12 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE JOÃO PESSOA – UNIPÊ PRÓ-REITORIA DE ENSINO DE GRADUAÇÃO COORDENAÇÃO DO CURSO DE ADMINISTRAÇÃO ANTONIO VICENTE PEREIRA NETO OS NOVOS DESAFIOS NO MODELO DE GESTÃO DA PARÓQUIA NOSSA SENHORA APARECIDA João Pessoa – PB 2008 13 ANTONIO VICENTE PEREIRA NETO OS NOVOS DESAFIOS NO MODELO DE GESTÃO DA PARÓQUIA NOSSA SENHORA APARECIDA Monografia apresentada ao Centro Universitário de João Pessoa – UNIPÊ, como requisito parcial para a obtenção do título de Bacharel em Administração. Orientador: Ms. Márcio Reinaldo de Lucena Ferreira João Pessoa/PB 2008 14 Cutter: P 436n Pereira Neto, Antonio Vicente. Os novos desafios no modelo de gestão da Paróquia Nossa Senhora Aparecida / Antonio Vicente Pereira Neto. João Pessoa, 2008. 71f. Monografia (Curso de Administração) – Centro Universitário de João Pessoa - UNIPÊ 1. Gestão. 2. Gestão Paroquial. 3. Igreja Católica. I. Título. UNIPÊ / BC CDU – 658: 2 15 ANTONIO VICENTE PEREIRA NETO OS NOVOS DESAFIOS NO MODELO DE GESTÃO DA PARÓQUIA NOSSA SENHORA APARECIDA Monografia apresentada ao Centro Universitário de João pessoa –UNIPÊ, como requisito parcial para a obtenção do título de Bacharel em Administração. Aprovada em............/......../............... BANCA EXAMINADORA _______________________________________ Professor Ms. Márcio Reinaldo de Lucena Ferreira Orientador - UNIPÊ _______________________________________ Professora Ms. Ilka Maria Soares Campos Examinadora - UNIPÊ _______________________________________ Professora Ms. Carolina Barroca da Rocha Examinadora - UNIPÊ 16 Dedico este trabalho a Deus por sempre Se fazer presente na minha história, me capacitando a fazer a Sua vontade e de nunca desistir dos meus ideais. A minha esposa Isabel Cristina (in memorian), por ter sido o meu amor, amiga, companheira, conselheira, aquela com quem aprendi a ser um melhor filho, esposo, pai, amigo e cristão. DEDICO 17 AGRADECIMENTO A Deus minha eterna gratidão por ter preservado a minha vida, não permitindo que eu morresse afogado naquele açude, e logo após pude experimentar através da sagrada escritura o seu imenso amor por mim. Este encontro contigo tornou-me convicto da tua existência e de que o Senhor está sempre conosco nos momentos mais felizes e de extrema angústia. Muito obrigado por nunca desistires de todos nós que somos teus filhos. A Nossa Senhora, por sempre se fazer presente pedindo a Jesus para que não faltasse o vinho da sabedoria, paciência, da paz e da certeza de chegar ao fim da vivência acadêmica um homem mais maduro e capacitado a enfrentar os desafios da vida. A meu pai, Rafael Cavalcante do Santos, que me ensinou com a sua humildade e o seu silêncio, a ser mais humano e prudente no relacionamento com as pessoas. A minha mãe, Maria Lusimar Alves Cavalcante a minha eterna gratidão por ter me conduzido à casa de Deus onde pude aprender a ser cristão e a amar sua Igreja. A ambos, o meu amor e gratidão por me ajudarem a educar o meu filho e a concluir este curso superior. A minha inesquecível esposa Isabel Cristina Fragoso Pereira (in memorian), por ter sido o grande amor que conquistou o meu coração. Inesquecíveis foram os momentos que passamos juntos, vivenciando uma História de Amor. Trilhamos por caminhos intensos, que nos fizeram na alegria e na dor sentir o quanto é gratificante viver o amor. Torrentes vieram querendo nos abalar, mas nada apagou a chama de um amor selado no altar. Ao meu filho, que desde o ventre de sua mãe (Isabel) foi consagrado a Nossa Senhora, a ser inteiramente do senhor seu Deus, a ele e a sua mãe eu dedico esta vitória de ter cursado faculdade e ter superado tantas dificuldades e conquistado tantas alegrias. As minhas irmãs Ana Lígia e Maria das Graças por estarem sempre presentes em minha vida, ajudando-me a transmitir a meu filho os valores recebidos dos nossos pais. Aos meus parentes que, me apoiaram através de palavras de motivação a buscar sempre o sucesso acadêmico. 18 Ao professor Márcio Reinaldo de Lucena Ferreira, que de forma responsável e dedicada, orientou-me neste trabalho que requer muita dedicação e incentivo. Sem esquecer da majestosa professora Maria Nilza Barbosa, que sempre a chamei de santa pelo seu jeito terno de se relacionar com cada aluno que a procurava no intuito de desfrutar da correção e criação dos nossos trabalhos. Aos colegas de sala de aula que, me ajudaram a viver um tempo novo, repleto de ideais a serem conquistados. Um agradecimento especial a Gláucia, Simone, Diego, Adjane, Fábio, Marcos, Vinicius, Lucas, Milena, Luciana, Loiseane, Mariana, que sempre estiveram presentes durante todo período acadêmico como bons amigos e motivando-me a superar os meus limites. 19 “O gestor, diante dos sucessos ou dos fracassos, afirma, na oração, a cada dia, que Deus é o Senhor da história do mundo, da história da instituição, da história de cada um.” (Afonso Murad) 20 PEREIRA NETO, Antonio Vicente. OS NOVOS DESAFIOS NO MODELO DE GESTÃO DA PARÓQUIA NOSSA SENHORA APARECIDA. 2008.2. 71f. Monografia (Graduação em Administração) Centro Universitário de João Pessoa – UNIPÊ. RESUMO A Gestão vem paulatinamente ocupando espaços nas instituições religiosas, inclusive dentro da Igreja Católica. Existia no passado uma aversão por parte da Igreja acerca da gestão, por ela ser aplicada às empresas com fins lucrativos, achava-se que era só esta a sua finalidade. Ao perceber que a gestão é a arte e a competência de liderar o que há de mais importante para a Igreja que é o capital humano e logo após o gerenciar processos em vista de cumprir a sua missão, ela começou a aderir os seus conceitos que são úteis para qualquer organização. Percebem-se ainda muitas restrições daqueles que lideram a Igreja em capacitar os seus fiéis através de cursos e treinamentos, são estes que se colocam a disposição de assumir compromisso nas pastorais, para isto precisam sair do amadorismo para desempenhar com habilidade e espiritualidade as atividades próprias da Igreja. Assim nessa pesquisa foi realizado um estudo para analisar o modelo de gestão da Paróquia Nossa Senhora Aparecida e os seus novos desafios. Foi utilizado no presente estudo uma abordagem quali-quantitativa de cunho exploratório com aplicação de questionários com os paroquianos e entrevista com o Bispo e o Pároco. Os resultados indicam que os paroquianos participam ativamente das pastorais contribuindo com o dízimo embora haja insatisfação com a transparência na prestação de contas e estrutura física da Paróquia. Palavras-chave: Gestão. Gestão Paroquial. Igreja Católica. . 21 PEREIRA NETO, Antonio Vicente. THE NEW CHALLENGES IN THE MODEL OF ADMINISTRATION OF OUR PARISH APPEARED LADY. 2008.2. 71f. Monograph (Graduation in Administration) Center Academical of João Pessoa - UNIPÊ. ABSTRACT The Administration is occupying spaces in the religious institutions gradually, besides inside of the Catholic Church. It existed in the past an aversion on the part of the Church concerning the administration, for her to be applied to the companies with lucrative ends, it was that was only this his purpose. When noticing that the administration is the art and the competence of leading what there is of more important to the Church than it is the human capital and soon after managing processes in view of accomplishing her mission, she began to adhere their concepts that are useful for any organization. They are still noticed a lot of restrictions of those that lead the Church in qualifying their followers through courses and trainings, they are these that they are put the disposition of assuming commitment in the pastorals, for this need to leave the amateurism to carry out with ability and spirituality the own activities of the Church. Like this in that research a study was accomplished to analyze the model of administration of Our Parish appeared lady and their new challenges. It was used in the present study a qualitative-quantitative approach of exploratory stamp with application of questionnaires with the parishioners and interview with the Bishop and the Parish priest. The results indicate that the parishioners participate actively of the pastorals contributing with the tithe although there is dissatisfaction with the transparency in the accounts rendered and structure physics of the Parish. Keyword: Administration. Parochial administration. Catholic church. 22 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1: Grau de escolaridade dos fiéis da Paróquia Nossa Senhora Aparecida Gráfico 2: Renda familiar dos fiéis da Paróquia Gráfico 3: Participação dos fiéis nas pastorais Gráfico 4: Dizimistas da Paróquia Gráfico 5: Formação e capacitação dos fiéis para assumirem as pastorais Gráfico 6: Prestação de contas da pastoral do dízimo Gráfico 7: Oferece conforto a estrutura da Paróquia Gráfico 8: Você recebe um bom atendimento dos fiéis Gráfico 9: Atuação do Pároco Gráfico 10: Famílias visitadas pelos Frades Gráfico 11: Os fiéis sentem-se capacitados para evangelizar as famílias Gráfico 12: Formação oferecida pelas pastorais 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 58 LISTA DE FIGURAS Figura 1: Paróquia Nossa Senhora da Aparecida 46 23 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO 12 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2.1 EVOLUÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO 2.2 CONCEITOS DE ADMINISTRAÇÃO 2.3 CONCEITOS DE GESTÃO 2.4 FUNÇÕES DA ADMINISTRAÇÃO 2.4.1 Planejamento 2.4.2 Organização 2.4.3 Direção 2.4.4 Controle 2.5 ADMINISTRAÇÃO DE ORGANIZAÇÕES SEM FINS LUCRATIVOS 14 14 17 18 19 19 21 21 22 23 3 HISTÓRIA DA IGREJA 3.1 A VERDADEIRA HISTÓRIA DE JESUS 3.2 GESTÃO EM JERUSALÉM 3.3 PRIMEIRAS COMUNIDADES CRISTÃS 3.4 FECUNDIDADE CRISTÃ DOS MÁRTIRES 3.5 PAULO-GRANDE LÍDER DO CRISTIANISMO 3.6 OFICIALIZAÇÃO DO CRISTIANISMO 25 25 27 29 30 31 32 4 GESTÃO PAROQUIAL 4.1 GESTÃO DE PESSOAS NA IGREJA 4.2 PLANEJAR COM PARTICIPAÇÃO 4.3 GESTÃO DA MUDANÇA 34 35 36 37 5 O MARKETING APLICADO À IGREJA CATÓLICA 40 6 GESTÃO FINANCEIRA DA PARÓQUIA 42 7 METODOLOGIA DA PESQUISA 7.1 CARACTERIZAÇÃO DO ESTUDO 7.2 PROBLEMATIZAÇÃO 7.3 OBJETIVOS 7.3.1 Objetivo Geral 7.3.2 Objetivos Específicos 7.4 CAMPO EMPÍRICO 7.5 UNIVERSO E AMOSTRA 7.6 INSTRUMENTO DE COLETA E TRATAMENTO DOS DADOS 44 44 45 45 45 45 46 47 47 8 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS 8.1 O PERFIL DO CORPO FUNCIONAL E VOLUNTÁRIO DA PARÓQUIA NOSSA SENHORA APARECIDA 8.2 O PONTO DE VISTA DOS PAROQUIANOS SOBRE A GESTÃO DA PARÓQUIA 8.3 AÇÕES E ESTRATÉGIAS DESENVOLVIDAS NA PARÓQUIA 8.4 PRINCIPAIS DESAFIOS ENFRENTADOS PELA PARÓQUIA 48 48 52 59 60 24 9 CONSIDERAÇÕES FINAIS 62 REFERÊNCIAS 64 APÊNDICE 67 12 1 INTRODUÇÃO A competitividade do mercado consumidor cada vez maior faz com que cada instituição ou empresa perceba a importância de uma gestão que se volte não apenas para os lucros da empresa, mas que no contexto da gestão abra espaço para adoção de fatores que nem sempre ocorrem de maneira simples dentro da organização. Segundo Drucker (apud MURAD 2007, p.20) “não se administram somente negócios. A primeira aplicação prática da teoria da administração ocorreu em instituições sem fins lucrativos e agências governamentais no início do século XX”. Muitos conceitos da ciência Administração foram resultados de pesquisas realizadas junto às instituições religiosas, que serviram de modelo para o desenvolvimento dos estudos da Administração, assim como as instituições militares. Percebe-se nas empresas comerciais a busca constante em profissionalizar os seus colaboradores oferecendo-lhes todos os recursos necessários para atingirem o resultado almejado que é o lucro, em contrapartida existe uma carência enorme em oferecer qualidade de vida aos seus clientes, colaboradores e a si mesma. As empresas com fins lucrativos perceberam que não se admitem mais permanecer com o modelo de produção maquinal, o qual reduz as pessoas a se assemelharem as máquinas, por este motivo indaga-se como unir a espiritualidade que é uma necessidade intrínseca do homem e o que fazer para promover um equilíbrio entre a qualificação profissional e os valores que regem a vida do ser humano. A Igreja nasceu de uma experiência espiritual explícita e visa difundir o evangelho a toda criatura, tem-se o propósito de fazer inflamar a semente da fé que está de forma intrínseca contida na vida do individuo. Para se atingir as respostas que todos esperam obter e conquistar e desta forma conquistar de maneira voluntária os fiéis para os serviços diversos existentes na Igreja, é necessário desempenhar esforços que capacitem os mesmos a se profissionalizarem nas tarefas a eles delegadas (MURAD, 2006). Os primeiros convocados a abraçarem estas transformações são justamente os gestores cristãos que trazem consigo a missão de governar, ensinar e pastorear e que carregam uma bagagem de experiência profunda no tocante à espiritualidade e formação religiosa adquirida durante anos de vida no seminário, porém no que se refere a decisões cruciais exigidas dos mesmos referentes a conhecimentos acadêmicos na área de administração e de tomadas de decisões coesas e bem planejadas, organizadas, dirigidas e controladas, se sentem inseguros por não serem detentores deste saber profissional que contribui no ato de gerir com 13 profissionalismo e espiritualidade os recursos humanos e materiais existentes na instituição religiosa. Este desafio requer dos líderes decisão para poder romper com os paradigmas existentes, e sendo assim abrir novos horizontes a descobertas que até então lhes eram desconhecidas. Este ato de busca constante em se adaptar as realidades dos tempos modernos sem ferir os princípios fundamentais que rege a instituição, ajudará aos seus gestores a orientarem com qualificação profissional e espiritual todos os seus funcionários e voluntários que se dispõe a servir a Igreja em suas pastorais e nas atividades que lhes são apresentadas. Para que esta mudança aconteça os líderes cristãos precisam estar motivados para enfrentarem este novo desafio e mediante esta empolgação inicial levarem os seus colaboradores a se motivarem e abraçarem esta causa que é nobre. A formação adentra neste contexto como requisito fundamental para que se possa realizar uma boa prestação de serviço a comunidade, tudo isto é possível à medida que se tomar consciência da missão dentro da instituição que é a de evangelizar. A presente pesquisa procura discutir alguns elementos relacionados ao modelo de gestão abordado pela Paróquia Nossa Senhora Aparecida e os seus principais desafios. A proposta deste estudo é analisar o modelo de gestão da Paróquia Nossa Senhora Aparecida e os seus novos desafios. Buscou-se, então, apoio conceitual nas teorias da gestão, gestão paroquial e na Igreja Católica. Conhecer e compreender alguns fatores do comportamento dos fiéis da Paróquia Nossa Senhora Aparecida e a forma de gestão do Pároco facilita a descoberta de formas mais efetivas de buscar métodos para atingir com sucesso a missão de evangelizar todas as pessoas. Desse modo, a Paróquia Nossa Senhora Aparecida estará contribuindo para que haja mais capacitação por parte de todos os profissionais e voluntários que se dispõem a serviço da Igreja, não deixando assim de priorizar a espiritualidade que é a grande motivadora no processo da evangelização. O trabalho está distribuído em nove partes, começando pela introdução, a segunda parte trata da evolução da administração, já a terceira parte mostra a história da igreja, na quarta parte falamos sobre gestão paroquial, na quinta parte tratamos do marketing aplicado à igreja católica, e encerramos a fundamentação teórica abordando a gestão financeira da paróquia. Já a sétima parte tratou da metodologia da pesquisa, na oitava parte apresentamos a análise dos dados e por último as considerações finais. 