UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ INSTITUTO DE TECNOLOGIA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO PÓS GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA CIVIL ANÁLISE EXPERIMENTAL DE LIGAÇÕES VIGA-VIGA VIGA PREFORMADAS DE CONCRETO ARMADO COM ARMADURA DE PELE SOB TORÇÃO ENGº CIVIL MIKHAIL LUCZYNSKI Belém/PA 2009 UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ INSTITUTO DE TECNOLOGIA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO PÓS GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA CIVIL ANÁLISE EXPERIMENTAL DE LIGAÇÕES VIGA-VIGA VIGA PREFORMADAS DE CONCRETO ARMADO COM ARMADURA DE PELE SOB TORÇÃO ENGº CIVIL MIKHAIL LUCZYNSKI Orientador: Prof. D. Sc. Dênio Ramam Carvalho de Oliveira Belém/PA 2009 i Dados Internacionais de Catalogação-na-Publicação (CIP) Biblioteca Central/UFPA, Belém - PA Luczynski, Mikhail, 1983– Análise experimental de ligações viga-viga preformadas de concreto armado com armadura de pele sob torção / Mikhail Luczynski; orientador, Dênio Ramam Carvalho de Oliveira. – 2009. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal do Pará, Instituto de Tecnologia, Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil, Belém, 2009. 1. Vigas deMOISÉS concreto. 2. Concreto MESSIAS SÁ DA Armado. CUNHA 3. Torção. 4. Deformações e tensões. I. Título. ii UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ INSTITUTO DE TECNOLOGIA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO PÓS GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA CIVIL ANÁLISE EXPERIMENTAL DE LIGAÇÕES VIGA-VIGA VIGA PREFORMADAS DE CONCRETO ARMADO COM ARMADURA ARMADU DE PELE SOB TORÇÃO ENGº CIVIL MIKHAIL LUCZYNSKI COMISSÃO EXAMINADORA __________________________________ Prof. Dr. Dênio Ramam Carvalho de Oliveira (Orientador) __________________________________ Prof. Dr. Ricardo José Carvalho Silva (Examinador Externo - UNIFOR) __________________________________ Prof. Dr. Ronaldson aldson José de França Mendes Carneiro (Examinador Interno) __________________________________ Prof. Dr. Alcebíades Negrão Macêdo (Examinador Interno) Belém/PA 2009 iii A DEUS. iv AGRADECIMENTOS Ao prof. Dênio Ramam pela orientação, incentivo e confiança insubstituível ao desenvolvimento deste trabalho e de tecnologias inovadoras no campo de estruturas de concreto armado. Aos professores do PPGEC Alcebíades Negrão Macêdo e Bernardo Borges Pompeu Neto pelo apoio constante e contribuição para a minha formação durante este período da pósgraduação. Aos técnicos do Laboratório de Engenharia Civil, em especial ao “Urbano” e ao estimado amigo Wellington funcionário da SAENGE pela ajuda indispensável durante todo o período de realização da confecção, concretagem e dos ensaios das vigas. Aos grandiosos amigos do grupo GAEMA o qual faço parte: Nívea Gabriela Albuquerque, Kelly Nahum, José Guilherme Melo, Leandro Queiroz, Tiago Rodrigues, Natasha Cristina, Leila Nunes, Iana Damasceno, Rittermayer Teixeira, Amaury Aguiar, Aarão Ferreira Neto, Arnolfo Valente, Leonyce Santos que dedicaram seu tempo para ajudar em momentos decisivos em especial ao Agleílson Reis Borges, Alexandre Vilhena, Régis Rivo e Victor Hugo Lopes Branco pela atenção, paciência e apoio que me concederam nos momentos mais difíceis. Aos amigos do PPGEC Rosielle Pegado, Peterson Rodrigo, Marcus Anderson e em especial a Gyselle Maciel de Almeida, Guilherme Salazar e Fabrício Pires, pela valorosa e verdadeira amizade com contribuição e ajuda na realização deste trabalho mesmo ausentes fisicamente. Aos meus pais, em especial a minha mãe não somente durante os momentos dedicados a esta pesquisa, mas em todos os momentos da minha vida e digo: devo tudo a vocês. Aos meus irmãos Czeslaw, Miroslaw, Miroslawa e em especial ao Estanislau pelo carinho, ajuda, incentivo e preocupação em todos os momentos. Aos amigos da graduação Danielle Ramos, Valdemir Colares, Andréa Barreto, Oniwendell Felipe, Dion Cunha, Cristiano Comim pela ajuda indispensável na realização deste trabalho e outras pesquisas relevantes. A FAPESPA, CNPq e CAPES pelo apoio financeiro e científico para a realização deste trabalho. v Deus não impõe ao homem nenhuma carga superior às suas forças (Provérbio Indiano) vi RESUMO “Análise Experimental de Ligações Viga-Viga Preformadas de Concreto Armado com Armadura de Pele Sob Torção” O sistema preformado consiste, basicamente, de placas delgadas autoportantes que substituem com vantagens as fôrmas de madeira largamente empregadas na moldagem de elementos estruturais em concreto armado, garantindo as características geométricas das peças e otimizando a execução. Uma dessas grandes vantagens é que as ligações entre os elementos estruturais podem ser consideradas monolíticas, atribuindo maior rigidez e estabilidade à estrutura. Baseando-se nesta vantagem, este trabalho visa analisar experimentalmente o comportamento de 08 (oito) conjuntos de vigas de concreto armado verificando a ligação viga-viga de bordo, submetidos ao esforço de torção, sendo 04 conjuntos maciços e 04 preformados. Foram realizadas análises comparativas através dos resultados obtidos experimentalmente e dos fornecidos por normas técnicas nacionais e internacionais. As vigas tiveram seções transversais iguais a 150 mm x 400 mm e comprimentos de 1.800 mm e 600 mm para os trechos bi-engastados e em balanço, respectivamente, sendo a variável de estudo a contribuição da armadura de pele no combate ao esforço de torção. O programa experimental foi constituído por 02 conjuntos de vigas de referência, sendo um maciço e outro preformado, e 06 (3 pares de maciço e preformado) apresentaram armadura de pele sendo 02 com 1 barra, 02 com 2 barras e 02 com 4 barras. Foram apresentados e analisados os resultados observados para os deslocamentos verticais e horizontais, deformações nas armaduras de cisalhamento próximas a região de ligação viga-viga, nas armaduras de pele e na ancoragem da ligação entre as vigas, e a propagação das fissuras. Os valores observados para cargas últimas foram comparados com os resultados estimados e com os obtidos por outros autores. Palavras-Chave: Concreto Armado, Viga, Torção, Ligação, Preformado. vii ABSTRACT “Experimental analysis of Connections Beam-beam Preformed of Reinforced Concrete with Skin Reinforcement under Torsion” The preformed system consists, basically, of self standing thin plates that substitute with advantages the conventional wood mold system for reinforced concrete structural elements, guaranteeing the geometric characteristics of the pieces and optimizing the execution. One of these great advantages is that the connections among the structural elements can be considered monolithic, attributing larger rigidity and stability to the structure. Basing on this advantage, this work seeks to analyze the experimental behavior of 08 (eight) reinforced concrete of beams with verifying the edge beam-beam connection under torsion, with 04 solid groups and 04 preformed. Comparative analyses will be carried out between the experimental results and those from several design codes. The beams presented cross sections of 150mm x 400mm and lengths of 1.800mm and 600mm for the two fixed and cant lever beam, respectively, aiming to verify the contribution of the skin reinforcement against shear forces. The experimental program was constituted by 02 groups of reference beams, with one solid and other preformed, and 06 (3 solid and preformed) with skin reinforcement being 02 with 1 bar, 02 with 2 bars and 02 with 4 bars. There was presented and analyzed the results observed for vertical displacements, steel strains of the shear reinforcement around the area of the edge beam-beam connection, behavior of the skin reinforcement and of the anchorage in the connection between the beams, and the cracking pattern. The failure loads were compared to the estimate results and with those from other authors. Word-key: Reinforced Concrete, Beam, Torsion, Connection, Preformed. viii SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ________________________________________________________ 1 1.1 Considerações Gerais ____________________________________________________ 1 1.2 Justificativa ____________________________________________________________ 2 1.3 Objetivos ______________________________________________________________ 3 1.4 Estrutura do Trabalho___________________________________________________ 4 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ____________________________________________ 5 2.1 ELEMENTOS PREMOLDADOS E PREFABRICADOS ______________________ 5 2.2 Vantagens e Desvantagens do Sistema Premoldado ___________________________ 6 2.2.1 Tipos de Elementos Estruturais Premoldados _________________________________ 7 2.2.2 Ligações entre Elementos Premoldados _____________________________________ 9 2.3 ELEMENTOS PREFORMADOS ________________________________________ 12 2.4 TORÇÃO EM VIGAS DE CONCRETO ARMADO _________________________ 17 2.4.1 CASOS COMUNS DE TORÇÃO_________________________________________ 18 2.4.2 TORÇÃO DE EQUILÍBRIO E DE COMPATIBILIDADE _____________________ 19 2.4.3 TORÇÃO SIMPLES (TORÇÃO DE SAINT-VENANT)_______________________ 20 2.4.4 COMPORTAMENTO DE VIGAS DE CONCRETO ARMADO SOLICITADAS À TORÇÃO SIMPLES ________________________________________________________ 23 2.4.5 ANALOGIA DA TRELIÇA ESPACIAL PARA TORÇÃO SIMPLES ____________ 25 2.4.6 COMBINAÇÃO DE TORÇÃO, FLEXÃO E CISALHAMENTO________________ 26 2.4.7 FORMAS DE RUPTURA POR TORÇÃO __________________________________ 28 2.4.7.1 Ruptura por tração ____________________________________________________ 28 2.4.7.2 Ruptura por compressão _______________________________________________ 28 2.4.7.3 Ruptura dos cantos ___________________________________________________ 29 2.4.7.4 Ruptura na ancoragem _________________________________________________ 29 2.4.8 PROCEDIMENTOS TEÓRICOS DE CÁLCULO ____________________________ 29 2.5 TRABALHOS REALIZADOS ___________________________________________ 31 2.5.1 SILVA FILHO (2004) __________________________________________________ 31 2.5.2 PRIOR et al. (1993) ____________________________________________________ 38 2.5.3 LAGO et al. (2007) ____________________________________________________ 39 2.5.4 Vigas preformadas _____________________________________________________ 44 ix 2.5.4.1 TEIXEIRA et al. (2007) _______________________________________________ 45 2.5.4.2 MELO (2008) _______________________________________________________ 50 2.5.4.3 SOUZA et al., (2006) _________________________________________________ 54 2.6 PRESCRIÇÕES NORMATIVAS_________________________________________ 60 2.6.1 Considerações iniciais __________________________________________________ 60 2.6.2 NBR 6118 (ABNT, 2003) _______________________________________________ 60 2.6.2.1 Dimensionamento de vigas à flexão ______________________________________ 60 2.6.2.2 Dimensionamento de vigas ao cisalhamento ________________________________ 63 a. Modelo de Cálculo I __________________________________________________ 64 b. Modelo de Cálculo II __________________________________________________ 65 2.6.2.3 Dimensionamento de vigas a torção ______________________________________ 65 a. Ruptura por esmagamento das bielas _____________________________________ 66 b. Ruptura por tração das armaduras longitudinais _____________________________ 67 2.6.3 ACI 318R (ACI, 2008) _________________________________________________ 69 2.6.3.1 Dimensionamento de vigas ao cisalhamento ________________________________ 69 2.6.3.2 Dimensionamento de vigas a torção ______________________________________ 70 2.6.4 CEB–FIP MC90 _______________________________________________________ 71 2.6.4.1 Dimensionamento de vigas ao cisalhamento ________________________________ 71 2.6.4.2 Dimensionamento de vigas à torção ______________________________________ 72 3 PROGRAMA EXPERIMENTAL ________________________________________ 75 3.1 Características das Vigas ________________________________________________ 75 3.2 Armadura ____________________________________________________________ 76 3.3 Instrumentação ________________________________________________________ 80 3.3.1 Concreto _____________________________________________________________ 80 3.3.2 Armaduras ___________________________________________________________ 81 3.4 Sistema de ensaio e aplicação de carga ____________________________________ 88 3.5 Materiais _____________________________________________________________ 90 3.5.1 Concreto _____________________________________________________________ 90 3.5.1.1 Composição _________________________________________________________ 90 3.5.1.2 Resistência à compressão ______________________________________________ 91 3.5.1.3 Resistência à tração ___________________________________________________ 91 3.5.1.4 Módulo de Elasticidade ________________________________________________ 92 x 3.5.2 Aço _________________________________________________________________ 92 3.6 Sistema de fabricação das vigas __________________________________________ 93 3.6.1 Fôrmas ______________________________________________________________ 93 4 RESULTADOS DOS ENSAIOS __________________________________________ 98 4.1 Considerações iniciais __________________________________________________ 98 4.2 Propriedades dos materiais ______________________________________________ 98 4.2.1 Concreto _____________________________________________________________ 98 4.2.1.1 Resistência à compressão ______________________________________________ 98 4.2.1.2 Resistência à tração ___________________________________________________ 99 4.2.1.3 Módulo de Elasticidade ________________________________________________ 99 4.2.2 Aço ________________________________________________________________ 100 4.3 Ensaios dos conjuntos _________________________________________________ 101 4.3.1 Deslocamentos horizontais e verticais _____________________________________ 101 4.3.2 Deformações do concreto ______________________________________________ 106 4.3.3 Deformações da armadura de flexão ______________________________________ 107 4.3.4 Deformações da armadura de cisalhamento ________________________________ 108 4.3.5 Deformações dos ganchos de ancoragem __________________________________ 110 4.3.6 Deformações das armaduras adicionais de ancoragem e armaduras de pele ________ 111 4.3.7 Ângulo de Torção ____________________________________________________ 112 4.3.8 Padrão de Fissuração __________________________________________________ 115 4.4 Análise dos resultados experimentais _____________________________________ 118 4.4.1 Deslocamentos horizontais e verticais _____________________________________ 118 4.4.2 Deformações ________________________________________________________ 119 4.4.2.1 Armadura de flexão __________________________________________________ 119 4.4.2.2 Armadura de Cisalhamento ____________________________________________ 119 4.4.2.3 Ganchos de ancoragem _______________________________________________ 120 4.4.2.4 Armaduras adicionais de ancoragem e armaduras de pele ____________________ 120 4.4.2.5 Superfície do concreto ________________________________________________ 120 4.4.3 Ângulos de torção ____________________________________________________ 121 4.4.4 Padrão de fissuração __________________________________________________ 121 4.4.5 Comparação com as estimativas normativas ________________________________ 123 4.4.5.1 ACI 318 ___________________________________________________________ 123 xi 4.4.5.2 CEB-FIP MC90 _____________________________________________________ 124 4.4.5.3 NBR 6118 (ABNT, 2003) _____________________________________________ 125 5 CONCLUSÕES E SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS ___________ 127 5.1 Conclusões ___________________________________________________________ 127 5.2 Sugestões para trabalhos futuros ________________________________________ 128 6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ____________________________________ 129 7 APÊNDICE A ________________________________________________________ 132 xii LISTA DE FIGURAS Figura 1.1 – Comparação entre os sistemas estruturais convencional e preformado (MELO, 2006) _____________________________________________________________________ 2 Figura 2.1 – Equipamentos de montagem de premoldados (SILVA FILHO et al., 2006) ____ 7 Figura 2.2 – Montagem e transporte de estruturas premoldadas (SILVA FILHO et al., 2006) 7 Figura 2.3 – Armadura saliente e concreto moldado no local (TEIXEIRA, apud EL DEBS, 2000) ____________________________________________________________________ 11 Figura 2.4 – Recortes, chaves e encaixes (TEIXEIRA, apud EL DEBS, 2000) ___________ 12 Figura 2.5 – Esquema de fabricação de elementos preformados (MELO, 2008) __________ 13 Figura 2.6 – Fabricação de elementos preformados (MELO, 2008) ___________________ 13 Figura 2.7 – Armazenagem, transporte e montagem de elementos preformados (MELO, 2008) ____________________________________________________________________ 13 Figura 2.8 – Ligações de vigas preformadas com o pilar (MELO, 2008) _______________ 15 Figura 2.9 – Ligações entre vigas preformadas, durante a montagem e após a desfôrma (MELO, 2008) ____________________________________________________________ 15 Figura 2.10 – Estrutura preformada de um centro comunitário em Belém-PA (MELO, 2008) _________________________________________________________________________ 16 Figura 2.11 – Estrutura preformada de uma escola em Belém-PA (MELO, 2008) ________ 16 Figura 2.12 – Poço de visita em elementos preformados (MELO, 2008) _______________ 16 Figura 2.13 – Arrimo em elementos preformados em Benevides – PA (MELO, 2008) _____ 17 Figura 2.14 – Muro do parque ambiental de Belém em elementos preformados (MELO, 2008) _________________________________________________________________________ 17 Figura 2.15 – Viga em balanço com carregamento excêntrico (BASTOS, 2004) _________ 18 Figura 2.16 – Viga premoldada para apoio de estrutura de piso ou cobertura (BASTOS, 2004) _________________________________________________________________________ 19 Figura 2.17 – Viga contínua sob torção por efeito da laje em balanço (BASTOS, 2004) ___ 19 Figura 2.18 – Torção em viga devido ao engastamento da laje em balanço (BASTOS, 2004)20 Figura 2.19 – Exemplos de torção de equilíbrio e de compatibilidade (FUSCO, 2008) ____ 20 xiii Figura 2.20 – Trajetória das tensões principais numa seção circular (LEONHARDT & MÜNNIG, 1977) ___________________________________________________________ 21 Figura 2.21 – Fissuração devido à torção (SALOM, 2004) __________________________ 21 Figura 2.22 – Tensões devidas à torção: a) tensões de cisalhamento b) tensões principais de tração e compressão c) trajetória helicoidal das fissuras (MACGREGOR, 1997) _________ 22 Figura 2.23 – Tensões de cisalhamento e tensões principais na seção circular (LEONHARDT et al., 1977) _______________________________________________________________ 22 Figura 2.24 – Seções estudadas por MÖRSCH (LEONHARDT & MÖNNIG, 1982) ______ 23 Figura 2.25 – Modelo resistente para torção simples em viga de concreto fissurada _______ 25 (LEONHARDT & MÖNNIG, 1982) ___________________________________________ 25 Figura 2.26 – Treliça espacial de MÖRSCH (OLIVEIRA, 2005) _____________________ 25 Figura 2.27 – Trajetória das fissuras na viga vazada de seção retangular (BASTOS, 2004) _ 27 Figura 2.28 – Modelo para vigas com altos momentos fletores (LEONHARDT & MÖNNIG, 1982) ____________________________________________________________________ 27 Figura 2.29 – Modelo para vigas com altas forças cortantes (LEONHARDT & MÖNNIG, 1982) ____________________________________________________________________ 27 Figura 2.30 – Empenamento da viga originando tensões adicionais de flexão____________ 28 (LEONHARDT & MÖNNIG, 1982) ___________________________________________ 28 Figura 2.31 – Possível ruptura do canto devido à mudança de das diagonais comprimidas (LEONHARDT & MÖNNIG, 1982) ___________________________________________ 29 Figura 2.32 - Esquema estático das vigas ensaiadas (TEIXEIRA et al., 2007) ___________ 30 Figura 2.33 .- Modelo estático da viga em balanço VB (TEIXEIRA et al., 2007) _________ 30 Figura 2.34 - Modelo estático da viga bi-engastada VA (TEIXEIRA et al., 2007) ________ 31 Figura 2.35 - Fluxograma das séries de vigas ensaiadas (SILVA FILHO, 2004)__________ 32 Figura 2.36 - Detalhe das armaduras longitudinal e transversal das vigas ensaiadas (SILVA FILHO, 2004) _____________________________________________________________ 33 Figura 2.37 - Vigas de concreto armado com reforço transversal (SILVA FILHO, 2004) __ 33 xiv Figura 2.38 - Vigas de concreto armado com reforço transversal e longitudinal (SILVA FILHO, 2004) _____________________________________________________________ 34 Figura 2.39 - Posição dos EERs na armadura transversal e longitudinal das vigas (SILVA FILHO, 2004) _____________________________________________________________ 34 Figura 2.40 - Instrumentação no concreto e no CFC das vigas das séries VT e VTL (SILVA FILHO, 2004) _____________________________________________________________ 35 Figura 2.41 - Detalhe dos EER colados no concreto e no CFC (SILVA FILHO, 2004) ____ 35 Figura 2.42 - Detalhe esquemático do sistema de ensaio (SILVA FILHO, 2004) _________ 36 Figura 2.43 - Sistema de ensaio montado (SILVA FILHO, 2004) _____________________ 36 Figura 2.44 - Sistema de apoio (SILVA FILHO, 2004) _____________________________ 37 Figura 2.45 – Viga premoldada em formato de “U” (Melo apud PRIOR et al., 2008)______ 38 Figura 2.46 – Dimensões dos conjuntos de vigas – (LAGO et al., 2007) ________________ 39 Figura 2.47 – Detalhe das armaduras das vigas – (LAGO et al., 2007) _________________ 40 Figura 2.48 – Sistema de ensaio utilizado por LAGO et al. (2007) ____________________ 41 Figura 2.49 – Detalhe da instrumentação das vigas (LAGO et al., 2007) _______________ 41 Figura 2.50 – Vigas ensaiadas com detalhes das fissuras ____________________________ 43 Figura 2.51 – Ângulos de torção estimados utilizando os deslocamentos horizontais (LAGO et al., 2007) _________________________________________________________________ 44 Figura 2.52 – Arranjo das vigas ensaiadas por TEIXEIRA et al. (2007) ________________ 45 Figura 2.53 – Viga de referência VC10 com espaçamento de estribo no trecho b de 100 mm (TEIXEIRA et al., 2007) _____________________________________________________ 46 Figura 2.54 – Viga preformada VA-C10 com espaçamento de estribo no trecho b de 100 mm (TEIXEIRA et al., 2007) _____________________________________________________ 46 Figura 2.55 – Viga preformada VA-C15 com espaçamento de estribo no trecho b de 150 mm (TEIXEIRA et al., 2007) _____________________________________________________ 46 Figura 2.56 – Viga preformada VA-C20 com espaçamento de estribo no trecho b de 200 mm (TEIXEIRA et al., 2007) _____________________________________________________ 46 Figura 2.57 – Viga preformada VA-C25 com espaçamento de estribo no trecho b de 250 mm (TEIXEIRA et al., 2007) _____________________________________________________ 47 xv Figura 2.58 – Detalhe esquemático do posicionamento dos deflectômetros (TEIXEIRA et al., 2007) ____________________________________________________________________ 47 Figura 2.59 – Registro fotográfico do posicionamento dos deflectômetros durante os ensaios (TEIXEIRA et al., 2007) _____________________________________________________ 47 Figura 2.60 – Deslocamentos verticais e horizontais (TEIXEIRA et al., 2007) ___________ 48 Figura 2.61 – Detalhes dos modos de ruptura e aspecto das fissuras das vigas (TEIXEIRA et al., 2007) _________________________________________________________________ 50 Figura 2.62 – Seções transversais das vigas maciças e preformadas (MELO, 2008) _______ 51 Figura 2.63 - Posicionamento dos apoios e das cargas (MELO, 2008) _________________ 52 Figura 2.64 - Sistema de ensaio a aplicação da carga (MELO, 2008) __________________ 53 Figura 2.65 - Detalhe dos equipamentos utilizados nos ensaios (MELO, 2008) __________ 53 Figura 2.66 - Armaduras dos elementos preformados (SOUZA et al., 2006)_____________ 55 Figura 2.67 - Etapas de concretagem dos elementos preformados (SOUZA et al., 2006) ___ 56 Figura 2.68 - Armadura de ligação e as fases de concretagem (SOUZA et al., 2006) ______ 56 Figura 2.69 - Preparação e primeira concretagem das vigas preformadas (SOUZA et al., 2006) _________________________________________________________________________ 57 Figura 2.70 - Concreto da segunda fase e da viga de referência (SOUZA et al., 2006) _____ 57 Figura 2.71 - Detalhe do sistema de ensaio (SOUZA et al., 2006) _____________________ 58 Figura 2.72 - Sistema de ensaio (SOUZA et al., 2006) ______________________________ 58 Figura 2.73 - Vigas preformadas após os ensaios (SOUZA et al., 2006) ________________ 59 Figura 2.74 – Distribuição das tensões em seções retangulares (NBR 6118 (ABNT, 2003)) 61 Figura 2.75 – Taxa de armadura e diagrama de deformações para seções submetidas à flexão (Oliveira, 2005) ____________________________________________________________ 