Realização Associação Latinoamericana de Filosofia da Educação e Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Educação PUC Campinas Apoio Institucional DEFHE – Faculdade de Educação – UNICAMP Faculdade de Educação – UFRJ Financiamento Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo - FAPESP Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro- FAPERJ Comitê Gestor Andrea Díaz Genis -Uruguai Andrés Mejía Delgadillo - Colômbia Angela Medeiros Santi - Brasil Ciro Parra - Colômbia Leopoldo Arteaga - Peru Martín López Calva - México Renato Huarte – México Samuel Mendonça - Brasil Sonia Vásquez - Chile http://www.alfe-filosofiadelaeducacion.org/ 2011 ii Apresentação A Associação Latinoamericana de Filosofia da Educação ALFE e o Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Educação da PUC Campinas realizam o I Congresso Latinoamericano de Filosofia da Educação, com o tema: “Identidade e diferença da Filosofia da Educação na América Latina”. Este evento conta com o apoio institucional do Departamento de Filosofia, História e Educação da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas, da mesma forma que da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro. O fomento para a realização deste Congresso coube à FAPESP - Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, à FAPERJ – Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro e a infraestrutura foi cedida pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas que disponibilizou todas as condições materiais para a sua realização. Esta ação da Universidade evidencia o compromisso com a pesquisa qualificada e aponta para o interesse de internacionalização do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Educação. O I Congresso Latinoamericano de Filosofia da Educação tratase de encontro inédito e relevante para a área de Educação na América Latina, dado que a investigação de fundamentos da educação, especialmente da filosofia da educação, constitui-se de perspectiva essencial de todos os programas de pós-graduação da América Latina e mais, de todas as perspectivas de pesquisa em educação, na medida em que não é possível propor uma investigação rigorosa sem o cuidado conceitual e a reflexão filosófica decorrente da seleção das fontes de pesquisa. A filosofia da educação é, antes de tudo, campo da filosofia e, neste sentido, a organização deste evento que envolve a América Latina tem como ponto de diálogo as sociedades de filosofia da educação dos diversos países, além da iniciativa individual dos pesquisadores e interessados na temática filosófica da educação. Há diversas entidades que organizam discussões de filosofia da educação, como por exemplo, a INPE – International Network of Philosophers of Education, a PES – Philosophy of Education Society e o nascimento da ALFE – Associação Latinoamericana de Filosofia da Educação, em julho de 2010 em Bogotá, Colômbia, apresenta-se em momento importante de qualificação das pesquisas em educação nos países da América Latina. Mais do que isto, na busca da identidade e na reflexão das diferenças da filosofia da educação é preciso reivindicar o iii lugar e as tarefas da filosofia da educação como campo rigoroso de investigação em educação. Este Caderno de Resumos simboliza a riqueza e a diversidade das proposições recebidas e aprovadas para comunicação neste evento, com contribuições de professores e estudantes dos diversos países da América Latina e também de outros países. O processo de avaliação de trabalhos foi rigoroso e constituiu-se de importante momento da ALFE, então, os avaliadores têm o mérito da riqueza das proposições e da qualidade deste Congresso. O Comitê Gestor agradece aos avaliadores pelo cuidado e competência no processo de análise das propostas. Os Anais do I Congresso Latinoamericano de Filosofia da Educação (ISSN 2236-7519) estão organizados em três momentos. Apresentam-se os resumos relativos às conferências, em um primeiro momento, os resumos de trabalhos completos e, por último, os resumos dos trabalhos em andamento. Quanto ao segundo e terceiro momentos, preserva-se a ordem dos eixos temáticos, quais sejam, Democracia e Educação, Ensino de Filosofia, Filosofia e Educação na América Latina, Fundamentos da Educação, Método e Pesquisa em Educação, Política e Educação e Teorias da Educação. Agradecemos aos diversos sujeitos deste Congresso, professores, estudantes e interessados na temática da filosofia da educação, ao auxílio das agências: FAPESP e FAPERJ e muito especialmente aos membros dos diversos comitês. Apresentam-se, a seguir, a Programação, a ata da primeira reunião da Associação Latinoamericana de Filosofia da Educação, a composição das equipes deste Congresso e os resumos cf. descrição anterior. Sejam muito bem vindos ao I Congresso Latinoamericano de Filosofia da Educação. Campinas, 30 de junho de 2011. Prof. Dr. Samuel Mendonça Membro do Comitê Gestor e da Organização do I Congresso Latinoamericano de Filosofia da Educação Coordenador do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Educação – PUC Campinas 4 Acta de la primera reunión Debate y creación de la Asociación Latinoamericana de Filosofía de la Educación – ALFE El día 30 de julio de 2010, en la ciudad de Bogotá, Colombia, en ocasión del 12º Congreso Internacional de Filosofía de la Educación INPE 2010, se reunieron algunos participantes latinoamericanos con el objetivo de debatir y crear una asociación, en el espíritu de la INPE (Red Internacional de Filósofos de la Educación), enfocada en América Latina. Se relataron experiencias de administración de otras sociedades, especialmente la INPE, la PES (Sociedad de Filosofía de la Educación, con base en Norteamérica), y la PESGB (Sociedad de Filosofía de la Educación de la Gran Bretaña), entre otras. El grupo decidió crear la “Asociación Latinoamericana de Filosofía de la Educación”, de ahora en adelante ALFE. Un grupo de representantes de los países presentes se candidatizaron para componer un “equipo de gestión”. Dicho equipo quedó conformado inicialmente por Martín López y Renato Huarte, de México; Angela Santi y Samuel Mendonça, de Brasil; Sonia Vásquez de Chile; Leopoldo Arteaga, de Perú; Andrea Díaz, de Uruguay; y Ciro Parra y Andrés Mejía, de Colombia. Durante los próximos días, este equipo se reunirá por medios virtuales, y elaborará una propuesta de prioridades y otros aspectos, para la fundación de ALFE. Se establecieron algunos elementos para iniciar el trabajo, para todos los participantes, como por ejemplo: 1) la realización de un congreso cada dos años, el primero de los cuales podría ser realizado en 2011; 2) la necesidad de establecer contacto con filósofos de la educación de América Latina, a fin de contar con miembros de todos los países; 3) como objetivo principal se determinó el compartir los conocimientos y prácticas de la filosofía de la educación en América Latina. El grupo definirá los demás objetivos específicos, la misión y, también, los aspectos fundamentales de la identidad de ALFE. Todo lo que se elabore será puesto para conocimiento y discusión del grupo. También se discutió sobre la construcción de un portal electrónico que pueda albergar incluso una revista de ALFE. Los costos operacionales, ya sean para la constitución de una “persona jurídica” (estatuto social, etc.), ya sea para la construcción y mantenimiento de una página de 5 internet, serán cubiertos por los miembros fundadores, con una cuota que será establecida por el equipo de gestión. La reunión se cerró a las 14:00 horas, habiendo iniciado a las 12:50 horas. Asistieron Ciro Parra, Sonia Vásquez Garrido, Renato Huarte Cuéllar, Roselén Schiaffino, Leopoldo Arteaga Ramírez, Carlos del Pino, Samuel Mendonça, Marina Camejo, Susana Maya Machin, Ana Laura Nuin, Esther Charabati, Angela Medeiros Santi, Andrea Díaz Genis, Andrés Mejía D. y Martín López Calva. Bogotá, 30 de julio de 2010. 6 Comitê Organizador Andrea Díaz Genis - Universidad de la República Montevideo Andrés Mejía Delgadillo - Universidad de los Andes Angela Medeiros Santi – Universidade Federal do Rio de Janeiro Ciro Parra - Universidad de la Sabana Marisa Meza - Universidad Catolica de Chile Martín López Calva - Universidad Iberoamericana Puebla-México Renato Huarte - Universidad Nacional Autónoma de México Samuel Mendonça – Pontifícia Universidade Católica de Campinas Silvio Gallo – Universidade Estadual de Campinas Sonia Vásquez - Universidad Catolica de Chile Comitê Organizador Local Angela Medeiros Santi – Universidade Federal do Rio de Janeiro Samuel Mendonça – Pontifícia Universidade Católica de Campinas Silvio Gallo – Universidade Estadual de Campinas Comitê Científico Alexandre Simão de Freitas – Universidade Federal do Pernambuco Ana Maria Valle Vázquez - Universidad Nacional Autónoma de México Andrea Díaz Genis - Universidad de la República Montevideo Andrés Mejía Delgadillo - Universidad de los Andes - Bogotá Angela Medeiros Santi – Universidade Federal do Rio de Janeiro Ciro Parra - Universidad de la Sabana - Bogotá Claudio A. Dalbosco – Universidade Passo Fundo Diego Barragán - Universidad de la Salle - Bogotá Divino José da Silva – Universidade Estadual Paulista Elisete Tomazetti – Universidade Federal de Santa Maria Enrique Puchet – UdelaR - Uruguai Hilda Patiño - Universidad Iberoamericana de la ciudad de México José Pedro Boufleuer – Unijuí – Universidade Regional Leoni Henning – Universidade Estadual de Londrina Leopoldo Arteaga - Universidad Ricardo Palma - Peru Luiz Roberto Gomes – Universidade Federal de São Carlos Márcio Danelon – Universidade Federal de Uberlândia Marisa Meza - Universidade Católica de Chile Martín López Calva - Universidad Iberoamericana Puebla - México Mauricio Langon - Instituto de Profesores Artigas - Uruguai 7 Nadja Hermmann - Pontifícia Universidade Católica do RS Pedro Ângelo Pagni - Universidade Estadual Paulista Pedro Gontijo – Universidade de Brasilia Renato Huarte - Universidad Nacional Autónoma de México Samuel Mendonça – Pontifícia Universidade Católica de Campinas Silvio D. Oliveira Gallo – Universidade Estadual de Campinas Sonia Vásquez - Universidade Católica de Chile Walter Omar Kohan – Universidade Estadual do Rio de Janeiro Comitê Editorial Angela Medeiros Santi – Universidade Federal do Rio de Janeiro Renato Huarte - Universidad Nacional Autónoma de México Samuel Mendonça – Pontifícia Universidade Católica de Campinas Equipe de Apoio Mestrandos e estudantes de Iniciação Científica sob orientação de docentes do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Educação da PUC Campinas Adriana Zampieri Martinati Aline Aparecida Akamine Ana Paula Araújo Mota Andréa Maria Martins Chiacchio Armando Lourenço Filho Felipe Adaid Heloísa Poltronieri Henrique Raimundo Sperandio Jaqueline Cristina Massucato Juliana Gomes Santos Maria do Carmo Jürgensen Lencioni Maria Salete Pereira Santos Patricia Nunes Arantes Talita Carneiro Gader Safa 8 Sumário APRESENTAÇÃO .......................................................................................... II TRABALHOS COMPLETOS ....................................................................... 12 EIXO TEMÁTICO: DEMOCRACIA E EDUCAÇÃO............................................... 12 EIXO TEMÁTICO: ENSINO DE FILOSOFIA ....................................................... 12 EIXO TEMÁTICO: FILOSOFIA E EDUCAÇÃO NA AMÉRICA LATINA ................. 13 EIXO TEMÁTICO: FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO ......................................... 13 EIXO TEMÁTICO: MÉTODO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO ................................ 14 EIXO TEMÁTICO: POLÍTICA E EDUCAÇÃO...................................................... 14 EIXO TEMÁTICO: TEORIAS DA EDUCAÇÃO .................................................... 14 TRABALHOS EM ANDAMENTO .............................................................. 15 EIXO TEMÁTICO: DEMOCRACIA E EDUCAÇÃO............................................... 15 EIXO TEMÁTICO: ENSINO DE FILOSOFIA ....................................................... 15 EIXO TEMÁTICO: FILOSOFIA E EDUCAÇÃO NA AMÉRICA LATINA ................. 16 EIXO TEMÁTICO: FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO ......................................... 16 EIXO TEMÁTICO: MÉTODO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO ................................ 16 EIXO TEMÁTICO: POLÍTICA E EDUCAÇÃO...................................................... 17 EIXO TEMÁTICO: TEORIAS DA EDUCAÇÃO .................................................... 17 9 PROGRAMAÇÃO ......................................................................................... 18 CONFERÊNCIA DE ABERTURA “BALANÇO DA FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO NA AMÉRICA LATINA” ....................................................................................... 18 MESA TEMÁTICA – “O QUE É A FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO NA AMÉRICA LATINA?” ..................................................................................................... 21 MESA TEMÁTICA “O ENSINO DE FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO NA AMÉRICA LATINA” ....................................................................................................... 29 REUNIÃO COM TODOS OS MEMBROS EFETIVOS DA ALFE (AUDITÓRIO D. GILBERTO) .................................................................................................... 33 MESA GERAL – PLANO DE AÇÕES DA ALFE. DISCUTIR A “IDENTIDADE E DIFERENÇA” DA FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO NA AMÉRICA LATINA NA PERSPECTIVA DE AVALIAÇÃO DO CONGRESSO – ........................................... 33 MESA TEMÁTICA – “FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO COMO DISCIPLINA” .............. 33 CONFERÊNCIA DE ENCERRAMENTO “FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO NA AMÉRICA LATINA: IDENTIDADE E DIFERENÇA”............................................................. 33 RESUMOS DAS CONFERÊNCIAS ............................................................. 35 LA FILOSOFIA DE LA EDUCACIÓN COMO DISCIPLINA .................................... 35 A POTÊNCIA MESSIÂNICA DO AGORA - A FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO NA AMÉRICA LATINA EM TRÊS TEMPOS: WALTER BENJAMIN, PAULO FREIRE E VIK MUNIZ ................................................................................................... 36 UM BALANÇO DA FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO NA AMÉRICA LATINA .............. 37 ENSEÑAR A PENSAR Y ENSEÑAR A PENSAR-NOS: LOS RETOS DE LAENSEÑANZA DE LA FILOSOFÍA DE LA EDUCACIÓN EN AMÉRICA LATINA ........................... 38 LA FILOSOFIA Y EL RETO DE LA EDUCACIÒN LATINOAMERICANA ................. 39 10 FILOSOFÍA DE LA EDUCACIÓN COMO DISCIPLINA, EL CASO DE CHILE. PRIMER INTENTO DE COMPRENSIÓN ........................................................................... 40 MÉXICO COMO PUNTO DE ENCUENTRO PARA LA FILOSOFÍA DE LA EDUCACIÓN ..................................................................................................................... 41 FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO NA AMÉRICA LATINA: IDENTIDADE E DIFERENÇA42 LA ENSEÑANZA DE LA FILOSOFÍA DE LA EDUCACIÓN EN AMÉRICA LATINA: FORMACIÓN EN EL ACTUAR PEDAGÓGICO, INNOVACIÓN EN LA EDUCACIÓN .. 43 RESUMOS DOS TRABALHOS COMPLETOS ......................................... 44 EIXO TEMÁTICO: DEMOCRACIA E EDUCAÇÃO............................................... 44 EIXO TEMÁTICO: ENSINO DE FILOSOFIA ........................................................ 59 EIXO TEMÁTICO: FILOSOFIA E EDUCAÇÃO NA AMÉRICA LATINA ................. 91 EIXO TEMÁTICO: FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO ......................................... 99 EIXO TEMÁTICO: MÉTODO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO .............................. 141 EIXO TEMÁTICO: POLÍTICA E EDUCAÇÃO.................................................... 146 EIXO TEMÁTICO: TEORIAS DA EDUCAÇÃO .................................................. 163 RESUMOS DOS TRABALHOS EM ANDAMENTO............................... 175 EIXO TEMÁTICO: DEMOCRACIA E EDUCAÇÃO ............................................ 175 EIXO TEMÁTICO: ENSINO DE FILOSOFIA ..................................................... 181 EIXO TEMÁTICO: FILOSOFIA E EDUCAÇÃO NA AMÉRICA LATINA ............... 206 EIXO TEMÁTICO: FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO ....................................... 216 EIXO TEMÁTICO: MÉTODO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO .............................. 240 11 EIXO TEMÁTICO: POLÍTICA E EDUCAÇÃO ................................................... 244 EIXO TEMÁTICO: TEORIAS DA EDUCAÇÃO ................................................. 252 12 Trabalhos Completos Eixo temático: Democracia e Educação Anderson Alencar Menezes Darcísio Natal Muraro Fabiano de Oliveira Moraes Guillermo Zamora Poblete Iván Darío Moreno Acero Marina Leticia Camejo Manrique Nivaldo Alexandre de Freitas Paulo César de Oliveira Polianne Delmondez Oliveira Eixo temático: Ensino de Filosofia Adriany Thatcher C. Soares Áglaé Cecília Toledo Porto Alves Alex Sander da Silva Amâncio Leandro Correa Pimentel e Maria Dulcinea da Silva Loureiro André Soares Ferreira Américo Grisotto Cristiane Maria Marinho Eniel do Espírito Santo e Luiz Carlos Sacramento da Luz Jean Dyêgo Gomes Soares Jorge da Cunha Dutra e Mauro Augusto Buckert Delfino José Rogério Vitkowski Lúcia Schneider Hardt Luciene Antunes Alves Maria Anastácia Ribeiro M. Carbonesi e Cleide Bezerra da Silva Miécimo Ribeiro Moreira Júnior Pablo Aguayo Westwood Renê Trentin Silveira Roberto Rondon Sônia Aparecida Belletti Cruz Tânia Rodrigues Palhano e Rebeca Ferraz de Souza Walace Soares de Oliverira 13 Eixo temático: Filosofia e Educação na América Latina Bruno Botelho Costa Daniel Pansarelli Gerardo Garay Montaner Marcela Calixto dos Santos e Leoni Maria Padilha Henning Morena Dolores Patriota da Silva e Simone Moreira de Moura Ofélia Maria Marcondes Pedro Angelo Pagni Eixo temático: Fundamentos da Educação Alexandre Ferreira de Mendonca Alexnaldo Teixeira Rodrigues Ana María Valle Vásquez Angelo Vitório Cenci Belkis Souza Bandeira, Kelin Valeirão, Avelino da Rosa Oliveira Claudio Piontkewicz Danilo Augusto Santos Melo Eduardo Gabriel Molino Elvira Cristina Martins Tassoni Irazema Edith Ramirez Hernandez José Carlos Mendonça José Fernandes Weber Kelin Valeirão e Avelino da Rosa Oliveira Laisa Blancy de Oliveira Guarient Luciana Azevedo Rodrigues Márcio Coelho e Maria Cristina Piumbato Innocentini Hayashi Marco Antonio Jiménez García y Ana María Valle Vázquez Marcos Roberto de Faria Maria Betânia do Nascimento Santiago Maria Emanuela Esteves dos Santos Mauro Rocha Baptista e Wellington Elias de Jesus Nelino José Azevedo de Mendonça Rosemary Roggero Sabina Maura Silva Silvia Cristina Fernandes Lima Sueli Soares dos Santos Batista e Emerson Freire 14 Tarcísio Jorge Santos Pinto Eixo temático: Método e Pesquisa em Educação Abdael Gaspar de Sousa Egeslaine de Nez Tarso Bonilha Mazzotti Victor Junger Silveira Eixo temático: Política e Educação Andrés Mejía Delgadillo e Mónica Almanza Marroquín Carlos Alberto Tolovi Carlos Odilon da Costa Daniel Alejandro Mares Sánchez Diogo Acioli Lima Edgar Domingo de Albuquerque Fabio Barros Silva Gilson Luís Voloski Jonas Waks José de Sousa Miguel Lopes Luiz Roberto Gomes Wescley Dinali Eixo temático: Teorias da Educação Almiro Schulz Carlos Andrés Muñoz López Daniel Figueiras Alves Edna Batista da Silva José Cláudio Morelli Matos Maria das Graças de Almeida Baptista Mónica Almanza Marroquín Pedro Ergnaldo Gontijo Sônia Regina da Luz Matos e Nadja Acioly Regnier 15 Trabalhos em Andamento Eixo temático: Democracia e Educação Elias João de Melo José Aguiar Nobre e Samuel Mendonça Lía Lucy Rebaza López Priscila Resende Silveira Eixo temático: Ensino de Filosofia Adriany Thatcher C. Soares, Alexandra Quadro Siqueira e Vera Lúcia Santos Malaquias Mutti Alexandra Quadro Siqueira, Dante Augusto Galeffi, Eduardo Davi de Boulevard, Leonardo Rangel dos Reis e Lisiane Weber Oliveira Antonio Carlos Petean Cristiane Maria Marinho Daniel Santini Rodrigues e Jackeline Rodrigues Mendes Edgard Vinícius Cacho Zanette Geraldo Adriano Emery Pereira Janice da Silva Oliveira e Maria Betania Don Santiago Jesús Ernesto Urbina Cárdenas Jordi García Farrero José Cardoso Simões Neto Juliana Cristina Bel Katherine Cortiana Fagundes Laura Angélica Bárcenas Pozos Livio dos Santos Wogel Maurinúbia Monteiro de Moura, Darlene Moura de Campos e Maria Betânia do N. Santiago Patrícia Del Nero Velasco 16 Eixo temático: Filosofia e Educação na América Latina Diana Milena Patiño, Natalia Sánchez, Andrés Mejía Delgadillo, Diego Fernando Barragán Giraldo Gislaine de Medeiros Baciano Leoni Maria Padilha Henning Paulo César Nodari Selene Georgina López Reyes Virginia Georg Schindhelm e Maria de Fátima Costa de Paula Eixo temático: Fundamentos da Educação Armando Lourenço Filho e Samuel Mendonça Artur José Renda Vitorino Giselle Moura Schnorr Gláucia Maria Figueiredo Silva Gustavo Arantes Camargo José Carlos Abrão José Sílvio de Oliveira Marcelo Alexandre dos Santos Marco Aurélio Gomes de Oliveira e Armindo Quillici Neto Maria Dolores García Perea Maria dos Remédios de Brito Rafaela Ferreira Marques Renato Huarte Cuéllar Romeu Adriano da Silva Ronaldo dos Santos Travassos Roselaine Bolognesi Wanderley Jose Ferreira Junior William de Goes Ribeiro Eixo temático: Método e Pesquisa em Educação Adriana Carvalho da Silva José Guadalupe Sánchez Aviña 17 Eixo temático: Política e Educação Alonso Bezerra de Carvalho Ana Elisa Spaolonzi Queiroz Assis Carolina Mayora Fernández Paulo Roberto Rodrigues Simões Roberta dos Santos Kwasinski Rodrigo Barchi Eixo temático: Teorias da Educação Adalgisa Leão Ana Carolina Conrado Daniel Figueiras Alves Diego Fernando Barragán Giraldo Ezir George Silva Jorge Vergara Esteves Maria Juliana Lima Mirelle Castilho de Freitas Renato Huarte Cuéllar 18 I CONGRESSO LATINOAMERICANO DE FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO Identidade e diferença da Filosofia da Educação na América Latina Dias 01, 02 e 03/08/2011 - Campinas - SP – Brasil Local: Pontifícia Universidade Católica de Campinas Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Educação Endereço: Rodovia D. Pedro I, km 136 Parque das Universidades - Campinas – SP Recepção e Credenciamento 31/07/2011 – das 17h às 21h Casa do Professor Visitante - UNICAMP Campus Unicamp - Barão Geraldo - Fone (19) 3221 2809 (19) 3221 2809 - http://www.funcamp.unicamp.br/ Haverá credenciamento também durante o evento. Programação Dia 01/08/2011 (segunda-feira) Manhã 8h – Recepção e Credenciamento – Aud. D. Gilberto 8h 45min – Abertura Oficial do I Congresso da ALFE 9h 15min às 10h 30min – Conferência de abertura “Balanço da Filosofia da Educação na América Latina” Palestrante: Antonio Joaquim Severino (Brasil) Coordenador: Samuel Mendonça (Brasil) 10h 30min – Café Obs: Todas as apresentações serão feitas nas salas do CEATEC (junto ao Auditório D. Gilberto) A103, A104, A105, A107, A109, A202, A203, A205, A208 e A209. As salas estarão sinalizadas e a Equipe de Apoio estará à disposição dos autores para o que couber. As salas são equipadas com recursos de multimídia. 19 10h 45min às 12h 15min Sessões para Trabalhos Completos Mesa C1 – Sala A103 Nietzsche e a educação: crítica às instituições de ensino e desdobramentos da genealogia em tematizações contemporâneas sobre a educação. Nietzsche, cultura e educação: a exemplaridade da Grécia Pré-Socrática O mal estar e a pseudoformação do indivíduo contemporâneo no âmbito da cultura e do trabalho: possibilidades de emancipação da subjetividade e da consciência Mesa C2 – Sala A104 Abdael Gaspar de A hermenêutica reconstrutiva de Habermas como Sousa método nas pesquisa em educação Egeslaine de Nez Materialismo e rede de significações (RedSig): aproximações teóricas sobre o método Victor Junger Por uma pesquisa dos sentidos, das sensiblidades Silveira e das poéticas nosdoscom os cotidianos escolares: contra uma escola do absurdo Mesa C3 – Sala A105 Alexandre Ferreira de Mendonca Silvia Cristina Fernandes Lima Rosemary Roggero Carlos Odilon da Costa Jonas Waks Diogo Acioli Lima Marcos Roberto de Faria Mauro R. Baptista e Wellington Jesus Fabio Barros Silva Educação escolar indígena: Currículo, interculturalidade e revitalização Sobre artesanos y proletarios: consideraciones acerca de relatos de experiencias y trabajo docente O eterno retorno das violências nas escolas públicas do Distrito Federal Mesa C4 – Sala A107 Fundamentos filosóficos e políticos da campanha pedagógica contra-reformista: séculos XVI/XVII Humanismo e educação O Século das Luzes e a educação pública como instituição política republicana 20 Mesa C5 – Sala A109 Elvira Cristina Martins Tassoni Marco Antonio Jiménez García e Ana María Valle Vázquez Alexnaldo Teixeira Rodrigues A filosofia e as emoçoes na história do pensamento humano Huellas de erotismo prehispánico en la formación humana Andrés Mejía Delgadillo e Mónica Almanza Marroquín Pedro Ergnaldo Gontijo Dos caminos posibles en la formación ética: La literatura y la filosofía Sônia Regina da Luz Matos e Nadja Acioly Regnier Gilson Luís Voloski Carlos Alberto Tolovi Criança, infância e infantil: nas teorias da educação contemporânea Os fundamentos da educação feminia em Rousseau: aspectos morais e políticos Mesa C6 – Sala A202 Pensando uma docência nômade: apontamentos a partir do Deleuze (aluno e professor) do ABCDário. Mónica Almanza Es mejor un buen divorcio que un mal Marroquín matrimonio: Sobre la enseñanza de la lengua y la literatura Mesa C7 – Sala A203 A Filosofia da Educação no contexto de reformas do ensino superior O impacto social da educação no campo na realidade do semi-árido nordestino Mesa C8 – Sala A205 Maria Anastácia Filosofia: o pensar crítico nas Instituições de Ribeiro Carbonesi Ensino Superior e Cleide Bezerra da Silva Amâncio L. Correa Educação moral: PCNs e o ensino de ética na 21 Pimentel e Maria Educação de Jovens e Adultos – EJA Dulcinea Loureiro André Soares Identidade da filosofia no ensino médio sulFerreira mato-grossense Mesa C9 – Sala A208 Adriany Thatcher É possível ensinar filosofia na escola inclusiva? C. Soares Áglaé Cecília A filosofia na formação continuada de docentes Toledo Porto Alves do Centro Paula Souza, na modalidade semipresencial Alex Sander da O ensino de filosofia: novos contexto e antigas Silva exigências Mesa C10 – Sala A209 Iván Darío Moreno Acero Fabiano de Oliveira Moraes Paulo César de Oliveira Hacia una educación ciudadana de carácter moral y cosmopolita A ‘fala’ do aluno em questão: por uma democracia linguística na sala de aula A gestão democrática da escola: as contribuições de Lèvinas para a superação do totalitarismo Tarde 12h 15min às 14h – Almoço 14h às 15h 30min – Mesa temática – “O que é a Filosofia da Educação na América Latina?” Angela Santi (Brasil), Ciro Parra (Colômbia), Renato Huarte (México) - (Auditório D. Gilberto) Coordenador: Marisa Meza (Chile) 15h 30min – Café 22 15h 45min às 18h Sessões para Trabalhos em Andamento Adalgisa Leão Edgard Vinícius Cacho Zanette Maria Dolores García Perea Maria dos Remédios de B. Ana Elisa Spaolonzi Queiroz Assis Carolina M. Fernández Jean Dyêgo Gomes Soares Alonso Bezerra de Carvalho Paulo Roberto Rodrigues Simões Roberta dos Santos Kwasinski Rodrigo Barchi Elias João de Melo Artur José Renda Vitorino Mesa A1 – Sala A103 Dimensão formativa da literatura, espaço público e competência argumentativa: construindo relações para uma educação cidadã O macaco de kafka e a educação filosófica: É possível sair da jaula? El campo de estudio de la esperanza Por uma educação da singularidade Mesa A2 – Sala A104 Controle Judicial de Políticas Públicas Educacionais: um enfoque zetético de investigação Políticas de Género en la Educación Militar en México O básico para alguma filosofia Mesa A3 – Sala A105 A educação moral no mundo contemporâneo: a experiência da amizada na sala de aula Programa Universidade para todos: uma política de civilização A Escola: Fator de Mobilidade ou Estagnação Social? Mesa A4 – Sala A107 Educação e meio ambiente entre a biopolítica e a biopotência Saberes ambientais indígenas e não indígenas e a educação ambiental O Problema da Formação do Espírito Ético na Educação da Cultura no Brasil: Mario Vieira de Mello e a correspondência entre a estrutura da alma humana e a sociedade 23 Giselle Moura Schnorr Romeu Adriano da Silva Ronaldo dos S. Travassos Jorge Vergara Esteves Ana Carolina Conrado Priscila Resende Silveira Leoni Maria Padilha Henning José Carlos Abrão José Sílvio Oliveira Jordi Farrero de A filosofia intercultural no âmbito da filosofia da liberdação latinoamericana: possíveis contribuições para a educação Mesa A5 – Sala A109 Categoria trabalho e pesquisa em educação: reflexões filosóficas e históricas Trabalho e educação: a produção social da consciência e da linguagem La concepción de la educación de Hayek y Friedman. Una crítica filosófica Indústria Cultural e Semi formação: um importante debate na Educação Mesa A6 – Sala A202 Experiência de Paulo Freire em países africanos e sua praxis educativa Antropologia freireana: lições para a América Latina Do discurso pedagógico: alguns questinamentos Mesa A7 – Sala A203 A formação humana contemporânea a partir do contexto histórico-social da filosofia grega García Largas caminatas a pie con el maestro: a propósito de una obra de Raimon Panikkar y Milena Carrara, ‘Peregrinación al Kailasa y al centro del sí’ Daniel Alves Antonio Petean Figueiras Educação imagética em Platão Carlos Montaigne: Filosofia, Etnocentrismo e Educação Mesa A8 – Sala A205 Rafaela Ferreira O corpo próprio e virtual. Um Diálogo entre M. Marques Ponty e Michel Serres e suas Implicações para a Educação a Distância Patrícia Del Nero A filosofia e seu ensino: reflexões a partir da 24 Velasco perspectiva Merleau-Pontiana sobre filosofia e história da filosofia Gláucia Maria Bergson e Deleuze: conexões não Figueiredo Silva representacionais entre Fil. e Pedagogia Gustavo Arantes Nietzsche e a educação para tornar-se si mesmo Camargo Mesa A9 – Sala A 208 O Ensino De Filosofia Na Zona Rural e Seu Papel Social: Construindo Um Rosto Libertador O ensino de filosofia no ensino médio para além do trabalho: a formação filosófica em vista da significação do jovem estudante. Geraldo Adriano A especificidade da reflexão filosófica e a sua Emery Pereira adequação à realidade do ensino médio Janice da Silva Filosofia no ensino médio: em busca de um Oliveira e Maria pensar nacional Betânia do Nascimento Santiago José Cardoso Simões Neto Livio dos Santos Wogel Dia 02/08/2011 (Terça-feira) Manhã 8h 30min às 10h Sessões para Trabalhos Completos Mesa C11 – Sala A103 Eduardo Fundar la educación en el diálogo. Desde la Gabriel Molino antropología filosófica de Martin Buber a la filosofía de la educación. Maria Betânia Diálogo e Confiança na Relação Educativa: Uma do Nascimento Contribuição a partir da Filosofia do Diálogo de Santiago Martin Buber Danilo Augusto A educação entre indivíduo e coletivo: uma Santos Melo experiência paradoxal 25 Mesa C12 – Sala A104 José de Sousa Sobre o conceito de fronteiras: uma reflexão em Miguel Lopes torno do diálogo entre a filosofia e a política visando interrogar o pensamento hegemônico Luiz Roberto Teoria crítica, sociedades democráticas e formação Gomes política em Habermas Wescley Dinali “O que vocês fizeram está fora de um padrão aceitável para a escola”: sujeição e práticas de liberdade no cotidiano escolar – (in) disciplina ao cuidado de si Mesa C13 – Sala A 105 Tarcísio Jorge Santos Pinto Claudio Piontkewicz Renê Trentin Silveira A dimensão ética e pedagógica da intuição em Bergson O processo educativo para a emergência da pessoa na abordagem personalista mounieriana A importância e o papel da história da filosofia no ensino de filosofia: considerações a partir de Gramsci Mesa C14 – Sala A 107 Ofélia Maria Marcondes Pedro Angelo Pagni Daniel Pansarelli Leopoldo Zea e a contribuição de sua filosofia para a educação Filosofia da Educação no Brasil: uma particular experiência do pensar na educação? Panorama histórico da Filosofia no Brasil: ensino como princípio e humanismo como fundamento Mesa C15- Sala A109 Darcísio Natal Muraro José Cláudio Morelli Matos Edgar Domingo de Albuquerque Democracia e educação: relações ente as concepções de John Dewey e Paulo Freire A interpretação de textos na formação da pessoa reflexiva, segundo John Dewey Educação e justiça na perspectiva da filosofia de John Rawls Mesa C16 – Sala A202 Tarso Bonilha Dissociação de noções é o método da dialética 26 Mazzotti hegeliana José Fernandes O Romance de Formação (Bildungsroman) no Weber Romantismo Alemão: formação enquanto Cultivo em Novalis Belkis Souza Formação cultural e semiformação: contribuições Bandeira, Kelin de Kant, Hegel, Marx e Adorno para pensa a Valeirão e educação hoje Avelino da R. Oliveira Mesa C17 – Sala A203 Miécimo Ribeiro Experiência no Pibid: contribuições para a melhoria Moreira Júnior das aulas de filosofia dadas por não filósofos Sônia Aparecida Ensino de filosofia: novos pensamentos e ações Belletti Cruz para as crianças das séries iniciais do ensino fundamental Walace Soares de A Odisséia da disciplina de Filosofia a sua Ítaca: o Oliverira seu papel e sua realidade hoje, um diálogo com nossos filósofos sobre as perspectivas da filosofia quanto disciplina e reflexão para o jovem do século XXI. Mesa C18 – Sala A205 Jorge da Cunha Dutra e Mauro Augusto B. D. Pino Eniel do Espírito Santo e Luiz Carlos Sacramento da Luz Tânia Rodrigues Palhano e Rebeca Ferraz de Souza A implementação da disciplina de Filosofia no ensino médio: um estudo das escolas estaduais no município do Rio Grande-RS O Ensino da Filosofia no Ensino Médio do Sistema FIEB: um Estudo de Caso do Café Filosófico no SESI/BA Os materiais didáticos no ensino de filosofia da Paraíba: a reflexão como obrigatoriedade curricular Mesa C19 – Sala A208 Daniel F. Alves Educação musical na República de Platão 27 Irazema Edith R. Hernandez Ana María Valle Vázquez Gerardo Garay Montaner Paideia: aportación de los griegos a la educación Mito y Formación en Homero y Nezahualcóyotl “Tenés que estudiar para no ser un obrero igual que tu padre”. Educación popular y conciencia de clase; un comentario crítico a un artículo de José Luis Rebellato Mesa C20 – Sala A209 da O Conceito de Emancipação em Jacques Rancière Edna Batista Silva Sueli Soares dos O conceito de tecnologia na formação do Santos Batista e tecnólogo Emerson Freire Américo Grisotto Aprendizagem do pensamento em filosofia e a ante-sala do trabalho com os conceitos filosóficos 10h – Café 10h 15min – 12h Sessões para trabalhos completos Mesa C21 – Sala A103 Michel Serres: a possível nova hominescência e os desafios para a educação do homem contemporâneo A experiência formativa na instituição escolas, ainda possível? Governamentalidade e práxis educacional: um questionamento da alegada ‘crise da escola’ Mesa C22 – Sala A104 Laisa Blancy de Atravessamentos deambulantes: aprender o desOliveira Guarient aprender Luciana Azevedo A experiência do ler na Sociedade Excitada Rodrigues Márcio Coelho e Estudo epistemológico e bibliométrico da produção Maria Cristina P. científica da área de Fundamentos da Educação do Innocentini PPGE/UFSCar Maria Emanuela Esteves dos Santos José Carlos Mendonça Kelin Valeirão e Avelino da Rosa O. 28 Hayashi Mesa C23 – A105 Angelo Vitório Conflito e formação na perspectiva da teoria social Cenci crítica de Axel Honneth Sabina Maura Silva Anísio Teixeira e os fundamentos filosóficos da educação democrática Nelino José Contribuições dos humanismos no pensamento de Azevedo de Paulo Freire Mendonça Mesa C24 – Sala A107 Cristiane Maria Pós-modernidade e educação no capitalismo Marinho contemporâneo Lúcia Schneider O cultivo de si e o ensino de Filosofia Hardt José Rogério Filosofia da educação: contribuições Deleuzianas Vitkowski Mesa C25 – Sala A109 Pablo Aguayo La didáctica de la filosofía como metáfilosofía Westwood Roberto Rondon Ensaio sobre a importância dos ‘textos bem elaborados’ como atividade central do ensino de filosofia Daniel Alejandro S. Educación -disciplina y control- el paradigma de la competencia Mesa C26 – Sala A202 Anderson Menezes Democracia e educação: por uma Cidadania Multicultural e por uma Educação Intercultural na leitura de Jurgen Habermas Nivaldo Alexandre Educação, autonomia e os impasses para a de Freitas democracia com base na Teoria Crítica Marina Leticia Relaciones Entre Democracia Y Educación Camejo Manrique Científica Desde La Perspectiva De Paul Feyerabend Mesa C27 – Sala A203 Guillermo Zamora El problema de la escasez en la educación chilena Poblete 29 Polianne Identidade e diferença: a formação Delmondez professores/as na perspectiva da diversidade Oliveira Maria das Graças A relação teoria e prática nas licenciaturas de Almeida Baptista de Mesa C28 – Sala A205 Bruno Botelho Costa Marcela Calixto dos Santos e Leoni Maria Padilha Henning Morena Dolores Patriota da Silva e Simone Moura Conscientização, sociedade e educação popular em Paulo Freire Experiência e natureza: algumas contribuições deweyanas à prática dos docentes sul-americanos Pressupostos da eugenia e seus impactos na concepção de homem e de educação do início do século XX Mesa C29 – A208 Almiro Schulz Formação ética na perspectiva da teoria antinômica de cabanas Carlos Andrés La condicionada renuncia al instinto de propiedad, Muñoz López como parénesis de la teoría de la educación sin escuela. Luciene Antunes Kant e Hegel sob a perspectiva do ensino de filosofia Alves (na educação brasileira) Tarde 12h às 14h – Almoço 14h às 15h 30min - Mesa temática “O ensino de Filosofia da Educação na América Latina” Sonia Vásquez (Chile), Leopoldo Arteaga Ramírez (Peru) e Martín López Calva (México) - (Auditório D. Gilberto) Coordenadora: Angela Santi (Brasil) 15h 30min – Café 30 15h 45min – 18h Sessões para trabalhos em andamento José Guadalupe Sánchez Aviña Adriana Carvalho da Silva Armando Lourenço Filho e Samuel Mendonça Selene Georgina López Reyes Mesa A10 – Sala A103 Métodos de investigación en educación A reflexividade na construção do papel do professor no contexto cibercultural A autonomia do aluno: desafios para a sua promoção e desenvolvimento Evaluación curricular de la licenciatura en filosofía para la mejor inserción social y laboral de sus egresados. Mesa A11 – Sala A104 Adriany Thatcher Mapeando novos tempso de ensinar e aprender C. Soares, filosofia: experiência no PIBID Alexandra Quadros Siqueira, Vera Lúcia Malaquias Daniel Santini O ensino de filosofia e as orientações curriculares Rodrigues e para o seu ensino: uma análise discursiva Jackeline Rodrigues Mendes Katherine O Ensino de filosofia e o filosofar: Por que e para Cortiana Fagundes que? Jesús Ernesto Aprender con pasión en la Universidad Urbina Cárdenas Mesa A12 – Sala A105 Marco Aurélio A criança aprende ou ensina? Um olhar deweyano Gomes de Oliveira sobre o processo educativo. e Armindo Quillici Neto Laura Angélica La filosofía en la educación básica: El programa de Bárcenas Pozos Filosofía para Niños Virginia Georg A sexualidade da criança. Poderes e saberes na 31 Schindhelm e educação infantil Maria de Fátima Costa de Paula Juliana Cristina O ensino de Filosofia na ONG Casa do Zezinho – Bel Uma experiência filosófica com crianças e jovens carentes Mesa A13 – Sala A107 Renato Huarte Traducir “educación”, el caso del escrito Reden über Cuéllar das Erzieherische de Martin Buber Mirelle Castilho Epistemologia e educação – um estudo comparativo a de Freitas partir da teoria emancipatória e da filosofia existencial numa perspectiva de formação humana Ezir George Silva Educação e Formação Humana no Pensamento Pedagógico de Otto Friedrich Bollnow: entre o princípio da descontinuidade na Filosofia da Existência e o princípio da continuidade na Filosofia da Esperança Wanderley Jose A condição humana na concepção fenomenológico Ferreira Junior existencial – o ato de educar e a prática docente em questão Mesa A14 – Sala A109 Gislaine de A crise educacional como reflexo da crise Medeiros Baciano contemporânea da moral e da cultura Paulo César Filosofia, ética e educação Nodari Lía Lucy Rebaza Carácter ético de la educación y su rol en la López construcción de una sociedad democrática William de Goes Multiculturalismo e ética em educação: uma análise Ribeiro do discurso contra o Bullying Mesa A15 – Sala A202 José Aguiar Nobre Anísio Teixeira: desafios para a educação e Samuel democrática e pública de qualidade Mendonça Diana Milena ¿Tiene un papel la filosofía de la educación en la Patiño, Natalia práctica educativa? El filósofo como pedagogo y el Sánchez, Andrés pedagogo como filósofo Mejía Delgadillo, 32 Diego Fernando Barragán Giraldo Marcelo A. dos Santos Maria Juliana Lima Leonardo Maia Bastos Machado Roselaine Bolognesi Diego Fernando Barragán Giraldo Conhecimento e experiência formativa no mundo administrado Liberdade, educação e autoeducação: uma proposta jasperiana para a formação humana Mesa A16 – Sala A203 Foucault professor - a solidão de uma aula Louis Althusser: da Filosofia à Educação Los prejuicios, el preguntar y la aplicación: tres categorías de comprensión a partir de Hans-Georg Gadamer Mesa A17 – Sala A205 Cristiane Maria A categoria da diferença em Gilles Deleuze e sua Marinho influência na filosofia da educação no Brasil Maurinúbia Ensino de Filosofia: O Diálogo como Formador do Monteiro de Ser Reflexivo Moura Darlene Moura de Campos Maria Betânia do N. Santiago Alexandra Quadro Além da legalização do ensino de filosofia: Uma Siqueira, Dante nova Filosofia para a Educação Filosófica ou uma Augusto Galeffi, nova Educação Filosófica para a Filosofia? Eduardo David de Oliveira, Leonardo Rangel dos Reis e Lisiane Weber Oliveira 33 03/08/2011 (quarta-feira) Manhã 8h 30min às 10h 30min – Reunião com todos os membros efetivos da ALFE (Auditório D. Gilberto) 10h 30min – Café 10h 45min – 12h – Mesa Geral – Plano de ações da ALFE. Discutir a “identidade e diferença” da Filosofia da Educação na América Latina na perspectiva de avaliação do Congresso – Samuel Mendonça (Brasil), Andrés Mejía Delgadillo (Colômbia). Coordenador: Renato Huarte (México) Tarde 12h às 14h – Almoço 14h às 15h 30min – Mesa temática – “Filosofia da Educação como disciplina” Andrés Mejía Delgadillo (Colômbia), Marisa Meza (Chile), Andrea Díaz Genis (Uruguai) - (Auditório D. Gilberto) Coordenador: Martín López Calva (México) 15h 30min – Café 15h 45min às 18h – Conferência de Encerramento “Filosofia da Educação na América Latina: identidade e diferença” Palestrante: Silvio Gallo (Brasil) Coordenador: Andrés Mejiá (Colômbia) Campinas, 30 de junho de 2011. Atenciosamente, ALFE – Comitê Gestor 34 35 Resumos das Conferências La Filosofia de la Educación como disciplina Andrea Díaz Genis Universidad de la República Uruguay [email protected] Resumen Este artículo trata de desarrollar la idea de cómo debe entenderse a la Filosofía de la Educación; en el que se considera el abigarrado y confuso panorama de la Ciencias de la Educación. Termina resaltando la función teórica y práctica de la filosofía como arte de existencia, que “sirve” a una educación emancipadora y enriquecedora del ser humano. Palabras-clave: filosofia, disciplina, educación. 36 A Potência Messiânica do Agora - a Filosofia da Educação na América Latina em Três Tempos: Walter Benjamin, Paulo Freire e Vik Muniz Angela Santi Faculdade de Educação - UFRJ Brasil [email protected] Resumo O artigo pretende tratar da questão da filosofia da educação latinoamericana a partir de uma constelação de autores – Walter Benjamin, Paulo Freire e Vik Muniz – para, através deles, ativar a potência messiânica presente neste universo. Iremos buscar em Paulo Freire, através de sua ideia de uma educação ativa, essa potência do agora que queremos para a educação. Iremos potencializar seu pensamento educacional com o pensamento de Walter Benjamin sobre a história, que “não distingue entre os grandes e pequenos acontecimentos”, entendendo que, deste modo, podemos ler o universo da produção do pensamento da educação latinoamericano como acontecimento válido em si, e não a partir de uma relação comparativa com o (ex) “colonizador”. Para Benjamin, o atual contém, a cada vez, a potência do messiânico: é no profano, no conjunto de elementos “decaídos”, que o olhar atento do pensador pode reconhecer a força significativa de um momento, que é força messiânica porque é capaz de instaurar um tempo, uma história e um sentido. Assim, na história da América Latina e na da educação, o que parece adequado é a percepção desta “fagulha” messiânica, presa nos detalhes dos acontecimentos. Através de Benjamin, e de sua concepção de história, podemos construir, senão uma definição do que seja a filosofia da educação na América Latina, pelo menos uma metodologia de análise através da qual teremos boas ferramentas para des-cobrir e potencializar o que seja o elemento latinoamericano, a partir dos fios soltos da história dos pequenos fatos e feitos, desprezados pela história oficial. Além disso, focaremos na ideia de transformação (do lixo em arte) que encontramos no recente trabalho do artista plástico Vik Muniz, Lixo Extraordinário. Através deste mosaico de referências, pretendemos trazer alguns elementos que nos coloquem na órbita da compreensão do que seja filosofia da educação na e para a América Latina, analisada de um ponto de vista não local, específico, mas de modo amplo, recolhendo e costurando marcas de uma possível identidade latino-americana, espalhadas por todos os continentes. Palavras-chave: potência messiânica, filosofia da educação, Benjamin, Freire, Muniz. 37 Um balanço da Filosofia da Educação na América Latina Antônio Joaquim Severino Uninove/Feusp Resumo O propósito da conferência é apresentar uma primeira aproximação do pensamento filosófico-educacional na América Latina, tal como vem se expressando na atualidade. Junto com este balanço necessariamente preliminar da produção do campo, busca suscitar uma reflexão problematizadora sobre os desafios, teóricos e práticos, que se colocam para a Filosofia da Educação, no contexto sócio-histórico-cultural do continente. Destaca então o debate sobre a própria natureza dessa reflexão frente à exigência do cuidado conceitual para que se consolide como campo rigoroso de investigação sobre a realidade educacional, colocando em pauta a questão da identidade desse campo de conhecimento e de sua inserção não só no universo da cultura em geral mas também da própria prática educacional, levando-se em conta igualmente sua demanda como componente relevante tanto no âmbito do ensino como naquele da formação cultural. Pleiteia um programa de investigação sistemática que possa dar conta da presença da temática educacional no discurso filosófico latino-americano bem como da presença da reflexão filosófica no discurso especificamente educacional. Ao destacar a presença de uma Filosofia da Educação na produção tanto dos filósofos como naquela dos teóricos da educação, busca apresentar os esforços que já vem sendo feitos e os desafios que se colocam aos pensadores latinoamericanos do campo educacional no sentido de elaborar ferramentas teóricas aptas a contribuirem para a intencionalização da prática educacional, a partir de sua própria construção em ato, ou seja, como presença atuante numa determinada sociedade, num determinado tempo histórico. Se se pode definir a Filosofia da Educação como o esforço para o desvendamento/ construção do sentido da educação no contexto do sentido da existência humana, pode-se lhe atribuir a tarefa de intencionalizar a prática educacional, ou seja, dar-lhe referências para se realizar como praxis, ou seja, ação realizada com sentido, ação pensada, refletida, apoiada em significações construídexplicitadas e assumidas pelos sujeitos envolvidos, de tal modo que eles se tornem igualmente construtores da sua própria história, meta inelutável para os educadores latinoamericanos se quiserem participar da construção de um projeto civilizatório para seu continente. Palavras-chave: filosofia da educação, balanço, América Latina. 38 Enseñar a pensar y enseñar a pensar-nos: Los retos de laenseñanza de la filosofía de la Educación en América Latina Juan Martín López Calva Universidad Iberoamericana Puebla México [email protected] Resumen La enseñanza de la Filosofía de la Educación, como la enseñanza de la Filosofía general sigue siendo desafortunadamente, un proceso de transmisión de la herencia de los grandes filósofos de la historia, su pensamiento y aportaciones para la definición de lo que es educar. En el mejor de los casos esta transmisión se hace a través de un clima de aprendizaje y un método que permiten a los estudiantes llegar a un aprendizaje más o menos significativo de esta herencia y enriquecer con ella su experiencia como futuros profesionales de la Educación, pero en muchas ocasiones este proceso es simplemente el de la repetición de nombres, fechas, conceptos e ideas que no dicen mucho al estudiante sobre sí mismo y sobre la realidad educativa de su entorno. Sin embargo es todavía raro que se conciba la enseñanza de la filosofía de la Educación como un proceso centrado en la generación de pensamiento filosófico de los estudiantes acerca de los principales elementos y problemas del hecho educativo, un proceso en el que los estudiantes aprendan a pensar filosóficamente y a pensar-se filosóficamente como sujetos de la educación. En esto residen los principales retos de la enseñanza de la Filosofía de la Educación hoy y especialmente en la realidad latinoamericana: en trascender el campo de la teoría y orientarse desde el campo de la interioridad (Lonergan, 1999) para volver a los estudiantes capaces de pensar y pensar-se filosóficamente: pensar filosóficamente los problemas educativos desde la estructura de una filosofía compleja de la Educación y pensar-se como sujetos de la educación, pensar-nos como sociedades con retos en sus prácticas, en sus sistemas educativos, en su cultura de lo educativo en un contexto históricocultural concreto y en un horizonte de significados y valores más o menos comunes. que nos identifican como latinoamericanos. Palabras-clave: Pensamiento, Filosofía, Enseñanza, Pensamiento crítico, Reflexión. 