14 2 FUNDAMENTAÇÃO TEORICA São tratados neste capítulo evolução da admistração, funções da administração, conceitos de administração e gestão, administração sem fins lucrativos, história da igreja, gestão paroquial, o marketing aplicado à igreja católica, gestão financeira da paróquia. Esses conteúdos serão estratégicos, servindo para subsidiar as análises e considerações realizadas. 2.1 EVOLUÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO A história da Administração conta com uma contribuição expressiva da Igreja Católica ao longo do tempo, ela na idade média recebeu do estado romano e ateniense as normas administrativas e os princípios de organização pública que lhes foram concedidos lentamente, pois os propósitos da Igreja diferenciavam-se dos objetivos trilhados pelo estado. A Igreja Católica como organização se estruturou sobre uma hierarquia de autoridade que movida por uma assessoria e uma coordenação funcional fez com que assegurasse sua integração. A administração percebe a simplicidade da organização hierárquica da igreja, haja vista ela ser comandada mundialmente por um líder, o Papa que tem autoridade de governá-la com a assistência dos Bispos que compõem o Colégio Episcopal. A estrutura da organização eclesiástica serviu de modelo para as diversas organizações (CHIAVENATO, 2000). A Revolução Industrial está fundamentada em uma transformação gigantesca no tocante à realidade cultural, em que a sociedade vivia economicamente da agricultura utilizando-se de recursos arcaicos e movidos pelo sistema feudal, por esta razão pairava um preconceito enorme acerca das aplicações das ciências. Neste período as empresas eram domiciliares, não se passava na mente dos que trabalhavam a idéia de divisão de trabalho e a produção que existia era fruto do trabalho manual dos artesãos. O artesão e o homem que vivia na zona rural presenciaram e se submeteram a atender uma mudança que até então lhes eram desconhecidas, surge com a primeira Revolução Industrial os detentores do capital industrial. A primeira Revolução Industrial (1780/1840) foi uma profunda transformação econômica e social. O homem do campo e o antigo artesão, destituídos de qualquer coisa além de sua força de trabalho, passaram a vendê-la ao novo capitalista industrial, além disso, os meios de produção e o próprio resultado dela não mais pertenciam ao antigo trabalhador autônomo e pequeno proprietário. 15 Com esta grande explosão que aconteceu nos fins do século XVIII apareceram várias inovações: surgimento de fábricas, manuseios de máquinas, grande quantidade de pessoas trabalhando nas empresas gerando uma redução considerável nos custos de produção, larga escala de produção sendo distribuídas para mercados maiores e mais distante fazendo inflamar disputas por mercados, a rede de transportes foi ampliada possibilitando o estreitamento nas comunicações, a economia deixou de ter uma base artesanal e manufatureira para se firmar na produção industrial e mecanizada. Diante desta evolução há necessidades de um aprofundamento acerca de tudo que está acontecendo. Frederick Taylor, precursor da teoria da Administração Científica, fez crescer os estudos relacionados a técnicas de racionalização do trabalho do operário. Foi a partir de Taylor que começou a utilizar-se da divisão do trabalho. Em 1911 Taylor publicou um estudo elaborado (Principles of scientic management), a partir de sua experiência em fábrica, generalizando-a como um modelo para a prática da Administração. A característica mais marcante do estudo de Taylor é a busca de uma organização científica do trabalho, enfatizando tempos e métodos e por isso é visto como precursor da teoria da Administração Científica. (FERREIRA; REIS; PEREIRA, 1997 p. 15) Conforme Fayol (apud MAXIMIANO 2000, p. 60) a administração é uma atividade comum a todos os empreendimentos humanos (família, negócios, governo), que sempre Taylor por adotar um estudo baseado nos tempos e métodos que fez com que os empregados trabalhassem sobre o impulso de quanto maior for a quantidade de peças produzidas maior será o seu ganho, isto no intuito de motivá-los a produzir e conseqüentemente oferecer maior lucratividade as organizações. Os trabalhadores eram diferenciados pela sua capacidade de produção, onde o que produzisse mais era considerado o melhor fazendo com que os que produzissem menos fossem eliminado do chão de fábrica. Para Kwasnicka (1995, p.28) até este ponto se poderia ter a impressão de que a administração científica foi principalmente planejada como um esquema para obter o máximo esforço do trabalhador, ou um sistema de métodos eficientes de fábricas. Não havia por parte de Taylor nenhuma preocupação com os funcionários referentes a aspectos psicológicos e humanísticos, por este motivo foi gerado problemas humanos que de alguma forma deveria ser eliminado. Dentro deste contexto surge a figura de Henry Laurence Gaantt, discípulo de Taylor que trás consigo uma preocupação com aspectos psicológicos e humanos dentro da produtividade, com isto ele elabora um plano salarial e de incentivos e o outro um gráfico de distribuição de carga de trabalho. 16 De acordo com Henry Gantt (apud MAXIMIANO 2000, p.57) que criou o gráfico de Gantt ou cronograma. Gantt era um humanista, preocupado com o bem-estar dos trabalhadores. Ele foi também um dos criadores do treinamento profissionalizante. Henri Fayol inicia as suas atividades nos níveis organizacionais de cúpula administrativa, buscando uma definição das responsabilidades em todos os níveis organizacionais. Ele tornou-se um dos principais contribuintes do conhecimento administrativo moderno. Fayol foi o primeiro a considerar a administração como uma função separada das demais funções existentes nas empresas, com isto cria-se um paradigma que vem a contribuir dentro das organizações no que se refere ao trabalho dos gerentes como distintos das operações técnicas das organizações, gerando assim uma unidade do comando, na responsabilidade e na autoridade. Fayol nos ensina que é possível formar administradores e criar o ensino formal de administração. Segundo Kwasnicka (1995, p.29) Fayol estava principalmente preocupado com a função administrativa da direção, pois sentia que a habilidade administrativa era a mais importante que se requeria da direção da companhia. Como resultado, conclui que há uma necessidade definida e uma possibilidade de ensinar administração. Tendo no comando os gerentes, os colaboradores das empresas sentem a necessidade de saber o que fazer, vendo que existe alguém que tem a responsabilidade de delegar as tarefas a serem exercidas pelos seus comandados. Por sua vez cabe também aos gerentes o compromisso de cuidar dos requisitos referentes tomarem decisões, estabelecer metas, combater a burocracia, regulamentos e papeladas. Conforme Maximiano (2000, p.60) O trabalho do dirigente consiste em tomar decisões, estabelecer metas, definirem diretrizes e atribuir responsabilidades aos integrantes da organização, de modo que as atividades de planejar, organizar, comandar coordenar e controlar estejam numa seqüência lógica. A teoria administrativa nasce dentro de um índice alarmante de desemprego, devido a crise de 29 que conta com três grandes escolas: Relações Humanas, Ciências do Comportamento e Pesquisa Operacional. As Relações Humanas se fez necessária por causa de uma dramática revolução no que produzir e como produzir. A Revolução Industrial foi a grande propulsora no que se refere a tecnologia e também as relações humanas, as pessoas tornaram-se mais dependentes uma das 17 outras e difíceis de trabalharem juntas. A especialização trouxe aos empregados desânimo, tédio e a perda de valores no tocante a conscientização do empregado relacionado ao seu devido valor dentro da organização. Uma desvantagem considerável dentro da especialização é a perda da originalidade e da iniciativa por parte dos funcionários. A comunicação ficou também comprometida com a Revolução Industrial por causa do crescimento do tamanho das organizações, fazendo com que a burocratização assumisse um papel relevante impedindo uma interação maior entre os gerentes e os subordinados. Para Kwasnicka (1995, p.33) O homem médio gasta aproximadamente um terço de suas horas diárias no emprego. Se este emprego não é satisfatório, ele pode ficar frustrado e os resultados são dispendiosos tanto para ele mesmo como para o seu empregador. Um empregado infeliz transporta sua infelicidade para sua família e para a comunidade. As empresas continuam na busca constante por uma maior eficiência, rever justamente a necessidade de reconsiderar os anseios referentes aos elementos humanos na organização. Mediante as exigências existentes, teve-se que colocar em prática a humanização dos conceitos administrativos para com isto fazer acontecer uma ação conjunta entre fatores humano e material. Elton Mayo foi um dos pioneiros a perceber a necessidade de falar a respeito da natureza humana, ele foi considerado um dos fundadores da escola de relações humanas da filosofia da administração. Mayo tinha o hábito de ouvir e conversar com os funcionários da empresa, esta atitude servia como um dos fatores estimulantes no aumento da produtividade realizada pelo empregados ( KWASNICKA, 1995). 2.2 CONCEITOS DE ADMINISTRAÇÃO É fascinante abordar um assunto que reúne diferentes perspectivas. Trilhando pelo caminho da administração que se faz presente em todas as organizações com fins lucrativos e sem fins lucrativos. Garimpando o conceito da administração se detecta afirmações diversas que ajuda a compreender o que está por trás do desempenho de todos os tipos de organizações. 18 Para Maximiano (2000, p.26) Administração significa, em primeiro lugar, ação. A administração é um processo de tomar decisões e realizar ações que compreende quatro processos principais interligados: planejamento, organização, execução e controle. Dentre tantos recursos existentes no panorama das organizações, existe aquele que assume um requisito de extrema relevância para a área de administração, me refiro ao patrimônio humano, que inserido nas organizações ao longo da história faz com que as metas sejam alcançadas por intermédio das estratégias elaboradas pelos gestores e a ação operacional daqueles que colabora com a construção das idéias. Conforme Drucker (apud MURAD, 2007, p.6) a Administração é simplesmente o processo de tomada de decisão e o controle sobre as ações dos indivíduos para o expresso propósito de alcance de metas predeterminadas. Para George Terry (apud SILVA 2005, p.6) administração é um processo distinto, que consiste no planejamento, organização, atuação e controle para determinar e alcançar os objetivos da organização pelo uso de pessoas e recursos. A administração é também conceituada como aquela que lida com a forma correta de utilizar os recursos existentes nas organizações. O uso de todos os recursos existentes, tanto materiais como humanos sendo aplicados dentro do conceito do PODC (planejar, organizar, dirigir e controlar) faz com que a empresa atinja os seus objetivos. De acordo com Chiavenato (1999, p.6) A administração constitui a maneira de utilizar os diversos recursos organizacionais – humanos, materiais, financeiros, de informação e tecnologia – para alcançar objetivos e atingir elevado desempenho. Administração é o processo de planejar, organizar, dirigir e controlar o uso dos recursos organizacionais para alcançar determinados objetivos de maneira eficiente e eficaz. 2.3 CONCEITOS DE GESTÃO As empresas modernas descobriram que os talentos humanos logo após a sua marca e imagem representam sua principal riqueza. A gestão contribui para a realização de um bom desempenho daqueles que compõem a organização, isto por intermédio de líderes que movidos pelas suas capacidades profissionais conduz os liderados a por em prática a missão da organização. 19 Segundo Murad (2007, p 71), gestão é a habilidade e a arte de liderar pessoas e coordenar processos, a fim de realizar a missão de qualquer organização. O termo “gestão” é a tradução atualizada da palavra inglesa management. No Brasil, durante muito tempo utilizou-se a palavra administração no lugar de gestão, por esta razão criou-se uma desvantagem por aludir ao patrimônio físico e monetário. Afinal, qual é a diferença entre administração e gestão? Ambas as palavras tem origem latina, gerere e administrare. Gerere significa conduzir, dirigir ou governar. Administrare tem aplicação específica no sentido de gerir um bem, defendendo os interesses dos que o possuem (FERREIRA; REIS, PEREIRA;1997 p 6). 2.4 FUNÇÕES DA ADMINISTRAÇÃO A administração está fundamentada em quatro pilares, que tem como finalidade subsidiar o administrador no processo de tomada de decisão. Estas funções básicas do administrador são: o planejamento, a organização, a direção e o controle. 2.4.1 Planejamento Qualquer organização que tenha fins econômicos ou mesmo aquelas que não tem fins lucrativos, é primordial conhecer e aplicar o conceito referente ao ato de planejar o que fazer e como fazer para atingir o que deseja a organização. De acordo com Kwasnicka (1995, p. 168), planejamento é tanto uma necessidade organizacional como uma responsabilidade administrativa. O planejamento é considerado a função principal em todas as atividades realizadas. Há necessidade de elaborarmos um planejamento para poder melhor desempenhar as tarefas que nos são apresentadas, haja vista as frustrações que muitos passam por não traçarem os objetivos e quais as estratégias para obter bons resultados. Segundo Chiavenato (2000, p 195) as organizações não trabalham na base da improvisação. Quase tudo nelas é planejado antecipadamente. O planejamento figura como a primeira função administrativa, por ser aquela que serve de base para as demais funções. Já para Kwasnicka (1995, p.168) o planejamento ocorre em todos os tipos de atividades. É o processo básico pelo qual se decide quais são os objetivos e como iremos atingi-los. 20 Um outro requisito de extrema relevância no tocante ao planejamento é definir um conjunto de objetivos, sendo assim o planejamento não correrá riscos de sofrer fracassos ao longo do processo. A administração necessita basicamente destes objetivos bem definidos, pois são subsídios que oferecem estrutura para a organização. Estas explanações são vitais em todas as organizações que desejam se manter firmes no caminho que estão trilhando e almejando chegar. Segundo Kwasnicka (1995, p.176) qualquer empresa com alguma chance de ter sucesso deve conhecer quais as áreas de maior possibilidade de obter esse sucesso. Estabelecer os objetivos tornou-se o ponto de partida do planejamento, fixar os objetivos oferece a condição de se saber onde deseja chegar e poder assim saber como chegar até o lugar almejado, para isto é apresentado uma hierarquia de objetivos que colaborará no planejamento da organização. Para Chiavenato (2000, p. 196) os objetivos das organizações podem ser visualizados em uma hierarquia que vai desde os objetivos globais da organização (no topo da hierarquia) até os objetivos operativos ou operacionais que envolvem simples instruções para a rotina cotidiana (na base da hierarquia). Além dos objetivos que a organização necessita definir para alcançar êxito nas suas tomadas de decisões, é de fundamental relevância aplicar três níveis distintos de planejamento, são eles: o estratégico, tático e o operacional. O planejamento estratégico é o planejamento que tem uma amplitude maior e consequentemente abrange toda a organização. Ele é projetado a longo prazo, com isto os seus efeitos são detectados anos depois. O estratégico envolve toda o organização e quem toma as decisões é a cúpula. O planejamento estático abrange a esfera departamental, ele é programado para ser executado num médio prazo. Os departamentos são os favorecidos com este tipo de planejamento. Já o planejamento funcional busca atender cada atividade de uma maneira específica e em curto prazo no intuito de solucioná-los com rapidez. Conforme Chiavenato (2000, p.198) além da hierarquia de objetivos, existe também uma hierarquia do planejamento. Neste sentido, existem três níveis distintos de planejamento: o planejamento estratégico, o tático e o operacional. O planejamento estratégico é mais amplo e abrange toda organização, tendo por características ser um projeto em longo prazo, toda a empresa é envolvida desde seus recursos e atividades, tendo como objetivo atingir o nível organizacional, estes procedimentos é executado pela cúpula da organização assumindo assim o plano de maior relevância onde todos os demais lhes são subordinado. 