63 Figura 2.76 – Parâmetros da seção retangular (Teixeira et al., 2007) ___________________ 66 Figura 2.77 – Esforços solicitantes normais e de cisalhamento na seção transversal de uma viga _____________________________________________________________________ 73 Figura 3.1 – Detalhe esquemático dos conjuntos __________________________________ 76 xvi Figura 3.2 – Detalhe esquemático da seção transversal das vigas preformadas e maciças dos conjuntos _________________________________________________________________ 76 Fig. 3.3 – Detalhe esquemático longitudinal das 8 vigas em balanço VB _______________ 77 Fig. 3.4 – Detalhe esquemático longitudinal da viga bi-engastada VMREF e VPFREF ____ 77 Fig. 3.5 – Detalhe esquemático da ligação viga-viga do conjunto VMREF e VPFREF ____ 77 Fig. 3.6 – Detalhe esquemático longitudinal do conjunto VMAP1 e VPFAP1 ___________ 78 Fig. 3.7 – Detalhe esquemático da ligação viga-viga do conjunto VMAP1 e VPFAP1 _____ 78 Fig. 3.8 – Detalhe esquemático longitudinal do conjunto VMAP2 e VPFAP2 ___________ 78 Fig. 3.9 – Detalhe esquemático da ligação viga-viga do conjunto VMAP2 e VPFAP2 _____ 79 Fig. 3.10 – Detalhe esquemático longitudinal do conjunto VMAP3 e VPFAP3 __________ 79 Fig. 3.11 – Detalhe esquemático da ligação viga-viga do conjunto VMAP3 e VPFAP3 ____ 79 Figura 3.12 – Detalhe esquemático dos deflectômetros _____________________________ 80 Figura 3.13 – Posicionamento dos deflectômetros nas vigas _________________________ 80 Figura 3.14 – Posicionamento dos extensômetros no concreto _______________________ 81 Figura 3.20 – Registro fotográfico das vigas VPFREF e VPFAP1 ____________________ 84 Figura 3.21 – Registro fotográfico da viga VPFAP2 _______________________________ 84 Figura 3.22 – Registro fotográfico da viga VPFAP3 _______________________________ 84 Figura 3.23 – Posicionamento do extensômetro na armadura de cisalhamento da viga VB _ 85 Figura 3.24 – Posicionamento dos extensômetros nas armaduras das vigas VMREF e VPFREF _________________________________________________________________ 85 Figura 3.25 – Posicionamento dos extensômetros na ligação viga-viga de borda nas armaduras das vigas VMREF e VPFREF _________________________________________________ 85 Figura 3.26 – Posicionamento dos extensômetros nas armaduras das vigas VMAP1 e VPFAP1 _________________________________________________________________ 86 Figura 3.27 – Posicionamento dos extensômetros na ligação viga-viga de borda nas armaduras das vigas VMAP1 e VPFAP1 _________________________________________________ 86 Figura 3.28 – Posicionamento dos extensômetros nas armaduras das vigas VMAP2 e VPFAP2 _________________________________________________________________ 86 xvii Figura 3.29 – Posicionamento dos extensômetros na ligação viga-viga de borda nas armaduras das vigas VMAP2 e VPFAP2 _________________________________________________ 87 Figura 3.30 – Posicionamento dos extensômetros nas armaduras das vigas VMAP3 e VPFAP3 _________________________________________________________________ 87 Figura 3.31 – Posicionamento dos extensômetros na ligação viga-viga de borda nas armaduras das vigas VMAP3 e VPFAP3 _________________________________________________ 87 Figura 3.32 – Detalhe esquemático do sistema de ensaio das vigas ____________________ 89 Figura 3.33 – Sistema de ensaio das vigas e equipamentos utilizados __________________ 89 Figura 3.34 – Ensaio de compressão axial de corpos-de-prova _______________________ 91 Figura 3.35 – Ensaio de compressão diametral de corpos-de-prova ____________________ 92 Figura 3.36 – Ensaio de tração simples do aço ____________________________________ 93 Figura 3.37 - Fôrmas utilizadas para confecção das vigas maciças e preformadas ________ 94 Figura 3.38 – Detalhe do metacaulim sendo lançado no concreto e concretagem das vigas maciças __________________________________________________________________ 94 Figura 3.39 – Plataforma das vigas preformadas __________________________________ 95 Figura 3.40 – Concretagem da primeira etapa (primeira lateral) ______________________ 95 Figura 3.41 – Concretagem da segunda etapa (segunda lateral) _______________________ 95 Figura 3.42 – Concretagem da terceira etapa (camada de fundo) ______________________ 96 Figura 3.43 - Ligação das preformas dos conjuntos (quarta etapa) ____________________ 96 Figura 3.44 - Ligação viga-viga dos conjuntos ____________________________________ 96 Figura 3.45 – Concretagem do núcleo dos conjuntos preformados (quinta etapa) _________ 97 Figura 3.46 – Aspecto final da produção das vigas preformadas ______________________ 97 Figura 4.1 – Ensaio de módulo de elasticidade do concreto com o sistema de aquisição de dados ALMEMO __________________________________________________________ 100 Figura 4.2 – Diagrama tensão x deformação para a bitola de 5 mm ___________________ 101 Figura 4.3 – Diagrama tensão x deformação para a bitola de 12,5 mm ________________ 101 Figura 4.4 – Deslocamentos observados no deflectômetro D1 nos conjuntos maciços ____ 102 Figura 4.5 – Deslocamentos observados no deflectômetro D1 nos conjuntos preformados _ 102 xviii Figura 4.6 – Deslocamentos observados no deflectômetro D2 nos conjuntos maciços ____ 103 Figura 4.7 – Deslocamentos observados no deflectômetro D2 nos conjuntos preformados _ 103 Figura 4.8 – Deslocamentos observados no deflectômetro D3 nos conjuntos maciços ____ 104 Figura 4.9 – Deslocamentos observados no deflectômetro D3 nos conjuntos preformados _ 104 Figura 4.10 – Deslocamentos observados no deflectômetro D4 nos conjuntos maciços ___ 105 Figura 4.11 – Deslocamentos observados no deflectômetro D4 nos conjuntos preformados 105 Figura 4.12 – Deslocamentos observados no deflectômetro D5 nos conjuntos maciços ___ 106 Figura 4.13 – Deslocamentos observados no deflectômetro D5 nos conjuntos preformados 106 Figura 4.14 – Deformações do concreto na superfície inferior dos conjuntos ensaiados ___ 107 Figura 4.15 – Deformações do concreto na superfície superior dos conjuntos ensaiados __ 107 Figura 4.16 – Deformações da armadura de flexão das vigas bi-engastadas dos conjuntos ensaiados ________________________________________________________________ 108 Figura 4.17 – Deformações da armadura de flexão das vigas em balanço dos conjuntos ensaiados ________________________________________________________________ 108 Figura 4.18 – Média das deformações da armadura de cisalhamento das vigas bi-engastadas dos conjuntos maciços ______________________________________________________ 109 Figura 4.19 – Média das deformações da armadura de cisalhamento das vigas bi-engastadas dos conjuntos preformados __________________________________________________ 109 Figura 4.20 – Deformações da armadura de cisalhamento das vigas em balanço ________ 110 Figura 4.21 – Deformações dos ganchos de ancoragem da ligação viga-viga dos conjuntos 110 Figura 4.22 – Deformações das armaduras adicionais de ancoragem dos conjuntos VMAP1 e VPFAP1 ________________________________________________________________ 111 Figura 4.23 – Deformações das armaduras de pele dos conjuntos VMAP2 e VPFAP2 ____ 111 Figura 4.24 – Deformações das armaduras de pele dos conjuntos VMAP3 e VPFAP3 ____ 111 Figura 4.25 – Ângulo de torção em uma viga devido ao torque solicitante _____________ 112 Figura 4.26 – Ângulos de torção observados no deflectômetro D1 nos conjuntos maciços _ 112 Figura 4.27 – Ângulos de torção observados no deflectômetro D1 nos conjuntos preformados ________________________________________________________________________ 113 xix Figura 4.28 – Ângulos de torção observados no deflectômetro D2 nos conjuntos maciços _ 113 Figura 4.29 – Ângulos de torção observados no deflectômetro D2 nos conjuntos preformados ________________________________________________________________________ 113 Figura 4.30 – Ângulos de torção observados no deflectômetro D3 nos conjuntos maciços _ 114 Figura 4.31 – Ângulos de torção observados no deflectômetro D3 nos conjuntos preformados ________________________________________________________________________ 114 Figura 4.32 – Ângulos de torção observados no deflectômetro D4 nos conjuntos maciços _ 114 Figura 4.33 – Ângulos de torção observados no deflectômetro D4 nos conjuntos preformados ________________________________________________________________________ 115 Figura 4.34 – Padrão de fissuração da VMREF __________________________________ 116 Figura 4.35 – Padrão de fissuração da VMAP1 __________________________________ 116 Figura 4.36 – Padrão de fissuração da VMAP2 __________________________________ 116 Figura 4.37 – Padrão de fissuração da VMAP3 __________________________________ 117 Figura 4.38 – Padrão de fissuração da VPFREF __________________________________ 117 Figura 4.39 – Padrão de fissuração da VPFAP1 __________________________________ 117 Figura 4.40 – Padrão de fissuração da VPFAP2 __________________________________ 118 Figura 4.41 – Padrão de fissuração da VPFAP3 __________________________________ 118 Figura 4.42 – Camadas de concreto do conjunto VPFREF após a ruptura ______________ 122 Figura 4.43 – Camadas de concreto do conjunto VPFAP1 após a ruptura ______________ 122 Figura 4.44 – Camadas de concreto do conjunto VPFAP2 após a ruptura ______________ 122 Figura 4.45 – Camadas de concreto do conjunto VPFAP3 após a ruptura ______________ 123 Figura 4.46 – Estimativas normativas e cargas experimentais de ruptura por torção dos conjuntos ________________________________________________________________ 126 xx LISTA DE TABELAS Tabela 2.1 – Tipos de concreto premoldado (EL DEBS, 2000) ................................................ 8 Tabela 2.2 - Resultados experimentais (SILVA FILHO, 2004) .............................................. 37 Tabela 2.3 - Valores dos momentos torçores últimos (SILVA FILHO, 2004) ........................ 38 Tabela 2.4 – Características das vigas ensaiadas por LAGO et al. (2007) .............................. 40 Tabela 2.5 – Comparação dos resultados estimados com os observados por LAGO et al. (2007) ....................................................................................................................................... 43 Tabela 2.6 – Cargas de ruptura observadas e estimadas (TEIXEIRA et al., 2007) ................. 49 Tabela 2.7 – Características das vigas (MELO, 2008) ............................................................. 52 Tabela 2.8 – Cargas e modos de ruptura e ruína observados (MELO, 2008) .......................... 54 Tabela 2.9 – Principais características das vigas ensaiadas (SOUZA et al., 2006) ................. 55 Tabela 2.10 – Cargas de ruptura estimadas e experimentais (SOUZA et al., 2006) ................ 59 Tabela 3.1 – Características das vigas ...................................................................................... 75 Tabela 4.1 – Resultados dos ensaios de resistência à compressão e à tração .......................... 99 Tabela 4.2 – Resultados dos ensaios de módulo de elasticidade ........................................... 100 Tabela 4.3 – Resultados dos ensaios do aço........................................................................... 101 Tabela 4.4 – Cargas últimas dos conjuntos ensaiados ........................................................... 115 Tabela 4.5 – Cargas de ruptura e resistência estimadas pela ACI 318................................... 124 Tabela 4.6 – Cargas de ruptura e resistência estimadas pelo CEB-FIP MC90 ...................... 124 Tabela 4.7 – Cargas de ruptura e resistência estimadas pela NBR 6118 (ABNT, 2003) ....... 125 Tabela A.1.1 – Leitura para os deflectômetros na viga VMREF ........................................... 132 Tabela A.1.2 – Leitura para os deflectômetros na viga VMAP1 ........................................... 133 Tabela A.1.3 – Leitura para os deflectômetros na viga VMAP2 ........................................... 134 Tabela A.1.4 – Leitura para os deflectômetros na viga VMAP3 ........................................... 135 Tabela A.1.5 – Leitura para os deflectômetros na viga VPFREF .......................................... 136 Tabela A.1.6 – Leitura para os deflectômetros na viga VPFAP1 .......................................... 137 Tabela A.1.7 – Leitura para os deflectômetros na viga VPFAP2 .......................................... 138 xxi Tabela A.1.8 – Leitura para os deflectômetros na viga VPFAP3 .......................................... 139 Tabela A.2.1 – Leitura dos extensômetros da superfície inferior dos conjuntos ensaiados ... 140 Tabela A.2.2 – Leitura dos extensômetros da superfície superior dos conjuntos ensaiados.. 141 Tabela A.3.1 – Leitura dos extensômetros da armadura de flexão da viga bi-engastada ...... 142 Tabela A.3.2 – Leitura dos extensômetros da armadura de flexão da viga em balanço ........ 143 Tabela A.3.3 – Leitura dos extensômetros dos ganchos de ancoragem da ligação viga-viga 144 Tabela A.4.1 – Leitura dos extensômetros da armadura de cisalhamento esquerda da viga biengastada ................................................................................................................................ 145 Tabela A.4.2 – Leitura dos extensômetros da armadura de cisalhamento direita da viga biengastada ................................................................................................................................ 146 Tabela A.4.3 – Leitura dos extensômetros da armadura de cisalhamento da viga em balanço ................................................................................................................................................ 147 Tabela A.4.4 – Média das leituras dos extensômetros das armaduras de cisalhamento esquerda e direita das vigas bi-engastadas ............................................................................................ 148 Tabela A.5.1 – Leituras das armaduras de ancoragem das vigas VMAP1 e VPFAP1 .......... 149 Tabela A.5.2 – Leituras das armaduras de pele das vigas VMAP2 e VPFAP2 ..................... 150 Tabela A.5.3 – Leituras das armaduras de pele das vigas VMAP3 e VPFAP3 ..................... 151 Tabela A.6.1 – Ângulos de torção analisados a partir do deflectômetro D1.......................... 152 Tabela A.6.2 – Ângulos de torção analisados a partir do deflectômetro D2.......................... 153 Tabela A.6.3 – Ângulos de torção analisados a partir do deflectômetro D3.......................... 154 Tabela A.6.4 – Ângulos de torção analisados a partir do deflectômetro D4.......................... 155 xxii 1 1.1 INTRODUÇÃO Considerações Gerais A indústria da construção civil é um dos setores que mais contribui para a degradação do meio ambiente, sendo que nos últimos anos diversas organizações ambientalistas intensificaram os esforços no combate a esta degradação. Tal fato justifica-se devido a construção civil consumir de forma pouco otimizada recursos naturais não renováveis e apresentar baixa produtividade, controle de qualidade insatisfatório e, sobretudo, grande desperdício de materiais, sendo considerada atrasada comparando-se com outros ramos industriais. Dentre as várias ações tomadas para melhorar a produtividade da construção civil, tem sido difundido em todo o país o uso de premoldados ou prefabricados, entretanto, como estes elementos são normalmente fabricados em locais distantes do canteiro de obra e moldados com seção completa, são necessários equipamentos especiais para o transporte e montagem das peças, além de mão-de-obra especializada e qualificada, o que em determinados casos encarece e inviabiliza a sua utilização. Com a finalidade de reduzir os custos com transporte e montagem, desenvolveu-se recentemente na cidade de Belém-PA um sistema inovador derivado do sistema premoldado. Denominado de sistema de elementos preformados, este consiste no emprego de placas delgadas moldadas em concreto armado com as dimensões do elemento estrutural (vigas, pilares, etc.), que são transportadas para serem finalizadas no canteiro de obra com o preenchimento do núcleo do elemento, sendo utilizados como fôrmas permanentes na estrutura. MELO (2006) afirma que este sistema gera, além das vantagens conhecidas do sistema premoldado (uso racional dos materiais, economia das fôrmas de madeira e de mãode-obra, maior qualidade na execução devido ao melhor nivelamento, prumo e acabamento das peças, maior velocidade de execução, etc.) grande economia das etapas de transporte e montagem dos elementos, devido ao seu menor peso próprio, pois recebem o núcleo de concreto somente após a montagem no canteiro de obra. A figura 1.1 mostra uma comparação do sistema construtivo convencional e o sistema construtivo preformado em relação à redução no consumo de madeira de fôrmas e escoras. 1 Figura 1.1 – Comparação entre os sistemas estruturais convencional e preformado (MELO, 2006) Quando as placas delgadas de concreto premoldado saem da fábrica, parte das armaduras de flexão e das armaduras de cisalhamento estão inseridas nas placas, apresentando função estrutural, podendo ser considerada no dimensionamento da estrutura. O restante das armaduras é posicionado após a montagem das placas no canteiro de obra e isto proporciona aos elementos preformados grande vantagem em relação aos elementos premoldados de seção cheia, pois permite a ligação de forma simples e eficiente entre os elementos permitindo, por exemplo, o dimensionamento de vigas contínuas, fato que melhora o comportamento estrutural e gera economia de materiais. 1.2 Justificativa A difusão e a utilização do sistema estrutural preformado requer estudos buscando o aperfeiçoamento do mesmo em relação à otimização das estruturas de concreto armado, bem como à ancoragem na ligação viga-viga, uma vez que em pesquisas anteriores verificou-se que a ruptura precoce é observada na ligação entre estes elementos. Devido ao fato das placas premoldadas possuem uma dupla função, pois servem como molde ao mesmo tempo em que são parte integrante e resistente do elemento, e também contribuem na capacidade resistente do elemento ao ser solicitado, optou-se por submetê-las a ensaios de torção, sendo que nesta condição apenas uma camada periférica participa do mecanismo resistente, sendo o núcleo pouco solicitado e, assim, as preformas serão mais solicitadas. Segundo TEIXEIRA et al. (2007), este raciocínio governa os métodos de dimensionamento de vigas de concreto armado, recomendados pelas normas nacionais e internacionais, levando em consideração que a espessura das placas tenha influência potencializada no combate às 2 tensões tangenciais atuantes, apesar de haver uma descontinuidade das placas na região superior da viga. Portanto, faz-se necessário o estudo do comportamento de vigas de concreto armado preformadas com a contribuição da armadura de pele a fim de verificar sua resistência na ligação viga-viga, devido à fragilidade neste tipo de análise é ainda na ligação entre estes elementos estruturais. Tal fato se observou no trabalho de TEIXEIRA et al. (2007), ao analisar esta ligação, onde o autor ressalta que ocorreu a ruptura precoce na região de ligação por falha nas ancoragens. Neste trabalho foi analisada a contribuição de três configurações diferentes de armadura de pele na viga bi-engastada, sendo uma camada formada por apenas uma barra longitudinal, uma camada formada por duas barras longitudinais e duas camadas formadas por quatro barras longitudinais, com a finalidade de identificar a disposição das armaduras de pele a fim de obter melhor desempenho no combate aos esforços de torção na viga bi-engastada dos conjuntos, também motivou esta pesquisa. 1.3 Objetivos Dentre os principais objetivos pode-se destacar: • Contribuir para o estudo experimental do comportamento de vigas preformadas de concreto armado solicitadas ao cisalhamento proveniente do esforço de torção oferecido pelas armaduras de cisalhamento e da ancoragem da ligação viga-viga de borda. • Verificar e quantificar experimentalmente a resistência ao esforço de torção em ligações de vigas e o desempenho da ancoragem da ligação entre os elementos e da armadura de pele no combate às tensões de cisalhamento. • Discutir os resultados obtidos nos experimentos realizados e compará-los com os resultados estimados através das recomendações da ACI 318:2008 (American Concrete Institute, 2008), CEB-FIP Model Code MC 1990 (Comitê Euro- Internacional du Beton, 1993), e NBR 6118:2003 (Associação Brasileira de Normas Técnicas, 2003) e com os resultados obtidos em outras pesquisas. 3 1.4 Estrutura do Trabalho Esta dissertação está dividida em cinco capítulos, apresentando-se a seguir o conteúdo especificado de cada um deles. O segundo capítulo consiste em uma revisão bibliográfica sobre o dimensionamento de vigas de concreto armado à torção, flexão e cisalhamento de modo a obter informações disponíveis nas recomendações normativas para estimativa da carga de ruptura para os esforços atuantes nas vigas, abordando também um breve histórico sobre o sistema preformado, procedimentos de cálculo para a estimativa da carga resistente das vigas ao esforço de cisalhamento, torção e ancoragem das vigas, a partir de diversas fontes literárias nacionais e internacionais. Serão também apresentadas algumas pesquisas realizadas relacionadas à análise experimental de vigas submetidas a ensaios de torção. O terceiro capítulo apresenta o programa experimental utilizado durante o projeto de pesquisa, que consiste no sistema de ensaio de oito conjuntos (sendo quatro convencionais e quatro preformados) de vigas, além de mostrar os equipamentos utilizados nos ensaios, dispositivos de aplicação das cargas e a instrumentação dos materiais monitorados. O quarto capítulo mostra os resultados experimentais comparando os valores das cargas de ruptura com as estimativas obtidas através de normas técnicas. Também são apresentados os resultados dos ensaios para caracterização do aço e do concreto utilizado na confecção dos espécimes. No quinto capítulo são apresentadas as conclusões desta pesquisa assim como sugestões para trabalhos futuros. Por último são apresentadas as referências bibliográficas utilizadas no trabalho e em anexo são apresentadas as tabelas com os valores verificados nos ensaios dos deslocamentos das vigas e das deformações do aço e do concreto. 4 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA Neste capítulo serão apresentados alguns trabalhos realizados sobre elementos estruturais premoldados, comparando-se posteriormente com alguns trabalhos realizados sobre elementos estruturais preformados, que serão úteis nesta pesquisa. Também são apresentadas as prescrições normativas adotadas para o dimensionamento à torção, flexão e ao cisalhamento assim como um estudo sobre ancoragem de vigas, sendo enfatizadas 3 (três) normas, sendo 2 internacionais; o ACI 318, American Bulding Code Requeriments for Estructural Concrete (ACI318:2008), e o CEB-FIP Model Code 1990 (CEB_FIP, 1993), e 1(uma) nacional, a NBR6118:2003, Projeto de Estruturas de Concreto (ABNT, 2003). 2.1 ELEMENTOS PREMOLDADOS E PREFABRICADOS De acordo com MELO (apud ORDÓÑEZ, 2000), a partir de 1990 iniciou-se um processo de modernização na construção civil brasileira, com a necessidade de incorporar ao processo construtivo um caráter mais industrial, com maior previsibilidade de custos, prazo e controle de qualidade. A premoldagem pode ser caracterizada como um processo de construção em que a obra, ou parte dela, é moldada fora do seu local definitivo (MELO, 2008). Frequentemente, a premoldagem é relacionada a outros dois termos: a prefabricação e a industrialização da construção, no entanto, de acordo com ORDÓÑEZ (apud EL DEBS, 2000) a industrialização da construção pode ser entendida como o emprego racional e mecanizado de materiais, transportes e técnicas construtivas para se conseguir uma maior produtividade (maior produção em um menor espaço de tempo). Segundo TEIXEIRA et al. (2007), a prefabricação e a premoldagem são conceitos distintos, ainda que relacionados entre si. De uma forma geral, pode-se dizer que a pré-moldagem aplicada à produção em grande escala resulta na prefabricação, que por sua vez, é uma forma de buscar a industrialização da construção. A NBR 9062 (ABNT, 1985) faz distinção entre elemento premoldado e o elemento prefabricado, diferente da apresentada pelos autores citados, sendo que a diferença é feita com base no controle de qualidade da execução do elemento. Conforme esta norma, o elemento prefabricado é aquele executado industrialmente, mesmo em instalações temporárias em canteiro de obra, sob condições de controle rigoroso de qualidade. Já o elemento premoldado 5 segundo a mesma norma é aquele executado fora do local de utilização definitiva da estrutura, com controle de qualidade menos rigoroso que o do elemento prefabricado. Em relação a este trabalho, a partir das afirmações citadas, o sistema preformado é classificado como um sistema de premoldados. 