12
CENTRO UNIVERSITÁRIO DE JOÃO PESSOA – UNIPÊ
PRÓ-REITORIA DE ENSINO DE GRADUAÇÃO
COORDENAÇÃO DO CURSO DE ADMINISTRAÇÃO
ANTONIO VICENTE PEREIRA NETO
OS NOVOS DESAFIOS NO MODELO DE GESTÃO DA PARÓQUIA
NOSSA SENHORA APARECIDA
João Pessoa – PB
2008
13
ANTONIO VICENTE PEREIRA NETO
OS NOVOS DESAFIOS NO MODELO DE GESTÃO DA PARÓQUIA
NOSSA SENHORA APARECIDA
Monografia
apresentada
ao
Centro
Universitário de João Pessoa – UNIPÊ, como
requisito parcial para a obtenção do título de
Bacharel em Administração.
Orientador: Ms. Márcio Reinaldo de Lucena Ferreira
João Pessoa/PB
2008
14
Cutter: P 436n Pereira Neto, Antonio Vicente. Os novos desafios no modelo de
gestão da Paróquia Nossa Senhora Aparecida / Antonio
Vicente Pereira Neto. João Pessoa, 2008. 71f. Monografia
(Curso de Administração) – Centro Universitário de João
Pessoa - UNIPÊ
1. Gestão. 2. Gestão Paroquial. 3. Igreja Católica.
I. Título.
UNIPÊ / BC
CDU – 658: 2
15
ANTONIO VICENTE PEREIRA NETO
OS NOVOS DESAFIOS NO MODELO DE GESTÃO DA PARÓQUIA
NOSSA SENHORA APARECIDA
Monografia
apresentada
ao
Centro
Universitário de João pessoa –UNIPÊ, como
requisito parcial para a obtenção do título de
Bacharel em Administração.
Aprovada em............/......../...............
BANCA EXAMINADORA
_______________________________________
Professor Ms. Márcio Reinaldo de Lucena Ferreira
Orientador - UNIPÊ
_______________________________________
Professora Ms. Ilka Maria Soares Campos
Examinadora - UNIPÊ
_______________________________________
Professora Ms. Carolina Barroca da Rocha
Examinadora - UNIPÊ
16
Dedico este trabalho a Deus por sempre Se
fazer presente na minha história, me
capacitando a fazer a Sua vontade e de nunca
desistir dos meus ideais. A minha esposa
Isabel Cristina (in memorian), por ter sido o
meu amor, amiga, companheira, conselheira,
aquela com quem aprendi a ser um melhor
filho, esposo, pai, amigo e cristão.
DEDICO
17
AGRADECIMENTO
A Deus minha eterna gratidão por ter preservado a minha vida, não permitindo que eu
morresse afogado naquele açude, e logo após pude experimentar através da sagrada escritura
o seu imenso amor por mim. Este encontro contigo tornou-me convicto da tua existência e de
que o Senhor está sempre conosco nos momentos mais felizes e de extrema angústia. Muito
obrigado por nunca desistires de todos nós que somos teus filhos.
A Nossa Senhora, por sempre se fazer presente pedindo a Jesus para que não faltasse o
vinho da sabedoria, paciência, da paz e da certeza de chegar ao fim da vivência acadêmica um
homem mais maduro e capacitado a enfrentar os desafios da vida.
A meu pai, Rafael Cavalcante do Santos, que me ensinou com a sua humildade e o seu
silêncio, a ser mais humano e prudente no relacionamento com as pessoas. A minha mãe,
Maria Lusimar Alves Cavalcante a minha eterna gratidão por ter me conduzido à casa de
Deus onde pude aprender a ser cristão e a amar sua Igreja. A ambos, o meu amor e gratidão
por me ajudarem a educar o meu filho e a concluir este curso superior.
A minha inesquecível esposa Isabel Cristina Fragoso Pereira (in memorian), por ter
sido o grande amor que conquistou o meu coração. Inesquecíveis foram os momentos que
passamos juntos, vivenciando uma História de Amor. Trilhamos por caminhos intensos, que
nos fizeram na alegria e na dor sentir o quanto é gratificante viver o amor. Torrentes vieram
querendo nos abalar, mas nada apagou a chama de um amor selado no altar.
Ao meu filho, que desde o ventre de sua mãe (Isabel) foi consagrado a Nossa Senhora,
a ser inteiramente do senhor seu Deus, a ele e a sua mãe eu dedico esta vitória de ter cursado
faculdade e ter superado tantas dificuldades e conquistado tantas alegrias.
As minhas irmãs Ana Lígia e Maria das Graças por estarem sempre presentes em
minha vida, ajudando-me a transmitir a meu filho os valores recebidos dos nossos pais.
Aos meus parentes que, me apoiaram através de palavras de motivação a buscar
sempre o sucesso acadêmico.
18
Ao professor Márcio Reinaldo de Lucena Ferreira, que de forma responsável e
dedicada, orientou-me neste trabalho que requer muita dedicação e incentivo. Sem esquecer
da majestosa professora Maria Nilza Barbosa, que sempre a chamei de santa pelo seu jeito
terno de se relacionar com cada aluno que a procurava no intuito de desfrutar da correção e
criação dos nossos trabalhos.
Aos colegas de sala de aula que, me ajudaram a viver um tempo novo, repleto de
ideais a serem conquistados. Um agradecimento especial a Gláucia, Simone, Diego, Adjane,
Fábio, Marcos, Vinicius, Lucas, Milena, Luciana, Loiseane, Mariana, que sempre estiveram
presentes durante todo período acadêmico como bons amigos e motivando-me a superar os
meus limites.
19
“O gestor, diante dos sucessos ou dos
fracassos, afirma, na oração, a cada dia, que
Deus é o Senhor da história do mundo, da
história da instituição, da história de cada um.”
(Afonso Murad)
20
PEREIRA NETO, Antonio Vicente. OS NOVOS DESAFIOS NO MODELO DE GESTÃO
DA PARÓQUIA NOSSA SENHORA APARECIDA. 2008.2. 71f. Monografia (Graduação
em Administração) Centro Universitário de João Pessoa – UNIPÊ.
RESUMO
A Gestão vem paulatinamente ocupando espaços nas instituições religiosas, inclusive dentro da
Igreja Católica. Existia no passado uma aversão por parte da Igreja acerca da gestão, por ela ser
aplicada às empresas com fins lucrativos, achava-se que era só esta a sua finalidade. Ao perceber
que a gestão é a arte e a competência de liderar o que há de mais importante para a Igreja que é o
capital humano e logo após o gerenciar processos em vista de cumprir a sua missão, ela começou
a aderir os seus conceitos que são úteis para qualquer organização. Percebem-se ainda muitas
restrições daqueles que lideram a Igreja em capacitar os seus fiéis através de cursos e
treinamentos, são estes que se colocam a disposição de assumir compromisso nas pastorais, para
isto precisam sair do amadorismo para desempenhar com habilidade e espiritualidade as
atividades próprias da Igreja. Assim nessa pesquisa foi realizado um estudo para analisar o
modelo de gestão da Paróquia Nossa Senhora Aparecida e os seus novos desafios. Foi utilizado no
presente estudo uma abordagem quali-quantitativa de cunho exploratório com aplicação de
questionários com os paroquianos e entrevista com o Bispo e o Pároco. Os resultados indicam que
os paroquianos participam ativamente das pastorais contribuindo com o dízimo embora haja
insatisfação com a transparência na prestação de contas e estrutura física da Paróquia.
Palavras-chave: Gestão. Gestão Paroquial. Igreja Católica.
.
21
PEREIRA NETO, Antonio Vicente. THE NEW CHALLENGES IN THE MODEL OF
ADMINISTRATION OF OUR PARISH APPEARED LADY. 2008.2. 71f. Monograph
(Graduation in Administration) Center Academical of João Pessoa - UNIPÊ.
ABSTRACT
The Administration is occupying spaces in the religious institutions gradually, besides inside
of the Catholic Church. It existed in the past an aversion on the part of the Church concerning
the administration, for her to be applied to the companies with lucrative ends, it was that was
only this his purpose. When noticing that the administration is the art and the competence of
leading what there is of more important to the Church than it is the human capital and soon
after managing processes in view of accomplishing her mission, she began to adhere their
concepts that are useful for any organization. They are still noticed a lot of restrictions of
those that lead the Church in qualifying their followers through courses and trainings, they are
these that they are put the disposition of assuming commitment in the pastorals, for this need
to leave the amateurism to carry out with ability and spirituality the own activities of the
Church. Like this in that research a study was accomplished to analyze the model of
administration of Our Parish appeared lady and their new challenges. It was used in the
present study a qualitative-quantitative approach of exploratory stamp with application of
questionnaires with the parishioners and interview with the Bishop and the Parish priest. The
results indicate that the parishioners participate actively of the pastorals contributing with the
tithe although there is dissatisfaction with the transparency in the accounts rendered and
structure physics of the Parish.
Keyword: Administration. Parochial administration. Catholic church.
22
LISTA DE GRÁFICOS
Gráfico 1: Grau de escolaridade dos fiéis da Paróquia Nossa Senhora Aparecida
Gráfico 2: Renda familiar dos fiéis da Paróquia
Gráfico 3: Participação dos fiéis nas pastorais
Gráfico 4: Dizimistas da Paróquia
Gráfico 5: Formação e capacitação dos fiéis para assumirem as pastorais
Gráfico 6: Prestação de contas da pastoral do dízimo
Gráfico 7: Oferece conforto a estrutura da Paróquia
Gráfico 8: Você recebe um bom atendimento dos fiéis
Gráfico 9: Atuação do Pároco
Gráfico 10: Famílias visitadas pelos Frades
Gráfico 11: Os fiéis sentem-se capacitados para evangelizar as famílias
Gráfico 12: Formação oferecida pelas pastorais
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LISTA DE FIGURAS
Figura 1: Paróquia Nossa Senhora da Aparecida
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SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO
12
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1 EVOLUÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO
2.2 CONCEITOS DE ADMINISTRAÇÃO
2.3 CONCEITOS DE GESTÃO
2.4 FUNÇÕES DA ADMINISTRAÇÃO
2.4.1 Planejamento
2.4.2 Organização
2.4.3 Direção
2.4.4 Controle
2.5 ADMINISTRAÇÃO DE ORGANIZAÇÕES SEM FINS LUCRATIVOS
14
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19
19
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21
22
23
3 HISTÓRIA DA IGREJA
3.1 A VERDADEIRA HISTÓRIA DE JESUS
3.2 GESTÃO EM JERUSALÉM
3.3 PRIMEIRAS COMUNIDADES CRISTÃS
3.4 FECUNDIDADE CRISTÃ DOS MÁRTIRES
3.5 PAULO-GRANDE LÍDER DO CRISTIANISMO
3.6 OFICIALIZAÇÃO DO CRISTIANISMO
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25
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31
32
4 GESTÃO PAROQUIAL
4.1 GESTÃO DE PESSOAS NA IGREJA
4.2 PLANEJAR COM PARTICIPAÇÃO
4.3 GESTÃO DA MUDANÇA
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37
5 O MARKETING APLICADO À IGREJA CATÓLICA
40
6 GESTÃO FINANCEIRA DA PARÓQUIA
42
7 METODOLOGIA DA PESQUISA
7.1 CARACTERIZAÇÃO DO ESTUDO
7.2 PROBLEMATIZAÇÃO
7.3 OBJETIVOS
7.3.1 Objetivo Geral
7.3.2 Objetivos Específicos
7.4 CAMPO EMPÍRICO
7.5 UNIVERSO E AMOSTRA
7.6 INSTRUMENTO DE COLETA E TRATAMENTO DOS DADOS
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44
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47
8 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS
8.1 O PERFIL DO CORPO FUNCIONAL E VOLUNTÁRIO DA PARÓQUIA NOSSA
SENHORA APARECIDA
8.2 O PONTO DE VISTA DOS PAROQUIANOS SOBRE A GESTÃO DA
PARÓQUIA
8.3 AÇÕES E ESTRATÉGIAS DESENVOLVIDAS NA PARÓQUIA
8.4 PRINCIPAIS DESAFIOS ENFRENTADOS PELA PARÓQUIA
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48
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59
60
24
9 CONSIDERAÇÕES FINAIS
62
REFERÊNCIAS
64
APÊNDICE
67
12
1 INTRODUÇÃO
A competitividade do mercado consumidor cada vez maior faz com que cada
instituição ou empresa perceba a importância de uma gestão que se volte não apenas para os
lucros da empresa, mas que no contexto da gestão abra espaço para adoção de fatores que nem
sempre ocorrem de maneira simples dentro da organização.
Segundo Drucker (apud MURAD 2007, p.20) “não se administram somente negócios.
A primeira aplicação prática da teoria da administração ocorreu em instituições sem fins
lucrativos e agências governamentais no início do século XX”. Muitos conceitos da ciência
Administração foram resultados de pesquisas realizadas junto às instituições religiosas, que
serviram de modelo para o desenvolvimento dos estudos da Administração, assim como as
instituições militares.
Percebe-se nas empresas comerciais a busca constante em profissionalizar os seus
colaboradores oferecendo-lhes todos os recursos necessários para atingirem o resultado
almejado que é o lucro, em contrapartida existe uma carência enorme em oferecer qualidade
de vida aos seus clientes, colaboradores e a si mesma. As empresas com fins lucrativos
perceberam que não se admitem mais permanecer com o modelo de produção maquinal, o
qual reduz as pessoas a se assemelharem as máquinas, por este motivo indaga-se como unir a
espiritualidade que é uma necessidade intrínseca do homem e o que fazer para promover um
equilíbrio entre a qualificação profissional e os valores que regem a vida do ser humano.
A Igreja nasceu de uma experiência espiritual explícita e visa difundir o evangelho a
toda criatura, tem-se o propósito de fazer inflamar a semente da fé que está de forma
intrínseca contida na vida do individuo. Para se atingir as respostas que todos esperam obter e
conquistar e desta forma conquistar de maneira voluntária os fiéis para os serviços diversos
existentes na Igreja, é necessário desempenhar esforços que capacitem os mesmos a se
profissionalizarem nas tarefas a eles delegadas (MURAD, 2006).
Os primeiros convocados a abraçarem estas transformações são justamente os gestores
cristãos que trazem consigo a missão de governar, ensinar e pastorear e que carregam uma
bagagem de experiência profunda no tocante à espiritualidade e formação religiosa adquirida
durante anos de vida no seminário, porém no que se refere a decisões cruciais exigidas dos
mesmos referentes a conhecimentos acadêmicos na área de administração e de tomadas de
decisões coesas e bem planejadas, organizadas, dirigidas e controladas, se sentem inseguros
por não serem detentores deste saber profissional que contribui no ato de gerir com
13
profissionalismo e espiritualidade os recursos humanos e materiais existentes na instituição
religiosa.
Este desafio requer dos líderes decisão para poder romper com os paradigmas
existentes, e sendo assim abrir novos horizontes a descobertas que até então lhes eram
desconhecidas. Este ato de busca constante em se adaptar as realidades dos tempos modernos
sem ferir os princípios fundamentais que rege a instituição, ajudará aos seus gestores a
orientarem com qualificação profissional e espiritual todos os seus funcionários e voluntários
que se dispõe a servir a Igreja em suas pastorais e nas atividades que lhes são apresentadas.
Para que esta mudança aconteça os líderes cristãos precisam estar motivados para enfrentarem
este novo desafio e mediante esta empolgação inicial levarem os seus colaboradores a se
motivarem e abraçarem esta causa que é nobre. A formação adentra neste contexto como
requisito fundamental para que se possa realizar uma boa prestação de serviço a comunidade,
tudo isto é possível à medida que se tomar consciência da missão dentro da instituição que é a
de evangelizar.
