P PROG RAMA A DE DESEN D NVOLV VIMEN NTO DO O TUR RISMO O, DA AGRIC A CULTU URA FA AMILIA AR E DA D MINERA AÇÃO P PARA A REG GIÃO METRO M OPOLITANA A DO V VALE DO RIO C CUIABÁ Á A Assoc iação Mato-G M Grossense do os Mun nicípios s 2012 Corpo Técnico Desenvolvimento Econômico Meraldo Figueiredo Sá - Presidente AMM Maurício Munhoz Ferraz - Superintendente Executivo Emanuelle Thibes Hachmann - Coordenadora Técnica e de Projetos Equipe Técnica Welito Lacerda da Silva - Gerente de Desenvolvimento Econômico Leandro Protti Aprea Duarte - Assessor Técnico Consultoria Luciane Souza Catalá - Socióloga Colaboradores AMM: Leila Marilsa Fraga - Assessora Técnica Luciana Nascimento Silva - Engenheira Sanitarista Iasmin Cristim Freitas - Estagiária Janyne Lourenço Moura - Menor Aprendiz APDM: Fátima Dragoni - Consultora Letícia de Arruda Monteiro - Assistente Social Danielle Fernanda Ribeiro - Turismóloga 1 Agradecimentos Agradecemos aos prefeitos: Meraldo Figueiredo Sá (Acorizal) Marcelo Ribeiro Alves (Barão de Melgaço) Flávio Daltro (Chapada de Guimarães) Francisco Bello Galindo Filho (Cuiabá) Valdecir Kemer (Jangada) José Carlos da Silva (Nobres) Zenildo Pacheco Sampaio (Nossa Senhora do Livramento) Jamar da Siva Lima (Nova Brasilândia) Dênio Peixoto Ribeiro (Planalto da Serra) Arlindo Marcio Moraes (Poconé) Joemil José Bauduino de Araújo (Rosário Oeste) Harrison Benedito Ribeiro (Santo Antônio de Leverger) Sebastião dos Reis Gonçalves (Várzea Grande) e aos secretários municipais, pela imprescindível colaboração em nosso trabalho. Agradecemos também, pelas valiosas ideias e sugestões, o consultor Mário Timiraos, o economista Aureliano Levy Dias de Campos, e especialmente o deputado estadual José Riva. 2 Sumário Apresentação ..................................................................................................................... 5 Mapa em Construção ................................................................................................... 6 Introdução ............................................................................................................................ 7 Patamares econômicos e sociais da RMVRC .......................................... 7 O programa .................................................................................................................. 10 Abordagem sistêmica ............................................................................................ 11 Turismo ................................................................................................................................. 13 Potencial econômico do turismo ..................................................................... 13 Perspectivas e desafios do turismo .............................................................. 15 Turismo doméstico .................................................................................................. 19 Instrumentos financeiros para o turismo .................................................... 21 Agricultura Familiar ................................................................................................... 23 Potencial econômico da agricultura familiar ............................................ 23 Perspectivas e desafios da agricultura familiar ..................................... 24 Instrumentos financeiros para a agricultura familiar ........................... 31 Mineração .......................................................................................................................... 33 Potencial econômico da mineração .............................................................. 33 Perspectivas e desafios da mineração ....................................................... 34 Infraestrutura .................................................................................................................... 36 A importância dos investimentos em infraestrutura ........................... 36 Saneamento básico e saúde ........................................................................... 38 Sugestões ........................................................................................................................... 40 Considerações Finais ................................................................................................ 44 Municípios .......................................................................................................................... 45 Acorizal ........................................................................................................................... 46 Barão de Melgaço .................................................................................................... 53 Chapada dos Guimarães ..................................................................................... 60 3 Cuiabá ............................................................................................................................. 73 Jangada.......................................................................................................................... 81 Nobres ............................................................................................................................. 87 Nossa Senhora do Livramento ........................................................................ 94 Nova Brasilândia ..................................................................................................... 102 Planalto da Serra .................................................................................................... 107 Poconé .......................................................................................................................... 112 Rosário Oeste ........................................................................................................... 123 Santo Antônio de Leverger ............................................................................... 129 Várzea Grande ......................................................................................................... 135 Referências Bibliográficas ................................................................................... 141 Glossário de Siglas .................................................................................................. 146 4 Apresentação Diante das oportunidades que se apresentam em função da Copa do Mundo da FIFA de 2014, da qual a capital do estado será uma das sedes, a AMM, no intuito de indicar alternativas para diminuir as desigualdades regionais de Mato Grosso, elaborou este programa para o desenvolvimento socioeconômico da Região Metropolitana do Vale do Rio Cuiabá. As oportunidades trazem inúmeros desafios, na medida em que, para atender as demandas do fluxo turístico e dos novos empreendimentos, são necessárias infraestrutura, mão-de-obra qualificada e uma ampla gama de serviços, em uma região que, a despeito de seu potencial, não apresenta dinamismo econômico, com municípios de PIB per capita muito abaixo da média estadual, e com um alto índice de desemprego. Nesse cenário de desafios, a AMM levantou a atualidade e as necessidades de cada município da região, em busca de suas potencialidades e dos entraves que prejudicam seu aproveitamento eficaz, entendendo que esse aproveitamento é a chave para um desenvolvimento socioeconômico concreto, por considerar as especificidades e as riquezas de cada lugar. Considerar as potencialidades locais significou dar destaque não só ao turismo como à agricultura familiar, que, ao ampliar sua capacidade produtiva poderá inclusive garantir o abastecimento do setor turístico, multiplicando assim os impactos econômicos das atividades turísticas dentro da própria região. No decorrer do trabalho, a mineração foi também incorporada ao trabalho como um de seus pontos chave, pela importância e potencialidade que apresenta na região, contraposto a um rendimento abaixo da capacidade. No processo de construção deste trabalho, foi fundamental a contribuição dos gestores públicos, para que pudesse contemplar da forma mais aprofundada e atualizada possível as necessidades e prioridades de toda a região, fornecendo os instrumentos para o desenvolvimento integrado dos municípios. Meraldo Figueiredo Sá 5 MAPA EM CONSTRUÇÃO A gerência contribuiu com a elaboração de um mapa econômico, que identifica as potencialidades dos municípios; O mapa foi elaborado com base em informações de fontes oficiais estaduais e federais; O objetivo do mapa é identificar os principais aspectos econômicos dos municípios, as principais culturas agrícolas, indústrias, pecuária, potencial turístico, assentamentos e área de preservação ou indígena; A ferramenta de análise dos dados econômicos está receptiva a novos dados fornecidos pelas prefeituras. 6 Introdução Patamares econômicos e sociais da RMVRC Mato Grosso, em 2009, apresentou um crescimento no Produto Interno Bruto – PIB de 7,32% em relação a 2008, somando R$ 57.294.192.000,00 (IBGE). Porém, mesmo com tamanha expressividade econômica, conforme dados do IBGE, apenas 39 municípios mato-grossenses (27,5%) têm PIB per capita igual ou superior ao PIB per capita estadual, que corresponde a R$ 19.087,30; diferentemente dos 102 que compõem a grande maioria (72,5%), cujo PIB per capita encontra-se abaixo do estadual, conferindo a tais municípios o status de economicamente moderados ou exauridos, conforme classificação desenvolvida pela AMM. De acordo com essa classificação, economia exaurida é aquela cujo PIB per capita está abaixo da média estadual, e sua população não está em crescimento, enquanto a moderada também detém um PIB per capita abaixo da média estadual, mas sua população está crescendo. Uma economia é considerada dinâmica quando, além de sua população apresentar crescimento, seu PIB per capita ultrapassa em 50% a média do estado, sendo considerada crescente aquela que também apresenta crescimento populacional e ultrapassa a média estadual do PIB per capita, embora não a supere em 50%. No estado, 33 municípios são economicamente exauridos, 69 moderados, 19 crescentes e 20 dinâmicos. O maior exemplo da realidade discrepante do estado é a Região Metropolitana do Vale do Rio Cuiabá, composta em seu núcleo pelos municípios de Cuiabá, Várzea Grande, Nossa Senhora do Livramento e Santo Antônio de Leverger, e em seu entorno pelos municípios de Acorizal, Barão de Melgaço, Chapada dos Guimarães, Jangada, Nobres, Nova Brasilândia, Planalto da Serra, Poconé e Rosário Oeste. Dentre os municípios da região, nenhum está classificado como de economia crescente ou dinâmica, sendo 6 deles considerados como de economia exaurida, ou seja, além de apresentarem um PIB per capita abaixo do estadual, sua população está decrescendo. Mesmo a capital, Cuiabá, com seu PIB total de R$ 7 9.816.819.000,00 (IBGE), apresenta uma economia moderada, ao considerarmos a renda proporcionalmente ao tamanho de sua população (com PIB per capita de R$ 17.830,54). Uma pesquisa realizada em 2011 pela AMM, para levantamento da situação da ocupação e do desemprego na RMVRC, entrevistou 8.200 pessoas. A pesquisa revelou grande disponibilidade de mão-de-obra, principalmente pelo alto índice de desemprego constatado entre jovens de 16 e 24 anos, moradores da periferia desses municípios. Em Cuiabá, por exemplo, 7% da população com idade superior a 16 anos estavam desempregados, porém nos bairros periféricos esse índice alcançou 20%, sendo que 80% tinham idade entre 16 e 24 anos. A pesquisa constatou também um grande fluxo migratório nos municípios da região, indicando sua estagnação econômica, na medida em que é a falta de emprego que mobiliza a migração. Dos entrevistados que residiam em Várzea Grande, 24% trabalhavam em Cuiabá, 2% nos demais municípios da região, 8% em outras localidades, e apenas 66% na própria cidade. Nos municípios pesquisados, verificou-se também grande quantidade de empreendimentos informais na área urbana e crescente dependência da renda proveniente da aposentadoria. Outro dado, que também reforça a constatação do baixo desenvolvimento econômico e social da RMVRC, é o indicador chamado IDS-M - Índice de Desenvolvimento Social Municipal, também elaborado pela AMM e instituído em 2010 pela Assembleia Legislativa do Estado. Este indicador foi inspirado no IDH, divulgado pela ONU, e que considera três dimensões básicas da existência humana: um padrão de vida digno (critério “renda”), o acesso ao conhecimento (critério “educação”) e uma vida longa e saudável (critério “saúde”). O IDS-M, por sua vez, acrescenta às três dimensões uma nova: o desenvolvimento sustentável, introduzindo o critério ecológico (considerando o número de focos de incêndios e queimadas). A escala do IDS-M vai de 0 a 1, sendo a média da RMVRC de apenas 0,498, enquanto a média dos 128 municípios restantes, mesmo de regiões com vocações econômicas distintas, soma 0,527. O IDS-M, por incorporar dados atualizados anualmente (exceto o indicador saúde, baseado nos censos 8 decenais do IBGE), aproxima-se mais da realidade dos municípios matogrossenses. Só ele é capaz de indicar, por exemplo, que, apesar da alta renda pessoal ou familiar constatada em Cuiabá, já que residem nela grandes comerciantes, pecuaristas, empresários, servidores que ocupam altos cargos, etc., ao se considerar o critério renda com base no valor adicionado per capita, ou seja, na riqueza gerada no ano (dado disponibilizado anualmente pela SEFAZ-MT), a cidade detém um índice inferior ao de outros municípios, principalmente os grandes produtores agrícolas. Considerando que os 141 municípios do estado distribuem-se em 101 colocações no ranking do IDS-M referente à Mato Grosso, e que o índice mais alto desse ranking consiste em 0,690 e o mais baixo em 0,367, a tabela a seguir evidencia o baixo desenvolvimento econômico e social da região como um todo: Município População 2010 IDS-M Posição no ranking Acorizal 5.516 0,509 61º Barão de Melgaço 7.591 0,387 99º Chapada dos Guimarães 17.799 0,534 47º Cuiabá 551.350 0,509 61º Jangada 7.696 0,460 84º Nobres 15.011 0,661 6º Nossa Senhora do Livramento 11.592 0,509 61º Nova Brasilândia 4.593 0,452 89º Planalto da Serra 2.726 0,577 26º Poconé 31.778 0,425 97º Rosário Oeste 17.682 0,449 90º Santo Antônio de Leverger 18.409 0,445 91º Várzea Grande 252.709 0,563 33º Fontes: IBGE /AMM 9 O programa Foi essa realidade econômica e social que motivou o processo de elaboração de um programa de desenvolvimento econômico e social para a RMVRC, que se encontra diante das oportunidades e dos desafios trazidos com a Copa do Mundo FIFA de 2014, da qual será uma das sedes. Nesse cenário, tornam-se ainda mais importantes ações realmente efetivas em infraestrutura, serviços e qualificação, para que o fluxo turístico e as atividades econômicas desencadeadas por ele possam reverter em benefícios concretos e permanentes para toda a região. A AMM, cuja principal missão é congregar os interesses dos municípios, oferecendo meios para que possam implementar de forma integrada projetos de desenvolvimento, pretende, com este programa, que tem o potencial de embasar inúmeros projetos, indicar caminhos para que os 13 municípios da RMVRC possam gerar emprego e renda, dando lugar a uma nova realidade. Esses caminhos visam, a partir de um conhecimento aprofundado das potencialidades locais, à diversificação das atividades econômicas dos municípios, para que se tornem competitivos, menos dependentes das variações externas e promovam o pleno emprego. Dessa forma, diante da riqueza do território local, é assegurado o aproveitamento das oportunidades já existentes, como sua vocação agrícola, extrativista e atratividade turística, que, nas economias onde recebem investimentos apropriados, tornam-se os principais fatores de fomento econômico e inclusão social. Especialmente na área do turismo, muitos são os estudos que diagnosticam e elaboram planejamentos para o desenvolvimento turístico no estado. Entretanto, falta um programa recente especificamente voltado para a RMVRC, e combinando o turismo às demais vocações existentes, partindo de dados novos e atualizados e com uma abordagem sistêmica. Dessa forma, este programa tem a função de disseminar, além de experiências bemsucedidas no estado, a atualidade, oportunidades e dificuldades dos municípios da região, indicando suas causas e consequências diretas e indiretas, e propondo soluções de curto e longo prazo, em escala local e regional, 10 elucidando sua relação com o conjunto das atividades econômicas e com a demanda por serviços públicos. Abordagem sistêmica No cenário global atual, em que a urbanização é crescente, e grandes índices de desempenho econômico não significam necessariamente qualidade de vida, é preciso fomentar uma racionalidade em cadeia, capaz de articular o econômico e o social, e assim aliar o crescimento da economia ao bem-estar social. À medida que as atividades econômicas incorporam mais conhecimento, tecnologias e trabalho indireto, dependem cada vez mais de investimento em formação, saúde, cultura, lazer, informação, fazendo com que a dimensão social torne-se fundamental para a economia, ao passo que a qualidade de vida torna-se o objetivo final da sociedade. Porém, ao se urbanizar de forma rápida e sem a infraestrutura necessária, o Brasil tem seus recursos muitas vezes mal gastos, em ações de efeitos cosméticos, incapazes de resolver verdadeiramente a problemática social, e a crescente demanda por bens públicos (DOWBOR, 2001). Assim, a racionalidade em cadeia deve ter prioridade sobre o raciocínio microeconômico, por incorporar às decisões, sejam elas empresariais, governamentais, individuais, uma responsabilidade social e ambiental que leva em consideração os impactos de cada ação sobre o conjunto das esferas de atuação do homem, sob o critério maior do interesse coletivo (Op.Cit., 2001). Segundo Monlevade (2007), as oportunidades de negócios e a oferta de empregos dependem diretamente de ações tanto na “estrutura produtiva (agricultura, indústria e serviços) como na infraestrutura material (habitação, transportes, comunicações) e social (educação, saúde, segurança)”, e só com um desenvolvimento sistêmico e sustentável é que se pode falar de qualidade de vida. Para tanto, a gestão deve ser democrática e planejada, integrando investimentos regionais, estaduais e municipais, assim como as áreas econômica, social, cultural, política e ambiental, de modo a alinhar o 11 crescimento mercadológico com a distribuição de renda, visando à redução das desigualdades. Esse modelo de gestão, baseado em uma abordagem sistêmica, prioriza, portanto, as políticas de escala local e regional, por terem a vantagem de viabilizar a participação direta do cidadão, integrar os diferentes setores e articular os parceiros, adequando-se às condições e à cultura locais. 12 Turismo Véu das Noivas – Chapada dos Guimarães Potencial econômico do turismo Segundo a OMT, o setor turístico é responsável por 5% do PIB global, e emprega uma a cada 12 pessoas no mundo (UNWTO BAROMETER, 2011). Conforme Vellas (2011), além do impacto direto, o turismo tem um grande impacto indireto sobre a economia e o emprego, com um retorno rápido do investimento em relação a outros setores, inclusive contribuindo para sua recuperação, ao mobilizar uma cadeia extensa de relações e fornecimento sendo maior esse impacto quando o setor turístico supre-se de bens produzidos localmente. O autor também indica que a expressiva contribuição que o setor tem para o PIB demonstra que o turismo pode fazer uma grande diferença no crescimento de qualquer economia, especialmente as menos competitivas, mas o alcance dessa contribuição, principalmente a indireta, depende de políticas que promovam o setor (Op. Cit., 2011). No Brasil, a receita proveniente do turismo teve um crescimento de 11,3% em 2010, e estima-se que tenha contribuído para o PIB do país em 9,1%, somando os impactos diretos e os indiretos, como se pode ver na tabela abaixo, que compara os países do T20 (bloco formado pelo G20, as 20 maiores economias do mundo, para defender o papel do turismo nas estratégias de desenvolvimento econômico, social e sustentável em tais países): 13 Contribuição indireta do turismo para o PIB nos países do T20 Países T20 Contribuição total Contribuição direta do Contribuição indireta do do turismo ‐ 2011 turismo – 2011 (estimativa) turismo ‐ 2011 (estimativa) (estimativa) Austrália 3.3 % 6.9% 13.0% Espanha 5.1% 6.3% 14.4% Argentina 4.0% 4.7% 11.0% Estados Unidos 2.6% 4.2% 8.8% China 2.5% 4.2% 8.6% África do Sul 5.0% 4.1% 11.4% Indonésia 3.2% 4.1% 9.1% Turquia 4.1% 3.9% 10.0% Brasil 3.3% 3.7% 9.1% Itália 3.2% 3.6% 8.6% México 6.2% 3.5% 13.0% França 3.9% 3.4% 9.1% Japão 2.2% 3.2% 6.9% Reino Unido 2.4% 3.1% 6.9% Rússia 1.4% 3.1% 5.9% Canadá 1.4% 2.6% 5.0% Coreia do Sul 1.8% 2.5% 5.1% Arábia Saudita 3.0% 2.5% 6.7% Alemanha 1.7% 2.0% 4.6% Índia 1.9% 1.6% 4.5% Fonte: WTTC 2011 apud. Vellas, 2011. 14 O turismo demanda muito treinamento, e assim, entre os impactos indiretos, está à geração de empregos também no setor educacional. A tabela a seguir demonstra a contribuição total do turismo, entre empregos diretos e indiretos, sobre o total nacional de empregos gerados: Países do T20 Contribuição total do turismo sobre o emprego Austrália Espanha México Estados Unidos Itália Argentina Turquia França China Indonésia Brasil Japão África do Sul Reino Unido Rússia Canada República da Coreia Alemanha Arábia Saudita Índia Fonte: WTTC 2011 apud. Vellas, 2011 16.2% 12.7% 14.8% 10.5% 9.7% 10.3% 8.1% 10.2% 8.2% 8.1% 8.3% 7.1% 10.1% 7.6% 5.5% 7.0% 5.4% 4.9% 6.6% 7.5% Perspectivas e desafios do turismo Como visto, entre os desafios do setor turístico está a qualificação, incluindo capacitação da mão-de-obra turística e das comunidades locais para que possam receber de forma satisfatória os turistas. Outro fator fundamental é a divulgação e promoção extensivas dos atrativos e do calendário de eventos dos polos turísticos. É importante, portanto, que o calendário seja anual e definitivo, de modo que os turistas possam programar a viagem com antecedência. Entretanto, muitos municípios 15 do estado encontram dificuldade para estabelecer um calendário turístico fixo, uma vez que, com exceção das datas comemorativas, a incerteza de receita para os demais eventos tradicionais acaba fazendo com que eles sejam confirmados e definidos no decorrer do ano. Cavalhada em Poconé De qualquer forma, ao lado da capacitação e da divulgação, os investimentos na ampliação e melhoria de infraestrutura, como estradas, transporte, rede de distribuição de água, tratamento do lixo, rede elétrica, acesso a sistemas de comunicação, são imprescindíveis para que os destinos de viagem possam oferecer um serviço turístico de qualidade e assim integrem roteiros domésticos e internacionais, com capacidade para consolidar e ampliar essa demanda turística. A todos esses fatores some-se uma gestão responsável do turismo, preocupada com os aspectos não só econômicos e socioculturais como também ambientais, para que as regiões exploradas pela atividade turística não se tornem vulneráveis à degradação de suas riquezas e seu equilíbrio natural. Para que os gestores e investidores concretizem todas essas iniciativas, que dependem umas das outras para que tenham êxito, é preciso que eles orientem suas ações por uma visão sistêmica e de longo prazo. Entretanto, a perspectiva de uma grande demanda turística iminente torna-se uma ótima oportunidade para que se possam obter em curto prazo os altos recursos investidos. Esse é o caso de Cuiabá, que, enquanto uma das cidades que sediarão os jogos da Copa do Mundo da FIFA em 2014, será o ponto de chegada de um fluxo enorme de turistas, e ao mesmo tempo o ponto de partida para os atrativos turísticos de seu entorno, como Chapada dos Guimarães, Nobres e 16 Pantanal. Essa é, portanto, a oportunidade para consolidar a atividade turística não só nessas localidades, como em toda a região, com base no investimento em infraestrutura, capacitação profissional e divulgação, dentro de um planejamento integrado e sustentável, que viabilize e multiplique os impactos socioeconômicos dos projetos a serem desenvolvidos. A preparação para a Copa de 2014 traz muitas perspectivas de investimentos. Em 2011, ano de criação da SECOPA (Secretaria Extraordinária da Copa), a mesma foi responsável por 0,53% das despesas totais do estado. Para o exercício de 2012, por sua vez, a Lei Orçamentária Anual prevê o repasse de 5,76% da receita total para a secretaria. Entre as ações e obras previstas em função da Copa, estão a qualificação de profissionais diretos e indiretos do setor turístico, melhorias no transporte público e na mobilidade urbana (como a construção de novas vias de acesso e do VLT), reforma e ampliação do aeroporto, reconstrução do estádio esportivo e construção de centros de treinamento, revitalização de parques nacionais, ampliação da capacidade de hospedagem, etc. No entanto, há uma desconfiança geral de que as obras não se concluam a tempo do evento, ou de que os investimentos não sejam suficientes; ou ainda, o que é pior, de que após a Copa, os investimentos realizados não resultem em benefícios efetivos para a população local e do entorno. Além disso, há preocupação, diante da previsão de um grande fluxo turístico originário de outros países, quanto à estrutura turística e seus profissionais e à comunidade em geral, se estarão aptos a facilitar as relações com esses turistas, com suas diferenças culturais e linguísticas. Segundo o Portal da Copa (site do governo federal sobre a Copa de 2014), estima-se que o evento “agregará 183 bilhões de reais ao PIB do país e mobilizará 33 bilhões de reais em investimento em infraestrutura, com destaque para a área de transporte e sistemas viários. Aproximadamente 3,7 milhões de turistas, brasileiros e estrangeiros, deverão gerar, no período do evento, R$ 9,4 bilhões. Em todas as áreas, 700 mil empregos permanentes e temporários serão criados” (Portal da Copa, disponível em: <http://www.copa2014.gov.br/pt-br/sobre-a-copa/copa-de-2014>). 