2.2 Vantagens e Desvantagens do Sistema Premoldado As características que favorecem a utilização da premoldagem segundo EL DEBS (2000) são aquelas relacionadas à execução da parte da estrutura fora do local de utilização definitiva, como conseqüência das facilidades de produção dos elementos e da eliminação dos cimbramentos. As vantagens do concreto premoldado, além da redução significativa do cimbramento, seriam facilidades de execução da fôrma, da armação e da moldagem no nível do solo. No caso de produção em escalas maiores (em fábricas), as vantagens no que se refere às facilidades de execução são mais significativas. De acordo com EL DEBS (2000) essas vantagens seriam a reutilização de fôrmas, emprego com armadura pré-tracionada (sistema de protensão), emprego de seções com maior aproveitamento de materiais, maior produtividade da mão-de-obra e maior controle de qualidade. As características que desfavorecem a processo da premoldagem, segundo TEIXEIRA (apud EL DEBS, 2000), são aquelas decorrentes da colocação dos elementos nos locais definitivos de utilização e da necessidade de prover a ligação (podendo ocorrer problemas de ancoragem) entre os vários elementos que compõem a estrutura. EL DEBS (2000) explica que as desvantagens decorrentes da colocação nos locais definitivos de utilização estariam relacionados aos custos e as limitações de transporte (lugares de difícil acesso), e da montagem dos elementos (disponibilidade e condições de acesso dos equipamentos). Um dos fatores que tem limitado a utilização de estruturas pré-moldadas a grandes empreendimentos, segundo MELO (2008) e SILVA FILHO et al. (2006), é o elevado peso próprio dos elementos estruturais premoldados de seção completa, pois requer o uso de equipamentos especiais tanto para o transporte como para a montagem da estrutura, o que inviabiliza a padronização desta, o grande número de elementos, o elevado investimento em 6 equipamentos e principalmente o menor tempo de construção. As figuras 2.1 e 2.2 mostram exemplos de equipamentos e montagem de estruturas premoldadas de concreto armado. Figura 2.1 – Equipamentos de montagem de premoldados (SILVA FILHO et al., 2006) Figura 2.2 – Montagem e transporte de estruturas premoldadas (SILVA FILHO et al., 2006) 2.2.1 Tipos de Elementos Estruturais Premoldados Os elementos premoldados podem ser classificados de diversas formas, de acordo com TEIXEIRA (apud EL DEBS, 2000), quanto à seção transversal, ao processo de execução e quanto a sua função estrutural. A tabela 2.1 mostra uma classificação no que se refere à concepção, em nível geral, do concreto premoldado. 7 Tabela 2.1 – Tipos de concreto premoldado (EL DEBS, 2000) Tipos de concreto premoldado Quanto ao local de produção dos elementos Premoldado de fábrica Premoldado de canteiro Quanto à incorporação de material para Premoldado de seção Premoldado de seção ampliar a seção resistente no local de utilização completa parcial Quanto à categoria do peso dos elementos Premoldado “pesado” Premoldado “leve” Quanto ao papel desempenhado pela aparência Premoldado normal Premoldado arquitetônico EL DEBS, (2000) explica minuciosamente estes tipos de concreto premoldado. • O Premoldado de Fábrica é aquele executado em instalações permanentes distantes da obra. A capacidade de produção de fábrica e a produtividade do processo, que dependem principalmente dos investimentos em fôrmas e equipamentos, podem ser pequenas ou grandes, com tendência maior no investimento dos equipamentos. Neste caso, é importante considerar a questão relevante do transporte da fábrica até a obra, tanto no que se refere ao custo dessa atividade como no que diz respeito à obediência aos gabaritos de transportes e às facilidades do mesmo. • O Premoldado de Canteiro é executado em instalações temporárias nas proximidades da obra. Estas instalações de pré-moldagem podem ser menos sofisticadas, dependendo da produção e da produtividade de que se deseja. Este tipo de pré-moldado está propenso a apresentar baixa capacidade de produção e, consequentemente, menor ritmo de construção. Para este tipo de pré-moldado não se tem o transporte de longa distância e com isso as facilidades de transporte e a obediência a gabaritos de transporte não são condicionadas para o seu emprego, ao contrário do pré-moldado de fábrica. Além disso, esse tipo de elemento não está sujeito a impostos referentes à produção industrial e a circulação de mercadorias. • O premoldado de seção parcial é aquele inicialmente moldado apenas com parte da seção resistente final, que é posteriormente completada na posição de utilização definitiva com concreto moldado no local. Segundo EL DEBS (2000), o elemento premoldado de seção parcial propicia maior facilidade na realização das ligações, além da concretagem no local oferecer maior monolitismo à estrutura. 8 • O elemento premoldado “pesado”, de modo geral, pode-se afirmar que é aquele o qual se necessita de equipamentos especiais para o transporte e montagem enquanto o premoldado “leve”, é aquele que não necessita de equipamentos especiais par o seu transporte e montagem, ...podendo-se improvisar os equipamentos ou até mesmo atingir situação em que a montagem possa ser manual. Um exemplo deste tipo de premoldado, são as vigotas premoldadas que podem ser transportadas de forma manual. Quanto ao papel desempenhado pela aparência, de acordo com EL DEBS (2000), os elementos premoldados podem ser classificados em normal ou arquitetônico. O premoldado normal é aquele em que não há preocupação com a aparência do elemento estrutural, já o premoldado arquitetônico refere-se a qualquer elemento de forma espacial ou padronizada ... mediante acabamento, forma, cor ou textura contribui na forma arquitetônica.... Esses elementos podem ou não ter finalidade estrutural. 2.2.2 Ligações entre Elementos Premoldados De acordo com TEIXEIRA (2007), as ligações entre os elementos premoldados se constituem em uma das maiores dificuldades para o seu emprego. Normalmente, ligações mais simples ou mal feitas acarretam estruturas mais pobres em relação a estabilidade, enquanto as ligações que proporcionam mais monolitismo à estrutura são, em geral, mais trabalhosas e caras. Entretanto, esse aspecto não deve ser considerado como restrição ao uso da técnica da prémoldagem, mas sim o preço que se paga a fim de ter estruturas mais fáceis de serem executadas. Afirma, ainda, que com o emprego da premoldagem, pode-se prever o desmonte da construção, sendo este aspecto muito importante, pois viria a reduzir ou até mesmo eliminar, uma das desvantagens das estruturas de concreto que é a dificuldade do desmonte e de reciclagem do material. As estruturas de concreto premoldado se caracterizam por apresentar facilidade na sua execução, contudo, a necessidade da realização de ligações entre os elementos premoldados constitui-se em um dos principais problemas a serem enfrentados no emprego de tal sistema. De acordo com EL DEBS (2000), as ligações são as partes mais importantes no projeto das estruturas de concreto premoldado, pois uma ligação mal feita pode ocasionar efeitos nocivos à estrutura. As ligações são de extrema importância tanto para a produção, execução de parte dos elementos às ligações, montagem da estrutura propriamente ditas, como para o 9 comportamento da estrutura montada, mostrando que não basta o cálculo estrutural, pois um erro na hora da execução pode ocasionar a ruína da estrutura. Segundo TEIXEIRA et al. (2007), as ligações mais simples acarretam em estruturas mais solicitadas aos momentos fletores, contudo estas que tendem a reproduzir o comportamento das estruturas de concreto moldado no local, por meio de transmissão de momentos fletores entre os elementos, requerem mais trabalho na sua execução, reduzindo em parte as vantagens do processo de execução dos elementos premoldados, mas não atingindo-as substancialmente. As dificuldades da execução são devidas as necessidades de se fazer a ligação tanto do concreto como do aço, pelo fato do concreto ser um material composto, de ter de acomodar as tolerâncias que intervém nas várias fases e, ainda pelo fato de o concreto ser um material frágil., conforme TEIXEIRA (2007) (apud EL DEBS, 2000). ORDÓÑEZ (2000) cita que existem inúmeras formas de classificação de ligações e várias denominações que, a seguir, são apresentadas. a) Quanto ao tipo de vinculação: • Ligação Articulada – Não transmite momento fletor; • Ligação Rígida – Transmite momento fletor; • Ligação Semi-Rígida – Transmite parcialmente o momento fletor. b) Quanto ao emprego de argamassa no local: • Ligação Seca • Ligação Úmida c) Quanto ao esforço principal transmitido: • Ligação solicitada por compressão; • Ligação solicitada por tração; • Ligação solicitada por cisalhamento; • Ligação solicitada por momento fletor; • Ligação solicitada por momento torçor. 10 d) Quanto à colocação de material de amortecimento: • Ligação dura – Ligação com solda ou concreto moldado no local; • Ligação macia – Com a intercalação de material de amortecimento. Segundo EL DEBS (2000), nas ligações entre elementos premoldados pode-se recorrer a uma variedade de recursos que possam propiciar uma ligação de confiabilidade, sendo as principais apresentadas a seguir: a) Armadura saliente e concreto moldado no local: Este caso consiste em deixar parte das armaduras dos elementos salientes e após a montagem, executa-se a concretagem da ligação, como mostrado na figura 2.3. Este tipo de recurso tem como característica principal a necessidade de aguardar o endurecimento do concreto para a efetivação da ligação. Figura 2.3 – Armadura saliente e concreto moldado no local (TEIXEIRA, apud EL DEBS, 2000) b) Conformação por encaixes, recortes e chaves: Em diversas situações recorrem-se à conformação das extremidades dos elementos, tendo em vista disfarçar a ligação (figura 2.4a.), impedir deslocamentos reativos (figura 2.4b.), proporcionar o engastamento à torção, a fase de montagem (figura 2.4c.) 11 Figura 2.4 – Recortes, chaves e encaixes (TEIXEIRA, apud EL DEBS, 2000) 2.3 ELEMENTOS PREFORMADOS De acordo com MELO (2008), os elementos preformados de concreto armado estão inseridos no conjunto dos elementos premoldados de seção parcial, mas possuem uma particularidade: a seção premoldada tem a forma externa do elemento estrutural e serve de molde para o concreto lançado na obra. O sistema preformado surgiu com o objetivo principal de minimizar o custo com o transporte e montagem, principal desvantagem dos sistemas estruturais com elementos pré-moldados de seção completa. MELO (2008) em sua dissertação de mestrado mostra que este sistema consiste basicamente na moldagem de placas delgadas de concreto armado com as dimensões do elemento estrutural e espessura suficiente apenas para garantir o cobrimento da armadura incorporada à placa, como estribos e armadura de flexão, respeitando-se as recomendações da NBR 9062 (ABNT, 2001). Estes moldes são então transportados e montados no canteiro, onde recebem o concreto para completar sua seção resistente, caracterizando-se como um sistema prémoldado de seção parcial. As figuras 2.5, 2.6 e 2.7 mostram o esquema de fabricação, detalhes da produção e armazenagem, transporte e montagem, respectivamente, de uma estrutura com elementos preformados, fabricados pela empresa Saenge Ltda., sediada em Belém. 12 Figura 2.5 – Esquema de fabricação de elementos preformados (MELO, 2008) Figura 2.6 – Fabricação de elementos preformados (MELO, 2008) Figura 2.7 – Armazenagem, transporte e montagem de elementos preformados (MELO, 2008) 13 MELO (2008) afirma ainda que uma das vantagens do concreto preformado em relação ao concreto premoldado de seção completa é a redução do seu peso próprio das peças estruturais. Para que se possa avaliar o nível de redução do peso próprio dos elementos preformados em comparação aos premoldados de seção completa, pode-se considerar uma seção de concreto de 150 mm x 600 mm, muito comum para vigas de edifícios. Se executada com seção completa, esta viga apresentaria um peso de 2250 N/m. Já com o sistema preformado, a placa de fôrma desta viga teria uma espessura lateral de 35 mm e o fundo ficaria com 50 mm, o que resultaria num peso de 1100 N/m, o que significa uma redução de aproximadamente 50 % no peso próprio do elemento, durante a montagem. Outra vantagem mencionada sobre os elementos preformados é a possibilidade de se obter ligações monolíticas, pois permite colocar, durante a montagem da estrutura, armadura longitudinal, tanto na parte superior como na parte inferior das vigas, nas ligações entre vigas ou ligações entre viga e pilar. Assim, a armadura de ligação é envolvida pelo concreto moldado no local para, conjuntamente com a seção final de concreto, resistir a esforços atuantes na seção. Ainda como vantagem, o sistema preformado pode ser fabricado manualmente, sem a necessidade de equipamentos sofisticados que além de apresentarem custo elevado, substituem grande número de trabalhadores. MELO (2008) enfatiza também que os elementos estruturais preformados possuem algumas desvantagens em relação aos elementos premoldados de seção completa. Por serem compostos de concretos com idades diferentes, os mesmos podem apresentar propriedades mecânicas diferentes, além da possível redução da resistência devido à transferência incompleta dos esforços através da interface entre os concretos. Neste trabalho será tratada a ligação entre o concreto premoldado com o concreto moldado no local, bem como as suas interações sob a ação de esforços atuantes. As figuras 2.8 e 2.9 mostram detalhes de ligações entre elementos preformados, enquanto as figuras 2.10 e 2.11 mostram estruturas executadas com elementos preformados. As obras mostradas nas figuras 2.8 a 2.14 foram realizadas pela empresa Saenge Ltda., e sendo divulgadas com autorização da empresa e por MELO (2008). 14 Figura 2.8 – Ligações de vigas preformadas com o pilar (MELO, 2008) Figura 2.9 – Ligações entre vigas preformadas, durante a montagem e após a desfôrma (MELO, 2008) 15 Figura 2.10 – Estrutura preformada de um centro comunitário em Belém-PA (MELO, 2008) Figura 2.11 – Estrutura preformada de uma escola em Belém-PA (MELO, 2008) Figura 2.12 – Poço de visita em elementos preformados (MELO, 2008) 16 Figura 2.13 – Arrimo em elementos preformados em Benevides – PA (MELO, 2008) Figura 2.14 – Muro do parque ambiental de Belém em elementos preformados (MELO, 2008) 2.4 TORÇÃO EM VIGAS DE CONCRETO ARMADO Para este tipo de elemento, o princípio norteador dos métodos de dimensionamento à torção é a concepção de uma viga maciça de concreto armado como uma de seção vazada com paredes de pequena espessura. De acordo com LEONHARDT et al., (1977), quando o concreto encontra-se em estado fissurado na zona de tração apenas uma camada periférica é efetiva na torção, podendo-se assim esperar que uma peça de concreto armado de seção retangular atue como seções vazadas com paredes pouco espessas. De acordo com LEONHARDT & MÖNNIG (1982), a torção simples, torção uniforme ou torção pura (não atuação simultânea de momentos e esforços cortantes) raramente ocorre na prática. Geralmente a torção ocorre combinada com momento fletor e força cortante, mesmo que esses esforços sejam causados apenas pelo peso próprio do elemento estrutural. De modo aproximado, os princípios de dimensionamento à torção são aplicados às vigas com atuação simultânea de momento fletor e força cortante. 17 Nas estruturas de concreto, a ligação monolítica entre vigas e lajes e entre vigas com vigas de apoio origina momentos de torção, que podem ser desprezados por não serem essenciais ao equilíbrio dos elementos. Entretanto, no caso da denominada “torção de equilíbrio”, a consideração dos momentos fletores é imprescindível para garantir o equilíbrio do elemento (BASTOS, 2004). PINHEIRO (2003) afirma que em decorrência de numerosos estudos experimentais iniciados desde o século passado, as vigas são dimensionadas simplificadamente à torção considerandose a seção vazada (oca) com parede fina, segundo as equações clássicas da Resistência dos Materiais formuladas por BREDT. Em semelhança ao dimensionamento das vigas ao esforço cortante, é feita também a analogia com uma treliça, sendo espacial e denominada de Analogia da Treliça Espacial Generalizada, com ângulo θ de inclinação das diagonais comprimidas variável, sendo o modelo atualmente mais aceito internacionalmente. O princípio desta analogia é a de que as tensões de compressão são absorvidas pelo concreto e as tensões de tração pelo aço, na forma de duas diferentes armaduras, uma longitudinal e outra transversal (estribos). 2.4.1 CASOS COMUNS DE TORÇÃO Um caso comum de torção nas vigas ocorre quando existe uma distância entre a linha de ação de carga e o eixo longitudinal da viga, como mostrado nas figuras 2.15 e 2.16. Na figura 2.15 a viga AB, estando obrigatoriamente engastada na extremidade B da viga BC, aplica nesta um momento de torção, considerado no equilíbrio da viga BC. Na viga mostrada na figura 2.16 a torção existirá se as cargas F1 e F2 forem diferentes. Tal situação pode ocorrer durante a fase de construção ou mesmo quando atuarem carregamentos permanentes e variáveis, se estes forem diferentes nas estruturas que se apóiam na viga premoldada. Figura 2.15 – Viga em balanço com carregamento excêntrico (BASTOS, 2004) 18 Figura 2.16 – Viga premoldada para apoio de estrutura de piso ou cobertura (BASTOS, 2004) O caso mais exemplar de torção ocorra em lajes em balanço, engastadas em vigas de apoio, como por exemplo, lajes (marquises) para proteção de porta de entrada de barracões, lojas, galpões, etc. sendo que o fato da laje em balanço não ter continuidade com outras lajes internas à construção faz com que a laje deva estar obrigatoriamente engastada na viga de apoio, de modo que a flexão na laje passa a ser torção na viga e a torção na viga torna-se flexão no pilar, devendo ser considerada no seu dimensionamento. A figura 2.17 mostra um exemplo de torção em vigas a partir da flexão da laje. Figura 2.17 – Viga contínua sob torção por efeito da laje em balanço (BASTOS, 2004) 2.4.2 TORÇÃO DE EQUILÍBRIO E DE COMPATIBILIDADE BASTOS (2004) explica que a torção nas estruturas pode ser dividida em duas categorias: torção de equilíbrio e torção de compatibilidade. Na torção de equilíbrio, o momento de torção deve ser obrigatoriamente considerado, pois ele é necessário para o equilíbrio da estrutura. Este tipo de torção ocorre comumente nos sistemas estruturais, como por exemplo, o mostrado na figura 2.18, com uma laje engastada na viga de borda. Ao tentar girar a laje 19 aplica um momento de torção (mT) na viga, que tende a girar também, sendo impedida pela rigidez à flexão dos pilares. Surgem então momentos torçores solicitantes na viga e momentos fletores nos pilares. Quando a rigidez à torção da viga é pequena comparada à sua rigidez à flexão, a viga fissura e gira, permitindo o giro da laje também. Ocorre então uma compatibilização entre as deformações da viga e da laje, e como conseqüência os momentos torçores na viga diminuem bastante, podendo ser desprezados. A figura 2.19 mostra alguns exemplos destas situações em vigas de concreto armado. Figura 2.18 – Torção em viga devido ao engastamento da laje em balanço (BASTOS, 2004) Figura 2.19 – Exemplos de torção de equilíbrio e de compatibilidade (FUSCO, 2008) 2.4.3 TORÇÃO SIMPLES (TORÇÃO DE SAINT-VENANT) Numa barra de seção circular, como indicada na figura 2.20 submetida a momento de torção, com empenamento permitido (torção livre), surgem tensões principais inclinadas de 45º e 135º com o eixo longitudinal da seção. As trajetórias das tensões principais desenvolvem-se segundo uma curvatura helicoidal, em torno da barra e a trajetória das tensões principais de 20 tração ocorre na direção da rotação e a compressão na direção contrária, ao longo de todo o perímetro da seção. A figura 2.21 mostra um aspecto patológico de esforço de torção em uma viga de concreto armado onde verifica-se as fissuras em forma helicoidal que se propaga ao longo do elemento com certa inclinação variável em cada face da viga. Considerando-se um estado de tensão segundo a direção dos eixos longitudinal e transversal da seção, o momento torçor provoca o surgimento de tensões de cisalhamento em planos perpendiculares ao eixo do elemento estrutural e em planos longitudinais, simultaneamente, como mostra as figuras 2.22 e 2.23. Figura 2.20 – Trajetória das tensões principais numa seção circular (LEONHARDT & MÜNNIG, 1977) Figura 2.21 – Fissuração devido à torção (SALOM, 2004) Durante a torção, haverá rotação de uma extremidade da barra em relação à outra em torno do eixo longitudinal. Considerando a extremidade esquerda fixa, a da direita gira em um ângulo φ, provocando uma distorção longitudinal ao longo do elemento. A taxa de variação do ângulo de torção por unidade de comprimento do elemento estrutural é constante sendo denominado, por convenção e simplificação, de θ, ou seja, θ = φ L . Para estabelecer uma relação entre o torque aplicado e o ângulo de torção, a resultante das tensões de cisalhamento deve ser equivalente ao torque total. A equação 2.1 mostra o ângulo total de torção, verificando-se que 21 o ângulo de torção por unidade de comprimento é diretamente proporcional ao torque aplicado e inversamente proporcional ao produto G ⋅ J , conhecido como módulo de rigidez à torção do eixo, sendo esta equação bastante utilizada para comprovar experimentalmente a teoria, podendo-se medir o ângulo de torção provocado por determinado torque e, determinar o valor do módulo de elasticidade transversal G. ∅= ∙ ∙ (2.1) Figura 2.22 – Tensões devidas à torção: a) tensões de cisalhamento b) tensões principais de tração e compressão c) trajetória helicoidal das fissuras (MACGREGOR, 1997) Figura 2.23 – Tensões de cisalhamento e tensões principais na seção circular (LEONHARDT et al., 1977) Segundo BASTOS (2004), por questão de simplicidade, as vigas de concreto armado sob momento de torção são dimensionadas como se fossem ocas e de parede fina. Ao desprezar a parte correspondente à área interna da seção o erro cometido não é significativo e nem 22 antieconômico, porque a espessura da casca ou parede é determinada de forma que represente uma seção com grande percentual de resistência ao momento de torção, sendo que este procedimento resulta num acréscimo de segurança que não é excessivo, sendo, portanto, pouco antieconômico. 2.4.4 COMPORTAMENTO DE VIGAS DE CONCRETO ARMADO SOLICITADAS À TORÇÃO SIMPLES LEONHARDT & MÖNNIG (1982) descrevem os resultados de ensaios realizados por MÖRSCH entre 1904 e 1921. Foram estudados cilindros ocos à torção simples, sem armadura, com armadura longitudinal, com armadura transversal, com ambas as armaduras e com armadura em forma de hélice, como mostrado na figura 2.24. Os ensaios confirmaram que nas seções de concreto armado as tensões principais de tração e de compressão são inclinadas a 45º e com traçado helicoidal. Após o surgimento das fissuras de torção que se desenvolvem em forma de hélice, apenas uma casca externa e com pequena espessura colabora na resistência da seção à torção, ficando evidenciadas em ensaios de seções ocas ou cheias com armaduras idênticas, que apresentaram as mesmas deformações e tensões nas armaduras. Figura 2.24 – Seções estudadas por MÖRSCH (LEONHARDT & MÖNNIG, 1982) Os ensaios demonstraram que: na seção oca sem armadura as fissuras são inclinadas a 45º e em forma de hélice; com somente uma armadura, seja longitudinal ou transversal, o aumento de resistência é muito pequeno e desprezível; com duas armaduras a resistência aumentou e, 23 com armadura helicoidal, segundo a trajetória das tensões principais de tração, o aumento de resistência foi muito efetivo. Ainda, segundo BASTOS (2004), fissuras inclinadas podem se desenvolver quando a tensão principal de tração alcança a resistência do concreto à tração, levando uma viga não armada à ruptura. Se a viga for armada com barras longitudinais e estribos fechados transversais, a viga pode resistir a um aumento de carga após a fissuração inicial. De acordo com SILVA FILHO (apud SANCHEZ, 2007) as vigas de concreto armado solicitadas à torção apresentam três estágios distintos de comportamento em função da magnitude da solicitação. 1º Estágio – Nível de solicitação baixo; • Para um torçor de pequena magnitude a fissuração é praticamente inexistente; • A seção transversal é considerada de forma integral; • Os princípios utilizados para análise de peças de materiais isotrópicos, homogêneos e elástico lineares são aplicados. 2º Estágio – Nível de Solicitação médio; • Existe dificuldade em se determinar quando ocorre o início e o término deste estágio de solicitação; • Mesmo com o aparecimento das primeiras fissuras, as teorias elásticas ainda podem ser utilizadas; • O mecanismo interno resistente da viga é modificado de modo considerável. 3º Estágio – Nível de solicitação alto; • Há o desenvolvimento de fissuração ao longo da viga; • Os modelos elásticos para análise do mecanismo interno resistente não podem ser aplicados, pois o comportamento da viga torna-se inelástico; • É necessária a elaboração de modelos sofisticados baseados na Teoria da Plasticidade. De maneira geral, quando uma viga é solicitada à torção as fissuras ocorrem para baixos valores de solicitação, dificultando o estabelecimento do início e do término de cada estágio citado anteriormente (BASTOS, 2004). 