torno da diferença e do direito
à diferença no espaço educativo. A partir desse estudo, foi possível
compreender a necessidade de uma formação docente sensível às questões
colocadas atualmente, ou seja, a emergência e a expressão de grupos
minoritários que resistem às pressões sociais que, muitas vezes, são propulsoras
de discriminações e preconceitos. Ainda, discutiu-se a necessidade de uma
formação docente comprometida com práticas éticas e políticas. A abertura e a
sensibilidade de professores/as à temática pode impulsionar, no espaço
58
educativo, a emergência de práticas culturais que reconheçam a diversidade de
perspectivas e das identidades de diferença.
Palavras-chave: identidade, diferença, formação de professores (as).
59
Eixo temático: Ensino de filosofia
É possível ensinar filosofia na escola inclusiva?
Adriany Thatcher Castro Soares
PIBID-Filosofia / UFBA
Brasil
[email protected]
Resumo
Considerando a importância da Filosofia no processo formativo dos indivíduos,
o presente trabalho visa abordar as convergências e diversidades presentes na
atual conjuntura educacional que, por um lado, desde a publicação da Lei
11.684 de 2008 torna obrigatório o ensino de Filosofia e, por outro, desde a
década de 1990, a partir de uma diversidade de Leis e Decretos, assume o
compromisso da Educação Inclusiva. A partir da experiência do estágio
supervisionado, pré-requisito para a conclusão do Curso de Licenciatura em
Filosofia/UFBA, apresenta-se neste trabalho algumas considerações a cerca de
um momento da trajetória de formação teórica da licenciatura: o estágio. No
contexto do atendimento às demandas inclusivas, o estágio supervisionado foi
realizado em uma instituição de apoio pedagógico especializada no
atendimento de pessoas deficientes visuais, em Salvador-Ba. O estágio foi
realizado com um grupo de nove educandos, com diagnóstico de deficiência
visual (baixa visão) freqüentadores, em turno oposto, do Ensino Fundamental
em escolas regulares de ensino. São discutidas as implicações das informações
coletadas durante o período de observação diagnóstica; a escolha da temática de
trabalho, o planejamento, adaptação e avaliação das atividades considerando as
especificidades desses sujeitos educacionais, vinculando o pensamento
filosófico com a definição dos conceitos estudados em articulação à realidade
vivenciada por esses sujeitos, base constante para as discussões, análise e reescrita dos textos. Conclui-se que, as reflexões que a Filosofia possibilita
favorecem a atitude investigativa, a articulação de argumentos coerentes, a
expressividade de modo dialógico, enfim, a ampliação da capacidade de pensar
de forma autônoma. Mesmo assim, a formação do licenciado em Filosofia
carece de uma interação entre os conceitos e problemas abordados e as
condições histórico-sociais que requerem a compreensão e aceitação da atual
diversidade dos sujeitos educacionais.
Palavras-chave: Ensino de filosofia, educação Inclusiva, deficiência visual.
60
Eixo temático: Ensino de filosofia
Formação ou deformação? A filosofia na formação continuada de docentes
do Centro Paula Souza, na modalidade semipresencial
Aglaé Cecília Toledo Porto Alves
PUC/SP
Brasil
[email protected]
Resumo
A Pontifícia Universidade Católica de São Paulo em parceria com o Centro
Paula Souza ofereceu um Curso de Especialização – Formação de Orientadores
da Aprendizagem para EaD - FOA para os seus docentes que trabalham no
programa TELETEC. O TELETEC é um curso profissionalizante, na
modalidade educação a distância - EaD, ofertado para os alunos do Ensino
Médio do curso regular, em parceria com a Secretaria do Estado da Educação.
A duração do curso foi de dois anos, sendo que no primeiro semestre de 2009
foi ofertado o primeiro módulo com o EaD na Prática. Neste curso, a EaD é
discutida a distância, se configurando como um metacurso que procura abrir o
leque das possibilidades e enfatizar a importância de uma mediação amorosa e
presente como o grande diferenciador da qualidade de um curso em EaD. Foi
apresentada a possibilidade da religação dos saberes de Morin, por meio da
lógica do “e” da junção pós-moderna que se contrapõe ao “ou” da disjunção da
sociedade moderna. Durante todo este módulo, houve a tentativa de
aproximação entre a teoria e a prática, ao suscitar a comparação e o
estabelecimento de relação entre aquilo que estava sendo discutido na teoria e
na prática do curso e as práticas pedagógicas rotineiras das escolas técnicas.
Nós módulos seguintes foram tratados diversos assuntos vistos por olhares
múltiplos, como afirma Proust: A verdadeira viagem do conhecimento não
consiste em buscar novas paisagens, mas novos olhares A paisagem nem
sempre pode ser alterada, mas pode-se multiplicar as possibilidades de olhares
em relação a ela, transformando-a, reinventando-a. Há três espécies de homens:
Os vivos, os mortos e os que andam no mar.(Platão) Esse foi um convite
explícito a abandonar a lógica da sociedade moderna que imaginava que pela
objetividade, racionalidade e cientificidade poderia se manter o controle
absoluto, fortalecendo o sentimento de uma pretensa segurança. A lógica
apresentada foi a necessidade de criar a leveza que permite andar sob as águas,
semelhante a Perseu que voa com sandálias aladas, como também, a
61
necessidade de criar coragem para lançar-se, sem medo, sem amarras, sem
receio do movimento incontrolável das águas.
Palavras chave: formação continuada, reflexão, si mesmo.
62
Eixo temático: Ensino de filosofia
O ensino de filosofia: novos contextos e antigas exigências
Alex Sander da Silva
Universidade do Extremo Sul Catarinense – UNESC
BRASIL
[email protected]
Resumo
O presente texto é um recorte revisado e ampliado de nossa dissertação de
mestrado, defendida no ano de 2005 no Programa de Pós-Graduação em
Educação da Universidade Federal de Santa Catarina. O projeto visou analisar
os sentidos que os professores davam para o ensino de filosofia no ensino
médio. O debate voltou-se para as discussões sobre as condições desta
disciplina e as razões dela fazer parte da grande curricular em escolas públicas
e particulares de Santa Catarina. Naquele momento a disciplina era obrigatória
em Santa Catarina e em alguns Estados da Federação. A tentativa de fazer um
debate sobre a necessidade do retorno dela para o âmbito das escolas foi ampla
nacionalmente. Mas foi somente em junho de 2008 que se aprovou a lei da
obrigatoriedade do ensino de filosofia e sociologia no Ensino Médio em todas
as escolas públicas e privadas do Brasil. A sanção deu fim a um processo
político que durou no mínimo dez anos. Nossa intenção aqui é recolocar o
debate no âmbito da presença da filosofia na Proposta Curricular de Santa
Catarina e agora sendo obrigatória no contexto nacional. Mais do que uma
revisão de sentido pretende-se apontar o ensino de filosofia, não apenas como
uma disciplina a mais a ser ministrada, mas que vá para além das
simplificações dos processos educativos. A filosofia como modalidade de
conhecimento se configura num conjunto de características singulares e
problemático para ser abordado. E, dificilmente se chegará a um consenso
sobre a abordagem mais adequada para se pensar na possibilidade do ensino
desse conhecimento. Isto é, ensinar filosofia não é simplesmente à mera
administração de conteúdos previamente selecionados. Nesse sentido,
inicialmente discutiremos até que ponto o ensino de filosofia, no atual contexto
de obrigatoriedade, pode manter sua condição de formação crítica no espaço
escolar. Em seguida, vamos tratar das prerrogativas de ensinar filosofia no
âmbito da proposta curricular catarinense. E, por fim, destacar a experiência da
formação do Laboratório Interdisciplinar de ensino de filosofia e sociologia no
ensino médio (LEFIS).
Palavras-chave: Filosofia, Ensino de filosofia, Proposta Curricular Catarinense.
63
Eixo temático: Ensino de filosofia
Educação moral: PCNs e o ensino de ética na Educação de Jovens e
Adultos – EJA
Amâncio Leandro Correa Pimentel
Maria Dulcinea da Silva Loureiro
Universidade Regional do Cariri - URCA
Brasil
[email protected] e [email protected]
Resumo
A questão: é possível uma educação moral? Encontra diferentes respostas na
educação brasileira com a implementação de políticas educacionais
materializadas em disciplinas como “Educação Moral e Cívica”, “Orgnização
Social e Política Brasileira – OSPB” e, em 1997 com a implementação dos
Parâmetros Curriculares Nacionais - PCNs com o Tema Transversal Ética. Uma
reflexão sobre uma formação ética deve pressupor e explicitar o que a norteia e,
uma análise que busque compreender uma proposta que faz parte de uma
política pública de formação ética deve levar em conta esses pressupostos
implícitos ou explícitos que se encontram subjacentes a estas formulações. O
presente texto é fruto de uma pesquisa que é tecida à partir de: (i)
aprofundamento teórico com a análise do Tema transversal Ética, Paulo Freire
e Martin Bubber; (ii) trabalho de campo que constou de observações realizadas
nos espaços de socialização de uma escola de Juazeiro do Norte - Ce em duas
salas de aula de Educação de Jovens e Adultos – EJA e (iii) entrevistas
realizadas com as professoras. O trabalho de campo buscou apreender: a
compreensão dos professores acerca dos PCNs mais especificamente do tema
transversal Ética; como os professores conceituam e vivenciam o diálogo na
sua prática docente; a questão da afetividade e da autonomia como elementos
para a constituição da identidade e da moralidade dos jovens. A análise da
proposta dos PCNs revelou a ausência de uma reflexão sobre a construção da
identidade, do achado do eu no outro, do achado do outro em sua alteridade,
que seria o sentido da ética. Outra percepção que tivemos é a de que assuntos
de grande importância e que estão no âmbito da ética como autonomia,
expressividade, criatividade e diálogo são pouco ou quase nada trabalhados no
documento. Qualquer trabalho que tenha por objetivo uma formação humana,
no mais amplo sentido do termo pressupõe o diálogo, não como algo que se
agrega para fins técnicos ou como monólogo, mas como reconhecimento do
outro em sua alteridade e de si no outro.
Palavras-chave: Ética, PCNs, Educação de Jovens e Adultos.
64
Eixo temático: Ensino de filosofia
Aprendizagem do pensamento em filosofia e a
ante-sala do trabalho com os conceitos filosóficos
Américo Grisotto
Faculdades Network – Nova Odessa/SP
Brasil
[email protected]
Resumo
Este trabalho retoma algumas das ideias desenvolvidas em minha tese de
doutorado, que objetivou indicar outras possibilidades à aprendizagem
filosófica em acréscimo às propostas já existentes tais como: a abordagem
interdisciplinar do conhecimento, as que se sustentam a partir da análise e
reflexão da realidade, aquelas que veem na assimilação da história do
pensamento a própria atividade filosófica. Tal iniciativa encontrou sua
relevância em razão da Lei 11.684/08, que tornou novamente obrigatória no
currículo a disciplina de filosofia, reinaugurando em nossas escolas de Ensino
Médio um espaço e tempo efetivos para a sua prática e desenvolvimento. A
metodologia utilizada pautou-se, sobretudo, na leitura e interpretação dos
escritos dos pensadores franceses Gilles Deleuze e Félix Guattari (1992), os
quais afirmam que são sempre possíveis novas invenções e planos de
consistência no âmbito da filosofia. Neste sentido, essa proposta, forjada a
partir da pedagogia do conceito, desenvolvida por esses autores, teve
pretensões de provocar um fora dentro da história da filosofia, pelo qual o lugar
do sujeito, comumente associado aos universais, viesse a ser ocupado por
outros processos de subjetivação. Assim, o que acabou por ser indicado como
horizonte da aprendizagem filosófica, é que fossem múltiplas as suas entradas,
de modo que a força presente nesse movimento não apenas fizesse jus à
diversidade dos seus contextos e suas expressões, mas se justificasse pela
liberdade de pensamento. Tal perspectiva tem sua razão de ser pela capacidade
que todos têm de se potencializar em encontros que ofereçam o que pensar no
pensamento, o que pode levar aqueles envolvidos com a filosofia a equacionar
problemáticas e reavaliar seus pontos de vista, trazendo, deste lugar da
reinvenção da realidade, novos recomeços para filosofia. Nesse contexto,
sustentamos nestes apontamentos que a expressão conceitual em filosofia tem
por finalidade atender a um problema, ou a vários deles, porque não deixa de
ser um artefato de luta face às ideias que nos capturam no pensamento.
Tomando-a como uma invenção, é de sua natureza resistir ao tempo estagnado
65
contraefetuando-lhe novas estilizações do que significa pensar, cujo contraste
tende a ofuscar, nesse âmbito, a repetição do mesmo.
Palavras-chave: afecção/signo, desejo, problema, conceito, aprendizagem em
filosofia.
66
Eixo temático: Ensino de filosofia
Identidade da filosofia no ensino sul-mato-grossense
André Soares Ferreira
PPGEdu – UFGD
Brasil
[email protected]
Resumo
O presente trabalho objetiva demonstrar ou apreender a identidade do ensino de
filosofia sul-mato-grossense, assim como delinear algumas facetas desse
ensino. A Filosofia enquanto disciplina, está presente no currículo escolar do
estado de Mato Grosso do Sul desde 2001, e para pensá-la é preciso
compreender as leis, orientações e resoluções que a regulam e que a
implementaram como componente curricular. Entende-se que o Estado espera
que a Filosofia – presente na escola como disciplina obrigatória do currículo
educacional estadual – atenda e corrobore para que os objetivos propostos para
a educação sejam consolidados. Assim sendo, para pensar o ensino de filosofia,
é preciso partir da análise das leis e normas que o implantaram e buscam
regulá-lo enquanto disciplina escolar. Entretanto a pergunta que surge é se a
Filosofia, enquanto disciplina, deve atender aos interesses do Estado? O
presente busca apoio em Althusser para pensar a escola como representante do
Estado na formação cidadã e apóia-se em Deleuze na tentativa de pensar a
identidade da Filosofia. Infere-se com esse trabalho que o Estado, por meio de
suas leis e normas, tenta fazer da Filosofia escolar uma ferramenta para manter
e reproduzir a ideologia dominante, uma vez que o Estado quer que a educação
e consequentemente a filosofia escolar, atenda a seus interesses.
Palavras-chave: Filosofia, educação, ideologia.
67
Eixo temático: Ensino de filosofia
Pós-modernidade e Educação no Capitalismo contemporâneo
Cristiane Maria Marinho
UNICAMP
Brasil
[email protected]
Resumo
O presente trabalho apresenta uma resenha do livro Pensamento pós-moderno e
educação na crise estrutural do capital, que se norteia pela hipótese de que o
pensamento pós-moderno e sua reflexão sobre a educação expressam os
movimentos do capital contemporâneo na sua crise estrutural compondo uma
totalidade social, mas considera também as possibilidades emancipatórias do
pensamento pós-moderno. A escolha desse tema se justifica dada a sua
relevância atual na academia e na sociedade em geral, e a importância de
refletirmos sobre a contemporaneidade. O livro analisa o pensamento pósmoderno e a educação em Lyotard e Vattimo no contexto da crise estrutural do
capital contemporâneo e tem por objetivo elaborar uma crítica ao pensamento
pós-moderno e à sua categoria central da Diferença, apresentando-os como
expressões ideológicas da produção material dessa crise, demonstrando
criticamente suas reflexões e seu impacto ideológico na Educação a partir do
referencial teórico marxista: Mandel, com ênfase no conceito de capitalismo
tardio e a terceira revolução; Meszáros, com prioridade na crise estrutural do
capital e sua incontrolabilidade, ativação dos limites absolutos e taxa
decrescente de utilização da mercadoria; Jameson e Harvey, com a elaboração
de sua crítica ao pensamento pós-moderno como expressão ideológica do
capitalismo tardio. O estudo crítico que traz o livro resenhado, também
investiga se o pensamento pós-moderno e sua ideia acerca da Educação
expressa a lógica do capital: em Lyotard, foi explorado o papel da universidade;
em Vattimo, a reflexão foi sobre a libertação midiática das diferenças e o novo
ideal hermenêutico para a educação. O resultado da pesquisa demonstrou que o
pensamento pós-moderno e sua influência sobre a educação expressam o
movimento e os interesses do capital contemporâneo na sua crise estrutural: a
determinação do capitalismo tardio sobre a educação foi vista por meio da
influência da terceira revolução tecnológica no ensino superior, partindo do
pensamento de Mandel; a influência da crise estrutural do capital na educação
foi analisada, a partir das reflexões de Meszáros. Contudo, a investigação
68
demonstrou, ainda, que o pensamento pós-moderno, apesar de seus limites
epistemológicos e educacionais, também contribuiu com avanços e
possibilidades emancipatórias.
Palavras-chave: Pós-Modernidade; capitalismo; educação.
69
Eixo temático: Ensino de filosofia
O básico para alguma filosofia
Jean Dyêgo Gomes Soares
Universidade Federal de Ouro Preto – UFOP
Brasil
[email protected]
Resumo
Este trabalho quer avaliar qual o desempenho de Philosophy: The Basics
(Londres: Routledge, 1999), livro escrito por Nigel Warburton, filósofo,
professor e palestrante na Open University, Inglaterra, traduzido no Brasil
por O Básico da Filosofia com tradução de Eduardo Francisco Alves (São
Paulo: José Olympio, 2008). Trata-se de um livro declaradamente adepto a uma
maneira analítica de fazer filosofia e parece apresentar uma fórmula didática
interessante para um livro introdutório. Farei um estudo em dois momentos. No
primeiro, a avaliação do livro acontece de forma teórica, com considerações
idealizadas sobre a aplicação do livro. Posterior a aplicação do livro em alunos
do ensino médio procede uma crítica da avaliação inicial subsidiada pelos
conflitos, dificuldades e acertos, a apresentar assim as vantagens e
desvantagens de O Básico da Filosofia quando aplicado em sala de aula. Ainda,
vale ressalvar que se trata de um estudo sobre a legitimidade didática do livro
que, inevitavelmente, esbarra em uma discussão sobre sua legitimidade
filosófica, inquirindo-o sobre sua pretensão de apresentar o que é básico a uma
introdução à Filosofia. Criadas as novas demandas do ensino de Filosofia no
ensino médio, uma das ferramentas importantes para efetivar esta prática de
ensino é o livro didático. No entanto, há de se estudar com rigor quais são as
vantagens e desvantagens do uso dos diversos manuais, já que a disciplina
Filosofia, por sua natureza, não possui núcleos consensuais de conhecimento a
lecionar, o que cria grandes dificuldades aos livros didáticos, pois têm de fazer
escolhas que nem sempre agradam a todos os profissionais da área ou
condigam com o que deveria ser ensinado. Este estudo pressupõe que algo
parece consensual para avaliar o desempenho de um livro didático: as
orientações curriculares para Ensino Médio. Estas são a medida, não sabemos
se justa, mas disponível para a avaliação dos livros didáticos, pois estabelece
pontos básicos que devem, a princípio, atender as mais variadas demandas do
ensino de Filosofia. Assim, pretendemos neste trabalho inquirir Warburton
sobre se sua obra realmente apresenta o básico a ser ensinado em Filosofia; se
possui ferramentas didáticas suficientes para levar tal tarefa a cabo.
70
Palavras-chave: Filosofia da Educação, Ensino de Filosofia, Introdução,
Legitimidade Filosófica, Materiais Didáticos.
71
Eixo temático: Ensino de filosofia
A implementação da disciplina de Filosofia no ensino médio:
um estudo das escolas estaduais no município do Rio Grande-RS
Jorge da Cunha Dutra
Mauro Augusto Burkert Del Pino
Universidade Federal de Pelotas
Brasil
[email protected] e [email protected]
Resumo
O presente trabalho apresenta parte dos resultados de uma pesquisa
desenvolvida no ano de 2010, em 10 escolas estaduais de Ensino Médio,
regulares e diurnas, do município do Rio Grande-RS. Tomando por base a
implantação da Lei 11.684/08, consideramos pertinente investigar de que modo
a disciplina de Filosofia encontra-se presente nas respectivas escolas, no que
diz respeito às suas condições de implementação. Neste sentido, o objetivo da
investigação é conhecer a realidade dessa disciplina, a fim de saber se a mesma
apresenta condições suficientes para o exercício das atividades filosóficas em
diálogo com os saberes abertos. Buscando atender ao objetivo da pesquisa, a
metodologia utilizada foi a entrevista estruturada e aberta com os docentes das
respectivas escolas. A organização e análise dos dados coletados tomam por
base a análise de conteúdos. As considerações finais da investigação levam ao
indício de que o reduzido número de docentes licenciados em Filosofia
apresenta-se como um ponto que pode prejudicar o trabalho com os saberes
específicos deste campo de ensino. Observamos também que se faz necessário
o aumento da carga horária semanal de aula, pois com o predomínio do período
de uma hora/aula, o trabalho filosófico fica prejudicado, não sendo possível
realizar debates profundos e nem trabalhar com filmes completos. Um outro
fator encontrado refere-se ao fato de que a reduzida carga-horária influencia na
grande quantidade de turmas que os docentes tem que atender e na rotatividade
no atendimento de várias escolas e acúmulo de disciplinas por parte dos
professores, pois os mesmos, para cumprirem suas jornadas, precisam atender
mais de uma instituição de ensino, o que dificulta muito o vínculo com uma
comunidade escolar. Neste sentido, consideramos que seja muito importante
que as escolas, juntamente com a Coordenadoria Regional de Educação,
repensem a rotatividade docente interescolar, a fim de evitar o prejuízo na
qualidade do ensino. Esses fatos demonstram a perda que sofre a disciplina de
72
Filosofia, tanto no que tange a questão referente ao aprofundamento dos
saberes específicos do campo filosófico, quanto na efetivação do exercício
dialógico desses saberes com os saberes abertos.
Palavras-chave: Ensino de filosofia, ensino médio, saberes abertos e
específicos.
73
Eixo temático: Ensino de filosofia
Filosofia da Educação: contribuições Deleuzianas
José Rogério
Vitkowski
Universidade Estadual de
Ponta Grossa-PR
Brasil
[email protected]
Resumo
Esse texto é resultado de uma pesquisa exploratória na qual é problematizada
a função da atividade filosófica, e por decorrência, da filosofia da educação.
Epistemológica e metodologicamente o trabalho tem como referência central a
perspectiva Deleuze-Guattariana, desenvolvida também pelo filósofo da
educação brasileira Silvio Gallo, de tomar a filosofia como atividade de
criação de conceitos. Adentrar na perspectiva dos autores é uma tarefa que
requer um redimensionamento da centralidade da produção conceitual na
tradição filosófica, com todos os seus ingredientes de problematicidade e de
possibilidades. Vale relembrar que da Paidéia Grega aos nossos dias a filosofia
esteve envolvida direta ou indiretamente com as questões educacionais. Esse
extenso e rico processo, de diferentes tradições, sempre trouxe consigo a
permanente questão da natureza da atividade filosófica através da incansável
pergunta “o que é filosofia”? Nesse contexto, uma proposta que se apresenta
diferenciada e interessante é a deleuziana, na qual se concebe a filosofia
como criação de conceitos. O conceito é uma aventura do pensamento que
institui um acontecimento, vários acontecimentos. É um dispositivo, que faz
pensar, que permite, de novo, pensar. Assim a filosofia mostra-se como
produção, como ato essencialmente criativo, a partir desse lócus epistêmico
diferenciador. Entretanto, se filosofia remete à criação conceitual, é
importante indicar as condições de possibilidades de sua produção, a qual pode
ser compreendida como uma “pedagogia do conceito”. Por meio dessa
atividade criadora, pode-se promover um processo de desterritorialização de
conceitos para o plano de imanência educacional . Provoca-se assim vários
transbordamentos e implicações para a filosofia da educação e também para o
ensino da filosofia . Ficam em suspenso as noções definidoras da filosofia
como contemplação, comunicação ou reflexão. A primeira, de inspiração
platônica, conduz à contemplação passiva. A segunda por pretender o
74
consenso, mais do que o conceito. A terceira, por não indicar a especificidade
da filosofia. Portanto, a noção corrente de filosofia da educação enquanto
“reflexão sobre” é despotencializadora. E se a filosofia
é criação de
conceitos, cabe ao filósofo da educação, uma vez pungido pelos problemas
educacionais, promover
experiências de pensamento significativas nos
diferentes espaço-tempos educativos. Assim, a filosofia da educação contribui
no trabalho de inversão de um tipo de platonismo estéril, de dúbia condição e
de ampla presença na educação.
Palavras-chave: filosofia da educação, ensino de filosofia, Deleuze.
75
Eixo temático: Ensino de filosofia
O cultivo de si e o ensino de Filosofia
Lúcia Schneider Hardt
UFSC
Brasil
[email protected]
Resumo
O ensino da Filosofia na Graduação implica uma ação complexa. Sem dúvida
ela precisa estar presente nos processos de formação de professores, mas não
pode restringir-se a uma atitude abstrata e de recitação conceitual. O estudo
sobre Nietzsche atravessado por questões pedagógicas tem trazido novos
desafios ao ensino da Filosofia em cursos de formação de professores. A idéia
do cultivo de si e produção de experiência estética indicam outro tempero para
o professor em formação. O caminho é ambíguo e pode descambar para uma
prática simplista, imaginando tudo colar, tudo ajustar e tudo compreender na
relação com o educativo. Pelo contrário a idéia do cultivo de si significar evitar
o ajuste e a excessiva adequação. Formar-se significa dar a si mesmo o direito
de escolher itinerários. O pensamento nietzschiano implica um embate com o
pensamento metafísico que deseja ver preservado um pensamento dualista. De
um lado está o bem, de outro o mal. Conhecer não significa desvelar, atingir,
acessar o mundo das idéias, mas conhecer implica lidar com o pensamento
interpretativo. Nietszche afirma que desconfia que não exista mesmo
adequação entre as coisas e o pensamento. O otimismo lógico vem se
fragilizando por força da fecundidade do pensamento interpretativo, que não é
arbitrário, mas apóia-se na realidade para buscar compreender como o que fica
anunciado como verdade é fruto de uma perspectiva encharcada de valores.
Segundo Nietzsche é preciso perder o respeito pelo TODO e nesse esforço faz
sempre de novo um convite a todos nós para que habitando espaços
pretensamente assépticos e bem definidos não nos deixemos capturar pelo
Todo. Essa parece ser uma provocação interessante para educadores, habitantes
de espaços institucionais que parece deveriam preservar sua condição de
curiosidade para pensar as práticas e entender o que elas indicam e assim
decidir sobre a pertinência de enfrentá-las ou não.
Palavras-chave: cultivo de si, filosofia da educação, arte.
76
Eixo temático: Ensino de filosofia
O Ensino da Filosofia no Ensino Médio do Sistema FIEB:
Um Estudo de Caso do Café Filosófico no SESI/BA
Eniel do Espírito Santo
Luiz Carlos Sacramento da Luz
Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial – SENAI/BA
Brasil
[email protected] e [email protected]
Resumo
O pragmatismo do ensino de nível técnico deixa pouco espaço para reflexões
críticas e questionamentos filosóficos necessários para a formação da
construção da autonomia do educando em relação à sua prática profissional.
Todavia, a obrigatoriedade do ensino de Filosofia nos Parâmetros Curriculares
Nacionais do Ensino Médio – PCNEM impõe um desafio no processo de
ensino e aprendizagem visando torná-la mais próxima da realidade do
educando. Percebe-se que nos modelos de articulação entre o ensino médio e o
nível técnico operacionalizados pelo Sistema FIEB – Federação das Indústrias
do Estado da Bahia, o ensino de Filosofia constitui-se num elemento
fundamental para a formação de um ser pensante com elevado nível de
criticidade e não um mero reprodutor de atividades. Diante disso, este artigo
apresenta o seguinte problema central de discussão: como é possível inserir o
ensino da filosofia numa proposta de educação que articule os conteúdos do
ensino médio com os dos cursos técnicos demandados pela Indústria? O
objetivo geral desta reflexão é propor um modelo de ensino de Filosofia que
associe os saberes filosóficos num contexto dialético prático do educando na
indústria. Já os objetivos específicos são: compreender as bases pedagógicas
que norteiam o ensino da filosofia; analisar o estudo da filosofia no contexto
industrial; descrever a aplicação da proposta pedagógica do Café Filosófico
desenvolvido no âmbito do ensino médio do SESI/BA – Serviço Social da
Indústria – Departamento Regional da Bahia, como instrumento de maturação
do educando para sua inserção no convívio profissional da indústria e propor a
aplicação da metodologia do Café Filosófico como instrumento de articulação
teórico-prático do educando em sua práxis profissional. A metodologia
utilizada foi um estudo exploratório descritivo, de natureza qualitativa, que
utilizou a pesquisa bibliográfica como fonte de dados e uma pesquisa de campo
operacionalizada na forma de estudo de caso. O artigo conclui que a filosofia
constitui-se um eixo propulsor da compreensão de outras áreas do saber. O
77
estudo de caso demonstrou que através das provocações e questionamentos
sugeridos de forma lúdica no Café Filosófico, como atividade da disciplina
Filosofia no SESI/BA, desenvolveu-se a criticidade do educando como
competência essencial para a compreensão e desempenho nas diversas
disciplinas do ensino médio e do nível técnico bem como na vida prática.
Palavras-chave: Filosofia, ensino, indústria.
78
Eixo temático: Ensino de filosofia
Kant e Hegel sob a perspectiva do ensino de filosofia (na educação
brasileira)
Luciene Antunes Alves
UFMG
Brasil
[email protected]
Resumo
O trabalho em questão visa retratar a posição de dois filósofos em relação ao
Ensino de filosofia. Uma das questões diz respeito ao pensador iluminista
Emmanuel Kant. O filósofo afirma que não se deve ensinar filosofia e sim o
filosofar. Em contraposição, o filósofo Hegel indaga que ao ensinarmos
filosofia já estamos ensinando o filosofar. Assim propomos a seguinte
discussão: Na atual conjuntura sócio-educacional brasileira, o que, como
profissionais da área, nos convém: Ensinar filosofia ou ensinar o filosofar?
Qual via seguirmos? De antemão já respondemos que a melhor via será a que
se adequa à atual política educacional em relação ao ensino de filosofia –
ensinar filosofia concomitante ao filosofar. A pesquisa concentrar-se-á nos
textos pedagógicos de Kant e Hegel e nas teses sobre o ensino de filosofia no
Brasil. Valer-se-á das edições críticas, das traduções modernas disponíveis,
juntamente com outros textos dos filósofos em questão. Acrescenta-se ainda
que a metodologia a ser trabalhada levará em conta a análise textual,
acompanhada sempre da remissão ao contexto filosófico dos autores em estudo.
Palavras-chaves: Filosofia, história da filosofia, educação brasileira, espírito,
política educacional.
79
Eixo temático: Ensino de filosofia
Filosofia: o pensar crítico nas Instituições de Ensino Superior
Maria Anastácia Ribeiro Maia Carbonesi
Cleide Bezerra da Silva
Centro Universitário do Distrito Federal
Brasil
[email protected] e [email protected]
Resumo
O texto faz uma breve reflexão sobre as diferentes perspectivas que o
pensamento filosófico possibilita realizar sobre o processo de
profissionalização de jovens e adultos que ingressam em instituições de ensino
superior. A subordinação da formação acadêmica à demanda mercadológica
atual estabelece um conflito entre reflexão crítica e profissionalização, levando
a uma contradição cada vez maior entre o que Marx definiu como trabalho
manual e trabalho intelectual. A busca pela mobilidade social rápida, a partir da
graduação, oportuniza que o universitário não perceba a reflexão filosófica
como algo necessário para a compreensão da realidade teórica e prática no
exercício profissional e da existência humana. Por meio do exercício reflexivo,
realizou-se uma leitura sobre o olhar de alguns filósofos, com o intuito de
mostrar a relevância da atividade filosófica para a compreensão das complexas
relações sociais que se estabelecem nas sociedades contemporâneas no âmbito
profissional e/ou pessoal.
Palavras-chave: Formação acadêmica, existência humana, filosofia, relações
sociais.
80
Eixo temático: Ensino de filosofia
Experiência no PIBID: contribuição para a
melhoria das aulas de filosofia dada por não-filósofos
Miécimo Ribeiro Moreira Júnior
UFRRJ
Brasil
[email protected]
Resumo
Este trabalho é um relato de experiência vivenciada durante a primeira etapa de
atividade do Programa institucional de Bolsas de Iniciação a Docência(PIBID)
do curso de Filosofia da UFRRJ em escolas, no período de 2010/2. O PIBID de
filosofia da UFRRJ desempenha o trabalho em três instituições de ensino:
Colégio Estadual Presidente Dutra, CIEP-155 Nelson Antelo Romar e Escola
Politécnica Joaquim Venâncio. Nestas três instituições ocorre um periódico
rodízio de três eixos temáticos: Estética, Política e Conhecimento. O rodízio
ocorre entre os eixos e entre os bolsistas, que no total formam um grupo de 24
integrantes, sendo assim divididos em três subgrupos, formados por oito
bolsistas cada, fazendo com que todos os alunos participem de atividades nas
três escolas, nos três eixos propostos, com o tema central, “Redes Sociais e
Processos de (Des)Subjetivação". Com o relato desta experiência na escola
apresento a organização, atuação e distribuição dos bolsistas que integraram o
eixo estética, desenvolvido no Colégio Estadual Presidente Dutra, localizado
em frente ao campus da UFRRJ (Seropédica/RJ), no segundo semestre de 2010.
Também apresento um relato sobre a convivência na escola entre bolsistas,
professores e alunos. Em destaque está a contribuição das atividades propostas
e executadas para as aulas de filosofia que, pela falta de professores formados
na área, são desempenhadas por pedagogos que possuem espaço em sua grade
de horário. Junto a isto, apresento o produto final desta etapa (2010/2), que
consiste em relatórios das atividades e dicas para tornar as aulas mais sedutoras
por meio da estética. A forma pela qual o produto final pode ser acessado é o
próprio produto, ou seja, o Blog criado pelo subgrupo (http://pibid-filosofiaufrrj-estetica.blogspot.com), contendo todas as dicas, relatórios de atividades e
propostas, abrindo assim um espaço para debate on-line com todos os
interessados e mantendo uma contínua produção de conteúdo via web.
Palavras-chaves: PIBID, ensino de filosofia, relato.
81
Eixo temático: Ensino de filosofia
La didáctica de la filosofía como metafilosofía
Pablo Aguayo Westwood
Universidad de Chile
Chile
[email protected]
Resumen
Una de las cuestiones fundamentales en el desarrollo del quehacer filosófico
dice relación con su enseñanza, la que no ha estado exenta de problemas. Es en
el contexto de la relación entre filosofía y enseñanza en la que surge esta
ponencia. En ella pretendo defender la siguiente tesis, a saber, que en toda
didáctica de la filosofía subyace una concepción de la filosofía. Pero, al no
existir una única concepción de la filosofía, es posible vislumbrar que existen
diferentes modos de enseñarla. Esta ponencia indaga sobre algunos modos de
abordar el proceso de enseñanza-aprendizaje de la disciplina, en cuanto ellos
reflejan algunas maneras de concebirla y cultivarla. En base a la exploración
sobre esta relación, se propone revisar algunos modos de enseñar la filosofía,
en vistas a justificar por qué algunas formas de su enseñanza podrían llegar a
ser contradictorias con los presupuestos mínimos de su propia actividad.La
conclusión que espero discutir es si el profesor de filosofía puede ser entendido
exclusivamente como un comunicador de autores y corrientes de esta tradición
intelectual. En los hechos, y muchas veces implícitamente, los profesores de
filosofía ponemos en juego una concepción de lo que la filosofía es y debe ser.
En este sentido, el rol de filósofo y de profesor de filosofía no debieran estar
desfasados: un profesor de filosofía teoriza sobre lo que la filosofía es al hacer
sus elecciones sobre qué y cómo enseñar (dimensión curricular de la filosofía).
Previa a su enseñanza, debiera mediar una indagación sobre la propia filosofía,
esto es, la necesidad de que el profesor de filosofía sea el mismo un filósofo, en
rigor, un meta filósofo. Cómo es posible lo anterior y qué implicancias
conlleva, es uno de los asuntos que también estará abierto a la discusión.
Palabras-clave: filosofia, didáctica, metafilosofía.
82
Eixo temático: Ensino de filosofia
A importância e o papel da história da filosofia no ensino de filosofia:
considerações a partir de Gramsci
Renê José Trentin Silveira
Faculdade de Educação – UNICAMP
Brasil
[email protected]
Resumo
O presente trabalho visa a discutir a questão do papel da história da filosofia no
ensino dessa disciplina à luz das considerações de Antonio Gramsci, colhidas
principalmente nos Cadernos 10 e 11 de sua obra Cadernos do Cárcere. Para
tanto, o texto foi subdividido em quatro tópicos. No primeiro, procura-se
demonstrar que, para Gramsci, há uma “identidade entre filosofia e história”
(Gramsci, 2001, C10, §31, p. 341), o que permite conceber a primeira como
“uma contínua solução de problemas colocados pelo desenvolvimento
histórico” (Gramsci, 2001, C10, §31, p. 343). O segundo tópico busca
esclarecer que, para Gramsci, “história e filosofia são inseparáveis, formam um
‘bloco’” (Gramsci, 2001, C10, § 17, p. 326), o que significa que estão
dialeticamente imbricadas: a filosofia não existe fora da história, isto é,
destacada das condições materiais e culturais que a determinam em cada
período histórico. Dessa perspectiva, a história da filosofia pode ser concebida
como o esforço dos filósofos para mudar as concepções do mundo, em cada
época histórica, bem como as normas de conduta correspondentes a essas
concepções. Em última instância, é a história de suas tentativas “para mudar a
atividade prática em seu conjunto” (Gramsci, 2001, C10, § 17, p. 325).
Explicita-se, assim, o sentido prático e político da história da filosofia. O
terceiro tópico apresenta a história da filosofia como instrumento para a critica
das diferentes concepções do mundo e para a opção autônoma por uma delas. O
quarto e último tópico apresenta algumas implicações das considerações
anteriores para a prática do ensino da filosofia. Em suma, trata-se de reconhecer
a importância central da história da filosofia no ensino dessa disciplina, não no
sentido de “informar historicamente o aluno sobre o desenvolvimento da
filosofia passada”, mas, antes, de “formá-lo culturalmente”, a fim de “ajudá-lo
a elaborar criticamente o próprio pensamento” (Gramsci, 2001, C 11, p. 119).
Desse modo, a história da filosofia passa a se constituir como mediadora da
83
superação do senso comum, contribuindo decisivamente para a conquista pelos
alunos da capacidade de escolher autonomamente a própria concepção do
mundo.