21 O planejamento tático é aquele que abrange cada departamento sendo planejado para o período anual da organização. Este tipo de planejamento e definido no nível intermediário em cada departamento da empresa. O planejamento operacional abrange as tarefas ou atividades especificas tendo como principais características ser projetado para o curto prazo envolve tarefa isoladamente e tem como preocupação atingir metas especificas estando no nível operacional (CHIAVENATO, P.198 e 199). 2.4.2 Organização Encontra-se mais de um significado para a palavra organização, isto contribui para que se defina melhor o que deve ser feito logo após o planejamento elaborado pela organização. O primeiro sentido para organização é entendê-la como uma entidade social administrada para objetivos especiais e bem estruturado. Com isto, percebe-se que ela é formada por pessoas e tem por finalidade obter resultados que gerem lucros as empresas no geral ou serve também para satisfazer a sociedade de uma forma geral, para isto requer uma divisão de trabalho onde os membros da organização possam melhor desenvolver seus trabalhos. Dentro deste contexto, a palavra organização serve para atingir os objetivos desejados por todos os empreendimentos implantados por qualquer pessoa. Segundo Chiavenato (2000, p. 201), a palavra organização significa qualquer empreendimento humano moldado intencionalmente para atingir determinados objetivos. Essa definição é aplicável a todos os tipos de organizações, sejam elas lucrativas ou não, como empresas, bancos, financeiras, hospitais, clubes, igrejas etc. Inseridos na definição de organização pode-se visualizar dois aspectos diferentes: organização formal e a organização informal. A formal é planejada e definida na representação gráfica da estrutura de uma organização. Enquanto que, a informal lida de maneira espontânea entre as pessoas que estão ligadas a cargos na organização formal. 2.4.3 Direção Tendo em vista que o planejamento está bem definido e que a organização já se encontra estabelecida, a direção assume a dianteira para fazer as coisas andarem e acontecer. Percebe-se com isto que dentro da organização o papel da direção é, por intermédio da ação, fazer com que os recursos humanos da empresa atuem para obtenção de bons resultados. 22 Existe um individuo ou grupo que assume a responsabilidade de tomar decisão sobre uma pessoa ou um grupo de colaboradores, eles são aqueles que exercem poder e autoridade, requisitos fundamentais para o bom andamento da direção. Para kwasnicka (1995, p.201) Conceituamos essas duas características da atividade de direção, podemos dizer que o poder é a capacidade de pessoas ou grupos de impor seus desejos sobre os outros, independentemente de sua resistência ou aceitação. Já a autoridade é o poder legitimado. Essa legitimação é dada, geralmente, pela estrutura organizacional. Faz-se necessário uma boa comunicação entre os que detém poder e autoridade, e aqueles que recebem as devidas informações para que se execute o que foi planejado e organizado, para isto o líder precisa de habilidade e de motivação para conduzir os seus subordinados. Estas normas são aplicadas em qualquer nível da organização e exige dos administradores aplicarem treinamentos, conduzirem e motivarem as pessoas para que se obtenham os resultados esperados delas. Segundo Chiavenato (2000, p.203,204), para que o planejamento e a organização possam ser eficazes, eles precisam ser dinamizados e complementados pela orientação a ser dada às pessoas por meio de uma adequada comunicação e habilidade de liderança e de motivação. 2.4.4 Controle O controle é de fundamental importância para um bom desempenho da organização, atua na execução do planejamento que foi elaborado. Todos os administradores necessitam está cientes de que todas as tarefas efetivas estarão em harmonia com as que foram planejadas. Quando se é determinado metas para serem cumpridas baseadas no planejamento das atividades, o controle age na medição do progresso rumo às metas e corrigem os desvios surgidos ao longo do processo, isto é, o controle tem a missão de avaliar o desempenho da organização. Conforme kwasnicka (1995, p.209) no planejamento das atividades de uma organização determinam-se metas a serrem cumpridas. O processo de controle mede o progresso rumo a essas metas e permite que se descubram os possíveis desvios a tempo de tomar medidas corretivas. 23 Para se administrar os recursos humanos da organização, o controle de qualidade assume um papel de suma importância na avaliação das atividades em períodos curtos e regulares. 2.5 ADMINISTRAÇÃO DE ORGANIZAÇÕES SEM FINS LUCRATIVOS Para as organizações sem fins lucrativos era inadmissível aplicar a palavra administração nas suas atividades, tinha-se em mente que sua utilização só atingiria as necessidades das empresas no âmbito comercial e por está razão existia uma verdadeira repugnância, isto por que as mesmas sempre adotam a lucratividade como objetivo principal. Há aproximadamente duas décadas atrás era impensável aos que eram envolvidos nas organizações sem fins lucrativos o termo administrar, já nos dias atuais a maioria delas admite que seja inevitável às entidades sem fins lucrativos sobreviverem sem adotarem a administração, mesmo sabendo que devem sempre fazer o bem, para isto requer conhecimentos e habilidade especifica numa relação constante de teoria e prática. Confirma Drucker (2001, p.63) há vinte anos, administração era um nome feio para os envolvidos, nas organizações sem fins lucrativos. A administração das entidades sem fins lucrativos inicia-se a partir da sua missão, é através dela que a organização estabelece os seus objetivos específicos para obtenção de suas metas, tornando-se uma entidade bem organizada e disciplinada. Existe, por sua vez, uma preocupação em definir as missões das organizações, para poder com isto sentirem-se seguras no exercício das suas tarefas. Existem diversas missões, como por exemplo, de um prontosocorro do hospital: “nossa missão é transmitir confiança aos aflitos”, para a Igreja a missão evangelizar. Ao detectarmos qual é a missão da organização, ela deve tornar-se imediatamente operacional, isto é, não ficar apenas restrita as idéias mas partir para a execução do que foi planejado, se assim não for não passará de boas intenções. De acordo Drucker (2001, p. 4) uma declaração de missão precisa ser operacional; caso contrário, não passa de boas intenções. Uma declaração de missão deve focalizar aquilo que a instituição tenta realmente realizar, de forma que cada um na organização possa dizer: esta é minha contribuição para a meta. Com isto percebe-se que a missão é perpétua e pode ser posto em ordem, enquanto que a meta é transitória. Por este motivo não podemos transformar a missão em boas intenções, mas torna - lá clara e simples. A missão pode durar para sempre, enquanto existir pessoas na face da terra existirá por parte da Igreja a missão de evangelizar. Por outro lado a meta pode 24 ser temporária, como no caso da erradicação da tuberculose nos países desenvolvidos. Ainda para Drucker (1994, p.4) a missão é perene e pode ser ordenada; as metas são temporárias. Tendo em mãos a missão da instituição resta apresentá-la as pessoas que estão inseridas na instituição, mostrando-lhes com toda a verdade o quanto a sua execução trará benefícios à comunidade. Os funcionários e voluntários que se comprometerem com a missão apresentada receberão capacitação suficiente para exercerem bem suas atividades. Com o compromisso expressado pelos seus colaboradores e a competência adquirida com a formação, resta observar as oportunidades e as necessidades surgidas para poder assim colocar em prática a missão da entidade. 25 3 HISTÓRIA DA IGREJA O legado adquirido pela Igreja em sua trajetória peregrina ao longo do tempo, não é o objetivo central do tema deste estudo, porém para compreendê-lo melhor requer apresenta-se de uma maneira sintetizada e simplificada a história desta instituição milenar. A igreja é compreendida no início como sendo o povo de Deus que caminha mergulhada nas suas convicções e alicerçada na sua fé. Para compreender melhor este povo que caminha, deve-se olhar para figura de Abraão que é convocado por Deus através de uma vocação específica a ser o pai de um grande povo, para isto lhe é necessário sair da sua terra e partir para um lugar onde o Pai iria mostrar (Gênesis 12,1). Durante a antiga aliança surgiram outros homens que colaboraram para a continuidade da igreja na história. Moisés recebeu de Deus a missão de retirar o seu povo das garras do faraó que os escravizavam. Ao serem libertados partiram em direção a uma terra que lhes foram prometidas para ali habitarem. Durante este trajeto Moisés foi convocado por Deus para apresentar todas as pessoas que peregrinavam no deserto os 10 mandamentos que os ajudariam a manterem-se fiéis a aliança e a fidelidade ao único Senhor. Porém, em meio as dificuldades surgidas durante a caminhada, aquele povo deixou de cumprir o pacto de amor por causa da sua infidelidade. Durante toda a antiga aliança, encontram-se sinais de rejeição ao único Deus e a busca incessante por outros deuses, por este motivo o Pai através dos seus profetas anuncia a vinda messiânica do salvador e cumpridor das promessas divinas, Jesus Cristo. 3.1 A VERDADE HISTÓRICA DE JESUS Ao chegar à plenitude dos tempos o Pai envia o seu filho para que se cumpra a promessa que ele tinha feito ao seu povo. A presença de Jesus entre nós concretiza a realização definitiva da aliança mediante o seu poder redentor, isto porque a humanidade estava impedida de ter livre acesso a Deus por causa dos seus pecados (MATOS, 2006). Na experiência fundante do cristianismo percebe-se uma conexão existente entre o cristo da fé e o Jesus da história. O Deus invisível assume a natureza humana e participa das mesmas expectativas do povo judeu a espera da vinda do messias. Inserido nos costumes, cultura e tradição daquele povo, Jesus lentamente percebe que ele é o messias esperado e o filho do pai celeste, e que lhe era conferido a missão de anunciar a salvação de maneira 26 gratuita, para isto ele quis ter ao seu lado colaboradores que o ajudasse a difundir a sua Palavra em todos os lugares por onde passassem. Jesus como líder religioso adotou um estilo diferente das lideranças que existiam na sua época, estes líderes eram chamados Rabinos (mestres) e os seus seguidores os escolhiam para está à frente do grupo, enquanto que Jesus saiu a chamar os seus discípulos para segui-lo. Ele não convocou pessoas preparadas e bem conceituadas da sociedade, como por exemplo, os do sinédrio (sacerdotes, anciãos, escribas, doutores da Lei, saduceus) que residiam em Jerusalém considerado o centro-religioso, mas resolveu chamar homens que moravam nos povoados pobres e marginalizados da Galiléia. Eles não assumiam nenhuma posição de destaque e para os fariseus e os demais lideres eram tidos como homens impuros, isto porque viviam como analfabetos, pobres, cobrador de impostos. Caminhando à beira do lago da Galiléia, Jesus viu Simão e o irmão deste, André, lançando as redes ao mar, pois eram pescadores (Mc 1,16). Outra vez, Jesus saiu a beira do lago. Toda a multidão ia até Ele, o filho de Alfeu, sentado na coletoria de impostos, e disselhe: “segue-me”!Ele se levantou e seguiu-o (Mc 2,13-14). Tendo em suas mãos estes homens desqualificados para a missão, Jesus através dos seus ensinamentos e sinais vai adestrando-os a se tornarem verdadeiros Apóstolos. Entre os rabinos ele (Jesus) se destaca por ser o primeiro a por em prática aquilo que ensinava. Esta metodologia adotada por Jesus ia delineando gradativamente o perfil daqueles que o seguiam ao ponto deles irem detectando quem verdadeiramente era Jesus. Percebemos com isto a importância da interação entre o líder e sua equipe, sentir as limitações e as necessidades dos liderados e saber o que o gestor está desejando realizar ou querendo saber acerca de si, tornase fundamental para o sucesso dos mesmos. Os doze Apóstolos foram surpreendidos por uma pergunta feita por Jesus a eles. “E vós”, retomou Jesus, “quem dizeis que eu sou? “Simão Pedro respondeu: “ tu és o Messias, o Cristo, o filho do Deus vivo”. “Jesus então declarou:” feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. Por isso, eu te digo: tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e as forças da morte não poderão vencê-la ( Mt 16, 15-18 ). Concorda-se com Velasco (1995, p.18) num manual de eclesiologia tradicional, que este ponto é de singular importância, na medida em que serve para justificar como de origem divina a Igreja de qualquer época, inclusive a configuração histórica que a Igreja tenha adquirido num determinado momento histórico. 