17 Esta é, portanto, uma oportunidade sem precedentes para promover o potencial turístico do estado, que sediará quatro partidas do evento esportivo, tendo em vista que é o único no mundo que possui três biomas: Amazônia, Cerrado e Pantanal. Os municípios da RMVRC, por sua vez, também têm grandes atrativos a serem explorados, não só Cuiabá, Chapada dos Guimarães, Nobres ou aqueles que são porta de entrada para o Pantanal, mas é preciso que invistam em estrutura turística e na infraestrutura em geral, assim como em capacitação e na divulgação de seus atrativos. A Região Metropolitana do Vale do Rio Cuiabá contém inúmeras riquezas: além das belezas naturais, para a contemplação da fauna e flora, com seus rios, paredões, trilhas, grutas, serras, com potencial também para o turismo rural (cavalgadas, cultivo da terra, trato com animais, pesca), ou de esportes radicais, há também o atrativo das práticas e patrimônios culturais, com suas particularidades históricas expressas na gastronomia, no linguajar, arquitetura, danças, ritmos. Assim como há a riqueza cultural e histórica das aldeias indígenas, quilombos, pequenas comunidades, sítios arqueológicos, museus, igrejas, e a estrutura para o turismo de negócios, principalmente na capital, com grande capacidade para receber eventos profissionais. A partir de toda essa potencialidade, com a realização dos investimentos necessários, será possível criar roteiros e produtos turísticos integrados, de modo a diversificar as práticas de turismo, contemplando assim os mais distintos perfis de turistas, e tornando a região competitiva nacional e internacionalmente. Em Mato Grosso, considerando a evolução das despesas do estado com a SEDTUR-MT, entre os anos de 2006 a 2011, percebe-se que elas não ultrapassam 1% de cada balanço anual, estando previsto no orçamento de 2012 o repasse de 0,67% para a secretaria, embora sejam altos os recursos a serem destinados para os projetos e ações referentes à Copa do Mundo. De qualquer forma, falta um indicador capaz de mensurar a contribuição das atividades turísticas sobre o PIB do estado, o que prejudica as perspectivas de retorno capazes de atrair maiores investimentos para o setor, tanto públicos quanto privados. Dessa forma, o item “alimentação e alojamento”, usado na análise da contribuição das atividades econômicas sobre o PIB, é o único indicador 18 atualmente disponível nas contas do estado relacionado mais diretamente às atividades turísticas, embora insuficiente para precisar sua abrangência, já que não engloba todas as atividades do setor, ao mesmo tempo em que engloba atividades não necessariamente desencadeadas por ele. Para fins de mera comparação, sem rigor científico, consideramos os índices da participação do Valor Adicionado referente aos serviços de alimentação e alojamento dos anos de 2006 a 2008 (último ano com esse tipo de levantamento já divulgado pelo IBGE/SEPLAN-MT), e estimamos que 70% desses índices sejam provenientes do turismo. Assim, constatou-se, como se vê na tabela abaixo, que esses 70% também se encontram por volta de 1%, mas bem acima do valor investido na SEDTUR-MT nesses mesmos anos, indicando que, havendo um investimento maior, a riqueza gerada será também maior, devido ao grande potencial econômico do turismo, com a extensa cadeia de atividades econômicas que envolve e dos empregos que gera. Despesas SEDTUR, Valor Adicionado "Alimentação e Alojamento", e Estimativa do V.A. "Turismo" em % do Balanço Geral Anual 2006 0,12% 2007 0,07% 2008 0,15% MÉDIA 0,11% Participação V.A. "Alimentação e Alojamento" 1,39% 1,46% 1,84% 1,56% Participação V.A. "Turismo" (Estimativa) 0,97% 1,02% 1,28% 1,09% Despesas SEDTUR Despesas SEDTUR de 2009 a 2011 e previsão para 2012 2009 2010 2011 Despesas SEDTUR 0,29% 0,23% 0,15% Fontes: SEFAZ – Balanços gerais dos exercícios de 2006 a 2011/ IBGE / SEPLAN‐MT PREVISÃO 2012 0,67% Turismo doméstico Ainda que o maior intuito seja estimular o turismo internacional, não se pode perder de vista os benefícios do turismo doméstico, na medida em que ele é capaz de tornar o setor menos vulnerável às variações financeiras e 19 crises internacionais, estimulando atividades econômicas diretas, como o consumo de bens produzidos localmente, e assim favorecendo todos os setores produtivos da economia regional. Entretanto, há pouco interesse dos moradores em visitar os atrativos da própria região, como constatado em uma pesquisa qualitativa feita pela própria AMM com representantes das classes A, B e C de Cuiabá. Os entrevistados da classe A costumam viajar a trabalho ou a turismo mensalmente, mas dão preferência a destinos de outros estados e países, apesar de apreciarem as belezas naturais de Mato Grosso, e alegam não visitar os pontos turísticos do estado pela falta de divulgação e pela deficiência da estrutura turística e da infraestrutura dos municípios. “Muita gente deixa de viajar por aqui pela falta de infraestrutura” (L.S., 50 anos). Os entrevistados da classe B também viajam a trabalho e a turismo, porém com menos frequencia, escolhendo muitas vezes como destinos turísticos estados e cidades onde moram familiares e amigos. Como a classe A, não costumam fazer turismo dentro do próprio estado, e também consideram deficientes a divulgação dos atrativos regionais e sua infraestrutura. “Falta divulgação para melhorar o turismo no estado, e preços mais acessíveis” (D.S., 25 anos). Os entrevistados da classe C, por sua vez, não têm o hábito de viajar a turismo, nem mesmo no próprio estado, alegando falta de tempo e de recursos financeiros. Sabem da existência de pontos turísticos no estado, por motivos como terem morado em outras cidades ou conhecerem alguém desses lugares, desconhecendo materiais de divulgação. “Quando tenho tempo aproveito para resolver problemas do cotidiano, e pra viajar tem que ter dinheiro” (M.A., 42 anos). 20 Como visto, essa falta de interesse pelo turismo doméstico relaciona-se diretamente com a falta de divulgação, de estrutura e serviços turísticos e de infraestrutura geral nos municípios, apesar do potencial de seus recursos naturais. Outro entrave, especialmente para as classes mais baixas, é o fato de o ponto turístico mais acessível, a Salgadeira, encontrar-se interditado. De qualquer forma, se ao menos os moradores que costumam viajar elegessem a própria região como destino turístico, essa mudança no comportamento, sozinha, já seria capaz de alavancar o turismo matogrossense, com seu potencial multiplicador, promovendo, assim, inclusão econômica e social, aplicando no estado os recursos que iriam para fora. Aquário Encantado em Nobres Instrumentos financeiros para o turismo É extremamente importante que o estado e os municípios divulguem os instrumentos financeiros disponíveis para o turismo, de modo a fomentar a iniciativa privada no setor. Conforme explicitado no MT+20, o Plano de Desenvolvimento de Mato Grosso, além das prioridades estabelecidas pelo orçamento anual e pelo PPI, o estado, entre os instrumentos de crédito destinados ao desenvolvimento de projetos para a cadeia produtiva do turismo, ainda conta com fundos específicos e um sistema de incentivos fiscais. Além do FUNTUR, há fundos disponíveis em todo o território nacional, como o FUNGETUR e o PROGER, assim como financiamentos do BNDES, e internacionais, como do Banco Mundial e do BID. O fundo que mais tem sido divulgado, por estar voltado para os micro e pequenos empresários e 21 proprietários rurais, é o FCO, em que há uma linha de crédito específica para o desenvolvimento do turismo regional. Financiados pelo BID e pela Corporação Andina de Fomento, estão sendo planejados em todo o país os Programas Regionais de Desenvolvimento do Turismo, cujos investimentos são operacionalizados pelo Ministério do Turismo, e que inclui propostas para os âmbitos regional, estadual e municipal. Essas instâncias do governo devem elaborar previamente os planejamentos para as regiões turísticas, visando intervenções públicas para o seu fomento1. Esses planejamentos são chamados de PDITS, e em 2010, o governo estadual elaborou propostas baseadas em um levantamento das condições e potenciais turísticos dos polos que a análise pré-definiu como áreas de planejamento – Cerrado, Pantanal, Araguaia e Amazônia. Tais planos, com seus diagnósticos, têm servido de base para os projetos turísticos do estado, mas não consideram a RMVRC como um todo, nem abordam o turismo em conjunto com as demais vocações produtivas da região. Outra estratégia importante é o esforço de sensibilização da iniciativa privada por parte do governo, para realizações de parcerias público-privadas, em que ambas as esferas partilham os recursos investidos em infraestrutura. Ao mesmo tempo, é importante a viabilização de cooperativas de microcrédito às micro e pequenas empresas. O sistema de incentivos fiscais, por sua vez, objetiva a atração de investimentos privados por meio de benefícios na forma de deduções até o montante do ICMS, conforme a contrapartida social a que se comprometem os empreendimentos, como a implantação de programas de capacitação, controle de qualidade dos serviços, preservação do meio ambiente, comprovação da geração de novos empregos, entre outras. 1 Mais informações sobre financiamentos, condições e bancos operadores, estão disponíveis no site do Ministério do Turismo: <http://www.turismo.gov.br/turismo/programas_acoes/>. 22 Agricultura Familiar Produção da agricultura familiar Potencial econômico da agricultura familiar O cultivo da terra por pequenos ou médios proprietários rurais, com trabalhadores provindos essencialmente do núcleo familiar, é conhecido como agricultura familiar, e de acordo com o Censo Agropecuário realizado pelo IBGE em 2006, respondeu por 84,4% dos estabelecimentos agropecuários do país, sendo a principal fornecedora de alimentos para o mercado interno (segundo o Ministério do Desenvolvimento Agrário, 70% do que vai para a mesa do brasileiro vêm da agricultura familiar). O censo também revelou que a agricultura familiar, que ocupa apenas 24,3% do território ocupado no meio rural, foi responsável por 38% (R$54,4 bilhões) do valor total da produção agropecuária, com destaque para a produção vegetal, e respondeu por 10% do PIB e por 74,4% da ocupação de pessoal no campo (12,3 milhões de pessoas). Tudo isso indica que, mesmo ocupando pequenas áreas de terra e um lugar periférico nas estratégias de desenvolvimento rural no país, é a agricultura familiar, e não o agronegócio, que mais gera empregos e abastece o mercado interno brasileiro. Ainda que o agronegócio, ou a agricultura patronal, com seu expressivo dinamismo, seja responsável pela produção de mercadorias valorizadas no mercado internacional e aumente sua participação nas exportações brasileiras, a agricultura familiar, por sua flexibilidade, ao ser capaz de reconfigurar seus sistemas produtivos, adapta-se a distintos ambientes socioeconômicos, incrementando assim a produção agrícola nacional, dando uma contrapartida econômica e social muito superior à posição marginalizada que ocupa (CAUME, 2003). 23 A agricultura familiar, incluindo os assentamentos rurais, é capaz de gerar desenvolvimento agrícola em bases sociais mais equitativas, na medida em que o cultivo da terra é fator de geração de subsistência e renda, a um baixo custo, para muitas famílias brasileiras. São essas famílias, inclusive, as principais responsáveis pela manutenção do corpo social e cultural do meio rural e pela preservação dos recursos naturais, com seu forte laço com o território e com a natureza. A agricultura familiar consiste, portanto, em um elemento fundamental do desenvolvimento econômico e social brasileiro, pois fortalecê-la é garantir a segurança alimentar do país e da população do campo, e contribuir para a geração e distribuição de renda. Mas para que o uso da terra reverta-se em qualidade de vida, é preciso o acesso à infraestrutura básica e agrícola, assim como aos benefícios sociais. Perspectivas e desafios da agricultura familiar A agricultura familiar, assim como o turismo, quando fomentado, tornase um expressivo fator de geração de emprego e renda e de inclusão social. A RMVRC, além de seu potencial turístico, apresenta vocação econômica para a produção agrícola, especialmente a familiar. A autossuficiência produtiva e o pleno abastecimento da população, para serem garantidos, requerem a implementação de políticas públicas que viabilizem a produção e a distribuição dos alimentos e produtos agrícolas que supram as necessidades alimentares da população. Essas políticas devem ser capazes de assegurar o autoconsumo do produtor agrícola e a incorporação de sua produção ao mercado. A segurança alimentar da população, portanto, só é possível com o fortalecimento da agricultura familiar. Entretanto, na história do Brasil, especialmente no Centro Oeste, Norte e Nordeste, o desenvolvimento agrícola sempre foi associado à grande propriedade fundiária e à produção em larga escala, o que levou à marginalização econômica, social e política de grande contingente de agricultores familiares, fazendo da agricultura familiar sinônimo de precariedade tecnológica e de baixa capacidade de produção e geração de 24 renda. Diante da dominação das grandes propriedades fundiárias, acompanhada da restrição de acesso ao crédito e pela crescente tecnicização dos processos produtivos, desencadeou-se a migração em massa para os centros urbanos, enquanto o desempenho econômico das regiões passou a ser medido pela quantidade de produção, ainda que sobre a exploração da mãode-obra, demonstrando muitas vezes um descompromisso desse padrão de desenvolvimento com a questão social, ambiental e fundiária (WANDERLEY, 2003). E ainda que a base do dinamismo econômico do estado seja o agronegócio, com a produção de commodities em larga escala, destinada à exportação in natura, o baixo valor agregado desses produtos atenua seu impacto econômico e social, tornando o estado vulnerável às variações internacionais de preços e de demanda. Para assegurar a competitividade da agropecuária de Mato Grosso, que é um dos estados mais dependentes dessa estrutura ligada à produção primário-exportadora, é preciso, portanto, adensar a estrutura produtiva. Entretanto, a alta concentração fundiária dificulta a diversificação da base produtiva, mais compatível com a pequena e média propriedade, estratégia capaz de suprir as necessidades do mercado interno, e assim gerar benefícios econômicos e sociais em âmbito local. Além disso, a política de incentivos à exportação de commodities desestimula a produção para o mercado interno, assim como o beneficiamento da matéria-prima, impedindo a geração de riqueza pela industrialização, que agrega valor aos produtos por meio do trabalho e da tecnologia e promove geração de emprego, renda e arrecadação para os estados2. Em Acorizal, a 67 km da capital, está sendo instalada uma companhia belga de alta tecnologia, que está entre as maiores produtoras de gelatina do mundo, cujos investimentos atingirão a ordem de R$ 80 milhões, atraída pelos 2 Em 1996, a chamada Lei Kandir foi sancionada pelo governo Fernando Henrique Cardoso, e desde então auxilia na competitividade dos produtos agrícolas brasileiros no comércio exterior, na medida em que desonera de tributos os produtos primários e semielaborados para exportação. Entre os efeitos nocivos desta lei está o desestímulo à industrialização, já que torna mais rentável a exportação de produtos in natura do que seu beneficiamento e comercialização no país, alternativa em que incide alta carga tributária (AMM, 2011). 25 incentivos financeiros, localização geográfica, oferta abundante de matériaprima e às perspectivas de crescimento do estado. Essa unidade fabricará gelatina alimentícia e farmacêutica a partir do couro bovino, e, ainda que voltada para o abastecimento do mercado externo, esse produto será exportado com alto valor agregado, e a partir do aproveitamento de um subproduto que então se torna matéria-prima. A unidade já está funcionando em fase de teste, e estima-se que estejam sendo gerados cerca de 100 empregos diretos e 300 indiretos em Acorizal e entorno, com mão-de-obra geral do próprio município, o que já tem alavancado a economia acorizalense, com a abertura de novos empreendimentos. Ainda que a mão-de-obra altamente especializada venha de fora, a demanda gerará a necessidade de especialização profissional dentro da própria região. Rosário Oeste também está na expectativa dos impactos econômicos de um grande empreendimento: o grupo Marfrig Alimentos, um dos maiores do setor frigorífico no Brasil, está construindo um complexo para abate e processamento de carne suína no município, em um investimento de aproximadamente R$ 100 milhões de reais. A produção visa principalmente a atender a demanda do mercado interno, por meio da fabricação de produtos que até então tem sido feita em Santa Catarina, com carne em grande parte proveniente de Mato Grosso. Primeiramente, o processo produtivo seria abastecido por suínos vindos de Diamantino, e, na segunda etapa, incorporaria a agricultura familiar de Rosário Oeste e seu entorno, em um sistema de integração, em que os pequenos produtores constituiriam a mão-de-obra e seriam responsáveis pelas instalações, que poderiam ser financiadas pelo PRONAF, e pela engorda dos suínos, que seriam fornecidos pela empresa, assim como as rações e vacinas. Para viabilizar a implantação do empreendimento no município, a prefeitura de Rosário Oeste doou o terreno onde ele está sendo construído e o governo do estado concedeu 90% de isenção do ICMS. A previsão é de que quando entrar em funcionamento, a unidade gere mil empregos diretos e mais de dez mil indiretos. Entretanto, por mais que a indústria seja o setor com maior capacidade de geração de riqueza, municípios pequenos, com baixa arrecadação e pouca viabilidade econômica como Acorizal e Rosário Oeste, não podem contar com 26 a vinda de grandes empresas, já que muitos são os fatores que dificultam essa oportunidade. Essa realidade desafia tais municípios a encontrarem outras soluções, a baixos custos, o que os conduz à necessidade de um aproveitamento eficiente e criativo das potencialidades e vocações produtivas existentes, entre as quais, no caso da RMVRC, encontram-se notadamente o turismo e a agricultura familiar. Embora seja um mito que a produção em escala na RMVRC não funcione, já que a terra é fértil e há saídas tecnológicas viáveis que solucionariam o problema de irrigação - como o aproveitamento do Lago de Manso, elevado o suficiente para irrigar por gravidade toda a região3 -, a pequena agricultura já existe e pode ser estimulada, por meio da diversificação das plantações e da implantação de pequenas agroindústrias. A AMM, buscando alternativas econômicas a baixo custo para municípios pequenos de economia exaurida e moderada, tem apostado na elaboração de projetos de pequenas agroindústrias como meio de agregar valor aos produtos provenientes da agricultura familiar e gerar emprego e renda para as populações locais. Com o objetivo de viabilizar a fabricação de produtos com certificação e qualidade, os engenheiros e técnicos responsáveis pela elaboração dos projetos seguem as exigências dos órgãos certificadores, dando aporte para que os prefeitos possam buscar recursos financeiros para sua implantação, tanto junto a órgãos públicos quanto a entidades privadas. Entre os projetos estão abatedouros de bovinos, suínos, ovinos e aves, edificações de casa de mel e laticínios, despolpadeira de frutas, farinheiras, casa de rações e fábricas de açúcar mascavo e de rapadura. 3 O reservatório do Lago de Manso, localizado a cerca de 100 km da capital, no município de Chapada dos Guimarães, foi projetado com o intuito de, além de gerar energia elétrica e regularizar o nível do Rio Cuiabá, fomentar o turismo no lago e possibilitar irrigação para a região (CHILETTO, 2005). No entanto, atualmente, este é o único potencial não aproveitado da barragem. 27 Realidade da produção de rapadura na Região Metropolitana Pretende-se, com essa ação, regularizar atividades como a do Sr. Benedito, de Rosário Oeste, um produtor rural que, juntamente com a esposa e um casal de filhos, mora em uma comunidade tradicional à beira da BR. A família tem cerca de meio hectare, e seu sustento vem de algumas diárias de serviço e, principalmente, da produção de rapaduras de vários sabores, aproveitando a matéria-prima da própria região, como o acori, mamão, canade-açúcar, etc. A mercadoria é diferenciada, única na redondeza, e é responsável por aproximadamente 50% da renda familiar anual. Porém, a produção é artesanal e comercializada informalmente, não podendo ser fornecida aos mercados que requerem certificação de origem. É fundamental, portanto, que o estado invista na construção e regularização dessas pequenas agroindústrias, capazes de dinamizar e multiplicar os impactos sociais e econômicos da produção agrícola. Também no intuito de gerar emprego e renda para municípios de economia moderada e exaurida, a AMM é parceira no processo de criação de um polo de confecções na região do Médio-Norte do estado, com inspiração no maior parque de confecções da América Latina, que fica em Santa Cruz do Capibaribe, em Pernambuco, e que conta com 14 mil empresas. Juntamente com a SICME-MT, a AMM elaborou um pré-projeto para a implantação de um polo têxtil, atendendo à solicitação do prefeito de Nortelândia, onde já vem sendo desenvolvido um trabalho de capacitação com apoio do IMA, voltado 28 para mulheres de baixa renda, e que já formaram uma cooperativa que opera em sistema de facção para confecções do sul do país. O objetivo é o aproveitamento de uma matéria-prima, o algodão, produzida em larga escala em Mato Grosso, mas que atualmente é industrializada em outros estados ou países, impedindo a agregação de valor e a geração de emprego no próprio estado de origem. Outro município que se destaca em iniciativas para o fortalecimento da agricultura familiar é Nova Santa Helena, localizado a 630 km ao norte de Cuiabá, que, por meio de pequenas soluções criativas vem transformando seu cenário econômico e social. Por iniciativa da prefeitura do município, cuja base econômica é a pecuária, foi criado um polo integrado para o cultivo de hortifruticultura diversificada e piscicultura, que funciona como modelo para agricultores familiares. A ideia é demonstrar que cada hectare cultivado com diversidade de plantios, mesmo em pequenos lotes, pode incrementar a renda do agricultor ao longo do ano, conciliando, inclusive, plantações e criações, como banana, caju, mandioca, abacaxi, maracujá, milho e a pecuária de leite e a piscicultura. Os produtores da agricultura familiar também encontram incentivos na comercialização, na medida em que uma lei municipal determina que 30% do que é gasto com merenda escolar seja destinado à compra dos produtos dos agricultores familiares, o que contribui também para que eles se organizem e aprimorem a qualidade de sua ação comercial e dos próprios alimentos, que revertem em hábitos saudáveis para a população e em um desenvolvimento local sustentável. Na própria escola que fica na zona rural, é desenvolvida uma atividade extra para despertar o interesse pelo cultivo da terra. Há também no município investimento na produção do guaraná, com o cultivo da semente e a fabricação de guaraná em pó por uma cooperativa. A piscicultura apresenta um grande potencial de crescimento no estado: segundo o Ministério da Pesca e da Aquicultura, Mato Grosso é o maior produtor de peixe nativo de água doce e o quinto na produção total de pescado, com produção anual de 36 mil toneladas. Ainda que em fase de consolidação no estado, a piscicultura tem crescido graças aos investimentos na área, ao clima favorável, à disponibilidade de recursos naturais e insumos para a criação de peixes, que favorecem a competitividade da produção. 