24 2.4.5 ANALOGIA DA TRELIÇA ESPACIAL PARA TORÇÃO SIMPLES A teoria baseada na analogia da seção vazada (Teoria de Bredt) com uma treliça espacial, denominada de “Treliça Generalizada” foi inicialmente elaborada por RUSCH em 1929, estando em uso por diversas normas, até os dias de hoje. Devido às trajetórias das tensões principais uma seção fissurada apresenta a configuração mostrada na figura 2.25 que mostra o modelo de uma seção cheia fissurada, sob torção simples, onde Cd é a força de compressão nas bielas e Rs,e e Rsl correspondem as forças de tração na armadura transversal (estribos) e armadura longitudinal, respectivamente. A figura 2.26 ilustra o modelo da treliça para uma inclinação das bielas de compressão. Figura 2.25 – Modelo resistente para torção simples em viga de concreto fissurada (LEONHARDT & MÖNNIG, 1982) Figura 2.26 – Treliça espacial de MÖRSCH (OLIVEIRA, 2005) 25 2.4.6 COMBINAÇÃO DE TORÇÃO, FLEXÃO E CISALHAMENTO Neste trabalho não é analisado somente os esforços de torção de maneira exclusiva, mas combinada, ou seja, os esforços solicitantes interagindo ao mesmo tempo. TEIXEIRA et al., (2007) afirmam que boa parte dos estudos de torção é relativa à torção pura, isto é, aquela decorrente da aplicação exclusiva de um momento torçor em uma viga. Tal situação, entretanto, não é usual, visto que a grande maioria das vigas torcionadas também está submetidas a esforços cortantes e momentos fletores, o que dá origem a um estado de tensões mais complexo e mais difícil de ser analisado. TEIXEIRA et al., (2007) citam que experimentalmente vem-se demonstrado que, de maneira geral, a filosofia e os princípios básicos de dimensionamento propostos para a torção simples também são adequados, com certa aproximação para solicitações compostas. Devido a este fator que o procedimento adotado para o dimensionamento a solicitações compostas é a simples superposição dos resultados obtidos para cada um dos esforços solicitantes separadamente, o que se mostra a favor da segurança. Um exemplo a ser mencionado seria a armadura de tração prevista para torção que, estando na parte comprimida pela flexão, poderia ser reduzida se fosse considerado o alívio sofrido por sua resultante (de tração) nessa região. Ainda, como em uma das faces laterais da peça as diagonais solicitadas pela torção e pelo cisalhamento são opostas, poderia ser considerado o alívio na resultante de tração no estribo, e consequentemente, reduzir-se sua área. E para a verificação da tensão na biela comprimida desta face, não é suficiente observar o comportamento das resultantes relativas à torção e ao cisalhamento separadamente, então surge a necessidade de uma nova verificação que considere a interação dessas resultantes. A figura 2.27 mostra as trajetórias das fissuras numa viga de concreto armado de seção retangular, onde as fissuras apresentam-se com trajetórias inclinadas de aproximadamente 45º com o eixo longitudinal da viga. Quando o valor do momento fletor é elevado comparativamente ao momento de torção, a zona comprimida pelo momento fletor fica isenta de fissuras, como mostra a figura 2.28. 26 Figura 2.27 – Trajetória das fissuras na viga vazada de seção retangular (BASTOS, 2004) Figura 2.28 – Modelo para vigas com altos momentos fletores (LEONHARDT & MÖNNIG, 1982) Segundo BASTOS (2004), no caso da força cortante elevada, uma face vertical deverá ficar isenta de fissuras, sendo aquela onde as tensões de cisalhamento da torção e do esforço cortante têm sentidos contrários. Nesses casos, as fissuras apresentam-se contínuas, em forma de hélice e em três das quatro faces da viga e em uma face, onde as tensões de compressão superam as de tração, não surgem fissuras, como mostrado na figura 2.29. Figura 2.29 – Modelo para vigas com altas forças cortantes (LEONHARDT & MÖNNIG, 1982) 27 2.4.7 FORMAS DE RUPTURA POR TORÇÃO De acordo com BASTOS (2004) após a fissuração, a ruptura de uma viga sob torção pura pode ocorrer de alguns modos: escoamento dos estribos, da armadura longitudinal, ou escoamento de ambas as armaduras. No caso de vigas superarmadas à torção, o concreto comprimido compreeendido entre as fissuras inclinadas pode esmagar pelo efeito das tensões principais de compressão, antes do escoamento das armaduras. Outros modos de ruptura também podem ocorrer, estando descritos a seguir. 2.4.7.1 Ruptura por tração A ruptura brusca também pode ocorrer por efeito de torção, após o surgimento das primeiras fissuras. A ruptura brusca pode ser evitada pela colocação de uma armadura mínima, para resistir às tensões de tração por torção. Segundo LEONHARDT & MÖNNIG (1982) sendo as armaduras longitudinais e transversais diferentes, a menor armadura determinará o tipo de ruptura. Uma pequena diferença nas armaduras pode, no entanto, ser compensada por uma redistribuição de esforços. Ao contrário do esforço cortante, onde a inclinação do banzo comprimido pode diminuir a tração na alma da viga, na torção essa diminuição não pode ocorrer, dado que na analogia da treliça espacial generalizada não existe banzo comprimido. 2.4.7.2 Ruptura por compressão Com armaduras colocadas longitudinalmente e transversalmente pode surgir forte empenamento das faces laterais, ocasionando tensões adicionais ao longo das bielas comprimidas, podendo ocorrer o seu esmagamento, como mostra a figura 2.30. Figura 2.30 – Empenamento da viga originando tensões adicionais de flexão (LEONHARDT & MÖNNIG, 1982) 28 2.4.7.3 Ruptura dos cantos A mudança da direção das tensões de compressão nos cantos, como mostra na figura 2.31 origina uma força que pode levar ao rompimento dos cantos da viga. Os estribos e as barras longitudinais dos cantos contribuem para evitar essa forma de ruptura. Vigas com tensões de cisalhamento da torção muito elevadas devem ter o espaçamento dos estribos limitados a 10 cm para evitar essa forma de ruptura. Figura 2.31 – Possível ruptura do canto devido à mudança de das diagonais comprimidas (LEONHARDT & MÖNNIG, 1982) 2.4.7.4 Ruptura na ancoragem Esta forma de ruptura pode ocorrer por insuficiência da ancoragem do estribo, levando ao seu “escorregamento”, e pelo deslizamento das barras longitudinais. O cuidado na ancoragem das armaduras pode evitar essa forma de ruptura. 2.4.8 PROCEDIMENTOS TEÓRICOS DE CÁLCULO Neste tópico será mostrado o modelo estático concebido para os conjuntos de vigas desta pesquisa. A figura 2.32 mostra o modelo estático para os conjuntos a serem estudados. As figuras 2.33 e 2.34 mostram os diagramas de esforços cisalhantes, momentos fletores, e de momentos torçores das vigas em balanço (VB) e da viga bi-engastada (VA), respectivamente, ressaltando-se que nesse sistema a ligação entre os elementos VA e VB foi concebida tal que 29 fosse perfeitamente rígida havendo transmissão integral do momento ∙ . Por este motivo, na concepção estática de VB considera-se o engastamento desta em VA. Figura 2.32 - Esquema estático das vigas ensaiadas (TEIXEIRA et al., 2007) Figura 2.33 .- Modelo estático da viga em balanço VB (TEIXEIRA et al., 2007) 30 Figura 2.34 - Modelo estático da viga bi-engastada VA (TEIXEIRA et al., 2007) A avaliação da capacidade resistente das vigas do experimento em questão realizada de acordo com a NBR 6118 (ABNT, 2003), bem como os procedimentos de cálculo utilizados para a aquisição dos dados teóricos, como a avaliação das cargas de ruptura inerentes aos esforços de flexão, cisalhamento e torção serão mostrados no tópico referente às prescrições normativas. 2.5 TRABALHOS REALIZADOS 2.5.1 SILVA FILHO (2004) SILVA FILHO (2004) em sua tese de doutorado apresenta um estudo teórico experimental analisando o comportamento até a ruptura, de vigas de concreto armado reforçadas externamente à torção com compósitos de fibra de carbono (CFC) ensaiando sete vigas de concreto armado com seção transversal de 200 mm x 400 mm e 4.200 mm de comprimento, 31 com taxas iguais de armadura longitudinal e transversal e concreto com mesma resistência à compressão. As vigas testadas foram divididas em três séries como mostra a figura 2.35, sendo uma viga de referência sem reforço, três vigas com reforço transversal externo e três vigas com reforço transversal e longitudinal externo. Figura 2.35 - Fluxograma das séries de vigas ensaiadas (SILVA FILHO, 2004) A armadura longitudinal de todas as vigas foi composta por 6φ12,5mm, distribuídas ao longo do perímetro da seção transversal. Para a armadura transversal utilizou-se barras de aço de φ10,0mm, sendo à disposição da armadura na viga dividida em três trechos. Na região próxima aos apoios os trechos extremos tinham armadura mais densa, com espaçamento de 7,5 cm entre cada estribo. Tal procedimento adotado para se evitar a ruptura do concreto devido à introdução da solicitação de torção nessas regiões, o que ocasiona uma concentração de tensões. Na região central o espaçamento da armadura transversal foi de 15 cm. A figura 2.36 mostra um detalhe esquemático das vigas ensaiadas. 32 Figura 2.36 - Detalhe das armaduras longitudinal e transversal das vigas ensaiadas (SILVA FILHO, 2004) As vigas com reforços transversal tinham, além de armaduras longitudinais e transversais iguais à viga de referência, estribos de tecido de fibra de carbono com 15 cm de largura espaçados a 30 cm e aplicados a duas camadas, envolvendo totalmente a viga com um transpasse de 10 cm, para que houvesse uma ancoragem eficiente do CFC. As vigas com reforço transversal e longitudinal possuíam a mesma armadura transversal e longitudional da viga de referência e foram reforçadas por meio da aplicação de CFC com 15 cm de largura e espaçados a 30 cm. O reforço longitudinal foi aplicado nos quatro cantos da viga, sendo que cada faixa de CFC tinha 15 cm de largura e 315 cm de comprimento, cobrindo 5 cm das faces superior e inferior e 10 cm nas laterais. As figuras 2.37 e 2.38 mostram os detalhes das vigas com seus respectivos reforços longitudinais e transversais. Figura 2.37 - Vigas de concreto armado com reforço transversal (SILVA FILHO, 2004) 33 Figura 2.38 - Vigas de concreto armado com reforço transversal e longitudinal (SILVA FILHO, 2004) As vigas foram instrumentadas com extensômetros elétricos de resistência (EERs) e pinos metálicos para leitura das deformações específicas nas seções selecionadas. Para o aço, cada viga teve seis extensômetros colados, sendo três na armadura longitudinal e três colados na armadura transversal. Cada viga teve 9 EERs para medir as deformações específicas no concreto e no CFC, sendo que no concreto três posições diferentes. Cada grupo de 3 EERs foram colados em uma mesma região com uma diferença de 45º de um para o outro, de modo a se obter o ângulo de inclinação da biela flexo-comprimida e no CFC os EERs foram colados sempre na direção da fibra. As figuras 2.39 a 2.41 mostram detalhadamente o esquema de instrumentação das vigas com os EERs no aço, concreto e CFC, respectivamente. A fim de possibilitar a leitura do ângulo de torção em cada estágio de carregamento ao qual a viga foi submetida, foram instalados 5 transdutores lineares em cada viga, localizados a uma distância da face lateral da viga. Figura 2.39 - Posição dos EERs na armadura transversal e longitudinal das vigas (SILVA FILHO, 2004) 34 Figura 2.40 - Instrumentação no concreto e no CFC das vigas das séries VT e VTL (SILVA FILHO, 2004) Figura 2.41 - Detalhe dos EER colados no concreto e no CFC (SILVA FILHO, 2004) Para a realização dos ensaios montou-se um aparato estrutural capaz de transferir à viga de concreto armado a solicitação de torção pura, como mostrado nas figuras 2.42 a 2.44. A estrutura foi composta por dois perfis de aço que formaram o braço de alavanca necessário para a transmissão do momento torçor à viga, quatro chapas de aço para acoplar os perfis metálicos na viga, duas chapas de aço para a transferência da força do perfil para a viga, um apoio que permitia a estrutura girar apenas em torno do seu eixo longitudinal, um macaco hidráulico para aplicação do carregamento e um parafuso de reação. 35 Figura 2.42 - Detalhe esquemático do sistema de ensaio (SILVA FILHO, 2004) Figura 2.43 - Sistema de ensaio montado (SILVA FILHO, 2004) 36 Figura 2.44 - Sistema de apoio (SILVA FILHO, 2004) Os resultados dos ensaios mostraram-se consistentes para uma avaliação teórica. A tabela 2.2 apresenta os resultados experimentais em um resumo dos momentos torçores de fissuração, de escoamento e de ruptura, com seus respectivos ângulos de torção por unidade de comprimento, mostrando também a média, o desvio padrão e o coeficiente de variação correspondente a cada série de vigas. Todas as vigas romperam por esmagamento da biela de concreto. A tabela 2.3 mostra a resistência última à torção das vigas ensaiadas por SILVA FILHO (2004), verificando-se que as vigas das séries VT e VTL tiveram resistência à torção última superior à da viga de referência. O aumento da resistência à torção foi cerca de 40%, mostrando que este tipo de reforço é efetivo. Verificou-se também que a ruptura sempre foi controlada pela biela flexo-comprimida, o que mostra que tal como nas vigas de concreto armado, a verificação da biela é uma etapa fundamental nesse tipo de análise. Tabela 2.2 - Resultados experimentais (SILVA FILHO, 2004) Tcr (kN.m) Vref 16,40 VT1 16,40 VT2 14,90 VT3 16,80 VTL1 14,90 VTL2 16,30 VTL3 16,80 Média 16,03 D.P. 1,00 Coef. Var. (%) 6,25 Média 16,00 D.P. 0,98 Coef. Var. (%) 6,16 Série VTL Série VT Série VTL Série VT VIGA θcr (°/m) 0,14 0,17 0,22 0,20 0,20 0,22 0,25 0,19 0,03 13,43 0,23 0,02 10,46 Tu Ty θ (°/m) (kN.m) y (kN.m) 20,70 1,65 22,40 27,90 1,73 31,60 22,70 1,51 29,90 24,40 1,50 35,00 24,40 1,71 28,00 24,10 1,43 32,90 28,30 2,03 31,70 25,00 1,58 32,17 2,65 0,13 2,60 10,61 8,30 8,07 25,60 1,72 30,87 2,34 0,30 2,55 9,15 17,47 8,27 θu (°/m) 2,29 2,33 2,49 3,22 2,39 3,35 2,81 2,68 0,48 17,49 2,85 0,48 16,88 37 Tabela 2.3 - Valores dos momentos torçores últimos (SILVA FILHO, 2004) VIGA Série VTL Série VT Série VTL Série VT Vref VT1 VT2 VT3 VTL1 VTL2 VTL3 Média D.P. Coef. Var. (%) Média D.P. Coef. Var. (%) Tu Tu/Tu,ref (kN.m) 22,40 31,60 1,41 29,90 1,33 35,00 1,56 28,00 1,25 32,90 1,47 31,70 1,42 32,17 1,44 2,60 0,12 8,07 30,87 1,38 2,55 0,11 8,27 2.5.2 PRIOR et al. (1993) PRIOR et al., (1993) apresentam em seu trabalho sobre sistemas construtivos em prémoldado, o sistema RPC-K System (Kabuki Construction – Toshima/Japan), que consiste em vigas premoldadas em formato de “U”, usadas como fôrmas para o concreto moldado no local, que é utilizado em todas as ligações do pavimento. Neste sistema os pilares são executados com concreto moldado no local e as ligações formam um conjunto monolítico. A figura 2.45 mostra um segmento de viga pré-moldada em formato de “U”. Figura 2.45 – Viga premoldada em formato de “U” (Melo apud PRIOR et al., 2008) O RPC-K System, assim como o sistema preformado, possibilita a adição de armadura suplementar de combate à flexão e armadura de ligação entre vigas e pilares. Parte do comprimento dos estribos e envolvida pelo concreto moldado no local, contribuindo para a 38 ligação entre vigas e lajes. Esse sistema permite a continuidade das ligações contribuindo para a ligação entre vigas e lajes, favorecendo a estabilidade global da estrutura. 2.5.3 LAGO et al. (2007) Lago et al. (2007) analisaram experimentalmente o comportamento de quatro conjuntos de vigas submetidas a ensaios de torção, sem e com reforço de material compósito de fibras de carbono, sendo que as principais variáveis de estudo foram a resistência do concreto e as posições dos estribos das vigas de borda mais próximos das faces das vigas que se apoiavam nestas. Todas as vigas tinham seções transversais retangulares medindo 100 mm x 300 mm. Cada conjunto foi composto por duas vigas: uma a ser bi-engastada e submetida a ensaio de torção, e outra em balanço, a fim de receber a força geradora do momento de torção sobre a primeira viga. O comprimento total da viga bi-engastada foi de 1.700 mm, com vão livre de 1.600 mm e da viga em balanço foi de 1.000 mm. As figuras 2.46 e 2.47 mostram respectivamente o detalhe esquemático do conjunto de vigas ensaiadas e os detalhes das armaduras das vigas, enquanto a tabela 2.4 mostra as características das vigas. Figura 2.46 – Dimensões dos conjuntos de vigas – (LAGO et al., 2007) 39 Figura 2.47 – Detalhe das armaduras das vigas – (LAGO et al., 2007) Tabela 2.4 – Características das vigas ensaiadas por LAGO et al. (2007) Espaçamento dos estribos Conjunto Viga 1 VCREF-C10 100 Referência s/reforço 2 VC-10 200 Referência s/reforço 3 VC10-CFRP 200 2 camadas de CFRP 4 VC20-CFRP 400 2 camadas de CFRP na ligação (mm) Tipo O sistema de ensaio utilizado para submeter as vigas à esforço de torção, consistia de um cilindro hidráulico com capacidade de 1.000 kN, que aplicava a carga na viga em balanço a 600mm do eixo longitudinal da bi-engastada, sendo acionado por uma bomba hidráulica, como mostrado na figura 2.48. A instrumentação foi feita por meio de medições de deslocamentos em três posições, utilizando relógios comparadores analógicos com 0,01 mm de precisão, sendo que dois relógios mediam os deslocamentos horizontais enquanto um relógio media o deslocamento vertical no centro da ligação viga-viga, como mostra a figura 2.49. 40 Figura 2.48 – Sistema de ensaio utilizado por LAGO et al. (2007) Figura 2.49 – Detalhe da instrumentação das vigas (LAGO et al., 2007) Os autores mediram os deslocamentos das vigas, tanto na direção horizontal quanto na vertical, verificando-se que os deslocamentos horizontais e verticais máximos observados foram nos conjuntos 1, 3 e 4 medidos em 18 kN. Também observaram que os conjuntos 2 e 4, ambos com a mesma resistência à compressão aos 28 dias (22,8 MPa), apresentaram 41 deslocamento equivalentes devido ao ganho de rigidez da peça reforçada, no caso, o conjunto 4. O mesmo fato ocorreu com as vigas 1 e 3, onde no conjunto 3 se obtiveram deslocamentos aproximadamente duas vezes menores que os do conjunto 1, sendo que o conjunto 3 não possuía um estribo na ligação, porém reforçado com fibras de carbono. LAGO (2007) verificou que para as vigas bi-engastadas VREF-C10 e VC-C10, as primeiras fissuras surgiram no meio do vão com as forças de aproximadamente 12kN, sendo caracterizadas como fissuras de torção, uma vez que as forças estimadas para a ruína por cisalhamento de acordo com a NBR 6118 (ABNT, 2003) estavam nove vezes maiores que as forças que originaram as primeiras fissuras, ficando contra a segurança prevista pela norma. As forças últimas (Pu) observadas foram comparadas às estimadas de acordo com as recomendações da norma brasileira NBR 6118. Observou-se que a presença do reforço estrutural supriu a falta de estribos próximos às regiões de ligação, sendo que o reforço impediu a ruína das ligações e de suas ancoragens observadas nos conjuntos sem reforço conforme verificado em trabalhos anteriores, a fragilidade nesse sistema ainda é na ligação dos elementos estruturais e nas suas ancoragens. Todas as vigas ruíram por torção com esmagamento das diagonais comprimidas do concreto. Na tabela 2.5 os resultados experimentais observados (Pexp) por LAGO (2007) são comparados com as estimativas normativas (Pest). Ressalta-se que a resistência ao cisalhamento, devido à torção, estimada das vigas esteve próxima às observadas. 42 Tabela 2.5 – Comparação dos resultados estimados com os observados por LAGO et al. (2007) NBR 6118 (ABNT, 2003) Pflex Pcis Ptorção (kN) (kN) (kN) Conjuntos Viga 1 VCREF-C10 2 VC-10 3 VC10-CFRP 4 VC20-CFRP 50,0 Pexp (kN) CEB-FIP MC90 AC 318 31,5 (S) 19,5 17,5 0,9 7,0 0,4 102,0 18,5 (C) 13,5 10,3 0,8 4,0 0,3 32,3 (C) 21,0 17,9 0,9 7,0 0,3 18,5 (C) 13,0 10,3 0,8 4,0 0,3 51,0 Modos de Ruptura Torção Esmagamento do Concreto * (S) Resistência à torção referente às armaduras * (C) Resistência à torção referente às diagonais comprimidas de concreto Os resultados experimentais variaram de 62 % a 73 % das forças estimadas para ruína por torção das vigas. Observou-se que os reforços impediram a ruína das ligações e de suas ancoragens, o que aconteceu nos conjuntos sem reforço, ressaltando que houve uma significativa diferença entre as resistências dos concretos de cada conjunto. Nas vigas reforçadas, as ligações foram preservadas e a ruína por torção aconteceu nas proximidades dos engastes. A figura 2.50 mostra os conjuntos de vigas logo após a ruína, destacando os mapas frontais de fissuração das vigas bi-engastadas dos conjuntos ensaiados. Figura 2.50 – Vigas ensaiadas com detalhes das fissuras Lago et al. (2007), estimaram o ângulo de torção (φ) considerando que a seção rotacionou em torno do eixo longitudinal da viga bi-engastada e que os deslocamentos observados no relógio comparador R2 foram somente horizontais. Foi ainda realizada uma correção para compensar os deslocamentos verticais registrados no relógio comparador R3, que foram subtraídos da distância entre o ponto monitorado pelo relógio R2 e o plano médio longitudinal da viga 43 (100mm). A figura 2.51 mostra os ângulos de torção estimados para os diversos momentos de torção aplicados nas vigas bi-engastadas. Os ângulos de torção foram ligeiramente menores na posição do relógio comparador R1 em relação aos ângulos medidos na posição do relógio comparador R2. As vigas reforçadas com CFRP apresentaram ângulos de torção significativamente inferiores (aproximadamente 50%) aos observados nas vigas sem reforço. A forte influência do reforço à torção sobre os deslocamentos angulares é evidenciada quando a viga VC20-CFRP, que apresentou resistência à compressão do concreto de 22,8MPa e espaçamento dos estribos centrais de 400mm, é comparada com as demais. Figura 2.51 – Ângulos de torção estimados utilizando os deslocamentos horizontais (LAGO et al., 2007) 2.5.4 Vigas preformadas Apesar de que os trabalhos sobre elementos preformados serem ainda escassos na literatura, são apresentados alguns trabalhos realizados no Laboratório de Engenharia Civil da Universidade Federal do Pará em nível de graduação e pós-graduação. 44 2.5.4.1 TEIXEIRA et al. (2007) TEIXEIRA et al. (2007) analisaram 5 (cinco) ligações viga-viga de concreto armado, sendo 1 (uma) maciça para referência e 4 (quatro) preformadas. Os detalhes esquemáticos dos conjuntos de vigas idealizados são mostrados na figura 2.52, sendo que a principal variação considerada foram os espaçamentos dos estribos de 100, 150, 200 e 250 mm na faixa de 800 mm do vão central da viga VA, visando verificar a estabilidade da ligação diante dos espaçamentos crescentes. Figura 2.52 – Arranjo das vigas ensaiadas por TEIXEIRA et al. (2007) Os 4 (quatro) arranjos preformados apresentaram armaduras longitudinais e transversais inseridas nas placas de concreto. Nas vigas bi-engastadas, houve uma variação nos espaçamentos, de 100 mm, 150 mm, 200 mm e 250 mm na faixa de 800 mm do vão central (trecho b), o que também ocorreu na viga maciça de referência. Já nas vigas em balanço e nos demais trechos restantes da viga-biengastada (trecho a) foi mantido o espaçamento de estribos a cada 100 mm. Este procedimento visou à verificação da estabilidade da ligação diante dos espaçamentos crescentes, ressaltando que tais situações podem ser encontradas na prática, uma vez que a falta de espaço para o encaixe da viga secundária é uma realidade. As figuras 2.53 a 2.57 mostram os detalhes das armaduras transversais dos conjuntos ensaiados por TEIXEIRA et al. 45 Figura 2.53 – Viga de referência VC10 com espaçamento de estribo no trecho b de 100 mm (TEIXEIRA et al., 2007) Figura 2.54 – Viga preformada VA-C10 com espaçamento de estribo no trecho b de 100 mm (TEIXEIRA et al., 2007) Figura 2.55 – Viga preformada VA-C15 com espaçamento de estribo no trecho b de 150 mm (TEIXEIRA et al., 2007) Figura 2.56 – Viga preformada VA-C20 com espaçamento de estribo no trecho b de 200 mm (TEIXEIRA et al., 2007) 46 Figura 2.57 – Viga preformada VA-C25 com espaçamento de estribo no trecho b de 250 mm (TEIXEIRA et al., 2007) O sistema de ensaio utilizado por TEIXEIRA et al. (2007) foi o mesmo utilizado por LAGO et al. (2007). Os deslocamentos verticais e horizontais em cada viga foram medidos por 3 (três) deflectômetros analógicos (um na posição vertical e dois na posição horizontal) com bases magnéticas com precisão de 0,01mm/m com 50 mm de curso de haste. As figuras 2.58 e 2.59 mostram o detalhe esquemático e o registro fotográfico do posicionamento dos deflectômetros. Figura 2.58 – Detalhe esquemático do posicionamento dos deflectômetros (TEIXEIRA et al., 2007) Figura 2.59 – Registro fotográfico do posicionamento dos deflectômetros durante os ensaios (TEIXEIRA et al., 2007) 47 TEIXEIRA et al. (2007) verificaram que os deslocamentos horizontais e verticais foram mais acentuados nas vigas preformadas, onde os espaçamentos das armaduras transversais eram maiores. Nessas vigas, os deslocamentos horizontais tiveram significativos avanços a partir de aproximadamente 40 % das cargas de ruptura, e se intensificaram após o surgimento das primeiras fissuras. A viga de referência (VC10) apresentou deslocamentos bem próximos da sua similar preformada (VA-C10) até em torno de 8 kN, tanto na direção vertical quanto horizontal. A partir deste ponto a deflexão vertical do elemento (VC10) passou a ser ligeiramente maior. Verifica-se dessa maneira que na análise dos deslocamentos, a variação de 50 mm nos espaçamentos das armaduras transversais esteve diretamente associado aos diferentes desempenhos dos elementos em seus estados limites de deformações. A figura 2.60 mostra as curvas dos deslocamentos verticais e horizontais observados. Figura 2.60 – Deslocamentos verticais e horizontais (TEIXEIRA et al., 2007) Observou-se que todas as vigas apresentaram resultados de cargas de ruptura observadas próximas das estimadas pela NBR 6118 (ABNT, 2003), embora a ligação das vigas tenha sido comprometida no instante de ruptura. A viga VB (balanço) teve problemas na ligação, simultaneamente quando se iniciou o processo de esmagamento das diagonais comprimidas do concreto na viga VA (bi-engastada). A ruptura ocorreu com a carga relativamente próxima a estimada para esmagamento das bielas de compressão devido a torção, sendo que a ruptura precoce da ligação pode ter sido conduzida pelas fissuras de torção em suas trajetórias uma vez que está relacionado ao fendilhamento do concreto na região dos ganchos das ancoragens. Em todas as vigas, as fissuras de torção ocorreram de forma helicoidal a aproximadamente 45 graus, circundando a peça e convergindo para as faces inferiores das ligações. A tabela 2.6 mostra os resultados experimentais e estimados para as cargas de ruptura das vigas ensaiadas. 