A presente pesquisa procura discutir alguns elementos relacionados ao modelo de
gestão abordado pela Paróquia Nossa Senhora Aparecida e os seus principais desafios. A
proposta deste estudo é analisar o modelo de gestão da Paróquia Nossa Senhora Aparecida e
os seus novos desafios. Buscou-se, então, apoio conceitual nas teorias da gestão, gestão
paroquial e na Igreja Católica.
Conhecer e compreender alguns fatores do comportamento dos fiéis da Paróquia
Nossa Senhora Aparecida e a forma de gestão do Pároco facilita a descoberta de formas mais
efetivas de buscar métodos para atingir com sucesso a missão de evangelizar todas as pessoas.
Desse modo, a Paróquia Nossa Senhora Aparecida estará contribuindo para que haja
mais capacitação por parte de todos os profissionais e voluntários que se dispõem a serviço da
Igreja, não deixando assim de priorizar a espiritualidade que é a grande motivadora no
processo da evangelização.
O trabalho está distribuído em nove partes, começando pela introdução, a segunda
parte trata da evolução da administração, já a terceira parte mostra a história da igreja, na
quarta parte falamos sobre gestão paroquial, na quinta parte tratamos do marketing aplicado à
igreja católica, e encerramos a fundamentação teórica abordando a gestão financeira da
paróquia. Já a sétima parte tratou da metodologia da pesquisa, na oitava parte apresentamos a
análise dos dados e por último as considerações finais.
14
2 FUNDAMENTAÇÃO TEORICA
São tratados neste capítulo evolução da admistração, funções da administração, conceitos
de administração e gestão, administração sem fins lucrativos, história da igreja, gestão
paroquial, o marketing aplicado à igreja católica, gestão financeira da paróquia. Esses
conteúdos serão estratégicos, servindo para subsidiar as análises e considerações realizadas.
2.1 EVOLUÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO
A história da Administração conta com uma contribuição expressiva da Igreja Católica
ao longo do tempo, ela na idade média recebeu do estado romano e ateniense as normas
administrativas e os princípios de organização pública que lhes foram concedidos lentamente,
pois os propósitos da Igreja diferenciavam-se dos objetivos trilhados pelo estado. A Igreja
Católica como organização se estruturou sobre uma hierarquia de autoridade que movida por
uma assessoria e uma coordenação funcional fez com que assegurasse sua integração. A
administração percebe a simplicidade da organização hierárquica da igreja, haja vista ela ser
comandada mundialmente por um líder, o Papa que tem autoridade de governá-la com a
assistência dos Bispos que compõem o Colégio Episcopal. A estrutura da organização
eclesiástica serviu de modelo para as diversas organizações (CHIAVENATO, 2000).
A Revolução Industrial está fundamentada em uma transformação gigantesca no
tocante à realidade cultural, em que a sociedade vivia economicamente da agricultura
utilizando-se de recursos arcaicos e movidos pelo sistema feudal, por esta razão pairava um
preconceito enorme acerca das aplicações das ciências.
Neste período as empresas eram domiciliares, não se passava na mente dos que
trabalhavam a idéia de divisão de trabalho e a produção que existia era fruto do trabalho
manual dos artesãos. O artesão e o homem que vivia na zona rural presenciaram e se
submeteram a atender uma mudança que até então lhes eram desconhecidas, surge com a
primeira Revolução Industrial os detentores do capital industrial.
A primeira Revolução Industrial (1780/1840) foi uma profunda
transformação econômica e social. O homem do campo e o antigo artesão,
destituídos de qualquer coisa além de sua força de trabalho, passaram a
vendê-la ao novo capitalista industrial, além disso, os meios de produção e o
próprio resultado dela não mais pertenciam ao antigo trabalhador autônomo
e pequeno proprietário.
15
Com esta grande explosão que aconteceu nos fins do século XVIII apareceram várias
inovações: surgimento de fábricas, manuseios de máquinas, grande quantidade de pessoas
trabalhando nas empresas gerando uma redução considerável nos custos de produção, larga
escala de produção sendo distribuídas para mercados maiores e mais distante fazendo
inflamar disputas por mercados, a rede de transportes foi ampliada possibilitando o
estreitamento nas comunicações, a economia deixou de ter uma base artesanal e manufatureira
para se firmar na produção industrial e mecanizada. Diante desta evolução há necessidades de
um aprofundamento acerca de tudo que está acontecendo. Frederick Taylor, precursor da
teoria da Administração Científica, fez crescer os estudos relacionados a técnicas de
racionalização do trabalho do operário. Foi a partir de Taylor que começou a utilizar-se da
divisão do trabalho.
Em 1911 Taylor publicou um estudo elaborado (Principles of scientic
management), a partir de sua experiência em fábrica, generalizando-a como
um modelo para a prática da Administração. A característica mais marcante
do estudo de Taylor é a busca de uma organização científica do trabalho,
enfatizando tempos e métodos e por isso é visto como precursor da teoria da
Administração Científica. (FERREIRA; REIS; PEREIRA, 1997 p. 15)
Conforme Fayol (apud MAXIMIANO 2000, p. 60) a administração é uma atividade
comum a todos os empreendimentos humanos (família, negócios, governo), que sempre
Taylor por adotar um estudo baseado nos tempos e métodos que fez com que os empregados
trabalhassem sobre o impulso de quanto maior for a quantidade de peças produzidas maior
será o seu ganho, isto no intuito de motivá-los a produzir e conseqüentemente oferecer maior
lucratividade as organizações. Os trabalhadores eram diferenciados pela sua capacidade de
produção, onde o que produzisse mais era considerado o melhor fazendo com que os que
produzissem menos fossem eliminado do chão de fábrica.
Para Kwasnicka (1995, p.28) até este ponto se poderia ter a impressão de que a
administração científica foi principalmente planejada como um esquema para obter o máximo
esforço do trabalhador, ou um sistema de métodos eficientes de fábricas.
Não havia por parte de Taylor nenhuma preocupação com os funcionários referentes a
aspectos psicológicos e humanísticos, por este motivo foi gerado problemas humanos que de
alguma forma deveria ser eliminado. Dentro deste contexto surge a figura de Henry Laurence
Gaantt, discípulo de Taylor que trás consigo uma preocupação com aspectos psicológicos e
humanos dentro da produtividade, com isto ele elabora um plano salarial e de incentivos e o
outro um gráfico de distribuição de carga de trabalho.
16
De acordo com Henry Gantt (apud MAXIMIANO 2000, p.57) que criou o gráfico de
Gantt ou cronograma. Gantt era um humanista, preocupado com o bem-estar dos
trabalhadores. Ele foi também um dos criadores do treinamento profissionalizante.
Henri Fayol inicia as suas atividades nos níveis organizacionais de cúpula
administrativa, buscando uma definição das responsabilidades em todos os níveis
organizacionais. Ele tornou-se um dos principais contribuintes do conhecimento
administrativo moderno.
Fayol foi o primeiro a considerar a administração como uma função separada das
demais funções existentes nas empresas, com isto cria-se um paradigma que vem a contribuir
dentro das organizações no que se refere ao trabalho dos gerentes como distintos das
operações técnicas das organizações, gerando assim uma unidade do comando, na
responsabilidade e na autoridade. Fayol nos ensina que é possível formar administradores e
criar o ensino formal de administração.
Segundo Kwasnicka (1995, p.29)
Fayol estava principalmente preocupado com a função administrativa da
direção, pois sentia que a habilidade administrativa era a mais importante
que se requeria da direção da companhia. Como resultado, conclui que há
uma necessidade definida e uma possibilidade de ensinar administração.
Tendo no comando os gerentes, os colaboradores das empresas sentem a necessidade
de saber o que fazer, vendo que existe alguém que tem a responsabilidade de delegar as
tarefas a serem exercidas pelos seus comandados. Por sua vez cabe também aos gerentes o
compromisso de cuidar dos requisitos referentes tomarem decisões, estabelecer metas,
combater a burocracia, regulamentos e papeladas.
Conforme Maximiano (2000, p.60)
O trabalho do dirigente consiste em tomar decisões, estabelecer metas,
definirem diretrizes e atribuir responsabilidades aos integrantes da
organização, de modo que as atividades de planejar, organizar, comandar
coordenar e controlar estejam numa seqüência lógica.
A teoria administrativa nasce dentro de um índice alarmante de desemprego, devido a
crise de 29 que conta com três grandes escolas: Relações Humanas, Ciências do
Comportamento e Pesquisa Operacional.
As Relações Humanas se fez necessária por causa de uma dramática revolução no que
produzir e como produzir. A Revolução Industrial foi a grande propulsora no que se refere a
tecnologia e também as relações humanas, as pessoas tornaram-se mais dependentes uma das
17
outras e difíceis de trabalharem juntas. A especialização trouxe aos empregados desânimo,
tédio e a perda de valores no tocante a conscientização do empregado relacionado ao seu
devido valor dentro da organização. Uma desvantagem considerável dentro da especialização
é a perda da originalidade e da iniciativa por parte dos funcionários. A comunicação ficou
também comprometida com a Revolução Industrial por causa do crescimento do tamanho das
organizações, fazendo com que a burocratização assumisse um papel relevante impedindo
uma interação maior entre os gerentes e os subordinados.
Para Kwasnicka (1995, p.33)
O homem médio gasta aproximadamente um terço de suas horas diárias no
emprego. Se este emprego não é satisfatório, ele pode ficar frustrado e os
resultados são dispendiosos tanto para ele mesmo como para o seu
empregador. Um empregado infeliz transporta sua infelicidade para sua
família e para a comunidade.
As empresas continuam na busca constante por uma maior eficiência, rever justamente
a necessidade de reconsiderar os anseios referentes aos elementos humanos na organização.
Mediante as exigências existentes, teve-se que colocar em prática a humanização dos
conceitos administrativos para com isto fazer acontecer uma ação conjunta entre fatores
humano e material.
Elton Mayo foi um dos pioneiros a perceber a necessidade de falar a respeito da
natureza humana, ele foi considerado um dos fundadores da escola de relações humanas da
filosofia da administração. Mayo tinha o hábito de ouvir e conversar com os funcionários da
empresa, esta atitude servia como um dos fatores estimulantes no aumento da produtividade
realizada pelo empregados ( KWASNICKA, 1995).
2.2 CONCEITOS DE ADMINISTRAÇÃO
É fascinante abordar um assunto que reúne diferentes perspectivas. Trilhando pelo
caminho da administração que se faz presente em todas as organizações com fins lucrativos e
sem fins lucrativos.
Garimpando o conceito da administração se detecta afirmações diversas que ajuda a
compreender o que está por trás do desempenho de todos os tipos de organizações.
18
Para Maximiano (2000, p.26)
Administração significa, em primeiro lugar, ação. A administração é um
processo de tomar decisões e realizar ações que compreende quatro
processos principais interligados: planejamento, organização, execução e
controle.
Dentre tantos recursos existentes no panorama das organizações, existe aquele que
assume um requisito de extrema relevância para a área de administração, me refiro ao
patrimônio humano, que inserido nas organizações ao longo da história faz com que as metas
sejam alcançadas por intermédio das estratégias elaboradas pelos gestores e a ação
operacional daqueles que colabora com a construção das idéias.
Conforme Drucker (apud MURAD, 2007, p.6) a Administração é simplesmente o
processo de tomada de decisão e o controle sobre as ações dos indivíduos para o expresso
propósito de alcance de metas predeterminadas.
Para George Terry (apud SILVA 2005, p.6) administração é um processo distinto, que
consiste no planejamento, organização, atuação e controle para determinar e alcançar os
objetivos da organização pelo uso de pessoas e recursos.
A administração é também conceituada como aquela que lida com a forma correta de
utilizar os recursos existentes nas organizações. O uso de todos os recursos existentes, tanto
materiais como humanos sendo aplicados dentro do conceito do PODC (planejar, organizar,
dirigir e controlar) faz com que a empresa atinja os seus objetivos.
De acordo com Chiavenato (1999, p.6)
A administração constitui a maneira de utilizar os diversos recursos
organizacionais – humanos, materiais, financeiros, de informação e
tecnologia – para alcançar objetivos e atingir elevado desempenho.
Administração é o processo de planejar, organizar, dirigir e controlar o uso
dos recursos organizacionais para alcançar determinados objetivos de
maneira eficiente e eficaz.
2.3 CONCEITOS DE GESTÃO
As empresas modernas descobriram que os talentos humanos logo após a sua marca e
imagem representam sua principal riqueza. A gestão contribui para a realização de um bom
desempenho daqueles que compõem a organização, isto por intermédio de líderes que
movidos pelas suas capacidades profissionais conduz os liderados a por em prática a missão
da organização.
19
Segundo Murad (2007, p 71), gestão é a habilidade e a arte de liderar pessoas e
coordenar processos, a fim de realizar a missão de qualquer organização. O termo “gestão” é a
tradução atualizada da palavra inglesa management.
No Brasil, durante muito tempo utilizou-se a palavra administração no lugar de gestão,
por esta razão criou-se uma desvantagem por aludir ao patrimônio físico e monetário.
Afinal, qual é a diferença entre administração e gestão? Ambas as palavras tem origem
latina, gerere e administrare. Gerere significa conduzir, dirigir ou governar. Administrare tem
aplicação específica no sentido de gerir um bem, defendendo os interesses dos que o possuem
(FERREIRA; REIS, PEREIRA;1997 p 6).
2.4 FUNÇÕES DA ADMINISTRAÇÃO
A administração está fundamentada em quatro pilares, que tem como finalidade
subsidiar o administrador no processo de tomada de decisão. Estas funções básicas do
administrador são: o planejamento, a organização, a direção e o controle.
2.4.1 Planejamento
Qualquer organização que tenha fins econômicos ou mesmo aquelas que não tem fins
lucrativos, é primordial conhecer e aplicar o conceito referente ao ato de planejar o que fazer e
como fazer para atingir o que deseja a organização. De acordo com Kwasnicka (1995, p. 168),
planejamento é tanto uma necessidade organizacional como uma responsabilidade
administrativa.
O planejamento é considerado a função principal em todas as atividades realizadas. Há
necessidade de elaborarmos um planejamento para poder melhor desempenhar as tarefas que
nos são apresentadas, haja vista as frustrações que muitos passam por não traçarem os
objetivos e quais as estratégias para obter bons resultados.
Segundo Chiavenato (2000, p 195) as organizações não trabalham na base da
improvisação. Quase tudo nelas é planejado antecipadamente. O planejamento figura como a
primeira função administrativa, por ser aquela que serve de base para as demais funções.
Já para Kwasnicka (1995, p.168) o planejamento ocorre em todos os tipos de
atividades. É o processo básico pelo qual se decide quais são os objetivos e como iremos
atingi-los.
20
Um outro requisito de extrema relevância no tocante ao planejamento é definir um
conjunto de objetivos, sendo assim o planejamento não correrá riscos de sofrer fracassos ao
longo do processo. A administração necessita basicamente destes objetivos bem definidos,
pois são subsídios que oferecem estrutura para a organização. Estas explanações são vitais em
todas as organizações que desejam se manter firmes no caminho que estão trilhando e
almejando chegar. Segundo Kwasnicka (1995, p.176) qualquer empresa com alguma chance
de ter sucesso deve conhecer quais as áreas de maior possibilidade de obter esse sucesso.