29 Porém, para que esta atividade se consolide como fonte de desenvolvimento socioeconômico para a região, são necessários, além de assistência técnica e qualificação, a disponibilidade de recursos financeiros, com encargos compatíveis com a realidade da atividade, e estudos de impactos ambientais. No que se refere à pecuária na pequena propriedade, um modelo que apresenta grande potencial de sustentabilidade, tanto ambiental quanto econômica, é o “Voisin”, aplicado com êxito, entre outros locais do estado, na Fazenda Xodó, propriedade de Nelson Salim, que fica no município de Poconé. Esse sistema consiste na rotação intensiva de pastagens, em que áreas reduzidas (cerca de um hectare) servem de pasto para o gado durante curtos períodos de tempo (aproximadamente um dia). Evita-se o desmatamento, pois a floresta nativa é preservada, na medida em que, com um rodízio rápido de animais, o capim regenera mais e mantém o equilíbrio biológico típico das vegetações nativas, dispensando inclusive o uso de agrotóxicos, e da mecanização da pastagem. Dessa forma, o gado cresce mais rápido e saudável, pois é mais bem alimentado, criado na sombra, junto de suas crias, adoece menos, e possibilita resultados positivos em áreas reduzidas e a custos menores, sendo uma alternativa viável para os pequenos produtores. Nesse sistema, ao contrário do tradicional, onde se cria 0,84 unidade de animal por hectare, é possível criar mais de 4 cabeças de gado nessa mesma área. De qualquer forma, para fortalecer a agricultura familiar e proporcionar qualidade de vida aos agricultores, além da garantia de subsistência e geração de renda, é necessário investimento também em infraestrutura e saneamento básico, incluindo sistema de água, esgoto, aterros sanitários, energia elétrica e assistência médica. Investir em educação também é fundamental, especialmente o ensino técnico, para dar suporte às atividades produtivas. Além da capacitação dos produtores, são necessários investimentos em tecnologia e assistência técnica voltadas para as especificidades da realidade dos pequenos produtores, de modo a tornar a agricultura mais produtiva e sustentável. Tudo isso deve estar aliado à viabilização do escoamento da produção, sendo fundamental a melhoria e ampliação da infraestrutura de transporte e 30 logística do estado, pois a falta de qualidade da estrutura rodoviária e de investimentos em um sistema multimodal eleva os custos dos fretes e assim prejudica a competitividade dos produtos agrícolas e o acesso destes aos mercados. No que diz respeito aos assentamentos, além dos investimentos em infraestrutura, qualificação e assistência técnica, deve-se realizar ou acelerar o processo de regularização fundiária e licenciamento ambiental nas regiões ocupadas, de modo a possibilitar o uso da terra e acesso dos assentados ao crédito e a suporte técnico, promovendo assentamentos com qualidade de vida e viabilidade comercial. A falta de titulação contribui, inclusive, para um ambiente de conflitos. Para os pequenos produtores e assentados, deve haver também variedade de linhas de crédito, de acordo com sua especificidade, com obtenção facilitada e incentivo à diversificação da produção. Ao mesmo tempo, devem ser incentivadas as organizações coletivas, como associações e cooperativas, que multiplicam os impactos econômicos e sociais das cadeias produtivas, promovem o uso racional dos investimentos e o diálogo com os órgãos públicos, e fortalecem o setor produtivo diante das ameaças externas. O setor rural deve ser incentivado também a se associar a outros setores da economia, como a indústria, o comércio e serviços, principalmente por meio da participação em Arranjos Produtivos Locais (APL), criando centros de comercialização para seus produtos. Instrumentos financeiros para a agricultura familiar Além do orçamento anual e do PPI do estado e municípios, e dos programas de incentivos fiscais, há fundos setoriais que contemplam o setor agropecuário, como o FDR e o FEMAM. Segundo informações do site do MDA e da SEDRAF-MT, os principais instrumentos de crédito destinados ao produtor rural de Mato Grosso são o PRONAF e o FCO rural. O PRONAF tem várias linhas de crédito, com diferentes limites, conforme as necessidades e especificidades do público: há 31 linhas para custeio, investimento, para implantação de agroindústrias, sistemas agroecológicos, extrativistas, para o semiárido, para mulheres agricultoras e para jovens, entre outras. Há também um programa de microcrédito rural, voltado a atividades agropecuárias ou não. O FCO Rural, cujo objetivo é o desenvolvimento socioeconômico do Centro Oeste, também abrange um conjunto de linhas de financiamento para atender o setor agropecuário, também específicas, de acordo com as atividades a serem desenvolvidas, podendo ser para custeio, investimentos em geral, implantação de agroindústria, irrigação, sistemas ambientalmente sustentáveis, entre outras. Há ainda o Programa Nacional de Crédito Fundiário e Combate à Pobreza Rural, visando à melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores rurais sem ou com pouca terra, por meio do acesso à terra e geração de renda, cujos recursos, reembolsáveis pelo beneficiário, são disponibilizados por meio de convênio dos estados com o MDA. 32 Mineração Potencial econômico da mineração O setor mineral compreende as etapas de pesquisa, mineração e transformação mineral, e, segundo o IBGE (2010), foi a atividade produtiva que mais cresceu em 2010 (15,7% em relação a 2009), respondendo por boa parte do crescimento do PIB nacional, favorecida pela alta nos preços das commodities e pelo aumento da produção mineral brasileira. Com sua grande diversidade de terrenos e formações geológicas, o Brasil detém um dos maiores patrimônios minerais do mundo, e produziu, em 2010, 72 substâncias minerais (DNPM, 2011). Segundo a AMB, os produtos minerais representaram cerca de 20% do total das exportações feitas pelo Brasil em 2010, sendo responsável por 52% do saldo da balança comercial brasileira (AMB apud DNPM, 2011). Com o aumento populacional, o processo de urbanização e o crescimento econômico dos países emergentes, cresce também a demanda por bens minerais, que têm relação direta com a qualidade de vida, na medida em que são essas matérias-primas que atendem as necessidades de alimentação, vestuário e moradia das sociedades e possibilitam investimentos em infraestrutura e tecnologia. Os produtos gerados pela indústria mineral tornam-se matéria-prima para indústrias secundárias, multiplicando sua capacidade de geração de emprego e renda. Segundo o IBRAM (2011), a mineração empregou 165 mil trabalhadores, em 2011. De acordo com o Ministério de Minas e Energia, para cada posto de trabalho do setor mineral são criados 13 outros empregos diretos, isso sem contar os empregos gerados nas fases de pesquisa, prospecção e planejamento e nos garimpos (MME apud IBRAM, 2011). Dessa forma, os investimentos em mineração geram grandes impactos sobre a economia de uma região, em função da extensão da cadeia produtiva e da expansão da base tributável e da renda, por meio não só dos salários como das compras diretas e indiretas, estimulando a abertura de novos empreendimentos. 33 Diante da abundância de recursos minerais de Mato Grosso, o setor mineral tem a capacidade de aumentar a riqueza gerada no estado e promover um salto em sua economia, acrescentando ao potencial das antigas jazidas o das descobertas recentemente, diante da crescente demanda no mercado por insumos minerais, com grandes perspectivas para o futuro. Perspectivas e desafios da mineração O aumento da demanda por bens minerais desencadeado pela crescente urbanização e melhoria na qualidade de vida da população torna necessário o aumento correspondente dos investimentos no setor, para garantir a disponibilidade e a autossuficiência desses recursos na sociedade brasileira. Segundo o IBRAM, no Brasil, mais de 13 bilhões são investidos pelo setor privado ao ano na produção e extração mineral. Entretanto, o investimento em pesquisa é baixo, quando comparado ao de países com área territorial menor, como Peru e Chile. Além disso, “o Brasil possui menos de 30% de seu território mapeado geologicamente de maneira adequada na escala de 1:100.000” (IBRAM, 2011). Dessa forma, ainda que o país figure entre os principais produtores mundiais de minérios, ele é dependente da importação de minérios importantes, como os insumos minerais utilizados na fabricação de fertilizantes. O setor mineral, em 2010, foi responsável por 14% do total de importações brasileiras (Op. Cit., 2011), o que atenua o impacto da mineração sobre a economia nacional. Apesar de estar entre as principais potencialidades da RMVRC, o setor da mineração não é desenvolvido, necessitando de políticas efetivas para seu fortalecimento, aumentando sua expressividade na economia do estado, com base na eficiência da máquina arrecadadora e em um aproveitamento racional dos recursos minerais, além de investimentos em pesquisa. Na região, além da já tradicional extração de ouro (Poconé, Nossa Senhora do Livramento), de diamante (Chapada dos Guimarães), calcário (Nobres, Rosário Oeste, Cuiabá) e cascalho (Várzea Grande, Nobres), há poucos anos foram descobertas jazidas de fosfato em Nova Brasilândia e 34 Planalto da Serra. As pesquisas ainda estão em fase inicial, mas já há a perspectiva de que as jazidas, em seis anos, tornem o estado autossuficiente em fosfato, que é um dos principais minerais utilizados na produção de alimentos e fertilizantes, reduzindo os custos que o estado tem com a importação do mineral da Rússia. E mesmo os antigos garimpos têm retomado sua importância na região, como em Poconé, onde o setor aurífero é organizado em cooperativas, e do qual a economia do município já é dependente. Para o melhor aproveitamento dos recursos minerais e a viabilidade de custos de produção, o setor da mineração requer infraestrutura e logística, ampla e de qualidade. Entretanto, a insuficiência da infraestrutura brasileira desestimula a implementação de novos projetos. Os gestores públicos também devem fiscalizar efetivamente as atividades mineradoras, de modo que a legislação seja respeitada e a arrecadação eficiente, garantindo que os benefícios econômicos da mineração tornem-se desenvolvimento socioeconômico local e regional. A legislação também exige que os empreendimentos controlem e protejam ambientalmente as áreas onde ocorrem atividades mineradoras, para que o setor desenvolva-se de forma sustentável. Assim, a exploração dos recursos minerais deve estar associada a um compromisso com o meio ambiente, com investimentos em tecnologias mais modernas. O planejamento é também fundamental, na medida em que os resultados plenos das atividades mineradoras são atingidos somente em longo prazo. Da mesma forma, a segurança e a saúde ocupacional devem ser priorizadas, ao lado da capacitação dessa mão-de-obra. 35 Infraestrutura A importância dos investimentos em infraestrutura Para que tenham êxito, as políticas de fomento tanto ao turismo quanto à agricultura familiar e à mineração dependem diretamente de investimentos em infraestrutura, que promove qualidade de vida, sustentabilidade econômica e ambiental e capacidade para comportar grandes empreendimentos. Há uma forte relação entre os investimentos em infraestrutura e o PIB. Um estudo de 2008 da FGV demonstrou que “um incremento de 1% em infraestrutura gera, no curto prazo, uma variação de 0,39% no PIB” (FERREIRA; MILLIAGROS apud DIAS; LIMA, 2008). Como demonstra Marcos Mendes (2011), a infraestrutura de transporte tem um papel fundamental para o desenvolvimento da economia, pois estradas em boas condições reduzem os custos com transporte, tornando os produtos mais competitivos e os preços finais mais acessíveis ao consumidor. Além disso, reduz o tempo de viagem e aumenta as ligações econômicas e sociais entre as cidades, assim como a concorrência entre as empresas e o universo de escolha dos consumidores. Não só as rodovias são importantes, pois um sistema multimodal de transportes facilita ainda mais o escoamento da produção, reduzindo os custos com frete. Os portos também devem ser eficientes, contribuindo com as exportações. Além da infraestrutura de transporte, a economia também cresce com o aumento da oferta de energia elétrica e de sistemas de comunicação, que proporciona desde a expansão das indústrias à redução dos custos operacionais de empreendimentos menores, quando os preços são acessíveis; sistemas de irrigação, por sua vez, propiciam a expansão da agricultura (Op. Cit., 2011). Promover aos cidadãos a qualidade e o acesso aos serviços básicos também é investir em infraestrutura, com destaque para energia elétrica, transportes coletivos, telefonia e sistemas de comunicação em geral, e principalmente saneamento básico, incluindo rede de distribuição de água, rede 36 de esgoto e coleta do lixo, fundamentais tanto na zona urbana quanto na zona rural. Entretanto, a começar pelo estado de deterioração das malhas viárias brasileiras, é evidente a insuficiência dos investimentos brasileiros em infraestrutura. Conforme estudo do IPEA, o Brasil investe apenas 0,6% do PIB em infraestrutura de transporte, enquanto que a China investe 3,4% do PIB (FRISCHTAK, 2008). Mato Grosso, por sua vez, segundo a AMM, investe menos de 0,5% do PIB nesse setor. Na comparação com outros países em desenvolvimento, o Brasil investe pouco não só em estradas, como em energia elétrica, telefonia, internet, água e esgotamento, atenuando a possibilidade de crescimento econômico e a geração de emprego e renda à população (MENDES, 2011). As deficiências das rodovias brasileiras fazem com que o custo logístico, do qual o transporte representa a maior parte, atinja 12,63% do PIB no Brasil, contra os 8,19% dos Estados Unidos (DIAS; LIMA, 2008). Além da insuficiência de investimentos, há sempre o risco de que os recursos destinados às obras em infraestrutura sejam desperdiçados, por falta de planejamento dos investimentos, de fiscalização das obras ou de manutenção das já existentes, e por superfaturamento ou emprego de materiais de má qualidade, em função de interesses econômicos alheios às necessidades da população (Op. Cit., 2011). A condição das estradas, inclusive, é um dos fatores que incidem sobre a segurança no transporte. O ranking das mortes por violência no trânsito no Brasil, divulgado pelo Ministério da Justiça em 2011, coloca Mato Grosso na 2ª posição, com 9.280 mortes no período de 10 anos (ALVES, 2011). A SESP-MT estimou em 1 bilhão os custos com acidentes em Cuiabá e Várzea Grande, entre 2004 e 2010, considerando socorro, danos aos veículos, atendimento hospitalar e previdência social (MENDES, 2011). A ABRAMET estima em R$ 17 mil o custo por acidente com feridos, sendo que, quando há óbito, o custo pode chegar a R$ 144 mil (Op. Cit., 2011). O aumento da frota de veículos é outro fator que contribui para o aumento no número de acidentes, o que torna necessário, além de políticas de 37 conscientização no trânsito e fiscalização, a ampliação da pavimentação e dos espaços disponíveis para tráfego e estacionamento. Em Cuiabá, de acordo com os dados do DENATRAN, de maio de 2010 a maio de 2012, o número de veículos passou de 251.185 para 303.925, um incremento de 17%. Somente a frota de motocicletas aumentou 21% nesse período, passando de 52.663 em maio de 2010 para 66.459 em maio de 2012. Este número é preocupante, uma vez que, em Mato Grosso, os gastos do governo com acidentes de motocicletas, em 2011, foram da ordem de R$ 2,2 milhões, com 2.479 internações, contra 1.249 em 2008 (MINISTÉRIO DA SAÚDE apud ANJOS, 2012). Saneamento básico e saúde A infraestrutura também se relaciona diretamente com a incidência de doenças. Devido à carência de saneamento básico, a população mais pobre está mais sujeita a diversas enfermidades, que prejudicam não só sua saúde, como o desempenho escolar e a capacidade laboral. Para melhor demonstrar essa relação entre as condições de moradia e a saúde da população, a AMM realizou uma pesquisa qualitativa com usuários do sistema público de saúde de Cuiabá, nas policlínicas do Verdão e do Planalto. Quando questionados sobre os motivos pelos quais buscaram os postos de saúde, a maioria dos entrevistados foi capaz de indicar a ausência de infraestrutura adequada do seu bairro como causa de suas enfermidades, estando entre as mais citadas viroses, dengue e problemas respiratórios. Os entrevistados, que são na maior parte moradores da periferia, destacaram em seus bairros a deficiência no saneamento básico, na coleta de lixo e no tratamento da água, além de ruas sem asfalto e terrenos baldios. “Adquiro as doenças no meu bairro. É lixeiro que não passa, tem um monte de terreno baldio sem capinar, tudo sujo” (Márcia, 45 anos). “Pego pelo ar, esgoto, lixo” (Marinalva, 30 anos). Apesar de muitos entrevistados afirmarem que utilizam os serviços por “não terem opção”, e de não conseguirem atendimento sempre que necessitam, muitos também afirmam confiar nos serviços e na eficiência do 38 tratamento, e até gostar do atendimento, mesmo muitas vezes tendo de enfrentar longas viagens e horas de espera. “A gente vem pra fazer exame, pegar remédio... Aí se sente seguro pra voltar pra casa” (Marinalva, 30 anos). “Venho porque atende bem” (Sabrino, 63 anos). “Me sinto melhor quando venho pegar meus remedinhos” (Edinéia, 42 anos). As respostas parecem indicar que há, além da necessidade física de assistência, uma necessidade também emocional, provavelmente pela sensação de se viver em um ambiente inóspito e insalubre, onde o Estado não chega adequadamente. A periodicidade com que disseram frequentar as unidades também é significativa, pois muitos estiveram nas policlínicas mais de uma vez nos três meses anteriores, alegando os mesmos problemas de saúde. De qualquer forma, em decorrência da falta de investimentos em infraestrutura, diante do aumento populacional e da urbanização crescente, são exorbitantes os custos que o Estado tem com os serviços públicos de saúde, enquanto grande parte das doenças e, portanto, seu ônus aos cofres públicos poderiam ser evitados com a melhoria e a ampliação do saneamento básico, especialmente nas áreas mais afastadas e negligenciadas pelas políticas públicas. 39 Sugestões Dessa forma, diante de tantas oportunidades e desafios, entendemos que as iniciativas de fomento ao turismo capazes de alavancar socioeconomicamente a RMVRC são: • Cursos de capacitação para atender a demanda por mão-de-obra turística e serviços turísticos de qualidade, em função da realização da Copa do Mundo de 2014; • Sensibilização da comunidade e empresariado quanto à importância da prestação de serviços turísticos de qualidade, com regularidade, informações e preços acessíveis, independentemente da regularidade da demanda; • Realização de seminários nas escolas, especialmente de ensino médio, para promover a importância do turismo, buscar voluntários e envolver os jovens no processo de sensibilização da comunidade, dos empresários e do governo para a prestação de serviços de qualidade aos turistas; • Divulgação e promoção dos atrativos da região, com a participação em feiras nacionais e internacionais de turismo e principalmente a definição de um calendário anual fixo e regional de eventos; • Criação de um mapa com todos os atrativos da região, de acordo com sua estrutura, facilitando a elaboração de roteiros turísticos integrados, assim como a atração de investimentos para os pontos com potencial turístico ainda pouco ou não explorado; • Criação de um corredor cultural, para a realização de turnês de músicos locais por toda a região, com intercâmbio de artistas e grupos entre os municípios; • Ampliação e modernização da estrutura turística existente, com atenção especial para a acessibilidade, para consolidação da região como destino de viagem em nível nacional e internacional; 40 • Aproveitamento de todo o potencial turístico do estado, para a diversificação de roteiros e atividades, atraindo variados perfis de turistas, ao promover o ecoturismo, o turismo de pesca, o de esportes radicais, o histórico e cultural, o geológico, o de negócios, e o turismo rural, articulando diretamente turismo e agricultura familiar; • Criação de um indicador específico para mensurar a contribuição do turismo sobre o PIB do estado, para atrair investimentos públicos e privados para o setor, diante da perspectiva de retorno; • Acompanhamento e concretização das obras e projetos para a Copa de 2014, para que os investimentos sejam bem aplicados e revertam em benefícios não só em mobilidade urbana como em geração de emprego e renda e inclusão social para os moradores de toda a RMVRC; • Criação de um ranking com os municípios que mais investem no turismo, com premiação, estimulando iniciativas no setor; • Viabilização do licenciamento ambiental e regularização fundiária para a exploração sustentável das riquezas naturais da região, possibilitando investimentos do setor privado em turismo ecológico e de esportes radicais; • Realização de feiras itinerantes para divulgar tradições e produtos regionais, como, por exemplo, difundir o pastel de Jangada, já tradicional, não só na RMVRC, como em outras cidades do estado; • Criação de um indicador municipal baseado no cruzamento entre potencial turístico e carência socioeconômica, para servir de critério de repasse do estado aos municípios para a área de turismo; • Atribuição aos conselhos municipais da responsabilidade pela decisão do direcionamento dos recursos repassados para o turismo, de acordo com suas prioridades e a capacidade de retorno ao município dos investimentos; • Sinalização turística em função de roteiros turísticos regionais integrados, como “Rota da Pesca”, “Rota das Águas”, entre outras; • Viabilização da reabertura da Salgadeira. 41 • Abertura de um Barco Restaurante no Rio Cuiabá; No que diz respeito à agricultura familiar, as iniciativas de fomento necessárias para alavancar a RMVRC são: • Políticas de incentivo à produção agrícola voltada para o mercado interno e à industrialização; • Elaboração de um estudo para o aproveitamento do Lago de Manso como fonte de irrigação; • Fomentar a implantação de pequenas agroindústrias que estejam dentro dos padrões de produção dos órgãos certificadores de inspeção e vigilância sanitária; • Flexibilidade dos órgãos certificadores, de inspeção e vigilância sanitária, para viabilização da implantação das pequenas agroindústrias, de modo a tornar menos onerosa a edificação das unidades e a tirar o produtor da clandestinidade, possibilitando a comercialização de seus produtos em todo o estado; • Concessão de isenção tributária aos produtores na aquisição de maquinário para a implantação de pequenas agroindústrias; • Estímulo à organização da produção, por meio de associações e cooperativas; • Acesso dos pequenos produtores rurais a crédito, qualificação, tecnologia e assistência técnica, para incorporar a agricultura familiar ao mercado e promover segurança alimentar e qualidade de vida; • Viabilização da regularização fundiária e ambiental na zona rural, sem a qual os pequenos produtores ficam à margem das políticas públicas e agrícolas; No que diz respeito à mineração, as principais iniciativas de fomento ao setor na RMVRC são: • Investimentos em pesquisa e prospecção, para avaliação e aproveitamento de todo o potencial geológico da região; 42 • Fiscalização efetiva da atividade mineradora por parte da gestão pública, associada à eficiência de sua máquina arrecadadora; • Capacitação da mão-de-obra ocupada na extração e na produção mineral; • Melhoria das condições ocupacionais de segurança e saúde; • Integrar aos projetos de exploração mineral medidas de sustentabilidade, propiciando o uso ambientalmente responsável dos recursos naturais. Para promover qualidade de vida, viabilidade econômica e sustentabilidade ambiental são necessários os seguintes investimentos em infraestrutura: • Melhoria das vias que interligam os municípios da região e pavimentação das vias de acesso à zona rural; • Ampliação da rede de abastecimento de água e de tratamento de esgoto; • Melhoria no fornecimento de energia elétrica e ampliação dos sistemas de comunicação; • Implantação de uma solução consorciada para os resíduos sólidos; • Melhoria da logística de transporte, por meio de um sistema multimodal, facilitando o escoamento da produção e diminuindo os custos com frete. 43 Considerações finais Há ainda alguns fatores que interferem diretamente no êxito dos investimentos em turismo, agricultura familiar, mineração, infraestrutura e na economia em geral, como planejamento e benefícios financeiros. É fundamental o planejamento prévio e coerente das políticas públicas, de modo que se deem de forma coordenada e assistida, sem prejuízo e sobreposição de esforços. Da mesma forma, é preciso estabelecer critérios para a concessão de incentivos fiscais, para evitar a concentração de benefícios sem a devida contrapartida social. 44 MUNICÍPIOS 45 ACORIZAL Atualidade, potencialidades e entraves Dados gerais A 67 km de distância da capital, e com uma área territorial de 844,1 km², o município de Acorizal, com 5.516 habitantes (IBGE), sendo 2.927 da zona urbana e 2.589 da zona rural, apresentou em 2009 um PIB de R$ 51.666.000,00 e PIB per capita de R$ 9.129,85, com economia exaurida, cujo PIB per capita está abaixo do do estado, e com população decrescendo. Seu IDS-M é de 0,509, 61º índice mais alto do estado. PIB EM R$ (2009) PIB – PER CAPITA EM R$ (2009) IDS-M (2010) TIPO DE ECONOMIA 51.666.000,00 9.129,85 0,509 Exaurida Fontes: IBGE, AMM, Assembleia Legislativa PIB - 2009 em R$ Total Agropecuária Indústria Serviços 51.666.000,00 25.884.000,00 3.203.000,00 20.404.000,00 Fonte: IBGE POPULAÇÃO 2010 TOTAL URBANA RURAL HOMENS MULHERES CRESCIMENTO DE 2000 A 2010 5.516 2.927 2.589 2.900 2.616 -5,17% Fonte: IBGE A pesquisa por amostragem para o levantamento da ocupação na Região Metropolitana (AMM, 2011) constatou 49% da população com idade entre 16 e 34 anos, e uma a taxa geral de desemprego de 12% da população, demonstrando a disponibilidade de mão-de-obra a ser aproveitada pelos setores da economia. 