Palavras-chaves: Ensino de filosofia, história da filosofia, Gramsci.
84
Eixo temático: Ensino de filosofia
Ensaio sobre a importância dos "textos bem elaborados"
como atividade central do ensino de filosofia – retomando uma velha
questão
Roberto Rondon
Universidade
Federal da Paraíba
Brasil
[email protected]
Resumo
Muitos livros e artigos já foram escritos apontando a importância da leitura dos
chamados textos clássicos para a formação humana. No entanto, o que
assistimos cotidianamente, é o distanciamento cada vez maior em relação a
esses ou, no máximo, a sua leitura de forma displicente e fria, quando cobrados
em algum componente curricular de nossos cursos escolares ou universitários.
Não falamos de qualquer leitura, afinal é só verificar as matérias jornalísticas
do pré lançamento de alguns "best sellers", com as pessoas nas filas das
livrarias, que a afirmação de que as pessoas não lêem não corresponde
completamente ao real. O que nos referimos é sobre a leitura de um tipo de
obra literária, filosófica ou científica mais profunda e não o simples
entretenimento passageiro e banal que nos acompanha cotidianamente como
um momento de fuga da dureza do real. Deixemos claro nosso pressuposto
aqui: Monteiro Lobato e Descartes valem mais para a formação humana do que
as aventuras de magos, bruxinhos e vampiros juvenis. O cuidado com a
linguagem, a paciência da leitura, o risco de levantar hipóteses, a coragem de
errar, o desafio de entrar num mundo diferente do cotidiano pelo
desenvolvimento da capacidade transformadora da imaginação são atributos
dos "textos bem elaborados". Acostumados que estamos com a televisão, o
"clip" e as janelinhas da Internet e do Twitter, não é fácil compreendermos uma
linguagem que nos desafia a abandonarmos por instantes o lugar onde estamos
e refletir. Porém, se não temos alguns pressupostos para isso, nosso esforço será
em vão. Aí entra a figura do professor que possibilita aos alunos a entrada
nesses diferentes universos abertos pelos clássicos. Nesse momento, em que os
profetas pós-modernos comemoram o fim do livro, renova-se então o papel
fundamental dos professores de filosofia como um daqueles que, por
85
excelência, preparam seus alunos para o ingresso nesse mundo da leitura dos
"bons" livros dando a eles a oportunidade de conhecer outros universos de
experiências, reflexões e realidades, para que possam explorar todas as suas
possibilidades.
Palavras-chave: Textos bem-elaborados, atividade central, ensino de filosofia.
86
Eixo temático: Ensino de filosofia
Ensino de filosofia: novos pensamentos e ações para as
crianças das séries iniciais do ensino fundamental
Sônia Aparecida Belletti Cruz
UNIP/Araraquara-SP
Brasil
[email protected]
Resumo
A filosofia ainda é pouco acolhida no universo acadêmico e, no processo de
formação dos professores, embora seja matéria obrigatória, o único espaço de
contato que usufrui com os futuros docentes consta de bibliografias de caráter
enciclopédico, cujo repertório aparece apenas com a história das ideias
filosóficas sobre a educação ou com correntes do pensamento filosófico sobre a
educação. Porém, no exercício do magistério, há docentes que se interessam no
aprofundamento de seus conhecimentos para ensinar aos seus alunos as
habilidades necessárias para o domínio do pensamento filosófico. Na escola das
séries iniciais do Ensino fundamental, a filosofia pode ser uma opção para as
crianças e, se bem aplicada, torna-se um instrumento motivador à vivência
infantil. Por meio de observação e entrevista semi-estruturada com um
professor de filosofia para crianças de uma escola cooperativa da cidade de
Araraquara-SP, buscou-se saber se as crianças que têm o ensino de filosofia na
escola encontram-se mais instrumentalizadas para a convivência social,
desenvolvendo-lhes habilidades que tendem a torná-las seres humanos
melhores, aperfeiçoando seu modo de ser, de agir e de pensar, segundo modos
de vida mais democráticos e éticos. Os resultados mostraram que, apoiadas nas
ideias de Lipman e de Ramos de Oliveira, com histórias de personagens e
enredos próximos ao padrão cultural brasileiro, as crianças melhoraram a
relação com os colegas à medida que avançavam nas reflexões e na percepção
de si e de sua realidade. Tornaram-se mais participativas e interessadas e
prestaram mais atenção nos acontecimentos do país e do mundo e, muitas delas,
voltaram-se à leitura de livros, jornais e revistas científicas. O professor
interveio de forma afetiva nas mediações, buscando atender às diferenças de ser
e de agir dos alunos. Pôde-se verificar nas palavras e atitudes do professor que
ele acredita em seu trabalho e considera sua metodologia de ensino uma
proposta inovadora para o ensino de filosofia para crianças. Tem a intenção de
formar cidadãos autônomos, criativos, com voz para enfrentar obstáculos,
enfim, com postura de ser social crítico.
87
Palavras-chave: filosofia para crianças, investigação filosófica, pensamento
reflexivo.
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Eixo temático: Ensino de filosofia
Os materiais didáticos no ensino de filosofia da Paraíba:
a reflexão como obrigatoriedade curricular
Tânia Rodrigues Palhano
Rebeca Ferraz de Souza
Universidade Federal da Paraíba
Brasil
[email protected] e [email protected]
Resumo
O presente trabalho aborda questões pertinentes ao ensino de filosofia, que se
tornou obrigatório através da lei nº 11.684/08. A pesquisa tem por objetivo
demonstrar uma descrição detalhada dos materiais didáticos de filosofia
utilizados em doze escolas estaduais de ensino médio da Paraíba, desenvolvidos
durante os anos de 2009 e 2010, com objetivo de perceber que tipo de reflexão
está sendo traçada na formação do pensar dos jovens discentes que estão tendo
acesso pela primeira vez aos conhecimentos da linguagem filosófica, seus
conceitos, seus temas, sua história. O exame dos conteúdos registrados nos
materiais coletados foi investigado com o propósito de perceber se estes
oferecem meios eficientes para aprimorar a capacidade de reflexão, tendo por
base os fundamentos do pragmatismo elaborados por John Dewey que alia a
ação e o ato do pensar. Investigamos nos materiais didáticos de Filosofia para o
ensino médio, livros, manuais, textos, aspectos que evidenciam o pensamento
reflexivo como contribuição para o aprendizado do educando no
aprimoramento de sua capacidade de reflexão. Nas instituições escolares,
universo da pesquisa, foram levantados materiais didáticos de filosofia
utilizados em turmas de 1º e 2º anos do ensino médio. Uma vez que a disciplina
foi sendo introduzida aos poucos, de forma gradual devido a certas
dificuldades, tais como: carência de recursos humanos, ajustes na carga horária,
definição de conteúdos e material didático. No ano de 2009, diversos materiais
didáticos, como textos apostilados por professores, referências bibliográficas de
vários autores que produzem materiais nesta área de ensino, foram utilizados
em função da não indicação de um livro texto base, por parte da Secretaria de
Educação do Estado da Paraíba. No ano de 2010 foram utilizados exemplares
do livro de Filosofia adotado pela Secretaria de Educação, Filosofia
construindo o pensar de Dora Incontri e Alessandro Cesar Bigheto, tornando-se
o carro chefe de dez escolas pesquisadas.
Palavras-chave: material didático, ensino de filosofia, reflexão.
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Eixo temático: Ensino de filosofia
A Odisseia da disciplina de Filosofia a sua Ítaca: o seu papel e sua
realidade hoje,
um diálogo com nossos filósofos sobre as perspectivas da filosofia
quanto disciplina e reflexão para o jovem do século XXI
Walace Soares de Oliveira
Universidade Federal de Rondônia – UNIR
Brasil
[email protected]
Resumo
Marx afirmou que “(...) os filósofos até agora interpretaram o mundo de várias
maneiras. Cabe agora transformá-lo”. Mas, não há significado na ação se ela
não for precedida de uma reflexão, ação pelo simples ato não transforma. A
ditadura militar relegou a filosofia a uma posição praticamente proscrita no
currículo e na educação brasileira afastada de seu papel. Não exercer a reflexão
é condená-la a atrofia, claudicante, o pensamento se recupera lentamente desse
processo até hoje. Conhecer Sócrates, Platão, Santo Agostinho, Kant, Hegel ou
a história da filosofia não significa necessariamente transformar o mundo. Mas,
a filosofia brasileira refletiu a sua sociedade e tem seu papel, mesmo durante a
ditadura, excluída desse processo e longe do seu lugar de direito ela não
sucumbiu. A Alemanha é um exemplo de como a perseguição a reflexão atingiu
toda uma cultura, até hoje o pensamento alemão sofre das consequências do
totalitarismo nazista. A filosofia retornou muito recentemente ao seu lugar de
fato, porém, não temos a tradição do ensino de filosofia como em nosso vizinho
Uruguai, por exemplo, com o ensino de filosofia e uma cultura significativa
dentro de seus liceus e sua sociedade. Justamente, em seu retorno a filosofia
encontra um mar revolto e provações: falta de estrutura, graduações a serem
repensadas, uma melhor formação docente, política educacional hostil (como
no exemplo do Estado de São Paulo que resiste até hoje em implantá-la
completamente), uma sociedade desinteressada em reflexão e mergulhada em
crises e as suas próprias reflexões debatidas por seus pares. Esse artigo pretende
apresentar alguns questionamentos sobre as reflexões da filosofia sobre ela
mesma e algumas questões sobre a nova sociedade do século XXI e quais os
papéis que ela tem nessa sociedade em construção. Entrevistei cinco nomes que
refletem o papel da filosofia da educação no Brasil com opiniões e construções
teóricas distintas em minha defesa de mestrado, nossos filósofos: Antonio
Joaquim Severino, Dermeval Saviani, Paulo Ghiraldelli Jr, Silvio Gallo e
90
Walter Omar Kohan. Após as entrevistas e a análise feita, concluímos que a
reflexão é a condição inerente não só do indivíduo, mas, também do ser social,
portanto, o estado de acomodação ou zona de conforto não existe onde a
filosofia está essa é a sua essência.
Palavras-chaves: ensino de filosofia, pensamento, reflexão.
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Eixo temático: Filosofia e Educação na América Latina
Conscientização, sociedade e educação popular em Paulo Freire
Bruno Botelho Costa
FE/UNICAMP
BRASIL
[email protected]
Resumo
Este trabalho apresenta um estudo sobre os conceitos de "conscientização" e
"sociedade" nas obras "Educação como prática de liberdade" e "Pedagogia do
oprimido" do filósofo e educador brasileiro Paulo Freire. Almejamos com ele
mostrar como, para ele, a conscientização está diretamente ligada ao
desvelamento de problemáticas sociais, à medida que o desenvolvimento da
consciência crítica impele ao homem assumir-se enquanto sujeito histórico,
cultural e social. Nossas conclusões assinalam similaridades e diferenças na
relação entre as visões de conscientização e de sociedade em ambas as referidas
obras, apontando em que medida esta relação, da primeira obra para a segunda,
delineia um movimento de radicalização da pedagogia e filosofia freiriana no
qual se fundamenta a educação popular latinoamericana nos anos de 1960.
Palavras-chave: Paulo Freire, conscientização, sociedade, filosofia, educação
popular.
92
Eixo temático: Filosofia e Educação na América Latina
Panorama histórico da Filosofia no Brasil:
ensino como princípio e humanismo como fundamento
Daniel Pansarelli
Universidade Federal do ABC
Brasil
[email protected]
Resumo
A partir da problematização dos conceitos de humanismo e renascimento,
tomados primeiramente em sua expressão italiana, busca-se verificar a
adequação ou não de se tratar sob o desígnio de humanismo ibérico o período
em questão – a saber, final do século XIV ao início do XVI – em Portugal e na
Espanha. Pretende-se por este caminho explicitar que nos países da Península
Ibérica não se verificavam os elementos fundantes do humanismo propriamente
dito, quais sejam, uma crise política e uma espécie de vácuo nas formas de
legitimação do poder exercido. Por não passarem por este contexto no
momento histórico em questão, tais países não teriam vivenciado este
movimento intelectual durante o início da colonização latino-americana,
apropriando-se, assim, de uma interpretação medievalista de Aristóteles para
justificar as ações políticas praticadas internamente e contra os povos nativos
das terras colonizadas. O mesmo aristotelismo medieval teria servido de base
para o ensino praticado no Brasil durante os dois primeiros séculos da
colonização, ocasião em que se introduziu em nosso país a prática filosófica.
Os elementos apresentados conduzirão o leitor, ao final, à compreensão da
relação direta entre a acriticidade verificada por tantos autores como marca da
Filosofia no Brasil e a origem aristotélico-tomista desta.
Palavras-chave: humanismo, filosofia, Brasil.
93
Eixo temático: Filosofia e Educação na América Latina
Experiência e natureza: ensinamentos
deweyanos à prática dos docentes sul-americanos
Marcela Calixto dos Santos
Leoni Maria Padilha Henning
Universidade Estadual de Londrina
Brasil
[email protected] e [email protected]
Resumo
No capítulo “Experiência e método científico”, do livro Experiência e Natureza
(1980), John Dewey (1859-1952) explora os conceitos de “experiência” e
“natureza”, argumentando em favor da inter-relação necessária entre elas, visto
que ele compreende estes conceitos em uma conexão estreita integrada à vida
do ser humano, especialmente em relação aos aspectos cognitivos. Ele defende
a utilização do método empírico para a aquisição de conhecimentos e a
realização de pesquisas, uma vez que para ele não há sentido no dualismo entre
teoria e prática. Algumas concepções intelectuais do livro Democracia e
Educação (1959) são retomadas no decorrer do texto, a fim de elucidar mais
precisamente as ideias do autor. É a partir das experiências que o aluno já
possui e das possibilidades atuais que lhe estão disponíveis que ele poderá
enriquecer suas experiências de forma a aperfeiçoá-las e multiplicá-las
continuamente, contribuindo então para o aperfeiçoamento da sociedade.
Diante do exposto, e considerando que, na realidade da escola pública sulamericana, os docentes acabam sendo obrigados a atuarem em meio à falta de
recursos materiais, financeiros e apoio governamental, nos perguntamos: como
aplicarmos tais princípios em meio ao processo de ensino-aprendizagem? Desta
forma, o objetivo do presente texto é encontrar possíveis respostas de Dewey
para esta problemática. Analisando alguns princípios filosófico-educacionais do
autor, compreendemos que todos os seres humanos estão a todo o momento
experienciando e, por este motivo, experiência é vida. Sendo assim,
entendemos que um dos caminhos do professor é tentar envolver o conteúdo
escolar na realidade das experiências ordinárias de seus alunos, mostrando que
existe relação entre ambos. O professor pode ensinar esses alunos a tirar
proveito destes conhecimentos, compartilhá-los entre si, somando-os aos
conhecimentos adquiridos fora da escola, para aplicá-los em suas respectivas
vidas cotidianas. A partir deste momento, acreditamos que a transformação
94
social se torna possível, visto que o enriquecimento das experiências dos alunos
propicia o desenvolvimento de mudanças significativas em sua vida cotidiana e
social.
Palavras-chave: Experiência, Educação, Dewey, Filosofia, Prática Docente
Sul-americana.
95
Eixo temático: Filosofia e Educação na América Latina
Pressupostos da eugenia e seus impactos na
concepção de homem e de educação do início do Século XX
Morena Dolores Patriota da Silva
Simone Moreira de Moura
Universidade Estadual de Londrina
Brasil
[email protected] e [email protected]
Resumo
A presente pesquisa de Iniciação Científica agrega-se aos estudos
desenvolvidos pelo Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação, Deficiências e
Tecnologias (GEPEDTEC) da Universidade Estadual de Londrina, mais
especificamente ao projeto de pesquisa intitulado Concepções de deficiências
emergentes do entrelaçamento dos discursos da Educação Especial e
Engenharia Genética. Desenvolveu-se uma pesquisa dos pressupostos
eugênicos e seus impactos na concepção de homem e de educação do início do
século XX. Iniciaremos o traçado da pesquisa com um breve retrocesso no
processo de modificação da concepção de ciência no decorrer do tempo
marcado pela indefinição epistemológica de ciência dos séculos XVI e XVII,
em seguida será descrito como se deu, a construção do darwinismo social e da
eugenia, sua definição, características e conseqüências, em especial na América
Latina.
Palavras-chave: eugenia; concepção de homem, Século XX.
96
Eixo temático: Filosofia e Educação na América Latina
Leopoldo Zea e a contribuição de sua filosofia para a educação
Ofélia Maria Marcondes
Universidade de São Paulo
Brasil
[email protected]
Resumo
O primeiro objetivo deste trabalho é apresentar as duas principais categorias
presentes na filosofia de Leopoldo Zea: circunstância e mestiçagem, buscando
elementos que possam contribuir para o pensamento educacional. Leopoldo
Zea, filósofo mexicano (2012-2004), entende o homem como pessoa concreta,
de carne e osso, inserido em suas circunstâncias, ou seja, sua situação concreta,
com as quais dialoga de maneira dialética: transforma-as, ao mesmo tempo, que
é transformado por elas. As circunstâncias constituem sua situação vital, nas
quais manifesta sua concretude e expressa sua liberdade. O homem é concebido
como um ente histórico que participa da tripla dimensão temporal (passadopresente-futuro) e constrói a história à medida que enfrenta os problemas
apresentados pelas circunstâncias. Sob essa perspectiva, busca a identidade do
homem latino-americano que deve se compreender como mestiço e reconhecer
sua condição de dependência sócio-cultural para que possa iniciar um processo
de libertação de qualquer situação de opressão. A libertação do homem de seu
estado de dependência sócio-cultural só é possível através da compreensão
histórica e do conhecimento de si mesmo. Daí decorre a proposta de que educar
é formar homens livres, exigindo-se uma educação crítica e popular que
dialogue com a realidade concreta. Pretende-se, também, estabelecer como as
ideias de Leopoldo Zea podem contribuir para pensar a educação sendo que o
que interessa mais de perto para a filosofia da educação é como Zea trata os
seguintes temas: o homem, sua identidade e sua circunstância e como este
homem se constitui historicamente, ou seja, como constrói sua cultura e
conquista sua emancipação. Todos os esforços estão direcionados para que
possamos estabelecer e compreender o percurso do pensamento filosófico de
Leopoldo Zea em busca do significado de seus principais conceitos. É preciso
ter sempre em mente que a filosofia de Leopoldo Zea está circunscrita no
contexto do pensamento mexicano e, por extensão, na América Latina.
Palavras-chave: Leopoldo Zea, Filosofia latino-americana, Identidade.
97
Eixo temático: Filosofia e Educação na América Latina
Filosofia da Educação no Brasil:
uma particular experiência do pensar na educação?
Pedro Angelo Pagni
UNESP
Brasil
[email protected]
Resumo
Existe uma diferença entre a filosofia da educação produzida no Brasil e a de
outros países ou a sua pretensão de universalidade já a eximiria de buscar
qualquer particularidade da experiência do pensar na educação brasileira?
Diante dessa questão e dos desafios lançados por uma constituição cultural
múltipla e étnica diversificada como a brasileira, a presente pesquisa se propôs
a buscar uma resposta à questão mencionada, ao se reconstituir histórica e
filosoficamente a gênese e o desenvolvimento na filosofia da educação no
Brasil. Embora alguns estudos tenham tentado abordar a trajetória da filosofia
da educação no Brasil desde os anos 1980, a presente pesquisa procura oferecer
outra abordagem ao assunto e de responder a pergunta mencionada, com o
objetivo: de propor um novo olhar sobre a reconstrução histórica das
manifestações da filosofia da educação como campo de ensino, de pesquisa e
de pensamento entre 1930 e 2000; de desenvolver uma análise filosófica dos
momentos em que emerge como uma experiência do pensar na educação,
interpelando a possibilidade ou não de sua particularidade; de indicar os seus
principais desafios na atualidade, discutindo a sua possibilidade enquanto arte
de superfície. Concluímos com uma resposta afirmativa em relação à existência
de uma particular experiência do pensar na educação que, no desenvolvimento
da filosofia da educação, porém, ponderamos que tal particularidade foi se
perdendo ao longo de seu desenvolvimento no Brasil, graças à sua
institucionalização, que abandonou a proximidade de se pensar os problemas
emergentes da realidade cultural e educacional, assim como o próprio ethos do
sujeito que o pensa, para se estabelecer a parâmetros supostamente
generalizantes no meio acadêmico. Ponderamos, porém, que algumas
características dessa particularidade se mantiveram na experiência do pensar
produzida por alguns filósofos e filósofos da educação que foram capazes de
criar, senão um estilo de pensar próximo à arte de superfície, ao menos um
movimento de resistência à aspiração de uma modernização pelo alto que
legitimava a posição de certa elite intelectual, à fundamentação das teorias
98
pedagógica em uma antropologia filosófica e à legitimação da ação pedagógica
na figura de um intelectual universal.
Palavras-chaves: filosofia da educação no Brasil, experiência do pensar,
modos de subjetivação.
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Eixo Temático: Fundamentos da Educação
Nietzsche e a crítica às instituições de ensino
Alexandre Ferreira de Mendonça
Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ
Brasil
[email protected]
Resumo
Quando atuava como professor na Universidade de Basiléia, Nietzsche redigiu
dois significativos textos tendo a educação como tema central: Sobre o futuro
de nossos estabelecimentos de ensino e Schopenahuer como educador. Do
primeiro escrito surge um diagnóstico bastante mordaz a respeito dos ginásios,
das escolas técnicas e das universidades. Antes mesmo das abordagens
marxistas sobre o papel desempenhado pelas práticas pedagógicas nas
sociedades capitalistas, antes da crítica frankfurtiana à cultura de massas
própria do capitalismo, Nietzsche já havia enfaticamente chamado a atenção
para o violento processo de decadência pelo qual estaríamos passando na
modernidade. Já havia também alertado para o fato de que as instituições de
ensino modernas, em vez de cumprirem o papel de reverter este processo,
estariam com ele plenamente afinadas. Ele percebe que esses estabelecimentos
estariam a serviço das exigências colocadas em jogo pelo Estado. É assim que
ele interpreta o fato de a formação profissionalizante, de base utilitária e
cientificista, estar substituindo a formação humanística. Esta substituição seria
sintoma da assimilação da educação e da produção cultural pela produção
industrial de caráter massificante, homogeneizante e meramente utilitário. Por
outro lado, ainda não encontra aí claramente definido o principal elemento a ser
desenvolvido em Schopenhauer como educador: a valorização da investida em
processos de autoformação como estratégia capaz de vencer as tendências
homogeneizantes veiculadas por nossas instituições. Tudo indica que, de um
modo geral, nestes escritos Nietzsche opõe às práticas hegemônicas centradas
no discurso científico (aquele que não só fornece os conteúdos curriculares mas
que legitima e promove o modelo pedagógico vigente) práticas heterogêneas e
singularizantes, não passíveis de universalização e balizadas pela idéia de
autoformação – cuja inspiração proviria do campo das artes. Nesse momento,
Schopenhauer é tomado não só como exemplo de quem soube nadar contra a
corrente e formar a si próprio, mas também como principal referência para se
100
pensar a concepção metafísica de Nietzsche acerca da arte e da cultura e sua
crítica à ciência.
Palavras-chave: Educação, Filosofia, Arte, Autoformação
101
Eixo Temático: Fundamentos da Educação
Os fundamentos da educação feminina em Rousseau: aspectos morais e
políticos
Alexnaldo Teixeira Rodrigues
Universidade Federal da Bahia - UFBA
Brasil
[email protected]
Resumo
O presente trabalho visa refletir sobre os significados e princípios morais e
políticos da educação feminina estabelecida por Jean Jacques Rousseau na obra
o Emílio ou da Educação. Em um diagnóstico comparativo com a educação
voltada ao sexo masculino, é notório que a educação para a mulher se define
por seu caráter modelador que, em contraposição à formação do Emílio, não
visa ao seu crescimento como pessoa capaz de transformar as suas condições
históricas, por meio do exercício da autonomia que se materializa na criação de
leis e na contenção dos desejos, mas reproduz as convenções sociais e a ordem
conservadora vigente naquele contexto. Quando pensamos na educação como
elemento de diferenciação social, várias questões se tornam pertinentes para
nós: por que a mulher deve estar afastada da vida pública e do exercício da
cidadania para se fixar na esfera privada? O argumento que a mulher não é
capaz de julgar imparcialmente, não tem domínio de si para exercer o poder e
se apresenta também como um ser “maléfico, justificam-se em que bases?
Decerto, toda construção da democracia moderna traz como uma das
características aporéticas o fato do pertencimento ao sexo feminino ser um
critério de exclusão da cidadania. Como sabemos, essa doutrina ou regime
político chamado democracia, repousou, sobretudo, na afirmação de que todos
os homens nascem livres e iguais em direitos e deveres, mas as mulheres, não
sendo homens, foram “mantidas à distância” da cidadania e passaram a ser
“mães voluntárias”. A identificação da mulher a seu caráter reprodutivo, ou
seja, da mulher como mãe, constitui, conforme as nossas análises, a trama pela
qual se edifica a cidadania masculina. A nova configuração de mãe, a mãe
“cidadã”, foi construída e enaltecida por Rousseau pelo fato dela se apresentar
como possibilidade de gestar o cidadão para a sociedade do Contrato Social.
Assim, o novo modelo de maternidade, devota e sacrificial, aparecem nas
primeiras páginas do Emílio como uma crítica às mães que recusavam
amamentar o(a) filho(a); que se desobrigavam a manter um contato direto com
a criança; que não aceitavam restringir a sua própria liberdade em favor de uma
102
maior liberdade do(a) filho(a); que não gastava tempo com os(as) meninos(as) e
não estavam sensíveis à liberdade do corpo, que a criança carece para o seu
bom desenvolvimento, nem à higiene corporal, que necessitam para ter uma
boa saúde. Sofia, personagem feminina da obra rousseuaniana, aparecerá,
posteriormente, no Livro V do Emílio, como o modelo de mãe que serve não só
de ligação entre o pai e os filhos — por meio de sua doçura, do seu zelo e de sua
afeição (Emílio, Livro V) — como também aquela cujo rebento depende dos
costumes, das paixões, dos gostos, dos prazeres e até mesmo da própria
felicidade. Dessa sorte, chegamos ao entendimento que a educação feminina
proposta por Rousseau visa a formação de uma nova concepção de maternidade:
Sofia será a mãe, tal como a mãe espartana, que gera filhos saudáveis e fortes
para o Estado. Para além disso, ela irá governa bem o marido e garantir-lhe as
condições para ser um “bom pai” e um “bom cidadão” (Emílio, Livro V),
condições que estão ligadas intrinsecamente a sua castidade e a sua fidelidade
como esposa.
Palavras-chave: Educação feminina, Moral, Iluminismo
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Eixo Temático: Fundamentos da Educação
Mito y Formación en Homero y Nezahualcóyotl
Ana María Valle Vázquez
Facultad de Estudios Superiores Acatlán de la UNAM
México
[email protected]
Resumen
El principal objetivo de este trabajo es reconocer el carácter formativo de las
palabras del mito en la poesía de Homero y Nezahualcóyotl. Hay un fuerte
interés por indagar sobre las ideas originarias de formación humana
establecidas a partir de los efectos que el lenguaje mito-poético, propio de cada
cultura, tienen sobre las formas de ser de lo humano. Así, en este trabajo se
encuentra un primer acercamiento a las palabras de algunos de nuestros mitos
originarios recogidos en la poesía de Homero y Nezahualcóyotl, como lugares
donde surge nuestra formación humana. Por ello nuestro objeto de estudio
acepta que mito es palabra que fluye entre los miembros de una sociedad, es el
hilo con el que la propia comunidad teje su identidad, crea una forma común de
ser y de estar en el mundo, en el seno de un sinnúmero de diferencias, digamos
una forma común de ser y de estar en las diferencias entrelazadas por hilos que
a su vez las atraviesan y éstos se constituyen como los elementos comunes de la
identidad y de las formas de vida. Mito es habla elegida de cada cultura, es un
modo de significación, se trata de una forma de vida; es decir, con la palabra
del mito se construye realidad cultural, cada sociedad elige su forma común de
ser y estar, nombra su identidad, decide la manera de presentarse al mundo. La
formación humana no sólo es atravesada por la palabra del mito que construye
realidad, antes bien germina en el mito. Mito es la con-formación de un modo
de re-significación, de un horizonte cultural. Con este trabajo se pretende
contribuir a ver lo que no ha sido visto, a nombrar lo que no ha sido nombrado,
pero que está ahí, lo que ha quedado fuera o ha sido silenciado de los signos
occidentales.
Palabras clave: Mito, Poesía, Formación, Homero, Nezahualcóyotl
104
Eixo Temático: Fundamentos da Educação
Conflito e formação na perspectiva da teoria social crítica de Axel Honneth
Angelo Vitório Cenci
Universidade de Passo Fundo
Brasil
[email protected]
Resumo
O objetivo do presente texto é mostrar como a teoria social crítica de Axel
Honneth possibilita uma aproximação produtiva entre as idéias de conflito e
formação. Honneth, na esteira de Hegel, opera um deslocamento em relação à
concepção de conflito predominante na filosofia social moderna, detendo-se no
conflito originado por experiências de desrespeito que afetam a identidade
pessoal ou coletiva. Sua concepção de conflito deve ser concebida não apenas
mediante um quadro explicativo acerca do surgimento de lutas sociais, mas
principalmente a partir de um caráter formativo. Honneth toma como fio
condutor a idéia de que os indivíduos somente podem constituir suas
identidades se puderem ser reconhecidos intersubjetivamente. Nesse sentido,
retoma o jovem Hegel para quem o modelo de luta social poderia ser
compreendido como processo prático de conflito entre os homens atribuído a
impulsos morais, ou seja, o conflito é entendido como distúrbio e lesão nas
relações sociais de reconhecimento. A intenção de Honneth é formular uma
teoria social de teor normativo vinculando um conceito de luta social que parte
de sentimentos morais de injustiça ao invés de voltar-se apenas para
constelações de interesses. Portanto, o tipo de conflito priorizado por Honneth é
aquele originado de experiências de desrespeito social. A partir da localização
do papel do conflito dentro da teoria do reconhecimento de Honneth e do modo
como a ele se articula a ideia de formação, pretendemos extrair duas
conseqüências para o âmbito formativo. A primeira é que ao aprofundar a
tensão conflito-formação esta pode servir como ponto de partida para a
discussão de processos formativos em perspectiva emancipatória. A segunda
está associada ao fato de que aspectos como a capacidade de referir a si mesmo
como sujeito e a viabilização das condições intersubjetivas para que a autorealização e a integridade pessoal sejam asseguradas dependem do grau de
desenvolvimento das relações de reconhecimento.
Palavras-chave: Conflito, Formação, Reconhecimento
105
Eixo Temático: Fundamentos da Educação
Formação cultural e semiformação:
contribuições de Kant, Hegel, Marx e Adorno para pensar a educação hoje
Belkis Souza Bandeira
Kelin Valeirão
Avelino da Rosa Oliveira
Universidade Federal de Pelotas
Brasil
[email protected]
Resumo
Este trabalho busca, amparado em categorias do pensamento de Kant, Hegel,
Marx e Theodor Adorno, contribuições para pensar a educação hoje. Retoma o
conceito formação cultural (Bildung), desde o Iluminismo, até desembocar no
que é definido por Adorno como semiformação (Halbbildung); busca
demonstrar a intrínseca relação entre educação e formação cultural como
processos que se entrelaçam. Quando a produção simbólica, própria do
processo da cultura, distancia-se do saber popular e aproxima-se dos interesses
do mercado, convertida em mercadoria pela indústria cultural, encontra-se as
bases para a consolidação do que, para Adorno, constitui o processo de
semiformação, onde se desarticulam as condições subjetivas que possibilitam a
efetivação do caráter emancipatório da formação. O grande desafio que se nos
coloca no âmbito educacional hoje é a crítica da semiformação, tal como se
apresenta não só no contexto macro da sociedade, mas no espaço da própria
sala de aula, como possibilidade de poder emergir uma formação cultural que
venha contribuir para a ampliação dos horizontes dos indivíduos, para a
emergência de sujeitos conscientes de suas potencialidades e artífices de sua
história. A educação, como processo de formação, possibilita ao homem
inserir-se em seu processo histórico-cultural como sujeito, servindo-se do seu
entendimento sem a tutela de outrem. Adorno, dentro da tradição kantiana, faz
a defesa do Esclarecimento, sustentando a intrínseca relação entre
Educação/Formação e Emancipação, como possibilidade de sair do estado de
minoridade a que o homem está submetido. Se atualmente, na prática
educacional privilegia-se o acúmulo do maior número de informações no
menor espaço de tempo, a quantidade em detrimento da qualidade,
consubstanciando o processo de disseminação da semicultura, é necessário,
mais que nunca, que se faça sua autocrítica, surgida de sua configuração
histórica, para a compreensão dos fatores que produziram este processo,
106
buscando postular, a partir de si, sua transformação. Embora carregue consigo
uma herança de reprodução de injustiças de toda sorte, a escola ainda é uma
instituição poderosa no processo de emancipação humana, talvez a mais
específica para este fim e, apesar de suas ambigüidades é um espaço dialético e
dialógico, pode transformar e também ser transformada.
Palavras-chave: Formação Cultural, Semiformação, Educação, Emancipação.
107
Eixo Temático: Fundamentos da Educação
O processo educativo para a emergência da pessoa
na abordagem personalista mounieriana
Claudio Marcio Piontkewicz
Faculdade São Luiz
Brasil
[email protected]
Resumo
Este trabalho apresenta o processo da educação na abordagem personalista
mounieriana que tem como categoria fundante a emergência da pessoa humana.
A visão filosófica mounieriana tem como problema central a pessoa humana
que é posta como centro e eixo da sociedade e da cultura. Emmanuel Mounier
(1905-1950) é um homem que teve uma vida consideravelmente curta diante
dos seus grandes feitos. Nos anos de 1930 participa do que há de melhor na
vida intelectual parisiense. Neste ambiente, marcado por crises, concebe a ideia
de fundar um movimento de ruptura diante da ‘desordem estabelecida’ para
promover a revolução personalista e comunitária. Dos seus desafios, destacamse os de transformar: as ideias em ação, indivíduo em pessoa, sociedade em
comunidade. Tem-se como objetivo refletir, na perspectiva personalista, de
como educação pode contribuir para a emergência da pessoa humana. As raízes
do pensamento filosófico mounieriano foram se construindo a partir dos
desafios de sua vivência concreta. Aborda a pessoa humana na sua totalidade
tendo como elementos fundamentais a: alteridade, comunicação e a vivência
em comunidade. Para uma maior compreensão da pessoa humana tem-se como
referencia princípios mediadores personalistas de interiorização e afrontamento
que objetivam uma educação para a libertação e para o compromisso. Nessa
busca de conhecimento Mounier assume a postura de: protestar, afrontar,
comprometer, para modificar e revolucionar o clima intelectual e prático, sobre
a problemática da pessoa humana e sua libertação. Pode-se constatar que
Mounier aponta alternativas para que a pessoa humana viva de forma livre,
pessoal e comunitariamente, na sua totalidade concreta. A educação como
processo na perspectiva personalista faz um apelo para ‘despertar’ o ser
humano, para ‘tornar-se pessoa’. A abordagem mounieriana na relação com os
educadores no Brasil, sobretudo, Paulo Freire, despertaram uma rica
contribuição para refletir aspectos da prática educativa atual. Este estudo se deu
por meio de uma pesquisa bibliografica, visando a compreensão e interpretação
108
das obras de E. Mounier, sobretudo O personalismo, publicado pela primeira
vez em 1949. Entre outras obras do próprio autor e de comentadores a seu
respeito na perspectiva da educação, bem como obras de educadores
brasileiros. A metodologia aplicada se deu pela análise bibliográfica dos textos.
Palavras-chave: Educação, Mounier, Pessoa, Personalismo.
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Eixo Temático: Fundamentos da Educação
A educação entre indivíduo e coletivo: uma experiência paradoxal
Danilo Augusto Santos Melo
Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ
Brasil
[email protected]
Resumo
Desde o início da constituição dos campos de investigação da Sociologia e da
Psicologia, em meados do século XIX, coloca-se o problema da relação entre
indivíduo e coletivo. Entretanto, tais disciplinas operam uma separação
fundamental a partir da qual privilegiam um dos termos na condição de
elemento ou entidade que transcende e determina a outra. Para a educação,
sobretudo, debate-se ainda a qual deles se dirigem as suas práticas, se ora o que
é visado é o desenvolvimento das potencialidades, da autonomia e da alteridade
dos indivíduos, ora o que mais importaria seria o processo de socialização,
através da submissão às regras do grupo em que vive. Pensamos que esta
dicotomia que separa e exclui o indivíduo do coletivo corresponde a um
problema que coloca a própria educação num dilema que mantém excludentes
estas duas orientações pedagógicas: trabalhar pelas diferenças que singularizam
os indivíduos ou pelas semelhanças que lhes asseguram um sentimento de
pertencimento coletivo? O problema da superação das dicotomias encontra sua
condição de efetivação através de uma forma de pensamento em que os termos
distintos devem ser pensados não de forma excludentes, mas por uma disjunção
includente. Neste sentido, não pensamos mais o indivíduo e o coletivo,
enquanto diferenças, como instâncias separadas que transcendem uma a outra.
Esta forma de pensar a inclusão das diferenças é o paradoxo. A partir deste
ponto de vista, objetivamos compreender que a educação estaria engajada numa
tarefa paradoxal que consiste, ao mesmo tempo, em trabalhar pelo processo de
inscrição dos indivíduos na vida social, subordinando-os ao conjunto das
normas, regras e valores sociais, mas também em atuar como um dispositivo de
resistência aos aspectos já instituídos pela sociedade e de criação de novos
modos de pensar individuais e coletivos. Por fim, considerar a educação a partir
de um modo de pensar que busca escapar dos modelos dicotômicos consiste em
compreender as suas práticas como dispositivos que operam uma experiência
paradoxal que produz tanto o sentimento de pertencimento coletivo e de
identidade social quanto a alteridade e a autonomia, individual e coletiva.
Palavras-chave: Educação, Experiência, Paradoxo, Socialização, Alteridade.
110
Eixo Temático: Fundamentos da Educação
Fundar la educación en el diálogo.