39 La filosofia y el reto de la educaciòn latinoamericana Leopoldo Arteaga Ramìrez Instituto de Investigaciones Filosòficas de la Universidad Ricardo Palma, Lima Perù [email protected] Resumen Vivimos tiempos de globalización. Tiempos de un desarrollo extraordinario de las ciencias y la tecnología, de la mundialización de la economía de mercado, de las comunicaciones y las redes informáticas, de la pretensión universalista de la cultura occidental y de la exaltación de los valores de la sociedad de consumo. Tiempos en que los pueblos de América Latina, dotados de diversidad étnica, lingüística y cultural, y caracterizados por profundas asimetrías socioeconómicas, educativas, de género y de oportunidades, viven una lógica heterogénea de desarrollo combinado, contradictorio y dependiente. Vivimos una época de inmediatismos, de racionalidad instrumental e individualismos, de predominio de los valores de la competitividad y la rentabilidad de las organizaciones por sobre el valor de la persona humana. En general, los sistemas educativos de nuestros paìses tienen como objetivo real el instrumentalizar al hombre unidimensional en la perspectiva utilitarista del crecimiento económico. Minimizan las ciencias humanas, el arte y la reflexión filosófica; y exhaltan el desarrollo tecnològico, las ciencias empìricas y formales, como si fueran incompatibles, antagónicos de las humanidades; desconociendo las profundas raíces ontológicas, epistemològicas y axiológicas que las vertebran, y de lo imprescindible de su concurrencia y articulaciòn para la formación integral de la persona . No es casual por ello, la existencia de algunas tendencias autoritarias que sesgan las políticas educativas hacia la disminución, fusión o eliminación de las asignaturas de humanidades y al recelo de sus contenidos, promoviendo pragmàticamente una educación para el desarrollo del mercado, una educación para el Desarrollo Econòmico. Pero humanizar cada vez màs y mejor a las personas y levantar propuestas de convivencia social, de respeto al otro, al diferente; de pluralidad y democracia participativa; asì como, hacer conciencia en estos tiempos de violencia física y emocional institucionalizada, de la necesidad de la internalización de una cultura de paz y progreso, de valores, de respeto a las diferencias y tolerancia en la mente de las èlites dirigentes y de las nuevas generaciones, será siempre una tarea y un reto de una educación de profunda raigambre filosófica 40 humanista que no podràn obviar. Estos nuevos horizontes deben vertebrar la construcciòn del proyecto educativo nacional y de una nueva visiòn de la Educación para el Desarrollo Humano. Pienso que hacer Filosofía de la Educación, desde la perspectiva latinoamericana, requiere de una profunda reflexión crìtica de segundo orden con un enfoque multidisciplinar sistémico con base en el pensamiento complejo de Edgar Morin, que, a partir del estudio de los fundamentos ontológico, epistémico y axiológico de la educación nos permita no sòlo racionalizar, comprender e interpretar la realidad educativa, sino vislumbrar las posibilidades de su prospectiva con nuevas propuestas de lineamientos filosóficos integrados al avance científicos, tecnológico, humanísticos y de la cultura en general que enriquezcan el desarrollo de la reflexiòn educativa y la formación integral del ser humano en una sociedad màs justa y democrática Palabras-clave: Filosofìa, educación, desarrollo humano. Filosofía de la Educación como disciplina, el caso de Chile. Primer intento de comprensión Marisa Meza Pardo Facultad de Educación - Pontificia Universidad Católica de Chile Chile [email protected] Resumen Llama la atención la escasa presencia de la Filosofía de la Educación de las universidades chilenas. Indagando sobre el tema a través del análisis de algunos programas de cursos de algunas de las universidades más antiguas en Chile y a través de algunas entrevistas con académicos chilenos de esas universidades, se fue haciendo necesaria una ordenación de las razones que se daban para comprender el retroceso de la presencia de la Filosofía de la Educación. En general se pueden distinguir tres grupos de razones: un primer grupo de razones estaría vinculado al carácter economicista que comienza a primar en la toma de decisiones del ámbito educativo tanto en el mundo como en los países Latinoamericanos y en Chile; un segundo grupo de razones se vincularía con la historia reciente de Chile, particularmente con la suerte que vivió la filosofía y quienes trabajaban con y en ella durante el período de dictadura militar en Chile y por último, un grupo de razones asociado a las consecuencias de la dictadura 41 en Chile que influyó fuertemente acerca de lo que se entiende por Filosofía de la Educación y lo que esta involucra en su quehacer. Este tercer grupo de razones requiere de un análisis filosófico acerca del significado y alcance de la Filosofía de la Educación y del análisis de lo que se está entendiendo actualmente en Chile por ella. En este trabajo voy a transitar este último camino. Uno de los hallazgos más interesantes de este trabajo consiste en constatar las resistencias existentes para llamar Filosofía de la Educación a lo que se hace. Esta situación hace necesario el repensar nuestras concepciones y pre concepciones acerca de lo que Filosofía de la Educación sea con el fin de re inventarnos y descubrir los posibles hitos que otorgan cierta unidad a nuestros quehaceres. Palabras-clave: Filosofía de la Educación, Filosofía de la Educación en Chile. México como punto de encuentro para la filosofía de la educación Renato Huarte Cuéllar Facultad de Filosofía y Letras - Universidad Nacional Autónoma de México México [email protected] Resumen México, sólo como un ejemplo, es un espacio de encuentro para distintas corrientes y propuestas de filosofía de la educación. En el presente trabajo se mostrarán sólo algunas propuestas en dos momentos, el pensamiento de lso pueblos originarios y el siglo XX, como ejemplos de la inmensidad de posibilidades a encontrar en la región latinoamericana en torno al pensamiento filosófico de la educación. Se discutirán el papel del tlamatine como figura filosófica y educativa, así como la perspectiva “nosótrica” de los tojolabales, pueblo mayense que viven en Chiapas hasta el día de hoy. Por su parte se abordará un momento interesante entre el neokantismo de Francisco Larroyo y el vitalismo de Joaquín Xirau como puntos de encuentro, sin olvidar que se dejan de largo varios momentos y una infinidad de pensamientos de otros momentos que deberán ser trabajados. Palabras-clave: Filosofía de la educación, filosofía mexicana. 42 Filosofia da Educação na América Latina: identidade e diferença Sílvio Gallo Faculdade de Educação - Universidade Estadual de Campinas Brasil [email protected] Resumo Os países latino-americanos possuem diferentes perspectivas de educação, diferentes histórias das instituições educativas, diferentes realidades de presença de uma produção em Filosofia da Educação e diferentes concepções de Filosofia da Educação. Quais os sentidos de uma associação de filósofos da educação que reúna participantes destes diferentes países, com suas distintas realidades e perspectivas? Partindo da ideia de que a Filosofia da Educação pode constituir-se como um “campo disciplinar”, tal como pensado por M. Foucault, o propósito desta conferência é o de pensar a prática da Filosofia da Educação na América Latina, na perspectiva do diálogo entre as diferentes culturas, as distintas realidades sociais e políticas e as possibilidades de construção de projetos comuns. Para tanto, problematizará as noções de identidade, articulada a uma filosofia da representação, e de diferença, pensada desde uma filosofia da multiplicidade, para defender a perspectiva de um diálogo na diferença, na produção de projetos comuns alicerçados no dissenso e não na fabricação de um consenso irreal. Os países latino-americanos possuem diferentes histórias, diferentes culturas, diferentes línguas, múltiplas tradições. Buscar uma identidade latino-americana seria tanto irreal como um processo de totalização que contribuiria para borrar as singularidades regionais em nome de um projeto comum que não teria como ser sustentado. Pensar a multiplicidade latino-americana, por outro lado, pode ser um empreendimento que sedimente a possibilidade de produção de projetos comuns, preservando as singularidades e mesmo reforçando-as. Nesta perspectiva, seria possível, a partir das distintas realidades de cada país latino-americano, almejar a construção de um “campo disciplinar” da Filosofia da Educação no continente? Tal será a questão norteadora, pensando nas possibilidades de articulação futura da ALFE. Palavras-chave: filosofia da educação; campo disciplinar; identidade; diferença. 43 La enseñanza de la Filosofía de la educación en América Latina: formación en el actuar pedagógico, innovación en la educación Sonia Vásquez Garrido Pontificia Universidad Católica de Chile, Sede Villarrica Chile [email protected] Resumen El presente trabajo presenta algunas reflexiones respecto al tratamiento de la enseñanza de la filosofía de la educación considerándola como problema filosófico y a la disciplina como filosofía práctica, dando relevancia a la interpretación de la práctica educativa como escenario para la formación de los estudiantes y de la innovación en educación. Estos desafíos nos conducen en la enseñanza de la filosofía de la Educación, a buscar nuevas formas de plantear cuestionamientos para mejorar la educación. Palabras clave: Enseñanza, filosofía práctica, reflexión, actuar pedagógico. 44 Resumos dos Trabalhos Completos Eixo temático: Democracia e Educação Por uma Cidadania Multicultural e por uma Educação Intercultural na leitura de Jurgen Habermas Anderson de Alencar Menezes Universidade Federal de Alagoas Brasil [email protected] Resumo O presente artigo se propõe discutir fundamentalmente a relação entre Democracia e Educação tendo como principal questão a ideia de Jurgen Habermas sobre cidadania multicultural que postula um problema de base ligado à ideia de uma educação intercultural na perspectiva de um Estado Democrático de Direito. A partir desta compreensão de Estado Pós-Nacional, Habermas procura discutir os pressupostos fundamentais para uma Cidadania Multicultural e por uma Educação Intercultural baseando-se nos princípios da Teoria Crítica da Educação na esteira dos frankfurteanos. A partir deste contexto, pode-se pensar a preocupação habermasiana com a questão educacional em três sentidos na leitura que faz Morrow e Torres (2002). A primeira está ligada ao significado histórico da institucionalização dos discursos; a segunda, na relação geral da educação entre esfera pública e a democracia, em especial as regras das Universidades e a terceira, no significado do “novo” movimento social como forma de aprendizado coletivo relacionado à revitalização da esfera pública. O primeiro aspecto que deve ser salientado diz respeito a uma nova compreensão do método em educação. De uma perspectiva positivista para uma perspectiva hermenêutica, oriunda não mais de uma filosofia clássica, mas, proveniente dos pressupostos de uma filosofia da linguagem.O segundo aspecto é que a concepção habermasiana de educação aplicado à ação educativa salvaguarda três princípios centrais: esclarecimento (autonomia), emancipação (liberdade) e formação ( auto-reflexão-crítica). Por fim, a ideia de cidadania esclarecida e sua importante conseqüência social. Trata-se do papel ético, cívico e reflexivo. Frente a sociedades que promovem o xenofobismo e o etnocentrismo, urge uma educação mais comprometida com 45 suas bases democráticas. De fato, é preciso formar bem a opinião pública, e, as agências educativas têm esta finalidade central, educar para a emancipação com o intuito de construir o que denominamos de Cidade Educadora, em que as três grandes tarefas educativas na ótica habermasiana possam ser sedimentadas. Palavras-chave: cidadania multicultural, educação intercultural, Habermas. 46 Eixo temático: Democracia e Educação Democracia e educação: relações ente as concepções de John Dewey e Paulo Freire Darcísio Natal Muraro UEL/PR Brasil [email protected] Resumo O presente artigo tem por objetivo investigar as concepções de democracia e educação desenvolvidas por John Dewey e Paulo Freire. Investigar estas relações conceituais se traduz num esforço de leitura comparativa da produção teórica desses pensadores tentando encontrar respostas à seguinte indagação: quais são as concepções deweyanas sobre democracia e educação aportadas na obra de Freire e de que forma são feitas? Paulo Freire teve contatos com a obra de Dewey através da leitura feita por intelectuais que marcaram o debate educacional no Brasil, sobretudo a partir da década de 30 do século passado, destacando-se Anísio Teixeira, que foi um tradutor das obras de Dewey, e Lourenço Filho. O pensamento deweyano ecoa na obra freireana podendo ser um eixo de leitura para se compreender a originalidade da criação da tessitura conceitual desse autor sobre a democracia e a educação. Nesta linha de raciocínio, Freire pensará o conceito de experiência, pressuposta na teoria filosófica de Dewey, no contexto brasileiro utilizando-se de outros instrumentos de leitura em voga. Na tentativa de entender essa trama conceitual, outras referências deweyanas podem ser desfiadas, como por exemplo, a noção de experiência concebida histórica e culturalmente, o caráter inacabado do homem como um ser de relações no e com o mundo (natural e cultural) e a realidade com caráter histórico evolutivo. Para Dewey, a democracia não se encerra numa forma de governo, mas abrange a totalidade das relações humanas, constituindo-se numa forma de vida que é mutuamente comunicada e alimentada pela educação. Tais concepções repercutem na obra de Freire entendendo a dimensão de comunicabilidade da experiência na democracia pela noção de transitividade da consciência que se dá pela participação e pela dialogicidade. Nesta medida, educação é para ambos a transformação da própria vida. Para Dewey a educação trata das condições de ampliação das possibilidades de vida pela aquisição da capacidade de pensar reflexivamente os problemas concretos dos homens. Para Freire, a educação é uma prática de desenvolvimento da consciência crítica que problematiza a 47 própria realidade como condição de sua libertação e humanização superando a opressão que também é historicamente criada pelo próprio homem. Palavras-chave: Dewey, Freire, democracia, filosofia e educação. 48 Eixo temático: Democracia e Educação A ‘fala’ e os saberes do aluno: pela democracia linguística na sala de aula Fabiano de Oliveira Moraes UFES Brasil [email protected] Resumo Sabendo-se que a fala antecede a escrita tanto na história das sociedades como no desenvolvimento humano, tendo sofrido, a primeira, uma série de reconfigurações com a ascendente preponderância da escrita no ocidente moderno, o trabalho objetiva: identificar os mecanismos históricos envolvidos na gradativa superioridade da escrita em detrimento da fala na nossa sociedade; indicar as possíveis consequências da carência de abordagens críticas sobre a oralidade no espaço escolar, e; inferir de que forma o respeito à fala dos alunos no cotidiano escolar pode contribuir com a constituição dos mesmos enquanto sujeitos capazes, conscientes de que são detentores de saberes que devem ser respeitados na nossa sociedade. Na pesquisa bibliográfica, detectamos, com base em Marcuschi (2002), como a oralidade vem sendo relegada ao lugar do erro nas salas de aula, e como a discriminação linguística dos dialetos que se afastam em maior grau da norma culta tem, consequentemente, se consolidado como um poderoso mecanismo de exclusão, de controle e de estratificação social tanto dentro quanto fora dos muros da escola. Observou-se ainda o quanto este mecanismo, fundado em crenças grafocêntricas, segundo Gnerre (1998), opõe-se à democracia ao trazer em seu bojo preconceitos linguísticos, educacionais, culturais e sociais, promovendo a subalternização dos falares e dos saberes de dados grupos sociais. Considerando-se que o aspecto coletivo da fala constitui comunidades de afetos, como afirma Carvalho (2009), buscou-se em Maturana (1998) estratégias viáveis de respeito ao outro como legítimo outro no convívio social, propondo-se a ampliação das redes de saberesfazeres presentes no currículo praticado no âmbito do cotidiano escolar, como sugere Ferraço (2005). O resultado dessa abordagem crítica aponta para caminhos que possibilitem: resgatar a coletividade; viabilizar, no nível do currículo praticado, negociações no uso do código linguístico, como sugere Hall (2003) e Souza Santos (2005, 2008); desenvolver no espaço escolar noções de comunidade nas quais as diferenças possam ser respeitadas e traduzidas através dos saberes e 49 falares do outro, não mais relegados ao lugar do erro, e; formar sujeitos que se saibam capazes e que transitem pela ampla rede de saberes e falares. Palavras-chave: Democracia linguística, oralidade, saberes subalternizados. 50 Eixo temático: Democracia e Educação El problema de la escasez en la educación chilena. Una Barrera para el aprendizaje y la participación Guillermo Zamora Poblete Pontificia Universidad Católica de Chile Chile [email protected] Resumen En Chile, la calidad de la educación se presenta como un bien escaso. El acceso a oportunidades efectivas para aprender es restringido. Los resultados de las pruebas aprendizajes muestran que las escuelas chilenas están lejos de asegurar que todos sus alumnos aprendan los contenidos mínimos de los programas de estudios. Muchos son los obstáculos que impiden alcanzar calidad para todos. El presente trabajo da cuenta de uno de ellos. Se trata de la presencia de una contingencia, propia de la economía, que se ha instalado en el sistema educacional chileno: esta es, la calidad de los aprendizajes como un bien escaso. La escasez constituye la contingencia propia con la cual trata la economía y para muchos resulta consistente que sea la ella la que resuelva el problema de la escasez de la calidad de la educación. Sin embargo, la escasez de la calidad de la educación no sólo es un problema “para” la economía, sino también es un problema “de” la economía. Siguiendo a Luhmann (1993), el sistema económico presenta el aprendizaje de calidad como un bien necesariamente escaso, por lo cual más que estar orientado a resolver tal situación, está orientado a mantenerla y potenciarla. En otras palabras, desde una perspectiva económica, la educación está condenada a tener permanentemente problemas de escasez de calidad. Esta situación es recurrente en Chile, donde las mediciones educacionales suelen establecer escasos cupos para las posiciones de privilegio: en la prueba nacional de ingreso a la educación superior, sólo un porcentaje menor, previamente establecido, tiene la posibilidad a obtener calificaciones satisfactorias. En vista de lo anterior, este trabajo postula que la mejora de la calidad de la calidad de educación chilena requiere superar la lógica de la escasez reubicándose en una de la “abundancia”, la cual es garantía para asegurar aprendizajes para todos y para el desarrollo democrático del país. Palabras-clave: escazes, educación chilena, aprendizaje y participación. 51 Eixo temático: Democracia e Educação Una educación ciudadana de carácter moral y cosmopolita Iván Darío Moreno Acero Universidad de la Sabana Colômbia [email protected] Resumen Dentro del contexto de la investigación “Discursos y prácticas en la formación de sujetos sociales de derechos” adelantada en la Facultad de Educación de la Universidad de la Sabana, surge el interés por pensar los modos en que se está fortaleciendo la ciudadanía desde cada uno de los ámbitos escolares, pues algunos factores como por ejemplo los crecientes procesos de migración, la ampliación de los lazos sociales por medio de la consolidación de redes mundiales de comunicación, el aumento de la socialización a través de medios virtuales, la instauración de comunidades virtuales de orden mundial e intercultural, entre otros hechos. Hace necesaria la implementación nuevas exigencias a los ciudadanos, en las que ha de primar su compromiso moral y político con su contexto social, pero a la vez con el mundial, pues en las actuales circunstancias de la globalización, la ciudadanía no es una condición que pueda ser reducida espacial o temporalmente a un lugar geográfico delimitado, sino por el contrario es un estado moral cosmopolita que desborda la condición geográfica propia de los sujetos y los lleva a empoderarse y a preocuparse de la situación de otros lugares, o del padecimiento que viven otros sujetos, sin dejar de lado la reflexión de la condición de su propio ámbito de vida. El objetivo de este texto es mostrar cómo para la formación de ciudadanos se requiere de un fortalecimiento de los valores mórales cívicos, en donde los niños, las niñas y los jóvenes articulen sus acciones civiles con base en un horizonte moral cosmopolita que les permita ser parte activa en la construcción de lo político de su contexto social. Sin embargo, este esfuerzo sería incompleto si no se le acepta como un sujeto social de derecho, capaz de participar desde su propia dimensión social y personal en la edificación de lo que nos es común, y en especial de una sociedad abierta al diálogo y a la aceptación reciproca de lo que nos diferencia o nos une a otros sujetos. Palabras-clave: Formación ciudadana, moral cosmopolita, sujetos sociales de derechos. 52 Eixo temático: Democracia e Educação Relaciones entre Democracia Y Educación Científica desde la perspectiva de Paul Feyerabend Marina Leticia Camejo Manrique Universidad de la República – Montevideo Uruguai [email protected] Resumen El problema que se pretende examinar en este trabajo remite a las relaciones entre educación científica y democracia pero desde la óptica de Paul Feyerabend. Para ello nos centraremos específicamente en “Cómo defender a la sociedad contra la ciencia”, y en “Tratado contra el método”. La relevancia de los problemas asociados a las relaciones entre ciencia y sociedad radica en que no podemos negar la importancia ni la significación que tiene para nosotros el conocimiento científico. En buena parte la imagen que tenemos de la empresa científica es un legado de la postura positivista, que nos presentó a la ciencia como el único conocimiento capaz de explicar los acontecimientos de la realidad con verdad, además de prometernos un futuro mejor a través del desarrollo de la misma. Frente a esto es que Paul Feyerabend propone a la ciencia como un “cuento de hadas”, como un “mito”, como una “ideología” más, ya que no se cuestiona la legitimidad de la misma sino que se asume su poder basado en su capacidad explicativa, su capacidad predictiva, su metodicidad y en su papel liberador de la opresión de la Iglesia. La ciencia moderna permitió al hombre liberarse de las explicaciones que la religión pretendía dar de los hechos naturales, así es como ciencia e ilustración surgen de la mano. Al haberse convertido en una ideología más, la simbiosis que se ha generado entre ciencia y Estado perjudica la libertad de los hombres. A razón de esto el autor aboga por una separación formal entre ciencia y Estado, para que los hombres en el ejercicio de su libertad puedan decidir en qué educarse. Los hombres han de poder elegir no solo que credo religioso seguir sino también que saberes desarrollar. Lo que se plantea es un cuestionamiento de la ciencia, lo que solo puede ser llevado a cabo en democracia. Democracia que debe fomentar y propiciar ámbitos donde se discuta no solo la legitimidad de la ciencia como conocimiento sino también su presencia en los planes de estudio. Palabras-clave: Democracia, educación, Paul Feyerabend. 53 Eixo temático: Democracia e Educação Educação, autonomia e os impasses para a democracia com base na Teoria Crítica Nivaldo Alexandre de Freitas Instituto de Psicologia - Universidade de São Paulo Brasil [email protected] Resumo Esta comunicação pretende apontar alguns elementos da relação entre Teoria Crítica e Educação a partir dos conceitos de indústria cultural, formação e pseudoformação. O problema da pseudoformação foi teorizado por Theodor Adorno no final da década de 1950 e encontra relações com o conceito de indústria cultural cunhado anteriormente também por Adorno em conjunto com Max Horkheimer na obra Dialética do Esclarecimento. Tais questões remetem a uma preocupante regressão da cultura à barbárie, uma vez que os bens culturais que auxiliariam a alcançar a emancipação humana se tornam somente mercadorias, e a formação cultural pela metade, uma falsa formação, ajuda a adaptar o sujeito às necessidades do sistema econômico e político, afastando a possibilidade da já possível emancipação, uma vez que não mais existem as limitações materiais como na época das descrições de Marx. Assim, é ainda atual e necessária a análise que entenda como se forma a falsa consciência na atualidade e busque com todos os problemas que tal análise também necessita expor, o caminho para a resistência e para a autonomia, de forma que a emancipação ainda possa ser realmente desejada e concretamente buscada pelos humanos. Uma esfera social importante para fornecer resistências à barbárie é a da arte. A literatura, por exemplo, é capaz de expor uma historiografia inconsciente da cultura, ou seja, ela mostra o que ficou para trás na formação da cultura e torna evidente a perda de sentido da realidade atual. Pretende-se expor nesta comunicação como a literatura de Franz Kafka pode fornecer o choque necessário para tocar a consciência alienada e levá-la ao desmascaramento da aparência da realidade. Kafka, por meio da mímesis, pode levar à expressão aquilo que a ciência e a filosofia não podem conceituar, tornando possível o contato com elementos da cultura que são resultado de um projeto histórico difícil de ser compreendido à luz da especialização dos saberes que torna a realidade fragmentária. Entender a mensagem que estas obras preservam, bem como a condição de experiência dos leitores é fundamental para refletir acerca 54 de uma educação que realmente seja capaz de formação, isto é, que possa promover a autonomia no sentido do sujeito conduzir os rumos de sua vida sem a direção de outrem. Palavras-chave: Teoria crítica da sociedade, Formação, Ideologia, Franz Kafka. 55 Eixo temático: Democracia e Educação A gestão democrática da escola: as contribuições de Lèvinas para a superação do totalitarismo Paulo César de Oliveira UNIFAL-MG Brasil [email protected] Resumo O totalitarismo se apresenta como uma possibilidade sempre presente ao homem; para nós, latino-americanos, devido a pouca experiência democrática e à dificuldade de conviver com a pluralidade de ideias e posturas, constitui-se um desafio constante superar o autoritarismo, sobretudo na gestão das instituições. As posturas autoritárias se encontram também no cotidiano da gestão escolar, apesar de constatarmos um discurso diverso. Há, em todo o processo de formação de docentes e na própria organização da educação, uma forte presença da concentração do poder e grande dificuldade em despertar os envolvidos no processo motivação e participação. O que fazer superar práticas cotidianas autoritárias? Quais caminhos a filosofia pode oferecer aos docentes e dirigentes? Diante dessa situação, faz-se necessário estudar o fenômeno do autoritarismo, buscando alternativas de superação. Uma dessas alternativas encontra-se na filosofia de Emmanuel Lèvinas. Especificamente nesse artigo, o que nos interessa é mostrar como a filosofia moderna deu sustentação teórica a concepções totalitárias que subsistem à gestão da escola e como superá-las valendo-se da filosofia de Lèvinas. Uma das questões centrais do pensamento moderno é o problema do conhecimento; e a teoria que entende o conhecimento como dominação do objeto pelo sujeito está na base de uma filosofia da totalidade e de regimes totalitários. O referencial para esse tipo de abordagem é encontrado também na filosofia de Lévinas. A superação do totalitarismo se dá mediante uma filosofia que rejeite a identificação e a redução de tudo ao eu e, simultaneamente, admita a existência e a irredutibilidade do outro, do diferente. O totalitarismo não pode ser ignorado; mas a filosofia ocidental se esquivou de sua responsabilidade de olhar honestamente para situações simples e complexas (como o holocausto) a que o autoritarismo pode chegar. Além do mais, a filosofia forneceu terreno fértil para que o holocausto tomasse forma mais facilmente. A filosofia não pode tratar o autoritarismo de forma irresponsavelmente romântica, chegando a fornecer justificativas antecipadas e 56 tornado-se cúmplice do crime que expressa a que ponto pode chegar o autoritarismo: Auschwitz. Palavras-chave: Gestão, totalitarismo, filosofia. 57 Eixo temático: Democracia e Educação Identidade e diferença: a formação de professores (as) na perspectiva da diversidade Polianne Delmondez Oliveira Universidade de Brasília Brasil [email protected] Resumo Este trabalho é fruto de uma pesquisa teórico-prática sobre as concepções de identidade e de diferença, problematizadas a partir de uma visão crítica no contexto da diversidade cultural. A proposta foi realizar uma análise conceitual dos termos cultura, identidade, diferença e diversidade e multiplicidade, a partir dos referenciais colocados e situar o texto no cenário contemporâneo. O estudo teórico ancorou-se numa investigação sobre o tema junto a professores/as. Assim, foram colocadas questões referentes à educação, trazendo considerações sobre o processo de formação de professores/as. O conceito de diversidade foi tratado em dois contextos durante o trabalho. No primeiro momento, tomam-se os debates sobre o multiculturalismo. Em seguida, num segundo momento, elegem-se as questões contemporâneas sobre cultura como campo de reflexão. Para posteriormente, serem trabalhados os conceitos de identidade e diferença. Por meio de uma problematização ética e política, consideram-se dois importantes fatores: o contexto atual da globalização e o processo histórico de exclusão social das minorias étnico-raciais, de gênero, entre outras. Durante a realização do trabalho, os conceitos auxiliaram na investigação sobre as questões relativas à educação no mundo contemporâneo. Assim, a temática lançou reflexões em torno das problemáticas da identidade na atualidade e também perpassou por uma problematização em torno da diferença e do direito à diferença no espaço educativo. A partir desse estudo, foi possível compreender a necessidade de uma formação docente sensível às questões colocadas atualmente, ou seja, a emergência e a expressão de grupos minoritários que resistem às pressões sociais que, muitas vezes, são propulsoras de discriminações e preconceitos. Ainda, discutiu-se a necessidade de uma formação docente comprometida com práticas éticas e políticas. A abertura e a sensibilidade de professores/as à temática pode impulsionar, no espaço 58 educativo, a emergência de práticas culturais que reconheçam a diversidade de perspectivas e das identidades de diferença. Palavras-chave: identidade, diferença, formação de professores (as). 59 Eixo temático: Ensino de filosofia É possível ensinar filosofia na escola inclusiva? Adriany Thatcher Castro Soares PIBID-Filosofia / UFBA Brasil [email protected] Resumo Considerando a importância da Filosofia no processo formativo dos indivíduos, o presente trabalho visa abordar as convergências e diversidades presentes na atual conjuntura educacional que, por um lado, desde a publicação da Lei 11.684 de 2008 torna obrigatório o ensino de Filosofia e, por outro, desde a década de 1990, a partir de uma diversidade de Leis e Decretos, assume o compromisso da Educação Inclusiva. A partir da experiência do estágio supervisionado, pré-requisito para a conclusão do Curso de Licenciatura em Filosofia/UFBA, apresenta-se neste trabalho algumas considerações a cerca de um momento da trajetória de formação teórica da licenciatura: o estágio. No contexto do atendimento às demandas inclusivas, o estágio supervisionado foi realizado em uma instituição de apoio pedagógico especializada no atendimento de pessoas deficientes visuais, em Salvador-Ba. O estágio foi realizado com um grupo de nove educandos, com diagnóstico de deficiência visual (baixa visão) freqüentadores, em turno oposto, do Ensino Fundamental em escolas regulares de ensino. São discutidas as implicações das informações coletadas durante o período de observação diagnóstica; a escolha da temática de trabalho, o planejamento, adaptação e avaliação das atividades considerando as especificidades desses sujeitos educacionais, vinculando o pensamento filosófico com a definição dos conceitos estudados em articulação à realidade vivenciada por esses sujeitos, base constante para as discussões, análise e reescrita dos textos. Conclui-se que, as reflexões que a Filosofia possibilita favorecem a atitude investigativa, a articulação de argumentos coerentes, a expressividade de modo dialógico, enfim, a ampliação da capacidade de pensar de forma autônoma. Mesmo assim, a formação do licenciado em Filosofia carece de uma interação entre os conceitos e problemas abordados e as condições histórico-sociais que requerem a compreensão e aceitação da atual diversidade dos sujeitos educacionais. Palavras-chave: Ensino de filosofia, educação Inclusiva, deficiência visual. 60 Eixo temático: Ensino de filosofia Formação ou deformação? A filosofia na formação continuada de docentes do Centro Paula Souza, na modalidade semipresencial Aglaé Cecília Toledo Porto Alves PUC/SP Brasil [email protected] Resumo A Pontifícia Universidade Católica de São Paulo em parceria com o Centro Paula Souza ofereceu um Curso de Especialização – Formação de Orientadores da Aprendizagem para EaD - FOA para os seus docentes que trabalham no programa TELETEC. O TELETEC é um curso profissionalizante, na modalidade educação a distância - EaD, ofertado para os alunos do Ensino Médio do curso regular, em parceria com a Secretaria do Estado da Educação. A duração do curso foi de dois anos, sendo que no primeiro semestre de 2009 foi ofertado o primeiro módulo com o EaD na Prática. Neste curso, a EaD é discutida a distância, se configurando como um metacurso que procura abrir o leque das possibilidades e enfatizar a importância de uma mediação amorosa e presente como o grande diferenciador da qualidade de um curso em EaD. Foi apresentada a possibilidade da religação dos saberes de Morin, por meio da lógica do “e” da junção pós-moderna que se contrapõe ao “ou” da disjunção da sociedade moderna. Durante todo este módulo, houve a tentativa de aproximação entre a teoria e a prática, ao suscitar a comparação e o estabelecimento de relação entre aquilo que estava sendo discutido na teoria e na prática do curso e as práticas pedagógicas rotineiras das escolas técnicas. Nós módulos seguintes foram tratados diversos assuntos vistos por olhares múltiplos, como afirma Proust: A verdadeira viagem do conhecimento não consiste em buscar novas paisagens, mas novos olhares A paisagem nem sempre pode ser alterada, mas pode-se multiplicar as possibilidades de olhares em relação a ela, transformando-a, reinventando-a. Há três espécies de homens: Os vivos, os mortos e os que andam no mar.(Platão) Esse foi um convite explícito a abandonar a lógica da sociedade moderna que imaginava que pela objetividade, racionalidade e cientificidade poderia se manter o controle absoluto, fortalecendo o sentimento de uma pretensa segurança. A lógica apresentada foi a necessidade de criar a leveza que permite andar sob as águas, semelhante a Perseu que voa com sandálias aladas, como também, a 61 necessidade de criar coragem para lançar-se, sem medo, sem amarras, sem receio do movimento incontrolável das águas. Palavras chave: formação continuada, reflexão, si mesmo. 62 Eixo temático: Ensino de filosofia O ensino de filosofia: novos contextos e antigas exigências Alex Sander da Silva Universidade do Extremo Sul Catarinense – UNESC BRASIL [email protected] Resumo O presente texto é um recorte revisado e ampliado de nossa dissertação de mestrado, defendida no ano de 2005 no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Santa Catarina. O projeto visou analisar os sentidos que os professores davam para o ensino de filosofia no ensino médio. O debate voltou-se para as discussões sobre as condições desta disciplina e as razões dela fazer parte da grande curricular em escolas públicas e particulares de Santa Catarina. Naquele momento a disciplina era obrigatória em Santa Catarina e em alguns Estados da Federação. A tentativa de fazer um debate sobre a necessidade do retorno dela para o âmbito das escolas foi ampla nacionalmente. Mas foi somente em junho de 2008 que se aprovou a lei da obrigatoriedade do ensino de filosofia e sociologia no Ensino Médio em todas as escolas públicas e privadas do Brasil. A sanção deu fim a um processo político que durou no mínimo dez anos. Nossa intenção aqui é recolocar o debate no âmbito da presença da filosofia na Proposta Curricular de Santa Catarina e agora sendo obrigatória no contexto nacional. Mais do que uma revisão de sentido pretende-se apontar o ensino de filosofia, não apenas como uma disciplina a mais a ser ministrada, mas que vá para além das simplificações dos processos educativos. A filosofia como modalidade de conhecimento se configura num conjunto de características singulares e problemático para ser abordado. E, dificilmente se chegará a um consenso sobre a abordagem mais adequada para se pensar na possibilidade do ensino desse conhecimento. Isto é, ensinar filosofia não é simplesmente à mera administração de conteúdos previamente selecionados. Nesse sentido, inicialmente discutiremos até que ponto o ensino de filosofia, no atual contexto de obrigatoriedade, pode manter sua condição de formação crítica no espaço escolar. Em seguida, vamos tratar das prerrogativas de ensinar filosofia no âmbito da proposta curricular catarinense. E, por fim, destacar a experiência da formação do Laboratório Interdisciplinar de ensino de filosofia e sociologia no ensino médio (LEFIS). Palavras-chave: Filosofia, Ensino de filosofia, Proposta Curricular Catarinense. 63 Eixo temático: Ensino de filosofia Educação moral: PCNs e o ensino de ética na Educação de Jovens e Adultos – EJA Amâncio Leandro Correa Pimentel Maria Dulcinea da Silva Loureiro Universidade Regional do Cariri - URCA Brasil [email protected] e [email protected] Resumo A questão: é possível uma educação moral? Encontra diferentes respostas na educação brasileira com a implementação de políticas educacionais materializadas em disciplinas como “Educação Moral e Cívica”, “Orgnização Social e Política Brasileira – OSPB” e, em 1997 com a implementação dos Parâmetros Curriculares Nacionais - PCNs com o Tema Transversal Ética. Uma reflexão sobre uma formação ética deve pressupor e explicitar o que a norteia e, uma análise que busque compreender uma proposta que faz parte de uma política pública de formação ética deve levar em conta esses pressupostos implícitos ou explícitos que se encontram subjacentes a estas formulações. O presente texto é fruto de uma pesquisa que é tecida à partir de: (i) aprofundamento teórico com a análise do Tema transversal Ética, Paulo Freire e Martin Bubber; (ii) trabalho de campo que constou de observações realizadas nos espaços de socialização de uma escola de Juazeiro do Norte - Ce em duas salas de aula de Educação de Jovens e Adultos – EJA e (iii) entrevistas realizadas com as professoras. O trabalho de campo buscou apreender: a compreensão dos professores acerca dos PCNs mais especificamente do tema transversal Ética; como os professores conceituam e vivenciam o diálogo na sua prática docente; a questão da afetividade e da autonomia como elementos para a constituição da identidade e da moralidade dos jovens. A análise da proposta dos PCNs revelou a ausência de uma reflexão sobre a construção da identidade, do achado do eu no outro, do achado do outro em sua alteridade, que seria o sentido da ética. Outra percepção que tivemos é a de que assuntos de grande importância e que estão no âmbito da ética como autonomia, expressividade, criatividade e diálogo são pouco ou quase nada trabalhados no documento. Qualquer trabalho que tenha por objetivo uma formação humana, no mais amplo sentido do termo pressupõe o diálogo, não como algo que se agrega para fins técnicos ou como monólogo, mas como reconhecimento do outro em sua alteridade e de si no outro. Palavras-chave: Ética, PCNs, Educação de Jovens e Adultos. 64 Eixo temático: Ensino de filosofia Aprendizagem do pensamento em filosofia e a ante-sala do trabalho com os conceitos filosóficos Américo Grisotto Faculdades Network – Nova Odessa/SP Brasil [email protected] Resumo Este trabalho retoma algumas das ideias desenvolvidas em minha tese de doutorado, que objetivou indicar outras possibilidades à aprendizagem filosófica em acréscimo às propostas já existentes tais como: a abordagem interdisciplinar do conhecimento, as que se sustentam a partir da análise e reflexão da realidade, aquelas que veem na assimilação da história do pensamento a própria atividade filosófica. Tal iniciativa encontrou sua relevância em razão da Lei 11.684/08, que tornou novamente obrigatória no currículo a disciplina de filosofia, reinaugurando em nossas escolas de Ensino Médio um espaço e tempo efetivos para a sua prática e desenvolvimento. A metodologia utilizada pautou-se, sobretudo, na leitura e interpretação dos escritos dos pensadores franceses Gilles Deleuze e Félix Guattari (1992), os quais afirmam que são sempre possíveis novas invenções e planos de consistência no âmbito da filosofia. Neste sentido, essa proposta, forjada a partir da pedagogia do conceito, desenvolvida por esses autores, teve pretensões de provocar um fora dentro da história da filosofia, pelo qual o lugar do sujeito, comumente associado aos universais, viesse a ser ocupado por outros processos de subjetivação. Assim, o que acabou por ser indicado como horizonte da aprendizagem filosófica, é que fossem múltiplas as suas entradas, de modo que a força presente nesse movimento não apenas fizesse jus à diversidade dos seus contextos e suas expressões, mas se justificasse pela liberdade de pensamento. Tal perspectiva tem sua razão de ser pela capacidade que todos têm de se potencializar em encontros que ofereçam o que pensar no pensamento, o que pode levar aqueles envolvidos com a filosofia a equacionar problemáticas e reavaliar seus pontos de vista, trazendo, deste lugar da reinvenção da realidade, novos recomeços para filosofia. Nesse contexto, sustentamos nestes apontamentos que a expressão conceitual em filosofia tem por finalidade atender a um problema, ou a vários deles, porque não deixa de ser um artefato de luta face às ideias que nos capturam no pensamento. Tomando-a como uma invenção, é de sua natureza resistir ao tempo estagnado 65 contraefetuando-lhe novas estilizações do que significa pensar, cujo contraste tende a ofuscar, nesse âmbito, a repetição do mesmo. Palavras-chave: afecção/signo, desejo, problema, conceito, aprendizagem em filosofia. 66 Eixo temático: Ensino de filosofia Identidade da filosofia no ensino sul-mato-grossense André Soares Ferreira PPGEdu – UFGD Brasil [email protected] Resumo O presente trabalho objetiva demonstrar ou apreender a identidade do ensino de filosofia sul-mato-grossense, assim como delinear algumas facetas desse ensino. A Filosofia enquanto disciplina, está presente no currículo escolar do estado de Mato Grosso do Sul desde 2001, e para pensá-la é preciso compreender as leis, orientações e resoluções que a regulam e que a implementaram como componente curricular. Entende-se que o Estado espera que a Filosofia – presente na escola como disciplina obrigatória do currículo educacional estadual – atenda e corrobore para que os objetivos propostos para a educação sejam consolidados. Assim sendo, para pensar o ensino de filosofia, é preciso partir da análise das leis e normas que o implantaram e buscam regulá-lo enquanto disciplina escolar. Entretanto a pergunta que surge é se a Filosofia, enquanto disciplina, deve atender aos interesses do Estado? O presente busca apoio em Althusser para pensar a escola como representante do Estado na formação cidadã e apóia-se em Deleuze na tentativa de pensar a identidade da Filosofia. Infere-se com esse trabalho que o Estado, por meio de suas leis e normas, tenta fazer da Filosofia escolar uma ferramenta para manter e reproduzir a ideologia dominante, uma vez que o Estado quer que a educação e consequentemente a filosofia escolar, atenda a seus interesses. Palavras-chave: Filosofia, educação, ideologia. 67 Eixo temático: Ensino de filosofia Pós-modernidade e Educação no Capitalismo contemporâneo Cristiane Maria Marinho UNICAMP Brasil [email protected] Resumo O presente trabalho apresenta uma resenha do livro Pensamento pós-moderno e educação na crise estrutural do capital, que se norteia pela hipótese de que o pensamento pós-moderno e sua reflexão sobre a educação expressam os movimentos do capital contemporâneo na sua crise estrutural compondo uma totalidade social, mas considera também as possibilidades emancipatórias do pensamento pós-moderno. A escolha desse tema se justifica dada a sua relevância atual na academia e na sociedade em geral, e a importância de refletirmos sobre a contemporaneidade. O livro analisa o pensamento pósmoderno e a educação em Lyotard e Vattimo no contexto da crise estrutural do capital contemporâneo e tem por objetivo elaborar uma crítica ao pensamento pós-moderno e à sua categoria central da Diferença, apresentando-os como expressões ideológicas da produção material dessa crise, demonstrando criticamente suas reflexões e seu impacto ideológico na Educação a partir do referencial teórico marxista: Mandel, com ênfase no conceito de capitalismo tardio e a terceira revolução; Meszáros, com prioridade na crise estrutural do capital e sua incontrolabilidade, ativação dos limites absolutos e taxa decrescente de utilização da mercadoria; Jameson e Harvey, com a elaboração de sua crítica ao pensamento pós-moderno como expressão ideológica do capitalismo tardio. O estudo crítico que traz o livro resenhado, também investiga se o pensamento pós-moderno e sua ideia acerca da Educação expressa a lógica do capital: em Lyotard, foi explorado o papel da universidade; em Vattimo, a reflexão foi sobre a libertação midiática das diferenças e o novo ideal hermenêutico para a educação. O resultado da pesquisa demonstrou que o pensamento pós-moderno e sua influência sobre a educação expressam o movimento e os interesses do capital contemporâneo na sua crise estrutural: a determinação do capitalismo tardio sobre a educação foi vista por meio da influência da terceira revolução tecnológica no ensino superior, partindo do pensamento de Mandel; a influência da crise estrutural do capital na educação foi analisada, a partir das reflexões de Meszáros. Contudo, a investigação 68 demonstrou, ainda, que o pensamento pós-moderno, apesar de seus limites epistemológicos e educacionais, também contribuiu com avanços e possibilidades emancipatórias. Palavras-chave: Pós-Modernidade; capitalismo; educação. 69 Eixo temático: Ensino de filosofia O básico para alguma filosofia Jean Dyêgo Gomes Soares Universidade Federal de Ouro Preto – UFOP Brasil [email protected] Resumo Este trabalho quer avaliar qual o desempenho de Philosophy: The Basics (Londres: Routledge, 1999), livro escrito por Nigel Warburton, filósofo, professor e palestrante na Open University, Inglaterra, traduzido no Brasil por O Básico da Filosofia com tradução de Eduardo Francisco Alves (São Paulo: José Olympio, 2008). Trata-se de um livro declaradamente adepto a uma maneira analítica de fazer filosofia e parece apresentar uma fórmula didática interessante para um livro introdutório. Farei um estudo em dois momentos. No primeiro, a avaliação do livro acontece de forma teórica, com considerações idealizadas sobre a aplicação do livro. Posterior a aplicação do livro em alunos do ensino médio procede uma crítica da avaliação inicial subsidiada pelos conflitos, dificuldades e acertos, a apresentar assim as vantagens e desvantagens de O Básico da Filosofia quando aplicado em sala de aula. Ainda, vale ressalvar que se trata de um estudo sobre a legitimidade didática do livro que, inevitavelmente, esbarra em uma discussão sobre sua legitimidade filosófica, inquirindo-o sobre sua pretensão de apresentar o que é básico a uma introdução à Filosofia. Criadas as novas demandas do ensino de Filosofia no ensino médio, uma das ferramentas importantes para efetivar esta prática de ensino é o livro didático. No entanto, há de se estudar com rigor quais são as vantagens e desvantagens do uso dos diversos manuais, já que a disciplina Filosofia, por sua natureza, não possui núcleos consensuais de conhecimento a lecionar, o que cria grandes dificuldades aos livros didáticos, pois têm de fazer escolhas que nem sempre agradam a todos os profissionais da área ou condigam com o que deveria ser ensinado. Este estudo pressupõe que algo parece consensual para avaliar o desempenho de um livro didático: as orientações curriculares para Ensino Médio. Estas são a medida, não sabemos se justa, mas disponível para a avaliação dos livros didáticos, pois estabelece pontos básicos que devem, a princípio, atender as mais variadas demandas do ensino de Filosofia. Assim, pretendemos neste trabalho inquirir Warburton sobre se sua obra realmente apresenta o básico a ser ensinado em Filosofia; se possui ferramentas didáticas suficientes para levar tal tarefa a cabo. 70 Palavras-chave: Filosofia da Educação, Ensino de Filosofia, Introdução, Legitimidade Filosófica, Materiais Didáticos. 