46 DESEMPREGO IDADE DE 16 A 34 (Por amostragem) TAXA DE DESEMPREGO (Por amostragem) 49% 8% Fonte: AMM Um dado que indica a pobreza existente no município é o total de benefícios do Bolsa Família: RENDA FAMILIAR MENSAL 2010 - SALÁRIO MÍNIMO - DOMICÍLIO 0 a 1 S/M 1 a 2 S/M 2 a 5 S/M 5 a 10 S/M 10 a 20 S/M Mais de 20 S/M 762 509 360 91 17 2 Beneficiados com Bolsa Família 2011 702 Fontes: IBGE, IPEA/MDS As principais cadeias produtivas são a agricultura de subsistência e a pecuária de corte e leiteira, com um rebanho de 43.049 cabeças (INDEA-MT, 2011). A pecuária sempre foi presente na economia do município, embora haja dificuldade para a mecanização, devido ao desnivelamento do solo em uma região de morros. Recentemente, o setor industrial ganhou destaque, pela instalação da companhia belga de alta tecnologia produtora de gelatina a partir do couro bovino, com investimentos da ordem de R$ 80 milhões. Na unidade, será fabricada gelatina alimentícia e farmacêutica, voltada para o mercado externo, a ser exportado com alto valor agregado, e aproveitando um subproduto da pecuária. O funcionamento da fábrica, ainda que em fase de teste, já está revertendo o quadro apontado pela pesquisa acima citada, na medida em que atraiu novos empreendimentos e estima-se que estejam sendo criados 100 empregos diretos e 300 indiretos, com a quase totalidade da mão-de-obra proveniente do próprio município. Entre os novos estabelecimentos, que são de diversos ramos, estão lojas de materiais de construção e eletrodomésticos, serviços de confecção, restaurantes, etc. 47 AGROPECUÁRIA Culturas Temporárias Abacaxi, Arroz, Banana, Cana-de-açúcar, Coco-da-Baía, Feijão, Mandioca, Mamão, Melancia, Milho INDÚSTRIAS Tipo de Produção Extrativista Vegetal e Mineral Tipo de Produção de Origem Animal Carvão Vegetal, Lenha Leite, Mel, Gelatina (couro bovino) Fontes: SEPLAN-MT, Prefeitura Municipal Agricultura familiar A agricultura familiar é basicamente de subsistência, ainda que, graças a suas terras férteis, o município sempre tenha produzido muita banana, mandioca e culturas sazonais como melancia e abóbora. Há também a produção, tradicional, de farinha de mandioca, por comunidades do entorno da sede do município, mas de forma artesanal, sem a estrutura de uma agroindústria certificada. Essa produção, portanto, não é liberada para a venda para supermercados, embora os atravessadores obtenham lucro com esse produto. Outro produto tradicional é a rapadura, por causa da produção também tradicional de cana-de-açúcar e, a partir dela, de aguardente. Da mesma forma que a farinha da mandioca, a rapadura é comercializada sem certificação de qualidade, perdendo a oportunidade de gerar mais renda por meio do valor agregado. Segundo o secretário de agricultura, para o fomento à comercialização desses produtos, os agricultores familiares estão começando a se organizar, para garantir o transporte da produção e a devida assistência técnica. Entretanto, o acesso ao crédito é dificultado pela necessidade de comprovação da posse da terra, problema recorrente no estado em função da falta de regularização fundiária. Além disso, muitas das comunidades não têm acesso à água para a criação de animais e as lavouras, havendo, portanto, necessidade de investimentos em irrigação. 48 De acordo com o INCRA e o INTERMAT (2011), em Acorizal, há quatro assentamentos, todos de âmbito estadual, com um total de 1.367 famílias assentadas. AGRICULTURA FAMILIAR NÚMERO DE ASSENTAMENTOS NÚMERO DE FAMÍLIAS ASSENTADAS TIPOS DE ASSENTAMENTOS EXISTENTES 4 1.367 Estadual Fontes: INCRA, INTERMAT Turismo A cidade se desenvolveu em torno de uma vila de moradores até hoje preservada, com casas e prédios comerciais antigos feitos de adobe e taipas, com ruas estreitas e arquitetura colonial. Esse centro histórico, recentemente revitalizado, está entre os maiores atrativos turísticos do município. O Rio Cuiabá, outro atrativo do município e próximo ao qual a cidade cresceu, é limpo e transparente, propício a banho e a passeio de barco, e os bares da margem do rio servem comida típica. Há ainda grutas e cavernas no município, porém sem estrutura e aproveitamento para o ecoturismo. Além disso, o município oferece ótimos ventos para a prática de parapente. Em conversa com um instrutor de voo, melhorias já foram feitas para melhorar o acesso ao morro, porém mais investimentos são necessários, tanto no acesso quanto na criação de uma estrutura turística na superfície, de modo a incorporar a cidade no circuito nacional de esportes radicais, atraindo um segmento de turistas diferenciado, que viaja o mundo inteiro atrás dos melhores ventos. Os principais eventos do município são o carnaval, o Festival de Pesca e da Canção, em setembro, e as festas de santos, como a da padroeira da cidade, que acontece em outubro. 49 PRINCIPAIS ATRATIVOS TURÍSTICOS CALENDÁRIO DE EVENTOS FEVEREIRO: CARNAVAL ACORIFOLIA SETEMBRO: FESTIVAL DE PESCA E CANÇÃO RIO CUIABÁ / CENTRO HISTÓRICO / ACORIFOLIA / FESTIVAL DE PESCA E CANÇÃO / FESTAS DE SANTOS E ANIVERSÁRIO DA CIDADE OUTUBRO: FESTA DE SÃO BENEDITO, FESTA DO SENHOR DIVINO E FESTA DE NOSSA SENHORA DE BROTAS (PADROEIRA DA CIDADE) DEZEMBRO: ANIVERSÁRIO DA CIDADE Fontes: SEDTUR-MT, SEPLAN-MT, Prefeitura Municipal Graças à chegada da indústria de grande porte, a rede de hotéis e pousadas estará com 50% da capacidade ocupada até o final do ano, de acordo com a prefeitura. HOSPEDAGEM QUANTIDADE QUANTIDADE DE LEITOS 3 39 RESTAURANTES AGÊNCIAS DE VIAGEM 3 0 LOCADORAS MEIOS DE ORGANIZADORA VEÍCULOS TRANSPORTE DE EVENTOS 0 1 0 Fontes: SEBRAE-MT, SEDTUR-MT, Prefeitura Municipal Infraestrutura e serviços básicos Segundo o prefeito, Meraldo Figueiredo Sá, todo município necessita de investimentos não só em infraestrutura básica como em tecnologia, em um sistema de comunicação de qualidade. É sabido que oferecer energia elétrica com regularidade e cobertura de meios de comunicação, como internet, é um grande atrativo para a abertura de novos estabelecimentos, sejam de empreendedores locais ou externos, tornando a tecnologia fundamental para o fomento econômico. Quanto à área de saúde, há 2 postos de saúde e 1 centro de saúde no município, nenhum hospital geral e serviço de pronto atendimento. 50 SAÚDE NÚMERO DE TIPOS DE ESTABELECIMENTO DE SAÚDE CENTRO DE CLÍNICAS POSTO DE SAÚDE / HOSPITAL ESPECIALIZADAS SAÚDE UNIDADE GERAL E OUTROS BÁSICA 2 1 0 LEITOS HOSPITALARES 0 0 Fontes: SES-MT, SEPLAN-MT, Prefeitura Municipal O censo educacional da SEDUC-MT (2011) constatou o número de 1.721 alunos no município, em 5 escolas municipais, 4 estaduais e nenhuma privada. Também não há instituição de ensino superior, demanda que deve se estabelecer principalmente em função da fábrica de gelatina, que, por ser de alta tecnologia, necessita de mão-de-obra especializada. EDUCAÇÃO NÚMERO DE ESCOLAS MUNICIPAL ESTADUAL PRIVADA NÚMERO DE FACULDADES NÚMERO DE ALUNOS 5 4 0 0 1.721 Fonte: SEDUC-MT (2011) Quanto ao saneamento básico, dos 1.741 domicílios permanentes do município (IBGE), 1.310 são abastecidos pela rede de distribuição. Como na maioria dos pequenos municípios do estado, a maior parte dos domicílios utiliza fossa/filtro, sendo que em 240 deles não há estrutura alguma. Também não há aterro sanitário do lixo, havendo coleta em 978 domicílios. SANEAMENTO BÁSICO ÁGUA DOMICÍLIOS PARTICULARES PERMANENTES REDE DE DISTRIBUIÇÃO POÇOS / NASCENTES OUTROS 1.741 1.310 434 38 ESGOTAMENTO SANITÁRIO REDE DE ESGOTO FOSSA / FILTRO CÉU ABERTO 8 1.536 240 Fontes: IBGE, Ministério da Saúde, Prefeitura Municipal 51 RESÍDUOS SÓLIDOS COLETA QUEIMADO / ENTERRADO LIXÃO ATERRO SANITÁRIO 978 751 55 0 Fontes: Ministério da Saúde, Prefeitura Municipal Sugestões As principais sugestões apontadas pelos gestores públicos para alavancar socioeconomicamente o município foram: - Implantação de pequenas agroindústrias para agregar valor e certificar os produtos da agricultura familiar, aumentando a comercialização e diminuindo a dependência dos atravessadores; - Viabilização da regularização fundiária das propriedades rurais; - Investimento em irrigação para aumentar a produção agrícola; - Investimento em estrutura turística para prática do parapente e inserção da cidade no circuito nacional do esporte; - Investimento em tecnologia e meios de comunicação para atrair empreendimentos; - Investimento em qualificação e cursos técnicos para atender a demanda de mão-de-obra especializada da fábrica de gelatina. 52 BARÃO DE MELGAÇO Atualidade, potencialidades e entraves Dados gerais A 128 km de distância da capital, e com uma área territorial de 11.182,85 km , o município de Barão de Melgaço, com 7.591 habitantes (IBGE), sendo 3.422 da zona urbana e 4.169 da zona rural, apresentou em 2009 um PIB de R$ 59.532.000,00 e PIB per capita de R$ 7.582,79, com uma economia exaurida, cujo PIB per capita está abaixo do do estado, e com população decrescendo. Seu IDS-H é baixíssimo: 0,387, o mais baixo da RMVRC e o terceiro mais baixo do estado. 2 PIB EM R$ (2009) PIB – PER CAPITA EM R$ (2009) IDS-M (2010) TIPO DE ECONOMIA 59.532.000,00 7.582,79 0,387 Exaurida Fontes: IBGE, AMM, Assembleia Legislativa PIB - 2009 em R$ Total Agropecuária Indústria Serviços 59.532.000,00 26.421.000,00 4.588.000,00 26.330.000,00 Fonte: IBGE POPULAÇÃO 2010 TOTAL URBANA RURAL HOMENS MULHERES CRESCIMENTO DE 2000 A 2010 7.591 3.422 4.169 4.134 3.457 -1,18% Fonte: IBGE A pesquisa por amostragem para o levantamento da ocupação na Região Metropolitana (AMM, 2011) constatou que 49% da população têm entre 16 e 34 nos, enquanto a taxa geral de desemprego corresponde a 8% da população, demonstrando que há muita mão-de-obra a ser aproveitada pelos setores da economia. 53 DESEMPREGO IDADE DE 16 A 34 (Por amostragem) TAXA DE DESEMPREGO (Por amostragem) 49% 8% Fonte: AMM Um dado que indica a pobreza existente no município é o total de benefícios do Bolsa Família: RENDA FAMILIAR MENSAL 2010 - SALÁRIO MÍNIMO - DOMICÍLIO 0 a 1 S/M 1 a 2 S/M 2 a 5 S/M 5 a 10 S/M 10 a 20 S/M Mais de 20 S/M 778 789 547 90 14 4 Beneficiados com Bolsa Família 2011 954 Fontes: IBGE, IPEA/MDS As principais cadeias produtivas são o turismo, a pesca, agricultura (especialmente a fruticultura) e pecuária. AGROPECUÁRIA Culturas Temporárias Efetivo de Rebanho Arroz, Banana, Cana-de-açúcar, Feijão, Mandioca, Melão, Melancia, Milho Bovinos, Suínos, Bubalinos, Ovinos, Caprinos, Avícolas INDÚSTRIA Tipos de Produção de Extrativista Vegetal e Mineral Tipos de Produção de Origem Animal Lenha Leite, Mel Fontes: SEPLAN-MT, Prefeitura Municipal Com um rebanho de 170.086 cabeças (INDEA, 2011), criado na planície pantaneira, e voltado para a pecuária de corte, a maior parte das pastagens é formada por capim nativo, devido à sazonalidade característica do Pantanal. Esta atividade tem baixa capacidade de geração de emprego, e é proporcional ao tamanho das propriedades. A sua participação sobre a receita do município é a arrecadação sobre a compra de gado e a venda para frigoríficos. 54 Agricultura Familiar Da mesma forma que os demais municípios do entorno metropolitano, a agricultura não é desenvolvida, com destaque para os pequenos e particulares produtores. Na atualidade, kits do PAIS (Programa Agroecológico Integrado e Sustentável) estão sendo distribuídos para fomentar a agricultura familiar, mas não há PAA (Programa de Aquisição de Alimentos), não havendo, inclusive, assentamentos. Segundo a prefeitura, o que falta para melhorar e aumentar a produção agrícola é a atuação de técnicos, além de tecnologia, informação e o acesso ao crédito, impossibilitado pelo problema, recorrente no estado, com a regularização fundiária, o que também dificulta a abertura de novos empreendimentos. Turismo Apenas 2,5% do território de Barão de Melgaço estão em terra firme, o restante faz parte do Pantanal, o que torna o município o mais pantaneiro do estado. Em Barão há muitas baías, com destaque para a Baía do Chacororé, que abrange uma área de 15 km, ao redor do qual se forma um imenso viveiro natural, onde há pousadas. PRINCIPAIS ATRATIVOS CALENDÁRIO DE EVENTOS FEVEREIRO - CARNAVAL ATRATIVOS NATURAIS: BAÍA DO CHACOCORÉ / BAÍA SINHÁ MARIANA / BAÍA DO RECREIO / BAÍA BURITIZAL / BAÍA RIO MUTUM ATRATIVOS DIVERSOS: IGREJA NOSSA SENHORA DAS DORES / BARCO PESCA LOBO / PASSEIO CICLÍSTICO MAIO - FESTIVAL DE PESCA JUNHO - ANIVERSÁRIO DA CIDADE / CAVALGADA PANTANEIRA / FESTA DE SÃO PEDRO AGOSTO – FESTA DO PEAO DE BOIADEIRO SETEMBRO – CAVALGADA SÃO PEDRO / FESTA DE NOSSA SENHORA DAS DORES Fontes: SEDTUR-MT, SEPLAN-MT, Prefeitura Municipal 55 A atratividade turística do município é média, sofrendo com a falta de infraestrutura, o que dificulta novas instalações e com que as instalações já existentes ofereçam um padrão de conforto ao nível nacional e internacional, embora já possua cinco estabelecimentos de hospedagem. Segundo relatos dos gestores públicos e o secretário de turismo, nem mesmo os restaurantes são organizados para diversificar os produtos e agradar o turista. Poucos atrativos têm estrutura turística, como sanitários, restaurantes, acesso adequado e seguro, comunicação, dificultando a visitação e o aproveitamento da potencialidade turística. Falta também capacitação profissional voltada às atividades turísticas. A não permanência do turista também é um entrave, os visitantes que praticam pescaria não ficam na cidade, nem mesmo fazem gastos nela, pois em geral levam o que vão consumir. Também é importante salientar que os barcos hotéis (chalanas) acabam por ser um atrativo e um motivo a mais para a não permanência dos turistas na cidade. De qualquer forma, a qualidade das embarcações também é deficitária. Outro problema apontado relacionado ao turismo são os altos preços praticados, o que contribui para a alta sazonalidade, com demanda turística irregular no decorrer do ano, sem que, no entanto, haja margem para negociação por parte dos meios de hospedagem. HOSPEDAGEM QUANTIDADE QUANTIDADE DE LEITOS 5 50 LOCAIS PARA ALIMENTAÇÃO AGÊNCIAS DE VIAGEM LOCADORAS VEICULOS MEIOS DE TRANSPORTE ORGANIZADORA DE EVENTOS 15 0 0 2 0 Fontes: SEBRAE-MT, SEDTUR-MT, Prefeitura Municipal Segundo os gestores do município, uma alternativa que consolidaria o turismo no município seria a instalação de um parque aquático, aproveitando o clima favorável à diversão aquática, o que seria um diferencial para toda a Região Metropolitana, atraindo inclusive novos empreendimentos para o local. 56 Uma oportunidade que se apresenta é a expectativa da pavimentação de uma nova estrada ligando Santo Antônio de Leverger a Rondonópolis, tornando-se uma rota alternativa ao Pantanal para veículos de passeio, e que passaria pelo município de Barão de Melgaço. Infraestrutura e serviços básicos A rodovia de acesso da capital para Barão de Melgaço apresente boa pavimentação e trafegabilidade, e o perímetro urbano alterna asfalto, paralelepípedos e locais sem pavimentação. Assim como no estado, de modo geral, há problemas em atender a demanda da saúde. No município, há seis estabelecimentos de saúde, mas a estrutura ainda é insuficiente, dada a extensão territorial, as dificuldades de acesso, as características geográficas e a disponibilidade de meios de transporte. SAÚDE (2011) NÚMERO DE TIPOS DE ESTABELECIMENTO DE SAÚDE POSTO CENTRO DE CLÍNICA HOSPITAL DE SAÚDE / UNIDADE ESPECIALIZADA E GERAL SAÚDE BÁSICA OUTROS 2 2 1 1 NÚMERO DE LEITOS HOSPITARES 11 Fontes: SES-MT, SEPLAN-MT, Prefeitura Municipal Segundo o censo educacional realizado pela SEDUC-MT, havia, em 2011, 1.835 alunos matriculados no município. Entretanto, não há unidades de ensino superior ou técnico, embora a população jovem seja expressiva, assim como a desempregada (ver item “Dados gerais”). EDUCAÇÃO (2011) NÚMERO DE ESCOLAS NÚMERO DE FACULDADES MUNICIPAL ESTADUAL PRIVADA 16 5 0 0 NÚMERO DE ALUNOS 1.835 Fonte: SEDUC-MT (2011) O município tem 2.222 domicílios permanentes (IBGE), abastecidos em sua maioria por rede de distribuição de água, havendo estação de tratamento. 57 ÁGUA DOMICÍLIOS PARTICULARES PERMANENTES REDE DE DISTRIBUIÇÃO POÇOS / NASCENTES OUTROS ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE ÁGUA 2.222 1.052 637 246 SIM Fontes: IBGE, Ministério da Saúde, Prefeitura Municipal No que se refere ao esgotamento sanitário, a grande maioria utiliza fossa/filtro, como a grande parte dos municípios pequenos do estado, não havendo estação de tratamento de esgoto. ESGOTAMENTO SANITÁRIO REDE DE ESGOTO FOSSA / FILTRO CÉU ABERTO ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE ESGOTO 78 1.333 524 NÃO Fontes: Ministério da Saúde, Prefeitura Municipal Também não há aterro sanitário, e apenas em 762 domicílios há coleta do lixo, sendo a maioria do lixo queimado ou enterrado, prática de grande impacto ambiental, considerando-se ainda que 97,5% do território do município estão dentro do Pantanal. RESÍDUOS SÓLIDOS COLETA QUEIMADO / ENTERRADO LIXÃO ATERRO SANITÁRIO 762 1.080 93 NÃO Fontes: Ministério da Saúde, Prefeitura Municipal Sugestões As principais sugestões apontadas pelos gestores públicos para alavancar socioeconomicamente o município foram: - Construção de um parque aquático; - Instalação de uma unidade de uma rede nacional de hotéis; 58 - Políticas para o aproveitamento do potencial do turismo de pesca, de modo a atrair o turista para a cidade, com utilização do comércio local; - Ampliação e modernização da estrutura turística existente, com qualificação profissional dos profissionais de turismo e melhorias no atendimento; - Políticas para o desenvolvimento da agricultura familiar. 59 CHAPADA DOS GUIMARÃES Atualidade, potencialidades e entraves Dados gerais A 64 km de distância da capital, e com uma área territorial de 6.206,573 km², o município de Chapada dos Guimarães, com 17.799 habitantes (IBGE), sendo 10.988 da zona urbana e 6.811 da zona rural, apresentou em 2009 um PIB de R$ 161.840.000,00 e PIB per capita de R$ 8.897,17, com economia moderada, cujo PIB per capita está abaixo do do estado, mas com aumento populacional nos últimos 10 anos. Seu IDS-H é de 0,534, o terceiro maior da Região Metropolitana, atrás apenas de Nobres e Várzea Grande. PIB EM R$ (2009) PIB – PER CAPITA EM R$ (2009) IDS-M (2010) TIPO DE ECONOMIA 161.840.000,00 8.897,17 0,534 Moderada Fontes: IBGE, AMM, Assembleia Legislativa PIB - 2009 em R$ Total Agropecuária Indústria Serviços 161.840.000,00 60.015.000,00 20.561.000,00 72.726.000,00 Fonte: IBGE POPULAÇÃO 2010 TOTAL URBANA RURAL HOMENS MULHERES CRESCIMENTO DE 2000 A 2010 17.799 10.988 6.811 9.293 8.506 12.97% Fonte: IBGE A pesquisa por amostragem para o levantamento da ocupação na Região Metropolitana (AMM, 2011) constatou uma população com 47% em idade de 16 a 34 anos, enquanto a taxa geral de desemprego corresponde a 10% população, demonstrando que há muita mão-de-obra a ser aproveitada pelos setores da economia. 60 DESEMPREGO IDADE DE 16 A 34 (Por amostragem) TAXA DE DESEMPREGO (Por amostragem) 47% 10% Fonte: AMM Um dado que indica a pobreza existente no município é o total de benefícios do Bolsa Família: RENDA FAMILIAR MENSAL 2010 - SALÁRIO MÍNIMO - DOMICÍLIO 0 a 1 S/M 1 a 2 S/M 2 a 5 S/M 5 a 10 S/M 10 a 20 S/M Mais de 20 S/M 1.706 1.473 1.609 501 202 47 Beneficiados com Bolsa Família 2011 1.688 Fontes: IBGE, IPEA/MDS As principais cadeias produtivas são o ecoturismo, a agricultura, com destaque para soja, arroz, sorgo, algodão e milho, a pecuária de corte, cria e recria, e o extrativismo mineral (diamantes). Segundo o prefeito, Flávio Daltro, a efetiva vocação econômica de Chapada é o turismo. A agricultura não dá todo o retorno em impostos, pois há problemas de evasão de divisas para Campo Verde: mesmo com arrendamentos dentro do município de Chapada, pelo fato de as sedes das propriedades estarem em Campo Verde, os impostos são arrecadados lá, e esse é o critério da SEPLAN. Para o prefeito, há uma deficiência da máquina pública municipal no que diz respeito ao acompanhamento de evasão de receita. Segundo o engenheiro Moisés Kim e o arquiteto Juliano Ribeiro, Chapada produz 8.000 hectares de soja, de acordo com o IBGE, mas estimase que sejam 36.000, não contabilizados devido à evasão de divisas para Campo Verde. 61 AGROPECUÁRIA Culturas Temporárias Efetivo de Rebanho Abacaxi, Algodão, Arroz, Banana, Cana-de-açúcar, Coco-da-baía, Feijão, Limão, Mandioca, Manga, Mamão, Melão, Melancia, Milho, Soja, Sorgo, Tomate Bovinos, Suínos, Bubalinos, Ovinos, Caprinos, Avícolas INDÚSTRIA Tipos de produção Extrativista Vegetal e Mineral Tipos de produção de Origem Animal Diamante e Lenha Leite, Mel Fontes: SEPLAN-MT, Prefeitura Municipal Agricultura Familiar Além da evasão de divisas para Campo Verde, segundo os gestores públicos, há o problema das farinheiras, que foram cedidas pelo estado para fomentar a agricultura familiar, mas apenas algumas estão em funcionamento, e sem certificação. Essa iniciativa acabou não dando retorno, pois veio de cima, sem consultar as necessidades reais da população. Esse é um entrave para a viabilização das agroindústrias em todo o estado. Jurandi Filho, secretário de agricultura, também concorda que é preciso um levantamento das especificidades de cada comunidade, para desenvolver projetos pilotos, assim, conforme vão dando certo, vão agregando mais adeptos, na medida em que vão notando os resultados. Mas a cultura no poder público é imediatista. Para ele, é como se houvesse duas “Chapadas”, uma é riquíssima, com terras férteis, agricultura desenvolvida, e a outra, arenosa, como nas comunidades de Água Fria, João Carro, Jangada Roncador, e que, quando não é voltada para a subsistência, está à mercê da produção de um único produto, a mandioca. Além disso, nessa região há problema com crédito rural. Segundo ele, uma política que tem fomentado a agricultura familiar é a compra de produtos pela prefeitura, fornecidos para a merenda escolar. 62 De acordo com Jurandi, os projetos de piscicultura também vêm de cima, não há antes um projeto piloto para saber se vai dar certo, como no caso das farinheiras. Para ele, deveria haver não a abolição, mas uma união com os atravessadores, para melhor aproveitá-los: fazer com que eles deem uma contrapartida, arquem com algum custo, já que são comerciantes. Segundo o INCRA e o INTERMAT (2011), há 5 assentamentos no município, de âmbito federal e estadual, num total de 516 famílias assentadas. NÚMERO DE ASSENTAMENTOS NÚMERO DE FAMÍLIAS ASSENTADAS TIPO DE ASSENTAMENTOS EXISTENTES 5 516 Federal e Estadual Fontes: INCRA, INTERMAT Turismo Chapada dos Guimarães apresenta a maior potencialidade para o ecoturismo do estado, com abundância de belezas naturais, e já consolidada como um dos principais destinos turísticos do estado. TURISMO Tipos de Turismo Potencialidade Turística Montanhas, Grutas, Cavernas, Picos, Morros, Rios, Lagos, Formações Geológicas, Parques e Reservas Nacionais e Estaduais de fauna e flora, Museus e Sítios Arqueológicos Alta Fontes: SEDTUR-MT, SEPLAN-MT, Prefeitura Municipal 63 TIPOS DE ATRATIVOS E EVENTOS TURÍSTICOS E CULTURAIS ATRATIVOS NATURAIS: CACHOEIRA INDEPENDÊNCIA / CASA DE PEDRA / SALGADEIRA / GRUTA AROE JARI (CAVERNA DAS ALMAS) / GRUTA DA LAGOA AZUL / COMPLEXO MATA FRIA / CAMINHO DAS ÁGUAS / MORRO DE SÃO JERÔNIMO / PAREDÃO DO ECO / PORTÃO DO INFERNO / PARQUE NACIONAL DA CHAPADA DOS GUIMARÃES / ATRATIVOS DIVERSOS: IGREJA NOSSA SENHORA DE SANTANA / CARNAVAL / FESTIVAL DE INVERNO GARIMPO DO SALVADOR / MIRANTE DO PONTO GEODÉSICO DA AMERICA DO SUL CALENDÁRIO DE EVENTOS FEVEREIRO - CARNAVAL TRADICIONAL JULHO - FESTIVAL DE INVERNO / FESTA NOSSA SENHORA DE SANTANA DEZEMBRO - ANIVERSÁRIO DA CIDADE / REVEILLON Fontes: SEBRAE-MT, SEDTUR-MT, Prefeitura Municipal Ainda assim, muitos são os entraves para o aproveitamento efetivo de todo o potencial turístico do município. Segundo o prefeito, sem projetos consistentes, perdem-se recursos federais e estaduais. Além disso, poucos parlamentares têm interesse em levar recursos para o município, por seu baixo eleitorado. Flávio Daltro ressalta que não há dados no estado sobre a contribuição dos municípios no quesito turismo para o PIB do estado. E nem a SEFAZ, nem a SEDTUR, tem noção de quanto custa para o estado transformar os municípios com potencial turístico em pontos turísticos, para que depois possam ser deixados caminhando sozinhos. O estado não tem noção de quanto custa potencializar Chapada. Segundo o prefeito, apenas sobras são destinadas no orçamento para o turismo, e nunca se destina o total que havia sido previsto. A maior parte dos recursos é destinada para eventos (rodeios, festas de santo, etc.), que ocorrem poucas vezes ao ano, enquanto nada vai para infraestrutura. É preciso a noção de que reforçando o entorno, reforça-se a capital. Trabalhando o turismo em toda a Região Metropolitana, seria viabilizado um corredor turístico com qualidade. Mas o turismo nesses municípios é excludente. Pessoas de idade, obesas, não têm condições de visitar o circuito das águas, por exemplo, porque não há estrutura, como corrimãos, etc. 64 Segundo o prefeito, a política da EMBRATUR e do Ministério do Turismo é voltada para o litoral, principalmente do Nordeste (por causa da representatividade dos nordestinos na bancada do congresso). E sempre que se discute o turismo nos municípios, é para que o estado apresente novos produtos turísticos, mas em vez de listarem produtos novos sem estrutura, é preciso viabilizar os velhos, que são muitos e não têm estrutura. Há um projeto chamado “Caminho de Guimarães”, pra viabilização de um roteiro com 14 pontos turísticos, saindo da Casa do Mel, passando pela Porta do Céu, Estrada de Pedra, Cachoeira da Mata Fria, Parque Nacional, uma área que produz vários tipos de flores, o Buriti que vai fazer 100 anos, Ninho das Águas, a comunidade onde todas as ruas são nomes de nações indígenas (onde se pretende construir um museu a céu aberto), Cidade de Pedra, Paredão do Eco, Mirante (onde se pretende construir um teatro de arena), caverna e Complexo da Martinha. Em 2004, o projeto custaria R$ 6.800.000,00, e já tem todas as plantas arquitetônicas. A comissão fez uma simulação, e o turista precisaria de 5 dias em Chapada para percorrer todo roteiro, fazendo uso de um voucher. O “Caminho de Guimarães” seria apenas a espinha dorsal e poderia criar braços, com possibilidades para o ecoturismo. Isso mexeria com a economia das comunidades de Água Fria, de João Carro, revitalizaria garimpos antigos, a primeira residência de campo do governador, e nas Usinas 1 e 2 daria pra fazer pedalinho e canoagem, etc. Dentro do Parque Nacional também se poderia visitar aldeias indígenas, entre outras possibilidades. Um projeto em parceria com o SEBRAE, chamado “Charme de Guimarães”, funcionou por alguns anos, mas encontra-se desativado. Nele, ônibus americanos antigos percorriam um caminho que passava por 32 artesãos trabalhando em casa. Também se pretendia que o prédio da prefeitura se tornasse um centro cultural, funcionando de segunda a segunda até meia noite, sempre com atividades culturais. 