Desde la antropología filosófica de Martin Buber a la filosofía de la
educación
Eduardo Gabriel Molino
Instituto de Educación Superior
Argentina
[email protected]
Resumen
Teniendo en cuenta la obra buberiana en general, se ha puesto la atención en su
trabajo paradigmático: Yo-Tú. En él se presenta una comprensión integral
acerca del ser humano que, entre otros aspectos, centra su atención en la
capacidad humana de comprender el mundo, desde una perspectiva cognitiva y
ontológica. Es lo que, en el lenguaje del autor, cae bajo los campos de las
relaciones Yo-Eso y Yo-Tú.
En tanto que una persona tiene experiencia del mundo, puede acceder a él
cognitivamente, se está en el ámbito del vínculo Yo-Eso. Habitualmente la
escolaridad, en todo su itinerario gradual, se mueve en este campo con
categorías espacio-temporales que permiten establecer conexiones entre
múltiples conceptos. En general se encuentran en esta dirección los modelos
pedagógicos que se ocupan de la educación en tanto proceso formal relacionado
con la escolaridad en cualquiera de sus niveles académicos. Sin embargo la
capacidad humana de conocer la realidad trasciende lo específicamente
cognitivo. Para entrar en este terreno menos explorado por la pedagogía, Buber
ofrece su reflexión en torno a la relación Yo-Tú. El binomio Yo-Tú, presenta de
entrada una paridad entre ambos. El Tú está ahí, está constituido, tiene su
propia entidad. En este caso se trasciende el plano puramente cognitivo para
ingresar en el de la relación. Y esta ‘relación’ se da ‘entre’ un Yo y un Tú. Este
‘entre’ que no pertenece ni al Yo ni al Tú, hace alusión al plano ontológico
anteriormente aludido. Pensar el problema de conocer la realidad desde esta
perspectiva más amplia, no es habitual en el contexto de la pedagogía orientada
a la escolaridad, pero sin duda, es un problema propio para la filosofía de la
educación. Al admitir la ‘relación Yo-Tú’ como modo específicamente humano
de apertura a la realidad, todo Tú se hace un interlocutor capaz de des-ocultar
algún aspecto de verdad. Más aún si el Tú es otra persona humana, entonces la
mediación apropiada para tal des-ocultamiento es el diálogo. En este sentido,
111
desde la perspectiva educativa, el diálogo se hace inherente al planteo
pedagógico y reclama el aporte de la filosofía de la educación.
Palabras clave: Educación en el diálogo, Martin Buber, Filosofía de la
educación.
112
Eixo Temático: Fundamentos da Educação
A filosofia e a as emoções na história do pensamento humano
Elvira Cristina Martins Tassoni
Mestrado em Educação - PUC-Campinas
Brasil
[email protected]
Resumo
Este texto apresenta parte da revisão bibliográfica, realizada em minha pesquisa
de doutorado já concluída, a respeito da forma como as emoções humanas
foram compreendidas ao longo dos diferentes períodos históricos. A pesquisa
discute as emoções de maneira integrada com a razão, defendendo a
interdependência entre sentir e pensar. Para isso, focalizou os processos de
ensino e aprendizagem na escola, identificando as emoções e sentimentos que
participam e influenciam os processos de construção de conhecimento. Para
fundamentar essa discussão este texto aborda a relação razão e emoção no
campo da filosofia. Compreender o indivíduo em sua complexidade significa
integrar as dimensões afetiva e cognitiva que o compõem. Desde a
Antiguidade, observa-se um dualismo que coloca em constante tensão razão e
emoção. As relações discutidas, neste período, eram entre corpo e alma, pois
esta se constituía no acesso ao saber. Por séculos, as teses foram formuladas a
partir de antagonismos – corpo e alma, material e imaterial, conhecimento
inteligível e conhecimento sensível, matéria e forma, matéria e espírito, bem e
mal, etc. Essa forma de pensar influenciou as ciências, a produção de
conhecimento e a forma de viver de cada época. O texto apresenta algumas as
ideias de Espinosa, que trazem inovações importantes para a relação corpoalma. Ambos estão sob as mesmas leis e princípios, expressos diferencialmente.
Espinosa rompe com a concepção hierárquica que definia a alma como superior
ao corpo, devendo comandá-lo. Suas ideias serviram de base para formulações
posteriores que defenderam a interdependência entre corpo e alma,
contribuindo para a elaboração de pressupostos que visavam à superação do
dualismo existente. Desta forma, Vigotski, tendo como uma das referências as
ideias de Espinosa, séculos mais tarde, faz sérias críticas às teorias da época
que tratavam, separadamente, razão e emoção, imprimindo a esta última uma
marca organicista. Afirma que ao restringir as explicações das emoções apenas
às manifestações corporais, não se considerava a possibilidade de
desenvolvimento das mesmas. Tais explicações contemplavam as emoções
mais primitivas, diretamente associadas aos instintos e não formulavam
113
explicação alguma sobre as emoções superiores, mais refinadas, que contavam
com componentes cognitivos.
Palavras-chave: Espinosa, Relação corpo e mente, Razão e emoção
114
Eixo Temático: Fundamentos da Educação
Paideia: aportación de los griegos a la educación
Irazema Edith Ramírez Hernández
Universidad Autónoma del Estado de México
México
[email protected]
Resumen
En el presente escrito se identifica el origen y desarrollo del concepto de
paideia, resaltando su sentido ético, como formación y mejora del hombre. La
exposición se desarrolla teniendo como hilo conductor la relación entre paideia
y areté, como eje primordial de la propuesta educativa griega. El término
Paideia va unido al de areté, pues educar implica cultivarla. De la acepción de
la areté dependerá el sesgo que se le otorgará a la paideia. Los aspectos que se
abordan son: Lugar de los griegos en la historia de la educación humana. Puede
considerárseles como una civilización en la que la educación fue concebida
como un fenómeno consciente y comunitario. La educación como nobleza y
areté. Se identifica con el heroísmo guerrero y con la influencia de los más
grandes poetas griegos. Homero educador. La poesía griega no se reduce sólo a
una visión estética, se encuentra ahí un pensamiento ético. La misión educativa
de la poesía homérica se liga a la exaltación de las hazañas heroicas, al honor y
a la nobleza. La tragedia educativa de Sófocles. En sus obras lo humano se
mezcla con lo ético, estético y religioso. Los personajes son figuras ideales, que
sirven de ejemplo ante las situaciones más adversas, por ello la tragedia tiene
un sentido educador. Se espera que con este trabajo se genere una reflexión
sobre la educación actual, para vislumbrar posibles soluciones a sus problemas
más apremiantes. Recurrir a la paideia, cobra pleno sentido e importancia para
la educación de nuestros días, tanto para identificar que ahí están sus bases,
como para reflexionar qué aspectos de ella están ausentes en nuestras
sociedades y; finalmente para identificar cuáles son necesarios retomar para
reencauzar la educación hacia lo humano.
Palabras-clave: Paideia, Areté, Educación
115
Eixo Temático: Fundamentos da Educação
A experiência formativa na instituição escolar, ainda possível?
José Carlos Mendonça
Universidade Federal do Acre – UFAC
BRASIL
[email protected]
Resumo
Pretende-se neste trabalho analisar as condições de possibilidade de instituir,
ainda, a Escola como verdadeiro espaço de liberdade e de pensamento,
pontuando, na medido do possível, tal implicação no processo educativo e
formativo do futuro cidadão. Assim, primeiro a reflexão portará precisamente
sobre o trajeto necessário que vai dos valores aos princípios reflexivos, trajeto
no qual se afirmam as exigências constitutivas da cidadania. Em segundo lugar,
pôr-se-á em evidência um paradoxo que defini a Escola, que poderíamos dizer
ser um momento de tensão, de desequilíbrio, de restauração, ou talvez, um
equilíbrio a se afirmar sempre. E, por fim, esforçar-se-á em mostrar como,
tomando a incumbência de tais exigências as exigências constitutivas da
cidadania, e mesmo, por meio de seus paradoxos, a instituição continuada da
Escola faz dela reiteradamente o coração da cidade, fonte viva de uma
liberdade, ousada pela aposta da razão.
Palavras Chaves: Educação, Escola, Emancipação e Formação.
116
Eixo Temático: Fundamentos da Educação
O Romance de Formação (Bildungsroman) no Romantismo Alemão:
formação enquanto Cultivo em Novalis
José Fernandes Weber
Universidade Estadual de Londrina - UEL
Brasil
[email protected]
Resumo
Tendo por referência o romance de formação (Bildungsroman) Heinrich Von
Ofterdingen, de Novalis, o propósito deste trabalho é apresentar a concepção de
formação (Bildung) tipicamente romântica, concebida enquanto cultivo (Anbau,
Bildung). Dado esse propósito geral, num primeiro momento apresentar-se-ão
as principais concepções de Bildung na Alemanha do início do século XIX;
num segundo momento, será apresentada a especificidade da concepção de
formação na obra de Novalis, dando destaque para as noções: “exteriorizaçãointeriorização”, “atividade-progressão infinita” e “imaginação”, pois nelas se
encontra a chave de interpretação da idéia segundo a qual formar-se significa
cultivar-se.
Palavras-chave: Cultivo, Atividade, Infinitude, Imaginação, Novalis
117
Eixo Temático: Fundamentos da Educação
Governamentalidade e práxis educacional:
Um questionamento da alegada “crise da escola”
Kelin Valeirão
Avelino da Rosa Oliveira
Universidade Federal de Pelotas
Brasil
[email protected] e [email protected]
Resumo
Perda das certezas, inconstância de metas, carência de perspectivas,
emaranhado de dúvidas... crise. Crise de valores, crise do sujeito, crise de
paradigmas. Por fim, adensando o infindável coro, nós, os educadores,
lamentamos – crise da escola. E, de súbito, somos tragados pela voragem das
dúvidas. Pois em tempos assim, simultaneamente inquietantes e férteis, é
preciso sempre, de novo, lançar-se à mesma aventura crítica que
empreenderam, por exemplo, Kant, Hegel, Adorno e Horkheimer, Nietzsche,
Weber; aventura à qual corajosamente filiou-se Foucault, sob a forma de uma
ontologia do presente. Haverá, mesmo, uma crise da escola, um suposto
desencaixe entre a escola e a sociedade contemporâneas? Ou, quem sabe, não
poderia essa nossa sensação de inadequação entre escola e sociedade
esconder/revelar novos ângulos de visão do problema? À luz dos cursos
ministrados por Michel Foucault no Collège de France de 1970 a 1984,
queremos enfrentar estas questões numa reflexão em três momentos.
Inicialmente, buscamos configurar o conceito de governamentalidade e discutir
sua associação com a ontologia do presente, estabelecendo-o, assim, como
ferramenta analítica preponderante na compreensão da escola na
contemporaneidade. A seguir, relacionamos a Modernidade à invenção da
escola, passando rapidamente por alguns dos autores que marcam esse período.
Discutimos, ainda, a caracterização da escola moderna como “máquina de
governamentalidade”. Finalmente, no terceiro momento, trabalhamos a
governamentalidade ligada à práxis educacional na contemporaneidade,
visando indicar pistas que nos deem a entender as formas como, na sociedade
de controle, a escola contribui para capturar não mais corpos dóceis, mas
corpos flexíveis, ajustados às emergentes necessidades da sociedade. Deste
modo, almejamos demonstrar que, de certo modo, talvez não seja adequado
118
falar-se em “crise da escola”; ou, em outras palavras, que não há,
verdadeiramente, um desencaixe entre a escola e a sociedade contemporânea.
Palavras-chave: Crise da escola, Governamentalidade, Práxis educacional,
Sociedade de controle
119
Eixo Temático: Fundamentos da Educação
Atravessamentos de ambulantes: aprender o des-aprender
Laisa Blancy de Oliveira Guarienti
Universidade Estadual de Campinas
Brasil
[email protected]
Resumo
Este trabalho teve por objetivo extrair aprendizagens que se dessem fora do
contexto da sala de aula; desmistificar o ser deambulante – pessoas que
produzem e criam conhecimento sensíveis fora do espaço escolar - e com estes
conhecimentos construídos do outro lado do muro das instituições,
problematizar o ensino escolarizante e diagnosticar uma outra possibilidade de
educação, potencializadas por aprendizagens deambulantes. Assim sendo, o
texto fala dos saberes das pessoas que carregam o prefixo –des–. Aquelas
pessoas que a sociedade fascista enxerga como o desestruturado,
destrambelhado, desequilibrado, desabilitado, o desacreditado, desafortunado,
desagradável, desajeitado, desajuizado, desalojado, desarrumado, desnutrido,
desaprovado, desarranjado, desatinado, desavisado, desclassificado,
desconhecido, e outros ‘des’, que seguem. Esse prefixo ‘des’ que figuras do
poder introjetam na frente do adjetivo, seja qual for, para des-qualificar as
pessoas; para negar aquilo que ela pode. Deslocamento das figuras de poder
que detém o poder sobre o saber. Escapar, sempre quando possível e encontrar
as linhas de fuga que Gilles Deleuze e Félix Guattari (1995) nos falam.
Experimentar outras formas de conhecimento que não somente as que nos são
impostas. Assim como é a prática de vida dos deambulantes/andarilhos, esse vir
a ser, acontecer, imprevisível, incerta, arriscada, cruel, corajosa, experimental;
suas vidas se fazem como um laboratório de aprendizagens diário daquilo que
pode o corpo. Na aprendizagem por experimento de deambulações, não há
espaço para o certo nem para o errado. O experimento extrapola o binarismo
entre somente duas opções. Uma vida pode mais que escolher apenas o
caminho certo ou errado, ela vai se guiar por seus desejos e vontades. Abre-se o
leque das múltiplas entradas que cada um pode cavar. Deambular por múltiplas
possibilidades que se pode aprender. Arejar o pensamento com outros
problemas-aprendizados-intensivos. Uma aprendizagem, nesse sentido,
extrapola o conservadorismo das aprendizagens obrigatórias impostas.
Aprendizagens errantes que não tem um objetivo final, e se há a possibilidade
120
de um final, este não se sabe onde é, pois a sina do deambular é seguir adiante,
sempre na intensidade. Ela – a aprendizagem – é uma tarefa infinita.
Palavras-chave: Aprendizagem, Deambulação, Intensidade, Decisões
121
Eixo Temático: Fundamentos da Educação
A experiência do ler na Sociedade Excitada
Luciana Azevedo Rodrigues
Universidade Federal de Lavras
Brasil
[email protected]
Resumo
A forma de relacionamento com a palavra, nos dias que se seguem, dificilmente
fundamenta-se no decantamento da expectativa, da curiosidade. Em seu lugar, a
leitura da palavra não é apenas impulsionada, mas conservada por uma pressão
cada vez maior, que exige daquele que lê uma postura imediatamente capaz de
“devorar” o que tem de ser devorado, antes mesmo que a própria relação com o
que é passível de leitura possa se estabelecer. Ao refletir essa pressão que
esvazia a experiência do ler no interior dos estudos da disciplina Filosofia da
Educação, este trabalho propõe uma re-leitura do texto “Importância do ato de
ler”, escrito por Paulo Freire no início da década de 80, apoiada no estudo de
pensadores da Teoria Crítica da Sociedade, especialmente na obra “Sociedade
Excitada: Filosofia da Sensação”, escrita por C. Türcke no início do século
XXI. Detendo-se sobre a experiência do ler, o trabalho ressalta a leitura da
palavramundo como uma relação de proximidade com o mundo, distanciada da
idéia de exploração e controle, assim como problematiza a reação de muitos
estudantes da disciplina de Filosofia da Educação que estudaram esse texto, e
identificaram o referido relacionamento com exploração. A insistência sobre
essa idéia nos leva a argumentar que, em meio as pressões para emitir, na
chamada Sociedade Excitada, os estudantes dispõem de nenhuma ou de poucas
condições para renunciar ao impulso predatório no exercício da leitura. Nesse
sentido, o trabalho se desenvolve em três momentos: a primeira parte analisa o
texto de Freire, discutindo-o a partir do contexto da sociedade excitada; o
segundo momento aborda o paradigma da sensação como algo sensacional de
modo a refletir sobre como a pressão pela emissão torna ainda mais difícil o
exercício não exploratório da leitura; a última parte relaciona a compreensão de
Türcke sobre a proibição social de se opor as máquinas com a insistência dos
estudantes em utilizar a palavra exploração para definir a experiência de leitura
em Freire.
Palavras-chave: Experiência do Ler , Exploração, Pressão para Emitir,
Sensação
122
Eixo Temático: Fundamentos da Educação
Estudo epistemológico e bibliométrico da produção científica
da área de fundamentos da educação do PPGE/UFSCAR
Marcio Coelho
Maria Cristina Piumbato Inocentinni Hayashi
UFSCar – Brasil
[email protected]
Resumo
A pesquisa em Educação tem se mostrado consolidada no Brasil, resultado de
um itinerário iniciado nos primórdios do séc. XX, o qual encontrou no INEP
um importante propulsor, vindo a institucionalizar-se através dos programas de
pós-graduação. Entretanto, as mudanças do contexto histórico-social nos
últimos anos têm influenciado esse campo e despertado debates sobre os rumos
dessas pesquisas. As modificações políticas do final do séc. XX enfraqueceram
o marxismo enquanto teoria explicativa da realidade e, junto a isso, a
disseminação da cultura pós-moderna gerou uma fragmentação dos objetos da
pesquisa em Educação. Esse contexto justificou a realização do estudo das teses
de doutorado da área de Fundamentos da Educação do Programa de PósGraduação em Educação da Universidade Federal de São Carlos
(PPGE/UFSCar), para detectar se o contexto histórico da mudança de
paradigmas na pesquisa em ciências humanas teve repercussão nos
pressupostos epistemológicos dessa produção científica. O estudo realizado, de
caráter documental e de cunho exploratório-descritivo, permitiu a identificação,
reconhecimento e análise da produção científica, de forma que os resultados
obtidos podem viabilizar generalizações e apresentar novos caminhos para
pesquisas na área. Para a fundamentação histórica foi realizada a análise
bibliográfica e documental de obras que tratam da história da pesquisa em
Educação, da estruturação da pós-graduação no Brasil, do contexto histórico do
século XX, especialmente a década de 1990, e de textos e documentos a respeito
do desenvolvimento histórico do PPGE/UFSCar. No estudo da produção
científica foi realizada a análise bibliométrica das 43 teses defendidas no período
de 1993 a 2005, dos alunos que ingressaram nos dez primeiros anos do Curso
de Doutorado do PPPGE/UFSCar, entre 1991 a 2001, e a análise
epistemológica das teses da primeira turma, defendidas no período de 1993 a
1996. A partir das análises realizadas foi possível concluir que o materialismo
histórico dialético foi o referencial teórico que predominou nas primeiras teses
123
defendidas no Curso de Doutorado, na Área de Fundamentos, do
PPGE/UFSCar.
Palavras-chave: Fundamentos da Educação, Análise Epistemológica, Análise
Bibliométrica, Produção científica, Referencial teórico.
124
Eixo Temático: Fundamentos da Educação
Fundamentos filosóficos e políticos da
campanha pedagógica contra-reformista: séculos XVI e XVII
Marcos Roberto de Faria
Universidade Federal de Alfenas – UNIFAL
Brasil
[email protected]
Resumo
O recorte cronológico deste trabalho é determinado pela presença de vários
instrumentos de “ordenação” usados pela Igreja Católica para colocar tudo em
“ordem”. Dentre estes instrumentos estava o fortalecimento da vigilância que a
Contra-Reforma evidenciou, sobretudo por meio dos decretos do Concílio de
Trento. O texto trata dessa vigilância que a Igreja pôs em cena, a fim de trazer
ao leitor a crise que se instalou na relação entre religião, poder e relações
sociais nos séculos XVI e XVII. A chamada Contra-Reforma apropriou-se de
grandes tradições filosófico-políticas para embasar suas práticas. Nesse sentido,
o trabalho considera o ressurgimento quinhentista do tomismo e suas
implicações na definição do estatuto do próprio ser humano. Tendo
aprofundado essa questão, o trabalho passa a tratar, em seguida, de agentes
considerados a principal expressão da Contra-Reforma: os jesuítas. Cabe
destacar que, sobretudo após o Concílio de Trento, Aristóteles e Tomás de
Aquino são incorporados como leituras obrigatórias nos cursos mantidos nos
colégios jesuíticos, passando a ser os autores preferidos dos jesuítas. A lógica e
a metafísica aristotélicas eram duas vias e duas estruturas do pensamento
humano que garantiam certeza em um tempo de dúvida, sobretudo no campo da
busca pela via da salvação. Para além disso, a rigidez das normas e proibições,
como reação à instabilidade da época, se acentua também nas casas da
Companhia. A fim de verificar essa tese, o trabalho recorre às cartas e
determinações enviadas do centro da Ordem jesuítica em Roma para os
colégios da América portuguesa. Nessa direção, conclui-se que o reforço da
ortodoxia instaurado pela Contra-Reforma são perceptíveis em várias direções,
como por exemplo, na rígida regulamentação das normas que sistematizavam o
cotidiano dos colégios jesuíticos. Para colocar tudo em ordem, a Igreja contrareformista regula corpos e saberes, a fim de reforçar a vigilância e estabelecer a
“ordem” sobre as coisas.
Palavras-Chave: Filosofia, Contra-Reforma, Jesuítas
125
Eixo Temático: Fundamentos da Educação
Diálogo e Confiança na Relação Educativa:
uma contribuição a partir da Filosofia do Diálogo de Martin Buber
Maria Betânia do Nascimento Santiago
Universidade Federal de Pernambuco
BRASIL
[email protected]
Resumo
A problemática da formação encontrou diferentes respostas ao longo da
trajetória da humanidade, expressas significativamente na Paidéia grega, e na
moderna Bildung alemã. Nelas se descortina a dupla dimensão do processo de
humanização: individual e comunitário, pois se trata da formação de
personalidade única, na sua radical autonomia, mas que assim se reconhece
pela confirmação do outro, numa projeção exterior por meio da participação no
mundo. Buscamos refletir sobre a questão assumindo esse debate a partir do
pensamento de Martin Buber, cuja Filosofia do Diálogo oferece significativas
contribuições para a compreensão do sentido da formação humana.
Compreendendo o humano como ser de relação, Buber afirma o diálogo
interhumano como categoria existencial por excelência. O diálogo é o ato
propriamente humano e humanizante, pressupondo a autenticidade da
existência. A peculiaridade dessa situação dialógica resgata, enquanto questão
antropológica, o sentido do humano e a dimensão ética que perpassa as
relações. O sentido da formação emerge do conjunto das elaborações desse
pensador, mas também da específica contribuição ao debate educacional da sua
época, na expressa crise da modernidade que se evidenciava, mas também a
grande manifestação do ideário pedagógico, momento ao qual ele busca
responder de modo singular. Essas elaborações revelam uma posição
alternativa quanto ao significado do educativo, que aqui objetivamos discutir.
Reconhecendo a concretude da existência como ponto de partida do atuar
pedagógico, Buber afirma o encontro, a relação dialógica como núcleo
essencial da educação; um encontro em que o educador vivencia uma
compreensão abrangente do educando reconhecendo-o em sua singularidade. A
atitude fundamental que o orienta é a relação, a vivência da reciprocidade,
anunciando que na tarefa formativa a relação se sobrepõe à intencionalidade. A
educação pressupõe o vínculo de confiança entre os envolvidos, relacionado ao
significado que o educador representa na relação da criança e do jovem com o
mundo: ele assume uma intransferível responsabilidade de seleção do mundo
126
efetivo, como representante do mundo para os novos, sendo essa experiência
sentido e caminho da formação. Tal proposta representa a consciência de que
novos valores devem ser fomentados e nos leva a reconhecer no primado da
confiança na relação educativa, mais do que uma estratégia de aproximação, de
conquista do educando: um modo próprio de estabelecer as relações em uma
realidade marcada pela desconfiança, pela descrença no outro.
Palavras-chave: Diálogo, Confiança, Formação Humana, Martin Buber
127
Eixo Temático: Fundamentos da Educação
Michel Serres: a possível nova hominescência e os
desafios para a educação do homem contemporâneo
Maria Emanuela Esteves dos Santos
Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP
Brasil
[email protected]
Resumo
Essa pesquisa buscou pensar a formação do homem contemporâneo a partir da
filosofia de Michel Serres, mais especificamente, a partir da obra
Hominescências (2003). Por meio dela, problematizou-se os elementos ou as
circunstâncias que singularizam nosso tempo e, consequentemente, podem estar
fazendo emergir uma outra humanidade. Como uma investigação, a princípio,
marcada por reflexões antropológicas, a dissertação intentou, contudo, por
objetivo maior, lançar as proposições que permitissem pensar a educação do
homem contemporâneo. Para tanto, a investigação tentou refletir sobre o
homem e as dimensões que o engendram conforme estabelecida pela tradição
da Antropologia Filosófica. Essa reflexão, por sua vez, conduziu à
problematização da pergunta fundamental da Antropologia Filosófica: o que é o
homem? Neste sentido, a investigação apropriou-se de alguns elementos da
tradição do pensamento sobre o homem na tentativa de pensar a filosofia
antropológica proposta por Serres. Uma vez associadas essas concepções,
tornou-se perceptível o desvio que permitiu à filosofia de Serres a apreensão
das modificações de nosso tempo enquanto potencialidades hominescentes.
Logo, sob a ambiência dos conceitos antropológico-filosóficos, a dissertação
passou ao detalhamento das circunstâncias diferenciais do século XX que,
segundo Serres, modificaram as três dimensões de engendramento do homem:
o corpo, o mundo e os outros. Tais circunstâncias diferenciais são pensadas, por
sua vez, em razão dos seguintes acontecimentos: a liberação das constrições,
dores e sofrimentos do corpo; as questões ambientais na relação do homem
com seu meio, com implicações nas condutas e culturas, ciências, vida social,
corpos e religião; e a recente expansão e mobilidade dos meios de
comunicação, com implicações no tempo e espaço da habitação humana. Dessa
forma, refletindo sobre a contingência desses acontecimentos à constituição do
homem, a dissertação buscou levantar por fim, as implicações deste novo
tempo ao pensamento educacional, através da viabilidade de repensar as velhas
128
categorias de totalidade: sujeito-objeto, conhecimento-ação que fundamentam
as perspectivas de ensino e aprendizagem.
Palavras-chave: Michel Serres, Antropologia Filosófica, Hominescências,
Homem Contemporâneo.
129
Eixo Temático: Fundamentos da Educação
Humanismo e Educação
Mauro Rocha Baptista
Wellington Elias de Jesus
Universidade do Estado de Minas Gerais - UEMG
Brasil
[email protected] e [email protected]
Resumo
A proposta que motiva este trabalho é simples, o que não significa dizer que
seja simplória. Simples porque qualquer análise de auto-ajuda pedagógica pode
diagnosticar que existe um problema educacional associado à des-humanização
da educação. Porém, não podemos nos arriscar nas conclusões simplórias a que
estes manuais nos conduzem afirmando que a re-humanização da educação é
uma questão de desenvolvimento sentimental por parte do professor. É
necessário pensar que tipo de humanização, ou seja, que tipo de humanismo
motivaria um revigoramento de nosso desgastado sistema educacional. O
primeiro aspecto que será analisado é o que designamos como paradoxo da
educação, ou seja, a necessidade de prender a resultados que se sobrepõe à
veracidade daquilo que se pretende ensinar. A partir do momento em que se
questiona o espaço próprio da verdade e a autoridade inabalável dos donos da
verdade, o que precisa ser a postura de um professor humanista, a educação
acaba por se contradizer. Ou ela abre os horizontes para novas perspectivas e
tende a se perder metodologicamente, ou ela se fecha nas verdades já assumidas
e se perde quanto a sua vocação de gerar criticidade. O que nos leva a indagar
sobre a origem da relação com a verdade a partir dos seus embasamentos na
ruptura entre mito e razão. A investigação deste ponto arquetípico é o que nos
permite compreender a perda do humanismo em uma postura puramente
racionalista. Diante da cisão com o mito o homem passou a se entender apenas
como racional. Um novo humanismo, que compreenda a totalidade do ser
humano, precisa reconhecer as limitações deste homem, o qual não pode se
entender completamente apenas na razão. O homem é mais do que apenas
razão, uma educação humanista precisa compreender este contexto para não se
deixar levar apenas pela metodologia do acerto lógico e se abrir à compreensão
de uma construção social deste sujeito que quer se educar.
Palavras-Chave: Educação, Humanismo, Razão
130
Eixo Temático: Fundamentos da Educação
Contribuições dos humanismos no pensamento de Paulo Freire
Nelino José Azevedo de Mendonça
Faculdade de Ipojuca – FAJOLCA - PE
Brasil
[email protected]
Resumo
A ideia defendida por Freire de que os seres humanos têm a vocação ontológica
para o ser mais, isto é, para serem cada vez mais humanos, e isso implica na
superação permanente das situações de desumanização, é o que configura
essencialmente a dimensão na sua pedagogia e também o que articula em seu
pensamento as bases conceituais de uma antropologia historicamente apoiada
em concepções político-sociais. Como seres inconclusos vocacionados
ontológica e historicamente para realizarem sua humanização, os homens e as
mulheres são chamados a um engajamento político e social no mundo, e esse
engajamento é a concretização da práxis humana. Para Freire, não é possível a
superação das estruturas desumanizantes se os seres humanos não se tornam
seres de práxis. O pensamento de Paulo Freire tece uma trajetória constitutiva
de uma pedagogia libertadora, preocupada com a existência do ser humano no
mundo. Por esse motivo, um dos aspectos centrais na formulação de sua práxis
educativa é a questão da humanização. Ao reconhecer que a humanização é a
vocação ontológica do ser humano para ser mais e que ela se constitui num
processo permanente de dialogicidade e de práxis coletiva entre os seres
humanos, Freire, por outro lado, reconhece também a distorção dessa vocação
ontológica do ser mais (humanização) para o ser menos (desumanização) como
realidade histórica e, portanto, como processo de desumanização que se
estabelece num contexto social opressor e de exploração. O sentido de uma
pedagogia humanizadora exige o entendimento de como os processos
educativos se estabelecem enquanto ação cultural, tanto para a humanização
quanto para a opressão, e, conseqüentemente, o que possibilita a construção de
instrumentos de transformação da realidade na perspectiva de uma práxis
educativa que contribui para a superação das estruturas desumanizantes e
afirmação da libertação e humanização das pessoas e, ao mesmo tempo, a
compreensão da relação histórica, política e cultural dessa ação pedagógica
com a dimensão existencial da categoria humanização.
Palavras-chave: Humanização, Desumanização, Pedagogia, Dialogicidade
131
Eixo Temático: Fundamentos da Educação
O mal estar e a pseudoformação do indivíduo contemporâneo
no âmbito da cultura e do trabalho: possibilidades de
emancipação da subjetividade e da consciência
Rosemary Roggero
Uninoversidade Nove de Julho – UNINOVE
Brasil
[email protected]
Resumo
Este estudo tem por objetivo estabelecer um diálogo com Freud, Adorno,
Horkheimer e Marcuse pondo ênfase à reflexão acerca da qualificação para o
trabalho sob o atual movimento do capital e analisando, também, o sentido das
reformas educacionais em direção à formação cultural, para interpretar sua
influência sobre a subjetividade. Uma das principais questões sobre a qual nos
debruçamos nessa reflexão é “Seria possível que o próprio setor educacional
passasse a produzir e alimentar sua reflexão por aquilo que tem se produzido no
mundo do trabalho, à luz das experiências de pseudoformação e de qualificação
segundo a lógica das competências (ou mera adaptação) dos indivíduos, como
um primeiro passo em direção à reformulação de sua práxis teórica? Ou a frieza
instaurada impede que um sistema – mesmo o educacional – possa se autorefletir? Nossa hipótese é que os sistemas sociais, via de regra, mostram-se
incapazes dessa auto-reflexão, por isso, considerando que o todo permite a
existência do particular, a questão da auto-reflexão se volta para o âmbito do
indivíduo. Torna-se sua a responsabilidade da escolha entre a auto-reflexão ou
a negação de si mesmo em direção à uma subjetividade possível. Se a frieza se
instala no próprio indivíduo em relação a si mesmo, ou se converte em autocomiseração, é engodo, é a astúcia dos tempos modernos que impede o
(re)conhecimento da própria humanidade. Como será argumentado, as relações
coisificadas, impedidas do amor pela frieza a que aderem necessitam da
autoconsciência. Eis o tipo de auto-reflexão que pode ser pensada para a
educação, para o sistema de formação na cultura desta sociedade. É preciso que
se tenha consciência da crueldade e da dureza da vida para resistir a elas e
manter presente a possibilidade da vida mesma, e não para naturalizá-las como
aspectos que perpetuam uma vida simulada. A conclusão do estudo aponta que,
aos que lidamos com a questão da formação no nosso cotidiano, fica o desafio
constante de percebermos a quem ou a quê estamos servindo, e, antes disso, o
132
quanto de nossa própria formação é falsa, pelo reconhecimento da nossa frieza
e pela auto-reflexão como forma de superá-la.
Palavras-chave: Pseudoformação, Emancipação, Subjetividade, Consciência
133
Eixo Temático: Fundamentos da Educação
Anísio Teixeira e os fundamentos filosóficos da educação democrática
Sabina Maura Silva
UEMG
Brasil
[email protected]
Resumo
O presente trabalho é produto da tese de doutorado, intitulada Matrizes
filosóficas do pensamento de Anísio Teixeira, desenvolvida junto ao Programa
de Pós-Graduação em Educação: Conhecimento e Inclusão Social da Faculdade
de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais, sob orientação da
Professora Doutora Rosemary Dore Heijmans e defendida junho de 2010.
Anísio Teixeira se ocupa em explicitar os lineamentos filosóficos gerais e
específicos à educação principalmente no livro Pequena Introdução à Filosofia
da Educação – Escola Progressiva ou A transformação da Escola. O educador
brasileiro chama a atenção para a ligação estreita entre educação, com o sentido
claro de formação, e a filosofia, como expressão ideal universal de uma época.
A educação como processo de formação da pessoa não pode prescindir de uma
reflexão cujo escopo seja o desvendamento dos sentidos do mundo humano. É a
formação para a vivência, a qual, no entanto, não se identifica com a mera
acomodação ao instituído. Ao invés, pretende, e deve pretender sempre, seu
reexame permanente tanto no nível dos procedimentos, quanto naquele dos
princípios. Prática que corrige a si, porquanto se deixe penetrar pela postura
filosófica e se nutra de seu pneuma. A filosofia aparece, pois, como uma
postura que retifica usos e rumos da prática social formativa. A democracia,
como forma paradigmática da existência social dos homens é o modo de
vivência a ser fortalecida, na medida em que fornece aos elementos da vida
moderna um amplo espaço de florescimento. Face a isso, cabe à escola dar
ouvidos a todos, bem como a todos servir. Quanto ao professor, independente
de seu campo de conhecimento específico, a totalidade do saber humano
acumulado e continuamente produzido deverá ser por ele dominada, ainda que
de modo referencial. Na reflexão de Anísio Teixeira, o qual confere ao
pedagógico um fim político, o professor, que rege o processo educativo, deve
possuir, tanto quanto informação e técnica, uma clara filosofia da vida humana
e uma visão aguda da natureza humana; deve se tornar, por isso, filósofo.
Palavras-chave: Filosofia, Educação, Democracia.
134
Eixo Temático: Fundamentos da Educação
Nietzsche, cultura e educação: a exemplaridade da Grécia Pré-Socrática
Silvia Cristina Fernandes Lima
Universidade Federal de Uberlândia
Brasil
[email protected]
Resumo
O presente texto pretende refletir sobre a concepção de cultura que perpassa a
filosofia de Friedrich Nietzsche (1844-1900), sobretudo, nas obras consideradas
de seu primeiro período, notadamente n’O Nascimento da Tragédia (1872) e na
Primeira Consideração Extemporânea – David Strauss o devoto e o escrito
(1873). Refletir sobre o conceito de cultura se justifica na medida em que
evidencia a sua importância, sobretudo, como possibilidade de criação e
vivência na natureza e no mundo como um todo. Nietzsche, enquanto crítico da
modernidade, afirmou que não há na modernidade uma cultura autêntica e sim
uma pseudocultura. Para o filósofo alemão, a modernidade é estéril de criação
cultural, pois se restringe a imitar os gênios. De acordo com ele, a modernidade
é marcada profundamente pela falta de unidade - que na ótica de Nietzsche
caracteriza-se pela unidade de estilos, assinalado pelo apolíneo e o dionisíaco -,
na medida em que vive em um mundo fragmentado, instável e cheio de
contradições. Contrário e crítico deste modelo de cultura estabelecido na
modernidade, Nietzsche vai propor n’O Nascimento da Tragédia (1872) um
modelo de cultura inspirada na Grécia pré-socrática. Pois, via nesta civilização
um povo altamente civilizado e que apesar disso possuíam a capacidade de
equacionar as paixões, os conflitos trágicos, os problemas angustiantes
mediante uma exaltação da vida, no qual, podemos vislumbrar a união natureza
e civilização. Desse modo, procura na Grécia pré-socrática a exemplaridade de
uma civilização que, através da arte, tinha sobrevivido às adversidades. Na I
Consideração Extemporânea David Strauss: o devoto e escritor, Nietzsche
crítica a concepção de cultura que está estabelecida na Alemanha do século
XIX, no qual, os alemães haviam confundido cultura com as glórias militares.
Além disso, podemos observar que, para o filósofo da Basiléia, cultura e
educação estão intrinsecamente ligadas. Para Nietzsche, as instituições de
ensino na Alemanha do século XIX, tinham como objetivo a formação de
profissionais para atenderem fins específicos dentro do novo cenário capitalista
e industrial que começava a se configurar naquela nação. Assim, acreditava que
135
a exemplaridade dos gregos, as suas ações e, sobretudo, sua cultura e a forma
de interpretar o mundo pudesse propiciar uma renovação da cultura alemã.