71 Eixo temático: Ensino de filosofia A implementação da disciplina de Filosofia no ensino médio: um estudo das escolas estaduais no município do Rio Grande-RS Jorge da Cunha Dutra Mauro Augusto Burkert Del Pino Universidade Federal de Pelotas Brasil [email protected] e [email protected] Resumo O presente trabalho apresenta parte dos resultados de uma pesquisa desenvolvida no ano de 2010, em 10 escolas estaduais de Ensino Médio, regulares e diurnas, do município do Rio Grande-RS. Tomando por base a implantação da Lei 11.684/08, consideramos pertinente investigar de que modo a disciplina de Filosofia encontra-se presente nas respectivas escolas, no que diz respeito às suas condições de implementação. Neste sentido, o objetivo da investigação é conhecer a realidade dessa disciplina, a fim de saber se a mesma apresenta condições suficientes para o exercício das atividades filosóficas em diálogo com os saberes abertos. Buscando atender ao objetivo da pesquisa, a metodologia utilizada foi a entrevista estruturada e aberta com os docentes das respectivas escolas. A organização e análise dos dados coletados tomam por base a análise de conteúdos. As considerações finais da investigação levam ao indício de que o reduzido número de docentes licenciados em Filosofia apresenta-se como um ponto que pode prejudicar o trabalho com os saberes específicos deste campo de ensino. Observamos também que se faz necessário o aumento da carga horária semanal de aula, pois com o predomínio do período de uma hora/aula, o trabalho filosófico fica prejudicado, não sendo possível realizar debates profundos e nem trabalhar com filmes completos. Um outro fator encontrado refere-se ao fato de que a reduzida carga-horária influencia na grande quantidade de turmas que os docentes tem que atender e na rotatividade no atendimento de várias escolas e acúmulo de disciplinas por parte dos professores, pois os mesmos, para cumprirem suas jornadas, precisam atender mais de uma instituição de ensino, o que dificulta muito o vínculo com uma comunidade escolar. Neste sentido, consideramos que seja muito importante que as escolas, juntamente com a Coordenadoria Regional de Educação, repensem a rotatividade docente interescolar, a fim de evitar o prejuízo na qualidade do ensino. Esses fatos demonstram a perda que sofre a disciplina de 72 Filosofia, tanto no que tange a questão referente ao aprofundamento dos saberes específicos do campo filosófico, quanto na efetivação do exercício dialógico desses saberes com os saberes abertos. Palavras-chave: Ensino de filosofia, ensino médio, saberes abertos e específicos. 73 Eixo temático: Ensino de filosofia Filosofia da Educação: contribuições Deleuzianas José Rogério Vitkowski Universidade Estadual de Ponta Grossa-PR Brasil [email protected] Resumo Esse texto é resultado de uma pesquisa exploratória na qual é problematizada a função da atividade filosófica, e por decorrência, da filosofia da educação. Epistemológica e metodologicamente o trabalho tem como referência central a perspectiva Deleuze-Guattariana, desenvolvida também pelo filósofo da educação brasileira Silvio Gallo, de tomar a filosofia como atividade de criação de conceitos. Adentrar na perspectiva dos autores é uma tarefa que requer um redimensionamento da centralidade da produção conceitual na tradição filosófica, com todos os seus ingredientes de problematicidade e de possibilidades. Vale relembrar que da Paidéia Grega aos nossos dias a filosofia esteve envolvida direta ou indiretamente com as questões educacionais. Esse extenso e rico processo, de diferentes tradições, sempre trouxe consigo a permanente questão da natureza da atividade filosófica através da incansável pergunta “o que é filosofia”? Nesse contexto, uma proposta que se apresenta diferenciada e interessante é a deleuziana, na qual se concebe a filosofia como criação de conceitos. O conceito é uma aventura do pensamento que institui um acontecimento, vários acontecimentos. É um dispositivo, que faz pensar, que permite, de novo, pensar. Assim a filosofia mostra-se como produção, como ato essencialmente criativo, a partir desse lócus epistêmico diferenciador. Entretanto, se filosofia remete à criação conceitual, é importante indicar as condições de possibilidades de sua produção, a qual pode ser compreendida como uma “pedagogia do conceito”. Por meio dessa atividade criadora, pode-se promover um processo de desterritorialização de conceitos para o plano de imanência educacional . Provoca-se assim vários transbordamentos e implicações para a filosofia da educação e também para o ensino da filosofia . Ficam em suspenso as noções definidoras da filosofia como contemplação, comunicação ou reflexão. A primeira, de inspiração platônica, conduz à contemplação passiva. A segunda por pretender o 74 consenso, mais do que o conceito. A terceira, por não indicar a especificidade da filosofia. Portanto, a noção corrente de filosofia da educação enquanto “reflexão sobre” é despotencializadora. E se a filosofia é criação de conceitos, cabe ao filósofo da educação, uma vez pungido pelos problemas educacionais, promover experiências de pensamento significativas nos diferentes espaço-tempos educativos. Assim, a filosofia da educação contribui no trabalho de inversão de um tipo de platonismo estéril, de dúbia condição e de ampla presença na educação. Palavras-chave: filosofia da educação, ensino de filosofia, Deleuze. 75 Eixo temático: Ensino de filosofia O cultivo de si e o ensino de Filosofia Lúcia Schneider Hardt UFSC Brasil [email protected] Resumo O ensino da Filosofia na Graduação implica uma ação complexa. Sem dúvida ela precisa estar presente nos processos de formação de professores, mas não pode restringir-se a uma atitude abstrata e de recitação conceitual. O estudo sobre Nietzsche atravessado por questões pedagógicas tem trazido novos desafios ao ensino da Filosofia em cursos de formação de professores. A idéia do cultivo de si e produção de experiência estética indicam outro tempero para o professor em formação. O caminho é ambíguo e pode descambar para uma prática simplista, imaginando tudo colar, tudo ajustar e tudo compreender na relação com o educativo. Pelo contrário a idéia do cultivo de si significar evitar o ajuste e a excessiva adequação. Formar-se significa dar a si mesmo o direito de escolher itinerários. O pensamento nietzschiano implica um embate com o pensamento metafísico que deseja ver preservado um pensamento dualista. De um lado está o bem, de outro o mal. Conhecer não significa desvelar, atingir, acessar o mundo das idéias, mas conhecer implica lidar com o pensamento interpretativo. Nietszche afirma que desconfia que não exista mesmo adequação entre as coisas e o pensamento. O otimismo lógico vem se fragilizando por força da fecundidade do pensamento interpretativo, que não é arbitrário, mas apóia-se na realidade para buscar compreender como o que fica anunciado como verdade é fruto de uma perspectiva encharcada de valores. Segundo Nietzsche é preciso perder o respeito pelo TODO e nesse esforço faz sempre de novo um convite a todos nós para que habitando espaços pretensamente assépticos e bem definidos não nos deixemos capturar pelo Todo. Essa parece ser uma provocação interessante para educadores, habitantes de espaços institucionais que parece deveriam preservar sua condição de curiosidade para pensar as práticas e entender o que elas indicam e assim decidir sobre a pertinência de enfrentá-las ou não. Palavras-chave: cultivo de si, filosofia da educação, arte. 76 Eixo temático: Ensino de filosofia O Ensino da Filosofia no Ensino Médio do Sistema FIEB: Um Estudo de Caso do Café Filosófico no SESI/BA Eniel do Espírito Santo Luiz Carlos Sacramento da Luz Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial – SENAI/BA Brasil [email protected] e [email protected] Resumo O pragmatismo do ensino de nível técnico deixa pouco espaço para reflexões críticas e questionamentos filosóficos necessários para a formação da construção da autonomia do educando em relação à sua prática profissional. Todavia, a obrigatoriedade do ensino de Filosofia nos Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio – PCNEM impõe um desafio no processo de ensino e aprendizagem visando torná-la mais próxima da realidade do educando. Percebe-se que nos modelos de articulação entre o ensino médio e o nível técnico operacionalizados pelo Sistema FIEB – Federação das Indústrias do Estado da Bahia, o ensino de Filosofia constitui-se num elemento fundamental para a formação de um ser pensante com elevado nível de criticidade e não um mero reprodutor de atividades. Diante disso, este artigo apresenta o seguinte problema central de discussão: como é possível inserir o ensino da filosofia numa proposta de educação que articule os conteúdos do ensino médio com os dos cursos técnicos demandados pela Indústria? O objetivo geral desta reflexão é propor um modelo de ensino de Filosofia que associe os saberes filosóficos num contexto dialético prático do educando na indústria. Já os objetivos específicos são: compreender as bases pedagógicas que norteiam o ensino da filosofia; analisar o estudo da filosofia no contexto industrial; descrever a aplicação da proposta pedagógica do Café Filosófico desenvolvido no âmbito do ensino médio do SESI/BA – Serviço Social da Indústria – Departamento Regional da Bahia, como instrumento de maturação do educando para sua inserção no convívio profissional da indústria e propor a aplicação da metodologia do Café Filosófico como instrumento de articulação teórico-prático do educando em sua práxis profissional. A metodologia utilizada foi um estudo exploratório descritivo, de natureza qualitativa, que utilizou a pesquisa bibliográfica como fonte de dados e uma pesquisa de campo operacionalizada na forma de estudo de caso. O artigo conclui que a filosofia constitui-se um eixo propulsor da compreensão de outras áreas do saber. O 77 estudo de caso demonstrou que através das provocações e questionamentos sugeridos de forma lúdica no Café Filosófico, como atividade da disciplina Filosofia no SESI/BA, desenvolveu-se a criticidade do educando como competência essencial para a compreensão e desempenho nas diversas disciplinas do ensino médio e do nível técnico bem como na vida prática. Palavras-chave: Filosofia, ensino, indústria. 78 Eixo temático: Ensino de filosofia Kant e Hegel sob a perspectiva do ensino de filosofia (na educação brasileira) Luciene Antunes Alves UFMG Brasil [email protected] Resumo O trabalho em questão visa retratar a posição de dois filósofos em relação ao Ensino de filosofia. Uma das questões diz respeito ao pensador iluminista Emmanuel Kant. O filósofo afirma que não se deve ensinar filosofia e sim o filosofar. Em contraposição, o filósofo Hegel indaga que ao ensinarmos filosofia já estamos ensinando o filosofar. Assim propomos a seguinte discussão: Na atual conjuntura sócio-educacional brasileira, o que, como profissionais da área, nos convém: Ensinar filosofia ou ensinar o filosofar? Qual via seguirmos? De antemão já respondemos que a melhor via será a que se adequa à atual política educacional em relação ao ensino de filosofia – ensinar filosofia concomitante ao filosofar. A pesquisa concentrar-se-á nos textos pedagógicos de Kant e Hegel e nas teses sobre o ensino de filosofia no Brasil. Valer-se-á das edições críticas, das traduções modernas disponíveis, juntamente com outros textos dos filósofos em questão. Acrescenta-se ainda que a metodologia a ser trabalhada levará em conta a análise textual, acompanhada sempre da remissão ao contexto filosófico dos autores em estudo. Palavras-chaves: Filosofia, história da filosofia, educação brasileira, espírito, política educacional. 79 Eixo temático: Ensino de filosofia Filosofia: o pensar crítico nas Instituições de Ensino Superior Maria Anastácia Ribeiro Maia Carbonesi Cleide Bezerra da Silva Centro Universitário do Distrito Federal Brasil [email protected] e [email protected] Resumo O texto faz uma breve reflexão sobre as diferentes perspectivas que o pensamento filosófico possibilita realizar sobre o processo de profissionalização de jovens e adultos que ingressam em instituições de ensino superior. A subordinação da formação acadêmica à demanda mercadológica atual estabelece um conflito entre reflexão crítica e profissionalização, levando a uma contradição cada vez maior entre o que Marx definiu como trabalho manual e trabalho intelectual. A busca pela mobilidade social rápida, a partir da graduação, oportuniza que o universitário não perceba a reflexão filosófica como algo necessário para a compreensão da realidade teórica e prática no exercício profissional e da existência humana. Por meio do exercício reflexivo, realizou-se uma leitura sobre o olhar de alguns filósofos, com o intuito de mostrar a relevância da atividade filosófica para a compreensão das complexas relações sociais que se estabelecem nas sociedades contemporâneas no âmbito profissional e/ou pessoal. Palavras-chave: Formação acadêmica, existência humana, filosofia, relações sociais. 80 Eixo temático: Ensino de filosofia Experiência no PIBID: contribuição para a melhoria das aulas de filosofia dada por não-filósofos Miécimo Ribeiro Moreira Júnior UFRRJ Brasil [email protected] Resumo Este trabalho é um relato de experiência vivenciada durante a primeira etapa de atividade do Programa institucional de Bolsas de Iniciação a Docência(PIBID) do curso de Filosofia da UFRRJ em escolas, no período de 2010/2. O PIBID de filosofia da UFRRJ desempenha o trabalho em três instituições de ensino: Colégio Estadual Presidente Dutra, CIEP-155 Nelson Antelo Romar e Escola Politécnica Joaquim Venâncio. Nestas três instituições ocorre um periódico rodízio de três eixos temáticos: Estética, Política e Conhecimento. O rodízio ocorre entre os eixos e entre os bolsistas, que no total formam um grupo de 24 integrantes, sendo assim divididos em três subgrupos, formados por oito bolsistas cada, fazendo com que todos os alunos participem de atividades nas três escolas, nos três eixos propostos, com o tema central, “Redes Sociais e Processos de (Des)Subjetivação". Com o relato desta experiência na escola apresento a organização, atuação e distribuição dos bolsistas que integraram o eixo estética, desenvolvido no Colégio Estadual Presidente Dutra, localizado em frente ao campus da UFRRJ (Seropédica/RJ), no segundo semestre de 2010. Também apresento um relato sobre a convivência na escola entre bolsistas, professores e alunos. Em destaque está a contribuição das atividades propostas e executadas para as aulas de filosofia que, pela falta de professores formados na área, são desempenhadas por pedagogos que possuem espaço em sua grade de horário. Junto a isto, apresento o produto final desta etapa (2010/2), que consiste em relatórios das atividades e dicas para tornar as aulas mais sedutoras por meio da estética. A forma pela qual o produto final pode ser acessado é o próprio produto, ou seja, o Blog criado pelo subgrupo (http://pibid-filosofiaufrrj-estetica.blogspot.com), contendo todas as dicas, relatórios de atividades e propostas, abrindo assim um espaço para debate on-line com todos os interessados e mantendo uma contínua produção de conteúdo via web. Palavras-chaves: PIBID, ensino de filosofia, relato. 81 Eixo temático: Ensino de filosofia La didáctica de la filosofía como metafilosofía Pablo Aguayo Westwood Universidad de Chile Chile [email protected] Resumen Una de las cuestiones fundamentales en el desarrollo del quehacer filosófico dice relación con su enseñanza, la que no ha estado exenta de problemas. Es en el contexto de la relación entre filosofía y enseñanza en la que surge esta ponencia. En ella pretendo defender la siguiente tesis, a saber, que en toda didáctica de la filosofía subyace una concepción de la filosofía. Pero, al no existir una única concepción de la filosofía, es posible vislumbrar que existen diferentes modos de enseñarla. Esta ponencia indaga sobre algunos modos de abordar el proceso de enseñanza-aprendizaje de la disciplina, en cuanto ellos reflejan algunas maneras de concebirla y cultivarla. En base a la exploración sobre esta relación, se propone revisar algunos modos de enseñar la filosofía, en vistas a justificar por qué algunas formas de su enseñanza podrían llegar a ser contradictorias con los presupuestos mínimos de su propia actividad.La conclusión que espero discutir es si el profesor de filosofía puede ser entendido exclusivamente como un comunicador de autores y corrientes de esta tradición intelectual. En los hechos, y muchas veces implícitamente, los profesores de filosofía ponemos en juego una concepción de lo que la filosofía es y debe ser. En este sentido, el rol de filósofo y de profesor de filosofía no debieran estar desfasados: un profesor de filosofía teoriza sobre lo que la filosofía es al hacer sus elecciones sobre qué y cómo enseñar (dimensión curricular de la filosofía). Previa a su enseñanza, debiera mediar una indagación sobre la propia filosofía, esto es, la necesidad de que el profesor de filosofía sea el mismo un filósofo, en rigor, un meta filósofo. Cómo es posible lo anterior y qué implicancias conlleva, es uno de los asuntos que también estará abierto a la discusión. Palabras-clave: filosofia, didáctica, metafilosofía. 82 Eixo temático: Ensino de filosofia A importância e o papel da história da filosofia no ensino de filosofia: considerações a partir de Gramsci Renê José Trentin Silveira Faculdade de Educação – UNICAMP Brasil [email protected] Resumo O presente trabalho visa a discutir a questão do papel da história da filosofia no ensino dessa disciplina à luz das considerações de Antonio Gramsci, colhidas principalmente nos Cadernos 10 e 11 de sua obra Cadernos do Cárcere. Para tanto, o texto foi subdividido em quatro tópicos. No primeiro, procura-se demonstrar que, para Gramsci, há uma “identidade entre filosofia e história” (Gramsci, 2001, C10, §31, p. 341), o que permite conceber a primeira como “uma contínua solução de problemas colocados pelo desenvolvimento histórico” (Gramsci, 2001, C10, §31, p. 343). O segundo tópico busca esclarecer que, para Gramsci, “história e filosofia são inseparáveis, formam um ‘bloco’” (Gramsci, 2001, C10, § 17, p. 326), o que significa que estão dialeticamente imbricadas: a filosofia não existe fora da história, isto é, destacada das condições materiais e culturais que a determinam em cada período histórico. Dessa perspectiva, a história da filosofia pode ser concebida como o esforço dos filósofos para mudar as concepções do mundo, em cada época histórica, bem como as normas de conduta correspondentes a essas concepções. Em última instância, é a história de suas tentativas “para mudar a atividade prática em seu conjunto” (Gramsci, 2001, C10, § 17, p. 325). Explicita-se, assim, o sentido prático e político da história da filosofia. O terceiro tópico apresenta a história da filosofia como instrumento para a critica das diferentes concepções do mundo e para a opção autônoma por uma delas. O quarto e último tópico apresenta algumas implicações das considerações anteriores para a prática do ensino da filosofia. Em suma, trata-se de reconhecer a importância central da história da filosofia no ensino dessa disciplina, não no sentido de “informar historicamente o aluno sobre o desenvolvimento da filosofia passada”, mas, antes, de “formá-lo culturalmente”, a fim de “ajudá-lo a elaborar criticamente o próprio pensamento” (Gramsci, 2001, C 11, p. 119). Desse modo, a história da filosofia passa a se constituir como mediadora da 83 superação do senso comum, contribuindo decisivamente para a conquista pelos alunos da capacidade de escolher autonomamente a própria concepção do mundo. Palavras-chaves: Ensino de filosofia, história da filosofia, Gramsci. 84 Eixo temático: Ensino de filosofia Ensaio sobre a importância dos "textos bem elaborados" como atividade central do ensino de filosofia – retomando uma velha questão Roberto Rondon Universidade Federal da Paraíba Brasil [email protected] Resumo Muitos livros e artigos já foram escritos apontando a importância da leitura dos chamados textos clássicos para a formação humana. No entanto, o que assistimos cotidianamente, é o distanciamento cada vez maior em relação a esses ou, no máximo, a sua leitura de forma displicente e fria, quando cobrados em algum componente curricular de nossos cursos escolares ou universitários. Não falamos de qualquer leitura, afinal é só verificar as matérias jornalísticas do pré lançamento de alguns "best sellers", com as pessoas nas filas das livrarias, que a afirmação de que as pessoas não lêem não corresponde completamente ao real. O que nos referimos é sobre a leitura de um tipo de obra literária, filosófica ou científica mais profunda e não o simples entretenimento passageiro e banal que nos acompanha cotidianamente como um momento de fuga da dureza do real. Deixemos claro nosso pressuposto aqui: Monteiro Lobato e Descartes valem mais para a formação humana do que as aventuras de magos, bruxinhos e vampiros juvenis. O cuidado com a linguagem, a paciência da leitura, o risco de levantar hipóteses, a coragem de errar, o desafio de entrar num mundo diferente do cotidiano pelo desenvolvimento da capacidade transformadora da imaginação são atributos dos "textos bem elaborados". Acostumados que estamos com a televisão, o "clip" e as janelinhas da Internet e do Twitter, não é fácil compreendermos uma linguagem que nos desafia a abandonarmos por instantes o lugar onde estamos e refletir. Porém, se não temos alguns pressupostos para isso, nosso esforço será em vão. Aí entra a figura do professor que possibilita aos alunos a entrada nesses diferentes universos abertos pelos clássicos. Nesse momento, em que os profetas pós-modernos comemoram o fim do livro, renova-se então o papel fundamental dos professores de filosofia como um daqueles que, por 85 excelência, preparam seus alunos para o ingresso nesse mundo da leitura dos "bons" livros dando a eles a oportunidade de conhecer outros universos de experiências, reflexões e realidades, para que possam explorar todas as suas possibilidades. Palavras-chave: Textos bem-elaborados, atividade central, ensino de filosofia. 86 Eixo temático: Ensino de filosofia Ensino de filosofia: novos pensamentos e ações para as crianças das séries iniciais do ensino fundamental Sônia Aparecida Belletti Cruz UNIP/Araraquara-SP Brasil [email protected] Resumo A filosofia ainda é pouco acolhida no universo acadêmico e, no processo de formação dos professores, embora seja matéria obrigatória, o único espaço de contato que usufrui com os futuros docentes consta de bibliografias de caráter enciclopédico, cujo repertório aparece apenas com a história das ideias filosóficas sobre a educação ou com correntes do pensamento filosófico sobre a educação. Porém, no exercício do magistério, há docentes que se interessam no aprofundamento de seus conhecimentos para ensinar aos seus alunos as habilidades necessárias para o domínio do pensamento filosófico. Na escola das séries iniciais do Ensino fundamental, a filosofia pode ser uma opção para as crianças e, se bem aplicada, torna-se um instrumento motivador à vivência infantil. Por meio de observação e entrevista semi-estruturada com um professor de filosofia para crianças de uma escola cooperativa da cidade de Araraquara-SP, buscou-se saber se as crianças que têm o ensino de filosofia na escola encontram-se mais instrumentalizadas para a convivência social, desenvolvendo-lhes habilidades que tendem a torná-las seres humanos melhores, aperfeiçoando seu modo de ser, de agir e de pensar, segundo modos de vida mais democráticos e éticos. Os resultados mostraram que, apoiadas nas ideias de Lipman e de Ramos de Oliveira, com histórias de personagens e enredos próximos ao padrão cultural brasileiro, as crianças melhoraram a relação com os colegas à medida que avançavam nas reflexões e na percepção de si e de sua realidade. Tornaram-se mais participativas e interessadas e prestaram mais atenção nos acontecimentos do país e do mundo e, muitas delas, voltaram-se à leitura de livros, jornais e revistas científicas. O professor interveio de forma afetiva nas mediações, buscando atender às diferenças de ser e de agir dos alunos. Pôde-se verificar nas palavras e atitudes do professor que ele acredita em seu trabalho e considera sua metodologia de ensino uma proposta inovadora para o ensino de filosofia para crianças. Tem a intenção de formar cidadãos autônomos, criativos, com voz para enfrentar obstáculos, enfim, com postura de ser social crítico. 87 Palavras-chave: filosofia para crianças, investigação filosófica, pensamento reflexivo. 88 Eixo temático: Ensino de filosofia Os materiais didáticos no ensino de filosofia da Paraíba: a reflexão como obrigatoriedade curricular Tânia Rodrigues Palhano Rebeca Ferraz de Souza Universidade Federal da Paraíba Brasil [email protected] e [email protected] Resumo O presente trabalho aborda questões pertinentes ao ensino de filosofia, que se tornou obrigatório através da lei nº 11.684/08. A pesquisa tem por objetivo demonstrar uma descrição detalhada dos materiais didáticos de filosofia utilizados em doze escolas estaduais de ensino médio da Paraíba, desenvolvidos durante os anos de 2009 e 2010, com objetivo de perceber que tipo de reflexão está sendo traçada na formação do pensar dos jovens discentes que estão tendo acesso pela primeira vez aos conhecimentos da linguagem filosófica, seus conceitos, seus temas, sua história. O exame dos conteúdos registrados nos materiais coletados foi investigado com o propósito de perceber se estes oferecem meios eficientes para aprimorar a capacidade de reflexão, tendo por base os fundamentos do pragmatismo elaborados por John Dewey que alia a ação e o ato do pensar. Investigamos nos materiais didáticos de Filosofia para o ensino médio, livros, manuais, textos, aspectos que evidenciam o pensamento reflexivo como contribuição para o aprendizado do educando no aprimoramento de sua capacidade de reflexão. Nas instituições escolares, universo da pesquisa, foram levantados materiais didáticos de filosofia utilizados em turmas de 1º e 2º anos do ensino médio. Uma vez que a disciplina foi sendo introduzida aos poucos, de forma gradual devido a certas dificuldades, tais como: carência de recursos humanos, ajustes na carga horária, definição de conteúdos e material didático. No ano de 2009, diversos materiais didáticos, como textos apostilados por professores, referências bibliográficas de vários autores que produzem materiais nesta área de ensino, foram utilizados em função da não indicação de um livro texto base, por parte da Secretaria de Educação do Estado da Paraíba. No ano de 2010 foram utilizados exemplares do livro de Filosofia adotado pela Secretaria de Educação, Filosofia construindo o pensar de Dora Incontri e Alessandro Cesar Bigheto, tornando-se o carro chefe de dez escolas pesquisadas. Palavras-chave: material didático, ensino de filosofia, reflexão. 89 Eixo temático: Ensino de filosofia A Odisseia da disciplina de Filosofia a sua Ítaca: o seu papel e sua realidade hoje, um diálogo com nossos filósofos sobre as perspectivas da filosofia quanto disciplina e reflexão para o jovem do século XXI Walace Soares de Oliveira Universidade Federal de Rondônia – UNIR Brasil [email protected] Resumo Marx afirmou que “(...) os filósofos até agora interpretaram o mundo de várias maneiras. Cabe agora transformá-lo”. Mas, não há significado na ação se ela não for precedida de uma reflexão, ação pelo simples ato não transforma. A ditadura militar relegou a filosofia a uma posição praticamente proscrita no currículo e na educação brasileira afastada de seu papel. Não exercer a reflexão é condená-la a atrofia, claudicante, o pensamento se recupera lentamente desse processo até hoje. Conhecer Sócrates, Platão, Santo Agostinho, Kant, Hegel ou a história da filosofia não significa necessariamente transformar o mundo. Mas, a filosofia brasileira refletiu a sua sociedade e tem seu papel, mesmo durante a ditadura, excluída desse processo e longe do seu lugar de direito ela não sucumbiu. A Alemanha é um exemplo de como a perseguição a reflexão atingiu toda uma cultura, até hoje o pensamento alemão sofre das consequências do totalitarismo nazista. A filosofia retornou muito recentemente ao seu lugar de fato, porém, não temos a tradição do ensino de filosofia como em nosso vizinho Uruguai, por exemplo, com o ensino de filosofia e uma cultura significativa dentro de seus liceus e sua sociedade. Justamente, em seu retorno a filosofia encontra um mar revolto e provações: falta de estrutura, graduações a serem repensadas, uma melhor formação docente, política educacional hostil (como no exemplo do Estado de São Paulo que resiste até hoje em implantá-la completamente), uma sociedade desinteressada em reflexão e mergulhada em crises e as suas próprias reflexões debatidas por seus pares. Esse artigo pretende apresentar alguns questionamentos sobre as reflexões da filosofia sobre ela mesma e algumas questões sobre a nova sociedade do século XXI e quais os papéis que ela tem nessa sociedade em construção. Entrevistei cinco nomes que refletem o papel da filosofia da educação no Brasil com opiniões e construções teóricas distintas em minha defesa de mestrado, nossos filósofos: Antonio Joaquim Severino, Dermeval Saviani, Paulo Ghiraldelli Jr, Silvio Gallo e 90 Walter Omar Kohan. Após as entrevistas e a análise feita, concluímos que a reflexão é a condição inerente não só do indivíduo, mas, também do ser social, portanto, o estado de acomodação ou zona de conforto não existe onde a filosofia está essa é a sua essência. Palavras-chaves: ensino de filosofia, pensamento, reflexão. 91 Eixo temático: Filosofia e Educação na América Latina Conscientização, sociedade e educação popular em Paulo Freire Bruno Botelho Costa FE/UNICAMP BRASIL [email protected] Resumo Este trabalho apresenta um estudo sobre os conceitos de "conscientização" e "sociedade" nas obras "Educação como prática de liberdade" e "Pedagogia do oprimido" do filósofo e educador brasileiro Paulo Freire. Almejamos com ele mostrar como, para ele, a conscientização está diretamente ligada ao desvelamento de problemáticas sociais, à medida que o desenvolvimento da consciência crítica impele ao homem assumir-se enquanto sujeito histórico, cultural e social. Nossas conclusões assinalam similaridades e diferenças na relação entre as visões de conscientização e de sociedade em ambas as referidas obras, apontando em que medida esta relação, da primeira obra para a segunda, delineia um movimento de radicalização da pedagogia e filosofia freiriana no qual se fundamenta a educação popular latinoamericana nos anos de 1960. Palavras-chave: Paulo Freire, conscientização, sociedade, filosofia, educação popular. 92 Eixo temático: Filosofia e Educação na América Latina Panorama histórico da Filosofia no Brasil: ensino como princípio e humanismo como fundamento Daniel Pansarelli Universidade Federal do ABC Brasil [email protected] Resumo A partir da problematização dos conceitos de humanismo e renascimento, tomados primeiramente em sua expressão italiana, busca-se verificar a adequação ou não de se tratar sob o desígnio de humanismo ibérico o período em questão – a saber, final do século XIV ao início do XVI – em Portugal e na Espanha. Pretende-se por este caminho explicitar que nos países da Península Ibérica não se verificavam os elementos fundantes do humanismo propriamente dito, quais sejam, uma crise política e uma espécie de vácuo nas formas de legitimação do poder exercido. Por não passarem por este contexto no momento histórico em questão, tais países não teriam vivenciado este movimento intelectual durante o início da colonização latino-americana, apropriando-se, assim, de uma interpretação medievalista de Aristóteles para justificar as ações políticas praticadas internamente e contra os povos nativos das terras colonizadas. O mesmo aristotelismo medieval teria servido de base para o ensino praticado no Brasil durante os dois primeiros séculos da colonização, ocasião em que se introduziu em nosso país a prática filosófica. Os elementos apresentados conduzirão o leitor, ao final, à compreensão da relação direta entre a acriticidade verificada por tantos autores como marca da Filosofia no Brasil e a origem aristotélico-tomista desta. Palavras-chave: humanismo, filosofia, Brasil. 93 Eixo temático: Filosofia e Educação na América Latina Experiência e natureza: ensinamentos deweyanos à prática dos docentes sul-americanos Marcela Calixto dos Santos Leoni Maria Padilha Henning Universidade Estadual de Londrina Brasil [email protected] e [email protected] Resumo No capítulo “Experiência e método científico”, do livro Experiência e Natureza (1980), John Dewey (1859-1952) explora os conceitos de “experiência” e “natureza”, argumentando em favor da inter-relação necessária entre elas, visto que ele compreende estes conceitos em uma conexão estreita integrada à vida do ser humano, especialmente em relação aos aspectos cognitivos. Ele defende a utilização do método empírico para a aquisição de conhecimentos e a realização de pesquisas, uma vez que para ele não há sentido no dualismo entre teoria e prática. Algumas concepções intelectuais do livro Democracia e Educação (1959) são retomadas no decorrer do texto, a fim de elucidar mais precisamente as ideias do autor. É a partir das experiências que o aluno já possui e das possibilidades atuais que lhe estão disponíveis que ele poderá enriquecer suas experiências de forma a aperfeiçoá-las e multiplicá-las continuamente, contribuindo então para o aperfeiçoamento da sociedade. Diante do exposto, e considerando que, na realidade da escola pública sulamericana, os docentes acabam sendo obrigados a atuarem em meio à falta de recursos materiais, financeiros e apoio governamental, nos perguntamos: como aplicarmos tais princípios em meio ao processo de ensino-aprendizagem? Desta forma, o objetivo do presente texto é encontrar possíveis respostas de Dewey para esta problemática. Analisando alguns princípios filosófico-educacionais do autor, compreendemos que todos os seres humanos estão a todo o momento experienciando e, por este motivo, experiência é vida. Sendo assim, entendemos que um dos caminhos do professor é tentar envolver o conteúdo escolar na realidade das experiências ordinárias de seus alunos, mostrando que existe relação entre ambos. O professor pode ensinar esses alunos a tirar proveito destes conhecimentos, compartilhá-los entre si, somando-os aos conhecimentos adquiridos fora da escola, para aplicá-los em suas respectivas vidas cotidianas. A partir deste momento, acreditamos que a transformação 94 social se torna possível, visto que o enriquecimento das experiências dos alunos propicia o desenvolvimento de mudanças significativas em sua vida cotidiana e social. Palavras-chave: Experiência, Educação, Dewey, Filosofia, Prática Docente Sul-americana. 95 Eixo temático: Filosofia e Educação na América Latina Pressupostos da eugenia e seus impactos na concepção de homem e de educação do início do Século XX Morena Dolores Patriota da Silva Simone Moreira de Moura Universidade Estadual de Londrina Brasil [email protected] e [email protected] Resumo A presente pesquisa de Iniciação Científica agrega-se aos estudos desenvolvidos pelo Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação, Deficiências e Tecnologias (GEPEDTEC) da Universidade Estadual de Londrina, mais especificamente ao projeto de pesquisa intitulado Concepções de deficiências emergentes do entrelaçamento dos discursos da Educação Especial e Engenharia Genética. Desenvolveu-se uma pesquisa dos pressupostos eugênicos e seus impactos na concepção de homem e de educação do início do século XX. Iniciaremos o traçado da pesquisa com um breve retrocesso no processo de modificação da concepção de ciência no decorrer do tempo marcado pela indefinição epistemológica de ciência dos séculos XVI e XVII, em seguida será descrito como se deu, a construção do darwinismo social e da eugenia, sua definição, características e conseqüências, em especial na América Latina. Palavras-chave: eugenia; concepção de homem, Século XX. 96 Eixo temático: Filosofia e Educação na América Latina Leopoldo Zea e a contribuição de sua filosofia para a educação Ofélia Maria Marcondes Universidade de São Paulo Brasil [email protected] Resumo O primeiro objetivo deste trabalho é apresentar as duas principais categorias presentes na filosofia de Leopoldo Zea: circunstância e mestiçagem, buscando elementos que possam contribuir para o pensamento educacional. Leopoldo Zea, filósofo mexicano (2012-2004), entende o homem como pessoa concreta, de carne e osso, inserido em suas circunstâncias, ou seja, sua situação concreta, com as quais dialoga de maneira dialética: transforma-as, ao mesmo tempo, que é transformado por elas. As circunstâncias constituem sua situação vital, nas quais manifesta sua concretude e expressa sua liberdade. O homem é concebido como um ente histórico que participa da tripla dimensão temporal (passadopresente-futuro) e constrói a história à medida que enfrenta os problemas apresentados pelas circunstâncias. Sob essa perspectiva, busca a identidade do homem latino-americano que deve se compreender como mestiço e reconhecer sua condição de dependência sócio-cultural para que possa iniciar um processo de libertação de qualquer situação de opressão. A libertação do homem de seu estado de dependência sócio-cultural só é possível através da compreensão histórica e do conhecimento de si mesmo. Daí decorre a proposta de que educar é formar homens livres, exigindo-se uma educação crítica e popular que dialogue com a realidade concreta. Pretende-se, também, estabelecer como as ideias de Leopoldo Zea podem contribuir para pensar a educação sendo que o que interessa mais de perto para a filosofia da educação é como Zea trata os seguintes temas: o homem, sua identidade e sua circunstância e como este homem se constitui historicamente, ou seja, como constrói sua cultura e conquista sua emancipação. Todos os esforços estão direcionados para que possamos estabelecer e compreender o percurso do pensamento filosófico de Leopoldo Zea em busca do significado de seus principais conceitos. É preciso ter sempre em mente que a filosofia de Leopoldo Zea está circunscrita no contexto do pensamento mexicano e, por extensão, na América Latina. Palavras-chave: Leopoldo Zea, Filosofia latino-americana, Identidade. 97 Eixo temático: Filosofia e Educação na América Latina Filosofia da Educação no Brasil: uma particular experiência do pensar na educação? Pedro Angelo Pagni UNESP Brasil [email protected] Resumo Existe uma diferença entre a filosofia da educação produzida no Brasil e a de outros países ou a sua pretensão de universalidade já a eximiria de buscar qualquer particularidade da experiência do pensar na educação brasileira? Diante dessa questão e dos desafios lançados por uma constituição cultural múltipla e étnica diversificada como a brasileira, a presente pesquisa se propôs a buscar uma resposta à questão mencionada, ao se reconstituir histórica e filosoficamente a gênese e o desenvolvimento na filosofia da educação no Brasil. Embora alguns estudos tenham tentado abordar a trajetória da filosofia da educação no Brasil desde os anos 1980, a presente pesquisa procura oferecer outra abordagem ao assunto e de responder a pergunta mencionada, com o objetivo: de propor um novo olhar sobre a reconstrução histórica das manifestações da filosofia da educação como campo de ensino, de pesquisa e de pensamento entre 1930 e 2000; de desenvolver uma análise filosófica dos momentos em que emerge como uma experiência do pensar na educação, interpelando a possibilidade ou não de sua particularidade; de indicar os seus principais desafios na atualidade, discutindo a sua possibilidade enquanto arte de superfície. Concluímos com uma resposta afirmativa em relação à existência de uma particular experiência do pensar na educação que, no desenvolvimento da filosofia da educação, porém, ponderamos que tal particularidade foi se perdendo ao longo de seu desenvolvimento no Brasil, graças à sua institucionalização, que abandonou a proximidade de se pensar os problemas emergentes da realidade cultural e educacional, assim como o próprio ethos do sujeito que o pensa, para se estabelecer a parâmetros supostamente generalizantes no meio acadêmico. Ponderamos, porém, que algumas características dessa particularidade se mantiveram na experiência do pensar produzida por alguns filósofos e filósofos da educação que foram capazes de criar, senão um estilo de pensar próximo à arte de superfície, ao menos um movimento de resistência à aspiração de uma modernização pelo alto que legitimava a posição de certa elite intelectual, à fundamentação das teorias 98 pedagógica em uma antropologia filosófica e à legitimação da ação pedagógica na figura de um intelectual universal. Palavras-chaves: filosofia da educação no Brasil, experiência do pensar, modos de subjetivação. 99 Eixo Temático: Fundamentos da Educação Nietzsche e a crítica às instituições de ensino Alexandre Ferreira de Mendonça Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ Brasil [email protected] Resumo Quando atuava como professor na Universidade de Basiléia, Nietzsche redigiu dois significativos textos tendo a educação como tema central: Sobre o futuro de nossos estabelecimentos de ensino e Schopenahuer como educador. Do primeiro escrito surge um diagnóstico bastante mordaz a respeito dos ginásios, das escolas técnicas e das universidades. Antes mesmo das abordagens marxistas sobre o papel desempenhado pelas práticas pedagógicas nas sociedades capitalistas, antes da crítica frankfurtiana à cultura de massas própria do capitalismo, Nietzsche já havia enfaticamente chamado a atenção para o violento processo de decadência pelo qual estaríamos passando na modernidade. Já havia também alertado para o fato de que as instituições de ensino modernas, em vez de cumprirem o papel de reverter este processo, estariam com ele plenamente afinadas. Ele percebe que esses estabelecimentos estariam a serviço das exigências colocadas em jogo pelo Estado. É assim que ele interpreta o fato de a formação profissionalizante, de base utilitária e cientificista, estar substituindo a formação humanística. Esta substituição seria sintoma da assimilação da educação e da produção cultural pela produção industrial de caráter massificante, homogeneizante e meramente utilitário. Por outro lado, ainda não encontra aí claramente definido o principal elemento a ser desenvolvido em Schopenhauer como educador: a valorização da investida em processos de autoformação como estratégia capaz de vencer as tendências homogeneizantes veiculadas por nossas instituições. Tudo indica que, de um modo geral, nestes escritos Nietzsche opõe às práticas hegemônicas centradas no discurso científico (aquele que não só fornece os conteúdos curriculares mas que legitima e promove o modelo pedagógico vigente) práticas heterogêneas e singularizantes, não passíveis de universalização e balizadas pela idéia de autoformação – cuja inspiração proviria do campo das artes. Nesse momento, Schopenhauer é tomado não só como exemplo de quem soube nadar contra a corrente e formar a si próprio, mas também como principal referência para se 100 pensar a concepção metafísica de Nietzsche acerca da arte e da cultura e sua crítica à ciência. Palavras-chave: Educação, Filosofia, Arte, Autoformação 101 Eixo Temático: Fundamentos da Educação Os fundamentos da educação feminina em Rousseau: aspectos morais e políticos Alexnaldo Teixeira Rodrigues Universidade Federal da Bahia - UFBA Brasil [email protected] Resumo O presente trabalho visa refletir sobre os significados e princípios morais e políticos da educação feminina estabelecida por Jean Jacques Rousseau na obra o Emílio ou da Educação. Em um diagnóstico comparativo com a educação voltada ao sexo masculino, é notório que a educação para a mulher se define por seu caráter modelador que, em contraposição à formação do Emílio, não visa ao seu crescimento como pessoa capaz de transformar as suas condições históricas, por meio do exercício da autonomia que se materializa na criação de leis e na contenção dos desejos, mas reproduz as convenções sociais e a ordem conservadora vigente naquele contexto. Quando pensamos na educação como elemento de diferenciação social, várias questões se tornam pertinentes para nós: por que a mulher deve estar afastada da vida pública e do exercício da cidadania para se fixar na esfera privada? O argumento que a mulher não é capaz de julgar imparcialmente, não tem domínio de si para exercer o poder e se apresenta também como um ser “maléfico, justificam-se em que bases? Decerto, toda construção da democracia moderna traz como uma das características aporéticas o fato do pertencimento ao sexo feminino ser um critério de exclusão da cidadania. Como sabemos, essa doutrina ou regime político chamado democracia, repousou, sobretudo, na afirmação de que todos os homens nascem livres e iguais em direitos e deveres, mas as mulheres, não sendo homens, foram “mantidas à distância” da cidadania e passaram a ser “mães voluntárias”. A identificação da mulher a seu caráter reprodutivo, ou seja, da mulher como mãe, constitui, conforme as nossas análises, a trama pela qual se edifica a cidadania masculina. A nova configuração de mãe, a mãe “cidadã”, foi construída e enaltecida por Rousseau pelo fato dela se apresentar como possibilidade de gestar o cidadão para a sociedade do Contrato Social. Assim, o novo modelo de maternidade, devota e sacrificial, aparecem nas primeiras páginas do Emílio como uma crítica às mães que recusavam amamentar o(a) filho(a); que se desobrigavam a manter um contato direto com a criança; que não aceitavam restringir a sua própria liberdade em favor de uma 102 maior liberdade do(a) filho(a); que não gastava tempo com os(as) meninos(as) e não estavam sensíveis à liberdade do corpo, que a criança carece para o seu bom desenvolvimento, nem à higiene corporal, que necessitam para ter uma boa saúde. Sofia, personagem feminina da obra rousseuaniana, aparecerá, posteriormente, no Livro V do Emílio, como o modelo de mãe que serve não só de ligação entre o pai e os filhos — por meio de sua doçura, do seu zelo e de sua afeição (Emílio, Livro V) — como também aquela cujo rebento depende dos costumes, das paixões, dos gostos, dos prazeres e até mesmo da própria felicidade. Dessa sorte, chegamos ao entendimento que a educação feminina proposta por Rousseau visa a formação de uma nova concepção de maternidade: Sofia será a mãe, tal como a mãe espartana, que gera filhos saudáveis e fortes para o Estado. Para além disso, ela irá governa bem o marido e garantir-lhe as condições para ser um “bom pai” e um “bom cidadão” (Emílio, Livro V), condições que estão ligadas intrinsecamente a sua castidade e a sua fidelidade como esposa. Palavras-chave: Educação feminina, Moral, Iluminismo 103 Eixo Temático: Fundamentos da Educação Mito y Formación en Homero y Nezahualcóyotl Ana María Valle Vázquez Facultad de Estudios Superiores Acatlán de la UNAM México [email protected] Resumen El principal objetivo de este trabajo es reconocer el carácter formativo de las palabras del mito en la poesía de Homero y Nezahualcóyotl. Hay un fuerte interés por indagar sobre las ideas originarias de formación humana establecidas a partir de los efectos que el lenguaje mito-poético, propio de cada cultura, tienen sobre las formas de ser de lo humano. Así, en este trabajo se encuentra un primer acercamiento a las palabras de algunos de nuestros mitos originarios recogidos en la poesía de Homero y Nezahualcóyotl, como lugares donde surge nuestra formación humana. Por ello nuestro objeto de estudio acepta que mito es palabra que fluye entre los miembros de una sociedad, es el hilo con el que la propia comunidad teje su identidad, crea una forma común de ser y de estar en el mundo, en el seno de un sinnúmero de diferencias, digamos una forma común de ser y de estar en las diferencias entrelazadas por hilos que a su vez las atraviesan y éstos se constituyen como los elementos comunes de la identidad y de las formas de vida. Mito es habla elegida de cada cultura, es un modo de significación, se trata de una forma de vida; es decir, con la palabra del mito se construye realidad cultural, cada sociedad elige su forma común de ser y estar, nombra su identidad, decide la manera de presentarse al mundo. La formación humana no sólo es atravesada por la palabra del mito que construye realidad, antes bien germina en el mito. Mito es la con-formación de un modo de re-significación, de un horizonte cultural. Con este trabajo se pretende contribuir a ver lo que no ha sido visto, a nombrar lo que no ha sido nombrado, pero que está ahí, lo que ha quedado fuera o ha sido silenciado de los signos occidentales. Palabras clave: Mito, Poesía, Formación, Homero, Nezahualcóyotl 104 Eixo Temático: Fundamentos da Educação Conflito e formação na perspectiva da teoria social crítica de Axel Honneth Angelo Vitório Cenci Universidade de Passo Fundo Brasil [email protected] Resumo O objetivo do presente texto é mostrar como a teoria social crítica de Axel Honneth possibilita uma aproximação produtiva entre as idéias de conflito e formação. Honneth, na esteira de Hegel, opera um deslocamento em relação à concepção de conflito predominante na filosofia social moderna, detendo-se no conflito originado por experiências de desrespeito que afetam a identidade pessoal ou coletiva. Sua concepção de conflito deve ser concebida não apenas mediante um quadro explicativo acerca do surgimento de lutas sociais, mas principalmente a partir de um caráter formativo. Honneth toma como fio condutor a idéia de que os indivíduos somente podem constituir suas identidades se puderem ser reconhecidos intersubjetivamente. Nesse sentido, retoma o jovem Hegel para quem o modelo de luta social poderia ser compreendido como processo prático de conflito entre os homens atribuído a impulsos morais, ou seja, o conflito é entendido como distúrbio e lesão nas relações sociais de reconhecimento. A intenção de Honneth é formular uma teoria social de teor normativo vinculando um conceito de luta social que parte de sentimentos morais de injustiça ao invés de voltar-se apenas para constelações de interesses. Portanto, o tipo de conflito priorizado por Honneth é aquele originado de experiências de desrespeito social. A partir da localização do papel do conflito dentro da teoria do reconhecimento de Honneth e do modo como a ele se articula a ideia de formação, pretendemos extrair duas conseqüências para o âmbito formativo. A primeira é que ao aprofundar a tensão conflito-formação esta pode servir como ponto de partida para a discussão de processos formativos em perspectiva emancipatória. A segunda está associada ao fato de que aspectos como a capacidade de referir a si mesmo como sujeito e a viabilização das condições intersubjetivas para que a autorealização e a integridade pessoal sejam asseguradas dependem do grau de desenvolvimento das relações de reconhecimento. Palavras-chave: Conflito, Formação, Reconhecimento 105 Eixo Temático: Fundamentos da Educação Formação cultural e semiformação: contribuições de Kant, Hegel, Marx e Adorno para pensar a educação hoje Belkis Souza Bandeira Kelin Valeirão Avelino da Rosa Oliveira Universidade Federal de Pelotas Brasil [email protected] Resumo Este trabalho busca, amparado em categorias do pensamento de Kant, Hegel, Marx e Theodor Adorno, contribuições para pensar a educação hoje. Retoma o conceito formação cultural (Bildung), desde o Iluminismo, até desembocar no que é definido por Adorno como semiformação (Halbbildung); busca demonstrar a intrínseca relação entre educação e formação cultural como processos que se entrelaçam. Quando a produção simbólica, própria do processo da cultura, distancia-se do saber popular e aproxima-se dos interesses do mercado, convertida em mercadoria pela indústria cultural, encontra-se as bases para a consolidação do que, para Adorno, constitui o processo de semiformação, onde se desarticulam as condições subjetivas que possibilitam a efetivação do caráter emancipatório da formação. O grande desafio que se nos coloca no âmbito educacional hoje é a crítica da semiformação, tal como se apresenta não só no contexto macro da sociedade, mas no espaço da própria sala de aula, como possibilidade de poder emergir uma formação cultural que venha contribuir para a ampliação dos horizontes dos indivíduos, para a emergência de sujeitos conscientes de suas potencialidades e artífices de sua história. A educação, como processo de formação, possibilita ao homem inserir-se em seu processo histórico-cultural como sujeito, servindo-se do seu entendimento sem a tutela de outrem. Adorno, dentro da tradição kantiana, faz a defesa do Esclarecimento, sustentando a intrínseca relação entre Educação/Formação e Emancipação, como possibilidade de sair do estado de minoridade a que o homem está submetido. Se atualmente, na prática educacional privilegia-se o acúmulo do maior número de informações no menor espaço de tempo, a quantidade em detrimento da qualidade, consubstanciando o processo de disseminação da semicultura, é necessário, mais que nunca, que se faça sua autocrítica, surgida de sua configuração histórica, para a compreensão dos fatores que produziram este processo, 106 buscando postular, a partir de si, sua transformação. Embora carregue consigo uma herança de reprodução de injustiças de toda sorte, a escola ainda é uma instituição poderosa no processo de emancipação humana, talvez a mais específica para este fim e, apesar de suas ambigüidades é um espaço dialético e dialógico, pode transformar e também ser transformada. Palavras-chave: Formação Cultural, Semiformação, Educação, Emancipação. 