27 Uma vez que Simão realiza o ato de confessar que Jesus Cristo é o Messias, Jesus imediatamente dar-lhe o nome de pedra, e afirma com ênfase que sobre esta pedra vai edificar a sua Igreja. Encontramos no evangelho de Lucas, Jesus mandando Pedro amparar os seus irmãos (Lc 22,32 ) e no evangelho de João Jesus manda que Pedro apascente as suas ovelhas e cordeiros, representando toda igreja, isto é, todo o povo de Deus espalhados em todo o mundo (Jo, 21, 15-17). Conferir um cargo de confiança a Pedro significou que aquele grupo de discípulos evoluiu como seguidores de Jesus, porém a permanência do líder no processo de formação os ajudaria a amadurecer cada vez mais, reconhecendo através das palavras e acontecimentos a necessidade de que se cumprisse na vida de Jesus como também na vida dos seus seguidores o projeto de Deus, para isto precisavam estarem sempre vigilantes na obediência e no serviço, que são características fundamentais de um verdadeiro líder. Depois de lavar os pés dos discípulos, Jesus vestiu o manto e voltou ao seu lugar. Disse aos discípulos: “entendeis o que eu vos fiz? Vós me chamais de Mestre e Senhor e dizeis bem, porque sou. Se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros (Jo 13,12-14). Esta maneira inovadora de liderar causou espanto até mesmo aos discípulos que presenciaram o seu Mestre tomar atitude de um escravo, pois só eles é quem lavavam os pés dos seus senhores. Podemos constatar com estas atitudes a maior expressão de amor que um líder pode demonstrar por sua equipe e toda sociedade, em dá a sua própria vida para a salvação de todos. 3.2 GESTÃO EM JERUSALÉM Os onze discípulos que receberam esta missão eram humanamente incapazes de realizá-las, haja vista o que tinha acontecido antes de Jesus passar pela experiência da morte, praticamente todos o abandonaram, menos o discípulo João evangelista que permaneceu ao seu lado no calvário. Podemos perceber com isto o quanto eles eram covardes e medrosos, mesmo tendo-os presenciados todas as maravilhas realizada pelo seu mestre. A grande primavera para a vida de todos os Apóstolos foi o dia de Pentecostes, onde eles experimentaram aquilo que Jesus lhes prometera antes de partir deste mundo, que enviaria o seu Espírito Santo que lhes daria força e coragem para anunciar a boa nova. Este momento tornou-se inesquecível para a vida de todos eles, sentiram-se profundamente motivados para cumprir o encargo que lhes foi dado. Perceberam que esta tarefa que lhes fora 28 confiada não era meramente humana, não estava alicerçada apenas no conhecimento e na aplicação de técnicas que os ajudariam a obterem êxito na missão, mas o que eles deveriam almejar de todo o coração seria de receber o poder do alto, a força do Espírito Santo para assim dá continuidade ao projeto que Jesus implantou entre nós. “De repente, veio do céu um ruído, como de um impetuoso vendaval, e encheu a casa onde eles estavam. E apareceu uma espécie de línguas de fogo, que se distribuíram e foram pousar sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito os impelia a que falassem” (At 2,2-4). Aqueles homens que outrora eram medrosos encheram-se de coragem, uma verdadeira mudança aconteceu em suas vidas e os seus corações estavam em chamas como que uma árvore ardente que não se consumia. As palavras que lhes foram ensinadas por Jesus durante a sua vida terrestre tornaram-se nítidas em suas mentes e em seus corações ao ponto de transbordarem e anunciarem aos peregrinos que se encontrava em Jerusalém as maravilhas que o Senhor tinha realizado em suas vidas. Pedro aquele que tinha negado o seu Senhor por três vezes, agora proclama com coragem que aquele Jesus que os judeus tinham crucificado o próprio Deus o tinha ressuscitado. Desde este momento muitas pessoas que o escuta se converteram e passaram a seguir os apóstolos, os quais transmitiam a palavra e realizavam milagres no nome de Jesus. Esta tomada de decisão em seguir aquele simples homem (Pedro) que não sabia ler nem escrever, mas que juntamente com os outros apóstolos estavam repletos de uma força sobrenatural que o concedia tamanha sabedoria, fez com que centenas de judeus desejassem ardentemente partilharem à mesma experiência que eles tinham vivido ao lado do mestre. Decidiram então permanecer em comunidade para poder assim está mais próximo uns dos outros na comunhão fraterna dos bens espirituais e materiais. Os fieis eram perseverantes na escuta da palavra, na partilha da eucaristia, na distribuição dos bens e na vida de oração. Esta autenticidade atraia cada vez mais adeptos para fazerem parte daquela comunidade, isto porque a palavra, a fé e o amor eram expressos de uma forma transparente e autentica assumindo assim as mesmas características do que o seu mestre praticava no convívio com todos aqueles que dele se aproximavam. Esta experiência foi vivenciada inicialmente nas casas dos membros da comunidade, estes depositavam aos pés dos apóstolos todos os bens que possuíam para serem distribuídos conforme a necessidade de cada um, fazendo com que não houvesse necessitados entre eles. Percebemos com isto atitudes de liderança por parte dos apóstolos, por serem eles os que 29 discerniam a quem distribuir as doações que lhes foram apresentadas. Este serviço prestado pelos apóstolos permitia que nada faltassem aqueles que faziam parte da comunidade cristã. “Não havia entre eles necessitados. De fato, os que possuíam terrenos ou casas, vendendo-os, traziam os valores das vendas e os depunham aos pés dos apóstolos. Distribuía-se então, a cada um, segundo sua necessidade (At 4,34,35). Os apóstolos perceberam que não seriam capazes de assistir aquela numerosa quantidade de fieis que aderiam a cada momento a palavra de Deus que lhes era anunciada, decidiram em eleger sete homens que tivessem boa reputação, repletos do Espírito Santo e de sabedoria, para serem Diáconos (servidores). Eles tinham aderido o projeto de salvação apresentado pelos apóstolos e tinham recebido formação para cumprirem com destemor a missão que lhes foram confiadas. 3.3 PRIMEIRAS COMUNIDADES CRISTÃS Os Apóstolos receberam de Jesus ao ressuscitar, a missão de anunciar o evangelho a toda criatura (At 1,8), porém isto não seria possível sem que os mesmos experimentassem em suas vidas a promessa do Senhor de enviar o seu Espírito (Jo 14,15-19) palavra que se realizou no dia de Pentecostes. Esta experiência profunda de fé em Jesus Cristo e o anuncio publico do seu Reino, dar-se por parte dos apóstolos a partir de Pentecostes (At 2,1-13), esta festa era celebrada pelos judeus para se comemorar a renovação da aliança no monte Sinai, enquanto que para nós cristãos neste dia a Igreja se apresenta publicamente a todos os povos. A partir daquele memorável acontecimento, aquela equipe de Apóstolos passa há anunciar com poder e autoridade as palavras ensinadas pelo seu líder Jesus Cristo. Uma multidão que os escutavam passou a segui-los por encontrarem nas palavras proferidas poder e autoridade que os motivavam a largarem tudo para estarem juntos (At 2,37-41). Ao receber o convite para ingressar no seguimento de Jesus, a pessoa é convocada a mudar radicalmente sua vida, esta conversão (metanoia) é experimentada a partir do momento em que deixa os pensamentos e as atitudes de Jesus transformar todo o seu jeito de ser e de agir. Porém, não é o suficiente para ser discípulo do Senhor, viver isoladamente esta transformação, requer também a integração da pessoa na comunidade daqueles que crêem em Jesus. Percebe-se com isto o valor como membro do corpo e passa-se a exercer uma função entre tantas outras, mas precisa-se está unido aos outros membros pelo poder do espírito para ser parte integrante e fundamental. Esta união se dá a partir do nosso batismo que nos torna filhos de Deus e através da Eucaristia que nos alimenta espiritualmente nos tornando 30 participantes do corpo de Cristo. Percebe-se com isto que o líder continua presente na comunidade cristã, estimulando-os a darem continuidade a missão de transmitirem e levarem a salvação a toda criatura. O corpo é a igreja (povo de Deus) e a cabeça é Jesus (Cl 1,18) aquele que é a maior razão da existência da igreja. Esta união faz com que o corpo (igreja) participe dos sofrimentos da cabeça (Jesus) e com ela ser glorificada pelo pai (Catecismo p.227,228). Percebe-se que o cristianismo é um fenômeno religioso que prioriza o aspecto comunitário. Quem deixa transparecer estas evidencias são os próprios discípulos de Jesus que realizam fundações de comunidades para os judeus que vivem na Palestina, os judeus que residiam fora do território palestino e para os pagãos (os gentios) espalhados em outras localidades. O que contribui para a expansão do cristianismo é a destruição do templo de Jerusalém no ano setenta, onde os cristãos se espalham por todo mundo. Neste período de expansão do cristianismo, o apóstolo Paulo exerceu um papel fundamental no exercício do anúncio da palavra de Deus, por ele falar mais de um idioma e ter cidadania romana, lhe permitiam trafegar nas cidades e povoados que estavam sobre o domínio do império romano, com isto muitos judeus que tinham se dispersado e gentios eram evangelizados e consequentemente se convertiam ao cristianismo. Segundo Matos (2006, p.15), o cristianismo tem sua expansão inicial principalmente nas cidades do império. Paulo de Tarso tornar-se-á o apóstolo por excelência no mundo grecoromano. 3.4 FECUNDIDADE CRISTÃ DOS MÁRTIRES O cristianismo era visto pelas autoridades romanas como uma subdivisão do judaísmo, por está razão não sofria nenhuma perseguição, mesmo tendo sofrido com a acusação de Nero em dizer levianamente que os cristãos tinham incendiado Roma no ano 64. Nesta época o império romano vem passando por uma crise política que os levam a tomar drásticas decisões promovidas pelas autoridades do reino. Para trazer a unificação ao império, eles buscaram restaurar a religião politeísta obrigando a todos sacrificarem aos ídolos como sinal de adesão a religião tradicional. Mesmo em meio há estas pressões vindas do poder romano, os cristãos não abandonam suas convicções a respeito da existência de um único Deus. O que torna este grupo cada vez mais forte é terem passado por uma experiência profunda do amor de Deus, que os motivavam há permanecerem firmes na fé e nas convicções por eles abraçadas. O derramamento de sangue sofrido pelos cristãos atesta o 31 poder da palavra por eles ouvidas e praticadas, chegando através do testemunho congregar mais fieis ao grupo de cristãos. Os primeiros a serem martirizados eram os lideres que estavam a frente da comunidade prontos para darem a vida por todos, mesmo o império romano eliminando milhares de cristãos, o sangue que era derramado atraia mais pessoas a aderirem ao cristianismo. De acordo com Matos (2006, p.19) o decreto de 303 visava, de fato, à destruição da organização eclesial e de suas lideranças. A religião cristã é declarada “ilícita” e seus membros, considerados traidores da pátria, que devem ser privados de seus direitos civis. As perseguições no início do cristianismo revelam a vitalidade da igreja e a comunhão na vivência do evangelho, esta experiência não teve o intuito de guardar no memorial da história a imagem de um heroísmo individual, mas testemunhar como comunidade um amor imenso ao evangelho. O sangue dos mártires tornou-se semente de novos cristãos, pois muitos se convertiam ao cristianismo pelo testemunho dado pelos cristãos. Segundo Cechinato ( 1996, p.46 ) os cristãos não tinham exército nem poder político. Sua arma não era a espada nem a violência. Eles não agrediam: eram agredidos. Não matavam: eram mortos. Não se vingavam: perdoavam. 3.5 PAULO - GRANDE LÍDER DO CRISTIANISMO Grande Líder do Cristianismo. Paulo de Tarso, judeu da diáspora, nascido em Tarso, homem marcado pela influência da cultura grega. Ele era fariseu e falava o aramaico desde sua infância, discípulo de Gamaliel e sua segunda língua era o grego (Harrington 1985). Paulo por ser um fariseu convicto, perseguia os cristãos achando que estava prestando um serviço a Deus. Seu ódio contra os discípulos de Jesus fez com que cristãos fossem mortos e presos. Ele estando perto de Damasco uma luz fortíssima cegou-lhe a vista e ao cair no chão Paulo ouviu uma voz que lhe dizia: “Saulo, Saulo, por que me persegues”? Era Jesus quem lhe falava a partir daquele momento ele se converteu e tornou-se o evangelizador dos gentios, isto é, dos pagãos (At 9,1-22). Com a sua conversão de Paulo, brota no seio da Igreja este grande líder que se tornou um dos maiores divulgadores e promotores da nova religião. Ele trazia consigo a força de cativar, convencer, incentivar, persuadir e converter os antigos seguidores do judaísmo para o nascente cristianismo (KATER, 1994). Os desafios foram inúmeros para Paulo nesta missão desafiadora de levar Jesus Ressuscitado aos povos pagãos. Ele contava com o poder de persuasão que tinha, mas quando 32 não aceito em uma comunidade ele partia para outras localidades no intuito de levar adiante a Evangelização, isto fez dele um dos maiores divulgadores do cristianismo em todos os tempos. Muitas foram às comunidades espalhadas pela Judéia, Galiléia, Macedônia, Ásia Menor, Grécia, Itália que receberam de Paulo o anúncio do evangelho e se converteram ao cristianismo, por onde ele passava, deixava grupos formados e lideres para darem continuidade à missão apostólica, ele se comunicava com aqueles que ele deixou a frente das comunidades por meio de cartas com conteúdo doutrinal e pastoral. Esta era uma maneira que ele adotava para animar, educar, corrigir na fé todos que aderiu à palavra de Deus, isto fazia com que a fé daquele povo permanecesse viva em seus corações. Esta habilidade de liderar pessoas e coordenar processos percebida deste o inicio do cristianismo, mesmo não sendo proposital, mas acontecendo de uma maneira espontânea, ajuda a perceber as origens da gestão religiosa em meio a uma realidade de fé, amor e serviço ao próximo. 3.6 OFICIALIZAÇÃO DO CRISTIANISMO A igreja antiga por ser formada em inúmeras cidades e povoados, é reconhecida como uma rede de comunidades que vivem entre si à fraternidade, comunicação, força na fé e ajuda mutua. Nesta vivência fraterna surge a necessidade de lideres que tem a missão de manter as comunidades organizadas em meio a diversos serviços ou ministérios. Com a necessidade pastoral são criados ministérios como no caso dos sete diáconos para servirem aqueles que precisavam de bens espirituais e materiais para sobreviver (At 6, 1-5). Os cargos e funções concedidas as pessoas na igreja daquela época exigia do mesmo a disposição para o exercício do serviço (MATOS, 2006). No reinado de Constantino, ele obteve sucesso em uma batalha travada com Maxêncio no ano de 312 e atribui a sua vitória a intervenção miraculosa do Deus dos cristãos. Com o Edito de Milão no ano 313 é concedido a todos liberdade religiosa e o mais favorecido foi a igreja de Cristo que passou a ser uma religião lícita. A conversão de Constantino causou uma enorme mudança para a igreja que o tinha como perseguidor, agora o tem como protetor. O império romano que antes roubava as terras e os bens da igreja começam a devolver todos os seus pertences. Os cristãos que antes eram proibidos de ocupar cargos públicos foram elevados a postos de liderança no governo do império, isto fez com que o cristianismo tornase uma igreja imperial e isto trouxe inúmeras conseqüências. 33 De acordo com Cechinato (1996, p.76) esse apoio do império aos cristãos foi uma coisa boa, mas trouxe alguns problemas. O primeiro deles foi a intromissão do imperador nos assuntos da igreja. Constantino se achava no dever de convocar os bispos para resolver os problemas de unidade, surgidos com cismas e heresias. O cristianismo é declarado religião do Estado, com isto é selada um pacto entre a igreja e o Estado que terá uma duração de quinze séculos, com este apoio ela se institucionaliza cada vez mais e se espalha nos recantos menos prováveis que pudessem imaginar. 