Estabelecer os objetivos tornou-se o ponto de partida do planejamento, fixar os
objetivos oferece a condição de se saber onde deseja chegar e poder assim saber como chegar
até o lugar almejado, para isto é apresentado uma hierarquia de objetivos que colaborará no
planejamento da organização.
Para Chiavenato (2000, p. 196) os objetivos das organizações podem ser visualizados
em uma hierarquia que vai desde os objetivos globais da organização (no topo da hierarquia)
até os objetivos operativos ou operacionais que envolvem simples instruções para a rotina
cotidiana (na base da hierarquia).
Além dos objetivos que a organização necessita definir para alcançar êxito nas suas
tomadas de decisões, é de fundamental relevância aplicar três níveis distintos de
planejamento, são eles: o estratégico, tático e o operacional.
O planejamento estratégico é o planejamento que tem uma amplitude maior e
consequentemente abrange toda a organização. Ele é projetado a longo prazo, com isto os
seus efeitos são detectados anos depois. O estratégico envolve toda o organização e quem
toma as decisões é a cúpula.
O planejamento estático abrange a esfera departamental, ele é programado para ser
executado num médio prazo. Os departamentos são os favorecidos com este tipo de
planejamento. Já o planejamento funcional busca atender cada atividade de uma maneira
específica e em curto prazo no intuito de solucioná-los com rapidez.
Conforme Chiavenato (2000, p.198) além da hierarquia de objetivos, existe também
uma hierarquia do planejamento. Neste sentido, existem três níveis distintos de planejamento:
o planejamento estratégico, o tático e o operacional.
O planejamento estratégico é mais amplo e abrange toda organização, tendo por
características ser um projeto em longo prazo, toda a empresa é envolvida desde seus recursos
e atividades, tendo como objetivo atingir o nível organizacional, estes procedimentos é
executado pela cúpula da organização assumindo assim o plano de maior relevância onde
todos os demais lhes são subordinado.
21
O planejamento tático é aquele que abrange cada departamento sendo planejado para o
período anual da organização. Este tipo de planejamento e definido no nível intermediário em
cada departamento da empresa.
O planejamento operacional abrange as tarefas ou atividades especificas tendo como
principais características ser projetado para o curto prazo envolve tarefa isoladamente e tem
como preocupação atingir metas especificas estando no nível operacional (CHIAVENATO,
P.198 e 199).
2.4.2 Organização
Encontra-se mais de um significado para a palavra organização, isto contribui para que
se defina melhor o que deve ser feito logo após o planejamento elaborado pela organização.
O primeiro sentido para organização é entendê-la como uma entidade social
administrada para objetivos especiais e bem estruturado. Com isto, percebe-se que ela é
formada por pessoas e tem por finalidade obter resultados que gerem lucros as empresas no
geral ou serve também para satisfazer a sociedade de uma forma geral, para isto requer uma
divisão de trabalho onde os membros da organização possam melhor desenvolver seus
trabalhos. Dentro deste contexto, a palavra organização serve para atingir os objetivos
desejados por todos os empreendimentos implantados por qualquer pessoa.
Segundo Chiavenato (2000, p. 201), a palavra organização significa qualquer
empreendimento humano moldado intencionalmente para atingir determinados objetivos. Essa
definição é aplicável a todos os tipos de organizações, sejam elas lucrativas ou não, como
empresas, bancos, financeiras, hospitais, clubes, igrejas etc.
Inseridos na definição de organização pode-se visualizar dois aspectos diferentes:
organização formal e a organização informal. A formal é planejada e definida na
representação gráfica da estrutura de uma organização. Enquanto que, a informal lida de
maneira espontânea entre as pessoas que estão ligadas a cargos na organização formal.
2.4.3 Direção
Tendo em vista que o planejamento está bem definido e que a organização já se
encontra estabelecida, a direção assume a dianteira para fazer as coisas andarem e acontecer.
Percebe-se com isto que dentro da organização o papel da direção é, por intermédio da ação,
fazer com que os recursos humanos da empresa atuem para obtenção de bons resultados.
22
Existe um individuo ou grupo que assume a responsabilidade de tomar decisão sobre uma
pessoa ou um grupo de colaboradores, eles são aqueles que exercem poder e autoridade,
requisitos fundamentais para o bom andamento da direção.
Para kwasnicka (1995, p.201)
Conceituamos essas duas características da atividade de direção, podemos
dizer que o poder é a capacidade de pessoas ou grupos de impor seus desejos
sobre os outros, independentemente de sua resistência ou aceitação. Já a
autoridade é o poder legitimado. Essa legitimação é dada, geralmente, pela
estrutura organizacional.
Faz-se necessário uma boa comunicação entre os que detém poder e autoridade, e
aqueles que recebem as devidas informações para que se execute o que foi planejado e
organizado, para isto o líder precisa de habilidade e de motivação para conduzir os seus
subordinados. Estas normas são aplicadas em qualquer nível da organização e exige dos
administradores aplicarem treinamentos, conduzirem e motivarem as pessoas para que se
obtenham os resultados esperados delas.
Segundo Chiavenato (2000, p.203,204), para que o planejamento e a organização
possam ser eficazes, eles precisam ser dinamizados e complementados pela orientação a ser
dada às pessoas por meio de uma adequada comunicação e habilidade de liderança e de
motivação.
2.4.4 Controle
O controle é de fundamental importância para um bom desempenho da organização,
atua na execução do planejamento que foi elaborado. Todos os administradores necessitam
está cientes de que todas as tarefas efetivas estarão em harmonia com as que foram
planejadas.
Quando se é determinado metas para serem cumpridas baseadas no planejamento das
atividades, o controle age na medição do progresso rumo às metas e corrigem os desvios
surgidos ao longo do processo, isto é, o controle tem a missão de avaliar o desempenho da
organização.
Conforme kwasnicka (1995, p.209) no planejamento das atividades de uma
organização determinam-se metas a serrem cumpridas. O processo de controle mede o
progresso rumo a essas metas e permite que se descubram os possíveis desvios a tempo de
tomar medidas corretivas.
23
Para se administrar os recursos humanos da organização, o controle de qualidade
assume um papel de suma importância na avaliação das atividades em períodos curtos e
regulares.
2.5 ADMINISTRAÇÃO DE ORGANIZAÇÕES SEM FINS LUCRATIVOS
Para as organizações sem fins lucrativos era inadmissível aplicar a palavra
administração nas suas atividades, tinha-se em mente que sua utilização só atingiria as
necessidades das empresas no âmbito comercial e por está razão existia uma verdadeira
repugnância, isto por que as mesmas sempre adotam a lucratividade como objetivo principal.
Há aproximadamente duas décadas atrás era impensável aos que eram envolvidos nas
organizações sem fins lucrativos o termo administrar, já nos dias atuais a maioria delas admite
que seja inevitável às entidades sem fins lucrativos sobreviverem sem adotarem a
administração, mesmo sabendo que devem sempre fazer o bem, para isto requer
conhecimentos e habilidade especifica numa relação constante de teoria e prática. Confirma
Drucker (2001, p.63) há vinte anos, administração era um nome feio para os envolvidos, nas
organizações sem fins lucrativos.
A administração das entidades sem fins lucrativos inicia-se a partir da sua missão, é
através dela que a organização estabelece os seus objetivos específicos para obtenção de suas
metas, tornando-se uma entidade bem organizada e disciplinada. Existe, por sua vez, uma
preocupação em definir as missões das organizações, para poder com isto sentirem-se seguras
no exercício das suas tarefas. Existem diversas missões, como por exemplo, de um prontosocorro do hospital: “nossa missão é transmitir confiança aos aflitos”, para a Igreja a missão
evangelizar. Ao detectarmos qual é a missão da organização, ela deve tornar-se
imediatamente operacional, isto é, não ficar apenas restrita as idéias mas partir para a
execução do que foi planejado, se assim não for não passará de boas intenções.
De acordo Drucker (2001, p. 4) uma declaração de missão precisa ser operacional;
caso contrário, não passa de boas intenções. Uma declaração de missão deve focalizar aquilo
que a instituição tenta realmente realizar, de forma que cada um na organização possa dizer:
esta é minha contribuição para a meta.
Com isto percebe-se que a missão é perpétua e pode ser posto em ordem, enquanto que
a meta é transitória. Por este motivo não podemos transformar a missão em boas intenções,
mas torna - lá clara e simples. A missão pode durar para sempre, enquanto existir pessoas na
face da terra existirá por parte da Igreja a missão de evangelizar. Por outro lado a meta pode
24
ser temporária, como no caso da erradicação da tuberculose nos países desenvolvidos. Ainda
para Drucker (1994, p.4) a missão é perene e pode ser ordenada; as metas são temporárias.
Tendo em mãos a missão da instituição resta apresentá-la as pessoas que estão
inseridas na instituição, mostrando-lhes com toda a verdade o quanto a sua execução trará
benefícios à comunidade. Os funcionários e voluntários que se comprometerem com a missão
apresentada receberão capacitação suficiente para exercerem bem suas atividades. Com o
compromisso expressado pelos seus colaboradores e a competência adquirida com a
formação, resta observar as oportunidades e as necessidades surgidas para poder assim
colocar em prática a missão da entidade.
25
3 HISTÓRIA DA IGREJA
O legado adquirido pela Igreja em sua trajetória peregrina ao longo do tempo, não é o
objetivo central do tema deste estudo, porém para compreendê-lo melhor requer apresenta-se
de uma maneira sintetizada e simplificada a história desta instituição milenar.
A igreja é compreendida no início como sendo o povo de Deus que caminha
mergulhada nas suas convicções e alicerçada na sua fé. Para compreender melhor este povo
que caminha, deve-se olhar para figura de Abraão que é convocado por Deus através de uma
vocação específica a ser o pai de um grande povo, para isto lhe é necessário sair da sua terra e
partir para um lugar onde o Pai iria mostrar (Gênesis 12,1).
Durante a antiga aliança surgiram outros homens que colaboraram para a continuidade
da igreja na história. Moisés recebeu de Deus a missão de retirar o seu povo das garras do
faraó que os escravizavam. Ao serem libertados partiram em direção a uma terra que lhes
foram prometidas para ali habitarem. Durante este trajeto Moisés foi convocado por Deus
para apresentar todas as pessoas que peregrinavam no deserto os 10 mandamentos que os
ajudariam a manterem-se fiéis a aliança e a fidelidade ao único Senhor. Porém, em meio as
dificuldades surgidas durante a caminhada, aquele povo deixou de cumprir o pacto de amor
por causa da sua infidelidade. Durante toda a antiga aliança, encontram-se sinais de rejeição
ao único Deus e a busca incessante por outros deuses, por este motivo o Pai através dos seus
profetas anuncia a vinda messiânica do salvador e cumpridor das promessas divinas, Jesus
Cristo.
3.1 A VERDADE HISTÓRICA DE JESUS
Ao chegar à plenitude dos tempos o Pai envia o seu filho para que se cumpra a
promessa que ele tinha feito ao seu povo. A presença de Jesus entre nós concretiza a
realização definitiva da aliança mediante o seu poder redentor, isto porque a humanidade
estava impedida de ter livre acesso a Deus por causa dos seus pecados (MATOS, 2006).
Na experiência fundante do cristianismo percebe-se uma conexão existente entre o
cristo da fé e o Jesus da história. O Deus invisível assume a natureza humana e participa das
mesmas expectativas do povo judeu a espera da vinda do messias. Inserido nos costumes,
cultura e tradição daquele povo, Jesus lentamente percebe que ele é o messias esperado e o
filho do pai celeste, e que lhe era conferido a missão de anunciar a salvação de maneira
26
gratuita, para isto ele quis ter ao seu lado colaboradores que o ajudasse a difundir a sua
Palavra em todos os lugares por onde passassem.
Jesus como líder religioso adotou um estilo diferente das lideranças que existiam na
sua época, estes líderes eram chamados Rabinos (mestres) e os seus seguidores os escolhiam
para está à frente do grupo, enquanto que Jesus saiu a chamar os seus discípulos para segui-lo.
Ele não convocou pessoas preparadas e bem conceituadas da sociedade, como por exemplo,
os do sinédrio (sacerdotes, anciãos, escribas, doutores da Lei, saduceus) que residiam em
Jerusalém considerado o centro-religioso, mas resolveu chamar homens que moravam nos
povoados pobres e marginalizados da Galiléia. Eles não assumiam nenhuma posição de
destaque e para os fariseus e os demais lideres eram tidos como homens impuros, isto porque
viviam como analfabetos, pobres, cobrador de impostos.
Caminhando à beira do lago da Galiléia, Jesus viu Simão e o irmão deste, André,
lançando as redes ao mar, pois eram pescadores (Mc 1,16). Outra vez, Jesus saiu a beira do
lago. Toda a multidão ia até Ele, o filho de Alfeu, sentado na coletoria de impostos, e disselhe: “segue-me”!Ele se levantou e seguiu-o (Mc 2,13-14).
Tendo em suas mãos estes homens desqualificados para a missão, Jesus através dos
seus ensinamentos e sinais vai adestrando-os a se tornarem verdadeiros Apóstolos. Entre os
rabinos ele (Jesus) se destaca por ser o primeiro a por em prática aquilo que ensinava. Esta
metodologia adotada por Jesus ia delineando gradativamente o perfil daqueles que o seguiam
ao ponto deles irem detectando quem verdadeiramente era Jesus. Percebemos com isto a
importância da interação entre o líder e sua equipe, sentir as limitações e as necessidades dos
liderados e saber o que o gestor está desejando realizar ou querendo saber acerca de si, tornase fundamental para o sucesso dos mesmos.
Os doze Apóstolos foram surpreendidos por uma pergunta feita por Jesus a eles. “E
vós”, retomou Jesus, “quem dizeis que eu sou? “Simão Pedro respondeu: “ tu és o Messias, o
Cristo, o filho do Deus vivo”. “Jesus então declarou:” feliz és tu, Simão, filho de Jonas,
porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. Por isso,
eu te digo: tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e as forças da morte não
poderão vencê-la ( Mt 16, 15-18 ).
Concorda-se com Velasco (1995, p.18) num manual de eclesiologia tradicional, que
este ponto é de singular importância, na medida em que serve para justificar como de origem
divina a Igreja de qualquer época, inclusive a configuração histórica que a Igreja tenha
adquirido num determinado momento histórico.
27
Uma vez que Simão realiza o ato de confessar que Jesus Cristo é o Messias, Jesus
imediatamente dar-lhe o nome de pedra, e afirma com ênfase que sobre esta pedra vai edificar
a sua Igreja. Encontramos no evangelho de Lucas, Jesus mandando Pedro amparar os seus
irmãos (Lc 22,32 ) e no evangelho de João Jesus manda que Pedro apascente as suas ovelhas e
cordeiros, representando toda igreja, isto é, todo o povo de Deus espalhados em todo o mundo
(Jo, 21, 15-17).
Conferir um cargo de confiança a Pedro significou que aquele grupo de discípulos
evoluiu como seguidores de Jesus, porém a permanência do líder no processo de formação os
ajudaria a amadurecer cada vez mais, reconhecendo através das palavras e acontecimentos a
necessidade de que se cumprisse na vida de Jesus como também na vida dos seus seguidores o
projeto de Deus, para isto precisavam estarem sempre vigilantes na obediência e no serviço,
que são características fundamentais de um verdadeiro líder.
Depois de lavar os pés dos discípulos, Jesus vestiu o manto e voltou ao seu lugar.
Disse aos discípulos: “entendeis o que eu vos fiz? Vós me chamais de Mestre e Senhor e
dizeis bem, porque sou. Se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar
os pés uns aos outros (Jo 13,12-14).