Palavras chave: Cultura, Educação, Grécia Pré-Socrática, Nietzsche
136
Eixo Temático: Fundamentos da Educação
O conceito de tecnologia na formação do tecnólogo
Sueli Soares dos Santos Batista
Emerson Freire
Fatec Jundiaí
Brasil
[email protected] e [email protected]
Resumo
Neste artigo aborda-se como o conceito de tecnologia aparece na graduação
tecnológica. Tomamos como ponto de partida de nossa discussão, questões que
têm norteado outros pesquisadores: Que pressupostos definem uma educação
relacionada à formação tecnológica e não limitada a uma formação técnica
vinculada ao mero treinamento? A educação tecnológica pode ser
compreendida extramuros da qualificação profissional? Partimos da hipótese de
que há um ensino que se pensa para uma determinada concepção de tecnologia
restrita à idéia de resultados mensuráveis e produtos utilizáveis. Algo muito
distante do que se poderia almejar muito inicialmente como ensino sobre
tecnologia. Consideramos fundamental discutir qual é o significado do que
seria uma educação tecnológica que não lidasse com a tecnologia como algo
em si, isolado de um contexto sócio-histórico e político. Edgar Morin analisa os
desafios do pensamento científico contemporâneo considerando que há uma
certa corrente da epistemologia que sofre uma espécie de tecnologização,
enquanto idolatria da técnica subvencionada pelo mercado, e que considera de
maneira dissociada os aspectos científicos, sociais e políticos próprios de uma
sociedade em constante transformação. Neste trabalho discute-se uma
epistemologia outra que seja capaz de analisar os limites dessa abordagem
reducionista da complexidade da tecnologia em seu processo histórico e as
conseqüências disso para a formação acadêmica e profissional. O objetivo deste
artigo é analisar a importância da discussão permanente nos cursos de
graduação tecnológica sobre o conceito de tecnologia na sua relação com a
sociedade, com a ciência e com as decisões políticas. Além das diretrizes
curriculares para esta modalidade de ensino, também verifica-se, a partir de
pesquisa de campo com graduandos destes cursos, como se dá a percepção, o
estudo e a reflexão sobre este conceito na sua formação, via de regra marcada
pelo dualismo estrutural entre formação humanística e formação profissional e
pela oposição simples entre ciência e tecnologia, entre pesquisa pura e pesquisa
aplicada.
137
Palavras-chave: Educação profissional e tecnológica, Epistemologia da
tecnologia, Graduação tecnológica, Sociedade e Tecnologia
138
Eixo Temático: Fundamentos da Educação
A dimensão ética e pedagógica na intuição em Bergson
Tarcísio
Jorge Santos Pinto
UFJF
Brasil
[email protected]
Resumo
No presente trabalho discutiremos alguns aspectos relevantes da concepção do
método da intuição em Henri Bergson, analisando a partir daí possíveis
contribuições desta teoria à filosofia da educação contemporânea.
Investigaremos a possibilidade de pensarmos numa certa dimensão ética e
pedagógica imanente ao método da intuição bergsoniano. Com este intuito
procuraremos mostrar como, segundo Bergson, o exercício da intuição pode
nos ensinar a conhecer mais intimamente a realidade da vida, proporcionando,
em conseqüência disso, um maior equilíbrio da atividade intelectual do homem
e uma maior possibilidade de sua elevação moral. Para o desenvolvimento
dessa reflexão dois suportes se farão necessários: a abordagem que Bergson faz
do misticismo em Les Deux Sources e o desenvolvimento de sua concepção de
“bom senso” como o contrapeso fundamental à atividade racional dado através
da atividade intuitiva, contrapeso este imprescindível tanto no campo do
conhecimento teórico quanto no do conhecimento prático da vida cotidiana.
Buscaremos através de nossas reflexões ressaltar, portanto, que, além de um
método de conhecimento filosófico rigoroso da realidade, que é duração, a
intuição, tal como Bergson a compreende, pode converter-se no princípio de
ações transformadoras capazes de promover a elevação moral do homem e,
assim, não só ampliar o seu campo de especulação como também lhe dar “mais
força para agir e para viver”, segundo as próprias palavras do filósofo francês.
Associada a esta discussão, apontaremos que importa a Bergson valorizar uma
educação que ajude a formar um ser humano verdadeiramente criador e que,
aliada a uma filosofia que valorize o espírito de simplicidade, aproxime-se da
vida e tenha justamente a intuição como complemento fundamental da
inteligência. Por estas e outras razões, embora Bergson não tenha desenvolvido
nenhuma teoria pedagógica específica, certamente não são desprovidas de
sentido as pesquisas em torno do tema da educação neste filósofo; muito pelo
contrário, tais pesquisas têm mostrado um campo de pensamento rico e fértil,
139
capaz de trazer valiosas contribuições para a filosofia da educação, inclusive
em nossa época mais atual.
Palavras-chave: Bergson, Ética, Educação, Intuição, Inteligência, Bom senso
140
Eixo Temático: Fundamentos da Educação
Huellas de erotismo prehispánico en la formación humana
Marco Antonio Jiménez
Ana Maria Valle Vázquez
Facultad de Estudios Superiores Acatlán de la UNAM
México
[email protected]
Resumen
El erotismo es una exaltación, es la tensión constante entre conciencia e
instinto, una exuberancia extrema de la vida que sólo puede ser posible en su
correlato mortificante. Vida/muerte, más que oposiciones simples, son una
misma palabra vidamuerte, por eso engendrar a otro ser, un ser agónico por
principio, no deja de representar una actividad erótica, lo humano más humano.
En otras palabras, pro-crear es dar vida a la muerte. Es en este sentido que
consideramos que esta exaltación de la vidamuerte, propia del erotismo, está
vinculada con la formación humana. La continuidad vital es para nosotros,
como seres discontinuos (individuos que morimos de manera singular)
mortales, condición necesaria de nuestra existencia. Precisamente el
agotamiento del erotismo reside en la separación de la vida y la muerte como
del placer y del dolor. En la formación humana, que no en el adiestramiento o
disciplina, juega el doliente tejido del placer, convive la muerte y conmuere la
vida; por que formar es trans-formar, movimiento impetuoso de formas, y deformar, oposición y vaciamiento de formas. Recurriendo a Bataille, planteamos
tres formas de erotismo: del cuerpo, del corazón y de lo sagrado. Y tres
importantes huellas: la conciencia de la muerte, la fecundidad y lo monstruoso.
Estas tres formas de erotismo y sus huellas sin duda alguna aparecen en
diversas manifestaciones prehispánicas. Y será desde aquí, desde la
convergencia del erotismo, sus huellas y lo prehispánico que buscamos una
peculiar manera de reflexionar sobre la formación humana.
Palabras-clave: Erotismo, Prehispánico, Formación.
141
Eixo Temático: Método e Pesquisa em Educação
A hermenêutica reconstrutiva de Habermas
como método nas pesquisas em Educação
Abdael Gaspar de Sousa
Universidade de Brasília
Brasil
[email protected]
Resumo
O trabalho busca discutir a proposta da hermenêutica reconstrutiva de
Habermas como alternativa epistemológica para repensar a pesquisa em
educação diante da pluralidade teórico-interpretativa. Trata-se de uma proposta
teórico-metodológica inovadora capaz de atender as exigências da
cientificidade em suas diferentes manifestações, afirmando-se como abordagem
alternativa às pesquisas qualitativas que vem sendo realizadas. Ela aborda a
relação sujeito e objeto como pertencentes da mesma realidade objetiva,
explicitando a impossibilidade de uma racionalidade instrumental de
reconhecer uma verdade absoluta. A experiência da verdade recebe o sentido
filosófico de racionalidade, que permite a emancipação social por meio do
diálogo racionalmente motivado e livre de coações. Tal perspectiva se
apresenta como recurso de qualificação do conhecimento educacional diante da
conjuntura de crítica aos fundamentos absolutos e emergência da pluralidade
compreensiva. Ela possui um caráter de emancipação que oferece oportunidade
de, por meio da conversação entre as diferentes intérpretes, desenvolver
mudanças práticas em favor de melhorias universais. Trata-se de uma
possibilidade de gerar consensos, sempre susceptível de refutação, entre os
interlocutores educacionais comprometidos com a vida prática e coletiva.
Palavras-chave: Hermenêutica, Método, Educação.
142
Eixo Temático: Método e Pesquisa em Educação
Materialismo e rede de significação (RedSig):
Aproximações teóricas sobre o método
Egeslaine de Nez
Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS
Brasil
[email protected]
Resumo
O ato de pesquisar supõe que se possa delinear um objeto científico distinto dos
objetos construídos pelo senso comum ou pela atividade humana; seu objeto se
constrói numa ruptura em relação ao saber imediato. Qualquer construção na
realidade não é, porém, nem definitiva, nem dogmática, mas sistemática e
rigorosa. O método representa um procedimento racional e ordenado,
constituído por instrumentos, que implica utilizar, a reflexão e a
experimentação para alcançar os objetivos preestabelecidos no planejamento da
pesquisa. Este artigo tem por objetivo realizar aproximações teóricas sobre o
método, analisando criticamente o materialismo e a rede de significações, onde
todos interagem dinâmica e dialeticamente, compondo a rede que contempla
condições macro e micro-individuais. O marxismo compreende três aspectos
principais: o materialismo histórico, o materialismo dialético e a economia
política. Apresenta características importantes: materialidade do mundo;
matéria anterior à consciência e o mundo conhecível. A Rede de Significações
é uma perspectiva teórico-metodológica, que propõe uma rede de significados
para compreender a realidade. Assim, o conjunto das ações possíveis de serem
realizadas são estruturadas e interpretadas pela ação do outro e, por um
conjunto de elementos sociais, econômicos e ideológicos. As significações se
fazem através de conflitos e crises, onde a contradição revela-se como parte
integrante e fundamental no processo de constituição das pessoas e da
sociedade. Concluí-se a partir das reflexões teóricas que na RedSig, as pessoas
e a rede de significações são contínua e mutuamente transformadas pelas
características sociais e temporais do contexto nas quais as interações ocorrem.
Os componentes individuais, os campos interativos, os cenários e a matriz
mostram-se dinâmica e dialeticamente relacionados, estruturando redes de
configuração semiótica. A existência de diferentes perspectivas, de idéias
antagônicas, constitui um dos pressupostos da RedSig que interpreta pistas a
partir de redes de significações em contínua transformação, e isso se liga
143
diretamente ao marxismo. E, enquanto método, ao materialismo dialético.
Concluindo, as aproximações entre o marxismo e a rede de significações são
significativas enquanto relacionada ao método da construção da pesquisa, pois
há uma intersecção entre algumas características.
Palavras-chave: Materialismo, marxismo, rede de significações.
144
Eixo Temático: Método e Pesquisa em Educação
Dissociação de noções, o método do sistema hegeliano
Tarso Bonilha Mazzotti
Universidade Estácio de Sá
Brasil
[email protected]
Resumo
Sustenta-se, aqui, que Hegel utiliza a técnica argumentativa dissociação de
noções, a que separa uma noção usualmente considerada unitária em dois
termos para os comparar. Nesta comparação o termo 2 é pleno das qualidades
que faltam no termo 1, instituindo o que ele diz ser o real. No caso de Hegel, o
real é alcançado por meio transições que culminam na oposição absoluta (em si
e por si) entre a ideia de prática e a ideia de teoria, que se resolvem na quietude
do Espírito Absoluto. Os termos de uma dissociação não são contrários, mas
oposições postas pelo que falta. A falta de algumas qualidades explicita
ausência em relação ao que se considera completo, o termo II da dissociação. A
contradição ontológica, pois é dessa que se trata em Hegel, requer que
qualidades contrárias sejam atribuídas ao sujeito na mesma situação, tema da
teoria do objeto (predicação). A não contradição ontológica afirma: “Em algum
objeto a mesma característica [predicados, qualidades] não pode,
simultaneamente, pertencer-lhe e não lhe pertencer”. Por isso, a falta de certas
qualidades apenas designa o que carece para ser outro, o qual se quer completo,
não se trata de contrariedades. Caso se afirme qualidades posta por uma
relação, então elas serão correlativas, nunca contrárias. As qualidades de ser
escravo e ser senhor são correlativas, são determinadas pela relação escravista,
mas Hegel considera-as contraditórias, quando se trata de incompatibilidades.
A situação de escravo é incompatível com a de senhor de escravos, salvo se a
sua situação foi alterada, ou por se tornar livre do senhor de escravos
(alforriado) ou pelo fim do escravismo. O mesmo ocorre na relação capitalista,
em que o proprietário dos meios de produção é correlativo ao que vende sua
força de trabalho, o que pode resultar em concorrência, luta entre as classes
postas na relação, ou cooperação entre as classes para a realização da produção.
No caso desta relação, se e quando forem alteradas, as duas classes
fundamentais do capitalismo deixarão de existir, sem que se tenha uma
superação desse modo de produção, mas a sua substituição.
Palavras-chave: Hegel, método, noções.
145
Eixo Temático: Método e Pesquisa em Educação
Por uma pesquisa dos sentidos, das sensibilidades e das poéticas
nosdoscom os cotidianos escolares: contra uma escola do absurdo
Victor Junger
UNIRIO
Brasil
[email protected]
Resumo
A instituição escolar legitimou-se como espaço privilegiado do saber racional e
reducionista. Em seu bojo uma série de dicotomias tomou forma, permeando
amplamente seus instrumentos e técnicas pedagógicas, excluindo os saberes e
sentidos outros de seu espaço. Este trabalho procura questionar as práticas
regulatórias desta estrutura e seus jogos de poder trazendo à baila as reflexões
de diferentes autores entre três relatos no/do/com o trajeto de uma pesquisa
teórica, que poderiam contribuir para uma investigação dos sentidos e
sensibilidades produzidas nosdoscom os cotidianos escolares. Como questãoproblema faço uso da imagem professor-aluno figurada pela peça de teatro A
Lição, do dramaturgo Eugène Ionesco. A aula de aritmética que produz o
anacronismo entre qualitativo e quantitativo, a aula de filologia que sob a
semelhança e a igualdade das línguas constroi barreiras a este conhecimento, e
por fim o crime que, efetuado como o absurdo da relação professor-aluno, é
apenas concluído com o aniquilamento de uma das partes. O desenvolvimento
transcorre entre três simulacros, três relatos nodocom o trajeto de uma pesquisa
teórica, que poderiam contribuir, no meu entender, para uma investigação dos
sentidos, das poéticas e das sensibilidades. O primeiro trecho transita sobre a
ideia de sentido e acontecimento desenvolvida por Gilles Deleuze, nas
sensibilidades que se efetuam entre a ordem das coisas e a linguagem. O
segundo trecho traz as contribuições de Michel de Certeau para a cultura
cotidiana via o estético das práticas, das enunciações pedestres e das poéticas
dos golpes. O terceiro trecho investiga, junto às reflexões do professor Manuel
Antonio de Castro, o fazer estético e os atos de produção poéticas de
sensibilidades no poiein grego. Acredito que as pesquisas desenvolvidas neste
sentido contribuem direta e indiretamente para a compreensão de que a escola
não se reduz à norma, à mera reprodução das hierarquias, ou ao
estabelecimento de uma monocultura dos saberes.
Palavras-chave: Poética, sentido, escola.
146
Eixo temático: Política e Educação
Dos caminos posibles en la formación ética:
la literatura y la filosofía
Andrés Mejía D.
Mónica Almanza
Universidad de los Andes
Colombia
[email protected]
Resumen
Se ha hablado mucho a lo largo del tiempo sobre el papel de la educación en la
formación de la ética de los individuos. Dado que esta última ha sido
tradicionalmente un objeto de estudio de la filosofía, podría esperarse que fuera
a partir de esta disciplina que se llevara a cabo la formación ética. Sin embargo,
autores como Rorty y Cavell, entre otros, han señalado el papel formador que
pueden tener las artes narrativas, y en particular la literatura. En este artículo
exploramos algunos aspectos de la naturaleza de una formación ética que parta
de la literatura, en contraste con una que parta de la filosofía. En concreto,
intentaremos mostrar que el hecho de que la literatura se preocupe por la
representación de casos particulares mientras que la filosofía se ocupe de lo
general y sólo después lo aplique a lo particular, tiene como consecuencia que
la primera de estas disciplinas manifiesta una preocupación y un cuidado
especiales por los detalles que configuran la complejidad de cada situación. De
esta manera, la literatura como espacio de formación ética parece ser más
acorde con los enfoques “particularistas”, que, como se puede argumentar,
pueden ser más apropiados para entender nuestro comportamiento moral en las
situaciones propias del mundo complejo de lo social. Ahora bien, no estamos
diciendo que el mero contacto con la literatura va a formarnos de esta manera.
Por ello, describiremos algunos principios que podrían distinguir, en una
formación ética desde de la literatura, un enfoque particularista de uno
generalista. De manera similar, no estamos diciendo que cualquier obra de la
literatura tenga el mismo potencial para ello; y, en concreto, tampoco queremos
sugerir que las obras literarias que pretenden dejar una enseñanza moral de
manera obvia –como las fábulas y algunos tipos de literatura infantil–, o incluso
aquellas que presentan conflictos morales de forma directa, sean las más
apropiadas para ello. Es la atención a los detalles, tanto en la obra como en la
147
lectura de ella, la que resalta la complejidad de la moralidad y puede, con ello,
ayudarnos en el desarrollo como seres morales.
Palabras-clave: formación ética, literatura, filosofía.
148
Eixo temático: Política e Educação
O impacto social da educação do campo
na realidade do semi-árido nordestino
Carlos Alberto Tolovi
Universidade Regional do Cariri – URCA/ CE
Brasil
[email protected]
Resumo
Nestes últimos anos, no Brasil, podemos constatar uma nova realidade se
afirmando no campo das políticas públicas para a educação. Dentro da herança
deixada por Paulo Freire, na perspectiva da educação popular, os movimentos
sociais intensificaram a luta por uma educação que leve em conta a realidade
específica dos homens e das mulheres que vivem no campo. Os movimentos
sociais pressionaram o governo. O governo provocou as Universidades e, deste
processo dialético de co-responsabilidade social nasceu o PROCAMPO. Uma
licenciatura totalmente voltada para a formação de educadores e educadoras
inseridos na realidade do campo, com o propósito de uma educação
contextualizada, a partir da pedagogia da alternância. Mas, será que este
processo está acontecendo de forma tranqüila? Será que as Universidades
estavam preparadas para assumirem esta missão? Será que o governo federal
está realmente dando as condições de operacionalização para a execução deste
projeto? Por fim, será que o PROCAMPO, como um programa do Governo
Federal, em parceria com as universidades públicas, está realmente provocando
um impacto positivo na realidade onde estão inseridos e atuando os educadores
e educadoras que receberam essa formação? E na realidade nordestina, seria
possível identificar estas impactos? O que podemos afirmar, a partir do
levantamento que já fizemos, é que as 31 (trinta e uma) universidades que
assumiram esse programa, envolvendo 1.900 alunos, em sua grande maioria,
enfrentam o drama de não poderem contar com infra-estrutura adequada para a
pedagogia da alternância e com um “corpo docente” preparado para este
desafio. Por outro lado, não é difícil perceber que, um avanço, de fato,
aconteceu: o PROCAMPO é hoje uma realidade. Portanto, neste ensaio temos
por objetivo analisar o desenvolvimento da Educação do Campo no Brasil e os
impactos desta mesma educação na realidade do semi-árido nordestino,
levando-se em canta a necessidade de se enfrentar e desconstruir o chamado
149
“mito da seca”, que explica, justifica e acomoda o homem e a mulher do campo
em uma realidade de injustiça social.
Palavras-chave: impacto social, semi-árido nordestino, educação.
150
Eixo temático: Política e Educação
Educação escolar indígena:
Currículo, interculturalidade e revitalização
Carlos Odilon da Costa
Universidade Regional de Blumenau - FURB
Brasil
[email protected]
Resumo
O presente artigo é um dos primeiros resultados da pesquisa do Programa
Educação para a revitalização da língua e cultura Laklânô/Xokleng.
Capes/Furb, realizada pelo grupo Educogitans, da linha de pesquisa Filosofia e
Educação do Mestrado em Educação da Universidade Regional de Blumenau.
A pesquisa é financiada pelo Observatório da Educação Escolar
Indígena/MEC/CAPES. O objetivo principal e identificar os elementos
presentes na educação construídas por eles, que possibilitam e promova a
autonomia e libertação deste diversos povos indígenas frente a uma sociedade
não indígena envolvente fundamentada no espírito capitalista neoliberal. O
artigo descreve também que estes grupos, embora silenciados, fazem parte de
nossa história e hoje, são parte de um processo de revitalização cultural.
Destaca-se o trabalho de Professores Indígenas os quais se organizam
articulando filosofias, currículo e diretrizes básicas diferenciadas fundamentada
em uma concepção intercultural à questão da educação escolar dos povos
indígenas em contraposição à escolarização para indígenas.
Palavras-chave: Revitalização. Educação Indígena. Interculturalidade.
151
Eixo temático: Política e Educação
O eterno das violências nas escolas públicas do Distrito Federal
Diogo Acioli Lima
UCB- Universidade Católica de Brasília
Brasil
[email protected]
Resumo
Este estudo de casos múltiplos, realizado pela Cátedra UNESCO de Juventude,
Educação e Sociedade da Universidade Católica de Brasília (UCB) analisou de
forma quantitativa e qualitativa cinco escolas públicas do Distrito Federal, com
elevado grau de práticas de violências. Para isso, a pesquisa de caráter
descritivo e exploratório utilizou como técnicas de coletas de dados observação,
entrevistas de grupo focal com alunos; entrevistas semi-estruturadas
individuais, e aplicação de questionários a professores e alunos. Foram
focalizadas as turmas do sexto ao nono ano do ensino fundamental e de
aceleração dos turnos diurnos. Ao todo participaram da pesquisa 783 alunos,
111 professores, dez membros dos CSE, e 91 alunos nos grupos focais.
Percebendo a urgência de se compreender as violências entre os grupos de
colegas e os motivos pelos quais elas afloram, as relações de dominação nos
pátios escolares se manifestam como um meio para coerção social nas disputas
de poderes entre “senhores” e “escravos”. Partindo desta ótica, as violências
que entram nas escolas, influenciadas muitas vezes pelas mídias atingem
grande parte dos estudantes, sendo eles vítimas ou perpetradores. Piorando este
cenário, a omissão da direção fortifica mais ainda círculo de violência nas
escolas, pois deixa os caminhos livres para disputas agressivas de poderes entre
os estudantes. Contudo, o pensamento do eterno retorno ligado à valorização da
vida pode trazer os jovens de volta ao protagonismo nas escolas, pois o trabalho
desvinculado do capital como resposta pode gerar uma valorização da vida em
detrimento de sua banalização.
Palavras-chave: violências escolares. eterno retorno, “senhor” e “escravo”,
disputa de poderes.
152
Eixo temático: Política e Educação
Educação e justiça na perspectiva da filosofia de John Rawls
Edgar Domingo de Albuquerque
Universidade de Sorocaba
Brasil
[email protected]
Resumo
John Rawls (1921-202) é um dos mais importantes nomes da filosofia política
do século XX. Seu esforço intelectual concentrou-se na análise do conceito de
justiça presente nas doutrinas filosóficas utilitaristas e contratualistas e,
sobretudo, na tentativa de elaborar uma teoria que fundamentasse quais
princípios de justiça orientariam a constituição política da sociedade. Embora
Rawls não tenha se dedicado diretamente às questões da educação, esta está
implicitamente presente em sua teoria, uma vez que os principais conceitos
filosóficos desenvolvidos por Rawls se apoiam na percepção que os indivíduos
tem de si mesmos como cidadãos livres, iguais e participativos da cooperação
social. Percepção esta que passa, ou deveria passar, necessariamente pela
esfera da educação formal. Assim, apresento neste trabalho uma síntese das
relações entre educação e justiça feitas em minha dissertação de mestrado.
Buscando uma aproximação entre a teoria da justiça rawlsiana e a educação
formal. O presente trabalho expõe, de forma condensada, os principais
conceitos da teoria rawlsiana, com a finalidade de situar o leitor no universo
teórico proposto por Rawls e, em seguida, as interpretações e inferências feitas
a partir da perspectiva da teoria rawlsiana sobre a educação formal,
identificando-a como uma das instituições da estrutura básica da sociedade e,
ainda, como um bem primário dentro da concepção rawlsiana.
Palavras-chave: Educação, Justiça Social, Equidade.
153
Eixo temático: Política e Educação
O Século das Luzes e a educação pública
como instituição política republicana
Fabio de Barros Silva
Universidade Federal de São João del-Rei – UFSJ
Brasil
[email protected]
Resumo
A discussão e a avaliação do papel exercido pela educação pública no regime
republicano constituem os principais objetivos deste trabalho. Para isso,
centramos a análise no exame da teoria política e social de Montesquieu (16891755), exposta no Do espírito das leis (1748) e nas Considerações sobre as
causas da grandeza dos Romanos e de sua decadência (1734), e da teoria
política e pedagógica de Rousseau (1712-1778), desenvolvida no Discurso
sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens (1755), no
artigo Da Economia Política (1755), no Contrato social ou princípios do
direito político (1762), no Emílio ou da educação (1762) e nas Considerações
sobre o governo da Polônia (1772), considerando, especialmente, o vínculo
entre política e educação estabelecido por estes teóricos. Além disso,
procuramos analisar alguns dos diferentes projetos de educação pública
apresentados durante o processo revolucionário francês, cotejando-os com o
Rapport et projet sur l'organisation générale de l'instruction publique e com as
Cinq mémoires sur l’instruction publique, ambos elaborados entre 1791 e 1792
pelo Marquês de Condorcet (1743-1794), considerando as diferentes matrizes
teóricas e o posicionamento político de seus proponentes. Assim, sem desprezar
as divergências entre os autores e textos estudados, o trabalho procurou
enfrentar, fundamentalmente, três problemas: 1. Por que a educação pública
assume a condição de instituição política essencial para a consolidação dos
regimes republicanos? 2. A institucionalização da educação pública como
política de Estado imprescindível para a formação de cidadãos não termina por
conduzir ao estabelecimento de uma relação pautada na heteronomia em
detrimento da autonomia? 3. Qual seria o limite da ação do Estado em matéria
de educação?
Palavras-chave: Iluminismo, Política, República, Educação pública,
Cidadania.
154
Eixo temático: Política e Educação
A Filosofia da Educação no contexto de reformas do ensino superior
Gilson Luís Voloski
Universidade Federal de Santa Catarina
Brasil
[email protected]
Resumo
A partir da década de noventa do século passado, com o processo de
globalização da economia e da anunciada “Sociedade do Conhecimento”, o
cenário mundial passa por tentativas de reformas no ensino superior. Este texto
pretende situar a Filosofia da Educação neste contexto de reformas. Para isso,
busca identificar as principais diretrizes dessa tendência e, considerando
algumas delas, refletir sobre suas possíveis implicações para a teoria e a prática
formativa. No contexto brasileiro, centraliza a análise nos discursos de reforma,
de modo especial, na Resolução CNE/CP n° 01/ 2006 que institui as novas
“Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Graduação em Pedagogia”
e, com base nesta, na avaliação diagnóstica desses cursos. (GATTI et all, 2009).
A estratégia metodológica deste artigo consiste em apresentar indícios da
intensificação da semiformação presentes nestes discursos reformistas, ao
mesmo tempo em que, de forma subentendida, se ressalta a importância da
Filosofia da Educação como resistência crítica. Portanto, neste contexto de
simplificação prática e de superficialidade teórica, a Filosofia da Educação
precisa resistir na produção rigorosa de conceitos, ao mesmo tempo em que é
desafiada a se abrir ao diálogo com outras áreas de conhecimento da educação,
desenvolvendo a crítica do presente, no caso do tema específico desse texto,
com a qualificação das políticas educacionais.
Palavras-chave: Reformas do Ensino, Semiformação, Filosofia da Educação,
Práxis e Teoria Crítica.
155
Eixo temático: Política e Educação
Sobre artesanos y proletarios:
Consideraciones acerca de relatos de experiencias y trabajo docente
Jonas Waks
Universidad de Buenos Aires
Argentina
[email protected]
Resumen
La experiencia de casi tres años como profesor de filosofía en escuelas públicas
secundarias en San Pablo, Brasil, despertó mi interés por el tema del trabajo
docente. Durante ese período, fueron implementados algunos programas que
establecieron formas de control más intenso sobre el profesor y nos quitaron la
autonomía para planificar, desarrollar y evaluar las actividades didácticas.
Desde los sindicatos resistimos, pero no tuvimos fuerza para impedir el avance
de las reformas y aún menos capacidad para plantear alternativas. El contacto
con algunas estrategias de formación, capacitación y asociación docente
basadas en el relato y en la documentación de experiencias pedagógicas me ha
permitido, por un lado, comprender mejor los efectos de las reformas
tecnocráticas sobre el trabajo docente. Por otro, permitió indagar esas
estrategias no solo como resistencia a las reformas, sino como contribución
valiosa al planteo de una “política de conocimiento” alternativa para la escuela.
El presente trabajo empieza con la descripción y el análisis de mi experiencia
en escuelas que vivieron la implementación de programas tecnocráticos, para
indagar sus efectos en las relaciones de poder en la escuela. Luego, analizo una
estrategia de formación y capacitación docente basada en los relatos de
experiencia: la Documentación Narrativa de Experiencias Pedagógicas,
desarrollada en Argentina. Parto de una descripción de la estrategia y de
algunas discusiones metodológicas que ella suscita, para contraponerla a mi
experiencia con la tecnocracia y reflexionar sobre la implicaciones
epistemológicas y políticas de los distintos modos como se piensa a los
docentes. Si los “paquetes curriculares” generan la proletarización del docente
(al prescribir detalladamente todas sus acciones y alienarlo de sus relaciones
con el conocimiento, sus pares y alumnos), la Documentación Narrativa hace
hincapié en la dimensión artesanal de la docencia, al interpelar el maestro
como intelectual, como productor de saberes en que la marca de su singularidad
será siempre visible. De este modo, no solo ofrece resistencia al avance de la
156
tecnocracia, sino propone también un reposicionamiento de la identidad
docente, fundada en su rol de productor de saberes y en nuevas formas de
asociación vinculadas al (re)conocimiento de esa productividad.
Palabras-clave: Relatos de Experiencias, Trabajo Docente, Profesor de
Filosofia.
157
Eixo temático: Política e Educação
Sobra o conceito de fronteiras: uma reflexão em torno
do diálogo entre a filosofia e a política visando interrogar o pensamento
hegemônico
José de Sousa Miguel Lopes
Universidade do Estado de Minas Gerais
Brasil
[email protected]
Resumo
As reflexões que motivaram a elaboração deste texto resultam de um longo
processo de maturação que o autor vem desenvolvendo na última década, ao
ministrar aulas em várias Universidades, em diferentes cursos de graduação
(Filosofia, Pedagogia, História, Geografia, Letras, Psicologia, Comunicação e
Jornalismo), pós-graduação lato-sensu (principalmente Psico-Pedagogia) e
Mestrado em Educação. Estas reflexões, de forma crescente, passaram a
“incomodar” o autor, ao constatar como a célebre assertiva de Marx “a
ideologia dominante em uma sociedade é a ideologia da classe dominante” se
faz tão presente no modo de pensar de uma parte significativa dos estudantes. E
esse modo de pensar se tornou tão forte, em resultado de um pensamento que se
tem tornado hegemônico a nível mundial, que virou natural, evidente, óbvio,
não passível de contestação, em suma quase cristalizado. Emerge, então, a
necessidade de se enfrentar o senso comum, não como um inimigo, que ele não
é, mas como, ele se pode transformar em obstáculo para construir novos
maneiras de pensar e agir sobre o mundo. Ao transpormos nossa reflexão para o
campo acadêmico, estaremos no lugar onde as disciplinas se entrincheiram nas
suas fortalezas, coibindo consciente ou inconscientemente o diálogo. Assim,
começaremos por discutir os conceitos de fronteira e limites, procurando
mostrar a necessidade de realizar esse esforço transdisciplinar, que atravesse as
fronteiras do saber, do pensar e do viver contemporâneo. Seguidamente, e
privilegiando alguns recortes temáticos, procuraremos incitar cinco autores de
vários campos do saber, - autores que designamos por “provocadores” - , ao
diálogo com a Educação. São intelectuais que trabalham temas da Filosofia
(Michel Onfray), da História (Jack Goody), da Ciência Política (Domenico
Losurdo) e da Sociologia (Zygmunt Bauman e Boaventura de Sousa Santos) na
perspectiva de questionamento do pensamento hegemônico. Assim, ocorreu um
duplo desafio: para o professor que, através de vários autores, desencadeou,
provocativamente, reflexões que, em grande medida, se configuraram
158
polêmicas, e para os estudantes com quem dialogou, almejando aprofundar,
aceitar e/ou discordar de seus pontos de vista. Ficou claro que as zonas de
fronteira podem/devem transformar-nos, e frequentemente o fazem, em
analistas minuciosos dos sistemas de representação que sustentam nossas
crenças, valores e dinâmicas relacionais. Nesse processo, esse analista
minucioso em que nos transformamos, pode estabelecer conexões a
comunidades de pertencimento imprevisíveis.
Palavras-chave: fronteiras, filosofia, política, pensamento hegemônico.
159
Eixo temático: Política e Educação
Teoria crítica, sociedade democrática e formação política em Habermas
Luiz Roberto Gomes
UFSCar
Brasil
[email protected]
Resumo
Nos dias de hoje, para além dos discursos “entusiasmados” em prol da
liberdade e da democracia, é cada vez mais comum encontramos pessoas
enclausuradas em si mesmas, sem uma preocupação explícita com as questões
que envolvem o “bem comum”, o “espaço público”, ou a vida política, na
forma como os gregos a definiram na Polis. No plano cultural, a privatização
dos mecanismos de controle ideológico da informação tem contribuído cada
vez mais para que haja a intensificação da Indústria Cultural, tal como Adorno
e Horkheimer já diagnosticavam em meados dos anos de 1940. Diante da
problemática que ora trazemos para a discussão, poderíamos dizer que
estaríamos diante de um processo de despolitização da sociedade atual? Que
lugar ainda restaria para a “esfera pública”, se as “políticas” continuarem a
expressar muito mais os interesses privados do que os efetivamente públicos? A
formação política, na forma como descreve Jaeger (1995), não teria mais
sentido, principalmente numa sociedade em que prevalece a lógica sistêmica do
dinheiro e do poder? É nesse contexto de sobreposição do “privado” sobre o
“público” e do reducionismo da formação à sua dimensão técnico-instrumental,
que propusemos à luz do pensamento de Jürgen Habermas, uma reflexão acerca
dos processos políticos de formação da sociedade, especialmente, a apreciação
do processo de usurpação da esfera pública e o conseqüente afastamento da
sociedade civil do debate público. Partimos da hipótese, conforme as análises
empreendidas por Hannah Arendt, de que a crise da política está associada a
uma crise da educação, pois, os sistemas educativos atuais relegam, para
segundo plano, os conteúdos dos processos formativos que possivelmente
denotariam uma participação mais efetiva dos cidadãos, perante os dilemas que
desafiam a sociedade atual. Com tal propósito de reflexão, esse trabalho
procurou abordar os aspectos concernentes aos limites e possibilidades dos
processos de formação política na contemporaneidade. Para efeito de análise,
foi considerada a contribuição do pensamento filosófico-político de Jürgen
Habermas, especialmente, os elementos formativos da noção de política
deliberativa concebida a partir de um modelo procedimental de democracia.
160
Com Habermas foi possível demonstrar que, a sobreposição do poder
administrativo sobre o poder comunicativo acaba gerando um profundo estado
de debilidade social. O esvaziamento da esfera pública e o distanciamento da
sociedade civil da vida política são os sintomas de uma sociedade ameaçada
pelos interesses sistêmicos do dinheiro e do poder. Como não se trata de um
processo natural, a sociedade pode reverter essa condição, mediante o
restabelecimento do vínculo entre a esfera pública e a sociedade civil. A
educação também pode ajudar a desenvolver a sensibilidade política dos
cidadãos, com o fortalecimento da capacidade avaliativa e argumentativa das
pessoas, viabilizando, dessa forma, o debate público de discussão e de
deliberação dos reais interesses da sociedade civil.
Palavras-chave: Teoria Crítica, Formação Política, Sociedades Democráticas,
Jürgen Habermas
161
Eixo temático: Política e Educação
“O que vocês fizeram está fora de um padrão aceitável para a escola”:
sujeição e prática de liberdade no cotidiano escolar – da (in)disciplina ao
cuidado de si
Wescley Dinali
Universidade Federal de Juiz de Fora
Brasil
[email protected]
Resumo
As problematizações aqui pospostas passam pelo interesse em mover
discussões em torno da produção de sujeitos escolarizados. Na possibilidade de
(re)pensar diferentes processos de subjetividades presentes no cotidiano
escolar, como a sujeição e as possíveis práticas de liberdade presentes nesse
espaço. Tendo como arcabouço teórico a perspectiva foucaultiana e alguns
autores que trabalham com essa proposta, como Gallo, Veiga-Neto e Revel,
entre outros, a pesquisa foi realizada no Ensino Médio do Colégio de Aplicação
João XXIII da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) no primeiro
semestre de 2010. Para a consecução deste trabalho, acompanhei durante um
semestre, onde realizei um trabalho de observação participante, a rotina diária
de coordenadores, professores, alunos, técnicos, pedagogos e pais de alunos,
percorrendo espaços diferenciados como: coordenação, sala de aula, cantina,
pátio da escola, banheiro, sala dos professores, rádio da escola, ônibus escolar,
restaurante, reunião de pais, reunião do conselho de classe etc. Foi feito
também uma análise de documentos como o Regimento Interno do Colégio e o
Registro de Questões Pedagógicas e Disciplinares dos Alunos do Ensino
Médio. Para tanto, observou-se que a escola busca muitas vezes controlar
cotidianamente os corpos escolares através de diversos dispositivos de sujeição.
Nesse sentido, a “indisciplina” foi pensada como uma prática de resistência
contra esses efeitos do poder inerente a esse tipo de processo pedagógico, pois
quanto mais se controla mais se produzem forças resistentes. Todavia, a
autoridade escolar, muitas vezes, busca controlar ainda mais essas forças,
produzindo e reproduzindo a (in)disciplina. No entanto, como foi possível
refletir, a ética da estética da existência como cuidado de si pode vir a ser, para
a prática docente, uma forma de resistência a esse modelo escolar, a essas
práticas impostas, propiciando, para os professor e para os outros, diferentes
162
jogos de forças no interior desse espaço, jogos de liberdades mútuas, recíprocas
entre uns e outros cotidianamente.
Palavras-chave: Cotidiano Escolar, (In)disciplina, Cuidado de Si.