107 Eixo Temático: Fundamentos da Educação O processo educativo para a emergência da pessoa na abordagem personalista mounieriana Claudio Marcio Piontkewicz Faculdade São Luiz Brasil [email protected] Resumo Este trabalho apresenta o processo da educação na abordagem personalista mounieriana que tem como categoria fundante a emergência da pessoa humana. A visão filosófica mounieriana tem como problema central a pessoa humana que é posta como centro e eixo da sociedade e da cultura. Emmanuel Mounier (1905-1950) é um homem que teve uma vida consideravelmente curta diante dos seus grandes feitos. Nos anos de 1930 participa do que há de melhor na vida intelectual parisiense. Neste ambiente, marcado por crises, concebe a ideia de fundar um movimento de ruptura diante da ‘desordem estabelecida’ para promover a revolução personalista e comunitária. Dos seus desafios, destacamse os de transformar: as ideias em ação, indivíduo em pessoa, sociedade em comunidade. Tem-se como objetivo refletir, na perspectiva personalista, de como educação pode contribuir para a emergência da pessoa humana. As raízes do pensamento filosófico mounieriano foram se construindo a partir dos desafios de sua vivência concreta. Aborda a pessoa humana na sua totalidade tendo como elementos fundamentais a: alteridade, comunicação e a vivência em comunidade. Para uma maior compreensão da pessoa humana tem-se como referencia princípios mediadores personalistas de interiorização e afrontamento que objetivam uma educação para a libertação e para o compromisso. Nessa busca de conhecimento Mounier assume a postura de: protestar, afrontar, comprometer, para modificar e revolucionar o clima intelectual e prático, sobre a problemática da pessoa humana e sua libertação. Pode-se constatar que Mounier aponta alternativas para que a pessoa humana viva de forma livre, pessoal e comunitariamente, na sua totalidade concreta. A educação como processo na perspectiva personalista faz um apelo para ‘despertar’ o ser humano, para ‘tornar-se pessoa’. A abordagem mounieriana na relação com os educadores no Brasil, sobretudo, Paulo Freire, despertaram uma rica contribuição para refletir aspectos da prática educativa atual. Este estudo se deu por meio de uma pesquisa bibliografica, visando a compreensão e interpretação 108 das obras de E. Mounier, sobretudo O personalismo, publicado pela primeira vez em 1949. Entre outras obras do próprio autor e de comentadores a seu respeito na perspectiva da educação, bem como obras de educadores brasileiros. A metodologia aplicada se deu pela análise bibliográfica dos textos. Palavras-chave: Educação, Mounier, Pessoa, Personalismo. 109 Eixo Temático: Fundamentos da Educação A educação entre indivíduo e coletivo: uma experiência paradoxal Danilo Augusto Santos Melo Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ Brasil [email protected] Resumo Desde o início da constituição dos campos de investigação da Sociologia e da Psicologia, em meados do século XIX, coloca-se o problema da relação entre indivíduo e coletivo. Entretanto, tais disciplinas operam uma separação fundamental a partir da qual privilegiam um dos termos na condição de elemento ou entidade que transcende e determina a outra. Para a educação, sobretudo, debate-se ainda a qual deles se dirigem as suas práticas, se ora o que é visado é o desenvolvimento das potencialidades, da autonomia e da alteridade dos indivíduos, ora o que mais importaria seria o processo de socialização, através da submissão às regras do grupo em que vive. Pensamos que esta dicotomia que separa e exclui o indivíduo do coletivo corresponde a um problema que coloca a própria educação num dilema que mantém excludentes estas duas orientações pedagógicas: trabalhar pelas diferenças que singularizam os indivíduos ou pelas semelhanças que lhes asseguram um sentimento de pertencimento coletivo? O problema da superação das dicotomias encontra sua condição de efetivação através de uma forma de pensamento em que os termos distintos devem ser pensados não de forma excludentes, mas por uma disjunção includente. Neste sentido, não pensamos mais o indivíduo e o coletivo, enquanto diferenças, como instâncias separadas que transcendem uma a outra. Esta forma de pensar a inclusão das diferenças é o paradoxo. A partir deste ponto de vista, objetivamos compreender que a educação estaria engajada numa tarefa paradoxal que consiste, ao mesmo tempo, em trabalhar pelo processo de inscrição dos indivíduos na vida social, subordinando-os ao conjunto das normas, regras e valores sociais, mas também em atuar como um dispositivo de resistência aos aspectos já instituídos pela sociedade e de criação de novos modos de pensar individuais e coletivos. Por fim, considerar a educação a partir de um modo de pensar que busca escapar dos modelos dicotômicos consiste em compreender as suas práticas como dispositivos que operam uma experiência paradoxal que produz tanto o sentimento de pertencimento coletivo e de identidade social quanto a alteridade e a autonomia, individual e coletiva. Palavras-chave: Educação, Experiência, Paradoxo, Socialização, Alteridade. 110 Eixo Temático: Fundamentos da Educação Fundar la educación en el diálogo. Desde la antropología filosófica de Martin Buber a la filosofía de la educación Eduardo Gabriel Molino Instituto de Educación Superior Argentina [email protected] Resumen Teniendo en cuenta la obra buberiana en general, se ha puesto la atención en su trabajo paradigmático: Yo-Tú. En él se presenta una comprensión integral acerca del ser humano que, entre otros aspectos, centra su atención en la capacidad humana de comprender el mundo, desde una perspectiva cognitiva y ontológica. Es lo que, en el lenguaje del autor, cae bajo los campos de las relaciones Yo-Eso y Yo-Tú. En tanto que una persona tiene experiencia del mundo, puede acceder a él cognitivamente, se está en el ámbito del vínculo Yo-Eso. Habitualmente la escolaridad, en todo su itinerario gradual, se mueve en este campo con categorías espacio-temporales que permiten establecer conexiones entre múltiples conceptos. En general se encuentran en esta dirección los modelos pedagógicos que se ocupan de la educación en tanto proceso formal relacionado con la escolaridad en cualquiera de sus niveles académicos. Sin embargo la capacidad humana de conocer la realidad trasciende lo específicamente cognitivo. Para entrar en este terreno menos explorado por la pedagogía, Buber ofrece su reflexión en torno a la relación Yo-Tú. El binomio Yo-Tú, presenta de entrada una paridad entre ambos. El Tú está ahí, está constituido, tiene su propia entidad. En este caso se trasciende el plano puramente cognitivo para ingresar en el de la relación. Y esta ‘relación’ se da ‘entre’ un Yo y un Tú. Este ‘entre’ que no pertenece ni al Yo ni al Tú, hace alusión al plano ontológico anteriormente aludido. Pensar el problema de conocer la realidad desde esta perspectiva más amplia, no es habitual en el contexto de la pedagogía orientada a la escolaridad, pero sin duda, es un problema propio para la filosofía de la educación. Al admitir la ‘relación Yo-Tú’ como modo específicamente humano de apertura a la realidad, todo Tú se hace un interlocutor capaz de des-ocultar algún aspecto de verdad. Más aún si el Tú es otra persona humana, entonces la mediación apropiada para tal des-ocultamiento es el diálogo. En este sentido, 111 desde la perspectiva educativa, el diálogo se hace inherente al planteo pedagógico y reclama el aporte de la filosofía de la educación. Palabras clave: Educación en el diálogo, Martin Buber, Filosofía de la educación. 112 Eixo Temático: Fundamentos da Educação A filosofia e a as emoções na história do pensamento humano Elvira Cristina Martins Tassoni Mestrado em Educação - PUC-Campinas Brasil [email protected] Resumo Este texto apresenta parte da revisão bibliográfica, realizada em minha pesquisa de doutorado já concluída, a respeito da forma como as emoções humanas foram compreendidas ao longo dos diferentes períodos históricos. A pesquisa discute as emoções de maneira integrada com a razão, defendendo a interdependência entre sentir e pensar. Para isso, focalizou os processos de ensino e aprendizagem na escola, identificando as emoções e sentimentos que participam e influenciam os processos de construção de conhecimento. Para fundamentar essa discussão este texto aborda a relação razão e emoção no campo da filosofia. Compreender o indivíduo em sua complexidade significa integrar as dimensões afetiva e cognitiva que o compõem. Desde a Antiguidade, observa-se um dualismo que coloca em constante tensão razão e emoção. As relações discutidas, neste período, eram entre corpo e alma, pois esta se constituía no acesso ao saber. Por séculos, as teses foram formuladas a partir de antagonismos – corpo e alma, material e imaterial, conhecimento inteligível e conhecimento sensível, matéria e forma, matéria e espírito, bem e mal, etc. Essa forma de pensar influenciou as ciências, a produção de conhecimento e a forma de viver de cada época. O texto apresenta algumas as ideias de Espinosa, que trazem inovações importantes para a relação corpoalma. Ambos estão sob as mesmas leis e princípios, expressos diferencialmente. Espinosa rompe com a concepção hierárquica que definia a alma como superior ao corpo, devendo comandá-lo. Suas ideias serviram de base para formulações posteriores que defenderam a interdependência entre corpo e alma, contribuindo para a elaboração de pressupostos que visavam à superação do dualismo existente. Desta forma, Vigotski, tendo como uma das referências as ideias de Espinosa, séculos mais tarde, faz sérias críticas às teorias da época que tratavam, separadamente, razão e emoção, imprimindo a esta última uma marca organicista. Afirma que ao restringir as explicações das emoções apenas às manifestações corporais, não se considerava a possibilidade de desenvolvimento das mesmas. Tais explicações contemplavam as emoções mais primitivas, diretamente associadas aos instintos e não formulavam 113 explicação alguma sobre as emoções superiores, mais refinadas, que contavam com componentes cognitivos. Palavras-chave: Espinosa, Relação corpo e mente, Razão e emoção 114 Eixo Temático: Fundamentos da Educação Paideia: aportación de los griegos a la educación Irazema Edith Ramírez Hernández Universidad Autónoma del Estado de México México [email protected] Resumen En el presente escrito se identifica el origen y desarrollo del concepto de paideia, resaltando su sentido ético, como formación y mejora del hombre. La exposición se desarrolla teniendo como hilo conductor la relación entre paideia y areté, como eje primordial de la propuesta educativa griega. El término Paideia va unido al de areté, pues educar implica cultivarla. De la acepción de la areté dependerá el sesgo que se le otorgará a la paideia. Los aspectos que se abordan son: Lugar de los griegos en la historia de la educación humana. Puede considerárseles como una civilización en la que la educación fue concebida como un fenómeno consciente y comunitario. La educación como nobleza y areté. Se identifica con el heroísmo guerrero y con la influencia de los más grandes poetas griegos. Homero educador. La poesía griega no se reduce sólo a una visión estética, se encuentra ahí un pensamiento ético. La misión educativa de la poesía homérica se liga a la exaltación de las hazañas heroicas, al honor y a la nobleza. La tragedia educativa de Sófocles. En sus obras lo humano se mezcla con lo ético, estético y religioso. Los personajes son figuras ideales, que sirven de ejemplo ante las situaciones más adversas, por ello la tragedia tiene un sentido educador. Se espera que con este trabajo se genere una reflexión sobre la educación actual, para vislumbrar posibles soluciones a sus problemas más apremiantes. Recurrir a la paideia, cobra pleno sentido e importancia para la educación de nuestros días, tanto para identificar que ahí están sus bases, como para reflexionar qué aspectos de ella están ausentes en nuestras sociedades y; finalmente para identificar cuáles son necesarios retomar para reencauzar la educación hacia lo humano. Palabras-clave: Paideia, Areté, Educación 115 Eixo Temático: Fundamentos da Educação A experiência formativa na instituição escolar, ainda possível? José Carlos Mendonça Universidade Federal do Acre – UFAC BRASIL [email protected] Resumo Pretende-se neste trabalho analisar as condições de possibilidade de instituir, ainda, a Escola como verdadeiro espaço de liberdade e de pensamento, pontuando, na medido do possível, tal implicação no processo educativo e formativo do futuro cidadão. Assim, primeiro a reflexão portará precisamente sobre o trajeto necessário que vai dos valores aos princípios reflexivos, trajeto no qual se afirmam as exigências constitutivas da cidadania. Em segundo lugar, pôr-se-á em evidência um paradoxo que defini a Escola, que poderíamos dizer ser um momento de tensão, de desequilíbrio, de restauração, ou talvez, um equilíbrio a se afirmar sempre. E, por fim, esforçar-se-á em mostrar como, tomando a incumbência de tais exigências as exigências constitutivas da cidadania, e mesmo, por meio de seus paradoxos, a instituição continuada da Escola faz dela reiteradamente o coração da cidade, fonte viva de uma liberdade, ousada pela aposta da razão. Palavras Chaves: Educação, Escola, Emancipação e Formação. 116 Eixo Temático: Fundamentos da Educação O Romance de Formação (Bildungsroman) no Romantismo Alemão: formação enquanto Cultivo em Novalis José Fernandes Weber Universidade Estadual de Londrina - UEL Brasil [email protected] Resumo Tendo por referência o romance de formação (Bildungsroman) Heinrich Von Ofterdingen, de Novalis, o propósito deste trabalho é apresentar a concepção de formação (Bildung) tipicamente romântica, concebida enquanto cultivo (Anbau, Bildung). Dado esse propósito geral, num primeiro momento apresentar-se-ão as principais concepções de Bildung na Alemanha do início do século XIX; num segundo momento, será apresentada a especificidade da concepção de formação na obra de Novalis, dando destaque para as noções: “exteriorizaçãointeriorização”, “atividade-progressão infinita” e “imaginação”, pois nelas se encontra a chave de interpretação da idéia segundo a qual formar-se significa cultivar-se. Palavras-chave: Cultivo, Atividade, Infinitude, Imaginação, Novalis 117 Eixo Temático: Fundamentos da Educação Governamentalidade e práxis educacional: Um questionamento da alegada “crise da escola” Kelin Valeirão Avelino da Rosa Oliveira Universidade Federal de Pelotas Brasil [email protected] e [email protected] Resumo Perda das certezas, inconstância de metas, carência de perspectivas, emaranhado de dúvidas... crise. Crise de valores, crise do sujeito, crise de paradigmas. Por fim, adensando o infindável coro, nós, os educadores, lamentamos – crise da escola. E, de súbito, somos tragados pela voragem das dúvidas. Pois em tempos assim, simultaneamente inquietantes e férteis, é preciso sempre, de novo, lançar-se à mesma aventura crítica que empreenderam, por exemplo, Kant, Hegel, Adorno e Horkheimer, Nietzsche, Weber; aventura à qual corajosamente filiou-se Foucault, sob a forma de uma ontologia do presente. Haverá, mesmo, uma crise da escola, um suposto desencaixe entre a escola e a sociedade contemporâneas? Ou, quem sabe, não poderia essa nossa sensação de inadequação entre escola e sociedade esconder/revelar novos ângulos de visão do problema? À luz dos cursos ministrados por Michel Foucault no Collège de France de 1970 a 1984, queremos enfrentar estas questões numa reflexão em três momentos. Inicialmente, buscamos configurar o conceito de governamentalidade e discutir sua associação com a ontologia do presente, estabelecendo-o, assim, como ferramenta analítica preponderante na compreensão da escola na contemporaneidade. A seguir, relacionamos a Modernidade à invenção da escola, passando rapidamente por alguns dos autores que marcam esse período. Discutimos, ainda, a caracterização da escola moderna como “máquina de governamentalidade”. Finalmente, no terceiro momento, trabalhamos a governamentalidade ligada à práxis educacional na contemporaneidade, visando indicar pistas que nos deem a entender as formas como, na sociedade de controle, a escola contribui para capturar não mais corpos dóceis, mas corpos flexíveis, ajustados às emergentes necessidades da sociedade. Deste modo, almejamos demonstrar que, de certo modo, talvez não seja adequado 118 falar-se em “crise da escola”; ou, em outras palavras, que não há, verdadeiramente, um desencaixe entre a escola e a sociedade contemporânea. Palavras-chave: Crise da escola, Governamentalidade, Práxis educacional, Sociedade de controle 119 Eixo Temático: Fundamentos da Educação Atravessamentos de ambulantes: aprender o des-aprender Laisa Blancy de Oliveira Guarienti Universidade Estadual de Campinas Brasil [email protected] Resumo Este trabalho teve por objetivo extrair aprendizagens que se dessem fora do contexto da sala de aula; desmistificar o ser deambulante – pessoas que produzem e criam conhecimento sensíveis fora do espaço escolar - e com estes conhecimentos construídos do outro lado do muro das instituições, problematizar o ensino escolarizante e diagnosticar uma outra possibilidade de educação, potencializadas por aprendizagens deambulantes. Assim sendo, o texto fala dos saberes das pessoas que carregam o prefixo –des–. Aquelas pessoas que a sociedade fascista enxerga como o desestruturado, destrambelhado, desequilibrado, desabilitado, o desacreditado, desafortunado, desagradável, desajeitado, desajuizado, desalojado, desarrumado, desnutrido, desaprovado, desarranjado, desatinado, desavisado, desclassificado, desconhecido, e outros ‘des’, que seguem. Esse prefixo ‘des’ que figuras do poder introjetam na frente do adjetivo, seja qual for, para des-qualificar as pessoas; para negar aquilo que ela pode. Deslocamento das figuras de poder que detém o poder sobre o saber. Escapar, sempre quando possível e encontrar as linhas de fuga que Gilles Deleuze e Félix Guattari (1995) nos falam. Experimentar outras formas de conhecimento que não somente as que nos são impostas. Assim como é a prática de vida dos deambulantes/andarilhos, esse vir a ser, acontecer, imprevisível, incerta, arriscada, cruel, corajosa, experimental; suas vidas se fazem como um laboratório de aprendizagens diário daquilo que pode o corpo. Na aprendizagem por experimento de deambulações, não há espaço para o certo nem para o errado. O experimento extrapola o binarismo entre somente duas opções. Uma vida pode mais que escolher apenas o caminho certo ou errado, ela vai se guiar por seus desejos e vontades. Abre-se o leque das múltiplas entradas que cada um pode cavar. Deambular por múltiplas possibilidades que se pode aprender. Arejar o pensamento com outros problemas-aprendizados-intensivos. Uma aprendizagem, nesse sentido, extrapola o conservadorismo das aprendizagens obrigatórias impostas. Aprendizagens errantes que não tem um objetivo final, e se há a possibilidade 120 de um final, este não se sabe onde é, pois a sina do deambular é seguir adiante, sempre na intensidade. Ela – a aprendizagem – é uma tarefa infinita. Palavras-chave: Aprendizagem, Deambulação, Intensidade, Decisões 121 Eixo Temático: Fundamentos da Educação A experiência do ler na Sociedade Excitada Luciana Azevedo Rodrigues Universidade Federal de Lavras Brasil [email protected] Resumo A forma de relacionamento com a palavra, nos dias que se seguem, dificilmente fundamenta-se no decantamento da expectativa, da curiosidade. Em seu lugar, a leitura da palavra não é apenas impulsionada, mas conservada por uma pressão cada vez maior, que exige daquele que lê uma postura imediatamente capaz de “devorar” o que tem de ser devorado, antes mesmo que a própria relação com o que é passível de leitura possa se estabelecer. Ao refletir essa pressão que esvazia a experiência do ler no interior dos estudos da disciplina Filosofia da Educação, este trabalho propõe uma re-leitura do texto “Importância do ato de ler”, escrito por Paulo Freire no início da década de 80, apoiada no estudo de pensadores da Teoria Crítica da Sociedade, especialmente na obra “Sociedade Excitada: Filosofia da Sensação”, escrita por C. Türcke no início do século XXI. Detendo-se sobre a experiência do ler, o trabalho ressalta a leitura da palavramundo como uma relação de proximidade com o mundo, distanciada da idéia de exploração e controle, assim como problematiza a reação de muitos estudantes da disciplina de Filosofia da Educação que estudaram esse texto, e identificaram o referido relacionamento com exploração. A insistência sobre essa idéia nos leva a argumentar que, em meio as pressões para emitir, na chamada Sociedade Excitada, os estudantes dispõem de nenhuma ou de poucas condições para renunciar ao impulso predatório no exercício da leitura. Nesse sentido, o trabalho se desenvolve em três momentos: a primeira parte analisa o texto de Freire, discutindo-o a partir do contexto da sociedade excitada; o segundo momento aborda o paradigma da sensação como algo sensacional de modo a refletir sobre como a pressão pela emissão torna ainda mais difícil o exercício não exploratório da leitura; a última parte relaciona a compreensão de Türcke sobre a proibição social de se opor as máquinas com a insistência dos estudantes em utilizar a palavra exploração para definir a experiência de leitura em Freire. Palavras-chave: Experiência do Ler , Exploração, Pressão para Emitir, Sensação 122 Eixo Temático: Fundamentos da Educação Estudo epistemológico e bibliométrico da produção científica da área de fundamentos da educação do PPGE/UFSCAR Marcio Coelho Maria Cristina Piumbato Inocentinni Hayashi UFSCar – Brasil [email protected] Resumo A pesquisa em Educação tem se mostrado consolidada no Brasil, resultado de um itinerário iniciado nos primórdios do séc. XX, o qual encontrou no INEP um importante propulsor, vindo a institucionalizar-se através dos programas de pós-graduação. Entretanto, as mudanças do contexto histórico-social nos últimos anos têm influenciado esse campo e despertado debates sobre os rumos dessas pesquisas. As modificações políticas do final do séc. XX enfraqueceram o marxismo enquanto teoria explicativa da realidade e, junto a isso, a disseminação da cultura pós-moderna gerou uma fragmentação dos objetos da pesquisa em Educação. Esse contexto justificou a realização do estudo das teses de doutorado da área de Fundamentos da Educação do Programa de PósGraduação em Educação da Universidade Federal de São Carlos (PPGE/UFSCar), para detectar se o contexto histórico da mudança de paradigmas na pesquisa em ciências humanas teve repercussão nos pressupostos epistemológicos dessa produção científica. O estudo realizado, de caráter documental e de cunho exploratório-descritivo, permitiu a identificação, reconhecimento e análise da produção científica, de forma que os resultados obtidos podem viabilizar generalizações e apresentar novos caminhos para pesquisas na área. Para a fundamentação histórica foi realizada a análise bibliográfica e documental de obras que tratam da história da pesquisa em Educação, da estruturação da pós-graduação no Brasil, do contexto histórico do século XX, especialmente a década de 1990, e de textos e documentos a respeito do desenvolvimento histórico do PPGE/UFSCar. No estudo da produção científica foi realizada a análise bibliométrica das 43 teses defendidas no período de 1993 a 2005, dos alunos que ingressaram nos dez primeiros anos do Curso de Doutorado do PPPGE/UFSCar, entre 1991 a 2001, e a análise epistemológica das teses da primeira turma, defendidas no período de 1993 a 1996. A partir das análises realizadas foi possível concluir que o materialismo histórico dialético foi o referencial teórico que predominou nas primeiras teses 123 defendidas no Curso de Doutorado, na Área de Fundamentos, do PPGE/UFSCar. Palavras-chave: Fundamentos da Educação, Análise Epistemológica, Análise Bibliométrica, Produção científica, Referencial teórico. 124 Eixo Temático: Fundamentos da Educação Fundamentos filosóficos e políticos da campanha pedagógica contra-reformista: séculos XVI e XVII Marcos Roberto de Faria Universidade Federal de Alfenas – UNIFAL Brasil [email protected] Resumo O recorte cronológico deste trabalho é determinado pela presença de vários instrumentos de “ordenação” usados pela Igreja Católica para colocar tudo em “ordem”. Dentre estes instrumentos estava o fortalecimento da vigilância que a Contra-Reforma evidenciou, sobretudo por meio dos decretos do Concílio de Trento. O texto trata dessa vigilância que a Igreja pôs em cena, a fim de trazer ao leitor a crise que se instalou na relação entre religião, poder e relações sociais nos séculos XVI e XVII. A chamada Contra-Reforma apropriou-se de grandes tradições filosófico-políticas para embasar suas práticas. Nesse sentido, o trabalho considera o ressurgimento quinhentista do tomismo e suas implicações na definição do estatuto do próprio ser humano. Tendo aprofundado essa questão, o trabalho passa a tratar, em seguida, de agentes considerados a principal expressão da Contra-Reforma: os jesuítas. Cabe destacar que, sobretudo após o Concílio de Trento, Aristóteles e Tomás de Aquino são incorporados como leituras obrigatórias nos cursos mantidos nos colégios jesuíticos, passando a ser os autores preferidos dos jesuítas. A lógica e a metafísica aristotélicas eram duas vias e duas estruturas do pensamento humano que garantiam certeza em um tempo de dúvida, sobretudo no campo da busca pela via da salvação. Para além disso, a rigidez das normas e proibições, como reação à instabilidade da época, se acentua também nas casas da Companhia. A fim de verificar essa tese, o trabalho recorre às cartas e determinações enviadas do centro da Ordem jesuítica em Roma para os colégios da América portuguesa. Nessa direção, conclui-se que o reforço da ortodoxia instaurado pela Contra-Reforma são perceptíveis em várias direções, como por exemplo, na rígida regulamentação das normas que sistematizavam o cotidiano dos colégios jesuíticos. Para colocar tudo em ordem, a Igreja contrareformista regula corpos e saberes, a fim de reforçar a vigilância e estabelecer a “ordem” sobre as coisas. Palavras-Chave: Filosofia, Contra-Reforma, Jesuítas 125 Eixo Temático: Fundamentos da Educação Diálogo e Confiança na Relação Educativa: uma contribuição a partir da Filosofia do Diálogo de Martin Buber Maria Betânia do Nascimento Santiago Universidade Federal de Pernambuco BRASIL [email protected] Resumo A problemática da formação encontrou diferentes respostas ao longo da trajetória da humanidade, expressas significativamente na Paidéia grega, e na moderna Bildung alemã. Nelas se descortina a dupla dimensão do processo de humanização: individual e comunitário, pois se trata da formação de personalidade única, na sua radical autonomia, mas que assim se reconhece pela confirmação do outro, numa projeção exterior por meio da participação no mundo. Buscamos refletir sobre a questão assumindo esse debate a partir do pensamento de Martin Buber, cuja Filosofia do Diálogo oferece significativas contribuições para a compreensão do sentido da formação humana. Compreendendo o humano como ser de relação, Buber afirma o diálogo interhumano como categoria existencial por excelência. O diálogo é o ato propriamente humano e humanizante, pressupondo a autenticidade da existência. A peculiaridade dessa situação dialógica resgata, enquanto questão antropológica, o sentido do humano e a dimensão ética que perpassa as relações. O sentido da formação emerge do conjunto das elaborações desse pensador, mas também da específica contribuição ao debate educacional da sua época, na expressa crise da modernidade que se evidenciava, mas também a grande manifestação do ideário pedagógico, momento ao qual ele busca responder de modo singular. Essas elaborações revelam uma posição alternativa quanto ao significado do educativo, que aqui objetivamos discutir. Reconhecendo a concretude da existência como ponto de partida do atuar pedagógico, Buber afirma o encontro, a relação dialógica como núcleo essencial da educação; um encontro em que o educador vivencia uma compreensão abrangente do educando reconhecendo-o em sua singularidade. A atitude fundamental que o orienta é a relação, a vivência da reciprocidade, anunciando que na tarefa formativa a relação se sobrepõe à intencionalidade. A educação pressupõe o vínculo de confiança entre os envolvidos, relacionado ao significado que o educador representa na relação da criança e do jovem com o mundo: ele assume uma intransferível responsabilidade de seleção do mundo 126 efetivo, como representante do mundo para os novos, sendo essa experiência sentido e caminho da formação. Tal proposta representa a consciência de que novos valores devem ser fomentados e nos leva a reconhecer no primado da confiança na relação educativa, mais do que uma estratégia de aproximação, de conquista do educando: um modo próprio de estabelecer as relações em uma realidade marcada pela desconfiança, pela descrença no outro. Palavras-chave: Diálogo, Confiança, Formação Humana, Martin Buber 127 Eixo Temático: Fundamentos da Educação Michel Serres: a possível nova hominescência e os desafios para a educação do homem contemporâneo Maria Emanuela Esteves dos Santos Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP Brasil [email protected] Resumo Essa pesquisa buscou pensar a formação do homem contemporâneo a partir da filosofia de Michel Serres, mais especificamente, a partir da obra Hominescências (2003). Por meio dela, problematizou-se os elementos ou as circunstâncias que singularizam nosso tempo e, consequentemente, podem estar fazendo emergir uma outra humanidade. Como uma investigação, a princípio, marcada por reflexões antropológicas, a dissertação intentou, contudo, por objetivo maior, lançar as proposições que permitissem pensar a educação do homem contemporâneo. Para tanto, a investigação tentou refletir sobre o homem e as dimensões que o engendram conforme estabelecida pela tradição da Antropologia Filosófica. Essa reflexão, por sua vez, conduziu à problematização da pergunta fundamental da Antropologia Filosófica: o que é o homem? Neste sentido, a investigação apropriou-se de alguns elementos da tradição do pensamento sobre o homem na tentativa de pensar a filosofia antropológica proposta por Serres. Uma vez associadas essas concepções, tornou-se perceptível o desvio que permitiu à filosofia de Serres a apreensão das modificações de nosso tempo enquanto potencialidades hominescentes. Logo, sob a ambiência dos conceitos antropológico-filosóficos, a dissertação passou ao detalhamento das circunstâncias diferenciais do século XX que, segundo Serres, modificaram as três dimensões de engendramento do homem: o corpo, o mundo e os outros. Tais circunstâncias diferenciais são pensadas, por sua vez, em razão dos seguintes acontecimentos: a liberação das constrições, dores e sofrimentos do corpo; as questões ambientais na relação do homem com seu meio, com implicações nas condutas e culturas, ciências, vida social, corpos e religião; e a recente expansão e mobilidade dos meios de comunicação, com implicações no tempo e espaço da habitação humana. Dessa forma, refletindo sobre a contingência desses acontecimentos à constituição do homem, a dissertação buscou levantar por fim, as implicações deste novo tempo ao pensamento educacional, através da viabilidade de repensar as velhas 128 categorias de totalidade: sujeito-objeto, conhecimento-ação que fundamentam as perspectivas de ensino e aprendizagem. Palavras-chave: Michel Serres, Antropologia Filosófica, Hominescências, Homem Contemporâneo. 129 Eixo Temático: Fundamentos da Educação Humanismo e Educação Mauro Rocha Baptista Wellington Elias de Jesus Universidade do Estado de Minas Gerais - UEMG Brasil [email protected] e [email protected] Resumo A proposta que motiva este trabalho é simples, o que não significa dizer que seja simplória. Simples porque qualquer análise de auto-ajuda pedagógica pode diagnosticar que existe um problema educacional associado à des-humanização da educação. Porém, não podemos nos arriscar nas conclusões simplórias a que estes manuais nos conduzem afirmando que a re-humanização da educação é uma questão de desenvolvimento sentimental por parte do professor. É necessário pensar que tipo de humanização, ou seja, que tipo de humanismo motivaria um revigoramento de nosso desgastado sistema educacional. O primeiro aspecto que será analisado é o que designamos como paradoxo da educação, ou seja, a necessidade de prender a resultados que se sobrepõe à veracidade daquilo que se pretende ensinar. A partir do momento em que se questiona o espaço próprio da verdade e a autoridade inabalável dos donos da verdade, o que precisa ser a postura de um professor humanista, a educação acaba por se contradizer. Ou ela abre os horizontes para novas perspectivas e tende a se perder metodologicamente, ou ela se fecha nas verdades já assumidas e se perde quanto a sua vocação de gerar criticidade. O que nos leva a indagar sobre a origem da relação com a verdade a partir dos seus embasamentos na ruptura entre mito e razão. A investigação deste ponto arquetípico é o que nos permite compreender a perda do humanismo em uma postura puramente racionalista. Diante da cisão com o mito o homem passou a se entender apenas como racional. Um novo humanismo, que compreenda a totalidade do ser humano, precisa reconhecer as limitações deste homem, o qual não pode se entender completamente apenas na razão. O homem é mais do que apenas razão, uma educação humanista precisa compreender este contexto para não se deixar levar apenas pela metodologia do acerto lógico e se abrir à compreensão de uma construção social deste sujeito que quer se educar. Palavras-Chave: Educação, Humanismo, Razão 130 Eixo Temático: Fundamentos da Educação Contribuições dos humanismos no pensamento de Paulo Freire Nelino José Azevedo de Mendonça Faculdade de Ipojuca – FAJOLCA - PE Brasil [email protected] Resumo A ideia defendida por Freire de que os seres humanos têm a vocação ontológica para o ser mais, isto é, para serem cada vez mais humanos, e isso implica na superação permanente das situações de desumanização, é o que configura essencialmente a dimensão na sua pedagogia e também o que articula em seu pensamento as bases conceituais de uma antropologia historicamente apoiada em concepções político-sociais. Como seres inconclusos vocacionados ontológica e historicamente para realizarem sua humanização, os homens e as mulheres são chamados a um engajamento político e social no mundo, e esse engajamento é a concretização da práxis humana. Para Freire, não é possível a superação das estruturas desumanizantes se os seres humanos não se tornam seres de práxis. O pensamento de Paulo Freire tece uma trajetória constitutiva de uma pedagogia libertadora, preocupada com a existência do ser humano no mundo. Por esse motivo, um dos aspectos centrais na formulação de sua práxis educativa é a questão da humanização. Ao reconhecer que a humanização é a vocação ontológica do ser humano para ser mais e que ela se constitui num processo permanente de dialogicidade e de práxis coletiva entre os seres humanos, Freire, por outro lado, reconhece também a distorção dessa vocação ontológica do ser mais (humanização) para o ser menos (desumanização) como realidade histórica e, portanto, como processo de desumanização que se estabelece num contexto social opressor e de exploração. O sentido de uma pedagogia humanizadora exige o entendimento de como os processos educativos se estabelecem enquanto ação cultural, tanto para a humanização quanto para a opressão, e, conseqüentemente, o que possibilita a construção de instrumentos de transformação da realidade na perspectiva de uma práxis educativa que contribui para a superação das estruturas desumanizantes e afirmação da libertação e humanização das pessoas e, ao mesmo tempo, a compreensão da relação histórica, política e cultural dessa ação pedagógica com a dimensão existencial da categoria humanização. Palavras-chave: Humanização, Desumanização, Pedagogia, Dialogicidade 131 Eixo Temático: Fundamentos da Educação O mal estar e a pseudoformação do indivíduo contemporâneo no âmbito da cultura e do trabalho: possibilidades de emancipação da subjetividade e da consciência Rosemary Roggero Uninoversidade Nove de Julho – UNINOVE Brasil [email protected] Resumo Este estudo tem por objetivo estabelecer um diálogo com Freud, Adorno, Horkheimer e Marcuse pondo ênfase à reflexão acerca da qualificação para o trabalho sob o atual movimento do capital e analisando, também, o sentido das reformas educacionais em direção à formação cultural, para interpretar sua influência sobre a subjetividade. Uma das principais questões sobre a qual nos debruçamos nessa reflexão é “Seria possível que o próprio setor educacional passasse a produzir e alimentar sua reflexão por aquilo que tem se produzido no mundo do trabalho, à luz das experiências de pseudoformação e de qualificação segundo a lógica das competências (ou mera adaptação) dos indivíduos, como um primeiro passo em direção à reformulação de sua práxis teórica? Ou a frieza instaurada impede que um sistema – mesmo o educacional – possa se autorefletir? Nossa hipótese é que os sistemas sociais, via de regra, mostram-se incapazes dessa auto-reflexão, por isso, considerando que o todo permite a existência do particular, a questão da auto-reflexão se volta para o âmbito do indivíduo. Torna-se sua a responsabilidade da escolha entre a auto-reflexão ou a negação de si mesmo em direção à uma subjetividade possível. Se a frieza se instala no próprio indivíduo em relação a si mesmo, ou se converte em autocomiseração, é engodo, é a astúcia dos tempos modernos que impede o (re)conhecimento da própria humanidade. Como será argumentado, as relações coisificadas, impedidas do amor pela frieza a que aderem necessitam da autoconsciência. Eis o tipo de auto-reflexão que pode ser pensada para a educação, para o sistema de formação na cultura desta sociedade. É preciso que se tenha consciência da crueldade e da dureza da vida para resistir a elas e manter presente a possibilidade da vida mesma, e não para naturalizá-las como aspectos que perpetuam uma vida simulada. A conclusão do estudo aponta que, aos que lidamos com a questão da formação no nosso cotidiano, fica o desafio constante de percebermos a quem ou a quê estamos servindo, e, antes disso, o 132 quanto de nossa própria formação é falsa, pelo reconhecimento da nossa frieza e pela auto-reflexão como forma de superá-la. Palavras-chave: Pseudoformação, Emancipação, Subjetividade, Consciência 133 Eixo Temático: Fundamentos da Educação Anísio Teixeira e os fundamentos filosóficos da educação democrática Sabina Maura Silva UEMG Brasil [email protected] Resumo O presente trabalho é produto da tese de doutorado, intitulada Matrizes filosóficas do pensamento de Anísio Teixeira, desenvolvida junto ao Programa de Pós-Graduação em Educação: Conhecimento e Inclusão Social da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais, sob orientação da Professora Doutora Rosemary Dore Heijmans e defendida junho de 2010. Anísio Teixeira se ocupa em explicitar os lineamentos filosóficos gerais e específicos à educação principalmente no livro Pequena Introdução à Filosofia da Educação – Escola Progressiva ou A transformação da Escola. O educador brasileiro chama a atenção para a ligação estreita entre educação, com o sentido claro de formação, e a filosofia, como expressão ideal universal de uma época. A educação como processo de formação da pessoa não pode prescindir de uma reflexão cujo escopo seja o desvendamento dos sentidos do mundo humano. É a formação para a vivência, a qual, no entanto, não se identifica com a mera acomodação ao instituído. Ao invés, pretende, e deve pretender sempre, seu reexame permanente tanto no nível dos procedimentos, quanto naquele dos princípios. Prática que corrige a si, porquanto se deixe penetrar pela postura filosófica e se nutra de seu pneuma. A filosofia aparece, pois, como uma postura que retifica usos e rumos da prática social formativa. A democracia, como forma paradigmática da existência social dos homens é o modo de vivência a ser fortalecida, na medida em que fornece aos elementos da vida moderna um amplo espaço de florescimento. Face a isso, cabe à escola dar ouvidos a todos, bem como a todos servir. Quanto ao professor, independente de seu campo de conhecimento específico, a totalidade do saber humano acumulado e continuamente produzido deverá ser por ele dominada, ainda que de modo referencial. Na reflexão de Anísio Teixeira, o qual confere ao pedagógico um fim político, o professor, que rege o processo educativo, deve possuir, tanto quanto informação e técnica, uma clara filosofia da vida humana e uma visão aguda da natureza humana; deve se tornar, por isso, filósofo. Palavras-chave: Filosofia, Educação, Democracia. 134 Eixo Temático: Fundamentos da Educação Nietzsche, cultura e educação: a exemplaridade da Grécia Pré-Socrática Silvia Cristina Fernandes Lima Universidade Federal de Uberlândia Brasil [email protected] Resumo O presente texto pretende refletir sobre a concepção de cultura que perpassa a filosofia de Friedrich Nietzsche (1844-1900), sobretudo, nas obras consideradas de seu primeiro período, notadamente n’O Nascimento da Tragédia (1872) e na Primeira Consideração Extemporânea – David Strauss o devoto e o escrito (1873). Refletir sobre o conceito de cultura se justifica na medida em que evidencia a sua importância, sobretudo, como possibilidade de criação e vivência na natureza e no mundo como um todo. Nietzsche, enquanto crítico da modernidade, afirmou que não há na modernidade uma cultura autêntica e sim uma pseudocultura. Para o filósofo alemão, a modernidade é estéril de criação cultural, pois se restringe a imitar os gênios. De acordo com ele, a modernidade é marcada profundamente pela falta de unidade - que na ótica de Nietzsche caracteriza-se pela unidade de estilos, assinalado pelo apolíneo e o dionisíaco -, na medida em que vive em um mundo fragmentado, instável e cheio de contradições. Contrário e crítico deste modelo de cultura estabelecido na modernidade, Nietzsche vai propor n’O Nascimento da Tragédia (1872) um modelo de cultura inspirada na Grécia pré-socrática. Pois, via nesta civilização um povo altamente civilizado e que apesar disso possuíam a capacidade de equacionar as paixões, os conflitos trágicos, os problemas angustiantes mediante uma exaltação da vida, no qual, podemos vislumbrar a união natureza e civilização. Desse modo, procura na Grécia pré-socrática a exemplaridade de uma civilização que, através da arte, tinha sobrevivido às adversidades. Na I Consideração Extemporânea David Strauss: o devoto e escritor, Nietzsche crítica a concepção de cultura que está estabelecida na Alemanha do século XIX, no qual, os alemães haviam confundido cultura com as glórias militares. Além disso, podemos observar que, para o filósofo da Basiléia, cultura e educação estão intrinsecamente ligadas. Para Nietzsche, as instituições de ensino na Alemanha do século XIX, tinham como objetivo a formação de profissionais para atenderem fins específicos dentro do novo cenário capitalista e industrial que começava a se configurar naquela nação. Assim, acreditava que 135 a exemplaridade dos gregos, as suas ações e, sobretudo, sua cultura e a forma de interpretar o mundo pudesse propiciar uma renovação da cultura alemã. Palavras chave: Cultura, Educação, Grécia Pré-Socrática, Nietzsche 136 Eixo Temático: Fundamentos da Educação O conceito de tecnologia na formação do tecnólogo Sueli Soares dos Santos Batista Emerson Freire Fatec Jundiaí Brasil [email protected] e [email protected] Resumo Neste artigo aborda-se como o conceito de tecnologia aparece na graduação tecnológica. Tomamos como ponto de partida de nossa discussão, questões que têm norteado outros pesquisadores: Que pressupostos definem uma educação relacionada à formação tecnológica e não limitada a uma formação técnica vinculada ao mero treinamento? A educação tecnológica pode ser compreendida extramuros da qualificação profissional? Partimos da hipótese de que há um ensino que se pensa para uma determinada concepção de tecnologia restrita à idéia de resultados mensuráveis e produtos utilizáveis. Algo muito distante do que se poderia almejar muito inicialmente como ensino sobre tecnologia. Consideramos fundamental discutir qual é o significado do que seria uma educação tecnológica que não lidasse com a tecnologia como algo em si, isolado de um contexto sócio-histórico e político. Edgar Morin analisa os desafios do pensamento científico contemporâneo considerando que há uma certa corrente da epistemologia que sofre uma espécie de tecnologização, enquanto idolatria da técnica subvencionada pelo mercado, e que considera de maneira dissociada os aspectos científicos, sociais e políticos próprios de uma sociedade em constante transformação. Neste trabalho discute-se uma epistemologia outra que seja capaz de analisar os limites dessa abordagem reducionista da complexidade da tecnologia em seu processo histórico e as conseqüências disso para a formação acadêmica e profissional. O objetivo deste artigo é analisar a importância da discussão permanente nos cursos de graduação tecnológica sobre o conceito de tecnologia na sua relação com a sociedade, com a ciência e com as decisões políticas. Além das diretrizes curriculares para esta modalidade de ensino, também verifica-se, a partir de pesquisa de campo com graduandos destes cursos, como se dá a percepção, o estudo e a reflexão sobre este conceito na sua formação, via de regra marcada pelo dualismo estrutural entre formação humanística e formação profissional e pela oposição simples entre ciência e tecnologia, entre pesquisa pura e pesquisa aplicada. 