Esta maneira inovadora de liderar causou espanto até mesmo aos discípulos que
presenciaram o seu Mestre tomar atitude de um escravo, pois só eles é quem lavavam os pés
dos seus senhores. Podemos constatar com estas atitudes a maior expressão de amor que um
líder pode demonstrar por sua equipe e toda sociedade, em dá a sua própria vida para a
salvação de todos.
3.2 GESTÃO EM JERUSALÉM
Os onze discípulos que receberam esta missão eram humanamente incapazes de
realizá-las, haja vista o que tinha acontecido antes de Jesus passar pela experiência da morte,
praticamente todos o abandonaram, menos o discípulo João evangelista que permaneceu ao
seu lado no calvário. Podemos perceber com isto o quanto eles eram covardes e medrosos,
mesmo tendo-os presenciados todas as maravilhas realizada pelo seu mestre.
A grande primavera para a vida de todos os Apóstolos foi o dia de Pentecostes, onde
eles experimentaram aquilo que Jesus lhes prometera antes de partir deste mundo, que
enviaria o seu Espírito Santo que lhes daria força e coragem para anunciar a boa nova. Este
momento tornou-se inesquecível para a vida de todos eles, sentiram-se profundamente
motivados para cumprir o encargo que lhes foi dado. Perceberam que esta tarefa que lhes fora
28
confiada não era meramente humana, não estava alicerçada apenas no conhecimento e na
aplicação de técnicas que os ajudariam a obterem êxito na missão, mas o que eles deveriam
almejar de todo o coração seria de receber o poder do alto, a força do Espírito Santo para
assim dá continuidade ao projeto que Jesus implantou entre nós.
“De repente, veio do céu um ruído, como de um impetuoso vendaval, e
encheu a casa onde eles estavam. E apareceu uma espécie de línguas de
fogo, que se distribuíram e foram pousar sobre cada um deles. Todos
ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas,
conforme o Espírito os impelia a que falassem” (At 2,2-4).
Aqueles homens que outrora eram medrosos encheram-se de coragem, uma verdadeira
mudança aconteceu em suas vidas e os seus corações estavam em chamas como que uma
árvore ardente que não se consumia. As palavras que lhes foram ensinadas por Jesus durante a
sua vida terrestre tornaram-se nítidas em suas mentes e em seus corações ao ponto de
transbordarem e anunciarem aos peregrinos que se encontrava em Jerusalém as maravilhas
que o Senhor tinha realizado em suas vidas. Pedro aquele que tinha negado o seu Senhor por
três vezes, agora proclama com coragem que aquele Jesus que os judeus tinham crucificado o
próprio Deus o tinha ressuscitado.
Desde este momento muitas pessoas que o escuta se converteram e passaram a seguir
os apóstolos, os quais transmitiam a palavra e realizavam milagres no nome de Jesus. Esta
tomada de decisão em seguir aquele simples homem (Pedro) que não sabia ler nem escrever,
mas que juntamente com os outros apóstolos estavam repletos de uma força sobrenatural que
o concedia tamanha sabedoria, fez com que centenas de judeus desejassem ardentemente
partilharem à mesma experiência que eles tinham vivido ao lado do mestre. Decidiram então
permanecer em comunidade para poder assim está mais próximo uns dos outros na comunhão
fraterna dos bens espirituais e materiais. Os fieis eram perseverantes na escuta da palavra, na
partilha da eucaristia, na distribuição dos bens e na vida de oração. Esta autenticidade atraia
cada vez mais adeptos para fazerem parte daquela comunidade, isto porque a palavra, a fé e o
amor eram expressos de uma forma transparente e autentica assumindo assim as mesmas
características do que o seu mestre praticava no convívio com todos aqueles que dele se
aproximavam.
Esta experiência foi vivenciada inicialmente nas casas dos membros da comunidade,
estes depositavam aos pés dos apóstolos todos os bens que possuíam para serem distribuídos
conforme a necessidade de cada um, fazendo com que não houvesse necessitados entre eles.
Percebemos com isto atitudes de liderança por parte dos apóstolos, por serem eles os que
29
discerniam a quem distribuir as doações que lhes foram apresentadas. Este serviço prestado
pelos apóstolos permitia que nada faltassem aqueles que faziam parte da comunidade cristã.
“Não havia entre eles necessitados. De fato, os que possuíam terrenos ou casas, vendendo-os,
traziam os valores das vendas e os depunham aos pés dos apóstolos. Distribuía-se então, a
cada um, segundo sua necessidade (At 4,34,35).
Os apóstolos perceberam que não seriam capazes de assistir aquela numerosa
quantidade de fieis que aderiam a cada momento a palavra de Deus que lhes era anunciada,
decidiram em eleger sete homens que tivessem boa reputação, repletos do Espírito Santo e de
sabedoria, para serem Diáconos (servidores). Eles tinham aderido o projeto de salvação
apresentado pelos apóstolos e tinham recebido formação para cumprirem com destemor a
missão que lhes foram confiadas.
3.3 PRIMEIRAS COMUNIDADES CRISTÃS
Os Apóstolos receberam de Jesus ao ressuscitar, a missão de anunciar o evangelho a
toda criatura (At 1,8), porém isto não seria possível sem que os mesmos experimentassem em
suas vidas a promessa do Senhor de enviar o seu Espírito (Jo 14,15-19) palavra que se
realizou no dia de Pentecostes. Esta experiência profunda de fé em Jesus Cristo e o anuncio
publico do seu Reino, dar-se por parte dos apóstolos a partir de Pentecostes (At 2,1-13), esta
festa era celebrada pelos judeus para se comemorar a renovação da aliança no monte Sinai,
enquanto que para nós cristãos neste dia a Igreja se apresenta publicamente a todos os povos.
A partir daquele memorável acontecimento, aquela equipe de Apóstolos passa há
anunciar com poder e autoridade as palavras ensinadas pelo seu líder Jesus Cristo. Uma
multidão que os escutavam passou a segui-los por encontrarem nas palavras proferidas poder
e autoridade que os motivavam a largarem tudo para estarem juntos (At 2,37-41).
Ao receber o convite para ingressar no seguimento de Jesus, a pessoa é convocada a
mudar radicalmente sua vida, esta conversão (metanoia) é experimentada a partir do momento
em que deixa os pensamentos e as atitudes de Jesus transformar todo o seu jeito de ser e de
agir. Porém, não é o suficiente para ser discípulo do Senhor, viver isoladamente esta
transformação, requer também a integração da pessoa na comunidade daqueles que crêem em
Jesus. Percebe-se com isto o valor como membro do corpo e passa-se a exercer uma função
entre tantas outras, mas precisa-se está unido aos outros membros pelo poder do espírito para
ser parte integrante e fundamental. Esta união se dá a partir do nosso batismo que nos torna
filhos de Deus e através da Eucaristia que nos alimenta espiritualmente nos tornando
30
participantes do corpo de Cristo. Percebe-se com isto que o líder continua presente na
comunidade cristã, estimulando-os a darem continuidade a missão de transmitirem e levarem
a salvação a toda criatura.
O corpo é a igreja (povo de Deus) e a cabeça é Jesus (Cl 1,18) aquele que é a maior
razão da existência da igreja. Esta união faz com que o corpo (igreja) participe dos
sofrimentos da cabeça (Jesus) e com ela ser glorificada pelo pai (Catecismo p.227,228).
Percebe-se que o cristianismo é um fenômeno religioso que prioriza o aspecto
comunitário. Quem deixa transparecer estas evidencias são os próprios discípulos de Jesus
que realizam fundações de comunidades para os judeus que vivem na Palestina, os judeus que
residiam fora do território palestino e para os pagãos (os gentios) espalhados em outras
localidades. O que contribui para a expansão do cristianismo é a destruição do templo de
Jerusalém no ano setenta, onde os cristãos se espalham por todo mundo. Neste período de
expansão do cristianismo, o apóstolo Paulo exerceu um papel fundamental no exercício do
anúncio da palavra de Deus, por ele falar mais de um idioma e ter cidadania romana, lhe
permitiam trafegar nas cidades e povoados que estavam sobre o domínio do império romano,
com isto muitos judeus que tinham se dispersado e gentios eram evangelizados e
consequentemente se convertiam ao cristianismo.
Segundo Matos (2006, p.15), o cristianismo tem sua expansão inicial principalmente
nas cidades do império. Paulo de Tarso tornar-se-á o apóstolo por excelência no mundo grecoromano.
3.4 FECUNDIDADE CRISTÃ DOS MÁRTIRES
O cristianismo era visto pelas autoridades romanas como uma subdivisão do judaísmo,
por está razão não sofria nenhuma perseguição, mesmo tendo sofrido com a acusação de Nero
em dizer levianamente que os cristãos tinham incendiado Roma no ano 64.
Nesta época o império romano vem passando por uma crise política que os levam a
tomar drásticas decisões promovidas pelas autoridades do reino. Para trazer a unificação ao
império, eles buscaram restaurar a religião politeísta obrigando a todos sacrificarem aos ídolos
como sinal de adesão a religião tradicional. Mesmo em meio há estas pressões vindas do
poder romano, os cristãos não abandonam suas convicções a respeito da existência de um
único Deus. O que torna este grupo cada vez mais forte é terem passado por uma experiência
profunda do amor de Deus, que os motivavam há permanecerem firmes na fé e nas
convicções por eles abraçadas. O derramamento de sangue sofrido pelos cristãos atesta o
31
poder da palavra por eles ouvidas e praticadas, chegando através do testemunho congregar
mais fieis ao grupo de cristãos. Os primeiros a serem martirizados eram os lideres que
estavam a frente da comunidade prontos para darem a vida por todos, mesmo o império
romano eliminando milhares de cristãos, o sangue que era derramado atraia mais pessoas a
aderirem ao cristianismo.
De acordo com Matos (2006, p.19) o decreto de 303 visava, de fato, à destruição da
organização eclesial e de suas lideranças. A religião cristã é declarada “ilícita” e seus
membros, considerados traidores da pátria, que devem ser privados de seus direitos civis.
As perseguições no início do cristianismo revelam a vitalidade da igreja e a comunhão
na vivência do evangelho, esta experiência não teve o intuito de guardar no memorial da
história a imagem de um heroísmo individual, mas testemunhar como comunidade um amor
imenso ao evangelho. O sangue dos mártires tornou-se semente de novos cristãos, pois muitos
se convertiam ao cristianismo pelo testemunho dado pelos cristãos.
Segundo Cechinato ( 1996, p.46 ) os cristãos não tinham exército nem poder político.
Sua arma não era a espada nem a violência. Eles não agrediam: eram agredidos. Não
matavam: eram mortos. Não se vingavam: perdoavam.
3.5 PAULO - GRANDE LÍDER DO CRISTIANISMO
Grande Líder do Cristianismo. Paulo de Tarso, judeu da diáspora, nascido em Tarso,
homem marcado pela influência da cultura grega. Ele era fariseu e falava o aramaico desde
sua infância, discípulo de Gamaliel e sua segunda língua era o grego (Harrington 1985). Paulo
por ser um fariseu convicto, perseguia os cristãos achando que estava prestando um serviço a
Deus. Seu ódio contra os discípulos de Jesus fez com que cristãos fossem mortos e presos. Ele
estando perto de Damasco uma luz fortíssima cegou-lhe a vista e ao cair no chão Paulo ouviu
uma voz que lhe dizia: “Saulo, Saulo, por que me persegues”? Era Jesus quem lhe falava a
partir daquele momento ele se converteu e tornou-se o evangelizador dos gentios, isto é, dos
pagãos (At 9,1-22).
Com a sua conversão de Paulo, brota no seio da Igreja este grande líder que se tornou
um dos maiores divulgadores e promotores da nova religião. Ele trazia consigo a força de
cativar, convencer, incentivar, persuadir e converter os antigos seguidores do judaísmo para o
nascente cristianismo (KATER, 1994).
Os desafios foram inúmeros para Paulo nesta missão desafiadora de levar Jesus
Ressuscitado aos povos pagãos. Ele contava com o poder de persuasão que tinha, mas quando
32
não aceito em uma comunidade ele partia para outras localidades no intuito de levar adiante a
Evangelização, isto fez dele um dos maiores divulgadores do cristianismo em todos os
tempos. Muitas foram às comunidades espalhadas pela Judéia, Galiléia, Macedônia, Ásia
Menor, Grécia, Itália que receberam de Paulo o anúncio do evangelho e se converteram ao
cristianismo, por onde ele passava, deixava grupos formados e lideres para darem
continuidade à missão apostólica, ele se comunicava com aqueles que ele deixou a frente das
comunidades por meio de cartas com conteúdo doutrinal e pastoral. Esta era uma maneira que
ele adotava para animar, educar, corrigir na fé todos que aderiu à palavra de Deus, isto fazia
com que a fé daquele povo permanecesse viva em seus corações.
Esta habilidade de liderar pessoas e coordenar processos percebida deste o inicio do
cristianismo, mesmo não sendo proposital, mas acontecendo de uma maneira espontânea,
ajuda a perceber as origens da gestão religiosa em meio a uma realidade de fé, amor e serviço
ao próximo.
3.6 OFICIALIZAÇÃO DO CRISTIANISMO
A igreja antiga por ser formada em inúmeras cidades e povoados, é reconhecida como
uma rede de comunidades que vivem entre si à fraternidade, comunicação, força na fé e ajuda
mutua. Nesta vivência fraterna surge a necessidade de lideres que tem a missão de manter as
comunidades organizadas em meio a diversos serviços ou ministérios. Com a necessidade
pastoral são criados ministérios como no caso dos sete diáconos para servirem aqueles que
precisavam de bens espirituais e materiais para sobreviver (At 6, 1-5). Os cargos e funções
concedidas as pessoas na igreja daquela época exigia do mesmo a disposição para o exercício
do serviço (MATOS, 2006).
No reinado de Constantino, ele obteve sucesso em uma batalha travada com Maxêncio
no ano de 312 e atribui a sua vitória a intervenção miraculosa do Deus dos cristãos. Com o
Edito de Milão no ano 313 é concedido a todos liberdade religiosa e o mais favorecido foi a
igreja de Cristo que passou a ser uma religião lícita. A conversão de Constantino causou uma
enorme mudança para a igreja que o tinha como perseguidor, agora o tem como protetor. O
império romano que antes roubava as terras e os bens da igreja começam a devolver todos os
seus pertences. Os cristãos que antes eram proibidos de ocupar cargos públicos foram
elevados a postos de liderança no governo do império, isto fez com que o cristianismo tornase uma igreja imperial e isto trouxe inúmeras conseqüências.
33
De acordo com Cechinato (1996, p.76) esse apoio do império aos cristãos foi uma
coisa boa, mas trouxe alguns problemas. O primeiro deles foi a intromissão do imperador nos
assuntos da igreja. Constantino se achava no dever de convocar os bispos para resolver os
problemas de unidade, surgidos com cismas e heresias.
O cristianismo é declarado religião do Estado, com isto é selada um pacto entre a
igreja e o Estado que terá uma duração de quinze séculos, com este apoio ela se
institucionaliza cada vez mais e se espalha nos recantos menos prováveis que pudessem
imaginar.
34
4 GESTÃO PAROQUIAL
A Igreja Católica tem a missão de anunciar o evangelho a toda criatura, para isto ela
foi primeiro motivada por uma experiência pessoal e comunitária do amor de Deus que há
impulsionou a enfrentar os desafios que lhes foram apresentados no caminhar da história.