48 Tabela 2.6 – Cargas de ruptura observadas e estimadas (TEIXEIRA et al., 2007) Pcis Ptorção (kN) (kN) VC10 88,7 19,2 19,2 19,5 1,02 VA-C10 79,6 10,5 10,5 10,0 0,95 65,1 10,5 10,5 8,5 0,81 VA-C20 57,9 10,5 10,5 11,0 1,05 VA-C25 53,5 10,5 10,5 9,0 0,86 Viga VA-C15 Pflex (kN) 50,0 P (kN) Pu (kN) Pu/P Média 0,94 Desvio Padrão 0,10 Modos de ruptura Torção Arrancamento da Ancoragem Arrancamento da Ancoragem Torção Arrancamento da Ancoragem TEIXEIRA et al., (2007) observaram que nas vigas VC10 e VA-C20 houve esmagamento do concreto nas camadas periféricas da seção proveniente do esforço de torção, porém, na viga VA-C20 este modo de ruptura limitou-se à região próxima a ligação enquanto na viga VC10 houve uma distribuição mais uniforme das fissuras ao longo do eixo longitudinal da viga. Nas demais vigas onde ocorreu o arrancamento da ancoragem, foi observado o início do processo de esmagamento das diagonais simultâneo à perda de carga do sistema devido a rotulação da ligação, prejudicando a transmissão dos momentos solicitantes. A viga VA-C10 apresentou em 4kN de carga uma fissura na face superior que se manifestou na direção longitudinal em parte do seu comprimento, esboçando um possível descolamento do concreto da preforma em relação ao núcleo. Neste caso o fluxo de tensões mais elevado na superfície causado pelo esforço de torção pode ter superado a resistência de aderência na interface dos concretos. As primeiras fissuras nas vigas VA-C15 e VA-C25 foram percebidas para as cargas de 8kN e 9kN, respectivamente. De maneira geral, a ruptura destas vigas ocorreu de forma frágil com elevada velocidade de relaxação das cargas após a rotação da ligação. A figura 2.61 mostra os aspectos das fissuras das vigas ensaiadas juntamente com o detalhe das rupturas das vigas em suas ligações. 49 Figura 2.61 – Detalhes dos modos de ruptura e aspecto das fissuras das vigas (TEIXEIRA et al., 2007) 2.5.4.2 MELO (2008) MELO (2008), em sua dissertação de mestrado, desenvolveu um estudo para verificar experimentalmente a resistência ao cisalhamento e à flexão do elemento premoldado, com o objetivo de investigar o desempenho estrutural de vigas preformadas. Foram ensaiadas 9 (nove) vigas preformadas e 3 (três) vigas maciças de referência até a ruptura, para observação 50 das cargas e dos modos de ruptura. Foram observados também os deslocamentos verticais máximos, as deformações nas armaduras de flexão e na armadura transversal, a deformação no concreto da camada premoldada, denominada de “casca”, e no concreto do núcleo das vigas pré-formadas, a deformação no concreto e no aço das vigas maciças e o padrão de fissuração. Todas as vigas possuíam dimensões de 105 mm x 340 mm x 2.500 mm, com cobrimento das armaduras de 15 mm nas laterais e 20 mm no fundo e no topo das vigas. As vigas preformadas possuíam camadas premoldadas laterais (cascas) com espessura de 33 mm e núcleo de concreto moldado “in loco” com 39 mm de espessura. A figura 2.62 mostra as seções transversais das vigas com suas respectivas dimensões. Figura 2.62 – Seções transversais das vigas maciças e preformadas (MELO, 2008) Para a confecção das vigas utilizou-se armaduras de combate à flexão de 2φ10,0 mm, 4φ12,5 mm e 6φ12,5 mm correspondendo às taxas de armadura de 0,43 %, 1,34 % e 2,00 % com o objetivo de estabelecer seções sub, normal e super armadas. As armaduras de cisalhamento consistiram em estribos verticais com diâmetro igual a 5 mm e espaçamento variando de 200 mm, 150 mm e 100 mm, correspondendo a seções de estribo por metro da viga de 200 mm2, 51 267 mm2 e 400 mm2, respectivamente. A tabela 2.7 mostra as características das vigas ensaiadas. Tabela 2.7 – Características das vigas (MELO, 2008) VIGA TIPO SEÇÃO VM1 VM2 VM3 VPF1 VPF2 VPF3 VPF4 VPF5 VPF6 VPF7 VPF8 VPF9 Maciça Maciça Maciça Preformada Preformada Preformada Preformada Preformada Preformada Preformada Preformada Preformada Subarmada Normal Superarmada Subarmada Normal Superarmada Subarmada Normal Superarmada Subarmada Normal Superarmada Flexão 2φ10,0 4φ12,5 6φ12,5 2φ10,0 4φ12,5 6φ12,5 2φ10,0 4φ12,5 6φ12,5 2φ10,0 4φ12,5 6φ12,5 ARMADURA (mm) Superior Cisalhamento 2φ5,0 2φ5,0 c200 2φ5,0 2φ5,0 c150 2φ5,0 2φ5,0 c100 2φ5,0 2φ5,0 c100 2φ5,0 2φ5,0 c100 2φ5,0 2φ5,0 c100 2φ5,0 2φ5,0 c150 2φ5,0 2φ5,0 c150 2φ5,0 2φ5,0 c150 2φ5,0 2φ5,0 c200 2φ5,0 2φ5,0 c200 2φ5,0 2φ5,0 c200 As vigas foram bi-apoiadas com vãos livres de 2.200 mm e receberam cargas através de uma viga metálica que distribuiu o carregamento em dois pontos, ficando as mesmas sujeitas à flexão pura no trecho entre as cargas e à flexão simples nos trechos entre as cargas e os apoios, como mostrado na figura 2.63 onde mostra que as vigas foram apoiadas em dois blocos de concreto através de roletes de aço, configurando um apoio de primeiro gênero e outro apoio de segundo gênero. Figura 2.63 - Posicionamento dos apoios e das cargas (MELO, 2008) As cargas foram aplicadas nas vigas através de um cilindro hidráulico com capacidade de 1000 kN, acoplado a uma bomba hidráulica. As cargas foram medidas por uma célula de carga com capacidade de 1000 kN e leitor de precisão de 1kN, sendo aplicadas em passos de 5 kN nas vigas preformadas e em passos de 10 kN nas vigas maciças. 52 Os registros das deformações foram realizados em um “laptop” ligado a um sistema de aquisição de dados (spider) que processou as alterações nos extensômetros do concreto e das armaduras. As figuras 2.64 e 2.65 mostram o sistema de ensaio e aplicação de carga e o detalhe dos equipamentos utilizados nos ensaios. Figura 2.64 - Sistema de ensaio a aplicação da carga (MELO, 2008) Figura 2.65 - Detalhe dos equipamentos utilizados nos ensaios (MELO, 2008) A partir dos resultados experimentais, MELO (2008) observou que as vigas preformadas e as vigas maciças apresentaram cargas e modos de ruptura compatíveis com suas seções de concreto e de aço e com o sistema de ensaio ao que foram submetidas. Nas vigas subarmadas as armaduras longitudinais atingiram o escoamento caracaterizando a ruptura das vigas por flexão. Foi considerado ruína quando as vigas entraram em colapso ou não suportaram acréscimos de carregamento. As vigas superarmadas com espaçamento de estribos igual a 150 mm e com espaçamento de 200 mm romperam por escoamento da armadura transversal 53 caracterizando ruptura por cisalhamento. Nas vigas superarmadas com espaçamento de estribos igual a 100 mm, uma rompeu por cisalhamento (VM3) e as demais (VPF2 e VPF3) romperam por esmagamento do concreto. A tabela 2.8 apresenta as características das vigas e as cargas e os modos de ruptura observados. Tabela 2.8 – Cargas e modos de ruptura e ruína observados (MELO, 2008) d As Asw Pr s (mm) fc (MPa) (mm) (mm2) (mm2) (kN) 310 160 40 200 20,0 75,0 VM1 290 500 40 150 20,0 137,0 VM2 290 750 40 100 20,0 200,0 VM3 310 160 40 100 17,0 70,0 VPF1 290 500 40 100 17,0 135,0 VPF2 290 750 40 100 17,0 140,0 VPF3 310 160 40 150 17,0 70,0 VPF4 290 500 40 150 17,0 138,0 VPF5 290 750 40 150 17,0 124,5 VPF6 310 160 40 200 17,0 60,0 VPF7 290 500 40 200 17,0 112,0 VPF8 290 750 40 200 17,0 127,0 VPF9 M1: Flexão com escoamento da armadura de flexão; M2: Flexão com esmagamento do concreto; M3: Flexão com deformação excessiva da armadura de flexão; M4: Cisalhamento com escoamento da armadura transversal; M5: Cisalhamento com seccionamento do estribo. VIGA 2.5.4.3 Pu (kN) 93,5 137,0 210,0 105,0 135,0 140,0 88,0 138,0 124,5 85,0 112,0 127,0 Modo de ruptura M1 M4 M4 M1 Modo de Ruína M5 M5 M5 M3 M2 M2 M1 M4 M4 M1 M4 M4 M3 M5 M5 M3 M5 M5 SOUZA et al., (2006) SOUZA et al. (2006) ensaiaram 04 (quatro) vigas de concreto armado à flexão simples, 03 vigas pré-moldadas e 01 viga convencional, sendo as pré-moldadas denominadas de pré-vigas preformadas, com dimensões de (120 x 330 x 2.500) mm. Este trabalho analisou o comportamento de ligação das vigas com outra viga ou pilar, onde pode haver concentrações de tensão nas preformas e o possível descolamento desta. As fôrmas utilizadas na confecção das previgas seguiram a tecnologia das fôrmas de concreto prefabricadas, em concordância com a NBR 9062 (ABNT, 2001). As vigas preformadas foram compostas de dois segmentos pré-fabricados, posicionados com um afastamento entre eles para representar uma ligação viga-viga ou viga-pilar, denominada de zona de engastamento. Esta zona teve comprimento igual à maior dimensão do pilar, representado por uma placa de aço com 120 mm x 400 mm x 50 mm, simulando um pilar intermediário durante a aplicação da carga. Os segmentos foram ligados entre si por uma armadura posicionada 54 antes do concreto moldado no local, que foi lançado como duas camadas de 165 mm de altura com intervalo de lançamento de no mínimo 24 horas. Entre estes dois segmentos ficou um maciço de concreto de 400 mm de comprimento e seção igual a da viga. Para todas as vigas ensaiadas, utilizou-se para a armadura longitudinal superior 2φ4,2 mm – CA 60 e estribos com diâmetro de 6,0 mm em aço CA 60, espaçados a cada 150 mm. As figuras 2.66 e 2.67 mostram o detalhamento das armaduras das vigas ensaiadas e as etapas de concretagem dos elementos preformados que foram executadas em intervalos de 24 horas. A tabela 2.9 apresenta as principais características das vigas ensaiadas. Tabela 2.9 – Principais características das vigas ensaiadas (SOUZA et al., 2006) Vigas d (mm) VM VPF1 VPF2 VPF3 305 305 303 301 fc Armadura (MPa) de flexão 34,5 34,5 38,7 37,1 2φ8,0 2φ8,0 2φ12,5 2φ16,0 As 2 (mm ) 100,5 100,5 245,5 402,1 Armadura de ligação φ (mm) 8 8 12,5 12,5 As 2 (mm ) 100 100 250 400 Figura 2.66 - Armaduras dos elementos preformados (SOUZA et al., 2006) 55 Figura 2.67 - Etapas de concretagem dos elementos preformados (SOUZA et al., 2006) A figura 2.68 mostra as etapas de montagem das vigas, posicionamento da armadura de ligação e o lançamento das camadas de concreto moldado no local, ressaltando que a armadura de ligação foi composta por barras longitudinais de combate à flexão, estribos e armadura de composição (2φ6,0). A figura 2.69 e 2.70 mostram as vigas após o lançamento do concreto da segunda fase e o concreto da viga de referência. Figura 2.68 - Armadura de ligação e as fases de concretagem (SOUZA et al., 2006) 56 Figura 2.69 - Preparação e primeira concretagem das vigas preformadas (SOUZA et al., 2006) Figura 2.70 - Concreto da segunda fase e da viga de referência (SOUZA et al., 2006) O sistema de ensaio à flexão simples das vigas apresentaram apoios isostáticos, com vão livre de 2.000 mm e as cargas verticais eram aplicadas através de um macaco hidráulico com capacidade de carga de 1000 kN e uma bomba hidráulica, sobre a chapa metálica que simulava o pilar. As cargas foram medidas a partir de uma célula de carga com capacidade para 1000 kN conectada a um leitor digital e precisão de 0,5 kN. Na instrumentação das vigas, utilizou-se um deflectômetro analógico da marca Digimess, posicionado no centro do vão para medir os deslocamentos a cada passo de carga durante o ensaio. As figuras 2.71 e 2.72 mostram o detalhe esquemático e o sistema de ensaio das vigas. 57 Figura 2.71 - Detalhe do sistema de ensaio (SOUZA et al., 2006) Figura 2.72 - Sistema de ensaio (SOUZA et al., 2006) Os autores verificaram que a resistência à flexão no engaste das vigas preformadas foi satisfatória com os valores das cargas de ruptura observadas nos ensaios próximos dos valores estimados pela NBR 6118 (ABNT, 2003). O modo de ruptura observado para todas as vigas foi à flexão por escoamento da armadura longitudinal, previsto pela norma brasileira. Na tabela 2.10 são apresentados os valores de carga de ruptura estimados pela NBR 6118 (ABNT, 2003) e os valores estimados experimentalmente, onde Pflex é a carga estimada para ruptura por flexão, Pcis é a carga estimada para ruptura por cisalhamento, Pu é a carga de ruptura observada experimentalmente e P é a menor das cargas estimadas pela NBR 6118 (ABNT, 2003). 58 Tabela 2.10 – Cargas de ruptura estimadas e experimentais (SOUZA et al., 2006) Estimativas NBR 6118:2003 VIGA d (mm) As (mm2) Pcis (kN) Pflex (kN) θ=45° θ=30° α=90° α=90° Resultados Observados P (kN) Modo de Ruptura Estimado Pu (kN) Modo de Ruptura Estimado Pu/P VM 305 100 44,2 194 284,7 44,2 Flexão 54,5 Flexão 1,23 VPF1 305 100 44,2 194 284,7 44,2 Flexão 51 Flexão 1,15 VPF2 303 250 106,7 201,8 294,6 106,7 Flexão 119 Flexão 1,12 VPF3 301 400 150 185,4 268 150 Flexão 175 Flexão 1,17 MÉDIA DESVIO PADRÃO 1,17 0,05 De acordo com SOUZA et al., (2006) não se observou sinais visíveis de sinais de descolamento das placas na região comprimida do engastamento. As fissuras de flexão foram mais intensas nas seções coincidentes com o limite dos pilares, comprovando o modelo de cálculo previsto. A figura 2.73 mostra detalhes das rupturas das vigas, ressaltando que todas as pré-vigas apresentaram comportamentos satisfatórios, semelhantes ao observado para a viga de referência, surgindo poucas fissuras de cisalhamento. Figura 2.73 - Vigas preformadas após os ensaios (SOUZA et al., 2006) Os autores observaram que as vigas preformadas apresentaram comportamento satisfatório na ligação viga-pilar, em relação à viga maciça de referência, tanto nos deslocamentos verticais quanto nas cargas e modos de ruptura. No sistema de ensaio adotado não foram observados descolamentos da placa da forma de concreto do núcleo de concreto moldado no local. 59 Os deslocamentos observados nas vigas de mesma seção de armadura de flexão (VM e VPF1) foram muito próximos, indicando comportamento similar entre as vigas maciças e as vigas preformadas com mesma taxa de armadura de flexão. Todas as vigas sofreram deslocamentos máximos inferiores aos estabelecidos pelas normas. As cargas de ruptura das vigas preformadas foram superiores as estimadas pela NBR 6118 (ABNT, 2003) assim como o da viga maciça. Este trabalho contribuiu para a presente pesquisa ao revelar o comportamento de vigas preformadas levadas à ruptura por flexão. 2.6 PRESCRIÇÕES NORMATIVAS 2.6.1 Considerações iniciais Embora as vigas preformadas possuam uma parte da seção em concreto premoldado e o complemento da seção em concreto moldado no local, devem ter comportamento similar ao das vigas maciças. Logo, as mesmas prescrições normativas aplicadas às vigas maciças serão utilizadas para as vigas preformadas. Foram utilizadas as prescrições de três normas para a estimativa de resistência à flexão, ao cisalhamento e à torção das vigas preformadas e das vigas maciças, com o objetivo de comparar os valores estimados com os resultados experimentais. Será discutida a aplicação das expressões normativas para determinação da resistência à flexão, resistência ao cisalhamento e por último a resistência ao esforço de torção das vigas preformadas. As normas utilizadas neste trabalho foram: • ACI 318, American Building Code Requirements for Reinforced Concrete (ACI, 2008); • CEB-FIP, Model Code 1990, Comitee Euro-International du Beton (CEB-FIP, 1993); • NBR 6118, Projeto de Estruturas de Concreto (ABNT, 2003). 2.6.2 NBR 6118 (ABNT, 2003) 2.6.2.1 Dimensionamento de vigas à flexão O modelo adotado para estimar a carga de ruptura à flexão segue as recomendações desta norma, onde o diagrama parábola-retângulo é substituído por um diagrama retangular de tensões no concreto, conforme a figura 2.74. Este procedimento deveria contemplar as 60 características das seções utilizadas no experimento, as quais possuem armaduras longitudinais tanto na zona tracionada quanto na comprimida, sendo o caso de armadura dupla. Figura 2.74 – Distribuição das tensões em seções retangulares (NBR 6118 (ABNT, 2003)) Desta maneira, o momento resistente MRkC da peça, tomando-se como referência o nível do centro de gravidade da armadura tracionada será determinado conforme a equação 2.2 válida apenas para o domínio 3. = 0,85∙ ∙ ∙ ∙ − + ∙ ! − ′# (2.2) sendo, ′ : resistência do concreto à compressão; bw : largura da seção transversal; $% = 0,85 ∴ ′ ≤ 28 MPa; x : profundidade do eixo neutro; d : altura útil; As: Área da armadura de flexão inferior; A’s: Área da armadura de flexão superior; fys: Tensão de escoamento do aço da armadura de flexão inferior; f’ys: Tensão de escoamento do aço da armadura de flexão superior. 61 Considerando os esforços solicitantes mostrados na figura 2.32, a carga de ruptura Prup na viga em balanço (VB) para um braço de alavanca l que vai do ponto de aplicação da carga à ligação com a viga bi-engastada (VA) será determinada pela equação 2.3. ()*+ = , (2.3) Referindo-se à viga VA, cujas solicitações estão ilustradas na figura 2.34 sendo L o vão teórico, pode-se estimar a sua carga de ruptura utilizando a equação 2.4. A figura 2.75 mostra os diagramas de deformação para as seções sub, normal e superarmada. ()*+ = 8 ∙ (2.4) De acordo com Oliveira (2005), a ruptura por flexão de uma viga de concreto armado depende basicamente da taxa de armadura longitudinal e das dimensões da peça. Assim a ruptura de uma viga por flexão pode ser: • Ruptura por Compressão: A ruptura se dá por esmagamento das fibras mais comprimidas do concreto antes do escoamento da armadura longitudinal de flexão. As seções, nesse caso, são consideradas superarmadas. • Ruptura Balanceada: Ocorre na ruptura o esmagamento das fibras mais comprimidas do concreto simultaneamente ao escoamento da armadura longitudinal de flexão. Neste tipo de ruptura são utilizadas as resistências máximas dos materiais e é comumente denominada de ruptura ideal. As seções transversais que rompem dessa forma são ditas sub-armadas. Neste regime de ruptura as peças caracterizam-se pelo elevado grau de fissuração na região tracionada, apresentando assim sinais visíveis da provável ruptura. Quando a ruptura ocorre com o aço no início do patamar de escoamento a seção é chamada de normalmente armada. • Ruptura por Tração: A peça rompe devido ao escoamento do aço ocorrer antes do esmagamento do concreto. Esta ruptura pode ocorrer sem aviso prévio quando as seções apresentam taxas de armadura de flexão inferiores à mínima. As seções são chamadas fracamente armadas e a deformação do aço ultrapassa 10‰. 62 Figura 2.75 – Taxa de armadura e diagrama de deformações para seções submetidas à flexão (Oliveira, 2005) As cargas de ruptura das vigas foram estimadas utilizando-se a resistência à compressão do concreto (fc), obtidas nos ensaios de compressão axial. 2.6.2.2 Dimensionamento de vigas ao cisalhamento A NBR 6118 (ABNT, 2003) pressupõe para elementos lineares submetidos à força cortante, a analogia com o modelo da treliça de Mörsch, associados a mecanismos resistentes complementares desenvolvidos no interior do elemento estrutural, de tal forma que esta verificação deve garantir simultaneamente as seguintes condições: • Integridade das diagonais comprimidas de concreto (Vsd ≤ VRd2); • Integridade das diagonais tracionadas (Vsd ≤ VRd3), composta pela parcela de força cortante resistida por mecanismos complementares ao da treliça (Vc) e pela parcela resistida pela armadura transversal (Vsw), ou seja, Vsd ≤ VRd3 = Vc + Vsw. As forças cortantes VRd2 e VRd3 podem ser obtidas por dois modelos: Modelo de cálculo I: Adota o modelo da treliça clássica, com bielas comprimidas a 45º, e a parcela da força cortante resistida pelos mecanismos complementares da treliça (Vc) é tomada constante. Modelo de cálculo II: Adota o modelo da treliça generalizada, com bielas comprimidas variando entre 30º e 45º, e a parcela da força cortante resistida pelos mecanismos complementares da treliça (Vc) sofrendo redução com o aumento de Vsd. 63 a. Modelo de Cálculo I a.1 Verificação das diagonais comprimidas através da equação 2.5. VRd2 = 0,27 ∙ / ∙ 0 ∙ ∙ (2.5) sendo, av = 1 – 123 45 (com fck em MPa) é o coeficiente de efetividade para o concreto; a.2 Verificação das diagonais tracionadas através da equação 2.6. VRd3 = Vc + Vsw (2.6) Na flexão simples e na flexo-tração com a linha neutra cortando a seção Vc é igual a Vc0 que é dado pela equação 2.7. 9 65 = 0,09 ∙ 8 ∙ ∙ (2.7) Vsw é dado pela equação 2.8. Vsw = :;< ∙ 0,9 ∙ ∙ 0 ∙ !=>?@ + AB=@# (2.8) sendo, Asw: seção da armadura transversal; s: projeção horizontal do espaçamento entre as barras transversais; fywd: tensão na armadura transversal, limitada ao valor fyd no caso de estribos e a 70% desse valor no caso de barras dobradas, limitando estes valores a 435 MPa; α: ângulo de inclinação das diagonais tracionadas (armadura transversal). 64 b. Modelo de Cálculo II b.1 Verificação das diagonais comprimidas através da equação 2.9. 60 = 0,54 ∙ / ∙ 0 ∙ ∙ ∙ =>? D ∙ !ABEFD + ABEF@# (2.9) sendo, θ: ângulo de inclinação da biela comprimida; b.2 Verificação das diagonais comprimidas através da equação 2.10. VRd3 = Vc + Vsw (2.10) Na flexão simples e na flexo-tração com a linha neutra cortando a seção, Vc é igual a Vc1 sendo: ∙ ∙ , quando Vsd ≤ Vc0, ou Vc1 = Vc0 = 0,09∙ G 9 Vc1 = 0, quando Vsd = VRd2, para valores intermediários deverá ser feita interpolação linear. Vsw é dado pela equação 2.11. 6 = H I ∙ 0,9 ∙ ∙ 0 ∙ !ABEFD + ABEF@# ∙ =>?@ = (2.11) Logo, as cargas de ruptura para as vigas VB e VA podem ser determinadas por intermédio das equações 2.12 e 2.13, respectivamente. 2.6.2.3 Prup = VRk3 (2.12) Prup = 2 ∙ 6J (2.13) Dimensionamento de vigas a torção A avaliação da capacidade resistente à torção é feita apenas na viga VA e para que haja consonância entre o modelo de verificação para o cisalhamento foi adotado também o modelo de cálculo II para inclinações para as bielas comprimidas. 65 Como já foi observado anteriormente, as seções maciças de concreto armado comportam-se sob torção como seções vazadas com paredes de pequena espessura. A NBR 6118 (ABNT, 2003) define critérios para essa espessura t representada nas equações 2.14 e 2.15, sendo estes parâmetros mostrados na figura 2.76. E≤ K E ≥ 2 ∙ M% (2.14) (2.15) sendo, M% = ∅N + ∅O + M (2.16) Figura 2.76 – Parâmetros da seção retangular (Teixeira et al., 2007) onde, A : área da seção; u : perímetro da seção cheia; φl : diâmetro da armadura longitudinal; φt : diâmetro da armadura transversal; c : cobrimento da armadura. a. Ruptura por esmagamento das bielas Na condição mais desfavorável pode-se afirmar que Tsk = ( ∙ ,P2 = TRk2 em que Tsk é o momento torçor solicitante e TRk2 é o momento torçor resistido pela biela podendo ser calculado pela equação 2.17. 66 = 0,5 ∙ H1 − I ∙ ∙ R ∙ E ∙ =>?2D 250 (2,17) onde, R = ! − E# ∙ !ℎ − E# (2.18) Logo, a carga de ruptura para esmagamento da biela é calculada conforme a equação 2.19. ()*+ = 2 ∙ , (2.19) b. Ruptura por tração das armaduras longitudinais O momento resistente pode ser calculado, sem ponderações de resistência, de acordo com a equação 2.20. = 2 ∙ R ∙ ∙ T ∙ EFD K (2.20) Dessa maneira a carga total de ruptura por tração das armaduras longitudinais e transversais pode ser estimada pela equação 2.21. ()*+ = 2 ∙ , (2.21) De acordo com a NBR 6118 (ABNT, 2003) na prática sempre ocorre torção com flexão e, nesse caso deve-se garantir que: UO0 U0 + ≤1 UO* U* (2.22) Sendo U0 e U* as tensões obtidas no dimensionamento ao esforço cortante. Para o cálculo das armaduras a tensão de escoamento dos estribos e da armadura longitudinal deve ser limitada a 435 MPa e os estribos devem ser fechados e ancorados com ganchos a 45º. 67 O diâmetro da barra do estribo deve ser maior ou igual a 5 mm e não exceder 1/10 da largura da alma da viga. A área total de estribos é dada pela equação 2.23, devendo-se respeitar a armadura mínima definida pela equação 2.23. = ,W + 2 ∙ ,X ,Yí[ = 20 ∙ OY ∙ !A\ ⁄\# (2.23) (2.24) Sendo bw a largura média da seção da peça, fctm a resistência média à tração do concreto e fys a tensão de escoamento do aço. O espaçamento máximo dos estribos deve respeitar os seguintes limites: =Yá_ = 0.6 ∙ ≤ 30A\, => UO0 U0 + ≤ 0,67 UO* U* (2.25) =Yá_ = 0.3 ∙ ≤ 20A\, => UO0 U0 + > 0,67 UO* U* (2.26) Sendo d a altura útil da peça. A armadura mínima longitudinal é dada pela equação 2.27. T,Yí[ = 0,1 ∙ OY ∙ K ∙ !A\ # (2.27) Nos cantos da armadura transversal recomenda-se colocar barras longitudinais de bitola no mínimo igual à da armadura transversal e inferior a 10 mm. Recomenda-se também que o espaçamento das barras longitudinais não seja superior a 20 cm e que a relação :;N * seja constante. 