137 Palavras-chave: Educação profissional e tecnológica, Epistemologia da tecnologia, Graduação tecnológica, Sociedade e Tecnologia 138 Eixo Temático: Fundamentos da Educação A dimensão ética e pedagógica na intuição em Bergson Tarcísio Jorge Santos Pinto UFJF Brasil [email protected] Resumo No presente trabalho discutiremos alguns aspectos relevantes da concepção do método da intuição em Henri Bergson, analisando a partir daí possíveis contribuições desta teoria à filosofia da educação contemporânea. Investigaremos a possibilidade de pensarmos numa certa dimensão ética e pedagógica imanente ao método da intuição bergsoniano. Com este intuito procuraremos mostrar como, segundo Bergson, o exercício da intuição pode nos ensinar a conhecer mais intimamente a realidade da vida, proporcionando, em conseqüência disso, um maior equilíbrio da atividade intelectual do homem e uma maior possibilidade de sua elevação moral. Para o desenvolvimento dessa reflexão dois suportes se farão necessários: a abordagem que Bergson faz do misticismo em Les Deux Sources e o desenvolvimento de sua concepção de “bom senso” como o contrapeso fundamental à atividade racional dado através da atividade intuitiva, contrapeso este imprescindível tanto no campo do conhecimento teórico quanto no do conhecimento prático da vida cotidiana. Buscaremos através de nossas reflexões ressaltar, portanto, que, além de um método de conhecimento filosófico rigoroso da realidade, que é duração, a intuição, tal como Bergson a compreende, pode converter-se no princípio de ações transformadoras capazes de promover a elevação moral do homem e, assim, não só ampliar o seu campo de especulação como também lhe dar “mais força para agir e para viver”, segundo as próprias palavras do filósofo francês. Associada a esta discussão, apontaremos que importa a Bergson valorizar uma educação que ajude a formar um ser humano verdadeiramente criador e que, aliada a uma filosofia que valorize o espírito de simplicidade, aproxime-se da vida e tenha justamente a intuição como complemento fundamental da inteligência. Por estas e outras razões, embora Bergson não tenha desenvolvido nenhuma teoria pedagógica específica, certamente não são desprovidas de sentido as pesquisas em torno do tema da educação neste filósofo; muito pelo contrário, tais pesquisas têm mostrado um campo de pensamento rico e fértil, 139 capaz de trazer valiosas contribuições para a filosofia da educação, inclusive em nossa época mais atual. Palavras-chave: Bergson, Ética, Educação, Intuição, Inteligência, Bom senso 140 Eixo Temático: Fundamentos da Educação Huellas de erotismo prehispánico en la formación humana Marco Antonio Jiménez Ana Maria Valle Vázquez Facultad de Estudios Superiores Acatlán de la UNAM México [email protected] Resumen El erotismo es una exaltación, es la tensión constante entre conciencia e instinto, una exuberancia extrema de la vida que sólo puede ser posible en su correlato mortificante. Vida/muerte, más que oposiciones simples, son una misma palabra vidamuerte, por eso engendrar a otro ser, un ser agónico por principio, no deja de representar una actividad erótica, lo humano más humano. En otras palabras, pro-crear es dar vida a la muerte. Es en este sentido que consideramos que esta exaltación de la vidamuerte, propia del erotismo, está vinculada con la formación humana. La continuidad vital es para nosotros, como seres discontinuos (individuos que morimos de manera singular) mortales, condición necesaria de nuestra existencia. Precisamente el agotamiento del erotismo reside en la separación de la vida y la muerte como del placer y del dolor. En la formación humana, que no en el adiestramiento o disciplina, juega el doliente tejido del placer, convive la muerte y conmuere la vida; por que formar es trans-formar, movimiento impetuoso de formas, y deformar, oposición y vaciamiento de formas. Recurriendo a Bataille, planteamos tres formas de erotismo: del cuerpo, del corazón y de lo sagrado. Y tres importantes huellas: la conciencia de la muerte, la fecundidad y lo monstruoso. Estas tres formas de erotismo y sus huellas sin duda alguna aparecen en diversas manifestaciones prehispánicas. Y será desde aquí, desde la convergencia del erotismo, sus huellas y lo prehispánico que buscamos una peculiar manera de reflexionar sobre la formación humana. Palabras-clave: Erotismo, Prehispánico, Formación. 141 Eixo Temático: Método e Pesquisa em Educação A hermenêutica reconstrutiva de Habermas como método nas pesquisas em Educação Abdael Gaspar de Sousa Universidade de Brasília Brasil [email protected] Resumo O trabalho busca discutir a proposta da hermenêutica reconstrutiva de Habermas como alternativa epistemológica para repensar a pesquisa em educação diante da pluralidade teórico-interpretativa. Trata-se de uma proposta teórico-metodológica inovadora capaz de atender as exigências da cientificidade em suas diferentes manifestações, afirmando-se como abordagem alternativa às pesquisas qualitativas que vem sendo realizadas. Ela aborda a relação sujeito e objeto como pertencentes da mesma realidade objetiva, explicitando a impossibilidade de uma racionalidade instrumental de reconhecer uma verdade absoluta. A experiência da verdade recebe o sentido filosófico de racionalidade, que permite a emancipação social por meio do diálogo racionalmente motivado e livre de coações. Tal perspectiva se apresenta como recurso de qualificação do conhecimento educacional diante da conjuntura de crítica aos fundamentos absolutos e emergência da pluralidade compreensiva. Ela possui um caráter de emancipação que oferece oportunidade de, por meio da conversação entre as diferentes intérpretes, desenvolver mudanças práticas em favor de melhorias universais. Trata-se de uma possibilidade de gerar consensos, sempre susceptível de refutação, entre os interlocutores educacionais comprometidos com a vida prática e coletiva. Palavras-chave: Hermenêutica, Método, Educação. 142 Eixo Temático: Método e Pesquisa em Educação Materialismo e rede de significação (RedSig): Aproximações teóricas sobre o método Egeslaine de Nez Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS Brasil [email protected] Resumo O ato de pesquisar supõe que se possa delinear um objeto científico distinto dos objetos construídos pelo senso comum ou pela atividade humana; seu objeto se constrói numa ruptura em relação ao saber imediato. Qualquer construção na realidade não é, porém, nem definitiva, nem dogmática, mas sistemática e rigorosa. O método representa um procedimento racional e ordenado, constituído por instrumentos, que implica utilizar, a reflexão e a experimentação para alcançar os objetivos preestabelecidos no planejamento da pesquisa. Este artigo tem por objetivo realizar aproximações teóricas sobre o método, analisando criticamente o materialismo e a rede de significações, onde todos interagem dinâmica e dialeticamente, compondo a rede que contempla condições macro e micro-individuais. O marxismo compreende três aspectos principais: o materialismo histórico, o materialismo dialético e a economia política. Apresenta características importantes: materialidade do mundo; matéria anterior à consciência e o mundo conhecível. A Rede de Significações é uma perspectiva teórico-metodológica, que propõe uma rede de significados para compreender a realidade. Assim, o conjunto das ações possíveis de serem realizadas são estruturadas e interpretadas pela ação do outro e, por um conjunto de elementos sociais, econômicos e ideológicos. As significações se fazem através de conflitos e crises, onde a contradição revela-se como parte integrante e fundamental no processo de constituição das pessoas e da sociedade. Concluí-se a partir das reflexões teóricas que na RedSig, as pessoas e a rede de significações são contínua e mutuamente transformadas pelas características sociais e temporais do contexto nas quais as interações ocorrem. Os componentes individuais, os campos interativos, os cenários e a matriz mostram-se dinâmica e dialeticamente relacionados, estruturando redes de configuração semiótica. A existência de diferentes perspectivas, de idéias antagônicas, constitui um dos pressupostos da RedSig que interpreta pistas a partir de redes de significações em contínua transformação, e isso se liga 143 diretamente ao marxismo. E, enquanto método, ao materialismo dialético. Concluindo, as aproximações entre o marxismo e a rede de significações são significativas enquanto relacionada ao método da construção da pesquisa, pois há uma intersecção entre algumas características. Palavras-chave: Materialismo, marxismo, rede de significações. 144 Eixo Temático: Método e Pesquisa em Educação Dissociação de noções, o método do sistema hegeliano Tarso Bonilha Mazzotti Universidade Estácio de Sá Brasil [email protected] Resumo Sustenta-se, aqui, que Hegel utiliza a técnica argumentativa dissociação de noções, a que separa uma noção usualmente considerada unitária em dois termos para os comparar. Nesta comparação o termo 2 é pleno das qualidades que faltam no termo 1, instituindo o que ele diz ser o real. No caso de Hegel, o real é alcançado por meio transições que culminam na oposição absoluta (em si e por si) entre a ideia de prática e a ideia de teoria, que se resolvem na quietude do Espírito Absoluto. Os termos de uma dissociação não são contrários, mas oposições postas pelo que falta. A falta de algumas qualidades explicita ausência em relação ao que se considera completo, o termo II da dissociação. A contradição ontológica, pois é dessa que se trata em Hegel, requer que qualidades contrárias sejam atribuídas ao sujeito na mesma situação, tema da teoria do objeto (predicação). A não contradição ontológica afirma: “Em algum objeto a mesma característica [predicados, qualidades] não pode, simultaneamente, pertencer-lhe e não lhe pertencer”. Por isso, a falta de certas qualidades apenas designa o que carece para ser outro, o qual se quer completo, não se trata de contrariedades. Caso se afirme qualidades posta por uma relação, então elas serão correlativas, nunca contrárias. As qualidades de ser escravo e ser senhor são correlativas, são determinadas pela relação escravista, mas Hegel considera-as contraditórias, quando se trata de incompatibilidades. A situação de escravo é incompatível com a de senhor de escravos, salvo se a sua situação foi alterada, ou por se tornar livre do senhor de escravos (alforriado) ou pelo fim do escravismo. O mesmo ocorre na relação capitalista, em que o proprietário dos meios de produção é correlativo ao que vende sua força de trabalho, o que pode resultar em concorrência, luta entre as classes postas na relação, ou cooperação entre as classes para a realização da produção. No caso desta relação, se e quando forem alteradas, as duas classes fundamentais do capitalismo deixarão de existir, sem que se tenha uma superação desse modo de produção, mas a sua substituição. Palavras-chave: Hegel, método, noções. 145 Eixo Temático: Método e Pesquisa em Educação Por uma pesquisa dos sentidos, das sensibilidades e das poéticas nosdoscom os cotidianos escolares: contra uma escola do absurdo Victor Junger UNIRIO Brasil [email protected] Resumo A instituição escolar legitimou-se como espaço privilegiado do saber racional e reducionista. Em seu bojo uma série de dicotomias tomou forma, permeando amplamente seus instrumentos e técnicas pedagógicas, excluindo os saberes e sentidos outros de seu espaço. Este trabalho procura questionar as práticas regulatórias desta estrutura e seus jogos de poder trazendo à baila as reflexões de diferentes autores entre três relatos no/do/com o trajeto de uma pesquisa teórica, que poderiam contribuir para uma investigação dos sentidos e sensibilidades produzidas nosdoscom os cotidianos escolares. Como questãoproblema faço uso da imagem professor-aluno figurada pela peça de teatro A Lição, do dramaturgo Eugène Ionesco. A aula de aritmética que produz o anacronismo entre qualitativo e quantitativo, a aula de filologia que sob a semelhança e a igualdade das línguas constroi barreiras a este conhecimento, e por fim o crime que, efetuado como o absurdo da relação professor-aluno, é apenas concluído com o aniquilamento de uma das partes. O desenvolvimento transcorre entre três simulacros, três relatos nodocom o trajeto de uma pesquisa teórica, que poderiam contribuir, no meu entender, para uma investigação dos sentidos, das poéticas e das sensibilidades. O primeiro trecho transita sobre a ideia de sentido e acontecimento desenvolvida por Gilles Deleuze, nas sensibilidades que se efetuam entre a ordem das coisas e a linguagem. O segundo trecho traz as contribuições de Michel de Certeau para a cultura cotidiana via o estético das práticas, das enunciações pedestres e das poéticas dos golpes. O terceiro trecho investiga, junto às reflexões do professor Manuel Antonio de Castro, o fazer estético e os atos de produção poéticas de sensibilidades no poiein grego. Acredito que as pesquisas desenvolvidas neste sentido contribuem direta e indiretamente para a compreensão de que a escola não se reduz à norma, à mera reprodução das hierarquias, ou ao estabelecimento de uma monocultura dos saberes. Palavras-chave: Poética, sentido, escola. 146 Eixo temático: Política e Educação Dos caminos posibles en la formación ética: la literatura y la filosofía Andrés Mejía D. Mónica Almanza Universidad de los Andes Colombia [email protected] Resumen Se ha hablado mucho a lo largo del tiempo sobre el papel de la educación en la formación de la ética de los individuos. Dado que esta última ha sido tradicionalmente un objeto de estudio de la filosofía, podría esperarse que fuera a partir de esta disciplina que se llevara a cabo la formación ética. Sin embargo, autores como Rorty y Cavell, entre otros, han señalado el papel formador que pueden tener las artes narrativas, y en particular la literatura. En este artículo exploramos algunos aspectos de la naturaleza de una formación ética que parta de la literatura, en contraste con una que parta de la filosofía. En concreto, intentaremos mostrar que el hecho de que la literatura se preocupe por la representación de casos particulares mientras que la filosofía se ocupe de lo general y sólo después lo aplique a lo particular, tiene como consecuencia que la primera de estas disciplinas manifiesta una preocupación y un cuidado especiales por los detalles que configuran la complejidad de cada situación. De esta manera, la literatura como espacio de formación ética parece ser más acorde con los enfoques “particularistas”, que, como se puede argumentar, pueden ser más apropiados para entender nuestro comportamiento moral en las situaciones propias del mundo complejo de lo social. Ahora bien, no estamos diciendo que el mero contacto con la literatura va a formarnos de esta manera. Por ello, describiremos algunos principios que podrían distinguir, en una formación ética desde de la literatura, un enfoque particularista de uno generalista. De manera similar, no estamos diciendo que cualquier obra de la literatura tenga el mismo potencial para ello; y, en concreto, tampoco queremos sugerir que las obras literarias que pretenden dejar una enseñanza moral de manera obvia –como las fábulas y algunos tipos de literatura infantil–, o incluso aquellas que presentan conflictos morales de forma directa, sean las más apropiadas para ello. Es la atención a los detalles, tanto en la obra como en la 147 lectura de ella, la que resalta la complejidad de la moralidad y puede, con ello, ayudarnos en el desarrollo como seres morales. Palabras-clave: formación ética, literatura, filosofía. 148 Eixo temático: Política e Educação O impacto social da educação do campo na realidade do semi-árido nordestino Carlos Alberto Tolovi Universidade Regional do Cariri – URCA/ CE Brasil [email protected] Resumo Nestes últimos anos, no Brasil, podemos constatar uma nova realidade se afirmando no campo das políticas públicas para a educação. Dentro da herança deixada por Paulo Freire, na perspectiva da educação popular, os movimentos sociais intensificaram a luta por uma educação que leve em conta a realidade específica dos homens e das mulheres que vivem no campo. Os movimentos sociais pressionaram o governo. O governo provocou as Universidades e, deste processo dialético de co-responsabilidade social nasceu o PROCAMPO. Uma licenciatura totalmente voltada para a formação de educadores e educadoras inseridos na realidade do campo, com o propósito de uma educação contextualizada, a partir da pedagogia da alternância. Mas, será que este processo está acontecendo de forma tranqüila? Será que as Universidades estavam preparadas para assumirem esta missão? Será que o governo federal está realmente dando as condições de operacionalização para a execução deste projeto? Por fim, será que o PROCAMPO, como um programa do Governo Federal, em parceria com as universidades públicas, está realmente provocando um impacto positivo na realidade onde estão inseridos e atuando os educadores e educadoras que receberam essa formação? E na realidade nordestina, seria possível identificar estas impactos? O que podemos afirmar, a partir do levantamento que já fizemos, é que as 31 (trinta e uma) universidades que assumiram esse programa, envolvendo 1.900 alunos, em sua grande maioria, enfrentam o drama de não poderem contar com infra-estrutura adequada para a pedagogia da alternância e com um “corpo docente” preparado para este desafio. Por outro lado, não é difícil perceber que, um avanço, de fato, aconteceu: o PROCAMPO é hoje uma realidade. Portanto, neste ensaio temos por objetivo analisar o desenvolvimento da Educação do Campo no Brasil e os impactos desta mesma educação na realidade do semi-árido nordestino, levando-se em canta a necessidade de se enfrentar e desconstruir o chamado 149 “mito da seca”, que explica, justifica e acomoda o homem e a mulher do campo em uma realidade de injustiça social. Palavras-chave: impacto social, semi-árido nordestino, educação. 150 Eixo temático: Política e Educação Educação escolar indígena: Currículo, interculturalidade e revitalização Carlos Odilon da Costa Universidade Regional de Blumenau - FURB Brasil [email protected] Resumo O presente artigo é um dos primeiros resultados da pesquisa do Programa Educação para a revitalização da língua e cultura Laklânô/Xokleng. Capes/Furb, realizada pelo grupo Educogitans, da linha de pesquisa Filosofia e Educação do Mestrado em Educação da Universidade Regional de Blumenau. A pesquisa é financiada pelo Observatório da Educação Escolar Indígena/MEC/CAPES. O objetivo principal e identificar os elementos presentes na educação construídas por eles, que possibilitam e promova a autonomia e libertação deste diversos povos indígenas frente a uma sociedade não indígena envolvente fundamentada no espírito capitalista neoliberal. O artigo descreve também que estes grupos, embora silenciados, fazem parte de nossa história e hoje, são parte de um processo de revitalização cultural. Destaca-se o trabalho de Professores Indígenas os quais se organizam articulando filosofias, currículo e diretrizes básicas diferenciadas fundamentada em uma concepção intercultural à questão da educação escolar dos povos indígenas em contraposição à escolarização para indígenas. Palavras-chave: Revitalização. Educação Indígena. Interculturalidade. 151 Eixo temático: Política e Educação O eterno das violências nas escolas públicas do Distrito Federal Diogo Acioli Lima UCB- Universidade Católica de Brasília Brasil [email protected] Resumo Este estudo de casos múltiplos, realizado pela Cátedra UNESCO de Juventude, Educação e Sociedade da Universidade Católica de Brasília (UCB) analisou de forma quantitativa e qualitativa cinco escolas públicas do Distrito Federal, com elevado grau de práticas de violências. Para isso, a pesquisa de caráter descritivo e exploratório utilizou como técnicas de coletas de dados observação, entrevistas de grupo focal com alunos; entrevistas semi-estruturadas individuais, e aplicação de questionários a professores e alunos. Foram focalizadas as turmas do sexto ao nono ano do ensino fundamental e de aceleração dos turnos diurnos. Ao todo participaram da pesquisa 783 alunos, 111 professores, dez membros dos CSE, e 91 alunos nos grupos focais. Percebendo a urgência de se compreender as violências entre os grupos de colegas e os motivos pelos quais elas afloram, as relações de dominação nos pátios escolares se manifestam como um meio para coerção social nas disputas de poderes entre “senhores” e “escravos”. Partindo desta ótica, as violências que entram nas escolas, influenciadas muitas vezes pelas mídias atingem grande parte dos estudantes, sendo eles vítimas ou perpetradores. Piorando este cenário, a omissão da direção fortifica mais ainda círculo de violência nas escolas, pois deixa os caminhos livres para disputas agressivas de poderes entre os estudantes. Contudo, o pensamento do eterno retorno ligado à valorização da vida pode trazer os jovens de volta ao protagonismo nas escolas, pois o trabalho desvinculado do capital como resposta pode gerar uma valorização da vida em detrimento de sua banalização. Palavras-chave: violências escolares. eterno retorno, “senhor” e “escravo”, disputa de poderes. 152 Eixo temático: Política e Educação Educação e justiça na perspectiva da filosofia de John Rawls Edgar Domingo de Albuquerque Universidade de Sorocaba Brasil [email protected] Resumo John Rawls (1921-202) é um dos mais importantes nomes da filosofia política do século XX. Seu esforço intelectual concentrou-se na análise do conceito de justiça presente nas doutrinas filosóficas utilitaristas e contratualistas e, sobretudo, na tentativa de elaborar uma teoria que fundamentasse quais princípios de justiça orientariam a constituição política da sociedade. Embora Rawls não tenha se dedicado diretamente às questões da educação, esta está implicitamente presente em sua teoria, uma vez que os principais conceitos filosóficos desenvolvidos por Rawls se apoiam na percepção que os indivíduos tem de si mesmos como cidadãos livres, iguais e participativos da cooperação social. Percepção esta que passa, ou deveria passar, necessariamente pela esfera da educação formal. Assim, apresento neste trabalho uma síntese das relações entre educação e justiça feitas em minha dissertação de mestrado. Buscando uma aproximação entre a teoria da justiça rawlsiana e a educação formal. O presente trabalho expõe, de forma condensada, os principais conceitos da teoria rawlsiana, com a finalidade de situar o leitor no universo teórico proposto por Rawls e, em seguida, as interpretações e inferências feitas a partir da perspectiva da teoria rawlsiana sobre a educação formal, identificando-a como uma das instituições da estrutura básica da sociedade e, ainda, como um bem primário dentro da concepção rawlsiana. Palavras-chave: Educação, Justiça Social, Equidade. 153 Eixo temático: Política e Educação O Século das Luzes e a educação pública como instituição política republicana Fabio de Barros Silva Universidade Federal de São João del-Rei – UFSJ Brasil [email protected] Resumo A discussão e a avaliação do papel exercido pela educação pública no regime republicano constituem os principais objetivos deste trabalho. Para isso, centramos a análise no exame da teoria política e social de Montesquieu (16891755), exposta no Do espírito das leis (1748) e nas Considerações sobre as causas da grandeza dos Romanos e de sua decadência (1734), e da teoria política e pedagógica de Rousseau (1712-1778), desenvolvida no Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens (1755), no artigo Da Economia Política (1755), no Contrato social ou princípios do direito político (1762), no Emílio ou da educação (1762) e nas Considerações sobre o governo da Polônia (1772), considerando, especialmente, o vínculo entre política e educação estabelecido por estes teóricos. Além disso, procuramos analisar alguns dos diferentes projetos de educação pública apresentados durante o processo revolucionário francês, cotejando-os com o Rapport et projet sur l'organisation générale de l'instruction publique e com as Cinq mémoires sur l’instruction publique, ambos elaborados entre 1791 e 1792 pelo Marquês de Condorcet (1743-1794), considerando as diferentes matrizes teóricas e o posicionamento político de seus proponentes. Assim, sem desprezar as divergências entre os autores e textos estudados, o trabalho procurou enfrentar, fundamentalmente, três problemas: 1. Por que a educação pública assume a condição de instituição política essencial para a consolidação dos regimes republicanos? 2. A institucionalização da educação pública como política de Estado imprescindível para a formação de cidadãos não termina por conduzir ao estabelecimento de uma relação pautada na heteronomia em detrimento da autonomia? 3. Qual seria o limite da ação do Estado em matéria de educação? Palavras-chave: Iluminismo, Política, República, Educação pública, Cidadania. 154 Eixo temático: Política e Educação A Filosofia da Educação no contexto de reformas do ensino superior Gilson Luís Voloski Universidade Federal de Santa Catarina Brasil [email protected] Resumo A partir da década de noventa do século passado, com o processo de globalização da economia e da anunciada “Sociedade do Conhecimento”, o cenário mundial passa por tentativas de reformas no ensino superior. Este texto pretende situar a Filosofia da Educação neste contexto de reformas. Para isso, busca identificar as principais diretrizes dessa tendência e, considerando algumas delas, refletir sobre suas possíveis implicações para a teoria e a prática formativa. No contexto brasileiro, centraliza a análise nos discursos de reforma, de modo especial, na Resolução CNE/CP n° 01/ 2006 que institui as novas “Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Graduação em Pedagogia” e, com base nesta, na avaliação diagnóstica desses cursos. (GATTI et all, 2009). A estratégia metodológica deste artigo consiste em apresentar indícios da intensificação da semiformação presentes nestes discursos reformistas, ao mesmo tempo em que, de forma subentendida, se ressalta a importância da Filosofia da Educação como resistência crítica. Portanto, neste contexto de simplificação prática e de superficialidade teórica, a Filosofia da Educação precisa resistir na produção rigorosa de conceitos, ao mesmo tempo em que é desafiada a se abrir ao diálogo com outras áreas de conhecimento da educação, desenvolvendo a crítica do presente, no caso do tema específico desse texto, com a qualificação das políticas educacionais. Palavras-chave: Reformas do Ensino, Semiformação, Filosofia da Educação, Práxis e Teoria Crítica. 155 Eixo temático: Política e Educação Sobre artesanos y proletarios: Consideraciones acerca de relatos de experiencias y trabajo docente Jonas Waks Universidad de Buenos Aires Argentina [email protected] Resumen La experiencia de casi tres años como profesor de filosofía en escuelas públicas secundarias en San Pablo, Brasil, despertó mi interés por el tema del trabajo docente. Durante ese período, fueron implementados algunos programas que establecieron formas de control más intenso sobre el profesor y nos quitaron la autonomía para planificar, desarrollar y evaluar las actividades didácticas. Desde los sindicatos resistimos, pero no tuvimos fuerza para impedir el avance de las reformas y aún menos capacidad para plantear alternativas. El contacto con algunas estrategias de formación, capacitación y asociación docente basadas en el relato y en la documentación de experiencias pedagógicas me ha permitido, por un lado, comprender mejor los efectos de las reformas tecnocráticas sobre el trabajo docente. Por otro, permitió indagar esas estrategias no solo como resistencia a las reformas, sino como contribución valiosa al planteo de una “política de conocimiento” alternativa para la escuela. El presente trabajo empieza con la descripción y el análisis de mi experiencia en escuelas que vivieron la implementación de programas tecnocráticos, para indagar sus efectos en las relaciones de poder en la escuela. Luego, analizo una estrategia de formación y capacitación docente basada en los relatos de experiencia: la Documentación Narrativa de Experiencias Pedagógicas, desarrollada en Argentina. Parto de una descripción de la estrategia y de algunas discusiones metodológicas que ella suscita, para contraponerla a mi experiencia con la tecnocracia y reflexionar sobre la implicaciones epistemológicas y políticas de los distintos modos como se piensa a los docentes. Si los “paquetes curriculares” generan la proletarización del docente (al prescribir detalladamente todas sus acciones y alienarlo de sus relaciones con el conocimiento, sus pares y alumnos), la Documentación Narrativa hace hincapié en la dimensión artesanal de la docencia, al interpelar el maestro como intelectual, como productor de saberes en que la marca de su singularidad será siempre visible. De este modo, no solo ofrece resistencia al avance de la 156 tecnocracia, sino propone también un reposicionamiento de la identidad docente, fundada en su rol de productor de saberes y en nuevas formas de asociación vinculadas al (re)conocimiento de esa productividad. Palabras-clave: Relatos de Experiencias, Trabajo Docente, Profesor de Filosofia. 157 Eixo temático: Política e Educação Sobra o conceito de fronteiras: uma reflexão em torno do diálogo entre a filosofia e a política visando interrogar o pensamento hegemônico José de Sousa Miguel Lopes Universidade do Estado de Minas Gerais Brasil [email protected] Resumo As reflexões que motivaram a elaboração deste texto resultam de um longo processo de maturação que o autor vem desenvolvendo na última década, ao ministrar aulas em várias Universidades, em diferentes cursos de graduação (Filosofia, Pedagogia, História, Geografia, Letras, Psicologia, Comunicação e Jornalismo), pós-graduação lato-sensu (principalmente Psico-Pedagogia) e Mestrado em Educação. Estas reflexões, de forma crescente, passaram a “incomodar” o autor, ao constatar como a célebre assertiva de Marx “a ideologia dominante em uma sociedade é a ideologia da classe dominante” se faz tão presente no modo de pensar de uma parte significativa dos estudantes. E esse modo de pensar se tornou tão forte, em resultado de um pensamento que se tem tornado hegemônico a nível mundial, que virou natural, evidente, óbvio, não passível de contestação, em suma quase cristalizado. Emerge, então, a necessidade de se enfrentar o senso comum, não como um inimigo, que ele não é, mas como, ele se pode transformar em obstáculo para construir novos maneiras de pensar e agir sobre o mundo. Ao transpormos nossa reflexão para o campo acadêmico, estaremos no lugar onde as disciplinas se entrincheiram nas suas fortalezas, coibindo consciente ou inconscientemente o diálogo. Assim, começaremos por discutir os conceitos de fronteira e limites, procurando mostrar a necessidade de realizar esse esforço transdisciplinar, que atravesse as fronteiras do saber, do pensar e do viver contemporâneo. Seguidamente, e privilegiando alguns recortes temáticos, procuraremos incitar cinco autores de vários campos do saber, - autores que designamos por “provocadores” - , ao diálogo com a Educação. São intelectuais que trabalham temas da Filosofia (Michel Onfray), da História (Jack Goody), da Ciência Política (Domenico Losurdo) e da Sociologia (Zygmunt Bauman e Boaventura de Sousa Santos) na perspectiva de questionamento do pensamento hegemônico. Assim, ocorreu um duplo desafio: para o professor que, através de vários autores, desencadeou, provocativamente, reflexões que, em grande medida, se configuraram 158 polêmicas, e para os estudantes com quem dialogou, almejando aprofundar, aceitar e/ou discordar de seus pontos de vista. Ficou claro que as zonas de fronteira podem/devem transformar-nos, e frequentemente o fazem, em analistas minuciosos dos sistemas de representação que sustentam nossas crenças, valores e dinâmicas relacionais. Nesse processo, esse analista minucioso em que nos transformamos, pode estabelecer conexões a comunidades de pertencimento imprevisíveis. Palavras-chave: fronteiras, filosofia, política, pensamento hegemônico. 159 Eixo temático: Política e Educação Teoria crítica, sociedade democrática e formação política em Habermas Luiz Roberto Gomes UFSCar Brasil [email protected] Resumo Nos dias de hoje, para além dos discursos “entusiasmados” em prol da liberdade e da democracia, é cada vez mais comum encontramos pessoas enclausuradas em si mesmas, sem uma preocupação explícita com as questões que envolvem o “bem comum”, o “espaço público”, ou a vida política, na forma como os gregos a definiram na Polis. No plano cultural, a privatização dos mecanismos de controle ideológico da informação tem contribuído cada vez mais para que haja a intensificação da Indústria Cultural, tal como Adorno e Horkheimer já diagnosticavam em meados dos anos de 1940. Diante da problemática que ora trazemos para a discussão, poderíamos dizer que estaríamos diante de um processo de despolitização da sociedade atual? Que lugar ainda restaria para a “esfera pública”, se as “políticas” continuarem a expressar muito mais os interesses privados do que os efetivamente públicos? A formação política, na forma como descreve Jaeger (1995), não teria mais sentido, principalmente numa sociedade em que prevalece a lógica sistêmica do dinheiro e do poder? É nesse contexto de sobreposição do “privado” sobre o “público” e do reducionismo da formação à sua dimensão técnico-instrumental, que propusemos à luz do pensamento de Jürgen Habermas, uma reflexão acerca dos processos políticos de formação da sociedade, especialmente, a apreciação do processo de usurpação da esfera pública e o conseqüente afastamento da sociedade civil do debate público. Partimos da hipótese, conforme as análises empreendidas por Hannah Arendt, de que a crise da política está associada a uma crise da educação, pois, os sistemas educativos atuais relegam, para segundo plano, os conteúdos dos processos formativos que possivelmente denotariam uma participação mais efetiva dos cidadãos, perante os dilemas que desafiam a sociedade atual. Com tal propósito de reflexão, esse trabalho procurou abordar os aspectos concernentes aos limites e possibilidades dos processos de formação política na contemporaneidade. Para efeito de análise, foi considerada a contribuição do pensamento filosófico-político de Jürgen Habermas, especialmente, os elementos formativos da noção de política deliberativa concebida a partir de um modelo procedimental de democracia. 160 Com Habermas foi possível demonstrar que, a sobreposição do poder administrativo sobre o poder comunicativo acaba gerando um profundo estado de debilidade social. O esvaziamento da esfera pública e o distanciamento da sociedade civil da vida política são os sintomas de uma sociedade ameaçada pelos interesses sistêmicos do dinheiro e do poder. Como não se trata de um processo natural, a sociedade pode reverter essa condição, mediante o restabelecimento do vínculo entre a esfera pública e a sociedade civil. A educação também pode ajudar a desenvolver a sensibilidade política dos cidadãos, com o fortalecimento da capacidade avaliativa e argumentativa das pessoas, viabilizando, dessa forma, o debate público de discussão e de deliberação dos reais interesses da sociedade civil. Palavras-chave: Teoria Crítica, Formação Política, Sociedades Democráticas, Jürgen Habermas 161 Eixo temático: Política e Educação “O que vocês fizeram está fora de um padrão aceitável para a escola”: sujeição e prática de liberdade no cotidiano escolar – da (in)disciplina ao cuidado de si Wescley Dinali Universidade Federal de Juiz de Fora Brasil [email protected] Resumo As problematizações aqui pospostas passam pelo interesse em mover discussões em torno da produção de sujeitos escolarizados. Na possibilidade de (re)pensar diferentes processos de subjetividades presentes no cotidiano escolar, como a sujeição e as possíveis práticas de liberdade presentes nesse espaço. Tendo como arcabouço teórico a perspectiva foucaultiana e alguns autores que trabalham com essa proposta, como Gallo, Veiga-Neto e Revel, entre outros, a pesquisa foi realizada no Ensino Médio do Colégio de Aplicação João XXIII da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) no primeiro semestre de 2010. Para a consecução deste trabalho, acompanhei durante um semestre, onde realizei um trabalho de observação participante, a rotina diária de coordenadores, professores, alunos, técnicos, pedagogos e pais de alunos, percorrendo espaços diferenciados como: coordenação, sala de aula, cantina, pátio da escola, banheiro, sala dos professores, rádio da escola, ônibus escolar, restaurante, reunião de pais, reunião do conselho de classe etc. Foi feito também uma análise de documentos como o Regimento Interno do Colégio e o Registro de Questões Pedagógicas e Disciplinares dos Alunos do Ensino Médio. Para tanto, observou-se que a escola busca muitas vezes controlar cotidianamente os corpos escolares através de diversos dispositivos de sujeição. Nesse sentido, a “indisciplina” foi pensada como uma prática de resistência contra esses efeitos do poder inerente a esse tipo de processo pedagógico, pois quanto mais se controla mais se produzem forças resistentes. Todavia, a autoridade escolar, muitas vezes, busca controlar ainda mais essas forças, produzindo e reproduzindo a (in)disciplina. No entanto, como foi possível refletir, a ética da estética da existência como cuidado de si pode vir a ser, para a prática docente, uma forma de resistência a esse modelo escolar, a essas práticas impostas, propiciando, para os professor e para os outros, diferentes 162 jogos de forças no interior desse espaço, jogos de liberdades mútuas, recíprocas entre uns e outros cotidianamente. Palavras-chave: Cotidiano Escolar, (In)disciplina, Cuidado de Si. 163 Eixo temático: Teorias da Educação Formação ética na perspectiva da teoria antinômica de cabanas Almiro Schulz Universidade Federal de Goiás – UFG Brasil [email protected] Resumo O texto tem por objetivo apresentar a “Teoria Antinômica” de José Maria Quintana Cabanas sobre a formação ética, cuja teoria é desenvolvida principalmente nos textos de Cabanas: “Teoria de La educacion, concepción antinômica de La educación”(1988), “Pedagogia moral- El desarrollo moral integral” (1995) e “Pedagogia axiológica – La educación ante los valores”(1998). Cabanas apresenta sua teoria como uma terceira via, chamada de ética máxima, a situa entre a “teoria da clarificação de valores” que tem seu foco voltado para a formação do caráter, das virtudes, do domínio afetivo e outro lado, a “teoria cognitivista”, com ênfase no desenvolvimento do juízo moral, do domínio da cognição. No caso da primeira, o processo da educação ética e moral centra seu foco na formação das virtudes, segundo a qual o ser humano está pré-disposto por natureza para fazer o bem, mas há deficiências naturais que precisam ser corrigidas e aperfeiçoadas. A segunda centra sua preocupação na formação da moral na reflexão, na consciência ou cognição. A terceira, assumida por Cabanas, por meio dela pretende superar ambas anteriores, estabelece uma síntese, uma terceira via que considera como uma formação integral, chamada também de moral máxima, que busca incluir na formação todos os domínios e níveis da moralidade e da ética. Segundo Cabanas, para que se atinja uma formação moral máxima é preciso que simultaneamente ocorra a instrução teórica, por meio do ensino moral, como fruto do conhecimento (cognitivismo) e o desenvolvimento do hábito, por meio da disciplina e prática, como uma forma da iniciação na prática do bem, pois, as idéias em si são impotentes para determinar sempre um comportamento ético. Para isso, é preciso incluir na formação moral o campo pessoal e o campo social, e, em ambos, superar o que chama de moral mínima. Nesse sentido, a formação envolve relações interpessoais, através de atividades de compartilhamento, de experiências que exigem disciplina, para a formação do caráter. Portanto, segundo Cabanas, o processo educativo para formação ética 164 se dá numa relação antinômica, que não são contradições lógicas, mas oposições polares ecujo resultado não é dogmático, mas crítico e moderado. Palavras-chave: Ética, formação, teoria antinômica. 165 Eixo temático: Teorias da Educação La condicionada renuncia al instinto de propiedad, como parénesis de la teoría de La educaión sin escuela Carlos Andrés Muñoz López Universidad Libre de Colombia Colombia [email protected] Resumen Es evidente la gran necesidad de comprender o reestructurar formas alternativas de enseñanza, frente a la inocultable crisis de la educación actual direccionada en su mayoría por parámetros gubernamentales, dejando en consecuencia a la Escuela como: la antítesis más profunda de la añeja y bien intencionada concepción de la palabra Escuela. Por lo anterior, se hará un análisis en primer lugar del planteamiento de la teoría de la Educación sin Escuela, la cual en términos generales concibe en su inmediatez práctica diversas acepciones difíciles hacerlas converger en una teoría, debido al riesgo de hacer cualquier aseveración unívoca sobre su conjunto. Es por ello, y con miras a precisar el objetivo de la ponencia, que tendremos a Iván Illich como principal referente, con su obra cumbre “La sociedad desescolarizada”; seguido haremos un breve bosquejo con el fin referenciar las distintas acepciones de carácter práctico comprendidas en la teoría base de la ponencia; para así proceder a exponer el significado puntal de lo que se podría considerar el instinto de propiedad en el ser humano, referenciando la pertinencia del comprender la dificultad y magnitud recaída sobre quien desee renunciar al mencionado instinto, o por el contrario, someterse. Para esta temática nos basamos en las conferencias llamadas: “El porvenir de nuestras Escuelas” realizadas en Basilea por el entonces filólogo alemán Friedrich Nietzsche. Para dar termino final, se explicará la renuncia al instinto de propiedad como característica imperante del fundamento filosófico de la teoría de la Educación sin Escuela y sus posibles desviaciones en la práctica. Palabras-claves: Educación; Escuela; Instinto; parénesis; gubernamental. 166 Eixo temático: Teorias da Educação Educação musical na República de Platão Daniel Figueiras Alves Faculdade de Educação/UNICAMP Brasil [email protected] Resumo Este artigo concentra-se no estudo acerca da paideia platônica, delimitada pela questão da formação dos cidadãos da Cidade ideal, notadamente a categoria dos guardiões. Esta formação é conferida pela cultura musical, fundamento e cânone da paideia tradicional. Tal recorte temático está inserido numa contextualização que remonta ao arcaico, mas se dá no período clássico quando em confronto com o pensamento sofístico. Tanto Platão quanto os sofistas retomaram elementos dessa cultura musical, notadamente a potencia educativa da paideia musical aliada ao estatuto de veracidade incontestável da poesia. N'A República a crítica de Platão aos sofistas é empreendida, com maior vigor, no livro I e gira em torno da noção de justiça; já a crítica aos poetas e aos músicos está concentrada nos livros II e III e pretende ditar preceitos e censuras acerca do conteúdo, da linguagem e dos elementos técnicos musicais. A função da educação sensível é a de promover a formação das bases morais e sensíveis da alma dos cidadãos; é uma educação propedêutica e atua diretamente na alma dos indivíduos mediante a adequada organização das partes da alma. Esta organização deve assegurar o comando da razão sobre as demais partes, ou ainda, garantir a posição de superioridade hierárquica da sabedoria sobre as outras virtudes humanas. A reta organização das virtudes constitui, para Platão, a efetivação da justiça na alma e por extensão a concretização da justiça no Estado. O Estado é a externação da interioridade da alma; se a alma encontra-se perfeitamente organizada então o Estado também estará. A educação sensível é a primeira etapa da paideia platônica, antecede os estudos matemáticos e a dialética, estes duas e especialmente a última atuam na condução da alma à contemplação do Bem e das ideias. Enquanto o conteúdo destas últimas privilegia a formação intelectual, a educação musical – anterior e sensível, lança mão dos elementos da tradição para a formação da moralidade. Nesse sentido, a educação musical é uma espécie permissão concedida ao poeta e ao músico para formação dos cidadãos, desde que vigiados pelos legisladores da Cidade ideal e submetidos à racionalidade. Palavras-chave: Educação, Música, Platão. 167 Eixo temático: Teorias da Educação O conceito de emancipação em Jacques Rancière Edna Batista da Silva Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro Brasil [email protected] Resumo O presente trabalho tem por objetivo refletir sobre o conceito de emancipação em Jacques Rancière, considerando que a proposta de uma educação para a emancipação remonta ao século XVIII com o movimento que ficou conhecido como Iluminismo. Uma das bases deste movimento é precisamente a autonomia intelectual, a compreensão de que o ser humano deveria fazer uso de sua razão e ter a responsabilidade de tomar por si mesmo as decisões éticas sem recorrer a nenhuma autoridade externa. Neste sentido, não é difícil perceber o importante papel conferido à educação que deveria, então, colaborar no aprimoramento intelectual do indivíduo, a fim de que ele atue na construção de uma sociedade mais justa. A conquista da autonomia intelectual é precisamente o que entendemos por emancipação. Trata-se de investigar, portanto, como a educação pode ou não contribuir para que ela seja alcançada. A questão que guia este trabalho é a seguinte: a exigência de emancipação critica o processo educativo porque ele se pauta numa transmissão de conteúdos e conhecimentos e por produzir uma heteronomia. Cabe, portanto, pensar como é possível uma educação baseada na emancipação, visto que este é um processo que pressupõe a autonomia do aluno. Assim, utilizarei Rancière como referencial teórico pelo autor afirmar, em seu livro O Mestre Ignorante, uma igualdade das inteligências e trabalhar a necessidade de que o professor seja um mestre emancipador e não um mestre explicador, pois o primeiro, não submete a inteligência do aluno à sua, acreditando ser o detentor do saber, já o segundo, pauta sua prática apenas na explicação, crendo ser o educando aquele que, não tendo o conhecimento, precisa de alguém que o explique sobre as várias questões que permeiam sua realidade. Para Rancière, o emancipar está pautado numa questão política, visto que na relação entre professor e aluno não deve o mestre se colocar numa posição de detentor do saber, mas pelo contrário, deve incentivar o educando a buscar saberes que ele enquanto docente possui, acreditando que o aluno é capaz de alcançar os mesmos conhecimentos. Palavras-chave: Emancipação, Educação e Autonomia. 168 Eixo temático: Teorias da Educação A interpretação de textos e a formação da pessoa reflexiva Um estudo sob a perspectiva de John Dewey José Claudio Morelli Matos Universidade do Estado de Santa Catarina - UDESC Brasil [email protected] Resumo Por meio do exame do pensamento de John Dewey, sobretudo das obras Democracia e Educação e Como Pensamos, discute-se uma concepção acerca da leitura e interpretação de textos. O papel educacional da leitura é destacado por meio de uma identificação desta atividade com o que Dewey denomina de pensamento reflexivo. Assim, não haveria oposição entre a pedagogia da experiência de Dewey, e uma forte tonalidade pedagógica atribuída à leitura. O resultado da prática da leitura é a formação de hábitos mentais mais integrados, menos dispersos, maior aproveitamento da energia dispensada, e aumento das chances do comportamento, individual ou coordenado socialmente ser bem sucedido de acordo com os objetivos que os próprios agentes estabelecem, naquilo que envolve a leitura. A leitura é compreendida como investigação, direcionada a apreender o significado do texto. Este último é compreendido como um artefato, ou utensílio, constituído a partir dos símbolos escritos. Por ser um utensílio, se presta a um uso individual e social. No ambiente social em que a linguagem escrita ocupa papel determinante na conduta bem sucedida dos indivíduos, a leitura é fundamental instrumento de comunicação, por meio do qual crenças, conhecimentos, modos de agir são transmitidos e modificados. Palavras-chave: formação, John Dewey, interpretação de texto. 