Hoje as igrejas através dos seus gestores buscam estratégias que possam ajudá-los a atingir de
forma eficaz os anseios dos fieis e daqueles que ainda não aderiram à fé cristã. A gestão
profissional de uma instituição como a Igreja Católica, exige de todos os membros que atuam
como líderes cristão, a busca constante pelo domínio de conhecimentos e habilidades que os
ajudarão a manter um equilíbrio entre a formação recebida nos seminários e a utilização da
gestão na organização que estão inseridos, no intuito de melhor desenvolver a missão
evangelizadora.
Conforme Nogueira (2008, p.40)
Todo Padre deveria fazer, também, um bom curso de administração de
empresas ou economia, os padres e todos os líderes da igreja devem ter uma
boa visão sobre o que é administrar recursos humanos e materiais.
Especialmente hoje em dia, em que quase tudo é meio parecido em termos
tecnológicos, o grande diferencial é o componente humano. E disso a igreja
deveria entender e dar aulas.
Porém, muitas vezes somos levados a pensar que não haveria necessidade de gestão
profissional dentro de uma instituição religiosa. Outrora se tinha este conceito referente à fé e
a ciência, contudo no decorrer da história se percebeu que a ciência sendo bem aplicada
serviria como uma grande aliada para confirmar questões relacionadas à fé e a vida humana.
Hoje sabe-se que a gestão assume um papel fundamental nesta interação com a
espiritualidade, isto porque existe uma exigência cada vez maior acerca da qualidade e da
obtenção de resultados, por esta razão a gestão torna-se imprescindível e o amadorismo tende
a desaparecer à medida que os gestores cristãos se abrirem a novos desafios e mudanças no
que se refere a competência de gerenciar processos e liderar pessoas.
Para Murad (2007, p.155) gestão é a competência e a arte para gerenciar processos e
liderar pessoas, em vista da missão de qualquer organização. Espiritualidade, por sua vez, é o
processo da experiência de fé, pessoal e comunitária, que motiva as ações e alimenta as
convicções mais profundas.
O gestor cristão precisa romper com os paradigmas do passado e se adaptar aos novos
conceitos de como liderar pessoas. Para está a serviço de uma comunidade ele necessita
envolve-la de forma que todos assumam a sua responsabilidade e se sintam estimulados a dar
35
o melhor de si. Sendo assim, unidos poderão coordenar processos que terão por finalidade
estabelecer metas, isto é, aonde queremos chegar, com isto poderemos tecer estratégias,
realizar atividades, avalia-las e aprender com elas, gerando mudanças.
Não existe a pretensão de priorizar a gestão e inferiorizar a espiritualidade, mas
articular de uma maneira satisfatória estes dos pilares. Percebemos que nos dias atuais uma
organização cristã sem gestão fracassa e se lhe faltar a espiritualidade se esvazia.
4.1 GESTÃO DE PESSOAS NA IGREJA
A habilidade de liderar pessoas dentro de um contexto religioso assume um papel
fundamental, haja vista a gestão tratar dos seres humanos que é a razão principal do anúncio
do evangelho. É nas Paróquias que essa massa humana se reúne para celebrar a ação de graças
ao nosso Deus, unidos em uma só fé, em um só batismo e um só espírito. Tendo em vista
atender as necessidades e desejo das pessoas, é exigido da igreja oferecer o que ela tem de
melhor que é levar os fiéis a experimentarem profundamente o amor de Jesus em suas vidas.
Por esta razão torna-se primordial capacitar os lideres e membros das pastorais para que saiam
do amadorismo e passem a exercer com qualidade e espiritualidade a missão que lhe foi
conferida.
De acordo com Nogueira (2008, p.35)
a administração está diretamente ligada aos problemas de comportamento
humano, pois não se administram apenas coisas, administramos pessoas. O
sucesso está no “capital humano” e não nos recursos materiais somente, nem
mesmos na tecnologia. A administração moderna é a favor da simplicidade
de sistemas e métodos e é pela total valorização do ser humano como o
capital mais importante de uma instituição.
Urgi a igreja por gestores que saibam administrar este capital humano que lhe foi
confiado. Percebe-se muitas vezes uma indiferença, um descaso, uma insegurança, uma
solidão, um comodismo, um despreparo por parte de alguns lideres no que está relacionado a
encontrar mecanismos para manter em suas paróquias pessoas que estão redescobrindo o
prazer de ser católico. Aliar a espiritualidade alcançada pelos gestores cristãos ao
conhecimento e a execução da gestão torna-se o primeiro passo a ser dado dentro da
organização. A partir desta tomada de decisão abre-se um novo horizonte e novas
perspectivas em introduzir os fieis e capacita-los a assumirem tarefas dentro das pastorais.
36
Para Nogueira (2008, p.38), a instituição deve voltar-se para cada uma das pessoas
envolvidas, não se limitando apenas ao clero, e sim para todas as pessoas que a compõem,
sem exceção. Essa é a melhor receita para o sucesso da administração da instituição.
O modelo de instituição hierárquica deve-se permanecer na Igreja Católica, tendo o
Papa e os Bispos juntamente com seus colaboradores (Padres e Diáconos) a serviço do povo
de Deus, porém faz-se necessário sempre inserir os leigos nas tomadas de decisões e nas
tarefas da organização.
O Papa (Bispo de Roma) e sucessor de São Pedro, “é o perpétuo e visível principio e
fundamento da unidade, quer dos Bispos quer da multidão dos fiéis (catecismo p.253
inc.882)”. Os Bispos individualmente são o visível princípio e fundamento da unidade nas
suas Igrejas particulares. Nesta qualidade, exercem a sua autoridade pastoral sobre a porção
do povo de Deus que lhes foi confiada, assistidos pelos presbíteros (Padres) e pelos Diáconos
(catecismo p. 254 inc. 886).
A estrutura organizacional que forma a Igreja Católica é estritamente necessária,
porém não é absoluta. Por ser ela uma instituição sem fins lucrativos e por ter o compromisso
de levar a palavra de Deus a toda criatura, ela precisa acima de tudo está aberta à prática do
serviço, por esta razão é necessário uma harmonia entre a estrutura de comando e controle e a
estrutura de trabalhar em equipe. Para que haja esta interação é de fundamental importância
está aberto a mudanças de mentalidade e atitudes.
Para Drucker (apud MURAD 2007, p.25) não se deve falar em fim da hierarquia. Em
qualquer instituição deve haver uma autoridade final, um comando claro. Isso é
particularmente importante nos momentos de crise, em que é preciso haver uma chefia a quem
reportar-se. Ao mesmo tempo, porém, muitas outras situações requerem deliberação e
trabalho em equipe.
4.2 PLANEJAR COM PARTICIPAÇÃO
O gestor cristão ao caminhar com seus paroquianos irá se identificar com a realidade
da sociedade a qual ele está inserido e consequentemente perceberá que a necessidade de um
planejamento participativo que contenha objetivos claros, simples e unificantes para poder
assim obter resultados que atenderão aos anseios dos fiéis. Torna-se cada vez mais urgente
haver um planejamento que seja alicerçado em ações eficazes, transformadoras e que todos
aqueles que irão abraçar esta causa missionária sintam-se compromissados a partir da fé. Os
desafios são cada vez maiores e a igreja não pode ficar indiferente as perseguições que sofre
37
através de uma cultura de morte contrária a todos os valores evangélicos, atingindo assim os
valores familiares que são fundamentais para a sobrevivência da humanidade.
O planejamento participativo é feito a partir da realidade e da reflexão da Palavra de
Deus e dos ensinamentos da Igreja, do desejo de procurar e fazer a vontade de Deus na
sociedade e na missão evangelizadora, o planejamento participativo permitirá o pensar e
trabalhar juntos, o crescer na espiritualidade, o valorizar a diversidade de dons e serviços, o
superar a improvisação e a rotina, o motivar o surgimento de novas lideranças e um maior
dinamismo pastoral (ORFANO 2004).
Dentro deste contexto percebemos que é de fundamental importância à formação que
será oferecida pelo Pároco ou por pessoas capacitadas, através de treinamentos e
desenvolvimentos a todas as pessoas que se disponibilizarem a servir nas pastorais da
Paróquia. Percebe-se também há necessidade de uma boa comunicação interna e externa que
permita uma interação maior entre os lideres e toda comunidade, esta comunicação precisa ser
clara e de uma linguagem simples para um bom entendimento de todos. Após a execução de
determinadas tarefas promovidas pelas pastorais, torna-se necessário avaliação para
identificar os acertos e os erros cometidos, isto possibilitará aos lideres cristãos e aos
membros que compõem a Igreja a aperfeiçoarem cada vez mais a missão de evangelizar.
Para João Paulo II (ORFANO 2004) “a formação dos fiéis leigos tem como objetivo
fundamental a descoberta, cada vez mais clara, da vocação cristã, e a disponibilidade cada vez
maior para vivê-la no cumprimento da missão” (João Paulo II, discurso â Comissão Nacional
Italiana da RCC, 04/04/1998).
4.3 GESTÃO DA MUDANÇA
Por haver muitas vezes mudanças de Párocos nas Paróquias, os mesmos precisam ao
chegar ao local conhecer a cultura e a tradição do povo daquela região para poder
desempenhar suas atividades com conhecimento de causa e poder assim atrair a comunidade
local para dentro da igreja (MURAD, 2007). Percebe-se claramente que existe a necessidade
de uma mudança não na estrutura hierárquica da Igreja Católica, pois sabemos como é de
fundamental importância a participação de uma autoridade nos momentos cruciais e decisivos
de uma instituição, esta intervenção é de suma relevância nos momentos de crise, em que é
preciso haver uma chefia a quem reporta-se.
Estas mudanças a qual se aborda está relacionada a paradigma de mentalidades e
atitudes que devem ser abandonadas, por elas estarem enraizadas no comodismo, no
38
individualismo, na centralização das tomadas de decisões, no abuso do poder, na vaidade, na
auto-suficiência. Estas resistências precisam ser vencidas através da transformação de
consciência e atitude por parte dos lideres cristãos em buscarem romper com tais conceitos, e
com ajuda de colaboradores traçarem mecanismos de mudanças que vençam o amadorismo e
a falta de rumo existente na instituição.
Segundo Nogueira (2008, p.43),
após o Concílio Vaticano II, aos poucos as paróquias e comunidades foram
organizando equipes de trabalho pastorais, conselhos, coordenações que, de
modo participativo e comunitário, ajudam na construção de uma nova igreja.
Esse sentimento expressa a importância e a necessidade dos trabalhos
pastorais para a igreja e a sociedade na qual está envolvida.
Para haver uma melhor organização na Paróquia foi criado o Conselho Pastoral
Paroquial (CPP) e o Conselho Econômico Paroquial (CEP). Estes conselhos são formados por
leigos, que em um trabalho voluntário, colocam em prática a sua fé à doutrina da Igreja. A
CPP tem a missão de organizar a vida pastoral da paróquia tendo a frente o Pároco, que é o
seu principal gestor. A partir deste líder a Igreja pode permanecer fechada ou assumir uma
gestão aberta às mudanças, onde os leigos possam expressar suas opiniões, sentirem-se
abertos ao diálogo, terem voz e vez.
A Paróquia, nos dias atuais, é vista como “comunidade de comunidade e movimentos
(cf. Santo Domingo, 58) e não como um lugar centralizador de decisões. Nela deve haver
estrutura econômica que garante a ação pastoral e seja expressão da idéia de Igreja povo de
Deus, comunhão e participação.
O mundo moderno está exigindo da Igreja mudança substanciais no seu modo de levar
a mensagem evangélica às pessoas. Por sua vez, a Igreja não pode encontrar estes novos
modos de falar ao coração das pessoas sem que ouça, ausculte, sinta o que lhes vai à alma.
Após o Concílio Vaticano II, aos poucos as paróquias e comunidades foram
organizando equipes de trabalho pastorais, conselhos, coordenações que, de modo
participativo e comunitário, ajudam na construção de uma nova igreja (NOGUEIRA, 2008).
Para que haja um bom desempenho por parte dos fiéis dentro das equipes de pastorais,
conselhos e das demais atividades da Igreja faz-se necessário a capacitação adquirida através
dos cursos e treinamentos oferecido pelo líder cristão.
Segundo Nogueira (2008, p. 44), o crescimento da Igreja acontece quando cada
membro é treinado e está envolvido em um dos programas dela, pois, é o que os líderes que
39
dela participam desejam. É preciso recrutar, treinar e “conectar” pessoas aos vários
programas. Espera-se que isto garanta o crescimento da Igreja.
40
5 O MARKETING APLICADO À IGREJA CATÓLICA
A Igreja Católica Apostólica Romana foi escolhida por Jesus Cristo para anunciar uma
boa noticia (Evangelho) a toda criatura e que todo aquele nele crer e for batizado será salvo,
estas palavras nos primórdios da igreja foi acolhida com todo entusiasmo. Percebe-se desde os
primeiros momentos do cristianismo a presença do Marketing no que se refere a satisfazer as
necessidades e desejos dos fieis. A experiência com Jesus e com a promessa de salvação aos
que crerem, motiva as pessoas a abraçarem e se comprometerem com a missão que lhes fora
confiada.
Segundo Kater (1994, p. 20),
O marketing é uma das mais antigas atividades humanas, pois todas as vezes
na história em que surgiram necessidades, de qualquer ordem, materiais ou
espirituais, na vida do ser humano e um outro homem , ordenadamente,
sistematicamente ou não, procurou satisfaze-las, nessas ações podemos
considerar que já estava acontecendo o fenômeno que hoje denominamos
marketing.
Por ser a motivação humana a geradora da presença e do comprometimento dos fieis
dentro da Igreja, percebe-se que este mesmo quesito básico é estudado e analisado pelo
marketing para obtenção de um bom resultado. Entretanto percebe-se nos últimos anos uma
debandada considerável de católicos para outras religiões por não sentirem-se atraídos pela
maneira como a Igreja vem evangelizando o seu povo. Alegam muitas vezes que a prática da
religião católica está reduzida ao ritual sacramental simbólico e a falta de uma boa
comunicação entre o clero e os leigos.
Diz Kater (1994, p.12) que a prática da religião católica está se reduzindo a um mero
ritualismo sacramental simbólico, em que cada parte simplesmente representa o seu papel. Tal
prática, porém, não atende às necessidades e expectativas de nenhuma das partes envolvidas,
pois tanto o clero com os fiéis tornaram-se frios no relacionamento, no mínimo formal,
perdendo assim a maior característica da religião: a autenticidade.
O Evangelho diz: “vós sois o sal da terra. Ora, se o sal perde seu sabor, com que se
salgará? Não servirá para nada, senão para ser jogado fora e pisado pelas pessoas” (Mt 5,13).
É com esta exortação que todos os representantes autorizados da Igreja (os sacerdotes, os
diáconos, os ministros, os catequistas e leigos engajados) devem romper com todos os
paradigmas de fechamento e indiferença que impedem que a salvação chegue a todos os
povos.
41
O Papa Paulo VI (1986, p.7) em importante documento oficial da Igreja Católica
Apostólica Romana, assim se expressou: “As condições da sociedade obrigam-nos todos a
rever os métodos, a procurar, por todos os meios ao alcance, estudar o modo de fazer chegar
ao homem moderno a mensagem cristã, única na qual ele poderá encontrar a resposta às suas
interrogações e a força para a sua aplicação de solidariedade humana”.
Por esta razão, o marketing sendo bem aplicado na Igreja Católica, resolverá
satisfatoriamente o problema da evasão dos católicos e a falta de motivação entre seus fiéis,
levando-os a um renovado interesse e amor pela Igreja. Para isto, faz-se necessário a Igreja
Católica oferecer aos fiéis a salvação que é o seu principal produto.