34 4 GESTÃO PAROQUIAL A Igreja Católica tem a missão de anunciar o evangelho a toda criatura, para isto ela foi primeiro motivada por uma experiência pessoal e comunitária do amor de Deus que há impulsionou a enfrentar os desafios que lhes foram apresentados no caminhar da história. Hoje as igrejas através dos seus gestores buscam estratégias que possam ajudá-los a atingir de forma eficaz os anseios dos fieis e daqueles que ainda não aderiram à fé cristã. A gestão profissional de uma instituição como a Igreja Católica, exige de todos os membros que atuam como líderes cristão, a busca constante pelo domínio de conhecimentos e habilidades que os ajudarão a manter um equilíbrio entre a formação recebida nos seminários e a utilização da gestão na organização que estão inseridos, no intuito de melhor desenvolver a missão evangelizadora. Conforme Nogueira (2008, p.40) Todo Padre deveria fazer, também, um bom curso de administração de empresas ou economia, os padres e todos os líderes da igreja devem ter uma boa visão sobre o que é administrar recursos humanos e materiais. Especialmente hoje em dia, em que quase tudo é meio parecido em termos tecnológicos, o grande diferencial é o componente humano. E disso a igreja deveria entender e dar aulas. Porém, muitas vezes somos levados a pensar que não haveria necessidade de gestão profissional dentro de uma instituição religiosa. Outrora se tinha este conceito referente à fé e a ciência, contudo no decorrer da história se percebeu que a ciência sendo bem aplicada serviria como uma grande aliada para confirmar questões relacionadas à fé e a vida humana. Hoje sabe-se que a gestão assume um papel fundamental nesta interação com a espiritualidade, isto porque existe uma exigência cada vez maior acerca da qualidade e da obtenção de resultados, por esta razão a gestão torna-se imprescindível e o amadorismo tende a desaparecer à medida que os gestores cristãos se abrirem a novos desafios e mudanças no que se refere a competência de gerenciar processos e liderar pessoas. Para Murad (2007, p.155) gestão é a competência e a arte para gerenciar processos e liderar pessoas, em vista da missão de qualquer organização. Espiritualidade, por sua vez, é o processo da experiência de fé, pessoal e comunitária, que motiva as ações e alimenta as convicções mais profundas. O gestor cristão precisa romper com os paradigmas do passado e se adaptar aos novos conceitos de como liderar pessoas. Para está a serviço de uma comunidade ele necessita envolve-la de forma que todos assumam a sua responsabilidade e se sintam estimulados a dar 35 o melhor de si. Sendo assim, unidos poderão coordenar processos que terão por finalidade estabelecer metas, isto é, aonde queremos chegar, com isto poderemos tecer estratégias, realizar atividades, avalia-las e aprender com elas, gerando mudanças. Não existe a pretensão de priorizar a gestão e inferiorizar a espiritualidade, mas articular de uma maneira satisfatória estes dos pilares. Percebemos que nos dias atuais uma organização cristã sem gestão fracassa e se lhe faltar a espiritualidade se esvazia. 4.1 GESTÃO DE PESSOAS NA IGREJA A habilidade de liderar pessoas dentro de um contexto religioso assume um papel fundamental, haja vista a gestão tratar dos seres humanos que é a razão principal do anúncio do evangelho. É nas Paróquias que essa massa humana se reúne para celebrar a ação de graças ao nosso Deus, unidos em uma só fé, em um só batismo e um só espírito. Tendo em vista atender as necessidades e desejo das pessoas, é exigido da igreja oferecer o que ela tem de melhor que é levar os fiéis a experimentarem profundamente o amor de Jesus em suas vidas. Por esta razão torna-se primordial capacitar os lideres e membros das pastorais para que saiam do amadorismo e passem a exercer com qualidade e espiritualidade a missão que lhe foi conferida. De acordo com Nogueira (2008, p.35) a administração está diretamente ligada aos problemas de comportamento humano, pois não se administram apenas coisas, administramos pessoas. O sucesso está no “capital humano” e não nos recursos materiais somente, nem mesmos na tecnologia. A administração moderna é a favor da simplicidade de sistemas e métodos e é pela total valorização do ser humano como o capital mais importante de uma instituição. Urgi a igreja por gestores que saibam administrar este capital humano que lhe foi confiado. Percebe-se muitas vezes uma indiferença, um descaso, uma insegurança, uma solidão, um comodismo, um despreparo por parte de alguns lideres no que está relacionado a encontrar mecanismos para manter em suas paróquias pessoas que estão redescobrindo o prazer de ser católico. Aliar a espiritualidade alcançada pelos gestores cristãos ao conhecimento e a execução da gestão torna-se o primeiro passo a ser dado dentro da organização. A partir desta tomada de decisão abre-se um novo horizonte e novas perspectivas em introduzir os fieis e capacita-los a assumirem tarefas dentro das pastorais. 36 Para Nogueira (2008, p.38), a instituição deve voltar-se para cada uma das pessoas envolvidas, não se limitando apenas ao clero, e sim para todas as pessoas que a compõem, sem exceção. Essa é a melhor receita para o sucesso da administração da instituição. O modelo de instituição hierárquica deve-se permanecer na Igreja Católica, tendo o Papa e os Bispos juntamente com seus colaboradores (Padres e Diáconos) a serviço do povo de Deus, porém faz-se necessário sempre inserir os leigos nas tomadas de decisões e nas tarefas da organização. O Papa (Bispo de Roma) e sucessor de São Pedro, “é o perpétuo e visível principio e fundamento da unidade, quer dos Bispos quer da multidão dos fiéis (catecismo p.253 inc.882)”. Os Bispos individualmente são o visível princípio e fundamento da unidade nas suas Igrejas particulares. Nesta qualidade, exercem a sua autoridade pastoral sobre a porção do povo de Deus que lhes foi confiada, assistidos pelos presbíteros (Padres) e pelos Diáconos (catecismo p. 254 inc. 886). A estrutura organizacional que forma a Igreja Católica é estritamente necessária, porém não é absoluta. Por ser ela uma instituição sem fins lucrativos e por ter o compromisso de levar a palavra de Deus a toda criatura, ela precisa acima de tudo está aberta à prática do serviço, por esta razão é necessário uma harmonia entre a estrutura de comando e controle e a estrutura de trabalhar em equipe. Para que haja esta interação é de fundamental importância está aberto a mudanças de mentalidade e atitudes. Para Drucker (apud MURAD 2007, p.25) não se deve falar em fim da hierarquia. Em qualquer instituição deve haver uma autoridade final, um comando claro. Isso é particularmente importante nos momentos de crise, em que é preciso haver uma chefia a quem reportar-se. Ao mesmo tempo, porém, muitas outras situações requerem deliberação e trabalho em equipe. 4.2 PLANEJAR COM PARTICIPAÇÃO O gestor cristão ao caminhar com seus paroquianos irá se identificar com a realidade da sociedade a qual ele está inserido e consequentemente perceberá que a necessidade de um planejamento participativo que contenha objetivos claros, simples e unificantes para poder assim obter resultados que atenderão aos anseios dos fiéis. Torna-se cada vez mais urgente haver um planejamento que seja alicerçado em ações eficazes, transformadoras e que todos aqueles que irão abraçar esta causa missionária sintam-se compromissados a partir da fé. Os desafios são cada vez maiores e a igreja não pode ficar indiferente as perseguições que sofre 37 através de uma cultura de morte contrária a todos os valores evangélicos, atingindo assim os valores familiares que são fundamentais para a sobrevivência da humanidade. O planejamento participativo é feito a partir da realidade e da reflexão da Palavra de Deus e dos ensinamentos da Igreja, do desejo de procurar e fazer a vontade de Deus na sociedade e na missão evangelizadora, o planejamento participativo permitirá o pensar e trabalhar juntos, o crescer na espiritualidade, o valorizar a diversidade de dons e serviços, o superar a improvisação e a rotina, o motivar o surgimento de novas lideranças e um maior dinamismo pastoral (ORFANO 2004). Dentro deste contexto percebemos que é de fundamental importância à formação que será oferecida pelo Pároco ou por pessoas capacitadas, através de treinamentos e desenvolvimentos a todas as pessoas que se disponibilizarem a servir nas pastorais da Paróquia. Percebe-se também há necessidade de uma boa comunicação interna e externa que permita uma interação maior entre os lideres e toda comunidade, esta comunicação precisa ser clara e de uma linguagem simples para um bom entendimento de todos. Após a execução de determinadas tarefas promovidas pelas pastorais, torna-se necessário avaliação para identificar os acertos e os erros cometidos, isto possibilitará aos lideres cristãos e aos membros que compõem a Igreja a aperfeiçoarem cada vez mais a missão de evangelizar. Para João Paulo II (ORFANO 2004) “a formação dos fiéis leigos tem como objetivo fundamental a descoberta, cada vez mais clara, da vocação cristã, e a disponibilidade cada vez maior para vivê-la no cumprimento da missão” (João Paulo II, discurso â Comissão Nacional Italiana da RCC, 04/04/1998). 4.3 GESTÃO DA MUDANÇA Por haver muitas vezes mudanças de Párocos nas Paróquias, os mesmos precisam ao chegar ao local conhecer a cultura e a tradição do povo daquela região para poder desempenhar suas atividades com conhecimento de causa e poder assim atrair a comunidade local para dentro da igreja (MURAD, 2007). Percebe-se claramente que existe a necessidade de uma mudança não na estrutura hierárquica da Igreja Católica, pois sabemos como é de fundamental importância a participação de uma autoridade nos momentos cruciais e decisivos de uma instituição, esta intervenção é de suma relevância nos momentos de crise, em que é preciso haver uma chefia a quem reporta-se. Estas mudanças a qual se aborda está relacionada a paradigma de mentalidades e atitudes que devem ser abandonadas, por elas estarem enraizadas no comodismo, no 38 individualismo, na centralização das tomadas de decisões, no abuso do poder, na vaidade, na auto-suficiência. Estas resistências precisam ser vencidas através da transformação de consciência e atitude por parte dos lideres cristãos em buscarem romper com tais conceitos, e com ajuda de colaboradores traçarem mecanismos de mudanças que vençam o amadorismo e a falta de rumo existente na instituição. Segundo Nogueira (2008, p.43), após o Concílio Vaticano II, aos poucos as paróquias e comunidades foram organizando equipes de trabalho pastorais, conselhos, coordenações que, de modo participativo e comunitário, ajudam na construção de uma nova igreja. Esse sentimento expressa a importância e a necessidade dos trabalhos pastorais para a igreja e a sociedade na qual está envolvida. Para haver uma melhor organização na Paróquia foi criado o Conselho Pastoral Paroquial (CPP) e o Conselho Econômico Paroquial (CEP). Estes conselhos são formados por leigos, que em um trabalho voluntário, colocam em prática a sua fé à doutrina da Igreja. A CPP tem a missão de organizar a vida pastoral da paróquia tendo a frente o Pároco, que é o seu principal gestor. A partir deste líder a Igreja pode permanecer fechada ou assumir uma gestão aberta às mudanças, onde os leigos possam expressar suas opiniões, sentirem-se abertos ao diálogo, terem voz e vez. A Paróquia, nos dias atuais, é vista como “comunidade de comunidade e movimentos (cf. Santo Domingo, 58) e não como um lugar centralizador de decisões. Nela deve haver estrutura econômica que garante a ação pastoral e seja expressão da idéia de Igreja povo de Deus, comunhão e participação. O mundo moderno está exigindo da Igreja mudança substanciais no seu modo de levar a mensagem evangélica às pessoas. Por sua vez, a Igreja não pode encontrar estes novos modos de falar ao coração das pessoas sem que ouça, ausculte, sinta o que lhes vai à alma. Após o Concílio Vaticano II, aos poucos as paróquias e comunidades foram organizando equipes de trabalho pastorais, conselhos, coordenações que, de modo participativo e comunitário, ajudam na construção de uma nova igreja (NOGUEIRA, 2008). Para que haja um bom desempenho por parte dos fiéis dentro das equipes de pastorais, conselhos e das demais atividades da Igreja faz-se necessário a capacitação adquirida através dos cursos e treinamentos oferecido pelo líder cristão. Segundo Nogueira (2008, p. 44), o crescimento da Igreja acontece quando cada membro é treinado e está envolvido em um dos programas dela, pois, é o que os líderes que 39 dela participam desejam. É preciso recrutar, treinar e “conectar” pessoas aos vários programas. Espera-se que isto garanta o crescimento da Igreja. 40 5 O MARKETING APLICADO À IGREJA CATÓLICA A Igreja Católica Apostólica Romana foi escolhida por Jesus Cristo para anunciar uma boa noticia (Evangelho) a toda criatura e que todo aquele nele crer e for batizado será salvo, estas palavras nos primórdios da igreja foi acolhida com todo entusiasmo. Percebe-se desde os primeiros momentos do cristianismo a presença do Marketing no que se refere a satisfazer as necessidades e desejos dos fieis. A experiência com Jesus e com a promessa de salvação aos que crerem, motiva as pessoas a abraçarem e se comprometerem com a missão que lhes fora confiada. Segundo Kater (1994, p. 20), O marketing é uma das mais antigas atividades humanas, pois todas as vezes na história em que surgiram necessidades, de qualquer ordem, materiais ou espirituais, na vida do ser humano e um outro homem , ordenadamente, sistematicamente ou não, procurou satisfaze-las, nessas ações podemos considerar que já estava acontecendo o fenômeno que hoje denominamos marketing. Por ser a motivação humana a geradora da presença e do comprometimento dos fieis dentro da Igreja, percebe-se que este mesmo quesito básico é estudado e analisado pelo marketing para obtenção de um bom resultado. Entretanto percebe-se nos últimos anos uma debandada considerável de católicos para outras religiões por não sentirem-se atraídos pela maneira como a Igreja vem evangelizando o seu povo. Alegam muitas vezes que a prática da religião católica está reduzida ao ritual sacramental simbólico e a falta de uma boa comunicação entre o clero e os leigos. Diz Kater (1994, p.12) que a prática da religião católica está se reduzindo a um mero ritualismo sacramental simbólico, em que cada parte simplesmente representa o seu papel. Tal prática, porém, não atende às necessidades e expectativas de nenhuma das partes envolvidas, pois tanto o clero com os fiéis tornaram-se frios no relacionamento, no mínimo formal, perdendo assim a maior característica da religião: a autenticidade. O Evangelho diz: “vós sois o sal da terra. Ora, se o sal perde seu sabor, com que se salgará? Não servirá para nada, senão para ser jogado fora e pisado pelas pessoas” (Mt 5,13). É com esta exortação que todos os representantes autorizados da Igreja (os sacerdotes, os diáconos, os ministros, os catequistas e leigos engajados) devem romper com todos os paradigmas de fechamento e indiferença que impedem que a salvação chegue a todos os povos. 