169 Eixo temático: Teorias da Educação A relação teoria e prática nas licenciaturas Maria das Graças de Almeida Baptista Genilson José da Silva Universidade Federal da Paraíba Brasil [email protected] e [email protected] Resumo A presente pesquisa é fruto, inicialmente, dos estudos desenvolvidos na UFPB, no início da década de 2000, com vista à reformulação curricular de seus Cursos, aliado às reflexões desenvolvidas a partir da introdução do Programa Estudante Convênio - Rede Pública (PEC-RP), na UFPB, visando à formação dos professores da rede pública, e ao desenvolvimento da tese de doutorado em educação da autora junto aos professores que atuam em escolas públicas estaduais do município de João Pessoa. Nesses momentos, a dicotomia teoria e prática veio à baila, fazendo surgir o seguinte problema: qual a natureza das associações teórico-práticas que os alunos desenvolvem durante o Curso de Licenciatura? O objetivo do presente estudo é, portanto, conhecer as associações que os discentes das Licenciaturas desenvolvem acerca da relação teoria e prática nas disciplinas pedagógicas. Entretanto, parte-se do pressuposto que as associações que os alunos desenvolvem nas disciplinas pedagógicas encontram-se dialeticamente relacionadas às propostas oficiais para as licenciaturas, tanto do Ministério da Educação, como da própria IES, assim como às concepções dos respectivos Cursos e de seus docentes acerca de como ocorre essa relação, seja para o aluno se contrapor a elas, seja para corroborálas. Nesse sentido, a pesquisa empírica desenvolveu-se junto aos discentes e docentes do Curso de Licenciatura em Educação Física da UFPB, assim como foram analisados os documentos oficiais do MEC, como a LDB e o CONAE, e os documentos relativos à orientação da UFPB para os Cursos de Licenciatura, a Resolução 04/2004 do CONSEPE, e os Projetos Político Pedagógicos do Curso (onde convivem o antigo e o novo Currículo). O estudo desenvolve-se em uma perspectiva marxiana e tem como referencial teórico a práxis, em Gramsci e Vázquez, entendida como a ação consciente dos sujeitos que une a teoria, compreensão da realidade, à prática (trabalho criativo), transformação do mundo. Essa ação consciente tem como condição a transformação desses sujeitos. Esse caminho inclui o destaque das contradições presentes nos documentos e nos depoimentos de docentes e discentes. Palavras-chave: educação, práxis, marxismo, universidade. 170 Eixo temático: Teorias da Educação Del matrimonio entre literatura y lengua: El Jano Bifronte de la escuela Mónica Isabel Almanza Marroquín Universidad de Los Andes, Bogotá Colombia [email protected] Resumen Este trabajo es una reflexión en torno a la enseñanza-aprendizaje de la lengua materna y la literatura en la escuela colombiana: dos campos de conocimiento que han sido, desde tiempo remoto, unidos bajo una sola asignatura; es decir, unidos bajo los mismos fines y prácticamente bajo las mismas didácticas. Reflexionar sobre las diferencias existentes entre estos dos campos de conocimiento es el objetivo que persigue este artículo, pues se observa que a pesar del vínculo lingüístico que ha mantenido a lengua y literatura unidas bajo la asignatura de Lengua Castellana, existe entre ellas una diferencia enorme: la literatura es un arte, por lo cual, no necesariamente comparte fines y didácticas con la lengua materna. En la enseñanza-aprendizaje de la literatura además de estudiar el texto escrito y de tomar en cuenta la historia de sus producciones y las relaciones entre éstas y el contexto, necesariamente se aborda la experiencia estética, que hace parte del amplio y esquivo campo de la subjetividad humana. Mientras que, la lengua materna se orienta principalmente hacia el desarrollo y fortalecimiento de las cuatro habilidades comunicativas, que habrá de utilizar el individuo a lo largo de la vida, en todas las circunstancias. Ya que ambos campos de conocimiento son de vital importancia para el desarrollo holístico de un individuo, se hace necesario preguntar si cada uno se está desarrollando al máximo. Especialmente, en un momento en el que en Colombia se han evidenciado dificultades relacionadas con esta asignatura. Dificultades demostradas en los resultados de investigaciones nacionales acerca de los índices de lectura; de las pruebas estatales sobre comprensión textual y de las dificultades en producción de textos presentes en los estudiantes que acceden a la universidad. Estas dificultades conducen a reflexionar sobre la pertinencia del matrimonio entre lengua y literatura, pues es probable que, al compartir fines y didácticas se esté limitando un adecuado desarrollo de ambas. Se sugiere entonces, permitirle a cada campo del conocimiento establecer sus 171 propios derroteros y perseguirlos bajo sus propias lógicas, a fin de que cada uno aporte todo lo que tiene para dar. Palabras clave: literatura, lengua, estética, ética. 172 Eixo temático: Teorias da Educação Pensando uma docência nômade: apontamentos a partir do Deleuze (aluno e professor) do ABCDário Pedro E. Gontijo Universidade de Brasília Brasil [email protected] Resumo O presente busca apresentar as conclusões de pesquisa empreendida sobre o pensamento de Gilles Deleuze e potencialidades para pensar a educação. Parte da necessidade de criação de outras formas de se produzir sentido nas práticas educativas e a partir de ressonâncias dos dizeres de Gilles Deleuze na entrevista concedida e publicada como Abcdário, sobretudo no verbete professor, pensa a prática da docência. As conclusões da pesquisa revelaram que mesmo Deleuze não sendo um pesquisador no campo do ensino, suas obras evidenciam um conjunto de idéias que são potencializadoras de uma prática docente que não seja facista e que se expressa nômade. Produz deslocamentos a partir da exposição no ABCDário, onde Deleuze passeia sua fala em basicamente quatro movimentos que se interagem e influenciam mutuamente: a) a relação entre a preparação da aula e a inspiração provocada que leva a afirmar a importância do ensaiar a aula; b) a relação entre o professor e o fascínio pelo conteúdo; c) a concepção da aula como música e; d) por último, na relação entre professor e alunos, no que se refere a levá-los a uma criativa solidão. Tenta-se pensar o reordenar e criar toda uma nova geografia da aprendizagem e do ensino sob outras perspectivas. Questiona sobre a vida pulsante de uma aula e o vínculo a algum perfil docente. Talvez mais que a plástica ou dinâmica de uma aula, mais que o conteúdo da aula, Deleuze nos ajuda a pensar que exista um conteúdo professor a ser apresentado aos alunos na qualidade de presença com que se coloca diante deles. Apresenta e comenta depoimentos de ex-alunos de Deleuze sobre as aulas dele. Palavras-chaves: Aula, Docência, Nomadismo, Deleuze e Educação. 173 Eixo temático: Teorias da Educação Criança, infância e infantil: nas teorias da educação contemporânea Sônia Regina da Luz Matos Nadja Acioly Regnier Universidade de Caxias do Sul/PPGEDU/UFRGS Brasil [email protected] e [email protected] Resumo A pesquisa criança, infância e infantil: nas teorias da educação contemporânea foi aceita como proposta de investigação no Programa de Mobilidade Acadêmica Internacional no Intercâmbio de Professores e de Pesquisadores entre Universidade de Caxias do Sul e o Institut Universitaire de Formation des Maîtres (IUFM), em Lyon, na França. A proposta de investigação teve o foco nos conceitos e autores da filosofia da diferença. Com este foco foi possível levar esse tema para além das teorias psicológicas do desenvolvimento infantil. A metodologia da pesquisa aconteceu a partir do estudo conceitual com o filósofo francês Gilles Deleuze (1925-1995). O estudo metodológico conceituais foram tomados como sintomas dos movimentos no pensamento da diferença. O sintoma, isto é, os dados, serviram de bricolagem para direcionarmos os conceito dentro de uma especifica análise conceitual sobre os conceitos: criança, infância e infantil. O estudo quer cartografar alguns dos efeitos dos conceito criança, infância e infantil. Para isso, pergunta-se o termo criança, e infância são coisas diferentes? Embora por vezes sejam usados como sinônimos. O que produziu-se sobre estes conceitos na educação? Pensar nestes na com a filosofia da diferença é um procedimento de escovação dos clichês universais grudados neste conceito. Portanto, traçamos cinco (5) linhas sobre infância(S), produzidas a partir dos discursos da sociedade moderna: a infância pecado, a infância mercado, a infância ideal, a infância consumo/cyber. Estas infâncias são algumas das produções identitárias engendradas na sociedades modernas e contemporâneas. Por fim, me aliando com o conceito de infantil da autora CORAZZA (2002), podendo assim, diferenciar o conceito de infância e infantil. Com o infantil, engendra-se uma possibilidade não identitária, de força afirmativa singular, produz estranhamentos na estrutura moral estabelecida pelos adultos. A própria existência do infantil, abala os valores morais da tradição e da nossa herança ocidental moderna, entre outras tradições. Esse 174 conceito é levado para fronteira dos estudos da filosofia da diferença, com os estudos deleuzianos, levados a fronteira de agenciamentos singulares que se compõem com uma vida. Palavras-chaves: Criança, Educação, Contemporânea. 175 Resumos dos Trabalhos em Andamento Eixo Temático: Democracia e Educação Saberes ambientais indígenas e não indígenas e a educação ambiental Elias João de Melo Universidade Regional de Blumenau Brasil [email protected] Resumo Essa comunicação se refere a uma pesquisa financiada pelo Programa Educação Escolar Indígena da CAPES/INEP ao debater a temática ambiental considerando a posição de que os problemas ambientais dizem respeito à forma como diferentes culturas se relacionam com o ambiente. A premissa se ampara, entre outras, nos modos como os humanos, por meio de suas instituições e culturas, interferem nos aspectos que geram e sustentam a vida. Assim esse tema é tratado numa perspectiva intercultural com abordagem dialógica que analisa como a dinâmica ambiental sofre interferência das instituições humanas voltadas para a produção e consumo de bens comercializáveis, as quais colocam em risco a sustentabilidade da vida no planeta. A consciência dos limites que o planeta apresenta, implica em propor alternativas de solução que tenham direção contrária ao que gerou os problemas. Nessa dimensão se identifica que o processo está vinculado ao contexto civilizatório vigente, o qual dificulta o encontro de alternativas tanto de produção quanto de controle das ações produtivas que levem em conta de forma prioritária a vida e não o mercado. Dentre as formas de enfrentamento ao que foi convencionado como crise ambiental foi instituída a Educação Ambiental como alternativa para gerar mudança na dinâmica civilizatória vigente, mas que, no entanto, não alcançou as mudanças esperadas. Assim, essa comunicação questiona a racionalidade e a objetividade que permeia a dinâmica civilizatória vigente bem como a ciência organizada numa concepção positivista, pautada na objetividade sem considerar a complexidade e subjetividade das relações ambientais. A Educação Ambiental ao dialogar com diferentes culturas e saberes, de forma intercultural, pode desencadear meios e alternativas viáveis. Essa comunicação mostra como o debate com professores indígenas Xokleng/Laklãnõ, pode indicar a forma como comunidades indígenas conseguiram superar dificuldades ambientais e delas acumularam conhecimentos e posturas que as referendem como parceiras 176 privilegiadas nesse debate. Dessa forma a Educação Ambiental se mostra como atividade intercultural, crítica e propositiva e como ação inclusiva e amorosa, tendo como uma de suas bases a pedagogia freiriana. Palavras chave: educação ambiental; educação escolar indígena; saber ambiental; saber indígena. 177 Eixo Temático: Democracia e Educação Anísio Teixeira: desafios para a educação democrática e pública de qualidade José Aguiar Nobre Samuel Mendonça Programa de Pós-Graduação em Educação PUC Campinas/SP Brasil [email protected] e [email protected] Resumo Sabemos que a questão da educação democrática e pública de qualidade sempre foi desafiadora por se tratar de uma busca constante pela compreensão do homem no processo de contínua descoberta do conhecimento. Neste trabalho, buscamos analisar os desafios da educação democrática e pública de qualidade pensada por Anísio Teixeira. Para isso, adotamos como referencial teórico as obras de Anísio Teixeira e de John Dewey e de interlocutores da atualidade sobre a escola e a democracia. Para esta análise, considerando o referencial teórico, esquadrinhar-se-á o conceito de democracia que tem John Dewey como mestre de Anísio Teixeira. Então, do ponto de vista do método, o trabalho será feito a partir de revisão bibliográfica, dissecando textos de Anísio Teixeira e de John Dewey, buscando elucidar o conceito de democracia e oferecendo ocasião para a qualificação da educação democrática e pública de qualidade, tendo como fio condutor a qualificação deste agente “público” da educação pública de qualidade que é o educador emancipado. O problema da pesquisa consiste, do ponto de vista formal, na pergunta: quais os desafios para a efetivação da educação democrática e pública de qualidade a partir de Anísio Teixeira? O desenrolar da questão aponta para a indagação a respeito da tarefa do educador no desenvolvimento das potências do homem na construção de uma concepção de educação que aponta para a emancipação do sujeito. A exemplo de Anísio Teixeira buscar-se-á visualizar possíveis estratégias para a contínua qualificação da educação e por que não dizer da cidadania a fim de se conseguir efetivamente uma educação pública de qualidade no Brasil. Os resultados esperados consistem na hipótese da construção de um perfil de educador condizente com a tarefa de promover a emancipação do homem; afinal, é a educação o ethos possível para o fomento da democracia e, portanto, para a efetivação da educação democrática e pública de qualidade pensada por Anísio Teixeira. 178 Palavras-chave: Educação, John Dewey, Anísio Teixeira, Emancipação, Democracia. 179 Eixo Temático: Democracia e Educação Carácter ético de la educación y su rol en la construcción de una sociedad democrática Lía Lucy Rebaza López Universidad Nacional Tecnológica del Cono Sur (UNTECS) Peru [email protected] Resumen El presente trabajo tiene como finalidad mostrar la importancia del rol de la educación en la construcción de una sociedad democrática y esto se realizará a través de una reflexión sobre la labor educativa, la cual mostrará el carácter ético de la educación, puesto que ésta no sólo cumple con la función de instruir o colaborar con el desarrollo intelectual o profesional de las personas, sino y, es aquí donde pondremos énfasis, debe colaborar con el desarrollo moral de las personas y de esta manera contribuir con el progreso de nuestra sociedad. Este es un compromiso que debe asumir la educación puesto que pese a los ideales de la modernidad de construir sociedades justas encontramos una extrema individualidad, la que se hace patente en la actual crisis moral de nuestra época, en la que encontramos la felicidad como lo sugerido y lo sugestionado relacionado, en la mayoría de los casos, a lo económico y en un plan de vida que excluye a los demás seres humanos. Todo ello ha contribuido a acrecentar las diferencias sociales. Esta crisis es tan cercana a nosotros y a nuestros países latinoamericanos que ya no nos sorprende leer en las noticias algún caso de corrupción, discriminación o violencia, ante esto ¿qué puede hacer la educación y cuál es su papel en la vida de los hombres? ¿Cuál es el lugar que le corresponde en nuestros países? Ante estas preguntas se hace necesaria la reflexión sobre el rol de la educación en la formación de una sociedad democrática, entendida ésta como una sociedad humana y justa. De esta manera entenderemos la íntima relación existente entre la educación y la ética. Como se señala líneas arriba este trabajo pretende hacer una reflexión sobre la educación, pero esta reflexión es importante porque es el primer paso para lograr cambios reales y significativos, pero sobre todo para comprender la verdadera tarea de la educación y por tanto, darle el lugar que le corresponde, sobre todo en nuestros países latinoamericanos. Palabras-clave: Carácter ético, educación, sociedad democrática. 180 Eixo Temático: Democracia e Educação Experiências de Paulo Freire em países africanos e sua Práxis educativa Priscila Resende Silveira Universidade Federal de Viçosa Brasil [email protected] Resumo Este artigo tem como objetivo explicitar aspectos preponderantes na relação de Paulo Freire com os países africanos. Freire, nestes países, contribui com a prática educacional mundial, ao provocar um olhar sobre o mundo, que não seja a de ver somente a sombra, ou somente a luz, mas a conscientização da relação de existência presente em ambas. O ato educativo em Paulo Freire é intrínseco a um olhar afetuoso, racional e ao mesmo tempo político, nunca sobre um povo, mas com ele. Em sua práxis constrói a ligação entre escola, trabalho produtivo e população local, entre prática e teoria e o trabalho produtivo e o intelectual. Além da busca pelo estabelecimento de relações entre a Educação e o Estado. Neste sentido, esse artigo busca discutir como Paulo Freire contribuiu com a prática educacional africana e como os seus referenciais podem ser utilizados na prática educacional mundial. Foi o esforço em se sobrepor a dominação cultural dos ex-colonizadores que tomou o educador em sua essência militante de ler a realidade dos homens no mundo, que essencialmente extrapola espaços e tempos. O educador pernambucano via no africano, como em tantos outros, o seu próprio ser: naquilo que ele mesmo era ou no que não era; naquilo que o outro era ou que não era; naquilo que o outro negava a si mesmo para aceitar aquilo que “ditavam” que ele fosse; e finalmente na percepção e construção do que poderiam vir a se tornarem juntos. Assim, querse verificar quais as incursões do educador junto aos povos de Guiné e em outros países. O artigo busca explicitar como, após as experiências vivenciadas, estes países continuaram a construir suas trajetórias históricas no contexto de hegemonia da globalização, que se contrapõe ao necessário contexto de planetarização. Enfim, o artigo procura verificar se a práxis educativa construída por Paulo Freire com estes povos, se faz de fato como esforço de (re)construção de algumas sociedades no mundo. Palavras-chave: Reafricanização das Mentes; Educação Libertadora; Práxis Educativa. 181 Eixo Temático: Ensino de Filosofia Mapeando nvos tempos de ensinar e aprender filosofia: experiências mo PIBID Adriany Thatcher Castro Soares Alexandra Quadro Siqueira Vera Lúcia Malaquias Mutti PIBID-Filosofia / UFBA Brasil [email protected] Resumo O itinerário da legalização do Ensino de Filosofia no Brasil é recortado por percalços que, historicamente, têm dificultado a sua legitimação. Frente a esse contexto, a aprovação da Lei 11.684, em 2008, que torna obrigatório o Ensino de Filosofia nas três séries do Ensino Médio, origina-se na longa discussão entre educadores, filósofos e o poder público brasileiro. Durante esse percurso vivenciamos a criação de diretrizes e programas que se anunciam interessados na formação dos profissionais licenciados. Compreender as implicações dos discursos oficiais se tornou ainda mais necessário, após a aprovação da Lei 11.684 de 2008 que tornou obrigatório o Ensino de Filosofia no Ensino Médio. Nesse viés, o presente trabalho apresenta a proposta do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência em Filosofia (PIBID-Filosofia), da Universidade Federal da Bahia (UFBA), vivenciadas em duas escolas públicas da cidade de Salvador/Bahia, desde 2010. O contexto legal que permeia a criação desse programa, bem como os subsídios disponibilizados para sua execução serão analisados. Os trabalhos desenvolvidos tomaram por base a investigação da estrutura escolar e das demandas dos estudantes, como um Mapeamento do Ensino de Filosofia na escola o qual fundamentou a criação de outras atividades, dentre as quais, destacamos: a Monitoria que conta com leitura e discussão dos textos estudados com a professora supervisora, na sala de aula; a realização de palestras e eventos, como o Banquete Filosófico; a exibição de filmes (curta metragens), vinculados aos conteúdos exposto nas aulas de Filosofia, através do projeto Filosofia na Cozinha. As atividades são divulgadas na escola e na internet, através do blog do Pibid-Filosofia (http://filosofiapibidufba.blogspot.com/) garantindo também a construção de ambiente virtual favorável à reflexão filosófica. Os resultados produzidos através desse trabalho têm garantindo a construção de ambientes favoráveis à 182 reflexão do significado da Filosofia na compreensão e produção do saber, na medida em que promovem a participação, a criação e a argumentação, com vistas ao filosofar. Palavras-chave: Ensino de Filosofia. PIBID. Mapeamento do ensino. Filosofia na Cozinha. 183 Eixo Temático: Ensino de Filosofia Além da legalização do ensino de filosofia: uma nova filosofia para a educação filosófica ou uma nova educação filosófica para a filosofia? Alexandra Quadro Siqueira Dante Augusto Galeffi Eduardo David de Oliveira Leonardo Rangel dos Reis Lisiane Weber Oliveira UFBA Brasil [email protected] Resumo O objetivo proposto deste ensaio é compreender os desígnios e as perspectivas que a legalização do ensino formal e institucional de Filosofia no Ensino Médio se impõe/propõe como (pre)sença na realidade brasileira educacional. Embora tenha ocorrido a aprovação da Lei no 11.684/2008 (BRASIL, 2008), que legaliza o seu ensino como obrigatório ao alterar o Art. 36 da Lei de Diretrizes e Base do Ensino Médio (LDBEN) 9394/96, nada declara acerca dos conteúdos e da metodologia. A defesa da inclusão da Filosofia como disciplina formal no currículo não é recente. É uma luta contra resistências, embates ideológicos e políticos. Atualmente, o ensino de Filosofia vem sendo apresentado com diversos conteúdos, diversas formas de ensinar e por professores com outras formações. As orientações curriculares para Reforma do Ensino Médio (2006) estão baseadas na História da Filosofia. Em meio a (des)ordem instaurada, o incrível é que os professores buscam alternativas para driblar os desafios impostos. Assim, de que maneira estão se resolvendo: o que ensinar? Como ensinar? Como avaliar? Há diversos debates no meio político e acadêmico quanto às contribuições efetivas que a Filosofia poderia propiciar. A atitude filosófica nos mergulha num mundo espetacular, fantástico e, ao mesmo tempo, terrível, ao se propor buscar a verdade. Sabemos que, muitas vezes ao longo da história da humanidade, a Filosofia esteve a serviço do Totalitarismo, do Dogmatismo, da Ideologia. Por essa razão, não se pode apenas aprender a Filosofia. O que se carece aprender é pensar filosoficamente. A Filosofia pode estar a serviço de muitos objetivos e interesses. Sob esse conflito questiona-se: com qual intenção/intensão o ensino de Filosofia no Ensino Médio foi legalizado: uma nova Filosofia para a educação filosófica ou uma nova 184 educação filosófica para a Filosofia? Então, para que ter pesquisa? Para buscar “finais felizes”? Para validar aquilo que já foi sugerido hipoteticamente, orientado, convalidado, antes mesmo de ser criado, proposto? Por ora, não almejamos atingir respostas acabadas e certas, mas, apenas refletir o momento de transição que vivemos entre a legalização e a legitimação. Palavras-chave: Legalização, legitimação, ensino de filosofia, filosofar. 185 Eixo Temático: Ensino de Filosofia Montaigne: Filosofia, Etnocentrismo e Educação Antonio Carlos Lopes Petean UNESP – Campus de Araraquara Brasil [email protected] Resumo O pensador francês Michel de Montaigne se preocupou em retratar a diversidade de costumes e hábitos que os homens são capazes de criar. Em pleno século XVI sua obra “Ensaios” abordou, no texto “Dos Canibais”, os hábitos e costumes dos Tupinambás. Enquanto no texto “Dos Coches”, que também faz parte dos seus “Ensaios”, as reflexões se concentram na crueldade e incompreensão dos espanhóis ao se defrontarem com povos nativos da América. Suas reflexões nestes textos buscarão relativizar o conceito de “povos bárbaros”. Conceito muito presente na literatura ocidental, desde os primórdios da civilização grega. Para o mundo grego antigo o bárbaro era todo povo educado fora da polis. Já para o mundo cristão medieval era inegável a superioridade da cristandade ocidental em relação aos bárbaros muçulmanos. Diante desta constante classificação do outro, Montaigne vai nos dizer que somos escravos de costumes, hábitos e opiniões que circulam entre nós e aos quais aderimos através da educação, dos ensinamentos dados por nossos pais ou através do grupo social com o qual partilhamos nossa vida. Os costumes que nos escravizam geram, na perspectiva do filósofo, o nosso olhar preconceituoso sobre o outro. O filósofo Michel de Montaigne denunciou o olhar etnocêntrico dos europeus no século XVI. Portanto, para Montaigne, a tirania dos costumes e hábitos impede que tenhamos o livre exercício da razão e, assim, nos impossibilitaria de construirmos um juízo sobre o outro que leve em conta a própria diversidade humana. Sendo assim, a filosofia teria papel significativo em nossas vidas, pois ela nos impediria de sermos escravizados pelos hábitos adquiridos. Podemos dizer que Montaigne antecipou, com suas especulações filosóficas, as teses que condenam os olhares etnocêntricos nas ciências humanas e, ao mesmo tempo, podemos ver nos “Ensaios”, um ceticismo quanto ao livre discernimento do qual a razão seria capaz, segundo os racionalistas da sua época. Palavras-chave: Etnocentrismo; Educação; Filosofia. 186 Eixo Temático: Ensino de Filosofia A categoria da diferença em Gilles Deleuze e sua influência na filosofia da educação no Brasil Cristiane Maria Marinho UNICAMP Brasil [email protected] Resumo A comunicação aqui proposta visa apresentar o projeto de pesquisa de Pósdoutorado na UNICAMP, sob a supervisão do Prof. Dr. Silvio Gallo, que busca investigar a categoria da Diferença no pensamento deleuziano, mais especificamente na obra Diferença e repetição e, também, realizar a investigação da influência dessa vertente teórica na Filosofia da Educação no Brasil na contemporaneidade, considerando que esta categoria ganha grande importância, na medida em que o fundamento do ser é negado em sua estrutura estável, ou que se tem declarada a morte da metafísica. Compreendemos ser importante fazer o registro da memória da Filosofia no Brasil, que tem sido descuidado sistematicamente, seja pela nossa subserviência aos grandes referenciais europeus que marcaram a nossa formação filosófica, seja pelo nosso parâmetro de considerar filosofia somente o exercício exegético do conjunto de obras clássicas. A importância do registro do nosso fazer filosófico é fundamental para constituirmos minimamente o exercício autônomo da Filosofia. A exposição da proposta investigativa será iniciada com a exposição teórica de elementos conceituais importantes para situarmos a pesquisa. Quais sejam, a categoria da Diferença em Deleuze e um breve histórico da Filosofia da Educação no Brasil contemporâneo. Dessa forma, será possível contextualizar o que representa filosoficamente a categoria da Diferença no âmbito filosófico, além de situar histórica e conceitualmente a influência da filosofia da diferença deleuziana nas principais tendências da Filosofia da Educação no Brasil contemporâneo. Outro elemento que justifica a relevância da minha pesquisa é a volta obrigatória da Filosofia no Ensino Médio, pois a reflexão proposta no projeto pode vir a contribuir para a produção de material didático para esse nível de ensino de Filosofia. É importante um pensamento gestado pela/na Filosofia sobre o assunto, para que não somente profissionais ligados a outras áreas tenham o poder de decisão sobre os fatos e a condução do processo; é fundamental que os próprios filósofos interfiram na produção de 187 materiais didáticos e na sua utilização em sala de aula; é necessário o conhecimento e a compreensão dos referenciais teóricos que norteiam os rumos do ensino da Filosofia. Palavras-chave: Filosofia, Deleuze, Diferença, Educação, Brasil. 188 Eixo Temático: Ensino de Filosofia O ensino de filosofia e as orientações curriculares para o seu ensino: uma análise discursiva Daniel Santini Rodrigues Jackeline Rodrigues Mendes Universidade São Francisco Brasil [email protected] Resumo Este projeto de pesquisa, em andamento, objetiva discutir e problematizar a questão do ensino de filosofia levando em consideração as representações da Filosofia e de seu objetivo no Ensino Médio a partir da análise discursiva do documento oficial publicado pelo MEC, em 2006, intitulado “Orientações Curriculares para o Ensino Médio”, no capítulo referente à Filosofia, na perspectiva da Análise do Discurso Crítica. Esta análise se justifica pelo fato do ensino de Filosofia no Brasil ser componente curricular do Ensino Médio, principalmente a partir da promulgação da lei n. 11.648, em 2008, que tornou seu ensino obrigatório como disciplina. Na década de 80 e início dos anos 90 havia tão pouco ensino de Filosofia no currículo escolar que não se precisava pensar sobre isso. Diante do novo quadro institucional, no entanto, não se pode continuar contando apenas com a intuição; precisam-se aprofundar os estudos sobre currículo. O contexto de produção das Orientações Curriculares para o Ensino de Filosofia foi marcado por incertezas. Os anos que sucederam a promulgação da nova LDB foram anos de indefinições, não somente sobre a inclusão da Filosofia como disciplina, mas, principalmente, sobre o que trabalhar na disciplina de Filosofia e com qual metodologia. Diante deste quadro, o presente projeto tem como questões norteadoras da pesquisa: Qual o objetivo desse documento? Para quem está sendo escrito? Qual seu contexto de produção? Quais concepções de Filosofia podem ser identificadas ao longo do documento? Quais elementos do texto podem ser problematizados em relação à especificidade, conteúdo e metodologia do Ensino de Filosofia? Para a discussão e problematização desta pesquisa, este trabalho fundamentar-se-á na abordagem de Análise do Discurso Crítica. Particularmente, a abordagem de Análise de Discurso Crítica adotada é a Teoria Social do Discurso, desenvolvida por Norman Fairclough. A Teoria Social do Discurso consiste na desconstrução ideológica dos textos, no desvelamento de relações de dominação e na intervenção social para produzir mudanças sociais. Espera-se 189 desta pesquisa um movimento, um deslocamento, pois a própria Filosofia é tensional. Palavras-chave: Ensino de Filosofia, Orientações Curriculares, Análise do discurso, Teoria Social do Discurso. 190 Eixo Temático: Ensino de Filosofia O macaco de Kafka e a educação filosófica: é possível sair da jaula? Edgard Vinícius Cacho Zanette Doutorando em Filosofia – Unicamp Brasil [email protected] Resumo O presente trabalho tem a proposta de investigar o papel do ensino da filosofia e em que medida podemos falar propriamente de uma educação filosófica. Existem inúmeras filosofias e concepções que propõem, de algum modo, educações filosóficas. Para a presente reflexão discutiremos, entre outras leituras citadas na bibliografia, com um enfoque no texto do professor Sílvio Gallo, O macaco de Kafka e os sentidos de uma educação filosófica. Iremos apresentar alguns passos da argumentação de Gallo e suas contribuições à noção de educação filosófica. Contudo, pensando um pouco diferente de sua perspectiva, defenderemos que o ensino de filosofia, enquanto a busca pelo pensar por si mesmo, ou o filosofar posto em marcha, não pode reduzir-se a um télos de utilidade, seja de apologia ou de crítica ao sistema vigente. A questão, para ser bem compreendida, pode ser reformulada da seguinte maneira: Por uma questão de princípio, e não de fato, o pensar colocado em marcha não deve estar a priori determinado por qualquer ideologia filosófica, mas deve ser o próprio pensar filosófico o princípio que possibilita a irrupção de várias ideologias filosóficas. Tendo em vista a necessidade da abertura de horizontes para o pensar, que em suas mais diversas sedimentações, são distintas, consideramos que o ensino de filosofia deve ser rico, variado, contraditório, e que o professor deve ter como ideal a possibilidade de que o aluno, subjetivamente, desenvolva suas próprias concepções filosóficas sem a necessidade de estar amparado ideologicamente em uma posição pró ou contra o sistema. Palavras-chave: educação filosófica, Kafka, filosofia, educação 191 Eixo Temático: Ensino de Filosofia A especificidade da reflexão filosófica e a sua adequação à realidade do ensino médio Geraldo Adriano Emery Pereira CAp/COLUNI –UFV - Universidade Federal de Viçosa Brasil [email protected] Resumo A presente proposta ao sugerir como objeto de pesquisa “A especificidade do conhecimento filosófico e a sua adequação à realidade do ensino médio” posiciona-se no centro de um debate que percorre tanto o meio filosófico como o educacional. Ocorre que a Lei 11.684/08, que alterou o artigo 36 da Lei 9.394/96 (LDB) estabeleceu que “Serão incluídas a Filosofia e a Sociologia como disciplinas obrigatórias em todas as séries do ensino médio”. Ora, o fato é que a presença da filosofia na escola média sempre foi marcada por uma série de idas e vindas, cujo hiato conduziu o ensino atual de filosofia a uma série de questões de ordem metodológica, pedagógica e filosófica.O que se nota contemporaneamente é a presença de uma grande dificuldade no ensino de filosofia, pois os contínuos hiatos que marcaram a sua presença no ensino médio dificultaram a articulação de um saber filosófico preocupado com o status de sua ensinabilidade, bem como a desvalorização da licenciatura em filosofia no contexto da graduação. Frente à realidade do ensino médio e das exigências que os marcos legais fazem para esta fase da formação dos jovens, a questão norteadora é: como se desenha o lugar curricular da filosofia no ensino médio?Considerando as discrepâncias que ocorrem no ensino de filosofia, em especial no Estado de Minas Gerais, qual é a especificidade da filosofia que justifica a alegação de que apenas os licenciados em filosofia devem lecionar e conduzir a disciplina? Por outro lado confronta-se com a delimitação da especificidade do ensino de filosofia a carência de licenciados que os sistemas educacionais enfrentam e as políticas de gestão educacional que muitas vezes fazem com que os poucos licenciados fiquem fora da escola. Assim, a pesquisa está abordando tanto a especulação conceitual referente ao ensino de filosofia quanto provoca a suposta intencionalidade da qualidade presente nas políticas de gestão educacional, em especial no Estado de Minas Gerais. Palavras-chave: ensino de filosofia, reflexão filosófica, ensino médio, currículo, formação docente. 192 Eixo Temático: Ensino de Filosofia Filosofia no ensino mério: em busca de um pensar nacional Janice da Silva Oliveira Maria Betânia do Nascimento Santiago Universidade Federal de Pernambuco/CAA BRASIL [email protected] e [email protected] Resumo O ensino de Filosofia na Educação Básica brasileira é marcado por uma trajetória de inconstância e condição facultativa. Essa realidade, contudo, vem passando por transformações, seja no sentido de fortalecimento do debate acerca da inserção da filosofia nesse nível de ensino, no reconhecimento do seu papel formativo, seja na afirmação de um caminho próprio para abordagem dessa área. Aspecto que revela a busca de elaboração de uma proposta curricular voltada para construção do dialogo filosófico, assinalando a importância desses conteúdos como possibilidade de construção da atitude critica diante do cotidiano, no exercício do pensar e refletir acerca do mundo. Esses elementos constituem o debate acerca da formação filosófica, e propriamente o sentido da educação. Tal realidade, contudo, acaba comprometida em razão do contexto dessa inserção da Filosofia, que tende a assumir posição secundária no conjunto das propostas das escolas, assim como na ausência de profissionais com formação para atuar nesses espaços. Alia-se a essa problemática, a falta de investimento em conteúdos filosóficos que contribuam para a valorização da identidade filosófica nacional na formação do jovem, familiarizando-o com seu contexto cultural, e possibilitando novas formas de pensar, diferente da matriz européia. Em face de tal realidade situamos nossos questionamentos acerca da fragilidade da proposta de inserção da Filosofia na Educação Básica, seja em relação à adesão das escolas, seja no que se refere à escolha de conteúdos que reconheçam e valorizem a identidade filosófica brasileira, que ao que parece está sendo negligenciada nos planejamentos. Nossos estudos apontam para a ausência de elementos filosóficos nacionais e latino americano em materiais didáticos do ensino médio, um quadro que evidencia a manutenção do foco desta disciplina na matriz européia. Tal quadro indica que a filosofia está retomando sua posição na escola, porém este retorno revela-se incompleto, em razão da falta de atenção a este aspecto que concerne à familiaridade do jovem com filosofia que 193 será ensinada nas escolas. Esta questão aparentemente não está em evidência no planejamento curricular, tanto acadêmico como escolar. Palavras-chave: Filosofia, Ensino de Filosofia, Ensino Médio, Identidade Nacional. 194 Eixo Temático: Ensino de Filosofia Aprender con pasión en la Universidad Jesús Ernesto Urbina Cárdenas Universidad Francisco de Paula Santander Colombia [email protected] Resumen Este texto pretende resumir una parte de los avances de mi tesis doctoral titulada “La pasión de aprender. El punto de vista de los estudiantes universitarios”, con la cual opté por la candidatura a doctor en Ciencias Sociales, Niñez y Juventud de la Universidad de Manizales-CINDE (Colombia). El estudio se encuentra en la fase final de análisis de la información y el propósito de esta presentación es mostrar algunos hallazgos desde la aproximación a algunos de los casos. Al menos por ahora, no se ha identificado una tradición investigativa relevante sobre el tema. Este hecho aumenta el interés de indagar sobre este tópico: comprender qué es lo que ocurre cuando un joven universitario se apasiona a aprender, ¿qué dicen los estudiantes?, ¿cuáles son los sentidos que le dan a sus “pasiones epistémicas”?, ¿qué actitudes asumen frente a un campo del saber que los motiva profundamente?, ¿cuál es su comportamiento a la hora de estudiar o realizar actividades académicas relacionadas con la materia que los apasiona?, ¿qué aportes pueden derivar del presente estudio para los docentes en sus prácticas pedagógicas? Son cuestiones iniciales que hacen parte de los interrogantes que originan la presente investigación. Es evidente el interés de diversos pensadores en explorar la relación entre el acto racional de aprender y los aspectos emocionales. La tajante separación entre razón y emoción propuesta por Platón en la antigüedad clásica encuentra en los filósofos cristianos de la Edad Media una acogida excepcional, que luego es asumida por Renato Descartes en un texto titulado “Las pasiones del alma” (1649). Esta posición dicotómica encuentra en Spinoza, Hume y Nietzsche una clara resistencia: desde una perspectiva distinta reivindican el papel central de las pasiones en el acto de pensar. Palabras-clave: aprender, pasión, Universidad. 195 Eixo Temático: Ensino de Filosofia Largas caminatas a pie con el maestro: a propósito de una obra de Raimon Panikkar y Milena Carrara, ‘Peregrinación al Kailasa y al centro del sí’ Jordi García Farrero Universitat de Barcelona Espanha [email protected] Resumen A raíz de la sugerente obra Peregrinación al Kailasa y al centro del sí (2009) del filósofo y teólogo Raimon Panikkar (Barcelona, 1918-Tavertet, 2010) y de la Doctora en lenguas y Literaturas extranjeras Milena Carrara, este trabajo pretende mostrar una manera de caminar –aquí denominada con el epígrafe paseo formativo– que plantea un tipo de enseñanza que reúne unas características bien singulares (ambulante, pedestre) y una determinada relación entre un maestro y una discípula donde educar significa sencillamente educarse (Gadamer). En este sentido, el testimonio de su peregrinaje al monte sagrado Kailasa (Kailāsh, Tíbet) durante el mes de septiembre de 1994 es un excelente punto de partida para la comunicación que se presenta a continuación ya que brinda la oportunidad para pensar la posibilidad pedagógica de que un maestro viva la experiencia de realizar una peregrinación junto a su discípula y, viceversa. Como es lógico, este estudio en proceso, que de alguna quiere rememorar caminatas tan antiguas como las de Sócrates por dentro y fuera de los muros, las de los estoicos por senderos situados en los pórticos de Atenas llamados stoa que finalmente sirvieron para identificarlos o, como no, las de los peripatéticos que viajaban de polis en polis practicando una docencia totalmente itinerante, concentra su atención en todos aquellos detalles (miradas, silencios, complicidades y convivencia) propios del vínculo educativo construido entre Panikkar y Carrara y, principalmente, en los momentos en que es más evidente la enseñanza filosófica, tanto por las preguntas sedientas de sabiduría realizadas por la discípula como por las erudiciones del maestro. Cabe decir que ambos siempre reservaron un espacio a estas prácticas sumamente formativas: los instantes antes de dormir, cuando la luna hace acto de presencia. Por tanto, lo que parece que importa aquí es el tipo de relación que se establece entre los dos autores y, por consiguiente, el aprendizaje bidireccional significativo y vivo que se va generando mientras sus pies avanzan hasta llegar a la cima de un monte tan importante para las religiones de los hindúes y los budistas como es el de Kailasa. 196 Palabras Clave: Raimon Panikkar, Enseñanza de la filosofía, Milena Carrara, caminar, formación. 197 Eixo Temático: Ensino de Filosofia O ensino de filosofia na zona rural e seu Papel social: construindo um rosto libertador José Cardoso Simões Neto SEDUC/PA – Universidade Gama Filho Brasil [email protected] Resumo Este artigo não pretende esgotar a temática “Ensino de Filosofia na Zona rural”, mas tão somente, contribuir na reflexão deste campo de atuação da filosofia. Na verdade, o objetivo do mesmo é: “Propor a utilização da Filosofia da Libertação como instrumento de conscientização e emancipação dos educandos e educadores na concretude do processo de ensino-aprendizado.” Para tanto, buscou-se como ponto de partida, compreender algumas categorias e aspectos da Filosofia da Libertação que possam contribuir para um ensino de Filosofia na zona rural mais comprometido com a transformação social. Ao se analisar algumas bibliografias com a temática Filosofia da Libertação e Educação do Campo verificou-se que, ainda se tem um grande caminho a percorrer. Do mesmo modo, o estudo, enfatiza que, A Filosofia como libertação está inserida concretamente no contexto histórico do ser humano, capacitando esse ser que se encontra na condição de objeto de dominação, a interpretar o sistema de exclusão em que está lançado, pelo abandono que a comunidade, assim como, da estrutura educacional tem sofrido pelo descaso do poder público provocando conseqüentemente, uma baixa estima e sua marginalização. Diante dessa realidade, o caminho proposto é o da utilização da Filosofia da Libertação como instrumento de conscientização da dependência existente em relação a totalidade política e educacional urbana e provocando a emancipação dos educandos e educadores pelo desenvolvimento de uma consciência críticotransformadora na concretude do processo de ensino-aprendizado; Parte-se do entendimento dos conceitos fundamentais da Filosofia nascente na América Latina a partir da visão de Enrique Dussel, Paulo Freire e outros; E diante disso, Analisar-se-á alguns métodos de ensino de Filosofia e possíveis ligações com a cultura de dominação. Discutindo e Compreendendo o papel social e a importância do ensino de Filosofia e do Filósofo como instrumento para a Libertação; Em síntese, espera-se ser possível construir uma práxis educativa 198 em que o outro seja o ponto de partida para uma vida mais humanizada e que oportunize uma educação mais democrática, cidadã e emancipadora. Palavras – Chave: Filosofia da Libertação; Zona Rural; Educação do Campo; Emancipação. 199 Eixo Temático: Ensino de Filosofia O ensino de Filosofia na ONG Casa do Zezinho – Uma experiência filosófica com crianças e jovens carentes Juliana Cristina Bel Universidade Metodista de São Paulo Brasil [email protected] Resumo O trabalho visa apresentar algumas considerações acerca da experiência vivida no primeiro ano do projeto “Pensando e Construindo Meu Mundo”, em desenvolvimento na Organização Não Governamental (ONG) Casa do Zezinho. Para a concepção da metodologia do projeto, foram estudadas algumas obras de Matthew Lipman, incluindo-se suas novelas, com vistas à compreensão do programa por ele criado – Phylosophy for Children (PfC). O estudo de sua metodologia objetivou o aspecto pragmático do ensino de Filosofia para crianças e jovens e a aplicabilidade dessa metodologia em contexto distinto daquele proposto por Lipman, já que o PfC foi desenvolvido para ser aplicado nas instituições formais de ensino. Lipman criou um método com o objetivo de ajudar o desenvolvimento do bom pensamento de seres ainda em formação, através do pensamento filosófico. Outro autor usado como referência para o desenvolvimento da metodologia do projeto foi Walter O. Kohan, que, com sua crítica a respeito do trabalho de Lipman, trouxe uma nova visão, para a autora, sobre a viabilidade do ensino de Filosofia para crianças e jovens, a qual norteou a aplicação e a prática do projeto dentro da ONG ao longo do ano. Kohan, em seu livro “Infância. Entre Educação e Filosofia”, critica Lipman por, com o seu método, uniformizar e universalizar a experiência do pensar filosófico algo contrário à essência da filosofia, onde a base desse pensar é justamente a experiência individual e não a técnica. O presente trabalho objetiva trazer a lume uma discussão crítica sobre esse embate entre a visão pedagógica de Matthew Lipman e a crítica de Walter O. Kohan, por meio da experiência vivida no Projeto. Intenta-se comprovar que o ensino de Filosofia dentro de um ambiente informal de ensino pode ser mais eficaz no comparativo com as escolas formais, justamente pela liberdade pedagógica que se pode alcançar em uma instituição informal diferentemente das escolas pelo seu aspecto institucionalizado. Objetiva-se também acompanhar o desenvolvimento das crianças e jovens carentes que fazem parte desse Projeto, com o escopo de 200 mensurar, qualitativamente, os benefícios que o ensino da Filosofia pode trazer para estes seres muitas vezes excluídos da sociedade. Palavras-chave: Filosofia para criança e jovens, educação informal, ONG, Lipman, Kohan. 201 Eixo Temático: Ensino de Filosofia O Ensino de filosofia e o filosofar: por que e para que? Katherine C. Fagundes Faculdade de Ciências e Letras de Araraquara/UNESP Brasil [email protected] Resumo A presente comunicação é embasada no projeto de pesquisa, que vem sendo formulado, o qual visa investigar quais são os conteúdos que estão sendo trabalhados nas aulas de Filosofia destinadas aos alunos do 2º ciclo do Ensino Fundamental em uma escola municipal localizada na cidade de Araraquara/Sp, a fim de responder as seguintes indagações: Os conteúdos que estão sendo trabalhados nas aulas de Filosofia na referida etapa de escolarização visam incitar nos alunos a reflexão? São estes conteúdos relacionados à história da filosofia, ou seja, aos conceitos defendidos pelos filósofos da antiguidade a modernidade? Enfim, os conteúdos trabalhados nesta disciplina têm se limitado a “repassar e reproduzir conhecimentos estáticos e acabados” (HORN apud Kohan e Gallo, 2000, p.29), ou, são eles dotados de caráter filosófico trazendo a possibilidade da reflexão, da crítica, da superação do senso comum, pelos alunos? Nossa hipótese é a de que a filosofia juntamente com o filosofar pode contribuir para desenvolver nas crianças e jovens uma nova relação com o conhecimento, uma relação afetiva, que os permitam “pensar por si”, “pensar de outra maneira”, “questionar o que pensam”. Acreditamos que é pelo conhecimento de si e do outro que o educando aprende a ler o mundo, analisando e contestando suas contradições. A importância desta averiguação é confirmada pela escassez de trabalhos que possuem como objeto o ensino de Filosofia destinado aos jovens do 6º ao 9º ano, tal argumento veio a ser comprovado com a efetivação de uma revisão bibliográfica no banco de dados da CAPES, nos anos de 2004 a 2009. Talvez, esta ausência possa ser justificada pela não garantia institucional da Filosofia como disciplina obrigatória neste nível de ensino, no entanto, a não obrigatoriedade não exclui a sua possibilidade. Nos Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental (PCNEF) fala-se em temas transversais, nos quais estariam inseridos conteúdos de caráter filosófico, neste sentido, não há uma obrigatoriedade legal da Filosofia como disciplina na grade curricular de ensino de crianças e jovens, ficando a cargo dos municípios a decisão pela sua adesão. Palavras-chave: filosofia, filosofar, ensino. 