Segundo João Paulo II (1983, p.749) nas causas de transferência, apliquem-se as
prescrições do cân. 1747, respeitando-se a equidade canônica e tendo diante dos olhos a
salvação das almas que, na Igreja, deve ser sempre a lei suprema.
Conforme Kater (1994 p.37) podemos ainda reforçar essa afirmação tomando por base
o Catecismo da Igreja Católica, de autoria do Papa João Paulo II, no seu parágrafo 849,
definindo claramente a missão da Igreja, pela qual ele é o responsável, diz que ela é: enviada
por Deus às nações para ser o sacramento universal da salvação.
A fé, os sacramentos, a paz, os ensinamentos de Jesus Cristo são meios para chegar à
Salvação Eterna que é o produto oferecido pela Igreja Católica ao seu público. É esta a
resposta definitiva de Deus para a grande ansiedade do homem sobre a vida após a morte.
Jesus por ser o maior protagonista da salvação ordenou aos apóstolos: “ide pelo mundo inteiro
e anunciai a boa nova a toda criatura! Quem crer e for batizado será Salvo (Mc 16,15). Os
gestores cristãos terão como desafio encontrar meios de oferecer com sabedoria o produto que
todas as pessoas anseiam em receber. O marketing ajudará a Igreja a realizar esta tão grata
tarefa de motivar todas as pastorais e todo o povo de Deus a experimentarem antecipadamente
a salvação em suas vidas e se dedicarem para que outros recebam também este produto, para
isto temos só no Brasil mais de sete mil paróquias e catorze mil sacerdotes, lugares e pessoas
que necessitam está constantemente se capacitando para atender dá melhor forma possível a
este público que almeja por realizar suas carências espirituais.
42
6 GESTÃO FINANCEIRA DA PARÓQUIA
Para que se realize a evangelização na Igreja Católica, faz-se necessários recursos
financeiros que venham colaborar no bom desempenho das atividades missionárias e
administração da Paróquia, isto porque a Igreja é vista pela legislação como uma empresa sem
fins lucrativos e isenta de impostos, sendo assim, ela precisa gerenciar através dos seus
gestores os seus bens para melhor alcançar os seus recursos.
Para Nogueira (2008, p.36) pastorear vai muito além de pregar, fazer aconselhamento,
visitas, etc. Tal ofício engloba, dentre outras coisas, a administração da igreja-que, pela
legislação, é vista como uma empresa, embora sem fins lucrativos e isenta de impostos.
Recordando a primeira comunidade cristã, vimos o quanto ela crescia numericamente e
isso exigia de todos o desprendimento financeiro para o sustento dos mais pobres. Estes bens
eram postos aos pés dos Apóstolos que assumiam a função de administrar estes recursos que
lhes eram confiados.
Entre eles ninguém passava necessidade, pois aqueles que possuam terras ou casas as
vendiam, traziam o dinheiro e depositavam aos pés dos apóstolos. Depois, era distribuído
conforme a necessidade de cada um (At 4,34-35). Assim fez José, que os apóstolos chamavam
de Barnabé (que significa “filho da consolação”). Era levita, natural de Chipre. Ele possuía
um campo, vendeu-o e depositou o dinheiro aos pés dos apóstolos.
Tendo esta passagem como exemplo, percebemos que a Igreja é a grande gestora do
dinheiro que lhe é confiado para manutenção do Templo, local onde os fiéis se reúnem para
ouvirem a palavra de Deus e viverem a sua fé, e também das demais despesas que acontecem
ao longo do tempo. Cabe a Igreja satisfazer as necessidades coletivas de seus fiéis, isto porque
estes recursos que são arrecadados não lhe pertence, e sim ao povo, a sua missão é de ser
guardião, fiel depositário e o seu administrador.
Por este motivo cabe aos titulares informar ao povo a maneira como os recursos
arrecadados foram empregados, estas informações prestadas aos fiéis não significa uma
desconfiança da comunidade para com os seus gestores, mas em saber onde está sendo
investido o dinheiro (NOGUEIRA, 2008).
Para Nogueira (2008, p.47) evangelizar custa dinheiro e não devemos e na podemos
esquecer que lidamos com o dinheiro da comunidade (dinheiro público), o que implica em
uma maior responsabilidade, transparência, evitando o comprometimento do bom nome da
instituição.
43
A transparência é de fundamental importância para o bom andamento da instituição,
os fiéis contribuintes sentem-se motivados por ver sua colaboração sendo bem aplicada e é
também importante inseri-los nas responsabilidades da paróquia para que haja um bom
andamento dos projetos e metas existentes na Igreja. Os bispos, padres, diáconos,
seminaristas, religiosos, leigos e leigas tornam-se os grandes protagonistas para o melhor
desempenho financeiro. Para que isto aconteça os lideres cristão precisam abolir paradigmas
que enxergam a administração como impercílio para a evangelização. Estas mudanças
acontecem gradativamente a partir da abertura dos gestores para equilibrar evangelização e
administração.
Para isto existe na Paróquia o Conselho Econômico Paroquial (CEP), que tendo por
Presidente o Pároco, o mesmo conta com a colaboração de leigos engajados e comprometidos
com a Igreja. A função principal deste grupo de pessoas diz respeito à administração
financeira de todas as receitas e despesas de funcionamento da paróquia, que, na sua ótica, é
gerenciada como se fosse uma pequena empresa (NOGUEIRA, 2008). Este conselho tem a
finalidade de incentivar e organizar a participação de todos os membros na sustentação
econômica da comunidade, que é feita normalmente pelo dízimo ou por outra forma que esta
encontre para garantir a contribuição de todos. Os conselheiros que compõem a CEP são
leigos voluntários, que atuam na missão de planejar, organizar e controlar todos os
compromissos financeiros assumidos pela paróquia. Ser conselheiro é exercer um ministério,
isto é, prestar um serviço significativo à Igreja, para que ela cumpra sua missão
evangelizadora no mundo.
Cabe aos fiéis a responsabilidade de contribuir financeiramente para o
reparo e manutenção da casa de Deus. A Igreja não conta com ajuda
financeira do governo para sua manutenção, despesas, etc. O dinheiro que
entra para a Igreja através de dízimos e ofertas tem propósito exclusivo de
mantê-la, tanto em sua manutenção quanto com as despesas gerais usadas
por ela. O padre também deve ser remunerado, com parte do dinheiro
estabelecido pela sua liderança (NOGUEIRA 2008).
44
7 METODOLOGIA DA PESQUISA
A análise desenvolvida neste trabalho busca através de uma abordagem qualiquantitativa de cunho exploratório, oferecer alguns aspectos e conceitos básicos acerca da
Gestão, no intuito de ajudar o gestor cristão a liderar as pessoas e os processos que lhes são
apresentados sem perder a espiritualidade, uma das características do cristão católico.
7.1 CARACTERIZAÇÃO DO ESTUDO
A presente pesquisa adota uma abordagem quali-quantitativa de cunho exploratório.
Para Riachardson (1985, p.29) o método quantitativo, como o próprio nome indica,
“caracteriza-se pelo emprego da quantificação tanto nas modalidades de coleta de
informações, quanto no tratamento dessas através de técnicas estatísticas, desde as mais
complexas, como coeficiente de correção, análise de regressão etc”. Já no que diz respeito aos
aspectos qualitativos, Richardson (1985, p. 29) esclarece a abordagem qualitativa de um
problema, “além de ser uma opção do investigador, justifica-se, sobretudo, por ser uma forma
adequada para entender a natureza de um fenômeno social”.
A pesquisa tem um cunho exploratório por buscar conhecer com maior profundidade
o assunto, de modo a torná-lo mais claro ou construir questões importantes para a conclusão
da pesquisa.
Ainda segundo Richardson (1985, p. 26) os estudos exploratórios são utilizados,
quando não se tem informação sobre determinado tema e se deseja conhecer o fenômeno, que
ainda não foi estudado.
Gil (1999) destaca que a pesquisa exploratória é desenvolvida no sentido de
proporcionar uma visão geral acerca de determinado fato. Acredita-se que este tipo de
pesquisa é adequado ao nosso estudo, sobretudo porque o tema escolhido é pouco explorado,
não se conhecendo trabalhos desenvolvidos acerca dessa temática.
A pesquisa também é identificada como qualitativa, pois foi aplicada uma entrevista
ao Arcebispo Metropolitano da Paraíba, utilizando-se de um gravador e outra aplicada ao
Pároco da Paróquia Nossa Senhora Aparecida utilizando-se de um MP4.
45
7.2 PROBLEMATIZAÇÃO
Outrora as organizações eram inflexíveis no tocante a forma de gerir o seu corpo
funcional, centralizando todo o poder na cúpula. No decorrer dos anos percebem-se
mudanças expressivas nas organizações, em que gradativamente elas vêm rompendo com
antigos paradigmas e passando a adotar novos modelos de gestão. A Igreja Católica por se
enquadrar perfeitamente nessa posição, busca se adaptar a esta realidade mesmo trazendo
consigo uma estrutura hierárquica e de ser uma instituição tradicional e conservadora.
A Igreja por ser uma instituição religiosa, capacita os seminaristas, futuros gestores,
durante o período de sua formação a terem uma vida pautada na espiritualidade e no
conhecimento da Teologia e Filosofia que são a razão maior da sua existência, porém no que
se refere a como gerir esta organização tão gigantesca pouco é estudado.
Para isto, o gestor cristão vem paulatinamente buscando recursos conceituais para
poderem gerir melhor a tantas pessoas que voluntariamente se põem a serviço da Igreja
através das diversas pastorais e demais atividades da Paróquia, no intuito de colaborarem na
missão a qual todos foram chamados.
Esta pesquisa busca responder à seguinte indagação: qual o modelo de gestão
abordado pela Paróquia Nossa Senhora Aparecida e os seus principais desafios?
7.3 OBJETIVOS
7.3.1 Objetivo Geral
-
Analisar o modelo de gestão da Paróquia Nossa Senhora Aparecida e os seus
novos desafios.
7.3.2 Objetivos Específicos
-
Identificar o perfil do corpo funcional e voluntários da Paróquia;
-
Identificar as ações e estratégias desenvolvidas na Paróquia;
-
Verificar o ponto de vista dos paroquianos sobre a gestão da Paróquia;
-
Especificar os principais desafios enfrentados pela Paróquia.
46
7.4 CAMPO EMPÍRICO
Figura 1 – Paróquia Nossa Senhora da Aparecida
Fonte: Dados da pesquisa
A Paróquia Nossa Senhora Aparecida, localizada na Rua Horácio Trajano de Oliveira,
nº 630, tel: 3223-2646 – Cristo Redentor foi instituída Paróquia pelo arcebispo Dom Aldo de
Cillo Pagotto no dia 12/02/2006. Nesta celebração tomou posse como Pároco, o Frei Rômulo
da ordem franciscana conventual, auxiliado pelo vigário Frei Fernando da ordem franciscana
conventual.
É pequena a estrutura física da Paróquia, ao seu lado existem salas que servem para
que as pastorais exerçam suas atividades, local para a reunião da CPP (Conselho Pastoral
Paroquial), local onde se realiza reuniões diversas com os movimentos e demais equipes de
pastorais e serviços, em uma das salas está instalada a secretária paroquial. A Paróquia
coordena sete outras comunidades que contam com o pastoreio do atual Pároco Frei Luiz e
dois vigários (Frei Fernando e Frei Pedro) os mesmos residem em uma casa alugada no bairro
Cristo Redentor.
Os Frades financiaram um carro com a finalidade de facilitar o deslocamento deles em
direção as demais comunidades para poder realizar com êxito a missão evangelizadora que
lhes foram conferidas. As diversas despesas contraídas pela Paróquia que desempenha com
competência suas atividades são quitadas através do dízimo e das ofertas coletadas.
47
7.5 UNIVERSO E AMOSTRA
O universo da pesquisa abrange os fiéis, bispo e o Pároco da Paróquia Nossa Senhora
Aparecida. Para Richardson (1999), universo é o conjunto de elementos que possuem
determinadas características, e quando se deseja obter informações a respeito de algo, torna-se
impossível colher de todos os indivíduos que formam parte do universo.
Já a amostra, segundo Gil (1996), é uma pequena parte dos elementos que compõem o
universo. Quando essa amostra é rigorosamente selecionada, prossegue o autor, “os resultados
tendem a aproximar-se daqueles que seriam obtidos, caso fosse possível pesquisar todos os
elementos do universo”.
Assim, dos inúmeros fiéis que freqüentam a Paróquia, 40 fiéis responderam ao
questionário que lhes fora apresentado, realizado-se ainda entrevista com o Arcebispo e o
Pároco da Paróquia.
7.6 INSTRUMENTO DE COLETA E TRATAMENTO DOS DADOS
Neste estudo utilizou-se como instrumento de coleta de dados o questionário fechado,
realizado com os fiéis e a entrevista com o Arcebispo e o Pároco responsável pela paróquia
pesquisada.
Elaborou-se questionário fechado para identificar o perfil do corpo funcional e
voluntário e ainda verificar o ponto de vista dos paroquianos sobre a gestão da Paróquia.
Assim, a pesquisa se direciona ao uso de uma abordagem quantitativa, sendo desenvolvida no
âmbito natural da situação que está sendo estudada (LUDKE, 1986).
Segundo Ghiglione e Matalon (1970) o questionário corresponde a uma técnica de
coleta de dados utilizada em pesquisa de campo de caráter quantitativo.
Para Álvaro (2002), na técnica do questionário, o informante escreve ou responde por
escrito a um elenco de questões cuidadosamente elaboradas.
A entrevista foi aplicada ao Arcebispo Metropolitano da Paraíba utilizando-se de um
gravador e outra aplicada ao Pároco da Paróquia Nossa Senhora Aparecida utilizando-se de
um MP4.
Conforme Richardson (1942, p. 160), a entrevista é uma técnica importante que
permite o desenvolvimento de m a estreita relação entre as pessoas. É um modo de
comunicação no qual determinada informação é transmitida de uma pessoa A a uma pessoa B.
48
8 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS
Antes da descrição e interpretação dos dados, cumpre esclarecer que a amostra
pesquisada adotou como critério de composição reunir um número considerável de fiéis da
Igreja Nossa Senhora Aparecida, no Cristo Redentor e entrevista com o Arcebispo de João
Pessoa e o Pároco responsável pela igreja. Este procedimento resultou na distribuição de 40
questionários que foram os aplicados, haja vista não poder definir um número exato de fiéis
em razão da rotatividade.
8.1 O PERFIL DO CORPO FUNCIONAL E VOLUNTÁRIOS DA PARÓQUIA NOSSA
SENHORA APARECIDA
No gráfico 01, expõe-se o grau de escolaridade aplicados através de questionários a 40
fiéis da Paróquia Nossa Senhora Aparecida localizada no Bairro Cristo Redentor da Cidade de
João Pessoa-PB.
3%
28%
25%
ENSINO
FUNDAMENTAL
ENSINO MÉDIO
ENSINO SUPERIOR
NENHUM
44%
Gráfico 01- Grau de escolaridade dos fiéis da Paróquia Nossa Senhora Aparecida.
Fonte: dados da pesquisa, 2008.
O que pode ser identificado pelo gráfico 1, é que dos 40 fiéis que responderam o
questionário 28% possuem o ensino fundamental no seu grau de escolaridade, 44% possuem o
ensino médio, 25% possuem o ensino superior e 3% nenhum grau de escolaridade.