41 O Papa Paulo VI (1986, p.7) em importante documento oficial da Igreja Católica Apostólica Romana, assim se expressou: “As condições da sociedade obrigam-nos todos a rever os métodos, a procurar, por todos os meios ao alcance, estudar o modo de fazer chegar ao homem moderno a mensagem cristã, única na qual ele poderá encontrar a resposta às suas interrogações e a força para a sua aplicação de solidariedade humana”. Por esta razão, o marketing sendo bem aplicado na Igreja Católica, resolverá satisfatoriamente o problema da evasão dos católicos e a falta de motivação entre seus fiéis, levando-os a um renovado interesse e amor pela Igreja. Para isto, faz-se necessário a Igreja Católica oferecer aos fiéis a salvação que é o seu principal produto. Segundo João Paulo II (1983, p.749) nas causas de transferência, apliquem-se as prescrições do cân. 1747, respeitando-se a equidade canônica e tendo diante dos olhos a salvação das almas que, na Igreja, deve ser sempre a lei suprema. Conforme Kater (1994 p.37) podemos ainda reforçar essa afirmação tomando por base o Catecismo da Igreja Católica, de autoria do Papa João Paulo II, no seu parágrafo 849, definindo claramente a missão da Igreja, pela qual ele é o responsável, diz que ela é: enviada por Deus às nações para ser o sacramento universal da salvação. A fé, os sacramentos, a paz, os ensinamentos de Jesus Cristo são meios para chegar à Salvação Eterna que é o produto oferecido pela Igreja Católica ao seu público. É esta a resposta definitiva de Deus para a grande ansiedade do homem sobre a vida após a morte. Jesus por ser o maior protagonista da salvação ordenou aos apóstolos: “ide pelo mundo inteiro e anunciai a boa nova a toda criatura! Quem crer e for batizado será Salvo (Mc 16,15). Os gestores cristãos terão como desafio encontrar meios de oferecer com sabedoria o produto que todas as pessoas anseiam em receber. O marketing ajudará a Igreja a realizar esta tão grata tarefa de motivar todas as pastorais e todo o povo de Deus a experimentarem antecipadamente a salvação em suas vidas e se dedicarem para que outros recebam também este produto, para isto temos só no Brasil mais de sete mil paróquias e catorze mil sacerdotes, lugares e pessoas que necessitam está constantemente se capacitando para atender dá melhor forma possível a este público que almeja por realizar suas carências espirituais. 42 6 GESTÃO FINANCEIRA DA PARÓQUIA Para que se realize a evangelização na Igreja Católica, faz-se necessários recursos financeiros que venham colaborar no bom desempenho das atividades missionárias e administração da Paróquia, isto porque a Igreja é vista pela legislação como uma empresa sem fins lucrativos e isenta de impostos, sendo assim, ela precisa gerenciar através dos seus gestores os seus bens para melhor alcançar os seus recursos. Para Nogueira (2008, p.36) pastorear vai muito além de pregar, fazer aconselhamento, visitas, etc. Tal ofício engloba, dentre outras coisas, a administração da igreja-que, pela legislação, é vista como uma empresa, embora sem fins lucrativos e isenta de impostos. Recordando a primeira comunidade cristã, vimos o quanto ela crescia numericamente e isso exigia de todos o desprendimento financeiro para o sustento dos mais pobres. Estes bens eram postos aos pés dos Apóstolos que assumiam a função de administrar estes recursos que lhes eram confiados. Entre eles ninguém passava necessidade, pois aqueles que possuam terras ou casas as vendiam, traziam o dinheiro e depositavam aos pés dos apóstolos. Depois, era distribuído conforme a necessidade de cada um (At 4,34-35). Assim fez José, que os apóstolos chamavam de Barnabé (que significa “filho da consolação”). Era levita, natural de Chipre. Ele possuía um campo, vendeu-o e depositou o dinheiro aos pés dos apóstolos. Tendo esta passagem como exemplo, percebemos que a Igreja é a grande gestora do dinheiro que lhe é confiado para manutenção do Templo, local onde os fiéis se reúnem para ouvirem a palavra de Deus e viverem a sua fé, e também das demais despesas que acontecem ao longo do tempo. Cabe a Igreja satisfazer as necessidades coletivas de seus fiéis, isto porque estes recursos que são arrecadados não lhe pertence, e sim ao povo, a sua missão é de ser guardião, fiel depositário e o seu administrador. Por este motivo cabe aos titulares informar ao povo a maneira como os recursos arrecadados foram empregados, estas informações prestadas aos fiéis não significa uma desconfiança da comunidade para com os seus gestores, mas em saber onde está sendo investido o dinheiro (NOGUEIRA, 2008). Para Nogueira (2008, p.47) evangelizar custa dinheiro e não devemos e na podemos esquecer que lidamos com o dinheiro da comunidade (dinheiro público), o que implica em uma maior responsabilidade, transparência, evitando o comprometimento do bom nome da instituição. 43 A transparência é de fundamental importância para o bom andamento da instituição, os fiéis contribuintes sentem-se motivados por ver sua colaboração sendo bem aplicada e é também importante inseri-los nas responsabilidades da paróquia para que haja um bom andamento dos projetos e metas existentes na Igreja. Os bispos, padres, diáconos, seminaristas, religiosos, leigos e leigas tornam-se os grandes protagonistas para o melhor desempenho financeiro. Para que isto aconteça os lideres cristão precisam abolir paradigmas que enxergam a administração como impercílio para a evangelização. Estas mudanças acontecem gradativamente a partir da abertura dos gestores para equilibrar evangelização e administração. Para isto existe na Paróquia o Conselho Econômico Paroquial (CEP), que tendo por Presidente o Pároco, o mesmo conta com a colaboração de leigos engajados e comprometidos com a Igreja. A função principal deste grupo de pessoas diz respeito à administração financeira de todas as receitas e despesas de funcionamento da paróquia, que, na sua ótica, é gerenciada como se fosse uma pequena empresa (NOGUEIRA, 2008). Este conselho tem a finalidade de incentivar e organizar a participação de todos os membros na sustentação econômica da comunidade, que é feita normalmente pelo dízimo ou por outra forma que esta encontre para garantir a contribuição de todos. Os conselheiros que compõem a CEP são leigos voluntários, que atuam na missão de planejar, organizar e controlar todos os compromissos financeiros assumidos pela paróquia. Ser conselheiro é exercer um ministério, isto é, prestar um serviço significativo à Igreja, para que ela cumpra sua missão evangelizadora no mundo. Cabe aos fiéis a responsabilidade de contribuir financeiramente para o reparo e manutenção da casa de Deus. A Igreja não conta com ajuda financeira do governo para sua manutenção, despesas, etc. O dinheiro que entra para a Igreja através de dízimos e ofertas tem propósito exclusivo de mantê-la, tanto em sua manutenção quanto com as despesas gerais usadas por ela. O padre também deve ser remunerado, com parte do dinheiro estabelecido pela sua liderança (NOGUEIRA 2008). 44 7 METODOLOGIA DA PESQUISA A análise desenvolvida neste trabalho busca através de uma abordagem qualiquantitativa de cunho exploratório, oferecer alguns aspectos e conceitos básicos acerca da Gestão, no intuito de ajudar o gestor cristão a liderar as pessoas e os processos que lhes são apresentados sem perder a espiritualidade, uma das características do cristão católico. 7.1 CARACTERIZAÇÃO DO ESTUDO A presente pesquisa adota uma abordagem quali-quantitativa de cunho exploratório. Para Riachardson (1985, p.29) o método quantitativo, como o próprio nome indica, “caracteriza-se pelo emprego da quantificação tanto nas modalidades de coleta de informações, quanto no tratamento dessas através de técnicas estatísticas, desde as mais complexas, como coeficiente de correção, análise de regressão etc”. Já no que diz respeito aos aspectos qualitativos, Richardson (1985, p. 29) esclarece a abordagem qualitativa de um problema, “além de ser uma opção do investigador, justifica-se, sobretudo, por ser uma forma adequada para entender a natureza de um fenômeno social”. A pesquisa tem um cunho exploratório por buscar conhecer com maior profundidade o assunto, de modo a torná-lo mais claro ou construir questões importantes para a conclusão da pesquisa. Ainda segundo Richardson (1985, p. 26) os estudos exploratórios são utilizados, quando não se tem informação sobre determinado tema e se deseja conhecer o fenômeno, que ainda não foi estudado. Gil (1999) destaca que a pesquisa exploratória é desenvolvida no sentido de proporcionar uma visão geral acerca de determinado fato. Acredita-se que este tipo de pesquisa é adequado ao nosso estudo, sobretudo porque o tema escolhido é pouco explorado, não se conhecendo trabalhos desenvolvidos acerca dessa temática. A pesquisa também é identificada como qualitativa, pois foi aplicada uma entrevista ao Arcebispo Metropolitano da Paraíba, utilizando-se de um gravador e outra aplicada ao Pároco da Paróquia Nossa Senhora Aparecida utilizando-se de um MP4. 45 7.2 PROBLEMATIZAÇÃO Outrora as organizações eram inflexíveis no tocante a forma de gerir o seu corpo funcional, centralizando todo o poder na cúpula. No decorrer dos anos percebem-se mudanças expressivas nas organizações, em que gradativamente elas vêm rompendo com antigos paradigmas e passando a adotar novos modelos de gestão. A Igreja Católica por se enquadrar perfeitamente nessa posição, busca se adaptar a esta realidade mesmo trazendo consigo uma estrutura hierárquica e de ser uma instituição tradicional e conservadora. A Igreja por ser uma instituição religiosa, capacita os seminaristas, futuros gestores, durante o período de sua formação a terem uma vida pautada na espiritualidade e no conhecimento da Teologia e Filosofia que são a razão maior da sua existência, porém no que se refere a como gerir esta organização tão gigantesca pouco é estudado. Para isto, o gestor cristão vem paulatinamente buscando recursos conceituais para poderem gerir melhor a tantas pessoas que voluntariamente se põem a serviço da Igreja através das diversas pastorais e demais atividades da Paróquia, no intuito de colaborarem na missão a qual todos foram chamados. Esta pesquisa busca responder à seguinte indagação: qual o modelo de gestão abordado pela Paróquia Nossa Senhora Aparecida e os seus principais desafios? 7.3 OBJETIVOS 7.3.1 Objetivo Geral - Analisar o modelo de gestão da Paróquia Nossa Senhora Aparecida e os seus novos desafios. 7.3.2 Objetivos Específicos - Identificar o perfil do corpo funcional e voluntários da Paróquia; - Identificar as ações e estratégias desenvolvidas na Paróquia; - Verificar o ponto de vista dos paroquianos sobre a gestão da Paróquia; - Especificar os principais desafios enfrentados pela Paróquia. 46 7.4 CAMPO EMPÍRICO Figura 1 – Paróquia Nossa Senhora da Aparecida Fonte: Dados da pesquisa A Paróquia Nossa Senhora Aparecida, localizada na Rua Horácio Trajano de Oliveira, nº 630, tel: 3223-2646 – Cristo Redentor foi instituída Paróquia pelo arcebispo Dom Aldo de Cillo Pagotto no dia 12/02/2006. Nesta celebração tomou posse como Pároco, o Frei Rômulo da ordem franciscana conventual, auxiliado pelo vigário Frei Fernando da ordem franciscana conventual. É pequena a estrutura física da Paróquia, ao seu lado existem salas que servem para que as pastorais exerçam suas atividades, local para a reunião da CPP (Conselho Pastoral Paroquial), local onde se realiza reuniões diversas com os movimentos e demais equipes de pastorais e serviços, em uma das salas está instalada a secretária paroquial. A Paróquia coordena sete outras comunidades que contam com o pastoreio do atual Pároco Frei Luiz e dois vigários (Frei Fernando e Frei Pedro) os mesmos residem em uma casa alugada no bairro Cristo Redentor. Os Frades financiaram um carro com a finalidade de facilitar o deslocamento deles em direção as demais comunidades para poder realizar com êxito a missão evangelizadora que lhes foram conferidas. As diversas despesas contraídas pela Paróquia que desempenha com competência suas atividades são quitadas através do dízimo e das ofertas coletadas. 47 7.5 UNIVERSO E AMOSTRA O universo da pesquisa abrange os fiéis, bispo e o Pároco da Paróquia Nossa Senhora Aparecida. Para Richardson (1999), universo é o conjunto de elementos que possuem determinadas características, e quando se deseja obter informações a respeito de algo, torna-se impossível colher de todos os indivíduos que formam parte do universo. Já a amostra, segundo Gil (1996), é uma pequena parte dos elementos que compõem o universo. Quando essa amostra é rigorosamente selecionada, prossegue o autor, “os resultados tendem a aproximar-se daqueles que seriam obtidos, caso fosse possível pesquisar todos os elementos do universo”. Assim, dos inúmeros fiéis que freqüentam a Paróquia, 40 fiéis responderam ao questionário que lhes fora apresentado, realizado-se ainda entrevista com o Arcebispo e o Pároco da Paróquia. 7.6 INSTRUMENTO DE COLETA E TRATAMENTO DOS DADOS Neste estudo utilizou-se como instrumento de coleta de dados o questionário fechado, realizado com os fiéis e a entrevista com o Arcebispo e o Pároco responsável pela paróquia pesquisada. Elaborou-se questionário fechado para identificar o perfil do corpo funcional e voluntário e ainda verificar o ponto de vista dos paroquianos sobre a gestão da Paróquia. Assim, a pesquisa se direciona ao uso de uma abordagem quantitativa, sendo desenvolvida no âmbito natural da situação que está sendo estudada (LUDKE, 1986). Segundo Ghiglione e Matalon (1970) o questionário corresponde a uma técnica de coleta de dados utilizada em pesquisa de campo de caráter quantitativo. Para Álvaro (2002), na técnica do questionário, o informante escreve ou responde por escrito a um elenco de questões cuidadosamente elaboradas. A entrevista foi aplicada ao Arcebispo Metropolitano da Paraíba utilizando-se de um gravador e outra aplicada ao Pároco da Paróquia Nossa Senhora Aparecida utilizando-se de um MP4. Conforme Richardson (1942, p. 160), a entrevista é uma técnica importante que permite o desenvolvimento de m a estreita relação entre as pessoas. É um modo de comunicação no qual determinada informação é transmitida de uma pessoa A a uma pessoa B. 48 8 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS Antes da descrição e interpretação dos dados, cumpre esclarecer que a amostra pesquisada adotou como critério de composição reunir um número considerável de fiéis da Igreja Nossa Senhora Aparecida, no Cristo Redentor e entrevista com o Arcebispo de João Pessoa e o Pároco responsável pela igreja. Este procedimento resultou na distribuição de 40 questionários que foram os aplicados, haja vista não poder definir um número exato de fiéis em razão da rotatividade. 8.1 O PERFIL DO CORPO FUNCIONAL E VOLUNTÁRIOS DA PARÓQUIA NOSSA SENHORA APARECIDA No gráfico 01, expõe-se o grau de escolaridade aplicados através de questionários a 40 fiéis da Paróquia Nossa Senhora Aparecida localizada no Bairro Cristo Redentor da Cidade de João Pessoa-PB. 3% 28% 25% ENSINO FUNDAMENTAL ENSINO MÉDIO ENSINO SUPERIOR NENHUM 44% Gráfico 01- Grau de escolaridade dos fiéis da Paróquia Nossa Senhora Aparecida. Fonte: dados da pesquisa, 2008. O que pode ser identificado pelo gráfico 1, é que dos 40 fiéis que responderam o questionário 28% possuem o ensino fundamental no seu grau de escolaridade, 44% possuem o ensino médio, 25% possuem o ensino superior e 3% nenhum grau de escolaridade. 49 Pode-ver no gráfico 2, a renda familiar dos fiéis da Paróquia Nossa Senhora Aparecida. 