65 Ainda segundo o prefeito, Chapada precisa, além de infraestrutura e saneamento básico, de um calendário definitivo anual. É preciso criar esse corredor turístico, para que o estado possa criar um calendário efetivo. De acordo com o prefeito, é preciso também preparar, qualificar a população. Não adianta só preparar o cenário, é necessário aliar um mapeamento do município a um trabalho de qualificação. Porém, segundo Rita Casseb, que assumiu em junho a Secretaria de Turismo, o problema dos cursos do SEBRAE é que repete modelos, e não se adapta à realidade de Chapada. Há no município a cultura do turismo, mas a população não sabe como participar. Segundo Flávio Daltro, uma palestra com o organizador do Natal Luz de Gramado-RS mostrou que lá as festas do Natal eram paralelas, e ele conseguiu unir todas para criar uma só, sendo que em 2012 estima-se um investimento de 17 milhões, sem um centavo do poder público, tendo inclusive bancos na fila para patrocinar o evento. O prefeito afirmou também que falta aos empresários a noção de que eles são o receptivo dos turistas, não a prefeitura. Eles têm que se responsabilizar pelos eventos, e a prefeitura pelo cenário. Mas não há organização, dos 347 estabelecimentos comerciais do município, apenas 32 são filiados à associação comercial. Segundo Rita Casseb, quando há um evento em Chapada, como uma palestra, 60% da plateia é de Cuiabá. Falta sensibilização das pessoas que moram na cidade e tiram sua renda da cidade. De acordo com Sandro Sampaio, que atualmente responde pela Secretaria de Planejamento, o comércio tem ganhos com o turismo, mas quando tem de colaborar financeiramente com um evento, não ajuda. Há a cultura de que a prefeitura é obrigada a fazer festas para o comércio. Segundo ele, em 2010, R$ 1.200.000,00 foram gastos para trazer o show de Ivete Sangalo no Festival de Inverno, com estimativa de um público de 80.000 pessoas, mas esses investimentos não voltam por completo para o município. As pessoas levam tudo dos municípios de origem, comida, bebida, 66 barracas, por causa dos preços e também pela disponibilidade, sendo comum o comércio estar fechado no dia seguinte aos shows. Em Chapada também não se aproveita o potencial turístico de acontecimentos históricos que se deram no município. Há ainda o potencial para o turismo geológico, devido aos fósseis de animais pré-históricos, cuja visitação deve ser inserida num calendário acadêmico. Esse turismo acadêmico já acontece, mas sem ninguém saber, sem que a cidade tire proveito dele. Inclusive, no museu do Departamento de Geologia da UFMT há muito material tirado de Chapada, assim como na Universidade Católica de Goiás, onde há até um engenho antigo. No Lago de Manso, há uma área pública, onde falta um projeto para que as pessoas a frequentem livremente, o que seria mais um braço para o desenvolvimento econômico do município. Uma sugestão do prefeito é a criação de um calendário cultural, com grupos regionais percorrendo de van os outros municípios da região, toda semana, com um cachê único, a um custo muito mais baixo do que o que se gasta pra trazer grandes bandas esporadicamente, o que também valorizaria a cultura regional, fazendo com que esse próprio calendário faça parte dessa cultura. Segundo o prefeito, são coisas simples, mas que teriam grande repercussão. A estrutura turística é formada por 21 meios de hospedagem, 30 locais para alimentação e 16 agências de viagem. HOSPEDAGEM QUANTIDADE QUANTIDADES DE LEITOS LOCAIS PARA ALIMENTAÇÃO AGÊNCIAS DE VIAGEM 21 723 30 16 Fontes: SEBRAE-MT, SEDTUR-MT, Prefeitura Municipal LOCADORAS MEIOS DE ORGANIZADORA VEÍCULOS TRANSPORTE DE EVENTOS 0 3 0 67 Infraestrutura e serviços básicos De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde, há, em Chapada, 2 postos de saúde, 7 centros de saúde, 1 hospital geral e 1 clínica especializada, em um total e 39 leitos hospitalares. SAÚDE NÚMERO DE TIPOS DE ESTABELECIMENTO DE SAÚDE CENTRO DE CLÍNICAS POSTO DE HOSPITAL SAÚDE / ESPECIALIZADAS E SAÚDE GERAL UNIDADE BÁSICA OUTROS 2 7 1 1 NÚMERO DE LEITOS HOSPITALARES 39 Fontes: SES-MT, SEPLAN-MT, Prefeitura Municipal Segundo o prefeito, em 2009, havia um projeto para criação de um centro de vocação turística, uma escola que prepararia desde o manobrista até para o gerenciamento de grandes empreendimentos, mas que ainda não se concretizou. O censo da SEDUC-MT (2011), revelou o total de 5.544 alunos matriculados, 17 escolas municipais, 4 estaduais, 2 privadas, e nenhuma instituição de ensino superior, pelo que já há um esforço para que seja aberto um curso superior na cidade. Um curso técnico de Guia de Turismo está sendo ministrado na cidade por meio da Secretaria Municipal de Turismo e SECITEC/MT – Educação Profissional e Tecnológica de Tangará da Serra. EDUCAÇÃO NÚMERO DE ESCOLAS MUNICIPAL ESTADUAL PRIVADA NÚMERO DE FACULDADES NÚMERO DE ALUNOS 17 4 2 1 5.544 Fonte: SEDUC-MT (2011) A respeito da infraestrutura, o prefeito enumera as seguintes prioridades: 1) Água: Já está sendo resolvido, mas há 17 comunidades na zona rural com problema de abastecimento, sem que haja um programa para resolvê-lo, nem estadual nem federal. 68 Sandro Sampaio disse que o problema da água está sendo resolvido pela mudança na forma de fornecimento, melhorando a pressurização, mas a capacidade ainda não é suficiente, por isso tem que ser controlada, motivo pelo qual houve resistência por parte da população quando dessa mudança. ÁGUA DOMICÍLIOS PARTICULARES PERMANENTES REDE DE DISTRIBUIÇÃO POÇOS / NASCENTES OUTROS 5.538 3.215 1.219 133 Fontes: IBGE, Ministério da Saúde, Prefeitura Municipal 2) Estrada: É necessária a duplicação, porque a estrada é perigosa, ainda mais com o aumento previsto de fluxo. Também falta acostamento. E considere-se que hoje em dia a estrada é caminho para Brasília, Goiânia, o Araguaia, e rota alternativa para o sul do estado. Para Jurandi Filho, secretário de agricultura, a duplicação resolveria inclusive o problema de engarrafamento. É importante pela questão da mobilidade. Se for duplicada, melhora inclusive a saúde, pela diminuição de acidentes, e a educação, já que o ônibus escolar vive quebrando. Em apenas 2 anos, o único trecho não duplicado é detentor de quase o total dos acidentes ocorridos entre Cuiabá e Chapada. 3) Urbanização: Um grande bairro já foi asfaltado, mas ainda há muitas ruas sem asfalto na cidade. Segundo o prefeito, Chapada é o único município do estado com mais de 1.500 casas de veraneio. Então, além dos 10.500 habitantes da zona urbana, mais os das 7 comunidades da zona rural, há uma outra população, que aumenta a despesa com lixo, com água, com hospital, e que não é levada em conta pelo planejamento do estado. Para o prefeito, as pessoas estavam saindo de Chapada porque o hospital estava interditado, as escolas estavam sem aula, bairros inteiros sem asfalto... Mas a retomada dos investimentos, juntamente com outros fatores, como a Copa, levou a que o município voltasse a crescer, sendo que, conforme 69 o secretário de planejamento, em 1 ano e 3 meses, aumentou em 10% os registros de água na cidade, ou seja, novas casas foram construídas. Ainda segundo o secretário, está sendo pleiteada a elaboração de um projeto para rede de esgoto, que não existe no município. Quando questionado sobre se haveria capacidade para receber um grande empreendimento, como um hotel, a resposta foi que, com a infraestrutura existente, seria inviável. Essa é uma realidade compartilhada por muitos outros pequenos municípios do estado. ESGOTAMENTO SANITÁRIO REDE DE ESGOTO FOSSA / FILTRO CÉU ABERTO ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE ESGOTO 9 4.189 369 0 Fontes: Ministério da Saúde, Prefeitura Municipal A maioria dos domicílios tem coleta do lixo, mas não há no município aterro sanitário, fundamental para a sustentabilidade ambiental. RESÍDUOS SÓLIDOS COLETA QUEIMADO / ENTERRADO LIXÃO ATERRO SANITÁRIO 3.240 1.141 186 0 Fontes: Ministério da Saúde, Prefeitura Municipal Outro problema citado pelos gestores públicos e que impacta sobre o meio ambiente é o contrabando de ervas medicinais. Segundo Sandro Sampaio, o município tem sido lesado por pessoas e empresas que vêm de fora e retiram essas plantas sem autorização e sem o menor cuidado com a preservação da flora. Esse problema é compartilhado pela Região Metropolitana como um todo, já que é riquíssima em ervas medicinais. 70 Sugestões As sugestões apontadas pelos gestores públicos para alavancar socioeconomicamente o município foram: - Implementar projetos pilotos para a agricultura familiar, para testar sua eficácia e atrair adeptos, evitando que, vindos de fora e não adaptados à realidade do município e ao interesse dos agricultores, mostrem-se estéreis; - Mapeamento completo da potencialidade turística do município, juntamente com o levantamento das prioridades da população, integrando-a no processo de planejamento; - Criação do centro de vocação turística, para qualificar todo tipo de profissional para o setor turístico; - Oferecer um curso de ensino superior; - Melhoria e ampliação da estrutura nos pontos turísticos, para que o acesso não seja excludente; - Concretizar o projeto “Caminhos de Guimarães”; - Retomar o projeto “Charme de Guimarães”; - Transformar o prédio da prefeitura em um Centro Cultural com atividades culturais todos os dias da semana; - Sensibilizar a população e o empresariado para melhorar a qualidade do atendimento ao turista; - Inserção da visita aos sítios arqueológicos de Chapada em calendários acadêmicos da capital, e criação de mecanismos para atrair esses visitantes para a cidade; - Criação de um corredor cultural, com turnê musical de músicos regionais pelos municípios da região; 71 - Ampliação da capacidade de abastecimento de água; - Duplicação da rodovia MT-251 no trecho da entrada do Manso até a sede; - Pavimentação das ruas da cidade que ainda não têm asfalto; - Implantação de estação de tratamento de esgoto; - Sensibilização do estado para que considere as especificidades demográficas da cidade em seu planejamento; 72 CUIABÁ Atualidade, potencialidades e entraves Dados gerais Capital do estado, e com uma área territorial de 3.538,167 km2, o município de Cuiabá, com 551.350 habitantes (IBGE), sendo 541.002 da zona urbana e 10.348 da zona rural, apresentou em 2009 um PIB de R$ 9.816.819.000,00 e PIB per capita de R$ 17.830,54, com economia moderada, cujo PIB per capita está abaixo do do estado, mas com população em crescimento. Seu IDS-M é 0.509. PIB EM R$ (2009) PIB - PER CAPITA EM R$ (2009) IDS-M (2010) TIPO DE ECONOMIA 9.816.819.000,00 17.830,54 0.509 Moderada Fontes: IBGE, AMM, Assembleia Legislativa PIB - 2009 em R$ Total Agropecuária Indústria Serviços 9.816.819.000,00 51.185.000,00 1.711.435.000,00 6.517.415.000,00 Fonte: IBGE POPULAÇÃO 2010 TOTAL URBANA RURAL HOMENS MULHERES CRESCIMENTO DE 2000 A 2010 551.350 541.002 10.348 269.397 281.953 14,07% Fonte: IBGE A pesquisa por amostragem para o levantamento da ocupação na Região Metropolitana (AMM, 2011) constatou que 50% da população têm entre 16 e 34 nos, enquanto a taxa geral de desemprego corresponde a 7% da população, demonstrando que há muita mão-de-obra a ser aproveitada pelos setores da economia. 73 DESEMPREGO IDADE DE 16 A 34 (Por amostragem) TAXA DE DESEMPREGO (Por amostragem) 50% 7% Fonte: AMM Um dado que indica a pobreza existente no município é o total de benefícios do Bolsa Família: RENDA FAMILIAR MENSAL 2010 - SALÁRIO MÍNIMO - DOMICÍLIO 0 a 1 S/M 1 a 2 S/M 2 a 5 S/M 5 a 10 S/M 10 a 20 S/M Mais de 20 S/M 21.453 29.945 59.745 32.067 15.056 7.419 Beneficiados com Bolsa Família 2011 21.208 Fontes: IBGE, IPEA/MDS As principais cadeias produtivas são a indústria, comércio, pecuária, pesca e a agricultura, de subsistência e de cultivo de hortifrutigranjeiros. Destaca-se ainda o setor turístico, em crescimento. AGROPECUÁRIA Culturas Temporárias Efetivo de Rebanho Abacaxi, Banana, Cana-de-açúcar, Coco-dabaía, Limão, Mandioca, Manga, Melancia, Milho Bovinos, Suínos, Bubalinos, Ovinos, Caprinos, Avícolas INDÚSTRIAS Tipo de Produção Extrativista Vegetal e Mineral Tipo de Produção de Origem Animal Calcário e Lenha Leite, Mel Fontes: SEPLAN-MT, Prefeitura Municipal A base do comércio em Cuiabá é o varejo, voltado para os segmentos alimentício, de vestuário, eletrodomésticos e artigos diversos. A indústria, por sua vez, é baseada na agroindústria, e o Distrito Industrial de Cuiabá (DIIC) concentra várias delas. 74 Agricultura familiar O solo da região é impróprio para grandes lavouras, demandando muito investimento para sua correção, o que acaba tornando mais viável o cultivo de pastagem para o gado, contribuindo para a baixa capacidade de produção da agricultura. Assim como no restante do estado, a agricultura familiar cuiabana sofre com a falta de titulação fundiária e, com isso, de acesso ao crédito e à assistência técnica, com pouca organização da produção e da comercialização. A agricultura, basicamente de subsistência, é voltada para a produção de frutas como banana, melancia, mamão, e de hortaliças, compatível com o clima da região. Ainda assim, conforme o CCAF – Centro de Comercialização da Agricultura Familiar, que organiza a venda direta dos produtos da Região Metropolitana para a rede de mercados da Grande Cuiabá, no que diz respeito às hortaliças, a região como um todo tem grande capacidade de abastecimento desse mercado, principalmente Chapada dos Guimarães e Serra de São Vicente (Santo Antônio de Leverger), capacidade que é alavancada por organizações como essa. Segundo o INCRA e o INTEMAT (2011), há 6 assentamentos no município de Cuiabá, entre estaduais e casulo, com 729 famílias assentadas. AGRICULTURA FAMILIAR NÚMERO DE ASSENTAMENTOS NÚMERO DE FAMÍLIAS ASSENTADAS TIPOS DE ASSENTAMENTOS EXISTENTES 6 729 Estadual e Casulo Fontes: INCRA, INTERMAT Turismo O grande potencial turístico do município é o turismo de negócios e o histórico e cultural, que deverão ser alavancados com a realização da Copa do Mundo de Futebol em 2014. Cuiabá, por ser um município antigo, tem um patrimônio histórico importante, de arquitetura tipicamente colonial, com influências neoclássicas e ecléticas, e muitos prédios do centro históricos foram tombados e restaurados. Também se destacam o artesanato e a culinária, com ingredientes típicos da fauna e flora regional. 75 Com a criação de uma secretaria extraordinária responsável pelos projetos para a Copa, a SECOPA, várias obras já estão sendo realizadas na capital, como a construção de trincheiras, viadutos e recuperação e sinalização das vias, visando ao aumento da capacidade de tráfego e da qualidade da mobilidade urbana. Além disso, um grande estádio, chamado Arena Pantanal, está sendo construído em substituição ao antigo Verdão. PRINCIPAIS ATRATIVOS TURÍSTICOS CALENDÁRIO DE EVENTOS JANEIRO – CORRIDA DE REIS CENTRO GEODÉSICO DA AMÉRICA DO SUL/ PALÁCIO ALENCASTRO / PALÁCIO PAIAGUÁS / CASA DO ARTESÃO / CATEDRAL METROPOLITANA / CENTRO HISTÓRICO / IGREJA DE NOSSA SENHORA DO ROSARIO E CAPELA SÃO BENEDITO / IGREJA DE NOSSA SENHORA AUXILIADORA / IGREJA DE NOSSA SENHORA DO BOM DESPACHO / MUSEU RONDON / PALÁCIO DA INSTRUÇÃO / MESQUITA MUÇULMANA / ÁGUAS TERMAIS / PARQUE TIA NAIR / PARQUE MORRO DA LUZ / PARQUE AQUÁTICO SESI PARK / CINE TEATRO DE CUIABÁ E MUSEU DO CINEMA / MUSEU MORRO DA CAIXA D’ÁGUA / AQUÁRIO MUNICIPAL /MUSEU DA EDUCAÇÃO / MUSEU DE ARTE SACRA DE CUIABÁ / MUSEU DA HISTÓRIA DE MATO GROSSO / MUSEU MARECHAL RONDON / MUSEU COUTO MAGALHÃES / MUSEU DAS PEDRAS / MUSEU DE ANTROPOLOGIA MATO-GROSSENSE / MUSEU DO ÍNDIO / MUSEU DO COXIPÓ / MUSEU DO OURO MUSEU BARÃO DE MELGAÇO / MUSEU DO PANTANAL / CATEDRAL METROPOLITANA / IGREJA SÃO GONÇALO / MESQUITA DE CUIABÁ / PARQUES MÃE BONIFACIA / MASSAIRO OKAMURA / ZÉ BOLO FLÔ / PARQUE URBANO DA VILA MILITAR / HORTO FLORESTAL/ IGREJA DO NOSSO SENHOR DOS PASSOS / PALÁCIO DA INSTRUÇÃO / SESC ARSENAL / MERCADO DE PEIXES - MUSEU DO RIO CUIABÁ / MUSEU DA IMAGEM E DO SOM DE CUIABÁ (MISC) FEVEREIRO – CARNAVAL POPULAR ABRIL - ANIVERSÁRIO DO MUNICIPIO MAIO – FESTA INTERNACIONAL DO PANTANAL; FESTIVAL DAS FLORES JUNHO - FESTA DE NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO / FESTA DE SÃO BENEDITO / FESTA DE SÃO BENEDITO DA DONA BETINHA / FESTA DE SÃO JOÃO / FESTA DO SENHOR DIVINO / FESTA DO DIVINO ESPÍRITO SANTO / FESTA DE NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO JULHO – EXPOAGRO AGOSTO - FESTIVAL CURURU E SIRIRI / PELADÃO DE CUIABÁ SETEMBRO – MICARECUIA OUTUBRO - CUIABÁ CIDADE ARTE / FESTIVAL DE MÚSICA DEZEMBRO - FESTA DA IMACULADA DE SÃO GONÇALO / FESTA E MAGIA DE NATAL Fontes: SEDTUR-MT, SEPLAN-MT, Prefeitura Municipal Há uma grande oferta e diversidade na rede hoteleira e de restaurantes. Em função da Copa, com o aumento da demanda, há um aumento de postos de trabalho no setor turístico e uma preocupação crescente quanto à qualificação da mão-de-obra do setor, com investimentos em cursos de língua. 76 Segundo dados do SEBRAE e da SEDTUR, em 2010, havia 70 meios de hospedagem, num total de 7.920 leitos, e 160 restaurantes, número que certamente apresentará um significativo acréscimo em 2012, devido à abertura de novos empreendimentos. Havia também 168 agências de viagem, 13 locadoras de veículos e 40 organizadoras de eventos. HOSPEDAGEM QUANTIDADE QUANTIDADE DE LEITOS 70 7.920 RESTAURANTES AGÊNCIAS DE VIAGEM LOCADORAS VEICULOS ORGANIZADORA DE EVENTOS 160 168 13 40 Fontes: SEBRAE-MT, SEDTUR-MT, Prefeitura Municipal Infraestrutura e serviços básicos O município possui uma grande estrutura de comunicações, com provedores de internet, rádios, jornais impressos e online, grupos de televisão, companhias de telefonia fixa e móvel. O transporte coletivo da capital atualmente conta com 380 ônibus e micro-ônibus, além dos 92 intermunicipais, que ligam Cuiabá e Várzea Grande (MTU), além de frotas de táxi e de moto-táxi. E com a Copa, há a expectativa da construção do sistema de transporte VLT – Veículo Leve sobre Trilhos, para diminuir o tempo de trajeto do transporte público e desafogar o trânsito, ligando pontos da capital à Várzea Grande. De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde, em 2011, havia 89 centros de saúde e unidades básicas, um posto de saúde, 14 hospitais gerais e 1.182 clínicas especializadas, num total de 1.751 leitos hospitalares. De acordo com o anuário estatístico da SEPLAN-MT (2010), o número de leitos hospitalares na capital tem diminuído. SAÚDE NÚMERO DE TIPOS DE ESTABELECIMENTO DE SAÚDE CENTRO DE CLÍNICAS POSTO DE SAÚDE / HOSPITAL ESPECIALIZADAS SAÚDE UNIDADE GERAL E OUTROS BÁSICA 1 89 14 1.182 NÚMERO DE LEITOS HOSPITALARES 1.751 Fontes: SES-MT, SEPLAN-MT, Prefeitura Municipal 77 O censo educacional da Secretaria de Estado de Educação (2011) revelou um número de 145 escolas municipais, 76 estaduais, 91 privadas e 3 federais, num total de 143.072 alunos matriculados. O município oferece cursos tecnológicos e técnicos, além de cursos superiores, com campus da UFMT – Universidade Federal de Mato Grosso, além de universidades e faculdades particulares. EDUCAÇÃO (2011) NÚMERO DE ESCOLAS MUNICIPAL ESTADUAL PRIVADA ESCOLAS FEDERAIS NÚMERO DE ALUNOS 145 76 91 3 143.072 Fonte: SEDUC-MT (2011) No que diz respeito ao saneamento básico, dos 165.685 domicílios particulares permanentes do município (IBGE), 74.935 são abastecidos pela rede de distribuição. ÁGUA DOMICÍLIOS PARTICULARES PERMANENTES REDE DE DISTRIBUIÇÃO POÇOS / NASCENTES OUTROS 165.685 74.935 7.374 2.300 Fontes: IBGE, Ministério da Saúde, Prefeitura Municipal A maioria dos domicílios, entretanto, não são atendidos pela rede de esgoto, utilizando fossas. Há uma estação de tratamento de esgoto no município. ESGOTAMENTO SANITÁRIO REDE DE ESGOTO FOSSA / FILTRO CÉU ABERTO ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE ESGOTO 31.058 50.922 2.629 SIM Fontes: Ministério da Saúde, Prefeitura Municipal 78 Há coleta de lixo em 76.767 domicílios, e o aterro sanitário de Cuiabá já esgotou sua capacidade. RESÍDUOS SÓLIDOS COLETA QUEIMADO / ENTERRADO LIXÃO ATERRO SANITÁRIO 76.767 4.655 3.187 SIM Fontes: Ministério da Saúde, Prefeitura Municipal Sugestões Para alavancar a economia de Cuiabá e promover inclusão social, são necessários: - Viabilização da regularização fundiária para que os produtores rurais tenham acesso às políticas de fomento à agricultura familiar, por meio de crédito e assistência técnica, ampliando a capacidade de produção e de comercialização dos produtos; - Implantação de pequenas agroindústrias para agregar valor e certificar os produtos da agricultura familiar, aumentando a comercialização e diminuindo a dependência dos atravessadores; - Incentivos à organização da produção, por meio de associações e cooperativas; - Acompanhamento e concretização das obras e projetos para a Copa de 2014, para que os investimentos sejam bem aplicados e revertam em benefícios não só em mobilidade urbana como em geração de emprego e renda e inclusão social para os moradores da região; - Melhoria e ampliação da estrutura e serviços turísticos, para explorar todo o potencial das riquezas naturais e culturais do município, com maior oferta de passeios e atividades, e atendimento de qualidade, aumentando assim sua atratividade, consolidando Cuiabá como destino de viagem em escala nacional e internacional; 79 - Investimento em qualificação e cursos técnicos para atender a demanda de mão-de-obra turística com a realização da Copa e propiciando um atendimento de qualidade; - Melhorias no saneamento básico e infraestrutura em geral para tornar a capital ambientalmente sustentável e melhorar a saúde e a qualidade de vida da população; - Criar um Barco Restaurante que, saindo da Ponte Nova, percorra o trajeto até Santo Antônio de Leverger, para que o potencial dessa vista extraordinária, entrada do Pantanal, seja explorado. 80 JANGADA Atualidade, potencialidades e entraves Dados gerais A 82 km de distância da capital, e com uma área territorial de 1.021,939 km², o município de Jangada, com 7.696 habitantes (IBGE), sendo 2.946 da zona urbana e 4.570 da zona rural, apresentou em 2009 um PIB de R$ 97.908.000,00 e PIB per capita de R$ 11.570,33, com economia moderada, cujo PIB per capita está abaixo do do estado, mas com população em crescimento. Seu IDS-H é de 0,460. PIB em R$ (2009) PIB - Per Capita em R$ (2009) IDS-M (2010) TIPO DE ECONOMIA 97.908.000,00 11.570,33 0,460 Moderada Fontes: IBGE, AMM, Assembleia Legislativa PIB - 2009 em R$ Total Agropecuária Indústria Serviços 97.908.000,00 47.655.000,00 12.340.000,00 33.408.000,00 Fonte: IBGE POPULAÇÃO 2010 TOTAL URBANA RURAL HOMENS MULHERES CRESCIMENTO DE 2000 A 2010 7.696 2.946 4.570 3.963 3.733 7,88% Fonte: IBGE A pesquisa por amostragem para o levantamento da ocupação na Região Metropolitana (AMM, 2011) constatou uma população com 49% em idade de 16 a 34 anos, enquanto a taxa geral de desemprego corresponde a 12% população, demonstrando que há muita mão-de-obra a ser aproveitada pelos setores da economia. 81 DESEMPREGO IDADE DE 16 A 34 (Por amostragem) TAXA DE DESEMPREGO (Por amostragem) 49% 12% Fonte: AMM Um dado que indica a pobreza existente no município é o total de benefícios do Bolsa Família: RENDA FAMILIAR MENSAL 2010 - SALÁRIO MÍNIMO - DOMICÍLIO 0 a 1 S/M 1 a 2 S/M 2 a 5 S/M 5 a 10 S/M 10 a 20 S/M Mais de 20 S/M 625 630 562 131 25 5 Beneficiados com Bolsa Família 2011 835 Fontes: IBGE, IPEA/MDS A cidade tem sua economia baseada na pecuária, em poucas porém grandes propriedades, com um rebanho de 55.093 cabeças (INDEA, 2011). A compra e a venda do gado participam ativamente da economia do município. As demais cadeias produtivas são a fruticultura, hortigranjeiros, floricultura, mandioca, criação de jacaré, ovinocultura, caprinocultura, turismo, artesanato, piscicultura, leite, avicultura. O município é conhecido por seu tradicional pastel, comercializado em vários estabelecimentos ao longo da BR, no perímetro urbano. Este mercado tem uma média de 150 empregos diretos, segundo dados da prefeitura. A AMM tem interesse em realizar parcerias com as prefeituras municipais para criar feiras itinerantes para divulgação dos produtos de cada município, a começar pela feira itinerante do pastel, com os empreendedores de Jangada. A indústria voltada para o beneficiamento do couro gera diretamente 150 empregos, e cerca de mais 50 empregos indiretos. O desenvolvimento desse setor, na opinião dos gestores públicos, é a oportunidade para a melhora do índice de IDS-M do município. 