49
Pode-ver no gráfico 2, a renda familiar dos fiéis da Paróquia Nossa Senhora
Aparecida.
8%
27%
MENOS DE 1 SALÁRIO
1 SALÁRIO MÍNIMO
42%
2 SALÁRIOS MÍNIMOS
MAIS DE 5 SALÁRIOS
MÍNIMOS
23%
Gráfico 02 – Renda familiar dos fiéis da Paróquia.
Fonte: dados da pesquisa, 2008.
Percebe-se nos gráficos 01 e 02 o retrato de pessoas com grau de escolaridade de
ensino médio e com renda familiar de 1 salário mínimo, isto quer dizer o quanto esta
população é carente de capacitação e de recursos financeiros para sobreviver. Enxergando esta
realidade pode-se perceber uma semelhança considerável com a situação em que vivia Jesus,
homem de família pobre, portanto tinha pouco estudo e de pequena condição financeira, ele
residia na Vila de Nazaré da Galiléia, região pobre formada por pessoas humildes e
marginalizada. Sendo assim o líder cristão que está a frente de uma Paróquia inserida neste
contexto, precisa se sensibilizar com as carências apresentadas por parte desta população que
necessita de assistência espiritual e material.
Existe na Paróquia Nossa Senhora Aparecida a pastoral da criança que ajuda a
alimentar as crianças carentes com o trabalho social da multi-mistura. Este tipo de ação social
é de extrema importância para aqueles que moram nas proximidades da Igreja, porém
precisamos encontrar ainda mais mecanismos que insira as famílias no convívio social, para
isto a Igreja precisa está presente através dos agentes cristãos nas Câmaras de Vereadores,
Assembléia legislativa, para reivindicar condições melhores de vida para as famílias.
Para Nogueira (2008, p.38), a instituição deve voltar-se para cada uma das pessoas
envolvidas, não se limitando apenas ao clero, e sim para todas as pessoas que a compõem,
sem exceção. Essa é a melhor receita para o sucesso da administração da instituição.
50
Ao se perguntar aos fiéis se participam de alguma pastoral existente na Paróquia, veja
o que eles responderam, acompanhando o que mostra o gráfico 3:
40%
SIM
NÃO
60%
Gráfico 03 – Participação dos fiéis nas pastorais.
Fonte: dados da pesquisa, 2008.
O que se percebe no gráfico 03, é a participação representativa da comunidade,
embora esse número atinja apenas 60% das pessoas que freqüentam a paróquia.
Uma grande quantidade de pessoas questionadas não participa de nenhuma pastoral,
para que estes fiéis venham atuar nas pastorais e diversas atividades da Igreja fazem-se
necessário o Pároco e todos os agentes comprometidos com o evangelho acolherem com
muito amor estas pessoas para que elas se sintam chamadas a contribuírem com o reino de
Deus. Isto pode ser feito através das celebrações, dos encontros promovidos pela Paróquia, no
contato pessoal.
O planejamento participativo é feito a partir da realidade e da reflexão da
Palavra de Deus e dos ensinamentos da Igreja, do desejo de procurar e fazer
a vontade de Deus na sociedade e na missão evangelizadora, o planejamento
participativo permitirá o pensar e trabalhar juntos, o crescer na
espiritualidade, o valorizar a diversidade de dons e serviços, o superar a
improvisação e a rotina, o motivar o surgimento de novas lideranças e um
maior dinamismo pastoral (ORFANO 2004).
Caminhando ao longo do mar da Galiléia, viu dois irmãos: Simão (chamado Pedro) e
André, seu irmão, que lançavam a rede ao mar, pois eram pescadores. E dise-lhes: “vinde
após mim e vos farei pescadores de homens (Mt 4,18-19)”. Independente do grau de
escolaridade, da classe social, da raça, todos precisam receber o chamado e ser capacitado a
evangelizar a tantos outros que precisam sentir-se amados por Deus.
51
No que se refere à ação dos dizimistas, o gráfico 04 identifica a colaboração de 77%
dos fiéis e 23% dos fiéis que não colaboram com o dízimo da Paróquia. Vejamos:
23%
SIM
NÃO
77%
Gráfico 04 – Dizimistas da Paróquia.
Fonte: dados da pesquisa, 2008.
A maioria dos fiéis que responderam ao questionário são comprometidos com a
pastoral do dízimo, mesmo grande parte dos questionados ganhando apenas 1 salário mínimo
são conscientes da importância de sua contribuição. Para aqueles que não contribui com a
pastoral do dizimo, precisam receber da parte do Pároco e demais lideres cristãos
ensinamentos que esclareça o quanto se faz necessário esta contribuição. O dízimo é aplicado
nas despesas com o culto, com o sacerdote, com o templo, na dimensão social ajuda aos mais
necessitados e na dimensão missionária é aplicado nas despesas com a evangelização fora dos
limites da comunidade, ajuda a outras Paróquias e comunidades.
Segundo Nogueira (2008, p.43)
Cabe aos fiéis a responsabilidade de contribuir financeiramente para o
reparo e manutenção da casa de Deus. A Igreja não conta com ajuda
financeira do governo para sua manutenção, despesas, etc. O dinheiro que
entra para a Igreja através de dízimos e ofertas tem propósito exclusivo de
mantê-la, tanto em sua manutenção quanto com as despesas gerais usadas
por ela. O padre também deve ser remunerado, com parte do dinheiro
estabelecido pela sua liderança.
52
8.2 O PONTO DE VISTA DOS PAROQUIANOS SOBRE A GESTÃO DA PARÓQUIA
A partir do gráfico 5 será focada a importância da visão dos paroquianos acerca da
atuação do Pároco na gestão das atividades vivenciadas nas pastorais e demais serviços da
Paróquia.
30%
SIM
NÃO
AS VEZES
3%
67%
Gráfico 05 – Formação e capacitação dos fiéis para assumirem as pastorais.
Fonte: dados da pesquisa, 2008.
Como se pode ver, o gráfico 05 retrata que os fiéis questionados, 67% estão satisfeitos
com a formação e capacitação oferecida pelos Frades, 30% dizem as vezes terem recebido
formação e capacitação, e apenas 3% dizem não receber formação e capacitação.
Dom Aldo Pagotto, em entrevista para esta pesquisa esclarece que a Igreja encontra-se
bastante atrasada no tocante à formação e capacitação. Para ele, as pessoas têm boa vontade,
porém não têm capacitação para exercer as atividades pastorais, correndo assim o risco de
desperdiço e de frustrar aqueles que necessitarem dos serviços das pastorais.
Com isto percebe-se que para se atingir as respostas que todos esperam obter e
conquistar e desta forma conquistar de maneira voluntária os fiéis. As palavras de Dom Aldo
Pagotto vem de encontro ao que diz Murad (1996). Para o autor, é importante que os fiéis
participem colaborando para com os serviços diversos existentes na Igreja, é necessário
desempenhando esforços que capacitem os mesmos a se profissionalizarem nas tarefas a eles
delegadas.
53
A satisfação dos fiéis com relação a prestação de contas da pastoral do dízimo é
mostrada no gráfico 06. Vejamos:
18%
MUITO
POUCO
57%
25%
REGULAR
Gráfico 06 – Prestação de contas da pastoral do dízimo.
Fonte: dados da pesquisa, 2008.
Pode-se perceber que não existe uma boa aceitação com a comunicação existente entre
o Pároco e os fiéis questionados. Isto acarreta um esfriamento por parte daqueles que
contribuem com o dízimo por não receber um retorno referente à como está sendo investido o
dizimo da Paróquia. Para Nogueira (2008, p.47) evangelizar custa dinheiro e não devemos e
não podemos esquecer que lidamos com o dinheiro da comunidade (dinheiro público), o que
implica em uma maior responsabilidade, transparência, evitando o comprometimento do bom
nome da instituição.
Por este motivo cabe aos titulares informar ao povo a maneira como os recursos
arrecadados foram empregados, estas informações prestadas aos fiéis não significa uma
desconfiança da comunidade para com os seus gestores, mas em saber onde está sendo
investido o dinheiro (NOGUEIRA, 2008).
Segundo o Pároco da Igreja Nossa Senhora Aparecida no Cristo Redentor, Frei Luiz
(2008):
a divulgação realizada faz-se mensalmente através da reunião do Conselho
Pastoral Paroquial (CPP) as lideranças das diversas pastorais e é apresentada
aos fiéis através da secretária paroquial, isto porque existe um receito de
assaltos aos Frades com a divulgação nas Celebrações das Missas (FREI
LUIZ, 2008).
54
Por razões de segurança dos próprios Frades, poderia uma vez no mês ser exposto pelo
Pároco a relação das entradas de dinheiro arrecadado pela pastoral do dízimo e em que foi
investido este dinheiro, no próximo mês em uma data não comunicada poderá ser feita a
divulgação da arrecadação, e assim sucessivamente.
Quanto à estrutura da Paróquia, o gráfico 07 mostra que:
29%
SIM
NÃO
71%
Gráfico 07 – Oferece conforto a estrutura da Paróquia.
Fonte: dados da pesquisa, 2008.
Os fiéis através do questionário que lhes foram apresentados, expressaram insatisfação
com o teto da Igreja alegando a necessidade de manutenção, a troca do piso por ele se
encontrar estragado pelo tempo, necessidade de janelas para arejar melhor a Igreja, a reforma
do presbitério (local onde o Pároco realiza a Celebração da Missa).
Para o Pároco, a estrutura física da Paróquia é pequena, por esta razão muitos
procuram realizar casamentos em outras Igrejas, por não oferecer conforto suficiente aos fiéis
das proximidades e dos bairros adjacentes.
Em meio a tantas reclamações a Paróquia unida ao seu Pároco e as diversas lideranças
buscarem maneiras de arrecadar recursos para ampliarem a Igreja no intuito de oferecer um
maior conforto aqueles que a freqüentam. O que pode ser feito para obter dinheiro para as
reformas seria promover eventos, como: feijoadas, shows, bingos, rifas, quermesses, para
poder realizar uma reforma bem planejada, organizada, dirigida e controlada.
55
O gráfico 08, retrata o bom atendimento oferecido pela Paróquia Nossa Senhora
Aparecida aos fiéis. Vejamos:
33%
SIM
NÃO
67%
Gráfico 08 – Você recebe um bom atendimento da Paróquia.
Fonte: dados da pesquisa, 2008.
No gráfico 08, 67% dos fiéis dizem que estão satisfeitos com o atendimento prestado
pela Paróquia e 33% ao precisar dos serviços da Paróquia dizem não serem bem atendidos. Os
que estão satisfeitos com o atendimento alegam a disponibilidade dos Frades como requisito
fundamental para este percentual. Aqueles que não estão satisfeitos dizem não ser bem
atendidos pela secretária da Paroquial e muitas vezes encontrar a secretária fechada.
Dom Aldo Pagotto disse que está aparelhando a Cúria, bem como as Paróquias para
poder melhor preparar as pessoas, a começar pelos Padres, secretárias paroquiais e agentes
das pastorais, oferecendo cursos e treinamentos.
O Pároco disse que a secretária da Paróquia foi treinada na Cúria da Arquidiocese da
Paraíba e mensalmente recebe formação.
Percebemos uma insatisfação dos paroquianos com relação ao atendimento da
secretária paroquial, mesmo elas tendo recebido da Cúria cursos e treinamentos, sendo assim
faz-se necessário por parte do gestor cristão a sensibilidade de recrutar uma pessoa que não só
seja competente no que se refere a conhecimentos científicos, mas que tenha experimentado o
amor de Deus e que seja uma pessoa extremamente acolhedora, altruísta, pró-ativa, simpática,
amável, estas características cabem também a todos os voluntários que exercem atividades
dentro da Igreja.
56
O gráfico 09 demonstra o que os fiéis acham da atuação do Pároco.
3%
28%
RUIM
BOA
REGULAR
54%
ÓTIMA
15%
Gráfico 09 – Atuação do Pároco.
Fonte: dados da pesquisa, 2008.
No gráfico 09, 3% dos fiéis questionados disseram que a atuação do Pároco é ruim,
54% disseram ser boa, 15% acham a atuação regular e 28% dos fiéis disseram que a atuação
do Pároco é ótima. Este gráfico é bastante importante para identificar a necessidade que se
tem em melhorar a atuação do Pároco na gestão de sua Paróquia.
Para o Pároco o modelo de gestão adotado na Paróquia é espiritual, que tem como
principal objetivo levar os fiéis a terem um encontro com Jesus Cristo Ressuscitado. Isso vem
de encontro ao pensamento de Murad (2007, p. 155), de que gestão é a competência e a arte
para gerenciar processos e liderar pessoas, em vista da missão de qualquer organização.
Para Dom Aldo o modelo de gestão da Igreja se equipara a de uma empresa, em que a
Igreja tem como produto a fé e as boas obras.
Percebemos que existe uma carência de todos os lideres cristãos acerca dos
conhecimentos básico da gestão, isto significa dizer que faz-se necessário ampliar as
disciplinas no seminário que aborde disciplinas na área de gestão para poder assim conciliar
de maneira satisfatória à Teologia e Filosofia em meio a toda uma espiritualidade própria da
Igreja Católica.
57
No gráfico 10, teve-se a curiosidade de saber se a família do fiel questionado teria
recebido a visita de alguns dos Frades.
13%
28%
SIM
NÃO
ALGUMAS VEZES
59%
Gráfico 10 – Famílias visitadas pelos Frades.
Fonte:dados de pesquisa, 2008.
Percebe-se que 28% dos fiéis responderam que foram visitados pelos Frades da
Paróquia, 59% disseram que nunca receberam visitas dos Frades e 13% falaram que algumas
vezes foram visitados.
Para Dom Aldo, “faz-se necessário agentes da Igreja saírem ao encontro das famílias
em suas residências, haja vista a importância de todos serem evangelizados”.
O mundo moderno está exigindo da Igreja mudança substancial no seu modo de levar
a mensagem evangélica às pessoas. Por sua vez, a Igreja não pode encontrar estes novos
modos de falar ao coração das pessoas sem que ouça, ausculte, sinta o que lhes vai à alma,
como observa Nogueira (2008).
Existiu um tempo em que os fiéis se deslocavam de suas residências para irem a
Igreja, hoje percebemos o quanto se faz necessário o Pároco criar uma pastoral missionária,
que capacite e motive os voluntários através de aprofundamentos bíblicos e formação humana
para partirem ao encontro de todos aqueles que estão em suas casas, nas repartições,
universidades, Câmaras e Assembléias Legislativas, enfim em todos os lugares, para poder
anunciar o evangelho e denunciar as injustiças.
Perguntando-se aos fiéis da Paróquia Nossa Senhora Aparecida se eles estão
capacitados para evangelizar as famílias da sua Paróquia e o que os fiéis acham da formação
oferecida pelas pastorais.
58
Vejamos o que os fiéis responderam acompanhando o gráfico 11 e 12:
43%
SIM
NÃO
57%
Gráfico 11 – Os fiéis sentem-se capacitados para evangelizar as famílias.
Fonte: dados da pesquisa, 2008.
13%
3%
RUIM
BOA
27%
REGULAR
57%
ÓTIMA
Gráfico 12 – Formação oferecida pelas pastorais.
Fonte: dados da pesquisa, 2008.
Percebe-se a necessidade de oferecer capacitação aos fiéis através de cursos e
treinamentos para poder assim atender aos apelos da missão da Igreja que é de evangelizar.
Para Dom Aldo, a Igreja encontra-se bastante atrasada no tocante a formação. As pessoas têm
boa vontade, porém não tem capacitação. O ensino, aprendizagem e a habilidade são
requisitos essenciais para que a Igreja caminhe rumo a bons resultados.