68 2.6.3 ACI 318R (ACI, 2008) 2.6.3.1 Dimensionamento de vigas ao cisalhamento De acordo com a ACI 318, o dimensionamento de seções transversais sujeitas aos esforços cisalhantes, deve atender a equação 2.28. 6* ≤ d ∙ 6[ (2.28) Sendo Vu é a força de cisalhamento majorada na seção considerada, φ é o fator de redução de resistência, (sendo considerado neste trabalho como unitário) e Vn é a resistência nominal dada pela equação 2.29. 6[ = 6 + 6 (2.29) com, Vc: parcela de resistência ao cisalhamento do concreto; Vs: parcela de resistência ao cisalhamento da armadura transversal; A parcela de resistência ao cisalhamento do concreto é determinada pela equação 2.30. 6 = HG + 120 ∙ e ∙ 6* ∙ ∙ 1 I∙ ≤ ∙ ∙ ∙ G * 7 3 (2.30) considerando: fc: resistência do concreto à compressão em MPa; bw: largura mínima ao longo da altura útil d em mm; d: Altura útil da seção em mm; :; e=f < ∙0 : taxa de armadura de flexão; Mu: momento fletor último em N. mm; As: Seção da armadura longitudinal em mm2. Para um cálculo mais simplificado, a norma sugere que, para elementos submetidos aos esforços cisalhantes, a resistência ao cortante Vc seja determinada pela equação 2.31. 69 6 = 1 ∙ ∙ ∙ G 6 (2.31) A resistência da armadura transversal Vs, pode ser determinada pela equação 2.32. 6 = ∙ ∙ ∙ !=>?@ + AB=@# 2 ≤ ∙ G ∙ ∙ = 3 (2.32) onde, fys: resistência do aço à tração não maior que 420 MPa; s: espaçamento entre estribos; Asw: armadura da seção transversal; α: ângulo de inclinação da armadura transversal. Quando os estribos estão na posição vertical (α = 90º), (senα + cosα = 1), então pode ser utilizada a equação 2.33. 6 = 2.6.3.2 ∙ ∙ 2 ≤ ∙ G ∙ ∙ = 3 (2.33) Dimensionamento de vigas a torção A ACI 318R (ACI, 2008) explica que os momentos torçores que não excederem aproximadamente um quarto do momento torçor de ruptura TCR não causarão redução estrutural significativa em relação à resistência à flexão ou cisalhamento. O momento torçor de ruptura é dado segundo a equação 2.34. TCR = 4 ⋅ f 'C ⋅ A 2 CP pCP (2.34) com, ACP: área delimitada pelo perímetro exterior da seção transversal; pCP: perímetro exterior da seção transversal; f’c: resistência do concreto. 70 A área mínima da armadura de torção deverá ser considerada em toda a região onde estiver atuando o momento torçor e exceder o esforço de torção. Aonde a armadura de torção for necessária, a área mínima da armadura de cisalhamento será calculada pela equação 2.35. !W + 2 ∙ O # = 0,75 ∙ G′ ∙ ∙ = O (2.35) sendo, AV: área da armadura de cisalhamento espaçada por s (em mm); At: área de uma perna do estribo que resiste ao momento torçor; f’c: resistência característica do concreto à compressão; fyt: resistência característica do aço em MPa. Esta norma prescreve também que a área mínima da armadura longitudinal que combate o esforço de torção é calculada pela equação 2.36. T,Yí[ = 5 ∙ G′ ∙ + O O − H I ∙ gh ∙ = (2.36) Sendo que At/s não deve ser menor que 25bw/fyt. O fyt refere-se a armadura transversal e o fys à armadura longitudinal de torção. O espaçamento da armadura transversal não deve exceder o valor de ph/8 ou 200 mm, onde ph é o perímetro da seção periférica delimitada pela armadura transversal. 2.6.4 CEB–FIP MC90 2.6.4.1 Dimensionamento de vigas ao cisalhamento De acordo com o CEB-FIP MC90, o dimensionamento de vigas ao esforço cortante é realizado através do modelo da treliça clássica generalizada, onde a inclinação das diagonais comprimidas da treliça (θ) assume valores entre 18,4º e 45º. A equação 2.37, determina a verificação das diagonais comprimidas do concreto sendo feita a partir da força solicitante atuante na diagonal comprimida. 71 i = 60 ABEFD ∙H I =>?D ABEFD + ABEF@ (2.37) e da força resistente à compressão, determinada pela equação 2.38 que deverá ser maior ou igual à solicitante: i = 0j ∙ ∙ k ∙ AB=D (2.38) onde, Vd: esforço cisalhante solicitante no cálculo; z: distância entre as resultantes de tração e compressão; θ: ângulo de inclinação da diagonal comprimida; fcdi: tensão média considerada para zonas submetidas à compressão devido ao esforço cortante uniaxial, sendo determinada de acordo comas equações 2.39 e 2.40 para regiões nãofissuradas e regiões fissuradas, respectivamente. 0% = 0,85 ∙ H1 − I ∙ 250 (2.39) 0 = 0,60 ∙ H1 − I ∙ 250 (2.40) A verificação das diagonais tracionadas constituídas pela armadura transversal é feita através da força solicitante atuante e da força resistente à tração, sendo determinadas pelas equações 2.41 e 2.42, respectivamente. 60 =>?@ (2.41) ∙ 0 m ∙ k ∙ !ABEFD + ABEF@# = (2.42) iO = i)O = l 2.6.4.2 Dimensionamento de vigas à torção De acordo com o CEB-FIP MC90 a resistência à torção é promovida pelos esforços cortantes, os quais podem ou não estarem associadas com esforços na direção longitudinal. A reistência a torção sem esforços longitudinais corresponde, em termos de teoria plástica, à torção de St. 72 Venant. Este tipo de torção é descrito por esta norma em um termo generalizado de “Torção Tangencial ou Circulatória”. Em uma viga de seção transversal retangular, os esforços cortantes devido ao momento torçor denominado de Tsd, podem ser considerados como constantes ao longo de toda a seção transversal da viga e atuando no centro de gravidade da seção. O esforço cortante devido ao momento torçor é calculado pela equação 2.43. 60,O = 0 ∙ k 2 ∙ R1 ∙ n (2.43) onde, Aef: área delimitada pela linha média da parede de seção vazada; n = 1 − 0.25 f< h : coeficiente numérico para seções retangulares. z: comprimento da linha média de cada dimensão da seção vazada. O dimensionamento aos esforços de torção deve levar em consideração efeitos de ações das forças cortantes e normais devido ao momento torçor solicitante Msd, Nsd, Vsd e Tsd, como mostra a figura 2.77. Figura 2.77 – Esforços solicitantes normais e de cisalhamento na seção transversal de uma viga (CEB-FIP, MC90) Os esforços cortantes e normais considerados devido o momento torçor são determinados pelas equações 2.44 e 2.45, respectivamente. 60,j = 60,O + 60,/ (2.44) o0,j = o0,Y + o0,[ (2.45) 73 onde, Vsd,t: esforço cortante devido a torção; Vsd,v: esforço cortante devido ao cortante transversal; Nsd,m: esforço longitudinal devido a flexão; Nsd,n: esforço longitudinal devido a carga axial. Para se determinar a armadura longitudinal que combate o esforço de torção, esta norma prescreve a equação 2.46 que mostra a área mínima de armadura longitudinal em função das ações atuantes na seção transversal da viga. 0 = 2 ∙ R ∙ n HT ∙ 0 − ABEFD I √2 (2.46) O momento torçor Tsd provoca um fluxo de cisalhamento na seção transversal da viga, considerando como cheia ou maciça, podendo ser considerada como constante e atuando no centro de cada lateral da seção. Este fluxo de cisalhamento pode ser determinado pela equação 2.47. UO = 0 2 ∙ R1 ∙ n ∙ ER1 (2.47) O dimensionamento de vigas ao esforço cortante devido ao momento torçor atuante é realizado através do modelo da treliça clássica generalizada conforme o CEB-FIP MC90, onde a inclinação das diagonais comprimidas da treliça (θ) assume valores entre 18º e 45º. 74 3 PROGRAMA EXPERIMENTAL 3.1 Características das Vigas Foram ensaiados oito conjuntos de vigas de concreto armado, compostos por duas vigas (uma bi-engastada e outra em balanço) simulando a ligação viga-viga, com as mesmas dimensões quanto à seção transversal, sendo quatro conjuntos maciços e os outros quatro conjuntos preformados. Nos ensaios foram observadas as cargas, modos de ruptura, deslocamentos horizontais e verticais máximos, as deformações da armadura de flexão, armadura de cisalhamento próximo à região de ligação entre as vigas, ganchos de ancoragem, armaduras de pele e as deformações no concreto das vigas de cada conjunto, bem como o padrão de fissuração. Aplicou-se um carregamento na direção vertical com o sentido de baixo para cima na viga em balanço, através de uma rótula metálica, a fim de promover um momento torçor na viga bi-engastada. As medidas são as mesmas para todas as vigas: seção transversal de 150 mm x 400 mm e comprimento de 1.800 mm e 600 mm para as vigas bi-engastada e em balanço, respectivamente. As armaduras de flexão foram as mesmas para todas as vigas, constituídas por barras de 12,5 mm de diâmetro, proporcionando uma taxa de armadura em torno de 0,80 %, estabelecendo seções sub armadas, como determinado pelas recomendações da NBR 6118 (ABNT, 2003) apresentados no capítulo 2 deste trabalho. A principal variável considerada foi a armadura adicional longitudinal no combate ao esforço torçor, constituída por armaduras de pele de diâmetro de 5,0 mm. A tabela 3.1 apresenta as principais características das vigas, as dimensões e as seções transversal das vigas maciças e preformadas são apresentadas nas figuras 3.1 e 3.2 respectivamente. Tabela 3.1 – Características das vigas VMREF VMAP1 Armadura de pele (biengastada) - Armadura adicional de ancoragem 1φ 5,0 VMAP2 VMAP3 VPFREF VPFAP1 VPFAP2 VPFAP3 2φ 5,0 4φ 5,0 2φ 5,0 4φ 5,0 1φ 5,0 - Vigas Armadura Longitudinal 2 X 3φ12,5 Asl,mín (mm2) 50 75 Figura 3.1 – Detalhe esquemático dos conjuntos Figura 3.2 – Detalhe esquemático da seção transversal das vigas preformadas e maciças dos conjuntos 3.2 Armadura A armadura de flexão, localizadas na região superior e inferior das vigas, é composta de 12 barras de 12,5 mm, sendo três barras na região superior e três na região inferior, tanto na viga bi-engastada, quanto na viga em balanço. A armadura de cisalhamento para todos os conjuntos é composta por estribos fechados com 5,0 mm de diâmetro, medindo 120 mm x 370 mm, dispostos a cada 200 mm. A armadura de pele utilizada é composta por barras de 5,0mm de diâmetro com comprimento de 1.800 mm, sendo que para as vigas VMAP1 e VPFAP1, a armadura de ancoragem possui somente 800 mm de comprimento, posicionada na região de 76 ligação viga-viga. As vigas VMAP1 e VPFAP1 possuíam somente uma barra, as vigas VMAP2 e VPFAP2 são compostas cada uma por duas barras e as vigas VMAP3 e VPFAP3 são compostas por quatro barras. As figuras de 3.2 a 3.10 mostram o posicionamento de cada armadura dos conjuntos, com suas respectivas dimensões. Fig. 3.3 – Detalhe esquemático longitudinal das 8 vigas em balanço VB Fig. 3.4 – Detalhe esquemático longitudinal da viga bi-engastada VMREF e VPFREF Fig. 3.5 – Detalhe esquemático da ligação viga-viga do conjunto VMREF e VPFREF 77 Fig. 3.6 – Detalhe esquemático longitudinal do conjunto VMAP1 e VPFAP1 Fig. 3.7 – Detalhe esquemático da ligação viga-viga do conjunto VMAP1 e VPFAP1 Fig. 3.8 – Detalhe esquemático longitudinal do conjunto VMAP2 e VPFAP2 78 Fig. 3.9 – Detalhe esquemático da ligação viga-viga do conjunto VMAP2 e VPFAP2 Fig. 3.10 – Detalhe esquemático longitudinal do conjunto VMAP3 e VPFAP3 Fig. 3.11 – Detalhe esquemático da ligação viga-viga do conjunto VMAP3 e VPFAP3 79 3.3 Instrumentação Os deslocamentos horizontais e verticais (flechas) foram medidos através de cinco deflectômetros analógicos (relógios comparadores), com leitura máxima de 50mm e precisão de 0,01 mm/m, posicionados de três formas: um direcionado na vertical posicionado no ponto médio do eixo longitudinal de simetria da viga bi-engastada VA, a 400mm. Os outros quatro deflectômetros estarão direcionados horizontalmente e posicionados na face posterior da alma da viga VA, mais precisamente no nível das fibras superiores, como mostrado na figura 3.12 e na figura 3.13 onde mostra o posicionamento dos deflectômetros. Figura 3.12 – Detalhe esquemático dos deflectômetros Figura 3.13 – Posicionamento dos deflectômetros nas vigas 3.3.1 Concreto As deformações no concreto, foram medidas com a utilização de extensômetros elétricos de resistência (EERs) da marca KYOWA, modelo PA-06-20/BA-120L, K = 2,12mV/V, denominados neste trabalho pela letra C, seguida de um número fixados na superfície inferior da viga VA (C1) e na superfície superior da viga VB (C2) de todos os conjuntos, sendo 80 ligados ao aparelho utilizado para a aquisição de dados das deformações ALMEMO/AHLBORN. Foram fixados dois EERs em cada conjunto, nas direções longitudinais das vigas. Os EERs fixados foram posicionados na região superior da viga VB e na região inferior da viga VA, sendo que o EER da viga em balanço foi posicionado a 200mm da face da viga bi-engastada e o EER da viga bi-engastada será posicionado no eixo longitudinal (a 45mm) da mesma. O posicionamento dos extensômetros na superfície do concreto é mostrado na figura 3.14. Figura 3.14 – Posicionamento dos extensômetros no concreto 3.3.2 Armaduras As deformações nas armaduras de flexão, cisalhamento e pele foram monitoradas da mesma as deformações no concreto, no sentido longitudinal das armaduras, denominados aqui pela letra E seguida de um número. As armaduras de flexão, pele e os ganchos de ancoragem na ligação viga-viga de borda foram monitorados por sensores da marca EXCEL tipo PA-06125AA-120L com fator de resistência K = 2,10 mV/V, posicionados a meia altura da barra, sendo que instrumentou-se somente uma barra da armadura de flexão, devido os efeitos mínimos prováveis do esforço de flexão. Para as armaduras de pele, os sensores foram posicionados na região aonde se concentram as maiores tensões, ou seja, na região de ligação das vigas, porém nas vigas VMAP1 e VPFAP1, como a barra possui somente 800 mm de comprimento, o sensor foi posicionado no centro do 81 comprimento total e a mesma foi posicionada na curva do gancho de ancoragem. Já para os ganchos de ancoragem, os sensores foram posicionados na metade do comprimento do gancho e em uma barra somente da armadura de flexão da viga VB. As deformações da armadura de cisalhamento foram medidas na região de ligação viga-viga de borda tanto na viga bi-engastada (dois estribos) como na viga em balanço (um estribo), sendo indicados pelas letras EV seguidas de um número. Os sensores utilizados são do tipo KFG-5-120-C1-11 medindo 2,8 mm x 9,4 mm, fabricado por Kyowa Eletronic Instruments Co. Ltda., colocados a aproximadamente metade da altura útil da viga. A figura 3.15 mostra o posicionamento do extensômetro na armadura de flexão, as figuras 3.16 a 3.22 mostram as armaduras dos conjuntos maciços e preformados e as figuras 3.23 a 3.31 mostram os detalhes esquemáticos e os posicionamentos respectivamente, dos extensômetros para cada conjunto, sendo que se usaram as mesmas características e quantidades tanto para os conjuntos com vigas preformadas como para os conjuntos com vigas maciças. Figura 3.15 – Posicionamento dos extensômetros nas armaduras de flexão Figura 3.16 – Registro fotográfico do conjunto VMREF 82 Figura 3.17 – Registro fotográfico do conjunto VMAP1 Figura 3.18 – Registro fotográfico do conjunto VMAP2 Figura 3.19 – Registro fotográfico do conjunto VMAP3 83 Figura 3.20 – Registro fotográfico das vigas VPFREF e VPFAP1 Figura 3.21 – Registro fotográfico da viga VPFAP2 Figura 3.22 – Registro fotográfico da viga VPFAP3 84 Figura 3.23 – Posicionamento do extensômetro na armadura de cisalhamento da viga VB Figura 3.24 – Posicionamento dos extensômetros nas armaduras das vigas VMREF e VPFREF Figura 3.25 – Posicionamento dos extensômetros na ligação viga-viga de borda nas armaduras das vigas VMREF e VPFREF 85 Figura 3.26 – Posicionamento dos extensômetros nas armaduras das vigas VMAP1 e VPFAP1 Figura 3.27 – Posicionamento dos extensômetros na ligação viga-viga de borda nas armaduras das vigas VMAP1 e VPFAP1 Figura 3.28 – Posicionamento dos extensômetros nas armaduras das vigas VMAP2 e VPFAP2 86 Figura 3.29 – Posicionamento dos extensômetros na ligação viga-viga de borda nas armaduras das vigas VMAP2 e VPFAP2 Figura 3.30 – Posicionamento dos extensômetros nas armaduras das vigas VMAP3 e VPFAP3 Figura 3.31 – Posicionamento dos extensômetros na ligação viga-viga de borda nas armaduras das vigas VMAP3 e VPFAP3 87 3.4 Sistema de ensaio e aplicação de carga O sistema de ensaio consiste de vigas bi-engastadas, com uma carga concentrada vertical simétrica aplicada na face inferior da viga em balanço. A carga foi aplicada através de uma rótula metálica com aproximadamente 120mm de diâmetro, com a finalidade de promover um momento torçor na viga bi-engastada, através de um cilindro hidráulico com capacidade de carga de 1.000 kN, alimentado por uma bomba hidráulica. A intensidade deste carregamento foi medida por uma célula de carga com capacidade de 1.000 kN e precisão de 1 kN, acoplada ao cilindro hidráulico. Para distribuição da força do cilindro hidráulico, utilizou-se 2 vigas de reação, simulando um engaste contínuo às vigas, que transmitirão o carregamento aplicado às vigas ensaidas para a laje de reação do laboratório, através de 4 tirantes de aço com diâmetro de 29 mm e fys = 250 MPa. Estes tirantes passam através de furos por dentro do pórtico de reação e são incorporados ao sistema de reação com aperto final das “porcas”. Terminado o processo de montagem do sistema, aplicou-se o carregamento no sentido de baixo para cima, adotando-se um incremento de carga de aproximadamente 10% da carga de ruptura estimada. Para cada incremento de carga se mediu os deslocamentos verticais e horizontais, as deformações nas armaduras e no concreto, através dos extensômetros, e as fissuras apenas mapeadas, com o objetivo de identificá-las, sendo que suas medidas não farão parte deste estudo. A figura 3.32 mostra em vista lateral o sistema de ensaio utilizado e a figura 3.33 mostra o registro fotográfico deste sistema dando evidência aos pontos de engaste do elemento, o sistema de aplicação de carga e os equipamentos utilizados para aquisição de dados. 88 Figura 3.32 – Detalhe esquemático do sistema de ensaio das vigas Figura 3.33 – Sistema de ensaio das vigas e equipamentos utilizados 89 3.5 Materiais 3.5.1 Concreto 3.5.1.1 Composição O concreto utilizado na confecção das vigas foi dosado em uma central da região metropolitana de Belém a uma resistência média de 30 MPa. Na composição do concreto, para as vigas maciças utilizou-se cimento CP IV–Z-32 (cimento portland com adição pozolânica), areia de origem quartsoza, como agregado miúdo proveniente da região de Ourém-PA, classificada como muito fina, com faixa granulométrica entre 0,6 a 2,4 mm de diâmetro e como agregado graúdo, utilizou-se seixo rolado, também proveniente de OurémPA, com grãos de 19mm de diâmetro. Na confecção das vigas preformadas, utilizou-se cimento CP II-Z-32, areia quartsoza como agregado miúdo e como agregado graúdo utilizou-se seixo rolado com grãos de aproximadamente 13mm de diâmetro, classificado como fino. A granulometria do seixo é importante para a confecção das preformas das vigas, pois facilita a imersão da armadura e também melhora a trabalhabilidade do concreto facilitando a fixação do cobrimento nominal e lateral da armadura. Para todos os conjuntos utilizou-se o mesmo traço de 1: 1,55: 2,33 fator água-cimento de 0,45 com abatimento de 100±20mm, sendo que foi substituído 15% de cimento por Metacaulim HP adquirido junto à empresa Metacaulim do Brasil, com a finalidade de aumentar a resistência mecânica do concreto e sua trabalhabilidade. O metacaulim é um rejeito mineral proveniente do beneficiamento do caulim e que nos últimos anos teve suas produções aumentadas consideravelmente devido ao crescimento da produção da indústria extrativa mineral e a da construção civil. PINTO (2008) afirma que diante da preocupação com o meio ambiente têm-se realizado muitas pesquisas visando o desenvolvimento de técnicas eficazes para o emprego de rejeitos e redução de emissão de poluentes. Afirma ainda que a adição desses resíduos reduza a porosidade e melhora a zona de transição agregado matriz, sendo que há anos este resíduo vem sendo estudado como adição mineral em substituição a consideráveis parcelas de cimento (PINTO (2008) apud RISSIGNOLO, (2007)). 90 3.5.1.2 Resistência à compressão A resistência à compressão do concreto (f’c) é determinada através de ensaio à compressão simples de 3 corpos de prova cilíndricos padronizados de 100 mm x 200 mm, para cada um dos oito conjuntos, sendo que para se confeccionar as vigas preformadas é necessário quatro etapas de concretagem, para cada etapa haverá três corpos-de-prova tendo-se no total 33 corpos de prova, sendo ensaiados de acordo com a NBR 5739 (ABNT, 1994), no Laboratório de Resistência dos Materiais da UFPa, devendo ser alcançado, aos 28 dias, um valor de resistência estimado de 30 MPa, tomado como a média dos dois maiores valores obtidos dos corpos-de-prova, desprezando-se o menor valor. A figura 3.34 mostra o ensaio de determinação da resistência à compressão axial. Figura 3.34 – Ensaio de compressão axial de corpos-de-prova 3.5.1.3 Resistência à tração Para a determinação da resistência à tração também utilizou-se três corpos-de-prova cilíndricos de (100 x 200) mm para cada conjunto, submetidos a ensaio de compressão diametral de acordo coma NBR 7222 (ABNT, 1994) realizados no Laboratório de Resistência dos Materiais da UFPa como mostra a figura 3.35. A equação que determina a resistência à tração é: O = 2∙( q∙r∙, (3.1) 91 onde, P: Carga de compressão transversal; D,l: Diâmetro e comprimento do corpo de prova. Figura 3.35 – Ensaio de compressão diametral de corpos-de-prova 3.5.1.4 Módulo de Elasticidade Para a obtenção do módulo de elasticidade do concreto, também chamado de módulo de deformação longitudinal pela NBR 6118 (ABNT, 2003), realizaram-se ensaios em três corpos-de-prova cilíndricos de (150 x 300) mm para cada conjunto de vigas. Os ensaios foram realizados de acordo com a NBR 8522 (ABNT, 1984) e os resultados obtidos experimentalmente comparados com os resultados estimados através da NBR 6118 (ABNT, 2003), de acordo com a equação 3.2. s = 5.600 ∙ G′ 3.5.2 (3.2) Aço As armaduras de flexão, cisalhamento e pele foram compostas por barras de 12,5, 5,0 e 5,0 mm de diâmetro respectivamente. Retiraram-se amostras de barras de aço utilizadas na confecção das armaduras das vigas, sendo que os lotes de barras foram entregues pelo fornecedor separados por bitola. Para formação da amostras, extraiu-se aleatoriamente três amostras de cada bitola que serão submetidas ao ensaio de tração de acordo coma NBR 6152 (ABNT, 1992), com o objetivo de determinar o diagrama tensão-deformação, as 92 características mecânicas do aço e avaliar a sua qualidade. A figura 3.36 mostra o ensaio de tração simples em uma amostra de barra de aço utilizada para a confecção das vigas ensaiadas. Figura 3.36 – Ensaio de tração simples do aço 3.6 Sistema de fabricação das vigas 3.6.1 Fôrmas As fôrmas dos conjuntos maciços foram confeccionadas em madeirit resinado com espessura de 10mm constituído de sarrafos de madeira para o travamento das mesmas para impedir que a fôrma abrisse durante a etapa de concretagem, enquanto que as fôrmas ou também denominada de plataformas dos conjuntos preformados foram confeccionadas também em madeirit resinado e com sarrafos para obtenção de retilineidade e rigor nas dimensões das placas premoldadas. Como os conjuntos preformados são confeccionados em pelo menos quatro etapas, ressalta-se que esta plataforma foi reutilizada durante as etapas de concretagem utilizando a madeira de forma otimizada, contudo visando a eliminação total do uso de madeira pode-se optar no lugar do madeirit o uso de chapas metálicas, comum neste tipo de produção. A figura 3.37 mostra as fôrmas utilizadas para a confecção das vigas maciças e preformadas respectivamente. 