8% 27% MENOS DE 1 SALÁRIO 1 SALÁRIO MÍNIMO 42% 2 SALÁRIOS MÍNIMOS MAIS DE 5 SALÁRIOS MÍNIMOS 23% Gráfico 02 – Renda familiar dos fiéis da Paróquia. Fonte: dados da pesquisa, 2008. Percebe-se nos gráficos 01 e 02 o retrato de pessoas com grau de escolaridade de ensino médio e com renda familiar de 1 salário mínimo, isto quer dizer o quanto esta população é carente de capacitação e de recursos financeiros para sobreviver. Enxergando esta realidade pode-se perceber uma semelhança considerável com a situação em que vivia Jesus, homem de família pobre, portanto tinha pouco estudo e de pequena condição financeira, ele residia na Vila de Nazaré da Galiléia, região pobre formada por pessoas humildes e marginalizada. Sendo assim o líder cristão que está a frente de uma Paróquia inserida neste contexto, precisa se sensibilizar com as carências apresentadas por parte desta população que necessita de assistência espiritual e material. Existe na Paróquia Nossa Senhora Aparecida a pastoral da criança que ajuda a alimentar as crianças carentes com o trabalho social da multi-mistura. Este tipo de ação social é de extrema importância para aqueles que moram nas proximidades da Igreja, porém precisamos encontrar ainda mais mecanismos que insira as famílias no convívio social, para isto a Igreja precisa está presente através dos agentes cristãos nas Câmaras de Vereadores, Assembléia legislativa, para reivindicar condições melhores de vida para as famílias. Para Nogueira (2008, p.38), a instituição deve voltar-se para cada uma das pessoas envolvidas, não se limitando apenas ao clero, e sim para todas as pessoas que a compõem, sem exceção. Essa é a melhor receita para o sucesso da administração da instituição. 50 Ao se perguntar aos fiéis se participam de alguma pastoral existente na Paróquia, veja o que eles responderam, acompanhando o que mostra o gráfico 3: 40% SIM NÃO 60% Gráfico 03 – Participação dos fiéis nas pastorais. Fonte: dados da pesquisa, 2008. O que se percebe no gráfico 03, é a participação representativa da comunidade, embora esse número atinja apenas 60% das pessoas que freqüentam a paróquia. Uma grande quantidade de pessoas questionadas não participa de nenhuma pastoral, para que estes fiéis venham atuar nas pastorais e diversas atividades da Igreja fazem-se necessário o Pároco e todos os agentes comprometidos com o evangelho acolherem com muito amor estas pessoas para que elas se sintam chamadas a contribuírem com o reino de Deus. Isto pode ser feito através das celebrações, dos encontros promovidos pela Paróquia, no contato pessoal. O planejamento participativo é feito a partir da realidade e da reflexão da Palavra de Deus e dos ensinamentos da Igreja, do desejo de procurar e fazer a vontade de Deus na sociedade e na missão evangelizadora, o planejamento participativo permitirá o pensar e trabalhar juntos, o crescer na espiritualidade, o valorizar a diversidade de dons e serviços, o superar a improvisação e a rotina, o motivar o surgimento de novas lideranças e um maior dinamismo pastoral (ORFANO 2004). Caminhando ao longo do mar da Galiléia, viu dois irmãos: Simão (chamado Pedro) e André, seu irmão, que lançavam a rede ao mar, pois eram pescadores. E dise-lhes: “vinde após mim e vos farei pescadores de homens (Mt 4,18-19)”. Independente do grau de escolaridade, da classe social, da raça, todos precisam receber o chamado e ser capacitado a evangelizar a tantos outros que precisam sentir-se amados por Deus. 51 No que se refere à ação dos dizimistas, o gráfico 04 identifica a colaboração de 77% dos fiéis e 23% dos fiéis que não colaboram com o dízimo da Paróquia. Vejamos: 23% SIM NÃO 77% Gráfico 04 – Dizimistas da Paróquia. Fonte: dados da pesquisa, 2008. A maioria dos fiéis que responderam ao questionário são comprometidos com a pastoral do dízimo, mesmo grande parte dos questionados ganhando apenas 1 salário mínimo são conscientes da importância de sua contribuição. Para aqueles que não contribui com a pastoral do dizimo, precisam receber da parte do Pároco e demais lideres cristãos ensinamentos que esclareça o quanto se faz necessário esta contribuição. O dízimo é aplicado nas despesas com o culto, com o sacerdote, com o templo, na dimensão social ajuda aos mais necessitados e na dimensão missionária é aplicado nas despesas com a evangelização fora dos limites da comunidade, ajuda a outras Paróquias e comunidades. Segundo Nogueira (2008, p.43) Cabe aos fiéis a responsabilidade de contribuir financeiramente para o reparo e manutenção da casa de Deus. A Igreja não conta com ajuda financeira do governo para sua manutenção, despesas, etc. O dinheiro que entra para a Igreja através de dízimos e ofertas tem propósito exclusivo de mantê-la, tanto em sua manutenção quanto com as despesas gerais usadas por ela. O padre também deve ser remunerado, com parte do dinheiro estabelecido pela sua liderança. 52 8.2 O PONTO DE VISTA DOS PAROQUIANOS SOBRE A GESTÃO DA PARÓQUIA A partir do gráfico 5 será focada a importância da visão dos paroquianos acerca da atuação do Pároco na gestão das atividades vivenciadas nas pastorais e demais serviços da Paróquia. 30% SIM NÃO AS VEZES 3% 67% Gráfico 05 – Formação e capacitação dos fiéis para assumirem as pastorais. Fonte: dados da pesquisa, 2008. Como se pode ver, o gráfico 05 retrata que os fiéis questionados, 67% estão satisfeitos com a formação e capacitação oferecida pelos Frades, 30% dizem as vezes terem recebido formação e capacitação, e apenas 3% dizem não receber formação e capacitação. Dom Aldo Pagotto, em entrevista para esta pesquisa esclarece que a Igreja encontra-se bastante atrasada no tocante à formação e capacitação. Para ele, as pessoas têm boa vontade, porém não têm capacitação para exercer as atividades pastorais, correndo assim o risco de desperdiço e de frustrar aqueles que necessitarem dos serviços das pastorais. Com isto percebe-se que para se atingir as respostas que todos esperam obter e conquistar e desta forma conquistar de maneira voluntária os fiéis. As palavras de Dom Aldo Pagotto vem de encontro ao que diz Murad (1996). Para o autor, é importante que os fiéis participem colaborando para com os serviços diversos existentes na Igreja, é necessário desempenhando esforços que capacitem os mesmos a se profissionalizarem nas tarefas a eles delegadas. 53 A satisfação dos fiéis com relação a prestação de contas da pastoral do dízimo é mostrada no gráfico 06. Vejamos: 18% MUITO POUCO 57% 25% REGULAR Gráfico 06 – Prestação de contas da pastoral do dízimo. Fonte: dados da pesquisa, 2008. Pode-se perceber que não existe uma boa aceitação com a comunicação existente entre o Pároco e os fiéis questionados. Isto acarreta um esfriamento por parte daqueles que contribuem com o dízimo por não receber um retorno referente à como está sendo investido o dizimo da Paróquia. Para Nogueira (2008, p.47) evangelizar custa dinheiro e não devemos e não podemos esquecer que lidamos com o dinheiro da comunidade (dinheiro público), o que implica em uma maior responsabilidade, transparência, evitando o comprometimento do bom nome da instituição. Por este motivo cabe aos titulares informar ao povo a maneira como os recursos arrecadados foram empregados, estas informações prestadas aos fiéis não significa uma desconfiança da comunidade para com os seus gestores, mas em saber onde está sendo investido o dinheiro (NOGUEIRA, 2008). Segundo o Pároco da Igreja Nossa Senhora Aparecida no Cristo Redentor, Frei Luiz (2008): a divulgação realizada faz-se mensalmente através da reunião do Conselho Pastoral Paroquial (CPP) as lideranças das diversas pastorais e é apresentada aos fiéis através da secretária paroquial, isto porque existe um receito de assaltos aos Frades com a divulgação nas Celebrações das Missas (FREI LUIZ, 2008). 54 Por razões de segurança dos próprios Frades, poderia uma vez no mês ser exposto pelo Pároco a relação das entradas de dinheiro arrecadado pela pastoral do dízimo e em que foi investido este dinheiro, no próximo mês em uma data não comunicada poderá ser feita a divulgação da arrecadação, e assim sucessivamente. Quanto à estrutura da Paróquia, o gráfico 07 mostra que: 29% SIM NÃO 71% Gráfico 07 – Oferece conforto a estrutura da Paróquia. Fonte: dados da pesquisa, 2008. Os fiéis através do questionário que lhes foram apresentados, expressaram insatisfação com o teto da Igreja alegando a necessidade de manutenção, a troca do piso por ele se encontrar estragado pelo tempo, necessidade de janelas para arejar melhor a Igreja, a reforma do presbitério (local onde o Pároco realiza a Celebração da Missa). Para o Pároco, a estrutura física da Paróquia é pequena, por esta razão muitos procuram realizar casamentos em outras Igrejas, por não oferecer conforto suficiente aos fiéis das proximidades e dos bairros adjacentes. Em meio a tantas reclamações a Paróquia unida ao seu Pároco e as diversas lideranças buscarem maneiras de arrecadar recursos para ampliarem a Igreja no intuito de oferecer um maior conforto aqueles que a freqüentam. O que pode ser feito para obter dinheiro para as reformas seria promover eventos, como: feijoadas, shows, bingos, rifas, quermesses, para poder realizar uma reforma bem planejada, organizada, dirigida e controlada. 55 O gráfico 08, retrata o bom atendimento oferecido pela Paróquia Nossa Senhora Aparecida aos fiéis. Vejamos: 33% SIM NÃO 67% Gráfico 08 – Você recebe um bom atendimento da Paróquia. Fonte: dados da pesquisa, 2008. No gráfico 08, 67% dos fiéis dizem que estão satisfeitos com o atendimento prestado pela Paróquia e 33% ao precisar dos serviços da Paróquia dizem não serem bem atendidos. Os que estão satisfeitos com o atendimento alegam a disponibilidade dos Frades como requisito fundamental para este percentual. Aqueles que não estão satisfeitos dizem não ser bem atendidos pela secretária da Paroquial e muitas vezes encontrar a secretária fechada. Dom Aldo Pagotto disse que está aparelhando a Cúria, bem como as Paróquias para poder melhor preparar as pessoas, a começar pelos Padres, secretárias paroquiais e agentes das pastorais, oferecendo cursos e treinamentos. O Pároco disse que a secretária da Paróquia foi treinada na Cúria da Arquidiocese da Paraíba e mensalmente recebe formação. Percebemos uma insatisfação dos paroquianos com relação ao atendimento da secretária paroquial, mesmo elas tendo recebido da Cúria cursos e treinamentos, sendo assim faz-se necessário por parte do gestor cristão a sensibilidade de recrutar uma pessoa que não só seja competente no que se refere a conhecimentos científicos, mas que tenha experimentado o amor de Deus e que seja uma pessoa extremamente acolhedora, altruísta, pró-ativa, simpática, amável, estas características cabem também a todos os voluntários que exercem atividades dentro da Igreja. 56 O gráfico 09 demonstra o que os fiéis acham da atuação do Pároco. 3% 28% RUIM BOA REGULAR 54% ÓTIMA 15% Gráfico 09 – Atuação do Pároco. Fonte: dados da pesquisa, 2008. No gráfico 09, 3% dos fiéis questionados disseram que a atuação do Pároco é ruim, 54% disseram ser boa, 15% acham a atuação regular e 28% dos fiéis disseram que a atuação do Pároco é ótima. Este gráfico é bastante importante para identificar a necessidade que se tem em melhorar a atuação do Pároco na gestão de sua Paróquia. Para o Pároco o modelo de gestão adotado na Paróquia é espiritual, que tem como principal objetivo levar os fiéis a terem um encontro com Jesus Cristo Ressuscitado. Isso vem de encontro ao pensamento de Murad (2007, p. 155), de que gestão é a competência e a arte para gerenciar processos e liderar pessoas, em vista da missão de qualquer organização. Para Dom Aldo o modelo de gestão da Igreja se equipara a de uma empresa, em que a Igreja tem como produto a fé e as boas obras. Percebemos que existe uma carência de todos os lideres cristãos acerca dos conhecimentos básico da gestão, isto significa dizer que faz-se necessário ampliar as disciplinas no seminário que aborde disciplinas na área de gestão para poder assim conciliar de maneira satisfatória à Teologia e Filosofia em meio a toda uma espiritualidade própria da Igreja Católica. 57 No gráfico 10, teve-se a curiosidade de saber se a família do fiel questionado teria recebido a visita de alguns dos Frades. 13% 28% SIM NÃO ALGUMAS VEZES 59% Gráfico 10 – Famílias visitadas pelos Frades. Fonte:dados de pesquisa, 2008. Percebe-se que 28% dos fiéis responderam que foram visitados pelos Frades da Paróquia, 59% disseram que nunca receberam visitas dos Frades e 13% falaram que algumas vezes foram visitados. Para Dom Aldo, “faz-se necessário agentes da Igreja saírem ao encontro das famílias em suas residências, haja vista a importância de todos serem evangelizados”. O mundo moderno está exigindo da Igreja mudança substancial no seu modo de levar a mensagem evangélica às pessoas. Por sua vez, a Igreja não pode encontrar estes novos modos de falar ao coração das pessoas sem que ouça, ausculte, sinta o que lhes vai à alma, como observa Nogueira (2008). Existiu um tempo em que os fiéis se deslocavam de suas residências para irem a Igreja, hoje percebemos o quanto se faz necessário o Pároco criar uma pastoral missionária, que capacite e motive os voluntários através de aprofundamentos bíblicos e formação humana para partirem ao encontro de todos aqueles que estão em suas casas, nas repartições, universidades, Câmaras e Assembléias Legislativas, enfim em todos os lugares, para poder anunciar o evangelho e denunciar as injustiças. Perguntando-se aos fiéis da Paróquia Nossa Senhora Aparecida se eles estão capacitados para evangelizar as famílias da sua Paróquia e o que os fiéis acham da formação oferecida pelas pastorais. 58 Vejamos o que os fiéis responderam acompanhando o gráfico 11 e 12: 43% SIM NÃO 57% Gráfico 11 – Os fiéis sentem-se capacitados para evangelizar as famílias. Fonte: dados da pesquisa, 2008. 13% 3% RUIM BOA 27% REGULAR 57% ÓTIMA Gráfico 12 – Formação oferecida pelas pastorais. Fonte: dados da pesquisa, 2008. Percebe-se a necessidade de oferecer capacitação aos fiéis através de cursos e treinamentos para poder assim atender aos apelos da missão da Igreja que é de evangelizar. Para Dom Aldo, a Igreja encontra-se bastante atrasada no tocante a formação. As pessoas têm boa vontade, porém não tem capacitação. O ensino, aprendizagem e a habilidade são requisitos essenciais para que a Igreja caminhe rumo a bons resultados. 59 Para o Pároco, os jovens que estão nas suas casas e na sociedade não são atingidos pela mensagem da Igreja por causa da linguagem que não está sendo adequada para trazê-los para Deus. Segundo Nogueira (2008, p. 44), o crescimento da Igreja acontece quando cada membro é treinado e está envolvido em um dos programas dela, pois, é o que os líderes que dela participam desejam. É preciso recrutar, treinar e “conectar” pessoas aos vários programas. Espera-se que isto garanta o crescimento da Igreja. Existe uma disparidade entre o gráfico 05, onde diz que a maioria dos pesquisados estão satisfeitos com a formação e capacitação, e em contra partida o gráfico 11 diz que a maioria dos pesquisados não se sentem preparados para evangelizar as famílias. Percebemos com isto a importância de termos um encontro pessoal com Jesus Cristo, e logo após recebermos formação bíblica e da doutrina dos Apóstolos, para poder assim transmiti-la a outras pessoas. 