Objetivo da aula
 Apresentar o contexto da crise da sucessão
após a renúncia de Jânio Quadros e as
dificuldades políticas e econômicas durante a
gestão do Presidente Goulart.
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Antes de falarmos do presidente João Goulart vamos entender o
que aconteceu com seu antecessor Jânio Quadros.
Jânio Quadros renunciou poucos meses depois de ter sido eleito em
1961, desencadeando uma grave crise. Na passagem de seu
governo, desentendeu-se com seu partido, União Democrática
Nacional –UDN
 por estabelecer uma política exterior de aproximação com a Cuba
de Fidel Castro e
 pelo fato de conceder ao guerrilheiro Che Guevara
a Ordem do Cruzeiro do Sul, a mais alta condecoração
Brasileira conferida a estrangeiros.
 No plano interno, negou-se a implementar
políticas de estabilização econômica propostas pelo
Fundo Monetário Internacional - FMI e
 reclamava das travas do Congresso.
Jânio da Silva Quadros
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Foto: Arquivo Nacional
A lei eleitoral em 1961
permitia que o eleitor votasse
em candidatos diferentes.
Jânio ganhou a presidência,
mas João Goulart, candidato
da oposição foi eleito como
vice.
Presidente João Goulart
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Mas não foi fácil para João Goulart assumir a presidência.
João Goulart encontrava- -se na China Comunista. Três
ministros militares o vetaram para assumir a presidência,
justificando que ele infiltrava “agentes do comunismo
internacional” e pretendia transformar as forças armadas
em “milícias comunistas”.
O veto estimulou a criação do movimento pela “legalidade”.
Os militares legalistas sob o apoio do governador Leonel
Brizola derrotaram o veto dos ministros.
Os ministros encontraram uma saída, Goulart assumir, mas
com poderes reduzidos. Quando Goulart assumiu a
presidência, promoveu a reconquista dos plenos poderes
presidenciais.
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A Crise Econômica Brasileira e o Nacionalismo Radical
O Produto Interno Bruto - PIB brasileiro crescia 6% ao ano
desde 1940, algo que poucos países do Terceiro Mundo podiam
igualar.
A campanha pela industrialização
parecia motivar o Brasil. Porém,
as condições para a “decolagem”
eram lamentáveis.
O Brasil era tecnologicamente
dependente, a própria produção de
energia elétrica não atendia à
demanda das capitais.
Fábrica Volkswagen - Década de 60
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As estradas somavam aproximadamente
1.000 quilômetros para um país continental.
A educação pública era extremamente
deficiente, o que gerava grandes desigualdades.
As melhores escolas secundárias eram privadas
e seus alunos levavam enorme vantagem nos
exames de admissão às universidades federais
gratuitas.
Havia grandes extensões de terras sem uso, pertencentes a proprietários
privados ou a órgãos governamentais. Próximo a essas terras, havia milhões
de lavradores na miséria por falta de terra onde pudessem ganhar a vida.
Observando esta panorama da década de 60 parece que estamos falando
do presente, não é mesmo?
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Os dois principais problemas da política econômica eram:
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O déficit na balança de pagamentos e a inflação. No início
da década de 60, a receita das exportações dependia de um
único produto, o café, cujo preço no mercado internacional
era muito variável. Precisava-se importar bens de capital
para industrializar, petróleo para movimentar veículos,
matérias-primas como cobre e fosfatos.
A saída de capitais era um elemento negativo,
principalmente via remessas de lucros, pagamento de
empréstimos e repartição de capitais. Somadas as contas
estrangeiras, verificou-se que o Brasil direcionava seus
ganhos de exportação para pagar a dívida externa.
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As opções para esses problemas eram duas:
 cortar as importações, sacrificando a indústria e os
transportes ou
 podia-se suspender o pagamento dos empréstimos e proibir
as remessas de lucros sobre investimentos estrangeiros.
Qual você entende que seria a melhor opção
para o Brasil?
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Qualquer medida espantaria os investidores e credores
estrangeiros, colocando o Brasil nas listas negras do sistema
financeiro internacional. O desafio era elaborar um plano
econômico de acordo com as regras do capitalismo internacional.
Mas por que não estava funcionando?
Quando Goulart assumiu o governo os credores internacionais
continuavam descrentes por conta de sua orientação
esquerdista, o que significava um alto risco aos olhos dos
banqueiros internacionais.
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A inflação em 1960 escandalizava o país
quando chegou a 39,5 por cento.
Em fins de 1962, os problemas econômicos
tornaram-se insuportáveis. San Thiago Dantas
e Celso Furtado, foram convocados para elaborarem um
programa de estabilização. O plano teve a aprovação tanto do
FMI como do presidente John Kennedy. Mas os credores foram
muito exigentes: cada empréstimo ao Brasil dependeria dos
progressos demonstrados na implementação do programa de
estabilização.
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Em que consistia o Plano Dantas-Furtado?
 Desvalorização do cruzeiro, causando a
elevação do custo da importação do petróleo
e trigo, e que elevaria o custo do pão e das
passagens de ônibus – itens básicos no
orçamento do trabalhador.
 Contenção dos aumentos salariais.
 Redução dos gastos do setor público
através da demissão de empregados.
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Estas medidas impopulares e de resultados incertos, obrigaram
Goulart a engavetar o plano. Na metade de 1963, concluiu que seus
custos eram altos demais, e adotou a estratégia do nacionalismo
radical.
Esta estratégia identificava o setor externo
da economia como responsável das graves
dificuldades do país, onde a maior parte
dos investidores ingressava no Brasil
apenas para conquistar o poder
monopolista do mercado e em seguida
enviar os lucros para suas matrizes lá fora.
A solução? Um controle rigoroso das empresas
estrangeiras. Assim, em 1962 o Congresso aprovou uma lei
mais severa de remessa de lucros.
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Os nacionalistas culpavam os EUA, o FMI e
o Banco Mundial - BM de manter os países
em desenvolvimento em subordinação
econômica. O BM e o FMI suspenderam
todos os empréstimos ao Brasil por
discordar das políticas do governo.
O governo considerava inadequadas para a
economia as políticas sugeridas pela banca
internacional por ser um obstáculo ao
processo de industrialização.
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O plano original revoltou os sindicatos. Por isso, a partir de
meados de 1963, Goulart passou a promover
um conjunto de “reformas de base”,
que incluíam reforma agrária, educação,
impostos e habitação, as quais deviam
ser aprovadas no Congresso Nacional.
Estas medidas radicais
deveriam
resolver
o
problema do balanço de
pagamentos e da inflação,
sintomas mais imediatos da
crise econômica.
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Chegamos ao final desta aula.
Guarde na memória!
A renúncia do Presidente Jânio Quadros
desencadeou certa tensão no meio político em
relação a quem o sucederia, porém o vice João
Goulart assumira o posto ao final.
Goulart então se deparou com a crise econômica
causada pelos empréstimos do FMI e pelas
importações que implicavam altos índices
inflacionários e saldos negativos.
Depois de tentativas frustradas de se estabilizar a
economia, Goulart passa a usar o método de
nacionalismo radical, que culpava os EUA, suas
instituições financeiras, e empresas estrangeiras
pela situação brasileira.
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João Goulart