82 AGROPECUÁRIA Culturas Temporárias Efetivo de Rebanho Arroz, Banana, Cana-de-açúcar, Coco-dabaía, Feijão, Limão, Mandioca, Maracujá, Melão, Melancia, Milho, Soja, Goiaba, Tomate, Pimenta. Bovinos, Suínos, Bubalinos, Ovinos, Caprinos, Avícolas INDÚSTRIAS Tipo de Produção Extrativista Vegetal e Mineral Tipo de Produção de Origem Animal Lenha, Pinga Couro, Leite Fontes: SEPLAN-MT, Prefeitura Municipal Agricultura familiar A agricultura familiar no município é basicamente de subsistência. Segundo levantamento da prefeitura, há 785 lotes de pequenos agricultores em comunidades isoladas, onde são desenvolvidos trabalhos tradicionais, como o plantio da mandioca e a produção de farinha, embora esteja subordinada à ação de atravessadores, já que a produção não é certificada pela vigilância sanitária. Como na maioria dos municípios do estado, a questão fundiária é um dos maiores entraves para o desenvolvimento do setor rural, principalmente para os pequenos produtores. Cerca de 60 famílias estão sendo cadastradas para receber os kits de fomento à agricultura de subsistência. Segundo os gestores públicos, falta a estruturação de um órgão de apoio técnico à expansão e aumento da produção da agricultura familiar. AGRICULTURA FAMILIAR NÚMERO DE ASSENTAMENTOS NÚMERO DE FAMÍLIAS ASSENTADAS TIPOS DE ASSENTAMENTOS EXISTENTES 9 976 Estadual Fontes: INCRA, INTERMAT 83 Turismo No município há cavernas, cachoeiras, a Lagoa Encantada, e sítios arqueólogos (Sítio Santa Elina), mas cujo potencial turístico ainda não foi devidamente explorado. Há também apresentações de Cururu e Siriri, festas de santos, Festival do Pastel, festival de música country, prática de rapel e rally, porém, além do aniversário da cidade, não há um calendário anual de eventos regular. PRINCIPAIS ATRATIVOS TURÍSTICOS CALENDÁRIO DE EVENTOS FESTIVAL DO PASTEL /JANGADA COUNTRY FEST / FESTA DE SÃO SEBASTIÃO / FESTA DE NOSSA SENHORA DO PANTANAL / SETEMBRO - ANIVERSÁRIO DA CIDADE CURURU E SIRIRI / CAVERNA DA BOCAINA / LAGOA ENCANTADA / SÍTIO ARQUEOLOGICO / HAPPEL / RALLY Fontes: SEDTUR-MT, SEPLAN-MT, Prefeitura Municipal Falta também um espaço com serviços variados e de qualidade para reter os motoristas de passagem na cidade, de modo que eles possam passar a noite ou ampliar o tempo de parada, aumentando o consumo no comércio local. HOSPEDAGEM QUANTIDADE QUANTIDADE DE LEITOS 3 60 RESTAURANTES AGÊNCIAS DE VIAGEM 20 0 LOCADORAS MEIOS DE ORGANIZADORA VEICULOS TRANSPORTE DE EVENTOS 0 1 0 Fontes: SEBRAE-MT, SEDTUR-MT, Prefeitura Municipal Infraestrutura e serviços básicos Segundo Carlos Kazuhiko Mito, secretário de infraestrutura urbana do município, há transporte coletivo no município, mas as estradas vicinais não 84 são pavimentadas. Há também iluminação pública e a segurança é feita pela Polícia Militar. A falta de regularidade no fornecimento de energia elétrica também é um entrave para a chegada de novos estabelecimentos e indústrias. De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde, há 3 postos de saúde, 1 unidade básica de saúde e 3 clínicas especializadas, não havendo um hospital geral no município. SAÚDE NÚMERO DE TIPOS DE ESTABELECIMENTO DE SAÚDE CENTRO DE CLÍNICAS POSTO DE SAÚDE / HOSPITAL ESPECIALIZADAS SAÚDE UNIDADE GERAL E OUTROS BÁSICA 3 1 0 3 NÚMERO DE LEITOS HOSPITALARES 0 Fontes: SES-MT, SEPLAN-MT, Prefeitura Municipal Segundo o censo educacional da SEDUC-MT, em 2011 havia 2.298 alunos matriculados, em 5 escolas municipais e 6 estaduais, não havendo instituição de ensino superior. EDUCAÇÃO (2011) NÚMERO DE ESCOLAS MUNICIPAL ESTADUAL PRIVADA NÚMERO DE FACULDADES NÚMERO DE ALUNOS 5 6 0 0 2.298 Fonte: SEDUC-MT (2011) Dos 1.978 domicílios particulares permanentes do município (IBGE), 1.232 são atendidos pela rede de distribuição de água, e há estação de tratamento de água. Não há estação de tratamento de esgoto, e a maioria dos domicílios utilizam fossa/filtro. Há coleta do lixo em 868 domicílios, enquanto a maioria é queimada ou enterrada, e o município não possui aterro sanitário. 85 ÁGUA DOMICÍLIOS PARTICULARES PERMANENTES REDE DE DISTRIBUIÇÃO POÇOS / NASCENTES OUTROS 1.978 1.232 893 49 ESGOTAMENTO SANITÁRIO REDE DE ESGOTO FOSSA / FILTRO CÉU ABERTO ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE ESGOTO 8 1.850 521 0 RESÍDUOS SÓLIDOS COLETA QUEIMADO / ENTERRADO LIXÃO ATERRO SANITÁRIO 868 1.039 267 0 Fontes: IBGE, Ministério da Saúde, Prefeitura Municipal Sugestões - Políticas de fomento à agricultura familiar, especialmente à produção de farinha, pela implantação de pequenas agroindústrias com certificação da vigilância sanitária, aptas a serem comercializadas em redes de mercados, sem que o produtor dependa de atravessadores; - Estruturação de um órgão de assistência técnica para a agricultura familiar, de modo a aumentar sua produção; - Criação da Feira Itinerante do Pastel, disseminando o produto de empreendedores locais pelo estado; - Criar estrutura para o desenvolvimento do ecoturismo no município; - Elaboração de um mapa turístico com todos os atrativos de Jangada; - Definição de um calendário anual de eventos; - Melhoria e ampliação da estrutura turística na cidade, para reter os visitantes por mais tempo; - Melhoria do fornecimento de energia elétrica, para atrair novas indústrias. 86 NOBRES Atualidade, potencialidades e entraves Dados Gerais A 142 km de distância da capital, e com uma área territorial de 3 859,509 km2, o município de Nobres, com 15.011 habitantes (IBGE), sendo 12.461 da zona urbana e 2.550 da zona rural, apresentou em 2009 um PIB de R$ 218.158.000,00 e PIB per capita de R$ 13.034,63, com economia moderada, cujo PIB per capita está abaixo do do estado, mas com população em crescimento. Seu IDS-M, entretanto, é de 0,661, o maior da RMVRC. PIB em R$ (2009) PIB - Per Capita em R$ (2009) IDS-M (2010) TIPO DE ECONOMIA 218.158.000,00 13.034,63 0,661 Moderada Fontes: IBGE, AMM, Assembleia Legislativa PIB - 2009 em R$ Total Agropecuária Indústria Serviços 218.158.000,00 40.894.000,00 72.557.000,00 87.731.000,00 Fonte: IBGE POPULAÇÃO 2010 TOTAL URBANA RURAL HOMENS MULHERES CRESCIMENTO DE 2000 A 2010 15.011 12.461 2.550 7.834 7.177 0,19% Fonte: IBGE A pesquisa por amostragem para o levantamento da ocupação na Região Metropolitana (AMM, 2011) constatou que 46% da população têm entre 16 e 34 nos, enquanto a taxa geral de desemprego corresponde a 13 % da população, demonstrando que há muita mão-de-obra a ser aproveitada pelos setores da economia. 87 DESEMPREGO IDADE DE 16 A 34 (Por amostragem) TAXA DE DESEMPREGO (Por amostragem) 46% 13% Fonte: AMM Um dado que indica a pobreza existente no município é o total de benefícios do Bolsa Família: RENDA FAMILIAR MENSAL 2010 - SALÁRIO MÍNIMO - DOMICÍLIO 0 a 1 S/M 1 a 2 S/M 2 a 5 S/M 5 a 10 S/M 10 a 20 S/M Mais de 20 S/M 1.104 1.165 1.559 495 130 25 Beneficiados com Bolsa Familia 2011 978 Fontes: IBGE, IPEA/MDS As principais cadeias produtivas são a indústria de cimento e calcário, a pecuária (sistema de cria, recria, corte e leiteira), agricultura, com destaque para o cultivo de arroz, milho, de subsistência e culturas perenes, comércio, e ecoturismo. De acordo com a SEPLAN-MT, a produção de bens minerais no município, baseada principalmente no calcário, destinado à produção de cimento e à correção do solo, gera aproximadamente 125 empregos diretos nas minas e 262 nas usinas. Porém, mesmo com a indústria de cimento no município, segundo o prefeito, esse produto em Nobres é caro, pois a empresa não permite a comercialização dele na própria cidade, tendo que vir de outra unidade, acabando mais caro por causa do preço do frete. Com um rebanho bovino de 116.505 cabeças (INDEA, 2011) a principal fonte de receita da pecuária é o comércio de bovinos, pois, devido à má qualidade do pasto, tanto os animais de desmama quanto os mais velhos são vendidos para outras regiões, onde é feita a engorda e são destinados ao abate. 88 Um dado salientado pelo prefeito e que impacta diretamente na economia do município é a quantidade de funcionários da prefeitura municipal, cerca de 650, o que acaba pesando sobre o orçamento público. AGROPECUÁRIA Culturas Temporárias Efetivo de Rebanho Abacaxi, Arroz, Banana, Borracha, Cana-deBovinos, Suínos, Bubalinos, Ovinos, açúcar, Coco-da-baía, Feijão, Laranja, Limão, Caprinos, Piscicultura Mandioca, Milho, Soja INDÚSTRIAS Tipos de produção Extrativista Vegetal e Mineral Tipos de produção de Origem Animal Calcário, Cascalho, Lenha e Madeira Leite Fontes: SEPLAN-MT, Prefeitura Municipal Agricultura Familiar Como em muitos municípios, a alternância de secretários também dificulta a implementação das políticas públicas. No que diz respeito à agricultura familiar, há problema com a titulação das propriedades por parte do INCRA, dificultando o acesso ao crédito. Em Nobres, não há projetos como o PAIS - Produção Agroecológica Integrada e Sustentável e o PAA - Programa de Aquisição de Alimentos, dificultando o desenvolvimento da agricultura familiar. A agricultura familiar no município se resume, portanto, a uma produção de subsistência, com um trabalho artesanal e tradicional de famílias e comunidades isoladas. Segundo o INCRA e o INTERMAT (2011), há 3 assentamentos, de âmbito federal e estadual. AGRICULTURA FAMILIAR NÚMERO DE ASSENTAMENTOS NÚMERO DE FAMÍLIAS ASSENTADAS TIPOS DE ASSENTAMENTOS EXISTENTES 3 865 Federal e Estadual Fontes: INCRA, INTERMAT 89 Turismo Nobres apresenta um dos maiores potenciais turísticos do estado, com inúmeras riquezas naturais, como grutas, cavernas, lagoas, rios, cachoeiras, entre outros. ATRATIVOS E EVENTOS TURÍSTICOS E CULTURAIS CALENDARIO DE EVENTOS JANEIRO – FESTA DE SÃO BENEDITO ATRATIVOS NATURAIS: GRUTA DA LAGOA AZUL / GRUTA SÃO JOSÉ / RIBEIRÃO ESTIVADO / CABECEIRAS DO RIO CUIABÁ (APA) / COMPLEXO DA CERQUINHA / CACHOEIRA SALTO DO TUCUM / LAGOA DAS ARARAS / CACHOEIRA DA SERRA AZUL REINO ENCANTADO (RIO TRISTE) / AQUÁRIO ENCANTADO / BALNEARIO DONA MÁXIMA RIO SERRAGEM / CACHOEIRA DO TOMBADOR CACHOEIRA DO VAI QUEM QUER / CACHOEIRA SERRA AZUL / GRUTA DUTO DO QUEBÓ GRUTA LAGOA AZUL (INTERDITADA) / RESERVA YAPORÃ ATRATIVOS CULTURAIS RESERVA INDÍGENA (ALDEIA SANTANA) / SÍTIOS ARQUEOLÓGICOS ATRATIVOS DIVERSOS: BOIA-CROSS / FLUTUAÇÃO / PARAPENTE / RAPEL FEVEREIRO – CARNAVAL DE RUA ABRIL – FESTA DO LAÇO MAIO - ANIVERSÁRIO DA CIDADE JUNHO – FESTA DO PADROEIRO JULHO – FESTA DE SÃO BENEDITO / FESTA DE SANTA LUZIA AGOSTO – FESTA DE SÃO CRISTOVAO SETEMBRO – FESTA DE NOSSA SENHORA DA IMACULADA CONCEIÇÃO OUTUBRO – FESTA DE NOSSA SENHORA APARECIDA / FESTA DE NOSSA SENHORA DA GUIA / SÃO GONÇALO E SÃO SEBASTIÃO Fontes: SEDTUR-MT, SEPLAN-MT, Prefeitura Municipal Mesmo com essa abundância de atrativos, falta estrutura turística de qualidade, o que potencializaria o impacto do setor na economia do município. As ações são isoladas, por iniciativa dos próprios proprietários dos locais. O turista tem a opção de praticar atividades como boia-cross e flutuação nos rios da região, mas outras atividades, como rafting, mergulho com cilindro, rally, rapel, são pouco aproveitadas. O parapente já é praticado no município, o que atrai praticantes do esporte de todo o país, público este que reivindica mais estrutura, para que assim a cidade seja inserida no circuito nacional. As vias de acesso da sede às comunidades não têm pavimentação, dificultando o acesso aos atrativos naturais. Nas comunidades, há ainda problemas ligados à licença ambiental e titulação das propriedades, o que acaba por desestimular investimentos do setor privado em estrutura para o 90 ecoturismo. Mas o artesanato tem ganhado algum destaque, como resultado do trabalho de mulheres das comunidades rurais. Com a autorização para explorar corretamente o ambiente, os empreendimentos possibilitariam ao turista permanecer mais tempo no município, tanto na sede quanto nas comunidades. No perímetro urbano, inclusive, faltam atividades culturais para atrair turistas, pois, mesmo com festas tradicionais e feira da pecuária, os eventos são isolados, sem que haja um calendário anual definitivo. O Instituto Nobres Vozes é um projeto em parceria com o governo federal que tenta mudar essa realidade, que desenvolve cursos de música, aulas instrumentais, aulas de inglês, com o propósito de inclusão social, e que tem o objetivo de também estabelecer um dia cultural semanal, com atividades e apresentações musicais, a se fixar como um atrativo da cidade. O setor turístico conta com 282 leitos, distribuídos no perímetro urbano e na zona rural, possui um guia turístico e 40 condutores locais. Como opção de estadia para o turista, há ainda o programa “Cama e Café”, desenvolvido pela SEDTUR com o intuito de ampliar o atendimento turístico e gerar renda para as comunidades locais. O programa consiste na disponibilização de quartos em residências como meio de hospedagem, com a devida qualificação e certificação dos moradores, para que ofereçam um serviço turístico de qualidade. HOSPEDAGEM QUANTIDADE 10 QUANTIDADE DE LEITOS LOCAIS PARA ALIMENTAÇÃO AGÊNCIAS DE VIAGEM LOCADORAS MEIOS DE ORGANIZADORA VEÍCULOS TRANSPORTE DE EVENTOS 282 23 8 Fontes: SEBRAE-MT, SEDTUR-MT, Prefeitura Municipal 0 4 3 Infraestrutura e serviços básicos Segundo o levantamento da SES-MT, há no município 2 postos de saúde, 4 centros de saúde, 1 hospital geral e 3 clínicas especializadas, num total de 41 leitos hospitalares. 91 SAÚDE NUMERO DE TIPOS DE ESTABELECIMENTO DE SAÚDE CENTRO DE CLÍNICAS POSTO DE HOSPITAL SAÚDE / UNIDADE ESPECIALIZADAS SAÚDE GERAL BÁSICA E OUTROS 2 4 1 NÚMERO DE LEITOS HOSPITALARES 3 41 Fontes: SES-MT, SEPLAN-MT, Prefeitura Municipal De acordo com a SEDUC-MT (2011), há no município 6 escolas municipais, 5 estaduais e 2 privadas. Não há curso de ensino superior no município. EDUCAÇÃO NÚMERO DE ESCOLAS MUNICIPAL ESTADUAL PRIVADA FEDERAL 6 5 2 0 NÚMERO DE ALUNOS 4.694 Fonte: SEDUC-MT No que diz respeito ao saneamento básico, há 4.478 domicílios particulares permanentes no município (IBGE), com 3.638 deles abastecidos pela rede de distribuição. ÁGUA DOMICÍLIOS PARTICULARES PERMANENTES REDE DE DISTRIBUIÇÃO POÇOS / NASCENTES OUTROS 4.478 3.638 742 54 Fontes: IBGE, Ministério da Saúde, Prefeitura Municipal Há rede de esgoto no município, mas apenas 57 domicílios são atendidos, enquanto a maioria utiliza fossa/filtro. ESGOTAMENTO SANITÁRIO REDE DE ESGOTO FOSSA / FILTRO CÉU ABERTO ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE ESGOTO 57 4.182 195 0 Fontes: Ministério da Saúde, Prefeitura Municipal São 3.451 domicílios atendidos pela coleta de lixo, mas não há aterro sanitário no município. 92 RESÍDUOS SÓLIDOS COLETA QUEIMADO / ENTERRADO LIXÃO ATERRO SANITÁRIO 3.451 917 66 0 Fontes: Ministério da Saúde, Prefeitura Municipal Sugestões As principais sugestões apontadas pelos gestores públicos para alavancar socioeconomicamente o município foram: - Viabilização da regularização fundiária e o licenciamento ambiental para que os produtores rurais tenham acesso às políticas de fomento à agricultura familiar, possam melhorar a produção e a comercialização dos produtos e possibilitar investimentos do setor privado no setor turístico; - Criação de um calendário anual de eventos e de um calendário semanal de atividades culturais, pela ampliação da atuação do Instituto Nobres Vozes, de modo a atrair turistas e promover sua permanência por mais tempo no município, especialmente no perímetro urbano; - Melhoria e ampliação da estrutura e serviços turísticos, para explorar todo o potencial das riquezas naturais e recursos aquáticos do município, com maior oferta de passeios e atividades; - Pavimentação das vias de acesso para a zona rural. 93 NOSSA SENHORA DO LIVRAMENTO Atualidade, potencialidades e entraves Dados gerais A 32 km de distância da capital, e com uma área territorial de 5.315 km², o município de Nossa Senhora do Livramento, com 11.592 habitantes (IBGE), sendo 4.247 da zona urbana e 7.345 da zona rural, apresentou em 2009 um PIB de R$ 98.371.000,00 e PIB per capita de R$ 7.673,86, com economia exaurida, cujo PIB per capita está abaixo do do estado, e com população decrescendo. Seu IDS-H é de 0,509. PIB em R$ (2009) PIB - Per Capita em R$ (2009) IDS-M (2010) TIPO DE ECONOMIA 98.371.000,00 7.673,86 0,509 Exaurida Fontes: IBGE, AMM, Assembleia Legislativa PIB - 2009 em R$ Total Agropecuária Indústria Serviços 98.371.000,00 43.183.000,00 7.638.000,00 43.302.000,00 Fonte: IBGE POPULAÇÃO TOTAL URBANA RURAL HOMENS MULHERES CRESCIMENTO DE 2000 A 2010 11.592 4.247 7.345 6.256 5.336 -4,52% Fonte: IBGE A pesquisa por amostragem para o levantamento da ocupação na Região Metropolitana (AMM, 2011) constatou uma população com 45% em idade de 16 a 34 anos, enquanto a taxa geral de desemprego corresponde a 12% população, demonstrando que há muita mão-de-obra a ser aproveitada pelos setores da economia. 94 DESEMPREGO IDADE DE 16 A 34 (Por amostragem) TAXA DE DESEMPREGO (Por amostragem) 45% 12% Fonte: AMM Um dado que indica a pobreza existente no município é o total de benefícios do Bolsa Família: RENDA FAMILIAR MENSAL 2010 - SALÁRIO MÍNIMO - DOMICÍLIO 0 a 1 S/M 1 a 2 S/M 2 a 5 S/M 5 a 10 S/M 10 a 20 S/M Mais de 20 S/M 1.653 1.013 698 138 58 8 Beneficiados com Bolsa Família 2011 1.496 Fontes: IBGE, IPEA/MDS As principais cadeias produtivas são a pecuária (sistema de cria, recria e corte) e o extrativismo mineral, já que o município possui inúmeras jazidas auríferas. AGROPECUÁRIA Culturas Temporárias Efetivo de Rebanho Banana, Abacaxi, Arroz, Cana-de-açúcar, Feijão, Mandioca, Melancia, Milho, Abóbora Bovinos, Suínos, Bubalinos, Ovinos, Caprinos, Avícolas e Alevinos INDÚSTRIA Tipos de produção de Extrativista Vegetal e Tipos de produção de Origem Animal Mineral Ouro, Lenha, Cerâmica e Fábrica de Doce Leite, Mel (artesanal) Fontes: SEPLAN-MT, Prefeitura Municipal Agricultura familiar De acordo com o INTERMAT e o INCRA (2011), no município existem 20 assentamentos (entre federais e estaduais), mas segundo a prefeitura, ao todo, entre Projetos de Assentamentos ou não, existem mais de 90 comunidades. 95 A agricultura familiar é basicamente de subsistência, sendo a produção de banana a mais expressiva. Segundo a primeira-dama e atual secretária de saúde, Silvana Ferreira Pinto, o que tem alavancado a produção do pequeno agricultor é a parceria com a prefeitura para fornecimento dos produtos para a merenda escolar. A Casa do Doce é um exemplo de pequena agroindústria em funcionamento na cidade, embora a produção seja artesanal. Há potencial para se tornar um ponto turístico, pela rusticidade, tradição e variedade de produtos feitos principalmente a partir da banana, produto que outrora dera ao município a alcunha de “Terra da Banana”. Porém, a estrutura do prédio é deficiente, e precisa de uma reforma, e o estado, que é o dono, não investe nele. Já há um projeto para sua reforma aguardando ser aprovado. NÚMERO DE ASSENTAMENTOS NÚMERO DE FAMÍLIAS ASSENTADAS TIPOS DE ASSENTAMENTOS EXISTENTES CADEIAS PRODUTIVAS 20 1.298 Federal e Estadual Agricultura de subsistência Fontes: INCRA, INTERMAT Turismo No que diz respeito ao turismo, há potencial para o ecoturismo, o turismo rural e principalmente o turismo cultural. A primeira-dama afirma que os principais atrativos do município são as festas religiosas (Festa de São Benedito e, principalmente, a Festa da Padroeira) e o carnaval. A Festa da Padroeira dura os três dias do final de semana que antecede a data dedicada à santa (8/9), e tem quermesse, bailes populares, procissão, show regionais e queima de fogos, recebe em torno de 5.000 pessoas por dia. A Igreja Matriz da cidade tem 101 anos, e a imagem da santa ostentada na frente foi restaurada. Outra festa centenária é a Festa de São Benedito, que atrai um público menor, mas é tradicional dos quilombolas. Entre os atrativos há também o relógio da praça central, onde antigamente existia uma fonte de água natural. Segundo Silvana, apesar de abundantes, as belezas naturais do município têm seu potencial turístico atenuado devido à distância em relação à 96 sede do município, com dificuldade de acesso pelas vias sem pavimentação, que são estradas municipais. Heládio Maciel, o chefe de gabinete, ressalta que o fato de as cachoeiras e trilhas estarem dentro de propriedades privadas também dificulta o acesso. PRINCIPAIS ATRATIVOS ATRATIVOS NATURAIS: SERRA DAS ARARAS (APA) / CACHOEIRA DAS ARARAS / COMPLEXO BACAINHA / BAÍA DO COQUEIRO ATRATIVOS DIVERSOS: RELÓGIO DA PRAÇA / PRÉDIO DA PREFEITURA / RESTAURANTE PAPA BANANA / CASA DO DOCE /CORRIDA DE CAVALO / PASSEIO CICLÍSTICO / FEIRA DA AMIZADE ATRATIVOS CULTURAIS: CASA DE SÃO BENEDITO / BIBLIOTECA PÚBLICA MUNICIPAL / COMUNIDADE MATA-CAVALO (QUILOMBO) / IGREJA DE NOSSA SENHORA DO LIVRAMENTO / CASA DA CULTURA CALENDÁRIO DE EVENTOS FEVEREIRO - CARNAVAL ABRIL - FESTA DE SÃO BENEDITO MAIO - ANIVERSÁRIO DA CIDADE SETEMBRO - FESTA DE NOSSA SENHORA DO LIVRAMENTO (PADROEIRA DA CIDADE) Fontes: SEDTUR-MT, SEPLAN-MT, Prefeitura Municipal Embora haja muitos atrativos, a atratividade turística do município é baixa, centrada apenas nos eventos, sem uma estrutura e programação turísticas efetivas, não havendo, inclusive, meios de hospedagem - a única forma de se hospedar na cidade é em casas de família. Durante as festividades que mais atraem visitantes, estes vêm e retornam para Cuiabá, pela proximidade e pela falta de estrutura turística no município. Inclusive, as bandas que vêm de fora para os eventos têm que ficar alojadas nas escolas públicas. Silvana afirma ainda que, por uma cultura imediatista, falta preparação por parte da população, já que, sem a garantia da vinda de turistas, seja por conta dos eventos ou por agendamentos prévios, ela não se organiza para receber e ter o que apresentar aos turistas. 97 HOSPEDAGEM QUANTIDADE QUANTIDADE DE LEITOS 0 0 RESTAURANTES AGÊNCIAS DE VIAGEM LOCADORAS VEÍCULOS MEIOS DE TRANSPORTE ORGANIZADORA DE EVENTOS 3 0 0 2 0 Fontes: SEBRAE-MT, SEDTUR-MT, Prefeitura Municipal No município, segundo a prefeitura, há 3 restaurantes, com comida caseira e típica, mas a maioria precisa de agendamento prévio para disponibilizar as refeições. Para comidas rápidas, há cerca de 15 bares, 6 lanchonetes, 2 padarias, 2 sorveterias, 4 trailers, 3 barraquinhas e 2 quiosques. Há transporte público apenas na zona rural, na zona urbana há um ponto de táxi e de ônibus intermunicipais. Os eventos são agenciados pela prefeitura em parceria com comerciantes. Já existiu uma central de informações turísticas, mas foi desativada. Há sinalização turística na cidade, um site institucional e um privado com informações sobre o município, atualizadas frequentemente. O município tem seis associações de quilombolas, sendo que a de Mutuca tem uma maior estrutura para receber turistas. O restaurante funciona com agendamento prévio e serve comidas típicas, com apresentação também de danças regionais. O diferencial do município é justamente estar tão próximo da capital e preservar a tranquilidade típica do interior, com um estilo de vida simples, rústico, juntamente com a riqueza histórica e das manifestações culturais. Representantes da escola de Samba Estação Primeira de Mangueira estiveram na cidade para conferir esse potencial, que possivelmente incrementará o enredo de 2013, dedicado à Cuiabá. Outro acontecimento importante é o convite do projeto “Siriri Quilombolas do Quilombo Mata-Cavalo” para participar do Festival Latino-Americano e Africano de Arte e Cultura realizado pela UnB – Universidade Federal de Brasília, em comemoração do aniversário da instituição. Livramento é passagem para inúmeros turistas que semanalmente se dirigem para pousadas e hotéis do Pantanal transportados pelos próprios estabelecimentos, é necessário, portanto, atrair esses turistas para o município, 98 por meio da parceria com esses estabelecimentos e da consolidação de roteiros turísticos de qualidade, inserindo Livramento no mapa turístico do estado. Há também a intenção de se reformar o portal da cidade, com destaque maior para o nome do município. E o lago que também fica na entrada poderia ser aproveitado para a construção de um restaurante e para a prática de pedalinho. Infraestrutura e serviços básicos Nossa Senhora do Livramento possui uma rede viária de acesso boa, a limpeza urbana, de responsabilidade da prefeitura, é realizada todos os dias, e há lixeiras públicas na cidade. A segurança normalmente é feita pela Polícia Militar e por policiamento local. Há também serviço de correios, um posto bancário, e a rodoviária municipal está em construção. Segundo a secretária de saúde, 23% do orçamento do município são gastos com a saúde pública. A unidade do Posto de Saúde da Família rural foi reformada e ampliada, e a urbana está sendo ampliada. Uma nova unidade de saúde está sendo construída no centro, assim como uma academia de saúde. A prefeitura também conseguiu uma ambulância, e o hospital está sendo adaptado para funcionar também como uma sala de estabilização. SAÚDE NÚMERO DE TIPOS DE ESTABELECIMENTOS DE SAÚDE POSTO DE SAÚDE CENTRO DE SAÚDE / UNIDADE BÁSICA HOSPITAL GERAL CLÍNICA ESPECIALIZADA E OUTROS 2 0 1 1 Fontes: SES-MT, SEPLAN-MT, Prefeitura Municipal No que se refere à educação, o censo da SEDUC-MT (2011) constatou o número de 3.605 alunos no município, havendo 19 escolas municipais (16 na zona rural e 3 na urbana), 7 estaduais (5 na zona rural e 2 na urbana) e 1 privada na sede. Segundo a prefeitura, há duas creches na sede, sendo que está sendo construída uma unidade ampla para atender toda a sede, e uma no 99 distrito de Pirizal, também para substituir a existente e atender a zona rural. Não há unidades de ensino superior nem profissionalizante, embora a população jovem seja expressiva, assim como a desempregada (ver item “Dados gerais”). EDUCAÇÃO NÚMERO DE ESCOLAS MUNICIPAL ESTADUAL PRIVADA FEDERAL 19 7 1 0 NÚMERO DE ALUNOS 3.605 Fonte: SEDUC-MT Existem 3.568 domicílios particulares permanentes no município (IBGE), com água proveniente principalmente de poços e nascentes, considerando-se que é maior a concentração da população na zona rural. A principal forma de esgotamento sanitário é a fossa/filtro, não havendo estação de tratamento de esgoto. Também não há sistema coleta seletiva do lixo e aterro sanitário. ÁGUA DOMICÍLIOS PARTICULARES REDE DE POÇOS / PERMANENTES DISTRIBUIÇÃO NASCENTES 3.568 1.254 ESGOTAMENTO SANITÁRIO OUTROS REDE DE ESGOTO FOSSA / FILTRO CÉU ABERTO 111 7 2.308 672 1.622 Fontes: IBGE, Ministério da Saúde, Prefeitura Municipal Sugestões As sugestões apontadas pelos gestores públicos para alavancar socioeconomicamente o município foram: - Retomar a Semana do Folclore, com festival de danças típicas e feira de artesanato. - Firmar uma parceria entre as comunidades quilombolas, o SESC Pantanal e o SEBRAE, para incorporação do município, com a devida qualificação do receptivo, no roteiro turístico do Pantanal. 100 - Reforma da Casa do Doce, de posse do estado, para que seja viabilizada como um ponto turístico. - reativar o centro de informações turísticas; - um trabalho de sensibilização da população e também do empresariado para que se organize e apresente serviços e produtos turísticos de forma regular, independente de programação ou da expectativa da passagem de turistas pela cidade; - construção de meios de hospedagem, como uma pousada rústica, aproveitando algum casarão antigo da cidade; - uso efetivo do quiosque disponibilizado para produtos culturais na entrada do município; - criação de um mapa turístico do município, - políticas para o fomento à agricultura familiar; - reestruturação da entrada da cidade, com adaptação do lago para receber um restaurante e a prática do pedalinho. 