8.3 AÇÕES E ESTRATÉGIAS DESENVOLVIDAS NA PARÓQUIA. As ações e estratégias proferidas pelo Pároco da Paróquia Nossa Senhora Aparecida tem por finalidade atrair os fiéis a participarem das atividades promovidas pela Paróquia, no intuito de exercer a missão conferida a Igreja que é de evangelizar. Para isto os lideres das diversas pastorais e serviços da Paróquia juntamente com o Pároco planejam maneiras de atingir a todos. Existem diversas maneiras de buscar chegar aos fiéis, tanto aqueles que esporadicamente participam das Missas, quanto àqueles que por diversas razões não se sentem estimulados a freqüentar e assumir compromissos com a Igreja. Para as crianças, existe a pastoral e o trabalho social que ajuda a alimentar as crianças carentes (multimistura), para os casais retiros e Encontro de Casais com Cristo, seminário de vida no Espírito Santo promovido pela Renovação Carismática Católica, para os idosos existe a pastoral da terceira idade, para os pretendem casar-se existe o curso de noivos, para os indecisos acerca da sua vocação existe a pastoral vocacional, é realizado festas sociais, visita aos doentes, procissões em épocas comemorativas, a Paróquia evangeliza através de um site. Quanto as ações de cunho financeiro, a Paróquia utiliza-se do dinheiro arrecadado através do dízimo e das ofertas para atender a todas as dispersas existentes e promover através das estratégias extraídas das reuniões maneiras de evangelizar. Existe uma equipe de 60 voluntários engajados na pastoral do dízimo das comunidades que se deslocam as casas dos fiéis para recolher o dízimo, enquanto as ofertas são recebidas durante as celebrações. Diante de todas estas ações e estratégias percebe-se por parte dos agentes que atuam nas mais variadas atividades da Paróquia extrema boa vontade, porém falta-lhes capacitação para de maneira planejada, organizada, dirigida e controlada atingir os objetivos traçados pela Paróquia. Para o Arcebispo da Paraíba a Igreja encontra-se bastante atrasada no tocante a formação. As pessoas têm boa vontade, porém não tem capacitação para exercer as atividades pastorais, ele diz que corremos o risco de desperdiçar tempo e frustrar as pessoas. O ensino, aprendizagem e a habilidade são requisitos essenciais para que a Igreja caminhe com qualidade (DOM ALDO PAGOTTO). O planejamento participativo é feito a partir da realidade e da reflexão da Palavra de Deus e dos ensinamentos da Igreja, do desejo de procurar e fazer a vontade de Deus na sociedade e na missão evangelizadora, o planejamento participativo permitirá o pensar e trabalhar juntos, o crescer na espiritualidade, o valorizar a diversidade de dons e serviços, o superar a improvisação e a rotina, o motivar o surgimento de novas lideranças e um maior dinamismo pastoral (ORFANO 2004). Segundo Chiavenato (2000, p.203,204), para que o planejamento e a organização possam ser eficazes, eles precisam ser dinamizados e complementados pela orientação a ser dada às pessoas por meio de uma adequada comunicação e habilidade de liderança e de motivação. 8.4 PRINCIPAIS DESAFIOS ENFRENTADOS PELA PARÓQUIA. Para o Pároco da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, os principais desafios enfrentados na sua gestão são “a desestruturação familiar provocada pelas separações, o individualismo provocado pela modernização onde as pessoas se isolam diante de um computador ou de uma televisão e esquece a importância de viver vida comunitária”. A Paróquia está instalada na periferia, aonde acontecem muitas vezes assaltos, amedrontando por sua vez os fiéis a saírem de casa, por causa dos inúmeros atrativos que é oferecido ao jovem por sua vez terminam se envolvendo com drogas, alcoolismo, prostituição, distanciando-se assim de Deus e da sua Igreja, nossa linguagem não está atingindo os jovens e não temos estrutura para irmos ao encontro deles, o fator econômico 61 afasta e inibe as pessoas de irem a Igreja, estrutura física é pequena por esta razão muitos procuram realizar casamentos em outras Igrejas. Para Dom Aldo os principais desafios está em atrair aquelas pessoas que se distanciaram da Igreja por terem de trabalhar o dia inteiro em busca do ganha-pão, outro desafio é como oferecer segurança para os fiéis, já que a violência se encontra dentro e fora da Igreja, outro desafio está relacionado a que antigamente os fiéis católicos só recebiam, hoje eles dão a sua colaboração, para isto precisa justamente os gestores cristãos se capacitarem para poder treinar e capacitar aqueles que são pró-ativos nas atividades da Igreja. Conforme Nogueira (2008, p.40), todo padre deveria fazer, também, um bom curso de administração de empresa, os padres e todos os lideres da igreja devem ter uma boa visão sobre o que é administrar recursos humanos e materiais. Especialmente hoje em dia, em que quase tudo é meio parecido em termos tecnológicos, o grande diferencial é o componente humano. E disso a igreja deveria entender e dar aulas. Percebe-se a necessidade da capacitação do Pároco, do corpo funcional e de todos os voluntários que atuam como agentes nas pastorais e demais atividades. Romper com os preconceitos, comodismo, indiferença torna-se um desafio para atingir um modelo de gestão que venha atender as necessidades espirituais próprias de uma instituição religiosa e meios de atingir resultados satisfatórios através de lideranças capacitadas para a missão. O que foi apresentado e interpretado aqui, através da aplicação dos questionários aos fiéis da Igreja Nossa Senhora Aparecida no Cristo Redentor, e de entrevista realizada com o Arcebispo da Paraíba Dom Aldo Pagotto e ao Pároco Luiz, pode-se associar ao conceito de gestão que, como esclarece Murad (2007, p. 155), é “a competência e a arte para gerenciar processos e liderar pessoas, em vista da missão de qualquer organização”. Espiritualidade, por sua vez, é o processo da experiência de fé, pessoal e comunitária, que motiva as ações e alimenta as convicções mais profundas. 62 9 CONSIDERAÇÕES FINAIS Nos tempos modernos torna-se imprescindível a aplicação da gestão por parte da Igreja Católica, sendo a gestão a arte e a competência de liderar pessoas e de coordenar processo em vista de realizar a sua missão. O estudo monográfico conseguiu demonstrar um processo evolutivo com relação a antigos costumes que eram intocáveis e com a modernidade a Igreja vem, ao passar dos anos, se adequando aos novos modelos de geri-la. Gradativamente a Igreja Católica vai percebendo o importante papel dos fiéis na ação evangelizadora, mesmo mantendo-se conservadora e tradicionalista. Isto se deu após o Concílio Vaticano II, em que aos poucos as Paróquias e as comunidades foram organizando equipes de trabalhos pastorais, conselhos, coordenações que de modo participativo e comunitário ajudam nas atividades da Igreja. Esta condição que outrora não existia oferece aos seus lideres um desafio de rompimento com antigos paradigmas que faziam dos seus fiéis meros ouvintes da Palavra de Deus, com esta nova primavera na Igreja quem era apenas um coadjuvante é chamado a ser protagonista em comunhão com Pároco que está à frente da Paróquia a ele confiada. Esta participação do corpo funcional, bem como de todos os voluntários que se dispõem a servir necessitam de capacitação que harmonize a espiritualidade, razão primordial da presença das pessoas na Igreja com a gestão que atua no como planejar, organizar, dirigir e controlar os recursos humanos e financeiros. A prática da gestão torna-se também um desafio para o líder cristão no que tange a ruptura com a centralização das atividades, passando a desempenhar planejamentos participativos onde os fiéis possam expressar suas opiniões e atuarem como lideres nas diversas frentes de missão da Paróquia. O estudo de campo foi de grande profundidade nesta pesquisa, por estar direcionado à Paróquia Nossa Senhora Aparecida no Cristo Redentor. Foram elaborados questionários e aplicados aos fiéis, tendo também incluso neste trabalho entrevista com o Arcebispo e o Pároco da Paróquia com a finalidade de responder a seguinte problemática: qual o modelo de gestão abordado pela Paróquia Nossa Senhora Aparecida e os seus principais desafios? Em relação aos dados obtidos nesta pesquisa, percebe-se claramente a importância da gestão para que haja um bom desempenho das tarefas da Paróquia. O resultado da pesquisa conseguiu registrar dados favoráveis para aplicação da gestão dentro da Paróquia Nossa Senhora Aparecida. A maioria daqueles que respondeu ao questionário disse participar de alguma pastoral e são dizimistas, demonstrando assim o comprometimento com a Igreja, expressando com isto a importância de capacitá-los para essa missão e o quanto importante 63 são os recursos financeiros para a manutenção e execução das ações e estratégias evangelizadoras da Paróquia. A maioria dos fiéis que responderam os questionários tem o ensino médio, ganha 1 salário mínimo, participa de alguma pastoral e são dizimistas. Isto nos faz perceber a abertura da Igreja Católica aos leigos, condição esta que outrora não existia, haja vista a um fechamento por aqueles que compunham o clero, contudo nos dias atuais a Igreja busca paulatinamente meios de como capacitar este capital humano e de como gerir os recursos que servirão para a execução das atividades da Paróquia. Encontrou-se um dado preocupante apresentado pelos fiéis que responderam ao questionário no que tange ao ponto de vista dos paroquianos sobre a gestão da Paróquia, a maioria está insatisfeita com a prestação de contas dos recursos arrecadados através do dízimo. Um outro requisito é o desconforto da estrutura física da Paróquia e a necessidade de um aprimoramento na formação e capacitação dos funcionários para exercerem suas funções e dos voluntários para atuarem nas pastorais e demais atividades da Igreja. Nas entrevistas realizadas colocou-se em pauta a importância da gestão na atuação de todos os membros que assumem atividades dentro da Igreja. Foi pontuada a importância dos cursos, treinamentos e habilidades da parte dos Padres, secretárias paroquiais e agentes das pastorais. A gestão de uma Instituição religiosa equipara-se as empresas, diferenciando-se nos objetivos onde a Igreja tem como missão a evangelização e a empresa tem como meta a lucratividade. Para uma Paróquia poder desempenhar bem a sua missão faz-se necessário a espiritualidade em harmonia com os benefícios que o conhecimento e a prática de uma boa gestão trás como benefícios e a habilidade de planejar ações e estratégias para arrecadar recursos financeiros para por em prática a missão de evangelizar. Os desafios foram apresentados como requisitos a serem solucionados através da capacitação para poder através de uma linguagem clara e simples atingir os diversos públicos que estão dentro e fora da Igreja. Para finalizar, é importante ressaltar que o estudo abordou a gestão como subsidio fundamental em parceria com a espiritualidade, que é a razão maior da presença dos fiéis na Igreja, para implementar ações e estratégias que consigam atingir os objetivos que a Instituição almeja alcançar, que é justamente anunciar a Palavra de Deus a toda criatura. 64 REFERÊNCIAS BEOREN, Ilse Maria. Como elaborar trabalhos monográficos: teoria e prática. 2.ed., São Paulo: Atlas, 2004. BÍBLIA SAGRADA: Tradução da CNBB. Edições Loyola, São Paulo, 2001. CECHINATO, Luiz. Os vinte séculos de caminhada da Igreja: principais acontecimentos da cristandade, desde os tempos de Jesus até João Paulo II / Luiz Cechinato. – Petrópolis, RJ: Vozes, 1996. CHIAVENATO, Idalberto. Administração nos novos tempos. 2 ed. Rio de Janeiro: Campus, 1999. CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à teoria geral da administração. 6. ed. Rio de Janeiro: Campus, 2000. DRUCKER, Peter Ferdinand. Administração em organizações sem fins lucrativos: princípios e práticas / Peter F. Drucker: tradução Nivaldo Montingelli Jr. – São Paulo: Pioneira, 1994. DRUCKER, Peter Ferdinand. O melhor de Peter Drucker: a administração / tradução de Arlete Simille Marques. – São Paulo: Nobel, 2001. FERREIRA, Admir Antonio Ferreira; REIS, Ana Carla Fonseca; PEREIRA, Maria Isabel Pereira. /gestão empresarial: de Taylor aos nossos dias: evolução e tendências da moderna administração de empresas. São Paulo: Pioneira, 1997. 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São Paulo: Atlas, 1995. 66 APÊNDICE 67 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE JOÃO PESSOA – UNIPÊ CURSO DE ADMINISTRAÇÃO APÊNDICE – A (Questionário) Questionário aplicado em uma amostra de 40 fiéis, com o objetivo de identificar o perfil do corpo funcional e voluntários da Paróquia, verificar também o ponto de vista dos paroquianos sobre a gestão da Paróquia. 1) Qual o seu grau de escolaridade? Ensino Fundamental ( ) Ensino Médio ( 2) Qual a RENDA FAMILIAR? Menos de 1 salário ( ) 1 salário mínimo ( salários mínimos ( ) ) Ensino Superior ( ) ) 2 salários mínimos ( nenhum ( ) ) mais de 5 3) Você participa de alguma pastoral da Paróquia? SIM ( ) NÃO ( ) 4) A formação oferecida pelas pastorais aos paroquianos é: Ruim ( ) boa ( ) regular ( ) ótima ( ) 5) Você é dizimista da Paróquia Nossa Senhora Aparecida? SIM ( ) NÃO ( ) Por quê?__________________________________________ 6) Você está satisfeito com a prestação de contas da Pastoral do Dízimo? Muito ( ) pouco ( ) regular ( ) 7) A estrutura da Igreja oferece conforto aos paroquianos? SIM ( ) NÃO ( ) o que falta?_________________________________________ 8) Você recebe um bom atendimento quando necessita dos serviços da Paróquia? SIM ( ) NÃO ( ) por quê?____________________________________________ 9) O que você acha da atuação do seu Pároco? Ruim ( ) Boa ( ) regular ( ) Ótima ( ) 10) A sua família já foi visitada por alguns dos frades da paróquia Nossa Senhora Aparecida? SIM ( ) NÃO ( ) algumas vezes ( ) 11) Os frades oferecem formação através de estudo bíblico e capacitação para assumir as pastorais? SIM ( ) NÃO ( ) As Vezes ( ) 12) Você se sente preparado como paroquiano para evangelizar as famílias da sua paróquia? SIM ( ) NÃO ( ) Porque?__________________________________________ 68 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE JOÃO PESSOA – UNIPÊ CURSO DE ADMINISTRAÇÃO APÊNDICE B – Roteiro da Entrevista ENTREVISTA COM O PÁROCO 1) Frei Luiz, quais são os desafios enfrentados pelo Sr. na gestão da Paróquia Nossa Senhora Aparecida? 2) Que estratégica a Paróquia utiliza-se para arrecadar recursos financeiros, em que é investido e se existe mensalmente uma prestação de contas disponível aos paroquianos? 3) Os líderes das pastorais receberam formação para exercerem tais funções? 4) Como um líder cristão trabalhar com o poder de gerir a Igreja e o que ele faz para não centralizar tudo em si? 5) Quais os projetos para melhorar a estrutura da Paróquia? 69 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE JOÃO PESSOA – UNIPÊ CURSO DE ADMINISTRAÇÃO APÊNDICE C – Roteiro da Entrevista (com o Arcebispo da Paraíba) ENTREVISTA COM DOM ALDO PAGOTTO 1) Qual o modelo de gestão e os seus desafios enfrentados pela Igreja Católica? 2) Como um líder cristão trabalhar com o poder de gerir a Igreja e o que ele faz para não centralizar tudo em si? 3) O que a Igreja faz para animar e profissionalizar os membros das Pastorais?