163
Eixo temático: Teorias da Educação
Formação ética na perspectiva da teoria antinômica de cabanas
Almiro Schulz
Universidade Federal de Goiás – UFG
Brasil
[email protected]
Resumo
O texto tem por objetivo apresentar a “Teoria Antinômica” de José Maria
Quintana Cabanas sobre a formação ética, cuja teoria é desenvolvida
principalmente nos textos de Cabanas: “Teoria de La educacion, concepción
antinômica de La educación”(1988), “Pedagogia moral- El desarrollo moral
integral” (1995)
e “Pedagogia axiológica – La educación ante los
valores”(1998). Cabanas apresenta sua teoria como uma terceira via, chamada
de ética máxima, a situa entre a “teoria da clarificação de valores” que tem seu
foco voltado para a formação do caráter, das virtudes, do domínio afetivo e
outro lado, a “teoria cognitivista”, com ênfase no desenvolvimento do juízo
moral, do domínio da cognição. No caso da primeira, o processo da educação
ética e moral centra seu foco na formação das virtudes, segundo a qual o ser
humano está pré-disposto por natureza para fazer o bem, mas há deficiências
naturais que precisam ser corrigidas e aperfeiçoadas. A segunda centra sua
preocupação na formação da moral na reflexão, na consciência ou cognição. A
terceira, assumida por Cabanas, por meio dela pretende superar ambas
anteriores, estabelece uma síntese, uma terceira via que considera como uma
formação integral, chamada também de moral máxima, que busca incluir na
formação todos os domínios e níveis da moralidade e da ética. Segundo
Cabanas, para que se atinja uma formação moral máxima é preciso que
simultaneamente ocorra a instrução teórica, por meio do ensino moral, como
fruto do conhecimento (cognitivismo) e o desenvolvimento do hábito, por meio
da disciplina e prática, como uma forma da iniciação na prática do bem, pois, as
idéias em si são impotentes para determinar sempre um comportamento ético.
Para isso, é preciso incluir na formação moral o campo pessoal e o campo
social, e, em ambos, superar o que chama de moral mínima. Nesse sentido, a
formação envolve relações interpessoais, através de atividades de
compartilhamento, de experiências que exigem disciplina, para a formação do
caráter. Portanto, segundo Cabanas, o processo educativo para formação ética
164
se dá numa relação antinômica, que não são contradições lógicas, mas
oposições polares ecujo resultado não é dogmático, mas crítico e moderado.
Palavras-chave: Ética, formação, teoria antinômica.
165
Eixo temático: Teorias da Educação
La condicionada renuncia al instinto de propiedad,
como parénesis de la teoría de La educaión sin escuela
Carlos Andrés Muñoz López
Universidad Libre de Colombia
Colombia
[email protected]
Resumen
Es evidente la gran necesidad de comprender o reestructurar formas alternativas
de enseñanza, frente a la inocultable crisis de la educación actual direccionada
en su mayoría por parámetros gubernamentales, dejando en consecuencia a la
Escuela como: la antítesis más profunda de la añeja y bien intencionada
concepción de la palabra Escuela. Por lo anterior, se hará un análisis en primer
lugar del planteamiento de la teoría de la Educación sin Escuela, la cual en
términos generales concibe en su inmediatez práctica diversas acepciones
difíciles hacerlas converger en una teoría, debido al riesgo de hacer cualquier
aseveración unívoca sobre su conjunto. Es por ello, y con miras a precisar el
objetivo de la ponencia, que tendremos a Iván Illich como principal referente,
con su obra cumbre “La sociedad desescolarizada”; seguido haremos un breve
bosquejo con el fin referenciar las distintas acepciones de carácter práctico
comprendidas en la teoría base de la ponencia; para así proceder a exponer el
significado puntal de lo que se podría considerar el instinto de propiedad en el
ser humano, referenciando la pertinencia del comprender la dificultad y
magnitud recaída sobre quien desee renunciar al mencionado instinto, o por el
contrario, someterse. Para esta temática nos basamos en las conferencias
llamadas: “El porvenir de nuestras Escuelas” realizadas en Basilea por el
entonces filólogo alemán Friedrich Nietzsche. Para dar termino final, se
explicará la renuncia al instinto de propiedad como característica imperante del
fundamento filosófico de la teoría de la Educación sin Escuela y sus posibles
desviaciones en la práctica.
Palabras-claves: Educación; Escuela; Instinto; parénesis; gubernamental.
166
Eixo temático: Teorias da Educação
Educação musical na República de Platão
Daniel Figueiras Alves
Faculdade de Educação/UNICAMP
Brasil
[email protected]
Resumo
Este artigo concentra-se no estudo acerca da paideia platônica, delimitada pela
questão da formação dos cidadãos da Cidade ideal, notadamente a categoria dos
guardiões. Esta formação é conferida pela cultura musical, fundamento e
cânone da paideia tradicional. Tal recorte temático está inserido numa
contextualização que remonta ao arcaico, mas se dá no período clássico quando
em confronto com o pensamento sofístico. Tanto Platão quanto os sofistas
retomaram elementos dessa cultura musical, notadamente a potencia educativa
da paideia musical aliada ao estatuto de veracidade incontestável da poesia.
N'A República a crítica de Platão aos sofistas é empreendida, com maior vigor,
no livro I e gira em torno da noção de justiça; já a crítica aos poetas e aos
músicos está concentrada nos livros II e III e pretende ditar preceitos e censuras
acerca do conteúdo, da linguagem e dos elementos técnicos musicais. A função
da educação sensível é a de promover a formação das bases morais e sensíveis
da alma dos cidadãos; é uma educação propedêutica e atua diretamente na alma
dos indivíduos mediante a adequada organização das partes da alma. Esta
organização deve assegurar o comando da razão sobre as demais partes, ou
ainda, garantir a posição de superioridade hierárquica da sabedoria sobre as
outras virtudes humanas. A reta organização das virtudes constitui, para Platão,
a efetivação da justiça na alma e por extensão a concretização da justiça no
Estado. O Estado é a externação da interioridade da alma; se a alma encontra-se
perfeitamente organizada então o Estado também estará. A educação sensível é
a primeira etapa da paideia platônica, antecede os estudos matemáticos e a
dialética, estes duas e especialmente a última atuam na condução da alma à
contemplação do Bem e das ideias. Enquanto o conteúdo destas últimas
privilegia a formação intelectual, a educação musical – anterior e sensível,
lança mão dos elementos da tradição para a formação da moralidade. Nesse
sentido, a educação musical é uma espécie permissão concedida ao poeta e ao
músico para formação dos cidadãos, desde que vigiados pelos legisladores da
Cidade ideal e submetidos à racionalidade.
Palavras-chave: Educação, Música, Platão.
167
Eixo temático: Teorias da Educação
O conceito de emancipação em Jacques Rancière
Edna Batista da Silva
Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro
Brasil
[email protected]
Resumo
O presente trabalho tem por objetivo refletir sobre o conceito de emancipação
em Jacques Rancière, considerando que a proposta de uma educação para a
emancipação remonta ao século XVIII com o movimento que ficou conhecido
como Iluminismo. Uma das bases deste movimento é precisamente a autonomia
intelectual, a compreensão de que o ser humano deveria fazer uso de sua razão
e ter a responsabilidade de tomar por si mesmo as decisões éticas sem recorrer
a nenhuma autoridade externa. Neste sentido, não é difícil perceber o
importante papel conferido à educação que deveria, então, colaborar no
aprimoramento intelectual do indivíduo, a fim de que ele atue na construção de
uma sociedade mais justa. A conquista da autonomia intelectual é precisamente
o que entendemos por emancipação. Trata-se de investigar, portanto, como a
educação pode ou não contribuir para que ela seja alcançada. A questão que
guia este trabalho é a seguinte: a exigência de emancipação critica o processo
educativo porque ele se pauta numa transmissão de conteúdos e conhecimentos
e por produzir uma heteronomia. Cabe, portanto, pensar como é possível uma
educação baseada na emancipação, visto que este é um processo que pressupõe
a autonomia do aluno. Assim, utilizarei Rancière como referencial teórico pelo
autor afirmar, em seu livro O Mestre Ignorante, uma igualdade das
inteligências e trabalhar a necessidade de que o professor seja um mestre
emancipador e não um mestre explicador, pois o primeiro, não submete a
inteligência do aluno à sua, acreditando ser o detentor do saber, já o segundo,
pauta sua prática apenas na explicação, crendo ser o educando aquele que, não
tendo o conhecimento, precisa de alguém que o explique sobre as várias
questões que permeiam sua realidade. Para Rancière, o emancipar está pautado
numa questão política, visto que na relação entre professor e aluno não deve o
mestre se colocar numa posição de detentor do saber, mas pelo contrário, deve
incentivar o educando a buscar saberes que ele enquanto docente possui,
acreditando que o aluno é capaz de alcançar os mesmos conhecimentos.
Palavras-chave: Emancipação, Educação e Autonomia.
168
Eixo temático: Teorias da Educação
A interpretação de textos e a formação da pessoa reflexiva Um estudo sob a perspectiva de John Dewey
José Claudio Morelli Matos
Universidade do Estado de Santa Catarina - UDESC
Brasil
[email protected]
Resumo
Por meio do exame do pensamento de John Dewey, sobretudo das obras
Democracia e Educação e Como Pensamos, discute-se uma concepção acerca
da leitura e interpretação de textos. O papel educacional da leitura é destacado
por meio de uma identificação desta atividade com o que Dewey denomina de
pensamento reflexivo. Assim, não haveria oposição entre a pedagogia da
experiência de Dewey, e uma forte tonalidade pedagógica atribuída à leitura. O
resultado da prática da leitura é a formação de hábitos mentais mais integrados,
menos dispersos, maior aproveitamento da energia dispensada, e aumento das
chances do comportamento, individual ou coordenado socialmente ser bem
sucedido de acordo com os objetivos que os próprios agentes estabelecem,
naquilo que envolve a leitura. A leitura é compreendida como investigação,
direcionada a apreender o significado do texto. Este último é compreendido
como um artefato, ou utensílio, constituído a partir dos símbolos escritos. Por
ser um utensílio, se presta a um uso individual e social. No ambiente social em
que a linguagem escrita ocupa papel determinante na conduta bem sucedida dos
indivíduos, a leitura é fundamental instrumento de comunicação, por meio do
qual crenças, conhecimentos, modos de agir são transmitidos e modificados.
Palavras-chave: formação, John Dewey, interpretação de texto.
169
Eixo temático: Teorias da Educação
A relação teoria e prática nas licenciaturas
Maria das Graças de Almeida Baptista
Genilson José da Silva
Universidade Federal da Paraíba
Brasil
[email protected] e [email protected]
Resumo
A presente pesquisa é fruto, inicialmente, dos estudos desenvolvidos na UFPB,
no início da década de 2000, com vista à reformulação curricular de seus
Cursos, aliado às reflexões desenvolvidas a partir da introdução do Programa
Estudante Convênio - Rede Pública (PEC-RP), na UFPB, visando à formação dos
professores da rede pública, e ao desenvolvimento da tese de doutorado em
educação da autora junto aos professores que atuam em escolas públicas
estaduais do município de João Pessoa. Nesses momentos, a dicotomia teoria e
prática veio à baila, fazendo surgir o seguinte problema: qual a natureza das
associações teórico-práticas que os alunos desenvolvem durante o Curso de
Licenciatura? O objetivo do presente estudo é, portanto, conhecer as
associações que os discentes das Licenciaturas desenvolvem acerca da relação
teoria e prática nas disciplinas pedagógicas. Entretanto, parte-se do pressuposto
que as associações que os alunos desenvolvem nas disciplinas pedagógicas
encontram-se dialeticamente relacionadas às propostas oficiais para as
licenciaturas, tanto do Ministério da Educação, como da própria IES, assim
como às concepções dos respectivos Cursos e de seus docentes acerca de como
ocorre essa relação, seja para o aluno se contrapor a elas, seja para corroborálas. Nesse sentido, a pesquisa empírica desenvolveu-se junto aos discentes e
docentes do Curso de Licenciatura em Educação Física da UFPB, assim como
foram analisados os documentos oficiais do MEC, como a LDB e o CONAE, e
os documentos relativos à orientação da UFPB para os Cursos de Licenciatura,
a Resolução 04/2004 do CONSEPE, e os Projetos Político Pedagógicos do
Curso (onde convivem o antigo e o novo Currículo). O estudo desenvolve-se
em uma perspectiva marxiana e tem como referencial teórico a práxis, em
Gramsci e Vázquez, entendida como a ação consciente dos sujeitos que une a
teoria, compreensão da realidade, à prática (trabalho criativo), transformação
do mundo. Essa ação consciente tem como condição a transformação desses
sujeitos. Esse caminho inclui o destaque das contradições presentes nos
documentos e nos depoimentos de docentes e discentes.
Palavras-chave: educação, práxis, marxismo, universidade.
170
Eixo temático: Teorias da Educação
Del matrimonio entre literatura y lengua:
El Jano Bifronte de la escuela
Mónica Isabel Almanza Marroquín
Universidad de Los Andes, Bogotá
Colombia
[email protected]
Resumen
Este trabajo es una reflexión en torno a la enseñanza-aprendizaje de la lengua
materna y la literatura en la escuela colombiana: dos campos de conocimiento
que han sido, desde tiempo remoto, unidos bajo una sola asignatura; es decir,
unidos bajo los mismos fines y prácticamente bajo las mismas didácticas.
Reflexionar sobre las diferencias existentes entre estos dos campos de
conocimiento es el objetivo que persigue este artículo, pues se observa que a
pesar del vínculo lingüístico que ha mantenido a lengua y literatura unidas bajo
la asignatura de Lengua Castellana, existe entre ellas una diferencia enorme: la
literatura es un arte, por lo cual, no necesariamente comparte fines y didácticas
con la lengua materna. En la enseñanza-aprendizaje de la literatura además de
estudiar el texto escrito y de tomar en cuenta la historia de sus producciones y
las relaciones entre éstas y el contexto, necesariamente se aborda la
experiencia estética, que hace parte del amplio y esquivo campo de la
subjetividad humana. Mientras que, la lengua materna se orienta principalmente
hacia el desarrollo y fortalecimiento de las cuatro habilidades comunicativas,
que habrá de utilizar el individuo a lo largo de la vida, en todas las
circunstancias. Ya que ambos campos de conocimiento son de vital importancia
para el desarrollo holístico de un individuo, se hace necesario preguntar si cada
uno se está desarrollando al máximo. Especialmente, en un momento en el que
en Colombia se han evidenciado dificultades relacionadas con esta asignatura.
Dificultades demostradas en los resultados de investigaciones nacionales acerca
de los índices de lectura; de las pruebas estatales sobre comprensión textual y
de las dificultades en producción de textos presentes en los estudiantes que
acceden a la universidad. Estas dificultades conducen a reflexionar sobre la
pertinencia del matrimonio entre lengua y literatura, pues es probable que, al
compartir fines y didácticas se esté limitando un adecuado desarrollo de ambas.
Se sugiere entonces, permitirle a cada campo del conocimiento establecer sus
171
propios derroteros y perseguirlos bajo sus propias lógicas, a fin de que cada uno
aporte todo lo que tiene para dar.
Palabras clave: literatura, lengua, estética, ética.
172
Eixo temático: Teorias da Educação
Pensando uma docência nômade:
apontamentos a partir do Deleuze (aluno e professor) do ABCDário
Pedro E. Gontijo
Universidade de Brasília
Brasil
[email protected]
Resumo
O presente busca apresentar as conclusões de pesquisa empreendida sobre o
pensamento de Gilles Deleuze e potencialidades para pensar a educação. Parte
da necessidade de criação de outras formas de se produzir sentido nas práticas
educativas e a partir de ressonâncias dos dizeres de Gilles Deleuze na
entrevista concedida e publicada como Abcdário, sobretudo no verbete
professor, pensa a prática da docência. As conclusões da pesquisa revelaram
que mesmo Deleuze não sendo um pesquisador no campo do ensino, suas obras
evidenciam um conjunto de idéias que são potencializadoras de uma prática
docente que não seja facista e que se expressa nômade. Produz deslocamentos a
partir da exposição no ABCDário, onde Deleuze passeia sua fala em
basicamente quatro movimentos que se interagem e influenciam mutuamente:
a) a relação entre a preparação da aula e a inspiração provocada que leva a
afirmar a importância do ensaiar a aula; b) a relação entre o professor e o
fascínio pelo conteúdo; c) a concepção da aula como música e; d) por último,
na relação entre professor e alunos, no que se refere a levá-los a uma criativa
solidão. Tenta-se pensar o reordenar e criar toda uma nova geografia da
aprendizagem e do ensino sob outras perspectivas. Questiona sobre a vida
pulsante de uma aula e o vínculo a algum perfil docente. Talvez mais que a
plástica ou dinâmica de uma aula, mais que o conteúdo da aula, Deleuze nos
ajuda a pensar que exista um conteúdo professor a ser apresentado aos alunos
na qualidade de presença com que se coloca diante deles. Apresenta e comenta
depoimentos de ex-alunos de Deleuze sobre as aulas dele.
Palavras-chaves: Aula, Docência, Nomadismo, Deleuze e Educação.
173
Eixo temático: Teorias da Educação
Criança, infância e infantil:
nas teorias da educação contemporânea
Sônia Regina da Luz Matos
Nadja Acioly Regnier
Universidade de Caxias do Sul/PPGEDU/UFRGS
Brasil
[email protected] e [email protected]
Resumo
A pesquisa criança, infância e infantil: nas teorias da educação contemporânea
foi aceita como proposta de investigação no Programa de Mobilidade
Acadêmica Internacional no Intercâmbio de Professores e de Pesquisadores
entre Universidade de Caxias do Sul e o Institut Universitaire de Formation
des Maîtres (IUFM), em Lyon, na França. A proposta de investigação teve o
foco nos conceitos e autores da filosofia da diferença. Com este foco foi
possível levar esse tema para além das teorias psicológicas do desenvolvimento
infantil. A metodologia da pesquisa aconteceu a partir do estudo conceitual
com o filósofo francês Gilles Deleuze (1925-1995). O estudo metodológico
conceituais foram tomados como sintomas dos movimentos no pensamento da
diferença. O sintoma, isto é, os dados, serviram de bricolagem para
direcionarmos os conceito dentro de uma especifica análise conceitual sobre os
conceitos: criança, infância e infantil. O estudo quer cartografar alguns dos
efeitos dos conceito criança, infância e infantil. Para isso, pergunta-se o termo
criança, e infância são coisas diferentes? Embora por vezes sejam usados como
sinônimos. O que produziu-se sobre estes conceitos na educação? Pensar nestes
na com a filosofia da diferença é um procedimento de escovação dos clichês
universais grudados neste conceito. Portanto, traçamos cinco (5) linhas sobre
infância(S), produzidas a partir dos discursos da sociedade moderna: a infância
pecado, a infância mercado, a infância ideal, a infância consumo/cyber. Estas
infâncias são algumas das produções identitárias engendradas na sociedades
modernas e contemporâneas. Por fim, me aliando com o conceito de infantil da
autora CORAZZA (2002), podendo assim, diferenciar o conceito de infância e
infantil. Com o infantil, engendra-se uma possibilidade não identitária, de força
afirmativa singular, produz estranhamentos na estrutura moral estabelecida
pelos adultos. A própria existência do infantil, abala os valores morais da
tradição e da nossa herança ocidental moderna, entre outras tradições. Esse
174
conceito é levado para fronteira dos estudos da filosofia da diferença, com os
estudos deleuzianos, levados a fronteira de agenciamentos singulares que se
compõem com uma vida.
Palavras-chaves: Criança, Educação, Contemporânea.
175
Resumos dos Trabalhos em Andamento
Eixo Temático: Democracia e Educação
Saberes ambientais indígenas e não indígenas e a educação ambiental
Elias João de Melo
Universidade Regional de Blumenau
Brasil
[email protected]
Resumo
Essa comunicação se refere a uma pesquisa financiada pelo Programa
Educação Escolar Indígena da CAPES/INEP ao debater a temática ambiental
considerando a posição de que os problemas ambientais dizem respeito à forma
como diferentes culturas se relacionam com o ambiente. A premissa se ampara,
entre outras, nos modos como os humanos, por meio de suas instituições e
culturas, interferem nos aspectos que geram e sustentam a vida. Assim esse
tema é tratado numa perspectiva intercultural com abordagem dialógica que
analisa como a dinâmica ambiental sofre interferência das instituições humanas
voltadas para a produção e consumo de bens comercializáveis, as quais
colocam em risco a sustentabilidade da vida no planeta. A consciência dos
limites que o planeta apresenta, implica em propor alternativas de solução que
tenham direção contrária ao que gerou os problemas. Nessa dimensão se
identifica que o processo está vinculado ao contexto civilizatório vigente, o
qual dificulta o encontro de alternativas tanto de produção quanto de controle
das ações produtivas que levem em conta de forma prioritária a vida e não o
mercado. Dentre as formas de enfrentamento ao que foi convencionado como
crise ambiental foi instituída a Educação Ambiental como alternativa para gerar
mudança na dinâmica civilizatória vigente, mas que, no entanto, não alcançou
as mudanças esperadas. Assim, essa comunicação questiona a racionalidade e a
objetividade que permeia a dinâmica civilizatória vigente bem como a ciência
organizada numa concepção positivista, pautada na objetividade sem considerar
a complexidade e subjetividade das relações ambientais. A Educação
Ambiental ao dialogar com diferentes culturas e saberes, de forma intercultural,
pode desencadear meios e alternativas viáveis. Essa comunicação mostra como
o debate com professores indígenas Xokleng/Laklãnõ, pode indicar a forma
como comunidades indígenas conseguiram superar dificuldades ambientais e
delas acumularam conhecimentos e posturas que as referendem como parceiras
176
privilegiadas nesse debate. Dessa forma a Educação Ambiental se mostra como
atividade intercultural, crítica e propositiva e como ação inclusiva e amorosa,
tendo como uma de suas bases a pedagogia freiriana.
Palavras chave: educação ambiental; educação escolar indígena; saber
ambiental; saber indígena.
177
Eixo Temático: Democracia e Educação
Anísio Teixeira: desafios para a educação democrática e pública de
qualidade
José Aguiar Nobre
Samuel Mendonça
Programa de Pós-Graduação em Educação PUC Campinas/SP
Brasil
[email protected] e [email protected]
Resumo
Sabemos que a questão da educação democrática e pública de qualidade sempre
foi desafiadora por se tratar de uma busca constante pela compreensão do
homem no processo de contínua descoberta do conhecimento. Neste trabalho,
buscamos analisar os desafios da educação democrática e pública de qualidade
pensada por Anísio Teixeira. Para isso, adotamos como referencial teórico as
obras de Anísio Teixeira e de John Dewey e de interlocutores da atualidade
sobre a escola e a democracia. Para esta análise, considerando o referencial
teórico, esquadrinhar-se-á o conceito de democracia que tem John Dewey como
mestre de Anísio Teixeira. Então, do ponto de vista do método, o trabalho será
feito a partir de revisão bibliográfica, dissecando textos de Anísio Teixeira e de
John Dewey, buscando elucidar o conceito de democracia e oferecendo ocasião
para a qualificação da educação democrática e pública de qualidade, tendo
como fio condutor a qualificação deste agente “público” da educação pública
de qualidade que é o educador emancipado. O problema da pesquisa consiste,
do ponto de vista formal, na pergunta: quais os desafios para a efetivação da
educação democrática e pública de qualidade a partir de Anísio Teixeira? O
desenrolar da questão aponta para a indagação a respeito da tarefa do educador
no desenvolvimento das potências do homem na construção de uma concepção
de educação que aponta para a emancipação do sujeito. A exemplo de Anísio
Teixeira buscar-se-á visualizar possíveis estratégias para a contínua
qualificação da educação e por que não dizer da cidadania a fim de se conseguir
efetivamente uma educação pública de qualidade no Brasil. Os resultados
esperados consistem na hipótese da construção de um perfil de educador
condizente com a tarefa de promover a emancipação do homem; afinal, é a
educação o ethos possível para o fomento da democracia e, portanto, para a
efetivação da educação democrática e pública de qualidade pensada por Anísio
Teixeira.
178
Palavras-chave: Educação, John Dewey, Anísio Teixeira, Emancipação,
Democracia.
179
Eixo Temático: Democracia e Educação
Carácter ético de la educación y su rol en la
construcción de una sociedad democrática
Lía Lucy Rebaza López
Universidad Nacional Tecnológica del Cono Sur (UNTECS)
Peru
[email protected]
Resumen
El presente trabajo tiene como finalidad mostrar la importancia del rol de la
educación en la construcción de una sociedad democrática y esto se realizará a
través de una reflexión sobre la labor educativa, la cual mostrará el carácter
ético de la educación, puesto que ésta no sólo cumple con la función de instruir
o colaborar con el desarrollo intelectual o profesional de las personas, sino y, es
aquí donde pondremos énfasis, debe colaborar con el desarrollo moral de las
personas y de esta manera contribuir con el progreso de nuestra sociedad. Este
es un compromiso que debe asumir la educación puesto que pese a los ideales
de la modernidad de construir sociedades justas encontramos una extrema
individualidad, la que se hace patente en la actual crisis moral de nuestra época,
en la que encontramos la felicidad como lo sugerido y lo sugestionado
relacionado, en la mayoría de los casos, a lo económico y en un plan de vida
que excluye a los demás seres humanos. Todo ello ha contribuido a acrecentar
las diferencias sociales. Esta crisis es tan cercana a nosotros y a nuestros países
latinoamericanos que ya no nos sorprende leer en las noticias algún caso de
corrupción, discriminación o violencia, ante esto ¿qué puede hacer la educación
y cuál es su papel en la vida de los hombres? ¿Cuál es el lugar que le
corresponde en nuestros países? Ante estas preguntas se hace necesaria la
reflexión sobre el rol de la educación en la formación de una sociedad
democrática, entendida ésta como una sociedad humana y justa. De esta manera
entenderemos la íntima relación existente entre la educación y la ética. Como se
señala líneas arriba este trabajo pretende hacer una reflexión sobre la
educación, pero esta reflexión es importante porque es el primer paso para
lograr cambios reales y significativos, pero sobre todo para comprender la
verdadera tarea de la educación y por tanto, darle el lugar que le corresponde,
sobre todo en nuestros países latinoamericanos.
Palabras-clave: Carácter ético, educación, sociedad democrática.
180
Eixo Temático: Democracia e Educação
Experiências de Paulo Freire
em países africanos e sua Práxis educativa
Priscila Resende Silveira
Universidade Federal de Viçosa
Brasil
[email protected]
Resumo
Este artigo tem como objetivo explicitar aspectos preponderantes na relação de
Paulo Freire com os países africanos. Freire, nestes países, contribui com a
prática educacional mundial, ao provocar um olhar sobre o mundo, que não seja
a de ver somente a sombra, ou somente a luz, mas a conscientização da relação
de existência presente em ambas. O ato educativo em Paulo Freire é intrínseco
a um olhar afetuoso, racional e ao mesmo tempo político, nunca sobre um
povo, mas com ele. Em sua práxis constrói a ligação entre escola, trabalho
produtivo e população local, entre prática e teoria e o trabalho produtivo e o
intelectual. Além da busca pelo estabelecimento de relações entre a Educação e
o Estado. Neste sentido, esse artigo busca discutir como Paulo Freire contribuiu
com a prática educacional africana e como os seus referenciais podem ser
utilizados na prática educacional mundial. Foi o esforço em se sobrepor a
dominação cultural dos ex-colonizadores que tomou o educador em sua
essência militante de ler a realidade dos homens no mundo, que essencialmente
extrapola espaços e tempos. O educador pernambucano via no africano, como
em tantos outros, o seu próprio ser: naquilo que ele mesmo era ou no que não
era; naquilo que o outro era ou que não era; naquilo que o outro negava a si
mesmo para aceitar aquilo que “ditavam” que ele fosse; e finalmente na
percepção e construção do que poderiam vir a se tornarem juntos. Assim, querse verificar quais as incursões do educador junto aos povos de Guiné e em
outros países. O artigo busca explicitar como, após as experiências vivenciadas,
estes países continuaram a construir suas trajetórias históricas no contexto de
hegemonia da globalização, que se contrapõe ao necessário contexto de
planetarização. Enfim, o artigo procura verificar se a práxis educativa
construída por Paulo Freire com estes povos, se faz de fato como esforço de
(re)construção de algumas sociedades no mundo.
Palavras-chave: Reafricanização das Mentes; Educação Libertadora; Práxis
Educativa.
181
Eixo Temático: Ensino de Filosofia
Mapeando nvos tempos de ensinar e aprender filosofia:
experiências mo PIBID
Adriany Thatcher Castro Soares
Alexandra Quadro Siqueira
Vera Lúcia Malaquias Mutti
PIBID-Filosofia / UFBA
Brasil
[email protected]
Resumo
O itinerário da legalização do Ensino de Filosofia no Brasil é recortado por
percalços que, historicamente, têm dificultado a sua legitimação. Frente a esse
contexto, a aprovação da Lei 11.684, em 2008, que torna obrigatório o Ensino
de Filosofia nas três séries do Ensino Médio, origina-se na longa discussão
entre educadores, filósofos e o poder público brasileiro. Durante esse percurso
vivenciamos a criação de diretrizes e programas que se anunciam interessados
na formação dos profissionais licenciados. Compreender as implicações dos
discursos oficiais se tornou ainda mais necessário, após a aprovação da Lei
11.684 de 2008 que tornou obrigatório o Ensino de Filosofia no Ensino Médio.
Nesse viés, o presente trabalho apresenta a proposta do Programa Institucional
de Bolsas de Iniciação à Docência em Filosofia (PIBID-Filosofia), da
Universidade Federal da Bahia (UFBA), vivenciadas em duas escolas públicas
da cidade de Salvador/Bahia, desde 2010. O contexto legal que permeia a
criação desse programa, bem como os subsídios disponibilizados para sua
execução serão analisados. Os trabalhos desenvolvidos tomaram por base a
investigação da estrutura escolar e das demandas dos estudantes, como um
Mapeamento do Ensino de Filosofia na escola o qual fundamentou a criação de
outras atividades, dentre as quais, destacamos: a Monitoria que conta com
leitura e discussão dos textos estudados com a professora supervisora, na sala
de aula; a realização de palestras e eventos, como o Banquete Filosófico; a
exibição de filmes (curta metragens), vinculados aos conteúdos exposto nas
aulas de Filosofia, através do projeto Filosofia na Cozinha. As atividades são
divulgadas na escola e na internet, através do blog do Pibid-Filosofia
(http://filosofiapibidufba.blogspot.com/) garantindo também a construção de
ambiente virtual favorável à reflexão filosófica. Os resultados produzidos
através desse trabalho têm garantindo a construção de ambientes favoráveis à
182
reflexão do significado da Filosofia na compreensão e produção do saber, na
medida em que promovem a participação, a criação e a argumentação, com
vistas ao filosofar.
Palavras-chave: Ensino de Filosofia. PIBID. Mapeamento do ensino. Filosofia
na Cozinha.
183
Eixo Temático: Ensino de Filosofia
Além da legalização do ensino de filosofia:
uma nova filosofia para a educação filosófica
ou uma nova educação filosófica para a filosofia?
Alexandra Quadro Siqueira
Dante Augusto Galeffi
Eduardo David de Oliveira
Leonardo Rangel dos Reis
Lisiane Weber Oliveira
UFBA
Brasil
[email protected]
Resumo
O objetivo proposto deste ensaio é compreender os desígnios e as perspectivas
que a legalização do ensino formal e institucional de Filosofia no Ensino Médio
se impõe/propõe como (pre)sença na realidade brasileira educacional. Embora
tenha ocorrido a aprovação da Lei no 11.684/2008 (BRASIL, 2008), que
legaliza o seu ensino como obrigatório ao alterar o Art. 36 da Lei de Diretrizes
e Base do Ensino Médio (LDBEN) 9394/96, nada declara acerca dos conteúdos
e da metodologia. A defesa da inclusão da Filosofia como disciplina formal no
currículo não é recente. É uma luta contra resistências, embates ideológicos e
políticos. Atualmente, o ensino de Filosofia vem sendo apresentado com
diversos conteúdos, diversas formas de ensinar e por professores com outras
formações. As orientações curriculares para Reforma do Ensino Médio (2006)
estão baseadas na História da Filosofia. Em meio a (des)ordem instaurada, o
incrível é que os professores buscam alternativas para driblar os desafios
impostos. Assim, de que maneira estão se resolvendo: o que ensinar? Como
ensinar? Como avaliar? Há diversos debates no meio político e acadêmico
quanto às contribuições efetivas que a Filosofia poderia propiciar. A atitude
filosófica nos mergulha num mundo espetacular, fantástico e, ao mesmo tempo,
terrível, ao se propor buscar a verdade. Sabemos que, muitas vezes ao longo da
história da humanidade, a Filosofia esteve a serviço do Totalitarismo, do
Dogmatismo, da Ideologia. Por essa razão, não se pode apenas aprender a
Filosofia. O que se carece aprender é pensar filosoficamente. A Filosofia pode
estar a serviço de muitos objetivos e interesses. Sob esse conflito questiona-se:
com qual intenção/intensão o ensino de Filosofia no Ensino Médio foi
legalizado: uma nova Filosofia para a educação filosófica ou uma nova
184
educação filosófica para a Filosofia? Então, para que ter pesquisa? Para buscar
“finais felizes”? Para validar aquilo que já foi sugerido hipoteticamente,
orientado, convalidado, antes mesmo de ser criado, proposto? Por ora, não
almejamos atingir respostas acabadas e certas, mas, apenas refletir o momento
de transição que vivemos entre a legalização e a legitimação.
Palavras-chave: Legalização, legitimação, ensino de filosofia, filosofar.
185
Eixo Temático: Ensino de Filosofia
Montaigne: Filosofia, Etnocentrismo e Educação
Antonio Carlos
Lopes Petean
UNESP – Campus de
Araraquara
Brasil
[email protected]
Resumo
O pensador francês Michel de Montaigne se preocupou em retratar a
diversidade de costumes e hábitos que os homens são capazes de criar. Em
pleno século XVI sua obra “Ensaios” abordou, no texto “Dos Canibais”, os
hábitos e costumes dos Tupinambás. Enquanto no texto “Dos Coches”, que
também faz parte dos seus “Ensaios”, as reflexões se concentram na crueldade
e incompreensão dos espanhóis ao se defrontarem com povos nativos da
América. Suas reflexões nestes textos buscarão relativizar o conceito de “povos
bárbaros”. Conceito muito presente na literatura ocidental, desde os primórdios
da civilização grega. Para o mundo grego antigo o bárbaro era todo povo
educado fora da polis. Já para o mundo cristão medieval era inegável a
superioridade da cristandade ocidental em relação aos bárbaros muçulmanos.
Diante desta constante classificação do outro, Montaigne vai nos dizer que
somos escravos de costumes, hábitos e opiniões que circulam entre nós e aos
quais aderimos através da educação, dos ensinamentos dados por nossos pais
ou através do grupo social com o qual partilhamos nossa vida. Os costumes que
nos escravizam geram, na perspectiva do filósofo, o nosso olhar preconceituoso
sobre o outro. O filósofo Michel de Montaigne denunciou o olhar etnocêntrico
dos europeus no século XVI. Portanto, para Montaigne, a tirania dos costumes
e hábitos impede que tenhamos o livre exercício da razão e, assim, nos
impossibilitaria de construirmos um juízo sobre o outro que leve em conta a
própria diversidade humana. Sendo assim, a filosofia teria papel significativo
em nossas vidas, pois ela nos impediria de sermos escravizados pelos hábitos
adquiridos. Podemos dizer que Montaigne antecipou, com suas especulações
filosóficas, as teses que condenam os olhares etnocêntricos nas ciências
humanas e, ao mesmo tempo, podemos ver nos “Ensaios”, um ceticismo quanto
ao livre discernimento do qual a razão seria capaz, segundo os racionalistas da
sua época.
Palavras-chave: Etnocentrismo; Educação; Filosofia.
186
Eixo Temático: Ensino de Filosofia
A categoria da diferença em Gilles Deleuze e sua
influência na filosofia da educação no Brasil
Cristiane Maria Marinho
UNICAMP
Brasil
[email protected]
Resumo
A comunicação aqui proposta visa apresentar o projeto de pesquisa de Pósdoutorado na UNICAMP, sob a supervisão do Prof. Dr. Silvio Gallo, que busca
investigar a categoria da Diferença no pensamento deleuziano, mais
especificamente na obra Diferença e repetição e, também, realizar a
investigação da influência dessa vertente teórica na Filosofia da Educação no
Brasil na contemporaneidade, considerando que esta categoria ganha grande
importância, na medida em que o fundamento do ser é negado em sua estrutura
estável, ou que se tem declarada a morte da metafísica. Compreendemos ser
importante fazer o registro da memória da Filosofia no Brasil, que tem sido
descuidado sistematicamente, seja pela nossa subserviência aos grandes
referenciais europeus que marcaram a nossa formação filosófica, seja pelo
nosso parâmetro de considerar filosofia somente o exercício exegético do
conjunto de obras clássicas. A importância do registro do nosso fazer filosófico
é fundamental para constituirmos minimamente o exercício autônomo da
Filosofia. A exposição da proposta investigativa será iniciada com a exposição
teórica de elementos conceituais importantes para situarmos a pesquisa. Quais
sejam, a categoria da Diferença em Deleuze e um breve histórico da Filosofia
da Educação no Brasil contemporâneo. Dessa forma, será possível
contextualizar o que representa filosoficamente a categoria da Diferença no
âmbito filosófico, além de situar histórica e conceitualmente a influência da
filosofia da diferença deleuziana nas principais tendências da Filosofia da
Educação no Brasil contemporâneo. Outro elemento que justifica a relevância
da minha pesquisa é a volta obrigatória da Filosofia no Ensino Médio, pois a
reflexão proposta no projeto pode vir a contribuir para a produção de material
didático para esse nível de ensino de Filosofia. É importante um pensamento
gestado pela/na Filosofia sobre o assunto, para que não somente profissionais
ligados a outras áreas tenham o poder de decisão sobre os fatos e a condução do
processo; é fundamental que os próprios filósofos interfiram na produção de
187
materiais didáticos e na sua utilização em sala de aula; é necessário o
conhecimento e a compreensão dos referenciais teóricos que norteiam os rumos
do ensino da Filosofia.
Palavras-chave: Filosofia, Deleuze, Diferença, Educação, Brasil.