101 NOVA BRASILÂNDIA Atualidade, potencialidades e entraves Dados gerais A 210 km de distância da capital, e com uma área territorial de 3.266,215 km2, o município de Nova Brasilândia, com 4.593 habitantes (IBGE), sendo 3.663 da zona urbana e 930 da zona rural, apresentou em 2009 um PIB de R$ 45.290.000,00 e PIB per capita de R$ 9.239,17, com economia exaurida, cujo PIB per capita está abaixo do do estado, e com população decrescendo. Seu IDS-M é de 0,452. PIB em R$ (2009) PIB - Per Capita em R$ (2009) IDS-M (2010) TIPO DE ECONOMIA 45.290.000,00 9.239,17 0,452 Exaurida Fontes: IBGE, AMM, Assembleia Legislativa PIB - 2009 em R$ Total Agropecuária Indústria Serviços 45.290.000,00 20.526.000,00 2.919.000,00 19.885.000,00 Fonte: IBGE POPULAÇÃO 2010 TOTAL URBANA RURAL HOMENS MULHERES CRESCIMENTO DE 2000 A 2010 4.593 3.663 930 2.403 2.190 -20,62% Fonte: IBGE A pesquisa por amostragem para o levantamento da ocupação na Região Metropolitana (AMM, 2011) constatou que 31% da população têm entre 16 e 34 nos, enquanto a taxa geral de desemprego corresponde a 13% da população, demonstrando que há muita mão-de-obra a ser aproveitada pelos setores da economia. 102 DESEMPREGO IDADE DE 16 A 34 (Por amostragem) TAXA DE DESEMPREGO (Por amostragem) 31% 13% Fonte: AMM Um dado que indica a pobreza existente no município é o total de benefícios do Bolsa Família: RENDA FAMILIAR MENSAL 2010 - SALÁRIO MÍNIMO - DOMICÍLIO 0 a 1 S/M 1 a 2 S/M 2 a 5 S/M 5 a 10 S/M 10 a 20 S/M Mais de 20 S/M 495 463 367 102 18 5 Beneficiados com Bolsa Família 2011 545 Fontes: IBGE, IPEA/MDS A principal cadeia produtiva do município é a pecuária, com grandes rebanhos de gado de corte. AGROPECUÁRIA Culturas Temporárias Efetivo de Rebanho Arroz, Banana, Cana-de-açúcar, Milho, Soja Bovinos, Suínos, Bubalinos, Ovinos, Caprinos, Avícolas, Piscicultura INDÚSTRIAS Tipos de produção de Origem Animal Leite, Mel Fontes: SEPLAN-MT, Prefeitura Municipal Com um rebanho bovino de 141.984 de cabeças (INDEA, 2011), o município de Nova Brasilândia é tradicionalmente pecuário, porém, devido a sua superfície fácil de mecanizar, a lavoura começa a ocupar o espaço da tradicional pecuária. Com plantações de soja, milho e algodão, a cultura de lavoura tem gerado empregos temporários para os períodos de preparo, produção e colheita. 103 Há pouco mais de 3 anos, foi revelada a existência de uma grande mina de fosfato, um dos principais minerais utilizados na produção de alimentos e fertilizantes. Ainda que as pesquisas ainda estejam em fase inicial, esta descoberta representará uma grande economia nos custos de produção da agricultura mato-grossense, aumentando sua competitividade. Atualmente, o fosfato é importado da Rússia, com um alto preço de frete, que teria redução aproximada de U$ 80 por tonelada com a produção local, tornando o estado autossuficiente no mineral em seis anos. Agricultura familiar A agricultura familiar é basicamente de subsistência, com destaque para o milho, sem organização para a produção e comercialização. De acordo com o prefeito, Jamar da Silva Lima, o desenvolvimento econômico do município ocorreria com o fomento à agricultura familiar, e à diversificação da produção, mas há muitos entraves, como as irregularidades fundiária e ambiental, que emperram o acesso ao crédito pelo pequeno produtor; inclusive, as áreas agricultáveis do município são consideradas APA. Além disso, falta um corpo técnico atuante na capacitação e na modernização tecnológica da produção, assim como não há estruturas certificadas pela vigilância sanitária para industrializar os produtos provenientes da agricultura familiar, agregando valor e propiciando sua comercialização. Outro entrave para o desenvolvimento da agricultura familiar é a falta de água nas comunidades rurais, principalmente na época da seca, o que seria resolvido com projetos de irrigação. Também falta logística, pavimentação para viabilizar o escoamento da produção. AGRICULTURA FAMILIAR NÚMERO DE ASSENTAMENTOS NÚMERO DE FAMÍLIAS ASSENTADAS TIPOS DE ASSENTAMENTOS EXISTENTES 3 330 Federal Fontes: INCRA, INTERMAT 104 Turismo Ainda que haja belezas naturais como montanhas, lagos, baías, seu potencial turístico não é explorado. Há feiras e exposições na cidade, mas não há um calendário anual definitivo. Segundo o prefeito, há no município 3 locais para hospedagem e 4 locais para alimentação. HOSPEDAGEM RESTAURANTE AGENCIAS DE VIAGEM LOCADORAS VEICULOS MEIOS DE TRANSPORTE ORGANIZADORA DE EVENTOS 4 0 0 0 0 QUANTIDADE 3 Fonte: Prefeitura Municipal Infraestrutura e serviços básicos Também segundo o prefeito, há seis postos de saúde, um centro de saúde, e 5 clínicas especializadas, somando 20 leitos hospitalares no município. SAÚDE NÚMERO DE TIPOS DE ESTABELECIMENTO DE SAÚDE CENTRO DE CLÍNICAS POSTO DE SAÚDE / HOSPITAL ESPECIALIZADAS E SAÚDE UNIDADE GERAL OUTROS BASICA 6 1 0 NÚMERO DE LEITOS HOSPITALARES 5 20 Fonte: Prefeitura Municipal No que diz respeito à educação, o prefeito afirma que há 3 escolas municipais e 2 estaduais. EDUCAÇÃO NÚMERO DE ESCOLAS MUNICIPAL ESTADUAL PRIVADA FEDERAL 3 2 0 0 Fonte: Prefeitura Municipal 105 Quanto ao saneamento básico, dos 1.450 domicílios particulares permanentes (IBGE), 1.005 são abastecidos pela rede de distribuição. DOMICÍLIOS PARTICULARES PERMANENTES REDE DE DISTRIBUIÇÃO ÁGUA POÇOS / NASCENTES 1.450 1.005 336 OUTROS 71 Fontes: IBGE, Ministério da Saúde, Prefeitura Municipal A maioria dos domicílios utiliza fossa séptica, e em 1.008 deles há coleta de lixo. RESÍDUOS SÓLIDOS COLETA QUEIMADO / ENTERRADO LIXÃO 1.008 366 38 Fontes: Ministério da Saúde, Prefeitura Municipal Sugestões As principais sugestões apontadas pelos gestores públicos para alavancar socioeconomicamente o município foram: - Viabilização da regularização fundiária e do licenciamento ambiental para promover o acesso ao crédito e assim fomentar a agricultura familiar; - Incentivos à diversificação da produção da agricultura familiar; - Viabilização de assistência técnica aos pequenos produtores, inserindo tecnologia à produção; - Organização da produção, por meio de associações e cooperativas; - Implantação de pequenas agroindústrias para agregar valor e promover a comercialização de produtos da agricultura familiar; - Levar irrigação às áreas onde a seca prejudica a produção. 106 PLANALTO DA SERRA Atualidade, potencialidades e entraves Dados gerais A 260 km de distância da capital, e com uma área territorial de 2.454,108 km2, o município de Planalto da Serra, com 2.881 habitantes (IBGE), sendo 2.054 da zona urbana e 672 da zona rural, apresentou em 2009 um PIB de R$ 33.850.000,00 e PIB per capita de R$ 12.102,17, com economia exaurida, cujo PIB per capita está abaixo do estado, e com população decrescendo. Seu IDSM é de 0,577. PIB Em R$ (2009) PIB - Per Capita em R$ (2009) IDS-M (2010) TIPO DE ECONOMIA 33.850.000,00 12.102,17 0,577 Exaurida Fontes: IBGE, AMM, Assembleia Legislativa PIB - 2009 em R$ Total Agropecuária Indústria Serviços 33.850.000,00 17.795.000,00 1.724.000,00 12.954.000,00 Fonte: IBGE POPULAÇÃO 2010 TOTAL URBANA RURAL HOMENS MULHERES CRESCIMENTO DE 2000 A 2010 2.881 2.054 672 1.400 1.325 -5,38% Fonte: IBGE A pesquisa por amostragem para o levantamento da ocupação na Região Metropolitana (AMM, 2011) constatou que 45% da população têm entre 16 e 34 nos, enquanto a taxa geral de desemprego corresponde a 11% da 107 população, demonstrando que há muita mão-de-obra a ser aproveitada pelos setores da economia. DESEMPREGO IDADE DE 16 A 34 (Por amostragem) TAXA DE DESEMPREGO (Por amostragem) 45% 11% Fonte: AMM Um dado que indica a pobreza existente no município é o total de benefícios do Bolsa Família: RENDA FAMILIAR MENSAL 2010 - SALÁRIO MÍNIMO - DOMICÍLIO 0 a 1 S/M 1 a 2 S/M 2 a 5 S/M 5 a 10 S/M 10 a 20 S/M Mais de 20 S/M 300 290 221 42 8 2 Beneficiados com Bolsa Família 2011 268 Fontes: IBGE, IPEA/MDS A principal cadeia produtiva é a pecuária, no sistema de cria, recria e corte. Na agricultura desenvolvem-se diversas culturas, principalmente a do arroz. AGROPECUARIA Culturas Temporárias Efetivo de Rebanho Arroz, Cana-de-açúcar, Mandioca, Melancia, Milho, Soja Bovinos, Suínos, Bubalinos, Ovinos, Caprinos, Avícolas INDÚSTRIAS Tipo de Produção Extrativista Vegetal e Mineral Tipo de Produção de Origem Animal Lenha e Madeira Leite, Mel Fontes: SEPLAN-MT, Prefeitura Municipal Como as planícies da região são propícias à cultura de soja, essa lavoura vem ocupando espaço. E, a descoberta, feita há pouco mais de 3 anos, de uma grande mina de fosfato, ainda que em fase de estudo, agitou o mercado imobiliário, gerando muita expectativa para o comércio local. 108 Agricultura familiar Em uma região de grandes propriedades, a agricultura familiar é totalmente inexpressiva. Segundo a secretaria de agricultura do município, existe um assentamento, com aproximadamente 100 famílias. Em Planalto da Serra, como em todo estado, também há problema de legalidade fundiária. AGRICULTURA FAMILIAR NÚMERO DE ASSENTAMENTOS NÚMERO DE FAMÍLIAS ASSENTADAS TIPOS DE ASSENTAMENTOS EXISTENTES 1 100 Federal Fontes: INCRA, INTERMAT Turismo Com rios que fazem parte da Bacia do Rio Teles Pires, o potencial turístico de Planalto da Serra ainda não foi explorado. Os eventos mais marcantes são a cavalgada, a festa de todos os santos e a festa de peão entre outras, além do aniversário do município, em dezembro. PRINCIPAIS ATRATIVOS TURÍSTICOS CALENDÁRIO DE EVENTOS ATRATIVO TURÍSTICO NÃO EXPLORADO DEZEMBRO - ANIVERSÁRIO DA CIDADE Fontes: SEDTUR-MT, SEPLAN-MT, Prefeitura Municipal No município há um meio de hospedagem, e três locais para alimentação. HOSPEDAGEM QUANTIDADE QUANTIDADE DE LEITOS 1 18 RESTAURANTES AGÊNCIAS DE VIAGEM 3 0 LOCADORAS MEIOS DE ORGANIZADORA VEICULOS TRANSPORTE DE EVENTOS 0 0 0 Fontes: SEBRAE-MT, SEDTUR-MT, Prefeitura Municipal 109 Infraestrutura e serviços básicos Segundo a SES-MT, há 1 posto de saúde, 1 centro de saúde e 2 clínicas especializadas. SAÚDE NÚMERO DE TIPOS DE ESTABELECIMENTO DE SAÚDE CENTRO DE CLÍNICAS POSTO DE HOSPITAL SAÚDE / ESPECIALIZADAS SAÚDE GERAL UNIDADE BÁSICA E OUTROS 1 1 0 NÚMERO DE LEITOS HOSPITALARES 2 0 Fontes: SES-MT, SEPLAN-MT, Prefeitura Municipal De acordo com a SEDUC-MT, há no município 3 escolas municipais e 1 estaduais, com 791 alunos matriculados em 2011. EDUCAÇÃO NÚMERO DE ESCOLAS MUNICIPAL ESTADUAL PRIVADA NÚMERO DE FACULDADES NÚMERO DE ALUNOS 3 1 0 0 791 Fonte: SEDUC-MT Dos 863 domicílios particulares permanentes (IBGE), 664 são abastecidos pela rede de distribuição de água. ÁGUA DOMICÍLIOS PARTICULARES PERMANENTES REDE DE DISTRIBUIÇÃO POÇOS / NASCENTES OUTROS 863 664 162 0 Fontes: IBGE, Ministério da Saúde, Prefeitura Municipal Apenas 7 domicílios são atendidos pela rede de esgoto, 782 utilizam fossa, e outros 37 não usam sistema algum de esgotamento sanitário. ESGOTAMENTO SANITÁRIO REDE DE ESGOTO FOSSA / FILTRO CÉU ABERTO ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE ESGOTO 7 782 37 0 Fontes: Ministério da Saúde, Prefeitura Municipal 110 São 663 domicílios que têm coleta de lixo. RESÍDUOS SÓLIDOS COLETA QUEIMADO / ENTERRADO LIXÃO ATERRO SANITÁRIO 633 170 23 0 Fontes: IBGE, Ministério da Saúde, Prefeitura Municipal Sugestões As principais sugestões apontadas pelos gestores públicos para alavancar socioeconomicamente o município foram: - Viabilização da regularização fundiária e do licenciamento ambiental para promover o acesso ao crédito e assim fomentar a agricultura familiar; - Trabalho de sensibilização e capacitação dos agricultores, com disponibilidade de assistência técnica e incorporação de tecnologia na produção, aumentando a capacidade produtiva das propriedades; -Organização da produção, por meio de associações e cooperativas; - Implantação de pequenas agroindústrias para agregar valor e promover a comercialização de produtos da agricultura familiar; - Melhorias no saneamento básico, infraestrutura em geral e planejamento, para preparar o município para as oportunidades que surgirem com a exploração das minas de fosfato. 111 POCONÉ Atualidade, potencialidades e entraves Dados gerais A 100 km de distância da capital, e com uma área territorial de 2.454,108 km2, o município de Poconé, com 31.778 habitantes (IBGE, 2010), sendo 23.062 da zona urbana e 8.716 da zona rural, apresentou em 2009 um PIB de R$ 283.640.000,00 e PIB per capita de R$ 8.819,09, sendo sua economia moderada, com PIB per capita abaixo do do estado, mas com população em crescimento. Seu IDS-M é de 0,425, o segundo mais baixo da Região Metropolitana. PIB em R$ (2009) PIB - Per Capita em R$ (2009) IDS-M (2010) TIPO DE ECONOMIA 283.640.000,00 8.819,09 0,425 Moderada Fontes: IBGE, AMM, Assembleia Legislativa PIB - 2009 em R$ Total Agropecuária Indústria Serviços 283.640.000,00 107.999.000,00 31.829.000,00 127.329.000,00 Fonte: IBGE POPULAÇÃO 2010 TOTAL URBANA RURAL HOMENS MULHERES CRESCIMENTO DE 2000 A 2010 31.778 23.062 8.716 16.521 15.257 3,27% Fonte: IBGE A pesquisa por amostragem para o levantamento da ocupação na Região Metropolitana constatou, em 2011, 49% da população com idade entre 16 e 34 nos, enquanto a taxa geral de desemprego correspondia a 13% da população, demonstrando a disponibilidade de muita mão-de-obra para os setores da economia. 112 DESEMPREGO IDADE DE 16 A 34 (Por amostragem) TAXA DE DESEMPREGO (Por amostragem) 49% 13% Fonte: AMM Um dado que indica a pobreza existente no município é o total de benefícios do Bolsa Família: RENDA FAMILIAR MENSAL 2010 - SALÁRIO MÍNIMO - DOMICÍLIO 0 a 1 S/M 1 a 2 S/M 2 a 5 S/M 5 a 10 S/M 10 a 20 S/M Mais de 20 S/M 2.966 2.609 2.506 633 129 42 Beneficiados com Bolsa Família 2011 3.638 Fontes: IBGE, IPEA/MDS Na atualidade, a economia de Poconé gira em torno da exploração do ouro, e também da pecuária, em uma área extensa, que é entrada para o Pantanal. De acordo com o secretário de agricultura, Atail Marques do Amaral, são 500 hectares destinados à produção de soja e milho, com boa produtividade, e expectativa de que dobre em 2012. Seu rebanho é de 399.808 (INDEA, 2011), volume que permite uma alta capacidade de compra e venda de animais, de abate e de geração de emprego, considerando o tamanho das propriedades. O cavalo pantaneiro, por sua vez, tem ganhado um destaque crescente no cenário nacional. O secretário de agricultura afirmou que será construído um abatedouro bovino com capacidade de abate de 100 cabeças por dia. Há previsão também para um abatedouro de frangos semi-caipiras, com capacidade para 500 abates por dia, com recursos federais, que será administrado por uma cooperativa de produtores a ser criada. 113 AGROPECUÁRIA Culturas Temporárias Efetivo de Rebanho Abacaxi, Arroz, Banana, Cana-de-açúcar, Feijão, Mandioca, Manga, Mamão, Melancia, Milho, Tomate Bovinos, Suínos, Bubalinos, Ovinos, Caprinos, Avícolas INDÚSTRIAS Tipo de Produção Extrativista Vegetal e Mineral Tipo de Produção de Origem Animal Lenha, Ouro Leite, Mel Fontes: SEPLAN-MT, Prefeitura Municipal O setor de exploração do minério está organizado por uma cooperativa, com 17 associados. Há no município 14 garimpos de ouro de grande porte e 200 filãozeiros que exercem essa profissão, com uma estimativa de extração de ouro de cerca de 65 quilos mensais. No passado, este trabalho fez circular mais capital em Poconé, mas sabe-se que o resultado foi prejudicial ao meio ambiente. Conforme avaliação do prefeito, Arlindo Márcio de Moraes, essa economia tem rendido abaixo do esperado, mas, como o setor utiliza equipamentos para a moagem na extração do ouro, agrega mais valor à produção. Agricultura familiar A agricultura familiar de Poconé vem colaborando com o cenário rural dos pequenos produtores, o que foi constatado em visita ao CCAF – Centro de Comercialização da Agricultura Familiar, com sede em Várzea Grande, com participação de 125 produtores poconeanos, distribuídos em cooperativas e associações, e que produzem um total de 108 toneladas por mês de alimentos, entre frutas, legumes e verduras. Segundo Atail Marques do Amaral, cinco assentamentos destacam-se na produção, e estão cadastrados no CCAF. Quatro caminhões escoam cerca de 120 toneladas de verdura mensalmente para o centro, fora os outros meios 114 de transporte e dos produtores particulares. E para fortalecer ainda mais a agricultura familiar do município, há um projeto para criar uma central de comercialização com estrutura grande no distrito de Cangas. Há dois laticínios funcionando, e um terceiro será inaugurado. A produção atual, segundo o secretário, é de 135.000 litros por mês, com 26 resfriadores. Além disso, o EMBRAPA tem colaborado com diagnósticos para fomentar a hortifruticultura e a cadeia produtiva do leite, para os quais estão sendo destinados poços artesanais, caminhões, kits de irrigação e de inseminação do gado leiteiro. Porém, os setores ainda necessitam da criação de uma linha de crédito específica. Há diversas associações no município, como de doceiras, com apoio do SESC na implementação de uma fábrica, e de apicultores, que aguarda recursos para a edificação de uma casa de mel. Ainda de acordo com o secretário, o setor da piscicultura está bem organizado, com duas associações com boa produtividade e que fornecem peixes para pousadas do Pantanal. Mas ainda são necessárias mais carregadeiras e tratores, além de recursos para construção de represas, para fomentar a criação nas comunidades. Há ainda diversas agroindústrias na zona rural, de acordo com o secretário. A partir da cana-de-açúcar são produzidos açúcar mascavo e rapadura. A usina de álcool, entretanto, encontra-se em dificuldades para funcionar. Há duas agroindústrias destinadas aos derivados da banana e duas aos derivados do cumbaru, produzindo ração, farinha e conserva, sendo que uma tem apoio do SESC. A farinha da mandioca também é produzida no município, porém essa atividade, assim como a dos derivados da banana, enfrenta dificuldades, como Mato Grosso inteiro, para conseguir a certificação para serem comercializados nos comércios do município e de todo o estado, ou mesmo de outros estados. A criação de jacaré também tem enfrentado o mesmo problema. Segundo o secretário, há muita burocracia para a regularização das agroindústrias junto à SEMA e à vigilância sanitária, o que favorece a incorporação de atravessadores. Além disso, a infraestrutura na zona rural é 115 precária, com problemas de comunicação, com muitas áreas sem acesso a telefonia. O secretário afirmou ainda que falta mão-de-obra no campo, o que impede que a produção atinja uma maior escala, assim como a falta de maquinário e crédito rural. Também há carência de assistência técnica, de uma melhor logística para escoamento do produto e de tecnologia para produzir durante o ano todo, como irrigação, o que garantiria a agregação de valor ao produto no período de seca. AGRICULTURA FAMILIAR NÚMERO DE ASSENTAMENTOS (INCRA E INTERMAT) NÚMERO DE FAMÍLIAS ASSENTADAS 14 793 Fontes: INCRA, INTERMAT Segundo o secretário, contando os vinculados ao Crédito Fundiário, há 33 assentamentos no município. Há ainda 72 comunidades tradicionais, das quais cerca de 27 são de quilombolas. Turismo Poconé não tem estrutura turística capaz de reter o visitante por mais tempo na cidade, apesar da quantidade de prédios históricos e atrativos culturais. O setor é mais organizado nas redes hoteleiras fora do perímetro urbano, como o SESC Pantanal, com um volume considerável de turistas. A existência de um centro de informações ao turista e de agências de turismo também tem um papel fundamental na atratividade turística do município. Segundo o secretário de turismo, Guilherme Arruda, e a diretora da Secretaria de Turismo, Valquíria Mamede Costa Marques, a necessidade principal do município é fazer com que o turista permaneça mais tempo dentro do perímetro urbano, por meio da melhor estruturação dos atrativos da cidade, como o Tanque da Rua, o centro histórico e o Parque Temático Beripoconé (antigo garimpo). É necessária também a abertura de hotéis com maior padrão 116 de qualidade, para que os visitantes do Pantanal também possam hospedar-se na cidade, o que também depende de uma maior infraestrutura urbana. Há o projeto de reestruturação da arena onde acontece a Cavalhada, que fica no parque de exposições de Poconé, para seja de fato multiuso, sediando assim eventos variados, desde as provas de laço que já acontecem a competições de motocross, apresentações, feiras, etc. Também é importante consolidar um calendário cultural voltado para disseminar a riqueza cultural do município e reter os turistas na cidade, para além dos eventos particulares e esporádicos. Além disso, os próprios atrativos naturais precisam de mais estrutura, de investimentos em acesso, com melhorias nos portos, nas estradas e principalmente na Transpantaneira. O secretário considera oportuno agregar o turismo à agricultura familiar e à mineração, já que estas têm também grande importância cultural para a história da cidade, o que certamente incrementaria a atratividade turística de Poconé. Inclusive, ao fomentar o turismo, aumenta-se o consumo dos produtos da agricultura familiar, em sua maioria encaminhados para Cuiabá e Várzea Grande. No que diz respeito à mão-de-obra, a secretária de infraestrutura, Carlina Falcão Calábria, considera que qualificação não é maior o problema, mas sim a inserção no mercado de trabalho, por falta de perspectiva. O secretário de turismo, por sua vez, ressaltou que há um grande desinteresse do pessoal em ir trabalhar na área rural, justamente pela falta de telefonia, internet, estradas em boas condições, e pela distância, enquanto os funcionários do SESC Pantanal, para onde há asfalto, podem ir e voltar do hotel todos os dias. 117 PRINCIPAIS ATRATIVOS TURÍSTICOS CALENDÁRIO DE EVENTOS FESTA DE SÃO BENEDITO E CAVALHADA / FESTA DO DIVINO ESPÍRITO SANTO / PORTO CERCADO / PORTO JOFRE / SESC PANTANAL / FESTAS E COMIDAS TIPÍCAS PANTANEIRAS / MASCARADO / PORTAL DE ENTRADA DA CIDADE / CASA DO GUARANÁ / IGREJA MENINO JESUS / PRAÇA DA MATRIZ E IGREJA DA MATRIZ / TANQUE DA RUA / FARMÁCIA NOSSA SENHORA DO CARMO / PRAÇA DO CORETO / PRAÇA BEM RONDON / PRAÇA DA BANDEIRA / CASA DE FESTAS / CASA PAROQUIAL / ANTIGO CINEMA / CASA DO ARTESÃO / ATELIÊ DO LUIZÃO / CASA DA VOVÓ BEM / ARTESANATO SÃO BENTO / PARQUE TEMÁTICO BERIPOCONÉ JANEIRO – BAILE DO HAWAÍ FEVEREIRO – CARNAVAL ECOFOLIA PANTANEIRA MAIO – EXPOSIÇÃO AGROPECUÁRIA JUNHO – FESTA DE SÃO BENEDITO E CAVALHADA OUTUBRO – CAVALGADA DO CAVALO PANTANEIRO Fontes: SEDTUR-MT, SEPLAN-MT, Prefeitura Municipal HOSPEDAGEM QUANTIDADE QUANTIDADE QUANTIDADE QUANTIDADE ORGANIZADORA DE AGÊNCIAS LOCADORAS MEIOS DE DE EVENTOS QUANTIDADE RESTAURANTES DE VIAGEM VEICULOS TRANSPORTE QUANTIDADE DE LEITOS 37 1.446 56 6 0 3 0 Fontes: SEBRAE-MT, SEDTUR-MT, Prefeitura Municipal Mineração Conforme explicou Lelis Nogueira Gonzaga, o representante da CooperPoconé, que explora o ouro do município, depois do “boom” da mineração em Poconé, a questão ambiental interveio e, ainda que tenha significado uma queda na atividade, organizou o setor. O grande contingente de envolvidos na mineração deu lugar a pequenas empresas de mineração, que cumprem a legislação ambiental. Segundo Lelis, a cooperativa tem hoje 17 empreendimentos filiados, que obedecem a legislação ambiental, mineral e trabalhista, e geram em torno de 800 empregos diretos. 118 O ouro extraído sai como ativo financeiro, incidindo na aquisição 1% de IOF, dos quais 70% voltam para o município. Por se tratar de lavra garimpeira, a atividade está isenta de CEFEM. De acordo com o representante, em 2005 foram extraídos 45 kg por mês de ouro, volume que hoje aumentou para 65 kg, rendendo entre R$ 17.000,00 e R$ 19.000,00 por mês em arrecadação para o município. O representante ainda afirmou que, ainda que tímida, é a atividade garimpeira a maior fonte econômica indireta do município, na medida em que as empresas funcionam 24 horas por dia e só param de uma a duas vezes por ano, consumindo em torno de 2 milhões de reais em energia elétrica, o que gera ICMS, além dos gastos com combustível, entre outros. Por outro lado, Lelis afirmou que a descoberta de uma jazida representaria um enorme impulso para a economia do município, porém é descrente com essa possibilidade, na medida em que o ouro de Poconé é errático, e as tentativas de cubagem que ocorrem há 10 anos foram todas malsucedidas. Infraestrutura e serviços básicos Como Poconé fica no final de uma rodovia, o prefeito entende que a continuação da pavimentação da Transpantaneira até Mato Grosso do Sul seria uma alternativa para atrair novas indústrias para o local, já que o transporte pesa no custo final dos produtos, principalmente quando a matériaprima não é da região. Tal investimento também alavancaria o turismo. O secretário de turismo acha importante que se invista em uma balsa para travessia do Rio Cuiabá, ligando Poconé a Mato Grosso do Sul, o que, em curto prazo, agregaria mais os dois estados, já que muitas fazendas sul-matogrossenses empregam funcionários poconeanos. A secretária de infraestrutura ressaltou a necessidade de melhoria das estradas, que estão esburacadas, por onde passam caminhões com grande carga diariamente, além da melhoria nas pontes de madeira que levam ao Porto Jofre. Há ainda deficiência na rede de energia, e dificuldade para encontrar áreas para aterro sanitário e cemitério. 