93 Figura 3.37 - Fôrmas utilizadas para confecção das vigas maciças e preformadas Antes da concretagem dos conjuntos foi aplicado desmoldante nas fôrmas para facilitar a desfôrma. Também durante o processo de dosagem do concreto das vigas maciças adicionouse o metacaulim como substituição de 15% de cimento como mostrado na figura 3.38. Figura 3.38 – Detalhe do metacaulim sendo lançado no concreto e concretagem das vigas maciças A concretagem das vigas preformadas foi realizada em cinco etapas: na primeira concretou-se uma lateral, na segunda a outra lateral da viga, na terceira a camada de fundo, na quarta etapa fez-se a ligação viga-viga com as vigas bi-engastadas e as em balanço e por último foi concretado o núcleo das vigas. Para as preformas o concreto foi dosado no laboratório de Engenharia Civil da UFPA pelo fato de ser em proporções de volume inferiores as das vigas 94 maciças e aos núcleos das preformadas. As figuras 3.39 a 3.45 mostram o detalhe das fôrmas juntamente com a sequência de produção. Figura 3.39 – Plataforma das vigas preformadas Figura 3.40 – Concretagem da primeira etapa (primeira lateral) Figura 3.41 – Concretagem da segunda etapa (segunda lateral) 95 Figura 3.42 – Concretagem da terceira etapa (camada de fundo) Figura 3.43 - Ligação das preformas dos conjuntos (quarta etapa) Figura 3.44 - Ligação viga-viga dos conjuntos 96 Figura 3.45 – Concretagem do núcleo dos conjuntos preformados (quinta etapa) Após a concretagem fez-se o processo de cura dos elementos estruturais consistindo em umedecê-los a cada seis horas durante cinco dias com a finalidade de evitar que houvesse perda de água para o ambiente e posteriormente surgir fissuras de retração nos elementos. A figura 3.46 mostra o detalhe dos conjuntos de vigas preformadas após a concretagem e desformados. Figura 3.46 – Aspecto final da produção das vigas preformadas 97 4 4.1 RESULTADOS DOS ENSAIOS Considerações iniciais Neste capítulo são apresentados os resultados obtidos experimentalmente referentes aos modelos propostos da pesquisa. Inicialmente são apresentados os resultados dos ensaios de caracterização dos materiais (aço e concreto) e em seguida, os resultados referentes aos deslocamentos horizontais e verticais e deformações do concreto e das armaduras. Também são apresentados o padrão de fissuração, cargas e modos de ruptura dos conjuntos sendo analisados e comparando-se os desempenhos dos conjuntos preformados com os maciços e com relação às estimativas normativas. 4.2 Propriedades dos materiais 4.2.1 Concreto Devido as vigas preformadas terem sido executadas em várias etapas de concretagem ocorridas em dias diferentes, foram moldados corpos-de-prova para cada etapa de concretagem a fim de determinar as propriedades do concreto a partir de ensaios de resistência à compressão, resistência à tração por compressão diametral e do módulo de elasticidade longitudinal. Os ensaios foram realizados no Laboratório de Engenharia Civil da UFPA. 4.2.1.1 Resistência à compressão A resistência à compressão do concreto (fc) foi determinada a partir dos ensaios realizados de acordo com a NBR 5739 (ABNT, 1994) sendo realizados simultaneamente aos ensaios dos conjuntos em até 24 horas. A resistência à compressão do concreto adotada para as estimativas normativas foi a média aritmética obtida entre os três corpos-de-prova ensaiados de 100 x 200 mm de dimensões para cada conjunto em suas respectivas idades. Para as vigas preformadas adotou-se a média ponderada das resistências do concreto da primeira etapa (lateral 1), segunda etapa (lateral 2) e quarta etapa (núcleo). 98 4.2.1.2 Resistência à tração A resistência à tração foi determinada através do ensaio de compressão diametral realizado de acordo com a NBR 7222 (ABNT, 1994). Assim como para a resistência à compressão, moldaram-se três corpos-de-prova cilíndricos de dimensões de 100 x 200 mm para cada conjunto de vigas. A tabela 4.1 mostra os resultados obtidos para determinação da resistência a compressão e a tração do concreto em suas respectivas idades. Tabela 4.1 – Resultados dos ensaios de resistência à compressão e à tração PREFÔRMA 1 Idade (dias) CP1 150 CP2 CP3 PREFÔRMA 2 CP1 135 CP2 CP3 NÚCLEO CP1 132 CP2 CP3 MACIÇAS CP1 174 CP2 CP3 4.2.1.3 Pc (kN) 394 373 380 fc (MPa) fc (Média) Pt (kN) 22,3 30 21,1 32 21,6 21,5 36 391 392 390 22,1 22,2 22,1 778 867 835 44,0 49,1 47,3 476 480 456 27,3 26,2 25,4 fct (MPa) 1,3 1,2 1,2 fct (Média) 1,2 22,1 77 73 53 1,2 1,2 1,2 1,2 46,8 101 115 110 2,5 2,8 2,7 2,6 26,3 44 40 38 1,5 1,5 1,5 1,5 Módulo de Elasticidade Para determinação do módulo de elasticidade foram ensaiados, para cada conjunto, três corpos-de-prova cilíndricos de 150 x 300 mm de dimensões, de acordo com as recomendações da NBR 8522 (ABNT, 1984). Os valores dos módulos de elasticidade obtidos experimentalmente foram comparados com os valores calculados através das normas. A figura 4.1 mostra os detalhes do ensaio do módulo de elasticidade do concreto observando que se utilizou para medir as deformações secantes do concreto extensômetros aderidos nos corpos-de-prova juntamente com o sistema de aquisição de dados ALMEMO/AHLBORN. A tabela 4.2 apresenta os módulos de elasticidade obtidos experimentalmente e os estimados 99 pela NBR 6118 (ABNT, 2003). Os resultados experimentais ficaram em média 9% acima dos valores estimados pela norma. Figura 4.1 – Ensaio de módulo de elasticidade do concreto com o sistema de aquisição de dados ALMEMO Tabela 4.2 – Resultados dos ensaios de módulo de elasticidade ETAPAS Ec Exp (GPa) Ec NBR (GPa) Ec Exp/Ec NBR PREFÔRMA 1 29,4 26,0 1,13 PREFÔRMA 2 28,6 26,3 1,09 FUNDO 26,3 24,7 1,06 NÚCLEO 41,5 38,3 1,08 MACIÇAS 31,6 28,7 1,10 4.2.2 Aço Foram tiradas aleatoriamente 3 amostras de cada bitola das barras de aço utilizadas na confecção das armaduras das vigas. As amostras foram submetidas ao ensaio de tração axial, de acordo com a NBR 6152 (ABNT, 1992), para determinação do diagrama tensão deformação e a resistência à tração do aço utilizado. As deformações das barras foram medidas através de extensômetros mecânicos. O aço de 12,5 mm de diâmetro apresentou patamar de escoamento definido. O aço de diâmetro igual a 5 mm não apresentou patamar de escoamento definido, para este aço a tensão de escoamento foi obtida através da interseção do diagrama de tensão x deformação com uma paralela ao trecho elástico do diagrama e que parte da deformação residual de 2‰. As propriedades mecânicas dos aços utilizados nesta pesquisa são apresentadas na tabela 4.3, os valores adotados correspondem à média dos resultados dos ensaios das 3 amostras. As figuras 4.5 a 4.7 mostram os diagramas de tensão x deformação dos aços ensaiados. 100 Tabela 4.3 – Resultados dos ensaios do aço ø (mm) fys (Mpa) ξys (‰) As (mm2) Es (GPa) 5,0 620,0 4,5 20,0 248,2 12,5 560,3 2,3 125,0 243,5 Figura 4.2 – Diagrama tensão x deformação para a bitola de 5 mm Figura 4.3 – Diagrama tensão x deformação para a bitola de 12,5 mm 4.3 Ensaios dos conjuntos 4.3.1 Deslocamentos horizontais e verticais Os deslocamentos horizontais e verticais foram medidos através de deflectômetros analógicos, com leitura máxima de 50 mm e precisão de 0,01 mm/m, sendo quatro posicionados ao longo do vão e entre os apoios da viga bi-engastada para medir os deslocamentos horizontais e um 101 no eixo transversal da viga bi-engastada na região de ligação viga-viga para medir os deslocamentos verticais. As leituras foram feitas a cada passo de carga que eram a cada 3 kN. As figuras 4.4 a 4.14 mostram os gráficos dos deslocamentos horizontais e verticais para os conjuntos de vigas maciças e preformadas respectivamente observados pelos deflectômetros. Figura 4.4 – Deslocamentos observados no deflectômetro D1 nos conjuntos maciços Figura 4.5 – Deslocamentos observados no deflectômetro D1 nos conjuntos preformados 102 Figura 4.6 – Deslocamentos observados no deflectômetro D2 nos conjuntos maciços Figura 4.7 – Deslocamentos observados no deflectômetro D2 nos conjuntos preformados 103 Figura 4.8 – Deslocamentos observados no deflectômetro deflectômetro D3 nos conjuntos maciços Figura 4.9 – Deslocamentos observados no deflectômetro D3 nos conjuntos preformados 104 Figura 4.10 – Deslocamentos observados no deflectômetro D4 nos conjuntos maciços Figura 4.11 – Deslocamentos observados no deflectômetro D4 nos conjuntos preformados 105 Figura 4.12 – Deslocamentos observados no deflectômetro D5 nos conjuntos maciços Figura 4.13 – Deslocamentos observados no deflectômetro D5 nos conjuntos preformados 4.3.2 Deformações do concreto Os extensômetros utilizados para monitorar as deformações do concreto foram colados em cada conjunto, na parte inferior e no eixo transversal da viga bi-engastada e na parte superior na região da viga em balanço a 200 mm da face da viga bi-engastada, sendo todos os extensômetros posicionados próximo à região de ligação viga-viga. As figuras 4.14 a 4.15 mostram os gráficos das deformações do concreto dos conjuntos maciços e preformados. 106 Figura 4.14 – Deformações do concreto na superfície inferior dos conjuntos ensaiados Figura 4.15 – Deformações do concreto na superfície superior dos conjuntos ensaiados 4.3.3 Deformações da armadura de flexão As deformações na armadura de flexão foram medidas através de extensômetros elétricos de resistência (EER) do tipo PA-06-125AA-120L, obtidos da empresa Excel Sensores Ind. Com. Exp. Ltda, fixados a meia altura da seção da barra, no centro do vão entre os apoios da viga, sendo monitorada uma barra da primeira camada de armadura. A figura 4.16 mostra os gráficos das deformações da armadura de flexão das vigas bi-engastadas dos conjuntos ensaiados e a figura 4.17 mostra os gráficos das deformações da armadura de flexão das vigas em balanço de cada conjunto. 107 Figura 4.16 – Deformações da armadura de flexão das vigas bi-engastadas dos conjuntos ensaiados Figura 4.17 – Deformações da armadura de flexão das vigas em balanço dos conjuntos ensaiados 4.3.4 Deformações da armadura de cisalhamento Na armadura de cisalhamento foram utilizados extensômetros elétricos de resistência (EER) do tipo KFG-5-120-C1-11 medindo (2,8 x 9,4) mm, fabricado por Kyowa Eletronic Instruments Co. Ltda., colocados a aproximadamente metade da altura útil da viga. Os extensômetros foram posicionados de modo a monitorar os estribos mais solicitados à tração, ou seja, no tramo do estribo e na região de ligação viga-viga tanto para as bi-engastadas quanto para as em balanço. As figuras 4.18 a 4.19 mostram a média das deformações das 108 armaduras de cisalhamento esquerda e direita das vigas bi-engastadas dos conjuntos maciços e preformados respectivamente e a figura 4.20 mostra as deformações das armaduras de cisalhamento das vigas em balanço dos conjuntos ensaiados. Figura 4.18 – Média das deformações da armadura de cisalhamento das vigas bi-engastadas dos conjuntos maciços Figura 4.19 – Média das deformações da armadura de cisalhamento das vigas bi-engastadas dos conjuntos preformados 109 Figura 4.20 – Deformações da armadura de cisalhamento das vigas em balanço 4.3.5 Deformações dos ganchos de ancoragem Nos ganchos de ancoragem da ligação viga-viga utilizou-se também extensômetros do tipo Excel posicionado na metade do comprimento de ancoragem calculado de acordo com a NBR 6118 (ABNT, 2003), ou seja, aproximadamente a 110 mm. A figura 4.21 mostra os gráficos das deformações do gancho de ancoragem dos conjuntos maciços e preformados. Figura 4.21 – Deformações dos ganchos de ancoragem da ligação viga-viga dos conjuntos 110 4.3.6 Deformações das armaduras adicionais de ancoragem e armaduras de pele As armaduras de ancoragem que correspondem aos conjuntos VMAP1 e VPFAP1, e de pele correspondentes aos conjuntos VMAP2, VMAP3, VPFAP2 e VPFAP3 foram monitoradas na região de ligação entre as vigas onde havia maiores concentrações de tensões de acordo com os diagramas de esforços estáticos (fletor, cortante e torçor). As figuras 4.22 a 4.24 mostram os gráficos das deformações das armaduras adicionais de ancoragem e de pele de seus correspondentes conjuntos. Figura 4.22 – Deformações das armaduras adicionais de ancoragem dos conjuntos VMAP1 e VPFAP1 Figura 4.23 – Deformações das armaduras de pele dos conjuntos VMAP2 e VPFAP2 Figura 4.24 – Deformações das armaduras de pele dos conjuntos VMAP3 e VPFAP3 111 4.3.7 Ângulo de Torção Para todos os conjuntos analisados, o ângulo de torção (φ) foi estimado considerando que a seção rotacionou em torno do eixo longitudinal da viga bi-engastada e que os deslocamentos observados no deflectômetro D3 foram somente horizontais. A figura 4.25 mostra um detalhe esquemático do ângulo de torção por unidade de comprimento em uma viga de seção transversal quando o elemento gira em torno do seu eixo longitudinal a partir do torque, onde φ é o ângulo de torção e δ a deflexão da viga devido ao torque solicitante. As figuras 4.26 a 4.33 mostram os gráficos de correlação entre os ângulos de torção e o torque solicitante na viga bi-engastada dos conjuntos a partir dos deslocamentos horizontais observados. Figura 4.25 – Ângulo de torção em uma viga devido ao torque solicitante Figura 4.26 – Ângulos de torção observados no deflectômetro D1 nos conjuntos maciços 112 Figura 4.27 – Ângulos de torção observados no deflectômetro D1 nos conjuntos preformados Figura 4.28 – Ângulos de torção observados no deflectômetro D2 nos conjuntos maciços Figura 4.29 – Ângulos de torção observados no deflectômetro D2 nos conjuntos preformados 113 Figura 4.30 – Ângulos de torção observados no deflectômetro D3 nos conjuntos maciços Figura 4.31 – Ângulos de torção observados no deflectômetro D3 nos conjuntos preformados Figura 4.32 – Ângulos de torção observados no deflectômetro D4 nos conjuntos maciços 114 Figura 4.33 – Ângulos de torção observados no deflectômetro D4 nos conjuntos preformados 4.3.8 Padrão de Fissuração As vigas preformadas e as vigas maciças de referência apresentaram níveis de fissuração relativamente compatíveis com o nível de fissuração esperado. A tabela 4.4 apresenta os valores verificados para as cargas últimas e cargas das primeiras fissuras observadas e as figuras 4.34 a 4.41 mostram o padrão das fissuras nas vigas ensaiadas. Todos os conjuntos romperam por esmagamento da biela pelo esforço de torção ao longo do comprimento da viga, sendo que as fissuras surgiram no ponto de ligação viga-viga e prolongaram-se até a região dos engastes. Tabela 4.4 – Cargas últimas dos conjuntos ensaiados VIGAS Pu (kN) 1ª Fissura (kN) VMREF 55 18 VMAP1 62 33 VMAP2 59 46 VMAP3 64 36 VPFREF 45 24 VPFAP1 43 41 VPFAP2 45 39 VPFAP3 45 41 115 Figura 4.34 – Padrão de fissuração da VMREF Figura 4.35 – Padrão de fissuração da VMAP1 Figura 4.36 – Padrão de fissuração da VMAP2 116 Figura 4.37 – Padrão de fissuração da VMAP3 Figura 4.38 – Padrão de fissuração da VPFREF Figura 4.39 – Padrão de fissuração da VPFAP1 117 Figura 4.40 – Padrão de fissuração da VPFAP2 Figura 4.41 – Padrão de fissuração da VPFAP3 4.4 Análise dos resultados experimentais 4.4.1 Deslocamentos horizontais e verticais Os valores dos deslocamentos horizontais máximos observados nos conjuntos tiveram variações significativas registradas pelos deflectômetros a medida que variou-se o posicionamento dos mesmos. No relógio D1, aonde se media o deslocamento horizontal no engaste da viga bi-engastada, verificou-se que os deslocamentos nesse ponto ficaram em torno de 5% dos valores observados no relógio D2 para os conjuntos com armadura de pele. A densidade de armadura de pele nas vigas influenciou em seus deslocamentos analisando a ductilidade que proporcionou aos conjuntos. Os conjuntos VMAP1 e VPFAP1 com uma armadura adicional de ancoragem tiveram maiores deslocamentos horizontais do que os outros conjuntos maciços e preformados sendo que esta observação se evidencia no relógio D3 onde há a maior rigidez, ou seja, na ligação viga-viga. No relógio D4 verificou-se que nos 118 oito conjuntos ensaiados tiveram deslocamentos semelhantes aos observados no relógio D2 garantindo que houve simetria entre os deslocamentos horizontais sendo, portanto eficiente o sistema de ensaio utilizado. Os valores dos deslocamentos verticais mostram que houve um padrão de comportamento dos conjuntos nos primeiros passos de carga até aproximadamente 30 kN e logo após os deslocamentos se intensificaram após o surgimento das primeiras fissuras onde passam a ser ligeiramente maiores até a iminência de ruína o que se verifica no conjunto VMAP1 devido apresentar deslocamentos verticais semelhantes aos demais até próximo de 30 kN e depois passou a ter deslocamentos mais acentuados quando surgem as primeiras fissuras. 4.4.2 Deformações 4.4.2.1 Armadura de flexão As deformações observadas na armadura de flexão das vigas bi-engastadas mostram que os conjuntos VMAP3 e VPFAP3 tiveram maiores deformações para maiores cargas, ou seja, tiveram maior ductilidade proporcionada pela densidade de armadura adicional longitudinal (pele) o que evidencia a interação com os esforços de torção na viga sendo conhecida como flexo-torção. Apesar da armadura de flexão dos conjuntos terem tido deformações próximas do escoamento, as vigas em balanço tiveram valores inferiores aos observados nas vigas biengastadas mostrando que a viga em balanço não romperia por flexão e que a ligação vigaviga não fora comprometida pelos esforços de flexão do conjunto. 4.4.2.2 Armadura de Cisalhamento Nas armaduras de cisalhamento das vigas bi-engastadas, analisando a média das deformações das armaduras esquerda e direita, as deformações ocorridas mostram que houve variações significativas de deformações entre os conjuntos maciços. À medida que se aumentou a taxa de armadura de pele houve um aumento da deformação da armadura de cisalhamento onde se observa com mais evidência na viga do conjunto VMAP3 onde a deformação da armadura de cisalhamento teve um acréscimo de 45% em relação à viga do conjunto VMREF. Nas vigas em balanço, as armaduras de cisalhamento tiveram deformações reduzidas e foram pouco solicitadas embora a armadura monitorada estivesse na região de ligação viga-viga, 119 observando-se que de acordo com os esforços cortantes na viga em balanço para que a armadura de cisalhamento entrasse em regime de escoamento seria necessária uma carga elevada em relação às cargas de ruptura dos conjuntos. Tal efeito é verificado nos conjuntos preformados onde a viga em balanço do conjunto VPFAP2 teve maiores deformações da armadura transversal em relação aos demais conjuntos. 4.4.2.3 Ganchos de ancoragem Os ganchos de ancoragem foram pouco solicitados em todos os conjuntos na ligação vigaviga como se observou nos conjuntos VPFAP1 e VMAP1 devido à armadura adicional de ancoragem que proporcionou um ganho de resistência aos esforços solicitantes nesta região e uma maior ductilidade da ancoragem na ligação. Em todos os conjuntos não houve ruptura precoce da ligação viga-viga o que se verificou em pesquisas anteriores onde houve fissuração excessiva na região de ligação, embora as fissuras na região inferior tenham se destacado na ligação entre os elementos. 4.4.2.4 Armaduras adicionais de ancoragem e armaduras de pele Verificou-se que a armadura de pele foi mais solicitada do que a armadura adicional de ancoragem tanto nos conjuntos maciços quanto nos preformados, devido à armadura de pele ter sido posicionada na região onde ocorria o fluxo de cisalhamento proveniente do esforço de torção, enquanto a armadura de ancoragem ficou localizada na região interna do conjunto, ou seja, fora da área equivalente ao esforço de torção embora tenha proporcionado uma ductilidade aos ganchos de ancoragem. 4.4.2.5 Superfície do concreto Em todos os conjuntos observou-se que com o aumento da taxa de armadura de pele houve também um aumento do padrão de fissuração das vigas em relação às vigas sem armadura de pele, embora nos conjuntos preformados houvesse ocorrido o descolamento da preforma do núcleo devido ao esforço de torção que próximo as cargas últimas diminuiu consideravelmente a resistência da aderência entre a preforma e o núcleo. A superfície superior teve menores deformações do que a superfície inferior nos conjuntos maciços. Na região de ligação viga-viga ocorreram fissuras de esmagamento do concreto, porém não houve arrancamento da ancoragem, proporcionando aos elementos a ruptura por esmagamento da biela devido ao esforço de torção. 120 Com o aumento da taxa de armadura de pele houve um incremento na quantidade de fissuras das vigas em relação às vigas com taxas inferiores de armadura de pele embora nos conjuntos preformados houvesse ocorrido o descolamento da placa premoldada do núcleo de vido ao fluxo de tensões superando a resistência da aderênca na interface dos concretos. Analisando as cargas últimas observa-se que a ruptura nos conjuntos maciços cerca de 30% superior a nos conjuntos preformados, porém, a resistência dos conjuntos preformados foi em torno de 33,5 MPa considerando monoliticamente os concretos da preforma e do núcleo. Vale ressaltar que a diferença entre as cargas que surgiram as primeiras fissuras em todos os conjuntos analisados foi de aproximadamente 13% verificando-se que apesar da preforma ter resistência inferior ao núcleo dos conjuntos preformados, contribuiu significativamente na resistência à torção uma vez que a espessura da casca era maior que a espessura equivalente de cálculo estando de acordo com os procedimentos de cálculo adotados. 4.4.3 Ângulos de torção Para os ângulos de torção analisados a partir dos deslocamentos horizontais observou-se que os conjuntos preformados apresentaram ângulos de torção semelhantes em relação ao conjunto de referência. Verificou-se também que próximo as cargas últimas o ângulo de torção era constante, ou seja, a viga não rotacionou próxima a iminência de ruína e a relação giro/deslocamento tornou-se constante. Nos conjuntos VMAP1 e VPFAP1 foi observado que para se obter o mesmo ângulo de torção houve um aumento do torque solicitante e também da resistência ao esforço de torção da viga, logo houve um maior rendimento dos conjuntos com armaduras adicionais de ancoragem que proporcionaram maior rigidez à torção. 4.4.4 Padrão de fissuração Como mostrado na tabela 4.4 as fissuras de torção nos conjuntos preformados surgiram com cargas 9% em média acima nos conjntos maciços embora as fissuras de torção tenham surgido próximas a carga de ruptura. Nos conjuntos preformados as fissuras cortaram as camadas de concreto nas mesmas seções da espessura equivalente da viga o que mostra a interação placa premoldada (preforma)-núcleo reagirem solidariamente aos esforços solicitantes. As figuras 4.42 a 4.45 mostram as fissuras atingindo a preforma e o núcleo dos conjuntos preformados ressaltando que as fissuras de torção circundam o elemento estrutural helicoidalmente na direção da ligação viga-viga convergindo para o apoio. 121 Figura 4.42 – Camadas de concreto do conjunto VPFREF após a ruptura Figura 4.43 – Camadas de concreto do conjunto VPFAP1 após a ruptura Figura 4.44 – Camadas de concreto do conjunto VPFAP2 após a ruptura 122 Figura 4.45 – Camadas de concreto do conjunto VPFAP3 após a ruptura 4.4.5 Comparação com as estimativas normativas A resistência dos conjuntos preformados foi estimada segundo os mesmo critérios para os conjuntos maciços ressaltando que os procedimentos de cálculo foram para as vigas biengastadas de todos os conjuntos ensaiados. As resistências das vigas foram estimadas de acordo com as normas ACI 318, CEB FIP MC90 e NBR 6118 (ABNT, 2003). Utilizou-se nos cálculos a resistência do concreto e as tensões de escoamento do aço obtidas nos ensaios de forma que houvesse maior aproximação com o limite de resistência das vigas. 4.4.5.1 ACI 318 Os valores das cargas de ruptura por esmagamento da biela por torção ficaram próximos aos valores estimados pela ACI 318. As vigas preformadas apresentaram valores médios 28% acima das estimativas e as maciças 37% no entanto, para as estimativas por ruptura por cisalhamento da diagonal tracionada todos os conjuntos tiveram cargas de ruptura abaixo das estimativas cerca de 20%. As vigas de referência maciças e preformadas romperam com cargas 30% maiores que as estimadas pela ACI 318 e as demais romperam com 40% em média. A tabela 4.5 apresenta as cargas de ruptura dos conjuntos, os valores de resistência estimados pela ACI 318 e a relação entre os valores experimentais e normativos. 123 Tabela 4.5 – Cargas de ruptura e resistência estimadas pela ACI 318 Vigas Pexp (kN) Pflex (kN) ACI 318 Vu (kN) Pu (kN) VMREF 55 VPFREF 45 VMAP1 62 VPFAP1 43 268 87,6 VMAP2 59 VPFAP2 45 VMAP3 64 VPFAP3 45 Vu: Ruptura da diagonal tracionada; u:Ruptura por tração das armaduras longitudinais; 35,2 35,2 35,3 35,3 35,4 35,4 35,5 35,5 Pexp/Pflex Pexp/Vu Pexp/Pu 0,2 0,6 0,5 0,7 0,5 0,7 0,5 0,7 0,5 1,6 1,3 1,8 1,2 1,7 1,3 1,8 1,3 4.4.5.2 CEB-FIP MC90 De acordo com esta norma as vigas maciças tiveram valores médios cerca de 40% maiores que os estimados a ruptura por esmagamento da biela enquanto as vigas preformadas tiveram valores abaixo dos estimados pelo CEB-FIP MC90 devido a resistência do concreto dos conjuntos preformados. A tabela 4.6 apresenta as cargas de ruptura, os valores estimados pelo CEB-FIP MC90 e a relação entre os valores experimentais e estimados. Tabela 4.6 – Cargas de ruptura e resistência estimadas pelo CEB-FIP MC90 Vigas Pexp (kN) VMREF 55 VPFREF Pflex (kN) CEB-FIP MC90 Pexp/Vu Pexp/Pu 44,6 1,3 1,2 45 44,6 1,1 1,0 VMAP1 62 45,7 1,5 1,4 VPFAP1 43 1,0 0,9 VMAP2 59 48,1 1,4 1,2 VPFAP2 45 48,1 1,1 0,9 VMAP3 64 50,4 1,5 1,3 VPFAP3 45 Vu:Ruptura da diagonal tracionada; 50,4 1,1 0,9 268 Vu (kN) Pu (kN) 42,6 45,7 Pexp/Pflex 0,2 Pu:Ruptura por tração das armaduras longitudinais. 