59
Para o Pároco, os jovens que estão nas suas casas e na sociedade não são atingidos
pela mensagem da Igreja por causa da linguagem que não está sendo adequada para trazê-los
para Deus.
Segundo Nogueira (2008, p. 44), o crescimento da Igreja acontece quando cada
membro é treinado e está envolvido em um dos programas dela, pois, é o que os líderes que
dela participam desejam. É preciso recrutar, treinar e “conectar” pessoas aos vários
programas. Espera-se que isto garanta o crescimento da Igreja.
Existe uma disparidade entre o gráfico 05, onde diz que a maioria dos pesquisados
estão satisfeitos com a formação e capacitação, e em contra partida o gráfico 11 diz que a
maioria dos pesquisados não se sentem preparados para evangelizar as famílias. Percebemos
com isto a importância de termos um encontro pessoal com Jesus Cristo, e logo após
recebermos formação bíblica e da doutrina dos Apóstolos, para poder assim transmiti-la a
outras pessoas.
8.3 AÇÕES E ESTRATÉGIAS DESENVOLVIDAS NA PARÓQUIA.
As ações e estratégias proferidas pelo Pároco da Paróquia Nossa Senhora Aparecida
tem por finalidade atrair os fiéis a participarem das atividades promovidas pela Paróquia, no
intuito de exercer a missão conferida a Igreja que é de evangelizar. Para isto os lideres das
diversas pastorais e serviços da Paróquia juntamente com o Pároco planejam maneiras de
atingir a todos.
Existem diversas maneiras de buscar chegar aos fiéis, tanto aqueles que
esporadicamente participam das Missas, quanto àqueles que por diversas razões não se sentem
estimulados a freqüentar e assumir compromissos com a Igreja. Para as crianças, existe a
pastoral e o trabalho social que ajuda a alimentar as crianças carentes (multimistura), para os
casais retiros e Encontro de Casais com Cristo, seminário de vida no Espírito Santo
promovido pela Renovação Carismática Católica, para os idosos existe a pastoral da terceira
idade, para os pretendem casar-se existe o curso de noivos, para os indecisos acerca da sua
vocação existe a pastoral vocacional, é realizado festas sociais, visita aos doentes, procissões
em épocas comemorativas, a Paróquia evangeliza através de um site.
Quanto as ações de cunho financeiro, a Paróquia utiliza-se do dinheiro arrecadado
através do dízimo e das ofertas para atender a todas as dispersas existentes e promover através
das estratégias extraídas das reuniões maneiras de evangelizar. Existe uma equipe de
60
voluntários engajados na pastoral do dízimo das comunidades que se deslocam as casas dos
fiéis para recolher o dízimo, enquanto as ofertas são recebidas durante as celebrações.
Diante de todas estas ações e estratégias percebe-se por parte dos agentes que atuam
nas mais variadas atividades da Paróquia extrema boa vontade, porém falta-lhes capacitação
para de maneira planejada, organizada, dirigida e controlada atingir os objetivos traçados pela
Paróquia.
Para o Arcebispo da Paraíba
a Igreja encontra-se bastante atrasada no tocante a formação. As
pessoas têm boa vontade, porém não tem capacitação para exercer
as atividades pastorais, ele diz que corremos o risco de
desperdiçar tempo e frustrar as pessoas. O ensino, aprendizagem e
a habilidade são requisitos essenciais para que a Igreja caminhe
com qualidade (DOM ALDO PAGOTTO).
O planejamento participativo é feito a partir da realidade e da reflexão da Palavra de
Deus e dos ensinamentos da Igreja, do desejo de procurar e fazer a vontade de Deus na
sociedade e na missão evangelizadora, o planejamento participativo permitirá o pensar e
trabalhar juntos, o crescer na espiritualidade, o valorizar a diversidade de dons e serviços, o
superar a improvisação e a rotina, o motivar o surgimento de novas lideranças e um maior
dinamismo pastoral (ORFANO 2004).
Segundo Chiavenato (2000, p.203,204), para que o planejamento e a organização possam
ser eficazes, eles precisam ser dinamizados e complementados pela orientação a ser dada às
pessoas por meio de uma adequada comunicação e habilidade de liderança e de motivação.
8.4 PRINCIPAIS DESAFIOS ENFRENTADOS PELA PARÓQUIA.
Para o Pároco da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, os principais desafios
enfrentados na sua gestão são “a desestruturação familiar provocada pelas separações, o
individualismo provocado pela modernização onde as pessoas se isolam diante de um
computador ou de uma televisão e esquece a importância de viver vida comunitária”.
A Paróquia está instalada na periferia, aonde acontecem muitas vezes assaltos,
amedrontando por sua vez os fiéis a saírem de casa, por causa dos inúmeros atrativos que é
oferecido ao jovem por sua vez terminam se envolvendo com drogas, alcoolismo,
prostituição, distanciando-se assim de Deus e da sua Igreja, nossa linguagem não está
atingindo os jovens e não temos estrutura para irmos ao encontro deles, o fator econômico
61
afasta e inibe as pessoas de irem a Igreja, estrutura física é pequena por esta razão muitos
procuram realizar casamentos em outras Igrejas.
Para Dom Aldo os principais desafios está em atrair aquelas pessoas que se
distanciaram da Igreja por terem de trabalhar o dia inteiro em busca do ganha-pão, outro
desafio é como oferecer segurança para os fiéis, já que a violência se encontra dentro e fora da
Igreja, outro desafio está relacionado a que antigamente os fiéis católicos só recebiam, hoje
eles dão a sua colaboração, para isto precisa justamente os gestores cristãos se capacitarem
para poder treinar e capacitar aqueles que são pró-ativos nas atividades da Igreja.
Conforme Nogueira (2008, p.40), todo padre deveria fazer, também, um bom curso de
administração de empresa, os padres e todos os lideres da igreja devem ter uma boa visão
sobre o que é administrar recursos humanos e materiais. Especialmente hoje em dia, em que
quase tudo é meio parecido em termos tecnológicos, o grande diferencial é o componente
humano. E disso a igreja deveria entender e dar aulas.
Percebe-se a necessidade da capacitação do Pároco, do corpo funcional e de todos os
voluntários que atuam como agentes nas pastorais e demais atividades. Romper com os
preconceitos, comodismo, indiferença torna-se um desafio para atingir um modelo de gestão
que venha atender as necessidades espirituais próprias de uma instituição religiosa e meios de
atingir resultados satisfatórios através de lideranças capacitadas para a missão.
O que foi apresentado e interpretado aqui, através da aplicação dos questionários aos
fiéis da Igreja Nossa Senhora Aparecida no Cristo Redentor, e de entrevista realizada com o
Arcebispo da Paraíba Dom Aldo Pagotto e ao Pároco Luiz, pode-se associar ao conceito de
gestão que, como esclarece Murad (2007, p. 155), é “a competência e a arte para gerenciar
processos e liderar pessoas, em vista da missão de qualquer organização”. Espiritualidade, por
sua vez, é o processo da experiência de fé, pessoal e comunitária, que motiva as ações e
alimenta as convicções mais profundas.
62
9 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Nos tempos modernos torna-se imprescindível a aplicação da gestão por parte da
Igreja Católica, sendo a gestão a arte e a competência de liderar pessoas e de coordenar
processo em vista de realizar a sua missão. O estudo monográfico conseguiu demonstrar um
processo evolutivo com relação a antigos costumes que eram intocáveis e com a modernidade
a Igreja vem, ao passar dos anos, se adequando aos novos modelos de geri-la.
Gradativamente a Igreja Católica vai percebendo o importante papel dos fiéis na ação
evangelizadora, mesmo mantendo-se conservadora e tradicionalista. Isto se deu após o
Concílio Vaticano II, em que aos poucos as Paróquias e as comunidades foram organizando
equipes de trabalhos pastorais, conselhos, coordenações que de modo participativo e
comunitário ajudam nas atividades da Igreja. Esta condição que outrora não existia oferece
aos seus lideres um desafio de rompimento com antigos paradigmas que faziam dos seus fiéis
meros ouvintes da Palavra de Deus, com esta nova primavera na Igreja quem era apenas um
coadjuvante é chamado a ser protagonista em comunhão com Pároco que está à frente da
Paróquia a ele confiada. Esta participação do corpo funcional, bem como de todos os
voluntários que se dispõem a servir necessitam de capacitação que harmonize a
espiritualidade, razão primordial da presença das pessoas na Igreja com a gestão que atua no
como planejar, organizar, dirigir e controlar os recursos humanos e financeiros. A prática da
gestão torna-se também um desafio para o líder cristão no que tange a ruptura com a
centralização das atividades, passando a desempenhar planejamentos participativos onde os
fiéis possam expressar suas opiniões e atuarem como lideres nas diversas frentes de missão da
Paróquia.
O estudo de campo foi de grande profundidade nesta pesquisa, por estar direcionado à
Paróquia Nossa Senhora Aparecida no Cristo Redentor. Foram elaborados questionários e
aplicados aos fiéis, tendo também incluso neste trabalho entrevista com o Arcebispo e o
Pároco da Paróquia com a finalidade de responder a seguinte problemática: qual o modelo de
gestão abordado pela Paróquia Nossa Senhora Aparecida e os seus principais desafios?
Em relação aos dados obtidos nesta pesquisa, percebe-se claramente a importância da
gestão para que haja um bom desempenho das tarefas da Paróquia. O resultado da pesquisa
conseguiu registrar dados favoráveis para aplicação da gestão dentro da Paróquia Nossa
Senhora Aparecida. A maioria daqueles que respondeu ao questionário disse participar de
alguma pastoral e são dizimistas, demonstrando assim o comprometimento com a Igreja,
expressando com isto a importância de capacitá-los para essa missão e o quanto importante
63
são os recursos financeiros para a manutenção e execução das ações e estratégias
evangelizadoras da Paróquia.
A maioria dos fiéis que responderam os questionários tem o ensino médio, ganha 1
salário mínimo, participa de alguma pastoral e são dizimistas. Isto nos faz perceber a abertura
da Igreja Católica aos leigos, condição esta que outrora não existia, haja vista a um
fechamento por aqueles que compunham o clero, contudo nos dias atuais a Igreja busca
paulatinamente meios de como capacitar este capital humano e de como gerir os recursos que
servirão para a execução das atividades da Paróquia.
Encontrou-se um dado preocupante apresentado pelos fiéis que responderam ao
questionário no que tange ao ponto de vista dos paroquianos sobre a gestão da Paróquia, a
maioria está insatisfeita com a prestação de contas dos recursos arrecadados através do
dízimo. Um outro requisito é o desconforto da estrutura física da Paróquia e a necessidade de
um aprimoramento na formação e capacitação dos funcionários para exercerem suas funções e
dos voluntários para atuarem nas pastorais e demais atividades da Igreja.
Nas entrevistas realizadas colocou-se em pauta a importância da gestão na atuação de
todos os membros que assumem atividades dentro da Igreja. Foi pontuada a importância dos
cursos, treinamentos e habilidades da parte dos Padres, secretárias paroquiais e agentes das
pastorais. A gestão de uma Instituição religiosa equipara-se as empresas, diferenciando-se nos
objetivos onde a Igreja tem como missão a evangelização e a empresa tem como meta a
lucratividade. Para uma Paróquia poder desempenhar bem a sua missão faz-se necessário a
espiritualidade em harmonia com os benefícios que o conhecimento e a prática de uma boa
gestão trás como benefícios e a habilidade de planejar ações e estratégias para arrecadar
recursos financeiros para por em prática a missão de evangelizar. Os desafios foram
apresentados como requisitos a serem solucionados através da capacitação para poder através
de uma linguagem clara e simples atingir os diversos públicos que estão dentro e fora da
Igreja.
Para finalizar, é importante ressaltar que o estudo abordou a gestão como subsidio
fundamental em parceria com a espiritualidade, que é a razão maior da presença dos fiéis na
Igreja, para implementar ações e estratégias que consigam atingir os objetivos que a
Instituição almeja alcançar, que é justamente anunciar a Palavra de Deus a toda criatura.
64
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65
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66
APÊNDICE
67
CENTRO UNIVERSITÁRIO DE JOÃO PESSOA – UNIPÊ
CURSO DE ADMINISTRAÇÃO
APÊNDICE – A (Questionário)
Questionário aplicado em uma amostra de 40 fiéis, com o objetivo de identificar o perfil do
corpo funcional e voluntários da Paróquia, verificar também o ponto de vista dos paroquianos
sobre a gestão da Paróquia.
1) Qual o seu grau de escolaridade?
Ensino Fundamental (
) Ensino Médio (
2) Qual a RENDA FAMILIAR?
Menos de 1 salário ( ) 1 salário mínimo (
salários mínimos (
)
)
Ensino Superior (
)
)
2 salários mínimos (
nenhum (
)
)
mais de 5
3) Você participa de alguma pastoral da Paróquia?
SIM (
) NÃO (
)
4) A formação oferecida pelas pastorais aos paroquianos é:
Ruim ( ) boa ( ) regular ( ) ótima (
)
5) Você é dizimista da Paróquia Nossa Senhora Aparecida?
SIM (
) NÃO (
) Por quê?__________________________________________
6) Você está satisfeito com a prestação de contas da Pastoral do Dízimo?
Muito ( ) pouco ( ) regular ( )
7) A estrutura da Igreja oferece conforto aos paroquianos?
SIM (
) NÃO (
) o que falta?_________________________________________
8) Você recebe um bom atendimento quando necessita dos serviços da Paróquia?
SIM (
) NÃO (
) por quê?____________________________________________
9) O que você acha da atuação do seu Pároco?
Ruim ( ) Boa ( ) regular ( ) Ótima (
)
10) A sua família já foi visitada por alguns dos frades da paróquia Nossa Senhora Aparecida?
SIM ( ) NÃO ( ) algumas vezes (
)
11) Os frades oferecem formação através de estudo bíblico e capacitação para assumir as
pastorais?
SIM ( ) NÃO ( )
As Vezes ( )
12) Você se sente preparado como paroquiano para evangelizar as famílias da sua paróquia?
SIM ( ) NÃO ( ) Porque?__________________________________________
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CENTRO UNIVERSITÁRIO DE JOÃO PESSOA – UNIPÊ
CURSO DE ADMINISTRAÇÃO
APÊNDICE B – Roteiro da Entrevista
ENTREVISTA COM O PÁROCO
1) Frei Luiz, quais são os desafios enfrentados pelo Sr. na gestão da Paróquia Nossa
Senhora Aparecida?
2) Que estratégica a Paróquia utiliza-se para arrecadar recursos financeiros, em que é
investido e se existe mensalmente uma prestação de contas disponível aos
paroquianos?
3) Os líderes das pastorais receberam formação para exercerem tais funções?
4) Como um líder cristão trabalhar com o poder de gerir a Igreja e o que ele faz para
não centralizar tudo em si?
5) Quais os projetos para melhorar a estrutura da Paróquia?
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CURSO DE ADMINISTRAÇÃO
APÊNDICE C – Roteiro da Entrevista (com o Arcebispo da Paraíba)
ENTREVISTA COM DOM ALDO PAGOTTO
1) Qual o modelo de gestão e os seus desafios enfrentados pela Igreja Católica?
2) Como um líder cristão trabalhar com o poder de gerir a Igreja e o que ele faz para
não centralizar tudo em si?
3) O que a Igreja faz para animar e profissionalizar os membros das Pastorais?
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os novos desafios no modelo de gestão da paróquia nossa