202 Eixo Temático: Ensino de Filosofia La filosofía en la educación básica: El programa de Filosofía para Niños Laura Angélica Bárcenas Pozos Universidad Iberoamericana Puebla México [email protected] Resumen Filosofía para Niños (FpN) es un programa que desarrolla habilidades del pensamiento, a través de favorecer la construcción de un pensamiento filosófico en el aula a niños de edad escolar. Mathew Lipman (1990) creó este programa en la década de los sesenta con la intención de introducir este pensamiento en la escuela y que posteriormente el pensamiento filosófico fuera transversal a los procesos educativos, considerando que esto desarrolla una capacidad crítica para enfrentar los procesos de aprendizaje, además esto mismo permitiría trabajar con comportamientos éticos que se reflejan en la interacción entre compañeros y entre compañeros y profesores, que no se queda en el aula, sino que trasciende. La Comunidad de Cuestionamiento (CC) es la estrategia pedagógica que propone Lipman (1992), y la novela filosófica es el material didáctico que crea para favorecer el desarrollo del pensamiento y la generación de un pensamiento sólido, fuerte y consistente, que se autocorrige, crea, resuelve y además es considerado con los otros e incluso con la naturaleza. A pesar de las ventajas y bondades que este programa ofrece en la educación básica, en México no ha tenido el impacto deseado, porque los profesores no tienen las bases pedagógicas y epistemológicas que garanticen el desarrollo de la CC, además de que los materiales resultan caros y la cultura no está lista para convivir con niños y adolescente, cuestionadores, reflexivos y a veces hasta confrontativos, que ofrecen buenas razones, por tal motivo, quienes se formaron para desarrollar esta estrategia en el aula, son hoy islas que intentan desarrollar pensamiento filosófico en sus alumnos en contra de un sistema educativo lineal y rígido. Palabras clave: Pensamiento filosófico, escuela, filosofía para niños 203 Eixo Temático: Ensino de Filosofia O ensino de filosofia no ensino médio para além do trabalho: a formação filosófica em vista da significação do jovem estudante Livio dos Santos Wogel Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC-SP Brasil [email protected] Resumo O intuito deste trabalho é apresentar interpretações do ensino de filosofia no ensino médio para além da formação para o mundo trabalho e, sim para uma significação do jovem estudante como uma pessoa que interpreta, percebe e elabora sentidos para si e age no espaço entre homens, com o aporte de algumas abordagens fenomenológicas. Parte da consideração que a legislação que regula e propõe as diretrizes curriculares para o ensino médio, como o artigo 35 da LDBN 9394/96, indica que uma das funções do ensino médio é o preparo básico para o trabalho e a cidadania do educando. Tendo por base esta consideração, o ensino de filosofia e a conseqüência esperada do “domínio dos conhecimentos de filosofia” são afirmados como necessários para o exercício da cidadania. Este estudo justifica-se a fim de identificar outras formas de promoção do ensino de filosofia que não são enquadrados na missão de formar para o trabalho e para a cidadania, mas para que o estudante perceba a si mesmo como uma pessoa que se forma em vista de uma constituição de si no mundo e não para o mundo. Retoma-se o poder formativo da filosofia tanto como um caminho formativo quanto um conhecimento no qual e pelo qual o estudante do ensino médio tem um aporte para poder perceber-se como uma pessoa elaboradora de sentidos de si e do mundo. Parte da questão: como o ensino de filosofia pode contribuir com a formação do jovem do ensino médio para que ele se perceba como elaborador de sentidos de si mesmo, do mundo e de ressignificação de si e do mundo? Terá como recurso teórico e metodológico a fenomenologia. Palavras-chave: ensino de filosofia, ensino médio, fenomenologia 204 Eixo Temático: Ensino de Filosofia Ensino de filosofia: o diálogo como formador do ser reflexivo Maurinúbia Monteiro de Moura Darlene Moura de Campos Maria Betânia do N. Santiago CAA, UFPE Brasil [email protected] Resumo Este trabalho tem por interesse discutir o ensino de filosofia enquanto possibilidade de contribuição na formação de seres reflexivos. Para tanto se apresenta como um caminho possível a via do diálogo. Nessa perspectiva levantamos como problema de pesquisa o papel da filosofia na formação dos jovens de ensino médio, em face da recente inserção da disciplina no currículo das escolas públicas de ensino médio no Brasil, e dos grandes desafios que se interpõem à sua consolidação. Considerando que o debate em questão tem assumido a significativa importância do pensar, tendo a filosofia como um dos caminhos possíveis para sua afirmação, apresentamos como objetivo a realização de uma análise a respeito das contribuições da filosofia para o desenvolvimento crítico e autônomo do aluno de ensino médio, buscando evidenciar a importância do diálogo no ensinar e aprender filosofia. O diálogo surge não como forma de chegar ao conhecimento, mas como meio pelo qual o estudante pode participar da construção e reconstrução do mesmo. Sabendo disso, não é possível esperar da filosofia um conhecimento pronto e acabado do qual os estudantes se apropriem. O ensino desta disciplina assim como o das demais não se traduz na difusão de conhecimentos inflexíveis, mas fundamentalmente no reconhecimento pelo indivíduo da sua ignorância, para a realização da busca incessante e interminável pelo saber. Assim, reconhecemos aqui o diálogo, como exigência de uma filosofia que se manifesta como formadora do homem. O diálogo é essencialmente uma experiência filosófica, que possibilita ao sujeito a reflexão, pondo em questão o que foi estabelecido como verdade absoluta. Os resultados que já se descortinam revelam a grande importância do diálogo para a formação filosófica do estudante, assim como a necessidade de que as práticas de ensino de filosofia sejam revistas, a fim de garantir aos estudantes possibilidades à criação e construção da sua autonomia. Palavras-chave: Ensino de Filosofia; Diálogo; Formação Reflexiva. 205 Eixo Temático: Ensino de Filosofia A filosofia e seu ensino:reflexões a partir da perspectiva merleau-pontiana sobre filosofia e história da filosofia Patrícia Del Nero Velasco Universidade Federal do ABC (UFABC) Brasil [email protected] Resumo A presente pesquisa tem como objetivo investigar possíveis relações entre filosofia e ensino de filosofia a partir das ideias de Merleau-Ponty sobre outra relação, a saber, entre a filosofia e sua história. Tendo como fundamento a perspectiva merleau-pontiana de uma história da filosofia filosófica procurarse-á defender um ensino filosófico da filosofia. Negando que a história e a filosofia sejam ‘tradições rivais’, Merleau-Ponty recusa a escolha entre alternativas que projetam nas leituras do passado algumas categorias de hoje ou que reduzem os fatos ao presente imediato. Não haveria, nesse sentido, uma escolha entre as filosofias da história que incutem uma lógica oculta no curso das coisas de modo a predeterminar este último e, de outro lado, uma filosofia que não se interessa pelo fato, postulando uma consciência fora do tempo. Para o autor, o movimento de compreender situações e culturas diferentes das nossas só é possível justamente por nossa experiência de sujeitos situados, inseridos em uma cultura particular. Uma vez que a história não está submetida a uma lógica atemporal, nem pode ser reduzida a um conjunto de fatos circunstanciais e destituídos de significado, história e filosofia são intrinsecamente relacionadas. Cabe à história, para saber do que fala, não se restringir aos relatos empíricos dos fatos, mas, contrariamente, buscar compreender – através da filosofia – a significação destes fatos. À filosofia, por sua vez, só existe se buscar suas verdades na trama histórica dos acontecimentos. E a história da filosofia passa a ser entendida, portanto, como filosófica. Analogamente, pretende-se mostrar que o professor de filosofia é aquele que faz da aula um momento de produção filosófica, no qual se estabelece um diálogo entre o professor, os alunos, os filósofos clássicos e a história da filosofia. Deve o ensino da filosofia ser, pois, filosófico. Caso contrário, consistiria em mera transmissão e, assim, implicaria aceitarmos que a filosofia é produzida em uma parte e ensinada em outra, distinta – o que caracterizaria uma antifilosofia! Palavras-chave: Filosofia, História da Filosofia, Ensino de Filosofia. 206 Eixo temático: Filosofia e Educação na América Latina “Tenés que estudiar para no ser un obrero igual que tu padre”. Educación popular y conciencia de clase; un comentario crítico a un artículo de José Luis Rebellato Gerardo Garay Montaner Universidad de la República Oriental del Uruguay Uruguay [email protected] Resumen El presente trabajo pretende reflexionar críticamente un artículo de José Luis Rebellato: “Conciencia de clase como proceso” desde una perspectiva filosófica, buscando explicitar las funcionalidades utópicas subyacentes, según los aportes teóricos de Arturo Andrés Roig. Nuestro supuesto radica en que la contribución de Rebellato no puede ser apreciada solamente desde los conceptos teóricos, ricos y profundos, de sus investigaciones teóricas fundamentales, José Luis testimonia un pensamiento dinámico que se fue constituyendo en diálogo con diferentes actores, interpelado por la problemática de la realidad, asumiendo la complejidad que todos los procesos humanos conllevan, y este artículo es una expresión cabal de ello. Los aportes a la reflexión filosófica que queremos destacar, como no podía ser de otra manera, pretenden reflejar la misma tensión fecunda entre la abstracción y la praxis. Palabras clave: filosofía de la educación, educación popular, política y educación, función utópica, análisis del discurso. 207 Eixo temático: Filosofia e Educação na América Latina A crise educacional como reflexo da crise contemporânea da moral e da cultura Gislaine de Medeiros Baciano UNINOVE Brasil [email protected] Resumo A presente pesquisa investiga a crise que atravessa a escolarização de nível médio, por meio da investigação das dificuldades que vem ocorrendo na escolarização e inserção social dos jovens na sociedade contemporânea. O objetivo é compreender as condições sócio-históricas em que esta crise se desenvolve, quais os fatores que concorrem para sua ocorrência. Seria uma crise puramente educacional? Segundo Nosella e Buffa (2010) o estudo do cotidiano escolar deve estar relacionado à conjuntura social e sua análise requer a utilização e contraposição de diversas fontes para extração de considerações mais consistentes, porque tal procedimento permite a compreensão da realidade universal a partir da abordagem do individual. Os autores ressaltam a importância de relacionar as particularidades da escola com a totalidade social. Arendt (1997) argumenta que, no século XX, o Ocidente é assolado por uma crise moral e cultural, pela desvalorização da autoridade e da tradição, e que tal crise repercute também no âmbito educacional, por ser a escola, destinada à formação das novas gerações, pois, esta é “(...) a instituição que interpomos entre o domínio privado do lar e o mundo com o fito de fazer com que seja possível a transição, de alguma forma, da família para o mundo” (ARENDT, 1997, p.238).Esta pesquisa foi realizada numa escola estadual específica, de Ensino Médio Regular, localizada na periferia urbana. Para sua realização, inicialmente foi elaborado o estado da arte sobre Juventude e Ensino Médio, também foi feito o levantamento quantitativo dos dados estatísticos sobre o Ensino Médio. Com base nesses dados preliminares, foi elaborado e aplicado junto aos estudantes do Ensino Médio um questionário com questões objetivas e dissertativas. Visando relacionar as informações de um contexto específico com a realidade social mais ampla, para tessitura das considerações parciais, foi feita a triangulação dos dados obtidos por meio dos questionários com os dados preliminares. Concluímos que a atual crise educacional é consequência da crise global da moral e da cultura que assola a sociedade contemporânea, que esta só 208 pode ser compreendida se analisada a conjuntura em que ocorre e que parece difícil resolvê-la adotando medidas circunscritas ao âmbito educacional. Palavras-chave: crise, moral, cultura. 209 Eixo temático: Filosofia e Educação na América Latina Antropologia freiriana: lições para a América Latina Leoni Maria Padilha Henning Universidade Estadual de Londrina - UEL Brasil [email protected] Resumo Este trabalho, como parte de um projeto de pesquisa em andamento, se propõe a apresentar a antropologia freiriana relacionando-a com as condições das sociedades latinoamericanas. Como obras referenciais do autor foram consultadas principalmente a sua famosa Pedagogia do oprimido publicada em 1970, Educação em mudança, que aparece em 1981, dentre outras obras e também outros trabalhos de comentadores. Dessas leituras foram retiradas algumas idéias tomadas como fundamentais para o entendimento de sua antropologia, com as quais o autor analisa as sociedades da América Latina. O nosso propósito neste estudo é o de salientar tais características dessas sociedades e a partir delas tentar estimular um entendimento sobre como estariam essas sociedades na atualidade em relação aos aspectos levantados por Freire. Nesse sentido, tomamos o último livro do autor publicado ainda em vida, Pedagogia da autonomia, e analisamos algumas das suas sugestões quanto aos “saberes necessários à prática educativa”, texto no qual Freire se reporta aos professores, indicando-lhes o que, segundo o seu entendimento, é imprescindível que saibam a respeito do humano, principalmente, na condição de aprendente. Levantando a situação das sociedades latinoamericanas a partir da análise do autor, caracterizadas como aquelas que se apresentam com iguais traços do homem em situação de dependência, de opressão, de alienação e de desumanização, como bem descreve em sua Pedagogia do oprimido e Educação em mudança, principalmente, encorajamos, em nossa análise, o cotejamento de tais idéias com a atual situação dessas sociedades, para compreendermos se ocorreram possíveis avanços em relação a si mesmas e às mais desenvolvidas. Finalizamos o texto nos reportando à Pedagogia da autonomia, a partir da qual apreendemos uma preocupação central em Freire, a saber, a formação dos professores, e elaboramos uma sugestão de que devemos também nós nos preocuparmos com a situação atual dos nossos professores, uma vez que o próprio autor nos mostra que os professores são elementos fundamentais para a mudança das sociedades. 210 Palavras-chave: Antropologia Filosófica, Freire, Educação, Sociedades Sulamericanas. 211 Eixo temático: Filosofia e Educação na América Latina ¿Tiene un papel la filosofía de la educación en la práctica educativa? El filósofo como educador y el educador como filósofo Milena Patiño Natalia Sánchez Andrés Mejía Diego Barragán Universidade de los Andes Colômbia [email protected] Resumen En la polifonía de discursos que se erigen en torno al papel de la filosofía de la educación en la práctica educativa, hay algunos que se construyen en torno a la idea de la separación de roles entre filósofos por un lado, y actores educativos o educadores por el otro. También hay otros que lo hacen en torno a la idea de la integración total de esos roles. Bajo la primera línea discursiva, autores como Burbules plantean la figura del filósofo como educador en tanto funge como educador de los profesionales de la educación. Bajo la segunda línea discursiva aparecen nombres como los de Elliott, Carr y Kemmis, entre otros, que postulan al educador como filósofo en tanto que es el actor educativo quien debe involucrar la reflexión filosófica en su práctica, relegando a un papel secundario a los teóricos de la educación, y dentro de ellos a los filósofos. Estas figuras del filósofo como educador y el educador como filósofo se presentan en las dos aproximaciones en una aparente irreconciliable disyunción. Sin embargo, nuestro análisis muestra que no son excluyentes sino que de hecho la presencia de cada uno es necesaria para la constitución del otro. Efectivamente, el educador como filósofo es aquel profesional de la educación que desde la práctica educativa realiza reflexión filosófica al abordar asuntos pedagógicos como cuestiones normativas y de sentido. El filósofo como educador crea las condiciones de diálogo entre la filosofía y la educación para colaborar con los profesionales de la educación en la discusión sobre las implicaciones sociales, políticas y morales de las actuales prácticas educativas. Palabras-clave: Filosofía de la educación, teoría educativa, filosofía situada, praxis educativa. 212 Eixo temático: Filosofia e Educação na América Latina Filosofia, ética e educação Paulo César Nodari Universidade de Caxias do Sul (UCS) – RS Brasil [email protected] Resumo “Filosofia, ética e educação” objetiva investigar, no contexto hodierno, especialmente, da América Latina, a relevante e a imprescindível tarefa da filosofia na reflexão e no ensino da ética seja no âmbito formal, seja também, por sua vez, no âmbito informal. À luz de tal propósito, trata-se, por um lado, de delinear argumentos que sustentem a tese da que é urgente educar cada ser humano para a cidadania cosmopolita responsável. Por outro, busca-se justificar que a formação cidadã está intrinsecamente conectada com o projeto de sociedades democráticas, sendo que as mesmas, para que sejam, de fato, democráticas, precisam basear-se, sobretudo, em três valores básicos fundamentais, já, há muito, conhecidos, mas ainda tão ausentes em nossas sociedades, a saber, a liberdade, a igualdade e a dignidade humana. Tenta-se desenvolver tal propósito em três momentos. Num primeiro momento, de maneira sucinta, pretende-se conceituar e compreender a filosofia e a relevância do pensamento filosófico no contexto hodierno, caracterizado, simultânea e contraditoriamente, por avanços de significativa eminência, mas, também, por “algumas vergonhas e injustiças escandalosas”, quando as mesmas são postas em comparação com os avanços atingidos, de maneira especial, no Século XX e início do Século XXI. Esse primeiro momento terá um enfoque embasado, sobretudo, na compreensão de três aspectos-base, a saber, admirar-se desde as coisas mais simples até as mais complexas, perguntar-se por algo que se quer conhecer e compreender, ousar pensar por si mesmo. Nesse primeiro momento, os referenciais teóricos de base são, especialmente, Platão, Aristóteles, Kant. Palavras-chave: Filosofia; Ética; Educação; Responsabilidade; Cidadania. 213 Eixo temático: Filosofia e Educação na América Latina Evaluación Curricular de la Licenciatura en Filosofia para la Mejor Inserción Social y Laboral de sus Egresados Selene Georgina López Reyes. Universidad Popular Autónoma del Estado de Puebla México [email protected] Resumen La investigación plantea la evaluación curricular externa e interna del plan de estudios de la licenciatura en filosofía de una universidad en México con 34 años de antigüedad. Sin embargo, con el objetivo de obtener un panorama más amplio de la situación de la licenciatura en Filosofía en México, se realiza un análisis comparativo entre el programa de la licenciatura en filosofía evaluado y los 18 programas evaluados en nivel uno en México por los Comités Interdisciplinarios para la Evaluación de la Educación Superior (CIEES) lo que llevará, no a la generalización de las conclusiones, pero sí a la intuición de posibles semejanzas en los resultados debido a que los objetivos, plan de estudios, perfiles y campos de trabajo analizados en las 19 universidades son similares. Con la creación de este estudio se examina la posición de una escuela de filosofía en México ante una realidad que demanda que la educación superior tanto en América Latina, como en Europa, forme para el trabajo y el saber hacer y no sólo el conocer o ser propios de la filosofía. Es así que la investigación tiene como objetivo diagnosticar los cambios curriculares necesarios en el plan de estudios de una licenciatura en filosofía para un posterior rediseño curricular de ésta, que permita la eficaz inserción social y laboral de sus egresados, lo anterior partiendo de las estadísticas mexicanas de inserción laboral de los egresados de la licenciatura, en las que se puede apreciar que los filósofos difícilmente se integran a labores de acuerdo a su preparación y que no sean la docencia, para la que incluso son preparados en perfil, más no en el estudio de materias sobre práctica educativa. Una vez realizado este diagnóstico se obtienen los cambios que requiere tanto el plan de estudios, como la escuela de filosofía, para lograr que sus egresados tengan mayores posibilidades de inserción laboral y social en los campos para los que fueron formados. Palabras-clave: Evaluación, curricular, Filosofía. 214 Eixo temático: Filosofia e Educação na América Latina A sexualidade da criança. Poderes e saberes na Educação Infantil Virginia Georg Schindhelm Maria de Fátima Costa de Paula Universidade Federal Fluminense – UFF Brasil [email protected] e [email protected] Resumo A pesquisa em andamento aborda o que sentem e falam os educadores sobre as experiências relativas à sexualidade das crianças no dia-a-dia escolar. A escola, desde o século XVI, emergiu de condições históricas que reuniram e instrumentalizaram dispositivos de saberes e poderes e a configuraram em nossa formação social. Ainda hoje, mais adequa-se ao formato de scientia sexualis, porque tudo pretende explicar e enquadra os alunos dentro das normas sociais, reproduzindo dicotomias e políticas da verdade. O educador, envolvido na malha entrelaçada pelas relações de poder, é transmissor de formas de saber. As manifestações de poder na escola são exercidas em formas peculiares de controle de gestos, atitudes, comportamentos, hábitos e discursos. No terreno de lutas de poder dos cotidianos escolares, os educadores aparecem como responsáveis por mudanças ou estagnações, pois ensinam para as crianças como as identidades e saberes são representados. A criança é também uma instituição social de aparição recente ligada a práticas familiares, modos de educação e classes sociais. A sexualidade é uma construção social relacionada ao poder e à regulação e, ainda hoje, tópico polêmico no espaço escolar devido à multiplicidade de visões, crenças, tabus, interditos e valores do corpo docente e discente. Trabalhar com a sexualidade na educação infantil tem sido um desafio transformador da prática educativa cotidiana na Creche UFF do Rio de Janeiro. O trabalho investigativo entrelaça dados constitutivos de: (a) pesquisa qualitativa com observação participante; (b) coleta de informações, registro de observações livres e narrativas das crianças e da equipe pedagógica; (c) discussões e troca de conhecimentos na formação continuada dos educadores; (d) análise de material bibliográfico priorizando estudiosos da infância, do poder na escola e da sexualidade. As inferências, ainda que provisórias: (1) desvelam ocultamentos e silenciamentos dos educadores acerca da temática; (2) expõem experiências problemáticas que os levam ao enfrentamento de situações inusitadas, relativas à sexualidade das crianças, desencadeando 215 decisões num complexo terreno de incertezas, singularidades e de conflito de valores; (3) evidenciam falas dos educadores que carregam em si marcas de angústias e constrangimentos sobre o sexual; (4) revelam o desconhecimento da equipe pedagógica sobre a sexualidade infantil. Palavras-chave: poder e saber na escola, educação infantil, sexualidade das crianças 216 Eixo Temático: Fundamentos da Educação A educação para a promoção da autonomia: a contribuição do contexto não-formal Armando Lourenço Filho Samuel Mendonça Programa de Pós-Graduação em Educação PUC Campinas – SP Brasil [email protected] e [email protected] Resumo A temática da presente pesquisa, em andamento, é a educação como promotora da autonomia nos alunos, pensada a partir da necessidade de envolvimento ativo e produtivo para que apresentem um bom desempenho das atividades educacionais. Essa efetiva participação dos estudantes nos processos de aprendizagem ocorre, normalmente, mediante o esforço do docente para mobilizar sua atenção e seu esforço, assim, o presente estudo assume como essencial a necessidade da promoção e desenvolvimento da autonomia nos alunos, importante tanto para o enriquecimento dos processos educativos e da aprendizagem quanto para seu desenvolvimento físico, social e cognitivo, necessários em todas as esferas de suas vidas. Nesse sentido, nosso objetivo é investigar os processos educacionais que permeiam a promoção da autonomia dos alunos, no contexto da educação não-formal. Num primeiro momento, serão abordadas as concepções de educação, partindo do ideal platônico de educação, baseado no conceito clássico de Paidéia, passando pelo período iluminista com as concepções pedagógicas de Kant e Rousseau e, alcançando a época moderna com a proposta da nova educação delineada por John Dewey. Em seguida passaremos às concepções de educação não-formal, e suas contribuições ao setor educacional, compreendendo-a como um importante instrumento pedagógico, favorecendo e complementando o desenvolvimento integral dos educandos. Depois procuraremos abordar os conceitos de autonomia, buscando desenvolver suas correlações com a educação, para compreender como se dá a promoção da autonomia a partir dos processos educacionais. Por fim, pretendemos descobrir e delinear qual o tipo de concepção de educação pode, de fato, colaborar para a promoção da autonomia dos alunos. Considerando que os objetivos da pesquisa compreendem a análise das concepções de educação, educação não-formal e autonomia, optamos pela 217 utilização do método filosófico, que compreende a conceituação, a problematização e a argumentação, elaboradas a partir de revisão bibliográfica, por meio de uma abordagem qualitativa sob o prisma da filosofia da educação. Como resultados, esperamos encontrar dentre as concepções de educação abordadas uma interface com a promoção da autonomia dos alunos, compreendendo esta autonomia como condição para o desenvolvimento de uma boa educação bem como para a formação integral do indivíduo. Palavras-chave: Concepções de educação; autonomia; educação não-formal. 218 Eixo Temático: Fundamentos da Educação O Problema da Formação do Espírito Ético na Educação da Cultura no Brasil: Mario Vieira de Mello e a correspondência entre a estrutura da alma humana e a sociedade Artur José Renda Vitorino Pontifícia Universidade Católica de Campinas Brasil [email protected] Resumo A partir do método heurístico (aqui entendido como procedimentos de delimitação de problemas-guia e de resolução não efetivos), estamos a investigar os seguintes livros de Mario Vieira de Mello: Desenvolvimento e Cultura: problema do estetismo no Brasil (Companhia Editora Nacional, 1963), Nietzsche (Paz e Terra/IEPES, 1985), O conceito de uma educação da cultura com referência ao estetismo e à criação de um espírito ético no Brasil (Paz e Terra, 1986), Nietzsche: o Sócrates de nossos tempos (Edusp, 1993), O Cidadão: ensaio de política filosófica (Topbooks, 1994), O Humanista: a ordem na alma do indivíduo e na sociedade (Topbooks, 1996) e O Homem Curioso: o problema da exterioridade na filosofia de Aristóteles (Paz e Terra, 2001). Como resultado ainda incipiente de nossos estudos sobre as obras aludidas acima, os escritos do autor revelam uma sincera e profunda definição do homem a partir da sua liberdade interna, que é a liberdade do animal que transcende sua natureza animal, cuja faina diuturna é “a vitória sobre si mesmo”, em uma crítica à liberdade externa, como a forma incitada por um agente exterior que, depois de destruir a ordem, a harmonia e o equilíbrio da alma humana - equilíbrio este criado por meio da homologia da ordem na alma do indivíduo e na sociedade -, realiza a instrumentalização dos instintos e das paixões do homem de modo a que ele possa contribuir para o bom funcionamento da sociedade aos moldes do que se convencionou chamar de self-enlightened interest. Palavra-chave: espírito ético, Mario Vieira de Mello, cultura do Brasil. 219 Eixo Temático: Fundamentos da Educação A filosofia intercultural no âmbito da filosofia da libertação latinoamericana:possíveis contribuições para a educação Giselle Moura Schnorr Programa Pós-graduação em Educação (FEUSP) Brasil [email protected] Resumo Este trabalho sintetiza uma pesquisa em andamento no curso de doutorado, no Programa de Pós-graduação em Educação, na linha de pesquisa Filosofia e Educação, da Faculdade de Educação de Universidade de São Paulo, sob orientação do Professor Dr. Antonio Joaquim Severino. Com o objetivo de problematizarmos contribuições da filosofia na promoção de experiências formativas adotamos como ponto de partida reflexões acerca do papel da Filosofia no Brasil e na América Latina. Situamos algumas produções acerca do sentido do filosofar na América Latina, com recorte especial nas denominadas Filosofias da Libertação Latino-americana. Traçamos um panorama histórico e conceitual das filosofias da libertação e a partir deste leque de elaborações destacamos a Filosofia Intercultural e possíveis contribuições para Educação. Se todo fazer educativo contém filosofias é certo, também, que as diferentes filosofias efetivam-se enquanto práxis educativas e culturais que imprimem sentidos ao educar, ao ensinar e ao aprender promovendo experiências formativas, gestando concepções, práticas e, portanto, culturas. O que significa, portanto, promover experiências educativas filosóficas em nosso continente e, em especial, no Brasil? Que diálogos podemos estabelecer entre Cultura e Filosofia? Entre Escola, Filosofia e Cultura? Buscar sentidos à educação em nosso continente é, também, buscar sentidos à Filosofia desde esse solo? Estas e outras questões perpassam esses estudos e aqui temos como recorte a Filosofia Intercultural. Sinteticamente podemos dizer que a Filosofia Intercultural é uma ‘corrente’ de pensamento coirmã da Filosofia da Libertação. O ponto de partida da Filosofia Intercultural é o reconhecimento da alteridade do outro, onde propõe uma transformação da filosofia, que deve superar sua perspectiva monocultural, questionando sobre as novas perspectivas do fazer filosófico no atual contexto histórico. Por trata-se de um esforço que visa fomentar uma transformação da filosofia, tornando-a aberta num diálogo incessante da comunidade humana, temos como hipótese que esta pode contribuir na gestação experiências formativas tomando como 220 ponto de referência a educação com os sujeitos do filosofar e suas culturas. Como trata-se de uma pesquisa em curso traçamos aqui alguns aspectos relativos a estudos iniciais e possibilidades investigativas a serem desenvolvidas no compromisso de contribuirmos para a filosofia no campo educacional. Palavras-chave: filosofia intercultural, filosofia da libertação, educação. 221 Eixo Temático: Fundamentos da Educação Bergson e Deleuze: conexões não representacionais entre Filosofia e Pedagogia Gláucia Maria Figueiredo Universidade Estadual do Oeste do Paraná – UNIOESTE Brasil [email protected] Resumo Partindo de uma Pedagogia que não se apresenta mais como uma operadora do campo da educação, tampouco uma instrumentalizadora didática dos processos educacionais e muito menos um domínio científico ou social, verifica-se o surgimento de alguns movimentos prático-teóricos que tendem a realizar a sua desvinculação das terminologias históricas e científicas que a representam atualmente. Por outro lado, a Filosofia quando se livra da tutela historicista que a alimenta correntemente, tende a abandonar sua tônica enciclopedista e profissionalizante retornando à sua atividade própria – a criação de conceitos (Deleuze; Guattari, 2004). Isso ocorre porque quando a história da filosofia é concebida como a filosofia em si, abre-se precedentes interpretativos na atividade filosófica, submetendo a dinâmica da criação conceitual às atividades de cunho enciclopedistas. Há que ressaltar ainda que os falsos problemas (Bergson, 2006) que enredam tanto a Filosofia quanto a Pedagogia nesta rede de acepções identitárias são fortalecidos através da presença veemente da Filosofia da Representação nutrindo tanto o pedagógico quanto o filosófico. Portanto, esta pesquisa tem como objetivo principal encontrar os elos conceituais entre as Filosofias de Henri Bergson e Gilles Deleuze que possibilitam o funcionamento não-representacional da Filosofia e da Pedagogia. Ao estabelecer tais intercessões objetiva-se também identificar o surgimento e funcionamento das alianças conceituais que operacionalizam a parceria Filosofia-Pedagogia. Para tanto será realizado o estudo dos conceitos: DuraçãoIntuição-Élan vital e Multiplicidade-Diferença objetivando apresentar suas vinculações filosóficas. Palavras-chaves: Pensamento. Filosofia, Pedagogia, Representação, Conexões e 222 Eixo Temático: Fundamentos da Educação Nietzsche e a educação para tornar-se si mesmo Gustavo Arantes Camargo UFRJ/Macaé Brasil [email protected] Resumo Por mais que se fale muito sobre Nietzsche, pouco se fala sobre seu pensamento no campo da educação. Contudo, quando tomamos seu único escrito publicado enquanto vivo dedicado exclusivamente à educação, a saber, a “Terceira consideração intempestiva: Schopenhauer educador”, texto considerado de juventude, sendo uma das primeiras publicações do filósofo, encontramos aí o que viria a ser o enunciado de um dos principais pensamentos de sua filosofia madura: a ideia de “tornar-se si mesmo”. Este enunciado também se encontra como subtítulo de sua autobiografia intelectual: “Ecce homo: ou como alguém se torna o que é”. No presente trabalho buscaremos estabelecer algumas relações entre o significado desta expressão e seu pensamento sobre a educação, uma vez que tal expressão representa uma espécie de síntese ética de sua filosofia. A educação como Nietzsche a entende não é a educação tal qual usualmente se costuma entendê-la, isto é, como instrução para a participação dócil na sociedade existente. Em sua filosofia, a educação aparece como abertura para a liberdade de criação do sentido de sua própria existência. A educação se relaciona com a ética ao se desprender totalmente dos valores morais e devolver ao educando a pergunta que só ele pode responder, a pergunta sobre sua própria vida. Uma coisa é certa, uma educação voltada para a liberdade teria que ser uma educação voltada para o desenvolvimento de singularidades. A educação poderia enfatizar o conhecimento de si, o cuidado sobre si mesmo e sobre seus afetos, um descobrir-se a si mesmo, um tornar-se si mesmo. Palavras-chave: Nietzsche, educação, tornar-se si mesmo. 223 Eixo Temático: Fundamentos da Educação Dos discursos pedagógico: alguns questionamentos José Carlos Abrão Universidade Federal de Mato Grosso do Sul BRASIL [email protected] Resumo Exponho nesta comunicação os resultados preliminares de um trabalho de investigação em torno de discurso pedagógico. Para tanto parto do pressuposto de que o discurso no contexto da educação em geral e da pedagogia em particular tem algumas características que se aproximam de outras modalidades de discurso, tais como o político, o religioso, jornalístico. Neste caso, há um elemento conotativo de importância inquestionável: a relação entre o falante e o ouvinte, o “eu” e o “outro”, os seus sentidos e as formas específicas de interação. No caso do pedagógico, o elemento de destaque, embora não exclusivo, é o da mudança ou transformação do “outro”. Esta particularidade exige algumas estratégias contextuais de realização por se tratar de uma relação historicamente construída: professor e aluno, ou, aquele que se propõe a transformar o “outro”: as intenções, a seleção de conhecimentos, as mediações no trato do conhecimento e o processo de avaliação. Se, por um lado, esta breve referência discursiva pode ter num primeiro momento plena concordância por parte daqueles que direta ou indiretamente estão envolvidos como o processo de ensino escolar, por outro lado pode ocasionar discordâncias quando se trata dos fins ou objetivos que se tenham em vista à transformação pretendida. Daí então nos propormos a refletir em torno de alguns questionamentos que a análise do discurso pedagógico pode suscitar. Para tanto tomamos como referência um trabalho investigativo publicado em torno da análise de propostas de teor religioso educacional de bases cristãs. Neste caso, esta proposta passa a ser entendida como “pastoral Cristã”, sendo que as reflexões discursivas do investigador caminham no sentido de levar à ruptura pedagógica com esta pastoral, ou seja, a “(des)pastoralização”. A partir deste cenário e seu desdobramento em vista de aportes de caráter questionador, procuro apontar alguns caminhos que possam ajudar a descortinar os subentendidos que estão colados nas falas orais ou escritas do discurso pedagógico e que poderão colocar em dúvida as suas crenças, elas mesmas não questionadas. 224 Palavras chaves: Educar, Ensinar, Discurso pedagógico, filosofia da linguagem. 225 Eixo Temático: Fundamentos da Educação A formação humana contemporânea a partir do contexto histórico-social da filosofia grega Jose Sílvio de Oliveira Universidade Federal de São Carlos - UFSCar Brasil [email protected] Resumo A questão da formação humana não é uma questão nova, já nos tempos de Homero, na cultura grega, entre os séculos V e IV, a. C, o mito já era uma referência, quando oferecia a imagem do herói a ser imitado pelo homem, como modelo a ser perseguido. Com Sócrates e Platão, a filosofia em suas origens gregas se encarrega de pensar os fundamentos da formação humana. Privilegiando uma abordagem filosófica e histórica, o objetivo desta pesquisa é investigar a partir das polêmicas vividas por Sócrates e seus interlocutores no século V a. C, na cultura grega, a natureza educativa da filosofia platônica, para pensar a formação humana contemporânea. A tentativa de apreender estas polêmicas vividas na origem da filosofia também evidencia e caracteriza precisamente o nosso problema a ser pesquisado, pois toda esta problematização será investigada a partir de uma área circunscrita, a educação contemporânea. É possível uma sistematização destes diálogos, destas falas, destes discursos para pensar a questão da formação humana? Neste sentido, a estratégia teórico-metodológica, em sua área de abrangência mais vasta, tem o seu ponto de partida no passado histórico da filosofia grega, como propósito tentar apreender as polêmicas articulando e argumentando o sentido da formação do homem e da mulher atual. Numa tentativa de aproximação apresento algumas fontes bibliográficas necessárias para tal. As Obras de Platão: Apologia de Sócrates, Defesa de Sócrates, Diálogos, Laquês, e A República. Palavras- chave: educação, filosofia da educação, formação humana. 226 Eixo Temático: Fundamentos da Educação Conhecimento e experiência formativa no mundo administrado Marcelo Alexandre dos Santos UNESP/Araraquara Brasil [email protected] Resumo O presente trabalho consiste numa reflexão sobre a extrema valorização atribuída atualmente ao acúmulo de saberes enquanto aquisição de informações como condição necessária ao desenvolvimento do processo de formação humana (Bildung) e a conseqüente emancipação dos indivíduos com o objetivo de possibilitar sua plena participação, enquanto cidadão, em todos os âmbitos sociais. O discurso contemporâneo que afirma a aquisição de saberes formais como uma aspecto relevante tem sido muito bem recebido e ao mesmo tempo reproduzido fortemente pela sociedade. Diante desta constatação evidente, pretendemos, portanto, discutir e apresentar os meios pelos quais este acúmulo de conhecimentos se constitui uma exigência e, ao mesmo tempo, uma imposição social, influenciando negativamente a construção da experiência formativa (Erfahrung) dos indivíduos na sociedade contemporânea. Pretendemos ainda apresentar possíveis caminhos que levem à superação desta problemática e nos permita atingir o contexto de uma formação em que o desenvolvimento da experiência constitua o cerne de um movimento emancipador. Para a devida realização deste trabalho recorreremos aos estudos dos filósofos Theodor W. Adorno e Max Horkheimer – dois dos principais representantes da Escola de Frankfurt (Frankfurt Schule). Situando-nos sob as reflexões destes dois pensadores procuraremos evidenciar as principais questões que influenciam diretamente na negação da experiência formativa mesmo num processo de aquisição de conhecimentos formais, inclusive daqueles que se encontram dentro da defesa circunscrita pela esfera legal que sustenta os discursos contemporâneos acerca da formação dos indivíduos na sociedade que se realiza por meio do processo educativo escolar. No entanto, não se trata a princípio de uma negação da acumulação de saberes ou de uma crítica a uma formação “conteudista”, mas sim em demonstrar em que medida o conteúdo enquanto forma do conhecimento se converte em negação da principal condição de emancipação social que é a experiência formativa. Buscaremos também refletir sobre as maneiras pelas quais a educação poderia 227 articular no processo de irrupção de um pensar autônomo, sem distanciar essa autonomia de um processo reflexivo, crítico e criativo. Palavras-chave: conhecimento, experiência, mundo administrado. 228 Eixo Temático: Fundamentos da Educação A criança aprende ou ensina? Um olhar deweyano sobre o processo educativo Marco Aurélio Gomes de Oliveira Armindo Quillici Neto UFU Brasil [email protected] Resumo A discussão em torno da infância e da criança, a partir da Modernidade, passa a ser encarada como questão central para a formação do novo sujeito moderno, isto é, um sujeito que cria e recria sua própria história de acordo com seus interesses e desejos. A partir desse entendimento, a escola é vista como lócus principal de formação desse sujeito, pois, é necessário planejar e organizar esse espaço para que o processo educativo seja que realizado de forma a garantir a concretização de tal projeto social. Nesse sentido, este trabalho tem como objetivo central apresentar a discussão sobre os conceitos de infância e criança na obra intitulada Democracia e educação: introdução à Filosofia da Educação do filósofo estadunidense John Dewey (1859-1952) relacionando-os com o processo de ensino e aprendizagem que envolve os sujeitos (aluno e professor) mediados pelo contexto escolar. A proposta deste trabalho, a partir da discussão sobre os conceitos de infância e de criança em Dewey, é situá-las num contexto geral dentro de um movimento internacional que defende uma renovação pedagógica no contexto escolar e social na virada do século XIX para o século XX, não só no que tange ao processo de ensino e aprendizagem, mas também com o intuito de modificar as condutas sociais e culturais da população como um todo, por isso a defesa de uma ampla reforma nos sistemas de ensino nos países, por acreditar no poder de transformação da educação. Para tanto, este trabalho é resultado de leituras e análises das obras de Dewey que compõem uma pesquisa de mestrado em andamento cujo objetivo é analisar o conceito filosófico de infância presente no Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova de 1932 e sua relação com o projeto de nação no qual os pioneiros da educação almejavam para o Brasil. Portanto, este trabalho pretende problematizar as contribuições do pensamento deweyano para a educação e indagar, se de fato, é ou foi possível efetivarmos, numa sociedade capitalista, uma relação horizontal entre aluno e professor mediada pelo contexto social, em que a liberdade, a experiência e a democracia sejam 229 exercidas plenamente e respeitadas as individualidades de cada criança. Será possível? Palavras-chaves: Infância, educação; John Dewey; processo de ensino e aprendizagem. 230 Eixo Temático: Fundamentos da Educação El campo de estudio de la esperanza Ma. Dolores García Perea ISCEEM México [email protected] Resumen El presente trabajo, además de formar parte de los resultados de la investigación terminada “La noción de formación en Ernst Bloch”, expone las pesquisas encontradas sobre el diagnóstico realizado al campo de estudio de la esperanza centrado principalmente en los libros, tesis, artículos de revistas y ponencias en cuyos títulos se encuentra la palabra esperanza. Tales pesquisas giran en torno a los aspectos siguientes: Escasa bibliografía, 2. Restringido número de autores, especialistas, expertos e interesados en su estudio, 3. Reducción del sentido originario, 4. Restricción de su campo de investigación y acción, 5. Prejuicios en torno a su importancia, trascendencia y devenir, 6. Retos en su habilitación e institucionalización como objeto de investigación, 7. Exclusión como tema de moda, 8. Vigencia del campo de estudio y 9. Desconocimiento de su estructura conceptual. Asimismo, objetivan el problema central de la investigación antes mencionada: el poco interés que tienen la mayor parte de la población y de los investigadores por estudiar el concepto y el tema de la esperanza y convertirlo en objeto de investigación. El contenido del trabajo, además de describir las pesquisas, las argumenta y las contextualiza con la finalidad de afirmar dos tres cuestiones en relación al campo de estudio de la esperanza: 1. Está en construcción, 2. Su vigencia está determinada desde el momento en que se reflexiona y estudia y 3. Es impostergable la acción de aprenderla y aprehenderla para comprender la tercera naturaleza humana. Palabras-clave: esperanza, reducción y restricción de su sentido, sentido originario. 231 Eixo Temático: Fundamentos da Educação Por uma educação da singularidade Maria dos Remédios de Brito Universidade Federal do Pará Brasil [email protected] Resumo A tradição histórico-cultural ocidental é influenciada pelo pensamento da recognição. Tal pensamento reconhece uma espécie de imagem dogmática, que tende a gozar de uma natureza reta e moralizante, bem como do exercício de uma prática ascética e da mortificação do corpo e da linguagem. Essa imagem tende a difamar tudo o que é devir na existência e procura um porto seguro, uma ancoragem, que negue o despertar da potência criadora da vida. Assentada em bases moralizantes, tal pensamento é configurado em sua severidade, o que leva à criação de uma educação cansada, enfadonha e triste. Em vez de uma educação inventiva e criadora, há uma educação reconhecedora, reprodutora e subordinada aos valores vigentes, sem força para produzir a si mesma. Com isso, indaga-se: Que imagem o pensamento dogmático pode oferecer à educação? Há alguma possibilidade para uma educação pelo exercício da experimentação e da singularidade a partir do pensamento da recognição? Que imagem de pensamento seria possível ponderar para uma educação que vise à singularidade? O trabalho objetiva refletir uma ideia de educação para além da perspectiva dogmática para pensar uma imagem-educação pela singularidade, destacando seus efeitos afirmativos para a prática educativa. A pesquisa é bibliográfica e toma como obras principais de referência “A Lógica do Sentido”, “Diferença e Repetição” de Gilles Deleuze, “Mil Platôs” de Gilles Deleuze e Felix Guatarri e “Schopenhauer como Educador” de Nietzsche. Nesse dialogo, não há nenhuma promessa de fidelidade, mas com esses autores deseja-se potencializar o pensamento para remeter outras imagens para a educação; imagens que possam ser errantes, nômades e transitórias. Como resultado espera-se contribuir para uma educação que possa ser permeada pelo exercício da experimentação e da singularidade, que desmonte as imagens sedentárias, rígidas e universalizantes, e fomente o exercício da criação, da invenção, desmobilizando os corpos e os sentidos. Faz-se um convite aos deslocamentos para outras práticas educativas que possam ser vibrantes e exploradoras de jogos de afetos, de relações e de conexões. Dessa forma, mais do que a necessidade de um método para a ação educativa, que se pense um 232 movimento de abertura para a singularidade, para a produção criadora de um novo pensar na educação. Palavras-chave: Pensamento dogmático, Educação para a Singularidade, Deleuze, Guattari, Nietzsche. 