188
Eixo Temático: Ensino de Filosofia
O ensino de filosofia e as orientações curriculares
para o seu ensino: uma análise discursiva
Daniel Santini Rodrigues
Jackeline Rodrigues Mendes
Universidade São Francisco
Brasil
[email protected]
Resumo
Este projeto de pesquisa, em andamento, objetiva discutir e problematizar a
questão do ensino de filosofia levando em consideração as representações da
Filosofia e de seu objetivo no Ensino Médio a partir da análise discursiva do
documento oficial publicado pelo MEC, em 2006, intitulado “Orientações
Curriculares para o Ensino Médio”, no capítulo referente à Filosofia, na
perspectiva da Análise do Discurso Crítica. Esta análise se justifica pelo fato do
ensino de Filosofia no Brasil ser componente curricular do Ensino Médio,
principalmente a partir da promulgação da lei n. 11.648, em 2008, que tornou
seu ensino obrigatório como disciplina. Na década de 80 e início dos anos 90
havia tão pouco ensino de Filosofia no currículo escolar que não se precisava
pensar sobre isso. Diante do novo quadro institucional, no entanto, não se pode
continuar contando apenas com a intuição; precisam-se aprofundar os estudos
sobre currículo. O contexto de produção das Orientações Curriculares para o
Ensino de Filosofia foi marcado por incertezas. Os anos que sucederam a
promulgação da nova LDB foram anos de indefinições, não somente sobre a
inclusão da Filosofia como disciplina, mas, principalmente, sobre o que
trabalhar na disciplina de Filosofia e com qual metodologia. Diante deste
quadro, o presente projeto tem como questões norteadoras da pesquisa: Qual o
objetivo desse documento? Para quem está sendo escrito? Qual seu contexto de
produção? Quais concepções de Filosofia podem ser identificadas ao longo do
documento? Quais elementos do texto podem ser problematizados em relação à
especificidade, conteúdo e metodologia do Ensino de Filosofia? Para a
discussão e problematização desta pesquisa, este trabalho fundamentar-se-á na
abordagem de Análise do Discurso Crítica. Particularmente, a abordagem de
Análise de Discurso Crítica adotada é a Teoria Social do Discurso,
desenvolvida por Norman Fairclough. A Teoria Social do Discurso consiste na
desconstrução ideológica dos textos, no desvelamento de relações de
dominação e na intervenção social para produzir mudanças sociais. Espera-se
189
desta pesquisa um movimento, um deslocamento, pois a própria Filosofia é
tensional.
Palavras-chave: Ensino de Filosofia, Orientações Curriculares, Análise do
discurso, Teoria Social do Discurso.
190
Eixo Temático: Ensino de Filosofia
O macaco de Kafka e a educação filosófica: é possível sair da jaula?
Edgard Vinícius Cacho Zanette
Doutorando em Filosofia – Unicamp
Brasil
[email protected]
Resumo
O presente trabalho tem a proposta de investigar o papel do ensino da filosofia
e em que medida podemos falar propriamente de uma educação filosófica.
Existem inúmeras filosofias e concepções que propõem, de algum modo,
educações filosóficas. Para a presente reflexão discutiremos, entre outras
leituras citadas na bibliografia, com um enfoque no texto do professor Sílvio
Gallo, O macaco de Kafka e os sentidos de uma educação filosófica. Iremos
apresentar alguns passos da argumentação de Gallo e suas contribuições à
noção de educação filosófica. Contudo, pensando um pouco diferente de sua
perspectiva, defenderemos que o ensino de filosofia, enquanto a busca pelo
pensar por si mesmo, ou o filosofar posto em marcha, não pode reduzir-se a um
télos de utilidade, seja de apologia ou de crítica ao sistema vigente. A questão,
para ser bem compreendida, pode ser reformulada da seguinte maneira: Por
uma questão de princípio, e não de fato, o pensar colocado em marcha não deve
estar a priori determinado por qualquer ideologia filosófica, mas deve ser o
próprio pensar filosófico o princípio que possibilita a irrupção de várias
ideologias filosóficas. Tendo em vista a necessidade da abertura de horizontes
para o pensar, que em suas mais diversas sedimentações, são distintas,
consideramos que o ensino de filosofia deve ser rico, variado, contraditório, e
que o professor deve ter como ideal a possibilidade de que o aluno,
subjetivamente, desenvolva suas próprias concepções filosóficas sem a
necessidade de estar amparado ideologicamente em uma posição pró ou contra
o sistema.
Palavras-chave: educação filosófica, Kafka, filosofia, educação
191
Eixo Temático: Ensino de Filosofia
A especificidade da reflexão filosófica e a sua
adequação à realidade do ensino médio
Geraldo Adriano Emery Pereira
CAp/COLUNI –UFV - Universidade Federal de Viçosa
Brasil
[email protected]
Resumo
A presente proposta ao sugerir como objeto de pesquisa “A especificidade do
conhecimento filosófico e a sua adequação à realidade do ensino médio”
posiciona-se no centro de um debate que percorre tanto o meio filosófico como
o educacional. Ocorre que a Lei 11.684/08, que alterou o artigo 36 da Lei
9.394/96 (LDB) estabeleceu que “Serão incluídas a Filosofia e a Sociologia
como disciplinas obrigatórias em todas as séries do ensino médio”. Ora, o fato
é que a presença da filosofia na escola média sempre foi marcada por uma série
de idas e vindas, cujo hiato conduziu o ensino atual de filosofia a uma série de
questões de ordem metodológica, pedagógica e filosófica.O que se nota
contemporaneamente é a presença de uma grande dificuldade no ensino de
filosofia, pois os contínuos hiatos que marcaram a sua presença no ensino
médio dificultaram a articulação de um saber filosófico preocupado com o
status de sua ensinabilidade, bem como a desvalorização da licenciatura em
filosofia no contexto da graduação. Frente à realidade do ensino médio e das
exigências que os marcos legais fazem para esta fase da formação dos jovens, a
questão norteadora é: como se desenha o lugar curricular da filosofia no ensino
médio?Considerando as discrepâncias que ocorrem no ensino de filosofia, em
especial no Estado de Minas Gerais, qual é a especificidade da filosofia que
justifica a alegação de que apenas os licenciados em filosofia devem lecionar e
conduzir a disciplina? Por outro lado confronta-se com a delimitação da
especificidade do ensino de filosofia a carência de licenciados que os sistemas
educacionais enfrentam e as políticas de gestão educacional que muitas vezes
fazem com que os poucos licenciados fiquem fora da escola. Assim, a pesquisa
está abordando tanto a especulação conceitual referente ao ensino de filosofia
quanto provoca a suposta intencionalidade da qualidade presente nas políticas
de gestão educacional, em especial no Estado de Minas Gerais.
Palavras-chave: ensino de filosofia, reflexão filosófica, ensino médio,
currículo, formação docente.
192
Eixo Temático: Ensino de Filosofia
Filosofia no ensino mério: em busca de um pensar nacional
Janice da Silva Oliveira
Maria Betânia do Nascimento Santiago
Universidade Federal de Pernambuco/CAA
BRASIL
[email protected] e [email protected]
Resumo
O ensino de Filosofia na Educação Básica brasileira é marcado por uma
trajetória de inconstância e condição facultativa. Essa realidade, contudo, vem
passando por transformações, seja no sentido de fortalecimento do debate
acerca da inserção da filosofia nesse nível de ensino, no reconhecimento do seu
papel formativo, seja na afirmação de um caminho próprio para abordagem
dessa área. Aspecto que revela a busca de elaboração de uma proposta
curricular voltada para construção do dialogo filosófico, assinalando a
importância desses conteúdos como possibilidade de construção da atitude
critica diante do cotidiano, no exercício do pensar e refletir acerca do mundo.
Esses elementos constituem o debate acerca da formação filosófica, e
propriamente o sentido da educação. Tal realidade, contudo, acaba
comprometida em razão do contexto dessa inserção da Filosofia, que tende a
assumir posição secundária no conjunto das propostas das escolas, assim como
na ausência de profissionais com formação para atuar nesses espaços. Alia-se a
essa problemática, a falta de investimento em conteúdos filosóficos que
contribuam para a valorização da identidade filosófica nacional na formação do
jovem, familiarizando-o com seu contexto cultural, e possibilitando novas
formas de pensar, diferente da matriz européia. Em face de tal realidade
situamos nossos questionamentos acerca da fragilidade da proposta de inserção
da Filosofia na Educação Básica, seja em relação à adesão das escolas, seja no
que se refere à escolha de conteúdos que reconheçam e valorizem a identidade
filosófica brasileira, que ao que parece está sendo negligenciada nos
planejamentos. Nossos estudos apontam para a ausência de elementos
filosóficos nacionais e latino americano em materiais didáticos do ensino
médio, um quadro que evidencia a manutenção do foco desta disciplina na
matriz européia. Tal quadro indica que a filosofia está retomando sua posição
na escola, porém este retorno revela-se incompleto, em razão da falta de
atenção a este aspecto que concerne à familiaridade do jovem com filosofia que
193
será ensinada nas escolas. Esta questão aparentemente não está em evidência no
planejamento curricular, tanto acadêmico como escolar.
Palavras-chave: Filosofia, Ensino de Filosofia, Ensino Médio, Identidade
Nacional.
194
Eixo Temático: Ensino de Filosofia
Aprender con pasión en la Universidad
Jesús Ernesto Urbina Cárdenas
Universidad Francisco de Paula Santander
Colombia
[email protected]
Resumen
Este texto pretende resumir una parte de los avances de mi tesis doctoral
titulada “La pasión de aprender. El punto de vista de los estudiantes
universitarios”, con la cual opté por la candidatura a doctor en Ciencias
Sociales, Niñez y Juventud de la Universidad de Manizales-CINDE
(Colombia). El estudio se encuentra en la fase final de análisis de la
información y el propósito de esta presentación es mostrar algunos hallazgos
desde la aproximación a algunos de los casos. Al menos por ahora, no se ha
identificado una tradición investigativa relevante sobre el tema. Este hecho
aumenta el interés de indagar sobre este tópico: comprender qué es lo que
ocurre cuando un joven universitario se apasiona a aprender, ¿qué dicen los
estudiantes?, ¿cuáles son los sentidos que le dan a sus “pasiones epistémicas”?,
¿qué actitudes asumen frente a un campo del saber que los motiva
profundamente?, ¿cuál es su comportamiento a la hora de estudiar o realizar
actividades académicas relacionadas con la materia que los apasiona?, ¿qué
aportes pueden derivar del presente estudio para los docentes en sus prácticas
pedagógicas? Son cuestiones iniciales que hacen parte de los interrogantes que
originan la presente investigación. Es evidente el interés de diversos pensadores
en explorar la relación entre el acto racional de aprender y los aspectos
emocionales. La tajante separación entre razón y emoción propuesta por Platón
en la antigüedad clásica encuentra en los filósofos cristianos de la Edad Media
una acogida excepcional, que luego es asumida por Renato Descartes en un
texto titulado “Las pasiones del alma” (1649). Esta posición dicotómica
encuentra en Spinoza, Hume y Nietzsche una clara resistencia: desde una
perspectiva distinta reivindican el papel central de las pasiones en el acto de
pensar.
Palabras-clave: aprender, pasión, Universidad.
195
Eixo Temático: Ensino de Filosofia
Largas caminatas a pie con el maestro: a propósito
de una obra de Raimon Panikkar y Milena Carrara,
‘Peregrinación al Kailasa y al centro del sí’
Jordi García Farrero
Universitat de Barcelona
Espanha
[email protected]
Resumen
A raíz de la sugerente obra Peregrinación al Kailasa y al centro del sí (2009)
del filósofo y teólogo Raimon Panikkar (Barcelona, 1918-Tavertet, 2010) y de
la Doctora en lenguas y Literaturas extranjeras Milena Carrara, este trabajo
pretende mostrar una manera de caminar –aquí denominada con el epígrafe
paseo formativo– que plantea un tipo de enseñanza que reúne unas
características bien singulares (ambulante, pedestre) y una determinada relación
entre un maestro y una discípula donde educar significa sencillamente educarse
(Gadamer). En este sentido, el testimonio de su peregrinaje al monte sagrado
Kailasa (Kailāsh, Tíbet) durante el mes de septiembre de 1994 es un excelente
punto de partida para la comunicación que se presenta a continuación ya que
brinda la oportunidad para pensar la posibilidad pedagógica de que un maestro
viva la experiencia de realizar una peregrinación junto a su discípula y,
viceversa. Como es lógico, este estudio en proceso, que de alguna quiere
rememorar caminatas tan antiguas como las de Sócrates por dentro y fuera de
los muros, las de los estoicos por senderos situados en los pórticos de Atenas
llamados stoa que finalmente sirvieron para identificarlos o, como no, las de los
peripatéticos que viajaban de polis en polis practicando una docencia
totalmente itinerante, concentra su atención en todos aquellos detalles (miradas,
silencios, complicidades y convivencia) propios del vínculo educativo
construido entre Panikkar y Carrara y, principalmente, en los momentos en que
es más evidente la enseñanza filosófica, tanto por las preguntas sedientas de
sabiduría realizadas por la discípula como por las erudiciones del maestro.
Cabe decir que ambos siempre reservaron un espacio a estas prácticas
sumamente formativas: los instantes antes de dormir, cuando la luna hace acto
de presencia. Por tanto, lo que parece que importa aquí es el tipo de relación
que se establece entre los dos autores y, por consiguiente, el aprendizaje
bidireccional significativo y vivo que se va generando mientras sus pies
avanzan hasta llegar a la cima de un monte tan importante para las religiones de
los hindúes y los budistas como es el de Kailasa.
196
Palabras Clave: Raimon Panikkar, Enseñanza de la filosofía, Milena Carrara,
caminar, formación.
197
Eixo Temático: Ensino de Filosofia
O ensino de filosofia na zona rural e seu Papel social:
construindo um rosto libertador
José Cardoso Simões Neto
SEDUC/PA – Universidade Gama Filho
Brasil
[email protected]
Resumo
Este artigo não pretende esgotar a temática “Ensino de Filosofia na Zona rural”,
mas tão somente, contribuir na reflexão deste campo de atuação da filosofia. Na
verdade, o objetivo do mesmo é: “Propor a utilização da Filosofia da Libertação
como instrumento de conscientização e emancipação dos educandos e
educadores na concretude do processo de ensino-aprendizado.” Para tanto,
buscou-se como ponto de partida, compreender algumas categorias e aspectos
da Filosofia da Libertação que possam contribuir para um ensino de Filosofia
na zona rural mais comprometido com a transformação social. Ao se analisar
algumas bibliografias com a temática Filosofia da Libertação e Educação do
Campo verificou-se que, ainda se tem um grande caminho a percorrer. Do
mesmo modo, o estudo, enfatiza que, A Filosofia como libertação está inserida
concretamente no contexto histórico do ser humano, capacitando esse ser que
se encontra na condição de objeto de dominação, a interpretar o sistema de
exclusão em que está lançado, pelo abandono que a comunidade, assim como,
da estrutura educacional tem sofrido pelo descaso do poder público provocando
conseqüentemente, uma baixa estima e sua marginalização. Diante dessa
realidade, o caminho proposto é o da utilização da Filosofia da Libertação
como instrumento de conscientização da dependência existente em relação a
totalidade política e educacional urbana e provocando a emancipação dos
educandos e educadores pelo desenvolvimento de uma consciência críticotransformadora na concretude do processo de ensino-aprendizado; Parte-se do
entendimento dos conceitos fundamentais da Filosofia nascente na América
Latina a partir da visão de Enrique Dussel, Paulo Freire e outros; E diante
disso, Analisar-se-á alguns métodos de ensino de Filosofia e possíveis ligações
com a cultura de dominação. Discutindo e Compreendendo o papel social e a
importância do ensino de Filosofia e do Filósofo como instrumento para a
Libertação; Em síntese, espera-se ser possível construir uma práxis educativa
198
em que o outro seja o ponto de partida para uma vida mais humanizada e que
oportunize uma educação mais democrática, cidadã e emancipadora.
Palavras – Chave: Filosofia da Libertação; Zona Rural; Educação do Campo;
Emancipação.
199
Eixo Temático: Ensino de Filosofia
O ensino de Filosofia na ONG Casa do Zezinho –
Uma experiência filosófica com crianças e jovens carentes
Juliana Cristina Bel
Universidade Metodista de São Paulo
Brasil
[email protected]
Resumo
O trabalho visa apresentar algumas considerações acerca da experiência vivida
no primeiro ano do projeto “Pensando e Construindo Meu Mundo”, em
desenvolvimento na Organização Não Governamental (ONG) Casa do Zezinho.
Para a concepção da metodologia do projeto, foram estudadas algumas obras de
Matthew Lipman, incluindo-se suas novelas, com vistas à compreensão do
programa por ele criado – Phylosophy for Children (PfC). O estudo de sua
metodologia objetivou o aspecto pragmático do ensino de Filosofia para
crianças e jovens e a aplicabilidade dessa metodologia em contexto distinto
daquele proposto por Lipman, já que o PfC foi desenvolvido para ser aplicado
nas instituições formais de ensino. Lipman criou um método com o objetivo de
ajudar o desenvolvimento do bom pensamento de seres ainda em formação,
através do pensamento filosófico. Outro autor usado como referência para o
desenvolvimento da metodologia do projeto foi Walter O. Kohan, que, com sua
crítica a respeito do trabalho de Lipman, trouxe uma nova visão, para a autora,
sobre a viabilidade do ensino de Filosofia para crianças e jovens, a qual norteou
a aplicação e a prática do projeto dentro da ONG ao longo do ano. Kohan, em
seu livro “Infância. Entre Educação e Filosofia”, critica Lipman por, com o
seu método, uniformizar e universalizar a experiência do pensar filosófico algo contrário à essência da filosofia, onde a base desse pensar é justamente a
experiência individual e não a técnica. O presente trabalho objetiva trazer a
lume uma discussão crítica sobre esse embate entre a visão pedagógica de
Matthew Lipman e a crítica de Walter O. Kohan, por meio da experiência
vivida no Projeto. Intenta-se comprovar que o ensino de Filosofia dentro de um
ambiente informal de ensino pode ser mais eficaz no comparativo com as
escolas formais, justamente pela liberdade pedagógica que se pode alcançar em
uma instituição informal diferentemente das escolas pelo seu aspecto
institucionalizado. Objetiva-se também acompanhar o desenvolvimento das
crianças e jovens carentes que fazem parte desse Projeto, com o escopo de
200
mensurar, qualitativamente, os benefícios que o ensino da Filosofia pode trazer
para estes seres muitas vezes excluídos da sociedade.
Palavras-chave: Filosofia para criança e jovens, educação informal, ONG,
Lipman, Kohan.
201
Eixo Temático: Ensino de Filosofia
O Ensino de filosofia e o filosofar: por que e para que?
Katherine C. Fagundes
Faculdade de Ciências e Letras de Araraquara/UNESP
Brasil
[email protected]
Resumo
A presente comunicação é embasada no projeto de pesquisa, que vem sendo
formulado, o qual visa investigar quais são os conteúdos que estão sendo
trabalhados nas aulas de Filosofia destinadas aos alunos do 2º ciclo do Ensino
Fundamental em uma escola municipal localizada na cidade de Araraquara/Sp,
a fim de responder as seguintes indagações: Os conteúdos que estão sendo
trabalhados nas aulas de Filosofia na referida etapa de escolarização visam
incitar nos alunos a reflexão? São estes conteúdos relacionados à história da
filosofia, ou seja, aos conceitos defendidos pelos filósofos da antiguidade a
modernidade? Enfim, os conteúdos trabalhados nesta disciplina têm se limitado
a “repassar e reproduzir conhecimentos estáticos e acabados” (HORN apud
Kohan e Gallo, 2000, p.29), ou, são eles dotados de caráter filosófico trazendo
a possibilidade da reflexão, da crítica, da superação do senso comum, pelos
alunos? Nossa hipótese é a de que a filosofia juntamente com o filosofar pode
contribuir para desenvolver nas crianças e jovens uma nova relação com o
conhecimento, uma relação afetiva, que os permitam “pensar por si”, “pensar
de outra maneira”, “questionar o que pensam”. Acreditamos que é pelo
conhecimento de si e do outro que o educando aprende a ler o mundo,
analisando e contestando suas contradições. A importância desta averiguação é
confirmada pela escassez de trabalhos que possuem como objeto o ensino de
Filosofia destinado aos jovens do 6º ao 9º ano, tal argumento veio a ser
comprovado com a efetivação de uma revisão bibliográfica no banco de dados
da CAPES, nos anos de 2004 a 2009. Talvez, esta ausência possa ser justificada
pela não garantia institucional da Filosofia como disciplina obrigatória neste
nível de ensino, no entanto, a não obrigatoriedade não exclui a sua
possibilidade. Nos Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino
Fundamental (PCNEF) fala-se em temas transversais, nos quais estariam
inseridos conteúdos de caráter filosófico, neste sentido, não há uma
obrigatoriedade legal da Filosofia como disciplina na grade curricular de ensino
de crianças e jovens, ficando a cargo dos municípios a decisão pela sua adesão.
Palavras-chave: filosofia, filosofar, ensino.
202
Eixo Temático: Ensino de Filosofia
La filosofía en la educación básica: El programa de Filosofía para Niños
Laura Angélica Bárcenas Pozos
Universidad Iberoamericana Puebla
México
[email protected]
Resumen
Filosofía para Niños (FpN) es un programa que desarrolla habilidades del
pensamiento, a través de favorecer la construcción de un pensamiento filosófico
en el aula a niños de edad escolar. Mathew Lipman (1990) creó este programa
en la década de los sesenta con la intención de introducir este pensamiento en la
escuela y que posteriormente el pensamiento filosófico fuera transversal a los
procesos educativos, considerando que esto desarrolla una capacidad crítica
para enfrentar los procesos de aprendizaje, además esto mismo permitiría
trabajar con comportamientos éticos que se reflejan en la interacción entre
compañeros y entre compañeros y profesores, que no se queda en el aula, sino
que trasciende. La Comunidad de Cuestionamiento (CC) es la estrategia
pedagógica que propone Lipman (1992), y la novela filosófica es el material
didáctico que crea para favorecer el desarrollo del pensamiento y la generación
de un pensamiento sólido, fuerte y consistente, que se autocorrige, crea,
resuelve y además es considerado con los otros e incluso con la naturaleza. A
pesar de las ventajas y bondades que este programa ofrece en la educación
básica, en México no ha tenido el impacto deseado, porque los profesores no
tienen las bases pedagógicas y epistemológicas que garanticen el desarrollo de
la CC, además de que los materiales resultan caros y la cultura no está lista para
convivir con niños y adolescente, cuestionadores, reflexivos y a veces hasta
confrontativos, que ofrecen buenas razones, por tal motivo, quienes se
formaron para desarrollar esta estrategia en el aula, son hoy islas que intentan
desarrollar pensamiento filosófico en sus alumnos en contra de un sistema
educativo lineal y rígido.
Palabras clave: Pensamiento filosófico, escuela, filosofía para niños
203
Eixo Temático: Ensino de Filosofia
O ensino de filosofia no ensino médio para além do trabalho:
a formação filosófica em vista da significação do jovem estudante
Livio dos Santos Wogel
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC-SP
Brasil
[email protected]
Resumo
O intuito deste trabalho é apresentar interpretações do ensino de filosofia no
ensino médio para além da formação para o mundo trabalho e, sim para uma
significação do jovem estudante como uma pessoa que interpreta, percebe e
elabora sentidos para si e age no espaço entre homens, com o aporte de algumas
abordagens fenomenológicas. Parte da consideração que a legislação que regula
e propõe as diretrizes curriculares para o ensino médio, como o artigo 35 da
LDBN 9394/96, indica que uma das funções do ensino médio é o preparo
básico para o trabalho e a cidadania do educando. Tendo por base esta
consideração, o ensino de filosofia e a conseqüência esperada do “domínio dos
conhecimentos de filosofia” são afirmados como necessários para o exercício
da cidadania. Este estudo justifica-se a fim de identificar outras formas de
promoção do ensino de filosofia que não são enquadrados na missão de formar
para o trabalho e para a cidadania, mas para que o estudante perceba a si
mesmo como uma pessoa que se forma em vista de uma constituição de si no
mundo e não para o mundo. Retoma-se o poder formativo da filosofia tanto
como um caminho formativo quanto um conhecimento no qual e pelo qual o
estudante do ensino médio tem um aporte para poder perceber-se como uma
pessoa elaboradora de sentidos de si e do mundo. Parte da questão: como o
ensino de filosofia pode contribuir com a formação do jovem do ensino médio
para que ele se perceba como elaborador de sentidos de si mesmo, do mundo e
de ressignificação de si e do mundo? Terá como recurso teórico e metodológico
a fenomenologia.
Palavras-chave: ensino de filosofia, ensino médio, fenomenologia
204
Eixo Temático: Ensino de Filosofia
Ensino de filosofia: o diálogo como formador do ser reflexivo
Maurinúbia Monteiro de Moura
Darlene Moura de Campos
Maria Betânia do N. Santiago
CAA, UFPE
Brasil
[email protected]
Resumo
Este trabalho tem por interesse discutir o ensino de filosofia enquanto
possibilidade de contribuição na formação de seres reflexivos. Para tanto se
apresenta como um caminho possível a via do diálogo. Nessa perspectiva
levantamos como problema de pesquisa o papel da filosofia na formação dos
jovens de ensino médio, em face da recente inserção da disciplina no currículo
das escolas públicas de ensino médio no Brasil, e dos grandes desafios que se
interpõem à sua consolidação. Considerando que o debate em questão tem
assumido a significativa importância do pensar, tendo a filosofia como um dos
caminhos possíveis para sua afirmação, apresentamos como objetivo a
realização de uma análise a respeito das contribuições da filosofia para o
desenvolvimento crítico e autônomo do aluno de ensino médio, buscando
evidenciar a importância do diálogo no ensinar e aprender filosofia. O diálogo
surge não como forma de chegar ao conhecimento, mas como meio pelo qual o
estudante pode participar da construção e reconstrução do mesmo. Sabendo
disso, não é possível esperar da filosofia um conhecimento pronto e acabado do
qual os estudantes se apropriem. O ensino desta disciplina assim como o das
demais não se traduz na difusão de conhecimentos inflexíveis, mas
fundamentalmente no reconhecimento pelo indivíduo da sua ignorância, para a
realização da busca incessante e interminável pelo saber. Assim, reconhecemos
aqui o diálogo, como exigência de uma filosofia que se manifesta como
formadora do homem. O diálogo é essencialmente uma experiência filosófica,
que possibilita ao sujeito a reflexão, pondo em questão o que foi estabelecido
como verdade absoluta. Os resultados que já se descortinam revelam a grande
importância do diálogo para a formação filosófica do estudante, assim como a
necessidade de que as práticas de ensino de filosofia sejam revistas, a fim de
garantir aos estudantes possibilidades à criação e construção da sua autonomia.
Palavras-chave: Ensino de Filosofia; Diálogo; Formação Reflexiva.
205
Eixo Temático: Ensino de Filosofia
A filosofia e seu ensino:reflexões a partir
da perspectiva merleau-pontiana sobre filosofia e história da filosofia
Patrícia Del Nero Velasco
Universidade Federal do ABC (UFABC)
Brasil
[email protected]
Resumo
A presente pesquisa tem como objetivo investigar possíveis relações entre
filosofia e ensino de filosofia a partir das ideias de Merleau-Ponty sobre outra
relação, a saber, entre a filosofia e sua história. Tendo como fundamento a
perspectiva merleau-pontiana de uma história da filosofia filosófica procurarse-á defender um ensino filosófico da filosofia. Negando que a história e a
filosofia sejam ‘tradições rivais’, Merleau-Ponty recusa a escolha entre
alternativas que projetam nas leituras do passado algumas categorias de hoje ou
que reduzem os fatos ao presente imediato. Não haveria, nesse sentido, uma
escolha entre as filosofias da história que incutem uma lógica oculta no curso
das coisas de modo a predeterminar este último e, de outro lado, uma filosofia
que não se interessa pelo fato, postulando uma consciência fora do tempo. Para
o autor, o movimento de compreender situações e culturas diferentes das nossas
só é possível justamente por nossa experiência de sujeitos situados, inseridos
em uma cultura particular. Uma vez que a história não está submetida a uma
lógica atemporal, nem pode ser reduzida a um conjunto de fatos circunstanciais
e destituídos de significado, história e filosofia são intrinsecamente
relacionadas. Cabe à história, para saber do que fala, não se restringir aos
relatos empíricos dos fatos, mas, contrariamente, buscar compreender – através
da filosofia – a significação destes fatos. À filosofia, por sua vez, só existe se
buscar suas verdades na trama histórica dos acontecimentos. E a história da
filosofia passa a ser entendida, portanto, como filosófica. Analogamente,
pretende-se mostrar que o professor de filosofia é aquele que faz da aula um
momento de produção filosófica, no qual se estabelece um diálogo entre o
professor, os alunos, os filósofos clássicos e a história da filosofia. Deve o
ensino da filosofia ser, pois, filosófico. Caso contrário, consistiria em mera
transmissão e, assim, implicaria aceitarmos que a filosofia é produzida em uma
parte e ensinada em outra, distinta – o que caracterizaria uma antifilosofia!
Palavras-chave: Filosofia, História da Filosofia, Ensino de Filosofia.
206
Eixo temático: Filosofia e Educação na América Latina
“Tenés que estudiar para no ser un obrero igual que tu padre”. Educación
popular y conciencia de clase; un comentario crítico a un artículo de José
Luis Rebellato
Gerardo Garay Montaner
Universidad de la República Oriental del Uruguay
Uruguay
[email protected]
Resumen
El presente trabajo pretende reflexionar críticamente un artículo de José Luis
Rebellato: “Conciencia de clase como proceso” desde una perspectiva
filosófica, buscando explicitar las funcionalidades utópicas subyacentes, según
los aportes teóricos de Arturo Andrés Roig. Nuestro supuesto radica en que la
contribución de Rebellato no puede ser apreciada solamente desde los
conceptos teóricos, ricos y profundos, de sus investigaciones teóricas
fundamentales, José Luis testimonia un pensamiento dinámico que se fue
constituyendo en diálogo con diferentes actores, interpelado por la
problemática de la realidad, asumiendo la complejidad que todos los procesos
humanos conllevan, y este artículo es una expresión cabal de ello. Los aportes a
la reflexión filosófica que queremos destacar, como no podía ser de otra
manera, pretenden reflejar la misma tensión fecunda entre la abstracción y la
praxis.
Palabras clave: filosofía de la educación, educación popular, política y
educación, función utópica, análisis del discurso.
207
Eixo temático: Filosofia e Educação na América Latina
A crise educacional como reflexo da
crise contemporânea da moral e da cultura
Gislaine de Medeiros Baciano
UNINOVE
Brasil
[email protected]
Resumo
A presente pesquisa investiga a crise que atravessa a escolarização de nível
médio, por meio da investigação das dificuldades que vem ocorrendo na
escolarização e inserção social dos jovens na sociedade contemporânea. O
objetivo é compreender as condições sócio-históricas em que esta crise se
desenvolve, quais os fatores que concorrem para sua ocorrência. Seria uma
crise puramente educacional? Segundo Nosella e Buffa (2010) o estudo do
cotidiano escolar deve estar relacionado à conjuntura social e sua análise requer
a utilização e contraposição de diversas fontes para extração de considerações
mais consistentes, porque tal procedimento permite a compreensão da realidade
universal a partir da abordagem do individual. Os autores ressaltam a
importância de relacionar as particularidades da escola com a totalidade social.
Arendt (1997) argumenta que, no século XX, o Ocidente é assolado por uma
crise moral e cultural, pela desvalorização da autoridade e da tradição, e que tal
crise repercute também no âmbito educacional, por ser a escola, destinada à
formação das novas gerações, pois, esta é “(...) a instituição que interpomos
entre o domínio privado do lar e o mundo com o fito de fazer com que seja
possível a transição, de alguma forma, da família para o mundo” (ARENDT,
1997, p.238).Esta pesquisa foi realizada numa escola estadual específica, de
Ensino Médio Regular, localizada na periferia urbana. Para sua realização,
inicialmente foi elaborado o estado da arte sobre Juventude e Ensino Médio,
também foi feito o levantamento quantitativo dos dados estatísticos sobre o
Ensino Médio. Com base nesses dados preliminares, foi elaborado e aplicado
junto aos estudantes do Ensino Médio um questionário com questões objetivas
e dissertativas. Visando relacionar as informações de um contexto específico
com a realidade social mais ampla, para tessitura das considerações parciais, foi
feita a triangulação dos dados obtidos por meio dos questionários com os dados
preliminares. Concluímos que a atual crise educacional é consequência da crise
global da moral e da cultura que assola a sociedade contemporânea, que esta só
208
pode ser compreendida se analisada a conjuntura em que ocorre e que parece
difícil resolvê-la adotando medidas circunscritas ao âmbito educacional.
Palavras-chave: crise, moral, cultura.
209
Eixo temático: Filosofia e Educação na América Latina
Antropologia freiriana: lições para a América Latina
Leoni Maria Padilha Henning
Universidade Estadual de Londrina - UEL
Brasil
[email protected]
Resumo
Este trabalho, como parte de um projeto de pesquisa em andamento, se propõe
a apresentar a antropologia freiriana relacionando-a com as condições das
sociedades latinoamericanas. Como obras referenciais do autor foram
consultadas principalmente a sua famosa Pedagogia do oprimido publicada em
1970, Educação em mudança, que aparece em 1981, dentre outras obras e
também outros trabalhos de comentadores. Dessas leituras foram retiradas
algumas idéias tomadas como fundamentais para o entendimento de sua
antropologia, com as quais o autor analisa as sociedades da América Latina. O
nosso propósito neste estudo é o de salientar tais características dessas
sociedades e a partir delas tentar estimular um entendimento sobre como
estariam essas sociedades na atualidade em relação aos aspectos levantados por
Freire. Nesse sentido, tomamos o último livro do autor publicado ainda em
vida, Pedagogia da autonomia, e analisamos algumas das suas sugestões
quanto aos “saberes necessários à prática educativa”, texto no qual Freire se
reporta aos professores, indicando-lhes o que, segundo o seu entendimento, é
imprescindível que saibam a respeito do humano, principalmente, na condição
de aprendente. Levantando a situação das sociedades latinoamericanas a partir
da análise do autor, caracterizadas como aquelas que se apresentam com iguais
traços do homem em situação de dependência, de opressão, de alienação e de
desumanização, como bem descreve em sua Pedagogia do oprimido e
Educação em mudança, principalmente, encorajamos, em nossa análise, o
cotejamento de tais idéias com a atual situação dessas sociedades, para
compreendermos se ocorreram possíveis avanços em relação a si mesmas e às
mais desenvolvidas. Finalizamos o texto nos reportando à Pedagogia da
autonomia, a partir da qual apreendemos uma preocupação central em Freire, a
saber, a formação dos professores, e elaboramos uma sugestão de que devemos
também nós nos preocuparmos com a situação atual dos nossos professores,
uma vez que o próprio autor nos mostra que os professores são elementos
fundamentais para a mudança das sociedades.
210
Palavras-chave: Antropologia Filosófica, Freire, Educação, Sociedades
Sulamericanas.
211
Eixo temático: Filosofia e Educação na América Latina
¿Tiene un papel la filosofía de la educación en la práctica educativa? El
filósofo como educador y el educador como filósofo
Milena Patiño
Natalia Sánchez
Andrés Mejía
Diego Barragán
Universidade de los Andes
Colômbia
[email protected]
Resumen
En la polifonía de discursos que se erigen en torno al papel de la filosofía de la
educación en la práctica educativa, hay algunos que se construyen en torno a la
idea de la separación de roles entre filósofos por un lado, y actores educativos o
educadores por el otro. También hay otros que lo hacen en torno a la idea de la
integración total de esos roles. Bajo la primera línea discursiva, autores como
Burbules plantean la figura del filósofo como educador en tanto funge como
educador de los profesionales de la educación. Bajo la segunda línea discursiva
aparecen nombres como los de Elliott, Carr y Kemmis, entre otros, que
postulan al educador como filósofo en tanto que es el actor educativo quien
debe involucrar la reflexión filosófica en su práctica, relegando a un papel
secundario a los teóricos de la educación, y dentro de ellos a los filósofos. Estas
figuras del filósofo como educador y el educador como filósofo se presentan en
las dos aproximaciones en una aparente irreconciliable disyunción. Sin
embargo, nuestro análisis muestra que no son excluyentes sino que de hecho la
presencia de cada uno es necesaria para la constitución del otro. Efectivamente,
el educador como filósofo es aquel profesional de la educación que desde la
práctica educativa realiza reflexión filosófica al abordar asuntos pedagógicos
como cuestiones normativas y de sentido. El filósofo como educador crea las
condiciones de diálogo entre la filosofía y la educación para colaborar con los
profesionales de la educación en la discusión sobre las implicaciones sociales,
políticas y morales de las actuales prácticas educativas.
Palabras-clave: Filosofía de la educación, teoría educativa, filosofía situada,
praxis educativa.
212
Eixo temático: Filosofia e Educação na América Latina
Filosofia, ética e educação
Paulo César Nodari
Universidade de Caxias do Sul (UCS) – RS
Brasil
[email protected]
Resumo
“Filosofia, ética e educação” objetiva investigar, no contexto hodierno,
especialmente, da América Latina, a relevante e a imprescindível tarefa da
filosofia na reflexão e no ensino da ética seja no âmbito formal, seja também,
por sua vez, no âmbito informal. À luz de tal propósito, trata-se, por um lado,
de delinear argumentos que sustentem a tese da que é urgente educar cada ser
humano para a cidadania cosmopolita responsável. Por outro, busca-se
justificar que a formação cidadã está intrinsecamente conectada com o projeto
de sociedades democráticas, sendo que as mesmas, para que sejam, de fato,
democráticas, precisam basear-se, sobretudo, em três valores básicos
fundamentais, já, há muito, conhecidos, mas ainda tão ausentes em nossas
sociedades, a saber, a liberdade, a igualdade e a dignidade humana. Tenta-se
desenvolver tal propósito em três momentos. Num primeiro momento, de
maneira sucinta, pretende-se conceituar e compreender a filosofia e a relevância
do pensamento filosófico no contexto hodierno, caracterizado, simultânea e
contraditoriamente, por avanços de significativa eminência, mas, também, por
“algumas vergonhas e injustiças escandalosas”, quando as mesmas são postas
em comparação com os avanços atingidos, de maneira especial, no Século XX
e início do Século XXI. Esse primeiro momento terá um enfoque embasado,
sobretudo, na compreensão de três aspectos-base, a saber, admirar-se desde as
coisas mais simples até as mais complexas, perguntar-se por algo que se quer
conhecer e compreender, ousar pensar por si mesmo. Nesse primeiro momento,
os referenciais teóricos de base são, especialmente, Platão, Aristóteles, Kant.
Palavras-chave: Filosofia; Ética; Educação; Responsabilidade; Cidadania.
213
Eixo temático: Filosofia e Educação na América Latina
Evaluación Curricular de la Licenciatura en
Filosofia para la Mejor Inserción Social y Laboral de sus Egresados
Selene Georgina López Reyes.