119 O secretário de turismo também afirmou que a falta de infraestrutura desestimula não só os turistas como os moradores, já que falta escola, o fornecimento de energia é irregular, a telefonia é restrita... É corrente a reclamação de que não há energia elétrica e sinal de telefonia móvel em toda a Transpantaneira, grande entrave ao aproveitamento de seu potencial. Na área de saúde, há, no município, 1 posto de saúde, 1 hospital geral, 8 centros de saúde e 12 clínicas especializadas, num total de 64 leitos hospitalares. SAÚDE NÚMERO DE TIPOS DE ESTABELECIMENTO DE SAÚDE CENTRO DE CLÍNICAS POSTO DE HOSPITAL SAÚDE / ESPECIALIZADAS SAÚDE GERAL UNIDADE BÁSICA E OUTROS 1 8 1 12 NÚMERO DE LEITOS HOSPITALARES 64 Fontes: SES-MT, SEPLAN-MT, Prefeitura Municipal Os 8.693 alunos matriculados em 2011, de acordo com o último censo educacional da SEDUC-MT, distribuem-se em 42 escolas municipais, 11 estaduais e 4 privadas. EDUCAÇÃO NÚMERO DE ESCOLAS MUNICIPAL ESTADUAL PRIVADA NÚMERO DE FACULDADES NÚMERO DE ALUNOS 42 11 4 0 8.693 Fonte: SEDUC-MT Dos 8.885 domicílios particulares permanentes (IBGE), 5.741 são abastecidos pela rede de distribuição de água. E apenas 80 deles são atendidos pela rede de esgoto, de modo que 7.269 utilizam fossa/filtro. Há coleta de lixo em 5.478 domicílios, enquanto 2.411 queimam ou enterram o lixo. 120 ÁGUA DOMICÍLIOS PARTICULARES PERMANENTES REDE DE DISTRIBUIÇÃO POÇOS / NASCENTES OUTROS 8.885 5.741 2.316 176 ESGOTAMENTO SANITÁRIO REDE DE ESGOTO FOSSA / FILTRO CÉU ABERTO ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE ESGOTO 80 7.269 884 0 RESÍDUOS SÓLIDOS COLETA QUEIMADO / ENTERRADO LIXÃO ATERRO SANITÁRIO 5.478 2.411 344 0 Fontes: IBGE, Ministério da Saúde, Prefeitura Municipal Sugestões As principais sugestões apontadas pelos gestores públicos para alavancar socioeconomicamente o município foram: - Viabilização da regularização fundiária para que os produtores rurais tenham acesso às políticas de fomento à agricultura familiar, como crédito, assistência técnica e tecnologia, para melhorar e ampliar a produção e a comercialização dos produtos; - Flexibilidade dos órgãos certificadores, de inspeção e vigilância sanitária, para regularização das pequenas agroindústrias existentes e edificação de novas, viabilizando a comercialização dos produtos para outras regiões e estados, com qualidade e sem a dependência de intermediários; - Criação de linhas de crédito específicas para os produtores de leite e de hortifruticultura; - Implantação de um centro de comercialização da agricultura familiar no distrito de Cangas; 121 - Doação de maquinários e equipamentos para as comunidades rurais, para aumentar e diversificar a produção; - Melhoria e ampliação da infraestrutura em geral e da estrutura e serviços turísticos, aliado a um calendário cultural definitivo, para fomentar o potencial das riquezas naturais do município, assim como o histórico e cultural do perímetro urbano, atraindo os turistas que hoje permanecem apenas no Pantanal; - Abertura de um hotel na sede com estrutura e padrão de qualidade para receber os turistas do Brasil e do mundo que vão conhecer o Pantanal, para que se hospedem na cidade; - Reestruturação e ampliação da arena multiuso do parque de exposições e do Tanque da Rua, aumentando sua atratividade, capacidade e utilidade; - regularizar o fornecimento de energia elétrica em todo o município, juntamente com a ampliação da telefonia fixa e móvel e do sistema de comunicação em geral, ao longo de toda a Transpantaneira e abrangendo toda a zona rural, proporcionando qualidade de vida e atraindo mão-de-obra para o campo e pousadas do Pantanal; - Melhoria das estradas de acesso à cidade, aos portos e atracadouros do Pantanal, e à zona rural em geral, facilitando a locomoção dos habitantes e trabalhadores da região, dos turistas e o escoamento da produção; - Pavimentação da Transpantaneira até Mato Grosso do Sul, atraindo novos empreendimentos para a região, assim como mais turistas, e a viabilização de uma balsa para travessia do Rio Cuiabá, também ligando os dois estados. 122 ROSÁRIO OESTE Atualidade, potencialidades e entraves Dados gerais A 128 km de distância da capital, e com uma área territorial de 8 802,047 km2, o município de Rosário Oeste, com 17.682 habitantes (IBGE), sendo 10.656 da zona urbana e 7.026 da zona rural, apresentou em 2009 um PIB de R$ 203.422.000,00 e PIB per capita de R$ 10.997,58, com economia exaurida, cujo PIB per capita está abaixo do do estado, e com a população descrescendo. Seu IDS-M é de 0,449. PIB Em R$ (2009) PIB - Per Capita em R$ (2009) IDS-M (2010) TIPO DE ECONOMIA 203.422.000,00 10.997,58 0,449 Exaurida Fontes: IBGE, AMM, Assembleia Legislativa PIB - 2009 em R$ Total Agropecuária Indústria Serviços 203.422.000,00 99.888.000,00 17.814.000,00 76.712.000,00 Fonte: IBGE POPULAÇÃO 2010 TOTAL URBANA RURAL HOMENS MULHERES CRESCIMENTO DE 2000 A 2010 17.682 10.656 7.026 9.419 8.263 -5,72% Fonte: IBGE A pesquisa por amostragem para o levantamento da ocupação na Região Metropolitana (AMM, 2011) constatou que 44% da população têm entre 16 e 34 nos, enquanto a taxa geral de desemprego corresponde a 10% da população, demonstrando que há muita mão-de-obra a ser aproveitada pelos setores da economia. 123 DESEMPREGO IDADE DE 16 A 34 (Por amostragem) TAXA DE DESEMPREGO (Por amostragem) 44% 10% Fonte: AMM Um dado que indica a pobreza existente no município é o total de benefícios do Bolsa Família: RENDA FAMILIAR MENSAL 2010 - SALÁRIO MÍNIMO - DOMICÍLIO 0 a 1 S/M 1 a 2 S/M 2 a 5 S/M 5 a 10 S/M 10 a 20 S/M Mais de 20 S/M 1.768 1.452 1.387 415 120 30 Beneficiados com Bolsa Família 2011 1.810 Fontes: IBGE, IPEA/MDS A pecuária é a base da economia do município, que tem um rebanho de 213.516 cabeças de bovinos (INDEA, 2011). Há ainda criação de frango caipira e a plantação de abacaxi e mamão, que são culturas novas em Rosário Oeste. O plantio para reflorestamento de teca foi um projeto que gerou expectativa de beneficiamento da madeira em Rosário Oeste, mas o projeto acabou sendo transferido para outro município, assim como uma fábrica de farinha, que tinha o intuito de fomentar a cadeia de plantio de mandioca, com produção de amido a partir do resíduo da manipuera. Como está sendo instalado na cidade um grande frigorífico para o abate de suínos, há a expectativa da geração de 1.000 empregos, o que fomentará a economia local. 124 AGROPECUÁRIA Culturas Temporárias Efetivo de Rebanho Abacaxi, Amendoim, Arroz, Banana, Borracha, Cana-de-açúcar, Coco-da-baía, Laranja, Limão, Mandioca, Manga, Mamão, Maracujá, Milho, Soja Bovinos, Suínos, Bubalinos, Ovinos, Caprinos, Avícolas, Piscicultura INDÚSTRIAS Tipo de Produção Extrativista Vegetal e Mineral Tipo de Produção de Origem Animal Calcário, Lenha e Madeira Leite, Mel Fontes: SEPLAN-MT, Prefeitura Municipal Agricultura familiar A produção artesanal de farinha de mandioca e rapadura são oportunidades para o desenvolvimento da pequena agroindústria, o que requer investimentos no setor. Mesmo sendo de subsistência, a agricultura familiar tem crescido e se diversificado, com a fabricação artesanal de produtos como da mandioca. Mas, como no restante do estado, a produção encontra-se prejudicada por problemas ambientais e de vigilância sanitária, sem que se possa certificar o produto, tornando-o refém de atravessadores, única forma de participar do mercado. A produção de rapadura também é artesanal, com grande variedade de sabores e utilização de ingredientes regionais, mas também impedida de ser comercializada em supermercados. Isso acontece com outros produtores, como o de frutas cristalizadas, de queijos e criadores de frango caipira. O problema recorrente no estado da falta de acesso ao crédito e assistência técnica também se aplica a Rosário Oeste, assim como da falta de logística. De acordo com o INCRA e o INTERMAT (2011), são 26 os assentamentos do município, num total de 1.978 famílias assentadas. 125 AGRICULTURA FAMILIAR NÚMERO DE ASSENTAMENTOS NÚMERO DE FAMÍLIAS ASSENTADAS TIPOS DE ASSENTAMENTOS EXISTENTES 26 1.978 Federal e Estadual Fontes: INCRA, INTERMAT Turismo Rosário Oeste possui inúmeras riquezas naturais, porém não são exploradas devidamente, não proporcionando meios para reter os visitantes por mais tempo na cidade. Os problemas de Rosário, como de muitos municípios com potencial não aproveitado, são a falta de divulgação, de planejamento e de infraestrutura, mantendo-o apenas como uma “cidade dormitório”. PRINCIPAIS ATRATIVOS TURÍSTICOS CALENDÁRIO DE EVENTOS CAVERNA DO CURRUPIRA / MORRO DA PEDRA LAVRADA/ CACHOEIRA DO MONJOLINHO DISTRITO DO MARZAGÃO / CACHOEIRA DA ÁGUA LIMPA DISTRITO DE BAUXI / CAVERNA DO CURUPIRA DISTRITO DE BAUXI / CAVERNA DO PAU D’ALHO / LAGOA FEIA E LAGOA ENCANTADA /. FAZENDAS COM EDIFICAÇÕES DO PERÍODO COLONIAL / LAGOA FEIA /PORTO DA LAGOA FEIA / BAIA ENCANTADA / PRAIA DAS EMBAÚBAS / PORTO DA CACHOEIRINHA PORTO DA CACHOEIRINHA,/ PORTO DA PEDRA BRANCA / PORTO DA BARRA . JULHO - ANIVERSÁRIO DA CIDADE Fontes: SEDTUR-MT, SEPLAN-MT, Prefeitura Municipal Há, no município, apenas 1 meio de hospedagem, com 15 leitos, e 2 restaurantes. HOSPEDAGEM QUANTIDADE QUANTIDADE DE LEITOS 1 15 RESTAURANTES AGÊNCIAS DE VIAGEM 2 0 LOCADORAS MEIOS DE ORGANIZADORA VEICULOS TRANSPORTE DE EVENTOS 0 1 0 Fontes: SEBRAE-MT, SEDTUR-MT, Prefeitura Municipal 126 Infraestrutura e serviços básicos Segundo a SES-MT, há 1 posto de saúde e 4 centros de saúde, além do hospital geral e das 4 clínicas especializadas, num total de 63 leitos hospitalares. SAÚDE NÚMERO DE TIPOS DE ESTABELECIMENTO DE SAÚDE CENTRO DE CLÍNICAS POSTO DE HOSPITAL SAÚDE / ESPECIALIZADAS SAÚDE GERAL UNIDADE BÁSICA E OUTROS 1 4 1 4 NÚMERO DE LEITOS HOSPITALARES 63 Fontes: SES-MT, SEPLAN-MT, Prefeitura Municipal O censo educacional da SEDUC-MT (2011) levantou a existência de 5 escolas municipais, 12 estaduais e três privadas, com um total de 4.898 alunos. EDUCAÇÃO NÚMERO DE ESCOLAS MUNICIPAL ESTADUAL PRIVADA NÚMERO DE FACULDADES NÚMERO DE ALUNOS 5 12 3 0 4.898 Fonte: SEDUC-MT No que se refere ao saneamento básico, dos 5.172 domicílios particulares permanentes do município (IBGE), 2.986 deles são abastecidos pela rede de distribuição. ÁGUA DOMICÍLIOS PARTICULARES PERMANENTES REDE DE DISTRIBUIÇÃO POÇOS / NASCENTES OUTROS 5.172 2.986 1.734 60 Fontes: IBGE, Ministério da Saúde, Prefeitura Municipal Entretanto, apenas 50 são atendidos pela rede de esgoto, enquanto a maioria dos domicílios utilizam fossa/filtro. E 2.810 domicílios são atendidos pelo sistema de coleta. 127 ESGOTAMENTO SANITÁRIO REDE DE ESGOTO FOSSA / FILTRO CÉU ABERTO ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE ESGOTO 50 3.986 744 0 RESÍDUOS SÓLIDOS COLETA QUEIMADO / ENTERRADO LIXÃO ATERRO SANITÁRIO 2.810 1.719 251 0 Fontes: Ministério da Saúde, Prefeitura Municipal Sugestões As principais sugestões apontadas pelos gestores públicos para alavancar socioeconomicamente o município foram: - Viabilização da regularização fundiária e o licenciamento ambiental para que os produtores rurais tenham acesso às políticas de fomento à agricultura familiar, possam melhorar a produção e a comercialização dos produtos; - Implantação de pequenas agroindústrias para agregar valor e certificar os produtos da agricultura familiar, aumentando a comercialização e diminuindo a dependência dos atravessadores; - Criação de um calendário anual de eventos definitivo, de modo a atrair turistas e promover sua permanência por mais tempo no município; - Melhoria e ampliação da estrutura e serviços turísticos, para explorar todo o potencial das riquezas naturais do município, com maior oferta de passeios e atividades; - Pavimentação das vias de acesso para a zona rural. 128 SANTO ANTÔNIO DE LEVERGER Atualidade, potencialidades e entraves Dados gerais A 27 km de distância da capital, e com uma área territorial de 12.260,081 km2, o município de Santo Antônio de Leverger, com 18.409 habitantes (IBGE), sendo 7.148 da zona urbana e 11.261 da zona rural, apresentou em 2009 um PIB de R$ 190.544.000,00 e PIB per capita de R$ 9.334,91, com economia moderada, cujo PIB per capita está abaixo do do estado, mas a população está em crescimento. Seu IDS-H é de 0,445, o terceiro mais baixo da RMVRC. PIB em R$ (2009) PIB - Per Capita em R$ (2009) IDS-M (2010) TIPO DE ECONOMIA 190.544.000,00 9.334,91 0,445 Moderada Fontes: IBGE, AMM, Assembleia Legislativa PIB - 2009 em R$ Total Agropecuária Indústria Serviços 190.544.000,00 97.561.000,00 14.844.000,00 70.172.000,00 Fonte: IBGE POPULAÇÃO 2010 TOTAL URBANA RURAL HOMENS MULHERES CRESCIMENTO DE 2000 A 2010 18.409 7.148 11.261 7.148 11.261 19,27% Fonte: IBGE A pesquisa por amostragem para o levantamento da ocupação na Região Metropolitana (AMM, 2011) constatou que 52% da população têm entre 16 e 34 nos, enquanto a taxa geral de desemprego corresponde a 12% da 129 população, demonstrando que há muita mão-de-obra a ser aproveitada pelos setores da economia. DESEMPREGO IDADE DE 16 A 34 (Por amostragem) TAXA DE DESEMPREGO (Por amostragem) 52% 12% Fonte: AMM Um dado que indica a pobreza existente no município é o total de benefícios do Bolsa Família: RENDA FAMILIAR MENSAL 2010 - SALÁRIO MÍNIMO - DOMICÍLIO 0 a 1 S/M 1 a 2 S/M 2 a 5 S/M 5 a 10 S/M 10 a 20 S/M Mais de 20 S/M 1.629 1.716 1.609 480 113 26 Beneficiados com Bolsa Família 2011 1.889 Fontes: IBGE, IPEA/MDS As principais cadeias produtivas são a pecuária, a agricultura e a pesca. A pesca divide-se em artesanal e predatória, enquanto que a agricultura basicamente é de subsistência. A pecuária está calcada no sistema de cria, recria, corte e leiteira. O turismo é importante, mas não tão desenvolvido devido a problemas de licenciamento ambiental. AGROPECUARIA Culturas Temporárias Efetivo de Rebanho Abacaxi, Algodão, Arroz, Banana, Cana-deaçúcar, Feijão, Limão, Mandioca, Manga, Maracujá, Melancia, Milho, Soja, Tomate Bovinos, Suínos, Bubalinos, Ovinos, Caprinos, Avícolas INDÚSTRIAS Tipo de Produção Extrativista Vegetal e Mineral Tipo de Produção de Origem Animal Lenha Leite, Mel Fontes: SEPLAN-MT, Prefeitura Municipal 130 Sem dúvida é a pecuária a maior fonte de renda do município, que tem o maior rebanho de todos os municípios da Região Metropolitana: 471.798 cabeças de gado (INDEA, 2011). O prefeito, Harrison Ribeiro, afirmou que o município perde renda e emprego provenientes do cultivo da soja por problema de divisa com Rondonópolis. Há problema de divisa também com Barão de Melgaço e Várzea Grande, dificultando o recolhimento de impostos e também a vinda de recursos por repasse. Agricultura familiar Segundo a Secretaria de Agricultura do município, a agricultura familiar em Santo Antônio de Leverger é de subsistência, com alguns produtores de legumes, mas de forma isolada, tradição de família. Para o desenvolvimento da agricultura familiar são necessárias ações de incentivo a programas como o PAIS, que no município viabilizou 26 kits. Falta também uma assistência eficiente do EMPAER, para capacitar os produtores e melhorar sua produção. A licença ambiental deve ser concedida, para que o pequeno produtor não seja tratado como um infrator das leis, assim como a titulação fundiária, para ter acesso ao crédito, podendo provar a posse da terra como garantia. Falta também disponibilização de transporte, e infraestrutura. Segundo o INCRA e o INTERMAT (2011), no município há 11 assentamentos, com 969 famílias assentadas. AGRICULTURA FAMILIAR NÚMERO DE ASSENTAMENTOS NÚMERO DE FAMÍLIAS ASSENTADAS TIPOS DE ASSENTAMENTOS EXISTENTES 11 969 Federal e Estadual Fontes: INCRA, INTERMAT 131 Turismo O turismo é prejudicado pelos problemas de licenciamento ambiental. Entre os atrativos do município, que é porta de entrada do Pantanal matogrossense, estão, além do Pantanal, o rio Cuiabá, as praias e a própria sede, que se destaca pelo famoso carnaval de rua, com inúmeros blocos. Há ainda o tradicional artesanato de bambu, e o trabalho das redeiras. Fica no município o Complexo Águas Quentes, um hotel bem estruturado com piscinas de água quente e fria. O Distrito de Mimoso, por sua vez, às margens da Baía de Chacororé, tem um grande valor histórico, por ser a terra onde nasceu Cândido Rondon, “Patrono das Comunicações”. O turismo de pesca, por sua vez, acaba não trazendo benefícios pra cidade, na medida em que os pescadores levam tudo o que vão consumir de Cuiabá, desde alimentação a combustível. Também é necessária a revitalização da cidade, e uma maior estrutura hoteleira, para promover a permanência do turista, o que não acontece. PRINCIPAIS ATRATIVOS TURÍSTICOS COMPLEXO DE ÁGUAS QUENTES CAMINHO DAS ÁGUAS PESQUEIRO CPAUTO RECANTO SEARON PESQUEIRO SANTA LUZIA PESQUEIRO DO JAIRO RECANTO SAMPAIO PESQUEIRO CHAPARRAL MIMOSO ARTESANATO DE BAMBU CARNAVAL FESTIVAL DA PESCA FESTIVAL DO SIRIRI E CURURU CALENDÁRIO DE EVENTOS JANEIRO – FESTA DE SÃO SEBASTIÃO FEVEREIRO – CARNAVAL TRADIÇÃO E FOLIA JUNHO - ANIVERSÁRIO DA CIDADE AGOSTO – EXPOSIÇÃO AGROPECUÁRIA Fontes: SEDTUR-MT, SEPLAN-MT, Prefeitura Municipal No município, há 7 meios de hospedagem no município, com 120 leitos, e 6 locais para alimentação. 132 HOSPEDAGEM QUANTIDADE QUANTIDADE DE LEITOS 7 120 RESTAURANTES AGÊNCIAS DE VIAGEM 6 0 LOCADORAS MEIOS DE ORGANIZADORA VEICULOS TRANSPORTE DE EVENTOS 0 2 0 Fontes: SEBRAE-MT, SEDTUR-MT, Prefeitura Municipal Infraestrutura e serviços básicos Na área de saúde, há 5 postos de saúde, 5 centros de saúde, 1 hospital geral, 2 clínicas especializadas, e 24 leitos hospitalares. SAÚDE NÚMERO DE TIPOS DE ESTABELECIMENTO DE SAÚDE CENTRO DE CLÍNICAS POSTO DE HOSPITAL SAÚDE / ESPECIALIZADAS SAÚDE GERAL UNIDADE BÁSICA E OUTROS 5 5 1 2 NÚMERO DE LEITOS HOSPITALARES 24 Fontes: SES-MT, SEPLAN-MT, Prefeitura Municipal De acordo com a SEDUC-MT, há 3 escolas municipais, 12 estaduais e 1 privada, com 5.644 alunos matriculados em 2011. EDUCAÇÃO NÚMERO DE ESCOLAS MUNICIPAL ESTADUAL PRIVADA NÚMERO DE FACULDADES NÚMERO DE ALUNOS 3 12 1 0 5.644 Fonte: SEDUC-MT Quanto ao saneamento básico, dos 5.573 domicílios permanentes particulares do município (IBGE), 1.347 são abastecidos por poços ou nascentes. ÁGUA DOMICÍLIOS PARTICULARES PERMANENTES REDE DE DISTRIBUIÇÃO POÇOS / NASCENTES OUTROS 5.573 1.347 2.855 32 Fontes: IBGE, Ministério da Saúde, Prefeitura Municipal 133 A maioria dos domicílios utiliza fossa/filtro para esgotamento sanitário. E a maioria queima ou enterra o lixo, sendo a coleta de lixo realizada em 1.408 domicílios. ESGOTAMENTO SANITÁRIO REDE DE ESGOTO FOSSA / FILTRO CÉU ABERTO ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE ESGOTO 13 3.811 410 0 RESÍDUOS SÓLIDOS COLETA QUEIMADO / ENTERRADO LIXÃO ATERRO SANITÁRIO 1.408 2.656 170 0 Fontes: Ministério da Saúde, Prefeitura Municipal Sugestões As principais sugestões apontadas pelos gestores públicos para alavancar socioeconomicamente o município foram: - Viabilização da regularização fundiária e do licenciamento ambiental para promover o acesso ao crédito e assim fomentar a agricultura familiar e o ecoturismo; - Recuperação das divisas do município, para a não evasão de receitas; - Políticas de fomento à agricultura familiar, com assistência técnica, acesso a crédito e à tecnologia, e também com implementação de agroindústrias, certificando e agregando valor à produção local; 134 VÁRZEA GRANDE Atualidade, potencialidades e entraves Dados gerais Em conurbação com a capital, da qual se separa apenas pelo Rio Cuiabá, e com uma área territorial de 938,057 km2, o município de Várzea Grande, com 252.709 habitantes (IBGE), sendo 248.829 da zona urbana e 3.880 da zona rural, apresentou em 2009 um PIB de R$ 3.000.096.000,00 e PIB per capita de R$ 12.498,42, com economia moderada, cujo PIB per capita está abaixo do do estado, mas com a população em crescimento. Seu IDS-M é de 0,563. PIB em R$ (2009) PIB - Per Capita em R$ (2009) IDS-M (2010) TIPO DE ECONOMIA 3.000.096.000,00 12.498,42 0,563 Moderada Fontes: IBGE, AMM, Assembleia Legislativa PIB - 2009 em R$ Total Agropecuária Indústria Serviços 3.000.096.000,00 37.630.000,00 548.082.000,00 2.006.218.000,00 Fonte: IBGE POPULAÇÃO 2010 TOTAL URBANA RURAL HOMENS MULHERES CRESCIMENTO DE 2000 A 2010 252.709 248.829 3.880 125.358 127.351 17,38% Fonte: IBGE A pesquisa por amostragem para o levantamento da ocupação na Região Metropolitana (AMM, 2011) constatou que 49% da população têm entre 16 e 34 nos, enquanto a taxa geral de desemprego corresponde a 10% da população, demonstrando que há muita mão-de-obra a ser aproveitada pelos setores da economia. 135 DESEMPREGO IDADE DE 16 A 34 (Por amostragem) TAXA DE DESEMPREGO (Por amostragem) 49% 10% Fonte: AMM Um dado que indica a pobreza existente no município é o total de benefícios do Bolsa Família: RENDA FAMILIAR MENSAL 2010 - SALÁRIO MÍNIMO - DOMICÍLIO 0 a 1 S/M 1 a 2 S/M 2 a 5 S/M 5 a 10 S/M 10 a 20 S/M Mais de 20 S/M 12.164 17.657 30.371 10.968 2.848 633 Beneficiados com Bolsa Família 2011 14.652 Fontes: IBGE, IPEA/MDS A base da economia varzeagrandense é o comércio e a indústria, enquanto a agricultura é de subsistência. Através de incentivos fiscais e doações de terras, as indústrias se instalaram na região, constituindo, juntamente com a capital, o polo industrial do estado. Ao lado desse setor, desenvolveu-se um forte comércio de maquinários pesados, com revendas e oficinas de manutenção. AGROPECUÁRIA Culturas Temporárias Efetivo de Rebanho Abacaxi, Banana, Cana-de-açúcar, Coco-dabaía, Limão, Mandioca, Melão, Melancia, Milho Bovinos, Suínos, Bubalinos, Ovinos, Caprinos, Avícolas INDÚSTRIAS Tipo de Produção Extrativista Vegetal e Mineral Tipo de Produção de Origem Animal Cascalho e Lenha Leite, Mel Fontes: SEPLAN-MT, Prefeitura Municipal Nessa cidade está localizado o Aeroporto Internacional Marechal Rondon, que movimenta a economia pelo fluxo de visitantes que recebe. 136 Agricultura familiar Como todos os municípios da Região Metropolitana, Várzea Grande apresenta uma agricultura de subsistência, mesmo diante das oportunidades econômicas e sociais do desenvolvimento agrícola, demonstrando a insuficiência de investimentos no setor. Todo a produto agrícola comercializado no município e seu entorno provém de ações isoladas de pequenos e médios produtores, não sendo resultado de políticas públicas. Este é o caso do CCAF, que é resultado da associação dos municípios da RMVRC e Campo Verde, e tem sede em Várzea Grande, com o objetivo de promover a comercialização direta dos produtos agrícolas da agricultura familiar para o mercado atacadista. Segundo o INCRA e o INTERMAT (2011), há 3 assentamentos no município, com 315 famílias assentadas. AGRICULTURA FAMILIAR NÚMERO DE ASSENTAMENTOS NÚMERO DE FAMÍLIAS ASSENTADAS TIPOS DE ASSENTAMENTOS EXISTENTES 3 315 Federal Fontes: INCRA, INTERMAT Turismo Várzea Grande apresenta potencial turístico por sediar o aeroporto internacional do estado e ser próximo à capital e aos atrativos naturais do Pantanal e do Cerrado. O município também possui uma grande riqueza histórica e cultural, com comunidades tradicionais e um calendário que inclui apresentações de danças típicas e festas religiosas, além de ser ponto de partida da já consagrada Corrida de Reis, que anualmente atrai corredores do Brasil e do mundo. A cidade também tem se beneficiado das obras de mobilidade urbana para a Copa do Mundo de 2014. E há a expectativa de que seja construído um shopping center, o que poderá movimentar mais ainda o comércio municipal. 137 A estrutura de hospedagem e alimentação é formada por hotéis e restaurantes de diversificados padrões, num total de 37 meios de hospedagem e 43 restaurantes, além de 25 agências de viagem, 15 locadoras de veículo e 3 organizadoras de eventos, conforme levantamentos do SEBRAE e da SEDTUR. Tais números também devem aumentar significativamente, em função dos impactos da Copa. HOSPEDAGEM QUANTIDADE QUANTIDADE DE LEITOS 37 2.854 RESTAURANTES AGÊNCIAS DE VIAGEM LOCADORAS VEICULOS ORGANIZADORA DE EVENTOS 43 25 15 3 Fontes: SEBRAE-MT, SEDTUR-MT, Prefeitura Municipal Infraestrutura e serviços básicos A frota do transporte coletivo é formada por 78 ônibus municipais e 92 integrados à Cuiabá, de acordo com o MTU. Segundo a SES-MT, há 4 hospitais gerais no município, além de 14 centros de saúde e 119 clínicas especializadas, num total de 442 leitos hospitalares. SAÚDE NÚMERO DE TIPOS DE ESTABELECIMENTO DE SAÚDE CENTRO DE CLÍNICAS POSTO DE HOSPITAL SAÚDE / ESPECIALIZADAS SAÚDE GERAL UNIDADE BÁSICA E OUTROS 0 14 4 NÚMERO DE LEITOS HOSPITALARES 119 442 Fontes: SES-MT, SEPLAN-MT, Prefeitura Municipal De acordo com a SEDUC-MT (2011), há, em Várzea Grande, 76 escolas municipais, 45 estaduais e 35 privadas, entre as quais universidades. EDUCAÇÃO NÚMERO DE ESCOLAS MUNICIPAL ESTADUAL PRIVADA ESCOLAS FEDERAIS NÚMERO DE ALUNOS 76 45 35 0 66.349 Fonte: SEDUC-MT 138 Quanto ao saneamento básico, dos 74.641 domicílios particulares permanentes (IBGE), 23.939 são abastecidos pela rede de distribuição, enquanto apenas 5.569 são atendidos pela rede de esgoto. Há coleta de lixo em 25.831 domicílios, e a cidade ainda conta com um aterro sanitário. ÁGUA DOMICÍLIOS PARTICULARES PERMANENTES REDE DE DISTRIBUIÇÃO POÇOS / NASCENTES OUTROS 74.641 23.939 4.865 183 ESGOTAMENTO SANITÁRIO REDE DE ESGOTO FOSSA / FILTRO CÉU ABERTO ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE ESGOTO 5.569 22.465 953 SIM RESÍDUOS SÓLIDOS COLETA QUEIMADO / ENTERRADO LIXÃO ATERRO SANITÁRIO 25.831 2.243 913 SIM Fontes: IBGE, Ministério da Saúde, Prefeitura Municipal Sugestões As principais sugestões apontadas pelos gestores públicos para alavancar socioeconomicamente o município foram: - políticas públicas de fomento à agricultura familiar, com acesso a crédito e assistência técnica, ampliando a capacidade de produção e de comercialização dos produtos; - incentivos à organização da produção, por meio de associações e cooperativas; - acompanhamento e concretização das obras e projetos para a Copa de 2014, para que os investimentos sejam bem aplicados e revertam em 139 benefícios não só em mobilidade urbana como em geração de emprego e renda e inclusão social para os moradores da região; - melhoria e ampliação da estrutura e serviços turísticos, para explorar todo o potencial natural, histórico e cultural do município, aliadas a um atendimento de qualidade, para consolidar Várzea Grande como destino de viagem em escala nacional e internacional; - investimento em qualificação e cursos técnicos para atender a demanda de mão-de-obra turística com a realização da Copa e propiciando um atendimento de qualidade; 140 Referências Bibliográficas ALVES, Amanda. 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