233 Eixo Temático: Fundamentos da Educação Corpo próprio e corpo virtual Um diálogo entre Merleau-Ponty e Michel Serres e suas implicações para a Educação a Distância Rafaela Ferreira Marques Universidade Federal de São João del-Rei Brasil [email protected] Resumo Neste trabalho, expomos os principais pontos de um projeto de Iniciação Científica, que teve início em agosto de 2010 e será concluído em agosto de 2011. O eixo principal da pesquisa consiste no contraste entre as filosofias de Merleau-Ponty (França, 1908-1961) e Michel Serres (França, 1930) a partir, principalmente, da questão da corporeidade. Para tanto, organizamos o trabalho em três etapas. Na primeira, intentamos esclarecer o conceito de corpo presente na filosofia de Merleau-Ponty. Pensando na abordagem que o filósofo faz a respeito dessa questão e levando em consideração conceitos como o de corpo próprio, que é uma peça chave para a pesquisa e de mundo-da-vida. Segundo Merleau-Ponty, no nível da vida perceptiva, em que se situa sua reflexão, mais que “ter um corpo”, meu corpo “sou eu”. Mas como será possível pensar-me como corpo na realidade virtual? Passamos assim ao segundo momento de nossa pesquisa, que se refere à corporeidade na filosofia de Serres. Nossa intenção nesta fase é mostrar como, para Serres, na contemporaneidade, nossos corpos se tornaram voláteis e nosso mundo, angelical. Chegaremos a este termo retomando a historia universal do trabalho contada por Serres: depois da humanidade agrária veio o homem econômico e industrial; hoje, avançamos para uma era nova, aquela do conhecimento ou da informação; nesta, construímos a cidade mundo, que Serres chama de Vilanova. Nela, não há espaço físico, Vilanova é um espaço volátil formado por ondas, ondas de rádio, televisão, internet, celulares. A intenção nesta fase é pensar o corpo nessa realidade volátil, pensar como é possível a inserção do corpo nesse espaço novo. Na terceira etapa da pesquisa, a partir dos resultados das fases anteriores, teceremos contrastes, aproximações e impasses entre as vivências do corpo ‘real’ (Merleau-Ponty) e do corpo ‘virtual’ (Michel Serres), procurando refletir as implicações dessas vivências para a Educação à Distância (EaD). Palavras-chave: Corpo. Merleau-Ponty. Michel Serres. 234 Eixo Temático: Fundamentos da Educação Categoria trabalho e pesquisa em educação: reflexões filosóficas e históricas Romeu Adriano da Silva Universidade Federal de Alfenas Brasil [email protected] Resumo De fato conformou-se, no Brasil, nas últimas três décadas, um amplo conjunto de pesquisas em Educação que tomam como objeto as relações entre “trabalho” e “educação”. Sem pretender abarcar toda a trajetória e características dessas pesquisas, o trabalho ora submetido propõe discutir uma tendência que tem se configurado nos últimos anos, qual seja, a de tomar a categoria “trabalho” como central para as pesquisas que investigam as relações entre trabalho e educação, acentuando que esta categoria é que, de fato, expressa a verdadeira “ontologia” do ser social, o que se encontra de modo claro em autores como Ivo Tonet (2003, 2005, 2006, 2007, 2008, 2009) e Epitácio Macário Moura (1999, 2001, 2003, 2005, 2007). Embora não seja possível aprofundar as discussões neste espaço, a necessidade de verificar os pressupostos em que se apóiam essas pesquisas justifica-se, pois, devido ao fato de estas parecem encaminharse para discussões de caráter “essencialista”, ao mesmo tempo em que seus autores se colocam no interior do marxismo e afirmam sustentar-se na obra marxiana para procederem as suas análises, considerando que esta obra constitui os fundamentos de uma “ontologia do ser social”, na qual o “trabalho” é categoria central. Nosso posicionamento parte do pressuposto de que, na obra conjunta de Marx e Engels, a categoria central para a análise histórica, e mesmo para os que nela pretendem sustentar-se para analisar o fenômeno educacional, é a categoria “modo de produção” e não “trabalho”. Com isso, não se pretende indicar que Marx e Engels não elaboraram um amplo conjunto de categorias de análise mas, sim, que tomar a categoria “trabalho” como central nestes autores é desconsiderar que, neles, o trabalho nunca é tomado isoladamente de um determinado “modo de produção” e que o objeto central de suas reflexões era o próprio modo de produção capitalista. Deste modo, pretende-se contribuir para o debate em torno das pesquisas sobre trabalho e educação, partindo da própria obra de Marx e Engels. 235 Palavras-chave: Modo de produção, Trabalho, Ontologia, Pesquisa em Educação. 236 Eixo Temático: Fundamentos da Educação Trabalho e educação: a produção social da consciência e da linguagem Ronaldo dos Santos Travassos Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio/FIOCRUZ Brasil [email protected] Na pesquisa educacional a relação trabalho e educação se constitui como um campo de investigação voltado para a formação do indivíduo no que se refere à sua inserção na atividade laboriosa. No entanto outras variantes podem ser investigadas de maneira empírica, em virtude de várias possibilidades concretas da relação trabalho e educação quando chega à tona no ato de sua realização. Ao considerar o trabalho e a educação como práticos sociais inerentes às diversas formas de organização social, que se inicia nas comunidades primitivas e chega até a modernidade, surge a indagação sobre a produção social das variantes originadas no processo de interação social necessário à construção de forma de vida, que preserve o acervo sócio-cultural individual e coletivo. Portanto, a questão está em compreender como se constitui historicamente a produção social da consciência e da linguagem em virtude da necessidade de homem produzir sua existência na sua relação com a natureza, com seus semelhantes e consigo mesmo. E, ainda, as bases materiais e sociais que estão subjacentes à consciência e à linguagem no mundo do trabalho. Este trabalho tem como objetivo principal identificar o processo pelo qual se constitui a base material diante das necessidades da vida humana. De maneira específica compreender a forma de como se estabelece a relação trabalho e educação na produção social da consciência e da linguagem. Ao desenvolver este investigação espera-se que ao final demonstre outros aspectos de base material da relação trabalho e educação, como forma de ampliar o espectro do conhecimento da relação pedagógica no processo formativo do individuo. Palavras-chaves: educação, consciência, linguagem, produção social e trabalho. 237 Eixo Temático: Fundamentos da Educação Louis Althusser: da Filosofia à Educação Roselaine Bolognesi UNICAMP Brasil [email protected] Resumo O presente trabalho tem por objetivo apresentar a concepção althusseriana de Filosofia e as principais relações estabelecidas com a área da Educação. Essa discussão faz parte da pesquisa de doutoramento em andamento no programa de pós-graduação em Educação da Unicamp, área de concentração Filosofia e História da Educação. O objetivo principal desta pesquisa é retornar ao conjunto da obra Althusseriana buscando compreender como a questão da Ideologia atravessa toda a sua obra, como produz sentidos nos diferentes momentos de sua produção intelectual, as apropriações realizadas na área educacional e quais as possibilidades e impossibilidades para esta área atualmente. Como opção metodológica recorremos a Análise de Discurso (AD) de linha francesa, influenciada por Michel Pêcheux, mais especificamente, uma linha de Análise de Discurso que surge nos anos de 1960, colocando em relação o campo da língua e o campo da sociedade através da história. A opção por essa metodologia de análise justifica-se na medida em que esta se propõe como disciplina de entremeio, aberta para diálogos e aproximações entre áreas do conhecimento, nos permitindo tomar a obra de Althusser enquanto texto e compreender as suas diferentes formas de produzir sentidos. Consideramos que Althusser não parte de problemas educacionais para construir sua reflexão filosófica, mas de uma posição específica na Filosofia, cuja elaboração teórica se desdobra, em um momento particular de sua reflexão, numa questão educacional que ganha desdobramentos específico na área educacional. No caso, o desenvolvimento de uma concepção de Aparelhos Ideológicos de Estado, mais especificamente, reflexões sobre o Aparelho Ideológico Escolar e seu funcionamento privilegiado no sentido da reprodução das relações de produção na formação social capitalista. Sua obra e suas reflexões, no entanto, não se esgotam nessas reflexões. Palavras-chave: Louis Althusser; Filosofia; Educação. 238 Eixo Temático: Fundamentos da Educação A condição humana na concepção fenomenológico-existencial: o ato de educar e a prática docente em questão Wanderley José Ferreira Jr. Faculdade de Educação – UFG Brasil [email protected] Resumo Procura-se explicitar as implicações e consequências pedagógicas das descrições dos modos de ser originários do homem como ser-no-mundo tal como são descritos na primeira parte da obra Ser e Tempo (1927) do filósofo alemão Martin Heidegger. Coloca-se em questão alguns temas tratados na obra supracitada, tais como: o homem como ser-aí e a crítica ao sujeito cartesiano; o mundo como fenômeno-existencial constitutivo do homem e a consequente desconstrução da noção de mundo como coisa[res extensa] em Descartes; os constituintes da abertura originária do homem no e para o mundo - disposição, compreensão e discurso; o quem do Dasein em sua cotidianidade - a existência inautêntica sob ditadura do Impessoal; a crítica a noção tradicional de verdade – a verdade como liberdade de deixar-ser as coisas; a angústia como experiência do nada e abertura originária ao mundo e o cuidado enquanto constitutivo de nosso ser-com os outros. A partir de uma leitura atenta e rigorosa da referida obra, colidindo a edição alemã com a edição francesa da mesma, nossa intenção é apontar algumas perspectivas e possibilidades que se abrem ao exercício da docência e para o estabelecimento de um novo sentido do ato de educar se considerarmos a concepção de homem nos marcos da analítica existencial de Ser e Tempo. Palavras-chave: condição humana, concepção fenomenológico-existencial, ato de educar. 239 Eixo Temático: Fundamentos da Educação Multiculturalismo e Ética em Educação: uma análise do Discurso contra o Bullying William de Goes Ribeiro Universidade Federal do Rio de Janeiro Brasil [email protected] Resumo Bullying é uma temática que interessa ao multiculturalismo e a ética. Até que ponto é factível romper com a negação da alteridade? O objetivo do atual estudo é analisar as respostas dos sujeitos. Os resultados indicam que novos acordos podem ser construídos de forma positiva. Uma discussão sobre educação nos dias de hoje nos convida a um universo amplo e complexo, uma vez que as significações nesse campo comportam múltiplos sentidos. Desse modo, levar em apreço multiculturalismo e ética para pensá-los juntos a atual conjuntura educacional não nos parece algo simples. A polissemia circunscreve percursos sinuosos, múltiplos, por vezes ambíguos. No entanto, a fluidez com que convivemos não nos exime de algo relacionado às instituições que tomam a educação como desígnio. A escola, dentre outras instituições, trilha caminhos marcados pela intencionalidade de se re/ construir visões de mundo. Ainda que não seja o único espaço de legitimação de conhecimentos e culturas, pressupõe que se trata de uma ambiência privilegiada na formação humana. A referida instituição lida com identidades, com alteridades e com diferenças (OLIVEIRA, 2009). Assim, tensiona-se entre processos de homogeneização e a diversidade que a constitui (CANEN, 2007). A partir dessas considerações, por que fincarmos uma fronteira entre a ética e o multiculturalismo? Discursos como o racismo, por exemplo, desafiam a plenitude da ação de se educar. Sua disseminação incorpora demandas éticas ou multiculturais? Seria infrutífero pensar alternativas que contemplassem ambos os domínios do conhecimento? Defendemos o argumento da complementaridade desses campos no tocante a algumas questões que nos têm despertado o interesse. Palavras-chave: Multiculturalismo – Ética – Análise Retórica. 240 Eixo Temático: Método e Pesquisa em Educação A reflexividade na construção do papel do professor no contexto cibercultural Adriana Carvalho da Silva Universidade Federal de Pernambuco Brasil [email protected] Resumo Este artigo discute acerca da relevância da reflexividade para a profissão do professor, na compreensão de que o ato de refletir sobre suas próprias concepções e práticas no espaço escolar são aspectos integrantes de uma educação que se preocupa com a formação humana dos professores e dos alunos. Partimos do objetivo central de analisar como a reflexividade do professor contribui para a construção do seu papel na Cibercultura. Especialmente, nos propomos a pensar o sentido de suas atribuições e ações educativas no espaço escolar, levando em consideração a articulação das demandas da realidade atual com o pedagógico. Essa realidade coloca em relevo o desenvolvimento de algumas competências, tais como: autonomia da aprendizagem, a criatividade, a colaboração, o raciocínio rápido e a sistematização das informações e traz e reforça atribuições para o exercício do trabalho do professor. Nesse sentido, para embasar nossa discussão, optamos pela escolha do seguinte aporte teórico: Cibercultura (Lévy), Reflexividade (Josso, Alarcão, Zeichner e Pimenta); Professor intelectual (Giroux, Freire), dentre outros. Essa discussão também se embasa em elementos da perspectiva sistêmica, especialmente as contribuições de Edgar Morin acerca da necessidade de nos voltarmos para a organização do pensamento ao longo do processo educacional. Para tanto, o reconhecimento dos nossos equívocos e a revisão das nossas percepções e valores se configuram como um desafio que precisa ser superado quando pensamos o ser humano e suas relações sociais, sobretudo nas ações educativas. O desenvolvimento da nossa análise propiciou a compreensão de que no campo teórico acerca das expectativas para o professor e influências no âmbito escolar encontramos diversos papéis atribuídos ao professor, que são construídos de acordo com os mais variados interesses que, em alguns aspectos, não se afinam com o objetivo de formação humana crítica e emancipatória, que leve em consideração a 241 multidimensionalidade dos sujeitos. Contudo, o professor reflexivo não pode ser vista de forma isolada do seu contexto. Palavras-chave: Reflexividade. Cibercultura. Papel do professor. 242 Eixo Temático: Método e Pesquisa em Educação Estructura dinámica de la consciencia intencional, presente en el investigador educativo reconocido, durante su experiencia formativa José Guadalupe Sánchez Aviña Universididad Iberoamericana Puebla, Estado de Puebla México [email protected] Resumo Esta investigación es un esfuerzo por presentar una manera alternativa y complementaria de abordaje de la problemática de la formación para la investigación educativa en México; pone énfasis en delimitar como campo de investigación al de la formación para la investigación educativa y se ocupa de un aspecto poco atendido por ésta: las operaciones conscientes e intencionales que tienen lugar en los sujetos durante su experiencia formativa. La óptica desde la cual se realiza el abordaje, trasciende la dimensión externa de la práctica formativa de un investigador, aquella que podría estar relacionada con las circunstancias y condiciones de su formación, centrando la atención en el investigador en formación como sujeto que conoce, que afecta y es afectado en el proceso. Se trata de conocer sobre el conocer. Ocupada de la objetivación de la consciencia, con el propósito de comprender el proceso formativo del investigador educativo reconocido a partir de la recuperación, análisis y reflexión de su experiencia personal a nivel de su estructura consciente e intencional, se formula la siguiente pregunta de investigación: ¿Cómo se presentaron las operaciones conscientes e intencionales que tuvieron lugar, durante la experiencia formativa, en el sujeto que llega a ser investigador educativo reconocido? Esta propuesta de investigación encuentra su definición no en la metodología en que se apoya, sino en la finalidad que persigue, según el método trascendental propuesto por Bernard Lonergan: la experiencia empírica, la comprensión inteligente, la reflexión, así como el juicio crítico y la de la deliberación y decisión responsable; cuatro niveles de conciencia que emergen de cada finalidad y que constituyen el método básico de la investigación reflexiva. Se trata de establecer un puente metodológico entre lo interpretativo y lo reflexivo, que permita llevar a los investigadores, a que atiendan a su propia experiencia de atender a los datos, comprendan la manera en que han llegado a construir formas de comprensión de los datos, reflexionen 243 críticamente sobre su forma de reflexión crítica como investigadores, y deliberen sobre su forma de deliberar como investigadores. Palabras-clave: estructura dinámica, la consciencia intencional, experiencia formativa. 244 Eixo Temático: Política e Educação A educação moral no mundo contemporâneo: a experiência da amizade na sala de aula Alonso Bezerra de Carvalho UNESP – Assis Brasil [email protected] Resumo A pesquisa que está sendo desenvolvida investiga o processo de formação ou transmissão de valores por meio da escola, especialmente quando sabemos que a história do Brasil foi marcada por um momento em que se buscou implantar, via disciplinas no currículo, uma educação para a moral e para o civismo. Partindo da análise dos livros didáticos de Educação Moral e Cívica e de Organização Social e Política do Brasil, e legislação pertinente, o trabalho em andamento tem a finalidade de problematizar o caráter disciplinador e doutrinário daquele ensino que ainda provoca nostalgias em educadores atuais. O tema dos valores aparece ligado, desde a filosofia grega, à idéia do Bem, que é subjetivo, ideológico ou têm um caráter absoluto e, nesse caso, deveríamos saber em que se fundamenta. Por seu lado, a questão dos valores na escola do século XXI está marcada pelas mudanças sociais e os problemas, as inquietações e as polêmicas que surgiram desde a metade do século passado. Para tanto é preciso refletir sobre essas questões e queremos fazê-lo a partir do tema da amizade, como um sentimento e uma ação que implica uma virtude, como preconiza Aristóteles. Isto é, o projeto que está em desenvolvimento tem entre outras justificativas a idéia de que na escola contemporânea são estabelecidas relações das mais diversas, sendo a sala de aula o cenário onde se manifestam e são vivenciadas as mais diferentes concepções de mundo, de sociedade e de homem. Sala de aula: lugar ainda de conflitos, de diálogos interrompidos, e de incoerências ou mesmo de oposições entre a dimensão interpessoal, lógico-teórica e pragmático-moral? Enfim, tomar a sala de aula como um dos lugares fundamentais de relação ético-moral e política que, deste modo, pode propiciar um horizonte de possibilidades didáticas, de formação, de formulação de projetos e leis e de construção de novas relações e posturas, que talvez não estejam sendo empregados em todo o seu potencial. Palavras-chave: educação moral, amizade, sala de aula, política. 245 Eixo Temático: Política e Educação Controle Judicial de Políticas Públicas Educacionais: um enfoque zetético de investigação Ana Elisa Spaolonzi Queiroz Assis FE – UNICAMP Brasil [email protected] Resumo Este trabalho é parte de tese de doutoramento em andamento na área de Políticas, Administração e Sistemas Educacionais, tendo como foco o estudo do controle judicial de políticas públicas educacionais no Estado de São Paulo. Tal controle afeta, significativamente, as ações de formulação e implementação da política. Uma das formas em que ele ocorre é a partir da ação tanto do Ministério Público quanto do Poder Judiciário. Embora o Ministério Público seja órgão vinculado ao Poder Executivo, não mantém com ele uma relação jurídica de subordinação, e de acordo com seu dever constitucional propõe as ações contra o Executivo no que tange à ineficiência ou ineficácia de política educacional, apontando pedidos que, nitidamente, cobram do Judiciário uma postura ativa; muitas das vezes o Ministério Público ignora a possibilidade de tratar a problemática extra-judicialmente conservando ao Executivo o poder de tomada de decisão no que tange ao seu poder político. Já o Judiciário, ignorando os limites do sistema de freios e contrapesos, quando chamado para resolução de lide incorre em ativismo, pois se vê no direito de substituir o Executivo nas tomadas de decisão. Todavia, o recorte que aqui realizamos é referente ao enfoque interpretativo do problema jurídico. O enfoque zetético problematiza as próprias normas, deixando-as abertas à dúvida, à crítica e à criatividade, acaba comportando pesquisas de ordem sociológica, antropológica, filosófica e histórica, como é o nosso caso. Diferentemente do enfoque dogmático, a investigação zetética não exerce exatamente um papel apaziguador, no sentido de conceder total segurança à construção e à interpretação jurídica. Mais do que fornecer uma resposta para um determinado tema, cuida principalmente da tarefa de problematizá-lo. Já numa investigação dogmática as normas constituem pontos de partida, que não podem ser negados. Sob o império dessa premissa, muitos profissionais não percebem o direito como instrumento de gestão social. Como resultados esperados, acreditamos que, dentre outras questões, poderemos identificar que falta aos promotores e juízes compreender questões para além do texto normativo, que envolvem o 246 diálogo com outras áreas do conhecimento, no caso, a Educação e que tal falha é extremamente prejudicial para o bom andamento da justiça. Palavras chave: Controle Interpretação Zetética. Judicial; Políticas Públicas Educacionais; 247 Eixo Temático: Política e Educação Políticas de Género en la Educación Militar en México Carolina Mayora Fernández UNAM México [email protected] Resumen El presente documento pretende acercarnos al problema de la exclusión de las mujeres en una de las profesiones considerada tradicionalmente como masculina: la formación militar. Pretendo valorar si será suficiente que las políticas de género se limiten al cambio en los planes de estudio para enseñar las nuevas ideas y acabar con la cuestión de las diferencias sexuales en el campo laboral, o si la admisión de las mujeres en el ejercicio de profesiones tradicionalmente masculinas (como la carrera militar) impactará en la forma como la sociedad percibe la capacidad de una mujer para desenvolverse profesionalmente en cualquier ámbito. De ahí radica la importancia de explorar el proceso formal de inclusión de la perspectiva de género al interior de los planteles de educación militar en México, en los que hasta hace muy poco tiempo, el personal femenino se encontraba excluido. Es necesario indagar si la incorporación de mujeres en profesiones tradicionalmente masculinas (como comandantes de buques o como pilotos de guerra) acabará con algunas asimetrías económicas sufridas por el grupo social de las mujeres. Ya que la base de género en las identidades laborales es notablemente duradera y no se modifica fácilmente por el incremento de mujeres u hombres en un determinado grupo ocupacional. Es por ello que realizaré una investigación empleando métodos etnográficos al interior de planteles de formación militar, para apreciar cómo será el proceso con el que las primeras mujeres mexicanas se enlistarán en la vida castrense: apreciando las dificultades y retos que enfrentarán, así como los apoyos institucionales recibidos. Asimismo, pretendo demostrar que la situación desigual de las mujeres, y que impidió en épocas pasadas su integración al ejército, proviene de una tradición sustentada en los principios de la Ilustración y la ideología de la Modernidad. Y que el Método Científico ha sustentado la naturalización de la desigualdad entre hombres y mujeres. Palabras-clave: Género, Educación Militar, Mujeres, Masculinidad. 248 Eixo Temático: Política e Educação Educación - disciplina y control - el paradigma de la competencia Daniel Alejandro Mares Sánchez Universidad de Guanajuato México [email protected] Resumen Los cambios efectuados durante el siglo XX han originado nuevas formas de organización social en todos sus ámbitos. Los moduladores de control han dejado de operar en su forma disciplinaria para dar paso al control competitivo. Esto ha germinado en estereotipos que fungen como paradigmas. En la educación no hay excepción: los nuevos enfoques pedagógicos, las formas de organizar e impartir el conocimiento giran en torno a las constelaciones impuestas desde una dinámica empresarial. Modernidad, Posmodernidad, Hipermodernidad o Transmodernidad: son las categorías filosóficas puestas en el debate actual que pretenden referenciar la ontología de nuestro presente, la equivocidad de los términos genera más controversias que una solución semántica ansiosamente esperada. Además, cada una de las palabras que fungen como llaves hermenéuticas para descifrar la realidad, están a priori imputadas de axiología. Sin embargo, cada una de ellas denota subrepticiamente una “crisis generalizada” que crónica y progresivamente “diluye” a las instituciones que modulan –o modulaban- la vida política de la sociedad occidental. Zygmunt Bauman encuentra que la “liquidez” es la principal característica de nuestro tiempo, al citar a Ulrich Beck en una entrevista realizada por Jonathan Rutherford, el filósofo polaco pone de relieve que son las “categorías zombis” y las “instituciones zombis” (que “están muertas y todavía vivas”) las que producen la redistribución y reasignación de las funciones subjetivas y comunitarias (BAUMAN, 2008, p. 5). El cambio, acelerado y vertiginoso, producto del desarrollo científico y tecnológico afecta las relaciones espacio-temporales y con ello, la forma en que los seres humanos interactuamos: el trance abraza desde la familia hasta el propio Estado. 249 Eixo Temático: Política e Educação Programa Universidade para Todos: uma política de civilização Paulo Roberto Rodrigues Simões Pontifícia Universidade Católica de São Paulo Brasil [email protected] Resumo Este trabalho apresenta uma discussão sobre o Programa Universidade para Todos, a partir do conceito de cultura e da concepção de política de civilização, do pensador francês Edgar Morin. Trata-se de parte da pesquisa de Doutorado (em fase de conclusão), do Programa de Estudos Pós-Graduados em Serviço Social, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. O acesso ao ensino superior tem sido tema de grande relevância para os estudos das políticas públicas educacionais brasileiras. No meio dessas discussões é que surge o ProUni, com a finalidade de ofertar bolsas de estudos integrais e parciais a estudantes de baixa renda, em curso superior, em instituição privada. O objetivo do trabalho não é discutir o ProUni no âmbito da política pública, mas fazer sua leitura a partir do conceito de cultura, do ponto de vista filosófico, enquanto formação do homem, sua melhoria e seu refinamento, e a concepção de “política de civilização”, a partir de Morin, que a chama de uma “política do homem”. Com esta pesquisa chegamos à conclusão da relevância do ProUni como facilitador do acesso ao ensino superior, que é um meio de criação e fomento da cultura e da política de civilização. Palavras-chave: Civilização, Cultura, ProUni. 250 Eixo Temático: Política e Educação A escola: fator de mobilidade ou estagnação social? Roberta dos Santos Kwasinski UFRRJ Brasil [email protected] Resumo O presente trabalho intitulado: “A Escola: Fator de Mobilidade ou Estagnação Social”, surgiu de experiências e reflexões adquiridas ao longo de nossa participação no PIBID – Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência, subprojeto filosofia, em andamento na UFRRJ. Iniciado em abril de 2010, o PIBID de Filosofia conta com 24 alunos bolsistas do curso de Licenciatura em Filosofia, divididos em três grupos de oito alunos, que se distribuem em três instituições públicas de ensino. No início do projeto, essas instituições eram: Escola Estadual Presidente Dutra, CIEP Brizolão 155 e Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio, as duas primeiras localizadas em Seropédica, próximas ao campus da UFRRJ, e a terceira na Fiocruz. Aconteceu desde o primeiro semestre deste ano de 2011, a substituição da Escola Estadual Presidente Dutra pelo CTUR – Colégio Técnico da UFRRJ. O tema central do projeto é “Redes e os Processos de (des)subjetivação”, que se desenvolve em três eixos – estética, política e conhecimento –, alocados nas escolas citadas. A cada semestre há um rodízio dos eixos e dos grupos de alunos de modo que, ao final do projeto, todos os grupos deverão ter atuado nas três escolas e desenvolvido trabalhos nos três eixos propostos. Ao longo do período de um semestre de observações das aulas em diferentes turmas de ensino médio e formação de professores da Escola Estadual Presidente Dutra, percebemos que havia disseminadas, no ambiente escolar, posturas discriminatórias relacionadas à capacidade cognitiva de seu corpo discente, como, por exemplo a descrença na capacidade intelectual dos alunos de gostar ou compreender qualquer manifestação que não pertencesse a seu meio social (músicas, filmes legendados, entre outros). Procurando fundamentos para essa prática anti-pedagógica, acreditamos ter encontrado nos estudos do pesquisador francês Pierre Bourdieu, em seus escritos sobre “A Escola Conservadora: as desigualdades frente à Escola e à Cultura”, respostas para as atitudes preconceituosas encontradas naquele ambiente escolar. Palavras-chave: escola, estagnação, mobilidade. 251 Eixo Temático: Política e Educação Educação e meio ambiente: entre a biopolítica e a biopotência Rodrigo Barchi Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP Brasil [email protected] Resumo A biopolítica é uma forma de poder que regulamenta e normaliza os modos de vida, e está intimamente ligada ao neoliberalismo e as formas de produção do capitalismo contemporâneo. É todo um conjunto de dispositivos, estratégias, capturas e ações que a forma-Estado tem à disposição para manter sua hegemonia nas sociedades de controle. Por sua vez, o conceito de biopotência pode ser compreendido como a recusa ao primado da verdade, a unificação dos sentidos de mundo e do fazer educativo. O presente texto busca fazer alguns questionamentos no que diz respeito ao fazer e pensar educação ambiental seja no exercício da biopolítica ou em suas possibilidades e “bio-potencialidades” de resistir ao constante assédio e sedução dos usos e compartilhamento dos poderes hegemônicos. De acordo com Larossa (2006), a educação é o modo como as pessoas, as instituições e as sociedades respondem à chegada daqueles que nascem. Afirma ele, na esteira de Hannah Arendt, que o nascimento, a chegada de uma criança, não é um momento que possa ser situado em uma cronologia, mas justamente aquilo que interrompe a cronologia. Essa novidade, portanto, ameaça qualquer regime que suponha, ou se baseie em tentativas de continuidade do mundo como está. Afirma ele que os totalitarismos típicos de meados do século XX tentaram eliminar qualquer perspectiva que ofereça uma resistência à idéia implantada por ele. Por isso, a novidade da infância também necessita ser destruída, pois ela traz a noção de um futuro incerto e desconhecido, ou seja, é necessário converter a infância na encarnação da idéia totalitária, além de transformá-la propriamente na própria idéia totalitarista. Na contemporaneidade, para Larossa, existe ainda outra forma de totalitarismo, aparentemente mais democrática, que não é a destruição da novidade, ou sua transformação em uma nova ferramenta de dominação e exercício do poder, mas sim, sua assimilação e transformação em mercadoria. A infância continua sendo sacrificada sob o nome do progresso, do desenvolvimento, do futuro e da competitividade. Palavras-chave: educação ambiental, biopolítica, biopotência. 252 Eixo Temático: Teorias da Educação Dimensão formativa da literatura, espaço público e competência argumentativa: construindo relações para uma educação cidadã Adalgisa Leão Ferreira Universidade Federal de Pernambuco Brasil [email protected] Resumo O discurso pedagógico se caracteriza como um dos discursos produtores de formas de experiências de si, nas quais os indivíduos podem se constituir enquanto sujeitos, de uma maneira bem específica. Nesse sentido, a educação escolar e pública exerce centralidade nesse processo de aquisição de competências para a vida em sociedade. A presente pesquisa tem por objetivo refletir acerca da possível relação existente entre a dimensão formativa da literatura e o modelo discursivo de espaço público na aquisição de competências que contribuam para a atuação dos sujeitos no espaço público decisório. Trata-se de uma pesquisa em filosofia da educação, com abordagem qualitativa, de caráter exploratório, fundamentada em pesquisa bibliográfica. A análise dos textos é hermenêutica, vinculada à sua condição de possibilidade finita, devido as interpretações possíveis dos dados textos. A ênfase é atribuída precisamente à capacidade de mobilização do ser humano, de sensibilização coletiva, de fabulação, de ficcionalização, existente na literatura, pois esta é capaz de criar identidades e comunidades. Desta maneira, a partir dos temas aqui discutidos, pretendemos contribuir com elementos que ampliem o debate sobre a dimensão formativa da literatura e sua relação com o espaço público, na medida em que a partir das vivências literárias, as situações de deliberação e coautoria possam também ser estendidas ao espaço público argumentativo. Palavras-chave: Dimensão Formativa da Literatura; Espaço Público; Cidadania; Educação. 253 Eixo Temático: Teorias da Educação Indústria Cultural e Semi-Formação: um importante debate para a Educação Ana Carolina Conrado Universidade Federal do Pará- Campus Universitário de Abaetetuba Brasil [email protected] Resumo A teoria crítica adorniana, como filosofia social, interessa investigar a realidade de uma sociedade que se afirmou como criadora de seu próprio destino e de sua história, após proclamar que a máxima do pensamento emancipado e “iluminado” tirara o homem de sua menoridade para a maioridade, no entanto, este esclarecimento foi ascendendo para obscuridade da razão instrumental. Esta teoria critica este pensamento “iluminado” com intuito de aos poucos ir reavaliando as conquistas da razão, dentro do processo histórico e social que vem sendo construído ao decorrer dos anos. Esta reavaliação tenta trazer de volta as prerrogativas da liberdade e autonomia da humanidade, de que alguma forma acaba originando uma espécie de insulto e afronta á felicidade como estágio final da nova barbárie contemporânea que tem desumanizado o homem. Essas argumentações levam ao questionamento sobre a crítica da razão instrumental acompanhada da questão sobre o significado da emancipação. Desta maneira, o trabalho pesquisado por Theodor Adorno sobre o conceito de racionalidade vinculado á base da moderna cultura industrial além de procurar investigar nesse conceito, erros ou deslizes da racionalidade instrumental que podem ser lidos em obras como: Dialética do Esclarecimento, Indústria Cultual e Educação: O novo canto das Sereias, Teoria Crítica da Indústria Cultual entre outros que deram inspiração para um novo trabalho sobre a questão da indústria cultural e a semi-formação e de que forma isto é importante para educação. Debater a relação da Indústria Cultural e Semiformação, num trabalho ainda de andamento de TCC do curso de Pedagogia, é importante pelo fato de que ainda é muito pouco discutido na grade curricular do curso de graduação e além de aprofundar mais o campo na pesquisa da filosofia crítica adorniana no Brasil, que atualmente está mais centrada na região Sudeste e sendo pouco conhecida na região Norte,esperando que isto motive os demais pesquisadores de outras regiões brasileiras a reconhecerem a importância desta pesquisa na Educação dando continuidade a ela. Palavras-Chave: Indústria Cultural, Semi-Formação, Educação. 254 Eixo Temático: Teorias da Educação Educação imagética em Platão Daniel Figueiras Alves Faculdade de Educação/UNICAMP Brasil [email protected] Resumo Este trabalho tem como elemento central a seguinte problemática referente a Educação Imagética em Platão: como é possível a educação moral por meio das imagens? Platão, n'A República, esboça um procedimento pedagógico o qual denominaremos em nossa pesquisa como Percurso Educativo; a noção de percurso é justificada tendo em vista a formação humana em etapas. A etapa inicial consiste na percepção sensível dos reflexos e sombras, conforme apresentado na Alegoria da Caverna, e tem por finalidade a formação do filósofo cuja virtude característica é a sabedoria. Platão reconhece, contudo, que nem todos poderão vir a ser filósofos, ou seja, a sabedoria não é uma virtude geral, mas somente alcançada por poucos, pelos melhores; então, o que resta aos demais cidadãos? As virtudes populares: práticas e normativas, comunicadas aos cidadãos por intermédio do sensível. A Imagética (eikasia) está situada dentro desse percurso como a etapa responsável pela comunicação das virtudes populares na alma. A explicitação do Percurso Educativo e o posicionamento da Imagética em seu interior constituem elementos de apoio a problemática central. Mas, afinal, o que é a Imagética e o que são as Imagens? O exame do Estatuto Ontológico das Imagens em nosso trabalho será orientado pela verificação da Imagética platônica a partir de três instâncias: modo de imitação, modo de conhecimento e modo de moralização; também tem por finalidade contribuir para compreensão da problemática central. Explicitação do Percurso Educativo e exame do Estatuto Ontológico das Imagens são momentos fundamentais para o encadeamento lógico de nossa pesquisa. Tendo realizado estas duas etapas poderemos finamente sistematizar um procedimento educativo imagético: a Educação Imagética procede por Reminiscência, isto é, as imagens são capazes de educar posto que despertam a memória esquecida, suscitam na alma Imagens superiores. Tais Imagens estão mais próximas não apenas do conhecimento ideal e verdadeiro, mas também da beleza inteligível e do sumo Bem, eis o caráter moralizador das imagens. Palavras-chave: Educação, Imagem, Platão. 255 Eixo Temático: Teorias da Educação Pedagogia Hermenéutica. Los prejuicios, el preguntar y la aplicación: categorías de comprensión a partir de Hans-Georg Gadamer Diego Fernando Barragán Giraldo Universidad de La Salle Colombia [email protected] Resumen El presente trabajo propone que es posible una pedagogía hermenéutica; la cual puede ser una ruta de compresión del fenómeno educativo en tanto interpretación y comprensión del mundo, que deriva en la aplicación. En la primera parte, se mostrará cómo la hermenéutica filosófica no puede ser reducida a un asunto meramente cognoscitivo, sino que sitúa la comprensión de la existencia en relación con los horizontes comprensivos del ser humano, es su nivel histórico y lingüístico; siempre en clave de la aplicación. En la segunda parte, se presentarán las categorías gadamerianas prejuicios y preguntar, como constructos que aportan a la construcción del concepto en cuestión. Finalmente, en la tercera sección, se pondrá en discusión lo que significaría realizar una pedagogía hermenéutica en el campo de actuación práctica y espacio de aplicación hermenéutica. Palabras clave: Hermenéutica Filosófica, pedagogía hermenéutica, prejuicios, preguntar. 256 Eixo Temático: Teorias da Educação Educação e Formação Humana no Pensamento Pedagógico de Otto Friedrich Bollnow: entre o princípio da descontinuidade na Filosofia da Existência e o da continuidade na Filosofia da Esperança Ezir George Silva Universidade Federal de Pernambuco – UFPE Brasil [email protected] Resumo A produção do conhecimento através da história é o resultado da ação, com sentido, dos homens que, ao longo de suas existências se transformam em sujeitos capazes de construir, desconstruir, reconstruir, ressignificar e socializar os saberes que são produzidos através da sua relação com os outros e o mundo a que pertencem. É movido por esta consciência e modo de compreensão que Otto Friedrich Bollnow pretende discutir a natureza e os desdobramentos do desenvolvimento da Filosofia da Existência (1971) e da Filosofia da Esperança (1962) para a Pedagogia. É com este interesse que este autor pretende mostrar a função e os limites da Filosofia da Existência, almejando apresentar a contribuição da Filosofia da Esperança para a Formação Humana do ser tomando como base a “compreensão da vida humana em si mesma, na sua imanência com exclusão de todas as representações e juízos que a transcendem – o principal fim que a filosofia tem em vista -” (BOLLNOW, 1946, p.2), visando examinar os processos instáveis e descontínuos do ser e da ação pedagógica, ocorridos dentro do processo educacional. A pesquisa inscreve-se nos discursos e debates sobre Filosofia, Teoria Educacional e Formação Humana. Seu objetivo é analisar como o pensamento pedagógico de Otto Friedrich Bollnow se articula entre a descontinuidade da Filosofia da Existência e a continuidade da Filosofia da Esperança. O texto discute o surgimento da Filosofia da Existência, seu desenvolvimento, limitações e as análises em torno da Filosofia da Esperança e seu eventual impacto sobre a prática pedagógica e os modos do homem conceber sua existência, sua formação e relação no e com o mundo no âmbito da comunidade humana. Por fim, a pesquisa pretende identificar as implicações do pensamento pedagógico de Otto Friedrich Bollnow sobre as configurações do processo educacional, que envolve a integralidade do ser inacabado, seus questionamentos, descobertas, limites e possibilidades no contexto de uma cultura globalizada e democrática. Palavras-chave: Educação, Formação Humana, Filosofia. 257 Eixo Temático: Teorias da Educação La concepción de la educación de Hayek y Friedman. Una interpretación filosófica Jorge Vergara Estévez Universidad de Chile Chile [email protected] Resumen Hace más de cincuenta años, Milton Friedman publicó un importante artículo sobre la función que debería tener el gobierno en la educación primaria y secundaria. Allí sostuvo que la función principal del Estado era la favorecer el desarrollo del mercado. “En la economía de intercambio y libre empresa privada, la función principal del gobierno es preservar las reglas del juego, del cumplimiento de los contratos, evitando la coacción, y mantener los mercados libres”. Según su opinión, el orden social y la democracia exigen un mínimo de educación, la cual incluye formación en valores básicos. “Una sociedad estable y democrática es imposible sin la aceptación generalizada de un conjunto común de valores, y sin un grado mínimo de alfabetización y de conocimiento de la mayoría de los ciudadanos. Este artículo tiene dos partes. En la primera, se expone la concepción de la educación de Hayek y Friedman. Seguidamente, se presentan algunas reflexiones sobre estas concepciones educativas desde la filosofía de la educación; sobre al relación entre éstas y la concepción del hombre y la sociedad de lo que podría denominarse, siguiendo a Dostaler, “la visión de mundo de Mont-Pèlerin” destacando su carácter utópico. Palabras claves: concepción de la educación, concepción del hombre, capital humano, Estado. 258 Eixo Temático: Teorias da Educação Liberdade, educação e autoeducação: uma proposta jasperiana para a formação humana Mª Juliana Lima Universidade Federal de Pernambuco Brasil [email protected] Resumo Vê-se hoje no cenário educacional uma nova área de saber que busca meios de desenvolver uma educação que vise à formação humana. Mas, será esse mais um modismo do campo pedagógico ou será, de fato, um caminho a ser seguido por aqueles que se identificam com uma prática que objetive uma educação integral? Compreender como se realiza essa integralidade faz necessário um entendimento anterior do que é o ser humano em todas as suas dimensões e como tais dimensões devem ser trabalhadas, a fim de proporcionar ao educando um maior conhecimento de si mesmo. Baseamo-nos na filosofia de Karl Jaspers para elucidar a questão da liberdade do ser como uma das formas de autoeducação existencial, dentro de um processo educativo que busca compreender uma prática comunicativa do si mesmo com outras existências possíveis, indagando até que ponto, a partir da filosofia de Jaspers, é possível que o educador contribua para o processo de autoeducação do educando dentro da perspectiva da Formação Humana. Diante disso, podemos nos questionar como a Liberdade, enquanto ato de escolha autêntica, segundo o pensamento jasperiano, pode se estabelecer em meio a uma prática educativa que vise à autoeducação existencial do educando, visto que compreender a própria liberdade é uma atitude particular de cada indivíduo. Não buscamos na educação apenas a transmissão de conteúdos sistemáticos, pois essa atitude levaria em conta apenas uma das dimensões do ser - a consciência em geral, segundo Jaspers (1968) - mas tentamos ir um pouco além, vendo o educando enquanto um ser composto por dimensões que necessitam ser trabalhadas, para poder lhe oferecer a possibilidade de ser “si mesmo”, a partir de suas atitudes e decisões, através da prática da sua liberdade. Para isso temos como objetivo principal dessa pesquisa analisar o conceito de Liberdade no pensamento de Karl Jaspers e suas implicações para o processo da Formação Humana, buscando assim elaborar um conceito que contribua para a compreensão do que entendemos por formação do ser humano, a fim de perceber como a filosofia existencial de Karl Jaspers pode contribuir para a integralidade do sujeito. Palavras-chave: Liberdade, Educação, Autoeducação, Formação Humana. 259 Eixo Temático: Teorias da Educação Epistemologia e educação: um estudo comparativo a partir da teoria emancipatória e da filosofia existencial numa perspectiva de formação humana Mirelle Castilho de Freitas UFPE Brasil [email protected] Resumo O trabalho em andamento, referente ao projeto de dissertação de mestrado, parte das divergências teóricas que permeiam o campo educacional, inviabilizando, com isso, um consenso formativo para a prática e o agir do educador. Nessa perspectiva, questionamos a finalidade que a Educação tem em si, uma tarefa que seja própria dela, uma ética especificamente pedagógica da qual o educador não possa abdicar. Questionamos, ainda, a existência de um objeto epistêmico próprio da Educação que justifique as falas de uma Ciência da Educação, ou caso esse objeto não existe, e a Educação é objeto de várias outras Ciências que no seu conjunto formam as Ciências da Educação como sendo uma área de aplicação dos saberes. Nesse sentido, nosso projeto tem como objetivo fundamentar o pensamento pedagógico, buscando elementos que auxiliem o educador na sua atuação pedagógica, avaliando em que condições, pode-se, ou não, constituir uma Ciência da Educação relativamente autônoma. Para tanto, propomos uma reflexão sobre o espaço científico da Educação, considerando as seguintes posições teóricas: a Teoria Emancipatória e a Filosofia Existencial. Ambas as posições trazem no seu bojo a defesa de que a Educação é uma Ciência a favor da humanização dos sujeitos. Humanização essa que consiste em desenvolver no homem o que nele há de mais humano, não o reduzindo simplesmente aos resultados da sua maturação natural. Contudo, na medida em que a primeira compreende a Educação como processo de socialização e enculturação da realidade sócio-histórica; a segunda ultrapassa qualquer formação baseada na adaptação dos sujeitos, considerando as demais potencialidades do ser humano. Por fim, destacamos ainda, a responsabilidade no cumprimento da tarefa educacional por parte do educador, pois é decisivo na compreensão do seu papel que ele seja o principal responsável na busca por um objeto epistêmico próprio da Educação, caso esse exista. Do contrário, a Educação permanecerá sendo utilizada para atender finalidades externas a ela. 260 Palavras-chave: Ciência da Educação, Filosofia Existencial, Formação Humana, Teoria Emancipatória 261 Eixo Temático: Teorias da Educação Traducir “educación”, el caso del escrito Reden über das Erzieherishe de Martin Buber Renato Huarte Cuéllar Facultad de Filosofía y Letras Universidad Nacional Autónoma de México [email protected] Resumen: Buber comienza su conferencia : “‘El desarrollo de los poderes creativos en el niño’ es el tema de esta conferencia. En tanto vengo ante ustedes a presentarlo no debo ocultarles en ningún momento el hecho de que de las nueve palabras sólo las tres últimas no me presentan pregunta alguna.” 1 El tema, casi siempre vinculado exclusivamente al proceso enseñanza-aprendizaje, limita las posibilidades de lo que la filosofía buberiana puede aportar en este campo cifrado entre la transmisión, educación, formación, enseñanza, etc.; en resumen, un problema de traducción. A esto se agrega que no hay traducciones al español de estos textos ni tampoco un sentido que oriente de una manera distinta estos textos en el conjunto de la filosofía buberiana. Por esto, el presente trabajo buscará dar cuenta a través del estudio de los términos “traducción” y “educación” no meramente como conceptos en el sentido moderno del lenguaje, sino como posibilidad de aproximación filosófica. En esta propuesta se busca ver esta problemática concreta de la traducción de un texto buberiano a partir del caso de la conferencia que dictó en 1925 que lleva por título Reden über das Erzieherishe traducido al hebreo con la venia del autor. Curiosamente el texto juega con las nociones Erziehung, Bildung, Enfaltung, Erhebung, entre otras, que dejan de tener sentido cone l término hebreo jinuj. Las ideas que se encuentran en esta confernecia serán fundamentales para escritos posteriores de Buber con respecto a la eduación. Se pretende “jugar” en el artículo con la variedad de términos que enriquecen la visión que se tiene de lo que “educación” en un acto de traducción, puede significar. Palabras clave: Buber, traducción, Erziehung, educación. 1 Buber. “Education” en Between Man and Man. p. 109. (la traducción es mía) Impressão e Acabamento Artcolor Ltda. (11) 3873-3377