Universidad Popular Autónoma del Estado de Puebla
México
[email protected]
Resumen
La investigación plantea la evaluación curricular externa e interna del plan de
estudios de la licenciatura en filosofía de una universidad en México con 34
años de antigüedad. Sin embargo, con el objetivo de obtener un panorama más
amplio de la situación de la licenciatura en Filosofía en México, se realiza un
análisis comparativo entre el programa de la licenciatura en filosofía evaluado y
los 18 programas evaluados en nivel uno en México por los Comités
Interdisciplinarios para la Evaluación de la Educación Superior (CIEES) lo que
llevará, no a la generalización de las conclusiones, pero sí a la intuición de
posibles semejanzas en los resultados debido a que los objetivos, plan de
estudios, perfiles y campos de trabajo analizados en las 19 universidades son
similares. Con la creación de este estudio se examina la posición de una escuela
de filosofía en México ante una realidad que demanda que la educación
superior tanto en América Latina, como en Europa, forme para el trabajo y el
saber hacer y no sólo el conocer o ser propios de la filosofía. Es así que la
investigación tiene como objetivo diagnosticar los cambios curriculares
necesarios en el plan de estudios de una licenciatura en filosofía para un
posterior rediseño curricular de ésta, que permita la eficaz inserción social y
laboral de sus egresados, lo anterior partiendo de las estadísticas mexicanas de
inserción laboral de los egresados de la licenciatura, en las que se puede
apreciar que los filósofos difícilmente se integran a labores de acuerdo a su
preparación y que no sean la docencia, para la que incluso son preparados en
perfil, más no en el estudio de materias sobre práctica educativa. Una vez
realizado este diagnóstico se obtienen los cambios que requiere tanto el plan de
estudios, como la escuela de filosofía, para lograr que sus egresados tengan
mayores posibilidades de inserción laboral y social en los campos para los que
fueron formados.
Palabras-clave: Evaluación, curricular, Filosofía.
214
Eixo temático: Filosofia e Educação na América Latina
A sexualidade da criança.
Poderes e saberes na Educação Infantil
Virginia Georg Schindhelm
Maria de Fátima Costa de Paula
Universidade Federal Fluminense – UFF
Brasil
[email protected] e [email protected]
Resumo
A pesquisa em andamento aborda o que sentem e falam os educadores sobre as
experiências relativas à sexualidade das crianças no dia-a-dia escolar. A escola,
desde o século XVI, emergiu de condições históricas que reuniram e
instrumentalizaram dispositivos de saberes e poderes e a configuraram em
nossa formação social. Ainda hoje, mais adequa-se ao formato de scientia
sexualis, porque tudo pretende explicar e enquadra os alunos dentro das normas
sociais, reproduzindo dicotomias e políticas da verdade. O educador, envolvido
na malha entrelaçada pelas relações de poder, é transmissor de formas de saber.
As manifestações de poder na escola são exercidas em formas peculiares de
controle de gestos, atitudes, comportamentos, hábitos e discursos. No terreno
de lutas de poder dos cotidianos escolares, os educadores aparecem como
responsáveis por mudanças ou estagnações, pois ensinam para as crianças como
as identidades e saberes são representados. A criança é também uma instituição
social de aparição recente ligada a práticas familiares, modos de educação e
classes sociais. A sexualidade é uma construção social relacionada ao poder e à
regulação e, ainda hoje, tópico polêmico no espaço escolar devido à
multiplicidade de visões, crenças, tabus, interditos e valores do corpo docente e
discente. Trabalhar com a sexualidade na educação infantil tem sido um desafio
transformador da prática educativa cotidiana na Creche UFF do Rio de Janeiro.
O trabalho investigativo entrelaça dados constitutivos de: (a) pesquisa
qualitativa com observação participante; (b) coleta de informações, registro de
observações livres e narrativas das crianças e da equipe pedagógica; (c)
discussões e troca de conhecimentos na formação continuada dos educadores;
(d) análise de material bibliográfico priorizando estudiosos da infância, do
poder na escola e da sexualidade. As inferências, ainda que provisórias: (1)
desvelam ocultamentos e silenciamentos dos educadores acerca da temática; (2)
expõem experiências problemáticas que os levam ao enfrentamento de
situações inusitadas, relativas à sexualidade das crianças, desencadeando
215
decisões num complexo terreno de incertezas, singularidades e de conflito de
valores; (3) evidenciam falas dos educadores que carregam em si marcas de
angústias e constrangimentos sobre o sexual; (4) revelam o desconhecimento da
equipe pedagógica sobre a sexualidade infantil.
Palavras-chave: poder e saber na escola, educação infantil, sexualidade das
crianças
216
Eixo Temático: Fundamentos da Educação
A educação para a promoção da autonomia:
a contribuição do contexto não-formal
Armando Lourenço Filho
Samuel Mendonça
Programa de Pós-Graduação em Educação PUC Campinas – SP
Brasil
[email protected] e [email protected]
Resumo
A temática da presente pesquisa, em andamento, é a educação como promotora
da autonomia nos alunos, pensada a partir da necessidade de envolvimento
ativo e produtivo para que apresentem um bom desempenho das atividades
educacionais. Essa efetiva participação dos estudantes nos processos de
aprendizagem ocorre, normalmente, mediante o esforço do docente para
mobilizar sua atenção e seu esforço, assim, o presente estudo assume como
essencial a necessidade da promoção e desenvolvimento da autonomia nos
alunos, importante tanto para o enriquecimento dos processos educativos e da
aprendizagem quanto para seu desenvolvimento físico, social e cognitivo,
necessários em todas as esferas de suas vidas. Nesse sentido, nosso objetivo é
investigar os processos educacionais que permeiam a promoção da autonomia
dos alunos, no contexto da educação não-formal. Num primeiro momento,
serão abordadas as concepções de educação, partindo do ideal platônico de
educação, baseado no conceito clássico de Paidéia, passando pelo período
iluminista com as concepções pedagógicas de Kant e Rousseau e, alcançando a
época moderna com a proposta da nova educação delineada por John Dewey.
Em seguida passaremos às concepções de educação não-formal, e suas
contribuições ao setor educacional, compreendendo-a como um importante
instrumento pedagógico, favorecendo e complementando o desenvolvimento
integral dos educandos. Depois procuraremos abordar os conceitos de
autonomia, buscando desenvolver suas correlações com a educação, para
compreender como se dá a promoção da autonomia a partir dos processos
educacionais. Por fim, pretendemos descobrir e delinear qual o tipo de
concepção de educação pode, de fato, colaborar para a promoção da autonomia
dos alunos. Considerando que os objetivos da pesquisa compreendem a análise
das concepções de educação, educação não-formal e autonomia, optamos pela
217
utilização do método filosófico, que compreende a conceituação, a
problematização e a argumentação, elaboradas a partir de revisão bibliográfica,
por meio de uma abordagem qualitativa sob o prisma da filosofia da educação.
Como resultados, esperamos encontrar dentre as concepções de educação
abordadas uma interface com a promoção da autonomia dos alunos,
compreendendo esta autonomia como condição para o desenvolvimento de uma
boa educação bem como para a formação integral do indivíduo.
Palavras-chave: Concepções de educação; autonomia; educação não-formal.
218
Eixo Temático: Fundamentos da Educação
O Problema da Formação do Espírito Ético na Educação da Cultura no
Brasil:
Mario Vieira de Mello e a correspondência entre a estrutura da alma
humana e a sociedade
Artur José Renda Vitorino
Pontifícia Universidade Católica de Campinas
Brasil
[email protected]
Resumo
A partir do método heurístico (aqui entendido como procedimentos de
delimitação de problemas-guia e de resolução não efetivos), estamos a
investigar os seguintes livros de Mario Vieira de Mello: Desenvolvimento e
Cultura: problema do estetismo no Brasil (Companhia Editora Nacional, 1963),
Nietzsche (Paz e Terra/IEPES, 1985), O conceito de uma educação da cultura
com referência ao estetismo e à criação de um espírito ético no Brasil (Paz e
Terra, 1986), Nietzsche: o Sócrates de nossos tempos (Edusp, 1993), O
Cidadão: ensaio de política filosófica (Topbooks, 1994), O Humanista: a
ordem na alma do indivíduo e na sociedade (Topbooks, 1996) e O Homem
Curioso: o problema da exterioridade na filosofia de Aristóteles (Paz e Terra,
2001). Como resultado ainda incipiente de nossos estudos sobre as obras
aludidas acima, os escritos do autor revelam uma sincera e profunda definição
do homem a partir da sua liberdade interna, que é a liberdade do animal que
transcende sua natureza animal, cuja faina diuturna é “a vitória sobre si
mesmo”, em uma crítica à liberdade externa, como a forma incitada por um
agente exterior que, depois de destruir a ordem, a harmonia e o equilíbrio da
alma humana - equilíbrio este criado por meio da homologia da ordem na alma
do indivíduo e na sociedade -, realiza a instrumentalização dos instintos e das
paixões do homem de modo a que ele possa contribuir para o bom
funcionamento da sociedade aos moldes do que se convencionou chamar de
self-enlightened interest.
Palavra-chave: espírito ético, Mario Vieira de Mello, cultura do Brasil.
219
Eixo Temático: Fundamentos da Educação
A filosofia intercultural no âmbito da filosofia da libertação
latinoamericana:possíveis contribuições para a educação
Giselle Moura Schnorr
Programa Pós-graduação em Educação (FEUSP)
Brasil
[email protected]
Resumo
Este trabalho sintetiza uma pesquisa em andamento no curso de doutorado, no
Programa de Pós-graduação em Educação, na linha de pesquisa Filosofia e
Educação, da Faculdade de Educação de Universidade de São Paulo, sob
orientação do Professor Dr. Antonio Joaquim Severino. Com o objetivo de
problematizarmos contribuições da filosofia na promoção de experiências
formativas adotamos como ponto de partida reflexões acerca do papel da
Filosofia no Brasil e na América Latina. Situamos algumas produções acerca
do sentido do filosofar na América Latina, com recorte especial nas
denominadas Filosofias da Libertação Latino-americana. Traçamos um
panorama histórico e conceitual das filosofias da libertação e a partir deste
leque de elaborações destacamos a Filosofia Intercultural e possíveis
contribuições para Educação. Se todo fazer educativo contém filosofias é certo,
também, que as diferentes filosofias efetivam-se enquanto práxis educativas e
culturais que imprimem sentidos ao educar, ao ensinar e ao aprender
promovendo experiências formativas, gestando concepções, práticas e,
portanto, culturas. O que significa, portanto, promover experiências educativas
filosóficas em nosso continente e, em especial, no Brasil? Que diálogos
podemos estabelecer entre Cultura e Filosofia? Entre Escola, Filosofia e
Cultura? Buscar sentidos à educação em nosso continente é, também, buscar
sentidos à Filosofia desde esse solo? Estas e outras questões perpassam esses
estudos e aqui temos como recorte a Filosofia Intercultural. Sinteticamente
podemos dizer que a Filosofia Intercultural é uma ‘corrente’ de pensamento
coirmã da Filosofia da Libertação. O ponto de partida da Filosofia Intercultural
é o reconhecimento da alteridade do outro, onde propõe uma transformação da
filosofia, que deve superar sua perspectiva monocultural, questionando sobre as
novas perspectivas do fazer filosófico no atual contexto histórico. Por trata-se
de um esforço que visa fomentar uma transformação da filosofia, tornando-a
aberta num diálogo incessante da comunidade humana, temos como hipótese
que esta pode contribuir na gestação experiências formativas tomando como
220
ponto de referência a educação com os sujeitos do filosofar e suas culturas.
Como trata-se de uma pesquisa em curso traçamos aqui alguns aspectos
relativos a estudos iniciais e possibilidades investigativas a serem
desenvolvidas no compromisso de contribuirmos para a filosofia no campo
educacional.
Palavras-chave: filosofia intercultural, filosofia da libertação, educação.
221
Eixo Temático: Fundamentos da Educação
Bergson e Deleuze:
conexões não representacionais entre Filosofia e Pedagogia
Gláucia Maria Figueiredo
Universidade Estadual do Oeste do Paraná – UNIOESTE
Brasil
[email protected]
Resumo
Partindo de uma Pedagogia que não se apresenta mais como uma operadora do
campo da educação, tampouco uma instrumentalizadora didática dos processos
educacionais e muito menos um domínio científico ou social, verifica-se o
surgimento de alguns movimentos prático-teóricos que tendem a realizar a sua
desvinculação das terminologias históricas e científicas que a representam
atualmente. Por outro lado, a Filosofia quando se livra da tutela historicista que
a alimenta correntemente, tende a abandonar sua tônica enciclopedista e
profissionalizante retornando à sua atividade própria – a criação de conceitos
(Deleuze; Guattari, 2004). Isso ocorre porque quando a história da filosofia é
concebida como a filosofia em si, abre-se precedentes interpretativos na
atividade filosófica, submetendo a dinâmica da criação conceitual às atividades
de cunho enciclopedistas. Há que ressaltar ainda que os falsos problemas
(Bergson, 2006) que enredam tanto a Filosofia quanto a Pedagogia nesta rede
de acepções identitárias são fortalecidos através da presença veemente da
Filosofia da Representação nutrindo tanto o pedagógico quanto o filosófico.
Portanto, esta pesquisa tem como objetivo principal encontrar os elos
conceituais entre as Filosofias de Henri Bergson e Gilles Deleuze que
possibilitam o funcionamento não-representacional da Filosofia e da Pedagogia.
Ao estabelecer tais intercessões objetiva-se também identificar o surgimento e
funcionamento das alianças conceituais que operacionalizam a parceria
Filosofia-Pedagogia. Para tanto será realizado o estudo dos conceitos: DuraçãoIntuição-Élan vital e Multiplicidade-Diferença objetivando apresentar suas
vinculações filosóficas.
Palavras-chaves:
Pensamento.
Filosofia,
Pedagogia,
Representação,
Conexões
e
222
Eixo Temático: Fundamentos da Educação
Nietzsche e a educação para tornar-se si mesmo
Gustavo Arantes Camargo
UFRJ/Macaé
Brasil
[email protected]
Resumo
Por mais que se fale muito sobre Nietzsche, pouco se fala sobre seu
pensamento no campo da educação. Contudo, quando tomamos seu único
escrito publicado enquanto vivo dedicado exclusivamente à educação, a saber,
a “Terceira consideração intempestiva: Schopenhauer educador”, texto
considerado de juventude, sendo uma das primeiras publicações do filósofo,
encontramos aí o que viria a ser o enunciado de um dos principais pensamentos
de sua filosofia madura: a ideia de “tornar-se si mesmo”. Este enunciado
também se encontra como subtítulo de sua autobiografia intelectual: “Ecce
homo: ou como alguém se torna o que é”. No presente trabalho buscaremos
estabelecer algumas relações entre o significado desta expressão e seu
pensamento sobre a educação, uma vez que tal expressão representa uma
espécie de síntese ética de sua filosofia. A educação como Nietzsche a entende
não é a educação tal qual usualmente se costuma entendê-la, isto é, como
instrução para a participação dócil na sociedade existente. Em sua filosofia, a
educação aparece como abertura para a liberdade de criação do sentido de sua
própria existência. A educação se relaciona com a ética ao se desprender
totalmente dos valores morais e devolver ao educando a pergunta que só ele
pode responder, a pergunta sobre sua própria vida. Uma coisa é certa, uma
educação voltada para a liberdade teria que ser uma educação voltada para o
desenvolvimento de singularidades. A educação poderia enfatizar o
conhecimento de si, o cuidado sobre si mesmo e sobre seus afetos, um
descobrir-se a si mesmo, um tornar-se si mesmo.
Palavras-chave: Nietzsche, educação, tornar-se si mesmo.
223
Eixo Temático: Fundamentos da Educação
Dos discursos pedagógico: alguns questionamentos
José Carlos Abrão
Universidade Federal de Mato Grosso do Sul
BRASIL
[email protected]
Resumo
Exponho nesta comunicação os resultados preliminares de um trabalho de
investigação em torno de discurso pedagógico. Para tanto parto do pressuposto
de que o discurso no contexto da educação em geral e da pedagogia em
particular tem algumas características que se aproximam de outras modalidades
de discurso, tais como o político, o religioso, jornalístico. Neste caso, há um
elemento conotativo de importância inquestionável: a relação entre o falante e o
ouvinte, o “eu” e o “outro”, os seus sentidos e as formas específicas de
interação. No caso do pedagógico, o elemento de destaque, embora não
exclusivo, é o da mudança ou transformação do “outro”. Esta particularidade
exige algumas estratégias contextuais de realização por se tratar de uma relação
historicamente construída: professor e aluno, ou, aquele que se propõe a
transformar o “outro”: as intenções, a seleção de conhecimentos, as mediações
no trato do conhecimento e o processo de avaliação. Se, por um lado, esta
breve referência discursiva pode ter num primeiro momento plena concordância
por parte daqueles que direta ou indiretamente estão envolvidos como o
processo de ensino escolar, por outro lado pode ocasionar discordâncias quando
se trata dos fins ou objetivos que se tenham em vista à transformação
pretendida. Daí então nos propormos a refletir em torno de alguns
questionamentos que a análise do discurso pedagógico pode suscitar. Para tanto
tomamos como referência um trabalho investigativo publicado em torno da
análise de propostas de teor religioso educacional de bases cristãs. Neste caso,
esta proposta passa a ser entendida como “pastoral Cristã”, sendo que as
reflexões discursivas do investigador caminham no sentido de levar à ruptura
pedagógica com esta pastoral, ou seja, a “(des)pastoralização”. A partir deste
cenário e seu desdobramento em vista de aportes de caráter questionador,
procuro apontar alguns caminhos que possam ajudar a descortinar os
subentendidos que estão colados nas falas orais ou escritas do discurso
pedagógico e que poderão colocar em dúvida as suas crenças, elas mesmas não
questionadas.
224
Palavras chaves: Educar, Ensinar, Discurso pedagógico, filosofia da
linguagem.
225
Eixo Temático: Fundamentos da Educação
A formação humana contemporânea
a partir do contexto histórico-social da filosofia grega
Jose Sílvio de Oliveira
Universidade Federal de São Carlos - UFSCar
Brasil
[email protected]
Resumo
A questão da formação humana não é uma questão nova, já nos tempos de
Homero, na cultura grega, entre os séculos V e IV, a. C, o mito já era uma
referência, quando oferecia a imagem do herói a ser imitado pelo homem, como
modelo a ser perseguido. Com Sócrates e Platão, a filosofia em suas origens
gregas se encarrega de pensar os fundamentos da formação humana.
Privilegiando uma abordagem filosófica e histórica, o objetivo desta pesquisa é
investigar a partir das polêmicas vividas por Sócrates e seus interlocutores no
século V a. C, na cultura grega, a natureza educativa da filosofia platônica,
para pensar a formação humana contemporânea. A tentativa de apreender
estas polêmicas vividas na origem da filosofia também evidencia e caracteriza
precisamente o nosso problema a ser pesquisado, pois toda esta
problematização será investigada a partir de uma área circunscrita, a educação
contemporânea. É possível uma sistematização destes diálogos, destas falas,
destes discursos para pensar a questão da formação humana? Neste sentido, a
estratégia teórico-metodológica, em sua área de abrangência mais vasta, tem o
seu ponto de partida no passado histórico da filosofia grega, como propósito
tentar apreender as polêmicas articulando e argumentando o sentido da
formação do homem e da mulher atual. Numa tentativa de aproximação
apresento algumas fontes bibliográficas necessárias para tal. As Obras de
Platão: Apologia de Sócrates, Defesa de Sócrates, Diálogos, Laquês, e A
República.
Palavras- chave: educação, filosofia da educação, formação humana.
226
Eixo Temático: Fundamentos da Educação
Conhecimento e experiência formativa no mundo administrado
Marcelo Alexandre dos Santos
UNESP/Araraquara
Brasil
[email protected]
Resumo
O presente trabalho consiste numa reflexão sobre a extrema valorização
atribuída atualmente ao acúmulo de saberes enquanto aquisição de informações
como condição necessária ao desenvolvimento do processo de formação
humana (Bildung) e a conseqüente emancipação dos indivíduos com o objetivo
de possibilitar sua plena participação, enquanto cidadão, em todos os âmbitos
sociais. O discurso contemporâneo que afirma a aquisição de saberes formais
como uma aspecto relevante tem sido muito bem recebido e ao mesmo tempo
reproduzido fortemente pela sociedade. Diante desta constatação evidente,
pretendemos, portanto, discutir e apresentar os meios pelos quais este acúmulo
de conhecimentos se constitui uma exigência e, ao mesmo tempo, uma
imposição social, influenciando negativamente a construção da experiência
formativa (Erfahrung) dos indivíduos na sociedade contemporânea.
Pretendemos ainda apresentar possíveis caminhos que levem à superação desta
problemática e nos permita atingir o contexto de uma formação em que o
desenvolvimento da experiência constitua o cerne de um movimento
emancipador. Para a devida realização deste trabalho recorreremos aos estudos
dos filósofos Theodor W. Adorno e Max Horkheimer – dois dos principais
representantes da Escola de Frankfurt (Frankfurt Schule). Situando-nos sob as
reflexões destes dois pensadores procuraremos evidenciar as principais
questões que influenciam diretamente na negação da experiência formativa
mesmo num processo de aquisição de conhecimentos formais, inclusive
daqueles que se encontram dentro da defesa circunscrita pela esfera legal que
sustenta os discursos contemporâneos acerca da formação dos indivíduos na
sociedade que se realiza por meio do processo educativo escolar. No entanto,
não se trata a princípio de uma negação da acumulação de saberes ou de uma
crítica a uma formação “conteudista”, mas sim em demonstrar em que medida o
conteúdo enquanto forma do conhecimento se converte em negação da
principal condição de emancipação social que é a experiência formativa.
Buscaremos também refletir sobre as maneiras pelas quais a educação poderia
227
articular no processo de irrupção de um pensar autônomo, sem distanciar essa
autonomia de um processo reflexivo, crítico e criativo.
Palavras-chave: conhecimento, experiência, mundo administrado.
228
Eixo Temático: Fundamentos da Educação
A criança aprende ou ensina? Um olhar deweyano sobre o processo
educativo
Marco Aurélio Gomes de Oliveira
Armindo Quillici Neto
UFU
Brasil
[email protected]
Resumo
A discussão em torno da infância e da criança, a partir da Modernidade, passa a
ser encarada como questão central para a formação do novo sujeito moderno,
isto é, um sujeito que cria e recria sua própria história de acordo com seus
interesses e desejos. A partir desse entendimento, a escola é vista como lócus
principal de formação desse sujeito, pois, é necessário planejar e organizar esse
espaço para que o processo educativo seja que realizado de forma a garantir a
concretização de tal projeto social. Nesse sentido, este trabalho tem como
objetivo central apresentar a discussão sobre os conceitos de infância e criança
na obra intitulada Democracia e educação: introdução à Filosofia da
Educação do filósofo estadunidense John Dewey (1859-1952) relacionando-os
com o processo de ensino e aprendizagem que envolve os sujeitos (aluno e
professor) mediados pelo contexto escolar. A proposta deste trabalho, a partir
da discussão sobre os conceitos de infância e de criança em Dewey, é situá-las
num contexto geral dentro de um movimento internacional que defende uma
renovação pedagógica no contexto escolar e social na virada do século XIX
para o século XX, não só no que tange ao processo de ensino e aprendizagem,
mas também com o intuito de modificar as condutas sociais e culturais da
população como um todo, por isso a defesa de uma ampla reforma nos sistemas
de ensino nos países, por acreditar no poder de transformação da educação.
Para tanto, este trabalho é resultado de leituras e análises das obras de Dewey
que compõem uma pesquisa de mestrado em andamento cujo objetivo é
analisar o conceito filosófico de infância presente no Manifesto dos Pioneiros
da Educação Nova de 1932 e sua relação com o projeto de nação no qual os
pioneiros da educação almejavam para o Brasil. Portanto, este trabalho
pretende problematizar as contribuições do pensamento deweyano para a
educação e indagar, se de fato, é ou foi possível efetivarmos, numa sociedade
capitalista, uma relação horizontal entre aluno e professor mediada pelo
contexto social, em que a liberdade, a experiência e a democracia sejam
229
exercidas plenamente e respeitadas as individualidades de cada criança. Será
possível?
Palavras-chaves: Infância, educação; John Dewey; processo de ensino e
aprendizagem.
230
Eixo Temático: Fundamentos da Educação
El campo de estudio de la esperanza
Ma. Dolores García Perea
ISCEEM
México
[email protected]
Resumen
El presente trabajo, además de formar parte de los resultados de la
investigación terminada “La noción de formación en Ernst Bloch”, expone las
pesquisas encontradas sobre el diagnóstico realizado al campo de estudio de la
esperanza centrado principalmente en los libros, tesis, artículos de revistas y
ponencias en cuyos títulos se encuentra la palabra esperanza. Tales pesquisas
giran en torno a los aspectos siguientes: Escasa bibliografía, 2. Restringido
número de autores, especialistas, expertos e interesados en su estudio, 3.
Reducción del sentido originario, 4. Restricción de su campo de investigación y
acción, 5. Prejuicios en torno a su importancia, trascendencia y devenir, 6.
Retos en su habilitación e institucionalización como objeto de investigación, 7.
Exclusión como tema de moda, 8. Vigencia del campo de estudio y 9.
Desconocimiento de su estructura conceptual. Asimismo, objetivan el problema
central de la investigación antes mencionada: el poco interés que tienen la
mayor parte de la población y de los investigadores por estudiar el concepto y
el tema de la esperanza y convertirlo en objeto de investigación. El contenido
del trabajo, además de describir las pesquisas, las argumenta y las contextualiza
con la finalidad de afirmar dos tres cuestiones en relación al campo de estudio
de la esperanza: 1. Está en construcción, 2. Su vigencia está determinada desde
el momento en que se reflexiona y estudia y 3. Es impostergable la acción de
aprenderla y aprehenderla para comprender la tercera naturaleza humana.
Palabras-clave: esperanza, reducción y restricción de su sentido, sentido
originario.
231
Eixo Temático: Fundamentos da Educação
Por uma educação da singularidade
Maria dos Remédios de Brito
Universidade Federal do Pará
Brasil
[email protected]
Resumo
A tradição histórico-cultural ocidental é influenciada pelo pensamento da
recognição. Tal pensamento reconhece uma espécie de imagem dogmática, que
tende a gozar de uma natureza reta e moralizante, bem como do exercício de
uma prática ascética e da mortificação do corpo e da linguagem. Essa imagem
tende a difamar tudo o que é devir na existência e procura um porto seguro,
uma ancoragem, que negue o despertar da potência criadora da vida. Assentada
em bases moralizantes, tal pensamento é configurado em sua severidade, o que
leva à criação de uma educação cansada, enfadonha e triste. Em vez de uma
educação inventiva e criadora, há uma educação reconhecedora, reprodutora e
subordinada aos valores vigentes, sem força para produzir a si mesma. Com
isso, indaga-se: Que imagem o pensamento dogmático pode oferecer à
educação? Há alguma possibilidade para uma educação pelo exercício da
experimentação e da singularidade a partir do pensamento da recognição? Que
imagem de pensamento seria possível ponderar para uma educação que vise à
singularidade? O trabalho objetiva refletir uma ideia de educação para além da
perspectiva dogmática para pensar uma imagem-educação pela singularidade,
destacando seus efeitos afirmativos para a prática educativa. A pesquisa é
bibliográfica e toma como obras principais de referência “A Lógica do
Sentido”, “Diferença e Repetição” de Gilles Deleuze, “Mil Platôs” de Gilles
Deleuze e Felix Guatarri e “Schopenhauer como Educador” de Nietzsche.
Nesse dialogo, não há nenhuma promessa de fidelidade, mas com esses autores
deseja-se potencializar o pensamento para remeter outras imagens para a
educação; imagens que possam ser errantes, nômades e transitórias. Como
resultado espera-se contribuir para uma educação que possa ser permeada pelo
exercício da experimentação e da singularidade, que desmonte as imagens
sedentárias, rígidas e universalizantes, e fomente o exercício da criação, da
invenção, desmobilizando os corpos e os sentidos. Faz-se um convite aos
deslocamentos para outras práticas educativas que possam ser vibrantes e
exploradoras de jogos de afetos, de relações e de conexões. Dessa forma, mais
do que a necessidade de um método para a ação educativa, que se pense um
232
movimento de abertura para a singularidade, para a produção criadora de um
novo pensar na educação.
Palavras-chave: Pensamento dogmático, Educação para a Singularidade,
Deleuze, Guattari, Nietzsche.
233
Eixo Temático: Fundamentos da Educação
Corpo próprio e corpo virtual
Um diálogo entre Merleau-Ponty e Michel Serres e
suas implicações para a Educação a Distância
Rafaela Ferreira Marques
Universidade Federal de São João del-Rei
Brasil
[email protected]
Resumo
Neste trabalho, expomos os principais pontos de um projeto de Iniciação
Científica, que teve início em agosto de 2010 e será concluído em agosto de
2011. O eixo principal da pesquisa consiste no contraste entre as filosofias de
Merleau-Ponty (França, 1908-1961) e Michel Serres (França, 1930) a partir,
principalmente, da questão da corporeidade. Para tanto, organizamos o trabalho
em três etapas. Na primeira, intentamos esclarecer o conceito de corpo presente
na filosofia de Merleau-Ponty. Pensando na abordagem que o filósofo faz a
respeito dessa questão e levando em consideração conceitos como o de corpo
próprio, que é uma peça chave para a pesquisa e de mundo-da-vida. Segundo
Merleau-Ponty, no nível da vida perceptiva, em que se situa sua reflexão, mais
que “ter um corpo”, meu corpo “sou eu”. Mas como será possível pensar-me
como corpo na realidade virtual? Passamos assim ao segundo momento de
nossa pesquisa, que se refere à corporeidade na filosofia de Serres. Nossa
intenção nesta fase é mostrar como, para Serres, na contemporaneidade, nossos
corpos se tornaram voláteis e nosso mundo, angelical. Chegaremos a este termo
retomando a historia universal do trabalho contada por Serres: depois da
humanidade agrária veio o homem econômico e industrial; hoje, avançamos
para uma era nova, aquela do conhecimento ou da informação; nesta,
construímos a cidade mundo, que Serres chama de Vilanova. Nela, não há
espaço físico, Vilanova é um espaço volátil formado por ondas, ondas de rádio,
televisão, internet, celulares. A intenção nesta fase é pensar o corpo nessa
realidade volátil, pensar como é possível a inserção do corpo nesse espaço
novo. Na terceira etapa da pesquisa, a partir dos resultados das fases anteriores,
teceremos contrastes, aproximações e impasses entre as vivências do corpo
‘real’ (Merleau-Ponty) e do corpo ‘virtual’ (Michel Serres), procurando refletir
as implicações dessas vivências para a Educação à Distância (EaD).
Palavras-chave: Corpo. Merleau-Ponty. Michel Serres.
234
Eixo Temático: Fundamentos da Educação
Categoria trabalho e pesquisa em educação: reflexões filosóficas e
históricas
Romeu Adriano da Silva
Universidade Federal de Alfenas
Brasil
[email protected]
Resumo
De fato conformou-se, no Brasil, nas últimas três décadas, um amplo conjunto
de pesquisas em Educação que tomam como objeto as relações entre “trabalho”
e “educação”. Sem pretender abarcar toda a trajetória e características dessas
pesquisas, o trabalho ora submetido propõe discutir uma tendência que tem se
configurado nos últimos anos, qual seja, a de tomar a categoria “trabalho”
como central para as pesquisas que investigam as relações entre trabalho e
educação, acentuando que esta categoria é que, de fato, expressa a verdadeira
“ontologia” do ser social, o que se encontra de modo claro em autores como Ivo
Tonet (2003, 2005, 2006, 2007, 2008, 2009) e Epitácio Macário Moura (1999,
2001, 2003, 2005, 2007). Embora não seja possível aprofundar as discussões
neste espaço, a necessidade de verificar os pressupostos em que se apóiam
essas pesquisas justifica-se, pois, devido ao fato de estas parecem encaminharse para discussões de caráter “essencialista”, ao mesmo tempo em que seus
autores se colocam no interior do marxismo e afirmam sustentar-se na obra
marxiana para procederem as suas análises, considerando que esta obra
constitui os fundamentos de uma “ontologia do ser social”, na qual o “trabalho”
é categoria central. Nosso posicionamento parte do pressuposto de que, na obra
conjunta de Marx e Engels, a categoria central para a análise histórica, e mesmo
para os que nela pretendem sustentar-se para analisar o fenômeno educacional,
é a categoria “modo de produção” e não “trabalho”. Com isso, não se pretende
indicar que Marx e Engels não elaboraram um amplo conjunto de categorias de
análise mas, sim, que tomar a categoria “trabalho” como central nestes autores
é desconsiderar que, neles, o trabalho nunca é tomado isoladamente de um
determinado “modo de produção” e que o objeto central de suas reflexões era o
próprio modo de produção capitalista. Deste modo, pretende-se contribuir para
o debate em torno das pesquisas sobre trabalho e educação, partindo da própria
obra de Marx e Engels.
235
Palavras-chave: Modo de produção, Trabalho, Ontologia, Pesquisa em
Educação.
236
Eixo Temático: Fundamentos da Educação
Trabalho e educação: a produção social da consciência e da linguagem
Ronaldo dos Santos Travassos
Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio/FIOCRUZ
Brasil
[email protected]
Na pesquisa educacional a relação trabalho e educação se constitui como um
campo de investigação voltado para a formação do indivíduo no que se refere à
sua inserção na atividade laboriosa. No entanto outras variantes podem ser
investigadas de maneira empírica, em virtude de várias possibilidades concretas
da relação trabalho e educação quando chega à tona no ato de sua realização.
Ao considerar o trabalho e a educação como práticos sociais inerentes às
diversas formas de organização social, que se inicia nas comunidades
primitivas e chega até a modernidade, surge a indagação sobre a produção
social das variantes originadas no processo de interação social necessário à
construção de forma de vida, que preserve o acervo sócio-cultural individual e
coletivo. Portanto, a questão está em compreender como se constitui
historicamente a produção social da consciência e da linguagem em virtude da
necessidade de homem produzir sua existência na sua relação com a natureza,
com seus semelhantes e consigo mesmo. E, ainda, as bases materiais e sociais
que estão subjacentes à consciência e à linguagem no mundo do trabalho. Este
trabalho tem como objetivo principal identificar o processo pelo qual se
constitui a base material diante das necessidades da vida humana. De maneira
específica compreender a forma de como se estabelece a relação trabalho e
educação na produção social da consciência e da linguagem. Ao desenvolver
este investigação espera-se que ao final demonstre outros aspectos de base
material da relação trabalho e educação, como forma de ampliar o espectro do
conhecimento da relação pedagógica no processo formativo do individuo.
Palavras-chaves: educação, consciência, linguagem, produção social e
trabalho.
237
Eixo Temático: Fundamentos da Educação
Louis Althusser: da Filosofia à Educação
Roselaine Bolognesi
UNICAMP
Brasil
[email protected]
Resumo
O presente trabalho tem por objetivo apresentar a concepção althusseriana de
Filosofia e as principais relações estabelecidas com a área da Educação. Essa
discussão faz parte da pesquisa de doutoramento em andamento no programa
de pós-graduação em Educação da Unicamp, área de concentração Filosofia e
História da Educação. O objetivo principal desta pesquisa é retornar ao
conjunto da obra Althusseriana buscando compreender como a questão da
Ideologia atravessa toda a sua obra, como produz sentidos nos diferentes
momentos de sua produção intelectual, as apropriações realizadas na área
educacional e quais as possibilidades e impossibilidades para esta área
atualmente. Como opção metodológica recorremos a Análise de Discurso (AD)
de linha francesa, influenciada por Michel Pêcheux, mais especificamente, uma
linha de Análise de Discurso que surge nos anos de 1960, colocando em relação
o campo da língua e o campo da sociedade através da história. A opção por essa
metodologia de análise justifica-se na medida em que esta se propõe como
disciplina de entremeio, aberta para diálogos e aproximações entre áreas do
conhecimento, nos permitindo tomar a obra de Althusser enquanto texto e
compreender as suas diferentes formas de produzir sentidos. Consideramos que
Althusser não parte de problemas educacionais para construir sua reflexão
filosófica, mas de uma posição específica na Filosofia, cuja elaboração teórica
se desdobra, em um momento particular de sua reflexão, numa questão
educacional que ganha desdobramentos específico na área educacional. No
caso, o desenvolvimento de uma concepção de Aparelhos Ideológicos de
Estado, mais especificamente, reflexões sobre o Aparelho Ideológico Escolar e
seu funcionamento privilegiado no sentido da reprodução das relações de
produção na formação social capitalista. Sua obra e suas reflexões, no entanto,
não se esgotam nessas reflexões.
Palavras-chave: Louis Althusser; Filosofia; Educação.
238
Eixo Temático: Fundamentos da Educação
A condição humana na concepção fenomenológico-existencial:
o ato de educar e a prática docente em questão
Wanderley José Ferreira Jr.
Faculdade de Educação – UFG
Brasil
[email protected]
Resumo
Procura-se explicitar as implicações e consequências pedagógicas das
descrições dos modos de ser originários do homem como ser-no-mundo tal
como são descritos na primeira parte da obra Ser e Tempo (1927) do filósofo
alemão Martin Heidegger. Coloca-se em questão alguns temas tratados na obra
supracitada, tais como: o homem como ser-aí e a crítica ao sujeito cartesiano; o
mundo como fenômeno-existencial constitutivo do homem e a consequente
desconstrução da noção de mundo como coisa[res extensa] em Descartes; os
constituintes da abertura originária do homem no e para o mundo - disposição,
compreensão e discurso; o quem do Dasein em sua cotidianidade - a existência
inautêntica sob ditadura do Impessoal; a crítica a noção tradicional de verdade
– a verdade como liberdade de deixar-ser as coisas; a angústia como
experiência do nada e abertura originária ao mundo e o cuidado enquanto
constitutivo de nosso ser-com os outros. A partir de uma leitura atenta e
rigorosa da referida obra, colidindo a edição alemã com a edição francesa da
mesma, nossa intenção é apontar algumas perspectivas e possibilidades que se
abrem ao exercício da docência e para o estabelecimento de um novo sentido
do ato de educar se considerarmos a concepção de homem nos marcos da
analítica existencial de Ser e Tempo.
Palavras-chave: condição humana, concepção fenomenológico-existencial, ato
de educar.