124 4.4.5.3 NBR 6118 (ABNT, 2003) Todos os conjuntos analisados tiveram valores maiores à ruptura por cisalhamento proveniente do esmagamento da biela 60% em média do que os estimados pela NBR 6118 (ABNT, 2003). Para a ruptura por esmagamento da biela por torção e tração das armaduras longitudinais os conjuntos ensaiados tiveram valores semelhantes aos estimados pela norma mostrando que para o esforço de torção mostra-se a favor da segurança o dimensionamento do elemento estrutural. A tabela 4.7 apresenta as cargas de ruptura e as estimativas segundo a NBR. Tabela 4.7 – Cargas de ruptura e resistência estimadas pela NBR 6118 (ABNT, 2003) NBR 6118 Vigas Pexp (kN) VMREF 55 55,5 2,7 0,2 0,9 1,0 VPFREF 45 55,5 2,2 0,1 0,8 0,8 VMAP1 62 57,0 3,1 0,2 1,1 1,1 VPFAP1 43 2,1 0,1 0,7 0,8 VMAP2 59 58,5 2,9 0,2 1,0 1,0 VPFAP2 45 58,5 2,2 0,1 0,8 0,8 VMAP3 64 61,5 3,2 0,2 1,1 1,0 VPFAP3 45 61,5 2,2 0,1 0,8 0,7 Pflex (kN) 268,1 Vu1 (kN) 20,3 Vu2 Pu1 (kN) (kN) 176,7 59,0 Pu2 (kN) 57,0 Pexp/Pflex Pexp/Vu1 Pexp/Vu2 Pexp/Pu1 Pexp/Pu2 0,2 Vu1: Ruptura por esmagamento da biela (Modelo de cálculo II); Vu2: Ruptura da diagonal tracionada; Pu1: Ruptura por esmagamento da biela; Pu2: Ruptura por tração das armaduras longitudinais; As vigas preformadas apresentaram cargas de ruptura tanto por torção devido ao esmagamento da biela quanto à ruptura por tração das armaduras longitudinais com valores em média 31% menores que o valor estimado pela NBR 6118. Para as normas ACI 318 e CEB-FIP MC90, as cargas de ruptura por tração das armaduras longitudinais foram em média 10% inferiores em relação ao CEB-FIP MC90 e cerca de 30% superiores as estimadas pela ACI 318. Os valores de carga de ruptura dos conjuntos tiveram valores inferiores às cargas de ruptura da diagonal tracionada ficaram abaixo das estimativas normativas, 50% em média em relação à ACI 318, 75% em relação à NBR 6118 e valores superiores em média 20% em relação ao 125 CEB-FIP MC90. A figura 4.46 mostra graficamente os valores das estimativas normativas e das cargas de ruptura por torção por tração das armaduras longitudinais observadas nos ensaios dos conjuntos. 70 60 Carga (kN) 50 40 Pexp Pu NBR 6118 30 Pu ACI 318 Pu CEB-FIP MC90 20 10 0 VMREF VPFREF VMAP1 VPFAP1 VMAP2 VPFAP2 VMAP3 VPFAP3 Vigas Figura 4.46 – Estimativas normativas e cargas experimentais de ruptura por torção dos conjuntos 126 5 5.1 CONCLUSÕES E SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS Conclusões O comportamento estrutural dos conjuntos preformados analisados neste trabalho foi considerado satisfatório em relação aos conjuntos maciços utilizados como referência. A comparação dos resultados experimentais com os estimados pelas normas técnicas não mostrou fatores limitantes para o desempenho e utilização de elementos preformados visto que os conjuntos preformados apresentaram ruptura por flexão 37% em média maior que o previsto pela norma considerando o rompimento das armaduras longitudinais de torção. Com o sistema de ensaio utilizado e a aplicação de carga nos conjuntos ensaiados, esta pesquisa permitiu avaliar alguns aspectos relevantes no comportamento da ligação viga-viga deste sistema: Visando reproduzir em laboratório o processo construtivo e a execução da ligação entre as armaduras, estas apresentaram espaçamentos iguais entre as armaduras de cisalhamento e também mostrando a viabilidade da utilização da armadura de pele no combate ao esforço de torção em elementos preformados. Não foi observado durante os ensaios descolamento visível, embora tenha ocorrido o comprometimento devido à fissuração, da placa premoldada (preforma) do núcleo de concreto moldado “in loco” antes e após a ruptura das vigas, onde foi verificado que nas regiões próximas às fissuras as camadas de concreto permaneceram ligadas entre si. As fissuras helicoidais atingiram simultaneamente a preforma e o núcleo nas mesmas seções transversais da viga bi-engastada. As deformações da armadura de flexão, cisalhamento, ancoragem e pele foram compatíveis com o sistema de ensaio e aplicação da carga, sendo tal sistema eficaz para este propósito. Não houve arrancamento da ancoragem mesmo nos conjuntos que não possuíam armaduras adicionais mostrando que não ocorreu ruptura precoce das ligações viga-viga evidenciando-se nos resultados experimentais que foram consistentes e superiores aos estimados pela NBR 6118 (ABNT, 2003). A resistência dos conjuntos preformados atingiu valores compatíveis com as características mecânicas dos materiais utilizados na sua fabricação. As cargas de ruptura das vigas 127 preformadas não tiveram variações significativas em relação aos conjuntos maciços e em relação às estimativas normativas. 5.2 Sugestões para trabalhos futuros Devido o fato deste trabalho apresentar uma análise sobre o desempenho de um sistema estrutural que não é usado normalmente na Região Norte do Brasil, os resultados obtidos experimentalmente podem servir como base para novas pesquisas sobre os elementos estruturais preformados sendo necessário ampliar a base de conhecimento sobre um sistema construtivo que pode reduzir o consumo de madeira para formas e escoramentos, contribuindo para a redução do impacto ambiental causado pela indústria da construção civil. Pode ser conveniente: Analisar experimentalmente novos arranjos estruturais utilizando elementos preformados submetidos à torção de forma que seja estudada a ligação entre viga de extremidade, ou seja, ao contrário da ligação ser no meio do vão da viga bi-engastada (L = L/2), a ligação seria no final do vão da viga (L). Utilizar taxas geométricas maiores de armaduras de pele em elementos preformados e em maiores dimensões. Pesquisar a aderência entre o concreto das cascas e o concreto do núcleo das vigas preformadas, criando mecanismos para garantir que as diversas camadas de concreto trabalhem solidariamente. Analisar numericamente o comportamento estrutural desses elementos premoldados, avaliando a utilização das prescrições normativas pertinentes às estruturas de concreto armado para o seu dimensionamento, bem como o estudo das suas ligações e a interação entre concretos de propriedades mecânicas diferentes. 128 6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ACI 318R, Building Code Requirements for Structural Concrete, American Concrete Institute, Farminton Hills, Michigan, 2008. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR5739/1994 – Ensaios de compressão de corpos de prova cilíndricos de concreto. Rio de Janeiro, 1994. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR6118/2003 – Projetos de estruturas de concreto armado. Rio de Janeiro, 2003. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR6152/1992 – Materias metálicos. Determinação das propriedades mecânicas à tração. Rio de Janeiro, 1992. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. 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Análise experimental de vigas pré-formadas submetidas à torção. 49º Congresso Brasileiro do Concreto, IBRACON, Bento Gonçalves. 131 7 APÊNDICE A LEITURAS REGISTRADAS NOS ENSAIOS A.1 Deslocamentos Horizontais e Verticais Tabela A.1.1 – Leitura para os deflectômetros na viga VMREF CARGA (kN) 0 3 6 9 12 15 18 21 24 27 30 33 36 39 42 45 D1 0,0 0,02 0,1 0,18 0,28 0,35 0,45 0,52 0,62 0,73 0,76 0,78 1,25 1,37 1,52 1,67 D2 0,0 0,04 0,13 0,22 0,36 0,45 0,56 0,67 0,79 0,91 0,96 1,02 1,63 1,84 2,05 2,26 Deflectômetro D3 0,0 0,06 0,16 0,27 0,41 0,53 0,65 0,78 0,92 1,05 1,13 1,23 1,98 2,3 2,64 2,98 D4 0,0 0,03 0,11 0,2 0,35 0,43 0,54 0,64 0,78 0,9 0,91 1,0 1,58 1,79 2,01 2,24 D5 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,2 0,33 0,47 0,6 132 Tabela A.1.2 – Leitura para os deflectômetros na viga VMAP1 CARGA (kN) 0 3 6 9 12 15 18 21 24 27 30 33 36 39 42 45 48 51 54 57 60 D1 0 0 0 0 0 0 0,08 0,15 0,25 0,38 0,5 0,55 0,68 0,75 0,85 0,95 1,15 1,2 1,35 1,5 1,65 D2 0 0 0 0 0 0,1 0,2 0,3 0,45 0,6 0,8 1,8 2 2,35 2,9 3,45 4,05 4,45 4,9 5,35 5,7 Deflectômetro D3 0 0 0 0 0 0,14 0,28 0,4 0,6 0,8 1,05 1,45 1,9 2,45 3,1 3,87 4,7 5,35 5,9 6,8 8,1 D4 0 0 0 0 0 0,1 0,24 0,35 0,5 0,7 0,9 1,25 1,6 2,05 2,6 3,3 3,95 4,5 5 5,5 6,6 D5 0 0 0 0,01 0,04 0,04 0,04 0,04 0,04 0,04 0,3 0,8 1 1,3 1,35 1,75 2,15 2,4 2,55 2,8 3,5 133 Tabela A.1.3 – Leitura para os deflectômetros na viga VMAP2 CARGA (kN) 0 3 6 9 12 15 18 21 24 27 30 33 36 39 42 45 48 51 54 57 D1 0 0,2 0,41 0,7 0,91 1,16 1,34 1,58 1,81 1,99 2,12 2,23 2,35 2,51 2,66 2,87 2,97 3,07 3,31 3,61 D2 0 0,15 0,4 0,66 0,91 1,14 1,35 1,59 1,79 2,07 2,38 2,58 2,77 3,16 3,42 3,65 3,77 3,88 4,98 5,17 Deflectômetros D3 0 0,16 0,43 0,72 1,01 1,27 1,51 1,8 2,02 2,39 2,76 3,04 3,31 3,82 4,14 4,31 4,4 4,48 4,89 5,29 D4 0 0,16 0,42 0,71 1,01 1,27 1,47 1,73 1,94 2,27 2,59 2,82 3,06 3,46 3,7 3,76 3,79 3,82 4,78 4,99 D5 0 0,02 0,02 0,04 0,08 0,08 0,08 0,1 0,1 0,3 0,45 0,45 0,47 0,65 0,68 0,71 0,73 0,74 0,78 0,85 134 Tabela A.1.4 – Leitura para os deflectômetros na viga VMAP3 CARGA (kN) 0 3 6 9 12 15 18 21 24 27 30 33 36 39 42 45 48 51 D1 0 0,05 0,18 0,31 0,44 0,62 0,78 0,92 1,07 1,19 1,36 1,51 1,64 1,78 1,91 2,03 2,18 2,34 D2 0 0,08 0,21 0,39 0,52 0,7 0,9 1,09 1,28 1,46 1,65 1,83 2 2,18 2,38 2,91 3,16 3,68 Deflectômetro D3 0 0,1 0,25 0,47 0,65 0,87 1,1 1,34 1,58 1,81 2,04 2,27 2,49 2,74 3,31 3,8 4,31 4,98 D4 0 0,09 0,24 0,43 0,58 0,81 1 1,22 1,47 1,67 1,89 2,1 2,3 2,53 2,93 3,27 3,65 4,1 D5 0 0 0,01 0,05 0,06 0,15 0,21 0,27 0,34 0,42 0,47 0,55 0,61 0,7 1,05 1,19 1,38 1,57 135 Tabela A.1.5 – Leitura para os deflectômetros na viga VPFREF CARGA (kN) D1 D2 D3 D4 D5 0 3 6 9 12 15 18 21 24 27 30 33 36 39 42 0 0,05 0,17 0,35 0,5 0,65 0,82 0,88 1 1,12 1,38 1,56 1,75 2,28 2,42 0 0,1 0,25 0,46 0,63 0,85 1,09 1,22 1,4 1,5 1,65 1,67 1,83 2,61 3,16 0 0,1 0,28 0,5 0,68 0,9 1,21 1,4 1,6 1,9 2,34 2,69 3,12 3,93 4,22 0 0,08 0,22 0,45 0,61 0,83 1,05 1,18 1,35 1,48 1,63 1,66 1,82 2,6 3,14 0 0 0 0 0,04 0,04 0,07 0,14 0,23 0,32 0,34 0,34 0,39 0,59 0,64 Deflectômetro 136 Tabela A.1.6 – Leitura para os deflectômetros na viga VPFAP1 CARGA (kN) 0 3 6 9 12 15 18 21 24 27 30 33 36 39 42 D1 0 0,03 0,15 0,26 0,36 0,46 0,58 0,71 0,82 0,96 1,13 1,33 1,54 1,69 2,03 D2 0 0,1 0,25 0,4 0,58 0,78 0,97 1,18 1,37 1,6 1,84 2,14 2,46 2,8 3,62 Deflectômetro D3 0 0,1 0,26 0,43 0,63 0,85 1,07 1,3 1,54 1,8 2,07 2,4 2,82 3,22 4,18 D4 0 0,07 0,2 0,36 0,56 0,79 0,99 1,23 1,47 1,76 2,02 2,31 2,66 3 3,97 D5 0 0 0 0 0,04 0,09 0,09 0,13 0,13 0,16 0,17 0,23 0,27 0,32 0,37 137 Tabela A.1.7 – Leitura para os deflectômetros na viga VPFAP2 CARGA (kN) 0 3 6 9 12 15 18 21 24 27 30 33 36 39 42 D1 0 0 0,03 0,22 0,5 0,8 1,05 1,26 1,5 1,68 1,87 2,14 2,38 2,65 3,34 D2 0 0,01 0,05 0,24 0,51 0,8 1,07 1,3 1,49 1,79 2,03 2,33 2,62 3,04 3,19 Deflectômetro D3 0 0,02 0,05 0,23 0,49 0,73 0,99 1,2 1,46 1,69 1,91 2,23 2,52 2,95 3,09 D4 0 0,01 0,04 0,18 0,41 0,63 0,86 1,07 1,31 1,54 1,77 2,04 2,35 2,87 3,21 D5 0 0 0 0,05 0,07 0,07 0,07 0,09 0,13 0,19 0,25 0,3 0,33 0,37 0,42 138 Tabela A.1.8 – Leitura para os deflectômetros na viga VPFAP3 CARGA (kN) 0 3 6 9 12 15 18 21 24 27 30 33 36 39 42 D1 0 0 0 0 0 0,16 0,38 0,58 0,76 0,9 1,05 1,13 1,23 1,38 2,37 D2 0 0 0 0,02 0,03 0,21 0,42 0,61 0,8 0,98 1,14 1,31 1,51 1,71 2,59 Deflectômetro D3 0 0 0 0 0,03 0,19 0,4 0,6 0,81 1,02 1,21 1,43 1,77 2,12 2,37 D4 0 0 0 0,01 0,02 0,16 0,33 0,51 0,7 0,9 1,03 1,22 1,49 1,75 2,08 D5 0 0 0 0 0,01 0,04 0,14 0,2 0,22 0,23 0,3 0,43 0,57 0,67 0,91 139 A.2 Deformações na superfície inferior e superior do concreto Tabela A.2.1 – Leitura dos extensômetros da superfície inferior dos conjuntos ensaiados CARGA (kN) 0 3 6 9 12 15 18 21 24 27 30 33 36 39 42 45 48 51 54 57 60 63 VMREF VMAP1 VMAP2 VMAP3 VPFREF VPFAP1 VPFAP2 VPFAP3 0 -0,013 -0,028 -0,064 -0,066 -0,018 -0,02 -0,022 0,024 0,02 0,072 0,107 -0,104 0,173 -0,048 -1,082 0 -0,005 -0,01 -0,014 -0,021 -0,031 -0,042 -0,053 -0,069 -0,082 -0,094 -0,095 -0,076 -0,139 -0,131 -0,155 -0,19 -0,046 -0,203 -0,426 -0,744 0 -0,067 -0,085 -0,107 -0,124 -0,15 -0,173 -0,198 -0,223 -0,252 -0,276 -0,3 -0,321 -0,354 -0,404 -0,731 -0,661 -0,706 -0,749 -0,796 -0,865 0 -0,008 -0,015 -0,003 -0,015 -0,027 -0,037 -0,047 -0,055 -0,064 -0,075 -0,085 -0,093 -0,101 -0,111 -0,116 -0,14 -0,129 -0,144 0 -0,005 -0,012 -0,02 -0,026 -0,034 -0,044 -0,05 -0,056 -0,064 -0,079 -0,091 -0,093 -0,097 -0,094 -0,102 0 -0,002 -0,002 -0,003 -0,036 -0,045 -0,046 -0,047 -0,056 -0,06 -0,055 -0,108 -0,092 -0,092 -0,095 -0,226 0 -0,002 -0,004 -0,007 -0,011 -0,015 -0,02 -0,023 -0,028 -0,033 -0,038 -0,042 -0,048 -0,055 -0,052 0 -0,007 -0,008 -0,016 -0,017 -0,019 -0,03 -0,028 -0,03 -0,032 -0,036 -0,038 -0,04 -0,043 -0,057 140 Tabela A.2.2 – Leitura dos extensômetros da superfície superior dos conjuntos ensaiados CARGA (kN) 0 3 6 9 12 15 18 21 24 27 30 33 36 39 42 45 48 51 54 57 60 63 VMREF VMAP1 VMAP2 VMAP3 VPFREF VPFAP1 VPFAP2 VPFAP3 0 -0,006 -0,002 -0,007 -0,014 -0,053 -0,06 -0,063 -0,069 -0,068 -0,045 -0,05 -0,098 -0,072 -0,042 -0,028 0 0,001 0,004 0,008 0,009 0,002 -0,004 -0,01 -0,015 -0,018 -0,022 -0,024 -0,031 -0,044 -0,052 -0,062 -0,075 -0,082 -0,098 -0,102 -0,132 0 -0,012 -0,015 -0,018 -0,021 -0,024 -0,026 -0,03 -0,032 -0,034 -0,038 -0,04 -0,044 -0,048 -0,052 -0,056 -0,056 -0,059 -0,064 -0,068 -0,072 0 -0,006 -0,013 -0,007 -0,016 -0,023 -0,03 -0,037 -0,046 -0,052 -0,059 -0,066 -0,069 -0,078 -0,088 -0,096 -0,104 -0,104 -0,107 0 -0,002 -0,005 -0,012 -0,017 -0,023 -0,024 -0,027 -0,032 -0,038 -0,041 -0,044 -0,049 -0,052 -0,052 -0,047 0 -0,004 -0,008 -0,012 -0,015 -0,018 -0,022 -0,024 -0,027 -0,031 -0,034 -0,038 -0,042 -0,047 -0,05 -0,052 0 -0,003 -0,006 -0,01 -0,013 -0,01 -0,013 -0,016 -0,018 -0,02 -0,023 -0,026 -0,025 -0,029 -0,033 0 -0,003 -0,004 -0,006 -0,003 0 -0,003 -0,006 -0,009 -0,011 -0,013 -0,017 -0,02 -0,025 -0,031 141 A.3 Deformações nas armaduras de flexão e ancoragem Tabela A.3.1 – Leitura dos extensômetros da armadura de flexão da viga bi-engastada CARGA (kN) 0 3 6 9 12 15 18 21 24 27 30 33 36 39 42 45 48 51 54 57 60 63 VMREF VMAP1 VMAP2 VMAP3 VPFREF VPFAP1 VPFAP2 VPFAP3 0 0,019 0,041 0,062 0,084 0,105 0,13 0,153 0,196 0,246 0,34 0,42 0,5 0,545 0,755 1,312 0 0,012 0,018 0,027 0,034 0,05 0,071 0,127 0,174 0,236 0,452 0,665 0,8 0,858 0,922 1,022 1,089 1,153 1,424 1,558 1,662 0 0,011 0,023 0,037 0,054 0,081 0,112 0,155 0,204 0,271 0,336 0,398 0,454 0,535 0,626 0,866 0,888 0,972 1,113 1,218 1,27 0 0,016 0,05 0,094 0,131 0,174 0,218 0,267 0,31 0,351 0,394 0,439 0,489 0,558 0,732 0,933 1,216 1,562 2,536 0 -0,02 -0,011 0 0,009 0,02 0,036 0,045 0,058 0,077 0,109 0,164 0,621 0,741 0,869 0,919 0 0,005 0,012 0,022 0,036 0,046 0,056 0,07 0,086 0,106 0,133 0,173 0,251 0,547 1,278 1,589 0 0,018 0,028 0,038 0,049 0,061 0,075 0,09 0,111 0,184 0,24 0,296 0,379 0,647 1,34 0 0,006 0,01 0,014 0,023 0,035 0,046 0,056 0,066 0,08 0,098 0,118 0,137 0,148 1,728 142 Tabela A.3.2 – Leitura dos extensômetros da armadura de flexão da viga em balanço CARGA (kN) 0 3 6 9 12 15 18 21 24 27 30 33 36 39 42 45 48 51 54 57 60 63 VMREF VMAP1 VMAP2 VMAP3 VPFREF VPFAP1 VPFAP2 VPFAP3 0 0,006 0,009 0,013 0,016 0,019 0,023 0,025 0,028 0,03 0,033 0,036 0,039 0,041 0,054 0,363 0 0 -0,001 -0,005 -0,005 -0,002 0,001 0,005 0,01 0,015 0,019 0,022 0,026 0,035 0,046 0,057 0,081 0,101 0,121 0,169 0,521 0 0,009 0,012 0,014 0,017 0,02 0,022 -0,014 0,031 0,032 0,038 0,04 0,02 0,01 0,018 0,094 0,117 0,175 0,326 0,461 0,756 0 0,008 0,081 0,114 0,104 0,116 0,121 0,124 0,133 0,166 0,173 0,176 0,19 0,235 0,183 0,19 0,26 0,296 0,903 0 0,034 0,048 0,049 0,049 0,056 0,056 0,058 0,072 0,073 0,079 0,081 0,127 0,14 0,16 0,179 0 0 0,001 0,002 0,002 0,002 0,004 0,005 0,007 0,011 0,013 0,015 0,017 0,022 0,027 0,033 0 -0,001 0,001 0,002 0,004 0,016 0,018 0,02 0,021 0,023 0,024 0,027 0,028 0,029 0,032 0 0,006 0,013 0,015 0,021 0,021 0,02 0,022 0,025 0,027 0,028 0,029 0,033 0,034 0,034 143 Tabela A.3.3 – Leitura dos extensômetros dos ganchos de ancoragem da ligação viga-viga CARGA (kN) 0 3 6 9 12 15 18 21 24 27 30 33 36 39 42 45 48 51 54 57 60 63 VMREF VMAP1 VMAP2 VMAP3 VPFREF VPFAP1 VPFAP2 VPFAP3 0 0,001 0,009 0,009 0,01 0,011 0,011 0,014 0,015 0,021 0,025 0,031 0,031 0,044 0,062 0,181 0 0 0 0,001 0,001 0,001 0,001 0 -0,001 -0,003 -0,007 -0,006 -0,005 -0,007 -0,006 -0,003 0,005 0,085 0,108 0,142 0,243 0 0,032 0,032 0,026 0,031 0,028 0,106 0,117 0,103 0,028 0,098 0,094 0,191 0,081 0,076 0,089 0,083 0,137 0,142 0,181 0,253 0 0,001 0,003 0,009 0,01 0,012 0,011 0,013 0,015 0,017 0,019 0,022 0,023 0,027 0,039 0,047 0,055 0,075 0,313 0 0,005 0,015 0,017 0,02 0,02 0,02 0,022 0,023 0,03 0,033 0,04 0,04 0,052 0,075 0 0,006 0,002 0,007 0 0,008 0,001 0,009 0,025 0,029 0,031 0,034 0,095 0,174 0,27 0,375 0 0,003 0,004 0,004 0,004 0,002 0,002 0,004 0,005 0,004 0,002 0,002 0,002 0,007 0,03 0 0,01 0,014 0,02 0,022 0,024 0,027 0,031 0,033 0,035 0,038 0,043 0,044 0,052 0,057 144 A.4 Deformações nas armaduras de cisalhamento Tabela A.4.1 – Leitura dos extensômetros da armadura de cisalhamento esquerda da viga bi-engastada CARGA (kN) 0 3 6 9 12 15 18 21 24 27 30 33 36 39 42 45 48 51 54 57 60 63 VMREF VMAP1 VMAP2 VMAP3 VPFREF VPFAP1 VPFAP2 VPFAP3 0 0,002 0,006 0,008 0,01 0,012 0,016 0,019 0,023 0,028 0,041 0,076 0,157 0,309 0,534 0,942 0 0,001 0,001 0,001 0,002 0,005 0,009 0,013 0,017 0,02 0,037 0,105 0,163 0,247 0,296 0,322 0,411 0,535 0,663 0,931 2,751 0 0,01 0,01 0,011 0,012 0,012 0,013 0,012 0,012 0,011 0,012 0,017 0,023 0,03 0,044 0,836 0,93 1,208 1,731 2,134 3,06 0 0 0,484 -0,065 -0,066 -0,064 -0,09 -0,087 0,235 0,235 0,237 0,24 0,368 0,488 0,573 0,692 0,744 0,841 3,505 0 0,013 0,014 0,015 0,016 0,018 0,019 0,023 0,024 0,027 0,035 0,043 0,055 0,057 0,046 0,077 0 0 -0,001 -0,001 -0,001 -0,002 -0,003 -0,003 -0,003 0,001 0 -0,001 0 0,002 0,022 0,04 0 0,033 0,034 0,034 0,034 0,034 0,034 0,034 0,034 0,035 0,035 0,035 0,041 0,043 0,045 0 0,004 0,004 0,002 0,001 0 0 0 -0,002 -0,002 -0,007 -0,005 -0,006 -0,006 0,013 145 Tabela A.4.2 – Leitura dos extensômetros da armadura de cisalhamento direita da viga bi-engastada CARGA VMREF VMAP1 VMAP2 VMAP3 VPFREF VPFAP1 VPFAP2 VPFAP3 (kN) 0 0 0 0 0 0 0 0 0 -0,003 0 -0,001 0,001 0,001 0 0,004 0 3 -0,005 0 0 0,013 0,002 0 0,006 0 6 -0,008 0,001 -0,001 0,015 0,002 0 0,009 0 9 -0,01 0,001 -0,002 0,017 0,002 0 0,011 0,002 12 -0,013 0,001 -0,002 0,02 0,003 0 0,014 0,003 15 -0,015 0,002 -0,004 0,022 0,004 0 0,017 0,005 18 -0,018 0,003 -0,003 0,024 0,004 0,001 0,02 0,007 21 -0,02 0,004 -0,004 0,028 0,005 0,001 0,024 0,009 24 -0,007 0,008 -0,006 0,031 0,007 0,005 0,025 0,012 27 -0,005 0,012 -0,008 0,035 0,01 0,008 0,032 0,015 30 -0,004 0,028 -0,011 0,039 0,013 0,008 0,04 0,018 33 0,008 0,042 -0,003 0,043 0,012 0,006 0,042 0,021 36 0,015 0,053 0,105 0,058 -0,002 0,012 0,061 0,046 39 0,036 0,068 0,445 0,094 0,012 0,018 0,152 0,888 42 1,232 0,107 0,827 0,12 0,051 0,016 45 0,168 0,876 0,155 48 0,295 0,968 0,232 51 0,338 1,131 2,82 54 0,857 1,249 57 2,757 1,297 60 63 146 Tabela A.4.3 – Leitura dos extensômetros da armadura de cisalhamento da viga em balanço CARGA (kN) 0 3 6 9 12 15 18 21 24 27 30 33 36 39 42 45 48 51 54 57 60 63 VMREF VMAP1 VMAP2 VMAP3 VPFREF VPFAP1 VPFAP2 VPFAP3 0 0,001 -0,001 -0,001 -0,002 0,001 -0,003 -0,002 -0,003 0,04 0,041 0,043 0,048 0,051 0,053 0,071 0 0 0 0,001 0,001 0,002 0,003 0,003 0,005 0,006 0,007 0,011 0,019 0,023 0,031 0,024 0,029 0,037 0,049 0,071 0,072 0 0,001 0,001 0,001 0,002 0,002 0,002 0,003 0,003 0,004 0,005 0,007 0,009 0,014 0,014 -0,003 -0,003 -0,006 -0,005 0,004 0,01 0 -0,001 -0,001 0 -0,001 0,001 0,001 0,001 0,001 0,003 0,003 0,004 0,004 0,005 0,004 0,002 0,002 0,002 0,004 0 0 0 -0,001 -0,001 -0,001 -0,001 -0,001 0 -0,005 -0,003 -0,002 0 0,001 -0,001 0 0 0 0 0 0 0 0,001 0,001 0,001 0,002 0,003 0,005 0,007 0,01 0,015 0,013 0 -0,002 -0,002 -0,002 0,016 0,016 0,015 0,015 0,016 0,017 0,017 0,08 0,078 0,079 0,097 0 0 0 0 -0,001 -0,001 -0,001 -0,001 -0,002 -0,002 -0,002 -0,002 -0,001 -0,001 0,004 147 Tabela A.4.4 – Média das leituras dos extensômetros das armaduras de cisalhamento esquerda e direita das vigas bi-engastadas CARGA (kN) 0 3 6 9 12 15 18 21 24 27 30 33 36 39 42 45 48 51 54 57 60 63 VMREF VMAP1 VMAP2 VMAP3 VPFREF VPFAP1 VPFAP2 VPFAP3 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,1 0,2 0,3 1,1 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,1 0,1 0,2 0,2 0,2 0,3 0,4 0,5 0,9 2,8 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,1 0,2 0,8 0,9 1,1 1,4 1,7 2,2 0,0 0,0 0,2 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,1 0,1 0,1 0,1 0,2 0,3 0,3 0,4 0,4 0,5 3,2 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,1 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,1 0,1 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,5 148 A.5 Deformações nas armaduras de pele e adicional de ancoragem Tabela A.5.1 – Leituras das armaduras de ancoragem das vigas VMAP1 e VPFAP1 CARGA (kN) 0 3 6 9 12 15 18 21 24 27 30 33 36 39 42 45 48 51 54 57 60 VMAP1 VPFAP1 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,2 0,2 -0,2 -0,2 -0,2 -0,2 -0,2 -0,2 -0,1 -0,1 0,0 0,4 0,9 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 149 Tabela A.5.2 – Leituras das armaduras de pele das vigas VMAP2 e VPFAP2 CARGA (kN) 0 3 6 9 12 15 18 21 24 27 30 33 36 39 42 45 48 51 54 57 60 63 VMAP2 VPFAP2 0,0 0,00 0,00 -0,01 -0,01 -0,02 -0,02 -0,03 -0,03 -0,04 -0,04 -0,04 -0,04 -0,04 -0,04 -0,05 -0,10 -0,09 0,03 0,09 0,24 0,0 0,01 0,01 0,01 0,01 0,00 0,01 0,01 0,00 0,04 0,05 0,04 0,05 0,10 0,48 150 Tabela A.5.3 – Leituras das armaduras de pele das vigas VMAP3 e VPFAP3 CARGA (kN) 0 3 6 9 12 15 18 21 24 27 30 33 36 39 42 45 48 51 54 57 60 63 VMAP3 ET1 VMAP3 0,00 0,00 0,00 0,20 0,21 0,21 0,22 0,22 0,22 0,22 0,23 0,23 0,17 0,17 0,19 0,20 0,20 0,19 0,30 ET2 VMAP3 0,00 0,00 0,01 0,02 0,04 0,05 0,11 0,11 0,12 0,12 0,13 0,10 0,11 0,11 0,14 0,15 0,19 0,58 1,02 VPFAP3 ET1 ET2 VPFAP3 VPFAP3 0,00 0,00 0,00 0,03 0,00 0,02 0,00 0,03 0,00 0,04 0,00 0,05 0,00 0,05 0,00 0,06 0,00 0,06 0,00 0,08 0,01 0,09 0,01 0,08 0,00 0,07 0,01 0,08 0,03 1,75 151 Ângulos de Torção A.6 Tabela A.6.1 – Ângulos de torção analisados a partir do deflectômetro D1 Tsk (kN.m) 0 1,2 2,4 3,6 4,8 6,0 7,2 8,4 9,6 10,8 12,0 13,2 14,4 15,6 16,8 18,0 19,2 20,4 21,6 22,8 24,0 25,2 ϕ (Grau) VMREF VMAP1 VMAP2 VMAP3 VPFREF VPFAP1 VPFAP2 VPFAP3 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,12 0,00 0,87 0,29 0,29 0,17 0,00 0,00 0,53 0,00 1,18 0,81 0,79 0,72 0,17 0,00 0,81 0,00 1,33 1,07 1,12 0,99 0,91 0,00 1,03 0,00 1,39 1,20 1,24 1,13 1,24 0,00 1,12 0,00 1,43 1,30 1,31 1,22 1,36 0,76 1,21 0,44 1,44 1,36 1,37 1,29 1,41 1,15 1,25 0,72 1,46 1,39 1,38 1,34 1,44 1,29 1,30 0,97 1,48 1,41 1,40 1,37 1,46 1,35 1,34 1,15 1,49 1,43 1,42 1,40 1,47 1,38 1,35 1,24 1,49 1,45 1,45 1,42 1,48 1,41 1,36 1,27 1,49 1,46 1,46 1,44 1,49 1,42 1,44 1,33 1,50 1,47 1,47 1,46 1,50 1,43 1,45 1,35 1,50 1,48 1,50 1,47 1,51 1,45 1,46 1,37 1,51 1,48 1,50 1,49 1,52 1,50 1,47 1,39 1,51 1,49 1,42 1,51 1,49 1,43 1,52 1,50 1,45 1,52 1,46 1,52 1,47 152 Tabela A.6.2 – Ângulos de torção analisados a partir do deflectômetro D2 Tsk (kN.m) 0 1,2 2,4 3,6 4,8 6,0 7,2 8,4 9,6 10,8 12,0 13,2 14,4 15,6 16,8 18,0 19,2 20,4 21,6 22,8 24,0 25,2 ϕ (Grau) VMREF VMAP1 VMAP2 VMAP3 VPFREF VPFAP1 VPFAP2 VPFAP3 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,23 0,00 0,72 0,44 0,53 0,53 0,06 0,00 0,65 0,00 1,17 0,89 0,97 0,97 0,29 0,00 0,91 0,00 1,32 1,16 1,22 1,17 0,95 0,12 1,13 0,00 1,39 1,25 1,31 1,29 1,25 0,17 1,21 0,53 1,42 1,33 1,37 1,36 1,36 0,89 1,28 0,87 1,45 1,38 1,42 1,40 1,41 1,19 1,32 1,06 1,46 1,42 1,43 1,43 1,44 1,30 1,36 1,21 1,48 1,44 1,45 1,45 1,46 1,36 1,39 1,29 1,49 1,45 1,46 1,46 1,48 1,40 1,40 1,36 1,50 1,47 1,47 1,48 1,49 1,42 1,41 1,48 1,50 1,48 1,47 1,49 1,50 1,44 1,47 1,49 1,51 1,49 1,48 1,50 1,51 1,46 1,48 1,50 1,52 1,49 1,51 1,51 1,51 1,47 1,49 1,51 1,52 1,50 1,52 1,52 1,52 1,51 1,50 1,52 1,52 1,51 1,53 1,53 1,52 1,53 1,53 1,52 1,54 1,54 1,54 1,54 1,54 153 Tabela A.6.3 – Ângulos de torção analisados a partir do deflectômetro D3 Tsk (kN.m) 0 1,2 2,4 3,6 4,8 6,0 7,2 8,4 9,6 10,8 12,0 13,2 14,4 15,6 16,8 18,0 19,2 20,4 21,6 22,8 24,0 25,2 ϕ (Grau) VMREF VMAP1 VMAP2 VMAP3 VPFREF VPFAP1 VPFAP2 VPFAP3 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,34 0,00 0,76 0,53 0,53 0,53 0,12 0,00 0,76 0,00 1,19 0,97 1,03 0,99 0,29 0,00 1,01 0,00 1,34 1,22 1,24 1,19 0,93 0,00 1,18 0,00 1,40 1,31 1,33 1,31 1,24 0,17 1,26 0,69 1,44 1,38 1,38 1,37 1,34 0,84 1,31 1,03 1,46 1,42 1,43 1,41 1,40 1,17 1,36 1,17 1,48 1,44 1,45 1,44 1,43 1,29 1,39 1,29 1,49 1,46 1,46 1,46 1,45 1,36 1,41 1,36 1,50 1,48 1,48 1,48 1,47 1,41 1,42 1,41 1,51 1,49 1,50 1,49 1,48 1,43 1,43 1,45 1,51 1,50 1,51 1,50 1,49 1,45 1,49 1,48 1,52 1,50 1,52 1,51 1,50 1,48 1,50 1,50 1,53 1,51 1,53 1,52 1,51 1,49 1,51 1,52 1,53 1,52 1,53 1,53 1,52 1,50 1,51 1,53 1,53 1,53 1,53 1,53 1,53 1,54 1,53 1,54 1,54 1,54 1,55 1,54 1,55 154 Tabela A.6.4 – Ângulos de torção analisados a partir do deflectômetro D4 Tsk (kN.m) 0,0 1,2 2,4 3,6 4,8 6,0 7,2 8,4 9,6 10,8 12,0 13,2 14,4 15,6 16,8 18,0 19,2 20,4 21,6 22,8 24,0 25,2 ϕ (Grau) VMREF 0,00 0,17 0,57 0,87 1,12 1,19 1,27 1,31 1,36 1,38 1,39 1,40 1,46 1,48 1,49 1,50 VMAP1 VMAP2 VMAP3 VPFREF 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,76 0,49 0,44 0,00 1,19 0,95 0,91 0,00 1,34 1,19 1,21 0,00 1,40 1,29 1,30 0,53 1,44 1,36 1,37 0,95 1,46 1,40 1,41 1,12 1,47 1,43 1,43 1,24 1,48 1,46 1,45 1,33 1,50 1,47 1,46 1,38 1,51 1,48 1,47 1,44 1,51 1,49 1,47 1,46 1,52 1,50 1,48 1,49 1,52 1,50 1,51 1,51 1,52 1,51 1,52 1,52 1,53 1,52 1,53 1,53 1,52 1,53 1,53 1,53 1,54 1,54 1,54 1,54 1,55 VPFAP1 VPFAP2 0,00 0,00 0,39 0,06 0,87 0,23 1,13 0,81 1,28 1,18 1,36 1,31 1,40 1,38 1,43 1,41 1,46 1,44 1,47 1,46 1,49 1,48 1,50 1,49 1,51 1,50 1,51 1,51 1,53 1,52 VPFAP3 0,00 0,00 0,00 0,06 0,12 0,76 1,10 1,25 1,33 1,38 1,41 1,43 1,46 1,47 1,49 155