239
Eixo Temático: Fundamentos da Educação
Multiculturalismo e Ética em Educação: uma análise do Discurso contra o
Bullying
William de Goes Ribeiro
Universidade Federal do Rio de Janeiro
Brasil
[email protected]
Resumo
Bullying é uma temática que interessa ao multiculturalismo e a ética. Até que
ponto é factível romper com a negação da alteridade? O objetivo do atual
estudo é analisar as respostas dos sujeitos. Os resultados indicam que novos
acordos podem ser construídos de forma positiva. Uma discussão sobre
educação nos dias de hoje nos convida a um universo amplo e complexo, uma
vez que as significações nesse campo comportam múltiplos sentidos. Desse
modo, levar em apreço multiculturalismo e ética para pensá-los juntos a atual
conjuntura educacional não nos parece algo simples. A polissemia circunscreve
percursos sinuosos, múltiplos, por vezes ambíguos. No entanto, a fluidez com
que convivemos não nos exime de algo relacionado às instituições que tomam a
educação como desígnio. A escola, dentre outras instituições, trilha caminhos
marcados pela intencionalidade de se re/ construir visões de mundo. Ainda que
não seja o único espaço de legitimação de conhecimentos e culturas, pressupõe
que se trata de uma ambiência privilegiada na formação humana. A referida
instituição lida com identidades, com alteridades e com diferenças
(OLIVEIRA, 2009). Assim, tensiona-se entre processos de homogeneização e a
diversidade que a constitui (CANEN, 2007). A partir dessas considerações, por
que fincarmos uma fronteira entre a ética e o multiculturalismo? Discursos
como o racismo, por exemplo, desafiam a plenitude da ação de se educar. Sua
disseminação incorpora demandas éticas ou multiculturais? Seria infrutífero
pensar alternativas que contemplassem ambos os domínios do conhecimento?
Defendemos o argumento da complementaridade desses campos no tocante a
algumas questões que nos têm despertado o interesse.
Palavras-chave: Multiculturalismo – Ética – Análise Retórica.
240
Eixo Temático: Método e Pesquisa em Educação
A reflexividade na construção do papel do
professor no contexto cibercultural
Adriana Carvalho da Silva
Universidade Federal de Pernambuco
Brasil
[email protected]
Resumo
Este artigo discute acerca da relevância da reflexividade para a profissão do
professor, na compreensão de que o ato de refletir sobre suas próprias
concepções e práticas no espaço escolar são aspectos integrantes de uma
educação que se preocupa com a formação humana dos professores e dos
alunos. Partimos do objetivo central de analisar como a reflexividade do
professor contribui para a construção do seu papel na Cibercultura.
Especialmente, nos propomos a pensar o sentido de suas atribuições e ações
educativas no espaço escolar, levando em consideração a articulação das
demandas da realidade atual com o pedagógico. Essa realidade coloca em
relevo o desenvolvimento de algumas competências, tais como: autonomia da
aprendizagem, a criatividade, a colaboração, o raciocínio rápido e a
sistematização das informações e traz e reforça atribuições para o exercício do
trabalho do professor. Nesse sentido, para embasar nossa discussão, optamos
pela escolha do seguinte aporte teórico: Cibercultura (Lévy), Reflexividade
(Josso, Alarcão, Zeichner e Pimenta); Professor intelectual (Giroux, Freire),
dentre outros. Essa discussão também se embasa em elementos da perspectiva
sistêmica, especialmente as contribuições de Edgar Morin acerca da
necessidade de nos voltarmos para a organização do pensamento ao longo do
processo educacional. Para tanto, o reconhecimento dos nossos equívocos e a
revisão das nossas percepções e valores se configuram como um desafio que
precisa ser superado quando pensamos o ser humano e suas relações sociais,
sobretudo nas ações educativas. O desenvolvimento da nossa análise propiciou
a compreensão de que no campo teórico acerca das expectativas para o
professor e influências no âmbito escolar encontramos diversos papéis
atribuídos ao professor, que são construídos de acordo com os mais variados
interesses que, em alguns aspectos, não se afinam com o objetivo de formação
humana crítica e emancipatória, que leve em consideração a
241
multidimensionalidade dos sujeitos. Contudo, o professor reflexivo não pode
ser vista de forma isolada do seu contexto.
Palavras-chave: Reflexividade. Cibercultura. Papel do professor.
242
Eixo Temático: Método e Pesquisa em Educação
Estructura dinámica de la consciencia intencional,
presente en el investigador educativo reconocido, durante su experiencia
formativa
José Guadalupe Sánchez Aviña
Universididad Iberoamericana Puebla, Estado de Puebla
México
[email protected]
Resumo
Esta investigación es un esfuerzo por presentar una manera alternativa y
complementaria de abordaje de la problemática de la formación para la
investigación educativa en México; pone énfasis en delimitar como campo de
investigación al de la formación para la investigación educativa y se ocupa de
un aspecto poco atendido por ésta: las operaciones conscientes e intencionales
que tienen lugar en los sujetos durante su experiencia formativa. La óptica
desde la cual se realiza el abordaje, trasciende la dimensión externa de la
práctica formativa de un investigador, aquella que podría estar relacionada con
las circunstancias y condiciones de su formación, centrando la atención en el
investigador en formación como sujeto que conoce, que afecta y es afectado en
el proceso. Se trata de conocer sobre el conocer. Ocupada de la objetivación de
la consciencia, con el propósito de comprender el proceso formativo del
investigador educativo reconocido a partir de la recuperación, análisis y
reflexión de su experiencia personal a nivel de su estructura consciente e
intencional, se formula la siguiente pregunta de investigación: ¿Cómo se
presentaron las operaciones conscientes e intencionales que tuvieron lugar,
durante la experiencia formativa, en el sujeto que llega a ser investigador
educativo reconocido? Esta propuesta de investigación encuentra su definición
no en la metodología en que se apoya, sino en la finalidad que persigue, según
el método trascendental propuesto por Bernard Lonergan: la experiencia
empírica, la comprensión inteligente, la reflexión, así como el juicio crítico y la
de la deliberación y decisión responsable; cuatro niveles de conciencia que
emergen de cada finalidad y que constituyen el método básico de la
investigación reflexiva. Se trata de establecer un puente metodológico entre lo
interpretativo y lo reflexivo, que permita llevar a los investigadores, a que
atiendan a su propia experiencia de atender a los datos, comprendan la manera
en que han llegado a construir formas de comprensión de los datos, reflexionen
243
críticamente sobre su forma de reflexión crítica como investigadores, y
deliberen sobre su forma de deliberar como investigadores.
Palabras-clave: estructura dinámica, la consciencia intencional, experiencia
formativa.
244
Eixo Temático: Política e Educação
A educação moral no mundo contemporâneo:
a experiência da amizade na sala de aula
Alonso Bezerra de Carvalho
UNESP – Assis
Brasil
[email protected]
Resumo
A pesquisa que está sendo desenvolvida investiga o processo de formação ou
transmissão de valores por meio da escola, especialmente quando sabemos que
a história do Brasil foi marcada por um momento em que se buscou implantar,
via disciplinas no currículo, uma educação para a moral e para o civismo.
Partindo da análise dos livros didáticos de Educação Moral e Cívica e de
Organização Social e Política do Brasil, e legislação pertinente, o trabalho em
andamento tem a finalidade de problematizar o caráter disciplinador e
doutrinário daquele ensino que ainda provoca nostalgias em educadores atuais.
O tema dos valores aparece ligado, desde a filosofia grega, à idéia do Bem, que
é subjetivo, ideológico ou têm um caráter absoluto e, nesse caso, deveríamos
saber em que se fundamenta. Por seu lado, a questão dos valores na escola do
século XXI está marcada pelas mudanças sociais e os problemas, as
inquietações e as polêmicas que surgiram desde a metade do século passado.
Para tanto é preciso refletir sobre essas questões e queremos fazê-lo a partir do
tema da amizade, como um sentimento e uma ação que implica uma virtude,
como preconiza Aristóteles. Isto é, o projeto que está em desenvolvimento tem
entre outras justificativas a idéia de que na escola contemporânea são
estabelecidas relações das mais diversas, sendo a sala de aula o cenário onde se
manifestam e são vivenciadas as mais diferentes concepções de mundo, de
sociedade e de homem. Sala de aula: lugar ainda de conflitos, de diálogos
interrompidos, e de incoerências ou mesmo de oposições entre a dimensão
interpessoal, lógico-teórica e pragmático-moral? Enfim, tomar a sala de aula
como um dos lugares fundamentais de relação ético-moral e política que, deste
modo, pode propiciar um horizonte de possibilidades didáticas, de formação, de
formulação de projetos e leis e de construção de novas relações e posturas, que
talvez não estejam sendo empregados em todo o seu potencial.
Palavras-chave: educação moral, amizade, sala de aula, política.
245
Eixo Temático: Política e Educação
Controle Judicial de Políticas Públicas Educacionais:
um enfoque zetético de investigação
Ana Elisa Spaolonzi Queiroz Assis
FE – UNICAMP
Brasil
[email protected]
Resumo
Este trabalho é parte de tese de doutoramento em andamento na área de
Políticas, Administração e Sistemas Educacionais, tendo como foco o estudo do
controle judicial de políticas públicas educacionais no Estado de São Paulo. Tal
controle afeta, significativamente, as ações de formulação e implementação da
política. Uma das formas em que ele ocorre é a partir da ação tanto do
Ministério Público quanto do Poder Judiciário. Embora o Ministério Público
seja órgão vinculado ao Poder Executivo, não mantém com ele uma relação
jurídica de subordinação, e de acordo com seu dever constitucional propõe as
ações contra o Executivo no que tange à ineficiência ou ineficácia de política
educacional, apontando pedidos que, nitidamente, cobram do Judiciário uma
postura ativa; muitas das vezes o Ministério Público ignora a possibilidade de
tratar a problemática extra-judicialmente conservando ao Executivo o poder de
tomada de decisão no que tange ao seu poder político. Já o Judiciário,
ignorando os limites do sistema de freios e contrapesos, quando chamado para
resolução de lide incorre em ativismo, pois se vê no direito de substituir o
Executivo nas tomadas de decisão. Todavia, o recorte que aqui realizamos é
referente ao enfoque interpretativo do problema jurídico. O enfoque zetético
problematiza as próprias normas, deixando-as abertas à dúvida, à crítica e à
criatividade, acaba comportando pesquisas de ordem sociológica,
antropológica, filosófica e histórica, como é o nosso caso. Diferentemente do
enfoque dogmático, a investigação zetética não exerce exatamente um papel
apaziguador, no sentido de conceder total segurança à construção e à
interpretação jurídica. Mais do que fornecer uma resposta para um determinado
tema, cuida principalmente da tarefa de problematizá-lo. Já numa investigação
dogmática as normas constituem pontos de partida, que não podem ser negados.
Sob o império dessa premissa, muitos profissionais não percebem o direito
como instrumento de gestão social. Como resultados esperados, acreditamos
que, dentre outras questões, poderemos identificar que falta aos promotores e
juízes compreender questões para além do texto normativo, que envolvem o
246
diálogo com outras áreas do conhecimento, no caso, a Educação e que tal falha
é extremamente prejudicial para o bom andamento da justiça.
Palavras chave: Controle
Interpretação Zetética.
Judicial;
Políticas
Públicas
Educacionais;
247
Eixo Temático: Política e Educação
Políticas de Género en la Educación Militar en México
Carolina Mayora Fernández
UNAM
México
[email protected]
Resumen
El presente documento pretende acercarnos al problema de la exclusión de las
mujeres en una de las profesiones considerada tradicionalmente como
masculina: la formación militar. Pretendo valorar si será suficiente que las
políticas de género se limiten al cambio en los planes de estudio para enseñar
las nuevas ideas y acabar con la cuestión de las diferencias sexuales en el
campo laboral, o si la admisión de las mujeres en el ejercicio de profesiones
tradicionalmente masculinas (como la carrera militar) impactará en la forma
como la sociedad percibe la capacidad de una mujer para desenvolverse
profesionalmente en cualquier ámbito. De ahí radica la importancia de explorar
el proceso formal de inclusión de la perspectiva de género al interior de los
planteles de educación militar en México, en los que hasta hace muy poco
tiempo, el personal femenino se encontraba excluido. Es necesario indagar si la
incorporación de mujeres en profesiones tradicionalmente masculinas (como
comandantes de buques o como pilotos de guerra) acabará con algunas
asimetrías económicas sufridas por el grupo social de las mujeres. Ya que la
base de género en las identidades laborales es notablemente duradera y no se
modifica fácilmente por el incremento de mujeres u hombres en un
determinado grupo ocupacional. Es por ello que realizaré una investigación
empleando métodos etnográficos al interior de planteles de formación militar,
para apreciar cómo será el proceso con el que las primeras mujeres mexicanas
se enlistarán en la vida castrense: apreciando las dificultades y retos que
enfrentarán, así como los apoyos institucionales recibidos. Asimismo, pretendo
demostrar que la situación desigual de las mujeres, y que impidió en épocas
pasadas su integración al ejército, proviene de una tradición sustentada en los
principios de la Ilustración y la ideología de la Modernidad. Y que el Método
Científico ha sustentado la naturalización de la desigualdad entre hombres y
mujeres.
Palabras-clave: Género, Educación Militar, Mujeres, Masculinidad.
248
Eixo Temático: Política e Educação
Educación - disciplina y control - el paradigma de la competencia
Daniel Alejandro Mares Sánchez
Universidad de Guanajuato
México
[email protected]
Resumen
Los cambios efectuados durante el siglo XX han originado nuevas formas de
organización social en todos sus ámbitos. Los moduladores de control han
dejado de operar en su forma disciplinaria para dar paso al control competitivo.
Esto ha germinado en estereotipos que fungen como paradigmas. En la
educación no hay excepción: los nuevos enfoques pedagógicos, las formas de
organizar e impartir el conocimiento giran en torno a las constelaciones
impuestas desde una dinámica empresarial. Modernidad, Posmodernidad,
Hipermodernidad o Transmodernidad: son las categorías filosóficas puestas en
el debate actual que pretenden referenciar la ontología de nuestro presente, la
equivocidad de los términos genera más controversias que una solución
semántica ansiosamente esperada. Además, cada una de las palabras que
fungen como llaves hermenéuticas para descifrar la realidad, están a priori
imputadas de axiología. Sin embargo, cada una de ellas denota
subrepticiamente una “crisis generalizada” que crónica y progresivamente
“diluye” a las instituciones que modulan –o modulaban- la vida política de la
sociedad occidental. Zygmunt Bauman encuentra que la “liquidez” es la
principal característica de nuestro tiempo, al citar a Ulrich Beck en una
entrevista realizada por Jonathan Rutherford, el filósofo polaco pone de relieve
que son las “categorías zombis” y las “instituciones zombis” (que “están
muertas y todavía vivas”) las que producen la redistribución y reasignación de
las funciones subjetivas y comunitarias (BAUMAN, 2008, p. 5). El cambio,
acelerado y vertiginoso, producto del desarrollo científico y tecnológico afecta
las relaciones espacio-temporales y con ello, la forma en que los seres humanos
interactuamos: el trance abraza desde la familia hasta el propio Estado.
249
Eixo Temático: Política e Educação
Programa Universidade para Todos: uma política de civilização
Paulo Roberto Rodrigues Simões
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
Brasil
[email protected]
Resumo
Este trabalho apresenta uma discussão sobre o Programa Universidade para
Todos, a partir do conceito de cultura e da concepção de política de civilização,
do pensador francês Edgar Morin. Trata-se de parte da pesquisa de Doutorado
(em fase de conclusão), do Programa de Estudos Pós-Graduados em Serviço
Social, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. O acesso ao ensino
superior tem sido tema de grande relevância para os estudos das políticas
públicas educacionais brasileiras. No meio dessas discussões é que surge o
ProUni, com a finalidade de ofertar bolsas de estudos integrais e parciais a
estudantes de baixa renda, em curso superior, em instituição privada. O
objetivo do trabalho não é discutir o ProUni no âmbito da política pública, mas
fazer sua leitura a partir do conceito de cultura, do ponto de vista filosófico,
enquanto formação do homem, sua melhoria e seu refinamento, e a concepção
de “política de civilização”, a partir de Morin, que a chama de uma “política do
homem”. Com esta pesquisa chegamos à conclusão da relevância do ProUni
como facilitador do acesso ao ensino superior, que é um meio de criação e
fomento da cultura e da política de civilização.
Palavras-chave: Civilização, Cultura, ProUni.
250
Eixo Temático: Política e Educação
A escola: fator de mobilidade ou estagnação social?
Roberta dos Santos Kwasinski
UFRRJ
Brasil
[email protected]
Resumo
O presente trabalho intitulado: “A Escola: Fator de Mobilidade ou Estagnação
Social”, surgiu de experiências e reflexões adquiridas ao longo de nossa
participação no PIBID – Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à
Docência, subprojeto filosofia, em andamento na UFRRJ. Iniciado em abril de
2010, o PIBID de Filosofia conta com 24 alunos bolsistas do curso de
Licenciatura em Filosofia, divididos em três grupos de oito alunos, que se
distribuem em três instituições públicas de ensino. No início do projeto, essas
instituições eram: Escola Estadual Presidente Dutra, CIEP Brizolão 155 e
Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio, as duas primeiras localizadas
em Seropédica, próximas ao campus da UFRRJ, e a terceira na Fiocruz.
Aconteceu desde o primeiro semestre deste ano de 2011, a substituição da
Escola Estadual Presidente Dutra pelo CTUR – Colégio Técnico da UFRRJ. O
tema central do projeto é “Redes e os Processos de (des)subjetivação”, que se
desenvolve em três eixos – estética, política e conhecimento –, alocados nas
escolas citadas. A cada semestre há um rodízio dos eixos e dos grupos de
alunos de modo que, ao final do projeto, todos os grupos deverão ter atuado nas
três escolas e desenvolvido trabalhos nos três eixos propostos. Ao longo do
período de um semestre de observações das aulas em diferentes turmas de
ensino médio e formação de professores da Escola Estadual Presidente Dutra,
percebemos que havia disseminadas, no ambiente escolar, posturas
discriminatórias relacionadas à capacidade cognitiva de seu corpo discente,
como, por exemplo a descrença na capacidade intelectual dos alunos de gostar
ou compreender qualquer manifestação que não pertencesse a seu meio social
(músicas, filmes legendados, entre outros). Procurando fundamentos para essa
prática anti-pedagógica, acreditamos ter encontrado nos estudos do pesquisador
francês Pierre Bourdieu, em seus escritos sobre “A Escola Conservadora: as
desigualdades frente à Escola e à Cultura”, respostas para as atitudes
preconceituosas encontradas naquele ambiente escolar.
Palavras-chave: escola, estagnação, mobilidade.
251
Eixo Temático: Política e Educação
Educação e meio ambiente: entre a biopolítica e a biopotência
Rodrigo Barchi
Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP
Brasil
[email protected]
Resumo
A biopolítica é uma forma de poder que regulamenta e normaliza os modos de
vida, e está intimamente ligada ao neoliberalismo e as formas de produção do
capitalismo contemporâneo. É todo um conjunto de dispositivos, estratégias,
capturas e ações que a forma-Estado tem à disposição para manter sua
hegemonia nas sociedades de controle. Por sua vez, o conceito de biopotência
pode ser compreendido como a recusa ao primado da verdade, a unificação dos
sentidos de mundo e do fazer educativo. O presente texto busca fazer alguns
questionamentos no que diz respeito ao fazer e pensar educação ambiental seja
no exercício da biopolítica ou em suas possibilidades e “bio-potencialidades”
de resistir ao constante assédio e sedução dos usos e compartilhamento dos
poderes hegemônicos. De acordo com Larossa (2006), a educação é o modo
como as pessoas, as instituições e as sociedades respondem à chegada daqueles
que nascem. Afirma ele, na esteira de Hannah Arendt, que o nascimento, a
chegada de uma criança, não é um momento que possa ser situado em uma
cronologia, mas justamente aquilo que interrompe a cronologia. Essa novidade,
portanto, ameaça qualquer regime que suponha, ou se baseie em tentativas de
continuidade do mundo como está. Afirma ele que os totalitarismos típicos de
meados do século XX tentaram eliminar qualquer perspectiva que ofereça uma
resistência à idéia implantada por ele. Por isso, a novidade da infância também
necessita ser destruída, pois ela traz a noção de um futuro incerto e
desconhecido, ou seja, é necessário converter a infância na encarnação da idéia
totalitária, além de transformá-la propriamente na própria idéia totalitarista. Na
contemporaneidade, para Larossa, existe ainda outra forma de totalitarismo,
aparentemente mais democrática, que não é a destruição da novidade, ou sua
transformação em uma nova ferramenta de dominação e exercício do poder,
mas sim, sua assimilação e transformação em mercadoria. A infância continua
sendo sacrificada sob o nome do progresso, do desenvolvimento, do futuro e da
competitividade.
Palavras-chave: educação ambiental, biopolítica, biopotência.
252
Eixo Temático: Teorias da Educação
Dimensão formativa da literatura, espaço público e competência
argumentativa:
construindo relações para uma educação cidadã
Adalgisa Leão Ferreira
Universidade Federal de Pernambuco
Brasil
[email protected]
Resumo
O discurso pedagógico se caracteriza como um dos discursos produtores de
formas de experiências de si, nas quais os indivíduos podem se constituir
enquanto sujeitos, de uma maneira bem específica. Nesse sentido, a educação
escolar e pública exerce centralidade nesse processo de aquisição de
competências para a vida em sociedade. A presente pesquisa tem por objetivo
refletir acerca da possível relação existente entre a dimensão formativa da
literatura e o modelo discursivo de espaço público na aquisição de
competências que contribuam para a atuação dos sujeitos no espaço público
decisório. Trata-se de uma pesquisa em filosofia da educação, com abordagem
qualitativa, de caráter exploratório, fundamentada em pesquisa bibliográfica. A
análise dos textos é hermenêutica, vinculada à sua condição de possibilidade
finita, devido as interpretações possíveis dos dados textos. A ênfase é atribuída
precisamente à capacidade de mobilização do ser humano, de sensibilização
coletiva, de fabulação, de ficcionalização, existente na literatura, pois esta é
capaz de criar identidades e comunidades. Desta maneira, a partir dos temas
aqui discutidos, pretendemos contribuir com elementos que ampliem o debate
sobre a dimensão formativa da literatura e sua relação com o espaço público, na
medida em que a partir das vivências literárias, as situações de deliberação e
coautoria possam também ser estendidas ao espaço público argumentativo.
Palavras-chave: Dimensão Formativa da Literatura; Espaço Público;
Cidadania; Educação.
253
Eixo Temático: Teorias da Educação
Indústria Cultural e Semi-Formação:
um importante debate para a Educação
Ana Carolina Conrado
Universidade Federal do Pará- Campus Universitário de Abaetetuba
Brasil
[email protected]
Resumo
A teoria crítica adorniana, como filosofia social, interessa investigar a realidade
de uma sociedade que se afirmou como criadora de seu próprio destino e de sua
história, após proclamar que a máxima do pensamento emancipado e
“iluminado” tirara o homem de sua menoridade para a maioridade, no entanto,
este esclarecimento foi ascendendo para obscuridade da razão instrumental.
Esta teoria critica este pensamento “iluminado” com intuito de aos poucos ir
reavaliando as conquistas da razão, dentro do processo histórico e social que
vem sendo construído ao decorrer dos anos. Esta reavaliação tenta trazer de
volta as prerrogativas da liberdade e autonomia da humanidade, de que alguma
forma acaba originando uma espécie de insulto e afronta á felicidade como
estágio final da nova barbárie contemporânea que tem desumanizado o homem.
Essas argumentações levam ao questionamento sobre a crítica da razão
instrumental acompanhada da questão sobre o significado da emancipação.
Desta maneira, o trabalho pesquisado por Theodor Adorno sobre o conceito de
racionalidade vinculado á base da moderna cultura industrial além de procurar
investigar nesse conceito, erros ou deslizes da racionalidade instrumental que
podem ser lidos em obras como: Dialética do Esclarecimento, Indústria
Cultual e Educação: O novo canto das Sereias, Teoria Crítica da Indústria
Cultual entre outros que deram inspiração para um novo trabalho sobre a
questão da indústria cultural e a semi-formação e de que forma isto é
importante para educação. Debater a relação da Indústria Cultural e Semiformação, num trabalho ainda de andamento de TCC do curso de Pedagogia, é
importante pelo fato de que ainda é muito pouco discutido na grade curricular
do curso de graduação e além de aprofundar mais o campo na pesquisa da
filosofia crítica adorniana no Brasil, que atualmente está mais centrada na
região Sudeste e sendo pouco conhecida na região Norte,esperando que isto
motive os demais pesquisadores de outras regiões brasileiras a reconhecerem a
importância desta pesquisa na Educação dando continuidade a ela.
Palavras-Chave: Indústria Cultural, Semi-Formação, Educação.
254
Eixo Temático: Teorias da Educação
Educação imagética em Platão
Daniel Figueiras Alves
Faculdade de Educação/UNICAMP
Brasil
[email protected]
Resumo
Este trabalho tem como elemento central a seguinte problemática referente a
Educação Imagética em Platão: como é possível a educação moral por meio das
imagens? Platão, n'A República, esboça um procedimento pedagógico o qual
denominaremos em nossa pesquisa como Percurso Educativo; a noção de
percurso é justificada tendo em vista a formação humana em etapas. A etapa
inicial consiste na percepção sensível dos reflexos e sombras, conforme
apresentado na Alegoria da Caverna, e tem por finalidade a formação do
filósofo cuja virtude característica é a sabedoria. Platão reconhece, contudo,
que nem todos poderão vir a ser filósofos, ou seja, a sabedoria não é uma
virtude geral, mas somente alcançada por poucos, pelos melhores; então, o que
resta aos demais cidadãos? As virtudes populares: práticas e normativas,
comunicadas aos cidadãos por intermédio do sensível. A Imagética (eikasia)
está situada dentro desse percurso como a etapa responsável pela comunicação
das virtudes populares na alma. A explicitação do Percurso Educativo e o
posicionamento da Imagética em seu interior constituem elementos de apoio a
problemática central. Mas, afinal, o que é a Imagética e o que são as Imagens?
O exame do Estatuto Ontológico das Imagens em nosso trabalho será orientado
pela verificação da Imagética platônica a partir de três instâncias: modo de
imitação, modo de conhecimento e modo de moralização; também tem por
finalidade contribuir para compreensão da problemática central. Explicitação
do Percurso Educativo e exame do Estatuto Ontológico das Imagens são
momentos fundamentais para o encadeamento lógico de nossa pesquisa. Tendo
realizado estas duas etapas poderemos finamente sistematizar um procedimento
educativo imagético: a Educação Imagética procede por Reminiscência, isto é,
as imagens são capazes de educar posto que despertam a memória esquecida,
suscitam na alma Imagens superiores. Tais Imagens estão mais próximas não
apenas do conhecimento ideal e verdadeiro, mas também da beleza inteligível e
do sumo Bem, eis o caráter moralizador das imagens.
Palavras-chave: Educação, Imagem, Platão.
255
Eixo Temático: Teorias da Educação
Pedagogia Hermenéutica. Los prejuicios, el preguntar y la aplicación:
categorías de comprensión a partir de Hans-Georg Gadamer
Diego Fernando Barragán Giraldo
Universidad de La Salle
Colombia
[email protected]
Resumen
El presente trabajo propone que es posible una pedagogía hermenéutica; la cual
puede ser una ruta de compresión del fenómeno educativo en tanto
interpretación y comprensión del mundo, que deriva en la aplicación. En la
primera parte, se mostrará cómo la hermenéutica filosófica no puede ser
reducida a un asunto meramente cognoscitivo, sino que sitúa la comprensión de
la existencia en relación con los horizontes comprensivos del ser humano, es su
nivel histórico y lingüístico; siempre en clave de la aplicación. En la segunda
parte, se presentarán las categorías gadamerianas prejuicios y preguntar, como
constructos que aportan a la construcción del concepto en cuestión. Finalmente,
en la tercera sección, se pondrá en discusión lo que significaría realizar una
pedagogía hermenéutica en el campo de actuación práctica y espacio de
aplicación hermenéutica.
Palabras clave: Hermenéutica Filosófica, pedagogía hermenéutica, prejuicios,
preguntar.
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Eixo Temático: Teorias da Educação
Educação e Formação Humana no Pensamento Pedagógico
de Otto Friedrich Bollnow: entre o princípio da descontinuidade
na Filosofia da Existência e o da continuidade na Filosofia da Esperança
Ezir George Silva
Universidade Federal de Pernambuco – UFPE
Brasil
[email protected]
Resumo
A produção do conhecimento através da história é o resultado da ação, com
sentido, dos homens que, ao longo de suas existências se transformam em
sujeitos capazes de construir, desconstruir, reconstruir, ressignificar e socializar
os saberes que são produzidos através da sua relação com os outros e o mundo
a que pertencem. É movido por esta consciência e modo de compreensão que
Otto Friedrich Bollnow pretende discutir a natureza e os desdobramentos do
desenvolvimento da Filosofia da Existência (1971) e da Filosofia da Esperança
(1962) para a Pedagogia. É com este interesse que este autor pretende mostrar a
função e os limites da Filosofia da Existência, almejando apresentar a
contribuição da Filosofia da Esperança para a Formação Humana do ser
tomando como base a “compreensão da vida humana em si mesma, na sua
imanência com exclusão de todas as representações e juízos que a transcendem
– o principal fim que a filosofia tem em vista -” (BOLLNOW, 1946, p.2),
visando examinar os processos instáveis e descontínuos do ser e da ação
pedagógica, ocorridos dentro do processo educacional. A pesquisa inscreve-se
nos discursos e debates sobre Filosofia, Teoria Educacional e Formação
Humana. Seu objetivo é analisar como o pensamento pedagógico de Otto
Friedrich Bollnow se articula entre a descontinuidade da Filosofia da Existência
e a continuidade da Filosofia da Esperança. O texto discute o surgimento da
Filosofia da Existência, seu desenvolvimento, limitações e as análises em torno
da Filosofia da Esperança e seu eventual impacto sobre a prática pedagógica e
os modos do homem conceber sua existência, sua formação e relação no e com
o mundo no âmbito da comunidade humana. Por fim, a pesquisa pretende
identificar as implicações do pensamento pedagógico de Otto Friedrich
Bollnow sobre as configurações do processo educacional, que envolve a
integralidade do ser inacabado, seus questionamentos, descobertas, limites e
possibilidades no contexto de uma cultura globalizada e democrática.
Palavras-chave: Educação, Formação Humana, Filosofia.
257
Eixo Temático: Teorias da Educação
La concepción de la educación de Hayek y Friedman.
Una interpretación filosófica
Jorge Vergara Estévez
Universidad de Chile
Chile
[email protected]
Resumen
Hace más de cincuenta años, Milton Friedman publicó un importante artículo
sobre la función que debería tener el gobierno en la educación primaria y
secundaria. Allí sostuvo que la función principal del Estado era la favorecer el
desarrollo del mercado. “En la economía de intercambio y libre empresa
privada, la función principal del gobierno es preservar las reglas del juego, del
cumplimiento de los contratos, evitando la coacción, y mantener los mercados
libres”. Según su opinión, el orden social y la democracia exigen un mínimo de
educación, la cual incluye formación en valores básicos. “Una sociedad estable
y democrática es imposible sin la aceptación generalizada de un conjunto
común de valores, y sin un grado mínimo de alfabetización y de conocimiento
de la mayoría de los ciudadanos. Este artículo tiene dos partes. En la primera,
se expone la concepción de la educación de Hayek y Friedman. Seguidamente,
se presentan algunas reflexiones sobre estas concepciones educativas desde la
filosofía de la educación; sobre al relación entre éstas y la concepción del
hombre y la sociedad de lo que podría denominarse, siguiendo a Dostaler, “la
visión de mundo de Mont-Pèlerin” destacando su carácter utópico.
Palabras claves: concepción de la educación, concepción del hombre, capital
humano, Estado.
258
Eixo Temático: Teorias da Educação
Liberdade, educação e autoeducação:
uma proposta jasperiana para a formação humana
Mª Juliana Lima
Universidade Federal de Pernambuco
Brasil
[email protected]
Resumo
Vê-se hoje no cenário educacional uma nova área de saber que busca meios de
desenvolver uma educação que vise à formação humana. Mas, será esse mais
um modismo do campo pedagógico ou será, de fato, um caminho a ser seguido
por aqueles que se identificam com uma prática que objetive uma educação
integral? Compreender como se realiza essa integralidade faz necessário um
entendimento anterior do que é o ser humano em todas as suas dimensões e
como tais dimensões devem ser trabalhadas, a fim de proporcionar ao educando
um maior conhecimento de si mesmo. Baseamo-nos na filosofia de Karl Jaspers
para elucidar a questão da liberdade do ser como uma das formas de
autoeducação existencial, dentro de um processo educativo que busca
compreender uma prática comunicativa do si mesmo com outras existências
possíveis, indagando até que ponto, a partir da filosofia de Jaspers, é possível
que o educador contribua para o processo de autoeducação do educando dentro
da perspectiva da Formação Humana. Diante disso, podemos nos questionar
como a Liberdade, enquanto ato de escolha autêntica, segundo o pensamento
jasperiano, pode se estabelecer em meio a uma prática educativa que vise à
autoeducação existencial do educando, visto que compreender a própria
liberdade é uma atitude particular de cada indivíduo. Não buscamos na
educação apenas a transmissão de conteúdos sistemáticos, pois essa atitude
levaria em conta apenas uma das dimensões do ser - a consciência em geral,
segundo Jaspers (1968) - mas tentamos ir um pouco além, vendo o educando
enquanto um ser composto por dimensões que necessitam ser trabalhadas, para
poder lhe oferecer a possibilidade de ser “si mesmo”, a partir de suas atitudes e
decisões, através da prática da sua liberdade. Para isso temos como objetivo
principal dessa pesquisa analisar o conceito de Liberdade no pensamento de
Karl Jaspers e suas implicações para o processo da Formação Humana,
buscando assim elaborar um conceito que contribua para a compreensão do que
entendemos por formação do ser humano, a fim de perceber como a filosofia
existencial de Karl Jaspers pode contribuir para a integralidade do sujeito.
Palavras-chave: Liberdade, Educação, Autoeducação, Formação Humana.
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Eixo Temático: Teorias da Educação
Epistemologia e educação:
um estudo comparativo a partir da teoria emancipatória e
da filosofia existencial numa perspectiva de formação humana
Mirelle Castilho de Freitas
UFPE
Brasil
[email protected]
Resumo
O trabalho em andamento, referente ao projeto de dissertação de mestrado,
parte das divergências teóricas que permeiam o campo educacional,
inviabilizando, com isso, um consenso formativo para a prática e o agir do
educador. Nessa perspectiva, questionamos a finalidade que a Educação tem
em si, uma tarefa que seja própria dela, uma ética especificamente pedagógica
da qual o educador não possa abdicar. Questionamos, ainda, a existência de um
objeto epistêmico próprio da Educação que justifique as falas de uma Ciência
da Educação, ou caso esse objeto não existe, e a Educação é objeto de várias
outras Ciências que no seu conjunto formam as Ciências da Educação como
sendo uma área de aplicação dos saberes. Nesse sentido, nosso projeto tem
como objetivo fundamentar o pensamento pedagógico, buscando elementos que
auxiliem o educador na sua atuação pedagógica, avaliando em que condições,
pode-se, ou não, constituir uma Ciência da Educação relativamente autônoma.
Para tanto, propomos uma reflexão sobre o espaço científico da Educação,
considerando as seguintes posições teóricas: a Teoria Emancipatória e a
Filosofia Existencial. Ambas as posições trazem no seu bojo a defesa de que a
Educação é uma Ciência a favor da humanização dos sujeitos. Humanização
essa que consiste em desenvolver no homem o que nele há de mais humano,
não o reduzindo simplesmente aos resultados da sua maturação natural.
Contudo, na medida em que a primeira compreende a Educação como processo
de socialização e enculturação da realidade sócio-histórica; a segunda
ultrapassa qualquer formação baseada na adaptação dos sujeitos, considerando
as demais potencialidades do ser humano. Por fim, destacamos ainda, a
responsabilidade no cumprimento da tarefa educacional por parte do educador,
pois é decisivo na compreensão do seu papel que ele seja o principal
responsável na busca por um objeto epistêmico próprio da Educação, caso esse
exista. Do contrário, a Educação permanecerá sendo utilizada para atender
finalidades externas a ela.
260
Palavras-chave: Ciência da Educação, Filosofia Existencial, Formação
Humana, Teoria Emancipatória
261
Eixo Temático: Teorias da Educação
Traducir “educación”, el caso del escrito
Reden über das Erzieherishe de Martin Buber
Renato Huarte Cuéllar
Facultad de Filosofía y Letras
Universidad Nacional Autónoma de México
[email protected]
Resumen:
Buber comienza su conferencia : “‘El desarrollo de los poderes creativos en el
niño’ es el tema de esta conferencia. En tanto vengo ante ustedes a presentarlo
no debo ocultarles en ningún momento el hecho de que de las nueve palabras
sólo las tres últimas no me presentan pregunta alguna.” 1 El tema, casi siempre
vinculado exclusivamente al proceso enseñanza-aprendizaje, limita las
posibilidades de lo que la filosofía buberiana puede aportar en este campo
cifrado entre la transmisión, educación, formación, enseñanza, etc.; en resumen,
un problema de traducción. A esto se agrega que no hay traducciones al
español de estos textos ni tampoco un sentido que oriente de una manera
distinta estos textos en el conjunto de la filosofía buberiana. Por esto, el
presente trabajo buscará dar cuenta a través del estudio de los términos
“traducción” y “educación” no meramente como conceptos en el sentido
moderno del lenguaje, sino como posibilidad de aproximación filosófica. En
esta propuesta se busca ver esta problemática concreta de la traducción de un
texto buberiano a partir del caso de la conferencia que dictó en 1925 que lleva
por título Reden über das Erzieherishe traducido al hebreo con la venia del
autor. Curiosamente el texto juega con las nociones Erziehung, Bildung,
Enfaltung, Erhebung, entre otras, que dejan de tener sentido cone l término
hebreo jinuj. Las ideas que se encuentran en esta confernecia serán
fundamentales para escritos posteriores de Buber con respecto a la eduación.
Se pretende “jugar” en el artículo con la variedad de términos que enriquecen la
visión que se tiene de lo que “educación” en un acto de traducción, puede
significar.
Palabras clave: Buber, traducción, Erziehung, educación.
1
Buber. “Education” en Between Man and Man. p. 109. (la traducción es mía)
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Nietzsche e a crítica às instituições de ensino - PUC